Para desmantelar o estado, temos de ser “oportunistas” e não “gradualistas”

No que tange às possíveis estratégias para diminuir radicalmente o governo, ou até mesmo aboli-lo, muitos libertários se perdem ao recorrerem a uma falsa dicotomia: o estado, dizem eles, pode ou ser esmagado com um só golpe ou ser diminuído gradualmente de acordo com um plano pré-determinado. 

Estas são, segundo eles, as únicas duas alternativas.

Só que há vários problemas em se abordar a questão desta maneira.  Primeiro e acima de tudo, esse "demolicionismo" não é uma estratégia, mas sim uma fantasia adolescente.  É o produto de reflexões preguiçosas feitas por entusiasmados (normalmente jovens) recém-convertidos ao libertarianismo.  Os meios e os fins do demolicionismo nem sequer podem ser proclamados de uma maneira coerente. 

Por exemplo, o objetivo dos demolicionistas seria fazer com que o estado suma literalmente da noite para o dia, ou eles concederiam algum tempo para que os políticos, os burocratas e os militares fizessem suas malas e liberassem seus gabinetes?  Ou, ainda, eles prefeririam que esses burocratas fossem forçosamente ejetados de seus cargos e enviados para a cadeia?

E quais medidas os demolicionistas adotariam para induzir todos os ocupantes do aparato estatal a simultaneamente abandonarem seus cargos?  Estariam os demolicionistas contando com uma brilhante campanha propagandística, a qual geraria uma espontânea conversão ao libertarianismo entre os juízes e todos os membros do legislativo e do executivo?  Ou irão os demolicionistas incitar uma "rebelião tributária" populista e possivelmente um motim entre os níveis hierárquicos mais baixos das forças armadas, colocando um fim abrupto ao estado?

Toda essa noção de se derrubar abruptamente o estado — especialmente um estado poderoso, abrangente e visto como o salvador por milhões de cidadãos — é tão ilógica, que é difícil acreditar que algum libertário defenderia essa posição.

Com efeito, a posição demolicionista é um espantalho.  Ela é criada para fazer a estratégia gradualista parecer a única sensata e razoável.  É difícil identificar um atual pensador libertário eminente que já tenha, em algum momento, defendido o demolicionismo como estratégia.

O que Rothbard realmente disse

No entanto, alguém pode responder dizendo que Murray Rothbard, em seu artigo "Você odeia o estado?",apresentou uma distinção entre o que ele rotulou de "gradualistas" e "abolicionistas".  Mas, no artigo, ele não estava fazendo uma distinção entre estratégias, mas sim entre atitudes intelectuais e emocionais em relação ao estado.  Ele então descreveu o "abolicionista" — seja ele um anarcocapitalista ou um minarquista — como sendo "um 'apertador de botões' que pressionaria seu polegar contra um botão que abolisse o estado imediatamente, se tal botão existisse".

Rothbard prosseguiu e afirmou que, no entanto, "o abolicionista também sabe que, infelizmente, tal botão não existe."  Observe a ênfase de Rothbard na palavra "não".  Logo, embora Rothbard fosse um abolicionista que detestava passionalmente o estado, rotulando-o de "inimigo bestial e espoliador" da humanidade, ele enfaticamente rejeitou o demolicionismo como estratégia realista. 

Em termos de atitude, o completo oposto do abolicionista "apertador de botões", para Rothbard, seria o economista formado na Escola de Chicago que "dá conselhos em prol da eficiência", e que vê o estado como sendo um arranjo meramente menos eficiente do que a economia de livre mercado para fornecer todos os — ou, para o minarquista, a maioria dos — "bens públicos".

Os chicaguistas e os friedmanianos entusiastas da eficiência não têm nenhum grande ódio pelo estado, o qual está, afinal, provendo a sociedade com bens e serviços necessários, embora a custos mais altos do que aqueles que seriam cobrados em um mercado concorrencial.

Temos de ser "oportunistas"

Dado que a irreal e inútil abordagem demolicionista deve ser descartada, qual seria então a alternativa realista à estratégia gradualista?  Antes de respondermos a essa pergunta, temos de analisar mais minuciosamente o gradualismo.

De acordo com um recente artigo gradualista, o gradualismo possui duas características essenciais. 

Primeiro, ele tem o objetivo de "diminuir" o estado "passo a passo" e não o de "pular, de uma só vez, para o estado mínimo ou para uma sociedade sem estado".  De acordo com essa forma de pensamento, essa postura estratégica permitiria que os libertários construíssem coalizões com grupos não-libertários que tenham em comum o objetivo de diminuir ou eliminar intervenções estatais em determinadas áreas — por exemplo, a guerra às drogas ou a imposição de um salário mínimo —, mas que não aceitam o objetivo libertário supremo de abolir o estado ou radicalmente minimizar seu poder e escopo.

Mas praticamente nenhum libertário — e muito menos o abolicionista — negaria que colaborar com grupos que possuem agendas políticas distintas é algo estrategicamente sensato quando há o objetivo comum de se reduzir a intervenção estatal em uma determinada área.

É a segunda característica da posição gradualista que apresenta um sério problema e que a torna não apenas inútil, mas também contraproducente.  Trata-se da ideia de que a retração do estado deve ser conduzida pelo seguinte princípio moral: os programas do governo devem ser eliminados em uma sequência especificamente criada para proteger, dentre todos os explorados pelo estado, aqueles mais empobrecidos e evitar que eles sofram uma perda abrupta dos privilégios e subsídios que eventualmente recebam.

