A democracia, os políticos e o retrocesso da civilização

O sentimento da inveja é o mais premente, o mais difundido e o mais poderoso dentre as forças motivacionais que causam o declínio de uma civilização.

Todas as grandes religiões condenam a cobiça pela propriedade alheia como sendo pecaminosa.  Em uma ordem natural — isto é, em um sistema em que impera o direito natural —, as pessoas também, até certo ponto, se sentem tentadas a expropriar a propriedade alheia para vantagem própria. 

Porém, em uma ordem natural, bem de acordo com as prescrições religiosas, tais tentações são consideradas imorais e ilegítimas, e espera-se que todos sejam capazes de suprimir tais desejos — caso contrário, serão punidas de acordo com os próprios preceitos do direito natural.

Já quando vivemos sob um estado, algumas — poucas — pessoas adquirem o privilégio de cederem impunemente a tais impulsos imorais por um período indeterminado de tempo, podendo utilizar a legislação e a tributação como um meio de satisfazer sua própria cobiça pela propriedade alheia.  No entanto, é somente sob um arranjo democrático — isto é, quando a entrada no aparato estatal é livre e irrestrita — que todas as restrições e inibições morais contra a espoliação da propriedade alheia são removidas.

Quando a entrada no aparato governamental é livre, qualquer um pode expressar abertamente seu desejo pela propriedade alheia.  O que antes era considerado imoral e era adequadamente suprimido, agora passa a ser considerado um sentimento legítimo.  Sob a democracia, todos são livres para entregar-se a tais tentações e, com isso, propor toda e qualquer medida de legislação e tributação que lhes permitam levar vantagem à custa das outras pessoas.  

Todos agora podem cobiçar abertamente a propriedade de outros em nome da democracia; e todos podem agir de acordo com esse desejo pela propriedade alheia, desde que ele já tenha conseguido entrar no governo.  Assim, em uma democracia, qualquer um pode legalmente se tornar uma ameaça.

Ao passo que, em uma ordem natural, as pessoas dedicam seu tempo exclusivamente para a produção e o consumo, sob condições democráticas uma fatia crescente do tempo das pessoas é direcionada para a política, isto é, para a defesa e promoção de atividades que não são produtivas, mas sim exploradoras e parasíticas da propriedade alheia.

Com efeito, mesmo os oponentes deste arranjo acabam sendo obrigados a perder uma fatia cada vez maior do seu tempo com esforços improdutivos — ou seja, com a política —, nem que seja apenas para tomar medidas preventivas e se defender a si próprio e à sua propriedade contra tais incursões agressivas dos parasitas que ocupam o aparato estatal.

Com efeito, sob condições democráticas, surge uma nova classe de pessoas — políticos — cuja profissão é propor e promover decretos-lei e impostos voltados para expropriar a propriedade de alguns para o benefício de outros (inclusive, e principalmente, deles próprios).

Adicionalmente, devido às constantes e regulares eleições, a politização da sociedade jamais chega ao fim; ao contrario, ela é continuamente reforçada.  Incertezas jurídicas e desrespeito às leis não apenas se tornam uma normalidade, como são também levados ao paroxismo.  O horizonte temporal das pessoas se torna cada vez mais imediatista, voltado exclusivamente para o curto prazo.  Visões de longo prazo deixam de ser consideradas — tanto pelos políticos quanto pelos cidadãos (mesmo os mais precavidos, dado que eles simplesmente não têm como saber como se comportarão os próximos políticos).

No mais, nesse processo de competição política — isto é, na competição para ver quem adentrará o aparato estatal e se tornará o tomador supremo de decisões finais —, terão mais sucesso aqueles políticos e aqueles partidos políticos que tiverem menos escrúpulos morais e as melhores habilidades demagógicas.  Ganharão aqueles que mais bem conseguirem propor e propagar as mais variadas promessas imorais e ilegais, uma vez que a demanda popular por esse tipo de promessa é praticamente infinita.

Com isso, aqueles amorais vulgares que possuírem enorme talento em agregar uma turba de seguidores adeptos de demandas moralmente desinibidas terão as maiores chances de entrar no aparato governamental e ascender até o topo da linha de comando. 

De outro lado — o outro lado da mesma moeda —, a democracia leva a uma crescente corrupção.  Como a entrada no aparato estatal é livre, a resistência contra o domínio do estado é reduzida e, consequentemente, o tamanho do estado só faz crescer.  Aquele que hoje é espoliado sabe que, no futuro, ele pode também se tornar membro do aparato estatal, passando então a ser um beneficiário do butim.  Com isso, o número de empregados do estado ira crescer, e dado que seus salários e padrão de vida dependem da continuação do poder estatal de tributar e criar leis, eles irão — não necessariamente, mas muito provavelmente — se tornar leais defensores do estado.

Particularmente, a classe dos intelectuais — isto é, os produtores de palavras e não os produtores de bens — será a primeira a ser comprada e corrompida.  Dado que a demanda de mercado por palavras — ao contrário da demanda de mercado por bens e serviços — é ínfima, intelectuais estão sempre desesperados por qualquer tipo de ajuda para sobreviverem.  E o estado, que está em permanente necessidade de apoio ideológico para seu implacável ataque conta a justiça e o direito natural, estará sempre disposto a oferecer tal ajuda para esses intelectuais, utilizando seus serviços como educadores públicos e os colocando em sua folha de pagamento em troca da propaganda em prol do regime.

