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Classificar o "Relatório da Desigualdade" da Oxfam de farsa seria pouco

No início desta semana, fomos brindados com um relatório da ONG britânica Oxfam, afirmando, entre outras coisas, que 62 pessoas do mundo possuem a mesma riqueza que metade da população mundial — além de outras afirmações sensacionalistas, e já rotineiras, feitas pelo referido Instituto.

Nosso amigo Leandro Narloch fez um bom resumo acerca dos principais mitos e omissões da Oxfam em relação ao referido relatório.

Com afirmações como "o 1% mais rico possuirá mais fortuna que todo o resto da população em 2016", não é difícil imaginar como um cidadão médio reagiria a tal notícia: provavelmente condenando a chamada desigualdade, sem entender ou diferenciar os diversos fatores que contribuem para a mesma, ou sequer se perguntar se ela é algo relevante para qualquer aspecto de sua qualidade de vida.

A Diretora Executiva da Oxfam International, Winnie Byanyima, chegou a afirmar que a desigualdade econômica atrapalha o próprio crescimento econômico. A senhora Byanyima provavelmente tem saudade das altas taxas de crescimento que a União Soviética registrava todos os anos...

As sugestões da ONG são repetitivas já:

  • Taxar os ricos (essa até o PT já abraçou; give me more!);
  • Investir em sistemas universais e "gratuitos" de saúde e educação (Mussolini teria orgulho);
  • Buscar um objetivo global para combater isso.

Como isso poderia dar errado? Afinal, Brasil, Venezuela e Argentina (pré-Macri) foram um retumbante sucesso econômico na mobilidade social dos mais pobres...

Enquanto isso, no mundo real, estamos perto de erradicar a pobreza mundial pela primeira vez na história da humanidade.  Walter Williams nos recorda que a pobreza é fácil de ser explicada; difícil (mas não para um austríaco) é entender as causas da prosperidade e como o ser humano, ao agir positivamente em busca de seus próprios objetivos, beneficia todos os outros.

Por que punir aqueles que conseguiram fazer suas fortunas pelo trabalho de suas próprias mãos? Como mostra este hilário infográfico do site pop 9gag (baseado em dados da Bloomberg), nada menos que 73 das 100 pessoas mais ricas do mundo são "self-made billionaires" — ou seja, somente 27 dos mais ricos do mundo assim o são porque herdaram uma fortuna. Os demais trabalharam por conta própria para chegar onde chegaram.

Ainda mais interessante: 36 deles eram filhos de pais que viviam na pobreza, e 18 sequer tiveram um diploma na Universidade.

Você realmente acredita que existe uma fórmula certa para ter um "sucesso de renda"? Para a Oxfam existe. Para todos os planejadores centrais — dos positivistas aos comunistas, nazistas, socialistas e ambientalistas — existe sempre uma fórmula única de acordo com a qual a sociedade deve ser desenhada.  E o melhor: tal fórmula dará certo, mesmo que tenha que ser implantada à força. Como alguém consegue ficar sequer em dúvida ao descobrir que todos os regimes socialistas inevitavelmente têm de ser totalitários?

Entretanto, ainda que para um analista na tradição da Escola Austríaca as sugestões e as conclusões da Oxfam pareçam tão economicamente incoerentes, resolvi conversar com um economista com foco em — preparem-se — econometria. 

Troquei alguns e-mails com Carlos Góes, mestre em Economia Internacional pela conceituada John Hopkins University, pesquisador-chefe do Instituto Mercado Popular, e analista de instituições financeiras internacionais em Washington, DC. Apesar de tudo, ele me garante ser um fã de Hayek. Vamos ao bate-papo:

A: É consenso entre economistas liberais que o estudo da Oxfam possui diversas falhas e um ar de sensacionalismo. Qual das falhas do estudo divulgado nesta semana você considera a mais grave?

Carlos Góes: Independentemente de economistas serem liberais, keynesianos ou marxistas, clareza metodológica é fundamental para entender o que significam as respostas que os dados proveem para a gente. E é preciso reconhecer as limitações dos dados quando essas existem.

Há dois problemas fundamentais com os dados produzidos pela Credit Suisse que foram utilizados pela Oxfam. 

O primeiro é de ordem técnica. Ao contrário de dados sobre a renda, a grande maioria dos países não tem dados sobre os estoques de riqueza, uma vez que o que se taxa normalmente é a renda e não a riqueza. Esse fato limita a confiabilidade das estatísticas sobre a riqueza.

Segundo o relatório da Credit Suisse, somente 17 países têm estimativas completas de riqueza do setor privado (conhecidas como "household balance sheets"). Outros 31 países têm dados parciais, detalhando a riqueza financeira, mas não a riqueza não-financeira do setor privado — nos EUA, a riqueza não-financeira (imóveis, maquinários etc.) é de cerca de 1/3 da riqueza total, o que significa que ignorar a parte não financeira é ignorar boa parte da realidade.

Para os outros 150 países do estudo, os economistas da Credit Suisse fizeram extrapolações — que não são inúteis, mas têm suas limitações, já que não trazem informações completas.

O relatório original da Credit Suisse tem vários problemas além do mencionado acima. Entre eles:

(a) não inclui riqueza informal (as casas nas favelas e bairros pobres brasileiros, por exemplo, que muitas vezes valem dezenas de milhares de reais apesar de não serem formalizados com um título estatal), riqueza esta que o economista Hernando de Soto estima em cerca de 10 trilhões de dólares;

e (b) não inclui riqueza implícita — como aquela prevista por sistemas de seguridade social dos países ricos, que se fossem administrados privadamente seriam parte de poupança dos cidadãos.

O próprio relatório da Credit Suisse diz que o estudo sobre a riqueza global está "em sua infância". Na melhor das hipóteses, essas estimativas são pouco confiáveis e devem ser tomadas com bastante cuidado.

O segundo problema é de ordem conceitual. Eles utilizam o conceito de riqueza "líquida" (ou seja: patrimônio menos dívidas). Segundo essa metodologia, se você tirar um real do bolso e der para seu sobrinho de dez anos, ele vai ter uma riqueza maior do que "2 bilhões de pessoas somadas". Sim, seu sobrinho instantaneamente passa a ser um magnata com mais riqueza que bilhões de pessoas juntas.

Como isso é possível? Porque a metodologia considera a riqueza "líquida" (ou seja: patrimônio menos dívidas) das pessoas. E 2 bilhões de pessoas, tendo dívida, têm riqueza negativa.

