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A nossa “depreflação” e o ajuste fiscal que não virá: a necessidade de um novo Plano Real

Uma discussão que já é extremamente tediosa fica ainda mais maçante quando você já sabe de antemão — por causa da sólida teoria econômica — que seus fundamentos estão todos errados. 

No Brasil, a discussão do momento é sobre se o Banco Central deveria ou não elevar os juros para arrefecer a inflação de preços — que atualmente está em 10,74% no acumulado de 12 meses, e sem nenhum sinal de arrefecimento.

Quem é contra

Aqueles que são contrários à elevação dos juros afirmam que tal medida seria totalmente desnecessária, pois a economia brasileira já está em profunda recessão, com desemprego em alta, investimentos em contração há nove trimestres, indústria sofrendo a pior retração de sua série histórica, vendas no varejo em acentuada queda, e pedidos de falência e de recuperação judicial apresentando um crescimento apavorante.

Nesse cenário, sempre segundo estas pessoas, um aumento dos juros iria apenas piorar o que já está péssimo. 

E o fato de a economia já estar apresentando todos os indicadores típicos de uma depressão — o que, por si só, já implicaria uma necessidade de redução de juros — já seria o suficiente para fazer com que futuros aumentos de preços sejam mais contidos, o que tornaria desnecessário novos aumentos de juros.

Ainda neste campo, há pessoas que se posicionam contra o aumento dos juros porque, segundo elas, a economia brasileira estaria vivenciando o fenômeno da "dominância fiscal".

Dominância fiscal

O curioso do debate sobre "dominância fiscal" é que há dois conceitos distintos sobre o que é dominância fiscal.

O primeiro conceito é o mais simples e direto: dominância fiscal ocorre quando o governo tem déficits orçamentários tão grandes, que isso por si só gera inflação de preços.  Dado que os déficits orçamentários do governo são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, os quais são majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de dinheiro, tais déficits seriam uma medida inerentemente inflacionária, contra a qual o Banco Central nada poderia fazer.  Não há aumento de juros que neutralize essa expansão monetária.

Já o segundo conceito é mais elaborado: "dominância fiscal" ocorre quando o orçamento do governo está com um déficit tão grande, e a dívida pública já alcançou valores tão exorbitantes, que elevações dos juros não apenas não combatem a carestia, como, pior ainda, geram aumento de preços.

O raciocínio é o seguinte: a subida dos juros encarece aquela fatia da dívida que é diretamente atrelada à SELIC (para os mais iniciados, trata-se das LFTs, que são os títulos públicos remunerados diariamente pelo valor da SELIC).  Segundo cálculos de consultorias, um aumento de 1 ponto percentual na SELIC geraria, tudo o mais constante, um aumento de R$ 15 a 20 bilhões nas despesas do governo com esses juros. 

Até aí, nada de mais.  Sempre foi assim.

No entanto, como o orçamento do governo já está completamente destroçado, tendo apresentado um déficit primário recorde de R$ 111 bilhões em 2015 — o que significa que, em teoria, o governo não conseguiu nem sequer poupar para pagar esses juros das LFTs —, e dado que a dívida bruta está crescendo a um ritmo estonteante — pulou de 57% do PIB em 2014 para 66% em 2015 —, novos aumentos de juros tenderiam a fazer com que os investidores se tornassem ainda mais céticos quanto à capacidade do governo de seguir honrando a dívida.  O receio de uma moratória se tornaria mais premente. 

Ato contínuo, investidores estrangeiros retirariam seus recursos daqui e os investidores nacionais mais ricos converteriam sua poupança em moeda estrangeira e aplicariam em mercados financeiros estrangeiros.  Isso geraria uma desvalorização cambial, que por sua vez geraria ainda mais aumento de preços.

Ou seja, dominância fiscal é aquilo que ocorre quando o orçamento do governo se torna tão esfrangalhado, que aumentos dos juros não apenas não combatem a inflação, como ainda a agravam. Dominância fiscal é aquilo que ocorre quando uma política fiscal frouxa anula completamente qualquer política monetária mais restritiva.

Nesse cenário, a única forma de combater a carestia seria fazendo um profundo ajuste fiscal — o que significa, na prática brasileira, simplesmente elevar impostos e recriar a CPMF.

Isso, aliás, mostra que um dos principais interessados na difusão dessa teoria da dominância fiscal é o próprio governo.  "Ei, estamos em dominância fiscal! Não podemos elevar juros e, por isso, temos de ressuscitar a CPMF.  Ou você está conosco ou você está contra o país!"

Quem é a favor

Dado que não há mais como atacar a economia pelo lado da demanda — como dito, as vendas no varejo estão em queda, o desemprego é crescente, e os investimentos se contraem há nove trimestres —, e dado que aumentar a oferta não é algo politicamente palatável (pois envolve zerar tarifas de importação, algo que desagrada o lobby da indústria nacional), os favoráveis ao aumento de juros recorrem principalmente à questão das expectativas.

O raciocínio é o seguinte: como o cidadão comum já passou os últimos 5 anos convivendo com uma inflação de preços constantemente acima da meta, ele simplesmente passa a acreditar que a inflação de preços continuará alta no futuro. Ao sentir de maneira cada vez mais evidente a contínua corrosão do seu poder de compra, o indivíduo naturalmente passa a imaginar que a inflação de preços continuará alta e não irá ceder rapidamente. 

Trata-se de uma reação automática.  Por que ele iria pensar o contrário?

Essa deterioração das expectativas inflacionárias faz com que os formadores de preço — dentistas, encanadores, advogados, mecânicos, indústrias e comércio — incorporem essa expectativa de que a inflação continuará alta e, consequentemente, reajustem seus preços baseando-se nessas expectativas.  Trata-se de um processo defensivo por meio do qual as pessoas tentam preservar sua renda real. 

Sendo assim, o Banco Central deveria elevar os juros nem que fosse para apenas "enviar um recado", deixando claro a todos que está vigilante e que não há motivos para novas remarcações de preços. 

Trata-se de uma medida muito mais psicológica do que técnica: uma subida dos juros seria a única maneira de o Banco Central — utilizando um jargão econômico favorito da imprensa — "ancorar" as expectativas inflacionárias futuras e refrear eventuais tentações de reajuste de preços.

Ou seja, segundo os defensores dessa tese, mesmo em um ambiente de recessão, subir os juros é necessário pelo simples fato de a inflação de preços estar alta e, ainda mais grave, de as expectativas inflacionárias para o futuro também estarem altas.

A realidade

Há qualidades e defeitos graves em ambas essas posições.

No entanto, e antes de tudo, comecemos pelo básico: a carestia está intensa no Brasil não por causa de dominância fiscal ou de juros ainda em valor insuficiente.  A carestia está intensa pelo simples fato de que a moeda, o real, está se enfraquecendo e perdendo poder de compra continuamente.

Sim, isso parece uma óbvia tautologia, mas, por incrível que pareça, poucos economistas se dão conta dessa obviedade.  E ela está no centro de tudo.  Sem que ela seja compreendida, debates sobre "dominância fiscal" e "aumento de juros" se tornam completamente inócuos e despropositados.

Por isso, vale a pena repetir a obviedade: os preços estão subindo continuamente no Brasil, sem nenhum sinal de arrefecimento, e mesmo em um cenário de profunda recessão — no qual não há nem sequer pressão de demanda, pois as vendas no varejo estão em forte contração —, única e simplesmente porque a moeda está se enfraquecendo. 

Uma moeda fraca afeta todos os preços da economia, e por um motivo lógico: se a moeda está se enfraquecendo, então, por definição, passa a ser necessário ter uma maior quantidade de moeda para adquirir o mesmo bem.  Essa é a definição precípua de moeda fraca: é necessária uma maior quantidade de moeda para se adquirir o mesmo bem que antes podia ser adquirido com uma menor quantidade de moeda.

Daí os preços mais altos.

Não tem escapatória: moeda fraca, carestia alta. Sem exceção.

E como saber que o real está se enfraquecendo? 

O mecanismo mais comum é analisar a evolução da taxa de câmbio em relação a moedas como dólar, euro, franco suíço e libra esterlina.  Este é um método satisfatório, mas pode se enganoso: afinal, você está comparando uma moeda estatal e manipulada por burocratas com outra moeda igualmente estatal e igualmente manipulada por burocratas.

Vários outros mensuradores subjetivos e objetivos já foram criados, mas, aparentemente, nenhum conseguiu superar o preço do ouro.  Ao longo da história humana, o ouro sempre foi a mercadoria naturalmente escolhida para servir como meio de troca e unidade de conta.  Sua tradicional estabilidade como unidade de conta fez dele uma escolha natural para definir aquilo que hoje conhecemos como dinheiro. 

Utilizado como dinheiro durante milhares de anos, o ouro alcançou uma função puramente monetária exatamente porque sua função na economia produtiva era minúscula.  O ouro era utilizado pontualmente em algumas indústrias específicas, e só.  Como resultado desta "falta de função" na economia, praticamente cada quilograma de ouro que já foi extraído da terra continua conosco, o que significa que o preço real do ouro é difícil de ser alterado: a quantidade de ouro existente no mundo é imensamente maior do que eventuais novas jazidas que venham a ser descobertas e mineiradas.

Sendo assim, por causa dessa oferta praticamente rígida, quando o preço do ouro mensurado em uma determinada moeda se altera drasticamente, não é o valor do ouro que está mudando, mas sim o valor da moeda utilizada para precificar o ouro.  O ouro é o indicador mais objetivo do valor de uma moeda: quando o preço do ouro aumenta consideravelmente, isso significa que a unidade de conta está se enfraquecendo.

Tendo isso em mente, vejamos como está se comportando o real em relação ao ouro.  O gráfico abaixo mostra o preço, em reais, de um grama de ouro desde 1º de julho de 1994 (ignore aquelas linhas verticais; é defeito do algoritmo do Banco Central):

ouro.png

Gráfico 1: preço, em reais, de um grama de ouro.

Não há indicador mais evidente. 

De meados de 2014 até hoje, o ouro encareceu 66% em termos de reais (foi de R$ 90 para R$ 150).  Ou, inversamente, pode-se dizer que o real se desvalorizou 40% em relação ao ouro.

(A matemática é simples: em meados de 2014, R$ 90 compravam um grama de ouro.  Isso significa que R$ 1 comprava 1/90 grama de ouro.

Atualmente, são necessários R$ 150 para comprar esse mesmo grama de ouro, o que significa que R$ 1 compra 1/150 grama de ouro. 

Fazendo-se a conta do valor final (1/150) menos o valor inicial (1/90), e dividindo o resultado pelo valor inicial (1/90), tem-se o percentual de 40%, que foi a perda do poder de compra da moeda.)

Portanto, temos um indicador objetivo de que o real se enfraqueceu 40% nos últimos 18 meses.  Não é de se estranhar, portanto, que a carestia esteja em voluptuosa ascensão, mesmo com recessão profunda, desemprego crescente, e queda nas vendas no varejo e nos investimentos.

Alguns adendos:

1) Quando nasceu, eram necessários R$ 10,50 para comprar 1 grama de ouro.  Hoje, são necessários R$ 150.  Isso significa que o real já se desvalorizou 93% desde sua criação.

2) Houve dois períodos em que o real foi relativamente estável perante o ouro: de julho de 1994 a dezembro de 1998, e de janeiro de 2004 a agosto de 2008. 

3) Foi durante estes dois períodos que a inflação de preços acumulada em 12 meses mais caiu: de 5.000% em junho de 1994 para 1,65% em dezembro de 1998, e de 17% em maio de 2003 para 3% em abril de 2007.

Esses dois períodos foram justamente aqueles em que o percentual de pobreza extrema mais caiu: 30% de 1993 a 1998, e 50% de 2003 a 2008.

Por tudo isso, a atual discussão sobre juros e dominância fiscal já começa do ponto de partida errado, pois ignora a real causa da inflação de preços e já sai receitando soluções que nada têm a ver com o problema.  A inflação de preços é uma consequência direta do enfraquecimento da moeda, e, sendo assim, é imperativo estancar esse enfraquecimento.

Mas isso não pode ser alcançado por manipulação dos juros.

Aumentar juros?

Em primeiro lugar, e começando pelo mais fácil, uma simples olhada no gráfico 1 já nos permite chegar à fácil conclusão de que não será um mero aumento de 0,25 ponto percentual na SELIC o que irá reverter aquele descalabro.  Tampouco um aumento de 0,50 ponto percentual irá devolver força à moeda.  A encrenca é muito mais profunda.

Sendo assim, estavam corretos — ainda que por linhas tortas — aqueles que defendiam que o Banco Central não deveria elevar a SELIC de 14,25% para 14,50% em janeiro.  Isso seria completamente inócuo.

Por outro lado, estes mesmos estão errados em imaginar que a recessão fará o serviço de debelar a carestia.  Quem acredita que a recessão irá debelar a carestia está, na prática, dizendo que uma economia debilitada irá automaticamente gerar uma moeda forte e estável. Isso é totalmente sem sentido.  Carestias não são debeladas por recessões, mas sim pelo fortalecimento da moeda — fortalecimento esse que possui várias causas que não a recessão (como, por exemplo, um aumento da demanda global por essa moeda).

Enquanto a moeda continuar fraca, a carestia continuará em ascensão, independentemente da robustez da economia.  Assim como você não pode gerar prosperidade por meio da desvalorização da moeda, você não pode gerar uma moeda forte por meio de uma recessão.

Também vale ressaltar que a empiria está comprovando a teoria mais uma vez: como tantas vezes já se falou neste Instituto, o gradualismo não funciona. Aumentos tímidos e graduais na taxa básica de juros, de meio ponto percentual por vez, como vem fazendo o Banco Central desde o longínquo abril de 2013, são totalmente ineficazes no combate à carestia.  Simplesmente não há registro histórico de uma inflação de preços relativamente alta que tenha sido debelada com aumentos tímidos e graduais na taxa básica de juros.  Nem sequer as expectativas conseguem ser alteradas. 

Aumentos graduais nos juros não fortalecem a moeda.  Veja no gráfico 1 que, de meados de 2013 até hoje, ao mesmo tempo em que a taxa básica de juros praticamente dobrou (de 7,25% para 14,25%, mas de maneira bem lenta e gradual), o real se enfraqueceu.  Por isso a carestia aumentou em simultâneo ao aumento das taxas de juros (o que surpreendeu vários economistas). 

Por outro lado, também não há garantia nenhuma de que juros altos irão resolver a situação.  Se juros altos, por si sós, debelassem a carestia e fortalecessem a moeda, então o cruzado novo teria sido a moeda mais forte do mundo: à época, a SELIC chegou a módicos 780.000%.

O que normalmente ocorre quando há um aumento de juros é a inviabilização de vários investimentos produtivos, o que gera redução na oferta de bens (um fenômeno que gera carestia) e aumento do desemprego.  Consequentemente, a economia fica debilitada, isso faz com que a moeda se enfraqueça ainda mais, e a carestia piora.

[No Brasil, em específico, as duas únicas vezes em que uma elevação dos juros aparentemente reduziu a inflação de preços (de meados de 2003 a início de 2004, e de meados de 2005 ao final de 2006) coincidiram com um período de fraqueza global do dólar, que foi o fator dominante na redução da carestia

Já quando o dólar estava forte (1999 a 2002) ou se fortalecendo (de meados de 2012 em diante), nenhum aumento de juros deu resultado.]

O fato é que os economistas de hoje são louca, insana e patologicamente fascinados por manipulações na taxa básica de juros efetuadas por uma agência de planejamento central.  Eles não apenas acreditam que um comitê central formado por 8 burocratas pode interferir eficazmente no preço mais importante da economia, como, ainda pior, acreditam que esse planejamento centralizado pode dar certo.

As causas do enfraquecimento

Vários fatores podem causar o enfraquecimento de uma moeda. 

A (falta de) confiança no governo é um fator crucial. 

A (falta de) confiança no Banco Central é outro fator crucial.  Se o Banco Central continuamente desrespeita a meta de inflação (4,50%) que foi estabelecida, então ele está passando o recado de que conter a carestia não é realmente sua prioridade.  Consequentemente, a confiança na moeda é abalada.

Aliás, o simples fato de o Banco Central estabelecer uma meta de inflação relativamente alta (4,50%) já é um agravante: afinal, se a meta é 4,50%, eu irei anualmente reajustar meus preços em, no mínimo, 4,50%.  Por que reajustaria em menos sabendo que o próprio Banco Central deseja que todos executem essa carestia mínima?  Se eu reajustar em menos, posso ficar sem poder aquisitivo para comprar aqueles bens e serviços que reajustaram igual à ou acima da meta de inflação.  Ao estipular uma meta de inflação, o próprio BC já estimula que essa seja a inflação mínima.

A expansão do crédito — principalmente dos bancos estatais, que tem apresentado um crescimento exponencial — é outro fator fundamental.

A simples perda de confiança na moeda — tanto dos brasileiros quanto dos investidores estrangeiros, que então deixam de demandá-la e passam a se desfazer dela — também é um fator crítico.

Os déficits do governo — e aqui vou concordar com os seguidores do primeiro conceito de dominância fiscal — são também decisivos.  Aliás, eu o consideraria o fator mais crítico de todos. 

O gráfico abaixo, que mostra a evolução do déficit nominal do governo federal (tudo o que o governo gasta, inclusive com o serviço da dívida, além do que arrecada) tanto em valores correntes quanto em porcentagem do PIB, ilustra perfeitamente o descalabro:

deficit.png

Gráfico 2: linha vermelha, eixo da esquerda: evolução do déficit nominal do governo federal; linha azul, eixo da direita: evolução do déficit nominal do governo federal em porcentagem do PIB

Vale repetir que os déficits orçamentários do governo são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, os quais são majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de dinheiro. Déficits são, portanto, uma medida inerentemente inflacionária

Para se ter uma ideia do que significa um déficit de mais de 9% do PIB, basta dizer que o déficit orçamentário do "pródigo" governo Obama não passa de 2,5% do PIB.  E o do governo do Reino Unido é de "apenas" 5,7% do PIB.  Até mesmo os "devassos" japoneses se contentam com menos: 7,7% do PIB.

Quem é pior do que a gente?  A Venezuela, com 11,5% do PIB.  Estamos quase lá.

No entanto, há uma boa notícia: para que o real se estabilize e a carestia seja efetivamente debelada, não é necessário solucionar imediatamente esses problemas.

O que pode ser feito

Há três soluções eficazes.  Só que, dessas três, apenas uma seria politicamente aceitável.

A solução mais eficaz de todas, aquela que é "tiro e queda", que debelou quase que imediatamente hiperinflações em todos os países em que foi adotada (e sempre com juros na casa de apenas um dígito), é a instituição de um Currency Board (leia todos os detalhes aqui). 

Mas essa alternativa não tem nenhuma chance política de ser implantada.

A segunda solução, também sucesso nos (poucos) países em que foi implantada, é a liberação de moedas estrangeiras para circular no Brasil.  Tal arranjo foi adotado com grande sucesso no Peru, que liberou o dólar como moeda corrente.  Ao contrário do que muitos temiam, a moeda nacional peruana se fortaleceu com a medida, e os juros nacionais caíram acentuadamente.  Além de a concorrência estimular tanto o Banco Central quanto o governo a serem mais prudentes e responsáveis, o próprio aumento da oferta de moeda estrangeira tende a apreciar a moeda nacional. 

Já o Zimbábue foi mais além e liberou o uso de nove moedas estrangeiras.  Os resultados foram incríveis.

Mas tal arranjo também não tem nenhuma chance no Brasil.  No mínimo, nossos rábidos nacionalistas — tanto na política quanto na mídia — ficariam feridos em seus brios, e sairiam gritando que a soberania nacional está sendo usurpada e que o país está sendo entregue a forças imperialistas.

Sendo assim, resta a terceira alternativa.

A economista Monica Baumgarten de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, foi quem popularizou o conceito de dominância fiscal no Brasil.

Segundo ela, economias com desajustes fiscais agudos precisam de algo urgente que segure a inflação, e esse algo não é a manipulação dos juros, mas sim do câmbio.   Monica defende que o Brasil deveria abandonar temporariamente o sistema de metas de inflação e o Banco Central deveria parar de fixar juros e deveria adotar um regime cambial idêntico ao que vigorou no período 1994-1998, que foi o regime de câmbio atrelado ao dólar (não confundir com regime de câmbio fixo, que é outro arranjo).

Ao defender esse arranjo, ela dá dois passos na direção correta — mostra entender que câmbio é mais importante do que juros para controlar carestia, e também que com um câmbio desabando não há como evitar carestia —, mas em seguida cai no erro de defender um câmbio atrelado a uma moeda estatal.  Tal arranjo é instável por natureza, pois atrelar uma moeda fiduciária a outra moeda fiduciária (como o dólar) é um convite ao ataque de especuladores, que podem facilmente — por meio de operações cambiais — enviar e retirar dólares do país com o intuito de criar perturbações na taxa de câmbio e, simultaneamente, por meio de operações com derivativos, ganhar na arbitragem.

(Falando mais tecnicamente, especuladores fazem venda a descoberto (short selling) de uma moeda apostando em sua desvalorização.  Simultaneamente, por meio de diversas práticas, eles forçam a desvalorização da moeda. Se ela se desvalorizar, eles colhem ótimos lucros.  Todos os ataques especulativos que varreram os países em desenvolvimento na segunda metade da década de 1990, de México e Brasil aos Tigres Asiáticos, passando pela Rússia, aconteceram em decorrência disso).

Qual a solução então? 

A solução é pegar essa ideia de Monica — que, como ela corretamente disse, "não é original, tampouco heterodoxa" —, trocar o preço do dólar pelo preço do ouro, e fazer exatamente aquilo que foi feito na Alemanha de dezembro de 1923, quando, em apenas um mês, o país saiu da hiperinflação mais famosa da história e passou a ter uma moeda forte e estável. 

O preço da moeda alemã, o rentenmark, passou a ser mantido constante em termos de ouro.  Mas não havia ouro.  Assim como o preço do ouro em reais foi mantido relativamente constante no período 1994-1998 e 2003-2006, o preço do ouro em rentenmarks foi mantido constante a partir de dezembro de 1923.   Criou-se um padrão-ouro sem ouro.

O livro When Money Dies (Quando o Dinheiro Morre), do jornalista britânico Adam Ferguson, narra em detalhes todo esse processo.

A população alemã vinha definhando e literalmente morrendo de fome, pois nenhum agricultor queria abrir mão de seus produtos em troca de uma moeda que não valia nada.  Toda a colheita de 1923 ficou estocada nos silos dos agricultores; enquanto isso, as prateleiras dos supermercados estavam vazias.  Inanição e baderna — inclusive uma tentativa de um cavalheiro chamado Adolf Hitler de tomar o poder em Munique em 9 de novembro de 1923 — eram rotina.

E então, no dia 16 de novembro de 1923, o governo parou de imprimir marcos e os substituiu pelo rentenmark, que surgia com um valor definido em termos de ouro.  No dia 20 de novembro, os marcos existentes foram convertidos em rentenmark ao preço de um trilhão de marcos por um rentenmark.  A hiperinflação imediatamente acabou e a Alemanha estava no padrão-ouro.  Mas sem ouro.

Não havia ouro nos cofres do Rentenbank (o então Banco Central alemão).  Nenhuma cédula de rentenmark era conversível em ouro.  Simplesmente o valor do rentenmark era mantido constante em termos de ouro.  Como isso era feito?  O Rentenbank simplesmente expandia e contraía a base monetária (vendendo e comprando ativos) de modo a manter o valor do rentenmark o mais estável possível em termos de ouro.  O mecanismo era um simples ajuste da oferta de moeda.

Apenas duas pessoas trabalhavam no Rentenbank: o diretor (Hjalmar Schacht) e sua secretária.  O que ele fazia?  De acordo com o livro (página 123), ele fazia apenas três coisas durante o dia: fumava charutos, ficava ao telefone o dia inteiro se informando da cotação do ouro, e fazia as políticas monetárias correspondentes (vendia e comprava ativos, contraindo e expandindo a base monetária) para manter o valor do rentenmark estável em termos do ouro.  À noite, após o expediente, ele pegava o último trem suburbano e ia para casa.  Na classe econômica.  Fora isso, não fazia nada.

Os agricultores aceitaram o rentenmark, desovaram seus estoques, e a população alemã repentinamente se viu repleta de opções alimentícia à sua volta.  Bastou apenas devolver estabilidade à moeda e toda a crise acabou e a economia voltou a crescer.

Moeda saudável gera economia forte. Moeda fraca gera economia doente. É impossível ter uma economia forte e saudável se a moeda está fraca e doente.

