Existe uma página específica para este artigo. Para acessá-la clique aqui.

Isso aqui, ôô...

Brasil, 2016.

Os estados estão falindo.
As escolas estão sendo invadidas.
As câmaras legislativas estão sendo depredadas.
Os políticos estão sendo presos.
O dinheiro acabou.

Ninguém acredita na imprensa. 
Ninguém acredita no governo.
Ninguém acredita nos sindicatos.
Ninguém acredita em partido político algum.

Somos o país que mais mata.
O que mais burocratiza.
O que menos oferece retorno dos impostos.
O que mais violenta professores.
O que tem mais medo de tortura policial.
O líder em mortes por balas perdidas.

Somos o país que tem o Judiciário mais caro do mundo.
A pior infraestrutura entre as 20 maiores economias do mundo. 
A saúde pública mais ineficiente.
O Congresso mais oneroso.

A social-democracia trabalhista tupiniquim faliu.

Nós odiamos os políticos, mas amamos o estado
Nós desprezamos os partidos, mas adoramos vê-los com poder. 
Nós rejeitamos o governo, mas cultuamos vê-lo administrando nossas carteiras. 
Nós abominamos os serviços públicos, mas execramos as privatizações. 
Nós denunciamos as gangues políticas, mas demonizamos quem ousa propor diminuir seus domínios.

O Brasil é uma grande repartição pública condenada ao fracasso.

Ou a gente acaba com a nossa relação com o poder.
Ou a nossa relação com o poder acaba com a gente.

 

11 votos

SOBRE O AUTOR

Rodrigo da Silva
é o editor do site Spotniks.



www.mises.org.br/Article.aspx?id=454

[link www.mises.org.br/Article.aspx?id=306[/link]
Para começar, sua afirmação é falsa. No entanto, ainda que ela fosse verdadeira, isso seria imaterial.

Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

Comecemos pelo básico.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

A não ser mudar totalmente o sistema.

Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência
"Faltou incluir o custo administrativo, o lucro e os impostos da empresa terceirizada."

Abordados explicitamente no artigo (o qual, pelo visto, você nem sequer leu).

"Lembremos que os custos sempre são repassados ao consumidor (nesse caso, seria a empresa contratante)."

Errado. Não tem como empresas repassarem integralmente seus custos ao consumidor. Isso é básico de economia.

Se você tem uma padaria, e repentinamente seus custos sobem (por exemplo, sua conta de luz subiu), você não tem como simplesmente repassar esse custo adicional ao consumidor. Se você fizer isso, perderá fatia de mercado para as padarias concorrentes. Se você aumentar seus preços, perderá clientes para as padarias vizinhas.

Outra coisa: se fosse tão simples assim sair aumentando preços para repassar custos, então por que as empresas não fazem isso (aumentam preços) agora mesmo? Afinal, não é necessário esperar que haja um aumento de custo para haver aumento de preços. Basta aumentar o preço agora mesmo. Por que elas não fazem isso?

Pois é, porque não é tão simples assim.

Aumentos de custos são sempre, em última instância, arcados pela própria empresa. Fosse realmente tão simples assim sair repassando aumento de custos para os preços, então nenhuma empresa jamais quebraria na história.

P.S.: o único mercado em que é possível "repassar custos" -- e, mesmo assim, com parcimônia -- é o mercado de postos de gasolina, que é um mercado extremamente regulado, com baixíssima entrada de novos concorrentes (por causa das regulações estatais, é caríssimo abrir um posto de gasolina), e vendendo um produto cuja demanda é inelástica. E, mesmo assim, isso só funciona em cidades pequenas, em que há poucos postos à disposição.

"Com isso o custo de se terceirizar torna-se maior."

Embora você nada tenha explicado de correto para chegar a essa conclusão, o fato é que, se você realmente acredita que o custo irá se tornar maior, então você nada tem a se preocupar. Absolutamente ninguém irá querer terceirizar.

(O engraçado é que a esquerda diz justamente o contrário: todo mundo vai querer terceirizar porque o custo vai cair. Favor entrarem num consenso).

"E mesmo se a terceirizada conseguir ser mais eficiente (pois isso depende da área de atuação), a empresa contratante não vai economizar em nada, somente na dor de cabeça com a justiça do trabalho."

