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O desastre da ciência econômica moderna e seus modelos que transformam indivíduos em equação


Um economista moderno
Desde Adam Smith, David Ricardo e Jean-Baptiste Say, a ciência econômica nunca esteve em tamanha decadência.

Por um lado, evoluímos muito no que diz respeito às teorias sobre livre comércio, moeda, ciclos econômicos, influência das instituições, custos de transação, análise da Escolha Pública, e da análise econômica de outros setores como o Direito, a saúde, a corrupção, as drogas etc.

Por outro, a ciência econômica vem entrando em decadência ano após ano — neste caso, por razões epistemológicas.

Explico-me: heterodoxos[1] (marxistas, desenvolvimentistas e pós-keynesianos) causam inveja nos mais absurdos conspiracionistas ao criar explicações mirabolantes das quais surgem soluções mais mirabolantes ainda para seus problemas.  Enquanto isso, os neoclássicos e keynesianos abusam do empirismo e de seus modelos matemáticos complexos na ânsia de querer "mensurar" tudo.

A economia parece ter virado um ramo da estatística e da matemática, em vez de estas servirem apenas como instrumentais para certas aplicações da teoria econômica. O esquecimento do apriorismo, da Escola Austríaca, e de Lionel Robbins e sua obra Essay on the Nature and Significance of Economic Science (1932) representou um retrocesso sem fim em direção ao cientificismo e ao positivismo mecanicista.

A ciência econômica trata de fenômenos humanos, de relações entre indivíduos, das escolhas da racionalidade humana em meio a recursos escassos, das implicações de tudo isso.  Em suma: a ciência econômica trata da ação humana. Infelizmente, no monopólio do debate, todos estão, de alguma forma, errados.

Vemos intervencionistas (no Brasil, piorado por uma forte influência marxista) e monetaristas digladiando-se sobre qual a taxa em que a oferta de moeda pode ser aumentada ou qual o nível aceitável de déficit fiscal — enquanto provavelmente nunca chegarão a uma resposta correta. Isso porque, na esmagadora maioria dos casos, ambos ortodoxos e heterodoxos têm uma metodologia errada.

Heterodoxos falham por ancorarem-se nos mesmos erros dos economistas clássicos, ao analisarem a economia em classes sociais e, muitas vezes — pasmem! —, baseada no valor-trabalho.

A ideia de que o valor é objetivo e determinado pela quantidade de trabalho despendido na manufatura do produto, somada à ideia de que cada classe social possui uma lógica própria (sendo impossível que um pobre e um rico pensem da mesma forma) e é magicamente guiada a um mesmo rumo, inibe qualquer tentativa de avançar na análise das escolhas subjetivas dos consumidores e em teorias de trocas.

O polilogismo marxista acreditava que a forma de pensar de uma pessoa é determinada pela classe a que ela pertence, de modo que cada classe social tem um mecanismo lógico e racional específico (menos Marx e Engels, que seriam os únicos burgueses do mundo com a mesma estrutura lógica dos proletários).

Segundo a Escola Historicista Alemã, cada modo de produção possui um contexto histórico-social único.  E somente a partir desse contexto é que podem ser feitas as análises econômicas adequadas. Portanto, cada modo de produção teria suas próprias "leis" econômicas, que seriam parcialmente verdadeiras, pois condições poderiam mudar, sendo impossível criar leis econômicas gerais e aplicáveis a todos os modos de produção.

No caso capitalista, a teoria econômica liberal estaria errada porque representa os interesses burgueses para justificar a exploração do proletariado.  Essa tentativa de relativizar as leis econômicas era imprescindível para a luta socialista, já que, caso fosse convincente, eliminaria as tentativas de refutar o socialismo em termos puramente econômicos. Só os verdadeiros proletários, dotados da lógica verdadeira, poderiam tecer seus "achismos" totalmente desprovidos de qualquer embasamento.

Entre os keynesianos, a análise da economia em agregados ignora o fato de que cada indivíduo tem um comportamento próprio.  O ato de se estudar a economia como se ela fosse apenas uma grande massa homogênea e uniforme é algo que, logo em seu ponto de partida, desconsidera o indivíduo e seus variados comportamentos.  

Baseando-se na máxima de que há uma correlação entre desemprego e inflação, Keynes forneceu a seus discípulos um Trabalho de Sísifo: a eterna busca por um "ponto ótimo" fictício, inexistente. Se o desemprego ficasse muito alto em decorrência de um crescimento econômico lento, bastava que os seres iluminados responsáveis pela política macroeconômica realizassem uma simples medida: aumentar os gastos e a inflação monetária, aumentando a demanda agregada. Já se o desemprego, por outro lado, ficasse muito baixo durante a recuperação econômica, levando a um "superaquecimento" da economia, bastava que o governo elevasse impostos e reduzisse os gastos, e o resto daria certo.

Michael Kalecki, economista polonês, acreditava que o governo também deve financiar o pleno emprego, por meio de subsídios, manipulação da taxa de juros ou redistribuição de renda. Para tal justificar suas teorias, Kalecki pressupõe uma economia fechada, estática e sem governo, na quak o capital é constante e os trabalhadores não poupam.  Já Keynes pressupõe que para a ocorrência de certas causalidades que ele descreve, todas as outras variáveis devem estar constantes — o famoso ceteris paribus.

Qual a validade de teorias que não são realistas? Qual o sentido de aplicarmos teorias econômicas que são feitas para uma economia que não existe? O problema disso é que suas conclusões a partir dessas hipóteses — as quais, para serem corretas, deveriam ter validade universal — só são válidas dentro de certos contextos.

A matemática na economia

Ainda assim, a matemática não é inútil na economia.  (Nenhum economista que não acredita no uso da matemática nega que se João tem 10 reais e Pedro tem 20, juntos eles têm 30). O problema está no uso de artifícios clássicos da física na economia, além da transposição de ferramentas como o cálculo integral, equações diferenciais, e álgebra linear, as quais, por definição, não podem nem mensurar e nem muito menos prever o comportamento humano.

Apesar de ter superado a falácia do valor-trabalho, a Revolução Marginalista e o valor-utilidade trouxeram consigo outro impasse na história do pensamento econômico, o qual persiste até hoje. A Revolução Marginalista não foi apenas uma revolução teórica, mas também uma revolução metodológica. Do método lógico, usados pelos clássicos, partiu-se para o método formal (a matemática sem números). Na época dos clássicos, o texto metodológico mais utilizado era o de John Stuart Mill Essays on Some Unsettled Questions of Political Economy (1844), no qual Mill, apesar de um entusiasta do empirismo, defende que a economia necessita de um método próprio, baseado na lógica a priori. Mill defendia o apriorismo porque a Economia Política (como era chamada à época) era uma ciência abstrata e complexa, na qual o uso da experiência como método probatório não era nem possível e nem adequado.

