O capitalismo de estado tem de ser diariamente combatido
Quanto maior e mais poderoso um governo, quanto mais leis e regulamentações ele cria, mais os empresários poderosos e com boas conexões políticas irão se aglomerar em torno dele para obter privilégios.

Quanto maior e mais poderoso um governo, quanto mais leis e regulamentações ele cria, mais brechas ele abre para que empresários poderosos se beneficiem à custa dos concorrentes e da população como um todo.

Tais empresários irão, por meio de favores pessoais ou de propinas, burlar estas leis e regulamentações (com o aval de políticos) ao mesmo tempo em que defenderão a imposição destas leis e regulamentações sobre seus concorrentes.  

Isso, obviamente, não é capitalismo genuíno, mas sim uma variação do mercantilismo. Trata-se de um capitalismo mercantilista, um capitalismo de compadrio, um capitalismo regulado em prol dos regulados e dos reguladores, e contra os consumidores.

Neste sistema econômico, o mercado é artificialmente moldado por uma relação de conluio entre o governo, as grandes empresas e os grandes sindicatos.  Políticos concedem a seus empresários favoritos uma ampla variedade de privilégios que seriam simplesmente inalcançáveis em um genuíno livre mercado. 

Há a criação de privilégios legais, que vão desde restrições de importação, subsídios diretos, tarifas protecionistas, empréstimos subsidiados feitos por bancos estatais, e agências reguladoras criadas com o intuito de cartelizar o mercado e impedir a entrada de concorrentes estrangeiros, até coisas mais paroquiais como a obrigatoriedade do uso de extintores e do kit de primeiros socorros nos automóveis e a obrigatoriedade do uso de canudinhos plastificados (devidamente fornecidos pela empresa lobbista) em bares e restaurantes.  

E há a criação de privilégios ilegais, que vão desde fraudes em licitações e superfaturamento em prol de empreiteiras (cujas obras são pagas com dinheiro público) a coisas mais paroquiais como a concessão de bandeiras de postos de combustíveis para empresários que pagam propina a determinados políticos (bandeiras essas negadas para empresários honestos e menos poderosos).

Em troca, os empresários beneficiados lotam os cofres de políticos e reguladores com amplas doações de campanha e propinas. A criação destes privilégios pode ocorrer ou abertamente, por meio de lobbies e da atuação grupos de interesse, ou na surdina, por meio do suborno direto.

Em ambos os casos, empresários poderosos e grupos de interesse conseguem obter privilégios mediante o uso da coerção estatal.  E isso só é possível porque há um estado grande que a tudo controla e tudo regula.

Um estado grande sempre acaba convertendo-se em um instrumento de redistribuição de riqueza: a riqueza é confiscada dos grupos sociais desorganizados (os pagadores de impostos) e direcionada para os grupos sociais organizados (lobbies, grupos de interesse e grandes empresários com conexões políticas.

A crescente concentração de poder nas mãos do estado faz com que este se converta em um instrumento muito apetitoso para todos aqueles que saibam como manuseá-lo para seu benefício privado.

Os libertários, obviamente, se opõem radicalmente a ambos esses arranjos, tanto o legal quanto o ilegal. 

E a receita que propõem é bem simples: se os lobbies, os grupos de interesse e as propinas surgem porque o estado detém um grande poder regulatório e decisório, então nada mais lógico do que reduzir o estado a uma mínima expressão.

O problema é que esta receita rapidamente gera algumas dúvidas e suspeitas legítimas entre aqueles que estão dispostos a fazer um debate racional (e não um emocional e ideologizado): se por acaso o estado fosse reduzido a uma expressão mínima, os lobbies e grupos de interesse não acabariam tendo muito mais poder do que têm hoje?  Será que não necessitamos de um estado forte justamente para que ele mantenha os grupos de interesse dominados (muito embora a empiria confirme que os lobbies e os grupos de interesse prosperam justamente com estados fortes)? A diminuição do estado não levaria à criação de uma oligarquia capaz de nos impor unilateralmente suas vontades?

A resposta a todas essas perguntas sensatas é um sonoro 'não', e o motivo está vinculado ao conceito de autoridade política.

A autoridade política

Por que a maioria das pessoas aceita e legitima que o estado faça coisas que, caso fossem feitas por agentes privados, seriam vistas com horror?

Por exemplo, a maioria das pessoas vê com naturalidade que o estado cobre impostos dos trabalhadores e distribua esse dinheiro para ONGs, artistas e movimentos sociais, mas consideraria uma aberração caso uma turba invadisse uma casa, tomasse a carteira do morador e desse esse mesmo dinheiro para ONGs, artistas e movimentos sociais.  Igualmente, a maioria das pessoas vê com naturalidade que o estado restrinja — por meio da burocracia, da alta carga tributária e das licenças ocupacionais — a liberdade de empreendimento das pessoas, mas consideraria uma aberração caso um grupo qualquer, de maneira idêntica, também coibisse outras pessoas de empreender.

Por fim, a maioria das pessoas vê com naturalidade que o estado conceda monopólios e reservas de mercado (via agências reguladoras) para grandes empresas, mas consideraria uma aberração caso empresários se auto-arrogassem esses privilégios.

Por que então toleramos que o estado incorra em atividades que condenaríamos de imediato caso fossem executadas por indivíduos?

Porque, como bem explicou o filósofo Michael Huemer no livro  The Problem of Political Authority, o estado usufrui autoridade política.  Autoridade política seria a legitimidade política socialmente reconhecida ao estado para impor leis e usar a coerção sobre a sociedade (sociedade esta que, por sua vez, tem a obrigação política de obedecê-lo).  Segundo Huemer, embora a autoridade política seja limitada territorialmente (um estado possui autoridade política somente dentro de seu território), ela é total dentro deste território (todos, ou quase todos, os cidadãos são obrigados a obedecer ao estado).  Adicionalmente, o estado teria a legitimidade para legislar sobre diversas questões e o conteúdo dessas legislações seria quase ilimitado.  Por fim, trata-se de uma exercício de supremacia, pois, dentro deste território, não há nada que esteja hierarquicamente acima do estado.

Neste sentido, podemos definir o estado como aquele ente ao qual a imensa maioria dos cidadãos concede e reconhece autoridade política.  O estado, portanto, pode fazer o que faz porque o conjunto da sociedade aceita lhe conceder um vasto poder discricionário — poder este que a sociedade concede somente ao estado.

Os políticos "patrimonializam" autoridade política

Ao menos no Ocidente, os lobbies, os grupos de interesse e os empresários carecem de autoridade política.  Se a possuíssem, poderiam atuar à margem do estado, e consequentemente não teriam de exercer essa onerosa intermediação sobre o estado.  Se a possuíssem, poderiam por conta própria fechar mercados, criar monopólios, impor tarifas de importação, estipular licenças ocupacionais, e auferir subsídios para si próprios.

Obviamente, portanto, os lobbies, os grupos de interesse e os empresários carecem de autoridade política para exercerem, sozinhos, todos estes despautérios.  A sociedade não aceitaria que nenhuma empresa ou associação de pessoas se arrogassem tais poderes.  E, justamente por carecerem de autoridade política própria, os lobbies, os grupos de interesse e os empresários encontram apenas uma única via para exercê-la em proveito próprio: valendo-se da autoridade política que possui o estado.

E é exatamente a isso que se dedicam: a exercer pressão sobre os mandatários, a quem os cidadãos reconhecem autoridade políticas.  Em outras palavras, os políticos terceirizam os direitos de uso de sua autoridade política no mercado negro dos lobbies e das propinas: aquele grupo de interesse ou aquele empresário mais pujante receberá o favor do político correspondente.

A estratégia dos políticos, portanto, consiste em "patrimonializar" a autoridade política que a população lhe concedeu.  O político capitaliza essa sua autoridade e a arrenda a quem oferecer mais.

A solução libertária?  Limitar enormemente (ou até mesmo eliminar) a autoridade política que socialmente concedemos e reconhecemos ao estado.

E se o estado não possuísse (tanta) autoridade política?

Se o estado deixa de dar subvenções aos lobbies, aos grupos de interesse e aos empresários bem conectados, estes não irão adquirir autoridade política para cobrar privilégios da sociedade.  A sociedade é perfeitamente capaz de se auto-coordenar perfeitamente neste quesito.  Não é necessário haver uma "autoridade política que determine a transferência de renda de grupos menos organizados para grupos mais organizados".

O mesmo é válido para todas as hiper-regulamentações estatais que atualmente beneficiam grandes empresas e grupos de interesse.

Em definitivo, minimizar o tamanho do estado — deixar de lhe reconhecer autoridade política sobre várias atividades que hoje ele exerce — não implica maximizar o poder dos lobbies, dos grupos de interesse e dos grandes empresários, mas sim minimizá-lo por igual: tais grupos carecem de autoridade política para exercer coerção sobre a sociedade e, por isso, têm de instrumentalizar o estado (que no momento usufrui essa autoridade) a seu favor.

