O atual arranjo cambial tem apenas 45 anos - e decorre de um acidente artificialmente criado
Pouco se comenta sobre isso, mas o arranjo de taxas de câmbio flutuantes é uma invenção extremamente jovem.  Fará apenas 45 anos de idade em agosto deste ano.

No entanto, se você é do tipo que acompanha o que os economistas dizem, terá a impressão de que câmbio flutuante não apenas é uma espécie de lei que jamais deve ser transgredida, como, mais ainda, terá a impressão de que tal arranjo sempre predominou na história do mundo, e que para sempre predominará.

Bobagem.

A história da civilização ocidental, desde a Renascença em diante (em outras palavras, toda a história do capitalismo moderno), é majoritariamente uma história de moedas estáveis, atreladas ao ouro e à prata — e, em alguns casos, feitas realmente de ouro e de prata.  Moedas flutuantes, com efeito, sempre existiram, mas sempre eram marginais, sem nenhuma importância.  Os países de economia mais bem sucedida sempre tiveram uma moeda estável, atrelada ao ouro.

E foi assim até 1971. 

Em 1971, o mais bem-sucedido e mais influente país era, obviamente, os Estados Unidos, o qual, até então, sempre utilizara, desde o seu surgimento em 1789, uma moeda atrelada ao ouro.  Os primeiros 182 anos da história americana ocorreram sob um padrão-ouro.

Aliás, a história é ainda maior: esses 182 anos de moeda americana atrelada ao ouro foram, na realidade, uma continuação de 600 anos anteriores de moedas européias atreladas ao ouro. 

E então, do nada, "algo aconteceu" — e deu-se início ao atual arranjo de moedas flutuantes, que perdura até os dias de hoje.

Este foi o evento econômico mais importante do século XX (sim, mais importante do que a queda do comunismo, pois a moeda afeta o padrão de vida de todas as pessoas do globo).  O que foi que aconteceu para gerar este arranjo?

Bem, logo de início, podemos citar as coisas que não aconteceram.  Não houve nenhum desastre econômico que deu início a este novo arranjo.  Não houve nenhum fracasso monumental do sistema de padrão-ouro global, até então conhecido como o sistema de Bretton Woods.  Não houve nenhuma reunião de líderes governamentais de todas as partes do mundo, em algum hotel de luxo, para criar um novo sistema global de moedas flutuantes.  Não houve nem sequer uma proposta para se estabelecer um sistema global de moedas flutuantes.

Não houve tratados, referendos ou discussões, como os que precederam a criação da zona do euro.  Quando o sistema global de moedas flutuantes primeiramente surgiu, no dia 15 de agosto de 1971, era para ser apenas uma medida temporária.  Ninguém imaginou, à época, que um novo sistema estava surgindo par ficar.

O sistema global de moedas flutuantes, esse mesmo sistema que temos hoje, surgiu por acidente.

Como ocorreu

O ano era o de 1965.  Economicamente, os EUA estavam no auge.  Foi um dos melhores anos para a economia americana no século XX.  Pergunte a qualquer americano que era um adulto à época e ele provavelmente concordará com essa afirmação.

Em 1965, os EUA estavam no padrão-ouro havia 176 anos.  A classe média americana havia alcançado o apogeu da prosperidade, sendo a inveja de todo o mundo.  Em termos relativos, o nível de prosperidade da época jamais seria equiparado novamente.  Outros países como Alemanha, Japão e até mesmo o México estavam enriquecendo rapidamente, uma vez que eles também participavam do padrão-ouro global, tendo suas respectivas taxas de câmbio fixadas em relação ao dólar (o qual, por sua vez, tinha um valor fixo em relação ao ouro).

Em 1965, os EUA estavam vivenciando um boom econômico gerado pelos cortes de impostos sancionados pelo presidente Kennedy em 1963, e que entraram em vigência em 1964.  Porém, e infelizmente, o então presidente Lyndon Johnson começou a aumentar os impostos novamente, pois tinha de pagar pela Guerra do Vietnã e, principalmente, pelos vastos e inéditos programas sociais que ele havia criado em seu programa A Grande Sociedade.

Já em 1969, o presidente Nixon dobrou os impostos sobre ganhos de capital, elevando a alíquota máxima para quase 50%.  Houve uma recessão.

De olho nas eleições de 1972, Nixon começou a fazer de tudo para reativar a economia.  Em 1970, ele colocou Arthur Burns na presidência do Federal Reserve, o Banco Central americano.  Para reverter a recessão, Burns deu início a uma agressiva política monetária expansionista, reduzindo os juros e expandindo a oferta monetária e de crédito, sempre de acordo com os princípios das doutrinas keynesianas e monetaristas da época.

