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O básico sobre criação de riqueza e desigualdade de renda - e o que alguns seguem sem entender

Suponha que Paulo, Pedro e João se reúnam semanalmente para jogar pôquer.  E, em 75% das vezes, Paulo vence.  Pedro e João vencem, respectivamente, 15% e 10% das vezes.

Simplesmente conhecer estes resultados dos jogos não nos permite dizer absolutamente nada sobre se houve ou não justiça e sensatez nos jogos.  As desproporcionais vitórias de Paulo podem ser o resultado de ele ser um jogador astuto ou de ser um vigarista esperto.

Para determinar se houve justiça nos jogos é necessário perguntar sobre o processo do jogo.  Houve desobediência às regras neutras do jogo?  Havia cartas marcadas?  Houve trapaça no embaralhamento das cartas?  Houve algum jogador que foi coagido a jogar? 

Se as respostas forem negativas, então houve justiça nos resultados, independentemente de qual tenha sido os resultados.  O fato de Paulo ter vencido 75% das vezes é um fato que tem de ser aceito.  

Assim como no exemplo acima, qualquer discussão inteligente sobre justiça social e igualdade econômica tem de reconhecer que os resultados observados de um processo não servem para determinar se houve ou não justiça e sensatez.

Saber que a renda anual de uma pessoa é de $ 500.000 e que a renda de outra pessoa é de $ 12.000 é algo que não nos diz absolutamente nada sobre justiça econômica e social.  Para determinar se realmente houve injustiça econômica e social é necessário fazer perguntas sobre o processo de enriquecimento.

A maioria das pessoas que faz pontificações altivas sobre desigualdade econômica — inclusive economistas, para vergonha geral — simplesmente não reconhece, ou não deixa explícito, que a renda de uma pessoa é resultado de algo que ela fez. Sendo assim, apenas observar um determinado resultado não pode ser utilizado para determinar se houve justiça, isonomia e sensatez. 

Para determinar se houve justiça, isonomia e sensatez é necessário ir além dos resultados e examinar o processo econômico como um todo.

Comecemos pelo básico.

A criatividade, a engenhosidade e a inteligência estão ausentes do debate

Em primeiro lugar, é necessário entender o que cria a riqueza.

Por que as pessoas do século XIX não se comunicavam por meio de telefones celulares?  Por que elas não utilizavam computadores?  Ou mesmo, por que as guerras da antiguidade não utilizavam mísseis teleguiados? Todos os recursos físicos necessários para fazer mísseis, celulares e computadores já existiam naquela época.  Aliás, esses recursos físicos já existiam desde a época do homem das cavernas.  Por que o homem das cavernas não tinha um computador portátil para interagir com seus semelhantes via Facebook? 

A resposta é que, embora os recursos físicos já existissem, a mente humana ainda não era engenhosa e criativa o bastante para saber como transformá-los em celulares, mísseis, computadores e internet.

Criatividade, engenhosidade e inteligência são as características que transformam recursos brutos em recursos valorosos e geradores de riqueza.

Uma concepção errônea, mas extremamente popular, é a de que o estudo da ciência econômica serve para capacitar alguém a prever os rumos da bolsa de valores ou a fazer investimentos rentáveis.  Errado.  A economia é um estudo sistemático sobre causa e efeito, e serve para você entender as relações de causa e efeito.  O estudo da economia ajuda a entender o que acontece quando você faz coisas específicas de maneiras específicas. 

O caminho para entender resultados econômicos é examinar as consequências das decisões tomadas e quais foram os incentivos que levaram a essas decisões. 

E isso nos permite entender como a riqueza é criada.

O que é riqueza?

Riqueza é tudo aquilo que gera uma fonte de renda futura.

Não é a riqueza que dá valor à renda, mas sim a renda que dá valor à riqueza.  O valor de um terreno não depende do terreno em si mesmo, mas sim do valor de todos os serviços que ele permite.  Um pedaço de terra em uma cidade inglesa tem mais valor que um pedaço de terra no Zimbábue porque suas possíveis utilizações na Inglaterra (residenciais, industriais, comerciais etc.) são mais úteis para o conjunto da sociedade do que no Zimbábue. 

Por outro lado, se a Inglaterra for devastada por uma guerra e Zimbábue se tornar um centro internacional de negócios, as terras do Zimbábue passarão a ser muito mais valiosas do que as da Inglaterra, ainda que, fisicamente, não tenha havido alteração nenhuma na composição destas terras. 

