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“Deixem o mercado cuidar disso!” - você sabe o que essa frase realmente significa?

"'Deixem o mercado cuidar disso! Deixem o mercado cuidar daquilo!'  Você não se cansa de ficar repetindo essa fórmula simplista?".

Assim terminava um e-mail que recebi de um leitor.

O professor de Harvard, Dani Rodrik, muito querido nos círculos protecionistas, vai na mesma linha.  Em seu livro Economics Rules, ele escreve: "A abordagem do hamster para um problema é previsível: a solução está sempre no livre mercado. [...] Já as raposas, em algumas ocasiões, recomendam mais mercados e, em outras, mais governo."  De acordo com Rodrik, é melhor ser uma raposa do que um hamster.

Esse argumento, à primeira vista, parece ser o ápice da sensatez.  Reformulado, ele está dizendo que:

É dogmático e perigoso supor que uma solução ou uma abordagem é a resposta para absolutamente todos os problemas.  Há problemas que só podem ser solucionados com chaves de fenda; outros, só com martelos.  Somente um tolo insistiria em usar uma chave de fenda em vez de um martelo para pregar um prego; ou usar um martelo para atarraxar um parafuso.  Já o indivíduo sábio, não-ideológico, iluminado, sensato, de cabeça aberta, e cientificamente atento sabe que, em algumas situações deve usar uma chave de fenda e, em outras, um martelo.  O que poderia ser mais sensato do que isso?

O erro dessa formulação é fácil de ser apontado: o mercado não é apenas uma ferramenta; o mercado são várias ferramentas.  O mercado é um kit de ferramentas que contém muito mais ferramentas do que as que os burocratas do governo possuem. 

Ao passo que o governo possui apenas algumas poucas ferramentas — majoritariamente martelos (algumas marretas), serrotes e braçadeiras —, o mercado está repleto de várias e incontáveis ferramentas.  E suas ferramentas são muito mais diversas, variadas, especializadas e criativas do que aquelas contidas naquele simples e limitado conjunto do governo.

Dizer "deixem o mercado cuidar disso" é apenas uma maneira sucinta de dizer "deixem que qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos que se mostre mais disposto, mais capacitado, mais experiente, mais sagaz, mais versado e mais bem equipado tenha a liberdade para tentar lidar com cada problema específico".

E dizer "deixem que o mercado sempre cuide disso" não significa — contrariamente ao que Rodrik sugere — propor uma solução única e simplista para todos os problemas.  Significa, ao contrário, propor que o campo seja mantido aberto para que todas as soluções exequíveis possam ser tentadas. 

Dizer "deixem que o mercado sempre cuide disso" é alertar para o fato de que utilizar o governo para tentar corrigir um problema é uma atitude que sempre irá impedir que outras várias soluções criativas e experimentações inovadoras sejam tentadas.

Em suma, a escolha não é entre apenas duas soluções possíveis: o mercado ou o governo.  Ao contrário, a escolha é entre um conjunto gigantescamente amplo e variado de soluções possíveis (o mercado, com seus vários mestres de obras e carpinteiros altamente especializados e detalhistas) ou entre um ínfimo conjunto que apresenta apenas uma solução (o governo, com seus burocratas que manejam martelos, serrotes e braçadeiras).

E, ao contrário dos empreendedores do mercado, não seria muito sensato presumir que esses burocratas com martelos, serrotes e braçadeiras possuam conhecimentos profundos sobre qualquer um dos problemas que eles sejam convocados a "consertar".

Consistência não é simplicidade

Sim, devo admitir que minha solução proposta para vários problemas relacionados a políticas públicos é dizer "deixem o mercado cuidar disso".  Mas essa resposta aparentemente simplista não é nem ingênua e nem preguiçosa.  Ela é realista. 

Ela reflete meu entendimento de que qualquer problema que você imaginar — reconstruir uma terra arrasada por um terremoto, fornecer educação e saúde de excelente qualidade para crianças e adultos, reduzir congestionamentos em ruas e estradas, fornecer uma moeda de qualidade, construir pontes e estradas, fornecer água tratada e encanada — será mais bem resolvido, com muito mais eficiência, presteza e baixo custo, por indivíduos atuando livremente na arena das trocas voluntárias e pacíficas (mercado) do que por burocratas do governo.

Dizer "deixem o mercado cuidar disso" é o oposto de dar uma resposta simplista: essa frase sintetiza a mais completa rejeição a uma solução única para tudo fornecida por burocratas com um poder centralizado.  Significa endossar um arranjo incomensuravelmente complexo para lidar com o problema em mãos. 

Recomendar o mercado (a livre interação entre pessoas) em lugar do governo (a intervenção de burocratas) significa a humildade de reconhecer que ninguém possui informação e conhecimento suficientes para determinar, ou mesmo para prever, quais métodos específicos são os melhores para lidar com o problema.

Recomendar o mercado, com efeito, significa recomendar que se permita que milhões de pessoas criativas, cada uma com perspectivas distintas e com seus próprios conhecimentos e percepções, voluntariamente contribuam com suas próprias idéias e esforços para lidar com o problema. 

Recomendar o mercado é recomendar não uma solução única e simplista, mas sim um processo descentralizado que gera vários experimentos concorrenciais, os quais então levam à descoberta das soluções que funcionam melhor sob aquelas circunstâncias.

Recomendar o mercado é entender a genialidade daquela importante constatação de James Buchanan, que disse que "a ordem é definida durante o processo de seu surgimento".

Esse processo é flexível e estimula a criatividade.  Ele também negar a qualquer um o poder de impor unilateralmente sua própria visão sobre todos.

Em suma, aconselhar que "deixem o mercado cuidar disso" é uma maneira abreviada de dizer que "eu não tenho um plano simplista para lidar com esse problema; com efeito, rejeito todos os planos simplistas.  Somente uma instituição competitiva e descentralizada, e que recebe contínuas informações de todos os indivíduos que dela participam (ou seja, o mercado), pode ser confiável o bastante para descobrir e implantar uma solução suficientemente detalhada para lidar com o problema em questão".

