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Ao contrário do que diz a imprensa, o Banco Central americano não tem como “elevar os juros”

O assunto simplesmente não sai da mídia.  O novo "terror" do momento é a suposta iminência de um aumento da taxa básica de juros nos Estados Unidos, pelo Banco Central americano, já agora em dezembro.

Há apenas um problema: ninguém ainda explicou exatamente como isso seria possível.

O que o Fed controla

Comecemos pelo básico: o Fed — o Banco Central americano — não controla todas as taxas de juros da economia americana.  Ele não controla as taxas de juros sobre os títulos públicos de 6 meses, 5 anos, 10 anos ou 30 anos.  Essas taxas são livremente determinadas pelo mercado.  Logo, ele não pode elevar os juros desses papeis.  Ele não tem nenhum poder sobre estes juros.  (O mesmo, aliás, é válido para todos os outros Bancos Centrais do mundo).

O Fed controla uma única taxa de juros, a qual, nos EUA é chamada de "Federal Funds Rate".  Essa taxa (idêntica à SELIC brasileira) representa a taxa de juros que os bancos cobram entre si no mercado interbancário para emprestar (ou tomar emprestado) dinheiro que possuem em suas reservas, por um dia de duração. 

Os bancos recorrem a essas operações interbancárias diariamente porque, ao final de cada dia, precisam manter um determinado volume de dinheiro em suas reservas.  (Esse volume de reservas é o equivalente a uma determinada porcentagem do total de seus depósitos, e é determinado pelo Banco Central; chama-se compulsório).

O Banco Central, por meio de suas injeções monetárias neste mercado interbancário — ele cria dinheiro para comprar títulos públicos em posse dos bancos e destrói dinheiro ao vender títulos públicos para os bancos —, afeta a taxa de juros do mercado interbancário e, com isso, é capaz de determinar a taxa básica de juros da economia. 

Esta é a única taxa que ele de fato pode controlar.

O gráfico abaixo mostra a evolução de três taxas de juros da economia americana.

polleit1.png

A linha inteiriça laranja representa a "Federal Funds Rate" (a nossa SELIC), que é a única taxa que o Fed controla.  A linha laranja pontilhada representa a taxa de juros paga por título públicos com prazo de vencimento de 2 anos. Já linha cinza representa a taxa de juros paga por títulos públicos com prazo de vencimento de 10 anos.

A única taxa que o Fed controla diretamente é aquela que está totalmente horizontal.

O problema

Só que há um enorme problema: a demanda dos bancos por empréstimos no mercado interbancário está praticamente nula.  Os bancos não estão demandando empréstimos um dos outros neste mercado.  E isso nunca havia acontecido antes.

Por quê?

Porque o Fed, em resposta à crise financeira de 2008, tomou duas atitudes: a primeira, típica de países latino-americanos da década de 1980; a segunda, completamente inédita nos anais da teoria macroeconômica e jamais discutida nem sequer como hipótese em nenhum livro-texto de economia.

A primeira medida foi imprimir dinheiro a rodo e entregar esse dinheiro aos bancos em troca de título podres que estes carregavam.  Tratou-se de uma medida que, na prática, tinha a intenção de limpar os balancetes dos bancos.

O gráfico a seguir mostra o que ocorreu com a base monetária americana em decorrência desta medida:

fredgraph.png

Tamanha injeção de dinheiro no sistema bancário iria, segunda a teoria macroeconômica, degenerar em hiperinflação caso os bancos decidissem emprestar todo esse dinheiro para pessoas e empresas.

Vale enfatizar que, no atual arranjo financeiro, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito). Se os bancos não quiserem despejar este dinheiro na economia, não há nenhum risco de inflação de preços.

E foi aí que o Fed teve então a sua segunda ideia, completamente inédita na história dos Bancos Centrais: para impedir que toda esta dinheirama fosse emprestada pelos bancos, ele simplesmente decidiu pagar aos bancos juros anuais de 0,25% sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente deixassem parado no Fed.

Normalmente, um Banco Central paga juros aos bancos apenas sobre o valor do compulsório.  Nos EUA, no entanto, o Fed criou a política de pagar juros para todo e qualquer montante que os bancos voluntariamente deixem parados no Fed.

Ou seja, de um lado, o Fed imprimiu (eletronicamente) trilhões de dólares e entregou esse valor aos bancos em troca de títulos podres que estavam em posse destes bancos; de outro, ele começou a pagar, para os bancos, juros de 0,25% sobre todo este dinheiro. 

Tão logo o Fed adotou essa prática, a taxa de juros do mercado interbancário caiu para quase zero. E esta taxa de 0,25% acabou se tornando a taxa básica de juros da economia americana.

A consequência disso é que os bancos americanos estão hoje com US$ 2,6 trilhões de "reservas em excesso" voluntariamente estacionadas no cofre eletrônico do Fed. 

fredgraph (1).png

Consequentemente, com todo este excesso de reservas, nenhum banco tem de ir ao mercado interbancário pedir dinheiro emprestado para outro banco com o intuito de manter um determinado volume de dinheiro em suas reservas.  O sistema bancário americano está hoje inundado de dinheiro na forma de reservas em excesso.  Nenhum banco precisa mais se preocupar com a hipótese de não ter reservas suficientes.  Nenhum banco precisa se preocupar em recorrer ao mercado interbancário para pedir dinheiro emprestado.

Sendo assim, para o Fed elevar a taxa básica de juros — que é a taxa de juros do mercado interbancário —, ele teria de enxugar uma boa parte desses trilhões de dólares que estão nas reservas em excesso.  Isso exigiria uma venda maciça, pelo Fed, de títulos públicos para esses bancos. 

Na prática, o Fed teria de fazer uma liquidação maciça de títulos públicos de 3 meses, 6 meses, 2 anos, 5 anos, 10 anos, 30 anos, títulos de Fannie Mae e Freddie Mac, títulos lastreados em hipotecas, títulos lastreados em empréstimos estudantis, títulos lastreados em crediário para automóveis etc.  Em suma, ele teria de pegar seu portfólio e, em cada categoria de ativo, teria de vender esses ativos no mercado. 

Obviamente, se ele fizer essa liquidação, os preços desses ativos iriam desabar, o que significa que as taxas de juros desses ativos iriam disparar. Com a disparada das taxas de juros de todos esses papeis, os juros para todos os empréstimos iriam subir concomitantemente. 

E o governo, obviamente, não quer isso.

O que o Fed realmente pode fazer

A única política monetária que o Fed realmente pode fazer é elevar a taxa de juros que ele paga sobre todas essas reservas em excesso que os bancos mantêm depositadas junto ao Fed

Se atualmente ele paga uma taxa de 0,25% ao ano, ele pode elevá-la para, por exemplo, 0,5%;

Isso ele pode fazer quando quiser.

Mas isso gera alguns problemas.

Ao contrário de todas as outras operações de política monetária, esse dinheiro com o qual o Fed paga juros de 0,25% aos bancos não é criado eletronicamente por ele.  Esse dinheiro advém dos lucros operacionais do Fed. 

Em termos puramente contábeis, esse dinheiro é retirado do patrimônio líquido do Fed e colocado em seu passivo (as reservas bancárias representam contabilmente um passivo para o Fed).

Sendo assim, se o Fed elevar os juros de 0,25% para, digamos, 0,5% ou até mesmo 1%, não apenas os lucros operacionais do Fed serão brutalmente reduzidos, como também será reduzido o montante que o Fed repassa anualmente ao Tesouro.

Legalmente, o Fed é obrigado a repassar o Tesouro americano todo o dinheiro que ele obteve de lucro menos o necessário para cobrir suas operações.

Se o Fed elevar os juros que paga sobre as reservas em excesso, o orçamento do governo federal americano sofrerá um baque.  Cada centavo que o Fed paga sobre as reservas em excesso é um centavo a menos que não pode ser dado ao Tesouro americano ao final de cada ano fiscal.  Consequentemente, se o Fed elevar os juros, o déficit orçamentário do governo federal americano irá aumentar.

Por último, se os bancos estão dispostos a manter US$ 2,6 trilhões de dólares estacionados no Fed em troca de 0,25% ao ano, quanto mais eles estariam dispostos a manter estacionado no Fed em troca de, digamos, 1% ao ano?  Certamente, muito mais.

Logo, o Fed irá gastar ainda mais com juros.  E, consequentemente, o Tesouro receberá ainda menos repasses.

Não obstante esses problemas, essa é a única taxa de juros que o Fed realmente pode elevar.

Portanto, quando se fala que "o Fed irá aumentar os juros em dezembro", a pergunta a ser feita é: qual taxa de juros exatamente o Fed irá elevar?  Como ele irá fazer isso?

Até hoje, nunca foi publicado na mídia especializada um único artigo explicando exatamente como o Fed irá "elevar os juros". Desde meados de 2013 há essa "ameaça" de aumento dos juros.  E ela nunca se concretiza.  Há várias razões econômicas e contábeis para isso.

O Fed também pode elevar a taxa de redesconto o quanto quiser; mas este recurso raramente é utilizado pelos bancos.

Conclusão

Quando o Fed, em outubro de 2008, adotou a política de pagar juros sobre toda e qualquer reserva em excesso voluntariamente mantida pelos bancos no Banco Central, ele revolucionou completamente as práticas dos Bancos Centrais.  Nenhum livro-texto, nem mesmo os próprios livros publicados pelo Fed, jamais discutiu essa hipótese.

Tal política, com efeito, colocou uma rolha no mecanismo de transmissão entre a expansão da base monetária e o aumento da quantidade de dinheiro na economia.  Esse mecanismo de transmissão foi rompido.  A relação entre aumento da base monetária e aumento de M1, M2, M3 e M4 foi quebrada.  Não há manual de macroeconomia que discuta essa possibilidade.

Consequentemente, há uma nova era na economia americana no que diz respeito a práticas de Banco Centrais. Qualquer economista que queira apresentar uma teoria sobre hiperinflação nos EUA em decorrência da volumosa expansão da base monetária terá de explicar como essa hiperinflação poderá ocorrer agora que o Fed descobriu essa prática de pagar juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente depositem no Fed.

Com essa medida de pagar juros sobre todo e qualquer depósito voluntário que os bancos depositarem no Fed, a possibilidade de hiperinflação é praticamente nula.

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Atualização em 16/12/2015

Exatamente como previsto neste artigo, o Fed acaba de anunciar que irá pura e simplesmente elevar o valor que ele paga sobre as reservas em excesso.

Veja o anúncio na íntegra e o trecho principal abaixo:

"The Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to raise the interest rate paid on required and excess reserve balances to 0.50 percent, effective December 17, 2015."

E também como previsto neste artigo, o Fed elevou a taxa da janela de redesconto, de 0,75% para 1%. Trecho:

"In a related action, the Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to approve a 1/4 percentage point increase in the discount rate (the primary credit rate) to 1.00 percent, effective December 17, 2015."

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Leia também:

Qual é a estratégia de saída do Fed? 

O que o Fed poderá fazer 

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Autores:

Gary North, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. 

Leandro Roque, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


3 votos

autor

Diversos Autores

  • Israel  29/10/2015 14:01
    E se o FED baixasse gradualmente esses 0,25% que ele paga sobre os depósitos? Isso não iria jogar o dinheiro das reservas dos bancos no mercado? Se for assim, ele pode fazer isso de forma controlada?
  • Leandro  29/10/2015 14:13
    "E se o FED baixasse gradualmente esses 0,25% que ele paga sobre os depósitos? Isso não iria jogar o dinheiro das reservas dos bancos no mercado?"

    Haveria, sim, um estímulo maior para isso -- desde que, obviamente, houvesse propensão das pessoas e das empresas a se endividarem mais.

    "Se for assim, ele pode fazer isso de forma controlada?"

    Não sei, mas vale lembrar que isso seria o exato oposto de um aumento de juros. Logo, tal hipótese nem sequer está sendo cogitada.
  • Henrique  29/10/2015 16:47
    mas se o fed reduzisse essa taxa de 0,25%, estimulando os bancos a jogarem dinheiro no mercado, ele então poderia retirar esse dinheiro extra com a venda dos tais títulos dessa forma elevando os juros cobrados sobre esses ativos, ou seja, abandonando essa "panaceia" e retornando ao velho modelo keynesiano de controle da inflação com aumento de juros...
  • Adriano  01/11/2015 02:18
    Há uma possibilidade. Basta aumentar o juros p 0,50, mas que ele incidirá apenas sobre 50% das reservas em excesso. Assim o Fed continuaria a pagar o mesmo valor em juros sobre as reservas em excesso (valor nominal) e não estimulará os bancos a aumentar os valores em reserva.
  • Pobre Paulista  29/10/2015 14:22
    Imagina 2.6 TRILHÕES de dólares entrando de maneira "controlada" na economia.
  • Mphamed Attcka Todomundo  02/11/2015 22:23
    uma vez li numa postagem de algum leitor do IMB q achava q iam direcionar essa dinheirama p/ financiar mineraçao pq tem demanda reprimida por esse tido de investimento. alguem leu isso? alguem pode comentar algo?
  • antonio jaime  16/11/2015 23:12
    O problema se resume no fato de que o controle da economia mundial é dos políticos. Ou seja, você sempre lidará com uma hidra de 100 cabeças.
    Essa fauna compõe-se de cobras criadíssimas que fazem o que querem, com suas lógicas subterrâneas e inacessíveis; se não conseguem, corrompem. Pois para eles, o custo pode ser rateando numa cadeia de mil corrompidos e, se ficar muito alto, aumenta-se o tamanho da mordida dos erários dos povos. Não tenham dúvidas disso.
    Então, tentar entender esses paradoxos das ciências sociais (o que a economia de fato é)é quimera! Porque, antes da economia vem a tal 'fonte primária de todo direito' que é o lodo da política.

    Se você tenta explorar esse sub-mundo pantanoso tem que ter o pedigree das serpentes, o instinto de crocodilo: 'Tente enxergar até onde seus olhos alcançam. Ir além é oferecer sua cabeça à iminente degola'.

    Duvida? Olhe o mundo afora e veja a situação em que nos encontramos, econômica e politicamente, apesar de toda teoria política e econômica estufando as bibliotecas do mundo inteiro...
  • Kelvin Soares  24/02/2016 13:31
    Leandro, ótimo artigo.

    Que me gerou uma outra duvida (não sou economista), no Brasil temos o Tesouro Direto para pessoas físicas, comprarem e venderem seus respectivos títulos, onde se compra e se vende para o Tesouro, nesse caso fica fácil de entender que o Tesouro decide por bem que irá pagar 6 ou 7% em NTNB-2019 Principal (sendo tal valor de juros e PU um espelho do mercado de títulos públicos).

    Porém não fica claro como funciona para as pessoas jurídicas:
    1o - O Governo faz um leilão de seus títulos de divida a juros de X% a.a., para os grandes bancos (atacado);
    2o - Esses papeis são depois negociados no mercado de títulos públicos (varejo), porém se no primeiro passo foi acordado que os juros eram X com PU de Y, como os juros podem aumentar ou cair? os juros não deveriam ser fixos? até entendo a PU subir ou descer, mas se quem vendeu o papel (Tesouro) acordou que o mesmo valeria X% a.a. como o mercado pode ditar que esse juros possa valer mais ou menos? Imagino que assim que o Tesouro fez o leilão ele já projetou o quanto ele tem que pagar para os detentores do papel na data do vencimento, mas se os juros flutuam, fica difícil projetar o volume necessário para tal pagamento no futuro.

    Alguém pode me ajudar?

    PS: já conheço o principio de que quando o BC eleva juros a PU tende a cair e vice versa, mas isso não explica os meus pontos acima.
  • Leandro  24/02/2016 15:19
    Você está confuso quanto ao funcionamento do mercado de títulos.

    Vou tentar explicar.

    Hoje, uma LTN com vencimento em 1º de janeiro de 2023, está custando R$ 367,63. No dia 1º de janeiro de 2023, que é o dia do vencimento deste papel, o Tesouro irá pagar exatos R$ 1.000 por esse papel.

    Isso significa que, se você comprar hoje este papel por R$ 367,63 e receber R$ 1.000 em 1º de janeiro de 2023, você está recebendo juros de 15,79% ao ano.

    Ponto.

    É assim que funciona o mercado de títulos.

    O preço dos papeis pré-fixados varia dia a dia, mas o preço final dele -- isto é, o preço que o Tesouro irá pagar na data do vencimento -- é fixo em R$ 1.000.

    Sendo assim, a taxa de juros que você irá receber depende estritamente do dia em que você adquiriu o papel. Se amanhã o preço do papel estiver mais barato, o juro real que você vai receber será maior. E vice-versa.

    Igualmente, se você comprou hoje a R$ 367,63, e daqui a um mês este papel estiver valendo R$ 450, e você decidir vendê-lo, você terá ganho um juro muito superior aos 15,79% contratados.

    Em suma: o juro contratado é válido caso você mantenha o papel até o vencimento. E é assim simplesmente por causa do preço pelo qual você comprou o título. Caso você revenda o papel antes do vencimento, você o dará pelo valor de mercado do dia da venda. Você pode tanto ganhar quanto perder.
  • Kelvin Soares  24/02/2016 15:30
    Grato por responder Leandro, está claro agora, eu já sabia que os pré-fixados valem R$1.000,00 no seu vencimento, mas o preço de mercado estava confuso, grato por esclarecer.

    Porém a minha primeira duvida persiste para os títulos pós-fixados (NTNB), diferente das LTNs esses não tem um valor definido na data do vencimento. Se o governo fez um leilão para NTNB 2019 em 2013, cobrando PU de 1900 e juros de 3% (exemplo), como o mercado pode flutuar isso? imagine o cenário que subitamente os juros a mercado desse papel subisse para 10 ou 15% (o teto foi 8%), isso seria um rombo pro governo, certo? e um rombo sem controle? (não que o governo goste de ter controle rs). Como o governo pode controlar isso, além de fechar o mercado de titulos por algumas horas?

    Consegues me ajudar?


    tdcharts.info/titulos
  • Leandro  24/02/2016 15:48
    "Porém a minha primeira duvida persiste para os títulos pós-fixados (NTNB), diferente das LTNs esses não tem um valor definido na data do vencimento."

    Correto.

    Estes são mensalmente reajustados pelo valor do IPCA mensal mais seu preço de mercado (que é o que determina os juros). Esse preço de mercado funciona de maneira idêntica às LTNs.

    Você pode conferir aqui a evolução do valor destes títulos de acordo com o IPCA. Os juros irão flutuar de acordo com o preço de mercado em relação a estes valores.

    "Se o governo fez um leilão para NTNB 2019 em 2013, cobrando PU de 1900 e juros de 3% (exemplo), como o mercado pode flutuar isso?"

    Em 2019, o governo irá pagar toda inflação acumulada mais 3%. Esse 3% é definido pelo valor de mercado do título no momento da compra, de maneira absolutamente idêntica às LTNs.

    "imagine o cenário que subitamente os juros a mercado desse papel subisse para 10 ou 15% (o teto foi 8%), isso seria um rombo pro governo, certo?"

