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O empresário em um ambiente de livre mercado e em um ambiente estatista
Sua moral e ética definirão suas atitudes

O que o capitalista-empreendedor faz? Ele poupa (ou pega emprestado fundos que foram poupados por terceiros), contrata mão-de-obra, compra ou aluga bens de capital e terra, e compra matéria-prima. 

Ato contínuo, ele passa a produzir seus produtos ou seus serviços, quaisquer que sejam, na esperança de obter lucros nessa empreitada.

Lucros são definidos como sendo simplesmente um excesso de receitas de venda em relação aos custos de produção. Os custos de produção, no entanto, não determinam a receita. Caso contrário, se os custos de produção determinassem os preços e as receitas, então todo mundo seria um capitalista. Ninguém jamais iria à bancarrota. 

A realidade, no entanto, é outra: é a antecipação correta dos preços e das receitas futuros o que irá determinar quais serão os custos de produção que o capitalista poderá bancar. Empreendedorismo é, acima de tudo, a arte de saber antecipar corretamente as demandas dos consumidores e direcionar os recursos presentes de modo a fabricar bens que atenderão aos desejos dos consumidores no futuro.

O capitalista não sabe quais serão os preços futuros e nem qual a quantidade de seu produto será comprada aos preços praticados. Tudo isso vai depender dos consumidores. E o capitalista não possui nenhum controle sobre eles. O capitalista tem de especular qual será a demanda futura por seus produtos; e, caso sua especulação se revele errada, ele não apenas não irá ter lucros como na verdade irá ter prejuízos.

Arriscar o próprio dinheiro antecipando uma demanda futura incerta é obviamente uma tarefa difícil. O resultado pode ser lucros magnânimos, mas também pode ser a ruína financeira. Poucas pessoas estão dispostas a se arriscar assim, e um número ainda menor de pessoas é realmente excelente nisso, conseguindo permanecer no mercado por um longo período de tempo.

Porém, há ainda mais coisas a serem ditas sobre a dificuldade de ser um capitalista.

Cada capitalista está em permanente concorrência com todos os outros capitalistas pela limitada quantia de dinheiro que os consumidores estão dispostos a gastar em seus bens e serviços. Cada produto concorre com todos os outros produtos. Sempre que os consumidores gastam mais (ou menos) em um bem, eles irão gastar menos (ou mais) em outros bens. Mesmo que um capitalista tenha criado um produto bem sucedido e tenha lucrado com ele, não há garantia nenhuma de que isso irá continuar assim por muito tempo. Outros empreendedores podem imitar seu produto, produzi-lo a custos mais baixos, vender a preços menores e, com isso, tomar os seus clientes. 

Para impedir isso, todo capitalista precisa se esforçar continuamente para reduzir seus custos de produção. No entanto, mesmo tentar produzir o que quer que você produza a preços cada vez menores ainda não é o bastante.

O conjunto de produtos oferecidos pelos vários capitalistas está em um constante fluxo, assim como também está em fluxo constante a avaliação que os consumidores fazem destes produtos. Continuamente, novos e aprimorados produtos são oferecidos no mercado, e os gostos dos consumidores mudam constantemente. Nada permanece constante. A incerteza do futuro que aguarda o capitalista nunca desaparece. 

Sempre haverá o chamariz dos lucros, mas também sempre haverá a ameaça de prejuízos. 

Repetindo, portanto: é bastante difícil se manter continuamente como um empreendedor bem sucedido, sem jamais voltar para a categoria de mero empregado. Este empresário estará continuamente à mercê dos caprichos, desejos e exigências dos consumidores. E estes são extremamente volúveis.

O capitalista em um ambiente estatista

Agora, coloquemos o estado neste cenário para vermos como ele afeta a atividade do capitalista.