Enquanto Jevons e Walras tentavam sistematicamente — e em falha — "mensurar" a utilidade de cada bem adicional, Menger e a Escola Austríaca se limitaram à Teoria da Utilidade Marginal Decrescente como conhecemos atualmente: cada unidade adicional de um mesmo bem possui um valor à margem — isto é, um valor adicional — menor. (Por exemplo, à medida que acrescento camisas idênticas ao meu guarda-roupa, cada camisa extra em geral terá menos importância para mim do que as mesmas camisas que comprei anteriormente).

Isso afeta diretamente as implicações que cada um e suas escolas seguiram.

Menger e os austríacos continuaram pelo método apriorístico, em que as verdades são auto-evidentes, o que mais tarde Ludwig von Mises chamou de praxeologia, a ciência da ação humana, sistematizando-a de forma brilhante. Walras, Jevons, e mais tarde Marshall, partiram para a matemática, para os gráficos e para suas hipóteses. A partir destes, passou-se a seguir modelos matemáticos, ainda que não empíricos, sendo The Scope and Method of Political Economy(1890), de John Neville Keynes, pai de John Maynard Keynes, o mais influente na época.

É exatamente desse ponto que nasce o maior problema da ciência econômica moderna: o empirismo. Curiosamente, os economistas neoclássicos, muitas vezes ditos liberais, empacam nos mesmos problemas de econometristas comunistas da União Soviética.  Na URSS, os econometristas utilizavam funções de produção para estimar curvas de custo, dizendo às empresas estatais para minimizarem esses custos, como se as funções fossem exatas e correspondessem a supostas características globais imutáveis.

Em fenômenos complexos, como os fenômenos econômicos, não há constantes.  Nesse sentido, não se pode, portanto, utilizar o modelo epistemológico das ciências naturais (ou ciências físicas, como Hayek chamava). O método empírico, no qual se formulam hipóteses, essas hipóteses são testadas e repetidas várias vezes com todas as "variáveis" constantes até chegar-se a uma verdade. Esse modelo não pode ser aplicado na economia pelo simples fato de que, no ramo da ação humana, não existem relações constantes, como disse Ludwig von Mises. Ainda que houvesse constantes, não saberíamos identificar uma infinidade de fatores que influenciam cada ação humana.  E mesmo que conseguíssemos identificar, não conseguiríamos mensurar e a valorar todos esses fatores.

Corroborando crítica à Teoria Geral de Keynes, Hayek afirma que se passou a dar valor a essa teoria porque, ao se testá-la quantitativamente, ela se mostrava relativamente correta. Disse Hayek em seu discurso ao ganhar o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória a Alfred Nobel, em 11 de dezembro de 1974:

A correlação entre demanda agregada e nível de emprego, por exemplo, pode apenas ser aproximada; porém, como é a única sobre a qual há dados quantitativos, passa a ser aceita como o único vínculo causal que importa.  O que temos aí é uma ótima evidência "científica" para uma teoria falsa.  E ela é aceita porque parece ser mais "científica" do que uma teoria que, embora apresente uma explicação válida, é rejeitada apenas porque não há evidências suficientemente quantitativas para embasá-la.

Por isso, a despeito de estar fundamentalmente errada, acredita-se que seja correta, pois é, até o momento, a única que permite uma constatação quantitativa — o que, segundo Hayek, não a torna mais verdadeira.  Ainda que se tenha adquirido essa visão "cientificista" ao alegar que a mensuração quantitativa seja mais correta, evidências de correlações não podem refutar algo que uma boa teoria mostre haver causalidade lógica. 

As ciências econômicas hoje

O método científico moderno separou, erroneamente, as ciências em duas: as ciências naturais, verdadeiras e empíricas; e as ciências humanas, que seriam pseudociências, falsas e baseadas em "achismos". Ainda que tenham razão nas duras críticas às ciências humanas, muitas vezes utilizadas como palco para maluquices — já que, teoricamente, você não precisa de, e nem tem como, provar empiricamente muitas das descobertas —, negar que a ciência econômica seja totalmente verdadeira em sua lógica dedutiva apriorística, para com isso estimular a adesão de economistas à matemática para tornar seu trabalho prestigiado como "ciência de verdade", é uma postura totalmente equivocada.

Esse é o "cientificismo" criticado por Hayek: acreditar que uma teoria é mais correta só porque utiliza o método empírico não faz sentido, uma vez que o método empírico não é o correto para a economia.

Na introdução de qualquer livro-texto de Microeconomia você muito provavelmente encontrará um aviso de que os modelos apresentados não são quantitativos, que não é possível utilizar números ordinais, e que tais modelos não podem ser usados para implicar relações interpessoais de, por exemplo, utilidade.  Nos capítulos seguintes, você verá o autor utilizando uma Curva de Indiferença para determinar que uma certa quantidade do bem A é equivalente a uma certa quantidade do bem B, ignorando que consumidores têm uma escala de preferência subjetiva, intrapessoal e temporal, impossível de ser mensurada.

Verá também o autor dizendo que um aumento X no preço fará com que a demanda diminua Y, dependendo de sua elasticidade Z. O grande problema é que nada disso é estático — e, portanto, nada disso pode ser tomado como verdade. Preços, por exemplo, são influenciados por uma quantidade imensurável de variáveis também imensuráveis.

A estatística, outra ferramenta neoclássica, falha da mesma forma. A estatística pode nos dizer coisas incríveis sobre o passado, pode até nos dar certa habilidade preditiva em relação ao futuro, mas correlações históricas não podem ser usadas como leis universalmente válidas para ditar o que irá acontecer no futuro — no máximo, o que provavelmente pode acontecer.

Milton Friedman responde, em seu livro Essays in Positive Economics (1953), que o essencial é que os modelos matemáticos tenham uma previsibilidade correta, ainda que não sejam inteiramente verdadeiros em suas hipóteses iniciais.  Friedman começa dividindo a economia em economia positiva e economia normativa, defendendo a primeira. Para ele, a economia deveria julgar, por exemplo, políticas públicas pelo que elas são e não pelo que elas deveriam ser. Ainda assim, novamente, seus modelos não conseguem julgar eficientemente e com certeza o que vai acontecer. 

A economia positiva difere da normativa simplesmente na medida em que simples julgamentos de valor sem nenhum embasamento passam a ser analisados com correlações estatísticas. A economia normativa diz, diferentemente da economia positiva, o que provavelmente vai acontecer, e não o que vai acontecer. O único método possível para dizer o que vai acontecer é o lógico apriorístico, mas somente quando delimitado ao seu escopo.

Conclusão

A tomada da ciência econômica como empírica é prejudicial não apenas para a ciência em si, mas também para toda a humanidade. O formalismo teórico faz com que se perca a noção da complexidade da teoria econômica e dos mercados. Sem a complexidade, acaba-se por acreditar que estes podem ser controlados.

