Surpresa! Desde o real, preços regulados pelo governo subiram muito mais que os preços de mercado
Como o governo federal tem destruído nossa moeda

A moeda é monopólio do governo. O governo está no completo controle da moeda. Sendo a moeda um monopólio do governo, a qualidade da moeda será diretamente proporcional à qualidade do governo que a gerencia.

Se o governo tem uma política fiscal ruim, se ele não gera confiança nos investidores e nos consumidores, se ele trava os investimentos, se sua política creditícia é ruim, e se ele é visto como relutante em atacar seu déficit e estancar o crescimento da dívida, então sua moeda será fraca e, consequentemente, o poder de compra dela será declinante.

Logicamente, uma sucessão de governos ruins será fatal para a qualidade de uma moeda.

Nós brasileiros somos vítimas diretas do que os sucessivos governos fizeram com o nosso dinheiro.

A destruição do real

Segundo as estatísticas do próprio governo — o IBGE e seu Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) —, aquilo que custava R$ 100 em 1º julho de 1994 passou a custar R$ 550,12 em 31 de julho de 2016.  Um aumento de 450,12% em 22 anos.  Uma taxa média de 8,05% a cada 12 meses.

Falando de outra maneira, desde 1º de julho de 1994 até 31 de julho de 2016 (exatos 22 anos), o real já perdeu 82% do seu poder de compra. 

(A matemática é simples: em julho de 1994, R$ 100 compravam Y.  Isso significa que R$ 1 comprava (1/100) Y.

Atualmente, são necessários R$ 550,12 para comprar esse mesmo Y, o que significa que R$ 1 compra (1/550,12) Y. 

Fazendo-se a conta do valor final (1/550,12) menos o valor inicial (1/100), e dividindo o resultado pelo valor inicial (1/100), tem-se o percentual de 82%, que foi a perda do poder de compra da moeda.)

Na prática, essa perda de 82% no poder de compra significa que uma nota de R$ 100 hoje tem o mesmo poder de compra que R$ 18 em julho de 1994.  Isso é uma destruição significativa.

Para se ter uma ideia, neste mesmo período, a inflação de preços acumulada nos EUA foi de "apenas" 62,16% (contra 450,12% no Brasil).  Aquilo que custava US$ 100 em 1º julho de 1994 passou a custar US$ 162,16 em 31 de julho de 2016.  Uma média de 2,22% a cada 12 meses (contra 8,05% no Brasil).

Nem toda destruição é igual

Mas, em meio a esses escombros, há detalhes interessantes — os quais, porém, não deveriam surpreender ninguém que conheça o básico sobre economia.

O IBGE divulga vários componentes que formam o IPCA.  Para começar, há o componente "preços livres" e há o componente "preços monitorados".

O componente "preços livres", como o próprio nome diz, engloba todos aqueles itens cujos preços são livremente formados no mercado.  Exemplos:

Alimentos industrializados e semi-elaborados. Artigos de limpeza, higiene e beleza. Móveis. Utensílios domésticos. Equipamentos eletro-eletrônicos. Automóveis. Produtos de cama/mesa/banho. Bebidas. Roupas. Material escolar. Matrícula e mensalidade escolar. Cursos. Produtos in natura. Alimentação fora de casa. Aluguel. Consertos domésticos. Seguro de carro, conserto de carro, lavagem de carro, e estacionamento. Recreação e cultura. Dentistas e todos os tipos de serviços pessoais.

Já o componente "preços monitorados" engloba todos aqueles itens cujos preços são determinados pelo governo via agências reguladoras, estatais e portarias do Ministério da Fazenda. Exemplos:

Todos os tipos de serviços públicos. Taxa de água e esgoto. IPTU. Gás de bujão. Energia elétrica. Ônibus urbano. Ônibus intermunicipal. Metrô. Gasolina e óleo diesel. Planos de saúde. Tarifas de celular e de telefonia fixa. Pedágios. Remédios e outros produtos farmacêuticos. Licenciamento.

O gráfico abaixo mostra a evolução destes dois componentes (veja aqui as taxas mensais de inflação de ambos).  Parte-se da base 100 em junho de 1994, o que significa que ambos os componentes custavam R$ 100 em 1º de julho.

livresxmonitorados1.png

Gráfico 1: encarecimento dos bens e serviços cujos preços são livres (linha azul) e dos bens cujos preços são regulados pelo governo (linha vermelha)

Observe que o agrupamento de bens e serviços cujos preços são regulados pelo governo encareceu acentuadamente mais do que o agrupamento de bens cujos preços são estipulados pelo mercado.

Em média, um bem ou serviço regulado pelo governo que custava R$ 100 em julho de 1994 passou a custar R$ 785 em julho de 2016.  Encarecimento de 685%.  Média de 9,82% a cada 12 meses.

Já um bem ou serviço regulado pelo mercado que custava R$ 100 em julho de 1994 passou a custar R$ 501 em julho de 2016.  Encarecimento de 401%.  Média de 7,6% a cada 12 meses.

Algumas curiosidades:

1) A primeira fase do Plano Real, que tinha uma moeda realmente forte, com o câmbio atrelado ao dólar, foi bastante eficaz em domar os preços livres.  De 1996 até o final de 1998, os preços livres (linha azul) demonstraram uma estabilidade que nunca mais seria repetida após 1999, ano da adoção do câmbio flutuante.  Por que o câmbio flutuante não é propício a gerar preços estáveis em países ainda em desenvolvimento foi explicado em detalhes neste artigo.

2) Repare a 'deflação' na linha vermelha ocorrida no início de 2013.  Foi quando Dilma reduziu na caneta o preço da energia elétrica. E também congelou o preço da gasolina em um momento em que o dólar estava encarecendo aceleradamente.  Isso foi um fator decisivo que nos trouxe à situação em que estamos hoje.

3) À exceção dessa lambança feita por Dilma em 2013, não parece haver nenhum critério específico na maneira como o governo regula os preços monitorados.  Eles estão sempre subindo mais aceleradamente que os preços livres.

4) Como ensina a teoria econômica, aqueles bens e serviços que são ofertados em um mercado concorrencial sempre têm seus preços restringidos pela ação dos consumidores (que podem comprar ou se recusar a comprar). 

Já aqueles bens e serviços ofertados em mercados regulados e fechados pelo governo — os quais na prática são fornecidos por empresas que usufruem um monopólio concedido e protegido pelo governo, como empresas de ônibus, de saneamento, de eletricidade, telefônicas, planos de saúde, postos de gasolina, TV a cabo, internet etc.— podem encarecer continuamente sem qualquer represália.  O governo acorda os preços com as empresas protegidas (dentre elas várias estatais) e o consumidor simplesmente não tem o que fazer nem para onde ir.

5) Dentre os preços livres, temos de levar em conta que:

5.a) boa parte da alta advém dos alimentos, que estão sujeitos não apenas a fatores climáticos, como também, e principalmente, à taxa de câmbio: quanto mais desvalorizado o câmbio, maior o incentivo à exportação de alimentos, menor a oferta de alimentos no mercado interno, maiores os seus preços.

5.b) praticamente todos o produtos industrializados e manufaturados nacionais são protegidos por altas tarifas de importação.  Não fosse esse protecionismo, seus preços seriam bem menores.

6) Ainda assim, se pegarmos aqueles bens e serviços que são ofertados em regime concorrencial, excluindo os alimentos, eles são os que apresentaram o menor encarecimento dentre todos.

O gráfico abaixo mostra a evolução dos preços dos "artigos de residência", que englobam eletrodomésticos e equipamentos, TV, som e informática, mobiliário, utensílios e enfeites, cama, mesa e banho, e consertos e manutenção; e do "vestuário", que engloba roupas masculina, feminina e infantil, calçados e acessórios, jóias e bijuterias, tecidos e armarinho.

artigosxvestuario.png

Gráfico 2: encarecimento dos bens e serviços para casa (linha azul) e do vestuário (linha vermelha)

Compare com o gráfico 1 e veja como estes itens subiram bem menos.

Móveis, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, utensílios, enfeites, cama, mesa e banho, consertos e manutenção doméstica (este certamente foi o item que mais puxou para cima) que custavam R$ 100 em julho de 1994 custam hoje R$ 268.  Encarecimento médio de 4,58% a cada 12 meses.

Roupas, tecidos, jóias e bijuterias que em julho de 1994 custavam R$ 100 custam hoje R$ 356.  Encarecimento de 5,9% a cada 12 meses.

Por fim, como curiosidade, é notável como a linha azul varia majoritariamente de acordo com o câmbio.  Quando o real era atrelado ao dólar, a linha azul praticamente não se moveu.  Quando o câmbio passou a flutuar (isto é, a encarecer), os preços foram juntos.  De 2005 a 2011, quando o dólar se desvalorizou em relação ao real, os preços ficaram estáveis.  De 2012 em diante, com a desvalorização do real perante o dólar, os preços voltaram a subir.

Já o vestuário se manteve totalmente estável enquanto a moeda era forte (até 1999). Depois disso, passou a encarecer continuamente.  Mas encareceu bem menos que todo o resto dos itens da economia.

Uma observação sobre juros

Imagine que você vá emprestar dinheiro para alguém.  De posse do gráfico 1, você sabe que os preços daqui a um ano ou daqui a vários anos (dependendo do prazo do empréstimo) estarão substantivamente maiores.  Esse sempre foi o histórico do Brasil.  Nossa moeda nunca permitiu que os preços se comportassem civilizadamente.  Como você agirá?

É claro que você embutirá nos juros cobrados essa incerteza em relação à carestia.  Por exemplo, como visto, os preços controlados pelo governo provavelmente subirão a uma taxa média de 9,82% a cada 12 meses.  Logo, uns 10% ao ano é o mínimo que você deveria cobrar apenas para manter seu poder de compra

Acrescente a isso o fato de que você quer ter algum lucro, o fato de que você quer ser compensado pelo tempo em que ficará sem seu dinheiro, o fato de que o tomador de empréstimo já está bastante endividado (o que gera alguma incerteza quanto à sua solvência), e o fato de que ele mensalmente precisa de grandes volumes de dinheiro emprestado (pois não consegue equilibrar seu orçamento e precisa continuamente rolar suas dívidas), e você começará a entender por que a taxa básica de juros é alta no Brasil.

Temos uma economia ainda em desenvolvimento, com uma renda per capita ainda baixa, mas um governo que se propõe a ofertar uma variedade escandinava de serviços.  É óbvio que tal governo será um sugador voraz de dinheiro emprestado para bancar seus gastos.

Dado que a população brasileira ainda é pobre e pouco produtiva — o que significa que apenas impostos não dão conta de bancar os gastos do governo —, serviços escandinavos só podem ser ofertados mediante empréstimos maciços concedidos ao governo.

E tudo piora: se o governo — que em tese é a entidade mais confiável que existe para a qual emprestar dinheiro (pois pode tributar os outros e imprimir dinheiro para pagar suas dívidas) — tem de pagar juros altos por causa disso tudo, imagine então qual será o tamanho dos juros para o resto dos mortais?

Com o governo em cena competindo pelo crédito e se oferecendo para pagar 14,25% ao ano, a única forma de um coitado qualquer conseguir algum crédito é se dispondo a pagar juros de, suponhamos, 20% ao ano.  E isso se ele for empreender.  Se for apenas para consumir, a taxa será quase o dobro.  Por menos que isso o banco não vai emprestar. 

Tendo tudo isso em mente, eis uma conclusão importante: juros altos são, acima de tudo, consequência de uma moeda que continuamente perde poder de compra.  Sim, um governo gastador, endividado e com orçamento desequilibrado também impulsiona os juros de uma economia, mas, ainda assim, o principal sustento dos juros altos é a fraqueza da moeda.

Estranhamente, ainda há quem confunda causa e consequência.  Há quem acredite que juros altos são uma ferramenta artificialmente criada para gerar moeda forte e, consequentemente, preços baixos.  Não.  Juros altos são consequência de uma moeda que perde poder de compra, e não a causa de uma moeda forte.  Juros altos não podem gerar moeda forte.  Juros altos não causam moeda forte.  Juros altos são consequência de uma moeda fraca.

Igualmente, há quem acredite que recessão reduz a carestia. Mas recessão não pode causar queda de preços. Quem acredita que recessão debela carestia está, na prática, dizendo que uma economia debilitada irá automaticamente gerar uma moeda forte e estável. Isso é totalmente sem sentido.  (Veja mais sobre isso aqui e aqui).

Conclusão

O governo, que detém o monopólio da moeda, é um impiedoso destruidor da mesma. Mas nem toda a destruição é igual.

Setores que operam sob concorrência oferecem os bens e serviços cujos preços foram os que menos subiram nos 22 anos de real. 

Mesmo com o explosivo crescimento da quantidade de dinheiro na economia nestes 22 anos — que cresceu a uma taxa média de 18,30% ao ano —, a concorrência neste setor conseguiu conter os preços, fazendo com que seu encarecimento ficasse confinado, como mostra o gráfico 2, a algo entre 4,6% e 5,9% ao ano.  Isso é um feito e tanto.

Em contraste, bens e serviços ofertados por setores regulados pelo governo e blindados da concorrência por meio de agências reguladoras conseguiram extrair preços cada vez mais altos da população.  E com uma qualidade, no mínimo, insatisfatória.