O estado é convencionalmente definido como uma instituição que possui o monopólio da jurisdição de seu território, sendo o tomador supremo de decisões judiciais para todos os casos de conflito, inclusive os conflitos envolvendo o estado e seus próprios funcionários. Adicionalmente, e em consequência desta característica, o estado possui também o direito de tributar, isto é, de determinar de maneira unilateral o preço que seus súditos têm de lhe pagar para que ele efetue essa tarefa de tomar decisões supremas.

Tendo o monopólio da jurisdição e o poder de tributar — sendo que ambos esses poderes lhe conferem um terceiro poder, que é o poder de legislar, regular, controlar e restringir —, o estado adquire a singular condição de poder escolher quem irá e quem não irá prosperar.

Agir sob estas restrições — ou melhor, sob esta falta de restrições — é o que constitui a política e as ações políticas. Consequentemente, já deveria estar claro desde o início que a política, por sua própria natureza, sempre significará transgressões, fraudes e delitos. 

Mais especificamente, podemos fazer a priori uma previsão sobre quais as consequências que a imposição de um estado terá sobre a conduta dos empreendedores. 

Na ausência de um estado, são os consumidores quem determinam o que será produzido, com que qualidade e em qual quantidade, bem como quais empreendedores irão prosperar e quais irão à falência. Com a intervenção do estado, a situação enfrentada pelos empreendedores torna-se inteiramente diferente. 

Agora passa a ser o estado e seus funcionários, e não os consumidores, quem em última instância irá decidir quem irá prosperar e quem irá falir. 

Dado que o estado vive repleto de dinheiro de impostos, de dinheiro adquirido via endividamento (dívida esta que será paga por toda a sociedade via impostos) e de dinheiro criado por seu próprio Banco Central, ele pode gastar em maior volume do que qualquer outra entidade. Consequentemente, o estado pode sustentar qualquer empreendedor concedendo-lhe subsídios, empréstimos a juros baixos ou fornecendo contratos exclusivos para obras públicas. Ele pode também socorrer qualquer empreendedor que esteja passando por dificuldades (porque os consumidores não mais querem seus produtos).

Por outro lado, o estado também pode arruinar qualquer empreendedor ao simplesmente decidir investigar suas operações e encontrar alguma violação (sempre haverá uma, inevitavelmente) de leis e regulamentações estatais. Ou mesmo qualquer deslize tributário.

Sendo o monopolista da violência, o estado (seus membros) pode achacar e extorquir aqueles empresários de quem ele não gosta, os quais não poderão simplesmente se negar a pagar o achaque, pois sabem que, se o fizerem, sua empresa poderá ser prejudicada das mais diversas formas. [N. do E.: no Brasil, quem trabalha na construção civil sabe que em algum momento um fiscal do governo surgirá pedindo um "agrado"].

Ademais, o estado pode ele próprio utilizar o dinheiro que extrai da população para tentar se tornar um empreendedor. E dado que ele não precisa se preocupar em ter lucros e evitar prejuízos — pois ele sempre poderá suplementar suas receitas por meio de impostos, endividamento ou criação própria de dinheiro —, ele sempre poderá sobrepujar qualquer produtor privado que esteja produzindo bens ou serviços similares.

Finalmente, em decorrência de seu poder de legislar e criar leis, o estado pode conceder privilégios exclusivos para algumas empresas específicas, isolando-as ou protegendo-as da concorrência, seja por meio de tarifas protecionistas, de barreiras alfandegárias ou mesmo por uma simples e direta reserva de mercado. Similarmente, ele pode expropriar parcialmente — e criar uma série de empecilhos sobre — outras empresas.

Nesse ambiente, torna-se imperativo que todos os empreendedores prestem total e constante atenção ao mundo político. Para permanecer vivo e possivelmente prosperar, um empreendedor terá agora de dedicar muito tempo e esforço a tarefas que nada têm a ver com a satisfação de seus clientes, mas sim com a satisfação do poder político. E, desta forma, baseando-se em sua compreensão acerca da natureza do estado e da política, ele terá de fazer uma escolha: uma escolha moral.