Isso deu origem aos fenômenos econômicos que hoje são conhecidos como "os choques da era Nixon".  As tentativas de se implantar "políticas monetárias arbitrárias" entraram em conflito com o sistema de padrão-ouro vigente da época, que não permitia arbitrariedade na política monetária. 

Essa política monetária expansionista aumentou enormemente a quantidade de dólares no mundo.  E quanto mais esses dólares se acumulavam nas mãos de governos estrangeiros, mais estes governos exigiam que fossem restituídos em ouro.  O país mais agressivo em suas exigências era a França, liderada pelo principal conselheiro monetário de Charles De Gaulle, o economista defensor do padrão-ouro clássico Jacques Rueff.  Isso gerou uma severa redução no estoque de ouro em posse do governo americano.

Com o tempo, a situação do governo americano foi se deteriorando até que as coisas chegaram a um momento decisivo.  Nixon teria de abrir mão ou de sua política monetária frouxa ou do padrão-ouro. 

No dia 15 de agosto de 1971, um domingo, Nixon foi à televisão e disse que o governo americano não apenas não mais iria restituir dólares em ouro, como também declarou o fim do sistema de Bretton Woods, desatrelando completamente o dólar do ouro.

Ato contínuo, todos os outros países do mundo repentinamente se viram em uma situação sombria: quando o dólar estava atrelado ao ouro, estes países podiam simplesmente atrelar suas moedas ao dólar, e isso faria com que eles automaticamente também estivessem em um padrão-ouro (esse, em suma, era o sistema de Bretton Woods).  Agora, no entanto, com a saída dos EUA do sistema de Bretton Woods, o dólar não mais tinha nenhuma ligação com o ouro.  Pior ainda: o dólar começou a afundar em relação ao ouro (com a onça do ouro indo de US$ 35 para mais de US$ 600).

Todas as moedas estavam à deriva, sem nenhuma definição precisa para seu real valor.

Por um tempo, vários países tentaram se manter no jogo simplesmente mantendo suas respectivas moedas atreladas ao dólar, que agora era totalmente flutuante.

Mas em 1973 todos abriram mão.  Haviam chegado ao limite.  Não mais era possível atrelar suas moedas a uma moeda que agora era completamente fiduciária e que estava se desvalorizando acentuadamente.  Os países desatrelaram suas respectivas moedas do dólar e, com isso, as moedas mundiais começaram a flutuar entre si.   

Consequência: o mundo entrou em um colapso inflacionário.  A década de 1970 foi a década da inflação de preços — que alcançou níveis até então inéditos (nem a Suíça escapou) — e do declínio econômico.

A popularidade de Nixon se evaporou por completo, e ele se tornou o único presidente americano da história a ser ejetado do cargo no meio de seu mandato.

E assim se "consolidou" o arranjo cambial e monetário sob o qual vivemos até hoje: as moedas são destituídas de qualquer tipo de definição e os Bancos Centrais são livres para manipular a oferta monetária ao seu bel-prazer.

__________________________

Leia também:

O colapso monetário do Ocidente

Uma radiografia da destruição do real - ou: não há economia forte com uma moeda doente

A nossa "depreflação" e o ajuste fiscal que não virá: a necessidade de um novo Plano Real 

Os três tipos de regimes cambiais existentes - e qual seria o mais adequado para o Brasil 

Três consequências da desvalorização da moeda - que muitos economistas se recusam a aceitar 

 

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SOBRE O AUTOR

Nathan Lewis
é colunista de revista Forbes, escreve sobre política monetária e tributária, e gerencia um pequeno fundo de investimentos de alcance global.  É autor do livro Gold - The Monetary Polaris.



Em primeiro lugar, em qualquer empresa que tenha como seu maior acionista o Tesouro nacional, a rede de incentivos funciona de maneiras um tanto distintas. Eventuais maus negócios e seus subsequentes prejuízos ou descapitalizações serão prontamente cobertos pela viúva — ou seja, por nós, pagadores de impostos, ainda que de modos rocambolescos e indiretos.

Mais: uma empresa ser gerida pelo governo significa que ela opera sem precisar se sujeitar ao mecanismo de lucros e prejuízos.

Todos os déficits operacionais serão cobertos pelo Tesouro, que vai utilizar o dinheiro confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Uma estatal não precisa de incentivos, pois não sofre concorrência financeira — seus fundos, oriundos do Tesouro, em tese são infinitos.

