O descalabro gerado pelo governo na economia brasileira - em 25 gráficos
À exceção da Argentina, da Venezuela e dos países que adotaram o comunismo, é difícil encontrar um país cujo governo seja tão propenso a destruir a economia como o Brasil.

Um governo excepcionalmente bom (se é que isso é possível) pode apenas não atrapalhar a economia.  Já um governo incrivelmente ruim não apenas pode esfacelar uma economia até então estável, como também pode exacerbar de maneira inacreditável um cenário econômico já complicado.

E, no quesito ruindade, o governo brasileiro tem se revelado de uma competência ímpar.

Todas as políticas da Nova Matriz Econômica — que se baseava em cinco pilares tão sólidos quanto farofa: política fiscal expansionista, juros baixos, crédito subsidiado pelos bancos estatais, câmbio desvalorizado e aumento das tarifas de importação para "estimular" a indústria nacional — já foram detalhadas em ordem cronológica neste artigo, de modo que elas não serão novamente abordadas aqui.  O objetivo único deste texto é mostrar o descalabro que este experimento heterodoxo e ultrakeynesiano nos legou.

Como arruinar um país

Ainda em setembro de 2010, antes do primeiro turno das eleições presidenciais, a então candidata Dilma Rousseff já deixava bem claro a que viria:

"O papo de ajuste fiscal é a coisa mais atrasada que tem. Não se faz ajuste fiscal porque se acha bonito. Faz porque precisa. E eu quero saber: com a inflação sob controle, com a dívida pública caindo e com a economia crescendo, vou fazer ajuste para contentar a quem? Quem ganha com isso? O povo não ganha".

[...]

Não é de hoje que Dilma Rousseff se irrita quando ouve falar em necessidade de ajuste de longo prazo da estrutura de despesas do governo, para evitar o crescimento do déficit público [...].

Não se pode dizer que ela seja incoerente e que não cumpra promessas.  Destruir as contas do governo foi exatamente o que ela fez.

Pedalando gostosamente as contas públicas e utilizando o Tesouro para ressarcir as distribuidoras de energia elétrica (as quais tiveram de pagar mais caro no mercado de energia de curto prazo após o governo ter unilateralmente revogado os contratos de concessão das empresas de geração e transmissão de energia) e para garantir, via BNDES e outros bancos estatais, empréstimos subsidiados a grandes empresas, a presidente mostrou que, ao contrário do que dizem seus críticos, ela não fez propaganda enganosa. Prometeu desajuste fiscal e cumpriu.

O gráfico abaixo mostra a evolução do déficit nominal do governo (tudo o que o governo gasta, inclusive com juros, além do que arrecada).

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Gráfico 1: evolução do déficit nominal do governo federal

Além daquele discreto aumento ocorrido a partir de 2014, vale notar que a guinada rumo ao descalabro começou, ainda que timidamente, no segundo semestre de 2011.  (O surto ocorrido pontualmente em 2009 se deveu à recessão daquele ano, que fez com que as receitas do governo caíssem).

É sempre bom ressaltar que os déficits orçamentários do governo são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, os quais são majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de dinheiro

Portanto, os déficits do governo são uma medida inerentemente inflacionária

O descalabro do gráfico acima já ajuda a entender por que a inflação de preços no Brasil não cede não obstante a forte recessão em que estamos.

O que um déficit nominal de R$ 475 bilhões isso significa em termos de PIB?  Isso:

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Gráfico 2: evolução do déficit nominal do governo federal em porcentagem do PIB

Para se ter uma ideia do que significa um déficit de 8,5% do PIB, basta dizer que o déficit orçamentário do "pródigo" governo Obama não passa de 2,5% do PIB.  E o do governo do Reino Unido é de "apenas" 5,7% do PIB.  Até mesmo os "devassos" japoneses se contentam com menos: 7,7% do PIB.

Quem é pior do que a gente?  A Venezuela, com 11,5% do PIB.

O descalabro orçamentário, obviamente, pressionou a taxa de câmbio:

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Gráfico 3: evolução do preço do dólar em reais desde o início do governo Dilma

De janeiro de 2011 até hoje, o dólar já encareceu 123,7%.  Ou, colocando de outra forma, o real já se desvalorizou 55,5% em relação ao dólar.  (E escabrosamente perante todas as outras moedas do mundo, inclusive portentos como o guarani paraguaio e o gourde haitiano).

Como consequência do descalabro orçamentário e cambial, os títulos do Tesouro brasileiro já estão pagando um "seguro contra calote" mais alto do que os títulos da Rússia.  Este seguro é conhecido pela sigla CDS (Credit Default Swap), e fica mais caro à medida que cresce o risco de um título.

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Gráfico 4: evolução dos Credit Default Swaps do Brasil (linha preta) e da Rússia (linha vermelha)

Por causa de tudo isso, uma parte dos títulos que o Tesouro põe a leilão já não está conseguindo ser vendida, pois os juros ofertados não são atrativos o bastante.  Consequentemente, os títulos que sobram são repassados ao Banco Central, que em seguida os utiliza para fazer operações compromissadas.

O montante de títulos públicos em posse do Banco Central apenas para fazer operações compromissadas corresponde a 75% da carteira do BC; em 2005, tal montante não passava de 14%. Segundo Gustavo Franco, esses títulos representam a dívida "encalhada", aquela que o governo simplesmente não consegue rolar no mercado.

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Gráfico 5: evolução dos títulos do Tesouro em posse do Banco Central

E daí?

E daí que, ainda segundo Franco, essa situação "é pior que a da Grécia; mas como a Grécia não tem um Banco Central autônomo, seu governo não tem esse privilégio de poder repassar ao seu Banco Central os títulos não-vendidos".

O fato é que há títulos do governo sendo rejeitados às taxas de juros vigentes. 

Isso explica por que, mesmo com juros aparentemente altos, o real não se valoriza perante as moedas estrangeiras.  Os investidores estrangeiros simplesmente ainda não se sentiram atraídos a comprar reais para aplicar em títulos.

Em paralelo a tudo isso, os bancos estatais — Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES — seguem descontrolados, jogando dinheiro na economia (por meio da modalidade "crédito direcionado") a juros quase sempre abaixo da própria taxa SELIC.

O gráfico abaixo mostra a expansão do crédito ocorrida no Brasil desde a criação do real. A linha azul mostra o total de crédito concedido pelos bancos privados (Itaú, Bradesco, Santander, HSBC, Citibank e outros pequenos).  A linha vermelha mostra o total de crédito concedido pelos bancos estatais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste e outros bancos públicos estaduais, como Banrisul, BRB, Banco da Amazônia, Banestes).

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Gráfico 6: evolução do crédito concedido pelos bancos estatais (linha vermelha) e privados (linha azul)

Na prática, o gráfico acima mostra a quantidade de dinheiro que os bancos (privados e estatais) jogaram na economia.

Além de comprovar que o crédito no Brasil já se encontra efetivamente estatizado — pois o volume de crédito fornecido pelos bancos estatais ultrapassou em muito o volume de crédito fornecido pelos bancos privados —, o gráfico acima também mostra que os bancos estatais — em conjunto com a desvalorização cambial e o desequilíbrio orçamentário do governo — são os principais propulsores da carestia que estamos vivenciando no Brasil. 

De 2009 até hoje, eles sozinhos já jogaram mais de R$ 1,3 trilhão na economia brasileira.  Nesse mesmo período, os bancos privados jogaram "apenas" R$ 600 bilhões.

Adicionalmente, dado que os bancos estatais são obrigados pelo governo a fornecer empréstimos subsidiados pelo Tesouro (a juros bem abaixo da SELIC; foi daí que vieram as "pedaladas") para alguns setores escolhidos pelo governo — sendo os principais o setor imobiliário (para aquisição de imóveis), o setor rural, o setor exportador e os barões do setor industrial —, a política de juros do Banco Central não afeta aquela linha vermelha.  Ela afeta apenas a linha azul. 

Ou seja, a política de juros do Banco Central atua apenas sobre o crédito livre, que é quase todo fornecido pelos bancos privados.  Quanto mais a SELIC sobe, mais o crédito dos bancos privados é asfixiado, mais a renda nominal fica estagnada e maior é o grau de estatização do crédito.  Isso significa que o combate à carestia via simples aumento da SELIC não funcionará enquanto os bancos estatais estiverem sob comando da Fazenda. 

Essa conjunção de esbórnia fiscal, desvalorização cambial e expansão do crédito estatal não podia gerar outra coisa que não uma acentuada inflação de preços.  A maior desde 2003.

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Gráfico 7: evolução do IPCA acumulado em 12 meses

Dentre os itens que mais encareceram, destaque para a energia elétrica.

Após o populismo tarifário ocorrido no final de 2012, o qual desestimulou as geradoras e transmissores, e endividou as distribuidoras, acabou-se com os repasses do Tesouro às distribuidoras.  As tarifas encareceram 80% em algumas cidades

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Gráfico 8: variação mensal (com uma média móvel de 12 meses) dos preços da energia elétrica

Paralelamente, a Petrobras decidiu que já era hora de recompor seu caixa (dizimado tanto pela corrupção quanto pela política de vender gasolina a preços menores que os custos de importação), e o preço da gasolina disparou nas bombas.

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Gráfico 9: variação mensal (com uma média móvel de 12 meses) dos preços da gasolina

Para combater esse surto inflacionário, o Banco Central sobe os juros, mas com gradualismo e parcimônia. 

Em vez de seguir os exemplos históricos bem sucedidos — como os dos EUA e do Canadá da década de 1980, da Nova Zelândia da década de 1990, e do próprio Brasil em 2003 —, que é subir os juros de uma só vez e em grande escala — o que ao menos geraria um choque de expectativas —, o BC opta por adotar o gradualismo, subindo os juros de maneira lenta e parcimoniosa, com aumentos tímidos de 0,5 ponto percentual por reunião, fazendo com que não haja nenhuma alteração nas expectativas dos agentes formadores de preço.

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Gráfico 10: evolução da taxa básica de juros

O atual processo de subida lenta e gradual dos juros — que fez com que os juros praticamente dobrassem em dois anos e meio — foi o suficiente pra gerar uma recessão mas ainda não foi o suficiente pra debelar a carestia.  Para se debelar carestia com juros, a subida nos juros tem de ser forte e de uma vez só. 

Ao se fazer isso, ao dar essa pancada forte nos juros, consegue-se, no mínimo, alterar as expectativas das pessoas em relação à inflação futura.  Os formadores de preços — dentistas, advogados, indústria, comércio — ao verem essa ação vigorosa do Banco Central, são afetados por ela, incorporam essa expectativa de que a inflação será controlada e, consequentemente, param de reajustar seus preços baseando-se nessas expectativas.

Mas como isso não ocorreu, tanto as expectativas para a inflação futura quanto os juros de longo prazo — como os juros dos títulos de 10 anos do governo — só fizeram subir.

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Gráfico 11: expectativas para a inflação

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Gráfico 12: evolução da taxa de juros dos títulos de 10 anos do governo

Os juros dos títulos de 10 anos sobem porque as expectativas para a inflação futura seguem em contínuo aumento.

Se os juros dos títulos de 10 anos só fazem crescer, isso significa que o crédito para investimentos de longo prazo também só encarece.

Como consequência, os investimentos e a formação bruta de capital fixo despencaram e voltaram a níveis de 2009.

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Gráfico 13: evolução da Formação Bruta de Capital Fixo

Mais especificamente, os investimentos se contraem há sete trimestres.

Esse encarecimento do crédito tem o efeito óbvio de restringir a concessão de crédito, o que afeta o crescimento da renda nominal.

Com a renda nominal contida, a queda nos investimentos e o contínuo aumento nos preços (gerados pelo desequilíbrio orçamentário, pela desvalorização cambial e pela expansão do crédito dos bancos estatais), era inevitável que a renda real das pessoas caísse.

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Gráfico 14: evolução da renda média real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada (linha vermelha) e sem carteira assinada (linha azul).

A renda real dos trabalhadores com carteira assinada retorna aos níveis de 2012.  Já a dos trabalhadores sem carteira assinada retorna a níveis de 2010.

A carestia generalizada em conjunto com a disparada dos combustíveis e da conta de luz obriga empresas, estabelecimentos comerciais e ofertantes de serviços a repassar esses custos aos seus preços.  Como consequência, vendem menos e a receita cai.

O gráfico a seguir mostra a evolução do índice do volume de vendas do varejo.

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Gráfico 15: evolução do índice do volume de vendas no varejo

O varejo, que até então crescia anualmente, recuou aos níveis de 2012.

Se o varejo vende menos, todo o setor industrial produz menos. Se as vendas das Casas Bahia diminuem e os estoques se acumulam, a primeira medida será a de diminuir a encomenda de novos estoques.  Se há geladeiras, fogões, televisões e móveis se acumulando nos armazéns das lojas, então a encomenda de novos estoques será suspensa.

Ato contínuo, os fornecedores das Casas Bahia — o setor atacadista — reduzirão suas encomendas para as indústrias.  E as indústrias, por sua vez, reduzirão sua produção. 

As indústrias de bens de consumo duráveis, por exemplo, retrocederam sua produção (para igual período do ano) aos níveis de 2004.

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Gráfico 16: evolução dos indicadores de produção das indústrias de bens de consumo duráveis

Já as indústrias de transformação retrocederam sua produção (para igual período do ano) aos níveis de 2005.

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Gráfico 17: evolução dos indicadores de produção das indústrias de transformação

O próprio consumo de energia elétrica pelas indústrias retrocedeu aos níveis de 2007.

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Gráfico 18: consumo de energia elétrica das indústrias brasileiras

A venda de caminhões pelas concessionárias dá uma boa dimensão da retração econômica do país.  Com economia em contração, há menos vendas.  Com menos vendas, há menos produção.  Com menos produção, há menos demanda por transporte de matérias-primas, equipamentos e peças de reposição.

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Gráfico 19: vendas de caminhões ao mês

Igualmente, tanto a produção quanto as vendas de automóveis desabam.

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Gráfico 20: vendas mensais de automóveis pelas concessionárias

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Gráfico 21: produção mensal de automóveis nas montadoras

Tudo isso inevitavelmente se traduziu em aumento do desemprego.

O número de pessoas empregadas no setor privado, nas seis regiões metropolitanas mensuradas pelo IBGE, retrocedeu aos níveis de 2011.

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Gráfico 22: números de pessoas (em milhares) empregadas no setor privado nas 6 regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE

Como consequência de todo esse cenário, e pela total falta de perspectiva de melhora para o futuro, a confiança dos empresários do setor industrial e dos empresários do setor de serviços é a pior de suas respectivas séries históricas.

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Gráfico 23: evolução do índice de confiança do empresário industrial

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Gráfico 24: evolução do índice de confiança do setor de serviços (série histórica começa em junho de 2008)

Já o índice de confiança do consumidor voltou aos níveis de setembro de 2001, quando do atentado terrorista ao World Trade Center.

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Gráfico 25: evolução do índice de confiança do consumidor

Conclusão

Em termos de descalabros econômicos criados por um governo, e excetuando-se os regimes comunistas e bolivarianos, você consegue pensar em algum outro governo tão desastroso quanto o atual governo brasileiro?

Vale repetir o que já foi dito em outro artigo: poucos países minimamente sérios vivenciam, de forma tão explícita e tão rotineira quanto o Brasil, as consequências das intervenções estatais em suas economias. Exatamente por isso, não deixa de ser curioso que, justamente o país em que os resultados nefastos das intervenções do governo na economia são os mais visíveis, é também aquele que possui uma das populações que mais adoram o estado.


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


Olá xará!obrigado pela resposta.

Então,do avião eu entendo.Mas eu vejo o conflito na questão dos consumidores assumirem o risco,a liberdade gera responsabilidades.Só que o problema é ate onde é um ''crime'' e ate onde é a responsabilidade de cada um.No caso do avião,a falta de manutenção ocasionar em um acidente pode ser considerado crime,mas e se o consumidor era consciente disso?
É ai a questão que você me disse,o contrato não prevalece em relação a vida.A grande questão aqui é, até quando a morte do consumidor pode ser ocasionada pelo seu próprio risco e responsabilidade ou por um ''crime'' do empresario.Entende?
Mas enfim,é um tema polemico e gostaria de ver a galera debatendo aqui.

Coisas implícitas é quando você usufruiu de um bem ou serviço ''rápido'', sem que haja um contrato, certas coisas são implícitas por serem tão obvias e consequentemente subentendidas por qualquer um.
Se eu comprar um carro,é subentendido que o mesmo não vai explodir na primeira partida.
Se eu comprar um navio,é implícito que o mesmo não vai pegar fogo e naufragar nas suas primeiras milhas.
Mas há uma diferença: Os exemplos que eu citei, há um contrato assinado(comum).
Agora, ao frequentar uma casa noturna por exemplo, você não assina nenhum contrato, mas é implícito que a casa noturna não vai desmoronar e muito menos pegar fogo, como foi o caso de Santa Maria.Por isso, argumentar que não houve um contrato entre os jovens e a boate, seria uma aberração pois diante o acontecimento, era implícito que tal fatalidade não poderia ocorrer.Entende mais ou menos?
Não tenho duvidas de que infelizmente, tais jovens detêm uma parcela de ''culpa'', por não serem responsáveis de frequentar uma casa noturna naquelas condições.Entendo perfeitamente também que, os incentivos de mercado garantiriam a segurança e não um alvará estatal.O ponto aqui não é esse!Só um exemplo...
Outro exemplo de implícito,é você ir a um restaurante, é implícito que a comida não virá estragada ou contaminada, logo é um contrato implícito que o restaurante não vai ti vender veneno...Entende?
Se eu for na banca comprar um jornal ou revista, é implícito que o vendedor não irá me vender algo com uma tinta toxica,ao menos que tenha um aviso prévio e um consentimento da minha parte(um contrato).

E sobre venda do ''ponto'',o que achas?

Abraços!

Séries Temporais do Banco Central. Vá a www.bcb.gov.br/?serietemp, e então clique em "Acesso ao Sistema de Séries temporais", e aí, na coluna da esquerda, onde está escrito "Por código", apenas digite o número do código de cada gráfico do artigo (o número está na parte inferior esquerda de cada gráfico).
Friddi. Eu discordo de sua afirmação: "2o O plano Morgenthau poderia ter ajudado caso que Alemanha não teria perdido seus territorios no leste (o que é hoje parte de Polonia e Russia; Silesia, Prussia leste e Oeste)."

Até o final do século XVIII a Polônia fazia da Comunidade Polaca-Lituana, independente. Entre os anos de 1792 e 1795 esta comunidade foi dissolvida na marra pelos Império Russo, pelo Reino da Prussia e pelo Império Austriaco dos Habsburgos, que a dividiram entre os três no que foi chamado de "Tripartição da Polônia".


Esta partição criou uma grande emigração de poloneses para outros paises da Europa.

A Polônia só recuperou sua independência quando os impérios alemão e austro-húngaros foram derrotados na Primeira Guerra Mundial.

Com o advento da Segunda Guerra Mundial, Hitler e Stalin dividiram novamente a Polônia, ficando a parte ocidental para a Alemanha nazista e a oriental para a URSS.

Ao final da Segunda Guerra novamente a Polônia foi libertada.

Inclusive, áreas atuais do leste da Alemanha, pré-historicamente eram habitados por povos eslavos e não germânicos (originários da região ocidental da atual Alemanha e países nórdicos (Dinamarca e etc.), como já demonstrado por descoberta arqueológicas realizados na atual Alemanha por alemães

Assim sendo, a Alemanha não perdeu terreno para a Polônia mas recuperou pois eram territórios pré-historicamente e historicamente eslavos, e que desde a pré-história habitavam inclusive terrritório que hoje pertence a Alemanha e não o contrário.

O vale do Rio Elba (nasce na República Tcheca, corta o leste da Alemanha, a oeste de Berlim, e desagua no Mar Báltico era habitado na idade média por povos eslavos, osSlowianie polabscy.

PS:
1) Sou descendente de alemães por parte de mãe: meus avós maternos vieram ao Brasil no entre-guerras. Tenho muitos primos na Alemanha;
2) de poloneses por parte de pai: meus quatro bisavôs paternos eram eslavos, nasceram, cresceram, casaram numa pequena comunidade situada a cerca de 50 km a leste da Alemanha.
Os quatro só falavam polonês, tinham feições e raizes eslavas e se consideravam poloneses, não prussianos. Mas, ao virem ao Brasil na segunda metade do século XIX vieram com passaportes prussianos, o passaporte dos dominantes da Polônia à época.

Aliás, por conta disto não consegui a nacionalidade polonesa pois quando a Primeira Guerra acabou meus bisavôs já haviam morrido e, portanto, não trocaram seus documentos de prussianos para poloneses.

Algumas fontes:

-
https://global.britannica.com/event/Partitions-of-Poland

- Norman Davies, God's Playground: A History of Poland in Two Volumes, Oxford University Press, 2005, ISBN 0-19-925339-0

- Bideleux, Robert; Jeffries, Ian (1998). A History of Eastern Europe: Crisis and Change. Routledge. p. 156

- Batt, Judy; Wolczuk, Kataryna (2002). Region, State and Identity in Central and Eastern Europe. Routledge. p. 153

Estudos sobre a presença de povos eslavos na atual Alemanha, escritos por alemães:

- The Archeology of Medieval Germany, by Günther P. Fehring :
https://books.google.com.br/books?id=7RMcBQAAQBAJ&pg=PA196&lpg=PA196&dq=slavic+settlement+Germany&source=bl&ots=DnBMN4Yl37&sig=oS9F03wUrlqh54GxzF-aZV58at0&hl=en&sa=X&ved=0ahUKEwjWr7-k2LXPAhVLCpAKHd_OB8AQ6AEIbzAQ#v=onepage&q=slavic%20settlement%20Germany&f=false


- Herrmann, Joachim (1970). Die Slawen in Deutschland (in German). Berlin: Akademie-Verlag GmbH
Boa noite xará! Grandes questões tem levantado...

