A democracia, os políticos e o retrocesso da civilização
O sentimento da inveja é o mais premente, o mais difundido e o mais poderoso dentre as forças motivacionais que causam o declínio de uma civilização.

Todas as grandes religiões condenam a cobiça pela propriedade alheia como sendo pecaminosa.  Em uma ordem natural — isto é, em um sistema em que impera o direito natural —, as pessoas também, até certo ponto, se sentem tentadas a expropriar a propriedade alheia para vantagem própria. 

Porém, em uma ordem natural, bem de acordo com as prescrições religiosas, tais tentações são consideradas imorais e ilegítimas, e espera-se que todos sejam capazes de suprimir tais desejos — caso contrário, serão punidas de acordo com os próprios preceitos do direito natural.

Já quando vivemos sob um estado, algumas — poucas — pessoas adquirem o privilégio de cederem impunemente a tais impulsos imorais por um período indeterminado de tempo, podendo utilizar a legislação e a tributação como um meio de satisfazer sua própria cobiça pela propriedade alheia.  No entanto, é somente sob um arranjo democrático — isto é, quando a entrada no aparato estatal é livre e irrestrita — que todas as restrições e inibições morais contra a espoliação da propriedade alheia são removidas.

Quando a entrada no aparato governamental é livre, qualquer um pode expressar abertamente seu desejo pela propriedade alheia.  O que antes era considerado imoral e era adequadamente suprimido, agora passa a ser considerado um sentimento legítimo.  Sob a democracia, todos são livres para entregar-se a tais tentações e, com isso, propor toda e qualquer medida de legislação e tributação que lhes permitam levar vantagem à custa das outras pessoas.  

Todos agora podem cobiçar abertamente a propriedade de outros em nome da democracia; e todos podem agir de acordo com esse desejo pela propriedade alheia, desde que ele já tenha conseguido entrar no governo.  Assim, em uma democracia, qualquer um pode legalmente se tornar uma ameaça.

Ao passo que, em uma ordem natural, as pessoas dedicam seu tempo exclusivamente para a produção e o consumo, sob condições democráticas uma fatia crescente do tempo das pessoas é direcionada para a política, isto é, para a defesa e promoção de atividades que não são produtivas, mas sim exploradoras e parasíticas da propriedade alheia.

Com efeito, mesmo os oponentes deste arranjo acabam sendo obrigados a perder uma fatia cada vez maior do seu tempo com esforços improdutivos — ou seja, com a política —, nem que seja apenas para tomar medidas preventivas e se defender a si próprio e à sua propriedade contra tais incursões agressivas dos parasitas que ocupam o aparato estatal.

Com efeito, sob condições democráticas, surge uma nova classe de pessoas — políticos — cuja profissão é propor e promover decretos-lei e impostos voltados para expropriar a propriedade de alguns para o benefício de outros (inclusive, e principalmente, deles próprios).

Adicionalmente, devido às constantes e regulares eleições, a politização da sociedade jamais chega ao fim; ao contrario, ela é continuamente reforçada.  Incertezas jurídicas e desrespeito às leis não apenas se tornam uma normalidade, como são também levados ao paroxismo.  O horizonte temporal das pessoas se torna cada vez mais imediatista, voltado exclusivamente para o curto prazo.  Visões de longo prazo deixam de ser consideradas — tanto pelos políticos quanto pelos cidadãos (mesmo os mais precavidos, dado que eles simplesmente não têm como saber como se comportarão os próximos políticos).

No mais, nesse processo de competição política — isto é, na competição para ver quem adentrará o aparato estatal e se tornará o tomador supremo de decisões finais —, terão mais sucesso aqueles políticos e aqueles partidos políticos que tiverem menos escrúpulos morais e as melhores habilidades demagógicas.  Ganharão aqueles que mais bem conseguirem propor e propagar as mais variadas promessas imorais e ilegais, uma vez que a demanda popular por esse tipo de promessa é praticamente infinita.

Com isso, aqueles amorais vulgares que possuírem enorme talento em agregar uma turba de seguidores adeptos de demandas moralmente desinibidas terão as maiores chances de entrar no aparato governamental e ascender até o topo da linha de comando. 

De outro lado — o outro lado da mesma moeda —, a democracia leva a uma crescente corrupção.  Como a entrada no aparato estatal é livre, a resistência contra o domínio do estado é reduzida e, consequentemente, o tamanho do estado só faz crescer.  Aquele que hoje é espoliado sabe que, no futuro, ele pode também se tornar membro do aparato estatal, passando então a ser um beneficiário do butim.  Com isso, o número de empregados do estado ira crescer, e dado que seus salários e padrão de vida dependem da continuação do poder estatal de tributar e criar leis, eles irão — não necessariamente, mas muito provavelmente — se tornar leais defensores do estado.

Particularmente, a classe dos intelectuais — isto é, os produtores de palavras e não os produtores de bens — será a primeira a ser comprada e corrompida.  Dado que a demanda de mercado por palavras — ao contrário da demanda de mercado por bens e serviços — é ínfima, intelectuais estão sempre desesperados por qualquer tipo de ajuda para sobreviverem.  E o estado, que está em permanente necessidade de apoio ideológico para seu implacável ataque conta a justiça e o direito natural, estará sempre disposto a oferecer tal ajuda para esses intelectuais, utilizando seus serviços como educadores públicos e os colocando em sua folha de pagamento em troca da propaganda em prol do regime.