Por que se esforçar para ser eficiente se você sabe que, se algo der errado, o Tesouro irá fazer aportes?

Uma empresa que não é gerida privadamente, que não está sujeita a uma concorrência direta, nunca terá de enfrentar riscos genuínos e nunca terá de lidar com a possibilidade de prejuízos reais. Logo, é como se ela operasse fora do mercado, em uma dimensão paralela.

O interesse do consumidor — e até mesmo de seus acionistas, caso a estatal tenha capital aberto — é a última variável a ser considerada.

Como mostram os esquemas de propinas em licitações, estatais não operam de acordo com os sinais de preços emitidos pelo mercado. Elas não operam segundo a lógica do sistema de lucros e prejuízos. Se uma empresa genuinamente privada se dispusesse a pagar um preço mais alto que o de mercado para contratar empreiteiras para fazer obras, seu capital (patrimônio líquido) seria destruído, seus acionistas se desfariam de suas ações, o valor de mercado da empresa despencaria e, na melhor das hipóteses, ela teria de ser vendida para outros controladores "a preço de banana".

Assim como o governo não é capaz de saber se deve construir a estrada A ou a estrada B, ou se deve "investir" em uma estrada ou em uma escola, ele também não sabe se deve produzir mais eletricidade, ou se deve prospectar mais petróleo, ou se deve alterar seu serviço de entrega de cartas. (Por isso, os Correios estão pedindo um aporte de R$ 6 bilhões ao Tesouro Nacional).

Com efeito, não há como o governo saber o quanto deve gastar em todas as suas atividades em que está envolvido. Simplesmente não há maneira racional de o governo alocar fundos ou mesmo decidir o quanto ele deve ter.

O sistema de lucros e prejuízos serve como guia crítico para direcionar o fluxo de recursos produtivos. Tal guia não existe para o governo, que não possui uma maneira racional de decidir o quanto de dinheiro ele deve gastar, seja no total ou em algum setor em específico.

Por não ter uma racionalidade, uma preocupação com lucros e prejuízos, as estatais sempre acabam seguindo os caprichos do governo do momento, cujos políticos do partido estão em seu comando. Consequentemente, estatais sempre estarão sob os auspícios de uma gente cujo horizonte temporal é de no máximo quatro anos, e inevitavelmente se transformarão em fábricas de desperdício, ineficiência, confusão e ressentimento.
Você já fez essa mesma pergunta na seção de comentários deste artigo.

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Essa foi gozada e bem espirituosa, devo admitir. Nunca pensei nesse tipo de associação. E devo confessar que, à primeira vista, até faz sentido, pois a East India Company ganhou do governo britânico o poder de cobrar impostos sobre a terra, uma perfeita demonstração de capitalismo de estado/fascismo/mercantilismo, arranjo que este site semanalmente condena.

É como se a Receita Federal terceirizasse seu monopólio para uma empresa. Seria um prato cheio para os libertários.*

Mas, agora num tom mais sério, essa questão das fomes recorrentes em toda a história da Índia foi bem documentada por Florence Nightingale.

https://books.google.com.br/books?id=amE1cz1fkIkC&redir_esc=y

Segundo as pesquisas, as fomes na Índia britânica não eram causadas por falta de comida em uma área geográfica em particular, mas sim por falta de transporte para essa comida, pois não havia estradas, cuja construção era monopólio do governo.

Vale a leitura.

Até mesmo o esquerdista Amartya Sen chegou à mesmo conclusão em seu livro [i]Poverty and Famines : An Essay on Entitlements and Deprivation[i]


* Há vários serviços estatais que não devem ser privatizados de jeito nenhum, como por exemplo a Receita Federal. Imagine uma Receita Federal privada e eficiente? Um pavor.

O critério a ser usado é: em uma sociedade livre, tal serviço estatal existiria? Se sim, como é o caso de bancos e fábricas de fertilizante, então deve haver privatização. Se não, como é o caso de agências confiscadoras de renda e campos de concentração, então não deve haver privatização, mas sim abolição.

Por exemplo, o Banco Central deve ser privatizado ou abolido? O BC tem o monopólio da falsificação do dinheiro, ele carteliza, privilegia e salva os bancos que praticam reservas fracionárias, ele regula (ou tenta regular) o dinheiro e o preço do dinheiro, ele controla a taxa de juros e influencia diretamente o crédito, e, acima de tudo, ele tenta controlar todos os preços da economia, o que significa que ele, consequentemente, controla toda a economia em si.

