O que realmente permitiu o grande crescimento econômico brasileiro da última década

Não, não foi a China.  A China ajudou, é claro, mas a China nem de longe explica toda a nossa economia. 

O forte crescimento econômico da China durante toda a década de 2000 de fato fez com que aquele país se tornasse um voraz e insaciável consumidor do minério de ferro e da soja produzidos no Brasil.  Tal fenômeno explica, e muito, os bons resultados obtidos no Brasil pelo setor da mineração e da soja, bem como os bons resultados de todas as cadeias produtivas associadas aos setores da mineração e da soja, como o de maquinário agrícola e de caminhões. 

Mas nem de longe a China explica toda a economia brasileira.  Para se ter uma ideia, de tudo o que o Brasil exporta para a China, os produtos manufaturados não chegam nem a 5%.  Isso significa, por exemplo, que a indústria brasileira — que cresceu forte no período 2004 a 2011, e entrou em retração em 2012 — nem de longe tem a China como principal cliente. 

Os setores de maquinário agrícola (para a colheita da soja), de maquinário pesado (para as mineradoras) e de caminhões (para fazer o transporte da soja e do minério) de fato se beneficiam da expansão chinesa, mas estes setores não explicam toda a economia brasileira.

A renda das pessoas crescendo anualmente, shoppings lotados e restaurantes com filas de espera, aeroportos abarrotados, pobres podendo pagar passagens de avião, pobres se tornando classe média, empregadas domésticas tendo aumentos salariais e podendo mandar filhos para a escola, carros zero sendo vendidos em quantidades crescentes, boom imobiliário e apartamentos sendo vendidos ainda na planta, empresas tendo seus estoques prontamente vendidos, novos empreendimentos sendo iniciados diariamente, trabalhadores encontrando empregos a salários nominais cada vez maiores — todos esses fenômenos ocorreram por todo o país e se tornaram corriqueiros no período 2004-2011, mas eles não são explicados pela China.

Ademais, a participação das exportações na economia brasileira é ínfima, não chegando nem a 12% do PIB.  Tal valor só é maior que Afeganistão, Burundi, Sudão, República Centro-Africana e Kiribati.  A média global é de 29,8% do PIB.

Ou seja, não foi a China.

Houve um ajuste, mas ele também não explica tudo

Tão logo o governo Lula assumiu o poder em janeiro de 2003, houve um ortodoxo e surpreendente ajuste da economia para corrigir todos os desequilíbrios causados por sua eleição em 2002.  

Vale lembrar que a eleição de Lula e do PT — um partido que até então pregava abertamente o rompimento de "tudo que aí está", que defendia abertamente a adoção de uma economia socialista, o rompimento de contratos, a estatização dos meios de produção, a reforma agrária na marra, o calote das dívidas interna e externa, o poder ilimitado dos sindicatos, as greves etc. — gerou um clima de total incerteza entre empresários e investidores estrangeiros, de modo que o resultado não poderia deixar de ser outro: a economia vivenciou uma crise gravíssima no final de 2002.

Houve fuga de capitais, o câmbio disparou e o dólar foi a quase R$ 4.  Consequentemente, o IPCA, por causa da disparada do câmbio, fechou o ano em 12,5%.

Ninguém tinha confiança em nada, pois o futuro governo não apenas era uma incógnita, como também iria assumir em meio a uma situação econômica muito delicada.

Mas então o governo Lula surpreendeu a maior parte do mercado e nomeou uma equipe econômica tida como ortodoxa e conservadora, liderada por um banqueiro de carreira internacional consagrada, Henrique Meirelles, e por um médico que era visto como um entusiasta da ortodoxia econômica, Antonio Palocci.

O resto da equipe econômica era formada exclusivamente por técnicos, sem nenhum quadro do PT ocupando os grandes cargos. Nomes renomados como Joaquim Levy (sim, o próprio), Marcos Lisboa e Murilo Portugal foram pra Fazenda, ao passo que Alexandre Schwartsman, Ilan Goldfajn e o durão Afonso Beviláqua (que era o terror dos heterodoxos, pois queria um IPCA próximo de 3%) foram para o Banco Central.

A simples nomeação dessa equipe econômica gerou uma surpresa positiva.

E quando essa equipe econômica sinalizou claramente que a política econômica adotada seria baseada no cumprimento de contratos, na liberdade de preços, em uma política fiscal austera, na elevação do superávit primário para 4,25% do PIB (hoje é necessária muita maquiagem contábil pra se chegar a 0,7%), e em uma política monetária dura e restritiva, que seria garantida por um Banco Central que teria total autonomia operacional, a confiança começou a voltar ao mercado. 

O processo, no entanto, não foi indolor.

Em 2003, essa equipe econômica fez um ajuste brutal.  Para conter a disparada do IPCA, a taxa SELIC foi elevada pra 26,50%.

O superávit primário foi de 4,3% do PIB (acima da meta já alta de 4,25%). 

Nos primeiros 6 meses de 2003, que foi o período em que a SELIC ficou em seu valor mais alto, o consumo doméstico chegou a cair 11% .  E o desemprego foi para 13%. 

Isso, sim, foi austeridade para espanhol, grego, português, irlandês nenhum botar defeito.

Mas esse ajuste foi tão forte e tão surpreendente — ninguém esperava isso de um governo de esquerda —, que o mercado reagiu muito positivamente, tanto investidores e especuladores estrangeiros quanto empresários e consumidores.

A partir do momento em que houve um ajuste tão forte, e esse ajuste começou a dar resultado, algumas coisas começaram a acontecer.

Primeiro, a inflação de preços acumulada em 12 meses começou a cair rapidamente, indo de 17% para 5,2% em um ano, sendo este o menor valor desde 1999.  A rápida queda na inflação de preços e o cenário de estabilidade política e econômica geraram a confiança necessária para o retorno dos investimentos e, por conseguinte, do crescimento econômico. 

Aquela equipe econômica entendia que investimentos só ocorrem quando, além de um mínimo de estabilidade política, a inflação de preços é baixa e as contas do governo estão arrumadas, o que gera previsibilidade e confiança.

Afinal, quando um empreendedor faz um investimento voltado para o longo prazo — quando ele decide construir novas instalações ou ampliar as instalações de sua empresa, ou mesmo quando ele pensa em contratar mão-de-obra —, é crucial que ele tenha um mínimo de certeza a respeito do poder de compra da moeda no futuro, que é quando investimento dele estará pronto e ele começará a auferir as receitas dele. 

O mesmo vale para os consumidores.  Ao verem que seu orçamento está apertado, que seu poder de compra está caindo e que não há perspectiva de melhora, eles acabam sendo obrigados a apertar os cintos e a consumir apenas o essencial.

