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Qual o valor “correto” do câmbio? Sim, é possível estimar

André Perfeito é o economista-chefe da Gradual Investimentos.  Como ele constantemente está fornecendo opiniões a jornais e portais econômicos, ele é relativamente importante no meio econômico. 

Perfeito é keynesiano.  E desenvolvimentista.  Dificilmente essa combinação gera idéias positivas para a humanidade.

Perfeito é do time que acredita que desvalorizar a moeda — o que significa, por definição, destruir seu poder de compra — gera crescimento econômico do país.  

Segundo a revista Carta Capital, ainda em agosto de 2015:

[André Perfeito] considera a desvalorização da moeda brasileira positiva.

"Tem que ter o real desvalorizado. Na verdade, esse é o passo de ajuste econômico em curso. Não podemos abrir mão disso agora", defende Perfeito. "A boa notícia é que justamente isso vai ajudar o nosso setor interno, porque o Brasil basicamente puxou parte do mundo nos últimos anos fazendo com que a nossa demanda vazasse para fora."

Desnecessário dizer que essa teoria de que "desvalorizar a moeda gera crescimento econômico" é completamente insensata.  Como a empiria comprovou (e a teoria já previa), a desvalorização do real não apenas elevou a inflação de preços no país e reduziu a renda real dos trabalhadores, como ainda destruiu o setor industrial, sem trazer melhorias para as exportações.

Dado que tal falácia — desvalorização cambial ajuda e ajusta a economia — já foi abordada repetidas vezes por este site, ela não será o assunto deste texto. 

O assunto aqui é outro.

Em seu perfil no Facebook, Perfeito escreveu que a "taxa de câmbio de equilíbrio" para o Brasil seria o dólar a — está sentado? — R$ 6,70.  Sim, segundo Perfeito, o valor "correto" do dólar seria o de astronômicos R$ 6,70.

Eis sua explicação (ligeiramente editada para fins de brevidade e de correções ortográficas e gramaticais):

Muitos têm se perguntado sobre se há algum indicativo do câmbio de equilíbrio, ou se é possível determinar uma tendência mais clara.

Nossa opinião é que o Real tende a se desvalorizar até o final do ano e por diversos motivos [...] Neste sentido projetamos a moeda norte-americana em R$ 4,00.

Há um outro motivo que passa desapercebido no dia a dia do mercado de câmbio e que não deveria ser negligenciado tanto assim. Estamos nos referindo à inflação do período, que não é irrelevante e que deveria ser incorporada à taxa de câmbio.

Hoje o dólar está em torno de R$ 3,55 e a última vez que a moeda norte-americana esteve nesse patamar foi no início de 2003. O fato óbvio é que R$ 3,55 hoje compra menos mercadorias que comprava em 2003 e isso não deveria espantar ninguém.

Se ponderarmos o câmbio nominal pela inflação acumulada entre 2003 – e fazemos isso ponderando o IPCA sobre o CPI (índice de inflação norte-americana) – e agora, para o Dólar ter o mesmo poder de compra teríamos que ter um câmbio em torno de R$ 6,70!

[...] ignorar durante tanto tempo essa correção de preços simplesmente é um desvio reiterado de um dos fundamentos.

Traduzindo para os mais leigos: segundo Perfeito, dado que a inflação de preços acumulada no Brasil entre 2003 e hoje foi muito maior que a americana, um "cálculo ponderado" das duas inflações de preço no período — ou seja, grosso modo, pegar toda a inflação de preços acumulada no Brasil e nos EUA de 2003 até hoje, e então dividir uma pela outra — gerará um valor correto para o câmbio de R$ 6,70.

Muito bem. 

A base teórica do raciocínio está correta.  Mas há um erro gravíssimo.

O que define o câmbio

Como Ludwig von Mises demonstrou ainda em 1912, em sua obra The Theory of Money and Credit, o determinante fundamental da taxa de câmbio entre duas moedas é o poder de compra relativo de cada uma delas. 

Colocando de outra forma, o que determina a taxa de câmbio entre duas moedas independentes é a paridade do poder de compra entre elas.  O equilíbrio de longo prazo — ou a taxa de câmbio "final" entre duas moedas — sempre será exatamente igual à razão entre o poder de compra das duas moedas. 

Por exemplo, se o preço de um mesmo produto é de US$ 500 nos EUA e de R$ 1.000 no Brasil, então a taxa de câmbio entre as duas moedas teria de ser de 2 reais por dólar.  A essa taxa, um brasileiro vai pagar o mesmo valor por esse produto, seja ele comprado aqui no Brasil ou nos EUA. 

No entanto, se o câmbio não estiver em R$ 2 por dólar, então o equilíbrio ainda não foi atingido, o que significa que há oportunidades de lucro para um especulador por meio de um processo chamado de "arbitragem".

Funciona assim: suponha que um mesmo bem A esteja custando R$ 2 no Brasil e US$ 1 nos EUA. Nesse caso, a julgar pelos preços de A, nota-se que o poder de compra do real é menor que o do dólar.  No entanto, suponha também que a taxa de câmbio vigente esteja em R$ 1 = US$ 1.   Pela taxa de câmbio, o poder de compra de ambas as moedas é igual. 

Logo, comparando-se os preços com a taxa de câmbio, vemos que o real está sobrevalorizado e o dólar está subvalorizado. O real está sobrevalorizado porque seu poder de compra, que é menor que o do dólar, está igual ao do dólar quando se analisa a taxa de câmbio.  Assim, claramente o câmbio está errado. 

Um especulador esperto irá vender A em troca de reais (irá obter R$ 2) e, em seguida, irá trocar R$ 2 por US$ 2 (pois a taxa de câmbio é de 1:1).  Ato contínuo, irá recomprar esse bem por US$ 1, que é o seu preço de mercado, embolsando o dólar extra.  Essa contínua troca de reais por dólares encarecerá o dólar em relação ao real, finalmente levando a taxa de câmbio para seu valor correto, de R$ 2 por dólar.

Ou seja, essas operações — as "arbitragens" — fazem com que a taxa de câmbio e a razão do poder de compra entre as duas moedas sejam levadas à sua relação correta.

Perfeito acerta e depois erra feio

Portanto, e falando mais popularmente, o valor da taxa de câmbio de longo prazo entre duas moedas será determinado pelo poder de compra de cada uma delas — ou, sendo mais realista, será determinado pela perda do poder de compra de cada uma delas, ou seja, pela inflação de preços ocorrida nos dois países.

Se duas moedas começaram com uma taxa de câmbio de 1 para 1, mas uma moeda apresentou uma inflação de preços de 100% (com os preços indo de 100 para 200) e a outra apresentou uma inflação de preços de 60% (com os preços indo de 100 para 160), então a nova taxa de câmbio será de aproximadamente 1,25.

Logo, para se estimar a "taxa de câmbio correta" entre duas moedas, o que você tem de fazer é analisar o histórico da inflação de preços de ambas para ver qual foi a evolução da perda do poder de compra de cada moeda.  Ato contínuo, você simplesmente divide o atual poder de compra de uma pelo da outra.

Ao demonstrar saber isso, André Perfeito se destaca de seus pares keynesianos, que acreditam que o que determina a taxa de câmbio é a balança comercial. O fato de ele entender que a taxa de câmbio é determinada pelo poder de compra entre as moedas — e não pela balança comercial — é digno de aplausos. 

Porém, há um erro gravíssimo na execução do seu raciocínio.

Por algum motivo que desconheço, Perfeito ignorou o básico do básico: para se fazer essa análise da evolução da taxa de câmbio e do poder de compra de uma moeda, não é correto pegar um período de tempo aleatório, calcular a inflação de preços ocorrida apenas durante este período, e então fazer elucubrações sobre qual seria a taxa de câmbio correta. 

A literatura sobre isso é bem clara: você não apenas tem de pegar todo o histórico inflacionário de uma moeda, como também tem de considerar a taxa de câmbio do dia do nascimento desta moeda.

E então, só então, poderá fazer alguma projeção. 

Dado que o real foi criado em julho de 1994 (a um câmbio inicial de 1 para 1 em relação ao dólar), você tem de ver qual foi a sua perda de poder de compra em relação ao dólar desde julho de 1994, e não desde janeiro de 2003 (a um câmbio inicial de 3,55).  Não faz absolutamente nenhum sentido começar uma série que envolve perda do poder de compra a partir de janeiro de 2003.  Por que janeiro de 2003?  Por que não janeiro de 2006?  Ou de 2010?  Ou mesmo de 2015?

Ao começar sua série em 2003, Perfeito não apenas começou de onde não devia, como também, e para piorar, escolheu um ponto de partida completamente viciado.  Ele escolheu exatamente um ano em que a cotação do dólar estava completamente irreal em decorrência da eleição de Lula e do PT.  Vale lembrar que, à época, o PT era um partido que até então pregava o rompimento de "tudo que aí está", que defendia a adoção de uma economia socialista, o rompimento de contratos, a estatização dos meios de produção, a reforma agrária na marra, o calote das dívidas interna e externa, o poder ilimitado dos sindicatos, as greves etc.  E a eleição deste partido gerou um clima de total incerteza entre empresários e investidores estrangeiros, levando a uma grande fuga de capitais e a uma venda maciça do real, o que levou à sua brutal — porém artificial — desvalorização.

Começando a série exatamente em um ano em que a moeda estava artificialmente desvalorizada — o que significa que, dali em diante, ela só poderia se valorizar —, Perfeito contamina toda a sua análise.

Façamos, então, da maneira correta.

O "câmbio de equilíbrio"

Quando o real foi lançado, no dia 1º de julho de 1994, 1 real valia 1 dólar.  Portanto, já temos o "câmbio de nascimento".

De julho de 1994 até março de 2016, o IPCA acumulado foi de 437,86%.  Isso significa que algo que custava R$ 100 em 1994 custa hoje R$ 537,86.

Neste mesmo período, o CPI (Consumer Price Index) americano acumulado foi de 60,47%.  Isso significa que algo que custava US$ 100 em 1994 custa hoje US$ 160,47.

Dado que a taxa de câmbio, como explicado, tem de refletir o poder de compra relativo entre ambas as moedas, então a divisão de um poder de compra pelo outro fornecerá uma estimativa razoável de qual deve ser o "câmbio correto". 

Dividindo-se R$ 537,86 por US$ 160,47 temos um câmbio de 3,35 reais por dólar.

Observe que este valor de livre mercado está bem próximo do atual valor de 3,50, o qual só se mantém porque o Banco Central vem fazendo seguidas operações de swap cambial reverso exatamente para impedir novas quedas.

Observe também que este valor de 3,35 é exatamente a metade dos 6,70 encontrados por Perfeito, o que significa que ele errou o câmbio por uma margem de 100%.

Para que tivéssemos os 6,70 de Perfeito, o IPCA acumulado teria de ter sido de 975% em vez de 437%.  Nada que mais uns quatro anos de governo Dilma não conseguissem, é verdade, mas, por enquanto, tal valor ainda está bem longe.

Porém, pelo bem do debate e para dar uma mão a Perfeito, utilizemos o mais alto valor inflacionário encontrado para o real, que é aquele mensurado pelo IGP-M.  De julho de 1994 a março de 2016, o IGP-M acumulado foi de 588,75%, o que significa que algo que custava R$ 100 em 1994 custa hoje R$ 688,75.

Dividindo-se R$ 688,75 por US$ 160,47 temos um câmbio de 4,29 reais por dólar.

Esse valor mais extremo, embora bem mais alto que os 3,35 encontrados antes, ainda está muito longe dos 6,70 de Perfeito.

Para deixar o conjunto estatístico mais completo, podemos pegar uma média simples entre os dois valores encontrados — 3,35 e 4,29 —, o que daria um câmbio de 3,82.

Portanto, temos que o valor mínimo do "câmbio correto" seria de 3,35, o máximo seria de 4,29, e o valor médio seria de 3,82.  Qualquer valor entre 3,35 e 4,29 está dentro da realidade.

Consequentemente — e tendo-se em mente exclusivamente o cenário atual (os valores aqui encontrados, por motivos óbvios, não se aplicarão daqui a um ano) —, se o dólar cair para menos do que 3,35, o real estará sobrevalorizado, o que ajudará bastante no combate à inflação de preços.  Caso ele fique acima de 3,82, isso estimulará ainda mais a inflação de preços.  Caso fique acima de 4,29, tem-se inflação galopante.  E caso chegue aos 6,70 de Perfeito, estaremos próximos da Venezuela.

Conclusão

Por acaso estaria eu dizendo que um destes três é o valor corretíssimo e acurado para o câmbio?  Claro que não.  Mas o que posso dizer, e sem sombra de dúvidas, é que o "câmbio de equilíbrio" não chega nem perto dos 6,70 reais por dólar de Perfeito. 

E nem muito menos dos 2.715 reais por dólar defendidos por Bresser-Pereira... (uma pitada de ironia).

Este assunto é de crucial importância porque defender a desvalorização da moeda é uma política que, infelizmente, nunca morre.  Desvalorizar o câmbio é uma política vista como a solução mágica para todas as agruras econômicas.  É vista como estimuladora de exportações, como a solução para a baixa competitividade de nossas empresas e indústrias, e como a salvadora da balança comercial. 

No entanto, tudo o que ela realmente consegue alcançar é destruir a renda da população (principalmente dos mais pobres, que não têm acesso a aplicações bancárias para se defender da perda do poder de compra da moeda), elevar o custo de vida, elevar os custos de produção das empresas e das indústrias, e enfraquecer toda a economia. (Veja todos os detalhes teóricos e empíricos aqui).

Por tudo isso, sempre que algum economista disser que sabe o valor correto do câmbio de equilíbrio, faça esse cálculo e veja quão realmente honesto ele está sendo.  Não lhe conceda um passe-livre.  Não permita que ele defenda livremente a destruição do poder de compra do seu salário, da sua renda, da sua poupança.  

O poder de compra da nossa moeda é crucial demais para ficar ao sabor dos devaneios de Perfeitos e Pereiras.

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3 votos

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Vitor  08/05/2016 05:02
    Leandro, gostei da explicação, simples e sucinta. Mas vi um porém, corrija-me se eu estiver errado.

    O dólar como a moeda franca do mundo, não teria um descompasso entre a expansão monetária e a carestia nos EUA? Já que com aceitação mundial, o dólar se dilui pelo mundo em vez de ficar apenas nos EUA, assim reduzindo a razão entre carestia e expansão.

    Além do mais, o cálculo que o FED usa pra inflação faz o nosso parece absurdamente honesto.
  • Leandro  08/05/2016 07:01
    "Já que com aceitação mundial, o dólar se dilui pelo mundo em vez de ficar apenas nos EUA, assim reduzindo a razão entre carestia e expansão."

    Essa afirmação -- embora seja bastante utilizada, inclusive por economistas -- é tecnicamente incorreta.

    O dólar não "sai" dos EUA, assim como o real não "sai" do Brasil. O dígitos eletrônicos denominados em dólar não saem dos bancos americanos assim como os dígitos eletrônicos denominados em reais não saem dos bancos brasileiros.

    Quando um brasileiro exporta soja para os EUA, não entram dólares na sua conta bancária aqui no Brasil. O dólar não é moeda corrente aqui e nem na esmagadora maioria dos países do mundo. Sendo assim, o dólar não "entra" nesses países via sistema bancário e nem muito menos sai do sistema bancário americano.

    O que ocorre na prática é que o exportador brasileiro adquire a titularidade de uma conta bancária, em um banco americano, em dólares. Ato contínuo, ele pode decidir entre vender a titularidade dessa conta bancária para outra pessoa (normalmente para um banco brasileiro ou para um importador brasileiro, que então depositará reais em sua conta em um banco brasileiro) ou manter a propriedade dessa conta em dólares, decidindo investir esses dólares na própria economia americana (comprando ações, debêntures ou até mesmo títulos do governo americano).

    Perceba que os dólares nunca saíram dos EUA. A única coisa que aconteceu foi que a titularidade de uma conta bancária em um banco americano mudou de dono: um importador americano de soja brasileira repassou uma parte de seus dólares para um exportador brasileiro, que então decidirá o que fazer com os dólares dessa conta (ele pode vender para um banco brasileiro ou para um importador brasileiro, sempre em troca de reais).

    Funciona assim no mundo todo. As tão propaladas reservas internacionais do nosso Banco Central (que estão em 370 bilhões de dólares) nada mais são do que meros dígitos eletrônicos, em bancos americanos, que foram aplicados em títulos do Tesouro americano.

    Portanto, essa ideia de que os dólares saem dos EUA e que isso diminui a pressão sobre os preços é tecnicamente incorreta. Os dólares não saem dos bancos americanos. E tampouco eles saem da economia americana.

    Logo, e por definição, não há essa pressão baixista sobre os preços. O que realmente afeta os preços americanos é o fato de que, dado que a demanda por dólares é mundial, isso faz com que o dólar seja mais forte do que seria caso não houvesse essa demanda mundial. E, como já ensinou este site, moeda forte gera preços contidos.

    Obs: o único dólar que realmente sai dos EUA são as cédulas utilizadas nos mercados de drogas dos países da América do Sul. E também os dólares em espécie utilizados nas casas de câmbio mundo afora. Mas essa quantidade de papel-moeda é ínfima em relação à massa monetária total.

    "Além do mais, o cálculo que o FED usa pra inflação faz o nosso parece absurdamente honesto."

    Uma correção: não é o Fed quem calcula a inflação, mas sim o Bureau of Labor Statistics.

    Dito isso, ressalto que essa sua afirmação, bastante recorrente, carece de provas.

    Em primeiro lugar, vale ressaltar que, embora o Fed se guie pela "Core Inflation Rate" (que é o núcleo da inflação, excluindo energia e alimentos), o CPI (Consumer Price Index) oficialmente divulgado calcula sim esses itens, e sua metodologia não é diferente da do IBGE.

    Foi esse o CPI utilizado no artigo (o mais rigoroso e inclusivo). Não há provas substantivas de que ele seja muito mais desonesto que o nosso.

    Por fim -- e esse é o ponto mais importante --, observe que, se isso que você falou for verdade, então isso significa que a inflação de preços americana é muito maior do que a divulgada. Sendo assim, a taxa de câmbio "correta" para o real seria muito abaixo de 3,35 -- podendo ser, sei lá, 2,50.

    Esse valor seria ainda mais distante dos 6,70 do Perfeito.

    Grande abraço!
  • Vitor  08/05/2016 14:37
    Obrigado pela resposta. Sim, estou consciente que levando em consideração o que falei, o real deveria estar ainda mais forte. A intenção é essa.

    Ah, sobre o cálculo de inflação lá ser desonesto, lembro de ter lido no zerohedge que se usa algo como "avanço tecnológico" para amortizar a inflação. Por exemplo, empresas de tecnologia conseguem ter um progresso rápido e diminuir os preços, logo a galera que calcula a inflação usa isso. E eles dão um peso a alimentação e energia muito pequeno, quando são setores de relativa estabilidade que afetam a todos.

    www.bankrate.com/finance/personal-finance/is-inflation-higher-than-you-think-1.aspx
  • Observador   08/05/2016 14:45
    Sim, o CPI americano sofreu alterações em sua metodologia em relação àquela utilizada na década de 1980. Mas há quem diga -- inclusive economistas austríacos, como o Gary North -- que tal alteração era necessária justamente para levar em consideração avanços tecnológicos.

    Por exemplo, não faria sentido manter no CPI um cálculo da evolução dos preços dos discos de vinil e das fitas K-7, das máquinas de escrever e das calculadoras de bolso, sendo que estes tinham um grande peso no cálculo daquela época.
  • IRCR  09/05/2016 05:24
    Leandro,

    Apesar de sua colocação sobre onde o dólar fica está coerente, o que importa é onde o produto está sendo demandado e não para onde os dígitos eletrônicos vão.

    Se alguém usou os dólares eletrônicos que estão em um computador nos USA para comprar café do Brasil, a pressão inflacionista vai ocorrer no Brasil e não nos USA, mesmo que o dinheiro não tenha saído dos USA. O que seria totalmente diferente de usar esse dinheiro para comprar café dentro dos USA.

    Corrija-me se estiver errado Leandro.
  • Andre  09/05/2016 11:31
    Mas essa questão dos dígitos eletrônicos não leva em conta o mercado de produtos ilícitos. Certo que existem muitos paraísos fiscais, mas acredito que em sua quase totalidade traficantes e contrabandistas recebem em dinheiro e não vão guardar esse dinheiro em bancos americanos. Além disso se somar o cash em dólar que circula em países do naipe de Zimbábue, Venezuela e todos os outros deve exister centenas de milhões (provavelmente bilhões) de dólares. Claro que isso não invalida a análise do Leandro, mas é outro fator de rúido (provavelmente da mesma ordem que a incerteza na medição exata da inflação).
  • Thiago q. landi  10/05/2016 15:13
    Caro colegas, os USA exportam inflação sim, essa é sua maior exportação. Eles tem um TRADE DEFICIT na faixa de US$ 500 bilhões. Isso significa que eles mandam seus dólares inflacionados para o resto do mundo(principalmente china), e o resto do mundo manda todo tipo de produtos, bens, e recursos para os US. Isso faz com que os preços fiquem mais baixos nos USA.

    E aí os outros países do mundo ficam agora com este excesso de dólares, essa poupança, e o que eles fazem? reciclam, investem de volta nos US, no mercado de ações, no mercado imobiliário, mas principalmente no mercado de títulos(bond market), até porque a maior parte desses dólares são reservas estrangeiras dos outros países. Esse processo tira bastante da pressão sobre os preços, e infla ainda mais o bond market.

    Ora, com toda a certeza que o cálculo do CPI é projetado deliberadamente para sair com um numero menor que a inflação real, assim como o IPCA.

    Para quem não lembra os US usavam um cálculo para a inflação havia décadas, sem problemas, até que nos anos 90 os economistas e políticos vieram a público e disseram que aquele cálculo estava sobrestimando a inflação, aí eles "corrigiram" o CPI, para sair com um numero mais baixo.

    Nos últimos 7 anos o FED tem dito que eles precisam de mais inflação, para atingir sua meta de 2%. Porém quando você pesquisa o público, o problema numero 1 identificado pelos americanos é que os PREÇOS estão subindo. Esse problema é pior para os americanos do que o desemprego, o ambiente etc.

    By the way, olhem a subida da carne de hamburguer, do bacon, do aluguel(este está subindo a 8% ao ano), e de muitos outros produtos, enquanto isso os super-ricos ficam cada vez mais ricos, os americanos estão revoltados, por isso estão votando em Trump e Sanders, lembrando que quando trump saiu candidato todos riam dele, falavam que não tinha chance, eu sempre soube que ele tinha muita chance pq a economia está uma porcaria, e ele tem essa mensagem.

    Por fim, todos aqui concordam que os anos 70 teve muita inflação certo? não se chama de stagflation a toa. Bom, se você pegar a metodologia do CPI hoje e usar nos anos 70 você veria o resultado de quase nenhuma inflação.

    https://www.youtube.com/watch?v=HrNmCZiVdYw

    para quem interessar possa, e tiver fluência em inglês, um ótimo video.
  • Leandro  10/05/2016 15:32
    "Eles tem um TRADE DEFICIT na faixa de US$ 500 bilhões. Isso significa que eles mandam seus dólares inflacionados para o resto do mundo(principalmente china), e o resto do mundo manda todo tipo de produtos, bens, e recursos para os US. Isso faz com que os preços fiquem mais baixos nos USA."

    De novo essa falácia? Pelo visto, vou ter de repetir aqui o que já disse ali em cima:

    O dólar não "sai" dos EUA, assim como o real não "sai" do Brasil. Os dígitos eletrônicos denominados em dólar não saem dos bancos americanos, assim como os dígitos eletrônicos denominados em reais não saem dos bancos brasileiros.


    Quando um brasileiro exporta soja para os EUA, não entram dólares na sua conta bancária aqui no Brasil. O dólar não é moeda corrente aqui e nem na esmagadora maioria dos países do mundo. Sendo assim, o dólar não "entra" nesses países via sistema bancário e nem muito menos sai do sistema bancário americano.

    O que ocorre na prática é que o exportador brasileiro adquire a titularidade de uma conta bancária, em um banco americano, em dólares. Ato contínuo, ele pode decidir entre vender a titularidade dessa conta bancária para outra pessoa (normalmente para um banco brasileiro ou para um importador brasileiro, que então depositará reais em sua conta em um banco brasileiro) ou manter a propriedade dessa conta em dólares, decidindo investir esses dólares na própria economia americana (comprando ações, debêntures ou até mesmo títulos do governo americano).

    Perceba que os dólares nunca saíram dos EUA. A única coisa que aconteceu foi que a titularidade de uma conta bancária em um banco americano mudou de dono: um importador americano de soja brasileira repassou uma parte de seus dólares para um exportador brasileiro, que então decidirá o que fazer com os dólares dessa conta (ele pode vender para um banco brasileiro ou para um importador brasileiro, sempre em troca de reais).

    Funciona assim no mundo todo. As tão propaladas reservas internacionais do nosso Banco Central (que estão em 370 bilhões de dólares) nada mais são do que meros dígitos eletrônicos, em bancos americanos, que foram aplicados em títulos do Tesouro americano.

    Portanto, essa ideia de que os dólares saem dos EUA e que isso diminui a pressão sobre os preços é tecnicamente incorreta. Os dólares não saem dos bancos americanos. E tampouco eles saem da economia americana.

    Logo, e por definição, não há essa pressão baixista sobre os preços. O que realmente afeta os preços americanos é o fato de que, dado que a demanda por dólares é mundial, isso faz com que o dólar seja mais forte do que seria caso não houvesse essa demanda mundial. E, como já ensinou este site, moeda forte gera preços contidos.

    Obs: o único dólar que realmente sai dos EUA são as cédulas utilizadas nos mercados de drogas dos países da América do Sul. E também os dólares em espécie utilizados nas casas de câmbio mundo afora. Mas essa quantidade de papel-moeda é ínfima em relação à massa monetária total.

    "E aí os outros países do mundo ficam agora com este excesso de dólares, essa poupança, e o que eles fazem? reciclam, investem de volta nos US, no mercado de ações, no mercado imobiliário, mas principalmente no mercado de títulos(bond market), até porque a maior parte desses dólares são reservas estrangeiras dos outros países. Esse processo tira bastante da pressão sobre os preços, e infla ainda mais o bond market."

    Esse raciocínio seu é totalmente contraditório. Se, como você próprio afirma, os dólares "voltam"para os EUA (na prática, nunca saíram), então não houve nenhuma "retirada de pressão" sobre os preços. Se a quantidade de dólares permaneceu a mesma, então não faz sentido dizer que "esse processo tira bastante da pressão sobre os preços".


    Quer falar que os EUA "exportam" inflação? Então faça direito. Diga o seguinte: dado que o dólar é a moeda internacional de troca, e dado que todas as pessoas do mundo estão dispostas a aceitá-lo, isso concede aos americanos uma grande vantagem: todo o mundo quer vender para eles.

    Consequentemente, quanto mais os estrangeiros vendem para os americanos, menos produtos sobram em seus respectivos mercados internos, o que gera -- agora sim -- pressão altista nos preços, prejudicando suas respectivas populações.

    Igualmente, quando o dólar se fortalece, tudo o que os estrangeiros importam ficam caro, e boa parte do que é produzido nacionalmente é exportada para os americanos, intensificando ainda mais a carestia.

    Eis aí o raciocínio correto.
  • Thiago q. landi  10/05/2016 16:12
    Sim, a quantidade de dólares permaneceu a mesma, e pode-se dizer que esses dólares não saíram dos EUA.

