Não existe um político “solucionador de problemas” - soluções requerem liberdade, e não planejamento

"Precisamos de um político com experiência em resolver problemas!"           

Isso é o que dizem sempre que a economia do país vai mal e a insatisfação com o governo vigente está aumentando.  Para aparentar imparcialidade, normalmente não se especifica o nome de nenhum político; apenas diz-se que é necessário ter alguém no comando com grande experiência administrativa e com um histórico de "solucionador de problemas".

Isso é bem conveniente e faz com que vários políticos se apresentem como tal.  Claro; qual candidato não quer ser conhecido como "alguém que faz"?

Quando entrevistados, tais políticos sempre dão a entender que estão perfeitamente capacitados para resolver todos os problemas sociais e econômicos vivenciados pelo país. As "soluções" sempre vêm em slogans e frases de efeito. Parece que cada vez mais pessoas desejam ser liberadas daquilo que Friedrich Hayek descreve em O Caminho da Servidão como "a necessidade de resolver nossos próprios problemas econômicos e [...] as escolhas amargas que isso frequentemente envolve".

Pedindo para ser enganado

Mas será que um sistema econômico próspero depende de eleger um presidente que seja um solucionador de problemas?  Qual a ideia de conclamar "nossos líderes" a mentir para nós, fingindo que sabem tudo e que são capazes de resolver ordenadamente todos os problemas?  

Quem defende a ideia de que "temos de eleger solucionadores de problemas" está, na prática, dizendo que devemos servir como instrumentos que os políticos utilizam para alcançar seus fins; devemos ser servos para todos os fins que "nossos líderes" escolheram para nós.

A questão é que o foco na resolução de problemas por meios políticos é uma postura inconsistente com uma economia de mercado. Em um artigo intitulado "Let a Billion Flowers Bloom", o economista George Gilder explica que resolver problemas pode ser uma tarefa infindável e infrutífera:

A primeira grande regra de um empreendimento é "não resolva problemas". Busque oportunidades. Problemas são infinitos e se multiplicam continuamente. Quando você os resolve, apenas volta para o ponto de partida. Governos são especialistas em criar problemas para, em seguida, generosamente tentarem resolvê-los para as pessoas — criando, nesse processo, problemas ainda mais sérios e mais sistêmicos.

Por outro lado, quando buscamos oportunidades, aí sim permitimos um processo de descoberta que irá, automaticamente, resolver problemas.

Descobertas no escuro

Imagine que você está subindo por uma escadaria no escuro. A luz ambiente permite apenas visualizar o próximo degrau à sua frente. Assim que você dá seu primeiro passo, a luz cai sobre o próximo degrau à sua frente. A cada degrau surge um próximo degrau, uma nova possibilidade. Mas você não consegue ver ou responder a essas possibilidades até que tenha subido o degrau à sua frente. A partir do primeiro degrau, você não pode ver o topo da escadaria. Na verdade, a partir do degrau no qual você se encontra agora, você não pode ver nem mesmo três degraus adiante.

Naturalmente, há muitas ocasiões nas quais nos sentimos desconfortáveis com este processo de surgimento de oportunidades. Candidatos políticos tentam amenizar nossos medos e manter a ilusão de que podem ver toda a escadaria, do primeiro ao último degrau. Não podem. Desde a perspectiva que ocupam agora, sua visão, assim como a nossa, é limitada.

Não se dá crédito a quem não merece

Todo político "solucionador de problemas" promete criar empregos.  Mas desde quando políticos criam empregos?  Quem realmente cria empregos?  

Mais ainda: quem é capaz de prever quais empregos são realmente necessários?

Aqueles milhões de indivíduos que estavam empregados nas fazendas no século XIX saberiam prever que seus descendentes estariam empregados em fábricas de automóveis e siderúrgicas? Poderiam aqueles que estavam empregados nas fábricas de automóveis imaginar que seus filhos e netos escreveriam programas computacionais?

Algum político poderia prever essa dinâmica?

