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A empiria comprova a boa teoria: desvalorizar o câmbio piora a economia e reduz as exportações

Foi em 2010 que o então Ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, cunhou a expressão "guerra cambial" para reclamar do dólar barato (à época, 1 dólar custava aproximadamente R$ 1,70) e, principalmente, do baixo preço do renminbi chinês (à época, 1 RMB custava R$ 0,25).

Especificamente sobre a China, o senhor Mantega alegou que um renminbi barato fornecia ao país uma injusta vantagem no comércio internacional.  Como ele dissera ao Financial Times, "estamos em meio a um guerra cambial internacional, uma desvalorização generalizada das moedas.  Isso ameaça o Brasil porque acaba com a nossa competitividade".

Isso foi em 2010.  Hoje, em 2016, os brasileiros estão ostensivamente em silêncio, pois o jogo se inverteu.  Do final de 2010 até hoje, o real já desvalorizou nada menos que 55% em relação ao renminbi chinês e 54% em relação ao dólar.  E a guerra cambial continua tão intensamente quando estava em 2010, quando Mantega cunhou a frase.

Como se comportaram as exportações brasileiras?  De maneira totalmente inversa ao que diz o "senso comum" dos economistas convencionais: enquanto o real estava se apreciando perante as outras moedas (período 2003-2011), as exportações aumentavam continuamente.  Tão logo o real começou a se desvalorizar (a partir do final de 2011), as exportações estagnaram.  E quando o real começou a realmente desabar (2015), as exportações despencaram.

exportações.png

Gráfico 1: exportações brasileiras.  Fonte: Banco Central (série temporal nº 2946)

No entanto, em defesa do senhor Mantega, vale enfatizar que esse senso comum sobre as maravilhas de um câmbio desvalorizado já era tratado como algo inquestionável desde muito antes de o ex-ministro brasileiro surgir em cena — há séculos, economistas e líderes políticos vêm enganando o povo a respeito das vantagens de desvalorizações cambiais.

São dois os objetivos declarados de uma desvalorização: de um lado, um câmbio desvalorizado encarece os preços dos bens estrangeiros, o que reduz suas importações e diminui a concorrência sobre a indústria nacional.  De outro, um câmbio desvalorizado faz com que os bens nacionais fiquem mais baratos para os estrangeiros, o que aumentaria as exportações. 

Adicionalmente, com as importações mais caras, a população nacional, ao deixar de importar, passaria a consumir mais dos bens produzidos nacionalmente, o que aumentaria duplamente as vendas das indústrias nacionais.

Para o público leigo, esse argumento realmente possui algum apelo intuitivo.  Afinal, uma desvalorização é vista como sendo nada mais que uma redução dos preços dos bens produzidos domesticamente para os estrangeiros, e reduções de preços sempre são vistas como uma forma de aumentar a quantidade de bens vendidos — daí viria o aumento das exportações.

O problema, no entanto, é que, no que diz respeito à mecânica das desvalorizações cambiais, seus efeitos diretos não são tão simples assim.  Mais ainda: há efeitos colaterais que são totalmente ignorados nesta análise.

O primeiro grande erro consiste em imaginar que os efeitos de uma desvalorização cambial podem ser completamente isolados do resto da economia, como se o câmbio em nada influenciasse todos os outros preços da economia.  Este modelo de "desvalorização estimula exportação" ignora o fato de que, em um mundo globalizado, no qual boa parte dos bens de consumo e dos insumos industriais é importada, uma desvalorização gera um aumento geral de preços em todos os bens da economia

Se entendermos que um câmbio desvalorizado significa moeda com menos poder de compra, e que moeda com menos poder de compra significa preços em ascensão e renda menor para a população, e que renda menor significa que a demanda por bens de consumo diminui, então, por definição, isso irá afetar todo o setor industrial.

Adicionalmente, se entendermos que vários exportadores são também grandes importadores, e que, para fabricarem seus bens exportáveis eles têm de importar máquinas, matérias-primas e peças de reposição, então torna-se claro que a desvalorização cambial fará com que os custos de produção aumentem, o que retirará todas as supostas vantagens geradas pela desvalorização.

Portanto, uma desvalorização afeta a demanda interna pelos bens industriais e afeta também os custos de produção da indústria.  Difícil imaginar uma combinação pior.

Por tudo isso, e contrariamente à conclusão dos economistas convencionais e do público leigo, uma desvalorização frequentemente resultará em uma redução das exportações, em uma estagnação (ou mesmo contração) do setor industrial e, pior ainda, na deterioração do poder de compra da população como um todo, reduzindo seu padrão de vida. 

Quando os modelos econômicos se tornam mais gerais e inclusivos, eles deixam claro como são errados e contraditórios os argumentos em prol da desvalorização.  Clamores por desvalorização cambial, por mais populares que seja, não passam de uma burla.

Na mais branda das hipóteses, um país que desvalorize seu câmbio será imediatamente "retaliado" pelos outros países, que também desvalorizarão suas respectivas moedas, gerando desta forma uma espécie de desvalorização competitiva.  Sendo assim, aquele país que der início a uma guerra cambial pode ser, e será, prontamente neutralizado.  Xeque-Mate.

Vejamos agora alguns dados empíricos ainda mais fortes.  Vejamos o que acontece quando há não apenas uma desvalorização nominal do câmbio, mas também uma desvalorização real do câmbio.  Uma desvalorização real do câmbio ocorre quando a desvalorização nominal supera a taxa de inflação.  Ou seja, o câmbio desvaloriza, digamos, 40%, mas a inflação de preços aumenta "apenas" 10%.  Segundo os modelos, este arranjo — justamente por fazer com que a moeda nacional se torne mais barata para os estrangeiros sem um concomitante aumento dos preços na mesma intensidade — deveria ser propício ao aumento das exportações.

(Afinal, se taxa de inflação de preços fosse idêntica à taxa de desvalorização cambial, então desde o início já não haveria vantagem nenhuma para as exportações).

As evidências da Indonésia, no período 1995 — 2014, são típicas.  Quando a rúpia se desvalorizou em termos reais contra o dólar americano (ou seja, a desvalorização foi maior que a inflação de preços), as exportações caíram.  Por outro lado, quando a rúpia se apreciou em termos reais (ou seja, a apreciação foi maior que a inflação de preços), as exportações aumentaram.  Isso é exatamente o oposto da relação propagandeada pelos especialistas que defendem a estratégia da desvalorização.  Eles alegam que a desvalorizações reais farão as exportações aumentar, e que uma apreciação real da moeda irá acabar com elas.

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Gráfico 2: exportações da Indonésia (eixo Y) em relação à taxa real de câmbio (quanto mais à direita no eixo X, mais depreciado é o câmbio)

O caso da China, assim como o da Indonésia, vai contra a sabedoria convencional.  A China, de 1995 a 2014, é um exemplo de interesse e importância especiais porque o renminbi está no centro da chamada guerra cambial.  Como mostra o gráfico abaixo, o renminbi, em termos reais, se apreciou (ao contrário do que afirmam os críticos, que dizem que a China mantinha uma moeda artificialmente desvalorizada) modestamente em relação ao dólar.  Como consequência, as exportações chinesas explodiram.

hanke-globe-asia-april-2016-2.jpg

Gráfico 3: exportações da China (eixo Y) em relação à taxa real de câmbio (quanto mais à direita no eixo X, mais depreciado é o câmbio)

Esses dados não apenas afetam profundamente as noções a respeito das maravilhas de uma moeda desvalorizada, como também ilustram por que a maioria dos políticos e até mesmo dos economistas é ignorante em relação a fatos básicos.  Tais pessoas poderiam ser facilmente processadas por propaganda falsa.

Mas tudo fica ainda mais interessante: quando analisamos, em vez de exportações, o comportamento do PIB, a conclusão é a mesma: desvalorizações cambiais andam de mãos dadas com redução do PIB.  (Óbvio: é impossível ter uma economia forte com uma moeda fraca). 

O economista David Ranson, H.C. Wainwright & Co, estudou a relação entre desvalorizações cambiais e crescimento do PIB para dezenove países durante o período 1980 — 2012.  Os resultados são claros: se você quer reduzir seu crescimento econômico, clame por uma desvalorização cambial.

hanke-globe-asia-april-2016-3.jpg

Gráfico 4: Crescimento médio da economia (eixo Y, colunas verdes) versus desvalorização cambial (eixo X; quanto mais à direita, maior a desvalorização cambial).

Conclusão

Se desvalorizações cambiais — além de gerarem mais inflação de preços e juros maiores — não geram mais exportações e comprovadamente diminuem o PIB, por que elas continuam sendo receitadas como uma panacéia para estimular uma economia?

Eu gostaria de saber.

O fato é que, além de toda a teoria, a empiria também comprova que os argumentos em prol de desvalorizações cambiais são completamente infundados e contraditórios.  Não há fundamentos nem na teoria econômica e nem na evidência empírica que suportem a tese de que desvalorizações cambiais são benéficas para a economia.

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Leia também:

Três consequências da desvalorização da moeda - que muitos economistas se recusam a aceitar 

A nossa "depreflação" e o ajuste fiscal que não virá: a necessidade de um novo Plano Real 

O que realmente permitiu o grande crescimento econômico brasileiro da última década 

Uma radiografia da destruição do real - ou: não há economia forte com uma moeda doente 

Bresser-Pereira nunca decepciona


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autor

Steve Hanke
é professor de Economia Aplicada e co-diretor do Institute for Applied Economics, Global Health, and the Study of Business Enterprise da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, EUA.  O Professor Hanke também é membro sênior do Cato Institute em Washington, D.C.; professor eminente da Universitas Pelita Harapan em Jacarta, Indonésia; conselheiro sênior do Instituto Internacional de Pesquisa Monetária da Universidade da China, em Pequim; conselheiro especial do Center for Financial Stability, de Nova York; membro do Comitê Consultivo Internacional do Banco Central do Kuwait; membro do Conselho Consultivo Financeiro dos Emirados Árabes Unidos; e articulista da Revista Globe Asia.


  • Viking  05/04/2016 15:57
    como sempre, IMB tinha razão.
    fica até chato acompanhar o noticiário.
    a gente sabe de tudo por antecedência, graças a boa teoria econômica.
    os fatos só os comprovam.

    obrigado, IMB, por disponibilizar material de tão boa qualidade.
  • Primo  06/04/2016 16:01
    Já faz tempo que não vejo jornais (na TV).
    Acompanho sim os jornais digitais para o dia a dia.
    Mas em assuntos econômicos, o IMB e massa....
  • Andre Cardoso  05/04/2016 16:08
    Muito interessante!
  • edu  05/04/2016 16:10
    Muito interessante o artigo, mas fiquei com duas dúvidas:
    1) a correlação entre valorização do câmbio e aumento de exportações está clara. Mas como saber quem causa o quê? Não pode ter sido o aumento das exportações, com a consequente entrada de moeda estrangeira, a causar a valorização do câmbio?

    2) no caso específico do Brasil, nesse período em que o real se valorizava, não poderá ter sido a alta dos preços das commodities a aumentar as exportações?
  • Leandro  05/04/2016 16:48
    "a correlação entre valorização do câmbio e aumento de exportações está clara. Mas como saber quem causa o quê? Não pode ter sido o aumento das exportações, com a consequente entrada de moeda estrangeira, a causar a valorização do câmbio?"

    O determinante fundamental da taxa de câmbio entre duas moedas é o poder de compra relativo de cada uma delas. Colocando de outra forma, o que determina a taxa de câmbio entre duas moedas independentes é a paridade do poder de compra entre elas. O equilíbrio de longo prazo — ou a taxa de câmbio "final" entre duas moedas — sempre será exatamente igual à razão entre o poder de compra das duas moedas.

    Balança comercial nada tem a ver com a força da moeda. O que determina a taxa de câmbio, no longo prazo, é a diferença entre o poder de compra das moedas.

    Dizer que o que determina o câmbio é a balança comercial, e não o poder de compra das moedas, é algo que não faz absolutamente nenhum sentido. Se essa teoria fosse verdadeira, todos os países da África, que quase nada importam, teriam moedas absurdamente valorizadas. A Venezuela, então, que exporta muito petróleo e não importa quase nada (pois o governo restringe), teria uma moeda que seria um portento. Aliás, o próprio dólar (os EUA importam muito mais do exportam, e têm déficits comerciais seguidos desde a década de 1970) estaria hoje esfrangalhado.

    Mais ainda: Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia são países que têm setores externos deficitários há 40 anos e suas moedas são fortes. Por sua essa teoria, era para a moeda deles estar esfaceladas -- que moeda iria resistir a déficits externos por 40 anos?

    Aliás, vale lembrar que o fluxo cambial foi positivo no Brasil em 2015. Ou seja, em 2015, entraram mais dólares do que saíram do Brasil. E, ao mesmo tempo, o dólar saltou de R$ 2,50 para R$ 4.

    Difícil evidencia empírica mais cabal do que essa.

    De novo: o que determina a taxa de câmbio entre duas moedas é a diferença do poder de compra entre elas, e não saldos de balança comercial.

    Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1087


    "no caso específico do Brasil, nesse período em que o real se valorizava, não poderá ter sido a alta dos preços das commodities a aumentar as exportações?"

    Observe que isso vai totalmente contra a lógica defendida. Você está dizendo que, quanto mais as commodities encarecerem, mais elas serão demandadas e compradas.

    Não. O real se fortaleceu porque a economia estava estabilizada. E foi justamente essa estabilidade econômica o que permitiu os investimentos que aumentaram as exportações (não só de minério, mas também de vários bens industriais).

    Artigos sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089
  • Lucas  10/04/2016 19:38
    A taxa de câmbio saltou a R$ 4,00 muito por conta do mercado financeiro que tenta advinhar o futuro e precifica de acordo, não? Dizer que a taxa de câmbio reflete a PPC não faz sentido, pois a PPC não acompanha as flutuações do câmbio. Aliás, a PPC é uma alternativa à análise das situações econômicas de dois países, as quais não são bem sinalizadas pela taxa de câmbio.
  • Trader  10/04/2016 20:09
    "A taxa de câmbio saltou a R$ 4,00 muito por conta do mercado financeiro que tenta advinhar o futuro e precifica de acordo, não?"

    Ué, saltou pra R$ 4 porque quiseram adivinhar e recuou pra R$ 3,60 porque se arrependeram de tentar adivinhar? Assim, de boas? Reconheceram que erraram na adivinhação e estão bondosamente agora retornando ao ponto de partida? Que coração bom o dos especuladores...

    Seria então possível o dólar continuar recuando até, sei lá, a paridade com o real?

    Aliás, os atuais R$ 3,60 ainda é muito acima dos R$ 2,50 do início de 2015. Isso significa que o dólar vai continuar retrocedendo até R$ 2,50, mesmo com toda a inflação de 2015?

    "Dizer que a taxa de câmbio reflete a PPC não faz sentido, pois a PPC não acompanha as flutuações do câmbio."

    A taxa de câmbio de longo prazo reflete a PPC. As flutuações diárias são muito mais especulação. Mas no longo prazo, sim, reflete a PPC. Basta ver a tendência.

    Aliás, se o câmbio, no longo prazo, não refletisse a PPC, então toda a ciência econômica estaria refutada. Afinal, teríamos dois bens (moedas) com valores (seus poderes de compras) distintos, mas com um preço entre eles livremente acertado no lugar errado. Na prática, você está dizendo que, tudo o mais constante, real e franco suíço podem manter a mesma taxa de câmbio por décadas a fio.

    Ao acreditar nisso, você está simplesmente ignorando o conceito de arbitragem.

    Eis o básico sobre arbitragem: se a razão de preços em reais e em franco suíços para um dado bem for diferente da taxa de câmbio vigente entre as duas moedas, então há oportunidades de lucro para um especulador: basta ele vender esse bem em troca da moeda que estiver sobrevalorizada e utilizar essa receita de venda para comprar a moeda subvalorizada.

    Por exemplo, suponhamos que o mesmo bem A esteja custando R$ 2 ou CHF 1. E suponha que a taxa de câmbio vigente seja R$ 1 = CHF 1. Nesse caso, a julgar pelos preços de A, nota-se que o poder de compra do real é menor que o do franco suíço. Porém, pela taxa de câmbio, o poder de compra de ambos são iguais. Logo, comparando-se os preços com a taxa de câmbio, vemos que o real está sobrevalorizado e o franco está subvalorizado. O real está sobrevalorizado porque seu poder de compra, que é menor que o do franco, está igual ao do franco quando se analisa a taxa de câmbio. Assim, claramente o câmbio está errado. Um especulador esperto irá vender A em troca de reais (irá obter R$ 2) e, em seguida, irá trocar R$ 2 por CHF 2 (pois a taxa de câmbio é de 1:1). Ato contínuo, irá recomprar esse bem por US$ 1, embolsando o dólar extra.

    Essa contínua troca de reais por dólares encarecerá o franco em relação ao real, finalmente levando a taxa de câmbio para seu valor correto, de R$ 2 por franco suíço.

    "Aliás, a PPC é uma alternativa à análise das situações econômicas de dois países, as quais não são bem sinalizadas pela taxa de câmbio."

    Então, dado que é possível o câmbio se manter permanentemente no lugar errado, você tem de explicar por que não está rico fazendo todo o processo de arbitragem citado acima.

    Sigo no aguardo de uma única teoria que mostre como é possível duas moedas -- uma inflacionária (o real) e outra bem mais sólida (o franco suíço) -- manterem sua taxa de câmbio constante em um regime de câmbio flutuante, para sempre.
  • Lucas  10/04/2016 21:48
    Não tinha me atendado ao longo prazo. E nos livros-textos a relação também não é mencionada.

    Mas, neste caso, ainda que se a relação PPC se iguale ao câmbio, este último refletiria esta paridade de que forma, se ainda continua variando sempre? Na média dos valores em determinado período?
  • Observador  10/04/2016 23:35
    Tendência de longo prazo.
  • Renato  05/04/2016 17:13
    Não adianta reclamar dos políticos enquanto ainda existir a classe política.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política...e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos "fantasmas". O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email NOVO é galenoeu@gmail.com
  • Amigo de um Comentarista Assíduo  05/04/2016 17:44
    #TAMOJUNTO
  • pensador radical  06/04/2016 01:04
    A sua idéia é louvável,a encrenca é este seu movimento ser logo,logo cooptado pela classe política e você poderá ser engolido por eles,o melhor mesmo é divulgar essas idéias sem compromisso e sem proselitismo que é coisa de religioso...
  • Renato  06/04/2016 04:36
    pensador radical, se o movimento que eu quero criar é anti-político, como ele será cooptado (?!) pelos políticos?

    O movimento será para ter apoio de empresários, empreendedores e qualquer pessoa contrária a classe política.

    Empresários que tiverem contato com políticos ou fazer parte da política, não farão parte do nosso movimento e nem sequer terão nossa atenção.
  • Pensador Radical  06/04/2016 20:31
    Renato a classe política são cobra criadas e raposas e se esse movimento que você pensa fazer envolver dinheiro pense dez vezes antes de começar,pois certamente sera cooptado se ele ganhar força,quanto ao IMB ele não precisa de doações visto seus fundadores arcarem com seu custo de manutenção.
  • Renato  07/04/2016 17:50
    Pensador Radical, a classe política está exposta e dando as caras. São fáceis de serem identificados e fácies de serem combatidos. Temos a vantagem de que a maioria dos brasileiros odeiam a classe política.

    O problema é que muitos brasileiros não percebem que a classe política que sustenta o estado, mas isso pode acabar quando começarmos a agir e tirar aos poucos esse pensamente da mente das pessoas.

    Vivemos na época da internet. Qualquer empresário ligado a classe política será descoberto com a maior facilidade, por mais que ele tente esconder.

    Se você não gostou da minha ideia, paciência. Você não é obrigado a participar.
  • pensador radical  07/04/2016 20:04
    Renato não sou contra sua idéia per si,eu estou apenas alertando-o de que seu projeto pode ser sabotado por pessoas inescrupulosas,dai meu ceticismo,ademais não conheço seu projeto,desejo sucesso e alerto você para não ser ingênuo,pois as raposas políticas poderão atrapalhar seus planos e o ideal é vocês conseguirem alguns patrocinadores envolvido com a causa que queiram bancar o projeto de divulgação de idéias,pois se vocês alargarem o número de patrocinadores correrão o risco de logo,logo terão de bater as portas do poder público atrás de recursos e ai cairão nas mãos das raposas que em público são cordeiros,mas nas sombras são lobos devoradores e farão o possível e o impossível para destruir suas boas intenções.Cautela sempre.
  • Renato  08/04/2016 00:39
    "o ideal é vocês conseguirem alguns patrocinadores envolvido com a causa que queiram bancar o projeto de divulgação de idéias"

    Se você ler o meu primeiro comentário vai perceber que essa é a essência.
  • Pensador radical  08/04/2016 01:18
    Renato,sucesso e seja feliz em sua empreitada e cautela sempre,pois a julgar pela suas respostas me parece inseguro em suas pretensões~.
  • Renato  08/04/2016 17:01
    É só impressão sua.
  • Ruas  05/04/2016 17:38
    O que dizer desse instituto que mal conheço e considero pakas?!?

    Brincadeiras a parte, IMB sempre categórico. Para um economista, é sempre revigorante ler um texto aqui. E como apreciador da escola austríaca também!
  • Anderson  05/04/2016 17:46
    Uma dúvida:li certa vez aqui que sempre que o dólar desvaloriza as commodities aumentam de preço. Por quê?
  • Leandro  05/04/2016 18:01
    Porque todas as commodities (de minério de ferro a petróleo) são precificadas em dólar. Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. Sempre.

    Isso é questão básica de economia: se uma moeda está fraca, você precisa de mais dessa moeda para comprar o mesmo tanto de um bem. Se o dólar está fraco, você precisa de mais dólares para comprar o mesmo tanto de antes. Se o dólar se fortalece, você precisa de menos dólares para comprar o mesmo tanto de antes.

    O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 deu-se majoritariamente por causa do enfraquecimento do dólar. E o atual arrefecimento das commodities também está ligado ao fortalecimento do dólar.

    Ou seja, a tal "explosão" das commodities nada mais foi do que o encarecimento delas em dólares. Como o dólar se enfraqueceu, e como as commodities são precificadas em dólar, o enfraquecimento do dólar gerou uma explosão nos preços das commodities.

    Sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. O preço das commodities é ditado pela robustez do dólar.

    Quando o dólar estava se enfraquecendo continuamente (período 2004-2011), o preço do minério estava subindo continuamente. Esta subida contínua do preço do minério induziu as mineradoras a fazerem vários investimentos voltados para expandir sua capacidade de produção, pois elas acreditaram -- enganadas pela fraqueza do dólar -- que havia uma demanda contínua e infinita por minério.

    Porém, tão logo o dólar voltou a se fortalecer, o preço do minério desabou, e todo aquele investimento na capacidade de produção acabou se revelando errôneo. Tais investimentos levaram a um aumento da oferta em um momento em que os preços do minério já estavam desabando.

    Consequência: as mineradoras estão tendo de cortar custos, demitir e rever vários de seus projetos expansivos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190
  • Anderson  05/04/2016 18:30
    Escola austríaca é genial pelo fato justamente de ser simples e humilde, ao entender que a economia não é feita de "economistas tecnocratas brilhantes" mas da livre iniciativa de cada um e do conhecimento disperso na sociedade. A liberdade tem seu preço, mas é melhor do que ser escravo do "papai governo".
  • Juan Domingues  05/04/2016 21:07
    É isso.
    A escola austríaca se preocupa em entender o fenômeno econômico. Não em tentar recriar a própria economia por meio de intervenções (como a maioria das outras escolas).
  • 9 Fingers  05/04/2016 18:38
    Digníssimo Leandro, o mais novo oráculo econômico da cena brasileira, permita-me, do alto de Sua Sabedoria, lembrar-lhe que a alta do minério deu-se por conta do aumento na demanda dos chineses por materia-prima. Não é só o dólar emitido para financiar a Guerra do Iraque. Foi questão de demanda também. Esta sim influenciada por investimentos erroneos dos chineses.
  • Leandro  05/04/2016 19:09
    Ficou ambíguo.

    Afinal, você quis dizer que:

    1) a China explica toda a alta do minério?

    ou que:

    2) a China ajudou na alta do minério?

    Se for o segundo caso, é até aceitável. Há todo um artigo sobre isso.

    Agora, se for o primeiro caso, aí você tem de explicar por que a força do dólar nada tem a ver com o preço do minério, e como foi possível a tonelada do minério ter desabado de US$ 191 para US$ 37 (queda de 80%).

    Por acaso a demanda da China por minério encolheu 80%?

    Mas faço um desafio ainda mais direto: por que o principal índice de commodity (o CRB) varia estritamente de acordo com a força do dólar?

    Pode conferir neste gráfico.

    Veja que, no final da década de 1970, com o dólar mundialmente fraco e todo o mundo em recessão, o índice CRB dispara.

    Nas décadas de 1980 e 1990, com o dólar mundialmente forte (e a China em disparada!), o índice CRB se mantém estável.

    A partir da década de 2000, com o dólar fraco (e sem nenhuma alteração no ritmo do crescimento chinês), o CRB volta a disparar.

    E, desde 2012, com o dólar se fortalecendo, o CRB volta a cair.

    Como você explica isso? China? Por que a China não fez diferença nas décadas de 1980 e 1990, quando seu crescimento era ainda maior? Sem uma teoria crível e sólida (que nunca foi apresentada), o fator China totalmente é secundário.
  • Andre  05/04/2016 19:15
    Nem o dólar caro salva um produto com a cadeia produtiva genuinamente brasileira, o etanol:
    exame.abril.com.br/economia/noticias/etanol-mais-barato-dos-eua-enche-tanques-no-brasil

    Imagina o restante? Só doentes como estes aqui acham que o câmbio vai salvar:
    www.cartacapital.com.br/economia/dolar-comeca-a-estimular-producao-e-vendas-externas

  • Kek   06/04/2016 02:37
    É inacreditável a cara de pau desses esquerdistas.
  • Tulio  05/04/2016 18:04
    -Na mais branda das hipóteses, um país que desvalorize seu câmbio será imediatamente "retaliado" pelos outros países, que também desvalorizaÇão suas respectivas moedas-

    Leandro, ali em desvalorização, acho que seria desvalorizaRão, não?

