O que a “justiça social” fez com a Venezuela

"A dominação totalitária tem o objetivo de abolir a liberdade, inclusive eliminar a espontaneidade humana em geral; de forma alguma seu objetivo é apenas a restrição da liberdade, por mais tirânica que seja" — Hannah Arendt, As Origens do Totalitarismo 

 

Quando a "justiça social" rege a ação política, o resultado é o totalitarismo.  Esta foi uma advertência feita por Friedrich von Hayek e a qual países como a Venezuela vivenciam — ou melhor, padecem — em sua quase plenitude.

Em decorrência da expressão "justiça social" — e outras similares, como "bem comum", "interesse geral", "bem-estar social" ou "função social da propriedade privada" —, o estado venezuelano passou a redistribuir riqueza que ele não produz, a intervir em todos os mercados, estipulando preços e cotas, e a confiscar meios de produção.

À medida que o estado expandiu seu escopo e suas intervenções, os indivíduos ficaram com menos direitos e liberdades, pois, logicamente, à medida que o estado atua, aumentam suas atribuições e suas regulamentações, e consequentemente diminui a amplitude de liberdade dos indivíduos submetidos a este estado.

A intervenção intensa, arbitrária e injustificada do estado venezuelano na vida dos cidadãos vem ocorrendo há mais de 16 anos; porém, nos últimos anos, assumiu uma intensidade e um ritmo alucinantes, se é que isso é possível.

Eis algumas recentes medidas econômicas anunciadas por Nicolás Maduro:

1) À medida que a moeda foi se depreciando, a carestia foi se acelerando de maneira galopante.  Consequentemente, em 2011, o governo decretou um abrangente controle de preços por meio da Lei de Custos e Preços Justos

Mas como o controle de preços não estava funcionando, Maduro resolveu dobrar a aposta no mesmo: anunciou recentemente a reforma da Ley de Precios Justos (Lei de Preços Justos), por meio da qual se alteraram todos os mecanismos de cálculos de preços, e a imposição da lei de Precio Máximo de Venta al Público (Preço Máximo de Venda ao Público) para todos os produtos e serviços do país.

Vale recordar que existe um controle de preços na Venezuela desde o ano de 2003, o qual, no entanto, era válido apenas para alguns produtos.  Em 2011, no entanto, a Lei de Custos e Preços Justos foi ampliada e imposta a todos os produtos e serviços, fazendo com que a fiscalização e a imposição deste controle ficassem a cargo das autoridades reguladoras.  Essa lei de 2011 revelou as intenções reais do governo: controlar cada aspecto da economia, desde as maiores empresas até o mais humilde quiosque.

Veja no vídeo abaixo o desespero de um comerciante ao ser preso pelo governo pelo simples fato de não ter reduzido seus preços como ordenava o governo:

Como era inevitável, o controle de preços fez com que a escassez de bens — inclusive alimentos e remédios — se intensificasse.  A escassez, por conseguinte, empurrou as pessoas para o mercado negro, o que elevou ainda mais os preços dos bens essenciais.

2) Para combater as consequências criadas pelo controle de preços, o governo recentemente anunciou a criação do Comando Nacional de Precios Justos, dirigido pelo vice-presidente Jorge Arreaza e integrado pelo comandante da Guarda Nacional Bolivariana e pelo comandante da Milícia Nacional Bolivariana

Vale lembrar que a "Fuerza Armada Nacional" está sendo utilizada para verificar o cumprimento dos controles de preços, e toda a distribuição de alimentos do país foi colocada sob supervisão militar desde o início de fevereiro.

Enquanto os venezuelanos se aglomeram em filas que normalmente acumulam mais de mil pessoas apenas para conseguir comprar comida, soldados armados pedem as carteiras de identidade para se certificarem de que ninguém está comprando itens básicos mais de uma vez na mesma semana

Todas as compras feitas pelos venezuelanos são computadas em um sistema de dados para garantir que cada consumidor não tente comprar os mesmos produtos racionados em um período menor do que sete dias. Dentro dos supermercados, policiais da guarda bolivariana conferem as carteiras de identidade à procura de falsificações que poderiam ser utilizadas para driblar o sistema de racionamento.  Eventuais transgressores são presos.

3) Para mostrar que agora está falando sério, Maduro convocou um pronunciamento em cadeia nacional para fazer um alerta de cunho explicitamente terrorista aos comerciantes. Nas palavras do próprio Maduro:

"Guerra avisada não mata soldado.  Vamos a uma nova ofensiva.  Não vamos nos cansar enquanto não vencermos esta batalha em nome do povo.  Estamos aumentando as penas de cárcere (para os comerciantes que aumentarem os preços), pois a lei tem de ser implacável."

Vale lembrar que, quando a lei foi sancionada em 2011, já existiam graves sanções aos comerciantes.  E, desde 2011, "estranhamente", a escassez só se agravou.

A lista de itens básicos ausente das prateleiras dos supermercados, que começou com papel higiênico — o que levou o governo a ocupar uma fábrica de papel higiênico, com o uso maciço de força militar, para garantir uma "distribuição justa" dos estoques disponíveis —, foi gradualmente se expandindo para abranger também absorventes, xampu, farinha, açúcar, detergente, óleo de cozinhar, pilhas, baterias e caixões.

Um venezuelano gasta, em média, 8 horas por semana na fila de um supermercado para conseguir comprar itens essenciais.

4) O valor do bolívar está desabando feito pedra.  Em novembro do ano passado, um dólar custava 100 bolívares no mercado paralelo.  Já em novembro agora, o dólar já está se aproximando dos 700 bolívares. 

bolivar.jpg

Taxa de câmbio bolívar/dólar no mercado paralelo (linha azul) versus taxa de câmbio oficial declarada pelo governo (linha vermelha)

Isso implica uma desvalorização da moeda nacional de 86% em apenas um ano.  O país está em hiperinflação.

Consequentemente, vários comerciantes recorrem ao preço do dólar no mercado paralelo — o único preço confiável na Venezuela — para estimarem a atual inflação de preços no país (a qual, baseando-se no movimento do dólar no mercado paralelo, é estimada em 700% ao ano) e com isso terem alguma noção do real valor de suas escassas mercadorias.

Por exemplo, caso o valor oficial do dólar (decretado pelo governo), e não o paralelo, seja utilizado, uma batata frita no Mc Donald's custaria inacreditáveis US$ 126.

Por isso a prática de recorrer ao valor do dólar no mercado paralelo para se tentar ao menos uma precificação mais correta dos bens e serviços.

No entanto, isso irrita o governo. Para abolir essa prática, Maduro prometeu cadeia. 

"Todo aquele que basear seus preços no dólar fantasma ou paralelo, que utilize esse dólar sem nenhum tipo de respaldo legal, será enquadrado nessa nova normativa."

O desespero

Essa combinação de hiperinflação e rígido controle de preços está gerando o supracitado desabastecimento generalizado, esvaziando as prateleiras dos supermercados do país.

Com uma moeda inconversível e que ninguém quer portar — nenhum estrangeiro está disposto a trocar sua moeda pelo bolívar, pois não há investimentos atrativos na Venezuela —, nenhum empreendedor na Venezuela está tendo acesso a dólares.

E, sem acesso a dólares, todas as importações, mesmo a de produtos básicos e essenciais, como remédios, estão praticamente paralisadas.

A única entidade na Venezuela que ainda tem dólares é o governo, e é ele quem decide qual empresa pode receber dólares para importar bens.  No momento, por causa de sua escassez e da acelerada perda de reservas internacionais (que estão em apenas US$ 14,8 bilhões, a menor em 13 anos), a ração de dólares está suspensa.

Consequentemente, o Banco Central está tendo de vender todo o ouro de suas reservas para conseguir importar bens essenciais para manter a população viva.

A mistura de escassez e hiperinflação é mortal.  Pessoas com fome e portando uma moeda que não vale nada têm de recorrer à força física (a única coisa que ainda lhes resta) para tentar sobreviver.  Consequentemente, supermercados estão sendo saqueados e as pessoas estão brigando violentamente entre si para garantir uma fatia do roubo.

