É realmente necessário haver um estado para termos segurança e ordem?

Há aproximadamente 50.000 anos, um clã de famílias foi pressionado pela escassez de bens e pela queda em seu padrão de vida — resultante da superpopulação absoluta —, e assim resolveu por uma opção pacífica: não guerrear com outras tribos vizinhas e passar a produzir controlando a terra.

Graças ao processo de produzir bens — em vez de simplesmente consumi-los —, eles passaram a poupar e estocar esses bens para o consumo posterior.

Contudo, dada a natureza do homem, outras tribos bárbaras passaram a cobiçar os bens acumulados desse clã, iniciando-se aí uma temporada de ataques violentos: mortes, sequestros e grandes assaltos.

O clã voltou à condição inicial de pobreza e, com menos capital humano, demorou a se restabelecer para conseguir produzir excedentes novamente.

Os bárbaros saqueadores se deram conta de que seus roubos seriam mais longos, seguros e confortáveis se eles permitissem que o clã continuasse produzindo, agora porém com a condição de que os conquistadores se tornariam governantes, exigindo um tributo periódico sobre o uso dos bens de capital e monopolizando a terra para o controle de migrações.

Essa é a típica história do surgimento de um estado: uma milícia saqueadora conquista uma tribo produtiva na base da força e instaura ali métodos de controle, de modo a poder viver parasiticamente da produção de bens da tribo conquistada.[1]

Graças à tendência natural dos monopolistas de tirarem proveito de sua posição, não é surpresa o estágio a que chegamos. Não só o tamanho absoluto dos saques cresceu — e vem crescendo —, como também cresceu o domínio territorial dos estados.  Mais ainda: simultaneamente, toda uma máquina de propaganda e doutrinação estatal foi montada, de modo que a ameaça de força é usada apenas em último caso. Artistas, intelectuais e acadêmicos fazem a linha de frente desse complexo processo de catequização estatal, tudo para esconder o óbvio: a natureza coercitiva e injusta do estado.

Com efeito, as pessoas em geral condenam veementemente o roubo, mas não veem nenhuma contradição entre essa postura e a existência dos impostos.  Pior, muitos nem sabem que estão sendo roubados.[2] Contudo, dentre as diferenças mais dramáticas do modelo inicial exposto ao modelo hoje adotado está o método para a ascensão da classe governante.

Hoje, com a liberdade de entrada para os políticos democráticos, temos uma tendência à eleição dos mais demagogos e mentirosos picaretas, aqueles que constantemente apelam para os mais básicos instintos. Ao contrário do que ocorre na produção de bens e serviços, a livre concorrência para se eleger um governante torna ainda mais sofisticados os métodos de espoliação.  A democracia se resume a um "negócio" voltado para o roubo, a expropriação e a receptação de bens roubados. Por conseguinte, ela não tem o efeito de melhorar algo para o bem, mas de aprimorar o mal.

Nas palavras de Hans-Hermann Hoppe:

Consideremos os políticos eleitos sob um sistema democrático.  Estes políticos não são os proprietários do país da maneira como um monarca o é; eles são meros zeladores temporários do país, por um período que pode durar quatro anos, oito ou mais.

E a função de um proprietário é bastante diferente da função de um zelador.  

Imagine duas situações distintas: na primeira, você se torna o proprietário de um imóvel.  Você pode fazer o que quiser com ele.  Você pode morar nele para sempre, você pode vendê-lo no mercado — o que significa que você tem de cuidar muito bem dele para que seu preço possa ser alto —, ou você pode determinar quem será seu herdeiro. 

Na segunda situação, o proprietário desse imóvel escolhe você para ser o zelador dele por um período de quatro anos.  Nesse caso, você não pode vendê-lo e não pode determinar quem será seu herdeiro.  Porém, você ganha um incentivo novo: extrair o máximo possível de renda desse imóvel durante o período de tempo que lhe foi concedido. 

Isso implica que, na democracia, o zelador temporário é incentivado a exaurir o valor do capital agregado do país o mais rápido possível, pois, afinal, ele não tem de arcar com os custos desse consumo de capital.  O imóvel não é dele.  Ele não tem o que perder com seu uso irrefletido.  Por outro lado, o monarca, como proprietário do imóvel, tem uma perspectiva de longo prazo muito maior que a do zelador.  O monarca não vai querer exaurir o valor agregado de seu imóvel o mais rapidamente possível porque isso se refletiria em um menor preço do imóvel, o que significa que sua propriedade (o país) seria legada ao seu herdeiro a um valor menor.

Portanto, o monarca, por ter uma perspectiva de longo prazo muito maior, tem o interesse de preservar — ou, se possível, aumentar — o valor do país, ao passo que um político em uma democracia tem uma orientação voltada para o curto prazo e quer maximizar sua renda o mais rapidamente possível.  Ao fazer isso, ele inevitavelmente irá gerar perdas no valor do capital de todo o país.

Apesar de o esquema de extorsão que presenciamos hoje ser mais sofisticado que os de 50.000 anos atrás, a essência do estatismo permanece a mesma ao dividir a sociedade em dois grupos: de um lado, a classe de pessoas que obtém sua renda e seus ativos produzindo algo que é comprado voluntariamente e valorado apropriadamente pelos consumidores; de outro, a classe formada por aqueles que não produzem nada de valor, mas que vivem e enriquecem à custa da renda e dos ativos das pessoas produtivas, os quais são violentamente confiscados via tributação — o que significa dizer que todos os funcionários públicos e todos os beneficiários de "programas sociais", de subsídios e de privilégios monopolistas (como os grandes empresários) pertencem a esta última classe.

Serviços de segurança privados

Desta forma, a pergunta frequente a respeito do receio da formação, em uma sociedade sem estado, de milícias criminosas e sua monopolização ou cartelização adquire uma nova ótica: por que tal preocupação, dado que já vivemos não só sob os mandos de uma delas, mas pior ainda, sob a sua versão mais sofisticada: o estado social-democrata?

Vamos, contudo, um pouco além e mostrar que o arranjo concorrencial de segurança e defesa tem bastante eficácia para evitar esse fenômeno. Antes, porém, se faz necessário analisar os pontos estatistas e como seria um arranjo totalmente voluntário de serviços de segurança.

Segundo Thomas Hobbes, graças à natureza do homem, a tendência da sociedade é a de estar em guerras constantes.  Daí conclui-se a necessidade de um arbitrador soberano a fim de mediar todos os conflitos, controlando e monopolizando os serviços de segurança e justiça. Para isso, essa parte independente, o estado, deveria ter também o monopólio do território e do crime, em particular o direito de tributar. Mas a premissa hobbesiana é falsa e contraditória — e, mesmo se não fosse, a conclusão a que ele chega não faz sentido.

Note também que o governante — seja ele um monarca, um ditador, um político ou um senhor feudal — terá de ser um homem e, portanto, também terá inevitavelmente a "natureza perversa" prevista por Hobbes.

Na verdade, não há como saber a melhor resposta a essa questão se as pessoas não forem livres para escolher onde procurar serviços de segurança — caso não queiram, elas mesmas, defender suas propriedades.

Se há um soberano coercitivo — isto é, que não tem aceitação unânime —, tem-se também outra contradição: ele terá de decidir unilateralmente o preço de sua proteção, via impostos.  Consequentemente, ele próprio já inicia todo o processo de agressão, coagindo seus súditos.

A ciência econômica já mostrou que não é necessário pressupor empatia entre os indivíduos para que haja interação pacífica na sociedade.  Ao contrário: os indivíduos são movidos pelo interesse próprio, e é por causa de seu interesse próprio que as pessoas cooperam, uma vez que elas são capazes de reconhecer que a divisão do trabalho é mais eficiente para a geração de prosperidade do que o isolamento auto-suficiente ou a guerra.

(A empatia — entendida como compartilhar um objetivo em comum — é bastante limitada para a solução dos problemas de mercado e praticamente se limita ao âmbito familiar.)

Assim, consideremos um objetivo complexo, como a produção de uma camiseta.  Seu processo produtivo envolve inúmeras etapas, como: plantio e colheita de algodão, fiação, tricotagem, tingimento, acabamento e confecção — tudo isso sem contar os processos de aquisição de todo maquinário para fazer esses procedimentos. Naturalmente, não é razoável esperar que todas as pessoas envolvidas na fabricação de uma camiseta conheçam e tenham simpatia pelo consumidor final.  Mais ainda, nem mesmo as pessoas direta e indiretamente envolvidas precisam se conhecer: basta reunir recursos e trabalho, e entrar em uma cadeia de cooperação. A divisão do trabalho é um fenômeno natural dentro da civilização; sem ela nos veríamos imediatamente em pleno estado de pobreza.

Já citamos acima duas maneiras de se adquirir bens e serviços em sociedade: pela empatia e pelo mercado. A terceira e última é a ilícita, consistindo de meios violentos: o saque, a espoliação e a escravidão. Vimos que não é necessário admitir a existência de coisas como empatia ou amor entre as pessoas para explicar a cooperação em sociedade. Vamos além e mostrar que é perfeitamente possível uma cooperação também nos serviços de defesa contra a alternativa agressiva.

Como uma sociedade livre se organizaria espontaneamente para se defender de agressões? A natureza do serviço de proteção é, essencialmente, a de um seguro, pois qualquer gasto em defesa de uma propriedade representa uma espécie de apólice de seguro. Embora seja possível fazer seguro contra ataques não-provocados — isto é, acidentais —, vamos nos concentrar aqui naqueles seguros feitos contra ações feitas efetivamente por um agressor intencional, que objetivamente opta por agredir uma propriedade honestamente adquirida.

Para começar, qualquer criminoso conhecido teria sérias dificuldades em contratar serviços de seguradoras, já que para isso seria requerido que ele previamente tenha se comportado de maneira não-agressiva, o que leva a um natural boicote social aos agressores.

Já a indenização por parte da seguradora quando um cliente se torna vítima de um crime deve ser de tal forma a incentivá-la a: (1) evitar ao máximo crimes contra seus clientes, fornecendo sofisticados meios de proteção e prevenção de crimes; e, caso não consiga efetuar essa prevenção, (2) capturar o criminoso para puni-lo a fim de ressarcir a vítima e pagar os custos do serviço.