  • Leandro  05/04/2016 18:22
    Corrigido! Obrigado pelo puxão de orelha. Grande abraço!
  • ZZZ  05/04/2016 20:16
    Boa
  • Juan Domingues  05/04/2016 21:05
    Os economistas que reclamam da "moeda muito forte" nos países pobres frequentemente são os mesmos que, nos países ricos, reclamam da "inflação muito baixa"
    O que eles dizem, na prática, é:
    "A quantidade de dinheiro na economia está estável, os preços estão relativamente estáveis, o poder de compra está seguro, as pessoas estão sendo capazes de tomar decisões. Que horror ! Precisamos reverter isso."
  • Dalton C. Rocha  05/04/2016 21:29
    O artigo tem uma série de falhas:
    1- Ele não fala que muito da queda das exportações do Brasil, se deveu ao fato das matérias-primas, hoje ditas "commodities" se tornaram por imposição de Lula e Dilma, a maioria esmagadora das exportações brasileiras. Quando o preço das "commodities" baixou, o valor das exportações tinha de cair.
    2- O artigo não nota que no Brasil, nem a taxa cambial, nem os juros são determinados pelo mercado. Aqui, há décadas, que ambas as taxas (taxa de juros e a taxa cambial) são imposições do governo.
    3- O artigo não nota que governo podre, não pode gerar boa moeda, embora sob endividamento interno e externo, mais altos preços das "commodities", se pudesse manter uma fachada de um dólar valendo algo como dois reais e quarenta centavos. Em suma. A subida do dólar não foi ruim, mas inevitável.
    4- O artigo não nota que promover exportações nunca foi objetivo de Lula & Cia, mas sim um projeto de tornar o Brasil, em algo como é a Venezuela hoje.
    5- O artigo não nota que o aumento do dólar beneficia setores, que exportam e faz descer as importações.
    6- O artigo não nota que somente através de dolarização total é que, nós deixaremos de ter uma moeda em queda.
    Falhas à parte, o artigo merece ser dito como regular.
  • Auxiliar  05/04/2016 23:37
    Ai, que sono...

    Anti-petista delirante consegue a façanha de ser tão tosco quanto petista fanático. A diferença é que estes ao menos têm o direito de ser imbecis. Já aqueles, ao também reivindicarem seu espaço no universo imbecílico, acabam queimam todo o filme dos anti-petistas sérios.

    Por isso, vamos endireitar esse tal Dalton Rocha.

    O artigo tem uma série de falhas:

    "1- [O artigo] não fala que muito da queda das exportações do Brasil, se deveu ao fato das matérias-primas, hoje ditas "commodities" se tornaram por imposição de Lula e Dilma, a maioria esmagadora das exportações brasileiras. Quando o preço das "commodities" baixou, o valor das exportações tinha de cair."

    Uau! Lula e Dilma, dois asnos que nem sabem fazer contas, agora estipulam para os importadores do resto do mundo o que eles podem e não podem comprar do Brasil. Mais ainda: os dois jumentos estipulam ao resto do mundo que ele só pode comprar minério do Brasil. E o pior: o resto do mundo obedece!

    Valeu, fera, agora manda aí suas fontes, seus dados, seus números e suas estatísticas.

    "2- O artigo não nota que no Brasil, nem a taxa cambial, nem os juros são determinados pelo mercado. Aqui, há décadas, que ambas as taxas (taxa de juros e a taxa cambial) são imposições do governo."

    Nossa! O PT é tão foda que ele estipula até a cotação internacional do dólar!

    "Dólar, fique barato!", brada Lula. E o dólar obedece. "Dólar, encareça!", ordena Dilma. E o dólar aquiesce.

    Obrigado por me ensinar que a desvalorização cambial de R$ 1,56 (julho de 2011) para R$ 4,24 (setembro de 2015) foi toda ela friamente calculada e controlada pelo PT, que, ao fazer isso, quis apenas destruir sua altíssima popularidade e com isso dar chance para outros partidos.

    (E eu ainda estou aqui perdendo tempo?)

    "3- O artigo não nota que governo podre, não pode gerar boa moeda, embora sob endividamento interno e externo, mais altos preços das "commodities", se pudesse manter uma fachada de um dólar valendo algo como dois reais e quarenta centavos. Em suma. A subida do dólar não foi ruim, mas inevitável."

    Que zona.

    Em primeiro lugar, endividamento interno e externo não fortalece moeda. Logo, seu argumento de que o governo petista manteve "uma fachada de um dólar valendo algo como dois reais e quarenta centavos" é um atentado à lógica econômica.

    Em segundo lugar, os preços das commodities, como explicado pelo Leandro aqui mesmo nesta seção de comentários, estão claramente ligados à força do dólar, pois as commodities são precificadas em dólar. Se o dólar está mundialmente barato (como ocorreu de 2003 a 2011), as commodities encarecem. Se o dólar está mundialmente caro (como ocorreu de 2012 até hoje), as commodities barateiam.

    "4- O artigo não nota que promover exportações nunca foi objetivo de Lula & Cia, mas sim um projeto de tornar o Brasil, em algo como é a Venezuela hoje."

    Isso está em total contradição com seu próprio item 1. Na próxima, aprenda a seguir uma lógica básica.

    "5- O artigo não nota que o aumento do dólar beneficia setores, que exportam e faz descer as importações."

    O artigo dedica vários parágrafos justamente a este quesito. Na próxima, leia com atenção algo antes de comentar. Diminui bastante sua auto-humilhação perante o público.

    "6- O artigo não nota que somente através de dolarização total é que, nós deixaremos de ter uma moeda em queda."

    Opa, finalmente algo que presta. Mas tarde demais.

    "Falhas à parte, o artigo merece ser dito como regular."

    O item 6 à parte, você é a prova manifesta de que o anti-petismo delirante tem o mesmo efeito sobre o cérebro que o petismo fanático.
  • Técnico  06/04/2016 00:48
    Isso não foi apenas uma opinião do Guido Mantega.

    Ele chegou a aumentar a IOF para conter o tsunami monetário que estava inundando o país de dólares.

    É bizarro demais ! Como pode um doutor em economia barrar a entrada de dólares ? É um doutor em destruição.
  • Bernardo F  06/04/2016 01:14
    O artigo é bom.
    O gráfico 1 mostra a evolução do valor total em dólares das importações.
    Seria interessante ver um gráfico que mostrasse o valor total das importações em reais (multiplicando-se o valor em dólares pela taxa de câmbio).
  • Leandro  06/04/2016 02:01
    Não há tal estatística. E nem faria sentido.

    Em primeiro lugar, as exportações são registradas em dólar, pois esta é a moeda internacional de compra.

    Em segundo lugar, é prática de muitos exportadores não fazerem a cobertura cambial -- isto é, deixar os dólares que ganharam lá fora, investidos em alguma aplicação. Estes dólares serão internalizados (convertidos em reais) apenas quando o câmbio for mais oportuno.

    Ou seja, não há contabilidade de exportações em reais.

    No mais, perceba que, em tese (ou seja, de acordo com a "teoria" que diz que desvalorização gera mais exportação), os valores das exportações em dólar deveriam, na pior das hipóteses, permanecer constantes.

    Veja: se o dólar pula de R$ 1 para R$ 2, aquilo que custava R$ 100 caiu de US$ 100 para US$ 50.

    Sendo assim, dado que este bem agora custa a metade do preço em dólar (caiu de US$ 100 para US$ 50), então -- sempre segundo a lógica dessa "teoria" -- os estrangeiros irão agora demandar dois deste mesmo bem, mantendo assim o mesmo gasto original de US$ 100.

    Ou seja, por essa "teoria", uma desvalorização do câmbio irá, no mínimo, manter o mesmo valor em dólar das exportações.

    E nem isso aconteceu -- pelo óbvio motivo de que a desvalorização cambial eleva os custos de produção e, consequentemente, os preços finais dos bens, neutralizando qualquer eventual efeito benéfico da desvalorização.

    Agora, quem realmente pode ser ajudado por uma desvalorização cambial são aqueles setores que utilizam mão-de-obra barata, poucos insumos de alta tecnologia e que vendem produto de baixo valor agregado. O setor de milho e de suco de laranja, por exemplo, de fato está rindo à toa. Mas será que vale a pena destruir a moeda do país para ajudar apenas este setor que pouco agrega para a economia?
  • Bernardo F  07/04/2016 12:49
    Leandro, obrigado pelos esclarecimentos!
  • Ernesto Mello  06/04/2016 02:04
    Na minha opinião, o preço elevado das commodities por um período longo determinou uma espécie de doença holandesa na nossa economia, com valorização do real frente a outras moedas e desindustrialização. Quando as commodities depreciaram o real se desvalorizou e os termos de troca ficaram desfavoráveis, reduzindo o valor das exportações, inclusive pela forte redução da participação dos manufaturados, consequência direta da desindustrialização. Quando a bonança estava no auge o gasto público explodiu, alimentando o populismo lulopetista. Já quando a bonança passou, e com a ajuda da crise de 2008, o governo interviu pesadamente na economia e afugentou o investimento estrangeiro direto e tambem o capital privado nacional. O populismo aumentou os gastos governamentais e impediu as reformas para manter a disciplina fiscal, e somando a isso os efeitos diretos e indiretos da Lava-Jato e assim a queda do PIB se materializou. Dizer que a apreciação ou depreciação da moeda em um sistema de câmbio flutuante foi o evento primitivo que levou a todas essas variáveis é de um minimalismo ingênuo.
  • Leandro  06/04/2016 02:16
    Acreditar que preço de commodity é o que determina taxa de câmbio é o equivalente a dizer que o preço do pão é o que determina o valor do dólar perante o real.

    É o equivalente a dizer que o preço de algo é o que determina o valor da moeda, em vez de ser a moeda o que determina o preço de algo.

    É a mais pura inversão da realidade econômica. Coisa de quem não consegue raciocinar nem em termos mais básicos de economia. Isso sim é "minimalismo ingênuo".

    O determinante fundamental da taxa de câmbio entre duas moedas é o poder de compra de cada uma delas. Colocando de outra forma, o que determina a taxa de câmbio entre duas moedas independentes é a paridade do poder de compra entre elas. O equilíbrio de longo prazo — ou a taxa de câmbio "final" entre duas moedas — sempre será exatamente igual à razão entre o poder de compra das duas moedas.

    Balança comercial e preço de commodity nada tem a ver com a força da moeda. O que determina a taxa de câmbio, no longo prazo, é a diferença entre o poder de compra das moedas.

    No mais, todas as commodities (de minério de ferro a petróleo) são precificadas em dólar. Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. Sempre.

    Isso é questão básica de economia: se uma moeda está fraca, você precisa de mais dessa moeda para comprar o mesmo tanto de um bem. Se o dólar está fraco, você precisa de mais dólares para comprar o mesmo tanto de antes. Se o dólar se fortalece, você precisa de menos dólares para comprar o mesmo tanto de antes.

    O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 deu-se majoritariamente por causa do enfraquecimento do dólar. E o atual arrefecimento das commodities também está ligado ao fortalecimento do dólar.

    Ou seja, a tal "explosão" das commodities nada mais foi do que o encarecimento delas em dólares. Como o dólar se enfraqueceu, e como as commodities são precificadas em dólar, o enfraquecimento do dólar gerou uma explosão nos preços das commodities.

    Sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. O preço das commodities é ditado pela robustez do dólar.

    Quando o dólar estava se enfraquecendo continuamente (período 2004-2011), o preço do minério estava subindo continuamente. Esta subida contínua do preço do minério induziu as mineradoras a fazerem vários investimentos voltados para expandir sua capacidade de produção, pois elas acreditaram -- enganadas pela fraqueza do dólar -- que havia uma demanda contínua e infinita por minério.

    Porém, tão logo o dólar voltou a se fortalecer, o preço do minério desabou, e todo aquele investimento na capacidade de produção acabou se revelando errôneo. Tais investimentos levaram a um aumento da oferta em um momento em que os preços do minério já estavam desabando.

    Consequência: as mineradoras estão tendo de cortar custos, demitir e rever vários de seus projetos expansivos.