Então, de novo, você absolutamente nada tem com o que se preocupar. Ninguém vai querer terceirizar. Logo, tal lei será completamente inócua. Nem sei por que você está perdendo tempo com ela.

"Fui orçamentista em uma terceirizada da construção civil. Como nossas atividades tinham que acompanhar as demais atividades, tínhamos que manter nossos operários até o final da obra. Com isso os custos eram os mesmos da empresa contratante se ela tivesse contratado diretamente os operários. Na verdade eram até maiores, porque no nosso preço final estavam embutidos o nosso custo administrativo, o lucro e os impostos."

Ou seja, não apenas a empresa que contratou os seus serviços era completamente imbecil (aumentou os próprios custos), como você próprio perdeu uma grande oportunidade de lucro: caso tivesse você próprio feito essa empreitada no lugar dessa empresa, teria ganhado um belo dinheiro.

Por que não fez? Odeia dinheiro?

"Portanto não vejo vantagem na ideia de terceirização para a empresa contratante."

Então, pela terceira vez, você nada tem com o que se preocupar. Ninguém irá terceirizar. A lei será inócua. Agora, seja coerente, vá a campo e acalme toda a esquerda. Eles estão estressados com nada. Certo?
Acabariam por voltar aos mesmos padrões de corrupção, eventualmente.

Veja bem, a idéia do sistema de freios e contrapesos foi criada justamente com esse intento. Que, ao dividir os poderes governamentais em três, impediriam que o estado fosse abusivo. A idéia funciona, em teoria, mas na prática o que acaba acontecendo é que os três poderes eventualmente acabam se aliando e legitimando um monopólio de poder. (Esse raciocinio está presente no livro do Rothbard, A anatomia do estado).

Entidades privadas policiando governos estariam sempre sob ataque dos mesmos, pois é raro um governo permitir ser controlado por uma entidade externa, já que a lógica governamental é que são entidades supremas em seus respectivos territórios e não aceitariam ter seu poder reduzido. O governo:

A) Iria recusar a entidade.
e/ou:
B) Tentaria ativamente corrompe-la ou sabota-la.

No nosso arranjo atual, a solução mais viável (não é a melhor, mas que é possivel implementar) seria que entidades internacionais (em um mercado irrestrito e de livre entrada) efetuassem ratings do governo baseado em dados já existentes (como IDH e indice de liberdade econômica, indice de corrupção). É a mesma ideia das notas de investimento, mas para estilos de governo, mas isso só funcionaria em um mercado de livre entrada que não fosse subsidiado por governos, pois assim, as empresas desonestas seriam desqualificadas pelos consumidores e perderiam seu mercado.

Embora eu pessoalmente não sei dizer quem seria o consumidor desse tipo de arranjo.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Thomas  28/11/2016 18:44
    Perfeito resumo. Pura verdade. Obrigado pelos links também.
  • Lucas  28/11/2016 18:46
    Recentemente li o livro do Bruno Garschagen "Pare de Acreditar no Governo -- Por que os brasileiros odeiam os políticos mas amam o Estado".

    Realmente sensacional! Recomendo muito.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2104
  • Fernando  28/11/2016 18:47
    É exatamente isso mesmo que é o Brasil. Perfeito resumão.
  • Valeria  28/11/2016 19:09
    "O Brasil é uma grande repartição pública condenada ao fracasso." Definição perfeita!
  • 4lex5andro  19/01/2017 13:12
    E o agravante é que o Brasil é um país que vai envelhecer antes de enriquecer.
  • L. Simonetti   28/11/2016 19:12
    Somos o país dos cartórios.
    Dos sindicatos.
    Dos supersalários.
    Do cartão corporarivo.
    Das indenizações para governadores.
    Das verbas auxiliares intermináveis.
    Dos milhares de cargos comissionados.
    Das universidades públicas caras e para poucos.
    Dos concurseiros.
    D'O petróleo é nosso.
    Das inúmeras estatais.
    Dos bancos estatais.
    Da previdência "bomba-relógio" privada.