Logo, o BC não deve ser privatizado mas sim abolido. E ele deveria ser abolido não simplesmente por ser governamental, mas também porque suas funções são imorais per se.

Atividades que são inerentemente ilegítimas devem ser abolidas. Atividades legítimas e voluntariamente demandadas devem ser privatizadas.
Quem disse que os maiores casos de inanição da história ocorreram em economias socialistas? Esqueceram dos crimes cometidos pelo capitalismo?
Será que desconhecem a existência
East India Company
? Uma empresa privada responsável direta pelas mortes de milhões de indianos durante a dominação britânica.
Durante a Grande Fome de Bengala de 1770 pereceram 1/3 da população da região, números bem piores do qualquer Holodomor (que foi causado pelos ricos Kulaks, que preferiam matar as suas vacas a alimentar a população faminta pela seca). Isso daí vocês esquecem, não é? Criticam as mortes causadas pelas deturpações do socialismo (o socialismo verdadeiro nunca existiu), mas esquecem das mortes causadas por empresas privadas a serviço do colonialismo capitalista.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Fernando  09/02/2016 14:07
    O Brasil está produzindo mais de 50 toneladas de ouro por ano.

    Isso permitiria a expansão da moeda sem inflação, mesmo lastreada no ouro ?
  • Magno  09/02/2016 14:16
    Perfeitamente.

    Quanto são 50 toneladas em relação a todo o estoque de ouro já existente no mundo?

    Aliás, o preço do ouro só faz aumentar em reais, o que mostra que "excesso de oferta de ouro" está longe de ser um "problema".
  • Fernando  09/02/2016 14:25
    Essas 50 toneladas de ouro são 10 bilhões de reais. Na verdade, no ano passado foram 62,5 toneladas no Brasil.

    A produção mundial de ouro chega à 2.000 toneladas por ano.

    A possibilidade de popularizar o ouro é irrisória, mas está crescendo muito mais do que no passado. Até funkeiro está usando ouro.
  • Gabriel Filho  09/02/2016 14:29
    É assim que os governos deturpam a base monetária com fins nem sempre favoráveis para uma economia estável, procuram extrair do povo a produtividade e a poupança amealhada por anos, simplesmente criando inflação de preços, emitindo dinheiro sem lastro, procuram lesar os incauto que infelizmente por falta de conhecimento continuam dando procuração para esses gestores que tem um único objetivo que é o enriquecimento ilícito.
  • Sem Pátria  09/02/2016 14:42
    Essa estagflação ou depreflação é bizarra.

    O viagra econômico do governo não funcionou.

    Eles trouxeram mais mulheres e mais viagra, mas a economia não cresceu.

    Os estimulantes do governo não funcionam nesse ambiente de crise. O paciente tem medo de gerar filhos, pegar alguma DST, etc.


  • Marilia  09/02/2016 15:00
    Essa versão é um pouco diferente da versão relatada por Rothbard em seu livro "What has government done to our money"..... ]
    A França teoricamente foi uma das protagonistas para o fim do lastro - e consequentemente, oficial início da moeda fiduciária - não uma mera parte induzida pelo governo americano.
  • Pêra  09/02/2016 15:57
    O relato é absolutamente idêntico nos dois (e nem poderia ser diferente): a França pressionou crescentemente o governo dos EUA para restituir em ouro o volume crescente de dólares que se acumulava nos Bancos Centrais ao redor do mundo. Até que chegou um momento em que o governo americano disse "chega!", e deu o calote em todo o mundo, literalmente.

    Leia novamente, com mais atenção agora. Em momento algum se diz que a França foi "induzida" pelo governo americano. Muito pelo contrário, aliás.
  • Marcelo Boz  23/02/2016 17:59
    Não sei se é lenda, mas foi-me dito que foi numa reunião informal em Londres, que o Presidente Nixon disse a vários líderes mundiais que não iria mais lastrear o dólar ao ouro, e que ia ser assim mesmo e acabou.

    Att
    Marcelo Boz
  • Economista da UNICAMP  09/02/2016 16:27
    Ora pois(como diria minha mentora Conceição Tavares), se crescemos tanto nesses últimos anos foi graças à esse ''acidente''.

    É impossível haver crescimento em um país cuja oferta monetária é praticamente inelástica. Quanto mais a economia se aquece, mais liquidez é necessária. É como se fosse um carro: quanto mais potente ele for, mais gasolina será demandada.

