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O consumismo não gera crescimento econômico - e sua defesa é o cerne da teoria keynesiana
A confusão que gera recessões e empobrecimento

Uma das falácias econômicas mais perniciosas e difundidas é a crença de que o consumo é a chave para uma economia sólida e em contínuo crescimento.

Ouvimos essa ideia constantemente na imprensa e nas conversas casuais, especialmente em épocas de recessão econômica. As pessoas dizem coisas como: "Ah, se todos começarem a comprar novamente, a economia voltaria a crescer" ou "Se conseguíssemos colocar mais dinheiro nas mãos dos consumidores, sairíamos dessa recessão".

Essa crença no poder do consumo não apenas conduziu grande parte da política econômica nos últimos anos, com seus infindáveis pacotes de estímulo, como também estimular o consumo sempre foi o objetivo supremo de todas as políticas econômicas adotadas por governos.

Tal ideia é uma herança do equivocado pensamento keynesiano.  Ela ignora o fato de que é a produção, e não consumo, a fonte de riqueza.  Se o que se quer é uma economia saudável, então é imprescindível criar as condições para que empreendedores possam produzir e criar riqueza.  Igualmente importante é criar as condições para que pessoas e empresas possam poupar o suficiente para financiar toda essa produção e, também, para consumi-la no futuro.

Quanto mais poupança, maior a quantidade de fundos a serem emprestados.  Quanto maior a quantidade de fundos a serem emprestados, menores os juros.  Quanto menores os juros (e os juros serão baixos por uma consequência de mercado, e não por manipulação de um Banco Central), mais economicamente viáveis serão os investimentos de longo prazo, que são os que realmente enriquecem uma economia e geram maiores salários.

Simultaneamente, quanto maior a poupança, maior a capacidade de consumo futura da população.  Mais demanda haverá para os investimentos de longo prazo iniciados hoje.

É tentador dizer que essa questão do consumo é uma espécie de enigma "do ovo e da galinha": afinal, qual é o benefício de se produzir coisas se não houver ninguém para consumi-las? A solução para essa charada é reconhecer que somente temos o poder de consumir se antes produzirmos e vendermos algo para então termos os meios de consumir. É impossível consumir sem antes você ter produzido e vendido (como a sua força de trabalho, por exemplo).

Iniciar a análise pelo consumo pressupõe que o indivíduo já adquiriu os meios. Contrariamente a essa análise, a riqueza é criada por meio de atos de produção que rearranjam recursos de uma maneira que as pessoas valorizam mais do que arranjos alternativos.  Esses atos são financiados com a poupança que vem de indivíduos que se abstêm do consumo.

A criação de riqueza e os consumidores

Em uma economia capitalista, a riqueza está majoritariamente na forma de capital. 

Capital é toda a riqueza acumulada que pertence a empresas ou a indivíduos, e que é utilizada para o propósito de se auferir receitas e lucros.  O capital abrange todas as fábricas, minas e fazendas agrícolas, bem como todos os maquinários e equipamentos, todos os meios de transporte e de comunicação, todos os armazéns, lojas, escritórios, imóveis comerciais e residenciais, e todos os estoques de materiais, componentes, suprimentos, bens semimanufaturados e bens acabados que são propriedades de empresas.

Capital, portanto, é a riqueza empregada na produção, e subsequente venda, de bens e serviços.  Essa riqueza é o alicerce tanto da oferta dos produtos que as pessoas compram quanto da demanda pela mão-de-obra que as pessoas vendem. 

Quanto maior a riqueza dessa economia, maiores serão os salários reais.  E por dois motivos: haverá uma maior oferta de bens produzidos e uma maior demanda pela mão-de-obra de assalariados. 

Tributar os lucros dessas empresas significa privar-lhes de fundos que elas utilizariam para adquirir bens de capital e pagar salários.  Déficits governamentais também geram o mesmo efeito, pois são majoritariamente financiados com o dinheiro que essas empresas emprestam para o governo.  Portanto, tanto a tributação quanto os déficits governamentais irão reduzir a demanda por (e a produção de) bens de capital e a demanda por mão-de-obra.  Em outras palavras, déficits governamentais e tributação reduzem o nível da produção, contribuem para a elevação dos preços e impedem o aumento de salários.

Consumidores e seu ato de consumo não são e nem podem ser os responsáveis pelo desenvolvimento industrial de nenhum país.  Consumidores possuem uma miríade de necessidades e desejos, os quais permaneceriam totalmente não realizados caso empreendedores e capitalistas não investissem sua riqueza e capital acumulado para encontrar maneiras de suprir essas necessidades e desejos. 

Empreendedores e capitalistas irão investir sua riqueza e capital na criação e desenvolvimento de novos e aprimorados produtos, bem como de mais eficientes e menos custosos métodos de produção, tudo para satisfazer os desejos dos consumidores.  E quando tais aprimoramentos forem introduzidos, só então os consumidores irão adquiri-los, e frequentemente em ampla escala. 

As empresas e indústrias que produzirem os melhores produtos, ou os mais baratos, e com isso conquistarem grandes fatias de mercado, irão se expandir continuamente, tornando-se assim grandes integrantes do sistema econômico.

Isso, no entanto, não significa que haverá um aumento geral no número de empregos.  Por exemplo, ao passo que o desenvolvimento da luz elétrica levou a um grande aumento no número de empregos relacionados à produção de lâmpadas incandescentes e de fiação elétrica, tal fenômeno também levou a uma quase total extinção da produção de velas, lanternas e lâmpadas a gás, com uma correspondente perda no emprego nestas áreas. 

Similarmente, quando o automóvel substituiu o cavalo e a charrete, o vasto número de empregos criados na indústria automotiva foi acompanhado de uma maciça perda de empregos nos setores de construção de charretes, ferraria, criação de cavalos, fabricação de selas e cultivo de aveia.

Não há estímulos benéficos

Por tudo isso, o ato de colocar mais recursos nas mãos dos consumidores por meio de pacotes de estímulo governamental falha exatamente porque a riqueza transferida provém, acima de tudo, dos produtores. Isso é óbvio quando o gasto é financiado por impostos; porém, é igualmente verdadeiro quando se trata de déficits do governo e inflação.