Acreditar que a economia é empirista resulta em seguidas tentativas de se aplicar as mesmas e fracassadas políticas governamentais que já foram refutadas pela teoria.  Pior ainda: resulta em seguidas tentativas de se aplicar variadas versões do socialismo, na esperança de que, um dia, alguma delas dará certo à medida que as variáveis corretas forem controladas.

Os economistas passaram de defensores da liberdade a auxiliares do despotismo. Nesse meio tempo, quem paga a conta somos nós, humanos, meros números nas equações neoclássicas, nos agregados keynesianos e nas ditaduras comunistas.

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Bibliografia

BARBIERI, Fabio. Formalismo Teórico, Complexidade e Ameaças à Liberdade. 4a Conferência de Escola Austríaca, São Paulo, 2014. Disponível em  <http://www.youtube.com/watch?v=qkDJEDQhd2I>

FRIEDMAN, Milton. Essays in Positive Economics. 1a Ed. Chicago: Universityof Chicago Press, 1953.

HAYEK, Friedrich August. The Counter-Revolutionof Science. 1a.Ed. Glencoe: The FreePrees, 1952.

MISES, Ludwig von. Ação Humana. 3.1a Ed. São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.

MISES, Ludwig von. EpistemologicalProblemsofEconomics. 3. Ed. Indianapolis: LibertyFund, 2013.

MISES, Ludwig von. TheoryandHistory. 2.Ed. Auburn: Ludwig von MisesInstitute, 2007.



[1] Teoricamente, a Escola Austríaca deveria ser considerada heterodoxa, pois não participa, atualmente, do mainstream econômico e tem suas ideias como "controversas" e/ou "radicais" aos olhos deste. No entanto, neste artigo, convencionarei heterodoxos como marxistas, desenvolvimentistas e keynesianos, e ortodoxos como neoclássicos, para melhor compreensão.


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autor

João Pedro Bastos
é estudante de Economia na UFRGS e membro do Instituto Atlantos.


  • Anderson  09/06/2016 16:02

    Aqui neste site vejo artigos de autores anarcocapitalistas e outros liberais. Acho o anarcocapitalismo mais definitivo e real, mas não posso dizer com base no que eu já li aqui se realmente na prática o que iria acontecer, poderia ser até pior. Será que essa é a mesma opinião dos liberais, digo, dos que não querem o completo fim do estado?
  • opinador  09/06/2016 17:08
    Não é que seria pior.. não tem como ser pior...

    As pessoas não entendem o anarcocapitalismo pois ele é contra o sendo comum atual.

    Mas é algo muito simples.

    Um dos argumentos pra quem defende o estado mínimo é que tem que ter UMA entidade que garanta a lei e a ordem.

    O anarcocapitalista só acredita que ao invés de ter UMA você pode ter VARIAS entidades que garantam a lei e a ordem.

    É agora que vem o X da questão.

    Ambos os arranjos só existem pelo consentimento mútuo dentro de um território.

    A diferença que no anarcocapitalismo você poderá escolher essa entidade ou nenhuma, pois cada individuo tem o poder de "fiscalizar" mas pode ser fiscalizado.

    Veja que em termos de poder todos tem o mesmo nível.

    Mas nada impede que as pessoas se associem voluntariamente ou empresas possam fazer esse papel.

    Então a manutenção do estado é mais uma questão de conveniencia do que necessidade mesmo.

    Ai você pode dizer, mas uma empresa pode virar estado ?

    - Sim se as pessoas aceitarem.

    Um grupo de pessoas más podem dominar tudo ?

    - Sim , se o número de maus for maior que de bons.

    Mas isso ocorre com o estado e inclusive com mais facilidade, só ver a alemanha nazista.


  • Felipe Castro  09/06/2016 16:33
    Concordo que o método empírico tem utilidade limitada quando tratamos de ação humana e suas infinitas variáveis - mas o mesmo não se aplicaria também ao método lógico da Escola Austríaca? Ainda que ela se baseie em axiomas verdadeiros e fundamentais, não existe a possibilidade de ela chegar a conclusões erradas, por desconsiderar outras variáveis desconhecidas?
    Por este motivo, vejo as propostas da Escola Austríaca com cautela - por mais válidas que pareçam na teoria, normalmente tratam-se de mudanças radicais e arriscadas. Ao comparar experiências anteriores de países diferentes pelo método empírico, temos *alguma* segurança de que uma política funciona ou não. Pode não ser seguro o suficiente para termos certeza, mas ainda assim é mais seguro que uma teoria que nunca foi colocada em prática.
    Pessoalmente, acho ambas abordagens úteis e não excludentes. O método empírico nos guia na implementação de políticas liberais hoje, enquanto o método lógico guia a expansão da teoria liberal para o amanhã.
  • Miguel Bastos  09/06/2016 16:55
    "Ainda que ela se baseie em axiomas verdadeiros e fundamentais, não existe a possibilidade de ela chegar a conclusões erradas, por desconsiderar outras variáveis desconhecidas?"

    Esse seu raciocínio é, por definição, contraditório. Se a pessoa parte de axiomas verdadeiros, então ela não pode chegar a conclusões erradas. Já se o "axioma verdadeiro" depende de variáveis desconhecidas, então ele não é nem axioma e nem verdadeiro.

    Artigo inteiramente sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=644

    Justamente por ser apriorística e praxeológica, a metodologia austríaca é irrefutável.
  • Bartolomeu Tibúrcio  09/06/2016 22:48
    Miguel Bastos:

    "Justamente por ser apriorística e praxeológica, a metodologia austríaca é irrefutável"


    Com isso você quer dizer que toda e qualquer afirmação feita por um economista austríaco, baseada na metodologia austríaca (apriorística e praxeológica), é "irrefutável"?
  • Miguel Bastos  09/06/2016 23:39
    Ué, se afirmação contiver uma verdade axiomática, sim. E não precisa ser economista austríaco não. Qualquer ser humano pode fazer isso.

    Considere o processo de validação de uma proposição como esta: Sempre que duas pessoas "A" e "B" se envolvem em uma troca voluntária, ambas devem esperar se beneficiar através dela. E elas devem ter ordens de preferência inversas para os bens e serviços trocados de modo que "A" valorize aquilo que ele recebe de "B" mais do que aquilo ele dá para ele, e "B" deve avaliar as mesmas coisas do modo contrário.

    Ou considere esta: Sempre que uma troca não é voluntária e ocorre através da coerção, uma parte se beneficia às custas da outra.