Dito tudo isso, vale ressaltar que os mercados só funcionam otimamente sob um arranjo em que a propriedade privada esteja protegida, os contratos firmados sejam respeitados, a cultura empreendedora seja forte, e o meio de troca utilizado (o dinheiro) não seja achincalhado.  Se tais instituições estiverem ausentes, dificilmente haverá um mercado para lidar com qualquer problema.

Mas se essas instituições estiverem presentes, então os mercados revelar-se-ão espantosamente criativos e confiáveis.  Recorrer ao mercado para lidar com problemas representa, portanto, o caminho mais sábio.

Conclusão

Infelizmente, no entanto, a tolice frequentemente triunfa sobre a sabedoria.  As pessoas frequentemente pressupõem que grandes problemas sociais só podem ser resolvidos por um grupo específico e pré-determinado de pessoas, as quais magicamente possuiriam a chave para a solução.

Embora declarar que "deixem o governo cuidar disso" possa parecer uma solução, tal atitude é meramente um sinal de uma fé simplista e sem qualquer fundamento: uma fé de que as pessoas investidas de poder não irão abusar deste poder; de que burocratas nomeados por políticos possuem respostas melhores do que milhões de indivíduos interagindo voluntariamente em busca de soluções próprias, colocando seus próprios recursos e sua própria reputação em jogo; de que apenas aquelas "soluções" escritas em estatutos e regulamentações, e implantadas por burocratas assalariados, representam soluções verdadeiras e factíveis.

Portanto, sim, mostrem-me um problema e eu provavelmente responderei que "deixem o mercado cuidar disso".  E irei responder dessa maneira porque não apenas sei que meus parcos conhecimentos e esforços jamais estarão à altura do desafio de solucionar problemas complexos, como também sei que nenhum político ou burocrata entre nós tem o poder de saber a melhor solução para todo e qualquer problema social. 

Soluções para problemas sociais complexos requerem o maior número possível de mentes criativas interagindo voluntariamente entre si — e isso é exatamente o que o mercado entrega.


4 votos

autor

Donald Boudreaux
foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.


  • CIRO GOMES 2018  18/08/2016 14:47
    Mercado? Aquele que gera miseria e desigualdade social? Pros neo-liberais que idolatram o mercado como divindade vou lembrar a você o que aconteceu quando o Brasil deixou o mercado cuidar.
    Em 93 a divida do Brasil sobre o pib era de 38% pois bem. Durante o governo mais liberal da nossa historia que foi o do FHC ele vendeu todo patrimonio estatal que levamos decadas pra acumular. Após 8 anos dando chance ao mercado nossa divida quase chegou aos 80% do pib e a carga tributaria que era 20% sobre o pib chegou a 30%.
    Agora lhes pergunto será que o mercado e solução dos nossos problemas?
  • Dam Herzog  18/08/2016 20:58
    O Brasil e o mercado "livre"
    O Brasil em quase nenhuma fase de sua historia conviveu com um mercado livre. Sempre o governo manteve a rubrica dos preços administrados (energia,eletricidade,estradas) e interviu tanto na economia que produziu o escândalo administrativo com deficits e inflação e desemprego cruel. O capitalismo nunca passou nem perto daqui pois não respeitamos a propriedade privada e o empreendorismo é sufocado. Mesmo uma menina nos EUA que resolveu empreender vendendo limonada, com uma mesinha em frente de sua casa sofreu a arrogância dos burocratas estatistas que confiscaram seu pequeno comercio e prenderam seu pai. O mercado resolve qualquer problema quando é livres e desimpedido, onde você pode comprar qualquer produto pelo menor preço existente no mundo. Mas ai vem os burocratas criam barreiras e impostos confiscatórios que impossibilitam a sua compra. Assim ele cria um reserva de mercado para os produtos nacionais piores e mais caros e pune o cidadão de obter o produto. Alem disso produzem déficits pagos com dinheiro emitido ou com dinheiro digital criado do nada e neste ambiente econômico que esperamos ver o mercado funcionar? Atrevo a dizer que a humanidade morreria de fome se não fosse um pouco de mercado mesmo pouco livre e as vezes impedido faz "milagres" ao não deixar que a produção pare. O processo de mercado é o maior produtor de bens e serviços que surgiu a partir de trocas voluntárias voluntarias. As nações onde existe ambiente como liberdade de empreender sem depender de um papel com firma reconhecida de um burocrata, liberdade, mercado relativamente livre, moeda que que não desmancha no dia a dia e pouca regulação são as que tem perspetivas de um futuro melhor para sua população. Veja no caso das drogas se o mercado mesmo não livre e impedido com coerção estatal está ou não funcionando. Sou a favor da descriminízação das drogas inclusive a etanolfosfamida pilula do câncer ou pilula azul ou da criminização do alcool e do tabaco e das que causam muito mal a saúde
    Socialismo resulta sempre em fome, miséria, perda de dignidade, sangue e morte os únicos boas vidas são os ditadores comunistas, o resto da população escrava. Viva o mercado livre. Abaixo os políticos que não privatizam só para tirar proveito das estatais e manter a corrupção e não desestatizam a economia. Não posso convencer o povo que os políticos os fazem de bôbos.
  • Anderson  18/08/2016 21:04
    Eu estaria certo se dissesse que o projeto neoliberal de FHC não deu certo pois ele aderiu ao gradualismo ao invés de liberar toda a economia de uma vez?
  • Silva  18/08/2016 22:09
    Também, mas isso é o de menos.

    Como muito bem ironizou o fake liberal acima, os gastos do governo não apenas não foram cortados, como ainda foram seguidamente elevados, assim como os impostos. Isso asfixiou a economia. Sem falar que todas as "privatizações" foram mentirosas.

    Toda a encrenca está resumida aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1775

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1930

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=297
  • Mais Mises...  19/08/2016 19:45
    Devolvo-lhe a pergunta com dedo em riste: e você é a solução?

