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Se o objetivo é limitar os gastos do governo, há um exemplo prático a ser copiado: a Suíça

Governos em crise orçamentária e que realmente querem domar a prodigalidade fiscal legada pelas administrações anteriores deveriam se inspirar na Suíça e na eficácia da medida que ela adotou.

Em 2001, 85% dos suíços votaram em prol de uma iniciativa que efetivamente exigia que os gastos do seu governo central não crescessem mais do que a tendência de crescimento de suas receitas, obrigando que as despesas do governo fossem majoritariamente financiadas exclusivamente por impostos, e não por endividamento.

A reforma, chamada na Suíça de "freio da dívida", tem se mostrado muito exitosa — apenas o Partido Social-Democrata suíço tem feito algumas críticas, dizendo que a medida coloca muita ênfase em reduzir a dívida e pouca ênfase na melhoria da já impressionante infra-estrutura do país.

Antes de a lei entrar em efeito em 2003, os gastos do governo central suíço estavam crescendo a uma média de 4,3% ao ano.  Após 2003, passaram a crescer a uma média de apenas 1,1% ao ano, e isso em termos nominais.

Trata-se de uma taxa de crescimento incrivelmente baixa.  (Para se ter uma ideia, neste mesmo período, os gastos do governo federal brasileiro, desconsiderando as despesas com o serviço da dívida, aumentaram a uma média de 11,25% ao ano em termos nominais).

Não é perfeito, mas é o que há

O "freio da dívida" suíço não exige um orçamento equilibrado no sentido tradicional do termo.  As receitas tributárias, como bem sabemos por experiência própria, tendem a crescer rapidamente quando a economia está indo bem, e entram em queda quando a economia engasga e entra em recessão.  Com o intuito de suavizar as brutais variações orçamentárias que seriam geradas por esse movimento cíclico das receitas, o freio da dívida suíço limita o crescimento dos gastos do governo central ao aumento médio das receitas ocorrido ao longo de um período de vários anos anteriores (calculado pelo Departamento Federal das Finanças da Suíça).

De um lado, essa característica agrada aos keynesianos, que gostam de déficits orçamentários quando a economia está em recessão e as receitas tributárias caem. [N. do E.: embora isso comprovadamente não traga nada de positivo].  Mas, de outro, agrada também aos defensores de uma política fiscal austera, pois os políticos não podem aumentar o gasto quando a economia está indo bem e o Tesouro está repleto de governo. [N. do E.: que foi exatamente o que fez o governo Lula em seu segundo mandato e o governo Dilma em seu primeiro mandato, em que ambos quase triplicaram os gastos].

Igualmente importante, é muito difícil para os políticos aumentarem o teto dos gastos por meio de um aumento de impostos (o que geraria mais receitas). As alíquotas máximas para a maioria dos impostos nacionais na Suíça são constitucionalmente determinadas: a alíquota máxima do imposto de renda de pessoa física é de 11,5%; a do imposto sobre o valor agregado (equivalente ao nosso ICMS) é de 8%, e a do imposto de renda de pessoa jurídica é de 8,5% (sobre os lucros antes da incidência dos impostos cantonais). 

As alíquotas só podem ser alteradas por meio de um "referendo de dupla maioria": não apenas a maioria das pessoas tem de ser favorável à emenda, como também a maioria dos cantões tem de dar seu consentimento.  Na prática, isso significa que a maioria dos eleitores na maioria dos cantões tem de estar a favor.

Desnecessário dizer que, na Suíça — país onde, recentemente, os eleitores esmagadoramente recusaram uma renda mínima de R$ 9 mil para todos —, isso não tem muitas chances de ocorrer.  A história mostra que os suíços são mais propensos a votar reduções de impostos do que aumentos de impostos.

Consequências

Esse teto de gastos da Suíça ajudou o país a evitar a avassaladora crise fiscal que vem afetando quase todos os países europeus. 

Os gastos totais do governo central da Suíça hoje estão em 11% do PIB, e o gasto total, em todos os níveis de governo, está abaixo de 34% do PIB.  Em 2003, quando o "freio da dívida" entrou em efeito, os gastos totais estavam acima de 36% do PIB, o que mostra que a medida foi extremamente eficaz em manter os gastos do governo sob controle.

A situação se torna ainda mais notável quando se considera como os gastos do governo, que representam um fardo para qualquer economia, saltaram na maioria dos países desenvolvidos.  Nos EUA, por exemplo, nesse mesmo período de tempo, os gastos do governo saltaram de 36% do PIB para 38% do PIB, chegando a bater em 43% em 2009.

Mas foi em termos de dívida em relação ao PIB que o "freio da dívida" suíço mostrou realmente a que veio: a queda da dívida foi fragorosa, despencando de 50% do PIB em 2003 para menos de 35% do PIB em 2015.

switzerland-government-debt-to-gdp.png

Neste mesmo período, os níveis de endividamento dos países da zona do euro saltaram de 68% para mais de 90% do PIB.

[Para efeitos de comparação, a dívida do governo brasileiro está hoje em 66% do PIB].

Conclusão

O sistema suíço, como já dito, não é perfeito.  Alguns programas relacionados à seguridade social estão isentos do teto de gastos, de modo que os gastos presumivelmente irão aumentar nesta área à medida que a população vai envelhecendo — muito embora a Suíça ainda esteja em boa forma, uma vez que uma grande fatia de seus gastos com saúde e previdência é feita pelo setor privado.

Ainda assim, a adoção de uma variável razoavelmente estável para limitar os gastos do governo (como o crescimento médio das receitas nos últimos anos) é uma abordagem factível que, para a Suíça, criou uma genuína restrição ao crescimento dos gastos e da dívida do governo. [N. do E.: no caso do Brasil, as receitas nominais do governo estão estagnadas desde o início de 2014, o que praticamente obrigaria a um muito bem-vindo congelamento de gastos].

Muito ajudou também o fato de que, na Suíça, aumentos de impostos federais só podem ser efetivados por meio de um referendo de dupla maioria.  Tal sistema não existe na maioria dos outros países do mundo, mas não é nada que uma emenda constitucional não possa promulgar.  Aqueles que se dizem defensores da democracia não irão se opor a tal medida.