Quanto ao orçamento do governo, se as contas estiverem em descalabro, os investimentos inevitavelmente serão afetados, pois os empresários e investidores sabem que inevitavelmente haverá aumento de impostos e abolição de isenções para equilibrar o orçamento, o que gerará custos adicionais para as empresas e mudará totalmente o cenário no qual elas inicialmente basearam seus planos de investimentos.

Com o ajuste feito em 2003 e a subsequente estabilização da economia, houve um substancial aumento do investimento, do crédito e da quantidade de pessoas empregadas, as quais não apenas expandiram o mercado de consumo interno, como também aumentaram a plataforma produtora de exportação.

Mesmo no agronegócio, a expansão na maior parte do período 2003-2011 foi baseada em aumento de volumes, produtividade e área plantada.  Isso também foi fruto da estabilidade, da confiança e do aumento dos investimentos.

Mas apenas esse ajuste ainda não explica o crescimento da década.

O primeiro mistério: o crédito disparou, mas os preços se mantiveram relativamente comportados

O fenômeno mais notável dessa estabilização econômica foi o aumento acentuado do crédito, algo até então inédito na história do real.  O crédito disparou porque o nível de confiança aumentou, fazendo com que consumidores passassem a consumir mais e empresários voltassem a investir mais.

Eis o gráfico da expansão do crédito, que começa em 1994, logo na criação do real, e vai até o final de 2011.

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Gráfico 1: expansão do crédito no até o final de 2011

Observe que é justamente em 2004 que a expansão adquire um crescimento exponencial

Vale ressaltar, como já inúmeras vezes explicado por este site, que esse gráfico mostra a quantidade de dinheiro que os bancos (privados e públicos) estão jogando na economia.

No nosso atual sistema monetário e bancário, o processo de expansão do crédito gera um aumento da quantidade de dinheiro na economia.  Quando uma pessoa ou empresa pega empréstimo, os bancos criam dinheiro do nada — na verdade, meros dígitos eletrônicos — e simplesmente acrescentam esses dígitos na conta do tomador do empréstimo.  

Ou seja, todo esse processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.  Explicar o funcionamento do sistema bancário está fora do escopo desse artigo (você pode entender todos os detalhes do sistema bancário neste artigo), de modo que basta dizer que os bancos, quando emprestam dinheiro, criam dígitos eletrônicos do nada, e esses dígitos eletrônicos representam dinheiro. 

Esse processo de expansão do crédito afeta os principais números da economia, como PIB, emprego, renda e inflação de preços.  Um aumento da quantidade de dinheiro na economia, gerado pela criação de crédito bancário, faz com que, no primeiro momento, enquanto os preços ainda não foram afetados, aumente o consumo, aumente a demanda por mão-de-obra em todos os setores da economia, aumente o emprego (na indústria, na construção civil, nos setores de serviço, varejista e comércio em geral), aumentem os salários, aumente a renda nominal, e aumente os investimentos.

Mas todo esse processo contínuo só dura enquanto os preços — tanto dos bens e serviços quanto dos salários — se mantiverem relativamente comportados.  Caso eles comecem a subir forte, e as injeções de crédito continuem, haverá um aumento ainda mais forte dos preços e dos salários, podendo levar a um grande descontrole inflacionário.

Normalmente, antes de se chegar a esse ponto, o Banco Central — que trabalha com metas de inflação — atua para conter a escalada dos preços.  E ele faz isso subindo os juros para desacelerar essa expansão do crédito e, tão importante quanto, para alterar as expectativas inflacionárias das pessoas, fazendo com que os formadores de preço — dentistas, encanadores, advogados, mecânicos, indústrias e comércio — incorporem essa expectativa de que a inflação será controlada e, consequentemente, parem de reajustar seus preços baseando-se nessas expectativas.

Mas o que realmente chama a atenção no período 2004-2011 é que o crédito disparou, a taxa básica de juros (SELIC) controlada pelo Banco Central desabou (de um máximo de 26,50% para um mínimo de 8,75%), e os preços se mantiveram relativamente comportados, com o IPCA acumulado em 12 meses chegando a bater em 2,97% no início de 2007, mesmo com a exponencial expansão do crédito mostrada no gráfico acima.

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Gráfico 2: evolução do IPCA acumulado em 12 meses, de 2003 a 2010

Foi a primeira vez na história do real que isso aconteceu — crédito se expandindo exponencialmente e preços se desacelerando também fortemente. 

Aliás, foi a primeira vez desde 1914 que isso aconteceu.

Embora seja verdade que a estabilidade da economia à época — para ficar numa expressão muito cara aos economistas ortodoxos — tenha ajudado o Banco Central a "ancorar as expectativas inflacionárias dos agentes econômicos", apenas isso não explica esse descompasso entre, de um lado, expansão exponencial do crédito, salários crescentes e produtividade baixa e, de outro, inflação de preços decrescentes.

Qual o elemento que fecha essa equação aparentemente desequilibrada?

A guerra no Iraque

Foi em março de 2003 que o governo americano iniciou a invasão do Iraque para derrubar Saddam Hussein.  Uma incursão militar que aparentemente seria rápida — a última operação militar americana realizada no Iraque, a Tempestade no Deserto, iniciada em janeiro de 1991, durou menos de 2 meses — acabou se estendendo por quase uma década e custando, tanto financeiramente quanto humanamente, muito mais do que o inicialmente estimado.

E daí?

E daí que, se há algo que a história comprova, é que guerras são péssimas para a moeda dos países envolvidos.  Guerras geram enormes custos militares e extra-orçamentários, os quais são cobertos majoritariamente via endividamento do governo e inflação monetária.  O próprio Império Romano teve sua derradeira queda precipitada pela adulteração de moeda.  Rússia e Ucrânia estão vivenciando isso neste exato momento.

Os EUA também não escapam dessa lei econômica.  Sua moeda pode não se desintegrar por completo, é claro; porém, enquanto durar o conflito e enquanto este for intenso, a moeda sofre.

As consequências sobre o dólar

Até 2002, o dólar vinha de duas décadas de inabalável robustez.  Em 2002, porém, ele começa a perder força, muito provavelmente por causa do início do confronto no Afeganistão (causado, por sua vez, pelos atentados de 11 de setembro).  A partir de 2003, com a invasão do Iraque, o dólar entra em queda livre perante todas as outras moedas do mundo. 

O gráfico abaixo — que mostra a evolução do dólar em relação a uma cesta formada pelas principais moedas mundiais — mostra o que aconteceu.

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Gráfico 3: evolução do valor do dólar perante uma cesta contendo as principais moedas do mundo

Repare que é justamente no período 2003-2011 que o dólar segue em contínuo declínio, chegando à sua mínima em meados de 2011, recuperando-se a partir de 2012, e fortemente a partir de meados de 2014.