    Em tempo: a pergunta é apenas retórica. Poupe-nos de suas bobagens.
  • Sir Carvalho  13/10/2016 20:02
    Os governantes é que não são!Irresponsáveis e corruptos, com raras exceções, só praticam o populismo.
  • mauricio barbosa  18/08/2016 14:56
    Enfim o mercado é complexo e simples ao mesmo tempo,pois o que importa é o resultado e o resto é blá-blá-blá...
  • Robert  18/08/2016 15:31
    Eu conheço pelo menos umas 10 pessoas que desesperadamente deveriam ler isso. Mas não o farão, pois contradiz tudo aquilo que elas já determinaram "ser a verdade inquestionável".
  • Tiago  18/08/2016 15:33
    Muito bem explicado.

    Mas pessoalmente ainda prefiro usar a expressão de Adam Smith, da mão invisível.

    Deixe a mão invisível coordenar as soluções para os nossos problemas. Porque os políticos obviamente fracassaram miseravelmente nesse intento.
  • José Ramos  18/08/2016 15:39
    Ué, mas a mão invisível de Smith nada mais é do que bilhões de mãos pertencentes a bilhões de indivíduos voluntariamente fazendo trilhões de escolhas individuais em busca daquilo que mais valorizam individualmente.

    Desse "caos" surge espontaneamente uma ordem.
  • Filósofo da USP  18/08/2016 16:57
    Deixe o mercado cuidar disso, em outras palavras, significa que os pobres oprimidos pelo capital serão massacrados.
    Deixe o mercado cuidar disso, em outras palavras, o pobre não terá comida na mesa, não terá onde morar, não terá educação orientada ao coletivo, não terá saúde, etc.

    O capital acumulado egoísta e criminoso, fruto do roubo aos pobres proletários.

    Por isso o Estado se organiza e atua na direção do bem de todos, pois apenas o Estado congrega os "espíritos coletivos" que sabem o caminho para a felicidade de todos.
    Todo a riqueza emana do Estado para os fins nobres do Estado em benefício da sociedade.

    Quão degradada é a mente que não raciocina pensando no outro, no bem do amigo do lado, e assim sucessivamente até abarcar todos em uma só família, vivendo em harmonia e em condições iguais.

    Esse tal mercado que vocês exaltam é um arranjo criminoso, que beneficia o capital e nega o direito dos pobres de ter acesso a riqueza que é de todos.
  • Dam Herzog  19/08/2016 02:23
    Resposta a um fake, que prega contra a privatização
    O Brasil esta do jeito que você descreveu como e que deveria funcionar: educação péssima, segurança 60.000 assassinatos por ano, saúde com nível abaixo do anus, corrupção, inflação,desemprego 12.000.000 originado das amarras estatizantes, uma empresa de petróleo monopolista quebrada que pede a população para pagar o pato levantando 400.000.000.000 de reais para pagar suas dividas; um correio com 1 chefe para dois funcionários e fundo de pensão quebrado e seus funcionários com desconto em folha até 2039 para pagar o rombo. Previdência quebrada. Sem empresas e bancos estatais estaríamos combatendo e eliminando a corrupção e o roubo organizado pelos deputados e senadores e seus asseclas, são tantos os escândalos no congresso que parece mais uma organização criminosa eleita pelo inocente e preguiçoso povo deste pais. Temos um congresso que vota leis que os favorecem. Acho que você defende a continuidade da corrupção e um tipo de governo do tipo Cuba e Venezuela dois paraísos sulamericanos. Sou totalmente a favor da redução de impostos de tal monta que os indivíduos paguem seus estudos e saúde, e segurança com delegados de policia eleitos pelo povo retirando o estado ineficiente destes campos. O Brasil não necessita ser dono de empresas estatais. Liberdade econômica é o caminho para a riqueza do Brasil.
  • Libertário Nobre  19/08/2016 12:22
    Sem pedantismo, sugiro ao colega Dam Herzog aprofundar as leituras, principalmente toda a obra do Murray Rothbard.

    Pelo escrito fica caracterizado que você não passa de um velho "liberal de muleta estatal".

    Prossigamos:

    São tantos os escândalos no congresso que parece mais uma organização criminosa eleita pelo inocente e preguiçoso povo deste pais.

    Oras, você tem alguma dúvida que o estado é uma grande organização criminosa? Eu não tenho nenhuma.
    Quanto a democracia, leia: F. Karsten e K. Beckman - Além da Democracia


    Sou totalmente a favor da redução de impostos de tal monta que os indivíduos paguem seus estudos e saúde, e segurança com delegados de policia eleitos pelo povo retirando o estado ineficiente destes campos.

    Porque não a completa e total erradicação de imposto. Você ainda aceita ser ROUBADO em menor escala?
    Roubo é roubo e deve ser combatido, ponto final.

    Delegados de polícia eleitos pelo povo? Rindo até entender esse pensamento.
    Quem vai pagar essa conta?
    Ninguém precisa ser eleito, mas sim PAGO pelos serviços prestados. A segurança privada é o mister do negócio.
    -------------------

    Poderia alongar o escrito, fico por aqui.

    P.s.?
    O nível dos comentários do IMB está caindo de forma assustadora, cadê os Libertários, os ANCAPs, abandonaram o barco da Liberdade?
  • Maria Regina Duarte Fonseca  18/08/2016 17:06
    Prezados,
    leio muitos artigos de vocês, sou muito fã da página. Gostaria que me indicassem os textos que já escreveram sobre os países que mais praticam o liberalismo econômico.
    Atenciosamente,
    Maria Regina
  • Jean Meira   18/08/2016 17:55
    As pessoas preferem acreditar que um grupo reduzido de indivíduos (estado) será capaz de resolver um problema que eles desconhecem totalmente em vez de acreditar que várias indivíduos levados pelo interesse próprio (mercado) poderão fazer isso muito melhor.
  • Anderson  18/08/2016 21:13
    Tudo o que fazemos aqui nesse site é SONHAR com a liberdade, ela está tão distante... acho muito difícil tudo isso mudar, só se esperarmos uns 300 anos que nem os escravos negros.
  • Hong-Konger  19/08/2016 12:46
    Gostei do exemplo !