    Ou a lei da utilidade marginal: Sempre que a oferta de um bem aumenta em uma unidade, contanto que cada unidade seja considerada idêntica em utilidade por uma pessoa, o valor subjetivo desta unidade deve diminuir. (Exemplo das camisas no artigo)

    Ou pegue a lei da associação ricardiana: Entre dois produtores, se "A" é mais eficiente do que "B" na produção de dois tipos de bens, eles ainda podem participar de uma divisão de trabalho mutuamente benéfica. Isto porque a produtividade física geral é maior se "A" se especializa na produção de um bem que ele possa produzir mais eficientemente, em vez de "A" e "B" produzirem ambos os bens autônoma e separadamente.

    Ou outro exemplo: Sempre que leis de salário mínimo são impostas obrigando os salários a serem maiores do que os salários existentes no mercado, desemprego involuntário será o resultado.

    Ou um último exemplo: Sempre que a quantidade de moeda é aumentada enquanto a demanda por moeda não é alterada, o poder de compra da moeda irá diminuir.

    Considerando estas proposições, o processo de validação para estabelecê-las como verdadeiras ou falsas é do mesmo tipo que o para estabelecer uma proposição nas ciências naturais? Estas proposições são hipotéticas da mesma maneira que uma proposição referente aos efeitos obtidos através da mistura de dois tipos de materiais naturais? Temos que testar continuamente estas proposições econômicas diante observações? E isto requer um processo eterno de tentativa e erro para descobrir o campo de aplicação destas proposições e para aumentar nosso conhecimento gradualmente, assim como vimos ser o caso nas ciências naturais?
  • opinador  09/06/2016 17:11
    "Por este motivo, vejo as propostas da Escola Austríaca com cautela - por mais válidas que pareçam na teoria, normalmente tratam-se de mudanças radicais e arriscadas"

    Antes do argumento utilitarista um libertario usa um argumento jusnaturalista, ou o argumento ético.

    Segundo seu raciocinio se a acabar com a escravidão fosse acabar com a agricultura para você seria arriscado acabar com a escravidão.

    Os libertarios gradualistas até concordam em diminuir o estado aos poucos, não é pq se acabar td de uma vez é ruim , mas pq ninguém aceitaria...rs
  • Guilherme  09/06/2016 20:04
    "Concordo que o método empírico tem utilidade limitada quando tratamos de ação humana e suas infinitas variáveis - mas o mesmo não se aplicaria também ao método lógico da Escola Austríaca? Ainda que ela se baseie em axiomas verdadeiros e fundamentais, não existe a possibilidade de ela chegar a conclusões erradas, por desconsiderar outras variáveis desconhecidas?"

    Olha, a economia é analisada da seguinte forma: o cientista observa a realidade, e tenta enquadrar alguma teoria "na" realidade de forma a tentar prever o que acontecerá no futuro. A praxeologia é apenas a constatação de que todos os seres humanos têm a mesma estrutura lógica, e a derivação, daí, de algumas "leis da economia", como p. ex. a lei da utilidade marginal. Saberíamos, portanto, como os indivíduos se comportariam *a partir do conhecimento do quê eles têm em mente, ou seja, de quais são o conhecimento deles sobre os bens econômicos da realidade*. Essa é uma coisa que Hayek percebeu e constatou que seria um grande entrave à previsão correta do cientista. Mesmo que o cientista fosse capaz de perceber toda a realidade (aliás, tal limitação ele também deve levar em conta), ele deveria ter um método de, a partir dessa realidade observada, saber *qual o conhecimento dos indivíduos sobre tal realidade* - já que o que importa é o que os indivíduos do mercado percebem, não o que o cientista percebe. Sabendo esse conhecimento, as deduções praxeológicas são certas; é preciso apenas fazer os silogismos corretamente. De toda forma, isso ainda é um pequeno entrave. Mas as deduções da praxeologia são certas e a priori, já que a interação humana na sociedade pressupõe tal estrutura lógica comum - da qual se deriva toda a praxeologia.

    "Por este motivo, vejo as propostas da Escola Austríaca com cautela - por mais válidas que pareçam na teoria, normalmente tratam-se de mudanças radicais e arriscadas. Ao comparar experiências anteriores de países diferentes pelo método empírico, temos *alguma* segurança de que uma política funciona ou não. Pode não ser seguro o suficiente para termos certeza, mas ainda assim é mais seguro que uma teoria que nunca foi colocada em prática.
    Pessoalmente, acho ambas abordagens úteis e não excludentes. O método empírico nos guia na implementação de políticas liberais hoje, enquanto o método lógico guia a expansão da teoria liberal para o amanhã."

    Acho que você deva estar falando das propostas do liberalismo ou do anarcocapitalismo. Tais propostas não são da "Escola Austríaca". A Escola Austríaca, como Mises dizia, não faz julgamentos de valor. Algumas delas, aliás, se derivam justamente da doutrina dos direitos naturais, ou seja, não se derivam da observação econômico. Claro que o individualismo metodológico tem uma tendência a levar ao liberalismo econômico, mas é apenas uma tendência.
  • Joaquim Saad  09/06/2016 20:41
    Coincidentemente o Mises Institute publicou nesta mesma semana artigo do próprio Ludwig que faz considerações a respeito do teu comentário: mises.org/blog/method-mises-priori-and-reality.
  • Taxidermista  09/06/2016 20:52
    E, a propósito, há lá um artigo do Per Bylund cuja temática é a mesma do artigo supra:


    mises.org/library/economics-dead-and-it-being-killed-again
  • Joaquim Saad  10/06/2016 00:39
    Obrigado por (mais) este link, caro Taxidermista.

    Por um acaso, saberias de alguma crítica que tenha sido feita (preferencialmente à luz da EA) ao livro "Thinking, Fast and Slow" escrito pelo psicólogo Daniel Kahneman (vencedor do Nobel de economia) em 2013, e em especial acerca da chamada "Prospect Theory" apresentada na obra ? Parece que o autor traz uma contribuição interessante a esta questão da avaliação da utilidade das coisas...

    Abraços.
  • Taxidermista  10/06/2016 13:18
    Prezado Joaquim,

    há uma resenha do David Howden (mises.org/library/review-thinking-fast-and-slow-daniel-kahneman) e um artigo crítico à linha geral do trabalho do Kahneman (e do Vernon Smith) escrito pelo Frank Shostak (mises.org/library/behavioral-experimental-and-austrian-economics), colocando o trabalho em paralelo à economia austríaca.

    É que Kahneman é considerado o "pai" (ou um dos "pais") da behavioral economics, e esse famoso livro dele enquadra-se nessa linha.

    E há, sim, críticas vindo da EA sobre behavioral economics.

    Aqui no site do IMB (www.mises.org.br/Article.aspx?id=2302) saiu um artigo crítico do argentino Iván Carrino sobre o livro "Phishing for Phools", do George Akerlof e Robert Shiller, que é nessa linha da behavioral economics.