No entanto, não são apenas os funcionários do estado os corrompidos.  As receitas tributárias do governo, bem como seu abrangente controle sobre vários outros ativos não-monetários, irão exceder, em muito, o necessário para empregar e pagar seus funcionários.  Consequentemente, o estado também irá distribuir renda e assistência para vários membros da sociedade civil.  A lealdade dos pobres e oprimidos ao estado poderá ser garantida por meio de vários programas assistencialistas; já os ricos e os poderosos empresários, industriais e banqueiros — e indiretamente seus empregados — também poderão ser corrompidos por meio de subsídios, protecionismos, contratos privilegiados para empreiteiras, reservas de mercado, e títulos do Tesouro que pagam juros altos.

E esta mesma política poderá também ser utilizada com o propósito de "dividir" os membros da sociedade civil, de modo a controlar mais facilmente uma população que, cada vez mais, irá se comportar como facções rivais.  Divide et impera!

Um ótimo indicador da degeneração moral e da corrupção gerada pelo estado democrático pode ser encontrado no alto escalão do aparato estatal: apenas veja os políticos e os partidos políticos que estão no comando do espetáculo da democracia.

Se forem mensurados de acordo com os padrões do direito natural e da justiça, todos os políticos, de todos os partidos e sem qualquer exceção, são culpados, direta ou indiretamente, de fraude, corrupção ativa e passiva, roubo, estelionato, usurpação, invasão, expropriação, homicídio, e receptação e redistribuição de bens roubados em larga escala.  E tudo isso de maneira contínua. E cada nova geração de políticos e partidos políticos parece ser pior que a anterior, empilhando ainda mais atrocidades e perversões no topo da montanha já existente, de modo que eles conseguem a façanha de nos fazerem sentirmos um tanto nostálgicos quanto ao passado.

Sob um arranjo em que imperasse o direito natural, todos eles seriam enforcados, ou jogados na cadeia onde ficariam até apodrecer, ou, na mais branda das hipóteses, obrigados a oferecer restituição por meio do trabalho próprio.

No entanto, em vez disso, todos eles desfilam impunemente e com grande desenvoltura em público, em plena luz do dia, proclamando-se — de maneira pomposa, pretensiosa, arrogante e farisaica, genuinamente acreditando terem enorme honradez — santos bondosos e caritativos, jurando serem bons samaritanos, abnegados servidores públicos, benfeitores e salvadores da humanidade e da civilização humana.

Políticos, com efeito, são os mestres da inversão de valores.  Para eles, quem trabalha e gera empregos são opressores e parasitas, e os verdadeiros parasitas que vivem da espoliação da propriedade alheia são os oprimidos.  Produtores são parasitas, e parasitas são produtores. Expropriação é restituição, e restituição é expropriação. Impostos são contribuições voluntárias, e preços voluntariamente acordados no mercado são taxas espoliativas.  Dinheiro é papel, e papel é dinheiro.  Liberdade é coerção, e coerção é liberdade.  Consumo do governo é investimento, tributação é poupança, e poupança genuína é um "crime contra a economia popular".

Pior de tudo: a esmagadora maioria da população, em uma quantidade que supera em muito o número de dependentes do estado, não só aceita, como acredita nessa insensatez.  Políticos, em vez de serem desprezados e ridicularizados, são tidos em alta estima, aplaudidos, admirados e até mesmo glorificados pelas massas.  Na presença deles, principalmente quando se trata de políticos "do alto escalão", a maioria das pessoas se mostra boquiaberta, submissa e servil, querendo selfies, beijos e abraços.  Com efeito, mesmo aquelas pessoas que se opõem virulentamente a determinado um político ou partido político, o fazem quase sempre apenas para glorificar e louvar outro político de outro partido. 

E a intelligentsia, ao perceber que toda a sua tagarelice é alegremente repetida por esse ou aquele político ou partido político, virtualmente baba sobre eles.

Enquanto isso, o número de pessoas que ainda se mantém apegadas aos "princípios antiquados" do direito natural e da justiça, que têm esses princípios como a base de todo o seu juízo moral, e que veem o mundo como um hospício controlado por megalomaníacos insanos, continua sendo a minúscula minoria da população.  Menor ainda é aquela minoria que reconhece e entende, ainda que de maneira vaga, a causa sistemática dessa situação.  E toda essa minoria está sob contínua ameaça dos guardiões e zeladores desse "Absurdistão" chamado democracia, sendo rotulados de neandertais, reacionários, extremistas, otários pré-iluministas, sociopatas e escumalha.

Eis o nosso mundo atual.


0 votos

SOBRE O AUTOR

Hans-Hermann Hoppe
é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo e The Economics and Ethics of Private Property.




Ué, dê a notícia completa: o números gerais subiram simplesmente por causa de algumas poucas cidades, que vivenciaram um pico nos homicídios.

Quais cidades? Baltimore, Chicago, Cleveland, Houston, Milwaukee, Nashville, e Washington.