Ou seja, não é necessário praticamente nada para se adotar um sistema de padrão-ouro sem ouro para se debelar uma carestia e devolver estabilidade à moeda.  O Rentenbank não tinha ouro nenhum.  O rentenmark não era conversível em ouro.  Nenhuma preparação foi necessária.  Nenhuma grande equipe foi montada.  Nenhum grande intervalo de tempo foi requerido.  A única medida necessária foi deixar clara qual seria a política adotada: manter o valor do rentenmark estável em termos de ouro por meio de políticas monetárias tradicionais.  E só.

Ironicamente, das três soluções possíveis para debelar a nossa carestia, aquela que envolve o ouro é a mais simples de ser implantada e a mais palatável politicamente.  Acima de tudo, ela é a mais próxima de um genuíno livre mercado: a moeda é estável e tem um valor definido, ao passo que todas as taxas de juros da economia são livres e passam a ser determinada pela interação entre oferta de poupança e demanda para investimentos e consumo.

(Aproveitemos que o prestígio do Banco Central nunca esteve tão em baixa — é criticado igualmente pela esquerda e pela direita —, demitamos toda a diretoria, extingamos todos os departamentos, e coloquemos ali apenas um único cidadão para fazer o mesmo serviço de Schacht.  E uma faxineira).

Conclusão

A solução para uma inflação de preços não é causar uma recessão.  Colocar burocratas para manipular juros também não trará nada de positivo.  A solução é simplesmente estabilizar a moeda em relação ao ouro. 

Como mostrou o gráfico 1, foi exatamente isso o que foi feito no Plano Real e também no período 2003-2006, ainda que essa não tenha sido a intenção dos seus autores.

Sim, equilibrar as contas do governo é importante e ajudaria enormemente na redução da carestia, mas não podemos simplesmente abrir mão de tudo e ficar esperando, de dedos cruzados, que o senhor Nelson Barbosa decida fazer isso.  A situação é urgente.

Esperar que "a recessão reduza a inflação" é simplesmente esperar por mais inflação em um ambiente que periga se degenerar em depressão (vivenciaremos a pior recessão desde 1901).  Estamos à beira de uma "depreflação". 

Da mesma forma, esperar que haja ajuste fiscal em um cenário de paralisia política — que vai se confirmando duradoura — é masoquismo.

Até lá, muitos mais sofrerão com a perda do poder de compra da moeda e a consequente queda no padrão de vida.

Como bem colocou Monica:

Esse é o resultado trágico de jogar a toalha: o enorme retrocesso dos ganhos sociais e da travessia para a estabilidade macroeconômica tão duramente conquistada. Será mesmo que passar por isso novamente é melhor do que pensar em formas de evitar a escalada inflacionária enquanto o ajuste fiscal não vem?


3 votos

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • anônimo  03/02/2016 10:49
    Prezado Leandro,

    1- Quando você descreve o processo defendido por quem é a favor de aumentar os juros (o processo da expectativa da população), você está se referindo a algo como o inflação inercial?

    2- Considerando que só existissem as possibilidades de ou aumentar ou manter as taxas de juros, o que seria o ideal (ou menos pior, no caso)?

    3- As possibilidades de o Brasil viver novamente um período de hiperinflação alarmante e desastrosa como nas décadas de 1980-1990, são grandes, na sua opinião?
  • Leandro  03/02/2016 13:39
    1- Estou apenas transcrevendo os argumentos deles. Eles se referem ao processo como "expectativas inflacionárias". Se há quem considere isso "inflação inercial", desconheço.

    2- Qualquer opção será um mero chute, sem nenhum norte, sem nenhum critério. Tanto fez, tanto faz.

    3- Ainda não, pois, ao contrário daquela época, hoje o BC não pode financiar diretamente o governo. No entanto, se depender da qualidade desse governo, olha...
  • Viking  03/02/2016 10:49
    magistral artigo!

    será que algum dia teremos um austríaco na cadeira do banco central ou do ministério da fazenda?
  • Bártolo de Sassoferrato  03/02/2016 12:48
    Viking,

    nunca.

    Por um motivo muito simples:

    austríacos, com toda a razão, defendem a extinção do Banco Central.
  • Ronaldo  03/02/2016 17:03
    o BACEN tem poder pra deixar os juros serem flutuantes?
  • Mohamed Attcka Todomundo  05/02/2016 14:24
    (Aproveitemos que o prestígio do Banco Central nunca esteve tão em baixa — é criticado igualmente pela esquerda e pela direita —, demitamos toda a diretoria, extingamos todos os departamentos, e coloquemos ali apenas um único cidadão para fazer o mesmo serviço de Schacht. E uma faxineira).

    q absurdo! o tal cidadão pode perfeitamente limpar sua sala
  • Kelvin Soares  24/03/2016 01:53
    Boa!

    Leandro ótimo artigo!
  • Dam Herzog  03/02/2016 10:50
    Excelente artigo. Pena que quem ocupa a presidência do nosso pais tem mentalidade fixa e acha que pode haver crescimento no quadro atual, nem sabendo o que significa ciclo econômico. Pelas ideias fixas da presidente que diz que gastança é vida o máximo que ela pode fazer é piorar a situação. Outro dia conversava com um membro do poder judiciario que dizia ter salario de 26.000 reais. e eu disse a ele que quando o dolar valia 2 reais com seu salario tinha valor de de compra de 13,000 US dolares, e com o dolar a 4 reais só daria para ele comprar 6.500 dolares agora. A inflação corroi o poder de compra e empobrece a população. Mas a agenda petista de gastança vai levar o pais talvez a moratória. Parabéns ao Leandro pelo artigo, Mises neles.
  • Viking  03/02/2016 12:04
    Leandro Roque para presidente!
  • Leandro  03/02/2016 13:31
    De time de botão ou de totó?
  • Viking  03/02/2016 14:15
    Vai pro Palmeiras!!
    se o Belluzzo pode, tu é infinitamente mais capaz hahahhaha
  • Aqui é Galo!  04/02/2016 14:07
    Que Palmeiras que nada! Leandro é Galo! rsrsrs
  • Giovanni  04/02/2016 19:32
    Senhor. Quem ocupa a presidência da República não tem mentalidade fixa, nem mentalidade flutuante. Tem mentalidade alguma!
  • Marco Migoranca  03/02/2016 10:51
    Leandro, parece que voltamos em 2002, 2003.
    Me corrija se eu estiver errado:
    Não existe ai um claro ciclo recorrente 2003-2010 a frente?
    2003 - inflação alta
    2015 - inflação alta
    2003 - câmbio desvalorizado
    2015 - câmbio desvalorizado
    2003 - Selic alta
    2015 - Selic Alta
    Dentro desse cenário, com a balança comercial positiva, não subiria o poder de compra nos próximos anos ? Pergunto isso pois seria trágico , se o PIB dar sinais de melhora em 2017 e 2018 o PT corre o risco continuar no poder fazendo suas keynesianices.
  • Leandro  03/02/2016 13:45
    Há uma diferença crucial: em 2003, o dólar estava começando sua decadência (por causa da guerra no Iraque), ao passo que hoje ele segue robusto (graças ao bom atual Secretário do Tesouro americano, que, além de estar com orçamento sob controle, dá entrevistas dizendo abertamente que ter uma moeda forte é bom para economia.

    O fato de Obama ter se mantido fora de incursões militares insanas também foi fundamental.

    Aquele cenário favorável que Lula usufruiu quando abandonou a ortodoxia e adotou políticas mais populistas -- um dólar mundialmente fraco, o qual permitia que expansões do crédito e aumento de gastos não se traduzissem imediatamente em inflação de preços -- não mais está presente.

    No atual cenário de dólar mundialmente forte, o espaço para aventuras populistas do atual governo Dilma é praticamente mínimo: qualquer medida heterodoxa e populista adotada irá imediatamente se traduzir em desvalorização do real perante o dólar, aumento da inflação de preços e aumento dos juros exigidos pelos investidores para financiar os títulos de longo prazo.
  • FL  03/02/2016 11:02
    Tenho uma dúvida: um dos motivos que causa a desvalorização do dólar em relação à todas as outras moedas do mundo são as guerras que os EUA entram, certo? Assim como o Bush fez após o 11/09, direcionando boa parte da economia para o esforço de guerra, o que "ajudou" o Brasil e o real durante o mandato do Lula. Sabendo isso, e imaginando que provavelmente nada será feito pelo nosso governo em relação à desvalorização do real, não seria "interessante" para o Brasil que o futuro presidente dos EUA entrasse em guerra no Oriente Médio? Isso provavelmente derrubaria o dólar e ajudaria o real... ou seja, aqueles que querem "salvar" o governo Dilma, deveriam estar torcendo para um Trump ser eleito e invadir algum país?
  • Leandro  03/02/2016 13:48
    Dilma certamente deve estar de dedos cruzados torcendo para o Marco Rubio e, em escala um pouco menor, para a Hillary. Trump, com sua retórica protecionista e anti-China (quem defende tarifa de importação está, na prática, defendendo uma moeda com poder de compra menor), também faria o serviço.
  • Dedé  03/02/2016 23:29
    Leandro,
    Na sua opinião, qual o melhor candidato nas eleições americanas?

    Caso o Brasil adotasse esse "padrão ouro", os juros não subiriam? Já que o Estado consome boa parte da poupança disponível.
    O que ocorreria com a estrutura do bacen?
    Lembrando que no mundo real é impossível os servidores do bacen serem demitidos.
  • Samir Jorge  03/02/2016 11:42
    Leandro bom dia.
    Sua narrativa didática, transparente e detalhamento dos efeitos das medidas tomadas pelo Banco Central, permite que a extensão de suas propostas sejam melhor compreendidas pelos leigos.
    Parabéns e que seu compromisso com a honestidade intelectual continue imperando simultaneamente com a sinceridade.
    Aproveito a oportunidade para pedir um artigo detalhado sobre o mecanismo da compra de títulos do Tesouro a uma determinada taxa Selic e o rendimento destes títulos em um momento posterior com a elevação ou diminuição da taxa Selic.

    Atenciosamente,

    (a) - Samir Jorge
  • Pobre Paulista  03/02/2016 11:53
    Acordou cedo, hein? :)
    Algumas dúvidas:

    1. Porquê o câmbio atrelado ao ouro seria imune à ataques especulativos? Não existem derivativos lastreados em ouro?

    2. Para que servem as reservas internacionais neste arranjo? Em última instância, mesmo supondo que o câmbio fosse atrelado ao dólar, as reservas podem servir de colchão de segurança contra ataques especulativos? O banco central não poderia "contra-atacar" com operações similares, dado que seu poder de manipulação da moeda seria maior do que o dos especuladores?

    3. Supondo um sucesso no câmbio atrelado ao ouro, isso seria uma "porta de entrada" ao CB? Bastaria trocar as reservas de dólar por ouro? Teria que sincronizar a base monetária com as reservas em ouro antes disso?

    4. Porquê a faxineira? Este senhor poderia trabalhar de casa, apenas com um notebook conectado à internet ;-)

    Ademais, artigo brilhante, esclarecedor, bla bla bla, já cansei de te elogiar.
  • Leandro  03/02/2016 13:32
    1. Não se trata de derivativos, mas sim de fluxo de capitais.

    O grande problema é que todos os BCs que atrelaram ao dólar não quiseram abrir mão da política monetária. Eles quiseram fazer política monetária e cambial ao mesmo tempo. Aí o sistema fica insustentável.

    Quando se trabalha com um câmbio atrelado, o Banco Central tem de, diariamente, fazer intervenções no mercado de câmbio para fazer com que o dólar fique próximo à cotação determinada pelo Banco Central. Sendo assim, quando ocorre uma entrada "excessiva" de dólares no país, há uma tendência de apreciação do câmbio. Para evitar isso, o Banco Central compra estes dólares criando reais, o que gera um aumento da base monetária.

    Já quando ocorre uma saída de dólares, o fenômeno inverso é observado: há uma tendência de depreciação do câmbio devido à maior procura por dólares. Para evitar isso, o Banco Central vende dólares para satisfazer esse aumento da demanda por dólares. Essa venda de dólares pelo Banco Central gera uma redução da base monetária. Para evitar essa redução, algo que tende a gerar uma recessão, o Banco Central cria reais e compra títulos públicos em posse dos bancos.

    Ou seja, neste arranjo, há um total descasamento entre a variação da base monetária e a variação das reservas internacionais. Quando há uma saída de capitais, as reservas tendem a cair — pois o Banco Central faz de tudo para segurar o câmbio — ao passo que a base monetária tende a subir ou, no mínimo, se manter inalterada (pois o Banco Central também faz política monetária)

    Essa é uma contradição insustentável. Os especuladores percebem e agem: de um lado, eles enviam dólares para o país, obrigando o BC a expandir a base monetária para evitar uma sobrevalorização da moeda nacional; de outro lado, e simultaneamente, eles retiram dólares do país, obrigando o BC a vender dólares da reserva e (em tese) contrair a base monetária.
    Mas como nenhum BC costuma contrair a base monetária (pois é recessivo), o que acaba ocorrendo é que a base monetária se expande, as reservas diminuem, e chega um ponto que o BC acaba abdicando de manter o câmbio atrelado. Aí a taxa de câmbio dispara e todo o arranjo se desmantela.

    Se o BC não tentasse controlar a expansão da base monetária, aí ele simplesmente viraria um Currency Board, e o arranjo se manteria intacto.

    Aí a questão é: como é que esse tipo de ataque pode ocorrer quando a sua meta é o preço do ouro? Troque ouro por tungstênio ou algodão, e o raciocínio continua o mesmo.

    2. É sempre um colchão. Em última instância, caso o dólar se aprecia violentamente em relação ao ouro em questão de horas (muito improvável), você pode utilizá-la para amenizar grandes flutuações.

    A outra parte da pergunta eu não entendi.

    3. Como explicado acima, sim. Ademais, CB ancorado em ouro, com todas as etapas de implantação, foi descrito aqui.

    4. Touchè!

    Obrigado pelos elogios e grande abraço!
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/02/2016 12:05
    DEFINITIVO.

  • rolp  03/02/2016 12:07
    Magnífico artigo! Triste é ver o Delfim Neto entrevistado pela Míriam Leitão dizendo que a alta do dólar vai ser excelente para a economia do Brasil e vai resolver nossos problemas...
  • Andre Cavalcante  03/02/2016 12:16
    CAMPANHA LEANDRO ROQUE PARA PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL

    Únicas funções no cargo: manter o Real-Ouro (RO$) constante em relação ao ouro e responder às questões dos leitores do IMB.

    :D :D :D :D :D :D :D :D :D :D :D :D :D

    Abraços


  • Leandro  03/02/2016 13:31
    Acho que a segunda dá muito mais trabalho e queima muito mais neurônios...

    Grande abraço!
  • Tannhauser  03/02/2016 12:49
    Leandro,

    Não entendi bem como o Governo faria isso. Como ele reduziria o déficit nominal? O efeito de enxugamento da base monetária não geraria recessão como em um aumento da SELIC?

    Sou mais adepto da abertura da economia para outras moedas, não dependeríamos de nenhum fumador de charuto para manter a estabilização. Além disso, acredito que seria mais fácil e talvez até interessante para o Governo. Com a morte lenta do Real, o Governo poderia pagar sua dívida sem esforço.

    Além disso, a Alemanha só implementou o Plano em um cenário muito mais catastrófico que o nosso. A verdade é que nada será feito no curto prazo. Só nos resta sentar e esperar.
  • Leandro  03/02/2016 13:33
    "Como ele reduziria o déficit nominal?"

    Isso não é problema do Banco Central, cuja única função é entregar uma moeda forte e estável. Ademais, e como dito no artigo, a implantação de tal arranjo independe de ajuste fiscal.

    Sim, se o orçamento do governo estiver bagunçado, os juros acabarão sendo muito maiores do que se o orçamento estivesse em ordem. Mas os juros hoje já não estão altos?

    "O efeito de enxugamento da base monetária não geraria recessão como em um aumento da SELIC?"

    Se houver enxugamento, sim. Mas por que deveria haver enxugamento? Se o arranjo for implantado hoje, utilizando o preço do ouro de hoje, não há por que haver enxugamento.

    "Sou mais adepto da abertura da economia para outras moedas, não dependeríamos de nenhum fumador de charuto para manter a estabilização."

    Também sou grande entusiasta da ideia. Mas, infelizmente, não passa.

    Grande abraço!
  • Ricardo Santos  03/02/2016 22:57
    Eu sou mais pessimista e acho que nenhuma das 3 passa...
  • Felipe R  03/02/2016 13:03
    Eu tinha algumas dúvidas, mas este artigo esclareceu todas. Ontem mesmo, por exemplo, meu irmão e cunhada que moram na Europa me perguntaram o problema da crise no Brasil. Respondi que basicamente era a desvalorização do Real (inspirado num outro artigo do Leandro), a explosão da dívida estatal e a falta de confiança no Governo.

    Porém, quando me perguntaram a solução, eu soube dizer apenas "redução da carga tributária e mais ainda de gastos governamentais" e "liberação das importações". A questão cambial deixei de fora por dúvida, mas agora já posso complementar.

    Este artigo é leitura obrigatória!
  • Renato Arcon Gaio  03/02/2016 13:04
    Raciocínio de um verdadeiro economista, "burrocratas" deveriam valorizar mais o conhecimento e não ficar se colocando no poder e sugando o nosso sangue até definharmos. Impressionante como a cada dia que leio os artigos do Mises Brasil, fica mais revoltando quando ouço discursos cheios de pompas.

    Até lá, muitos mais sofrerão com a perda do poder de compra da moeda e a consequente queda no padrão de vida.

    Com certeza já estão sofrendo, mas a nossa elite política está longe disso, eles vivem outra realidade, no mundo da fantasia.

    Abraços
  • Luís  03/02/2016 14:10
    Leandro,

    Parabéns pelo artigo, definitivo para entender a política monetária brasileira dos últimos anos.

    Não sou economista (apesar de me interessar muito da matéria) e gostaria de mais detalhes sobre como o Banco Central Alemão "vendia e comprava ativos, contraindo e expandindo a base monetária" de forma a tornar a moeda estável em comparação ao ouro. Existe algum texto sobre essas operações (sem ser o livro que parecer bastante complexo)?

    Para argumentar com o pessoal que defende a volta da CMPF, esse imposto não teria o mesmo efeito do aumento de juros? Nâo tornaria mais caras as operações financeiras e retrairia ainda mais a atividade financeira?



  • Leandro  03/02/2016 14:56
    Esse livro é exclusivo sobre esse assunto:

    newworldeconomics.com/GTMPpage.html

    Veja também minha resposta ao André, logo abaixo. (Mas não há ciência nenhuma; o BC operaria identicamente a como opera hoje, só que fazendo muito menos coisas: ele iria apenas imprimir dinheiro (comprando ativos) e retirar dinheiro (vendendo ativos) da economia para fazer com que o preço do ouro permanecesse estável. Pura e simplesmente isso.

    Atualmente, ele já faz exatamente isso, só que como o intuito de manter a Selic estável.

    Sobre a CPMF, seu raciocínio procede.

    Abraços!


  • Andre  03/02/2016 14:18
    Leandro, quando sai seu livro de economia? :)

    Parabéns por mais um excelente artigo.
  • Andre Cavalcante  03/02/2016 14:18
    Leandro,

    "políticas monetárias correspondentes (vendia e comprava ativos, contraindo e expandindo a base monetária) para manter o valor do rentenmark estável em termos do ouro."

    No caso do Brasil, como o BC faria essa política monetária? Que ativos seriam estes? Títulos do Governo? Dólares das reservas?

    Abraços
  • Leandro  03/02/2016 14:49
    Exato. Qualquer ativo: títulos do Tesouro, dólar, euro, debêntures, CDBs de bancos, LCI, LCA, LC, COE etc.

    Esse livro é exclusivo sobre esse assunto.

    newworldeconomics.com/GTMPpage.html
  • Andre Cavalcante  03/02/2016 14:21
    A propósito,

    Antes a gente contava o número de comentários por dia.
    Atualmente, nos artigos do Leandro, os comentários devem ser contados por hora!
    Amanhã já vai estar na casa dos 70 ou 80 comentários...

    :D

    Abraços

  • Mais Mises...  04/02/2016 14:58
    Cara, não sei onde eu vi mas há uns 4 anos atrás, o número de visitantes aqui do site era na casa de centenas. Atualmente, mais de 25 mil por dia. hehehe

    Pareço vendedor dessas pirâmides (tipo Herbalife! rs), mas onde vou, qualquer brecha, apresento o site do Mises! Não dizem que a 'verdade nos libertará'? Então, vamos a ela!
  • Renato  03/02/2016 14:54
    Ótimo artigo! Mas, medidas de valorização da moeda não são a única maneira de trazer prosperidade a um país. Precisamos de uma direita forte e comprometida em enxugar impostos desnecessários e abusivos, que faça a máxima redução de cargos públicos, que elime totalmente todas as agências reguladoras, que efetue a privatização de todos os setores e abrace o livre mercado. Tudo isso impulsionaria facilmente a economia nacional em no máximo 5 anos, elevando exponencialmente o nosso IDH entre os melhores do mundo. O Brasil precisa urgentemente de uma doutrinação econômica ao modelo da escola austríaca.
  • cmr  03/02/2016 16:09
    O Brasil precisa urgentemente de uma doutrinação econômica ao modelo da escola austríaca.

    Doutrinação NÃO !!!!!!.

  • Anir Lopes  03/02/2016 15:18
    Concordo absolutamente com a relevância da sistemática desvalorização do Real e sua imediada implicação inflacionária. Penso também que a inflação possui uma grande base psicológica/especulativa/defensiva. O capital é volátil e arisco. Isso vale para o valor do trabalho também. Cada qual e todos conjuntamente buscam ampliar e salvaguardar sua riqueza; seja capital, trabalho ou ambos. Dessa forma, a moeda, como denominador comum de valor, está impregnada de riscos, temores, confiança, desconfiança, expectativas positivas e negativas e outros tantos elementos humanos psicológicos. Basicamente a moeda é influenciada por temores e expectativas...o mesmo ocorre com o trabalho e serviços. A inflação pode iniciar na faxineira para fazer frente a despesas para sobrevivência ao aumentar seu preço de R$ 100 para R$ 120, Logo a seguir o tomador do serviço impactado pelo aumento do custo resolve transferir para seus clientes (sempre com alguma margem de segurança) e assim sucessivamente. Afora a questão dos preços controlados ou mal controlados pelo Governo, entendo que uma inflação de 01 digito possui em sua receita o ingrediente humano, pois é fruto de decisões individuais (em aceitar e tolerar aumentos) e respectiva reação em cadeia. Se cada qual fosse intolerante com qualquer elevação despropositada de custos, valorizando a moeda, obviamente a inflação encontraria muito mais resistência à sua expansão. Sim, em grande parte somos culpados por não valorizarmos nosso dinheiro. Infelizmente é muito mais fácil e cômodo repassar custos à possibilidade do confronto direto e assim sucessivamente. Assim, em primeiro lugar precisamos ter razões para gostar e valorizar nossa moeda, da riqueza (energia) que temos em mãos. Nesse momendo entra em ação a forma de fazer isso: planos econômicos, atrelamento ao dólar entre outras. O importante aí é atacar o componente mental da inflação, fazendo o indivíduo acreditar que aquilo que possui em mãos é uma riqueza maior e como tal deve ser bem avaliada nas operações de troca. Infelizmente a conjuntura atual não oferece uma base suficientemente sólida para passar essa mensagem de confiança a empesários, investidores e população em geral. Simplesmente não há clima. Esse é o verdadeiro problema. Como criar o clima para uma medida ecconômica de grande magnitude? A troca de governo seria um deles; talvez o único.
  • mauricio barbosa  03/02/2016 17:26
    Anir lopes,a única coisa sensata que tu expressaste foi a mudança de governo que já passou da hora,ontem dilma foi vaiada no congresso nacional e cunha não foi vaiado ou seja dilma já era e cunha mais forte do que nunca a não ser que aconteça algum fato novo que de sobrevida a ela,pois a política é uma caixinha de surpresas agradáveis e desagradáveis,quanto ao resto do teu comentário nada a ver com nada,pois quem infla a moeda é o Banco central e os agentes econômicos são meros repassadores desse ônus,afinal inflação de custos é consequência da inflação monetária e não o contrário como tu supõe...

    Um abraço e fico no aguardo.
  • Gabriel Medeiros  03/02/2016 15:21
    Brilhante artigo, Leandro. Muito esclarecedor. Assim como eu, acho que muitos outros estavam o esperando.
    Minhas perguntas são simples; A desvalorização do Real tem a ver com as nossas Contas Correntes na Balança de Pagamentos? E, um ajuste nas Contas Correntes vai fazer o Real voltar a se valorizar? Abraços.
  • Leandro  03/02/2016 17:34
    Não, isso não tem nada a ver.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1087

    O que gera desvalorização da moeda é a política do governo.