O vídeo a seguir, com cenas fortes, mostra um supermercado na cidade de Caroní sendo saqueado e as pessoas brigando para garantir um naco do espólio.  Uma pessoa morreu.  "Esta é a revolução da fome!", gritou uma das mulheres que assistiam horrorizadas ao trágico desenlace.

Já este vídeo, igualmente impactante, mostra dezenas de pessoas lutando em um supermercado apenas para consegui um saco de leite em pó.  A cena é semelhante a de um adestrador jogando migalhas para cachorros.

Recentemente, em outro tumulto em um supermercado estatal do país (que havia anunciado a venda de comida subsidiada), cinco mil pessoas entraram em conflito com a Guarda Nacional, que utilizou gás lacrimogêneo para dispersar a população.  Uma idosa de 80 anos foi pisoteada até a morte. E 75 pessoas ficaram feridas.

A situação ficou tão escabrosa que os traficantes de drogas abriram mão de seu ofício em tempo integral e passaram a se especializar no mercado paralelo de alimentos.

Escassez faz criminosos trocarem tráfico de drogas pelo de alimentos na Venezuela

Jaime se dedicava exclusivamente ao tráfico de drogas até que, dois anos atrás, um cliente que trabalhava em um supermercado lhe ofereceu trocar maconha por farinha de milho pré-cozida.

Desde então, o traficante se dedica — também — ao que eles chamam de bachaqueo, atividade ilegal cada vez mais comum na Venezuela, que consiste em revender produtos básicos que nem sempre são encontrados em lojas e pelos quais milhões de venezuelanos passam horas na fila todos os dias.

"Ele me propôs a troca e eu disse que sim. Quando fui ver, minha casa estava cheia de produtos", afirmou ele à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, sob condição de anonimato.

De acordo com a Lei de Preços Justos, que estabelece a regulação de preços de produtos de primeira necessidade no país, a revenda desses bens é crime sujeito a pena de três a cinco anos de prisão.

O suprimento de remédios está acabando. Salas de cirurgia estão fechadas há meses, não obstante centenas de pacientes estejam na fila de espera para cirurgias.  Algumas clínicas privadas são capazes de manter a sala de cirurgias funcionando porque conseguem contrabandear dos EUA, sem que o governo venezuelano possa interceptar, remédios essenciais.

Com a falta de remédios, os venezuelanos estão tendo, humilhantemente, de recorrer a medicamentos para cachorro.  Como consequência, os próprios cachorros também começaram a sofrer, já que esse aumento da demanda por medicamentos veterinários está diminuindo a oferta disponível de remédios para serem usados nos próprios cachorros.

Está havendo também uma escassez de contraceptivos, o que vem aumentando a taxa de gravidezes indesejadas no país.  Para piorar, também há escassez de fraldas e leite, itens essenciais para os recém-nascidos.

A revolta dessa venezuelana na fila do supermercado fala por si só:

Conclusão

Quanto mais o governo afirma estar agindo "em nome do povo", fazendo "justiça social", e cuidando do "interesse geral", mais pessoas morrem de fome e passam a viver uma vida humilhante.

Quando a "justiça social" rege as ações políticas, o resultado é o totalitarismo. Hayek já havia alertado sobre isso.

_______________________________

Andrea Rondón García, doutora em direito pela Universidad Central de Venezuela e diretora acadêmica do Instituto Ludwig von Mises Venezuela.  É também professora da Universidad Católica Andrés Bello.

Leandro Roque, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


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SOBRE O AUTOR

Diversos Autores


A meu ver, essa "desregulamentação" estatal sobre a terceirização não passa de uma intervenção, de feição "liberal", que não implicará nos efeitos desejados e previstos.

Basicamente, pelo que eu entendi, a intenção do governo é gerar mais empregos que de fato paguem salários realmente vinculados à riqueza produzida pelo empregado. Com isso, busca se mover a economia, através de poupanças, maior capital do empregador para investimento e consumo real dos empregados. Desse modo, o Estado pode arrecadar mais, pois, na análise de Smith que é complementanda pelo autor do artigo, a especialização (terceirização) gera riqueza e prosperidade. Fugindo, portanto, do ideal keynesiano de que quanto maior o consumo de quem produz maior o progresso, negligenciando a possível artificialidade dessa troca.

Minha objeção consiste em afirmar que a regulamentação do modo que foi feita não é benéfica para o Estado, logo, como tudo no Brasil, querendo ou não, está ligado à esse ente, não torna se benéfica ao indivíduo.

Primeiro, pelo fato de que, as empresas que contratam outras empresas terceirizadas podem ter um elo empregatício direito com os empregados dessa última. Nessa perspectiva, caso uma terceirizada, receba os repasses do contratante, porém não esteja pagando os benéfícios/ salários dos seus empregados em dia, sob alegações diversas, iniciará se um processo judicial entre a empresa contratada e o contrante para solucionar esse caso, haja vista que é do interesse do terceirizado receber o que lhe é devido. Consequentemente, o tempo depreendido, os custos humanos e financeiros são extremamente onerosos para a empresa contratante, de modo que, sua produtividade e poder de concorrencia no mercado é reduzida. Ou seja, a continuidade do desrespeito aos contratos firmados e a morosidade da Justiça, práticas comuns no país, muitas vezes, anulam a ação estatal que visa gerar mais empregos e melhorar a produtividade das empresas. O que afeta principalmente os empreeendedores com um capital menor e que operam em mercados menos regulados. Logo, busca se intervir para corrigir um problema, sendo que o corolário dessa nova intervenção é exaurido por uma ação feita anteriormente

Outro ponto pouco abordado por vocês é que as terceirizações beneficiam também os empresários oriundos de reservas de mercado. Logo, uma ação estatal que, a posteriori privilegia os amigos dos políticos, não pode implicar nas consequências previstas a priori. Isso porque, a possibilidade contratação de terceirizados a partir de salários menores do que de fato seriam em um contexto natural/equilibrado torna se muito mais viável para os corporativistias, pelo simples fato de que seus acordos com agências e orgãos públicos influenciam também nas decisões judiciárias que envolvem a sua empresa e a empresa terceirizada. Desse modo, o megaempresário contrata a empresa terceirizada e estabelece um acordo onde há um repasse menor da grande empresa para a terceirizada e, na sequência, apenas uma parte muito pequena, não correspondente ao valor gerado, desse repasse para a empresa terceirizada é convertida em salários para os terceirizados, onde a empresa terceirizada acaba lucrando mais, ao ter menos gastos. Portanto, um terceirizado que trabalha para uma empresas monopolística (no sentido austríaco) possui maiores chances de ser ludibriado e não lhe resta muitas opções de mudança de nicho, haja vista que infelizmente inúmeros setores do mercado brasileiro sofrem regulação e intervenção constante do governo.

No mais, ótimo artigo.
Gustavo, os Dinamarqueses podem usufruir desse tipo de assistencialismo, justamente porque o mercado deles é produtivo.

O mercado deles é produtivo como consequência da LIBERDADE DO MESMO, como o próprio artigo aponta.

Lá não existe salario mínimo, o imposto sobre o consumo é baixo, assim como o imposto sob pessoa jurídica.
No máximo, o imposto de renda é alto, mas eles tem uma moeda forte e estável, um lugar livre pra se empreender e contratar alguém(não existe nem salário minimo lá!).

Defender o modelo Dinamarques na situação Brasileira demonstra toda a ignorância básica em economia, nosso mercado fechado produz pouco pra aguentar um estado desse tamanho. Ainda sim, o estado da Dinamarca é menor que o Brasileiro, nunca ouvi falar sobre lá ter quase 40 ministérios, nunca ouvi falar lá sobre a existência de Agencias Reguladoras em todos os setores do Mercado, nunca ouvi falar lá sobre a existência de centenas de estatais!

E mais, a crise Sueca dos anos 80 justamente explica isso, o Welfare explodindo nessa época acabou ''sufocando'' o mercado, deixando-os em uma crise enorme de déficits astronomicos.
Qual foi a solução?