Alguém que se formou em Harvard, vive num apartamento de cobertura em Nova York e ganha 100 mil dólares por ano mas tem 250 mil dólares em dívidas estudantis é mais pobre do que um camponês indiano que tem uma bicicleta, vive com um dólar por dia e não tem dívida.

Não importa se o cara de Harvard gasta centenas de dólares tomando McCallahan's 18 anos todas as vezes em que sai pra balada. Pra Oxfam, ele é mais pobre que o camponês indiano.

Ainda segundo essa metodologia, quando você compra um jatinho você se torna imediatamente mais pobre. Como? Você acaba de assumir uma dívida de 25 milhões de dólares (incluindo juros) e adquiriu um patrimônio de valor de mercado de uns 20 milhões de dólares. Logo, você está 5 milhões de dólares mais pobre.

Para a Oxfam, quem viaja de jatinho usando financiamento é mais pobre do que quem viaja de ônibus pagando à vista."

Isso faz sentido pra definir quem é pobre e quem é rico? 

A: Você acredita que o estado causa desigualdade de renda?

O estado pode aumentar ou reduzir a desigualdade, a depender do desenho da política pública. No Brasil, a estrutura tributária, por ser excessivamente prevalente em impostos sobre o consumo (que incidem desproporcionalmente sobre os mais pobres, já que estes em geral consomem uma parte maior de sua renda), contribui para aumentar a desigualdade. Além disso, diversas políticas específicas beneficiam diretamente os mais ricos.

O BNDES concede empréstimos a juros subsidiados e, em seu portfólio, a imensa maioria de seus beneficiários são aquelas empresas com faturamento maior que 300 milhões de reais por ano. Além disso, políticas como universidades estatais financiadas por impostos funcionam como transferência de renda para os mais ricos e ajudam a perpetuar as desigualdades. Historicamente, não é muito difícil ver como o governo em diversas instâncias transferiu dinheiro de pobres para ricos. É só pensar no caso mais explícito desse comportamento, quando o governo, em plena Grande Depressão, comprou café dos grandes agricultores e queimou os grãos manter o preço do café alto nos mercados internacionais. Neste caso (como nos dois anteriores), o governo estava tirando dinheiro do contribuinte pobre e dando ele para a elite. Por outro lado, políticas focalizadas que beneficiam diretamente os mais pobres (como o Bolsa Família), podem ajudar a reduzir a desigualdade.

É interessante que pessoas com diferentes ideologias concordariam com a noção de que o governo não deveria transferir renda de pobres para ricos. Por isso, é possível alcançar um consenso político que ajude a reduzir as desigualdades. Para tanto, é importante que a sejam cortados subsídios de cima para baixo (começando por aqueles que transferem dinheiro de pobres para ricos) e seja desburocratizada a economia de baixo para cima (porque, em geral os mais ricos, armados com exércitos de advogados e contadores, têm mais capacidade para contornar as regulações que dificultam o empreendedorismo do que o Manuel da Padaria e a Dona Maria, que têm um ateliê de costura).

A:  A desigualdade de renda causada pelo processo de mercado é algo ruim? Isso afeta a questão de incentivos em uma economia? Alguns teóricos, por exemplo, alegam que a grande falha do socialismo seria a questão dos incentivos. 

CG: A primeira coisa a se entender é que nem todas as desigualdades são iguais. Às vezes, quando o ponto de partida é muito ruim, a desigualdade é simplesmente fruto da melhoria de vida de algumas pessoas. Angus Deaton, que ganhou o Nobel de Economia ano passado, traz um exemplo interessante em seu livro mais recente: imagine que, dentre 100 judeus em um campo de concentração, dez conseguem fugir. Isso causou uma desigualdade, já que agora alguns estão em liberdade e outros não. Mas isso não seria uma situação inerentemente pior à situação de plena igualdade em que todos estavam no campo de concentração? Talvez essa desigualdade inicial dê esperança para os que lá ficaram e faça com que eles fujam.

Por outro lado, talvez os guardas punam os que ficaram para desestimular fugas futuras. De todo modo, não há nada óbvio em relação à desigualdade. Ela pode ser boa ou ruim: sempre depende.

Desigualdade é como colesterol: há uma boa e outra ruim. A boa é aquela que deriva dos talentos, esforços e inventividade das pessoas e gera bons incentivos. Quando alguém cria valor para os outros ela deve ser recompensada por isso — porque isso gera dinamismo econômico, inovação e menos pobreza (pense no arquétipo do Steve Jobs). Se ela não for recompensada, ela não vai ter incentivo pra continuar inovando.

A ruim é aquela de uma sociedade estamental — de comando e controle —, onde as pessoas não enriquecem por causa de sua inventividade ou pelo valor que geram para à sociedade, mas pelos privilégios que têm junto aos poderosos (pense no arquétipo de Eike Batista).

Temos de corrigir as desigualdades injustas que existem no mundo — e elas existem em demasia. Mas para isso precisamos de análise séria. E não retóricas travestidas de números.

A:  Um estudo sensacionalista como esse pode gerar uma grande repercussão política. Mises sempre defendeu que as ideias são a chave para a evolução de uma sociedade. Como explicar para o público de forma mais simples que esse estudo não reflete a realidade da sociedade mundial?

CG: O primeiro passo é reconhecer que, pra imensa maioria das pessoas, desigualdade naturalmente incomoda. Por exemplo, há evidências de experimentos em psicologia social que mostram que crianças preferem ficar sem doces a ver a outra criança na sala arbitrariamente ganhar uma quantidade desproporcionalmente maior de doces. Por isso, se as pessoas acreditarem que a elas está sendo negada a oportunidade de conseguir vencer na vida por motivos injustos (por exemplo, por causa de elites que compram o apoio de políticos com doações eleitorais ou que proíbem que negros tenham acesso a boas escolas de brancos), elas vão se sentir revoltadas. Isso é natural.

O ponto mais importante, portanto, é mostrar que a melhor maneira para evitar que elites políticas e econômicas cooperem para manter seus privilégios é retirando o poder político das mãos delas — e descentralizando as decisões nas mãos da sociedade por meio do sistema de preços. Sempre que políticos tiverem muito poder, os ricos terão incentivos para comprá-los. E, na medida em que tivermos uma economia descentralizada e dinâmica, as eventuais desigualdades de resultados provavelmente não serão percebidas como injustas pela maioria da população — pois seria a tal desigualdade "boa" mencionada anteriormente.

