O cigarro, os fumantes e os direitos de propriedade
por , sábado, 8 de agosto de 2009

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N. do T.: Com a entrada em vigor da lei antifumo decretada pelo governo de São Paulo - a qual proíbe o fumo em estabelecimentos privados -, o estado mostra que já perdeu qualquer respeito pela instituição da propriedade privada.  O indivíduo não mais é soberano em seus próprios domínios.  Apesar de a medida ser aplaudida pelos não-fumantes, é importante mostrar por que essa intrusão gera preceitos muito perigosos.

 

Mesmo os não-fumantes devem ter um interesse muito mais que passageiro no recente assalto empreendido pelos governos às empresas de cigarro e, principalmente, aos indivíduos que fumam. 

Houve uma época em que se podia desfrutar um cigarro ou um charuto em restaurantes e bares.  Com o passar dos anos, entretanto, a maioria dos governos estaduais sucumbiu à pressão e lobby de grupos antitabagistas, infringindo o direito básico que qualquer estabelecimento privado tem de determinar autonomamente a sua política tabagista.

É fácil perceber pelo seu discurso que várias dessas pessoas e organizações antifumo não apenas têm aversão à liberdade como também possuem uma mentalidade absolutamente totalitária.

Mesmo os não-fumantes não ativistas se mostram contentes com essas leis.  Eles se dizem contrariados em ter de respirar fumaça de cigarro enquanto estão comendo, dançando ou conversando, e também não gostam de ficar com o cheiro de cigarro entranhado em suas roupas ao final do expediente.  E não nos esqueçamos também dos garçons e garçonetes que dizem ter o direito de trabalhar em um ambiente livre da fumaça do cigarro.

Já os ativistas afirmam estarem apenas protegendo a saúde pública e impedindo que haja invasões indesejadas no "espaço privado" dos não-fumantes.  Porém, os métodos que eles empregam somente podem ter sucesso quando o governo parte para o confisco da propriedade privada - sem qualquer reparação de danos aos proprietários, obviamente.

Após exitosamente terem forçado as empresas de tabaco a financiar vários esquemas governamentais, a arcar com uma das maiores cargas tributárias da economia e a utilizar métodos publicitários que convençam as pessoas a não fumar, o próximo passo natural e inevitável foi banir o fumo no "ambiente de trabalho".  Embora a maioria de nós pense que "ambiente de trabalho" seja algo tipo um escritório ou estabelecimentos afins, a definição utilizada pelos ativistas é bem mais vasta, incluindo especialmente estabelecimentos como bares e restaurantes, os quais tradicionalmente são o refúgio favorito dos fumantes.

Os defensores de um "ambiente de trabalho livre do cigarro" afirmam que, uma vez que não-fumantes trabalham em bares e restaurantes, e uma vez que a fumaça expelida pelo fumante contém os chamados carcinógenos da classe A, que em altas doses podem causar câncer, os não-fumantes teriam o direito de trabalhar em ambientes "seguros".  Em outras palavras, ao banir o fumo desses lugares, o governo está simplesmente protegendo os "direitos" dos trabalhadores.

Superficialmente, tais argumentos podem parecer plausíveis, mas basta aprofundarmos um pouco para vermos que eles não apenas são enganosos, mas também absolutamente perigosos.  Tais leis se resumem a um puro confisco da propriedade.  Qualquer entidade governamental que determine as regras está utilizando de força para limitar um comportamento que possa vir a ocorrer em uma propriedade privada, embora seja o proprietário o responsável por aplicar essa regra - sob o risco de perder sua propriedade e talvez até mesmo sua liberdade caso desobedeça.  Os proprietários, que em um livre mercado teriam a liberdade de decidir autonomamente se querem ou não permitir o fumo, têm esse direito confiscado pelo estado.

Mas o detalhe básico a que poucos parecem dar atenção é que as pessoas que são empregadas ou clientes de um bar ou restaurante estão ali por opção própria.  Colocando de outra maneira, aqueles indivíduos que decidem trabalhar em um determinado estabelecimento, ou comer e beber ali, tomaram essa decisão livremente.  Nenhum dono de bar ou restaurante pode obrigar ninguém a trabalhar ou comer em seu estabelecimento.  Assim, na melhor das hipóteses, o estado está "salvando" as pessoas de seu próprio livre arbítrio, o que significa que autoridades políticas - e os ativistas que vibram com elas - estão na verdade coagindo esses trabalhadores e clientes a fazerem apenas as escolhas que tenham a aprovação do estado.

Muito alarde tem sido feito a respeito de os não-fumantes serem "vítimas" de fumo passivo criado pelos fumantes.  Aqueles que, como nós, não são fumantes, certamente já reclamaram algumas vezes sobre ter de respirar a fumaça dos outros, sendo que já houve vezes em que decidimos não ir a certos lugares apenas porque havia pessoas fumando.  Entretanto, uma coisa é se recusar a ir a lugares onde há pessoas fumando; outra coisa, bem diferente, é utilizar o estado como meio de impor nosos desejos e vontades sobre terceiros.