    Essa teoria de que a balança comercial ou o balanço de pagamentos determinam o câmbio é nonsense total. Tal teoria diz que, quanto mais o país exporta e quanto menos ele importa, mais valorizado será o câmbio.

    Desnecessário dizer que essa teoria é completamente estapafúrdia: se ela fosse verdadeira, todos os países da África, que quase nada importam, teriam moedas absurdamente valorizadas. A Venezuela, então, que exporta muito petróleo e não importa quase nada (pois o governo restringe), teria uma moeda que seria um portento. Aliás, o próprio dólar (os EUA importam muito mais do exportam, e têm déficits comerciais seguidos desde a década de 1970) estaria hoje esfrangalhado.

    O que determina a taxa de câmbio é o poder de compra entre as moedas, e não saldos de balança comercial.
  • Thiago q. Landi  17/02/2016 09:39
    Eu acredito que a balança comercial importa sim.

    Por exemplo os Estados Unidos tem um gigantesco defict com a china. Então os empresários chineses tem todos esses doláres extras(centenas de bilhões). Se eles fossem trocar pelo yuan essa demanda maior faria o yuan se valorizar e muito frente ao dólar.

    Pórem o banco central chinês inflaciona o yuan e compra esses doláres. Fazendo o valor do yuan descer e o dólar subir.

    A consequencia é a china sentada numa montanha cada vez maior de dólares.

    A moeda da china poderia ser bem mais forte.

    A china é o hospedeiro e os estados unidos é o parasita.

    A china empresta trilhoes pros us. E não vai receber de volta.
  • Leandro  17/02/2016 11:16
    "Pórem o banco central chinês inflaciona o yuan e compra esses doláres. Fazendo o valor do yuan descer e o dólar subir."

    Isso não se constata na prática.

    O iuane ora se valoriza perante o dólar; ora fica estável. Foi só no último ano que, pela primeira vez em 2 décadas, o iuane se desvalorizou em relação ao dólar (e isso porque o dólar se tornou mundialmente forte).

    Mas da década de 1990 até meados de 2014, o iuane só se valorizou perante o dólar. Sempre.

    Pode conferir aqui:

    www.tradingeconomics.com/charts/china-currency.png?s=usdcny&d1=19960101&d2=20151231&type=line
  • Thiago q. Landi  17/02/2016 15:49
    O yuan é estável em relação ao dólar.

    Se chama peg.

    Para manter esta estabilidade o bc inflaciona o yuan e compra dólares.

    Os Estados Unidos exportam sua inflação pra china.

    A china tem mais de 4 trilhões de dólares em reservas.

    Caso não estivessem se empilhando de treasures o yuan já teria subido e muito em relação ao dólar.

    (Essa valorização) é o que vai acontecer no final quando a bolha no dólar estourar.
  • Gabriel Medeiros  17/02/2016 16:16
    Mas Leandro, se a China deixasse de acumular reservas o yuan não iria se valorizar muito mais perante o dólar?
    Eu ainda não entendi por que você acha que déficit na balança comercial ou nas contas correntes não influenciam na taxa de câmbio, sendo uma moeda uma mercadoria como qualquer outra.
  • Leandro  17/02/2016 17:23
    "se a China deixasse de acumular reservas o yuan não iria se valorizar muito mais perante o dólar?"

    O iuane iria, sim, se valorizar perante o dólar, mas simplesmente pelo fato de não estar sendo inflacionado.

    Perceba que não tem nada a ver com a balança comercial, mas sim com a política monetária.

    O fato de o BC chinês imprimir iuanes para comprar dólares e com isso manter uma determinada taxa de câmbio é, em última instância, uma política monetária, e não uma "balança comercial".

    O BC chinês imprime iuane para comprar dólares em decorrência do fato de o Fed imprimir mais dólares do que o BC chinês imprime iuanes.

    No entanto, a partir de 2013, com a política monetária do Fed se tornando mais restritiva, o dólar se valorizou mais que o iuane, mesmo com a balança comercial continuamente largamente positiva em prol da China.

    "Eu ainda não entendi por que você acha que déficit na balança comercial ou nas contas correntes não influenciam na taxa de câmbio, sendo uma moeda uma mercadoria como qualquer outra"

    De novo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1087
  • Thiago q. Landi  17/02/2016 17:43
    Bom não sei se essa resposta é pra mim, mas enfim eu nunca falei que o bc chines imprimir yuan fosse "balança comercial ".

    A politica monetária do fed tem tudo a ver com a balança comercial us-china.

    O Fed inflaciona, as pessoas pegam esse dinheiro novo e vao pro walmart, isso manda dólares pra china. E a china manda de volta produtos reais com valor real.

    Os Estados Unidos recebem produtos, e a china aumenta cada vez mais sua pilha de reservas.

  • Willian  03/02/2016 15:24
    Excelente artigo. Faz leigos em Economia como eu terem uma visão bastante clara do problema e da possível solução. Parabéns!!
  • Batista  03/02/2016 15:51
    Leandro,

    "(Aproveitemos que o prestígio do Banco Central nunca esteve tão em baixa — é criticado igualmente pela esquerda e pela direita —, demitamos toda a diretoria, extingamos todos os departamentos, e coloquemos ali apenas um único cidadão para fazer o mesmo serviço de Schacht. E uma faxineira)."

    Correto. A demissão do quadro dos funcionários do Banco Central poderia ser o primeiro passo. Aliás, um enxugamento geral da administração pública (órgãos, estatais, autarquias etc) contribuiria para melhorar a situação. Medidas delicadas, mas que mais cedo ou mais tarde acontecerão.
  • Marcelo  03/02/2016 16:03
    Este pseudo padrão ouro durou na Alemanha por quanto tempo? Foi de 1923 até quando?

    Tal arranjo de vender e comprar ativos, contraindo e expandindo a base monetária, para manter o valor de uma moeda estável em termos de ouro, simplesmente não é sustentável no longo prazo. Poderia ser usado como uma transição para um verdadeiro CB ancorado em ouro (com ouro físico nos cofres), mas esperar que tal arranjo dure por décadas é uma ilusão.

    O motivo da insustentabilidade de tal arranjo decorre do fato de que, no longo prazo, o BC ficará sem ativos. O BC necessita, nesse arranjo, de vender mais ativos do que comprar. A tendência é que o ouro sempre se valorize; então, o BC necessitará "enxugar liquidez" permanentemente. Só se "enxuga liquidez" vendendo ativos, e os ativos não são infinitos.
  • Leandro  03/02/2016 17:34
    "Este pseudo padrão ouro durou na Alemanha por quanto tempo? Foi de 1923 até quando?"

    Até o bigodinho resolver brincar de War com o resto do mundo. Aliás, até um pouco depois disso, quando o país já estava arrasado. É só pesquisar.

    "Tal arranjo de vender e comprar ativos, contraindo e expandindo a base monetária, para manter o valor de uma moeda estável em termos de ouro, simplesmente não é sustentável no longo prazo."

    Por quê? Qual o argumento para isso? Nos EUA, o preço do ouro em dólar se manteve incrivelmente estável (aliás, o dólar chegou a se valorizar) no período 1982 a 2001, quando o maluco do Bush resolveu fazer guerra. Não me consta qualquer tipo de problema.

    "Poderia ser usado como uma transição para um verdadeiro CB ancorado em ouro (com ouro físico nos cofres), mas esperar que tal arranjo dure por décadas é uma ilusão."

    De novo, por quê? Qual o argumento ou teoria?

    "O motivo da insustentabilidade de tal arranjo decorre do fato de que, no longo prazo, o BC ficará sem ativos. O BC necessita, nesse arranjo, de vender mais ativos do que comprar."

    Por quê? De onde veio essa especificação? Se você tem uma moeda forte e estável, e tem um claro compromisso com sua estabilidade, sua moeda rapidamente se torna demandada pelo resto do mundo. Ela se torna um porto seguro. Isso, por si só, já lhe garante uma contínua (e gratuita) robustez.

    Em tempo: o Banco Central de Cingapura faz exatamente essa política, só que, em vez de utilizar o ouro, utiliza uma cesta de moedas. E faz isso desde 1982.

    "A tendência é que o ouro sempre se valorize"

    De novo, por quê? Qual a teoria?
  • Marcelo  03/02/2016 18:10
    Então faz mais sentido criar um teto para o valor do ouro do que fixar o preço dele. Assim a moeda poderia inclusive valorizar-se facilmente em termos de ouro.
  • Thiago q. Landi  17/02/2016 17:30
    O ouro tende a se valorizar porque os bancos centrais do mundo todo estão inflacionando, existe muito mais papel do que ouro.
  • cmr  03/02/2016 16:05
    O povo brasileiro deveria, informalmente e escondido do governo, passar a transacionar em dólares, euros, libras, etc... ou qualquer moeda mais "confiável".
  • ANDRE LUIS  03/02/2016 22:41
    Em 1992, após o congelamento da poupança era comum a transação em ouro vivo.

    Nas cidades produtoras e no interior era comum pessoas irem ao mercado com um punhadinho de pepitas e uma balança debaixo do braço.

  • Guilherme Afonso Ferreira  03/02/2016 16:07
    Estive nos Estados Unidos em outubro de 2014 e em setembro de 2015. Na segunda vez, comentei com meu irmão que me levou para fazer compras no Tanger Outlet em Dalaware, onde havia estado em 2014: "estou 63% mais pobre de um ano para cá". Triste realidade!
  • PedroF  10/02/2016 03:22
    Meus pêsames ao irmão do Guilherme Afonso Ferreira. Ele definitivamente não representa os Estados Unidos...
  • Magno  10/02/2016 03:26
    Não entendi, Pedro.

    O Guilherme narrou que, ao voltar aos EUA em 2015 depois de ter estado lá em 2014, ele se descobriu 63% mais pobre em decorrência da desvalorização do real perante o dólar, o que encareceu sobremaneira suas compras.

    E ele apenas comentou isso com o irmão.

    Qual foi a sua encrenca?
  • Ederson  03/02/2016 16:13
    Leandro,

    Seus textos são realmente bem estruturados, didáticos e com uma fundamentação científica excelente. Mas, se possível, considerando que sua sugestão de ancorar o Real no Ouro, apesar de fundamentada tecnicamente, não ocorra (alta probabilidade), poderia esclarecer:

    Se (falta de) confiança no Banco Central é outro fator "crucial" no enfraquecimento da moeda e o BACEN tem basicamente a taxa de juros como ferramenta para controle da inflação, não estariam certos os que defendem a elevação da taxa de juros como "demonstração de força do BACEN" e de que fará o que for preciso para controlar a inflação (ou seja acalmar as expectativas)? Como você mesmo comenta...seria apenas um efeito psicológico...mas confiança não é basicamente um fator psicológico!

    Não seria essa (aumentar juros) a única alternativa que o BACEN teria, já que não tem poder sobre a política fiscal, por exemplo?
  • Leandro  03/02/2016 17:37
    "Se (falta de) confiança no Banco Central é outro fator "crucial" no enfraquecimento da moeda e o BACEN tem basicamente a taxa de juros como ferramenta para controle da inflação, não estariam certos os que defendem a elevação da taxa de juros como "demonstração de força do BACEN" [...]? Como você mesmo comenta...seria apenas um efeito psicológico...mas confiança não é basicamente um fator psicológico!"

    Tendo na presidência do Banco Central um sujeito completamente submisso, inócuo e apagado, sem nenhum histórico fora da burocracia estatal, sem voz própria e sem nenhuma presença impositiva? Um cidadão que faz isso praticamente chorando e que não se importa em ser visto como um pau-mandado? Que confiança ele transmite?

    Se duvidar, quanto mais esse indivíduo de aparência cômica, de rosto rotundo, fala mansa e com uma vultosa protuberância ventral subir juros, pior vai ser a percepção. As pessoas vão pensar: "se esse inútil tá subindo juros assim, pode saber que a coisa tá pior do que parece. Vamos correr pro dólar!" Puf, e aí o real desaba ainda mais.

    "Não seria essa (aumentar juros) a única alternativa que o BACEN teria, já que não tem poder sobre a política fiscal, por exemplo?"

    Sim. Mas não com aquela triste figura em sua presidência.
  • Gaviria  03/02/2016 18:04
    Esse aí agora toma pito até do BC da Colômbia... que humilhação.

    Política monetária do Brasil é "exemplo espetacular do que não se deve fazer", diz BC da Colômbia

    www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/4574260/politica-monetaria-brasil-exemplo-espetacular-que-nao-deve-fazer-diz
  • Ederson  04/02/2016 11:42
    Perfeito, estamos alinhados. Obrigado por sua atenção!
  • Missionário Americano  10/02/2016 04:07
    O Tombini está mais perdido do que cego em tiroteio.

    O cara disse que os juros são altos por falta de educação financeira. Eu acho que o Tombini está precisando de educação financeira.

  • Joaquim Saad  03/02/2016 16:17
    Belo texto, como de costume do autor que creio ser o maior responsável pela crescente audiência deste site !

    Quanto à passagem "...déficits orçamentários do governo são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, os quais são majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de dinheiro...", pergunto: diferentemente da multiplicação monetária ocorrida no exato instante em que bancos concedem empréstimos a pessoas e empresas, a aquisição de títulos diretamente do Tesouro pelas instituições financeiras nos leilões não se daria exclusivamente através do uso de recursos em espécie previamente disponíveis em suas reservas bancárias ?
    Neste caso, a criação de dinheiro iria se processar apenas posteriormente, quando (e se) os bancos eventualmente precisassem recompô-las, revendendo papeis públicos ao banco central que por sua vez estaria cumprindo "mandato" de manter a taxa SELIC abaixo de um limite máximo (ainda que bem elevado) ?

    Sobre atrelar o real ao ouro, essa ideia me deixou curioso em saber a opinião do Leandro e demais leitores do IMB acerca de potenciais alternativas neste sentido que estão surgindo por aí, como BitGold e Vaultoro...

    Abs.
  • Leandro  03/02/2016 17:38
    1) O tesouro faz o leilão de títulos;

    2) Os bancos compram utilizando suas reservas bancárias (recursos do saldo da conta-corrente que os bancos têm junto ao Banco Central);

    3) Ao fazerem isso, a quantidade de reservas bancárias dos bancos caem.

    4) Consequentemente, há uma pressão altista na SELIC, a qual tem de ser imediatamente corrigida pelo Banco Central, que faz isso comprando outros títulos em posse deste banco.

    5) As reservas bancárias são recompostas, mas o dinheiro anterior que estava ali agora está na economia.

    A quantidade de dinheiro na economia real aumentou.
  • Yonatan Mozzini  03/02/2016 16:38
    Leandro, bastante interessante sua proposta. Mas como mudança estrutural, se fosse possível, assim como você, sou a favor de uma reforma total do Plano Real, conforme fiz na minha monografia, conforme segue abaixo um resumo de lei:

    Lei do II Plano Real (baseada em Steve Hanke):

    1. A Caixa de Conversão do Brasil (CCB) é criada em substituição ao Banco Central do Brasil (BCB). O objetivo da CCB é emitir notas e moedas do real doravante plenamente conversíveis a uma taxa de câmbio fixa em ouro e dólar americano, e manter reservas estrangeiras suficientes para garantir as conversibilidades.

    2. Cada quantia monetária de R$ 1000 é plenamente conversível em US$ 140 mais 4 gramas de ouro. Dólar americano e ouro também se tornam moedas correntes no Brasil, juntamente com o real.

    3. A CCB é uma sociedade anônima, tendo como sócio majoritário a União; tem a sua sede legal na Suíça e estará sujeita às leis da Suíça.

    4. As notas e moedas emitidas pela CCB serão plenamente conversíveis em ouro e dólar americano sob demanda, a 50% ouro e 50% dólar americano, ou apenas dólar americano, baseando-se na cotação do ouro em dólar. A CCB não cobrará nenhuma comissão para a realização das conversões, que serão a partir de R$ 1000. As notas devem ser impressas fora do Brasil, de modo que a Casa da Moeda brasileira é extinta.

    5. A CCB não pode aumentar seus passivos monetários sem ouro ou reservas cambiais iguais a 100% do montante do aumento.

    6. A CCB realiza as suas reservas em ouro e/ou em títulos e empréstimos altamente cotados e líquidos, sendo expressos em ouro e dólar americano. As reservas físicas de ouro devem estar em um armazém de ouro certificado internacionalmente.

    7. A CCB remeterá aos seus sócios toda senhoriagem líquida para além do necessário para manter 110% de reservas internacionais.

    8. A CCB não pode realizar serviços bancários para o governo do Brasil, e não será responsável pelas obrigações financeiras do governo.

    9. Deixar de manter a taxa de câmbio fixa com o ouro e dólar americano deve fazer a CCB e seus diretores estarem sujeitos à ação judicial por quebra de contrato de acordo com as leis da Suíça.

    10. Todos os títulos públicos em posse do BCB são anulados. As reservas internacionais do BCB são repassadas ao CCB para lastrear a base monetária na cotação estabelecida. O restante das reservas é repassado ao Tesouro Nacional com estrito objetivo de abatimento da dívida pública.

    11. A equipe e a estrutura física do BCB serão repassadas às filiais da CCB.

    12. As leis existentes que estão em conflito com a lei são anuladas.

    13. Esta lei entra em vigor imediatamente após a publicação.
  • Erick  03/02/2016 17:03
    Excelente artigo! Até sinto uma alegria no coração em ver esses artigos falando sobre o Brasil, ainda que sobre coisas tristes, pelo menos eu entendo o que está acontecendo.

    Tenho algumas perguntas:

    1. O que nós, que entendemos isso que está ocorrendo em termos de carestia e desvalorização, devemos fazer individualmente? Comprar ouro?

    2. Em termos macroeconômicos no Brasil, o que vai acontecer? A moeda continuará a desvalorização e teremos uma depressão mesmo?

    Obrigado!
  • Guilherme  03/02/2016 18:45
    1. Foi o que fiz em 2013. E não me arrependo.

    2. Acho que já estamos vivendo isso, não?
  • Erick  04/02/2016 10:59
    Sim, verdade, já estamos vivendo isso hoje. Mas no futuro a tendência é isso se aprofundar ainda mais, correto?
  • Joaquim Saad  03/02/2016 17:21
    Apoiado também ! :-)

    Mas tanto a tua proposta como a do Leandro ou qualquer outra que realmente ataque o problema terão de lidar c/ o imbróglio do calote na atual dívida pública brasileira que inevitavelmente em algum momento se seguiria à implantação de um CB ou atrelamento do real a outras moedas e commodities, pois a consequência mais fundamental de reformas no sentido proposto seria a tão sonhada abolição do famigerado esquema que garante financiamento ilimitado ao Tesouro através da aquisição de seus títulos pelos bancos, operação sempre mantida como algo sem risco às instituições financeiras pela atuação de um banco central como "re-comprador "de última instância desses papeis, proteção que finalmente desaparecia. Certo ?
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/02/2016 18:13
    não tem calote nenhum.

    os bancos tornar-se-iam mais cautelosos na aquisição desses títulos (sem o bacen como garantidor permanente), tendo o governo mais dificuldade em colocá-los no mercado, o que já arrefeceria a irresponsabilidade fiscal.

    outra. os próprios bancos regulariam mais seus empréstimos, pois a livre flutuação da taxa de juros serviria automaticamente de freio às instituições, o que ajudaria no controle da criação de moeda inflacionária.



  • Joaquim Saad  03/02/2016 22:23
    Rodrigo Herrmann,

    Você descreve a meu ver corretamente a nova situação de equilíbrio c/ a extinção do emprestador de última instância, mas entendo que somente estaria descartada a hipótese de default se a transição do BC p/ CB (ou apenas o atrelamento do real a outras moedas e/ou commodities) fosse acompanhada da súbita e extremamente improvável eliminação do déficit nominal do governo, o qual do contrário em um dado momento não mais conseguiria financiar completamente um montante que hoje beira os 10% do PIB.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/02/2016 23:00
    Veja. Eu sou um dos que insiste na questão do déficit há algum tempo, em outros fóruns inclusive. Pra mim, no rumo atual, o país quebra. Não tenho a menor dúvida. Um déficit nominal acima de 10%pib, com juros reais de 6-7%, dívida bruta já em 66% e pib contraindo é caixão. não há saída. não há, mesmo que o pib estabilize e cresça um pouquinho. e neste sentido, um calote futuro pode ocorrer, porquê não?!

    na hipótese do atrelamento ao ouro, a inflação estaria rapidamente controlada pra um dígito baixo. o câmbio se estabilizaria (e ainda temos U$ 350 bilhões na Reserva). consequentemente, a tendência seria a curva da taxa de juros se inverter, e não demora estaríamos perto de um dígito novamente. voltariam a confiança e os investimentos estrangeiros em massa (o apetite pelo brazil hoje, mesmo nesse caos, ainda é bem razoável). a renda e a arrecadação do governo aumentariam. Neste cenário, não faz sentido falar em calote da dívida.

    é assim que eu vejo.
    se o próximo governo não for liberal, agregador, hábil e disposto, bye bye amigo.
  • Joaquim Saad  04/02/2016 00:49
    Penso que somente poderia ocorrer um default propriamente dito (i.e. declaração formal de insolvência c/ a consequente suspensão do pgto de ao menos parte do principal e dos juros da dívida total, que a propósito terminou 2015 acima de R$4,3 trilhões se forem devidamente considerados os títulos "livres" na carteira do BaCen, sem contar ainda o passivo de uns R$600 bilhões da Petrobras e da Eletrobras os quais eventualmente serão reconhecidos pelo Tesouro através da emissão de mais papeis próprios) caso o atual câmbio flutuante passasse p/ o regime "atrelado" ou então c/ a transformação da autoridade monetária em uma caixa de conversão, do contrário o ajuste certamente mais uma vez viria na forma de "calote branco" inflacionário já que até hoje não há restrição constitucional ou legal à elevação do endividamento público (obviamente nem muito menos qualquer disposição de algum dos poderes em se alterar tal arranjo, dada sua extrema conveniência tanto a políticos da situação como da "oposição", ambos completamente refratários à ideia de anunciar ao povo a cessação de seus "benefícios" bem como a quebradeira bancária geral de instituições repentinamente em condições muito mais difíceis de cumprir as exigências de capital).
    obs: por sinal, aquele esquema malandro de "equalização cambial" instituído pela lei 11.803/2008 por si só já contribuiu enormemente c/ o aumento "anti-calote" das disponibilidades financeiras do governo no BCB ao criar mais uma via espúria de transferência de dinheiro deste àquele (e desta vez super-potente, ao se basear na mera valorização contábil das reservas externas repassada ao Tesouro como "resultado operacional" deduzido dos prejuízos expansionistas nos swaps).

    Também concordo quanto a um cenário bem mais benigno após algum tempo da implementação de um CB, mas imagino que os juros que cairiam seriam os do livre mercado, pois os do interbancário tenderiam a crescer dada a majoração brutal de risco de papeis federais não mais monetizados de forma automática como antes por uma agência centralizadora normalmente incumbida de manter as taxas abaixo de um teto.

    ps: não consegui "sintetizar" o comentário, mas achei interessante a crítica à "aSeitação" olávica... ;-)
  • Rodrigo Pereira Herrmann  04/02/2016 01:26
    não tenho condições psíquicas de esterçar a primeira parte da questão agora.

    a moeda se estabilizando, o câmbio se estabilizando, com a inflação controlada, os juros interbancários não teriam maiores razões pra se elevar explosivamente. também haveria maior procura pela moeda brasileira, pela dívida brasileira, mesmo por um juro menor. não entendi seu ponto.

    quanto ao Olavo. Eu sou uma das pessoas que melhor conhece o pensamento do Olavo no Brasil, sem falsa modéstia. Eu acompanho esse sujeito há mais de 20 anos, desde meu período secundário, na primeira metade da década de 90 (por influência de um colega e parceiro chamado "Alexandre Nazi de Azevedo"). Nunca fui aluno, formalmente, mas já li tudo (eu tenho facilidade com filosofia). já troquei emails. já suscitei questões que acabaram em artigos (a parte técnica sobre o racionalismo cartesiano). aproveitei MUITO das indicações de autores e livros. acho que o Olavo tem seu mérito e seu lugar. na minha vida, com certeza. mas acho que ele cansou. não sei. acontece que enveredou por um caminho estranho, radical. o rigor intelectual se flexibilizou. as companhias baixaram drasticamente de nível moral/intelecutal (lobão, bolsonaro, kátia não sei do quê, aluninhos tal e coisa;...). Pra mim, a única coisa que interessa é o progresso das ideias e do país, acima de qualquer vaidade e projeto pessoal, seja de quem for. por isso a crítica. tanto mais válida vinda de quem muito elogiou. é isso. A glória filosófica do Brasil pertence a Mário Ferreira dos Santos, que eu reputo o maior filósofo do séc. XX. Em termos de intuição sobre a estrutura da realidade, rigor, técnica, e pendor filosóficos, nada se compara. NADA.