Em caso de déficits, como dito, a riqueza vem das compras de títulos do governo pelos produtores. Com a inflação monetária, o efeito é outro.

Levados pela crença de que é o consumo o que gera emprego, economistas keynesianos defendem estimular o consumo por meio da inflação monetária — isto é, da criação de quantias adicionais de dinheiro.  Tal procedimento tem o potencial de aumentar o emprego apenas sob determinadas circunstâncias: somente se aqueles vendedores de bens de consumo que estiverem sendo premiados com esse volume adicional de gastos dos consumidores pouparem e investirem essas suas receitas adicionais.  Nesse caso, eles poderão expandir sua produção e contratar mais mão-de-obra. 

Porém, se eles também consumirem essas suas receitas adicionais, ou se o governo tributar essa receita adicional — e ele fará isso —, não haverá aumento nos gastos para mão-de-obra ou bens de capital.  Consequentemente, não haverá aumento no emprego. 

O poder da inflação monetária em promover o emprego também depende de os sindicatos serem fracos ou até mesmo não existentes.  Se existirem sindicatos e eles forem poderosos, então eles irão se aproveitar da inflação para exigir maiores salários nominais — mesmo em meio a um maciço desemprego —, anulando desta forma a capacidade de um maior volume de gastos por mão-de-obra aumentar o emprego.

Obviamente, é desnecessário enfatizar que a inflação faz com que o poder de compra de todas as pessoas, e em especial dos mais pobres, seja reduzido, o que irá afetar diretamente o poder de consumo futuro — que é exatamente o contrário do almejado por essa política.

Em nenhum desses casos, portanto, o governo criou riqueza.  Tampouco o consumo o fez. A capacidade de consumir continua dependendo de atos anteriores à produção.

Se o que se quer é um estímulo econômico de verdade, então os empreendedores devem ser liberados para fazer suas atividades.  E a maneira certa de se fazer isso é criando um ambiente mais propício para a produção, em vez de penalizar a poupança que a financia.

Culpe Keynes

Historicamente, foi o keynesianismo quem introduziu a ênfase no consumismo como a força-motriz da economia. Antes da revolução keynesiana, a crença padrão entre os economistas era que a produção era a fonte da demanda e que encorajar a poupança e a produção era a maneira de gerar crescimento econômico.

Essa era a compreensão correta da Lei de Say. Como o próprio Jean-Baptiste Say escreveu no início do século XIX:

O estímulo ao mero consumismo não é benéfico para o comércio; a dificuldade está em ofertar os meios e em produzir, e não em estimular o desejo pelo consumo; e já vimos que somente a produção fornece tais meios. Portanto, é o objetivo do bom governo estimular a produção, e do mau governos estimular o consumo.

É claro que "estimular a produção" nada mais é do que deixar os produtores livres para buscarem o lucro como desejarem, dentro de um arcabouço liberal-clássico. Isso não significa que o governo deve beneficiar artificialmente produtores, assim como não deve estimular o consumo.

A grande ironia é que os esquerdistas frequentemente argumentam que o capitalismo é sinônimo de "consumismo". Eles genuinamente pensam que os defensores do livre mercado acreditam que mais consumo promove crescimento econômico.  Consequentemente, somos acusados de fornecer uma espécie de cobertura ideológica para justificar aquele consumismo que, na visão deles, destrói vidas e desperdiça recursos.  O que esses críticos de esquerda não percebem é que os economistas clássicos nunca viram o consumo como sendo a força-motriz do crescimento econômico e da prosperidade.  Quem introduziu essa ideia foi Keynes e quem a entronizou foram os economistas keynesianos críticos do livre mercado.

Graças ao keynesianismo, a manipulação dos elementos que compõem a equação do PIB (consumo, investimento e gastos governamentais) se tornou o foco de todas as políticas macroeconômicas. Foi o arcabouço teórico keynesiano que levou à criação das estatísticas de PIB e que implicitamente gera as incitações para mais consumo.

Por mais de 150 anos, os defensores do livre mercado viram o consumismo como destruidor de riqueza, e a poupança como a sua criadora. Eles nunca defenderam que "estimular o consumo" era o caminho para a prosperidade. Portanto, eles não podem ser acusados de justificarem a "cultura consumista". E o mesmo é verdadeiro para os defensores do livre mercado do século XX, como Mises e Hayek.

Se a esquerda progressista quer lamentar o enfoque da economia moderna no consumo, então ela deveria voltar suas artilharias para os intervencionistas keynesianos.

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Leia também:

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Não é o consumo o que cria a prosperidade

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15 votos

autor

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.

  • Andrius Priebbnow  07/06/2016 15:46
    Boa tarde, se não for muito incômodo, posso pedir a tradução do seguinte artigo no futuro?
    https://mises.org/blog/what-proper-way-study-man
    Obrigado :)


  • robson wesley  07/06/2016 16:02
    Gostei da visão que não necessariamente o capitalismo está ligado com o consumismo.

    Só achei algo meio incoerente a resposta "produzirmos e vendermos algo para então termos os meios de consumir", quando responde a sua própria pergunta "afinal, qual é o benefício de se produzir coisas se não houver ninguém para consumi-las?"

    Quando diz que produz e VENDE, já gerou o efeito "consumidor", se assim posso dizer.

    Mas que a poupança aumenta a oferta de dinheiro e diminui os juros tenho que concordar.

    O duro é que nossa realidade brasileira está longe de ter indivíduos com poupança positivas, acredito que boa parte da população só ganha para suprir suas necessidades básicas, o pouco que poupa faz uma poupança negativa (empréstimos e financiamentos).
  • Magno  07/06/2016 16:21
    A frase do artigo é: "A solução para essa charada é reconhecer que somente temos o poder de consumir se antes produzirmos e vendermos algo para então termos os meios de consumir. É impossível consumir sem antes você ter produzido e vendido (como a sua força de trabalho, por exemplo)."

    Qual a incoerência dela? Ela nem sequer foi formulada como resposta. Ela é uma tautologia.

    "Quando diz que produz e VENDE, já gerou o efeito "consumidor", se assim posso dizer."