No entanto, não são apenas os funcionários do estado os corrompidos.  As receitas tributárias do governo, bem como seu abrangente controle sobre vários outros ativos não-monetários, irão exceder, em muito, o necessário para empregar e pagar seus funcionários.  Consequentemente, o estado também irá distribuir renda e assistência para vários membros da sociedade civil.  A lealdade dos pobres e oprimidos ao estado poderá ser garantida por meio de vários programas assistencialistas; já os ricos e os poderosos empresários, industriais e banqueiros — e indiretamente seus empregados — também poderão ser corrompidos por meio de subsídios, protecionismos, contratos privilegiados para empreiteiras, reservas de mercado, e títulos do Tesouro que pagam juros altos.

E esta mesma política poderá também ser utilizada com o propósito de "dividir" os membros da sociedade civil, de modo a controlar mais facilmente uma população que, cada vez mais, irá se comportar como facções rivais.  Divide et impera!

Um ótimo indicador da degeneração moral e da corrupção gerada pelo estado democrático pode ser encontrado no alto escalão do aparato estatal: apenas veja os políticos e os partidos políticos que estão no comando do espetáculo da democracia.

Se forem mensurados de acordo com os padrões do direito natural e da justiça, todos os políticos, de todos os partidos e sem qualquer exceção, são culpados, direta ou indiretamente, de fraude, corrupção ativa e passiva, roubo, estelionato, usurpação, invasão, expropriação, homicídio, e receptação e redistribuição de bens roubados em larga escala.  E tudo isso de maneira contínua. E cada nova geração de políticos e partidos políticos parece ser pior que a anterior, empilhando ainda mais atrocidades e perversões no topo da montanha já existente, de modo que eles conseguem a façanha de nos fazerem sentirmos um tanto nostálgicos quanto ao passado.

Sob um arranjo em que imperasse o direito natural, todos eles seriam enforcados, ou jogados na cadeia onde ficariam até apodrecer, ou, na mais branda das hipóteses, obrigados a oferecer restituição por meio do trabalho próprio.

No entanto, em vez disso, todos eles desfilam impunemente e com grande desenvoltura em público, em plena luz do dia, proclamando-se — de maneira pomposa, pretensiosa, arrogante e farisaica, genuinamente acreditando terem enorme honradez — santos bondosos e caritativos, jurando serem bons samaritanos, abnegados servidores públicos, benfeitores e salvadores da humanidade e da civilização humana.

Políticos, com efeito, são os mestres da inversão de valores.  Para eles, quem trabalha e gera empregos são opressores e parasitas, e os verdadeiros parasitas que vivem da espoliação da propriedade alheia são os oprimidos.  Produtores são parasitas, e parasitas são produtores. Expropriação é restituição, e restituição é expropriação. Impostos são contribuições voluntárias, e preços voluntariamente acordados no mercado são taxas espoliativas.  Dinheiro é papel, e papel é dinheiro.  Liberdade é coerção, e coerção é liberdade.  Consumo do governo é investimento, tributação é poupança, e poupança genuína é um "crime contra a economia popular".

Pior de tudo: a esmagadora maioria da população, em uma quantidade que supera em muito o número de dependentes do estado, não só aceita, como acredita nessa insensatez.  Políticos, em vez de serem desprezados e ridicularizados, são tidos em alta estima, aplaudidos, admirados e até mesmo glorificados pelas massas.  Na presença deles, principalmente quando se trata de políticos "do alto escalão", a maioria das pessoas se mostra boquiaberta, submissa e servil, querendo selfies, beijos e abraços.  Com efeito, mesmo aquelas pessoas que se opõem virulentamente a determinado um político ou partido político, o fazem quase sempre apenas para glorificar e louvar outro político de outro partido. 

E a intelligentsia, ao perceber que toda a sua tagarelice é alegremente repetida por esse ou aquele político ou partido político, virtualmente baba sobre eles.

Enquanto isso, o número de pessoas que ainda se mantém apegadas aos "princípios antiquados" do direito natural e da justiça, que têm esses princípios como a base de todo o seu juízo moral, e que veem o mundo como um hospício controlado por megalomaníacos insanos, continua sendo a minúscula minoria da população.  Menor ainda é aquela minoria que reconhece e entende, ainda que de maneira vaga, a causa sistemática dessa situação.  E toda essa minoria está sob contínua ameaça dos guardiões e zeladores desse "Absurdistão" chamado democracia, sendo rotulados de neandertais, reacionários, extremistas, otários pré-iluministas, sociopatas e escumalha.

Eis o nosso mundo atual.


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SOBRE O AUTOR

Hans-Hermann Hoppe
é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo e The Economics and Ethics of Private Property.




"Não é preciso um volume crescente de pessoas para estabilizar uma previdência. É preciso apenas que se estabilize a relação ativo/inativo e tempo de contribuição/tempo de benefício, ceteris paribus. Só isso."

Magnífico argumento. Por este seu argumento nenhum golpe de pirâmide é um golpe de pirâmide. Se conseguirmos organizar um golpe de pirâmide de uma forma que ele não acabe se esfacelando, i.e, "estabilizando a relação ativo/inativo", então, segundo sua argumentação, ele deixará de ser um golpe de pirâmide.
Mas o problema com golpes de pirâmide é justamente que é impossível estabilizar esta relação no longo prazo.

"Isso independe se há investimento ou não, porque em um regime 40/20 anos, 1 trabalhador "contribui" para 2 aposentadorias."

Esse seu exemplo é matematicamente risível. Um trabalhador não contribui para "2 aposentadorias". Vários trabalhadores contribuem para uma única aposentadoria. E o motivo é óbvio: eles apenas contribuem com uma pequena parcela de sua renda para a aposentadoria de um único aposentado".

Apenas pegue um exemplo comum no Brasil: Um benefício de cerca de 1500 reais, por exemplo.