  • Joaquim Saad  05/02/2016 19:33
    Só agora vi tua resposta, tá difícil acompanhar as dezenas de e-mails atualizando os comentários neste artigo !

    O lance da elevação dos juros do interbancário é que, sendo essencialmente um mercado de títulos públicos, acabaria cedo ou tarde refletindo o aumento de risco de calote dos papeis federais na hipótese do governo não mais contar c/ um emissor (BC) ilimitado de moeda que antes era transferida indiretamente ao Tesouro via bancos comerciais até então protegidos pela manutenção de um teto p/ a taxa SELIC, e que p/ compensar um eventual fim dessa aplicação risk-free (seja devido à implantação de um CB ou mesmo de atrelamento a ouro/dólar) passariam a emprestar bem mais a pessoas e empresas em detrimento do estado, causando desta forma uma queda dos juros na economia "livre" (e.g. crédito p/ aquisição de bens, p/ investimentos, consumo, cartão, cheque, etc, atualmente bem acima da taxa básica do open market).

    Interessante o que escreveu sobre o Olavo, ainda conheço pouco sobre ele e essa galera toda que anda se estranhando por aí (Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Luciano Ayan, MBL, etc), mas encontro argumentos aparentemente bons de todos os lados p/ conseguir formar uma opinião mais forte a respeito (se é que um dia irei conseguir, pois sempre quando começo a me inteirar acerca do que pensam acabo voltando ao IMB, onde sinto que aprendo muito mais...:-).

    [ ]'s
  • Rodrigo Pereira Herrmann  05/02/2016 20:23
    "O lance da elevação dos juros do interbancário é que, sendo essencialmente um mercado de títulos públicos, acabaria cedo ou tarde refletindo o aumento de risco de calote dos papeis federais na hipótese do governo não mais contar c/ um emissor (BC) ilimitado de moeda que antes era transferida indiretamente ao Tesouro via bancos comerciais"

    na hipótese do "real ouro", ainda haveria emissão de Dívida e eventuais déficits governamentais.

    já num CB, não havendo um bc executando política monetária, aí complica pra o governo. mas ainda haveria expansão monetária e multiplicador bancário.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/02/2016 23:28
    e deixa eu te dizer uma outra coisa, que as pessoas normalmente negligenciam.

    o mercado é um ser infinitamente voraz e malicioso. ele não tem pressa. ele fareja carcaça de muito longe, e adora um animal agonizante.

    a gente do lado do mercado é dez vezes mais esperta que a gente do lado do governo. e, aqui a luta é dura, mais inescrupulosa. eles sugarão o que o país ainda gera de riqueza sem nenhum remorso ou clemência. e farão isso lentamente. eles adoram um socialismo bananeiro.

  • rlpda  03/02/2016 17:31
    será mesmo que a sugestão do padrão ouro mesmo sem ouro seria politicamente aceitável? vai convencer o lobby dos exportadores, agronegócio principalmente... depois convencer a equipe que está lá e que demonizou a simples ideia de BC independente... imagina um BC "esvaziado"... crime de lesa-pátria! de onde menos se espera é de onde não sai nada mesmo...
  • Juan  03/02/2016 18:11
    Prezado Leandro,

    Brilhante artigo! Me fascina como se analisa toda nossa problemática econômica observando os fatos e, partir deles, se aplica a teoria, sem achismos.

    A forma como os temas são abordados pelo IMB contribuiu para o surgimento do meu interesse por assuntos econômicos.

    Por fim ficarei grato se pudesse me indicar algumas literaturas para iniciantes em assuntos econômicos. Muitas vezes fica complicado acompanhar o raciocínio dos artigos devido a falta de conhecimentos básicos sobre economia.

    Grato!
  • PepePoA  03/02/2016 18:38
    Uma aula!! Artigo primoroso! Parabéns

    Uma dúvida um tanto básica, certa vez li um artigo de um economista onde este diferenciava carestia de inflação desta maneira:

    Inflação (de preços) = Aumento APARENTE dos preços, causado pela desvalorização da moeda

    Carestia = Aumento VERDADEIRO dos preços, causado pela baixa oferta do produto no mercado.

    Leandro ou quem mais puder esclarecer agradeço.

  • Leandro  03/02/2016 18:46
    Desconheço essa definição (e nem a entendi).

    Eis o vocabulário austríaco:

    Inflação = aumento da oferta monetária

    Inflação de preços = carestia = aumento de preços
  • Tullio Bertini  03/02/2016 18:49

    Oi, Leandro. Excelente artigo, pra variar.

    Só uma pergunta: o que você acha sobre o impacto de uma provável recessão da economia americana nesse primeiro semestre - e um novo QE - para a contenção da inflação e dos juros aqui no Brasil? Uma desvalorização do dólar nesse cenário seria uma boa para a economia brasileira?

    Grande abraço.
  • Leandro  03/02/2016 20:40
    Seria, sim. Mas, por ora, não visualizo isso acontecendo.

    Grande abraço!
  • Paulo Henrique  03/02/2016 19:06
    Perdão, mas a tese que a moeda perde força por falta de confiança no governo, na moeda, e no banco central, não refuta a ideia que inflação é somente aumento na quantidade de dinheiro disponível?
  • Amorim  03/02/2016 19:23
    Mas a definição precípua de inflação é: aumento da quantidade de dinheiro na economia.

    O que você está querendo discutir são as causas do aumento dos preços. Isso é outra coisa. Aí dá um bom debate.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/02/2016 19:45
    Se não houver aumento da quantidade de dinheiro em circulação (se a expansão da base monetária não se traduzir em empréstimos bancários efetivos e aumento de circulação de moeda) é impossível haver carestia generalizada e constante dos preços por tempo indeterminado. não adianta os empresários e prestadores de serviços aumentarem seus preços (por qualquer razão que seja, mesmo um repasse de insumos) se há escassez de dinheiro. os produtos encalhariam nas prateleiras, as pessoas deixariam de utilizar os serviços e muitas empresas simplesmente quebrariam. é o que está acontecendo hoje, quando a renda (que é um conceito mais amplo, mas tudo bem) da população e do país está diminuindo e a expansão do crédito está contida. aquelas atividades estimuladas pelo dinheiro inflacionário fictício dos bancos (públicos, principalmente) restaram insustentáveis, por falta de competência e de demanda, e a economia está se ajustando ao seu nível real. neste cenário, se o governo decidir expandir forçadamente o crédito (barboooosa), o efeito será exatamente uma pressão inflacionária, pois haverá mais dinheiro à procura dos poucos e mesmos bens produzidos.
  • Paulo Henrique  03/02/2016 21:28
    Porem, o Brasil está vivendo essa carestia de aumento de preços generalizados, e o crédito diminuiu sua expansão. Por que a moeda está perdendo força.

    Exemplo, de nada adianta eu criar uma única moeda, manter sua base monetária baixa, e ninguém quiser usar ela. Seu valor seria baixo(ou nulo) mesmo com quantidade restrita. Da mesma forma, o Real pode sofrer até uma retração monetária, se a confiança nele não restaurar, você vai ter uma carestia(recessão, porque o crédito não está expandindo), e aumento de preços generalizados..

    A não ser, evidentemente, que o Real esteja sofrendo expansão por outros meios(como financiamento de títulos públicos), porem, tem que ver se somente isso explica a inflação generalizada..




  • Rodrigo Pereira Herrmann  04/02/2016 00:07
    nós ainda vivenciamos a fase do ajuste. com o perdão do trocadilho, nós estamos caindo na real. a quebradeira e o desemprego representam isso. o crédito está mais ou menos contido, sim.

    há um componente inercial na inflação atual (o leandro comenta isso), e há a questão dos tais preços administrados (sem entrarmos em maiores discussões).

    agora, e como enfatizado nos artigos sobre CB, não há carestia generalizada por um período continuado sem a impressão permanente de moeda.

    você pode não confiar muito na moeda, mas pra nós ela é de curso forçado. qual a alternativa?

    quer aumentar os preços?! tudo bem, mas não vai encontrar pra quem vender, e esse drama é inescapável. daí você corta aqui, enxuga ali, assimila acolá, demite o fulaninho recém contratado, e chega a um ponto em que quebra.

  • Iniciante Libertario  03/02/2016 20:00
    Como explicar que na crise de 2008, uma recessão gerou carestia mesmo o Dólar se enfraquecendo no? Obg!
  • Leandro  03/02/2016 20:41
    Não entendi.

    Em primeiro lugar, em 2009, houve uma forte valorização do dólar, já que todo o mundo correu para os títulos públicos americanos. Consequentemente, e como não poderia deixar de ser, a carestia foi negativa em 2009.

    A partir de 2010, com as políticas de QE, o dólar perde força e a carestia cresce, chegando ao ápice em 2011. A partir daquele ano, os QEs são revertidos e o dólar volta a ganhar força, e a carestia cai, chegando às mínimas de hoje.

    Veja o gráfico do dólar em relação ao ouro aqui.

    Veja a evolução da inflação de preços nos EUA aqui.

    E veja a evolução da inflação de preços no Panamá (que utiliza o dólar) aqui.
  • Thiago q. Landi  17/02/2016 05:40
    A partir de 2010, com as políticas de QE, o dólar perde força e a carestia cresce, chegando ao ápice em 2011. A partir daquele ano, os QEs são revertidos e o dólar volta a ganhar força, e a carestia cai, chegando às mínimas de hoje.

    Sim o dólar subiu, mas baseado na falsa premissa que o fed ia subir os juros.

    O que vai acontecer a seguir: o fed vai cortar os juros de volta pra zero, e relançar QE4. O dólar vai cair de um precipicio.
  • Thiago q. Landi  17/02/2016 17:21
    O dólar subiu na falsa premissa que o fed ia embarcar numa campanha de aumento de juros, numa economia forte, em uma legítima recuperação economica, graças a ben bernake e o fed, que tiveram a "coragem para agir", e por isso nos salvaram do que poderia ter sido uma segunda grande depressão, agora ta tudo uma maravilha e eles vao subir os juros tranquilamente, provando que tudo está de volta ao normal.

    Na verdade nunca existiu recuperação só uma bolha gigante, baseada em QE e 0%juros, e no minuto que o fed tentar tirar o juros zero a bolha começa a deflacionar ai ferra tudo.
    Eu achei que eles sabiam disso e ficariam ameacando subir os juros, mas nunca subiriam de verdade. Mas eles foram burros e estouraram a propria bolha, agora tudo ta colapsando bolsa de valores perto de 20% de queda, ouro subiu 200 dólares, e a economia está indo rumo a recessão.

    Em breve ( meses, trimestres) as coisas vao ficar tao ruim que o fed vai ter de reverter e cortar os juros de volta pra zero.

    Pode ser aí que a bolha estoura (estamos tão proximos), quando estivermos de volta ao começo, de volta a recessão e bear market, e o fed cortando juros pra zero denovo.

    As pessoas vão pensar "perai, nós passamos por todo um ciclo econômico, recessão recuperação e de volta a recessão. Os juros estiveram em zero O TEMPO TODO, talvez esse é o novo normal, talvez seja 0% pra sempre e QE Infinity."

    E é aí que o dólar cai, aumentando a inflação e aí o fed vai estar com as costas na parede. Ele vai ter q subir os juros pra defender o dólar. E então a bolha estoura com calote do governo americano e todas as outras consequencias terriveis.

    Os recursos na economia americana estão super mal-alocados, esse processo de correção é doloroso.

    Enfim estamos todos f*didos, e o dia de pagar a conta por décadas de políticas monetaria e fiscal insana e erradas chegou.
  • Henrique Zucatelli  03/02/2016 20:18
    Leandro, boa tarde!

    O que acha de uma idéia que eu tive até mesmo para deixar em uma área na capa do site: um fluxograma dos ciclos econômicos, explicando como a utilização de moedas fiduciárias só existe para agradar os caprichos do Estado e suas políticas expansionistas. Ao mesmo tempo, colocar um fluxograma da estabilidade, em como funciona em um país com um Currency board.

    Não seria uma boa? Poderia ser até mesmo exportado para os outros Mises aí pelo mundo para ser utilizado em palestras, congressos e até mesmo ser esfregado na cara de certos governantes por aí, o que acha?
  • Felipe Lange S. B. S.  03/02/2016 21:19
    Depois dessas artimanhas do governo federal e sua turma, vou sentir saudades do primeiro governo Lula.

    Esperem mais inflação. Não como a hiperinflação (porque é impossível com a Lei da Responsabilidade Fiscal), mas é algo que vai destruir ainda mais o poder de compra dos brasileiros.

    Já tirei dinheiro do banco. Os juros são baixos demais e não compensa. Já rendem abaixo da inflação. Falando nisso, pergunto ao Leandro: por que a taxa de juros para poupança é tão baixa?
  • Thiago Teixeira  03/02/2016 21:48
    Excelente artigo, Leandro! Mais uma sacada genial. E simples, por isso mais genial ainda.

    Podemos compilar as várias propostas de reforma monetária que já apareceram por aqui:
    1) Padrão-ouro puro
    2) Padrão-ouro clássico
    3) Câmbio atrelado ao ouro [Rentenmark da República de Weimar]
    4) Câmbio fixo (currency board) ancorado ao dólar
    5) Dolarização
    6) Câmbio flutuante com moeda estrangeira concorrente [Peru]
    7) Câmbio flutuante austero [Deutsche Mark da Alemanha Ocidental]

    Ou seja, opções para todos os gostos... O que falta para resolver?
    Parar de ler literatura mainstream fracassada.
  • Pedro Morais  03/02/2016 22:28
    Leandro,sinceramente não entendi esta última parte:"Tal arranjo é instável por natureza, pois atrelar uma moeda fiduciária a outra moeda fiduciária (como o dólar) é um convite ao ataque de especuladores, que podem facilmente — por meio de operações cambiais — enviar e retirar dólares do país com o intuito de criar perturbações na taxa de câmbio e, simultaneamente, por meio de operações com derivativos, ganhar na arbitragem".Muitos conservadores dizem que a desvalorização de 1999 foi uma forma de favorecer os grandes bancos(principalmente o Citibank),de "pagar a divida da releição de FHC".Eu pensava que a desvalorização da moeda afetava os investimentos estrangeiros,pois diminuía a taxa de retorno.Poderia me explicar este mecanismo de "favorecimento por desvalorização cambial"?

    Obrigado!!!!!!!!!!!!
  • Andre  03/02/2016 23:07
    Pelo que entendi vincular a moeda ao ouro forçaria o governo a ter que manter os gastos sob controle. Então acho que vamos ter que esperar que quem for eleito para presidente em 2018 faça isso.
  • Analista de Bage  03/02/2016 23:15
    Só para lembrar aos amigos do Mises: o COPOM não irá decidir se vai baixar os juros até o fim de 2016... Ele já está fazendo isso desde janeiro/2015. Em termos de "juro real", saímos de uma taxa acumulada em 12 meses de 4,15% em dezembro/2014 para 2,34% em dezembro/2015. Manter taxa SELIC "estável" com índice de preços crescentes tem o mesmo efeito que "baixar" os juros. O Brasil não consegue manter estabilidade financeira alguma com "juros reais" abaixo dos 10% a.a. Essa é a infeliz realidade. Podem me criticar mas com esse jurinho pra inglês ver não se vai estabilizar moeda nenhuma... Comprem ouro!!! Se possível físico!!! Um abraço e boa sorte a todos!
  • Igor  03/02/2016 23:26
    Excelente didática, como sempre - ao contrário dos professores de economia que tive...

    Leandro, tem intenção de escrever algum livro de economia, tipo aquele do Robert Murphy, "Lessons for the young economist"? Daria bilhão e faria muitos leitores do IMB muito felizes.


    Abraços!
  • Fernando Ulrich  03/02/2016 23:52
    Magistral este artigo do Sr. Roque. Concordo plenamente que a taxa de juros, neste momento, não atenuará a carestia, podendo, inclusive, piorar o cenário.

    Mas, e é este é um grande MAS, a sua solução, na minha humilde opinião, está equivocada. Deve-se estabilizar a moeda em relação ao DÓLAR. Jamais ao ouro.

    Digo isso por um motivo simples: a moeda mundial, a unidade de conta, é o dólar. Ouro não é mais moeda desde 1973 (talvez antes) e por isso não deve ser usado para isso.

    Comprometo-me a fazer um artigo para criticar essa posição com detalhe. O Sr. Roque merece um texto à altura deste.

    Porém, já antecipo alguns pontos. A estabilidade do real perante o ouro na década de 90, como citada no artigo, é a mesma estabilidade do ouro em relação ao dólar. Por isso o real mostrou-se estável tanto em relação ao ouro quando em relação ao dólar nesse período.

    Quanto ao Rentenmark ter estabilizado seu valor em relação ao ouro, é verdade. Mas naquela época todas as moedas de países desenvolvidos viviam sob o padrão-ouro, muito embora alguns tivessem inflacionado a oferta de suas respectivas moedas nacionais e até cortado a conversibilidade em ouro por alguns anos após a I Guerra Mundial. A moeda mundial então, ou melhor, o padrão monetário então gravitava em torno do metal.

    Hoje não temos isso. E por mais ANÔMALA que seja a situação monetária internacional, a triste, mas inegável, realidade é que a moeda mundial atual não tem lastro algum, é administrada por burocratas e o mundo a usa há 40 anos. Ela se chama dólar.
    Indo mais além, é por isso que nenhum país deve atrelar sua moeda ao ouro se os EUA antes não o fizerem (assumindo como premissa que o dólar continua sendo a moeda mundial). Enquanto o dólar for a moeda de reserva mundial sem nenhuma ancoragem no ouro, nenhuma outra moeda deveria fixar seu valor ao metal.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  04/02/2016 00:30
    bah....

    nada mais saudável e evolutivo do que a dialética em alto nível.
  • Leandro  04/02/2016 00:53
    Concordo plenamente quanto à preferência pelo dólar em termos de âncora, mas aí tem de ser Currency Board (tanto é que coloquei essa como a primeira opção). E é por isso que sou um inflexível e irredutível defensor desse arranjo.

    Só que, além de ninguém querer, esse novo arranjo demandaria uma extensa (e demorada) alteração de legislação. O próprio estatuto do Bacen teria de ser radicalmente alterado, e isso, no Brasil, levaria muito tempo. E receio não termos esse tempo. Quando o celeiro está em chamas, a medida mais premente é salvar os cavalos, e não discutir novas arquiteturas para um novo celeiro.
  • Joaquim Saad  04/02/2016 01:00
    O lance é "[i]salvar os cavalos", ou seguir o "Cavallo" no "Domingo"? :D
  • Rodrigo Pereira Herrmann  04/02/2016 01:30
    so, explain for us ignorants, please.

    pois você critica o dólar pelo aspecto fiduciário de sua gênese. Why is that true only in a CB?
  • Fernando  04/02/2016 03:11
    Sinceramente não entendi as ressalvas do Sr. Ulrich em relação à ancoragem de moedas ao ouro. O maior risco de fazê-lo talvez seja sofrer sanções internacionais. Se tal política de manter o valor da moeda fixo em relação ao ouro se mostrar confiável, as outras moedas puramente fiduciárias sem lastro algum poderão sofrer fortes turbulências. De qualquer forma, é melhor termos uma moeda definida em termos de ouro do que em nada.
  • Thiago Teixeira  04/02/2016 07:15
    Bom contraponto do Ulrich, e excelente réplica do Leandro. O Leandro parece que já esperava algo nesse sentido, já colocou o currency board ancorado no dólar como primeira opcao...
    O argumento de que sendo mais simples de aplicar, apenas com medida executiva, independente do nosso bagunçado Legislativo, é um argumento fortíssimo.

    (Os debates entre vocês dois são sempre interessantíssimos de acompanhar. Queria ver o Leandro entrando um pouco mais na questão do Bitcoin, na área de comentários dos artigos do Ulrich)

    Um outro ponto importante seria de que forma o Brasil responderia aos ciclos economicos americanos, em uma abordagem ou na outra:
    No Currency Board ao dólar acompanharia o ciclo americano com certa atenuação, no cambio atrelado ao ouro, devido à oscilação inversamente proporcional da cotacao do metal em relacao ao dólar, estaria nas fases opostas do ciclo.
  • Fernando Ulrich  04/02/2016 14:57
    Leandro,

    Concordo em ter o Currency Board no topo da lista, mas, politicamente, não é nada viável mesmo. Contudo, ainda assim, minha lista de preferência para melhorar o arranjo do nosso Banco Central diverge da sua. Eu teria a seguinte ordem:

    1-Currency Board
    2-Liberação de moedas estrangeiras
    3-Real atrelado ao dólar (como defende a Monica)
    4-Real atrelado ao ouro

    Uma das razões da sua predileção de ancoragem no ouro é o maior potencial de ataques especulativos que um câmbio atrelado a uma moeda estatal geraria. Mas não concordo com essa premissa.

    Primeiro, a vulnerabilidade não está na ancoragem ao dólar, mas na incapacidade das autoridades monetárias em seguir à risca e com disciplina a política monetária da moeda âncora. Em miúdos, os ataques especulativos ocorrem porque os bancos centrais dos países são lenientes na emissão monetária, enfraquecendo os fundamentos da ancoragem e abrindo uma ótima oportunidade para os especuladores. O problema é a indisciplina das autoridades monetárias, não a ancoragem numa moeda estatal em sim. É problema de inflação monetária relativa – quem imprime mais dinheiro vai sofrer ataque especulativo.

    Segundo, atrelar o real ao ouro não o imuniza, nem mitiga, de ataques especulativos. Os derivativos usados para montar posições contra o real estariam disponíveis em qualquer sistema cambial, seja com âncora no ouro, seja no dólar.

    Terceiro, o potencial para ataques especulativos com ouro pode ser ainda maior, pois a disciplina monetária necessária para atrelar uma moeda nacional ao ouro – que como sabemos tem uma oferta rígida – seria enorme. Se um país como o Brasil mal consegue manter uma paridade com o dólar, imagina com o ouro. Acho ainda mais impraticável nosso Bacen conseguir implantar esse modelo.

    Não nos esqueçamos: o mundo está sob um padrão-dólar, não temos mais padrão-ouro. O ouro é precificado em dólares, e não o contrário. É uma anomalia? Sim, é. Mas é a inescapável realidade.

    O problema de atrelar uma moeda nacional a uma commodity que não é a moeda de reserva mundial, que não é a moeda corrente mundial, que não é o padrão-monetário, que não é a unidade de conta global, são as mesmas complicações do câmbio flutuante. Como a unidade de conta global é o dólar, como as commodities – bem como quase todos os outros bens e serviços mundiais – são precificadas em dólar, qualquer oscilação no câmbio entre o "real ouro" e o dóla gerará distúrbios nos preços relativos domésticos, causando perturbações na economia.

    Isso ocorre não apenas num câmbio em desvalorização – o caso atual do real -, mas também com moedas que se apreciam, o que tenderia a acontecer com o "real ouro" perante o dólar. Por sinal, isso foi precisamente o que acometeu o Banco Central da Suíça, que viu o câmbio do franco suíço em relação ao euro (e ao dólar) subir em demasia, decidiu impor um piso a cotação do euro em 2011, mas teve de desistir no ano passado ao ver o dólar (a moeda mundial) descolar do euro e se apreciar significativamente. Na verdade, o problema era a oscilação do franco com relação ao dólar, não ao euro.

    Depois responderem aos outros comentários aqui.
  • Leandro  04/02/2016 16:00
    "Primeiro, a vulnerabilidade não está na ancoragem ao dólar, mas na incapacidade das autoridades monetárias em seguir à risca e com disciplina a política monetária da moeda âncora."

    Concordo plenamente.

    "Em miúdos, os ataques especulativos ocorrem porque os bancos centrais dos países são lenientes na emissão monetária, enfraquecendo os fundamentos da ancoragem e abrindo uma ótima oportunidade para os especuladores. O problema é a indisciplina das autoridades monetárias, não a ancoragem numa moeda estatal em sim. É problema de inflação monetária relativa – quem imprime mais dinheiro vai sofrer ataque especulativo."

    Perfeito.

    "Segundo, atrelar o real ao ouro não o imuniza, nem mitiga, de ataques especulativos. Os derivativos usados para montar posições contra o real estariam disponíveis em qualquer sistema cambial, seja com âncora no ouro, seja no dólar."

    Os derivativos, sim.

    Só que quando a atrelagem -- atrelagem, e não ancoragem -- se dá em dólar, as brechas para ataques especulativos são muito maiores.