Diminuir drasticamente o estado não é sinônimo de repartir o poder político, mas sim de diminuí-lo.  A sociedade livre pode se autocoordenar internamente por meio da propriedade privada individual, das co-propriedades coletivas e dos contratos voluntários.  Se muito, pode-se ter uma autoridade política ultralimitada que se encarregue exclusivamente de velar pelo respeito aos contratos, mas nada mais.

Esse é, portanto, o caminho para se lutar contra a corrupção, contra os grupos de interesse e contra os lobbies empresariais: reduzir ao máximo o tamanho do estado para que se permita a pacífica, cooperativa e espontânea coordenação interna de uma sociedade.

Com estado grande, intervencionista e ultra-regulador, lobbies, grupos de interesse e subornos empresariais sempre serão a regra.

______________________________________

Juan Ramón Rallo, diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


0 votos

SOBRE O AUTOR

Diversos Autores


kudos 4u, WDS !
(btw, o IMB devia possibilitar aos leitores avaliar c/ up\downvotes tanto os artigos como seus comentários).

Sobre o trecho "...pessoas de bom-senso que percebessem o abuso das medidas nada poderiam fazer, pois o Estado tem o poder de impor arbitrariamente esse tipo de decisão aos cidadãos.", acho que hoje finalmente já há sim ao alcance de muitos algumas
medidas c/ verdadeiro potencial "game changer" p/ se contornar\mitigar essa tirania dos governos imposta essencialmente pela monopolização do (pseudo-)dinheiro e do sistema monetário.

Curioso em saber o percentual de frequentadores deste fórum que de fato já tomam iniciativas pessoais de combate efetivo ao poderio estatal nesse fronte, considerando a facilidade c/ que agora se pode adquirir e transacionar (transferir a outros como pgto e recebimento) tanto cripto-moedas como metais preciosos...
O problema é que essa atitude apenas PODE - mas provavelmente não vai - representar o fim do euro e da União Européia. O mais provável e realista é crer que com o eventual resgate - e isso também geraria crises - os burocratas da UE chegassem (por má-fé) à conclusão contrária, insistindo que o episódio prova que não há o que fazer em tal caso senão ajudar os bancos, e que para "evitar" isso no futuro seria necessário mais regulação - que na verdade, como bem sabemos, é a CAUSA deste problema.

Diante disso, logo a mentira seria veiculada com ar de verdade absoluta pela grande mídia de todo o mundo. Especialistas muito bem pagos para mentir descaradamente dariam aval à idéia de mais regulação. Algum cretino escreveria algum trabalho cheio de falhas lógicas, defendendo tal idéia e logo seria cotado para o prêmio Nobel.

Com isso, milhões de cidadãos incautos e desconhecedores de economia no mundo todo acreditariam na mentira propagada pelos burocratas e seus intelectuais orgânicos. Logo um monte de inocentes úteis estariam repetindo a mentira como se verdade fosse e enalteceriam as nocivas medidas adotadas.

Por fim, tanto os inocentes úteis quanto pessoas de bom-senso que percebessem o abuso das medidas nada poderiam fazer, pois o Estado tem o poder de impor arbitrariamente esse tipo de decisão aos cidadãos. E é o que ocorreria. O Estado ajudaria o banco insolvente e, percebendo ou não a ineficácia dessa medida para remediar crises econômicas e a própria hipocrisia de burocratas como Angela Merkel, a verdade é que o povo acabaria mesmo tendo que arcar com o prejuízo.

Por isso, é melhor que ela não ajude o banco, deixando assim de criar uma crise maior ainda para o futuro e evitando um acirramento de regulações que escravizam a população e estrangulam a economia, sendo ao mesmo tempo capaz de mostrar que para ser burocrata nem sempre é necessário recorrer aos níveis mais perversos de hipocrisia.
É um tema polemico viciado em conflito de direito de propriedade.
Mas vamos lá:

''Jogar alguém do avião ou do navio é assassinato e ponto final''

Como eu disse, no contrato assinado, poderia ter clausulas tratando sobre as consequências do descumprimento de regras e até mesmo do próprio contrato. O problema é que, mesmo que as partes assinaram, sob consentimento e livre manifestação de vontade, ainda sim, se ocasionar em morte ou em ferimentos graves, tal clausula pode se tornar nula?
Pode-se considerar um crime? É complicado.Talvez da pra se comparar quando alguém invade a minha casa e eu respondo a balas e consequentemente matando o invasor.Ou,quando alguém esta em minha propriedade e quebra uma regra da mesma,eu respondendo na bala podendo ocasionar em morte.E volto na questão implícita,nem tudo usamos contratos,algumas coisas são implícitas.

E no caso de assumir o risco? Se eu forneço um serviço barato de viagens aéreas, onde as aeronaves são precárias e inseguras, e consequentemente acontecesse um acidente matando algumas pessoas(consumidores).Reitero que tal acidente foi ocasionado pela ausência de manutenção e afins , logo podemos dizer que o proprietário da empresa que fornece este serviço, assumiu o risco e responde criminalmente?

O contrato implícito é complicado pois pode ser subjetivo.Pra você pode ser implícito algo,mas pra min não!
O problema é quando é algo muito claro que chega a obviedade,ai o contrato implícito pode existir.

''que mostra que externalidades não são "boas" ou "ruins", são apenas externalidades''

Concordo,são os riscos normais.Mas e se não for um caso ambiental,se sua propriedade inala um mau cheiro que passa a propriedade de terceiros?E quando algo é subjetivo como, asma. Se meu vizinho fuma e o cheiro entra na minha casa, consequentemente eu fico doente por causa disso,eai? Se eu tiver asma pode ser um ataque brutal a minha propriedade, mas se eu não tiver, talvez não. Eu sinceramente não gosto de fazer esse tipo de polemica, parece crianças argumentando contra o ancap querendo provar a existência de dinossauros na terra. Mas eventualmente eu percebo esses conflitos no direito de propriedade.

Aproveitando a oportunidade, gostaria de saber a visão de vocês sobre a venda do ponto, ou seja , a imagem vinculada a um estabelecimento.
Se eu alugo o imóvel de Y, com a finalidade comercial de uma padaria, após alguns anos , eu saio de tal imóvel e outro empresario entra no meu lugar e abre outra padaria, assim pegando o ''ponto''.Eai?
Enfim, o direito civil dispõe sobre tais situações, o problema é que eles tratam a ''imagem'' como propriedade, entende?Algo extremamente vago.Propriedade são coisas escassas, o ponto ou a imagem como fica ai?
Gostaria de saber nesses casos societários,do ponto e da imagem..Pra vocês,qual solução seria a que mais respeita a propriedade privada.Eu entendo que sempre o contrato é que vai ditar as regras,mas como o exemplo do avião e do navio,nem sempre o contrato é inteiramente valido.

Abraços!

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Anderson S  26/11/2015 14:02
    Interessante, gostei do artigo.


    Esta questão da autoridade política elucida várias coisas, ótima ideia em trazê-la ao texto. E isso responde muitas perguntas de muitos estatistas que têm medo do "grande capital" (seja lá que diabos isso signifique).
  • Tiago silva  26/11/2015 14:16
    Na minha humilde opinião, a liberdade só poderá florescer em pequenas jurisdições políticas. Quanto menores forem, mais liberdade haverá. Isso só é possível através da secessão de unidades políticas menores, mas a verdadeira secessão ocorre a nível individual, pois o ser humano nasce para ser livre.
  • Herbert Monni   26/11/2015 14:18
    Não vejo André Esteves como empresário, nem tampouco o BTG Pactual como empresa. Até ontem via, depois de ontem passei a ver o empresário como o principal operador financeiro do PT e o BTG Pactual como a fachada privada para lavar o dinheiro do partido. Na verdade o banco é o caixa 2 do PT e o André Esteves seu contador e financista de luxo que já estava em vias de comprar seu próprio banco na Suíça depois de espalhar o dinheiro da corrupção em vários países do mundo e multiplicá-lo várias vezes no mercado financeiro. Na prática ele era um membro de quadrilha. Só opinião.
  • Miguel Heinen   26/11/2015 14:18
    Excesso de regulamentação, excesso de intervencionismo governamental, excesso de taxação e impostos, etc... onde tem burocratas governamentais envolvidos, a corrupção é inevitável...
  • Caroline Kalil Nogueira  26/11/2015 14:19
    Para acabar com o capitalismo de Estado no Brasil, só mudando a Constituição Federal... tem um capítulo inteiro dando praticamente plenos poderes para o Estado intervir no domínio econômico, inclusive afirmando que as jazidas do país são bens públicos, ou seja, se vc furar um poço no quintal e descobrir que tem petróleo, o produto não é seu! é do Estado!