Segundo sua afirmativa, todos os "contribuintes" não apenas pagam por uma aposentadoria de 1500 reais mensais, como eles ainda pagam uma aposentadoria extra, de mais 1500. Ou seja, todo trabalhador brasileiro contribui mensalmente com 3000 reais de sua renda, sendo que isto apenas pode representa, segunda a legislação brasileira, no máximo 20% de sua renda total. Ou seja, os "contribuintes" da previdência possuem um salário de no mínimo 15 mil reais, segundo seu exemplo. Certamente, algo facilmente observável todos os dias, meu nobre.

"Ignorar esse fator é um erro grosseiro, cometido pelo artigo. Daí a concluir que "previdências" são esquema de pirâmide é um pulo."

Sim, ignorar este fator, que tem lugar apenas em sua mente, é certamente um erro grotesco.

"Se for para ignorar o fator tempo, quero contribuir só por 5 anos e me apontar aos 30 anos de idade. Não vai fazer diferença, né? :-)"

Você não me parece entender a diferença entre um regime de capitalização e um regime de repartição. Ao menos procure a diferença entre estes dois sistemas antes de sair fazendo afirmações a respeito deste tema. Faça um favor a si mesmo.

O fator tempo não é relevante para determinar um esquema de pirâmide, justamente porque ele não é um sistema que está "guardando" seu dinheiro em algum lugar. Ele está simplesmente retirando uma parcela da renda de quem a paga agora e a transferindo para quem a recebe agora.
No futuro, quando os atuais contribuintes se tornarem receptores, será retirado uma parcela da renda dos atuais contribuintes para pagar pelos benefícios dos atuais receptores, que antes eram contribuintes. O que torna o sistema insustentável, é que o número de membros que participam estão continuamente aumentando, e o sistema de pirâmide necessita de aumento contínuo de contribuintes para sustentar o também aumenta contínuo de receptores. Este é o básico de um sistema de pirâmide, e é por isto que todos irão falhar.

"Já o fato do INSS não fazer investimento e ser um sistema distributivo não vem o caso para efeitos matemática. Mas se você descontar juros, inflação, e tratar tudo como um grande fluxo de caixa, dá pra desconsiderar o valor no tempo."

Afirmação sem sentido nenhum, baseado na sua ideia também sem sentido nenhum de que um único trabalhador contribui para a previdência de vários aposentados. Uma impossibilidade.

"Desconheço empresa que precise crescer seu quadro permanentemente ("pirâmide") para manter seu fundo estável."

Também desconheço qualquer empresa que empregue e tire uma parcela do salário de seus funcionários "contribuintes" e a utilizem para pagar uma constante renda para funcionários "receptores", que abandonaram o posto de trabalho, baseado na promessa de que quando estes funcionários, atualmente "contribuintes", se tornarem idosos, "receptores", ele terá outros empregados "contribuintes" pagando pela sua constante renda mensal. Caso você conheça alguma, por favor me apresente. E caso você conheça alguma que possua um sistema desses, então sim, é, também, um sistema de pirâmide.

"Se não está convencido que o fator tempo é importante, faça a simulação da "previdência de 2 pessoas": pegue um sistema 40/20, e comece simulando um trabalhador "A" contribuindo para a renda do aposentado "B". No início do seu "sistema", não há como não ser, vai ficar pesado para "A", porque ele(a) vai ter que contribuir com 100% do salário por 40 anos (vamos ignorar que parte da contribuição vem do empregador)."

Se "A" contribuir com 100% do seu salário ele irá morrer de fome. Provavelmente, antes mesmo da primeira semana.

"Algum tempo depois, "B" vai morrer (em média depois de 20 anos recebendo), mas espera!, metade da contribuição de "A" não foi usada. Isso significa que "A" poderia ter contribuído só com 50% do que contribuiu..."

Na verdade, nenhuma parte da contribuição de "A" foi utilizada, porque de acorda com as suas "hipóteses" ele teria morrido na primeira semana de contribuição.
Os sindicatos não conseguem garantir melhores salários aos trabalhadores pois não possuem o poder mágico de aumentar o bolo de dinheiro disponível na empresa para a massa salarial. O que aumenta essa massa é o aumento de produtividade (sindicatos não defendem e nem se preocupam com isso pois significa fazer mais com menos) ou aumento de volume de vendas (forças naturais do mercado, como o aumento populacional).

A empresa não cria dinheiro, a massa disponível para os salários é o que veio diretamente da receita de vendas da empresa naquele mês (se usar constantemente sua poupança para pagar os salários, irá quebrar inevitavelmente).

O que o sindicato faz de fato é redistribuir a massa salarial entre os trabalhadores, fazendo os que produzem pouco ganhar um pouco mais as custas de quem produz mais.

Além de incentivar a preguiça esse arranjo é totalmente injusto pois tira parte do fruto do trabalho de alguém para dar para quem produziu bem pouco.

Isso limita o poder da empresa de premiar quem produz mais, pois essa visibilidade de quem realmente fez o quê é da empresa e não dos sindicatos.

Um retrato do prejuízo que um sindicato causa para uma categoria é vista no funcionalismo público, onde não há como distinguir os funcionários bons que contribuem para a eficiência das repartições daqueles que simplesmente mamam nas tetas do governo. O sindicato garante que ambos ganhem o mesmo, não importando a produtividade, fazendo com que o dinheiro que deveria ir para o funcionário eficaz vá para os ineficazes.
Partindo-se do que temos de informação aqui, respondo:

1) João, do nada, agride José com um soco na cara.
(X ) Anti-ético e moralmente repreensível
Quem João acha que é para agredir alguém? Pois a liberdade de fazer o que ele quiser acaba quando ele coloca outros na equação de realizar qualquer ação.