Ele pode escolher se juntar ao estado e se tornar parte desta vasta organização criminosa. Ele pode subornar políticos, partidos políticos ou funcionários públicos, seja com dinheiro ou com promessas tangíveis (algum emprego futuro no setor "privado" como "membro do conselho administrativo" ou como "conselheiro" ou "consultor"), com o objetivo de obter para si próprio algumas vantagens econômicas em detrimento das outras empresas concorrentes. 

Ele pode pagar propinas para assegurar contratos (de obras públicas ou de fornecimento de material para empresas estatais) ou garantir subsídios para ele próprio em detrimento dos outros concorrentes. Ou ele também pode pagar propinas para conseguir a aprovação ou a manutenção de legislações que assegurem a ele e à sua empresa privilégios legais e lucros monopolistas — ao mesmo tempo em que parcialmente expropria e oprime seus concorrentes.

Desnecessário dizer que vários empresários optaram por este caminho. Em específico, grandes bancos, grandes indústrias e empreiteiras se tornaram desta maneira intricadamente envolvidos com o estado, e vários empresários hoje milionários construíram suas fortunas muito mais em decorrência de suas habilidades políticas do que em decorrência de suas habilidades como empreendedores preocupados em bem servir aos consumidores.

A escolha

Mas há a outra escolha: um empreendedor pode optar pelo caminho honroso — e ao mesmo tempo muito mais difícil. 

Este empreendedor está a par da natureza do estado. Ele sabe que o estado e seus funcionários estão ali apenas para intimidá-lo, chantageá-lo e extorqui-lo, para confiscar sua propriedade e seu dinheiro. Pior: ele sabe que eles são hipócritas arrogantes e presunçosos, que afetam superioridade moral e se acham acima de todo o bem e todo o mal. 

Sabendo disso, essa espécie bastante rara de empreendedor terá então de se esforçar e tentar fazer o seu melhor para sempre se antecipar e se ajustar a toda e qualquer manobra maléfica do estado. Ele não irá se juntar à gangue. Ele não pagará propinas para assegurar contratos ou privilégios do estado. Ao contrário, ele estará sempre tentando, na medida do possível, defender o que quer que tenha restado de sua propriedade e de seus direitos de propriedade, e tentará ainda obter o máximo de lucro possível operando nesta situação estressante.

Ou seja, é só para verdadeiros heróis.

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12 votos

autor

Hans-Hermann Hoppe
é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo e The Economics and Ethics of Private Property.



  • Alexandre Alef  20/04/2017 12:53
    Esse é o exemplo claro do que acontece em nosso pais, o governo cria "caminhos" para empresas grandes, como a Odebrecht, obterem todo o mercado de grandes construções no pais, em troca de financiamentos para campanhas eleitorais e tudo o mais. Monopólio só beneficia grandes empresas e o próprio governo, o consumidor que era pra ser o "manda-chuva" fica em segundo plano.
  • Felipe Lange S. B. S.  20/04/2017 12:59
    No Brasil, além de ter de tentar prever demandas dos consumidores e tentar ser mais eficiente possível, ainda tem que aguentar amolação de sindicato, (in)justiça do trabalho, impostos, órgãos estatais reguladores, moeda que não presta e (muita) burocracia e que confunde a cabeça.

