Após uma década de forte crescimento econômico, burocratas querem regular o Peru
Os peruanos foram agradavelmente surpreendidos, embora tenham ficado um tanto perplexos, com a notícia de que, no dia 8 de outubro, uma quinta-feira, haveria um fim de semana prolongado.  O motivo deste feriado improvisado foi a chegada da "comunidade internacional" em Lima para o encontro anual dos líderes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

O presidente do Peru, Ollanta Humala (podendo usufruir uma breve trégua em relação a um escândalo envolvendo subornos recebidos por sua mulher de empreiteiras brasileiras), estimulou os peruanos a se orgulharem do fato de que os lideres das finanças internacionais escolheram o Peru como vitrine para sua conferência, e sugeriu que "isso demonstra para todo o mundo a excelente administração da economia peruana e o nosso seguro e receptivo arcabouço para os investimentos" alcançada sob seus auspícios.

Tais comentários são interessantes porque o Peru realmente representa uma inegável história de sucesso econômico.  Se você quer um exemplo clássico e atual de como os mercados podem retirar as pessoas da pobreza abjeta, basta estudar o Peru.  (Veja todos os detalhes aqui).

No entanto, o que Humala intencionalmente ignorou — além do fato de que essa transformação econômica peruana ocorreu muito antes de sua presidência — é que as raízes do progresso peruano estão não em uma supostamente sábia política estadista, mas sim na antiga e venerável tradição da incompetência estatal peruana, a qual faz com que os indivíduos tenham de se virar para se sustentar.

Quinze anos atrás, o economista peruano Hernando de Soto, em seu instigante livro O Mistério do Capital, escreveu com profundidade sobre o bizantino funcionamento da burocracia peruana, em que obter títulos de propriedade ou abrir uma empresa exigia que o cidadão se submetesse a um suplício burocrático extremamente caro e demorado, podendo levar anos para se obter a autorização do estado.  De Soto lamentou o fato de que essa falta de reconhecimento legal pelo estado impedia os pobres de utilizarem em proveito próprio aquilo que eram ativos realmente consideráveis: suas moradias.  

[N. do E.: ao investigar as consequências econômicas da falta de direito de propriedade entre as populações mais pobres do continente, Hernando de Soto descobriu que os pobres da América Latina, só nas terras que possuem de fato mas não de direito, estavam sentados em cima de quase 10 bilhões de dólares. Sem título de propriedade, não podiam capitalizar em cima desse valor.

De Soto estimou que 80% da propriedade nos países em desenvolvimento está totalmente na informalidade.  Ou seja, há dezenas de milhões de famílias no continente que simplesmente não podem utilizar sua propriedade como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo.  Se a casa ou o terreno de uma família pobre não são formalmente seus (como no caso das favelas brasileiras), não há nenhuma medida econômica que possa compensar tudo isso.]

No entanto, a análise de de Soto desconsiderou uma questão importante: caso o Peru tivesse adotado um eficiente aparato regulatório estatal, ao estilo dos países ricos do Ocidente, será que o cidadão médio peruano teria sido capaz de acumular riqueza para utilizar como garantia?

Vale ressaltar que — como todo peruano sabe e todo turista ocidental se surpreendente ao perceber — o Peru é um país em que, se você quer fazer algo, ninguém, muito menos o governo, irá impedir você.

Se você quer uma casa, você pode simplesmente ir para os subúrbios de uma cidade — como já o fizeram milhões de peruanos —, se apropriar de um pedaço de terra devoluto e construir sua casa ali.  Os ineficientes burocratas dificilmente irão perder tempo lhe atormentando.  Se você quer empreender, simplesmente comece a vender coisas nas ruas.  Se você quer ter uma fábrica de roupas, simplesmente comece uma na sua própria casa.  O mesmo vale para você que quer abrir um restaurante ou até mesmo uma escola. 