Por fim, é claro que nenhum político quer ser submetido a nenhum tipo de restrição à sua capacidade de aumentar livremente os gastos e, com isso, comprar votos com o dinheiro dos pagadores de impostos.  Mas a atual situação das economias mundiais mostra que essa prática, até então corriqueira, já está emitindo claros sinais de exaustão. 

Ou emulamos a Suíça ou viramos a Grécia.


3 votos

autor

Daniel Mitchell
é membro-sênior do Cato Institute e especialista em política fiscal e o fardo representado pelos gastos do governo. É também membro do quadro editorial do Cayman Financial Review.


  • Capital Imoral  25/07/2016 14:44
    A Desigualdade dos homens representado no filme impacto profundo

    Ontem assisti a um filme, um pouco antigo, mas que carrega uma verdade da nossa sociedade capitalista. Irei fazer uma breve explicação do filme, para que fique claro.

    Um meteoro está vindo para a terra, eles tentam destruir o meteoro, mas a tentativa fracassa. O que faz, o governo capitalista da época?

    Decidiu-se colocar apenas pessoas celebres em determinas áreas do conhecimento, politica, arte, famosos e etc. Somente os "melhores" iriam ficar a salvo dentro de cavernas (que eles chamam de arca de noé). E o que acontece com o povão? O povão iria morrer, quando o meteoro cair na terra.

    Ou seja os melhores iriam ficar a salvo, e os "normais" iriam morrer. Que injustiça, que coisa mais imoral, inaceitável, não há palavras para dizer o quanto isso é errado.

    È na hora do desespero que os homens mostram suas faces.

    Agora imagine que eventualmente, possa cair um meteoro na nossa terra, e tenha como alternativa ficar a salvo nas cavernas. Você não acha que eles iriam fazer isso? Iriam colocar lá dentro somente os bilionários e as pessoas celebres.. o resto iria morrer.

    No socialismo caso caia um meteoro na terra, iria aceitar a TODOS dentro da caverna, todos os 7 bilhões de pessoas (socialismo internacional) estariam protegidas durante os 2 anos, até a radiação na terra acabar.

    Todos devemos lutar pelo socialismo internacional, a sobrevivência humana depende disso.
  • Nnie  25/07/2016 18:04
    Não permitam os comentários desses "fakes", esquerdista imundos.

    Eles invadiram o IMB, e agora ficam propagando esses absurdos para irritar e caçoar da nossa cara.
    Não permitam isso, BLOCK NELES.

    Tente comentar em um "blog de esquerda" será rechaçado. Então porque permitem esses pulhas por aqui?

    IMB está perdendo espaço, precisamos fazer, resistência.
  • Marcos  25/07/2016 18:33
    Calma. Ele é só um fake criado por um libertário para ironizar o discurso sem sentido e desconexo da esquerda. Observe a prosa. É intencionalmente hilária, com o intuito de ridicularizar o objeto da chacota (o discurso cheio de chavões e lugares-comuns da esquerda).
  • Nnie  25/07/2016 20:32
    Mesmo se assim for, seria melhor se "ele" utilizasse a boa capacidade de escrita para algo mais produtivo.

    Sem dúvida é hilário, mas é assim que a esquerda faz.
    Não precisa ter lógica, fazer sentido, nada...basta apenas apelar para emoções e chavões, que como sabemos afetam de sobremaneira "o homem massa".

    Sabemos também que existem os "esquerdistas de teclado" ganham grana para infestar a rede com essas babaquices e desvirtuar qualquer debate sério, esse capital imoral é um deles.

    É um desserviço ao IMB permite esse tipo de comentário.

    Apenas minha opinião, como o IMB não é minha propriedade, nada posso fazer, a não ser alertar e reclamar.
    Até desmotiva comentar algo, quando você percebe o nível dos comentários já postados.
  • Marcelo Vasconcelos  25/07/2016 21:03
    Marcos, eu não tenho certeza disso. Veja que somente nesta matéria o Sr. "Capital Imoral" fez três comentários, sempre exaltando o "esquerdismo". Ele não havia recebido feedback, portando teve que comentar mais de uma vez para chamar a atenção.

    Os comentários dele não são irônicos, apesar de serem infantis.

    Concordo com o posicionamento do "Nnie", pois qualquer um que faça comentários em sites ou blogs de esquerda, caso poste algo contrário a ideologia deles, é sumariamente censurado.
  • Livre Mercado  26/07/2016 11:40
    O capital imoral faz um excelente trabalho ao escrever ironicamente a forma distorcida como um típico esquerdista ou até mesmo pessoa comum de mente estatizada interpretariam o artigo.
    Aliás, ás vezes ele até fez os comentários sérios esquecendo de trocar o nick, entregando seu real alinhamento com o liberalismo.
    Além do mais os comentários dele são usados por muitos desavisados aqui para afiarem suas garras para discussões verdadeiras.
    Quanto a uma regra de reciprocidade nos sites de esquerda, esqueça, aqueles sites tem números vergonhosos de acessos e o instituto Mises Brasil está crescendo, Mises é mais buscado que Keynes apenas por aqui:

    www.ilisp.org/noticias/brasil-e-o-unico-pais-no-mundo-onde-o-economista-mises-e-mais-buscado-que-keynes/

    Esquerdistas de verdade raramente comentam por aqui, o problema real deste instituto é o alto número de funças parasitas da economia brasileira que aqui frequentam jurando defender idéias liberais.
  • Andrea  26/07/2016 12:45
    Livre Mercado, também fiquei estarrecida com os comentários no último artigo sobre funcionalismo com a quantidade de servidores alegando inocência perante sua cumplicidade com a depredação econômica estatal e se dizendo liberais, sinceramente foi um dos momentos mais depressivos para mim ao imaginar que boa parte do diminuto grupo de liberais hoje no Brasil é composto de funcionários públicos, parece até mesmo a armadilha para Winston Smith de 1984.
    Quando a esquerda descobrir os "funças" por aqui será um prato cheio para devorar os liberais, afinal não tem lógica que resista a tanta hipocrisia.
  • Desabafo  26/07/2016 13:19
    Ih, o que eu mais vejo no meu Facebook são funças que se dizem libertários, que condenam o Bolsa-Família ao mesmo tempo em que têm aumentos em seus salários de R$ 12.500, pagos pelos mesmos famintos do Bolsa-Família.