Se as pessoas daquela época exigissem que políticos criassem e mantivessem empregos, estaríamos até hoje vivendo no campo, à luz de velas, vivendo da agricultura de subsistência, comenda mandioca e alface.

Ou então, considere o seguinte: em 1800, de acordo com o escritor científico Matt Ridley em seu livro The Rational Optimist, um trabalhador médio tinha de trabalhar durante seis horas para ganhar dinheiro suficiente para pagar por uma hora de luz de uma vela de sebo. Hoje, um trabalhador médio em país desenvolvido paga por uma hora de iluminação interna com meio segundo de trabalho.

Algum político ou presidente resolveu o problema do alto custo da iluminação interna? Não. Tanto as lâmpadas quanto a eletricidade confiável surgiram da concorrência entre empreendedores que perceberam uma ampla necessidade da população e, consequentemente, tentaram satisfazê-la no mercado.

Não houve decretos ou ordens de políticos.  Houve apenas a espontaneidade do mercado.

O progresso não ocorre por meio de decretos políticos, de regulamentações, e de ordens burocráticas. O progresso é um fenômeno que surge de acordo com demandas e necessidades dos consumidores.  Acima de tudo, é um fenômeno que ocorre de acordo com o ambiente à sua volta.  Se não houver compulsão e coerção, e se houver liberdade empreendedorial para que indivíduos possam colocar suas idéias a serviço das demandas, o progresso ocorrerá.

A crença de que líderes políticos "solucionadores de problemas" podem impulsionar o progresso por meio de decretos e de "coordenação política" significa, na prática, apoiar o uso da força para impulsionar a produtividade.  É assim na Coréia do Norte.

A energia humana, quando forçada e coagida, é exaurida. Aqueles que são capazes de criar valor para os outros são impedidos de fazê-lo quando são compelidos e coagidos.

Todos os dias, cidadãos comuns e empreendedores buscam oportunidades. Ninguém controla a miríade de decisões e ações descentralizadas que, ao longo do percurso, resolvem os problemas.  Por tudo isso, não precisamos de "solucionadores de problemas"que nos digam qual é o seu mirabolante "plano vencedor".

Queremos, isso sim, que planejadores e "solucionadores de problemas" simplesmente saiam da nossa frente.


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SOBRE O AUTOR

Barry Brownstein
é professor emérito de economia na Universidade de Baltimore e autor do livro The Inner-Work of Leadership.



A meu ver, essa "desregulamentação" estatal sobre a terceirização não passa de uma intervenção, de feição "liberal", que não implicará nos efeitos desejados e previstos.

Basicamente, pelo que eu entendi, a intenção do governo é gerar mais empregos que de fato paguem salários realmente vinculados à riqueza produzida pelo empregado. Com isso, busca se mover a economia, através de poupanças, maior capital do empregador para investimento e consumo real dos empregados. Desse modo, o Estado pode arrecadar mais, pois, na análise de Smith que é complementanda pelo autor do artigo, a especialização (terceirização) gera riqueza e prosperidade. Fugindo, portanto, do ideal keynesiano de que quanto maior o consumo de quem produz maior o progresso, negligenciando a possível artificialidade dessa troca.

Minha objeção consiste em afirmar que a regulamentação do modo que foi feita não é benéfica para o Estado, logo, como tudo no Brasil, querendo ou não, está ligado à esse ente, não torna se benéfica ao indivíduo.

