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O grande inimigo da atualidade - e como lutar contra ele

Qual o principal inimigo da atualidade, contra o qual os defensores da liberdade devem lutar fervorosamente?

Qual foi o arranjo sócio-econômico que ascendeu vigorosamente com a derrocada do comunismo, que se estabeleceu praticamente sem rivais, que é protegido e defendido fervorosamente pela "mídia respeitável" e que representa uma ameaça tanto às liberdades individuais e econômicas quanto à família e à tradição?

A social-democracia.

Não apenas a social-democracia, em todos os seus formatos e disfarces, é onipresente e já demonstrou ser mais longeva que seu parente mais violento, o comunismo, como também os social-democratas — agora que Stalin e seus herdeiros estão fora do caminho — são implacáveis em sua avidez para a conquista do poder total. 

Os bolcheviques, comunistas, foram substituídos pelos seus primos mencheviques, social-democratas.

Por serem defendidos pela "Mídia Respeitável" e por adornarem seus reais objetivos de poder absoluto em uma linguagem polida e politicamente correta, os social-democratas são inimigos traiçoeiros e lisos.  Exatamente por isso eles têm de ser combatidos vigorosamente.

Mas apenas apontar o dedo para a social-democracia não basta.  Uma coisa é reconhecer o arranjo inimigo; outra coisa, tão essencial quanto, é reconhecer os integrantes deste arranjo.

E esta é uma questão que não pode de modo algum ser deixada para depois.  Ao contrário, aliás: ela deve ser abordada antes de qualquer plano de ação. 

Como operam

Os marxistas, que sempre dedicaram uma enorme quantidade de tempo pensando em uma estratégia para seu movimento, sempre se fizeram a seguinte pergunta: quem é o agente da mudança social?  O marxismo clássico encontrou uma resposta fácil: o proletariado. 

Porém, com o passar do tempo — e com a recusa do proletariado em ser este agente da mudança —, as coisas foram se tornando menos definidas, e o agente da mudança social passou por sucessivas alterações: camponeses, mulheres oprimidas, minorias, e todos os tipos de grupos vitimológicos (negros, feministas, gays, deficientes, índios, cegos, surdos, mudos etc) que aceitassem este papel.

Atualmente, a questão relevante está do outro lado da moeda: quem são os vilões que dão sustento à social-democracia?  Quem são os agentes das mudanças sociais negativas?  Mais ainda: quais grupos da sociedade representam as maiores ameaças para a liberdade? 

Basicamente, sempre foram apresentadas duas respostas: (1) as massas que vivem de assistencialismo e que, por isso, são apologistas do estado; e (2) as elites que controlam o poder (políticos e grandes empresários ligados a esses políticos).

Ainda em minha juventude, concluí que o maior perigo sempre foi a segunda opção — a elite dominante —, e pelos seguintes motivos.

Em primeiro lugar, mesmo que as massas dependentes do estado tenham o potencial para se rebelar de forma violenta e passar a agir como se seu sustento fosse um direito inalienável ("direito", no caso, nada mais é do que um dever impingido aos pagadores de impostos), o fato é que tais massas simplesmente não têm tempo para se dedicar à política e às peripécias e trapaças do jogo político.  O cidadão pertencente a este grupo passa a maior parte do seu tempo cuidando de seus afazeres rotineiros, interagindo com seus amigos e se divertindo com a família.  Apenas muito esporadicamente ele irá se interessar por política ou se engajar politicamente em uma causa.

As únicas pessoas que têm tempo para se dedicar à política são os profissionais: burocratas, políticos e grupos de interesse (lobistas e grandes empresários) que dependem diretamente das regras estipuladas por políticos e burocratas.   Estes últimos (lobistas e grandes empresários), em particular, usufruem trânsito livre junto a políticos e burocratas do governo, os quais, em troca de propinas e doações de campanha, concedem a esses empresários uma ampla variedade de privilégios que seriam simplesmente inalcançáveis em um livre mercado.  Os privilégios mais comuns são restrições de importação, subsídios diretos, tarifas protecionistas, empréstimos subsidiados feitos por bancos estatais, e agências reguladoras criadas com o intuito de cartelizar o mercado e impedir a entrada de concorrentes estrangeiros

(E estamos aqui desconsiderando os privilégios ilegais, como as fraudes em licitações e o superfaturamento em prol de empreiteiras, cujas obras são pagas com dinheiro público).

Em troca desses privilégios (legais e ilegais), os grandes empresários beneficiados lotam os cofres de políticos e burocratas com amplas doações de campanha e propinas.

Dado que tais pessoas ganham muito dinheiro com o jogo político, elas são intensamente interessadas no assunto, e dedicam vinte e quatro horas de seus dias pensando em novas maneiras de espoliar a população em benefício próprio.  Sendo assim, estes grupos de interesse sempre representarão um perigo muito maior para a nossa liberdade e propriedade do que as massas desinteressadas.

Esta foi a constatação básica dos seguidores da Teoria da Escolha Pública.  Os únicos outros grupos interessados em política em tempo integral são aqueles que se interessam em estudar o assunto, ideólogos como nós, um segmento nada volumoso da população.  Portanto, o problema está tanto na elite que controla o aparato estatal quanto na elite cuja riqueza depende diretamente das políticas implantadas por este aparato estatal. 

Um segundo ponto crucial é que a social-democracia, com seu estado fiscalmente voraz e obeso, divide a sociedade em dois grupos: a elite dominante, que necessariamente é a minoria da população, e que é sustentada pelo segundo grupo — nós, o resto da população.  Neste quesito, sempre recomendo um dos mais brilhantes ensaios já escritos sobre filosofia política: Disquisition on Government, de John C. Calhoun.  Segundo Calhoun:

[O] inevitável resultado desta iníqua ação fiscal do governo será a divisão da sociedade em duas grandes classes: uma formada por aqueles que, na realidade, pagam os impostos — e, obviamente, arcam exclusivamente com o fardo de sustentar o governo —, e a outra formada por aqueles que recebem sua renda por meio do confisco da renda alheia, e que são, com efeito, sustentados pelo governo.  Em poucas palavras, o resultado será a divisão da sociedade em pagadores de impostos e consumidores de impostos.

Porém, o efeito disso será que ambas as classes terão relações antagonistas no que diz respeito à ação fiscal do governo e a todas as políticas por ele criadas.  Pois quanto maiores forem os impostos e os gastos governamentais, maiores serão os ganhos de um e maiores serão as perdas de outro, e vice versa.  E, por conseguinte, quanto mais o governo se empenhar em uma política de aumentar impostos e gastos, mais ele será apoiado por um grupo e resistido pelo outro.

O efeito, portanto, de qualquer aumento de impostos será o de enriquecer e fortalecer um grupo [os consumidores líquidos de impostos] e empobrecer e enfraquecer o outro [os pagadores líquidos de impostos].

Logo, quanto mais inchado se torna o governo, maior e mais intenso passa a ser o conflito entre essas duas classes sociais.

No entanto, dado que uma elite minoritária é capaz de governar, tributar e explorar a maioria do público sem sofrer retaliações, isso nos leva ao principal problema da teoria política: o mistério da obediência civil.  Afinal, por que a maioria do público aceita se submeter a essa gente, sem oferecer resistência? 

Esta indagação foi respondida por três grandes teóricos políticos: Étienne de la Boétie, teórico libertário francês de meados do século XVI, David Hume e Ludwig von Mises.  Eles demonstraram que, exatamente pelo fato de a elite dominante estar em minoria, a coerção por si só não pode funcionar no longo prazo.  Até mesmo na mais despótica das ditaduras, o governo irá se manter apenas se contar com o apoio da maioria da população.  No longo prazo, o que é preponderante são as ideias, e não a força — e qualquer governo tem de ter legitimidade na mente do público.

Essa verdade foi perfeitamente demonstrada durante o colapso da União Soviética.  Quando os tanques foram enviados para capturar Boris Yeltsin, eles foram persuadidos a apontar suas armas para o outro lado e a defender Yeltsin e o Parlamento russo.  Em linhas gerais, estava claro que o governo soviético havia perdido toda a legitimidade e apoio entre a população.  Para um libertário, foi particularmente fantástico assistir à morte de um estado, particularmente um estado monstruoso como a União Soviética.  Até o final, Gorbachev continuou emitindo decretos, como sempre fez, mas a diferença é que ninguém mais prestava atenção e nem dava a mínima.  O antes todo poderoso Supremo Soviético (a legislatura da URSS) continuava se reunindo frequentemente, mas ninguém se dava ao trabalho de comparecer.  Glorioso!

Quem garante o consentimento dos espoliados

Mas ainda não resolvemos o mistério da obediência civil.  Se a elite dominante está tributando, espoliando e explorando o público, por que o povo não se rebela?  Por que ele tolera tudo isso?  Por que ele simplesmente não retira seu consentimento?

Resposta: não se deve jamais ignorar o papel crucial dos intelectuais, a classe que molda as opiniões da sociedade.  Se as massas soubessem como o estado realmente opera, elas imediatamente retirariam seu consentimento.  Elas rapidamente perceberiam que o rei está nu, e que elas estão sendo espoliadas.  É para evitar essa "tragédia" que os intelectuais entram em cena.