"Half of the entire increase in big-city homicides was concentrated in just seven municipalities — Baltimore, Chicago, Cleveland, Houston, Milwaukee, Nashville, and Washington.

And only in Baltimore was the spike in homicides sharp enough to return the city to a historically high murder rate. While Charm City suffered a historic high of 55 homicides per 100,000 residents in 2015, for the seven cities collectively that figure was 21. Which is significantly lower than it was throughout the 1990s.

Meanwhile, 70 large cities saw their murder rates hold steady in 2015, while 5 saw them fall."

Enquanto isso, segundo suas mesmas estatísticas, New Hampshire, Idaho, e Vermont, estados com as leis mais liberais sobre armas, possuem as mais baixas taxas de criminalidade. O mesmo, aliás, vale para os estados do meio-oeste.

Todos os gráficos foram compilados aqui:

https://mises.org/blog/handful-cities-are-driving-increase-murder-rates

Por fim, aquela estatística que um sedizente estatístico como você não tem o direito de ignorar: a taxa de homicídios nos EUA desabou 50% nos últimos 20 anos, "coincidentemente" ao mesmo tempo em que a posse de armas disparou.

www.pewresearch.org/fact-tank/2015/10/21/gun-homicides-steady-after-decline-in-90s-suicide-rate-edges-up/
Bem, a falta de manutenção, sendo esta a geradora do acidente é crime, independentemente do risco assumido pelo consumidor. O risco não exclui a responsabilidade da empresa, tanto penal como civil. Não por existir um contrato implícito, mas por existir um contrato explícito de que o avião te levaria de A para B.

A morte do consumidor só pode ser imputada a ele se no contrato ele assumiu tal risco. Se tal risco não estava previsto no contrato, não é possível responsabilizá-lo. Se estava previsto, cabe ao consumidor escolher um meio com risco menor.

Creio que entendi o seu ponto sobre "coisas implícitas". A falha que vejo nesse ponto de vista é que essas coisas não são implícitas, elas são explícitas, tanto que você, eu ou qualquer pessoa consegue perceber que essas "coisas" estão ali, pois elas representam a finalidade do empreendimento. Por exemplo, no caso da boate, quando a boate me permite entrar em seu interior mediante pagamento (contrato), está explícito que posso utilizar o local, sendo também explícito que tal lugar não é destinado a matar pessoas. Isso não é implícito, isso está escancarado. A publicidade da boate, como qualquer outra, apela para momentos de diversão e prazer e isso é algo explícito. Se vou a um restaurante, vou para me alimentar bem, isso não está implícito, está explícito. Essa é a finalidade do restaurante. Agora, se o dono do restaurante, modifica essa regra explícita e agride, implicitamente, a integridade física de alguém, deverá ser responsabilizado, civil e/ou penalmente, a depender do dano causado.

Sobre o ponto: entendo que é um valor subjetivo. Se desejo abrir uma farmácia o ponto pode ser interessante. Se quero abrir uma padaria, pode ser que o ponto não seja mais interessante. Aqui entra o conceito de utilidade marginal. Pede quem tem, paga quem quer e pode.

Abçs
Dinheiro monopolístico "de verdade" não pode ser criado do nada nem lastreado em outra coisa criada do nada (dívida), pois haverá sempre o nefasto flagelo do moral hazard de para quem e em que quantidade irá o financeiro mais recentemente parido do vento em moto-perpétuo pelo "dono do morro", o que exclui daquela categoria de sound money tanto o "dinheiro de banco central" (seu passivo em fiat money no padrão atual predominante) como também os meios de pgto criados pelos bancos comerciais, cujas reservas no caso americano a propósito só se encontram em níveis elevados recordes (porém ainda assim bem inferiores aos demais agregados monetários frequentemente empregados como se fossem depósitos à vista mas dispensados de recolhimentos compulsórios, apesar de causadores dos "busts") justamente porque foram prontamente recompostas pelo emprestador de última instância via QE's (e agora c/ "hell"icopter$ ?!) após o estouro da bolha creditícia imobiliária de 2008 por ele anteriormente permitida e estimulada como saída p/ o estouro da bolha predecessora em 2000 das "ponto.com" por ele anteriormente permitida e estimulada como saída p/...
Ou seja, é a eterna festa do "wash, rinse, repeat" da qual só participam permanentemente os integrantes da cabala bancária e uma ínfima parte da sociedade que consegue se aproveitar do super-privilégio de criação de moeda outorgado e garantido pelo estado (!) exclusivamente àquele cartel, sendo imediatamente criminalizado e preso como "falsificador" atentando contra a "economia popular" todo sujeito que resolver entrar na farra produzindo seu próprio "bilhete de ingresso" num fundo de quintal qualquer ! :-(

Se o governo não impôr o curso de nenhuma moeda oficial, aceitando passivamente a livre circulação de todo tipo de meios de troca na economia, rapidamente surgirão dezenas de formas de dinheiro c/ oferta controlada naturalmente pelo próprio mercado selecionando voluntariamente as melhores em detrimento das mais abundantes, configurando não um problema (conforme prega o zeitgeist keynesiano perma-inflacionista do último século) mas sim um excelente acontecimento a deflação de preços decorrente de eventual (e, neste arranjo, desejada) escassez monetária.