Penso que independente de cláusula, morte e ferimentos sempre estarão cobertos pois trata-se de integridade física. Qualquer um que fere a integridade de outro está cometendo crime.
A ocorrência de morte ou ferimentos não exclui a aplicabilidade das normas contratuais, por consequência essas poderão ser cobradas perante o tribunal.

Quanto ao avião. Sim, o proprietário assume riscos. Seus passageiros também. Em uma economia de livre mercado, se tal empresa utilizasse dessa vantagem competitiva de maneira transparente, ela certamente teria consequência de morte com o acidente. Mas no caso que você citou (falta de manutenção), não é necessário nem mesmo que a empresa ofereça serviços em aeronaves inseguras e precárias. Caso uma empresa que ofereça serviços excelentes, em aviões de última geração, deixe de fazer manutenção na aeronave, e isso fique comprovado no tribunal, ela também deveria ser responsabilizada civil e penalmente (morte e ferimentos). Entendo que a empresa seria responsabilizada civil e penalmente, com direito de regresso contra o funcionário se este agiu com a intenção ou se agiu descumprindo as normas da empresa.

Essas questões que parecem coisa de crianças lotam os tribunais no dia hoje. É só uma das formas de entregar as coisas do dia a dia para o Estado cuidar. No caso da fumaça, a melhor saída seria uma boa conversa com o vizinho. Se isso não resolver, você que feche sua casa ou mude de casa. Querer regular, de qualquer forma, o hábito do sujeito viver dentro de sua própria casa, ao meu ver, destrói todos os valores liberais.

Ponto: valor subjetivo, utilidade marginal. Pede quem tem, paga quem quer e pode.

Ainda não consegui compreender o "coisas implícitas"...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Matias  10/11/2015 13:18
    Se ainda não somos um regime bolivariano pelo menos somos os pais de uns quantos...
  • FL  10/11/2015 13:24
    Leandro, como sempre, mitando nos artigos!
  • Fernando  10/11/2015 13:27
    É possível que o BC aumente a SELIC ou ele está pressionado politicamente e pode ocorrer até de baixá-la?
    Estou torcendo para que aumentem a SELIC pois eu gosto de ver meus rendimentos no Tesouro Direto sempre crescendo
  • Flavio  10/11/2015 14:55
    Ou vc só tem LFT ou não sabe o que é marcação a mercado.
  • Fernando  10/11/2015 15:00
    Sim, 100% em LFT 2017 e 2021
  • Vinicius  10/11/2015 19:34
    BitCoin tá valorizando increvelmente mais que o tesouro direto. Dólar também. Euro Também.

    Acho que o Guarani Paraguaio também. Aliás, se você comprar e estocar gasolina (sem ser preso pelo governo) também deve ter um retorno melhor que o tesouro direto.

    Ou então talvez seja a hora de começar a estocar papel higiênico para poder revender a preços maiores daqui uns dias...
  • Amauri  10/11/2015 13:37
    E se tudo isto foi planejado para resultar em tudo o que esta ocorrendo?
  • Leopoldo Salviano  10/11/2015 13:47
    Não dá pra esquecer que a penúltima fase da "Teoria da Subversão" é a fase do caos econômico. Após, a tomada do poder!
  • anônimo  10/11/2015 13:59
    Tem-se a impressão clara de que foi proposital tamanha a imensidão do rombo.
  • Rhyan  10/11/2015 14:37
    Foi proposital, o PT quis afundar o PT. Esse pessoal do hospício que vem comentar aqui é foda.
  • Nayhr  29/01/2016 01:19
    Caramba, como esse Rhyan é ignorante. Acha que economia é o único fator que existe num projeto de poder.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  10/11/2015 14:15
    De certa maneira, é proposital sim. A própria concepção de sociedade e economia do socialismo (no caso, do tipo Fabiano), quando aplicada, leva a isso (estatização e concentração de poder e riqueza).

    A duração dos estágios da teoria da subversão, aplicados ao Brasil, precisa ser dobrada:

    1) a desmoralização levou ao menos 40 anos;
    2) a desestabilização, 10 anos; e
    3) a crise levará, no mínimo, de 1-2 anos.





  • FL  10/11/2015 19:51
    Mesmo que não tenha sido proposital, acho que teremos consequências ainda piores.

    Explico:


    Surfaram numa onda favorável e, ao invés de solidificar a situação, fizeram tudo o que fizeram... e ainda possuem apoio de alguns setores/pessoas (leia-se: aqueles beneficiados de qualquer maneira que não querem perder a boquinha)

    O próximo governo, seja qual for, vai pegar uma terra devastada, que vai exigir enormes sacrifícios para ser arrumada, entre os quais, todas as mamatas disfarçadas de direitos.

    O povão vai chorar pela volta dos santos socialistas, pq a "vida era muito melhor" antes, do que no período de ajuste.

    Eleição, o barbudo volta democraticamente.

    Recomeça o ciclo.


    Já é mais ou menos o que aconteceu com a Grécia, Argentina... e parece que é o que acaba de acontecer com Portugal, com o partido comunista assumindo o governo.
  • Luiz Silva  10/11/2015 20:12
    Foi planejado, tá dando muito certo pra esquerda em geral, estatistas, fabianos, etc, pro PT, especificamente, deu errado em detalhes, pois os estrategistas do partido esperavam ter mais controle sobre a PF, o judiciário, e a imprensa principalmente (Rede Globo).
  • Rodrigo Pereira Herrmann  10/11/2015 13:41
    Muito bom!

    E o déficit já caminha pra os 10,0% pib!

    Gosto da ênfase no aspecto inflacionário do déficit público ("inerentemente inflacionário"), que tanto a imprensa quanto o próprio Bacen parecem não compreender:

    Déficit = emissão de dívida = bancos girando essa dívida junto ao bacen (e vice-versa) = criação de moeda/base monetária = inflação (em última instância).

    daí a conclusão de que a inflação permanecerá alta (apesar de o bacen jurar que não), assim como os juros e a penúria fiscal.

  • Alexandre  10/11/2015 13:47
    Imagino o caos generalizado que teremos se o maluco do Ciro Gomes, ou o larápio do Aécio, ou então a desmiolada da Marina vençam a eleição para presidente em 2018?

    O jeito é esperar (pelo visto sentado) que o Partido Novo ganhe corpo na política nacional, para que, de fato, os ideais libertários comecem a mudar a mentalidade dos brasileiros, que ainda tanto desejam (miopemente) as "benesses" do estado.
  • Matias  10/11/2015 14:03
    Sei que a maioria aqui tem pavor dele, mas hoje, a única pessoa com coragem suficiente pra abrir a infinidade de "caixas pretas" existentes em Brasília é o Jair Bolsonaro. Quem mais vai ter peito pra acabar com o financiamento das ONGs pelegas, os braços armados do PT (MST, MTST, CUT) e um exército de cargos comissionados? Será quase uma guerra civil. Um presidente frouxo renuncia em 3 dias.
  • Taxidermista  10/11/2015 14:06
    "Imagino o caos generalizado que teremos se o maluco do Ciro Gomes, ou o larápio do Aécio, ou então a desmiolada da Marina vençam a eleição para presidente em 2018?"

    Com tal frase, você está afirmando que não temos "caos generalizado" atualmente? Se é isso o que você está afirmando, seria bom ler o artigo novamente.


    "O jeito é esperar (pelo visto sentado) que o Partido Novo ganhe corpo na política nacional, para que, de fato, os ideais libertários comecem a mudar a mentalidade dos brasileiros."

    Esperemos sentados mesmo, pq o Partido Novo, ao contrário do que você afirma, não tem quaisquer "ideais libertários".
  • Alexandre  10/11/2015 14:39
    Taxidermista,

    Em países como Venezuela, Síria, Cuba, Gana, Níger, Angola, Congo, Guiné, Eritreia... existe, de fato, um caos generalizado. - Ainda não chegamos a tanto.

    Leia todo o site do Partido Novo para melhor compreensão.
  • Taxidermista  10/11/2015 16:43
    Caro Alexandre:

    Primeiro você disse isso:
    "Imagino o caos generalizado que teremos se o maluco do Ciro Gomes, ou o larápio do Aécio, ou então a desmiolada da Marina vençam a eleição para presidente em 2018".

    Depois disse isso:

    "Em países como Venezuela, Síria, Cuba, Gana, Níger, Angola, Congo, Guiné, Eritreia... existe, de fato, um caos generalizado. - Ainda não chegamos a tanto."

    Logo, para você, estaremos na situação de "Venezuela, Síria, Cuba, Gana, Níger, Angola, Congo, Guiné, Eritreia..." apenas "se o maluco do Ciro Gomes, ou o larápio do Aécio, ou então a desmiolada da Marina".

    Destarte, segundo você, ainda não estaríamos num caos generalizado, mas passaríamos a estar apenas na hipótese de algum dos citados se tornar governante do país. Não estou defendendo essas pessoas que você cita (muito pelo contrário), mas não faz sentido essas suas colocações, ou, quando menos, você parece esquecer quem são os demagogos populistas atualmente no poder, e ainda dá por suposto que esses demagogos estarão fora da próxima disputa eleitoral, algo que também não faz sentido.


    Outrossim, após eu te falar que o Partido Novo, ao contrário do que você afirmou, não tem quaisquer "ideais libertários", você me diz para "ler" todo o site do Partido Novo para "melhor compreensão"?

    Acho que quem precisa ler o site do Partido Novo é você; ou, então, você precisa rememorar o que significam os "ideais libertários", pq você deve ter esquecido isso. Volto a repetir: o Partido Novo NÃO TEM "ideais libertários". Não confunda posturas liberais (para alguns assuntos) com "ideais libertários", por favor.


  • Vinicius  10/11/2015 19:42
    Você já está parecendo os socialistas de hoje falando que nunca houve um governo "socialista de verdade".

    Cai numa grande falácia aí.

    E, mesmo que o Partido Novo não siga os "ideais libertários de verdade (by Taxidermista)", isso faz com que não seja uma opção aos outros partidos? Fica parecendo que você prefere que o PT siga no poder com o Lula ou algo assim (o que não pode ser verdade).

    Temos que pensar em termos graduais, senão ficaremos iguais as pessoas que não querem o impeachment da Dilma porque "não vai resolver todos os problemas".

    É óbvio que não vai.

    Soluções fáceis e mágicas são o produto de venda dos marketeiros do governo, e não da realidade. Não caia nessa.
  • Taxidermista  10/11/2015 21:35

    Vinicius disse: "Você já está parecendo os socialistas de hoje falando que nunca houve um governo socialista de verdade. Cai numa grande falácia aí."

    Que falácia, meu amigo? Em que momento eu disse algo como "nunca tivemos um libertarianismo (ou mesmo liberalismo) de verdade" que legitimasse essa sua analogia esdrúxula? Você está 'enxergando cabelo em ovo'.


    Vinicius disse: "E, mesmo que o Partido Novo não siga os ideais libertários de verdade (by Taxidermista), isso faz com que não seja uma opção aos outros partidos?"

    Colocação delirante. Eu apenas disse que o Partido Novo não tem o libertarianismo como filosofia política subjacente. Apenas isso. Em momento nenhum adentrei no mérito das posições do Partido, muito menos fiz qualquer consideração comparativa (com os demais partidos), tampouco dei a entender que ele não seria uma opção melhor (ou menos pior) aos partidos estatistas existentes.


    Vinicius disse: "Fica parecendo que você prefere que o PT siga no poder com o Lula ou algo assim (o que não pode ser verdade)."

    Pura paranoia sua. De novo: eu apenas disse que o Partido Novo não tem o libertarianismo como filosofia política subjacente, e o fiz justamente pq um leitor havia dito que o Partido Novo teria "ideais libertários".


    Vinicius disse: "Temos que pensar em termos graduais, senão ficaremos iguais as pessoas que não querem o impeachment da Dilma porque não vai resolver todos os problemas. É óbvio que não vai."

    Você estabeleceu um monólogo, amigo. Uma vez mais, eu apenas disse que o Partido Novo não tem o libertarianismo como filosofia política subjacente, em resposta a outro leitor.


    Vinicius disse: "Soluções fáceis e mágicas são o produto de venda dos marketeiros do governo, e não da realidade. Não caia nessa."

    Vinicius, não caia nessa de colocar palavras na boca de outra pessoa, mormente para destilar clichês. Você passou a falar de algo que nada tem a ver com o que eu disse.
  • Pedro POA  10/11/2015 17:18
    "Esperemos sentados mesmo, pq o Partido Novo, ao contrário do que você afirma, não tem quaisquer "ideais libertários"".

    Pq?
  • Taxidermista  10/11/2015 18:13
    Como assim "pq?" o Partido Novo não tem ideais libertários?

    Simples: pq o Partido Novo não tem ideias libertários.

    Entendeu? Eu repito: o Partido Novo não tem ideais libertários.

    Quer entender melhor?

    Leia esse artigo desse site:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1034

    Ou, então, leia a entrevista do próprio fundador do Partido Novo: novo.org.br/downloads/Veja2400_JoaoAmoedo.pdf.

    Duas frases do cidadão a título de exemplo para você:
    "É difícil definir o Novo: liberal, direita, esquerda; temos valores de todos os lados";
    "O senhor é contra o Bolsa-Família? Não sou, do ponto de vista custo-benefício, esse é o melhor programa do Estado".

    E aí, entendeu agora pq o Partido Novo não tem "ideais libertários"?
  • Vinicius  10/11/2015 19:46
    Bolsa-família é, do ponto de vista de programas de Estado (quando este não pode deixar de existir do dia pra noite) é o melhor mesmo.

    É dar dinheiro direto ao cidadão, assumindo que, como governo, eles não tem a competência de ficar cuidando de distribuir comida.

    "Toma o dinheiro e o mercado privado que resolva como fazer chegar na sua mesa".

    E, do ponto de vista de objetivos, se ele falar que vai extinguir o bolsa-família no dia 1º de janeiro, melhor nem se candidatar. Mesmo que ele o vá fazer, se ele disser isso é o mesmo que assinar o atestado de morte no Brasil. Não temos cultura o suficiente pra isso e, para poder termos a cultura pra isso, vamos precisar ir gradualmente.

    Não queira soluções mágicas e imediatas, elas não existem. Temos que dar passos em direção à solução, soluções mágicas na canetada só existem nas propagadas do governo (de qualquer governo).
  • Taxidermista  10/11/2015 22:47
    Vinicius disse: "Bolsa-família é, do ponto de vista de programas de Estado, é o melhor mesmo. É dar dinheiro direto ao cidadão, assumindo que, como governo, eles não tem a competência de ficar cuidando de distribuir comida."

    Essa é a sua opinião (e a do partido novo) - adentrando, agora, no mérito da questão -, opinião de quem acha legítimo que o Estado, sob coerção, retire a renda (fruto do trabalho) de determinadas pessoas para dar para outras pessoas. É a opinião de quem confere legitimidade ao estado assistencialista.
    A minha opinião é diametralmente contrária: eu acho que essa transferência forçada de renda viola o direito de propriedade e a liberdade individual. É algo imoral e economicamente deletério (como qualquer "programa de Estado").


    Vinicius disse: "E, do ponto de vista de objetivos, se ele falar que vai extinguir o bolsa-família no dia 1º de janeiro, melhor nem se candidatar. Mesmo que ele o vá fazer, se ele disser isso é o mesmo que assinar o atestado de morte no Brasil. Não temos cultura o suficiente pra isso e, para poder termos a cultura pra isso, vamos precisar ir gradualmente."

    Bom, quem acha (como é o seu caso) que o bolsa-família é o "melhor programa de Estado" nem precisaria fazer essa consideração "do ponto de vista de objetivos".
    Como dito, a minha opinião é a de que toda e qualquer transferência forçada de renda viola o direito de propriedade e a liberdade individual, e eu não "modulo" essa minha opinião conforme a "cultura" do país.
    Seja como for, o que eu havia feito foi mostrar - sem emitir juízo de valor - que o libertarianismo não é a filosofia subjacente ao partido novo, e os seus comentários corroboram isso, porquanto você concorda com o partido novo no sentido de que "o bolsa-família é o melhor programa de Estado".


    Vinicius disse: "Não queira soluções mágicas e imediatas, elas não existem. Temos que dar passos em direção à solução, soluções mágicas na canetada só existem nas propagadas do governo (de qualquer governo)."

    Quem falou em "querer soluções mágicas e imediatas" aqui, amigo? Conforme eu disse no comentário anterior, eu simplesmente havia dito que o libertarianismo não é a filosofia subjacente ao partido novo. Apenas isso. Em momento nenhum eu falei sobre solução a ser adotada, seja ela mágica ou 'não-mágica', seja imediata ou mediata/gradual.
    De todo modo, os "passos em direção à solução", sugerido por você, incluem a defesa do estado assistencialista, algo que estou em completo e frontal desacordo.
  • anônimo  11/11/2015 19:15
    Tirar dinheiro das pessoas à força na forma de impostos é imoral (roubo).
    Para os ancaps a questão acaba aqui. Raciocínio ancap (raso): "Imposto é roubo. Então não pode existir imposto. Sem imposto não há governo. Então não pode existir governo..."

    Já os minarquistas analisam a questão com um pouco mais de profundidade:
    "Tirar dinheiro das pessoas à força na forma de impostos é imoral (roubo).
    Deixar pessoas morrerem de fome ou doenças simples, porque elas não conseguem pagar pelo plano de saúde ou pela comida, também é imoral."

    Assim, configura-se um choque de imoralidades. O direito à propriedade de uns se choca com o direito à vida de outros. A conclusão é que é possível discutir a existência de impostos nesse caso. É possível sim discutir a existência de uma rede mínima de proteção social financiada com impostos, para pagar planos de saúde e comida para aqueles que não forem financeiramente autonomos.

    Já impostos para fazer estádio de futebol (copa do mundo), seria um absurdo lógico. A imoralidade dos impostos não se choca com imoralidade nenhuma. Essa é uma dicussão que nem começa...

    Impostos para criar empresas estatais, financiar BNDES, transporte público, energia elétrica, etc, são uma impossibilidade lógica.

    Assim, o segredo da minarquia é o entendimento de em quais casos se pode discutir o papel de um governo. E esses casos são tão somente em conflitos de direitos naturais.

    Note que esse conflito permite somente o início da discussão. Não necessariamente a decisão será criar a rede de proteção social mínima.


  • Professor  11/11/2015 19:55
    "Deixar pessoas morrerem de fome ou doenças simples, porque elas não conseguem pagar pelo plano de saúde ou pela comida, também é imoral."

    Correto. Por isso, é seu dever moral ajudar essas pessoas. Você tem a obrigação moral de ajudá-las com o seu dinheiro.

    Você não tem o direito de roubar terceiros (uma imoralidade) para ajudar outros terceiros. Você não tem o direito de infringir os direitos de terceiros apenas para ajudar outros terceiros.

    Roubar de terceiros é uma imoralidade, não importa o quão belo e moral seja sua suposta intenção.

    "Assim, configura-se um choque de imoralidades."

    Correto. Ao defender o roubo de terceiros, não interessa qual seja a sua intenção, você está incorrendo em uma imoralidade, por definição.

    "O direito à propriedade de uns se choca com o direito à vida de outros."

    Erro crasso.

    Não existe um "direito à vida". Existe, isso sim, um "direito a não ter a sua vida tirada por terceiros". É totalmente diferente.

    Trata-se de um "direito negativo".

    Uma coisa é você ter o direito a não tirarem a sua vida. Outra coisa, completamente distinta, é você ter o "direito" de que terceiros lhe mantenha vivo à custa da propriedade de outros terceiros. Isso não existe.

    "A conclusão é que é possível discutir a existência de impostos nesse caso."

    Dado o explicado acima, essa conclusão não é possível e nem muito menos lógica. Você se confundiu com a questão dos direitos naturais e falou bobagem. É só estudar mais.
  • Taxidermista  11/11/2015 23:06
    Excelente resposta, caro Professor.

    O tal "anônimo" aí equivoca-se do início ao fim, e ainda posa de entendido.

    Vou me limitar a alguns complementos à sua resposta.

    Diz o "anônimo": "raciocínio ancap (raso): imposto é roubo. Então não pode existir imposto. Sem imposto não há governo. Então não pode existir governo....".

    Ora, para os ancaps "não pode existir governo" em virtude do axioma moral da não-agressão e mercê do direito de propriedade; como o governo é composto por pessoas que, na condição de "governantes/políticos/burocratas", necessariamente violam tal axioma e tal direito - inclusive por meio da tributação -, não pode existir governo. Ou seja, não é pq "sem imposto não há governo, então não pode existir governo"; a razão é mais direta: o governo, enquanto tal, viola o axioma da não-agressão, o direito de propriedade e as liberdades individuais.


    Diz o "anônimo": "já os minarquistas analisam a questão com um pouco mais de profundidade: Tirar dinheiro das pessoas à força na forma de impostos é imoral (roubo). Deixar pessoas morrerem de fome ou doenças simples, porque elas não conseguem pagar pelo plano de saúde ou pela comida, também é imoral."

    Antes de mais nada, quais "minarquistas" dizem isso? Com certeza não a Ayn Rand, nem o George Reisman, nem o Ludwig Von Mises, apenas para ficar com alguns gigantes.
    E somente na cabeça do "anônimo" tal suposta "análise" teria "mais profundidade": de fato, trata-se de uma bobagem.
    Com efeito, "deixar pessoas morrerem de fome ou doença pq elas não conseguem pagar pelo plano de saúde ou pela comida" é imoral? Sim, é imoral. E como evitar tal imoralidade? Ora, tomando-se atitudes voluntárias no sentido de evitar tais mortes. Mas eis que nosso amigo "anônimo" acha que o estado deve usar a coerção (violando a não-agressão e o direito de propriedade e de liberdade) para expropriar terceiros. E ainda diz que isso seria uma "análise com mais profundidade".
    Ora, "anônimo", é aí que reside o real "choque": o "choque" da moralidade da não-agressão e do direito de propriedade (e de liberdade) com a imoralidade da ação coercitiva estatal expropriatória de bens de terceiros. Esse é o "choque", meu amigo.
    Destarte, quando você afirma que "o direito à propriedade de uns se choca com o direito à vida de outros" você está dizendo tudo aquilo que um minarquista jamais diria: "direito à vida" não significa "direito" a ser sustentado por terceiros via ação coercitiva expropriatória do estado; NÃO existe esse "direito" do ponto de vista libertário (seja ancap, seja minarquista). O que você chama de "direito à vida" - em sendo o caso de se manter tal expressão - é o direito (negativo) de não ter sua vida tirada por terceiros.
    Daí que, sendo uma bobagem afirmar-se que "o direito à propriedade de uns se choca com o direito à vida de outros", segue-se que sua conclusão também é uma bobagem: "a conclusão é que é possível discutir a existência de impostos nesse caso".
    Não, "anônimo", do ponto de vista libertário (seja ancap, seja minarquista) NÃO é "possível discutir a existência de impostos" para fins de transferência forçada de renda, haja vista que transferência forçada de renda viola o axioma da não-agressão, o direito de propriedade e de liberdade.