Ao passo que bens cada vez mais demandados pelo povo — como TVs, smartphones, geladeiras, eletrodomésticos, computadores, notebooks e todos os tipos de vestuário — foram os que menos encareceram, bens e serviços ofertados sob intensa regulação do governo — como planos de saúde, remédios, passagens de ônibus, energia elétrica, telefonia, TV a cabo, gasolina e diesel, pedágios, gás de bujão, taxa de água e esgoto etc. — foram os que mais dispararam.

Mesmo alguns itens que são considerados "preços livres", como mensalidade escolar (que estão entre as que mais subiram nos preços livres), operam sob um regime de proteção estatal.  Afinal, a partir do momento em que o governo decreta ser obrigatório matricular seu filho em uma escola — sob pena de encarceramento caso você não o faça —, está criado um mercado cativo, cujos serviços devem ser compulsoriamente consumidos.  Sob esse arranjo cartelizado pelo estado, impossível os preços não dispararem.

Realmente, não é nada complicado.  Se você quer bons serviços, bons produtos, idéias inovadoras e preços contidos, você tem de ter mercados livres e concorrenciais.  Você tem de ter liberdade de entrada em todos os setores.  Você tem de abolir as barreiras regulatórias erigidas pelo governo, as quais servem apenas para proteger as empresas reguladas, garantindo-lhes um mercado cativo e monopolista.

Quanto mais o governo controla, maiores serão os preços, e mais insatisfatórios serão os serviços.

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Leia também:

Por que a concorrência é louvada nos esportes e condenada no mercado? 

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa? 

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?


9 votos

SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Igor  26/08/2016 13:26
    Que aula, senhores! Que, aula!

    Parabéns, Leandro!
  • Leandro  26/08/2016 14:10
    Obrigado pela gentileza e pelo reconhecimento, Igor.

    Grande abraço.
  • Bruno Rocha  27/08/2016 16:14
    Nós que agradecemos Leandro!
  • Henrique Valadares  26/08/2016 13:29
    Sem o Estado quem iria produzir as vacinas?

    Se não dão nenhum tipo de lucro, quem as produziria?

    Sociedade sem governo é utopia!
  • Leandro  26/08/2016 14:09
    Henrique, exatamente do que você está falando?
  • anônimo  26/08/2016 14:27
    Como não dão lucro? eu mesmo paguei mais 500 reais para vacinar meu filho em um laboratório particular. Acho que margem para lucro existe em.
  • Gabriel Medeiros  26/08/2016 14:51
    Esse caiu de paraquedas.
  • Henrique Zucatelli  26/08/2016 17:04
    Sociedade com governo é distopia.
  • Berry  28/08/2016 07:07
    Empresas que vendem seguros teriam todo o interesse do mundo em produzir vacinas, afinal elas querem que seus clientes permaneçam saudáveis (e assim não precisem usar efetivamente o seguro). Em um mercado livre e maduro é perfeitamente razoável imaginar que uma seguradora de saúde forneceria ela mesma as vacinas ou daria descontos para clientes que as tomassem em empresas terceirizadas.
  • ed  26/08/2016 13:50
    Será que vou morrer sem ver um artigo ruim do Leandro Rocks?
  • Leandro  26/08/2016 14:10
    Bondade extremada sua, caro ed. Saudações!
  • Henrique Valadares  26/08/2016 13:54
    ". O governo acorda os preços com as empresas protegidas (dentre elas várias estatais) e o consumidor simplesmente não tem o que fazer nem para onde ir."

    Temos mais de 10 montadoras aqui e ainda sim os preços são exorbitantes, e não adianta culpar os impostos, todos sabem que a margem de lucro das montadoras aqui é muito maior que em outros países! O consumidor não se protege do mercado imobiliário, não se protege do mercado automobilístico, até ovos da páscoa produzidos no Brasil são vendidos à preço de banana nos EUA e aqui são caríssimos!
    O consumidor nunca tem para onde ir, enquanto os burgueses controlarem a economia viveremos assim...
  • Leandro  26/08/2016 14:11
    "Temos mais de 10 montadoras aqui e ainda sim os preços são exorbitantes, e não adianta culpar os impostos, todos sabem que a margem de lucro das montadoras aqui é muito maior que em outros países!"

    1) As montadoras brasileiras operam em um mercado protegido pelo governo. A importação de automóveis novos é tributada por uma alíquota de 35%. Já a importação de automóveis usados é proibida;

    2) Com o recente esfacelamento do real perante o dólar, o custo de qualquer importação aumentou sobremaneira. Ou seja, além das tarifas de importação, temos também uma moeda fraca, que encarece ainda mais as importações.

    Ou seja, por causa do governo, as montadoras brasileiras operam em um regime de mercado semi-fechado, sem sofrer nenhuma pressão da concorrência externa. Elas praticamente usufruem uma reserva de mercado criada pelo governo. O brasileiro é praticamente proibido de importar carros, e não tem moeda para isso.

    Na Europa e nos EUA, não há restrições à importação de carros estrangeiros. A consequência disso é uma maior concorrência, o que faz com que os carros de lá sejam realmente decentes, tenham preços baixos e tenham muito mais opcionais de série.

    Já aqui, onde o mercado é fechado, não há motivo nenhum para as montadoras cobrarem pouco e oferecerem bons serviços. Não há concorrência externa. Não há como o brasileiro comum comprar carros usados do exterior.

    Agora me diga: quem é que, operando em um regime de reserva de mercado, terá lucros baixos?

    Num cenário desse, meu caro, as montadoras só não cobrariam caro se fossem extremamente idiotas.
  • Tiago  26/08/2016 14:30
    Lembrando que quem ganha com isso é o próprio governo, pois se abrir a importação reduzindo o imposto, seria obrigado a reduzir os impostos das fabricantes nacionais ou elas simplesmente morreriam pois não teriam como competir, logo, perderia uma importante fatia de impostos, por isso mantém tudo regulado e travado, e a população/consumidor que se ferre com carros caríssimos e de baixa qualidade.
  • Jaiminho, o fatigado  26/08/2016 15:37
    T1
    Brasileiro médio reclama que paga caro por produtos nacionais e diz que a culpa são dos burgueses malvados que só querem saber de lucrar.

    T2
    Com toda a paciência é explicado para o sujeito que o governo adota uma série de medidas protecionistas, dentre elas a própria destruição da moeda, inviabilizando qualquer tipo de importação e concorrência externa. Algo nefasto para os consumidores porém agradável para a burguesia nacional.

    T3
    Diante do exposto o brasileiro médio rebate:
    OK! Mas se o Brasil acabar com o protecionismo e tiver uma moeda forte o que vai ser da FIESP?

    E ainda há quem acredite que o Brasil tem jeito com esse tipo de criatura vivendo entre nós.
  • 4lex5andro  28/08/2016 21:20
    Quanto ao item das importações na resposta qual não foi a surpresa ao constatar que haviam carros usados brasileiros (tipo fox ou polo, nada de antigo pra coleção) sendo importados para a Alemanha, a terra dos melhores carros do planeta e das melhores highways europeías.

    www.noticiasautomotivas.com.br/brasil-ja-exporta-carros-de-luxo-usados-para-a-alemanha/
  • Felix  26/08/2016 14:48
    Quando os carros chineses chegaram baratos ao Brasil o que o governo fez?
    aumentou os impostos para os carros chineses,
    onde está a liberdade dos consumidores?
  • Andre  26/08/2016 14:55
    Você não é livre, é escravo do governo, de seus políticos, funças e recebedores de benefícios, tem que trabalhar, pagar altos impostos para sustenta-los e obedecer regras impossíveis de obedecer para gerar riqueza.
  • anônimo  26/08/2016 14:49
    "enquanto os burgueses controlarem a economia viveremos assim..."

    Em um país em que 50% da renda é tomada pelo governo, 50% do crédito é estatizado, quase todos os setores econômicos são regulados, há enormes estatais, e você ainda diz que os "burgueses" controlam a economia? Santa paciência!

  • Felipe Lange S. B. S.  28/08/2016 00:36
    É mesmo? Mais de 10 fabricantes (e não montadoras, porque não apenas montam e sim também fazem todo o processo envolvendo fabricação de um automóvel)? Acha isso muita coisa?

    Mal sabe as marcas que atuam em mercados mais competitivos... Nos Estados Unidos, além de Chevrolet, Ford, Volkswagen, Fiat, Nissan e Toyota como maiores atuantes (lá não tem as francesas Renault e PSA Group), tem ainda Alfa Romeo, Buick, Lincoln, Acura, Lexus, Infiniti, Dodge, Chrysler, Tesla, Cadillac...

    Adicionando ao Leandro, tem ainda o fato de que com o real desvalorizado, compensa mais exportar os carros para os estrangeiros (BMW X1, catarinense montado com grande conteúdo de peças importadas, para a tristeza dos nacionalistas, exportado para os estadunidenses), a partir de U$33,100. No Brasil, à partir de R$169.560. Há quem se iluda em se orgulhar desses modelos serem exportados para eles. Apesar disso, no primeiro governo Lula, houve um grande excedente de produção e isso fez com que se exportasse (visto que a pancada nos juros reduziu o consumo interno) também modelos tais como o Golf 4ª geração para os norte-americanos (vários airbags, ABS e motor 2,0 litros ou 1,8 turbinado), num período de real valorizado.

    Apesar disso tudo, você está certo sobre a margem de lucro: é uma das maiores do mundo. Lucro este artificialmente aumentado com restrições severas de importação (mesmo de carros com países de acordo comercial tais como o México, com cotas, ridículo).

    Leandro, meus parabéns pelo artigo. Eu até te pagaria para fazer uma palestra, se pudesse. No cenário político atual, caso a Dilma saia e fique o Temer, dá pra esperar uma reforma monetária? E a futura crise a explodir nos EUA poderia fazer o real se valorizar ainda mais?
  • Bob Sharp  28/08/2016 01:04
    Exato. Alguns dos grandes grupos estão aqui, mas as maiores marcas não.

    Cadê os Bentleys? Os Bugatti? Os Lamborghinis? Os Porsches? Os Škodas? Os SEATs? Os Opels? Os Cadillacs? Os Buicks? Os Holdens? Os Vauxhalls? Os Daihatsus? Os Lincolns? Os Datsuns? Os Alfa Romeos? Os Dodges? Os Lancias? Os Maserattis? Os Lexus? Os Smarts? Todos esses deveriam ter importação liberada imediatamente.
  • Henrique Valadares  29/08/2016 14:14
    Em relação ao alto custo de moradias ninguém consegue explicar, não é mesmo?
    Vocês são seletivos em relação àquilo que querem/podem ou não defender!

    Não consigo entender como alguém defende um sistema econômico que privilegia os poderosos em detrimento dos mais pobres! Vocês deveriam se envergonhar!
  • Leandro  29/08/2016 15:00
    Como assim ninguém consegue explicar o alto custo das moradias? Você chegou agora a este site, certo? (Seja bem-vindo). Há uma variedade de artigos explicando o alto preço das moradias.

    Mas já darei aqui uma canja para você.

    Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias?

    Mesmo com a SELIC a 14,25% ao ano, o Banco do Brasil está oferecendo empréstimos para a aquisição de imóveis a juros de 7,08% ao ano, uma taxa menor do que a inflação de preços. Já a Caixa Econômica Federal cobra 7,43% ao ano.

    Um banquete para os especuladores imobiliários.

    Quanto mais crédito farto e barato (os empréstimos dos bancos estatais são baratos porque o Tesouro repassa dinheiro de impostos a esses bancos, o que permite que eles cobrem juros menores), maior a demanda artificial por imóveis. Logo, mais os preços sobem.

    Os ricos, por causa de sua menor propensão ao calote, têm acesso fácil a financiamento imobiliário barato e subsidiado pelo estado. Os preços sobem e, consequentemente, os pobres são empurrados para o "Minha Casa Minha Vida", um programa estatal criado exatamente para tentar remediar os efeitos inflacionários nos imóveis causados pela expansão do crédito estatal (ou seja, para tentar facilitar a aquisição de imóveis pelos mais pobres).

    O estado cria um programa (Minha Casa Minha Vida) para remediar os efeitos causados por outro programa (crédito barato de bancos estatais para a compra de imóveis, utilizado pelos mais ricos).

    O mercado imobiliário é, sem dúvidas, uma dos que mais sofre interferência estatal de todos os lados. E você vem dizer que não há explicação para o motivo de os preços só subirem?

    Aprenda o básico de economia antes de vir dizendo que todos têm a mesma ignorância econômica que você.

    Saudações e seja muito bem-vindo ao site.
  • Henrique Valadares  30/08/2016 13:26
    É, você me deixou sem argumentos. Mas sugiro que seja menos arrogante, assim conseguirá convencer mais pessoas a analisarem essas questões à partir do ponto de vista liberal. Vou dar uma olhada em outros artigos do site, sou uma pessoa muito flexível, gosto de analisar todos os lados. Ser arrogante e sarcástico passa a imagem de fanatismo, ninguém se importa com a opinião dos fanáticos, pois, eles só veem o próprio lado. Então essa é minha sugestão: Mude sua postura!
  • Impaciente  30/08/2016 13:47
    "Mas sugiro que seja menos arrogante" [...] "Ser arrogante e sarcástico passa a imagem de fanatismo" [...] ""Então essa é minha sugestão: Mude sua postura!"