É por isso que o preço do metro quadrado hoje em Hong Kong ou Cingapura é infinitamente superior ao valor de 50 anos atrás.  As terras são as mesmas, mas a utilidade da terra melhorou (aliás, a qualidade da terra em si pode até ter se degradado), pois o valor que subjetivamente se atribui às utilizações que o terreno proporciona se multiplicou.

Em uma sociedade formada por bilhões de pessoas, onde os recursos físicos possuem variados usos alternativos, a imensa maioria das rendas não advém automaticamente dos recursos materiais, mas sim do uso que se faz destes recursos materiais.  Isso significa que a capacidade de geração de renda depende muito mais da organização inteligente destes recursos do que da disponibilidade dos mesmos.

É exatamente por isso que a Google (e tantas outras empresas) conseguiu crescer e enriquecer mesmo tendo sido criada em uma garagem e utilizando apenas recursos próprios; e também é exatamente por isso que os governos — mesmo tendo à sua disposição muitos mais recursos (confiscados) do que qualquer empresa — não conseguem gerar nada de proveitoso.

Um poço de petróleo hoje é o mesmo poço que já existia há 100 anos.  No entanto, seu dono hoje será incomparavelmente mais rico do que o dono de 100 anos atrás, pois o petróleo hoje é utilizado em processos produtivos que geram muito mais renda do que gerava há 100 anos.

O que se pode dizer com certeza é que, em ordens sociais livres e complexas, a maior parte da riqueza de uma sociedade estará na forma de sistemas organizacionais geradores de bens e serviços (renda), isto é, de empresas que produzam bens e serviços valiosos para os consumidores; e continuará nesta forma apenas enquanto estes sistemas empresariais seguirem gerando valor para o consumidor. 

Sendo assim, por que as pessoas que enriquecem desta forma estariam cometendo alguma injustiça social?

Por outro lado, são famosos os casos de megaempresas que se tornaram totalmente descapitalizadas em decorrência do simples fato de que seus bens e serviços deixaram de ter valor para o consumidor (o recente ocaso da Kodak é o mais famoso de todos).  Ninguém irá derramar lagrimas por seus executivos?

O real causador das desigualdades segue sendo visto como o salvador

Um debate que desconsidere coisas simples como o que realmente é riqueza, como ela é gerada, como ela é distribuída, e o que define uma distribuição injusta é um debate meramente emotivo, e não racional.

Por outro lado, é fato que há várias pessoas que enriqueceram em decorrência de fartos subsídios governamentais, de tarifas protecionistas e de onerosas regulamentações que impediram o surgimento de concorrência e garantiram uma renda exclusiva para esses plutocratas.

É também fato que a maneira como funciona o atual sistema monetário e bancário é propícia a uma distribuição desigual de riqueza.

Sendo assim, é irônico notar que, quando a distribuição de renda é realmente injusta, isso ocorre por causa das interferências, das regulamentações e dos gastos governamentais.  No entanto, o que os defensores da redistribuição de renda sugerem para corrigir essa injustiça gerada pelas intervenções do governo é justamente mais interferências, mais gastos e mais regulamentações governamentais.

Conclui-se que essas pessoas simplesmente não entendem nem como a riqueza é criada, nem como ela é justa e injustamente distribuída, e nem como ela é destruída.


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autor

Walter Williams
é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros.  Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.


  • Pobre Paulista  15/04/2016 15:00
    De onde vem esta definição formal de "Riqueza"?

    Pergunto pois tenho uma visão um pouco diferente. Riqueza não tem a ver com renda, e sim com produtividade.

    Suponha que vc more em uma ilha deserta e precisa plantar e colher para seu próprio sustento, e que esse trabalho lhe tome o dia inteiro.

    Aí, como vc é alguém inteligente, consegue criar algumas ferramentas para facilitar seu trabalho: arado, varas de pescar, cerca para porcos, etc.

    Depois de todo esse ferramental criado, vc aumentou sua produtividade, e portanto precisa de muito menos tempo para continuar sobrevivendo, podendo usar seu tempo adicional para o que quiser.

    Vc portanto está mais "rico" do que antes, mas não tem nenhuma renda futura.

