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Aviso a Meirelles: os déficits do governo nos empobrecem; mas os gastos são ainda piores
É mais importante reduzir os gastos do que zerar o déficit

Se o governo gasta mais do que arrecada via impostos, ele está incorrendo em um déficit orçamentário. Para cobrir esse déficit, ele terá de se endividar. Somente se endividando ele poderá bancar os gastos que excederam o montante arrecadado via impostos.

No Brasil, nos últimos 12 meses, o déficit orçamentário total do governo federal foi de R$ 534 bilhões (o que equivale a nada menos que 8,5% do PIB do Brasil). Isso significa que o governo federal gastou R$ 534 bilhões a mais do que arrecadou. Consequentemente, isso significa que ele teve de se endividar em mais R$ 534 bilhões para poder manter seus gastos totais.

E quem emprestou esses R$ 534 bilhões para o governo federal? Bancos, empresas e pessoas físicas. Isso, por definição, significa que R$ 534 bilhões que poderiam ter sido utilizados em investimentos produtivos, expansão de negócios e contratação de mão-de-obra acabaram sendo direcionados para financiar a máquina estatal.

Portanto, quando o governo incorre em um déficit orçamentário e se endivida, isso significa que ele está tomando mais crédito junto ao setor privado. E dado que o governo está tomando mais crédito, sobrará menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos. 

Para o governo conseguir todo este volume de crédito, não há segredo: ele tem de pagar juros altos. Qualquer instituição que tenha de se endividar o equivalente a 8,50% do PIB em 12 meses terá de pagar juros altos.

E isso será fatal especialmente para as micro, pequenas e médias empresas, que agora terão de pagar juros muito maiores para conseguir empréstimos. Afinal, se investidores podem emprestar a 12,25% ao ano para o governo, sem risco nenhum, por que emprestariam ao mesmo valor para empreendedores, que estão mais propensos às vicissitudes da economia, podendo dar calotes. Obviamente, só emprestarão a juros muito maiores.

Evolução da dívida

A atual dívida do governo federal está em R$ 4,5 trilhões. Nunca é demais repetir este gráfico, que mostra a evolução dessa dívida:

divida.png

Evolução da dívida bruta do governo federal

Essa dívida de R$ 4,5 trilhões foi gerada por uma sequência de déficits orçamentários. E os déficits orçamentários foram causados pelo aumento incontrolado dos gastos do governo.

Colocando de outra forma, o descontrole orçamentário do governo federal, causado pelo aumento desbragado dos gastos públicos, gerou seguidos déficits nominais orçamentários, os quais se acumularam em uma dívida total de R$ 4,5 trilhões. 

Perceba que, só de 2014 até hoje, o déficit nominal orçamentário do governo foi de R$ 1,50 trilhão. Ou seja, em apenas três anos, o governo federal tomou emprestado R$ 1,50 trilhão de bancos, fundos de investimento, pessoas físicas e empresas para bancar seus crescentes gastos. Nos últimos 12 meses, como dito, a cifra foi de R$ 534 bilhões. Uma pornografia.

Já em 22 anos, durante toda a vida do real, o governo federal já absorveu mais de R$ 4 trilhões de reais em empréstimos. São R$ 4 trilhões que poderiam ter sido utilizados para financiar investimentos e empreendimentos, criar riquezas, abrir novas empresas e gerar milhões de novos empregos, mas que foram sugados pelo governo federal e desperdiçados no sustento da máquina pública e de sua burocracia.

Dinheiro que poderia ter sido emprestado para empresas investirem foi direcionado para financiar os déficits do governo, fazendo com que vários investimentos não fossem concretizados por não serem financeiramente viáveis em decorrência dos juros maiores causados por esses monstruosos déficits do governo.

Podemos apenas imaginar as empresas que não foram abertas, os empregos que não foram gerados e as tecnologias que não foram criadas simplesmente porque os investimentos não foram possíveis por causa da absorção de recursos pelo governo federal.

Igualmente tenebroso é imaginar todo o custo com os juros altos que as pessoas e empresas tiveram de suportar por causa desse gigantismo do governo federal.

Por tudo isso, os déficits do governo nos empobrecem. 

No entanto, todo esse raciocínio demonstra algo ainda mais premente: ainda piores do que os déficits são suas causas: os gastos do governo.

Gastos do governo — e não os déficits — são o real problema

O que realmente importa para a saúde de uma economia não é o tamanho do déficit do governo, mas sim o tamanho dos gastos do governo.

Ao contrário do que muitos imaginam, o que determina o tamanho de um governo não é a carga tributária, mas sim seu total de gastos. A variável "carga tributária" engloba, obviamente, apenas os impostos arrecadados. Já a variável "gastos do governo" engloba os impostos arrecadados pelo governo e mais o seu endividamento.

De um lado, a tributação nada mais é do que uma destruição de riquezas. Parte daquilo que o setor privado produz é confiscado pelo governo e desperdiçado em salários de políticos, salários de burocratas, obras superfaturadas, agrados a lobistas, agrados a grupos de interesse e em péssimos serviços públicos. Esse dinheiro confiscado não é alocado em termos de mercado, isto é, não é alocado de modo a satisfazer os reais desejos dos consumidores, o que significa que está havendo uma destruição da riqueza gerada.

Já a emissão de títulos públicos (endividamento) não apenas gera os problemas acima descritos (redução dos investimentos produtivos), como também gera o aumento da dívida total do governo, cujos juros serão pagos ou por meio de mais impostos ou por meio da emissão de mais títulos (que é o que chamam de "rolar a dívida"). Sim, é uma bagunça.

Por mais deletérios que sejam os impostos, eles não conseguem ser piores do que os gastos do governo. Os impostos englobam apenas eles próprios; já os gastos do governo englobam os impostos e mais o endividamento. É impossível haver gastos sem que pelo menos um desses dois tenha ocorrido. 

E o pior: quando os gastos aumentam, isso significa que um desses dois inevitavelmente também será aumentado no futuro. E a hipótese mais plausível é que os dois aumentem simultaneamente.

E o ainda pior: se os gastos do governo estiverem crescendo a uma taxa superior à taxa de crescimento do PIB — como ocorre no Brasil —, isso significa que o governo está aumentando sua participação na economia e, consequentemente, o setor privado está encolhendo. 

Por isso, os gastos do governo são, sob qualquer aspecto e em qualquer situação, um fardo para toda a economia de um país. 

Mas e os gastos governamentais em investimento?

Ainda assim, há aqueles que afirmam que há ao menos um tipo de gasto do governo que traz retornos positivos e aumenta o bem-estar de todos na sociedade: os gastos em investimento.

Por exemplo, se o governo construir uma ponte, toda a sociedade ganha com isso.

Será?

É indiscutível que a ponte será ótima para aquela pequena fatia da população que irá utilizá-la diariamente. A questão é: e quanto ao restante da população? Quais serão as consequências da construção desta ponte para quem não a utiliza?

A construção da ponte será paga ou com impostos ou com endividamento. 

Se com impostos, as pessoas e empresas que pagaram esses impostos ficarão sem esse dinheiro e, logo, não poderão despendê-lo em coisas que voluntariamente considerem mais necessárias. Consequentemente, os empreendimentos que receberiam esse dinheiro ficam agora sem receita.

Se com endividamento do governo, as pessoas e empresas que poderiam ter pegado esse dinheiro emprestado para fazer investimentos produtivos, ficarão agora sem acesso a ele.

Em ambos os casos, os empreendimentos que agora não mais receberão este dinheiro — que foi desviado para a construção da ponte — começarão a demitir. Ou então não mais se expandirão.

Portanto, para cada emprego público criado pelo projeto da ponte, foi destruído, em algum lugar, um emprego no setor privado. 

Podemos ver os operários empregados na construção da ponte. Podemos vê-los trabalhando.  Esta imagem real faz com que o argumento do governo — seu investimento gerou empregos — se torne vívido, tangível e convincente para a maioria das pessoas. Há, no entanto, outras coisas que não vemos porque, infelizmente, não se permitiu que surgissem. São os empregos destruídos pelos $100 milhões tirados dos contribuintes ou do mercado de crédito. 

Na melhor das hipóteses, tudo o que aconteceu foi uma transferência de empregos por causa de um projeto. Mais operários para a construção da ponte; menos operários para a indústria automobilística, menos empregados para fábricas de artigos de vestuário e para a agropecuária.

E agora vem pior: caso a obra tenha sido financiada via empréstimos contraídos pelo governo, tais empréstimos terão de ser quitados. E quem fará isso serão os pagadores de impostos de todo o país. Dado que o governo não gera riqueza, ele só poderá quitar seus empréstimos por meio de impostos confiscados da sociedade.

Como então é possível dizer que houve um enriquecimento de toda a sociedade?

A grande lição é: vivemos em um mundo de recursos escassos. Aquilo que é utilizado em um setor foi necessariamente retirado de outro setor. Se os gastos do governo concentraram recursos em um setor, então outros setores ficaram sem estes mesmos recursos.

Se o governo está construindo uma ponte, ele irá consumir grandes quantidades de aço, cimento, vergalhões e argamassa. Isso significa que todo o resto do setor da construção civil terá agora de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade de aço, cimento, vergalhões, argamassa. Os preços desses itens irão subir e, como consequência, todos os bens que utilizam esses itens em sua construção — como imóveis e carros — ficarão mais caros.

Quando o governo gasta, ele está consumindo bens que, de outra forma, seriam utilizados pela população ou mesmo por empreendedores para fins mais úteis e mais produtivos.  Por isso, todo o gasto do governo gera um exaurimento de recursos.  Bens que foram poupados para serem consumidos no futuro acabam sendo apropriados pelo governo, que os utilizará sempre de forma mais irracional que o mercado, que sempre se preocupa com o sistema de lucros e prejuízos.  Portanto, os gastos do governo exaurem a poupança (por ''poupança'', entenda-se ''bens que não foram consumidos no presente para serem utilizados em atividades futuras'').