    Exato.
  • Zero  07/06/2016 19:54
    A questão é perceber que a "coisa" em "produzir coisa" e "consumir coisa" não se trata da mesma "coisa", hehe.

    Encaixando a pergunta em um caso concreto: 'qual o benefício de se produzir "automóveis" (coisas) se não houver ninguém para "comprar automóveis" (consumir)'?

    A interpretação da resposta do artigo NÃO seria 'reconhecer que somente temos o poder de "comprar automóveis" (consumir) se antes produzirmos e vendermos(?!) "automóveis" (algo) para então termos os meios de "comprar automóveis" (consumir)', pois de fato não faria o menor sentido.

    A interpretação correta é: 'reconhecer que somente temos o poder de "comprar outras coisas" (consumir) se antes produzirmos e vendermos "automóveis" (algo) para então termos os meios de "comprar outras coisas" (consumir). Esse é o benefício de produzir "automóveis" (coisas), respondendo a pergunta.
  • Julliano Silva  07/06/2016 16:03
    Excelente texto! Elucidativo e didático,mostra claramente a farsa do Keynesianismo que domina há anos as políticas econômicas da vasta maioria das nações.O resultado disso é que num universo de 196 nações, apenas 12% são consideradas ricas e desenvolvidas,justamente aquelas que menos sofreram a influência do Keynesianismo.
  • Renato  07/06/2016 16:35
    Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email é galenoeu@gmail.com
  • Rafa  07/06/2016 19:40
    Excelente artigo. Tanto é verdade que a produção é a responsável por gerar crescimento econômico que a maneira mais difundida de se medir o grau de riqueza de um povo é observar o quanto cada pessoa produz por ano - PIB per capita - e não o quanto que ela consome...
  • Taxidermista  07/06/2016 20:25
    Outros três bons artigos na mesma linha:


    "Não é o consumo que cria a prosperidade":

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=761


    "Consumidores não criam empregos":

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1179


    "Consumidores não provocam recessões":

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=191



  • a  07/06/2016 21:06
    1+1=2 (Certo)

    1+1=qualquer outro resultado que não o acima (Errado)
  • Leonardo Furtado   07/06/2016 22:34
    George reisman é um mito da economia austríaca! Muito bom!
  • Renan  07/06/2016 23:25
    Existem investimentos que custosos e importantes que só dão lucro a longo prazo como Hidreletrica e Ferrovia portanto inviavel de ser construido pela iniciativa privada. Em um regime de minarquia ou ancap como seria resolvido essa questão?
  • George  07/06/2016 23:36
    Qual a diferença entre esses investimentos e outros igualmente de longo prazo? Por que esses não seriam rentáveis mas os outros sim?

    Desde quando transportes de passageiros e de cargas não são financeiramente rentáveis? Desde quando produção de energia não é rentável?

    Não sei se você sabe, mas as grandes ferrovias americanas foram construídas privadamente.

    Por fim, uma charada para você: há destilarias que produzem uísques que demoram de 8 (mínimo) a 20 anos (às vezes, até mais) para ficarem prontos para consumo. Pela sua lógica, esses investimentos são inviáveis e devem ser feitos exclusivamente pelo estado. Mas não há estatais de uísques (ainda bem!). Como você explica isso?
  • Ó  08/06/2016 03:36
    Um whisky 8 anos é feito em 4 meses
  • George  08/06/2016 06:36
    Hein?

    O tempo de maturação de um uísque vai de 8 a 20 anos.

    desvendandowhisky.blogspot.com.br/2014/11/maturacao.html?m=1

    Nesse ínterim, o produtor não aufere receita nenhuma, pois ele ainda não vendeu sua produção. E aí?
  • Marco  13/06/2016 22:41
    Se se tratar da primeira produção de whisky creio que está correto, mas as destilarias são empresas fundadas há décadas ou séculos. Assim enquanto envelhecem alguns lotes de bebidas, as destilarias dispõe de outros lotes prontos para comercializar.
  • George  13/06/2016 22:45
    Correto. Mas a pergunta ainda fica: como a destilaria sobreviveu antes vender o primeiro lote de uísque, tendo de esperar no mínimo 8 anos para ter sua primeira receita?

    Essa é a definição perfeita de investimento de longo prazo, algo que, segundo o Renan acima, não poderia existir sem subsídio do estado.
  • Igor  23/06/2017 00:37
    Muito provavelmente ela já tinha whisky maturando antes de começar a querer vender no mercado. Normalmente estas destilarias começam com uma tradição de se fazer whisky para consumo próprio, e nisto eles guardam levas grandes para maturar (e nesse meio tempo, vão fazendo mais).

    Fora que há possibilidade de produzir whisky sem envelhecer por muito tempo. Os oito anos não são uma regra.
  • Andre  08/06/2016 11:16
    uísque 8 anos maturando em 4 meses, o que você anda bebendo não é uísque.
  • mauricio barbosa  08/06/2016 14:49
    Renan existe uma coisa que se chama capital de giro e basta você calcula-lo em seu plano de negócios e seus sócios(Investidores,banqueiros,empresários,etc)toparem,tais negócios serão tocados normalmente,ou seja se você investir 10 bilhões em uma hidroelétrica que irá começar a gerar receitas só a partir do 8 ano e seus gastos nesse intervalo for de 1 bilhão por ano,você deverá levantar um capital de 18 bilhões(10 bilhões com a construção e 8 bilhões com as despesas anuais)e levando-se em consideração uma depreciação de 25 anos isso dará 400 milhões anuais a partir do 8 ano mais 1 bilhão de despesas fixas anuais mais 3 bilhões de custos variáveis mais 3,6 bilhões de lucro anual isto dará uma receita anual de 8 bilhões a partir do 8 ano quando a hidrelétrica estará pronta e gerando 100% de sua capacidade de produção e seu prazo de retorno será de 5 anos(3,6 bilhões do lucro anual x 5 anos=18 bilhões) o que se traduz em um ótimo investimento.
    É claro que é um exemplo grosseiro(Não foi considerado no caso a inflação do período e impostos não existiria em um mundo ANCAP),mas espero que sirva para você entender que os cálculos financeiros são feitos em cima dessas premissas.
    Atualmente ninguém investe neste setor de construção de hidroelétricas de grandes porte,por ser um setor monopolizado pelo estado e os investidores pedirem subsídios para fazerem tais investimentos visto serem empresas corporativistas e é lógico que em um mundo ANCAP tais investimentos serão viabilizados naturalmente,enfim não se pode basear seu raciocínio só no que se ver,mas também no que não se vê como diz o grande francês Bastiat
  • Matheus  08/06/2016 04:11
    Numa explicação bem simplista. A crise acontece quando uma mercadoria já produzida não se converte em dinheiro,então ao estimular o consumo , e o capitalista tendo o dinheiro em mãos poderá produzir mais mercadoria, já que estão sendo vendidas?
  • Pilates  08/06/2016 21:22
    Se uma das falácias econômicas mais perniciosas e difundidas é a crença de que o consumo é a chave para uma economia sólida e em contínuo crescimento, como explicar os EUA? Mais de 60% da economia deste país não advém do consumo das famílias?
  • Halteres  08/06/2016 22:30
    De uns tempos para cá, sim. E, "coincidentemente", foi a partir daí que o crescimento econômico por lá se reduziu drasticamente.