É nesse quesito que o problema com a estratégia gradualista se torna imediatamente evidente.  Gradualistas pressupõem que podem planejar, a priori, a ordem na qual as intervenções poderão ser eliminadas, sem levar em conta a realidade sócio-política.  Mas essa seria uma postura utópica, beirando o pensamento fantasioso.  No mundo real, o máximo a que podemos aspirar é aproveitar e agarrar cada pequena oportunidade de desmantelamento do estado que eventualmente surja ao longo do desenrolar dos eventos da realidade histórica

Aquilo que podemos chamar de "oportunismo" nada mais é do que a estratégia de aproveitar e agarrar cada rara oportunidade eventualmente surgida de fazer retroceder o estado, independentemente da natureza da oportunidade ou da estrutura das outras intervenções vigentes.

O oportunista, portanto, não quer nem demolir o estado da noite para o dia e nem seguir um plano — delineado a priori — extravagante e fantasioso de diminuir o estado de uma maneira mais "humana".  Ao contrário, ele quer desmantelar o estado o mais rapidamente possível, tirando proveito de toda e qualquer oportunidade que eventualmente surja em meio ao infindável e instável fluxo de circunstâncias sociais, econômicas e políticas.

A característica definidora do gradualismo, portanto, não é sua propensão a fazer concessões em termos táticos, nem a de baixar o tom de sua retórica radical, e nem a de cooperar com grupos não-libertários sempre que isso for resultar na eliminação de programas de governo (com efeito, essas medidas são a própria essência do oportunismo).  Não, o elemento essencial do gradualismo é o seu atemporal imperativo ético que estipula uma ordem pré-definida na qual as intervenções estatais devem ser reduzidas e eliminadas. 

A diferença entre oportunismo e gradualismo pode ser ilustrada no seguinte exemplo.

Suponha que uma crítica massa de pagadores de impostos de classe média se torne profundamente ressentida com todo o esquema de assistencialismo estatal para os pobres (via programas de redistribuição de renda) e para os grandes empresários (via programas de subsídios e empréstimos subsidiados).  Suponha também que, por algum motivo imprevisto, torne-se politicamente factível eliminar por completo toda essa rede de assistencialismo.

No entanto, as seguintes intervenções estatais continuariam firmemente intactas: as leis estipulando um salário mínimo, os encargos sociais e trabalhistas, as regulamentações de profissões (todas elas dificultam os mais pobres, agora desassistidos, de conseguirem empregos), as tarifas de importação criadas para proteger as grandes empresas da concorrência estrangeira, e as agências reguladoras voltadas para cartelizar o mercado e garantir uma reserva de mercado para as empresas já estabelecidas (o que significa que não haveria reduções nos preços, também possivelmente prejudicando os pobres que ficaram desassistidos).

Nesse caso, um gradualista consistente e coerente, que defende uma redução ordenada e planejada do estado, teria de abrir mão dessa chance de reduzir o estado.

Já o oportunista, em profundo contraste com o gradualista, iria aprovar e ansiosamente promover a eliminação desses programas, adaptando e até mesmo moderando com satisfação sua retórica anti-estado ao se juntar a grupos não-libertários para formar uma frente unida em prol da abolição desses programas.

Conclusão

A estratégia do oportunismo anda de mãos dadas com a atitude do abolicionismo. 

O oportunista agiria o mais rapidamente possível em busca do seu objetivo de abolir o inimigo odiado — o estado —, sendo restringido apenas pela escassez de meios e pelo ritmo do surgimento de condições políticas e sociais concretas.


1 voto

SOBRE O AUTOR

Joseph Salerno
é o vice-presidente acadêmico do Mises Institute, professor de economia da Pace University, e editor do periódico Quarterly Journal of Austrian Economics.

 


"uma proposta legislativa que congele os gastos públicos por 20 anos."

Esse aí é de uma ignorância ímpar.

Querido Henrique, os gastos não serão congelados. Os gastos crescerão à mesma taxa da inflação do ano anterior. A menos que a inflação passe a ser zero, não haverá nenhum congelamento de gastos.

Outra coisa: os gastos com educação, saúde e assistência social poderão continuar aumentando aceleradamente, sem nenhum teto, desde que os gastos em outras áreas sejam contidos ou reduzidos.

Isso será um ótimo teste para ver o quanto os progressistas realmente amam os pobres. Se quiserem que mais dinheiro seja direcionado à educação, à saúde e à assistência social, então menos dinheiro terá de ser direcionado ao cinema, ao teatro, aos sindicatos, a grupos invasores de terra e, principalmente, aos salários dos políticos (descobriremos a verdadeira consciência social dos políticos de esquerda).

Se quiserem mais dinheiro para educação, saúde e assistência social, então terão de pressionar o governo a reduzir os concursos públicos e os salários nababescos na burocracia estatal. Terão de pressionar o governo a fechar emissoras estatais de televisão. Terão de pedir para o governo parar de injetar dinheiro em blogs progressistas.

Terão de pedir por um amplo enxugamento da máquina pública. Terão de ser extremamente vigilantes em relação à corrupção, impedindo superfaturamentos em obras contratadas por empresas estatais.

Terão de exigir a redução do número de políticos. Terão de exigir a abolição de várias agências reguladoras custosas. Terão de exigir menores gastos com a Justiça do Trabalho, que é o mais esbanjador dos órgãos do Judiciário.

Acima de tudo, terão de pedir para que o estado pare de administrar correios, petróleo, eletricidade, aeroportos, portos e estradas, deixando tais áreas a cargo da livre iniciativa e da livre concorrência.