    E o que mais vejo também são conservadores que juram apego à moral judaico-cristã, mas que não são casados, não têm filhos e ainda moram com os pais enquanto cursam universidade aos 25 anos. (Ignorando a máxima do "abandonai pai e mãe, casai-vos e multiplicai-vos").

    Esqueça, não virá nada de bom dessa gente. Na hora H, quando a pele deles estiver em jogo e o governo realmente tiver de fazer cortes, nenhum deles será libertário o bastante para defender redução no próprio salário ou a privatização das universidades públicas. Para os outros, sim; para eles, jamais.

    O futuro do libertarianismo e do conservadorismo autentico está nos pequenos e microempreendedores, assim como nos pais de família que têm de trabalhar duro na iniciativa privada para bancar toda a farra estatal. Pena que estes não apenas não têm nenhum poder de mobilização, como ainda têm de trabalhar muito para bancar os "funças libertários".
  • Livre Mercado  26/07/2016 14:47
    Bem lembrado, liberais privados serão atirados na fogueira quando os esquerdistas se sentires ameaçados pela expansão das idéias liberais usando esse mesmo argumento, que liberalismo é tão bom que só os funças o defendem, rotulando a todos nós liberais como parasitas do estado.
    E no pior dos casos, quando os governos finalmente quebrarem e cortarem seus gastos, quero ver qual desses funças liberais irá oferecer seu pescoço para o corte de gastos.

    Ressaltei a quantidade de funças parasitas que se dizem liberais, mas não parei para pensar na consequência disso, muito obrigado pelo alerta, Instituto Mises vamos ficar atentos, pois o movimento liberal brasileiro tende ao fracasso assim com tantos funças.
  • anônimo  26/07/2016 15:39
    "usando esse mesmo argumento, que liberalismo é tão bom que só os funças o defendem, rotulando a todos nós liberais como parasitas do estado."

    Tá com medo de um argumento ridículo desse? sério mesmo? alguém que falasse isso eu ia simplesmente ignorar de tão ridículo.

    O problema do movimento liberal são os liberais fracos que não conseguem nem argumentar com um esquerdista.
  • Livre Mercado  26/07/2016 16:39
    Medo não tenho, mas você sabe muito bem que nenhum de nossos libertários de repartição moverá qualquer palha pelo bem do liberalismo.
    São tão parasitas que parasitam até idéias.
  • Constatação  25/07/2016 23:04
    Numa Venezuela com 31 milhões de pessoas o povo está morrendo de fome em campo aberto... que dirá numa caverna com 7 bilhões de pessoas gerida por socialistas. Em três dias, haveria gente achando que ficar exposta a "radiação de meteoro" (??) gigante não seria má ideia.
  • Cobrador de Impostos  26/07/2016 01:48
    Dei risada com a visão distorcida do Capital Imoral ao assistir um simples filme.
  • Rafael Palma  26/07/2016 03:59
    ESQUERDELHOS... sempre inventando utopias...
  • João  29/07/2016 19:33
    hauhauhauhauah. 7 Bilhões de pessoas dentro de uma caverna, uahuahuahuahuahuah. Adorei o exemplo de como funciona a cabeça de um esquerdopata, auhuahua
  • cc  30/11/2016 15:07
    O comentário sobre o filme me fez lembrar de uma pesquisa sobre ratos, assim descrita:
    Enquanto todos o ratos recebiam alimentos de sobra (além da necessidade) havia uma harmonia e convivência pacífica entre todos. Os ratinhos recém nascidos eram tratados com cuidado pela comunidade. Porém realizou-se a seguinte intervenção - retirar aos poucos a quantidade de alimentos.
    A medida que o alimento ficava escasso a convivência ficava mais agressiva. Os primeiros a serem devorados foram os filhotes, pelos próprios que os geraram.
    Depois da leitura do comentário acima fiquei a pensar : O que aconteceria com "todos que fossem acolhidos na caverna" ???? Me parece que o início seria parecido com o que está acontecendo na Venezuela.
  • Capital Imoral  25/07/2016 14:56
    È bom deixar claro que a Suíça não é um exemplo puro sangue de socialismo. Mas ainda sim um exemplo de social democracia. Faço está afirmação, por saber que os Suíços são fechados em sua própria comunidade,isto em um sentido cultural e econômico. muito provavelmente eles seriam contra um socialismo internacional.

    A suíça serve de exemplo de comunidade fechada, e não é bem socialismo infelizmente, mas sim socialdemocracia, pois ainda não chegamos a ponto de ter um socialismo puro sangue, sem dinheiro, sem bancos, sem empresas.

    O que se percebe é que os suíços são extremamente capitalistas e egoístas para seus próprios interesses dentro da própria comunidade. Em um sentido internacional eles são egoístas, pois não pensam no bem comum do mundo.
  • SOLUCAO QUE TRAS PROBLEMA  25/07/2016 15:51
    Esta é a verdade sobre a Suíça hoje (exemplo???)

    Ista solução que descreveu, é apoiar o bandidismo, e o roubo descarado das autoridades.

    *** A pobreza é um verdadeiro problema na Suíça

    www.swissinfo.ch/por/-a-pobreza-%C3%A9-um-verdadeiro-problema-na-su%C3%AD%C3%A7a-/28791342


    O que diz é uma coisa (vender algo ruim como se fosse algo bom).

    Mas a realidade é outra (ditadura democrática socialista).
  • Hans  25/07/2016 18:31
    Ué, por que você não complementa a informação? Sabe o que é considerado "pobreza" na Suíça?

    Ganhar menos de 2.500 dólares por mês para uma pessoa sozinha ou 4.500 dólares por mês para um casal.

    Ou seja, ser pobre na Suíça é ganhar menos do que R$ 8.250 por mês para um indivíduo ou R$ 14.850 para um casal.