    E o "anônimo" ainda insiste: "é possível sim discutir a existência de uma rede mínima de proteção social financiada com impostos, para pagar planos de saúde e comida para aqueles que não forem financeiramente autonomos".

    Não, "anônimo", a ética libertária (seja ancap, seja minarquista) rechaça "a existência de uma rede mínima de proteção social financiada com impostos"; você confunde minarquismo com social-democracia (ou com welfare state), o que, de fato, é um erro crasso.


    "Anônimo" ainda diz: "impostos para criar empresas estatais, financiar BNDES, transporte público, energia elétrica, etc, são uma impossibilidade lógica. Assim, o segredo da minarquia é o entendimento de em quais casos se pode discutir o papel de um governo. E esses casos são tão somente em conflitos de direitos naturais".

    O que é uma impossibilidade lógica (mais que isso: é um completo nonsense) é chamar de "direito natural" um "direito à vida" que, para o "anônimo", significa a expropriação coercitiva estatal de bens de terceiros para fins de transferência forçada de renda.
    Nesse sentido, o "segredo da minarquia", "anônimo", não tem nada a ver com achar que o "governo" tenha como "papel" instituir/manter, como você diz, uma "rede mínima de proteção social financiada com impostos, para pagar planos de saúde e comida para aqueles que não forem financeiramente autonomos", porque NÃO há aí qualquer "conflito de direito natural".

    Em suma, o que fica claro, "anônimo", é que você, em tom professoral, pretendeu revelar "o segredo da minarquia" sem saber o que significa minarquia.

    Assim, a sua contraposição entre minarquia como "entendimento de em quais casos se pode discutir o papel de um governo, em conflitos de direitos naturais" versus ancap como algo supostamente limitado a afirmar que "tirar dinheiro das pessoas à força na forma de impostos é imoral (roubo)" é uma contraposição fruto da invenção de sua cabeça.

    Lembre-se, "anônimo", os minarquistas defendem o night-watchman state não para promover transferência forçada de renda. O night-watchman state serviria, segundo os minarquistas, para cumprir outras funções, meu caro.



  • Anônimo de Novo  12/11/2015 15:06
    Obrigado a todos pelas respostas. O night-watchman state é um conceito muito interessante. Infelizmente, a impressão que eu tenho ao ler sobre ele, é que não dá para derrubar a crítica básica de Rothbard: um estado focado unicamente em proteger o PNA é impossível. Para termos o night-watchman necessitamos de impostos, que, por si só, já violam o PNA...

    A defesa do night-watchman passa a ser então utilitária. O argumento seria que o night-watchman viola menos os direitos fundamentais dos indivíduos na forma de impostos, do que a violação generalizada de direitos fundamentais que existiria sem estado nenhum...
    Ou seja: roubar dinheiro das pessoas via impostos seria um mal menor se comparado a assassinatos e roubo generalizados caso não tenhamos polícia, justiça e cadeia paga por todos...

    Só que essa defesa, por si só, já embute dois problemas:
    a) Ela pressupõe que o ancap é uma impossibilidade, que levaria ao caos, e a uma violação grande de direitos fundamentais. Eu não estou tão certo disso. Ninguém provou isso até hoje. Enquanto os minarquistas não provarem isto, não têm direito moral de me tirar dinheiro via impostos.
    b) Os argumentos morais são via de regra superiores aos argumentos utilitários. Não é boa ideia tentar combater o conceito de ancap, que tem uma forte base moral, com night-watchman, que seria justificado pelo utilitarismo.

    Qual seria então a justificativa moral (não utilitária) para a existência de um estado mínimo?
    De que forma seria possível defender que o minarquismo é moralmente superior ao ancap?
    Como seria possível definir e limitar, somente com critérios morais, a ação do estado sobre os indivíduos?

    Se não acharmos linhas de raciocínio moral que justifiquem que o minarquismo é superior (ou pelo menos moralmente equivalente) ao ancap, acabaremos ficando com o ancap como única opção viável.

  • Taxidermista  12/11/2015 16:26
    Prezado "anônimo":

    Você agora escreve: "qual seria então a justificativa moral (não utilitária) para a existência de um estado mínimo? (...). Se não acharmos linhas de raciocínio moral que justifiquem que o minarquismo é superior (ou pelo menos moralmente equivalente) ao ancap, acabaremos ficando com o ancap como única opção viável."


    Ora, você mesmo chamou o ancap de "raso" e afirmou que o minarquismo apresentaria uma "análise com mais profundidade", lembra? Leia aí em cima o que você escreveu.
    E mais: acima você tentou, justamente, apresentar uma suposta "justificativa moral (não utilitária) para a existência de um estado mínimo", invocando uma suposta "análise com mais profundidade" baseada em um suposto "conflito de direitos naturais". Lembra disso? Está escrito aí em cima.

    E mais ainda: com base nesse suposto "conflito de direitos naturais", você não apenas defendeu a superioridade do minarquismo, mas ainda defendeu, de forma disparatada, que o minarquismo incluiria, a partir daquele suposto "choque de direitos", a "existência de uma rede mínima de proteção social financiada com impostos, para pagar planos de saúde e comida para aqueles que não forem financeiramente autonomos".

    Então, de duas, uma: ou temos agora outra pessoa escrevendo (sem ter lido o que o anterior "anônimo" escreveu), ou estamos diante de uma hipótese de dissociação de identidade.

  • Anonimo de Novo  12/11/2015 17:37
    Olá Taxidermista. Obrigado pela resposta. É a mesma pessoa sim.

    No primeiro comentário estava pensando fora da caixa, buscando uma solução moral para a justificar a defesa do minarquismo.
    Essa tentativa foi combatida por vários comentaristas.

    O problema é que, se não houver uma linha de justificativa moral para o minarquismo, caímos necessariamente no ancap.. O espírito do segundo comentário foi esse.

    Como então defender moralmente o night-watchman state sobre o ancap?

    Uma defesa possível seria pregar a imoralidade mínima - um mistão de argumento utilitário com moral.

    Mas aí corremos o risco de que o argumento sirva para defender tanto o night-watchman state puro, quanto o night-watchman state + rede básica de proteção (renda mínima para os muito pobres; voucher plano de saúde para os muito pobres; voucher escola para os muito pobres).

    Observação: não confundir rede básica da básica para os muito pobres com sistemas universais (para todos os indivíduos, mesmo os que poderiam pagar por estes serviços), nem com welfare state...
  • Taxidermista  12/11/2015 18:09
    Anônimo diz: "corremos o risco de que o argumento sirva para defender tanto o night-watchman state puro, quanto o night-watchman state + rede básica de proteção (renda mínima para os muito pobres; voucher plano de saúde para os muito pobres; voucher escola para os muito pobres)".

    Completamente equivocado. De novo.
    Antes de mais nada, não há falar em "night-watchman state puro", muito menos em "night-watchman state + rede básica de proteção (renda mínima para os muito pobres; voucher plano de saúde para os muito pobres; voucher escola para os muito pobres)": ora, "night-watchman state + rede básica de proteção" é um oxímoro, meu caro. Qualquer programa de transferência forçada de renda faz com que um estado, caso ele tenha sido um night-watchman state, deixe de ser night-watchman state.
    Outrossim, o argumento dos minarquistas, na ótica deles, não serve para defender qualquer "rede básica de proteção". Isso é uma invenção sua. Aliás, você havia defendido a superioridade do minarquismo sobre o ancap, e, subitamente, passou a defender o inverso, sem qualquer justificativa a respeito.


    Anônimo ainda diz: "Observação: não confundir rede básica para os muito pobres com sistemas universais (para todos os indivíduos, mesmo os que poderiam pagar por estes serviços), nem com welfare state...".

    Quem está confuso é você, "anônimo", e bastante. Você agora inventa supostas filigranas conceituais que, de qualquer modo, em nada corroboram seu argumento. Ora, qual a pertinência dessa sua diferenciação para o seu ponto?
    Aliás, ao que se depreende dessa sua "observação", "anônimo", você parece, com ela, querer insistir na tese da existência de minarquia com "rede básica para os muito pobres", o que, torno a frisar, é um disparate.
    "Rede básica para os muito pobres" (os que não podem "pagar por estes serviços") envolve programa de expropriação coercitiva estatal para transferência forçada de renda, e nenhum libertário minarquista defende isso, porquanto isso vai contra a ética libertária.
  • Anonimo de Novo  12/11/2015 19:31
    Caro Taxidermista:

    Você é que está muito confuso. Você está tentando usar dois pesos e duas medidas.

    Volto à crítica básica de Rothbard: um estado cujo único objetivo seja proteger o PNA é uma contradição. Para termos o night-watchman necessitamos de impostos, que, por si só, já violam o PNA...

    Todas as suas tentativas de defender o night-watchman com argumentos exclusivamente morais, acabam evidenciando este erro de lógica.

    Aí você prentende pular esse "detalhe" de lógica moral contra o night-watchman, mas, em seguida, usa o mesmo "detalhe" de lógica moral para combater uma rede de proteção básica da básica aos muito pobres.

    Repito: O minarquismo acaba violando o PNA. A única forma de não violar o PNA é o anarco-capitalismo.



  • Taxidermista  12/11/2015 23:14
    Você só pode estar brincando.

    anônimo diz: "Todas as suas tentativas de defender o night-watchman com argumentos exclusivamente morais, acabam evidenciando este erro de lógica."

    As "minhas tentativas de defesa"? Quem defendeu o minarquismo (mais que isso, defendeu um sui generis minarquismo com "proteção social para os mais pobres", invocando "conflito de direitos naturais") foi você, e, ao que parece, mudou de ideia depois que o Professor e eu nos manifestamos.


    anônimo diz: "você pretende pular esse detalhe de lógica moral contra o night-watchman, mas, em seguida, usa o mesmo detalhe de lógica moral para combater uma rede de proteção básica da básica aos muito pobres."

    Pretendo "pular esse detalhe de lógica moral"?

    Basta você ler o que eu escrevi:

    "Para os ancaps 'não pode existir governo' em virtude do axioma moral da não-agressão e mercê do direito de propriedade; como o governo é composto por pessoas que, na condição de 'governantes/políticos/burocratas', necessariamente violam tal axioma e tal direito - inclusive por meio da tributação -, não pode existir governo. Ou seja, não é pq 'sem imposto não há governo, então não pode existir governo'; a razão é mais direta: o governo, enquanto tal, viola o axioma da não-agressão, o direito de propriedade e as liberdades individuais."


    Anônimo diz: "O minarquismo acaba violando o PNA. A única forma de não violar o PNA é o anarco-capitalismo."

    De fato, trata-se de um grande progresso intelectual para quem ingressou nos comentários para defender a alegação de que "o direito à propriedade de uns se choca com o direito à vida de outros; a conclusão é que é possível sim discutir a existência de uma rede mínima de proteção social financiada com impostos, para pagar planos de saúde e comida para aqueles que não forem financeiramente autonomos", ainda mais para quem fez essa defesa de transferência forçada de renda chamando isso de "minarquismo".













  • Edujatahy  11/11/2015 20:20
    Minarquistas não defendem saúde pública. E muito menos transferência de renda para alimentação.
  • Taxidermista  12/11/2015 11:34
    "Anônimo":
    respondido abaixo.
  • Taxidermista  12/11/2015 13:25
    Respondido acima, aliás.
  • Vinicius  12/11/2015 18:48
    Mentira.

    Você disse pra esperar sentado.

    Disse que não aceita soluções intermediárias (redução gradual do governo, manutenção temporária dos programas sociais para fins de transição, etc).

    Ou seja, você está aplicando o extremismo, pelo que você escreve, ou o Brasil vira completamente, 100% libertário do dia pra noite, ou permanece como está.

    Isso é ser radical.

    Não tente se defender de não ter dito as coisas, você pode não ter escrito com todas as linhas, mas deixou entender muito bem os seus pontos de vista.
  • Edujatahy  12/11/2015 21:27
    Eu não li isso do Taxidermista. Eu li que ele disse para esperar sentado o Partido Novo promover idéias libertárias.
    Quem falou em esperar sentado primeiramente foi o Alexandre.
    ----
    Alexandre: O jeito é esperar (pelo visto sentado) que o Partido Novo ganhe corpo na política nacional, para que, de fato, os ideais libertários comecem a mudar a mentalidade dos brasileiros.

    Taxidermista: Esperemos sentados mesmo, pq o Partido Novo, ao contrário do que você afirma, não tem quaisquer "ideais libertários.
    ---

    Eu até acho que o Novo seria melhor do que "esta aí".
    Mas daí para acharmos que em algum momento o Novo promove libertarianismo já é exagero.

  • Taxidermista  12/11/2015 22:27
    Meus sinceros parabéns, caro Edujatahy.


    Abço.
  • Taxidermista  12/11/2015 22:24
    Vinicius:
    mentira é você afirmar que eu disse que "ou o Brasil vira completamente, 100% libertário do dia pra noite, ou permanece como está".
    Tente se esforçar para interpretar um texto corretamente.

    Vinicius diz: "Você disse pra esperar sentado."

    Ora, o comentarista Alexandre disse: "O jeito é esperar (pelo visto sentado) que o Partido Novo ganhe corpo na política nacional, para que, de fato, os ideais libertários comecem a mudar a mentalidade dos brasileiros".

    DIANTE DISSO, eu disse: "Esperemos sentados mesmo, pq o Partido Novo, ao contrário do que você afirma, não tem quaisquer ideais libertários."

    Ou seja, eu disse que, se o Alexandre espera que o partido novo sirva para disseminar ideais libertários, poderá ficar esperando sentado (para usar a expressão usada por ele próprio), pq o partido novo não tem ideais libertários como sua filosofia subjacente, e mostrei isso por meio de exemplos. Ponto final. Não entrei no mérito nem no demérito do partido novo, tampouco em relação aos demais partidos. Muito menos adentrei no mérito dos exemplos dados. É tão simples...

    Mas agora veja ali o que você passou a dizer diante dessa minha colocação: "você já está parecendo os socialistas de hoje"; "fica parecendo que você prefere que o PT siga no poder com o Lula ou algo assim"; "temos que pensar em termos graduais, senão ficaremos iguais as pessoas que não querem o impeachment da Dilma porque "não vai resolver todos os problemas".
    Percebe o delírio de alguém que tá enxergando fantasmas?


    Ainda, Vinicius diz: "Disse que não aceita soluções intermediárias (redução gradual do governo, manutenção temporária dos programas sociais para fins de transição, etc)."

    Só se for no seu monólogo.
    Como eu usei o exemplo da defesa do partido novo do bolsa-família, VOCÊ, então, resolveu defender o programa. E eu, apenas depois de você defender o programa, manifestei minha opinião no sentido de ser contrário a qualquer programa de transferência forçada de renda, e fiz isso, gize-se, APÓS você se manifestar no sentido de que o "Bolsa-família é, do ponto de vista de programas de Estado, é o melhor mesmo."
    Frise-se: eu apenas disse que sou contrário a toda e qualquer transferência forçada de renda (sem nem de longe falar em "soluções imediatas ou intermediárias ou graduais, etc") apenas pq você resolveu defender o programa.


    Vinícius disse: "você está aplicando o extremismo, pelo que você escreve, ou o Brasil vira completamente, 100% libertário do dia pra noite, ou permanece como está."

    Isso sim é mentira. De novo, eu disse que o partido novo não tem o libertarianismo como filosofia política subjacente, e isso em resposta a outro comentarista, e depois disse que sou contrário a qualquer transferência forçada de renda, apenas pq você resolveu defender o bolsa-família, programa cuja defesa pelo partido novo eu usei como exemplo para mostrar ao Alexandre que tal partido não é libertário.
    Entendeu agora? Consegue interpretar esse texto?

    Ora, entre se manifestar contrariamente a transferências forçadas de renda e dizer que "ou o Brasil vira completamente, 100% libertário do dia pra noite, ou permanece como está" VAI UMA LARGA DISTÂNCIA. Mas você, no seu afã de enxergar "extremistas" ou "defensores do status quo", tem dificuldade de perceber isso.


    Vinícius disse: "Não tente se defender de não ter dito as coisas, você pode não ter escrito com todas as linhas, mas deixou entender muito bem os seus pontos de vista."

    Eu não tenho problema algum em defender meus pontos de vista, mas um debate frutífero tem como condição necessária a correta exegese de textos. Mais razão, e menos emoção.




  • Edujatahy  13/11/2015 10:40
    O que eu acho mais interessante é que um programa que estimula miséria, como o bolsa família, está tão incrustado na cabeça das pessoas (mesmo as ditas "liberais") que basta você se posicionar contra tal programa que de repente virou um anarquista, extremista. As pessoas têm medo de debater. O pessoal do Novo neste assunto peca, e muito (e o que me parece é muito mais por medo de perder voto). O estado brasileiro é muito maior do que o bolsa família, existe um trabalho IMENSO além do bolsa família. A impressão que dá é que basta tirar tal programa para entrarmos no anarco-capitalismo.

    Neste quesito eu digo que os estatistas foram eficientes. Mesmo as pessoas "de direita" defendem a "necessidade" deste programa. Inacreditável.
  • Taxidermista  13/11/2015 12:35
    Prezado Edujatahy:

    Você disse: "O que eu acho mais interessante é que um programa que estimula miséria, como o bolsa família, está tão incrustado na cabeça das pessoas (mesmo as ditas "liberais") que basta você se posicionar contra tal programa que de repente virou um anarquista, extremista. As pessoas têm medo de debater. (...). A impressão que dá é que basta tirar tal programa para entrarmos no anarco-capitalismo.".

    Diante disso, só me resta lhe dizer: meus sinceros parabéns, novamente.

    E vale lembrar que o Vinicius conseguiu um proeza maior: primeiro disse que eu parecia um "socialista" (ou "alguém que prefere o PT no poder" ou "não quer o impeachment") apenas pq eu disse que o Novo não tem ideais libertários; e, depois, afirmou que eu estaria "aplicando o extremismo" apenas pq eu disse ser contrário a quaisquer transferências forçadas de renda depois que ele, Vinicius, resolveu defender o bolsa-família.




  • Alexandre Aniceto  24/11/2015 02:34
    Tem que fazer a Reforma da Previdência do setor público, em especial a previdência indecente dos militares, pasmem existem milicos aposentados aos 42 anos de idade. 40 anos de serviço igual a Portugal.
  • Luiz Filipe  10/11/2015 14:23
    Aí é que tá, temos que lutar para divulgar o partido e as ideias, pq só assim ele poderá ter corpo na política nacional
  • cmr  10/11/2015 14:35
    Vai me dizer que você prefere o "Lula de novo, com a força do povo".

    É isso o que você prefere ?.
  • Anomalous  10/11/2015 14:36
    Alexandre, infelizmente não estou muito otimista com isso. Esse povo da esquerda tem feito o que aqueles que são a favor da liberdade não fazem, o "evangelismo". Distribuem o jornal lixo deles. Eu vejo várias pessoas lendo aquela porcaria todo dia no ônibus, na barca.
    Eles já dominaram o sistema de ensino. Até o particular. Outro dia, minha filha de 7 anos teve uma feira de ciências, mas não devia chamar feira de ciências, mas sim feira ambientalista. Lógico que eu digo para ela "filha, estude isto para passar de ano, a verdade eu te ensino em casa, isso você pode esquecer depois." Se é para mudar a opinião do povo em favor da liberdade, estamos perdendo.
  • Halysson  10/11/2015 20:02
    Gostaria de saber por que Ciro Gomes maluco. Pelo que vejo em suas entrevistas, é o Candidato mais sóbrio, minimamente capaz de conduzir um governo, de forma ética (Dilma não tem competência, Aécio não tem Moral, Marina é tão presidente quanto a Oi é empresa de telefone, e Jair Bolsonaro é apenas uma piada de PÉSSIMO gosto)
  • Harleydavidson  24/11/2015 12:46
    Se pudesse escolher, certamente escolheria a anarquia de mercado. No entanto, se colocassem uma arma na minha cabeça e me obrigassem a escolher entre o Ciro Gomes e o Jair Bolsonaro, fico certamente com o segundo. Ciro Gomes sim é que é uma grande piada de mau gosto. Ele em pouco difere de uma Dilma, de um Aécio ou de uma Marina, tanto assim o é que esse fanfarrão já trabalhou para os governos tucano e petista. São todos farinha do mesmo saco.

    No entanto, apesar de defender muitas idéias socialistas (o que sempre é lamentável), Jair Bolsonaro, pelo menos em seu discurso, adota uma postura mais sensata com relação às políticas públicas. Ele sabe e diz com todas as palavras que a iniciativa privada está sendo massacrada pelo estado e que esse amontoado de políticas assistencialista está arruinando o país, seja moralmente, seja financeiramente. Sua antipatia contra Bolsonaro se dá mais em virtude de histeria disseminada pela imprensa do que por razões palpáveis.