    Como é que é?! Eu realmente estou lendo isso?

    Olhe as coisas que você escreveu: "ninguém consegue explicar, não é mesmo? Vocês são seletivos em relação àquilo que querem/podem ou não defender!" [...] "[vocês] defendem um sistema econômico que privilegia os poderosos em detrimento dos mais pobres" [...] "Vocês deveriam se envergonhar!"

    Você chega aqui, do nada, dizendo essas cretinices -- apenas para, logo em seguida, confessar que não tem como refutar o que foi dito -- e ainda fala que são os outros que têm de mudar a postura?!

    Entendi. Você quer ter o direito de xingar, ironizar e demonstrar ignorância olímpica sem ser respondido à altura. Típico de uma geração mimada. Acha que só tem direitos e nenhum dever. Não apenas quer xingar e maltratar impunemente, como ainda quer receber um cafuné em troca.

    Quer ser bem tratado, cidadão? Pois então trate bem. Comece, por exemplo, fazendo perguntas humildes em vez de afirmações e acusações insultuosas. Seja educado e você receberá a mesma cortesia.

    No mais, todas as suas agressões e calúnias foram educadamente respondidas, com fatos, dados e teorias (ao ponto de você próprio confessar que não tem como refutar o que foi dito). Logo, em vez de reclamar que foi "maltratado", deveria ao menos agradecer pelas informações que recebeu. Foram de graça. Você não terá essa mesma cortesia em outros lugares.
  • Douglas Silva  07/09/2016 22:37
    noticias.r7.com/economia/queda-no-preco-dos-imoveis-deve-ir-ate-2017-veja-qual-melhor-momento-para-comprar-e-vender-08052016

    Leandro ou alguém que entenda do assunto. Essa análise está correta?
  • Leandro  08/09/2016 15:50
    Em linhas gerais, sim, embora erre o início da data da atual contração (começou em 2012 e não em 2014).
  • antonio estevão  16/01/2017 15:10
    desculpe mas esta palavra " burgueses " que voce usou já desqualificou seu comentário na minha opinião , demonstra um "ranso" socialista que impede uma discussão de alto nível
  • Martinez  26/08/2016 14:19
    Sem mudança em sua constituição não haverá melhoria:

    Artículo 60.- Pluralismo Económico
    El Estado reconoce el pluralismo económico. La economía nacional se sustenta en la coexistencia de diversas formas de propiedad y de empresa.

    Artículo 61.- Libre competencia
    El Estado facilita y vigila la libre competencia. Combate toda práctica que la limite y el abuso de posiciones dominantes o monopólicas. Ninguna ley ni concertación puede autorizar ni establecer monopolios.

    Artículo 64.- Tenencia y disposición de moneda extranjera
    El Estado garantiza la libre tenencia y disposición de moneda extranjera.

    Alguns trechos que permitem que o Peru tenha relativo sucesso econômico na região: garantia de liberdade econômica, estado proibido de estabelecer monopólios e livre circulação de moeda estrangeira.
  • JOSE F F OLIVEIRA  26/08/2016 14:19
    Totalmente ELUCIDADO o caso[22 anos de Real] do "LIVRE MERCADO" que existe de fato, porém IGNORAM de Direito.Mais um para calar os retrógrados.Parabéns.Leandro, uma "Cópia Xerocada", Jun/1994 = R$ 0,03, hoje [Ago/2016] = R$ 0,05.
  • Leandro  26/08/2016 14:26
    Boa lembrança.

    Eu me lembro vivamente, ainda em 2004, de receber uma corrente de email em que as pessoas comparavam a evolução dos preços de vários produtos, e mostravam que o preço do Xerox estava completamente estagnado. E aí as pessoas perguntavam: "Como vive o xerocador? Qual a mágica?"

    Mercado concorrencial é outra coisa.
  • Tannhauser  26/08/2016 14:51
    Isso está acabando com a indústria de xerox. É uma indústria que dá muito emprego, pois geralmente, para cada máquina de xerox, existe um operador.

    Aguardando a solução do Economista da Unicamp.

  • Berry  28/08/2016 07:16
    Não duvide se o economista da Unicamp vier aqui dizer que o preço da Xerox só se manteve baixo devido ao desmatamento da Amazônia pelos imperialistas, e ao mesmo tempo propor imposto de 500% nas cópias para "combater o Aquecimento Global".
  • Giovanni Antonielli  26/08/2016 14:35
    Como eu queria que todos tivessem conhecimento desse site, e lessem ao menos alguns artigos. É impossível sair daqui com a mesma mentalidade. Parabéns Leandro, vocês do IMB me dão esperança de ver um Brasil melhor!
  • Leandro  26/08/2016 14:48
    Pô... li rapidamente seu nome, confundi o gênero e fiquei extasiado. Aí li de novo e o êxtase deu lugar à melancolia. Mas já estou bem...

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Mais Mises...  29/08/2016 12:57
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Rindo alto aqui!
  • André  26/08/2016 14:47
    Precisamos reunir recursos para fazer um vídeo informativo para veicular artigos como estes para acordar o povo sobre como o governo é o problema e não a solução.
    Parabéns Leandro pelo conteúdo, achava que não pudesse melhorar, aliás, com quem você está concorrendo para melhorar a cada dia?

    Abraço.
  • Leandro  26/08/2016 14:57
    Imerecidas palavras, nobre André. Obrigado pelo reconhecimento ao nosso esforço.

    Abraço!
  • Tannhauser  26/08/2016 14:57
    Tem cara com um canal no Youtube "Ideias Radicais" que está veiculando ensinamentos da Escola Austríaca.

    Ele está indo até bem, mas talvez deveria planejar melhor as pautas e argumentos dos videos (ou editar melhor).

    Comparando com o Canal do Pirula (formato semelhante), vejo que ele ainda tem muito o que avançar.

  • Pedro  26/08/2016 15:36
    Ele é tão prolixo quanto o Pirula, entretanto defende o lado de cá, ao menos.
    Esses vídeos rápidos e mais animados feitos pelos americanos são os melhores. Nada cansativo, interessante e ótimo pro público leigo. Alguns deles são divulgados pelo canal Libertarianismo.
  • Rafael  26/08/2016 16:01
    Tem agora essa "Roth Girl" também. Não cheguei a ver os vídeos.

    https://www.youtube.com/channel/UCbON19PsKqlrYHSr2qjxHcQ/videos
  • Kleber  26/08/2016 16:24
    Canal americano, vídeos de cerca de 5 minutos, muito didáticos:
    www.youtube.com/user/PragerUniversity
  • André  26/08/2016 16:24
    Acompanho este canal e inclusive dou bastante ajuda nos comentários, incluindo links para os artigos aqui do site.
    Falta bastante estrutura e articulismo, mas dado o deserto intelectual que é a internet brasileira, é um ótimo canal.
    Não me expressei direito mas alguém aqui foi muito mais sagaz, realmente pensei em vídeos de animação curtos de 1 ou 2 minutos com linguagem simples para os leigos mesmo.
    Quando as pessoas falam sobre a crise, os preços altos de tudo e menciono de maneira bem grosseira que o governo não para de imprimir dinheiro, as pessoas se vêem completamente impactadas, como algo nunca pensado, ficam perguntando se isso é possível ou porque o governo faria isso com elas, tratar o governo como vilão é transgredir todos os paradigmas que a nossa população carrega.
  • Gustavo de Sousa  26/08/2016 14:59
    126 anos de república já somam mais de 6,5 trilhões de % em inflação. Os cálculos estão na internet. Pesquisem. Os 67 anos de império tivemos uma média anual de 1,58% de inflação dando inflação de 286% em 67 anos. O poder moderador de Dom Pedro II recebia 67 contos de réis por mês durante 49 anos e sem aumentos. Com esse dinheiro ele doava a metade para pagar os estudos de 409 brasileiros durante esses 49 anos de segundo reinado. Durante os 6 anos da guerra do Paraguai Dom Pedro II doava outros 25% para custos de guerra. Da-lhe império do Brasil único governo que deu certo por aqui. A república falhou em tentar ser melhor do que o império do Brasil. Vote na enquete. www.enquetes.com.br/popenquete.asp?id=1115336
  • Leandro  26/08/2016 15:06
    Perfeito. E com um histórico secular de destruição da moeda como este, como as pessoas podem sonhar com "empréstimos a juros baixos"?
  • Matheus  26/08/2016 15:25
    Esse artigo tem um problema que comumente vejo em outros: compara os preços de um grupo em que predomina serviços com outro em que predomina produtos. Em geral, é mais fácil reduzir (ou não aumentar tanto )o preço de um produto do que de um serviço. E essa diferença tende a ser ainda maior se for um produto tecnológico, como os eletrônicos. Ainda que preços de serviços não controlados, como corte de cabelo, lanternagem tenham subido menos dos que os serviços controlados pelo governo, a diferença entre eles não é tão grande do que quando se compara o preço de um serviço estatal como o Sedex com uma celular.
  • Leandro  26/08/2016 15:34
    "compara os preços de um grupo em que predomina serviços com outro em que predomina produtos. "

    Na verdade, a separação foi feita exatamente para evitar ao máximo isso.

    Só que separar completamente bens de serviços é virtualmente impossível por causa da maneira como o IBGE e Banco Central divulgam os dados. O máximo possível da separação foi feito. Não teria como, por exemplo, eu fazer um gráfico mostrando a evolução apenas de televisores e outro mostrando apenas a evolução de cortes de cabelo. Tais itens não são divulgados separadamente em forma de Excel. Nada posso fazer quanto a isso. Não é culpa minha.

    Veja aqui nas páginas 13, 14 e 15 como os itens são agregados em grupos.

    ftp://ftp.ibge.gov.br/Precos_Indices_de_Precos_ao_Consumidor/IPCA/Fasciculo_Indicadores_IBGE/ipca-inpc_201607caderno.pdf

    São os grupos que são divulgados nas séries históricas, e não os itens. Logo, não há como eu fazer gráficos para cada item separadamente. De novo, não me culpe por isso.

    "Em geral, é mais fácil reduzir (ou não aumentar tanto )o preço de um produto do que de um serviço."

    Correto. Mas você pode comparar serviços regulados pelo governo com serviços regulados pelo mercado. E isso foi feito ao máximo possível dentro do permitido pelas restrições operacionais citadas acima (leia-se: a maneira como os dados são divulgados em Excel, com grupos e não itens).

    Quanto aos bens -- que majoritariamente são "artigos de residência" e "vestuário" -- estes foram analisados separadamente.

    "E essa diferença tende a ser ainda maior se for um produto tecnológico, como os eletrônicos."

    Correto. Mas produtos tecnológicos não foram comparados separadamente com nada. E nem teria como, pois, pela terceira vez, o BACEN não divulga essa estatística separadamente.

    Entendo perfeitamente seu ponto, mas seu pedido é uma impossibilidade prática. Os dados de cada item não são divulgados separadamente.

    "Ainda que preços de serviços não controlados, como corte de cabelo, lanternagem tenham subido menos dos que os serviços controlados pelo governo"

    É exatamente esse o ponto.

    "a diferença entre eles não é tão grande do que quando se compara o preço de um serviço estatal como o Sedex com uma celular."

    Sedex é serviço estatal. Chamadas telefônicas são um serviço com preço controlado pelo governo. Já um aparelho de telefone celular é um bem de preço livre. Não entendi a metáfora.
  • Jorge Guimarães  26/08/2016 15:52
    Matheus, você dá a entender que os preços controlados pelo estado subiram mais porque são majoritariamente serviços e, como você diz, "em geral, é mais fácil reduzir (ou não aumentar tanto) o preço de um produto do que de um serviço."

    Só que os itens que têm maior peso entre os regulados são gasolina e energia elétrica. E ambos podem ser considerados produtos, pois realmente tem de ser criados, fabricados e distribuídos. Serviços geralmente não envolvem a manufatura de algo tangível.

    Gasolina e energia elétrica são itens de livre oferta e precificação em vários países do mundo. São produtos com preços livres. E seus preços desabaram lá fora. Aqui não.
  • PepePoA  26/08/2016 18:59
    Um economista americano a pouco divulgou um estudo onde ele avalia a carestia de produtos/serviços americanos entre 1996 a 2006. "Coisas que realmente precisamos estão ficando mais caras enquanto outras superficiais estão mais baratas" basicamente essa foi a chamada da matéria nos veículos da mídia por lá.

    Segundo o próprio autor do estudo o motivo é claro:

    "International, global competition lowers prices directly from lower-cost imported goods, and indirectly by forcing U.S. manufacturers to behave more competitively, with lower prices, higher quality, better service, et cetera,
    .
    .
    .
    Prices rise when [health care and college] markets are not competitive and not exposed to global competition ... and prices rise when easy credit is available."

    https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2016/08/17/the-stuff-we-really-need-is-getting-more-expensive-other-stuff-is-getting-cheaper/
  • Leandro  26/08/2016 19:29
    O gráfico dele é excelente. Pena que ele não fez uma interpretação profunda, embora tenha entendido o básico. O certo seria ele dizer: produtos de luxo (regulados pelo mercado) estão cada vez mais baratos ao passo que coisas básicas como serviços de saúde (regulados pelo governo) estão cada vez mais caros.

    O gráfico dele diz tudo.