    Por essa métrica, eu e minha mulher seriamos mendigos na Suíça.

    E quer babar um pouco mais?

    Apenas 7,7% da população suíça ganha menos que esses valores. Ah, e essa valor era de 9,3% em 2007. Ou seja, diminuiu.

    Tem certeza de que quer ir por esse caminho?

    exame.abril.com.br/mundo/noticias/suica-tinha-7-7-de-pobres-em-2012

  • Renan Merlin  25/07/2016 15:57
    Como limitar os gastos com uma bomba relogio chamada previdência, outra chamada "estabilidade de parasitas ops de funcionarios publicos" e outra chamada constituição federal?
  • Ciro  25/07/2016 18:37
    Para a Previdência não há solução, pois se trata de uma questão demográfica e atuarial. Trata-se da única área da economia que nem sequer permite espaço para visões ideológicas distintas.

    Quanto a Previdência foi criada, havia 7 trabalhadores trabalhando para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando para sustentar um aposentado.

    Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. Logo, se não tem solução, solucionado já está.

    Quanto à estabilidade, isso não é impeditivo para o congelamento salarial dos funças. Quanto à Constituição, esta pode perfeitamente ser emendada.
  • ricardson  25/07/2016 16:00
    Prezado Leandro,

    Segundo Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da associação AUDITORIA CIDADÃ DA DÍVIDA (www.auditoriacidada.org.br/quem-somos/ ), o sistema da dívida pública brasileiro é um mega esquema de corrupção que vem extraindo a riqueza do povo brasileiro.

    O senhor poderia fazer alguma consideração a respeito dos argumentos apresentados pela mencionada coordenadora?

    Segue o link para acesso ao vídeo:
    https://www.youtube.com/watch?v=IObR2RuhBNQ
  • Reinaldo  25/07/2016 17:23
    De minha parte, sou inteiramente a favor de toda e qualquer auditoria da dívida brasileira. Quanto mais auditoria, melhor.

    Mas tem uma coisa que os seguidores dessa tal Fatorelli vivem gritando e eu nunca entendi: o que seria uma "dívida ilegal"?

    Estaria ela dizendo que alguém, que não o governo, emitiu dívida em nome do governo?

    Ou estaria ela dizendo que o governo emitiu dívidas para privilegiar nababos?

    Se for a segunda opção (como sei que é), digo apenas: Nossa, que espanto!

    Por acaso a Fatorelli comprova que algum cidadão privado invadiu o Tesouro e emitiu títulos sem que nenhum burocrata, político ou regulador soubesse? Se é isso, estou interessado em saber.

    Se não é isso, então ela está apenas chovendo no molhado: descobriu tardiamente que o estado é uma gangue de ladrões em larga escala que existe apenas para privilegiar quem está dentro da máquina e que vive à custa de quem está fora dela e é obrigado a bancar toda a esbórnia.

    E ainda há otários que defendem governo...

    E complemento:

    Até onde sei -- e gostaria que alguém me provasse errado --, quem emite títulos para financiar seus gastos é o governo (ou seja, políticos, burocratas e reguladores) e só. Ninguém mais tem acesso ao Tesouro para, fortuitamente, emitir títulos em benefício próprio.

    E, até onde sei, o governo se endivida exatamente porque gastou mais do que arrecadou. E ele gasta mais do que arrecada exatamente para saciar os exorbitantes salários dos políticos, burocratas e reguladores, além de privilegiar seus empresários favoritos com subsídios e empréstimos subsidiados pelo BNDES (com o nosso dinheiro de impostos).

    Agora, se alguém sabe de algo mais, é bom compartilhar.
  • Dam Herzog  25/07/2016 16:27
    Acho que toda pessoas devem assumir suas próprias responsabilidade na vida real. E fato que nascemos e deveríamos ser orientados pelos nossos pais que para beneficio próprio de que é crucial nos prepararmos na adolescência para a nossa manutenção de nossas vidas e ter noções de economia da geração de riqueza e que não existe almoço grátis, e que que ninguém deve fazer sacrifícios não voluntários para outras pessoas. A noção de que sem lucro não existe progresso. Que as trocas e a compaixão devem ser voluntarias. Que o jovem deve aprimorar com capacitações que os tornem bom prestador de serviço a um mundo que esta cada vez mais pequeno e globalizado. Que os impostos são uma forma de punição aos que produzem e um desincentivo ao trabalho. Que o governo é um desperdiçador de recursos e que quanto maior mais prejudica a maioria da população. Que o governo para se tornar cada vez maior se vale do chamado progressivismo dos impostos punindo ainda mais o cidadão produtivo que ao produzir mais cresce e espalha o progresso para o maior numero.Por isso devemos sempre rejeitar no atual contexto todo aumento de impostos e apoiando sempre as reduções. Um dia ouvi do senador Jose Serra comunista envergonhado que os déficits são inevitáveis para satisfazer demandas da sociedade que devem ser aceitas. Deve haver uma camisa de força para as despesas do governo com uma receita pessimista para que não haja deficit. Dilma morreu pois acreditou que gastança é vida. O impeachment dela é um ato de legitima defesa da sociedade descontente, ressentida. Justiça social é apenas o fato de obrigatoriamente tirar de Paulo que é produtivo e dar a Pedro que quase não produz, enfim roubo legalizado pelo estado. No atual contexto devemos votar em políticos que não prometem aumento de despesas, mas a sua diminuição. Esses almoços grátis que os politicos nos oferecem não são gratis, mas pagos por nós mesmos atraves de impostos. PS nunca mais votem no PT, Lula e partidos socialistas eles destroem riquezas.
  • Pobre Paulista  25/07/2016 16:31
    A ideia é realmente boa, mas no fundo é só mais uma canetada burocrática que pode ser revogada a qualquer momento em um sistema democrático. Os Suíços ainda estão nas mãos dos políticos e burocratas, mas felizmente os políticos de lá não são tão idiotas em média.