Austeridade e Livre-Mercado, na década de 90 a suécia voltou a crescer fortemente, uma reforma radical de corte de gastos e liberdade de mercado, no fim das década de 80 e começo da 90, permitiu que a Suécia saísse da crise causada pelo Welfare.

Mas por fim, você acha justo tirar o dinheiro das pessoas a força pra sustentar tudo isso para os que não querem trabalhar?

Antes de qualquer boa consequência, analise a ética e a moral.
É como querer defender o homicídio, dizendo que isso amenizara a escassez na terra no futuro. Não interessa, homicídio de inocentes é errado, é irrelevante as boas ou ruins consequências que o crime pode trazer.

E mais, Noruega já esta retirando dinheiro do seu fundo, mais uma vez veremos mais uma crise em alguns escandinavos, o peso do estado não dura muito, por mais produtivo que um mercado seja. É economicamente impossível, a empiria da ciência economica prova isso!

O texto apenas demonstra que o sistema capitalista, ainda mais a forma liberal, é totalmente ineficiente.

Senão vejamos,

1: hoje já não é proibido nenhuma empresa ter seus laboratórios e certificados de qualidade internos ou externos, inclusive no Brasil existe a certificação "Certified Humane Brasil é o representante na América do Sul da Humane Farm Animal Care (HFAC), a principal organização internacional sem fins lucrativos de certificação voltada para a melhoria da vida das criações animais na produção de alimentos, do nascimento até o abate"; (não necessita liberalismo para isso), inclusive a Korin agropecuária é certificada por essa empresa, entre tantas outras.

2: Não é proibido nenhuma instituição avaliar a qualidade dos produtos e denunciar caso seja de péssima abaixo do esperado; (não necessita liberalismo para isso também)

3: No liberalismo estas mesmas instituições que avaliariam a qualidade ou emitiriam certificados poderiam ser construídas justamente para os objetivos do bloco gigante de algum ramo, como por exemplo carne, tendo esse poder eles também teriam o poder de patrocinar jornais e revistas para desmentir qualquer empresa de certificados privados concorrente e pronto, num mundo globalizado quem não aparece não é visto. O lucro dos grandes blocos estaria garantido... num capitalismo sem regulação estatal quem iria impedir isso? Da mesma forma que a "Certificadora" do grande grupo poderia difamar as carnes de um grupo concorrente.

claro, se não existissem grupos, talvez até funcionaria, porém pq não criar grupos para ter maior vulto de recursos para maior propaganda e maior lucro? Justamente. Apenas prova objetivo maior - lucro - é o motor para irregularidades, seja de agente público ou privado.

aguardando respostas...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Tannhauser  25/11/2015 13:58
    Quanto tempo pode durar esse tipo de convulsão social? Não seria melhor fugir pro mato e viver da caça e pesca?
  • Socialismo ou Liberdade  25/11/2015 17:04
    Cuba e Coréia do Norte nos mostram que essa situação pode durar por décadas a fio.
  • Fernando  25/11/2015 13:59
    Esse é o Mercosul ? Esse Mercosul está parecendo mais o Mercocuba !

    A melhor forma de se obter preços justos é com choque de oferta e livre mercado. O protecionismo, a desvalorização da moeda, os monopólios estatais e privatizações, só causam escassez e aumentos de preços. Por mais que, o livre mercado possa ter um aumento de preços no começo se houver escassez, em pouco tempo as demandas são resolvidas e os preços são normalizados.

    Esse capitalismo de compadres chegou no limite.

    Hoje, o governo está leiloando usinas hidrelétricas. Os eletricistas do governo não percebem que alugar as usinas só vai resultar em aumentos de preços. O correto seria deixar as usinas com quem vai investir mais em novos projetos. Esse aluguel de usinas para fechar as contas do governo vai quebrar o setor elétrico, que já estava capengando e totalememte endividado.

    O pior desse populismo é que os ignorantes ainda acham que esses doentes socialistas sabem o que estão fazendo. Esses socialistas acham que estão ajudando, mas estão destruindo tudo.

    Esses canalhas cobram impostos demais, colocam uma burocracia enorme, confiscam benefícios trabalhistas, colocam regras protecionistas, fazem monopólios, para depois colocar as culpa em adversários políticos, em outros países, na madre Tereza, etc. Eles não assumem nada. Socialistas são canalhas!

  • cmr  25/11/2015 17:24
    "Esses socialistas acham que estão ajudando, mas estão destruindo tudo."

    Eles sabem que o sistema socialista não funciona, sabem que não estão ajudando a ninguém e que a conta chegará mais tarde. Eles até zombam de quem acredita nessa fajutice.

    Só existem dois tipos de pessoas que são socialistas:
    - Os idiotas úteis.
    - Os canalhas oportunistas, capazes de pisar no pescoço da própria mãe para permanecer no poder.

    Os idiotas úteis nunca conseguem nada além de viver na ilusão dos seus mundinhos socialistas.
    Os canalhas oportunistas são os que prosperam as custas dos idiotas úteis.
  • Tomaz de Aquino   25/11/2015 14:14
    Eles estão experimentando os próprios valores nos quais votaram e acreditaram. Essa foi a promessa de Chávez não foi? Eles elegeram e reelegeram o caudilho. E agora queriam o que? Que aquilo ali virasse a Suíça? Eu só sinto pena das pessoas que desde sempre odiaram Chaves e votaram contra e hoje em dia estão passando por isso graças à maioria idiota que votou nele. Já quanto a maioria idiota que é a que está mais sofrendo nesse momento, não tenho a menor pena.
  • Marcio  25/11/2015 16:16
    Eu acredito que sistemas eleitorais são fraudulentos, é fácil a mídia em conluio com o estado esconder as verdadeiras escolhas do povo
  • Socialismo ou Liberdade, os dois não dá  25/11/2015 17:21
    O nome dessa coisa horrível que você descreveu se chama democracia. A maioria (que é sempre composta de idiotas, seja na Venezuela ou em qualquer outro país) teve o que pediu, agora todos sofrem. Se há algum ponto positivo nessa tragédia toda é que a maioria dos venezuelanos recebeu exatamente o que merecia, ou seja, recebeu justiça.

    À nós resta lamentar a sorte da minoria dos venezuelanos e torcer para que nosso destino nos próximos anos não seja tão ruim quanto o deles (embora eu ache sim que será).
  • Leonardo De Oliveira Riani  25/11/2015 14:15
    Ter saído de lá foi a melhor coisa que fiz na vida...mesmo que tenha sido para vir para o Brasil. Não da para escrever sobre como é a vida na Venezuela. A realidade e o dia a dia é bem pior. Sofro por meus amigos e familiares que ainda estão lá, num verdadeiro inferno na Terra
  • Fernando  25/11/2015 14:45
    Leonardo, sua definição do socialismo foi perfeira ! Socialismo é o inferno na terra !

  • Viking  25/11/2015 15:22
    você devia fazer um texto para o pessoal publicar aqui sobre como é a vida lá, visto por um venezuelano.
  • jackson  25/11/2015 14:36
    eu me impressiono é como os venezuelanos nao fogem de la assim como os sirios fogem de sua terra

    pois o que eles estao vivendo é uma verdadeira guerra.
  • Saraiva  25/11/2015 15:48
    Jackson,

    Muitas pessoas acabam não fugindo porque não tem oportunidade para isso. Algumas são idosas, outras não tem dinheiro, ou tem medo. Alguns inclusive acreditam no que o governo diz.