    Esses dólares saíram da economia real, (onde poderiam aumentar os preços), e entraram no mercado de títulos.

    A China tem 4 trilhões em reservas, o Japão 1 trilhão, a Arábia Saudita 1 trilhão, o Brasil 370 bilhões.

    O que aconteceria se esses países quisessem gastar esse dinheiro? Comprando produtos dentro dos EUA? os preços iriam pro espaço.
  • Leandro  10/05/2016 16:58
    "Esses dólares saíram da economia real, (onde poderiam aumentar os preços), e entraram no mercado de títulos."

    Não existe isso de o dinheiro "sair" da economia e entrar numa espécie de buraco negro. O dinheiro sempre está na economia.

    Se você compra ações, esse dinheiro vai parar na conta bancária de quem lhe vendeu as ações. Ato contínuo, essa pessoa irá gastar esse dinheiro. Se você compra títulos, esse dinheiro irá parar na conta bancária de quem lhe vendeu os títulos (o governo). Ato contínuo, o governo irá gastar esse dinheiro e ele irá parar na conta bancária de uma pessoa física ou de uma empresa.

    Não existe isso de dinheiro "sair" de economia real e ir para uma "economia paralela". O dinheiro sempre estará na conta bancária de alguém. Se você compra títulos do governo, então aí é garantido mesmo que esse dinheiro irá parar na conta bancária de alguém (funcionário público, empreiteira, políticos etc.).

    "A China tem 4 trilhões em reservas, o Japão 1 trilhão, a Arábia Saudita 1 trilhão, o Brasil 370 bilhões. O que aconteceria se esses países quisessem gastar esse dinheiro? Comprando produtos dentro dos EUA? os preços iriam pro espaço."

    Nenhum desses países tem dólares (dinheiro vivo) em suas reservas. Eles têm títulos do Tesouro americano. Se quiserem gastar dólares, terão de vender esses títulos. Quem comprar esses títulos irá lhes repassar dólares. A quantidade de dinheiro se mantém inalterada.

    O que os Bancos Centrais desses países fariam com esses dólares? Sairiam fazendo compras nos EUA? Compras de quê? Eles podem recomprar outros títulos ou podem comprar ações (afetando os preços destes). Eles não sairão comprando roupas na Macy's ou apartamentos em Miami.

    Haveria, isso sim, um redirecionamento dos gastos. Mas a quantidade de dinheiro, em si, não se alterou. Logo, não faz sentido dizer que a economia americana entraria em hiperinflação. Aliás, bem pelo contrário: se todos os BCs saírem vendendo títulos do governo americano, os preços destes desabariam, o que significa que os juros disparariam. Isso não é exatamente um cenário condizente com hieprinflação.
  • Thiago q. Landi  10/05/2016 20:54
    Claro que tá na economia, mas não exercendo pressão altista nos preços do supermercado, está contido no mercado de titulos pagando juros ou refinanciando a dívida. Ou, se o governo gastar dinheiro emprestado por outra pessoa (outro país) isso ta adicionando ao PIB, estimulando a economia e não necessariamente subindo os preços nos Eua, pois as pessoas do país podem sempre importar mais.

    O dólar ser a moeda reserva é uma enorme vantagem, e os países serem mercantilistas ajudam, a guerra cambial beneficiou os EUA. Outra vantagem do dólar ser reserva é que todos esses doláres do trade deficit são reinvestidos no mercado de títulos na bolsa e mercado imobiliario, inflando ainda mais essas bolhas.

    E o governo? A dívida passou dos us$ 19 trilhões, vai ser 20 quando o obama sair. E o governo tem um défict fiscal de quase 1 trilhão, a anos estão com enorme défict. E se o juros subir? Como que paga os juros dessa dívida? Não é isso que o FED ta dizendo que vai fazer? Os juros vão ficar em zero pra sempre? Se não o que acontece quando eles subirem.

    O FED ta pagando juros sobre as reservas em excesso, isso só faz com que elas aumentem o que leva a mais juros, eles não podem ficar pra sempre com essa política pois daqui a pouco vão estar com o balanço no negativo de tanta grana que estarão pagando aos bancos. E outra como o FED ta fingindo que vai subir os juros substancialmente? Com essa política de pagar juros sobre as excess reserves.
    E a questão que uma subida nos juros iria causar um dano no valor dos ativos dos bancos.

    "Nenhum desses países tem dólares (dinheiro vivo) em suas reservas. Eles têm títulos do Tesouro americano. Se quiserem gastar dólares, terão de vender esses títulos. Quem comprar esses títulos irá lhes repassar dólares. A quantidade de dinheiro se mantém inalterada."

    Vender pra quem? Só se for pro FED. Se esses países meramente deixarem maturar seus títulos de curto prazo o governo quebra, está insolvente.

  • Conservador  08/05/2016 08:34
    Excelente texto, Leandro.
  • Leandro  08/05/2016 14:34
    Obrigado, Conservador. Abraço!
  • marcela  08/05/2016 13:06
    Se não me engano o Serra criticou o Henrique Meireles por ele ser a favor da valorização do real perante o dólar.Caso isso seja verdade,temos que manter o Serra longe da presidência da república.
  • Boris Stravaganza  10/05/2016 00:53
    Por tudo que é sagrado, José Serra jamais deveria ser presidente do Brasil.
  • Decopi  08/05/2016 13:23
    Caro Leandro, parabéns... como de costume.

    Sou Físico, não Economista, mas há 3 anos estudo Econofísica, e faço uma humilde consulta:

    Lendo seu artigo, me ficou claro que seu objetivo era provar que os argumentos de Perfeito, no mínimo eram incompletos. Até aqui, ok, sem problemas.
    Mas tal vez pela minha ignorância, não fiquei satisfeito com seu suposto método de estimação do valor correto do câmbio. De fato, o título do seu artigo promete isso, mas no final do texto você até reconhece que seu método de estimação pode não ser correto.
    Ficou confuso.

    Acontece que como todos sabemos, há em economia fundamentos técnicos racionais (por exemplo como você citou no caso da cotação a partir das inflações acumuladas: R$537,86/US$160,47=R$3,35).

    Mas há também argumentos irracionais (variáveis independentes).
    As vezes esses movimentos são sujeitos a manipulações artificiais da própria Máquina Estatal (seletivas e subjetivas injeções de liquidez, compra venda de Swaps, manipulações taxa de juros etc).
    Outras vezes são sujeitos a picos ou vales nas balanças comerciais dos países, que independente das suas economias podem se ver beneficiadas/prejudicadas (por exemplo pela valorização/desvalorização de determinadas matérias primas no mercado internacional).
    Sem mencionar, que também afetam crises políticas, ou percepções de calote (CDS), ou meras percepções especulativas do mercado sobre o futuro de um país etc.
    Resumindo, esses fatores irracionais também afetam a oferta/demanda de uma determinada moeda, de maneira exógena, independente da economia/inflação de qualquer país. E afetam seu câmbio.

    Concordo que uma estimação é uma probabilidade.
    A estimação do Perfeito é bastante Imperfeita (vale o trocadilho). Isso ficou claro no seu artigo.
    Mas sua estimação Leandro, apoiada apenas em argumentos racionais, não seria fraca também pelo fato de desconsiderar fatores irracionais?

    Sou a favor de trabalharmos com estimações.
    O que investigo é o grau de validade da estimação, a partir de um determinado método.
    Posso perfeitamente aceitar estimações com baixa validade, porém, somente no caso de não ter outros métodos de estimação, ou de ter para comparar estimações com métodos piores.

    Neste caso da estimação do valor correto do câmbio, além da inflação e poder de compra, não deveriam também ser incluídas projeções sobre variáveis independentes/exógenas/argumentos irracionais etc?

    E no caso Brasil, considerando essas variáveis independentes/exógenas, isso não apontaria uma cotação bem acima da atual? De fato, em um hipotético cenário sem Swaps e com balança comercial negativa, ainda com inflação baixa... não teríamos uma disparada da cotação? A mera inflação não seria insuficiente para validar uma estimação?

    Abs!
  • Leandro  08/05/2016 14:29
    "Acontece que como todos sabemos, há em economia fundamentos técnicos racionais [...] Mas há também argumentos irracionais (variáveis independentes)."

    Até aqui, tudo correto. E, desde já, vale lembrar que os "fundamentos irracionais" não podem, por definição, ser mensurados e nem muito menos colocados em uma equação que matematize o comportamento humano.

    Prossigamos.

    "As vezes esses movimentos são sujeitos a manipulações artificiais da própria Máquina Estatal. [...] Sem mencionar, que também afetam crises políticas, ou percepções de calote (CDS), ou meras percepções especulativas do mercado sobre o futuro de um país etc."

    Todos esses fatores imprevistos que você citou afetam o câmbio no curto prazo, e o artigo deixa claro que este ferramental matemático serve para se estimar o câmbio de longo prazo.

    Fatores de curto prazo, por definição óbvia, não podem afetar o câmbio de longo prazo. Vide que o próprio câmbio brasileiro chegou a beliscar os R$ 4,24 por dólar em setembro do ano passado, no auge da turbulência. Tão logo o cenário se acalmou, o câmbio imediatamente voltou para as redondezas de R$ 3,50, que seria mais perto do seu valor de longo prazo.

    "Esses fatores irracionais também afetam a oferta/demanda de uma determinada moeda, de maneira exógena, independente da economia/inflação de qualquer país. E afetam seu câmbio."

    Ora, se afetam a demanda e a oferta da moeda, então, por definição, afetam seu poder de compra. E por isso afetam o câmbio.

    Até aqui, nada de mais. Você chegou à mesma conclusão do método apresentado no texto, que se baseia exatamente no poder de compra da moeda.

    "[A taxa de câmbio também está sujeita] a picos ou vales nas balanças comerciais dos países, que independente das suas economias podem se ver beneficiadas/prejudicadas (por exemplo pela valorização/desvalorização de determinadas matérias primas no mercado internacional)."

    Esse é outro mito que simplesmente não morre. Por mais que este site publique artigos a respeito, parece que a coisa simplesmente não clica em alguns leitores.

    Em primeiro lugar, balança comercial não define câmbio. Dizer que o que determina o câmbio é a balança comercial, e não o poder de compra das moedas, é algo que não faz absolutamente nenhum sentido. Se essa teoria fosse verdadeira, todos os países da África, que quase nada importam, teriam moedas absurdamente valorizadas. A Venezuela, então, que exporta muito petróleo e não importa quase nada (pois o governo restringe), teria uma moeda que seria um portento. Aliás, o próprio dólar (os EUA importam muito mais do exportam, e têm déficits comerciais seguidos desde a década de 1970) estaria hoje esfrangalhado.

    Mais ainda: Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia são países que têm setores externos deficitários há 40 anos e suas moedas são fortes. Por sua essa teoria, era para a moeda deles estar esfaceladas -- que moeda iria resistir a déficits externos por 40 anos?

    Aliás, vale lembrar que o fluxo cambial foi positivo no Brasil em 2015. Ou seja, em 2015, entraram mais dólares do que saíram do Brasil. E, ao mesmo tempo, o dólar saltou de R$ 2,50 para R$ 4.

    Difícil evidência empírica mais cabal do que essa.

    Setor externo nada tem a ver com a força da moeda. O que determina a taxa de câmbio, no longo prazo, é a diferença entre o poder de compra das moedas, e não saldos de balança comercial ou setor externo.

    Quanto aos preços das commodities, outra confusão que segue viva.
    Acreditar que preço de commodity taxa de câmbio é o equivalente a dizer que o preço do pão é o que determina o valor do dólar perante o real. É o equivalente a dizer que o preço de algo é o que determina o valor da moeda, em vez de ser a moeda o que determina o preço de algo.

    Entenda: todas as commodities (de minério de ferro a petróleo) são precificadas em dólar. Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. Sempre.

    Isso é questão básica de economia: se uma moeda está fraca, você precisa de mais dessa moeda para comprar o mesmo tanto de um bem. Se o dólar está fraco, você precisa de mais dólares para comprar o mesmo tanto de antes. Se o dólar se fortalece, você precisa de menos dólares para comprar o mesmo tanto de antes.

    O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 deu-se majoritariamente por causa do enfraquecimento do dólar. E o atual arrefecimento das commodities também está ligado ao fortalecimento do dólar.

    Ou seja, a tal "explosão" das commodities nada mais foi do que o encarecimento delas em dólares. Como o dólar se enfraqueceu, e como as commodities são precificadas em dólar, o enfraquecimento do dólar gerou uma explosão nos preços das commodities.

    Sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. O preço das commodities é ditado pela robustez do dólar.

    Quando o dólar estava se enfraquecendo continuamente (período 2004-2011), o preço do minério estava subindo continuamente. Esta subida contínua do preço do minério induziu as mineradoras a fazerem vários investimentos voltados para expandir sua capacidade de produção, pois elas acreditaram -- enganadas pela fraqueza do dólar -- que havia uma demanda contínua e infinita por minério.

    Porém, tão logo o dólar voltou a se fortalecer, o preço do minério desabou, e todo aquele investimento na capacidade de produção acabou se revelando errôneo. Tais investimentos levaram a um aumento da oferta em um momento em que os preços do minério já estavam desabando.

    Consequência: as mineradoras estão tendo de cortar custos, demitir e rever vários de seus projetos expansivos.

    Portanto, quando o preço das commodities em dólar se altera, e isso afeta o câmbio, não foram as commodities que se afetaram o câmbio, mas sim o preço do dólar.

    Leitura sugerida:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190

    "Mas tal vez pela minha ignorância, não fiquei satisfeito com seu suposto método de estimação do valor correto do câmbio. De fato, o título do seu artigo promete isso, mas no final do texto você até reconhece que seu método de estimação pode não ser correto."

    Pelo fato de você ser físico, é compreensível seu desejo de ver equações completas e complexas, repletas de variáveis que a cada hora podem assumir um valor, bem ao gosto do modelador.

    Lamento, mas, o que funciona para a mecânica da física não funciona para explicar a ciência das escolhas humanas.

    Em termos puramente calculáveis, a equação do artigo é tudo o que há. Não se inventou nada mais correto e completo.

    O que você queria, na prática, era que eu -- sim, eu, pois ninguém mais fez isso na história do mundo -- inventasse uma equação repleta de variáveis subjetivas e, ao mesmo tempo, perfeitamente quantificáveis e calculáveis -- o que, no mínimo, seria um contra-senso, pois a definição precípua de variáveis subjetivas é exatamente o fato de não possuírem um valor numérico exato e universal.

    Você, como físico, obviamente não é obrigado a saber disso, mas esse tipo coisa -- a matematização do comportamento humano -- não existe na ação humana. Não existe uma equação com variáveis mensuráveis para a volição humana.

    E, ainda que tal impossibilidade (a criação de uma equação que englobasse toda a percepção subjetiva dos agentes de mercado) fosse possível, seria uma completa perda de tempo, dado que, como dito e explicado acima, isso seria meramente um valor de curto prazo.

    No máximo, você conseguiria uma justificativa matemática para explicar por que o dólar, em vez de estar em R$ 3,35, está em R$ 4,24. Seria bonito, mas efêmero, dado que, no longo prazo, o dólar teria de convergir para o valor da equação demonstrada no artigo.

    A única definidora do valor de longo prazo é o poder de compra das moedas.

    "Mas sua estimação Leandro, apoiada apenas em argumentos racionais, não seria fraca também pelo fato de desconsiderar fatores irracionais? [...] Neste caso da estimação do valor correto do câmbio, além da inflação e poder de compra, não deveriam também ser incluídas projeções sobre variáveis independentes/exógenas/argumentos irracionais etc?"

    Vou repetindo: fatores irracionais, alem de serem inquantificáveis e impossíveis de serem matematizados (qualquer equação que você inventar conterá variáveis totalmente subjetivas), influenciarão apenas no curto prazo. No longo prazo, o único definidor será o poder de compra entre as moedas.

    Quantificando subjetivamente fatores irracionais, você no máximo conseguiria uma justificativa matemática para explicar por que o dólar, em vez de estar a R$ 3,35, está em R$ 4,24. Seria bonito, mas efêmero, dado que, no longo prazo, o dólar teria de convergir para o valor da equação demonstrada no artigo.

    No longo prazo, os fatores irracionais desaparecem, pois estes, pelo próprio fato de serem irracionais, são efêmeros e não podem durar eternamente (uma obviedade).

    "E no caso Brasil, considerando essas variáveis independentes/exógenas, isso não apontaria uma cotação bem acima da atual?"

    No curto prazo, como já longamente explicado acima, sim. Mas o curto prazo sempre acaba. E é sobrepujado pelo poder de compra da moeda, o que é o que define o preço da moeda no longo prazo.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço.
  • Decopi  08/05/2016 16:49
    Caro Leandro,

    Primeiramente, obrigado pelas suas respostas.
    Apenas por favor me permita contestar algumas das suas colocações. Vou pela ordem dos seus comentários:

    1) Tudo pode ser mensurado. O único que existe é o que se chama Margem De Erro.
    Você pode mensurar qualquer coisa, estabelecer estimações do que for, e até projetar inviabilidades, absurdos ou incoerências. Tudo isso é possível. Apenas trata-se da Margem De Erro que você assume em cada mensuração. Portanto, variáveis independentes (fundamentos irracionais), podem, sim, ser mensurados.

    Isso vale também no que desrespeita à matematização do comportamento humano. A negação de um fato científico, é mera ignorância, especialmente dos brasileiros, que amam ser emocionais e irracionais, e acham que o ser humano jamais será matematizado.
    Ocorre que praticamente todo o mercado financeiro já é matematizado, inclusive operando com robôs nas transações.
    E o próprio Main Street também já é matematizado, com praticamente todas as grandes empresas do mundo usufruindo modelos matemáticos de comportamentos, para predizer consumos e outras variáveis.
    A Inteligência Artificial também é mais uma prova da matematização do comportamento humano.

    Como mencionei acima, a matematização ou mensuração não se discutem. São fatos científicos.
    Podemos, sim, apenas debater as Margens De Erros dessas matematizações ou mensurações.

    2) Definir curto prazo, médio ou longo... é relativo. Por exemplo, desde 2001 temos interferências do FED na economia americana, com baixa de juros e injeção de liquidez, e isso afeta até hoje, após 15 anos. Posso citar mais de uma dozena de outros exemplos, inclusive no Brasil, onde fatores exógenos à economia de um país, afetaram o câmbio por mais de 5 ou 10 anos (o que não me parece curto prazo).

    3) É óbvio que toda flutuação cambial vai acabar refletindo no Poder de Compra. Não foi esse o ponto questionado, e sim, o fato de você usar apenas a inflação como determinante dessas flutuações.
    Da minha parte, em momento nenhum do meu comentário excluí fatores racionais (variáveis dependentes), por exemplo inflação, como importantíssimos determinantes do câmbio. Apenas complementei, argumentando que há exemplos de países com inflações baixas, que tiveram flutuações cambiais (de longo prazo), não APENAS pela inflação. Note por favor a palavra APENAS, que incluí, sim, a inflação.
    Pessoalmente acho que a inflação tem, sim, um peso enorme na flutuação cambial. Porém, a diferença de você, para estimar câmbio eu também abro espaço para outros fatores exógenos e independentes à inflação.

    4) Não cheguei a nenhuma conclusão. Muito menos apresentei nenhum método.
    Eu apenas CONSULTEI você, no sentido de que o título do seu artigo prometia uma estimação de cálculo, mas na sua conclusão você afirmou que sua estimação não era correta.

    5) "A taxa de câmbio também está sujeita a picos ou vales nas balanças comerciais dos países, que independente das suas economias podem se ver beneficiadas/prejudicadas (por exemplo pela valorização/desvalorização de determinadas matérias primas no mercado internacional)."

    É um mito, sim, se você reduz toda uma economia a esse fato (ou a 1 único fato).
    Porém, isso foi o que você fez, ao tirar minha frase do contexto.
    Em momento algum afirmei que a inflação ou poder compra poderiam ser afetados APENAS por valorização/desvalorização de matérias primas, por A ou por B isoladamente.
    Ao contrário disso, enumerei uma série de exemplos, e sempre falei em plural (variáveiS independenteS/argumentoS exógenoS), denotando claramente que me referia a UM CONJUNTO DE VARIÁVEIS (além da inflação).
    E nesse contexto, sim, valorizações/desvalorizações de matérias primas no mercado internacional, SOMADO A OUTRAS VARIÁVEIS, podem, sim, beneficiar/prejudicar o câmbio. Não há mito.

    6) Não é apenas o enfraquecimento do dólar, que determina alta nas matérias primas. Um simples exemplo: China. É óbvio que o enfraquecimento do dólar deu uma turbinada nas matérias primas, mas uma política de Estado como no exemplo da China nos últimos anos, com uma estratégia de anabolizar e bombar sua infraestrutura em proporções jamais vistas na história do mundo, com migrações gigantescas de 400 milhões de pessoas, enfim, isso não pode ser ignorado na hora de analisar OUTROS aspectos além do dólar, que afetam, sim, o preço das matérias primas.

    7) Preço do petróleo ou do minério, não se comportaram só no curto prazo, como você tenta alegar. O crescimento Chinês, independente do dólar, afetou o preço das matérias primas por anos. O fato de uma matéria prima voltar ao seu preço médio histórico, isso não é parâmetro para se definir curto, médio ou longo prazo. Me refiro a que se uma matéria prima sofreu uma correção e voltou ao seu preço médio, porém, antes ficou 5 ou 10 anos em alta ou baixa, isso é mais do que suficiente para influir nos câmbios dos outros países, as vezes independente do dólar, e as vezes de maneira irreversível.

    8) Sou Físico e vejo, sim, equações completas e complexas, com algumas variáveis que assumem valores, ao gosto ou desgosto do modelador. Isso funciona na Física, em outras ciências exatas, e até nas mal chamadas ciências humanas ou sociais. De fato, ainda que imperfeito, é mais válido esse sistema do que as interpretações subjetivas ou ideológicas.

    Porém, como mencionei no ponto 4 acima, eu não conclui nada, nem apresentei nenhum modelo etc. Eu apenas fiz uma consulta.
    Você abordou, sim, minha consulta. E apesar de discordar das suas colocações, entendi seu ponto de vista, aprendi e agradeço.
    Apenas lamento Leandro você não ter se limitado a responder minha consulta, já que foi além com alguns prejulgamentos por eu ser Físico, como ademais tirou frases minhas fora do contexto, se defendeu quando não foi atacado etc.

    9) Eu tampouco queria que você fizesse nada, muito menos que apresentasse equações repletas de não sei o quê. Não entendi seu desnecessário dramatismo e exagero.
    Como mencionei no ponto 4, eu li o texto do seu artigo, prometia uma estimação, na sua conclusão você mesmo mencionou que essa sua conclusão não era a melhor, ficou evidente que o seu artigo desarmava o argumento do Perfeito, e nesse contexto fiz uma simples consulta: Se você não achava certo incorporar outras variáveis, além da inflação? Não foi uma conclusão minha, nem um método meu... foi apenas uma simples consulta.
    Você tentou desqualificar as variáveis independentes. Ao meu ver, não chegou nem perto.
    E você também ficou melodramático, tentando se defender (nunca ataquei), chegando inclusive a insinuar que qualquer estimação fora da sua, era impensável.
    OK! Entendi! Não concordo com você, mas respeito suas respostas.
    E saiba que essa sua reação, em nada muda minha excelente percepção sobre sua pessoa. Continuo achando que seus artigos são excepcionais.

    10) A Física é uma ciência de predições.
    É interessante se achar modelos matemáticos que expliquem uma flutuação (de qualquer tipo), de maneira analítica ou deduzida a partir dos efeitos passados. Porém, a grande sacada é produzir modelos que possam predizer flutuações futuras.
    Nesse sentido e no seu suposto exemplo da Física, poder explicar por que o dólar, em vez de estar em R$3,35, está em R$4,24, seria bonito, mas insuficiente. Porém, na minha humilde opinião, também é bonito e insuficiente seu modelo ancorado apenas na inflação.
    Um fenônomeno não se define apenas pela maneira que você pode percebê-lo ou calculá-lo ou entendê-lo etc. É o que você faz, ao tomar a inflação como âncora das estimativas, desqualificando outras variáveis, por você não saber como aproveitá-las.
    Minha consulta a você foi nesse sentido, não de propor método, ou equação, ou conclusões etc, e sim, questionar sua visão parcial do fenômeno, convidando você a perceber que no câmbio afetam outras variáveis além da inflação, seja no curto/médio/prazo. E se calcular essas variáveis é difícil, ok, foquemos em aprender com calculá-las, ou a diminuir a margem de erro no cálculos, mas não percamos energia negando-as.

    11) O Poder de Compra de uma moeda nem sempre é determinado apenas pela sua inflação.

    12) Você se refere o tempo todo à Física ou aos Físicos, como pessoas que pretendem encaixar fenômenos em equações, supostamente lotadas de variáveis, cujos resultados devem ser perfeitos e exatos. Você até chega a usar a palavra MECÂNICO várias vezes.

    Na verdade Leandro, a Física ERRADAMENTE era assim até 200 anos atrás, na época Newtoniana. Todo o Universo era percebido como mecânico, plausível de cálculos e traduções matemáticas perfeitas.
    Porém, há 100 anos atrás a coisa começou a mudar. Einstein, apesar de mecanicista, causou uma revolução com o Universo relativista.
    E a Física Quântica foi o merengue do bolo.
    Há mais de 60 anos que a Física CORRETAMENTE lida com a INCERTEZA, com o CAOS, e vive feliz em um mundo de PROBABILIDADES.
    E longe de forçarmos os fenômenos às equações, fazemos o oposto.
    Entendemos e compreendemos que hoje podemos não ter todas as capacidades para chegar a um cálculo exato. Mas, primeiro não negamos nossas impossibilidades, segundo procuramos evoluir e procurar respostas, e terceiro trabalhamos com probabilidades assumindo diferentes margens de erros até chegarmos em resultados melhores.
    Nesse contexto, contrário ao que você afirmou, procuramos explicações simples nos fenômenos, com a menor quantidade possível de equações e algoritmos, sem necessidade de muitas variáveis.

    Sim, você acha isso impossível em economia ou em comportamentos humanos. OK! Já falei, respeito sua posição.
    Mas sua opinião não tem fundamentos na Física nem na Ciência Exata, que hoje já tem graus de predição muito bons sobre a economia e comportamentos humanos, e que a cada dia melhorarão.
    Praticamente todo seu entorno, hoje tem algum produto ou ferramenta produzida pela Física ou pelas Ciências Exatas, baseados em modelos e sistemas probabilísticos que predizem à volição/comportamento humano. Desde seu celular, computador, gps, TV, internet etc, até seu avião, carro, e a produção de alimentos, roupas, incluindo seu sistema bancário, seguros de vida, cálculos de aposentadoria, planos de saúde, tecnologia de saúde etc etc etc.
    Isso vale também para Economia como "ciência não exata". Idem com Psicologia, Sociologia e muitos outros.
    Como mencionei, a negação da matematização do comportamento humano é mera ignorância, especialmente dos brasileiros, que amam ser emocionais e irracionais, e acham que o ser humano jamais será matematizado.

    Obrigado pelo seu tempo e atenção, e por favor continue nos privilegiando com seus fantásticos artigos.