    Acho que os exemplos do Peru ou do Panamá são mais efetivos pois impõe travas um pouco mais mecânicas ao estado. Ou, para uma solução realmente definitiva, a desestatização total do dinheiro é o caminho.
  • Oneide teixeira  25/07/2016 16:59
    "O cristianismo, no seu verdadeiro significado, destrói o Estado." - Lev Tolstoi (1828 - 1910)
    O cristianismo é libertário?
    Deve ser por isso que os "esquerdopatas" odeiam a igreja católica.
  • Pobre Paulista  25/07/2016 17:11
    Já vi um artigo, e me arrependo demais de não ter guardado em meus bookmarks, onde o autor demonstra que ser um Cristão implica em ser um Libertário.
  • Pobre Paulista  25/07/2016 18:39
    Obrigado, Auxiliar, mas o artigo ao qual me referia não era daqui do Mises. Vou tentar uma nova busca quando tiver tempo, e se encontrar eu coloco a referência aqui.
  • Taxidermista  25/07/2016 18:58
    Caro Pobre Paulista,
    não sei qual artigo vc faz referência, mas acho q vc vai gostar desse livro aqui:


    Free is Beautiful: Why Catholics Should be Libertarian:


    www.amazon.com/Free-Beautiful-Catholics-Should-Libertarian/dp/1475130961


    Abraço.
  • Capital Imoral  25/07/2016 17:24
    O Catecismo da Igreja Católica diz o seguinte:

    "A Igreja tem rejeitado as ideologias totalitárias e ateias associadas, nos tempos modernos, ao 'comunismo' ou ao 'socialismo'. Além disso, na prática do "capitalismo", ela recusou o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano. A regulamentação da economia exclusivamente por meio do planejamento centralizado perverte na base os vínculos sociais; sua regulamentação unicamente pela lei do mercado vai contra a justiça social, 'pois há muitas necessidades humanas que não podem ser atendidas pelo mercado'. É preciso preconizar uma regulamentação racional do mercado e das iniciativas econômicas, de acordo com uma justa hierarquia dos valores e em vista do bem comum."

    Numero: 2425, página 626

  • Marcelo Vasconcelos  25/07/2016 20:46
    Capital Imoral, o povo não está te dando muito atenção, né?! É seu terceiro comentário somente nesta matéria!!
    uhauahauuahhuahauhuahuahauhauahuahauhauahuahuah
  • Capital Imoral  25/07/2016 22:53
    oxi, eu apenas respondi a pergunta do rapaz ali em cima.
  • Ruy Teixeira  26/07/2016 01:36
    Jesus Cristo foi crucificado pelo Estado Romano, ele reclamava o tempo todo sobre os impostos cobrados pelo Imperador Romano. Jesus era um carpinteiro, os apóstolos eram pescadores, portanto eram profissionais liberais. Na cruz onde Jesus foi crucificado pregaram uma placa onde dizia: "Jesus, o rei dos judeus", se prestarmos atenção, a maioria dos judeus são empresários, profissionais liberais e ricos, não existe a pobreza entre os judeus. Tudo leva a crer que essa seria a mensagem que Jesus queria passar para a humanidade, a de que a liberdade econômica e uma menor interferência do Estado através da cobrança de impostos traria a prosperidade para a população, uma pena que a religião criada pelo Estado Romano (Igreja Católica) tenha invertido esses valores e esse ensinamento para tirar proveito da situação, hoje o país mais rico do mundo se chama Vaticano. Só através da liberdade econômica e do trabalho ("Do suor do teu rosto comerás o teu pão") seria possível proporcionar mais riqueza material as pessoas e a consequência desse ato seria a liberdade da humanidade, Jesus foi crucificado por ser um liberal e por lutar contra o Estado Romano.
  • Henrique Zucatelli  25/07/2016 17:03
    Suíça, meu sonho de consumo. Eu chego lá.
  • Renan Merlin  25/07/2016 17:38
    Depois que o Obama e o Politicamente Correto pisaram nos legados deixados pelos pais fundadores a Suiça é o ultimo bastião de liberdade.
  • Henrique Zucatelli  26/07/2016 13:31
    Sim, a Suíça, Singapura e alguns outros cantos no mundo hoje são os últimos refúgios realmente libertários.

    Falando em Founding Fathers, agora entendemos as sábias palavras de Thomas Jefferson: o preço da liberdade é a eterna vigilância . Você pode criar uma nação livre, mas seus descendentes podem querer o contrário, e nada pode impedi-los disso.

    Da mesma maneira que a geração passada rompeu com o Império das Leis em virtude da busca pela igualdade, a geração atual tende pouco a pouco a quebrar o status quo, indo ao encontro do indivíduo e da liberdade.

    Essa mutabilidade nos costumes de tempos em tempos me faz construir (informalmente claro) uma tese a respeito dos ciclos sociais dentro de cada cultura, e como cada aspecto de ruptura tecnológica trás mais liberdade, ao passo que mais riqueza individual cria mais indivíduos altamente dependentes e pouco produtivos.

    Mas isso é outro assunto. Abraços.
  • Pessimista  25/07/2016 17:03
    A proposta até poderia vingar no Brasil, mas em poucos anos seria "aprimorada" em prol dos políticos.
  • Sociólogo da USP  25/07/2016 17:31
    Neoliberais regojizando pelo sucesso da Suíça kkkkk

    A Suíça é mais um exemplo de êxito do socialismo moderno, assim como os países escandinavos, Canadá, França, Holanda e etc.

    É verdade que existe mercado de mais nesses países? É, de fato há uma libertinagem excessiva, mas há uma forte presença de um Estado assistencialista e que se preocupou em combater a desigualdade social(não há mendigos na Suíça), isso é o princípio para o sucesso de qualquer país.

  • Hans  25/07/2016 18:32
    Ei, Sociólogo, entre num acordo com seu colega "SOLUCAO QUE TRAS PROBLEMA" ali em cima.

    Segundo ele, e ao contrário de você, a pobreza na Suíça é lancinante pelo excesso de capitalismo, e a solução adotar medidas mais semelhantes às do governo Dilma.