    Quando a economia era mais baseada na produção e na poupança (no que ajudava uma moeda sólida, ancorada ao ouro), o crescimento econômico -- bem como o aumento do padrão de vida -- foi muito mais acelerado.
  • Felipe Lange S. B. S.  25/06/2017 15:55
    Os EUA estão em uma bolha keynesiana há décadas... os presidentes basicamente só vão empurrando com a barriga (está resistindo porque o país é muito rico e o padrão de vida deles é alto). Por isso que o crescimento está estagnado. E se estourar no Trump, é certo que nas próximas eleições muitos eleitores idiotas vão votar em um socialista do tipo de um Bernie Sanders.

    E claro, o Donald aparentemente não vai fazer a lição de casa em cortar gastos e impostos. Vai cortar de um e aumentar de outro, basicamente do jeito Dilma.
  • Giovana Depicoli  08/06/2016 21:56
    E mais uma vez os esquerdistas passando desinformação para a sociedade acusando os liberais por todo e qualquer mal existente no mundo! Mas na minha sincera opinião ou esquerdista é psicopata ou extremamente burro!
  • Victor  08/06/2016 22:30
    Se a produção gera consumo, como os empresários conseguem definir onde vão investir seu capital?

    O que aprendi com um professor totalmente marxista e keynesiano é que quando a demanda por uma mercadoria aumenta, seu preço aumenta e sua produção se torna mais atrativa (mais lucrativa). Sendo assim, os empresários de outros setores vão preferir investir seu capital na produção daquela mercadoria, equilibrando sua oferta e levando seu preço ao encontro do preço natural (ou de equilíbrio) daquela mercadoria.

    Outra pergunta, como a escola austríaca define preço natural (ou de equilíbrio) de uma mercadoria?

    Obrigado!
  • Hugo  08/06/2016 22:47
    "Se a produção gera consumo, como os empresários conseguem definir onde vão investir seu capital?"

    A função do empresário é justamente a de estar alerta às futuras demandas dos consumidores. Aquele que souber melhor como satisfazê-las é o que terá os maiores lucros.

    Qual era a demanda específica por smartphones antes de eles surgirem? Qual era a demanda específica por um Outback no Brasil antes de a empresa vir para cá?

    De resto, atenção: em momento algum o texto afirma que "a produção gera o consumo". O que ele diz é que o que possibilita o consumo é a produção. Aliás, isso é uma tautologia tão grande, que é incrível que as pessoas se espantem com ele. Como você pode consumir algo que não foi produzido? De nada adianta você querer consumir se antes ninguém tiver produzido.

    Juro que não entendo o espanto.

    "O que aprendi com um professor totalmente marxista e keynesiano é que quando a demanda por uma mercadoria aumenta, seu preço aumenta e sua produção se torna mais atrativa (mais lucrativa)."

    Por essa lógica, era para a produção brasileira estar bombando. Os preços de absolutamente tudo só fizeram subir. No entanto, a produção industrial desabou. E as importações também.

    Como seu professor "totalmente marxista e keynesiano" explicaria esse aparente paradoxo?

    Não há evidência mais explícita de que

    "Sendo assim, os empresários de outros setores vão preferir investir seu capital na produção daquela mercadoria, equilibrando sua oferta e levando seu preço ao encontro do preço natural (ou de equilíbrio) daquela mercadoria."

    De novo: por essa lógica, deveria estar faltando espaço para se construir fábricas no Brasil. Se há uma coisa que está sempre subindo aqui são os preços. E a produção industrial só desabando.

    "Outra pergunta, como a escola austríaca define preço natural (ou de equilíbrio) de uma mercadoria?"

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1727

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=148
  • Victor  09/06/2016 05:36
    Muito obrigado pela resposta Hugo!

    Eu me esqueci de citar que minhas indagações são feitas sobre um cenário ideal, onde há somente produtos básicos e ausência de inflação.

    Digamos que haja uma economia com somente dois produtos básicos: arroz e feijão. Como um empresário saberá em qual dos dois produtos investir?

    Suponhamos que a população consuma arroz e feijão na proporção 2:1 e que haja, em um certo momento (talvez inicial), fábricas capazes de produzir a proporção contrária. Ou seja, o dobro de feijão que de arroz. Como a economia se ajustaria na visão austríaca?
  • Adriel  18/01/2017 12:52
    Victor,

    Os empresários que especularam errado vão quebrar, pois o preço do feijão cairá tanto que não vai compensar produzi-lo. Essa quebra fará com que novos investimentos "aprendam" com os erros dos outros e reajustem sua produção para a proporção adequada (que dê mais lucro para a empresa).
  • Carlos  09/06/2016 02:58
    Se o empresário produzir mais e mais e não tendo demanda , então está certo em investir no consumo.
  • Leandro  09/06/2016 03:31
    Se ele investiu em algo para o qual não havia demanda -- por exemplo, um hotel de luxo na Cracolândia --, então ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

    O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

    O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O capitalista que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que agora muito provavelmente está endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro capitalista que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

    Este outro capitalista -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores. No nosso exemplo, o hotel de luxo da Cracolândia poderá ser transformado em um motel barato ou mesmo em um cinema estilo "Boca do Lixo".