A evolução do preço do ouro em relação ao dólar conta a mesma história.  Foi em 2003 que a coisa começou a degringolar.  O gráfico a seguir mostra a evolução do preço de uma onça (31,1 gramas) de ouro em dólares:

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Gráfico 4: preço, em dólares, de uma onça de ouro

Nesse mesmo período, 2003 a 2011, o dólar se desvalorizou acentuadamente em relação a todas as moedas do mundo.

Veja nesses links a desvalorização do dólar em relação ao franco suíço, à libra esterlina (vale ressaltar que o Reino Unido também entrou na guerra no Iraque), ao euro, ao dólar canadense, ao dólar australiano, ao peso chileno, ao peso colombiano, ao sol peruano.

E veja aqui a desvalorização do dólar em relação ao real.

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Gráfico 5: evolução da taxa de câmbio real/dólar

Agora compare a evolução do câmbio acima com a evolução do IPCA abaixo, no mesmo período.

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Gráfico 6: IPCA acumulado em 12 meses, de 2000 a 2015

Nota-se que, de 2003 até 2010, a contínua valorização do real em relação ao dólar — ou, dito de outra forma, a contínua desvalorização do dólar perante o real — ajudou, e muito, a conter a pressão nos preços exercida pela expansão do crédito, pelo aumento da renda e pela baixa produtividade.

Ou seja, de um lado, o crédito se expandia e isso fazia com que a renda, o emprego e o consumo crescessem; de outro, como o preço do dólar caía continuamente, isso fazia com que todos os produtos importados, bem como todos os produtos nacionais cuja produção utilizasse insumos com componentes importados, não subissem de preço.

E esse impacto do dólar é muito maior do que muitos imaginam.  Os preços dos remédios (85% da química fina é importada), do pão (o trigo é uma commodity precificada em dólar e é majoritariamente importada), das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é petróleo), de todos os importados básicos (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários) e até mesmos os preços dos aluguéis e das tarifas de energia elétrica (ambos são reajustados pelo IGP-M, índice esse que mensura commodities e matérias-primas, ambas sensíveis ao dólar) são afetados pelo dólar.

Também os preços dos alimentos, especialmente as carnes bovina e suína, sofrem impacto direto do dólar.  O farelo de soja, por exemplo, é utilizado como ração para bovinos e suínos, e a soja é uma commodity cotada em dólar.  Se o dólar fica mais barato, os custos dos pecuaristas para alimentar seus animais ficam mais contidos, o que diminuiu a pressão por repasses de preços.

Ou seja, se o dólar fica continuamente mais barato, não há pressão altista sobre todos esses itens supracitados.  Consequentemente, a expansão do crédito pode durar mais tempo sem gerar carestia generalizada.  A renda real das pessoas cresce em decorrência do fato de a expansão do crédito estar gerando um aumento da renda nominal sem um proporcional aumento dos preços.

Nesse cenário, apenas o setor de serviços — que não sofre concorrência externa e que sofrerá um forte aumento de demanda justamente por causa da elevação da renda real das pessoas — tem mais liberdade para aumentar preços.  E foi exatamente isso o que aconteceu.

O dólar em contínuo enfraquecimento ajudou enormemente a economia brasileira — e também o governo

Podemos especular sobre as reais causas do enfraquecimento do dólar. 

Teria sido apenas a guerra no Iraque? 

Teria sido a guerra no Iraque em conjunto com a forte expansão do crédito ocorrida nos EUA nesse mesmo período, a qual aditivou a bolha imobiliária no país

Teria a bolha imobiliária sido causada justamente pela desvalorização do dólar em decorrência da guerra no Iraque?  Isso é bem possível.  Como explicou Mises, uma desvalorização da moeda tende a gerar uma corrida para ativos reais, que e isso pode ter levado à bolha imobiliária americana.  As pessoas pegavam empréstimos, compravam imóveis e revendiam a preços ainda maiores.  Há quem sustente essa tese de que a bolha imobiliária americana nada mais foi do que uma inevitável reação das pessoas à desvalorização do dólar causada pela guerra no Iraque.

O fato inconteste, no entanto, é que, quaisquer que tenham sido suas causas, a desvalorização do dólar está por trás de todo o boom econômico vivenciado não só pelo Brasil, mas por toda a América Latina na década de 2000.

Em períodos normais — isto é, quando o dólar está forte e estável —, expansões do crédito nos países periféricos tendem a rapidamente gerar carestia, pois tais expansões, além de aumentarem a quantidade de dinheiro na economia, também geram desvalorizações na taxa de câmbio, o que rapidamente obriga os bancos centrais a subirem os juros e abortarem essa expansão do crédito.

Porém, se uma expansão do crédito for acompanhada de uma apreciação da taxa de câmbio — isto é, de uma desvalorização do dólar —, a carestia fica bem mais contida, permitindo assim que a expansão do crédito dure mais tempo e eleve continuamente a renda, o emprego e o consumo, e sem gerar grandes pressões nos preços.

Esse, aliás, é o melhor dos cenários: renda, emprego e consumo aumentam continuamente, mas os preços ficam contidos, o que permite que tal ciclo dure muito mais tempo do que duraria em "épocas normais".

Mais ainda: com uma contínua expansão do crédito, as receitas do governo também aumentam.  Como há mais dinheiro sendo criado, e os preços estão bem comportados por causa do dólar, as pessoas consomem mais, os empresários investem mais e empregam mais, e a renda de todos aumenta.  Consequentemente, o governo arrecada mais impostos (tanto sobre a renda quanto os indiretos) e pode se dar ao luxo de aumentar seus gastos, inclusive o salário do funcionalismo público.

Lula surfou, e muito, nesse cenário. 

Um rápido comentário sobre o boom das commodities

Quem também se deu muito bem com a desvalorização do dólar foram as mineradoras.

Há muita confusão a respeito do boom das commodities ocorrido na década passada.  Sim, a China influenciou bastante, mas o papel do dólar foi decisivo. O boom das commodities está intimamente ligado ao dólar fraco.  

Todas as commodities (de minério de ferro a petróleo) são precificadas em dólar.  Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa.  Sempre.

O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar.  E o atual "arrefecimento" das commodities também está ligado ao fortalecimento do dólar.  O gráfico do dólar em relação ao ouro, mostrado acima, ilustra perfeitamente esse fenômeno.

E como as receitas e as dívidas das mineradoras são cotadas em dólar, elas sofrem diretamente esse ciclo econômico gerado pela flutuação do valor do dólar: o enfraquecimento do dólar gera um aumento nos preços do minério, e isso leva as mineradoras a expandirem seus investimentos.  Tão logo o dólar se fortalece, as commodities caem de preço e todos esses investimentos expansivos se revelam errôneos.  E então cortes de custos — demissões — são feitos.

A Vale está passando por isso.  As petrolíferas americanas também.

O melancólico fim

Tudo o que se baseia em fundamentos flácidos irá eventualmente desabar.  No caso brasileiro, tão logo o dólar começou a se fortalecer em 2012 (vide gráficos 3 e 4), todo o arranjo se esfacelou.