  • Regis  25/07/2016 18:58
    Como que seria aplicado isto no Brasil, por exemplo, a arrecadação aqui caiu muito. Então o governo não poderia criar mais nenhum centavo de dívida, certo?

    O que provavelmente geraria uma forte redução na expansão monetária, não?

    Isso não geraria no curto prazo um aumento no desemprego em áreas que necessitam de crédito (este crédito artificial subsidiado por todos nós)?

    No médio e longo prazo isso provavelmente se resolveria, mas como que um político poderia ter respaldo de uma população que não compreende todas estas questões e que provavelmente exerceria pressão em um governo austero?

    Pelo que eu tenho lido, meu entendimento é de que temos ou de enfrentar um aumento no desemprego no presente. Ou enfrentar uma profunda recessão no futuro. Porém, o que me pergunto é como você consegue convencer a população disto?
  • Roesling  25/07/2016 20:14
    "Como que seria aplicado isto no Brasil, por exemplo, a arrecadação aqui caiu muito. Então o governo não poderia criar mais nenhum centavo de dívida, certo?"

    Pra começar, a arrecadação caiu apenas em termos reais (ajustada pela inflação). Em termos nominais, ela se manteve relativamente estável.

    O exemplo do Brasil foi especificamente citado no artigo, inclusive com um link para um gráfico que mostra a evolução da receita. Não houve queda.

    "O que provavelmente geraria uma forte redução na expansão monetária, não?"

    Não entendi a ligação.

    Em todo caso, "uma forte redução na expansão monetária" já está acontecendo exatamente agora. E forte.

    "Isso não geraria no curto prazo um aumento no desemprego em áreas que necessitam de crédito (este crédito artificial subsidiado por todos nós)?"

    Setores da economia que só se mantêm com crédito subsidiado são destruidores de riqueza e de recursos escassos. Não devem ser mantidos.

    Empresas que só sobrevivem devido aos gastos do governo não produzem para consumidores privados; elas utilizam o dinheiro dos cidadãos, mas produzem para o estado. Elas não utilizam capital de maneira produtiva, de forma a atender os genuínos anseios dos consumidores privados: ao contrário, elas utilizam capital fornecido pelos pagadores de impostos mas produzem apenas para servir a anseios políticos. Em suma, não agregam à sociedade. Por definição, subtraem dela.

    Tais atividades só sobrevivem e só são lucrativas com a muleta do governo. São atividades econômicas insustentáveis, que não dependem da demanda voluntária do consumo privado para sobreviver. São, portanto, atividades que absorvem recursos e capital da sociedade. Elas não produzem; elas consomem.

    "No médio e longo prazo isso provavelmente se resolveria, mas como que um político poderia ter respaldo de uma população que não compreende todas estas questões e que provavelmente exerceria pressão em um governo austero?"

    Eis aí a nossa tarefa: explicar para os leigos como os políticos os espoliam ao mesmo tempo em que recorrem a uma retórica de salvação.

    "Pelo que eu tenho lido, meu entendimento é de que temos ou de enfrentar um aumento no desemprego no presente. Ou enfrentar uma profunda recessão no futuro."

    Não é essa a dicotomia. A dicotomia é: desemprego e recessão fortes no presente ou desemprego e recessão ainda mais fortes no futuro.

    "Porém, o que me pergunto é como você consegue convencer a população disto?"

    Apresentando a dicotomia acima, creio não haver grandes dificuldades.
  • Regis  25/07/2016 20:28
    Grato pelas(os) respostas/esclarecimentos e pelas indicações dos artigos.
  • IRCR  26/07/2016 05:09
    Mas isso só funciona numa democracia direta/indireta que seja realmente respeitada.
    Na democracia representativa isso nunca vai acontecer.
  • David  26/07/2016 10:49
    Eu tenho uma dúvida: como os suíços têm lidado com as taxas de juros negativas? Será que eles andam guardando dinheiro debaixo do colchão igual aos japoneses?
  • Leandro  26/07/2016 11:48
    As taxas de juros negativas são aplicadas apenas ao dinheiro que os bancos guardam no Banco Central suíço. Não há (ainda) taxas negativas sendo aplicadas aos depósitos bancários dos suíços em seus bancos.

    Também há juros negativos nos títulos do governo, mas esses geram ganhos altamente positivos, como explicado neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2445
  • Henrique Zucatelli de Melo  26/07/2016 14:36
    Leandro, bom dia. Dúvida rapida:

    Conforme o artigo citado, os bancos centrais estão forçando a utilizacão de dinheiro eletrônico, a última fronteira da perda de lastro completa. E bem sabemos o que isso quer dizer: percas contínuas de valor das moedas e com isso uma diluição na riqueza das pessoas.

    Isso não seria a longo prazo um empobrecimento geral do mundo, sendo compensado apenas pela diminuição dos custos gerado pelas novas tecnologias?

    Ou os grandes fundos de investimento e private equity estão se movimentando para trabalhar em transações paralelas com cripto moedas e títulos lastreados em ouro de modo oficial no futuro, esquecendo as moedas fiduciarias da mesma maneira como o mundo faz hoje com o bolivar venezuelano?

  • Leandro  26/07/2016 15:08
    "Isso não seria a longo prazo um empobrecimento geral do mundo, sendo compensado apenas pela diminuição dos custos gerado pelas novas tecnologias?"

    Correto. Mas tal fenômeno (perda do poder de compra da moeda compensado pela diminuição dos custos gerada pelas novas tecnologias) já vem ocorrendo desde 1971, quando se aboliu o que restava do padrão-ouro. E, ademais, as principais moedas do mundo (dólar, franco suíço, euro e iene) seguem ainda fortes. Por enquanto, e ao menos nesta seara, a tendência de longo prazo não foi alterada.

    "Ou os grandes fundos de investimento e private equity estão se movimentando para trabalhar em transações paralelas com cripto moedas e títulos lastreados em ouro de modo oficial no futuro, esquecendo as moedas fiduciarias da mesma maneira como o mundo faz hoje com o bolivar venezuelano?"

    Aí já não é comigo. Apenas um insider pode responder a isso com grande certeza.
  • Henrique Zucatelli  26/07/2016 16:10
    Obrigado grande Leandro mais uma vez.