A elite dominante, seja ela os monarcas de antigamente, os comunistas de pouco tempo atrás ou os social-democratas da atualidade, necessita desesperadamente de exércitos de intelectuais que teçam apologias para o poder estatal.  O estado governa por determinação divina; o estado assegura o bem comum e o bem-estar geral; o estado nos protege dos bandidos que estão sempre à espreita; o estado garante o pleno emprego; o estado ativa o multiplicador keynesiano; o estado garante a justiça social.  Como demonstrou Karl Wittfogel em sua grande obra, Oriental Despotism, nos impérios asiáticos, os intelectuais lograram êxito com a teoria de que o imperador ou o faraó era uma entidade divina.  Se o soberano é Deus, poucos se atreverão a desobedecer ou a questionar suas ordens.

Podemos ver como os regentes do estado se beneficiam dessa sua aliança com os intelectuais; mas o que os intelectuais ganham com esse arranjo? 

Intelectuais são pessoas que acreditam que, em um livre mercado, auferem uma renda muito aquém de sua sabedoria.  Para se aproveitar disso, o estado, para favorecer estes egos tipicamente hiperinflados, está disposto a oferecer aos intelectuais um nicho seguro e permanente no seio do aparato estatal; e, consequentemente, um rendimento certo e um arsenal de prestígios.  O estado está disposto a pagar a esta gente tanto para tecerem apologias ao poder estatal quanto para preencher a miríade de postos de trabalho nas universidades, na burocracia e no aparato regulatório do estado.  Com efeito, o estado democrático moderno criou uma maciça superabundância de intelectuais.

Em séculos passados, as igrejas formavam a classe exclusiva de formadores de opinião da sociedade.  Daí a importância para o estado e seus burocratas de formar uma aliança entre o estado e a igreja, e daí a importância para libertários da separação entre estado e igreja, o que na prática significa não permitir que o estado conceda a um grupo o monopólio da tarefa de moldar as opiniões da sociedade. 

No século XX, obviamente, a igreja foi substituída, e o papel de moldar opiniões — ou, naquela adorável frase, de "fabricar o consentimento" — foi entregue a um enxame de intelectuais, acadêmicos, cientistas sociais, tecnocratas, cientistas políticos, assistentes sociais, jornalistas e a toda a mídia em geral. 

Portanto, para resumir o problema: na social-democracia, as elites dominantes — políticos, burocratas e grandes empresários — se uniram aos intelectuais e à mídia, e, com o apoio e o trabalho destes, conseguiram iludir e confundir as massas, doutrinando-as com uma "falsa consciência", como diriam os marxistas, fazendo-as aceitar passiva e alegremente seu domínio.  Aquilo que em arranjos mais honestos seria visto como espoliação e exploração, na social-democracia é visto como "bem comum", "desenvolvimentismo" e "justiça social".

O que fazer

Sendo assim, o que podemos fazer a respeito? 

Uma estratégia endêmica aos libertários e aos liberais clássicos é aquela que pode ser chamada de modelo hayekiano, em homenagem a F.A. Hayek.  Eu chamo de "educacionismo". 

Ideias, segundo este modelo, são cruciais; e ideias perpassam toda uma hierarquia, começando com os filósofos do alto escalão, de onde descem para os filósofos menos proeminentes, depois para os acadêmicos, e finalmente chegam aos jornalistas e políticos, de onde então atingem as massas.  Por essa estratégia, o que deve ser feito é converter os filósofos do alto escalão para as ideias corretas.  Ato contínuo, eles irão converter os outros filósofos menos proeminentes, e daí por diante, em uma espécie de "efeito-goteira", até que as massas inevitavelmente serão convertidas e a liberdade será finalmente alcançada.

O problema com essa estratégia do gotejamento é que ela é muito suave e refinada, dependente de mediações e persuasões serenas nos austeros corredores da intelectualidade.  Essa estratégia combina bem com a personalidade de Hayek, que nunca foi exatamente um combatente intelectual agressivo.

É claro que ideias e persuasão são importantes, mas há várias falhas cruciais nesta estratégia hayekiana. 

Em primeiro lugar, obviamente, essa estratégia irá, na melhor das hipóteses, levar várias centenas de anos para surgir algum efeito, e muitos de nós estamos um tanto impacientes para isso.  Mas o tempo não é de modo algum o único problema.  Várias pessoas já observaram os misteriosos bloqueios neste gotejamento feitos pela mídia.  Por exemplo, vários cientistas sérios têm uma visão bem distinta a respeito das questões ambientalistas que hoje estão em voga; no entanto, são sempre os mesmos histéricos de esquerda que são exclusivamente citados nas reportagens da mídia.  O mesmo ocorre às enfadonhas abordagens sobre racismo, homofobia e "direitos das minorias".  Sendo assim, por que esperar que uma mídia que invariavelmente distorce as coisas para o lado politicamente correto irá repentinamente vir para o lado da razão?  Já está cristalino que a mídia, principalmente a 'mídia respeitável e influenciável', possui e sempre terá uma forte inclinação progressista.

De modo geral, o modelo hayekiano do gotejamento ignora um ponto crucial: o fato de que — e eu espero não estar retirando seu prazer de viver — intelectuais, acadêmicos e a mídia não são exatamente motivados pela verdade.  É verdade que as classes intelectuais podem fazer parte da solução, mas elas também são uma grande parte do problema.  Como vimos, os intelectuais fazem parte da classe dominante, e seus interesses econômicos, bem como seus interesses em termos de prestígio, poder e admiração dependem inteiramente da continuidade do atual sistema social-democrata.

Outra estratégia é aquela comumente perseguida por vários institutos conservadores e liberais: a persuasão silenciosa feita diretamente nos corredores do poder, sem passar pela comunidade acadêmica.  Tal estratégia é chamada de "estratégia fabiana", e os institutos saem divulgando relatórios pedindo uma redução de 5 pontos percentuais na alíquota de importação e de 2 pontos percentuais na alíquota do imposto de renda, além de uma pequena redução das regulamentações e da burocracia.  Os defensores dessa estratégia apontam para o sucesso da sociedade fabiana, a qual, por meio de suas detalhadas pesquisas empíricas, suavemente submeteu o estado britânico a um gradual crescimento do poder socialista.

O defeito desta estratégia, no entanto, está no fato de que aquilo que funciona para aumentar o poder estatal não funciona para fazer o inverso.  Afinal, os fabianos estavam estimulando as elites dominantes a aumentar seu poder, que era exatamente o que elas queriam.  Por outro lado, tentar encolher o estado vai fortemente contra sua natureza, e o resultado mais provável é que o estado acabe cooptando e 'fabianizando' os institutos que tentem reduzir seu poder. 

Esse tipo de estratégia pode, é claro, ser pessoalmente muito agradável para os membros desses institutos, e pode acabar garantindo alguns contratos lucrativos ou até mesmo alguns confortáveis empregos na máquina pública para essas pessoas.  E esse é exatamente o problema.

Portanto, além de se esforçar para converter os intelectuais para a nossa causa, a ação mais adequada a ser empreendida tem necessariamente de ser uma estratégia baseada na confrontação, na coragem e na ousadia.  Uma estratégia que gere dinamismo e entusiasmo; uma estratégia que agite as massas, que as desperte de sua letargia e que exponha as elites arrogantes que estão nos subjugando, nos controlando, nos tributando e nos espoliando.

Logo, a estratégia adequada tem de se basear naquilo que chamo de "populismo liberal": um movimento intelectual empolgante, dinâmico, tenaz, obstinado e confrontador; um movimento que continuamente desafie e chame para o debate público os principais quadros da social-democracia, para expô-los pelo que realmente são; um movimento que desperte e inspire não apenas as massas exploradas, mas também todos os poucos quadros intelectuais da direita. 

Nesta era em que as elites intelectuais são todas social-democratas e hostis a idéias não-progressistas, é necessário um movimento carismático e dinâmico, cujos membros tenham a habilidade de contornar a mídia e saibam se comunicar diretamente com as massas exploradas que dão sustentação ao regime.

Conclusão

Em todas as questões cruciais, os social-democratas se opõem à liberdade e à tradição, posicionando-se sempre a favor do estado interventor, regulador e controlador. 

No longo prazo, social-democratas são mais perigosos do que comunistas, e não apenas porque eles são mais resistentes e protegidos, mas também porque seu programa e seu apelo retórico são muito mais insidiosos, dado que eles sabem combinar o charme das ideias socialistas com as atraentes "virtudes" da democracia, tudo cuidadosamente envolto em uma linguagem politicamente correta que promete liberdade de expressão e proteção aos "membros credenciados" de todos os tipos de grupos vitimológicos, aquela gente que se diz perseguida e que vive lutando por "direitos iguais" — sendo que o 'iguais' significa na verdade 'superiores'. 