De bônus, para que tenham um pouco de diversão, terão também de pedir para que o estado pare de gastar dinheiro com anúncios publicitários na grande mídia (impressa e televisiva) e em times de futebol. E que pare de conceder subsídios a grandes empresários e pecuaristas.

Se os progressistas não se engajarem nestas atividades, então é porque seu amor aos pobres era de mentirinha, e eles sempre estiveram, desde o início, preocupados apenas em manter seus próprios benefícios.

Com a PEC, o dinheiro que vai para a Lei Rouanet, para a CUT, para o MST e para o alto escalão do funcionalismo público passará a concorrer com o dinheiro do Bolsa-Família, do Minha Casa Minha Vida, da Previdência Social e do SUS.

Vamos ver quão sérios são os progressistas em seu amor aos desvalidos. Veremos o real valor de sua consciência social.

Pela primeira vez, incrivelmente, os burocratas do governo perceberam que o dinheiro extraído pelo governo da sociedade não é infinito.

A tímida PEC 241 possui falhas, mas é um passo no rumo certo - e suas virtudes apavoram a esquerda

"Gostaria de abordar aqui, como causa da crise e do desajuste das contas do governo, o vertiginoso aumentos dos juros ocorrido nos últimos anos"

Ignorância econômica atroz.

Ao contrário do que muitos acreditam, o governo gasta menos com juros quando estes estão subindo.

Sim, é isso mesmo: quando os juros estão subindo, há menos despesas com juros.

E a explicação é simples: quando os juros estão subindo, os preços dos títulos públicos estão caindo. Com os preços caindo, há menos resgates de títulos. Consequentemente, há menos gastos do Tesouro com a dívida.

Não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte. Esta planilha do Tesouro mostra os gastos com amortização da dívida. Eles caem em anos de juros em ascensão e diminuem em anos de juros em queda.

Eis os gastos do Tesouro com amortização da dívida a partir de 2011:

2011 (ano em que os juros foram de 10,75% para 12,50%): R$ 97.6 bilhões

2012 (ano em que os juros caíram para 7,25%, o menor valor da história): R$ 319.9 bilhões (sim, o valor é esse mesmo)

2013 (ano em que subiram de 7,25% para 10%): R$ 117.7 bilhões

2014 (ano em que subiram para 11,75%): R$ 190.7 bilhões

2015 (ano em que os juros subiram para 14,25%): R$ 181.9 bilhões

Conclusão: o ano em que o governo mais gastou -- e muito! -- com a amortização da dívida foi 2012, justamente o ano em que a SELIC chegou ao menor nível da história.

Vá se educar em vez de ficar falando besteiras em público.

Quanto ao nível dos juros em si, durante todo o primeiro mandato do governo Lula eles foram muito maiores do que os atuais. E, ainda assim, houve crescimento e investimentos.

Quando o cenário é estável, confiável e propício, juros não impedem investimentos. Quando o cenário é instável e turbulento, juros não estimulam investimentos.

No mais, a subida dos juros foi uma mera conseqüência inevitável das políticas econômicas heterodoxas de dona Dilma.

"Nada disso precisava ocorrer caso o governo continuasse com sua política de contenção de preços, como o da gasolina e da energia elétrica"

Putz, e eu perdendo meu tempo escrevendo isso tudo achando que o sujeito era sério...

Por fim, quer saber por que os juros são altos no Brasil? Você só precisa ler esses dados aqui.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Vagner  16/03/2016 14:17
    Esse exemplo no final do texto é interessante. Mas tenho certas dúvidas.

    No caso de assistencialismo para os mais pobres - como o bolsa família aqui no Brasil -, posso pensar nele como um tipo de indenização para esses cidadãos. Explico: ora, o estado acaba com o poder de compra, gera inflação, gera desemprego, aplica regulações, etc. No final, como vocês devem concordar, os mais prejudicados nesse esquema violento estatal são aqueles tem que menos recursos: os pobres.

    Ao mesmo tempo, esse programa acaba por fortalecer o Estado, já que por falta de informação, muitos acreditam que esse assistencialismo trata-se de uma bondade do governo - sustentando o establishment - o que não é verdade. Muito antes do Estado fornecer alguma coisa ele rouba em proporções muito maiores.

    E esse é meu dilema. Nessas duas linhas de raciocínio qual é mais adequada a ser seguida?
  • Auxiliar  16/03/2016 14:31
    Suas duas constatações estão corretas. Mas valem algumas seguintes colocações.

    Não faz sentido criar novas intervenções estatais com o intuito remediar os efeitos nefastos criados por intervenções estatais anteriores. Sem atacar na raiz as distorções geradas pelas intervenções anteriores, o ciclo apenas se propaga.

    Por exemplo, quem é que destrói o poder de compra dos mais pobres?

    Quem é que, ao incorrer em déficits e com isso desvalorizar a moeda e a taxa de câmbio, não apenas aniquila o poder de compra dos mais pobres, como também os impede de utilizar seu já escasso poder de compra para adquirir produtos importados?

    Quem é que, além de desvalorizar a moeda, a taxa de câmbio e gerar inflação de preços, ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial -- e, com isso, impede duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

    Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para os barracões?

    Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

    Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

    Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

    Após criar toda essa cornucópia de intervenções e com isso destruir o poder de compra dos mais pobres, o estado cria um esquema de assistencialismo para tentar mitigar os efeitos nefastos causados pelas intervenções acima descritas.

