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Com as pessoas forçadas a revirarem lixo, o socialismo venezuelano provoca emagrecimento compulsório
Com a economia em frangalhos, a população está desnutrida e com perda de peso acentuada

O relato a seguir foi divulgado pela Associated Press:

O caminhão de lixo freia e Rebeca corre até o contêiner para revirar os sacos. É a sua luta diária contra a fome, que leva muitos venezuelanos a viverem de restos de comida.

Antes que os resíduos sejam triturados, vasculha avidamente e encontra um pouco de macarrão. Rebeca León tem 18 anos, está terminando o ensino médio e vive no bairro popular de Petare, em uma casa que, apesar da miséria, conta com os serviços básicos.

Um filho de dois anos desnutrido, uma mãe com deficiência e semanas "à base de água" a levaram, há seis meses, a percorrer as ruas de zonas ricas para buscar comida no lixo.

"Minha mãe não aceitava, mas o que mais se pode fazer com a situação ruim do país? Ia morrer de fome, dava para ver os ossos dela", conta à AFP.

Sua rotina é angustiante. Estuda à tarde e, depois do colégio, vai direto caçar caminhões coletores de lixo e revirar sobras em restaurantes, de onde tira restos de frango, pão, peixe ou queijo.

Dorme na rua e volta à casa de manhã para limpar o que recolheu e descansar, para depois continuar fazendo a roda girar.

Esta jovem deixou a vergonha de lado para sobreviver a uma crise na qual a escassez atinge 68% dos produtos básicos no país e a inflação cresce descontroladamente — segundo o FMI, chegará a 1.660% em 2017.

"Chorava, porque me sentia humilhada. Já não me importa, porque se você não procura algo no lixo, você não come", disse, enquanto aguardava um caminhão que nunca chegou.

Cerca de 70 pessoas, entre elas várias crianças, esperam com Rebeca os caminhões coletores, e compartilham o controle das lixeiras de restaurantes. Rebeca revira as sobras de um restaurante em Altamira, bairro de Caracas.

Perto dali, em um estabelecimento de fast food, um homem foi esfaqueado recentemente em uma briga por um saco de lixo, conta um funcionário. Neste lugar, José Godoy, pedreiro desempregado de 53 anos, lambe ansioso um prato descartável. Suas duas filhas, de seis e nove anos, bebem suco retirado de um pote. Estão anêmicas, e comem apenas bananas ou iúca uma vez por dia.

"Uma noite fomos dormir sem comer. Não desejo isso a ninguém. As crianças choravam e diziam: 'tenho fome'. Vendi as ferramentas, tudo, e por último saí às ruas. Milhares de nós vivemos de lixo", relata José.

Cerca de 9,6 milhões de venezuelanos — quase um terço da população — comem duas ou menos vezes por dia. A pobreza aumentou quase nove pontos percentuais entre 2015 e 2016, atingindo 81,8% dos lares, enquanto 51,51% estão em situação de pobreza extrema, segundo a Pesquisa sobre Condições de Vida.

O estudo, realizado por um grupo de universidades, revelou também que 93,3% das famílias não têm renda suficiente para comprar alimentos, enquanto sete em cada dez pessoas perdeu em média 8,7 kg de peso no último ano.

"Eu era gordo, e olhe só agora, estou magrinho. Tive que tirá-la do colégio porque não podia dar comida para ela levar", disse Godoy, apontando para uma das filhas.[...]

Abatida pela noite mal dormida, pela fome e pela preocupação por não ter encontrado nada, Rebeca retorna ao seu bairro — o mais perigoso de Caracas. De lá, deve caminhar uma hora até a escola, onde alguns colegas chegam a "desmaiar de fome", conta.

"Não quero ficar assim", diz a jovem, que pretende estudar turismo após concluir o ensino médio. Por enquanto, se prepara para outra jornada desta luta, cujo fim está distante demais para ser vislumbrado.

Socialismo em condições de laboratório

Infelizmente, a Venezuela segue fornecendo exemplos práticos e clássicos de todas as inevitáveis consequências geradas pela aplicação de políticas socialistas.

Tudo começou sob o governo de Hugo Chávez e agora continua sob a regência de seu sucessor, Nicolás Maduro. Por piores, corruptas e despóticas que fossem suas intenções, não é crível imaginar que ambos quisessem criar propositalmente o atual cenário de inanição que se vê no país. Ao contrário, a dupla prometeu implantar todas aquelas promessas de sempre do socialismo: justiça, igualdade, liberdade, e o fim da exploração. 

No entanto, se você analisar o que está ocorrendo na Venezuela, verá a exata abolição de tudo aquilo que podemos chamar de 'civilização'.

O roteiro é trágico: com a queda das receitas do petróleo, o governo venezuelano recorreu à solução simples, fácil e totalmente equivocada: saiu literalmente imprimindo dinheiro para pagar todas as suas despesas.

O gráfico abaixo mostra a evolução da quantidade de cédulas de papel e de depósitos em conta-corrente na economia venezuelana (agregado M1) de acordo com as estatísticas do próprio Banco Central venezuelano. 

venezuela-money-supply-m1.png

Evolução da quantidade de cédulas de papel e de depósitos em conta-corrente na Venezuela

Observe que, do início de 2015 até hoje (meros dois anos), a quantidade de dinheiro na economia quintuplicou. E, apenas no ano passado, ela mais que dobrou.

A consequência inevitável desta hiperinflação monetária foi uma acentuada desvalorização do bolívar venezuelano, que desabou feito uma pedra no mercado de câmbio. 

O gráfico a seguir, elaborado pelo professor Steve Hanke, da Johns Hopkins University, mostra a evolução da taxa de câmbio do bolívar em relação ao dólar americano. A linha vermelha é a taxa de câmbio oficial declarada pelo governo; a linha azul é a taxa de câmbio no mercado paralelo.

venezuela-bolivar.jpg

Taxa de câmbio bolívar/dólar no mercado paralelo (linha azul) versus taxa de câmbio oficial declarada pelo governo (linha vermelha)

Vale ressaltar que, como mostra o gráfico, a desvalorização do bolívar começou ainda no início de 2014. De lá para cá, a moeda já perdeu mais de 99% do seu valor.

E não há refresco à vista. Em agosto do ano passado, um dólar custava 1.000 bolívares no mercado paralelo.  Em março desse ano, um dólar já está valendo 4.250 bolívares. 