A livre concorrência entre as seguradoras tende a descentralizar o setor, diminuindo os riscos de abusos e corrupção, e levando a uma queda de preços por valor de propriedade segurada. Entre outros fatores positivos, pode-se destacar:

Quanto maior o número de pessoas seguradas — e, em uma economia moderna, a maioria das pessoas deseja mais do que autodefesa para sua proteção —, maior seria a pressão econômica sobre os não-segurados remanescentes para adotar padrões idênticos ou semelhantes de conduta social não-agressiva.

Ademais, como resultado da concorrência entre seguradoras por clientes voluntários, adviria uma tendência de queda de preços por valor de propriedade segurada. Ao mesmo tempo, surgiria uma tendência à padronização e unificação do direito real e contratual. Contratos de proteção com descrições padronizadas de propriedades e serviços surgiriam; e, da cooperação estável entre diversas seguradoras em procedimentos de arbitragem, resultaria uma tendência à padronização e unificação das regras de processo, de provas e de resolução de conflitos (incluindo compensação, restituição, punição e retaliação), levando a uma segurança jurídica cada vez maior e mais firme.

Todos, por adquirirem seguro de proteção, estariam unidos a um empreendimento concorrencial em escala mundial na luta pela minimização da agressão (e, assim, pela maximização da proteção defensiva).  Todos os conflitos e pedidos de indenização, não importam onde e por quem ou contra quem, recairiam na jurisdição de apenas uma seguradora — ou de um conjunto específico de seguradoras — e de seus procedimentos de arbitragem estabelecidos em acordo.

Como exemplos de sociedades antigas que presenciaram serviços de segurança 100% voluntários, destaque para dois casos.

No primeiro, a Islândia Medieval — de aproximadamente 860 a 1280 d.C. —, onde a vítima de uma agressão era responsável pela execução legal, sozinha ou com o auxílio de outras pessoas — e, neste último caso, ela poderia procurar por pessoas mais poderosas, chefes de clãs, por exemplo, e repartir o ressarcimento com elas. O ressarcimento por um dano causado era considerado um bem transferível como qualquer outro.

Se, por exemplo, você houvesse me causado algum dano, e eu me considerasse fraco demais para forçá-lo a me ressarcir, eu poderia vender ou simplesmente dar o poder de cobrar o ressarcimento a alguém mais forte. A partir daí, seria do interesse dessa pessoa cobrar o ressarcimento, seja por seu valor econômico, seja pela possibilidade de estabelecer uma reputação como "cobrador". (Para mais detalhes sobre a Islândia Medieval, veja essa descrição de David Friedman.)

O segundo exemplo é o da pequena república de Cospaia — que, por aproximadamente quatrocentos anos, prosperou na Itália central sem governo algum.  Lá, conflitos eram resolvidos pelos chefes das famílias ou pelo padre local. Os árbitros eram escolhidos pela sua integridade e não por suas conexões políticas. Não há indicação alguma de que Cospaia era um lugar violento.

Com efeito, não deve haver absolutamente nenhuma dúvida sobre a eficácia de um sistema de proteção baseado na disposição que as pessoas têm de se defenderem. Foi assim que a lei e a ordem foram mantidas pela maior parte da história da humanidade. É graças a séculos de doutrinação e ofuscação estatista que as pessoas deixaram de perceber essa obviedade.

Apesar dos avanças do estatismo, ainda hoje temos inúmeras evidências empíricas da superioridade de um arranjo privado de segurança. Com efeito, apenas o fato de esse arranjo ser largamente utilizado em todo o mundo — inclusive por políticos — já é uma demonstração praxeológica disso. Dois casos recentes de uso de serviços de defesa privados se destacam nos EUA.

O primeiro ocorre em Atlantic Station, Georgia: uma cidade privada dentro de outra cidade. Trata-se de uma cidade construída com capital privado no lugar da Usina Siderúrgica de Atlanta, fechada na década de 1970. Segundo relatos:

As ruas são abertas ao público, mas também são propriedades privadas. Não é por acaso que os próprios policiais se preocupam com o bem-estar da comunidade e daqueles que a frequentam. São empregados de um sistema de livre iniciativa — ou, mais precisamente, da Chesley Brown, que provê esse serviço de maneira terceirizada para a Atlantic Station. […] Os resultados do policiamento são talvez a parte mais interessante, dadas as polêmicas atuais no tocante a abuso policial. Quando a polícia é parte do mercado, o lema 'servir e proteger' passa a ser levado de maneira literal.

A comunidade de Atlantic Station tem regras privadas severas como não fumar em ambientes abertos e não portar armas, e as faz cumprir com uma segurança 100% privada de forma pacífica e funcional.

O outro caso ocorreu no Texas, na comunidade de Sharpstown, situada no sudeste da cidade de Houston. Em 2012, a comunidade, representada pela Associação Cívica de Sharpstown (no original Sharpstown Civic Association) resolveu demitir todo seu departamento público de policiamento e contratar a empresa privada de patrulhamento S.E.A.L. Security Solutions. Para quem já está acostumado com o básico de ciência econômica o resultado não deve surpreender: em apenas 20 meses a taxa de crimes registrados na comunidade caiu 61%, segundo James Alexandre, o diretor de operações da S.E.A.L.

Dada uma breve descrição de agências privadas, bem como exemplos de algumas aplicações diversas em contextos históricos distintos, a pergunta natural que vem à mente é: seria esse sistema estável caso seja maciçamente acolhido hoje em dia? Ou, dito de outra forma, o que impediria as principais agências de segurança de se unirem para dominar coercitivamente territórios e assim formar um novo estado?

A resposta é que não há absolutamente garantia alguma de que isso não aconteça. Na verdade, hoje em dia também não temos tal garantia e, com efeito, a ameaça globalista está cada vez maior. Historicamente, vemos inúmeras agressões arbitrárias feitas por estados mais belicamente poderosos sobre mais fracos: além das famosas guerras mundiais e os inúmeros casos que ocorreram ao longo do século XX no Oriente Médio, podemos citar os casos mais recentes da invasão feita pela Rússia em território ucraniano e da subjugação que o governo Chinês vem fazendo com o povo tibetano. Isso sem contar as inúmeras ameaças atômicas que tivemos e que hoje estamos presenciando por parte da tensão Israel x Irã.

Outro ponto inerente à instabilidade gerada pelo monopólio estatal da segurança e da justiça é o constante risco de abuso de poder por parte das autoridades, o que pode gerar desde uma prisão injusta até um golpe militar violento.

Podemos, contudo, tecer alguns pontos a respeito do arranjo privado, os quais nos levam a crer que tal cenário será bem mais harmônico e satisfatório que o estatista.  Em primeiro lugar, uma vez assegurado o direito absoluto sobre a propriedade, nada impedirá os cidadãos de se armarem em seus territórios. Estatísticas mostram que civilizações mais armadas têm menores taxas de criminalidade: eis um dos principais motivos práticos de se defender o armamento civil. Como bem lembrou Benjamin Franklin, "quando todas as armas forem propriedade do governo e dos bandidos, estes decidirão de quem serão as outras propriedades". A própria descentralização da segurança e do armamento já é, por si só, uma medida bastante eficaz de segurança.

Além disso, diferentemente do caso estatal, havendo livre entrada no setor de segurança, podemos trocar de agências sem precisar nos mudar de território, tornando mais difícil o abuso de poder por parte das seguradoras. Mais ainda, quanto mais agências existirem, menor será esse risco.  E somente o livre mercado dará garantias que isso ocorra da forma mais eficiente.

Finalmente, uma agência que soluciona suas disputas concorrenciais na base da força terá sérios problemas financeiros, não importa quantas batalhas vença. Batalhas são caras, além de perigosas para os clientes cujos territórios de morada se tornassem zonas de guerra. Os clientes vão procurar um protetor menos audacioso e, sem eles, o dinheiro para financiar as guerras cessará.

Um argumento comum feito por economistas ortodoxos em defesa do monopólio estatal da segurança e da justiça diz que o mercado não poderia proporcionar uma divisão de trabalho na produção da lei, pois a aplicação da lei, normalmente, requer o uso de força física; e se apenas alguns membros da sociedade estão se especializando no uso de força física, então todos os outros na sociedade ficarão à mercê.  Porém, se esta é uma objeção à liberdade de escolha, por que não seria também uma objeção ainda mais forte ao estado, já que o estado — ao contrário de uma agência de segurança sob um regime de livre concorrência — está desprovido de quaisquer rivais e, logo, está numa posição ainda melhor para abusar do seu poder?

Como ressaltou Gustave de Molinari, as leis econômicas são universais, não dando brechas para exceções:

Eis uma verdade bem estabelecida em política econômica: em todos os casos em que se quer prover as necessidades tangíveis ou intangíveis do consumidor da melhor maneira possível, o trabalho e o comércio devem permanecer livres, pois a liberdade de trabalho e comércio tem como resultado permanente e necessário a redução máxima do preço e o aumento da qualidade. Outra verdade: o interesse do consumidor acerca de qualquer coisa deve sempre prevalecer sobre os interesses do produtor. No entanto, ao perseguirmos estes princípios, chegamos a esta rigorosa conclusão: a produção da segurança deve, no interesse dos consumidores deste bem intangível, permanecer sujeita à lei da livre concorrência.

Disto segue que nenhum governo deveria ter o direito de evitar um outro governo de entrar em concorrência com ele, ou de requerer que os consumidores da segurança recorram exclusivamente a ele por este bem.

Esse clássico argumento de Molinari pode ser resumido na forma do seguinte silogismo:

  1. Todos os bens e serviços são mais eficientemente fornecidos sob regime de livre concorrência do que sob um arranjo inerente comunista, com monopólio estatal.
  2. Lei e ordem são bens e serviços.
  3. Logo, lei e ordem são mais eficientemente fornecidos sob livre concorrência do que sob monopólio estatal.