    Daí o governo fica tirando vantagem da economia manipulando os agentes através de concessões...
  • Gustavo S.  26/11/2015 18:21
    Um pedaço de papel não tem poder nenhum. Olha a constituição americana que foi feita justamente para controlar o estado e veja o resultado dessa experiência lá... Poder corrompe e poder absoluto corrompe absolutamente.
  • Rudinei Fernando Brovoski   26/11/2015 14:20
    As autarquias do governos só prestam para proteger o cartel. O consumidor que se dane e pague a conta.
  • Shmuel  26/11/2015 14:28
    O conceito do artigo é excelente. Como implementar tal diminuição do Estado, aqui no Brasil, é algo que não consegui imaginar de modo completo, devido à imensidão de agentes e maneiras que tais agentes utilizam para 'operar'.
    Tenho algumas idéias, mas não consigo imaginar todas as variáveis necessárias para tal diminuição.
  • Taxidermista  26/11/2015 14:41
    Parabéns à dupla Rallo/Roque.

    "a estratégia dos políticos, portanto, consiste em 'patrimonializar' a autoridade política que a população lhe concedeu. O político capitaliza essa sua autoridade e a arrenda a quem oferecer mais":
    aqui vale lembrar o argumento do Hoppe: a social-democracia (dentre outras coisas) serve a essa concessão de "autoridade política" ao estado (www.mises.org.br/Article.aspx?id=398 e www.mises.org.br/Article.aspx?id=1495); no caso brasileiro em especial, basta recordar como a "necessidade" de uma "autoridade política que determine a transferência de renda de grupos menos organizados para grupos mais organizados" é sempre "justificada" com invocação da "democracia" (e temos visto, justamente, os esquerdopatas fazendo isso de forma recorrente).

    O livro do Michael Huemer, citado no artigo, aborda isso: no capítulo 4 ele fala sobre "authority of democracy", e o capítulo 13 intitula-se "from democracy to anarchy".

    Aliás, esse livro do Huemer, embora recente (2013), já é considerado uma obra obrigatória de filosofia política (spot.colorado.edu/~huemer/book3.htm): trata-se de um volume de 350 páginas que aborda, p.ex, o "social contract theory" e a "psychology of authority", além do tema da "individual security in a stateless society", "criminal justice and dispute resolution", e "war and societal defense", temas libertários que são bem recorrentes aqui no site.

    [Uma carência do livro do Huemer é a ausência de referência aos autores austro-libertários: há menção ao "New Liberty" do Rothbard (todavia, não ao "Ethics of Liberty"), mas, p.ex., não há Hoppe na bibliografia].
  • Taxidermista  26/11/2015 14:47
    Para ler em conjunto com o artigo,
    vale conferir três do Hans Sennholz:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1876


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1822

    e esse:

    "A conclusão é que os socialistas se reinventaram, trocaram seu rótulo para social-democratas, deixaram de lado sua ânsia de estatizar diretamente os meios de produção e optaram por um mais suave modelo fascista, no qual estado e grandes empresas atuam em conluio para se beneficiar mutuamente e prejudicar o cidadão, que tem de aceitar serviços ruins e caros, pois não há mais livre mercado. Exatamente o intuito original dos socialistas": www.mises.org.br/Article.aspx?id=1647

  • Renato Arcon Gaio  26/11/2015 15:11
    Bom artigo, outro ponto que a tal autoridade política faz de muito contraditório é a Mega Sena, o governo fazer jogo de azar tudo bem, mas se alguma empresa que não esteja em conluio com o estado fizer é prisão.

    Abraços
  • Batista  26/11/2015 15:21
    São bois de piranha.

    "Delcídio Amaral: o mais tucano dos petistas."

    Como que numa jogada de mestre, já estão associando o Delcídio ao PSDB, bem como citando sua atuação junto à PTroubarás no governo anterior. Olha a inversão!

    Numa análise "profunda", baseada nos meios de comunicação existentes, o homem médio irá pensar: "Ah, sabia que tinha o PSDB no meio. São todos iguais. Então, deixa como está, não tem jeito, é tudo igual."

    Agora, fica a dúvida: não dá para saber se essa associação/difamação está sendo feita agora, depois do escândalo..... ou se trata-se de uma carta na manga, se fora algo planejado anteriormente, justamente para servir de munição em futura defesa.
  • Anonimo  26/11/2015 17:24
    Qualquer um vai ver que isso é só mal caratismo do PT, nem precisa ser ancap ou saber nada de economia.
    E por outro lado, de fato PT e PSDB não são tão diferentes assim.Está na hora de algo NOVO.
  • Fagner  26/11/2015 19:17
    Confirmação do seu comentário:

    "Lula diz que atuação de Delcídio contra Lava Jato foi "coisa de imbecil":

    www.istoe.com.br/reportagens/441577_LULA+DIZ+QUE+ATUACAO+DE+DELCIDIO+CONTRA+LAVA+JATO+FOI+COISA+DE+IMBECIL+?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage
  • Viking  26/11/2015 16:54
    tem algum artigo que fala sobre como se daria a privatização de um pais/estado?
    porque atualmente, quando se privatiza uma empresa estatal, isso injeta recursos no governo.
    como privatizar sem financiar o estado?
  • Sávio Martins  26/11/2015 17:25

    Alguém aqui sabe mais sobre que o Bil Gates deu uma entrevista onde ele fala que: 'Só o socialismo pode salvar o clima, o setor privado é incapaz'.

    na minha página no Face, um amigo compartilhou este artigo:
    Leia mais: www.thebruzundangastimes.com/products/bill-gates-so-o-socialismo-pode-salvar-o-clima-o-setor-privado-e-incapaz1/ usuncut.com/climate/bill-gates-only-socialism-can-save-us-from-climate-change/
  • Alberto Teixeira  26/11/2015 19:55
    Melhor artigo sobre capitalismo que li até o momento.

    O prof. Luiz Flavio Gomes fala que essas empresas que fazem essa troca de favores com o governo são os verdadeiros donos do poder no Brasil.
  • Paupérrimo Chinês  26/11/2015 22:26
    Quer realmente quem tem poder?

    Olha em quem os menos poderosos não apontam defeito. O PT faz o que quiser, culpa a oposição, tem senador preso, fica no poder, ganha dinheiro de empresas que ele próprio manda depositar na conta do partido (leia a delação do Ricardo Pessoa da UTC engenharia confessando que o próprio tesoureiro do PT mandava o depósito ser feito) e isso não vira capa do jornal. Enquanto isso gente como o prof. Luiz Flavio Gomes e todo intelectual cubãonesco deste Brasil cheio de brasileiros que não fazem por merecer nada melhor culpam empreiteiras e não a riqueza de poder dos políticos (como se corrupção precisasse de empresa privada para existir. É um brinde. Só olhar para os países mais corruptos do mundo e eles não seguem PIB-G), culpam a oposição que não está no poder há 12 anos, a mídia golpista que é contra golpe e crises internacionais imaginárias. Ah, também tem o neoliberalismo.

    E a solução, é claro, é gente pior que o PT só esperando sua chance de sujar as mãos também.
  • Fagner  27/11/2015 12:40
    Alberto, cuidado:

    Luiz Flavio Gomes é petista.
  • Anne  26/11/2015 20:39
    Bom artigo, mas no final peca por não mostrar um caminho alternativo. Não acredito que um estado muito menor, no sentido de excessiva desregulamentação seja positivo. Daria no mesmo, empresários sem controle algum iriam fraudar produtos, enganar consumidores, explorar trabalhadores. Tem que ter um meio termo.
  • Professor  26/11/2015 22:35
    "um caminho alternativo".

    Ei-lo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=285

    "Não acredito que um estado muito menor, no sentido de excessiva desregulamentação seja positivo."

    Tudo bem, então fique com o que aí está. Não há uma terceira alternativa viável.

    "Daria no mesmo, empresários sem controle algum iriam fraudar produtos, enganar consumidores, explorar trabalhadores."

    Oi?! Como assim?

    Quer dizer que, se eu, na condição de empreendedor, quiser ter lucro, a primeira coisa que irei fazer é enganar consumidores e fraudá-los? Como é que eu vou ficar rico assim?

    Se eu fraudo e engano você, a primeira coisa que você irá fazer é me denunciar no Reclame Aqui, nas redes sociais, para seus vizinhos e amigos. Minha clientela irá despencar.

    Por favor, me diga como é possível eu ganhar dinheiro assim?

    Você não irá comprar, em uma padaria, uma picanha que não esteja fresca caso acredite que irá conseguir uma de melhor qualidade no supermercado mais próximo. Os comerciantes até gostariam de conseguir vender uma picanha do mês passado que já esteja se deteriorando, mas os consumidores, em conjunto com o interesse próprio dos outros vendedores, não deixarão isso ocorrer.

    As escolhas dos consumidores e as ações dos concorrentes restringem (isso é, regulam) até mesmo a qualidade dos produtos serão colocados à venda — para não falar dos que realmente serão vendidos —, pois os consumidores irão denunciar e falar mal daqueles estabelecimentos que vendem produtos de pior qualidade em relação aos outros.

    Em um mercado concorrencial, nenhum estabelecimento pode se dar ao luxo de desapontar ou de tentar ludibriar os consumidores. Sendo assim, eles são obrigados a manter uma qualidade decente, mesmo que não queiram.