    Traduzindo tudo: a recessão nada mais é que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

    A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

    Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.
  • Carlos  09/06/2016 04:28
    Então para não causar inflação,a oferta teria que acompanhar a demanda ? (Num cenário de emissão de moedas,pelo banco central).
  • Pessimista  09/06/2016 14:03
    Inflação é um problema monetário, o descompasso entre demanda e oferta agregada é uma consequência da alteração no volume monetário.

    Em situações normais, só há descompassos de oferta e demanda em setores especificos, mas não no agregado.

    A inflação, na definição popular (mas incorreta!), seria aumento generalizado de preços. Se a quantidade de moeda for fixa, é impossível que todos os preços aumentem, ainda mais levando em conta que a produtividade está contínuo progresso, ou seja, se estamos produzindo mais então os preços deveriam está em queda.

    O que ocorre é que o volume monetário está sempre se expandindo (por obra das manipulações do governo sobre o sistema monetário), e isso provoca um aumento da demanda que por consequência causa o aumento generalizado nos preços.

    Em resumo, a causa real da inflação (definição popular) é a expansão monetário, e não o tal descompasso entre oferta e demanda (esse é apenas consequência).

  • Rodrigo Polo Pires  09/06/2016 11:33
    https://www.comexdobrasil.com/em-reuniao-com-temer-presidente-da-fiesp-defende-estimulos-para-alavancar-exportacoes/
  • Fernando  09/06/2016 12:12
    Este é um mal que contaminou o mundo todo. Governos querendo estimular consumo, pra quê? Não são os consumidores quem devem decidir o que vão consumir? Do meu ponto de vista não teria de haver tanta preocupação dos governos com consumo, PIB, etc. É natural que sempre haverá consumo, e este é demandado de acordo com as reais necessidades dos indivíduos. O resto é consequencia.
  • oneide teixeira  11/06/2016 04:00
    "Ela ignora o fato de que é a produção, e não consumo, a fonte de riqueza. "
    Errado ou no minimo incompleto.
    O que gera riqueza é a geração de "utilidade marginal".
    O ditado popular "quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro"ou seja quem não produz utilidade não ganha dinheiro.
    Não adianta produzir o que não é útil.
  • Seta  27/06/2017 23:19
    Oneide, com que intuito alguém produziria algo que não é útil se não o de desperdiçar investimentos?
    Um bom empresário não cometeria tal erro visando o lucro, ao longo do texto pode-se entender a intenção
    do autor ao proferir esta frase.
  • Emerson Luis  03/07/2016 16:55

    "É impossível consumir sem antes você ter produzido e vendido"

    É possível sim: através do endividamento! Mas não é muito sustentável...

    Muitos acusam o liberalismo/capitalismo de promover o consumismo, mas quem faz isso são os governos. O genuíno capitalismo é fundamentado na produtividade e na poupança (daí o nome "capital"), não no consumismo.

    * * *
  • Edujatahy  27/06/2017 10:44
    No endividamento você está usando de poupança de outra pessoa (ou poupança roubada à força das pessoas via estado). E a poupança foi gerada através de ganhos anteriores (produção).
  • Elton Bonmann  22/06/2017 03:28
    A culpa e de Keynes? Cosumo nao gera riqueza? Consumo e ruim?

    Infelizmente eu tenho que discordar em tudo que o autor escreveu nesse artigo, pois keynes nao e um problema, cosumo gera riqueza, consumo e bom (utilidade), e consumo nao deixa de ser investimentos (pois e empregado ou para agrega valor a producao ou para encobrir gastos com depreciacao).

    a) Consumo gera riqueza quando a inflacao e constante (consoante P.Q=PIB; onde P e precos, Q e quantidade de produtos, e PIB e o classico produto interno bruto, o qual esta em funcao do CONSUMO do governo, CONSUMO
    do setor privado e a diferenca na balanca de pagamentos) (https://www.britannica.com/topic/gross-domestic-product). E Q possui estrita ligacao tanto com a oferta de produtos (pelo empresario), com a demanda de produtos (pelo consumidor) (Lei de say).

    b) Keynes nao estava errado, porquanto tanto o consumidor como o empresario ficam por vezes "abalados psicologicamente" (a classica idea da confianca do empresario...), e quando isso acontece, no curto prazo (mas tambem no longo, dependendo do contexto), a taxa de poupanca aumenta e a taxa de investimento cai, o que significa dizer que a riqueza fica retida e, logo, quando retida e nao consumida, o PIB cai porque este esta em funcao do CONSUMO de produtos.

    c) Consumo e bom, visto que quando mais tu consomes, melhor e a sua qualidade de vida (its the wealthfare). Uma pessoa com uma casa, comida, carro, seguro de vida (alto consumo), tem uma melhor qualidade de vida que uma pessoa com uma casa similar, sem comida, sem seguro de vida, sem carro... (utility theory)

    Eu nao sei porque esse artigo busca criticar o consumo. Consumo e bom e todo mundo sabe disso. O problema e que existem algumas pessoas (geralmente o pessoal de esquerda) que sao hiprocritas e dizem que o consumo e ruim e blablabla, enquanto em uma mao eles seguram um Iphone e nao outra eles seguram uma passagem para a europa, onde eles vao fazer questao de ir em todos os restaurantes possiveis e museus. Mas relaxa, mesmo assim, isso nao e consumo....
  • Andre Fernandes  23/06/2017 02:13
    Vou discordar de você e seguem meus motivos:

    "a) Consumo gera riqueza quando a inflacao e constante"
    Não, não gera. Vou te dar um exemplo que acredito ser bem claro.
    A cidade de Mariana foi destruída naquele episódio da barragem da Vale. Foram consumidos milhões em mão de obra e produtos para reconstruir a cidade. Você acha que esse consumo gerou riqueza? A população de Mariana está mais rica agora em função desse consumo? Não, todo o consumo está apenas tentando recolocar a cidade no mesmo patamar anterior.
    O que gera a riqueza é a produção, quando o investidor aloca corretamente os recursos a sua disposição.