2) João rouba o carro de José.
(X ) Anti-ético e moralmente repreensível
O carro é de José, ele não tem direito algum de fazer isto.

3) João rouba o dinheiro de José.
(X ) Anti-ético e moralmente repreensível
Mais uma vez ele não tem direito nenhum de fazer isto, pois o dinheiro é do trabalho honesto de José.

4) João rouba o dinheiro de José para dar aos pobres.
(X ) Anti-ético e moralmente repreensível
Quem João acha que é? Robin Hood? José não tem obrigação nenhuma para com os pobres, pois o dinheiro é dele e ele só dá para os pobres se quiser.

5) João rouba o dinheiro de José para pagar serviços médicos e educacionais para os pobres.
(X ) Anti-ético e moralmente repreensível
Mais uma vez José está sendo lesado, pois não é obrigação dele cuidar de pobre nenhum se ele assim não o quiser.

6) João pede para um grupo de pessoas roubar o dinheiro de José para redistribuir aos pobres e pagar-lhes serviços médicos e educacionais.
(X ) Anti-ético e moralmente repreensível
É pior ainda, pois João organizou uma quadrilha para roubar José que mais uma vez não tem obrigação nenhuma que ele não queira ter.

E então, a partir de qual cenário a agressão a um inocente honesto e trabalhador se tornou ética e moralmente correta?
Em todos os cenários e isto é tão óbvio que não consigo compreender qual é o teste. Poderiam explicar?
Olá Tulio,

agradeço-lhe também pelos dados apresentados.

Após o meu primeiro comentário acima, emitido em 26/02/17 às 16:10, busquei outras informações sobre o mercado de ovelhas neozelandês, e descobri esse interessante artigo
www.mises.org.br/Article.aspx?id=2260 que aborda em detalhes "como" foi
possível aumentar o preço unitário de cada cordeiro de 12,50 dólares em 1987 para 115 dólares em 1999 (algo que, de fato, rompe o paradigma do qual eu utilizei-me para fazer meu comentário).

Certamente, retiro o comentário inicial feito por mim, pois naquele momento eu ainda não tinha lido o artigo que, só depois, veio a esclarecer-me quanto ao ponto em questão.

A questão está completamente esclarecida para mim, aproveito o ensejo para desculpar-me se por acaso minha "provocação" foi de algum modo ofensiva aos que contribuíram para o artigo em questão e, mais uma vez, renovo meus votos de estima e consideração, desejando um excelente trabalho a todos.

Paz e bem,
Grande abraço

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Diogo Pandolfo  17/03/2016 14:46
    O povo é alienado e acaba acreditando que políticos estão ali pensando nele. E o pior é que as pessoas idolatram esses caras. Idolatria é doença.
  • Tales Carneiro  17/03/2016 14:46
    Não são apenas bandidos, são psicopatas. Bandidos já teriam se entregado, mas eles ainda conseguem racionalizar a própria vileza.
  • Bruno Coutinho  17/03/2016 14:47
    O político é a profissão própria para psicopata.
  • Ivan  17/03/2016 15:34
    Ao passo que, em uma ordem natural, as pessoas dedicam seu tempo exclusivamente para a produção e o consumo, sob condições democráticas uma fatia crescente do tempo das pessoas é direcionada para a política, isto é, para a defesa e promoção de atividades que não são produtivas, mas sim exploradoras e parasíticas da propriedade alheia.

    Muito bom esse parágrafo. Eliminando os parasitas que não produzem nada e vivem às nossas custas a situação de todo mundo ficaria muito mais fácil... É FODA!

  • Rosa   17/03/2016 17:10
    Eu não posso deixar de concordar com os posicionamentos feitos. Compartilho dos mesmos. Acho incrível que pessoas que nada fazem, que vivem à sombra dos recursos produzidos pelos que trabalham, e que se mostram verdadeiros parasitas, ainda se julguem no direito de impor aos demais seus desejos, interesses, seu padrão imoral de conduta à sociedade, achincalhando-a com seu desrespeito e tentando impor-lhe submissão enquanto acopla à jugular social o canudinho para sorver o que a sociedade produz e ao invés de servirem à sociedade, servem-se dela. Súcia! Política é prática do bem comum, um ideário de convivência social para o bem de todos, mas, o que vemos no mundo de modo geral e no Brasil e América Latina, de modo muito especial, se tornou um meio de vida nababesca para poucos e um meio de morte e sofrimento para a maioria. Enojada! E assim que me sinto com o estado de coisas na qual as pessoas vem sendo doutrinadas para invejarem, desperdiçaram, enquanto vivem fora de seus padrões de vida, endividando-se e descumprindo compromissos e afetando todo grupo social que inclui outras pessoas e empresas, desestabilizando a sociedade sob todos os aspectos. E, enquanto nos alijarmos do processo deixando que os demais solucionem os problemas criados, estaremos fadados ao conformismo, esperando que super-homens e super-mulheres (novo políticos) assumam o barco nos "conduzindo à suprema e idílica terra da Felicidade Eterna" nos vemos dentro do Nazismo Hitleriano, da qual quem sabe iremos acordar como de um pesadelo horrível.
  • opinador  17/03/2016 17:22
    Grande comentário !

    O gasto de energia e recursos é incrível.

    Isso para resolver um problema que a própria democracia causou.