Os gastos do governo não possuem o poder milagroso de criar riqueza para todos. Sempre há os que ganham e sempre há os que perdem. Impossível todos ganharem.

O velho ditado segue impávido: quem afirma que gastos do governo geram crescimento econômico está afirmando que tomar dinheiro de uns para gastar com outros pode enriquecer a todos.  Está afirmando que tirar água da parte funda da piscina e jogá-la na parte rasa fará o nível geral de água na piscina aumentar.

Conclusão

Os déficits orçamentários do governo são péssimos. Mas seus gastos totais são ainda piores.

Se o objetivo é estimular o crescimento econômico, então o real objetivo tem de ser a redução dos gastos do governo, e não apenas "equilibrar o orçamento".

Um orçamento governamental total de $4 trilhões e um déficit de $500 bilhões representam um fardo muito maior e muito mais danoso sobre a economia privada do que um orçamento de $2 trilhões parcialmente financiado por um déficit de $1 trilhão.

Adicionalmente, se o governo aumenta seus gastos, os próprios estímulos para o empreendimento privado são reduzidos. Por que você vai abrir uma padaria, um restaurante, um comércio ou uma atividade de serviços se você pode se tornar um burocrata bem pago trabalhando em uma repartição pública? Por que uma pessoa qualificada vai querer fazer algum estágio em uma firma de engenharia se o governo abriu vários concursos públicos que prometem salários nababescos e estabilidade no emprego? Enfim, por que se arriscar no setor privado, sofrendo cobranças e tendo de apresentar eficiência, se você pode simplesmente ganhar muito no setor público, tendo estabilidade no emprego e sem ter de apresentar resultados?

Por tudo isso, todo e qualquer déficit orçamentário do governo tem de ser combatido com cortes de gastos, e não com aumentos de impostos.

Se o objetivo é viver em um país dinâmico, não fagocitado pela burocracia e pelos impostos, com níveis toleráveis de endividamento e onde os cidadãos não padeçam dos excessos e esbanjamentos de sua classe política, então é necessário fazer intensa pressão pelo corte de gastos, e jamais tolerar idéias de aumento — ou de criação — de impostos.

No Brasil, por exemplo, a extinção dos super-salários dos sultões do setor público já seria um bom começo.  A abolição do BNDES e a devolução do dinheiro a ele emprestado pelo Tesouro também fariam muito pela causa. Os 39 ministérios deixados por Dilma, que custavam mais de R$ 400 bilhões por ano e empregavam 113 mil apadrinhados, e cujos salários consomem R$ 214 bilhões, também são um alvo apetitoso. Não basta apenas fundir um ao outro, e transformar alguns em secretárias. Tem de fechar.

Meirelles vai encarar?

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Gastos governamentais sempre são ruins para a economia

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Frank Shostak, scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais. 

Leandro Roque, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


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Diversos Autores

  • Pobre Paulista  29/11/2016 15:30
    Aguardando os Minarquistas explicarem como se limita os gastos de um governo.

    Dica: Via legislação já não deu certo.
  • Otimista  29/11/2016 15:44
    "Mas é só eleger as pessoas certas!"
  • Minarquista  29/11/2016 15:46
    Não existe uma fórmula mágica para isso. As pessoas precisarão manter uma eterna vigilância sobre o estado.
  • Carlos Lima  30/03/2017 12:48
    vigilância sobre o estado????? kkkkkkkkk... boa... gostei... hehehehehehehe... eu quero saber como é que eu vigio o estado... será que não seria necessário primeiro combinar com os ladrões que estão lá? o ruim quando se lê um comentário tipo esse é que não dá pra saber se a pessoa que o escreveu está com gozação ou falando sério...
  • Vladimir  29/11/2016 15:49
    Os miniarkistas falariam:
    simples, é só eliminar a entidade chamado estado assim como o governo e seus representantes diretos.
  • Tiago Moraes  02/12/2016 12:36
    Minarquismo é Estado mínimo, não é ausência do Estado, "gênio".
  • Amorim  29/11/2016 21:52
    A resposta é basicamente a mesma para a conjectura anarcocapitalista. Somente com a população tendo o entendimento e a consciência de que o estado onde ela vive deve ser mínimo e se ater as funções especificas de segurança, leis e justiça. No caso anarcocapitalista, somente com a população mundial tendo o entendimento e a consciência de que nenhum estado deve existir.
  • Minarquista  30/03/2017 06:16
    Sugestão:

    É só reconhecer que a democracia é limitada. Que a lógica define barreiras claras à ação do estado, e à democracia. Ideias:
    1) Usa-se a lógica moral - incluindo seus conflitos naturais e exceções lógicas - para limitar o papel do executivo. Afinal, a maioria das ações do estado, pela lógica, não pode existir.
    Os impostos (roubo) só se justificam nos casos que não haja alternativa possível. Isto é: coisas totalmente essenciais, e que não possam ser obtidas no livre mercado. Acabaram copa do mundo, piscinas públicas, festas, todas as empresas estatais, incluindo petrobras, bb, caixa, bndes, ministério dos esportes, cultura e outras idiotices. Todo o resto, incluindo metrô, ferrovias, estradas, energia, tem que ser privatizado.
    Ficam apenas ruas, avenidas, pontes urbanas, iluminação pública,praças, parques, reservas, justiça, polícia, prisões, exército, documentos. Se alguém quiser agregar segurança social mínima, como escola, saúde e renda mínima para os pobres, eu não gosto, mas acho melhor não questionar. É uma discussão infinita, de imoralidade dos impostos X imoralidade de deixar pessoas pobres morrerem. Não há uma solução lógica absoluta para esta questão. É melhor tirar isso do caminho crítico, para não corrermos o risco de ficarmos sem nada...
    2) Idem para o papel do legislativo. Nenhuma lei que viole a natureza ou a lógica pode ser válida. É só reconhecer o óbvio: lógica e natureza estão acima da constituição. Temos portanto uns 90% das leis inválidas. Temos uma seara enorme que o governo e a maioria não pode legislar. Necessitamos de menos de 10% dos legisladores.
    3) Usa-se fatos utilitários para dar mais uma limitada na forma das ações do governo. Isto é: se há duas soluções para alguma coisa, somos obrigados a usar a mais econômica. Fim do Sus e escola públicas. No máximo vouchers para os pobres.
    4) Chegamos ao estado máximo permitido pela lógica. Vamos para ele imediatamente. Com certeza, seu custo não passa de 10% do PIB. Depois vemos com calma o que mais pode ser reduzido, em busca do estado mínimo. Se alguém tivesse a fórmula para governo = zero, seria ótimo. Infelizmente, eu duvido que ela exista. E acho esse debate entre governo mínimo e governo zero totalmente contraproducente ao libertarianismo. Ele paralisa a nossa causa.
    6) Para esses 10% que sobram, usem a democracia. Esse é espaço dela. Qualquer que seja o que saia daí, é muitíssimo melhor do que o que temos hoje. Eu me absteria em todas as votações. Simplesmente o resultado não faria mais diferença para mim... Focaria em usar a lógica para delimitar o pouco que pode ser alvo da democracia.

    []s
  • Jorge  30/03/2017 13:47
    "Ficam apenas ruas, avenidas, pontes urbanas, iluminação pública,praças, parques, reservas, justiça, polícia, prisões, exército, documentos. Se alguém quiser agregar segurança social mínima, como escola, saúde e renda mínima para os pobres, eu não gosto, mas acho melhor não questionar. É uma discussão infinita, de imoralidade dos impostos X imoralidade de deixar pessoas pobres morrerem"

    O sujeito já foi refutado inúmeras vezes nesse papo de "segurança social mínima" e continua a escrever que isso seria "imoralidade de impostos x imoralidade de deixar pessoas pobres morrerem".

    Deixe de se comportar como um papagaio, cidadão.

    Não existe essa contraposição inventada por sua cabeça: "segurança social" para "não deixar pessoas morrerem de fome".

    Entenda de uma vez por todas:

    "Segurança social mínima" é IMORAL pq viola o direito natural de propriedade, haja vista que implica iniciação de violência (coerção institucional) contra terceiros inocentes. É imoral extrair dinheiro à força (contra a vontade) de pessoas a pretexto de "alimentar" outras. Repito: isso viola o direito natural de propriedade privada. Logo, é imoral.

    E "segurança social mínima" é algo ANTI-ECONÔMICO e ANTI-PROSPERIDADE, pq é redistribuição forçada de renda, e redistribuição forçada de renda GERA A POBREZA que vc se diz preocupado.

    Então esse seu "argumento" é burro. E vc é um burro que fica repetindo a burrice.

  • Marcos  30/03/2017 21:02
    "isso viola o direito natural de propriedade privada [...]"
    Não sabia que propriedade privada era um direito natural, pensava que era um Direito Fundamental.
  • Ribeiro  30/03/2017 22:13
    Direito natural. O ser humano possui direitos chamados de 'naturais' pelo simples fato de ter nascido. O indivíduo tem o direito de que não tirem sua vida, não restrinjam sua liberdade, e não confisquem sua propriedade honestamente adquirida.

    Tais direitos não nos são dados pelo estado. Nenhum governo pode revogar estes três direitos básicos. Se um direito é natural, ele inerente à condição humana. O estado pode até não reconhecer estes direitos, mas eles não deixam de existir.
  • Minarquista  03/04/2017 22:04
    Caro Jorge:

    O fato de você não entender argumentos lógicos básicos não te credencia a desrespeitar os demais. Sua ação imoral não passa de uma violência totalmente injustificada.

    E não posso deixar de assinalar como você, além de mal-educado, é ilógico, irracional!
    Mas, mais por uma questão de pena, vou tentar explicar com frutas para que você tenha alguma chance de entender:

    Sua contra-argumentação tenta usar a imoralidade dos impostos para combater apenas uma das ações remanescentes do estado. Será que você não percebe que a sua objeção absoluta aos impostos se aplicaria igualmente a todas as outras ações remanescentes do estado? Não consegue enxergar que, seguindo a sua linha de "imposto é imoral, e, portanto, não pode existir", todo o estado ficaria proibido de existir?
    É tão óbvio! Essa linha de raciocínio só seria aceitável caso você viesse pregar a anarquia, se viesse combater o estado como um todo.
    Para desqualificar uma ação do estado à sua escolha, mantendo possíveis as demais, por favor, pare de zurrar asneiras, e busque outros argumentos. Esse, com certeza, não se aplica.