    Uma hora a conta ia chegar.
  • Felipe Teló  28/11/2016 19:19
    Sobre "o Judiciário mais caro do mundo", uma imagem vale mais do que (vocês sabem o resto):

    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1160741997342449&set=p.1160741997342449&type=3&theater
  • Eraldo  28/11/2016 20:23
    "O Brasil tem Governo forte e sociedade fraca. Temos que inverter isso". Deltan Dallagnol
  • Bruno Feliciano  28/11/2016 21:35
    Por incrível que pareça, muitos da PGR e do MP tem bom senso nesse aspecto.

    O Dallagnol parece ser um exemplo disso, vejo nessa frase: ''Temos muito governo e pouco indivíduo''.
    É que talvez pra evitar polêmica, ele não disse exatamente com essas palavras para não ser taxado de ''Direita''.

    Mas eu por exemplo vejo muito disso, eu estudo direito e tenho muitos professores que são Juízes, Procuradores, Promotores e etc.. Alguns deles até concorda quando eu grito contra o intervencionismo, teve um inclusive que disse que Taxi e Uber tinham que ser regulamentados, eu questionei e ele disse exatamente o que eu pensava. Deixar livre a oferta de transporte, sem que haja essa cosia de alvará e etc. Ele disse regulamentar em permitir a livre oferta de ambos, no máximo um registro na prefeitura e pronto.


    Nem tudo esta perdido amigos...
  •   28/11/2016 21:53
    "O Brasil tem Governo forte": o que inclui Judiciário e Ministério Público fortes e nababescos.

    Mas isso ele (o autor da frase aí) não quer "inverter", não é mesmo?
  • Bruno Feliciano  28/11/2016 22:53
    Por incrível que pareça, muitos da PGR e do MP tem bom senso nesse aspecto.

    O Dallagnol parece ser um exemplo disso, vejo nessa frase: ''Temos muito governo e pouco indivíduo''.
    É que talvez pra evitar polêmica, ele não disse exatamente com essas palavras para não ser taxado de ''Direita''.

    Mas eu por exemplo vejo muito disso, eu estudo direito e tenho muitos professores que são Juízes, Procuradores, Promotores e etc.. Alguns deles até concorda quando eu grito contra o intervencionismo, teve um inclusive que disse que Taxi e Uber tinham que ser regulamentados, eu questionei e ele disse exatamente o que eu pensava. Deixar livre a oferta de transporte, sem que haja essa cosia de alvará e etc. Ele disse regulamentar em permitir a livre oferta de ambos, no máximo um registro na prefeitura e pronto.


    Nem tudo esta perdido amigos...
  • Pobre Paulista  29/11/2016 16:11
    "Os outros funcionários públicos são supérfluos, menos eu"
  • Wagner  30/11/2016 19:40
    Dá até uma tristeza, toda essa realidade...
  • anônimo  09/12/2016 08:16
    Texto Excelente.
  • Fernando  09/12/2016 13:26
    O povo não está conseguindo pagar a conta de luz. O PAÍS VAI FICAR NO ESCURO. Teve um aumento de 1200% na inadimplência da conta de energia.

    Em Cingapura todos os cabos de energia e telefonia ficam no subsolo. Aqui em SP, como não tem dinheiro pra cortar àrvores, vai dar curto nos fios quando chover, e também ficaremos no escuro devido a explosão dos transformadores.

    Preparem as lanternas, lampeões, geradores, fogueiras, placas de energia solar, etc !

    Observação: Vai desligar a internet quando acabar a energia.
  • Humberto  09/12/2016 22:49
    Realista, mas muito triste.
  • anônimo  08/01/2017 18:13
    A última salvação é reduzir o imposto sobre PJ e criar um imposto único indireto.

    O gasto público já ultrapassou todos os limites. O número de aposentados vai aumentar nos próximos 20 anos, o número de pessoas produtivas vai diminuir, o número de pacientes nos hospitais vai aumentar, os presidídios irão aumentar, etc.

    Um deputado já gastou 140 mil em correspondência. Os cortes no orçamento só irão ocorrer, quando o ministério público começar a processar quem faz gastos desse tipo. Ninguém vai cortar nada se não for processado por crime de responsabilidade.





  • Daniel  13/01/2017 20:20
    Excelente.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.