É verdade que, como apontou de Soto, no papel, são necessários vinte e seis meses para o estado autorizar e reconhecer uma rota de ônibus.  Isso, no entanto, não impediu que indivíduos empreendedores criassem, informalmente, seu próprio serviço de transporte público utilizando vans e ônibus escolares convertidos em ônibus comuns, o que marcou o início daqueles que hoje são os surpreendentemente eficientes (embora lotados) itinerários de ônibus em Lima, os quais transportam passageiros para praticamente todos os pontos imagináveis da irregular capital peruana, e por uma fração de um dólar.  O bem-sucedido empreendimento dos ônibus e das vans é uma notável demonstração da ordem espontânea em ação.

No Peru, não é necessário pagar para um médico generalista para que este autorize um procedimento médico: exames de sangue, endoscopias e radiografias podem ser adquiridos prontamente à vista nas várias clínicas particulares individuais (de proprietários únicos) que existem no país.  Todos os tipos de remédios genéricos podem ser prontamente adquiridos informalmente nestas clínicas, sem burocracia.  E, se você quer entretenimento, em praticamente todas as ruas você pode comprar um DVD pirata, de alta resolução, do mais recente sucesso de Hollywood.

Obviamente, não estou dizendo que os peruanos nunca ouviram falar de alvarás, licenças, regulamentação de profissões, impostos, leis de zoneamento, patentes e tudo mais; elas existem e estão impressas em um Diário Oficial que está dentro de alguma gaveta em algum lugar.  Mas tais burocracias são majoritariamente conceitos abstratos que, na maior parte do tempo, podem ser tranquilamente ignorados pelos peruanos.  Tudo está à venda no Peru, e barreiras à entrada no mercado praticamente inexistem.

O resultado deste feliz e inesperado encontro entre o paladino espírito latino e um apático aparato estatal é uma sociedade civil sólida e flexível, em que serviços privados de saúde e educação de baixo custo estão disponíveis para todos e cujos cidadãos usufruem níveis nutricionais e de expectativa de vida que estão dentre as mais altas colocações do próprio índice de desenvolvimento do Banco Mundial.

No entanto, todas essas conquistas não estão adequadamente relatadas nas estatísticas do PIB, e certamente não estão sendo celebradas pelo presidente do Peru ou pelos dignitários do Banco Mundial.  Com efeito, em vez de reconhecerem os pequenos empreendimentos informais como sendo a genuína manifestação dos princípios do livre mercado, bem como a quintessência da liberdade, o Banco abertamente criticou e condenou sua existência.

Para o Banco Mundial, a ausência de regulamentação é automaticamente sinônimo de subdesenvolvimento.  Para o Banco, "desenvolvimento" é a imposição de métricas arbitrárias para o consumo, para os gastos sociais e para os anos de educação pública, bem como a implantação de disposições legais, como salário mínimo e encargos sociais e trabalhistas.  O problema é que a implantação desses indicadores de desenvolvimento convenientemente gera uma população trabalhando por salários especificados pelo governo e em empresas também reguladas pelo governo, nas quais os trabalhadores podem ser tributados na fonte.  Esses impostos serão então utilizados para financiar uma variedade de programas sociais gerenciados pelos "profissionais da pobreza", que dedicam seus esforços para descobrir por que as pessoas estranhamente se tornam deprimidas tão logo elas são proibidas pelo estado de ganhar a vida como bem querem, sendo obrigadas a se submeter a decretos estatais e às empresas aliadas do regime.

Esse modelo de desenvolvimento totalmente sem imaginação também não é capaz de retirar a atenção da maneira questionável como o Banco — e mais especificamente sua sucursal, a International Financial Corporation (IFC), que concede empréstimos para grandes empresas — age para "retirar as pessoas da pobreza".  Os peruanos estão hoje bem cientes do quão sincero o lema do IFC de "criar oportunidades onde estas são mais necessárias" realmente é.