    E nunca mais desrespeite as pessoas. Esse tipo de atitude ignóbil, é negativo tanto do ponto de vista moral quanto do utilitário. É o tipo de comportamento que leva neófitos a abandonarem o site. Que impede as pessoas de comentarem, com medo de tomar um coice de um asno qualquer.

    []s
  • Extrema Direita  30/03/2017 11:45
    O problema nunca foi o estado.

    O problema é a população. O problema é cultural.

    Foi o povo que elegeu os políticos. O povo coloca as crianças nas escolas e universidades do governo. O povo que vai aos hospitais do governo. O povo compra produtos de empresas estatais ou de empresas beneficiadas pelo BNDES.

    Não podemos achar que políticos e funcionários do governo, foram os responsáveis pela destruição do país.

    Foi o povo que pediu serviços públicos. Claro que a mídia fica fazendo vitimização, mas não tem como tirar a responsabilidade do povo.

    Por mais que tenha milhares de pessoas fazendo vitimização, quem pediu mais governo foi o próprio povo.

  • Magno  30/03/2017 13:58
    "O problema nunca foi o estado"

    Self-defeating.

    Você mesmo diz que as pessoas "pedem" por estado. Como o estado não seria o problema se ele é aquilo que as pessoas pedem?

    Compreenda: as pessoas "pedem" por estado pq, em primeiro lugar, sabem que estado é o que pode proporcionar ganhos à base da expropriação do dinheiro de terceiros.
  • Vladimir  29/11/2016 16:19
    Quando se fala em contenção de despesas só a fiscalização não basta, tanto que se usam vários meios de se burlar a vigilância da população e que a maioria das pessoas não percebem é os políticos de um modo geral não agem como gestores que querem resolver o problema e sim agradar os seus patrocinadores, grupos de influência e grupos de pressão. Vejamos o caso de dos transportes, sendo o Brasil um país continental, um gestor de verdade daria prioridades aos setores ferroviários, hidrográficos, transporte aéreo de grande capacidade e se não tivesse condições de investir entregaria ao setor privado, mas não é que acontece, os políticos fazem projetos agradando a construtoras como estradas custosas, aeroportos ineficientes, metrôs fajutos, portos obsoletos, pontes podres etc. Resumindo: Políticos só estão interessados em atender a um grupo específico não o fazer o que é certo.
  • Bruno Feliciano  29/11/2016 16:28
    Mais um artigo que só faltou desenhar, mas tenho uma duvida:

    É tão obvio isso, que não entra na minha cabeça por que insistem nisso.

    É básico, o governo tira de um para dar aos outros, já é um jogo de soma zero isso, essa lógica por si só já prova que o governo não faz investimentos, apenas prejuízos.
    O governo tira recurso privado para se financiar, e como o governo não trabalha com lucros e prejuízos, logo este esta tirando recursos que seriam alocados racionalmente para alocar irracionalmente. É tirar o recurso de quem trabalha com sistema de preços e entregar para quem não trabalha, é obvio que esta fadado ao fracasso um arranjo desse.

    Você vê? Nem precisa de toda essa brilhante explicação tim tim por tim tim, um raciocínio básico e lógico já demonstra como isso não funciona. Até eu que tenho 20 anos e que curso direito já estou careca de saber o quão nefasto é esse arranjo.

    Aproveitando o espaço Leandro, ouvi falar de um Keynesiano uma vez que Keynes havia sido deturpado, como meu compromisso é com a verdade lógica e não com o que convém, eu parei e prestei atenção no que ele disse, inclusive refleti. Mas como não sou mestre em economia(apesar de ter conhecimento sobre keynes e suas teorias), fico com a duvida de até onde isso é verdade.

    Ele me disse o seguinte:

    ''-Bruno, Keynes não dizia que o estado tem que estimular a economia sempre, ele argumentava que em momentos de recessão ou depressão, o governo deveria intervir para fazer a economia voltar a normalidade, o problema é que hoje em dia os governos estimulam a economia o tempo todo, o que inevitavelmente leva a crises''.

    Eu o questionei porque então havia crises, era como se fosse curar o efeito colateral de um remédio aumentando a dose desse mesmo remédio que deu efeito colateral. A crise existiu por intervencionismo e ai você quer curar com mais intervencionismo? Você ofereceu crédito farto e barato, mexeu no juros e consequentemente causou investimentos errôneos e ai veio a crise. Ai pra fazer a economia voltar ao normal, você quer mexer ainda mais no Juros e no crédito. Pior, ainda quer que o governo aumente seu gasto achando que é investimento, tirar todo o capital privado que já esta ''quebrado'' e mandar pro governo jogar no lixo.

    Ele respondeu que simplesmente as vezes o mercado pode entrar em crises, principalmente por externalidades.
    Ele estava com pressa e precisou ir.

    Bem, queria saber se a teoria keynesiana realmente diz que o governo tem que intervir somente em recessão e depressão, ainda sim esse argumento continua invalido, porque o que causa crise são investimentos errôneos que somente o estado pode provocar, em situação de oferta e demanda real e não artificial isso não ocorre. É uma questão de real crescimento e não uma serie de bolhas.

    Obrigado,
    Grande Abraço!

  • Leandro  29/11/2016 16:58
    "Keynes não dizia que o estado tem que estimular a economia sempre, ele argumentava que em momentos de recessão ou depressão, o governo deveria intervir para fazer a economia voltar a normalidade"

    Ele de fato dizia isso. Só que seu próprio amigo, involuntariamente, apontou a exata contradição do pensamento keynesiano quando ele disse isso a seguir:

    "o problema é que hoje em dia os governos estimulam a economia o tempo todo, o que inevitavelmente leva a crises''

    Bingo! As crises e recessões são causadas exatamente pelos estímulos estatais (eis um artigo inteiro e completo sobre isso, voltado para a realidade brasileira). Não há crises e recessões sem que tenha havido estímulos estatais. Todas as crises e recessões são consequências de estímulos estatais.

    Sendo assim, qual a lógica de fazer estímulos estatais para corrigir algo que foi danificado pelos próprios estímulos estatais?

    O questionamento que você fez a ele estava correto, e não há resposta lógica a ele.

    Adicionalmente, vale lembrar que, embora keynesianos jurem ser a favor de um "orçamento equilibrado", eles próprios dizem não querer se prender a um período da contabilidade que dure apenas um ano. Sim, eles querem "equilibrar o orçamento", mas isso aconteceria ao longo de um período de tempo maior, geralmente o tempo de um ciclo econômico.

    Na prática, portanto, keynesianos nunca defenderam déficit zero. Esse "orçamento ciclicamente equilibrado" é só um truque retórico. Keynesianos defendem apenas déficits maiores durante as recessões, e déficits menores durante as expansões.
  • Bruno Feliciano  29/11/2016 17:08
    Falou Tudo Leandro, muito obrigado mais uma vez!


    Abraço Fraternal
  • Dam Herzog  30/11/2016 00:55
    Também costumam se referir aos deficits, na opiniao deles necessários, dizendo que os deficits são dividas a nós devemos mesmos, dai não devemos nos preocupar.
  • Vinicius  13/01/2017 16:38
    Caro Leandro,
    Hoje o André Lara Resende publicou um interessante artigo no Valor (mobile.valor.com.br/cultura/4834784/juros-e-conservadorismo-intelectual) Destaco alguns trechos:

    "Voltemos então ao Brasil e suas altíssimas taxas de juros. Vencida a inflação crônica, com o mecanismo engenhoso da URV, a taxa de juros no Brasil foi mantida alta. O objetivo inicial era sustentar a estabilidade do câmbio flutuante e impedir novos surtos de inflação, mas como o equilíbrio fiscal sempre foi precário, o juro continua, até hoje, extraordinariamente alto, devido à grande necessidade de financiamento do setor público. A experiência do QE deixou claro que o financiamento monetário - através da expansão de reservas remuneradas no banco central - não é inflacionário. Logo, maior necessidade de financiamento público não exige necessariamente juro alto. O único modelo analítico compatível com a evidência empírica do QE leva à conclusão de que o juro nominal alto sinaliza uma inflação alta, pauta assim as expectativas e mantém a inflação alta. Ou seja, o juro alto, não só agrava o desequilíbrio fiscal, como no longo prazo mantém a inflação alta.
    (...)A hipótese neo-fisheriana, que vê no juro alto a causa da alta inflação no longo prazo, apesar de ainda mais difícil de digerir, assim como a tese da dominância fiscal, tem sólidas credenciais analíticas. Ambas sugerem que não se pode pedir da política monetária e dos bancos centrais mais do que moderar a inflação no curto prazo. Exigir que a política monetária faça, mais do que circunstancialmente, o trabalho de controle da inflação, cuja estabilidade depende, em última instância, do equilíbrio fiscal de longo prazo, pode ser contraproducente. Sem equilíbrio fiscal não há saída. Quando o país passa por um delicado momento político e pela sua mais séria recessão em décadas, vale a pena acompanhar, sem ideias preconcebidas, a discussão na fronteira da teoria macroeconômica. O custo do conservadorismo intelectual nas questões monetárias, durante as quatro décadas de inflação crônica do século passado, já foi alto demais."
    Você poderia comentar o artigo sob a perspectiva da escola austriaca?
    Abraço
    Vinícius

  • Leandro  13/01/2017 17:14
    Na verdade, já foi. Cada frase dele.

    Permita-me:

    "Voltemos então ao Brasil e suas altíssimas taxas de juros. Vencida a inflação crônica, com o mecanismo engenhoso da URV, a taxa de juros no Brasil foi mantida alta. O objetivo inicial era sustentar a estabilidade do câmbio flutuante e impedir novos surtos de inflação,"

    O motivo de os juros terem sido altos após a implantação do real foi explicado em excruciantes detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

    "mas como o equilíbrio fiscal sempre foi precário, o juro continua, até hoje, extraordinariamente alto, devido à grande necessidade de financiamento do setor público."