    Leitura sugerida:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190
  • Ernesto Mello  07/04/2016 00:56
    A demanda da China por minério de ferro cresceu 20% acima do PIB na última década, com a forte urbanização alavancada por investimento de 40% do PIB. A demanda por minério de ferro cresceu acima da oferta, pressionando a cotação, lei da oferta e procura. Não foi a cotação do dólar a causa da valorização do minério de ferro. A força da economia chinesa que abocanhou mercados de maneira espetacular com crescimento de 2 dígitos reduziu o poder do dolar nesse período. A cotação da moeda segue à força de uma economia, e não o contràrio. Se fosse seguir seu raciocínio bastaria controlar a cotação do real ou dolarizar nossa economia para resolver todos os nossos problemas.
  • Leandro  07/04/2016 02:21
    Se o preço do minério, que é cotado em dólar, nada tem a ver com a força do dólar -- tornando esse o primeiro caso econômico da história em que a saúde da moeda utilizada para precificar um bem em nada afeta seu valor nominal --, então me responda:

    Como foi possível a tonelada do minério ter desabado de US$ 191 para US$ 37 (queda de 80%)?

    Por acaso a demanda da China por minério encolheu 80%?

    Aliás, faço um desafio ainda mais direto: por que o principal índice de commodity (o CRB) varia estritamente de acordo com a força do dólar?

    Pode conferir neste gráfico.

    Veja que, no final da década de 1970, com o dólar mundialmente fraco e todo o mundo em recessão, o índice CRB dispara.

    Nas décadas de 1980 e 1990, com o dólar mundialmente forte (e a China em disparada!), o índice CRB se mantém estável.

    A partir da década de 2000, com o dólar fraco (e sem nenhuma alteração no ritmo do crescimento chinês), o CRB volta a disparar.

    E, desde 2012, com o dólar se fortalecendo, o CRB volta a cair.

    Como você explica isso? China? Por que a China não fez diferença nas décadas de 1980 e 1990, quando seu crescimento era ainda maior? Sem uma teoria crível e sólida (que nunca foi apresentada), o fator China totalmente é secundário.

    Gostaria de entender esse fenômeno: sabidamente, a saúde de uma moeda afeta os preços de todos os bens. Moeda em enfraquecimento gera preços em alta. Porém, segundo você, no que tange a commodities, as leis econômicas se tornam nulas, de modo que a saúde da moeda utilizada para precificar essas commodities em nada influencia o preço delas. É isso mesmo?

    Por essa sua lógica, se o minério fosse cotado em cruzeiros (dos anos 1990-1993), hoje o preço estaria caindo?

    Artigo recomendado:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190

    "Se fosse seguir seu raciocínio bastaria controlar a cotação do real ou dolarizar nossa economia para resolver todos os nossos problemas."

    Todos não. Mas o da inflação, totalmente.

    Opa, e não é que foi exatamente isso o que foi feito durante 1994-1998, quando o IPCA caiu de 4.000% para 1,65% ao ano? Bingo.

    Artigo recomendado:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196
  • Joao Ernesto  07/04/2016 13:24
    O último artigo recomendado é de fato muito esclarecedor. O currency-board é sem dúvida a melhor opção para nossa moeda, sujeita a ataques especulativos e crises de confiança a qualquer soluço da economia. Economistas respeitados têm defendido sua adoção, como a Monica de Bolle.
  • Joao Ernesto  07/04/2016 14:57
    Desculpem a confusão, troquei Milton Friedman pela de Bolle.
  • Joao Ernesto  08/04/2016 17:54
    Digo Andre Lara Resende.
  • Joao Ernesto  20/04/2016 21:46
    Veja esse estudo de equipe do BIS. As commodities influenciam a cotação do dólar em vários países exportadores:

    www.bis.org/publ/work551.htm
  • Leandro  20/04/2016 23:03
    Que novidade...

    Burocratas de um órgão globalista -- o mesmo que dizia que tudo estava supimpa um mês antes do estouro da crise financeira mundial em 2008 -- mostrando que não entendem nem sequer o básico de economia: o truísmo de que a força da moeda é o que determina o preço das coisas, e não o preço das coisas o que determina a força da moeda (algo sem absolutamente nenhum sentido).

    Dizer que "as commodities influenciam a cotação do dólar" é o equivalente a dizer que "o preço do pão influencia o valor do real".

    Economia básica: quando o dólar fica mundialmente fraco, os preços das commodities (que são cotadas em dólar) sobem (em dólar). E como o dólar está mundialmente fraco, as moedas nacionais dos países exportadores de commodities se apreciam em relação ao dólar.

    Aí os gênios vêem essa apreciação do câmbio (causada pelo dólar fraco) e o aumento dos preços das commodities (causado pelo dólar fraco) e dizem que o encarecimento das commodities (em dólar) gerou o dólar fraco.

    Inacreditável.

    Nem esse básico de economia os caras entendem.

    Vale ressaltar que o BIS é quem supervisiona os bancos centrais mundiais. Ou seja, gente que não entende o básico de economia está no controle da regulação dos bancos centrais mundiais. Por isso essa atual lambança de juros negativos.

    P.S.: Steve Hanke, o autor do artigo, é o cara que aniquilou todas as hiperinflações recentes do mundo. Neste artigo ele explicita o elo entre força do dólar e preço das commodities:

    www.cato.org/publications/commentary/dance-dollar

    Alguém tem de alertá-lo que ele nada sabe sobre moeda forte e seus efeitos...
  • Joaquim Saad  21/04/2016 01:21
    Leandro,

    Elevações nas demandas por commodities não poderiam ser um driver do crescimento da quantidade de dinheiro de países importadores financiando seus compradores de matérias-primas e assim enfraquecendo suas respectivas moedas (caso tais expansões monetárias não fossem neutralizadas por aumentos dos "M0's" pelos BC's dos exportadores) ?

    Novos estados de equilíbrio entre oferta e procura conforme apontados em todos os exemplos no artigo do Hanke (nos quais não são iguais a 100% os percentuais da contribuição da taxa de câmbio nos encarecimentos dos preços) nada têm que ver c/ o efeito alegado pelo BIS do "rabo abanando o cachorro" ?

    Grato.





  • Leandro  21/04/2016 02:52
    Nesse caso, o renminbi chinês (o país que mais importa commodities no mundo) teria de se desvalorizar perante todas as outras moedas do mundo, inclusive o dólar. Mas isso não aconteceu. Ao contrário, aliás: de 2004 a 2011, o renminbi se apreciou perante o dólar americano e se manteve praticamente constante em relação ao dólar australiano, um país fortemente exportador de commodity.

    Por essa lógica, era para, no mínimo, o renminbi ter se desvalorizado brutalmente em relação ao dólar australiano.
  • Joaquim Saad  21/04/2016 03:52
    Não seria talvez pq a China tem sido exportadora líquida nas últimas décadas ?
    ps: faltou esclarecer que me referia na verdade à hipótese de um país c/ balança comercial deficitária, e não apenas um grande importador de matérias primas.
  • Leandro  21/04/2016 04:30
    Não. Balança comercial não determina força da moeda. Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, além de EUA, são países que têm setores externos deficitários há 40 anos e suas moedas são fortes. Por essa teoria, era para a moeda deles estar esfaceladas -- que moeda iria resistir a déficits externos por 40 anos?

    Aliás, vale lembrar que o fluxo cambial foi positivo no Brasil em 2015. Ou seja, em 2015, entraram mais dólares do que saíram do Brasil. E, ao mesmo tempo, o dólar saltou de R$ 2,50 para R$ 4.

    Setor externo nada tem a ver com a força da moeda. O que determina a taxa de câmbio, no longo prazo, é a diferença entre o poder de compra das moedas, e não saldos de balança comercial ou setor externo.

    Esse assunto já foi extensamente debatido não só neste site, como também nesta mesma seção de comentários.
  • Joaquim Saad  22/04/2016 17:29
    O axioma reiterado nos comentários é que o câmbio no longo prazo acaba sendo determinado exclusivamente pela diferença entre os poderes de compra das moedas envolvidas, como ilustrado pelo leitor "Trader". Mas no exemplo dele não seria mais provável que o preço do item "A" também caísse em reais e subisse em francos suíços no mercado de bens simultaneamente à alta do CHF cotado em BRL no mercado de divisas conforme fossem sendo executadas as operações de arbitragem (levando a uma convergência da cotação R$ por CHF em ambos os mercados p/ um valor intermediário entre 1 e 2), configurando assim uma relação bi-direcional\retro-alimentada de causa e efeito entre taxa cambial e (dis)PPC ?

    Saldos positivos nas transações externas totais (conta corrente do balanço de pgtos + aplicações em carteira\papeis + IED's +...) de um país comercialmente deficitário ao longo de décadas não poderiam explicar a preservação da força de sua moeda, como sugerido pelo leitor Ricardo ? Não seria esta a situação de EUA, Canadá, Austrália, Inglaterra e Nova Zelândia, os quais acredito que recebem de volta (tanto em investimentos diretos como principalmente em compras de seus títulos esterilizadoras de expansão monetária) parcela significativa ou até mesmo maior do que "perdem" p/ o exterior em outras rubricas ?

    E países pobres/quebrados (Venezuela, africanos, etc) não poderiam ter moedas ainda mais fracas se não fossem tão superavitários nas exportações - importações (admitindo-se cenário político/econômico inalterado, ao contrário da atual intensificação na tendência de piora na terra chavista) ? Afinal, dentre 2 governos falidos e "estabilizados" (ou seja, constância de outros fatores), em tese estaria "menos mau" aquele que dispusesse de mais ativos de boa qualidade (moedas e papeis estrangeiros, ouro, etc) aos quais eventualmente decidi-se lastrear\atrelar seu dinheiro.

    Ao avaliarmos se alterações no fluxo financeiro entre duas nações poderiam, [u]a priori e numa condição "ceteris paribus"[u], contribuir em alguma medida c/ a taxa cambial (ainda que num curto período de tempo), podemos\devemos tirar conclusões analisando casos reais os quais provavelmente incorporam a influência conjunta de diversos outros fatores ? obs: não se trata de pergunta retórica, não sei das condicionantes de todos os casos que citou p/ rebater minhas perguntas anteriores.

    Quando respondeu ao "9 Fingers" ser até aceitável atribuir à demanda chinesa parte da alta do preço em dólares do minério, isto não equivaleria a admitir que os saldos nas transações entre países podem ter alguma influência (por menor, mais efêmera e indireta que seja) nas cotações relativas de suas moedas e, por conseguinte, na PPC ? ps: de novo, não é retórica, e sim uma dúvida autêntica.
  • Renan   06/04/2016 06:10
    Outro fetiche esquerdista é a tal superaft na balança comercial. Seria o mesmo que dizer que o funcionario tem superaft em relação ao seu patrão visto que o salario que ele recebe é maior do que ele consome de produtos do seu patrão
  • Emerson Luis  06/04/2016 11:39

    Dólar a R$1,70? Que lástima! Ainda bem que a Dilma nos salvou disso!

    Leandro, parece que você já respondeu em parte, mas vou perguntar assim mesmo:

    Se o aumento do dólar produz inflação, porque a queda do dólar não produz deflação?

    * * *
  • Leandro  06/04/2016 13:14
    A queda do dólar, quando contínua e prolongada, gera sim deflação em vários produtos importados, especialmente eletrônicos. Porém, e obviamente, tal deflação não supera toda a inflação reinante no resto da economia, especialmente no setor de serviços e no de preços administrados pelo governo, cujo peso (de ambos) sobrepuja todo o resto.

    (Ademais, quando o dólar está em queda, o governo aumenta tarifas de importação).

    Logo, na prática, o que acontece é um aumento menor nos preços da economia.

    Abordado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190
  • Anton Ludwig  06/04/2016 13:30
    Penso que colocar o gráfico apenas de exportação uma forma simplificada de mostrar a relação.
    Se colocarmos a diferença de exportação por importação, resultado da balança comercial, perceberá que com a valorização do real aumentou muito mais a importação do que a exportação.
    Isto é, a balança comercial parou de crescer e chegou a ser negativa. Com a desvalorização atual do Real, foi a unica forma de inverter isso e o Brasil anda tendo aumentos positivos na balança.
  • Auxiliar  06/04/2016 13:38
    Explique, por gentileza, e de maneira irrefutável, qual é o problema de haver déficit na balança comercial.

    Dica 1: tenha em mente que EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia têm setores externos deficitários há 40 anos.

    Dica 2: eu tenho um déficit comercial contínuo e crescente com o meu restaurante, e não estou em pior situação por causa disso.

    Adendos:

    Qual o déficit na balança comercial entre São Paulo e Bahia? Entre o Morumbi e o Itaim-Bibi? Ninguém se preocupa com esses balanços simplesmente porque não existem agentes da alfândega monitorando tais trocas e, portanto, fazendo tais balanços.

    Ainda estou à espera de um -- um mísero -- argumento contra déficits em conta-corrente (ou na balança comercial). Todo mundo fala disso, e todo mundo dá por garantido que isso é ruim. Ninguém nunca explicou por quê.

    Na atual era do papel-moeda (dinheiro fiduciário), déficits comerciais são totalmente sem significado, pois o ouro já não mais é um "item de equilíbrio."
  • Anton Ludwig  06/04/2016 13:49
    De forma simples...
    Se eu vendo mais que compro... lucro
    Se eu compro mais que vendo... prejuizo

    Então superavit na balança comercial, significa que estou recebendo mais recursos que gastando, isto foi o que criou as nossas reservas financeiras. Uma das coisas boas que ainda nos mantem com alguma estabilidade nas relações cambiais com o mundo.

