Economias prolongadamente afetadas por governos não se recuperam facilmente
E isso tende a gerar frustrações que podem piorar ainda mais a situação

Após meio século de adesão ao marxismo revolucionário, o estado cubano, por razões de necessidade e pragmatismo, já fornece vários indícios de que irá se tornar um estado autoritário mais tradicional.

Tão logo os irmãos Castro saiam de cena (só falta um agora), é bastante improvável que o governo cubano adote, de um momento para o outro, o livre mercado. Como tem sido o caso na China, a elite política encontrará maneiras de se perpetuar e manter o controle político, ao mesmo tempo em que continuará abiscoitando para si uma fatia substancial da riqueza produzida pelo trabalho dos cidadãos do país.

O que é mais provável de acontecer é que ela irá diminuir um pouco as amarras sobre a economia, simplesmente por reconhecer que economias mais livres são mais produtivas.

No entanto, não prenda a respiração: não espere que Cuba se torne um paraíso para a livre iniciativa no futuro próximo.

Mesmo com sua economia se tornando ligeiramente mais livre, Cuba irá continuar sendo mais pobre que todos os seus vizinhos (com a exceção talvez do Haiti). E será assim indefinidamente.

Mais ainda: mesmo que Cuba se tornasse a Cingapura do Caribe — algo extremamente improvável —, o país ainda assim continuaria sendo, por décadas, muito mais pobre do que a maioria de seus vizinhos latino-americanos.

E seria assim porque, independentemente daquilo que políticos dizem, as pessoas de um país não podem se tornar mais prósperas simplesmente porque o governo assim o deseja. Afinal, se a riqueza pudesse ser produzida por decreto estatal, então os regimes de Cuba e Coreia do Norte — nenhum dos quais tem de lidar com qualquer oposição política organizada — teriam transformado suas economias em potências, pois ambos usufruem um poder praticamente irrestrito para "melhorarem" suas economias.

O problema é que, na vida real, a riqueza só pode ser construída por meio da poupança, da acumulação de capital e da divisão do trabalho. Sem dúvida, algumas pessoas podem se beneficiar da redistribuição de riqueza decretada pelo governo; porém, para que haja riqueza a ser distribuída, esta tem primeiro de ser criada. E a riqueza é criada quando pessoas produzem bens e serviços de valor, e quando elas abdicam do consumo presente para que possam investir os recursos não-consumidos e, com isso, tenham a capacidade de ter mais consumo no futuro.

Sim, é fácil falar tudo isso. Muito mais difícil é fazê-lo. Mas eis o mais frustrante de tudo: mesmo após uma sociedade ter adotado um arranjo com mercados relativamente mais livres, ela ainda assim poderá demorar décadas para alcançar a condição de sociedade rica, segundo os padrões modernos.

Pior: durante esse processo de construção de riqueza, muitos ideólogos e políticos populistas apontarão para a crescente discrepância entre países ricos e pobres, e irão culpar o mercado.

O exemplo da Alemanha Oriental e do Leste Europeu

Embora, na economia e na política, não exista um arranjo que possamos classificar como "experiência totalmente controlada", ainda assim há alguns casos que demonstram, de maneira convincente, como as revoluções políticas, por si sós, são insuficientes para efetuar uma revolução econômica.

Por exemplo, mesmo 25 anos após a queda do Muro de Berlim, aquelas áreas da Alemanha que estiveram submetidas a um regime de estilo soviético — conhecido por República Democrática da Alemanha — continuam mais pobres que as outras áreas da Alemanha que não adotaram o comunismo, e que eram conhecidas como Alemanha Ocidental.

Em 2014, o jornal The Washington Post fez uma reportagem mostrando como a Alemanha Oriental ainda hoje apresenta níveis menores de renda, taxas de desemprego mais altas e, em geral, é menos próspera que o lado ocidental alemão. Esta situação, por sua vez, fez com que essa região oriental da Alemanha sofresse um êxodo de jovens, muitos dos quais se deslocaram para o oeste do país, à procura de melhores empregos e maiores salários.