Isso implica uma desvalorização adicional de 76% em apenas sete meses.

O fato é que, com toda essa súbita e profunda desvalorização da moeda que vem ocorrendo desde 2014, o governo venezuelano recorreu ao clássico manual socialista: decretou controle de preços e estatizações de fábricas e lojas. Nos últimos anos, nada menos que 1.168 empresas nacionais e estrangeiras foram expropriadas na Venezuela

Essa mistura de hiperinflação (gerada pela impressão desmedida de dinheiro pelo governo), controle de preços e estatizações de fábricas e lojas gerou desabastecimento generalizado: as prateleiras das lojas e dos supermercados estão vazias e as pessoas de classe média que antes tinham emprego estão hoje esfomeadas, tendo de literalmente revirar latas de lixo e matar gatos e pombos nas ruas para ter o que comer. (Veja relatos completos e apavorantes aqui e aqui).

Ainda no início de 2015, toda a distribuição de alimentos na Venezuela foi colocada sob supervisão militar.  Em seguida, o governo impôs um sistema de checagem de digitais para se certificar de que a mesma pessoa não esteja comprando itens básicos mais de uma vez na mesma semana.  Com isso, filas nos supermercados se tornaram rotinas. Os venezuelanos passaram a ter de pedir permissão para faltar ao trabalho e assim poder ficar o dia inteiro em longas filas nas portas dos poucos supermercados que ainda tinham produtos à venda. 

Com uma moeda inconversível e que ninguém quer portar — nenhum estrangeiro está disposto a trocar sua moeda pelo bolívar, pois não há investimentos atrativos na Venezuela —, nenhum empreendedor na Venezuela está tendo acesso a dólares. E, sem acesso a dólares, todas as importações, mesmo a de produtos básicos e essenciais, como remédios, estão praticamente paralisadas, acentuando ainda mais a escassez.

O experimento socialista venezuelano vem quebrando paradigmas e alcançando façanhas: já conseguiu gerar escassez e racionamento de papel higiênicocomida, cervejaeletricidade, água e remédios. Sem remédios, a população recorreu ao uso de remédios para cachorro.

O governo destruiu de maneira tão completa o pouco que restava de capitalismo, que até mesmo os hospitais ficaram sem papel higiênico e sem remédios. A taxa de mortalidade de recém-nascidos disparou.

A criminalidade explodiu e hoje é a pior do mundo.  (Chegou-se a uma situação em que as pessoas são queimadas vivas nas ruas).

Para acentuar o pastelão, recentemente foi noticiado que o governo venezuelano ficou sem dinheiro para fabricar mais dinheiro.

Dieta forçada

O salário mínimo atual é de 40.000 bolívares mensais. Pelo câmbio oficial — ou seja, aquele determinado pelo governo —, isso equivale a US$ 60 por mês. Já pelo câmbio do mercado paralelo — que representa o genuíno valor da moeda —, isso equivale a US$ 10.

Sim, o salário mínimo mensal de um venezuelano é de US$ 10. Dado que o salário mensal médio em Cuba é de US$ 20, temos que a dupla Chávez/Maduro conseguiu a façanha de deixar a população da rica Venezuela mais pobre que a miserável população cubana.

Isso sim é concorrência socialista.

Tudo isso gerou, como era de se esperar, inevitáveis consequências sobre a saúde dos venezuelanos. Há algumas semanas, as principais universidades venezuelanas publicaram a Encuesta de Condiciones de Vida (Encovi) — Pesquisa de Condições de Vida —, um documento anual que analisa a evolução dos principais indicadores de bem-estar da população.

E os resultados foram desoladores: nada menos que 82% das famílias venezuelanas vivem na pobreza, a porcentagem mais elevada da história do país, o que transforma esta região na mais miserável da América Latina. A maior parte destas famílias se encontra em uma desesperadora situação de extrema pobreza, o que dificulta enormemente sua capacidade ter acesso a uma alimentação de mínima qualidade.

Ainda segundo a pesquisa, 72,7% das mais de 6.500 pessoas sondadas afirmaram ter perdido peso involuntariamente. A média da perda de peso em apenas um ano é assustadora: 8,7 kg.

Vale repetir e enfatizar: 82% das famílias venezuelanas estão hoje vivendo na pobreza (em 2015, esse percentual era de 73%). Enquanto isso, 72,7% da população perdeu uma média de 8,7 quilogramas. E 9,6 milhões de venezuelanos (um terço da população) comem menos de duas vezes por dia.

dados.jpg

Conclusão

A moeda foi destruída, os alimentos escassearam e os venezuelanos passam fome. E hoje, rivalizam em pobreza com os cubanos.

Eis as façanhas do "socialismo do século XXI" — ou, como dizem seus defensores, 'bolivarianismo'.

Jamais menospreze a capacidade destruidora do socialismo: a Venezuela, ainda na década de 1970, estava entre os 20 países mais ricos do mundo. Bastou pouco mais de uma década de bolivarianismo para jogar a população do país na mais completa mendicância.


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Diversos Autores

  • Sindicalista  15/03/2017 14:46
    Mas pelo menos a Venezuela é uma nação igualitária.
  • Renegado  15/03/2017 16:01
    Sim, igualmente fudidos.. lindo.
  • João de Alexandria  15/03/2017 17:07
    Sim, muito igual.

    Igual na fome, nas nádegas sujas, nas pessoas sendo literalmente tratadas com animais...

    Vive l´egalité !!
  • Isaac  15/03/2017 18:48
    kkkkkkkkkkkkkkk cada uma
  • Marcelo Cristino Rosa  16/03/2017 22:06
    "Mas, pelo menos a Venezuela é uma nação igualitária." Li este comentário e me perguntei: Esta pessoa realmente acredita no que ela escreveu? Por qual razão, contra todas as evidências que fartamente nos chegam, alguém ainda procura encontrar justificativas para um sistema político-social flagrantemente ineficiente?