Conclusão

Em geral, economistas mais liberais vislumbram como alternativa à livre concorrência na segurança uma utopia minarquista (ou um estado liberal limitado) em que as ações estatais estão "rigidamente definidas, delimitadas e circunscritas," enquanto o próprio governo seria uma espécie de "robô impessoal", operando livre de qualquer "toque de arbitrariedade e capricho".

Isso pode parecer razoável à primeira vista, mas, afinal, o estado é uma instituição de natureza definitiva, e as ações esperadas disso são determinadas pela sua natureza e não pelos nossos desejos e fantasias. Então, a verdadeira questão é se é realista esperar este tipo de operação automática e imparcial de um monopólio centralizado. E, com efeito, não é.

O poder corrompe, pois atrai o corruptível. E o sistema de incentivos gerados por um monopólio estatal é verdadeiramente perverso. A história está aí para mostrar que, como tendência geral, a liberdade humana é cada vez mais sufocada pela ameaça estatista.


[1] Para mais detalhes sobre o surgimento do estado veja o livro de Franz Oppenheimer, The State (New York: Vanguard Press, 1926).

[2] Segundo essa reportagem da UOL, no Brasil, 1 em cada 4 brasileiros não sabe que paga impostos, nome dado para um roubo em larga escala, como é mostrado nesse texto.


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SOBRE O AUTOR

Emílio Lacombi Lauss
é físico e matemático, com mestrado em matemática pelo IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e atualmente doutorando na mesma instituição.  E austrolibertário, anti-político e entusiasta de moedas virtuais como o BitCoin, tendo escrito e difundido manuais sobre o assunto.



www.mises.org.br/Article.aspx?id=454

[link www.mises.org.br/Article.aspx?id=306[/link]
Para começar, sua afirmação é falsa. No entanto, ainda que ela fosse verdadeira, isso seria imaterial.

Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

Comecemos pelo básico.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

A não ser mudar totalmente o sistema.

Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência
"Faltou incluir o custo administrativo, o lucro e os impostos da empresa terceirizada."

Abordados explicitamente no artigo (o qual, pelo visto, você nem sequer leu).

"Lembremos que os custos sempre são repassados ao consumidor (nesse caso, seria a empresa contratante)."

Errado. Não tem como empresas repassarem integralmente seus custos ao consumidor. Isso é básico de economia.

Se você tem uma padaria, e repentinamente seus custos sobem (por exemplo, sua conta de luz subiu), você não tem como simplesmente repassar esse custo adicional ao consumidor. Se você fizer isso, perderá fatia de mercado para as padarias concorrentes. Se você aumentar seus preços, perderá clientes para as padarias vizinhas.

Outra coisa: se fosse tão simples assim sair aumentando preços para repassar custos, então por que as empresas não fazem isso (aumentam preços) agora mesmo? Afinal, não é necessário esperar que haja um aumento de custo para haver aumento de preços. Basta aumentar o preço agora mesmo. Por que elas não fazem isso?

Pois é, porque não é tão simples assim.

Aumentos de custos são sempre, em última instância, arcados pela própria empresa. Fosse realmente tão simples assim sair repassando aumento de custos para os preços, então nenhuma empresa jamais quebraria na história.

P.S.: o único mercado em que é possível "repassar custos" -- e, mesmo assim, com parcimônia -- é o mercado de postos de gasolina, que é um mercado extremamente regulado, com baixíssima entrada de novos concorrentes (por causa das regulações estatais, é caríssimo abrir um posto de gasolina), e vendendo um produto cuja demanda é inelástica. E, mesmo assim, isso só funciona em cidades pequenas, em que há poucos postos à disposição.

"Com isso o custo de se terceirizar torna-se maior."

Embora você nada tenha explicado de correto para chegar a essa conclusão, o fato é que, se você realmente acredita que o custo irá se tornar maior, então você nada tem a se preocupar. Absolutamente ninguém irá querer terceirizar.

(O engraçado é que a esquerda diz justamente o contrário: todo mundo vai querer terceirizar porque o custo vai cair. Favor entrarem num consenso).

"E mesmo se a terceirizada conseguir ser mais eficiente (pois isso depende da área de atuação), a empresa contratante não vai economizar em nada, somente na dor de cabeça com a justiça do trabalho."

Então, de novo, você absolutamente nada tem com o que se preocupar. Ninguém vai querer terceirizar. Logo, tal lei será completamente inócua. Nem sei por que você está perdendo tempo com ela.

"Fui orçamentista em uma terceirizada da construção civil. Como nossas atividades tinham que acompanhar as demais atividades, tínhamos que manter nossos operários até o final da obra. Com isso os custos eram os mesmos da empresa contratante se ela tivesse contratado diretamente os operários. Na verdade eram até maiores, porque no nosso preço final estavam embutidos o nosso custo administrativo, o lucro e os impostos."

Ou seja, não apenas a empresa que contratou os seus serviços era completamente imbecil (aumentou os próprios custos), como você próprio perdeu uma grande oportunidade de lucro: caso tivesse você próprio feito essa empreitada no lugar dessa empresa, teria ganhado um belo dinheiro.

Por que não fez? Odeia dinheiro?

"Portanto não vejo vantagem na ideia de terceirização para a empresa contratante."

Então, pela terceira vez, você nada tem com o que se preocupar. Ninguém irá terceirizar. A lei será inócua. Agora, seja coerente, vá a campo e acalme toda a esquerda. Eles estão estressados com nada. Certo?
Acabariam por voltar aos mesmos padrões de corrupção, eventualmente.

Veja bem, a idéia do sistema de freios e contrapesos foi criada justamente com esse intento. Que, ao dividir os poderes governamentais em três, impediriam que o estado fosse abusivo. A idéia funciona, em teoria, mas na prática o que acaba acontecendo é que os três poderes eventualmente acabam se aliando e legitimando um monopólio de poder. (Esse raciocinio está presente no livro do Rothbard, A anatomia do estado).

Entidades privadas policiando governos estariam sempre sob ataque dos mesmos, pois é raro um governo permitir ser controlado por uma entidade externa, já que a lógica governamental é que são entidades supremas em seus respectivos territórios e não aceitariam ter seu poder reduzido. O governo:

A) Iria recusar a entidade.
e/ou:
B) Tentaria ativamente corrompe-la ou sabota-la.

No nosso arranjo atual, a solução mais viável (não é a melhor, mas que é possivel implementar) seria que entidades internacionais (em um mercado irrestrito e de livre entrada) efetuassem ratings do governo baseado em dados já existentes (como IDH e indice de liberdade econômica, indice de corrupção). É a mesma ideia das notas de investimento, mas para estilos de governo, mas isso só funcionaria em um mercado de livre entrada que não fosse subsidiado por governos, pois assim, as empresas desonestas seriam desqualificadas pelos consumidores e perderiam seu mercado.

Embora eu pessoalmente não sei dizer quem seria o consumidor desse tipo de arranjo.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Renato  19/06/2016 17:09
    Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email é galenoeu@gmail.com
  • Oneide teixeira  21/06/2016 22:24
    Isso é a negação da politica,é exatamente o que os estatistas querem.
  • anônimo  19/06/2016 17:32
    Islândia Medieval anarcocapitalista? Dizer que a Islândia Medieval era anarcocapitalista mostra o total desconhecimento sobre Idade Média e que vocês não sabem nem o que é capitalismo. Havia livre comércio na Islândia Medieval? A Islândia Medieval era uma sociedade agrária. O "comércio" era uma relação econômica muito marginal naquela sociedade. No máximo o que acontecia é que os vikings que eram piratas saqueadores, poderiam, através dos mares, ter certas relações comerciais e de pilhagem, e acabavam vendendo os bens que roubavam de outros povos.

    A Islândia medieval era uma sociedade viking, em que as famílias, as tribos, as comunidades e os clás tinham uma proeminência política. Estava muito longe de ser uma sociedade anarcocapitalista. Muito pelo contrário, era uma sociedade rural em que as pessoas através de comunidades se reuniam e discutiam os assuntos através de um Parlamento, que não era basicamente um parlamento permanente.

    Esse tipo de associação comunitária era muito comum na Idade Média. Muitos libertários dizem que "não havia autoridade", "não havia conceitos de hierarquia" nessas sociedades. Claro que havia conceitos de hierarquia. Havia conceitos de hierarquia relacionado aos chefes da tribo, aos patriarcas de suas famílias... A diferença é que não havia a configuração burocrática e centralizadora do Estado moderno.

    Vocês dizem que haviam tribunais privados na Islândia medieval. Não eram tribunais privados. Se o tribunal tinha o poder de determinar uma regra para que todo o mundo a cumprisse e as pessoas a cumpriam com uma certa voluntariedade, essa regra que já estava estabelecida nos costumes, então você não pode negar que havia uma autoridade política, pois autoridade política se consagra justamente pelo poder de determinar, regulamentar e sancionar condutas.
  • Tiago  19/06/2016 19:38
    Em primeiro lugar, o texto em momento algum diz que "a Islândia Medieval era anarcocapitalista". Aliás, o termo "anarcocapitalismo" sequer aparece no artigo.

    Seu desespero revela o seu despreparo.

    O que o texto fala, isso sim, é de "exemplos de sociedades antigas que presenciaram serviços de segurança 100% voluntários".

    E sim, a Islândia passou séculos sob um sistema de Common Law onde as leis e julgamentos não eram impostos coercitivamente, mas ainda assim, eram majoritariamente respeitados.

    A Islândia começou a ser ocupada no final do século IX. Algumas décadas mais tarde, já no começo do século X, seus habitantes criaram o Althing, algo que pode ser comparado a um parlamento, composto por um número limitado de indivíduos chamados chieftans. Esse "parlamento" não tinha orçamento ou empregados.

    Normalmente se reuniam apenas duas semanas por ano. Seus membros não só escreviam as leis, como também atuavam como advogados e representantes de seus clientes. É isso mesmo, os chieftans tinham clientes, não eleitores. Um cliente insatisfeito poderia mudar de chieftan, assim como hoje podemos trocar de advogado.