    O fundamental problema, meu caro, é que a behavioral economics é paternalista (no viés do "as pessoas nem sempre sabem o que é melhor para elas próprias"...), então vc consegue imaginar como isso soa aos ouvidos de um austríaco. Diz o Shostak: "in particular Vernon Smith openly casts doubt on the notion that reason is the main faculty that navigates human actions. For him the main driving force are emotions. By casting doubt on peoples' capacity for exercising their brains the Nobel laureates may have unintentionally laid the foundations for the introduction of government controls to 'protect' individuals from their own irrational behaviour".

    Sobre outras coisas escritas a respeito, eu te diria o livro do Mario Rizzo e Gerald O'Driscoll:

    timeandignorance.com/

    Na introdução desse livro, eles falam um pouco sobre a behavioral economics (inclusive sobre o Kahneman), colocando-a em perspectiva.

    O Mario Rizzo (professor na NYU), aliás, tem se dedicado a examinar os pressupostos da behavioral economics (especialmente à luz do conceito de racionalidade, fazendo paralelos com o conceito de racionalidade da EA):

    works.bepress.com/mario_rizzo/31/

    papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2731818


    Abração fraterno.

  • Joaquim Saad  24/06/2016 05:08
    Caríssimo Taxidermista,

    É realmente impressionante teu repertório de links para excelentes obras ! Quem sabe daqui a 50 anos já beirando 90 de idade chegarei a ter uns 10% desse conhecimento (pois mais do que isso, no meu caso só mesmo "empalhado" ! :).

    Muito grato pela indicação dos textos (especialmente aquele do Mario Rizzo," Austrian Economics Meets Behavioral Economics: The Problem of Rationality"), foram bem certeiros em esclarecer a um leigo como eu o que entendi ser a distinção crucial entre a escola austríaca e a economia comportamental, tão facilmente confundíveis a princípio quando se ouve (bem superficialmente, através de comentários) ser a essência da primeira o julgamento "subjetivo" do valor das coisas, levando possivelmente muitos dos não-iniciados a associá-la de maneira instintiva (e pelo visto errada !) à psicologia...

    Veja-se, por exemplo, o seguinte trecho da pg 2 (pg 3 do pdf): "The distinction between subjectivism and psychology was not seen as sharp. Indeed, as soon as we begin taking the perspective of the agent it is not easy to say where subjectivism ends and psychology begins."

    Interessante também outras passagens do trabalho em questão, como esta potencialmente polêmica na pg 13 (pg 14 do pdf): "It would be helpful then to rid ourselves of both the introspective and confusingly aprioristic characterization of the foundations of the Austrian approach to economics."

    Ou estas outras tiradas da lista de 11 itens na conclusão do artigo:

    "1. Economics does not study phenomena defined in terms of the relationship to each other. The phenomena of economics are defined in terms of their relationship to the mind.

    2. The standard neoclassical "escape from psychology" went too far. It became an unsuccessful attempt to escape from mind altogether. It could not be consistently implemented.

    ...

    10. Behavioral economics is often impatient with these constraints [which would be caused by "the logic of action being a limited form of rationality"]. It seeks ways to exceed the traditional boundaries without introducing the value judgments of the economist. It has not succeeded [Rizzo and Whitman -----]. What it has attempted to do is to challenge the descriptive accuracy of specific formalizations of the rationality principle such as (diachronic) transitivity of preferences or expected utility theory of Bayesian updating without challenging the normative significance of these formalizations.

    11. When we step back to view the substance of these criticisms we more often than not see the limitations in the critics' understanding of the character of economics. The fundamental rationality of human action is unaffected because logic is still logic. People are still purposeful.
    "

    De fato, ao final do livro do D.Kahneman ("Thinking, Fast and Slow"), a ótima impressão que tive ao longo de sua leitura foi um tanto desfeita pelas admoestações nem tão subliminares assim pela intervenção do estado e necessidade de tutela dos seres-humanos, intrínseca e inevitavelmente "irracionais" como parece advogar sua behorial economics.
    ps: aliás, seria ela a nova "pele" do "lobo keynesiano" ?!

    Speaking in the devil...

    Grande abraço e mais uma vez muito obrigado !

    E VIVA O BREXIT !!! Vibrando muitíssimo aqui c/ sua confirmação enquanto escrevo. :D
  • Joaquim Saad  02/07/2016 13:14
    Outra crítica recente à economia comportamental:
    www.iea.org.uk/blog/is-behavioural-economics-subject-to-irrational-exuberance

    O mesmo artigo também foi publicado no FEE:
    fee.org/articles/how-behavioral-econ-undermines-the-enlightenment/
  • Gabriel Lopes  09/06/2016 16:56
    Ótimo texto.

    Pessoalmente, sofri muito em um curso de especialização no módulo de Economia, pois os doutores só utilizavam cálculo diferencial na microeconomia. No final das contas, não entendi nem de microeconomia nem de cálculo. Aos trancos e barrancos completei o módulo, cumpri a tabela. Mas se a matéria fosse exposta de outra forma, teria aprendido mais.
  • Renato  09/06/2016 17:08
    Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email é galenoeu@gmail.com
  • Fernando  09/06/2016 17:13
    ahahahhaha! A Ekipekonômica junto com o Tombini julguou que a inflação arrefeceria em 2016 devido ao recrudescimento do desemprego! Erraram feio! Inflação continua resiliente como gostam de dizer! Economistas formados nas mais badaladas universidades, "doutores", homens "respeitados" e que ferraram o Brasil!
    Bando de incompentes! Adeus Tombini!
  • Teco Teco - ANCAP  09/06/2016 17:38
    Escrito sucinto e esclarecedor.
    Pude perceber que o autor(João Pedro Bastos) é "aluno" UFRGS.
    Indago: o que tens a dizer sobre o curso, qual a orientação/viés dos "professores"?

    Pergunto isto, pois iniciei o curso de Ciências Ecônomicas em uma federal e não suportei.
    Obs: Cursei apenas o primeiro semestre e "tranquei".

    Percebi que naquele ambiente ninguém tinha o interesse nem em "ensinar"(os ditos professores nada sabiam, salvo babelas gerais a muito tempo refutadas) e os colegas também nada queriam "apreender"(pelo menos a maioria).

    Isso é o que temos no mundo acadêmico.
    Lugar de criação dos "soldados do estado", todos ali transformados em meros objetos de reprodução ideológica.

    Qualquer pensamento dissonante era visto como loucura.

    Num belo dia afrontei o professor e falei que ele estava equivocado, e se me concedesse a palavra demonstraria e refutaria tudo ele falou.

    Ele simplesmente vociferou: Fique calado! Você está aqui para apreender e não contestar.
  • Gabriel Bellé  11/06/2016 21:43
    Caro, TecoTeco.