Já a revista Fortune observou que "se olharmos algumas estatísticas como renda per capita ou produtividade do trabalhador, estas também demonstram uma ampla disparidade em termos de desenvolvimento econômico entre o leste e o oeste da Alemanha."

Já o periódico econômico Quartz apresentou um dado complementar: "Hoje, o leste da Alemanha apresenta muitos problemas estruturais semelhantes aos de países como a Grécia e Espanha, embora em escala muito menor."

Durante a Guerra Fria, muitos oponentes do comunismo apontaram a Alemanha como o exemplo perfeito de como o comunismo ao estilo soviético destruía a prosperidade econômica. A piada era recorrente: se o comunismo não funcionou nem na Alemanha, como querer que ele funcione em qualquer outro lugar?

Mas isso foi naqueles tempos. Hoje, aquele regime da Alemanha Oriental já não existe mais e a Alemanha é, em termos relativos, uma das economias mais pró-mercado do mundo. O leste alemão tem exatamente o mesmo governo que o oeste alemão. Então, por que o leste ainda continua mais pobre que os seus vizinhos do oeste?

A resposta jaz no fato de que, ainda que os sistemas político e legal sejam os mesmos, o leste ainda sofre as consequências das décadas que passou destruindo seu capital sob o domínio soviético. Consequentemente, o leste está décadas atrasado, em relação ao oeste, em termos de acumulação de capital e aumento da produtividade do trabalho.

Esse exemplo alemão oferece a mais cristalina das comparações porque, antes da Segunda Guerra Mundial, os alemães do leste e do oeste não só tinham sistemas políticos similares, como também eram semelhantes tanto étnica quanto culturalmente. Assim, comparar o desempenho de ambos durante a Guerra Fria, sob dois regimes distintos, fornece uma quase "experiência controlada".

Mas podemos também expandir a análise para além dos alemães que estão a leste. Vamos à Polônia. Por que a Polônia, com sua longa tradição de governos parlamentares e descentralizados, e sua histórica orientação ocidental, ainda é relativamente pobre em relação ao resto da Europa Ocidental?

O mesmo pode ser dito sobre República Tcheca. Sua principal cidade, Praga, já chegou a ser a segunda mais importante do Império Austríaco, tendo sido também o centro da riqueza e da cultura européias. Os checos, assim como os poloneses e alemães orientais, nunca recuperaram o seu lugar relativo em termos de riqueza na Europa.

Parte da explicação para tudo isso está no fato de que o legado de um sistema político abandonado pode permanecer vivo durante décadas, mesmo após o regime ter mudado. Como explicado neste artigo, no contexto dos regimes sul-americanos:

Mudanças institucionais definem o destino de um país apenas no longo prazo.  Elas não definem sua prosperidade no curto prazo. [...] Por exemplo, quando a China abriu parte de sua economia para os mercados internacionais, o país começou a crescer economicamente.  Hoje, estamos vendo os efeitos destas décadas de relativa liberalização econômica.  É verdade que várias áreas da China ainda sofrem uma ausência de liberdades significativas, mas o país seria muito diferente hoje caso houvesse se recusado a mudar suas instituições décadas atrás.

Claramente, o fato de os países do velho Bloco Oriental terem adotado uma maior liberalização de suas economias os permitiu uma maior prosperidade econômica. no entanto, isso, por si só, não basta para elevá-los ao mesmo nível de riqueza daqueles outros países que nunca foram submetidos aos efeitos destruidores de décadas de comunismo.

Coreia: um exemplo extremo, mas relevante

Tudo isso ficará ainda mais óbvio se e quando o regime da Coreia do Norte se esfacelar. Quando isso ocorrer, o mais provável é que ele seja integrado à Coreia do Sul. E aí, então, teremos um país cujas regiões do norte, apesar de uma etnia idêntica e de uma história extremamente semelhante, serão muito mais pobres que as regiões do sul.