    Abraço
  • Joaquim Saad  03/06/2016 12:10
    Cuidado c/ micro-medições cada vez mais precisas em economia ! Sei lá, vai que o Sr. Heisenberg resolve dar o ar da graça... ;)
  • Nobre  08/05/2016 17:09
    Leandro Roque simplesmente implacável.
  • Henrique  08/05/2016 19:02
    Leandro, agora surgiu uma dúvida. Você afirmou:

    "Setor externo nada tem a ver com a força da moeda. O que determina a taxa de câmbio, no longo prazo, é a diferença entre o poder de compra das moedas, e não saldos de balança comercial ou setor externo."

    Para importar algo, eu preciso de dólares para pagar o exportador extrangeiro. Dessa forma, a demanda por dólares aumenta, o que por sua vez deveria elevar o preço do próprio dólar.

    Ou seja, um país com contínuos superávits na balança comercial tenderia a ter uma moeda em desvalorização.

    Da mesma forma, ao exportar, eu posso optar em ficar com os dólares obtidos com a venda lá fora, investindo por lá, ou posso trocar os dólares por reais, dessa forma, aumentando a demanda por reais. Assim, ou eu não altero o preço do real, ou gero uma pressão altista na sua cotação.

    Ou seja, um país com contínuos déficits na balança comercial tenderia a ter uma moeda em valorização.

    É claro que só a balança comercial não basta, deveríamos considerar todo o balanço de pagamentos, mas o raciocínio é análogo.

    Tudo bem que esses fluxos só deveriam afetar o curto prazo, mas o que é o longo prazo se não uma sequência de curtos prazos?
  • Leandro  08/05/2016 19:56
    "Para importar algo, eu preciso de dólares para pagar o exportador extrangeiro. Dessa forma, a demanda por dólares aumenta, o que por sua vez deveria elevar o preço do próprio dólar."

    Sim, pontualmente. No momento em que isso ocorre, o câmbio se altera. Aí já no dia seguinte, tudo volta ao que era antes.

    Sempre lembrando que, ao mesmo tempo em que você está demandando dólares para importar, há exportadores vendendo dólares em troca de reais.

    "Ou seja, um país com contínuos superávits na balança comercial tenderia a ter uma moeda em desvalorização."

    Acho que você quis dizer "valorização".

    Mas não. Vide a balança comercial do Brasil da segunda metade da década de 1980 até a primeira metade de década de 1990: balança superavitária e moeda em total esfacelamento.

    É o poder de compra o que determina o preço da moeda (e confesso achar estranho que uma tautologia tão óbvia continue gerando tanta confusão).

    "Da mesma forma, ao exportar, eu posso optar em ficar com os dólares obtidos com a venda lá fora, investindo por lá, ou posso trocar os dólares por reais, dessa forma, aumentando a demanda por reais. Assim, ou eu não altero o preço do real, ou gero uma pressão altista na sua cotação."

    Sim, uma pressão para totalmente pontual. No dia seguinte a esse movimento, tudo volta ao normal.

    Vamos de novo? O que determina o preço de uma moeda é o seu poder de compra. Uma tautologia óbvia.

    E repito: o fluxo cambial foi positivo no Brasil em 2015. Ou seja, em 2015, mais dólares foram trocados por reais do que o contrário. E, ao mesmo tempo, o dólar saltou de R$ 2,50 para R$ 4.

    Por essa sua teoria, não era para ter acontecido o contrário? Não era para o real ter se encarecido em relação ao dólar?

    Difícil evidência empírica mais cabal do que essa.

    Bom, de resto, fiz o que pude. Se a pessoa quer continuar acreditando que balança comercial -- e não o poder de compra da moeda -- é o que define o preço da moeda, não é por mim. Apenas sugiro não fazer apostas cambiais baseando-se nessa premissa.
  • Henrique  08/05/2016 20:50
    Obrigado pela resposta Leandro.

    Peço desculpas pela petulância, mas o papel de advogado do diabo aqui é apenas uma repetição das "críticas" que os desenvolvimentistas fazem à teoria aqui exposta, sendo que alguns deles sabem fazer algumas indagações para as quais fico sem ter uma resposta convincente.

    Tens razão, eu inverti déficits e superávits no meu raciocínio.

    Quis dizer que países com contínuos déficits tenderiam a ter moeda em desvalorização, enquanto países em superávit tenderiam a ter moeda em valorização.

    Dessa forma, o ideal desenvolvimentista/cepalino de que câmbio fraco favorece as exportações é falso. O feedback é negativo: quanto mais você exporta em detrimento das importações, menor a sua demanda líquida por dólares, logo, mais o seu câmbio tenteria a se valorizar.

    Sei que isso é um total non sense, como o fluxo cambial em 2015 que você apontou comprova.

    Meu ponto é que, mesmo que eles estivessem corretos, o resultado desse tipo de política seria nulo. O que torna tudo ainda mais non sense.

    -----

    Sem querer me alongar muito na discussão, só mais uma dúvida, surgida de mais uma dessas infindáveis discussões:

    Suponha que um país exporte "demais" e importe "de menos" (talvez por uma política pública malograda), de modo a gerar uma grande escassez relativa de diversos bens e serviços, o que acaba forçando os preços para cima, diminuindo o poder de compra da moeda.

    Esse movimento então poderia causar uma desvalorização cambial no longo prazo, que contrabalancearia os efeitos positivos de fluxo no curto prazo?

    Faz algum sentido isso? Ou estou viajando completamente.

    Mais uma vez, obrigado pela paciência, a acidez e o sarcasmo costumeiros (os dois últimos tão pouco apreciados nos dias de hoje).
  • Leandro  08/05/2016 23:37
    "Suponha que um país exporte "demais" e importe "de menos" (talvez por uma política pública malograda), de modo a gerar uma grande escassez relativa de diversos bens e serviços, o que acaba forçando os preços para cima, diminuindo o poder de compra da moeda. Esse movimento então poderia causar uma desvalorização cambial no longo prazo, que contrabalancearia os efeitos positivos de fluxo no curto prazo?"

    Em tese, sim.

    Se a moeda nacional só tem uso dentro deste país, mas ninguém pode fazer nada com ela (nem mesmo comprar os bens produzidos internamente, pois estes estão sendo todos exportados), então tal moeda não tem grande utilidade. Consequentemente, a demanda por ela cai e seu poder de compra vai junto, assim como o câmbio.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Fernando  08/05/2016 14:00
    Ótimo artigo.

    Porém tenho uma pergunta: não seria possível que uma moeda já nasça valorizada/desvalorizada perante a cotação do primeiro dia? Apesar de que a relação Dólar/Real fosse oficialmente 1 no primeiro dia, e se o mercado encontrasse que o valor fosse 1 Dólar = 1,3 Real num curto periodo? Isso faria uma grande diferença nos cálculos.
  • Leandro  08/05/2016 14:34
    A única maneira de uma moeda nascer sobrevalorizada é se os criadores de um Currency Board escolherem uma taxa de câmbio totalmente diferente daquela que vigia exatamente no dia anterior da implantação do CB.

    Mas isso não é factível.

    De resto, vale lembrar que, de julho de 1994 a março de 1995, a taxa de câmbio no Brasil era flutuante. Mais ainda: o real se valorizou nos primeiros meses, com o dólar chegando a cair para R$ 0,86.

    Se você fizer seus cálculos partindo de R$ 0,86, o valor do "câmbio de equilíbrio" estaria bem abaixo de 3,35.
  • philip haag  09/05/2016 20:54
    leandro,

    você está correto, não é factível, mas façamos um exercício hipotético e caricatural: henrique meirelles não assume a fazenda.

    surge alguém convencido das vantagens do currency board, mas que ao mesmo tempo não consegue se livrar de seu passado "desenvolvimentista". esse alguém define, por decreto, a paridade a R$ 4,00 por dólar (dentro ainda do que seria razoável, segundo as estimativas feitas por você). dali para a frente, apesar do início distorcido, funcionaria tudo como num currency board usual.

    que consequências haveria a curto e longo prazo?

  • Leandro  09/05/2016 22:01
    No curto prazo, alta inflação de preços (por causa do valor do câmbio escolhido em relação ao valor vigente hoje).

    No longo prazo (a partir de uns 2 ou 3 anos), a inflação de preços passa a seguir o poder de compra do dólar.
  • Gustavo  09/05/2016 22:29
    Então olhando para o longo prazo, tanto faz o valor de troca estabelecido por um CB? Tanto 4 pra 1 quanto 3,5 pra 1 no longo prazo daria na mesma.
  • Leandro  09/05/2016 22:56
    Obviamente, quanto mais desacoplado da realidade for o valor escolhido, mais tempo levará para que a economia se estabilize e se normalize.

    Se o objetivo principal é acabar com a inflação, então quanto mais longe do equilíbrio for o valor escolhido, mais tempo levará para que a inflação de preços seja abatida.

    O que ocorrerá neste ínterim? Não sei prever. Mas posso afirmar que inflação de preços por tempo prolongado nunca é algo bom. Os desarranjos que ela pode provocar podem ser devastadores.

    No mais, se você estabelece um sistema de ancoragem no qual a taxa de câmbio é muito mais desvalorizada do que no sistema de câmbio flutuante, então tal arranjo é um total contra-senso, indo totalmente contra a função de um CB, que é a de gerar confiança, previsibilidade e, principalmente, um cenário mais favorável ao combate à inflação de preços.
  • Fernando  08/05/2016 14:15
    Como eu trabalho com equipamentos importados, seria melhor ter a moeda valorizada.

    Se um real comprasse 5 dólares, eu poderia aumentar em 10 vezes a quantidade de negócios, além de aumentar a margem de lucro, sem ter que pagar mais para o fornecedor. Se um produto importado é caro, fica difícil aumentar a margem de lucro.

    Como eu não sou lobista, eu acredito que seja melhor um moeda com poder de compra igual ao do dólar.

    Uma pessoa que ganha 3.000 dólares, precisaria ganhar 21.000 reais para ter o mesmo poder de compra, se o dólar fosse 7,00. O que parece um absurdo. Isso só iria gerar pobreza e inflação.

    A questão é simples. O pobre precisa ter o direito de importar e ter o seu dinheiro valorizado. Não adianta ser remunerado com uma coisa que não compra nada.







  • Ribeiro  08/05/2016 14:37
    Ótimos pontos, Fernando. Há economistas que simplesmente não percebem que câmbio desvalorizado significa que toda a população está com seu poder de compra destruído. Isso, por si só, já deveria bastar para fazer as pessoas entenderem que tal coisa não pode ser boa para a economia.

    Desde quando utilizar uma moeda destroçada deixará uma economia pujante? O fato de não haver um único exemplo histórico de país que enriqueceu destruindo sua moeda parece não bastar para essa gente.
  • Juliana  09/05/2016 21:30
    A taxa de câmbio "correta" calculada pelo Perfeito — de aproximadamente R$7,00 para cada US$ 1,00 — pode ser um absurdo descomunal, mas pensar em uma taxa onde R$ 1,00 compra US$ 5,00 também é uma imaginação sem nenhum cabimento.

    O interessante nessa teoria do câmbio "correto" é que ela nos remete à questão da produtividade. Ou seja: nós sabemos que a produtividade no Brasil é bem menor que nos Estados Unidos, então é de se esperar que a inflação seja um pouco maior e que, acompanhando isso, o Real se desvalorize em relação ao Dólar. Está certo que esse é um ponto de vista que ignora fatores mais determinantes como a expansão monetária, ou mesmo outros menos diretos como o padrão de vida (porque mesmo que a taxa fosse R$ 1,00 = US$ 1,00, nós ainda não teríamos acesso aos mesmos produtos pelos mesmos preços que os americanos têm), mas em essência isso faz algum sentido. Imagina só o que o Brasil precisaria crescer para que o Real alcançasse sustentavelmente uma cotação tão valorizada em relação ao Dólar. Desde criança que eu sou torcedora que tenhamos uma moeda mais apreciada que as outras, mas também não precisa ser tão surreal e ir tão longe.

    Por outro lado, como o câmbio também influencia na inflação de preços, não seria recomendado se basear na teoria para, vamos supor, fazer uma política cambial. Talvez keynesianos e desenvolvimentistas aprovassem a ideia, desde que abandonasse-se a meta de inflação. Não é muito difícil ouvi-los dizer que 'é um erro gravíssimo utilizar o câmbio para controlar a inflação'. Aí a inflação iria aumentar, e o câmbio teria que acompanhar, o que faria a inflação se desvalorizar mais ainda... Melhor nem imaginar.
  • Francisco Rypl  08/05/2016 16:05
    O Perfeito foi imperfeito e mal intencionado, como é o costume dos marxistas, dos keynesianos e da esquerda em geral. Eles têm que fazer os dados se encaixarem nas suas teorias nem que para isso tenham de estuprá-los. Três meses antes das eleições daquele ano, quando ainda não se desenhava a vitória do Lula, o dólar estava em menos de 2 reais e dentro de uma faixa flutuante relativamente livre. Como a possibilidade da vitória de Lula passava a se tornar uma realidade em poucos dias adiante, depois de mais de 20 anos de campanha eleitoral prometendo o socialismo, os agentes econômicos trataram de se precaver contra a tal intervenção econômica prometida, e a subida do dólar para mais de 4 reais em um curto espaço de tempo, foi uma das consequências. Espertamente, Perfeito escolheu o dólar em um pico fora da realidade naquele momento para se encaixar, agora, em sua teoria furada.
  • LUCIANO SILVA  08/05/2016 23:02
    Os marxistas, os keynesianos e a esquerda em geral vão dizer que o Leandro "deturpou" o Perfeito.
  • Luiz   08/05/2016 16:15
    Leandro,

    Gostaria de lançar uma idéia : poderíamos agregar a tua base teórica a um programador e
    Criar um pequeno programa que automatiza a coleta dos dados e o cálculo do câmbio de equilíbrio
    Mês a mês, com os resultados publicados no Mises.org.br.
    O que acha?
  • Henrique Zucatelli  08/05/2016 18:33
    Eu apoio a ideia, e faria muito sucesso.
  • luiz  09/05/2016 00:14
    legal, com webservices: um "robot"coleta os dados nas melhores fontes, calcula e publica automaticamente na página do Mises; pode-se criar um tabela confrontando o valor obtido com o valor de mercado - seria bem bacana visualizar as assimetrias!
  • maybe  10/05/2016 04:00
    Eu sou programador e estaria disposto a fazê-lo, desde que seja publicado como software livre.
  • Luiz  10/05/2016 15:01
    sim, claro;
    será que o Leandro poderia se manifestar?
    o teu trabalho de programador poderia ser doado ao instituto;
    imagino que o instituto poderia ganhar visibilidade, visto a importância
    que o câmbio tem nas nossas vidas, seja nos negócios ou mesmo em aspectos
    pessoais.
    se o instituo topar, o Leandro orientaria para coletar os dados nas melhores fontes
    e supervisionaria a construção da fórmula de cálculo.
    a publicação no portal poderia ser automatizada.
  • maybe  11/05/2016 06:02
    [i]"o teu trabalho de programador poderia ser doado ao instituto;"[i]


    Quase isso. Minha condição é que seja distribuido como software livre, ou seja: disponível pra qualquer um que quiser usar como quiser, com o código-fonte disponível para qualquer um fazer o que bem entender.


    Se esta condição for aceita, posso expandir a idéia para uma plataforma de apoio a cálculos que estejam embasados em teorias austríacas (pelo pouco que sei, parece que eles não veem macroeconomia com bons olhos, por exemplo).
  • Luiz  11/05/2016 13:43
    Muito legal a idéia da "plataforma"!

    Quanto a ser aceita ou não (open source), entendo que é você como programador que decide
    o que deseja fazer; a minha opinião é que, com a colaboração do Leandro,
    sem dúvida o embasamento teórico do sistema seria muito bom!

    E a publicação no portal Mises daria bastante visibilidade.

    um abraço,
    Luiz
  • JOSE F F OLIVEIRA  08/05/2016 16:24
    Ótimo artigo.
  • Squibb  08/05/2016 16:28
    Eu ia perguntar como que poderia garantir que 1 pra 1 era a real taxa de cambio para o primeiro ano, mas aí alguém perguntou acima e vc dissr que no primeiro ano o cambio era flutuante.

    Dai fui ler o artigo indicado. Realmente era flutuante, mas a selic era 60%a.a.

    Voce não acha que juros tão altos ibfluenciam pesadamente nas "taxas flutuantes"?
  • Gustavo  08/05/2016 17:55
    Ué, mas os juros altos serviam exatamente para manter alta a demanda mundial pelo real e, com isso, manter o poder de compra da moeda.

    Fossem os juros mais baixos, a demanda mundial pelo real certamente seria menor e, consequentemente, seu poder de compra seria menor e, logo, o câmbio seria mais desvalorizado.

    O raciocínio todo se mantém.
  • Enrico  08/05/2016 18:31
    Quando o Copom aumenta a Selic, a inflação fica menor artificialmente? Quando o Copom reduz a Selic, a inflação aumenta artificialmente? Se for assim, toda inflação e todo câmbio deve ser descartado em todo canto do mundo porque são consequência da política monetária adotada. Sem contar que o real nasceu valendo um dólar por conta da URV, não por conta de uma política adotada.
  • Henrique Zucatelli  08/05/2016 17:15
    Aplausos grande Leandro! Admirado com esse artigo, de verdade.


    Agora uma pergunta interessante:

    Se na em 94 o Real tivesse sido implantado via Currency Board ortodoxo com paridade no dolar, e supondo que tivesse ficado na época em 1=1, a inflação brasileira teria sido próxima da americana, posto que a dinâmica da base monetária fica atrelada a moeda mãe?
  • Auxiliar  08/05/2016 18:02
    Sim. O poder de compra teria se comportado semelhantemente ao do dólar: forte de 1996 a 2002; fraco de 2003 a 2012; forte de 2012 a meados de 2014; extremadamente forte de meados de 2014 até hoje.
  • PedroF  08/05/2016 18:02
    Leandro mata de pau. É sempre uma grande aula. Guardo seus artigos com muito carinho. Embora tenha-me casado com o Direito, sempre tive a Economia como amante. Abraços.
  • Leandro  08/05/2016 23:31
    Considere trocar de amante. Sei lá, dizem que a Contabilidade é bem voluptuosa...

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Douglas Silva  11/05/2016 13:29
    Leandro, ou alguém poderia me ajudar?
    Quero fazer economia a partir do segundo semestre desse ano, quero muito mesmo, mas sei que o padrão de ensino é o mesmo, Keynes para todos os lados.
    Você falou em contabilidade, mas nunca me despertou grande interesse, não sei explicar bem...pouca teoria e pesquisa, e também pretendo trabalhar no mercado financeiro. Não sei se contabilidade iria me ajudar. E também existe contabilidade para graduados, mas não existe economia para graduados. Moro em SP, tem bastante opções mas o ensino é o mesmo, e também não fico com medo ou algo assim, esse site aqui já me ajuda e me ajudará ainda mais. Alguma forma de sei lá, driblar isso?
    Sou seu fã Leandro, melhor economista do Brasil rs
    Abraços.
  • Renato  08/05/2016 18:09
    Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email NOVO é galenoeu@gmail.com
  • josé  08/05/2016 18:11
    Perfeito!:-)
    Só tem um detalhe. O Real quando foi criado veio de outra moeda. Ele nasceu de outra moeda já existente. E inclusive a paridade 1/1 à época foi arbitrada por decreto. Então, pra saber qual o câmbio realmente correto, teríamos que voltar mais ainda no tempo, quando, das duas (moeda americana e moeda brasileira), a 2a moeda foi criada. A partir daí faríamos as devidas correções inflacionárias para a moeda brasileira (que teve vários nomes) e para o dólar americano. Que data é esta? 1822? Não sei.
    Ou seja, eu acho que quem escreveu o artigo cometeu o mesmo erro que o andré perfeito..
    Se amanhã criarem um plano chamado "Cruzeiro", estabelecendo uma paridade 1/1 entre dólar e câmbio, não significa que é a partir daí que começaremos a calcular a taxa de câmbio real? O mesmo se dá pro raciocínio a respeito do Real, em 01/7/94. Então, afinal, qual a taxa de câmbio correta?:-)
  • Guilherme  08/05/2016 19:28
    Errado. Não teve absolutamente nada de "paridade por decreto". Aliás, não houve nem sequer paridade, pois ao final do mês de lançamento, o real já havia se apreciado para R$ 0,90 por dólar. E o real nasceu com câmbio flutuante, e assim permaneceu de julho de 1994 a março de 1995, quando adotou-se o câmbio atrelado ao dólar (que não deve ser confundido com câmbio fixo).

    Por favor, pesquise antes de comentar.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196
  • Pobre Paulista  08/05/2016 22:40
    Você quer ver o valor do REAL e para isso quer usar CRUZEIROS para o cálculo? Sério mesmo?
  • Primo  09/05/2016 09:47
    Acho que o José está correto. Em um dos artigos citados pelo Guilherme temos: " no dia 29 de junho de 1994, uma quarta-feira, a taxa de câmbio encerrou o dia com o dólar valendo CR$2.750,00. Portanto, no dia 30 de junho, quinta-feira, todos os valores em Cruzeiro Real deveriam ser divididos por 2.750 para se obter os valores em Real ".

    Partindo de 1994 ou de qualquer outro ano a arbitrariedade se mantém. Porque o câmbio de 1994 está correto e o câmbio pego em 2003 está errado?

    Alias esse cálculo do valor da moeda levando em conta a inflação vai estar sempre certa. Caso $1 dólar atingir R$6 reais, nesse caminho da desvalorização deverá ocorrer inflação no Brasil e quando fizerem as contas apresentada seria verificado que o valor do cambio estaria dentro do previsto.
  • Leandro  09/05/2016 12:27
    Talvez você não saiba, mas no dia 30 de junho, CR$ 2.750 foram convertidos em 1 real, e 1 real vali 1 dólar. No dia 1º de julho, 1 real nasceu valendo 1 dólar.

    Um real, portanto, valia um dólar e valia CR$ 2.750

    Por que pegar a partir desta e não a partir de qualquer outra? Explicado no artigo e longamente aqui na seção de comentários.

    "Porque o câmbio de 1994 está correto e o câmbio pego em 2003 está errado?"

    Se, além da teoria, a própria empiria gentilmente fornecida pelo Perfeito não lhe convenceu, então nada mais posso fazer.
  • Pobre Paulista  10/05/2016 01:14
    Leandro (ou qualquer um)

    Alguém conhece alguma fonte com as séries históricas dos índices de inflação e do preço do dólar? Acho que seria interessante colocar esses valores num gráfico para detectar os "descolamentos" do preço teórico do câmbio e analisar os efeitos econômicos imediatos disso.
  • Leandro  10/05/2016 02:43
    Isso já foi feito neste artigo do Ulrich:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2166

    Veja o último gráfico. (Vai até junho de 2015)
  • Pobre Paulista  10/05/2016 15:55
    Obrigado.
  • Gustavo  08/05/2016 21:36
    Se eu quisesse realizar esse cálculo entre o dollar americano e a libra esterlina, eu teria que utilizar a cotação de ambas desde as datas que essas moedas foram criadas? No caso seriam séculos de dados sobre a inflação, que creio, não devem existir.
  • Leandro  08/05/2016 23:36
    Não é necessário. Até agosto de 1971, a taxa de câmbio entre elas era fixa, pois o mundo ainda vivia sob o padrão-ouro câmbio. A partir de agosto, um novo modelo monetário e cambial mundial surge, com as taxas de câmbio flexíveis. Pode começar, portanto, a partir de agosto de 1971.

    Sempre lembrando que, ao começar de agosto de 1971, você tem de levar em consideração a taxa de câmbio vigente à época, que era a de aproximadamente 2,50 dólares por libra.

    Sendo assim, se você adotar como ponto de partida o valor de 100 para a libra, você tem de adotar o valor de 250 para o dólar.

    Como não encontrei um site que tenha uma calculadora com a inflação mensal do Reino Unido, vamos ter de utilizar apenas a inflação anual. Sendo assim, vamos começar de 1972.

    Em janeiro de 1972, o câmbio dólar/libra estava em 2,55 dólares por libra. Ou seja, aquilo que custava 100 libras custava 255 dólares.

    Consequentemente, aquilo que custava 100 libras em 1972 estava custando, ao final de 2015, 1.190,20 libras.

    Já aquilo que custava 255 dólares no início de 1972 estava custando 1.446 dólares ao final de 2015.

    Dividindo dólar por libra temos um câmbio de 1,22 dólar por libra. Isso na teoria.

    Na prática, em janeiro deste ano, o câmbio estava a 1,44 dólar por libra, o que talvez -- talvez! -- indique uma ligeira sobrevalorização da libra.

    Isso é o máximo que podemos estimar. No entanto, observe que a estimativa fornecida pelo cálculo é bastante próxima da realidade. Ninguém poderá dizer, por exemplo, que o certo é a libra estar custando, sei lá, 2,50 dólares (uma margem de erro de 100%, a mesma de Perfeito).
  • Gustavo  08/05/2016 23:57
    Então Leandro, no livro da depressão americana de 29 do Rothbard, ele fala dos acordos do Benjamin Strong com o Montagu Norman, no caso para o Strong inflacionar o dollar para evitar a fuga de ouro da Inglaterra para os USA.

    Poderias me explicar como que funcionava a prática de aumentar as reservas com padrão ouro em vigência? O padrão-ouro não era para evitar a existência de reservas fracionárias? Essa inflação proposital não deveria desvirtuar esse taxa "fixa" de câmbio deles??

    Abraço!
  • Leandro  09/05/2016 02:25
    "Poderias me explicar como que funcionava a prática de aumentar as reservas com padrão ouro em vigência?"

    O Fed reduzia os juros -- à época, não se utilizava o open market, mas sim a janela de redesconto -- e, com isso, desestimulava que o ouro saísse da Grã-Bretanha e fosse para os EUA em busca de maiores retornos.

    "O padrão-ouro não era para evitar a existência de reservas fracionárias?"

    Nunca foi. Reservas fracionárias sempre existiram.

    "Essa inflação proposital não deveria desvirtuar esse taxa "fixa" de câmbio deles?"

    Não. Ao contrário, foi feita para não desvirtuar. Explico.

    À época, tanto o dólar quanto a libra eram definidos em termos de ouro. O dólar havia sido definido como 1/20 de uma onça de ouro, e a libra, a 1/4 de uma onça de ouro.

    Na prática, isso significava que qualquer cédula de um dólar tinha de ser restituída por 1/20 onça de ouro, e qualquer cédula de uma libra tinha de ser restituída por 1/4 onça de ouro. Isso, por sua vez, significa que a taxa de câmbio era de 5 dólares por libra. (Ao longo das décadas seguintes a taxa de câmbio foi sendo seguidamente "reajustada", até chegar aos 2,50 do início da década de 1970).

    Enquanto os bancos comerciais e os bancos centrais fossem capazes de cumprir essa promessa (restituir uma libra em 1/4 onça de ouro e um dólar em 1/20 onça de ouro), a taxa de câmbio se mantinha inalterada.

    Foi exatamente porque o BC inglês viu que a coisa estava ficando feia -- as reservas de ouro estavam diminuindo e indo para os EUA, o que colocava em risco sua capacidade de restituição --, que houve esse conluio entre os dois bancos centrais para que o Fed reduzisse seus juros, diminuindo assim a fuga de capitais da Grã-Bretanha.

    Abraços.
  • IRCR  09/05/2016 06:32
    Leandro,

    Poderia fazer isso usando o dólar de HK com dólar americano ?

    Qual seria a data marco para o DHK ? desde 71/72 ou desde 83/84 com a criação da CB ?

    Se pegarmos desde 84, a inflação de preços em HK foi em média de ~5%aa e nos USA de ~3%aa, mas desde então eles conseguem manter a cotação quase que fixa na banda de 7,75 e 7,85.