As políticas antitabagistas em voga dão às pessoas insatisfeitas (junto com políticos e ativistas) o controle real sobre os direitos de propriedade, que é o que esses ativistas de fato querem.  Para disfarçar um pouco do totalitarismo, todo o argumento é colocado sob o manto do cientificismo: "Todos os carcinógenos do grupo A deveriam ser banidos dos ambientes de trabalho, o máximo possível", gritou um ativista de uma corrente de e-mails.

O argumento dos "Carcinógenos Classe A", embora de início soe bem, é apenas mais um truque retórico.  De acordo com pesquisadores do câncer, a fumaça do cigarro carrega carcinógenos "Classe A", e estes supostamente têm efeito sobre os não-fumantes.  Considerando-se que grande parte das pesquisas antitabagistas tem fortes motivações políticas, deve-se sempre desconfiar de qualquer resultado delas.  (Por exemplo, a mídia recentemente trombeteou aos quatro cantos um "estudo" que afirmava que proibições ao cigarro poderiam cortar pela metade os ataques cardíacos.  A Reason Foundation já desmitificou estes e outros estudos).

"Ah, mas ninguém discorda que o cigarro faz mal à saúde!  Há muitos estudos que comprovam isso!"  Será?  Ok, não vamos discutir isso aqui.  Mas a pergunta que fica é: E daí?  Várias coisas fazem mal à saúde.  O que interessa é que o indivíduo seja livre para cometer o erro que quiser, de maneira que ele próprio faça a sua avaliação de custos e benefícios.

"Beleza", dirão alguns, "desde que os fumantes não me coloquem em risco".  Novamente, retornemos ao ponto já mencionado: ninguém é obrigado a ficar perto da fumaça.  As pessoas não têm de ir a um bar ou a um restaurante.  Ou elas aprendem a cozinhar em casa, ou elas aprendem a fazer seus próprios drinques ou elas abrem o próprio negócio!  Responsabilidades individuais, essa é a questão.  De toda forma, se realmente há muitas pessoas que valorizam estabelecimentos onde o fumo é proibido, o mercado irá encarar o desafio e ofertar esses lugares.

Em um livre mercado, estabelecimentos para fumantes e não-fumantes seriam alocados com base apenas na demanda dos consumidores.  Ludwig von Mises já demonstrou como que, em um mercado livre e desimpedido, são os consumidores quem detém o poder.  Alguns empreendedores (talvez fumantes) abririam restaurantes ou bares para os não-fumantes, caso acreditassem que poderiam maximizar seus lucros nesse tipo de ambiente.  Isso iria atrair aqueles empregados que valorizam um ambiente livre de cigarro ou que acreditam que poderiam ganhar mais (sendo mais produtivos) trabalhando em um estabelecimento antifumo. 

Por outro lado, haveria empreendedores (talvez não-fumantes) que iriam querer agradar a clientela tabagista.  Esses estabelecimentos iriam atrair empregados que fumam ou que não se importam em trabalhar em um ambiente com fumaça de cigarro, desde que paguem bem.

Estes arranjos voluntários não podem ser regulamentados.  É impossível fazê-lo de modo que todos ganhem.

Alguns podem argumentar que estamos forçando a barra para tentar provar um ponto.  Ótimo, podemos aceitar que a demanda por bares, restaurantes e casas noturnas (lugares para socializar, beber, ouvir música ao vivo e dançar) é muito inelástica, de modo que os clientes não se importarão muito em sair do recinto apenas para fumar e em seguida voltar - o que não acarretaria perdas monetárias para o dono do estabelecimento.  Novamente, e daí?  Não é uma questão de lucros; é uma questão de liberdade.  Essa linha de raciocínio é apenas uma cortina de fumaça.  O argumento moral ainda apóia o direito do estabelecimento em determinar qual política tabagista irá seguir.

Mas há outros aspectos que não estão sendo levados em conta em todo esse debate.  Há muitos riscos nesse mundo, e, seguindo-se a linha de raciocínio dos ativistas, todas as pessoas insatisfeitas acabariam tendo um poder de veto absoluto sobre praticamente tudo.  Por exemplo, se uma pessoa tem o poder de entrar em um estabelecimento e exigir que as pessoas parem de fumar, então uma pessoa que se sente ofendida por um determinado tipo de filme também teria de ter o direito de exigir que o cinema parasse de exibir este filme em particular.  Você quer viver em um mundo assim? 