    Dessa maneira, as forças do mercado regulam a qualidade.

    É impressionante como as pessoas repetem clichês que ouviram de professores da oitava série sem se dar ao mínimo trabalho de pensar nas consequências lógicas do que estão falando.

    Sabe em que arranjo é possível eu enriquecer fornecendo péssimos serviços? Em mercados regulados, em que a concorrência é banida e você não tem opção a não ser continuar comprando de mim. Exatamente o arranjo que você defende.

    É por isso que você consegue qualidade em restaurantes e padarias, mas não consegue no mercado de telefonia celular, no mercado bancário, no mercado aéreo, no mercado elétrico, no mercado de postos de gasolina etc., pois todos esses são estritamente regulados pelo governo via agências reguladoras.

    Nunca haverá uma escolha entre regulação e ausência de regulação. Sempre haverá uma escolha entre dois tipos de regulação: regulação feita por políticos e burocratas, ou regulação feita pelas forças do mercado. Regulação feita por decretos, ou regulação feita pela liberdade de escolha.

    E quem exerce as "forças do mercado"? Somos nós. Você, eu e todos os cidadãos. Nós é que decidimos, por meio de nossas decisões de comprar e de se abster de comprar, qual indústria sobrevive, qual deve ser extinta e qual deve trocar de gerência. Não é nada complicado. Se houver alguma política mais eficaz e mais ética do que essa, favor avisar ao mundo sobre essa revolucionária descoberta.
  • Erick  27/11/2015 18:15
    Excelente resposta!
    Foi dada com maestria. Com todo respeito à pessoa que perguntou mas é incrível como a pessoa acaba ficando sem nem ter o que argumentar, faz tanto sentido.
  • O Homem de 9 Dedos  26/11/2015 22:49
    Sugiro:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1200

    "Como as regulamentações no Brasil protegem os vigaristas."

    Se está cansada de fraudes e vigarice, não é para o Brasil que deve olhar. Aqui há regra para tudo e você mesma é testemunha de que não funciona. São mais de 100 dias para abrir uma empresa no Brasil só de burocracia. Entrar nos mercados é muito difícil e empresas capitalizadas e já estabelecidas podem cumprir com as regulamentações enquanto as que ainda estão tentando decodificar o código tributário são freadas tanto pelos impostos como pelo aparato legal. Qual é o segredo de minimizar fraudes? Maximizar a competição. Nenhuma empresa vai produzir o melhor produto pelo menor preço por esporte. Quando elas têm sua fatia de mercado garantida pelas agências reguladoras (como no setor de telecomunicações que é um dos campeões de reclamações do consumidor e são um oligopólio garantido pela Anatel [uma agência reguladora]), a Claro vai vender planos mais baratos no Guatemala do que aqui.

    gizmodo.uol.com.br/unicel-acusa-anatel-e-operadoras/ (Unicel acusa Anatel de fazer cartel com operadoras)
    www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/02/1234847-empresa-acusa-anatel-de-negociar-decisoes.shtml (Idem)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1363 (Artigo do F. Chiocca sobre a Claro)

    Milagre das telecomunicações na Guatemala. Lá não tem oligopólio e nem análogo da Anatel:


    Problema solucionado.

    Alternativamente, você pode adotar o socialismo. Eu mesmo vi pessoalmente. Os carros da Iugoslávia e da Alemanha Oriental eram impecáveis, cûmpanhera. O fato de o pessoal saber que ia ganhar seu saláriozinho independentemente da qualidade do serviço prestado só incentiva o funcionário e seu gerente. Por isso que o estado é tão competente no Brasil, também.
  • Taxidermista  27/11/2015 11:26
    Anne:

    em consonância ao comentário do Professor, seria de bom alvitre você ler esse artigo do site:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2024
  • Taxidermista  27/11/2015 12:09
    Anne diz: "peca por não mostrar um caminho alternativo"

    Como "não mostra"? O artigo é sobre a solução ("caminho") libertária ao crony capitalism.

    Anne, o seu comentário reflete uma conduta típica: MEDO da liberdade. Veja: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1988


    Anne diz: "Não acredito que um estado muito menor, no sentido de excessiva desregulamentação seja positivo; daria no mesmo, empresários sem controle algum iriam fraudar produtos, enganar consumidores, explorar trabalhadores. Tem que ter um meio termo."[/i]

    Ah, claro, você prefere ver políticos/burocratas colocando toda a sua sabedoria e benevolência para regular o mercado...

    Anne, preste atenção:
    "Um grande problema econômico enfrentado pelo mundo é de ordem semântica. O termo 'regulação' passou a significar apenas 'regulação governamental'. Aparentemente, ninguém parece estar ciente da alternativa: regulação por meio das forças de mercado.
    Trata-se de um grande problema porque isso leva as pessoas a aceitarem acriticamente — e sem se dar ao trabalho de pensar em alternativas — enormes e variadas intervenções estatais que, no final, não apenas pioram e encarecem os produtos e serviços, como ainda beneficiam justamente os empresários mais ineficientes; (...).
    Nenhum livre-mercadista nega a existência de empreendedores salafrários; nós apenas acreditamos — e para isto baseamo-nos na sólida teoria econômica — que, quanto mais livre e concorrencial for o mercado, mais restritas serão as chances de sucesso de vigaristas, e mais honestas as pessoas serão forçadas a se manter. E elas terão de ser honestas não por benevolência ou moral religiosa, mas sim por puro temor de que, uma vez descobertas suas trapaças, elas serão devoradas pela concorrência, podendo nunca mais recuperar sua fatia de mercado e indo a uma irrecuperável falência.
    Por outro lado, quanto maior for a regulamentação governamental sobre um setor, mais incentivos existirão para a corrupção, para o suborno, para os favorecimentos e para os conchavos. Em vez de se concentrar em oferecer bons serviços e superar seus concorrentes no mercado, as empresas mais poderosas poderão simplesmente se acertar com os burocratas responsáveis pelas regulamentações, oferecendo favores e, em troca, recebendo agrados como restrições e vigilâncias mais apertadas para a concorrência"
    : www.mises.org.br/Article.aspx?id=2024.

  • Ragnister  27/11/2015 18:02
    Com pouca ou nenhuma regulamentação fica mais fácil de existir a concorrência, e a única forma de domar esses "empresários malvadões" é dando concorrência para eles, assim temos a escolha de dizer não para todos os problemas que você citou. Consegue perceber a importância da liberdade econômica?
  • anônimo  26/11/2015 22:43
    Não existe crime sem apoio bancário. O HSBC que o diga...
  • Amigo do Estado  27/11/2015 00:39
    Texto despropositado. Até o ultra liberal capitalista Bill Gates reconhece que só o socialismo salva o mundo.
  • Luciano A.  27/11/2015 16:22
    Frase totalmente sem sentido, como o Bill Gates pode ser "ultraliberal" e apoiar o socialismo ao mesmo tempo? O fato dele ser empresário e rico não significa que ele é liberal, pelo contrário, o que não falta é rico apoiando socialismo e intervencionismo estatal.
  • Tulio Rios  27/11/2015 04:42
    Exatamente..o estado só impõe suas vontades porque as pessoas o concedem tal "liberdade"...e o primeiro passo para mudar esse cenário é fazer com que as pessoas reconheçam o que é o estado (uma instituição coercitiva e imoral)
  • RR  27/11/2015 04:53
    Um passo para a diminuição do Estado seria o governo federal deixar a maior parte dos impostos para os Estados, e este deixar a maior parte para os Municípios. Seria um tímido começo. Só que é, digamos, meio impossível de acontecer no Brasil de hoje, e de amanhã também.
  • Aprendiz  27/11/2015 11:04
    Tenho uma dúvida Leandro. Temos diversas falhas no sistema estatal, mas e em uma nação anarcocapitalista, quais falhas (se possuir) e quais dilemas este tipo de sociedade enfrentaria? Refletindo um pouco só consigo imaginar os problemas que ocorrem naturalmente entre humanos por causa de suas diferenças e crenças/opiniões.

    Me ajude a pensar um pouco nos problemas que uma suposta sociedade anarcocapitalista enfrentaria. Abraços!
  • Taxidermista  27/11/2015 12:38
    Aprendiz:

    sem prejuízo da resposta do Leandro, tomo a liberdade de dizer que sua dúvida é bastante genérica, exigindo uma resposta que vem sendo tematizada na literatura libertária em sua generalidade.

    Nesse sentido, eu te diria para arriscar a leitura do livro indicado no artigo:

    "The Problem of Political Authority", de Michael Huemer - trata-se de um livro com parte teórica e com uma parte que aborda temas práticos -; vou transcrever o que eu disse mais acima:

    "Esse livro do Huemer, embora recente (2013), já é considerado uma obra obrigatória de filosofia política (spot.colorado.edu/~huemer/book3.htm): trata-se de um volume de 350 páginas que aborda, p.ex, o 'social contract theory' e a 'psychology of authority', além do tema da 'individual security in a stateless society', 'criminal justice and dispute resolution', e 'war and societal defense', temas libertários que são bem recorrentes aqui no site."