Por muito tempo, os social-democratas obstinadamente se recusaram a aceitar a lição libertária de que liberdades civis e econômicas são indissociáveis; porém, agora, mais maduros e experientes, eles polidamente fingem defender a existência de algum tipo de "mercado", desde que este seja devidamente tributado, regulado e restringido por um maciço estado interventor e assistencialista.  Em suma, há pouca distinção entre os atuais social-democratas e os antigos "socialistas de mercado" da década de 1930, que alegavam ter solucionado aquele defeito fatal do socialismo apontado por Ludwig von Mises: a impossibilidade do cálculo econômico sob o socialismo, que impedia que os planejadores socialistas calculassem preços e custos, impossibilitando-os de planejar uma economia moderna e funcional.

No arsenal coletivista que dominou o cenário mundial do século XX, havia vários programas estatistas concorrentes: dentre eles, o comunismo, o fascismo, o nazismo e a social-democracia.  Os nazistas e os fascistas estão mortos e enterrados; o comunismo ainda existe apenas em alguns países sem nenhuma importância.  Restou somente a mais insidiosa forma de estatismo: a social-democracia. 

Em meio a uma cultura capturada por ideias progressistas e programas sociais esquerdistas, é necessária uma estratégia ousada para frustrar os planos dos social-democratas de alcançarem uma completa e irreversível tomada do poder.

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Leia também:

O socialismo clássico já foi rechaçado; o inimigo agora é outro

O capitalismo de estado tem de ser diariamente combatido


1 voto

autor

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


  • Paranaense  31/12/2015 11:28
    Outro dia assisti ao debate republicano traduzido pelo site www.tradutoresdedireita.com.br , e fiquei realmente desanimado com nossos ditos políticos de direita daqui, que são todos sociais democratas. Agora lendo Olavo de Carvalho, percebo o quanto a esquerda domina o cenário político brasileiro.
    Desanimador.
  • Paulista  31/12/2015 14:37
    Na hora em que vi o Ted Cruz falando de padrão-ouro, até rolou uma lágrima de inveja.
  • Pedro Ivo  01/01/2016 12:32
    FELIZ 2016 A TODOS OS LEITORES DO IMB E EQUIPE.

    Que D'us vos cubra de graças, segundo vossas necessidades e desígnios do Altíssimo.
  • Killarney  03/01/2016 01:02
    Valeu, Pedro Ivo! Forte abraço e um ótimo 2016 pra você também.
  • Sérgio/SP  12/01/2016 17:39
    Uau! Que texto! Uma luz se fez! Obrigado Instituto Mises, sempre indico seus artigos para meus amigos e parentes e peço aos mesmos que os repassem, assim, cada vez mais um maior número de pessoas toma contato com a realidade. Abs!
  • Paraninfo  31/12/2015 11:56
    Os líderes sociais-democratas de hoje são dissidentes do comunismo.

    A classe média é conservadora. Ninguém em situação confortável quer revolução ou choque de capitalismo. As pessoas querem continuar mamando nas tetas estatais. Além disso, quem pagou impostos ou aposentadoria para o governo a vida inteira, não quer o fim do governo. Ninguém coloca dinheiro em um banco e depois pede para fechar.

    Eu acho que o nosso grande problema é ter um abandono geral na educação básica. As pessoas não conseguem pesquisar e estudar um assunto. As escolas não falam sobre o presente. A educação básica virou uma coisa chata, porque é uma doutrinação socialista, sem o mínimo de interesse no capitalismo e na liberdade.

    Em relação aos sociais-democratas, eles são tão perigosos como os comunistas. Essas pessoas possuem poderes para controlar os mercados e para destruir qualquer iniciativa legítima.




  • Rafael  31/12/2015 12:04
    Perfect! You win!
  • Paraninfo  31/12/2015 12:10
    A maior revolução seria colocar os livros e textos dos pensadores liberais na educação básica.

    A literatura nacional destruiu a educação.

    Não é possível ter liberdade e capitalismo com pessoas socialistas.
  • Silvio  31/12/2015 14:45
    A última coisa que nossos educadores vão querer fazer (seja de escolas públicas ou privadas, no Brasil isso não faz diferença nesse aspecto) é querer inculcar nos jovens pensamentos divergentes da cartilha socialista, até porque praticamente todos eles tomaram doses cavalares de socialismo na veia a vida toda.

    Se o jovem quiser saber algo sobre capitalismo e liberdade que não seja uma caricatura mal feita, ele deverá procurar esse conhecimento por iniciativa própria fora da escola. Não tem jeito.
  • Chato  31/12/2015 15:50
    Além de soar meio gay, o termo "Supremo Soviético" não está certo. O correto seria Soviete Supremo.

    Aproveitando o ensejo, desejo um feliz Ano Novo para o pessoal do instituto.
  • Anonimo.  04/01/2016 12:05
    Isso é absurdo, não vai acontecer jamais.
    Um parasita público vai botar na educação pública algo que seja contra os interesses de um parasita público? Não faz o menor sentido.
    Tem é que privatizar TUDO e acabar com a obrigatoriedade do diploma.
  • Anonimo.  31/12/2015 12:51
    'todos os tipos de grupos vitimológicos (negros, feministas, gays, deficientes, índios, cegos, surdos, mudos etc)'

    Tem que atualizar essa lista e incluir os pedófilos
    Projeto do deputado jean willies quer regulamentar cirurgia de mudança de sexo pra crianças 'transgênero'.
    É sério, google.
  • Leo  31/12/2015 15:06
    O texto é muito bom, só não entendi a 'indução' que ele tenta alcançar ao colocar a bandeira do PDT (Partido Democrático Trabalhista) na imagem e, por exemplo, não a do PSDB, que é o mais notório partido autodenominado social democrata do país (cujo nome é Partido da Social Democracia Brasileiro).

    No fim os dois (quiça todos) partidos do país podem ser na prática e na ideologia idênticos, porém falar de social democratas e não citar a referência óbvia (seja por meio de imagem mesmo,já que o texto não se refere especificamente à realidade brasileira) que é o PSDB de Aécio, FHC e companhia, que de liberais e pró-mercado nada tem, dão margem para dúvidas relativas à intenções político-partidárias do site.
  • Brizola  31/12/2015 15:21
    Prezado, a imagem que ilustra o artigo não se refere à logomarca do PDT (embora o PDT a utilize), mas sim ao símbolo da social-democracia.

    A imagem que mundialmente representa a social-democracia é a mão estendendo uma rosa vermelha.

    pt.wikipedia.org/wiki/Social-democracia

    Nunca mais se esqueça disso. E não mais passe vergonha.
  • Moreira  31/12/2015 15:23
    Que bola fora, hein, Leo? Quanto desconhecimento a respeito de algo básico...

    Tenha mais comedimento da próxima vez, em vez de se entregar a rompantes acusadores.
  • Pablo  03/01/2016 18:05
    Vergonha nenhuma em buscar informação. Tá tranquilo Léo, acontece nas melhores famílias assim como a arrogância.
  • Henrique Zucatelli  31/12/2015 15:23
    A confrontação e a coragem são armas muito importantes para mudar a nós mesmos.

    Porém diga isso para um Fernando Henrique da vida da , que mama nas tetas da USP até hoje, e ainda vem a público reclamar que parou de receber a aposentadoria da mulher quando a mesma faleceu... E um homem desse ainda merece ser chamado de neo liberal? Jamais. Ele é um social democrata. Ele é um dos representantes nesse país de tudo o que estamos vendo. São eles que cooptam e aumentam a força dos sindicatos, ONGs e todo o tipo de organização surrupiadora do capital produtivo alheio.

    Daí que eu parto do pressuposto que o órgão existente é capaz de transformar uma sociedade socialista em capitalista: o estômago.

    A história nos mostra que todos os momentos em que uma nação persiste em inchar seu estado, este suga toda sua riqueza e leva sua população a miséria, violência, doenças e toda sorte de desgraças.

    Ao passo que uma sociedade fica podre e o pus começa a feder, onde a grande maioria já não tem mais o refúgio do emprego formal e é obrigada a empreender para sobreviver, as pessoas começam a encarar questões de forma capitalista.

    Como um ex funcionário de uma metalúrgica que se vê obrigado a trabalhar como soldador autônomo. Este começa fazendo para comer, se for bom no que faz ele cresce e abre uma empresa. A partir daí ele enxerga a força nefasta e hostil que o Estado impõe sobre todos aqueles que produzem. Entende o tamanho do fardo que é contratar ou demitir, o peso dos impostos, das taxas, das obrigações, de toda sorte de normas e ritos impostos sem nenhuma lógica racional, a não ser tomar fácil aquilo que ele ganhou suando e sofrendo.

    Nesse ponto de inflexão o cidadão dito antes socialista se torna o mais ortodoxo dos capitalistas, pois ele sabe que é injusto o que é tomado dele somente para sustentar uma corte que vive nababescamente em palacetes, comendo caviar e passeando pelo mundo, enquanto publicamente tem como profissão defender a importância de ajudar as minorias.

    Voltando até os registros históricos, quando foi que a população (e não os intelectuais) se cansaram de seus governantes populistas e pediram mais mercado? Quando o estômago reclamou.

    Este órgão é o maior dos propulsores da evolução humana, pois foi através da fome que fomos a caça. Através dele que desenvolvemos técnicas de agricultura. É primariamente por ele que trabalhamos todos os dias, mesmo nos esquecendo disso.