Ou, da mesma forma, todos nós sabemos dos perigos trazidos pelas bebidas alcoólicas; e, se é perigoso para as pessoas fumar, então certamente também é perigoso que elas bebam.  Sendo assim, espera-se que as autoridades políticas, sempre tão zelosas por nós, passem a se preocupar também com o abuso de álcool, e ordenem que bares e restaurantes parem de servir tais bebidas, ou que pelo menos permitam que qualquer um entre no estabelecimento e declare que toda a bebida seja confiscada.  Por que não?

Aliás, se realmente queremos acabar com a fonte da maioria dos cânceres, então temos de acabar com o sol.  Se esses guerreiros contra o câncer e pela saúde pública de fato estivessem preocupados em manter as pessoas afastadas dos perigos do câncer, então elas iriam exigir uma legislação que proibisse o sol de brilhar ou que, ao menos, exigisse que fechássemos todas as cortinas durante o dia e saíssemos de casa apenas à noite, algo parecido com a sátira "Petição dos Fabricantes de Vela", de Frederic Bastiat. (Mas é bom não dar muita ideia).

Entretanto, como já virou coro entre os ativistas, o que eles querem é apenas eliminar os carcinógenos "Classe A" do ambiente de trabalho.  Essa não é uma tarefa tão fácil quanto parece, ainda que toda a fumaça de tabaco venha a ser de fato eliminada.  Os carcinógenos estão em todos os lugares, incluindo roupas e carpetes.  É impossível viver sem entrar em contato com essas coisas.  (A menos que você seja um índio numa floresta).

Assim, toda a ladainha sobre segurança é apenas um estratagema para esconder o real objetivo da coisa.  Os ativistas antitabaco não irão descansar enquanto não retornarmos a algo tipo a Lei Seca dos anos 1920 nos EUA, desta vez com o tabaco sendo o alvo.  O fracasso de todas as outras leis que banem o álcool e as drogas parece não afetá-los em nada.

Embora muitos libertários tenham moldado o argumento como sendo uma disputa entre os direitos dos fumantes e dos não-fumantes, é um erro parar por aí.  Não há dúvidas de que haja um conflito de direitos aqui, mas uma legislação que regule o uso do tabaco não é a solução.  A questão real não é se a lei será utilizada como um instrumento de mediação entre fumantes e não-fumantes, mas sim o fato de que ativistas estão utilizando o estado como meio de sequestrar o controle sobre a propriedade privada e de proibir que indivíduos capazes de pensar autonomamente façam suas escolhas.

"Se a liberdade que o homem tem de escolher seu próprio consumo for abolida, então todas as liberdades estão abolidas", escreveu Mises.

Por último, vale a pena comentar outro ataque bastante comum perpetrado contra o cigarro: os prejuízos que os fumantes impõem ao sistema de saúde.  O argumento é mais ou menos assim: "Fumantes são mais propícios a sofrer doenças do coração, enfisema e câncer, e será o governo quem terá de pagar as contas dos hospitais públicos".  A maneira mais óbvia de solucionar esse dilema é tirando o governo do setor da saúde.  Porém, antes que os socialdemocratas esperneiem, convém lembrar que, seguindo-se essa lógica, os obesos, os alcoólatras e os promíscuos também oneram, cada um à sua maneira, o sistema de saúde.  Não faz sentido culpar apenas um grupo e jamais mencionar os outros.  É por isso que quando se cria essas benesses governamentais, como saúde e educação pública, discriminações desse tipo tornam-se inevitáveis.

Murray Rothbard é quem coloca claramente: "Não existe algo como a ação de 'grupos', de 'coletivos' ou de 'estados'.  Eles não representam as ações de vários indivíduos em específico; eles representam apenas o desejo de um grupo ínfimo de pessoas que querem impor suas vontades sobre todo o resto". Logo, não é o "governo" quem paga o serviço de saúde pública - os contribuintes é que pagam.  Mas essa é outra história.

Aliás, é capaz de os fumantes na realidade estarem poupando o dinheiro do "sistema", já que, como propagandeiam os ativistas, eles morrem mais cedo do que os não-fumantes, o que significa que eles não poderão "onerar" por muito tempo a Previdência Social, para a qual contribuíram solidamente durante toda a vida de trabalho.

Qualquer que seja a justificativa utilizada, o fato é que quando o governo tenta proteger a sociedade de algum perigo, ele acaba violando as liberdades individuais.  A livre iniciativa e a liberdade de associação são os verdadeiros direitos pelos quais devemos lutar, ao invés da espúria ideia do "direito" a um ambiente sem cigarro. 

A decisão sobre se devemos ou não banir o cigarro da propriedade privada é algo que deve ser deixado apenas a cargo do dono da propriedade, ponto.  Ademais, os indivíduos que escolheram frequentar ou trabalhar em tais lugares não devem depois vir reclamar que a fumaça exalada pelos fumantes os deixou doentes (e então arrumar um júri que os fará multimilionários).  É hora de encarar e assumir as consequências das próprias atitudes.  A liberdade implica isso.