Primeiro, pelo fato de que, as empresas que contratam outras empresas terceirizadas podem ter um elo empregatício direito com os empregados dessa última. Nessa perspectiva, caso uma terceirizada, receba os repasses do contratante, porém não esteja pagando os benéfícios/ salários dos seus empregados em dia, sob alegações diversas, iniciará se um processo judicial entre a empresa contratada e o contrante para solucionar esse caso, haja vista que é do interesse do terceirizado receber o que lhe é devido. Consequentemente, o tempo depreendido, os custos humanos e financeiros são extremamente onerosos para a empresa contratante, de modo que, sua produtividade e poder de concorrencia no mercado é reduzida. Ou seja, a continuidade do desrespeito aos contratos firmados e a morosidade da Justiça, práticas comuns no país, muitas vezes, anulam a ação estatal que visa gerar mais empregos e melhorar a produtividade das empresas. O que afeta principalmente os empreeendedores com um capital menor e que operam em mercados menos regulados. Logo, busca se intervir para corrigir um problema, sendo que o corolário dessa nova intervenção é exaurido por uma ação feita anteriormente

Outro ponto pouco abordado por vocês é que as terceirizações beneficiam também os empresários oriundos de reservas de mercado. Logo, uma ação estatal que, a posteriori privilegia os amigos dos políticos, não pode implicar nas consequências previstas a priori. Isso porque, a possibilidade contratação de terceirizados a partir de salários menores do que de fato seriam em um contexto natural/equilibrado torna se muito mais viável para os corporativistias, pelo simples fato de que seus acordos com agências e orgãos públicos influenciam também nas decisões judiciárias que envolvem a sua empresa e a empresa terceirizada. Desse modo, o megaempresário contrata a empresa terceirizada e estabelece um acordo onde há um repasse menor da grande empresa para a terceirizada e, na sequência, apenas uma parte muito pequena, não correspondente ao valor gerado, desse repasse para a empresa terceirizada é convertida em salários para os terceirizados, onde a empresa terceirizada acaba lucrando mais, ao ter menos gastos. Portanto, um terceirizado que trabalha para uma empresas monopolística (no sentido austríaco) possui maiores chances de ser ludibriado e não lhe resta muitas opções de mudança de nicho, haja vista que infelizmente inúmeros setores do mercado brasileiro sofrem regulação e intervenção constante do governo.

No mais, ótimo artigo.
Gustavo, os Dinamarqueses podem usufruir desse tipo de assistencialismo, justamente porque o mercado deles é produtivo.

O mercado deles é produtivo como consequência da LIBERDADE DO MESMO, como o próprio artigo aponta.

Lá não existe salario mínimo, o imposto sobre o consumo é baixo, assim como o imposto sob pessoa jurídica.
No máximo, o imposto de renda é alto, mas eles tem uma moeda forte e estável, um lugar livre pra se empreender e contratar alguém(não existe nem salário minimo lá!).

Defender o modelo Dinamarques na situação Brasileira demonstra toda a ignorância básica em economia, nosso mercado fechado produz pouco pra aguentar um estado desse tamanho. Ainda sim, o estado da Dinamarca é menor que o Brasileiro, nunca ouvi falar sobre lá ter quase 40 ministérios, nunca ouvi falar lá sobre a existência de Agencias Reguladoras em todos os setores do Mercado, nunca ouvi falar lá sobre a existência de centenas de estatais!

E mais, a crise Sueca dos anos 80 justamente explica isso, o Welfare explodindo nessa época acabou ''sufocando'' o mercado, deixando-os em uma crise enorme de déficits astronomicos.
Qual foi a solução?

Austeridade e Livre-Mercado, na década de 90 a suécia voltou a crescer fortemente, uma reforma radical de corte de gastos e liberdade de mercado, no fim das década de 80 e começo da 90, permitiu que a Suécia saísse da crise causada pelo Welfare.

Mas por fim, você acha justo tirar o dinheiro das pessoas a força pra sustentar tudo isso para os que não querem trabalhar?

Antes de qualquer boa consequência, analise a ética e a moral.
É como querer defender o homicídio, dizendo que isso amenizara a escassez na terra no futuro. Não interessa, homicídio de inocentes é errado, é irrelevante as boas ou ruins consequências que o crime pode trazer.

E mais, Noruega já esta retirando dinheiro do seu fundo, mais uma vez veremos mais uma crise em alguns escandinavos, o peso do estado não dura muito, por mais produtivo que um mercado seja. É economicamente impossível, a empiria da ciência economica prova isso!