    Para manter a tanto tempo a cotação quase que fixa, não era para a inflação de ambos países serem quase iguais ? isso poderia ser explicado em partes pelas inerentes falhas dos métodos de calculo da inflação por seus respectivos órgãos ?
  • Hugo  09/05/2016 02:38
    Leandro, gostaria de saber se há algum índice de preços nos EUA que tenha uma metodologia no mínimo parecida com o IGP do Brasil. Caso exista não seria esse o melhor indicador pra estimar o "câmbio correto" caso se tome como base o IGP-M?
  • Lucas Braga  09/05/2016 03:41
    Leandro, dá uma luz?

    Vou tomar como referências as teses de: Peter Schiff e Helio Beltrão. Ambos concordam que o dólar terá sérios problemas pela frente, mas cada um deles argumenta de forma diferente.

    A tese do Peter Schiff é que o dólar sofrerá de hiperinflação, tendo como base a TACE.
    A tese do Hélio Beltrão é que o dólar sofrerá de deflação, quanto começarem a acontecer os calotes/defaults e as falências. São os tais dos ciclos longos de Kondratiev, quando o BC não deixa as recessões acontecerem. Escrevi tudo de cabeça, na lata. Está certo? Para você, qual das duas teses parece fazer mais sentido?

    Peter Schiff está certo de novo?
    ou
    Os ciclos de Kondratiev também estão corretos, e o Peter Schiff precisa estudar um pouco mais?

    Pra terminar... Você costuma defender, de forma inveterada, Currency Board. Eu gosto da ideia. Mas se o dólar está prestes a entrar em apuros, não seria melhor o câmbio flutuante, mesmo? Não vejo como seria uma boa ideia ancorar o nosso barco num Titanic prestes a afundar - acho que a analogia faz sentido.
  • corsario90  14/05/2016 20:00
    MEU AMIGO, muitos austríacos americanos estão dizendo que o barco dólar afundará no final de maio, dia 28. Pelo que entendi, haverá um rebaixamento dos títulos, mas não tenho certeza.
    Peter Schiff está na mídia direto e aqui na bananania ninguem fala muita coisa na mídia.
    Acho que será a vez do Bitcoin e demais moedas virtuais. Como a Rússia e a China compraram catupilhões de ouro, acho que o valor também irá la pra cima.
    Alguém acha alguma coisa?
    abraços a todos
  • Joaquim Saad  03/06/2016 02:05
    corsario90,

    Você acertou na mosca quanto a BTC(XBT)/USD: bem neste último fim-de-semana a cotação de BitCoin disparou +20% lá fora !

    Será que enfim vão jogar a toalha na suposta manipulação das cotações de ouro futuro (XAU/USD) em NY\ComEx e Londres\LBMA ? Afinal, teoricamente trata-se de mercados c/ liquidação física no vencimento (apesar da ultra-mega alavancagem), quem sabe agora os "Xanghai-lings" conseguem finalmente "fixar" o preço justo do metal na bolsa de lá (baseado em demanda autêntica por algo que efetivamente não se pode criar do nada, ao contrário de meros contratos derivativos).
  • Fernando Simões  09/05/2016 05:20
    Prezado Leandro,

    Volto a questão das commodities. Onde ficam as fortes entradas de capital estrangeiros na sua explicação anterior ao Henrique ? Essa tendência à sobrevalorização cíclica da taxa de câmbio
    nos países em desenvolvimento, segundo a teria neo-desenvolvimentista, não se da apenas por causa da pressão das commodities. Esse é o primeiro motivo.
    O segundo são "as entradas excessivas de capital causadas especialmente pela equivocada política de crescimento com poupança externa, promovida mediante a elevação da taxa de juros para atrair capitais e mediante o aumento irresponsável das despesas do Estado, e também, em razão do uso de âncoras para combater a inflação, da política de elevação da taxa de juros para superar a "repressão financeira", e do populismo cambial, apreciam ainda mais a moeda nacional, levando a taxa de câmbio para baixo do equilíbrio corrente, na área do déficit em conta corrente".
    Portanto, não tratam tão somente da balança comercial, mas sim da balança de pagamentos. São as crises nos balanços de pagamentos que determinam sobrevalorização cíclica das moedas dos países em desenvolvimento.

    Gostaria que comentasse novamente sobre essa questão, esse é um tema de grande importância atual.
  • Leandro  09/05/2016 12:28
    A única coisa que posso "comentar" é simplesmente repetir a mesma coisa que falo sempre. Dado que as perguntas insistem em ser as mesmas, só me resta copiar e colar as mesmas respostas.

    Você fala de valorização das commodities que geram valorização da taxa de câmbio. Pois então, você errou a sequência. A sequência correta é: enfraquecimento do dólar gera encarecimento de commodities e gera também valorização do câmbio nos países em desenvolvimento (pelo óbvio motivo de que, se o dólar está se enfraquecendo, então, por definição, as taxas de câmbio estão se apreciando).

    Acreditar que preço de commodity determina taxa de câmbio é o equivalente a dizer que o preço do pão é o que determina o valor do dólar perante o real. É o equivalente a dizer que o preço de algo é o que determina o valor da moeda, em vez de ser a moeda o que determina o preço de algo.

    Entenda: todas as commodities (de minério de ferro a petróleo) são precificadas em dólar. Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. Sempre.

    Isso é questão básica de economia: se uma moeda está fraca, você precisa de mais dessa moeda para comprar o mesmo tanto de um bem. Se o dólar está fraco, você precisa de mais dólares para comprar o mesmo tanto de antes. Se o dólar se fortalece, você precisa de menos dólares para comprar o mesmo tanto de antes.

    O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 deu-se majoritariamente por causa do enfraquecimento do dólar. E o atual arrefecimento das commodities também está ligado ao fortalecimento do dólar.

    Ou seja, a tal "explosão" das commodities nada mais foi do que o encarecimento delas em dólares. Como o dólar se enfraqueceu, e como as commodities são precificadas em dólar, o enfraquecimento do dólar gerou uma explosão nos preços das commodities.

    Sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. O preço das commodities é ditado pela robustez do dólar.

    Quando o dólar estava se enfraquecendo continuamente (período 2004-2011), o preço do minério estava subindo continuamente. Esta subida contínua do preço do minério induziu as mineradoras a fazerem vários investimentos voltados para expandir sua capacidade de produção, pois elas acreditaram -- enganadas pela fraqueza do dólar -- que havia uma demanda contínua e infinita por minério.

    Porém, tão logo o dólar voltou a se fortalecer, o preço do minério desabou, e todo aquele investimento na capacidade de produção acabou se revelando errôneo. Tais investimentos levaram a um aumento da oferta em um momento em que os preços do minério já estavam desabando.

    Consequência: as mineradoras estão tendo de cortar custos, demitir e rever vários de seus projetos expansivos.

    Portanto, quando o preço das commodities em dólar se altera, e isso afeta o câmbio, não foram as commodities que se afetaram o câmbio, mas sim o preço do dólar.

    Leitura sugerida:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190
  • Antonio  09/05/2016 10:52
    Prezado Leandro, excelente artigo. Não sou da área mas aprendo muito com o site! Gostaria de saber se nessa comparação de poder de compra, como os impostos que aqui são aplicados sobre os bens interferem nessa conta? Ou não interferem? (Minha dúvida é acerca da discrepância de impostos cobrados sobre o valor do bem nos EUA e aqui no Brasil).
    Obrigado.
  • Leandro  09/05/2016 12:31
    Influenciam caso sejam implantados em um mês. Aí, no mês seguinte, os preços estarão maiores. Isso irá influenciar o IPCA daquele mês e, consequentemente, daquele ano. E pronto . É só. Já a partir do ano seguinte não haverá mais influência.
  • Antonio  09/05/2016 14:59
    Obrigado e parabéns pelo trabalho!
  • Renegado  09/05/2016 11:58

    Analisando o artigo: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1412 , Observa-se a seguite sentença:
    "O IPCA sob o governo Dilma passou agora a obedecer a Lei de Goodhart, a qual diz que uma vez que um indicador social ou econômico adquire status de meta de política econômica, ele perde o conteúdo informativo que outrora o qualificara a servir como meta."
    Uma vez concordando com tal afirmativa, o meu problema é levar em conta o tal do IPCA como balizador para se estabeler, teoricamente, a paridade de poder de compra das duas moedas.
    Se o CPI americano for tao confiável quanto o IPCA, a análise que este artigo defende estará sim correta, mas os valores usados para o calculo não. Portanto , não consigo aceitar nem os 6,70 nem os 3,35 como valor da taxa de câmbio, de modo que o atual câmbio próximo dos 3,35 pode ser mera coincidência.
    Meu raciocínio está correto?
  • Leandro  09/05/2016 12:30
    A "adulteração" ocorrida no IPCA em 2012 -- causada pelas reduções pontuais em alguns impostos e pela redução na marra das tarifas de energia elétrica e pelo congelamento do preço da gasolina -- já foi revertida em 2015, quando todos os preços foram atualizados e as isenções fiscais, abolidas.
  • Baroni  09/05/2016 11:59
    Leandro, parabéns pelo artigo. Uma pergunta, poderíamos utilizar a cotação do ouro em ambas as moedas como forma de definir o valor do cambio? Se considerarmos o valor do grama de ouro nos EUA de +/- US$ 40,98 e o grama no Brasil de +/- 143,8 teríamos um valor de cambio de +/- 3,51 reais para um dólar. Isso faz sentido ou estou dizendo bobagem?
  • Leandro  09/05/2016 12:32
    O preço do ouro em reais e em dólar tem de, por definição, ser igual ao câmbio. E exatamente por causa do mecanismo de arbitragem explicado no artigo.
  • Angelo T.  09/05/2016 12:08
    Bom texto, Leandro!
    Não conhecia essa forma de calcular o câmbio "correto".
  • Leandro  09/05/2016 12:30
    Angelo, o Fernando Ulrich já havia feito o mesmo neste artigo de um ano atrás:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2166

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Osilavio  09/05/2016 12:43
    Parabéns Leandro,excelente artigo!O interessante é que todos os economistas falam em taxa de equilíbrio,mas apoiam a desvalorização da moeda.Acho um contra-censo,pois taxa de equilíbrio viria da paridade do poder de compra das moedas.
    Aqui também abrirá um espaço para especuladores:Se você acredita que a inflação aqui continuará alta e lá nos states continuará baixa,compre dólares.O inverso também é verdadeiro.
    Abraços!
  • José R.C.Monteiro  09/05/2016 13:21
    Leandro, grato, pelo artigo, muito claro.
    Quer dizer, se o (des)governo não metesse a colher com essa nova sobretaxação da conversão de reais para dólar, a população poderia enxugar a moeda circulante abundada no mercado que provoca a inflação, ou seja, desfazendo-se da moeda ruim teríamos a desinflação.

    Leandro, fora a piada acima, tem algum plano do governo em curso?

    Abraços e sorte.
  • Giordanno Rocco  09/05/2016 13:24
    Ótimo texto Leandro!
    Fico ressabiado em utilizar puramente os índices sem aplicar nenhum fator de correção para ajustar as diferenças de metodologia para a construção de cada índice, bem como as alterações nas próprias metodologias individuais (como o que ocorreu com o IPCA em 2012, por exemplo). Não seria mais justo arbitrar um fator de correção? (Não conheço as especificidades de cada índice, mas acho q um ajuste possível e não muito complicado seria adicionar uma incerteza em toda a série histórica até chegar no período de interesse).
    Sem sombra de dúvidas ainda sou muito mais os valores propostos neste artigo do que os "devaneios de Perfeitos e Pereiras". Beleza, todo o conhecimento da humanidade está fundamentado em modelos.. e todos os modelos tem um erro em relação ao objeto de estudo... Agora, sair utilizando modelo e divulgando bobagens por aí é no mínimo vergonhoso.. Eu teria vergonha... E tem gente que "aposta" o dinheiro do trabalho na opinião de falastrões.. assustador!
    Como sempre, Mises trazendo ótimas discussões. Ainda não encontrei outro site brasileiro mais interessante sobre o tema!! Faço de tudo para conseguir tempo para ler mais os materiais e discussões por aqui...
    Quem sabe um dia eu até consiga cursar economia... rsrs Seria bem legal.
    Parabéns mais uma vez pelo artigo e pelas respostas que tenho lido! Esta prioridade mostra o respeito que vocês têm em relação aos leitores. Por estas e outras que me cativam.
  • Taxidermista  09/05/2016 13:51
  • eric  09/05/2016 14:29
    Leandro,

    não sou a favor de protecionismo, acredito no liberalismo, sou empresário da indústria metalúrgica, economista... Eu acredito no livre mercado, concorrência... Dito isso, discordo que o governo não deva agir de para proteger a indústria nacional, não para valorizar o produto brasileiro ou o mercado interno, mas simplesmente pelo fato de que nem toda a concorrência é leal. Temos na indústria metalúrgica um belo exemplo, os custos de produção em países asiáticos, como a china, são baixíssimos, devido as suas leis trabalhistas abusivas, beirando a escravidão. Com as atuais medidas protecionistas já é difícil conseguir competir com o produto chinês, imagina se liberar geral rs. Gostaria de saber sua opinião! Grande abraço!
  • Auxiliar  09/05/2016 15:09
    Oh, boy...

    Mais um clássico exemplo do "sou a favor da livre concorrência e do livre comércio, mas.... quero que o governo imponha políticas que restrinjam a livre concorrência e o livre comércio".

    Por que não simplesmente ter a hombridade e a coragem intelectual e moral de dizer que é a favor do livre comércio e da livre concorrência para os outros mas não para si próprio?

    O que você na prática está querendo dizer é que, no que diz respeito à sua área de atuação (metalurgia), os consumidores brasileiros devem ser proibidos de voluntariamente adquirir produtos chineses. Tais produtos são mais demandados pelos brasileiros porque são mais baratos do que os caros produtos que você fabrica. E isso é intolerável.

    Você defende que as pessoas tenham a liberdade de comprar produtos pela Amazon e pela Aliexpress, mas é contra a mesma liberdade aplicada ao mercado metalúrgico, pois aí afeta a sua renda. Isso é incoerência.

    De resto, há todo um FAQ que responde a todas essas suas objeções (especial atenção para os itens 7, 8 e 9):

    Nove perguntas frequentes sobre importação, livre comércio e tarifas protecionistas
  • Juan Domingues  09/05/2016 15:50
    Você é como o viciado em heroína que diz: "Sei que faz mal, mas preciso da próxima dose"
    Ora, se você compreende os males causados por falta de concorrência oriunda de protecionismo estatal, ou você está em negação ao imaginar que os mesmos não afetariam o seu setor, ou você simplesmente não se importa por ter um duplo padrão moral (desde que seja bom para você, está tudo certo).
    Quem disse que um país precisa de indústria metalúrgica? Há diversos países do mundo muito mais ricos que o Brasil que não produzem absolutamente nada em termos de metalurgia.
    Se os chineses conseguem produzir por um preço muito menor, deixe-os produzir. É melhor para todo mundo, principalmente para os mais pobres (que precisam de produtos mais baratos). Não há razão para se manter artificialmente uma indústria metalúrgica (ou qualquer outra) nacional se essa não consegue competir com as demais mundo afora.
    Se o seu negócio depende de ajuda estatal significativa para existir, ele não deveria existir. O ideal seria liberar esse capital e essa mão de obra para fazerem coisas úteis e eficientes. Caso contrário, você acabará com um produto caro e de má qualidade (que o digam as carroças fabricadas no Brasil).
  • Guilherme  09/05/2016 16:45
    "Concorrência desleal"? Defina concorrência desleal.

    Alguém vender mais barato que você pelo fato de ter uma mão-de-obra menos custosa é concorrência desleal?

    Se for assim, então, os europeus estão lascados. Seu mercado de trabalho é totalmente inflexível, seus custos trabalhistas estão entre os mais altos do mundo e, ainda assim, eles não ficam chorando que estão sendo aniquilados pelos chineses.

    Consequentemente, e por definição, você tem de defender a criação de um governo mundial que estabeleça leis e custos trabalhistas uniformes. Qualquer outra coisa que não seja isso abrirá espaço para uma "concorrência desleal".
  • Alfredo Martins  09/05/2016 16:48
    Prezado Eric, se há pessoas no mundo que produzem o mesmo que você, mas de forma mais barata, então, lamento lhe dizer, mas você já perdeu.

    Ou você adota medidas para se igualar a eles, ou você será expulso do mercado.

    David Ricardo, ainda no século XIX, explicou esse fenômeno, chamado de "vantagens comparativas". Se há alguém, em algum lugar do mundo, que sabe produzir algo de maneira boa e barata, então esse alguém irá dominar o mercado.

    O que você quer fazer, na prática, é proibir o Uber para que a reserva de mercado dos taxistas se mantenha intacta.
  • Edujatahy  09/05/2016 22:18
    Caro Eric, caso de fato você acredite no liberalismo deves lutar pelo fim da CLT e de todos os impostos que afetam sua indústria. Para que possas concorrer sem os custos artificiais impostos pelo próprio governo. Errado é querer que seu inimigo (o governo) ao invés de deixar de lhe atrapalhar passe a atrapalhar também os outros.
  • Pedro Lopes  09/05/2016 15:44
    Leandro, e como os impostos entram na equação? eles influenciam no preço, mas não alteram o poder de compra em si da moeda, correto? Caso não haja inflação monetária no mesmo período, obviamente.
  • Observador  09/05/2016 17:09
    Pergunta já feita -- e já respondida -- pelo leito Antonio, logo ali em cima.
  • JP  09/05/2016 16:47
    Vocês do Instituto poderiam traduzir o livro citado no artigo: The Theory of Money and Credit.
  • JP  09/05/2016 18:08
    Ah si, es mejor...kkkkkkk gracias!
  • José Luiz  09/05/2016 20:50
    Não tiver tempo de ler todo os comentários, então talvez eu seja repetitivo.

    O texto está brilhante, mas obviamente é uma simplificação para que o assunto fique mais palatável ao público em geral.

    Outros fatores também teriam que ser considerados no modelo econométrico para se encontrar o "câmbio de equilíbrio", tais como:
    - A livre movimentação do capital e dos bens.
    - Impostos de importação e importação
    - Política fiscal e monetária

    Só para deixar claro, eu entendi que o ponto era demonstrar o erro do Perfeito (e não concluir qual seria o "câmbio de equilíbrio".
  • Leandro  09/05/2016 21:46
    "Outros fatores também teriam que ser considerados no modelo econométrico para se encontrar o "câmbio de equilíbrio", tais como"

    Nenhum outro fator, senão o poder de compra das duas moedas, pode ser considerado quando o que se quer é justamente determinar o preço de duas moedas. Isso é uma tautologia tão óbvia, que é realmente incrível que ela ainda confunda as pessoas.

    Se você quer encontrar o preço de uma moeda em termos de outra moeda, então tudo o que você tem de olhar é para o poder de compra de cada moeda em questão. Ponto.

    Se você quer encontrar o preço de um pedaço de pão em dólares, em euros, e em francos suíços, você não tem de olhar para a cor da camisa do gerente da padaria. Você tem de olhar para o poder de compra da moeda. Ponto.

    "A livre movimentação do capital e dos bens."

    Isso afeta o poder de compra da moeda.

    "Impostos de importação e importação"

    Isso afeta o poder de compra da moeda.

    "Política fiscal e monetária"

    Isso, mais do que tudo, afeta o poder de compra da moeda.

    Ainda há alguma dúvida de que o que interessa é o poder de compra da moeda?


    P.S.: vejam o que ocorreu exatamente hoje no cenário político: quando o impeachment foi temporariamente suspenso, o dólar disparou 5% em relação ao real. Tão logo a suspensão do impeachment foi abolida, o dólar voltou a cair em relação ao real.

    Quem é crente na tese de que câmbio é determinado por fluxo de capitais terá um grande problema em explicar essa movimentação abrupta. Já aquele que sabe que câmbio é um reflexo do poder de compra da moeda -- e sabe que o poder de compra da moeda está diretamente ligado à qualidade de um governo -- não terá dificuldade nenhuma em entender a flutuação ocorrida.
  • Paulo Lima   09/05/2016 20:56
    Caro Leandro , dei uma olhada no "The Big Mac Index" e o valor para conversão de Reais em Dollar seria de aproximadamente R$2,70 por Dollar . Você acha esta metodologia valida ?

    Abraços.
  • Leandro  09/05/2016 21:59
    Esse valor de 2,75 foi em janeiro. Está desatualizado.

    Trata-se de um índice meramente lúdico (a própria The Economist não se cansa de repetir que ele não deve ser levado a sério). O grande problema é que o Big Mac em si é um bem "non tradable" -- isto é, um bem que não pode ser exportado e importado (você não importa um Big Mac da China, por exemplo). Não se trata de um bem negociado no mercado internacional. Não é uma commodity livremente transacionável. Logo, não faz sentido utilizar exclusivamente este bem como comparativo de moedas. (Fora que também há a questão dos custos trabalhistas, do preço do aluguel de cada ponto do McDonald's, do preço da eletricidade etc. -- tudo isso influencia o preço do sanduíche em cada país específico, o que dificulta a comparação).
  • Pilates-Perdizes  09/05/2016 22:48
    A desvalorização do real não apenas elevou a inflação de preços no país e reduziu a renda real dos trabalhadores, como ainda destruiu o setor industrial, sem trazer melhorias para as exportações.
  • Rafa  10/05/2016 14:11
    Essa evidência empírica (e dolorosa para o Brasil) deveria fazer os desenvolvimentistas reverem seus conceitos. Mas não...
  • André  10/05/2016 00:56
    Leandro, aumentar o compulsório dos bancos não teria então o mesmo efeito de aumentar a taxa selic?
  • Angelo  10/05/2016 02:11
    Impecável, como sempre. Parabéns, Leandro.
  • maybe  10/05/2016 03:35
    Excelente aula. Muito obrigado.
  • Ederson  10/05/2016 15:11
    Leandro, Perfeito refez os cálculos considerando desde 1995. Dê uma olhada no resultado, slide 28...se li corretamente o valor do câmbio seria algo em torno de R$ 10...você consegue decifrar esse cálculo? https://www.gradualinvestimentos.com.br/Resc/Upload/PDFs/2016-05/apresentacao_conjuntura_mackenzie_09052016.pdf
  • Marcos Mendes  10/05/2016 15:20
    Deus do céu! Hahaha! O cara consegue se afundar ainda mais! Câmbio de 10 reais por dólar agora.

    Daqui a pouco, o Bresser-Pereira vai parecer moderado perto do Perfeito...
  • Fã do Leandro  11/05/2016 01:35
    Verdade seja dita, o Perfeito não "refez os cálculos considerando desde 1995", porque esse material foi feito para até junho de 2015. Não há necessidade nenhuma de desmoralizar keynesianos/desenvolvimentistas gratuitamente. Apenas um pouco de atenção e se descobre facilmente onde está o erro.

    E, olhando slide, a gente descobre porque tamanha disparidade nos cálculos do Perfeito. Depois de dividir a inflação dos países em questão, ele ainda multiplica o resultado pela taxa de câmbio nominal. Mas, vejamos uma coisa surpreendente. Se calcularmos a partir da data início janeiro de 2003, até março de 2016 (e se os meus cálculos estiverem certos), veremos que a taxa de câmbio "correta" deveria estar em aproximadamente R$ 1,73. Eu fiz e refiz esse cálculo umas 1000 vezes e não acreditei. Se o Leandro fez o cálculo e o resultado foi esse, ele também não acreditou (tanto que nem o colocou no artigo). Agora, imagine o que é o André Perfeito chegando a um resultado desses.
  • Ederson  11/05/2016 13:26
    A frase, "refez os cálculos considerando desde 1995" está no sentido de que num dia ele publica artigo considerando cálculo a partir de 2003, dias depois, após uma crítica em especial ao período escolhido para análise (2003) ele, numa palestra da Mackenzie, apresenta dados considerando como base o ano de 1995 (ano muito próximo sugerido pelo crítico). Detalhe, ele ficou sabendo da crítica do Leandro, conforme postado no Facebook dele. O fato de o gráfico mostrar até junho de 2015, não significa que a palestra é de 2015...ela ocorreu dia 09 de maio de 2016...ou seja, 1 dia após a crítica do Leandro. A questão não é desmoralizar ninguém ao não ser aqueles que pensam que com "Apenas um pouco de atenção e se descobre facilmente onde está o erro".
  • Fã do Leandro  11/05/2016 15:30
    Está certo, então! Mas bem melhor assim, devidamente esclarecido.
  • Fã do Leandro  12/05/2016 21:55
    Ederson, já vi que você é muito apressado. Mas parece que — para minha sorte — você teve pelo menos o tempo de fazer os cálculos e ver que o meu resultado estava errado. Compartilhe-os aqui comigo, por favor!

    E de minha parte, vou mostrar aqui três resultados aos quais cheguei, seguindo os mesmos moldes e utilizando as calculadoras de Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e de Consumer Price Index (CPI) que foram indicadas no artigo. Mas antes, para identificar as fontes, vamos chamar o procedimento utilizado pelo Leandro no artigo de "método Mises Brasil", e a utilizada pelo Perfeito de "método Gradual Investimentos".

    1) De janeiro de 1995 a setembro de 2015.

    O IPCA foi de 329,94%. (Para ilustrar, algo que custava R$ 100,00 passou a custar R$ 429,94)

    O CPI foi de 58,77%. (Para ilustrar, algo que custava US$ 100,00 passou a custar US$ 158,77)

    Segundo o método Mises Brasil (exceto pela data início recomendada), com a divisão do poder de compra de uma moeda pelo da outra, o câmbio "correto" (em setembro do ano passado) seria de 2,71 Reais para cada 1 Dólar.

    Agora, segundo o método Gradual Investimentos (está lá a fórmula, veja no mesmo slide 28), multiplicando-se o resultado dessa divisão pelo câmbio nominal "atual" (no caso é setembro de 2015, veja lá no gráfico) de R$ 4,00, chegamos ao impressionante resultado de 10,84 Reais para cada 1 Dólar, estando bem próximo do resultado na apresentação do Perfeito.

    E agora, decifrou o cálculo? Volto a repetir, um pouco mais de atenção e você identifica o erro ou a diferença. Além disso não é difícil perceber que, para a partir da data utilizada, um keynesiano jamais iria admitir um câmbio de R$ 2,71, principalmente quando este está sendo negociado a aproximadamente R$ 4,00 na mesma época. Assim, faria sentido inventar alguma coisa (e no caso foi multiplicar pelo câmbio nominal) para aumentar o câmbio, porque esse é um resultado inaceitável para um keynesiano.

    2) De julho de 1994 a setembro de 2015.

    O IPCA foi de 543,51%. (Para ilustrar, algo que custava R$ 100,00 passou a custar R$ 643.52)

    O CPI foi de 60,34%. (Para ilustrar, algo que custava US$ 100,00 passou a custar US$ 160,34)

    Segundo o método Mises Brasil, dividindo o poder de compra de uma moeda pelo da outra, teríamos um câmbio "correto" (para setembro de 2015) de 4,02 Reais por Dólar, o que estava mais ou menos de acordo com o valor na época.

    Já pelo método Gradual Investimentos, multiplicando-se o resultado da divisão pelo câmbio nominal da época (R$ 4,00, aproximadamente), o câmbio "correto" deveria então ser de 16,08 Reais por cada 1 Dólar. Um valor alto, mais um pouco demais até mesmo para os keynesianos.

    3) De janeiro de 2003 a março de 2016.