    Correto. Ele agora pagará mais para captar eventuais novas emissões destes títulos.

    "Como o governo pode controlar isso, além de fechar o mercado de titulos por algumas horas?"

    Reduzindo as expectativas de inflação.
  • Kelvin Soares  24/02/2016 18:15
    Grato! sem querer ser chato, mas só para ter certeza que entendi:

    Cenário hipotético:

    1 - Governo só faz um único leilão da divida em 2013 de NTNB-Prin 2019 a PU de 1900 com juros de 3%; (Cenário utópico onde o governo não se endivida com freqüência).

    2 - No ano seguinte a PU sobe tal como os juros (Como alguém pode alterar os dois preços? Se do outro lado do balcão não está o Tesouro (tal como no TD))? - Nesse caso a lógica da LTN não inferiu aqui, passei por isso em 2014, comprei 10 NTNB-Prin 2019 a R$ 1901,29 a 5,56% a.a. e em 2015 vendi esse mesmo lote de 10 por cerca de R$2065 e depois recomprei por 2069 pagando 7,42% a.a. (usei a calculadora do TD para verificar se valia pena fazer o que fiz e valeu!), ou seja nesse caso a PU e os juros subiram, diferente da LTN, porém tudo isso foi feito junto ao TD.

    Como fica no caso de pessoas jurídicas no mercado de títulos? como um agente pode comprar um papel a X a Y% a.a. e um ano depois sem que o governo faça mais leilões tal papel pode valer X+1 e Y+2% a.a.? quem pode alterar o valor do juros, sendo que quem vai pagar é o governo? (ou seja é diferente do caso quase meramente aritmético das LTNs, onde se os juros sobem a PU desce e vice versa)

    Aproveitando o ensejo, tem alguma chance de termos outro podcast seu com o Garschagen? Aprendi muito nos seus últimos dois.

    Grato por toda sua paciência comigo, para explicar isso.
  • Leandro  24/02/2016 19:01
    "passei por isso em 2014, comprei 10 NTNB-Prin 2019 a R$ 1901,29 a 5,56% a.a. e em 2015 vendi esse mesmo lote de 10 por cerca de R$2065 e depois recomprei por 2069 pagando 7,42% a.a. (usei a calculadora do TD para verificar se valia pena fazer o que fiz e valeu!), ou seja nesse caso a PU e os juros subiram, diferente da LTN, porém tudo isso foi feito junto ao TD."

    Isso aconteceu porque, ao contrário das LTNs, as NTN-Bs são mensalmente reajustadas pelo IPCA. Como já explicado acima, as NTN-Bs possuem dois componentes: juros e inflação. O valor delas varia mensalmente de acordo com o IPCA mais o preço delas no mercado.

    Ao passo que as LTNs são guiadas apenas pelo seu preço de mercado, as NTN-B incorporam, além do seu preço de mercado, todo o IPCA do período.

    Sendo assim é perfeitamente possível que, mesmo que os juros aumentem, o valor total delas suba: por causa do IPCA.

  • Kelvin Soares  24/02/2016 19:48
    Grato!!!
  • od  29/10/2015 14:16
    Leandro, tive um pouco de dificuldade de entender o mecanismo por isso tenho uma pergunta

    O FED não poderia obrigar os bancos se aumentasse o valor do compulsório ? Com o compulsório maior, eles necessitariam de maior quantidade de volume de empréstimos interbancários e isso abriria margem para o FED aumentar a taxa de juros ?

    abraços




  • Leandro  29/10/2015 14:26
    Na prática, os compulsórios já estão em (mias de) 100%. O volume de reservas em excesso é maior que o de depósitos à vista.

    Depósitos à vista estão em US$ 1,2 trilhão.

    Já as reservas em excesso, como mostra o gráfico do artigo, estão em US$ 4 trilhões.
  • Thiago Teixeira  29/10/2015 18:09
    Então, está teoricamente aberto o caminho para os Estados Unidos abolirem as reservas fracionárias com uma canetada?
    E sem trauma!
    Creio que isso não esteja sequer em discussão...

    O passo seguinte seria o FED vender seus ativos todos, para subir os juros e especialmente para se livrar.
    Logo em seguida, perderia razao de existir, poderia fechar.

    _______

    Ah, Leandro, dá uma olhada nessas teorias malucas:
    economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2015/07/16/bill-gross-penetra-na-mente-do-fed-para-explicar-ansia-por-aumentar-taxas-de-juros-noah-smith.htm
  • Diego  29/10/2015 14:21
    Resumo da ópera, arrebentaram o Fed e estão com uma bolha nas mãos que cedo ou tarde vai explodir. Claro que vão empurrar o máximo possível, evidente que não vão tocar nos juros, seguindo a profecia do Bernanke, ainda mais em ano eleitoral. Se a economia dos EUA não decola mesmo com juros zerados e crédito farto, imagina se subirem. E o Banco Central Europeu fez a mesma coisa, não foi? O mundo vai ficar divertido daqui pra frente.
  • Analista de Bage  29/10/2015 23:51
    Tchê, e como vai ficar divertido Diego! Pensa nessa infinidade de indicadores econômicos nos EUA corcoveando para um lado e para o outro e o FED ter que tomar uma decisão dessas! Eu é que não queria estar no pêlo dessa Janet Yellen. Não vejo a hora dessa baboseira de política monetária que ensinam pateticamente nas faculdades cair por terra de uma vez por todas e ver o velho e bom OURO reinando soberano por esses pagos, deixando o mercado financeiro tranquilo e sereno. Isso vai significar liberdade para o povo dessa pampa, sair das garras do governo e desses banqueiros fajutas que pegam o dinheiro de nossa conta-corrente e emprestam sem nos consultar para depois nos dar uma baita dor de cabeça. Já entramos no passado, lá em 1835, numa peleia feia contra os impostos, perdemos a guerra, mas não perdemos a esperança. Ainda voltarão os tempos em que homens voltarão a honrar o fio do bigode e a palavra dita valer mais do que o fio do facão (princípio da não agressão). Quem sabe não estamos assistindo o "início do fim" do FED? Esperança é a última que morre. Um abraço!
  • Gabriel  29/10/2015 14:23
    Realmente a imaginação das pessoas é algo sem limites. Se cria uma bolha enorme, ela estoura fazendo boa parte dos ativos dos bancos virarem pó, e oque o FED faz? Simplesmente compra esses ativos podres despejando trilhões de dólares nos Bancos. Realmente uma ideia genial.

    Pela mentalidade de muitos economistas que se resume aquela "um pouco de inflação não faz mal a ninguém" não duvido que o FED acabe adotando uma politica de taxa de juros negativas sobre as reservas em excesso dos bancos.
  • Sergio  29/10/2015 14:44
    Excelente artigo.

    Qual a possível consequência caso o FED simplesmente deixe a situação do jeito que está indefinidamente?
  • PESCADOR  29/10/2015 15:58
    Boa pergunta!
  • Leandro  29/10/2015 16:15
    Ninguém sabe. Até o momento, o Fed vai levando tudo no gogó. Desde meados de 2013, os burocratas conseguem se safar com a "ameaça" de que os juros "podem subir já na próxima reunião".

    Tem sido assim há 2 anos e meio, e aparentemente tem funcionado. Continuará funcionando enquanto os investidores e especuladores continuarem comprando essa promessa.
  • Thiago Teixeira  29/10/2015 14:57
    Sinceramente, não entendo o que o mercado financeiro quer, o que o FED quer...

    O FED quer reativar o mercado interbancário? Pra mim fica claro que tem que sair da armadilha que ele mesmo criou: sobe um pouco o compulsório, elimina esse juro sobre as reservas em excesso, sobe a FFR. Só falta combinar com os bancos que eles se disponham emprestar dinheiro para as empresas e pessoas.

    O FED quer atrair investidores externos? Quer repelir? Quer regular cambio? Valorizando? Sério, que mexer em cambio através da FFR??

    A meu ver, a maior vantagem dessa política maluca de pagar sobre dinheiro parado é que ela diminuiu o mecanismo de reserva fracionária (os bancos estao reservando uma fracao dos seus ativos espontaneamente), e isso pode ser uma transicao para tornar a situacao permanente, tipo, passando uma lei que obrigue os bancos a terem uma reserva de x% (p ex, 80%), e nao necessariamente remunerando-os por ela. A reserva ficando mesmo no banco, não ficando no compulsorio; sendo fiscalizada a reserva do banco.
  • Mohamed Attcka Todomundo  02/11/2015 22:39
    Sinceramente, não entendo o que o mercado financeiro quer, o que o FED quer...

    eu sei. kerem desviar nossa atenssão da existenssia dos ETs, do grupo bildeberg, da conspiraçao maçonica, e de como nós islamicos estamos dominando a europa.

    e da conspirassão judayca internacional. claro. ja ia eskessendo.
  • Rivaldo  29/10/2015 15:45
    Parabéns ao mises.org, mais uma vez mostrando como economia é uma materia simples e lógica. Mas fiquei com duas dúvidas.

    1 - O que ocorreria caso o FED suba apenas a FFR? Se eu comprendi o artigo este aumento não afetaria em nada a economia porque os bancos não precisam mais pegar dinheiro no mercado interbancário, é isto?

    2 - Caso o FED subir apenas a FFR, digamos em 0.25%, e não subir estes juros anuais que ele pelo dinheiro depositado no FED, se(e como) o dinheiro iria entrar na economia americana (e gerar inflação)?
  • Leandro  29/10/2015 16:08
    "O que ocorreria caso o FED suba apenas a FFR? Se eu comprendi o artigo este aumento não afetaria em nada a economia porque os bancos não precisam mais pegar dinheiro no mercado interbancário, é isto?"

    Como explicado no artigo, a única maneira de o Fed aumentar a Federal Funds Rate é enxugando o dinheiro do mercado interbancário. E, para fazer isso, ele tem de realizar uma queima sem precedentes de ativos em seus balancetes. E, se fizer isso, as taxas de juros de todos os títulos citados no artigo disparam.

    "Caso o FED subir apenas a FFR, digamos em 0.25%, e não subir estes juros anuais que ele pelo dinheiro depositado no FED, se(e como) o dinheiro iria entrar na economia americana (e gerar inflação)?"

    Aí, mais uma vez, tem de explicar como ele faria para subir estes juros. Sobre o dinheiro entrar na economia, basta os bancos emprestarem.
  • Rivaldo  29/10/2015 16:35
    Leandro,

    Desculpe a ignorância... Mas não consegui entender o porque precisa enxugar o mercado interbancário para subir a Federal Funds Rate.
  • Guilherme  29/10/2015 17:22
    Essa é tranquila: o que determina a taxa de juros do mercado interbancário é a demanda por empréstimos e a oferta por empréstimos entre os bancos. Mas se os bancos estão entupidos de reservas, não há necessidade de demanda e a oferta está abundante.

    Logo, para subir os juros neste mercado, é necessário reduzir a liquidez dele.
  • Rivaldo  29/10/2015 17:36
    Eu compreendi que os bancos tem dinheiro de sobra e não precisam mais pegar empréstimos interbancários e consequentemente para o aumento da Federal Funds Rate surtir algum efeito precisa enxugar o mercado interbancário.

    Só não entendi o porque da obrigatoriedade de enxugar. O FED não pode simplesmente subir a Federal Funds Rate, mesmo que não vá ter efeito nenhum, já que os bancos não precisam mais fazer empréstimos?
  • Auxiliar  29/10/2015 19:29
    Não entendi. Você está dizendo que o Fed pode apenas fingir que subiu os juros -- assim, só no gogó?

    A Yellen chega a público e diz: "Que subam os juros!". E aí os juros, puf!, sobem como que por encanto?

    Não sei se é bem assim que funciona o mundo real.
  • Rivaldo  29/10/2015 19:46
    Pelo que entendo (muito pouco) os banco centrais podem sim alterar as taxa de juros interbancária feito um passe de mágica. Mas como explicado no artigo no caso dos EUA os bancos simplesmente não precisariam usar dinheiro de emprestimos interbancários e consequentemente não teria efeito algum. Isto se for possível aumentar os juros sem enxugar o mercado (que é a minha pergunta).
  • Leandro  29/10/2015 21:09
    "Pelo que entendo (muito pouco) os banco centrais podem sim alterar as taxa de juros interbancária feito um passe de mágica."

    Não, Rivaldo, não podem. Não é assim que o mundo funciona.

    Para alterar a taxa básica de juros, o Banco Central tem de alterar a liquidez do mercado interbancário. Ponto. É isso e apenas isso que ele faz.

    Se ele quiser reduzir os juros, ele compra títulos dos bancos, aumenta a quantidade de dinheiro das reservas bancárias, aumenta a quantidade de dinheiro do mercado interbancário e, com isso, diminui os juros.

    Se ele quiser aumentar os juros, ele vende títulos aos bancos, reduz a quantidade de dinheiro das reservas bancárias, reduz a quantidade de dinheiro do mercado interbancário e, com isso, aumenta os juros.

    É assim que funciona. Não tem "passe de mágica" (exceto, é claro, pelo fato de que o BC pode criar dinheiro eletrônico do nada). Quando o BC anuncia que "a SELIC foi para 14,25%, na prática ele está dizendo que irá vender e comprar títulos públicos no mercado interbancário com o intuito de manter a taxa deste mercado próxima a 14,25%.

    Não consigo ser mais claro do que isso.

    "os bancos simplesmente não precisariam usar dinheiro de emprestimos interbancários e consequentemente não teria efeito algum."

    E, consequentemente, a taxa básica de juros não sairia do lugar.

    "Isto se for possível aumentar os juros sem enxugar o mercado (que é a minha pergunta)."

    Não, não é.

    No entanto, como explica o artigo, o Fed pode sim alterar, e quando quiser, a taxa que ele paga sobre as reservas em excesso que os bancos voluntariamente mantêm depositadas junto ao Fed.
  • Rivaldo  29/10/2015 21:22
    Muito obrigado Leandro. Agora compreendi perfeitamente.
  • Daniel  31/10/2015 07:26
    A discussão está deturpada. É óbvio que qualquer Banco Central pode alterar os juros apenas através da orientação futura(ou, informalmente, do gogó).

    Por exemplo: se o BC do Brasil anunciar que no dia 28/12/2015 a SELIC será de 85%, os juros dos títulos do tesouro iriam disparar antes mesmo de tal medida ser efetivada. Haveriam grandes vendas de títulos pré fixados pois ninguém iria querer permanecer com títulos que perderiam o seu valor no futuro. Essa maior disponibilidade de títulos no mercado fariam os juros dispararem.

    O contrário também é válido, se o BC do Brasil anunciar que no dia 28/12/2015 a SELIC será de 0%, os juros dos títulos do tesouro iriam despencar antes mesmo de tal medida ser efetivada. Haveriam grandes compras de títulos pré fixados pois todos iriam querer possuir títulos que ganhariam valor no futuro. Essa menor disponibilidade de títulos no mercado fariam os juros despencarem.
  • Leandro  31/10/2015 13:23
    "se o BC do Brasil anunciar que no dia 28/12/2015 a SELIC será de 85%, os juros dos títulos do tesouro iriam disparar antes mesmo de tal medida ser efetivada. [...]O contrário também é válido, se o BC do Brasil anunciar que no dia 28/12/2015 a SELIC será de 0%, os juros dos títulos do tesouro iriam despencar antes mesmo de tal medida ser efetivada."

    Tá, e aí o que aconteceria quando chegasse o dia 28 de dezembro e todo mundo percebesse o blefe (isto é, que o mercado interbancário continuou a mesma coisa)? Quão disfuncional se tornaria o mercado de crédito por causa disso?

    Parem de achar que é possível fazer política monetária "nas côxa". Daqui a pouco vai ter gente dizendo que é possível transformar um país socialista em um pólo de investimentos livre mercadista apenas "no gógo". Raul Castro virá a público e, sem fazer absolutamente nenhuma alteração no sistema vigente, dirá que Cuba agora é um livre mercado. Consequentemente, o país vira uma nova Hong Kong "só no gogó". Livre mercado sem propriedade privada, com controle de preços e com confiscos de investimentos. Perfeitamente possível... É só usar o gogó.
  • Ronaldo  04/11/2015 16:05
    Dando uma ajuda : www.mises.org.br/Article.aspx?id=344
  • Mohamed Attcka Todomundo  02/11/2015 22:57
    leandro, pergunta:

    Como explicado no artigo, a única maneira de o Fed aumentar a Federal Funds Rate é enxugando o dinheiro do mercado interbancário. E, para fazer isso, ele tem de realizar uma queima sem precedentes de ativos em seus balancetes.

    {1} supondo q o fed ker enxugar o mercado s/ queima de seus ativos: o fed tem autoridade legal p/ emitir titúlos ("fed_bonds"?)?

    {2} esses us$ 4 tri de reservas q o fed. criou eletronicamente: se tem autoridade p/ criar eletronicamente, ele pode deletá-los eletronicamente? tem autoridade legal p/ isso?
  • Trader Carioca  29/10/2015 16:24
    Na minha humilde opinião, já que não há alternativa documentada na história, existem 2 saídas para o governo norte-americano.

    1- Vender os ativos podres e federalizar o prejuízo, sendo que não há força política para tal;
    2- Forçar a reserva a gradualmente ir para a economia real ao longo de muitos anos e aceitar uma inflação constante mais alta

    Como a primeira envolve o teto da dívida do governo e orçamento federal, entendo que não há força política capaz de costurar o acordo necessário. Sobraria portanto a segunda alternativa.

    Para fazer o dinheiro gradualmente ir para a economia real, o governo poderia tornar compulsório quase a totalidade desse valor de reservas em excesso, digamos 95%, e cobrar juros negativos altos pela manutenção dos 5% restantes, de forma que os bancos julguem melhor arriscar o capital do que mantê-lo parado.

    Repetindo lentamente a operação ao longo de anos, o FED poderia se livrar da montanha que está parada hoje.

    Os problemas? Criar uma nova bolha de crédito e estourar o limite suportável de endividamento das famílias, criar uma inflação catastrófica, etc...
  • Atylla  29/10/2015 19:33
    Vale lembrar que o FED, comprou todos esses títulos podres, criando dinheiro do nada, logo ele se apoderou de 2,6 trilhões em ativos( Casas, Dívida estudantil, etc) sem possuir quase nada em caixa.Supondo que o FED obtenha 1%(Média) sobre esses títulos daria 26B, ele paga 0,25 para os bancos 7B, e fica com 19B de lucro, nada mau!
  • Mohamed Attcka Todomundo  02/11/2015 23:00
    Os problemas? Criar uma nova bolha de crédito e estourar o limite suportável de endividamento das famílias, criar uma inflação catastrófica, etc... acho q isso é o mesmo q dizer ki num tein saida, né? os bankeiros kerem manter o poder de compra de suas penssões. os funças publicos e politicos tb. alein dos milicos.
  • Alexandre  29/10/2015 16:52
    Mas 0,25% de juros pagos anualmente não é muito pouco? como só com isso é possível evitar que os bancos joguem esse dinheiro na economia recebendo juros tão baixos?