    Nivelar o estrato social tendo como base a miséria não me parece algo que se possa considerar positivo, entretanto, nem mesmo isto seria verdade (igualdade na miséria na atual Venezuela), pois, em conversa com um brasileiro da cidade de Goiânia, PE, que morou trinta anos na Venezuela, e que foi obrigado a voltar ao Brasil para trabalhar, soube que a polícia, de um modo geral, aproveitando-se do fato de serem eles os responsáveis pela escolta dos caminhões que chegam às cidades trazendo comida (sem escolta os caminhoneiros recusam-se a adentrar as cidades, pois o risco de ataque e posterior saque é enorme), costumam apropriar-se de uma parte dos produtos muito superior à que lhes caberia caso respeitassem a distribuição igualitária e, o que ainda é pior, tais produtos são repassados a familiares para serem vendidos no mercado negro. Evidentemente, este fato é apenas um exemplo dos desmandos que se repetem diariamente em diferentes níveis de poder.

    Bem, ouvi muito mais e tudo foi estarrecedor, páginas e paginas não seriam suficientes para relatar detalhadamente as agruras vividas pelo povo venezuelano sob o jugo de um altamente corrupto e incompetente governo.

    Ao leitor iludido que pensa que ainda se pode encontrar algo de bom no regime político venezuelano fica a dica: o regime somente não caiu ainda porque há uma pequena parcela de indivíduos, porém poderosa, que continua se beneficiando do atual estado de coisas, entretanto, chegará o momento que mesmo a eles o regime deixará de ser interessante e então, sem mais delongas, tudo ruirá.
  • Macelo  18/03/2017 16:40
    Por qual razão? Fanatismo ideológico.
  • Macelo  18/03/2017 16:38
    Igualitária nada, a cúpula dirigente do bolivarianismo vive muito bem e tem tudo do bom e do melhor, como em Cuba. Ninguém vai ver dirigentes bolivarianos em filas de supermercado.
  • Tio da Fanta  22/03/2017 18:58
    Então vai morar lá, filho de Deus!!!
  • Flávio Campos  15/03/2017 14:51
    Sempre lembrando que os defensores deste modelo aqui no Brasil podem voltar ao poder em janeiro de 2019.
  • Andre Mello  15/03/2017 21:13
    Eu queria muito que o Lula fosse candidato e ganhasse as eleições.

    Mais que isso, eu queria que o Lula ganhasse a eleição e virasse o novo "General" do país. Como ele bem queria...

    Esse país escroto, cheio de gente escrota, merece é essa M**** mesmo! Os governantes não são nada além de uma síntese dos governados.

    São todos defensores do socialismo... Não tem jeito!

    Tem que purgar pra ver se melhora.
  • SRV  15/03/2017 15:03
    Uma dúvida: Qual é a verdadeira opinião da população venezuelana? Eles já entendem que as causas de toda a crise foram as políticas socialistas ou acreditam que é alguma "crise internacional", "plano da CIA", etc etc... ?

    Eu, como pessoa que não conheço a realidade da Venezuela, olho de fora e tenho a sensação de que grande parcela da população ainda acredita no governo.

    Abraços.
  • Victor  15/03/2017 16:20
    De maneira geral venezuelanos culpam o governo pela situação, mas o estarrecedor é que elas se dizem esganadas pelo governo que prometeu as maravilhas do socialismo e entregaram, obviamente, o inferno.
    Não tenha pena dos venezuelanos adultos, estes votaram de forma consciente pela utopia socialista, encontrará vários destes morando no Peru e Argentina e escutará com seus próprios ouvidos "el socialismo es bueno, pero gobierno venezoelano fracasó para implantar".
  • Rogério  17/03/2017 14:56
    Vivi na Venezuela entre agosto/2015 e julho/2016. Posso dizer que a maioria do povo venezuelano já não aguenta mais este governo socialista. Prova disto, foi o resultado das eleições parlamentárias ocorridas em dezembro/2015, em que pela primeira vez, desde que Chávez assumiu o poder em 1999, a oposição elegeu mais deputados que o governo (oficialismo como os venezuelanos chamam). A oposição, representada pela coligação "Mesa de la Unidad Democrática" (MUD) elegeu 75% das vagas da Assembleia de Deputados. Foi uma vitória acachapante do povo venezuelano o qual mostrou que não aguenta mais o bolivarinismo. Lembro-me da felicidade de amigos venezuelanos, pensavam que a partir dali as coisas poderiam mudar. No entanto, o Governo bolivariano manda no Poder Judiciário, no Sistema Eleitoral (representado pelo Consejo Nacional Electoral - CNE) e nas Forças Armadas. Isto tudo conjugado faz com que o Governo mande e desmande como bem entenda. Lá as instituições não funcionam, estão totalmente contaminadas pela esquerda. Para se ter uma ideia, no final do ano passado deveriam ocorrer eleições para Governadores, até o momento não ocorreu. O Governo com medo de perder a eleição em todos os estados, resolveu simplesmente não realizar as eleições, alegando uma série de bobagens. Agora o governo bolivariano tenta deslegitimar todas as legendas opositoras de maneira que elas não possam concorrer no próximo pleito eleitoral. Ou seja, a ideia é que as próximas eleições só acontençam com os partidos de esquerda, todos eles alinhados com o governo. Resumindo, a situação do povo venezuelano é muito difícil, tanto que os venezuelanos estão fugindo para outros países, entre eles o Brasil.
  • Tradutor Liberal  17/03/2017 15:43
  • Ninguem Apenas  15/03/2017 15:08
    Leandro

    Todo aumento da oferta de moeda é ruim?
    Rothbard dizia isso, já Hayek dizia outra coisa.

    Hayek também diz que as moedas a taxa constante seriam melhores que a taxa fixa (como o padrão-ouro).
    Qual sua opinião sobre o assunto?
  • Leandro  15/03/2017 15:30
    "Todo aumento da oferta de moeda é ruim?"

    Isso é um juízo de valor que não cabe a um economista fazer. A função de um economista é explicar quais serão as consequências de um aumento da oferta monetária. Só isso.

    Esclarecido isso, vale dizer que é inevitável haver aumento da oferta monetária. Mesmo se o dinheiro fosse inteiramente formado por moedas de ouro, continuaria havendo aumento da oferta monetária: basta que alguém escavasse ouro da terra.

    Igualmente, em um arranjo de liberdade monetária, no qual qualquer pessoa é livre para aceitar qualquer dinheiro, aumentos da oferta monetária seriam inevitáveis. Se, por exemplo, o uso de dólares fosse liberado no Brasil, isso levaria a um aumento da oferta monetária: qualquer pessoa que entrasse no país com dólares estaria aumentando a oferta monetária.