    Enquanto empreender e arrumar emprego está cada vez pior, não faltam oportunidades para entrar em cargos estatais e esbanjar do espólio alheio.
  • Vinicius Goulart  20/04/2017 13:02
    O que me intriga é como Hoppe demora tanto tempo para escrever o que poderia ser explicado em linhas
  • LUIZ F MORAN  20/04/2017 13:38
    Brasil = modelo econômico fascista
  • KIKO  20/04/2017 15:28
    analisei varias vezes a ideia do anarquismo e por hora conclui o seguinte: seria bem melhor um mundo sem nenhum politico e sem o modelo de estado atual, porem não é possivel acabar com todas as formas de estado-podem acabar com o estado publico porem assim que ele for extinguido varios novos estados privados irão surgir-como exemplo de estado privado vou citar o dono de uma rua ele por ser o dono da rua sera o novo estado privado pois ele podera atrapalhar qualquer pessoa que precise usar a rua seja para trabalhar, morar ou simplesmente para usa-la como ponte ate chegar ao seu destino
  • Douglas Klann  20/04/2017 15:56
    Kiko, quais os benefícios que ele teria em fazer isso?
  • Jo%C3%83%C2%A3o Kugler  20/04/2017 16:12
    Mas ele não é o dono da rua? Ele faz o que quiser com a sua propriedade, é que nem a sua casa ou voce deixa as pessoas passarem a vontade por ela?
  • Madruga  20/04/2017 17:17
    Por essa lógica, nenhum shopping jamais permitiria a entrada de ninguém.

    Seu erro está em não ser capitalista. Se eu fosse o proprietário de uma rua, estimularia ao máximo o estabelecimento de comércios naquela rua (ganharia muito com o aluguel) e liberaria geral o acesso de pessoas à rua. Quanto mais elas consumissem, mais o comércio ganharia, mais dinheiro de aluguel para mim.
  • Etibelli  20/04/2017 16:40
    Alguém poderia melhor me explanar sobre a propaganda na visão austríaca? Pelo o que eu entendo, os empreendedores conseguem sim moldar os anseios dos consumidores, através de variados mecanismos publicitários e psicológicos, que induzem e manipulam as pessoas para o consumo.
  • Marcos  20/04/2017 17:02
    Desculpe-me a sinceridade, mas isso é postura de derrotado. "Ai, se o estado não cuidar de mim, vou acabar sendo levado a comprar uma BMW!".

    Pelamor....

    Propaganda é um fator de produção. É um bem de capital. É um investimento. (Agora, propaganda política, isso sim é danoso para toda a sociedade. Só tem mentira e o resultado é a entrega do poder para sociopatas).

    Sobre o tema da publicidade:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=431

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1968

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1385
  • Etibelli  21/04/2017 00:53
    "Desculpe-me a sinceridade, mas isso é postura de derrotado. "Ai, se o estado não cuidar de mim, vou acabar sendo levado a comprar uma BMW!".

    Pelamor....

    Propaganda é um fator de produção. É um bem de capital. É um investimento. (Agora, propaganda política, isso sim é danoso para toda a sociedade. Só tem mentira e o resultado é a entrega do poder para sociopatas)".


    Já li os artigos linkados. Sobre seu exemplo, em nada condiz com que eu questionei, em momento algum imbuí ao Estado a atribuição de nos proteger dos anúncios publicitários, independente do tipo ou para qual público é destinado. Para mim, essa é a típica neurose liberal de generalizar apressadamente e definir aqueles que se contrapõem a algumas de suas visões como estatistas.

    Quando alguém se dispõe a comprar uma BMW a pessoa não o faz, a priori , por conhecer os caracteres objetivos desse carro, como freio ABS, teto móvel, sensor traseiro, capacidade do tanque, etc, ou seja, pela utilidade objetiva e mensurável do automóvel. Mas sim pela sua utilidade subjetiva a qual pode englobar outras percepções individuais como, no exemplo do carro, design, status socioeconômico, mulheres, felicidade por consumir, etc. É nesse aspecto que incide a propaganda. Ao reduzir a preferência temporal do indivíduo e ampliar sua utilidade pessoal sobre certo bem, a publicidade cumpre não apenas com sua função de difundir um novo produto ou marca, mas também de induzir e manipular a consciência das pessoas para ao menos experimentarem ou propagarem ainda mais a informação da existência dessa mercadoria.