Alguns alemães do oeste, até hoje, se ressentem de todos os impostos que já foram retirados deles e direcionados para o leste do país, para ajudar na integração. Mas isso irá se tornar absolutamente insignificante quando comparado a toda a riqueza que os pagadores de impostos do sul da Coreia terão de direcionar para o norte após uma reunificação. Como a BBC observou:

Os rendimentos na Coreia do Sul são de 10 a 20 vezes mais elevados que na Coreia do Norte — uma diferença muito mais ampla do que aquela entre o leste e o oeste da Alemanha. Isso significa que, se ocorresse uma reunificação, o solavanco econômico seria muito maior.

Mesmo hoje, os norte-coreanos que conseguiram desertar já descobriam que suas capacidades e qualificações estão muito aquém das exigências típicas na Coreia do Sul. Médicos que desertaram da Coreia do Norte frequentemente são reprovados nos exames médicos básicos da Coreia do Sul. Tudo isso indica que os esforços e dinheiro necessários para a reunificação seriam astronômicos em comparação a tudo o que ocorreu na Alemanha.

Em tal cenário, todos os mesmos problemas encontrados na Alemanha seriam enormemente multiplicados na Coreia. Jovens trabalhadores debandariam em multidões para o sul em busca de trabalho e educação. O norte passaria a ser uma terra de pensionistas empobrecidos vivendo exclusivamente de benefícios sociais pagos pelos trabalhadores do sul.

Somente depois de várias décadas é que o capital começaria a se mover para norte. Na melhor das hipóteses, a Coreia do Norte passaria a ser caracterizada como um estado fronteiriço cuja economia se baseia na extração de recursos naturais, e cuja mão-de-obra tem de ser importada de outras partes do país, ou mesmo do estrangeiro.

É claro que todo este processo poderia ser acelerado por meio de transferências forçadas de riqueza e capital pegos pelos habitantes do sul, mas isso obviamente implicaria um enorme custo para os sul-coreanos.

A reação política

Mas mesmo sendo auto-evidente que um arranjo de mercado traz maior riqueza e prosperidade, caso tais mudanças ocorram na Coreia e em Cuba, isso causará uma grande reação política, assim como aconteceu, em certa medida, no Leste Europeu. Os males sociais presentes nestes países recém 'ocidentalizados' serão atribuídos ao "capitalismo excessivo" tão logo os trabalhadores começarem a migrar para onde o capital está, deixando para trás uma economia esfacelada nas antigas áreas comunistas.

Dado que a riqueza não irá surgir magicamente em todos os cantos do país ao mesmo tempo, uma pobreza significativa persistirá em muitas áreas, sendo que, desta vez, em vez de ser atribuída a fictícios burgueses reacionários (como sempre ocorreu no comunismo), será atribuída ao capitalismo em geral, cuja presença factual tornará o argumento ainda mais convincente.

A pobreza relativa das antigas áreas comunistas vai perdurar, apesar dos imensos ganhos em termos de padrão de vida. Os capitalistas serão culpados também por estas desigualdades. Como escreveu Andrei Lankov em relação ao contexto coreano:

A riqueza e a pobreza são, essencialmente, categorias relativas. Não há dúvida de que nos primeiros anos após a unificação, o operário e catador de arroz da Coreia do Norte irão comparar sua nova vida com aquela que tinham sob o jugo da família Kim — com tais comparações revelando-se decisivamente em prol do novo sistema.

No entanto, será uma questão de tempo, talvez até mesmo de poucos anos, até o foco passar a ser o Sul atual. Os norte-coreanos começarão a comparar as suas posses não com a situação de antes da unificação, mas sim com a Coreia do Sul atual, e estas comparações não serão nada favoráveis ou estimulantes.

Em outras palavras, antes os norte-coreanos se preocupavam apenas em conseguir se manter vivos sob o regime comunista; agora, a nova preocupação será tentar estar à altura do vizinho debaixo, o que não será possível. Com isso, uma inevitável nostalgia daqueles tempos mais 'simples' irá se manifestar, e o capitalismo será o culpado, mais uma vez, pela persistente desigualdade. Todas as lições sobre o que realmente impediu a riqueza dos norte-coreanos serão rapidamente esquecidas.