Aquela aparentemente mágica capacidade do governo Lula de fazer com que renda e emprego aumentassem contínua e duradouramente sem gerar carestia foi desmascarada.  Tal cenário não mais existe.  E nada indica que ele voltará tão cedo.

Por si só, um aumento do dólar já seria o suficiente para desarranjar toda a economia.  Porém, os efeitos desse aumento do dólar foram intensificados pelas políticas implantadas pela pavorosa "Nova Matriz Econômica", a qual surgiu ainda no final de 2008, mas que foi acentuada no governo Dilma Rousseff.

Sem a Nova Matriz Econômica, a grande expansão do crédito teria gerado "apenas" endividamento das pessoas (por causa do crédito farto e barato) e investimentos errados (os quais se revelariam sobredimensionados tão logo a carestia se manifestasse, a renda real estagnasse e ficasse comprovado que não havia demanda para tais investimentos).

Com a Nova Matriz Econômica, porém, os desarranjos foram amplificados.  Além do endividamento recorde e dos investimentos errôneos das indústrias, tivemos também disparada nos preços da gasolina e da energia elétrica, grande queda na renda real das pessoas, pedaladas fiscais e desarranjo nas contas do governo, perda do grau de investimento, e uma disparada ainda mais intensa do dólar, o que está causando uma carestia generalizada. (Veja tudo isso, em detalhes, aqui).

Os contínuos aumentos dos gastos do governo durante a era Lula — os quais foram possibilitados justamente pela expansão do crédito e do dólar fraco — e que foram amplificados pelas pedaladas fiscais do governo Dilma, estão agora cobrando seu preço. Com as subidas dos juros efetuadas pelo Banco Central, a expansão do crédito desacelerou, levando consigo a renda, o emprego e os salários.  Consequentemente, a arrecadação do governo também caiu

Dilma partiu do princípio de que poderia continuar aumentando os gastos no mesmo ritmo de Lula.  Mas as receitas do governo secaram.  Agora, ela convocou toda a população para pagar a conta de suas pedaladas fiscais e da esbórnia fiscal herdada do governo Lula.

Em simultâneo a tudo isso, há um grande caos no cenário político: Dilma está ameaçada de impeachment por ter se elegido com o dinheiro desviado da Petrobras (segundo os delatores Ricardo Pessoa, Fernando Baiano, Pedro Barusco e Alberto Youssef) e também por ter feito as já famosas pedaladas fiscais no primeiro mandato, o que configuraria crime de responsabilidade fiscal.

E, por se tratar de fatos que envolvem a campanha eleitoral, o então candidato à vice-presidência e atual ocupante do cargo, Michel Temer, também pode ser engolfado pelas denúncias.

Mas não pára por aí: os sucessores diretos da presidente da República — que são o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o do Senado Federal, Renan Calheiros — também estão envolvidos em inquéritos no STF, e podem ser igualmente derrubados.

Ou seja, simplesmente não se sabe quem sobrará inteiro. 

Tudo isso fez o dólar disparar, ironicamente levando o país a viver um cenário exatamente oposto ao da década passada. 

Conclusão

Foi o dólar quem nos entregou uma quimera que durou quase 10 anos, e é ele quem está agora nos trazendo — e sem delicadezas — de volta à realidade.

Nesse atual arranjo de dólar em disparada e de governo totalmente incapaz de cortar seus gastos, a única maneira de o Banco Central entregar uma inflação de preços relativamente tolerável é gerando uma brutal recessão (por meio de juros crescentes) que eleve acentuadamente o desemprego, reduza salários e acabe com a demanda.

Em um cenário de dólar em disparada e de esbórnia fiscal, não há como conter uma carestia sem ser por meio de recessão, desemprego e queda na renda.  Apenas essa conjunção de fatores pode impedir um grande repasse cambial aos preços.

Obviamente, nesse cenário, as empresas e os empreendedores ficam asfixiados.  Eles pagam cada vez mais caro pelas importações, mas não podem repassar esses custos para os preços.  Consequentemente, eles vão se tornando cada vez mais descapitalizados, o que afeta sua capacidade de investimento e de contratação de mão-de-obra.

Desnecessário dizer que tal cenário também não ajuda em nada quem está endividado e desempregado. 

No final, toda a economia foi destruída pelo governo.  É o preço do descalabro, o qual foi possibilitado por uma conjuntura externa atípica e que foi erroneamente interpretada à época.  Confundiu-se moeda estrangeira fraca com prosperidade nacional eterna, e concluiu-se que os bons resultados obtidos dispensavam o governo de obedecer às irrevogáveis leis da economia.  Gastos foram elevados e nenhuma reforma estrutural foi feita.

O mesmo é válido para a América Latina.  Não fosse o dólar, não teria como tais países apresentarem bons números apenas na base do populismo.

Tal cenário de bonança pode se repetir?  Poder, pode.  Caso o próximo presidente dos EUA seja um belicista que enfie o país em novas aventuras militares, ou seja um trapalhão econômico que invente novas heterodoxias, é bem possível.  Mas é bom não contar com isso.

Impeachment ajuda?  Ajuda muito.  Mas se chegamos ao ponto em que a única solução viável é o impeachment, então o estrago foi profundo e não será corrigido com uma simples mudança no líder do executivo.

Quanto a Lula, embora tenha o mérito de ter montado uma boa equipe econômica no seu primeiro mandato, ele deve boa parte de sua popularidade à dupla Bush-Hussein.

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Leia também:

O trágico legado da "Nova Matriz Econômica" - um resumo cronológico (com dados atualizados)

O desastre da economia brasileira e o gigantesco buraco fiscal do governo


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


O IR se encontra todo desonesto. Em principio não se exclui uma só pessoa que não teria direito de buscar todo o seu imposto ou parte dele contra a Receita. Só possui forma e aspecto de honesto. Em primeiro lugar a declaração desenvolvida não abrange situações individuais. Estaria ferindo o principio da individualização do tributo ou capacidade tributária. Mais do menos, não combina os ítens da cesta básica, nem as garantias da saúde, dando um tiro ao vento, alvejando quem possa. Em faixas menores desatende ao principio constitucional do piso mínimo legal.É valentemente ou leão contra a distribuição de renda, pois fixa e presume gastos com educação de parcela dedutiva não real. Só exemplo e o mesmo vale para vários itens. Covarde, o IR financia trapaças dos economicamente mais fortes, vertendo isenções de todo gênero, fazendo gracinhas a título de incremento ao desenvolvimento. Atua como bancos, pegando o dinheiro dos desfavorecidos, e atua como os salários de países pobres, não havendo igualdade de direitos e proporcionalidade nas bocadas. As declarações obrigatórias anualmente são falaciosas e preguiçosas invertendo o ônus da prova, o que contraria o principio da dignidade humana. Se torna medida de Príncipe, não permitida pela Constituição Federal, existente somente em casos de graves prejuízos à ordem econômica e social, o que seria só permitido com o respaldo do congresso. Para quebrar um pouco essa fuga dos objetivos éticos de Estado, até se poderia cogitar da sua apresentação de cinco em cinco anos. É feito guerra,e possui até armísticio pois dispo e de uma série de princípios que permite o ladrão sair pela porta da frente, via atitudes de prescrições e decadência. Só governos e juristas sabem engendrar um galope desses.
Sim, é o poder de compra. E apenas o poder de compra.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2402

Fluxos cambiais atípicos afetam o câmbio no curtíssimo prazo, coisa de um dia. No longo prazo, o que determina o câmbio é pura e simplesmente o poder de compra.