Durante toda a década de 1990 a desigualdade aumentou nos EUA, mas pouco se falava sobre isso. Por quê? Porque a maioria das pessoas via suas vidas melhorarem: elas tinham maior renda e consumiam mais. Elas não se sentiam injustiçadas pelo processo político e pela falta de oportunidades econômicas.

Hoje, como uma boa parte das pessoas viu sua renda estagnar e percebe que todos os ganhos têm sido apropriados por uma parcela pequena da população, elas se revoltam.

O debate, portanto, não reside necessariamente em negar a existência de desigualdades (em diversos países ela de fato está aumentando), mas em como caminhar na direção de um modelo que evite desigualdades injustas.

A: Vivemos o melhor momento da humanidade em qualidade de vida. Porém, ONGs como a Oxfam, entre outras, tendem a projetar uma catástrofe, agitando por uma mudança no sistema. Você acredita que o sistema econômico geral internacional precisa mudar? E em caso positivo, para qual direção?

CG: Certamente vivemos numa era sensacional. As perspectivas é que testemunhemos o fim da pobreza absoluta no decurso das nossas vidas. Além disso, a mortalidade infantil está caindo, a expectativa de vida está aumentando e a escolaridade média de meninos e meninas está subindo — dentre muitos outros indicadores sociais — na imensa maioria dos países. Bilhões de pessoas saíram da pobreza e, como o aumento na renda delas foi maior do que nos países ricos, a desigualdade total no mundo tem caído.

Muitas dessas mudanças se intensificaram nos últimos 40 anos, quando partes antes remotas do mundo — como diversas partes da Índia e da China — foram integradas à economia global. A mudança necessária é uma expansão dessa integração para áreas que ainda estão no gérmen desse processo — como a África Subsaariana.

Existem diversos problemas recentes de exacerbação das desigualdades nos países desenvolvidos — e é por isso que estudos como os da Oxfam têm tanta repercussão. Mas, numa perspectiva global, não há dúvidas: o mundo está se tornando mais rico, mais justo e mais igual.

(fim da entrevista)

 

Ao saber que não eram só os austríacos que consideravam o relatório um disparate, fui dormir tranquilo. Afinal de contas, amanhã posso enriquecer uma criança doando a ela apenar um dólar.

A esquerda conseguiu seu objetivo: nunca ser um salvador da humanidade foi tão fácil.


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SOBRE O AUTOR

Geanluca Lorenzon
é Chief Operating Officer (C.O.O.) do Instituto Mises Brasil. Advogado, administrador e consultor. Pós-graduado em Competitividade Global pela Georgetown University. Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria. Especialista em Organizações Políticas pela Theodor Heuss Akademie. Premiado internacionalmente em Direito Internacional. Ganhador em nível nacional do prêmio de melhor orador e melhores memoriais na maior competição de Direito do mundo, durante o ano de 2014. 


Henrique Zucatelli
Bom dia
Sei que ter capital, fundos, poupança é importante mas:
Será que os consumidores quererão os meus produtos e serviços.
Se ninguém se interessar em comprar meus produto ou serviço que eu estou vendendo?
Se surgir uma oportunidade de negócios vou perder?
Meus concorrentes oferecerem melhores produtos e serviços que eu vou ter que aprimorar meus produtos ou serviços senão vou pra falência.
Isso estou vendo do lado do produtor, fornecedor de produtos e serviços.
Do lado do consumidor:
Será que preciso desse produto ou serviço?
Se preciso vou pagar a vista ou a prazo?
Caso eu compre à vista vou ter de poupar para adquirir o produto ou serviço que quero.
Caso eu compre à prazo vou ter de calcular quanto do meu ganho posso desprender para gastar.
Qual é melhor comprar a prazos curtos ou longos?
E finamente o que não se deve fazer:
Vou tomar empréstimo para comprar bens de consumo.
Vou compra itens no cartão de débito\crédito mesmo que não tenha fundos para cobrir o mesmo.
Vou Tomar empréstimo para pagar o cartão.
Isso do lado do consumidor.
Do lado do produtor\finacista e fornecedor de serviços:
Vou produzir itens em grande quantidade, mesmo que não consiga vender tudo.
Vou me associar a políticos para que tenha venda cativa de produtos e serviços para o governo cobrando acima do mercado e oferecendo produtos e serviços ruis
Vou toma empréstimo do governo para especular a compra e venda de empresas, mesmo que não entenda o que elas produzem ou serviço que elas oferecem.
Criarei lobis junto ao governo para que os meus interesses sejam atendidos.
Se falir terei AMIGOS no governo e me dá uma mãozinha.

O item 4 é contraditório com o item 10.
O professor Mueller tem uma visão um tanto equivocada com respeito à lógica.
Tanto a lógica aristotélica, quanto a lógica simbólica, incluindo a teoria dos conjuntos, são sistemas de ordenação argumentativa orientados na direção dedutiva nos quais a inferência está ligada necessariamente às premissas.
Para que o valor seja logicamente subjetivo, temos que incluir o valor campo dos objetos predicados por subjetivo.
Ora, vejam:
Para que isso ocorra, temos de recorrer às definições desses termos, pensando no método geométrico, as definições deveriam anteceder às teses, não estar incluídas nelas. Se ocorrer essa inversão lógica, o argumento é falacioso, chamada de Petição de Princípio (vide ORGANON - Aristóteles; COPY - Manual de Lógica; pesquisem sobre método geométrico)
Além disso, para que não haja inconsistência entre os itens 4 e 8 o trabalho deveria ter sido definido, tal como o valor o foi, como subjetivo. Senão o item 8 cria uma ambiguidade na passagem (por si só) que, do ponto de vista lógico, é um condicionante. Sem tal definição, o valor parece ter uma parte subjetiva e outra objetiva e, pior ainda, somente o condicionante do valor parece ser subjetivo. Se o trabalho não for caracterizado como subjetivo, o valor é efetivado objetivamente e, portanto, é objetivo.