Vejo como o maior perigo essa racionalização do status-quo vacilando em condená-lo sumariamente e denunciá-lo como a verdadeira estrutura imoral que é.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Diogo Pandolfo  17/03/2016 14:46
    O povo é alienado e acaba acreditando que políticos estão ali pensando nele. E o pior é que as pessoas idolatram esses caras. Idolatria é doença.
  • Tales Carneiro  17/03/2016 14:46
    Não são apenas bandidos, são psicopatas. Bandidos já teriam se entregado, mas eles ainda conseguem racionalizar a própria vileza.
  • Bruno Coutinho  17/03/2016 14:47
    O político é a profissão própria para psicopata.
  • Ivan  17/03/2016 15:34
    Ao passo que, em uma ordem natural, as pessoas dedicam seu tempo exclusivamente para a produção e o consumo, sob condições democráticas uma fatia crescente do tempo das pessoas é direcionada para a política, isto é, para a defesa e promoção de atividades que não são produtivas, mas sim exploradoras e parasíticas da propriedade alheia.

    Muito bom esse parágrafo. Eliminando os parasitas que não produzem nada e vivem às nossas custas a situação de todo mundo ficaria muito mais fácil... É FODA!

  • Rosa   17/03/2016 17:10
    Eu não posso deixar de concordar com os posicionamentos feitos. Compartilho dos mesmos. Acho incrível que pessoas que nada fazem, que vivem à sombra dos recursos produzidos pelos que trabalham, e que se mostram verdadeiros parasitas, ainda se julguem no direito de impor aos demais seus desejos, interesses, seu padrão imoral de conduta à sociedade, achincalhando-a com seu desrespeito e tentando impor-lhe submissão enquanto acopla à jugular social o canudinho para sorver o que a sociedade produz e ao invés de servirem à sociedade, servem-se dela. Súcia! Política é prática do bem comum, um ideário de convivência social para o bem de todos, mas, o que vemos no mundo de modo geral e no Brasil e América Latina, de modo muito especial, se tornou um meio de vida nababesca para poucos e um meio de morte e sofrimento para a maioria. Enojada! E assim que me sinto com o estado de coisas na qual as pessoas vem sendo doutrinadas para invejarem, desperdiçaram, enquanto vivem fora de seus padrões de vida, endividando-se e descumprindo compromissos e afetando todo grupo social que inclui outras pessoas e empresas, desestabilizando a sociedade sob todos os aspectos. E, enquanto nos alijarmos do processo deixando que os demais solucionem os problemas criados, estaremos fadados ao conformismo, esperando que super-homens e super-mulheres (novo políticos) assumam o barco nos "conduzindo à suprema e idílica terra da Felicidade Eterna" nos vemos dentro do Nazismo Hitleriano, da qual quem sabe iremos acordar como de um pesadelo horrível.
  • opinador  17/03/2016 17:22
    Grande comentário !

    O gasto de energia e recursos é incrível.

    Isso para resolver um problema que a própria democracia causou.

    Lamentável !
  • Questionador  17/03/2016 16:33
    O erro é comparar nosso sistema atual com uma suposta "ordem natural", um sistema baseado totalmente no "direito natural". Sistema esse que nunca ocorreu e dificilmente ocorrerá, já que que ele pressupõe qualquer presença de um arcabouço institucional que manterá tal ordem. Se o ser humano se preocupasse com o outro e com a sociedade como um todo, e tivesse conhecimento o suficiente para saber como provocar esse bem, talvez ele agiria de forma que respeitasse sempre o "direito natural", mesmo quando, sabendo-se que se o violasse ganharia benefícios particulares com isso.

    Tal sistema, até hoje, só existiu na cabeça de alguns indivíduos. Como sabemos que um sistema sem intervenção é o melhor do ponto de vista de eficiência, qualquer sistema sem qualquer intervenção parecerá bem melhor do que o nosso sistema atual. O problema, como eu disse, é a prática. A própria história já mostra que praticamente nenhuma vez civilizações respeitou tal "ordem natural" - nome esse que, se realmente correto, seria regra, e não exceção.

    Então, certamente, qualquer sociedade hoje parecerá ridiculamente ruim se comparada a esse sistema. O problema é que esse é um sistema idealizado, e só funcionaria se as pessoas tivessem chips na cabeça que as fariam sempre respeitar tal "direito natural". E não cometo o erro de achar que tal sistema não pressupõe crimes. Eu sei que seus defensores pensam que ele pressupõe. Mas questiono se ele será um sistema institucionalmente adequado para que crimes sejam punidos de forma correta, e para que violações de tal "direito natural" terão sempre a garantia de ser punidas à altura. Pela observação da realidade à minha volta, e da história da humanidade, eu afirmo que não.
  • Respondedor  17/03/2016 17:29
    "O erro é comparar nosso sistema atual com uma suposta "ordem natural", um sistema baseado totalmente no "direito natural".

    Isso não é erro. Todo e qualquer arranjo precisa ser comparado a outro. Sem isso, é impossível ter qualquer norte ético e moral.