    A economia, independemente da linha de pensamento, se restringe a analisar a propaganda no aspecto que lhe é devido. Nesse sentido, não questiono a percepção dos austríacos da publicidade enquanto fator necessário e legítimo de produção. Mas não se pode negligenciar esse aparato como mecanismo de interferência psicológica no aspecto individual e coletivo. É evidente que a publicidade atua no sentido de moldar a cognição de cada um ao difundir expectativas, boatos, vazamentos, informções duvidosas. Isso se deve ao fato de que é sabido que os seres humanos não são de um todo racional e autocrítico e, com efeito, estão constantemente suscetíveis à manipulações, induções, erros e acertos.

    Isso é empiracamente perceptível em ocasiões como a Mega Sena acumulada, a Black Fraude (inclusive em paises do exterior) etc

    Hayek, de certo modo, abordou essa temática ao afirmar que os agentes econômicos, em trocas voluntárias, não apresentem total conhecimento durante o processo de troca, embora esse beneficie ambos. No entanto, tal tema, ainda que sob a ótica marxista, foi melhor analisado e elaborado por Adorno.

    Enfim, ainda não me convenceram totalmente
  • Franke  20/04/2017 17:04
    A propaganda é um serviço feito para que um produto seja divulgado para o público ou até mesmo criar uma demanda inexistente( vide mercado de diamantes). Não há nada de errado nisso.
  • Felipe Lange S. B. S.  20/04/2017 17:11
    Isso justamente acontece no horário eleitoral obrigratório. E ainda parasitas querendo mandar na sua vida.

    O tempo todo as pessoas são influenciadas, inclusive você se influenciou por alguém e através disso conclui que a propaganda é algo maligno.
  • Lopes  20/04/2017 17:40
    Você não comprou a Jequiti somente porque havia propaganda no SBT, comprou? Você assume que outras pessoas são diferentes de você e o fariam? Se sim, você usaria força para impedi-las caso quisessem comprar Jequiti?

    Quem me dera que a propaganda pudesse criar escassez. Quem trabalhou com vendas sabe que para cada 50 entrevistados, um só está interessado.

    Sendo assim, a meta da propaganda é conectar aquele consumidor solitário e desavisado ao meu produto pois o conhecimento não é absoluto. Exemplo:

    Se eu quero investir em uma escola nova em uma cidade que não conhece meu sistema de ensino e minha marca (ou seja, não possuem conhecimento), eu preciso fazer propaganda para garantir que as pessoas saberão que meu empreendimento existe e para que eu possa conectar aos interessados quem antes eram leigos da minha empreitada. Propaganda alguma plantará na cabeça de quem não tem filhos a necessidade de fazer matrículas.
  • Reserva de mercado  20/04/2017 21:53
    Propaganda não é danosa. Ponto.

    Agora propaganda enganosa é danosa.

    Simples assim.
  • Capital Imoral  20/04/2017 16:56
    -Cafezinho com Capital Imoral, post3.
    No artigo desta semana, irei comentar sobre os 5 primeiros mandamentos instituídos por Deus e como o capitalismo deturpa esses mandamentos.

    Os 5 primeiros mandamentos
    Finalizamos recentemente, um dos momentos mais importantes para os Cristãos do mundo inteiro; A semana santa. Nada como relembrar parte dos 10 mandamentos e como o capitalismo eliminou pouco a pouco da nossa vida, essas leis divinas.

    1 - Amar a Deus sobre todas as Coisas.
    O mandamento mais importante instituído por Deus, é sem dúvida também, o mandamento mais odiados pelo capitalistas e neoliberais do mundo inteiro. Porque amar a Deus sobre todas as coisas, significa renunciar a si mesmo. O capitalismo vive de quebrar está regra, ele necessita que você seja um rei de sua individualidade e que tudo e todos sejam vistos como uma escolha de mercado. Deus torna-se um concorrente direto de minha marca; eu quero que você tenha olhos para minha marca, não para bíblia. A consequência, é um fenômeno que faz que você cultue outros deuses; como o deus do sexo, o deus da matéria, o deus da ideologia.