Uma reordenação não viciada desses itens deve começar supondo o item 4, isto é, ser uma hipótese (eliminação do item 10). Posteriormente, definir o trabalho ou, por extensão ampliativa, incluir o trabalho no item 4.
"Se "4" e o trabalho for subjetivo, então "1""2""3""5""6""7""8""9""

Outro problema, mais grave, é usar o termo subjetivo e, por extensão, objetivo como predicados lógicos, i. é., características de coisas. A distinção entre subjetivo e objetivo é maior, isto é, anterior no processo de conhecimento, do que aquilo sobre o qual a lógica trata: as relações entre enunciados. Digamos, em termos mais simples, subjetivo não é uma característica de coisas, mas de afirmações, frases (vide POPPER - Lógica da Pesquisa Científica; RUSSELL & WHITEHEAD - Principia Mathematica; TARSKI - A Concepção Semântica da Verdade). Para incluir subjetivo e objetivo no vocabulário é necessário realizar uma metalinguagem que, por definição, exigirá a suspensão e a revalidação das definições. Dizer o por que tais definições devem ser aceitas.

A tentativa de criar leis em uma ciência que sejam a priori não funcionou nem na Física (vide KANT - Crítica da Razão Pura), mesmo na matemática (vide o embate entre FREGE e HILBERT) a tentativa foi, em parte, frustrada. Esse tipo de posição, chamada de Fundacionista, é uma visão, sinto informar, ultrapassada. A exigência de indicações empíricas e construções não totalizantes é regra fundamental para alcançar qualquer teoria saudável no pensamento científico atual.

PS. Desculpem-me o tecnicismo, não tenho o hábito de escrever para leigos. Devo melhorar nesse aspecto.
Bom dia Vladimir, como vai?

Que bom que começou a entender o começo da história. Agora falta a outra metade.

Não tem como prevermos a inovação. Pode parecer pleonasmo, mas inovar é fazer o novo, algo que ninguém fez até hoje. E isso pode dar certo (ou não). Claro que quando pensamos em inovações sempre vem a mente exemplos de sucesso como Apple, Microsoft, Ford e outros. Mas nos esquecemos que estes foram os vencedores. Em seus respectivos momentos, existiram dezenas (ou até centenas) de concorrentes brigando para saber quem iria se perpetuar, e a maioria caiu no caminho, foi absorvida ou simplesmente esquecida.

Se quiser entender mais como funcionam todos esses sentimentos de um grande inventor nos primórdios de sua carreira, recomendo que leia um livro muito bom (meu de cabeceira) do próprio Henry Ford- Os princípios da prosperidade . Tenho um exemplar da primeira edição, com o autógrafo do tradutor, ninguém menos que Monteiro Lobato. É um tesouro que guardo com muito carinho.

Voltando ao assunto, como toda inovação é nova (!), precisará de uma dose maciça de confiança de quem produz, aliado ao fato de que são recursos direcionados a esse projeto, com pouca ou nenhuma certeza de que irá dar certo. Repito à exaustão: quando olhamos invenções consagradas damos um valor a elas que não existia na época.

Justamente por esse princípio, é necessária a existência de poupança para financiar esses projetos. Sem poupança, sem inovação, por melhor que seja a ideia. Se tiver interesse nesse assunto, recomendo um ótimo livro de Peter Schiff - Como a economia cresce, e por que ela quebra .

Inclusive está a venda aqui no IMB:
www.mises.org.br/Product.aspx?id=55 .

Para finalizar, é melhor entender um pouco mais sobre como funciona o socialismo, e porque ele está sempre fadado ao fracasso. Como bem ilustra a Venezuela, os defensores do socialismo desconhecem uma lei básica da economia

Um grande abraço, e ótima semana para ti.










"só consigo comprar um IPhone por 'apenas' R$ 2000,00 porque ele é produzido aos milhões. Caso grande parte da população deixasse de comprar IPhone essa economia seria menos efetiva e com certeza cada IPhone custaria mais para ser produzido. Exemplo canônico: quase ninguém compra uma Ferrari e isso não faz ela ser mais barata, muito pelo contrário, ela seria muito mais barata se todo mundo comprasse uma: seria produzida na China e se chamaria Jac. :D"

Existem duas maneiras de um produto baratear, isto é produzir em larga escala com preços reduzidos ou produzir em larga escala com preços reduzidos e não houver demanda para tal produção, isso significa que pessoas estão se abstendo do consumo ou estão em crise. Portanto, as pessoas que pouparam ontem, hoje podem estar consumindo Iphones e ferraris ou investindo em bens de capital e assim aumentando ainda mais a abundância dos produtos.
Essa situação da demanda aconteceu recentemente com o consumo reduzindo e os preços acompanhando essa redução do consumo praticando menores preços.

"Além da economia de escala existe outro fator que você desconsiderou, as indústrias de bens não são facilmente reconfiguradas para produzir bens para as quais não foram inicialmente projetadas."

Para produzir bens tem que haver capital e o último advém de poupança. Contudo, para haver poupança para a população, os impostos sempre terão que ser baixos e isso possibilitaria empresas de várias partes do mundo vir produzir aqui pelas novas medidas do governo. As indústrias vindas do exterior automaticamente estaria trazendo seu conhecimento e técnicas para tal trabalho, isso significa que o país poderá produzir bens que não eram bons. Essa situação ocorreu na Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan, Japão e Singapura.
Coreia do Sul não tinha LG, SAMSUNG e Hyundai, e em pouco tempo pelos investimentos estrangeiros obteve conhecimento necessário para produzir o que não sabiam, produtos de alta tecnologia e carros.
Hong Kong seria tecnologia.
Taiwan idem de Hong Kong.
Japão acho que seria o setor automobilístico.
Singapura seria produtos de alta tecnologia.
Até tempo atrás não eram bons no que fazem hoje, e em pouco tempo conseguiram a façanha de realizarem tal ato.


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Filipe Campos  20/01/2016 20:21
    A conta que ninguém faz: quanto dá essa $ toda, dividida pela população mundial inteira? Sim, porque da forma como colocam, dá a impressão que essa distribuição equalitária resolveria todos os problemas. Pois é...não dá não. A divisão dá por volta de 225 dólares por pessoa. O que isso resolve, à médio, longo prazo? Nada. Mas as empresas deles existindo...
  • Mauricio Amorim Gurgel  20/01/2016 20:23
    O pior não é isso, mesmo considerando que essas pessoas são bilionárias e tal desigualdade, o que importa é a melhoria da qualidade de vida dos outros 99% nas últimas décadas.

    O Bill Gates, Steve Jobs, Mark Zuckberg e vários outros melhoraram e mudaram a vida de milhões de pessoas, geraram empregos direta e indiretamente com suas empresas.

    Quantas pessoas não ganham dinheiro graças ao fato de ter um computador particular ou que promove o seu trabalho ou vendas através do Facebook?