  • Rogério Hansen  10/11/2015 14:00
    Exemplo a não ser seguido por país nenhum do mundo. Um país tão rico em termos de riquezas naturais em geral, mas demonstrando uma pobreza monumental na política e em muitos dos humanos que habitam essa aldeia.
  • Típico Universitário  10/11/2015 14:07
    Querido economista,

    se você não faz parte da solução, faz parte do problema. Se o problema precisa ser exterminado e você é parte dele, sabe o que acontecerá. Mas não vou ameaçar ninguém porque a classe ultra-conservadora brasileira quer reconhecer terrorismo para ferir os movimentos sociais que agem em defesa da população.
    Mas aqui vai uma dica:

    O Problema: Maior conspiração midiática da história deste país arquitetada pelo PSDB para derrubar o PT tanto dentro da política como adiante da opinião pública e do capital internacional ao exacerbar o legado econômico catastrófico do governo FHC.
    A Solução: Façamos como a Argentina. Silenciamento humanizatório (conhecido pelos coxinhas como "censura") da mídia e dos analistas golpistas em prol da democracia. Retaliação massiva a indicadores econômicos de fora do estado.

    Veja como funcionou para os hermanos oficialmente e não-oficialmente. Tá aí para qualquer cancanista de câmbio valorizado ver.
  • Típico Explorado pelo Estado  10/11/2015 15:22

    Resposta ao Querido Típico Universitário:

    1. Leandro e nós, 93% dos brasileiros que consideramos o governo PT um desastre, somos parte da solução ao expor as mentiras do PT, e as graves consequências. Falar do problema é parte da solução.

    2. Classe ultra-conservadora... é o PT, e toda a máfia Esquerdópata Caviar do Brasil, que através do populismo e demagogia encastelou-se no PODER. E como bons parasitas, só vão largar as tetas do Estado, quando o país falir (assim fez o socialismo, comunismo e outras patologias, ao longo da historia da humanidade, e justamente converteram-se em ultra-conservadores por nunca mudarem nada). Aliás, o maior pecado do PT não foi ter errado, e sim, persistir nos erros, na negação, na mentira etc até o fim... até esvaziar e detonar os cofres públicos.

    3) Movimentos Sociais agindo em favor da população? Não existe! Em 13 anos a população não está melhor. A educação, piorou. A saúde, piorou. A segurança, piorou. A infraestrutura, piorou. O sistema judicial, piorou. Etc. A mentira do PT, de que transformou os miseráveis em classe média, há tempo já foi revelada. Sem mencionar que recentemente, 3 milhões de famílias (aproximadamente 30 milhões de brasileiros), caíram nas classes econômico-sociais, seja pela inflação, endividamento, desemprego, disparada do dólar, carestia etc.
    O bem da população não se mede em consumo turbinado com crédito falso.
    Já em relação aos pseudos líderes e partidos a favor da população (PT, MST etc), não se preocupam com isso, porque eles enriqueceram desproporcionalmente (como nunca antez ze biu na istoria deztepaiz).

    4) O problema: O analfabetismo (completo ou funcional) da população brasileira, que ludibriado pelo populismo e demagogia, vota Constituições esquerdópatas, que criam mais de 30 partidos políticos esquerdópatas, agigantando o Estado, e exterminando o futuro deste país.

    O PSDB e outros são em parte culpados, mas o merengue do bolo vai para Lula e Fidel, que através do Foro de São Paulo, surfaram na onda do Bolivarianismo, para infectar América do Sul com a nefasta ideologia Gramsciana, de cooptar a máquina pública, aparelhar o Estado etc.
    A mídia na verdade é cúmplice até hoje, porque bem como como os Intelectualoides Universitários, Artistas, e tantos outros venderam suas almas em prol das verbas estatais, a mídia também faz o mesmo. Fosse outro país, a verdadeira mídia teria metido a boca no trombone há muito tempo. Tudo sem mencionar os falsos blogs e falsos jornalistas, todos bancados pelo Estado para fazer parte da máquina nazista de propaganda socialistóide.

    5) O legado FHC foi catastrófico. Já o do PT nem tem descrição... o que seria pior do que catastrófico? E nem falo do preço econômico a se pagar. Falo no custo do atraso mental que causaram os governos esquerdópatas no Brasil.

    6) A solução: Só alguém que sofre alguma patologia esquerdópata, pode citar Argentina, Venezuela, Cuba, URSS etc... como exemplo de solução de alguma coisa.
    Na verdade, para procurarmos a solução, temos que olhar na história: A doença (seja de direita ou de esquerda), do gigantismo do Estado... só acaba quando o dinheiro acaba (o país fica estagnado ou acaba em algum tipo de de falência). É o caso do Brasil: A população é demasiado ignorante como para se revelar. Os políticos, aproveitam essa ignorância da população para roubar. Conclusão: PT vai até 2018, as coisas ficarão pior ano a ano, e ninguém garante que a partir de 2018 melhorará. E se alguém tem dúvidas de que Brasil pode piorar, é só ver Argentina, Venezuela, Cuba etc.

    Finalizando e mais importante... parabéns ao Lendro, por mais um artigo brilhante.
  • Alexandre  15/11/2015 19:53
    Espero que este post do Típico Universitário, a essa altura do campeonato, não seja mais que mera ironia.

    Não é possível que alguém ainda pense desse jeito depois de tudo que vem acontecendo.
  • Pobre Paulista  10/11/2015 14:20
    Leandro, o gráfico 8 apresenta um salto de preços (devido à MP579), no entanto a legenda diz que é uma média móvel de 12 meses, deve estar errado. Se fosse o caso não apresentaria este salto, e sim uma descida gradual, e também seria a subida.

    Detalhes à parte, é legal ver como uma brincadeirinha de baixar preços no grito cobra seu preço. Este gráfico é icônico.
  • Leandro  10/11/2015 14:33
    Mas é isso mesmo. Aqui está o gráfico das taxas mensais sem a média móvel:

    postimg.org/image/j1aw93sft/

    Houve uma queda de 4% nos preços em janeiro de 2013 seguida de outra queda de 15% em fevereiro de 2013, o que fez com que os preços de 2013 ficassem bem abaixo dos de 2012.

    Daí esse efeito no gráfico da média móvel.
  • Pobre Paulista  10/11/2015 15:41
    Não me atentei que se tratava já das taxas, achei que eram os preços. Agora fez sentido. Obrigado.
  • Renegado  10/11/2015 14:32
    Leandro, parabéns pelo artigo, realmente muito interessante. Lendo o mesmo, não pude deixar de notar que sugere-se que para conter a inflação é necessário dar um tapa na selic, ou seja, subir radicalmente a respectiva taxa. No entanto, lembro-me de ter lido neste sitio, o artigo www.mises.org.br/Article.aspx?id=1574 (entre outros), onde é comentado que o governo é incapaz de controlar a inflação apenas atuando na taxa básica de juros, por uma série de outros motivos. Dito isso, não estaria este artigo em contradição com artigos anteriormente aqui postados? Gostaria que essa questão me fosse esclarecida. Desde já obrigado...
  • Leandro  10/11/2015 14:53
    Nenhuma.

    Há três tipos de aumentos na taxa básica de juros:

    1) aumentos que apenas acompanham a crescente demanda por crédito (típica de quando a economia está aquecida). Esse tipo de aumento dificilmente gera algum efeito;

    2) aumentos que superam a demanda por crédito (este possui efeitos inconclusos);

    3) aumentos que, de tão fortes e súbitos, afetam as expectativas do agentes econômicos, o quais passam a acreditar que tal aumento será efetivo no combate à inflação.

    Este último tipo de aumento costuma ser o mais efetivo, mas funcionará somente se afetar as expectativas de modo a gerar uma inversão na curva de rendimento dos títulos de longo prazo -- isto é, de modo a fazer com que os juros dos títulos de 10 anos fiquem menores que os juros dos títulos de curto prazo (como os de 3 meses).

    A curva de juros se inverte (com as taxas de curto prazo sendo mais altas que as de longo prazo) porque os investidores, ao perceberem que o país está entrando em recessão ou perceberam que a inflação futura será cadente, sabem que, no futuro, as taxas de juros cairão (ou por causa da recessão ou por causa da inflação em queda).

    Sendo assim, eles correm para garantir a aquisição de títulos de longo prazo que ainda garanta altas taxas de retorno nesse cenário de incerteza. Ao correrem para esses títulos em busca de segurança, o preço deles aumenta e a taxa de juros cai.

    Isso ocorreu no Brasil em 2003 e no final de 2011. E ocorreu em todas as grandes desinflações de história, como EUA, Canadá, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia nas décadas de 1980 e 1990.

    Em resumo: o único tipo de aumento de juros que funciona é o do item 3, e apenas e somente se ele gerar uma inversão da curva de juros.

    Esse é um assunto que exige um artigo à parte.
  • Matias  10/11/2015 15:50
    Leandro, o "timing" para essa pancada nos juros já não passou? Qual sua opinião?
  • Leandro  10/11/2015 17:13
    Como já explicado em outros artigos, a maneira mais efetiva para se combater a inflação é com câmbio.

    No entanto, dada a opção -- ao que tudo indica, definitiva -- pelo câmbio flutuante (o qual não flutua, mas desaba ao sinal de qualquer turbulência política ou fiscal), a única maneira efetiva de se combater a inflação é dando uma pancada única, decisiva e forte nos juros, deixando-os em um patamar alto até reverter as expectativas (de modo que as taxas de juros de longo prazo fiquem menores que as de curto prazo).

    Isso era pra ter sido feito ainda em 2013, quando o BC começou com gradualismo (o IPCA estava acima de 6,5% e o BC subia a Selic de 7,25 para 7,50%, achando que isso seria o bastante...).

    Ainda dá tempo? Dá, sim. Mas a um custo muito maior. Se, em 2014, uma taxa de 15% por alguns meses talvez tivesse bastado, hoje há quem diga que só a partir de 18,50% (é isso após dois anos e meio de altas seguidas) haverá algum efeito.
  • Dede  10/11/2015 17:20
    Era o que deveria ter sido feito no início do ano. Maquiavel já ensinava isso a 400 anos. Faça o mal que tiver que ser feito todo de uma vez só.
    O governo poderia ter dado uma pancada nos juros no início do ano, cortado os ministérios e orçamento e enviado ao congresso projetos necessário para reduzir as despesas sociais, mesmo que nada fosse votado, mas geraria expectativa de mudança no caminho seguido pelo governo.
    Agora não há mais condições desse governo se reerguer, não há mais confiança. A economia continuará a definhar até que nos livrarmos dessa praga vermelha.
  • mauricio barbosa  10/11/2015 14:51
    Bonito,muito bonito,essa figura caricata desse evo morales só vive ameaçando os paises vizinhos ao dizer que se os esquerdistas perderem o pau vai quebrar é mais um ridículo esquerdista ditador.Esse sujeito se diz democrático,pobre america latina com esses esquerdopatas no poder estamos fud...
  • Rodrigo  10/11/2015 15:05
    Leandro,

    Se você quisesse ter uma ideia do futuro da economia de um país e pudesse ter acesso a apenas 2 ou 3 indicadores, quais eles seriam? Deficit e crescimento do PIB?

    Abraço!
  • jackson  10/11/2015 16:26
    Já vou me antecipando e dizendo que crescimento do PIB nao diz la muita coisa.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2095


    mas cara, porque 2 ou 3 sendo que vc tem 25 otimos graficos?
    ótimos gráficos com números terríveis...
  • Leandro  10/11/2015 19:29
    De fato, PIB não significa muito. Haja vista que, se um governo estiver reduzindo gastos, o PIB irá cair, não obstante tal medida seja boa para a economia.

    O que eu faço:

    a) evolução dos preços no setor atacadista, ou seja, a evolução dos preços nas transações inter-empresariais que ocorrem nos estágios anteriores ao consumo final. Na prática, é o preço que os atacadistas, depois de terem comprado das indústrias, cobram pelos estoques fornecidos para as Casas Bahia.

    b) expansão do crédito;

    c) déficits orçamentários (se estiver crescendo é porque as receitas do governo não estão subindo no ritmo esperado, decorrente de uma desaceleração econômica).

    d) apreciação cambial (esta é ainda mais válida para economias em desenvolvimento).

  • Capital imoral  10/11/2015 15:09
    A pobreza foi culpa do PT...será mesmo? Não! a pobreza é culpa do capital.

    Havendo essa visão superficial, não filosofica, dos fatos. Qualquer um, em um primeiro momento, Poderia afirmar, que a culpa de todo o mal e pobreza, Gira em torno de politica keynesianas, ou culpa do PT, ou do socialismo.

    Mas a verdade, é que o verdadeiro mal, está oculto, e só aparece para os olhos atentos de quem tem conhecimento filosófico e econômico do ponto de vista socialista. O verdadeiro mal, é o capitalismo, junto com seu dinheiro, junto com as industria internacionais, junto com sua alienação na busca por demandas desnecessárias.

    Todos problemas do mundo, está em torno do Dinheiro, do excesso gerado pela busca irrestrita de capital. O egoismo gerado pelo capitalismo, gera este mal, em essência, Ele aliena, Ele cria demandas desnecessárias.

    Isso cria um novo homem, um Eu capitalista, que não pensa mais em termos de sociedade, de compaixão pelo outro, de esforço próprio muscular e intelectual, mas sim em termos de estética e riqueza irrestrita.

    A ideia de quem um homem, deve trabalhar para seu sustento, foi totalmente subvertida pelo capital, no fundo, todos nós socialistas sabemos que esse não é um problema do PT, ou de qualquer politico, esse é um problema do capitalismo.


    ---------
    Nenhum leandro da vida poderá refutar isso, pois não é capaz de pensar em termos filosóficos morais.
  • Capital Moral  10/11/2015 15:58

    Resposta ao Capital imoral:

    1) A pobreza é culpa do PT, que independente de ser esquerda o direita, foi e é Governo, Estado, Máquina Pública etc... ponto final. Não é uma questão filosófica ou ideológica. Não há relativismos. A culpa é de aquele que governa. Aliás, isso não somente vale para o PT, como vale também para Dilma Presidente do Conselho da Petrobrás. Não existe essa de se isentar das responsabilidades, dizendo que NÃO SABIA (que nem o 9 dedos fez no Mensalão). Sabia ou não, você é Presidente, você é responsável.

    2) Não existe o tal CONHECIMENTO SOCIALISTA. O único conhecimento que existe é o científico. O socialismo é uma patologia. A direita também. Toda forma política, que precise do Estado para existir, é patológica.

    3) O verdadeiro mal está apenas nas pessoas. O atual governo é ruim, porque os petistas e cúmplices, a grande maioria são todos mentirosos, corruptos, ladrões, populistas e demagogos (ademais de negligentes e incompetentes).

    4) As tais Demandas Desnecessárias foram milhões de vezes maiores nos governos centralistas e planejadores (socialismo, comunismo, esquerdópatas de todas as cores e sabores). Estas falácias contra o capitalismo, além de ser mais velhas do que o pirulito, me lembram os ataques ecológicos, onde se acusa o capitalismo de causar o aquecimento global, quando nunca na história ninguém poluiu mais, do que os governos esquerdópatas.

    5) A compaixão pelo outro, pensar na sociedade etc (todas esses belos romanticismos), só podem existir depois do INDIVIDUO, dele pensar em si mesmo, e atender suas próprias liberdades.

    6) Estética e riqueza irrestrita não são deficiências exclusivas do capitalismo. Todos os esquerdópatas na história acabaram escravos das mesmas. Você aborda problemas SOCIOLÓGICOS como se fossem problemas ECONÔMICOS... grave confusão, muito grave.

    7) É preferível a subversão capitalista da ideia de trabalhar para nosso próprio sustento, do que a ideia esquerdópata de nós trabalharmos para o Estado.

    8) Me arrepia os doentes que misturam ECONOMIA com FILOSOFIA MORAL. Não porque não seja importante pensar na humanidade, na sociedade, no colectivo etc. E sim, me arrepia porque são fanáticos religiosos, que acham que só eles são donos da verdade. Todos nós, somos infiéis, e a missão deles na vida, e nos converterem às suas ideologias, ainda que isso signifique ter que nos matar. A caraterística dos esquerdópatas, é que não toleram argumentos e fatos contra eles (xiitas).
  • mauricio barbosa  10/11/2015 16:35
    Só acrescentando o item 4:Hoje em dia a china é a maior poluidora do planeta,interessante ninguém(esquerdistas principalmente)discorda dessa estatística acho eu é por achar que é culpa do capitalismo lá implantado por deng xiaoping,mas ironicamente a maior fonte de poluição é a estatal de energia elétrica chinesa pois suas usinas termoelétricas a base de carvão que usam uma tecnologia ultrapassada,são umas catástrofes ambientais.Enfim cadê a REFUTAÇÂO senhor esquerdopata ou seja lá o que for esse típico universitário e\ou capital imoral e esses ambientalistas verdes por fora mas vermelhos(sedentos de sangue inocentes)por dentro...
  • mauricio barbosa  11/11/2015 14:19
    OBS: Quando escrevo ambientalistas sedentos por sangue inocente,estou querendo afirmar com isso é que eles só sabem querer proteger fauna e flora e barrar qualquer empreendimento que gere emprego e renda para as comunidades-alvo dos seus protestos ecológicos ou seja preferem ver o povo dessas comunidades na miséria,famintos e até na inanição por falta de recursos(Desempregados,sem perspectivas e esperança)do que vê-los prosperarem e até enriquecerem porquê não?Daí minha indignação com os mesmos.
  • Vinicius  10/11/2015 17:00
    Não alimente o Troll.
  • FL  10/11/2015 16:08
    Esse comentário é tão bizarro que eu não sei se o cara tá falando sério ou se é mais um "Típico qualquer coisa"
  • mauricio barbosa  10/11/2015 20:39
    FL cadê a refutação,a china é a maior poluidora do planeta por obra e graça do regime comunista com suas usinas poluidoras e como é que é o sistema capitalista o culpado pela poluição,ora meus amigos a china tem de abrir seu mercado de fornecimento de energia veja bem abrir o mercado e não regula-lo ai sim estará resolvido seu problema de poluição ambiental,caro FL!!!...
  • FL  11/11/2015 09:51
    Mauricio, calma fera, o meu comentário foi pro "Capital imoral", não precisa ficar ofendido
  • mauricio barbosa  11/11/2015 12:30
    Valeu FL,mas estou farto desse bla-bla-blá socialista e meus filhos tem sido vítima dessa gente nas escolas,pois os mesmos agora estão voltando a culpar os EUA por estarmos nesta crise e tenho instruindo meus filhos a rebater tais falácias demonstrado para estes vermes que não estamos sofrendo nenhuma sanção econômica por parte dos yankees e que eu saiba só Russía,Coréia do Norte,Cuba e Irã estão sofrendo com tal medida o que não é o caso do BRASIL,enfim esses socialistas é de uma falsidade intelectual absurda e de uma doutrinação execrável e não os vejo criticar com veemência a poluição das usinas estatais chinesas,mas qualquer deslize yankee parecem uma bestas feras criticando o que não sabem...
  • Danielbg  10/11/2015 16:15
    Desconsiderando o sarcasmo, sempre que vejo algo parecido me lembro do glorioso discurso de Francisco D'Anconia sobre o dinheiro e seu deslumbrante encerramento:

    "O ideário dos saqueadores fez com que pessoas como o senhor passassem a encarar suas maiores realizações como um estigma vergonhoso, sua prosperidade como culpa, seus maiores filhos, os industriais, como vilões, suas magníficas fábricas como produto e propriedade do trabalho muscular, o trabalho de escravos movidos a açoites, como na construção das pirâmides do Egito. As mentes apodrecidas que dizem não ver diferença entre o poder do dólar e o poder do açoite merecem aprender a diferença na sua própria pele, que, creio eu, é o que vai acabar acontecendo. Enquanto pessoas como o senhor não descobrirem que o dinheiro é a origem de todo bem, estarão caminhando para sua própria destruição. Quando o dinheiro deixa de ser o instrumento por meio do qual os homens lidam uns com os outros, os homens se tornam os instrumentos dos homens. Sangue, açoites, armas – ou dólares. Façam sua escolha – não há outra opção – e o tempo está esgotando".
  • Felipe Braga  10/11/2015 18:17
    Danielbg, exatamente esse discurso que me veio a mente no momento que li o comentário.

    Veio-me, também, a recordação da discussão, do mesmo livro, Entre Hank Rearden e seu irmão, sobre fato deste defender essas ideias estranhas as custas do dinheiro alheio.

  • legdf  11/11/2015 13:33
    "A pobreza foi culpa do PT...será mesmo? Não! a pobreza é culpa do capital."

    É lógico! Se não existisse capital, capitalismo, dinheiro, etc.. não haveria diferenças sociais como hoje, todos seriam iguais como no passado; voltaríamos a viver como índio.

    "Havendo essa visão superficial, não filosofica, dos fatos. Qualquer um, em um primeiro momento, Poderia afirmar, que a culpa de todo o mal e pobreza, Gira em torno de politica keynesianas, ou culpa do PT, ou do socialismo. "

    E quem tem essa visão da realidade e filosófica dos fatos é o Lula?

    "Todos problemas do mundo, está em torno do Dinheiro, do excesso gerado pela busca irrestrita de capital. O egoismo gerado pelo capitalismo, gera este mal, em essência, Ele aliena, Ele cria demandas desnecessárias."

    Se o dinheiro é o culpa de todos os problemas do mundo, não perca tempo; é só ir para a Amazônia e viver como Índio.

    "Isso cria um novo homem, um Eu capitalista, que não pensa mais em termos de sociedade, de compaixão pelo outro, de esforço próprio muscular e intelectual, mas sim em termos de estética e riqueza irrestrita.
    A ideia de quem um homem, deve trabalhar para seu sustento, foi totalmente subvertida pelo capital, no fundo, todos nós socialistas sabemos que esse não é um problema do PT, ou de qualquer politico, esse é um problema do capitalismo."

    Acha que trabalhar e ganhar dinheiro para o próprio sustento é "estética e riqueza irrestrita". Então o homem deve trabalhar apenas para satisfazer suas necessidades básicas? Faça assim então: Trabalhe, compre só o que for necessário para sua sobrevivência e faça uma doação do que restar.
  • Ricardo  10/11/2015 15:21
    Achei curioso (e pavoroso) perceber que o risco-Brasil já se aproxima do risco-Argentina, sendo que o da Argentina está com tendência de queda.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2219
  • Gabriel  10/11/2015 16:30
    E o pior que depois vão vir falar que não adianta deixar juros altos porque isso não segura a inflação e desestimula a produção. Mas ninguém comenta a verdadeira farra que está sendo feita pelos Bancos Públicos.