Por exemplo, um dos principais projetos do IFC, de fornecer acesso a serviços de saúde de alta qualidade, destinou US$ 120 milhões para a construção da suntuosa Clínica Delgado, no centro do rico distrito de Miraflores, em Lima.  Os moradores de Lima agora podem fazer consultas por módicos US$ 150...

Outro necessitado peruano que o IFC se mostrou ávido para ajudar foi o homem mais rico do Peru, Carlos Rodriguez Pastor, cujo grupo Intercorp recebeu US$ 164 milhões para expandir sua divisão de serviços financeiros.  Para não ficar para trás, o Grupo Romero (de propriedade da mais rica família de banqueiros do país) recebeu US$ 180 milhões para renovar duas fábricas de processamento de óleo vegetal.  Já o Grupo Glória recebeu US$ 25 milhões para construir uma fábrica que irá solidificar seu monopólio sobre o processamento de laticínios no Peru.

O IFC também ampliou sua influência sobre a indústria do turismo peruana, a qual atrai milhões anualmente e fornece uma substancial renda para as pequenas empresas, para as operadoras locais de turismo e para as comunidades indígenas.  Não obstante o êxito deste setor, o IFC evidentemente acredita que ainda há alguns peruanos que necessitam de uma ajudinha, como o faustoso grupo "Peru Holding de Turismo" e seu parceiro, a rede de hotéis "Orient Express", dona de alguns dos mais lucrativos hotéis do Peru.  Eles receberam US$ 40 milhões para remodelar vários hotéis de luxo na região de Cusco, os quais atendem exatamente o tipo de elite internacional que ocupa o alto escalão do IFC. 

Certamente isso faz parte da estratégia de redução da pobreza do Banco, e os planejadores do organismo querem que Cusco se torne a Davos latino-americana, assegurando aos peruanos um futuro brilhante nos ramos da hospitalidade, dos cerimoniais e do entretenimento adulto.

Há vários outros exemplos de corporativismo e privilégios explícitos, e certamente estes ocorrem em vários outros países "em desenvolvimento".  A única coisa que muda são os nomes das elites nacionais e das corporações estrangeiras que recebem essa lucrativa forma de patrocínio estatal internacional.

Os milhares de peruanos que apareceram para se manifestar contra a conferência provavelmente estão corretos em suspeitar das motivações dos burocratas e diretores das instituições internacionais cujos planos (como o Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica) e modelos econômicos iriam, se concretizados, acabar com a verdadeira concorrência, dificultar o empreendedorismo e restringir suas liberdades.

Assim que a conferência acabou, os vendedores informais — os quais foram retirados das ruas e expulsos da área onde ocorreu a conferência — puderam retornar ao trabalho.  Se eles tivessem algum interesse, poderiam até ter reconhecido Christine Lagarde, Jim Yong Kim etc. saindo em seus carros governamentais pretos e blindados.  É de imaginar se esta elite estatal financiada com o dinheiro de impostos reconheceria um livre mercado mesmo se este estivesse explícito diante de seus olhos.

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Leia também:

O capitalismo explícito e o capitalismo envergonhado no Brasil


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SOBRE O AUTOR

Simon Wilson
mora no Peru, onde leciona administração em uma escola britânica.  É formado em economia e filosofia pela Universidade de York, no Reino Unido.



A questão é que Mises não defendeu a secessão até o nível do indivíduo. Os problemas de ordem técnica que ele via eram os mesmos problemas da própria anarquia. Esses problemas, segundo ele, "tornam necessário que uma região seja governada como uma unidade administrativa e que o direito de autodeterminação se restrinja à vontade da maioria dos habitantes de áreas de tamanho suficiente, para conformar unidades territoriais na administração de um país." (Liberalismo, p. 129) Por isso a secessão deva ser tal que forme uma unidade administrativa independente, com um conjunto de pessoas que realmente seja capaz de formar uma "sociedade", e que seja feita por meio de um plebiscito:

"O direito à autodeterminação, no que se refere à questão de filiação a um estado, significa o seguinte, portanto: quando os habitantes de um determinado território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes) fizeram saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertenciam na época, mas desejam formar um estado independente ou ligar-se a algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos." Ludwig von Mises, Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica, p. 128

O problema da anarquia é basicamente o mesmo da secessão individual. Imagine que qualquer um possa se separar do Estado, quando quiser. Uma pessoa que quebra as regras da sociedade, um criminoso, pode facilmente pedir secessão e não se ver sujeito à punição. E essa é a mesma situação que acontece na anarquia. Por isso há a necessidade de um governo monopolista, para Mises, já que o poder de uso da força ficaria a cargo da comunidade como um todo, e nenhum indivíduo específico poderia se dizer na autoridade de matar, roubar, etc, sem que receba a punição necessária:

"A fim de estabelecer e preservar a cooperação social e a civilização são necessárias medidas para impedir que indivíduos antissociais cometam atos que poderiam desfazer tudo o que o homem realizou desde que saiu das cavernas. Para preservar um estado de coisas onde haja proteção do indivíduo contra a ilimitada tirania dos mais fortes e mais hábeis, é necessária uma instituição que reprima a atividade antissocial. A paz — ausência de luta permanente de todos contra todos — só pode ser alcançada pelo estabelecimento de um sistema no qual o poder de recorrer à ação violenta é monopolizado por um aparato social de compulsão e coerção, e a aplicação deste poder em qualquer caso individual é regulada por um conjunto de regras — as leis feitas pelo homem, distintas tanto das leis da natureza como das leis da praxeologia. O que caracteriza um sistema social é a existência desse aparato, comumente chamado de governo."

Ludwig von Mises, Ação Humana, capítulo XV, "Liberdade"

Em razão justamente disso ele nunca defendeu a secessão individual. Na citação mesmo que ele fala que "deveria ser assim", se fosse possível, ele rejeita. Mas, "se fosse possível...",da mesma forma com a anarquia, e ele achava ambos impossíveis. E lembrando que Mises não defendia as coisas por moral, mas sim por utilidade, e nem a anarquia, nem a secessão individual eram úteis para ele. Segundo ele:

"Tudo o que sirva para preservar a ordem social é moral; tudo o que venha em detrimento dela é imoral. Do mesmo modo, quando concluímos que uma instituição é benéfica à sociedade, ninguém pode objetar que a considera imoral. É possível haver divergência de opinião entre considerar-se socialmente benéfica ou prejudicial uma determinada instituição. Mas, uma vez julgada benéfica, ninguém pode mais argumentar que, por alguma razão inexplicável, deva ser considerada imoral."

Ludwig von Mises, Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica, p. 62
"Comprar produtos britânicos está mais barato, por causa da desvalorização da libra, e o ftse subiu porque está mais barato comprar ações na bolsa de Londres."

Ué, por essa lógica, no Brasil de Dilma em que o real foi pra privada, era para o Ibovespa ter disparado e para as exportações terem bombado. Afinal, nossos produtos ficaram baratinhos.

No entanto, ocorreu o exato oposto. Bolsa e exportações desabaram.

Por outro lado, no período 2003 a 2011, em que o real se fortaleceu acentuadamente, o Ibovespa disparou, assim como as exportações. Pela sua lógica, era para acontecer o oposto.

Aliás, também segundo esse raciocínio, era para a bolsa americana ter desabado e suas exportações terem despencado desde 2011. Afinal, para todo o mundo, o dólar encareceu bastante desde lá. No entanto, aconteceu o exato oposto.

A pessoa dizer que a bolsa reflete o câmbio e não a saúde financeira das empresas e da economia é uma abissal ignorância econômica.

Para entender por que exportações e saúde das empresas andam de acordo com a força da moeda, ver estes artigos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2394
www.mises.org.br/Article.aspx?id=2378
www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175

"Agora, bancos e empresas japonesas já estão pensando em tirar o time, os hate crimes aumentaram."