    Ninguém fica rico sozinho tem toda uma cadeia de acontecimentos em volta de cada empresa que surge e toma proporções mundiais.
  • Eduardo Almeida  20/01/2016 20:25

    Esse relatório da OXFAM vem a calhar para aqueles que vaticinam o fim próximo do capitalismo. Suas conclusões, todavia, afrontam os fatos quando,na média, o mundo está melhor como aponta uma miríade de indicadores. A fome está regredindo, as doenças estão sendo debeladas, o nível de educação está se elevando e as mulheres estão expandindo sua participação em todos os aspectos da vida social.

    O estudo comete, ainda, o mesmo erro de Thomas Pyketti ao usar o conceito de riqueza líquida para provar o crescimento da concentração de riqueza no mundo e preconiza, também,a mesma terapêutica para eliminar a desigualdade: expropriar aqueles que têm mais.

    Todos os países ou sistemas econômicos que tentaram acabar com a desigualdade tudo que conseguiram foi acabar com a liberdade. Vide a antiga União Soviética, Cuba, Coreia do Norte e outros países socialistas.
  • Luiz Carlos Parisotto  20/01/2016 20:25
    É a máxima de se torturar os números para que eles digam o que se deseja como resposta.
  • Osvaldo Junior  20/01/2016 22:17
    Ou seja, por esse método, o mendigo da foto possivelmente é mais rico que as patricinhas ao lado. Vigarice pura!
  • Pobre Paulista  20/01/2016 22:53
    Alguém que se formou em Harvard, vive num apartamento de cobertura em Nova York e ganha 100 mil dólares por ano mas tem 250 mil dólares em dívidas estudantis é mais pobre do que um camponês indiano que tem uma bicicleta, vive com um dólar por dia e não tem dívida.

    Mas isso está correto mesmo. O fato de ele desfrutar de uma vida melhor não muda o fato de ele ser um devedor líquido, situação que ele só sairá se continuar com o mesmo padrão de renda que tem atualmente, algo que é impossível de se garantir.

    Caso ele perca essa renda, tudo o que ele fez, na prática, foi abrir mão de toda a riqueza futura dele para a curtir momentaneamente no presente.

    Sim, o indiano da bicicleta é mais rico que ele.
  • FL  21/01/2016 12:29
    Caro Pobre Paulista,

    Digamos que hoje, agora, apareça uma oportunidade única para vc: vc vai ter que "trocar de vida" com alguma outra pessoa do mundo por um período de um ano.
    Mas, claro, há uma pegadinha: vc só pode escolher entre duas pessoas:

    Candidato A: vc é formado em Harvard, mora em NY, tem um emprego que paga 100mil dólares por ano, e sua dívida é de 250mil dólares em empréstimos estudantis.

    Candidato B: vc é um camponês indiano que tem uma bicicleta, vive com um dólar por dia e não tem dívida alguma.


    Você tem que escolher um dos dois, qual vc escolhe? O "mais pobre" (que vive em NY) ou o "mais rico" (que vive na Índia)? Vc prefere estar junto com os dois bilhões de "pobres" ou prefere estar acima da carne seca, com a "fatia mais rica" do mundo?
  • Pobre Paulista  21/01/2016 17:16
    Você me garante por quanto tempo a renda de 100 mil por mês? Isso é crucial para a resposta.
  • FL  21/01/2016 19:05
    (a renda é de 100mil por ano, não por mês)

    Óbvio que é impossível responder isso mas, imaginando que essa pessoa chegou a um patamar onde existem pessoas dispostas a pagar esse valor pelo seu conhecimento, mesmo que eventualmente ele seja demitido, é provável que consiga arrumar algo no mesmo patamar.

    A retórica é a mesma, também não consigo te garantir que o indiano vai continuar ganhando seu 1 dólar todo dia (mas, imaginando que exista alguém disposto a pagar isso para ele, é provável que consiga arrumar algo no mesmo patamar).


    Para o bem da discussão: te garanto por dois anos = 200mil dólares. Vc não vai conseguir pagar toda a dívida de 250mil. Quando tudo acabar, vc terá, na melhor das hipóteses, 50mil de dívida, um apto em NY, dois anos de experiência (provavelmente em algum emprego de escritório) e todo o conhecimento adquirido em Harvard para buscar qualquer outra coisa.

    Ou então vc escolhe a outra pessoa e terá, na melhor das hipóteses, 730 dólares, dois anos de experiência com agricultura, uma bicicleta usada e zero de dívida.


    Valendo, escolhe qual?

    Abraço!
  • Pobre Paulista  22/01/2016 11:26
    Hahahah, estou curioso para saber como você me garante essa renda então. A não ser que você seja o estado e possa imprimir este dinheiro...

    Manere no seu Keynesianismo: Dívida não é riqueza. O Nova Yorkino não é mais rico que o Indiano neste momento. Mesmo com essa "garantia" fictícia, ele ainda é uma pessoa cujo patrimônio líquido é de 50 mil dólares negativos, e caso ele não consiga pagar suas dívidas, ele não só não terá mais nada como também ainda passará um bom tempo trabalhando de graça.

    Porém notadamente o Nova Yorkino é mais capaz de produzir valor do que o Indiano, portanto, se as condições econômicas permanecerem controladas, o Yankee irá saldar sua dívida e passar a ter uma poupança positiva [i]com o passar do tempo[i].
  • anônimo  22/01/2016 12:38
    Não respondeu a pergunta do FL.
  • Andre Cavalcante  22/01/2016 14:17
    Claro que respondeu,

    É claro que ele escolhe o Yankee porque ele tem mais chances de saldar a sua dívida. Mas, e isto é importante, no momento, ele é sim mais pobre que o indiano, porque este não tem dívidas e aquele tem.

    Agora, imagine que o indiano tenha uma dívida de 10USD, mas mantidas as mesmas variáveis, isto é, o indiano tem um salário de 1USD/dia e o americano tem um de 100.000USD/ano. Continua na mesma, o americano tem dívida e o indiano tem uma dívida menor - os dois são pobres mas o americano é mais pobre que o indiano. Qual dos dois é mais passível de saldar sua dívida? O americano, claro. Mas isso não significa que, no momento, este seja mais pobre que aquele. No tempo, o americano irá saldar a sua dívida enquanto o indiano, provavelmente terá a sua aumentada.