  • Magno  15/04/2016 15:13
    Sorry, mas você não está mais rico.

    Você está, isso sim, temporariamente em melhor situação. No entanto, se você não continuar produzindo -- isto é, se você não conseguir manter sua produção continuamente
    --, seu bem-estar atual deixará de existir no futuro. Aí você voltará a ser pobre.

    Sem criar renda -- isso é, sem ter uma maneira de manter sua produção continuamente -- você não terá nada no futuro.

    No seu exemplo, você aumentou sua produtividade, é fato. Porém, sem fazer com que essa maior produtividade de transforme em um efetivo aumento de renda, você não estará mais rico. Se o estoque de alimentos na ilha se esgotar (ou seja, se sua renda acabar), você já era, por mais produtivo que você seja.
  • anônimo  15/04/2016 17:44
    'Sem criar renda -- isso é, sem ter uma maneira de manter sua produção continuamente -- você não terá nada no futuro.'

    Putz, o cara acabou de explicar como é que o sujeito não só está mantendo a produção mas também está sendo mais eficiente nisso!
  • Tobias  15/04/2016 17:56
    Então ele está auferindo renda, por definição.
  • Viking  15/04/2016 15:16
    riqueza no meu modo de ver é o acumulo do capital que melhora a condição de vida da pessoa. Seu exemplo para isso é excelente.
  • Magno  15/04/2016 15:24
    Exato. Tem de ter acúmulo.

    E, para haver acúmulo, é necessário haver renda. Não há como acumular algo se você não auferir esse algo. No exemplo dado, para ele seguir acumulando alimentos, ele tem de continuar coletando esses alimentos.

    E, quanto maior for sua produtividade, maior será sua renda e, consequentemente, seu acúmulo.
  • Pobre Paulista  15/04/2016 16:47
    Entendo. Não estou discordando da definição dada. Mas sigamos:

    Não precisa necessariamente ser um exemplo "Robson Crusoe". Sendo mais produtivo, ele pode optar por usar o tempo livre dele para lazer, ou trabalhar mais e ter mais bens produzidos, além da necessidade dele: Ele possui excedentes. Estes excedentes podem ser trocados por bens de outras pessoas, que fazem coisas que ele não sabe fazer. Novamente, neste cenário ele possui mais coisas - e portanto, não estaria mais rico? - porém continua sem ter nenhuma renda...

    Isto posto, eu poderia então tentar reformular: Riqueza é tudo aquilo que lhe gera bens excedentes?
  • Rex  15/04/2016 15:25
    Meu caro:

    Williams: "Riqueza é tudo aquilo que gera uma fonte de renda futura"

    No seu exemplo, o ferramental criado (arado, varas de pescar, cerca para porcos, etc.) pelo sujeito gera, sim, uma fonte de renda futura.

    A diferença é que vc suscita o exemplo da "Robinson Crusoe economy" (sujeito isolado, sem trocas indiretas realizadas por commodities que funcionam como meios de troca); e no texto o Williams está se referindo à economia monetária (daí a invocação do conceito de "renda").
  • Daniel  15/04/2016 16:24
    Identidade básica da contabilidade nacional: Renda = Produção

    Uma riqueza que melhora a produtividade, melhora também a produção e assim também melhora a renda.
  • jaisson  16/04/2016 02:27
    'Pobre Paulista', creio que você tenha se equivocado quanto ao que é riqueza restringindo-a unicamente a um de seus pilares: a produtividade. A produtividade está ''dentro'' riqueza, mas não que ela seja a riqueza em si. Por exemplo, supondo que uma demanda no mercado por velas seja 0,5bilhões de unidades e que você tenha uma fabrica de velas, e descobriu uma maneira de dobrar sua produtividade (1bilhão de velas), não irá mudar muito sua riqueza se a DEMANDA se manter constante por necessidade e não por poder de compra (em 0,5bi).
    O que quero dizer é que, na verdade, a riqueza está ligada ao valor final das coisas subjetivamente às pares interessadas, seja direta ou indiretamente. Se eu lhe compro todo mês 10kg de peixe dessa sua ilha, e eu compro isso porque me basta independentemente se posso comprar mais ou não, de nada adianta você aumentar sua produtividade se eu não quero comprar mais peixes. O que importa é o valor que EU TENHO E QUE ESTOU DISPOSTO A PAGAR em troca dos peixes.
  • anônimo  16/04/2016 13:53
    Esse exemplo não cabe.Na situação que ele colocou estava claro que existia demanda sim, a demanda era o próprio sujeito fazendo coisas pra si mesmo.
  • Pobre Paulista  16/04/2016 16:31
    Eu entendi, mas o que eu queria mesmo era achar uma definição mais abstrata de "riqueza". Se atrelarmos a definição de riqueza à renda, precisamos então de um sistema financeiro funcional, moedas e trocas voluntárias para que as pessoas possam ser ricas. Mas a mim me parece que essas coisas são consequências, e não causas da riqueza, e portanto, jamais podem fazer parte da definição de riqueza.