Então não tem lugar nenhum no mundo para onde elas irem. Em qualquer país há hate crimes.

"Como manter as multinacionais sem as mesmas vantagens? Como as universidades ficarão em recursos, uma vez que o dinheiro vem da UE?"

Você está terrivelmente desinformado. O Reino Unido é um pagador líquido para a União Européia: paga 136 milhões de libras por semana para a União Europeia. Repito: por semana.

Portanto, se a sua preocupação é com os "recursos das universidades", então aí sim é que você tem de ser um defensor do Brexit.
"Os interesses privados do livre mercado vão capturar o estado sempre, tenha ele o tamanho que for."

Belíssima contradição. Livre mercado, por definição, significa um mercado cuja entrada é livre. Não há impeditivos burocráticos, regulatórios e tarifários para os novos entrantes e, principalmente, não há privilégios estatais para os já estabelecidos.

Empresas capturarem o estado para impor barreiras à entrada de novos concorrentes e para garantirem privilégios a si próprias é o exato oposto de livre mercado. Isso é mercantilismo, protecionismo, cartorialismo e compadrio.

Seu começo já foi triunfal.

"Grandes grupos vão seguir sua trajetória de "sucesso" através de consolidações e aquisições, se tornando cada vez mais megacorporações mono ou oligopolistas, ditando as regras."

Se a entrada no mercado é livre, não há como existir oligopólios e monopólios.

Não é à toa que quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Artigos para você sair desse auto-engano:

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

E você ainda diz que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural

"Temos ai, a título de exemplo de livre mercado, o Uber, que através de concorrência desleal leva prejuízo a setores regulados como os taxistas e escraviza motoristas, impondo jornadas de trabalho de até 12 horas."

Sensacional!

Primeiro você reclama das corporações que utilizam o estado para conseguir uma reserva de mercado e, com isso, manter oligopólios e monopólios. Aí, logo em seguida, derrama lágrimas porque uma corporação que utiliza o estado para conseguir uma reserva de mercado (os taxistas) está sendo quebrada pelo livre mercado!

Fazia tempo que eu não via alguém se auto-refutar de maneira tão pirotécnica quanto você.

"Esse papo furado de que o mercado regula tudo é para iludir os tolos e facilitar a vida das megacorporações."

Tipo, o megacartel dos taxistas desafiados pela Uber e pela Lyft? As grandes redes hoteleiras, que agora estão sofrendo com o AirBnB, que permite que qualquer dona de casa concorra com grandes corporações globais do setor hoteleiro? Os grandes bancos, que agora sofrem a concorrência das FinTechs e de sites como o "Descola Aí" e o "Banca Club"? As grandes redes varejistas, agora desafiadas pelo OpenBazaar?

É...

"Me parece que os "libertários" são os cães de guarda ideológicos delas."

Já a realidade mostra que são idiotas inconscientes como você os verdadeiros defensores dos monopólios e oligopólios concedidos pelo estado, via regulamentações, às grandes empresas.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Matheus  04/11/2015 14:31
    A página do Peru no Heritage Foundation completamenta este bom artigo:

    www.heritage.org/index/country/peru
  • João  04/11/2015 14:42
    É por isso que sou a favor da anarquia, sempre quando um pais libera sua economia,as pessoas ficam mais ricas e o governo cresce o olho, tudo que fica livre está passivo de interferência de burocratas
  • Edimar  04/11/2015 22:45
    Liberalismo não é anarquia. Anarquia é comunismo liberal.
  • Anderson S  04/11/2015 14:58
    Mas já?

    Poxa, nem deixaram os peruanos crescerem o suficiente para que tão rapidamente os regulem (controlá-los)...
  • Batista  04/11/2015 15:06
    Completando aquela listagem...

    Argentina hoje = Brasil amanhã
    Brasil hoje = Peru amanhã
  • anônimo  04/11/2015 18:00
    Muito bem apontado. Permita-me apenas completar.