    Lamentável !
  • Questionador  17/03/2016 16:33
    O erro é comparar nosso sistema atual com uma suposta "ordem natural", um sistema baseado totalmente no "direito natural". Sistema esse que nunca ocorreu e dificilmente ocorrerá, já que que ele pressupõe qualquer presença de um arcabouço institucional que manterá tal ordem. Se o ser humano se preocupasse com o outro e com a sociedade como um todo, e tivesse conhecimento o suficiente para saber como provocar esse bem, talvez ele agiria de forma que respeitasse sempre o "direito natural", mesmo quando, sabendo-se que se o violasse ganharia benefícios particulares com isso.

    Tal sistema, até hoje, só existiu na cabeça de alguns indivíduos. Como sabemos que um sistema sem intervenção é o melhor do ponto de vista de eficiência, qualquer sistema sem qualquer intervenção parecerá bem melhor do que o nosso sistema atual. O problema, como eu disse, é a prática. A própria história já mostra que praticamente nenhuma vez civilizações respeitou tal "ordem natural" - nome esse que, se realmente correto, seria regra, e não exceção.

    Então, certamente, qualquer sociedade hoje parecerá ridiculamente ruim se comparada a esse sistema. O problema é que esse é um sistema idealizado, e só funcionaria se as pessoas tivessem chips na cabeça que as fariam sempre respeitar tal "direito natural". E não cometo o erro de achar que tal sistema não pressupõe crimes. Eu sei que seus defensores pensam que ele pressupõe. Mas questiono se ele será um sistema institucionalmente adequado para que crimes sejam punidos de forma correta, e para que violações de tal "direito natural" terão sempre a garantia de ser punidas à altura. Pela observação da realidade à minha volta, e da história da humanidade, eu afirmo que não.
  • Respondedor  17/03/2016 17:29
    "O erro é comparar nosso sistema atual com uma suposta "ordem natural", um sistema baseado totalmente no "direito natural".

    Isso não é erro. Todo e qualquer arranjo precisa ser comparado a outro. Sem isso, é impossível ter qualquer norte ético e moral.

    Há vários arranjos políticos que não implicam democracia ou voto da maioria: República Constitucionalista, Ordem Natural formada pelas Elites Naturais, Monarquia, secessão e formação de mini-estados etc.

    O próprio autor desse artigo tem um livreto -- resumido aqui -- que explica o que pode ser feito para se aproximar do arranjo defendido.

    Não é necessário criar espantalhos.
  • Rodrigo Vaz  18/03/2016 14:08
    Entendo sua preocupação, questionador. No entanto, não vejo esse sistema idealizado como algo impossível de ser alcançado, e o IMB faz um excelente trabalho em espalhar essas ideias.
  • mauricio barbosa  17/03/2016 17:22
    Os políticos se sentem acima da lei e de todos, e ontem todos nós vimos as baixarias do molusco, sendo que isso é corriqueiro entre eles e ele se julgam os justiceiros do povo.

    Nos corredores do congresso a baixaria corre solta entre os parlamentares, pois sabem que ali podem quebrar o pau e no plenário não; conversas tenebrosas são feitas na calada da noite de maneira que não me escandalizo com essas falas e ironias com nossas caras pois somos feitos de trouxas por eles, salvo algumas exceções a cada dia menor.

    Enfim estamos fud... e mal pagos enquanto essa besta do estado monopolista controlar nossas propriedades e vidas. Vida longa ao IMB e vamos a luta contra esse leviatã maldito e espoliador e extorsivo que nos oprime a cada dia...Protestos são bem vindos e conscientização mais ainda.
  • Rodrigo Vaz  18/03/2016 14:09
    Perfeito, Maurício! Concordo contigo. O estado "democrático" de direito só serve para escolher o grupo de ditadores que vão mandar na nossa vida, mais nada.
  • mauricio barbosa  18/03/2016 15:37
    É isso ai Rodrigo Vaz,esses asquerosos só mudam de cara e partido mas a prática é a mesma,um cara que foi muito atuante na CPI do mensalão é o atual prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes que agora é um puxa saco do molusco asqueroso,puxa vida o cara foi linha dura na CPI do mensalão e fez isso só para aparecer e ganhar votos e agora por causa de recursos e repasses do governo federal ele fica trocando confetes com lula isso é mais uma prova do quanto esses caras são fisiológicos,asquerosos e ele ainda zomba do sítio de atibaia,sítio esse que a maioria esmagadora dos brasileiros não tem condições de comprar e muito menos de manter.Essa cambada é digna de desprezo e de serem tratados com indiferença pela população para ver se acordam para a realidade e desçam do pedestal em que se encontram.Um abraço.
  • Mr Citan  17/03/2016 18:27
    Pior é que agora, pra resolver este problema, o pessoal ainda acredita em políticos "Messias/Salvadores".

    E vai criticar estes políticos para ver o que acontece: Agressão verbal, e até agressões físicas, e nenhum raciocínio lógico de argumentação.
    Não importa a orientação política. O comportamento é igual.
  • opinador  17/03/2016 19:26
    Verdade.

    Isso é o mal do brasileiro em querer transferir o controle/responsabilidade de suas vidas para terceiros ou para salvadores da patria.

    Mas esse artigo já mostra bem:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2349

  • Pedro  18/03/2016 17:25
    Citan e demais participantes aqui do IMB:

    Qual a solução PRÁTICA pra este problema?

    A monarquia constitucional resolveria isso? Se sim, como? E como seria a implementação, ou seja, qual seria a forma VIÁVEL de institui-la?

    Eu sou muito favorável ao debate disso, mas não vislumbro uma solução?

    Abraço!
  • anônimo  18/03/2016 18:04
    Não tem solução.Brasil vai ser merda pra sempre.
  • Andre  18/03/2016 19:12
    "Não tem solução.Brasil vai ser merda pra sempre.".

    Concordo.