    Mais irrefutável ainda, sobrar mais dinheiro podemos investir mais na nossa própria economia.

    Sobre o restaurante que mantem deficit seguidos, cuidado, porque se não houver forme de se financiar externamente, poderá ter que vender casa e bens próprios para paga-lo.
  • Ricardo  06/04/2016 16:13
    "Se eu vendo mais que compro... lucro
    Se eu compro mais que vendo... prejuízo"


    E se eu lhe disser que, no que diz respeito ao balanço de pagamentos, há uma rubrica chamada "conta capital", que computa todo o dinheiro que entra na forma de investimentos?

    E se eu lhe disser que esse dinheiro financia minhas importações?

    E se eu lhe disser que tal arranjo (dinheiro entrando via investimentos e saindo via importações) é durável?

    "Então superavit na balança comercial, significa que estou recebendo mais recursos que gastando, isto foi o que criou as nossas reservas financeiras."

    Errado. Reservas financeiras também são criadas via "conta capital". E a própria conta de capital pode superar a balança comercial. Em país de economia estável, atrativa a investimentos estrangeiros, o dinheiro estrangeiro entra muito mais via conta de capital do que via balança comercial.

    No mais, em um regime de câmbio flutuante, reservas internacionais não são usadas. E são caras de ser mantidas.

    "Mais irrefutável ainda, sobrar mais dinheiro podemos investir mais na nossa própria economia."

    Hein?! Essa parte, de todas, é a que não faz sentido nenhum.

    Um exportador de soja, ao vender a sua soja, ganha uma titularidade de uma conta estrangeira denominada em dólares. Ele pode fazer o que quiser com esses dólares (normalmente, ele irá revender para os importadores do seu país, que então irão utilizar esses dólares para importar bens).

    Ou seja, tanto superávit quanto déficit comercial não influem em nada na quantidade de "dinheiro que podemos investir a mais na nossa própria economia". Nós não transacionamos com dólares, mas sim com reais. E como não entram nem saem reais do Brasil, a quantidade total permanece a mesma.

    "Sobre o restaurante que mantem deficit seguidos, cuidado, porque se não houver forme de se financiar externamente, poderá ter que vender casa e bens próprios para paga-lo."

    Não se preocupe. É por isso que tenho minha conta capital.
  • Observador  06/04/2016 16:15
    Quanto mais um país exporta, menor será a oferta desses bens exportados no mercado nacional. Quanto maior a exportação de soja, laranja, café e aço, menor será a oferta desses produtos para os brasileiros, o que significa que seus preços no mercado interno serão maiores do que poderiam ser caso não fossem exportados.

    De modo geral, sempre que a balança comercial apresenta um superávit recorde, isso significa que o cidadão brasileiro foi privado de uma maior oferta de bens, tanto aqueles produzidos nacionalmente e que foram exportados, quanto aqueles produzidos no estrangeiro e que não puderam ser importados por restrições governamentais.
  • Experimento Mental  06/04/2016 16:18
    Imagine um pequeno e pobre país isolado no meio do Pacífico, com uma economia baseada predominantemente na pesca e na agricultura de subsistência.

    Um belo dia, uma excursão de geólogos descobre vastas reservas de petróleo nesse país. Imediatamente após essa descoberta, os investimentos estrangeiros começam a afluir em massa para esse lugar.

    Como o país até então não possuía uma infraestrutura avançada, esse investimento estrangeiro terá de construir basicamente tudo: poços petrolíferos, refinarias e oleodutos. Terá também de construir estradas para escoar a produção, bem como um porto, onde embarcar o produto.

    Para fazer todas essas construções, toneladas de equipamentos e materiais de construção terão de ser levados a esse país, bem como quantidades substanciais de bens consumo para prover os trabalhadores dessas construções. Todos esses materiais, todos esses bens, constituem importações.

    Mais ainda: eles representam a contrapartida física de todo o dinheiro que está entrando na conta capital e financeira. O aumento do investimento estrangeiro possibilitou um aumento das importações.

    A pergunta é: teria como esse país evitar um déficit na balança comercial? Ou, como gostam de dizer economistas tarados por exportações, teria como esse país evitar uma balança comercial "desfavorável"? Nem se ele exportasse todos os peixes, verduras, cocos e vacas que seus habitantes possuem.

    E o principal: ele não teve de exportar absolutamente nada para pagar por essas importações — o petróleo só começará a jorrar daqui a vários anos, quando tudo isso estiver construído e operante. Logo, essa balança comercial deficitária ("desfavorável", segundo economistas) e todo o investimento estrangeiro que a gerou representaram na verdade um desenvolvimento econômico extremamente favorável para a economia local. Difícil imaginar algo mais favorável do que esse arranjo.

    Porém, um economista desenvolvimentista olharia para os números e lamentaria o déficit na balança comercial. "Puxa, se ao menos vacas, peixes e cocos estivessem sendo mandados para fora para atenuar esse déficit comercial...". O genuíno desenvolvimentista realmente acredita que os habitantes desse país estariam em melhor situação caso abrissem mão de suas vacas, peixes e cocos, mandando-os para o estrangeiro e, em troca, alimentando-se, não sei, talvez de capim. O que importa é a balança comercial. Quanto menor o déficit, melhor.

    Já um economista um pouco mais sensato reconheceria que o atual arranjo econômico desse país realmente é benéfico para sua população; ele reconheceria que investimentos estrangeiros produtivos necessariamente geram déficits na balança comercial, pois investimentos precisam da importação de bens de capital — se não precisassem da importação de bens de capital, então poderiam ser realizados por nativos. Investimentos estrangeiros e o déficit na balança comercial que eles geram representam acumulação de capital para o país em questão.
  • Joaquim Saad  06/04/2016 20:20
    Pode-se dizer então que aquele tal de "paradoxo de Triffin" seria um falso dilema ? Ou ele se aplicava apenas em um padrão ouro como o de Bretton Woods vigente na ocasião de seu enunciado ?
    Afinal, me parece não significar grande coisa uma balança comercial deficitária como preço a se pagar pelo super privilégio de emitir a moeda de reserva mundial, ainda mais sem qualquer lastro físico.
  • Henrique Zucatelli  06/04/2016 15:53
    Leandro, obrigado por mais um excelente artigo sobre meu assunto favorito.

    Gostaria de acrescentar mais um ponto que não vi em nenhum artigo sobre o benefício implícito de ter moeda forte. Veja se minha teoria bate com a empiria:

    Com uma moeda forte o nível de importações aumenta, ao passo que países de todo o mundo vão competir entre si para vender para nós. Ao passo que esses milhares (ou milhões) de produtores e comerciantes vem ao nosso país para importar, também enxergam oportunidades de levar ao país deles produtos feitos por nós. Ou seja, ao passo que abrimos nossas portas para comprar, também aumentamos nossa exposição para vender, pois a primeira regra em vendas é que os clientes tem de saber que estamos no mercado e podemos oferecer tal produto.

    Estou correto?
  • Tiago  06/04/2016 17:27
    não há vantagem alguma na desvalorização cambial, mesmo em uma economia cuja porcentagem de importação em relação ao PIB seja baixo?
  • Auxiliar  06/04/2016 17:39
    Não muda nada.

    Desvalorização cambial significa, por definição, que a moeda está se enfraquecendo e perdendo poder de compra. Com ou sem importação.

    Uma moeda fraca afeta todos os preços da economia, e por um motivo lógico: se a moeda está se enfraquecendo, então, por definição, passa a ser necessário ter uma maior quantidade de moeda para adquirir o mesmo bem. Essa é a definição precípua de moeda fraca: é necessária uma maior quantidade de moeda para se adquirir o mesmo bem que antes podia ser adquirido com uma menor quantidade de moeda.

    Daí os preços mais altos.

    Não tem escapatória: moeda fraca, carestia alta. Sem exceção. Com ou sem importação.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304
  • Desenvolvimentista   06/04/2016 21:37
    Ué, em 2011 com o dólar a menos de R$1,90 (e caindo) a inflação estava em mais de 5,5%... Pela lógica de vocês deveria ter ocorrido uma deflação.
  • Racional  06/04/2016 21:54
    Ué, por quê?

    O grama do ouro -- o melhor indicador de inflação monetária -- subiu, naquele mesmo período, de R$ 65 para R$ 100.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304

    Por que deveria haver deflação nesse ambiente de pleno inflacionismo (vivia-se o auge da expansão do crédito)?

    O dólar estava em R$ 1,70 porque estava mundialmente fraco. Uma onça de ouro, que hoje custa 1.200 dólares, chegou a custar naquela época 1.900 dólares.

    No aguardo.
  • Wesley  07/04/2016 02:12
    O baronato que adora desvalorização cambial e que pressiona o governo a depreciar a moeda, é o mesmo que detestava a ALCA ainda no governo FHC:
    economia.estadao.com.br/noticias/geral,alca-traz-mais-riscos-que-beneficios-avalia-fiesp,20020725p34499

    O baronato da CNI não queria que os mais pobres pudessem comprar produtos importados baratos para manter seus privilégios com o protecionismo e fez campanha contra a ALCA. O mesmo baronato que atualmente faz campanha contra a CPMF e favorável ao impedimento (na época que a Dilma reduziu as tarifas da energia na canetada, eles aplaudiram). Eles também recebem dinheiro do governo para os projetos do SENAI e por aí vai. Não tem como o país ir para a frente enquanto esses empresários protecionistas não forem extirpados da economia desse país. É como se o Brasil fosse um carro tentando se movimentar com o freio de mão puxado.
  • Wesley  07/04/2016 02:14
    Adendo:
    https://tributario.com.br/a/adesao-a-alca-trara-prejuizos-ao-pais-revela-fiesp/
  • Sem-Mindinho  08/04/2016 14:27
    Hoje tô feliz, inflação de 0,43% em março, já tá diminuendo, nossu guverno é 10, Brasil tá indo é bem demais, já tô esperando meus cumpanheiros se reunir pra celebrarmos essa conquista.
  • Leandro  08/04/2016 15:06
    No dia 29 de fevereiro, o dólar fechou cotado R$ 4,02.

    No dia 31 de março, fechou cotado a R$ 3,59.

    O que ocorreu em março? Aumento acentuado das chances de o governo cair.

    Ou seja, bastaram as notícias de que o governo iria cair, que o real se fortaleceu e a inflação desacelerou fortemente.

    Donde vem a pergunta inevitável: por que ainda temos governo, se a própria empiria já mostrou que, quanto maior a hipótese de queda do governo, mais a moeda se fortalece?
  • Yonatan Mozzini  08/04/2016 17:23
    Leandro, lembro em 2014, na época das eleições: o dólar para venda na sexta-feira, dia 3 de outubro, fechou cotado a 2,4932. Na segunda-feira, dia 6, com a notícia de que o Aécio iria para o segundo turno, o dólar fechou cotado a 2,4098, com o real se valorizando em 3,46% em um único período! E na bolsa de valores também houve efeito similar...
    De fato, as expectativas têm um forte papel no cenário econômico de curto prazo.
  • Wesley  09/04/2016 03:47
    O engraçado é que os economistas de mídia falam que a redução da inflação se deveu à diminuição da tarifa de luz. Aí obviamente se credita a diminuição ao governo por ter diminuído o valor da energia e não ao fortalecimento do real que se deveu ao enfraquecimento do governo. A mídia só serve para desinformar, quando se trata de economia. Se entrevistam Delfim Netto e Bresser Pereira (sendo que esse é considerado como grande "intelectual"), só mostra o quão crítico é o nível intelectual no Brasil.
  • Sem-Mindinho  08/04/2016 16:06
    Só não entendo porquê alguns meios de comunicação creditam a desaceleração da inflação apenas ao enfraquecimento do Mercado de trabalho
  • Leandro  08/04/2016 16:11
    Por ignorância. A mesma ignorância, aliás, dos que diziam que os juros tinham de subir 0,5 ponto percentual em janeiro, e que, caso isso não acontecesse, tudo estaria perdido.

    Tudo isso foi explicado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304
  • Bruno  14/04/2016 04:25
    Deixa ver se eu entendi: ao se estimular uma desvalorização da moeda nacional (real) o governo busca uma situação de balança comercial favorável, e faz essa desvalorização através da inflação monetária que corroe o poder de compra (é isso?); apesar disso, o que ocorre é um deslocamento artificial de importância de certos setores para beneficiar exportações, mas já que os insumos e praticamente tudo o que é utilizado e produzido no país depende de produtor externos, a situação acaba sendo mais custosa do que positiva. É isso ou errei em algo?
  • Leandro  14/04/2016 12:54
    Correto.

    Sobre esse assunto, este é o artigo mais completo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175
  • Gustavo  14/04/2016 14:21
    Leandro,

    Existe por acaso, que você conheça, alguma bibliografia do tipo "Metodologia da Análise Econômica"? Que não seja keynesiana né, hehe.