    Com uma conta simples, 0,25% sobre um valor de 2,5 trilhões de dólares são apenas 6,25 milhões de dólares por ano que o Fed tem que pagar aos bancos, que para uma economia como a americana não é quase nada pra manter a economia estável.
  • carlos  29/10/2015 18:01
    Precisa dar um lustro nessa matemática Alexandre!

    São 6,25 bilhões de juros em cima de 2,5 trilhões, e não milhões como afirmado.
  • Alexandre  29/10/2015 18:49
    Realmente errei essa conta hahaha. Mas ainda não é uma quantia que ao meu ver sufoca o governo americano, a não ser que isso passa a ser uma nova política do Fed e continue crescendo.
  • Mohamed Attcka Todomundo  02/11/2015 23:04
    alexandre, "pouco" ou "muito" é "subjetivo". depende das avaliassões do proprietario. p/ kem foge da insserteza pode ser "suficiente"
  • Fernando  29/10/2015 16:53
    Se porventura o governo americano resolve não socorrer os bancos, e o FED também não fizesse nada de comprar títulos podres, e deixasse que a economia se ajustasse naturalmente, ou seja, que os próprios agentes econômicos sofressem e aprendessem com as más decisões, o que ocorreria? Do ponto de vista do pessoal liberal, o correto era fazer o que?
  • Bastiat  29/10/2015 17:09
    Os bancos de investimento quebrariam e vários magnatas virariam pobretões. O Fed interveio justamente para proteger esses magnatas.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1547
  • Tiago RC  29/10/2015 17:07
    Exceto a redução no lucro do Fed (e consequentemente nas arrecadações do governo), quais são outras conseqüências de manter os juros interbancários assim baixos por tempo indefinido? Por que há uma pressão para elevá-los?

    Outra curiosidade que tenho: o que aconteceu com os títulos podres que o Fed "comprou"? Imagino que a taxa de calotes foi alta. Teria sido alta o suficiente para deixar o Fed sem colateral equivalente à base monetária? Se hipoteticamente o Fed quisesse enxugar essa dinheirama toda, ele teria os meios necessários?
  • Leandro  29/10/2015 19:44
    "quais são outras conseqüências de manter os juros interbancários assim baixos por tempo indefinido? Por que há uma pressão para elevá-los?"

    Em primeiro lugar, a poupança dos cidadãos, principalmente dos aposentados, está sendo dizimada. Imagine você não ter rentabilidade nenhuma em qualquer aplicação financeira? Isso é péssimo inclusive para quem quer planejar sua vida a longo prazo.

    Em uma economia normal, as pessoas constroem um colchão de reservas e passam a viver gastando exclusivamente o que ganham com salários e com juros de suas aplicações. Mas com juros zeros há quase uma década, as pessoas já começam a gastar seu colchão de reservas. Isso é ruim para a formação de capital do país -- além de, obviamente, deixar as pessoas mais temerosas e arredias. (Esse, inclusive, é um dos motivos para a baixa inflação de preços do país.)

    No que mais, o próprio Fed tem interesse em subir os juros pelo simples fato de que, caso haja uma nova recessão, ele poderá recorrer ao método clássico de reduzir os juros. Já com os juros no atual patamar, nem isso ele pode fazer. (Sim, é uma teoria meio idiota, mas é exatamente assim que funcionam os modelos convencionais).

    "o que aconteceu com os títulos podres que o Fed "comprou"? Imagino que a taxa de calotes foi alta. Teria sido alta o suficiente para deixar o Fed sem colateral equivalente à base monetária? Se hipoteticamente o Fed quisesse enxugar essa dinheirama toda, ele teria os meios necessários?"

    Esse é o grande debate do momento. Como o Fed não é auditado (o Fed é uma caixa-preta mais hermética do que a CIA) ninguém sabe ao certo o que ele comprou. Ron Paul começou o movimento "audit the Fed", mas não foi pra frente.

    Como ninguém sabe a qualidade dos ativos, é impossível saber qual será a qualidade da política monetária.
  • Gabriel  29/10/2015 20:26
    Leandro então na prática se esses títulos podres não renderem absolutamente nada ao FED significa que aqueles 3 trilhões vão continuar lá como reservas em excesso (supondo que nada no quadro atual mude)? E no caso de o FED conseguir algum retorno com os títulos podres esse retorno seria usado para enxugar um pouco as reservas em excesso?

    Uma outra dúvida sobre essa questão, vamos supor que o FED faça a ação inversa, ele venda esses titulos novamente aos bancos, neste caso oque aconteceria? Isso porque ao menos em termos práticos não parece mudar muita coisa entre ter milhares de ativos que não valem nada e bilhões de dólares sem liquidez (que não vão para a economia, ficam no FED). Dai a minha dúvida, porque a troca desses ativos por um dinheiro "sem liquidez" (leia-se, que não vai para a economia) aliviaria a situação dos bancos?
  • Trader Carioca  30/10/2015 12:31
    Gabriel,

    Vou tentar responder ao seu segundo questionamento com um exemplo.

    Vamos supor que o Banco A tenha $100 em títulos podres. Se o banco contabilizasse o prejuízo, ele lançaria nos livros contábeis um valor de $zero para o ativo, perdendo os $100. A pancada seria grande demais e ele poderia quebrar.

    Aí apareceu o FED e ofereceu comprar os títulos pagando $60. Veja que ótimo negócio. O banco tinha um ativo que seria lançado como prejuízo de $100, fez um negócio no qual teve um prejuízo suportável de $40 ao invés de $100 e ainda ganhou uma aplicação de 0,25% sobre $60.

    Então o FED surge novamente e propõe desfazer a operação. Se o FED vender os ativos ao banco pelo mesmo preço que ele pagou, ou seja, por $60, os bancos voltarão à situação anterior, em que o prejuízo seria grande demais para ser suportável. Por que o prejuízo apareceria novmaente? Os bancos precisariam lançar contabilmente a queda do caixa, precisariam captar grana para atender aos requisitos de Basiléia, teriam que levantar dinheiro para cobrir prejuízos (uma parte do dinheiro que receberam cobriu um buraco, certo?). O FED precisaria vender os títulos a um valor mais barato para que um pedaço da grana ainda fique nos bancos.

    Como possíveis efeitos, teríamos:
    1) O FED não retiraria todo o dinheiro do mercado;
    2) Iria federalizar o prejuízo;
    3) Forçaria o governo a ajustar a política fiscal via impostos ou corte de gastos.

    Quem vai ter força política e vontade de bancar essa situação?
  • Gabriel  30/10/2015 19:23
    Obrigado Trader Carioca, agora compreendi bem, aqueles títulos contabilizados como R$ 100 valeriam na prática uns R$ 10 e os R$ 90 reais seriam o prejuízo do Banco, que faria com que ele tivesse que conseguir recursos para cobrir esse prejuízo e atingir os requisitos de basileia, e se esse prejuízo for grande demais e o banco não conseguir captar os recursos suficientes ele quebrará.

    Agora entendi direitinho, obrigado.
  • Mohamed Attcka Todomundo  02/11/2015 23:19
    Como o Fed não é auditado (o Fed é uma caixa-preta mais hermética do que a CIA) ninguém sabe ao certo o que ele comprou. Ron Paul começou o movimento "audit the Fed", mas não foi pra frente.

    existe capacidade de pressessamento p/ essa auditoria? imagina a brigada de auditores, contadores, estatisticos, informaticos e advogados p/ fazer isso? é executavel?
  • Walter Rodrigues  29/10/2015 17:20
    Artigo muito didático. Parabéns aos autores!
  • Refugiado do socialismo  29/10/2015 17:27
    Só falta colocar um banco americano no Brasil, com essas taxas de juros para empréstimos em dólar.

    As exportações americanas iriam aumentar muito. Quem vende produtos americanos no Brasil, poderia vender em real e pagar o financiamento em dólar com juros baixos. Não precisaremos nem fazer operações internacionais. Na verdade, as empresas iriam financiar a compra em nome do cliente.

    Pra tudo existe uma gambiarra que funciona.
  • Refugiado do socialismo  29/10/2015 18:06
    Dolarizar a economia seria apenas enviar dólares para o Brasil sem ser por exportações ou investimentos ?

    Não seria mais fácil controlar o dólar por meio de um banco americano ao invés de Tombini e companhia ?
  • Luiz Silva  29/10/2015 18:25
    O FED fica, mas as pessoas que trabalham lá não, muitos velhos, pouco importam com o que vai acontecer em 5, 15, 20 anos, querem é passar tranquilo a caminho da aposentadoria, no famoso "empurrar com a barriga" mesmo, algo muito comum em política. Quem estiver pensando em trabalhar lá daqui a alguns anos é que se vire em descascar esse abacaxi.
  • Lucas  29/10/2015 18:36
    Leandro, eu entendi que, na atual conjuntura, é impossível o Fed elevar os juros. Mas uma coisa não ficou clara para mim: se os preços não estão subindo, qual exatamente seria a necessidade de o Fed aumentar os juros? Na ausência de inflação, não consigo entender por que ele sequer deveria perseguir esse objetivo. No meu antendimento, bancos centrais costumam lançar mão de políticas restritivas do crédito para debelar processos inflacionários, não?

    Além disso, em um comentário mais acima, você postou o seguinte:

    "Tem sido assim [ameaça de aumento dos juros] há 2 anos e meio, e aparentemente tem funcionado. Continuará funcionando enquanto os investidores e especuladores continuarem comprando essa promessa."

    Novamente, posso estar enganado, mas, quando a perspectiva é de elevação dos juros, a tendência não é que os agentes evitem comprar títulos e prefiram reter uma maior quantidade de moeda? Digo, se os juros subirem, como o mercado espera que aconteça, quem comprar títulos hoje sofrerá perda de capital no futuro. Realmente, não consigo entender o porquê de o mundo continuar comprando as dívidas do Tesouro americano, diante disso. Nem por que seria desejável que o Fed elevasse os juros, supondo que fosse possível, visto não existir nenhum processo de inflação em curso na economia americana.

    Muito obrigado

  • Leandro  29/10/2015 20:54
    "se os preços não estão subindo, qual exatamente seria a necessidade de o Fed aumentar os juros? Na ausência de inflação, não consigo entender por que ele sequer deveria perseguir esse objetivo."

    Explicado acima, na resposta ao Tiago RC.

    "Quando a perspectiva é de elevação dos juros, a tendência não é que os agentes evitem comprar títulos e prefiram reter uma maior quantidade de moeda?"

    Por que "reter uma quantidade maior de moeda"? Os títulos públicos hoje têm liquidez diária.

    No que mais, há várias jogadas no mercado financeiro que têm de ser levadas em conta. Por exemplo, se um eventual aumento de juros for percebido pelos agentes econômicos como algo recessivo, então as taxas de juros dos papeis de longo prazo irão cair. Ao caírem estas taxas, que possui papel do longo prazo prefixado irá ganhar horrores só com esse movimento.

    Se você possui um título de 10 anos prefixado a 2%, e esta taxa cai pra 1% (algo que pode acontecer literalmente da noite para o dia; basta haver uma perspectiva recessiva), se você vender este título a sua rentabilidade poderá bater os 100%. Quem opera no mercado do Tesouro Direto sabe bem disso.

    Logo, um aumento dos juros de curto prazo pode gerar uma queda dos juros de longo prazo. E isso faz a alegria dos especuladores mais bem posicionados.

    Acredite em mim: não há ninguém virgem no mercado financeiro.

    "Digo, se os juros subirem, como o mercado espera que aconteça, quem comprar títulos hoje sofrerá perda de capital no futuro."

    Como expliquei acima, não.

    "Realmente, não consigo entender o porquê de o mundo continuar comprando as dívidas do Tesouro americano, diante disso."

    São os mais seguros do mundo. E, dentre os desenvolvidos, ainda pagam juros positivos. A taxa dos títulos de 10 anos, por exemplo, pagam 2% ao ano. Nem suíça nem zona do euro e nem muito menos Japão pagam isso. A pergunta, então, é: por que não comprar títulos americanos?

    Nem por que seria desejável que o Fed elevasse os juros, supondo que fosse possível, visto não existir nenhum processo de inflação em curso na economia americana.
  • Analista de Bagé  29/10/2015 19:00
    Resumindo: para você ficar tranquilo com toda essa bagunça monetária mundial, compre OURO e seja feliz! Ninguém até hoje que comprou ouro ao longo do tempo para longo prazo se deu mal... Faça o simples e deixe o bicho pegar.
  • Barroso  29/10/2015 20:19

    Leandro,

    No artigo afirma-se:

    1- "A primeira medida foi imprimir dinheiro a rodo e entregar esse dinheiro aos bancos em troca de título podres que estes carregavam. Tratou-se de uma medida que, na prática, tinha a intenção de limpar os balancetes dos bancos."

    2- "Ao contrário de todas as outras operações de política monetária, esse dinheiro com o qual o Fed paga juros de 0,25% aos bancos não é criado eletronicamente por ele. Esse dinheiro advém dos lucros operacionais do Fed.

    Em termos puramente contábeis, esse dinheiro é retirado do patrimônio líquido do Fed e colocado em seu passivo (as reservas bancárias representam contabilmente um passivo para o Fed).

    Sendo assim, se o Fed elevar os juros de 0,25% para, digamos, 0,5% ou até mesmo 1%, não apenas os lucros operacionais do Fed serão brutalmente reduzidos, como também será reduzido o montante que o Fed repassa anualmente ao Tesouro.

    Legalmente, o Fed é obrigado a repassar o Tesouro americano todo o dinheiro que ele obteve de lucro menos o necessário para cobrir suas operações."

    Penso que para sabermos se realmente os lucros operacionais do Fed serão brutalmente reduzidos é necessário que antes saibamos:

    1º - Se os tais títulos podres são realmente podres, ou seja, se eles rendem alguma coisa para o Fed.

    2º - Se os outros rendimentos obtidos pelo Fed podem compensar a perda causada em seu patrimônio líquido em virtude do pagamento aos bancos de juros anuais de 0,25% sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente deixassem parado no Fed.

    Está certo o meu pensamento?

    Se está, isso foi levado em conta na conclusão do artigo?


  • Leandro  29/10/2015 20:58
    "Penso que para sabermos se realmente os lucros operacionais do Fed serão brutalmente reduzidos é necessário que antes saibamos"

    Não é necessário saber de detalhe nenhum. É matemática pura.

    Se você paga 0,25% sobre 4 trilhões e passar a pagar 1% sobre 5 trilhões (partindo do princípio que, quanto maiores os juros pagos, mais reservas os bancos depositarão no Fed), não tem como seu lucro não cair. Para que ele não caia, você teria de obter uma renda substantivamente maior. Mas como o Fed pode fazer isso?

    Veja bem, é até possível. Mas gostaria de saber como.
  • Mohamed Attcka Todomundo  04/11/2015 11:57
    Ao contrário de todas as outras operações de política monetária, esse dinheiro com o qual o Fed paga juros de 0,25% aos bancos não é criado eletronicamente por ele. Esse dinheiro advém dos lucros operacionais do Fed.

    o fed. tem autoridade p/ mudar isso em seus estatutos? pode começar a pagar juros criados eletronicamente? e ja q ñ é auditado, é garantido q ñ pague eletronicamente os juros?
  • Nêmora Schuh  29/10/2015 20:26
    Boa tarde! Tenho 16 anos e estudo em um colégio privado em Santa Cruz do Sul (RS) referência em toda a região. Dentre nossas aulas está o Clube do Debate onde debatemos os assuntos do momento.
    No final do ano, os 8 melhores debatedores entre os mais de 500 alunos do ensino médio são escolhidos para debater no Grande Debate, evento no tetro do colégio, quando, divididos em dois grupos, com tema sorteado previamente, cada aluno debate 2 vezes, 3 minutos cada vez. Uma banca avalia conhecimento e oratória e então é definido o grupo vencedor.
    Faço parte dos 8 debatedores, e felizmente, serei a favor da mínima intervenção do Estado na economia. Nossos oponentes defenderão um Estado nos moldes Keynesianos. Gostaria de saber se vocês tem alguma dica de livros, filósofos ou economistas que possam nos auxiliar em nossa preparação, que definam um Estado liberal capaz de vencer, na argumentação, o Estado baseado em Keynes. Já foi nos indicado Mises e Nozick,estamos estudando também Hayek. Tem algum livro específico capaz de Mises capaz de nos auxiliar?
    Muito obrigada! Com carinho, Nêmora Schuh.
  • carlos  29/10/2015 23:38
    Marxism Unmasked

    Economic Calculation in the Socialist Commonwealth

    Theory and History

    Todos esses são do Mises.

    Para um apanhado geral: The Great Austrian Economists, Randall Holcombe e The making of modern economics do Mark Skousen.

    De outro modo, acerca de debates... em dois minutos não se debate nada. Aquele que regurgitar os lugares comuns mais aceitos pelo auditório - ou pelo auditório que irá julgar - ganhará. Considerando o "alto nível" que impera nas academias brasileiras, é bom preparar o espírito para a inevitável derrota.

    E você provavelmente ficará como eu, quando defendo o livre mercado em conversas com conhecidos - alguns deles professores universitários: a impressão que se têm é a de que todo mundo acha que está tomando chá inglês, sabor Keynes, mas você é um dos pobres diabos que sabe que aquele caldo anódino está é cheio de cicuta. E que não tem absolutamente nada que você possa fazer para evitar que ele, o auditório, engula - exultante - esse veneno.

    De qualquer modo... boa sorte!
  • Analista de Bage  30/10/2015 00:09
    Minha querida prenda Nêmora! Também sou dos pagos do Sul, somos quase vizinhos. Durante minha graduação também procurei ler e aprender muito sobre Escola Austríaca. Tenho certeza de que você está no bom caminho! Para ajudar em seu debate no colégio eu indico o livro "Caminho da Servidão", apesar de ser uma leitura bastante "pesada" mas vai te trazer bons argumentos contra seus "oponentes" keynesianos (eu queria assistir esse debate!). Um dos trechos citados no livro e que geralmente uso nos debates cotidianos é o de Roosevelt: "A tese básica deste programa não é a de que o sistema de livre iniciativa fracassou em nossa época, mas a de que tal sistema ainda não foi posto em prática". Qualquer coisa manda um recado que eu procuro algo mais para você...
  • Thiago Teixeira   30/10/2015 06:57
    Há uns bons artigos no site, serao mais do que suficiente para você dar uma surra nos colegas.

    Para refutar Smith, cite a incerteza estrutural (Smith viu apenas a parametrica).

    Para refutar Marx, dá-lhe Mises (a impossibilidade do cálculo economico no socialismo; basicamente, a ausencia de propriedade privada, a ausencia de liberdade de teocas tornam impossível a formacao dos preços, e pseudopreços não servem)
    Lembrar também de Menger e a subjetividade da formacao dos preços, para refutar a ideia Ricardiana e Marxista de que o preço é derivado do custo de producao; na cerdade é o contrário)

    Para refutar Keynes, vai de Hayek (TACE- teoria austriaca dos ciclos economicos). Vale lembrar que ela explica bem direitinho a crise europeia da decada passada.