    O que um economista pode dizer é:

    1) Quando o governo imprime dinheiro para financiar seus gastos, está havendo um aumento da oferta monetária sem que tenha havido um respectivo aumento na demanda por este dinheiro. Consequentemente, a explosão nos preços é inevitável (o Brasil da década de 1980 e primeira metade da de 1990 era assim).

    2) Já quando a moeda entra na economia na forma de expansão do crédito, isso gera distorções nos preços relativos: aquele setor para onde vai o dinheiro recém-criado sofre aumento de preços, o que, consequentemente, estimula o direcionamento de mais investimentos para aquele setor. Essas distorções irão se acentuar quanto mais tempo durar a expansão do crédito. Quando a expansão do crédito for interrompida, haverá o processo de rearranjo e correção, que nada mais é do que a recessão.

    Essa é a síntese de um ciclo econômico gerado pela expansão do crédito. O ciclo será tão mais profundo quanto maior for o volume e a duração da expansão do crédito.

    Portanto, em ambos os casos, o aumento da oferta monetária gera distorções.
  • Ninguem Apenas  15/03/2017 16:31
    Leandro

    Desculpa perguntar novamente, mas e sobre as moedas a taxa fixa e a taxa constante, Hayek dizia que as taxas constantes eram melhores para a economia e Rothbard disse que era uma utopia.

    Sem criar juízo de valor, economicamente,
    uma sociedade estaria melhor com uma moeda ancora padrão-ouro ou em um arranjo onde as empresas manteriam o valor a uma certa taxa constante?

    Hayek da o exemplo da Suécia que sofria da inflação do ouro pelo aumento da oferta de moeda vindo do resto do mundo que estava abolindo o padrão-ouro, e daí o banco central resolveu parar de cunhar a moeda para ela não inflacionar e a moeda passou a valer mais que o ouro que ela garantia. (Se eu entendi errado o que ele disse, favor me corrigir!)

    Isso é realmente melhor economicamente que o padrão-ouro? e se a Suécia não tivesse parado de cunhar a moeda mantendo o cambio fixo, o ouro inflacionaria o mercado?

    Por último e não menos importante, quando sai seu livro sobre a história do Brasil na visão libertária? :)
  • Leandro  15/03/2017 19:39
    "Hayek dizia que as taxas constantes eram melhores para a economia e Rothbard disse que era uma utopia."

    E ambos estavam corretos.

    Sim, taxa constante tem a vantagem de trazer grande previsibilidade. Mas é utopia. Afinal, quem é que vai estipular a taxa? Mais ainda: quem estará no controle? Um Banco Central? Um político? Um burocrata?

    Perceba que a taxa constante, por definição, é anti-liberdade: ela presume que nenhuma outra moeda pode entrar na economia. Como expliquei acima, em um ambiente de liberdade monetária, qualquer moeda deve ter livre circulação. Sendo assim, como impor taxa constante de crescimento da oferta monetária?

    Mesmo que uma empresa privada extremamente competente e confiável seja a escolhida para fazer essa gerência, nada deve impedir que outra empresa concorrente adentre o mercado. E aí? Como manter taxa constante de crescimento?

    "Sem criar juízo de valor, economicamente, uma sociedade estaria melhor com uma moeda ancora padrão-ouro ou em um arranjo onde as empresas manteriam o valor a uma certa taxa constante? "

    Deixando de lado a crucial questão sobre quem vai escolher a taxa e o motivo de tal taxa ter sido a escolhida, minha resposta é: não sei. Impossível fazer tal exercício de futurologia.

    Digamos apenas que, se eu pudesse escolher entre duas localidades, cada uma com um destes dois arranjos, eu iria para o ouro. Acho que o ouro, por mais paradoxal que isso possa parecer, é mais previsível e bem menos sujeito a manipulações do que moedas fiduciárias controladas por pouquíssimos seres humanos.

    Sobre a Suécia, Hayek descreveu o fenômeno neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=197

    Trecho:

    "Meu terceiro exemplo é ainda mais interessante, ainda que o evento tenha sido mais efêmero, porque ele se refere diretamente ao ouro. Durante a Primeira Guerra Mundial, a grande inflação de papel-moeda ocorrida nos países beligerantes derrubou não apenas o valor dos papéis-moeda como também o valor do ouro, uma vez que o ouro foi largamente substituído por papel-moeda, o que consequentemente fez diminuir sua demanda.

    Assim, o valor do ouro caiu e os preços cotados em ouro dispararam por todo o mundo. E isso afetou até mesmo os países neutros.

    A Suécia, em particular, estava muito preocupada: como ela havia aderido ao padrão-ouro, ela foi inundada por ouro advindo de todo o resto do mundo, ouro esse que se moveu pra Suécia justamente por ela ter mantido seu padrão-ouro; e os preços na Suécia subiram quase tanto quanto os preços do resto do mundo.

    Entretanto, a Suécia, por sorte, também tinha um ou dois economistas muito bons à época, e eles repetiram o conselho que os economistas austríacos haviam dado em relação à prata na década de 1870: "Interrompam a cunhagem de ouro e o valor de suas atuais moedas de ouro irá subir acima do valor do ouro contido nas moedas".

    O governo sueco assim procedeu em 1916, e o que aconteceu foi exatamente o que os economistas haviam predito: o valor das moedas de ouro começou a flutuar acima do valor do ouro contido nelas, e a Suécia, pelo resto da guerra, escapou dos efeitos da inflação do ouro."

    Sobre um eventual livro meu, não atormente o mundo dessa maneira. Deixe as pessoas em paz.

    Grande abraço!
  • hpa.1002@gmail.com  15/03/2017 21:03
    Muito obrigado pela resposta Leandro, quando o instituto ficar famoso e os comentários ficarem imensos não vai mais dar pra fazer pergunta kkkk

    No mais gostaria de agradecer a paciência, porque o que tem perguntas chatas kkk

    Mas só um adendo, quando falei de taxas constantes me referi ao livro dele Desestatização do dinheiro com um livre mercado de moedas aonde as empresas usassem moedas a taxa constante, sujeitas a concorrência é claro. Eu não acho que seria utópico, mas um dia quem sabe terei estudo pra afirmar isso.

    Apenas sucesso na vida e no instituto, abraço!