Apesar de gostarem de ser vistos como zeladores ciosos da saúde alheia, os ativistas antitabagismo nada mais são do que ladrões enrustidos.  Sim, a liberdade de expressão significa que eles podem dizer o que quiserem.  E sim, o direito sobre a propriedade privada também diz que eles deveriam cuidar apenas das coisas deles quando se trata da propriedade alheia.

Quando as pessoas abandonarem essa atitude arrogante e hipócrita e perceberem que não é um direito trabalhar para alguém ou que não é um direito entrar na propriedade alheia; e quando as pessoas entenderem a diferença entre "público" e "privado", então, só então, a incrível perda de tempo e a incrível quantidade de dinheiro do contribuinte que é gasta em legislações antitabagistas irão parar.  E talvez então o governo irá parar de interferir nos direitos de propriedade, devolvendo esse comando a quem realmente tem esse direito: os proprietários.

É a única coisa moral a se fazer.

William L. Anderson é um scholar adjunto do Mises Institute, leciona economia na Frostburg State University. 

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque


tags:  direitos individuais  intervenção estatal  lei anti fumo  
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26 comentários

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Marco A.
Assim como em regimes totalitários a minoria dita a regra da maioria, assim os fumantes ditam a regra para a maioria que não fuma. A liberdade liberticida é gême da tirania". A MODERNA) democracia nasce da negociação com o Liberalismo Ideal: nós, os liberais reais, tivemos de abrir mão de alguns de nossos princípios de radicalização da vontade individual para viver em sociedade. E, assim, sustentamos a democracia.
Publicado em 8/8/2009 13:16:42
Eduardo
Na cidade onde moro, já havia há alguns anos um bar com música ao vivo que não permitia cigarro. Sempre cheio, com muitas mulheres, frequentava muito. O livre mercado já dava conta disso...só que aí chegou o Leviatã e quer mandar em tudo. Daqui a pouco também querem ambiente livre das gorduras saturadas, campanha álcool zero etc.
Publicado em 9/8/2009 10:47:17
Uilson de Jesus Carvalho
Rio, 10/agosto/2009 -2ª-geira Preazados amigos. O Dr. Henry Maksoud escreveu uma "Proposta de Constituição para o Brasil", onde ele, como liberal autêntico, inspirado na demarquia de Hayek, ("Os fundamentos da liberdade" e "Direito, legislação e liberdade)levando em consideração o fato de estávamos saindo de mais uma fase política de violência institucionalizada,por terem todas as 7 constituições brasileiras sido rejeitadas por não levarem em consideração a liberdade individual dos cidadãos no Brasil, limitando CLARAMENTE os poderes governamentais, separando-os claramente (pessoas e funções), estabelecendo quais as propriedades que leis legítimas deveriam ter para serem autênticas,(estado de direito), limitando CLARAMENTE os tributos (no máximo oito) e suas alíquotas,o resultado é este: quem legisla é o Presidente, legislativo fica do jeito que está, Judiciário é inoperante pois a crise é grande demais é as legislações positivistas não permitem processo penal em tempo hábil, pois os governos são os maiores caloteiros e não convém, segundo a "intelligentzia" faze-lo cumprir os contratos. O Deputado Cunha Bueno, à época apresentou a proposta demárquica de Maksoud à Comissão de Sistematização da constituinte "in totum" sendo rejeitada, resultando a atual carta "híbrida" e ambígua, que hoje temos. Por isto temos as constantes ameaças à nossa liberdade individual em nosso país. Muito obrigado e parabéns pela tradução do artigo de William Anderson. Uilson de Jesus Carvalho.
Publicado em 10/8/2009 12:55:56
Uilson de Jesus Carvalho
corrigindo : 1-Prezados amigos 2- o fato de que estávamos saindo 3-a crise é grande demais e as legislações...
Publicado em 10/8/2009 13:03:24
Núbia
Marco, a Democracia não é mais importante que a liberdade, nunca se esqueça disso.
Publicado em 10/8/2009 18:55:06
Roberto
Completando o Eduardo, a "campanha do álcool zero" já existe, pelo menos para os motoristas. Basta lamber a rolha do vinho para se transformmar num criminoso.
Publicado em 11/8/2009 10:27:37
Daniel
Poxa, coitado desse cara... Tão qualificado, mas com argumentos tão ralos... Mas sempre tem aqueles que querem acreditar, não é?
Publicado em 3/9/2009 09:38:00
Jose Galdino Neto
A propriedade privada não foi tocada pela Lei estadual(SP) 13541/2009. Pode-se fumar em casa.
A proibição é para as áreas de convivência coletiva.
Eu não me incomodo com os fumantes perto de mim, desde que eles deem umjeito de engulir também a fumaça que provocam. Se eles fumam por que eu tenho de engulir a fumaça?