O texto apenas demonstra que o sistema capitalista, ainda mais a forma liberal, é totalmente ineficiente.

Senão vejamos,

1: hoje já não é proibido nenhuma empresa ter seus laboratórios e certificados de qualidade internos ou externos, inclusive no Brasil existe a certificação "Certified Humane Brasil é o representante na América do Sul da Humane Farm Animal Care (HFAC), a principal organização internacional sem fins lucrativos de certificação voltada para a melhoria da vida das criações animais na produção de alimentos, do nascimento até o abate"; (não necessita liberalismo para isso), inclusive a Korin agropecuária é certificada por essa empresa, entre tantas outras.

2: Não é proibido nenhuma instituição avaliar a qualidade dos produtos e denunciar caso seja de péssima abaixo do esperado; (não necessita liberalismo para isso também)

3: No liberalismo estas mesmas instituições que avaliariam a qualidade ou emitiriam certificados poderiam ser construídas justamente para os objetivos do bloco gigante de algum ramo, como por exemplo carne, tendo esse poder eles também teriam o poder de patrocinar jornais e revistas para desmentir qualquer empresa de certificados privados concorrente e pronto, num mundo globalizado quem não aparece não é visto. O lucro dos grandes blocos estaria garantido... num capitalismo sem regulação estatal quem iria impedir isso? Da mesma forma que a "Certificadora" do grande grupo poderia difamar as carnes de um grupo concorrente.

claro, se não existissem grupos, talvez até funcionaria, porém pq não criar grupos para ter maior vulto de recursos para maior propaganda e maior lucro? Justamente. Apenas prova objetivo maior - lucro - é o motor para irregularidades, seja de agente público ou privado.

aguardando respostas...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Taxidermista  18/02/2016 14:38
    Vale ler em conjunto com aquele do Kel Kelly:

    "Políticos podem melhorar nossas vidas?":

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=794
  • FL  18/02/2016 14:43
    O título deste artigo podia ser "Muito ajuda quem não atrapalha"
  • Robinson Luis  19/02/2016 01:11
    Boa essa,gostei.E aqui no Brasil o que mais tem é gente para atrapalhar.
  • Mr Citan  18/02/2016 16:04
    Lembrei dos seguidores do Bolsonaro. :D
  • anônimo  18/02/2016 16:32
    Sim, mas também lembra os seguidores de Lula (q foram sendo arregimentados desde 1980).
  • Luiz Eduardo  20/02/2016 02:42
    E principalmente Donald Trump.
  • Felipe R  21/02/2016 09:18
    1 - Se eu me candidatar, com a promessa de redução de impostos e regulação, você votaria em mim?
    2 - Você acredita que é possível mudar o sistema de dentro para fora?


    obs: não estou dizendo que o Jair fará uma "liberalização" da economia.
  • anônimo  21/02/2016 16:57
    Afinal, o estado vai ser reduzido (ou ser destruído) sozinho, sem necessitar de políticos mais liberais e de direita.