    Até mesmo o ultra-ortodoxo do Gustavo Franco já admitiu que não podemos deixar algo tão importante quanto o nosso dinheiro depender de um ''dogma segundo o qual a moeda era uma dádiva da Natureza - o metal que vinha do veio dos rios, das entranhas da terra - e sua "criação" não podia ser profanada por mãos humanas.''

    Podem ficar calmos, a nossa moeda está nas mãos de quem sabe. Os PhD's dos BC's não estão lá atoa.
  • Filoso confuso  09/02/2016 17:48
    "impossível haver crescimento em um país cuja oferta monetária é praticamente inelástica."

    É verdade, sem aqueles burocratas com phd imprimindo mais dinheiro as pessoas nao sairiam da idade das pedras.
  • Sem Patria  09/02/2016 18:21
    Pois é....Foi o mesmo Gustavo Franco que comentou sobre a relação da pobreza com o número de filhos das famílias. Esse foi o principal motivo da redução da pobreza. Quem tem dinheiro para sustentar uma casa com 5 filhos ou mais ?

    Qual é a próxima bizarrice da InflacioCamp ? Como os bancos irão oferecer juros baixos, se a inflação causou prejuízos para quem investiu na caderneta de poupança ?

    A inflação causou milhares de demissões. A poupança foi reduzida a pó. Agora acabou a farra de juros a 10% para casa próprio no Itaú.

    Será que a InflacioCamp sabe que os salários sempre são reajustados depois da inflação ?

    Essa piada desenvolvimentista perdeu a graça.



  • André  09/02/2016 19:18
    Não menosprezem tanto o atual arranjo, ele tem uma vantagem incomparável: nenhum deficit na balança comercial ou no balanço de pagamentos precisa ser pago. Num Padrão-ouro, na presença de tais déficits, os juros aumentariam. Ou seja, no atual arranjo, é possível um país se financiar da poupança interna dos outros países sem precisar pagar verdadeiramente por isto. Os EUA que o digam.
  • Filoso confuso  09/02/2016 21:45
    Um padrão ouro, quando respeito, não teria esse tipo de problema, pelo simples fato de que a longo prazo a balança tenderia a um equilíbrio, fazendo com que as flutuações fossem insignificantes.

    Se um país está apresentando déficit, dentro de um regime padrão ouro, os preços internamente irao cair, o que elevará suas exportações e até um aumento de IED.
  • André  10/02/2016 04:42
    Se um país está apresentando déficit, dentro de um regime padrão ouro, os preços internamente irao cair, o que elevará suas exportações e até um aumento de IED.

    Os preços internos irão cair só em termos de ouro. Se houver moedas fiduciárias no mundo, e estas moedas se desvalorizarem em termos de ouro, nada garante que o país que adotou o padrão ouro elevará suas exportações. Isto geraria uma recessão no país que adotou o padrão ouro, dependendo da intensidade em que ocorresse. O atual arranjo de câmbio flutuante é muito melhor neste aspecto, o padrão ouro só é verdadeiramente bom quando as maiores economias do mundo estão nele, devido aos motivos que apresentei.
  • Filoso confuso  10/02/2016 14:39
    Se isso fosse verdade os países que mais desvalorizassem suas moedas estariam em melhor situação, quando na verdade o oposto é o que ocorre.

    Se um país adotar padrão ouro isolado ele terá uma moeda mais forte que os demais, sua economia estará mais atrativa para receber investimentos de longo prazo e crescer. Sua moeda mais forte permitira comprar bens mais baratos em outros países o que é ótimo para sua populaçâo que estará mais rica e para os empresários que poderão comprar maquinários mais baratos, e exportará aquilo que tiver vantagem relativa ( como David Ricardo demonstrou, sempre haverá vantagem em comercializar com outros países sejam eles mais fortes ou fracos).

    Quanto aos possíveis déficits na balança isso é irrelevante. A longo prazo a balança tenderá a um equilíbrio e as flutuações serão mínimas.
  • rl  09/02/2016 22:23
    Será que os tecnocratas seriam competentes para voltar ao padrão-ouro ? Estamos em tempo de juros negativos e dívida pública infinita, de forma que uma certa... sutileza... (ou seja, um emaranhado de trapaças e truques dantescos) seria necessária para não explodir tudo, certo ?
  • Rodrigo Pereira Herrmann  09/02/2016 22:42
    Dois reparos:

    "Este foi o evento econômico mais importante do século XX (sim, mais importante do que a queda do comunismo, pois a moeda afeta o padrão de vida de todas as pessoas do globo)."

    a queda do comunismo não foi um evento econômico, então não faz sentido esta comparação. se a ideia era comparar dois eventos de natureza distinta que tiveram um gigantesco impacto no mundo, é absurdo descabido desproporcional e irrazoável afirmar que a adoção generalizada da moeda fiduciária foi mais importante pra o séc. XX do que a queda do comunismo. isso é ridículo.