    O governo brasileiro demorou 300 anos para acabar com a escravidão dos negros.

    O Brasil foi o último país da América Latina a acabar com a escravidão.

    Isso parece ser macumba do governo.

    São mais de 500 anos com canalhas no governo, e ainda tem gente achando que isso vai mudar.

  • Luis  19/08/2016 00:50
    Mao invisivel, superiodade da ordem espontanea. Quando a sociedade resolve seus problemas sem a intervencao do governo, e' sempre melhor.
  • Joaquim Saad  19/08/2016 01:48
    "Ao passo que o governo possui apenas algumas poucas ferramentas — majoritariamente martelos (algumas marretas), serrotes e braçadeiras —..."

    E fuzis, carabinas e metralhadoras apontadas p/ os que ousarem contrariá-lo.
  • Neco  19/08/2016 11:16
    Adoro o site. Acredito até que o sistema de vouchers funcione para educação e saúde (atendimento não emergencial). Mas peguem, por exemplo, a assistência aos desamparados. Todo o país tem lá o seu percentual de órfãos, oligofrênicos, deficientes etc; Tem gente que por um motivo ou outro cai em momentos muito difíceis. Se não tiver um sistema compulsório para 'arrancar' uma parte parcela TOLERÁVEL da prosperidade (via impostos) e dar esse amparo, não vai ser a caridade privada que vai resolver isso. Ora, não se tolera que parte dos impostos seja destinada à segurança (interna e externa) e às atividades jurisdicionais e diplomáticas? Por que não destinar um parte, repito, TOLERÁVEL das riquezas de um país para assegurar que, na pior das hipóteses ninguém fique desamparado? Se a grana der, e a sociedade topar, qual o problema? Não acredito que a caridade privada resolva esse tipo de problema. Exige planejamento e constância. Quando a situação aperta a primeira coisa que se corta e a caridade a terceiros. Claro que quanto maior o aparato burocrático para lidar com esses programas, mais manipulação política vai ser ter. A solução é vigilância.
  • Roberto  19/08/2016 12:06
    "Se não tiver um sistema compulsório para 'arrancar' uma parte parcela TOLERÁVEL da prosperidade (via impostos) e dar esse amparo, não vai ser a caridade privada que vai resolver isso."

    Por que não? Só porque você determinou oniscientemente que assim será?

    Vale enfatizar que, neste cenário de profundo corte de impostos e gastos, haveria muito mais renda disponível para as pessoas, o que lhe permitiria direcionar muito mais para a caridade.

    Quais os seus argumentos em prol do assalto?

    "Ora, não se tolera que parte dos impostos seja destinada à segurança (interna e externa) e às atividades jurisdicionais e diplomáticas?"

    Só para os minarquistas (incoerentes). Anarcocapitalistas também são contra isso.

    "Se a grana der, e a sociedade topar, qual o problema?"

    Se absolutamente 100% dos indivíduos de uma sociedade toparem, sem problemas. Se um se recusar, é roubo.

    "Não acredito que a caridade privada resolva esse tipo de problema."

    Qual seu argumento além do hiper-científico achismo?
  • Neco  19/08/2016 12:37
    1-Só estou tratando de destinar uma parte TOLERÁVEL dos recursos da sociedade para assegurar que ninguém fique desamparado. Vc entende o que significa TOLERÁVEL?; 2- Imposto é imposto. Se se pode destiná-lo para um fim, como manutenção de Forças Armadas, se pode destinar para o outro fim. 3- leis tributárias decorrem da democracia; leis civis e penais também, nunca vai se agradar a todos... qual seria a alternativa?; 4- meu argumento hiper-científico é baseado no método empírico. 5- pelo visto suponho que vc censure miniarquistas e ancaps por eles condenarem a tributação para fins de custeio de defesa, jurisdição e diplomacia. Ora, se vc fosse coerente também se aliaria a eles nas críticas, já que eles podem fazer parte daqueles incluídos, palavras suas, "Se um se recusar, é roubo; 6- sem querer fazer apelo à autoridade, e já fazendo, deixo isso: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1541
  • Livre Mercado  19/08/2016 13:39
    Caridade governamental não está amparando nada, pelo contrário está criando ainda mais necessitados na outra ponta, vide aí os quase 12 milhões de desempregados "oficiais" e mais tantos outros desalentados.
    O melhor ministro da assistência social é a família, que decide quais recursos ajudará quem e de qual forma, qualquer arranjo fora disto é desculpa para proto ditador angariar poder para ter o domínio dessa faca que dividirá o bolo.
  • Neco  19/08/2016 14:52
    E quem não tem família?
  • anônimo  19/08/2016 17:31
    "E quem não tem família?"

    Poderá contar com um alma caridosa igual a sua, certamente você lutará para que ninguém fique desamparado, correto? Levantará ONG'S, criará páginas no facebook, andará de trem a trem pedindo ajuda, baterá nas portas das igrejas e etc.

    Graças a Deus temos alguém como você, diferente de muitos aí que ficam apenas no sofá exigindo caridade com dinheiro alheio.
  • Neco  19/08/2016 18:56
    Fique aí do seu sofá teorizando que a caridade totalmente privada vá resolver 0,000000000001% dos problemas de desamparo. Sim, a grana dos impostos também é minha.Trabalho, viu?

  • Fuleco  19/08/2016 19:14
    Não, não. O que vai resolver o desamparo é darmos dinheiro para políticos para que estes então repassem o dinheiro para desamparado.

    O que vai resolver o desamparo é contratarmos atravessadores (com salários magnânimos) para que estes (após desviarem um troquinhos para trustes na Suíça e nas ilhas Cayman) entao repassem algumas migalhas para os desamparados.