    E mesmo que isso não fosse verdade o Brasil teria que começar à se desenvolver a uma taxa MUITO ELEVADA para PELO MENOS alcançar os países desenvolvidos daqui a 50 anos.
  • mauricio barbosa  18/03/2016 20:57
    Currency board já seria um bom começo e quanto aos 50 anos isso é futurologia.livre-comércio e capital estrangeiro também melhorariam nossos bolsos e mais as reformas(Trabalhista,previdenciaria,tributária,judiciário,política,administrativa,enfim o encolhimento do estado)pavimentariam nosso crescimento de forma sustentável.Tudo que nossa classe política(salvo as exceções)e financiadores de campanha não querem,pois são os maiores beneficiários do leviatã.Os bolsistas ficam com as esmolas do tesouro nacional.
  • Atento  17/03/2016 18:48
    A perfeição desse texto como descrição do Brasil (especialmente, mas não exclusivamente) chega a ser assombrosa!
  • Vagner  17/03/2016 21:58
    Traduzam mais artigos desse gênio contemporâneo. Por favor.
  • Dimas  18/03/2016 00:38
    É a descrição exata do dia de hoje de nosso país. Um bando de delirantes atrás de um semianalfabeto, cachaceiro e embusteiro, em troca de selfies, beijos e abraços. O Brasil está no fundo do poço e a grande maioria do povo não se dá conta disso. Parabéns pelo texto!
  • Paula  18/03/2016 03:39
    Uma Amiga Minha disse que essa crise seria uma acontecimento natural do ciclo economico,estaria ela certa?
  • Toller  18/03/2016 04:03
    Parcialmente. A frase correta é: essa crise é uma acontecimento naturalmente inevitável quando o governo intervém na economia.

    O que houve com a economia brasileira?

    O trágico legado da "Nova Matriz Econômica" - um resumo cronológico
  • Emerson Luis  18/03/2016 10:26

    Socialistas não acreditam em ordem natural nem em natureza humana, para eles é tudo "construção social".

    Mas experimente dividir a folha de pagamento da USP em partes rigorosamente iguais para ver se Marilena Chauí aceita.

    * * *
  • Andre  18/03/2016 10:27
    "Pior de tudo: a esmagadora maioria da população, em uma quantidade que supera em muito o número de dependentes do estado, não só aceita, como acredita nessa insensatez.".

    É como eu sempre digo, a maioria das pessoas é estúpida.
  • Santos  20/03/2016 02:41
    Pior, André, Como o autor fala " Com efeito, mesmo aquelas pessoas que se opõem virulentamente a determinado um político ou partido político, o fazem quase sempre apenas para glorificar e louvar outro político de outro partido. "

    O pior de tudo é que as pessoas acham que se trocar o PT pelo PSDB ou outro, as coisas vão melhorar. Elas não percebem (e isto até eu somente comecei a entender lendo artigos do MISES), que todos são em essência a mesma coisa. O mesmo lado da moeda. Espoliadores sociopatas. Não se entende que o sistema é que errado e não um ou outro politico em particular.
  • Santos  20/03/2016 02:42
    "Com efeito, mesmo aquelas pessoas que se opõem virulentamente a determinado um político ou partido político, o fazem quase sempre apenas para glorificar e louvar outro político de outro partido. "

    O pior de tudo é que as pessoas acham que se trocar o PT pelo PSDB ou outro, as coisas vão melhorar. Elas não percebem (e isto até eu somente comecei a entender lendo artigos do MISES), que todos são em essência a mesma coisa. O mesmo lado da moeda. Espoliadores sociopatas. Não se entende que o sistema é que é errado e não um ou outro politico em particular.
  • anônimo  18/03/2016 16:17
    Cheguemos todos a um consenso: Monarquia Parlamentar.
  • anônimo  18/03/2016 17:13
    Mas Monarquia Parlamentar não traz consigo o mecanismo democrático?

    Como é (ou seria) um Parlamento sem democracia?
  • Enrico  18/03/2016 18:33
    Poderia ser um parlamento aristocrático também.
  • anônimo  18/03/2016 19:14
    Como seria um "parlamento aristocrático"?