    Qual o sentido de manter esse arranjo em vez de simplesmente sair abolindo tudo?
  • Raphael Paiva  09/04/2016 13:50
    Auxiliar,

    Vc tem razão, porém, como no exemplo, vamos supor que por uma questão de oportunidade irá ser possível extinguir os programas sociais, tipo o bolsa família. Sem uma perspectiva de extinguir também todas as demais barreiras mencionadas por vc e no exemplo do texto, o pobre ficará ainda mais pobre do que hoje, aumentará a quantidade de pobres e a desigualdade social.

    Dizer que no longo prazo as demais barreiras serão derrubadas não resolve, a não ser que tenha um prazo definido para isso, pois pode-se demorar 20, 30, 50, 100, 200 anos pra retirar as demais barreiras do país (isso se realmente vier a ocorrer, não há garantias) que dessa forma continuará na miséria e numa situação pior que antes de abolir os programas sociais.

    Logo no ponto de vista de melhorar as condições sociais dos pobres, essa estratégia não resolve, pelo contrário, piora.

    Qual seria a solução?
  • Alexandre  16/03/2016 15:07
    Vagner, se surgir uma oportunidade de acabar com o assistencialismo é uma chance de se diminuir o estado. As consequencias que isso causaria nos pobres poderia oferecer novas oportunidades para diminuir mais o estado, como extinguindo ou diminuindo as leis trabalhistas, que atrapalham principalmente os mais pobres. No longo prazo, com um estado cada vez menor os pobres estariam em melhor condições do que recebendo assistencialismo.
  • Mais Mises  16/03/2016 14:28
    Joseph Salerno, brilhante como sempre.
  • Viking  16/03/2016 15:33
    Lula ministro da casa civil.

    Ai está a nossa oportunidade!
  • Ragnister  16/03/2016 17:35
    Graças ao IMB, hoje sou libertário, mas acredito que minarquistas e ancaps não entraram num consenso porque ambos estão errados. Minarquistas estão errados porque o estado é um mal desnecessário, podemos nos livrar dele assim que surgir tal oportunidade descrita no artigo. Ancaps estão errados porque é necessário haver alguma forma de governo para garantir a propriedade privada. A consequência do anarquismo é a seleção natural na sua forma mais pura, no qual não há garantia de nada (THE UNIVERSE IS PROVIDED "AS IS", WITHOUT WARRANTY OF ANY KIND). É possível existir um governo descentralizado sem a necessidade de um estado central. O estado está monopolizando o governo há milênios por falta de alternativas viáveis. Eu acredito que a tão esperada oportunidade está imergindo na tecnologia Blockchain, mais especificamente a "Ethereum", que é a única criptomoeda que tem uma capitalização bilionária, fora o Bitcoin. Claro que não dá não dá para apostar todas as fichas nesta tecnologia, mas ela em si mostra que estamos caminhando para obsolência do estado (que ainda pode continuar nos escravizando por um bom tempo). Só tenho uma dúvida, se eu não sou minarquista, nem ancap; alguém sabe me dizer que tipo de libertário eu sou?
  • Martín de Azpilcueta  16/03/2016 18:07
    O que vc é?

    Um ser contraditório, pq não tem como afirmar, ao mesmo tempo, que "o estado é um mal desnecessário" e "é necessário haver alguma forma de governo".

    Ou vc acha o estado é desnecessário, ou vc acha que o estado é necessário. Não tem como achar o estado desnecessário e necessário ao mesmo tempo.


    Antes que vc diga algo como "mas na segunda frase em falo em 'alguma forma de governo'", querendo distinguir estado de "alguma forma de governo", então eu te digo que vc está errado a respeito do que seja anarcocapitalismo, erro perceptível na sua frase de que ancap seria "seleção natural na sua forma mais pura, no qual não há garantia de nada".

    Meu caro, anarcocapitalismo propugna a ausência de estado, como entidade que monopoliza coerção, tributação e decisões de última instância; anarcocapitalismo não propugna a ausência de qualquer forma de governança na sociedade: a governança na sociedade sem estado é a governança privada, por meio de regras privadas e instituições privadas.

    Meu caro, anarcocapitalismo não é sinônimo de "caos" ou ausência de "garantias à propriedade privada": o anarcocapitalismo propugna que sem estado ter-se-ia, justamente, a maior garantia possível à propriedade privada.

    Para você compreender bem o que estou dizendo:

    https://global.oup.com/academic/product/private-governance-9780199365166?q=PRIVATE%20GOVERNANCE&lang=en&cc=br




  • Ragnister  17/03/2016 19:50
    Sinceramente não acredito que a governança privada é capaz de acabar com o estado, sei que já existiu sociedades sem estado com esta tal governança privada, eu até torço por elas, mas infelizmente o estado vai lá e as engole. Minha intenção não foi gerar contradição, mas sim explicar que deve haver pelo menos uma tecnologia descentralizada que nos garanta a propriedade privada. Não considero esta tecnologia como "governança privada", porque ninguém deveria ser dono dela, apenas há os inventores, de forma similar ao Bitcoin, open source. Longe de ser um estado que cobra impostos, mas longe também da "solução" ancap. A melhor definição para esta possível futura solução seria "Governança pública descentralizada não coercitiva". Seria basicamente um cartório público para haver o registro de pessoas e suas propriedades. Se for este o caso, só haveria um custo mínimo para fazer registros, este custo é para garantir o interesse dos nós em "minerar os blocos". Totalmente peer to peer. Talvez a ideia pareça absurda, mas quem sabe amanhã mude de ideia. Vamos ver o que vão inventar nas blockchains :)
  • Martín de Azpilcueta  17/03/2016 21:05
    Ragnister,

    com todo respeito, mas sua confusão conceitual só aumenta.