    E essa é a diferença entre uma análise austríaca e uma análise de outras escolas: o tempo DEVE ser considerado sempre! A economia é um sistema dinâmico.

    OBS. (ceteribus paribus e o que está subentendido - muito importante) Para toda esta discussão está se assumindo que riqueza e pobreza estão precificadas em moeda e que o estado de riqueza e pobreza é simplesmente a quantidade de dólares que cada um possui em um determinado instante e que, para o bem da argumentação, nenhum dos dois tenham bens além da força de trabalho (precificada no salário de cada qual).


    Abraços

  • Pobre Paulista  22/01/2016 18:18
    O que eu penso sobre isto está muito bem resumido neste comentário do Leandro.

    Sim, eu optaria por NY, mas não pelos argumentos "desafiados", e sim porquê as habilidades que eu tenho hoje me são mais úteis em uma metrópole do que no campo, e assim terei mais chance de prosperar. Não tem nada a ver com o tamanho da dívida. Fosse eu um caipira (sem ofensas) eu certamente optaria pela Índia neste desafio esdrúxulo.
  • anônimo  22/01/2016 18:41
    Deve ser a quarta ou quinta vez que vejo Andre Cavalcanti "sair em defesa" de Pobre Paulista...

    Há alguma conexão?
  • Pobre Paulista  23/01/2016 22:46
    Não o conheço, nem enxergo uma "saída em defesa" aqui.
  • Hemerson  23/01/2016 17:52
    Se quiser que essa pesquisa tendenciosa, além de informar a dita riqueza no mundo, ainda quiser a demonstração da probabilidade do indivíduo continuar ganhando um salário X por um tempo Y, piora as coisas para a entidade que logrou a pesquisa. Este não foi o foco da "pesquisa".
  • Freedom-newbie  25/01/2016 20:54
    Concordam que um individuo com alto grau de escolaridade possui uma riqueza que foi investida em sua educação? Por exemplo, seu pai ao inves de lhe deixar uma herança resolveu gastar dinheiro em sua formação educacional. Ou no casa de escolas publicas, o estado gastou esse dinheiro.

    Por isso acho o falho o conceito de riqueza usado na pesquisa.
  • Andre Cavalcante  25/01/2016 23:05
    E esse é justamente um dos argumentos. Riqueza de uma pessoa envolve a sua capacidade de trabalho, o seu conhecimento adquirido e, sim, as condições da sociedade em que vive. Se um país é rico, os seus "pobres" são bem menos pobres que os pobres de países periféricos. E isso é de uma obviedade ululante. Entretanto, a pesquisa em questão simplesmente desconsiderou isso.

    No exemplo anterior, frisei qual foi o conceito de riqueza usado. Em outra medida, por exemplo, levando-se em conta o investimento feito, eventuais bens e mesmo a cobertura social do país em que vivem, provavelmente o americano seria considerado rico em relação ao indiano.
  • FL  26/01/2016 11:17
    Caros, só vi hoje as respostas... acho que o Pobre Paulista respondeu sim, era só uma provocação para chegarmos à conclusão do André e do Freedom Newbie nestes últimos comentários... Existe uma riqueza enorme que não é medida nessa pesquisa, e essa é a sua principal falha.

    Abraço!

    (Obs: impressinante como a maioria dos comentaristas costumeiros do IMB não tem o menor senso de humor)
  • Pobre Paulista  26/01/2016 12:47
    Ok, vamos por essa linha então. Riqueza é algo abstrato que não pode ser medido exclusivamente pelo seu valor monetário. Então um monge budista que mora sozinho no alto da montanha é tão rico quanto Bill Gates, dado que ele tem toda a "riqueza" que ele precisa? Ou então, Albert Einsten foi o maior trilhonário da humanidade, dado que a "riqueza que não se pode medir" do intelecto dele era infinitamente superior a de um ser humano médio? O que dizer então do Kid Bengala?
  • Igor  29/02/2016 22:49
    Mas dívida também não é pobreza. Aliás, por si só não pode se considerar nem riqueza e nem pobreza. Se você atribuir essa possibilidade virtual – do homem de NY perder sua fonte de renda –, o mesmo terá que fazer com o indiano que vive com US$ 1 por dia e não tem dívida: a possibilidade real de ele perder a renda de US$ 1 por dia.

    A pergunta é: quem chegará à miséria primeiro? O nova-iorquino ou o indiano?

    Nisto pode-se incluir outros fatores subjetivos como o fato da dívida ser parcelada, dela poder ser negociada e até mesmo que demora um tempo para ela ser executada. É bem provável que dará um espaço de tempo maior para o nova-iorquino que um indiano com uma bicicleta e – agora virtualmente – sem US$ 1 dólar por dia se ver em maus lençóis. No máximo, o indiano conseguirá vender a bicicleta (detalhe: não estamos considerando os bens do nova-iorquino – pois só se falou da renda, e não dos bens adquiridos deste), isso se houver pessoas com renda em sua localidade para comprá-la. Até o homem de NY ficar em uma pobreza de fato, o indiano corre o risco de ter morrido de fome.

    Por isto o raciocínio da renda líquida para atribuir pobreza é falha, pois elege somente um fator subjetivo e ignoram diversas outras possibilidades – reais ou virtuais. O nova-iorquino neste momento (com renda de US$ 100 mil por ano e dívida de US$ 250 mil) é mais rico que o indiano (com renda de US$ 1 por dia e sem dívida momentaneamente) por que neste momento ele tem condições de pagar a dívida. A não-garantia é tão somente uma pressuposição futura – um risco presente em qualquer negócio e até mesmo atividade humana – que pode ou não vir a se concretizar.

    Abraços!
  • Andre Cavalcante  01/03/2016 16:20
    Igor 29/02/2016 22:49:01

    "Mas dívida também não é pobreza."

    Não, mas se a pesquisa mede riqueza pelo dinheiro ganho, então a pobreza deveria ser medida pela dinheiro perdido (ou já direcionado, como é o caso de uma dívida). E é essa a crítica do articulista à pesquisa.

    Pobreza e riqueza deveriam ser medidos pelo conjunto de bens e recursos (incluindo aí o conhecimento) disponíveis às pessoas. Se a pessoa não tem nenhum bem ou recurso (inclui aí o conhecimento, mais uma vez), então ela é pobre. Se a pessoa dispõe de tais recursos, ela é rica. E isso pode ser sim quantizado de forma monetária.