    Isso sim é uma ideia genial e prática. Qualquer outra ideia que não essa é mera "teoria de sofá".
  • Neco  19/08/2016 19:44
    Vigilância. Sem vigilância rouba-se até da cestinha de doações da paróquia.
  • anônimo  19/08/2016 19:28
    "Fique aí do seu sofá teorizando que a caridade totalmente privada vá resolver 0,000000000001% dos problemas de desamparo"

    Não estou teorizando nada, apenas disse um meio de se ajudar os desemparados que não possuem famílias. Diga-se de passagem, o único meio ético de se ajudar.

    Obs.: A função da caridade não é resolver problemas, mas sim ajudar as pessoas a resolverem os seus problemas. Entendeu a diferença???


    "Sim, a grana dos impostos também é minha.Trabalho, viu?"


    Nop, a grana dos seus impostos era sua, agora é do governo. Perdeu boy.
  • Mais Mises...  19/08/2016 20:18
    Amigão, então doe a sua parte. Num 'país ideal', se é que posso falar assim, eu não aceitaria ser roubado pelo estado. Ponto final. Se você deseja e acha que isso é útil, ok. Mas eu gostaria de escolher ficar com minha grana e poder fazer ainda mais do que faço 1 vez por semana na congregação religiosa a qual sigo.
  • Poor man  19/08/2016 17:38
    E quem não tem família?
    ---------
    Poderá contar com a santa igreja católica, poderá contar com a Cáritas Brasileira. Dentre outras centenas de instituições de atuação sociais.
    caritas.org.br/
  • Livre Mercado  19/08/2016 18:25
    "E quem não tem família?"

    Pois ainda bem que perguntou, aproveito a sua preocupação com o social e peço sua ajuda para com os deficientes mentais sem família:

    www.apaesp.org.br/Paginas/default.aspx?gclid=CJ7A-MCMzs4CFVEJkQodz-0MoQ

    Por R$15,00 mensais doados vai conseguir ajudar muito mais do que sendo tolhido pelo governo e esperando que este ajude os pobres deficientes.
  • Poor man  19/08/2016 19:22
    Pois ainda bem que perguntou, aproveito a sua preocupação com o social e peço sua ajuda para doar dinheiro para crianças que tem câncer: www.santacausa.org.br/

    com o valor de 5 reais você pode ajudar a santa casa de são paulo, Não se preocupe eles aceitam boleto, cartão.

    Como é bom ter pessoas que se preocupam com o social, eu tenho certeza que você ira doar.
    www.santacausa.org.br/

    Afinal, você não é apenas um hipócrita que fala mas não quer gastar, não é mesmo?
  • Pobre Paulista  19/08/2016 12:30
    "não vai ser a caridade privada que vai resolver isso."

    Porquê você diz isso?

    Esqueceu que antes da contribuição ser compulsória era EXATAMENTE assim que a humanidade avançava?
  • Neco  19/08/2016 13:35
    Se tinha isso quando uma casal tinha dez filhos que iam tomar conta dos país na velhice ou dos irmãos com deficiência.
    Se tinha isso quando a Igreja tinha muito mais dinheiro e influência.
    Se tinha isso no Brasil rural, onde todos se conheciam.

    Acredito que os que devotam que o setor privado vai resolver tudo, o fazem por boas razões.
    Mas a realidade é outra.
  • Jorge  19/08/2016 17:54
    A "realidade é outra" pq existe roubo institucionalizado pelo estado.
  • Classe média baixa Paulista  19/08/2016 13:54
    Com tanta gente preocupada com questões sociais, certamente não faltará "caridade privada" nesse país, não é?
  • Pobre Paulista  19/08/2016 17:01
    Só se as ações forem coerentes com o discurso :)
  • Marcos Guerra  19/08/2016 19:06
    Nossa, depois desse texto, vou montar a igreja do "mercado" e elevar ao status de santos padroeiros todos que trabalham nele. Afinal de contas, só fazem o bem, não é mesmo?
  • Márcio Paz  19/08/2016 19:22
    Deixa eu fazer uma aposta: quando você diz "todos que trabalham nele", você tem em mente o "mercado financeiro e corretores da bolsa", certo?

    Claro, nunca falha. Nêgo critica uma coisa pensando em outra totalmente diferente. E jura que tá a-ba-fan-do.

    Sabe quem "trabalha no mercado"? Aliás, sabe quem é o mercado? Somos nós. Você, eu e todos os cidadãos. Nós é que decidimos, por meio de nossas decisões de comprar e de se abster de comprar, o que deve ser produzido, qual indústria sobrevive, qual deve ser extinta e qual deve trocar de gerência, quem vai prosperar e quem vai falir. E é respondendo às nossas demandas que padarias, restaurantes, lojas de roupa e de eletroeletrônicos (pessoas que "trabalham no mercado") produzem.

    Isso é o mercado: uma matriz na qual os indivíduos praticam trocas livres e voluntárias. No livre mercado, as decisões relativas a (1) o que produzir, (2) em quais quantidades, (3) utilizando quais métodos e (4) em quais locais, são tomadas visando satisfazer às mais urgentes demandas dos consumidores.

    Se houver algum arranjo mais eficaz e mais ético do que esse, estou muito interessado em saber dessa revolucionária descoberta.

    Quem pode atrapalhar esse processo, protegendo e socorrendo ineficientes e destruindo os eficientes, são os políticos e suas regulamentações. Justamente as pessoas que você quer elevar ao status de santos padroeiros. Afinal de contas, só fazem o bem, não é mesmo?
  • Spin  19/08/2016 19:38
    Não, Marcos guerra, você está enganado.

    Quem são santos (e só fazem o bem) são os políticos e burocratas que, a pretexto de "corrigirem" o mercado, garantem a todos que interferindo no mercado (controlando preços, interferindo na produção, manipulando o crédito, etc.) eles vão melhorar a vida de todos.