    "b) Keynes nao estava errado,..."

    Confesso que não entendi bem o seu ponto. O artigo diz (corretamente) que Keynes estava errado, pq em sua tese ele dizia que se queremos reaquecer uma economia, devemos focar nossos esforços em aumentar o consumo. E isso não procede, e temos a história para provar.
    Investir em consumo é o que o Brasil tem feito, através de crédito barato. Segundo Keynes, mais dinheiro na mão do povo, maior será o consumo e entraremos em um fluxo positivo para a economia. Mas não é isso que vemos.
    Em algum momento o governo vai parar de facilitar o acesso ao dinheiro e teremos uma população mais endividada, investimentos errôneos e tudo que gera os ciclos econômicos..

    O correto é investir na produção. Se você facilita a produção, você aumenta a oferta de produtos e serviços, os preços tendem a baixar e, por consequência, o consumo irá aumentar já que o poder de compra do povo aumenta. De novo, se investirmos no consumo via crédito fácil o poder de compra diminuirá.

    "c) Consumo e bom, ..."

    Sim, é bom. Em momento nenhum o artigo quer criticar o consumo em si. O consumo é uma decisão voluntária de um indivíduo para gastar os seus recursos conseguidos através do seu trabalho. Ninguém na EA irá criticar isso.

    A crítica é em cima de governos que acham que se ajusta uma economia através de consumo e não através da produção. Como falei acima. O investimento direto no consumo irá gerar mais distorções e fará com que a recuperação seja pior e mais longa.

    Pegue o Minha Casa, Minha Vida. Programa do governo de juros baixos para estimular o mercado imobiliário junto a população de mais baixa renda. A ideia era permitir que pessoas mais pobres tivessem acesso ao sonho da casa própria. O que vimos na prática foi uma série de especulações e aproveitadores fazendo dinheiro com isso, o mercado imobiliário disparando em termos de preços e prejudicando justamente aqueles que deveriam ser beneficiados: os mais pobres.

    Com isso você gera investimentos enormes em toda a cadeia do mercado imobiliário (cimento, aço e etc...) com base em uma demanda que não é real. Uma demanda que cairá de imediato assim que o programa for suspenso. E esses programas sempre acabam mal...Todos estes recursos poderiam ser melhor alocados para áreas com demanda real se não fosse por essa intervenção governamental.

    Não sei se fui claro, mas espero que ajude.
  • Elton Bonmann  24/06/2017 14:45
    Boa tarde Andre,

    Adorei sua resposta, muito bem articulada e desenvolvida. A intencao da minha contestacao ao artigo, artigo que de fato eu gostei, tanto que eu curti com 5 estrelinhas, era justamente provocar uma discusao como esta.

    Contudo, tenho que discordar de sua replica as letras a) e b) e fazer um concessao quanto a letra c). E o motivo disso, segue abaixo.

    a) A populacao de Mariana esta sim mais rica agora. Mais rica que antes do desastre... acho que nao, mas com certeza mais rica do que depois do desastre e depois da destruicao da cidade. Por exemplo: Imagine uma padaria em Mariana antes do desastre. Essa padaria consumia e produzia bens. Fazia parte do PIB de Mariana, assim como outros comercios que la existiam (os quais produziam e consumiam bens). De um dia para o outro a padaria deixou de existir. Qual e a producao e o consumo da padaria depois do desastre? zero. Ela nao existe mais, nao consome mais, nao produz mais. Mais depois de reconstruida, agora sim, voltamos ao estatus quo ante. Nesse sentido, com certeza Mariana esta mais rica do que depois do desastre. Igualmente, tambem tenho certeza que a regiao ou o pais esta mais pobre, visto que os gastos para reconstruir Mariana poderiam ter sido alocados para gerar riqueza em outra area do pais, mas tiveram que ser alocados para reconstruir a cidade de Mariana. Assim, macroeconomicamente falando o pais empobreceu. Microeconomicamente falando, Mariana esta mais rica agora do que logo depois do desastre (tenho certeza que a gente concorda nesse ponto) (so nao entendi o que Mariana tem a ver com consumo sem inflacao, o que eu quis dizer como consumo sem inflacao, o qual gera riqueza, significa dizer dizer que o empresario esta reinvestindo na producao ao inves de aumentar o preco dos produtos, nada mais, nada menos. Isso pode acontecer quando existe uma mudanca na taxa de poupanca, por exemplo de 0,5% para 0,4% da renda. Quando isso acontence, pode causar inflacao, mas se nao causar, significa que o empresario reinvestiu na producao inves de aumentar o preco dos produtos).


    b) Agora vem a parte tensaaaa. Acho que tu nao entendeste o que eu falei na letra b. Mas nao e tua culpa, eu comi mil teorias economicas ali e nao deixei claro. Mas primeiro de tudo, concordo contigo em relacao aos problemas que existem em "injetar" dinheiro pela otica da demanda e deixar de lado a otica da oferta (e em nem um momento falei para injetar dinheiro pela otica da demanda, pois eu to considerando que tanto o empresario (atraveis de investimentos) como o consumidor consomem). Contudo, se tu investes no mercado de acoes, tu ja deve ter percebido como o mercado e mais sensivel, psicologicamente, do que a gente aprente em sala de aula ou nos livros. E esse e o problema. Por exempo, a taxa de poupanca (salving rates) no Brasil e diferente que na franca, que e diferente que nos USA, que e diferente dos Japao. O japao, so para se ter uma nocao, nao sabe mais o que fazer para fazer a populacao consumir. Eles botaram uma taxa de juros negativa (que era para ter efeito tanto no empresario - investir mais- quanto no "consumidor" – consumir mais e pagar juros tendendo a zero), so que o consumidor nao quer consumir e, evidentemente, o empresario nao vai investir sabendo que a predisposicao do consumidor, em consumir, esta baixa. A predisposicao em consumir e uma fator psicologico (Por exemplo, se eu acho que o pais vai entrar em crise ano que vem, eu comeco a poupar 0,5% da minha renda inves de 0,2%), e ao mesmo tempo, o empresario, se ele escuta que o consumidor esta tremendo nesse sentido, pode apostar, ele nao vai reivestir na producao, pior, ele vai alavancar o caixa dele com medo do futuro. O que acontece nesse momento e uma alavancagem da poupanca (e a riqueza parada.... e a mesma coisa que nada). E um ciclo psicologico de decrescimento economico, Keynes esta certo nesse sentido, porque ele esta sendo bem pragmatico em dizer que as vezes e necessario um empurraozinho (um incentivo) na demanda).