    "College" (universidade e faculdade) é subsidiada pelo governo americano em moldes idênticos ao FIES, criando uma clientela "cativa e garantida" (como bem disse um leitor ali em cima) para as instituições.

    O setor de "textbook" -- livros universitários -- é totalmente regulado pelas leis de copyright e, assim como as universidades, pode contar com compradores cativos e compulsórios.

    "Childcare" é, disparado, uma das indústrias mais reguladas do país. Não é qualquer um que pode entrar.

    Por outro lado, nos EUA, software, wireless service, toys e TVs existem em um mercado totalmente concorrencial. Lá, os preços dessas coisas -- como mostra o gráfico -- estão em deflação.

    Isso é incrível.
  • CIRO GOMES 2018  26/08/2016 15:02
    Não é provocação nem nada mas qual pais adotou a Escola Austriaca? Keynesianismo foi implantado em quase todos os paises desenvolvidos do mundo. Da Alemanha a Noruega e a Escola Austriaca? Somalia? EUA antes de FED?
  • Renan Merlin  26/08/2016 18:52
    https://www.youtube.com/watch?v=pE9Qh9mvmLc
  • Respondedor  05/01/2017 06:00
    Foi implantado e pelo visto não vem dando muito certo
  • Willian  26/08/2016 15:02
    Magistral! Um texto perfeito, sem qualquer tipo de ressalva. Creio que cabe a nós espalharmos o link desta matéria por aí, o povo em geral é muito ignorante em relação à atuação do Estado. As pessoas que não buscaram esta informação realmente creem que o Estado é necessário, e olha que estou falando de pessoas não tão alienadas assim, relativamente esclarecidas. Mas é aquela coisa... uma mentira contada milhões de vezes por décadas e décadas acaba se tornando uma verdade para as massas.
  • Bruno  26/08/2016 15:04
    Que bela aula. Economia me parece ser a área em que mais se confunde causa e consequência. Li um texto outro dia em que o autor falava que as jornadas de trabalho mais elevadas em países mais pobres seriam a causa da pobreza, uma vez que as pessoas não teriam tempo para se instruir. Quer dizer, troco-se a consequência pela causa: exatamente porque o país é pobre e as pessoas menos instruídas é que a jornada de trabalho é alta.
    Com a inflação é a mesma coisa: sua causa é o aumento de preços. Nunca a expansão monetária indevida.
  • PepePoA  26/08/2016 15:37
    Pagaria ingresso para assistir um debate entre Leandro e Ciro Gomes!

    Parabéns meu caro.
  • Rodrigo  26/08/2016 15:42
    Isso sim seria uma perfeita perda de tempo no espaço. o que se ganha ao debater com político? Seus apoiadores não irão mudar de lado. Seus críticos não irão se bandear para o lado dele. Os leigos ficarão na mesma, pois nada sabem do que está acontecendo. Sugiro ao pessoal do site gastar tempo fazendo coisas realmente produtivas.
  • Renan Merlin  26/08/2016 16:50
    Por falar nisso, Leandro tem um keynesiano que desafiou a qualquer um provar aonde o "Neo Liberalismo" deu certo. Desafia lá com seu conhecimento. Se eu tivesse metade do seu conhecimento eu o faria.

    https://www.youtube.com/channel/UCuH0A3zkXsQl4jcn_8Ybkng
  • Leandro  26/08/2016 17:38
    Neoliberalismo?! Isso é indefensável. Nada temos a ver com essa estrovenga. Mises foi um consistente defensor do laissez-faire, que nada tem a ver com os intervencionismos propagados pelo neoliberalismo, os quais são insustentáveis e levam a desarranjos graves.

    Um resumo honesto, e ao mesmo tempo completo, sobre o que é neoliberalismo (mistura de social-democracia, keynesianismo e alguma liberdade de mercado em termos estritamente microeconômico) já foi feito nestes dois artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=920
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1775
  • Renan Merlin  26/08/2016 18:13
    Sim, mas pros Keynesianos todo mundo é "neo liberal" dos Anarco Capitalistas aos defensores da escola de chicago. Alias pra eles ate sarney era "neo liberal"
  • Douglas  27/08/2016 21:33
    Se bobear, até Getúlio Vargas e os Militares eram neo-liberais.
  • Miguel Taffarel  26/08/2016 15:46
    Sempre lembrando que "setores livres" devem vir entre aspas, pois ainda assim sofrem uma absurda tributação, um gasto altíssimo com burocracia e diversas exigências do setor público. Acho que a classificação deveria ser "setores um pouco mais livres".
  • Edu Jatahy   26/08/2016 15:54
    Nada como um pouco de realidade para destroçar as teorias intervencionistas..
  • Poor man  26/08/2016 15:58
    Está vida é marcada de cruzes. Cara como o Brasileiro sofreu com essa desvalorização do real.
    Enquanto os funças com essa desvalorização conseguiram compensar com o salario alto, Mas imagine que não era funcionário publico e tinha que sobreviver com salário minimo?

    Será que funcionário publico não tem consciência pesada?

  • Servidor Federal  26/08/2016 16:16
    Você tem é inveja dos servidores, certamente tem muitos concursos para você ser aprovado e sanar sua inveja.
    Nossos gestores não conseguiram administrar corretamente a nação e todos perdemos poder de compra, governo não tem todo este poder sobre a economia que tanto reclamam os austríacos.
    Não há motivo de consciência pesada, faço meu trabalho dignamente todos os dias como qualquer "funça" aprovado em processo seletivo.
  • Tim  26/08/2016 16:59
    "Você tem é inveja dos servidores, certamente tem muitos concursos para você ser aprovado e sanar sua inveja"


    Não há como ter "inveja" de parasitas.
  • Cidadão espoliado  26/08/2016 17:02
    "Nossos "gestores" falharam em administrar a nação;
    o governo não tem todo esse poder que os austríacos dizem ter."


    Claro sinal de dissonância cognitiva ou mau-caratismo do funça federal.
  • Andre  26/08/2016 16:28
    Duvido que sintam peso, muitos frequentam este site e até comentam para defender a bizarra combinação do funça liberal.
    Só neste país para misturarmos água e óleo ideológicos.
  • anônimo  26/08/2016 18:21
    E o pior é ver os parasitas chamando os melhores pra fazer o mesmo que eles. Meus caros parasitas, tem pessoas estudando métodos computacionais de resolver equações diferenciais, desenvolvimento de software para tempo real aplicado a controle de processos, prospecção de petróleo, simulação de dinâmica de fluidos aplicado a aeronáutica, engenharia financeira aplicado ao risco de crédito, modelagem de sistemas ambientais para previsão do tempo, desenvolvimento de novos materiais, arqueologia e evolução aplicado a nutrição.... e vem você, um parasita carimbador de papéis, que desistiu da própria vida, convidar essas pessoas pra serem iguais a você? Sinceramente, você não tem receio de que elas aceitem o convite?
  • Servidor Federal  26/08/2016 22:29
    A administração da economia está majoritariamente focada em fornecer os serviços públicos que a população demanda, o poder emana do povo, e a maioria emanou que deseja redistribuir a renda disponível atualmente, os candidatos prometendo mais produção não obtiveram sucesso em vencer o pleito.
    Os austríacos reclamam tanto do resultado da gestão do país mas não moveram uma única palha política para propor suas idéias por meios oficiais.
    Se o mercado e as pessoas são tão capazes e racionais por que afinal elegeram estes gestores ruins? Queriam o que estes prometeram, e não falo da Dilma 2014, e sim de tudo que foi prometido e entregue desde a redemocratização.
  • Poor man  27/08/2016 18:25
    Que estranho, eu nunca demandei que um parasita como você interferisse na economia, desvalorizasse o real, e praticasse o roubo chamado imposto. Alias eu e ninguém pediu pelo seus serviços, que alias são impostos a força.

    O consentimento da maioria, é um falácia para justificar o roubo institucionalizado. Recomendo que leia:

    O contrato social e o consentimento do governado
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1043

    Quando foi que você e eu assinamos o tal 'contrato social'?
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1377


    Eu pessoalmente acredito que você não irá ler, porque você é o pior tipo de parasita, é o parasita canalha, que sabe como funciona o sistema, que sabe que existe exploração do homem, mas mesmo assim quer fazer parte. Portanto a única coisa que tenho a dizer, é que você não ira pagar nesta vida, mas irá pagar pela eternidade um dia.

    A sua consciência depõe contra ti.
  • Max Rockatansky  27/08/2016 21:48
    "A administração da economia está majoritariamente focada em fornecer os serviços públicos que a população demanda"

    Essa frase mostra o quanto vc é ignorante.

    "Serviços públicos" não atendem as preferências dos consumidores. São imposições baseadas na força e na violência institucionalizada.
  • Bolsista  30/08/2016 23:12
    É verdade, não entendo como os funças conseguem ficar tentando se justificar. Eu mesmo sou bolsista de doutorado (e infelizmente planejei minha vida para ser funça e agora me falta coragem para começar um novo caminho) e me sinto muito mal por isso. Tenho muito peso na consciência por receber R$ 2.200 por mês, que foram gerados a partir do empobrecimento da população, sem fazer nada por merecer. Não existe desculpa, nem justificativa, mas nesse mundo ou você ganha ou você paga o pato e eu por egoísmo, medo, preguiça e falta de vergonha na cara estou no primeiro grupo. Fica aí meu pedido de desculpas e minha admiração pelas pessoas que conseguem gerar valor mesmo com todos os incentivos de ordem contrária.
  • Renan Merlin  26/08/2016 18:35
    Esse é um otimo argumento pros politicos usarem contra quem se revolta das suas mordomias "INVEJA"
  • Renan Merlin  26/08/2016 18:41
    Esse será o futuro ministro da econômia.

    https://www.youtube.com/watch?v=pE9Qh9mvmLc
  • Pós-Doutorando na Unicamp  26/08/2016 16:10
    O que interessa é que o petróleo é NOSSO!!! Pago pra Petrobras com muito amor e emoção!!!
  • Baroni  26/08/2016 16:52
    Parabéns Leandro! Você faz um trabalho de divulgação primoroso e muito importante, continue nos brindando com seus artigos.
    Aproveito pra fazer uma pergunta: A quantidade de moeda na economia, como tem evoluído desde a criação do Real? Existe alguma fonte onde possa consultar essa informação?
    Obrigado e parabéns novamente.
  • Leandro  26/08/2016 17:39
    Está ali no terceiro parágrafo da "Conclusão". Colo aqui de novo o link:

    https://s10.postimg.io/nr5cc1fkp/image.png

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Pobre Paulista  26/08/2016 17:58
    É impossível ver um gráfico desses e dormir tranquilo.

    Excelente texto, Leandro, como sempre.

  • Leandro  26/08/2016 18:50
  • Rogério Galhardo  26/08/2016 16:54
    Outro adendo interessante é a questão das mensalidades das faculdades privadas. Depois que o governo inventou o FIES -- que na prática representa uma clientela crescente, cativa e garantida para as faculdades -- as mensalidades explodiram.

    Outro exemplo de preços livres inflacionados por uma atuação estatal (subsídios).
  • Conservador  26/08/2016 17:09
    Excelente artigo. Muito didático.
  • Paulo Bostermann de Carvalho  26/08/2016 17:36
    qual o efeito do prouni e fies nas mensalidades das universidades particulares? já foi feito algum artigo aqui sobre isso?
  • Rogério Galhardo  26/08/2016 17:43
    Eu nem sabia que havia algum estudo sobre isso, apenas usei a lógica econômica. Se o governo subsidia o consumo de algo, então obviamente o preço desse algo vai aumentar. Lógica pura e dura.

    Aí, logo na primeira googlada, já vejo isso:

    Faculdades que recebem recursos do Fies reajustam preços acima da inflação

    Ó, que coisa que inesperada...
  • ANDRE LUIS  26/08/2016 18:00
    Leandro sei que vc deve estar acompanhando o questionamento dos senadores ao senhor Belluzzo no processo de impeachment. Ele acaba de dizer que Banco público emprestar para o governo não é operação de crédito. Seria esta apenas uma relação entre bancos e mutuários, arrancando efusivos aplausos da senadora ultra esquerdista Kátia Abreu.
  • Leandro  26/08/2016 18:09
    Pior que não estou. Ver Belluzzo após o almoço não me parece ser exatamente uma ideia auspiciosa.

    Em todo caso, e sempre aproveitando a deixa:

    Explicando as pedaladas fiscais: por que são crime e por que prejudicaram exatamente os mais pobres

  • Economista da UNICAMP  26/08/2016 18:27
    Belluzzo foi magnânimo mais uma vez, orgulho da UNICAMP. Uma pena não ter sido aluno dele.

    Gostei da ênfase dele em relação a queda de investimentos do governo. Nenhuma economia resiste a um corte insano de 30%.
  • Gustavo  26/08/2016 18:15
    Leandro, qual o seu contra-argumento em relação á teoria keynesiana de "desemprego friccional e voluntário"? Segunda esta teoria, a livre oscilação dos salários nominais em períodos de recessão desestimula os trabalhadores à procurar emprego.

    Segundo Keynes, salários nominais em queda significam queda no consumo, já salários REAIS em queda não possuem o mesmo efeito "psicológico". O argumento dele é de que, se salários reais em queda fossem algo ruim, as pessoas iriam pedir demissão ou parar de procurar trabalho com a alta dos preços de mercadorias. Porém não é isso o que vemos.