    Acho difícil a Dilma realmente resolver mudar tudo e fazer um verdeiro ajuste, ela vai ficar nesse jogo de cena (que aliás populistas adoram), para depois criticar o ajuste e dizer que ele não funciona. Isso até o momento que todos perderem a paciência com ela e resolverem tirar ela do poder.

    Dúvida que essa maluca consiga terminar o mandato.
  • Mário  10/11/2015 16:32
    Leandro,

    Inicialmente, parabéns por outro excelente artigo. É desolador ver como este atual governo destruiu tão rapidamente a economia.

    Uma dúvida: você disse, pouco antes do gráfico 6 (crédito dos bancos estatais e privados) que a expansão de crédito dos bancos estatais continua "firme e forte". Não houve sequer uma diminuição no ritmo (é o que o gráfico sugere)?

    Abraço!
  • Livio Luiz Soares de Oliveira  10/11/2015 16:52
    "Além daquele discreto aumento ocorrido a partir de 2014..." Excelente ironia!
  • Lucas  10/11/2015 17:09
    Até a imagem escolhida para ilustrar o artigo é brilhante! Parabéns e obrigado pela postagem.
  • Henrique  10/11/2015 18:14
    Mesmo se o governo empurrar com a barriga reformas mais profundas, dois anos de forte recessão (2015 e 2016) já seriam suficientes para corrigir as distorções e extinguir os investimentos errôneos?

  • Pedro Morais  10/11/2015 21:52
    Leandro,qual seria um sistema tributário menos pior,na visão da escola austríaca ?Seria impostos regressivos(como os impostos de Thatcher),para não atrapalhar o processo de acumulação de capital e,consequentemente,os investimentos?
  • Taxidermista  10/11/2015 22:14
    Prezado Leandro Roque, tomo a liberdade de postar esse excelente artigo escrito por você, em resposta à dúvida do colega:

    "Imposto de renda vs. imposto sobre o consumo - uma abordagem liberal clássica":

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=667
  • Leandro  10/11/2015 22:44
    E era exatamente este que eu postaria.

    Lembrando também que, do ponto de vista libertário, um "poll tax" seria o menos condenável.
  • Taxidermista  11/11/2015 11:27
    Bacana.

    Parabéns pelo trabalho, caro Leandro.
  • Pedro Morais  10/11/2015 23:58
    Obrigado,Taxidermista e Leandro
  • Taxidermista  10/11/2015 22:04

    Vinicius disse: "Bolsa-família é, do ponto de vista de programas de Estado, é o melhor mesmo. É dar dinheiro direto ao cidadão, assumindo que, como governo, eles não tem a competência de ficar cuidando de distribuir comida."

    Ok, essa é a sua opinião (e a do partido novo), opinião de quem acha legítimo que o Estado, sob coerção, retire a renda (fruto do trabalho) de determinadas pessoas para dar para outras pessoas. É a opinião de quem confere legitimidade ao estado assistencialista.
    A minha opinião é contrária: eu acho que essa transferência forçada de renda viola o direito de propriedade e a liberdade individual. É algo imoral e economicamente deletério (como qualquer "programa de Estado").


    Vinicius disse: "E, do ponto de vista de objetivos, se ele falar que vai extinguir o bolsa-família no dia 1º de janeiro, melhor nem se candidatar. Mesmo que ele o vá fazer, se ele disser isso é o mesmo que assinar o atestado de morte no Brasil. Não temos cultura o suficiente pra isso e, para poder termos a cultura pra isso, vamos precisar ir gradualmente."

    Bom, quem acha que o bolsa-família é o "melhor programa de Estado" (como é o seu caso) nem precisaria fazer essa consideração "do ponto de vista de objetivos".
    Como dito, a minha opinião é a de que toda e qualquer transferência forçada de renda viola o direito de propriedade e a liberdade individual, e eu não "modulo" essa minha opinião conforme a "cultura" do país.
    Seja como for, o que eu havia feito foi mostrar - sem emitir juízo de valor - que o libertarianismo não é a filosofia subjacente ao partido novo, e os seus comentários corroboram isso.


    Vinicius disse: "Não queira soluções mágicas e imediatas, elas não existem. Temos que dar passos em direção à solução, soluções mágicas na canetada só existem nas propagadas do governo (de qualquer governo)."

    Quem falou em "querer soluções mágicas e imediatas" aqui, amigo? Conforme eu disse no comentário anterior, eu simplesmente disse que o libertarianismo não é a filosofia subjacente ao partido novo. Apenas isso. Em momento nenhum eu falei sobre solução a ser adotada, seja ela mágica ou 'não-mágica', seja imediata ou mediata/gradual.
    De todo modo, os "passos em direção à solução", sugerido por você, incluem a defesa do estado assistencialista, algo que estou em completo e frontal desacordo.

  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  10/11/2015 22:58
    Como todos sabem, o Brasil está no buraco e não sairá tão cedo. Não adianta querer pôr a culpa em alguém que não seja o próprio povo brasileiro: na economia não existe a segunda chance e, mesmo que houvesse, o Brasil a desperdiçaria. As perdas econômicas do Brasil de 2002 até hoje são IRRECUPERÁVEIS. Mesmo que haja uma "recuperação", não há como voltar no tempo. Perdeu-se tempo, dinheiro e vidas! Por nada!
  • Wesley  11/11/2015 00:16
    Leandro, aumentar ainda mais os juros não elevará a dívida pública (que já está elevada) a um patamar perigoso? Porque o aumento dos juros vai onerar o Estado em muitos bilhões. Isso não vai complicar ainda mais as finanças do país?
  • Leandro  11/11/2015 02:36
    Elevar juros durante dois anos e meio (de 7,25% para 14,25%, de abril de 2013 até hoje) e, a partir de então, dizer que os juros ficarão permanentemente em 14,25% por um tempo indeterminado, é que é uma atitude que "leva a dívida pública a um patamar perigoso".

    E foi exatamente isso o que o Banco Central fez.

    Já eu disse que o certo seria, ainda em 2013, ter dado uma pancada definitiva nos juros -- por exemplo, de 7,25% para 14,25% --, deixando-os neste patamar alto por não mais do que 6 meses (dificilmente seria necessário mais do que isso, vide o ano de 2003), e voltando a cair desde então.

    Garanto-lhe que esta medida não apenas seria muito mais eficaz no combate à inflação, como também seria muito menos onerosa às finanças. O tempo em que a SELIC ficaria efetivamente alta seria muito menor.

    De resto, vale lembrar que os títulos públicos mais comprados atualmente são aqueles indexados ao IPCA. Há títulos pagando anualmente 7,35% mais 10% (que é o IPCA), o que dá 18% ao ano, muito mais do que a SELIC, que está em 14,25%.

    O pessoal fala da SELIC, mas se esquece de que um IPCA continuamente alto sai ainda mais caro para o Tesouro.
  • Andre  11/11/2015 12:01
    Mas um IPCA muito alto acaba tendo a vantagem de fazer o pib nominal crescer muito né. A relação dívida/pib no Brasil não entrou num modo "Grécia" pois a inflação não deixa. Além de que a inflação muito alta faz o peso dos impostos aumentar (imposto sobre lucro não leva em conta a inflação, e tem um artigo aqui no mises que explica como isso leva à desindustrialização). Claro que tudo isso é extremamente prejudicial para a economia como um todo, mas para um governo que quer equilibrar o orçamento, a inflação alta (à primeira vista) é benéfica.
  • Vander  11/11/2015 00:17
    Mas destruir a economia sempre foi um dos principais objetivos socialistas/comunistas. Nenhuma novidade até aqui.
  • Sou da grandiosa Escola de Campinas e me orgulho disso  11/11/2015 00:43
    Nunca vi tanta tara por austeridade assim...

    Se a burguesia e os grandes banqueiros que controlam o capital financeiro não fossem tão sedentos por lucro, a classe trabalhadora poderia desfrutar de dinheiro mais barato e a demanda agregada seria estimulada de forma com que o fluxo circular permaneceria constante. Mas nããão, preferem manter seus spreads a níveis absurdos solapado sob discurso de uma eventual armadilha de liquidez. Mas graças ao nosso saudoso Dr. Mantega, não estamos vivenciando uma recessão de fato(o que se passa hoje não é nada mais do que pura choradeira da midia golpista e da burguesia reacionária que não vai pra Miami).

    Precisamos de mais estímulos estatais. Se os banqueiros não concordarem com uma política mais flexível, podemos usar os nossos bancos(notoriamente solventes) para injetar liquidez na economia e voltarmos a crescer.

    Vocês aqui do Mises precisam ler mais obras de grandes economistas como Keynes ou Marx, ou até mesmo acompanhar os contemporâneos como Bernanke, Mantega, Alan Greenspan, Tim Geithner, Paul Krugman ao invés de pseudo-filosofos como Peter Schiff, Jesús Huerta de Soto e por aí vai.
  • anônimo  11/11/2015 08:54
    'Vocês aqui do Mises precisam ler mais obras de grandes economistas como Keynes ou Marx, ou até mesmo acompanhar os contemporâneos como Bernanke, Mantega, Alan Greenspan, Tim Geithner, Paul Krugman'

    Esse aí entende...quem disse que não leu? Tem artigos inteiros aqui comentando esse pessoal.
  • Campinas? Linda cidade!  11/11/2015 10:25

    Resposta à Querida Típica Escola de Campinas:

    É válido debater a validade de qualquer AUSTERIDADE. Mas aqui no Brasil, a coisa é muito mais embaixo:

    1) Fala-se em AUSTERIDADE... mas não há... nem o tal AJUSTE existe... nop... zero, nada. Vamos caminho de 2016 com deficit recorde de mais de R$100 bi, e crescendo ano a ano. Isso é o oposto de AUSTERIDADE.

    2) O Governo tenta culpar o Congresso por não aprovar o AJUSTE. Da mesma forma culpa à população por mansamente não aceitar o pau na bunda do IMPOSTASSO. Mas todos sabemos que essa é uma falácia brega, porque a culpa do deficit é exclusiva do Governo PT. Portanto, no mínimo caberia ao mesmo primeiro cortar suas próprias despesas (cargos de confiança, funcionários sem concurso público, com concurso público, despesas correntes etc etc etc).
    Ao final, você faz a dívida, você leva vida de Sultão dos Emiratos, desperdiça, rouba, mente etc... e ainda tenta enfiar o problema nos outros? Caso existisse a tal FILOSOFIA MORAL, o Governo teria renunciado.

    3) Como parte do seu DNA intervencionista, populista e demagogo, o Governo PT repetidamente aumentou salários acima da inflação, estuprando os já fracos índices de produtividade brasileira. Ao mesmo tempo e por causa do mesmo DNA, seletivamente favoreceu alguns setores empresariais isentando impostos, dificultando importação etc. Hoje obviamente a coisa virou um caos, Brasil é altamente improdutivo, o setor empresarial é fraco, e os cofres públicos caminham à falência. Corrigir essa situação nada tem a ver com AUSTERIDADE ou AJUSTE, e sim, tem a ver apenas com bom senso, reparar o grave dano que o Governo causou em 13 anos. Portanto, deveria se chamar de REPARAÇÃO (e não AUSTERIDADE).

    4) O Governo após 13 anos, deixa um rombo astronômico de R$100 bi, com uma regressão de mínimo 30 anos na economia (inflação, desemprego, deficit, falta de investimento, baixa produtividade, baixo setor industrial etc). Somado a isso, deixa também um país sem infraestrutura, com uma saúde pior, educação pior, segurança pior etc. Sem mencionar uma população mais embrutecida, e mais dependente dos Bolsas Cabrestos e das Tetas do Estado gigante. Porém, e ainda mais grave, o Governo NÃO deixa futuro para o Brasil.
    Neste contexto, o debate da AUSTERIDADE é irrelevante, porque a população deveria enfocar no debate do futuro: A troca do Governo, ou a continuidade do mesmo. O problema é que ainda que o Governo continue até 2018, o mesmo NÃO tem propostas para o futuro. E caso as tenha, não tem condições de implantá-las.

    5) Na melhor das hipóteses de que exista AUSTERIDADE, vai fracassar. Ocorre que o problema não é a AUSTERIDADE ou não AUSTERIDADE. O problema é o Governo, que perdeu a confiança do mercado. O Governo com sua incompetência e negligência, afastou os capitais produtivos. Tudo sem mencionar a próxima alta de juros em USA, enxugando ainda mais a liquidez mundial. Portanto, Brasil ficou condenado a uma longa resseção, no melhor dos casos estagnação ou pequeno crescimento... a herança do PT. O próximo governo, seja até 2018 ou depois, pegará a maior batata quente dos últimos 20 anos.

    6) A chamada verdadeira AUSTERIDADE, verdadeiro AJUSTE etc, não passa pelos atuais minúsculos e ridículos cortes orçamentários, pequenas maquiagens e tapa-buracos contáveis (como hoje o Governo tenta fazer). E sim, passa pelas REFORMAS TRIBUTÁRIA, TRABALHISTA, PREVIDENCIÁRIA, POLÍTICA, EDUCACIONAL etc etc etc. O Governo atual está anos luz disto... em 13 anos não fez nada... nem possui capacidade e competência para isto no futuro.

    Resumindo, é uma perda de tempo se falar em AUSTERIDADE, quando no Brasil o buraco é muito mais embaixo. O governo PT transformou o Brasil num tipo de Grécia.
    E quando o Titanic afunda, você não se preocupa em se haverá ou não sobremesa no jantar. É hora de se falar na sobrevivência, salvar a maior quantidade possível de pessoas. É hora de qualquer Governo cortar as mamatas, e trabalhar duro.
  • Yves Leonardo  11/11/2015 00:57
    (tentei postar mais cedo mas não sei se foi, se tive repetido pode apagar)
    Leandro, você acredita que o Brasil ser encontra numa situação que alguns economistas do mainstream estao chamando de dominância fiscal?
  • Leandro  11/11/2015 02:46
    O argumento em si é correto, mas ele tem o defeito de ignorar que a alternativa -- deixar como está -- é ainda pior.

    De fato, na nossa atual situação — de descontrole fiscal, taxa de câmbio instável e inflação de preços perto de 10% —, um aumento de juros tende a gerar um ciclo vicioso: a subida dos juros encarece o serviço da dívida (como há emissões quase que diárias de títulos, quanto maiores os juros, maior o serviço da dívida a ser paga sobre esses novos títulos emitidos); consequentemente, o Tesouro tem de se endividar (lançar mais títulos) apenas para pagar o serviço da dívida; consequentemente, a dívida do governo aumenta; consequentemente, a relação dívida/PIB, já alta, se deteriora ainda mais; consequentemente, o risco-país aumenta e o grau de investimento da Moody's e da Fitch ficam ainda mais em risco. E tudo isso gera ainda mais desvalorização cambial, o que pressiona ainda mais inflação de preços.

    Conclusão: elevar juros tendo uma política fiscal frouxa e trabalhando com câmbio flutuante é quase um suicídio.

    Por outro lado, a inação garantirá um IPCA permanentemente alto, e isso também afeta as finanças. Vale lembrar que os títulos públicos mais comprados atualmente são aqueles indexados ao IPCA. Há títulos pagando anualmente 7,35% mais 10% (que é o IPCA), o que dá 18% ao ano, muito mais do que a SELIC, que está em 14,25%.

    O pessoal fala da SELIC, mas se esquece de que um IPCA continuamente alto sai ainda mais caro para o Tesouro. Um IPCA alto também gera dominância fiscal.
  • Tannhauser  11/11/2015 12:34
    Exato.

    E a maioria é pré-fixado. Ou seja, não é atrelado a SELIC e depende da expectativa do credor quanto ao futuro do país.

    Se a SELIC baixasse amanhã para zero, os pré-fixados subiriam ainda mais, já que a expectativa de aumento da inflação de preços e descontrole fiscal e consequente calote subiria.



  • Refugiado do socialismo  11/11/2015 02:06
    O país vai quebrar se alguém soltar um peido do BC.

    As soluções podem ser simples, mas não têm homem no governo para resolver. Alí só tem populista canalha.

    Para mim está claro que a intensão é quebrar o país. Eles detonaram as mais empreiteiras do país, ferraram com a economia, detonaram as estatais, roubaram bilhões, etc.

    Amigos de assassinos cubanos e comunistas sanguinários são terroristas. Será que ninguém percebe que são terroristas no governo ?

    No final, como fazia Vladimir Lenin, eles irão comprar as cordas dos empresários para depois enforcá-los.


  • Rhyan  11/11/2015 06:27
    Leandro, poderia me explicar resumidamente como a Escola Austríaca interpreta essa explicação mainstream desses gráficos tirados do livro de introdução do Mankiw?

    s3.postimg.org/3lk4fkpcz/Sem_t_tulo.png

    Muito obrigado!
    Abraço!
  • Leandro  11/11/2015 13:26
    Não tem nada de muito errado com elas. Apenas tenha em mente que o país que está sendo representado nos gráficos são os EUA, e que o dólar é a moeda nacional.

    Ou seja, quando ele fala em dólares, ele está se referindo à moeda do país representado nos gráficos. E quando ele fala em moeda estrangeira, ele se refere à moeda pela qual os dólares (que é a moeda nacional) serão trocados.

    Por exemplo, no cenário 2 ("Efeitos de um déficit orçamentário do governo"). Quando o governo incorre em déficits, ele se financia com o dinheiro que os bancos, a população e as empresas do país irão lhe emprestar. Ato contínuo, sobra menos dinheiro para ser emprestado para o setor privado. Os juros sobem.

    Simultaneamente, tanto por causa dos juros mais altos quanto por causa dos empréstimos concedidos ao governo, haverá menos disposição para se fazer investimentos no exterior. Consequentemente, haverá menos moeda nacional sendo ofertada no mercado de câmbio para ser trocada por moeda estrangeira. Conseqüentemente, a taxa de câmbio irá se apreciar (há menos moeda nacional sendo ofertada no mercado de câmbio, e essa menor oferta encarece seu preço).
    Consequentemente, com câmbio mais apreciado, há mais importações.
  • Rhyan  11/11/2015 17:04
    Certo! Se não me engano, o último gráfico é sobre o México. Meu problema com a segunda figura era justamente o câmbio. A EA não defende que o valor do câmbio (real) é a paridade do poder de compra entre as moedas ao invés da oferta e da demanda de moedas em mercado de câmbio?
  • Leandro  11/11/2015 18:12
    Ah, sim, mas isso aí é daquelas coisas que a gente dá de barato e deixa passar. Até porque a taxa de câmbio de curto prazo (de um a dois dias) é sim afetada por essa questão da oferta e demanda, cujo desequilíbrio, por sua vez, não dura para sempre.

    A paridade do poder de compra define o câmbio de longo prazo. Os movimentos de curto prazo, como de um dia para o outro, podem sim ser afetados por fatores pontuais.
  • Fernando  11/11/2015 10:24
    O governo teve que aumentar os juros, porque os títulos do tesouro estão apodrecendo. Eles não conseguem fazer a rolagem da dívida.

    A melhor opção seria o ajuste fiscal e valorização da moeda. A dívida pública é a maior despeza do governo. Não iremos resolver um problema da inflação, aumentando o maior problema. Isso é bizarro!

    Eu faria bem diferente. Como todos os países ricos possuem taxas de juros baixas e moeda valorizada, eu faria a mesma coisa. Moeda valoriza e juros baixo só traz estabilidade para a economia. Não posso ser contra um modelo que está funcionando em vários países.

    Subir juros sem valorizar a moeda, só vai trazer recessão, mais dívidas e a inflação vai reduzir muito pouco.

    Não precisamos fazer uma dolarização, mas o dólar precisa cair para menos de 2 reais. A poupança foi reduzida a pó, porque a inflação está tornando a poupança um investimento que dá prejuízo. Quase todos os investimentos estão perdendo para a inflação. Não adianta aumentar os juros dos investimentos, precisamos reduzir a inflação. Os juros já estão altos, mas perdem para a inflação. O problema é a inflação e não é a taxa de juros.

    Esse ajuste fiscal do governo é como se fosse um aumento de juros para 100%, porque a inflação está em 70%. Bizarro esse negócio !

    Um país onde a inflação ganha da caderneta de poupança, possui grandes possibilidades de colapso financeiro.


    Enfim, estou aguardando o Tombini injetar 1 bilhão de dólares por dia no mercado de câmbio e reduzir a selic.Isso vai resolver o problema.


  • Refugiado do socialismo  11/11/2015 11:19
    Os Titãs da escola austríaca são imbatíveis na área econômica . É por isso que eu estou sempre lendo os artigos do IMB.

    Não quero tentar empurrar o Joaquim Levy para fora do movimento liberal, mas ele não é um Titã da EA e nem de Chicago.


    Joaquim Levy decepcionou ! Levy virou um burocrata do governo fiscalista.


  • André  11/11/2015 11:35
    Seria uma boa resposta a um artigo que o Vladimir Safatle escreveu na Folha recentemente, afirmando que não há intervencionismo no Brasil
  • Tiago silva  11/11/2015 12:55
    Mas juros altos não coibirão a gastança o,crédito barato e fomentariam a acumulação de capital,Leandro.
  • Ayn Rand  11/11/2015 13:24
    [OFF topic]

    Leandro, o que você pensa da ideia do Amoedo de dar as ações da Petrobrás ao povo brasileiro?
    O que acontece quando simplesmente se dá boa parte das ações de uma empresa, sem cobrar nada?
    A empresa perderia boa parte de seu valor de mercado?
    Estou vendo muitas pessoas defendendo esta ideia, que parece absurda.
    Talvez esse seja um bom tema para um próximo artigo.


    Abraços
  • Leandro  11/11/2015 13:29
    Essa ideia (não sei se é a mesma do Amoedo) não só já foi abordada, como também defendida por mim neste artigo, o qual foi escrito quando a Lava-Jato ainda engatinhava.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1837
  • Ayn Rand  11/11/2015 13:51
    Li o artigo, Leandro. Sim, é a mesma coisa que o Amoedo falou.
    Entretanto, não parece uma solução a ser tomada a sério... Não sei se estou errando, mas:

    1 - A ideia de abrir o capital de uma empresa é obter dinheiro para reaplicação.
    2 - A Petrobrás não é totalmente pública, o acionista majoritário é a União. E as únicas ações que o Amoedo poderia teoricamente distribuir são essas. Ele não pode obrigar os investidores privados a venderem suas ações.