    Vejo o pessoal debatendo com estadistas aqui no site, e me parece que não existe uma metodologia clara para se definir o que de fato funciona e o que não funciona.

    Numa discussão de um artigo recente, não da pra concluir se o Panamá é rico ou pobre, se é livre ou não, se a moeda ajuda nessa situação ou não, se apenas a liberdade econômica permite o desenvolvimento ou não. Sem uma base "pétrea" digamos assim, de análise, fica difícil para "amadores" como eu chegar a certas conclusões.

    Não que eu não acredite no conteúdo do IMB, pelo contrário, mas por mais que eu leia sobre economia, parece que mais confusa a coisa fica. Seria interessante, caso ainda não exista, uma bibliografia unificadora dessas teorias, com dados empíricos e formulação teórica.

  • Erivam Galdino  21/04/2016 12:27
    Leandro, qual é o seu e-mail?
  • Roland Matt  23/04/2016 15:36
    A ideia não é a desvalorização desenfreada, e sim, um nível competitivo da taxa de câmbio.
    O autor não considerou o fator "internalização produtiva" industrial. Quanto maior for o nível de internalização, maior será o efeito positivo às exportações. Nesse caso, o país deve produzir a maior quantidade de insumos e componentes possível, de modo a depender menos de importações. Para alcançar tal estado é necessário um intenso desenvolvimento tecnológico, o que denota uma política direcionada para o objetivo em questão.
    Tudo isso começa nas salas de aula. Um sistema educacional altamente focado nas ciências exatas prepara gerações de cientistas e engenheiros necessárias. Junto a isso, uma política de ciência & tecnologia levada à sério e que em ambiente de parceria entre empresas e institutos de P & D, busque o desenvolvimento e internalização da produção.
  • Leandro  23/04/2016 17:28
    Esse blá-blá-blá é antiquíssimo.

    Quanto destituído de toda a retórica empolada, eis o que ele realmente quer dizer: deve haver um planejamento central altamente eficiente, coordenado por burocratas altamente clarividentes e extremamente oniscientes, os quais, justamente por serem burocratas, saberão exatamente quais são as demandas do mercado e para onde os recursos escassos devem ser enviados.

    Após 6 anos de Nova Matriz Econômica, com todos os seus magníficos resultados, ainda tem brasileiro que acredita em coordenação econômica feita por políticos. Aliás, ainda tem brasileiro que acredita que políticos sabem determinar qual é "valor competitivo da taxa de câmbio".

    Aqui vai uma lembrança do mundo real:

    1) Nova Zelândia e Austrália eram subdesenvolvidos (a Nova Zelândia era terceiro mundo até a década de 1980), viraram desenvolvidos, são hoje extremamente ricos. Como? Seguem tendo como pauta de exportação commodities de baixo valor agregado.

    2) Para você ter uma ideia, na Austrália, não há nenhuma grande montadora de automóveis. E, na Nova Zelândia, nem sequer há montadora de automóveis. Eles já perceberam que é muito mais negócio importar carros baratos do que direcionar recursos escassos para fazer algo em que não são bons. Eles sabem que isso seria burrice.

    Eis o segredo: abertura total ao investimento estrangeiro.

    3) Laticínios, carne, lã, madeira, peixe, alumínio, e produtos de papel. Todos eles commodities. E sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Nova Zelândia.

    4) Carvão, minério de ferro, lã, alumínio, trigo, carne e algum maquinário. Sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Austrália.

    Caiu de costas?

    5) Por que o Brasil teria de fabricar absolutamente tudo aqui dentro, sendo que é muito mais inteligente comprar de quem já tem o know how da fabricação? De novo, Austrália, Nova Zelândia e principalmente Chile só exportam matéria-prima, não exportam nada de alto valor agregado, e se tornaram países desenvolvidos.

    6) Sigo no aguardo da sua refutação da teoria das vantagens comparativas. Você tem de explicar por que seria vantajoso querer concorrer com quem já domina a área. E explique também aos neozelandeses que eles devem urgentemente direcionar recursos escassos para construir uma fábrica de automóveis, ainda que seja muito mais vantajoso para eles comprar de outros países.

    7) Já imaginou se o governo do Japão cismasse que o país tem de virar uma potência na extração de petróleo? É exatamente isso o que você quer.

    8) Hong Kong e Cingapura têm de importar toda a sua comida e toda a sua água. E têm os maiores PIBs per capita do mundo. Por essa lógica, era para eles urgentemente saírem desapropriando prédios e transformar tudo em pasto, pois é urgente plantar a própria comida.

    9) No que a Austrália e Nova Zelândia são competitivas? No que o Chile é competitivo senão em vinhos e cobre? No que Hong Kong e Cingapura eram competitivos?

    10) No Brasil, há um vasto setor de serviços a ser explorado. Há todo um setor de turismo, totalmente subutilizado (há vários locais bonitos sem a mais mínima infraestrutura para turistas). Há setores tecnológicos de ponta (a Embraer, por exemplo). Nossas mineradoras são eficientes e pagam bem (para quem é bom).

    Em todos os países ricos, o setor de serviços ocupa quase 70% da economia.

    No entanto, você insiste em dizer que eu mesmo é que tenho de fabricar meu notebook.

    11) No Brasil, o protecionismo, as reservas de mercado e os subsídios às indústrias vigoram desde o ano 1500. Você ainda quer mais? Em termos de protecionismo, as empresas brasileiras já não tiveram o bastante? O mercado brasileiro está praticamente fechado há mais de um século, não se desenvolveu, e ainda é necessário dar mais tempo?
  • Marcus  23/04/2016 18:09
    O que você acha desse artigo:

    www.theguardian.com/books/2016/apr/15/neoliberalism-ideology-problem-george-monbiot

    Achei interessante esse trecho: "Among the results, as Paul Verhaeghe documents in his book What About Me? are epidemics of self-harm, eating disorders, depression, loneliness, performance anxiety and social phobia."

    Pelo que entendi essa abertura econômica é mais eficiente para países subdesenvolvidos como você citou, mas em países já ricos, a tendência é o capital ir aos poucos se acumulando, sendo necessário o governo prover para a população um pouco de infraestrutura.

    No caso também uma redistribuição feita por agentes do governo tende a deixar o mercado menos agressivo, considerando que não somos máquinas e talvez essa competição apesar de baixar preços, cobra outra conta na nossa saúde.

  • Observador  23/04/2016 21:43
    Eu, sim, já li essa reportagem da Carta Capital britânica. É lixo puro, cheio de erros conceituais, e até mesmo de imputações falsas e mentirosas. Ele foi destrinchado aqui:

    mises.org/blog/mises-against-neoliberals

    Mises, como bem mostra este artigo, nada tinha a ver com neoliberalismo. Friedman, sim. Hayek, em alguns momentos de sua carreira, também. Mas não Mises. Mises foi um consistente defensor do laissez-faire, que nada tem a ver com os intervencionismos propagados pelo neoliberalismo, os quais são insustentáveis e levam a desarranjos graves.


    "Pelo que entendi essa abertura econômica é mais eficiente para países subdesenvolvidos como você citou, mas em países já ricos, a tendência é o capital ir aos poucos se acumulando, sendo necessário o governo prover para a população um pouco de infraestrutura."

    Qual a lógica desse raciocínio? Pra começar, em países ricos, a infraestrutura já está arrumada. De resto, como assim a acumulação de capital deve ser impedida pelo governo para prover infraestrutura?

    "No caso também uma redistribuição feita por agentes do governo tende a deixar o mercado menos agressivo, considerando que não somos máquinas e talvez essa competição apesar de baixar preços, cobra outra conta na nossa saúde."

    Como é que é?

    A esquerda diz que o mercado livre gera monopólios e aumento de preços. Você, por outro lado, diz que o mercado livre gerará uma queda de preços em tão larga escala, que os capitalistas irão ficar depressivos. Aí, para evitar isso, o governo terá de intervir confiscando dinheiro e redistribuindo para quem nada produz. Tal confisco de dinheiro, aí sim, irá aliviar o tormento de quem está no mercado competindo.

    Lógica impecável.
  • Marcus  23/04/2016 22:31
    Ok. Mas você não acha um pouco arrogante dizer que é "lixo puro"? Em nenhum momento você considera a possibilidade de estar errado? Afinal de contas economia não é uma ciência exata.

    Fica uma sugestão pro colega editor do site, talvez chamar economistas pensadores de outras escolas para escrever artigos aqui. Ficaria um site menos parcial e sairia desse "circle-jerking" onde todos que escrevem aqui seguem a mesma linha ideológica.

  • Observador  24/04/2016 02:20
    Meu caro, não sei se você percebeu, mas eu lhe enviei um link contendo exatamente o que você pediu: um comentário longo e profundo sobre essa reportagem. Pelo visto, você não leu. Por que não o fez? Coloco o link de novo. Clique nele e leia, se você realmente está interessado em um comentário longo e profundo sobre essa reportagem do The Guardian:

    mises.org/blog/mises-against-neoliberals

    Ah, entendi. Você queria que alguém muito desocupado, e exatamente num sábado à noite, fizesse uma resenha em português de uma matéria do The Guardian, a Carta Capital britânica? Quanto você paga por isso?

    P.S.: há um artigo contendo exatamente essa comparação das escolas de pensamento que você pediu. Ei-lo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1349

    Resta saber se você vai ler...
  • Roland Matt  23/04/2016 18:53
    Se eles querem depender de inteligência estrangeira, tudo bem! Nova Zelândia, Austrália e Chile são países com nações bem menores que a brasileira, com isso, é mais fácil e viável para eles "vender banana, criar porco" e gerar alta renda per capita, desde que os volumes sejam satisfatórios. Faça isso em um país com mais de 200 milhões de habitantes!


    Japão, Singapura e Alemanha praticamente não produzem petróleo, mas produzem bens e serviços intensivos em inteligência humana, que cobrem com folga suas importações.


    Aquilo em que não se é bom, aprende a ser. Seres humanos têm a capacidade de aprender! Imagine se Japão, Alemanha, China e Coréia do Sul embarcassem na ideia por ti defendida?!!


    Sim, nos países centrais, o setor de serviços ocupa a maior parte da produção agregada, no entanto, isso ocorre após um período de intenso desenvolvimento industrial. Uma das consequências desse desenvolvimento, foi o grande progresso tecnológico que acabou elevando o estoque de capital destes países, tornando o setor industrial cada vez mais intensivo em capital e menos em trabalho. Isso levou a maior parte da mão-de-obra para o setor de serviços que a absorveu devido ao elevado nível de escolaridade destas nações (caso oposto ao brasileiro).


    É importante saber que nestes países os setores primário e terceário são também intensivos em tecnologia, sendo ela produzida pela indústria, o que denota que tais setores são muito dependentes dela. Destaque para o setor de serviços, que além de depender da tecnologia industrial (processos e equipamentos) tem como grande demandante a própria indústria, muitas vezes se confundindo com a própria.


    Não acho o Brasil um país tão fechado. Já viu a quantidade de empresas estrangeiras com posse sobre o capital e com unidades produtivas por aqui?
    As políticas protecionistas aqui praticadas foram bastante equivocadas. Houve dependência financeira e tecnológica (as piores dependências no sistema capitalista). Deveriam utilizar capital e tecnologia estrangeiros de forma estratégica e produzir tecnologia própria, não importar pacotes tecnológicos prontos e fechados, isso só serviu para deixar o país superendividado e sem autonomia produtiva. Aqui, o papel da educação é fundamental.
  • Uran  16/05/2016 12:31
    Interessante. Não havia pensado nesses detalhes.
    É importante um país ter tecnologia.
  • Steve Hanke  06/05/2016 02:48
    Em Singapura também é assim: quanto mais o câmbio se valoriza, mais as exportações aumentam.

    twitter.com/steve_hanke/status/727924542878814211?lang=pt
  • Financista  11/05/2016 04:09
    Se a relação de pib e exportação é inversa a valorização da moeda, como explicar o Japão e o Chile, por exemplo? Os dois países possuem uma moeda mais fraca que o dolar e não houve diminuição do pib.
  • Leandro  11/05/2016 12:44
    Essa é uma confusão bastante comum, que sempre pega os mais incautos: o alto valor nominal das cédulas de uma moeda diz muito sobre o seu passado, mas não sobre seu presente.

    O valor nominal das cédulas do iene japonês é extremamente alto, mas isso se deve a uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.

    (Vale lembrar que, ao passo que o real é de 1994, o iene é de 1871.)

    No caso do Japão, em 1972, imediatamente após a dissolução de Bretton Woods e a adoção dos câmbios flutuantes, um dólar comprava 305 ienes. Então o iene começou a se valorizar continuamente até que, em outubro de 2011, um dólar comprava apenas 75 ienes. Isso dá uma apreciação total de 306%.

    Uma das definições de moeda forte é que sua unidade monetária valha cada vez mais em termos das principais moedas do mundo (a outra definição é que, obviamente, seu poder de compra em território nacional seja relativamente constante).