    Peru amanhã = Brasil hoje
    Brasil amanhã = Argentina hoje
    Argentina amanhã = Venezuela hoje
    Venezuela amanhã = Cuba hoje
    Cuba amanhã = só Deus sabe...
  • Gabriel  04/11/2015 15:30
    Agora o Governo Peruano, apesar de tudo, deve ter se contido na tentação de passar a adotar uma politica fiscal e monetária expansionista né?

    Isso por si só também já seria um grande avanço, e junto com a liberdade de empreender acho que é uma das coisas mais importantes.
  • anônimo  04/11/2015 15:36
    E broxante não deixarem o Peru crescer...
  • Leonardo  05/11/2015 16:53
    ahhaahah muito bom!
  • Mohamed Attcka Todomundo  06/11/2015 10:58
    ñ precisa ter medo: põe camisinha no peru q Evita Nênem
  • Refugiado do socialismo  04/11/2015 16:14
    Com a economia peruana crescendo dessa forma, logo eles estarão devolvendo a areia do deserto para o mar e sendo uma potência do agronegócio. É só ninguém atrapalhar.

    Esse acordo TP possui regras trabalhistas e isso vai gerar confusão.

    O governo poderia ser útil em alguma coisas, mas é muito dificil acertar. Ir a Marte também é possível, mas também é difíl.

    Os governo são populistas. O governo Tupiniquim tirou impostos de coisas que consomem energia, mas a energia continua sendo tributada. Eles continuam tributanto excessivamente empresas e produtos de telecomunicações e informática.

    Nenhum países será desenvolvido tributando tecnologia, combustíveis, mão de obra, comida, remédios, saúde, imóveis, etc.

    A base da economia não pode ser tributada ou ter preços controlados. Isso é a primeira lei da economia. Só comunistas acham que controlar preços ajuda os pobres. Na verdade, quem acaba sendo prejudicado são os pobres, pois há mais impostos e escassez.

    Quando alguém precisa pagar 20 mil reais de ITBI para comprar um imóvel, podemos dizer que a política do governo é para criar desabrigados.
  • Mateus  04/11/2015 16:29
    Concordo com o Batista, é isso aí!...
  • Chávez  04/11/2015 17:12
    Esse artigo me lembrou desse aqui, publicado ano passado: Como Michelle Bachelet pretende destruir as bases institucionais do Chile

    Enfim, são apenas políticos latino-americanos sendo políticos latino-americanos.
  • Viking  04/11/2015 17:46
    parece que o destino da américa latina é ficar condenada pelo populismo socialista, infelizmente...
  • Mr. Magoo  04/11/2015 23:14
    Talvez não, Viking. No Peru já foi pior;
    www.libertarianismo.org/index.php/artigos/cura-capitalista-terrorismo/
  • Didi  04/11/2015 21:24
    A voracidade do Estado é tremenda, leiam com detida atenção o artigo publicado no Jornal El País do dia 31.10.2015, intitulado: Desafio na América Latina é subir imposto da renda e punir sonegação.

    A Cepal e especialistas dizem que tributo é baixo na comparação com mundo desenvolvido.

    Carga tributária no Peru 19,4% do PIB, por aí se vê porque a economia de los peruanos foi de vento em popa.

    Confira

    brasil.elpais.com/brasil/2015/10/29/economia/1446146776_404035.html
  • Jorge Gaspar  04/11/2015 23:18
    Qual é a possibilidade de os vários libertários espalhados pelo mundo fora conseguirem através de financiamento próprio adquirirem um país e establecerem nesse país ideias libertárias.
    Imagino se não existirá algures no mundo um pedaço de terra em que nos deixem estabelecer. É um pouco como a história do povo judeu a seguir á 2 grande guerra (embora já vivessem lá judeus antes).
    Deixava de ser preciso aturar eleições, eleitores, taxas e taxinhas, cuidados com o tabaco com a carne e a puta que os pariu a todos os socialistas.