    Qual é a visão austríaca para contrapor isso? Houve de fato esse fenômeno de desemprego voluntário nas crises do início do século?

    E parabéns pelo artigo, seus textos são todos sensacionais!
  • Leandro  26/08/2016 18:49
    "Segundo Keynes, salários nominais em queda significam queda no consumo, já salários REAIS em queda não possuem o mesmo efeito "psicológico". O argumento dele é de que, se salários reais em queda fossem algo ruim, as pessoas iriam pedir demissão ou parar de procurar trabalho com a alta dos preços de mercadorias. Porém não é isso o que vemos."

    Exato. Você próprio acabou de responder: não é isso o que vemos.

    Aliás, vemos exatamente o contrário: tão logo os salários reais desabaram, um contingente de pessoas que até então não estava procurando emprego rapidamente voltou ao mercado, desesperadas, pois as contas não mais estavam fechando.

    Francamente, que teoria é essa que diz que, quanto mais o custo de vida aumenta, menos as pessoas querem procurar emprego? O que se observa é exatamente o contrário.

    "Qual é a visão austríaca para contrapor isso? Houve de fato esse fenômeno de desemprego voluntário nas crises do início do século?"

    No século XIX e início do século XX, só ficava desempregado quem queria. Fornecer emprego era algo extremamente simples e desburocratizado. Não havia ameaça de Justiça do Trabalho e a pessoa empregada era extremamente grata e tinha uma forte ética do trabalho. Naquela época, realmente, todo o desemprego era voluntário. Hoje, com o estado interferindo em todas as negociações e estipulando regras sádicas a empregadores, o desemprego se tornou involuntário.

    Isso foi comentado na primeira metade deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=487

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Anderson  26/08/2016 21:32
    Leandro,

    O fato das universidades americanas terem anuidades caríssimas tem haver com os emprestimos subsidiados estudantis? E por que as faculdades não aumentam as vagas?
  • Intruso  26/08/2016 21:53
    Claro. Essa, inclusive, é uma das mais recorrentes pautas dos libertários americanos: além de as mensalidades estarem subindo, os estudantes ficam endividados para a vida toda em troca de um diploma que não terá serventia para nada.

    Peter Schiff vive falando sobre isso.

    Sobre abrir mais vagas, não é exatamente tão simples assim. Não dá pra entulhar 100 alunos numa sala de aula, ou criar mais horários de aula para um mesmo professor. A qualidade sempre cai quando se sai aumentando vagas atabalhoadamente. E, por lá, ainda se dá valor a uma boa universidade.

    No mais, aumento de preços é uma resposta perfeitamente lógica a um aumento da demanda.
  • Anderson  26/08/2016 21:39
    E a teoria do "exército de reserva" onde foi que acharam isso? Além disso a expulsão dos camponeses de suas terras na Inglaterra com os cercamentos para trabalhar na indústria de certo modo não foi um movimento forçado e que prejudicou os trabalhadores?
  • Anderson  26/08/2016 23:40
    Não fala dos Cercamentos mas explica como a industrialização ajudou a absorver a mão de obra ociosa e melhorou suas condiçãões em relação à anterior. Obrigado
  • Economista da UNICAMP  26/08/2016 18:22
    Tudo culpa da indexação.

    Malgrado do esforço do ''Larida'', essa doença chamada inflação inercial segue resiliente. Daí o motivo dos preços regulados pelo governo subirem tanto.

    Mas podem ficar tranquilos que o grandioso Bresser está trabalhando em um PL que proíbe que o Estado brasileiro assine ou renove contratos com cláusula de indexação.

    Eu seria mais radical: proporia um choque heterodoxo com o congelamento de preços muito sensíveis à inflação inercial.
  • Wesley  26/08/2016 21:35
    Isso já foi feito na decada de 80 e 90 e nao resolveu nada. Além do mais os preços devem ser livres e o vendedor pode colocar seus produtos ao preço que eles quiserem. Controlar preços é antidemocrático e fere a liberdade dos vendedores. O que não pode é proibir as pessoas de comprar produtos importados. Isso é um autoritarismo que ainda prevalece e tem que acabar.
  • Economista da UNICAMP  26/08/2016 23:04
    O problema é que o congelamento de preços dos sucessivos planos econômicos nos anos 80 e 90 era o ''carro-chefe'' dos planos, ao invés de ser apenas um acessório.

    De nada adianta congelar os preços se não houver reformas fiscais para reduzir o déficit público. Só que como no caso do Plano Bresser, o governo não tinha força política para aprovar tais reformas, então só restava tomar medidas paliativas para segurar a inflação inercial.

    O próprio Plano Real teve um certo congelamento informal por trás dos bastidores nos preços que mais vigiados pela mídia e a população.
  • anônimo  27/08/2016 02:35
    E ainda continuam mordendo...
  • Wesley  27/08/2016 06:33
    Congelar preços não deu certo em lugar nenhum do mundo. Cite um país que controlou a inflação congelando os preços. A Dilma congelou o preço dos combustíveis e deu no que deu. Portanto essa alternativa não resulta em nada de bom. Mesmo que desse certo, o grande problema do congelamento de preços é que ele é antidemocrático. Suponha que você é dono de um mercadinho qualquer que venda leite e o governo obrigue você a vender leite por dois reais. Se você vender mais do que isso o governo te prende e fecha seu mercadinho. Você acha que isso correto? Se sim, você acha que a ditadura é a melhor forma de governo. Porque num regime democrático o vendedor tem o direito de vender o produto ao preço que ele quiser e o consumidor tem o direito de comprar o produto de quem e de onde ele quiser. Portanto você tem que respeitar a liberdade das pessoas. E o Brasil é um país autoritário, já que o governo proíbe as pessoas de comprar produtos importados. O governo viola a liberdade das pessoas.

    O Real só deu certo porque ele tinha reservas em dólares como lastro. Além das reformas necessárias que o governo fez, ele se comprometeu a não imprimir indiscriminadamente os reais e eles ficaram numa quantidade que as reservas deram para cobrir. Se não tivesse reservas de dólares, ninguém confiaria no real e ele seria mais um plano como os anteriores. O congelamento que você citou não ocorreu, pois a economia brasileira foi toda dolarizada. Isso nada tem a ver com congelamento de preços.
  • Economista da UNICAMP  27/08/2016 20:42
    Cite um país que controlou a inflação congelando os preços.

    Hungria, Israel e Argentina

    ...Você acha que isso correto?

    O problema é que os empresários frequentemente ajustavam seus preços com base na inflação passada para ficarem na posição de pico, só que isso alimentava a inflação futura. Alguma hora essa ciranda tinha que acabar, né? Por isso o congelamento foi necessário, pelo menos até os preços relativos se ajustarem

    O congelamento que você citou não ocorreu, pois a economia brasileira foi toda dolarizada. Isso nada tem a ver com congelamento de preços.

    Não foi bem um congelamento, na verdade o que houve foi que alguns preços que interferiam diretamente na vida da população eram mais monitorados pela mídia e,logo, o governo pressionava os empresários para segurar esses preços.

    E não houve uma dolarização na economia brasileira, o que houve foi a utilização de um indexador(URV) que variava de acordo com o câmbio para sincronizar os preços relativos(as variações ocorreriam em períodos mais longos)

    De nada adianta só congelar os preços; tem que haver um choque heterodoxo.
  • Leandro  27/08/2016 21:34
    Embora seja ironia, vale aproveitar o gancho da parte realmente interessante:

    Alguns adeptos gostam de citar o caso de Israel, em que houve um controle de preços por alguns meses. Mas eles convenientemente se esquecem de dizer que o governo israelense:

    1) Reduziu os déficits;

    2) aboliu a capacidade do Banco Central de financiar diretamente o governo;

    3) o mais importante de tudo, adotou uma política de câmbio fixo (sem a qual nenhuma hiperinflação é domada).

    Nada de muito diferente do que foi feito no Plano Real.


    Já a Argentina só conseguiu aniquilar sua inflação quando adotou a Lei de Conversibildiade, que não adotou nenhum controle de preços. Tal medida foi descrita em detalhes neste artigo.

    Tão logo a abandonou, o país entrou em crise profunda e nunca mais teve inflação de um dígito.

    No mais, todas as políticas anteriores à Lei de Conversibilidade, que se baseavam apenas em congelar preços e cortar zeros da moeda, resultaram em convulsão social, com a inflação de preços chegando a singelos 20.000% em março de 1990.


    Sobre a Hungria, creio que você está falando da devastadora hiperinflação de 1946. Quase a mesma coisa. O Pengö foi substituído pelo Forint. O que também não adiantou muito, pois logo em seguida o país caiu sob domínio comunista e já não havia nada para comprar. A hiperinflação foi substituída por escassez e racionamento.

    Na transição do comunismo para a social-democracia atual, não houve controle de preços.
  • Wesley  28/08/2016 04:40
    "O problema é que os empresários frequentemente ajustavam seus preços com base na inflação passada para ficarem na posição de pico, só que isso alimentava a inflação futura. Alguma hora essa ciranda tinha que acabar, né? Por isso o congelamento foi necessário, pelo menos até os preços relativos se ajustarem"

    Pois é, mas os empresário podem colocar o preço que eles quiserem. O que não pode é proibir as pessoas de comprar produtos de outro lugar. Se os empresários querem corrigir os preços é problema deles, é só permitir o cidadão a comprar produtos importados para atender a demanda da população. Isso foi feito no Real em 94 e os empresários foram obrigados a baixar os preços. O problema é que depois o governo proibiu as importações novamente. Se há liberdade das pessoas de comprar de onde quiserem e os empresários de vender ao preço que quiserem, obviamente não há necessidade de congelamento de preços. Com o aumento da oferta e a concorrência os preços vão diminuindo. Nem precisa ser economista para entender a lei de oferta e demanda. Se você é economista e acha que isso não existe e que o governo tem que controlar os preços, não sei como você pode raciocinar dessa forma. Cabe aí uma análise psicológica.

    "Não foi bem um congelamento, na verdade o que houve foi que alguns preços que interferiam diretamente na vida da população eram mais monitorados pela mídia e,logo, o governo pressionava os empresários para segurar esses preços."

    A mídia e o governo sempre monitoraram os preços incluindo os planos anteriores. E não adiantou nada. O que adiantou foi que a mídia avisou sobre como seria a transição para o Real, fora isso não há nada que a mídia pode fazer.

    "E não houve uma dolarização na economia brasileira, o que houve foi a utilização de um indexador(URV) que variava de acordo com o câmbio para sincronizar os preços relativos(as variações ocorreriam em períodos mais longos)"

    Pois é, e a URV não é nada mais do que a cotação do dólar. Ou seja, todos os preços foram convertidos para o dólar. O que é na prática uma dolarização da economia. Esse termo URV é um chavão que usaram para não ofender os nacionalistas de plantão. Dizer oficialmente que estavam dolarizando a economia seria uma ofensa aos nacionalistas brasileiros, pois dá a entender que isso seria entreguismo.
  • Andre Cavalcante  26/08/2016 18:37
    Leandro,

    Parabéns por mais este artigo esclarecedor.

    Só me diz uma coisa: quando vc vai postar o que mais pensa: nas dezenas de elogios que, apesar de vc dizer imerecido, são sim bem merecidos, ou no trabalhão que vai ter em ler e responder? Afinal 60 mensagens em questão de horas não é pra qualquer um.
  • Leandro  26/08/2016 18:48
    Caríssimo Andre, essa é a melhor, mais recompensadora e mais revigorante parte do trabalho. É o que faz tudo valer a pena.

    Igualmente prazeroso é manter audiência de leitores antigos e frequentes como você, que nos acompanha desde 2011, e sempre com os melhores, mais perspicazes e mais percucientes comentários em cada artigo.

    Forte abraço e obrigado por tudo.
  • Matheus Penha  26/08/2016 20:16
    Que belíssimo artigo! Me reveso em ler artigos antigos e novos do IMB e encontro algumas obras primas, simples para qualquer leigo entender.


    Leandro, acompanhando os artigos vejo que estamos próximos de uma próxima grande crise mundial, dos títulos soberanos.

    Provavelmente, ouviremos do maisntream que a culpa foi do liberalismo novamente e a solução é mais controle estatal.

    O IMB ou outros órgãos do tipo estão preparados para a divulgação mais ampla da Escola Austríaca nesse período, para que se evidencie a importância dos ideais da EA no cenário econômico?

    A EA ainda é tratada como absurdo pelo mainstream. Em uma analogia barata, assim como pagar mais de R$ 10,00 em uma cerveja também era.

    O IMB conhece meios de divulgação mais ampla de suas ideias?

    Obrigado!
  • Leandro  26/08/2016 21:51
    Estamos majoritariamente no boca a boca. Temos os cursos de pós-graduação e nossas conferências. Não podemos fazer muito mais do que isso.