    2 - Não tomar seu santo nome em vão.
    Quando os homens aderiram ao capitalismo, Deus transformou-se em um nome de mercado. Em um "case" como gostam de chamar os publicitários, apenas uma imagem que concorre com outras milhares de imagens. Devido ao livre mercado de idéias que está matando todos seres humanos; a mente humana foi tão destruída pela liberdade irrestrita que os homens começaram a zombar da própria divindade. Como terei dinheiro dos homens, se eles pouco consomem, ficam o dia inteiro em reflexões interiores e leituras?. Deus tornou-se concorrente direto dos capitalistas, pois ele é a voz que diz: Não! Eu não vou consumir! Eu estou bem com o que tenho. A única opção racional que resta, é matar este Deus. Nasce assim uma máquina de difamação nas televisões, rádios, jornais, escolas, livrarias. Tudo e todos em uma liturgia comum de ódio.

    3- Guardar domingos e festas de guarda.
    Decaímos tanto, devido ao capitalismo, que o domingo virou dia de "descanso"; mas em seu sentido religioso, o domingo não foi instituído como dia de descanso, mas como dia de guarda. Antigamente os homens trabalhavam 6 dias, e no sétimo dia paravam por um dia inteiro para refletir sobre o que transcende o homem. Foi assim que começamos a evoluir o ser interior que habita em todos nós, tanto no sentido intelectual quanto no sentido espiritual.

    Adivinha quem foi que desvirtuou tudo isso? Sim, o capitalismo. Agora o homem quer assistir um jogo de futebol no domingo, Fica o dia inteiro em frente à televisão comendo igual um porco! A mulherzinha quer ir no shopping satisfazer seu vazio interior, com a matéria e estética. O jovem quer acessar o xvideos para "relaxar". O homem de antigamente não existe mais, e não foi os socialistas que mudaram este homem.

    4- Honrar pai e mãe.
    Um jovem é apenas reflexo da cultura de um povo, quando o capitalismo controla à cultura e institui sua cultura consumista, os homens começam a decair. Honrar pai e mãe é um dos poucos mandamentos que ainda sobrevive nessa sociedade podre, pois em algum sentido genético, o jovem ainda tem algum respeito por sua mãe, entretanto, não posso deixar de notar que o capital tem a capacidade de até mesmo fazer os filhos se voltarem contra os pais. Tudo isso graças a ideologia do capital; deixe-me lembra-lo sobre o pai que matou o próprio filho, devido à ideologia politica: g1.globo.com/goias/noticia/2016/11/pai-mata-filho-durante-discussao-e-depois-comete-suicidio-diz-policia.html

    5- Não matar
    Talvez este seja o mandamento que o capital mais desvirtuou nos homens. Deus diz: "ameis uns aos outros, assim como eu vos amei". Como irei amar o meu próximo, quando nem sequer existe vida interior dentro de mim para receber está mensagem? Estou ocupado demais jogando meu playstation 4, estou ocupado demais tentando fazer sexo com a menina do facebook, estou ocupado demais cobiçando a matéria e a carne alheia. Porcos! Imundos!
    Tudo isso levou o homem a matar o seu próximo, pois ele nem sequer é capaz de perceber as sutilezas da vida. Um homem mata por sexo! Um homem mata por uma moto! Um homem mata por um relógio! Um homem mata por dinheiro.

    +Plus - Ovinho de chocolate para Leandrinho.
    Eu não posso deixar de lembrar, sobre como o capitalismo desvirtuou uma data cristã e transformou em uma data comercial; Data está, onde sai ovos de chocolate do bumbum de um coelho. Ou você vai negar isso também neoliberal? Vai dizer que foi Kim Jong-un que criou a páscoa no Brasil? Fica evidente os malefícios da cultura capitalista dentro de uma sociedade. Não existe exemplo melhor para retratar à queda que o capitalismo nos impõe, do que está mudança de paradigma cultural. A páscoa cristã, era uma data de reflexão e guarda; refletir sobre o que? refletir sobre seus pecados; guardar o que? guardar a esperança de uma ressurreição "incorruptível". O capital simplesmente matou tudo isso e o importante agora é comer chocolate e ganhar bastante dinheiro. Não é mesmo leandrinho?