    Então, haveria desonestidade para com os investidores privados. Ao fazer essa manobra de dar, sem cobrar nada, boa parte da empresa, cairá sua market cap, seu valor de mercado.
    Cada pessoa vai estar administrando uma quantia insignificante, parece provável que por isso seriam todas vendidas logo para investidores profissionais (por que eu manteria, vou chutar 8 reais rendendo nada em uma corretora, pagando taxas de corretagem e outras ainda?).
    No meio disso você perdeu o dinheiro das ações que a União detinha.
    Dá-las equivale a uma distribuição de renda pura e simple, pois alguém que nunca gerou muito valor, ou que tem uma contribuição minoritária em impostos, receberá uma ação de presente.
    E haveria um problema ético, há uma parcela da população não desprezível que não sabe ler ou cuidar de ações.
    Sob esses aspectos, esta ideia não parece muito razoável. Privatizar a empresa vendendo tudo para quem quiser comprar parece mais razoável.
  • Leandro  11/11/2015 14:15
    "A Petrobrás não é totalmente pública, o acionista majoritário é a União. E as únicas ações que o Amoedo poderia teoricamente distribuir são essas. Ele não pode obrigar os investidores privados a venderem suas ações."

    Ele defende que investidores privados sejam obrigados a venderem suas ações?! Duvido muito.

    Eu certamente não defendo, e o artigo por mim linkado é claro quanto a isso: apenas as ações em posse do governo é que devem ser distribuídas.

    "Cada pessoa vai estar administrando uma quantia insignificante, parece provável que por isso seriam todas vendidas logo para investidores profissionais (por que eu manteria, vou chutar 8 reais rendendo nada em uma corretora, pagando taxas de corretagem e outras ainda?)."

    Isso se chama livre arbítrio. O que cada um fará com suas respectivas ações é problema exclusivamente individual. Você achar que elas não farão um bom uso dessa ação é imaterial. Faz tanto sentido quanto você dizer que pessoas pouco instruídas não devem receber salários porque não saberão utilizar o dinheiro de maneira racional.

    "No meio disso você perdeu o dinheiro das ações que a União detinha."

    Não entendi. As ações em posse da União dão dinheiro apenas para ela própria, e não para mim. Por que eu perdi esse dinheiro?

    "Dá-las equivale a uma distribuição de renda pura e simple, pois alguém que nunca gerou muito valor, ou que tem uma contribuição minoritária em impostos, receberá uma ação de presente."

    Foi justamente o povo, por meio de seus impostos e do pagamento de uma das gasolinas mais caras do mundo, que sustentou a Petrobras. Não faz sentido você dizer que o povo "nunca gerou muito valor ou [...] tem uma contribuição minoritária em impostos".

    O povo receber uma mísera ação da Petrobras -- povo esse que bancou a Petrobras -- não tem nada de "presente".

    "E haveria um problema ético, há uma parcela da população não desprezível que não sabe ler ou cuidar de ações."

    Você está dizendo que o povo é imbecil demais para gerenciar uma ação e que, por isso mesmo, não pode recebê-la. Voltamos à mesma lógica do salário: na prática, você está dizendo que pessoas não devem receber salários pois não saberão utilizar o dinheiro de maneira racional.

    "Sob esses aspectos, esta ideia não parece muito razoável. Privatizar a empresa vendendo tudo para quem quiser comprar parece mais razoável."

    E dar o dinheiro para políticos e burocratas? Essa é a ideia "mais razoável"?

    Ora, por que políticos e burocratas é que devem ficar com o dinheiro de um ativo que foi criado com o dinheiro de impostos do povo? Dentre todas as formas de privatização, essa é disparada a pior.

    Se for para vender um ativo construído com o dinheiro de impostos do povo, então faz muito mais sentido redistribuir o dinheiro da venda entre toda a população.

    Por que o dinheiro da venda de um ativo que foi construído com os impostos do povo deve ir para políticos e burocratas? Isso não é nem ético e nem justo.
  • Matias  11/11/2015 15:36
    Eu vi a entrevista do Amoedo no Globo News. Essa ideia me pareceu mais um argumento dele a favor da privatização do que qualquer proposta prática.
  • Gustavo   11/11/2015 15:11
    Leandro, você pode informar qual a fonte dos dados desses gráficos?
  • Leandro  11/11/2015 16:45
    Séries temporais do Banco Central.

    www4.bcb.gov.br/pec/series/port/aviso.asp
  • Jonathan William  11/11/2015 16:41
    Excelente artigo, Leandro. Você é um dos caras que mais me inspiraram a cursar Economia, aprendo bastante a cada artigo seu, muito obrigado!
  • Leandro  11/11/2015 17:51
    Obrigada pelas gentis e imerecidas palavras, prezado Jonathan. Grande abraço!
  • Luiz Antonio Soares  11/11/2015 17:53
    Parabéns pela forma simples e objetiva de mostrar como um plano de poder e não de governo arrebentaram este país.
    A nossa sorte é que as três tentativas feitas pelo PT de implementar a Lei da Mordaça(Regulamentação dos Meios de Comunicação)estas não passaram no congresso.
    At,
    Luiz Antonio
  • Henrique  11/11/2015 20:33
    Amigos, não podemos nos esquecer que déficits públicos bem empregados levam ao aumento da riqueza no setor privado. Vide o Minha Casa Minha Vida. O aumento dos valores dos imóveis não aumentou o patrimônio das famílias? Sem o MCMV essas mesmas famílias não teriam um patrimônio menor?


    Abraços.
  • Dante  11/11/2015 22:28
    "déficits públicos bem empregados levam ao aumento da riqueza no setor privado."

    Corretíssimo. Os déficits públicos têm feito a minha alegria no Tesouro Direto, elevando a minha riqueza de uma maneira que jamais conseguiria caso tivesse de servir aos desejos de consumidores exigentes.

    No dia 24 de setembro, apliquei R$ 270 mil numa LTN que pagava 16,28%. No dia 5 de novembro (meros 27 dias úteis depois), o preço do título havia subido e o Tesouro recomprou de mim por R$ 283.671.

    De fato, os déficits do governo estão aumentando e muito a minha riqueza privada.

    E aumentam também a riqueza de vários empresários ligados ao regime.

    Se o governo disser que irá gastar mais com assistencialismo, os bancos e os demais rentistas (como eu) irão financiar o déficit, auferirão os juros e os otários pagadores de impostos arcarão com os custos desses juros. Se o governo disser que irá gastar mais com saúde, além dos bancos e de mim, as empresas do ramo médico — desde as grandes fornecedoras de equipamentos caros aos mais simples vendedores de luvas de borracha — também irão lucrar mais. Se o governo disser que irá construir mais casas, as empreiteiras e eu iremos rir à toa.

    Você está absolutamente correto. Por mim, quanto mais déficits, melhor.

    "Vide o Minha Casa Minha Vida. O aumento dos valores dos imóveis não aumentou o patrimônio das famílias? Sem o MCMV essas mesmas famílias não teriam um patrimônio menor?"

    Sei lá. O que eu sei é que, de novo, para financiar tudo isso, o Tesouro Direto me paga juros gostosos, aumentando em muito a minha riqueza. Sendo assim, mais MCMV por favor!
  • Meirelles  11/11/2015 22:30
    "Vide o Minha Casa Minha Vida. O aumento dos valores dos imóveis não aumentou o patrimônio das famílias? Sem o MCMV essas mesmas famílias não teriam um patrimônio menor?"

    Um financiamento de imóveis feito por bancos estatais — Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil — paga juros muito abaixo da SELIC. Atualmente, a SELIC está em 14,25%, mas o BB cobra juros de apenas 6,50% no financiamento da compra de imóveis. A Caixa cobra 6,87%.

    Trata-se de um banquete para os especuladores imobiliários, e uma tragédia para os mais pobres, que sofrem as consequências do aumento dos preços

    Tudo isso contribui para um aumento significativo no preço dos imóveis em centros urbanos altamente demandados.
  • Henrique  12/11/2015 11:33
    Tragédia para os mais pobres? Eles agora têm condições privilegiadas de financiamento. Não entendi o seu argumento...


    Abraços.
  • Guilherme  12/11/2015 12:05
    As "condições privilegiadas" já eram. Vá ver se há pobres conseguindo empréstimos nos bancos no mesmo volume que conseguiam há dois ou três anos. Aliás, eles nem sequer têm mais empregos.

    Os empregos e as condições de crédito farto já se foram. Mas os preços altos dos imóveis ficaram, e os pobres voltaram para seus barracões e puxadinhos.
  • anônimo  12/11/2015 12:29
    "Eles agora têm condições privilegiadas de financiamento."

    E quem está pagando essa condição? ora bolas.

    Vejamos quem perde e quem ganha:

    - As construtoras Lucram.
    - Os bancos públicos Lucram.
    - Os novos moradores ganham a casa, mas também uma dívida com o Banco.
    - O restante da população paga pelo financiamento e ainda vai ter que lidar com imóveis mais caros - Tá ferrado aquele ser de classe média que mora de aluguel, mas não se enquadra no perfil do programa - tipo eu ).
  • Damião  11/11/2015 22:06
    Leandro, quanto vc tem guardado no banco?
  • Leandro  11/11/2015 22:27
    Quer também a agência, número da conta e as senhas do internet banking?
  • Dede  12/11/2015 16:42
    kkkk

    Que figura!
  • Damião  12/11/2015 17:11
    Leandro, eu gostaria de saber como você administra seu dinheiro, pois você me parece ser sensato, você investe no quê? que ações você tem/títulos públicos?
  • Pobre Paulista  12/11/2015 12:17
    Nada, ele estoca ouro num bunker no quintal da casa dele ;-)
  • Gabriel  11/11/2015 22:54
    Leandro ou quem saiba a resposta, gostaria que me tirassem uma dúvida. Quando o Banco Central quer aumentar a taxa de juros ele simplesmente para de realizar operações no mercado aberto comprando títulos públicos (que injetariam liquidez no sistema bancário)? Ou ele continua realizando essas operações, mas dessa vez no sentido inverso, ou seja vendendo títulos públicos para os bancos (que retiraria liquidez do sistema bancário)?

    E há alguma relação dessas operações com o tamanho do aumento da selic? Ou seja, se o governo quiser dar um "choque" na taxa de juros ele passa a realizar operações de venda de títulos para os bancos, ao passo que se ele quiser sumir "um pouquinho" ele só para de continuar comprando títulos para continuar injetando liquidez no sistema?
  • Leandro  11/11/2015 23:51
    "Quando o Banco Central quer aumentar a taxa de juros ele simplesmente para de realizar operações no mercado aberto comprando títulos públicos (que injetariam liquidez no sistema bancário)? Ou ele continua realizando essas operações, mas dessa vez no sentido inverso, ou seja vendendo títulos públicos para os bancos (que retiraria liquidez do sistema bancário)?"

    O que for mais eficaz. Tudo vai depender do grau almejado do aumento dos juros, do grau de liquidez dos bancos e do aquecimento da economia.

    "E há alguma relação dessas operações com o tamanho do aumento da selic?"

    Sim. Quanto maior for o aumento almejado, maior a propensão a vender títulos em vez de apenas interromper a injeção de liquidez.

    "Ou seja, se o governo quiser dar um "choque" na taxa de juros ele passa a realizar operações de venda de títulos para os bancos, ao passo que se ele quiser sumir "um pouquinho" ele só para de continuar comprando títulos para continuar injetando liquidez no sistema?"

    Exatamente.
  • Sven  12/11/2015 00:03
    Leandro,

    Grato pelos detalhes deste assunto, de forma esclarecedora.

    Pergunto-lhe se o cenário mencionado em www.infomoney.com.br/mercados/na-real/noticia/4398738/para-joaquim-levy-com-carinho é realmente possível, principalmente para o destaque, abaixo:

    "
    Agora, o Ministro Joaquim Levy será apeado da esplanada do Ministério porque, segundo a
    "turma de Lula", "ele não dá futuro". Sinceramente, o argumento poderia até ter fundamento,
    mas está claro que a coisa tem outro e mais profundo fundamento.

    Levy está sendo vítima da ausência de acordo político mínimo que possa fazer o equivalente
    benefício mínimo pelo país. O Congresso não vai sair do lugar enquanto não souber qual é o
    horizonte de poder, não propriamente o econômico, relacionado ao interesse público. Assim,
    "sentou em cima das reformas e das medidas fiscais" e está negociando o espaço possível
    nos pactos de exercício do poder futuro. Lula et caterva é uma dessas fontes. O ex-presidente sabe que a sua ex-pupila Dilma Rousseff precisa ser materialmente expulsa do
    poder, mesmo que formalmente permaneça lá até 2018. Para isso, já retirou os principais
    nacos de poder da mão da presidente eleita pelo voto popular há apenas um ano e entregou
    para a sua turma, aquela que pode estar com ele em 2018. Agora Lula vai pegar o último
    esteio na mão de Dilma: a economia. Levy vai junto.

    O paradoxo é que a presidente há de conviver provavelmente com Henrique Meirelles a
    quem ela detesta. O banqueiro fará provavelmente o que Levy faria. Não teremos
    propriamente novidades. Esta estória de "reativação do consumo e do crédito" é "papo para
    político dormir". Meirelles provavelmente vai adotar um aumento de tributos, enquadrar
    alguns gastos públicos e pavimentar o caminho para que a taxa de inflação caia mais à
    frente. A aposta de Meirelles, um ex-deputado federal que não assumiu o mandato para
    assumir o BC no primeiro mandato de Lula, é que a estabilização da economia possibilitará
    que ele consolide a sua carreira política. É ambicioso e sabe frequentar os corredores do
    poder econômico e também do poder político. A cadeira que já foi de Lula e hoje é de Dilma
    é a que o futuro ministro da Fazenda mais quer. Não tenhamos dúvidas disso.
    "

    Já é possível perceber certos 'movimentos' para reativar o consumo e o crédito.

    Só que isto poderia injetar gasolina, nesta fogueira ?

    Quais poderiam ser as consequências, a curto, médio e longo prazos ?

    Há indícios históricos de algo parecido ?

    A criação de dinheiro 'do nada' pelos bancos públicos não seria o mesmo que ocorreu na Argentina (através da impressão de moeda), em 2001 ?

    Favor comentar.

    Grato desde já.
  • Leandro  12/11/2015 17:37
    "Já é possível perceber certos 'movimentos' para reativar o consumo e o crédito. Só que isto poderia injetar gasolina, nesta fogueira ?"

    Não visualizo este cenário por enquanto. Os bancos privados dificilmente vão embarcar nessa. O risco vem dos bancos estatais, mas mesmo estes têm de seguir especificações das regras de Basileia, de modo que sempre terá de haver algum comedimento.

    Com o endividamento das famílias em níveis recordes, a inadimplência crescendo, a renda caindo e o desemprego aumentando, vai ser difícil convencer os bancos a saírem emprestando a rodo para pessoas com baixa capacidade de quitação dos empréstimos.

    "Quais poderiam ser as consequências, a curto, médio e longo prazos ?"

    Ótima oportunidade para investir no Tesouro Direto.

    "Há indícios históricos de algo parecido ?"

    Desde a globalização, não. O que chegaria mais perto seriam a Venezuela e a Argentina.

    "A criação de dinheiro 'do nada' pelos bancos públicos não seria o mesmo que ocorreu na Argentina (através da impressão de moeda), em 2001 ?"

    Todos os bancos operam da mesma maneira. Muda apenas o grau de discernimento de cada um.
  • Sven  13/11/2015 21:49
    Olá, Leandro,

    Grato por comentar. Eu gostaria de poder remodelar algumas questões com mais algum conteúdo, se me permite:

    >> "Já é possível perceber certos 'movimentos' para reativar o consumo e o crédito."
    > Só que isto poderia injetar gasolina, nesta fogueira ?

    Quando eu lhe questionei à respeito, é porque estes movimentos estão sendo conduzidos (nos bastidores) pelo EX-presidente lula neste momento (nos bastidores), enquanto o Levy continua sendo frito, em fogo baixo.

    A grande questão aqui é saber quanto o ex-presidente lula acredita que é possível "vender esperança" com uma dose maior de crédito. Alguém sabe dizer quem são os acessores econômicos do ex-presidente ? São todos keynesianos ? Tem alguém (entre os acessores) que lê história (sucessos e fracassos da ideologia política) ?

    >> "Quais poderiam ser as consequências, a curto, médio e longo prazos ?"
    > Ótima oportunidade para investir no Tesouro Direto.

    Compreendo que os títulos do Tesouro Direto sejam uma boa opção, mas não deixa de ter algum risco por parte do governo brasileiro querer mudar as regras do jogo (adotando um imposto, por exemplo) mais para frente (quando a situação chegar ao fundo do poço), pois governos desesperados podem tomas medidas desesperadas (algo que eu também não visualizo no momento, mas em 1990 houve o confisco). Até quando um governo tem como aguentar e qual seria o sinal para identificar como sair de um risco destes ? Quais outras alternativas para preservar valores, sem que o banco ou o governo tenha condições de 'meter a mão' (além do dólar e do ouro, claro) ?

    >> "Há indícios históricos de algo parecido ?"
    > Desde a globalização, não. O que chegaria mais perto seriam a Venezuela e a Argentina.

    Eu perguntei mesmo já tendo alguma idéia da resposta, só para confirmar o fato de que são dois exemplos bastante críticos e severos, muito embora eu também tenho a impressão de que nem todo mundo está prestando atenção. Aprendi bastante sobre a crise argentina de 2001 através deste site e a crise da venezuela, bem, está (quase) todo mundo acompanhando.

    A verdadeira questão aqui é quando isto poderia acontecer. Antes de 2018, ou depois ?

    >> "A criação de dinheiro 'do nada' pelos bancos públicos não seria o mesmo que ocorreu na Argentina (através da impressão de moeda), em 2001 ?"
    > Todos os bancos operam da mesma maneira. Muda apenas o grau de discernimento de cada um.

    Quando fiz referência à impressão de dinheiro por parte da argentina em 2001, trata-se de papel-moeda, que foi impresso em quantidades cada vez maiores (é só ver o documentário de Niall Fergusson, denominado "Sonhos de Avareza", que explica resumidamente toda a história do dinheiro. Compreendi como o planeta finanças funciona, de fato.

    No entanto, através dos mecanismos de criação de dinheiro 'do nada' não é a mesma coisa ? Não devo classificar o aumento de 'dinheiro criado do nada' como inflação REAL, da moeda ?

    Eu sempre entendi que ao se criar dinheiro, a inflação aparece como resultado.

    Favor comentar, assim que lhe for possível.

    Grato desde já.
  • Juliana  12/11/2015 00:22
    Olá!

    O CDS (Credit Default Swap, gráfico 4) está indicado em quê? Às vezes acontece de jogarem os números no gráfico e não colocarem em que estão expressos. E isso não é muito uma pergunta. É mais um toque para nas próximas ocasiões se estar mais atento e informar quando preciso, para facilitar o trabalho do leitor.

    Mas gostei bastante do artigo, que está ótimo. Ficou muito interessante ver todos esses gráficos assim juntos. Sei que são fundamentais, mas eu não era muito fã de dados e estatísticas — porque existem dados para tudo no mundo e satisfazendo a qualquer preferência, o que é muito engraçado —, mas isso está começando a mudar. Agora imagine só um gestor de uma empresa apresentando esses gráficos como indicadores do seu desempenho. Pior que isso, imagine que esse era exatamente o "plano de negócios".

    Abraços!
  • Leandro  12/11/2015 00:58
    CDS são mensurados em pontos-base.

    Um CDS de 100 pontos-base indica que o investidor que comprar um título desse país irá pagar o equivalente a 1% da sua carteira pela proteção oferecida pelo vendedor do CDS.

    No caso do Brasil, cujo CDS está em torno de 450, um investidor que emprestar US$ 10 milhões ao governo terá de pagar US$ 450 mil ao ano para o vendedor do CDS.
  • Juliana  12/11/2015 14:44
    Resposta melhor do que a esperada. Obrigada!
  • amilton maciel monteiro   12/11/2015 17:05
    Todo mundo já sabe que o PT é o partido da PesTe.
    amilton
  • Miga Tado  12/11/2015 18:09
    No Brasil o governo é enorme e nada funciona porque políticos podem colocar qualquer um em cargos comissionados por indicação política para executar suas ordens. O mais triste é que quanto mais indicados corruptos um político tem, mais dinheiro ele ganha de caixa dois de campanha e maior a chance dele se reeleger. O resultado é um estado pesado, incompetente, interventor e corrupto onde os piores políticos sempre se reelegem. Se acabarmos com os cargos por indicação política acabamos com este ciclo vicioso. Entenda porque isso é tão importante lendo o texto do link: https://secure.avaaz.org/po/petition/Poder_legislativo_federal_FIM_DOS_CARGOS_POR_INDICACAO_POLITICA/share/?new
  • Bernardo Carvalho  13/11/2015 17:01
    Sem entrar no mérito da discussão, gostaria apenas de alertar ao autor do estudo, sobre uma questão de metodologia: cuidado com a "flexibilização" das datas selecionadas para cada análise, pois uma data diferente para cada gráfico pode parecer que se buscou uma "imagem" específica, a demonstrar uma tendência qualquer, de subida ou de queda...
  • Henrique  13/11/2015 18:15
    "É sempre bom ressaltar que os déficits orçamentários do governo são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, os quais são majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de dinheiro.

    Portanto, os déficits do governo são uma medida inerentemente inflacionária."

    Leandro, uma dúvida aqui.

    Esse trecho parte do pressuposto que toda (ou grande parte) desse novo dinheiro criado entrará na economia através de empréstimos, correto? Do contrário, teríamos apenas um aumento da base monetária, sem aumento no M1, o que não gera necessariamente inflação.