    Para refutar Friedman, vai também de Hayek, e mais TACE! Atacar o monetarismo como gerador de inflacao e estabilidade.

    Vao te atacar em dois pontos: "entesouramento é ruim", "deflacao é ruim". Falácias.
  • Pobre Paulista  30/10/2015 11:51
    Para refutar o "deflacao é ruim" basta citar o mercado de eletrônicos. Sempre foi desregulamentado, por consequência os preços sempre caíram, por consequência mais pessoas tiveram acesso a ele, por consequência mais e mais investimentos foram feitos no setor.

    Se puder, coloque um simples gráfico de "Preço de um terabyte ao longo dos anos" para ilustrar e questione seus oponentes o quão "ruim" essa "deflação" foi para os consumidores.
  • Mohamed Attcka Todomundo  04/11/2015 12:21
    tem os artigos de L. von mises. pelos títulos tlv vc encontre oq ker.

    os livros Uma Crítica ao Intervencionismo e Intervencionismo - Uma análise econômica do mises explicam como o intervencionismo é uma ladeira a baixo de novos fracassos e interferencias subsequentes p/ corrigir os fracassos, gerando + fracassos e depois + interferencias, num circulo vicioso.

    e em liberalismo ele explica como funciona uma economia laissez faire
  • Ali Baba  30/10/2015 10:07
    @Nêmora Schuh 29/10/2015 20:26:44

    Que beleza saber que ainda existem colégios bons na terrinha gaúcha! Eu tenho meu colégio de 1 e 2 graus em altíssima conta, ainda que hoje tenha decaído e muito. Fiquei com muita vontade de assistir a esse debate...

    Quanto a argumentos, os melhores você encontrará destilados nesse site. Quase todos os artigos têm a referência, já que citar o autor original pode ser melhor do que citar esse site em um debate.

    Outra coisa importante é posicionar-se humildemente. Não sei como é o formato do debate, mas deixe a atitude de soberba para os keynesianos e simplesmente os leve às conclusões últimas de suas proposições políticas. Dois artigos nesse site dão a ideia do que estou falando:

    mises.org.br/Article.aspx?id=1543

    mises.org.br/Article.aspx?id=1592

    Ninguém ainda citou, mas vale a pena estudar Thomas Sowell (o autor do segundo artigo que linkei).

    Enfim, como o outro comentarista escreveu, esteja preparada para perder retumbantemente... A platéia já começa o debate do outro lado. Sim... Você está sozinha! Mas você não precisa ganhar o debate... você precisa denunciar o rei por estar nu! Se as pessoas querem continuar cegas, é problema delas. Você vai atingir algumas pessoas, e é isso que importa. Na grande massa de opositores, uma ou outra mente ficará abalada pela revelação que você fará... E essas pessoas vão continuar o "debate" depois que o seu terminar.

    Boa sorte! Tenha a certeza de que participando desse debate (e ainda mais do lado em que está) está começando uma caminhada que não tem outro resultado senão as melhores recompensas da vida.
  • rlpda  30/10/2015 12:44
    Nêmora Schuh, como o tempo será curto para o debate, sugiro foco em uma leitura que acredito será mais do que suficiente: o capítulo III - Intervencionismo - do livro de Mises "As Seis Lições".
    São 15 páginas que valem por 150 de qualquer livro "Keynesiano".
    O livro está disponível em pdf neste site.
    Tente também utilizar exemplos de casos brasileiros, por exemplo o controle de preços do governo Sarney e o mais recente do governo Dilma que só trouxeram insegurança, escassez e inflação.
  • Matias  30/10/2015 13:59
    Em 2 minutos vc não vai poder entrar em assuntos muito técnicos e complicados. Vai ter que falar de maneira simples e resumida, de forma que a platéia entenda bem. Por que não da uma olhada no livro do David Horowitz, "A arte da guerra política"? Tem um resumo no youtube e uma tradução resumida.
  • Marcelo  29/10/2015 21:00
    Tal conjuntura é absolutamente insustentável no longo prazo. Caso o FED deixe tudo como está, à medida que seus ativos forem vencendo, seus lucros operacionais irão sendo reduzidos. Isso significa que chegará um momento em que o Tesouro americano terá que pagar integralmente os juros pagos sobre as reservas em excesso.
  • Rafael  29/10/2015 23:20
    "Caso o FED deixe tudo como está, à medida que seus ativos forem vencendo, seus lucros operacionais irão sendo reduzidos."

    Essa informação procede? Achava que os ativos do FED que vencem são recomprados.
  • Leandro  30/10/2015 14:07
    Quando um título do Tesouro em posse do Fed vence, ele é rolado.
  • Henrique Zucatelli  29/10/2015 21:38
    Brilhante Leandro, boa noite!

    Analisando fisiologicamente esse artigo entendo que:

    O FED juntou todas as palhaçadas cometidas pelos bancos nos tempos de sub prime, comprou tudo e colocou debaixo do tapete e deu em troca dinheiro rendendo a 0,25% a.a. com a seguinte condição: o dinheiro está aí, mas não vale emprestar pra ninguém até que eu esses ativos seja liquidados. O FED simplesmente criou uma mega EMGEA.

    Basta aumentar a base monetária sem inundar a economia com dinheiro. E, sendo que o FED utiliza dinheiro dele para pagar esses juros aos bancos, logo ele teria uma regra implícita entre Ele e os bancos para que isso não se repita.

    A grande ironia é que o FED simplesmente pagou com dinheiro eletrônico por títulos podres (que implicitamente os bancos não podem utilizar) e paga todo mês do bolso dele para nada sair do controle.

    O FED salvou os bancos dos EUA. Mas se eles resolverem criar outro sub prime, quem salvará o FED? Ele tem grana para aguentar outra rodada de insanidade?
  • Leandro  30/10/2015 14:08
    Essa é a questão. Aliás, há um grande debate sobre se, contabilmente, um Banco Central pode quebrar.
  • Mohamed Attcka Todomundo  04/11/2015 13:46
    arrisco dizer q 'contabilmente' ñ, pois ele põe os digitos eletronicos onde precisar p/ cobrir o passivo. mas 'economicamente' sim, q é quando a moeda deixa de ser demandada.
  • Carlos.f  29/10/2015 22:38
    E se o FED parar de remunerar o excesso de reserva? E o tesouro emitir mais títulos? Seria possível? Qual seria a consequência?
  • Leandro  30/10/2015 14:05
    "E se o FED parar de remunerar o excesso de reserva?"

    Aí corre o risco de os bancos começarem a despejar este dinheiro na economia.

    "E o tesouro emitir mais títulos?"

    Bom, isso ele faz diariamente.

    "Seria possível? Qual seria a consequência?"

    Sim. Não se sabe.
  • Carlosf.  30/10/2015 23:02
    Leandro, qual alternativa o FED tem? Existe alguma que não tenha uma consequência indesejada, como uma inflação ou desiquilíbrio do sistema bancário?

    Uma duvida, caso o governo aumente os gastos e consequentemente a emissão de títulos pelo tesouro, aumente o compulsório e deixe de remunerar o excesso de reserva, não forçaria os bancos a retirarem o dinheiro do FED?
    Talvez penso eu, que isso seja improvável, pois teria que ser em um volume muito alto (gastos e emissão de títulos), e em ano eleitoral aumentar a divida bruta e seus custos nessas proporções seja inviável.





  • Paulo Guina  29/10/2015 22:51
    Pois é, como diria o rap: ''say it loud and say it proud, we're all Keynesians now''
    ----------------------------------------------

    Mais um excelente artigo!A equipe do IMB está de parabéns pelo espaço.

    Acompanho o Mises.org faz um tempinho já, embora ainda seja um pouco leigo. Então, perdoem-me se as minhas perguntas soarem ignaras de mais hehe.

    Então o FED está sem saída? Visto que ele não pode manter este arranjo por muito tempo(caso a economia dos EUA se recupere e os bancos voltem a conceder empréstimos) e também comprometeria muito a divida soberana dos EUA caso optasse por enxugar a liquidez do mercado. É isso? Peter Schiff estaria correto sobre a derrocada do dólar?

    Sem querer tergiversar do tema mas já o fazendo: o que explica a deflação do Euro e a baixa inflação do Iene malgrado as várias rodadas de flexibilização quantitativa? Já que nem o BoJ e nem o BCE alteraram suas políticas como o FED. Pode-se dizer que ambos serão obrigados a pagar juros sobre o compulsório?

    Mais uma vez me desculpem se parecer viagem de mais da minha parte.
  • Leandro  30/10/2015 14:06
    "Então o FED está sem saída?"

    Como dito, ele pode aumentar a remuneração das reservas em excesso o tanto que quiser até o ponto em que isso não aniquile seu balancete.

    "Peter Schiff estaria correto sobre a derrocada do dólar?"

    Como dito no artigo, enquanto esta política de remuneração das reservas em excesso estiver operante, o dólar permanece forte.

    "Sem querer tergiversar do tema mas já o fazendo: o que explica a deflação do Euro e a baixa inflação do Iene malgrado as várias rodadas de flexibilização quantitativa?"

    O dinheiro não entrou na economia. A expansão do crédito está nas mínimas históricas.

    "Pode-se dizer que ambos serão obrigados a pagar juros sobre o compulsório?"

    Não. Lá a questão é falta de confiança, alto endividamento de pessoas, e balancetes de empresas e bancos destruídos pela derrocada da bolha imobiliária.
  • Refugiado do socialismo  30/10/2015 00:00
    ..E nada desses raios de dólares vindo prá cá...

  • John  30/10/2015 01:42
    O Fed não poderia elevar o compulsório para mais de 400% dos depósitos à vista? Aí os bancos iam ter que subir os juros, não?
  • Leandro  30/10/2015 14:04
    Sem chance. E nem faria sentido nenhum.
  • John  30/10/2015 20:34
    Pq não?
  • Corsario90  30/10/2015 01:52
    Leandro,
    A grosso modo, pôde-se afirmar q a nossa política desastrosa foi diferente apenas no juros que o FED paga aos bancos americanos para manterem seu dinheiro no FED+total diferença que nos EUA não banco estatal injetando crédito na economia? Não falo nem em quantidade de dinheiro....
    Mais uma vez, excelente artigo!!
    Abs
  • Carlos  30/10/2015 02:17
    Leandro, se entendi corretamente, com o "excesso" de reservas praticamente não existem empréstimos entre bancos. Ou seja, esse valor da FFR é apenas um número sem utilidade prática. Sendo isso verdade, por que o FED não simplesmente aumenta essa taxa de juros para "agradar" o mercado e tirar essa pressão sobre eles?
  • Rivaldo  30/10/2015 12:55
    Ele respondeu isto na pergunta que fiz mais a cima.
  • Leandro  30/10/2015 14:04
    Inócuo.

  • Prof. Orloff  30/10/2015 15:53
    Leandro, parabéns pelo artigo, muito didática a explicação da perda de influência do FED sobre a taxa interbancária. Pelos comentários, me parece que vários leitores ficaram com a impressão de que o FFR se tornou uma taxa sem utilidade prática (usando as palavras de um comentário acima), mas vale lembrar que não é bem assim já que o Prime Rate, a taxa média de juros cobrada pelos 30 maiores bancos americanos, é indiretamente relacionada ao FFR. Os bancos têm mantido o Prime Rate indexado ao FFR + 300 pontos-base, e portanto um aumento do FFR terá um reflexo direto na economia Americana. Além disso, uma quantidade alta de empréstimos a juros flutuantes são indexados ao FFR.
  • Leandro  30/10/2015 16:31
    Exato. Trata-se de uma taxa (um preço) crucial, o qual não é alterado apenas no gogó. Seria o equivalente a dizer que o Tombini pode estipular o CDI no valor que ele quiser sem ter de tomar nenhuma medida intervencionista para tal.
  • Anonimo  30/10/2015 10:34
    Ainda não entendo qual é a vantagem de ter todo esse dinheiro e não poder usar.Não sei se é besteira minha mas imagino que um dia, alguma coisa vai fazer banco querer jogar esse dinheiro na economia, e aí sim vai ter hiperinflação
  • Barroso  30/10/2015 12:23
    Leandro,

    Você afirmou que, "Se você paga 0,25% sobre 4 trilhões e passar a pagar 1% sobre 5 trilhões (partindo do princípio que, quanto maiores os juros pagos, mais reservas os bancos depositarão no Fed), não tem como seu lucro não cair. Para que ele não caia, você teria de obter uma renda substantivamente maior. Mas como o Fed pode fazer isso?

    Talvez você não tenha entendido, mas a minha observação pretende justamente esclarecer este ponto.

    Portanto para que se chegue à conclusão que o artigo defende é preciso esclarecer:

    1- se os tais títulos podres trocados pelo Fed por dinheiro com garantia de remuneração, rendem alguma coisa para o Fed que os comprou?

    2- Se rende qual o valor de tal rendimento?

    3- se o rendimento for superior a juros anuais de 0,25%, o Fed já estaria obtendo renda maior do que ele paga, concorda?

    4-o Fed poderia também ter acordado com os bancos que, como condição para a troca de títulos podres que estes carregavam, eles seriam obrigados a remunerá-lo por taxa no mínimo igual à que ele pagaria aos bancos em forma de juros (0,25%).

    Isso foi levado em conta quando o artigo foi elaborado?
  • Leandro  30/10/2015 14:03
    "se os tais títulos podres trocados pelo Fed por dinheiro com garantia de remuneração, rendem alguma coisa para o Fed que os comprou?"

    Rendem.

    "Se rende qual o valor de tal rendimento?"

    Não se sabe. O Fed é uma caixa-preta que não passa por auditoria.

    "se o rendimento for superior a juros anuais de 0,25%, o Fed já estaria obtendo renda maior do que ele paga, concorda?"

    Ué, é óbvio que concordo. Nunca discordei que o Fed ganha alguma coisa com esses papeis. Não é à toa que ele tem lucros e remete esses lucros para o Tesouro (como mostra o link do artigo).

    Aí, agora eu pergunto pra você: ainda que o Fed esteja recebendo, sei lá, 10% ao ano com esses papeis (uma exorbitância), se ele aumentar os juros que paga para os bancos de 0,25% para 1%, você discorda que essa maior despesa irá reduzir seus lucros?

    Se sim, então você inventou uma contabilidade nova.

    "o Fed poderia também ter acordado com os bancos que, como condição para a troca de títulos podres que estes carregavam, eles seriam obrigados a remunerá-lo por taxa no mínimo igual à que ele pagaria aos bancos em forma de juros (0,25%)."

    Os bancos não remuneram o Fed. Isso só acontece se os bancos recorrerem à janela da redesconto, algo raríssimo na economia americana.

    O que realmente houve a esse estilo foi os bancos devolverem ao Tesouro o dinheiro que este lhes concedeu logo no início da crise financeira de 2008.

    "Isso foi levado em conta quando o artigo foi elaborado?"

    Perfeitamente. E você, levou em conta que um aumento de gastos com receitas constantes gera redução de lucros?
  • Refugiado do socialismo  30/10/2015 13:23
    Esses governos sempre ficam brincando com taxa de juros, achando que isso resolve problema da inflação.

    A inflação no Brasil é sobre preços controlados pelo governo. Ou seja, a política de juros só está piorando a situação e tranferindo o problema para o livre mercado, onde os preços não são controlados pelos esquerdopatas. Como os preços controlados pelo governo subiram 10%, tiveram que meter um arrocho no livre mercado. O livre mercado paga o pato mais uma vez.

    Alguém está financiando a compra de gasolina (sem ser a Petrobras)? Alguém está financiando a conta de luz ?

    Aumentar juros vai reduzir consumo de energia, gasolina, diesel, etc ?
  • Barroso  30/10/2015 15:46
    Leandro,

    "Perfeitamente. E você, levou em conta que um aumento de gastos com receitas constantes gera redução de lucros?"

    Levei.

    Por isso eu lhe fiz as perguntas abaixo enumeradas

    1- Se os tais títulos podres trocados pelo Fed por dinheiro com garantia de remuneração, rendem alguma coisa para o Fed que os comprou?

    2 - Se rende qual o valor de tal rendimento?

    Às quais você respondeu que Rendem, mas não se sabe qual o valor de tal rendimento.

    Por não saber se as receitas são constantes, você não pode afirmar que um aumento de gastos gera redução de lucros.

    Um aumento de gastos que seja acompanhado de um aumento na mesma proporção das receitas, Não geraria nenhuma redução de lucros, concorda?
  • Leandro  30/10/2015 16:27
    "Um aumento de gastos que seja acompanhado de um aumento na mesma proporção das receitas, Não geraria nenhuma redução de lucros, concorda?"

    Na mesma proporção? Concordo.

    Se o Fed elevar os juros de 0,25% para 0,50%, terá um aumento de 100% em suas despesas.

    Logo, suas receitas com títulos podres terão também de ter um aumento mínimo de 100% apenas para ficarem no zero a zero. E isso da noite para o dia.

    No aguardo de uma teoria que explique como títulos podres podem apresentar um súbito aumento de 100% em sua rentabilidade.

    Só que não pára por aí: como explicado no artigo, se o Fed elevar os juros, é de se esperar que os depósitos voluntários dos bancos aumentem ainda mais, o que fará com que os gastos totais do Fed (que agora incidirão sobre um maior volume de depósitos) aumentem muito mais do que 100%.

    Consequentemente, estou no aguardo de uma teoria que explique como títulos podres apresentarão, de súbito, um aumento de mais de 100% em sua rentabilidade.

    P.S.: ainda que sua teoria fosse plausível (e não é), não vejo nenhum "touchè" nela. Tudo o que foi dito no artigo continua intacto, com a única diferença que os déficits do governo americano não necessariamente aumentariam em decorrência dessa decisão do Fed (fenômeno esse totalmente secundário no contexto do artigo, o qual, aliás, em momento algum nega que o Fed pode elevar esses juros; muito pelo contrário). E só.
  • Anonimo  30/10/2015 15:51
    Leandro, vc é tradutor do rothbardbrasil também? Eles publicam os mesmos artigos daqui
  • Rhyan  30/10/2015 18:36
    "E o governo, obviamente, não quer isso."

    Por que não? Seria tão ruim assim?
  • Leandro  30/10/2015 20:39
    O governo quer que os juros de hipotecas, empréstimos estudantis, crédito para automóveis disparem?

    Se sim, seria o primeiro governo da história do mundo a querer isso (especialmente para o crédito imobiliário). E se ele realmente quer isso, então tal política monetária é tranquila de ser implementada.
  • Rhyan  01/11/2015 14:52
    Ok, mas isso não seria um mal menor do que o risco de hiperinflação?
  • mauricio barbosa  30/10/2015 19:26
    Este artigo ficou complexo a primeira vista e sugiro ao IMB que faça um artigo completo sobre o funcionamento do banco central nos minimos detalhes e se possível divididos em quantas partes for necessária,exemplo vamos imaginar uma economia sem um banco emissor monopolista ou seja começando do zero e chegando ao ponto em que se encontra o fed nesta armadilha criada por ben bernanke em conluio com a banca privada,enfim seriam artigos esclarecedores e recheados de contabilidade e creio eu não esgotaram o assunto mas,vai tirar muitas dúvidas e quanto a caixa preta do fed é compreensível pois o estado gosta de mistérios,sigilos e teorias conspiratórias pois no passado,sacerdotes vendilhões gostavam de mistificar o governo em nome da paz e estabilidade do regime político de plantão e ai só os informados e bem informados ficavam livres destas doutrinas,ideias e teorias infundadas que só engana a massa da população e esta função hoje é exercida pela imprensa vendida e seus malvados intelectuais bem pagos...
  • PedroF  30/10/2015 19:55
    Para a aluna gaúcha - não so os eletrônicos estão em constante deflação. Praticamente todos os manufaturados estão com os preços em queda há décadas. Maquinas de costura, linha branca em geral, carros, embalagens etc. etc.
  • Leo Cardoso   30/10/2015 22:11
    Leandro, boa noite...