    Se você está interessado em um livro mais curto sobre anarcocapitalismo, sugiro outros dois:

    "Libertarian Anarchy: Against the State", de Gerard Casey:
    www.bloomsbury.com/us/libertarian-anarchy-9781441125521/


    "Deleting the State: An Argument about Government", de Aeon J. Skoble:
    www.opencourtbooks.com/books_n/deleting.htm


    Abço.



  • Ricardo  27/11/2015 16:43
    Me perdoem pela ignorância, na verdade não sei bem onde perguntar isso, mas não consigo entender como ter um "Balanço de Pagamentos" negativo pode prejudicar a economia de um país. Acredito que a taxa de câmbio sempre se ajusta de acordo com a oferta/demanda e que isso resolve qualquer desequilíbrio que possa vir a ocorrer, realmente não entendo o motivo de existirem demasiadas políticas para se ter um "Balanço de Pagamentos" positivo.
  • Eletro  27/11/2015 19:02
    Você não precisa de explicação nenhuma. Você entendeu tudo o que tem para ser entendido sobre o assunto. No entanto, se quiser uma leitura complementar, acesse esse artigo do grande Leandro Roque: Falando claramente sobre balança comercial, investimento estrangeiro e câmbio.
  • Erick  27/11/2015 17:56
    Brasil, pra sempre um país corrupto.

    Aqui, o povo ainda está convencido que o problema é a corrupção e que basta tirar alguns elementos podres que tudo se resolverá. Além de serem pró-estado em quase tudo.
    Sem chances!
  • Pastor  27/11/2015 20:04
    Colegas, sou leitor assíduo deste sítio desde que o encontrei a um ano atrás. Desnecessário dizer que concordo com o Estado mais Mínimo possível, Desestatizações, Desregulamentações etc... Enfim, o estado não atrapalhar o setor privado infinitamente mais eficiente e produtivo.
    Por viver em um país onde o estado é paquidérmico, as vezes me questiono sobre como viver sem ele, alguns pontos:

    1) Nos primórdios da revolução industrial americana, por volta de 1800, quando surgiram grandes impérios industriais como a Standard Oil de Rockefeller, que dominou completamente o setor de petróleo através de práticas monopolistas ilegais; quem se não o estado poderia ter quebrado este monopólio ? - The Sherman Antitrust Act -

    2) Quem se não o estado para regulamentar/unificar práticas ambientais, tipo EPA ? Se deixarmos somente para o setor privado não seria todos fazendo como a VW no Dieselgate ?

    3) Segurança veicular - exigência de ABS/AirBags ? Crash-test ?


    etc...
  • Maldonado  27/11/2015 22:22
    1) Desculpe-me a sinceridade, mas você aparenta nada saber sobre a Standard Oil e o Sherman Act. A sorte sua é que há farto material neste site sobre este assunto.

    Sugiro:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1999

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1319

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1990

    Para resumir:

    Durante o suposto "monopólio" da Standard Oil o preço do barril de querosene caiu de 30 centavos para 6 centavos.

    Foi esse tipo de efeito negativo sobre os consumidores provocado pelos "monopólios" que preocupou os criadores do Sherman Act e todas as leis antitruste que o copiaram? Claro que não! Obviamente, não eram os consumidores que estavam preocupados com essa postura das empresas "monopolistas" de aumentar a produção e baixar os preços. Quem estava preocupado com isso eram os concorrentes dessas empresas, e foram eles que passaram a pressionar os políticos a aprovarem uma lei antitruste.

    Quem mais pressionou o governo para aprovação do Sherman Act foram os pequenos produtores rurais, por meio de seus sindicatos (os grangers). Esses pequenos produtores não estavam agindo em defesa da liberdade econômica ou dos consumidores, mas de seus próprios interesses, já que grandes empresas — como a Swift — estavam lhes tomando mercado oferecendo produtos mais baratos e melhores.

    A afirmação de que a lei antitruste americana foi criada para combater efeitos nocivos de supostos monopólios é uma falácia cuidadosamente forjada ao longo de anos. A real história americana do final do século XIX mostra grandes empresas aumentando sua produção, reduzindo seus preços e impulsionando o desenvolvimento econômico e social dos EUA.

    Vale repetir: durante esse "monopólio" da Standard Oil, o preço do barril de querosene caiu de 30 centavos para 6 centavos

    E esse tal Rockefeller devia bem bonzinho, pelo visto. Tinha "monopólio" total e ainda assim reduziu seus preços em incríveis 80%. E foi por isso que o governo resolver destruir a empresa em 1911: seus concorrentes fizeram lobby pois não conseguiam concorrer com seus preços.

    Queria eu ser vítima de um monopólio assim. Ainda bem que temos a Petrobras, que opera em regime de livre concorrência plena e preços em queda...

    Caso seja fluente em inglês e queria saber coisas que sua professora de oitava série não lhe contou sobre a Standard Oil, recomendo este:

    mises.org/daily/5274/100-Years-of-Myths-about-Standard-Oil


    2) Aqui você tem de provar que as emissões da VW são mortíferas e as emissões exigidas pelo governo são inócuas. Em suma, você tem de provar que o governo estipulou corretamente o limiar das emissões inócuas, acima das quais todo mundo morre.

    Simultaneamente, você também tem de provar que não há legisladores ganhando um "por fora" -- de empresas criadoras de produtos como injeção eletrônica e demais relacionados a poluentes -- para estipular níveis estritos de emissão.


    3) Você está dizendo que quem melhorou a segurança dos carros foi o governo? E que se não fosse o governo estaríamos hoje dirigindo carroças explosivas?

    É isso mesmo? Não pode ser?

    O curioso é que, por trás desse seu raciocínio está a ideia de que empresários odeiam o lucro. Sim, se eu fosse um empresário do setor automotivo, teria todo o interesse em comercializar um carro bastante seguro, pois ao menos a parcela rica da população iria querer comprar meus produtos, e iria me encher de dinheiro.

    Com o tempo, todas as outras fabricantes teriam de me copiar -- caso contrário, passariam a ser conhecidas como produtoras de máquinas mortíferas.

    No que mais, vale lembrar que a obrigatoriedade destes itens encarece sobremaneira os carros, dificultando o acesso justamente dos mais pobres.
  • Ibrahim Hassan-al  29/11/2015 00:04
    Olá! Não tenho o hábito de comentar, pois creio que a conversa fatalmente cai em acusações descabidas e falta de educação. Isso, independente do moderador e, por vezes, até daquele que comenta.
    Contudo, irei discordar em parte do artigo, pois acredito que, apesar de tocar em um ponto importante, revela outro, tão importante quanto, que passa desapercebido pelos liberais.
    Antes de iniciar meu aparte, direi quem sou, pois isso evitará, espero, acusações levianas.
    Sou mestre e pesquisador do pensamento de Karl Popper, especificamente a respeito de sua epistemologia, tendo ênfase em suas posições a respeito da mecânica quântica. Portanto, profissionalmente, sou popperiano.
    O artigo toca no ponto central de vários problemas da organização social, as diversas ligações perniciosas entre Estado e Mercado. As acusações, coerentes, explicam os meios e os motivos de questões como o crime ambiental e contra a vida ocorrido em Mariana recentemente.
    O Estado, grosso modo, é a organização política que gere as relações interpessoais consideradas como de interesse público em um território unificado monetariamente. O Capitalismo, grosso modo, é o modo de produção, distribuição e organização geral dos valores e de seus agentes organizado entorno da valorização do valor. Capitalismo de Estado, pelo viés proposto pelo artigo, é o envolvimento do Estado na produção, distribuição e organização dos valores e dos agentes envolvidos. Certamente, pela própria definição que demos de Estado, por considerar parcelas do mercado como de interesse público.
    O interessante é perceber que foi a união monetária, permitida pelo Estado, que possibilitou o capitalismo e, de outro lado, que foi o desenvolvimento mercantil que possibilitou a criação do Estado moderno, primeiramente em Portugal e posteriormente nos demais reinos e regiões européias. O que quero levantar é que, mesmo concordando com as críticas as relações entre Estado e Mercado, Estado e Mercado são duas instituições simbióticas e que não há um único contra exemplo dessa relação de cumplicidade e serventia na história. O capitalismo é, e sempre foi, essa relação entre Mercado e Estado. A disputa entre os empresários é alcançar as instâncias reguladoras da organização civil e, assim, garantir a valorização do valor. O próprio Estados Unidos se confunde com as gigantes corporações americanas, não somente culturalmente, mas também politicamente. A proteção de interesses desses grandes empresários, inclusive com o uso das forças militares, não é caso isolado na política norte-americana. A Venezuela de Chavez também é um exemplo da disposição do Estado em proteger os interesses dos campeões da indústria nacional. O Brasil da Odebrecht, a Inglaterra da British Oil, as três irmãs do setor de energia americano, etc. etc, etc.
    O mercado, até agora, foi impensável sem as muletas do Estado, bem como o próprio Estado não se sustenta sem os recursos do capitalismo. O livre-mercado, imaginado pelos liberais, não passa de uma utopia, um não lugar histórico. Não há um exemplo de mercado livre no mundo, por conta da própria impossibilidade desse fenômeno.
    Não sou contra utopias, credito a elas um papel muito interessante no desenvolvimento intelectual humano. Mas, utopias devem ser pensadas como tais e seu vislumbre não pode anuviar, como creio que ocorreu no artigo, a realidade. Estado e Mercado são inseparáveis, exatamente no sentido que o artigo chamou de Capitalismo de Estado.
  • Gutemberg Feitosa  05/02/2016 13:40
    Para entender seu comentário, como você classifica as relações comerciais que empregavam o escambo?
  • Andre Cavalcante  05/02/2016 14:54

    O "Estado Moderno" é apenas a forma mais recente de se tentar justificar o injustificável: que alguns possam ter poder de decisão sobre todos os demais, de maneira monopolista. Lembrar que o estado é uma instituição humana e, portanto, gerida por humanos.