    Nesse contexto, afirmar que os déficits governamentais são inerentemente inflacionários não seria um erro? Um exemplo disso seria a situação atual dos EUA, onde temos 2,5% de déficit nominal e a inflação continuamente baixa, visto que os bancos estão sentados em cima das reservas.

    Detalhe: alguns malucos andam inclusive fazendo alarde sobre os "perigos da deflação". Jim Rickards diz que os EUA são como uma esponja, absorvendo toda a deflação do mundo -- por que isso é ruim? Juro que não entendi.

    Com juros na ordem dos 16% e risco zero, não é melhor para os bancos só manterem esses títulos em carteira e não correrem o risco da inadimplência?

    É claro que temos os bancos estatais e aí a lógica e o bom senso não fazem parte da gestão dos mesmos.

    É possível saber qual a porcentagem dos títulos que são vendidos pelo Bacen vai para bancos públicos e qual porcentagem vai para os privados?
  • Leandro  13/11/2015 18:31
    "Esse trecho parte do pressuposto que toda (ou grande parte) desse novo dinheiro criado entrará na economia através de empréstimos, correto? Do contrário, teríamos apenas um aumento da base monetária, sem aumento no M1, o que não gera necessariamente inflação."

    Isso não faz sentido. O governo, quando toma dinheiro emprestado, imediatamente gasta esse dinheiro. O governo não pega dinheiro emprestado para deixá-lo guardado dentro de um cofre. Todo o dinheiro que o governo toma emprestado é imediatamente gasto, pois o governo tem seus gastos correntes.

    Logo, todo o dinheiro que o governo toma emprestado vai imediatamente para a economia.

    "Nesse contexto, afirmar que os déficits governamentais são inerentemente inflacionários não seria um erro?"

    Não. É a realidade.

    "Um exemplo disso seria a situação atual dos EUA, onde temos 2,5% de déficit nominal e a inflação continuamente baixa, visto que os bancos estão sentados em cima das reservas."

    Aqui você misturou duas coisas.

    Em primeiro lugar, os bancos estão sentados sobre o dinheiro que o Fed repassou a eles por meio do Quantitative Easing (nada a ver com déficits orçamentários do governo).

    Segundo, os EUA têm a peculiaridade de ter os déficits de seu governo financiado por todos os outros países do mundo. Todos os Bancos Centrais do mundo, cujas reservas internacionais estão depositadas em bancos americanos, simplesmente compram os títulos oferecidos pelo Tesouro americano, sem necessariamente causar expansão da oferta monetária (pois não há criação de dinheiro neste processo; apenas transferência de dígitos eletrônicos que estão em um banco americano para o Tesouro ).

    No que mais, ainda que todo o déficit de 2,5% do PIB fosse inteiramente financiado por meio de criação de dinheiro, tal valor seria ínfimo (em termos da produtividade da economia americana) para gerar uma grande inflação de preços.

    "Detalhe: alguns malucos andam inclusive fazendo alarde sobre os "perigos da deflação". Jim Rickards diz que os EUA são como uma esponja, absorvendo toda a deflação do mundo -- por que isso é ruim? Juro que não entendi."

    Nem eu.

    "Com juros na ordem dos 16% e risco zero, não é melhor para os bancos só manterem esses títulos em carteira e não correrem o risco da inadimplência?"

    E parece que é exatamente isso o que eles estão fazendo. Haja vista que a linha azul do gráfico 6 está quase plana.

    "É possível saber qual a porcentagem dos títulos que são vendidos pelo Bacen vai para bancos públicos e qual porcentagem vai para os privados"

    Ao menos no site do Banco Central não há esta discriminação.
  • Henrique  13/11/2015 19:03
    Leandro, é verdade, acho que fiz confusão.

    Só restou uma dúvida sobre a sua resposta:

    "Segundo, os EUA têm a peculiaridade de ter os déficits de seu governo financiado por todos os outros países do mundo. Todos os Bancos Centrais do mundo, cujas reservas internacionais estão depositadas em bancos americanos, simplesmente compram os títulos oferecidos pelo Tesouro americano, sem necessariamente causar expansão da oferta monetária (pois não há criação de dinheiro neste processo; apenas transferência de dígitos eletrônicos que estão em um banco americano para o Tesouro )."

    Mas se ao comprar os treasuries os bancos centrais mundiais estão "dando" dinheiro ao governo do EUA, como não há expansão na oferta monetária?

    Aqueles dólares que os países ao redor do mundo mantêm depositados em bancos americanos saíram da impressora do Fed, não?

    Muito obrigado.
  • Leandro  13/11/2015 19:22
    Um exportador de soja vende soja para os EUA. O que ele ganha em troca? A propriedade de uma conta, denominada em dólares, em um banco americano.

    Ato contínuo, ele tem duas opções:

    1) Vende esses dólares para o seu banco aqui no Brasil em troca de reais (na prática, ele entrega a propriedade dessa conta no banco americano para o seu banco brasileiro);

    2) Mantém os dólares lá fora.

    Normalmente, opta-se pela primeira alternativa.

    Ato contínuo, o banco brasileiro agora tem ativos em dólar (em uma conta em um banco americano). Ele pode ficar com esses dólares em seu ativo ou vender esses dólares para o Banco Central brasileiro em troca de reais.

    Caso opte pela segunda alternativa, o Banco Central brasileiro agora está em posse desses dólares (que estão em um banco americano).

    O que faz o Banco Central brasileiro? Utiliza esses dólares (dígitos eletrônicos) para comprar títulos do governo americano, assim financiando o déficit do governo americano.

    Houve criação de dólares nesse processo específico? Não. Os dólares já existiam.

    Aí está o segredo americano de ter grandes déficits sem ter uma grande inflação de preços (foi assim na era Reagan, por exemplo). As vantagens de ser ter uma moeda que é a moeda internacional de troca.
  • EdPoA  13/11/2015 20:19
    Leandro,

    Pode ser uma dúvida básica porém não sou economista: quais situações levariam o Banco Central Brasileiro a negar a compra destes títulos e quais seriam os impactos?
  • Leandro  13/11/2015 20:38
    Nenhuma. Ele existe justamente para garantir liquidez a estes títulos.

    O que pode acontecer, em uma situação totalmente extrema e inusitada, é o BC só aceitar comprar a um preço ínfimo. Nesse caso, a taxa básica de juros dispararia.
  • Henrique  14/11/2015 14:48
    Entendi, Leandro.
    Grato mais uma vez pela costumeira paciência e didática.

    E parabéns pelo artigo de precisão cirúrgica.
  • EdPoA  13/11/2015 22:02
    Obrigado Leandro!

    Uma última dúvida: caso a China, que tem uma grande quantidade destes titulos, por algum motivo resolver direcionar sua produção para seu mercado interno deixando de adquirir boa parte desses títulos, isto por si só poderia causar uma recessão na economia americana?
  • Leandro  16/11/2015 14:05
    Depende do volume que estará deixando de ser adquirido. Caso seja extremo, pode haver um aumento dos juros desses títulos (os quais tendem a ser de longo prazo). Mas eu não saberia precisar de quanto seria esse aumento.

    Em todo caso, se a China deixar de comprar, há outros bancos centrais que alegremente preencherão esse vazio. Vivemos em um mundo mercantilista, e os BCs têm interesse de adquirir títulos do Tesouro eternamente, pois esta é uma maneira de manipular a taxa de câmbio (no sentido de desvalorização) de suas moedas.
  • Thiago Teixeira  14/11/2015 17:35
    Leandro, ainda vem tempestade pela frente, hein?
    O Brasil vai ser rebaixado na classificacao de risco, não é?
    Mais fuga de capitais, mais depreciação cambial...
    Alguem arriscaria dizer quando e quanto?

    E sobre o dólar, permanece aquele nó, explicado em artigo recente?
  • Vinicius  16/11/2015 16:40
    "Lula teve uma herança maravilhosa: câmbio desvalorizado. É a melhor herança que se pode ter."

    www.infomoney.com.br/mercados/noticia/4406442/meirelles-foi-pior-presidente-banco-central-que-brasil-teve-diz

    Essa é a oposição ao PT. Realmente o Brasil não corre o menor risco de dar certo.
  • Leandro  16/11/2015 17:22
    Sempre que você se sentir desanimado com o fato de o PT ainda estar no poder, um pensamento imediatamente irá lhe acalmar: "Poderia ter sido o Serra e seu desenvolvimentismo cepalino. E aí estaríamos ainda pior, pois o PT seria visto como a solução".
  • Gabriel  17/11/2015 22:06
    Saudoso Bob Fields, seria bom ter pessoas como ele na oposição hoje em dia.

    Agora o Serra é tão pior quanto boa parte dos petistas, não vale um ovo.
  • Renato  17/11/2015 20:57
    Olha o que apareceu agora na meu facebook postado pelo Eduardo Bolsonaro:

    ''
    Eduardo Bolsonaro
    6 h ·
    ESTADO MÍNIMO + ECONOMIA LIBERAL = SUCESSO
    Costumo dizer sobre a revogação do estatuto do desarmamento que não precisamos reinventar a roda mas sim seguir modelos internacionais que dão certo. A área econômica também não foge a essa regra. Restringir ou priorizar o mercado apenas a países ideologicamente alinhados com a esquerda (Foro de São Paulo) é fadar a economia a uma eterna crise. Temos que instalar aqui uma cultura de livre mercado, como Hong Kong e Coréia do Sul. ''


    Deu até uma animada! Resta saber se prática ele irá defender tudo isso mesmo...
  • anônimo  17/11/2015 22:01
    Não que eu goste do Bolsonaro -até porque ele e o Olavo criam mais esquerdistas do que a própria esquerda-, mas eu vejo ele como o único político que teria peito pra bater de frente com os sindicatos e essa trupe de universitários mimizentos numa eventual medida impopulista de cortes de gastos.

    No entanto, me parece mais que ele vai agradar os amiguinhos militares.
  • Amigo desenvolvimentista  17/11/2015 21:35
    Saudades de quando o mundo contava com banqueiros centrais de respeito, tais como Greenspan, Bernanke, Mantega, Jean-Claude Trichet...
  • Bruno Pacheco  17/11/2015 23:36
    "É sempre bom ressaltar que os déficits orçamentários do governo são financiados pela emissão de títulos do Tesouro, os quais são majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de dinheiro. "

    Como os bancos criam dinheiro se eles não são o Banco Central, isto é, não detem o monopolio da criação de dinheiro?
  • Leandro  18/11/2015 00:01
    Explicado aqui em português:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

    E aqui em inglês (de uma fonte nada suspeita: o BC da Inglaterra):

    www.bankofengland.co.uk/publications/Documents/quarterlybulletin/2014/qb14q1prereleasemoneycreation.pdf
  • Gunnar  18/11/2015 11:52
    Calma gente, a Dilma já está resolvendo tudo www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/11/1707758-governo-estuda-aumento-de-imposto-para-proteger-aco-brasileiro.shtml
  • Leandro  18/11/2015 15:15
    Como diriam os americanos, Levy is reaching new lows.

    Este cidadão -- com sua sanha tributária e seu déficit nominal de 9% do PIB -- caminha celeremente para se consagrar como o segundo pior Ministro da Fazenda da história do real. E olha que ele está se esforçando tenazmente para se tornar o número um (até porque, ficar atrás de Mantega não faz bem para o orgulho próprio de ninguém).
  • José Luiz Dias Filho  02/12/2015 00:06
    Permita-me uma ressalva: estado não necessariamente se confunde ou é sinônimo de governo. Na minha interpretação o estado brasileiro ainda é mais forte que o governo... Um Governo forte seria aquele que mexe, digo, interfere pouco na economia e quando mexe, ou, interfere, é com muita expertise. O governo brasileiro interfere demais e de forma desastrosa. Portanto, o governo brasileiro é extremamente fraco e puxa para baixo a força do estado.
  • Renato  03/12/2015 15:50
    Leandro, só de ser anunciado que existe uma chance de haver impeachment, o real já deu uma leve valorizada hoje. Você acha que ele vai se valorizar ainda mais nos próximos dias com a chance de dilma sair da presidência?
  • anônimo  09/12/2015 19:21
    Leandro, saiu a notícia que a inflação acumulada de 12 meses chegou a 10%.

    A pergunta é: esse valor é em decorrência da expansão de crédito realizada pelos bancos públicos (que foi o motor dos bons resultados obtidos até 2013) ou os bancos públicos AINDA estão expandindo o crédito descontroladamente, a exemplo do período pós crise 2008 ?
  • Leandro  09/12/2015 20:03
    Pelos seis motivos explicados neste artigo, mais fortemente os itens 3, 4, 5 e 6.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2155



  • Leonardo  17/01/2016 15:24
    Boa tarde, Leandro.

    Gostaria de saber onde posso obter essa informação atualizada (link) relativa a quantidade de moeda na economia e a quantidade de moeda em posse do Banco Central?

    Mais uma dúvida: os recursos destinados ao pagamento da Dívida Pública previstos anualmente no Orçamento são pagos em moeda? Ou são transformados em novos títulos públicos?
  • Leandro  18/01/2016 14:42
    1) Ver item "moeda e crédito":

    www.bcb.gov.br/?INDECO

    2) Em teoria, sim. Na prática, na maioria das vezes emite-se um título para arrecadar dinheiro para se pagar o título vincendo.
  • Rogério  28/01/2016 03:52
    O site Trading Economics mostra os dados revisados do PIB de 2014. Nos dados revisados é mostrado que houve uma recessão de -0,7% em 2014. Mas, na maioria das notícias da mídia, é dito incorretamente que houve um crescimento de 0,1% em 2014.

    cdn.tradingeconomics.com/charts/brazil-gdp-growth-annual.png?s=bzgdyoypct&v=201601121702m

    cdn.tradingeconomics.com/charts/brazil-gdp-growth.png?s=bzgdqoqpct&v=201601121702m

    Isso é um absurdo, não pode ser feito pouco caso com uma informação tão importante assim. Não podemos deixar de imputar publicamente a culpa por 3 anos* de recessão ao governo PT. Não houve nenhuma grande notícia na mídia ou algum artigo do IMB que acusasse que houve uma recessão de -0,7% em 2014.

    Não consegui achar no site do IBGE estes dados revisados, mas tenho certeza que existem. Acredito que foram divulgados timidamente para evitar algum tipo de constrangimento ao governo. Peço encarecidamente a equipe do IMB que procure esta revisão no site do IBGE e a use, se for oportuno, para criticar o governo nos próximos artigos sobre a economia brasileira.

    Existem várias notícias de março de 2015 falando sobre essa revisão da metologia do PIB.

    *Os dois anos anteriores (2014, 2015) e muito provavelmente este.
  • Renato  19/02/2016 09:04
    aí Leandro, dá uma olha na pérola

    por curiosidade: esse seria o tipo de imprensa que você classifica como ''mainstream'' ? Aquela que não defende explicitamente coisas como o socialismo, mas que de vez em quando lança uns artigos como esse ?

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2016/02/11/voce-sabia-que-inflacao-muito-baixa-pode-ser-tao-ruim-quanto-a-alta.htm
  • Sven  19/02/2016 14:42
    Bom dia, Leandro,

    "
    Instituições financeiras consultadas pelo Ministério da Fazenda esperam que o déficit primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) termine este ano em R$ 70,751 bilhões ante os R$ 68,23 bilhões divulgados em janeiro.

    A projeção consta da terceira edição da pesquisa Prisma Fiscal [goo.gl/CUNYJJ] , elaborada pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, com base em informações de 30 instituições financeiras. O estudo foi divulgado hoje, em Brasília.

    Para 2017, a estimativa de déficit passou de R$ 30,87 bilhões para R$ 42 bilhões. O resultado está bem distante da meta para este ano, que é de superávit primário, receitas maiores que despesas, excluídos gastos com juros, de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) ou R$ 24 bilhões.
    "

    Estive observando alguns comentários sobre como um PIB que se tornaria impagável pudesse ser quitado, via hiperinflação.

    Poderia realmente ser o caso de uma medida 'desesperada' do governo utilizar a impressão de dinheiro, para pagar a dívida crescente, em Reais ?

    No aguardo.
  • Leandro  19/02/2016 17:04
    Sempre tive grandes dificuldades para entender esse argumento de "o governo vai gerar uma hiperinflação para quitar em dívida".

    Comecemos pelo básico:

    1) Uma hiperinflação seria totalmente desastrosa para o governo vigente. Seria muito mais racional simplesmente empurrar com a barriga e deixar a encrencar para o próximo governo. É o que eu faria.

    2) Uma hiperinflação seria péssima para os próprios burocratas do governo. Pense: esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões. Não há a menor chance de eles fazerem isso consigo próprios.

    Adicionalmente, eles sabem que uma hiperinflação deixará a economia em pandemônio. Isso irá afetar sobremaneira a qualidade de vida deles próprios. Por que deixariam isso ocorrer?

    3) Além de tudo, um calote via hiperinflação é uma impossibilidade prática: nenhuma hiperinflação (no sentido correto do termo: preços subindo mais de 50% ao mês) dura mais do que um ano. E a dívida tem prazos de maturação muito maiores do que ano. Há vários títulos com mais de 30 anos de prazo. Teria de haver uma hiperinflação durante 30 anos. Não há a mínima possibilidade de isso acontecer.

    Mais ainda: há vários títulos do Tesouro que são indexados ao IPCA e pagam juros reais acima do IPCA. E estes títulos já estão se tornando maioria. Logo, uma hiperinflação não faria qualquer diferença para estes títulos em específico.

    4) O calote ocorrerá, mas não será via hiperinflação: muito mais inteligente é começar caloteando aqueles grupos que têm menor poder político. Idosos e suas pensões no INSS, pobres e sua dependência de programas assistencialistas, cortes na saúde e na educação, calote em prestadoras de serviços, e por aí vai

    Não é inteligente um governo afetar exatamente aquele instrumento que lhe permite continuar arrecadando dinheiro, que são os títulos da dívida.
  • Sven  19/02/2016 21:13
    Leandro,

    Grato pelo envio de seus comentários.

    Talvez o termo "hiperinflação" possa soar um tanto "pesado" para o momento, gostaria então de tratar esta questão em forma de itens, tais como observado pelos economistas e pelo mercado, a saber:

    - A dívida pública já assumiu uma dinâmica crescente e ainda vai crescer muito mais.
    - O juro sobre essa dívida é a maior do mundo e alimenta um efeito bola de neve, podendo torná-la impagável.
    - Aparentemente, a dívida pública atingiu uma dinâmica que não seria suficiente criar novos impostos.
    - Após anos de intervenções desastrosas do governo na Petrobrás, a mesma acumula uma dívida bruta de R$ 506 bilhões de reais (há quem diga que já está perto de 1 trilhão), de acordo com seu balanço do terceiro trimestre de 2015.
    - E, se a Petrobras exigir um resgate ou um aumento de capital para honrar os seus compromissos, o socorro tende a vir em grande parte da União, a principal acionista.
    - Para 2016, mais um ano que supostamente seria de ajuste fiscal, a meta do governo seria de superávit primário de 0,5% do PIB, mas com a prerrogativa (aceita pela Comissão Mista de Orçamento) de o Executivo realizar um superávit ZERO, ou seja, sem precisar fechar as contas do ano no azul.
    - Só que o governo já assume a possibilidade de gerar ... outro déficit.
    - Assim como está sendo projetado (pelo mercado), para 2017...
    - E sabe também que essa conta simplesmente não fecha...
    - Muito juro sobre muita dívida, gastando cada vez mais e ganhando cada vez menos é uma combinação que só pode acabar mal.
    - Alerta de Bill Gross: "Nenhum país ao longo do tempo pode emitir dívida com juro real de 6-7 porcento e PIB negativo"...
    - O governo brasileiro está gastando muito com a dívida pública e parece que vai ter de gastar mais.
    – Estamos pagando juros elevados sobre uma dívida grande.
    – não estamos gerando mais riqueza (PIB) ou aumentando nossa capacidade de pagar essa dívida crescente.
    - A sustentabilidade das contas do Estado brasileiro está em risco, como fruto de uma política deliberada de aumento dos gastos públicos.
    - Estamos numa espiral explosiva da dívida, que, a partir de determinado nível, se torna impagável.
    - Não havendo interrupção dessa dinâmica, simplesmente caminhamos para a impossibilidade de pagar a dívida.
    - E essa relação dívida/PIB só vai aumentando, podendo atingir determinado nível em que não vai haver mais condições, de ser resolvida.
    - Cada vez vai ficando pior, podendo até chegar ao ponto em que o governo simplesmente não terá mais como honrar seus compromissos (que novo governo eleito iria aceitar herdar "isso" ?)...

    Supondo haver quatro formas de resolver essa dinâmica explosiva da dívida brasileira:

    1) Parar de crescer a dívida fazendo superávit primário de 12% do PIB
    2) O PIB começa a crescer significativamente
    3) Reduzir o juro dramaticamente, para amenizar o custo da dívida (gerando uma inflação brutal)
    4) Renegociar a dívida com os credores

    Sabendo que as duas primeiras alternativas são inviáveis, resta-nos as duas últimas.

    Sabendo que o Brasil já recorreu à reestruturação de sua dívida em episódios anteriores, como no caso do empréstimo junto ao FMI ou na crise de dívida de 1982, NUNCA declarou moratória ou deu calote em sua dívida.

    Poderia ser relativamente fácil para um governo evitar essa última consequência, então.

    Não estou falando aqui de uma inflação fora de controle, em dois dígitos com a economia em recessão, e estourando recorrentemente o teto da meta de inflação do governo.

    Mas sim de uma disparada da inflação e da completa destruição do poder de compra da moeda.

    Antes de dar calote como última consequência, o governo tem a prerrogativa de imprimir dinheiro para honrar os seus compromissos. Só que imprimir mais dinheiro, gera mais inflação, algo que já consta nos livros de história...

    Mas a consequência óbvia disso é a geração de um outro problema de enormes proporções: a destruição do valor da moeda.