    Os déficits do governo realmente explicam boa parte dos juros altos, como explica este artigo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532

    Mas apenas os déficits não explicam tudo. O próprio histórico inflacionário do Brasil (bem como seu histórico de repetidos calotes externos) explicam o resto. Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2499

    "A experiência do QE deixou claro que o financiamento monetário - através da expansão de reservas remuneradas no banco central - não é inflacionário. Logo, maior necessidade de financiamento público não exige necessariamente juro alto."

    Esta frase, em si, é correta, mas ela esconde detalhes cruciais.

    Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2585

    "O único modelo analítico compatível com a evidência empírica do QE leva à conclusão de que o juro nominal alto sinaliza uma inflação alta, pauta assim as expectativas e mantém a inflação alta. Ou seja, o juro alto, não só agrava o desequilíbrio fiscal, como no longo prazo mantém a inflação alta. (...)A hipótese neo-fisheriana, que vê no juro alto a causa da alta inflação no longo prazo, apesar de ainda mais difícil de digerir, assim como a tese da dominância fiscal, tem sólidas credenciais analíticas."

    Essa tese da dominância fiscal estava muito em voga no início do ano passado, mas foi completamente desacreditada pelos fatos.

    Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304

    "Ambas sugerem que não se pode pedir da política monetária e dos bancos centrais mais do que moderar a inflação no curto prazo. Exigir que a política monetária faça, mais do que circunstancialmente, o trabalho de controle da inflação, cuja estabilidade depende, em última instância, do equilíbrio fiscal de longo prazo, pode ser contraproducente."

    A segunda frase é inócua.

    Sim, a estabilidade de preços depende bastante da política fiscal (política fiscal expansionista gera moeda fraca, e moeda fraca gera carestia; ver artigo acima), mas daí a dizer que toda e qualquer política monetária será contraproducente na ausência de equilíbrio fiscal é falso. Tal frase se baseia na errônea ideia de "dominância fiscal" (discutida no artigo acima).

    Eis a verdade teórica e empírica: se o BC simplesmente parar de expandir a base monetária (e, consequentemente, interromper a expansão da oferta monetária), não há espaço para inflação de preços acelerada, por mais que o orçamento esteja desequilibrado. E foi exatamente isso que foi feito este ano no Brasil: os depósitos à vista (gráfico 5 deste artigo) recuara a níveis de 2010. Isso foi contração monetária para Paul Volcker nenhum botar defeito. E não houve nenhum reequilíbrio fiscal.

    E a inflação de preços cedeu.

    "Sem equilíbrio fiscal não há saída. Quando o país passa por um delicado momento político e pela sua mais séria recessão em décadas, vale a pena acompanhar, sem ideias preconcebidas, a discussão na fronteira da teoria macroeconômica. O custo do conservadorismo intelectual nas questões monetárias, durante as quatro décadas de inflação crônica do século passado, já foi alto demais."

    Equilíbrio fiscal é extremamente importante, como sempre defendeu este Instituto. Mas dizer que "sem ele nada feito" é uma postura não respaldada nem pela teoria nem pela empiria.
  • Taxidermista  29/11/2016 17:07
    Estimado Bruno Feliciano:

    Sobre esse ponto aí a respeito de Keynes, cabe dar uma conferida nesse artigo do Ralph Raico:

    mises.org/library/was-keynes-liberal


    Sobre a invocação das "externalidades" pelo cidadão aí referido, vale esse aqui:

    mises.org/library/accounting-unaccountable-case-externalities


    Abraço fraterno.

  • Magno  29/11/2016 17:30
    Esse artigo do Raico já está traduzido:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1657
  • Bruno Feliciano  29/11/2016 18:23
    Grande Taxidermista,

    Muito Obrigado mais uma vez, como sempre grandes complementos de sua parte.


    Abraço Fraternal
  • Igor  29/11/2016 16:31
    OFF

    Leandro,

    Não sou economista, mas tenho bastante apreço pela ciência econômica. E, por isso, tenho lido muitos artigos, blogs e livros sobre macroeconomia.

    Entretanto, como sabemos, os textos são sob as perspectivas clássicas e keynesianas, basicamente.

    Dito isso, te peço a gentileza de indicar alguma obra que tenha conceitos, análises e indicadores alternativos aos usuais. Por exemplo, o Produto Privado Bruto (PPB) ao Produto Interno Bruto, a análise cambial austríaca à análise cambial tradicional, etc.

    Agradeço antecipadamente.
  • Leandro  29/11/2016 17:01
    Sobre o Produto Privado Bruto (PPB), recomendo este livro:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=76

    Mas realmente recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2013


    Sobre a análise cambial, não tem jeito, tem de ser este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2402
  • Igor  29/11/2016 18:54
    Leandro, os dois artigos eu já tinha lido. Vou aproveitar e reler. O livro do Murray Rothbard conheço mas não li. Então, lerei.

    Mas, apesar de já ter lido os artigos indicados, minha ideia era encontrar algum livro pra ter como bibliografia. Não pela qualidade, pois os artigos são excelentes, mas por capricho pessoal. :-P

    Abraço e obrigado novamente!
  • Andre  29/11/2016 16:35
    Enquete: O que é mais fácil?

    A) Votar nos governantes certos para administrarem todo o aparato estatal de forma razoavelmente eficaz.

    B) Acertas as 6 dezenas da mega.
  • Vargas  29/11/2016 17:02
    C) Secessão e adoção deste modelo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2341
  • Taxidermista  29/11/2016 16:55
    Um livro sobre débito público escrito por um economista libertário (o canadense Pierre Lemieux):

    www.palgrave.com/us/book/9781137298065
  • Max Rockatansky  29/11/2016 17:21
    O exemplo emblemático de como pensam políticos:

    "Temer diz que "gostaria de ter a burra cheia" para gastar no governo":

    zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/politica/noticia/2016/11/temer-diz-que-gostaria-de-ter-a-burra-cheia-para-gastar-no-governo-8542237.html
  • Cesar  29/11/2016 17:42
    Leandro
    Como sempre grande artigo
    Só uma pergunta off

    www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/11/29/cae-aprova-limite-do-juro-do-cartao-de-credito

    Além dos bancos cobrarem outras taxas para compensar, pode ter algum efeito maior no mercado geral , tipo de confiança nos bancos, preço das ações, etc?
  • Leandro  29/11/2016 18:35
    Juros do cartão de crédito são altos porque quase todos têm e, por absoluta falta de educação financeira, muitos o utilizam na falta de dinheiro (uma constante) e acabam entrando no rotativo. E, uma vez no rotativo, vão empurrando com a barriga.

    E não há como os bancos reaverem o dinheiro. Não há consignado, não há penhoras, não há arresto de bens, não há ativos que possam ser tomados para se saldar as contas.

    Trata-se de um crédito dado a quem não tem garantia nenhuma para oferecer em troca. Daí os juros serem altos. E, se muitos entram no rotativo com os juros já astronômicos, imagina então se eles fossem baixos?

    Vou ressaltar uma obviedade: só entra no rotativo quem, por definição, não tem dinheiro para saldar a fatura. Ou seja, trata-se de um crédito concedido a quem não tem renda para quitá-lo. É uma prática extremamente arriscada. Não tem como os juros serem baixos numa modalidade dessas.

    Consequentemente, com o tabelamento dos juros, a primeira coisa que os bancos farão será restringir ao máximo a concessão de novos cartões, bem como o uso dos já existentes. Pessoas que entram frequentemente no rotativo e que têm histórico ruim não mais terão seus cartões validados. Vários cartões serão cancelados por inadimplência. Mesmo o mais disciplinado dos pobres não conseguirá um cartão. Os pobres mais economicamente prudentes pagarão pelo comportamento dos pobres mais economicamente destrambelhados.

    Com o cancelamento dos cartões, as bandeiras que os operam (Visa, Mastercard, American Express, Diner's Club) deixarão de ganhar dinheiro, pois elas ganham com as taxas cobradas nas transações. (Apenas lembrando que os juros do rotativo vão para os bancos, e não para as administradoras).

    Consequentemente, as anuidades aumentarão. E novas taxas serão criadas. Os prudentes pagarão a conta. E os destrambelhados ficarão sem nada.

    Ter cartão de crédito voltará a ser luxo dos ricos.

    E, sim, pode afetar bastante as ações dos bancos, bem como a confiança em seus balancetes.
  • Cesar  29/11/2016 20:42
    Obrigado

  • Esron  29/03/2017 19:57
    Leandro, voce quer dizer então que meu SANTANDER FREE corre o risco de nao ser mais FREE? Não pago anuidade com ele desde que se gaste pelo menos 100 reais ao mês.