    "Não houve tratados, referendos ou discussões, como os que precederam a criação da zona do euro. Quando o sistema global de moedas flutuantes primeiramente surgiu, no dia 15 de agosto de 1971, era para ser apenas uma medida temporária. Ninguém imaginou, à época, que um novo sistema estava surgindo par ficar.

    O sistema global de moedas flutuantes, esse mesmo sistema que temos hoje, surgiu por acidente."


    isso é uma besteira inominável. coisa de ignorante em história política. é fato amplamente comprovado que esse sistema atual foi gestado pela elite financeira internacional (assim como a criação do Fed) que mantém um lobby fortíssimo no congresso americano e cuja riqueza sempre financiou políticos subservientes aos seus interesses. se não acontece praticamente nada ao acaso no mundo das finanças e da política graúdas, muito menos um evento desta significância. "surgiu por acidente" my ass.


  • Marcos  09/02/2016 23:38
    "é fato amplamente comprovado que esse sistema atual foi gestado pela elite financeira internacional"

    Se é "amplamente comprovado", coloca aí as fontes irrefutáveis. Caso contrário, shut your face and stop polluting"

    A quantidade de gente que vem aqui doidinha pra aparecer... É o pior é que acha que consegue isso apenas com frases de efeito.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  09/02/2016 23:42
    vá à luta. não tô aqui pra atender teus caprichos de menino mimoso.
  • Marcos  10/02/2016 01:43
    Como eu já imaginava, pipocou bonito. Como sempre.

    Esse é o Rodrigo Herrmann, que já virou motivo de chacota na seção de comentários deste site, pelo tanto que apanha. Late como um rottweiler, mas quando emparedado é mansinho como um pequinês.
  • Fagner  15/02/2016 11:46
    Quem é Rodrigo Pereira Hermann, segundo um comentário de um leitor feito em outro artigo:

    "Engraçado, você [Rodrigo] é um fanfarrão. Vc vem falar mal do governo, sendo que és funcionario publico há mais de 10 anos no próprio BANCO CENTRAL? E com salário de mais de R$ 8.000.

    E ainda no seu bloguinho critica de forma ridícula os artigos do Instituto Mises Brasil. Cínico!

    Cliquem no link abaixo e vejam vocês mesmos.

    Portal da Transparência do Governo Federal"
  • Missionário Americano  09/02/2016 23:47
    Essa moeda fiduciária criou problemas enormes.

    O Brasil é um dos países mais endividados do mundo. O país tem 250 bilhões de reais em calotes registrados no Serasa.

    Ou seja, nenhum lugar do mundo tem tantos caloteiros.

  • Pobre Paulista  10/02/2016 01:07
    1. Não existe um câmbio flutuante entre moedas fortes? Tipo cotar prata em gramas ouro...

    2. Porquê os demais países simplesmente não atrelaram suas moedas diretamente ao ouro ao invés de manter ao dólar fiduciário?
  • Auxiliar  10/02/2016 01:43
    2. Aparentemente eles preferiram seguir a "teoria Ulrich" (seção de comentários deste artigo)
  • Pobre Paulista  10/02/2016 11:05
    OK mas... O dólar é forte pois é usado no mundo inteiro, ou o dólar é usado no mundo inteiro por ser uma moeda forte?
  • Viking  10/02/2016 12:50
    acho que fico com a primeira opção
  • Viking  10/02/2016 12:50
    economia é uma coisa tão simples....

    mas pra que não complicar, né?
  • Yonatan Mozzini  10/02/2016 16:51
    Pobre Paulista, o dólar não é uma moeda forte desde os anos 1960. Depois disso, em poucos momentos ele poderia ser considerado uma moeda forte, como aconteceu no início da década de 1980, no início da década de 2000 e, em menor nível, há mais ou menos um ano. Ele é usado e aceito no mundo inteiro porque a maior economia do globo, a economia americana, ainda o usa – obrigatoriamente, diga-se de passagem. Por isso é a moeda internacional de trocas; por isso é a referência da unidade de conta internacional.
  • Sam Kultz  10/02/2016 02:23
    Uma dúvida que eu tenho é: Se o objetivo do padrão ouro é (até onde eu sei)restringir e dar um aspecto previsível à quantidade de dinheiro em um país, por que simplesmente não se coloca uma quantia fixa de moeda vigente? Se não me engano isso é utilizado no Bitcoin; evitaria ainda a malandragem que Adam Smith fala, de quando reis emprestavam moedas para depois depreciar através de decretos o seu valor (geralmente pela diminuição da quantidade de ouro nestas). Existe algo que torna isso ineficaz?
  • Rolf  10/02/2016 03:27
    "Se o objetivo do padrão ouro é (até onde eu sei)restringir e dar um aspecto previsível à quantidade de dinheiro em um país, por que simplesmente não se coloca uma quantia fixa de moeda vigente?"