    Vivemos em um mundo de escassez. Se não produzirmos- e para isso precisamos de incentivo, que é a acumulação de riqueza, voltaremos a miséria do passado em um instante.
  • Patrick Wiens  05/01/2016 13:50
    Henrique, meu caso é parecido. O que me fez partir de vez para o lado liberal foi exatamente abrir uma empresa e vivenciar tudo isso. Acho que uma tática interessante seria obrigar as escolas a ensinar empreendedorismo, educação e matemática financeira, até mesmo porque o brasileiro é extremamente burro no que tange administrar bens e dinheiro, sempre se enfiando em parcelas que não pode pagar. No que mais e mais gente vivenciasse o que é ser dono do próprio negócio, mais e mais gente teria a visão exata de quão nefasto é o estado e as políticas assistencialistas.
    Sempre falo, o que nos faz falta é um fórum, conversar a partir dos comentários nos artigos não é suficiente. Apenas com um fórum podemos nos organizar, unir forças e viabilizar formas de resistência.
  • Rosiclei Batista de Oliveira   26/02/2016 18:59
    Parabéns. Comentário perfeito.
  • Dissidente Brasileiro  31/12/2015 16:22
    Será que alguém consegue me explicar isto aqui:

    Banco suíço vai pagar R$ 2 bi por evasão fiscal

    Como pode a "justiça" dos EUA ter jurisdição em território estrangeiro?? Que eu saiba, o Julius Baer é um banco suíço, e como tal obedece as leis de lá. Por quê a Procuradoria Geral de Nova York pode processar e multar um banco no exterior? Ou tem algo aí que não estou entendendo?
  • anônimo  31/12/2015 17:29
    Os EUA proclamam jurisdição na Via Láctea inteira, e ninguém pode de fato impedi-los. O poder que o dólar lhes dá lhes garante esse tipo de coisa. Basicamente, se o banco suíço não pagar, os EUA o bloqueiam de usar o dólar, e isso é praticamente matar o banco já que todas as transações internacionais passam por lá.

    Leia sobre o FATCA (Foreign Accounts Tax Compliance Act) se quiser ter uma melhor dimensão de até onde vai a "jurisdição" dos EUA.
  • Veron  31/12/2015 19:19
    anônimo, o Brasil possui uma Lei igualzinha de obrigar instituições bancárias internacionais fornecerem dados de seus correntistas chamada IGA (Acordo de Cooperação Intergovernamental).

    É o Estado em todo o seu esplendor querendo saber de tudo o que seus escravos fazem no mundo.
  • Cesar Massimo  31/12/2015 17:53
    Pelo que sei, o banco citado tem operações nos EUA, ou seja, tem uma 'filial' que é uma empresa regida por leis norte americanas, bem como profissionais trabalhando lá.
    O fisco dos EUA identificou que essa 'filial' deu suporte e apoiou cidadãos americanos a economizarem impostos ou sonegarem tributos se você assim o preferir.
    Para livrar-se de um processo, banco e, especialmente, seus dirigentes, fazem um acordo concordando em pagar essa pena financeiramente.
    Muitos outros bancos, inclusive norte americanos já fizeram esse 'acordo' com o fisco.
    É o meu entendimento.
  • Dissidente Brasileiro  31/12/2015 23:32
    Cesar Massimo, obrigado pela sua resposta. Eu pesquisei antes e descobri que o banco não tem filial nos EUA. No site deles está a relação das filiais espalhadas pelo mundo:

    https://www.juliusbaer.com/global/en/menus/services/locations/

    anônimo, eu sei sobre o FATCA, inclusive o tal processo provavelmente é baseado nesta lei, mas o que eu quero saber é como eles aplicariam esta mesma lei em um lugar que não se curva facilmente aos caprichos dos EUA, como por exemplo Hong Kong, que é parte da China. Será que eles iniciariam a Terceira Guerra Mundial apenas por causa de um "crime" de evasão fiscal? Gostaria de saber. :-)
  • Rodrigo Garcia Wettstein  01/01/2016 10:40
    Caros, trata-se do pressuposto de Soberania Nacional. Um País solicita reparação (de guerra, diplomática, financeira, de crimes de terrorismo ou de crime comum, etc) perante outro. No caso, me parece, não conhecendo o caso profundamente, de pedido de reparação perante um crime de sonegação fiscal de um banco privado para os EUA, visto ter havido TRANSFERÊNCIA MONETÁRIA entre EUA e Suíça, com a cooperação dos dois países. A justiça trata de um país que não recebeu em relação a outro que guardou em si a sonegação, em uma transferência monetária entre os dois. Aí, visualiza-se que o governo suíço foi omisso em não detectar a transgressão.
  • Veron  31/12/2015 18:16
    A social-democracia progressista é, sem dúvidas, um inimigo muito mais perigoso do que o próprio comunismo foi, pois não instaura o poder de forma radical e sim através da "ocupação dos espaços" e da "revolução cultural" que Antonio Gramsci ensinou.

    Mas ainda acho que o desenvolvimentismo populista é ainda mais perigoso que a social-democracia progressista.

    Excelente texto.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  31/12/2015 22:18
    Não vejo outra saída senão me passarem o planeta como minha propriedade.
  • Jose Luiz Dias Filho  01/01/2016 03:55
    Esse é um artigo espetacular, que nenhum cidadão de mente flexível poderia deixar de devorá-lo.
  • Ricardo S. I.   01/01/2016 09:30
    Bom dia pessoal, feliz 2016! Há tempos acompanho o site... E gosto das teorias econômicas apresentadas aqui. Não sou anarco capitalista... Nem um libertário...

    E creio que além das opções citadas no texto. Existe mais uma opção....

    Estudando sobre empreendedorismo, aprendi que uma forma de ganhar um grande mercado... É dominar um mercado menor... Para conseguir isso, creio que uma forma seria Investir todos os esforços em um único ponto (uma cidade) doutrinar toda uma cidade pequena sobre os benefícios da causa libertária... Caso consigam o apoio massivo dessa cidade, explicando inclusive as medidas que devem ser tomadas... Os próximos políticos teriam que seguir essas medidas... Inclusive para manter seus mandatos.... Se a cidade obtiver sucesso, naturalmente a população do entorno irá querer as mesmas medidas... E um processo natural se iniciaria.... Que tal deixar de ideologia e fazer a diferença na prática? Se começarmoscom uma cidade de 20k hhabitantes... Pela quantidade de leitores desse site, não me parece impossível... E se a doutrinação começar imediatamente, podemos influenciar já a próxima eleição... E ver na prática se funcionaria.... O que acham?
  • Ragnister  02/01/2016 01:59
    É uma estratégia boa, porém aqui no Brasil governos municipais e estaduais tem pouca autonomia. A maior parte dos impostos vão para o governo federal, o que torna muito difícil você como prefeito aplicar uma redução na carga tributária de forma significativa, por exemplo. Se antes essa nação era escrava de Portugal, agora somos escravos de Brasília. O mais próximo do ideal seria o separatismo, mas este país está dividido entre vermelhos e verde-amarelos, e acredito eu que nenhum dos lados querem separar nada.
  • Viking  04/01/2016 18:42
    acho que os únicos impostos que as prefeituras conseguem alterar são o ISSQN e o IPTU. de resto, tem nenhuma autonomia
  • Rodrigo Garcia Wettstein  01/01/2016 11:30
    Uma vez eu disse que seria melhor que Dilma vencesse as eleições de 2014 porque quem fosse eleito teria que enfrentar toda a crise vindoura, algo previsto em Mises há muito tempo. Seria melhor que ela entrasse para que a população sentisse pelo menos o gosto da derrota do socialismo, da Nova Matriz Econômica, e dos personagens esquerdistas históricos do Brasil. Hoje, isto está acontecendo exatamente como falamos. Porém, o próximo passo é ou a eminência de conflitos civis, com a troca de mãos do Poder, a mais usual e provavel, ou um caminho mais sinuoso, menos provável, de opção popular por algo radical porém involuntariamente mais libertador. Não estou falando de ditadura militar pois além de estar "batido" em nossas memórias como algo ruim para todos os que amam a liberdade intelectual e democracia, estará Novamente fechando um ciclo histórico, quando o socialismo ganhou força no Brasil e ganharia novamente força, visto o inimigo com o Poder totalitário nas mãos atiçar as mentes jovens e dos intelectuais de esquerda de dar justificação da existência do socialismo no Brasil novamente. Falo de algo além, um caminho tortuoso e cheio de contratempos. Falo da fortificação de partidos religiosos. É um caminho bizarro porém traria um arejamento do Poder excepcional. Traria, TEORICAMENTE, ideias religiosas boas no meio político como moralidade pública, revaliacoes de penalidades criminais, etc. traria também a entrada de fanáticos religiosos ao seio da política pública, algo ruim e bom paradoxalmente. Neste caminho tudo poderia acontecer, até o socialismo permear o novo poder ou se tornar totalitário. Mas é um caminho possível para as próximas eleições. Menos provável, mas com maior possibilidade do que antes, visto o VÁCUO DE PODER AUMENTANDO lentamente.