Publicado em 18/10/2009 19:53:35
"a maioria dos governos estaduais sucumbiu à pressão e lobby de grupos antitabagistas, infringindo o direito básico que qualquer estabelecimento privado tem de determinar autonomamente a sua política tabagista." Desculpe-me a intromissão. Tenho aversão ao pensamento liberal mas, pelo que leio aqui, esse texto é um absurdo, independentemente de sua ideologia. lobby? "Obrigado por fumar", assista...
Publicado em 2/11/2009 14:46:42
Leandro
Prezado Thiago, seria interessante ouvir seus argumentos. Apenas cuspir dizendo que tal coisa é absurda não lhe torna mais impressionável.
Publicado em 2/11/2009 15:47:18
Thiago Mota
Venho tentar dar uma ajuda ao meu xará ali de cima. "a maioria dos governos estaduais sucumbiu à pressão e lobby de grupos antitabagistas, infringindo o direito básico que qualquer estabelecimento privado tem de determinar autonomamente a sua política tabagista." Tá certo, é um bom ponto. Agora, e o direito de todo o cidadão quanto a sua própria privacidade? Sim, pois todos temos o direito de não sermos afetados pela fumaça exalada pelos cigarros, fumaça esta que sabidamente nos faz mal. Este meu - nosso - direito não deve ser respeitado? Se o fumante conseguir fazer com que sua fétida e danosa fumaça cause danos apenas a ele mesmo,por mim ele pode fumar onde quiser. Até lá, não venha aqui jogar na nossa cara um falso argumento como este.
Publicado em 2/11/2009 16:21:26
Leandro
É incrível notar como as noções mais básicas de propriedade privada seguem sendo ignoradas pelos brasileiros, principalmente pela parcela mais instruída da sociedade. Prezados Thiagos, nenhum de vocês é obrigado a entrar em estabelecimentos onde o fumo é liberado. É difícil entender isso? Se dou uma festa na minha casa e libero o cigarro pra quem quiser, você não é obrigado a ficar ali. Pode ir embora quando quiser. O mesmo é válido para meu estabelecimento comercial. Agora, vocês têm toda a liberdade de se pronunciar contra tais direitos de propriedade. Mas pelo menos sejam coerentes. Se vocês são contra os direitos de propriedade, se vocês acham que proprietários não podem ter a liberdade de implementar a política que quiserem em suas propriedades, e que, portanto, eles devem fazer concessões, sejam coerentes e ao menos entreguem as chaves de suas respectivas moradias, liberando-nas para todos. Afinal, vocês têm de respeitar a função social da propriedade (tá na constituição). Quer maneira melhor de fazer isso do que liberando a geladeira para os famintos? Estamos no aguardo dos respectivos endereços.
Publicado em 2/11/2009 21:29:53
Fernando
É Leandro, "Liberdade é escravidão"! Estes incautos são exemplos de vítimas da mais sórdida agenda socialista, conforme explica Mises no artigo de hoje que leva este título. A violência coercitiva do estado, que aponta uma arma para a cabeça de um proprietário e o obriga a proibir o fumo dentro de seu estabelecimento é, na realidade, um ato que "liberta" os clientes da "coerçao" de serem "obrigados" por estes proprietários a entrarem em um local onde algo lhes desagrada. E o pior, este tipo de cegueira parece ser endêmica.
Publicado em 3/11/2009 10:20:22
Thiago Mota
Caro Leandro, concordo em parte com você. Ora, na sua casa, excetuando-se aberrações como a pedofilia ou o uso de drogas, você tem o direito de fazer o que quiser e de barrar a entrada de quaisquer pessoas que julgar conveniente - desde que não haja discriminação de qualquer espécie, óbvio. Agora, você há de concordar comigo que um estabelecimento comercial, por mais privado que seja, no mínimo, não pode se pautar pela mesma política de uma residência particular. Pensando bem, sem dúvida, proibir única e exclusivamente não parece ser a mehor solução. Talvez fosse mais justo criar locais, nestes estabelecimentos, próprios para o consumo do tabaço. O que não acredito ser justo é esta sua política do "os incomodados que se retirem", pois, sendo estes estabelecimentos privados comerciais, privilegiarão o uso do tabaco, sempre em detrimento dos que não o consumam. E, por mais seletivos que estes sejam, pouquíssimas vezes terão lugar para ir. Pense bem, o seu direito é muito válido, mas é realmente a melhor medida "punir" àqueles que estão tentando ser mais saudáveis por conta daqueles que querem permanecer reféns de um vício que sabidamente é eletério para a saúdade? Seria algo realmente inteligente? A fumaça dos cigarros faz mal e não apenas para os seus usuários. É justo prejudicar a saúde alheia apenas pelo prazer dos fumantes?
Publicado em 4/11/2009 12:12:21
Thiago Mota
Erros: 1.Mehor = Melhor; 2.Tabaço = Tabaco; 3.Eletério = Deletério; 4.Saúdade = Saúde.
Publicado em 4/11/2009 12:23:27
Leandro
Thiago,