    Abraços,
  • Surfista de internet  26/07/2016 13:56
    Esse ajuste fiscal está parecendo uma piada.

    Antes de ter ajuste fiscal, é preciso fazer a esquerda ter vergonha de existir.

    Não tem como fazer ajuste fiscal com a turma do Lenin, Mao, Saul Alinsky,Karl Marx, Antônio Gramschi, Fidel, Che Guevara, Herbert Marcuse, Chavez, etc.

    Essa turma da esquerda é composta por terroristas e amaldiçoados. A maioria dos esquerdistas radicais fizeram pacto com o diabo. Eles juraram fidelidade ao Lucifer.


    Antes de qualquer ajuste fiscal, é preciso dar uma surra moral na esquerda. Os socialistas precisam ter vergonha de sair na rua e de se olhar no espelho. É preciso acabar com qualquer tipo de amizade e respeito pelos esquerdopatas terroristas seguidores do Lucifer.

    Esses esquedopatas conseguiram acabar com um dos primeiros princípios da democracia, que era a igualdade perante as leis. Os países democráticos viraram repúblicas de privilegiados.

    A igualdade perante as leis mal começou e já foi jogada na lata do lixo.





  • Joaquim Saad  26/07/2016 15:40
    "...a dívida do governo brasileiro está hoje em 66% do PIB."

    A forma de calcular este nº é padronizada entre a maioria dos países ? O Brasil seguiria tal "norma" ?

    A conta acima pelo jeito exclui os títulos do tesouro na carteira livre do banco central, além da dívida externa, da equalização cambial, e das empresas totalmente estatais (desconsiderando portanto Petrobrás e Eletrobrás, sendo que só elas devem juntas mais de meio trilhão de reais !).
    Se o PIB está em uns R$6 trilhões, a relação da dívida pública c/ ele incluindo os itens acima chegaria a uns 75%, e a quase 85% c/ Petro e Elet !

    Ora, mas quem se importa, quando um papel (título) quanto o outro (dinheiro, p/ comprar o primeiro) são ambos gerados segundo o arbítrio de um mesmo comando ?
  • Matheus Sabadin Bueno  26/07/2016 20:25
    Me considero de esquerda e comunista. Minha convicção é que um país deve caber em seu orçamento, portanto, suas receitas devem ser maiores ou iguais suas despesas e haver rigoroso controle destas. Quando a receita for maior que a despesa, elas poderiam ser repartidas de alguma forma entre a população, ou ainda, ser gerado um lastro para eventual aumento destas em épocas de crise.

    Não podemos romantizar ou criar o dogma da visão do Estado como um ente perfeito ou um messias, como é comum ver no discurso de esquerda. Porém, o Mercado não pode ser personificado como tal.

    E esses dois, é preciso frisar, não são personagens, figuras humanas únicas. Eles representam instituições diversas, por vezes pulverizadas, que carregam as ações dos seres humanos, de um coletivo deles. E para isso carregam todos os "vícios" desta sua real natureza. O Mercado e o Estado.

    A resposta concreta e efetiva para uma solução (global), que erradicasse a pobreza e a desigualdade social, ainda não vi em prática. Elas conjecturam que o as iniciativas do livre mercado seriam capazes. E conjecturam também que o Estado seria capaz. Ambos, entretanto, são reflexos das ações humanas, ainda incapazes, pra mim.
  • Rigoberto  26/07/2016 20:34
    O computador (ou o smartphone) do qual você mandou essa mensagem é propriedade privada?
  • Matheus Sabadin Bueno  27/07/2016 12:50
    Rigoberto,

    Muito interessante sua colocação ("O computador (ou o smartphone) do qual você mandou essa mensagem é propriedade privada?") e bastante inteligente.
  • Pessimista  26/07/2016 21:06
    "Não podemos romantizar ou criar o dogma da visão do Estado como um ente perfeito ou um messias, como é comum ver no discurso de esquerda. Porém, o Mercado não pode ser personificado como tal."

    Sim, o mercado não poder ser personificado como tal porque se quer é uma entidade, é apenas um sistema baseado na propriedade privada e no livre comércio.

    Mercado não resolve nada, quem resolve são as pessoas.


    "A resposta concreta e efetiva para uma solução (global), que erradicasse a pobreza e a desigualdade social, ainda não vi em prática. Elas conjecturam que o as iniciativas do livre mercado seriam capazes."

    Ué, quem disse que o livre mercado acabaria com a desigualdade social é no mínimo um idiota.

    Livre mercado é o sistema que melhor permite que as pessoas se desenvolvam e criem valor a sociedade. Diminuir progressivamente os níveis mais baixo de pobreza é consequência desse sistema.

    Obs.: Pobreza é um termo relativo, quando você diz erradicar a pobreza você tem que estabelecer qual seria o nível de pobreza que devemos erradicar. Na Suiça ser pobre é ganhar até 14 mil reais.
  • Matheus Sabadin Bueno  27/07/2016 12:54
    Pessimista,

    Acho que na grande maioria dos pontos estamos vendo de maneira semelhante, mas discordamos num único ponto, que é chave, eu sei, mas que não se sabe exatamente "a verdade", se ela é mesmo:

    "Livre mercado é o sistema que melhor permite (...)"

    Não concordamos nisso. Porém, ok.
  • Juliana  26/07/2016 22:05
    Perfeita a ideia pode não ser, mas seria mais que ótimo se uma assim fosse aprovada no Brasil. Ela no mínimo está um degrau acima da proposta daqui de limitar qual vai ser o gasto do governo em um ano corrigindo a despesa primária pela inflação de preços, ambas do ano anterior. Mas em essência as ideias são muito semelhantes, e no final das contas colaboram com uma diminuição da dívida.