    Há vários arranjos políticos que não implicam democracia ou voto da maioria: República Constitucionalista, Ordem Natural formada pelas Elites Naturais, Monarquia, secessão e formação de mini-estados etc.

    O próprio autor desse artigo tem um livreto -- resumido aqui -- que explica o que pode ser feito para se aproximar do arranjo defendido.

    Não é necessário criar espantalhos.
  • Rodrigo Vaz  18/03/2016 14:08
    Entendo sua preocupação, questionador. No entanto, não vejo esse sistema idealizado como algo impossível de ser alcançado, e o IMB faz um excelente trabalho em espalhar essas ideias.
  • mauricio barbosa  17/03/2016 17:22
    Os políticos se sentem acima da lei e de todos, e ontem todos nós vimos as baixarias do molusco, sendo que isso é corriqueiro entre eles e ele se julgam os justiceiros do povo.

    Nos corredores do congresso a baixaria corre solta entre os parlamentares, pois sabem que ali podem quebrar o pau e no plenário não; conversas tenebrosas são feitas na calada da noite de maneira que não me escandalizo com essas falas e ironias com nossas caras pois somos feitos de trouxas por eles, salvo algumas exceções a cada dia menor.

    Enfim estamos fud... e mal pagos enquanto essa besta do estado monopolista controlar nossas propriedades e vidas. Vida longa ao IMB e vamos a luta contra esse leviatã maldito e espoliador e extorsivo que nos oprime a cada dia...Protestos são bem vindos e conscientização mais ainda.
  • Rodrigo Vaz  18/03/2016 14:09
    Perfeito, Maurício! Concordo contigo. O estado "democrático" de direito só serve para escolher o grupo de ditadores que vão mandar na nossa vida, mais nada.
  • mauricio barbosa  18/03/2016 15:37
    É isso ai Rodrigo Vaz,esses asquerosos só mudam de cara e partido mas a prática é a mesma,um cara que foi muito atuante na CPI do mensalão é o atual prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes que agora é um puxa saco do molusco asqueroso,puxa vida o cara foi linha dura na CPI do mensalão e fez isso só para aparecer e ganhar votos e agora por causa de recursos e repasses do governo federal ele fica trocando confetes com lula isso é mais uma prova do quanto esses caras são fisiológicos,asquerosos e ele ainda zomba do sítio de atibaia,sítio esse que a maioria esmagadora dos brasileiros não tem condições de comprar e muito menos de manter.Essa cambada é digna de desprezo e de serem tratados com indiferença pela população para ver se acordam para a realidade e desçam do pedestal em que se encontram.Um abraço.
  • Mr Citan  17/03/2016 18:27
    Pior é que agora, pra resolver este problema, o pessoal ainda acredita em políticos "Messias/Salvadores".

    E vai criticar estes políticos para ver o que acontece: Agressão verbal, e até agressões físicas, e nenhum raciocínio lógico de argumentação.
    Não importa a orientação política. O comportamento é igual.
  • opinador  17/03/2016 19:26
    Verdade.

    Isso é o mal do brasileiro em querer transferir o controle/responsabilidade de suas vidas para terceiros ou para salvadores da patria.

    Mas esse artigo já mostra bem:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2349

  • Pedro  18/03/2016 17:25
    Citan e demais participantes aqui do IMB:

    Qual a solução PRÁTICA pra este problema?

    A monarquia constitucional resolveria isso? Se sim, como? E como seria a implementação, ou seja, qual seria a forma VIÁVEL de institui-la?

    Eu sou muito favorável ao debate disso, mas não vislumbro uma solução?

    Abraço!
  • anônimo  18/03/2016 18:04
    Não tem solução.Brasil vai ser merda pra sempre.
  • Andre  18/03/2016 19:12
    "Não tem solução.Brasil vai ser merda pra sempre.".

    Concordo.

    E mesmo que isso não fosse verdade o Brasil teria que começar à se desenvolver a uma taxa MUITO ELEVADA para PELO MENOS alcançar os países desenvolvidos daqui a 50 anos.
  • mauricio barbosa  18/03/2016 20:57
    Currency board já seria um bom começo e quanto aos 50 anos isso é futurologia.livre-comércio e capital estrangeiro também melhorariam nossos bolsos e mais as reformas(Trabalhista,previdenciaria,tributária,judiciário,política,administrativa,enfim o encolhimento do estado)pavimentariam nosso crescimento de forma sustentável.Tudo que nossa classe política(salvo as exceções)e financiadores de campanha não querem,pois são os maiores beneficiários do leviatã.Os bolsistas ficam com as esmolas do tesouro nacional.
  • Atento  17/03/2016 18:48
    A perfeição desse texto como descrição do Brasil (especialmente, mas não exclusivamente) chega a ser assombrosa!
  • Vagner  17/03/2016 21:58
    Traduzam mais artigos desse gênio contemporâneo. Por favor.
  • Dimas  18/03/2016 00:38
    É a descrição exata do dia de hoje de nosso país. Um bando de delirantes atrás de um semianalfabeto, cachaceiro e embusteiro, em troca de selfies, beijos e abraços. O Brasil está no fundo do poço e a grande maioria do povo não se dá conta disso. Parabéns pelo texto!
  • Paula  18/03/2016 03:39
    Uma Amiga Minha disse que essa crise seria uma acontecimento natural do ciclo economico,estaria ela certa?
  • Toller  18/03/2016 04:03
    Parcialmente. A frase correta é: essa crise é uma acontecimento naturalmente inevitável quando o governo intervém na economia.