    O IPCA foi de 126,05%. (Para ilustrar, algo que custava R$ 100,00 passou a custar R$ 226,05)

    O CPI foi de 31,06%. (Para ilustrar, algo que custava US$ 100,00 passou a custar US$ 131,06)

    Seguindo o método Mises Brasil (exceto pela data início recomendada), o câmbio "correto" seria de R$ 1,73, que foi o período ao qual eu estava me referindo quando fiz o comentário, baseando-me no período utilizada pelo Perfeito para uma análise do que seria o real valor atual.

    E finalmente, de acordo com o método da Gradual Investimentos, multiplicando o resultado da divisão anterior pelo câmbio médio de março de 2016 de aproximadamente R$ 3,80 (essa é uma média bem grosseira), teríamos um câmbio "correto" de R$ 6,68 Reais para cada 1 Dólar, que é bem próximo dos R$ 6,70 que ele citou no post do Facebook.

    Então, Ederson: no mínimo mereço ver os seus cálculos.


  • Ederson  15/05/2016 00:08
    Vc está usando o mesmo raciocínio do Leandro para o ano de 2003...isso está completamente incorreto pois no caso do Leandro a base de cálculo era um câmbio de R$1/USD1...mas no seu não, então continue tentando.Como você costuma dizer, com um pouco de atenção é possível facilmente identificar o erro. Matemática básica!
  • Ederson  11/05/2016 13:36
    Acrescentado, refaça seus cálculos mais 1.000 vezes até aprender...pois estão errados!
  • Fã do Leandro  15/05/2016 21:40
    Não ficou muito claro, mas eu citei esse valor de R$ 1,73 exatamente para dizer que não se pode utilizar qualquer data início para descobrir qual seria a taxa de câmbio "correta" que iria refletir a paridade de poder de compra entre duas moedas. Não quis dizer seriamente que esse era o valor correto. Mas diante de um resultado desses, e utilizando a fórmula correta, seria bem melhor que 2003, ou mesmo 1995, fosse realmente a data certa.



    P.S.1: Agora eu só comentei mais para aproveitar e pedir desculpas pelo meu comentário ter ficado no lugar errado. Eu só queria que ele ficasse o menos possível alinhado à direita. Mas no final acabou ficando pior.

    P.S.2: Aproveitando o P.S.1, vou também manifestar o imenso ódio e rancor que sinto por essa seção de comentários. O primeiro motivo é porquê, como falei, à medida que mais respostas vão sendo feitas, os comentários vão se alinhando à direita e vão ficando mais finos ou espremidos, o que fica muito ruim visualmente. Tem horas que dá agonia ler.

    Agora o segundo motivo é ainda pior, porque beira o incompreensível. Não existe aqui o respeito à apropriação original da ordem de chegada. Qualquer um pode chegar e fazer seu comentário no meio, empurrando outros feitos anteriormente para baixo... A maioria dos sites são assim mesmo. Mas é lamentável ver aqui uma coisa dessas. Uma lástima!
  • anônimo  16/05/2016 18:13

    Fã do Leandro, como você gosta de dizer: Justiça seja feita!

    1) você falou com todas as letras que o valor correto seria R$ 1,73...é só reler o que escreveu: "Se calcularmos a partir da data início janeiro de 2003, até março de 2016 (e se os meus cálculos estiverem certos), veremos que a taxa de câmbio "correta" deveria estar em aproximadamente R$ 1,73. Eu fiz e refiz esse cálculo umas 1000 vezes e não acreditei. Se o Leandro fez o cálculo e o resultado foi esse, ele também não acreditou (tanto que nem o colocou no artigo). Agora, imagine o que é o André Perfeito chegando a um resultado desses."

    2) além disso, pelo seu comentário fica mais claro ainda que você não entendeu onde está o erro do seu cálculo. Não é data o problema...e sim a forma que você está calculando. Vou repetir: você simplesmente aplicou o mesmo raciocínio didático do Leandro, o qual só pode ser aplicado quando o câmbio é R$1/USD1. Aplicar exatamente o mesmo raciocínio para qualquer outro câmbio diferente de 1 está INCORRETO. Mas continue tentando...uma busca no Google de "como calcular taxa de câmbio real"...vai ajudar.

    3) dá próxima vez antes de comentar nos comentários dos outros tenha certeza de suas colocações...não queira pegar o ônibus no meio do caminho e sentar na janela...muito menos chamar os demais de "muito apressado" pois quem acabou comendo cru foi você.

    Abraços!

  • anônimo  17/05/2016 15:11
    Essa discussão poderia ter sido, desde o princípio, tão diferente. Em um tom muito mais amistoso ou mais colaborativo, etc. Mas reconheço que talvez a culpa seja minha, então vamos rever algumas coisas. E em primeiro lugar, Ederson/anônimo, perdoe-me se algum de meus comentários parecer arrogante, estúpido, ou qualquer outra coisa parecida, porque essa não era a intenção. Quando eu falei, por exemplo, sobre ter "um pouco mais de atenção" era para sugerir que você poderia, por si mesmo, ter decifrado o cálculo do Perfeito, sem precisar que outra pessoa o fizesse. E foi o que eu quis fazer, somente para comparar e sem querer dizer qual era o certo ou o errado.

    Como até agora eu não entendi o porquê de essa discussão ainda estar se alongando tanto, esqueça o que eu disse "com todas as letras", e me ajude a entender qual é o meu erro ou qual o problema porque, sinceramente, o Google não foi uma fonte útil para os pontos desta conversa. Mas vamos devagar, e comece me explicando primeiro por quê o período a ser considerado — que por conveniência, eu concordo que deveria começar pela data de "nascimento" do Real — não é importante, e só se aplica porque a paridade inicial foi de 1 Real = 1 Dólar? Por uma questão de facilidade ou de bom senso, os criadores do Real o planejaram para "nascer" justamente com essa paridade. Mas eles poderiam muito bem optar por começar com uma moeda mais subvalorizada, suponhamos a 1,50 ou 2,00 Reais para cada Dólar, e aí essa regra não poderia ser aplicada. Como seria então o cálculo se o Real tivesse nascido a uma taxa dessas? Ou, vendo de outra forma, então você concorda que tem que se multiplicar o resultado da divisão entre os preços pela taxa de câmbio nominal cobrada no final do período, como eu vi mesmo em muitas fórmulas por aí, e a data início e o período não têm importância nenhuma? Então o erro não foi só meu, pois eu estava seguindo o raciocínio dos artigos aqui do Mises.

    Bem, se essa conversa for continuar, pode explicar com calma, porque eu não tenho problema nenhum em reconhecer que estou errando.
  • Ederson  18/05/2016 14:17
    Fã do Leandro/anônimo, seus comentários foram realmente arrogantes ao achar que com um pouco mais atenção estaria tudo esclarecido, mas ao mesmo tempo não conseguiu entender nada do assunto e simplesmente replicou o raciocínio do Leandro. Bem, mas indo direto ao problema, não devia, mas vou lhe ajudar, pois apesar de "arrogante", vejo que é esforçado: o que está em pauta é seu cálculo de câmbio real iniciando a série em 2003. Então, primeiramente, veja bem o que o Leandro fala em seu texto:

    "Se duas moedas começaram com uma taxa de câmbio de 1 para 1, mas uma moeda apresentou uma inflação de preços de 100% (com os preços indo de 100 para 200) e a outra apresentou uma inflação de preços de 60% (com os preços indo de 100 para 160), então a nova taxa de câmbio será de aproximadamente 1,25.Logo, para se estimar a "taxa de câmbio correta" entre duas moedas, o que você tem de fazer é analisar o histórico da inflação de preços de ambas para ver qual foi a evolução da perda do poder de compra de cada moeda. Ato contínuo, você simplesmente divide o atual poder de compra de uma pelo da outra."

    Ou seja,ele deixa claro que esse raciocínio é para quando o câmbio parte de R$ 1/USD 1. E Pq ele fala isso: Pq é matemática básica!. Se o câmbio parte de outro valor, por exemplo 2, você tem que ajustar o cálculo, considerando o novo valor de partida, que no caso seria 2. Veja qual seria a fórmula para estimar câmbio real.

    Taxa de câmbio real = Taxa de câmbio / (1+IPCA / 1+IPC). Veja a aplicação da fórmula com os dados do Leandro.

    Taxa de câmbio real para 2016 = 1,00 / (5,3786 / 1,6047) = 3,35 (mesmo resultado obtido pelo exemplo didático do Leandro).

    Agora aplicando a mesma fórmula partindo de 2003, usando seus índices de inflação (IPCA 126,05% e IPC 31,06%). Além desses índices é necessário conhecer o câmbio de partida que em janeiro de 2003 que era 3,43. Então, temos:

    Taxa de câmbio real para 2016 = 3,43 / (2,2605 / 1,3106) = 5,91.

    Esse seria o valor correto do seu cálculo. Veja não se usa o cambio nominal atual e sim o câmbio inicial, no caso do Leandro era 1 e no seu caso 3,43.Também cuide ao replicar fórmulas da internet pois ela geralmente mostram o conceito americano, onde o raciocino seria invertido, pois o americano quer saber o valor do dólar em relação a outra moeda (por questões óbvias). Também tome cuidado pois por vezes apresentam fórmula de variação real e não câmbio real.

    Após essa explanação, acho que essa discussão encerra-se por aqui. Boa sorte e mais cuidado com sua "arrogância".
  • anônimo  18/05/2016 22:20
    Ah, agora sim entendi! Ótimo o seu comentário, mas o que você está fazendo é simplesmente me advertir porque eu fiz (propositalmente) um cálculo que é 'completamente errado', ao mesmo tempo em que defende e espere que eu aceite como válido um que é apenas 'meio certo'. Meu caro Ederson, me encanta muito sua intenção, mas dessa forma não tem mesmo como você me satisfazer e me guiar para algum tipo de esclarecimento.

    Está absolutamente certo e (devo confessar) eu ainda não tinha me dado conta que estou plenamente de acordo com a forma como se calcula qual a taxa de câmbio real, que supostamente deveria ser a "correta". Mas isso se, se somente se, a taxa de câmbio utilizada for a de 1º de julho de 1994, a qual teve pelo menos a grande graça de começar com R$1,00 = US$ 1,00.

    Apesar de eu ter confundido-me bastante, veja bem: o que eu não admiti, desde o início, é exatamente que se permita que qualquer pessoa possa pegar a taxa de câmbio em um ponto qualquer do tempo, e utilizá-la como base na fórmula para dizer qual é o cambio real. Fica muito parecido com uma discussão que aconteceu há um tempo atrás, sobre 'corrigir o câmbio pela inflação'. Aí, de novo, teria que se perguntar: e por quê janeiro de 2003 e não outra data, como por exemplo julho de 2011, quando a taxa chegou ao patamar de 1,54 Reais por cada 1 Dólar? E, utilizando o mesmo raciocínio e fórmula, teríamos:

    1 Real de julho de 2011, corrigido pelo IPCA: R$ 1,39

    1 Dólar de julho de 2011, corrigido pelo CPI: US$ 1,05

    Taxa de Câmbio Real para 2016 = 1,54 * (1,39/1,05) = 2,04

    Acho que dessa vez eu fiz tudo certo. Evidentemente eu escolhi o menor valor que encontrei, entre esta e a década anterior, porque aprecio um câmbio bem valorizado. Parece-me uma taxa boa, e não seria nada mal o câmbio real sempre a acompanhasse e o Dólar estivesse hoje a R$ 2,04. E qual seria a lógica de escolher os R$ 3,43 de janeiro de 2003?

    Compreenda que estou completamente indiferente a qualquer cálculo que seja feito e que não parta de 1º julho de 1994. Qualquer coisa fora disso, é só o uso da fórmula para defender alguma preferência pessoal. Sejam eles cálculos 'meio certos' (como 3,35 ou 2,04) ou 'completamente errados' (como 1,73), para mim é tudo a mesma coisa .

    E, por fim, vou retribuir sua generosidade em me aconselhar, fazendo o mesmo. Mas, logicamente com minha usual arrogância, já que você insiste em dizer que a tenho. Não seja tão melindroso, se ofendendo com qualquer coisa. Você acabou me interpretando muito mal. E se tem uma coisa que eu nunca fui, é ser uma pessoa arrogante. Ou talvez seja a partir de agora; graças a você. Mas vou tomar cuidado. Boa sorte e vá em paz!

    Grande abraço!

  • Ederson  07/06/2016 15:12
    "Propositalmente" foi ótima...por acaso você é do PT? Mas independente disso, já que confirmou sua arrogância, pelo menos não seja mal educado e me agradeça pela aula grátis!
  • Luís Marta  11/05/2016 12:19
    Leandro, se se deve considerar todo o histórico inflacionário da moeda por que você não considerou a inflação acumuldada do dólar desde a sua criação, mas sim desde a criação do real? Se, por hipótese, o dólar tivesse sido criado em julho de 2000, far-se-ia o cálculo do câmbio a partir desta data, sabendo que o real foi criado em 1994? Devemos fazer o cálculo do câmbio a partir da data da moeda criada em último?

    Quero lhe pedir um favor muito grande: será que podem fazer um artigo a falar da crise económico-financeira de Angola (que se confronta atualmente com problemas de balança de pagamentos), sua causa e consequências e sugestões de solução?
  • Leandro  11/05/2016 12:47
    Porque em julho de 1994 trocou-se a moeda do Brasil, e esta nasceu valendo 1 dólar.

    Se o objetivo é estimar a taxa de câmbio entre real e dólar, então não faz nenhum sentido pegar o histórico de todas as moedas anteriores ao real. O que me interessa é o real, que é uma moeda totalmente nova. Não me interessa saber como se comportaram o cruzeiro e o cruzado.

    E se o real surgiu em julho de 1994 valendo 1 dólar, então todo o histórico do dólar anterior a essa data é totalmente inócuo. O comportamento do dólar anterior a 1994 não influencia em nada o real, que só nasceu em 1994, e valendo 1 dólar.

    Para se estimar, por exemplo, a atual taxa de câmbio entre Alemanha e EUA, não é necessário (e nem faria sentido) levar em conta a hiperinflação da República de Weimar (1923), ocorrida sob outra moeda.

    Sobre Angola, isso ainda não está ocupando minha mente. O cenário brasileiro chama mais minha atenção.

    Abraços.
  • Luis Marta  11/05/2016 14:12
    É que eu sou angolano, por isso lhe pedi para escreverem um artigo sobre a situação de Angola, mas já que isso não está a ocupar a sua mente de momento, eu vou esperar quando estiver.

    Obrigado pela resposta.
  • Leandro  11/05/2016 16:40
    Desculpe-me, não sabia que você era angolano (pensei que fosse um brasileiro com alguma curiosidade em relação ao país). Mas é que aqui no Brasil a situação está tão complexa e lastimável, que realmente o que se passa na África não é exatamente uma preocupação primordial para nós neste momento.

    Agradeço a compreensão.

    P.S.: talvez o Instituto Mises de Portugal esteja mais bem equipado para fazer essa análise que você deseja.
  • pilatesvilamadalena  12/05/2016 12:05
    É preciso que seja cotejado a relação de custo-benefício da desvalorização do câmbio. Pode ser uma solução ou uma ação que causará mais problemas. Desvalolizar o câmbio é vista como uma solução pois aumenta consideravelmente a competitividade das empresas o país. No entanto, aumenta a inflação penalizando os mais pobres.
  • Andre Cavalcante  12/05/2016 15:23
    Olá

    "É preciso que seja cotejado a relação de custo-benefício da desvalorização do câmbio."

    E qual seria o benefício da desvalorização?

    "Pode ser uma solução ou uma ação que causará mais problemas."

    Sempre causa mais problemas. Continuemos...

    "Desvalolizar o câmbio é vista como uma solução pois aumenta consideravelmente a competitividade das empresas [d]o país."

    Conforme mostrado em vários artigos aqui do IMB, a desvalorização diminui consideravelmente a competitividade das empresas. Isso porque, uma inflação mais alta, significa um custo em reais mais alto para as empresas daqui e, pior dos mundos, aumenta ainda mais os custos dos produtos importados. Lembre-se que as empresas modernas usam equipamentos e insumos geralmente importados e todos esses custos irão aumentar, e muito, com a inflação.


    "No entanto, aumenta a inflação penalizando os mais pobres."

    É isso que eu não entendo. Todo mundo enxerga que a vida dos mais pobres piora com a inflação (a cesta básica fica mais cara). Ora, se a moeda é usada por todos, porque raios a inflação só afeta os pobres? Não, a inflação afeta a todos. Aos pobres principalmente, porque, ao aumentar o custo das coisas, as empresas vendem menos, contratam menos, o desemprego aumenta, e os pobres ficam com menos possibilidade ainda de reverter a sua situação. Por que as pessoas não levam o seu raciocínio adiante?

    Abraços
  • anônimo  12/05/2016 13:23
    Boa dia leandro,

    Quando vc diz que se por exemplo um produto custa 500 dolares nos eua e 1000 aqui no brasil, logo a conversao seeria de 1 para 2. Mas isso levando em conta somente o preço do produto, ou contando tds os impostos que sobre ele incidem?

    por exemplo em alguns estados americanos em que nao ha imposto sobre produtos, esses preços tenderiam a ser menores, isso daria ao dolar um maior poder de compra? Logo um dolar vale mais em Oregon do que em vermont por exemplo? logo um real vale menos em oregon do que em vermont(supondo que o msm produto custe 550 em vermont e 450 em oregon)?

    nao sei se ficou clara minha pergunta, estou meio confuso.

    Obrigado
  • Renato  12/05/2016 15:07
    Como o IBGE faz para determinar a inflação de preços nacional se, em cada localidade, os preços são distintos? Um real na Avenida Paulista não tem o mesmo poder de compra que um real no interior do Piauí.

    E aí?

    Na prática, você está perguntando exatamente isso.

    No caso do câmbio, assim como no caso do cálculo da inflação, leva-se em conta o preço final dos produtos, os quais já levam em conta os impostos embutidos. Quando você vai ao supermercado, você compra um suco de laranja sem impostos? É possível comprar laranjas a um preço que não embuta os impostos? O IBGE desconta esses impostos do cálculo de preços. Claro que não.

    De resto, se você quer uma resposta ilustrativa, pense apenas em commodities livremente negociadas em bolsa. Pense em sacas de milho negociadas na bolsa de Chicago (ali são negociados preços do mundo inteiro). O preço está cotado diretamente ao produtor.
  • Marcus  12/05/2016 17:36
    E o que fazer com várias pessoas que irão perder o emprego caso a moeda se valorize? Empresas irão fechar, menos renda, empobrecimento e tudo mais. Como encontrar força política para botar em prática a ideia de moeda forte, se a consequência imediata é de falências e demissões?

    Existem exemplos de protecionismo estratégico, como na Coréia do Sul e no Japão no século passado, que permitiu o desenvolvimento industrial desses países, para enfim competirem com os EUA. Se eles permitissem livre comércio em todos os setores, obviamente seriam países sem força industrial hoje.

    Abrir a economia completamente e fortalecer a moeda, num país desindustrializado como o nosso me parece loucura.

    Se o nosso governo não fosse tão imundo, e investisse em infraestrutura, com certeza o país iria encontrar condições de se desenvolver e futuramente competir no mercado internacional.

    No mundo real, é mais importante acabar com a corrupção e diminuir o tamanho do estado, do que abrir as portas pra tudo quanto é porcaria, inclusive produtos chineses de baixíssimo preço produzidos por trabalho escravo. É um tanto quanto imoral financiar esse tipo de coisa não concordam?

    O argumento é simples, mas vocês não conseguem refutar, pois é verdadeiro: Se a abertura econômica num país como nosso causaria quebradeira e desemprego, de que adianta termos preços mais baixos?? Quem irá consumir esses produtos se a população estará desempregada e consequentemente sem poder de compra????

    Tem que ser mais responsável nessas horas e levar em consideração TODOS os fatores teóricos e práticos, afinal de contas estamos falando da vida de pessoas. Ninguém pode esperar anos até o nosso mercado se desenvolver sozinho (isso SE ele se desenvolver sozinho...), todos temos contas para pagar no final do mês.

    Menos pensamento bitolado e unilateral, por favor.

    saudações a todos.
  • Leandro  12/05/2016 20:20
    "E o que fazer com várias pessoas que irão perder o emprego caso a moeda se valorize?"

    Como é que é?

    Moeda com poder de compra -- o que permite mais consumo e mais investimentos -- gera desemprego?! Em que planeta?

    Aliás, em que país você vive, meu caro? Você não está vendo que, aqui no Brasil, foi exatamente quando a moeda se desvalorizou, que toda a economia foi pro saco e o desemprego disparou?

    É exatamente quando a moeda é desvalorizada, perdendo poder de compra e destruindo a renda da população, que o emprego e toda a economia vão pro saco. Inclusive, e principalmente, a produção industrial, que você diz defender.

    Sim, a produção industrial é a primeira a ser negativamente afetada por uma desvalorização da moeda.

    Em primeiro lugar, os efeitos de uma desvalorização não podem ser completamente isolados do resto da economia. Uma moeda desvalorizada significa, por definição, uma moeda que perdeu poder de compra. E uma moeda com menos poder de compra significa preços mais altos e renda menor para a população. E renda menor significa que a demanda por bens de consumo diminui. E isso, também por definição, irá afetar todo o setor industrial e atacadista. Afeta toda a cadeia produtiva, que entra em contração e gera o efeito contrário ao imaginado pelos desenvolvimentistas.

    Portanto, uma moeda desvalorizada não pode, ao contrário do que afirmam os desenvolvimentistas, estimular o consumo interno e impulsionar as indústrias nacionais.

    Mas há outra encrenca.

    No mundo globalizado em que vivemos, vários exportadores são também grandes importadores. Para fabricar, com qualidade, seus bens exportáveis, eles têm de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo. E elas também têm de comprar, continuamente, peças de reposição.

    Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos de produção aumentem — e irão aumentar —, então o exportador não mais terá nenhuma vantagem competitiva no mercado internacional.

    Portanto, uma desvalorização afeta a demanda interna pelos bens industriais e afeta também os custos de produção da indústria. Difícil imaginar uma combinação pior.

    Como exemplo, a própria indústria automobilística veio a público admitir que a desvalorização cambial — ao contrário do que pregam os economistas desenvolvimentistas — não apenas está encarecendo a produção, como também está gerando incertezas para o setor.

    Para ver a estreita ligação entre valorização do câmbio e fortalecimento da indústria e desvalorização do câmbio e enfraquecimento da indústria, veja os gráficos do "Quinto Mito" deste artigo:

    O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade

    "Empresas irão fechar, menos renda, empobrecimento e tudo mais."

    Tipo assim, igual está acontecendo exatamente agora, depois que a moeda se desvalorizou brutalmente, igual você defende?

    Queria entender essa sua lógica. Por que uma moeda sem poder de compra gera abertura de empresas e enriquecimento? E por que uma moeda com poder de compra gera fechamento de empresas e empobrecimento?

    Pela sua lógica, um venezuelano com seu bolívar é mais rico e próspero do que um suíço com seu franco suíço.

    "Como encontrar força política para botar em prática a ideia de moeda forte, se a consequência imediata é de falências e demissões?"

    Tradução: se o político chegar e disser: "Pessoal, de agora em diante, vocês terão uma moeda com grande poder de compra!", isso é algo que não terá nenhum respaldo popular e ele até sofrerá impeachment.

    Por outro lado, se esse mesmo cara chegar e disser: "Pessoal, de agora em diante, vou destruir o poder de compra da moeda de vocês!", aí ele será aplaudido e terá grande apoio popular.

    Você realmente está nesse mundo a sério?

    "Existem exemplos de protecionismo estratégico, como na Coréia do Sul e no Japão no século passado, que permitiu o desenvolvimento industrial desses países, para enfim competirem com os EUA. Se eles permitissem livre comércio em todos os setores, obviamente seriam países sem força industrial hoje."

    Você sabia que todo o processo de industrialização do Japão ocorreu sob uma moeda que se fortaleceu anualmente perante as outras?

    [link=cdn.tradingeconomics.com/charts/japan-currency.png?s=usdjpy&v=201605122040n&d1=19160101&d2=20161231&area]Em 1971, 1 dólar custava 300 ienes. Já em 2000, custava 100 ienes[link]. Um ganho de 100% no poder de compra (antes, um iene comprava 1/300 dólar; depois, passou a comprar 1/100).

    Sobre a Coréia do Sul, o que o general (aliás, ditador) Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

    Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

    Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

    "Abrir a economia completamente e fortalecer a moeda, num país desindustrializado como o nosso me parece loucura."

    Tradução: dado que somos pobres, o certo é continuar sendo pobres. Para isso, vamos manter uma moeda sem poder de compra, vamos proibir os pobres de ter acesso a produtos bons e baratos do exterior, e vamos manter o mercado fechado para beneficiar a FIESP e os grandes barões do setor industrial, os quais poderão, despreocupadamente, continuar produzindo bens caros e de péssima qualidade. E sem nenhuma preocupação com a concorrência externa.

    Isso, milagrosamente, fará com que todo o país enriqueça.

    "No mundo real, é mais importante acabar com a corrupção e diminuir o tamanho do estado, do que abrir as portas pra tudo quanto é porcaria, inclusive produtos chineses de baixíssimo preço produzidos por trabalho escravo. É um tanto quanto imoral financiar esse tipo de coisa não concordam?"

    Se a população brasileira voluntariamente opta por comprar produtos baratos chineses em vez do lixo produzido pela FIESP, por que você se acha no direito de proibi-la? Quem você pensa que é?

    Aliás, é curiosa essa sua defesa do fim da corrupção e da "diminuição" do tamanho de estado. Você quer acabar com a corrupção, mas quer manter privilégios para grandes empresários e industriais. Quer acabar com a corrupção, mas quer prejudicar o poder de compra dos mais pobres. Quer reduzir o estado, mas quer que o estado decidade exatamente o que cada indivíduo pode ou não comprar de fora.

    Lógica sensacional.

    "O argumento é simples, mas vocês não conseguem refutar, pois é verdadeiro: Se a abertura econômica num país como nosso causaria quebradeira e desemprego, de que adianta termos preços mais baixos?? Quem irá consumir esses produtos se a população estará desempregada e consequentemente sem poder de compra????"

    O que seria "um país como o nosso"? Austrália e Nova Zelândia eram bastante semelhantes ao Brasil na década de 1980, inclusive em termos pauta exportadora. Países "como o nosso". Abriram suas economias. Hoje têm quase pleno emprego. E moeda forte.

    Aliás, até mesmo o Chile pode ser enquadrado nessa categoria.

    O argumento é simples, mas você não consegue refutar, pois é verdadeiro. (Fiz direitinho?)

    Obs: o desespero e o despreparo de um sujeito se revelam em seus acenos ortográficos. Você realmente acredita que quatro pontos de interrogação reforçam um argumento?

    "Menos pensamento bitolado e unilateral, por favor."

    Pensamento bitolado e unilateral?! Você vem aqui defender a destruição do poder de compra da moeda, e diz abertamente que faz isso para proteger grandes interesses industriais, e ainda diz que os outros é que são unilaterais e bitolados?

    Eis aí a perfeita definição de ironia.


    Lição básica para você: moeda fraca é igual a economia fraca. Sempre. Em toda e qualquer ocasião.

    Não há um único país que enriqueceu destruindo sua moeda. Não há um único país que empobreceu tendo uma moeda forte.

    Dizer que moeda forte irá gerar economia fraca é o equivalente a dizer que a Suíça (que tem o robusto franco suíço) é uma economia debilitada ao passo que a Venezuela (que tem uma moeda fraca, do jeito que você defende) é uma economia fortíssima. Inacreditável.