    Mauricio Macri que o diga.
  • anônimo  27/02/2016 14:44
    Bolsonaro é muito mais liberal do que eu imaginava
    https://www.youtube.com/watch?v=OQWRWVGv5hY
    https://www.youtube.com/watch?v=WxU1VNtRv90
  • Andre Henrique  18/02/2016 17:37
    Tenho um desejo quase sádico de ver políticos, principalmente os figurões, trabalhando numa empresa privada... imagino que a maioria não duraria alguns meses e trariam resultados inferiores a muitos estagiários (peço perdão aos estagiários ela comparação aos políticos).
  • Andre  19/02/2016 20:45
    Eles não estariam na privada?
  • Luan  18/02/2016 19:16
    Como levar mais liberdade pras regiões mais pobres (as que mais precisam de liberdade/capitalismo para se desenvolverem, ex: Nordeste) ???
  • Andre Henrique  19/02/2016 09:40
    Parando de dar auxílio isso, auxílio aquilo, auxílio do caralho a 4. No momento que pararem de ganhar o peixe e aprenderem a pescar sua liberdade aumenta pois não dependerão mais de ngm.
    Essa linha de raciocínio serve para todas regiões do Brasil e não somente NE.
  • Marazul  18/02/2016 19:54
    Pergunta bobinha: o que aconteceria se o brasil adotasse o dólar como moeda corrente e adotasse a paridade de 1 por 1 e não abrisse mão disso eternamente?
  • Antonio  18/02/2016 20:21
    Há uma obra escrita por Laurence J. Peter e Raymond Hull com o título: Todo mundo é incompetente, inclusive você - onde o autor discorre sobre a ciência da hierarquiologia e o princípio de Peter. Gostaria de citar um breve trecho que faz referência ao texto em questão. Em sua pág. 67-67 no seu Relatório Preliminar, o autor descreve o seguinte:
    Em qualquer crise econômica ou política uma coisa é certa. Muitos especialistas eruditos recomendarão muitos remédios diferentes.
    O orçamento não consegue equilibrar-se: A. diz "Aumente os impostos", mas B. clama "Reduza os impostos". Os investidores estrangeiros estão perdendo a confiança na moeda: C. aconselha que se restrinja o crédito, enquanto D. advoga a inflação.
    Há quebra-quebra nas ruas. E. propõe subsidiar os pobres; F. deseja incentivar os ricos.
    Potência estrangeira faz um estardalhaço de ameaças. G. propõe: "Vamos enfrentá-la, mas H. aconselha "É melhor dialogar".
    Por que a Confusão? O autor aponta 3 fatores que se relacionam com a incompetência, a saber:
    1) Muitos especialistas, na realidade, atingiram seu nível de incompetência: seus conselhos são disparatados ou irrelevante.
    2) Alguns têm teorias perfeitas, mas são incapazes de pô-las em ação.
    3) De qualquer forma, nem as propostas sensatas nem as absurdas podem ser levadas a efeito, porque a maquinaria do governo é uma vasta série de hierarquias desengrenadas, crivadas de incompetência de ponta a ponta.

    Na pág. 71, o autor aponta precisamente onde se dá essa incompetência no Executivo, enumerando assim: repartições públicas, departamentos, divisões, agências e escritórios do governo nos níveis nacional, regional e local. Tudo, da polícia às forças armadas, se constitui em hierarquias rígidas de empregados assalariados, todas necessariamente crivadas de incompetentes, que não podem realizar o trabalho existente, não podem ser promovidos, mas também não podem ser removidos.
  • Fernando  18/02/2016 22:03
    O povo ainda não entendeu que os políticos formaram a maior organização criminosa do país.

    Eu aposto que o PCC não rouba 1% do dinheiro que some dos cofres públicos.
  • Eduardo  19/02/2016 09:01
    Alternativas
    ( ) A maioria é burra
    ( ) A maioria é acomodada
    ( ) A maioria é malandra
    ( ) A maioria é masoquista
    ( ) Todas e outras absurdas alternativas estão corretas
  • Fernando  20/02/2016 11:53
    A maioria é masoquista. O povo gosta de sofrer nas mãos dos comunistas.
  • anônimo  21/02/2016 22:18
    Masoquista nada, são muito é espertos.Querem mamar nas tetas do governo e mandar a conta pros outros pagarem.
  • Klaus  19/02/2016 18:30
    Há alguns meses tenho acompanhado os artigos do site e concordo com o que tem sido escrito. Já li alguns livros e isso abriu e muito minha mente. Não tenho formação econômica. Muitas vezes tenho receio de comentar aqui por conta das respostas secas que alguns recebem. Entendo que é por causa da impaciência de explicar a mesma coisa várias vezes. Bom, pondo isso de lado vou postar uma dúvida que talvez já tenha sido respondida num artigo ou mesmo em comentários de outros artigos, mas não encontrei:

    - Suponhamos que o governo deixe de cobrar impostos e todas as relações fiquem a cargo das pessoas, ou seja, elas mesmas resolverão seus problemas. Um dos problemas mais triviais que posso mencionar é o lixo na rua. Vamos dizer que eu more num daqueles bairros onde as casas são geminadas de duas em duas. Ou seja, minha casa é "pregada" na do vizinho da esquerda, daí tem um espaço entre ele e o outro vizinho, que tem sua casa "pregada" na do vizinho da esquerda e assim sucessivamente até acabar a quadra. Eu tenho na minha calçada uma árvore. A calçada é minha, logo a árvore que eu plantei também é. Um dos vizinhos decidiu que seria bom comprar um caminhão para recolher o lixo do bairro e cobra R$ 10,00 por casa, por mês, para recolher diariamente o lixo das ruas. Eu decido não pagar. Eu mesmo recolho o meu lixo. Mas minha árvore solta folhas na rua que o vento leva para a frente de outras casas. Ou seja, meu lixo acaba indo para a casa de outras pessoas que pagam o serviço do cara da caçamba. Os vizinhos acham injusto que eu não pague. Mas eu afirmo que não vou pagar e pronto e quem quiser que limpe o lixo da frente da sua casa (mesmo que seja o lixo gerado pela minha árvore). E aí? Qual seria a forma ideal de lidar com esse problema?

    Agradeço aos amigos a oportunidade de comentar e, de antemão, agradeço também as respostas.
  • Maria Brandauer  19/02/2016 18:45
    Essa sua dúvida é até bem simples.

    Você está sujando a propriedade alheia. Ponto.

    Sendo assim, você tem de ou indenizá-los de acordo ou interromper imediatamente sua sujeira.

    Caso não o faça, isso configura agressão à propriedade privada. Logo, você terá de ser interpelado judicialmente.
  • Klaus  19/02/2016 19:00
    OK, entendi. Então apareceria a figura da justiça para resolver o problema. Agora imagina quantos vizinhos no mesmo bairro teriam a mesma postura que eu, principalmente aqui na nossa sociedade que boa parte das pessoas não está nem aí quando abre uma bala e joga o papel na rua. Nesse caso, a "máquina" judiciária não seria enorme tal e qual o governo hoje? E como seria paga essa "máquina" judiciária?
  • Mikaelson   19/02/2016 19:31
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=93

    Agora veja que curioso: você está citando problemas que, segundo você próprio, são bem mais brandos do que os que existem hoje. E, ainda assim, sua maior objeção é que esses problemas que você imaginou "saturariam" o sistema judiciário de pendengas triviais.

    Que sonho viver em um mundo assim.
  • Klaus  19/02/2016 19:55
    Mikaelson - ótimo artigo! Clareou e muito. Acho que nós, que estamos acostumados a sermos "progetidos" (na verdade roubados) pelo Governo, estamos numa espécie de matrix. Acordar, de fato, é difícil. Eu estou lendo os artigos do site há um tempo e acompanhando os comentários. Mas quando tento juntar tudo na mente para argumentar com alguém ainda é complicado. Parece que quem está na "matrix" ainda tem argumentos sólidos. hehe. Mas com o tempo criarei as sinapses devidas para ligar todos os pontos.

    No caso em questão, seria bem melhor comprar uma caçamba e oferecer o serviço a R$ 9,00. Quem sabe eu limparia a minha casa e também a dos outros e ainda ganharia um troco.
  • Coeficiente 100%  19/02/2016 19:32
    "nossa sociedade que boa parte das pessoas não está nem aí quando abre uma bala e joga o papel na rua"

    Vc já se perguntou o pq disso? Pq a rua "é de todo mundo", logo, "não é de ninguém".
  • Klaus  19/02/2016 19:59
    Pois é, eu ia comentar isso na resposta que forneci ao "Mikaelson". Mas como o amigo levantou o ponto, irei comentar aqui, com minha mente ainda "adormecida". Me enxergue como o Morfeu olhando para o Neo quando ele acorda na nave e diz: "meus olhos tão doendo"...