  • Ningue Apenas  15/03/2017 21:38
    vish saiu o email! que droga
  • hpa.1002@gmail.com  15/03/2017 21:17
    Muito obrigado pela resposta Leandro, quando o instituto ficar famoso e os comentários ficarem imensos não vai mais dar pra fazer pergunta kkkk

    No mais gostaria de agradecer a paciência, porque o que tem perguntas chatas kkk

    Mas só um adendo, quando falei de taxas constantes me referi ao livro dele Desestatização do dinheiro com um livre mercado de moedas aonde as empresas usassem moedas a taxa constante, sujeitas a concorrência é claro. Eu não acho que seria utópico, mas um dia quem sabe terei estudo pra afirmar isso.

    Apenas sucesso na vida e no instituto, abraço!

  • Andre Cavalcantge  15/03/2017 23:03
    "Sim, taxa constante tem a vantagem de trazer grande previsibilidade. Mas é utopia. Afinal, quem é que vai estipular a taxa? Mais ainda: quem estará no controle? Um Banco Central? Um político? Um burocrata?

    Ooops! Leandro isso só ocorre em moedas controladas pelos governos. Com criptomoedas, por exemplo, a taxa de crescimento é, em geral, definida pelo algoritmo de obtenção das moedas e a taxa tende a ser constante, ao menos por um tempo, mas sempre é previsível e não há "ninguém" no controle, exceto claro as funções matemáticas que garantem essa previsibilidade da criação das moedas...

    "Perceba que a taxa constante, por definição, é anti-liberdade: ela presume que nenhuma outra moeda pode entrar na economia. Como expliquei acima, em um ambiente de liberdade monetária, qualquer moeda deve ter livre circulação. Sendo assim, como impor taxa constante de crescimento da oferta monetária?"

    Novamente, sei que cê partiu das moedas correntes, portanto, controladas por governos, o caso clássico - mas as possíveis moedas digitais são a mais pura liberdade possível: criadas pelo mercado, mantidas pelo mercado e a concorrência entre elas é, ao meu ver, exatamente o que fará a longevidade do modelo (se bitcoin cair, por qualquer motivo, outra "melhor" pode substituir etc.)

    Abraços



  • Ninguem Apenas  15/03/2017 23:53
    Eu concordo com você Andre, mas a bitcoin é uma moeda a taxa fixa bem semelhante ao ouro, existe uma paridade fixa entre a moeda e o lastro digital dos blocos gerados pelo algoritmo.

    As moedas a taxa constante não oscilam livremente, a empresa que coordena ela pode realizar o processo de Buy & Burn para manter seu valor estável a uma commodity ou cestas delas por exemplo, além de poder ter uma deflação e inflação coordenada por algum processo da entidade controladora.

    A bitcoin não possui a estabilidade de uma moeda a taxa constante, acho que o único exemplo de moeda assim seria a DAI da MakerDAO, mas parece que foi abandonado infelizmente.
  • Ninguem Apenas  16/03/2017 00:04
    Eu só sei que este assunto a ciencia economica ainda tem muito a contribuir, que falta faz uma analise moderna dos temas do livro do Hayek, o Desestatização do Dinheiro ainda é o único livro a tratar do assunto de forma completa, se houver algum outro, favor me indicarem.
  • Andre Luiz  15/03/2017 15:11
    Viva o socialismo do Século XXI !!!!!!!!!!
    Distribuindo IGUALMENTE, a miséria, a fome e a decomposição do tecido social. IGUALMENTE, como no século XX.
    E a grande mídia pelega, o que diz????
  • Adriel Felipe  15/03/2017 16:55
    O mais legal é quando o autor diz "Estado socialista democrático" e a gente percebe que democracia é boa só quando convém (pra eles).

    De quando é esse artigo?
  • Meira  15/03/2017 17:00
    Esse do Vermelho.org? De março de 2014.

    Vale ao menos um elogio: eles tiveram a hombridade de mantê-lo na página, sem apagar.

    Hay que pasar vergüenza sí, pero sin perder la ideologia jamás.
  • Tradutor Liberal  15/03/2017 15:50
    Acho que estou em sintonia com o editor do IMB. Ontem a noite publiquei um artigo traduzido sobre a Venezuela também. :)

    tradutorliberal.wordpress.com/2017/03/14/quatro-anos-apos-a-morte-de-chavez-a-venezuela-mergulha-profundamente-no-abismo/
  • Felipe Costa Gualberto  15/03/2017 16:21
    Muito triste.
  • Celso Silva  15/03/2017 16:49
    E uma população desarmada que não consegue nem organizar um levante contra esses vagabundos vermelhos filhotes do Chavez. Desarme todos e ocupe o poder! Assim o fez Lenin, o canalha-mor fundador da Rússia comunista! Que os vermelhos brasileiros nem tentem!
  • Benedito  15/03/2017 16:54
    Exato. Eis uma notícia de 2013:

    Nova lei de desarmamento é oficializada na Venezuela

    E outra, de 2011, ainda mais lúgubre:

    Desarmamento une chavistas e oposição na Venezuela
  • Mr Citan  15/03/2017 18:05
    Relato muito triste, pois são as crianças que sofrem por conta das escolhas burras dos adultos, que optaram pelo "almoço grátis".
    Enquanto isto, milhares de venezuelanos tentam a sorte de conseguir entrar na banania.
    Queria saber se os que defendem acolher árabes disfarçados de refugiados sírios, vão também ser a favor de acolher refugiados da Venezuela.
  • marcela  15/03/2017 19:27
    O BC dos EUA subiu os juros em 0,25% hoje.Com o Trump na presidência,certamente a taxa de juros vai para as alturas e isso de acordo com o Peter Schiff terá consequências sobre o dólar,que deve cair para o abismo,pois de 1970 para cá houve 5 grandes aumentos na taxa de juros e em todas elas o dólar caiu.Como o IMB explicou em diversos artigos,o dólar fraco provocará um novo boom das commodities.Boa notícia para o povo venezuelano e para o novo presidente que sucederá esses malucos bolivarianos.
  • Típico Filósofo  15/03/2017 19:58
    Em seu ímpeto reacionário, os neoliberais fascistas apressam-se em narrar a situação do povo venezuelano e a conspiração da CIA contra a felicidade advinda dos programas sociais de Maduro. Como sempre defensor do povo, sacrifico-me ao ousar refutar as críticas maliciosas dos autores, que ostentaram neste artigo o absurdo de afirmar que é o povo que sofre com a escassez gerada pelos controles de preço ao invés do grande capital e das oligarquias internacionais.