    O que houve com a economia brasileira?

    O trágico legado da "Nova Matriz Econômica" - um resumo cronológico
  • Emerson Luis  18/03/2016 10:26

    Socialistas não acreditam em ordem natural nem em natureza humana, para eles é tudo "construção social".

    Mas experimente dividir a folha de pagamento da USP em partes rigorosamente iguais para ver se Marilena Chauí aceita.

    * * *
  • Andre  18/03/2016 10:27
    "Pior de tudo: a esmagadora maioria da população, em uma quantidade que supera em muito o número de dependentes do estado, não só aceita, como acredita nessa insensatez.".

    É como eu sempre digo, a maioria das pessoas é estúpida.
  • Santos  20/03/2016 02:41
    Pior, André, Como o autor fala " Com efeito, mesmo aquelas pessoas que se opõem virulentamente a determinado um político ou partido político, o fazem quase sempre apenas para glorificar e louvar outro político de outro partido. "

    O pior de tudo é que as pessoas acham que se trocar o PT pelo PSDB ou outro, as coisas vão melhorar. Elas não percebem (e isto até eu somente comecei a entender lendo artigos do MISES), que todos são em essência a mesma coisa. O mesmo lado da moeda. Espoliadores sociopatas. Não se entende que o sistema é que errado e não um ou outro politico em particular.
  • Santos  20/03/2016 02:42
    "Com efeito, mesmo aquelas pessoas que se opõem virulentamente a determinado um político ou partido político, o fazem quase sempre apenas para glorificar e louvar outro político de outro partido. "

    O pior de tudo é que as pessoas acham que se trocar o PT pelo PSDB ou outro, as coisas vão melhorar. Elas não percebem (e isto até eu somente comecei a entender lendo artigos do MISES), que todos são em essência a mesma coisa. O mesmo lado da moeda. Espoliadores sociopatas. Não se entende que o sistema é que é errado e não um ou outro politico em particular.
  • anônimo  18/03/2016 16:17
    Cheguemos todos a um consenso: Monarquia Parlamentar.
  • anônimo  18/03/2016 17:13
    Mas Monarquia Parlamentar não traz consigo o mecanismo democrático?

    Como é (ou seria) um Parlamento sem democracia?
  • Enrico  18/03/2016 18:33
    Poderia ser um parlamento aristocrático também.
  • anônimo  18/03/2016 19:14
    Como seria um "parlamento aristocrático"?