    Note que não estou discordando de nada que foi dito, só acho que essa definição é muito forte, acredito ser possível existir uma definição mais fraca de riqueza, que possa englobar as diferentes noções de riqueza, e por isso coloquei esses exemplos.

    Dê uma olhada nas diferentes definições de riqueza que temos apenas na wikipedia: Riqueza
  • Thiago Teixeira  23/04/2016 00:49
    Uma das medidas de riqueza é: com o patrimonio que voce acumulou, quanto tempo voce vive sem trabalhar?
  • MarcioAB  15/04/2016 15:17
    Muito bom. Segue uma outra metafora/perspectiva.

    Distorções no Campo da Miseria.

    Considere uma lamina d'agua de 10 cm e que essa lamina represente uma especie de campo gravitacional, que eu chamo do campo da miseria.
    As pessoas que estao nesse nivel gastam a maioria do seu tempo util procurando comida e abrigo. Assim como todos os seres vivos.

    Agora considere uma distorçao nessa lamina, uma protuberancia, um pico. Essa distorçao corresponde ao fato de uma pessoa ter encontrado uma forma mais eficiente de obter comida ou abrigo, ou seja, elevando-se um pouco da miseria. Por exemplo, alguem descobriu a agricultura.

    Essa distorção chama atenção dos que estão proximos, que acabam por solicitar entrar na distorção.
    Considere que o causador da distorção aceite, dando uma pequena parte dos resultados dessa distorção para os entrantes.
    Com isso o "dono" da distorção obtem cada vez mais resultados, a distorção fica cada vez maior, chama cada vez mais atenção e finalmente temos uma grande distorção no campo da miseria, beneficiando muitos entrantes com seus resultados.

    Em um determinado momento, uma pessoa na superficie do campo da miseria, olhando de longe uma distorção pode pensar: Para existir aquele volume d'agua, é necessario que eles tenham tirado essa agua de algum lugar, provavelmente de mim.

    Esse pensamente acontece naturalmente porque estamos acostumados a pensar em termos fisicos, como se o volume de agua fosse constante.

    Essa pessoa pensa que se de alguma forma aquela distorção for achatada, havera um aumento de agua para todos, ou seja, uma redução generalizada da miseria.

    Isso é um engano. A agua dessa distorção surgiu do nada. E achatar essa distorção não vai espalhar essa agua. Ela vai simplesmente desaparecer.

    A maioria das pessoas não consegue entender ou aceitar isso. Elas pensam segundo a fisica tradicional.

    Não importa a altura da distorção. O que importa é a largura, a quantidade de pessoas que entraram na distorção. Algumas estarão mais proximas do topo, outras mais abaixo, mas de qualquer forma, todas estarão olhando o campo da miseria de um ponto mais elevado.

    O que importa é fazer surgir essas distorções no campo da miseria, quanto mais melhor, quanto mais larga melhor. Tentar achatar as distorções, para ter um campo da miseria menos distorcido ou achando que o volume de agua das distorções sera explalhado pelo campo aumentando um pouquinho o nivel do campo da miseria é consequencia de não entender como funciona esse campo.
  • Renato Arcon Gaio  15/04/2016 16:52
    MarcioAB,

    gostei da sua metáfora/perspectiva, também é uma forma interessante de ensinar a realidade da nossa sociedade para as pessoas leigas.

    Abraços
  • Anonimo  15/04/2016 20:28
    Exato! A maioria das pessoas acha que riqueza é uma grandeza conservativa, como massa ou energia... Ledo engano! Riqueza é criada e destruída - ou consumida - o tempo todo.
    Uma vez que se entende este fato básico, todo o conceito de "distribuição de renda" fica sem sentido algum.
  • Wagner P.  15/04/2016 22:28
    MarcioAB, interessante sua colocação.