    É impressão ou o FED está numa clara trajetória de insolvência!? Junto das suas respectivas aplicações, eles estão atulhados pelos "haveres de uma liquidação pra lá de duvidosa". E com essa garantia aí, dada pelo Congresso, no âmbito das "reservas volutarias indexadas" (como componentes da base monetária), o patamar das "obrigações" fixar-se-á (no sentido de preservá-la por algum tempo... contado no relógio).
    Então, se o ativo achar-se-á atulhado pelos "papéis podres" (os haveres redescontados àquela taxa nula,como forma de salvaguardar a "banca"), pela lógica contábil o balancete do FED achar-se-á encerrado, necessariamente, pelo lado das suas origens. Ou seja, pela destruição do patrimônio líquido como forma de casar-se ao valor de mercado dos tais "papéis pobres". Mas o patrimônio líquido do FED pertence ao Tesouro, não ao clã bancário. E então, joga-se tudo ao fluxo temporal da dívida-pública.

    O colóquio tá certo, Leandro!?

    Se caso estiver, o quê isso tudo tem haver com toda aquela teoria do George Knapp, quando ele diz que moeda fiduciária (como um instrumento intertemporal para trocas), em última instância, é uma espécie de "ante-matéria" do fluxo intertemporal do orçamento do governo (representado pela própria dívida-pública).

    Veja bem: daqui Eu já estou tomando a hiperinflação como "professia auto-realizável". E é só relembrar o passado do BR: com a ORTN girando como se fosse moeda.

    E do que vai ocorrer quando Patrimônio líquido do FED chegar a patamares pífios!? Ele será "encerrado"!? O quê!?

    Jesus, é isso mesmo!? Pelo amor de Deus...
  • Roberto  31/10/2015 04:41
    Leandro, uma dúvida: Estava discutindo com um cara e ele me disse que a industrialização nos EUA, nos países nórdicos e na Alemanha foi possível por causa do protecionismo desses países.

    Isso é verdade? Como posso responder isso? Possui algum artigo (ou resposta sua mesmo) para respondê-lo?
    Abraços. No aguardo.
  • Leandro  31/10/2015 13:33
    Na Alemanha e nos países nórdicos não houve protecionismo nenhum. Gostaria muito de ver as fontes disso. Eis como a Alemanha se recuperou no pós-guerra:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1419

    Quanto aos EUA, até 1913, a única forma do governo federal se financiar (a única forma que era permitida pela Constituição) era por meio de tarifas de importação. Ou seja, toda a carga tributária federal se resumia a tarifas de importação.

    Isso é uma forma de protecionismo? Pode ser, mas considerando-se que esses eram os únicos impostos, considero o argumento fraco.

    Mas também é necessário ver o que isso gerou. Os estados americanos do norte gostavam de protecionismo para dar conforto às suas indústrias. Já os estados do sul defendiam o livre comércio, pois queriam importações baratas. Em 1860, o Congresso aprovou a Morrill Tariff, que elevou enormemente as tarifas sobre importações para proteger as indústrias do norte bem como seus altos salários, prejudicando severamente os estados do sul, que agora tinham de arcar com os altos custos de importação, mas que não tinham como repassar estes altos custos para seus preços, pois vendiam três quartos da sua produção para o mercado mundial. Vestuário, equipamentos agrícolas, maquinários e vários outros itens ficaram extremamente caros de se obter.

    Consequentemente, os estados do sul se rebelaram e quiseram se separar da federação. Aí deu-se origem àquela maravilha que foi a Guerra Civil Americana, com 600.000 mortos.

    Recomendo este texto a respeito, que faz uma ótima compilação destes eventos.

    Abraços!
  • Roberto  31/10/2015 17:06
    Obrigado, Leandro.

    Mais uma dúvida: essas tarifas de importação custavam quanto de maneira comparativa com o produto importado? Por exemplo, era 1%, 10% ou 50% do produto?
  • Roberto  31/10/2015 18:37
    Mais uma pergunta: de que data até 1913 que o governo não cobrava impostos nacionais?
  • Auxiliar  31/10/2015 21:31
    Desde a Declaração da Independência.
  • Roberto  01/11/2015 13:41
    Obrigado.
  • Roberto  31/10/2015 18:52
    Junto com a sua resposta estou pensando em responder o que já estava escrevendo:
    "o Norte DEPOIS de se tornar industrializado, os grandes industriais se tornaram a favor do protecionismo sobre os produtos da Inglaterra, pois estavam perdendo mercado para o Sul. Mas a industrialização não aconteceu através de protecionismo. Tanto que uma das razões para ocorrer a Guerra de Secessão foi o interesse do Norte em ter políticas protecionistas."
    Esse meu complemento (que era a antiga resposta) está correto ou precisa mudar?
  • Roberto  31/10/2015 21:02
    As taxas de protecionismo do Brasil durante sua industrialização eram quanto em comparação com as taxas dos EUA durante sua industrialização?
  • Guilherme  31/10/2015 21:41
    O Brasil sempre foi uma jabuticaba. Aqui não havia apenas tarifas; havia também um regime cambial heterodoxo, segundo o qual o governo especificava várias taxas de câmbio para vários tipos de importação, segundo critérios completamente arbitrários.

    Havia múltiplas taxas de câmbio distintas.

    www.econ.puc-rio.br/pdf/td585.pdf
    cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Economia/Desenvolvimentismo
  • Roberto  01/11/2015 13:44
    Obrigado, Guilherme.

    Eu encontrei uma resposta ao "x" do Leandro aqui que me ajudou bastante:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2136

    Só preciso agora ter um comparativo dos EUA com o Brasil, para mostrar com números que as tarifas dos EUA durante a industrialização do Norte não eram elevadas.
  • Roberto  03/11/2015 19:50
    Leandro, você poderia me explicar quanto que eram os impostos do EUA antes e depois da Guerra e comparar com o Brasil na época de sua industrialização?

    Gostaria de saber se os impostos americanos sobre importações eram altos ou baixos.

    Desde já agradeço.
  • David   31/10/2015 06:46
    Parece que a única saída é esperar pela saúde financeira dos bancos retornar, com receitas maiores que as despesas, e então aniquilar todo esse excesso de dinheiro estocado no FED. O que acham?
  • Sagat  31/10/2015 10:58
    Leandro,

    E se o FED resolver não fazer nada? Manter a FFR baixa indefinidamente e continuar remunerando os excessos de reserva?
  • Udy  21/03/2016 00:49
    Sagat, eu acho que sei. Já que a FFR é extremamente baixa (atualmente está entre 0.25% - 0,5%, antes estava entre 0% - 0.25%), se o FED continuar com essa política de remunerar o excessos de reserva (aumentando os juros), uma hora suas próprias reservas podem ser esgotar e prejudicar seus balanços (a não ser que ela crie mais dinheiro, tenha outros ativos de valor como ouro ou a prata ou que os americanos assuma a dívida), entretanto com juros muito baixos (ou negativos como no Japão ou Suíça por exemplo) é preferível aos bancos jogarem esse excesso na economia (em forma de crédito eu acho), pois seria mais atrativo porque dinheiro parado é custo (já que a FFR é extremamente baixa , praticamente não existe nenhuma atividade interbancária, pois é mais seguro deixar as reservas no FED do que emprestar a outros bancos), só que todo esse excesso de dinheiro na economia poderia criar bolhas e destruir o dólar, pode fazer com que a moeda seja mais uma palavra nos livros. Essa é só minha opinião, podem refuta-la.
  • Refugiado do socialismo  31/10/2015 17:21
    Não seria mais fácil incentivar as pessoas a pouparem dinheiro, ao invés de pagar para os bancos pouparem ?

    Se o imposto sobre poupança é alto, a têndência é a inflação. Se imposto sobre o consumo é alto, a tendência é a deflação e baixo crescimento.

    Isso tem uma relação direta com crises, pois qualquer extremo vai gerar aventuras financeiras.

    Me parece que os problemas sempre foram causados pelo exagero. Um burocracia elevada, impostos elevados, leis trabalhistas radiacais, empresas estatais desenvolvimemtistas, governos empreendedores, mercados protecionistas, etc. Foi esse modelo social desenvolvimentista que obrigou ao governo a pagar bolsas. Bolsas não são necessárias onde existe responsabilidade e moderação. Por exemplo, quanto mais beneficios para trabalhadores, mais beneficios assistencialistas serão necessários para ajudar desempregados.


  • vitor  31/10/2015 23:52
    Leandro,

    Pq 0,25 a.a. é to atrativo assim para os bancos?
  • Bruno  01/11/2015 17:11
    Gostaria de ter visto nos comentários, mas não vi.

    Continuando este lenga lenga de taxas a 0,25%, a economia estagnada, com população envelhecendo e perdendo poupança...não dá pra dizer que do ponto de vista político faz mais sentido mais QEs de tempos em tempos? Não é solução, mas dá ilusão momentânea... e disso os políticos entendem.

    Ainda, com o dólar continuando forte, teríamos algum tipo de reação nas commodities?

    Mundo estranho msm.
  • Bruno  01/11/2015 17:23
    E se o pessoal estiver começando a não querer mais comprar títulos?

    Vejam o gráfico:

    https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRdxuitLfe828Fbglhq3c86XMpIbg1QcexekOqH-mpTheWd3zAIbg5cOekz



  • Justiceiro  02/11/2015 14:34
    Muito interessante este gráfico.
    Seria o mercado detectando o embromation da estratégia "Waiting for Godot".
    Caso isso seja progressivamente acentuado, Fed aguenta enrolar até quando e se insistir na enrolação, que tipo de estouro daria e em quanto tempo???
  • CORSARIO90  01/11/2015 19:47
    Sei não, a s vezes penso que alguém vai inventar uma guerrinha em qualquer canto para enxugar os trilhões na economia. Tudo bem que o dollar enfraqueceu no iraque em 2003 e proporcionou uma melhoria nos nossos padrões de vida, como já explicado aqui, mas agora com tanto dinheiro previamente jogado na economia, com dígitos eletronicos já depositados, não seria um hipótese ou uma forma de liquidar todo esses trilhões um conflitado armado localizado?
    ABS
  • Slaine  01/11/2015 22:08
    Eles sempre inventam, com ou sem dívidas.E os otários vão lá, morrer pelo governo neocon achando que estão lutando pela liberdade.
  • Thiago Teixeira  02/11/2015 06:01
    Isso não faria sentido. Guerras geram déficit governamental e inflacao, justamente o contrário de enxugar excesso de moeda.
  • CORSARIO90  02/11/2015 18:19
    Concordo contigo Thiago, mas se eu já tenho esses "dígitos na praça" e tenho o poder da caneta, não poderia financiar alguém com isso? Não sei, mas tem muito dígito sobrando após QEss. Como disse, é apenas especulação mesmo, mas o EUA imprimiu dinheiro para Guerra do Iraque e o Dollar enfraqueceu. Agora o dolar ta mais forte porque os bancos não jogam este dinheiro na economia. Uma ofensiva ao ISIS não seria uma opção? Destrói, depois reconstrói....
    Minha pergunta é essa mesmo: quando vc entra em guerra, vc imprime dinheiro antes e muito durante para logística do esforço de guerra gerando inflação. Agora se eu tiver tudo já impresso mesmo, só não joguei na minha economia, por que não jogar em outro, destruir e construir?
  • Felix  02/11/2015 20:17
    se o FED é privado,
    porque ele repassa o lucro pro governo?
    estranho isso,
  • anônimo  03/11/2015 13:34
    E quem foi falou que o FED é privado?
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/11/2015 14:08
    o problema do FED é ele ser um organismo controlado por grandes banqueiros, muitas vezes com interesses supranacionais.

    Se a moeda é a variável mais importante da economia, quem controla a moeda controla a economia.
    Assim, é inevitável uma associação espúria entre o Executivo e o FED, entre interesses econômicos oligárquicos e o destino político do país. E quem fica refém dessa sacanagem (instituída legislativamente em 1913 pelo presidente Woodrow Wilson) são as pessoas, o livre mercado e o verdadeiro capitalismo.

    ele não é privado, no sentido de corporação com fins empresariais, e também não é uma autarquia nos moldes do BCB. acho que pode ser descrito como um híbrido. um monstrengo mesmo.
  • anônimo  03/11/2015 15:50
    Quem controla pouco muda a natureza estatal do FED. É uma instituição com poder coercitivo, que regula de cima para baixo o sistema financeiro, é uma oposição clara ao livre mercado.

    Mas sim, já ouvir muito da esquerda que o FED é uma instituição privada, similar a uma empresa qualquer.
  • Leandro  03/11/2015 16:07
    Essa afirmação sobre o Fed ser privado não é totalmente correta.

    O presidente do Fed é apontado pelo presidente americano, e a autoridade do Fed é derivada do Congresso americano, o qual tem poderes de supervisão sobre o Fed -- embora não tenha, em tese!, poderes sobre a política monetária que este adota.

    Ademais, o presidente do Fed, após ser escolhido pelo presidente americano, precisa ser aprovado pelo Congresso.

    É também o governo quem determina os salários de alguns dos funcionários do alto escalão do Fed.

    Nesse sentido amplo, o Fed é estatal.

    Agora, o Fed é "privado" em dois sentidos:

    1) Suas 12 sucursais (Boston, Nova York, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e San Francisco) são geridas privadamente (é como se as sucursais do Banco Central no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza etc. tivessem gerência privada). Mas elas apenas obedecem às ordens do Fed de Washington, que é quem manda em todo o sistema.

    2) O Fed como um todo não sofre qualquer auditoria política. Trata-se de uma caixa-preta mais impenetrável que a CIA.

    Por fim, vale ressaltar que a autorização para o Fed funcionar foi concedida pelo congresso americano no Federal Reserve Act de 1913. Logo, tecnicamente, a existência legal do Fed também depende do governo.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/11/2015 16:22
    errado.

    a única coisa importante é quem controla. a natureza jurídica é irrelevante.

    quem controla o fed é o grande capital financeiro que elege boa parte do próprio congresso americano.

    é óbvio que essas pessoas querem manter seus privilégios e seu poder dinástico (que além de econômico, é também político). são os velhos oligarcas do petróleo e do sistema bancário, juntos, misturados e confundidos.

    o governo é que depende dessa gente (ainda mais, com o crescente do déficit).

  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/11/2015 17:01
    nomeando os bois e indicando as referências sobre:

    Nicholas Hagger - www.amazon.com/The-Syndicate-Story-Coming-Government/dp/1903816858

    Nicholas Hagger - www.amazon.com/The-Secret-Founding-America-Freemasons/dp/1842931407/ref=pd_sim_14_3?ie=UTF8&dpID=514YY091JGL&dpSrc=sims&preST=_AC_UL160_SR106%2C160_&refRID=0HRG9NQCTHCW5M28VDZH

    Daniel Estulin - www.amazon.com/True-Story-Bilderberg-Group/dp/0979988624/ref=sr_1_sc_1?s=books&ie=UTF8&qid=1446569429&sr=1-1-spell&keywords=daneil+estulin

    Cliff Kincaid - www.amazon.com/Global-Bondage-U-N-Plan-World/dp/1563841037/ref=sr_1_4?s=books&ie=UTF8&qid=1446569460&sr=1-4&keywords=cliff+kincaid

    H G Wells - www.amazon.com/Open-Conspiracy-What-Are-Lives/dp/1585092754/ref=sr_1_12?s=books&ie=UTF8&qid=1446569575&sr=1-12&keywords=h+g+wells


    Os oligarcas: Rothschilds, Rockefeller, Warburgs, Schiffs, Morgans, e outros relacionados, como os DuPonts, os Vanderbilts, etc.

    Sem entender bem a história dessa gente, fica praticamente impossível entender os principais acontecimentos dos séc. XIX e XX (e principalmente do Fed e dos ciclos econômicos que os EUA atravessaram).




  • anônimo  03/11/2015 17:21
    Rodrigo Pereira Herrmann,

    Dane-se quem controla o FED sim, assim como qualquer outra agência de regulação.

    A natureza dessas instituições são o real problema, e não quem controla. A natureza que eu me refiro é por ser uma instituição nascida do governo, com poderes coercivos e controlador. E pouco importa quem vai controlar o FED, pois ele sempre será destrutivo a economia.

    Se você não pensa assim, então para você o problema do estado e das agências regulatórias não são as instituições em si, mas os políticos e os reguladores. O típico pensamento do Brasileiro.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/11/2015 18:06
    não, novamente, prezado anônimo que quer discutir sem ao menos se identificar (aliás, ainda me espanta o fato de que isso seja permitido num ambiente liberal/libertário em que a responsabilidade individual é um princípio basilar). não adianta essa indignação contra a espoliação estatal e a imoralidade do governo e a falta de racionalidade do mundo e etc etc etc. as forças políticas e os intérésses dos oligarcas pouco se importam com isso. a lógica é outra. e são eles que definem o rumo das coisas no mundo concreto da vida, quer você aprove ou não. então, o mínimo é saber quem controla o esquema e pra onde estão tentando nos empurrar.

    se não entendeu, respondo-te com a primeira expressão do teu post. e passar bem.

  • anônimo  03/11/2015 18:52
    Rodrigo Pereira Herrmann ,

    Henry Thoreau disse:

    "Para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raízes."

    Quando você se importa com quem controla o FED, você é apenas mais um entre esses mil homens.

  • Andre  03/11/2015 21:29
    [/i]prática, o Fed teria de fazer uma liquidação maciça de títulos públicos de 3 meses, 6 meses, 2 anos, 5 anos, 10 anos, 30 anos, títulos de Fannie Mae e Freddie Mac, títulos lastreados em hipotecas, títulos lastreados em empréstimos estudantis, títulos lastreados em crediário para automóveis etc. Em suma, ele teria de pegar seu portfólio e, em cada categoria de ativo, teria de vender esses ativos no mercado.[/]

    Por que o fed teria que fazer uma liquidação maciça de todoa esse títulos? Como ele possui titulos lastreado em hipoteca? E por que com a queda dos valores dos ativos os juros subiriam?
  • Auxiliar  03/11/2015 21:47
    "Por que o fed teria que fazer uma liquidação maciça de todoa esse títulos? Como ele possui titulos lastreado em hipoteca?"

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2019

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2022

    "E por que com a queda dos valores dos ativos os juros subiriam?"