    Um chieftan sem clientes perderia não só sua remuneração, mas também sua influência. Outro detalhe interessante é que o posto de chieftan em si poderia ser vendido a qualquer momento. Embora tal posição naturalmente atraísse os mais ricos membros da sociedade, o poder de um chieftan era controlado pelo risco de perder todos os seus clientes para um outro chieftan.

    No caso de disputa entre indivíduos, o acusador intimava o réu a um julgamento, para o qual cada uma das partes deveria escolher 18 juízes. Nesse primeiro momento, ao menos 30 juízes deveriam votar em uníssono. Se mais do que 6 juízes votassem em desacordo à maioria, o caso iria para um julgamento mais complexo, no qual os chieftans representantes de cada parte escolhiam os juízes.

    Importante observar que ambas as partes concordavam formalmente em acatar o resultado final do julgamento. Havia portanto um contrato, que legitimaria, do ponto de vista da ética libertária, um eventual uso de força para garantir o cumprimento da decisão.

    E o que aconteceria se o acusado não aceitasse ir a julgamento? No lugar de se utilizar de coerção para obrigar o acusado a responder judicialmente, o acusador tinha como opção requisitar aos chieftans que elegessem um corpo de juízes que poderia decidir por rotular o acusado como "fora-da-lei". A consequência imediata de ser tachado de fora-da-lei era a perda completa da proteção legal.

    Se o indivíduo não quisesse colaborar com o sistema legal, esse mesmo sistema não seria obrigado a protegê-lo de nenhuma agressão que ele venha a sofrer. Além disso, esse indivíduo teria sérias dificuldades em manter relações sociais -- a ninguém agrada a idéia de interagir com pessoas que não aceitam responder judicialmente por seus atos. O poder persuasivo dessa ameaça de ostracismo era enorme, prova disso é o fato da Islândia ter passado quase três séculos sob esse regime.

    Na Islândia medieval, portanto, não havia uma agência centralizada de imposição de leis. Embora houvesse algo que, com algumas concessões, pudesse ser chamado de governo, este não possuía absolutamente nenhum braço executivo. Não havia polícia, não havia soldados, não havia nada. Havia uma espécie de sistema judiciário que funcionava em bases concorrenciais. A aplicação de sanções ficava a cargo de quem quisesse. E vários sistemas se desenvolveram para cuidar disso.
    No caso de vítimas pobres, se a pessoa fosse pobre demais para pagar por serviços jurídicos e alguém a houvesse prejudicado, ela tinha o direito de requerer indenização do agressor. Ela podia pode vender esse direito à indenização — todo ou apenas uma parte— para outra pessoa. Na realidade, funcionava como se você contratasse um advogado na condição de só pagar honorários se houver ganho de causa. Você poderá vender sua indenização para alguém que tenha condições de impingir suas reivindicações.

    Já o exemplo irlandês é ainda mais interessante, até porque durou muito mais. Por praticamente um milênio a sociedade irlandesa viveu livre de um sistema monopolizado de leis e justiça.

    A Irlanda medieval era organizada em túatha (plural de túath), organizações de origem principalmente religiosa que tinham alguns aspectos semelhantes aos de um clube: um indivíduo poderia sair de uma túath e partir para outra com relativa facilidade. As próprias túatha podiam se fundir ou se fragmentar em diferentes túatha. Essas túatha eram regidas por reis. Esses "reis", entretanto, não tinham o poder de taxar seus súditos à vontade, tampouco podiam elaborar leis. Eles serviam como líderes espirituais e militares, em caso de guerra. A elaboração das leis se dava principalmente pelas decisões de juristas profissionais, chamados brehons. As leis eram baseadas principalmente em tradições e costumes, assim como na religião.

    Disputas judiciais eram resolvidas de maneira semelhante às da Islândia. Acusador e acusado entravam em acordo sobre quem seria o juiz de sua disputa. Se o acusado não aceitasse ser julgado ou não aceitasse as proposições de juízes do acusador, ele corria o risco de ser rotulado como um fora-da-lei. O sistema de ostracismo irlandês era um complexo esquema baseado em contratos chamados sureties, os quais não pretendo detalhar. Apenas confirmo que eram contratos voluntários que traziam reputação ao indivíduo quando respeitados, e poderiam levar ao ostracismo e expulsão da túath em caso de desrespeito.

    Esse sistema irlandês durou até a invasão inglesa. Em outras palavras, durou até que foi violentamente substituído por um Estado estrangeiro.

    O que provavelmente permitiu ao sistema irlandês durar muito mais do que o islandês foi a sua maior flexibilidade. Qualquer indivíduo poderia ser um brehon, e o número de túatha também era variável. No sistema islandês, o número de chieftans era limitado, o que garantia um certo oligopólio a esses chieftans.

    Ambos os sistemas tinham importantes detalhes em comum. Primeiramente, não existiam crimes sem vítimas. Todo julgamento era resultado de uma disputa entre indivíduos. Não existiam prisões, toda punição se baseava em ressarcimento e indenização. As leis eram derivadas das tradições e costumes. E, sem dúvida, o elemento mais importante: o que garantia o respeito às leis não era uma ameaça de uso da força (coerção), e sim a ameaça de ser completamente ignorado pela sociedade e, principalmente, por todo o corpo jurídico que protegia os indivíduos de agressões de terceiros. Perceba que isso não é uma iniciação de coerção. Rotular e deixar de proteger alguém não viola de forma alguma a ética libertária.

    Nota importante: nenhum desses dois países poderia ser considerado uma verdadeira sociedade libertária, ou sequer algo próximo. Embora o modelo de leis e justiça adotado por essas sociedades não fosse baseado num monopólio coercivo, não podemos esquecer que estamos falando de sociedades medievais. Atrocidades como escravidão e servidão eram comuns à época. Muitos indivíduos sequer tinham acesso aos sistemas jurídicos descritos acima. Resumindo, havia muitas injustiças nessas sociedades, assim como em qualquer sociedade medieval, mas ainda assim elas servem como exemplos históricos de que leis não dependem de coerção para serem aplicáveis.

    Volte quando tiver mais substância.
  • Pobre Paulista  19/06/2016 22:44
    Rapaz, quando eu acho que já estou versado no assunto, me aparece uma pérola dessas. Achei a referência aqui no site mesmo, nesse artigo.

    Realmente os minarquistas não tem mais argumento algum.
  • FERNANDO CARITAS DE SOUZA  19/06/2016 18:51
    Qual seria o papel das Forças Armadas e do Corpo de Bombeiros nesse arranjo de livre comércio? Obrigado
  • Rhyan  26/06/2016 02:36
    Nenhum, ambos não existiriam, seus serviços seriam privatizados.
  • Fernando Cáritas de Souza  26/06/2016 16:59
    Quanto ao corpo de bombeiros ok. Mas e se a Venezuela tentar invadir o Brasil (piada) por exemplo, teríamos várias FFAA no Brasil (concorrência gerando melhor serviço com menor custo)?Mas como elas se arranjariam para combater uma nação inimiga? Talvez uma coalizão N, NE, CO, SE e S? O serviço militar passaria a ser voluntário remunerado conforme o mercado? Obrigado
  • O MESMO de SEMPRE  27/06/2016 17:22
    E se...
    ...E se


    E se forças armadas se pactuarem com políticos e funcionários estatais para ESCRAVIZAR toda a população de um país????

    Se o Estado passara agir exatamente como o COMANDO VERMELHO ou o PCC ou uma quadrilha qualquer de bandidos????

    Sim, ma quadrilha tem por objetivo SAQUEAR o restante da população. Assim, se a hierarquia estatal se estabelecer como uma QUADRILHA GIGANTESCA e passar a EXPLORAR toda a sociedade cobrando-lhe pesados impostos, obrigando-a a aceitar seus ditames e privilegiando sua alta hierarquia não impondo-lhes leis ou obrigações em relação à sociedade????

    Enfim, se o Estado se estabelece como uma S/A proprietaria das terras e do rebanho popular, passando a EXPLORA-LOS como se a ESCRAVOS desta hierarquia????

    QUEM NOS SALVARÁ do ESTADO????
  • James  27/06/2016 17:30
    "E se o governo assumir o monopólio da moeda e decidir inflacioná-la continuamente, destruindo o poder de compra dos trabalhadores?"

    "E se o governo resolver desapropriar moradores pobres para construir ruas, estradas ou complexos esportivos nesses locais, favorecendo suas empreiteiras favoritas?"

    "E se o governo estipular que seus empresários favoritos devem receber subsídios com o nosso dinheiro?"

    "E se o governo criar uma reserva de mercado para seus empresários favoritos?"

    "E se o governo proibir a concorrência em determinados setores da economia?"

    "E se o governo aumentar continuamente o confisco da renda dos cidadãos para repassar o butim à sua própria burocracia e a lobistas bem organizados?"

    "E se o Congresso aprovar uma lei injusta, o presidente sancioná-la e o Supremo Tribunal impingi-la?"

    "E se o governo quiser desarmar a população?"

    "E se o governo for leniente com sequestradores, assassinos e grupos terroristas ideologizados?"

    "E se o governo estipular que as empresas devem contratar de acordo com a cor e a preferência sexual, e não com a competência?"

    "E se o governo decretar que determinadas opiniões são proibidas, sendo passivas de encarceramento?"

    "E se o governo decidir encarecer a importação de produtos de qualidade?"

    "E se o governo estipular regras e burocracias que dificultem o empreendedorismo dos pequenos?"

    "E se o governo decretar que apenas os seus serviços de segurança e justiça podem ser utilizados? E se estes forem ruins?"

    "E se o governo assumir o controle da educação e determinar os currículos das escolas e das universidades, imbecilizando a população?"

    "E se o governo me recrutar compulsoriamente e me enviar para uma guerra injusta, e eu sofrer uma morte horrenda e dolorosa?"

    "E se o governo decidir encarcerar pessoas pelo simples fato de elas injetarem determinadas substâncias em seus próprios corpos?"

    "E se o governo decidir mandar para a cadeia todos aqueles que não lhe pagarem tributos?"