    Eis uma lista de artigos com explicações teóricas e exemplos empíricos pra você:

    A empiria comprova a boa teoria: desvalorizar o câmbio piora a economia e reduz as exportações

    O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade

    Uma radiografia da destruição do real - ou: não há economia forte com uma moeda doente

    Nove perguntas frequentes sobre importação, livre comércio e tarifas protecionistas

    Países pobres tributam pesadamente importados; países ricos têm suas fronteiras abertas

    Não há argumentos econômicos contra o livre comércio - o protecionismo é a defesa de privilégios
  • anônimo  13/05/2016 15:10
    Boa tarde leandro,

    em que sentidos australia e nova zelandia eram parecidos com o brasil em 1980?
  • Leandro  13/05/2016 15:36
    Na década de 1980, a Nova Zelândia era um país relativamente atrasado (a renda per capita era igual às de Portugal e Turquia), estagnado e sem grandes perspectivas.

    A economia era engessada, fechada, protegida e ineficiente.

    A Austrália, por sua vez, embora fosse menos engessada, tinha a mesma renda per capita da Nova Zelândia.

    E ambas -- e essa é a parte mais importante -- tinham exatamente a mesma pauta exportadora do Brasil. Aliás, até hoje, a pauta exportadora destes países é a mesma.

    (Aí, em meados da década de 1980, um governo de esquerda fez o inimaginável na Nova Zelândia e adotou medidas contrárias à sua ideologia: redução de privilégios, abolição de tarifas protecionistas, abolição completa de subsídios, redução de impostos, redução de gastos, desregulamentação de todos os setores da economia, e, principalmente, forte redução da máquina pública, com a abolição de vários ministérios e a demissão de vários funcionários públicos, os quais rapidamente encontraram emprego no setor privado.

    Tudo isso foi relatado em detalhes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2260)


    Alguns detalhes sobre esses países hoje:

    1) Nova Zelândia e Austrália são hoje extremamente ricos, e seguem tendo como pauta de exportação commodities de baixo valor agregado.

    2) Para você ter uma ideia, na Austrália, não há nenhuma grande montadora de automóveis. E, na Nova Zelândia, nem sequer há montadora de automóveis. Eles já perceberam que é muito mais negócio importar carros baratos do que direcionar recursos escassos para fazer algo em que não são bons. Eles sabem que isso seria burrice.

    Eis o segredo: abertura total ao investimento estrangeiro.

    3) Laticínios, carne, lã, madeira, peixe, alumínio, e produtos de papel. Todos eles commodities. E sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Nova Zelândia.

    4) Carvão, minério de ferro, lã, alumínio, trigo, carne e algum maquinário. Sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Austrália.

    5) Por que o Brasil teria de fabricar absolutamente tudo aqui dentro, sendo que é muito mais inteligente comprar de quem já tem o know how da fabricação? De novo, Austrália, Nova Zelândia e principalmente Chile só exportam matéria-prima, não exportam nada de alto valor agregado, e se tornaram países desenvolvidos.

    6) Quem não acredita nessa possibilidade tem então de refutar a teoria das vantagens comparativas. Tem de explicar por que seria vantajoso querer concorrer com quem já domina a área. E tem de explicar também aos neozelandeses que eles devem urgentemente direcionar recursos escassos para construir uma fábrica de automóveis, ainda que seja muito mais vantajoso para eles comprar de outros países.

    7) Já imaginou se o governo do Japão cismasse que o país tem de virar uma potência na extração de petróleo? É exatamente isso o que os protecionistas e desenvolvimentistas querem.

    8) Hong Kong e Cingapura têm de importar toda a sua comida e toda a sua água. E têm os maiores PIBs per capita do mundo. Pela lógica protecionista e desenvolvimentista, era para eles urgentemente saírem desapropriando prédios e transformar tudo em pasto, pois é urgente plantar a própria comida.

    9) No que a Austrália e a Nova Zelândia são competitivas? No que o Chile é competitivo senão em vinhos e cobre? No que Hong Kong e Cingapura eram competitivos?

    10) No Brasil, há um vasto setor de serviços a ser explorado. Há todo um setor de turismo, totalmente subutilizado (há vários locais bonitos sem a mais mínima infraestrutura para turistas). Há setores tecnológicos de ponta (a Embraer, por exemplo). Nossas mineradoras são eficientes e pagam bem (para quem é bom).

    Em todos os países ricos, o setor de serviços ocupa quase 70% da economia.

    No entanto, protecionistas e desenvolvimentistas insistem em dizer que eu mesmo é que tenho de fabricar meu notebook.

    11) No Brasil, o protecionismo, as reservas de mercado e os subsídios às indústrias vigoram desde o ano 1500. Essas pessoas ainda querem mais? Em termos de protecionismo, as empresas brasileiras já não tiveram o bastante? O mercado brasileiro está praticamente fechado há mais de um século, não se desenvolveu, e ainda é necessário dar mais tempo?
  • Marcus  13/05/2016 16:05
    "6) Quem não acredita nessa possibilidade tem então de refutar a teoria das vantagens comparativas. Tem de explicar por que seria vantajoso querer concorrer com quem já domina a área. E tem de explicar também aos neozelandeses que eles devem urgentemente direcionar recursos escassos para construir uma fábrica de automóveis, ainda que seja muito mais vantajoso para eles comprar de outros países."

    Faz-me rir. Já ouviu falar em monopólios e oligopólios? E se décadas atrás o Japão não tivesse investido no mercado de produzir carros? Afinal os EUA já tinham "know how" nisso não??

    Estaríamos consumindo aqueles "banheirões" americanos gastadores de gasolina, e não carros japoneses modernos e melhores. Seguindo sua lógica só pode dar nisso mesmo.

    Depois critica que eu que tenho a lógica ruim. haha

    Ontem postei minha réplica à sua resposta e ela não foi postada. Me pergunto, por que será?
  • Leandro  13/05/2016 16:39
    "Já ouviu falar em monopólios e oligopólios?"

    Bastante. Ambos existem apenas naqueles mercados controlados pelo governo, cuja entrada de concorrentes é ou proibida, ou fortemente regulada, ou fortemente tributada.

    Exatamente como você defende.

    "E se décadas atrás o Japão não tivesse investido no mercado de produzir carros? Afinal os EUA já tinham "know how" nisso não??"

    Ué, e por que eles não investiriam em um setor em que eles sempre tiveram um grande know how? Mais ainda, por que eles não investiriam em um setor no qual sobrepujam os americanos em termos de vantagens comparativas?

    Se os japoneses não tivessem investido em automóveis, aí sim teríamos uma grande refutação da teoria das vantagens comparativas.

    Você, pelo visto, quis refutar uma tese, mas acabou por confirmá-la.


    "Estaríamos consumindo aqueles "banheirões" americanos gastadores de gasolina"

    Você, pelo visto, é bastante desinformado sobre o mercado automotivo. Um carro americano de 2,0 litros gasta menos combustível que seu similar brasileiro. Mas isso só sabe quem é entusiasta e acompanha o ramo.

    "e não carros japoneses modernos e melhores."

    Eis aí a teoria de vantagens comparativas em ação. Parabéns por percebê-la. Pena que você próprio não a segue. Por que você não defende a liberação da importação (a tarifa zero) de carros japoneses? Você próprio reconhece que eles são bons, baratos e pouco poluentes. Seja coerente.

    "Seguindo sua lógica só pode dar nisso mesmo. Depois critica que eu que tenho a lógica ruim. haha"

    E, como você próprio gentilmente se apressou em demonstrar (mais uma vez), eu estava certo em meu julgamento. Obrigado por se prestar a isso.

    "Ontem postei minha réplica à sua resposta e ela não foi postada. Me pergunto, por que será?"

    Não sou eu quem comanda esta área. Mas a regra é clara: o comentário tem de ser inteligente e educado. E você, como comprovado acima, não se inclui em nenhuma das exigências.

    Saudações.
  • anônimo  13/05/2016 16:10
    blz leandro,

    eu imaginei que vc estivesse falando em termos de renda da população, idh ou algo do tipo, mas pelo que entendi estava se referindo somente a exportações.

    eu li outro dia essa reportagem sobre a austrália ser uma das economias mais fechadas do mundo

    exame.abril.com.br/economia/noticias/as-10-economias-mais-fechadas-do-mundo-o-brasil-lidera#8

    oque vc acha disso?

    obrigado
  • Leandro  13/05/2016 16:52
    Esse critério -- que utiliza exclusivamente a quantidade de importações em relação ao PIB -- é bom, mas, em alguns casos, pode gerar a conclusões incorretas.

    E o caso da Austrália é uma dessas conclusões incorretas.

    Segundo a Heritage Foundation, "with a 1.8 percent average tariff rate, low non-tariff barriers, and few limits on foreign investment, Australia has some of the world's most open trade and investment policies."

    Um país cujas tarifas de importação tem média de 1,8% não é exatamente um dos mais fechados do mundo, né?

    Nos EUA, por exemplo, a tarifa é de 1,5.

    E, a minha favorita, Nova Zelândia, tem uma de 1,4%.
  • Telhada  12/05/2016 20:24
    Enquanto houver brasileirinhos com a mentalidade desse Marcus, que imploram para que políticos destruam o nosso poder de compra e tenham poderes arbitrários sobre nós, continuaremos sendo a piada do mundo.

    É essa gente que chancela todos os desmandos dos políticos. E quem mais sofre as consequências, obviamente, não são eles. São os mais pobres. Lamentável.
  • Que Pedrada   12/05/2016 21:28
    Nada como encerrar um dia exaustivo de trabalho com a leitura de uma resposta do Leandro a um típico estatista soberbo despejando típicas falácias estatistas.

    Obrigado meu caro!
  • Gustavo  13/05/2016 20:40
    Leandro,

    Nesse artigo do ILISP eles falam sobre o câmbio argentino:

    www.ilisp.org/artigos/destruindo-farsa-do-aumento-da-pobreza-na-argentina/

    Tenho duas dúvidas: Como que se faz para "maquiar" um câmbio flutuante? E quais mecanismos que um governo pode usar para restringir a compra de dólares oficiais pela população?

    Abraço!!
  • Leandro  13/05/2016 21:34
    O funcionamento do "cepo" cambial argentino foi explicado neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2219

    E a atual situação da pobreza foi explicada neste:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2369
  • Kunkka  14/05/2016 04:25
    "Por exemplo, se o preço de um mesmo produto é de US$ 500 nos EUA e de R$ 1.000 no Brasil, então a taxa de câmbio entre as duas moedas terá de ser de 2 reais por dólar. A essa taxa, um brasileiro vai pagar o mesmo valor por esse produto, seja ele comprado aqui no Brasil ou nos EUA."

    Isso incluíria impostos?
  • Auxiliar  15/05/2016 16:30
    Sim.

    Vide a pergunta feita pelo leitor Antônio (09/05/2016 10:52:38) e pelo leitor anônimo (12/05/2016 13:23:17), bem como as respostas dadas a ele.
  • pilates-vila-romana  14/05/2016 12:38
    O tripé macroeconômico propõe câmbio livre, sem manipulação. O preço da moeda será dado pelo mercado, sem interferências governamentais.
  • Fernando  16/05/2016 11:59
    Que piada é essa de tripé macroeconômico ?

    O governo não cumpre metas fiscais, não cumpre metas de inflação e fica interferindo no câmbio.

    O BC está comprando dólares para manter o real desvalorizado.

    O próprio governo sabotou o tripé, mas eles não tem coragem de assumir.

    O buraco está próximo.
  • pilates-vila-romana  16/05/2016 14:18
    Caro Fernando, tripé econômico não é piada. É coisa séria e deveria ser seguida à risca por todos os governantes. Lógicamente, devo entender que o seu comentário refere-se ao governo Petista dos últimos anos. Estamos em situação pré-falimentar justamente por que brincaram com os fundamentos da economia.
  • De barco pra Miami  18/05/2016 02:32
    Pelo que eu sei, o recorde de exportações do Brasil não chegou à 15% do PIB. Ou seja, alguém quer priorizar uma coisa que não é a maior fonte de renda.

    Claro que entrar dólar no Brasil é importante, mas forçar a desvalorização do real é loucura. Ainda mais pra exportar pó de ferro e soja.
  • Vanderson  21/05/2016 04:28
    Cada vez mais que visito este site, mais eu me surpreendo com o ótimo conteúdo do mesmo. As informações trazidas neste artigo com certeza aumentaram um pouco mais meu mínimo conhecimento sobre economia, ao qual tenho ensejo de aumentá-lo através desta fonte de conhecimento que é o Instituto Mises.

    O que me intriga, é a insistência no mesmo discurso de que a "chave para o sucesso" é a desvalorização cambial. Benefícios próprios aos governantes? Pra mim, com certeza. Um conluio com grandes exportadores através de leis que os beneficiem via financiamento de campanha política talvez...

    Mais uma vez, parabéns Leandro!
  • Edmilson  22/05/2016 14:55
    O artigo comete o mesmo erro do artigo que se propõe a criticar: estabeleceu um data única para comparação, qual seja, o "dia do nascimento do real". E quem garante que, nessa data, o valor era o correto ou justo? Até sabemos que, em 1999, após anos determinando uma faixa de flutuação, o governo jogou a toalha e liberou o câmbio que, em seguida, sofreu forte desvalorização. Episódio conhecido como a maxidesvalorização do real perante o dólar americano.

    Outro erro foi dizer que o real deveria estar mais forte, caso o BC não tivesse intervindo com swaps reversos. O erro está em não lembrar todos os meses que o mesmo BC usou swaps tradicionais. Em outras palavras, se o dólar tivesse antes batido em 5 reais, sem intervenções, quem garante que, antes do impeachment, ele teria caído até uns 3.20?

    O fato é que, embora, no longo prazo (e aqui deveríamos falar em décadas, se é que o real vai conseguir décadas de existência), o poder de compra tende a ser uma boa referência, talvez como média, mas dificilmente seria o valor mais comum, uma moda.

    Tantos são os fatores que concorrem para o valor de câmbio que, em tese, só em um mundo com todos os países deixando suas moedas flutuarem livremente (algo muito distante da realidade hoje) e com a movimentação de valores sendo livre e fácil (também não é realidade hoje), poderíamos confiar nesse valor.

    Outra crítica é que, por melhor que seja a definição da cesta de produtos e serviços na análise do poder de paridade de compra, há de se levar em consideração o nível de renda e desenvolvimento dos países.

    Em locais pobres, o dinheiro tende a comprar mais. Isso porque a mão-de-obra deve ser mais barata, uma vez que, como regra, a produtividade é mais baixa. Preços como aluguéis também devem ser mais baratos, uma vez que há mais renda circulando, mais e melhor infra, etc. Em outras palavras, câmbio mais barato pode sim ser um fator temporário de competitividade de países mais pobres. Isso pode ser encarado como um "prêmio" cobrado pelo investidor para ir para um local menos competitivo (piores infra, educação, instituições, produtividade, etc.).

    Por isso, a The Economist criou, após o Big Mag Index, o índice ajustado por pib per capita.

    Finalmente, levando em consideração os inúmeros fatores (só alguns comentei aqui) que concorrem para o estabelecimento de um valor corrente para o câmbio, e sabendo-se que é um dos principais variáveis econômicas, a discussão se o dólar está barato ou não no país está longe de ser simples.

    Último comentário: quando se analisa exemplos pelo mundo, não dá para somente escolher aqueles que convém para sustentar os argumentos, como vi em alguns links do texto acima. Haverá sempre um contraexemplo esquecido. Quer um? Alguns meses após a maxidesvalorização do real em 1999, houve uma forte recuperação econômica no país. Isso quer dizer que o mesmo poderia ocorrer hoje? Claro que não. O passado nem sempre se repete.
  • Leandro  22/05/2016 16:07
    "O artigo comete o mesmo erro do artigo que se propõe a criticar: estabeleceu um data única para comparação, qual seja, o "dia do nascimento do real"."

    Meu caro, quem diz que tem de ser assim é a literatura econômica, e não eu.

    Toda a gestação do real seguiu exatamente todos os passos da criação de um Currency Board (leia as obras de Steve Hanke, que é o papa do assunto para se informar melhor).

    Se você quer criar um método próprio, beleza. Mas então apresente argumentos para isso. Escreva monografias explicando por que você está certo.

    Agora, pelo bem do debate, façamos pelo seu método: um dia após a criação do real, o câmbio tornou-se flutuante. E permaneceu flutuante até março de 1995. Durante esse período, o câmbio chegou a se apreciar até o valor de R$ 0,86 por dólar. Aliás, o real só chegou à paridade com o dólar em julho de 1996.

    Ou seja, se você pegar qualquer valor do câmbio entre a data de criação do real (julho de 1994) e julho de 1996 (quando o real completou dois anos de idade), este estará abaixo de R$ 1 por dólar.

    Consequentemente, se você aplicar o método do artigo, chegará a um valor "correto" para o câmbio muito menor que R$ 3,35 -- afastando-se ainda mais dos R$ 6,40 do Perfeito.

    Só piorou a sua situação.

    "E quem garante que, nessa data, o valor era o correto ou justo?"

    De novo (e pelo visto você desconhece esse básico): toda a gestação do real seguiu exatamente os mesmos critérios utilizados para se instituir um Currency Board. Há uma farta literatura econômica sobre isso (digite no Google "Steve Hanke" e "Currency Board").

    Todos os planos de estabilização monetária seguem exatamente os mesmos passos seguidos pelo Plano Real. Aquela equipe econômica que criou o real -- ao contrário do que você parece imaginar -- não reinventou a roda. Eles estavam seguindo toda a literatura econômica ao pé da letra.

    E de novo: se você acha que o valor "correto ou justo" foi alcançado, sei lá, um mês depois da criação do real (quando o dólar havia caído para R$ 0,91), faça então o mesmo exercício matemático do artigo e você verá que o valor "correto ou justo" para hoje será ainda menor que R$ 3,35 -- ainda mais longe, portanto, dos R$ 6,40 do Perfeito.

    "Até sabemos que, em 1999, após anos determinando uma faixa de flutuação, o governo jogou a toalha e liberou o câmbio que, em seguida, sofreu forte desvalorização. Episódio conhecido como a maxidesvalorização do real perante o dólar americano."

    Correto. E totalmente imaterial para o assunto em discussão.

    Isso foi em 1999; estamos em 2016. Pegando-se o câmbio do nascimento do real e computando-se se toda a inflação de preços ocorrida de lá pra cá, o período de câmbio atrelado (março de 1995 a janeiro de 1999) já está sendo considerado. Ele já está embutido nos cálculos.

    O que interessa é o câmbio de nascimento (julho de 1994), o câmbio de hoje (maio de 2016), e toda a inflação de preços ocorrida no período. O que quer que tenha sido feito com o câmbio durante esse ínterim teve resultado direto na inflação de preços (se o câmbio foi segurado, a inflação de preços ficou menor do que seria); e essa inflação de preços foi computada para encontrar o valor "correto" do câmbio de hoje.

    Não dá pra ser mais claro do que isso.

    Se você ainda não entendeu esse básico, nada posso fazer por você.

    "Outro erro foi dizer que o real deveria estar mais forte, caso o BC não tivesse intervindo com swaps reversos. [...]"

    Não sei de onde você tirou essa parte. A questão dos swaps nem sequer foi mencionada no artigo. Muito menos foi dito que "o real deveria estar mais forte, caso o BC não tivesse intervindo com swaps reversos".

    Afirmações (ou melhor, acusações) esdrúxulas como essa apenas reforçam minha suspeita de que você nem leu o artigo, e está comentando apenas pelo título. Não se auto-humilhe em público assim.

    "Em locais pobres, o dinheiro tende a comprar mais."

    Puxa, então o Paraguai deve ter uma moeda robustíssima. Aliás, esqueçamos o Paraguai. Zâmbia e Sudão devem ser uma potência monetária, ao passo que a Suíça deve ter uma moeda que não serve nem como papel higiênico.

    Sabe qual foi seu erro na afirmação acima? Você considerou que uma moeda que compra algumas traquitanas no mercado interno necessariamente significa uma moeda forte. Sim, um real compra mais no interior do Piauí do que na Avenida Paulista. Mas o fato de um real comprar mais no interior do Piauí do que na Avenida Paulista não significa que um real seja mundialmente forte.

    Tudo indica que você desconhece os reais determinantes do poder de compra de uma moeda.

    "Isso porque a mão-de-obra deve ser mais barata, uma vez que, como regra, a produtividade é mais baixa."

    Sensacional. Quanto menos produtiva for a mão-de-obra, mais forte será a moeda!

    Você já está qualificadíssimo para ser ministro da fazenda.

    "Por isso, a The Economist criou, após o Big Mag Index, o índice ajustado por pib per capita."

    Legal você ter citado do Índice Big Mac. Segundo ele, em janeiro, o câmbio correto deveria ter sido de R$ 2,75.

    Se você acha que eu errei ao dizer que o câmbio correto é de R$ 3,35, a The Economista diz que, em janeiro, deveria ter sido de R$ 2,75.

    "Alguns meses após a maxidesvalorização do real em 1999, houve uma forte recuperação econômica no país. Isso quer dizer que o mesmo poderia ocorrer hoje? Claro que não. O passado nem sempre se repete."

    Forte recuperação?! Agora concluí que você realmente é adepto dos chutes. Por favor, faça um favor a sim mesmo e informe-se melhor.

    Logo após a desvalorização cambial, o PIB encolheu dois trimestres seguidos (segundo e terceiro trimestre de 1999). O PIB per capita desabou.

    O poder de compra da população sumiu em poucos meses e a popularidade de Fernando Henrique nunca mais se recuperou. Aliás, a sensação de bem-estar das pessoas só se recuperou em 2006.

    De fato, uma "forte recuperação".

    Sugestão para a próxima: informe-se melhor, seja menos afoito, e certifique-se de que suas afirmações realmente têm respaldo na realidade.
  • Tulio  22/05/2016 17:15
    Sobre essa questão da desvalorização cambial, que o Edmilson ter sido excelente, o próprio FHC veio a público dizer:

    "Agora, curiosamente, a população gostava mais daquele câmbio [o semi-fixo]. Minha popularidade foi altíssima no primeiro mandato, e caiu muito no segundo. Tudo o que os economistas acham bom, que foi feito no segundo mandato, a população não acha. A população viveu melhor quando o real estava mais apreciado. O nível de renda média familiar da população subiu [...] no primeiro mandato, 30%. E, no segundo, caiu 10%. É curiosa a diferença entre a percepção que se tem das coisas e o que acontece de fato."

    veja.abril.com.br/201102/p_086.html
  • PedroF  22/05/2016 20:43
    Caríssimo Leandro,
    O Banco Mundial tem um critério de medir o pib per capita de um país pelo poder de compra da moeda. Tenho a intuição de que há um erro nisso. Por exemplo, interior da Bahia, onde tive propriedade, no vilarejo onde situado o imóvel, pagava-se ao barbeiro $1.50, enquanto na maior e mais rica cidade da região, distante uns 80 km desse vilrejo, fazer a barba, em barbeiro, custava $5.00. O que o Banco Mundial quer dizer é que um determinado país, de pib percapita baixo, quando apreciado pelo poder de compra e, na verdade, maior do que parece ser. Não sei qual o critério do banco, mas deve haver algo errado porque, salvo o custo da mão-de-obra, tudo mais no vilarejo era mais caro do que na cidade maior e mais rica. Minha pergunta é se há algum estudo no Instituo de que examine criticamene esse método do banco?
  • Leandro  23/05/2016 11:46
    A PPP do Banco Mundial pega o valor do PIB, converte-o em dólares e então divide o resultado por um "índice mágico", que é uma cesta de produtos arbitrariamente escolhida pelos burocratas do Banco. O curioso é que o FMI e a CIA adotam o mesmíssimo procedimento, só que cada um com sua cesta de produtos própria.

    A consequência?

    Ao se mensurar o PIB dos países pela Paridade do Poder de Compra, as três listas geradas são bastante discrepantes entre si.

    pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_PIB_(Paridade_do_Poder_de_Compra)_per_capita

    Como diz o próprio verbete da Wikipédia, "como estimativas e suposições devem ser feitas, os resultados produzidos por diferentes organizações para o mesmo país tendem a variar, às vezes substancialmente. PPP são estimativas, em vez de fatos concretos, números e devem ser usados com cuidado."
  • Felipe  27/05/2016 18:01
    Leandro,

    Parabéns pelo ótimo artigo e também por todos as suas respostas muito lúcidas nos comentários.

    Gostaria de saber como fazer o mesmo cálculo para descobrir o valor correto do câmbio na Argentina (USDxARS) a Dezembro de 2015 ou atualmente.

    Deveria utilizar a serie histórica desde 01 de Janeiro de 1992?

    Também tive problemas ao utilizar o IPC Argentino que é bastante desconfiável; utilizando a expansão do M2 Argentino e dos EUA é possível chegar ao valor "correto"?

    Desde já, grato pela atenção,

    Felipe
  • Leandro  27/05/2016 18:36
    Em tese, você deveria começar a série histórica em abril de 1991. Foi ali que 10.000 austrais passaram a valer 1 dólar, sendo que 10.000 austrais já eram definidos como 1 peso.

    Só que dificilmente você encontrará algum resultado expressivo porque, como você bem disse, as estatísticas da inflação de preços durante o governo de Cristina Kirchner eram totalmente distorcidas e não-confiáveis. Vale lembrar que o governo Kirchner decretou que era crime divulgar as taxas reais de inflação e chegou a ameaçar de cadeia qualquer instituto privado que divulgasse estatísticas próprias de inflação.

    Quanto a utilizar a expansão do M2, impossível. Além do fato de que a quantidade de dinheiro não implica que todo ele esteja sendo efetivamente gasto, há também o fato de que a quantidade de dinheiro não tem relação direta de um para um com a variação de preços. Tudo vai depender da demanda -- inclusive global -- por esse dinheiro.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Felipe  27/05/2016 19:11
    Obrigado pela rápida resposta Leandro.

    Nesse caso, seria possível utilizar o IPC desde Abril de 91 até Dezembro de 2015.

    Ainda que esse governo Kirchner tenha falsificado todos os dados de inflação ao redor de 2007/2008, consultoras privadas continuaram divulgando os cálculos - como os nossos amigos de Inversor Global e até mesmo na Wikipedia (https://es.wikipedia.org/wiki/Anexo:Evoluci%C3%B3n_del_%C3%8Dndice_de_Precios_al_Consumidor_en_Argentina).

    Estaria correto utilizar essa série?

    Utilizando dados das consultoras privadas, teriamos uma perda do poder de compra do Peso Argentido de ~1.900%, contra a perda do poder de compra do USD de ~68% no mesmo período.

    Fazendo esse cálculo, o valor "correto" do Peso Argentino com relação ao dólar, estaria acima de 22 ARS/USD; muito distante do valor atual de ~14,5/USD.

    Se for possível, gostaria de uma luz no caso específico da Argentina. Aliás, sou fã do seu artigo sobre Argentina, "Cambalache", é a melhor explicação que já li para a crise do país. Parabéns novamente.

    Grato pelo tempo e atenção,

    Felipe
  • Leandro  27/05/2016 22:01
    Desconheço a metodologia e a abrangência destes índices alternativos da Argentina. Segundo o próprio site que foi utilizado como fonte no verbete da Wikipedia que você indicou, eles começaram calculando apenas preços de alimentos e cesta básica. Foi só a partir de 2012 que eles começaram a fazer índices gerais. Aí, feito isso, eles "retroagiram" as estatísticas até o ano de 2008. Não muito confiável.