    Um BC que atrela sua moeda ao dólar sofre com muito mais facilidade ataques especulativos, pois mover bilhões de dólares para aquele país, e logo em seguida retirar, é muito mais fácil do que fazer isso com o ouro.

    É impossível movimentar, em ouro, o mesmo fluxo de volume de dólares.

    O que de fato pode acontecer é um movimento mundial, e coordenado, para derrubar o preço do ouro e prejudicar o país em questão. Mas isso seria muito mais atípico do que simplesmente mover dólares de um lugar para outro.

    "Terceiro, o potencial para ataques especulativos com ouro pode ser ainda maior, pois a disciplina monetária necessária para atrelar uma moeda nacional ao ouro – que como sabemos tem uma oferta rígida – seria enorme. Se um país como o Brasil mal consegue manter uma paridade com o dólar, imagina com o ouro. Acho ainda mais impraticável nosso Bacen conseguir implantar esse modelo."

    Concordo com a questão da disciplina monetária. Por isso defendo a total troca de diretoria do atual Bacen, seguida de seu remodelamento.

    "Não nos esqueçamos: o mundo está sob um padrão-dólar, não temos mais padrão-ouro. O ouro é precificado em dólares, e não o contrário. É uma anomalia? Sim, é. Mas é a inescapável realidade."

    Por isso minha preferência primeira pelo Currency Board.

    "O problema de atrelar uma moeda nacional a uma commodity que não é a moeda de reserva mundial, que não é a moeda corrente mundial, que não é o padrão-monetário, que não é a unidade de conta global, são as mesmas complicações do câmbio flutuante."

    O câmbio flutuante é disparado o pior arranjo (para economias em desenvolvimento e com governos esculhambados). Não há comparação possível.

    "Como a unidade de conta global é o dólar, como as commodities – bem como quase todos os outros bens e serviços mundiais – são precificadas em dólar, qualquer oscilação no câmbio entre o "real ouro" e o dólar gerará distúrbios nos preços relativos domésticos, causando perturbações na economia."

    Correto, mas, ainda assim, teríamos uma moeda bem definida.

    Investidores estrangeiros ao menos saberiam: "Ei, a moeda daquele país ao menos segue o valor do ouro. Na pior das hipóteses, sua oscilação será idêntica à oscilação do ouro. Isso é muito melhor do que investirmos em um país cuja moeda flutua igual a uma pluma bêbada, o que pode nos trazer grandes perdas em nossos investimentos".

    Isso é crucial. E isso é muito melhor que o atual arranjo. No mínimo, é mais propício a investimentos produtivos do que a especulativos.

    E, se levarmos em conta que, ao que tudo indica, o preço do ouro em dólares já alcançou o piso -- o que significa que de agora em diante a tendência de longo prazo é de valorização do ouro em relação ao dólar --, não há melhor momento para uma atrelagem ao ouro: nossa carestia seria aniquilada em um trimestre.

    Tudo certo quanto ao resto.
  • Fernando Ulrich  04/02/2016 16:44
    Se os EUA não retornarem ao padrão-ouro, atrelar o valor do real ao ouro não é uma boa. Primeiro atrelaria ao dólar.

    O valor do ouro tem sido bastante volátil nos últimos anos. O ouro é um ativo líquido, mas não é o ativo mais líquido e não é mais demandado como já foi no passado. Por não ser o ativo mais líquido, sofre com oscilações no mercado internacional.

    Imaginem se tivéssemos atrelado o real ao ouro em 2008/09. O real teria se apreciado cerca de 120% em dois anos (2011) e logo perdido cerca de 40% do valor nos 4 anos seguintes. Uma oscilação dessa magnitude não faria bem a nenhuma economia. Por mais que o real fosse considerado uma moeda forte.

    Repito: o mundo inteiro, liderado pelos detentores da moeda de reserva (EUA), deve retornar ao padrão-ouro para que o metal seja usado por algum país como padrão-monetário ou âncora ou atrelagem de valor.

    Mas não tenho dúvida, que dentre todos os arranjos propostos aqui, todos são melhores alternativas do que a desgraça atual.
  • Observador do Mercado  04/02/2016 16:54
    "Imaginem se tivéssemos atrelado o real ao ouro em 2008/09. O real teria se apreciado cerca de 120% em dois anos (2011) e logo perdido cerca de 40% do valor nos 4 anos seguintes. Uma oscilação dessa magnitude não faria bem a nenhuma economia"

    Isso dá uma valorização de 32% em 8 anos, uma média de 3,5% ao ano.

    Acho até bem módica. O próprio real, no período 2003-2011 valorizou-se muito mais do que isso em termos de dólar.

    Mais um argumento em prol do ouro.
  • Fernando Ulrich  04/02/2016 18:23
    Não estamos falando de retorno de um investimento, mas sim de um ativo para servir de atrelagem à moeda. Uma oscilação de 120% em um ano não é um argumento em favor do ouro para atrelagem a uma moeda, embora seja bom como ativo no portfolio de investidores. Portanto, não, não é um argumento em prol do ouro como atrelagem do real.
  • Observador do Mercado  04/02/2016 19:12
    Mas eu nao estou falando de investimento e sim de moeda forte. Uma moeda que valoriza 3,5% ao ano está tendo uma performance bem moderada, exatamente como uma moeda tem de ser. Nos estados unidos do século 19 era essa a deflação media ao ano.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  04/02/2016 18:09
    os argumentos do Ulrich não são muito persuasivos.

    e as razões do Roque não são assim tão firmes quanto num primeiro momento pareciam.


    portanto, ainda não temos uma definição clara a respeito.
  • Leandro  04/02/2016 18:50
    Só de curiosidade, exatamente em que ponto "desfirmei"?

    Sempre deixei muito claro -- ao ponto da monotonia -- que defendo os seguintes arranjos, nesta ordem de preferência:

    1) Currency Board;

    2) Livre circulação de moedas estrangeiras;

    3) Atrelagem ao ouro.

    O primeiro tem chance zero de ocorrer.

    O segundo tem mais chances que o primeiro (a legislação para isso seria extremamente mais fácil), mas também não visualizo;

    Já o terceiro pode ser implantando daqui a 2 minutos.

    Por isso, realmente gostaria de saber onde minhas opiniões deixaram de ser firmes.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  04/02/2016 20:04
    Leandro,

    quanto às predileções e sua ordem, tudo perfeitamente claro e entendido.
    quanto à coerência das opiniões, idem.

    estou me referindo ao debate "real ouro" x "real dólar". neste, e apesar de os pontos levantados pelo Ulrich não serem arrasadores, fiquei na dúvida.

    por exemplo. quão difícil, na prática, é a disciplina monetária necessária ao bom funcionamento do primeiro? nos casos de fortes oscilações em curto período de tempo na cotação do ouro, como exemplificado num comentário do U., qual o real impacto na economia? não representa acentuada vulnerabilidade ser um dos únicos (?) países do mundo a atrelar sua moeda nacional a uma commodity usada como ativo de proteção, cuja liquidez nem é a mesma de outrora?

    não é possível que a escolha entre um arranjo e outro seja apenas uma questão pessoal. alguém há de estar mais certo. mas quem?

  • Leandro  04/02/2016 21:28
    "quão difícil, na prática, é a disciplina monetária necessária ao bom funcionamento do primeiro [real ouro]?"

    Estatisticamente, ao menos para o Brasil, parece não haver diferença.

    Pode conferir no gráfico abaixo, que mostra a taxa mensal de variação do preço do ouro (linha amarela) e do dólar (linha verde). O gráfico está com uma média móvel de 12 meses.

    postimg.org/image/ye0pe3fsd/

    Aliás, a amplitude das variações do dólar é maior que as do ouro.

    Por isso, em minha opinião, parece que atrelar ao ouro é até um pouco mais fácil que atrelar ao dólar. O dólar, justamente por ser a moeda mais demandada do mundo, e por ter seu desempenho ligado a expectativas econômicas e às políticas do governo americano, sofre mais volatilidade diária do que o ouro. Qualquer notícia relacionada aos EUA já dispara uma série de compras ou de vendas de dólar.

    É comum, por exemplo, o dólar encarecer ou baratear mais de 2% ao dia.

    Já com o ouro você não vê isso com tanta freqüência (exceto, é claro, neste segundo mandato com que dona Rousseff nos agracia).

    Adicione a isso o fato de que ataques especulativos em dólar são mais fáceis do que com ouro, e a pergunta fica respondida por completo.

    "nos casos de fortes oscilações em curto período de tempo na cotação do ouro, como exemplificado num comentário do U., qual o real impacto na economia?"

    Primeiramente, como mostrado no gráfico acima, o dólar oscila tanto quanto -- se não mais que -- o ouro.

    Agora, respondendo diretamente à sua pergunta, é exatamente daí que vem a diferença -- crucial -- entre atrelagem e ancoragem. No câmbio atrelado, há bandas de variação permitidas. No câmbio ancorado (fixo) não há nenhuma variação. É por isso que câmbio fixo só é possível com Currency Board. Logo, as bandas de variação existem na atrelagem justamente para absorverem estes choques -- os quais, volto a dizer, são bem menos frequentes com o ouro do que com o dólar.

    "não representa acentuada vulnerabilidade ser um dos únicos (?) países do mundo a atrelar sua moeda nacional a uma commodity usada como ativo de proteção, cuja liquidez nem é a mesma de outrora?"

    A grande vulnerabilidade seria todos os países do mundo resolverem abandonar o ouro, desovando todos os seus estoques a preços de liquidação. Aí, de fato, a coisa pega. Só que isso, desde o início do mundo, nunca ocorreu. Pode ainda vir a ocorrer, mas nunca ocorreu.
  • Analista de Bage  04/02/2016 03:29
    Sr. Fernando Ulrich, boa noite! Com todo respeito ao senhor, sua experiência, assim como ao Sr. Roque autor deste artigo. Ancorar uma moeda ao dólar não seria se submeter à política monetária do FED? Ancorar uma moeda ao dólar não seria aceitar de vez a "crise do petróleo" de 1973? Pergunto isso, não com a intenção de denegrir a ideia da âncora cambial "dólar americano", mas porque o ouro sempre significou para mim um mínimo de previsibilidade e referência de valor. O dólar perdeu 99% de seu poder de compra no último século devido justamente a tão criticada e abominada política monetária. Sei que é melhor perder 99% do poder de compra em 100 anos do que em 20 anos mas mesmo assim eu não conseguiria confiar a liberdade monetária do povo ao dólar. Estarei completamente equivocado? Um abraço.
  • Fernando Ulrich  04/02/2016 16:28
    Sim, o dólar é uma moeda estatal gerida pelo péssimo Fed -- mas que é muito melhor que o nosso Bacen -- e por ser a moeda global, acho preferível para o Bacen atrelar o valor do real ao dólar do que ao ouro.

    O ideal seria o Fed vincular o dólar ao ouro, voltar a um padrão-ouro. Mas tampouco acho que isso vai acontecer.

    Melhor ainda seria os governos acabarem com todas as leis de curso forçado e deixar os indivíduos escolherem qual moeda usar. Mas isso tampouco vai acontecer.

    Dado que estamos fadados ao padrão-dólar por mais alguns anos, talvez décadas -- não acredito em hiperinflação ou colapso do dólar, o Fed deixa o governo dos EUA quebrar antes de aniquilar o dólar --, acho que é melhor atrelar nossa moeda ao dólar que ao ouro. Ouro seria a segunda opção.
  • Bruno Rignel  10/02/2016 19:03
    O estudo abaixo tenta desmistificar a hipótese de que o ouro possa servir como proteção para a inflação e variação cambial. De fato, o ouro foi um hedge natural ao longo de vários séculos, mas à medida que o padrão-ouro foi sendo abandonado, a correlação entre ouro x inflação perdeu o sentido. Desde o fim de Breton Woods, o retorno do ouro não possui qualquer relação estatística com inflação, políticas monetárias e/ou variações cambiais. Infelizmente o ouro passou a ser uma commodity como outra qualquer, apenas com uma previsibilidade maior sobre oferta/demanda o que consequetemente permite uma menor volatilidade quando comparada ao petróleo, minério de ferro etc.

    www.cfapubs.org/doi/pdf/10.2469/faj.v69.n4.1

    Parece que estamos falando a mesma coisa de maneiras diferentes. Qualquer coisa em que o real seja atrelado/ancorado parece ser infinitamente melhor que o real em si, sujeito às pataquadas do BC. O dólar será melhor, o ouro será melhor, uma cesta dos parceiros comerciais será melhor. Só não dá para atrelar à ação da Petro!





  • Magno  10/02/2016 19:52
    Fui ler a monografia pensando que era sobre políticas monetárias e moedas atreladas ao ouro, quando descubro que é simplesmente uma monografia falando que quem investe em ouro para se proteger da inflação deve saber o momento certo de entrar e sair. Não pode entrar na alta e nem deve sair na baixa -- uma obviedade.

    Ao lê-la, pensei: Duh! Até mesmo para comprar títulos públicos indexados pelo IPCA você tem de saber o momento certo para entrar e para sair (supondo que você não pretende ficar até 2050 com esse título). Se comprar um título na alta e vender na baixa, você pode perder dinheiro.

    Parece que está faltando assunto.
  • Bruno Rignel  11/02/2016 11:50
    Não concordo. Se você continuar comprado na B50 até o vencimento, você necessariamente terá uma proteção contra o IPCA, independente da variação do título ao longo do caminho. Se você comprar o título hoje, aconteça a o que acontecer, em 2050 você terá recebido 7.38% + IPCA a.a, seja lá qual for o IPCA, seja lá qual for a SELIC, seja lá qual forem os Fed Funds e por aí vai. Isso é hedge para inflação. Você não precisa comprar o título na baixa e vender na alta para se proteger, basta seguir comprado até o vencimento e torcer para que o governo não lhe de um calote.

    O artigo deixou claro que, como é impossível acertar o timining de comprar na baixa e vender na alta, o ouro deixou de funcionar como hedge para a inflação. A proteção funcionou por muito tempo, mas perdeu o sentido depois de 1971.
  • Magno  11/02/2016 12:03
    Acho que você não leu com atenção o que eu disse, pois eu fiz justamente essa ressalva.

    Vou copiar e colar o que escrevi, agora negritando a parte a que você se referiu:

    "mesmo para comprar títulos públicos indexados pelo IPCA você tem de saber o momento certo para entrar e para sair (supondo que você NÃO pretende ficar até 2050 com esse título). Se comprar um título na alta e vender na baixa, você pode perder dinheiro."

    E volto a repetir: se você comprar qualquer título indexado o IPCA sem ter a intenção de mantê-lo até o vencimento (você realmente planeja manter um título até 2050? Com as finanças do governo do jeito que estão? Boa sorte.), você tem si de saber quando comprar e quando sair.

    Com ouro é a mesmíssima coisa.


    P.S.: só de curiosidade, exatamente quando o ouro deixou de ser hedge contra a inflação? E em que país? Nos EUA, por exemplo, durante toda a década de 2000 ele foi hedge. No período 2012-2015, não foi. Este ano, está sendo de novo.

    Acho um tantinho prematura fazer uma declaração dessas com base em anos esparsos.
  • Bruno Rignel  11/02/2016 14:42
    Desde quando o ouro foi hedge para inflação na década de 2000? A inflação acumulada nos Estados Unidos no período foi de 30% e a valorização do ouro foi de 400%! Isso não é hedge, isso são pura e simplesmente dois preços subindo na mesma direção, só isso. A bolsa brasileira subiu 350% em dólar no período. Pela sua lógica, o IBOV em USD foi um "hedge" para o CPI americano. Não faz o menor sentido. O mesmo podemos falar sobre o preço do petróleo, minério e por aí vai.

    O ouro ser uma proxy para inflação é o mesmo que dizer que ambos retornos tendem a zero no longo prazo e isso não está acontecendo desde a década de 70. Enquanto um ativo sobe 30% (preços da economia) e outro sobe 400% (ouro) num período de 10 anos! Isso claramente não é hedge e eles são amplamente descorrelacionados.

    Novamente, você não precisa de timing para se proteger da inflação aqui no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Se o seu propósito é comprar NTNB na baixa e vender na alta, você não está procurando proteção contra inflação, você está tomando risco de um trade como outro qualquer. Não há a menor diferença entre operar NTNB dessa forma e operar opções do VIX.

    Num horizonte de 20 anos por exemplo, se você comprar uma NTNB ou quaisquer TIPS sim, você necessariamente terá uma proteção para inflação (assumindo que os governos não quebrem). Por outro lado se você comprar ouro, não há indícios estatísticos para afirmar que você estará protegido.
  • Observador  11/02/2016 14:55
    "A inflação acumulada nos Estados Unidos no período foi de 30% e a valorização do ouro foi de 400%! Isso não é hedge,"

    De fato, isso não é hedge. Isso é um puta de um investimento!

    Por que pensar em um mero hedge se o ouro traz um retorno líquido muito acima da inflação?

    Eu, assim como o Magno, pensei que você estava esse tempo todo dizendo que o ouro não protegia da inflação...
  • Bruno Rignel  11/02/2016 16:22
    Então vou me utilizar da mesma lógica de vocês. Pelo que falaram até agora, hedge é algo que sobe quando o outro sobe, simples assim! Olhando para a década de 2000, temos então vários hedges para o CPI americano, que subiu 30% no período: IBOV +350%, baita investimento, super hedge contra a inflação norte americana! Petrobras +750%, baita investimento, ultra hedge contra a inflação. americana! América Móvil, +750%, baita investimento, o hedge definitivo contra a inflação americana. Há uma lista interminável de maneiras como se proteger!

    Olhando de 2011 para e usando sua lógica do baita investimento (retorno passado = retorno futuro) vemos que o ouro caiu 33%, IBOV -75%, PBR -90% e AMX -50%, num período que a inflação foi de +20%. Perceberam? O retorno do ouro não tem nada a ver com a inflação do período. O motivo pelo qual ele subiu ou caiu, em nada se relaciona com a inflação. Eu sei lá quais foram os motivos (China, Dólar mais fraco no mundo todo, crescimento dos emergentes) mas definitivamente não foi o CPI americano que causou o "baita retorno" de 400%. Quantos aqui tem vontade de montar uma cesta com IBOV, PBR e AMX para se proteger da inflação norte americana? Imagino que ninguém, mas pelas explicações que vocês deram, esse basket não é um hedge, é algo muito melhor que um hedge e tão bom quanto ouro.
  • Magno  11/02/2016 16:43
    Santa Maria, quem foi que disse que o ouro está relacionado ao CPI americano?! Desconheço uma pessoa que tenha dito isso, e por um motivo muito simples: o CPI americano está longe -- muito longe! -- de ser um mensurador acurado para a real perda do poder de compra do dólar.

    Prova cabal disso é que, enquanto os preços dos imóveis subiam mais de 60% na década de 2000, o CPI mal saía dos 2%. Quem se baseia em CPI -- ou IPCA -- para saber a real perda do poder de compra da moeda está sendo um otário.

    Em tempo: já que estamos falando de longo prazo, desde 1971, que foi quando o dólar foi definitivamente desatrelado do ouro, o metal amarelo já se valorizou mais de 3.000% em dólares. Neste mesmo período, o CPI foi de 485%.

    Qual investimento de longo prazo bate o ouro? Se houver algum, anseio por saber.
  • Bruno Rignel  11/02/2016 17:09
    SPX. Desde 1927 o índice subiu 10300% vs 6065% do ouro.
  • Magno  11/02/2016 17:12
    Pedi desde 1971.

    De 1927 a 1971, o preço do ouro era praticamente fixo em dólares.
  • Bruno Rignel  11/02/2016 17:42
    Desde 1971: Nasdaq +4000% vs ouro +3200%.
    Não vai pedir de 1971 até 1980 pq daí é sacanagem!
  • Magno  11/02/2016 18:05
    Pára, né? Nasdaq tá praticamente parada desde janeiro de 2000, há 16 anos.
  • Bruno Rignel  11/02/2016 19:55
    Não entendi a ironia. Mesmo parado desde 2000 o Nasdaq está sim acima do seu magnífico ouro no período 1971 até hoje. O que acha de lastrearmos o BRL ao Nasdaq? Pela sua lógica faria todo sentido!

  • Rodrigo Pereira Herrmann  10/02/2016 20:30
    o real precisa estar atrelado a algo mais estável/não-sujeito-a-tantas-flutuações-políticas. This is the key point! porque nós somos incipientes instáveis volúteis orgíacos e irresponsáveis. e o outro is the best solution, porque, antes de qualquer coisa, é uma commodity, e brasileiro adora commodity.

    eu tive uma epifania causada por esse site maldito. o grande nó do brasil é a moeda! É a MOEDA, STUPID!

    Então, BCB independente!!! E real atrelado à porra do ouro, mermão!
  • Joaquim Saad  10/02/2016 21:31
    "Coin"modity já !
  • Rodrigo Pereira Herrmann  10/02/2016 21:31
    OURO, e porquês separados, viu stupid haters?!
  • Rodrigo Pereira Herrmann  10/02/2016 21:35
    e é volúveis, poha!
  • Tannhauser  04/02/2016 11:09
    Fernando,

    você poderia responder a pergunta sobre o bitgold feita por um colega mais acima.

    A proposta é interessante: um cartão de crédito com depósitos em ouro.

    Quando você compra algo, o ouro é convertido em real.

    O problema seria os impostos nesta transação.

    Já conhecia sobre o bitgold? Recomenda?

    Abraços!
  • Joaquim Saad  04/02/2016 12:38
    Pra mim o mais interessante desse BitGold (que comprou a GoldMoney) é a possibilidade de se adquirir ouro também c/ bitcoins e de poder transferir instantaneamente o próprio metal em quantias fracionárias a outro usuário deles p/ efetuar pgtos, dispensando assim taxas de conversões em moedas fiduciárias (USD, EUR e GBP, ou forex p/ outras currencies nas quais é possível sacar em ATM's, como no próprio real).

    O risco é a confiança em um third party p/ guarda dos bullions, de modo que o jeito é diversificar não apenas entre os vários vaults que eles mesmos disponibilizam p/ armazenagem espalhados pelo mundo, mas também entre outros concorrentes que prestam serviço semelhante, como Vaultoro (compra só c/ BTC), SchiffGold, Euro Pacific Capital (do Peter Schiff, que também oferece cartão p/ resgate de ouro e prata em diversos fiat monies), BullionVault, GlobalGold, GoldSilver, e até mesmo o contrato (à vista) de Ouro Disponível (OZ1D e OZ2D) da BMF, custodiado fisicamente no CitiBank, Safra, Santander, Brinks, BB e Casa da Moeda.
  • Fernando Ulrich  04/02/2016 16:55
    Perfeito, Joaquim.
  • Thiago Teixeira  04/02/2016 19:30
    Vou discordar do Hermann, para mim os dois lançaram argumentos fortes.

    O Ulrich soltou os dois melhores pontos, a dificuldade de realizar a atrelagem ao ouro, e a violencia das oscilacoes do ouro.

    Mas nada invalida a análise da realidade feita pelo Leandro: é mais fácil POLITICAMENTE de realizar a atralegem ao ouro do que a ancoragem ao dólar; nao feriria os brios nacionalistas dos políticos, e do eleitorado tambem.
  • Joaquim Saad  06/02/2016 14:24
    Grato pelo retorno, Ulrich.

    Bom saber que alguém como você avaliza o que depreendi até agora dessas modalidades de investimentos.

    [ ]'s.
  • Tannhauser  11/02/2016 12:01
    Grato.
  • Fernando  04/02/2016 00:02
    Isso parece normal para quem conhece outros países.

    A moeda valorizada permitiu a redução quase total dos juros em alguns países.

    Por mais que eles estejam emprestando dinheiro com certa irresponsabilidade, o fato é que somente os irresponsáveis, como a Grécia, conseguiu quebrarar a economia e as contas do governo.

    Baixar juros com um moeda desvalorizada é um tiro no pé.

    Falta pouco para negociarmos miligramas de ouro.
  • DKAL  04/02/2016 01:31
    Em sua visão, e partindo-se do princípio que seu artigo não influencie políticas públicas e fique apenas no campo teórico, qual a perspectiva de um calote da dívida?

    Trabalho com investidores externos e a pergunta é recorrente.

    Cenário atual:

    - Agências de risco em curto prazo condenarão unanimemente o Brasil ao grau especulativo, aumentando ainda mais o custo do $, dificultando rolagem de dívida privada externa.

    - Inadimplência bancária crescendo consistentemente, apesar de não em níveis alarmantes (não há quebradeira geral, pois com leis fiscais e FGTS industriais estão demitindo e antecipando soluções/congelando suas empresas).

    - Nível de atividade econômica em queda, apesar de incerteza política reduzindo gradualmente (Impeachment não vingará e Dilma continuará reinando até fim do mandato).