    c) Mais uma vez concordo contigo dos problemas em relacao a incentivar a demanda. Tu falou da minha casa minha bosta. Eu falo da crise das hipoteca nos EUA, que tem origens em subsidios do governo Americano na aquisicao de casas e nao tiveram um resultado muito agravadel (criou uma hiper distorcao no mercado). Contudo, mais uma vez, quando eu digo que o consumo e base do UNIVERSO ECONOMICO, eu nao quero dizer para injetar dinheiro na otica da demanda, o que eu to querendo dizer e que a riqueza acumulada deve tender a zero (isso pode ser feito pela acao do empresario em consumir: investindo na producao e diminuindo o preco dos produtos -aumentando a utilidade pelo preco baixo e aumentando o consumo- ou criando novos produtos - criando uma nova utilizadade que afete o consumidor e faca como que ele deixe de poupar para consumir) (ou pode ser feito pela acao individual do consumidor: aumento da predisposicao em consumo, sei la, de 0,5% para 0,8%, que pode acontecer mesmo sem as acoes privadas do empresario em fazer o consumidor consumir mais). Para que isso aconteca, tanto o lado da oferta como o lado da demanda devem estar em sintonia. Nao e uma questao de que a otica da demanda esta mais certa do que a otica da oferta, ou a otica da oferta esta mais certa que a otica da demanda. Embora eu concorde que os incentivos pela otica da oferta devem ser maiores que os incentivos pela otica da demanda (a) por causa que as pessoas sao risk averse, logo empreendedores sao tipo "agulhas em um palheiro"; b) quanto mais empreendedores maior o "tamanho da torta" – nao sei se tu sabe o que essa expressao significa, se nao sabes, olha rend-seeking activities v. production activities; c) eles sao a base da economia, pois eles criam tanto os bens que consumimos todos os dias como os empregos), um incentivo errado no lado da oferta pode causar moral hazard, e um incentivo errado pela otica da demanda pode causar um endividamento brutal do consumidor. Nao tem um lado certo e errado, o lado certo e uma politica economica que gere riqueza e aumente o PIB (fomentando tanto o consumo do empresario - atraves dos investimentos- como o consumo do consumidor - pela renda), pois quando maior o PIB (embora alguem possa dizer que nao e bem assim...mas nao quero entrar nesses detalhes), melhor e a qualidade de vida das pessoas.


  • Joao  22/06/2017 17:10
    Embora concorde com a premissa, não consigo entender (dado meu limitado conhecimento) como pode produção sem consumo ser uma boa ideia. Se houver produção sem consumo a produção deixa de fazer sentido. Seria no mínimo burrice produzir algo que não é consumido. Acredito que a ideia de se produzir é esperar que 100% seja consumido.
  • Andre Fernandes  22/06/2017 20:06
    Acho que você não entendeu bem a ideia do artigo. Ele não diz que devemos produzir qualquer coisa, só pelo ato de produzir.
    O QUE será produzido é uma decisão de quem está investindo. E caso seja uma decisão errada, obviamente, o investidor irá pagar com prejuízos (estoques parados, por exemplo).

    O que o artigo quer dizer é que estimular o consumo não é a solução. O consumo vai acontecer dependendo de 2 coisas: oferta e poder de compra. E ele reforça o fato de que você só consegue a RENDA necessária para consumir algo, se antes tiver produzido algo. Você trabalha para alguém (ou para vc mesmo), recebe um salário em troca da sua produção e utiliza esse salário para consumir.

    Quanto maior a produtividade, maior será a oferta e a renda das pessoas. Consequentemente os preços tenderão para baixo e com isso o consumo subirá.

    O consumo é, basicamente, a última etapa. O foco deve estar em permitir o aumento da oferta e depois o mercado decidirá o que será consumido. Bons investidores lucrarão, maus investidores terão prejuízos e vida que segue...

    Espero ter ajudado!
  • Joao  22/06/2017 21:09
    Entendi, faz todo sentido. Obrigado pela ajuda.
  • wallace  23/06/2017 02:13
    "Graças ao keynesianismo, a manipulação dos elementos que compõem a equação do PIB (consumo, investimento e gastos governamentais) se tornou o foco de todas as políticas macroeconômicas. Foi o arcabouço teórico keynesiano que levou à criação das estatísticas de PIB e que implicitamente gera as incitações para mais consumo."

    nunca entendi muito sobre o que realmente é o PIB, alguem tem algum artigo que fale especificamente sobre o PIB?
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  24/06/2017 17:36
    A criação é a fonte de riqueza. Criar as condições para que empreendedores possam criar riqueza. Criar as condições para que todos possam poupar o suficiente para financiar a criação e consumi-la.
  • matheus  26/06/2017 20:13
    e a crise de super produção fordista? e como os preços vão abaixar quando inventaram o "just time" , a incomeda de carros?
  • Leandro  26/06/2017 21:04
    Superprodução? Isso não existe. Trata-se de uma teoria completamente sem sentido, que desafia a lógica e o senso de realidade.

    Como ocorre uma superprodução do nada? É até possível entender que haja excesso de consumo (basta congelar preços e expandir a oferta monetária), mas excesso de produção de forma generalizada? Produção é uma atividade extremamente complexa e cara. Gerar uma superprodução -- e de maneira generalizada -- seria, acima de tudo, fisicamente impossível. Não haveria recursos para isso. E seria extremamente caro.

    E, se há fartura de tudo e todos os preços baixaram, então os custos também baixaram. Inclusive salários. Se está havendo deflação geral de preços, então uma redução nominal de salários também irá ocorrer.