    :)

    No exemplo que eu propus, eu estava limpando minha calçada e as minhas folhas estavam sujando a calçada dos outros (propriedade privada), bem como a rua (propriedade pública) e o serviço de limpeza (feito por R$ 10,00 por mês) tinha como princípio limpar também a rua, mas eu não quis pagar por ele. Isso leva ao seguinte ponto: como ficaria essa questão da limpeza pública? Praças, ruas, etc. Certamente esse serviço seria feito por alguém, mas como ele seria pago? E se alguém não quisesse pagar (achando que estaria pagando uma espécie de imposto)?
  • Coeficiente 100%  19/02/2016 20:16
    "como ficaria essa questão da limpeza pública? Praças, ruas, etc":

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=174

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=973


    "E se alguém não quisesse pagar (achando que estaria pagando uma espécie de imposto)?"

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1795
  • Coeficiente 100%  19/02/2016 19:36
  • Marco Danas  19/02/2016 19:30
    O cidadão precisa se conscientizar de que: primeiramente a classe política defenderá os interesses dos grupos (bancos, conglomerados empresariais, empreiteiras etc.) que os financiaram e os ajudaram a chegar ao poder, em seguida defenderão os interesses do seu partido e terão de apoiar as decisões impostas pelos caciques e mandatários (presidente do partido e associados tais como: pastores, líderes de movimentos sociais etc.); depois defenderão seus interesses particulares e de seus apaniguados e finalmente, de acordo com as suas convicções pessoais, religião, orientação política, dentre outras, que um político pensará em tentar solucionar os problemas mais simples da comunidade que o elegeu, desde que as demandas populares sejam garantias de futuros votos e não desagrade a base aliada e tampouco a oposição.
    Nenhum cidadão por mais altruísta que seja, coloca os interesses de terceiros acima dos seus, assim ninguém se candidata a cargo eletivo por benevolência, e a partir do momento que o cidadão entra no jogo político todas as suas convicções se evaporam e a única meta a ser alcançada é o enriquecimento ilícito via corrupção e tráfico de influências.
  • Palpiteiro  19/02/2016 22:37
    "Se não houver compulsão e coerção, e se houver liberdade empreendedorial para que indivíduos possam colocar suas idéias à serviço das demandas, o progresso ocorrerá"

    Sugerindo correção: "a serviço".

    Título do artigo: Não existe um político "solucionador de problemas" - soluções requerem liberdade, e não planejamento

    Sugestão 2: Não existe um político "solucionador de problemas" - soluções requerem liberdade, e não planejamento CENTRAL.

    A solução de muitos problemas passa necessariamente por planejamentos (não me refiro ao estatal).

  • Mariva  20/02/2016 00:57
    Politica virou mercadoria. No mundo todo os politicos sao financiados/comprados pelos mais ricos pra depois governarem a seu favor. É por isso que os ricos estao cada dia mais ricos. Capitalismo é isso, pagou levou.
  • Terminator  20/02/2016 01:41
    Ué!

    Mas você, justamente neste comentário aqui, disse claramente que políticos devem sim garantir uma reserva de mercado para os grandes barões do setor industrial!

    E agora você vem criticar que "políticos são financiados/comprados pelos mais ricos pra depois governarem a seu favor"?

    Ora, você é o mais vocal defensor deste arranjo. Como você pode criticá-lo?

    Nunca vi um cidadão se contradizer tão espetacularmente em apenas duas participações. Bateu todos os recordes de auto-humilhação.
  • Thiago Teixeira  20/02/2016 04:20
    Top.

    Queremo um solucionador de problemas,

    ou milhões de buscadores (e geradores) de oportunidades?
  • Emerson Luis  24/02/2016 10:47

    "Precisamos políticos com preparo e disposição para (1) deixar de causar problemas, (2) diminuir as obstruções estatais e (3) permitir que a própria sociedade solucione suas questões!"

    * * *


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