    Eu também iniciarei meus estudos em econômica, no segundo semestre deste ano, em uma federal, UFSC.

    Sobre a UFRGS tudo que posso te dizer é que a Dilma é formada em econômica por lá.

    Também me preocupo sobre os ensinamentos que terei, mas farei faculdade devido a cultura do diploma, a qual é intrínseca a nossa população, e também pela experiência e socialização com meus colegas.

    Espero ter ajudado, mesmo que pouco.
  • Teco Teco  12/06/2016 13:33
    Experiência de socialização, bela figura de linguagem - para bacanal.
    Espero que o nobre colega consiga preservar a sanidade mental.
  • Anti-comunista  09/06/2016 17:51
    Medir um PIB em Reais é piada. A economia se mede em produção de bens. Se alguém conseguir construir milhares de casas com 1.000 Reais, o governo vai dizer que estamos em depressão econômica, porque houve queda nos preços.

    Se alguém construir carros com 200 reais, o governo vai dizer que a indústria automobilística está em crise.

    Economia se mede em produção de bens e riqueza, e não pode ser contabilizada em dinheiro.

    Um PIB correto seria medido em bens, como o número de casas, carros, apartamentos, máquinas, roupas, metais, etc. É o melhor resultado da produção de riqueza.

    Se você vender alguma coisa por trilhões de reais, não significa que a produção de bens aumentou. Significa que os preços estão altos.
  • Pessimista  09/06/2016 18:17
    Mas o calculo do PIB já é feito para ignorar variações no preço.
  • Altruísta  09/06/2016 18:29
    O PIB nominal depende inteiramente dos preços. Aí, a esse valor, aplica-se um deflator para calcular o PIB real.

    Só que há uma encrenca: esse deflator nem de longe reflete -- e nem tem como refletir -- todo o verdadeiro aumento de preços ocorridos na economia. Consequentemente, o cálculo do PIB real nunca estará certo -- podendo, inclusive, estar muito errado.

    Essa é apenas mais uma encrenca gerada por se querer agregar tudo.
  • Anti-comunista   09/06/2016 19:44
    Então, se houver uma choque de eficiência e tudo puder ser produzido com preços menores, quer dizer que houve recessão ? A moeda é que diz se a economia cresceu ou não ?

    Se for isso, é melhor um choque de incompetência e tudo ser caro, custoso e lento. Uma laranja custando 1.000 reais resultaria em um PIB monstruoso.

    Uma queda de preços causada por um choque de eficiência, não significa que a economia foi reduzida.
  • Rockatansky  09/06/2016 18:04
    Uma crítica construtiva a um trecho do texto:

    "Verá também o autor dizendo que um aumento X no preço fará com que a demanda diminua Y, dependendo de sua elasticidade Z. O grande problema é que nada disso é estático — e, portanto, nada disso pode ser tomado como verdade. Preços, por exemplo, são influenciados por uma quantidade imensurável de variáveis também imensuráveis"

    Aqui o autor leva a ferro e fogo sua crítica ao mainstream e acaba resvalando para um niilismo.
    Afirmações como essa - "aumento X no preço fará com que a demanda diminua Y, dependendo de sua elasticidade Z" - são feitas inclusive em textos de economia austríaca (apenas para ficar com um exemplo: no "Man, Economy and State", Rothbard utiliza inúmeros gráficos para mostrar "demand schedule" e "supply schedule" como representações gráficas de afirmações como "aumento X no preço fará com que a demanda diminua Y, dependendo de sua elasticidade Z"; ou seja, afirmações como essa são feitas inclusive pelo grande praxeologista Rothbard).

    E isso não implica negar o caráter dinâmico do pricing process, tampouco implica negar que os preços são influenciados por diversas variáveis.

    Então dizer que afirmativas como "aumento X no preço fará com que a demanda diminua Y, dependendo de sua elasticidade Z" - que, repito, fazem parte das análises austríaco-apriorístico-praxeológicas de preços e esquemas de demanda-oferta - não podem ser "tomadas como verdade" é resvalar para um niilismo. A se levar às últimas consequências o q diz o autor nessa parte do texto, nada poderia ser dito de verdadeiro em se tratando de microeconomia.
  • Magno  09/06/2016 18:28
    Rothbard não atribui valores numéricos a nada. Ele apenas descreve o básico desse processo.

    Já os manuais de macroeconomia modernos apresentam equações para modelar toda essa curva, bastando você inserir números para obter a resposta numérica precisa.

    A diferença entre os dois é enorme.

    P.S.: eu posso apostar que o autor, ao escrever X, Y e Z, estava se referindo a números, que é exatamente o que faz a economia moderna.
  • Rockatansky  09/06/2016 19:23
    Eu não disse que Rothbard "atribui valores numéricos".

    Eu disse outra coisa, bem diferente. Eu disse que ele utiliza inúmeros gráficos para mostrar "demand schedule" e "supply schedule" como representações gráficas de afirmações como "aumento X no preço fará com que a demanda diminua Y, dependendo de sua elasticidade Z", com a finalidade de "descrever o básico desse processo".

    E no excerto que eu transcrevi o autor não faz qualquer alusão a números. Você "apostar" que ele fazia referência a números mostra que minha observação está correta.
  • JP  09/06/2016 18:35
    Na leitura do método misesiano, voltei-me para Kant.
  • mauricio barbosa  09/06/2016 18:48
    As ciências econômicas ensinada nas universidades e faculdade Brasil afora está a serviço de diferentes ideologias(Liberal a marxista) e escolas(Marxista e Keynesiana)de modo que o formando sai mais confuso do que embasado.

    Falo isto por experiência própria,pois quando eu me formei sai mais perdido do que cego em tiroteio,quando ouvia os argumentos do ministro da fazenda e do presidente do Banco Central eu concordava e no mesmo noticiário eu ouvia a oposição eu concordava e no final ficava atônito sem entender nada e envergonhado enquanto economista por não saber explicar a situação e o problema explicitado,enfim me sentia um fracassado.

    Graças a Deus e a empreendedores como Bill Gates que popularizou o computador e a WEB disponibilizada pós Guerra-Fria,hoje temos essa ferramenta fantástica de pesquisa a internet e eu resolvi fuçar a respeito da crise de Dubai e clikey neste site fantástico que é o IMB e foi ai que eu me libertei dessa merda que é o pensamento emburrecedor estatista,essa porcaria de educação pasteurizada e padronizada que recebemos desde o jardim de infância.

    Hoje estou liberto,parece uma confissão religiosa este meu relato,mas foi essa sensação que tive e até hoje não deixo de ler nenhum artigo,a cada dia mais eu aprendo com os artigos e os comentários,apesar dos nossos adversários gostarem de poluir a seção de comentários com suas opiniões ridículas e cheia de ma-fé,ainda assim aprendo a combatê-las e firmar cada vez mais meu pensamento em defesa da Liberdade e da justiça,enfim da verdade dos fatos,afinal "contra os fatos não há argumentos.