    - Explicando a infame questão do papel higiênico: O ato de 'defecar' é essencial para a manutenção da conjuntura capitalista sob uma perspectiva marxista-polilógica, pois aliena o trabalhador da condição de exploração em que vive ao expô-lo a um trono produzido industrialmente (visando a burguesia prendê-lo às condições de produção, como explicado genialmente pela Escola de Frankfurt), onde ele é torturado pelos alimentos que consumiu, incapaz de refletir e lutar pela justiça social.

    Como explicado por Trotsky e Marx, o fim da luta de classes com a ascensão do proletariado inevitavelmente ilimita a capacidade física e intelectual do proletário, fazendo-o não mais protestar pelas futilidades antes impostas pela sociedade burguesa como o 'papel higiênico', retomando a sociedade ao belo passado bucólico quando não era necessário sentir-se oprimido por seus desejos orgânicos e bastava jogá-los pela janela. A Venezuela enfrenta um processo de mudança necessário e em breve, o proletariado esquecerá do hábito imposto pela burguesia neoliberal a seu povo.

    - O "gás verde": Sendo a Venezuela uma produtora de petróleo, é mister que Maduro esteja preocupado em limpar sua imagem perante a vanguarda revolucionária fabiana ambientalista, utilizando de gás verde para apaziguar as multidões pagas pela CIA para oporem-se ao regime, criado de uma belíssima forma simbólica, uma 'paz verde' (Greenpeace).

    - Os "saques" aos supermercados: Trata-se de pura restituição de mais-valia não consolidada. Quando as elites contratam trabalhadores para aumentarem seu lucro, os neoliberais reacionários maliciosamente se omitem; porém quando estes vão às suas lojas, quebram as vidraças e trazem os bens produzidos para casa ao ponto de que não mais haverá contratações (ou seja, fim da exploração do povo venezuelano), os neoliberais reacionários chamam de "saque". Trata-se de apenas um exemplo da luta de classes em ação, impedindo os autores burgueses de enxergar a libertação do povo.

    - A "inflação galopante" venezuelana: O senhor Maduro está mais do que correto: se os índices de preço estão fixos, é simplesmente impossível que esteja ocorrendo uma inflação (aumento de preços). Na verdade, o que está a ocorrer na Venezuela é uma deflação, pois a burguesia unida à CIA deseja entesourar sua riqueza, abdicando no curto prazo de sua própria alimentação, energia e sustento para que o proletariado não triunfe na Venezuela; daí o aumento de mais de 90 vezes na quantidade de dinheiro em circulação no país, trata-se de uma imprescindível ação do estado para manter de pé a demanda agregada perante uma armadilha de liquidez da burguesia e uma conspiração do capital internacional.

    - Há "apagões" na Venezuela: Trata-se de mais um exemplo do paradoxo da luta de classes em ação: apenas os reacionários sentem os apagões enquanto os trabalhadores estão nas ruas a festejar as conquistas sociais do país por ordem do Ministério da Suprema Felicidade Social, eventualmente entrando em conflito com os agentes da CIA a enfrentar a revolução.

    -------------------------------------------------------------------------------------

    Os autores verdadeiramente extrapolaram em suas "acusações" contra o Bolivarianismo neste artigo, chegando, data venia, ao ridículo. Recomendo que eles venham à Unicamp como estudantes e tomem um curso de ciências sociais para que aprendam como de fato funciona o mundo.
  • Esron  15/03/2017 21:21
    Serio, eu até riria do teu comentário cara... mas não consigo nem imaginar fazer piada com uma situação tão desumana.... Nesse artigo, só temos tristeza, desolação, revolta. Os unicos comentarios que deveriam ter aqui é de repúdio, mais ainda, revolta contra não soh esse governo de malucos, mas com o governo brasileiro, que abandonou os venezuelanos a propria sorte com esses MALUCOS dessses socialistas. Na minha opiniao, exercito brasileiro tinha que entrar e salvar todo mundo daquele país, sem conversa, tirar todos aqueles nojentos do poder na base da PORRADA
  • Esron  15/03/2017 21:25
    COMO PODE O GOVERNO BRASILEIRO SER LENIENTE COM ESSE TIPO DE SITUAÇÃO?? TINHA Q ENTRAR NESSA BOSTA DESSE PAÍS E ARRANCAR NA BASE DA PORRADA TODOS OS DIRIGENTES, NEM QUE SEJA PRA IMPLANTAR UMA DITADURA DE DIREITA. ESSE BANDO DE SAFADOS SEM VERGONHA DESSES SOCIALISTAS;
  • João  15/03/2017 22:29
    Cara, tu é foda mesmo, acho que nem um esquerdista de verdade conseguiria inventar uma explicação mais embusteira pros fatos, merece um FO positivo kkkkkk
  • Adriel Felipe  15/03/2017 22:10
    OFF

    Leandro,

    Me ajude a entender a crítica desse artigo, pois o que eu entendi até agora foi que eles confundiram preço com valor e depois acusaram Bohm-Bawerk de deduzir o que é mais importante que o quê.
  • Guilherme  16/03/2017 10:10
    O tal do marxista se embanana todo por achar que "utilidade" se refere à algo intrínseco à cada mercadoria, e não à satisfação que ele proporciona ao ator que valoriza. Veja essa pérola:

    Nem toda mercadoria tem a mesma utilidade. Algumas mercadorias podem satisfazer várias necessidades diferentes. A água tem várias utilidades, por exemplo: beber, cozinhar, tomar banho, lavar a louça, as roupas, etc. Além disso, algumas necessidades possam ser satisfeitas por várias mercadorias diferentes, por exemplo, uma pessoa pode comer arroz e feijão, ou pode comer macarrão. Mesmo assim, não existe nenhuma utilidade universal, comum a todas as mercadorias. Cada mercadoria tem a sua utilidade particular.

    Mas, se não existe nenhuma utilidade universal, comum a todas as mercadorias, também não é possível comparar as mercadorias do ponto de vista da utilidade. Então como é que o preço das mercadorias é determinado pela utilidade?

    Não precisa dizer mais nada, esse aí nunca entendeu uma linha da teoria da utilidade marginal.