    Mas os artigos sobre o que está por vir estão aí:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2435
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2440
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2445
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2497
  • Rafael Andrade  26/08/2016 20:52
    Essa divisão entre preços livres e preços monitorados tem alguma função do ponto de vista didático e quando se quer falar sobre a inflação monetária (essa parte o autor fez muito bem).
    Mas do ponto de vista da acurácia quanto aos eventos econômicos, é de se questionar até mesmo a entidade que realizou o apuramento dos dados, pois:
    - Inexiste a divisão entre preços livres e preços monitorados. Pressupondo-se a existência do estado, todos os preços são monitorados. Uma vez que o estado é o monopolista da tributação e da justiça num dado território, todos os aspectos da vida são passíveis de regulações econômicas
    - Se esses preços foram levantados de forma "bruta" (indo lá nas prateleiras dos supermercados e anotando os preços dos produtos), talvez isso possa ser um equívoco, já que preços finais carregam consigo uma infinidade de informações que chega a ser quase antiético para o estatístico relacionar esses preços a alguns processos econômicos; os tais preços livres que foram separados dos outros só para fins didáticos são fortemente dependentes dos preços administrados; a carga tributária pode ter aumentado (e de fato aumentou); as regulações podem ter sido cada vez mais restritivas (o que pode tornar a situação ainda mais caótica); a produção de bens e serviços somado com o nível de poupança em termos absolutos podem ter aumentado numa velocidade mais ou menos igual à velocidade de expansão da base monetária (onde percebe-se aí um elemento deflacionista) etc
    Por outro lado eu também entendo que realizar uma mensuração de eventos econômicos com alguma fidelidade pode ser uma tarefa impossível, dado os inúmeros fatores incidentes.
    De modo que para mim esses indicadores todos têm muito mais uma finalidade didática do que de fiéis transmissores do momento econômico. Mas de forma alguma são menos importantes.
  • Leigo  26/08/2016 21:09
    Só uma duvida além do excelente artigo. O mercado de energia elétrica nos estados unidos é desregulamentado então?
  • Engenheiro Eletricista  26/08/2016 21:53
    Varia de estado para estado. Em alguns a precificação é livre; em outros, o governo estadual impõe diretrizes. E há uma enxurrada de regulações ambientais.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Electricity_sector_of_the_United_States

    Veja nas paginas 6 e 7 quais são os melhores e os piores estados em termos de regulação pesada.

    www.pacificresearch.org/fileadmin/documents/Studies/PDFs/2013-2015/50StatesEnergy_FirstFinalWeb.pdf

    Mas já foi bem pior. No início da década de 2000 houve uma cagada monstra na Califórnia. O governo estadual Califórnia impôs controles de preços -- obviamente, fixando-os abaixo dos preços de mercado --, o que limitou a lucratividade das companhias. Aí, quando os custos da energia aumentaram -- pois houve uma súbita onda de calor --, o congelamento de preços impediu que os produtores repassassem esse aumento aos consumidores.

    Além de ter impedido novos investimentos, esse congelamento de preços também desestimulou outras empresas de entrarem no mercado, o que ficou sem concorrência e sem oferta (pois os preços estavam congelados).

    Sobre o livre mercado de energia elétrica:

    O mito do monopólio natural

    Os primórdios do setor elétrico no Brasil - o mercado fornecia, o governo atrapalhava
  • Wesley  26/08/2016 21:43
    Leandro, parabéns pelo artigo. Tenho uma dúvida: Os juros altos praticados pelo BACEN não é uma forma de proteger o baronato brasileiro? Eles dizem que os juros altos servem para controlar inflação. Mas o problema da inflação é que a economia brasileira é cartelizada e protecionista, então a oferta de produtos é menor e a qualidade é ruim e o preço é alto. Se simplesmente abrisse a economia, qual seria a taxa de juros que poderia ser praticada? Supondo que ao invés da taxa atual, 8% seria o suficiente? Ao meu ver, os juros são altos porque esse é o preço que o governo impõe a sociedade para proteger o baronato da CNI. Se abrisse a economia os juros poderiam ser bem menores. Não sei se minha teoria está correta.
  • Leandro  26/08/2016 22:05
    Como dito e mostrado, considerando-se nosso histórico de aviltamento da moeda e o fato de que temos um governo que, em meio a uma economia pouco produtiva e de baixo PIB per capita, quer brincar de Escandinávia, simplesmente não há cenário para juro baixo.

    Veja bem: o Brasil é o único país do mundo ainda em desenvolvimento que tem um estado que gasta 40% do PIB. Para uma economia ainda pobre (em termos per capita) se dar ao luxo de ter um estado que gasta 40% do PIB (um nível europeu, que aliás também já está indo pra breca), há duas alternativas: ou a população é extremamente produtiva e aguenta bancar todos esses gastos em impostos (os escandinavos são produtivos; nós não) ou ele sai pedindo dinheiro emprestado a rodo (que é a alternativa que resta ao governo brasileiro).

    Não há mágica.

    O povo quer estado provendo tudo mas não quer as consequências disso.

    Agora junte na mesma equação: histórico de destruição da moeda, alta necessidade de financiamento, alto endividamento do governo, e algum risco de moratória (só na dívida externa já perdi as contas de quantas foram). Acrescente a isso tudo, obviamente, uma margem de lucro para se fazer o empréstimo.

    Como os juros podem ser baixos?

    Sim, podemos discutir se os juros do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito são agiotagem. Mas a SELIC é essa mesma. E, como explicado no artigo, esse valor de SELIC gera várias consequências negativas sobre os juros disponíveis para empréstimos para investimento e para consumo.

    Querer reduzir juros sem mexer no tamanho do estado é querer tentar colocar ovo em pé: qualquer interferência externa, tudo se desmancha. Vide a SELIC a 7,25% de Dilma.

    Mas, sim, você está corretíssimo quanto à abertura da economia, que ajudaria a mitigar essa destruição da moeda. Essa é uma das bandeiras deste Instituto.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • André  26/08/2016 22:49
    Leandro, aproveitando o gancho de povo com demandas escandinavas, produtividade indiana e governo gastador, e nossos vizinhos? Chile, Peru e Colômbia têm bom nível de liberdade econômica, 2 deles inflação baixa, juros de consumo são menores que aqui, crédito no cartão de crédito na Colômbia é coisa de 90% a.a., e os 3 endividamento público muito baixo, o que falta a eles para crescer mais?
  • Gold Currency  27/08/2016 00:21
    Leandro, já que citaram o Peru:

    E aquela história da auditoria da dívida que eles fizeram? Tudo não passou apenas do bom e velho calote?
  • Andre  27/08/2016 13:03
    Se não me engano foi o Equador que fez "auditoria" da dívida.
  • Wesley  27/08/2016 07:02
    Grato pela resposta. Então essa conversa de que tem que aumentar os juros para conter a inflação é em parte conversa fiada? Porque geralmente se fala isso na mídia. Mas o que penso é que para conter a inflação ao invés de aumentar os juros como diz na mídia, que liberassem a economia e as importações. Isso ajudaria muito em conter o aumento de preços e aumentaria consideravelmente nosso padrão de vida.

    Lembro que você disse que o melhor para nosso caso seria um Currency Board. Nesse caso com o Estado desse tamanho os juros seriam pornográficos como são mesmo com um CB? Eu pesquisei e vi que em 1999 quando houve a crise cambial e o Brasil pediu dinheiro emprestado ao FMI, os burocratas de lá recomendaram ao FHC que ele adotasse um CB como fez a Argentina. Ele chegou a considerar essa opção, mas devido a pressão política e dos empresários ele recuou e adotou esse tripé que existe atualmente.

    Sobre o tamanho do Estado, acho que foi baseado nas ideias delirantes dos intelectuais da esquerda em transformar o Brasil na Noruega sem antes enriquecer. É claro que reduzir o tamanho do Estado é impossível nessa altura do jogo, já que os funcionários públicos, políticos, empresários vivem do dinheiro dos outros têm um lobby poderosíssimo.

    A população mais pobre que sustenta essa gente não ganha nada em troca. Nenhum serviço público funciona e eles nada ganham com isso. Além do mais, não sei se você saberia responder: para onde vai todo esse dinheiro que deveriam ir para os serviços estatais? Se nada funciona os recursos são mal alocados e vão parar no bolso dessa gente que controla o país? A quantidade de dinheiro é astronômica e deve ir para algum lugar.

    Um abraço!
  • Outro Wesley  26/08/2016 22:20
    Engraçado, também já me fiz esta pergunta (para onde iriam os juros se não fossem controlados?)

    O Leandro vai te responder melhor, mas dou minha contribuição:

    A taxa de juros em uma economia é determinada predominantemente pela poupança disponível para novos investimentos. Quando as pessoas são muito voltadas para o consumo, a poupança disponível é baixa e consequentemente há menos oferta de fundos disponíveis para investimentos produtivos. Já quando as pessoas tem uma preferência temporal a poupar, e assim, adiar o consumo presente, sobram mais recursos, o que faz a taxa de juros tender a baixar.

    Creio que temos pouca poupança no Brasil frente aos investimentos. E por isso acredito que a taxa seria bem mais alta que a atual. A curva de juros inteira, aliás. Mas é só uma conjectura, gostaria até que o Leandro me confirmasse isso, se possível.

    Outro ponto importantíssimo é a alta concentração bancária que há no Brasil. Seguindo essa idéia de que os brasileiros não poupam, acrescente ainda a falta de concorrência entre as instituições bancárias e afins.

    Agora, se fosse legal o empréstimo entre pessoas físicas, a coisa seria um pouco diferente. (Só que isso atrapalharia o monopólio legal dos bancos, e sabemos bem como funciona o Estado.)

  • Paulo Bat  26/08/2016 23:46
    Excelente artigo

    Nos anos 80 e início dos anos 90 eu e minha família sofremos muito, primeiro com hiperinflação e depois a tentativa de segurar os preços via tabelamento de preços. O que vimos foi, de início, desabastecimento, até que um novo ciclo de aumentos hiperinflacionários vinha na sequência. E assim sucessivamente.

    Até que, finalmente, o Plano Real quebrou esta sequência. Mas, infelizmente, não quebrou totalmente. E, na época, já se falava que por o Plano Real não ter sido implantado totalmente devido ao poder político, no futuro ele iria quebrar.

    Leandro Roque, você sabe qual foi a parte do Plano Real que não foi implantada? Pergunto porque li sobre isto no final dos anos 90 mas não levei muito em conta.
  • Leandro  26/08/2016 23:57
    Além de não ter havido reforma fiscal, o arranjo de câmbio atrelado (não confundir com câmbio fixo) é inerentemente instável:

    Uma breve história do Plano Real, aos seus 18 anos

    Os três tipos de regimes cambiais existentes - e qual seria o mais adequado para o Brasil
  • Paulo Bat  27/08/2016 00:37
    Leandro Roque, grato por sua resposta e os links

    Agora, lhe pergunto uma coisa: como mudar este estado de coisas, com as ideias de uma economia liberal no Brasil? E, pergunto não como uma ideia, mas como algo factível.

    Digo isto porque eu mesmo, que me considero uma pessoa com um alto nível de conhecimento, já me enganei muito. Torci pelo Plano Cruzado, sem saber que a priori ele estava falido. Torci pelo sucesso do FHC, mas ele fez as privatizações num jogo de carta marcadas. Torci pelo Lula, porque ele iria acabar com a corrupção no Brasil, e deu no que deu. Assim como eu, a grande maioria dos brasileiros fez as mesmas apostas.

    Então, após conhecer as ideias do Mises, vi que há um caminho diferente que se pode seguir. Mas como implantar estas ideias no Brasil. Quem leu as notícias hoje sobre as próximas eleições viu que vai ser o mesmo do mesmo.
  • Servidor Federal  27/08/2016 14:47
    É exatamente essa questão que faço, não há emanação pelo povo por medidas liberalizantes, nenhum desses projetos é aprovado eleitoralmente, o povo quer serviços públicos ofertados pelo Estado e não comprá-los de um empresa, por mais que o segundo arranjo seja mais eficiente.
    Quando defendo que o Poder Público intervenha para proteger as pessoas os liberais dizem que as pessoas são inteligentes e podem decidir por elas mesmas o que é melhor, mas quando pergunto como um projeto liberalizante vai ser vencedor do pleito sendo que votaram 2X no Lula e 2X na Dilma disparam "as pessoas foram enganadas" mas que zerda de sabedoria liberal é essa que o sujeito é capaz de gerir sua vida por 70 anos ou mais, mas cai dezenas de vezes na lorota de um sindicalista e de uma mulher incapaz de juntar 3 palavras numa frase?
  • Aluno Austríaco  28/08/2016 13:27
    O povo quer mamatas, tetas, regalias, privilégios, etc. O povo merece essa crise !

    Quem apoia a destruição da economia e do livre mercado, merece serviços públicos sem qualidade, falta de atendimento, filas, etc.

    O governo é um alvo de lobbies, onde todo mundo quer tirar uma lasca.

    O povo brasileiro não quer ser uma Dinamarca. O povo quer ser uma Cuba democrática.

    Os sociais democratas brasileiros são todos ex-comunistas, ex-guerrilheiros, ex-terroristas, lobistas, bandidos, etc.

    O povo merece a inflação, a dívida pública, o desemprego, os 50 milhões de cadastros no Serasa, o dólar acima de 3 reais.

    A liberdade é o direito de não ser assaltado ! Ou então, o direito de ser menos assaltado !