    Os valores que eles estimaram para os anos de 2008 a 2011 me parecem extremamente exagerados (sendo um grupo anti-governo, eles têm interesse em "exagerar para cima" aquilo que o governo "exagerava para baixo"). Se, por exemplo, a inflação de preços em 2012 houvesse realmente sido de 26%, haveria alguma convulsão social. Mas, à época, o governo era relativamente bem aprovado.

    Nos EUA, há um sujeito que também diz calcular a "inflação real" (o nome dele é John Williams e o site dele é o Shadowstats). Mas ele virou motivo de chacota inclusive entre libertários. Segundo ele, de 1980 até hoje, a inflação de preços verdadeira é quase o triplo da anunciada pelo governo. No entanto, o Gary North (em um artigo que apenas assinantes têm acesso) mostrou preços publicados em documentos do ano de 1980 (catálogos de lojas de departamentos, anúncios de preços de supermercados, preços de carros etc.) e mostrou que a inflação deste período está bastante parecida com a do CPI americano e profundamente menor do que aquela calculada pelo John Williams.

    Em suma, se for para tentar estimar os preços na Argentina, pegue uma média dos dois valores (governo e fonte alternativa). E, ainda assim, faça isso só a partir de 2012. Os números divulgados pela fonte alternativa para antes de 2012 é mero chute (eles próprios deixam isso claro nas entrelinhas).

    P.S.: Esse valor a que você chegou não faz muito sentido porque ele discrepa bastante do histórico do valor do câmbio no mercado negro, que praticamente acompanha em tempo real a verdadeira desvalorização da moeda. Pelos seus dados, era para os cambistas do mercado negro, até o final de 2015, estarem cobrando muito mais. Não creio que eles estivessem tão desinformados assim.
  • Taxidermista  01/06/2016 19:57
    Texto interessante para ser publicado no site:

    mises.org/blog/currency-manipulation-united-states-alive-and-well
  • Joaquim Saad  02/06/2016 22:26
    Caro Taxidermista,

    Eu havia lido ontem esse artigo que sugeriu no Mises USA, tendo inclusive ficado um tanto intrigado c/ a seguinte frase:

    "And what came with a declining US-Japan spot rate? Skyrocketing US exports of goods to Japan, of course:".

    Afinal, ela não estaria claramente admitindo que a as exportações afetam sim a taxa cambial ?
    Isto seria apenas no curto prazo ? Ou válido entre países mais semelhantes ?
  • Leandro  03/06/2016 00:01
    O problema é que o gráfico contido neste artigo linkado não permite fazer essa afirmação destacada.

    O autor -- novato no site do MI -- afirma que de 2008 a 2011 as exportações dos EUA para o Japão "bombaram" e diz que isso se deu à desvalorização do dólar perante o iene.

    Bom, o problema é que o gráfico simplesmente não mostra isso. As exportações em 2011 estavam exatamente no mesmo nível de 2008. Neste mesmo período, o dólar caiu de 106,86 ienes para 77 ienes. Desvalorização forte e exportações absolutamente no mesmo nível. (E depois, como mostra a extremidade direita do gráfico, as exportações desabaram).

    (Aliás, fosse eu intelectualmente desonesto poderia até dizer que, de 2008 a 2010, quanto mais o dólar se desvalorizou perante o iene, mais as exportações americanas caíram)

    Essa falácia de que câmbio desvalorizado estimula exportações é tão forte e difundida, que até o MI -- que recentemente adotou a lamentável prática de publicar artigos em massa, sem revisá-los, apenas com o alerta de que "The views expressed on Mises.org are not necessarily those of the Mises Institute" -- cai nessa armadilha.

    Também, quem manda alterar a linha editorial e publicar artigos sem julgar a teoria neles contida?
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/06/2016 00:18
    acho (vou-me arriscar) que uma taxa de câmbio depreciada tem um efeito sim no volume de exportações. e que há um delay, ou seja, isso só aparece após decorrido um certo tempo da depreciação e da estabilização em novo patamar. Parece-me que isso só está ocorrendo no Br agora, ao final do primeiro semestre de 2016, por exemplo.
  • Leandro  03/06/2016 01:52
    Não.

    Você pode conseguir algum aumento de exportação naqueles setores que utilizam mão-de-obra barata, poucos insumos tecnológicos e que exporta produtos de baixíssimo valor agregado -- o que não é o caso de nenhuma indústria. O setor de milho e de suco de laranja, por exemplo, de fato pode se dar bem.

    Agora, será que é inteligente reduzir o poder de compra de toda a população apenas para que mais milho e soja sejam exportados? Será que é assim que um país enriquece?

    Em um mundo globalizado, em que as cadeias de produção são integradas, não há como se isolar os efeitos de uma desvalorização da moeda. Se a moeda se desvaloriza, os insumos encarecem. Mais ainda: se a moeda se desvaloriza, todos os custos de produção sobem (por causa de carestia que a desvalorização da moeda gera no mercado interno).

    Isso, no longo prazo, anula qualquer eventual benefício que um câmbio desvalorizado possa trazer para as exportações. Veja como estão as indústrias do país hoje. E não vale dizer que "ainda está havendo um delay": a desvalorização cambial começou em julho de 2011. Já vamos para 5 anos de desvalorização contínua. E, neste meio tempo, as exportações estancaram e a indústria definhou.

    Dizer que indústria se beneficia com moeda desvalorizada é o equivalente a dizer que empreender na Argentina é mais negócio do que no Chile.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/06/2016 02:09
    Essa eh a segunda parte da questão. Há um incremento nos setores citados sim. a Balança melhora, já que as importações desabam, MAS isso eh ruim para a indústria como um todo e péssimo pra economia doméstica, não se justificando. Vou adotar esta.
  • Joaquim Saad  03/06/2016 00:26
    Belo artigo, Leandro.

    Sobre a seguinte passagem:

    "Um especulador esperto irá vender A em troca de reais (irá obter R$ 2) e, em seguida, irá trocar R$ 2 por US$ 2 (pois a taxa de câmbio é de 1:1). Ato contínuo, irá recomprar esse bem por US$ 1, que é o seu preço de mercado, embolsando o dólar extra. Essa contínua troca de reais por dólares encarecerá o dólar em relação ao real, finalmente levando a taxa de câmbio para seu valor correto, de R$ 2 por dólar."

    Seria possível (e talvez até mesmo mais provável) que o novo "valor correto" de equilíbrio fosse mais intermediário, digamos R$1,414213.../USD ? Afinal, não ocorre uma pressão altista (compradora) no preço do dólar em reais, e ao mesmo tempo também uma pressão baixista (vendedora) no preço de A em R$ ?
    Neste caso, tal fato não seria uma constatação de que os mercados de bens e serviços (onde o poder de compra da moeda é estabelecido) e o de ForEx\câmbio (outro local onde essa mesma característica é aferida) se auto\retro-alimentam simultaneamente ?
    O correto portanto não seria afirmar que a paridade do poder de compra entre duas moedas (mercado no qual o item "A" é comercializado) na verdade reflete - ao invés de "determina" (operando num único sentido) - a taxa cambial (formada em seu mercado específico\bolsa) ?
    O efeito (alegadamente) de curto prazo do balanço de pagamentos (mormente comércio exterior) reconhecido nos comentários como um fator de alguma influência no câmbio (ainda que de forma efêmera) não equivale precisamente à existência dessa via de mão-dupla (i.e. mercado físico causando mudanças no mercado de moedas, mas este também alterando aquele concomitantemente) ?

    Sobre o câmbio "Perfeito" (p/ nosso armaggedon definitivo !) de R$6,70/USD, não seria aproximadamente este nº a que chegaria no Brasil um Currency Board digno desse nome, ou seja, um que se auto-proibisse terminantemente de praticar algum tipo de reserva fracionária por qualquer período que fosse (mantendo a paridade realmente inelástica entre as moedas a partir da entrada em operação da caixa de conversão) ? Em outras palavras, este CB não teria de prover cobertura em dólares (na taxa inicialmente encontrada) a qualquer real que eventualmente fosse apresentado p/ troca (incluindo papel-moeda emitido (202 bi) + reservas bancárias (40 bi) + todos os compulsórios (334 bi) + conta única do Tesouro no BC (970 bi) + (?) equalização cambial (98 bi) + vendas compromissadas de títulos do Tesouro pelo BaCen (1.034 bi) + etc + ..., somando atualmente por volta de R$2,6 trilhões, face a reservas externas de uns USD370 bi, perfazendo a relação de R$6,97) ? ps: o governo poderia antes esterilizar quase toda sua conta no BC, recomprando deste o que desse em títulos do Tesouro, já as compromissadas configurariam sempre um potencial monetário na mão dos bancos, certo ?

    Obrigado.
  • Leandro  03/06/2016 01:53
    "O correto não seria afirmar que a paridade do poder de compra entre duas moedas reflete - ao invés de "determina" - a taxa cambial?"

    A taxa cambial nada mais é do que um preço. Quantos reais custa um dólar? Quantos ienes custa um franco suíço?

    O câmbio nada mais é do que o preço de uma moeda em termos de outra moeda. E o que determina preço é a moeda. Se a moeda é fraca, os preços nominais são altos. Se a moeda é forte, os preços nominais são baixos.

    Um cruzeiro era fraquíssimo; por isso um dólar custava milhares de cruzeiros. O real é mais forte; por isso um dólar custa R$ 3,60.

    Entendido isso, força de uma moeda (poder de compra) irá, por definição, determinar o preço de outra moeda. Isso é praticamente uma tautologia.

    Dizer que o preço da moeda (taxa de câmbio) reflete a paridade do poder de compra é algo, do meu ponto de vista, inócuo. Talvez seja uma questão semântica, mas não consegui entender o real sentido.

    O que posso dizer é que o preço da moeda (taxa de câmbio) é determinado por sua força (poder de compra).

    Afinal, como ocorre no mundo real: o preço da mortadela determina o poder de compra da moeda, ou o poder de compra da moeda determina o preço da mortadela?


    Quanto à sua pergunta sobre o Currency Board, o que você está propondo é que o poder de compra da moeda seja determinado pela quantidade de dígitos eletrônicos que há nos computadores do sistema. Isso faz zero sentido.

    Aqui, aliás, vale um adendo técnico. Por que o Currency Board não leva em conta os agregados monetários maiores, como M2, M3 e M4? Por que ele se preocupa apenas com a base monetária? É simples: porque a base monetária inclui as reservas bancárias. E as reservas bancárias lastreiam as contas-correntes. E é sobre o volume das contas-correntes que se baseiam todas as outras aplicações financeiras de uma economia.

    Todas as outras aplicações financeiras (sejam elas depósitos a prazo, renda fixa, curto prazo, multimercado, referenciado, ações etc.) são meros papeis que, para serem convertidos em dinheiro, precisam antes ser vendidos para algum agente obviamente disposto a comprá-los. E este só irá fazê-lo se tiver dinheiro disponível em sua conta-corrente.

    Mesmo que você tenha um Fundo Referenciado DI com liquidez diária, e que aceita cartão de débito, quando você passa o cartão de débito, o administrador do fundo tem de vender o equivalente em cotas deste fundo para conseguir o dinheiro. E quem irá comprar estas cotas? Um agente que tenha dinheiro em conta-corrente.

    Este agente, ao comprar suas contas, dará uma ordem para o banco dele repassar reservas bancárias (base monetária) para o seu banco.

    Portanto, os depósitos em conta-corrente definem, em última instância, a oferta monetária da economia brasileira. Todas as transações econômicas são, em última instância, efetivadas pelas reservas bancárias (base monetária). Por isso um Currency Board visa apenas a base monetária, que é quem lastreia as contas-correntes.

    De resto, a maneira correta de se implantar um Currency Board foi detalhada neste artigo.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Joaquim Saad  03/06/2016 03:05
    Sobre CB, tudo que enumerei (papel-moeda; reservas bancárias; depósitos compulsórios - contabilizados separadamente destas últimas pelo BC; disponibilidades do governo central na autoridade monetária; vendas compromissadas de papeis do Tesouro pelo BC - as quais representam financeiro a ser devolvido às reservas bancárias) não compreende exatamente a base monetária ? Pelo menos é assim que o BaCen as denomina no SGS...

    A conta "de padoca" perfazendo R$2,6 trilhões a serem lastreados por dólares de reservas externas no estabelecimento de uma taxa cambial fixa por uma agência de conversão equivaleria a esta afirmar (e garantir) ao mundo que qualquer dos dígitos + papel físico eventualmente por ela emitidos (i.e. "dinheiro de Banco Central") estariam cobertos por USD naquela proporção e que, se o sistema bancário fracionário estivesse extremamente alavancado por concessões desenfreadas de crédito potencializadas por compulsórios baixos, que tais dígitos nos bancos comerciais (saldos de contas-correntes, poupanças, depósitos a prazo, etc)...bem, seriam um problema de seus correntistas (como já é o caso nas corridas bancárias) ! :D

    Por ex, se clientes dos bancos demandassem muitos "doloridos", estes seriam obtidos ou em ativos externos desses próprios bancos (caso a alavancagem citada acima chegasse a gerar um problema de liquidez) ou diretamente do BC (CB) através de débitos nas reservas bancárias, como aconteceria se a moeda requerida fosse o próprio real em quantidades "cavalares" suplantando o disponível nos caixas das agências. Em suma, todo o passivo do BC (e não de todo o sistema bancário) teria de estar coberto por dólares na taxa cambial em vigor.
  • Leandro  03/06/2016 12:32
    Esses itens compõem a "base monetária ampliada", uma invenção própria do BACEN pós-real. Por exemplo, depósitos compulsórios sobre depósitos a prazo e poupança. Isso não faz parte da "base monetária restrita", que é a que realmente conta. Aliás, praticamente nenhum país do mundo impõe compulsório sobre depósitos a prazo e caderneta de poupança.
  • Joaquim Saad  03/06/2016 13:07
    Mas, considerando que o Brasil incorreu em (mais) esta "jabuticaba", se um CB viesse a ser implantado por aqui agora, ele fatalmente se veria obrigado a lidar com todo esse monetário extra criado anteriormente pelo BC pra comprar títulos públicos dos bancos de modo que estes pudessem cumprir com os compulsórios extras (sobre depósitos a prazo, etc), financeiro do qual provavelmente não iriam querer se desfazer (recomprando definitivamente os papeis da autoridade monetária em uma tentativa desta de enxugar a base), ao menos não se soubessem de antemão do que de fato se trataria tal esterilização (i.e. viabilização de uma taxa cambial mais valorizada como parte do tipo de medida que mais devem temer: o fim da "festa" do emprestador de última instância consoante com o advento de uma verdadeira agência de conversão, e não com um regime cambial atrelado e sua inerente "flexibilidade" tão suscetível aos ataques especulativos).
    ps: acho que o mesmo valeria p/ o próprio governo, que já hoje fica mantendo aquela montanha crescente de dinheiro em sua conta única no BaCen, provavelmente pra poder contar com algum "colchão" (cuja possível diminuição seria ainda mais combatida pelo Tesouro caso fosse aprovada a criação de um CB "puro-sangue").
  • Joaquim Saad  03/06/2016 01:22
    Pois Zé !

    Mas e quando o próprio Salerno escreve um artigo fazendo concessão à ideia de se substituir o famigerado e imoral poder do governo de se endividar em nome de seus súditos, digo, "cidadãos", mas pondo em lugar desse absurdo exclusivamente a emissão monetária p/ cobrir déficits estatais a ser decidida unicamente pelos parlamentares ? Mesmo lá nos EUA isso me parece extremamente perigoso (ainda mais do que o "arranjo" atual, bastante inflacionário em termos monetários), agora imagine algo assim por aqui, c/ o nosso "ilustre" congresso e todas as demandas populistas por gastos públicos sempre crescentes ? Talvez a "emerda" saísse pior do que o "soneto" macabro da conta-movimento no BB durante a década de 80, quem sabe fazendo até mesmo a dupla Tombini c/ Manteiga parecerem austeros defensores do real ! :-(

    A propósito, qual a tua opinião sobre o texto linkado acima (mises.org/library/modest-proposal-end-fed-independence) ?

    Att.
  • Leandro  03/06/2016 01:51
    Digo apenas que esse artigo dele foi o mais "cabuloso" que já li. Acho que ele estava meio que de fogo quando escreveu isso.

    Mas, falando sério, há um probleminha -- de certo modo compreensível -- com os libertários americanos.

    De um lado, eles vêem o Fed como sendo uma marionete dos grandes bancos (os esquerdistas aqui do Brasil iriam pirar com essa afirmação, dado que lá os juros estão em quase zero há mais de 7 anos. Os banqueiros controlam o Fed e jogam os juros para quase zero...).

    De outro, a Constituição deles determina que o responsável pela política monetária é o Congresso.

    Daí surge a proposta supracitada.
  • Taxidermista  03/06/2016 14:44
    Caro Leandro Roque (e também ao sagaz Joaquim Saad), a propósito:

    John Tamny acaba de lançar um livro sobre o Fed:

    www.encounterbooks.com/books/who-needs-the-fed-what-taylor-swift-uber-and-robots-tell-us-about-money-credit-and-why-we-should-abolish-americas-central-bank/


    E vejam só a, digamos, "provocação" que ele lança ali:

    "One of my favorite parts of your book was when you absolutely—in the words of Salon.com—eviscerate the Austrian argument against fractional reserve banking. You have a lot of praise for Austrian economists throughout the book, so can you please explain why they are so flat-out wrong on this point?

    Tamny:

    Some Austrians dislike banks because they claim they multiply money. They view the vanilla banking activity whereby banks take on liabilities (deposits) only to turn them into assets (loans) as fraudulent. If the Austrians are to be believed, the act of banking multiplies money and credit.
    But credit can never be multiplied. Paraphrasing the founding father of the Austrian School Ludwig von Mises himself, when we borrow money we're not borrowing dollars, rather we're borrowing the trucks, tractors, desks, chairs, computers, and labor that money can be exchanged for. Credit is not money. It's real resources. Real resources cannot be multiplied.
    Back to banks. If Austrian theorizing is to be believed, banks make money worthless by virtue of lending it and multiplying it. To test this assertion, readers should conduct an experiment. Get together with four or five friends. Sit at a table. Reader A becomes a bank with $100 on deposit, and a 10 percent reserve requirement. He then lends $90 to his neighbor at the table, Bank B. Bank B then lends $81 to Bank C, only for Bank C to lend $72.90 to Bank D. Those who do this will soon find that once the experiment is over with, there's still only $100 at the table. There's no multiplication of $100 into $343.90, and there's certainly no multiplication of credit.
    It's important to point out that if banks were able to multiply dollars by virtue of lending them (seemingly on the way to infinity), then the money we all work for would have no value. Along these lines it's certainly true that the rich would not work for dollars. Why produce for something apparently being rendered worthless by multiplication. Of course, there is no multiplication to speak of.
    After that, if banks can multiply money by lending it, why don't we all start up small, unchartered banks on the side? If so, the path to quick—and, with a zero reserve requirement, infinite—riches would be rather simple. A great school of economic thought has besmirched its wondrous reputation thanks to the focus of some members on a non-act that is logically impossible.
    " (thefederalist.com/2016/05/24/ron-paul-is-no-longer-the-only-one-asking-who-needs-the-fed/)


    S.m.j., além de tais afirmativas serem simplificadoras do debate sobre reserva fracionária existente no âmbito da EA, parece-me que Tamny missed the mark aí; ele falha em seu intento de reductio ad absurdum por não ter compreendido a teoria austríaca.
  • Joaquim Saad  03/06/2016 20:15
    :0

    Ou não entendi nada do que venho lendo sobre o tema (principalmente neste site), ou acho que esse Tamny falha é em seu compreendimento de como realmente funciona (e o que de fato significa) um sistema de reservas fracionárias, independentemente da filiação que se tenha a qualquer escola econômica !

    Que eu saiba, o fato dos bancos comerciais não criarem dinheiro "de banco central" (i.e. base monetária, emissão primária, etc, representados pelos $100 "at the table") não significa que não possam criar do nada outra coisa (créditos em seus ativos tendo como contrapartida novos depósitos listados em seus passivos), em montante maior (conforme reconhecido no próprio exemplo), que pode sim ser trocada por produtos e serviços nos diversos mercados de um país (graças a propósito à coerção imposta por seu grande cúmplice estatal nesse maquiavélico esquema de escravidão velada).

    O autor parece pensar que os "$343.90" não estariam disponíveis simultaneamente aos clientes do conjunto de bancos, como se de outra forma (a que efetivamente ocorre na prática) estes fossem incorrer em algum tipo de descumprimento de exigências de reservas, como se a expansão dos saldos de seus correntistas não fosse promovida de maneira coordenada e concomitante (isto sem falar nas várias outras alternativas de atenderem os compulsórios: interbancário, redesconto, DI, etc).

    Ele preferiu interpretar a frase atribuída a Mises de que "Credit is not money. It's real resources. Real resources cannot be multiplied." como se também não fosse possível multiplicar o crédito, sendo que o saudoso austríaco a meu ver quis dizer que não se deveria fazê-lo já que haveria uma limitação física natural à multiplicação dos "recursos reais" adquiridos tanto com cédulas mas principalmente com o próprio crédito (i.e. depósitos nas contas correntes, criados justamente p/ se efetuar compras !).

    Agora, irônico mesmo foi a parte final do excerto do texto tentando refutar a multiplicação do crédito fazendo uma previsão (perda contínua do valor da moeda) que vem sendo sobejamente comprovada pelos quatro cantos do mundo desde que essa esbórnia de fiat money conjugada com reservas fracionárias tomou conta de vez do planeta há uns 45 anos !

    Um tanto cínica também me soou a observação de que os ricos não trabalhariam por dólares se este se desvalorizasse continuamente, como se os endinheirados ficassem constantemente posicionados na própria moeda e não majoritariamente em ativos apenas denominados em USD, mas que rendem juros (títulos e/ou reservas remuneradas, além de ouro, imóveis, ações, etc) a fim de se protegerem do efeito inflacionário nos preços da economia (fenômeno que por sinal somente não descamba de vez por interesse dos próprios bancos comerciais, que sabem muito bem que o processo de sangria do poder de compra do dinheiro por eles perpetrado p/ lucrarem continuamente tem de se manter em um nível aceitável pela população p/ que esse jogo viciado não termine).

    ps: tomara que o Leandro se manifeste, preciso saber se devo reler todos os seus artigos ! ;-)
  • Leandro  03/06/2016 20:59
    O Tamny sempre defendeu a ideia -- pela qual eu também tenho enormes simpatias -- de que, muito mais importante do que querer controlar a quantidade de dinheiro na economia por meio da manipulação dos juros (atribuição teórica de um Banco Central), é atribuir a esse dinheiro uma definição específica e imutável.

    Para Tamny, o dólar deveria ser definido em termos de ouro. Um dólar deveria valer X gramas de ouro. Imutavelmente. Daí a defesa que ele faz do padrão-ouro.

    Tamny defende, e muito corretamente, que ter uma moeda totalmente sem definição -- cujo poder de compra é flutuante e varia de acordo com as manipulações da taxa de juros feitas pelo Banco Central e pelas políticas fiscais do governo -- é algo não apenas insensato, como também é propício a gerar ciclos econômicos e surtos inflacionários.

    Por isso, ele defende uma moeda de valor bem definido -- no caso, ancorada ao ouro.

    Na prática, o que ele defende é exatamente aquilo que foi defendido neste artigo. E neste.

    Quanto à questão das reservas fracionárias, embora eu discorde de um ponto ou outro, o fato é que, em minha opinião, ele faz bem adotar uma postura mais pragmática. As reservas fracionárias nunca serão abolidas. E nem precisa. Muito mais importante do que abolir as reservas fracionárias é atribuir uma definição específica e imutável à moeda. Faça isso e a inflação de preços deixa de ser um problema.

    Vide Brasil de 1995 a 1998: não havia metas de inflação, os juros não eram utilizados para combater a inflação (mas sim para atrair capital estrangeiro), e o governo tinha déficits orçamentários contínuos. Ah, e havia reservas fracionárias, obviamente. No entanto, como o real era (relativamente) definido em termos de dólar, e o dólar estava forte à época, a inflação desabou de 5.000% em junho de 1994 para 1,65% em dezembro de 1998.

    Tamny defende esse arranjo. Eu também.

    Isso faria muito mais em termos de inflação e ciclos econômicos do que simplesmente abolir as reservas fracionárias e deixar a moeda solta, sem definição nenhuma, flutuando aos sabores da política econômica do governo da vez.

    Irei com muito gosto ler esse livro. Tudo o que Tamny escreve é instigante e extremamente interessante. Considero-o um dos pensadores mais originais da atualidade.
  • Bartolo de Sassoferrato  03/06/2016 21:13
    Ok, Leandro, mas vc não comentou - do ponto de vista da teoria em si - sobre o intento de refutação à teoria austríaca que o Tamny coloca no excerto transcrito pelo comentarista, especialmente aqueles mencionados pelo Joaquim Saad:


    "If Austrian theorizing is to be believed, banks make money worthless by virtue of lending it and multiplying it. To test this assertion, readers should conduct an experiment. Get together with four or five friends. Sit at a table. Reader A becomes a bank with $100 on deposit, and a 10 percent reserve requirement. He then lends $90 to his neighbor at the table, Bank B. Bank B then lends $81 to Bank C, only for Bank C to lend $72.90 to Bank D. Those who do this will soon find that once the experiment is over with, there's still only $100 at the table. There's no multiplication of $100 into $343.90, and there's certainly no multiplication of credit."

    e

    "It's important to point out that if banks were able to multiply dollars by virtue of lending them (seemingly on the way to infinity), then the money we all work for would have no value. Along these lines it's certainly true that the rich would not work for dollars. Why produce for something apparently being rendered worthless by multiplication. Of course, there is no multiplication to speak of.
    After that, if banks can multiply money by lending it, why don't we all start up small, unchartered banks on the side? If so, the path to quick—and, with a zero reserve requirement, infinite—riches would be rather simple"

  • Leandro  03/06/2016 21:37
    Primeiro ele errou ao dizer que a multiplicação monetária feita pelas reservas fracionárias é uma teoria austríaca. Isso não é teoria austríaca. Isso é uma teoria mainstream. Todo e qualquer manual de macroeconomia descreve esse processo. Pegue os livros do Olivier Blanchard -- que são os mais utilizados nas faculdades -- e você verá esse processo ali descrito. Pegue os manuais de economia da USP e você verá esse processo ali descrito.

    Isso não é uma teoria austríaca, mas sim um saber convencional.

    Sendo assim, confesso que não entendi essa parte.

    De resto, os austríacos criticam o processo de reserva fracionária porque tal processo, ao multiplicar o crédito, aumenta a quantidade de dinheiro na economia e isso é inflacionário.

    Bom, se o Tamny quer dizer que isso está errado, aí sim estou interessado em ver a refutação.

    Aquele exemplo que ele deu contém um erro bobo: sim, a quantidade de dinheiro físico (os $ 100, que são a base monetária) permanece inalterada; mas o crédito (que seria o dinheiro fictício, equivalente aos dígitos eletrônicos que temos hoje) se expandiu. E o fato de as pessoas comprarem a crédito é um componente da demanda e isso pressiona os preços para cima.

    O que ele pode contra-argumentar, e aí haveria um ponto, é que o fato de a moeda ser definida em termos de uma commodity sólida pode mitigar esse efeito da carestia. Aí eu concordaria.