    Novamente, o problema não é se existe alguém que usa a força, mas se há ou não monopólio nesta função (precípua definição de estado).

    Você diz que não há um contra exemplo histórico. Sim, há: todas as nações do mundo, do ponto de vista macro estão em um terreno anárquico. Deste ponto de vista, não há uma única entidade monopolizando a lei, a justiça e o dinheiro no mundo, até porque cada nação tem suas leis, sua justiça e sua moeda. E convivem em relativa harmonia (ao contrário até, o estado de guerra geral nunca foi visto na história, e apenas em duas ocasiões que muitas das entidades entraram em conflito por todo o globo). Desentendimentos e guerras entre nações são comuns, mas são localizadas e tendem a ser assimiladas por todas as demais entidades.

    Um informação errônea sua é que o estado é que dá a garantia da moeda. Errado. E há vários contra exemplos: o mais antigo é justamente o império romano em que os césares eram contumazes em lascar moedas de ouro para ter mais ouro sobrando e cunhar novas moedas. Não era o estado, no caso, que garantia a moeda, mas a moeda (ouro e prata, no caso) que garantia os arranjos do estado. O contra exemplo mais recente é o aparecimento das cripto moedas, que significam o aparecimento de moedas que não estão sob controle estatal (nem de nenhum banco central).

    Da mesma forma, houve várias ocasiões em que o escambo foi a forma de interação entre as pessoas e, em várias ocasiões, houve o aparecimento de áreas anárquicas - a maioria delas pobres e desestabilizadas por guerras anteriores (o caso mais recente, claro, Somália), onde as pessoas, individualmente, também conviviam de forma anárquica e sem nenhuma moeda estatal (outro contra exemplo).

    Se gostas realmente de Popper, deves começar a pensar mais amplo, afinal não há possibilidade de indução quando se mostra contra exemplos (princípio da falseabilidade, justamente de Popper), então deve haver um teoria mais ampla que abarque esses casos. É essa teoria que buscamos e os libertários, e.g., encontram nas leis da ação humana, e nos princípios da ética.

    Abraços

  • Rodrigo Pereira Herrmann  05/02/2016 17:25
    ao menos essa parte dá pra aproveitar pra fazer um gancho:

    "É essa teoria que buscamos e os libertários, e.g., encontram nas leis da ação humana, e nos princípios da ética."

    acontece que essa teoria que os libertários buscam consiste em Deus, que é o último e primeiro fundamento de tudo (de nós e das coisas). E Deus é ordem, razão, poder, autoridade, valor e hierarquia. E as sociedades, com seus governos e instituições de poder e esquadros jurídicos, espelham, para mais ou menos, essa verdade/realidade. Essa é a principal razão por que a liberdade não é absoluta e por que ela não pode se constituir em fundamento filosófico-político de nada.

  • Max Rockatansky  05/02/2016 18:28
    Meu caro, não existe incompatibilidade entre libertarianismo e religião.
  • Res ipsa loquitur   05/02/2016 20:29
    "o mercado é um ser infinitamente voraz e malicioso. ele não tem pressa. ele fareja carcaça de muito longe, e adora um animal agonizante; a gente do lado do mercado é dez vezes mais esperta que a gente do lado do governo" (Rodrigo Hermann)

    "a liberdade não é absoluta e por que ela não pode se constituir em fundamento filosófico-político de nada" (Rodrigo Hermann)

    "Falei e repito. A única solução para o caos em que o brasil mergulha é uma intervenção militar" (Rodrigo Hermann)

    "O libertário é o idiota útil perfeito. É o sonho de qualquer comunista. O sujeito que, enquanto está sendo enrabado, grita: 'livre mercado, livre mercado'" (Rodrigo Hermann)
  • Rodrigo Pereira Herrmann  05/02/2016 21:12
    vou aproveitar mais esse gancho então.

    Anota aí:

    "A realidade é permeada por uma causa final, teleológica (Aristóteles). A finalidade é a felicidade, não como satisfação de desejos, mas como realização da virtude do bem. O bem é a finalidade que buscamos por si mesma (Aristóteles). A realização do Supremo Bem será, portanto, a perfeição, na medida em que é a máxima felicidade (Platão e Aristóteles). O ser humano, por não ser causa sui, é ser determinado. A determinação é um modo (Pitágoras). O modo é uma razão interna de possibilidades e limitações (Mário Ferreira), O modo é a especialização da virtude. A perfeição, assim, para o ser humano, consiste na perfectibilização de seu modo de ser. A realização será o processo de o homem ser sempre mais do que é pela expressão sempre mais perfeita de seu modo de ser. Essa expressão se desdobra como um ato de amor, pois Deus, para nós, como ser absoluto que determina e sustenta, é amor (Escrituras). Assim é que o homem, quando mergulha em seu interior à procura do centro de seu ser, que não é causa sui, que é uma transcendência na imanência, que se dá de um modo determinado, encontra o amor de Deus, pelo qual conhece sua verdadeira natureza conforme seu modo de ser. Amar é abrir-se para o conhecimento de Deus e de si mesmo (Sto. Agostinho). Daí que o caminho da realização da felicidade, que é o Supremo Bem, e que consiste na perfeição de nosso ser, é o caminho de um amor perfeito, imaculado, indefectível, consonante o exemplo insuperável de Nosso Senhor Jesus Cristo."

    - Rodrigo Pereira HeRRmann -
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  30/11/2015 22:52
    Simplificação tributária no brasil já: imposto zero.
  • Silvio  01/12/2015 10:59
    Essa simplificação tributária seria do agrado até dos mais brutalistas dos libertários.
  • Bolivariano  17/12/2015 17:37
    Penso numa estratégia diferente. Devemos passar a exigir a taxação de 100% dos salários e do patrimônio dos "ricos". Devemos levar a "lógica" esquerdista às últimas consequências, mesmo que seja uma técnica retórica.

    Estava vendo um debate de uma esquerdista com um liberal e só quando o liberal começou a falar que mesmo se taxassem os "ricos" em 100%, então, mesmo assim, o problema da dívida pública estaria muito longe de ser resolvido. Foi aí que a esquerdista começou a entrar em curto-circuito e calou a boca.
  • Wesley  02/12/2015 04:44
    Como reduzir o Estado se a população quer saúde, educação, assistência social e tudo mais estatal? Qual o sonho atual do jovem brasileiro? É ser funcionário público. Além do mais o brasileiro odeia concorrência e quer estabilidade permanente. Eu estava vendo o pessoal do transporte público pirata disputando ponto um com o outro. É igual briga de cachorro, o que chega primeiro acha que é dono do ponto e até mesmo chega a agredir quem entrar no local e ameaçar o monopólio dele. Ou seja, odeia concorrência e quer o bolo só para ele. Os empresários cartelistas e taxistas agem da mesma forma. Esse é o comportamento do brasileiro. Se não mudar isso, não adianta fazer mais nada. É o mesmo que você querem que um santo frequente um prostíbulo sem perder sua castidade.
  • Gunnar  17/12/2015 16:55
    Essa briga pelo ponto só é possível graças ao caráter "público" da propriedade sobre a rua, imposto pelo governo. Fosse uma propriedade privada, pertenceria a algum dos motoristas, ou à cia de transporte, ou a um terceiro que decidiu alugar, com regras específicas, seu espaço para uma ou mais cias de transporte. Assim, não haveria espaço para conflitos. Qualquer um que entrasse naquele espaço sem autorização do proprietário ou inquilino não passaria de um invasor, um criminoso, e poderia ser legitimamente enxotado.
  • vitor  02/12/2015 14:57
    Boa tarde leandro,

    Estava lendo sobre o caso de um refrigerante, que foi comprado por uma outra empresa maior, para evitar que esse crescimento atrapalha-se suas vendas.

    o refrigerante no caso foi o guarana Jesus, la do nordeste se nao me engano, foi comprado pela COca-Cola, que realizou a compra para restringir as vendas do guarana Jesus, afim de preservar seu mercado. Nesse caso se for isso mesmo que se consolidar, e a Coca-cola resolver acabar com a marca Guarana Jesus, os consumidores desse produro seriam ``prejudicados``, existe alguma maneira na qual o livre mercado pudesse solucionar esse tipo de problema? digo problema pois a populacao que consumia esse produto nao mais o fará, sendo asim ``prejudicada``.