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344
  • Ronaldo  04/11/2015 15:32
    Queria tirar um dúvida, estava numa aula de macroeconomia, logico o professor era Keynes Lover Fanboy, e houve uma discussão em que um aluno dizia que o banco central brasileiro fazia especulações em suas operações e o prof não aceitou de jeito nenhum. Ao meu entender, essas operações de swap do BACEN não seriam especulações?

    Obrigado
  • Marconi  06/11/2015 13:52
    www.infomoney.com.br/mercados/noticia/4389885/eua-criam-271-mil-novos-empregos-outubro-muito-acima-esperado

    Se os juros não subirem, é pq não sabem como mesmo.

    Pelo que entendi, a única maneira de subir os juros, moda antiga, seria aumentar brutalmente o compulsório (confisco?). Dá pra fazer isso sem lei?

  • Luiz Henrique Cardoso  07/11/2015 21:43
    Segundo o Jim Rickards, no livro "The Big Drop" já tivemos vários colapsos no século XX: 1914, 1939, 1971, quase outro em 2008, na verdade estamos ainda em 2008. Em média, o sistema monetário tem durado cerca de 30 ou 40 anos, então estamos próximos de outro colapso?
  • GHT  09/11/2015 20:13
    Uma dúvida:

    Como fica o balancete do FED ao imprimir o dinheiro e entregar para os bancos?
  • Thiago q. landi  11/11/2015 15:20
    Pessoal, vocês conhecem Peter Schiff?

    Ele é um gênio investidor que começou pequeno e hoje gerencia bilhões de dólares.

    Mais importante, é um economista austríaco com grande conhecimento.

    Para quem não sabe, ele previu e alertou em detalhes e em tempo real a bolha.com da nasdaq, do final dos anos 90 e que estourou em 2000.

    Daí ele previu e narrou em detalhes e em tempo real cada aspecto da bolha imobiliária americana, inclusive prevendo a reação do governo quando ela estourasse.

    Ele ia a programas de tv alertando sobre a bolha imobiliária e sobre como a economia americana não estava uma maravilha como todos pensavam... E ele era Ridicularizado por todos os economistas mainstream e os apresentadores que riam abertamente em rede nacional dele (peter schiff).

    Os problemas que causaram a grande bolha econômica que estourou em 2008 não foram resolvidos, foram Exacerbados e empurrados com a barriga.

    Agora nós estamos vivendo dentro de uma nova bolha, e estamos ás vésperas de uma nova crise econômica.

    A teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos diz que o boom/burst é causado pelo banco central ao baixar artificialmente os juros. nunca antes na historia nós tivemos juros 0%. Portanto nunca antes houve uma bolha tao grande.

    Porém desta vez é diferente. esta é a bolha final. nós estamos indo rumo á destruição do dólar. destruição do sistema financeiro mundial. O fim do experimento com dinheiro fiduciário.

    Estamos ás vésperas de um verdadeiro Apocalipse. Preparem-se. comprem ouro.
  • Porta-Voz  11/11/2015 16:44
    Você se refere a esse cara aqui?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1267

    Veio à nossa conferência de 2012, em São Paulo.
  • Um carinha qualquer aí  11/11/2015 17:15
    Normal isso. Os austríacos sempre são subestimados até a hora que acontece a crise. Mas no final o povo esquece de tudo e retornam para as velhas falácias keynesianas. Eu acredito que só acontecendo alguma coisa muito grave para nossas ideias serem postas em prática.

    Tem um documentário muito bom também sobre a próxima crise financeira(Overdose) que o Peter aparece:

    https://www.youtube.com/watch?v=kIgJpB_Jqig
  • Leandro  16/12/2015 19:29
    Exatamente como previsto neste artigo, o Fed acaba de anunciar que irá pura e simplesmente elevar o valor que ele paga sobre as reservas em excesso.

    Veja o anúncio na íntegra e o trecho principal abaixo:

    "The Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to raise the interest rate paid on required and excess reserve balances to 0.50 percent, effective December 17, 2015."

    E também como previsto neste artigo, o Fed elevou a taxa da janela de redesconto, de 0,75% para 1%. Trecho:

    "In a related action, the Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to approve a 1/4 percentage point increase in the discount rate (the primary credit rate) to 1.00 percent, effective December 17, 2015."
  • Gabriel  16/12/2015 19:57
    Primeira coisa depois de ver a declaração foi vir aqui no artigo... rsrsrsrsrsrs

    Mas como o FED pretende chegar a uma inflação mais próxima dos 2% aumentando aqueles juros da reserva em excesso para que os bancos deixem mais dinheiro lá e joguem menos dinheiro na economia?

    A tendencia seria a inflação continuar como está ou até mesmo diminuir não?
  • Leandro  16/12/2015 20:06
    Já há algumas pressões inflacionárias evidentes, as quais estão sendo contrabalanceadas pelos preços em queda da gasolina e da energia elétrica.

    A "Core Inflation Rate", que desconsidera os preços dos alimentos e dos combustíveis, já está em 2%.

    www.tradingeconomics.com/united-states/core-inflation-rate
  • Marconi Soldate  16/12/2015 20:22
    Caro Leandro,

    o que diabos é "taxa da janela de redesconto"? rsrs

    Acho que tem lógica.. não sei pq não pensei nisso antes!

    O juros básico da economia não é a "Selic", mas qualquer juros que os banqueiros ganhem de mão beijada.

    Esse juros das reservas em excesso é a nova Selic deles. Só isso.

    Funciona do mesmo jeito, mas é muito mais simples de entender. rsrsrs

    A dominação/controle dos bancos na economia agora está ultra-evidente, mesmo para leigos.


  • Leandro  16/12/2015 20:58
    Nesse ponto, concordo com você. Com o Fed pagando juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos resolverem depositarem no Fed, o esquema fica muito mais explícito e muito mais fácil para um leigo entender.
  • Morete  16/12/2015 20:41
    Mas ele também anunciou que vai trabalhar para manter a FFR entre 0.25 e .5%, correto?

    E como vai fazer isto?
  • Leandro  16/12/2015 20:57
    Atualmente, FFR efetiva está em 0,15%, sendo que o Fed paga 0,25% sobre as reservas em excesso.

    Com o Fed elevando para 0,50% o valor pago sobre as reservas em excesso, é sim plausível que a FFR fique em 0,25%. Nada de mágico aí. Aliás, como explicado no artigo, essa é a única maneira.
  • Marconi Soldate  16/12/2015 21:11
    Não entendi.. se aumentam o juros sobre os depósitos no FED, a FFR deveria atolar em zero e não subir.
  • Leandro  16/12/2015 21:57
    Ué, é justamente o contrário: se o Fed diz que vai me pagar ainda mais para manter o dinheiro parado, e você vem e me pede emprestado, então aí sim é que eu vou cobrar ainda mais de você. Por que eu cobraria zero?

    Na prática, você está dizendo que, quanto mais o Fed se oferecer para me pagar para deixar o dinheiro parado, mais propenso eu ficarei a emprestar para você a juro zero. Não faz sentido. Por que eu faria isso?
  • Marconi Soldate  17/12/2015 00:38
    Tem razão, fiz confusão. Tava pensando que, já que teria mais dinheiro parado no Fed, menos ainda algum banco precisaria pegar emprestado com outro banco, já que todos tem reserva em excesso, então os juros cairiam. Mas.. Pensando bem.. Nenhum deles vai precisar mesmo. A FFR vai subir só "no computador" mesmo. Na prática nenhum banco vai efetivamente pegar esse empréstimo... Olha só.. O FED define direto a taxa de juros.. Não é mais uma meta. Continuando com o poder de imprimir dinheiro pra comprar titulos, o FED agora pode definir a taxa q quiser. Nao creio que isso impacte no tesouro. As contas do FED pioraram? Ele compra mais titulos e repassa mais grana ao tesouro depois. Não tá muito louco isso? É o início do fim do dólar. Ou os bancos terao de se recusar a vender títulos para o FED pra evitar a derrocada.
  • Leandro  17/12/2015 01:02
    "Continuando com o poder de imprimir dinheiro pra comprar titulos, o FED agora pode definir a taxa q quiser."

    Não exatamente. O Fed paga juros aos bancos utilizando seus lucros operacionais. O Fed não cria dinheiro para pagar aos bancos (até porque não teria como ele fazer isso; criar dinheiro é um passivo e só se cria um passivo quando também se criar um ativo. O Fed criar dinheiro para pagar os bancos está criando um passivo sem criar simultaneamente um ativo.)

    Consequentemente, a capacidade do Fed de estipular esses juros depende diretamente de seus resultados operacionais.

    "Nao creio que isso impacte no tesouro."

    Quanto mais o Fed utilizar seus lucros para pagar os bancos, menos lucro sobra para ser repassado ao Tesouro. Consequentemente, pior será o resultado do Tesouro.

    Mas isso, obviamente, é preocupação só para o longo prazo.
  • Marconi  17/12/2015 01:50
    Mas Leandro, o lucro do FED provavelmente tem total ligação com os juros dos títulos que ele compra dos bancos, que são pagos pelo tesouro.

    Logo, a cada milagre de criação de nova grana pra compra de títulos, o resultado do FED melhora com os novos juros a receber dos títulos.

    Se o banco que vendeu o título para o FED pegar essa grana e colocar no FED, vai render os 0,5%. E quanto serão os juros que o FED receberá pelo título? Talvez mais?

    Ou, de repente, o FED poderá vender o título que comprou com dinheiro do nada e dar um jeito de transformá-lo em lucro pra enviar pro tesouro. Tem jeito não? Tô viajando?

  • Pobre Paulista  16/12/2015 21:47
    OK, mas sendo agora mais atraente para os bancos deixarem seu dinheiro depositado no FED, é de se esperar que eles fiquem mais seletivos para emprestar por aí, ou seja, é de se esperar algum aumento nos juros cobrados do mercado, correto? Ainda que isso custe caro para o FED manter...
  • Leandro  16/12/2015 21:52
    Correto.
  • Pobre Paulista  16/12/2015 22:22
    Moral da história: O Tesouro americano está pagando os bancos para que estes aumentem os juros da economia.

    Eu queria ser um banqueiro americano neste momento. Dinheiro grátis dos 2 lados, de um tenho 0,5% a.a. sem risco algum, do outro empresto sem custos de funding.

    E eu aqui achando que o governo Brasileiro era bonzinho com os bancos.
  • Thiago Teixeira  17/12/2015 02:58
    O estouro da bolha foi um jogo de ganha-ganha pros bancos americanos.
    Perdeu-se a oportunidade de sair da armadilha que o FED criou para si mesmo.

    A coisa agora piorou. O FED está refém de pagar esses juros para poder subir a FFR. Ficou em descrédito por ter adquirido muitos títulos podres.

    O Leandro havia indicado outro caminho, com uma venda maciça de títulos, que não foi seguido.

    E agora, José?
  • Diego   17/12/2015 12:59
    Oi Leandro,

    Na prática, a atual situação representa um forte aperto monetário, já que os bancos estarão ainda menos dispostos a expandir o crédito, preferindo deixar esse dinheiro parado no FED, correto?
    Você acredita que esta situação irá retirar dinheiro da economia, ou apenas diminuir o crescimento da base base monetária?
    Qual o impacto disto no câmbio e nas commodities, em especial para os países emergentes?

    Atenciosamente,
    Diego
  • Leandro  17/12/2015 13:10
    "Você acredita que esta situação irá retirar dinheiro da economia, ou apenas diminuir o crescimento da base base monetária?"

    Diminuir o crescimento da base monetária. Aliás, ela já está bem estável há dois anos.

    https://research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=2Wgf

    "Qual o impacto disto no câmbio e nas commodities, em especial para os países emergentes?"

    A continuar assim, apreciação do dólar (no longo prazo) e queda de preços das commodities, a menos que haja uma grande alteração na conjuntura mundial.
  • Andre Cavalcante  17/12/2015 18:31
    Ao fazer isso o FED não está salvando a economia americana? Dólar apreciado, bom para os americanos e crescimento no longo prazo...
  • Rhyan  17/12/2015 00:22
    Foi um acerto em cheio, não?

    "O que o Fed realmente pode fazer

    A única política monetária que o Fed realmente pode fazer é elevar a taxa de juros que ele paga sobre todas essas reservas em excesso que os bancos mantêm depositadas junto ao Fed.

    Se atualmente ele paga uma taxa de 0,25% ao ano, ele pode elevá-la para, por exemplo, 0,5%;"
  • Leandro  17/12/2015 00:51
    Era muito previsível. O próprio Fed vinha deixando claro que faria isso.

    A questão é que ninguém na imprensa -- pode procurar; você não encontrará -- está comentando esse singelo detalhe de que o Fed passou a atuar nos juros de uma forma completamente inédita, a qual não consta em absolutamente nenhum manual de macroeconomia.
  • Gabriel  17/12/2015 03:33
    Realmente o FED parece estar fazendo o máximo para ir empurrando o problema com a barriga.

    Aliás, aquele artigo um pouco mais antigo publicado aqui no IMB que tem o título mais ou menos "O FED alterou totalmente as relações de causa e efeito" já explicava bem a situação.

    Cedo ou tarde uma nova bolha vai ser gerada.
  • Rhyan  17/12/2015 07:21
    Isso é culpa do público leigo ou dos jornalistas leigos?
  • Diego M.  17/12/2015 13:21
    Leandro,

    Ontem a Fitch derrubou o grau especulativo do Brasil. Além disso a notícia da elevação de juros do FED. Isso gerou um estresse no cambio que o Dolar chegou a valer R$ 3,95...

    Entretanto, o cambio já voltou ao patamar de terça feira; +/- 3,85

    Será que o mercado já tinha precificado tudo isso ?????

    Abraços.
  • Leandro  17/12/2015 13:25
    Há muito. Para ambos.

    Atualmente o câmbio se move muito mais de acordo com o cenário político, este sim imprecificável e completamente imprevisível.
  • Marconi Soldate  17/12/2015 15:17
    Caro Leandro, desculpe insistir, mas é que a curiosidade tá pegando..rsrs

    Quando o FED compra títulos dos bancos com dinheiro novo, isso não afeta positivamente o resultado contábil do FED? Isso, portanto, não ajuda a remeter mais lucro ao tesouro?
  • Leandro  17/12/2015 17:15
    Quando o BC cria dinheiro para comprar um título em posse dos bancos, ele cria, ao mesmo tempo, um ativo e um passivo.

    O ativo é o título que ele está adquirindo; o passivo é o dinheiro que ele criou e deu aos bancos.

    Ambos, por definição, têm rigorosamente o mesmo valor no momento da compra.

    Se o BC se desfizer desse título a um valor maior do que o valor pelo qual o comprou, ele aufere um lucro contábil. Se o BC se desfizer desse título a um valor menor do que o valor pelo qual o comprou, ele aufere um prejuízo contábil

    Pois bem: em um momento de subida de juros, que é quando os preços dos títulos estão caindo, é sim possível o BC ter prejuízo em algumas de suas operações.

    Na prática, é a mesma coisa quando você opera no Tesouro Direto: se você comprou um título mês passado, e teve de revendê-lo agora (por causa de alguma emergência), certamente tomou um prejuízo feio, pois nesse ínterim os juros de todos os títulos do Tesouro Direto (com a óbvia exceção do Tesouro SELIC, LFT) subiram e muito.
  • Marconi Soldate  18/12/2015 02:22
    Caro Leandro, achei uma explicação sua que era mais o que eu tava procurando..

    Gustavo

    "Quando um título em posse do FED vence, ele repassa o principal e os juros deste título ao tesouro, e perde este ativo que poderia ser vendido aos bancos para enxugar liquidez?"


    Leandro
    "Correto. O Fed retém uma fatia que é para custear suas despesas. O restante ele repassa ao Tesouro (ou seja, na prática, o dinheiro saiu do bolso dos pagadores de impostos, foi para o Tesouro, dali para o Banco Central, que reteve uma fatia, e que devolveu o restante para o Tesouro)."

    Ou seja, o FED ao comprar títulos com dinheiro novo e deixá-los vencer, recebe o principal mais juros e devolve ao tesouro (grana alta). Com o aumento dos juros, deve aumentar também o apetite por títulos do tesouro americano e, portanto, não devem acontecer problemas no repasse de grana pro tesouro. O custo operacional do FED aumenta, mas o lucro também deve aumentar contrabalanceando esse aumento nos custos, não?

    Em resumo, creio que a frase abaixo está um pouco alarmante demais, ou não?
    Se o Fed elevar os juros que paga sobre as reservas em excesso, o orçamento do governo federal americano sofrerá um baque.
  • Leandro  18/12/2015 17:35
    "Ou seja, o FED ao comprar títulos com dinheiro novo e deixá-los vencer, recebe o principal mais juros e devolve ao tesouro (grana alta)."

    Em primeiro lugar, com os juros em 0,50% ao ano, a grana está longe de ser alta. Em segundo lugar, e isso importante, qual o prazo médio de vencimento dos títulos americanos? São altos. O Fed não fica com esse título o tempo todo. Na esmagadora maioria dos casos, ele compra num dia e vende no dia seguinte (afinal, ele tem de fazer política monetária).

    Em 2014, o Fed teve um lucro recorde. Sabe quanto ele repassou ao Tesouro? US$ 98 bilhões. Em termos de governo americano, isso não é nada.

    www.forbes.com/sites/samanthasharf/2015/01/09/fed-sending-98-7-billion-of-2014-profits-to-u-s-treasury/

    "Com o aumento dos juros, deve aumentar também o apetite por títulos do tesouro americano e, portanto, não devem acontecer problemas no repasse de grana pro tesouro."

    Com o aumento dos juros, os preços dos títulos caem. Se o Fed vender títulos em um cenário de aumento de juros, ele perde dinheiro. Isso não é questão de opinião, mas sim de matemática.

    "O custo operacional do FED aumenta, mas o lucro também deve aumentar contrabalanceando esse aumento nos custos, não?"

    Segundo qual lógica?

    Observe o gráfico contido no artigo linkado acima: é justamente com juros baixos e em queda que o Fed lucra mais.

    "Em resumo, creio que a frase abaixo está um pouco alarmante demais, ou não?
    Se o Fed elevar os juros que paga sobre as reservas em excesso, o orçamento do governo federal americano sofrerá um baque."


    Se o padrão for um amento de 0,25% para 0,50%, sem dúvida nenhuma a frase seria exagerada. Mas não é a esse tipo de aumento (ínfimo) que me refiro.
  • edu  17/12/2015 17:44
    Leandro,

    e esse trecho no comunicado?

    "Effective December 17, 2015, the Federal Open Market Committee directs the Desk to undertake open market operations as necessary to maintain the federal funds rate in a target range of 1/4 to 1/2 percent, including: (1) overnight reverse repurchase operations (and reverse repurchase operations with maturities of more than one day when necessary to accommodate weekend, holiday, or similar trading conventions) at an offering rate of 0.25 percent, in amounts limited only by the value of Treasury securities held outright in the System Open Market Account that are available for such operations and by a per-counterparty limit of $30 billion per day; and (2) term reverse repurchase operations to the extent approved in the resolution on term RRP operations approved by the Committee at its March 17-18, 2015, meeting.