    "Aliás, por si só não pode se considerar nem riqueza e nem pobreza. Se você atribuir essa possibilidade virtual – do homem de NY perder sua fonte de renda –, o mesmo terá que fazer com o indiano que vive com US$ 1 por dia e não tem dívida: a possibilidade real de ele perder a renda de US$ 1 por dia.
    A pergunta é: quem chegará à miséria primeiro? O nova-iorquino ou o indiano?"

    O nova-iorquino, claro, pois sua dívida é maior que a do indiano. Veja bem, os dois estão em maus lençóis. Mas um, com algum esforço, consegue o USD1.00/dia, enquanto o outro, se perder os rendimentos, além de não ter nem esse USD1.00/dia, ainda tem uma dívida que, para ele, no momento, é impagável.

    Agora, essa comparação é esdrúxula: pobreza e riqueza são apenas as duas pontas de uma distribuição normal da população x renda: os ricos geralmente estão à direita do gráfico e o pobres geralmente estão à esquerda, mas, novamente, os pobres um país desenvolvido, em geral conta com escolaridade boa, casa, trabalho (ganha pouco para os padrões locais, se não, não seria pobre), seus filhos somente estudam e podem até ter carro, microondas, celulares, TVs etc. Em países subdesenvolvidos, os pobres são basicamente miseráveis, não tendo praticamente nada além da roupa do corpo e umas poucas ferramentas rudimentares (às vezes feitas por eles mesmos) para trabalhar.

  • Igor  01/03/2016 19:10
    André, não se pode considerar fatores subjetivos (hipóteses) para um lado, e não para o outro. Veja só:

    "O nova-iorquino, claro, pois sua dívida é maior que a do indiano. Veja bem, os dois estão em maus lençóis. Mas um, com algum esforço, consegue o USD1.00/dia, enquanto o outro, se perder os rendimentos, além de não ter nem esse USD1.00/dia, ainda tem uma dívida que, para ele, no momento, é impagável."

    Todavia...

    1º Quem disse que é mais fácil para o indiano conseguir US$ 1 por dia? Em um lugar onde pessoas ganham US$ 1 por dia, é de se esperar certa dificuldade para conseguir este valor de outra forma.

    2º Considerando como verdadeira a premissa de ser mais fácil conseguir US$ 1 por dia do indiano (futurologia, mas tudo bem), há o fato de que a melhor formação do nova-iorquino, que tem formação em Havard e já ter conseguido um emprego de bom salário, conseguir arrumar outro emprego que lhe dê condições de continuar pagando a dívida;

    3º A divida de US$ 250 mil vai ser automaticamente executada, ou a praxe nos indica que, antes de mais nada, haverá a cobrança da parcela da dívida, a possibilidade de negociação e daí sim a execução? Aliás, será que a dívida não tem seguro?

    4º O bem do indiano com US$ 1 por dia é de uma bicicleta. E o nova-iorquino, será que ele não possui bens ou poupança que lhe deixam com uma margem de tempo para postergar a execução da dívida?

    Veja, dei 4 hipóteses não exaustivas, que, seguindo a lógica de seu comentário e do Pobre Paulista, devem ser consideradas. Ambos falam que o nova-iorquino no momento ele está mais pobre que o indiano, mas para fundamentar isto recorrem à situações que não correspondem ao momento, mas sim a um possível futuro, que seria a perda da renda. Ora, se é para considerar no momento, então não se pode considerar a possibilidade futura de perda da renda, mas sim que no momento o nova-iorquino pode ir pagando as dívidas, tem maior capacidade de adquirir bens que o indiano, tem capacidade de gerar poupança, e etc.

    A metodologia científica deve considerar todas as hipóteses possíveis, e não somente algumas pré-selecionadas. Mesmo que seja para fazer cálculo de probabilidades.

    Ademais, considerar que alguém que não tenha dívida está mais rico que alguém que tem dívida, todavia, tem renda maior, nos leva a uma situação, digamos, inusitada: um empresário que aufere renda de R$ 30 mil/mês, que pode adquirir financiado um casa de, digamos, R$ 600 mil (de acordo com a idade), onde a instituição financeira limita seu comprometimento de renda em 1/3 de seus ganhos, será "mais pobre" que um mendigo que não tem dívidas, todavia, aufere R$ 5 por dia, que mal dá para alimentá-lo e menos ainda adquirir uma casa. Naquele momento, sem qualquer possibilidade futura, quem é mais rico? Quem vive quase sem a capacidade de sobreviver sem dívidas, ou o que tem facilidade de sobreviver e adquirir uma residência, mas com dívidas?

    Por isso que a metodologia da pesquisa está equivocada: se valeu de uma premissa não problematizada e afastada da realidade!

    Abraços!
  • anônimo  20/01/2016 23:23
    Além de tudo que foi dito no artigo deve-se considerar que quantidade monetária não é medida de riqueza e nem mesmo de valor (apenas indiretamente via trocas).

    Como ilustração mais fácil para rebater o sensacionalismo do estudo é só imaginar que essas 62 pessoas não estão comendo mais comida em quantidade total do que a metade da população, não estão consumindo mais transporte (de trasporte escolar até mesmo viagens de avião) do que a metade da população e por aí vai.
  • Mateus Bernardino   21/01/2016 16:58

    A parte boa do artigo foi a necessidade de entrevistar o Carlos Goés pra obter um desencargo de consciência :).

    Em todo caso, o trecho em que se faz alusão ao colesterol me traz um sentimento bastante particular:

    "{3} Ao expor esta ideia apenas não fazemos mais do que direcionar a atenção dos estudiosos para causas que eles frequentemente marginalizam. Gostaria de relembrar no entanto que, embora rejeite copiosamente grande parte destes diagnósticos que associariam as desigualdades a todos os males sociais, e acredite que a existência de diferenças de renda não seja a priori um problema, e que a igualdade material não seja um objetivo moralmente defensável, economicamente realizável ou politicamente desejável; penso que assim como acontece com o colesterol em nossa massa corpórea ou, dito de outra forma, a gordura que acumulamos em nosso corpo, é possível que existam boas e más diferenças de renda."

    https://mateusbernardino.wordpress.com/2014/08/10/o-governo-e-o-mais-negligenciado-motor-de-desigualdades/

  • Andre  22/01/2016 15:11
    Esses estudos que manipulam as estatísticas apesar de serem flagrantemente mentirosos para pessoas com inteligência e que buscam a verdade ainda assim alcançarão seu objetivo.