    Em que consiste um "parlamento aristocrático"?
  • Edujatahy  19/03/2016 12:24
    Esta mais fácil monarquia parlamentar ou secessao?
    Pergunto do ponto de vista prático.
  • Marcio Estanqueiro  19/03/2016 12:42
    Excelente Texto!
  • Isis Monteiro  19/03/2016 16:18
    Na realidade o sistema político brasileiro carece de representatividade. Somos culpados pois não os cobramos e ficamos em uma atitude bastante passiva.
  • Alexandra Moraes  23/03/2016 11:27
    Vivemos uma crise de representatividade. No Brasil isto é evidente: 1. Nas últimas manifestações políticos foram hostilizados e não puderam participar delas. 2. Pesquisa Datafolha mostra através de pesquisa que todos os presidenciáveis caíram em termos de prefêrencia. Mesmo Marina Silva ficou estancada, não saiu do lugar. O que aumentou foi o número de pessoas sem candidatos.
    3. Nunca o STF participou tanto da vida nacional fazendo aquilo que o parlamento é incapaz para conduzir. Triste do país que precisa de um "juíz herói".
    Nossa crise é muito profunda e não se consegue vislumbrar a saída para tamanha falta de representatividade.
    Obrigada
    Alexandra Moraes
  • Isis Monteiro  19/04/2016 22:05
    Culpamos a falta de representatividade. No entanto a nossa postura é de uma passividade atroz. Se nós que tivemos formação e temos tempo para nos informar não lembramos em quem votamos nas últimas eleições, o que dirá do trabalhador com baixa instrução e que tem sua vida diária consumida pelo transito e pelo trabalho.
  • Alexandra Moraes  25/04/2016 21:00
    O problema não está na democracia. Como já disseram, a democracia é o pior sistema que existe. No entanto, não existe outro melhor que a democracia.
    Podemos dizer que os países que menos tiram proveito da democracia são aqueles em que grande parte de sua sociedade é composta por membros com baixa escolaridade que vivem em atmosfera permantente de ignorância.
    Nestas nações a democracia será bastante capenga.
  • Karlos Gomes  26/08/2016 23:19
    Por que programas de bem-estar e democracia não podem coexistir
    15/08/2016 - Ryan McMaken
    Escrevendo seu tratado Socialismo, de 1922, Ludwig von Mises expressou seu apoio à democracia, mas tinha uma visão muito restrita. Especificamente, ele sugeriu que o único propósito da democracia é "fazer a paz para revoluções violentas". Ou seja, a democracia é meramente um meio para um fim e seu valor reside em fornecer uma maneira de remover agentes do Estado sem a necessidade de recorrer a instrumentos militares: "A essência da democracia é ... que legisladores e governantes ... podem ser pacificamente alterados se o conflito ocorre".
    Mises foi ele próprio um democrata dom "d" minúsculo - como muitos outros liberais de seu tempo – viu valor no uso de instituições democráticas para fornecer um meio para tratar conflitos políticos que poderiam prejudicar a vida econômica de uma comunidade. Para Mises, a prevenção de situações como guerras, revoltas, revoluções e outras rebeliões violentas foram essenciais para a manutenção de um mercado em funcionamento:
    "Liberalismo, reconhecendo que a realização dos objetivos econômicos do homem pressupõe a paz e buscando, portanto, eliminar todas as causas de conflitos na política doméstica ou externa, deseja democracia".
    Mises, entretanto, não foi um democrata ingênuo. Em nenhum ponto dos seus escritos ele chegou a assumir que a democracia é uma condição suficiente para a paz ou que a democracia pode superar os problemas introduzidos em um sistema político pela ideologia imperdeita.
    Com efeito, Mises esteva sempre ciente do papel central da ideologia na forma do quão laissez-faire (ou não) um estado pode ser. Mises entendia que se uma parcela considerável da população quer um estado totalitário, nenhuma quantidade de democracia - ou ausência dela – irá impedir.
    Afinal, escreveu Mises, "democracia tenta ... garantir [...] acordo entre a vontade do Estado - expressa através dos órgãos do Estado - e a vontade da maioria".
    Mas e se a vontade da maioria se inclina para o czarismo? "Bem", Mises responderia: "isso é provavelmente o que você terá":
    "O conservador russo está indubitavelmente certo quando observa que o czarismo russo e a polícia do czar foram aprovados pela grande massa do povo russo, de modo que até mesmo uma forma de Estado democrático não poderia ter dado à Rússia um sistema de governo diferente."
    Mises entendia que se fosse para manter um sistema político laissez-faire - seja democrático ou autocrático - uma parcela considerável da população deveria realmente querer um sistema laissez-faire, ou pelo menos algo semelhante a ele.
    Um jeito fácil de convencer eleitores a abandoner o laissez-faire
    Mas, mesmo se uma população tende para crenças laissez-faire, há maneiras de os estados enfraquecer essas crenças e aproveitar vícios humanos como a ganância, a preguiça e o medo para aumentar o tamanho e poder estatal.
    Mises, no livro Burocracia, de 1944, descreveu que o problema que surge quando uma parte considerável da população recebe a seu sustento do Estado:
    "O burocrata não é apenas um funcionário do governo. Ele é, sob uma constituição democrática, ao mesmo tempo, um eleitor e, como tal, uma parte do soberano, seu empregador. Ele está em uma posição peculiar: é simultaneamente empregador e empregado. E seu interesse financeiro como empregador se sobrepõe ao seu interesse como empregador, pois ele fica com muito mais dos recursos públicos do que contribui para eles.
    Essa dupla relação se torna mais importante à medida que cresce o número de na folha de pagamento governamental. O burocrata, como eleitor, é mais ansioso para conseguir um aumento do que para manter o orçamento equilibrado. Sua principal preocupação é inchar a folha de pagamento".
    E esse problema não se restringe aos funcionários públicos. Mises escreveu:
    "Não havia [nota do tradutor: Mises se referia a Alemanha e a França nos últimos anos que precederam a queda das suas constituições democráticas] apenas os exércitos de funcionários públicos, e aqueles empregados nos ramos nacionalizados de negócios (por exemplo: estrada de ferro, correio, telégrafo e telefone), havia os recebedores de seguro desemprego e de benefícios do seguro social, bem como os agricultores e outros grupos que são subsidiados direta ou indiretamente pelo governo.
    A democracia representativa não pode subsistir se uma grande parte dos eleitores estão na folha de pagamento do governo, se os membros do parlamento não se consideram mandatários dos pagadores de impostos, mas representantes daqueles que recebem salários, subsídios, doações e outros benefícios do tesouro, então a democracia acaba.