    Outro cartao da caixa economica jah percebi que aumentou a tarifa
  • Leandro  29/03/2017 20:05
    Esron, expandi o comentário acima em um artigo bem mais detalhado sobre o assunto. Ei-lo:

    Como funciona o mercado de cartões de crédito e por que seus juros são os maiores de todos


    Após a leitura do artigo acima, convido-o a ler esta notícia, que mostra que a recente medida adotada pelo Banco Central não afetou nada, exatamente como previa o artigo acima (ou seja, o final, nada mudará, e sua anuidade tende a continuar gratuita):

    blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/juro-do-parcelamento-do-cartao-de-credito-e-recorde-e-chega-1635-ao-ano/
  • Esron  29/03/2017 20:18
    Obrigado pela resposta Leandro! Sou seu fã, leio todos seus artigos aprendi MUITO!
  • Andre  29/11/2016 19:02
    Tomara que isso vá mesmo pra frente, a agiotagem vai prosperar, esse negócio de ganhar 1% ao mês na aplicação é coisa de pobre.
  • JONATHAN  29/11/2016 17:48
    Existem artigos no portal que analisem as principais regulamentações no mercado brasileiro que travam a livre iniciativa privada?
  • gustavo  29/11/2016 18:59
    Quem disse que a república de 1889 deu certo neste país? Os mesmos que deram o golpe de estado em 15/11/1889 fazem a cabeça do povo dizendo que a monarquia brasileira era muito cara. Bobos somos nós brasileiros que deixamos a república tomar de conta o que o império do Brasil construiu.
  • Vladimir  29/11/2016 21:15
    O que aconteceu em 1889 foi:
    a) Golpe de estado.
    b) Queriam tomar o poder para eles mesmos.
    C) Não tinham e como hoje não tem intenção de tornar este país uma grande nação.
    E vai acontecer de novo só que desta vez vai ser pior com indivíduos mais insanos, desumanos, manipuladores, sem nenhum caráter, assassinos, aproveitadores etc, e virão com uma desculpa para um bem maior.
    E quanto a monarquia:
    Eles dificultaram a vidas dos empreendedores ( Barão de Mauá que o diga).
    Pouco se lixaram para inventores nacionais ex: Padre Landel.
    A nobreza tinha pouca simpatia pelos empresários.
    Gastavam demais.
    Apropriaram-se de instituições financeiras ex: Banco do Comercio que foi fundido com o falido Banco do Brasil.
    E finamente.
    Muitos grupos que queriam poder: fazendeiros, políticos ambiciosos, intelectuais etc.
    E assim iniciou-se a curta república brasileira que num momento futuro foi substituída por algo bem pior.
  • Fernando  29/11/2016 19:15
    Leandro (ou demais colegas),
    Eu não consigo achar os artigos por assunto, igual estava na parte de baixo do site no formato antigo, por gentileza, poderiam me ajudar?
    Sei que tem a lupa para inserir uma palavra, mas eu achava melhor organizado da forma antiga.
  • Rafael  30/11/2016 12:17
    www.mises.org.br/Subjects.aspx
  • Pensador  29/11/2016 19:32
    E se essa ponte que o governo construísse evitasse uma volta de, sei lá, 50km para os caminhões e ônibus, reduzindo assim o custo de combustível, tempo de viagem e o desgaste dos mesmos, portanto os fretes e passagens? O valor desperdiçado seria recomposto em um certo?t, não?
    Eu adoro escola austríaca, mas na minha noobidez não consigo enxergar como investimentos em infraestrutura não possam trazer benefícios, ao menos quando se fala em usar dinheiro tomado dos pagadores de impostos (xô, 'contribuinte', não financio ladrão por querer!). O Brasil torra mais dinheiro com corrupção do que na construção de mais rodovias, ferrovias, usinas nucleares, pontes, enfim, coisas que qualificariam a nossa parca infraestrutura.
  • Gabriel  29/11/2016 20:08
    Respondido no próprio artigo. Seria um grande benefício para os usuários dela. Esses teriam grandes ganhos. Eles estariam sendo subsidiados pelo resto do país/estado, que ficou apenas com a fatura.

    Veja a ponte Rio-Niterói, por exemplo. Ótima para os cariocas e niteroienses que a utilizam diariamente. E péssimas para os desdentados do Piauí, que viram todo o seu INPS enterrado na ponte.

    Uma obra é viável? Tem demanda? Então seus beneficiários diretos estarão mais do que dispostos a pagar por ela. Ou pagar pedágio para a empresa que se dispuser a construí-la.

    Foi assim que aconteceu em Hong Kong
  • anônimo  29/03/2017 23:48
    Daonde provem a informação de que desviaram dinheiro do INPS nordestino para construir a ponte Rio Niterói?

    E qual país se desenvolveu sem grandes obras públicas?
  • Marcelo  29/03/2017 23:59
    "O sistema de repartição só funcionava bem antigamente, quando muitos trabalhavam para alimentar um fundo que sustentava poucos aposentados. Até a década de 60, para cada brasileiro aposentado havia outros seis trabalhando. Hoje, essa relação é inferior a dois para um. Isto acontece porque a população está envelhecendo e há cada vez mais aposentados para receber e menos trabalhadores para contribuir.

    Com a promulgação da Constituição de 1988, o INSS levou o último grande baque. Sob a justificativa de que estavam fazendo justiça social, os constituintes aprovaram uma lei concedendo o benefício da aposentadoria a todos os brasileiros com mais de 60 anos, no caso das mulheres, e de 65 anos, para os homens, mesmo aos que nunca contribuíram. Mais de 5 milhões de ex-agricultores passaram a receber aposentadoria, e o aumento de despesas foi na ordem de 15 bilhões de reais por ano.

    O sistema oficial de previdência foi inventado em 1923 e desde então vem sendo dilapidado. Juscelino Kubitschek tomou 6 bilhões da Previdência para construir Brasília.
    Os militares usaram dinheiro da Previdência para fazer a ponte Rio-Niterói e a Transamazônica. O dinheiro jamais foi devolvido."

    Revista Veja, edição 1786, de 22 de janeiro de 2003


    Comentado também aqui:

    www.amb.com.br/index_.asp?secao=artigo_detalhe&art_id=1098

    E aqui:

    www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/2011/04/795/7/


    P.S.: não foi "INPS nordestino". Ninguém disse isso. Foi a Previdência geral.



    "E qual país se desenvolveu sem grandes obras públicas?"

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1804
  • Pedro Morais  29/11/2016 22:30
    Leandro,Prof Ubiratan,Helio,ou qualquer bem informado,vocês sabem algum autor que critica as obras de Braudel ,Immanuel Wallerstein e Arrighi?
    Obrigado
  • Lucas  07/04/2017 00:18
    Corre atrás, geralmente liberal não conhece muito da formação do capitalismo.
  • Henrique  29/11/2016 22:44
    Não é injusto para o com governo falar do déficit de suas contas sem abordar a cultura de sonegação do brasileiro?

    Abraços.
  • Meirelles  29/11/2016 23:31
    Vejamos.

    Segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), em 2014, o país deixou de arrecadar R$ 501 bilhões por conta da sonegação. (Ou seja, um valor ainda menor que o déficit total).

    O que pouco se fala, no entanto, é que, caso esse valor tivesse sido de fato pago pelos pagadores de impostos, o governo teria arrecadado impressionantes 2,3 trilhões de reais no período: 46% do nosso PIB, que ficou em R$ 5,5 trilhões de acordo com o IBGE.

    Com uma carga tributária tão alta, tomaríamos o 3ª lugar na fila dos países que mais cobram impostos no mundo, perdendo somente para a Eritréia (50%) e a Dinamarca (48%).

    Ou seja, a carga tributária no Brasil não é de 35%, mas sim de 46% do PIB.

    Isso mesmo, 46% do PIB

    Tá pouco ainda, tributa mais. Precisamos sustentar os parasitas, os funças, os marajás, os políticos e os empresários amigos do rei.
  • anônimo  07/04/2017 12:07
    Meirelles, mas o déficit do governo em 2014 não foi de R$ 343,9 bilhões?






  • Lisboa  29/11/2016 23:32
    Sou a favor do aumento dos impostos. Isso é garantia de que meus R$ 450 mil aplicados em títulos do Tesouro -- rendendo belíssimos 45% em 11 meses -- jamais serão caloteados.

    Impostos mais altos significam que o populacho terá de trabalhar ainda mais para garantir minha boa vida de rentista. Imposto na plebe!

    P.S.: sim, acho muito injusto com o governo a plebe dar tão pouco dinheiro para ele. Mas acho ainda mais injusto comigo. Quero sempre mais. É o justo.

  • Henrique Zucatelli  30/11/2016 17:15
    Gostei da ironia, mas senti pena depois que vi essa miséria que tem aplicada em tesouro direto.

    Se esforce mais na próxima vida portuga. Um abraço.

  • Doug Funny  30/11/2016 00:19
    Conforme fui pesquisando estou cada vez mais pendendo para esse lado mais liberalista, porém tenho uma dúvida: eu sei que o ideal seria fazer uma reforma geral em todos os setores da sociedade, mas considerando apenas a ideia de abrir o mercado (para gerar concorrências, mais empregos e qualidade nos serviços) como seria possível garantir o atendimento da população mais pobre do país? Há de se imaginar que o capital privado, que sempre vai em direção ao lucro, negligenciaria essa numerosa parcela da população que não teria condições de pagar, por exemplo, planos médicos. Nesse sentido, não seria necessário uma intervenção estatal para, no caso de exemplo, pelo menos manter um SUS?
  • Médico  30/11/2016 00:35
    Não entendi seu ponto.

    Você está dizendo que mais concorrência e mais oferta de serviços gerará preços mais altos? E que um mercado monopolizado e regulado pelo governo, com poucos fornecedores, gerará preços mais baixos?

    É isso mesmo? Se sim, então é a primeira vez que alguém apresenta essa teoria.

    Segundo você, quanto menos concorrência, quanto menos ofertantes e quanto mais burocracia, menores os preços. E quanto mais concorrência, quanto mais ofertantes e quanto menos burocracia, maiores os preços.

    Qual a lógica?

    Quanto ao SUS, ele já existe. É um açougue. E não teria como ser diferente.

    Recomendo estes outros artigos sobre o assunto:

    Como Mises explicaria a realidade do SUS?

    Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde

    Como o SUS está destruindo a saúde dos brasileiros

    Um breve manual sobre os sistemas de saúde - e por que é impossível ter um SUS sem fila de espera

    Um retrato da saúde brasileira - um desabafo de dois médicos

    O mercado e o sistema de saúde de El Salvador
  • Doug Funny  30/11/2016 00:50
    Não, você não entendeu. Mais concorrência geraria serviços de mais qualidade a preços competitivos. Porém, ainda sim existiriam parcelas da população incapazes de pagar por esses serviços. Então o que poderia ser feito para atender as populações mais carentes?
  • vimanassero  30/11/2016 12:16
    Complicado... mas eu acho que as empresas poderiam ter os serviços para os pobres também. Você pagaria pouco, mas o serviço também não seria 100% bom. Acho que é uma idéia que funcionaria sem intervenção estatal.
  • Um observador  30/11/2016 12:40
    Doug,

    Outro ponto a ser considerado é o seguinte... Em um cenário de saúde livre seria muito mais fácil o surgimento de hospitais mantidos por entidades filantrópicas e de caridade, que poderiam atender aqueles que realmente não pudessem pagar.
  • a  30/11/2016 09:06
    O governo deve limitar-se à sua função: proteger a propriedade das pessoas, constitucionalmente, sem criar novas atribuições.
  • 4lex5andro  29/03/2017 16:25
    Nem isso;
    No modelo atual de nações-estado regidos pela Onu, o Estado só seria relevante para proteção de fronteiras e juizados delegados (pequenas causas, por exemplo) locais.
  • Tom Axturb  30/11/2016 09:58
    Aprendo muito com os artigos, mas aprendo muito mais com os comentários.
    Abraços!
  • Capitalista Keynes  30/11/2016 15:27
    "Se o governo está construindo uma ponte, ele irá consumir grandes quantidades de aço, cimento, vergalhões e argamassa. Isso significa que todo o resto do setor da construção civil terá agora de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade de aço, cimento, vergalhões, argamassa. Os preços desses itens irão subir e, como consequência, todos os bens que utilizam esses itens em sua construção — como imóveis e carros — ficarão mais caros."

    Ah tá....se o setor privado fizer uma ponte e consumir também grandes quantidades desses materiais, o preço não sobe ......nossa como é santo o setor privado....já tem lugar garantido no céu.
  • Professor  30/11/2016 16:09
    Não, querido. Vem cá, dê-me sua mão e permita-me explicar-lhe como funciona o mundo real.

    1) Se a obra é estatal -- isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos --, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Vide os estádios da Copa na região Norte do país). O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.

    2) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país.

    3) Por outro lado, se é o setor privado -- e não o estado -- quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário -- ou seja, caso houvesse superfaturamento --, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.

    Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há accountability; os retornos são garantidos pelos impostos do populacho.

    Já em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeira pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.

    Qual desses dois arranjos você acha que pressiona para cima os preços dos insumos, prejudicando todos os outros empreendedores do país?

    Para quem se diz um "capitalista keynesiano", seu intelecto é bastante limitado. Você é incapaz de elencar uma cadeia lógica de causa e conseqüência. Mesmo o confuso Keynes raciocinaria melhor. Bem melhor.

    Tenta de novo.

  • Eliel da Silva  01/12/2016 19:42
    No melhor estilo Bastiat: o que se vê e o que não se vê.
    Parabéns.
  • Taxidermista  30/11/2016 16:28
    Se o "capitalista Keynes" ainda não entendeu, ele pode ler a primeira parte desse livro, que utiliza como principal exemplo, justamente, a construção de uma estrada (governo x iniciativa privada):

    www.independent.org/publications/tir/article.asp?a=1009


  • Rhyan  30/11/2016 18:16
    Qual a porcentagem de gastos da União em relação ao PIB?
  • Leandro  30/11/2016 19:12
    Em 2015, as despesas totais da União foram de R$ 2,22 trilhões.

    www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/352024/Despesa_Grupo.xls

    Já o PIB total foi de R$ 5,904 trilhões.

    Logo, as despesas da União equivaleram a 37,6% do PIB
  • Rhyan  02/12/2016 05:40
    Obrigado, Leandro!
    Esperava um número bem pior, está próximo da carga tributária.
  • anônimo  29/03/2017 18:14
    E os gastos das três esferas somadas? Quanto do PIB equivalem?
  • Felipe Lange S. B. S.  30/11/2016 21:57
    E pelo que parece, o Frouxo Temer teve a proeza de cortar o ministério da cultura e depois recolocá-lo (fez essa brincadeira e agora está sendo dedurado pelo bobalhão que tinha sido nomeado)... se tivesse cortado, teria uma economia de quase 2 bilhões.

    Mesmo que passarem a PEC dos gastos, ainda terão muita coisa para arrumar... e como a quase totalidade dos parasitas ocupando os cargos políticos gostam da constituição altamente estatista e socialista e quer torná-la intocável conforme a conveniência. Logo o Brasil será passado pela Índia em liberdade econômica do Heritage (hoje está em 122ª, a Índia 123ª).

    Se ainda cortassem o ministério da pirâmide estatal (nome correto para previdência social), minas e energia, comunicações, cidades, saúde, justiça, integração nacional, educação, ciência e tecnologia e agricultura, teriam uma economia anual de R$674 343 436 881,39! E claro, os remédios e serviços médicos, as escolas e os serviços de telefonia, internet e comunicações seriam barateados. Estou sendo moderado ainda.
  • Lauro Medeiros  03/12/2016 17:14
    Desde o começo não fui a favor do Impeachment, não porque eu sou petista ou esquerdista, mas sim porque agora abriu-se brechas deles jogarem toda a culpa da desgraça que fizeram no Brasil pro "neoliberalismo" do Temer (algo que é absurdo, já que ele não cortou nada e nem privatizou nada).

    A situação do país não precisava chegar no nível da Venezuela, mas a raiva contra os petistas e esquerdistas deveria ter chegado à situação que eles seriam quase espancados na rua.

    Pra conseguir reduzir gastos aqui no Bostil, com a CLT e com a Burocracia retardada que temos, precisa-se de algum político radical, ideologicamente motivado, que não se importa em querer agradar a todos e não um político que apenas pensa em ter ligações políticas como o Temer.
  • Regis  09/12/2016 16:48
    Para que uma sociedade enriqueça, ela precisa ser produtiva.

    Para que uma sociedade seja produtiva, é necessário que o Estado assim o permita.

    Para que o Estado assim o permita, é necessário que ele cobre menos impostos.

    Para que o Estado cobre menos impostos, é necessário que ele diminua seus gastos.

    Para que o Estado diminua seus gastos, é necessário que ele diminua seu tamanho.
  • Messi da economia  29/03/2017 15:41
    Deve ser por isso que os escandinavios são ricos, pois lá o estado cobra pouco imposto...SQN
  • Ericsson  29/03/2017 16:36
    E não é que você está certo? Os países escandinavos tributam pouco as pessoas produtivas da sociedade. O imposto de renda de pessoa jurídica é dos menores do mundo. A alta carga se concentra nos impostos indiretos e também nas pessoas físicas de renda mais alta (o que de pouco adianta, pois tais pessoas sempre conseguem driblar as regulamentações e evadir esses impostos).

    Aos dados:

    Segundo o site Doing Business, nas economias escandinavas,

    1) você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);

    2) as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (no Brasil, se você quiser importar pela internet, pagará no mínimo 60%);

    3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 15% (no Brasil, chega a 34%);

    4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);

    5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho);

    6) o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Não há uma CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nos países nórdicos.

    O único quesito em que os nórdicos superam o Brasil em ruindade é no IRPF, cuja alíquota máxima lá é maior que a daqui.


    Aliás, na classificação do Instituto Fraser, a Suécia e a Dinamarca possuem mais liberdade econômica que os EUA no que diz respeito à estrutura legal e aos direitos de propriedade; a moeda é mais sólida (temos menos inflação), o comércio internacional é mais livre e menos protecionista, e as regulamentações sobre as empresas e sobre o mercado de crédito são mais baixas. Não há uma aquela infinidade de leis que regulamentam profissões e licenças ocupacionais, as quais bloqueiam a concorrência em vários outros países.

    Sim, deveríamos ser mais parecidos com a Suécia - quer tentar?

    Cinco fatos sobre a Suécia que os social-democratas não gostam de comentar

    Todos os socialistas querem ser a Dinamarca - será mesmo?

    Mitos escandinavos: "impostos e gastos públicos altos são populares"


    Mas, infelizmente, não temos como copiar os nórdicos, por esses motivos:
    A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas
  • Adriel Felipe  29/03/2017 15:05
    OFF TOPIC

    Pra quem aqui tá enjoado de ver os mesmos chavões clichê aqui no IMB vai por o estômago pra fora quando ler os comentários desse vídeo!
  • Guilherme  29/03/2017 16:39
    Mas a argumentação desse cara do vídeo foi bem ruinzinha. Ele deixou passar o ponto principal, que foi exatamente aquele abordado pelo IMB em sua página no Facebook. Transcrevo abaixo:


    O pré-candidato à presidência Ciro Gomes publicou um vídeo dizendo que o livre mercado "gera cartéis e oligopólios". E citou o exemplo de postos de gasolina, cujos donos "fazem um jantar e combinam os preços".

    Curiosamente, postos de gasolina não apenas estão entre os setores mais regulados de uma economia, como ainda são uma das reservas de mercado mais antigas do país. Não há nenhuma liberdade de entrada para qualquer concorrência neste ramo.

    Tente você abrir um posto de gasolina. Além de todas as imposições da ANP e de todos os papeis, taxas, cobranças, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos, há ainda toda uma cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos — ou a pessoas que possuem contatos junto ao governo. Livre concorrência nesta área nunca existiu.

    Você só consegue se tornar dono de um posto de gasolina se o seu atual dono lhe passar o ponto.

    Apenas veja na sua própria cidade. Qual foi a última vez que você viu um posto de gasolina ser aberto em uma nova localidade? Praticamente nenhum posto quebra e nenhum posto novo surge.

    E, no entanto, para Ciro Gomes, este setor extremamente regulamentado, protegido e fechado, no qual raramente há falências, é um exemplo de "livre mercado".

    Livre mercado significa, por definição, liberdade de entrada. Quem quiser abrir uma empresa, em qualquer setor da economia, tem liberdade de fazer isso quando quiser, sem ter de enfrentar uma montanha burocrática de restrições dispendiosas, sem ter de molhar a mão de fiscal, sem ter de pagar inúmeras taxas "legais", sem ter de pedir autorização para funcionários públicos, e sem ter de beijar a mão de políticos. Boa sorte ao tentar demonstrar como pode haver cartel neste arranjo.