    Eles aumentaram a FFR, não?
  • Leandro  17/12/2015 18:44
    Nada de mais.

    O Fed está simplesmente dizendo que, em suas operações de recompra, ele pagará 0,25%. (Não confundir operações de recompra com mercado interbancário).

    Na prática, o Fed está pagando 0,50% nas reservas em excesso e a taxa oficial de juros (a meta para o interbancário) foi estipulada para ficar em qualquer valor entre 0,25 e 0,50%.

    Daí, para tentar garantir que o piso do mercado interbancário seja 0,25% (a FFR), ele está fazendo operações de recompra oferecendo 0,25%, torcendo para que, com isso, o interbancário fique, no mínimo, em 0,25%. (Desculpe a redundância, mas foi para ficar bem claro).

    Por se tratar de uma taxa baixíssima, é perfeitamente possível que ele consiga. Sem problemas. Uma coisa é ficar em 0,25% ao ano. Outra coisa é ficar em, por exemplo, 5% ao ano (valor normal antes da crise financeira). Tenho curiosidade para saber como ele conseguiria isso.

    A única coisa que o Fed realmente tem total autonomia para fazer é justamente isso que ele já está fazendo: elevar a taxa que ele paga sobre as reservas em excesso e esperar que essa elevação gere também uma elevação no mercado interbancário. E só.

    apps.newyorkfed.org/markets/autorates/fed%20funds
  • Luis Gustavo Schuck  18/12/2015 01:38
    Leandro, mas na prática o Fed não vai conseguir o que quer, manter estes recursos fora da economia? O objetivo não é segurar a inflação?

    Aproveitando, em outro artigo li que o tesouro vende títulos aos bancos e posteriormente o BC os compra para manter as taxas. Segundo o artigo isto gera inflação monetário visto que os bancos utilizam estes recursos para empréstimos e apenas uma parte é deixada no compulsório etc.

    Mas minha dúvida é: quando um título é comprado por um dealer no mercado primário o tesouro não retira os recursos da conta deste banco no bacen? Isto não manteria o saldo desta? Ou quando um dealer compra os títulos ele debita em seu caixa e repassa ao tesouro? A conta no bacen seria movimentada apenas no mercado secundário?

    Se tiver mais artigos ou fontes sobre o assunto agradeço.

    Saudações pela constante atualização de conteúdo do site.
  • Leandro  18/12/2015 17:43
    "quando um título é comprado por um dealer no mercado primário o tesouro não retira os recursos da conta deste banco no bacen?"

    Correto.

    "Isto não manteria o saldo desta?"

    Não entendi.

    Ao retirar o recurso do saldo da conta-corrente que o banco tem junto ao Banco Central, a quantidade de reservas bancárias deste banco cai. Consequentemente, há uma pressão altista na SELIC, a qual tem de ser imediatamente corrigida pelo Banco Central, que faz isso comprando outros títulos em posse deste banco.

    Adicionalmente, a quantidade de dinheiro na economia real aumentou.

    "Ou quando um dealer compra os títulos ele debita em seu caixa e repassa ao tesouro?"

    Observe que o efeito é rigorosamente o mesmo: o caixa de qualquer grande banco é sua conta-corrente no Banco Central.

    "A conta no bacen seria movimentada apenas no mercado secundário?"

    Em ambos os casos.
  • Luis Gustavo Schuck  18/12/2015 20:00
    Compreendo, porém se o Tesouro vende títulos (ele reduz a conta do banco) e após o Bacen compra (aumenta novamente esta conta) como ocorrerá a expansão monetária? Visto que a conta não se altera na prática??? Desta forma mesmo com reservas fracionárias os bancos não tem como aumentar a oferta de crédito do que tinham antes de negociar títulos com o tesouro no mercado primário...

    Fiquei confuso neste ponto.

  • Leandro  18/12/2015 20:19
    1) O Tesouro emite títulos;

    2) O bancos (primary dealers) criam dinheiro (eletrônico) para comprar esses títulos (eles podem fazer isso porque operam com reservas fracionárias);

    3-a) O dinheiro (eletrônico) vai para o Tesouro, que então gasta esse dinheiro e o joga na economia, aumentando a oferta monetária;

    3-b) As reservas bancárias diminuem em decorrência disso, o que tende a afetar a SELIC;

    4) BC atua para impedir o aumento da SELIC, injetando mais dinheiro no mercado interbancário (comprando títulos que estavam em posse dos bancos), e restituindo as reservas bancárias ao nível inicial.

    5) Saldo final: as reservas bancárias se mantiveram no mesmo nível, mas a quantidade de dinheiro na economia aumentou (vide itens 2 e 3-a).

    Você acabou de descobrir por que o Banco Central é imprescindível para manter os déficits do governo; sem um BC, os juros disparariam. Um BC existe justamente para financiar o governo. E também para cartelizar o sistema bancário.
  • Tannhauser  18/12/2015 16:37
    Leandro,

    O FED pagava 0,25% sobre as Reservas em excesso. Aumentou para 0,50%.

    Considerando os US$ 4 trilhões de reservas em excesso, isso significa US$ 10 bilhões a menos para o Tesouro gastar anualmente.

    Isso não é troco de pinga?
  • Marconi Soldate  18/12/2015 17:15
    Também gostaria de saber melhor sobre esses valores.

    Uma coisa que não consigo entender é porque se fala de balanço do FED.

    Os caras tem a fonte de dinheiro. Qual a importância que tem a saúde financeira do FED???

    Se eles tem 1 trilhão ou 100 trilhões em títulos, qual a diferença?

    Será que alguém acha que eles irão algum dia enxugar toda a liquidez que colocaram no sistema?

    Não é absolutamente óbvio que isso nunca será feito?

  • Guido Mantega  18/12/2015 17:41
    Questão de reputação mesmo, eu creio.

    Qualquer BC pode sair criando passivo(dinheiro) sem um ativo, no entanto isso jogaria a confiança do FED no chão(se é que não já esta lá, né?).
  • Pobre Paulista  18/12/2015 18:20
    Lá vem a moeda de um trilhão de dólares.
  • Tannhauser  18/12/2015 16:52
    Leandro,

    Segue a taxa efetiva do FFR:

    https://apps.newyorkfed.org/markets/autorates/fed%20funds

    No dia 17/12, a taxa efetiva média foi de .37%

    Ou seja, até agora conseguiram manter na faixa de 0.25-0.50

    Existe chance desse valor acabar caindo ao longo dos dias e o FED ser obrigado a aumentar a taxa de depósito voluntário? Pior, existe chance do FED não conseguir alcançar a faixa almejada e o pessoal começar a pular do alto dos prédios?
  • Leandro  18/12/2015 17:48
    Não creio. Se os bancos estão recebendo do Fed 0,50% sobre qualquer valor que depositarem lá, é certo que o valor da FFR ficará em algum valor próximo disso.

    Vou repetir: esta é a única política monetária que restou ao Fed para controlar os juros, como explicado no artigo. E é exatamente a única que ele está usando. Enquanto ele continuar usando essa política, a FFR ficará perto de onde ele quer.

    A questão realmente importante em tudo isso é que a tradicional maneira de se fazer política monetária -- com o Fed comprando e vendendo títulos no mercado interbancário como forma direta de controlar a FFR -- já foi abolida. A maneira como o Fed controla agora a FFR é totalmente inusitada: é uma maneira que jamais foi descrita em qualquer manual de macroeconomia.
  • Tannhauser  18/12/2015 18:41
    Certo.

    Podemos estimar então, com base neste novo instrumento de controle de juros, que a cada .25 de aumento na FFR são cerca de US$ 10 Bilhões a menos no orçamento do tesouro?
  • Marconi Soldate  19/12/2015 19:05
    Mas a FFR não tem mais a menor importância, tem? A taxa básica de juros agora é essa aí remunerando o depósito dos bancos. Se a FFR não subir pra meta... E daí?
  • Jardineiro Visionário  18/12/2015 21:50
    O desfecho é claro: sem a interferência do FED a economia americana se recuperará até que a demanda por emprestimos aumente, tornando mais lucrativo aos bancos emprestar aos clientes do que receber a esmola do FED; do outro lado, o FED elevará o valor do arrego, acelerando o endividamento do governo americano, que por sua vez nao conseguirá se refinanciar e por fim dará o calote. É o fim do dolar.
  • Thiago q. Landi  20/12/2015 15:52
    Compreendi, Leandro. Poderia me tirar uma duvida?

    Foi falado em outros artigos que o mercado interbancario estava morto. Pois os bancos estao sentados em uma montanha de reservas em excesso.

    Como os juros do interbancario podem ser de 0.25 a 0.50% entao?

    Queria chamar atencao aquilo que o leandro falou, que ninguem da mídia comenta que o fed está fazendo politica monetária de uma forma inédita.

    Ressalto ainda que pagar mais juros sobre reservas em excesso não resolve o problema, apenas o piora.
  • Leandro  20/12/2015 16:03
    Não foi exatamente isso o que foi falado. O que foi falado é que o Fed não mais tem como manipular os juros do interbancário por meio de seus instrumentos clássicos, que é a compra e venda de títulos. O Fed não mais tem como manipular os juros do interbancário por meio de operação no mercado aberto. Na prática, todo o manual tradicional de macroeconomia foi tornado obsoleto.

    Foi isso o que foi falado.

    A única maneira que restou ao Fed para tentar manipular os juros deste mercado é justamente a que ele está utilizando: pagar juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente optarem por depositar junto ao Fed. Tal método nunca foi descrito em absolutamente nenhum manual de macroeconomia conhecido.

    Ao pagar para os bancos deixarem dinheiro parado, o Fed inevitavelmente consegue afetar os juros do interbancário. Óbvio. Se eu pago para você deixar dinheiro parado, isso afeta os juros que você cobrará do seu vizinho caso ele lhe peça um empréstimo. Quanto mais eu pagar para você deixar seu dinheiro parado, maior os juros que você vai cobrar para emprestar para o seu vizinho.

    Este método, no entanto, não apenas não é o método tradicional de se fazer política monetária, como também nunca foi descrito em nenhum manual de macroeconomia que se conheça.
  • Diego  20/12/2015 17:39
    Oi Leandro,
    Pode-se dizer que os resultados práticos de a política monetária agora se dar dessa forma são os mesmos de antes (manipulação pelo mercado aberto)?
    Se sim, significa que o Fed pode nunca mais precisar se desfazer de todos os títulos comprados via QE e esta ser a nova realidade? O mercado como um todo se adaptará a este novo contexto? Ou isso irá indefinidamente seguir prejudicando o crescimento econômico e exacerbando os ciclos econômicos ainda mais?
    O que quero dizer é: chegará um momento em que o Fed será obrigado a se desfazer dos títulos adquiridos via QE? O que poderia fazer o Fed chegar em uma situação destas?

    Obrigado!
  • Leandro  29/12/2015 01:35
    A quem interessar possa: como explicado no artigo, o Fed não tinha como subir "os juros". Ele tem o controle de uma única taxa de juros: aquela que ele paga sobre as reservas em excesso. E só.

    Consequência? Desde o aumento desta taxa em 16 de dezembro, praticamente todas as outras taxas de juros caíram. Os juros sobre os títulos de 1 mês, 3 meses, 1 ano, de 3 anos, de 5 anos, de 7 anos, de 10 anos, de 20 anos e de 30 anos estão hoje menores do que estavam antes de o Fed elevar a única taxa de juros que ele controla.

    www.treasury.gov/resource-center/data-chart-center/interest-rates/Pages/TextView.aspx?data=yield

    (Compare as taxas atuais com as do dia 16 de dezembro).

    Em suma: a mídia disse que o Fed "subiu os juros". No entanto, praticamente todas as taxas de juros caíram desde essa "subida". A mídia, novamente, entendeu tudo errado.

    Todo o escarcéu sobre "o Fed subir os juros" foi apenas uma manobra de relações públicas. "Viram só? Estamos fazendo alguma coisa."

    Também como explicado no artigo, a Federal Funds Rate (a taxa do mercado interbancário) se tornou uma taxa completamente inútil agora que o Fed está pagando juros sobre as reservas em excesso. Os bancos não mais precisam pedir empréstimos no interbancário para cobrir suas reservas. Eles estão lotados de reservas. A FFR virou um nada.
  • Rodrigo  29/12/2015 02:06
    Mas nenhuma taxa de juros controlada por Banco Central significa algo realmente. Tudo depende da vontade das pessoas de adquirir empréstimos e dos bancos de conceder empréstimos, e só. Por exemplo, se subirem a nossa SELIC para 20% mas as pessoas pedirem empréstimos intensamente e os bancos aceitarem conceder, vai haver uma explosão dos agregados monetários. Isso também pode ocorrer se o governo mostrar déficits significativos e os bancos aceitarem financiar.
  • Gustavo  10/01/2016 00:02
    Olá!

    Estava lendo o Mises Institute e neste artigo: https://mises.org/library/are-we-headed-another-bust, no primeiro gráfico dá a entender que a taxa de juros que está sendo aumentada se trata da FFR.

    Fiquei confuso nesse ponto, já que pelo que foi descrito no artigo o FFR se manteve constante.
  • Leandro  10/01/2016 13:02
    Isso não foi dito. O que foi dito é que o Fed perdeu o controle direto sobre a FFR. Ele não tem mais como mexer na FFR diretamente, que foi como ele sempre operou. A única coisa que o Fed pode fazer agora, a única taxa de juros que ele pode controlar, é a taxa de juros que ele paga sobre as reservas em excesso que os bancos voluntariamente optam por deixar paradas junto ao Fed.

    Ao elevar essa taxa de juros, o Fed indiretamente espera afetar as outras taxas.

    E foi exatamente isso o que aconteceu: o Fed anunciou que irá pura e simplesmente elevar o valor que ele paga sobre as reservas em excesso.

    Veja o anúncio na íntegra e o trecho principal abaixo:

    "The Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to raise the interest rate paid on required and excess reserve balances to 0.50 percent, effective December 17, 2015."

    E também como previsto neste artigo, o Fed elevou a taxa da janela de redesconto, de 0,75% para 1%. Trecho:

    "In a related action, the Board of Governors of the Federal Reserve System voted unanimously to approve a 1/4 percentage point increase in the discount rate (the primary credit rate) to 1.00 percent, effective December 17, 2015."

    Por fim, também como explicado no artigo, o Fed não tinha como subir "os juros". Ele tem o controle de uma única taxa de juros: aquela que ele paga sobre as reservas em excesso. E só.

    Consequência? Desde o aumento desta taxa em 16 de dezembro, praticamente todas as outras taxas de juros caíram. Os juros sobre os títulos de 1 mês, 3 meses, 1 ano, de 3 anos, de 5 anos, de 7 anos, de 10 anos, de 20 anos e de 30 anos estão hoje menores do que estavam antes de o Fed elevar a única taxa de juros que ele controla.

    www.treasury.gov/resource-center/data-chart-center/interest-rates/Pages/TextView.aspx?data=yield

    (Compare as taxas atuais com as do dia 16 de dezembro).

    Em suma: a mídia disse que o Fed "subiu os juros". No entanto, praticamente todas as taxas de juros caíram desde essa "subida". A mídia, novamente, entendeu tudo errado.

    Todo o escarcéu sobre "o Fed subir os juros" foi apenas uma manobra de relações públicas. "Viram só? Estamos fazendo alguma coisa."

    A FFR (a taxa do mercado interbancário) se tornou uma taxa completamente inútil agora que o Fed está pagando juros sobre as reservas em excesso. Os bancos não mais precisam pedir empréstimos no interbancário para cobrir suas reservas. Eles estão lotados de reservas. A FFR virou um nada.
  • Gustavo  10/01/2016 14:48
    Certo Leandro, muito obrigado pela explicação!

    Pode-se afirmar então que a FFR fica proporcional à taxa sobre as reservas? Se o FED elevar a taxa sobre as reservas em 0,25% então a FFR (apesar de inútil) também sobe 0,25%. Será que é esse fenômeno que fez a imprensa se confundir de maneira geral?
  • Gabriel  25/01/2016 20:09
    Isso tudo ainda vai dar pano para a manga, estava vendo o blog do Peter Schiff e ele postou recentemente que é provável o FED adotar umá nova rodada de QE.
  • Juliana  27/01/2016 14:10
    Olá!

    Essas questões não estão diretamente relacionadas ao artigo, mas eu acho que cabem serem feitas aqui:

    1) O artigo enfatiza uma coisa, inúmeras vezes já repetida, que o Fed "não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito).". O problema é que nem todos os dealers primários americanos são instituições financeiras bancárias (ou seja, não captam depósitos à vista, e por isso não têm a capacidade de criar moeda escritural). Então a pergunta: o dinheiro novo que o Fed cria, para comprar os títulos dessas instituições (as não-bancárias) não vai acabar entrando na economia, por uma via que não é a expansão do crédito?

    2) Por quê o volume de títulos do Tesouro e outros (como por exemplo os lastreados em hipotecas), em posse dos bancos,
    cresceu tanto depois de 2008 — justamente quando o banco central americano passou a imprimir dinheiro e comprá-los para limpar os balancetes dessas instituições?

    3) Existem diferenças entre oferta monetária e base monetária? O artigo mesmo utilizou um gráfico da base monetária, para ilustrar o dinheiro criado pelo Fed, mas que não significa que entrou na economia. Intuitivamente, a gente vê a oferta monetária como sendo uma coisa diferente. E, até mesmo voltando à primeira pergunta, não tem como mensurar e comparar o crescimento da oferta monetária e da expansão do crédito, para saber se as instituições bancárias, por meio da criação de crédito, são as únicas que decidem se o dinheiro vai entrar na economia?

    E é só isso mesmo (antes que eu comece a perguntar: "O que é dinheiro?").

    Abraços!
  • Leandro  27/01/2016 16:02
    "O artigo enfatiza uma coisa, inúmeras vezes já repetida, que o Fed "não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito)."

    Devo confessar que essa informação colocada entre parênteses -- e ela está ali muito provavelmente porque a discussão estava centrada no crédito -- acabou tornando a frase um tanto inverídica.

    Eis a frase completa e correta:

    O Fed não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos e nas demais instituições que participam do mercado primário (normalmente corretoras), e estas é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia -- por meio da criação de crédito, por meio de compra de títulos emitidos por empresas (debêntures), por meio de compra de ações, e por meio da compra de títulos emitidos por outras instituições financeiras não-bancárias.

    Pronto, agora ficou mais completo.

    "O problema é que nem todos os dealers primários americanos são instituições financeiras bancárias (ou seja, não captam depósitos à vista, e por isso não têm a capacidade de criar moeda escritural). Então a pergunta: o dinheiro novo que o Fed cria, para comprar os títulos dessas instituições (as não-bancárias) não vai acabar entrando na economia, por uma via que não é a expansão do crédito?"

    Creio que, agora, foi respondida acima.

    "Por que o volume de títulos do Tesouro e outros (como por exemplo os lastreados em hipotecas), em posse dos bancos, cresceu tanto depois de 2008 — justamente quando o banco central americano passou a imprimir dinheiro e comprá-los para limpar os balancetes dessas instituições?"