    (Sou obrigada a abrir um parêntese aqui, para dizer que o mais interessante é que uma proposta que tenha por objetivo limitar os gastos do governo pode ser muito mais eficiente em diminuir o déficit fiscal do que uma que especificamente tentasse estabelecer um limite para a dívida pública. Ano passado estava em discussão uma proposta — que era de 2007 e ganhou algum holofote no ano passado, quando o tamanho da dívida tornou-se preocupante — que buscava justamente estabelecer limites para a dívida bruta (e a líquida também) em relação ao PIB. A meta era diminuir a dívida em um período de quinze anos, sendo que nos cinco primeiros a dívida poderia aumentar chegando a 78% do PIB e nos dez restantes ela deveria seguir em uma trajetória decrescente até atingir 50% do PIB, isso para dados do ano passado. E além disso, havia muitas regras de flexibilidade caso a economia entrasse em recessão ou houvessem mudanças nas políticas cambial e monetária, alongamento de prazos caso a economia tivesse um crescimento muito baixo, etc. Pro pessoal mais keynesiano o projeto é draconiano. Pro pessoal mais esquerdista, vai engessar o orçamento público. E qualquer um com um pingo de sensatez podia ver claramente que se o objetivo era transmitir algum sinal para o mercado (e geralmente esse é o ponto), este seria de que o governo não é capaz de oferecer garantia alguma. Talvez até a suspensa presidente Dilma dissesse que este sim, não era um projeto 'rudimentar'...

    Mas é um bom exemplo de como leis que mirem um teto para os gastos são imensamente mais objetivas, inclusive para serem aprovadas, do que leis que mirem em um teto para a dívida. Principalmente porque ninguém está nem pensando em uma infinidade de outras implicações que sua aprovação certamente irá trazer.)

    Devem ser os relógios (lá vem o trocadilho), pois o timing dos suíços também foi muito bom. Aprovar uma medida dessas quando o país esta prestes a vivenciar um bom período de aumento das receitas não poderia ser melhor. Aí o que houver de "excesso" que não puder virar gasto do governo pode ser utilizado para abater a dívida. Agora pro Brasil aqui, esta muito provavelmente não é a melhor oportunidade.
    Mas é sempre um bom momento para ventilar a ideia.

    Abraços!
  • Felipe Lange S. B. S.  27/07/2016 18:41
    Pelo jeito Michel Temer e sua turma estão demonstrando muita moleza para tentarem enxugar a máquina pública e restaurar o poder de compra do real.

    E infelizmente muitos políticos brasileiros odeiam o mercado (apesar de viverem graças a ele), apesar do ministério (que nem deveria existir) ter feito alguns cortes.

    E não se esqueçam que querem arrancar ainda mais o seu dinheiro, aumentar o seu custo de vida e enxugando os choros das corporações.

    Convido os senhores políticos a lerem os artigos do Leandro Roque.

    A Suíça tem ainda resquícios de estatismo, apesar de mostrar exemplos a vários países do mundo, ao ser um país pacífico (inclusive contra terroristas) e que está fora da farsa que é a União Europeia.
  • anônimo  28/07/2016 04:32
    Esse link de 11% de imposto de renda prantearia física está certo mesmo??

    Neste site fala algo em torno de 40 % de imposto de renda

    www.tradingeconomics.com/switzerland/personal-income-tax-rate
  • Hans  28/07/2016 11:32
    Sim, 11,5% é a alíquota máxima federal, a qual se aplica a todo o país.

    Só que, assim como nos EUA, os cantões e até mesmo as cidades também cobram imposto de renda. Em alguns cantões alemães, não há. Em alguns cantões franceses e italianos, há e é salgado.

    Essa alíquota de 40% é a maior alíquota encontrada no país (provavelmente em algum cantão francês).

  • anônimo  28/07/2016 16:20
    Entendi, diferença absurda de alguns cantora para outros então né? E pq as pessoas não fogem desses cantões com maiores alíquotas?

    Uma questão, vc disse que o site mostra a alíquota máxima, somando o governo federal + cantão + cidade, assim como os EUA.

    Porém nesse msm site quando se observa imposto sobre vendas, os EUA aparecem como 0%, oque seria o mínimo, pois há estados que não cobram imposto de vendas, e o governo federal tbm não cobra.

    Um pouco falta de critério isso não é? Ou há algum motivo, que eu desconheça, para se mostrar o maior imposto de renda, e o menor imposto de vendas?

    Obrigado
  • Leandro  28/07/2016 16:58
    Sobre as alíquotas federais e cantonais na Suíça, veja aqui:

    taxsummaries.pwc.com/uk/taxsummaries/wwts.nsf/ID/Switzerland-Individual-Taxes-on-personal-income

    Aqui também há exemplos ainda mais completos:

    www.expatica.com/ch/finance/Taxes-in-Switzerland_101589.html


    Quanto ao site Trading Economics, sim, ele tem dessas inconsistências. Mas já foi pior.

    Até 2014, por exemplo, ele mostrava que o governo brasileiro havia tido superávits orçamentários em todos os anos anteriores. Aí, em 2015, ele repentinamente passou a mostrar déficits para todos os anos anteriores. O que mudou?

    Mudou que ele antes considerava apenas o orçamento primário (que era superavitário, mas que nenhum país sério no mundo usa como critério); aí, em 2015, ele corretamente passou a mostrar o orçamento nominal (em que o governo brasileiro sempre foi deficitário).
  • Emerson Luis  12/09/2016 19:58

    "...apenas o Partido Social-Democrata suíço tem feito algumas críticas, dizendo que a medida coloca muita ênfase em reduzir a dívida e pouca ênfase na melhoria da já impressionante infra-estrutura do país."

    Tinha que ser um partido socialista!

    Se a dívida pública suíça não parar de crescer, a infra-estrutura deles não só não vai melhorar como começará a piorar.

    * * *
  • Werther  23/09/2016 05:55
    Leandro. Segundo o Meirelles se essa medida que ele propõe de teto de gastos limitado pela inflação do ano anterior tivesse sido adotada em 2006, hoje os gastos do governo estariam em 10% do PIB, ao invés dos atuais 19%. Essa medida que ele propõe não seria até mais austera? Indo mais longe, considerando que os gastos não teriam crescimento real (estão limitados à inflação do ano anterior), os gastos do governo não tenderiam a zero no infinito, uma vez que no longo prazo praticamente toda economia cresce?


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