    - Expansão monetária intensa, com tesouro imprimindo moeda irresponsavelmente, como última ata COPOM informa.

    Obrigado e parabéns por nos orientar/informar/inspirar.

  • Conservador  04/02/2016 03:27
    Muito bom, Leandro.
  • Helio Angelo JR  04/02/2016 07:37
    O pior de tudo é que nossa presidente é economista! Prefiro o analfabeto do Lula de 2003 com Dr Henrique Meireles no comando do Bancen, o mesmo disse uma frase que nunca esqueci "Dinheiro não aceita insulto." O nosso Real no governo da presidente economista não foi apenas insultado. Foi simplesmente execrado! O mal de Lula foi querer entrar para história como um novo Getúlio Vargas, por suas políticas populistas e ter colocado como sucessora uma economista com notório saber em destruir a moeda nacional e o futuro do próprio partido dos trabalhadores. O próprio FMI afirmou que a crise no Brasil é interna e só haverá crescimento econômico a partir de 2018, ou seja, quando essa corja sair do Governo. Precisamos de um governo mínimo, o governo não economiza. Assim, não há moeda que resista.
    Quanto ao ouro, ele sempre será a moeda de reserva principal, apesar do dólar ser a moeda de reserva mundial. Não é possível que a humanidade tenha errado por mais de 5000 anos. Tempos atrás o dólar estava na bancarrota e o ataque era ao EURO, Ângela Merkel, afirmou em um desses ataques: "O EURO será salvo a qualquer custo." O recado foi dado e, os americanos pararam de atacar o EURO. De uma hora para outra caíram na real, arrumaram a casa, diminuindo a gastança pública e o dólar voltou a se valorizar. Não fou o Ouro que perdeu valor em relação ao dólar, foi o dólar que se apreciou. O ouro mantém seu valor intrínseco, isso é um princípio que poucos conseguem entender.
  • Patricia Moura  04/02/2016 08:54
    Se eu não me engano, ouvi um comentário dessa economista Mônica na cbn ontem... pelo que eu pude perceber ela compartilha de idéias progressistas.
  • Joaquim Saad  04/02/2016 12:02
    Gosto dos textos dela, mas uma vez a vi na TV defendendo o Piketty !
  • Taxidermista  04/02/2016 12:54
    De fato, prezado Joaquim; inclusive ela é a tradutora do Piketty para o português.
  • Joaquim Saad  04/02/2016 13:57
    Caro Taxidermista,

    Não pensei que chegava a tanto a relação da Baumgarten c/ "O Capital" do Piketty.

    Pelos artigos dessa economista, acho que c/ essa tradução ela deve tá mais interessada no capital do Piketty ! ;-)

    [ ]'s
  • Taxidermista  04/02/2016 15:41
    Caros Joaquim e Batista

    Em uma entrevista para um jornal esquerdista, ela disse ser uma "besteira" chamar Piketty de "marxista" ("ele é um social-democrata", afirmou), complementando:

    "A gente quase foi contemporâneo na London School of Economics, onde também fiz meu PhD. Somos da geração pós-muro de Berlim. Então, essa coisa de utopia comunista nada significa para um cara da idade do Piketty."

    Isso nos remete, claro, àquele ensaio do Rothbard/North:

    "O socialismo clássico já foi rechaçado; o inimigo agora é outro":

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2251
  • Joaquim Saad  05/02/2016 19:52
    É isso aê !

    As inserções do Taxidermista facilitam extremamente os debates que se queira ter em torno de inúmeros temas, já profundamente abordados nos diversos links costumeiramente inseridos em seus comentários...

    Valeu !

  • Taxidermista  05/02/2016 20:38
    Prezado Joaquim,

    agradeço as palavras; sempre que possível eu leio os seus inteligentes comentários.

    Abraço fraterno.
  • Batista  04/02/2016 15:02
    Capa:

    O C A P I T A L
    no século XXI

    T H O M A S
    P I K E T T Y
    TRADUÇÃO DE MONICA BAUMGARTEN DE BOLLE
    EDITORA INTRÍNSECA LTDA.
  • Sandro  04/02/2016 11:02
    Acredito que o nosso país será salvo mais uma vez sem o governo ter feito nada.
    Os EUA também estão em uma expansão monetária sem precedentes e acredito que em breve isso será destaque e o dollar perderá força perante as moedas estrangeiras, então, sem fazer nada, o Brasil será ajudado.
  • Tullio Bertini  04/02/2016 12:41
    To apostando nesse cenário também. abç
  • Nosebone  04/02/2016 12:16
    Prezado Leandro,

    Primeiramente, parabéns pelo maravilhoso artigo (já não é novidade).

    Tenho 2 dúvidas que considero um tanto quanto primárias, mas que vêm me incomodando há algum tempo:

    1- Por que países como EUA e Japão, apesar da sua enorme dívida pública não enfrentam/enfrentaram crises como a nossa e a grega, por exmplo? Devido à moeda ou pela economia ser bem mais dinâmica?

    2- Por que os bancos brasileiros reportam lucros cada vez maiores mesmo durante uma crise desta magnitude, enquanto o Deutsche Bank aprensenta um prejuízo de bilhões?

    Muito obrigado
  • Clovismr  04/02/2016 13:21
    boa tarde a todos.
    Nosenone, se me permite, li não lembro onde, um fulano não lembro quem, mas era famoso ... rsrs... também não tenho o link...kkk, disse que sempre que os bancos vão muito bem, os países vão muito mal. O cara colocou o lucro dos bancos como um indicador da saúde do país em questão.
    Passo a bola pra quem entende do assunto, Sr. Leandro.
  • Nosebone  04/02/2016 14:48
    Obrigado, Clovis. No entanto, a dúvida permanece.

    Abraços
  • Leandro  04/02/2016 16:06
    1- Por vários motivos, mas há dois que se sobressaem:

    a) Seus governos não têm fama de serem caloteiros (muito pelo contrário, aliás);

    b) A riqueza do país e a produtividade da população garantem a capacidade de pagamento contínuo dessa dívida;

    Você prefere emprestar dinheiro a um japonês ou a um grego? A um americano ou a um venezuelano (ou argentino)?

    2 - Desconheço os detalhes dos balancetes dos bancos alemães, mas o que posso afirmar de antemão é que realmente não há como eles ganharem rios de dinheiro emprestando a juros irrisórios para as empresas alemãs e tomando calote do governo grego.

    Já no Brasil, o lucro mínimo de um banco privado é o valor da SELIC, e essa aumentou ao longo de 2015 (alcançando o maior valor desde 2006). Aí fica realmente difícil não ter grandes lucros.
  • Thiago q. Landi  19/02/2016 06:15
    O que aconteceu na grécia foi que seus credores perceberam que o país jamais poderia pagar a divída soberana, então houve um forte aumento no juros da dívida o que quebrou o país.

    Você perguntou qual a diferença entre grécia e estados unidos.

    Nemhuma. Apenas a percepção dos credores. Quando os credores americanos cairem na realidade o us terá uma crise da dívida.



    "b) A riqueza do país e a produtividade da população garantem a capacidade de pagamento contínuo dessa dívida."

    De forma alguma Leandro.

    Caso os juros da dívida americana subissem meros 2 ou 3% isso já consumiria tudo que o governo coleta em impostos.

    Sendo que os Estados Unidos já tem um défict de mais de 1 trilhão de dólares por ano fora juros.

    Sobre os bancos europeus, eles estão sendo afetados pela política de juros negativos. O estímulo em vez de ajudar está causando dano. Mas não é só isso.

    Os bancos americanos também estão caindo, assim como os bancos europeus e outras instituições financeiras, assim como a bolsa de valores e junk bonds.

    PORQUE a bolha americana é sustentada por juros 0%.

    A sessenta dias atrás o fed estourou sua própria bolha. Ele aumentou os juros. Agora o ar está saindo da bolha.

    As coisas no mercado financeiro vão continuar piorando até o fed reverter esse rate hike. E voltar a juros 0%. Talvez negativo.

  • Andre  04/02/2016 13:23
    Leandro,
    Ah se a presidAnta te desse carta branca...
  • Fernando  04/02/2016 13:40
    Querem uma prova que o Mercado nem sempre consegue regular as coisas? pois eis: as taxas futuras do tesouro direto caíram vertiginosamente após a pressão do governo sobre o BC para diminuir a SELIC.
    Tem alguns aqui que disseram que o governo teria que pagar mais juros por conta da situação, mas não, o governo que ditou quanto da taxa ele está disposto a pagar.
  • Meligeni  04/02/2016 14:04
    "as taxas futuras do tesouro direto caíram vertiginosamente após a pressão do governo sobre o BC para diminuir a SELIC."

    Vertiginosamente? A menor taxa praticada hoje no Tesouro Direto é de 15,44%. A SELIC está em 14,15%. Isso é queda vertiginosa?

    Aliás, há títulos pagando 7,62% mais IPCA, que está em 11%. Isso dá um juro de 19,45%!

    Queda vertiginosa?

    "Tem alguns aqui que disseram que o governo teria que pagar mais juros por conta da situação, mas não, o governo que ditou quanto da taxa ele está disposto a pagar."

    Então o governo ditou que ele quer pagar 19,45% de juros?! Mas que governo esperto, hein?

    Você conseguiu a façanha de ser ainda mais ignaro do que os burocratas do atual governo. Parabéns, isso é pra poucos.
  • Joaquim Saad  04/02/2016 14:55
    Ou os juros dos mercados interbancários são livremente definidos pelos agentes, ou são estritamente controlados pela atuação de bancos centrais mantendo as taxas em um valor arbitrariamente pré-determinado (impedindo simultaneamente que fiquem aquém ou além desse nível).

    Sendo o BaCen e o Tesouro na prática quase que uma mesma entidade, a princípio qualquer alteração na taxa definida pelo primeiro irá se refletir nos juros pagos pelo segundo nos leilões, pois os intermediários (bancos comerciais) na transmissão de dinheiro criado por um em troca de títulos emitidos pelo outro não só lucram c/ qualquer spread (mesmo que mínimo, estabelecido tanto num cenário de taxas altas como baixas) entre os mercados primário e secundário como também são reféns convenientemente conformados da autoridade monetária neste arranjo onde ela poderia unilateralmente adotar medidas capazes de levá-los à imediata bancarrota (compulsórios, meta da SELIC, etc) caso colocassem empecilhos significativos à rolagem da dívida pública (e.g. recusando-se a subscrever papeis c/ retorno não muito acima do open market).

    ps: as dificuldades que o Tesouro teve em algumas emissões primárias em 2015 foi pq tentou não acompanhar o aumento na SELIC condizente c/ seu viés altista imposto pelo próprio BCB, a quem então os bancos acabaram recorrendo p/ aplicar seus recursos a taxas maiores (e pós-fixadas\"selicadas") e prazos mais curtos oferecidos nas operações compromissadas.
  • MMDC  04/02/2016 13:54
    Para mim o Brasil acabou. Eu não suporto mais ver São Paulo e o povo paulista sofrendo por políticas tomadas na esfera federal, na tão distante de nós brasília. Como paulista sinto que minhas pernas estão sendo constantemente quebradas pelo governo federal, que se comporta como um vampiro sedento de sangue e de controle.
    Existe chance de São Paulo conseguir se libertar do Brasil?
  • Joaquim Saad  04/02/2016 14:02
    Seria um belo mote p/ celebrar o centenário de 32 !

    Mas uma eternidade aguardar até lá pela secessão...
  • Pobre Paulista  04/02/2016 15:21
    São 16 anos até lá, temos tempo de sobra para o planejamento. Só não vamos pedir ajuda aos Mineiros, da última vez deu errado.

    Atualmente existem alguns movimentos organizados, inclusive contando com a participação de alguns diretores do IMB: Movimento República de São Paulo
  • Região Sul  04/02/2016 15:44
    Aqui no Sul também temos:


    www.sullivre.org/
  • Joaquim Saad  04/02/2016 15:59
    Valeu pelo link !

    ps: será que rola um "passaporte" ou um visto p/ o Leandro ? :-D
  • Thiago Teixeira  04/02/2016 19:38
    Secessão é a solução!!

    Olha que nao gosto de depender dos outros, mas penso que é mesmo São Paulo que tem que deflagrar o movimento.

    Creio que a tendencia natural em seguida seria o Sul seceder, talvez minas, rio e ES dolo depois... Aí após um tempo formar-se uma federação do Brasil do Sul em outros termos. Meu Nordeste, o Norte e o Centro-Oeste não sei como ficariam... Inicialmente o Nordeste ficaria bem abandonado e quebraria, no longo prazo nao arrisco chutar.

    Vamo lá, paulistanos! Contamos com vocês!!
  • isma.bezerra@gmail.com  04/02/2016 15:13
    "Segundo cálculos de consultorias", a minha pergunta é como essas consultorias econômicas ganham dinheiro? Uma empresa de contabilidade vende serviços administrativos, uma empresa de segurança privada cuida do patrimônio de empresas e pessoas físicas, uma dedetizadora vende serviços de eliminação de pragas. E uma consultoria econômica vende o que? Pelo pouco que eu leio aqui no Mises, não consigo enxergar a utilidade de uma consultoria econômica.
  • Coruja  04/02/2016 16:01
    O preço do ouro não se mantem "constante", ele oscila, principalmente em períodos onde existe maior compra para proteção de capital, dai que a oferta não é ''constante''.. Alem do que o preço dele é influenciado pelos ciclos econômicos, bastando ver seu preço antes da crise de 2008..

    Assim, daria para usar seu preço como régua para ver a desvalorização de uma moeda? Sendo que o próprio preço do ouro não é algo livre de interferências

  • Leandro  04/02/2016 16:20
    "O preço do ouro não se mantem "constante","

    Claro que não, e isso foi explicitado no artigo. O preço do ouro oscila de acordo com a moeda em que ele é cotado. Já a oferta de ouro é, sim, relativamente constante (cresce, em média, 2% ao ano, quando muito).

    "ele oscila, principalmente em períodos onde existe maior compra para proteção de capital, dai que a oferta não é ''constante''..."

    A oferta de ouro é praticamente constante (sobe, em média, 2% ao ano, quando muito). O que pode mudar é a demanda mundial por ele.

    "Alem do que o preço dele é influenciado pelos ciclos econômicos, bastando ver seu preço antes da crise de 2008..."

    Ué, em termos de real, de 2003 a 2008 o preço do ouro se manteve bastante estável. Já em termos de dólar, o ouro encareceu bastante, exatamente porque o dólar estava se desvalorizando muito à época.

    Você pode ver esses dois gráficos neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055

    "Assim, daria para usar seu preço como régua para ver a desvalorização de uma moeda?"

    Perfeitamente. Pode até haver mensurador melhor. Mas ainda não o conheço.

    "Sendo que o próprio preço do ouro não é algo livre de interferências"

    Quem interfere diretamente no preço mundial do ouro?

    A única maneira de "interferir" diretamente no preço mundial do ouro é alterando sua oferta (que é muito rígida) ou alterando sua demanda (todo mundo sai, coordenadamente, comprando ou vendendo ouro). Mas isso, por definição, não é interferência. É simplesmente uma oscilação de mercado.
  • mauricio barbosa  04/02/2016 17:20
    Esse coruja ou é um MAV descarado ou mais um que tenta defender o indefensável ou seja a economia é inflexível devido os recursos serem escassos portanto não depende de caprichos ou interpretações pífias em outras palavras:"Quanto MAIOR a oferta MENOR o preço e quanto MAIOR a demanda MENOR o preço,quanto MENOR a oferta MAIOR o preço e quanto MENOR a demanda MENOR o preço.Essa lei da oferta e demanda e sua implicações inversamente proporcionais é tão básica quanto o ar que respiramos pois quem só trabalha de graça é o relógio,"isso é lógico meu caro Wattsom".

    Coruja entenda isto de uma vez por toda o preço do ouro varia por causa da oferta e demanda do mesmo,agora é mais fácil ele oscilar de forma crescente do que decrescente devido sua oferta ser rígida ou trocando em miúdos ele oscila mas ao longo do tempo sempre para cima.Tendo isso em mente, vejamos como está se comportando o real em relação ao ouro,basta você olhar a trajetória do preço do ouro no gráfico do artigo,ele oscila mas sempre subindo e sem mais delongas um abraço e espero ter sanado sua dúvida ou não? ah!Só para não esquecer não acredite em teoria da conspiracão pois nem todas são verdadeiras e algumas são ridículas principalmente as socialistas(Eles não seguem a lógica são fanáticos e algumas vezes lunáticos).
  • mauricio barbosa  04/02/2016 21:33
    Observação:

    "Quanto MAIOR a demanda e oferta constante MAIOR o preço".
    "Quanto MENOR a demanda e oferta constante MENOR o preço"
    "Quanto MAIOR a oferta e demanda constante MENOR o preço".
    "Quanto MENOR a oferta e demanda constante MAIOR o preço"
  • Henrique  04/02/2016 16:58
    Juros altos no Brasil não se devem, em grande parte, ao lobby dos bancos?
    Não estão protegendo os interesses dos banqueiros?


    Abraços.
  • Olavo Setúbal  04/02/2016 19:06
    Ou seja, o lobby dos bancos funciona apenas e exclusivamente no Brasil, e em nenhum outro lugar do mundo? Nem no Haiti, Uganda, Sudão, Eritréia, Chade etc.?

    Caramba... Somos atrasados mesmo, hein?
  • Coeficiente 100%  04/02/2016 19:14
    Caro governista Henrique:

    e quem tem interesse em proteger os interesses dos banqueiros?

    O Governo.
  • Luis  04/02/2016 19:46
    Uma solucao seria a criacao de moedas privadas, como Hayek sugere.
    Mas qualquer sistema que seja proposto aqui, acho que nao vai ser lido por quem deveria ler.

  • Rhyan  04/02/2016 20:05
    Não entendi bem isso que aconteceu com a Alemanha. Pra que vincular ao ouro? Não bastaria congelar a base monetária? Ou congelar o M1, talvez.
  • Leandro  04/02/2016 21:47
    "Não bastaria congelar a base monetária?"

    Isso não apenas nunca foi feito em lugar nenhum do mundo, como também vai contra a liberdade e o livre mercado.

    Por exemplo, se a sua moeda é o ouro e uma mina de ouro é encontrada, escavada e o ouro é minerado e colocado em circulação, a base monetária aumentou. Para manter a base monetária congelada, você teria de proibir escavações de ouro.

    Já se você trabalha com livre concorrência de moedas, a simples chegada de uma nova moeda -- por exemplo, um cidadão com vem dos EUA com dólares no bolso -- está aumentando a base monetária.

    Logo, congelar a base monetária é contra a própria liberdade. Você só consegue congelar a base monetária tendo um Banco Central com monopólio da emissão.

    "Ou congelar o M1, talvez."

    Inócuo. Você congela o M1, as pessoas e os bancos migram para o M2 e o M3. Hoje, por exemplo, quem tem dinheiro em um fundo de investimento (por exemplo, um fundo Referenciado DI), que é M3, pode passar tranquilamente seu cartão de débito sobre esse fundo, pois o dinheiro funciona exatamente como se fosse da conta-corrente, que é M1.

    Muito mais importante do que a quantidade de moeda (uma variável, por si só, sem nenhuma função) é o preço dessa moeda em relação a uma commodity escassa (seu poder de compra).
  • Rhyan  07/02/2016 18:49
    Hum, mas o Bitcoin funcionará com essa lógica de fim de criação de moedas num dado ano. Isso seria ruim?
  • Henrique  04/02/2016 20:50
    Desnecessário dizer que trata-se de mais um brilhante artigo, Leandro. Vou evitar me repetir aqui (:

    Eu tenho uma dúvida em relação ao mecanismo de especulação que se dá no regime de câmbio atrelado. Na resposta a um comentário do Pobre Paulista acima, você escreveu:

    Os especuladores percebem e agem: de um lado, eles enviam dólares para o país, obrigando o BC a expandir a base monetária para evitar uma sobrevalorização da moeda nacional; de outro lado, e simultaneamente, eles retiram dólares do país, obrigando o BC a vender dólares da reserva e (em tese) contrair a base monetária.
    Mas como nenhum BC costuma contrair a base monetária (pois é recessivo), o que acaba ocorrendo é que a base monetária se expande, as reservas diminuem, e chega um ponto que o BC acaba abdicando de manter o câmbio atrelado. Aí a taxa de câmbio dispara e todo o arranjo se desmantela.


    Como essa prática é lucrativa?

    Entendo que, para se ganhar dinheiro com isso, o volume de dólares que os especuladores colocam no país tem que ser menor que o volume que retiram. Dessa forma, a exposição líquida em dólares seria positiva e, numa eventual desvalorização do real, eles ganhariam.

    Entretanto, como é possível retirar mais dólares do que se coloca no país? Afinal, para tirar algo de um lugar, alguém deveria ter colocado ali antes.
  • Leandro  04/02/2016 22:32
    "Como essa prática é lucrativa?"

    Short selling. Se você aposta que o real vai cair, e ele cai, você ganha com isso.

    Essa prática ocorre diariamente com moedas e ações.

    "Entendo que, para se ganhar dinheiro com isso, o volume de dólares que os especuladores colocam no país tem que ser menor que o volume que retiram."

    E é exatamente por isso que é impossível ter esse ganho num Currency Board (no qual a variação da quantidade de dólares é idêntica à variação da base monetária), mas é perfeitamente possível ter esse ganho em um regime de câmbio atrelado, em que a base monetária se expande em dissonância da quantidade de dólares.

    Com um regime de câmbio atrelado ao dólar, inicialmente a uma taxa de câmbio de 1:1, eis o que pode ocorrer:

    1) especuladores, diariamente, entram e tiram bilhões de dólares da economia deste país;

    2) Pelos motivos que expliquei acima ao Pobre Paulista, a base monetária se expande, e a quantidade de reservas ou fica na mesma ou cai.

    3) O ataque especulativo se intensifica. Dólares entram e saem, aos bilhões, diariamente. A base monetária segue se expandindo, tornando-se bem maior que as reservas.

    4) o governo faz de tudo para manter a cotação do câmbio, vendendo bilhões de dólares das reservas internacionais (como fez o BACEN no final de 1998, reduzindo-as de US$ 70 bi para US$ 36 bi);

    5) Chega um momento em que você aposta que o governo vai liberar o câmbio e este vai disparar. Ato contínuo, você faz uma especulação baixista, apostando que o real será desvalorizado em relação ao dólar (lembrando que, para fazer um short sell, você não precisa comprar o ativo contra o qual você está especulando; ou seja, você não tem de comprar reais);

    6) O governo finalmente joga a toalha, pára de vender reservas, e libera o câmbio;

    7) O dólar chega a R$ 2;

    8) Você então exerce sua opção: você compra reais a uma taxa de câmbio de US$ 0,50 por real (que é o atual valor do câmbio) e revende a US$ 1 (que era o valor inicial do câmbio, quando você fez a sua opção). Ou seja, você compra R$ 100 por US$ 50 e revende esses R$ 100 por US$ 100. É assim que funcional um short sell.

    9) Você teve um lucro de 100% com sua especulação baixista. Você trouxe US$ 50 ao país e está indo embora com US$ 100.

    "Entretanto, como é possível retirar mais dólares do que se coloca no país? Afinal, para tirar algo de um lugar, alguém deveria ter colocado ali antes."

    Espero que esteja explicado acima.

    O segredo de tudo é que, numa especulação baixista, você só adquire o ativo justamente quando exerce sua opção. Ou seja, você só adquire reais depois que o câmbio já se desvalorizou. Você adquire reais a um câmbio de 2:1 e o revende a um câmbio de 1:1. Você vem com US$ 50 e volta com US$ 100.

    Quanto maior for a desvalorização cambial, mais você ganha, pois você fez um short apostando justamente nessa desvalorização.
  • Pobre Paulista  04/02/2016 22:52
    Mas então, é impossível os especuladores zerarem todas as reservas, não? Não bastaria simplesmente não aumentar a base monetária neste caso? Ou seja, deixar a moeda se apreciar...
  • Leandro  04/02/2016 23:24
    "Mas então, é impossível os especuladores zerarem todas as reservas, não?"

    Se o BC tentar manter a atrelagem, sim.

    "Não bastaria simplesmente não aumentar a base monetária neste caso? Ou seja, deixar a moeda se apreciar..."

    Só que, durante um ataque especulativo, por definição, o fluxo de capitais é negativo, ou seja, há mais dólares saindo do que entrando -- tanto é que as reservas estão caindo.