    "Ah, mas esse arranjo de livre mercado não existe!", grita alguém. Correto, ele não existe no Brasil. Consequentemente, não vale imputar a algo que nem sequer existe todos os malefícios que, na verdade, foram causados por um outro fenômeno que é perfeitamente observável a olho nu, mas que quase ninguém percebe: o intervencionismo estatal.


    Vivemos em uma economia planejada pelo governo e poucos se dão conta disso
  • Janjãozinho  29/03/2017 18:00
    Sempre no plano do "talvez"...

    Privatizem logo essa josta!
  • Dam Herzog  29/03/2017 18:53
    Pelo que tenho visto o Sr Temer é um politico mediocre tipo mesmice. Quiz ser presidente só por vaidade. Não tem coragem e dobra a qualquer pressão, e volta a tráz com facilidade, quero dizer não tem coragem moral, tem vergonha de ser presidente. Não sabe adminstrar pois administrar é escolher entre muitas alternativas as mais demandadas e prioritárias. Não percebe o tamanho do estado e não pretende diminui-lo, daí prejudicando todos os brasileiros. Na sua mesmice Temer quer aumentar impostos. Pelo artigo acima os gastos do goveno é a soma do deficit fiscal + a divida que paga juros em consequencia deste emprestimo para cobrir deficits, haverá menos dinheiro para fazer investimento em mãos de empreendedores. Aí a recessão se prolonga. Vamos ver o Brasil pós 2018 se aparece alguém que queira diminuir o tamanho do estado, desestatizar rigorosamente a economia, tranformar as concessões em desestatização, que venda todos os ativos do governo, queira uma moeda forte, gastar menos que arrecada, ter boas relações com todos os paises do mundo, estabelecer um mercado livre mesmo unilateral, trocar a constituição socialista, por outra que faça opção preferencial pela riqueza, privatize a saude e a educação. Repila os privilegios adquiridos dos funcionarios públicos que tem a regalia da estabilidade no trabalho. Faça nova federação que dê direito até de secessão. Chega já estou sonhando.
  • marcos  29/03/2017 20:46
    Fazenda diz que não há como cortar R$ 58 bi em despesas

    Estudo prepara o terreno para o anúncio de possível aumento de impostos nesta quarta-feira

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,fazenda-diz-que-nao-ha-como-cortar-r-58-bi-em-despesas-e-confirma-alta-de-tributos,70001718679

    Os gastos totais do governo, em 2016, foram de R$ 1,88 trilhão. Mas não há onde cortar R$ 58 bilhões, que equivalem a meros 3% do orçamento...
  • Aviltado  29/03/2017 23:25
    Viram a novilíngua do governo? Não há mais "aumento de impostos"; agora é "reoneração".

    www.estadao.com.br/ao-vivo/impostos
  • Extrema Direita  30/03/2017 01:03
    O crime de responsabilidade fiscal já foi cometido.

    Foi o próprio Temer que enviou o orçamento de 2017.

    Esse governo está lotado de criminosos que cometem crime de resposabilidade.

    É um escândalo que deveria se chamar " fanfarrões do orçamento".

    Eles ainda querem aumento de imposto, mesmo pagando bolsa artista, 20 bilhões para o BNDES, olimpiada, FIES, etc.

    São criminosos cometendo um atentado terrorista contra a economia.
  • Ex-microempresario  30/03/2017 16:42
    Pensando um pouco mais fundo, ninguém acha estranho que o setor público aprove orçamentos anuais baseados em previsão de receita ?
    Qualquer empresa que eu conheço faz planos baseados em seu caixa (dinheiro já existente) e com investimentos planejados e condicionados, isto é, sujeitos à ajustes no decorrer do tempo.
    Já nossos estados, municípios, etc., se reunem no começo do ano e dizem "Achamos que nossa receita vai crescer 3% este ano, então vamos aumentar nossa despesa em 3% já."
    É só mais uma das maluquices que, de tão comuns, já são consideradas normais.
  • Victor  30/03/2017 01:09
    Acredito que o erro da análise liberal é que ele nao tem como funcionar na sociedade contemporânea. Como diria Goethe em seu retrato do pensamento moderno:"No principio era a ação", ou seja, o homem age antes de pensar e o futuro não entra em sua análise. Vivemos no "agorismo", o amanhã é muito distante da modernidade líquida e não é adequado na própria sociedade do consumo, o que é uma interessante contradição, no mundo liberal as pessoas não pensam de forma liberal, apenas o suficiente para manter as aparências.
    Tudo isso se reflete nas políticas adotadas, o amanhã não importa, afinal , até quando perguntaram a Keynes sobre o futuro o mesmo respondeu: "No longo prazo estaremos mortos".
  • Martins  30/03/2017 02:03
    Não entendi seu raciocínio, prezado Victor.

    Ou seja, você diz que as pessoas são imediatistas e têm um horizonte temporal muito curto. Concordo plenamente.

    Diz também, embora de maneira não muito clara, que o libertarianismo é uma teoria não-imediatista; algo que trará resultados apenas de longo prazo. Concordo também.

    Aí, do nada, você conclui que o segundo está errado por causa do comportamento do primeiro. Não faz sentido.
  • Victor  30/03/2017 12:56
    Na verdade estava sendo irônico, todos sabemos que as as ideias de longo não serão aplicadas e viveremos neste eterno ciclo de discussões que no fim de nada servem.
  • anônimo  30/03/2017 02:35
    Para o resto com o dinheiro dos impostos, que volte do Império do Brazil!
  • Etibelli  30/03/2017 03:42
    Entro na discussão sobre a eficácia do Estado em alocar recursos escassos.

    Primeiro, o artigo transmite para os leigos, de uma maneira muito pueril, o caráter do Estado de centralizador econômico num país com proporções continentais. Desse modo, sendo intencional ou não, o leitor é induzido à crer que todas as decisões que afetam sua vida são advindas de um agente máximo, vide a amplitude do conceito de Estado, quando na verdade municípios e estados também influem nessa conjutura e não unicamente a União (representada pelo Meirelles)

    Segundo os austríacos, o Estado não gera riqueza, apenas redistribui essa riqueza com uma perda nesse processo. Assim sendo, vocês alegam que se tal recurso se mantivesse na mão daquele que foi espoliado, esse teria sido acumulado em forma de capital e, consequentemente, retornado em investimentos mais racionais e contábeis do que aqueles que teriam sido feitos pelo Estado. No entanto, em momento algum vocês questionam o possível papel do Estado de propulsionar na criação de nichos econômicos, nem mesmo Mises em sua análise sobre o intervencionismo entra nesse mérito, pois estaria contrariando seu axioma inicial (toda ação estatal gera uma insatisfação maior que a anterior). Explica-se essa possibilidade através da própria teoria austríaca. Se os empreendedores correm riscos altos ao participarem do mercado, qual será a disposição desse em alocar capital num nicho ainda desconhecido e com um ônus alto se comparado à demanda? Qual a perspectiva contábil de lucro? A oferta de um bem por parte do ente privado, nesse caso, é inexistente, a periculosidade financeira é altíssima. Nesse paradigma é que entra a figura do Estado. Por meio dos impostos tomados, o Estado dispõe de muito mais capital para investir e, com isso, minimizar a percepção do montante de perdas que invariavelmente ocorrerão. Logo, o objetivo premeditado é alcançado sem uma interferência direta no mercado, haja vista que não havia disposição dos agentes economicos em empreenderem na realidade anterior à ação estatal, mas, logo após, as suas concepções modificam-se e, portanto, a possibilidade de atribuir investimentos nesse nicho incipiente é muito maior. Portanto, denota-se descoberta de um novo nicho de mercado até então adormecido e os benefícios que essas novas trocas trarão, culpa do Estado.

    Tenho certeza de que existem exemplos mundanos para reforçarem o que eu digo, só não disponho de tempo para vincula-los à minha opinião.( Talvez depois eu complemente)


  • Professor  30/03/2017 12:14
    Ou seja, você incorreu nesta infindável e aborrecida logorreia toda apenas para dizer que o estado, ao confiscar dinheiro das pessoas, pode utilizar esse dinheiro de maneira sábia e sensata, como, por exemplo, fazendo investimentos "arriscados" (com o dinheiro dos outros) que nenhum outro grupo de empreendedores estaria disposto a fazer.

    Esse é, disparado, um dos argumentos mais clichês que existe.

    Vamos lá.

    1) Se realmente houvesse demanda para aquela obra pública, o setor privado a atenderia. Por que ele não faria isso? Ele iria lucrar atendendo àquela demanda. A vantagem do setor privado atender a essa demanda é que, em primeiro lugar, ele não precisou confiscar dinheiro de alguma região/grupo para construir o empreendimento.

    Em segundo lugar, ele tem todos os incentivos para ser cuidadoso e eficiente: o mecanismo de lucros e prejuízos. Ele sabe que se errar em sua estimativa de demanda, será penalizado e pode até quebrar.

    2) Agora, quais são os incentivos do governo? Mesmo que acreditássemos na difícil possibilidade de o estado querer ser eficiente e atender às demandas, isso não tem como ocorrer na realidade pois não há um sistema de recompensa/punição sobre ele. Não tem como.

    3) Veja o caso das hidrelétricas. Itaipu parece uma obra dos deuses, indispensável. Mas não cansamos de saber que centenas de hidrelétricas menores seriam mais eficientes do que construir um dinossauro daqueles. E ainda faria bem ao meio ambiente. O mercado, de maneira "invisível" já havia pensado nisso, mas os governantes, mesmo contando com os melhores cérebros (?) não.

    4) Então, além de, na melhor das hipóteses, ser apenas uma transferência de renda/empregos, na realidade as obras públicas acabam sendo um show de desperdício de recursos escassos, atendendo demandas inexistentes/insuficientes, consumindo recursos que seriam usados de maneira mais produtiva pelo setor privado.

    5) Ao impedir o setor privado de gerir estes recursos, riquezas deixaram de ser criadas do modo mais eficiente, e "riquezas" foram criadas de maneira ineficiente (se é que isso é possível). No final, no longo prazo, todos acabaram mais pobres porque menos bens foram produzidos, graças aos recursos confiscados para as obras públicas.