    Se esse "cartório público" não seria financiado por impostos, como vc diz, ele só poderia ser financiado por mecanismos privados, não é mesmo?

    Meu caro, vamos fazer o seguinte; responda uma pergunta simples, por favor: você é favor ou contra a existência do estado? Não existe meio-termo nessa questão (nem "meio-estado"): ou vc é favor da existência do estado, ou você é contra existência do estado.
  • Raphael Paiva  09/04/2016 13:58
    Martín,

    Mas os cartórios de hoje em dia são financiados pelo estado??
    Se sim, porque cobram tarifa sobre qualquer transação que vc vá fazer com eles?
    Me parecem ser auto-suficientes visto que cobram taxas altas simplesmente para imprimir uma folha de papel e possuem lucros exorbitantes.
  • Magno  09/04/2016 14:37
    Cartórios são serviços monopolistas concessionados pelo estado. Cartórios possuem uma clientela cativa, a qual é obrigada (pelo estado) a utilizar seus serviços.

    Conseguir a concessão de um cartório é o equivalente a ganhar na loteria. A renda é mais garantida que a do funcionalismo público.

    P.S.: o termo "cartório público" foi utilizado acima, me parece, em sentido figurado.
  • Bruno  16/03/2016 18:56
    Ragnister, vc descreve o perfil de um ancap.

    O "governo descentralizado" que vc coloca nada mais é que o livre-mercado! Perceba, o Bitcoin ou o Ethereum são consequências diretas disto. Existem pessoas por trás do desenvolvimento e manutenção destas entidades, que não necessariamente são um "governo", dado que vc tem a liberdade de correr para um "Dash", por exemplo. De fato, está acontecendo uma revolução no mundo crypto: moedas e empresas estão sendo criadas sem quaisquer amarras burocráticas, como no Velho-Oeste americano.

    Não confunda anarco-capitalismo com ausência de hierarquia de comando. Em todas as empresas, ainda haveria a necessidade de cargos de chefes ou gerentes ou CEOs. Vê-se isso tbm nas crypto empresas que citei anteriormente.

    Obs.: Uma pena que o Fernando Ulrich parou de escrever sobre o tema, as inovações na tecnologia crypto são praticamente diárias.

  • Ragnister  17/03/2016 20:06
    Sim, graças a livre iniciativa temos estas tecnologias que estão cada vez mais libertárias :)

    Agora vem a crítica: Apesar dos ancaps defenderem o Bitcoin, eles parecem não perceber que o Bitcoin é uma tecnologia pública, o que ao meu ver, é uma contradição a visão ancap, na qual tudo deve ser privado. Se esta afirmação for uma falácia, por favor, me corrija! Obrigado!!!
  • Vagner  16/03/2016 19:03
    Você não percebe a contradição em que você se meteu? rs
  • SP  16/03/2016 19:41
    Governo não é necessariamente sinônimo de estado.
  • GTD  16/03/2016 17:52
    Na minha opinião, o que o autor defende é uma fantasia adolescente, igual o "demolicionismo".

    A única estratégia que deu certo em alguns casos, não em acabar com o Estado mas sim em diminuí-lo, foi o gradualismo.

    Mas é sempre bom tentar novos métodos, já que os existentes não estão funcionando da maneira como queremos.
  • Magno  16/03/2016 18:01
    Ué, qual gradualismo foi bem-sucedido na história? Desconheço um único caso.

    Na recente história do Ocidente, houve apenas dois exemplos claros em que os poderes do governo central foram de fato reduzidos, mesmo que apenas temporariamente, como resultado de uma catástrofe: na Alemanha Ocidental pós-Segunda Guerra Mundial sob o comando do Chanceler Ludwig Erhard, e no Chile sob Pinochet.

    E não houve gradualismo nenhum. Veja, em detalhes, o que houve na Alemanha de Erhard:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1419

  • opinador  16/03/2016 18:34
    Na Nova Zelandia...

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2260


    Em cingapura e hong kong

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1803
  • Vagner  16/03/2016 19:31
    Onde houve gradualismo em Hong Kong e Cingapura? Eu hein...
  • GTD  16/03/2016 20:56
    Magno, aqui possuem vários exemplos: www.mises.org.br/Article.aspx?id=2265

    Abraços.
  • Dissidente Brasileiro  16/03/2016 18:21
    Enquanto isso, as "autoridádis constituídas" desse rascunho de republiqueta bananeira prenderam um rapaz sob a estapafúrdia acusação de "racismo" - o que obviamente é um crime sem vítima - enquanto que o chefão da Máfia acabou de se tornar ministro, dando efetivamente um golpe de estado, este sim um crime grave. E claro, ninguém fará absolutamente NADA como sempre. E não poderia ser diferente, afinal de contas estamos no Brazika, terra de samba, suor, cerveja, homicídios, estupros, Aedes Aegypti - e claro - de falcatruas, verdadeiro patrimônio cultural orgulho dos bananeiros... Parabéns, otários!

    Agora eu gostaria de saber: cadê a turma das plaquinhas na Av. Paulista, aqueles vestidos com a camisa da "seleção canarinho", "fotinhas" no "instagrã" com seus belos cãezinhos, animadas conversas no "zap zap" e abraços acalorados e selfies com os policiais que vigiaram o evento? Vocês não farão nada?? Calma... Ah, entendi, precisamos resolver isso de forma democrática... Beleza, tudo bem então, kkkkkkkkkkkkkkk.

    E ainda existem pessoas que acham que este chiqueiro ibero-lusitano tem jeito... Puro latinismo exacerbado em seu maior grau! Só podem ser loucas mesmo!