    Em que consiste um "parlamento aristocrático"?
  • Edujatahy  19/03/2016 12:24
    Esta mais fácil monarquia parlamentar ou secessao?
    Pergunto do ponto de vista prático.
  • Marcio Estanqueiro  19/03/2016 12:42
    Excelente Texto!
  • Isis Monteiro  19/03/2016 16:18
    Na realidade o sistema político brasileiro carece de representatividade. Somos culpados pois não os cobramos e ficamos em uma atitude bastante passiva.
  • Alexandra Moraes  23/03/2016 11:27
    Vivemos uma crise de representatividade. No Brasil isto é evidente: 1. Nas últimas manifestações políticos foram hostilizados e não puderam participar delas. 2. Pesquisa Datafolha mostra através de pesquisa que todos os presidenciáveis caíram em termos de prefêrencia. Mesmo Marina Silva ficou estancada, não saiu do lugar. O que aumentou foi o número de pessoas sem candidatos.
    3. Nunca o STF participou tanto da vida nacional fazendo aquilo que o parlamento é incapaz para conduzir. Triste do país que precisa de um "juíz herói".
    Nossa crise é muito profunda e não se consegue vislumbrar a saída para tamanha falta de representatividade.
    Obrigada
    Alexandra Moraes
  • Isis Monteiro  19/04/2016 22:05
    Culpamos a falta de representatividade. No entanto a nossa postura é de uma passividade atroz. Se nós que tivemos formação e temos tempo para nos informar não lembramos em quem votamos nas últimas eleições, o que dirá do trabalhador com baixa instrução e que tem sua vida diária consumida pelo transito e pelo trabalho.
  • Alexandra Moraes  25/04/2016 21:00
    O problema não está na democracia. Como já disseram, a democracia é o pior sistema que existe. No entanto, não existe outro melhor que a democracia.
    Podemos dizer que os países que menos tiram proveito da democracia são aqueles em que grande parte de sua sociedade é composta por membros com baixa escolaridade que vivem em atmosfera permantente de ignorância.
    Nestas nações a democracia será bastante capenga.
  • Karlos Gomes  26/08/2016 23:19
    Por que programas de bem-estar e democracia não podem coexistir
    15/08/2016 - Ryan McMaken
    Escrevendo seu tratado Socialismo, de 1922, Ludwig von Mises expressou seu apoio à democracia, mas tinha uma visão muito restrita. Especificamente, ele sugeriu que o único propósito da democracia é "fazer a paz para revoluções violentas". Ou seja, a democracia é meramente um meio para um fim e seu valor reside em fornecer uma maneira de remover agentes do Estado sem a necessidade de recorrer a instrumentos militares: "A essência da democracia é ... que legisladores e governantes ... podem ser pacificamente alterados se o conflito ocorre".
    Mises foi ele próprio um democrata dom "d" minúsculo - como muitos outros liberais de seu tempo – viu valor no uso de instituições democráticas para fornecer um meio para tratar conflitos políticos que poderiam prejudicar a vida econômica de uma comunidade. Para Mises, a prevenção de situações como guerras, revoltas, revoluções e outras rebeliões violentas foram essenciais para a manutenção de um mercado em funcionamento:
    "Liberalismo, reconhecendo que a realização dos objetivos econômicos do homem pressupõe a paz e buscando, portanto, eliminar todas as causas de conflitos na política doméstica ou externa, deseja democracia".
    Mises, entretanto, não foi um democrata ingênuo. Em nenhum ponto dos seus escritos ele chegou a assumir que a democracia é uma condição suficiente para a paz ou que a democracia pode superar os problemas introduzidos em um sistema político pela ideologia imperdeita.
    Com efeito, Mises esteva sempre ciente do papel central da ideologia na forma do quão laissez-faire (ou não) um estado pode ser. Mises entendia que se uma parcela considerável da população quer um estado totalitário, nenhuma quantidade de democracia - ou ausência dela – irá impedir.
    Afinal, escreveu Mises, "democracia tenta ... garantir [...] acordo entre a vontade do Estado - expressa através dos órgãos do Estado - e a vontade da maioria".
    Mas e se a vontade da maioria se inclina para o czarismo? "Bem", Mises responderia: "isso é provavelmente o que você terá":
    "O conservador russo está indubitavelmente certo quando observa que o czarismo russo e a polícia do czar foram aprovados pela grande massa do povo russo, de modo que até mesmo uma forma de Estado democrático não poderia ter dado à Rússia um sistema de governo diferente."
    Mises entendia que se fosse para manter um sistema político laissez-faire - seja democrático ou autocrático - uma parcela considerável da população deveria realmente querer um sistema laissez-faire, ou pelo menos algo semelhante a ele.
    Um jeito fácil de convencer eleitores a abandoner o laissez-faire
    Mas, mesmo se uma população tende para crenças laissez-faire, há maneiras de os estados enfraquecer essas crenças e aproveitar vícios humanos como a ganância, a preguiça e o medo para aumentar o tamanho e poder estatal.
    Mises, no livro Burocracia, de 1944, descreveu que o problema que surge quando uma parte considerável da população recebe a seu sustento do Estado:
    "O burocrata não é apenas um funcionário do governo. Ele é, sob uma constituição democrática, ao mesmo tempo, um eleitor e, como tal, uma parte do soberano, seu empregador. Ele está em uma posição peculiar: é simultaneamente empregador e empregado. E seu interesse financeiro como empregador se sobrepõe ao seu interesse como empregador, pois ele fica com muito mais dos recursos públicos do que contribui para eles.
    Essa dupla relação se torna mais importante à medida que cresce o número de na folha de pagamento governamental. O burocrata, como eleitor, é mais ansioso para conseguir um aumento do que para manter o orçamento equilibrado. Sua principal preocupação é inchar a folha de pagamento".
    E esse problema não se restringe aos funcionários públicos. Mises escreveu:
    "Não havia [nota do tradutor: Mises se referia a Alemanha e a França nos últimos anos que precederam a queda das suas constituições democráticas] apenas os exércitos de funcionários públicos, e aqueles empregados nos ramos nacionalizados de negócios (por exemplo: estrada de ferro, correio, telégrafo e telefone), havia os recebedores de seguro desemprego e de benefícios do seguro social, bem como os agricultores e outros grupos que são subsidiados direta ou indiretamente pelo governo.
    A democracia representativa não pode subsistir se uma grande parte dos eleitores estão na folha de pagamento do governo, se os membros do parlamento não se consideram mandatários dos pagadores de impostos, mas representantes daqueles que recebem salários, subsídios, doações e outros benefícios do tesouro, então a democracia acaba.