    Ele também pode dizer que é possível haver carestia em um sistema sem reservas fracionárias. Basta que a moeda seja fraca (por causa das políticas do governo). Aí eu também concordaria.
  • Bartolo de Sassoferrato  03/06/2016 21:58
    "De resto, os austríacos criticam o processo de reserva fracionária porque tal processo, ao multiplicar o crédito, aumenta a quantidade de dinheiro na economia e isso é inflacionário"

    Pois é, Leandro, o que o Tamny parece sustentar - aliás, é o que ele diz ali - é que não há multiplicação do crédito em virtude do processo de reserva fracionária.

    Ele afirma com todas as letras ali: primeiro após o exemplo ("there's certainly no multiplication of credit"), depois no segundo parágrafo ("Of course, there is no multiplication to speak of").

  • Taxidermista  03/06/2016 23:09
    A respeito, insta destacar Detlev Schlichter:

    www.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-1118877322.html

    "Part Two The Effects of Money Injections

    Chapter 3 Money Injections without Credit Markets;

    Chapter 4 Money Injections via Credit Markets
    ".
  • Joaquim Saad  20/09/2016 12:18
    Artigo interessante no Mises do Canadá, onde o autor (Frank Hollenbeck), após criticar as reservas fracionárias no 1º trecho destacado abaixo, conclui no último excerto inserido no final:

    "Of course, no one is asking the critical questions. Why did holding more cash, or hoarding, change the money supply, and why did the public and banks decide to increase their cash holdings in the first place? Without fractional reserve banking, neither the public nor the banks could significantly change the money supply by holding more cash, nor could banks extend credit faster than slow-moving savings. The boom and ensuing malinvestments would be a thing of the past and, thus, so would the desire to hold more cash during the bust phase of the business cycle.

    If Keynesians are really concerned about this deflation-depression spiral, they should be addressing the cause — fractional reserve banking — and not the result. Telling a drunk that he can avoid the hangover by drinking more is simply making the situation worse. The real solution is to have him stop drinking.
    "

    .
    .
    .

    "Surprisingly, Keynesians and Austrians should be uniting to achieve the same goal, albeit for different reasons. Austrians fear the boom caused by excessive credit growth, while Keynesians (and Monetarists) fear the bust created by increases in hoarding. End fractional reserve banking and satisfy two birds with one stone."

    É, pelo visto há mesmo uma certa discordância entre vários "austríacos" acerca do grau de perniciosidade da multiplicação de crédito (aka "reservas fracionárias") pelos bancos comerciais...
  • Novato  04/06/2016 07:01
    Leandro
    Não achei nenhum outro artigo relacionado a pergunta por isso vou perguntar aqui
    Gostaria da sua opinião sobre o lado econômico na época da ditadura, teria como fazer um resumo do que foi e as medidas que foram feitas, ruins ou boas? se tiver um artigo aqui no site que fale sobre essa época pode me recomendar também, obrigado desde já.
  • Leandro  06/06/2016 17:49
    Péssimas.

    Os militares foram os maiores estatizadores que este país já teve a infelicidade de conhecer. À exceção de um breve período no governo Castelo Branco -- quando de fato foram feitas algumas reformas --, nada se salva no regime militar.

    Resumidamente, todo o período se resumiu a endividamento do governo em dólares para fazer obras faraônicas (ótimo negócio para as empreiteiras nacionais), inflacionismo da oferta monetária, e câmbio controlado para tentar mitigar os efeitos da inflação monetária sobre a carestia.

    Como a inflação monetária era excessiva, o câmbio controlado passava por várias e sucessivas "desvalorizações controladas", as quais faziam a carestia explodir.

    Porém, como havia o mecanismo da indexação (principalmente salarial) -- algo que o resto do mundo desconhecia --, a coisa foi sendo levada.

    Geisel foi o pior de todos. Pior até do que Dilma. Já no início da década de 1980, a economia brasileira estava sovieticamente fechada. Importar algo era praticamente proibido. Carestia nas nuvens, moeda sem nenhum poder de compra, e população proibida de comprar produtos estrangeiros. O exemplo mais explícito de reservas de mercado e de povo sendo tratado como gado.

    Vale, adicionalmente, dizer que todas essas empreiteiras atuais cresceram justamente no período militar -- daí a afinidade com o atual governo petista, igualmente estatizante.

    Vale um artigo sobre o assunto, mas ele realmente não está em minhas prioridades.

    Abraço.
  • Novato  07/06/2016 05:56
    Vi algumas pessoas na internet falando sobre a boa gestão economia na época da ditadura militar e citei várias que depois você me confirmou, porém a pessoa me veio com uma pergunta que não tive como responder
    Dizendo que o brasil saiu da posição 42 do PIB mundial e fomos pra 8 posição, isso é real ou só mais uma mentira espalhada?

    Obrigado por tudo leandro, você é sempre uma luz de sabedoria.
  • Novato  07/06/2016 06:28
    Ultima pergunta é verdade que quando o governo militar desvalorizou a moeda que levou a uma hiperinflação e um endividamento externo que fez a divida saltar de US$3 para 100 bilhões? em 21 anos de ditadura militar?
  • Leandro  08/06/2016 18:32
    Economicamente, a frase é destituída de sentido. Desvalorização cambial não aumenta o montante da dívida em dólar.

    Se eu tomo emprestado 1.000 dólares e o câmbio se desvaloriza, minha dívida em dólares continua sendo de 1.000 dólares. Ela não aumentou. Eu terei, isso sim, mais dificuldade em pagá-la (precisarei de mais moeda nacional para comprar 1.000 dólares), mas o montante da dívida em dólares não se alterou.

    Dito isso, sim, os militares explodiram a dívida externa e imprimiram dinheiro feito loucos, o que gerava sucessivas desvalorizações cambiais. Mas vale ressaltar que era a inflação monetária o que gerava as desvalorizações cambiais e a hiperinflação, e não o contrário. Primeiro vem a manipulação monetária; depois vêm suas inevitáveis consequências.
  • Emerson Luís  04/06/2016 10:15
    Em um primeiro momento eu pensei que "André Perfeito" fosse um personagem fictício e cômico inventado pelo Leandro para ilustrar tolices do keynesianismo. Fiquei surpreso em saber que ele realmente existe. Definitivamente somos o país das piadas prontas.

    * * *
  • Fernando  08/06/2016 17:09
    "Ter uma taxa de câmbio flutuante faz com que se consiga equilibrar internamente e externamente a economia brasileira", disse Ilan Goldfjn. Leandro, concorda? dá pra se ter uma ideia do que vem por aí com o BC sob o comando do Ilan?
  • Leandro  08/06/2016 17:29
    Para economias desenvolvidas, estáveis e com alta previsibilidade, em que não há malucos no governo, sim. Nesse caso, as flutuações da taxa de câmbio são baixas. E, no caso da Suíça, como ocorreu em janeiro de 2015, a flutuação ocorre no sentido da valorização.

    Já em economias avacalhadas e com governos ensandecidos, não. A prática mostra que taxas de câmbio flutuante não funcionam para países ainda em desenvolvimento que possuem um longo histórico de instabilidade monetária ou política, e cujo Banco Central não é visto como confiável. Nestes países, a qualquer sinal de novas instabilidades, a taxa de câmbio não flutua; ela afunda. E com ela vai toda a estabilidade econômica.

    A solução para estes é Currency Board.


    "dá pra se ter uma ideia do que vem por aí com o BC sob o comando do Ilan?"

    Ele já esteve lá de 2000 a 2003. Mais do mesmo.
  • Fernando  08/06/2016 18:13
    Gostei. Obrigado pela resposta.
  • Douglas Rodrigues  08/06/2016 20:40
    g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2016/06/dolar-cai-mais-de-2-e-fecha-abaixo-de-r-340-pela-1-vez-em-quase-1-ano.html

    O que acha dessa notícia Leandro? Acha que o Ilan irá tomar boas medidas (dentro do possível, é claro)? E qual sua previsão tendo em vista o atual cenário e a equipe do Meirelles, será que teremos uma leve melhorada?
  • Leandro  08/06/2016 22:32
    A notícia em si é excelente. Pra sorte dos brasileiros comuns, que vivem de salário em salário, o câmbio está se afastando dos R$ 6,40 de Perfeito (cujo fundo que gerencia deve ter sofrido algumas perdas substanciais em seus fundos cambiais) e indo para seu valor mais real.

    Isso também demonstra uma confiança dos estrangeiros na atual equipe econômica. Agora, se ela realmente vai entregar o prometido...
  • Carlos Pitoko  23/06/2016 16:32
    Vi o seguinte hoje no G1, quando falavam sobre câmbio:
    "[...] pode haver pressão inflacionária, já que o BC eventualmente precisa emitir uma quantidade maior de moeda nacional para "defender" a taxa de câmbio que ele mesmo estipulou. Com mais dinheiro em circulação, ele perde o valor e daí surge o efeito da inflação".

    É assim mesmo que o dólar causa inflação? não é porque os produtos são negociados em dólar? não tô entendendo direito. Enfim, estaria isso subentendido no texto do Leandro e eu não soube extrair?
  • Leandro  23/06/2016 17:03
    Por incrível que pareça, dessa vez a grande mídia apresentou uma descrição correta.

    Eis o que aparentemente foi dito na reportagem: o BC, informalmente, estabeleceu como piso um dólar entre R$ 3,40 e R$ 3,50.

    Logo, quando o dólar cai abaixo de R$ 3,40 o BC intervém -- ou, ao menos, é isso o que diz a reportagem -- comprando dólar. E como ele compra dólar? Criando reais.

    Se esses reais -- que de início vão para os bancos e corretoras -- entrarem na economia, aí há inflação monetária, o que pode pressionar os preços.

  • Carlos Pitoko  23/06/2016 17:36
    Obrigado pela gentileza Leandro. Abraços
  • Pobre Paulista  23/06/2016 17:49
    Resumo:

    Dólar sobe -> Inflação sobe, pois todos os produtos, ainda que nacionais, que dependam de preços internacionais ficam mais caros.

    Dólar cai -> Inflação sobe, pois o BACEN cria dinheiro para comprar dólares e evitar a queda.

    Realmente, é melhor colocar o câmbio fixo de uma vez.
  • Joaquim Saad  23/06/2016 18:36
    "Dólar cai -> Inflação sobe, pois o BACEN cria dinheiro para comprar dólares e evitar a queda."

    E a dívida bruta também sobe para "abastecer" o estoque de títulos do Tesouro na carteira do BC, que os vende a fim de "esterilizar" os reais recém-criados nesse verdadeiro "punta-taco" !
  • George  23/06/2016 19:07
    Não concordo. A solução é o BACEN não intervir, deixar o câmbio flutuar para que o mercado determine a taxa de câmbio, e não um comitê central.
  • Leandro  23/06/2016 19:20
    Concordo que não deve haver comitê central. Exatamente por isso não deve haver nenhum Banco Central, mas sim apenas um Currency Board, que absolutamente nada faz em termos de política monetária e cambial.

    Quanto ao câmbio flutuante, funciona bem para economias desenvolvidas, estáveis e com alta previsibilidade, em que não há malucos no governo, sim. Nesse caso, as flutuações da taxa de câmbio são baixas. E, no caso da Suíça, como ocorreu em janeiro de 2015, a flutuação ocorre no sentido da valorização.

    Já em economias avacalhadas e com governos ensandecidos, o câmbio não flutua; ele desaba. A prática mostra que taxas de câmbio flutuante não funcionam para países ainda em desenvolvimento que possuem um longo histórico de instabilidade monetária ou política, e cujo Banco Central não é visto como confiável. Nestes países, a qualquer sinal de novas instabilidades, a taxa de câmbio afunda. E com ela vai toda a estabilidade econômica.

    A solução para estes é, do novo, Currency Board.
  • Joaquim Saad  23/06/2016 19:05
    Leandro (e quem mais souber e quiser responder),

    Aproveitando o tema: onde afinal de contas se dá a formação da taxa à vista de câmbio comercial no Brasil ? Diz-se que se trata de um mercado descentralizado cujas transações (tanto no primário c/ o exterior como no secundário entre os bancos daqui) seriam apenas reportadas ao Bacen conforme fossem sendo efetivadas, existindo também a tal "roda de dólar pronto" na BMF (presumivelmente compreendendo um pregão específico como os demais mantidos naquela bolsa, c/ ordens de compra e venda sendo ofertadas e executadas na medida em que seus preços convergissem). É isso mesmo ? Haveria então (atualmente) ao menos dois "ambientes" oficiais de negociação de moedas estrangeiras por aqui ?

    Obrigado.

    []'s
  • Intruso  23/06/2016 19:28
  • Joaquim Saad  23/06/2016 20:30
    O link refere-se ao forex em outros países, mas no Brasil (sobre onde perguntei) por sinal o acesso ao mercado cambial à vista é bem mais restrito (razão pela qual o dólar futuro da BMF movimentaria o gigantesco volume contratual que lhe é peculiar).

    Minha dúvida é se hoje haveria por aqui alguma cotação "oficial" p/ a taxa comercial, sobretudo caso ainda exista a "roda de dólar pronto" na bolsa (vigente lá nos idos de 2007), que então configuraria um mercado alternativo às transações diretas entre os bancos reportadas ao BCB.
  • Anderson d'Almeida  16/07/2016 22:38
    Se dependermos dessa gente...

    www.financista.com.br/noticias/serra-mira-novos-acordos-e-diz-que-maior-valorizacao-do-real-pode-afetar-competitividade
  • Eu  28/07/2016 11:49
    Eu não entendi o trecho abaixo:

    "Funciona assim: suponha que um mesmo bem A esteja custando R$ 2 no Brasil e US$ 1 nos EUA. Nesse caso, a julgar pelos preços de A, nota-se que o poder de compra do real é menor que o do dólar. No entanto, suponha também que a taxa de câmbio vigente esteja em R$ 1 = US$ 1. Pela taxa de câmbio, o poder de compra de ambas as moedas é igual. "

    Até então, estava sendo considerada uma taxa de câmbio de 2R$ = 1US$. Então porque que, a julgar pelos preços de A, o poder de compra do real estava menor? Não deveria ser o mesmo poder de compra?
  • Leandro  28/07/2016 14:51
    Você pegou um parágrafo que estava inserido em um longo exemplo que descrevia a evolução de um raciocínio. Você não pode retirar esse parágrafo de toda a sequência de raciocínio na qual ele estava inserido. Se fizer isso, ele ficará sem lógica.

    O raciocínio mostrava como um câmbio de 1:1 seria levado para um câmbio de 2:1 por meio de operações de arbitragem.

    Leia os parágrafos abaixo inteiramente:

    "Se o preço de um mesmo produto é de US$ 500 nos EUA e de R$ 1.000 no Brasil, então a taxa de câmbio entre as duas moedas teria de ser de 2 reais por dólar. A essa taxa, um brasileiro vai pagar o mesmo valor por esse produto, seja ele comprado aqui no Brasil ou nos EUA.

    No entanto, se o câmbio não estiver em R$ 2 por dólar, então o equilíbrio ainda não foi atingido, o que significa que há oportunidades de lucro para um especulador por meio de um processo chamado de "arbitragem".

    Funciona assim: suponha que um mesmo bem A esteja custando R$ 2 no Brasil e US$ 1 nos EUA. Nesse caso, a julgar pelos preços de A, nota-se que o poder de compra do real é menor que o do dólar. No entanto, suponha também que a taxa de câmbio vigente esteja em R$ 1 = US$ 1. Pela taxa de câmbio, o poder de compra de ambas as moedas é igual.

    Logo, comparando-se os preços com a taxa de câmbio, vemos que o real está sobrevalorizado e o dólar está subvalorizado. O real está sobrevalorizado porque seu poder de compra, que é menor que o do dólar, está igual ao do dólar quando se analisa a taxa de câmbio. Assim, claramente o câmbio está errado.

    Um especulador esperto irá vender A em troca de reais (irá obter R$ 2) e, em seguida, irá trocar R$ 2 por US$ 2 (pois a taxa de câmbio é de 1:1). Ato contínuo, irá recomprar esse bem por US$ 1, que é o seu preço de mercado, embolsando o dólar extra. Essa contínua troca de reais por dólares encarecerá o dólar em relação ao real, finalmente levando a taxa de câmbio para seu valor correto, de R$ 2 por dólar.

    Ou seja, essas operações — as "arbitragens" — fazem com que a taxa de câmbio e a razão do poder de compra entre as duas moedas sejam levadas à sua relação correta."


    Entendeu agora? Todo o trecho acima mostra a evolução de um raciocínio: como um câmbio que estava em 1:1 termina em 2:1 em decorrência de operações de arbitragens.
  • Eu  01/08/2016 13:32
    Ainda não entendi muito bem. Eu não peguei o parágrafo fora do contexto.

    Eu entendi como um câmbio incorreto, por meio da arbitragem, chegaria ao seu valor correto.

    Vou tentar explicar melhor minha dificuldade, talvez você possa me ajudar. Vou colocar a dúvida entre colchetes. O texto está assim:

    "Por exemplo, se o preço de um mesmo produto é de US$ 500 nos EUA e de R$ 1.000 no Brasil, então a taxa de câmbio entre as duas moedas teria de ser de 2 reais por dólar. A essa taxa, um brasileiro vai pagar o mesmo valor por esse produto, seja ele comprado aqui no Brasil ou nos EUA.
    [OK, mesmo produto, mesmo preço nos dois países]

    No entanto, se o câmbio não estiver em R$ 2 por dólar, então o equilíbrio ainda não foi atingido, o que significa que há oportunidades de lucro para um especulador por meio de um processo chamado de "arbitragem".
    [OK. Se não tiver na taxa de câmbio correta, vai ter arbitragem, levando a taxa correta]

    Funciona assim: suponha que um mesmo bem A esteja custando R$ 2 no Brasil e US$ 1 nos EUA. Nesse caso, a julgar pelos preços de A, nota-se que o poder de compra do real é menor que o do dólar.
    [Não entendi isso. Se um produto custa R$ 2 no Brasil e US$ 1 nos EUA e estamos considerando a taxa de câmbio de US$2/R$1, porque, nesse caso, o poder de compra do real é menor do que o do dólar? Porque nesse caso o poder de compra do real é menor do que o do dólar com essa taxa de câmbio e o primeiro caso (um produto custar US$ 500 lá e R$ 1000 aqui) , com a mesma taxa de câmbio, o preço pago é o mesmo valor, ou seja, o mesmo poder de compra?"

    Eu entendi todo o artigo, a ideia da taxa variando com base na inflação etc e quase todos os exemplos. Acho que o que está pegando pra mim é só esse trecho aí mesmo. Provavelmente por conta da expressão "poder de compra". Posso estar interpretando ela errado.

    Obrigado.
  • Leandro  01/08/2016 15:00
    "suponha que um mesmo bem A esteja custando R$ 2 no Brasil e US$ 1 nos EUA. Nesse caso, a julgar pelos preços de A, nota-se que o poder de compra do real é menor que o do dólar.
    [Não entendi isso. Se um produto custa R$ 2 no Brasil e US$ 1 nos EUA [...] por que o poder de compra do real é menor do que o do dólar?]"


    Simples. Porque você precisa de R$ 2 para comprar o bem A, e de apenas US$ 1 para comprar esse mesmo bem A.

    Se você precisa de menos dólares do que reais para comprar o mesmo bem, então, por definição, o poder de compra de uma unidade de dólar é maior que o poder de compra de uma unidade de real.
  • anônimo  10/10/2016 20:19
    Excelente Artigo !!!

    Encontre várias informações interessantes, estou aprendendo bastante aqui neste site, eu encontrei um artigo sobre este tema, veja aqui : cursodeteologiaonline.com/2016/08/07/resultado-do-rio-de-premios/
  • Murdoch  22/10/2016 02:18
    Boa Noite Leandro,
    Sobre o artigo eu tenho uma dúvida.
    Igual a todos os leitores deste site, compartilho a ideia da valorização do real em relação ao dólar.
    Mas peguei uns dados de um site de conversão de moedas.
    Segundo o site apresentarei as seguintes conversões.

    "Converter EUA - Dólar para Austrália - Dólar australiano
    $ 1 = $ 1.3133"
    "Converter EUA - Dólar para Canadá - Dólar canadense
    $ 1 = $ 1.3334"
    "Converter EUA - Dólar para Cingapura - Dólar de Cingapura
    $ 1 = $ 1.3939"
    "Converter EUA - Dólar para Nova Zelândia - Dólar Neozelandês
    $ 1 = $ 1.3962"
    "Converter EUA - Dólar para Suíça - Franco suíço
    $ 1 = CHF 0.9936"
    Depois de coletado essas conversões, eu pergunto.
    O câmbio ideal para uma economia brasileira forte é entre R$0,99 a R$1,30?
    Digo isso exatamente porque o câmbio entre R$3,35 a R$4,29 ainda que fosse o correto o valor do câmbio se tornaria super desvalorizado em relação ao dólar.
    Quando o real estava a R$1,60 tivemos uma indústria extremamente competitiva e a capacidade dela estava a 1000/h, como mostrado neste artigo - O que realmente permitiu o grande crescimento econômico brasileiro da última década - mas ao que tudo indica, o câmbio nessa paridade com o dólar é o certo, porém a valorização ainda mais do real perante o dólar ainda é viável, como o franco suíço é atualmente com o dólar?
    E no melhor das hipóteses, o câmbio abaixo de R$1,00? É uma taxa supervalorizada, mas praticável?

    Abraço
  • Leandro  22/10/2016 13:17
    Essas comparações não fazem muito sentido. Não faz sentido pegar a taxa de câmbio do franco suíço com o dólar e então dizer que o real deveria ser tão forte quanto o franco suíço.

    Nós não somos a Suíça. Nós não somos tão produtivos quanto os suíços. Nosso governo não é tão confiável e estável quanto o suíço (aliás, quem é o governo da Suíca? Qual o nome do atual chefe de governo da Suíça? Você consegue falar sem recorrer ao Google? Pois é...). Nossa moeda não tem o mesmo histórico de solidez do franco suíço (muito pelo contrário). Nosso histórico de calotes nos credores estrangeiros não é o mesmo da Suíça.

    Sim, moeda forte é uma delícia. Mas esta tem de vir naturalmente, em decorrência de políticas fiscais e monetárias austeras, e em decorrência de se ter um governo (que detém o monopólio da moeda) sensato e confiável, cujas políticas sejam o exato oposto das do governo Dilma.

    Dólar abaixo de R$ 1? Não visualizo isso, a menos que um maluco assumisse a presidência dos EUA e destruísse o dólar.
  • Murdoch  23/10/2016 22:18
    Entendi.
    Obrigado pela resposta.
  • LUCIANO RIBEIRO LEAL  24/11/2016 02:10
    Como um banco determina a sua taxa de câmbio?

    Obviamente é seguindo a lei da oferta e demanda, já que a moeda (usando o dolar como exemplo) é uma mercadoria que pode ser transacionada livremente pelos Dealers de Câmbio regularmente cadastrados junto ao Bacen.

    Mas, como se dá a medição desta oferta/demanda, para se chegar a taxa que será cobrada naquele dia pelo câmbio?

    Em que momento o banco ou a casa de câmbio fala assim: temos uma demanda muito grande por dolares hoje, vamos subir o preço do dolar de 3,20 para 3,25.

    Não consigo enxergar essa "operacionalização". Se alguém puder ajudar ....
  • Raphael Leme  05/01/2017 02:06
    O fluxo cambial em 2015 foi positivo. Ou seja, entraram mais dólares no Brasil do que saíram. No entanto, o dólar subiu de R$ 2,40 para R$ 4.

    Em 2016, o fluxo cambial foi negativo. Ou seja, saíram mais dólares do Brasil do que entraram. No entanto, o dólar caiu de R$ 4 para R$ 3,20.

    A pergunta é: como ainda pode haver economistas que dizem que o que define câmbio é balança comercial?

    Em tempo: Leandro, neste artigo você disse que se o dólar caísse abaixo de R$ 3,35 isso significaria que o real estaria apreciado é que com isso a inflação de preços diminuiria. Parece que foi isso mesmo que aconteceu. Parabéns pela análise.
  • Cético  21/02/2017 12:37
    Senhores,

    Seria interessante atualizarmos este artigo para 2017 não?
  • 4lex5andro  03/03/2017 17:57
    •Foreign equities were mostly down this week.
    •Brazil has again started to slide, after a few good weeks. A rising dollar has clearly had a negative impact. This fall may only prove to be a bump on the road to a higher valuation. The index is still undervalued compared to its peers, while the government's market-friendly reforms should provide a good dose of confidence to investors.
    •For the rolling month, Russia was the worst performer, falling 6.53%.
    •Germany is the best performer this week, rising 1.54%. The nation's equities act as a safe haven in continental Europe as investors nervously await elections in the Netherlands and France. If Le Pen wins the French presidency, outflows from France will continue, with most of the money potentially landing in Germany.

    (Fonte: etfdb.com/news/2017/03/03/etf-scorecard-march-03-2017-edition/)

    Um cenário econômico no exterior traz indícios que poderiam ser favoráveis ao Brasil, no caminho pra sair dessa depressão atraindo investimentos e voltar a enriquecer, mas a política pra variar travando o país.
  • Fernando  09/05/2017 04:02
    Parabéns por mais um ótimo texto, Leandro!

    Ainda fico meio confuso com certos aspectos de transações monetárias. Como ocorre exatamente esta "venda de reais" que você mencionou ter ocorrido em 2003? Compreendo que a escassez de um bem gera um aumento em seu custo de compra, mas não entendo exatamente como esse comércio se dá no caso de moedas. Por exemplo, não entendo muito bem porque a política do Bacen em comprar dólares na década de 80/90 desvalorizava o real. De quem exatamente ele comprava? Dos Bancos comerciais brasileiros? E se sim, por isso que o dólar encarecia, porque diminuía sua quantidade disponível para compra?

    Abraços!
  • Alexandre Tadeu  25/05/2017 18:02
    Leandro, vc saberia explicar como era o mecanismo denominado "Crawling Peg", adotado pelo governo da ditadura? Pelo o que eu li, foi uma política de pequenas desvalorizações cambiais feitas paulatinamente no intuito de incentivar as exportações no final dos anos 60. Simonsen chamava isso de realismo cambial e o Delfim Netto explicava que se usava as taxas de inflação dos EUA e do Brasil para se chegar ao equilíbrio. Eu realmente não encontrei explicações satisfatórias sobre isso.
  • Leandro  26/05/2017 17:24
    De maneira bem básica, era assim:

    1) O governo gastava o que tinha, e pedia empréstimos (a bancos nacionais e estrangeiros) e também imprimia dinheiro para gastar o que não tinha.

    2) Tal política, totalmente inflacionária, era contrabalanceada por uma taxa de câmbio fixa, a qual ajudava a contar os preços.

    3) Só que não há truques em economia. Se o governo gasta os tubos e aumenta continuamente a oferta monetária, essa taxa de câmbio não pode ficar fixa por muito tempo. Afinal, a moeda nacional está se desvalorizando muito mais que o dólar.

    4) Ato contínuo, o governo frequentemente tinha de fazer o inevitável: com a moeda desvalorizada, mas o câmbio artificialmente fixado, sua única alternativa era fazer mini ou maxi-desvalorizações. Caso contrários, as reservas internacionais iriam acabar.

    5) Só que a cada desvalorização do câmbio, a inflação de preços galopava, e cada vez mais rápido.

    6) E assim foi, até o Plano Verão, em janeiro de 1989 (última vez em que tal artifício foi tentado).

    Apenas neste período, nada menos que 4 moedas foram hiperinflacionadas e destruídas.


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