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  • Curioso  16/03/2016 18:59
    Qual a sua sugestão para o aqui e agora? O que vc acha que os brasileiros deveriam fazer a partir de agora?
  • Dissidente Brasileiro  17/03/2016 01:42
    Curioso, precisa dizer? Que tal uma revolta popular, com o linchamento de todos os políticos e demais agentes estatais? Seria bem mais eficaz do que simples manifestações, concorda?
  • Curioso  17/03/2016 04:56
    Concordo.
  • Carlos Marrasca  17/03/2016 15:01
    Eficiente? Primeiro que isso poderia transformar esse político em mártires, o que lhes daria ainda mais poder. Além disso perderia grande parte do apoio da população.
  • Dissidente Brasileiro  17/03/2016 21:45
    Carlos Marrasca, seria eficiente sim. Algo parecido ao que aconteceu com o Gaddafi na Líbia; mas precisa ser feito com TODOS os políticos e agentes estatais (juízes, desmbargadores, policiais, etc). Se pegar apenas um ou outro, aí concordo que pode(m) virar mártir(es), mas se for feito com todos eles isso não acontece.
  • Henrique Zucatelli  16/03/2016 18:33
    Aham, daí como a gente está no Brasil e os recursos para diminuir o Estado são quase nulos, a gente espera eles destruírem tudo (inclusive nós mesmos), e quando não tiver nem um restinho de tutano nesse osso, eles largam. Quem ficar vivo que reconstrua tudo para daqui uns 20 anos vir outra leva de socialistas e começar tudo outra vez.

    Sou pelo abolicionismo. Só assim que deu certo em situações como a nossa na história. Nós não estamos na Alemanha de Erhard, Na Nova Zelândia ou na Inglaterra. Nós somos uns esfarrapados de terceiro mundo e temos que fazer algo.
  • anônimo  16/03/2016 18:36
    'A estratégia do oportunismo anda de mãos dadas com a atitude do abolicionismo. '

    Essa conclusão não faz muito sentido se considerarmos que o abolicionismo é a atitude mais utópica e menos prática de todas, justamente o contrário do oportunismo
  • Antônimo  16/03/2016 19:11
    Cola a frase inteira:

    "A estratégia do oportunismo anda de mãos dadas com a atitude do abolicionismo.
    O oportunista agiria o mais rapidamente possível em busca do seu objetivo de abolir o inimigo odiado — o estado —, sendo restringido apenas pela escassez de meios e pelo ritmo do surgimento de condições políticas e sociais concretas."

    Qual a contradição?
  • Dissidente Brasileiro  16/03/2016 21:34
    Dilma passa a faixa presidencial para Lula - começa o terceiro mandato:

  • Andre Dias  16/03/2016 21:42
    Me parece que quem acabou criando uma falsa dicotomia sem querer foi o próprio autor. É possível ser oportunista e gradualista ao mesmo tempo.
    O sujeito (ou grupo) pode adotar determinada estratégia gradualista de longo prazo E também aproveitar-se de eventuais momentos agudos que eventualmente permitam reduzir o estado. As coisas não são excludentes. E honestamente creio que ambas sejam essenciais.
    Ao contrário da famosa frase que Thomas Sowel usou ao se referir ao banco central americano, algo do tipo "O que me interessa é acabar com o câncer, não o que vou colocar no lugar", o Estado, apesar de ser um enorme câncer, ainda exerce um papel imenso na cabeça das pessoas, que estão apáticas e doutrinadas a tal ponto que não conseguem sequer imaginar a vida sem ele. Em um contexto assim, uma abolição abrupta da ordem vigente pode gerar um desastre, havendo precedentes históricos nos quais um império caiu e logo em seguida surgiu algo ainda pior. Daí a idéia comum dos cientistas políticos dizerem que "anarquia só existe como regime de transição", ou o outro cliché de que "não existe vácuo de poder, ele é logo ocupado".
    Tal situação me leva a deduzir que não basta cortar o câncer, visto que o crescimento do mesmo é rápido e a chance de recorrência é alta. Além da remoção periódica dos tumores sempre que possível (o que esse autor chamou de oportunismo) é preciso um tratamento crônico constante para evitar a formação de novos tumores (é é esse a meu ver o trabalho do gradualismo). O papel do gradualismo é fazer com que as pessoas entendam as imoralidades, os conceito e as possibilidades. Em suma, ele é importante pois, se bem feito, tem efeitos que reduzem a taxa de crescimento do câncer. E aí há várias formas de fazer Isso: divulgar as idéias (como este site é outros canais fazem muito bem), evidenciar a ineficiência da educação estatal, cuidar bem dos filhos e os ensinar esses valores essenciais, e por aí vai. A luta contra os inimigos da liberdade, contra os relativistas morais, contra os que querem viver as custas dos outros, é uma luta permanente e constante.
  • Ricardo  16/03/2016 21:58
    "É possível ser oportunista e gradualista ao mesmo tempo."

    Apenas em casos de extrema coincidência.

    O gradualismo defende uma redução ordenada e pré-determinada do governo. Tudo muito bem planejado e ensaiado. Primeiro corta-se A, depois corta-se B, depois corta-se C etc., tudo nessa ordem, para que a transição seja a mais ordeira e indolor possível, sem que funças se revoltem e pobres passem fome.
    Já o oportunista sempre defenderá uma redução do estado tão logo essa oportunidade surja, independentemente de se ela será ordeira ou não.

    Por exemplo, se surgir a chance de cortar C, mas não A e B, o gradualista vai resfolegar, já o oportunista irá aproveitar.