    Volto a dizer, o mais provável é o retorno aos conflitos sociais fortes e a uma nova maquiagem nos mesmos personagens políticos, de partidos e pessoais. Mas o menos provável podera ser o mais contundente nas próximas eleições. Aguardemos e, caso aconteça, terminemos sempre os artigos com... Amém.
  • Roberto Carlos  02/01/2016 10:02
    Não existem ideias religiosas boas. Toda religião é uma tentativa de castrar a liberdade individual, por isso elas sempre de aliam ao Estado que detém a força para isso. As religiões que não fazem isso rapidamente morrem e são substituídas por outras ou uma versão deturpada.
  • Anonimo.  02/01/2016 12:19
    Mentira, tem um monte de religião por aí que nunca se aliou a estado nenhum.
    É engraçado como ateuzinhos se acham tão intelectuais, tão racionais, mas na hora de argumentar mostram os mesmos 'argumentos' razos do nível de qualquer religioso fanático.
  • anônimo  02/01/2016 17:56
    Roberto Carlos, quem é mais historicamente ligado ao Estado para acabar com as religiões e a liberdade religiosa da população é o Ateísmo Militante. Não se faça de desentendido.

    A relação entre libertarianismo e religião é longa, antiga e tormentosa.

    É inegável que Ayn Rand teve uma duradoura, forte e profunda relação com o libertarianismo. Embora ela nos rejeitasse e nos tratasse como "hippies da direita", muitos de nós ainda somos fascinados com ela, inspirados por ela e em dívida para com ela por ter nos apresentado a defesa moral da livre iniciativa. Eu certamente me incluo nessa categoria.

    Uma das mais fortes influências que ela teve sobre o movimento libertário foi o seu ateísmo beligerante. Para muitos seguidores da filosofia da liberdade, uma agressiva rejeição a Deus e a todas as coisas religiosas pode perfeitamente ser vista como um axioma básico dessa visão de mundo. Confesso que essa também foi a minha posição nesse assunto durante muitos anos. Essa era também a posição de um rico e potencial doador do Mises Institute, o qual teria contribuído fartamente caso o Instituto mudasse sua visão em relação a esse assunto e passasse a adotar uma postura agressivamente contrária a todas as religiões. Felizmente, Lew Rockwell se recusou a desvirtuar a missão de seu Instituto em relação a esse quesito, e ficou sem a doação. Embora seja ele próprio um católico devoto, Rockwell se manteve fiel aos seus princípios: o Mises Institute continuaria envolvido nos estudos da ciência econômica e da liberdade, e nada teria contra qualquer religião em absoluto.

    O que fez com que eu mudasse minha postura? Por que continuo hoje sendo tão ateu quanto sempre fui, porém, ao mesmo tempo, um amigo e defensor da religião? Nada tem a ver com o fato de que, dos últimos 19 anos, passei 15 deles sendo empregado por instituições jesuítas católicas. Fui professor do College of the Holy Cross de 1991 a 1997 e, desde 2001, sou professor da Universidade Loyola em Nova Orleans.

    Para alguns — aqueles ainda encantados com a visão randiana acerca de religião e liberdade —, já é ruim o suficiente que um libertário tenha uma visão positiva sobre a religião. Para a maioria, pode parecer uma total contradição lógica um ateu como eu ser um grande defensor e até mesmo um admirador da religião. Permita-me explicar tudo.

    Nesse assunto em especial, sou guiado pelo aforismo "o inimigo do meu inimigo é meu amigo". Embora tal raciocínio nem sempre seja verdadeiro, nesse caso em específico creio que seja.

    Assim, qual instituição é a maior inimiga da liberdade humana? Só pode haver uma resposta: o estado em geral; e, em particular, a versão totalitária deste. Talvez não haja melhor exemplo de tal governo do que a URSS e seus principais ditadores, Lênin e Stalin (embora a supremacia em termos de números absolutos de inocentes assassinados pertença à China de Mao). Podemos em seguida perguntar: quais instituições esses dois respeitáveis russos escolheram para o opróbrio? Em primeiro lugar, a religião. Em segundo lugar, a família. Não foi nenhuma coincidência os soviéticos terem aprovado leis que premiavam os filhos que delatassem os pais por atividades anticomunistas. Certamente não há melhor maneira de destruir uma família do que por meio dessa política diabólica. E como eles tratavam a religião? Essa é uma pergunta meramente retórica: a religião foi transformada no inimigo público número um, e seus praticantes foram cruelmente caçados e exterminados.

    Por que escolheram a religião e a família? Porque ambas são as principais concorrentes do estado na busca pela lealdada e obediência das pessoas. Os comunistas estavam totalmente corretos — se formos nos basear em suas próprias perspectivas diabólicas — em centrar sua artilharia sobre essas duas instituições. Todas as pessoas que são inimigas de um estado intrusivo, portanto, fariam bem em abraçar a religião e a família como seus principais amigos, sejam essas pessoas ateias ou não, pais ou não.

    A principal razão por que a religião é um contínuo e eterno incômodo para os líderes seculares advém do fato de que essa instituição define a autoridade moral independentemente do poder dessa gente. Todas as outras organizações da sociedade (com a possível exceção da família) veem o estado como a fonte suprema das sanções éticas. Não obstante o fato de que alguns líderes religiosos de fato já se ajoelharam perante oficiais de governo, existe uma hostilidade natural e básica entre essas duas fontes de autoridade. O papa e outros líderes religiosos podem não ter nenhum regimento de soldados, mas eles têm algo que falta aos presidentes e primeiros-ministros, para grande desespero destes.

    Eis aí minha posição. Eu rejeito a religião, todas as religiões, pois, como ateu, não estou convencido da existência de Deus. Aliás, vou mais fundo. Sequer sou agnóstico: estou convencido da não-existência Dele. Entretanto, como um animal político, eu entusiasticamente abraço essa instituição. Trata-se de um baluarte contra o totalitarismo. Aquele que deseja se opor às depredações do estado não poderá fazê-lo sem o apoio da religião. A oposição à religião, mesmo se baseada em fundamentos intelectuais e não almejada como uma posição política, ainda assim equivale a um apoio prático ao estado.

    Mas e quanto ao fato de que a maioria das religiões, senão todas, apóia a existência do estado? Não importa. Apesar de que algumas religiões organizadas podem frequentemente ser vistas como defensoras do estatismo, o fato é que esses dois ditadores, Lênin e Stalin, já haviam entendido tudo: não obstante o fato de pessoas religiosas frequentemente apoiarem o governo, essas duas instituições, estatismo e religião, são, no fundo, inimigas. "Concordo" com Lênin e Stalin nesse quesito. Estritamente do ponto de vista deles, ambos estavam totalmente corretos ao suprimirem brutalmente as práticas religiosas. Isso faz com que seja ainda mais importante que todos nós libertários, ateus ou não, apoiemos aqueles que adoram a Deus. O inimigo do meu inimigo é meu amigo.

    Bem sei que, nesse ponto, muitos ateus irão energicamente protestar apontando para o fato de que inúmeras pessoas inocentes foram assassinadas em nome da religião. É verdade. Infelizmente, é muito verdade. Entretanto, seria válido colocarmos um pouco de perspectiva nessa conjuntura. Quantas pessoas foram mortas por excessos religiosos, tais como a Inquisição? Embora as estimativas variem amplamente, as melhores (ver aqui) dão conta de que o número de mortes ocorridas durante essa triste época, a qual durou vários séculos, está entre 3.000 e 10.000. Alguns especialistas, aqui, garantem números ainda mais baixos, como 2.000.

    É claro que estamos falando de seres humanos assassinados, e cada assassinato deve ser lamentado; porém, se considerarmos apenas as magnitudes relativas, podemos positivamente dizer que tais números são completamente insignificantes quando comparados à devastação infligida à raça humana pelos governos. De acordo com as melhores estimativas (ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), as vítimas do estatismo apenas no século XX se aproximam do ultrajante marco de 200 milhões. Não, não houve erro tipográfico. 200 milhões de cadáveres produzidos diretamente pelo estado! Querer comparar algumas milhares de mortes injustificáveis produzidas pela religião com várias centenas de milhões produzidas pelo estado é algo totalmente desarrazoado. Sim, o assassinato de uma única pessoa é deplorável. Porém, se quisermos comparar religião e governo, devemos ter em mente essas diferenças astronômicas.

    Eis uma lista de pessoas devotamente religiosas que eu conheço pessoalmente e que fizeram grandes contribuições para a causa da liberdade:

    William Anderson, Peter Boettke, Art Carden, Stephen W. Carson, Alejandro Chafuen, Paul Cwik, Gary Galles, Jeff Herbener, Jörg Guido Hülsmann, Rabino Israel Kirzner, Robert Murphy, Gary North, Ron Paul, Shawn Rittenour, Lew Rockwell, Joann Rothbard, Hans Sennholz, Edward Stringham, Timothy Terrell, David Theroux, Jeff Tucker, Laurence Vance, Tom Woods, Steven Yates.