    E tem trouxas que acreditam nisso. E tem trouxas ainda maiores que não só acreditam nisso, como ainda acham que são sábios "irônicos". Você está na segunda categoria.
  • Mais Mises...  19/08/2016 20:21
    Você saiu de uma toca de DCE não é meu caro? Enfim... nessa sua igreja aí, tem Santo Fidel e Santo Che? Aposto que tem... rsrsrs
  • Bode  19/08/2016 21:09
    O sr Mercado é o melhor planejador econômico descentralizado que existe, não há dúvida. A inteligência econômica encontra-se dispersa na população. Entretanto, existem situações em que o mercado falha. Nas guerras e conflagrações as leis de mercado simplesmente não são postas em prática, ou não funcionam a contento, devido a conflitos de interesse. Quando o valor econômico não pode ser medido, o mercado não existe, por exemplo em situações onde as transações não resultam em ganhos para ambas as partes. Exemplo disso são as ações de ajuda humanitária. Portanto, uma pequena dose de estado sempre será necessária.
  • Expiatório  19/08/2016 21:42
    "Entretanto, existem situações em que o mercado falha."

    Vejamos.

    "Nas guerras e conflagrações as leis de mercado simplesmente não são postas em prática, ou não funcionam a contento, devido a conflitos de interesse."

    Tradução: quando políticos de um país resolvem declarar guerras aos políticos de outros países, destruindo toda a infraestrutura e submetendo a população do país atacada a impiedosos bombardeios, as coisas se tornam escassas, os preços disparam, e muita gente sofre privações.

    Isso, para você, significa que "o mercado não está funcionando a contento".

    Genial.

    "Quando o valor econômico não pode ser medido, o mercado não existe, por exemplo em situações onde as transações não resultam em ganhos para ambas as partes. Exemplo disso são as ações de ajuda humanitária."

    Ajuda humanitária voluntária não resulta em ganhos para as ambas as partes? Quer dizer então que quem pratica caridade voluntariamente não tem ganho nenhum com isso? Nem de bem-estar ou de leveza da alma? Não tem um lucro psíquico (pesquise)?

    Outra coisa: é lamento quebrar ilusões, mas é impossível haver caridade e ajuda humanitária sem mercado. A caridade e a ajuda humanitária só são possíveis porque alguém, em busca do lucro, criou os bens utilizados nesse trabalho voluntário para aliviar o sofrimento das pessoas.

    Por exemplo, na caridade você distribui comida? Pois a comida é um bem material que teve de ser produzido por alguém. E esse alguém estava em busca do lucro.

    Você distribui roupas de frio? Roupas são bens materiais que foram produzidos por alguém em busca do lucro.

    Você dá aulas de matemática? Então você terá de fazer uso de giz, quadro-negro e folhas de papel. Isso são riquezas que foram anteriormente criadas por alguém em busca do lucro.

    Você distribuiu remédios? Remédios foram criados por farmacêuticas em busca do lucro.

    É realmente muito bonito uma pessoa se acreditar indiferente ao mundo material e adepta da caridade e do trabalho voluntário. Mas a caridade é impossível se alguém, antes, não tiver criado riqueza.

    Artigo para você:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2122


    "Portanto, uma pequena dose de estado sempre será necessária."

    Carai, e eu achando que você ao menos estava defendendo a caridade voluntária. Mas não. Todo esse seu discurso foi apenas para dizer que devemos dar dinheiro para dinheiro para políticos (meros atravessadores com salários magnânimos) para que estes então repassem o dinheiro (após desviarem um troquinho para trustes na Suíça e nas ilhas Cayman) para os necessitados.

    Isso sim é algo necessário. E bem humanitário.
  • Marcos Abraao  19/08/2016 21:46
    Não, Marcos Paz, eu não pensei em corretores da bolsa em Wall Street, na City de Londres, em Tóquio e nem em nenhum outro lugar de transações de papéis de empresas de capital aberto. De qualquer jeito, obrigado por uma aula de economia que já tive. Recomendo, Adolfo Sachsida no Youtube. Ele complementa o que aprendi na faculdade e o que estou aprendendo nos livros de maneira brilhante.

    Querido Spin, argumente. O texto eleva o mercado a uma condição espetacular. Eu não sou otário de acreditar que os políticos vão resolver tudo. Óbvio que não. Tenho tanta desconfiança de políticos brasileiros quanto qualquer um. Não é preciso ser gênio pra ver que estão lá para se servir e não servir a legião de trouxas que os elegeram. Mas, em sua fé no mercado, querido Spin, você me chamou de "trouxa" sem nem ao menos me apresentar um argumento. É a isso que a sua fé te leva? A agir irracionalmente na defesa do seu ponto de vista sem buscar fatos para me contrapor? Se não for, manda um textão aí que eu lerei cada palavra com prazer inenarrável.

    E o melhor de todos, em caixa alta: MAIS MISES!! Queridão, você em duas linhas do que eu escrevi chegou a essa conclusão?!! Deixa eu ver bem...Alguém que não é 100% anti-Estado, e que não coloca enaltece o mercado ignorando suas deficiências, é automaticamente comunista? É isso mesmo? Não sou uma coisa, então sou outra? Essa é a conclusão brilhante?!! Onde eu dei a entender que não concordo com o texto, você leu: eu quero morar em Cuba e cultuo Che e Fidel de manhã até a hora de dormir. Sério mesmo, rapaz? Estou com as interpretações que vocês tiram desses livros de Mises que vocês leem. Livros, aliás, que lerei com o maior prazer, caso recomendados.

    Enfim, amigos. Vocês são brilhantes em seus curtos comentários. Com certeza, serão bem mais em comentários mais extensos, contra-argumentando de verdade. Então, sintam-se à vontade e escrevam.

  • Gomes  19/08/2016 22:26
    "Enaltecer"? "Elevar a uma condição espetacular"? Isso só é possível de ser feito para pessoas físicas, não para arranjos voluntários.

    Arranjos voluntários têm defeitos? Ora, óbvio que têm. Afinal, são feitos por seres humanos, que são naturalmente falhos. Agora, como se corrige essas eventuais falhas desses seres humanos? Com mais seres humanos atuando para corrigi-las, é claro.