    Por dois motivos:

    1) Os déficits orçamentários do governo americano em 2008, 2009 e 2010 foram estratosféricos (chegaram a quase 10% do PIB em 2009) -- e isso, por definição, aumenta a quantidade de títulos públicos no mercado.

    2) Se uma instituição como o Banco Central entra em cena e passa a garantir que irá comprar todo e qualquer título que lhe for ofertado, bom, é razoável crer que o mercado para esses títulos ficará bem aquecido. No mínimo, os riscos caem a zero.

    Se o BC garante liquidez imediata para esses títulos, é óbvio que a demanda dos bancos por esses títulos crescerá bastante. Afinal, havendo uma instituição com capacidade de imprimir dinheiro para garantir liquidez para esse mercado, os lucros se tornam mais altos.

    Se houver uma instituição garantindo a compra de, por exemplo, carros usados, eu certamente iria me entupir de carros usados. Na pior das hipóteses, se tudo desse errado com meu empreendimento, eu apenas revenderia esses carros para essa instituição. O mercado se torna praticamente de risco zero.

    "Existem diferenças entre oferta monetária e base monetária?"

    Sim.

    A base monetária compreende apenas as cédulas e moedas metálicas existentes mais as reservas bancárias que os bancos mantêm -- tanto voluntariamente ("reservas em excesso") quanto compulsoriamente -- depositadas junto ao Banco Central.

    Já oferta monetária são M1, M2, M3 e M4, e compreendem as cédulas e moedas metálicas (apenas as que estão em posse de pessoas e empresas), os depósitos em conta-corrente, os depósitos em caderneta de poupança, os depósitos a prazo (CDBs e RDBs), as cotas em fundos de investimento, e os títulos públicos em posse de pessoas e empresa.
  • Juliana  27/01/2016 20:30
    Ótimo esclarecimento. Muito obrigada!
  • Benjamin  05/02/2016 16:57
    Qual a relação entre:

    - tx de juros do fed e dólar para eles, não pra gente.

    - Dólar x petróleo

    - tx de juros x NYSE

    Obrigado
  • Duda  19/05/2016 18:43
    Não entendo uma coisa: se foi só o FED sinalizar que aumenta os juros em Junho e, dado que o Mercado é o meio mais eficiente de se saber de algo e ato contínuo, deveria saber assim como o Leandro, que não tem como o FED subir juros, por que então houve corrida dos investidores para os treasuries? Por que nossa bolsa caiu, já que o Mercado devia saber, segundo as teorias austríacas, que não tem como subir a taxa?
  • Leandro  19/05/2016 19:17
    Sugiro que você leia o artigo inteiramente (pois parece que não o fez).

    O que o artigo diz é que o Fed não mais controla os juros do mercado interbancário (que é o que ele sempre fez, assim como todos os outros Bancos Centrais do mundo). Ele agora controla apenas os juros que ele paga sobre as reservas em excesso dos bancos.

    O próprio Fed deixou isso bem claro em seu anúncio.

    Isso nunca aconteceu antes na história de nenhum Banco Central do mundo.

    Em tese, o Fed pode elevar o quanto quiser esses juros que ele paga sobre as reservas bancárias. Só que há uma encrenca (também explicada no artigo): esses juros que o Fed paga sobre as reservas em excesso advêm de seus lucros operacionais.

    Cada centavo que o Fed paga sobre as reservas em excesso tem de ser retirado de seus lucros operacionais.

    E daí?

    E daí que, por lei, os lucros do Fed, após serem deduzidas as despesas operacionais, são repassados ao Tesouro. Consequentemente, cada centavo a mais que o Fed pagar sobre as reservas em excesso dos bancos representa um centavo a menos que ele repassa ao Tesouro.

    Isso significa que o déficit do governo americano irá aumentar nessa mesma quantidade.

    Logo, e por definição, o tanto que o Fed pode aumentar os juros está inteiramente restringido por dois fatores: seus lucros operacionais e o orçamento do Tesouro. Quanto mais ele elevar os juros, menor será seu lucro líquido remanescente. Consequentemente, menor será a quantidade de dinheiro que ele repassará ao Tesouro. Consequentemente, maior será o déficit orçamentário do Tesouro.

    Isso é algo que nenhum veículo da mídia está levando em consideração.

    Quanto ao mercado financeiro (não confundir "mercado financeiro" com o mercado propriamente dito, por favor) não seguir as teorias austríacas, ué, isso é algo que ficou patente desde 2008, não?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1267

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1696
  • Duda  19/05/2016 19:45
    Então nao tem mais pra onde o FED correr. O que pode acontecer disso, na pior das hipóteses? O colapso econômico do sistema financeiro como um todo? vai todo o mundo ficar pobre? quero entender.
  • Leandro  19/05/2016 20:12
    Quem souber a resposta exata, e se posicionar de acordo no mercado de futuros, estará com a vida ganha.
  • De barco para Miami  19/05/2016 20:49
    Leandro, cabe alguma ação criminal contra os antigos diretores do banco central ? Como eles deixaram o BNDES com uma dívida de quase 500 bilhões ? Que banco é esse que dá prejuízo ?

    Além disso, seria possível uma política ecômica de 5% ? Ou seja, selic à 5%, superávit primário de 5%, reajuste do salário mínimo limitado à 5%, comprar 5% do superávit em reservas internacionais, etc.
  • Leandro  20/05/2016 00:12
    "Cabe alguma ação criminal contra os antigos diretores do banco central ?"

    Não é minha área de conhecimento.

    "Além disso, seria possível uma política ecômica de 5% ? Ou seja, selic à 5%, superávit primário de 5%, reajuste do salário mínimo limitado à 5%, comprar 5% do superávit em reservas internacionais, etc."

    Qual a teoria que sustenta a escolha do número 5?
  • De barco para Miami  20/05/2016 01:34
    Acho que 5% é um número razoável nesse momento.

    É muito difícil fazer mais do que 5% de superávit. O governo estava brigando por 0,5% no ano passado.

    Aumentar o salário mínimo em mais de 5% sai fora da meta de inflação e detona as contas públicas.

    Colocar a Selic acima de 5% trava a economia e destrói investimentos de longo prazo.

    A questão não é tão complicada. O consumo precisa ser controlado pela responsabilidade e concorrência, sem depender de taxa selic.

    Gastar esses 500 bilhões na rolagem da dívida, é a mesma coisa que fazer superávit de 5% ou até mais. Esse gasto poderia ser transformado em economia, baixando a selic e contendo despezas. Com 5% de superávit a confiança aumenta e os títulos públicos podem ser negociados por um preço menor. Também é possível que a arrecadação do governo aumente mais do que uma CPMF, se a economia não parar e tiver crescimento.

    O país tem 30% da economia concentrada no governo. Se haver controle de gasto, a tendência é baixar a inflação e liberar investimento de longo prazo.

    Se a crise durar até 2018, será mais de um trilhão em juros em dois anos e queda de arrecadação. É superávit de 5% ou vai piorar ainda mais.


  • Leandro  20/05/2016 03:59
    "É muito difícil fazer mais do que 5% de superávit. O governo estava brigando por 0,5% no ano passado."

    Difícil? O correto seria impossível. O maior superávit primário já obtido ao final de um ano, em toda a história do real, foi de 2,68% em 2004. E superávit nominal nunca houve.

    "Aumentar o salário mínimo em mais de 5% sai fora da meta de inflação e detona as contas públicas."

    Ok, mas de onde você tirou o valor mágico de 5%?

    "Colocar a Selic acima de 5% trava a economia e destrói investimentos de longo prazo."

    Não procede. Durante toda a história do real, a SELIC sempre esteve acima de 5%. Sempre.

    Aliás, em 2004, 2005 e primeira metade de 2006, a SELIC estava mais alta que hoje. E os investimentos ocorreram em um volume maior que hoje.

    Mais ainda: o período em que houve a maior proporção de investimento em relação ao PIB (24% do PIB) foi em 1994, após a criação do real, justamente quando a SELIC estava nas máximas.

    Mais importante do que a SELIC é a robustez da moeda. É a estabilidade de preços o que realmente estimula investimentos produtivos.

    "A questão não é tão complicada. O consumo precisa ser controlado pela responsabilidade e concorrência, sem depender de taxa selic."

    A questão não é conter o consumo ou a demanda. Mas sim ampliar a oferta. Esse sempre foi o desafio do mundo. Demandar e consumir é fácil. Trata-se de um impulso natural do ser humano. Agora, produzir, ah, essa é que a encrenca.

    E só há produção quando se tem uma economia estável, previsível e com moeda forte.
  • De barco para Miami  20/05/2016 05:42
    Leandro, eu acho que nós estamos sendo muito tolerantes e cordiais com o governo.

    Vou procurar um artigo que fala sobre o fechamento do banco central. Talvez, esse deveria ter sido o tema do artigo.

    Os resultados do BC estão péssimos. Tem 40% da população no Serasa, 500 bilhões/ano em juros de títulos públicos, limites de crédito insustentáveis, juros estratosféricos, recessão, câmbio flutuando demais, bancos movidos à créditos eletrônicos, 100.000 lojas fechadas, bolsa derretendo, inflação de dois dígitos, etc.
  • Yonatan Mozzini  20/05/2016 14:16
    Dando uma opinião aqui...

    Sobre a SELIC, o orientador da minha monografia, professor Dr. Douglas, me disse no ano passado que, segundo a modelagem dele, ela deveria subir. Ele disse que ela atrai capitais e que nós somos carentes de poupança, e que é o jeito para colocar a inflação no centro da meta.

    Eu entendo que uma taxa de inflação de preços elevada é muito mais perniciosa do que uma taxa de juros elevada. A inflação de preços nada mais é que um imposto, algo que corrói o poder de compra de uma moeda, tanto nacionalmente quanto internacionalmente (devido à desvalorização real da taxa de câmbio). O juro elevado, além de conter a inflação de preços, tende a valorizar o câmbio. O juro elevado é pernicioso para o esbanjador; para o poupador é benigno. Aliás, para que haja investimentos vigorosos, antes é necessário poupança, e um forte estímulo à poupança é a taxa de juros elevada -- pelo menos, temporariamente.

    A questão da dominância fiscal é um problema que deveria ser unicamente do governo, nada teria a ver com a autoridade monetária. Juros elevados é um sério problema dos agentes econômicos irresponsáveis e, subsequentemente, endividados. A autoridade monetária deve prezar pelo poder de compra da moeda, independente se o abismo fiscal é apocalíptico.

    Se eu fosse chefe da autoridade monetária atual e tivesse que seguir a política atual de usar a SELIC como ferramenta para atingir as metas, eu iria rapidamente elevá-la acima de uns 18%. Sem dó.
  • De barco para Miami  20/05/2016 16:12
    É só ver o ranking de países com juros altos. É um pior do que o outro, além de estar tudo no vermelho. Só tem país subdenvolvido e miserável.

    A Selic pode ser reduzida à 5%, mas precisa de garantias de pagamentos.

    Já está comprovado que a injeção de dinheiro só é ruim, quando não há contrapartida e gastança desenfreada. Ou seja, quando há calote e irresponsabilidade.

    Produzir digítos eletrônicos é quase de graça. Ninguém deveria tomar dinheiro emprestado se não vai conseguir pagar. Com o câmbio em 1:1, é mais difícil ainda uma gastança desenfreada, mesmo com juros baixo.

    Os juros altos são causados pela falta de superávit, irresponsabilidade fiscal pública e privada. Essa taxa Selic é um atestado de irresponsabilidade.

    O risco maior da Selic há 5% é no câmbio. Trocar o pagamento de títulos por swaps pode quebrar o governo do mesmo jeito.

    Além disso, eu aposto que esses banqueiros do BC e economistas do governo possuem títulos do tesouro.

    Não consigo acreditar que pagar trilhões de reais em juros com impostos pode ser bom para a economia. Fazer o povo pagar os rentistas não vai melhorar a ecônomia.

    Já foi defendido nesse fórum que o câmbio é o maior redudor da inflação. A Selic só está destruindo.
  • Yonatan Mozzini  20/05/2016 17:16
    Amigo, eu poderia escrever um texto enorme refutando -– ao menos, parcialmente –- cada parágrafo do seu comentário, mas vou resumir numa sentença: a função da autoridade monetária é manter o poder de compra da moeda, independente da qualidade das contas públicas ou da atividade econômica.

    No atual arranjo em que trabalha o Banco Central, a ferramenta mais eficiente e duradoura para manter uma inflação de preços baixa é manter juros reais elevados (juros reais descontados da inflação de preços). O Bacen pode até vender boa parte das divisas como forma de apreciação cambial e com isso ajudar bastante no controle da inflação de preços no curto prazo, mas isso não é duradouro. Tão logo as reservas escassearem, o câmbio volta a disparar e, com isso, a inflação fugirá da meta, além de uma redução da remuneração real dos agentes econômicos.

    Além disso, saiba que os juros reais totais no Brasil não são tão altos assim. Tendo em mente que cerca de mais da metade dos empréstimos se dão de forma altamente subsidiada, de modo que se dão através de juros reais zerados -- ou até mesmo negativos --, nota-se que o problema é que o crédito livre está cada vez mais escasso, sendo sugado pelo Estado, o que faz encarecer seu preço cada vez mais. Do ponto de vista puramente técnico, isso é extremamente compreensível, embora não seja desejável.

    A SELIC é simplesmente um reflexo da incompetência de um governo; ela, por si mesma, não "está destruindo" nada. Querer baixar a SELIC por canetaço achando que ela é um agravante da nossa dívida pública é o mesmo que trancar a válvula de escape de uma panela de pressão para não ouvir o barulho chato que ela faz quando está cozinhando algo...
  • De barco para Miami  20/05/2016 05:22
    Leandro, o número mágico de 5% foi retirado da meta de inflação. É muito difícil ter inflação baixa, com reajustes de salário acima de 8% por vários anos seguidos. Nós tivemos um ano com 12% de reajuste.

    A Selic está sendo usada há anos para reduzir o consumo. É só ver as atas do Copom. Não estou dizendo que você concorda com isso, mas eu acredito que é isso que acontece. O Copom é movido à IPCA.

    Essa Selic mandou 40% da população para o Serasa. Esse controle de inflação com Selic não funciona. Na década de 90, foi preciso colocar dólar à 1 real e Selic acima de 20% para conter a inflação.

    Por isso eu defendo o superavit radical, valorização do real( swap, reservas ou seja lá o que for) e Selic de 5%. Se o país precisa de poupança para baixar juros, o primeiro a economizar deveria ser o governo. A verdade é que ocorre o contrário. O governo está destruindo a nossa poupança.Aí realmente fica complicado.
  • anônimo  20/05/2016 13:07
    Ashuashau,kkkkkk,....

    O Itaú está com juro do cheque especial mais baixo que o Bradesco, Caixa e BB.

    Esse é o capitalismo opressor !

    Link do BCB
  • Ricardo  20/05/2016 14:47
    Se o governo agora colocar a SELIC a 5% o que ocorrerá será que ninguém irá comprar mais títulos da dívida pública. O governo rapidamente não vai conseguir mais rolar sua dívida e bem... aí teremos um calote e nossa economia afunda mais ainda.
  • Justiceiro  20/05/2016 17:52
    O de barco para miami só pode ser comunista, inacreditável essas sugestões de baixar os juros na marretada.
  • De barco para Miami  20/05/2016 19:42
    Pelo contrário, quem está marretando a Selic à 20 anos é o BC.

    Se você ler oque foi escrito desde o começo, eu disse que era preciso 5% de superávit, fazer mais reservas internacionais, controlar o aumento do salário mínimo, etc. Não é uma medida isolada de redução de juros, como fez a Dilmaluca.

    O gasto voraz do governo é o maior culpado por essa taxa Selic e inflação. Só a marretada do BC na Selic conseguiu parar, mas causou um efeito contra o próprio governo.

    A questão não é tão complicada. Ao invés de gastar com juros, seria melhor fazer superávit. Se tem como gastar 500 bilhões com juros, é possível fazer superávit de 500 bilhões.

    Se o problema é abundância de moeda, seria melhor queimar um trilhão de reais, ou deletar um trilhão de dígitos eletrônicos. Com isso problema seria resolvido ?







  • Thiago q. Landi  14/06/2016 05:42
    Alguem realmente acha que o FED pode subir os juros substancialmente com essa política de pagar juros sobre as reservas em excesso?

    E quando a economia dos EUA cair de volta em recessão? (Os dados do pib e outros estão piorando). O FED vai responder cortando os juros de volta pra 0% e lançar QE4. O mercado vai reagir e o dólar cair.

    Outro ponto, se o FED fizer uma venda maciça de títulos para elevar a FFR, isso destruiria o valor destes títulos o que iria erodir o valor dos ativos dos bancos, fazendo os mesmos irem á falência.

    Caso houvesse um aumento substancial nos juros dos títulos da dívida americana, o governo não poderia pagar nem os JUROS da dívida já proxima de us$20 tri.

    Enfim toda essa bubble economy depende de juros 0%.
  • Joaquim Saad  15/09/2016 12:27
    Sds, Leandro\Ulrich\etc.

    A recente elevação da Libor poderia contribuir decisivamente c/ o eventual estouro dessa mega bolha de títulos e demais ativos lá fora ?
    Pelo visto, a determinação desta taxa baseia-se apenas em estimativas fornecidas por certas instituições acerca de seus custos hipotéticos de captação "unsecured". Mas por quê algum banco iria se financiar c/ base nela e não na FFR mais baixa e em seus níveis historicamente mínimos (reflexo dos recursos sobrando por aí) ?
    A propósito, é esta que segue aquela ? Neste caso, o Fed não ficaria "refém" (tadinho !) dos valores informados (possivelmente de forma até arbitrária) pelas entidades pesquisadas na apuração do rate londrino ?

    Sobre os rendimentos dos títulos do tesouro americano, como podem se manter tão acima dos retornos sobre as reservas em excesso paradas na autoridade monetária dos EUA sem que os bancos comprem agressivamente tais papeis até se atingir a equalização entre ambos os juros ? Não se trata somente de um único mercado (aberto), o mesmo no qual a política monetária é levada a cabo pela compra e venda compromissada e/ou definitiva dos treasuries (como acontece no SELIC brasileiro, onde a média das operações c/ NTN-X's e LTN's é que constitui sua taxa básica) ?

    Obrigado.

    []'s
  • Fernando  12/04/2017 19:56
    Leandro, uma dúvida: a moeda americana é forte porque tem ouro no Fort Knox suficiente para mitigar um colapso?
    Se acontecer um colapso da moeda, o ouro do Fort Knox não pode ser utilizado para reviver o dólar?
  • Leandro  14/04/2017 14:38
    Não é por isso. Mesmo porque não se sabe se realmente ainda há ouro em Fort Knox. Em 2013, os alemães pediram restituição em ouro e foram negados.

    A moeda americana é mundialmente demandada porque ela é a moeda de troca utilizada nas transações internacionais. E ela é a moeda internacional de troca majoritariamente porque o petróleo é cotado em dólar.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1673


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