    Já sei que me vão dizer que é impossível, mas se houver quem tenha uma ideia de como isso se poderia fazer que a partilhe
  • Viking  05/11/2015 17:35
    Liberland não atenderia ao seu exemplo?
  • Um observador  05/11/2015 17:52
    Jorge,

    Não existem países à venda, nem ilhas fora da jurisdição de algum país. Mas ainda assim existem algumas possibilidades:

    1 - Construir ilhas artificiais fora do alcance de qualquer governo.
    Exemplo: Seasteading Institute

    2 - Vários libertários mudarem para um mesmo lugar, para ter mais força para afetar a legislação, etc, e quem sabe conseguir a separação no futuro.
    Exemplo: Free State Project

    3 - Tentar pegar um lugar cuja propriedade não esteja muito clara, e tentar fazer ali uma nação libertária.
    Exemplo: Liberland
  • Viking  05/11/2015 18:52
    não seria viável fazer algo nos moldes do Free State aqui no Brasil?
    Roraima, Acre, Rondônia seriam os estados mais indicados, ou até o Tocantins.
  • Um observador  05/11/2015 19:04
    Puxa, deu falha na formatação do [link] e então eles não estão funcionando.
    Mas é só tirar o https// do endereço que abrir que vai dar certo.
  • Vander  04/11/2015 23:26
    O que eu mais vejo é o medo puro, nas ações destas instituições (Banco Mundial e asseclas), de verem algum país de 3º mundo conseguir prosperar pelo livre mercado.

    Assim que uma nação sub-desenvolvida começa a dar sinais de prosperidade, sempre ocorre um fato que marca o início do fim: ou é algum golpe de estado, ou é a "visita" do FMI impondo regras, ou é a ascensão de partidos populistas, etc. Sempre ocorre um acontecimento que faz com que 20/30 anos de lenta prosperidade seja destruída em 5/10 anos de táticas estadistas burocráticas.

    Seria mera coincidência? Seria realmente o simples destino dos latinos que, após décadas de prosperidade sustentável, sempre ocorra um acontecimento que bote abaixo essas conquistas?

    Será que o período colonial realmente acabou? Enfim, olhando do alto esses 'fenômenos' que acontecem na América Latina, sou propenso a acreditar que nossas tragédias estão muito além do simples destino.
  • mauricio barbosa  05/11/2015 00:56
    Vander então dê nome aos bois,fora isso tudo o que você insinuou(Forças estrangeiras ou seja lá o que for não passa de especulações e teorias conspiratórias como se o primeiro mundo não quisesse nosso desenvolvimento)me lembra os livros didáticos e chavões socialistas sobre colonialismo e neocolonialismo e outros blá-blá-blás,enfim o comércio colônia-metrópole era desfavorável a colônia e altamente lucrativo para a metropóle e tal arranjo acabou quando as mesmas ficaram independentes e o que ocorre hoje é o protecionismo bilateral tanto a américa-latina precisa do resto do mundo quanto o resto do mundo precisa da américa-latina ou seja precisamos de livre-comércio e não de protecionismo,confrontos,guerras,conspirações ou condenações tipo fidel castro quando dizia que a europa deveria devolver o ouro explorado por aqui,relembrando não precisamos dessa retórica socialista precisamos é de portos livres e só assim e tão somente assim prosperaremos sem crises.
  • Vander  05/11/2015 21:32
    Cara, desculpe, mas não entendi nada do que escreveste. Não sei se foi crítica ou não, mas na dúvida, vamos deixar por assim, ok?
  • mauricio barbosa  08/11/2015 02:21
    Vander quero dizer com isto é que o culpado de nossos fracassos se chama governo e os estrangeiros ganham ou perdem com nosso governo exemplo hoje cuba e venezuela ganham com o atual governo e multinacionais e fundos de pensão estrangeiros interessados em aportar recursos e investimentos em nossa terra estão sendo expulsos com estes rebaixamentos em nosso nota de rating,enfim essa foi minha ponderação contigo,ok!...
  • Alfredo Camilo  04/11/2015 23:43
    Muito interessante. Estive lá, e isso que foi descrito salta aos olhos.
  • Thiago Teixeira  05/11/2015 17:13
    Esse artigo é um exemplo de "quanto mais incompetente o funcionalismo publico, melhor para as pessoas".
  • Marcelo Henrique  06/11/2015 00:52
    Os burocratas ligaram para o Presidente do Peru e a oferta foi mais ou menos assim: "Senhor Presidente, o senhor tem muita gente enriquecendo por aqui, vamos enriquecer só a nós? nós temos as regras e o dinheiro pro empréstimo, o senhor só precisa abrir as pernas e voilà!
  • Refugiado do socialismo  06/11/2015 00:56
    É difícil acreditar em governos e burocratas. Até o governo do Vaticano cometeu desvios. Governos militares cometeram desvios. Governos religiosos cometeram desvios. Governos socialistas cometeram enormes desvios. Governos comunistas cometeram enormes desvios. Governos indígenas cometeram desvios. Governos que fazem plebiscitos populares cometeram desvios. Governos nazistas e facistas cometeram desvios. Governos monarquistas cometeram desvios.