    Nosso ensino de economia precisa ser reformulado urgente,a academia precisa se libertar desse marxismo cultural,dessa ortodoxia keynesiana,desse sindicalismo dos professores,enfim desse pensamento enviesado,pois é preciso termos uma academia pluralista ou então escolhermos a academia que prega assumidamente tal e qual escola e assim,somente assim poderemos separar o joio do trigo e escolher a que atende nossas expectativas e de nossos filhos,para o bem das futuras gerações e de nossas vidas no presente.
  • mauricio barbosa  10/06/2016 02:21
    "Graças a Deus e a empreendedores como Bill Gates que popularizou o computador e a WEB disponibilizada pós Guerra-Fria".

    Acho que ficou subentendido,portanto é lógico que eu estou careca de saber que a WEB foi disponibilizada pelo Departamento de Defesa norte-americano e não por Bill Gates,corrigindo esse detalhe antes que algum sem graça venha fazer piada disso,pois o meu Português é sofrível fruto do meu comodismo e má-formação escolar em gramatica.
  • Pilates  09/06/2016 22:31
    A economia tem que lidar com sentimentos, percepções, relações entre pessoas, muita irracionalidade na aparente racionalidade humana. A única certeza é a falta de certeza, o que funcionou ontem pode dar totalmente errado amanhã. A imprevisão é a regra. O fato é que a extensa teoria economica ainda está longe de entender a mente humana.

  • Igor  09/06/2016 22:39
    O negócio é aprender com o IMB ou fazendo a pós-graduação em escola austríaca.
    Penso que se o país está destruído como está, a culpa é justamente dos professores e graduados dos cursos de humanas das nossas maravilhosas universidades públicas. Como diz o ditado, "Pelos frutos conhecereis".
    Meu profundo agradecimento à equipe do IMB, especialmente ao Leandro Roque - que poderia escrever um livro tipo aquele do Robert Murphy, "Lessons for the young economist" -, por tudo o que ensinam.
  • Carlos  09/06/2016 23:46
    O julgamento da Teoria Econômica deveria ser sua capacidade de realizar uma boa explicação da realidade. Embora, Hansen (1953) aponte que fatos não derrubam teorias, mas uma teoria só é derrubada por outra teoria.
  • Anderson  10/06/2016 00:18
    Praticamente em todas as universidades voce só houve falar de Keynes, Marx, Rosseau. Se perguntar sobre Mises nem sabem quem é. Acredito no anarcocapitalismo mais ainda procuro mais argumentos para me deixar mais seguro e sem pontas soltas e questões mal resolvidas.
  • Ubyrajara Brasll Dal Bello  10/06/2016 01:05
    Muito interessante o artigo. Contudo, a conclusão não deixa de ser evasiva. Após a crítica de todas as escolas econômicas, o que não deixa de ser fácil de fazer, o que é que sobra? Qual a proposta final? O rancor pelas propostas keynesianas e, principalmente, socialistas transparece cristalinamente, como não poderia ser diferente. Muito estranho seria que um economista adepto da escola austríaca escrevesse coisa diferente. O autor realmente domina a história do pensamento econômico. Mas não parece conhecer filosofia, tampouco ciência política. Além disso, falta a ele o empirismo necessário para observar as economias nórdicas. Quem sabe, a observação metódica e sistemática dessas economias pudesse mudar a crença cega no egoismo "smithiniano" como o único caminho da prosperidade humana.
  • Paiacã  10/06/2016 01:32
    Opa, você quer algumas empirias sobre as economias nórdicas? É pra já:

    Todos os socialistas querem ser a Dinamarca - será mesmo?

    Sim, deveríamos ser mais parecidos com a Suécia - quer tentar?

    Mitos escandinavos: "impostos e gastos públicos altos são populares"

    Como a Suécia (ainda) se beneficia de seu passado de livre mercado

    Sobre a grande depressão da Suécia

    Verdades inconvenientes sobre o sistema de saúde sueco

    "Após a crítica de todas as escolas econômicas, o que não deixa de ser fácil de fazer, o que é que sobra? Qual a proposta final?"

    Jurava que o autor havia deixado claro -- de maneira repetitiva até -- que a resposta está na praxeologia e no apriorismo da Escola Austríaca. Sério, isso tá muito explícito no texto.
  • Pessimista  10/06/2016 12:55
    É impressionante, muda dia, muda ano, mas sempre aparece um gênio da esquerda usando os países nórdicos como modelo para criticar o liberalismo.

    O respeito a propriedade privada, sua economia aberta, sua moeda forte, sua legislação trabalhista, o caminho que percorreu para enriquecer, tudo ignorado e resumido apenas na sua tributação, como se todo o segredo desses países fossem resumido ao governo confiscar metade da riqueza da população.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  10/06/2016 02:15
    Mises foi um gênio.

    Extrair categorias e axiomas econômicos de uma praxeologia geral simples e auto-evidente sustentada filosoficamente pelas categorias do entendimento e da intuição pura de Kant foi um golpe genial.
  • Pobre Paulista  10/06/2016 14:24
    Continuando a discussão acima, sobre "Axiomas":

    "Na lógica tradicional, um axioma ou postulado é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria. Por essa razão, é aceita como verdade e serve como ponto inicial para dedução e inferências de outras verdades (dependentes de teoria)."

    Não existe "Axioma verdadeiro" nem "Axioma falso". Existem "Axiomas", que são premissas lógicas para iniciar uma série de deduções.

    Do ponto de vista puramente lógico, não há o que ser "testado" ou "validado" num Axioma. Se eu estabeleço, axiomaticamente, que todos blergs são domps e que todos os domps são huers, então imediatamente eu chego à "mera conclusão" que todos os blergs são huers. Não há sequer um experimento capaz de "testar" essa afirmação.

    Agora, a coisa muda totalmente de figura se eu estou usando um Axioma para estabelecer algum tipo de "regra universal" da natureza. Dizer que "massa atrai massa", por exemplo, não é um axioma, e sim o resultado de diversas experimentações e formulações matemáticas para que se conclua isso. No entanto, diversos axiomas, que fundamentam a matemática e o cálculo, foram usados para se concluir isso, e ninguém os "validou" antes. São, justamente, considerados como óbvios.

    Essa é a raiz do pensamento Miseano: é óbvio que toda ação humana voluntária é proposital. Isso é um axioma (o famoso "axioma da ação humana"), e não uma observação de uma "regra universal" da natureza. Toda a EA não passa de "meras conclusões" em cima deste axioma (e de outros também, mas fundamentalmente esse), não há portanto o que ser "testado" ou "validado".