  • Vinicius  28/08/2016 17:02
    Brasil é um país socialista caminhando para ser comunista, 2018 será o último ano disto aqui.
  • Lucas Braga  27/08/2016 01:24
    Duas palavras: Leandro Roque!
    Parabéns e obrigado por mais essa obra de arte.
  • Almir Nunes  27/08/2016 02:02
    Leandro,

    Excelente artigo, sempre que acesso esta pagina me deparo com muitos artigos interessantes, tanto do ponto de vista econômico quanto histórico. Agradeço a você e a todos que fazem parte deste conteúdo que nos leva a realidades do fatos do mundo e do nosso país.
    Mais uma vez, obrigado pelo texto extremamente esclarecedor sobre o nosso sistema monetário!
  • Leandro  27/08/2016 16:48
    Eu que agradeço as palavras, prezados Lucas Braga e Almir Nunes. Grande abraço!
  • Luis  27/08/2016 02:11
    Eu penso que com tarifas de importacoes baixas, quem quer produzir pode importar materia prima e maquinario a precos baixos e ser competitivo.
  • anônima das sextas  27/08/2016 02:17
    Nem preciso deixar meus parabéns por mais um ótimo artigo, Leandro "Rocks"! Os comentários aos seus artigos são os únicos que eu faço questão de transformar em PDF para usar em minhas pesquisas.

    Apesar de criar coragem para comentar por aqui só há alguns meses, já acompanho os artigos do Instituto há exatos 2 anos. Apesar das dificuldades, ler e entender as ideias da liberdade mudaram minha vida. Já comentei por aqui que virei a "liberchata" da família, mas é a disposição em debater certas ideias batidas com pessoas de cabeça mais aberta é que traz mais vontade de vir aqui e pegar mais textos para aprofundar meu nível de contra-argumentação. Obrigada!
  • Leandro  27/08/2016 16:53
    Anônima das sextas (que nome instigante), obrigado pelo depoimento e pela frequência. Por favor, comente mais.

    Grande abraço!
  • Rhyan  27/08/2016 09:15
    Bateu uma nostalgia. Eu fazendo perguntas idiotas nos belos artigos do Leandro Roque.

    Leandro,

    1) a) Há algum país subdesenvolvido brincando com taxa básica de juros perto de zero ou negativa?

    b) Como seria se o Brasil tentasse tal aberração? Seria possível?

    2) Juros punitivos para aqueles que pegam empréstimos apenas para consumir não é algo teoricamente positivo?

    Acho meio absurdo quando alguém reclama de juros de cheque especial porque não conseguiu conter seu consumismo. (É um diabo keynesiano que fica no ouvido das pessoas dizendo para elas comprarem tudo, além do que podem, incluindo coisas superficiais.)
  • Leandro  27/08/2016 17:06
    1. a) Não que eu saiba. País subdesenvolvido não pode se dar a esse luxo. Se jogarem os juros para zero, não haverá nenhum incentivo para que estrangeiros aportem dinheiro ali. Consequentemente, a demanda por sua moeda despenca, o que geraria hiperinflação.

    Há, isso sim, países em desenvolvimento com economias arrumadas, como Colômbia, Peru, Chile e México. Esses países estão com juros de um dígito já há um bom tempo.

    1. b) Se a SELIC fosse derrubada para zero, não haveria absolutamente nenhum motivo para os investidores e especuladores continuarem aplicando aqui. Ato contínuo, eles fugiriam do país. Essa maciça fuga de capitais -- pessoas convertendo reais em dólar -- geraria uma súbita desvalorização da taxa de câmbio. E isso seria um estrago indelével.

    Como a taxa de inflação de preços está acima de 8%, se a SELIC fosse zero, o governo estaria, na prática, cobrando juros reais para pegar dinheiro emprestado (em vez de pagando pelo menos 8% apenas para manter o mesmo poder de compra do emprestador).

    Mais ainda: toda a eventual desvalorização cambial iria aniquilar de vez qualquer chance de retorno financeiro dos investidores estrangeiros que estavam aplicados aqui. (Tais pessoas têm de converter reais em dólar para remeter lucros; com a desvalorização do real, não conseguiriam converter nada em dólar. Perderiam tudo.)

    Essa desvalorização cambial, além de afugentar novos aportes de capital estrangeiro, geraria uma enorme carestia dentro do país, possivelmente uma hiperinflação.

    Juro zero ou mesmo negativo é coisa a que apenas países com inflação zero (deflação) podem ser dar o luxo.

    2) Depende. Para conter o consumismo, sim. Para gerar moeda forte e conter inflação, não há nenhuma teoria que explique como isso seria possível. Carestia generalizada é uma doença da moeda, e a doença da moeda é causada por políticas governamentais. Juros altos, por si só, não resolvem nada. Se juros altos debelassem carestia e fortalecessem a moeda, então o cruzado novo teria sido a moeda mais forte do mundo: à época, a SELIC chegou a módicos 780.000%.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Guilherme  27/08/2016 11:16
    Leandro, excelente artigo novamente! Podes me tirar algumas dúvidas? Dado que os bancos criam crédito do nada (vide o paper do banco da Inglaterra), te pergunto:

    1) Como isso afeta o mercado de loanable funds? Ainda existe a mesma conexão direta entre níveis de poupança e investimento?

    2) Como as reservas podem controlar a expansão creditícia, já que os depósitos "seguem" os empréstimos?


    desde já agradeço. Abraço!

  • Leandro  27/08/2016 17:14
    1) A relação fica mais complexa.

    De um lado, juros mais altos incentivariam mais pessoas a deixar dinheiro nos bancos, dinheiro esse que poderia ser emprestado.

    Com juros baixos, esse incentivo para deixar dinheiro nos bancos diminui. Os bancos podem continuar criando crédito, mas aí terão de recorrer ao BC para restituir suas reservas. Aí o BC tem duas opções: ser leniente e apenas comprar títulos que estão em posse dos bancos, ou ser punitivo e fazer empréstimos via janela de redesconto.

    Em todo caso, a conexão entre poupança e investimento fica quebrada. Uma conseqüência direta dessa política irreal de juro zero.

    2) Apenas indiretamente. Se um banco empresta, ele tem de restituir suas reservas ao nível anterior. Logo, ou ele recorre ao interbancário ou ao BC.

    Se não houver liquidez no interbancário, só o BC pode resolver a situação. E aí voltamos ao que foi dito acima: o BC pode ser durão (e fazer com que expandir o crédito não seja recompensador) ou leniente (e premiar o banco que age assim).

  • Hong-Konger  27/08/2016 12:15
    Eu prefiro acreditar em atentado terrorista econômico.

    O governo paga 1 bilhão de reais por dia em juros. Essa dívida pública é imposto com juros e correção monetária.
  • Westley  27/08/2016 12:48
    Muito bom o artigo, entretanto penso que só faltou relativizar alguns pontos. Vamos usar, para compor o raciocínio, o salário mínimo, mesmo não sendo o melhor fator comparativo. Em julho de 1994 o salário mínimo era algo em torno de R$ 64,00 então para acessar o item Y do artigo um trabalhador ainda precisaria de R$36,00, ou seja, em tese não teria como acessar o item Y não gerando demanda sobre este item. Já em julho de 2016 o valor do salário mínimo é de R$880,00 assim, mesmo que o item Y tenha saltado para R$550,00 um trabalhador que ganhe o mínimo pode agora acessar o item Y e ainda vai lhe sobrar R$ 330,00, para poupar, para investir, para melhorar sua instrução.
  • Leandro  27/08/2016 16:52
    Nem precisa de fazer esse cálculo. Só de comparar os valores nominais, é explícito que o salário mínimo subiu mais que a inflação.

    Só que, em termos de poder de compra, ele ainda não voltou a ser como foi em 1998, quando alcançou o máximo valor.

    Atualmente, aliás, ele está em seus mais baixos valores. Veja detalhes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055
  • anônimo  27/08/2016 18:07
    Leandro, há como comparar o poder de compra do salário mínimo em 1998 com o seu poder compra atual de outra maneira fora o preço do ouro?
  • Leandro  27/08/2016 21:07
    Desconheço. Você, obviamente, pode utilizar várias estatísticas, ou mesmo uma cesta composta de vários produtos e ver a evolução dos preços de cada um deles. Mas nada será tão objetivo e certeiro quanto o preço do ouro.
  • Fernando  27/08/2016 17:17
    Olá Leandro !

    Se há aumento na produção, não deveria haver mais produção de dinheiro ? Como a mesma quantidade de dinheiro vai corresponder a uma quantidade de produtos maior ? Não vejo problemas com a deflação, mas o ideal não é a estabilidade ?

    Existe uma maneira para quantificar e relacionar o aumento da produção com o aumento do dinheiro ?

    O governo está fazendo isso no sentido contrário, que é produzir dinheiro antes de produzir ?
  • Leandro  27/08/2016 21:09
    "Se há aumento na produção, não deveria haver mais produção de dinheiro ?"

    Isso já ocorre hoje. Quando uma empresa ou indústria quer produzir, ela pede empréstimo. Isso gera aumento da quantidade de dinheiro na economia.

    "Como a mesma quantidade de dinheiro vai corresponder a uma quantidade de produtos maior?"

    Com cada produto custando menos. Sempre foi assim na história do mundo, até o início do século XX. Nos EUA, em particular, de 1865 a 1913 (ano da criação do Fed), os preços caíam a uma média de 1% ao ano.

    "Não vejo problemas com a deflação, mas o ideal não é a estabilidade?"

    Por quê? Qual o problema com preços em queda? É assim na indústria tecnológica ao redor do mundo. Câmeras fotográficas, notebooks, celulares, televisores -- todos caem de preço ano após ano. E isso num ambiente totalmente inflacionista como o atual. Imagine então num cenário com mais estabilidade monetária?

    Os preços cairiam, mas os custos também cairiam. Custos são preços. Eles também estão embutidos na queda.

    Com o aumento da produtividade e da eficiência dos métodos de produção, os custos podem cair proporcionalmente mais que os preços, tornando qualquer empreendimento lucrativo, mesmo com queda de preços.

    "Existe uma maneira para quantificar e relacionar o aumento da produção com o aumento do dinheiro ?"

    Desconheço.

    "O governo está fazendo isso no sentido contrário, que é produzir dinheiro antes de produzir?"

    Agora você tocou no ponto crucial. O governo, ao tomar emprestado dos bancos (os dealers primários), cria e joga dinheiro na economia, não para produzir, mas para bancar sua folha de pagamento e suas transferências de renda. Em termos puramente inflacionários, isso é ainda pior do que o crédito bancário.

    O grande problema do crédito bancários são os ciclos econômicos que ele gera. A inflação de preços é mais secundária. Já com os déficits do governo, a inflação de preços é consequência direta.
  • mauricio barbosa  27/08/2016 17:39
    Lembro-me do saudoso empresário Antônio Ermírio de Moraes nos anos 80 denunciar os preços administrados de Tarifaço e dizia ele que isso arrebentava o orçamento de meio mundo,ele falava isso no extinto programa Gazeta mercantil da Band no domingo a noite,enfim o saudoso empresário tinha razão apesar dos meus parcos conhecimento de economia política naquela ocasião,mas graças a Deus hoje existe o IMB para esclarecer as coisas e nos deixar a pá da verdade.
  • Rodrigo  27/08/2016 18:29
    Olá, ótimo texto. Porém, me surgiu uma dúvida pela seguinte afirmação: "Tendo tudo isso em mente, eis uma conclusão importante: juros altos são, acima de tudo, consequência de uma moeda que continuamente perde poder de compra". Haja vista que a perda de valor de uma moeda se da pela inflação monetária e a injeção massiva de dinheiro através do BC diminui a taxa de juros, como essas duas situações se sustentam?
  • Leandro  27/08/2016 21:08
    Não se sustentam. Essa é encrenca. O primeiro caso geraria automaticamente aumento de juros. Aí o BC intervém exatamente para impedir essa elevação e, com isso, perpetuar o boom econômico. Até o momento do colapso.

    Toda essa mecânica foi explicitada neste artigo.
  • Andre Cavalcante  27/08/2016 19:03
    Como se calcula o poder de compra?
    Como se faz também a paridade do poder de compra?
  • Leandro  27/08/2016 21:06
    O poder de compra é a relação direta entre quanto a moeda comprava de um bem em uma determinada data e quanto compra hoje. O preço do ouro é o melhor indicador para prazos longos.

    Sobre a paridade do poder de compra, ao menos aquela que é usada por economistas, trata-se de um cálculo complexo e nada cientifico, que envolve vários fatores, não só a taxa de câmbio. Pega-se dois países, calcula-se o PIB per capita de cada um, as diferenças de renda das populações e o custo de vida de cada região.
  • Taxidermista  27/08/2016 20:06
  • Cirilo  27/08/2016 21:56
    Leandro, parabéns por mais este artigo absolutamente fantástico. É sempre um prazer olhar a página do Mises no fim do dia e ver que há um artigo seu novinho!!! Esse já foi pros meus favoritos do Mises...
    Brinde-nos com cada vez mais textos maravilhosos como este!