Prova empírica disso é que, em 2015, o fluxo cambial para o Brasil foi positivo, mas o dólar subiu de 2,30 para 4,20.

br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN0UK1WC20160106
"Leila 10/11/2016 14:38
Cobrança de impostos realmente atrapalha a economia.
"

Prove! Prove com raciocínios lógicos e não com argumentos emotivos. A linha de raciocínio de Hope em
The Economics of Taxation é que o imposto atrapalha a formação de longas cadeias de produção, partindo do pressuposto que o produtor arca com o custo do imposto. Eu aceito esse argumento, mas há uma ligação direta em aceitar esse argumento e aceitar a existência da mais-valia. Quando você lê o artigo de Hope, e por alguns instantes pensa na mais-valia, verá que tem uma grande semelhança com os argumentos de Karl Marx. Ora, se existe a mais-valia, uma sociedade sem imposto não estará livre da coerção econômica. Logo, o imposto se justifica por si.
Essa é pra você, Dementador:

Em 2015, a Seguridade Social recebeu R$ 2,5 bilhões em repasses das loterias da Caixa para garantir benefícios previdenciários.

www.loterias.caixa.gov.br/wps/portal/loterias/landing/repasses-sociais/

Como disseram os outros acima -- para desespero seu -- toda a conta do Seguridade Social só fecha por meio do desvio de rubricas.

Eu sabia que a Previdência era deficitária, mas eu jurava que a Seguridade Social era superavitária. Nem isso.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Pedro  21/09/2015 11:18
    Isso porque ainda não fomos rebaixados pela Fitch/Moody's. Quando isso ocorrer, e vai ocorrer a qualquer momento, aí esperem por dólar passando de R$5,00 fácil.
  • Paulo  21/09/2015 11:19
    Que bom começar uma segunda feira com um artigo tão bem escrito! obrigado Leandro!
  • Pedro Ivo  21/09/2015 20:11
    Mais um capítulo para aquele livro de economia brasileira que a gente te encomenda a 7 anos, hein Leandro?
  • Pedro Ivo  21/03/2016 19:41
    As atualizações nos dados econômicos e políticos valeram a releitura. Grato e congratulações Leandro.
  • Rafael  07/04/2016 17:09
    Achei o artigo muito interessante. Tenho apenas uma observação e uma pergunta:

    pergunta: Como separar ou quantificar esse efeito da guerra desvalorizando o dólar do boom de commodities? Sei que o Leandro usou a a parcela baixa de exportações para colocar o efeito da guerra acima do boom nos termos de troca brasileiros e crescimento "artificial" da China. Mas no mercado financeiro é muito difícil usar apenas esse argumento para convencer os neoclássicos que atribuem quase tudo a China e choque de expectativa (parece que eles adoram usar a expectativa para tudo que não conseguem explicar racionalmente/matematicamente). Minha impressão é que ambos os efeitos foram relevantes, mas não saberia quantifica-los e com isso não consigo convencer alguém que considera esse efeito da Guerra no Iraque irrelevante (muitos economistas respeitados se enquadram nisso). Ai me sobra como analista de ações ficar ouvindo calado as afirmações "neoclássicas" que tanto me incomodam.



    observação: Uma pena que a maioria dos comentários abaixo fique se perdendo no discurso de mais ou menos governo, que claramente não nos leva muito adiante, a posição da escola austríaca é clara e aparentemente quase tão extrema quanto a visão comunista. Temos que ficar atentos ao estrago que um governo pode fazer na economia, mas temos que ter em mente que o "anarco-capitalismo" é uma utopia tão questionável como o comunismo ideal, eu critico os dois, acredito que existem bons estudos (Hyman Minsky por exemplo) que mostra a instabilidade inerente do mercado livre (se bem que mercado livre sem reservas fracionárias ai não vi muita coisa, mas abolir as reservas me parece algo muito distante e disruptivo para alguém saber qual seria o resultado). Agradeço muito ao Leandro e a escola austríaca por apresentar alternativas, mas acho que poderíamos aprender bem mais discutindo dados e argumentos do que crenças. Queria ter visto pessoas com argumentos para questionar, colaborar ou discordar do artigo, mas com tanto comentário sobre funcionalismo na página, não tenho tempo de procurar algum comentário que de fato agregue valor à leitura do artigo. seria mais produtivo para todos os leitores se os comentários fossem mais focados em dúvidas, criticas e adendos.
  • Leandro  07/04/2016 17:37
    Essa é fácil.

    Em primeiro lugar, se tudo depende da China e nada depende do dólar, então estamos nos deparando com o primeiro caso econômico da história em que a saúde da moeda utilizada para precificar um bem em nada afeta o valor nominal desse bem.

    No mais, como foi possível a tonelada do minério ter desabado de US$ 191 para US$ 37 (queda de 80%)?

    Por acaso a demanda da China por minério encolheu 80%? Ou não teria sido justamente a recente disparada do dólar (fortalecimento da moeda) a causa principal dessa queda no preço?

    E vou adianta, agora para o argumento empírico mais forte: por que o principal índice de commodity (o CRB) varia estritamente de acordo com a força do dólar?

    Pode conferir neste gráfico.

    Veja que, no final da década de 1970, com o dólar mundialmente fraco e todo o mundo em recessão, o índice CRB dispara.

    Nas décadas de 1980 e 1990, com o dólar mundialmente forte (e a China em disparada!), o índice CRB se mantém estável.

    A partir da década de 2000, com o dólar fraco (e sem nenhuma alteração no ritmo do crescimento chinês), o CRB volta a disparar.

    E, desde 2012, com o dólar se fortalecendo, o CRB volta a cair.

    Quem utiliza a China como explicação para tudo tem de explicar por que a China não fez diferença nas décadas de 1980 e 1990, quando seu crescimento era ainda maior. Sem uma teoria crível e sólida (que nunca foi apresentada), o fator China deve ser visto como totalmente é secundário. Influi no preço, sim, mas em muito menor escala que a força do dólar.