    E não podemos também deixar de mencionar a Escola de Salamanca, povoada e divulgada, principalmente, por padres como estes: Dominicanos: Francisco de Vitoria, 1485—1546; Domingo de Soto, 1494—1560; Juan de Medina, 1490—1546; Martin de Azpilcueta (Navarrus), 1493—1586; Diego de Covarrubias y Leiva, 1512—1577; Tomas de Mercado, 1530—1576. Jesuítas: Luis Molina (Molineus), 1535—1600; Cardeal Juan de Lugo, 1583—1660; Leonard de Leys (Lessius), 1554—1623; Juan de Mariana, 1536—1624.

    Essa escola de pensamento é genuinamente nossa predecessora moral e intelectual. Para a contribuição da Escola de Salamanca para o movimento austro-libertário, ver aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

    Já é hora — aliás, já passou da hora — de o movimento austro-libertário rejeitar a virulenta oposição randiana à religião. Sim, Ayn Rand fez grandes contribuições para os nossos esforços. Não precisamos agir precipitadamente; não precisamos jogar fora o bebê junto com a água da banheira. Mas é certo que o sentimento anti-religião pertence a essa última atitude, e não à primeira.

    As opiniões acima expressadas são consistentes com o ponto de vista do meu eterno mentor, Murray Rothbard. Esse brilhante erudito, que frequentemente era chamado de "Senhor Libertário", justamente por representar a epítome do libertarianismo, era uma pessoa extremamente favorável à religião, sendo especialmente pró-catolicismo. Ele atribuía os conceitos do individualismo e da liberdade (bem como quase tudo de positivo que havia na civilização ocidental) ao cristianismo, e argumentava com veemência que, enquanto os libertários fizessem do ódio à religião um princípio básico de organização, eles não chegariam a lugar algum, dado que a vasta maioria das pessoas em todas as épocas e lugares sempre foi religiosa.
  • Ali Baba  04/01/2016 10:01
    @anônimo 02/01/2016 17:56:08


    Faltou apontar a fonte, anônimo: www.mises.org.br/Article.aspx?id=834

    Esse artigo é do Walter Block. Compartilho da visão dele. Assim como ele sou ateu e grandemente inspirado pela Ayn Rand. No entanto, não vejo com maus olhos aqueles que são crentes... e desde que a religião desses não se misture com o estado e respeite o princípio da não-agressão, não vejo problema algum em professá-la.

    Afinal de contas, como a imensa maioria dos ateus, já fui crente.

    Feliz 2016!
  • anônimo  03/01/2016 12:27
    Eu ainda me pergunto o que o ateismo produziu de bom para o mundo além, é claro, de uma pilha de cadáveres.

    A Igreja Católica construiu essa civilização ocidental. Só trouxe coisas boas ao mundo como hospitais, asilos, escolas, optica etc etc...

    Na Idade Média, a civilização Cristã, foi grandiosa em suas músicas, pinturas, arquitetura, educação, ciência, filosofia, literatura.
  • anônimo  04/01/2016 11:42
    "Eu ainda me pergunto o que o ateismo produziu de bom para o mundo além, é claro, de uma pilha de cadáveres"



    Igreja Católica produziu muitos cadáveres ao longo da História. E a religião Islâmica também produziu e vem produzindo.
  • anônimo  01/01/2016 14:46
    Mas pra lutar contra este inimigo, o Rothbard defendeu gente como o clansman David Duke:

    archive.lewrockwell.com/rothbard/ir/Ch5.html
  • Anonimo.  02/01/2016 12:12
    Não, ele defendeu as idéias, e o artigo todo é sobre isso
    'It is fascinating that there was nothing in Duke's current program or campaign that could not also be embraced by paleoconservatives or paleo-libertarians; lower taxes, dismantling the bureaucracy, slashing the welfare system, attacking affirmative action and racial set-asides, calling for equal rights for all Americans, including whites: what's wrong with any of that? And of course the mighty anti-Duke coalition did not choose to oppose Duke on any of these issues.'
    Qual a mentira aí?
  • anônimo  03/01/2016 12:17
    Se o Mises apoiou os sociais-cristãos na Áustria (inclusive com participação no governo Seipel) e o Rothbard apoiou o David Duke, por que um libertário brasileiro não pode apoiar o Bolsonaro?
  • Garcia  01/01/2016 21:08
    sempre que leio um artigo e os posteriores comentarios falando das mudancas que sao necessarias, me pergunto: onde estao os "Ron Paul" brasileiros no executivo e legislativo, nos ambitos federais, estaduais e municipais? me parece que aqueles que creem na teoria libertaria, fazem somente isso, acreditar...

    palestras, debates, sites como este sao importantes fontes de divulgacao, mas nao vejo brotar nenhuma personalidade que se disponha a agir como o anticorpo (libertarios) combatendo o virus (o arranjo politico-economico atual)de dentro do proprio organismo infectado (Brasil).

    Eu particularmente me sinto inclinado a tomar esta atitude em alguns anos (ainda tenho que comer muito arroz e feijao da teoria libertaria antes de faze-lo), pois apenas com palavras, mas sem atitudes concretas, seremos eternos sonhadores utopicos...

    Para aqueles que dizem que qualquer pessoa que entra na politica se torna corrupta, melhor realmente nem entrar... pois se ja vai com esta mentalidade... melhor nem comecar...
  • Amarildo  02/01/2016 15:07
    Concordo que algo precisa ser feito. Não tenho dúvida que no longo prazo o resultado duradouro é o produzido pelas idéias, mas parece que ficar escrevendo e publicando coisas na internet simplesmente não é suficiente.
    Não é nada animadora a perspectiva de talvez, um dia, quem sabe, o estado diminua um pouquinho pela força das idéias divulgadas aqui fora.
    Acho que destruição, ou pelo menos a diminuição do estado, precisa de uma ajudinha interna.
    Como criar um partido do zero é arduamente difícil e com crescentes defesas em favor da diminuição dos partidos, não seria viável "tomar" um partido existente? Algo como escolher o partido com estatuto menos socialista, como um PP, ou mesmo o NOVO, por exemplo, e promover uma filiação em massa de libertários para usar um partido existente e lançar candidaturas e, quem sabe, conseguimos colocar idéias libertárias no seio do monstro: privatizamos uma empresa aqui, eliminamos o monopólio dos correios hoje, privatizamos o correio amanhã, no outro dia extinguimos agências reguladoras, eliminamos impostos, e, mais importante, instituímos a separação entre escola (todos os níveis) e estado.
    Pode ser um caminho.
  • Jandir Rodrigues  03/01/2016 23:51
    Também acho que fazemos muito pouco ou quase nada pela defesa da liberdade, da propriedade privada, do livre mercado e da diminuição do estado. Todo mundo entende de futebol no Brasil porque futebol é discutido nos meios de comunicação de manhã, ao meio dia, à tarde, à noite e de madrugada. Já sobre governo, estado, tributação, justiça e comportamento dos governantes só o Roda Viva e assim mesmo elitizado. Parece que falta união entre os que acreditam e que podem defender esses assuntos na grande mídia através de programas inteligentes e patrocinados por produtores de bens e serviços que além de porem as ideias em debate popular ainda teriam um canal de propaganda para seus produtos/serviços. Falta associação com propósito.
  • Leandro M. Rocha  02/01/2016 03:42
    A escolha da imagem da bandeira do PDT não poderia ter sido melhor!
    parabéns pelo texto!
  • Hemerson  02/01/2016 15:43
    Leandro M. Rocha, na verdade é o simbolo da social-democracia, não só do PDT (embora a sua logo tenha esta mão com a rosa).
  • Leandro M. Rocha  03/01/2016 01:56
    OK! Não sabia desse detalhe. Vivendo e aprendendo ;-) !
  • Ragnister  02/01/2016 17:31
    Aquela imagem da mão segurando a rosa é o símbolo da social-democracia, o que faz a referência ser a toda uma ideologia e não só a um mero partido.
  • MarcioAB  02/01/2016 14:04
    PREMISSA 1: 50% da populacao honesta, sincera, de bem, tende para o SOCIALISMO. E 50% tende no sentido contrario.

    Em um sistema democratico que mistura esses 2 tipos caracteristicos, ora um tipo esta no poder, ora outro.
    Quando um tipo esta no poder as coisas vao em um sentido. Quando o outro tipo esta no poder as coisas vao no outro sentido. Na media, nao vamos para nenhum lugar.

    Se houvesse uma forma totalmente PACIFICA de separar esses 2 tipos, e mante-los PACIFICAMENTE separados, permitindo que cada tipo mova na direcao que lhe é mais caracteristica, permitindo o livre fluxo entre eles desde que seja uma mudança sincera, depois de algum tempo acredito que teriamos dois ambientes totalmente diferentes porem cada um com a sua felicidade.