    Passei a compreender que existe a possibilidade de "pagar" a dívida com inflação, podendo ser "encarado como" um "calote disfarçado" (O governo te paga os mesmos Reais que deve, por exemplo, mas esses Reais não valem a mesma coisa - afinal, o poder de compra dessa moeda é outro, bastante inferior). Afinal, grande parte da dívida está nas mãos de ... Brasileiros.

    Mesmo porque, antes do Plano Real, a desconfiança com a moeda (na época) era tamanha que o poder de compra do trabalhador caía pela metade durante um único mês.

    Em vez de fazer reformas estruturais, as propostas se concentram na geração de novos impostos temporários de efeito paliativo sobre a geração de receitas (e impacto negativo sobre o PIB) e via cortes de benefícios sociais que também têm impacto pouco significativo nessa conta.

    Até então não há uma proposta sequer de redução significativa nos gastos com a máquina pública. E isto significa que "mais do mesmo" poderá gerar uma inflação sem controle.

    Favor comentar sobre este cenário, assim que possível.
  • Leandro  19/02/2016 21:31
    Sim, eu li esse relatório da Empiricus. Mantenho tudo o que já disse acima. E enfatizo: e os títulos indexados ao IPCA?

    Veja esse trecho:

    "Passei a compreender que existe a possibilidade de "pagar" a dívida com inflação, podendo ser "encarado como" um "calote disfarçado" (O governo te paga os mesmos Reais que deve, por exemplo, mas esses Reais não valem a mesma coisa - afinal, o poder de compra dessa moeda é outro, bastante inferior). Afinal, grande parte da dívida está nas mãos de ... Brasileiros."

    De novo: como fazer isso com títulos indexados ao IPCA?
  • Sven  20/02/2016 14:53
    Leandro,

    Ainda bem que confirmou ter lido aquele relatório, mesmo porque foi da mesma origem que disse que o dólar iria de R$ 1,90 para R$ 4,00. Não que eu esteja confirmando acertar todas (mesmo porque previsões são apenas previssões, sujeitas a muitos erros), mas...

    O problema aqui é que não é somente uma pessoa que está emitindo alertas, do tipo: "Nenhum país ao longo do tempo pode emitir dívida com juro real de 6-7 porcento e PIB negativo"...

    > E enfatizo: e os títulos indexados ao IPCA?
    > De novo: como fazer isso com títulos indexados ao IPCA?

    Respondo: Não sei. Mesmo porque se eu tivesse uma noção do que fazer, poderia aparentar ser alguma informação privilegiada, ou coisa do gênero.

    Foi por este motivo que eu voltei à este assunto, para compreender melhor como ter argumentos contra aquele relatório (que poderia conter algum engano, mas eu não tinha condições de refutar)...

    Pergunto: Não havia títulos vinculados à indexadores, na época da hiperinflação ? Havia alguma diferença (neste sentido) entre aquele momento no passado, em relação ao atual ?

    Agradeço se puder comentar, à respeito.

    Abracos
  • Leandro  20/02/2016 15:37
    Não.

    Títulos indexados ao IPCA foram criados na década de 2000. É uma invenção recente.

    Volto a dizer: sim, haverá calote, mas este não ocorrerá com os títulos públicos em mãos de cidadãos nacionais. Isso não apenas seria desnecessário, como também seria burrice: o governo estaria fechando justamente aquela fonte de financiamento que sempre lhe esteve disponível. Você não mata quem sempre lhe empresta dinheiro e permite fechar suas contas.

    O calote ocorrerá sobre aqueles grupos que têm menos poder político (aposentados, pensionistas, dependentes de assistencialismo).

    Mas antes disso ainda haverá cortes na saúde e na educação. Haverá vendas de ativo na bacia das almas (como já está acontecendo na Petrobras). Haverá privatizações. Em última instância, o governo preferirá vender todas as suas estatais a calotear a dívida pública (e há muitas estatais a serem vendidas). A menos, é claro, que essa gente seja burra demais (ao estilo venezuelano). Aí, realmente, tudo pode acontecer.

    P.S.: a última vez em que o dólar esteve a R$ 1,90 foi no segundo semestre de 2011. Houve um relatório naquela época falando de dólar a R$ 4? Se sim, gostaria de ter acesso a ele.
  • Sven  20/02/2016 17:25
    Leandro,

    Grato por continuar respondendo, mesmo porque ao consultar o que é publicado aqui, ajuda a compreender o que se passa no Brasil, bem como saber como lidar com esta situação.

    > O calote ocorrerá sobre aqueles grupos que têm menos poder político (aposentados, pensionistas, dependentes de assistencialismo)

    Bem, sempre haverá alguém perdendo ('baixas da guerra')...

    > Em última instância, o governo preferirá vender todas as suas estatais a calotear a dívida pública (e há muitas estatais a serem vendidas).
    > A menos, é claro, que essa gente seja burra demais (ao estilo venezuelano). Aí, realmente, tudo pode acontecer.

    Sim, mesmo porque há no Brasil um comprometimento intelectual muito grande com pensamentos assistencialistas e de "estado de direitos", que talvez favoreçam alguma 'trapalhada macroeconômica' ("mais do mesmo"), com sérias consequências, além das que já estão em curso...

    > Houve um relatório naquela época falando de dólar a R$ 4? Se sim, gostaria de ter acesso a ele.

    Provavelmente, não exista mesmo. O que existiu (mais recente, sem que me seja possível precisar a data) ao menos serviu para antever uma situação, que de fato ocorreu.

    Agora, parabéns pelos artigo recente, denominado "A nossa "depreflação" e o ajuste fiscal que não virá: a necessidade de um novo Plano Real". Quem sabe, alguém do BC procurando alguma 'luz no fim do túnel' realmente compreenda o que quis dizer com o 'recado do rentenmark' e consiga propor algo para frear a desvalorização da moeda.

    Abraços
  • Sven  26/02/2016 19:52
    Leandro,

    Talvez eu não esteja falando sozinho, com relação à este assunto:

    "
    "Se você falasse sobre a possibilidade de calote da dívida pública, ou restruturação forçada, há cerca de dois anos você seria considerado doido. Mas isso foi há dois anos. Hoje, se você falar sobre o mesmo assunto já não será considerado louco".

    Esta afirmação - um tanto quanto alarmante - foi feita no final da semana passada pelo economista e especialista em finanças públicas, Mansueto Almeida, em seu blog, ao destacar a tendência de forte alta da dívida pública. De uma relação de 53,8% da dívida pública bruta em relação ao PIB em dezembro de 2012 para uma relação de 66,2% em dezembro do ano passado.

    Dias depois, Mansueto destrinchou o seu raciocínio, destacando o sério problema fiscal em que o Brasil vive atualmente, com a dívida pública bruta do Brasil, "que é caríssima", crescendo quase 15 pontos do PIB em apenas 24 meses (de 51,7% em dezembro de 2013 para os 66,2% no final de 2015). E, dificilmente dá para se acreditar que a dívida vai continuar neste patamar. As projeções de mercado já apontam para estimativas que vão de 80% a 90% do PIB.

    "O que a grande maioria dos analistas aqui e lá fora falam é que a trajetória da dívida pública bruta do Brasil se tornou insustentável. E por que as pessoas continuam financiando o governo? Porque há espaço para ganhar muito dinheiro até que um eventual calote ocorra", afirma o economista.
    "

    Talvez o maior problema esteja no fato de que muitas vezes só se vê o tamanho do problema quando este já se instalou...

    Abraços
  • Felipe Miranda  26/02/2016 20:18
    "E no caso da hiperinflação? Ora, ao investidor interessam retornos reais, ou seja, descontados a inflação. Na renda fixa - e eu não estou aqui falando dos títulos protegidos da inflação (esses ainda me parecem excelentes alternativas; em especial os curtos) -, os rendimentos seriam totalmente corroídos pela inflação, levando a perdas para o investidor."

    Felipe Miranda, da Empiricus.

    www.financista.com.br/noticias/eu-errei-a-virada-ou-o-calote
  • Sven  27/02/2016 15:24
    Olá,

    "
    As ações, por serem pedaços de empresas, são ativos reais e, portanto, em alguma instância, protegidos da inflação - racional semelhante vale para os fundos imobiliários.

    Mas pedir paciência na terra campeã mundial de juros talvez seja querer de mais.

    Dado que as reformas estruturais estão descartadas, o PIB não deve crescer e o calote seria uma grande tragédia (embora eu não o desconsidere), um processo hiperinflacionário me parece o mais provável à frente.

    A continuar nesse ritmo, vai chegar uma hora em que o governo vai ter de deixar de pagar alguma coisa – o funcionalismo, os juros, os fornecedores ou os depósitos judiciais. Ou, então, emitir moeda para pagar a dívida e aumentar a inflação
    "

    Mesmo sem poder compreender tão bem quanto você(s) que precisam lidar com estes cenários diariamente, o que realmente interessa para o pequeno investidor (que passou a precisar compreender porque a simples poupança foi um péssimo negócio em 2015, que o Real se enfraqueceu - perante o dólar - de forma intensa desde 2014, que se tornou imperativo compreender que o problema fiscal de um (des)governo mais ideologizado da história provocou um rombo como nunca antes se viu neste país e que pela primeira vez, estamos 'produzindo' ma série de recessões como não se via, desde 1901) é saber como - ao menos - manter o valor de sua suada poupança, mesmo porque sem ter um colchão financeiro, realmente não dá para encarar imprevistos de longo prazo, tais como estes que ocorrem periodicamente, nesta terra brasilis, 'redescoberta' recentemente pelo ex-presitente Lula, a pessoa mais honesta que este país já teve...

    > Destarte, eu preciso lhe perguntar: num cenário de eventual calote dos títulos públicos, onde você preferiria estar: na renda fixa ou nas ações?

    Talvez em nenhuma delas. Apliquei (bem pouco) em dólar, que só em 2015 rendeu quase 50%. De Julho de 2014 a Julho de 2015, foram quase 70% (se não me engano), apenas seguindo suas recomendações (do dólar a 1,90 para 4 Reais)...

    Então, vale mais manter o dinheiro no colchão mesmo, como fizeram (e ainda fazem) os argentinos.

    > Ou seja, o ganho médio por recomendação foi de 13,1%, em apenas cinco meses

    Ou, aplicar em ouro (que rendeu pouco mais de 23% só em 2015), para que ninguém tasque o que é o fruto do trabalho de cada um. Com a vantagem de que o (des)governo não pode arrancá-lo do seu bolso, ou do colchão.

    Ats
  • Sven  29/02/2016 15:18
    "
    Nem o superavit primário (economia para pagamento de juros) de R$ 27,9 bilhões foi suficiente para frear o aumento da dívida bruta do setor público em janeiro. Segundo o Banco Central (BC), o endividamento das três esferas de governo (União, estados, municípios eempresas estatais) chegou a 67% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês passado. Para piorar, a autoridade monetária informou que a tendência é de que o volume continue a crescer ao longo do ano e projetou que, em fevereiro, o indicador chegará a 67,4%. A elevação do endividamento é explicada pelos sucessivos deficits fiscais acumulados e pela expansão das despesas com juros, que nos últimos 12 meses totalizaram R$ 539,98 bilhões, o equivalente a 9,06% do PIB.

    O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, explicou que, mesmo que o governo alcance o superavit primário oficialmente previsto para o ano, de R$ 30,5 bilhões — algo em que nenhum analista de mercado acredita —, isso não será suficiente para estabilizar a dívida. Ele ressaltou que janeiro éum mês sazonalmente favorável, mas que não há perspectiva de que os próximos resultados sejam tão robustos. Maciel ainda lembrou que o saldo do mês passado foi reforçado por receitas extraordinárias de R$ 11 bilhões pagas ao governo federal pela concessão de usinas hidrelétricas.
    "
    ...

    "Tempos perigosos, quiçá lucrativos"

    www.infomoney.com.br/mercados/na-real/noticia/4659122/tempos-perigosos-quica-lucrativos

    Obs., do texto: Milhões de pais e mães de famílias começam a viver com maior intensidade o drama do desemprego. Em breve (seis meses ?) estarão desesperados...

    ...

    "
    Mexicana Mabe deixa para trás 2 mil empregados.

    A mexicana Mabe é dona das tradicionais marcas de fogão e geladeira Dako e Continental, e já teve sob seu domínio a Bosch e a GE, todas de produtos da linha branca.

    No México, o grupo é um dos maiores do ramo e exporta 70% de sua produção para os Estados Unidos
    "

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,mexicana-mabe-deixa-para-tras-2-mil-empregados,10000017429

    ...

    "PT e Dilma fazem força para mostrar união, mas ambiente está pesado; Cardozo pode sair"

    www.infomoney.com.br/mercados/na-real/noticia/4658620/dilma-fazem-forca-para-mostrar-uniao-mas-ambiente-esta-pesado

    Lula vai esta semana a Brasília reunir­-se com a presidente para tentar convencê-­la a fazer uma radical mudança na política econômica

    Ats
  • Fernando  20/02/2016 19:27
    O salário mínimo aumentou de 64 dólares (em 94) para 197 dólares (em 2016). Em reais, foi de 64 reais para 788 reais.

    Ou seja, o aumento do salário mínimo em dólares foi ridículo nos últimos 22 anos. Um faxineira americana ganha 197 dólares em dois dias de trabalho.

    A dívida do governo aumentou absurdamente nos últimos 22 anos. Uma boa parte por conta da inflação e do aumento do salário mínimo. Agora não tem outra saída a não ser vender reservas internacionais para quitar as dívidas. É bizarro ver o governo pagando juros altíssimos e não quitando as dívidas com as reservas.


  • Huno  20/02/2016 20:42
    Não vejo como burrice dos políticos o que esta acontecendo na Venezuela e no Brasil, mas antes como um projeto de poder desses partidecos que tentam destruir a tal sociedade Burguesa e implantar uma ditadura estilo China/Cuba, pensar que esses caras estão preocupados com suas aposentadorias é muito otimismo! Os Bolivarianos destruíram a pouca economia de mercado que existia na Venezuela,censuraram a imprensa, aparelharam o estado,forças armadas, acabaram com a moeda,confiscaram empresas, se tinha uma coisa que esses caras não pensavam era nas suas aposentadorias. Os 600 Deputados/Senadores brasileiros só pensam nos seus esquemas, reeleição,festas,amantes, Miami,Europa,Luxo e aumentar a dívida/impostos sobre o setor produtivo, assim como a elite Venezuelana pensava antes do surgimento do Louco do Chávez e no nosso caso do PT.
  • Renato  04/03/2016 20:31
    Leandro, por que uma simples ida do Lula à PF faz o real se valorizar frente ao dólar ?
  • Leandro  04/03/2016 20:49

    Resposta prática:

    Porque os agentes econômicos -- investidores nacionais e estrangeiros, especuladores e gestores de hedge-fund -- interpretaram que isso é o início do fim do atual governo.

    E como o atual governo é, de longe, a maior fonte de incerteza para a economia -- o que está travando investimentos e desvalorizando a moeda --, um simples sinal de queda iminente deste governo já serve para, no mínimo, restaurar um pouco da confiança.

    Resposta teórica:

    A moeda é monopólio do governo. O governo está no completo controle da moeda. Sendo a moeda um monopólio do governo, a qualidade do governo que a gerencia influencia diretamente a qualidade desta moeda.

    Se o governo tem uma política fiscal ruim, se ele não gera nenhuma confiança na população, se ele trava os investimentos, se sua política creditícia é ruim, e se ele é visto como relutante em atacar seu déficit e estancar o crescimento da dívida, então qualquer sinal de troca deste governo já influencia diretamente a percepção sobre a qualidade da moeda.
  • Renato  04/03/2016 21:58
    Ah, entendi.

    Se essa ida à PF já fez o dólar cair pra 3,70, pelo bem dos nossos bolsos, devemos torcer logo pelo anúncio da prisão perpétua? rsrs
  • Dissidente Brasileiro  05/03/2016 00:06
    Prisão perpétua? Você é muito conservador... pena de morte por enforcamento para toda a cúpula petralha seria muito mais justo. E agradável também.
  • Sven  15/03/2016 20:26
    Leandro,

    Além da questão do crescimento da dívida pública no Brasil, reparei na questão formulada no site O Antagonista (www.oantagonista.com/posts/e-se-as-grandes-ermpresas-quebrarem) e achei importante compartilhar:

    "
    Qual soma sairia dos cofres públicos para resgatar uma Petrobras, um BNDES ou uma Caixa ? E os Estados, que já atrasam o pagamento dos servidores ? Alguns bancos e gestoras de recursos começaram a fazer as contas de quanto custaria ao Brasil se grandes empresas começarem a quebrar. Segundo cálculos do FMI, no Brasil, os chamados passivos contingentes custam, em média, 8,3% do PIB.
    "

    Enquanto os políticos ficam discutindo se Lula aceita ou não ser ministro, assuntos importantes como a dívida pública, a dívida da Patrobrás, a situação precária da saúde pública e demais itens importantes (do ponto de vista administrativo) ficam relegados, como se não tivessem importância...

    Att
  • Sven  22/03/2016 16:48
    Leandro,

    Vem aí o FED.BR ?

    "
    Para baixar dívida, governo propõe que BC receba depósitos de bancos

    Esses depósitos seriam remunerados pela autoridade monetária.

    Com isso, Tesouro Nacional não precisaria mais emitir títulos públicos

    Ao deixar que os bancos possam fazer depósitos no Banco Central ­ que serão remunerados a uma taxa próxima da Selic, atualmente em 14,25% ao ano, o governo poderia limitar a emissão de títulos títulos, feita justamente com o objetivo de controlar a inflação.

    Se todos os títulos públicos emitidos com essa finalidade fossem retirados do mercado, a dívida bruta do governo cairia dos atuais 66% para 50% do PIB. Entretanto, o ministro disse que não é essa a ideia.

    Segundo ele, o recebimento de depósitos de bancos já é utilizado nos Estados Unidos e na Europa, por meio do Federal Reserve (BC dos Estados Unidos) e via Banco Central Europeu (BCE).

    "Isso não é jabuticaba. Já ocorre na Europa e Estados Unidos. Há depósitos voluntários remunerados no BC", afirmou Barbosa.

    Como as normas brasileiras atualmente não autorizam o BC brasileiro a receber estes depósitos, estas operações de "enxugamento" da liquidez (retirar reais da economia para impedir pressões inflacionárias) podem ser feitas somente com a emissão de títulos públicos, o que pressiona a dívida bruta do governo.

    Com a possibilidade de que o BC possa receber estes depósitos dos bancos, haverá uma queda no endividamento público.
    "

    Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2016/03/para-baixar-divida-governo-propoe-que-bc-receba-depositos-de-bancos.html

    Att
  • Emerson Luis  23/03/2016 10:41

    Faltou o gráfico de eletrocardiograma de uma parada cardíaca.

    * * *
  • Sven  08/04/2016 21:19
    Leandro,

    Para conhecimento:

    "...

    IM: Quando você fala em uma hiperinflação no longo prazo, qual é o horizonte de tempo que
    estamos falando. Seriam 10 anos, 20 anos?

    RV: É difícil precisar. Eu fiz a projeção para 2040 e vou ficar com ela. Se até lá não for feito nada, a hiperinflação vai ter que vir para corroer os gastos. Tudo vai depender do que ocorrer neste curto e médio prazos. A forma como a hiperinflação se materializa é o governo emitir moeda cada vez mais e uma desvalorização da taxa de câmbio cada vez mais forte pressionando a inflação.

    O que ninguém fala é que o governo emitiu moeda para financiar as "pedaladas fiscais". E aí é o que? Uns R$ 70 bilhões? Na hora em que isso é transmitido, vira um processo em que as
    expectativas começam a influenciar a reação das variáveis e vão exigindo um tratamento de ajuste cada vez mais duro para compensar o pessimismo com a economia.

    O ex-­ministro [da Fazenda, Joaquim] Levy não quis colocar papéis do Tesouro para financiar as
    pedaladas, talvez isso seja até um dos motivos para a sua saída tão precipitada. O governo sacou na conta única junto ao Banco Central. O BC colocou papel de curtíssimo prazo à Selic com o compromisso de recompra. É a mesma coisa de moeda remunerada para enxugar a liquidez e esse desembolso de conta única acontecer. O Tesouro não quis ir a mercado para tentar captar os bilhões das "pedaladas" com prazo longo. Imagina a reação que haveria nos mercados no dia seguinte. Que tipo de juros os investidores iriam exigir? Aí começam a aparecer as armadilhas. Não deviam ter feito as "pedaladas" se não queriam que isso acontecesse depois. Daí saem as notícias de explosão do gasto público e você está com a hiperinflação na sua porta.
    "

    Fonte: www.infomoney.com.br/mercados/noticia/4827707/deixar-governo-como-esta-convite-hiperinflacao-diz-secretario-planejamento

    Eu gostaria de saber como o governo pagou a dívida no final de 2015, 'tão rápido'...


    Att
  • Leandro  08/04/2016 22:11
    Muito bom.

    Destaco essa parte:

    "O que ninguém fala é que o governo emitiu moeda para financiar as "pedaladas fiscais". E aí é o que? Uns R$ 70 bilhões?"

    De fato, e modéstia à parte, ninguém falou que o governo emitiu dinheiro para financiar as pedaladas. Acho que eu fui o único.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2371
  • Sven  09/04/2016 00:42
    Leandro,

    > De fato, e modéstia à parte, ninguém falou que o governo emitiu dinheiro para financiar as pedaladas. Acho que eu fui o único

    Grato por comentar. Parabéns pelo artigo, explicando as pedaladas...

    Mas, como e quando seria possível saber sobre esta emissão de dinheiro ?

    Isto não deveria aparecer, em algum lugar (além do 'surgimento' de dígitos) ?

    Favor comentar, quando possível...

    Att
  • Isis Monteiro  23/04/2016 13:21
    Os últimos 13 anos de governo Petista deixou o Brasil como terra arrasada.
    Crescemos 0,1% em 2014. Em 2015, houve um decréscimo de 3,7%. A previsão para 2016 é de -3,8 a -6% dependendo de como sairemos do nó político.
    O Brasil está falido. O rombo do orçamento é imenso. As empresas estão fechando. A única opção que existe é aumentar a carga de imposto que é uma das maiores do mundo.
    Triste. Muito triste.


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