    Eu acredito que um misto de esperança no futuro e falta de percepção do risco futuro faz com que estas pessoas não fujam. É diferente de uma zona de conflito armado com pessoas sendo executadas. Ninguém acredita que vai morrer de fome ou na miséria como na Venezuela, mas todos entendem que serão massacrados como na Siria.
  • Marcelo Gois Matos  25/11/2015 14:44
    Minhas condolências a população não Bolivariana da Venezuela que está sofrendo na pele esta experiência comunista na América Latina. Espero não termos que chegar a esse ponto para que a nossa população expulse o discurso populista esquerdista dessas praias e que possamos limpar o estrago já efetuado em boas economia pelos membros da atual cleptocracia.
  • Guilherme Comes   25/11/2015 14:45
    Engraçado já caiu o muro de Berlim a 30 anos e sempre aparece esquerdismos novos. Esse "socialismo do séc XXI" é tão lixo quanto os outros, e falhou assim como o do Séc XXII vai falhar.
  • Lel  25/11/2015 15:13
    Não importa a contagem de corpos e quantos fracassos acontecerem, esquerdistas nunca desistem. São doentes mentais.
  • pedro  25/11/2015 14:47
    gostaria de um artigo sobre como proteger nosso dinheiro
    com escleracimentos sobre a proteção por meio do ouro e do bitcoin assim como seus riscos
    desde ja agradeço
  • Saraiva  25/11/2015 16:01
    Pedro,

    Investir em ouro como proteção é válido quando você acredita que as moedas vão perder valor no mundo inteiro. Por exemplo, se você acredita que o Real, o Euro, o Dólar e outras moedas vão afundar, seja por uma crise mundial ou por qualquer outra coisa, então ouro é atrativo.

    A forma de mais simples de se comprar ouro é comprar contratos de ouro spot através de corretoras. A negociação na BMF é feita em lotes de 250g de ouro, com valor atual aproximado de 128 Reais/grama (32 mil por contrato).

    Mas tenha atenção para o fato de que investir em contratos de ouro não há rendimento de juros.

    Aqui segue um folheto da BMF ensinando a investir em ouro spot.
    www.bmfbovespa.com.br/pt-br/a-bmfbovespa/download/Folheto-Ouro.pdf



    Sobre bitcoin como investimento de proteção (hedge), não aconselho muito. Investir nas bitcoins é como comprar dólar, mas ainda não são estáveis e podem perder seu valor rapidamente. Além disso você não tem onde investir pra render juros. São um investimento de altíssimo risco, não devem ser usados de maneira nenhuma para proteção, apenas especulação por enquanto (eu mesmo comprei um pouco de bitcoins. Os valores explodiram, eu vendi o equivalente ao que investi e o restante deixei lá pra especular. Desse pedaço que ficou, até agora só perdi).

    Abraços
  • anônimo  25/11/2015 14:47
    Após lerem esse artigo, lembrem-se disso:

    https://www.youtube.com/watch?v=ZlOUE6yB6Jg

    e disso também:

    https://www.youtube.com/watch?v=eSyFwbtwVaA

    ou disso

    https://www.youtube.com/watch?v=zIzRAvXP1dE

    Burrice ou maldade???
  • Partidario da Causa Operaria  26/11/2015 13:35
    No primeiro é burrice. No segundo é maldade. E no terceiro é maldade.
  • FL  25/11/2015 14:58
    Só para lembrar (e tentar não vomitar)

    https://www.youtube.com/watch?v=ZlOUE6yB6Jg
  • Andre  25/11/2015 15:03
    Não entendo como uma população inteira pode se subjugar a pessoas/decisões que claramente são terríveis para o país... o que explica tamanho descalabro? A passividade/falta de inteligência média dos venezuelanos, a eficiência desse governo imbecil na implantação de políticas burras ou ambos?
    Também me pergunto se Maduro e equipe absurdamente acreditam que estão fazendo bem ao seu país (apesar de todas evidências contrárias) e principalmente: que medidas poderiam ser tomadas pela população e/ou outros países para reverter essa situação?
  • Guilherme  25/11/2015 15:52
    Sim eles acreditam. Há alguma dúvida sobre isso?
  • cmr  25/11/2015 17:33
    Você acha que o Maduro, Lula, Castro, Morales, Chavéz, Kirchner, etc... São pessoas bem intencionadas ?.

    Eu tenho certeza empírica que eles não passam de lixo humano da pior espécie.
  • Pedro Tavares  25/11/2015 15:19
    Uma palavra: Socialismo.
  • Batista  25/11/2015 15:33
    O povo lá está praticando o famoso: "vender o almoço pra comprar a janta".

    Surgem algumas dúvidas:

    Por quê esse povo ainda está nesse país?

    Quantos dos cidadãos de lá já se alertaram de que a situação não é culpa do exterior, do "grande capital", do imperialismo, mas tão somente por problemas internos?

    Quantos já saíram ou cogitaram sair do país?

    O que estão esperando? Fecharem as fronteiras e impedir a fuga, a exemplo de um país no qual seus governantes se espelham e idolatram?

    Certamente, alguns - não muitos - cidadãos venezuelanos devem estar cogitando ou já saíram. A exemplo do que aconteceu com a antiga Jerusalém, antes da invasão por parte do antigo Império Romano, muitos cidadãos fugiram antes; agora, uma janela de decisão ainda permanece aberta. Só não se sabe até quando.
  • lisp  25/11/2015 18:31
    fugir ou não, não é questão exclusiva de inteligência.
    é decisão definitiva, q implica em abandono de patrimonio de uma vida inteira, em abandono de familiares, em questao de saúde / idade / qualificação de quem vai, etc.
    basta lembrar que 6 milhões de integrantes de um dos povos mais inteligentes e preparados da Terra pereceram, embora tenham tido pelo menos 6 anos de fronteira aberta, com um governo de repressão explícita e contínua, pior que a dos venezuelanos.
    einstein fugiu, mas muitos outros gênios não foram "espertos" o suficiente para fazê-lo.
    -
  • Anarcofobico  25/11/2015 19:39
    A resposta, Sr. Batista, é que não há motivos para sair. Para que fugir se estão vivendo o poder do povo? Se agora o povo é quem manda e decide?
  • Batista  26/11/2015 13:25
    Agora sim, explicado!

    O polvo, digo, povo, está ditando as regras. Entende-se por "povo", meia dúzia, armada até os dentes, vestidas com camisas vermelhas.
  • Anti-anarcofóbico  27/11/2015 21:48
    Ou você é um imbecil ou é um completo idiota. Se bem que pelo jeito, tens espaço aí pra ser os dois.
  • Nicoláz Maduro  25/11/2015 15:42
    Instituto Ludwig von Mises Venezuela? Peraí que vou estatizar essa bagaça e renomear para "Instituto Hugo Chavez"
  • Jarzembowski  25/11/2015 15:46
    Está além das minhas possibilidades intelectuais compreender como uma insanidade dessas pode persistir - como a humanidade pode ter, por muito menos, jogado tanta coisa no lixo do esquecimento, e essa ideologia genocida e demoníaca ainda perdurar.
  • Anarcofóbico  25/11/2015 17:00
    Ao ler o contento em epígrafe confesso que fui acometido de nefasta escuridão e dissabor, não pelo glorioso triunfo do povo venezuelano, mas pela confusão que atormenta a pugnação libertária.

    Imperioso descortinar que, conquanto somente repousam sua arguição sobre o que se vê, desprezam o que se não vê, ignorando o sabor da árdua vitória do socialismo e perfídia da burguesia que, agora acanhada, anela retomar seu reinado ao incitar rancor.

    Os venezuelanos triunfaram sobre o egoísmo que permeia as nações capitalistas e, libertos das amarras do papel-moeda, contemplam o poder da justiça social que só não se mostra ainda mais efetiva, dada a resiliente oposição levantada por desejos carnais como o lucro dos remanescentes, fome e papel higiênico.

    Logo alçarão mais nobre êxito ao se desprender dessa destruição da natureza, - sim, os capitalistas destroem a natureza ao fazer com que o povo compre papel higiênico - e poderão viver de luz, no mais alto escalão espiritual e desapegado.
  • Vitor  25/11/2015 19:48
    Hahahaha... "resiliente oposição levantada por desejos carnais como o lucro dos remanescentes, fome e papel higiênico" Essa foi a melhor parte, ri muito.
  • Batista  26/11/2015 13:39
    Anarco,

    Papel higiênico não é problema. Afinal, há várias soluções criativas!

    De sabugo de milho até o uso da própria mão (não se sabe de quem), o povo sempre se virou para manter a higiene.
  • Gustavo Longo  25/11/2015 18:50
    Gostaria de saber do pessoal do site ou de quem entender do assunto, se comprar ouro é um bom investimento, digamos assim se é melhor do que guardar dinheiro na poupança no BB. Não entendo muito de economia.
  • Saraiva  25/11/2015 20:01
    Gustavo Longo

    O que eu costumo dizer para meus amigos é: Se você não entende de um investimento, não invista.