    Mas escutou alguma vez a frase "PREGO QUE SE DESTACA DEVE SER MARTELADO"?

    www.g37.com.br/colunistas.asp?c=padrao&modulo=conteudo&url=018111&ss=7

    www.catho.com.br/carreira-sucesso/colunistas/dalmir-santanna/prego-que-se-destaca-e-martelado

    Ou seja, o mundo das empresas não e fácil.

    Deixo a seguinte pergunta:

    Existem sociedades menos invejosas que outras?
  • MarcioAB  16/04/2016 00:41
    O que faz a distorção no campo da miseria é o empreendedor e não o trabalhador.
    O trabalhador simplesmente entra na distorção, quando possivel.
    Importante mesmo para criar a distorção é o empreendedor e esse tipo de figura voce não martela assim facilmente.
    Com relação a sua pergunta, a sociedade é o campo da miseria e cada campo pode ser energizado diferentemente.
    Dependendo da forma como voce energiza o campo, as distorções surgem com muito mais facilidade.
    Podemos pensar na inveja como um componente dessa energização, mas eu diria que é um dos componentes menos importantes.
    A pergunta que temos a fazer é: O que é necessario para energizar um campo da miseria ?
  • Nobre  16/04/2016 01:40
    Sociedade é uma abstração, logo medir o "nível total da inveja" desta mesma seria tarefa ingrata.

    Atente-se a indivíduos...
    A inveja é algo inteiramente pessoal e individual.

    Definição de inveja: "desgosto provocado pela felicidade ou prosperidade alheia".
    O invejoso não almeja construir apenas destruir as posses do outro.

    Não confundir com ganância que nada mais é do que: "um desejo ardente de melhorar de condição de vida".
    O ganancioso constrói, normalmente inspirado em alguém que já possui o que ele almeja.

    Considero que dado o ambiente (sociedade) e o nível de desenvolvimento econômico, podemos SIM afirmar que existem "sociedades" mais invejosas que outras.

    Exemplo: Considere um "americano médio", esse indivíduo beneficiado pelo ambiente, tem uma qualidade de vida (acesso a bens materiais, segurança, liberdade, etc) bem superior em relação, por exemplo ao brasileiro médio.

    O quero dizer e que a distância entre um "americano médio" e um "americano alta renda" é tão reduzida que não sobra muito espaço para manifestações de inveja.
    Isso se da pelo avançado nível de desenvolvimento econômico.

    Ao contrário da distância entre o "brasileiro médio" e o "brasileiro alta renda". Aqui a disparidade é tal que há maior suscetibilidade à inveja.

    "Sociedades pobres" a maior apelo a inveja.
    "Sociedades ricas" a um menor apelo a inveja.

    Mas lembre-se a inveja é um sentimento pessoal, complexo e da margem para diversas interpretações.

    Nossos desejos são infindáveis e sempre haverá alguém em uma condição melhor que a nossa. Desejos reprimidos podem naturalmente desembocar em inveja.

    Não quis me alongar, alguns termos simplistas, mas que ao final consegue passar a ideia central.
  • Wagner P.  19/04/2016 13:43
    Obrigado pelas respostas!
    Considerando o que esta acontecendo na América Latina, e nossa (falo em plural) educação religiosa, vejo complicado sair desta situação.
    Penso que a educação religiosa latino-americana e muito pobre, e nos asfixia na pobreza, aumentando inconscientemente a inveja.
  • pensador  15/04/2016 15:30
    Sempre haverá desigualdade, pois as pessoas são diferentes. Infelizmente, esse raciocínio simples não entra na cabeça dos "intelectuais" e governantes que querem que as pessoas sejam iguais, não pelo crescimento do "inferior", mas pelo rebaixamento de quem está acima.
  • achador  15/04/2016 16:45
    Se sua descrição não for a essência do que é comunismo, eu não sei o que é!
  • pensador barato  15/04/2016 17:08
    Se um empresario bilionario perder seu nicho de mercado,seu passivo aumentar de forma continua,sua renda cair de forma continua,seus investimentos estiverem dando prejuizo e o valor de suas acoes cairem de forma continua,ele estara em processo de falencia(Exemplo claro,Eike Batista).Portanto invejar o sucesso alheio e comemorar a falencia alheia e uma pobreza de espirito e revela o analfabetismo economico do sujeito,todos sabemos,o mercado e soberano e se voce nao seguir as regras dele estara eliminado,nao importando o tamanho da fortuna,fama,influencia,cultura e parcerias mal feitas,enfim o mercado e soberano.