    Um arranjo voluntário formado por bilhões de indivíduos interagindo voluntariamente não pode ser "corrigido" por um politburo. Atenção: sei que você não defendeu isso, mas, ao dizer tudo o que você disse acima, deixou subentendido que esse arranjo voluntário precisa de um controle. Não falou quem deveria exercer esse controle, mas insinuou que alguém tem de fazer isso.

    Gostaria muito de saber quem seriam os super-humanos oniscientes que, abnegadamente, descobririam as falhas antes mesmo dos outros bilhões de indivíduos, os quais poderiam lucrar muito caso apresentassem soluções para essas falhas. Isso sim é ter fé.

    A virtude das "ineficiências de mercado"

    Quem regula os reguladores?

    A maior invenção do homem. E a sua pior
  • Spin  19/08/2016 22:50
    "Mas, em sua fé no mercado, querido Spin, você me chamou de "trouxa" sem nem ao menos me apresentar um argumento"

    Que sujeito engraçado vc é, Marcos Abraao: vc vem aqui e solta uma ironia brilhante sem nenhum argumento e quer que o interlocutor te apresente argumento?


    Relembremos: "Nossa, depois desse texto, vou montar a igreja do "mercado" e elevar ao status de santos padroeiros todos que trabalham nele. Afinal de contas, só fazem o bem, não é mesmo?"


    Que argumento vc queria para essa manifestação tão tolinha quanto insolente?

    Aliás, uma manifestação mistificadora, pq nem o texto supra, nem qualquer outro texto libertário (ao menos texto dos bons/genuínos libertários), sustentam que a superioridade do mercado pq "todos que trabalham nele só fazem o bem". Isso não é argumento, meu caro. Se vc quer contra-argumento (algo que vc, aliás, tem no próximo texto em relação ao qual vc dirigiu sua ironia brilhante), então apresente vc um argumento racional contraposto à defesa da liberdade econômica (coisa que vc, aliás, segue sem fazer).

  • Marcos Guerra  20/08/2016 01:32
    Querido, Spin do meu coração. Admito que, em meu comentário, não expus nenhum seguimento, apenas minha discordância em relação ao texto apresentado.
    Minha ausência de argumentação o legitima a me ofender de "trouxa"? Aliás, o que o legitima a me ofender? Sua concordância com o texto? A adesão de ideias da maioria dos que aqui escrevem? Vocês defendem que as relações em um país sem Estado seriam pautados por trocas voluntárias, vantajosas para ambos os lados, e mais do que tudo, justas. Acredito eu que em qualquer relação deve haver respeito e, se não me engano, chamar os outros de trouxas ou "trouxas ainda maiores", não se enquadra bem na definição de uma atitude respeitosa. Não sei, talvez pra você, ofender os que não seguem seu mesmo ponto de vista seja uma atitude normal... Que mundo legal esse, não? Um bando de libertários armados (já que não vai haver restrição ao porte de armas - vocês não gostam disso), prontos pra se ofenderem e atirarem uns nos outros ao menor sinalzinho de discordância. "Trouxa", "otário", "estatista", "esquerdopata"... Vai ser um circo só...
    Mas, enfim, apenas falei de argumentação para chamar atenção para o fato de ter sido ofendido. Sinta-se à vontade para argumentar ou não.
  • Wesley  20/08/2016 07:36
    Pessoal, vi uma palestra sobre a ANAC na TV Senado. O que mais chamou a atenção foi o que o representante das empresas aéreas disse. Segundo ele, a agência reguladora deve existir para que não haja monopólio no mercado, desde que é claro, a regulação não seja excessiva e prejudique as empresas brasileiras. Ou seja, ele está dizendo implicitamente que as agências reguladoras servem para proteger o baronato nacional dos consumidores. Se o livre mercado sozinho causasse oligopólio ou monopólio como a esquerda fala, obviamente ele não diria o que disse. Ouvir isso do representante do oligopólio da aviação civil é algo que ceifa definitivamente a razão de se defender agência reguladora.
  • JOAQUIM SAAD  20/08/2016 14:03
    Será que precisamos mesmo é de uma "ANARCO" ?! :)
  • Carla  27/08/2016 13:17
    Possivelmente esse é mais grito mudo, em momento que quase ninguém topa ouvir o outro. Mas também é desabafo-vomito-de-ideias que precisava sair.

    Nunca entendi muito de política. Nem de economia. Sequer me interessava sobre o tema, usava a ignorância pra me afastar: "de que adianta discutir? São todos corruptos", falava, de peito cheio de razão.
    Modéstia a parte (se é que isso é algo para sentir orgulho), sempre trabalhei muito. Horas a fio, horas a mais. E de certo modo, sempre fui recompensada por isso. Ora, então não seria assim para todos? Eu, menina vinda de classe média e do interior - cidade com um dos melhores IDHs do Brasil – pensava que sim. Todos iguais. Mas... Pq algo sempre incomodava, no fundinho?

    Apesar de tentar ignorar desconforto, penso que as inquietações, mesmo caladas, às vezes nos levam ao encontro de dúvidas que precisamos enfrentar. Pois bem, as minhas me fizeram ingressar no mestrado há mais de ano. Brincam comigo que devo ser a primeira pessoa que entra na administração e 'vira' de esquerda. Foi a malvada ideologia de uma escola com partido que me transformou? Uma menina sem opinião que sofreu lavagem cerebral por comunistas que querem dominar o mundo disfarçados de professores? Nem sei se precisaria responder... Talvez aqueles que me conhecem há tempo sabem de minha personalidade forte. E de quanto sempre fui teimosa e dura ao ceder em discussões... O fato é que, cruzando pelo caminho de brilhantes professores, colegas, alunos de graduação, passei a compreender o mundo diferente. Outros olhos – muito mais próximos de olhar alheio. Há abismos que nos separam. Nós, favorecidos de classe média (alta)-brancos e a grande realidade brasileira. Não me envergonho aqui de dizer que vomitava discursos como "ah, mas é difícil para todo mundo, basta se esforçar"; "olha o caso do fulano, do beltrano..."e saia eu a enumerar as contadas exceções que conhecia.