É provável que algo semelhante aconteça em Cuba. Mesmo que Cuba continue liberalizando sua economia gradualmente (em termos econômicos e não políticos), o país ainda assim continuará bem mais pobre que os Estados Unidos. E também mais pobre que Brasil, México, Chile e todos os países latino-americanos banhados pelo Pacífico, que estão adotando sistemas econômicos mais baseados no mercado.

Frustrados pela visível desigualdade e desiludidos com a perspectiva de se tornarem tão ricos quanto, os cubanos exigirão "mudança". Só que em vez de liberalizarem ainda mais sua economia, poderão seguir o caminho da Venezuela, procurando uma solução apressada que pode muito bem se transformar em um ciclo de perpetuação da miséria.

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SOBRE O AUTOR

Ryan McMaken
é o editor do Mises Institute americano.



OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Lel  09/12/2016 16:21
    Excelente resumo.
  • 4lex5andro  10/12/2016 15:14
    Os últimos parágrafos sobre essa nostalgia do antigo regime, podem ser exemplificados em algumas manifestações em datas cívicas em Moscou, louvando e pedindo a volta da ex-Urss.

    Parece incrível.
  • Marcos Rocha  09/12/2016 16:23
    São necessárias gerações para ir da pobreza à riqueza (e não o tipo de riqueza chinesa). É necessário ter um população com preparo, capacidade intelectual, capital acumulado e, acima de tudo, uma certa mentalidade cultural.

    Nada disso acontece da noite para o dia. Quem hoje vive em uma economia destruída pelo estado tem apenas uma certeza: jamais alcançarão o nível de prosperidade ocidental.

    Se começarem agora, pode ser que seus netos alcancem.
  • Ricardo Malta  09/12/2016 16:35
    Infelizmente, a esmagadora maioria das pessoas não tem a paciência necessária para fazer algo que só trará resultados daqui a muito tempo.

    Mesmo dizendo a elas que as futuras gerações -- inclusive filhos e netos -- irão se beneficiar não é o bastante. Elas até dizem que se importam com os filhos, mas na prática não se importam.

    O que fazem é roubar de seus filhos e netos o seu próprio futuro. Eles ficarão ainda piores.

    Estamos vendo isso hoje com a Previdência. E vivenciamos recentemente isso com a economia brasileira como um todo. Ninguém estava nem aí para as consequências futuras daquela bonança artificial. O que valia era o prazer imediato.

    Agora todos sofrem por não terem querido consertar as coisas quando podiam.
  • L. Simonetti   09/12/2016 16:44
    "Mesmo dizendo a elas que as futuras gerações -- inclusive filhos e netos -- irão se beneficiar não é o bastante. Elas até dizem que se importam com os filhos, mas na prática não se importam."

    O Hans-Hermann Hoppe tem uma teoria para isso. Ele mostra em seu livro Democracy - The God That Failed que o arranjo democrático torna as pessoas mais voltadas para o curto prazo e muito menos preocupadas com o longo prazo. Elas acreditam que o sistema irá cuidar delas para sempre por causa do "direito adquirido", e por isso não se preocupam com nada e não querem sacrifícios para nada. Todo o prazer tem de ser imediato e sem esforço.

    Esse sistema também estimula o hedonismo, fazendo com que as pessoas rechacem a ideia de terem filhos (que são vistos como um estorvo que impede o lazer e as viagens prazerosas) e se preocupem apenas em vivenciar o bem bom atual.

    Não é a toa que foram as gerações antigas (mais tradicionais e mais voltadas para o longo prazo) que criaram a nossa riqueza atual; a geração atual só quer saber de esbanjá-la, sem ter de fazer qualquer esforço ou sacrifício.
  • Evandro Lima  10/12/2016 19:45
    Com a percepção "democrática" de que " Todo o prazer tem de ser imediato e sem esforço", me traz a lembrança de aulas sobre religião lá do passado, onde diziam que o caminho do inferno é largo e florido, já o caminho do céu é estreito e as vezes espinhoso...
    Realmente ser paciente, nesses casos, é ser altruísta ...
  • Juliano  09/12/2016 17:11
    Esse artigo me lembrou daquela sabedoria popular sobre o que acontece quando você solta na floresta animais que até então viviam em cativeiro.