    Mas, infelizmente as pessoas nao sao PACIFICAS.
  • Amarildo  02/01/2016 14:56
    O artigo me confirmou convicção que adquiri há tempo: uma parte da solução é a promoção e adoção ampla do homeschooling.
    Uma dificuldade é que o Estado combate cruel e ferozmente as famílias que ousam educar seus filhos em casa. Talvez valesse um esforça articulado e concentrado para fazer aprovar legislação que garantisse o direito ao homeschooling (embora eu saiba que a lei brasileira de fato não proíbe, mas a burocracia e o judiciário acreditam que proíbe).
    Atualmente há uma ação sobre o assunto no stf. Mas não acredito que algo bom possa sair do stf. Precisamos, mesmo, de alteração na lei e talvez na constituição também, que permita o homeschooling.
    Eu entendo que o estado é uma aberração e deve ser extinto, mas isso parece simplesmente impossível de acontecer enquanto estivermos vivos. Por outro lado, se conseguirmos pelo menos a liberdade de quebrar a doutrinação e escravização de nossas crianças na escola, é bem possível começarmos a ter êxito na desmontagem da quadrilha que nos espolia.
    A questão é: como fazer isso?
  • Henrique Zucatelli  03/01/2016 04:56
    Amarildo, na verdade aqui no Brasil é bem simples, a não ser que queira que seu filho comece a estudar na faculdade antes dos 18 anos, o ENEM.

    Para ensina-lo, basta utilizar a melhor metodologia de ensino que escolher e os melhores conteúdos programáticos das melhores escolas do mundo (isso é público). Basta garimpar as bibliografias.

    E quanto aos comentários, no horário que ele estudaria normalmente mande ele para alguma atividade extra (natação, artes marciais), e se algum parente perguntar onde ele estuda, sempre diga o nome de um colégio beeeeem distante, onde tem certeza que ninguém conhece.

    Boa sorte.
  • Amarildo  03/01/2016 20:23
    Henrique,

    O curriculum é a menor parte do problema. Já tenho um, excelente. O problema é o patrulhamento mesmo.
    Dependendo do lugar em que se mora, a coisa não para nos comentários. Você é denunciado (até mesmo por parentes bem intencionados, ou as vezes incomodados com o progresso tão fácil da criança educada em casa, comparada com os primos instruídos naquela superescola particular), você recebe visitas do conselho tutelar, responde processo.
    Isso não quer dizer que desistimos. Mas a luta não é fácil.
  • Fernando  02/01/2016 20:32
    Essa social-democracia é um socialismo com democracia. Isso virou um socialismo com alternância de poder. Social-democracia é o nome fantasia de socialismo democrata.

    Esse sistema foi feito para enganar as pessoas. A liberdade não é respeitada na maioria dos países com social-democracia.

    Em um país que a liberdade é mais importante que a social-democracia, não seria permitido confiscar o fundo de garantia das pessoas. As pessoas poderiam escolher onde colocar seu FGTS e não deixar em bancos públicos, onde os políticos sempre pagam péssimos rendimentos. Elas também poderiam escolher onde colocar suas aposentadoria e não ficar recebendo esmola de governo.

    Outro exemplo, em um país com liberdade e social-democracia, as pessoas não seriam obrigadas a pagar sindicatos.

    Também teriam facilidade para abrir empresas e fazer negócios. Como a liberdade para fazer trocas voluntárias é a base da economia, essa burocracia do governo destrói completamente o ritmo das trocas.

    Em uma social-democracia com liberdade, os governo teriam que cumprir as funções básicas de um estado, sem ficar se preocupando com empresas e mercado.

    Um governo social-democrata deveria se preocupar apenas em como os impostos serão arrecadados, sem se preocupar com regulamentações.

    Por esses e outros motivos, a esquerda conseguir fantasiar o socialismo de social-democracia.

  • Emerson Luis  02/01/2016 22:48

    A doutrinação é tão profunda que o social-democrata PSDB é considerado (neo)liberal ou "direita".

    Você defende o liberalismo e pessoas pensam que está defendendo o PSDB.

    * * *
  • PedroF  04/01/2016 04:33
    Assino, com aplausos, o que Anônimo disse sobre a importância da religião. Foi elegante, culto e perspicaz. Penso da mesma maneira. Parabéns.
  • Fernando  04/01/2016 11:32
    Os liberais piram quando veem a prosperidade da Noruega, Suécia e da Dinamarca.
  • Melligeni  04/01/2016 12:01
    Ah, eu piro mesmo.


    Segundo o site Doing Business, nas economias escandinavas,

    1) você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);

    2) as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (no Brasil chegam a 60% se a importação for via internet);

    3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (34% no Brasil);

    4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);

    5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho);

    6) não existe salário mínimo;

    7) praticamente não há nenhuma indenização por demissão (nem por demissão sem justa causa). O máximo que existe é uma indenização de seis meses de salário para quem trabalhou na mesma empresa por mais de 15 anos. Mais ainda: não há leis trabalhistas que restrinjam horas extras (empregado e patrão acordam voluntariamente as horas de trabalho), o que permite que as empresas operem 24 horas por dia, 365 dias por ano.

    8) o empresário não paga absolutamente nada em termos de previdência social do empregado. Tudo fica por conta do próprio empregado (que paga 8%). Eventuais negociações coletivas entre sindicatos e empresas não demoram menos do que 30 anos para a maioria dos assuntos relevantes (como estipular um salário-base para uma categoria ou as horas de trabalho semanais). Com efeito, 25% dos trabalhadores dinamarqueses não estão cobertos por nenhum acordo coletivo, sendo livres para negociar face a face com o empresário.

    9) e o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Não há uma CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nos países nórdicos.

    Como não pirar com isso?

    E aí, vamos copiá-los? Eu aceito na hora. E você?
  • Fernando  04/01/2016 12:12
    Eu aceito sem pestanejar, pra ver se melhora. Mas sem regulamentação, os gerentes que ganham hoje dez vezes mais que o trabalhador braçal na mesma empresa vão conseguir tirar 20x mais! Enfim, não funcionaria em absoluto no Brasil. Brasil não daria certo.
    Defendem tanto o desregulamentação mas não oferecem soluções para mazelas como o consumismo estimulado pela mídia (que afeta a saúde de muitos, manipulados pelas propagandas que oferecem coisas nefastas para o corpo)nem soluções para a questão de haver tanta desigualdade no BR. PAra os desregulamentistas, a desigualdade entre um gerente que ganha dez vezes mais que o subordinado é o que ele "acrescenta de valor". Sei, sei... valor.... vejo superiors meus fazendo absolutamente nada ganhando rios de dinheiro; não vejo valor algum que eles acrescentam à empresa.
  • Rodrigues  04/01/2016 12:27
    Haha, pediu penico!

    Veio aqui propondo um modelo, a proposta foi aceita, e agora o covarde muda completamente o foco.

    Que patético!

    "vejo superiors meus fazendo absolutamente nada ganhando rios de dinheiro; não vejo valor algum que eles acrescentam à empresa"

    Não me surpreendo com isso. Segunda-feira, 10:30 da manhã, e você, em vez de estar trabalhando e produzindo, está vagabundando na internet, gemendo e reclamando que quem trabalha mais que você ganha mais que você. Enquanto você fica de vadiagem, seus superiores trabalham e ganham mais. E você geme.
  • Fernando  04/01/2016 12:41
    Trabalho de escritório não se relaciona diretamente com produção. Estou sem fazer nada mesmo, mas isso não afeta o faturamento da firma. Pelo contrário, estou levantando questões, sendo útil para vocês, que até agora não me convenceram ainda.
    Como numa economia desregulamentada, onde o produtor tem maior poder de informação sobre seus produtos, pode agir em benefício dos consumidores?
    SErá que o próprio Mercado selecionaria as empresas mais éticas? Não acredito nisso. Em todos os modelos econômicos haverá distorções, vocês tem que pensar nisso, e não ficar repetindo tudo o que o Leandro Roque ou os demais filósofos do meio pregam.
    Mas vocês sabem que por eu estar aqui, é porque esta ideologia libertarian me seduziu. EStou apenas levantando questões.
  • Thomas  04/01/2016 13:34
    "Trabalho de escritório não se relaciona diretamente com produção. Estou sem fazer nada mesmo, mas isso não afeta o faturamento da firma."

    Ou seja: você é, por confissão própria, um peso morto. Custa caro para a firma (salário mais benefícios mais encargos sociais e trabalhistas) e não acrescenta nada em termos de produção. Se você, ao não fazer nada, não afeta em nada o faturamento, então você é um nada em termos produtivos.

    Perdoe-me a sinceridade, mas você próprio está afirmando que a atitude mais racional da firma seria demiti-lo. Se isso ainda não aconteceu, apenas mostra que os administradores não estão sendo tão gananciosos quanto deveriam. Taí uma "falha de mercado".

    "Como numa economia desregulamentada, onde o produtor tem maior poder de informação sobre seus produtos, pode agir em benefício dos consumidores?"

    Não sei bem do que você está falando ou de qual exemplo você tem em mente.

    Digo apenas que nenhum defensor do livre mercado nega a existência de empreendedores salafrários; nós apenas acreditamos -- e para isto baseamo-nos na sólida teoria econômica -- que, quanto mais livre e concorrencial for o mercado, mais restritas serão as chances de sucesso de vigaristas, e mais honestas as pessoas serão forçadas a se manter.