    A poupança é talvez o investimento mais simples que existe. Mas hoje, com os juros e a inflação no patamar em que estão, a poupança é ruim.
    Minha sugestão é você pesquisar, como alternativa à poupança, os investimentos de renda fixa (principalmente LCI, LCA, CDB) e os títulos públicos (principalmente NTN-B, NTN-F e LFT).

    Investimentos em ouro, moedas, futuros, opções, ações, etc, demandam mais conhecimento.
  • Gustavo Longo  26/11/2015 00:27
    Então Saraiva, acho que comprar terrenos é melhor do que poupança né? seria um investimento simples tbm.
  • Viking  26/11/2015 01:07
    se comprar terrenos/imoveis fosse um investimento simples e seguro, nao haveria bolha imobiliaria.
  • Gustavo Longo  26/11/2015 04:40
    Bom, os mesmos terrenos ano passado que aqui custavam 110 mil, hoje estão 125 mil. Vários foram vendidos, na poupança esses 110 não teriam rendido esses 15 mil. Acho que aqui compensa. Cidade que cresce para todos os lados, pessoal tem bom poder aquisitivo, apesar que hoje deu uma freada com a crise.
  • Viking  26/11/2015 10:53
    existe uma diferença entre preço pedido e preço efetivo.
    mas enfim, não to aqui pra convencer ninguém.

    já existem provas monumentais da bolha imobiliária brasileira, e o tempo vai fazer os danos aparecerem.

    eu vou assistir de camarote e pagar um aluguel baratinho :)
  • Batista  26/11/2015 14:22
    Gustavo,

    Antes de pensar em investir no ramo imobiliário, é necessário fazer uma análise à luz da legislação vigente para concluir se é confiável - ou não - entrar nesse segmento.

    Antes de mais nada, é preciso entender a amplitude da expressão "função social", bem como suas aplicações explícitas e implícitas no que tange à propriedade. Esse termo, nessa frase exata, aparece 7 vezes na CF/88. "Interesse social", 6 vezes. Já a palavra "social", essa aparece simplesmente 131 vezes.

    A CF/88 possui exatos 100 Artigos; a palavra social aparece 131 vezes; logo, ela aparece mais de uma vez (1,31) por Artigo. Se isso não é evidência de influência socialista desde o início de sua elaboração, não sei mais o que possa ser.

    Vejamos a Constituição Federal, destacando algumas dessas ocorrências. Após, tire suas próprias conslusões...


    TÍTULO II
    Dos Direitos e Garantias Fundamentais
    CAPÍTULO I
    DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

    Art. 5º

    XXII - é garantido o direito de propriedade (BOM);

    XXIII - a propriedade atenderá a sua função social (OPA!);

    XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição (COMO?);

    XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano (MAS PELO VALOR DE MERCADO OU VALOR VENAL?).


    CAPÍTULO II
    DA POLÍTICA URBANA

    Art. 182:

    Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes.

    § 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.

    § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.

    § 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro.

    § 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:

    I - parcelamento ou edificação compulsórios;

    II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;

    III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.


    CAPÍTULO III
    DA POLÍTICA AGRÍCOLA E FUNDIÁRIA E DA REFORMA AGRÁRIA

    Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.

    § 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.

    § 2º O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza a União a propor a ação de desapropriação.

    § 3º Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação.

    Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:

    I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra;

    II - a propriedade produtiva.

    Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social.

    Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:

    I - aproveitamento racional e adequado;

    II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente;

    III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;

    IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
  • Metheus  25/11/2015 19:24
    Alguém poderia explicar o que é a "taxa de câmbio oficial declarada pelo governo"? O governo estipula um valor para o dólar, e o Banco Central da Venezuela vende dólares à este valor somente para alguns grupos escolhidos pelo governo?


    E sobre a questão da "moeda conversível", para uma moeda sê-la basta que o governo autorize que todas as pessoas e instituições realizem transações cambiais?
  • Leandro  25/11/2015 20:02
    "O governo estipula um valor para o dólar, e o Banco Central da Venezuela vende dólares à este valor somente para alguns grupos escolhidos pelo governo?"

    Na mosca.

    "E sobre a questão da "moeda conversível", para uma moeda sê-la basta que o governo autorize que todas as pessoas e instituições realizem transações cambiais?"

    Também, mas não só. Isso seria o básico (e nem isso a Venezuela tem).

    Conversibilidade, em termos bem práticos, é quando você tem liberdade para trocar a moeda nacional por dólares (ou outra moeda estrangeira) em qualquer banco, sem empecilhos.
    Uma moeda minimamente conversível é aquela moeda demandada por estrangeiros, que podem utilizá-la nem que seja para especular com os juros vigentes.

    Já a conversibilidade plena é quando os cidadãos, além de poderem trocar a moeda nacional por moeda estrangeira sem qualquer restrição, também pode utilizá-la para adquirir quaisquer tipos de bens ou serviços estrangeiros, incluindo imóveis, títulos, ações e contas bancárias em outros países.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  25/11/2015 21:38
    Não foi o suficiente.
  • Chega de Bolivarianismo  25/11/2015 22:24
    O Mercosul só pode existir, se considerar que as pessoas podem comprar em qualquer país da A.L., como se estivessemos comprando alguma coisa em um estado do Brasil. O Mercosul só pode exisitr, se retirarmos as tarifas de importação, desde que sejam produtos produzidos na América Latina. Isso seria o mínimo. Já as mercadorias produzidas em outros continentes, poderiam ter algum imposto de importação. Claro que eu sou a favor de não ter restrição nenhuma, mas liberar o comércio de produtos produzidos na A.L., já seria um avanço. Isso seria o Mercosul legítimo.

    Essa Venezuela deveria ser expulsa imediatamente do Mercosul.

  • Chega de Bolivarianismo  26/11/2015 10:30
    Esse Mercosul é uma piada !

    A Argentina reduziu muito as importações do Brasil, desvalorizou o peso e limitou as importações.

    A Bolívia roubou uma usina de gás da Petrobrás.

    A Venezuela não pagou sua parte na usina Abreu e Lima, desvalorizou a moeda e prendeu comerciantes.

    O Brasil não cumpre a leis de fronteiras, que permite igualdade de impostos em cidades de fronteiras. A Dilma mandou aumentar as fiscalizações nas fronteiras terrestres.

    Enfim, esse Mercosul é mais uma enganação dos bolivarianos.

    Uma moeda comum seria boa para evitar governos populistas inflacionários, mas acho dificil isso acontecer. Uma moeda única também seria bom para ter uma concorrência mais justa no Mercosul, mesmo com a liberação de outras moedas. Nesse momento é impossível ter uma moeda única, porque os bolivarianos estão sem credibilidade nenhuma.

    A América Latina está comendo o pão que o diabo amassou nas mãos dos bolivarianos. O Mercosul nunca vai acontecer enquanto não houver uma moeda comum e cancelamento das tarifas e cotas de importações de produtos made im A.L. A intenção da esquerda é só a igualdade e não tem a mínima intenção de criar uma área de livre comércio na américa.

    É um absurdo a Venezuela ainda estar no Mercosul. A intenção da esquerda sempre foi a igualdade e nunca foi a redução da pobreza.
  • Miserável Venezuelano  26/11/2015 12:20
    Hombre, não dedica tanto medo para o Mercosul. Ele assina nosso passaporte de fuga daqui.
  • anônimo  25/11/2015 23:08
    Isso para mim reforça a importância da internacionalização. Venezuelanos que já tinham um segundo passaporte, conta bancária fora do país etc antes desse descalabro começar, conseguiram se preservar e escapar.