Você continua fazendo confusão com o básico. Veja o que você disse:

"Na sua casa, excetuando-se aberrações como a pedofilia ou o uso de drogas, você tem o direito de fazer o que quiser e de barrar a entrada de quaisquer pessoas que julgar conveniente - desde que não haja discriminação de qualquer espécie, óbvio."

Contradição pura. Como assim não posso escolher quem pode ou não entrar na minha casa? Você deixa qualquer um entrar nela? Se um mau elemento qualquer quiser entrar na sua casa e você não deixar, inevitavelmente você estará discriminando.

Da mesma forma, por que você acha que estabelecimentos comerciais iriam privilegiar o uso do tabaco? Se o fizessem, certamente perderiam a maioria da clientela, que não é fumante (existem muito mais não fumantes do que fumantes).

Você dá a entender que existe algo como "o direito de entrar em um estabelecimento comercial". É claro que não existe tal coisa. Da mesma forma que na sua casa só entra quem você quer, no meu restaurante só entra quem eu quero (é lógico que se eu for racista ou misógino, perderei clientela).

Quem é contra isso é contra a propriedade. É uma liberdade de expressão como qualquer outra, mas que seja assumida. Caso contrário é hipocrisia.
Publicado em 4/11/2009 13:58:03
anônimo
Leandro,

Tenho um professor que diz que, quando nos compreendem errado, o erro é nosso.Portanto, desculpe, não soube me expressar bem. Quando disse "desde que não haja discriminação de qualquer espécie" faltou um "racial" logo em seguida, pois estava querendo dizer que voce não pode barrar a entrada de uma pessoa sob a simples alegação de "Você é negro, portanto, não entrará na minha casa", apenas isso. Você até pode fazer isso, mas com certeza poderá ser processado pela vítima.

Quanto ao seu segundo argumento refutativo, sim, dependendo do estabelecimento comercial, como bares e boates, eles privilegiam o uso do tabaco, pois além de ser mais um produto que pode ser consumido e gerar lucro para o estabelecimento, por experiência própria, posso dizer que estimula o consumo do álcool. Existem, sim, mais fumantes que não-fumantes, porém, dependendo do estabelecimento comercial, aqueles serão maioria.

Acredito também que você esteja equivocado ao afirmar que não existe "o direito de entrar em um estabelecimento comercial". Bom, certamente, não sob esta forma. Mas nenhum proprietário de qualquer estabelecimento comercial aberto ao público pode barrar a entrada de qualquer pessoa, a nao ser que esta transgrida alguma regra anteriormente estipulada pelo proprietário. Nossas residências particulares não são abertos ao público, mas se você tivesse um restaurante, este obviamente o seria e você não poderia sair barrando a entrada de fulano ou cicrano a seu bel-prazer, sob pena de estar ferindo princípios garantidos pela Constituição Federal, como a igualdade perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

A usa noçao de propriedade é um tanto confusa. Transparece, no teor dos seus argumentos, que você acredita ser o proprietário privado "todo-poderoso" em relação a sua propriedade. Sim, sem dúvida que o proprietário privado tem direito sobre sua propriedade, mas este nunca pode ultrapassar o bem-comum. Ou você acha que é invasão do Estado não permitir que os fazendeiros tenham escravos em sua fazenda? Ué, a fazenda não é dele e o escravo, se o quiser, não pode aceitar ser escravo? Ou você acha que uma empresa mineradora não deva dar condições mínimas para que seus funcionários não venham a ter problemas de saúde? Ué, mas se a empresa é dos donos e se o funcionário aceitou trabalhar lá, que mal tem? Ou você acha que um empresa do ramo alimentício não deva tirar da composição de um produto seu ingredientes cancerígenos? Ué, mas se o produto é produzido por eles e se o cidadão comprou porque quis, o que o Estado tem isso?