  • Bartolo  16/03/2017 15:02
    "se não existe nenhuma utilidade universal, comum a todas as mercadorias, também não é possível comparar as mercadorias do ponto de vista da utilidade. Então como é que o preço das mercadorias é determinado pela utilidade?"

    Meu Deus do céu... Nessa simples frase o sujeito do tal artigo consegue a façanha de atribuir aos austríacos algo que os austríacos nunca defenderam, e ainda extrair uma conclusão que não se segue da frase anterior...

    Realmente, ignorância em estado extremo.
  • N%C3%83%C2%ADcolas  23/03/2017 20:42
    Tentando descrever funcionalidade e chamar de utilidade parece ser umas das artimanhas socialistas novas... se bem que eu sou novo nisso aqui então que é que eu sei, ne?
    E, como sempre, o (instituto) Mises detona ndo com os socialistas.
  • Dam Herzog  16/03/2017 00:37
    Otimo artigo. Hoje temos no mundo dois tipo de paises. Uns que se apoiam no conceito de que as pessoas ao serem deixadas livres num ambiente de livre mercado e da propriedade privada conseguem padrões de vida nunca visto antes. Aqui temos trabalho arduo e inteligente, que em resumo significa estudos pesquisas, experiencia, meditação em ambiente livre. Um outro grupo se baseia no conceito que existe uns operadores de interesses das populações mais pobres que ao invéz de acentuar o individuos, acentua o coletivo, proclama a justiça social, que significa taxar progressivamente os criadores de riquezas e entregar o produto do roubo aos não criativos e preguiçosos. Estes tem maioria elegem os pró justiça social contra os que querem a justiça social via mercado livre. Quanto a classificação os que apoiam o individuo procuram o caminho da liberdade, da propriedade privada, da não intervenção, da não regulamentação e com isso chegam ao ambiente propicio ao ambiente ecomomico ideal para a criação de riqueza. Do outro lado coletivista surge um ambiente de controle central da economia, com confisco de propriedade privada legitimamente adquirida, da intervenção descabida e inibidora da criação de riqueza, regulamentação inibidora a inovação, e a ideia de que os seres humanos não tem capacidade de gerir suas proprias vidas e que do nascimento ao tumulo tudo deve ser fornecido pelo governo. Este conceito coletivista já causou mais de 150.000.000 de mortes pelo mundo. O povo muitas vezes vive no mundo do pão e circo e não dá importancia aqueles que os governa e os conduz a um estado totalitário onde estes mesmos politicos que eles sufragam nas urnas serão seus futuros algozes. Este artigo é um exemplo como um povo pode sucumbir ao nivel dos animais ao se alimenatarem de comida de lixo. Por isso sempre entendi que igualdade é uma das maiores utopias atuais que nunca existiu e nunca vai existir. Para mim o socialismo sómente leva a fome, pobreza, perda da dignidade, sangue e morte. Vamos ver o que vai acontecer na Venezuela e se o povo aprova atualmente por medo ou porque acha que pode melhorar. Que Deus leve todos os ditadores assassinos cujo poder é a força bruta de uma população desarmada, para fora do ambiente humano que eles manipulam.
  • anônimo  16/03/2017 13:35
    Olá,

    Tenho uma dúvida em relação ao último boletim do BCB.

    Se a taxa de crédito/PIB está acima de 50%, o dinheiro para pagar o crédito vai sair de mais crédito ? Se metade do dinheiro da economia é crédito, então como a metade do dinheiro em propriedade do povo vai pagar o crédito ? Precisa crédito mais barato para pagar o crédito antigo mais alto ?


    www.bcb.gov.br/htms/notecon2-p.asp

    A relação crédito/PIB decresceu para 48,7%, ante 53,2% em janeiro de 2016.


    II - Evolução dos agregados monetários

    A média dos saldos diários da base monetária totalizou R$260,4 bilhões em janeiro, com declínio de 1,9% no mês e acréscimo de 3,5% em doze meses. A variação mensal repercutiu a redução de 3,6% no saldo do papel-moeda emitido e o crescimento de 8,4% nas reservas bancárias, que ainda refletem o aumento sazonal da demanda por moeda em dezembro.

    Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, sobressaíram os impactos contracionistas das operações com títulos públicos federais (R$6,4 bilhões), dos depósitos de instituições financeiras, que incluem as variações nos saldos de recolhimentos compulsórios (R$5,8 bilhões), e dos ajustes nas operações com derivativos (R$5,1 bilhões). Em contraponto, as operações do Tesouro Nacional foram expansionistas em R$8,1 bilhões.

    O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) situou-se em R$325,3 bilhões em janeiro, refletindo declínio mensal de 4,6%, correspondente aos recuos de 6% nos depósitos à vista e de 3,5% no papel-moeda em poder do público. Em doze meses, o M1 cresceu 2,1%.

    Os meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 acrescido de depósitos de poupança e títulos privados, registraram retração mensal de 2,3% em janeiro, totalizando R$2,3 trilhões. Esse resultado traduziu os declínios de 10,4% no M1, de 1% nos depósitos de poupança (saldo de R$665 bilhões) e de 0,8% nos títulos emitidos por instituições financeiras (saldo de R$1,3 trilhão). No mês, ocorreram resgates líquidos de R$10,7 bilhões em depósitos de poupança e de R$9,4 bilhões em depósitos a prazo.

    O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, apresentou expansão de 0,7% no mês, atingindo R$5,3 trilhões, reflexo das elevações de 3% nas quotas de fundos de renda fixa e de 6% no saldo das operações compromissadas, que somaram, respectivamente, R$2,8 trilhões e R$185,4 bilhões. O M4, conceito que acrescenta ao M3 os títulos públicos de detentores não financeiros, registrou elevação de 0,2% no mês e de 10,4% nos últimos 12 meses, totalizando R$6,2 trilhões.

  • Afrânio  16/03/2017 14:49
    "Se a taxa de crédito/PIB está acima de 50% [...] metade do dinheiro da economia é crédito"

    Essa sua lógica não faz sentido. O crédito equivaler a 50% do PIB não significa que ele equivale à metade do dinheiro na economia. Crédito é uma coisa, PIB é outra completamente distinta. PIB não é sinônimo de "total de dinheiro na economia".
  • Hugo  16/03/2017 20:07
    Além da fila do pão, agora Maduro ataca as padarias

    As padarias venezuelanas são o mais recente setor atacado pelo governo do presidente Nicolás Maduro em um momento de filas cada vez maiores para comprar pão na capital Caracas.