    OBS Meu netbook nao esta acentuando,dai me perdoem os erros de Portugues,mas para bom entendedor meia palavra basta.
  • Taxidermista  15/04/2016 18:58
  • Andre Henrique  15/04/2016 20:02
    Tem um ponto que uso frequentemente minhas discussões com socialistas: no momento que você remunera um pessoa sem trabalhar (bolsa família, etc) ou que trabalha sem agregar valor (muitos dos funcionários públicos) vc não está somente sacaneando o cara produtivo, o Atlas que leva os demais nas costas e sim a própria pessoa, pois está tirando a oportunidade dele tornar-se mais produtivo, consequentemente fomentando um país mais produtivo.

    Fazendo uma analogia, se eu incluir o nome de uma pessoa num trabalho em grupo do colégio/faculdade, independente do seu esforço e resultado, não estou preparando-o para a vida... parece que estou ajudando-o quando na verdade estou sacaneando-o, bem como todo mercado de trabalho que receberá mais um incompetente.
  • Taxidermista  15/04/2016 21:19
    Caro Andre, talvez seja do seu interesse:

    há dois livros, escritos por discípulos de Rand, que desenvolvem bem esse seu ponto:

    www.amazon.com/Free-Market-Revolution-Rands-Government-ebook/dp/B0080K3NNS

    www.amazon.com/Equal-Unfair-Americas-Misguided-Inequality-ebook/dp/B015CKO1DY/ref=tmm_kin_swatch_0?_encoding=UTF8&qid=&sr=


    Abço.
  • Ernesto Mello  15/04/2016 21:29
    "Uma concepção errônea, mas extremamente popular, é a de que o estudo da ciência econômica serve para capacitar alguém a prever os rumos da bolsa de valores ou a fazer investimentos rentáveis. Errado. A economia é um estudo sistemático sobre causa e efeito, e serve para você entender as relações de causa e efeito. O estudo da economia ajuda a entender o que acontece quando você faz coisas específicas de maneiras específicas." Discordo em parte. Tenho ganhado um bom dinheiro em bolsa e outros investimentos com meu escasso conhecimento de economia.
  • Renan  15/04/2016 22:07
    Isso me lembra o finado Plinio de Arruda Sampaio ao ser candidato a presidencia da republica em 2010 pelo PSOL afirmou que preferia que o Brasil não tivesse crescimento econômico pra não aumentar a desigualdade(PRA NÃO DESPERTAR INVEJA?). Somalia e Uganda onde a população seja igualmente miseravel seja o "paraiso" pra ele.
  • Fabio  15/04/2016 23:06
    Eu moro em condomínio fechado. Se alguém me diz: "Isso é injusto você no bem bom ai" e eu perguntar: "Só há três formas de você conseguir o que tenho: roubando, sorteio ou trabalhando. Qual você acha justo para você conseguir?"

    Eu acho uma pergunta poderosa, mas não caio na armadilha da certeza. Há alguma resposta que cale esta pergunta?
  • a  15/04/2016 23:47
    Insisto em dizer que o capitalismo é superior a qualquer outro sistema econômico, pois é justo(a cada um de acordo com sua contribuição), desde que não seja sabotado pelo governo ou pessoas que se acham "prejudicadas". A questão principal é que as pessoas precisam saber qual é o seu real valor econômico e tentar progredir pelos próprios meios e parar de inventar desculpas para o seu fracasso. Claro, sem abrir mão de seus direitos adquiridos.
  • Renato  16/04/2016 00:58
    Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email NOVO é galenoeu@gmail.com
  • Emerson Luis  16/04/2016 12:36

    "Em primeiro lugar, é necessário entender o que cria a riqueza."

    Eles nem sequer compreendem que a riqueza é criada, muito menos como ela é criada.

    A única preocupação - ou melhor, obsessão - é com a "redistribuição de renda".

    * * *
  • Taxidermista  18/04/2016 14:11
    "Eles nem sequer compreendem que a riqueza é criada, muito menos como ela é criada.