    (E seria uma bênção para a população. Haveria bens fartos e baratos para todos.)

    No mais, recessões não são causadas por "superprodução", mas sim por investimentos errôneos e insustentáveis -- pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros --, para os quais nunca houve demanda legítima. Não se trata de um problema de superprodução, mas sim de um problema de capital desviado para aplicações que não são genuinamente demandadas pelo público.

    A causa de uma recessão não é uma abundância de bens (consequência de uma superprodução), mas sim a destruição de capital. Recursos escassos foram aplicados em investimentos para as quais não havia demanda. Quando esta falta de demanda se torna patente, o valor destes investimentos cai, e os empreendedores que fizeram tais investimentos se descobrem com um capital valendo bem menos do que imaginavam valer. Aí então começa a recessão, que nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.


    Artigo sobre isso aplicado ao Brasil:


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466



    No mais, passo a palavra a Ludwig von Mises:

    Enquanto um determinado objeto for um bem econômico, e não um "bem não-escasso", obviamente sua oferta não será irrestritamente abundante. Ainda há necessidades não satisfeitas que uma oferta maior desse bem poderia satisfazer. Ainda há pessoas que ficariam contentes se pudessem ter mais desse bem além da quantidade que elas atualmente têm.

    Assim, em termos de bens econômicos, nunca poderá haver uma superprodução absoluta. (E a economia lida apenas com bens econômicos, não com bens não-escassos como o ar. Esses não são a finalidade da ação humana e por isso não são produzidos. Ademais, o uso de termos como superprodução ou subprodução, para esses bens, seria algo totalmente sem sentido).

    Em relação a bens econômicos, pode haver somente superprodução relativa. Se os consumidores estiverem demandando quantidades definidas de camisas e sapatos, mas os empresários acabarem produzindo uma quantidade maior de sapatos e uma quantidade menor de camisas, isso não caracteriza uma superprodução generalizada de todas as mercadorias. À superprodução de sapatos corresponde uma subprodução de camisas. Consequentemente, o resultado não tem como ser uma depressão geral em todos os setores da economia.

    A conseqüência será uma mudança na relação de troca entre sapatos e camisas. Se antes, por exemplo, um par de sapatos podia comprar quatro camisas, agora ele só compra três camisas. Se os negócios estão ruins para os sapateiros, estão bons para aqueles que trabalham no ramo de tecidos. Assim, qualquer tentativa de se explicar depressões econômicas referindo-se a uma suposta superprodução generalizada é falaciosa.

    As mercadorias, disse Say, são em última instância pagas não com dinheiro, mas com outras mercadorias. O dinheiro é simplesmente o meio de troca mais comumente utilizado; sua função é apenas intermediar a transação. No final, o que o vendedor quer receber em troca das suas mercadorias vendidas são outras mercadorias.
  • Gabriel  27/06/2017 01:02
    Leandro, o que você achou dos pontos levantados na palestra do Ulrich? Pensas fazer um artigo debatendo os pontos?
  • Leandro  27/06/2017 03:15
    Sou agnóstico quanto à moralidade das reservas fracionadas. Como economista, sempre procuro me abster de fazer juízos de valor (esta é a função do filósofo e não do economista).

    O que realmente posso dizer como economista é que ao praticaram reservas fracionadas os bancos criam, sim, dinheiro do nado. Mas também digo que não eles criariam dinheiro -- não no volume em que criam hoje -- se não houvesse um Banco Central sempre disponível a injetar dinheiro no sistema bancário e sempre pronto a socorrer os bancos que porventura se tornem insolventes.

    De modo que é difícil falar em reservas fracionadas sem reconhecer que quem realmente as causa -- mais ainda: as estimula -- é o Banco Central.

    Mesmo raciocínio se aplica aos ciclos econômicos. Reservas fracionárias têm potencial para gerar ciclos econômicos, mas é a existência de um Banco Central -- que provê os bancos continuamente com dinheiro criado do nada -- o que realmente permite a expansão artificial do crédito e leva à criação dos ciclos econômicos. Não houvesse um BC provendo continuamente os bancos com dinheiro, dificilmente haveria ciclos econômicos (pois a prática de reservas fracionadas seria limitada, pelos motivos descritos na palestra).

    Portanto, muito mais importantes do que as reservas fracionadas são a manipulação dos juros feita pelo BC e a contínua injeção de dinheiro que este faz no sistema bancário. A manipulação dos juros e a injeção de dinheiro nos bancos são o que realmente permitem a expansão artificial do crédito e provocam os ciclos econômicos.
  • Guga  27/06/2017 18:05
    Eu estava discutindo com um defensor de aumento de gastos públicos e ele me falou que eventos que utilizam dinheiro público como Parada Gay em SP e Olimpíadas no RJ são bons porque aumentam a arrecadação da prefeitura e do governo estadual.

    Até onde isso é verdade? Qual a lógica pra isso, supostamente, acontecer?
  • Chacra  27/06/2017 18:19
    Até onde isso é verdade? Pergunta para os cariocas e fluminenses.

    O que Paul Krugman e os keynesianos têm a dizer sobre a implosão olímpica do Rio?
  • Chacra  27/06/2017 18:25
    Quem tem que provar que aumento de gastos públicos em eventos que utilizam dinheiro público faz a arrecadação aumentar é quem defende essa sandice. Provavelmente ele quer dizer que o comércio da região do evento é estimulado, e que os impostos que o comércio paga "repõe" os gastos feitos na realização do evento. Isso é extremamente improvável, mas, caso ocorra, quem tem que provar isso é quem defende.
  • Lel  27/06/2017 19:31
    Duvido muito que isso seja verdade. Assim como duvido que a Copa do Mundo deu o retorno positivo que o Governo afirmou.

    As Prefeituras organizaram tudo com recursos próprios, mas de onde diabos elas conseguiram algum dinheiro?

    Eu entendo o mecanismo de que eventos assim (como a própria Copa) estimulam o comércio local, mas as Prefeituras conseguirem tanto dinheiro quanto gastaram é economicamente ilógico.


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