    Vá ver qual é a inflação de preços no Japão e me diga se eles não têm uma moeda forte.
  • Roland Matt  13/05/2016 21:21
    Há o caso da Alemanha. Possui uma moeda forte e é um grande exportador.
    Mas nesse caso, note que a pauta de exportação desse país é caracterizada por serviços e bens intensivos em tecnologia (com destaque para os bens de capital) que dificilmente encontram similaridade em outras nações.
  • Enrico  15/05/2016 17:46
    Ok Leandro, então você tem que convencer a mim e a todos aqui, que tudo quanto é empresário no ramo de exportação da face da terra são completamente ignorantes.

    Afinal de contas, se eles vendem menos com moeda fraca, porque em sã consciência eles continuam fazendo lobby para o governo enfraquecer a moeda?

    Seriam os únicos tipos de vendedores burros da história da humanidade. Todos os outros que conheço são espertos e não deixariam esse "pequeno" detalhe passar despercebidamente.
  • Leandro  15/05/2016 18:48
    Lamento, mas não tenho interesse nenhum em "convencer ninguém" de nada. Trabalho apenas com teoria e com empiria. E, como mostrado no artigo acima e ainda mais detalhadamente neste artigo (gráficos 12, 13 e 14), desvalorização cambial gera redução da produção industrial e das exportações.

    De novo, isso são fatos empíricos, e são perfeitamente explicados pela teoria. Aliás, essa teoria (empiricamente comprovada) de que câmbio desvalorizado prejudica indústria está longe de ser uma "teoria minha" (mas fico lisonjeado por você pensar que é). Todo economista seguidor da Escola Austríaca e até mesmo alguns da de Chicago a aceita.

    Sobre sua pergunta, por que empresários seguem defendendo desvalorização cambial? Ora, pelo mesmo motivo que eles seguem defendendo expansão barata do crédito (mesmo com a teoria econômica explicando que tal prática irá descambar em recessão): se você souber se posicionar, é possível ganhar muito dinheiro no início do ciclo. E, se você souber o momento exato de sair, você pode se dar muito bem.

    Este, aliás, é o corolário de toda e qualquer intervenção do estado: sempre é possível se dar bem, desde que você saiba o momento exato de tirar proveito e o momento exato de se retirar de cena.

    Quando há uma desvalorização cambial repentina, um exportador irá se dar muito bem se vender todo o seu estoque (o qual produzido quando os custos ainda não haviam subido) ao preços do novo câmbio. Feito isso, tão logo os custos começarem a subir, ele pode simplesmente reduzir sua produção, demitir pessoas e aplicar seus fartos lucros (obtidos no início da desvalorização cambial) em títulos do governo (os quais agora, em decorrência da inevitável subida dos juros gerada pela desvalorização cambial, estarão bem rentáveis).

    Há vários jeitos de se dar bem. Mas todos envolvem especulação e não produção.

    Ademais, o fato de o cara ser um grande industrial não necessariamente significa que ele entenda tudo de economia. No Brasil, então -- em que a esmagadora maioria dos grandes empresários enriqueceu exatamente por causa de subsídios do governo e das reservas de mercado geradas por tarifas protecionistas --, o conhecimento econômico de empresário é ainda menor.

    Prova disso é que um cidadão qualquer como eu -- sem nenhuma informação privilegiada e fiando-se apenas na teoria e nos dados conhecidos por todos -- previu, ainda no longínquo ano de 2010, que toda a situação da economia brasileira era insustentável.

    Após isso, este instituto fez um relato praticamente em tempo real de toda a situacao da economia brasileira (resumido aqui, com todos os links para os referidos artigos).

    Por fim, sua postura é compreensível. Quando uma pessoa passa a vida inteira acreditando em uma teoria, e então percebe que ela é furada, é natural essa reação raivosa e infantil. De fato, não é fácil constatar que você passou a vida inteira acreditando em uma falácia. Ora, meu caro, não sou eu quem deve lhe "tentar convencer de algo". Tampouco estou preocupado com o fato de se você foi convencido ou não. Seu convencimento ou sua falta de convencimento não têm a mais mínima importância para mim (não sou eu quem irá se estrepar).

    Sou apenas um mensageiro e estou apenas descrevendo fatos que ocorreram e explicando por que ocorreram. Se você não gostou do que lhe foi apresentado e se sentiu incomodado com isso, lamento, mas não é problema meu. Você tem o livre arbítrio de seguir ignorando tudo o que foi dito aqui e continuar acreditando que destruir a moeda de um país é algo que gera prosperidade.

    Agora, apenas seja coerente e invista seu dinheiro naquilo em que você acredita. Se você acredita que desvalorizar a moeda é ótimo para a exportação, então compre ações de empresas exportadoras venezuelanas.

    Aquele abraço.
  • Felipe  15/05/2016 23:44
    Passo aqui para deixar minha gratidão às respostas do Leandro. Poderia escrever isso em dezenas de comentários, mas seria repetitivo,então faço apenas uma vez ao ano. Conteúdo, embasamento, dados e tudo mais para quem quer fazer uso de sua razão.
  • Scholastic  15/05/2016 19:28
    "Afinal de contas, se eles vendem menos com moeda fraca, porque em sã consciência eles continuam fazendo lobby para o governo enfraquecer a moeda?"

    Pq pensam no seu próprio umbigo, e pensam no curto prazo. E pq são, sim, ignorantes econômicos.

    O q vc faz - de forma adolescente e arrogante - é incorrer na falácia ad populum: "se todos (supostamente) pensam assim, é pq está certo". Isso sem contar, claro, a falácia da vidraça quebrada.

    A correção ou incorreção de uma proposição econômica não advém do número de pessoas que a suportam, muito menos por aqueles q pensam no seu umbigo de forma imediatista. Então para vc o número de pessoas fazendo "lobby" por uma medida de política econômica é critério de (in)correção dessa política econômica do ponto de vista da economia como um todo? Bullshit.
  • Gustavo  26/06/2016 19:47
    Leandro, a relação entre o dólar e as exportações dos EUA não vão contra o que está sendo defendido no artigo?

    me refiro à isso: cdn.tradingeconomics.com/embed/?s=dxy&v=201606242230n&d1=20000626&d2=20160626&type=type=line&title=false&url2=/united-states/exports&h=300&w=600
  • Leandro  26/06/2016 22:59
    Não. É muito comum essa confusão.

    Se o dólar fica forte, os preços em dólar dos produtos exportados pelos americanos caem (vide os preços das commodities). Para os outros países, tais produtos ficam mais caros em suas respectivas moedas; mas, em dólar, o preço fica menor. Consequentemente, uma coisa compensa a outra: o volume das exportações não se altera muito, mas os preços em dólar dos bens exportados diminuem. Consequentemente, os valores nominais dos bens exportados diminuem.

    E é isso o que o gráfico mostra: o valor total em dólar dos produtos exportados. Como estão mais baratos, o valor em dólar das exportações é menor.

    E não precisa acreditar em mim, não. Caso não esteja convencido, veja o gráfico que compara exportações e importações.

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-imports.png?s=tbimtot&v=201606141716n&d1=20060101&d2=20161231&url2=/united-states/exports

    Observe como ambas variam de modo absolutamente igual. Mas, ora, de acordo com os proponentes da desvalorização cambial, não era para ser assim. Era para ambas variarem de maneira inversa. Mas isso não ocorre. Ambas variam igualmente.

    Por que as importações sobem quando o dólar fica fraco? Por que elas caem quando o dólar fica forte? E por que elas andam absolutamente pari-passu com as exportações?

    Pelos motivos acima. Quando o dólar fica fraco, são necessários mais dólares para os americanos comprarem as mesmas coisas de antes. Consequentemente, o total de dólares gastos nas importações aumenta (boa parte via endividamento). Não é que as importações aumentaram (em termos de volume). Apenas gasta-se mais dólar para importar o mesmo tanto que antes.
  • Washington LR  23/09/2016 19:40
    Muito boa a matéria, parabéns! No texto o autor disse: "O economista David Ranson, H.C. Wainwright & Co, estudou a relação entre desvalorizações cambiais e crescimento do PIB para dezenove países durante o período 1980 — 2012. Os resultados são claros: se você quer reduzir seu crescimento econômico, clame por uma desvalorização cambial." Vocês têm informação de como eu posso ter acesso a esses estudos? Eu já entrei no site deles e não encontrei nada disponível.
  • anônimo  25/12/2016 04:00
    Leandro, porque as desvalorizações (de meados de 1998 e a partir de 2014) do Ringgit não derrubaram as exportações da Malásia?

    cdn.tradingeconomics.com/charts/historical.png?s=USDMYR&v=20161223233000&d1=19160101&d2=20161231&url2=/malaysia/exports
  • Respondedor  25/12/2016 12:02
    Mas derrubaram. E muito. De acordo com as próprias estatísticas do site TradingEconomics, em 2002 -- após a economia já ter vivenciado todo o efeito inflacionário da desvalorização cambial --, as exportações da Malásia haviam regredido ao mesmo nível do início de 1998!

    Depois disso, após o governo ter fixado o câmbio, a inflação se estabilizou e as exportações voltaram a subir. Em seguida, o ringgit começou a se valorizar, e as exportações dispararam.

    A partir de 2014, o ringgit volta a se desvalorizar. E as exportações, em vez de dispararem também (como reza a lenda mercantilista), param de crescer e simplesmente se estagnam. Em meados de 2016, elas estavam no mesmo nível de 2008!

    Na Malásia aconteceu exatamente como explica esse artigo.

    No mais, recomendo que aprecie o seu Natal com a sua família.
  • anônimo  26/12/2016 20:10
    Realmente não me atentei aos últimos dois anos da série, eles mostram uma queda nas exportações. Acho que por esperar algo como o que ocorreu recentemente aqui no Brasil, não olhei mais atentamente. Após isso, comparei o histórico do câmbio com a evolução das exportações em mais de 20 países. Simplesmente pude observar uma queda nas exportações após desvalorizações cambiais em todos. Como o artigo diz, a empiria comprova a boa teoria rsrs.

    ps: Obrigado pela recomendação, pode ter certeza que aproveitei.

  • Tulio  26/12/2016 21:04
    Sim. E eis o fato: economistas desenvolvimentistas dizem que uma desvalorização cambial aumenta as exportações. Não só isso nunca foi verificado na prática, como na esmagadora maioria das vezes elas caem.

    Que essa teoria furada siga tendo adeptos e siga sendo papagaiada pela mídia é algo absolutamente inacreditável.
  • anônimo  27/12/2016 02:02
    Conversando com um conhecido sobre o assunto, ele afirmou que as exportações caíram pois importador estrangeiro espera a consolidação da tendência do câmbio para fechar contratos e que nações exportadoras de commodities costumam ter a moeda apreciada. Também disse que o Brasil trabalha mal com o câmbio, pois o foco não está na produção, mas sim em títulos cotados em moeda de referência que foram internalizados. O que vocês acham?
  • Marques  27/12/2016 02:30
    Não entendi muito bem o seu raciocínio. Você está dizendo que as exportações caem por causa do comportamento dos importadores?

    Se sim, então essa seria mais uma comprovação da teoria do artigo: com câmbio desvalorizado, importadores ficam mais reticentes em importar. Consequentemente -- por causa desse comportamento que você descreveu --, há menos exportações. Não sei muito bem que lógica é essa (e espero que alguém me explique), mas mesmo ela também está de acordo com o artigo.
  • anônimo  28/12/2016 01:25
    Leandro, o que poderia dizer sobre tais afirmações?
  • Leandro  28/12/2016 11:23
    Concordo com o Tulio e com o Marques.
  • anônimo  26/12/2016 22:04
    Alguém pode explicar como Cingapura tem nos útimos 10 anos uma média de 25 bilhões de dólares de exportações por mês , enquanto o tem Brasil exporta uma média de 16 bilhões de dólares por mês ?

    Isso é bizarro, se levarmos em consideração que Cingapura é uma cidade com 6 milhões de habitantes, tem a população 36 vezes menor do que o Brasil, realiza importação de 90% do que é consumido na ilha, possui a moeda muito mais valorizada que o real, está sob um calor agressivo com média de 29 graus, etc.


    www.tradingeconomics.com/singapore/exports

    www.tradingeconomics.com/brazil/exports
  • Tulio  26/12/2016 22:33
    Você própria deu a resposta: moeda forte.

    E também por tudo isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2059
  • anônimo  26/12/2016 22:42
    Currency board é coisa pra macho.

    Aqui não tem dessas coisas.
  • anônimo  26/12/2016 23:35
    As exportações principais da Cingapura são:

    Petrolíferos refinados ($61,8 Bilhões)
    Circuitos Integrados ($51,8 Bilhões)
    Unidades de Disco Digital ($8,86 Bilhões)
    Os compostos de oxigénio Amino ($5,87 Bilhões) e Polímeros de Etileno ($4,28 Bilhões)

  • anônimo  01/02/2017 01:51
    Leandro, certa vez vi o argumento de que as exportações brasileiros (medidas em dólares) caíram por causa da desvalorização do real perante o dólar, mas que as exportações em reais e em volume de bens exportados, continuaram crescendo. Isso procede? Existe algum dado sobre as exportações medidas em reais?
  • Leandro  01/02/2017 11:44
    As exportações de produtos básicos -- como café, carne, laranja, açúcar e minério --, que não dependem de processos de produção mais complexos, não se alteram. Elas sempre crescem, independentemente de câmbio.