    A única preocupação - ou melhor, obsessão - é com a 'redistribuição de renda'.
    "


    Exatamente, caro Emerson Luis; excelente síntese do busílis da desgraça imperante nesse território nominado "Brasil".
  • Fernando  18/04/2016 12:36
    Leandro Roque, como você pagaria os 2,7 trilhões da dívida pública ?
  • Leandro  18/04/2016 13:15
    Primeiro proibindo -- por meio de emenda constitucional -- que o estado gaste mais do que arrecada. Isso estancaria todo o crescimento da dívida.

    Depois instituindo o déficit nominal zero, o que, por si só, faria com que a dívida fosse sendo abatida anualmente.

    Pronto. Em algumas décadas a dívida estaria quitada.

    Esse é o plano moderado.

    Há também o plano radical, que é este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2188
  • Pobre Paulista  18/04/2016 14:09
    "que o estado gaste mais do que arrecada. Isso estancaria todo o crescimento da dívida."

    Ué, já não temos a LRF que teoricamente faz isso?

    E não entendi porquê o déficit nominal zero quitaria a dívida, isso não iria apenas a manter constante?
  • Leandro  18/04/2016 15:12
    Déficit nominal zero significa que o governo, além de pagar todas as suas despesas correntes, ainda está pagando todo o serviço da dívida (juros e amortizações devidas), sem ter de se endividar para isso.

    Ou seja, o governo consegue pagar suas despesas e seus gastos com a dívida exclusivamente com sua arrecadação, sem ter de emitir títulos (se endividar) para fazer isso.

    Ao pagar juros e amortizar, a dívida pendente cai. Trata-se de contabilidade básica.

    Você provavelmente está confundindo déficit nominal zero -- que é quando o governo não gasta mais do que arrecada -- com superávit primário, que é quando todo o serviço da dívida (juros e amortização) é excluída da equação e, com isso, os gastos são menores que a receita.
  • Pobre Paulista  18/04/2016 15:53
    Realmente, minha confusão foi essa. Não sabia que era assim, obrigado por esclarecer!
  • Enrico  18/04/2016 14:16
    Leandro, dado um déficit nominal de mais de 600 bilhões de reais, como seria possível atingir um déficit nominal zero até, digamos, três ou quatro anos?
  • Leandro  18/04/2016 15:14
    Cortando gastos.

    Onde o governo deve cortar? Em qualquer lugar e em todo lugar.

    Ministério da Pesca, Ministério da Cultura, Ministério do Turismo, Ministério do Desenvolvimento Agrário (já existe um Ministério da Agricultura), Ministério da Integração Nacional, Secretaria de Assuntos Estratégicos, Secretaria de Políticas para Mulheres, Secretaria da Promoção da Igualdade Racial, Secretaria de Comunicação Social, Secretaria de Portos, Secretaria de Aviação Civil, Secretaria das Relações Institucionais e Secretaria de Direitos Humanos poderiam ser imediatamente abolidos.

    Veja aqui o total das despesas de cada ministério.

    Esta reportagem da revista IstoÉ mostra que apenas os custos operacionais dos 39 ministérios de Dilma estão acima de R$ 400 bilhões por ano. Estes ministérios empregam 113 mil apadrinhados e os salários consomem R$ 214 bilhões. Não dá para cortar nada aí? Esses burocratas por acaso têm um "direito natural" a esses salários pagos pelo povo?

    Um governo federal que, em 2015, arrecadou mais de R$ 2,7 trilhões ainda quer aumentar tributos e manter intocadas as mordomias dos burocratas? Os 92 tributos existentes no Brasil não satisfazem essa gente?

    Eis aí uma prova suprema da ineficiência estatal, a qual deveria fazer o mais inflexível defensor da existência de governos ao menos repensar sua postura: um governo que tem uma receita de mais de R$ 2,7 trilhões não é sequer capaz de mantê-la dentro de seu orçamento, e tem de recorrer a novos esbulhos para fechar suas contas. Qualquer empresa privada que operasse sob esses princípios já teria sido extinta pelo mercado.