    Esse, aliás, é um fenômeno tão básico da economia, que me espanta que ele seja controverso. Sabidamente, a saúde de uma moeda afeta os preços de todos os bens. Moeda em enfraquecimento gera preços em alta. Porém, para os defensores do "fator China", aparentemente as leis econômicas se tornam nulas quando o assunto é commodities, de modo que a saúde da moeda utilizada para precificar essas commodities em nada influencia o preço delas. Faz sentido?

    Por essa lógica, se o minério fosse cotado em cruzeiros (dos anos 1990-1993), o preço estaria hoje desabando?

    Querem olhar o preço de um produto, mas querem ignorar qual moeda está sendo utilizada para precificar esse produto. Nenhuma dona de casa cometeria esse erro.
  • Rafael  08/04/2016 20:20
    Leandro, mais uma vez muito obrigado. Até o momento a única explicação que eu encontro para a certeza obtusa dos neoclássicos com suas premissas surreais é o Lobby de banqueiros, só pode.

    Obrigado por dar mais embasamento e dados para fazer o contra-ponto. Mesmo sendo apenas um analista de equities formado em ciências moleculares, sinto que já nem vale mais a pena discutir com os religiosos neoclássicos, temos que dar tempo ao tempo e torcer para que essa teoria nefasta desapareça do planeta. O contra-ponto entre escola austríaca, MMT e pós-keynesianos me parece muito mais rico para a análise do mundo real. Ainda não vi muito dos "econo-físicos".

    Estou lendo o livro "Debunking Economics" do Steve Keen, recomendo a todos aqui que buscam visões alternativas para nos ajudar a entender esse complexo sistema biológico que é a economia.

    Abs e parabéns pelo trabalho, tenho aprendido bastante com seus artigos.
  • Leandro  08/04/2016 20:30
    Steve Keen é muito bom para criticar a teoria neoclássica. Mas como ele não domina o conceito de teoria do capital, ele não tem a mínima ideia de como proceder em recessões.

    Para ele, recessões são causadas por um excesso de endividamento, o que derruba a demanda agregada. Sendo assim, para sair de recessões (e dado que os bancos não estão emprestando para empresas e consumidores), os governos devem incorrer em déficits orçamentários (pois eles criariam a inflação monetária necessária para manter os gastos das pessoas).

    Simultaneamente, ele também defende uma desvalorização da moeda para estimular as exportações.

    Alguém tem de avisá-lo que essa receita dele (déficits orçamentários e desvalorização da moeda) foi implantada ao pé da letra no Brasil, e o resultado foi um pouquinho diferente daquilo que prevê o modelo dele...

    Eu gostaria muito de entender a lógica por trás dessa ideia de que destruir o poder de compra da moeda e aumentar o endividamento do governo são medidas saudáveis para a economia...

    Obrigado por suas palavras e grande abraço!
  • Gabriel Medeiros  14/05/2016 01:52
    Leandro, então essa queda do preço das commodities não tem a ver com oferta e demanda?
    Eu li o artigo do Fernando Ulrich e lá ele diz que o preço das commodities aumentou por conta da larga expansão do crédito pelos banco centrais e isso levou a uma bolha e, naturalmente, a maus investimentos. Por fim a bolha estourou e o excesso de oferta fez o preço cair. Sua tese do dólar forte se complementa com a dele ou não? Abraço.
  • Leandro  15/05/2016 16:25
    "o preço das commodities aumentou por conta da larga expansão do crédito pelos banco centrais e isso levou a uma bolha e, naturalmente, a maus investimentos."

    Correto.

    E vale ressaltar que, em última instância, é o Fed quem governa a expansão do crédito em todos os países do resto do mundo. Se o Fed expande e o dólar se desvaloriza, os outros países do mundo -- que são mercantilistas -- têm de expandir conjuntamente, caso contrário suas respectivas moedas se apreciam em relação ao dólar e, consequentemente, o setor exportador irá reclamar.

    Se, ao contrário, o Fed restringe e o dólar se valoriza, os outros bancos centrais ao redor do mundo também terão de restringir, caso contrário suas moedas irão se desvalorizar fortemente, gerando carestia.

    "Por fim a bolha estourou e o excesso de oferta fez o preço cair. Sua tese do dólar forte se complementa com a dele ou não?"

    Totalmente.

    O "estouro da bolha" nada mais foi do que o processo de restrição do crédito, o qual apreciou o dólar e, consequentemente, levou os outros bancos centrais a também adotarem medidas para conter a desvalorização de suas moedas perante o dólar.

    Commodities, como o minério de ferro, são globalmente precificadas em dólar. Se o dólar se fortalece, o preço do minério cai. Se o dólar enfraquece, o preço do minério sobe.

    Quando o dólar estava se enfraquecendo continuamente (período 2004-2011), o preço do minério estava subindo continuamente. Esta subida contínua do preço do minério induziu as mineradoras a fazerem vários investimentos voltados para expandir sua capacidade de produção, pois elas acreditaram -- enganadas pela fraqueza do dólar -- que havia uma demanda contínua e infinita por minério.

    Porém, tão logo o dólar voltou a se fortalecer, o preço do minério desabou, e todo aquele investimento na capacidade de produção acabou se revelando errôneo. Tais investimentos levaram a um aumento da oferta em um momento em que os preços do minério já estavam desabando.

    Consequência: as mineradoras estão tendo de cortar custos, demitir e rever vários de seus projetos expansivos.

    O mesmo dólar que, quando se enfraqueceu, foi o responsável pelo boom vivenciado pelo setor, é hoje o responsável por sua depressão, pois se fortaleceu.

  • Thiago Teixeira  21/09/2015 11:27
    Comentário off-toppic:
    veja.abril.com.br/noticia/economia/concurseiros-trabalham-com-plano-b-para-2016
    kkkkkkkk...
  • cmr  21/09/2015 17:14
    Pois é, como tem gente querendo "mamar" no estado, depois reclamam da alta carga tributária, do baixo retorno dos impostos, do país que não passa de um fornecedor de matéria prima para o mundo, etc...

    Não tem como ser diferente, no Brasil os melhores cientistas estão preocupados em passar em concurso público tipo receita federal, os melhores engenheiros sonham em "mamar" na PTbrás, etc...

    Eu vejo os brasileiros, no geral, como um povo infantil, criança pirracenta que vive agarrado no papai estado, chama o papai para tudo, para regulamentar a sua profissão, para criar leis desnecessárias, para lhes conceder "almoço grátis", para lhe dar cota, etc...

    Se o nosso povo fosse gente grande de verdade, teríamos uma desobediência civil massiva.
  • Felipe  21/09/2015 20:18
    Somente uma pergunta: Você prefere servidores capazes ocupando cargos públicos ou os velhos e bons "mamadores" de plantão?
  • Andre Cavalcante  21/09/2015 20:26
    E qual é mesmos a diferença?
  • Thiago Teixeira  21/09/2015 20:46
    Tem o princípio de Rothbard que diz que quanto mais eficiente for um funcionario publico, mais perigoso ele é.