    6) Que os habitantes da cidade agraciada com obras do governo irão se beneficiar é algo inquestionável. Se o governo tomar dinheiro seu e repassar para mim, ninguém duvida de que eu serei beneficiado. Da mesma forma, que as empreiteiras escolhidas para fazer as obras públicas são beneficiadas, bem como seus fornecedores e empregados, é outro fato que ninguém em sã consciência nega.

    7) Agora, o que você ignora é como ficam os pagadores de impostos que estão financiando tudo isso e que não se beneficiam de nada, bem como as outras construtoras que agora terão de arcar com materiais e equipamentos de construção mais caros, pois boa parte foi direcionada para suprir a demanda da empreiteira financiada pelo governo.

    8) É fácil falar daquilo que se vê diretamente; o real desafio é entender aquilo que não se vê diretamente. Saber distinguir estas duas coisas é o que diferencia um genuíno economista de um mero panfleteiro a serviço de propagandas político-partidárias.

    Acréscimos importantes, porém que já foram abordados no artigo (e que você ignorou):

    a) Se a obra é estatal -- isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos --, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Vide os estádios da Copa na região Norte do país). O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.

    b) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país.

    c) Por outro lado, se é o setor privado -- e não o estado -- quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário -- ou seja, caso houvesse superfaturamento --, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.

    d) Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há accountability; os retornos são garantidos pelos impostos do populacho.

    e) Já em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeira pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.

    Qual desses dois arranjos você acha que pressiona para cima os preços dos insumos, prejudicando todos os outros empreendedores do país?
  • Etibelli  31/03/2017 01:36
    Obrigado pela explanação, vou repensar meus conceitos e me desculpe pela prolixidade, tento sempre expandir meu vocabulário e usa lo no dia a dia, embora nem sempre seja adequado e agradável.

    Fiquei em dúvida em relação ao conceito de accountability, gostaria que me esclarecesse ou indicasse um artigo que fale sobre esse conceito
  • Rodrigo Fernandes Moreira  30/03/2017 15:08
    Leandro,

    Onde dá para ver esse indicador de gastos/pib para vários países? Eu encontrei esse:

    data.worldbank.org/indicator/NE.CON.GOVT.ZS?locations=BR&year_high_desc=true

    Mas parece que os números não estão batendo com os seus, talvez esse site não esteja falando exatamente da mesma coisa.
  • Leandro  30/03/2017 15:31
    Esse gráfico do Banco Mundial exclui todo o serviço da dívida. Ele exclui "juros e encargos da dívida", exclui "amortização da dívida", e exclui "refinanciamento da dívida". Fazendo essas exclusões, ele cai para 20,2% do PIB.

    No entanto, veja que interessante (para não dizer 'pavoroso'): esse gasto do governo federal brasileiro, de 20,2% do PIB (sem o serviço da dívida), é maior que o de países como Áustria (20,1%), Reino Unido e Alemanha (ambos com 19,4%), Itália (19%), Portugal (18,1%), Austrália (18%), e Suíça (11,3%).

    Por outro lado, ainda gastamos menos que Japão (20,4%), Canadá (21,2%), Noruega (23,2%), França (23,9%), Holanda (25,3%), Suécia (26,1%) e Dinamarca (26,2%).

    Utilize este mesmoaink do Banco Mundial que escolheu, selecione cada um destes países, espanta-se.

    Aliás, este fenômeno foi abordado especificamente neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532
  • Rodrigo Fernandes Moreira  30/03/2017 21:54
    Espantoso mesmo!

    Onde dá para fazer essa comparação considerando todos os encargos financeiros?
  • Renan  30/03/2017 19:42
    Esses gráficos que aparecem nos artigos do Mises são criados pelo autor ?
    Se não são, poderiam postar os links das fontes.
  • Eliseu  30/03/2017 20:31
    Séries temporais do site do Banco Central:

    www.bcb.gov.br/pt-br/#!/n/SERIESTEMPORAIS

    No caso do artigo acima, série número 2213
  • Celso Silva  30/03/2017 21:45
    Para quem ainda não sabe: Apesar de prejuízos bilionários por três anos consecutivos, a Petrobras ainda é a petroleira que mais paga salários no mundo. A anacrônica legislação trabalhista obriga a estatal a bancar 230 mil funcionários, quase a soma das três maiores do planeta (British Petroleum, Exxon e Shell), que empregam 253 mil em todo o mundo. As três lucraram R$ 41 bilhões em 2016, enquanto a Petrobras deu prejuízo de R$ 14,8 bilhões. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
    Somente os oito diretores Petrobras custaram R$ 25,3 milhões em 2016, incluindo salários, bônus, benefícios e encargos sociais.

    O Plano de Demissão Voluntária da Petrobras custará R$ 4 bilhões, mas a adesão foi de apenas 12 mil funcionários.

    A Petrobras deve pagar generosas indenizações aos funcionários que aderiram ao plano de demissão. Tem gente que embolsará R$ 706 mil.

    Um engenheiro de petróleo chega a ganhar R$49,3 mil na Petrobras. Um coordenador recebe até R$ 30 mil mensais.

    Eis "o petróleo é nosso"... deles, né? Meirelles, manda leiloar essa porcaria aí!!!
    Fonte: www.diariodopoder.com.br/noticia.php?i=76680096106
  • anônimo  31/03/2017 00:14
    Pelo respeito ao dinheiro dos impostos, que volte o Império do Brazil!
  • B-Sarkis  31/03/2017 14:30
    Bom dia!

    Primeiramente, parabéns pelo canal mises.org.br. Não pertenço a escola ortodoxo. Gosto de um debate (saudável) com diferentes pontos de vista e ideologias. Sou a favor da presença do estado na economia. Não de forma interventora, mas, sim, com um papel indutor do crescimento em momentos de crise. O estado deve entrar no jogo, com instrumentos a que ele compete, usando estes instrumentos afim de impedir uma crise sistêmica. Deve entrar na econonomia quando tiver que entrar e sair quando tiver que sair.

    Quanto aos gastos públicos você cita em seu artigo que, "qualquer instituição que tenha de se endividar o equivalente a 8,50% do PIB em 12 meses terá de pagar juros altos."

    Olhe para os EUA . Se seguirmos nesta lógica, hj estes países seria "o mais quebrado do mundo" aja vista que o valor da sua dívida é mais de 100% do PIB com o risco de aumentar ainda mais, pois Trump falou que irá emitir moeda para gerar mais emprego, ou seja, mais déficit. O problema que enfrentamos, no meu ponto de vista, não é a dívida; é a capacidade de pagamento. A divida dos EUA está financiada com prazos superiores a 20 anos, enquanto que no Brasil em média 6,5 anos. Dívida pública, gera equilíbrio em investimentos e serviços prestados pelo governo à sociedade. Por exemplo, se em determinada época o país se encontra em crescimento, o governo reduz ou estingue a dívida. Em momentos de crise, se necessário, o governo efetua empréstimos (eleva a dívida) e usa este recurso para que o país saia o mais rápido possível da turbulência.

    Por fim, não digo que este seja o cenário atual e sim o ideal.

    um abraço

    Bruno

  • Jorge  31/03/2017 14:48
    os governos têm déficits orçamentários muito baixos. Ao passo que o nosso é de 10% do PIB, lá não chega nem a 2,5% do PIB.

    Por exemplo, o déficit orçamentário do "pródigo" governo Obama não passa de 2,5% do PIB. Na zona do euro é de 2,1% do PIB. Já o do governo do Reino Unido é de "apenas" 4,4% do PIB. Até mesmo os "devassos" japoneses se contentam com menos: 6% do PIB.

    E com um detalhe: todo o resto do mundo está disposto a financiar estes países fartamente. Já nós não temos essa moleza. Apenas 16,23% dos títulos do Tesouro Nacional estão em posse de estrangeiros (não-residentes). No caso dos EUA, por exemplo, esse número chega a 32,5%.

    E com outro detalhe: nenhum destes governos tem histórico de calote (ao contrário do Brasil, que já decretou várias moratórias), e nenhum tem histórico de hiperinflação.

    Portanto, se o governo de um país como o Brasil, que ainda está em desenvolvimento, já decretou moratórias, e possui um longo histórico de inflação alta, tem de pedir mais dinheiro emprestado do que os países ricos, e há menos estrangeiros dispostos a financiá-lo, é claro que os juros que seu governo terá de pagar serão estratosféricos.

    Os governos dos países ricos não só recorrem ao mercado de crédito com muito menos intensidade que o nosso, como ainda têm um histórico de crédito muito melhor.

    Há um artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2532

    E há outro também sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2499

  • Arnaldo  31/03/2017 15:05
    "Não de forma interventora, mas, sim, com um papel indutor do crescimento em momentos de crise."

    Não existiria crise sem a interferência do governo.
  • FREDERICO HAUPT  06/04/2017 16:57
    Boa tarde, apresento uma questão jurídica aos nobres debatedores que influencia diretamente na economia:
    Analisando a lei de responsabilidade fiscal (lei complementar nº 101/2000), verifica-se que há uma desproporção entre os recursos destinados ao Legislativo em relação ao percentual do orçamento destinado ao Ministério Público e Judiciário, levando-se em conta o número de servidores que atuam em cada poder, senão vejamos:

    Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais:
    I - na esfera federal:
    a) 2,5% para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas da União;
    b) 6% para o Judiciário;
    c) 40,9% para o Executivo;
    d) 0,6% para o Ministério Público da União;

    Percebam que 2,5% de todo o orçamento do Brasil vai para os picaretas do Congresso e do TCU, o que legitima, legalmente, todos os gastos ineficientes, ineficazes e inefetivos dos Nobres Parlamentares e seus indicados políticos para o TCU.
    Ocorre que só quem pode mudar essa lei são esses mesmos picaretas. Eis a questão: o Legislativo é Império do Brasil.
    Alguém tem uma solução factível para essa desproporcionalidade?


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