    Não verdade, o objetivo não é e nem nunca foi esse (muito embora, de fato, há várias pessoas, inclusive economistas, que pensam assim).

    O objetivo do padrão-ouro é e sempre foi o de dar um valor bem definido, constante e estável à moeda. O objetivo sempre foi o de fazer com que a moeda não tivesse uma definição flutuante e não possa ter seu poder de compra manipulado por políticos e burocratas.
  • Missionario Americano  10/02/2016 04:42
    O IMB tem algum artigo sobre a "guerra das geladeiras" entre Brasil e Argentina.

    Seria interessante descobrir os resultadose e aumento de preços.
  • Desconservador  10/02/2016 04:46
    O ideal seria o dólar lastreado em reais. Aí não tinha Dilmanta para inflacionar.

    kkkklk
  • Tiago Voltaire  10/02/2016 13:40
    É ou não o pior presidente dos EUA? Ele começou a Guerra às Drogas que deixou centenas de milhares de mortes e Estados-policiais cada vez mais fortes.
  • Agnaldo  10/02/2016 13:56
    Páreo duríssimo com Roosevelt e Hoover.
  • Filoso confuso  10/02/2016 14:14
    Tem que colocar o George Bush nessa disputa, o cara colocou os EUA em duas guerras desnecessaria, afundou o dólar e ajudou a criar a bolha imobiliaria
  • Confúcio  10/02/2016 14:24
    Verdade. Também merece.
  • Taxidermista  10/02/2016 16:02
    A título de colaboração aos eventuais interessados, a propósito do assunto do artigo há um tratado de 1722 págs. sobre história monetária dos EUA (inclusive à luz da Constituição), sob um viés de teoria monetária da EAE, escrito por um jurista de Harvard, Edwin Vieira Jr., intitulado "Pieces of Eight: The Monetary Powers and Disabilities of the United States Constitution":

    www.amazon.com/Pieces-Eight-Disabilities-Constitution-Foundation/dp/0967175917/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1455119521&sr=1-1


    Ele também escreveu (assinando com outro nome e em coautoria com o investidor Victor Sperandeo) um romance com enfoque livre-mercadista no âmbito monetário (crítico ao Fed, portanto), de 1572 pág., chamado "Cra$hmaker: A Federal Affaire: A Novel":

    www.amazon.com/gp/product/0967175909/ref=as_li_tf_tl?ie=UTF8&tag=arsgratlibe-20&linkCode=as2&camp=1789&creative=9325&creativeASIN=0967175909

  • Taxidermista  10/02/2016 20:28
    Aqui está o website da obra "CRA$HMAKER - A Federal Affaire":

    www.crashmaker.com/
  • Taxidermista  10/02/2016 20:54
    "Is the Fed Unconstitutional?
    Constitutional Lawyer Edwin Vieira explains the history and legal structure of the Federal Reserve System. Intro by Wall Street legend Victor Sperandeo":

    www.theepochtimes.com/n3/763988-is-the-fed-unconstitutional/


    "Money for Nothing -
    Constitutional lawyer Edwin Vieira and Wall Street veteran Victor Sperandeo explain why the Federal Reserve System is unaccountable and why it is costing the American people money":

    www.theepochtimes.com/n3/790880-money-for-nothing/
  • Joaquim Saad  10/02/2016 23:34
    Muito obrigado pelos links, Taxidermista !