    Esse é um dos paradoxos inerentes às questões constitucionais contemporâneas. Faz muitas pessoas perder as esperanças em relação ao futuro da democracia. Como elas se convenceram de que a tendência é em direção a mais interferência do governo nos negócios, mais repartições e funcionários públicos e mais doações e subsídios é inevitável, elas não poderiam confiar que o governo é feito para o povo e pelo povo."
    Obviamente, em tal situação, nenhum político eleito que deseja ser reeleito irá se opor a uma continuação, ou mesmo um aumento, na assistência social estatal, programas de saúde, subsídios e outros tipos de gastos.
    Dentro de tal sistema político, qualquer que seja o apoio latente que possa haver para o laissez-faire será gradualmente varrido pela percepção de que a votação para mais benefícios governamentais é - aparentemente - muito mais lucrativa do que votar pelo laissez-faire.
    O sufrágio limitado de John Stuart Mill
    Mises não foi o primeiro democrata a reconhecer o problema da expansão do voto para aqueles que recebem mais do Estado do que pagam para ele.
    John Stuart Mill, considerado por muito tempo um democrata radical por seu apoio ao sufrágio quase universal (incluindo mulheres), não obstante, se opôs sufrágio para aqueles que recebem seguro desemprego. Em seu livro de 1861, Considerações sobre o governo representativo, Mill escreveu:
    "Eu considero fundamental que o recebimento da assistência aos pobres [nota do tradutor: Mill se referia ao sistema de auxílio aos pobres da Inglaterra. As Poor Laws foram precursoras do Estado de bem-estar social] deve implicar em uma desqualificação peremptória para o direito ao voto. Aquele que não pode se sustentar por seu próprio trabalho, não deve ter o privilégio de ajudar a si mesmo com o dinheiro dos outros. Ao tornar-se dependente dos demais membros da comunidade para sua subsistência, ele abdica da sua pretensão de igualdade de direitos com os demais em outros aspectos. Aqueles a quem ele deve a continuidade de sua própria existência, podem legitimamente reivindicar a gestão exclusiva dessas preocupações comuns, para as quais ele nada contribui ou contribui com menos do que leva ...
    Como condição para o direito ao voto, um prazo deve ser fixado, digamos, cinco anos anteriores ao registo, durante o qual o nome do requerente não tenha constado nas listas de beneficiários de assistência."
    Mill tenta resolver esse problema pela garantia de que todos os eleitores sejam pagadores líquidos de impostos, ou seja, todos os eleitores devem pagar mais impostos do que recebem em subsídios:
    "É também importante, que o legislativo que vota os tributos, nacionais ou locais, seja eleito exclusivamente por aqueles que pagam algum tributo. Aqueles que não pagam impostos, dispondo, através dos seus votos, do dinheiro das outras pessoas, têm todos os motivos para serem generosos e não para economizar. Qualquer poder de voto possuído por aqueles que não pagam impostos é uma violação do princípio fundamental do governo livre; uma separação do poder de controle, a partir do interesse no seu exercício vantajoso. Isso equivale a permitir que eles coloquem suas mãos nos bolsos das outras pessoas para qualquer fim que eles acharem adequado chamar de público...
    A representação na mesma extensão da a tributação está de acordo com a teoria das instituições britânicas".
    Ademais, Mill não queria nenhuma restrição permanente de direito a voto e desejava que qualquer um excluído do sufrágio devido a dificuldades econômicas atuais pudesse votar futuramente. Ou seja, quaisquer limitações sobre o sufrágio devem "deixar o sufrágio acessível a todos os que estão na condição normal de um ser humano".
    Visões perigosas da democracia
    O fator-chave por trás disso é a ideologia. Uma população que vê o crescimento generalizado de empregos públicos e programas de bem-estar como ilegítimo não vai tolerar tal situação. A esse respeito, se o propósito da democracia é - como Mises afirmou - criar harmonia entre a vontade do Estado e da vontade da população, então as sociais-democracias ocidentais estão trabalhando exatamente como projetado e como esperado.
    Ao contrário do que alguns libertários parecem pensar, a maioria das pessoas das democracias ocidentais não são libertárias "que ainda não se deram conta disso". Na verdade, a grande maioria das populações nas democracias ocidentais são ideologicamente muito tranquilas com grandes estados intervencionistas que empregam um grande número de pessoas e gastam imensas quantidades de dinheiro dos pagadores de impostos com benefícios sociais e subsídios para as empresas privadas. Seus padrões de voto e preferências declaradas deixam isso claro. Como esperado, os estados democráticos refletem as ideologias de seus cidadãos.
    Sem uma mudança nessa realidade ideológica, nenhuma mudança significativa deve ser esperada.
    Ora, estender o direito ao voto para aqueles que recebem mais subsídios do que pagam em impostos vai acelerar o processo de empobrecimento e instabilidade econômica.
    O primeiro passo para reverter esse problema ideológico está em adotar o laissez-faire como ideologia política dominante. A segunda etapa está vai ao encontro da visão de Mises, ou seja, da democracia meramente como um mecanismo utilizado para certos fins. A democracia não é, de acordo com Mises, uma extensão dos direitos naturais, ou soberania pessoal, ou a manifestação de alguma vontade pública mística.
    Além disso, Mises argumentou, essas idéias levam a crenças perigosas: que a democracia pode imbuir o estado com poder ilimitado ou que não há diferença entre a vontade do Estado e da vontade do povo.
    Uma vez que essas noções preocupantes da democracia são aceitas, estamos de fato em apuros. Mises conclui:
    "Grave prejuízo tem sido feito ao conceito de democracia por aqueles que, exagerando a noção soberania da lei natural, concebeu-a como uma regra ilimitada da vontade geral. Não há realmente nenhuma diferença essencial entre o poder ilimitado do Estado democrático e do poder ilimitado da autocrata. A ideia defendida pelos nossos demagogos e os seus apoiadores: segundo a qual o Estado pode fazer tudo o que desejar e que nada deve resistir à vontade do povo soberano, tem feito mais mal, talvez, do que a sede de poder de principelhos degenerados".
    https://mises.org/blog/why-social-welfare-programs-and-democracy-cannot-co-exist




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