    Se você só tem uma nacionalidade, nunca viveu fora do seu país de nascimento e todo o seu patrimônio se encontra na mesma jurisdição, você é total refém daquele governo.
  • anônimo  26/11/2015 05:42
    a dilma olha pra venezuela:
    "nossa, parece mto legal o ta rolando la, vamos experimentar tb!!"
    e tome estado nas costas dos cidadaos...
    esse maduro ai ja apodreceu faz tempo, mas pelo jeito nao vai cair
  • Aprendendo  26/11/2015 20:08
    "o estado venezuelano passou a redistribuir riqueza que ele não produz".

    Li, nos comentários de outros artigos, de que o Estado não produz, basicamente o que está itálico acima. Esta parte que não entendi direito, como fica as estatais como Petrobrás e Caixa Econômica elas não produzem para o Estado?
  • Hugo  26/11/2015 22:44
    Não, não há como o estado criar riqueza. Por definição.

    O estado financia confiscando a riqueza alheia. Não há como eu confiscar a riqueza alheia e ainda criar mais riqueza. Na mais otimista das hipóteses, eu consigo recriar a riqueza que destruí. Mas não dá para aumentar a riqueza geral.

    Uma coisa é eu captar dinheiro voluntariamente para investi-lo em projetos. Nesse caso, pessoas voluntariamente me deram o dinheiro delas, e estão cobrando retorno.

    Já no estado, ele confisca a riqueza das pessoas (sem o consentimento destas) e o direciona para projetos de conveniência política. Impossível criar riqueza assim.

    Eis dois artigos específicos sobre o assunto (o primeiro, mais sucinto; o segundo, mais completo):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1378

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1025
  • Batista  27/11/2015 12:34
    Hugo e Aprendendo,

    De certa forma, podemos entender que as estatais trabalham para o Estado, geram lucro (quando esse acontece, é claro!) e parte desse lucro vai para o Tesouro Nacional. Outra parte vai para outros fins que ninguém sabe.

    Só que, se formos observar, as estatais - TODAS - são detentoras de monopólios. Vivem e se mantém exclusivamente disso. E se fazem ferramentas estatais de políticas públicas; ou seja, intervencionismo, criação de reserva de mercado, favorecimento de determinado setor ou empresa. Resumindo: cartelizam a economia.
  • saoPaulo  27/11/2015 00:05
    - Sr. D'Anconia, o que acha que vai acontecer com o mundo?
    - Exatamente o que ele merece.
    - Ah, mas como o senhor é cruel!
    - A senhora não acredita na lei moral, madame? – perguntou Francisco, muito sério. – Eu acredito.

    Rearden ouviu Bertram Scudder, que estava fora do grupo, dizer a uma moça que emitira algum som que traduzia indignação:

    - Não se incomode com ele. Sabe, o dinheiro é a origem de todo o mal, e ele é um produto típico do dinheiro.

    Rearden achou que Francisco não deveria ter ouvido o comentário, porém o viu se virar para eles com um sorriso muito cortês.

    Então o senhor acha que o dinheiro é a origem de todo o mal? O senhor já se perguntou qual é a origem do dinheiro? O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que pedem produtos por meio de lágrimas, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível através dos homens que produzem. É isto que o senhor considera mau? Quem aceita dinheiro como pagamento por seu esforço só o faz por saber que ele será trocado pelo produto de esforço de outrem. Não são os pidões nem os saqueadores que dão ao dinheiro o seu valor. Nem um oceano de lágrimas nem todas as armas do mundo podem transformar aqueles pedaços de papel no seu bolso no pão de que você precisa para sobreviver. Aqueles pedaços de papel, que deveriam ser ouro, são penhores de honra; por meio deles você se apropria da energia dos homens que produzem. A sua carteira afirma a esperança de que em algum lugar no mundo a seu redor existem homens que não traem aquele princípio moral que é a origem da produção? Olhe para um gerador de eletricidade e ouse dizer que ele foi criado pelo esforço muscular de criaturas irracionais. Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a plantar trigo. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos, e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na terra.

    Mas o senhor diz que o dinheiro é feito pelos fortes em detrimento dos fracos? A que força o senhor se refere? Não é à força das armas nem dos músculos. A riqueza é produto da capacidade humana de pensar. Então o dinheiro é feito pelo homem que inventa um motor em detrimento daquele que não o inventaram? O dinheiro é feito pela inteligência em detrimento dos estúpidos? Pelos capazes em detrimento dos incompetentes? Pelos ambiciosos em detrimento dos preguiçosos? O dinheiro é feito – antes de poder ser embolsado pelos pidões e pelos saqueadores – pelo esforço honesto de todo homem honesto, cada um na medida de sua capacidade. O homem honesto é aquele que sabe que não pode consumir mais do que produz. Comerciar por meio do dinheiro é o código dos homens de boa vontade. O dinheiro baseia-se no axioma de que todo homem é proprietário de sua mente e de seu trabalho. O dinheiro não permite que nenhum poder prescreva o valor do seu trabalho, senão a escolha voluntária do homem que está disposto a trocar com você o trabalho dele. O dinheiro permite que você obtenha em troca dos seus produtos e do seu trabalho aquilo que esses produtos e esse trabalho valem para os homens que os adquirem, e nada mais que isso. O dinheiro só permite os negócios em que há benefício mútuo segundo o juízo das partes voluntárias.

    O dinheiro exige o reconhecimento de que os homens precisam trabalhar em benefício próprio, e não em detrimento de si próprio; para lucrar, não para perder; de que os homens não são bestas de carga, que não nascem para arcar com o ônus da miséria; de que é preciso oferecer-lhes valores, não dores; de que o vínculo comum entre os homens não é a troca de sofrimento, mas a troca de bens. O dinheiro exige que o senhor venda não a sua fraqueza à estupidez humana, mas o seu talento à razão humana; exige que o senhor compre não o pior que os outros oferecem, mas o melhor que o seu dinheiro pode comprar. E, quando os homens vivem do comércio – com a razão e não à força, como árbitro irrecorrível –, é o melhor produto que sai vencendo, o melhor desempenho, o homem de melhor juízo e maior capacidade – e o grau da produtividade de um homem é o grau de sua recompensa. Este é o código da existência cujo instrumento e símbolo é o dinheiro. É isto que o senhor considera mau?

    Mas o dinheiro é só um instrumento. Ele pode levá-lo aonde o senhor quiser, mas não pode substituir o motorista do carro. Ele lhe dá meios de satisfazer seus desejos, mas não lhe cria desejos. O dinheiro é o flagelo dos homens que tentam inverter a lei da causalidade – os homens que tentam substituir a mente pelo seqüestro dos produtos da mente. O dinheiro não compra felicidade para o homem que não sabe o que quer; não lhe dá um código de valores se ele não tem conhecimento a respeito de valores, e não lhe dá um objetivo, se ele não escolhe uma meta. O dinheiro não compra inteligência para o estúpido, nem admiração para o covarde, nem respeito para o incompetente. O homem que tenta comprar o cérebro de quem lhe é superior para servi-lo, usando dinheiro para substituir seu juízo, termina vítima dos que lhe são inferiores. Os homens inteligentes o abandonam, mas os trapaceiros e vigaristas correm a ele, atraídos por uma lei que ele não descobriu: o homem não pode ser menor do que o dinheiro que ele possui. É por isso que o senhor considera o dinheiro mau? Só o homem que não precisa da fortuna herdada merece herdá-la – aquele que faria sua fortuna de qualquer modo, mesmo sem herança. Se um herdeiro está à altura de sua herança, ela o serve; caso contrário, ela o destrói. Mas o senhor diz que o dinheiro corrompeu. Foi mesmo? Ou foi ele que corrompeu seu dinheiro? Não inveje um herdeiro que não vale nada; a riqueza dele não é sua, e o senhor não teria tirado melhor proveito dela. Não pense que ela deveria ser distribuída; criar cinqüenta parasitas em lugar de um só não reaviva a virtude morta que criou a fortuna.