    Nos zoológicos, sempre pedem para não dar comida para os animais, especialmente esquilos. Eles precisam manter vivos seus instintos para a caça e a coleta, senão morrem. Em vez de estar ajudando os esquilos, você os está prejudicando porque quando você não mais estiver por perto para dar comida eles morrerão.

    Acho que com cachorro é a mesma coisa.
  • anônimo  09/12/2016 17:49
    Essa fez meu dia:

    "Cálculo econômico não precisa necessariamente de preço para ser feito." - Marxista de internet.
  • Kaio  09/12/2016 18:13
    Já ouvi isso no Facebook em um grupo.
  • Prando  13/12/2016 19:28
    Sem preço não há medida de vontade. Se sua vontade não entra na conta, significa que você vive numa ditadura.
  • Pobre Paulista  09/12/2016 17:51
    Mas um investimento externo maciço não poderia acelerar o processo, tal como ocorreu com a Coreia do Sul após receber capital Japonês?
  • Kaio  09/12/2016 18:15
    Quem vai querer investir no Bostil?
  • Sapiência  09/12/2016 19:58
    O capital internacional está louco por um lugar minimamente descente apto a receber investimentos. Hoje temos no mundo um excesso de liquidez, taxa de juros beirando zero, não raro negativo, entre outras condições que colocam o Brasil como destino razoável.

    Qualquer simples ajuste teremos tsumoney de dinheiro no Brasil. O problema é que aqui nada é feito, a não ser para piorar a situação.

    O que vocês acharam do último relatório público da Empiricus?
    sl.empiricus.com.br/pe53-novo-texto/?key=&utm_source=&utm_medium=&utm_campaign=&xpromo=XE-MI-EMP-PE53-SUBER-20161111-EMAIL-X-X
  • Henrique Zucatelli  09/12/2016 21:30
    Boa tarde Sapiência. Sou meio reticente quanto a isso.

    Os setores de maior valor agregado que temos hoje, como IT, Robótica, Energias alternativas, serviços bancários e aviação já estão bem alocadas.

    Mas digamos que queremos esse capital de qualquer maneira (e quem não quer?). Seria necessária uma liberalização monstruosa na economia do país, como é o caso da Irlanda, que está levando as Blue Chips do Vale do Silício uma a uma por conta de seu inexistente imposto de renda. Porém isso demorou anos, como demonstrado nesse artigo e neste outro .

    Qual o tamanho do desmonte do Estado necessário para que cheguemos sequer em um modelo Peruano ou Chileno? Têm ideia de quantas milhões de pessoas vivem as custas dos pagadores de impostos aqui, e que em hipótese alguma estão dispostas a abrir mão da muleta social? Pois eu respondo: 80%, incluindo pensionistas, funcionários públicos, bolsistas de faculdades etc, e aqueles que mesmo na iniciativa privada fazem uso do SUS e/ou de faculdades públicas. E eles (claro) contam com seus magníficos representantes nos três poderes, que também vivem nababescamente do erário.

    Não estamos falando de um cantão Suíço com viés social democrata. Somos um país continental em colapso, sem solução a vista.

    - Nossa indústria está morta (foi mostrado hoje: 11% do PIB).
    - Nosso setor de serviços é precário e mau qualificado (não são sinônimos - veja o caso da Tailândia, por exemplo).
    - Nossos portos e aeroportos não comportam nem 1/3 do movimento da costa oeste americana.
    - E nosso povo é mau educado e violento e ostentador. Logo, odeia fazer poupança.
    - Também é culturalmente preguiçoso. Trabalha 10 meses por ano (1 mês de férias + 1 mês de feriados) e recebe por 13,5 meses (contando 1/3 de adicional de férias). Neste ponto, ainda excluo aqueles que tem estabilidade, onde podem fazer greve, tirar licença remunerada, gravidez com 7 meses totalmente pagos etc.