    Invertendo o jogo: são os estatistas, e não os defensores da liberdade, que têm de dar respostas
  • Rhyan  27/06/2016 20:25
    O povo estaria armado. Serviços de segurança serian muito mais eficiente que a porcaria das Forças Armadas brasileiras. E não existiria um centro pra atacar.
  • Ivan  19/06/2016 21:17
    A Somália está aí para provar na prática que não é necessário um estado para termos segurança e ordem.

    Anarquia na Somália
  • Tarantino  19/06/2016 23:03
    Num sistema de segurança privada, como se lidaria com os extremamente pobres e com os incapazes, que não teriam condições de arcar com os custos da proteção privada?
  • Renan  20/06/2016 04:53
    Porte de arma ja é um começo.
  • renan merlin  20/06/2016 05:07
    Em 2014 estive em Salvador quando ouve a greve da PM. Simplesmente a cidade que ja não goza de muita segurança como a maioria das capitais brasileiras virou simplesmente um caos, pequenos e medios comercios que não tinha aparato de segurança privada tiveram que fechar as portas com medo dos assaltos e é claro que politicos tanto da situação quanto da oposição usaram isso ao seu favor.
    Se o mercado de segurança privada fosse desregulamentado e a posse de armas por civis fosse desregulamentado essa greve ia passar despercebido e a policia teria como unica função investigação e as população não teria tanta dependência do estado.
    O Mesmo ocorre com o SUS, o estado regulamenta e tributa tanto a saude privada que os mais pobres ficam na mão do SUS e claro os politicos tiram aproveito politico disso, na melhor pra controlar a vida das pessoas do que ter a saude dela em suas mãos
  • renan merlin  20/06/2016 05:11
    Eu ja não tenho tanta ilusão em relação ao mercado assim. Eu ate acho que a segurança feita melhor privada do que estatal entretanto justiça não acha que o sistema de preços possa ser tão eficiente pra resolver essa questão.
  • anônimo  20/06/2016 19:45
    "Eu ja não tenho tanta ilusão em relação ao mercado assim"

    Como assim ?

    SE vc parar para pensar o que é o estado ?

    É nada mais que uma empresa gigante que tem o monopolio da lei e da segurança.

    Então se vc me dissesse que um juiz não recebe nada pra ser juiz, apenas por vocação ai eu concordo com vc...

    Agora qual a diferença entre um juiz estatal e um juiz privado ?

    Nada...

    Vc só teria a vantagem de escolher qual a sua jurisdição pagando voluntariamente a ela.


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=93



  • anônimo  20/06/2016 19:50
    Primeiro que os valores seriam muito mais baixos e as empresas ganhariam justamente no volume.

    Talvez seria muito mais barato que o que um pobre gasta em celular hj...rs

    E por isso que as empresas de justiça teriam que ser imparciais principalmente com os pobres.

    Um julgamento errado poderia significar a perda de todos os clientes.

    Ou seja, vc pode ganhar um cliente que paga 1 milhao mas vai perder 30 milhoes que pagam 10 reais por exemplo..rs

  • Oneide teixeira  19/06/2016 23:12
    O comunismo tem como objetivo final o fim do estado, os anarco-capitalistas também.
    Ambos são utópicos, acreditam no "um mundo melhor é possível".
    Primeiro o estado foi criado para proteger a propriedade dos antigos clãs para impedir a pilhagem de invasores, não o contrário.
    Acreditar que um bandoleiro teria capacidade organizacional para criar e gerir um instituição "inversa" a sua própria cultura não faz muito sentido.
    O estado existe para gerenciar os interesses e recursos coletivos da sociedade.
    Agora se a sociedade deixa a raposa cuidando das galinhas ai é outra história.
  • Auxiliar  20/06/2016 00:19
    Outro (ou seria outra?) que veio comentar sem nem ler.

    Pra começar, o artigo não fala de anarcocapitalismo, mas sim de serviços de segurança no livre mercado versus monopólio estatal.

    Em segundo lugar, quem diz que comunismo (o estado máximo) é uma teoria que objetiva o fim do estado é alguém que não leu nem sequer o resumo da orelha dos livros de Marx.

    Marx tinha uma mente confusa. Sua teoria sobre o estado e o comunismo era sem pé nem cabeça. Marx se dizia a favor da abolição do estado. Só que, segundo ele (em sua teoria), para abolir o estado, era necessário antes maximizá-lo. A ideia era que, quando tudo fosse do estado, não haveria mais um estado como entidade distinta da sociedade; se tudo se tornasse propriedade do estado, então não haveria mais um estado propriamente dito, pois sociedade e estado teriam virado a mesma coisa, uma só entidade -- e, assim, todos estariam livres do estado.

    Um raciocínio maravilhoso! Ou seja: se algum indivíduo dominar completamente tudo o que pertence a você, dominando inclusive seu corpo e seus pensamentos, então você estará completamente livre, pois não mais terá qualquer noção de liberdade -- afinal, é exatamente a ausência de qualquer noção de liberdade que o fará se sentir livre.

    Essa era a tese de Marx. E você viu lógica nela.

    Parabéns.
  • Oneide teixeira  21/06/2016 14:55
    É um engano comum associar comunismo com marxismo, marxismo e comunismo-socialismo não são sinônimos.
    As idéias socialistas são anteriores a Marx, mas o intuito da primeira frase é mostrar o "utopismo" e a pouca praticidade de ambas as idéias tanto do liberalismo apenas "economisista"e o socialismo.
    Naturalmente a sociedade vai criar o estado, existe interesses coletivos que o setor privado não tem interesse em suprir.
    Esta sociedade vai criar regras que quem deseja participar teve seguir.
    Observe que isso não que dizer que defendo o estado como hoje se vê e todas as criticas deste site são legitimas.
    O estado e as empresas são compostas por membros da mesma sociedade, se ela é digamos corrupta, o estado e as empresas serão corruptas.




  • David  20/06/2016 12:01
    Pessoas que querem um misto de gerenciamento de estado e empresários também são utópicas devido ao fato de que isto também não da certo.
  • anônimo  20/06/2016 16:51
    "Pessoas que querem um misto de gerenciamento de estado e empresários também são utópicas devido ao fato de que isto também não da certo." correto, se isto por regulamentado pelo estado.

    O ideal realmente é não ter estado, mas mesmo em um estado mínimo você pode minimizar isso quebrando simplesmente o monopolio da justiça e segurança.

    Isso é bem diferente de uma PPP.

    Você até teria uma policia e justiça estatal ,mas qualquer um (com ficha limpa de preferencia) poderia ofertar serviços de segurança e justiça.

    Fora liberar o uso irrestrito de armas.

    Alias-se isso com o direito de autonomia/secessão e estará a um passo do anarcocapitalismo...


  • Oneide teixeira  21/06/2016 22:41
    O problema aqui neste espaço é ver a realidade pelo angulo apenas econômico quando nem só de pão vive o homem como diz o cristão.
    Parece que culpam o estado pela sua situação econômica inferior, e inferior pode ser qualquer nível econômico para alguns não há limites, o "estado opressor impediu me de trocar a minha BMW i8".
    O jogo politico é a conquista de corações e mentes não apenas o bolso, por isso que a esquerda ganha no jogo politico
  • Edujatahy  22/06/2016 11:37
    Como sempre Oneide apela para o lado emocional. Já fez isto em outros comentários e foi devidamente refutado. E agora continua com seu pensamento infantil tergiversando quando foi refutado.

    Ora, este artigo especificamente é um artigo de economia, é um artigo que trata de um recurso escasso que foi monopolizado pelo estado (serviço de segurança) e debate a real necessidade deste serviço (que é um recurso escasso e portanto escopo da ciência economica) continuar sendo monopólio estatal. Logo SIM, a discussão é economica. Não adianta querer fugir deste aspecto.


    Quanto a culpar o estado pela sua condição inferior na economia. Vamos lá. Quem "compara" a sociedade entre rico e pobre e acredita que a economia é um jogo de soma zero são os marxistas. Nós aqui neste sítio já entendemos que o pobre de hoje está MUITO MAIS rico que o pobre de 100 anos atrás e que a economia capitalista é um jogo de soma positiva bem como a vida está melhorando APESAR do estado e não DEVIDO ao estado.

    Agora sim, muita riqueza está sendo destruída DEVIDO ao estado. Acreditamos aqui, e temos sólida teoria econômica para nos auxiliar, que o nível geral de riqueza da população, ESPECIALMENTE dos mais pobres, seria muito maior se o estado não rapinasse tanto recursos. A fome, por exemplo, já seria coisa do passado. É fato que teríamos uma sociedade ainda mais RICA se a mão pesada do estado não interferisse em tantos países do globo terrestre. Não é questão de "todos" termos uma BMW (se este é o seu padrão de riqueza) mas sim de todos termos mais saúde, melhores condições de vida, melhores meios de transporte e etc. em suma, tudo que faz uma sociedade mais rica (inclusive, para quem quiser e puder, ter uma BMW).

    O lado oposto é o que os ambientalistas comunistas desejam. Que voltemos a nossa forma primitiva de consumo como se isso fosse uma vida mais "feliz" para todos. Claro, isso devidamente imposto "democraticamente" pela forças "sociais" ou da "coletividade".
  • Rhyan  26/06/2016 02:39
    O socialismo não funciona por causa do problema do cálculo econômico e várias outras falhas teóricas na economia. Tente fazer um crítica à teoria econômica do anarcocapitalismo. Boa sorte!
  • Rodrigues  20/06/2016 01:20
    se estado pode ser entendido também como povo, governo e território, pergunta-se: não ter estado seria não existir nenhuma dessas dimensões ou simplesmente elimina o governo? Se o Brasil resolvesse amanhã ser uma anarquia capitalista mas nenhum outro pais da América assim o quisesse, não teríamos mais fronteiras?
  • Andre  20/06/2016 11:06
    Exatamente, não há demanda natural para demarcação de fronteiras, e sim demanda por reconhecimento de propriedades privadas.
  • Oneide teixeira  21/06/2016 22:19
    Se eliminar o estado brasileiro no outro dia a Argentina invade o Brasil mata todo mundo ou faz escravos os BR que abriram mão da nacionalidade.
    Os Argentinos já fizeram isso não tem porque pensar que não fariam novamente.