    O objetivo desse estudo é:
    Convencer a maior parte da população de que o capitalismo é mal e só o estado os salvará, garantindo assim apoio ao estatismo.

    Por que o objetivo será alcançado:
    Porque a maioria das pessoas não está disposta a perder tempo analisando se a informação que chegou à elas é verdadeira ou falsa, já que elas são burras demais para não caírem feito patinhos na falácia da autoridade. E para essas pessoa uma ONG britânica continuará correta MESMO APÓS elas ouvirem argumentos racionais provando que ela está errada. A maioria das pessoas seguem sua própria emoção e não sua própria razão.

    Por isso quando vejo alguém sofrendo por causa do estatismo eu não fico com pena eu fico neutro.
    Pois não há como eu saber se ele contribuiu para o próprio sofrimento ao seguir as próprias emoções e com isso apoiar o estatismo. Sendo que o mais provável é que ele tenha contribuído para o estatismo contribuindo assim para o próprio sofrimento.
    E o pior é que esses infelizes além de contribuírem para o próprio sofrimento contribuem para tornar a minha vida mais difícil.
  • Douglas  22/01/2016 19:54
    Os "intelectuais" de nosso tempo só servem para isso mesmo.
  • Max Rockatansky  22/01/2016 20:16
    "Porque a maioria das pessoas não está disposta a perder tempo analisando se a informação que chegou à elas é verdadeira ou falsa"

    Pior é que exatamente isso, Andre.

    Nesse meio tempo (em que saiu esse "relatório") eu já tive o desprazer de ouvir umas 5 pessoas repetir como papagaio para outra "vc viu que 1% da pessoas mais ricas concentram..."

    E o interlocutor: "é um absurdo! é isso que dá essa busca desfreada pelo lucro"

    Eu ouvi. Ninguém me contou. É foda...
  • Capital imoral  25/01/2016 13:26
    As escolhas ruins que alguém toma na vida, é culpa do capitalismo.

    Está é minha conclusão após trabalhar alguns meses ao lado de pessoas mais pobres economicamente e intelectualmente. A vida de um pobre trabalhador gira em torno de gastar energia no emprego, e logo depois de alguma forma tentar compensar esse tempo que foi roubado pelo capitalismo. Muitos caminham para as drogas ou bebidas alcoólicas em busca dessa compensação rápida (pois lembre-se novamente o capitalismo roubou cerca de 9 ou 10 horas do tempo do homem médio).

    Ao fim de um mês, eu me via com 700 reais na mão, resultado do capital. Como sou intelectualmente superior, logo não cai na armadilha do capitalismo, e resolvi colocar em teste o sistema capitalista. Será mesmo que um pobre, pode se tornar rico se trabalhar muito? A resposta é não.

    Alem da alienação do capital que suga o seu tempo, e te obriga a gastar o pouco que tem em coisas banais que compensam rapidamente como drogas, consumismo, comida e etc. O capitalismo tem outra faceta ruim para os mais pobres: Ele impossibilita, que alguém com salario minimo, se torne um investidor ou empreendedor de forma legalizada. Isso mesmo, não existe nenhum investimento que caiba na carteira de um pobre trabalhador, não existe investimento de 200 reais por exemplo.

    Mas você pode argumentar que existe o Flavio Augusto, que era pobre e se tornou rico através do capitalismo...(novamente o capitalismo está mentindo para você):Flavio Augusto sempre foi classe média, teve a oportunidade de ter um curso pago pelos pais, aprendeu rapidamente a arte da mentira capitalista (conhecida como vendas) e se saiu muito bem neste sistema podre, veja a legião de alienados que ele carrega. Este é o poder do capitalismo, ele não está na essência, mas na arte de influenciar.

    Para o homem comum, resta apenas o consumismo e a alienação (agradeça a Flavio Augusto). Assim eu chego a conclusão, que as escolhas ruins que alguém pobre faz, não pode ser culpa dele indivíduo, mas sim do capitalismo, pois este mesmo capitalismo o alienou e tirou suas oportunidades de crescer.

    O capitalismo roubou o seu tempo e te deixou sem um norte na vida.
  • Andre  25/01/2016 15:31
    "As escolhas ruins que alguém toma na vida, é culpa do capitalismo.".

    Já preparou as malas para emigrar para Cuba ou vai continuar sofrendo?
  • Freedom-newbie  25/01/2016 21:16
    Se você nasce pobre, numa familia desestruturada, num país esculhambado como o Brasil, não vou negar, vai ser dificil voce ter uma boa qualidade de vida.

    Você pode pelo menos tentar dar uma condição melhor para o seu filho. E o seu filho dar uma condição melhor para o seu neto, e assim por diante. Claro, desde que exista respeito à propriedade privada.

    O que não pode é o cara ganhar um baixo salario e querer gasta-lo com drogas, Nike Shox e iPhone. Isso pode ser uma escolha pessoal sua, capitalismo não te obriga a nada disso.

    Capitalismo = propriedade privada + trocas voluntarias.




  • Leonardo  02/02/2016 13:28
    Realmente o capital é imoral e trabalhar é muito ruim, gasta seu tempo, e se não for burguês não fica rico logo, gasta anos trabalhando e recebendo salario, sendo explorado pelo patrão, quanta injustiça, tadinho.
    O certo mesmo é não seguir maus exemplos como o Flavio, vire socialista, não trabalhe, apoie um partido vermelhinho, saia em defesa dele, ganhe cargos comissionados sem ter mérito ou competência para exerce-los além de apoiar politico corrupto, seja sindicalista, seja do MST, seja traficante, ladrão, porque nesse país o crime compensa, e não ter caráter ou ser socialista(que da no mesmo) é quesito de qualidade
  • oneide  25/01/2016 18:17
    A questão é saber se estes bilionários tem tanta produtividade que justifique seus rendimentos.
    Quando que o Mises vai fazer um texto especificamente sobre o petrolão e o nosso capitalismo de compadrio.
    Marcelo Odebrecht é uma "vitima do sistema" ou um agente da corrupção.
    Que liberais são estes que amam um subsídio (Gerdau).

  • Olaíde  25/01/2016 18:49
    Nem se deu ao trabalho de pesquisar, né?

    Só no último mês foram pelo menos três:

    O capitalismo de estado tem de ser diariamente combatido

    O socialismo clássico já foi rechaçado; o inimigo agora é outro

    "Quem quer rir, tem que fazer rir"

    Seja menos afobada da próxima.


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