    O dinheiro é um poder vivo que morre quando se afasta de sua origem. O dinheiro não serve à mente que não está a sua altura. É por isso que o senhor o considera mau? O dinheiro é o seu meio de sobrevivência. O veredicto que o senhor dá à fonte de seu sustento é o veredicto que o senhor dá à sua própria vida. Se a fonte é corrupta, o senhor condena a sua própria existência. O seu dinheiro provém da fraude? Da exploração dos vícios e da estupidez humana? O senhor o obteve servindo aos insensatos, na esperança de que eles lhe dessem mais do que sua capacidade merece? Baixando seus padrões de exigência? Fazendo um trabalho que o senhor despreza para compradores que o senhor não respeita? Neste caso, o seu dinheiro não lhe dará um momento sequer de felicidade. Todas as coisas que o senhor adquirir serão não um tributo ao senhor, mas uma acusação; não uma realização, mas um momento de vergonha. Então o senhor dirá que o dinheiro é mau. Mau porque ele não substitui seu amor-próprio? Mau porque ele não permite que o senhor aproveite e goze sua depravação? É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? O dinheiro será sempre um efeito, e nada jamais o substituirá na posição de causa. O dinheiro é produto da virtude, mas não dá virtude nem redime vícios. O dinheiro não lhe dá o que o senhor não merece, nem em termos materiais nem em termos espirituais. É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? Ou será que o senhor disse que é o amor ao dinheiro que é a origem de todo o mal?

    Amar uma coisa é conhecer e amar a sua natureza. Amar o dinheiro é conhecer e amar o fato de que o dinheiro é criado pela melhor força que há dentro do senhor, a sua chave-mestra que lhe permite trocar o seu esforço pelo esforço dos melhores homens que há. O homem que venderia a própria alma por um tostão é o que mais alto brada que odeia o dinheiro – e ele tem bons motivos para odiá-lo. Os que amam o dinheiro estão dispostos a trabalhar para ganhá-lo. Eles sabem que são capazes de merecê-lo. Eis uma boa pista para saber o caráter dos homens: aquele que amaldiçoa o dinheiro o obtém de modo desonroso; aquele que o respeita o ganha honestamente. Fuja do homem que diz que o dinheiro é mau. Essa afirmativa é o estigma que identifica o saqueador, assim como o sino indicava o leproso. Enquanto os homens viverem juntos na terra e precisarem de um meio para negociar, se abandonarem o dinheiro, o único substituto que encontrarão será o cano do fuzil. Mas o dinheiro exige do senhor as mais elevadas virtudes, se o senhor quer ganhá-lo ou conservá-lo.

    Os homens que não têm coragem, orgulho nem amor-próprio, que não têm convicção moral de que merecem o dinheiro que têm e não estão dispostos a defendê-lo como defendem suas próprias vidas, os homens que pedem desculpas por serem ricos – esses não vão permanecer ricos por muito tempo. São presa fácil para os enxames de saqueadores que vivem debaixo das pedras durante séculos, mas que saem do esconderijo assim que farejam um homem que pede perdão pelo crime de possuir riquezas. Rapidamente eles vão livrá-lo dessa culpa. Então o senhor verá a ascensão dos homens que vivem uma vida dupla – que vivem da força, mas dependem dos que vivem do comércio para criar o valor do dinheiro que eles saqueiam. Esses homens vivem pegando carona com a virtude. Numa sociedade onde há moral eles são os criminosos, e as leis são feitas para proteger os cidadãos contra eles. Mas quando uma sociedade cria uma categoria de criminosos legítimos e saqueadores legais – homens que usam a força para se apossar da riqueza de vítimas desarmadas – então o dinheiro se transforma no vingador daqueles que o criaram. Tais saqueadores acham que não há perigo em roubar homens indefesos, depois que aprovam uma lei que os desarme. Mas o produto de seu saque acaba atraindo outros saqueadores, que os saqueiam como eles fizeram com os homens desarmados. E assim a coisa continua, vencendo sempre não o que produz mais, mas aquele que é mais implacável em sua brutalidade. Quando o padrão é a força, o assassino vence o batedor de carteiras. E então esta sociedade desaparece, em meio a ruínas e matanças.

    Quer saber se este dia se aproxima? Observe o dinheiro. O dinheiro é o barômetro da virtude de uma sociedade. Quando há comércio não por consentimento, mas por compulsão – quando para produzir é necessário pedir permissão a homens que nada produzem – quando o dinheiro flui para aqueles que não vendem produtos, mas influencia – quando os homens enriquecem mais pelo suborno e favores do que pelo trabalho, e as leis não protegem quem produz de quem rouba, mas quem rouba de quem produz – quando a corrupção é recompensada e a honestidade vira um sacrifício – pode ter certeza de que a sociedade está condenada. O dinheiro é um meio de troca tão nobre que não entra em competição com as armas e não faz concessões à brutalidade. Ele não permite que um país sobreviva se metade é propriedade, metade é produto de saques. Sempre que surgem destruidores, a primeira coisa que eles destroem é o dinheiro, pois o dinheiro protege os homens e constitui a base da existência moral. Os destruidores se apossam do ouro e deixam em troca uma pilha de papel falso. Isto destrói todos os padrões objetivos e põe os homens nas mãos de um determinador arbitrário de valores. O dinheiro era um valor objetivo, equivalente à riqueza produzida. O papel é uma hipoteca sobre riquezas inexistentes, sustentado por uma arma apontada para aqueles que têm de produzi-las. O papel é um cheque emitido por saqueadores legais sobre uma conta que não é deles: a virtude de suas vítimas. Cuidado que um dia o cheque é devolvido, com o carimbo: 'sem fundos'. Se o senhor faz do mal o meio de sobrevivência, não é de se esperar que os homens permaneçam bons. Não é de se esperar que eles continuem a seguir a moral e sacrifiquem suas vidas para proveito dos imorais. Não é de se esperar que eles produzam, quando a produção é punida e o saque é recompensado. Não pergunte quem está destruindo o mundo: é o senhor. O senhor vive no meio das maiores realizações da civilização mais produtiva do mundo e não sabe por que ela está ruindo a olhos vistos, enquanto o senhor amaldiçoa o sangue que corre pelas veias dela – o dinheiro. O senhor encara o dinheiro como os selvagens o faziam, e não sabe por que a selva está brotando nos arredores das cidades. Em toda a história, o dinheiro sempre foi roubado por saqueadores de diversos tipos, com nomes diferentes, mas cujo método sempre foi o mesmo: tomar o dinheiro à força e manter os produtores de mãos atadas, rebaixados, difamados, desonrados. Esta afirmativa de que o dinheiro é a origem do mal, que o senhor pronuncia com tanta convicção, vem do tempo em que a riqueza era produto do trabalho escravo – e os escravos repetiam os movimentos que foram descobertos pela inteligência de alguém e durante séculos não foram aperfeiçoados.

    Enquanto a produção era governada pela força, e a riqueza era obtida pela conquista, não havia muito que conquistar. No entanto, no decorrer de séculos de estagnação e fome, os homens exaltavam os saqueadores, como aristocratas da espada, aristocratas de estirpe, aristocratas da tribuna, e desprezavam os produtores, como escravos, mercadores, lojistas – industriais. Para a glória da humanidade, houve, pela primeira e única vez na história, uma nação de dinheiro – e não conheço elogio maior aos Estados Unidos do que esse, pois ele significa um país de razão, justiça, liberdade, produção, realização. Pela primeira vez, a mente humana e o dinheiro foram libertados, e não havia fortunas adquiridas pela conquista, mas só pelo trabalho, e ao invés de homens da espada e escravos, surgiu o verdadeiro criador da riqueza, o maior trabalhador, o tipo mais elevado de ser humano – o self-made man – o industrial americano. Se me perguntarem qual a maior distinção dos americanos, eu escolheria – porque ela contém todas as outras – o fato de que foram os americanos que criaram a expressão "fazer dinheiro". Nenhuma outra língua, nenhum outro povo jamais usara estas palavras antes, e sim "ganhar dinheiro"; antes, os homens sempre encaravam a riqueza como uma quantidade estática, a ser tomada, pedida, herdada, repartida, saqueada ou obtida como favor. Os americanos foram os primeiros a compreender que a riqueza tem que ser criada. A expressão 'fazer dinheiro' resume a essência da moralidade humana. Porém foi justamente por causa desta expressão que os americanos eram criticados pelas culturas apodrecidas dos continentes de saqueadores.