  • Marcos  20/06/2016 03:15
    "Se, por exemplo, você houvesse me causado algum dano, e eu me considerasse fraco demais para forçá-lo a me ressarcir, eu poderia vender ou simplesmente dar o poder de cobrar o ressarcimento a alguém mais forte"

    Nesse caso, teria que se buscar, também, uma solução de mercado para atestar esse dano?
    E essas empresas? Dependeriam de uma certificação para dispor de credibilidade?
    Esse seria um arranjo natural em um livre mercado ou seria outro?
  • anônimo  20/06/2016 16:52
    Sim seriam agencias de segurança e justiça privadas.

    Para vc entender isso, pegue como exemplo hj as seguradoras...



  • renan merlin  20/06/2016 05:19
    Isso me lembra uma discussão de rede social que tive com um "insentão" sobre porte de armas. Eu disse que o direito a legitima defesa e algo que deveria ser sagrado e ele soltou a seguinte perola que faria os amantes da liberdade individual ter um ataque do coração: "DIREITO A LEGITIMA DEFESA É A POLICIA QUE É TREINADA E PREPARADA PRA ISSO". Esse foi estuprado e se apaixonou pelo estuprador e deve aplaudir de pé quando o governo aumenta imposto sobre refrigerante pra "zelar" pela educação do povo e acha que a solução pro Brasil é Mais Estado
  • Antonio Salles Neto  20/06/2016 11:47
    Gostei da reflexão como provocação intelectual porque me agrada a proximidade com a ideia anarquista. Para mim é um desejo, mas não é realista. É cedo. As analogias históricas, com tantas diferenças de variáveis, inibem o pensamento simples que resulta em evolução e prática. Concordo que devemos pensar assim todos os dias até o ideal de liberdade se materializar. É por aí.
  • Hitler curtiu  20/06/2016 13:51
    Em um livre mercado, a empresa que tem o menor preço se torna monopolista sendo a única no mercado.

    Agora imagina um filhote de Hitler sendo o monopolista no setor de segurança?

    O argumento econômico não vale por que ele vai abrir mão do lucro pra destruir os inimigos.

    Sendo monopolista ele ainda pode destruir todo mundo que queira fazer frente a ele pra se defender, ou seja, vai acabar com o livre mercado, com a sua concorrência.

    Sendo que pode até ser lucrativo destruir os inimigos concorrentes logo no berço.

    E pra se tornar monopolista nem precisa produzir no menor preço, só trabalhar no vermelho se o cara tem dinheiro pra isso.

    Se contra um monopolista da força fosse fácil derrubar nenhuma ditadura sobreviveria por décadas.

    Por que não derrubam os ditadores de Cuba e da coreia do norte? já sei, por que lá não tem livre mercado, mas quem garante o livre mercado? pois é, quem garante é quem tem mais força.

    No mundo real funciona assim, quem tem mais força manda, só existe livre mercado se o mais forte quiser. Por isso é muito melhor que o mais forte seja um conjunto de pessoas(democracia) e não um ditador, ou um sistema de livre mercado de segurança onde leva a ditadura da empresa. Um filhote de Hitler tem mais dificuldades em uma democracia de que em um livre mercado de segurança. E como sabem, democracia não garante nada.
  • Um débil mental comentou...  20/06/2016 15:11
    "Em um livre mercado, a empresa que tem o menor preço se torna monopolista sendo a única no mercado."

    Já começou se contradizendo plenamente. O que define um monopólio não é "cobrar preço baixos", mas sim uma restrição artificial (imposta pelo governo) à entrada de novos concorrentes.

    Em um livre mercado, por definição, não há barreiras artificiais à entrada de novos concorrentes. Logo, por definição, não pode haver monopólio.

    Outra coisa: por gentileza, entrem num consenso. A esquerda diz que um monopólio é caracterizado por uma única empresa cobrando preços abusivos. Agora você vem e diz que haverá um "monopólio" formado por uma empresa que cobra preços baixíssimos. Afinal, num monopólio, os preços são abusivos ou são incrivelmente baixos? Entrem num acordo, por favor.

    "Agora imagina um filhote de Hitler sendo o monopolista no setor de segurança? O argumento econômico não vale por que ele vai abrir mão do lucro pra destruir os inimigos."

    Outra contradição. (Tá batendo recorde, hein?). Se o sujeito opera seguidamente com prejuízos (segundo você próprio), como é que ele vai ter capital para se armar e fazer guerra?!

    Aulinha básica de economia: se você opera seguidamente com prejuízos, você ficará rapidamente descapitalizado. Sem capital, você não consegue se expandir. Sem se expandir, você não consegue dominar o mercado. Sem dominar o mercado, você é tudo, menos um monopolista.

    Mais ainda: sem mercado e descapitalizado, você será rapidamente aniquilado pela concorrência.

    Portanto, ao contrário de ser uma monopolista, a empresa descapitalizada é totalmente expulsão do mercado.

    Apenas completos retardados mentais têm o direito de acreditar que uma empresa descapitalizada tem capacidade de ganhar mercado e afugentar concorrentes.

    O nível intelectual do brasileiro médio é escabroso.

    Volte quando tiver o mínimo de substância.
  • Hitler curtiu  20/06/2016 17:57
    Onde eu disse que sou de esquerda? ou que pode deduzir isso?

    Ficou claro que usei o termo monopolista pra dizer que tem apenas uma empresa, assim como vc usou logo abaixo no mesmo sentido.

    Sou austríaco, não precisa me ensinar sobre monopólios.

    Vc pegou apenas parte do argumento e nem assim conseguiu responder.

    Primeiro que se vc tem uma grande soma de dinheiro vc consegue tirar os concorrentes, depois com base na força vc recupera com preços abusivos impedindo a concorrência.

    Segundo, vc não contestou o argumento de um caso com um empresário lucrativos, com o menor preço e ainda assim tendo lucro. Então ele domina o mercado sem se descapitalizar. Ele acaba com os concorrentes sem ter prejuizo, depois é só não deixar os concorrentes crescerem na base da força já que ele é o mais forte e ninguém pode impedir que ele desrespeite o livre mercado. Depois que ele dominar o mercado tendo lucro, ele começa agir igual o ditador de Cuba e da coreia do norte.

    O empresário nem precisa ter lucro no seu setor, pode começar a roubar.

    Tenta sair dessa agora.

  • Pessimista  20/06/2016 19:27
    "se vc tem uma grande soma de dinheiro vc consegue tirar os concorrentes"

    E porque a Apple não quebra seus concorrentes?

    Veja bem, a Apple praticamente reinventou uma classe de celulares (smartphone),
    possui 92% do lucro do mercado de smartphones e é a marca mais desejada pelos consumidores.

    Segunda a sua teoria, a Apple deveria botar Iphones por 10 dólares, quebrar todos os concorrentes e depois subir o preço do Iphone para 10 mil dólares.

    É obvio que essa teoria não faz sentido. Além do que disseram acima, ela ignora que nem todos consumidores são movidos a preços, a situação da empresa após a sua destruição de capital, os produtos substitutos e a facilidade com que outras empresas ou investidores bem capitalizadas terão para entrar em um mercado com uma empresa totalmente descapitalizada.


  • Bartolo de Sassoferrato  20/06/2016 19:58
    "Ficou claro que usei o termo monopolista pra dizer que tem apenas uma empresa, assim como vc usou logo abaixo no mesmo sentido"

    Com essa frase vc se considera "austríaco"? Vc é um piadista, isso sim.

    Mercado ter "apenas uma empresa" não significa monopólio, segundo os austríacos. O que define um monopólio não é "ter apenas uma empresa", mas sim a existência de restrição artificial (imposta pelo governo) à entrada de novos concorrentes. E o comentarista "um débil mental comentou" não usou monopolista no sentido de "ter apenas uma empresa"; ele usou no sentido de mercado com restrição governamental à entrada. Pelo visto vc nem ler sabe direito.


    "Primeiro que se vc tem uma grande soma de dinheiro vc consegue tirar os concorrentes, depois com base na força vc recupera com preços abusivos impedindo a concorrência".

    Essa frase é de uma estupidez notável. Se "vc tem grande soma de dinheiro vc consegue tirar os concorrentes"? Do que vc está falando, cidadão? Num ambiente de livre mercado (sem restrição governamental à entrada), uma "soma de dinheiro" sem eficiência produtiva não "tira" concorrente nenhum do mercado.

    "Depois com base na força vc recupera com preços abusivos"? Como é q é? Isso não existe, cidadão. A "força" que aniquila concorrência é apenas a força estatal; e se vc está se referindo a tal da "precificação predatória", chega a ser uma blasfêmia vc se autointitular "austríaco". Esse papo de "precificação predatória" é de uma imbecilidade sem tamanho.


    "(...), com o menor preço e ainda assim tendo lucro. Então ele domina o mercado sem se descapitalizar. Ele acaba com os concorrentes sem ter prejuizo, depois é só não deixar os concorrentes crescerem na base da força já que ele é o mais forte e ninguém pode impedir que ele desrespeite o livre mercado. Depois que ele dominar o mercado tendo lucro, ele começa agir igual o ditador de Cuba e da coreia do norte"

    Haja coragem para escrever um troço tão estúpido, meu Deus do céu...

    Vc diz: "ainda assim tendo lucro; então ele domina o mercado". Isso é um non sequitur: vc dá por suposto que do mero fato de "ter lucro" decorre "dominação de mercado"; vc dá por suposto que "ter lucro" implica "acabar com os concorrentes".


    E essa frase - "depois é só não deixar os concorrentes crescerem na base da força já que ele é o mais forte e ninguém pode impedir que ele desrespeite o livre mercado" - é praticamente ininteligível, e do que sobra de inteligível, é boçal.

    O que seria "não deixar crescer com base na força"? De novo a tal "precificação predatória"?
    E "depois que ele dominar o mercado tendo lucro"? De novo essa falácia? Meu queridinho, aprenda uma coisa: ter lucro não significa "dominar mercado". E o que tem a ver nesse contexto o papo de "agir igual a ditador de Cuba"? Aí vc passa a usar outro conceito de "monopólio"? Falácia atrás de falácia.