    Veja, por exemplo, a exportação de minério em quilogramas.

    s24.postimg.org/noyncv5lh/minerio.png


    Já as exportações de manufaturados, que dependem de insumos e bens de capital mais complexos para ser fabricados, são afetadas negativamente pela desvalorização do câmbio.

    Veja, por exemplo, as exportações de automóveis, de motores e suas partes, de tratores, de veículos de carga, e de partes e peças para automóveis e tratores.

    s28.postimg.org/l2y2jpqq5/elaborados.png
  • anônimo  25/02/2017 04:43
    Leandro, existe uma série que mensure em quantidade?
  • Alfredo  03/03/2017 01:05
    Viram a última? O dólar caiu, o real se valorizou, o câmbio se apreciou fortemente e... as exportações aumentaram e a balança comercial não só foi para o positivo, como ainda teve o melhor fevereiro da história!

    Mais ainda: as exportações em fevereiro tiveram um aumento de 22,4% sobre o mesmo mês de 2016. Ou seja, o dólar caiu de R$ 4,20 para R$ 3,06 e as exportações dispararam!

    Os desenvolvimentistas devem estar implorando para ninguém lhes pedir explicações...

    g1.globo.com/economia/noticia/balanca-tem-superavit-de-us-45-bilhoes-em-fevereiro-maior-para-mes-em-29-anos.ghtml

    Parabéns ao IMB pela persistência de praticamente falar sozinho sobre este tema, expondo a ignorância de todos os outros "economistas".
  • RAFAEL SOARES  26/04/2017 11:33
    Com a iminência de bombardeio americano sobre a Coreia do Norte, será que poderemos entrar novamente numa fase de valorização do Real?
  • Ricardo  29/05/2017 23:10
    Mais uma prova: moeda se valorizou e aconteceu isso aqui:

    Brasil registra maior salto de exportação do G-20 em 2017

    Pergunta: ainda existe desenvolvimentista que defende câmbio desvalorizado para "estimular exportações"?
  • Gabriel  08/10/2017 22:12
    Leandro, minha dúvida não tem a ver com desvalorização cambial e exportações, mas sim com desvalorização cambial e inflação. Como é possível haver inflação cadente com desvalorização cambial crescente (período de 1988 a 2002)?

    https://uploaddeimagens.com.br/imagens/chiladesvalorizacaocambial-png
    https://uploaddeimagens.com.br/imagens/chileinflacao-png
  • Substituto  09/10/2017 00:03
    Desculpe, mas onde exatamente você viu "inflação cadente"? De 1981 a 1995, a inflação média é de 20% ao ano. Tal magnitude equivale a 1.440% ao longo deste período.

    Onde está a inflação cadente?

    Aí, de 1995 a 1998, o câmbio se estabiliza, e é então que a inflação realmente começa a desacelerar. A partir de 2000, o câmbio volta a se desvalorizar, e aí há um repique inflacionário. Tudo estritamente de acordo com a teoria econômica.

    Agora, você provavelmente se embananou com os gráficos porque escolheu dois gráficos com unidades totalmente distintas. Um marca preço do dólar em pesos e o outro marca porcentagens, coisas completamente distintas. Para uma melhor comparação da correlação câmbio e preços, seria melhor comparar o gráfico do câmbio com o gráfico da evolução nominal dos preços do Chile. Ei-lo:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/chile-consumer-price-index-cpi@2x.png?s=chileconpriindcpi&v=201710061104v&d1=19761008&d2=20171008

    Veja como a correlação se torna bem mais facilmente perceptível.
  • Gabriel  09/10/2017 01:03
    Caro Substituto, atente-se ao período que eu especifiquei no primeiro post. Em 1988, a inflação chilena estava em torno de 24% ao ano. Já ao fim dos anos 90, ela está em torno de 5% ao ano. O que é isso se não um processo de desinflação? Tal fato ocorreu no mesmo instante em que ocorria uma brutal desvalorização do peso chileno.

    O gráfico em CPI apenas mostra os preços em valores nominais, que, obviamente, tornam-se maiores por conta da inflação. Mas isso não responde a minha dúvida (inflação em desaceleração em um momento em que a moeda chilena estava se dilacerando).
  • Gabriel  09/10/2017 01:16
    Complementando:

    Veja que, de 1988 a 1994, a uma corte desvalorização cambial de mais ou menos 80%.
    https://uploaddeimagens.com.br/imagens/chiledesvalorizacao-png

    Inicialmente, a inflação vai junto (acelerando-se até o último trimestre de 1990). Mas, estranhamente a inflação começa a desacelerar desde então, mesmo com o câmbio continuando a se desvalorizar.
    https://uploaddeimagens.com.br/imagens/chiledesvalorizacao-png
  • Marcos  09/10/2017 12:11
    Em janeiro de 1988, um dólar custava aproximadamente 250 pesos. Em dezembro de 1994, 400 pesos. Encarecimento de 60%.

    Em janeiro de 1988, o CPI chileno estava em aproximadamente 17. Em dezembro de 1994, em 50. Encarecimento de 194%.

    Ou seja, a inflação de preços foi muito maior que a desvalorização cambial.


    Já de 1995 a 2000, o dólar foi de 400 para 575. Encarecimento de 43%.

    No mesmo período, o CPI foi de 50 para 70. Encarecimento de 40%, e totalmente em linha com a desvalorização cambial.

    Ou seja, no todo, durante o período de 1988 a 2000 (que foi o período que você escolheu) a inflação foi maior que a desvalorização cambial.

    Não entendi seu espanto, sinceramente. Aliás, eu mesmo devo confessar surpresa: não sabia que a inflação de preços havia sido ainda maior que a desvalorização cambial.
  • Gabriel  09/10/2017 15:42
    Vendo por esse lado, vocês têm razão. Meu espanto está em ver que é possível um processo de desinflação mesmo com a moeda continuando a se desvalorizar.
  • Marcos  09/10/2017 15:48
    Ué, mas não houve desinflação. Num período, a moeda se desvalorizou 60% e a inflação subiu 194%.

    No período imediatamente seguinte, a moeda se desvalorizou 43% e a inflação subiu 40%.

    Onde exatamente está o período de desinflação descolado da desvalorização? Juro que não consegui ver. E não é implicância, não. Eu realmente não consegui ver.

    Aliás, digo mais: dado que a inflação foi muito maior que desvalorização no período 1988 a 1994, seria de se esperar que a inflação fosse muito menor que a desvalorização no período 1995 a 2000, meio que para compensar. Mas nem isso ocorreu.
  • Gabriel  09/10/2017 16:05
    Uai, de 1988 a 2000, o peso chileno desvalorizou de 240 para 575 (valores aproximados). A inflação em 1988 era de
    24% ao ano. Já em 2000 era de 3% ao ano. Isso é um processo de desinflação ou eu estou enganado? É verdade que a velocidade da desvalorização cambial também caiu de 1988 a 2000 (permitindo que a inflação caísse junto), mas mesmo assim foi um espanto pra mim descobrir que tal coisa é possível.
  • Marcos  09/10/2017 16:15
    Levando-se em conta que no período anterior a inflação foi muito maior que a desvalorização, então era de esperar uma desinflação bastante intensa no período seguinte, meio que para compensar. E, como mostram os números, nem mesmo isso aconteceu: a inflação acabou ocorrendo exatamente no mesmo ritmo da desvalorização.

    Portanto, realmente, não houve desinflação em simultâneo a uma desvalorização cambial. Houve, isso sim, inflação maior que a desvalorização no primeiro período, e inflação exatamente igual à desvalorização no segundo período.
  • Gabriel  09/10/2017 16:35
    Não foi exatamente no mesmo ritmo. De 1995 a 2000, a inflação de preços foi de 40% e a desvalorização cambial de 43%. Porém isso não é o mais importante. Eu vou discordar da sua conclusão, apesar de você dizer o mesmo que eu (1-houve queda da inflação e 2-houve desvalorização cambial), pois há claramente um processo de desinflação (inflação caindo de 24% para 3%) ao mesmo tempo em que a desvalorização cambial continuava acontecendo.
  • Matheus  09/10/2017 15:43
    Ou seja, há uma correlação direta entre inflação e desvalorização cambial?
  • Edson  09/10/2017 15:59
  • BJunior  17/10/2017 10:38
    Entendi o argumento que a desvalorização da moeda afeta as exportações. Uma coisa que não está clara para mim é porque os governos insistem nessa estratégia. Não é possível que eles realmente acreditem nessa teoria. Por exemplo, a saída dos EUA de Bretton Woods em 1971 tem a ver com a necessidade de financiar a guerra do Vietnã. O mesmo pode ser dito da estratégia adotada pelos países europeus por conta da primeira guerra mundial.

    Enfim, qual seria o ganho de curto prazo (político, econômico, fiscal etc) para o governo que justifique toda essa retórica de guerra cambial e da necessidade de você desvalorizar a sua própria moeda ?

    Outra dúvida que tenho é sobre como um país pobre deve se comportar frente ao livre comércio. Pergunto isso porque recentemente vi uma palestra de geopolítica que cita a rodada Doha. De acordo com ela, o Brasil foi sábio ao travar essa rodada porque ocorreria a liberação somente de produtos nos quais os países desenvolvidos são competitivos. Na visão do autor, se o Brasil tivesse entrado nisso, a indústria nacional se esfacelaria de vez. Embora pareça desleal, eu acredito que mesmo nesse cenário de barreiras para os nossos produtos, seria vantajoso para o Brasil entrar nesse acordo. Só não consigo explicar claramente porque. O raciocínio que eu consegui desenvolver foi que com a abertura econômica a indústria nacional diminuiria. Dessa forma, teríamos que vender commodities para em troca comprar produtos industrializados. No entanto, com as alíquotas para produtos agrícolas em vigor, o Brasil teria dificuldade de vender a sua produção nacional e, consequentemente ficaria isolado do comércio internacional. Esse raciocínio está estranho, mas não consigo melhora-lo. Alguém consegue me explicar isso?
  • Felipe  17/10/2017 11:17
    "Uma coisa que não está clara para mim é porque os governos insistem nessa estratégia."

    Para dificultar importações e assim garantir a reserva de mercado das grandes indústrias nacionais.

    No entanto, justiça seja feita, nos países ricos já não mais há desvalorizações de uns em relação aos outros. A taxa de câmbio entre eles se mantém relativamente estável.

    "Enfim, qual seria o ganho de curto prazo (político, econômico, fiscal etc) para o governo que justifique toda essa retórica de guerra cambial e da necessidade de você desvalorizar a sua própria moeda?"

    Ah, de curto prazo há sim ganhos para exportações e para a indústria nacional; o problema começa é após um ano. Mas todo mundo sempre acha que "daqui a um ano poderemos corrigir tudo".

    "Outra dúvida que tenho é sobre como um país pobre deve se comportar frente ao livre comércio."

    Abrindo. Nem que seja unilateralmente.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2507
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2641
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2629
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2607
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2518
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2757
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2617
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2321

    "Pergunto isso porque recentemente vi uma palestra de geopolítica que cita a rodada Doha. De acordo com ela, o Brasil foi sábio ao travar essa rodada porque ocorreria a liberação somente de produtos nos quais os países desenvolvidos são competitivos."

    Tradução: as grandes indústrias e seu poderoso lobby foram sábias ao impedir o povo brasileiro de ter acesso barato a produtos de qualidade importados pelos estrangeiros, garantindo assim sua reserva de mercado.

    Esse argumento de que um povo deve ser proibido de ter acesso a bens que outros países fabricam mais competitivamente é um dos mais estúpidos e ignaros que podem ser feitos. É exatamente isso o que mantém a população de países pobres na miséria. Artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2617

    "Na visão do autor, se o Brasil tivesse entrado nisso, a indústria nacional se esfacelaria de vez."

    Se a "indústria nacional" não consegue competir com produtos importados de qualidade, então essa porcaria tem mais é que sumir mesmo. Aqui no Brasil, "indústria nacional" é sinônimo de lobby, subsídios, e protecionismo. Ótimo arranjo para quem está dentro (grandes empresários e sindicatos), e péssimo arranjo para quem está fora (todos nós).

    Não houvesse essa tal "indústria nacional", teríamos muito mais liberdades para importar coisas, pois não haveria tarifas para proteger essa porcaria.

    "Dessa forma, teríamos que vender commodities para em troca comprar produtos industrializados. No entanto, com as alíquotas para produtos agrícolas em vigor, o Brasil teria dificuldade de vender a sua produção nacional e, consequentemente ficaria isolado do comércio internacional."

    Como então fazem Chile e Nova Zelândia? Pois é exatamente neste arranjo que eles vivem (e prosperaram): vendendo commodities em troca de produtos industrializados.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2617


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