    Ah, quem abriu o link deve ter visto, muito concurseiro zangadinho... Brincadeira...
  • Felipe  22/09/2015 01:06
    Eficiência e Probidade são qualidades completamente diferentes meu caro!
  • cmr  21/09/2015 21:11
    Servidores capazes ?????

    Quando um cientista, engenheiro, médico, professor, ou coisa que o valha, desde que seja uma pessoa da mais alta competência, entra para o estado, o país fica mais pobre.

    Pessoas da mais alta competência, em qualquer ramo do conhecimento humano, são bens extremamente escassos. A admissão destes na máquina estatal é a sentença de morte para qualquer sociedade, nação, país, etc...
  • Felipe  22/09/2015 01:03
    Creio que você não respondeu a pergunta!
  • Fabio  23/03/2016 20:17
    nenhum dos dois...
  • Dissidente Brasileiro  21/09/2015 22:45
    Eu vejo o brazilêro em geral como um povo corrupto, mesquinho, covarde, estúpido, depravado e assassino. Um povo que nunca reage e é conivente com tudo que não presta. Mas talvez eu esteja exagerando, vendo as coisas com maus olhos. Vamos dar tempo ao tempo, pois o mundo dá voltas...

    Certamente veremos depois de A Fazenda, BBB e o Carnaval como a vingança será maligna, e eu vou "quebrar a cara" em relação à tudo que disse aqui. Não ficará pedra sobre pedra deste estado de coisas depois da fúria desembestada dos tupiniquins revoltados e feitos de bobos desde sempre pelo estado brazilêro. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
  • Pedro  22/09/2015 03:06
    Nao estou querendo defender ninguém, mas só colocando algumas informações a mais...
    Mas não dá para julgar os engenheiros e "cientistas" que procuram cargos públicos, visto que o mercado remunera muito mal estes. A grande maioria das empresas contrata engenheiros como "analistas" e pagam-lhe bem menos do que seria o piso da categoria. Ou seja, tu ficou 5 anos no mínimo (quase ninguém termina em 5 anos kkk) estudando que nem um condenado, numa faculdade que é 5 vezes mais difícil de que qualquer outra (tirando medicina, porque eu vejo aquela turma o tempo todo no hospital) para ganhar 2 ou 3 mil reais... Trabalhar 45 horas por semana, entupido de projetos, com uma baita responsabilidade no lombo.
    Se lembra daquela história que saía na mídia anos atrás, que dizia que faltava engenheiros no mercado? Muita gente no meio acha que é balela, que foi mais para fazer todo mundo querer entrar na engenharia e aí encher o mercado de engenheiros novos, aumentar a oferta e assim poder diminuir salários. Bom, agora com a crise nem se fala, a indústria está destruída. Eu sou recém formado em engenharia e estou há mais de 6 meses atrás de emprego e nada. Muitaa gente na mesma situação. Mas claro, agora é a crise, são outros 500.
    Outra coisa que eu sempre disse, nossa indústria é muito atrasada! É protegida. Não contrata engenheiros para fazer pesquisa. Aqui no Brasil em geral só se aperta parafuso, se monta kits do exterior. Tirando Embraer e algumas outras empresas. Parece que muitas querem engenheiros para assinar documentos e ler inglês (exagerando kk).
  • cmr  22/09/2015 13:27
    "A grande maioria das empresas contrata engenheiros como "analistas" e pagam-lhe bem menos do que seria o piso da categoria."

    OOOPS !!!!!!! Conclui-se que você é a favor do CREA, da reserva de mercado, da CLT, e de todas as outras regulamentações estatais.



  • Pedro  22/09/2015 16:30
    "conclui-se que..."

    Não, não se conclui nada. Se você quer fazer deduções malucas de que sou sindicalista, de esquerda ou algo assim, está muito enganado. Sou de direita e concordo com a maioria das idéias desde blog, se quiser saber minha opinião, trabalho na área de informática e não ganho nenhum direito da CLT, ganho por tarefa, nem férias tenho... Me viro do jeito que dá nessa crise. Então cuidado com suas conclusões...

    Mas voltando ao tema principal. Você mesmo falou no post acima que um cientista entrar para a máquina estatal é um desperdício... Pois bem, estou dando algumas razões pelas quais muitos tomam este caminho.

    Um deles é de que a indústria nacional NÃO INVESTE EM PESQUISA, É ATRASADA, EM GERAL. É protegida. Por exemplo, um conhecido visitou uma fábrica de caminhões, não lembro se era da Volvo ou outra, e disse que não tinha engenheiros lá. Ou seja, lá só se aperta parafusos. Logo tem pouco espaço para engenheiro no mercado.

    Outra empresa de engenharia na qual trabalhei, da área aeronáutica, e os engenheiros do setor estavam lá há anos

    Agora, você dizer que todo cientista que entra para o estado é desperdício também... não sei. E os professores de universidades são o que então? Você sabe que a maioria das empresas quando precisa resolver um problema técnico apela para as universidades por soluções? Vão lá falar com os professores. Como se diz então, nem tanto ao céu nem tanto à terra.

    Ah, eu acho que para concluir, são regras do mercado não é? Se alguém te oferece mais para você ir trabalhar por ele, você vai não é? E se esse alguém é o governo? Faz diferença? Se na tua área não tem oportunidades no governo para você sair do seu emprego, azar o seu. Se o governo paga mais que a iniciativa privada, então os que têm a oportunidade vão para lá. A iniciativa privada, a indústria quer manter engenheiros bons em seus quadros? Pois bem, regras do mercado baby, livre concorrência. Pague mais, invista em pesquisa, ofereça mais do que o governo está oferecendo... Não é o que é defendido aqui neste espaço? Acho que você se está se contradizendo. Está julgando quem vai ser funcionário, sendo que estes estão buscando vantagens para si. Mas o sistema funciona nos dois sentidos. Também tem muitos oficiais das FFAA que estão saindo das forças e indo para a iniciativa privada porque vão ganhar mais.
  • Shmuel  22/09/2015 15:38
    Você é engenheiro? Então comece a "engenhar".
    Porque você precisa de um emprego?
    Porque você não inventa algo novo com seus conhecimentos adquiridos com "tanto esforço" (segundo você mesmo).
    Ou você é apenas mais um dos que estão esperando um "salvador"?
    Outra alternativa: vá para o exterior. Na Alemanha, Inglaterra e nos E.U.A. engenheiros "bons", são muito bem remunerados.
    Os "bons", claro.
    Agora, quem frequentou um curso de Engenharia só para ter um diploma e poder "trabalhar na área" tem mais é que aceitar qualquer salário oferecido.
  • cmr  22/09/2015 17:33
    Shmuel; falou e disse, endosso o seu comentário, kkkkk

    O cara se diz libertário, de direita, defensor do mercado, etc... Mas não perderia uma oportunidade de entrar para o estado, e "mamar" o dinheiro dos produtivos que foram legalmente roubados através dos impostos.