    O ideário dos saqueadores fez com que pessoas como o senhor passassem a encarar suas maiores realizações como um estigma vergonhoso, sua prosperidade como culpa, seus maiores filhos, os industriais, como vilões, suas magníficas fábricas como produto e propriedade do trabalho muscular, o trabalho de escravos movidos a açoites, como na construção das pirâmides do Egito. As mentes apodrecidas que dizem não ver diferença entre o poder do dólar e o poder do açoite merecem aprender a diferença na sua própria pele, que, creio eu, é o que vai acabar acontecendo. Enquanto pessoas como o senhor não descobrirem que o dinheiro é a origem de todo bem, estarão caminhando para sua própria destruição. Quando o dinheiro deixa de ser o instrumento por meio do qual os homens lidam uns com os outros, os homens se tornam os instrumentos dos homens. Sangue, açoites, armas – ou dólares. Façam sua escolha – não há outra opção – e o tempo está esgotando.

    Algumas pessoas haviam ouvido, mas agora se afastavam, e outras diziam: "é horrível!"; "Não é verdade!"; "Que egoísmo!". Falavam ao mesmo tempo alto e discretamente, como se quisessem que aqueles que estavam ao lado ouvissem, mas não Francisco.

    - Sr. D'Anconia – disse a mulher dos brincos -, não concordo com o senhor!
    - Se a senhora puder refutar uma só frase que eu disse, madame, lhe agradecerei.
    - Ah, não posso responder ao senhor. Não tenho respostas, minha mente não funciona assim, mas eu não sinto que o senhor tenha razão, portanto sei que o senhor está errado.
    - Como a senhora sabe disso?
    - Eu sinto. Não me guio pela cabeça, mas pelo coração. Sua lógica pode estar certa, mas o senhor não tem coração.
    - Minha senhora, quando as pessoas estiverem morrendo de fome ao nosso redor, seu coração não vai ajudá-las em nada. E, já que não tenho coração, eu lhe digo: quando a senhora gritar "Mas eu não sabia!", não terá perdão.
  • Partidário da Causa Operaria  27/11/2015 02:13
    "The Bolivarian Socialist Front of Older Adults of Merida State supports the revolutionary process and president Hugo Rafael Chavez Frias because he is the only president who has known how to understand the priorities and needs of this vulnerable sector of the population, as older adults are, thereby allowing for their inclusion in social security. Long live Chavez!"

    venezuelanalysis.com/images/7324
  • Ayn Rand  27/11/2015 11:53
    - Sr. D'Anconia, o que acha que vai acontecer com a Venezuela?
    - Exatamente o que ela merece.
    - Ah, mas como o senhor é cruel!
    - Parafraseando o Batman, digo que eu não fiz nada. Os venezuelanos que começaram a brincadeira, madame. – disse Francisco, muito sério. - Ele começaram, agora se f*deram.
  • Mr. Magoo  27/11/2015 21:11
    Sabía que en Venezuela asesinan a 180 PERSONAS cada semana?

    De cada 100 Homicidios detienen solo a 7 personas?

    https://pbs.twimg.com/media/CUwnAXPWoAArIv4.jpg

    10:58 - 26 de nov de 2015 no Twitter
  • Ayn Rand  03/12/2015 13:02
    Mr. Magoo, adoraria dizer que lamento imenso pelo povo venezuelano. Mas não posso, porque seria mentira. Eles pediram pelo que estão recebendo. Todavia, posso dizer que lamento pelas suas escolhas. E de fato lamento muito por elas. Mas, uma vez feitas, a realidade imporá suas conseqüências.

    Se os venezuelanos não quisessem viver nesse inferno, que repudiassem veementemente o socialismo. E se eles já estão fartos de viver nesse inferno, que passem a repudiar o socialismo então. Mas não é isso o que eu vejo. Não é só o Sr. Maduro e sua camarilha que adotam o discurso socialista, a população venezuelana também abraça essa mentalidade macabra. Enquanto perseguirem os melhores e idolatrarem os piores, apenas dor e sofrimento é que serão produzidos em quantidades necessárias para atender plenamente a todos os habitantes da Venezuela.
  • Emerson Luis  01/12/2015 17:49

    Se a experiência venezuelana não deu certo

    é por causa dos sabotadores e porque Marx foi deturpado!

    * * *
  • Udson  01/12/2015 18:44
    A " Experiência da Venezuela" não deu certo por que Comunismo é um erro e não tem como dá certo.

    Na moral,comunismo deveria ser crime! Deveria ser proibido a disseminação dos ideais comunistas, igual o que é feito com o Nazismo. Aliás, os dois possuem uma forma bem parecida de operação...
  • carvalho  31/01/2016 13:49
    socialismo nunca vai dar certo é contrario a natureza humana
  • direiteopata  02/12/2015 18:42
    Maduro e o Katchup g1.globo.com/economia/noticia/2015/12/maduro-diz-que-pode-prender-gerentes-da-heinz-por-sabotagem.html
  • Juliana  04/12/2015 20:05
    Olá!

    Essa estimativa de 700% de inflação em um ano é relativa especificamente ao setor privado? Por que em nenhum lugar se encontra esse valor, ou pelo menos não é divulgado com tanto destaque na mídia venezuelana. A maioria divulga que no acumulado do ano, atualmente, ela estaria entre 200% e 300%. A princípio, pensei que de alguma forma a inflação nominal "mascarasse" a inflação real em um ambiente de desvalorização cambial. Sendo assim, enquanto para os venezuelanos estivesse parecendo que os preços subiram, vamos supor, "apenas" uns 250% no ano (o que provavelmente já seria o suficiente para estar de acordo com o estrago que tem se desenhado), o aumento real seria de aproximadamente 700% no período, considerando a variação cambial. Mas, aí eu lembrei que o governo — além do controle de preços — também tem lá os seus preços administrados, então talvez a média no final justificasse o resultado nas pesquisas locais. Acho que é uma explicação aceitável...

    E que baita artigo esse. Muito bom (e forte) mesmo, principalmente quando visto meticulosamente, e depois voltando a lembrar do título. Depois de lê-lo, fica difícil admitir o uso da expressão "justiça social" (e seus afins) para justificar determinadas atitudes. Parabéns!

    Abraços!
  • Leandro  04/12/2015 20:32
    Para economias altamente estatizadas, a desvalorização de uma moeda no mercado paralelo — que é o único verdadeiro livre mercado operando nessas economias — é o mensurador que melhor estima o real valor dessa moeda. O princípio da paridade do poder de compra (PPP), o qual vincula alterações na taxa de câmbio a alterações nos preços, permite estimativas confiáveis para a inflação de preços.

    Quem faz a coleta dos dados do câmbio paralelo, bem como o cálculo da inflação de preços real, é o professor Steve Hanke, da Johns Hopkins University.

    P.S.: lembrando que o governo Venezuelano parou de divulgar os dados da inflação em dezembro de 2014:

    www.tradingeconomics.com/venezuela/inflation-cpi
  • Juliana  07/12/2015 13:56
    Ah, Leandro, é isso mesmo. Muito bem lembrado. Mas, mesmo que o governo venezuelano não esteja divulgando dados oficiais da inflação, pensei que não fosse tão difícil fazer uma pesquisa para acompanhar a variação dos preços durante determinados períodos. A taxa de câmbio no mercado paralelo a gente encontra valores semelhantes ao do professor Steve Hanke. Mas da inflação não.

    De qualquer modo, muito obrigada por relembrar esta regra básica. Não a deixo mais passar.

    Grande abraço!
  • Garcia   05/12/2015 16:51
    O sonho do psol é fazer isso no Brasil
  • Tô com Maduro  01/02/2016 01:28
    Não. Afinal, segundo eles, isso não é o "verdadeiro socialismo".

    Quando o socialismo deles der errado, o PCdoB vai voltar a afirmar que o PSOL é um partido de direita.
  • Zé Ninguém  06/12/2015 00:33
    O Nicolas Maduro já disse em alto e bom som, que haverá guerra e morte se a revolução bolivariana for interrompida.

    Esse Maduro é um psicopata que precisa ser preso imediatamente.


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