    Cafezinho é uma coluna publicada toda quarta-feira pelo filósofo e escritor Capital Imoral.
    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Pobre Rico  20/04/2017 17:21
    "Ele sabe que o estado e seus funcionários estão ali apenas para intimidá-lo, chantageá-lo e extorqui-lo, para confiscar sua propriedade e seu dinheiro. Pior: ele sabe que eles são hipócritas arrogantes e presunçosos, que afetam superioridade moral e se acham acima de todo o bem e todo o mal". Perfeito.

    E o pior que a grande maioria da sociedade exalta o funcionarismo público.
  • Taxidermista  21/04/2017 00:38
    Off topic (mas nem tanto):

    É importante os leitores do site ficarem cientes da existência do art. 318 do Código Civil:

    "Art. 318. São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional, excetuados os casos previstos na legislação especial."

    É uma desgraça sem fim...
  • Lopes  21/04/2017 02:24
    (Off-topic)

    Congratulações ao IMB pelo novo layout do site.

    Está aprazível e organizado.
  • KIKO  21/04/2017 06:48
    disse tudo amigo ele faz o que quiser com ela, o problema esta que isto vai tornar a vida das pessoas proibidas um caos pois imagine a situação de voce ter que levar alguem a um hospital e não puder chegar la simplesmente porque foi proibido de usar a rua, diante disso pergunto o que voce ira fazer?? isso so foi um exemplo posso citar aqui varios outros nos quais demonstro que o dono do estado privado pode atrapalhar a vida das pessoas-logico que se ele tiver prejuizo financeiro ele vai voltar atras porem se existem casos em que ele não perdera nada e podera atrapalhar a vida das pessoas que ele não gosta causando assim um transtorno serio para varias pessoas
  • Madruga  21/04/2017 14:41
    Você está confundindo livre mercado com estado totalitário. É exatamente num estado totalitário que um indivíduo é marcado como persona non grata e proibido de circular.

    Em uma rua com milhões de carros circulando diariamente, impossível um indivíduo ser marcado, identificado e proibido de circular nela.

    Mas, ok, pelo bem do debate, vamos supor que este seu cenário fictício se torne uma realidade. O que ocorreria?

    1) Tal indivíduo sempre poderá utilizar outras ruas;

    2) Em caso de acesso remoto -- ou seja, o hospital só é acessado por aquela rua --, os próprios donos do hospital farão um contrato com o dono da rua estipulando total liberdade de acesso a qualquer pessoa. Se não fizerem isso, o hospital ficará sem clientes e irá à falência.

    Detalhe: para alguém comprar uma rua, todos os moradores e comerciantes desta rua -- seus proprietários -- têm de estar de comum acordo. Caso um único não esteja, não há negócio, pois sua propriedade -- o espaço que sua casa ocupa -- não pode ser vendida sem seu consentimento. Isso é o básico do básico.

    Caso todos concordem com a venda, eles certamente farão um contrato, o qual conterá uma cláusula especificando não apenas que os moradores e comerciantes daquela rua deverão ter irrestrito acesso a ela, como também estipulando que o novo administrador jamais poderá bloqueá-la, por qualquer motivo que seja, inclusive por rixas pessoais com alguém.

    Eis a palavra-chave: contrato.
  • Marcio Castro  22/04/2017 20:12
    Vamos supor que o governo precise de materiais de papelaria. Como evitar que ele faça falcatruas através de licitações e propinas? Como o livre mercado evitaria isso? A solução seria acabar com o Estado de vez? rs


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