    Por isso, "é possível ser gradualista e oportunista ao mesmo tempo" apenas em casos de extrema coincidência, como quando surge a oportunidade de cortar A.

    "O sujeito (ou grupo) pode adotar determinada estratégia gradualista de longo prazo E também aproveitar-se de eventuais momentos agudos que eventualmente permitam reduzir o estado."

    Ué, se o sujeito (ou grupo) adotou uma estratégia gradualista, então, por definição, os cortes em A têm de vir antes dos cortes em B e C. Por definição.

    Sendo assim, "eventuais momentos agudos que eventualmente permitam reduzir o estado" só serão aproveitados pelos gradualistas se surgirem exatamente na ordem pré-planejada (primeiro A, depois B, depois C etc.). Qualquer outro arranjo que não seja esse não é gradualismo, mas sim oportunismo.

    Tudo isso está claro no texto. Você que apenas ou o leu muito rapidamente ou ficou ofendido com os termos utilizados e se sentiu compelido a negá-los, mas sem base.
  • anônimo  16/03/2016 23:48
    É possível ser os dois. Isso se chama dialética.

    Prega x, faz a coisa x que está pregando, mas quando surge a oportunidade, faz y para alcançar os objetivos mais rapidamente enquanto mantém o discurso x.

    Dialética possui espaço para tudo.
  • Andre Dias  17/03/2016 13:21
    Você tem toda razão se formos partir do princípio de que o gradualista é, necessariamente, alguém que segue um plano cronológico A, B e C, nessa ordem, e no qual fazer um implica em não fazer outro. Mas não é esse o caso. Tal indivíduo (ou grupo) pode ser gradualista sem necessariamente ter esse plano pré-definido. Aliás, tal definição adotada pelo autor iguala o gradualista a uma espécie de planejador central as avessas, na medida em que ele se acharia detentor de um plano capaz de implodir o estado, desde que executado minuciosamente e de forma específica. Não é essa a postura de muitos autores libertários. A maioria concorda em pontos que seriam essênciais para reduzir ou eliminar o estado, mas poucos tem a audácia de tentar determinar uma ordem e forma específica na qual as coisas precisariam acontecer. Eu posso me focar na redução do poder militar do estado, o outro no aumento do respeito às liberdades individuais, o outro na abolição da educação estatal. Todas essas frentes podem ocorrer ao mesmo tempo, e absolutamente nada impede que eventualmente o indivíduo que tem como foco a atuação na frente A se una ao indivíduo que tem como foco a atuação na frente B em um momento no qual a maré esteja mais favorável para B do que para A.
  • Henrique  16/03/2016 23:57
    Leandro, qual seria sua opinião sobre o uso das reservas internacionais para amortizar a dívida pública? Quais seriam os pontos positivos e negativos desta medida?


    Abraços.
  • Leandro  17/03/2016 01:32
    Debatido profundamente na seção de comentários deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2275
  • Henrique  17/03/2016 12:35
    Ok. Mas poderíamos dizer que isso facilitaria a recuperação da economia? Se amortizarem a dívida, poderão reduzir os juros e sanear as contas públicas? Haveria uma fuga de capitais do Brasil caso o governo adote esta medida?


    Abraços.
  • Leandro  17/03/2016 12:48
    Utilizar as reservas geraria enorme desconfiança e incerteza, o que faria disparar o câmbio, piorando completamente o cenário da inflação de preços e, de quebra, levando os juros para cima -- exatamente o efeito oposto do pretendido.

    Quando, meu Deus, quando as pessoas vão finalmente entender e aceitar que economia não é uma coisa a ser tratada na base da mágica, do simplismo e dos impulsos? Quando é que os magos deixarão de ser arrogantes e finalmente terão a humildade de aceitar que não podem recorrer a soluções simples e mágicas para resolver problemas complexos?

    Não basta terem destruído a economia com suas voluntariedades; é preciso inventar novas moedas para terminar de destruir o pouco que restou.
  • Trader Carioca  17/03/2016 14:15
    Leandro,

    Em meu entendimento, se houvesse uma mudança no sistema financeiro abdicando do Bacen em prol de um arranjo de Currency Board (CB), poderiamos usar as reservar internacionais em excesso para amortizar dívidas.

    Já que a base monetária estaria ancorada pelo CB, o excesso de reservas não teria efeito algum em proteções contra ataques especulativos. Aliás, ataques nem seriam viáveis pois demandariam o envio integral da base para fora, o que é impossível em termos práticos.

    Qual é seu entendimento sobre esse ponto em particular?

    Obrigado.
  • Leandro  17/03/2016 14:33
    Aí sim, perfeito. Agora, falta convencer a todos quanto ao Currency Board.
  • Eric Henrique  17/03/2016 13:21
    Leandro você poderia me ajudar com uma dúvida? Enquanto está a dívida pública brasileira? Eu tive uma aula ontem de contabilidade pública, e o professor disse que estava em 45%,só que eu tenho quase certeza, eu vi em algum artigo do IMB, que ela está em 63%. Desculpa o incômodo é que eu acho você o melhor analista da nossa economia.

    Obrigado!
    Já te agradeço.
  • Leandro  17/03/2016 14:35
    Em 2015, foi de 65,5% do PIB.

    Em 2016, segundo o BC, ficará acima de 70% do PIB.

    Obrigado pelas palavras gentis.

    Grande abraço!
  • Carlos Marrasca  17/03/2016 14:56
    Existindo estado, que ele seja ocupado pelo máximo de liberais possível. Esse é o caminho. Do contrario, os estatistas/comunistas usarão o estado da forma que estamos vendo.
  • Andre Fernandes  17/03/2016 18:46
    Fala galera,
    Queria propor algo e ver a opinião de vocês e quem estaria disposto a participar.