    Obrigado
  • Leandro  02/12/2015 16:38
    Não entendi o que houve de "errado" nessa situação, e nem muito menos por que deveria haver alguma intervenção.

    Vou tentar ser bem explícito:

    Uma empresa X só compra uma empresa Y se os proprietários de Y aceitarem a proposta de compra de X. Ponto.

    Você construiu a narrativa de modo a inferir que o guaraná Jesus foi confiscado pela Coca-Cola ou que os proprietários do guaraná sofreram algum tipo de coerção pela Coca-Cola.

    Não.

    O que houve foi que uma empresa, por ter feito sucesso, recebeu uma proposta de compra de outra empresa. Seus proprietários aceitaram. Ponto final.

    Situação idêntica aconteceria se eu me oferecesse para comprar o seu carro porque o acho bonito, seu apartamento porque o acho agradável, ou mesmo a sua padaria porque acho que seria um bom negócio. Você poderia dizer sim ou não. E acabou.

    Os consumidores do guaraná Jesus lamentaram a compra porque gostavam do produto? Se sim, isso apenas mostra que seus proprietários fizeram uma excelente gestão e, por isso, foram devidamente recompensados vendendo seu negócio para a Coca-Cola (certamente a um alto preço). Muito provavelmente, esse era o objetivo deles. Por que proibir empreendedores de ganhar dinheiro vendendo seu empreendimento para outra empresa? Por que eles deveriam ser proibidos de colher o retorno do seu capital? Eis a pergunta.

    E a Coca-Cola, tambem pela lógica, fez um ótimo negócio comprando uma marca de qualidade. Fosse eu um acionista da Coca-Cola teria aprovado a compra.

    Perceba que, ao lamentarem a compra, as pessoas estão na prática concordando plenamente com a Coca-Cola; a Coca-Cola pensou exatamente igual a essas pessoas: "aquele produto é tão bom que farei uma proposta de compra ao seu dono".

    De novo, o que há de errado nisso?

    Nenhuma propriedade foi confiscada nesse processo, ninguém foi agredido, nenhum inocente foi coagido. Por que tal tipo de transação pacífica, voluntária e não-agressiva para com terceiros deveria ser restringida pelo governo?
  • Taxidermista  02/12/2015 17:10
    "existe alguma maneira na qual o livre mercado pudesse solucionar esse tipo de problema?"

    Em primeiro lugar, não há qualquer "problema" aí.

    Em segundo lugar, não havendo problema, não há pq pretender buscar uma "solução": solucionado está, pela via de mercado (trocas voluntárias).


    "digo problema pois a populacao que consumia esse produto nao mais o fará, sendo assim prejudicada[i]"

    Reflita um pouco mais sobre essa sua assertiva: toda vez que um produto deixar de existir no mercado - nesse caso aí, em decorrência de uma aquisição empresarial - você vai concluir no sentido da existência de "prejuízo aos consumidores"?
    Resulta estampada a [i]reductio ad absurdum
    .

  • vitor  02/12/2015 18:05
    Leandro,

    me desculpe se deixei parecer que havia algum problema para os donos do Guarana Jesus, ter sua empresa comprada pela Coca-Cola, nao foi minha intencao.

    Os prejudicados que me referi nao foram os proprietarios, foram os consumidores, que daqui a 5 ou 10 anos TALVEZ nao tenham mais o produto para consumir, devido a Coca-Cola querer manter seu mercado. nao vejo nada de errado em os donos terem trabalhado, contruido uma marca forte e venderam depois.

    a questao seria, se os consumidores gostassem tanto assim do guarana Jesus eles que comprassem a empresa antes que a coca-cola o fizesse?

    Taxidermista, se a coca-cola compra um produto que eu gosto( nao é o meu caso, nao bebo refrigerante), simplesmente para evitar a concorrencia, isso nao seria um problema para mim consumidor deste produto?

    Se a fabrica de sucos de laranja ``Minute Maid`` fosse comprada pelos mesmos motivos que o Guarana Jesus foi comprado, pela ``Simply orange``, isso nao seria um problema para mim, que nao gosto dos sucos da ``Simply orange``?

    Se em uma situacao hipotetica, se sou um dos diversos pequenos produtores de cerveja de uma regiao, que compro a cevada de qualidade X das fazendas de cevada locais. nao seria um problema para mim e para os outros produtores locais se um fazendeiro maior chegasse e comprasse essas fazendas locais e nao mais produzisse cevada de qualidade X, afim de manter somente a sua producao de cervada de qualidade Y?

    Como isso nao seria um problema para nos?
  • Ricardo  02/12/2015 18:43
    "Os prejudicados que me referi nao foram os proprietarios, foram os consumidores, que daqui a 5 ou 10 anos TALVEZ nao tenham mais o produto para consumir, devido a Coca-Cola querer manter seu mercado."

    Vou repetir: não houve agressão na situação relatada, nenhuma propriedade privada foi confiscada, ninguém foi agredido, ninguém foi coagido.

    A única coisa que houve é que uma empresa comprou outra de que você gostava. E só.

    Na prática, você está dizendo que a Coca-Cola tomou uma decisão acertadíssima, a qual você própria aprovaria caso fosse acionista dela: comprou uma empresa de qualidade, cujos donos voluntariamente aceitaram a venda.

    Diga-me: por que você quer proibir os donos do guaraná Jesus de vender a própria empresa deles? Ao agir assim, você se transforma em um totalitário.

    Na prática, você está querendo obrigar os proprietários do guaraná Jesus a continuarem no ramo apenas para servir você, algo que eles não mais querem fazer. Trata-se de uma coerção inaceitável.

    É como se você quisesse sair do seu emprego para um outro que paga mais, mas o seu chefe proibisse você de fazer isso, pois prejudicaria a empresa dele (que perderia um ótimo funcionário). Você aceitaria esta coerção?

    Espero não abalar sua autoconfiança, mas o seu julgamento subjetivo sobre uma situação não pode servir de base para políticas públicas coercitivas.

    "nao vejo nada de errado em os donos terem trabalhado, contruido uma marca forte e venderam depois."

    Então o assunto está encerrado. Tudo o que vier depois disso é uma mera "opinião pessoal subjetiva" (pleonasmo intencional, apenas para reforçar), a qual não configura política válida.

    "a questao seria, se os consumidores gostassem tanto assim do guarana Jesus eles que comprassem a empresa antes que a coca-cola o fizesse?"

    Nada os impediria de fazer isso. É uma solução.

    "se a coca-cola compra um produto que eu gosto( nao é o meu caso, nao bebo refrigerante), simplesmente para evitar a concorrencia, isso nao seria um problema para mim consumidor deste produto?"

    Para você, talvez. Para mim, não. Para o resto do mundo, também não.

    Para mim, por outro lado, é um problema enorme que a Fernanda Lima seja casada e indisponível. O que posso fazer? Obrigá-la a se separar e vir para os meus braços?

    Todo o seu problema se resume a uma questão: não aceitar a liberdade dos donos de uma empresa fazerem o que quiserem com ela (de maneira pacífica e voluntária). Na prática, você está dizendo que o guaraná Jesus é tão bom, que a empresa deveria agir conforme os interesses seus, e não conforme os interesses dos proprietários.

    De novo: é como se você quisesse sair do seu emprego para um outro que paga mais, mas o seu chefe proibisse você de fazer isso, pois prejudicaria a empresa dele (que perderia um ótimo funcionário). Você aceitaria esta coerção?
  • vitor  02/12/2015 19:42
    faz sentido, obrigado pela resposta.
  • Matias  02/12/2015 19:23
    Não entendi Vitor, se existe esse enorme mercado da Guaraná Jesus, é claro que o Coca-Cola vai manter o produto no mercado... O consumidor comum nem vai notar o selo "coca-cola company" no rótulo. Quem sabe o preço até caia, com a Coca trazendo seu conhecimento e maquinário moderno para a produção da Jesus.
  • Taxidermista  02/12/2015 19:40
    Caro vitor:

    eu já disse, mas, como você insiste, vou repetir: esse seu argumento é absurdo, com todo respeito.


    "se a coca-cola compra um produto que eu gosto( nao é o meu caso, nao bebo refrigerante), simplesmente para evitar a concorrencia, isso nao seria um problema para mim consumidor deste produto?"

    Essa sua frase começa e termina equivocada.

    Se não há qualquer intervenção estatal (ou seja, se não há restrição legal ao ingresso no respectivo mercado), a compra, pela Coca-Cola, de um produto (rectius: de uma empresa), não tem como ser para "evitar a concorrência"; essa aquisição É algo próprio do processo concorrencial (ou por outra: é fruto do processo de mercado).
    Só por aí, portanto, não tem como ser um "problema" nem para você (consumidor do produtor) nem para quaisquer consumidores; muito pelo contrário: por ser algo fruto do próprio processo de mercado, é algo necessariamente bom para os consumidores, porquanto é algo do qual decorrerá aumento de qualidade e queda nos preços.