    E elas terão de ser honestas não por benevolência ou moral religiosa, mas sim por puro temor de que, uma vez descobertas suas trapaças, elas serão devoradas pela concorrência, podendo nunca mais recuperar sua fatia de mercado e indo a uma irrecuperável falência.

    Por outro lado, quanto maior for a regulamentação estatal sobre um setor, mais incentivos existirão para a corrupção, para o suborno, para os favorecimentos e para os conchavos. Em vez de se concentrar em oferecer bons serviços e superar seus concorrentes no mercado, as empresas mais poderosas poderão simplesmente se acertar com os burocratas responsáveis pelas regulamentações, oferecendo favores e, em troca, recebendo agrados como restrições e vigilâncias mais apertadas para a concorrência.

    Não há absolutamente nenhum motivo para crer que homens dotados com o poder da coerção -- como são os políticos e os empresários que atuam em um mercado fechado pelo governo -- irão se comportar mais moralmente do que as pessoas em um ambiente de livre concorrência.

    A regulação governamental não é o único tipo de regulação possível; as forças do mercado também regulam. É impossível existir um mercado desregulamentado.
  • Viking  04/01/2016 18:26
    "E elas terão de ser honestas não por benevolência ou moral religiosa, mas sim por puro temor de que, uma vez descobertas suas trapaças, elas serão devoradas pela concorrência, podendo nunca mais recuperar sua fatia de mercado e indo a uma irrecuperável falência."

    Volkswagen e Petrobras estão ai para provar isso. Escandalos causaram prejuízos enormes para as duas companhias.
  • Vinicius  04/01/2016 13:43
    Fernando quer concorrer ao troféu picareta de ouro 2016, mas temo que a Dilma ganhe.
  • Entregador de Pizza  04/01/2016 12:37
    Fernando,
    e o que você propõe além de recalque e ressentimento?
  • Anonimo.  04/01/2016 12:03
    Não 'piram' não, eles explicam fria e racionalmente como esses países ficaram ricos com o livre mercado e só depois tiveram o governo inchado.E como depois que o governo cresceu, a geração de riqueza estagnou.
  • cmr  04/01/2016 12:45
    E hoje estão se afundando no multiculturalismo, vitimismo, politicamente correto, ações afirmativas para muçulmanos, negros, etc... Tudo coisa de esquerdistas.

    O liberalismo constrói, a esquerda destrói. É sempre assim.
  • Gervasio  04/01/2016 15:56
    Como eu to num extremo bom humor hoje, vou responder o companheiro Fernando.
    Antes de tudo, peco desculpas
    Um gerente ganha 10x mais que um trabalhador comum porque existem mais de 10x mais trabalhadores comuns do que gerentes no Brasil. O Brasil sofre de uma escassez extrema de trabalhadores qualificados, e os poucos que restam estao desbandando do pais (eu mesmo sai 2,5 anos atras).
    Moro na Inglaterra, e aqui e um dos mercados de trabalho mais desregulados do mundo. Sou comprador tecnico e ganho 3 salarios minimos, o que e um excelente salario. Com 10 anos de experiencia na area ganho apenas 3x mais que trabalhadores nao qualificados, que muitas vezes nao falam nem ingles.
    Engracado que, mesmo com pouquissima regulamentacao e diretos trabalhistas, milhares de imigrantes querem vir pra ca. Pq sera?
  • Brant  04/01/2016 14:44
    A contradição ficou clara no segundo post. O esquerdista surge cheio de pompa com a afirmação batida e mentirosa das economias escandinavas serem ricas e socialistas, um verdadeiro exemplo a ser seguido. Quando confrontado com os aspectos liberais presentes nesses países trata logo de desconversar e dizer que o mesmo modelo no Brasil não daria certo. Sem dúvidas estamos diante de um sujeito não muito honesto.

    É evidente que o objetivo dos esquerdistas nunca foi copiar o modelo escandinavo, já que isso envolveria diversas reformas liberais, a intenção aqui é "pinçar" apenas alguns pontos específicos desses países ignorando todo o resto. Por exemplo, a alíquota do imposto de renda pessoa física da Suécia pode chegar a 56,9% contra "apenas" 27,5% no Brasil. Isso sim é sinônimo de desenvolvimento e prosperidade e deveria ser imitado. Desregulamentar o mercado de trabalho e acabar com o salário mínimo? Melhor mudar de assunto.
  • Hoppe  04/01/2016 15:18
    Brant, o Brasil "só" possui 27,5% porque isso foi o arrecadado. O que é pedido nas leis é bem diferente.

    Dentre todos os países do continente americano, o Brasil é o primeiro lugar entre todos os países da região, incluindo a América do Norte.

    Mas a triste realidade poderia ser ainda pior: segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), em 2014, o país deixou de arrecadar R$ 501 bilhões por conta da sonegação.
    O que isso significa? Significa que, caso esse valor tivesse sido de fato pago pelos pagadores de impostos, o governo teria arrecadado impressionantes 2,3 trilhões de reais no período: 46% do nosso PIB, que ficou em R$ 5,5 trilhões ano passado de acordo com o IBGE.

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/12/29/impostometro-chega-a-r-18-trilhao-e-bate-recorde-de-arrecadacao-em-2014.htm

    Com uma carga tributária tão alta, tomaríamos o 3ª lugar na fila dos países que mais cobram impostos no mundo, perdendo somente para a Eritréia (50%) e a Dinamarca (48%).

    Se todo mundo pagasse os absurdos impostos brasileiros em dia, a nossa economia já tinha parado de respirar faz tempo.

    Deus abençoe os brasileiros que sonegam.
  • Josué  04/01/2016 16:22
    Fora PT!
  • Viking  04/01/2016 18:24
    a gente pira mesmo!

    pira de ver que eles seriam ainda melhores se não fosse pelo estado gigante e obeso que sustentam!
  • Magno  04/01/2016 16:47
    Eu acredito mais em inovações tecnológicas, como aplicativos que excluem intermediários das trocas voluntárias. Vide blockchain, uber, bitcoin, homerefill.

    Na minha opinião, o estado deve ser atacado economicamente. Torná-lo inviável financeiramente, tornando pagamento de impostos cada vez o mais facultativo possível.

    Portanto, quer acelerar o processo? Não estude filosofia, ciência política ou qualquer coisa do tipo. Estude Ciência da computação, por exemplo. Desenvolva meios de fugir do estado e de impostos.

    As pessoas farão a escolha certa, caso haja opção.
  • Viking  04/01/2016 18:22
    acredito que o confronto é o único meio!

    sempre que se deparar com um esquerdista falando bobagens, fale na cara dele: você mente!
    e mostre seu ponto de vista.

    se a pessoa for minimamente inteligente, verá que um esquerdista só sabe produzir falácias e mentiras, e então caberá a você informa-la corretamente e guia-la pelo caminho da luz!
  • Liberal Solitário  05/01/2016 17:03
    Seria o MBL esse movimento populista liberal ?

    "Logo, a estratégia adequada tem de se basear naquilo que chamo de "populismo liberal": um movimento intelectual empolgante, dinâmico, tenaz, obstinado e confrontador; um movimento que continuamente desafie e chame para o debate público os principais quadros da social-democracia, para expô-los pelo que realmente são; um movimento que desperte e inspire não apenas as massas exploradas, mas também todos os poucos quadros intelectuais da direita."
  • Paulo  15/01/2016 13:53
    Faço este comentário, pois lendo o texto percebi o mesmo raciocínio da esquerda em relação a religiosidade, como bem explicou amigo ateu "anônimo".

    "Em séculos passados, as igrejas formavam a classe exclusiva de formadores de opinião da sociedade. Daí a importância para o estado e seus burocratas de formar uma aliança entre o estado e a igreja, e daí a importância para libertários da separação entre estado e igreja, o que na prática significa não permitir que o estado conceda a um grupo o monopólio da tarefa de moldar as opiniões da sociedade."

    Aqui há o erro comum de separar os anseios da sociedade dos anseios do estado como fato notório na história da humanidade. A sociedade medieval aceitou livremente o cristianismo, e na busca da verdade limitou a ação individual, coletiva e estatal; eis a razão do estado querer se separar: não seguir o caminho escolhido livremente pelo povo de viver tendo um Deus, uma só Fé, princípios e valores sólidos que não podiam ser alterados pelo estado. Além do mais a Igreja não forma formadores de opinião, ela prega a vinda do Deus Vivo: a Verdade, o Caminho e a Vida. Enquanto a opinião é sempre frágil, cada um tem a sua, já a verdade se impõe a todos, e isto é uma pedra de tropeço para qualquer estado que queira fazer o que bem entende. Desta forma o estado quer se separar dos "libertários", não para formar sua própria classe de pensadores, mas para se abster de seguir a verdade no campo social. Dizer que a Igreja possui formadores de opinião é um pensamento tipicamente socialista, em que todos tem opinião e ninguém possui a verdade, então só lutamos para ver quem mente/opina melhor. Para concluir digo apenas que para qualquer católico "praticante", a opinião é algo sem nenhuma condição de obrigação, segue quem quer, por isso ele prima pela verdade, aquela que se impõe por si mesma a todos, e por isso mesmo ele foi o berço natural dos libertários. Somente a verdade produz liberdade.


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