    Dias atrás, caminhava por uma das partes que considero mais lindas da cidade de Porto Alegre, por baixo dos viadutos da Borges de Medeiros. Comento com o namorado sobre esse indicador social e vivo da crise – a quantidade de moradores de rua. Ela havia aumentado muito nos últimos meses. Enquanto diminuo o passo, observo verdadeiras "estruturas" montadas por ali. Bons colchões, divisórias separando invisíveis cômodos/ vizinhanças, utensílios alinhados. Algumas malas. Continuo a caminhar, e então olhar congela – como se pudesse desafiar a realidade ali escrachada.

    O protagonista, um senhor-moço por volta dos 50 anos, dá alguns passos em direção a sua mala. Abre-a, e de lá, retira uma pasta plástica semi-transparente e esverdeada, sua carteira e a carteira de trabalho. Larga, com mansidão, as carteiras sobre a cama de lençóis e cobertor perfeitamente alinhados, como se estivesse em sua casa, como se nós estivéssemos na nossa. Desconsiderava o passo apressado da cidade que o ignorava. Abre a pastinha verde, há nela um saco plástico que desliza lateralmente para fora. Ele o apanha, e de lá tira uma cópia de documento tamanho A4 que não posso identificar. Volta a guardar o saco na pasta, a pasta na mala, zíper a fechar, como se estivesse a encostar porta de armário de escritório. Mas na rua. Filme curto que não páro de reprisar.

    Então vem sentimento paralisador, aquele do tipo soco no estômago. Golpe certeiro, sequer consigo conter as lágrimas.
    Ah, aquele moço-homem-senhor e sua dignidade em uma pastinha plástica. Talvez a forma que ele tinha de mantê-la. A dignidade. Seu reduto. Vai saber...

    Golpe vem mais forte quando me dou conta da minha intenção/ impotência. Vontade de passar e conversar. De dizer que ficará tudo bem. Poderia eu dar um emprego para o moço? Por que pensava nisso? Era por ele? Me inquieto com a possibilidade de estar buscando promover meu próprio conforto. E dói.

    Não sei se todos, mas possivelmente muitos deles, devem estar fartos de boas intenções-esmolas-voluntarismos. Me pareceu, aquele moço, apenas estar buscando espaço nessa sociedade capitalista maluca. Ter chance de ter trabalho e existir socialmente. Imagina só, ele indo para uma vaga, concorrendo "nas mesmas condições" que alguém que levantou de uma cama quentinha e estava de barriga cheia? É possível acreditar que se fala em justiça, quando juízes têm aumento de 40% no ano enquanto muitos correm o risco de perder benefícios sociais que financeiramente representam menos do que 1/3 disto?

    Uma maioria calada e prejudicada. Uma minoria gritando e sendo 'ouvida'. É justo?

    Continuo a não entender de política/ economia profundamente. Mas hoje, eu que nunca fui uma defensora do governo Dilma, preciso de novo reforçar. É golpe, gente. É GOLPE. Na democracia. Golpe em tantos projetos sociais. Nas classes mais desfavorecidas que representam a grande maioria do nosso povo. Esse golpe que vem se anunciando de mansinho no SUS; programas sociais; Minha Casa Minha Vida; aumento da jornada de trabalho. É duro de engolir, ainda mais sabendo onde esse dinheiro vai parar, concentrado na mão de poucos, talvez boa parte fora do Brasil. Uma minoria rica, que em sua grande maioria, vomita discursos de dominação e poder disfarçados de falso liberalismo.

    Já se perguntaram "LIBERDADE PARA QUEM"? Certamente não é para o moço que reza pelo emprego de um salário mínimo de possíveis 60h para se aposentar aos 70.

    Nunca é tarde para revisitarmos nossos pressupostos. Revisarmos nossos conceitos. Nunca é tarde para pensarmos em que lado queremos estar dessa possível mancha na nossa história.

    Ah, como fico aliviada de olhar pra trás e me perceber mais tola do que (e)s(t)ou. Sinto até uma pontinha de orgulho por ter desprezo em relação a algumas opiniões passadas. Como é libertador revisitar conceitos e posturas... indignar-me comigo mesma. Ah, bendito o moço da pasta que desnudou sua dignidade no meio da rua...e colocou em cheque a minha.
  • Perez  27/08/2016 16:39
    Golpe? Golpe é o que o último governo fez, principalmente com a classe trabalhadora (como esse cidadão da sua fanfic). Ele foi a vítima direta e visível do governo Dilma.

    Mas há males que vêm para bem e, por isso, devemos ser gratos.

    O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade

    Mas a sua fanfic foi criativa, devo admitir.
  • Brant  27/08/2016 20:34
    "Continuo a não entender de política/ economia profundamente."

    Deu para perceber. Você não consegue sequer estabelecer uma relação básica entre a situação econômica do homem que você encontrou, e as ações políticas do estado que o deixaram nessa situação.
    E o pior de tudo, você afirma que tirar o poder das pessoas responsáveis por causar todo esse sofrimento é um "golpe contra os desfavorecidos". Uma lógica confusa e deficitária, para não dizer maliciosa.

    "Me pareceu, aquele moço, apenas estar buscando espaço nessa sociedade capitalista maluca."

    Pensei ter lido que você tinha encontrado o moço em Porto Alegre (que fica no Brasil), e não na Suíça. Esse negócio de "sociedade capitalista maluca" ficou meio esquisito e fora de contexto.

    Mas talvez a sua ideia de sociedade "não-maluca" seja essa:

    O socialismo venezuelano: pessoas comendo cachorros, saqueando supermercados e morrendo de inanição

    Isso sim é o ápice da sanidade e sobriedade que só uma sociedade socialista pode oferecer. Loucura mesmo é respeitar direito de propriedade privada e livre comércio como fazem Nova Zelândia e Austrália.


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