    Como o mundo fica fácil com esse seu delírio, né? Basta um empreendedor colocar "o menor preço", ainda assim "continuar tendo lucro" e pronto! Magicamente ele aniquila todo mundo do mercado e começa a "cobrar preços abusivos" como um "ditador".

    "Tenta sair dessa agora"

    Depois desse amontoado de asneiras (e depois de se autointitular "austríaco"), vc vem com essa de "tenta sair dessa agora"?

    Repito: haja coragem!






  • E o débil mental insistiu...  20/06/2016 18:32
    "Sou austríaco, não precisa me ensinar sobre monopólios. [...] Primeiro que se vc tem uma grande soma de dinheiro vc consegue tirar os concorrentes, depois com base na força vc recupera com preços abusivos impedindo a concorrência."

    Eu juro que tento entender por que charlatães e falsários como você ainda insistem em vir aqui tentar dar o golpe. Vocês não se cansam de apanhar?

    Você se diz "austríaco", mas recorre exatamente a um dos mais surrados e frequentemente refutados (pelos austríacos) argumentos econômicos já inventados: o argumento da precificação predatória. Se você realmente fosse "austríaco" escolheria qualquer outro argumento, menos este.

    Aulinha básica de economia para você:

    A principal alegação dos anticapitalistas neste quesito é a de que uma empresa se tornar muito grande e passar a dominar uma ampla fatia do mercado é algo extremamente perigoso, pois ela, por ser grande, irá praticar preços predatórios para eliminar a concorrência e, logo em seguida, com a concorrência já eliminada, ela voltará a subir os preços e, com isso, jogar os consumidores na miséria. Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

    Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

    Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.

    Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

    Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

    E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

    O professor Thomas DiLorenzo, quando dava aulas de MBA para executivos da Black & Decker, propôs a eles a seguinte estratégia para conquistar mercado: "o que vocês acham de sugerir ao seu empregador que pegue uma furadeira que custa US$10 para ser produzida e comece a vendê-la por US$1 durante um período indeterminado de tempo — pode ser tanto 5 anos quanto 50 anos —, até que todos os demais fabricantes de furadeira do mundo vão à falência, e então, após isso, ele possa cobrar US$500 por essa furadeira?"

    Os executivos, em gargalhadas, disseram que, se eles propusessem isso, certamente seriam demitidos no ato.

    E vale ressaltar que, quanto maior a escala de produção de uma empresa, maiores e mais impactantes serão os prejuízos.

    Por outro lado, tal prática pode sim ser muito viável em um mercado totalmente regulado e protegido pelo governo, no qual não existe liberdade de entrada para a concorrência. Mas aí, neste caso, obviamente não temos uma falha de mercado, mas sim protecionismo estatal. Em um mercado assim, no qual o que vale é a amizade com políticos, qualquer incapaz prospera.

    "Segundo, vc não contestou o argumento de um caso com um empresário lucrativos, com o menor preço e ainda assim tendo lucro."

    Meu nobre incapaz, foi você quem explicitou que o "parente de Hitler" abriria mão dos lucros! Eu estou apenas trabalhando com o cenário que você próprio estipulou! Desculpe-me a humilhação a que lhe submeti, mas era necessário.

    "[um empresário lucrativos, com o menor preço e ainda assim tendo lucro] acaba com os concorrentes sem ter prejuizo, depois é só não deixar os concorrentes crescerem na base da força já que ele é o mais forte e ninguém pode impedir que ele desrespeite o livre mercado. O empresário nem precisa ter lucro no seu setor, pode começar a roubar."

    Nossa, mas que gênio! Como é que esse sujeito dominou o mercado? A estratégia dele -- segundo você próprio! -- era ter baixíssimos lucros. Ora, mas com baixíssimos lucros, tal empresa é totalmente incapaz de fazer frente a todas as outras concorrentes, que operam em ambiente global, oriundas de todas as partes do globo terrestre.

    Com baixíssimos lucros, nenhuma empresa tem capital para se expandir e para adquirir maquinário mais moderno (e muito menos armas de destruição em massa). A empresa compra um míssil e já fica no vermelho. Como é que isso vai "dominar o mercado monopolisticamente"?

    Enquanto essa empresa tem "baixíssimos lucros", as outras empresas com "altíssimos lucros" estão se expandindo, se aprimorando e se modernizando. Quem é que realmente é mais forte? Pela sua lógica, a padaria da esquina faz frente ao grupo Pão de Açúcar...

    É cada ignaro que vem aqui voluntariamente se oferecer para apanhar...

    "Tenta sair dessa agora."

    No seu caso, para sair dessa, só renascendo. E com outro cérebro.
  • Hitler curtiu  21/06/2016 00:20
    1- Vcs estão se apegando a coisas irrelevantes, nem vou responder a esses desvios. Sobre monopólio eu disse que usei no sentido de ter apenas uma empresa no mercado, pode dar o nome que quiser pra isso.

    2- Depois que vc tirou os concorrentes do mercado, esses concorrentes não vão mais se reerguer e te derrubar por que vc vai matar cada um que tentar fazer isso, igual o ESTADO faz com os concorrentes deles em seu país. Seu erro é supor que depois que uma empresa tem o monopólio da força, essa empresa vai aceitar o livre mercado. Ora, o ESTADO é ineficiente e tem altos preços e ninguém derruba ele por que ele não aceita o livre mercado, um empresário pode fazer o mesmo depois que domina o mercado e se manter.

    3- Eu não disse lucro pequeno, uma empresa pode ter um lucro maior que as demais mesmo vendendo a preços menores, já que pod ter custos bem menores. Assim ela pode dominar o mercado.

    Acho que agora ficou claro meu argumento,por que em muitos pontos vcs estavam contestando um espantalho.
  • Taxidermista  20/06/2016 15:35
    Na mesma linha, livro do Gerard Casey:


    www.bloomsbury.com/us/libertarian-anarchy-9781441125521/
  • Leandro Campos  20/06/2016 20:28
    No papel tudo fica perfeito. A realidade infelizmente é outra e não irá mudar

    Mesmo nos exemplos colocados, chega-se ao mesmo ponto, o estado passou a existir e as pessoas aceitaram isso
  • JAISON CARVALHO  20/06/2016 23:25
    Ao submeter meu comentário dá um erro de ASP.NET na página.

    segue link com uma crítica ao ancap.

    https://docs.google.com/document/d/1omjeGiGC6zYcuz20V_HfqGBmu8UoXUPCBTPPGzFpltM/pub
  • Gabriele Mesquita   21/06/2016 00:11
    O autor é especialista em física e matemática. Por que não fala do que sabe?existem intelectuais das ciências políticas e sociais, mesmo de direita, que possuem base teórica e metodológica para interpretar a realidade político - social. As pessoas que lidam com produção científica deveriam ter mais responsabilidade e não ficar reproduzindo os sensos comuns e preconceitos de direita.
  • Leonardo Weber  21/06/2016 15:24
    Vejo que o autor do texto é doutorando do IMPA, fez mestrado na mesma instituição, e provavelmente recebe uma bolsa de lá. No entanto, tal instituição é pública. Como o autor do texto diz praticamente que o Estado é um roubo organizado, me pergunto, seria o autor do texto apenas um ladrão esclarecido, que sabe do que faz? E se não, por que não vai cursar seu doutorado numa instituição privada?
  • anarcocapitalista selvagem  21/06/2016 18:20
    Deve ser porque vc ele paga por isso por meio de impostos.
  • Rhyan  26/06/2016 02:48
    Sou ancap e ando nas ruas públicas, bebo água da Sabesp, uso serviços regulados pela Anatel, uso sistema bancário regulado pelo BC e eletricidade de monopólio estabelecido pela Aneel. Dependo da polícia militar e da justiça brasileira. Garanto que todos esses são serviços de merda.

    Devo jogar minha ideologia no lixo?

    Qual curso superior está livre do estado (MEC)?
  • Reinaldo de Saboia   21/06/2016 15:42
    Vamos desconstruir os argumentos do autor do texto, um por um.


    "Essa é a típica história do surgimento de um estado: uma milícia saqueadora conquista uma tribo produtiva na base da força e instaura ali métodos de controle, de modo a poder viver parasiticamente da produção de bens da tribo conquistada."

    Falácia genética. Como diz a Wikipédia:

    "é uma falácia lógica que consiste em aprovar ou desaprovar algo baseando-se unicamente em sua origem. Ocorre quando alguém tenta ridicularizar uma ideia, prática ou instituição simplesmente tendo em conta sua origem (gênese) ou seu estado anterior."

    Ora, o estado ter surgido de uma organização criminosa a milhares de anos atrás não é argumento algum em relação à necessidade e à utilidade do estado hoje.

    E mais, o autor apresenta como se fosse a única teoria a respeito do surgimento do estado, quando há várias outras na antropologia, como a dos grandes projetos de agricultura na Mesopotâmia (que precisavam de prestações forçadas das pessoas da região que iriam se beneficiar dele mesmo não contribuindo) e do proprietário rico que foi adquirindo tantas terras e servos que criou um estado com suas propriedades.

    Em seguida é dito que:

    "Com efeito, as pessoas em geral condenam veementemente o roubo, mas não veem nenhuma contradição entre essa postura e a existência dos impostos. Pior, muitos nem sabem que estão sendo roubados.[2] Contudo, dentre as diferenças mais dramáticas do modelo inicial exposto ao modelo hoje adotado está o método para a ascensão da classe governante. "

    O velho argumento de que "imposto é roubo", quando isso é meramente uma questão semântica. Qual a diferença entre matar em legítima defesa e matar alguém que saiu com sua esposa? A diferença é a legitimidade de uma ação e a não legitimidade de outra. Da mesma forma, embora não haja diferença física entre o imposto e o roubo, as duas ações devem ser julgadas de acordo com sua legitimidade. Não estou dizendo que as ações do estado são legítimas e pronto, isso é outra discussão. Mas é uma petição de princípio dizer que não são legítimas pois são "roubo", sob o argumento de que não são legítimas, portanto são roubo.