    Abraços.
  • Taxidermista  11/02/2016 00:36
    De nada, prezado Joaquim;

    Abraço cordial p vc!
  • Dissidente Brasileiro  11/02/2016 00:51
    Só complementando os links, não se pode esquecer de forma alguma deste livro aqui:

    www.amazon.com/dp/091298645X

    Leitura primordial para entender a verdadeira razão acerca do surgimento da moeda fiduciária e do FED.
  • Udson  10/02/2016 16:47
    Prezados, uma dúvida: Se o propósito da criação da moeda fiduciária era apenas temporária, qual o motivo de não voltarem com o padrão - Ouro? O que aconteceu na época, quando verificaram que não daria certo tal arranjo, para não restabelecerem o padrão - Ouro?
  • Rodrigo Pereira Herrmann  10/02/2016 21:20
    a verdade nua crua e insofismável é que o arranjo da poha de bretton woods foi feito pra fracassar anos depois à medida que a poha do Fed imprimisse dólar e a coisa se tornasse insustentável (e não é que isso ocorreu, milagre!!!). o que começou em 1913 se consolidou em 1971, à esteira de banco mundial e fmi (outros dois órgãos atendentes aos auspícios da poha da elite globalista).
  • Madson Carvalho  14/02/2016 13:55
    Artigo muito bom. Este vídeo resume também a saída do padrão ouro:


    (em inglês, mas com legendas em português).
  • Fernando  16/02/2016 18:06
    Se não fosse a impressão de dinheiro usada para financiar o parque militar os EUA não teriam provocado a URSS, fazendo esta quebrar de vez ao tentar acompanhar o poderio dos Americanos.
  • Garcia  16/02/2016 18:41
    Errado.

    Quebraria de qualquer jeito:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2136

    Aliás, é curioso notar que você, de esquerda, está utilizando um argumento favorito da direita. Segundo os direitistas, o "fabuloso" Reagan quebrou o império soviético desafiando-o a uma corrida armamentista, um dos argumentos mais escabrosos e ignaros que já ouvi.
  • Andre Fernandes  18/02/2016 14:08
    Agora me surgiu uma dúvida.

    Em outro artigo aqui do IMB sobre a Grande Depressão de 29 rolou uma discussão a respeito do modelo americano: padrão ouro ou reservas fracionárias.

    Foi dito que durante esta época os EUA já haviam adotado as reservas fracionárias e abandonado o padrão ouro. Isso é verdade? Pq por este texto entendi que o país veio a abandonar o padrão ouro apenas na década de 70.

    Um dos argumentos apresentados foi de que a base monetária americana se contraiu em cerca de 30% durante os primeiros anos da crise e que isso não seria possível no padrão ouro. É possível verificar esta informação?

    Ficou um pouco nebuloso para mim. Como expandir a base monetária e respeitar a paridade com o ouro ao mesmo tempo?

    se alguém puder dar uma luz, agradeço!
    André
  • Leandro  18/02/2016 14:48
    "sobre a Grande Depressão de 29 rolou uma discussão a respeito do modelo americano: padrão ouro ou reservas fracionárias rolou uma discussão a respeito do modelo americano: padrão ouro ou reservas fracionárias."

    Só pra deixar claro, uma coisa não necessariamente exclui a outra.

    "Foi dito que durante esta época os EUA já haviam adotado as reservas fracionárias e abandonado o padrão ouro."

    Ele havia abandonado o padrão-ouro clássico, que durou de 1815 a 1914.

    Já reservas fracionárias sempre existiram nos EUA.

    "Pq por este texto entendi que o país veio a abandonar o padrão ouro apenas na década de 70."

    Em 1971, foi abolido o que ainda restara do padrão-ouro, a saber, a definição do dólar em termos de ouro e a obrigação do Fed de restituir dólar em ouro (apenas os governos estrangeiros, e não os cidadãos).

    "Um dos argumentos apresentados foi de que a base monetária americana se contraiu em cerca de 30% durante os primeiros anos da crise e que isso não seria possível no padrão ouro. É possível verificar esta informação?"

    Não seria possível apenas se não houvesse reservas fracionárias. Havendo reservas fracionárias -- não importa qual seja a moeda --, tanto a base monetária quanto o M1 podem se contrair caso haja quebras bancárias geradas por calotes.

    "Como expandir a base monetária e respeitar a paridade com o ouro ao mesmo tempo?"

    A paridade em si não é o problema. A paridade pode ser perfeitamente mantida por meio de políticas monetárias de qualquer tipo (como fez a Alemanha ao sair da hiperinflação em 1923). O problema é a restituição em ouro. Se a oferta monetária se expandir muito, e repentinamente todos exigirem restituição de dinheiro eletrônico em ouro, aí é um abraço. O sistema se desintegra.
  • Andre Fernandes  18/02/2016 19:37
    Ajudou bastante Leandro, valeu!
  • Emerson Luis  23/02/2016 10:09

    Se a moeda não fosse um monopólio estatal, nada disso teria acontecido.

    * * *


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