    Situação hipotética (sempre supondo, claro, que não existe interferência estatal no setor, pq quem "evita a concorrência", vitor, é o Estado):
    vejamos: você, vitor, tem predileção pela empresa XY. Você gosta muito dessa empresa. Tal empresa XY, todavia, é adquirida pela empresa WX, empresa que tem condições de fazer essa aquisição em virtude, justamente, do seu sucesso no mercado. Tal aquisição (resultando na empresa QK) - porque respaldada naquilo que o mercado vinha retribuindo como um empreendimento de sucesso - rendeu ensejo a um aumento na qualidade dos serviços e a uma queda nos preços, como é inerente ao processo concorrencial.
    Pois bem, agora os consumidores têm à disposição um serviço melhor e mais barato. Você, contudo, gostava muito da empresa XY. Mas essa empresa (e, consequentemente, o serviço que ela prestava) não existe mais.
    E você insiste em achar que isso seria um "problema".
    Já deveria estar claro o despautério da sua colocação, mas faça um novo exercício mental para verificar isso: generalize esse seu argumento. Imagine todas as pessoas tendo essa mesma opinião que você, a ponto de impedir toda e qualquer aquisição empresarial decorrente do processo de mercado. Consegue imaginar a consequência? Se não consegue, eu te digo: o mercado deixaria de existir.

    vitor,
    eu te sugiro a leitura desse livro:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1994

    Será uma leitura libertadora para você.

    Abraço.

  • vitor  03/12/2015 15:19
    taxidermista,

    Eu compreendo como o Ricardo assim falou, da coercao que seria impedir os antigos donos do guarana jesus de vender sua empresa e usufruir o lucro de seus trabalhos. Novamente, nada contra isso, a empresa era deles para fazer oque quisessem.

    Mas vc parece nao entender o simples fato de que, se pararem de produzir um produto que eu gosto, isso me prejudica. Mas eu compreendo que a empresa nunca foi minha para determinar oque ela deve produzir ou nao... mas o fato é que seria PIOR para mim se a empresa parasse de produzir tal produto.

    A pergunta que eu fiz nunca foi se deveria ser proibido a aquisicao empresarial, como vc deixou a entender no ultimo paragrafo. A pergunta foi se teria algum modo de eu continuar obtendo o produto que gosto no livre mercado.

    O observador deu umas opcoes, a primeira eu cheguei a pensar tbm, mas sera que surtiria efeito?
    a segunda de tentar copiar o refrigerante, nao seria sei la plagio, ou copia, sei la. o quao proximo vc pode produzir um produto do outro sem ser processado por copiar o produto de outra pessoa?
  • Viking  03/12/2015 15:37
    você pode copiar tao bem quanto conseguir.
    libertários são contra propriedade intelectual, afinal você no máximo faz uma cópia da ideia/formula, não deixa seu criador sem ela quando faz isso.
    procure os artigos sobre propriedade intelectual aqui no site para entender melhor.
  • Taxidermista  03/12/2015 17:15
    "Mas vc parece nao entender o simples fato de que, se pararem de produzir um produto que eu gosto, isso me prejudica".

    Vitor, eu não apenas entendi esse "simples fato", como te asseverei que não faz sentido você insistir em dizer que "se pararem de produzir um produto que eu gosto, isso me prejudica".

    Vale lembrar que, anteriormente, você falou em "prejuízo aos consumidores" nas situações hipotéticas formuladas. Por isso te disse que você acabava por confundir a noção de "prejuízo ao consumidor" com "frustração de um gosto pessoal", Vitor. Frustração de um gosto pessoal é como você chegar no supermercado e descobrir que aquele salgadinho que você tanto gosta deixou de ser vendido (pq a empresa que o produzia foi comprada ou por qualquer outro motivo); o salgadinho não existe mais.
    Você quer insistir em dizer que seria "prejudicado" com isso? Ok, fique à vontade. Você acha que isso "seria um problema" para você? Ok, fique à vontade. A vida é cheia de problemas, que devem ser assimilados e/ou enfrentados. Eu conheço uma pessoa que era apaixonada por esse guaraná aqui (mlb-s2-p.mlstatic.com/garrafa-guarana-brahma-antiga-11623-MLB20047503680_022014-F.jpg). Ele não existe mais. Paciência. Vida que segue. Outros surgiram e vão continuar surgindo no mercado.

    "A pergunta foi se teria algum modo de eu continuar obtendo o produto que gosto no livre mercado"

    Resposta: Vitor, você "continuar obtendo o produto que gosta no mercado" vai depender de quantas pessoas tenham essa preferência que você tem, e demandem esse produto, a ponto de a empresa (no caso do seu exemplo, a empresa adquirente) entender como economicamente proveitoso recolocá-lo no mercado, ou, então, a ponto de surgir uma concorrente que passe a produzir um produto análogo, captando essa fatia de mercado (captando, em suma, essa demanda).

    De resto, essa sua pergunta "o quao proximo vc pode produzir um produto do outro sem ser processado por copiar o produto de outra pessoa?" diz respeito a uma matéria extensa que está regulada na Lei 9279/96 (www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9279.htm).
    Tem um resumo da questão aqui: www.carvalhoebarros.com.br/copia-x-inspiracao-crime-de-concorrencia-desleal/

    Obs.: vale lembrar que, conforme alertou o colega acima, o libertarianismo é contra isso que se chama de "propriedade intelectual": www.mises.org.br/Product.aspx?product=29

    Abço.



  • Um observador  02/12/2015 21:01
    Vitor,

    Acho que os outros comentaristas não entenderam bem a sua dúvida...

    Se existe um produto que eu gosto, e ele deixa de ser produzido, então é óbvio que isso é um problema para mim. Mas isso não quer dizer que esse problema seja culpa de alguém ou que o estado deveria intervir para corrigi-lo.

    Dito isso, vou responder a sua pergunta:

    existe alguma maneira na qual o livre mercado pudesse solucionar esse tipo de problema?

    Sim. Assumindo um cenário em que a Coca-Cola tivesse comprado e depois retirado o Guaraná Jesus do mercado, existem basicamente duas coisas que poderiam ser feitas:

    a) Os consumidores poderiam fazer campanhas, abaixo-assinados, enviar mensagens, e-mails, ameaça de boicote, etc, para a Coca-Cola voltar a vender o Guaraná Jesus.

    b) Alguma outra empresa de refrigerantes poderia lançar uma cópia razoável do produto, para ocupar o nicho de mercado que a Coca-Cola teria abandonado.
  • Fagner  03/12/2015 11:33
    Como "não entenderam a dúvida"??

    O próprio Vitor já respondeu ali em cima dizendo que "agora faz sentido, obrigado pela resposta".

    Bola fora esse seu comentário.
  • Emerson Luis  04/12/2015 12:23

    O governo toma 40% de nossa renda e determina como devemos usar os outros 60%.

    E muitos ainda acusam o capitalismo pelos problemas causados.

    * * *
  • Pedro Guerra  05/02/2016 00:20
    Esse foi o capitalismo praticado por Mussolini na Itália fascista. Ele era um pouco mais inteligente que os comunistas e sabia que não conseguiria obter crescimento econômico com a indústria controlada pelo estado.

    Então o que ele fez: delegou a administração para uns poucos empresários que eram seus amigos e passou a protegê-los com regulamentações e barreiras protecionistas, troca de favores, propinas e negociatas.

    Curiosamente, é o mesmo modelo praticado no Brasil pelos governos atuais. Resumindo: o PT e o PSDB tem uma política econômica fascista.
  • Ágape Guilherme  24/06/2016 23:14
    Apenas uma coisa não ficou clara: o que impede as empresas de formarem monopólios por meio de acordos entre elas mesmas?
    OBS: não sou estatista, tampouco simpatizo com o intervencionismo.
  • Auxiliar  25/06/2016 00:03
    O que impede? Uma coisa chamada realidade econômica.

    Nunca houve cartel duradouro em um livre mercado. Não há um só exemplo prático de cartel (e muito menos num país de dimensões continentais) em setor não regulado e controlado pelo governo.

    Se você forma um cartel para elevar preços, imediatamente torna-se um bom negócio sair desse cartel e vender a um preço menor. Para o sujeito que sai do cartel, reduzir seu preço em centavos lhe trará uma receita muito maior (porque venderá um maior volume) do que teria caso mantivesse o preço do cartel (e, consequentemente, vendesse um volume bem menor).

    Cartéis só existem precisamente em ambientes regulados pelo estado. Não há um único exemplo na história de cartéis duradouros em setores da economia não regulados pelo estado.

    Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina, internet, TV a Cabo etc.).

    E quando não havia intervenção estatal? Aí era assim:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=366

    Artigo sobre cartéis protegidos pelo estado:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2049


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.