    Vemos a seguir o argumento do Hoppe da superioridade da monarquia. Será que se sustenta na prática? Por que então estados autoritários são inferiores economicamente a democracias mais liberais? Por que o maior boom de crescimento da humanidade foi na era das democracias, e justamente nas democracias?

    Em seguida, é citado vários exemplos de "sucessos" de segurança privada. No entanto, todos tem em comum algo: o monopólio da violência legítima. Mesmo na Islândia medieval, uma violência só era legítima quando autorizada pelo parlamento, mesmo que a execução fosse privada.

    Nas cidades americanas que fizeram isso, mesma coisa. A segurança é privada, mas monopolizada na região. Pode-se trocar de empresa, sim, mas não há exemplos de duas empresas competindo no mesmo local.

    Isso é explicado de forma simples: a violência, como a jurisdição, fornecimento de água são monopólios naturais. Obviamente podem ser oferecidos de forma privada (como a água o é), mas isso não muda sua natureza, e que sempre para dar certo deve ser regulada por um poder que se põe acima e independente da concordância daqueles que se submetem a eles. Ora, a segurança na cidadezinha é privada, mas contratada pelos governantes da cidade, e mesmo aqueles que não concordam com ela são abrangidos por suas vantagens e seu poder. E por isso pagam impostos.

    Não discordo que se possa haver estruturas humanas sem estado, ou algo semelhante. Mas os próprios antropólogos analisaram e viram que o máximo de humanos numa estrutura dessa é 200. Mais que isso, durante toda a história, as sociedades não sobreviveram, pois se desestabilizaram. Isso é argumento empírico, evidenciado por provas, como objetos arqueológicos e o próprio material genético das pessoas, no qual pode ser traçado a estrutura da sociedade por meio do DNA herdado de seus antepassados.





  • Otávio de Ramalho  21/06/2016 18:14
    "o estado ter surgido de uma organização criminosa a milhares de anos atrás não é argumento algum em relação à necessidade e à utilidade do estado hoje."

    Correto. Mas em momento algum o texto se apóia nessa premissa.

    Já começou mal.

    "o autor apresenta como se fosse a única teoria a respeito do surgimento do estado"

    O autor não faz essa afirmação.

    Continua indo mal.

    "quando há várias outras na antropologia, como a dos grandes projetos de agricultura na Mesopotâmia (que precisavam de prestações forçadas das pessoas da região que iriam se beneficiar dele mesmo não contribuindo)"

    Ou seja, segundo essa teoria, o estado nasceu da espoliação e da escravização. Tem certeza de que você realmente que "contraditar" o autor?

    "e do proprietário rico que foi adquirindo tantas terras e servos que criou um estado com suas propriedades."

    Essa é nova pra mim. Quer dizer que os estados surgiram de um único cara? Mande fontes, por favor.

    "O velho argumento de que "imposto é roubo", quando isso é meramente uma questão semântica."

    Semântica?!

    Recuse-se a pagar seu imposto de renda para ver o nível do "semantismo" que irá ocorrer com você.

    Se você não pagar o IR, seus ativos serão arrestados e você será preso. Se você resistir á prisão, você será morto pela polícia.

    Mas ao menos folgo em saber que isso é uma mera questão de "semântica".

    Cansei.

    Diariamente venho aqui à espera de ler alguma refutação minimamente plausível aos artigos, mas deparo-me apenas com arrivistas que repetem as mesmas abobrinhas de sempre, mas jurando que estão emprestando a esses clichês ares de suprema originalidade.

    Faça um favor a si mesmo e volte apenas quando dominar o mínimo da lógica.
  • Edujatahy  21/06/2016 15:59
    O que acho interessante dos comentários aqui é o quanto a questão da segurança pública é um tabu.

    Um artigo questionando a possibilidade de se usar dê segurança privada já se tornou um artigo anarco-capitalista radical que considera o estado ilegítimo e imposto um roubo.

    O autor simplesmente está discutindo a possível desestatização ou uma simples quebra de monopólio estatal em um setor da economia. Nada mais, nada menos. Não está se defendendo o fim do estado, o fim do exército, o fim do supremo tribunal federal ou afins.

    Será que é assim tão impossível debater o assunto sem achar que isso já é anarquismo?
  • Respondendo  21/06/2016 22:24
    Estadistas como o Carlos Martel responderam à pergunta do título... Imagine se não fosse estadistas como Carlos Martel, os Habsburgos, os heróis da Batalha de Lepanto que lutaram contra os muçulmanos e os bárbaros....
  • JAISON CARVALHO  27/06/2016 14:43
    Uma crítica ao Anarco-capitalismo
    De uns anos para cá uma teoria liberal vem ganhando força na internet, conhecida no Brasil com Anarco-Capitalismo e é disto que trata este texto.
    Antes de começarmos vamos definir algumas coisas:
    - Estado: é a organização social que detém o monopólio legítimo* do uso da força e da violência em uma determinada área territorial;
    - Capitalismo: ele tem diversos significados, entretanto aqui obviamente ele está sendo usado como sinônimo para Mercado de trocas voluntárias;
    - Neste texto ignorarei o caráter negacionista do anarco-capitalismo, ou seja, a justificativa desta ideologia apenas criticando o status quo. Meu foco aqui é nas características propositivas, isto é, como ele promete resolver a questão "imposto é roubo".
    - Conflito inconcíliável: uma situação em que ambas as partes não entram em concordância, como por exemplo um casal separado devido à traição de uma das partes conflitando em como será a partilha dos bens ou até liberais definindo se aborto é crime ou não :).

    Com os termos definidos vamos aos argumentos:
    Para o Anarco-capitalista o estado por natureza pratica a pilhagem e a diferença entre uma minarquia e um estado socialista seria apenas o tamanho do roubo, e isto nos leva a uma única linha argumentativa possível ou você é anarco-capitalista ou é socialista.
    Pois bem, penso que há basicamente duas soluções propostas pelo Anarco-capitalismo, na primeira o Anarco-capitalista entende que a coerção é necessária, na segunda a coerção é completamente repudiada:
    1) Agências de segurança e justiça concorrendo entre si.
    Neste cenário teríamos diversas agências de segurança e justiça defendendo o interesse de seus clientes, até ai tudo bem.
    Mas vamos a um exemplo: Se Marx rouba Smith as agências de segurança e justiça de ambos procurarão uma solução ótima cada um para seu cliente e segundo o equilibrio de Nash** ambas terão acordos pré-estabelecidos que visam mitigar o uso desnecessário da força pois empresas devem pensar a longo prazo.
    Porém há um problema curioso aqui: imagine que eu estou caminhando e esbarro em Engels. Isto me deixa muito irritado, resolvo que Engels não pode mais viver e para isto eu abro a minha própria agencia de justiça e segurança e defino que a pena para esbarrões é a morte.
    Vamos pensar que Engels possui familiares que acionam a sua agência de segurança e justiça que vem até mim, eu lhes mostro meu livreto de leis privadas indicando que a morte ali foi legítima, eles obviamente não aceitam a minha explicação porém não possuem legitimidade para iniciar a força contra mim pois eu não tenho nenhum contrato com eles e portanto não reconheço legitimidade nesta agência.
    Eis aqui o problema: Para conflitos inconciliáveis precisamos que exista uma instância superior com a capacidade e a legitimidade de fazer uso da força sobre quaisquer indivíduos residentes em determinada porção de terra, O uso da força deverá se dar a permissão do criminoso, ou seja, de forma não-voluntária e coercitiva.
    Esta instância provavelmente será financiada de forma compulsória para evitar os free riders****, eis o estado.
    2) Sociedade baseada absolutamente em trocas voluntárias.
    Vamos imaginar a mesma situação do exemplo anterior, um conflito inconciliável, porém aqui não existiria a instância superior.
    Obviamente os outros indivíduos percebem que eu burlei o sistema e ficam muito irritados com isto porém ninguém pode iniciar uma agressão contra mim.
    Como então coibir a prática de crimes? Os outros indivíduos me aplicam boicote e se negam a fazer trocas voluntárias comigo, ou seja, se por exemplo eu for no super-mercado fazer as compras do mês a minha permanência é negada devido a minha má reputação***.
    Aqui não há um problema lógico, exceto pela premissa, ou seja, para que esta sociedade funcione precisaremos que as pessoas sejam naturalmente desencorajadas a cometer crimes e caso algum crime seja cometido a resposta da sociedade deve ser fria e racional, e criminosos devem ter baixíssimo poder destrutivo e financeiro.
    Resumidamente, em uma sociedade Anarco-capitalista haverá duas configurações: Uma minarquia eficiente ou um sistema de boicote social baseado na reputação do indivíduo.

    *Eu sei, há controvérsias aqui com a palavra "legítimo".
    **https://pt.wikipedia.org/wiki/Equil%C3%ADbrio_de_Nash.
    ***O sistema de reputação pode ser um sistema informático baseado por exemplo na tecnologia descentralizada Bitcoin.
    ****https://pt.wikipedia.org/wiki/Clandestinidade_(economia)
  • Emerson Luis  05/07/2016 11:29

    "A ciência econômica já mostrou que não é necessário pressupor empatia entre os indivíduos para que haja interação pacífica na sociedade. Ao contrário: os indivíduos são movidos pelo interesse próprio, e é por causa de seu interesse próprio que as pessoas cooperam, uma vez que elas são capazes de reconhecer que a divisão do trabalho é mais eficiente para a geração de prosperidade do que o isolamento auto-suficiente ou a guerra. (...) Vimos que não é necessário admitir a existência de coisas como empatia ou amor entre as pessoas para explicar a cooperação em sociedade."

    Eu compreendo o que o autor quis dizer, mas a afirmação de que não é necessário haver empatia ou amor pode ser facilmente mal compreendida por alguém que visita o site pela primeira vez como sendo uma defesa ou banalização da arrogância e crueldade. É recomendável explicar bem certas expressões para prevenir mal entendidos.

    * * *


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