    É assim que os especuladores pressionam o BC a soltar o câmbio para parar de queimar reservas. Eles sempre retiram mais dinheiro do que colocam. E é aí que, quando o BC decide liberar o câmbio para parar de queimar reservas, o câmbio dispara e eles ganham no short sell.
  • Andre  05/02/2016 11:02
    mas os especuladores à partida precisam ter reais no Brasil para comprar dólares certo? Ou seja, não são especuladores que nunca pisaram aqui, mas gente que já investiu muito dinheiro aqui e tem capacidade de vender quantidades bilionárias de dólares? Ou eu não entendi nada?
  • Leandro  05/02/2016 11:44
    Para cada especulador que faz um short, há um que faz um long. Trata-se de contrato entre duas partes.

    Se eu aposto na queda do real, tem de haver outra pessoa apostando na alta do real. Se não houver uma pessoa apostando na alta do real, não há como eu apostar na queda do real, pois aí não há um contrato a ser fechado. Sempre há dois lados em uma opção.

    Ou seja, a contrapartida de quem faz uma especulação baixista é quem faz uma especulação altista.

    Para eu ganhar com a minha especulação, o outro especulador tem necessariamente de perder.

    Portanto, respondendo à sua pergunta, eu compro os reais -- ao câmbio desvalorizado -- do especulador que fez a opção pelo long e revendo para ele -- ao câmbio anterior, valorizado -- esses mesmos reais em troca de dólares. E vou embora com meus dólares. E ele toma o ferro com os reais.
  • Henrique  05/02/2016 12:46
    Grato pela resposta, Leandro.

    Só para eu tentar colocar em termos que eu compreendo melhor:

    "Você então exerce sua opção: você compra reais a uma taxa de câmbio de US$ 0,50 por real (que é o atual valor do câmbio) e revende a US$ 1 (que era o valor inicial do câmbio, quando você fez a sua opção). Ou seja, você compra R$ 100 por US$ 50 e revende esses R$ 100 por US$ 100. É assim que funcional um short sell."

    Isso quer dizer que, em um dado momento, esse especulador pode comprar "CALLs" de dólares, esperando que o ativo se valorize e ele possa exercê-las e revender o ativo ao preço de mercado do momento (isto é um short sell?).

    Em uma outra possibilidade, o especulador pode comprar "PUTs" de real, com as quais o vendedor é obrigado a lhe pagar um valor X em dólares (ex. 1:1) na data acordada. Assim, se protegeria da queda do real caso não pudesse tirar o dinheiro do país antes da desvalorização do câmbio (isto é um hedge, correto?).

    Forte abraço.
  • Leandro  05/02/2016 14:26
    Exatamente.
  • Joaquim Saad  10/02/2016 17:19
    Leandro,

    Desculpe-me voltar à pergunta do Andre (05/02/2016 11:02:07), pois acho que ele de fato se referia ao mercado interbancário cambial à vista ("PTAX") do qual dependem as movimentações nos derivativos que você me pareceu abordar na resposta.

    A simples viabilidade (disponível a qualquer PF e PJ) de se utilizar contratos futuros (maioria esmagadora) e também opções (volume bem menor no Brasil) na especulação direcional e/ou de volatilidade em torno do preço do dólar não dispensaria de igualmente operarem no "spot" aqueles (presumivelmente) grandes participantes interessados não apenas em meramente apostar num determinado cenário a se estabelecer posteriormente (como faria um investidor pequeno) mas inclusive de tentar provocá-lo p/ lucrarem ainda mais e ao mesmo tempo em todos aqueles mercados (tal qual frequentemente fazem c/ as ações de Petro/Vale e suas calls, especialmente na aproximação dos vencimentos destas últimas), certo ?

    Sendo assim, no caso de supostos ataques coordenados a uma moeda conforme citou na seção do artigo referente às fragilidades de um regime atrelado, tais "tubarões" necessariamente não haveriam de já estar mantendo consideráveis posições compradas nela (à vista) a fim de então lograrem criar forte demanda efetiva por sua troca pela divisa estrangeira a favor da qual estariam atuando ? Do contrário, isto é, estando "zerados" naquela moeda cuja venda massiva seria realizada em seguida (comprando-se dólares, por ex) p/ provocar o maior consumo possível das reservas externas do banco central local (e posteriormente a desvalorização do dinheiro nacional c/a eventual capitulação da autoridade monetária), teoricamente eles no máximo conseguiriam causar o crescimento da volatilidade das cotações, mas não um efeito líquido de tendência (já que primeiro precisariam adquirir reais e depois revendê-los)...

    O fato de eventos como esses (ataques especulativos) estarem fartamente descritos na literatura econômica (sendo reconhecidos até pela EA, por sinal) sugere que se trata de grandes empresas (fundamentalmente do setor bancário) presentes previamente no país a ser "agredido" e já possuidoras tanto de enormes quantias do dinheiro que se busca depreciar bem como de volumes proporcionais de moeda estrangeira p/ praticarem transações entre elas próprias (os proverbiais trades "zé com zé") e c/ isso dispararem uma movimentação minimamente consistente e durável na taxa de câmbio utilizada como base p/ derivativos (de onde também extraem seus ganhos).
    Mas daí continuo vendo inconsistência c/ a crítica que eu mesmo fazia aos que denunciam manipulação nesse mercado (PTAX)...
  • Gustavo  28/08/2016 20:38
    Leandro, não entendi seu raciocínio. Se o dólar saiu de 0,5 por real, e depois ele fica a 1:1, então foi o dólar que perdeu valor e não o real. Precisarei desembolsar mais 0,5 cents de dólar pra comprar o mesmo real. A relação correta é, após o câmbio se desvalorizar, eu comprar a opção de volta por 0,25 dólares com o câmbio tendo uma relação de 0,25 cents de dólar por 1 real (real se desvalorizou pela metade).

    No caso: antes US$ a 0,5:1
    agora U$ a 0,25:1

    Eu saio ganhando 0,25 cents (0,5 - 0,25) por unidade de real. Daí sim eu entro com US$ 50 e saio com uS$ 100.
  • Leandro  28/08/2016 21:35
    Acho que você se embananou, talvez porque provavelmente não esteja a par de como funciona um short sell.

    No exemplo, o dólar não saiu de 0,5 por real e foi pra 1 por real. Ao contrário: foi o real que caiu de 1 por dólar e foi pra 2 dólar.

    Parece que você se confundiu com o item 8. Vou tentar ser mais claro.

    No short sell, quando algo se desvaloriza (no caso, o real), você compra esse algo que agora está barato e o revende pelo preço anterior, isto é, pelo preço vigente antes da desvalorização.

    Isso é short sell.

    No exemplo acima, quando o real se desvaloriza perante o dólar, você compra reais com dólares ao preço pós-desvalorização e então revende esses reais ao preço vigente antes da desvalorização.

    Exemplo:

    a) 1 real se desvalorizou de 1 dólar para 0,5 dólar (o que significa dizer que 1 dólar saltou de 1 real para 2 reais);

    b) ato contínuo, você compra reais a 0,5 dólar (preço atual) e revende esses mesmos reais por 1 dólar (preço vigente antes da valorização).

    Isso é short sell. Você ganhou dinheiro com a desvalorização de algo. No exemplo acima, seu lucro foi de 100%: você comprou real a 0,5 dólar (preço atual) e revendeu a 1 dólar (preço antigo).

    Consequentemente, os especuladores embolsaram os dólares (veja que toda a transação acima termina com o shortista recebendo dólares) e foram embora.
  • Gustavo  29/08/2016 11:30
    Humm... ok. Mas ainda assim, esse exemplo que você demonstrou difere do mecanismo que é sugerido na definição de venda a descoberto do wikipedia:

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Venda_a_descoberto

    No seu exemplo, você compra pra depois vender, já no descrito pelo wikipedia você vende pra depois comprar. E essa é a fonte de confusão que me deixou em dúvida.
  • Leandro  29/08/2016 12:14
    Gustavo, tanto a compra quanto a venda ocorrem simultaneamente.

    Ambas ocorrem quando o shortista exerce sua opção.

    Se você está short em algo, você poderá exercer sua opção quando esse algo baratear. Quando você decide exercer sua opção, a outra pessoa -- que estava long -- terá de comprar de você.

    Ou seja, quando o real se desvalorizou em dólar, a opção foi exercida: o shortista comprou a 0,5 dólar no mercado atual e revendeu para alguém que estava long a 1 dólar. Já esse alguém que estava long foi obrigado a comprar a 1 dólar do shortista e vender a 0,5 dólar, que é o preço atual.

    É assim que funciona o mercado futuro. Duas pessoas apostando em direções contrárias fecham um contrato futuro. Um irá perder e outro irá ganhar. E é por isso que esse mercado é chamado "a descoberto": tanto o shortista quanto o longista compram e vendem aquilo que ainda não têm.

    Por favor, estude esse tópico mais a fundo e você irá entender melhor.
  • Gustavo  29/08/2016 12:49
    Vou sim :) obrigado pelas respostas.
  • Vinicius   05/02/2016 00:04
    Leandro,

    Você utiliza esses conhecimentos em economia para investir? Se não recomendo muito que o faça.

    Com base no que escreveu, se nenhuma das soluções possíveis forem implantadas e tivermos realmente uma hiperinflação, no que você investiria sua "poupança". Como se proteger dessa insanidade?

    Muitos falarão comprando dólar, mas como o próprio texto fala, estaria trocando uma moeda regulada por uma autoridade central, por outra em que a autoridade controladora está um pouco menos insana.

    Já procurei saber de bitcon, mas se valorizou demais frente ao real.


    O que você nos sugere, meu caro oráculo?
  • Leandro  05/02/2016 11:44
    Ouro, dólar, franco suíço, e títulos atrelados à inflação (vários bancos pequenos e médios os ofertam). Quanto ao Bitcoin, isso é área do Ulrich.
  • Thiago q. Landi  05/02/2016 04:50
    Raciocinio lógico - questão 1: ache a contradição na afirmação a seguir.

    "Peter Schiff previu a crise de 2008, suas causas e consequencias, em tempo real e em todos os detalhes. Porém, nada do que ele fala hoje em dia importa."
  • Andre Cavalcante  05/02/2016 15:22
    Olá,


    "Peter Schiff previu a crise de 2008, suas causas e consequencias, em tempo real e em todos os detalhes. Porém, nada do que ele fala hoje em dia importa."

    O problema é que ele andou falando de hiperinflação nos "states" devido aos QEs do Fed e tals. Só que tal quadro não ocorreu, exatamente como o nosso Leandro, na altura, já dizia que não via possibilidade de tal fato porque os bancos americanos não iriam colocar essa dinheirama toda no mercado. E, para piorar a análise, o Fed passou a pagar juros sobre todo o dinheiro deixado lá nos bancos. Resultado, o Fed na prática criou uma outra taxa de juros de referência: a que ele paga aos bancos para manter o dinheiro nas reservas. Até quando ele pode manter essa política? Ninguém sabe (e aí aposte suas fichas aonde quiser...).

    Mas, como Schiff andou falando bobagem, muitos reportam que o sua "previsão" foi meramente uma jogada de sorte (vou apostar no azarento aqui só pra ver se cola... - e não é que colou?). Faltou um pouco mais de análise austríaca ao Peter.

    Abraços
  • Henrique  05/02/2016 17:14
    Não sei se concordo muito com isso.

    Talvez Schiff tenha falhado em comunicação, mas não dá pra descartar a hipótese de uma hiperinflação nos EUA se as rodadas de QE continuarem.

    Minha teoria: o maior erro dos críticos é achar que inflação = CPI (Consumer Price Index). Economias desenvolvidas, como a dos EUA, possuem um forte setor financeiro, do qual a maior parte da população participa ativamente. Ao contrário de países pobres e orientados ao consumo, como o Brasil, nos EUA é muito comum se tomar empréstimos para fazer investimentos e especulação. Acontece daí que a carestia não vai parar nos bens de consumo e sim no mercado de ações e de bonds. E é aqui que mora o maior perigo, pois é muito mais fácil perder fortunas com investimentos errôneos (possibilitados pelo crédito farto) do que quando seu dinheiro é comido mês após mês, ano após ano pela carestia de bens de consumo.

    Por que isso não está acontecendo com os EUA atualmente?

    Como muito bem apontado, os bancos estão sentados em cima de toneladas de reservas, sem intenção de mexer nelas simplesmente porque não há demanda por esse crédito.

    Mas o que acontecerá em um futuro hipotético no qual o otimismo volte a reinar na terra do Tio Sam e as pessoas passem a querer crédito? Será que esses bancos perderão a chance de ganhar dinheiro e se recusarão a emprestar suas gordas reservar pelo bem da economia?

    Em "tempos normais", o Fed poderia enxugar liquidez do sistema, deixando que a FFR subisse para controlar a demanda por crédito. Acontece que, depois das seguidas rodadas de QE, o Fed simplesmente perdeu o controle sobre a FFR.

    Quando todo esse dinheiro for despejado na economia, ele provavelmente não vai afetar tanto o CPI -- como seria no caso de medida semelhante sendo adotada no Brasil --, mas provavelmente irá causar uma nova e gigantesca bolha de ativos, da qual o Fed não poderá impedir o estouro brutal dessa vez.

  • Rodrigo Pereira Herrmann  05/02/2016 17:31
    o schiff recomenda a compra de ouro pela euro pacific capital...
  • mauricio barbosa  05/02/2016 20:18
    Peter schiff não está equivocado em criticar a política inflacionaria do fed,mas o erro dele se é que posso falar assim é que ele está errando o tempo para isso acontecer...É a velha mania dos economistas quererem prever o futuro e algumas vezes serem fatalistas e catastrofistas em excesso.
    Peter Schiff se não me engano opera com ouro,portanto esse clima de crise alavancam seus negócios,então é preciso cautela,muita cautela quanto a previsões catastrofistas ou previsões paradisíacas que é comum nos círculos socialistas(O comunismo ser o paraíso na terra e quando não acertam suas previsões a culpa é da mãe Diná) e uma coisa que aprendi nesta vida é isto,ter cautela em tudo o que se vai fazer pois os resultados são em sua maioria positivos e quando não são servem de lição para as próximas batalhas,um dos males de nós seres humanos é a teimosia,a pressa e precipitação nas decisões mais importantes de nossas vidas,pois o arrependimento costuma ser amargo ou tarde demais...Cautela sempre este é o meu conselho
  • Gabriel  08/02/2016 18:06
    O problema do Petter Schiff é que ele analisou os fatos com base no que ocorre normalmente, porém como já dito no próprio IMB, a utilização da remuneração das reservas em excesso na autoridade monetária para controlar a taxa de juros é algo totalmente inusitado, que não está em nenhum livro de macroeconomia.

    Mas nas ultimas semanas ele tem insistido que em decorrência do mercado americano ter entrado em declínio dificilmente o FED iria aumentar novamente as taxas de juros (nessa ele acertou, ao menos por enquanto), e também tem sido dito que há grandes possibilidades do FED realizar uma nova rodada de QE.
  • Leandro  05/02/2016 11:51
    Inflação -- IPCA -- fecha janeiro com aumento de 1,27%, muito acima da previsão dos economistas. Maior alta para o mês de janeiro desde 2003. Acelerou-se em relação a dezembro, quando havia sido de 0,96%. Em janeiro de 2015, alta foi de 1,24%.

    Já o INPC, que mede os preços para as famílias de baixa renda, subiu 1,51%. Em 12 meses, o acumulado é de 11,31%

    www.valor.com.br/brasil/4425874/ipca-de-janeiro-e-o-maior-para-o-mes-desde-2003

    Já o IGP-DI subiu 1,53% em janeiro.

    www.valor.com.br/brasil/4425708/inflacao-pelo-igp-di-atinge-153-em-janeiro

    Economistas seguem intrigados: "como é possível haver aceleração da inflação com toda essa recessão e com toda essa SELIC"?
  • Rodrigo Pereira Herrmann  05/02/2016 16:51
  • Joaquim Saad  05/02/2016 18:23
    Pois Zé !

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,esta-sendo-feita-uma-contabilidade-criativa,10000015066

    A Mônica "deu Bolla" pro Piketty mas acabou ecoando o artigo do GHBFranco abordando esse esquema velhaco de "equalização cambial" introduzido c/ a lei 11.803/2008 sobre o qual comentei mais acima...
  • anônimo  05/02/2016 20:13

    Explique-nos, Leandro por que o real se desvalorizou?

    Faço este questionamento, pois você atribui a carestia ao câmbio. Então, o que causou a desvalorização cambial?
  • Leandro  05/02/2016 20:27
    Há uma seção inteira no artigo voltada exclusivamente para isso. Chama-se "As causas do enfraquecimento".

    É só ler.

    E não, eu não atribuí a carestia ao câmbio. Leia a seção "A realidade".
  • Matheus  06/02/2016 17:26
    Leandro (ou outro que saber a resposta ),

    Já aprendi em seus artigos que câmbio flutuante gera várias incertezas aos investidores e frequentemente guerra cambial. E que o ideal (pelo que entendi) seria se todas as moedas fossem lastreadas em ouro. Eis que nessa semana o Piketi sugeriu que a América Latina adotasse uma moeda única. Não seria uma boa opção? O problema é apenas o poder do grande Banco Central? Se houvesse moeda única sem banco central seria algo bom?


    Abraços
  • Leandro  07/02/2016 01:43
    A moeda única seria gerida por quem? Se for gerida por suíços ou alemães, estou dentro. Se for gerida por brasileiros, argentinos e venezuelanos (que é o que irá acontecer), aquele abraço.
  • Rodrigo  06/02/2016 21:28
    Leandro,

    Nesse momento você optaria por uma dívida indexada em dólar ou CDI?

    Abraço!
  • Leandro  07/02/2016 01:45
    1) Títulos indexados ao IPCA;

    2) Títulos indexados ao dólar;

    3) Títulos prefixados;

    4) Títulos atrelados ao CDI.
  • Joaquim Saad  07/02/2016 01:52
    Credo ! Esse tal de IMB vicia mesmo !

    Não sei o que é mais impressionante: o Leandro responder em pleno sábado de carnaval, ou eu aqui acompanhando...:o
  • Ali Baba  07/02/2016 17:36
    @Leandro Roque,

    Brilhante artigo, como sempre. Fiquei com uma dúvida, no entanto: você está propondo um "padrão-ouro sem ouro" como alternativa que tem chance de passar em um momento de emergência como agora que dure pouco ou você supõe que tal sistema tenha chance de sobrevida longa?

    Explico: no livro que referiste (GTMP) o autor cita que um sistema desses (que ele chama de um padrão-ouro inconversível no "exemplo 3") tem sobrevida muito curta por que a conversibilidade em ouro é elemento necessário para manter a disciplina dos políticos e burocratas.

    Considerando o quilate dos nossos políticos, acho que essa afirmação se sustenta no Brasil. Se você propõe ele como um sistema de transição para resolver a urgência atual, transicionaríamos para o que? Um CB em ouro?
  • Leandro  07/02/2016 20:30
    Esse é um ponto que tem de ficar claro: não há nenhuma impossibilidade técnica. Há, isso sim, obstáculos políticos.

    Quando não há restituição, há brechas políticasque podem levar ao fim desse arranjo.

    Como bem diz o autor:

    "The better Classical economists have long understood that it was not actually necessary to hold any gold bullion, transact in bullion, or require redeemability in bullion, to operate a gold standard system. The important thing was the management of the supply of base money, such that the currency's value would remain at the gold parity."

    E então complementa dizendo que:

    "Gold standard systems that [did not have redeemability] have a tendency to be short-lived, not because it was technically impossible to operate such a system, but rather that, without the redeemability element, the currency managers would soon begin to ignore their obligations and deviate from the proper gold standard system management."

    Ou seja, não há nenhum problema técnico-operacional. Há, isso sim, um problema de incentivos políticos: sem restituição em ouro, de fato não há garantia nenhuma de que o BC irá se manter aferrado à política de manter o preço do ouro constante. De fato, não há. O BC pode, da noite para o dia, abandonar essa política ou desvalorizar o preço do ouro, e não há nenhum mecanismo que o impeça de fazer isso.

    Porém, isso não implica uma impossibilidade técnica do sistema, mas sim uma brecha para influências políticas.

    Por isso -- e lá vou eu de novo, pela enésima vez --, a minha preferência:

    1) Currency Board privado (ancorado ou em ouro ou em dólar);

    2) Livre circulação de moedas;

    3) Padrão-ouro sem ouro.
  • Fernando  07/02/2016 21:44
    No caso do Padrão-ouro sem ouro ou de um Currency Board, se a taxa de conversão escolhida fosse extremamente sobrevalorizada, os efeitos na economia seriam positivos ou negativos?

    Por exemplo: se escolherem uma taxa de R$75,00 por grama de ouro ou uma taxa de R$2,00 por dólar, o que aconteceria além da inflação desabar? A economia, no curto prazo, trabalharia bem abaixo da fronteira de possibilidades de produção; e, no longo prazo, haveria um boom alimentado pela poupança formada no início?
  • Ali Baba  08/02/2016 16:53
    @Leandro 07/02/2016 20:30:36

    Desculpe Leandro, mas acho que não me expressei bem e dei margem ao seu "pleonasmo de ideias".

    Entendo completamente que um padrão-ouro sem ouro não é sua primeira opção, mas sim uma opção rápida, mais palatável para os gostos dos nossos políticos do que as opções preferíveis, e que nos tiraria da atual enrascada em que o governo nos meteu sem muitas dores na implementação.

    Também compreendo completamente que não há dificuldades técnicas em sua implementação e que seu tempo relativamente curto de sobrevida se daria unicamente pq não há incentivos políticos para mantê-lo indefinidamente, como o autor do livro e como você mesmo já mencionaram exaustivamente.

    A pergunta é: dado que o padrão-ouro sem ouro é um sistema de vida curta, o que você propõe que seja seu sucessor? Já que sua primeira opção é um CB, e dado que estaríamos em um padrão-ouro sem ouro, transicionaríamos para um CB em ouro, ou um CB em dólar continua sendo mais fácil de implementar? Ou ainda, poderíamos pensar em uma livre circulação de moedas (sua segunda opção) como uma maneira de manter o padrão-ouro sem ouro por mais tempo (uma vez que a concorrência com outras moedas seria incentivo suficiente para o BACEN manter o padrão-ouro)?
  • Leandro  08/02/2016 17:36
    "dado que o padrão-ouro sem ouro é um sistema de vida curta, o que você propõe que seja seu sucessor?"

    Mas eu discordo disso. Até porque, se o problema com algo é que ele aparentemente será de curta duração por motivos eminentemente políticos, então todo e qualquer arranjo, por definição, também está propenso a sofrer do mesmo problema. Não há nenhuma solução que seja 100% blindada enquanto houver políticos com poder.

    Um CB privado, um CB estatal, livre circulação de moedas -- todos estes arranjos podem sucumbir por mera pressão política.

    Sendo assim, e por essa lógica, tudo acaba sendo uma grande perda de tempo. Vamos continuar com o câmbio flutuante, restando a nós apenas a torcida para os americanos elegerem um maluco e, com isso, o dólar enfraquecer.
  • Ali Baba  08/02/2016 18:04
    @Leandro 08/02/2016 17:36:23

    "dado que o padrão-ouro sem ouro é um sistema de vida curta, o que você propõe que seja seu sucessor?"

    Mas eu discordo disso.


    Agora entendi sua posição. Tinha simplesmente presumido que sua posição era oposta. Mea culpa.

    Quanto à interferência política... tendo a acreditar que uma liberação de moedas concorrentes é um caminho mais sem volta do que CB ou padrão-ouro (com ou) sem ouro. Uma vez que a população se acostume à circulação de outros meios de pagamento o estado teria de dar uma guinada totalitária e belicista súbita para voltar atrás.

    Até um CB é mais fácil de ser desmantelado politicamente do que isso. Mas isso é apenas minha opinião pessoal.
  • Joaquim Saad  07/02/2016 23:49
    Leandro,

    A inerente instabilidade de um câmbio atrelado não se deve exclusivamente à prática perdulária de financiamento dos crônicos déficits fiscais através de expansão monetária ?
    Afinal, naquele tipo de arranjo em vigor no início do plano real o Bacen ao menos em tese ainda poderia manter a base aproximadamente inalterada através de operações compromissadas e/ou definitivas de venda e compra de títulos públicos no p/ esterilizar as entradas e compensar as saídas de dólares promovidas por quem fosse incluindo especuladores, aos quais a atribuição de um poder capaz de criar e manter tendências cambiais parece-me contradizer a crítica à tese de que de fato teria havido manipulação neste mercado internamente no Brasil (PTAX)...
  • Leandro  08/02/2016 11:51
    Não é tão simples assim. A questão das reservas internacionais é crucial.

    Quando o Banco Central se compromete a vender dólares para manter a moeda nacional dentro de uma banda específica de valores, qualquer alteração na quantidade de dólares que ele tem em suas reservas já gera desconfiança e intranquilidade.