    Sinceramente, nesse contexto que nos encontramos, vejo espaço apenas para investimentos de especuladores, tanto no mercado financeiro quanto produtivo. O que interessa mesmo, que são as empresas e pessoas sérias, não veremos tão cedo (talvez nunca).

    E falando nisso, sou assinante da Empiricus, pois eles vinham sendo bem coerentes, principalmente em renda fixa. Porém esse comunicado na minha singela opinião é o maior ensaio de futurologia sem nenhum nexo causal que eu já vi em toda minha vida.

    Simplesmente não há fundamento econômico para qualquer retomada. O mercado não se anima porque virou o ano (lembre-se do Japão). E confirmei ontem em uma reunião com o pessoal do Itaú. No relatório deles, a média de perda de faturamento das empresas de médio e grande porte em 2016 ante 2015 foi de 25%. Estão projetando um suspiro de recuperação de 3 a 5% em agosto/2017. Não creio que somente a PEC 241 e meia dúzia de concessões seria o grande motivo para uma compra maciça com aumento no IED.

    Aposto ainda firmemente em recessão e queda no mercado de maneira geral em 2017, pelos motivos citados acima. Se não houver uma ruptura drástica no que os brasileiros enxergam como vida, pode contar com isso para 2018, 2019...

    Grande abraço.











  • Wesley  12/12/2016 05:06
    Seu comentário foi o melhor. O Brasileiro quer viver às custas dos outros. Não querem trabalhar duro e poupar como os asiáticos. Querem uma boquinha do governo. Ou um emprego público, ou uma bolsa qualquer coisa. O brasileiro é um virtual pedinte de dinheiro público. Os grandes empresários são viciados em protecionismo e subsídios governamentais.
    Além disso as pessoas querem que o governo dê tudo a elas. E experimente falar em abolir os queridos "direitos trabalhistas". Veja a reação da maioria das pessoas. Aí você vê que é impossível o Brasil ter uma economia robusta e desenvolvida. Com esse tipo de mentalidade é impossível se desenvolver. O interessante é que os países latino americanos e europeus ibéricos têm uma mentalidade desse tipo. Assim não têm como ter desenvolvimento.
  • Taxidermista  12/12/2016 12:11
    Infelizmente, é bem assim mesmo, Wesley.

    Experimente, p.ex., falar em abolição do salário mínimo, tentando explicar o quão nefasto é controle de salário, nefasto especialmente para aqueles supostamente protegidos pela medida.

    Não se consegue nem iniciar a conversa; o interlocutor em geral recebe isso como se vc estivesse dizendo algo próximo a "devemos deixar o pobre morrer de fome".

    É deprimente demais.
  • anônimo  09/12/2016 21:33
    o Paraguai é mais confiável que o Brasil
  • Phill  09/12/2016 22:47
    Até a Índia é mais confiável para se investir do que o Brasil, mesmo com todo o problema racial dos dalit.

  • Roger  09/12/2016 18:19
    Perfeitamente. Mas para que haja o investimento estrangeiro, tem de haver confiança, previsibilidade e estabilidade no novo regime.
  • anônimo  10/12/2016 03:29
    depende
  • AF  09/12/2016 20:20
    Gostei deste artigo, foi muito lúcido.

    Sou um admirador anônimo do trabalho prestado pelo instituto Mises. Leio frequentemente os artigos a alguns anos.

    Nos últimos artigos do Mises Brasil, as seções de comentários pregam uma quase "mágica" que ocorreria no Brasil caso este adotasse o livre mercado (o que seria um sonho meu se ocorresse em meu tempo de vida).

    Porém, o Brasil quase que inteiro infelizmente não possui a cultura de valorização do trabalho duro (planejado de modo inteligente é claro), acredito que este é uma das razões de o brasileiro adorar o estado. Ainda é o meio mais aceitável de aumentar seu bem estar à base da produção de terceiros.

    Acredito que se o Brasil adotasse o livre mercado não nos tornaríamos nem perto de uma Hong Kong, Cingapura ou mesmo EUA pelos próximos 100 anos em virtude do tempo perdido em acumulação de capital. Devido a isto o brasileiro fatalmente "se cansaria" da caminhada e retornaria aos Sarney's, Lula's e FHC's tão conhecidos renovando assim o ciclo de pobreza.