    Abs
  • Rinoceronte  28/08/2016 03:27
    Leandro, Ótimo artigo!
    Tenho uma pequena loja de sapatos masculinos, produto que teve um aumento de preço menor em relação a produtos controlados, mas cuja qualidade caiu bastante, gerando grande insatisfação nos clientes já que estes estavam acostumados com o conforto e durabilidade dos sapatos do passado, perdi muitos clientes, reclamei para os representantes, um deles foi bem sincero e disse:
    - A fábrica falou que não pode manter a qualidade já que o sapato ficaria bem mais caro do que a concorrência e não venderia nas grandes redes de lojas que controlam praticamente 80% do mercado, a única solução para não perder mercado foi manter o preço, sacrificando a qualidade.
    O pior é que mesmo assim os sapatos ficam Caros, levando o cliente a exigir bastante, já que ele está comprando um produto de Marca! Para eles um sapato de R$ 190,00 reais é extremamente Caro pq a sua memória esta congelada no passado aonde ele pagava R$ 130,00 pelo mesmo produto só que com uma qualidade superior.VC, ainda tem que escutar que está cobrando demais, é muito esperto, resumindo, que a culpa pelo preço alto e qualidade ruim é sua.
  • Berry  28/08/2016 07:12
    Outra obra prima do Sr. Leandro Roque, um dos maiores economistas vivos da atualiadade no mundo, mas infelizmente não muito conhecido, afinal para a mídia e o governo só interessam os Keynesianos (aqueles que se importam mais em tentar mudar a realidade por meio de fórmulas mágicas do que entende-la).
    O gráfico número 1 já mostra claramente a proposta brilhantemente explicada no decorrer do texto: mercado livre e concorrência sempre consegue fornecer um produto ou serviço a preços menores do que mercados altamente regulados ou com preço determinado pelo governo. É inacreditável que ainda hoje há quem duvide disso.

  • Cara curioso  28/08/2016 13:16
    Leandro, você é o melhor articulista daqui. Quanto você cobraria para me esclarecer umas dúvidas de economia durante uma hora?
  • Andre Cavalcante  28/08/2016 19:33
    137 comentários e contando... e no fim de semana.

    Lembro-me de quando comecei a ler os artigos do site em 2011 e tínhamos não mais que uma dezena de comentários em dias...
  • Andre  28/08/2016 22:58
    Parabéns a todos que indicaram novos leitores para este site e ao Leandro Roque que pode se orgulhar de no mínimo de 2 centenas de fãs, tive o prazer de ter o site indicado pelo Daniel Fraga em 2012 em uma discussão da "armadilha de liquidez" do Japão, quanta ignorância keynesiana por minha parte, realmente é como dizia Roberto Campos, só a escola austríaca explica, as outras são desperdício de tempo.
  • Mais Mises...  29/08/2016 15:41
    Pois é... só fico 'chateado' quando alguns aqui falam mal, que o nível dos comentários caiu muito... Pra mim, é muito lógico: tudo aquilo que 'atinge' um maior número de pessoas, ato contínuo, chegará a pessoas com menor nível de conhecimento também. É estatístico. Mas é justamente aí que faço coro ao seu comentário. A quantidade de pessoas que leem o texto/frequentam-no tem aumentado expressivamente e, pra mim, ao menos por enquanto, é o que importa.
    Até 4, 5 anos atrás só enxergava da mesma forma canhota e tosca da maioria da população. Portanto, é comum que haja os 'paraquedistas' que leem, mas a cegueira enviesante não permitir que possam entender a lógica por trás da economia de mercado e da liberdade.
    Só comentando algo pessoal, se me permite: hoje em dia, só por minha influência, pelo menos mais uns 3 parentes e uma meia dúzia de amigos viraram devoradores dos artigos aqui publicados. E conhecereis a verdade e ela...
  • Giovanni  28/08/2016 23:54
    Senhor Leandro.

    Excelente artigo. Noto que o site está cada vez melhor. Parabéns e continue assim.
  • Thiago  29/08/2016 01:02
    Sensacional Leandro. Mais uma obra de arte. Saiba que seus artigos e o site como um todo estão mudando muito a mentalidade da nossa sociedade.

    Att
  • Leandro  29/08/2016 12:19
    Prezados Cirilo, Rinoceronte (ótimo depoimento), Berry, Cara Curioso, Giovanni e Thiago, muito obrigado pelas gentis palavras. E pelo prestígio ao site. Continuem vindo sempre, por favor.

    Grande abraço!

    P.S.: caro Thiago, calma. Acho que isso está meio exagerado. Quem dera verdade fosse...

  • FL  29/08/2016 13:55
    Apenas para acrescentar ao que disse o Thiago: estão mudando sim. Aos poucos, mas estão. Eu sou uma das vítimas, e já "fiz" algumas outras. O site do IMB é leitura diária obrigatória, continuem com o excelente trabalho.
  • Mais Mises...  29/08/2016 15:46
    Leandro, no meu caso específico, posso afirmar que o Mises Brasil foi o indutor e o catalisador da minha mudança radical de visão de mundo/Brasil.
    Não acredito que haja exagero por parte do que o amigo acima disse não. Tenho alunos em faculdades que já comentam 'do site do Mises', usam-no como referência no que tange a posicionamentos sobre o 'público, o gratuito e o de qualidade'.
    A mensagem de que 'nada é de graça' está muito mais difundida atualmente... Claro que ter um (des)governo fazendo inúmeras e sequenciais besteiras na economia ajudou bastante, mas o fato é que a luz está chegando à escuridão! Abraço.
  • Leonardo Silva  29/08/2016 06:25
    Caro Leandro, esse artigo mereceria ser pregado na porta de todas as salas de aula das faculdades de Economia no Brasil. Não só o artigo é espetacularmente didático, mas também muito bem otimizado em sua síntese. Particularmente, só comecei a compreender bem melhor o que é Câmbio após começar a ler os seus artigos. Veja como o seu trabalho tem produzido frutos!

    Entretanto, há algo que não consigo compreender: Diante de um cenário de câmbio e de inflação tão real e ao mesmo tempo tão evidentemente ameaçador às finanças brasileiras, será que os banqueiros desconhecem todos estes fatos? (Excluo os políticos do âmbito dessa compreensão, e acredito que por motivos que todos aqui entenderão).

    Porém, insisto: Os Bancos neste cenário (o apontado pelo artigo) se pareceriam como pilotos de um navio dançando e cantando enquanto o navio afunda. Como explicar isso? Como explicar essa postura dos banqueiros diante de um cenário tão severamente ameaçador para a própria subsistência deles (dos banqueiros brasileiros)?

    Estariam os banqueiros brasileiros em uma espécie de zona de conforto delirante e alheios a esta realidade, ou eles sabem, de fato, o que está acontecendo não só com o Real, mas com a Economia brasileira como um todo? Para citar um simples exemplo, se observarmos o comportamento dos dois gigantes privados brasileiros, passa a impressão de que estariam de certo modo, ou alheios ou completamente incapazes de enxergar o que está se passando na realidade tangível. O que seria isso em sua opinião? Como explicar esse comportamento deles e de seus bancos?

    Mais uma vez, parabéns Leandro!
  • Leandro  29/08/2016 12:20
    Mas os bancos não só estão muito bem a par disso, como também ganham dinheiro com isso. Toda essa desvalorização da moeda está prevista nos juros que eles cobram em seus empréstimos.

    Ademais, todos eles estão abarrotados de títulos do Tesouro corrigidos pela inflação.

    Não se preocupe com os bancos; eles sabem perfeitamente como se dar bem nessa situação.

    Muito obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • rlpda  29/08/2016 12:17
    Obrigado Leandro Roque, seus artigos compensam a enorme quantidade de baboseiras que vemos nos comentários. Nos meus inclusive:)
  • Gabriel Silva  29/08/2016 17:34
    Leandro Roque, comecei a me interessar por economia lendo esse site e outros portais liberais e então, gostaria de perguntar para o Senhor, que tem um conhecimento impressionante, como aprender de fato a economia.Poderia me dar uma orientação mais geral? Bom, agradeço desde já.
  • anonimo  01/09/2016 19:17
    Leia mais e mais sobre a Escola Austríaca e muito mais aqui no IMB, inclusive nos comentários que são enriquecedores de conteúdos.
  • Nicolas  01/09/2016 20:47
    Eu também. Desde que o Olavo de Carvalho me recomendou o Mises Brasil, todo dia leio algum artigo do site.
  • Felipe R  05/09/2016 12:26
    Dois comentários. O primeiro é que o Leandro, ao mesmo tempo em que inspira com seus artigos, deixa pesquisadores como eu quase sem margem para comentar sobre o mesmo tema, de tão completos que são seus textos. O segundo é uma sugestão de alteração de texto no terceiro parágrafo do item "uma observação sobre os juros", em que o Leandro comenta sobre os lucros; eu teria explorado mais o termo "custo de oportunidade", por ser mais facilmente aceitável pelas pessoas (a palavra "lucro" é feia em nosso país, de cultura socialista), e por ter mais leitura técnica e objetiva para ilustrar o motivo pelo qual as taxas de juros são altas no Brasil.
  • Intruso  05/09/2016 12:30
    Pô, mas aí complica. Você quer que um termo seja alterado apenas para que ele fique mais palatável e menos politicamente incorreto?
  • Felipe R  05/09/2016 12:46
    Politicamente correto está fora de questão. Agora, adotar termo mais palatável é sim um objetivo, porque palavras causam efeitos emocionais, além de racionais, nas pessoas. Já que "lucro" é visto de forma geral como uma palavra negativa, vamos trocar por outro. Apenas sugeri um termo amplamente aceito por quem já trabalha com finanças e investimentos.
  • Leitor  05/09/2016 13:43
    Leandro

    Escreva um artigo explicando o que você acha do que estar por vir e o futuro da economia do Brasil. Seus artigos são excepcionais.
    05-Set-2016
  • Gunnar  29/09/2016 08:35
    Parabéns Leandro e obrigado por mais essa enorme contribuicão para o repertório daqueles que, como eu, precisam diariamente defender a sensatez econômica diante de hordas de clichês keynesianos e marxistas.

    O que torna os artigos do Leandro tão especiais (além, obviamente, da eloquencia e do didatismo do autor) é:

    1) São completamente voltados para a realidade brasileira, porém
    2) sem perder de vista o contexto mundial e
    3) serem sempre 100% embasados em fatos os quais são
    4) interpretados à luz da mais pura teoria econômica.
  • Leandro  29/09/2016 14:12
    Caríssimo Gunnar, muito agradecido por tão exuberantes elogios. E mais ainda pelo reconhecimento.

    Grande abraço.
  • Jefferson Scheifer  13/10/2016 00:53
    Olá Leandro é excelente os seus artigos, e você também fala muito bem nas suas conferência.

    POR QUE VOCÊ NÃO CRIA UM CURSO ONLINE POR VÍDEO CONFERENCIA COM ENFASE NA ESCOLA AUSTRÍACA COM 1 AULA POR SEMANA OU ATÉ DUAS TALVEZ...

    COBRA UMA MENSALIDADE DA GALERA,

    abraço.
  • anônimo  30/10/2016 16:39
    Leandro, o que há de errado com o seguinte argumento:

    "Não é a impressão de papel moeda per se que leva à inflação, mas sim quando a impressão excede o valor real de bens produzidos em uma economia. A teoria quantitativa da moeda expressa esse conceito de equilíbrio através da fórmula MV = PY, sendo M a oferta de notas, V a velocidade de circulação das mesmas, P o preço de um dado bem de consumo e Y a oferta desse bem. Dizer que imprimir dinheiro aumenta os preços é simplificar MV = PY para M = P."
  • Leandro  30/10/2016 17:42
    A metade do raciocínio está errada.

    Ele disse que só há aumento de preços quando a oferta monetária cresce mais que a oferta de bens e serviços. Errado.

    Por exemplo, se a oferta monetária cresce na mesma proporção que a oferta de bens e serviços, de modo que a inflação de preços seja zero, ainda assim houve inflação de preços. Por quê? Porque se não houvesse inflação monetária, teria havido deflação de preços.

    Se a oferta de bens e serviços aumenta 5%, mas a oferta monetária se mantém fixa, então teria de haver uma deflação de preços da ordem de 5%. (Estou fazendo uma aproximação simplista, mas utilizando o mesmíssimo raciocínio do seguidor da equação apresentada).

    O que era pra ser uma deflação de 5%, se tornou, por causa da inflação monetária, uma inflação de preços zero. Era para os preços terem caído 5%; mas, em vez disso, eles ficaram na mesma.

    Ou seja, mesmo com inflação de preços zero, houve aumento de preços. Os preços teriam caído não fosse a inflação monetária.
  • anônimo  30/10/2016 18:21
    E quanto a fórmula MV = PY?
  • Breaking Bad  30/10/2016 20:13
    Leandro, talvez os keynesianos só enxerguem matematicamente que se (preço depois) - (preço antes)=0, então (inflação)=0, portanto NÃO HOUVE INFLAÇÃO e tudo se resume a equações sem qualquer interpretação do contexto e das consequências. Fico imaginando a descoberta da penicilina e dos antibióticos, num ambiente totalmente keynesiano, custando, no momento da venda do primeiro lote produzido, algo em torno de 50 doláres o comprimido. Depois de cem anos e da produção do medicamento ter se multiplicado por 100000, o preço não cai por conta da injeção de dinheiro, ainda que no mesmo nível do aumento da produção e a mesma penicilina ainda estaria custando os mesmos 50 dólares cada comprimido! Um keynesiano olharia o preço de 100 anos atrás (onde a penicilina ainda seria de difícil acesso e à venda em poucos lugares) , 50 dólares por comprimido e comparando com o preço após um século (com a penicilina disponível até em "quiosque de baleiro"), os mesmos 50 dólares, chegaria à brilhante conclusão: não houve inflação. Coisa de jênyo.


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