    A liberdade das pessoas é violada a todo momento. As pessoas que produzem são prejudicadas a todo momento. Trabalhar 5 meses para pagar impostos é uma coisa medieval. A justiça está sendo violada pela própria justiça. A liberdade constitucional não existe.

  • Pedro  06/11/2015 13:22
    Bom dia, desculpem pela pergunta meio vaga, é que nem sei como perguntar o que quero saber :D

    Como se comporta a moeda do país nesse cenário?

    O pessoal adota uma moeda diferente da local (como o dólar), a moeda local se fortalece em relação às estrangeiras, como se dá a atração de investidores estrangeiros?



  • Bruna  09/11/2015 12:52
    Quando se trata de governo ou em anarquia que é o sistema político baseado na negação do princípio da autoridade devemos vetar os fatos verídicos e agir de forma pacífica.
  • louxo  13/11/2015 12:36
    Burocracia Peruana: Se vc chegar ao aeroporto de Lima com 2 notebooks, seus, usados, mesmo vc sendo turista, terá de pagar imposto de "importação" sobre o segundo notebook. Não interessa se é usado, se vc é estrangeiro e mesmo que seja para uso pessoal. Relato real que aconteceu com um amigo. Ahhhh o valor do segundo notebook (velho por sinal) foi definido através de um anuncio de venda no ebay, pois o modelo já não era fabricado a anos...
  • Viviane de Jesus  20/01/2016 01:27
    Quando se trata de burocracia ou anarquia é basicamente a ideologia política socialista e revolucionária baseada em uma crítica da dominação e em uma defesa da autogestão.
  • juli  16/03/2016 09:38
    gosto muito do peru moro já faiz um tempo é melhor do que morar no brasil aonde os politicos só querem te roubar e tu não pode fazer nada. infelizmente é a pura realidade brasileira.
  • Emerson Luis  22/03/2016 10:44

    Pelo que entendi, grande parte da liberdade econômica do Peru se deve à informalidade e à incompetência do governo em controlar a economia, mas o governo está querendo se aprimorar.

    A liberdade não pode ser concedida, apenas reconhecida, mas esse reconhecimento tem que ser formalizado.

    * * *
  • eduardo  06/04/2016 00:03
    Gosto de morar aqui no Peru. o Brasil é muito violento
  • Adian  17/04/2016 10:16
    Muito interessante. Estive lá.
  • Fabio de Melo  24/04/2016 02:00
    Quem dera fosse no Brasil!
  • anônimo  24/04/2016 22:27
    Peru, Chile e Colômbia estão de parabéns!
  • Elias Maman  26/04/2016 01:15
    Isso que é país!


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