    Concomitantemente aos ministérios, que se feche todas as agências reguladoras também. Aí sim o país volta a crescer.
  • Enrico  18/04/2016 18:41
    Eu concordo que haja muito o que cortar, mas também há muito o que não será cortado. Boa parte dos custos operacionais precisam ser mantidos para que esses ministérios permaneçam em funcionamento. Muitos órgãos públicos não podem ser cortados e há muitas despesas com previdência e programas cujo corte seria um suicídio político.

    Repito: com um déficit nominal de R$638,6 bilhões, é possível politicamente atingir um corte de gastos capaz de atingir um déficit nominal zero? Cortar apenas despesas de custeio e meia dúzia de programas falidos não será suficiente.
  • Auxiliar  18/04/2016 19:12
    Foram fornecidas cifras exatas, com fontes e tudo. E nenhum destes gastos citados são constitucionalmente fixos. Por que eles não podem ser cortados?

    Por que os ministérios citados não podem ser abolidos?

    Perdoe-me a sinceridade, mas se você faz uma pergunta e, logo de cara, já proíbe determinadas respostas, dizendo simplesmente que "esses gastos não serão cortados; arrume outros", então o debate (bem como a solução) já está inviabilizado desde o ponto de partida, tornando todo exercício infrutífero.

    No mais, as 140 estatais brasileiras podem ser perfeitamente vendidas, bem como os terrenos e instalações em nome do governo. Fonte de receita (não-tributária) e gordura pra cortar é o que não falta.

    Agora, se, logo de partida, você já interdita o debate dizendo que abolir o Ministério da Pesca, o da Igualdade Racial, o das Mulheres etc. é politicamente inviável (por quê?) e não pode ser feito, então tudo já acabou. A próxima etapa é dizer que é preferível utilizar o dinheiro da Lei Rouanet para fazer filme sobre Marighella do que para abater a dívida pública.

    Saudações.
  • Enrico  18/04/2016 20:04
    Não me leve a mal. Frequento o site há anos e não sou contrário a nenhum corte nem a favor de nenhum estatismo.

    Estou apenas perguntando ao Leandro se ele crê em viabilidade política de fato para se atingir um déficit nominal zero. É perfeitamente possível (e provavelmente ocorrerá) cortar a maioria dos ministérios, secretarias, cargos, despesas de custeio e afins. No entanto, não é possível cortar previdência já adquirida, servidores concursados (800.00), boa parte dos gastos em saúde, educação e assistência, além do gasto enorme em juros. Ainda assim seria possível?
  • MarcioAB  18/04/2016 20:59
    Essa é exatamente a discussao necessaria. Talvez olhando por uma outra perspectiva: Arrecadaçao total do estado limitada a ... 10% do PIB, digamos. Nesse momento entra o conceito de priorizaçao e TRANSPARENCIA. Em primeiro lugar precisamos de transparencia para ver onde o dinheiro dos contribuintes esta indo. Depois precisamos de propostas de projetos para investir o dinheiro dos contribuintes e finalmente a seleção (priorizaçao) democratica (preferenciamente DIRETA) desses projetos. Com o tempo, alguns poderiam considerar que seria melhor 12% ao inves de 10%, e em um ambiente democratico, votariamos esse aumento.
  • Fernando  18/04/2016 23:31
    Essa conta da dívida é macabra.

    Com um superávit de 100 bilhões por ano, o governo levaria mais de 27 anos para pagar tudo.

    Somando os 405 bilhões/ano dos juros, mais os 100 bilhões da amortização, seriam mais de 27 anos para nos livrarmos dessa praga.

    Enfim, nós não estaremos vivos para ver uma dívida mínima.
  • Raphael Paiva  26/04/2016 02:48
    Leandro,

    Já está praticamente certo que será reduzido para 31 ministérios.
    Só falta a sanção presidencial.
  • Marcos  18/04/2016 13:47
    Belo artigo. Parabéns
  • Isis Monteiro  23/04/2016 13:08
    O Brasil continua desigual mesmo depois da tão propalada ascenção das classes C e D.
    Hoje apenas 5% dos habitantes brasileiros detém mais de 40% da renda nacional. Somos um dos países mais desiguais do mundo.
  • Isis Monteiro  27/04/2016 16:39
    Criatividade, engenhosidade e inteligência são as características que transformam recursos brutos em recursos valorosos e geradores de riqueza.
    Não adianta termos abundância de recursos naturais se não tivermos cérebros. Hoje as nações que mais são desenvolvidas foram aquelas que mais investiram em educação de sua população.


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