    Esse é um dos paradoxos inerentes às questões constitucionais contemporâneas. Faz muitas pessoas perder as esperanças em relação ao futuro da democracia. Como elas se convenceram de que a tendência é em direção a mais interferência do governo nos negócios, mais repartições e funcionários públicos e mais doações e subsídios é inevitável, elas não poderiam confiar que o governo é feito para o povo e pelo povo."
    Obviamente, em tal situação, nenhum político eleito que deseja ser reeleito irá se opor a uma continuação, ou mesmo um aumento, na assistência social estatal, programas de saúde, subsídios e outros tipos de gastos.
    Dentro de tal sistema político, qualquer que seja o apoio latente que possa haver para o laissez-faire será gradualmente varrido pela percepção de que a votação para mais benefícios governamentais é - aparentemente - muito mais lucrativa do que votar pelo laissez-faire.
    O sufrágio limitado de John Stuart Mill
    Mises não foi o primeiro democrata a reconhecer o problema da expansão do voto para aqueles que recebem mais do Estado do que pagam para ele.
    John Stuart Mill, considerado por muito tempo um democrata radical por seu apoio ao sufrágio quase universal (incluindo mulheres), não obstante, se opôs sufrágio para aqueles que recebem seguro desemprego. Em seu livro de 1861, Considerações sobre o governo representativo, Mill escreveu:
    "Eu considero fundamental que o recebimento da assistência aos pobres [nota do tradutor: Mill se referia ao sistema de auxílio aos pobres da Inglaterra. As Poor Laws foram precursoras do Estado de bem-estar social] deve implicar em uma desqualificação peremptória para o direito ao voto. Aquele que não pode se sustentar por seu próprio trabalho, não deve ter o privilégio de ajudar a si mesmo com o dinheiro dos outros. Ao tornar-se dependente dos demais membros da comunidade para sua subsistência, ele abdica da sua pretensão de igualdade de direitos com os demais em outros aspectos. Aqueles a quem ele deve a continuidade de sua própria existência, podem legitimamente reivindicar a gestão exclusiva dessas preocupações comuns, para as quais ele nada contribui ou contribui com menos do que leva ...
    Como condição para o direito ao voto, um prazo deve ser fixado, digamos, cinco anos anteriores ao registo, durante o qual o nome do requerente não tenha constado nas listas de beneficiários de assistência."
    Mill tenta resolver esse problema pela garantia de que todos os eleitores sejam pagadores líquidos de impostos, ou seja, todos os eleitores devem pagar mais impostos do que recebem em subsídios:
    "É também importante, que o legislativo que vota os tributos, nacionais ou locais, seja eleito exclusivamente por aqueles que pagam algum tributo. Aqueles que não pagam impostos, dispondo, através dos seus votos, do dinheiro das outras pessoas, têm todos os motivos para serem generosos e não para economizar. Qualquer poder de voto possuído por aqueles que não pagam impostos é uma violação do princípio fundamental do governo livre; uma separação do poder de controle, a partir do interesse no seu exercício vantajoso. Isso equivale a permitir que eles coloquem suas mãos nos bolsos das outras pessoas para qualquer fim que eles acharem adequado chamar de público...
    A representação na mesma extensão da a tributação está de acordo com a teoria das instituições britânicas".
    Ademais, Mill não queria nenhuma restrição permanente de direito a voto e desejava que qualquer um excluído do sufrágio devido a dificuldades econômicas atuais pudesse votar futuramente. Ou seja, quaisquer limitações sobre o sufrágio devem "deixar o sufrágio acessível a todos os que estão na condição normal de um ser humano".
    Visões perigosas da democracia
    O fator-chave por trás disso é a ideologia. Uma população que vê o crescimento generalizado de empregos públicos e programas de bem-estar como ilegítimo não vai tolerar tal situação. A esse respeito, se o propósito da democracia é - como Mises afirmou - criar harmonia entre a vontade do Estado e da vontade da população, então as sociais-democracias ocidentais estão trabalhando exatamente como projetado e como esperado.
    Ao contrário do que alguns libertários parecem pensar, a maioria das pessoas das democracias ocidentais não são libertárias "que ainda não se deram conta disso". Na verdade, a grande maioria das populações nas democracias ocidentais são ideologicamente muito tranquilas com grandes estados intervencionistas que empregam um grande número de pessoas e gastam imensas quantidades de dinheiro dos pagadores de impostos com benefícios sociais e subsídios para as empresas privadas. Seus padrões de voto e preferências declaradas deixam isso claro. Como esperado, os estados democráticos refletem as ideologias de seus cidadãos.
    Sem uma mudança nessa realidade ideológica, nenhuma mudança significativa deve ser esperada.
    Ora, estender o direito ao voto para aqueles que recebem mais subsídios do que pagam em impostos vai acelerar o processo de empobrecimento e instabilidade econômica.
    O primeiro passo para reverter esse problema ideológico está em adotar o laissez-faire como ideologia política dominante. A segunda etapa está vai ao encontro da visão de Mises, ou seja, da democracia meramente como um mecanismo utilizado para certos fins. A democracia não é, de acordo com Mises, uma extensão dos direitos naturais, ou soberania pessoal, ou a manifestação de alguma vontade pública mística.
    Além disso, Mises argumentou, essas idéias levam a crenças perigosas: que a democracia pode imbuir o estado com poder ilimitado ou que não há diferença entre a vontade do Estado e da vontade do povo.
    Uma vez que essas noções preocupantes da democracia são aceitas, estamos de fato em apuros. Mises conclui:
    "Grave prejuízo tem sido feito ao conceito de democracia por aqueles que, exagerando a noção soberania da lei natural, concebeu-a como uma regra ilimitada da vontade geral. Não há realmente nenhuma diferença essencial entre o poder ilimitado do Estado democrático e do poder ilimitado da autocrata. A ideia defendida pelos nossos demagogos e os seus apoiadores: segundo a qual o Estado pode fazer tudo o que desejar e que nada deve resistir à vontade do povo soberano, tem feito mais mal, talvez, do que a sede de poder de principelhos degenerados".
    https://mises.org/blog/why-social-welfare-programs-and-democracy-cannot-co-exist




Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.