    Mas, no entanto, concordo com os críticos acima neste quesito: E se existirem humanos que não ajam de acordo com o axioma? Ora, eles podem existir, no entanto, nada se pode afirmar sobre eles sob a ótica da EA. Isso não implica que há algum erro na EA, implica, no máximo, que nada se pode afirmar a respeito de como seria um sistema econômico composto por tais seres hipotéticos.

    Portanto, para dizer que as proposições da EA sejam observadas no mundo real, dependemos criticamente de que todos os seres humanos se comportem de acordo com o axioma da ação humana, ou, pelo menos, um numero suficientemente grande de seres humanos.

  • Rodrigo Pereira Herrmann  10/06/2016 15:09
    amigão, você não entendeu bem o que é um axioma, nem o implicado e as implicações da praxeologia.
  • Paulo Henrique  10/06/2016 22:28
    Na verdade existe ações irracionais o tempo todo na sociedade. Por exemplo, Como a irracionalidade humana pode salvar (ou não) vidas - Estudo simples

    "Economia behaviorista é a interseção entre economia e psicologia. Por um lado, a teoria econômica tradicional (mainstream) assume que o ser humano é perfeitamente racional, paciente, pequenos robôs econômicos compulsionalmente proficientes que sabem exatamente o que os fazem felizes e, com isso, tomam decisões que maximizam a sua felicidade. (Mesmo que os economistas tradicionais aceitem a ideia de que o ser humano não é um perfeito maximizador de utilidade, eles geralmente defendem a ideia que a irracionalidade é um desvio, não uma regra.) Economistas behavioristas, por outro lado, desenvolveram modelos que levam em conta o fato que as pessoas procrastinam, são impacientes, não são sempre boas tomadoras de decisões quando estas são difíceis (e muitas vezes até evitam tomar essas decisões), mudam de caminho para evitar o que pode ser uma perda, se importam com conceitos como "justiça" ao invés de apenas ganho econômico ...."economics.about.com/od/behavioral-economics/a/What-Is-Behavioral-Economics.htm

    Para demonstrar esse ponto da irracionalidade que eu deixei em negrito, pretendo apresentar um experimento bem simples para vocês, com mais sugestões de experimentos no final:
    (Usarei os dados dos Estados Unidos porque são os mesmos dados que o paper usou)

    Desde 1995, mais de 45.000 pessoas morreram nos Estados Unidos na espera de um doador de órgãos (dados de 2003, hoje com certeza o número é maior). Apesar de uma pesquisa mostrar (1) que 85% dos americanos aprovam a doação de órgãos, menos da metade tomou a decisão de doar e, em um número ainda menor, apenas 28% garantiram permissão de doar órgão assinando um "cartão de doação". Esse padrão também é observável na Alemanha, Suécia e Espanha.
    (1) - The Gallup Organizations, "The American Public's Attitude Toward Organ Donations and Transplation"

    i.imgur.com/oCH1mGz.png

    Dando uma olhada rápida nesse gráfico, como VOCÊ explicaria essa diferença absurda entre países da direita e da esquerda? Cultura? Religião?

    O problema é que países com enormes similaridades culturais possuem diferenças absurdas na porcentagem populacional doadora de órgão. Dinamarca e Suécia são culturalmente similares. Alemanha e Áustria também. Holanda e Bélgica também. Inglaterra e França, em certa parte, também.

    O diferencial desses países é mais simples do que você imagina.
    Nos países da esquerda, o questionário de doação de órgãos segue esse padrão:
    "( ) Assinale ao lado se você quer participar do programa de doação de órgãos".
    O que acontece? As pessoas não marcam nada e não doam órgãos.

    Nos países da direita , o questionário de doação de órgãos segue esse padrão:
    "( ) Assinale ao lado se você não quer participar do programa de doação de órgãos".
    O que acontece? As pessoas não marcam nada e doam órgãos!

    Simplesmente, uma coisa trivial como uma mera palavra pode salvar 50.000 vidas. O estudo conclui que em situações de escolhas difíceis, permanecer no status quo é entendido como uma situação de menos risco do que o contrário. Como não sabemos exatamente o que escolher, permanecemos onde estamos...




  • Rodrigo Pereira Herrmann  11/06/2016 00:26
    1. o axioma básico da praxeologia é IRREFUTÁVEL;

    2. TODOS seres humanos, SEM EXCEÇÃO, agem propositadamente;

    3. o conteúdo e os valores que motivam as ações humanas são IRRELEVANTES pra praxeologia;

    4. da mesma forma, também são irrelevantes os automatismos e reflexos condicionados de caráter biológico-anímico;

    5. importante, no contexto apriorístico da ação, são as categorias do entendimento e intuição como o tempo, o espaço, a escassez, a causalidade, a imprevisibilidade. categorias que estruturam a razão humana e são portanto universais. (Mises vai buscar em Kant as categorias da ação).
  • Joaquim Saad  10/06/2016 23:43
    É isso aê !

    Daí a busca ("aprioristicamente" fracassada ?) de todos os regimes totalitários pela transformação de cada indivíduo da população em um ser autômato, dissolvido na "massa" obediente, operando quase que sem vontade própria, nos quais esquemas socialistas-marxistas-keynesianos-etc pudessem funcionar ?
  • Pobre Paulista  11/06/2016 14:09
    Exato Paulo Henrique, mas não confunda, você está questionando a coerência dos indivíduos, e Mises se fundamenta na voluntariedade da ação. No seu exemplo, como você bem observou, as pessoas não estão escolhendo doar ou não doar órgãos, e sim participar ou não participar de um grupo, estão buscando na prática uma aceitação social. Além disso, o simples fato delas estarem lá escolhendo já caracteriza a ação voluntária: Qual decisão ela irá tomar é irrelevante para a praxiologia.

    Obviamente não há nada de errado em querer estudar este fenômeno, mas não é aí que se fundamenta o estudo da economia. No máximo, são os empreendedores (e não os economistas) que tem que estudar isso para tentar antecipar oportunidades de negócios. Do ponto de vista puramente econômico, são apenas pessoas agindo.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  11/06/2016 16:50
    o valor, como conteúdo, é importante para o mercado.

    para a ciência econômica, como decorrência de ações humanas propositadas a partir de estruturas apriorísticas da razão com fins à satisfação de necessidades materiais de bens escassos (a praxeologia aplicada à economia), o que importa é a valoração, como processo.
  • Leandro Menezes  11/06/2016 13:19
    A conclusão que chego é de que a economia moderna, mencionada no artigo, é tão agradável ao governo, que ele mesmo é quem massivamente desenvolve e a incentiva, para ter um apoio ideológico dos seus atos que servem apenas para enriquecimento de poucos.
  • Emerson Luis  03/07/2016 18:33

    Os economistas "ortodoxos" são os alquimistas do nosso tempo.

    * * *


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