Se possível, dicorra sobre as indagaoes por mim levantadas.
Publicado em 4/11/2009 18:24:21
Felipe
"Ou você acha que é invasão do Estado não permitir que os fazendeiros tenham escravos em sua fazenda? Ué, a fazenda não é dele e o escravo, se o quiser, não pode aceitar ser escravo? Ou você acha que uma empresa mineradora não deva dar condições mínimas para que seus funcionários não venham a ter problemas de saúde? Ué, mas se a empresa é dos donos e se o funcionário aceitou trabalhar lá, que mal tem? Ou você acha que um empresa do ramo alimentício não deva tirar da composição de um produto seu ingredientes cancerígenos? Ué, mas se o produto é produzido por eles e se o cidadão comprou porque quis, o que o Estado tem isso?" Tirando a primeira parte (que fala de escravos - ninguém é escravo por opção. Se você aceitou ser "escravo" de alguém e pode sair de lá quando desejar então você é um funcionário, e não escravo) você respondeu corretamente as próprias perguntas. Os "escravos", os funcionários da mineradora, e os clientes da empresa de alimentos OPTARAM pelas condições de serviço/alimento por livre e espontânea vontade. Seria crime apenas se, por exemplo, você questionasse a empresa alimentícia sobre ingredientes cancerígenos em seus produtos e ela, ciente da presença dos mesmos, negasse.
Publicado em 4/11/2009 19:04:09
Leandro
Prezado Thiago,

Desculpe minha franqueza, mas você não apenas desconhece questões básicas de direito natural (como o direito inalienável sobre o próprio corpo - que, diga-se de passagem, é propriedade suprema do indivíduo -, o que anula seu argumento da escravidão e da legitimidade dos maus tratos em minha propriedade), como, pior!, você segue apegado a leis criadas unicamente por políticos, como a nossa inacreditável constituição.

Se você acredita nesse dispositivo, ok, mas, por favor, não venha brandindo-o para cima de mim como amostra irrefutável de leis que devem ser seguidas.

No mais, o que seria a minha propriedade "ultrapassar o bem-comum"? Você segue o bem comum na sua propriedade? Nada mais digno do que alimentar os desvalidos. Sendo assim, você abre a sua geladeira diariamente para eles, sem restrições? Lamento, mas se você não fizer isso está sendo incoerente e hipócrita.

Mais ainda: por que eu não posso impedir um determinado indivíduo (pouco me importa se ele é preto, branco, amarelo ou vermelho) de entrar em minha casa? Pois eu lhe digo: em minha casa só entra quem eu quiser, à hora que eu quiser e, dependendo do meu humor, se estiver vestido de uma maneira que eu aprove. Quem determina a função social da minha propriedade sou eu. (E como já disse acima, se eu praticar abuso físico em minha propriedade, sou passível de condenação, pois invadi a propriedade suprema de um individuo - o seu próprio corpo).

Quanto aos seus dois últimos exemplos, eles desconsideram que os arranjos são voluntários. Se eu quiser trabalhar numa mineradora insalubre ou se eu quiser consumir alimentos cancerígenos, o que você tem a ver com isso?