    O governo ordenou que as padarias utilizem seu escasso suprimento de farinha para produzir pães com preços controlados e disse que apenas 10 por cento do produto pode ser usado para produzir os itens desregulados e caros adorados pelos venezuelanos, entre eles os cachitos -- um tipo de croissant que pode ser recheado de presunto ou queijo.

    O governo despachou funcionários reguladores de preços a centenas de padarias de Caracas nesta semana para garantir o cumprimento da ordem.

    "Haverá uma equipe destacada para cada padaria para termos vigilância e controle permanente sobre as 709 padarias de Caracas", disse o vice-presidente, Tareck El Aissami, no domingo. "Nós identificamos parte das conspirações e da sabotagem" que impediam que o pão chegasse à população.

    A Superintendência de Preços Justos da Venezuela (Sundde) informou na quarta-feira, em comunicado, que diversos gerentes de padarias haviam sido levados à procuradoria pública por usarem seus suprimentos de farinha apenas para produção de doces, cachitos e outros itens caros. Outros dois padeiros foram presos por fazerem brownies com farinha vencida, informou a Sundde.

    Fila do pão

    As filas para comprar pão têm sido comuns em Caracas nos últimos meses porque as pessoas esperam para comprar o pão vendido ao preço regulado de apenas 650 bolívares (cerca de US$ 0,92 pela taxa de câmbio mais desvalorizada e muito menos que isso pela taxa do mercado paralelo). Com a inflação mais elevada do mundo, que supera por muito o território dos três dígitos, as padarias normalmente sobrevivem vendendo itens mais caros e não regulados aos clientes de classe média e alta que podem pagar o preço atual de até 2.000 bolívares por cada cachito.

    Cerca de 80 por cento das padarias esgotaram seus estoques de farinha e as 20 por cento restantes receberam apenas 10 por cento do suprimento mensal regular, informou a Federação da Indústria da Panificação da Venezuela (Fevipan), em postagem em sua conta no Twitter na quinta-feira.

    Até esta altura do ano, as importações de trigo da Venezuela caíram 200.000 toneladas, para 1,3 milhão de toneladas, porque a situação econômica ruim afetou a demanda, informou o Serviço de Agricultura Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos EUA em seu relatório de março.

    www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/6244237/por-que-governo-maduro-esta-perseguindo-padarias-venezuelanas
  • Bruno Feliciano  16/03/2017 20:21
    O que faz a Venezuela ainda não colapsar?

    De onde ta vindo toda essa riqueza pra sustentar esse regime socialista? Chapado de funcionários públicos, empreendedores presos, mortos ou desempregados....

    De onde vem o capital pra sustentar todos os parasitas desse socialismo que deixa os venezuelanos miseráveis

    Eles em menos tempo, ficaram pior que o fim da URSS.


    Eu sinceramente as vezes penso que se eu NÃO obtivesse exito em tentar sair de um país desse, assim como Cuba, Coreia do Norte e afins, eu iria me matar.

    Sempre odiei ser obrigado a fazer as coisas, quando eu era criança, era um saco pra eu fazer algo que eu não queria, sempre amei a liberdade, sempre fui mais individualista, sempre apontei responsabilidade nas atitudes das pessoas, nunca gostei dessa compaixão gratuita exigida pelas pessoas e etc...

    Acho que a sua personalidade influencia muito na sua formação ideológica, eu sempre fui mais libertário, nunca gostei da ideia de governo, de dividir coisas.....
    A e detalhe: Sempre fui mais racional do que emocional, sempre fui mais frio pra tomar decisões e desenvolver raciocínios, conclusões necessariamente não tem quer emoção pra min.
    Mulheres tendem a gostar mais das ideias de esquerda, são mais emocionais, melancolicas, sentimentais e etc....



    Abraços
  • Jorge de Melo  23/03/2017 23:58
    Pessoal,

    favor apurar uma informação que tive, a de que tem falsários comprando bolívares (agora o que vale é só o papel) e imprimindo dólares em cima.
  • Hugo Maduro  24/03/2017 00:52
    Sí, compañero! Esto es exactamente lo que se pasa. Hace muy sentido, no?
  • Giovanni  06/04/2017 19:31
    Até quando vão existir idiotas que defendam isso?
  • Infiliz  07/04/2017 20:45
    Daí fui confrontar minha irmã progressista que rebateu com esse link aqui, na parte "High human development" se vê que Venezuela está acima do Brasil e ainda por cima teria melhorado de 2015 para 2016 em seu IDH, então como explicar isso?
    Especialmente para alguém que argumenta que essas notícias de fome são sensacionalismo americano...
  • Aligrin  08/04/2017 00:02

    O que apenas comprova que a ONU é uma piada, como sempre disseram conservadores e libertários.

    Agora, vale ressaltar uma coisa: um IDH de 0,762 é bem menor que o de vários estados brasileiros. (Atenção: valores ainda de 2010)

    pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_unidades_federativas_do_Brasil_por_IDH

    Já uma estimativa para valores de 2015 pode ser encontrada aqui:

    tudolistasmais.blogspot.com.br/2016/01/estimativa-idh-dos-estados-brasileiros.html

    Ou seja, a Venezuela, repleta de petróleo, está -- na melhor das hipóteses -- igual aos estados do nordeste brasileiro.
  • Lel  08/04/2017 01:43
    IDH nunca foi um ranking que mede a qualidade do padrão de vida.

    A pobreza pode aumentar, mas se o índice de alfabetização aumentar, o IDH aumenta e demorará anos para abaixar.

    Se quer saber os melhores lugares para morar, utilize esse ranking:
    https://en.wikipedia.org/wiki/Where-to-be-born_Index

    Aliás, nem Carta Capital, Brasil247 e Pragmatismo Político tentam mais negar que a Venezuela está em um estado calamitoso faz uns 3 anos. Sua irmã está desatualizada.
  • Ora bolas...  09/04/2017 01:16
    Se o país está falido, se mais de 80% dos venezuelanos estão na pobreza, se a mortalidade infantil disparou, se as pessoas precisam revirar os lixos em busca de alimentos, se a inflação bateu incríveis 900%, se as prateleiras dos mercados estão vazias, e por algum mistério o IDH aumentou, então podemos concluir que esse ranking não serve pra nada.


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