    A ideia é bem simples: tentar juntar um grupo de pessoas para criar uma rotina de encontros mensais (pode ser outra frequência) e elaborar, aos poucos, propostas reais e concretas para melhoria nas administrações municipal, estadual e federal.

    Eu moro no Rio, mas não veria problemas em ter colaboração de pessoas de outros estados mesmo que não possam participar de reuniões/encontros. Até porque muitas das propostas podem valer para mais de uma localidade.

    Sei que a ideia parece básica e, na verdade, ela é mesmo. O grande problema é que não adianta nada nos juntarmos para criar propostas radicais (que seria o ideal), pois já sabemos que não existiria conversa ou possibilidade de implementação. Não seria o cenário "mundo ideal", mas entendo que brigar por qualquer melhoria é válido.

    Poderíamos dividir o grupo por temas (por afinidade, interesse, atuação...) e no período entre cada reunião, cada um faria uma pesquisa mais elaborada e traria um diagnóstico, uma proposta e qual seria o caminho para implementá-la e seus efeitos caso acontecesse.

    Quando falo em proposta não penso em algo raso e sim em trazer uma riqueza de informações que nos permita fazer algo de bom com aquilo. Por exemplo:

    Tema Simplificação tributária:
    - Quais os impostos a serem extintos?
    - Quais seriam agrupados e continuariam existindo? Mudanças nas alíquotas?
    - Qual o impacto em arrecadação? E em despesas com fiscalização/controle?
    - Enxergamos uma melhoria no consumo que minimizasse a perda em arrecadação? Como mostrar isso?
    - Exemplos bem sucedidos ao redor do mundo de uma política similar?

    Quem se dispusesse a trabalhar tal tema, teria o tempo necessário para realizar um estudo considerando o cenário que temos hoje e a cada reunião receberia a colaboração dos outros participantes para evoluir. O mesmo para assuntos como transporte, investimentos, segurança e por aí vai.

    Sei que muitos vão dizer que não vai adiantar de nada, que o caminho não pode ser "gradual" (coloquei entre aspas pq a pretensão não é ter um plano a ser executado em uma ordem específica, mas brigar para aprovar qualquer uma das medidas que enxergamos como positiva).

    Vai ser fácil ser ouvido por algum político que tenha força para isso? Certamente não, mas diante da situação atual não vejo porque não podemos tentar. Peço, apenas, que caso você ache a ideia inútil que respeite e tente não desencorajar outros que possam se interessar.

    Alguém se interessa? Poderíamos começar conversando por whatsapp e/ou e-mail para combinar um primeiro encontro e definir algumas pautas.

    Obs: A pretensão não é criar um partido político ou algo parecido. Apenas um grupo de trabalhadores interessado em conseguir uma melhor qualidade de vida.

    Abs
    André
  • Viking  17/03/2016 19:32
    André, eu topo!
    Inclusive fiz um pequeno texto pensando em como melhorar o transporte publico, sem acabar com a empresa municipal de ônibus. Lá vai:

    1 – Extinguir o monopólio da prefeitura sobre o transporte coletivo urbano.
    Essa medida consiste em liberar que outras empresas prestem o serviço de transporte coletivo urbano, da maneira que acharem melhor, podendo ser com minivans, vans, micro-ônibus e ônibus.
    Dessa forma, existindo a concorrência das empresas privadas com a empresa pública, acontecerão duas coisas: ou a empresa pública fica mais eficiente para continuar no mercado, ou ela será simplesmente enxotada do mercado por quem realmente deve julgar a qualidade do serviço, o cliente, o passageiro que usufrui do transporte.
    2 – Liberar a existência de transporte privado concorrente aos táxis.
    Essa medida consiste em liberar o transporte em carros particulares, como alternativa aos táxis, como os desenvolvidos pelo Uber, Lift, e também de caronas pagas. Também se deve liberar que pessoas comuns transportem outras pessoas com seus carros, mediante pagamento.
    A única coisa que deve ser cobrada, tanto das empresas quanto dos autônomos, é que os carros estejam dentro das medidas de segurança do DETRAN (cintos de segurança, faróis, setas, retrovisores, pneus com condição de uso, etc.). Ou seja, nada além do que já existe hoje para qualquer carro.
  • Emerson Luis  18/03/2016 10:13

    Concordo de modo geral com o artigo, só faço duas ressalvas:

    1- A palavra "oportunismo" possui conotação negativa, o que geraria maus entendidos;

    2- O gradualismo estar errado depende do que queremos dizer com "gradualismo".

    Podemos falar de "gradualismo planejado" (com um tipo de "planejamento central reverso") e "gradualismo não planejado" (centralmente, o que não impede planos específicos e pontuais).

    Também podemos falar de "gradualismo intransigente" e de "gradualismo transigente" (por exemplo, que aceita a eliminação de um imposto compensado pela criação de outro).

    Assim, em vez de "oportunismo", é preferível falar "gradualismo não planejado e intransigente".

    * * *
  • fausto atilio renault  19/07/2016 14:27
    Acho que esse site que tem a melhor área de comentários de toda a WEB no Br, dentro dos assuntos que se propõe a abordar. Os autores e comentaristas são realmente ótimos, salvo poucas exceções, claro. Me sinto cada dia menos ignorante com os artigos (e comentários) e cada vez mais acreditando que um dia teremos um país mais livre do poder do "Leviatã".


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