Thiago, eu não duvido que suas intenções são boas. Mas todas elas são indisfarçadamente totalitárias. Você não apenas se julga apto a mediar todas as relações entre indivíduos, como também acha que a sua solução é indubitavelmente a melhor. E o que é pior: você acha que tal postura é absolutamente normal.
Publicado em 4/11/2009 19:06:57
Bla
Entrando no meio da discussão... "Portanto, desculpe, não soube me expressar bem. Quando disse "desde que não haja discriminação de qualquer espécie" faltou um "racial" logo em seguida, pois estava querendo dizer que voce não pode barrar a entrada de uma pessoa sob a simples alegação de "Você é negro, portanto, não entrará na minha casa", apenas isso. Você até pode fazer isso, mas com certeza poderá ser processado pela vítima." --> Por quê seria processado pela vítima? Ele é o dono da propriedade, ele pode proibir qualquer um de entrar sobre qualquer alegação. E se ele odiar negros por qualquer razão e quiser fazer um restaurante onde negros não entram, ele não pode? "Quanto ao seu segundo argumento refutativo, sim, dependendo do estabelecimento comercial, como bares e boates, eles privilegiam o uso do tabaco, pois além de ser mais um produto que pode ser consumido e gerar lucro para o estabelecimento, por experiência própria, posso dizer que estimula o consumo do álcool. Existem, sim, mais fumantes que não-fumantes, porém, dependendo do estabelecimento comercial, aqueles serão maioria." --> Existe mais pessoas que gostam de churrascaria do que comida japonesa, mas mesmo assim existe ambos os restaurantes, da mesma forma existiriam ambos restaurantes que aceitam fumantes e outros que proibem totalmente. Também, e se tiver um grupo de fumantes que adoram se reunir em restaurantes e conversar enquanto fumam,eles que se fodam? Eles não podem ter nem um único restaurante onde o fumo é liberado? "Nossas residências particulares não são abertos ao público, mas se você tivesse um restaurante, este obviamente o seria e você não poderia sair barrando a entrada de fulano ou cicrano a seu bel-prazer, sob pena de estar ferindo princípios garantidos pela Constituição Federal, como a igualdade perante a lei, sem distinção de qualquer natureza." --> Sim você pode, é sua propriedade, se um negro quiser entrar num restaurante onde é proibida a entrada de negros eles estará violando a regra anteriormente estipulada de não ser negro. O que vejo que poderia não ser permitido talvez fosse se você tivesse um restaurante onde é proibida a entrada de negros, mas você não deixasse isso claro e quando um negro entrasse nele você o expulasse humilhando-o, mas aí seria uma discussão mais complexa de contratos implicitos e coisa e tal. "Sim, sem dúvida que o proprietário privado tem direito sobre sua propriedade, mas este nunca pode ultrapassar o bem-comum." --> O bem-comum não está acima do direito do individuo, e se o mundo inteiro de repente quiser te torturar e te comer vivo, e eles irão ter um prazer imenso com isso, você não teria o direito de reagir? Ou o bem-comum é mais importante? "Ou você acha que é invasão do Estado não permitir que os fazendeiros tenham escravos em sua fazenda? Ué, a fazenda não é dele e o escravo, se o quiser, não pode aceitar ser escravo?" E se eu for um sadomosoquista que quero ser um escravo de alguém e esse alguém quer ser meu dono? Porque não pode? "Ou você acha que uma empresa mineradora não deva dar condições mínimas para que seus funcionários não venham a ter problemas de saúde? Ué, mas se a empresa é dos donos e se o funcionário aceitou trabalhar lá, que mal tem?" Responda você a sua própria pergunta, porque eu não tenho nem idéia qual é o problema. "Ou você acha que um empresa do ramo alimentício não deva tirar da composição de um produto seu ingredientes cancerígenos? Ué, mas se o produto é produzido por eles e se o cidadão comprou porque quis, o que o Estado tem isso?" A empresa não pode cometer fraude e por um ingrediente cancerígeno na comida sem contar para os cliente, mas se o cidadão quiser comprar mesmo sabendo do ingrediente não vejo problema algum. As pessoas comem comida gordurosa o tempo todo, mesmo sabendo que faz mal, porque ela é muito boa, o que o Estado tem com isso? Foi uma decisão delas.
Publicado em 4/11/2009 19:32:46
Bla
Foi mal, não sei pq o site não separou os paragrafos.
Publicado em 4/11/2009 19:34:23
Leandro
Há um pequeno problema com o site; ele só separa os parágrafos quando se utiliza o Internet Explorer.
Publicado em 4/11/2009 19:43:38
Felipe
"Há um pequeno problema com o site; ele só separa os parágrafos quando se utiliza o Internet Explorer." Isso é discriminação do site para com os outros navegadores, e vai contra o bem comum. Espero que o Estado intervenha e proíba isso! :P
Publicado em 4/11/2009 23:08:05
Thiago Mota
Caros Leandro eBia, encerrarei a discussão por aqui. No meu entender, ela não será nada produtiva, visto que, se num contra-argumento, alguém pega uma "via errada", argumentando contra algo que nao disse ou, pior, inserindo novos elementos que, por si só, poderiam ser discutidos, torna-se impossível uma convergência de ideias mais produtiva.

Ademais, também no meu entender, tornou-se óbvio que boa parte da discussão tornou-se apenas "opinativa". Sem contar que, este tipo de "piadinha" (""Há um pequeno problema com o site; ele só separa os parágrafos quando se utiliza o Internet Explorer." Isso é discriminação do site para com os outros navegadores, e vai contra o bem comum. Espero que o Estado intervenha e proíba isso!") em nada contribui para a mesma, nem reflete minimamente o que tentei argumentar por aqui - na minha opinião.

Abraço.
Publicado em 6/11/2009 18:23:43
A abordagem é pertinente. Os comentários demonstram a necessidade da distinção entre público e privado. Público não é coletivo de privado. Não é a reunião de pessoas que torna o acontecimento público. Essas leis não respeitam a Constituição.
Publicado em 20/11/2009 16:14:48
Angelo Viacava
Cigarro, pra mim, é uma porcaria. Desde o mais barato até o mais caro, todos fedem do mesmo jeito. Evito lugares onde se fuma, pois a fumaça realmente causa-me repulsa naturalmente. Mas daí a pensar que um Estado, só porque se apregoa proprietário de supremo saber, possa decidir sobre a vida de quem fuma e de quem não fuma, é um absurdo sem tamanho. Querem fumar? Então fumem, irei para longe. Não querem fumar? Então não fumem, e ninguém tem nada com isso e pronto. Que troço chato essa intromissão permanente em nossas vidas particulares. Não somos débeis mentais necessitados de ajuda, para decidirmos cada passo que daremos. Larguem de nossos pés, burocratas de plantão. Vão arrumar coisa útil a fazer, o que neste Brasil de meu Deus, há e muita.
Publicado em 20/11/2009 20:03:21

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