    Apenas parando de focar no outro e aprimorando (físico, mental e espiritualmente) a si mesmo o brasileiro poderia sonhar em algum dia ser o país que deseja. Infelizmente não vejo esse empenho em vasta parcela da população, o que nos leva a ser eternamente o país do futuro. Afinal, os políticos atuais não vieram de fora... nasceram do próprio povo brasileiro.

    Grato por todo o conhecimento proporcionado por este site.
    Att.
  • anônimo  09/12/2016 21:33
    ótimo texto
  • jefferson Scheifer  09/12/2016 23:14
    A Unica solução viável seria a Coreia do Norte liberalizar, desburocratizar etc ...deixar o Laissez Faire operar por uns 20 ou trinta anos - consequentemente elevando o padrão de vida dos norte-coreanos e deixar que a ideia de marcado entre e se faça presente na cultura. Acredito que isso possa atenuar crises sociais e ressentimentos de ambos os lados. Uma reunificação só será, não digo possível, mas sim pensável apenas depois disso.
  • Kek  10/12/2016 00:53
    Nem em sonho, filho.
  • jefferson Scheifer  10/12/2016 18:10
    hehehehe

    Os casos de Coreia do Norte e Cuba são muito mais agudo sem dúvida, mais os estrago que

    os comunistas tupiniquim fizeram aqui foi incalculável, endividaram e destruíram a nossa economia pelas no

    minimo cinco décadas adiante.
  • Edgar Felipe B  09/12/2016 23:54
    Ou seja, a guerra no campo econômico é besteira, os marxistas perderam ela há décadas, a cultura é o mais importante de tudo, as pessoas precisam ser "vacinadas" contra as ideologias marxistas, olha aí o Olavão de Carvalho novamente.
  • LonelyDay  10/12/2016 01:35
    Os marxistas nunca perderam guerra nenhuma, eles usam a própria "economia de mercado" para prosperar. Não há comunista pobre, os que são pobres são idiotas úteis, pois se fossem inteligentes não apoiariam tal loucura. É sempre o mesmo em todo lugar, um grupo/casta assume e usa o "poder do estado" para seus próprios fins, fazendo de todo o resto meros servos.

    "O capitalismo vai enforcar-se com a própria corda". Karl Marx

    O Marx errou, não, não vai. O capitalismo será sempre domado por essa corda.

    Sem dúvidas no mundo das ideias eles são absolutamente dominantes.
  • Felipe Lange S. B. S.  10/12/2016 00:25
    Apesar que o Brasil não está tão melhor assim que Cuba. Continua sendo um país fascista, travado por uma bíblia estatal (constituição) e que ainda tem resquícios dos estatistas de Portugal que odeiam o mercado.

    Quando estava em uma situação pouco melhor, na segunda metade da década de 90, vem lá o mesmo governo e estraga tudo, vem outros dois gênios.

    Aí quando um outro parasita entra e que, mesmo que queira liberalizar, vai ter que aturar outros parasitas da câmara e senado. É mais fácil destruir a economia do que reavivá-la. E, nesse ponto, o Brasil regrediu muitas décadas... Não existe solução melhor que secessão ou sair do país.
  • Douglas  14/12/2016 01:21
    Intervencionismo é igual uma droga.
  • Emerson Luis  15/12/2016 10:19

    Um governo socialista é pior do que qualquer catástrofe natural.

    A herança maldita do socialismo também perverte a cultura do país por muito tempo .

    Será que a Coreia do Sul vai aceitar a anexação da Coria do Norte? Ou vai prestar ajuda, mas manter-se econômica e politicamente separada?

    Quer dizer que demoraremos décadas para nos recuperar dos 13 anos de PT? E isso apenas se tivermos aprendido a lição?

    * * *

  • anônimo  16/12/2016 02:12
    Leandro, o que você poderia dizer sobre a Crise das Tesouras?
  • Tesouro  17/12/2016 12:52
    Excelente texto. O que está descrito nele é exatamente o que ocorre.


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