    Se você é o presidente do BC e vem a público dizer que a compra e a venda de dólares será o seu instrumento para manter o valor do real, então qualquer queda nas reservas internacionais gerará imediata desconfiança dos investidores internacionais, que compreensivelmente desconfiarão de sua capacidade de manter o valor da moeda e rapidamente retirarão do país os seus recursos -- se demorarem para o fazer, correm o risco de o fazerem apenas depois de uma grande desvalorização, o que lhes prejudicará sobremaneira.

    Sendo assim, a simples notícia de uma queda nas reservas se transforma em uma profecia autorrealizável: queda nas reservas gera desconfiança, o que estimula novas saídas de dólar, o que reduz ainda mais as reservas, até o momento do colapso final.
  • Joaquim Saad  08/02/2016 13:11
    Sendo a única função de um currency board emitir dinheiro rígida e exclusivamente lastreado em outras coisas (moedas/papeis soberanos estrangeiros e/ou commodities) que não a dívida do governo local, pode-se concluir portanto que uma medida intrínseca à implementação daquele regime (diferentemente de câmbio apenas atrelado ?) seria eliminar completamente dos ativos da "caixa de conversão" qualquer título público nacional a fim de garantir tanto a expansão como também - e principalmente - a contração "inelástica" da base monetária até o extremo em que ela pudesse ser efetivamente "mandada toda pra fora" (parafraseando teu reductio ad absurdum), isto é, não sobrando (e não se aceitando) mais nada (inclusive obrigações do tesouro do próprio país) p/ se colocar como contrapartida à criação pecuniária até que voltassem a ocorrer novas transações c/ o exterior (tornando desta forma efetivamente inócuos quaisquer "ataques especulativos") ?
  • Leandro  08/02/2016 15:24
    Correto.

    Por definição, um Currency Board não possui ativos nacionais em seus balancetes. Ele investe apenas em ativos de alta liquidez no país da moeda-âncora. Ele não adquire nenhum ativo do país em que opera — pois, para fazer isso, ele teria de criar reais para comprar ativos, mas ele só pode criar reais se receber em contra-partida a moeda-âncora.

    No balancete do Currency Board, os passivos são as cédulas e moedas metálicas que ele emite, e os ativos são aplicações de alta liquidez feitas na moeda-âncora.

    Por exemplo, um Currency Board que utiliza o dólar como moeda-âncora, teria em seus ativos aplicações em título do governo americano ou empréstimos no mercado interbancário americano ou mesmo no mercado interbancário de Londres. Um Currency Board que utiliza o ouro como moeda-âncora teria em seus ativos empréstimos no mercado de ouro de Londres e Zurique.

    E os passivos seriam exclusivamente os reais que ele emitiria a cada recebimento de dólar ou ouro. Seu custo real seria apenas o de trocar cédulas gastas e rasgadas por cédulas novas.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196
  • Joaquim Saad  08/02/2016 17:54
    No artigo do link conversamos sobre qual a base em reais que efetivamente teria de ser lastreada pelas reservas externas na implantação de um CB em dólares, mas analisando melhor penso que ao montante beirando uns R$600 bi que consideramos na ocasião teriam de ser somados uns R$900 bi relativos ao saldo em Dez/2015 das vendas de títulos do Tesouro pelo BC c/ compromisso de recompra (culminando c/ a obrigatória re-emissão em espécie "digital" a ser creditada nas reservas bancárias conforme tais operações fossem sendo revertidas), além de aproximadamente igual valor referente às disponibilidades em conta do governo federal na autoridade monetária ao final do ano passado (as quais muito dificilmente o estado iria se decidir por esterilizar resgatando papeis públicos mesmo que parcialmente, pois não apenas são remuneradas no maior caradurismo, como agora também vem sendo descaradamente empregadas no custeio direto de outras despesas a despeito das vedações estabelecidas na CF88 e na LRF2000).

    O "porém" é que, se for isso mesmo, então o par USD/BRL ainda poderia chegar a uns R$6,50/dólar ([600 + 2 x 900 and counting...]/370) considerando estritamente os (a)fundamentos atuais do real ?!
  • Leandro  08/02/2016 18:43
    "O "porém" é que, se for isso mesmo, então o par USD/BRL ainda poderia chegar a uns R$6,50/dólar ([600 + 2 x 900 and counting...]/370) considerando estritamente os (a)fundamentos atuais do real ?!"

    Mas isso não faz sentido. Não se estabelece taxa de câmbio tendo por base a quantidade de dólares (ou de ouro) nos cofres do Banco Central.

    A taxa de câmbio fixada é a taxa de câmbio vigente no dia em que o plano entra em vigor. Ponto.

    Agora, se a quantidade de dólares nas reservas não for o suficiente para lastrear a base monetária, então você tem de pedir empréstimos em dólar (ou para o governo americano, ou para o Banco Mundial, ou para o FMI, ou para quem quer que seja).

    Vale ressaltar, no entanto, que você adotou um critério extremamente elástico de base monetária, critério esse que não é contemplado em nenhuma literatura de Currency Board. As atuais reservas em dólar do Banco Central -- US$ 370 bilhões -- são mais do que necessárias para cobrir a base monetária "tradicional", que atualmente é de R$ 594 bilhões (considerando todos os compulsórios).
  • Joaquim Saad  08/02/2016 19:34
    Não deveriam ao menos ser contabilizadas as "repos" de bancos centrais (por ex, operações compromissadas da autoridade brasileira) de países como a banania cujos títulos passariam a carregar um risco bem maior de default subitamente c/ a implementação de um CB, e portanto c/ capacidade esterilizadora (do próprio TN nos leilões) bastante reduzida ?

    obs: por coincidência (?), se fossem descontados apenas os 900 bi da cta do governo no Bacen nesse "cálculo teórico" de proporcionalidade real vs dólar, teríamos 600 dos compulsórios + 900 das compromissadas / 370 das reservas externas = R$4,05/U$D, bem próximo do nível atual...
  • Apolonio  08/02/2016 18:06
    Correções:

    O link em "e 50% de 2003 a 2008." aponta para brasildebate.com.br/wp-content/uploads/grafico-porcentagem-extremamente-pobres.jpg

    Deveria ser www.brasildebate.com.br/wp-content/uploads/grafico-porcentagem-extremamente-pobres.jpg

    O link em "o fator dominante na redução da carestia." aponta para www.mises.org.br/2190

    Deveria ser www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190
  • anônimo  08/02/2016 18:41
    Leandro, é possível existir currency board de mais de uma moeda em um país?
    pode existir e é recomendável, não recomendavel ou impossível?
  • Leandro  08/02/2016 18:53
    Um CB lastreado em duas moedas? Impossível.

    É impossível você fazer o real ser fixo em relação ao dólar e ao franco suíço, sendo que o dólar e o franco são diferentes e variam constantemente.

    O real pode ser fixo em relação ao dólar ou ao franco, mas não pode ser fixo em relação ao dólar e ao franco ao mesmo tempo.
  • Gabriel  08/02/2016 18:48
    Olá Leandro, você sabe algum livro ou artigo que aborde especificamente essas operações especulativas contra o câmbio?
  • LaerciuS  08/02/2016 18:48
    Cara,até me "emociono" quando leio um artigo como esse.Assim como aquele sobre o Dólar/Guerra do Iraque o qual imprimi e já li umas cinco vezes embora o tenha compreendido claramente já de cara.Pena que sejamos um país com predominio de analfabetos funcionais.
    --
    É (?) de brincadeira,mas algumas postagens colocaram-no "para presidente".Talvez não seja tão "de brincadeira" assim.No Brasil cada vez que alguém faz alguma coisa técnica com grande competência,talento e/ou honestidade, as pessoas (mesmo alguns mais iletrados) só consegue enxergá-lo como um...POLÍTICO (como aconteceu no caso do Ministro Joaquim Barbosa,Sérgio Mouro...Silvio Santos...Pelé) hehehe,abraços e obrigado por escrever aqui.
  • Eduardo Almeida  09/02/2016 00:54
    Caro Leandro,

    Excelente artigo. Cheguei a ler alguma coisa sobre a hiperinflação alemã. Todavia não ficou claro para mim ,e não consegui saber a partir do seu artigo,como Hjalmar Scratch consegui convencer os agentes econômico que a nova moeda, o rentmark, manteria no seu valor em ouro,que tipo de ativos ele comprava para fazer isso. Não posso imaginar Trombini nesse papel. Ele cederia a qualquer pedido da presidente
  • Leandro  09/02/2016 14:23
    "como Hjalmar Scratch consegui convencer os agentes econômico que a nova moeda, o rentmark, manteria no seu valor em ouro"

    Ele não fez nada. Simplesmente anunciou que seria assim e o povo acreditou. Sugiro a leitura do livro "When Money Dies", linkado no artigo. Lá há toda a descrição.

    Aliás, foi exatamente -- sem tirar nem pôr -- isso o que também aconteceu com o real.

    "que tipo de ativos ele comprava para fazer isso"

    Fazia política monetária normal, comprando e vendendo papeis (títulos do Tesouro, debêntures, títulos agrários etc.).

    "Não posso imaginar Trombini nesse papel. Ele cederia a qualquer pedido da presidente."

    Concordo. Daí a necessidade de demiti-lo.
  • PedroF  09/02/2016 16:41
    Dedé pergunta, eu respondo: O Ted Cruz, candidato a presidente dos Estados Unidos, é adepto da Escola Austríaca de economia.
  • PedroF  09/02/2016 17:01
    A equação é até simples: manter uma moeda forte, saudável; organizar as finanças públicas pelo corte de despesas, enxugamento da máqauina, diminuição da carga tributária (sobrará mais dinheiro para a iniciativa privada investir), desregulamentação e abertura da economia, privatização das estatais. Não parece simples? Tem que mudar a constituição e eleger um presidente e um parlamento afinado com essas idéias. Aí, a coisa complica...
  • Eduardo Almeida  09/02/2016 22:54
    Caro Leandro,

    A relação entre inflação e depreciação cambial é absolutamente clara como também é por demais evidente que a politica de subir os juros não ira solucionara o problema. Resta, no entanto, por explicar as razões que levam a moeda [o real] a se depreciar. Na minha avaliação tal depreciação é fruto da desorganização das finanças publicas e da consequente escala da relação divida/PIB. A estabilidade da moeda no inicio do Plano Real parece ter sido consequência da politica de geração de um consistente superávit.
  • Lucas Amaro  10/02/2016 13:17
    Leandro,

    Há uma clara correlação inversa entre o poder de compra da moeda e o preço do ouro cotado nela. Todavia, há um ponto fora da curva: a apreciação cambial de 2009/2011. O preço do ouro subia e o dólar ficava mais barato.

    Isso acontecia por que o IPCA estava alto e a apreciação não era condizente com a nossa inflação interna? Podemos dizer, então, que antes de observar a força de uma moeda pelo câmbio devemos olhar pela inflação?
  • Leandro  10/02/2016 13:59
    "Todavia, há um ponto fora da curva: a apreciação cambial de 2009/2011. O preço do ouro subia e o dólar ficava mais barato."

    Na verdade, o que realmente estava "fora da curva" nesse período era a fraqueza do dólar: foi entre 2008 e 2011 que o dólar alcançou o fundo da latrina. As várias políticas de QE, bem como os enormes déficits do governo americano nesse período (que chegaram aos dois dígitos), destruíram o poder de compra do dólar.

    E você pode constatar isso de duas maneiras:

    1) Observar o preço do ouro em dólar (em meados de 2011, a onça do ouro chegou a bater US$ 1.900);

    2) Observar a inflação de preços em países que utilizam o dólar como moeda: Panamá, Equador, Hong Kong e, claro, EUA.

    Depois, a partir de 2012, as coisas foram voltando ao "normal".
  • Coeficiente 100%  10/02/2016 17:38
  • Leandro  10/02/2016 18:46
    Isso é hilário.

    No início de 2015, quando o dólar custava R$ 2,60, diziam que o "câmbio certo" era de R$ 3,60. Segundo essa gente, com a câmbio a esse valor, as indústrias iriam bombar.

    Bom, esse câmbio veio, foi ultrapassado, e as indústrias só fizeram afundar (exatamente como previsto pela teoria).

    Agora já estão dizendo que o "câmbio certo" é de R$ 5? Quando irão sossegar?

    P.S.: o mais legal é que, quando é gringo pedindo mais desvalorização, ninguém reclama de imperialismo e intervencionismo externo.
  • Coeficiente 100%  10/02/2016 18:57
    Obrigado por responder, Leandro.

    E bem lembrado: nessa hora a gente não vê nenhum esquerdista/desenvolvimentista/heterodoxo/mercantilista reclamando "duzamericanu"... (Pelo contrário, imagino que isso aí provavelmente já está sendo "usado" em algum "blog" governista com o "aval" de um Bresser Pereira...)
  • PedroF  10/02/2016 19:24
    Minhas desculpas oh Guilherme Afonso Ferreira. Entendi errado. Entendi que o seu irmão é que ficou mais pobre aqui nos USA.
  • Diego  11/02/2016 17:02

    A meu ver o problema principal não é o Dolar "alto" ou a "hiperinflação"! E digo isso com conhecimento de causa: A época da "hiperinflação" foi onde mais ganhei dinheiro pois meus serviços, como os de muitos outros, eram atrelados ao Dolar. Pode-se fazer bons negócios mesmo com hiperinflação, DESDE que se saiba de antemão como será o dia seguinte...

    A meu ver, os problemas principais, são: Incerteza monetária E absoluta falta de iniciativa do Governo em ao menos TENTAR resolver a economia, o que gera a "DEPRÊ" atual! O que me leva a seguinte especulação: Estará esse DESgoverno tentando arrastar esse País para uma Guerra Civil para, neste ponto abertamente implantar a Ditadura do Proletariado ??? Fica a pergunta! Comunistas, todo o mundo sabe, possuem verdadeira "TARA" por derramar o sangue alheio...
  • Allan  11/02/2016 21:15
    Leandro, e se o BC simplesmente congelasse a oferta monetária? Sem atrelá-la a nenhuma outra moeda/commodity?

    Obrigado
    Abraço
  • Auxiliar  11/02/2016 22:58
    Pergunta já feita logo acima pelo leitor Rhyan e já respondida pelo Leandro.
  • Allan  12/02/2016 14:26
    Opa. Obrigado!
  • Lucas  13/02/2016 11:54
    Parabéns pelo artigo. Aula de economia.
  • Gabriel Medeiros  13/02/2016 23:25
    Leandro, com a Selic mantida em 14,25% como fica a questão da rolagem da dívida? O governo conseguirá rolando com essa taxa ou vai ter de oferecer um juro maior nos títulos pré fixados?
  • Leandro  13/02/2016 23:37
    Todos os títulos prefixados estão pagando juros acima da Selic. A taxa mais baixa cobrada é de 15,65%.

    Já os títulos indexados ao IPCA chegam a pagar juros reais de 7,60%.

    www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-precos-e-taxas-dos-titulos
  • Gabriel Medeiros  14/02/2016 00:47
    Grato. Há risco da inflação explodir com isso? Digo, do governo, não conseguindo financiar seu déficit via venda de títulos, financia-lo via emissão monetária?
  • Anderson Jardim Ferreira  14/02/2016 03:56
    Leandro!

    Gostaria de te fazer uma pergunta, e se assim, você puder me responder. O que te faz acreditar que temos mais ouro do que antes, e porque você acredita que o mercado é o mais perfeito Alocador dos nossos recursos escassos aqui na Terra, e que nada diferente do mercado livre, possa fazer como tal?

    Desde já Agradeço

    Atenciosamente.

    Anderson Jardim Ferreira.
  • Leandro  14/02/2016 20:07
    "O que te faz acreditar que temos mais ouro do que antes"

    Ouro não evapora e nem vira éter. A única maneira de você "perder" ouro é se um navio naufragar e todo o ouro que ele carregava soçobrar e ficar no fundo do mar.

    De resto, a quantidade de ouro é imaterial.

    "e porque você acredita que o mercado é o mais perfeito Alocador dos nossos recursos escassos aqui na Terra, e que nada diferente do mercado livre, possa fazer como tal?"

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2191

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2194

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2189

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2136

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2156

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=417
  • Emerson Luis  15/02/2016 23:32

    Leandro:

    P- "As possibilidades de o Brasil viver novamente um período de hiperinflação alarmante e desastrosa como nas décadas de 1980-1990, são grandes, na sua opinião?"

    R- "Ainda não, pois, ao contrário daquela época, hoje o BC não pode financiar diretamente o governo. No entanto, se depender da qualidade desse governo, olha..."

    E até que ponto pode ir a recessão e a inflação se a Dilma continuar até o fim de 2018?

    * * *
  • bruno kuriri  16/02/2016 22:23
    Leandro, quando teremos o privilégio de o ver debatendo em programas como "roda viva" e "conta corrente", ao invés do Belluzo, Bresser e etc...

    Não aguento mais vê-los falarem as mesmas merdas de sempre, parece que já esqueceram o tanto de porcaria que esses senhores já produziram quando tiveram poder para tal...
  • bruno kuriri  16/02/2016 23:38
    Sim, mas seria muito bom ver toda essa discussão ao vivo....

    afinal, eles não lêem nada por aqui (ou fingem não lerem), não há uma resposta do mesmo nem nada do tipo, ao vivo seria outra história...
  • Andre  18/02/2016 12:30
    Sem chance de a mídia brasileira abrir discussão para idéias econômicas racionais, só querem que o governo organize as finanças e que o país volte a taxas de crescimento medíocres para sustentar o todo aparato de sustentação de poder, um deles comprar a mídia para deseducar a população.
  • Adriano  18/02/2016 11:51
    Leandro,

    Discutindo um outro artigo seu sobre câmbio com um amigo economista, ele levantou a questão da doença holandesa. Segundo a wikipedia: "doença holandesa (do inglês Dutch disease) refere-se à relação entre a exportação de recursos naturais e o declínio do setor manufatureiro. A abundância de recursos naturais gera vantagens comparativas para o país que os possui, levando-o a se especializar na produção desses bens e a não se industrializar ou mesmo a se desindustrializar - o que, a longo prazo, inibe o processo de desenvolvimento econômico. [1] .

    A expressão "doença holandesa" foi inspirada em eventos dos anos 1960, quando uma escalada dos preços do gás teve como consequência um aumento substancial das receitas de exportação dos Países Baixos e a valorização do florim (moeda da época). A valorização cambial acabou por derrubar as exportações dos demais produtos neerlandeses, cujos preços se tornaram menos competitivos internacionalmente, na década seguinte."

    Então, qual seria a explicação da economia austriaca sobre o que houve na Holanda na década de 60? A Holanda realmente sofreu um processo de "desindustrialização" ou isso não passa de um grande engodo?

    Desde já fica o meu agradecimento pela resposta e elogio ao belíssimo trabalho que você tem feito por aqui no Mises.

    Abraço.
  • Leandro  18/02/2016 12:19
    Em primeiro lugar, vale deixar claro que essa tal "doença holandesa" nunca se concretizou. Afinal, ela destruiu o país? A Holanda empobreceu? Virou uma África? Perdeu suas indústrias?

    Pois é. Essa teoria não se sustenta, e o motivo está explicado em detalhes aqui.

    "Doença holandesa" é um exercício intelectual que faz sucesso apenas em países subdesenvolvidos, principalmente no Brasil, cuja economia são controladas protecionistas e mercantilistas a serviço da FIESP (tanto é que seu centro de difusão está nas universidades paulistas).

    Não obstante, vale dizer que "doença holandesa" ocorre justamente em um cenário de câmbio flutuante. Com câmbio fixo por um Currency Board, que é o arranjo mais propício para países em desenvolvimento, não há doença holandesa.

    Todos os países ricos do Oriente Médio que são exportadores de petróleo trabalham com câmbio fixo em relação ao dólar. Na prática, é como se estivessem em um padrão-ouro, só que com o dólar no lugar do ouro. O princípio é o mesmo.

    Portanto, quem acredita em "doença holandesa" deve, por definição, defender câmbio fixo por meio de Currency Board. Se não o fizer, está sendo incoerente.
  • Coeficiente 100%  18/02/2016 14:10
    Prezado Leandro,

    apenas para dar uma ilustração da doença dessa gente:

    livro do presidente do Equador, Rafael Correa, chamado "Equador - Da Noite Neoliberal à Revolução Cidadã"; sabe qual a "tese"? A "ênfase" no "gasto público", aduzindo que:

    "Nos anos 70, o boom do petróleo levou a um crescimento sem paralelo: o país avançou 25% em 1973. Em dez anos, o PIB dobrou. Doutor em economia, Correa vê nesse processo exemplo típico da doença holandesa: valorização exagerada da moeda provocada por um produto de exportação, desbalanceando a economia como um todo"
    (www.elguialatino.com.br/site/2015/11/livro-equador-do-presidente-rafael-correa/)

    Também: "Para explicar as bases da economia equatoriana, Rafael faz uma retrospectiva que vai do século XIX até a atualidade, discutindo a importância da banana e do petróleo na exportação, o desenvolvimentismo e a aplicação da estratégia conhecida como industrialização substitutiva de importações (modelo ISI)" (www.travessa.com.br/equador-da-noite-neoliberal-a-revolucao-cidada/artigo/34bd7f49-1319-4d9c-8181-fe0e0eba31d5)

    Típico caso de rir para não chorar.

    (PS: E o prefaciador de um dos livros do sujeito é o Belluzzo).
  • Adriano  18/02/2016 16:55
    Novamente agradeço a pronta resposta.

    Em menos de 1h já apareceu um belo texto que esclareceu muito além do que eu perguntei.

    Quando li o artigo sobre a Argentina (mises.org.br/Article.aspx?id=1562) e o modelo "pseudo currency-board" adotado lá fiquei com uma dúvida.

    Você atribuía como principal motivo do desfacelamento do modelo o descontrole fiscal do governo argentino. Pois bem, meditando sobre isso e pensando já no caso brasileiro, você acredita que seria possível incrementar alguma solução desse tipo com o atual cenário fiscal brasileiro?

    Outra pergunta seria sobre o arranjo sugerido no artigo: como que o governo poderia se financiar se não poderia manipular a base monetária?

    Desde já obrigado!

    P.S.: Lendo os comentários acima, também fiquei intrigado com um debate ao vivo entre Leandro e Bresser & Cia. Seria um acontecimento épico. Mas, provavelmente, seria igual jogar xadrez com um pombo, ele simplesmente derruba todas as peças, caga no tabuleiro todo e ainda sai achando que ganhou...
  • Leonardo Augusto  21/02/2016 18:10
    Irretocável artigo! As poucas dúvidas que sobraram vc já esclareceu nos comentários!
    Parabéns!
  • Thiago q. Landi  22/02/2016 16:26
    Uma coisa raramente falada aki no site é o perfil, a natureza de curto prazo da dívida soberana dos EUA.

    Mais de 30% da dívida vence num prazo menor do que um ano. São mais de 5 trilhões. Os EUA dependem totalmente de seus credores rolarem a dívida eternamente.

    Tanto o Leandro Roque quanto o Fernando Ulrich defendem a adoção do dólar como âncora para o real. E eu aqui achando que os austríacos defendiam o padrão-ouro.

    Ademais ótima ideia ancorar o real á uma moeda morimbunda.

    O papel foi inventado a uns 2 mil anos. Vocês sabiam que houve várias tentativas de usar papel como dinheiro ao longo desse tempo? Nunca em escala global claro sempre em um determinado local. Um experimento com dinheiro fiduciário famoso aconteceu na china.

    Todas as vezes que dinheiro de papel foi usado sempre acabou em desastre. Agora porém será um Desastre Global.

    Outra coisa que já foi falado inclusive o Leandro já falou isso: que se os eua entrar em crise e o dólar cair como moeda reserva, que isso iria dizimar o setor industrial e exportador da china.

    Por que? Existem 2 bilhões de chineses vocês acham que eles não demandam? As industrias podem muito bem vender pro mercado interno se o yuan se apreciar.

    Ou achar outros mercados para exportar ou ainda mudar seus processos de produção para atender a demanda interna.

    As pessoas acham que os EUA são os melhores clientes da china. Não são. Se você precisa emprestar dinheiro pro seu cliente comprar seu produto, você precisa de novos clientes.

    A relação da china e dos EUA é de um parasita e seu hospedeiro. A china (e o mundo) precisam cortar os EUA, mandar eles irem pastar. Só exportarem pra lá caso eles exportem de volta um produto de igual valor.

    Os EUA tem um défict na balança comercial de mais de 500 bilhões de dólares por ano. Isso significa que a china e o mundo produz e manda seus produtos pros EUA e recebem de volta um pedaço de papel inútil o qual eles emprestam de volta pros EUA nos titulos do governo.

    O mundo precisa cortar os EUA. Eles são um enorme fardo para a economia global. Uma âncora que arrasta e atrasa o mundo.
  • Leandro