    Depois eu é que estou me contradizendo...
  • Pedro  22/09/2015 18:33
    haha, voce só vê preto ou branco mesmo. Eu não sou funcionario publico nem tenho planos de ser. Mas como voce só ve preto ou branco acha que sou. Ataque o comentário e não o comentarista rapaz. Comecei meu comentário dizendo que estou adicionando informações, um modo de ver só. Muitos funcionários públicos estão lá só para mamar sim, mas outros contribuem, não acho que deva-se tachar todos. A PF precisa de peritos, e peritos podem ser engenheiros, ou você acha que não precisa mais de Policia Federal também? Os peritos são todos mamadores. Pode botar qualquer zé lá.

    Meu comentário foi bem explicativo. Se a indústria não paga remunera tão bem os profissionais quanto o governo, (porque, como disse, é atrasada, é protegida, não investe) eles vão migrar para lá.

    Assim como se o Uber é melhor que táxi, as pessoas vão usar o Uber. Estou mostrando uma outra perspectiva, que talvez você não saiba, não sei o que você faz, se conhece o meio ou não. Aí já quer criticar dizendo que todo mundo quer "mamar"... Então se tiver um salário de 8 mil lá para você, você não vai, vai preferir ganhar 2 mil para dizer que é a favor do mercado? haha

    Agora você acha que tudo que é estatal é ruim. Por exemplo, você sabe o que é o DARPA? A NASA? Eu acho que eles contribuiram tanto para o progresso tecnológico que não sei nem por onde começar.

    A minha crítica é para que a indústria brasileira evolua, e estou dizendo o que passa na cabeça das pessoas que cansaram de ganhar pouco e foram trabalhar em alguma estatal porque paga mais. Assim como uns largaram o exército para ganhar mais fora. OU você vai chamar estes de desertores também? Mas se tudo que você tira é dizer que são mamadores, bom... Se os empresários querem segurar engenheiros, então que façam a sua parte.
  • Anarquista  23/09/2015 00:37
    Não fui convidado pra essa conversa, mas como sou entrometido vou deixar minha opinião

    Como anarquista não acho que o estado preste algum serviço eficiente além de 'quebrar as pernas' da possível iniciativa privada, e oferecer um serviço meia boca em troca. Concordo que seja um desperdício que pessoas inteligentes prestem concursos para trabalhar ao leviatã.
    Porém não vejo que o desperdício nesse caso seja da pessoa que resolve prestar o concurso, quem perde é a humanidade como um todo, que perdeu uma mente que poderia estar tentando resolver problemas reais, pois ela está ocupada demais decorando inutilidades específicas para uma prova. Só que ela apenas está reagindo aos incentivos e essa é uma escolha racional(e normalmente vantajosa a nível pessoal), não vejo tanta diferença essa escolha quanto um empresario surfar em empréstimos subsidiados por exemplo.

    Portanto em certo nível concordo com o Pedro, embora tenha convicção que a indústria não remunere tão bem não por ser atrasada e não investir, mas simplesmente por responder a incentivos da mesma forma que o empregado. Se o cenário brasileiro não oferece incentivos para investimentos (segurança jurídica, transparência e simplicidade nos impostos, garantias de propriedade privada), não seria normal é esperar que a industria oferecesse essas coisas.

    O caso do UBER é interessante, o mesmo prosperou justamente por não ser ainda regulado pelo estado, muitos governos de outros países por exemplo já o proíbem. Concorrer com o estado é uma briga desproporcional, pois o mesmo pode em última instância usar a força no momento que lhe for conveniente.
  • Rodrigo  23/09/2015 05:20
    Cmr; partindo desse seu raciocinio eu creio que voce deve pensar que todo mundo que estuda em uma universidade federal é mais um que "mama" na teta do estado e deveria se envergonhar.
    A realidade é essa, agora voce acha que o cara nao vai tentar entrar numa universidade federal, ou entao tentar um concurso para exercer sua profissao em uma Petrobras ou similar porque ele é libertario? Faz favor, as pessoas tem financiamento de casa, carro, familia para sustentar e, por mais que acabe sendo uma perda intelectual para o mercado de trabalho, ser um funcionario publico continua sendo uma profissao digna e completamente legal.

    Eu mesmo me graduei em uma universidade federal e quando fiz mestrado ganhei bolsa da petrobras que, para os desavisados, gera grandes avanços na pesquisa brasileira por meio de seu investimento em desenvolvimento tecnologico nas universidades. Nem por isso tenho vergonha ou me sinto alguem que "mamou" nas tetas do estado.

    Sou engenheiro e concordo em varios pontos com o Pedro. Conheco inumeros engenheiros desempregados ou contratados com outro cargo, como analista. O cargo pra mim é detalhe, pois ele deriva do fato de haver salarios minimos, se o salario minimo do engenheiro fosse o mesmo do analista, com certeza existiriam muito mais pessoas contratadas como engenheiro. O meu antigo chefe mesmo dizia que gostaria de contratar mais pessoas e com cargos de engenheiro, mas que nao era possivel devido as implicacoes de salario e impostos. O problema é que a industria vem apresentando pouca oportunidade e baixos salarios. O motivo dessa oferta deficiente foge ao escopo do nosso debate aqui, mas é muita ingenuidade voce pensar que o cara nao vai aproveitar algum cargo publico ou oportunidade similar para nao "mamar" no estado.

    E voce Shmuel, quantos anos voce tem, 15?
    "Você é engenheiro? Então comece a "engenhar".
    Porque você precisa de um emprego?
    Porque você não inventa algo novo com seus conhecimentos adquiridos com "tanto esforço" (segundo você mesmo)."

    Um salve para o Anarquista. Comentario ponderado e consciente.

    Otimo artigo.

    Obs: Desculpe pelos problemas de acentuacao, estou usando teclado italiano.
  • Shmuel  23/09/2015 12:46
    Senhor Rodrigo,
    Tenho 63 anos. Comecei a "engenhar" informalmente com 15 anos e continuo engenhando até hoje.
    Aqui no Brasil e atualmente, muito pouco, mas já engenhei muito tanto aqui, como no exterior.
    Que perguntar algo mais, senhor Rodrigo?
    Quanto ao seu teclado Italiano... instale Português no seu computador, e aí você terá um teclado bilíngue.
    Mais uma observação: quem presume, é apenas presunçoso.
  • Patrick Wiens  23/09/2015 11:24
    Pedro, o mercado só paga menos por:
    - A economia é fraca, não gira, logo as pessoas são descapitalizadas e os critérios para negócios pesam mais para o lado do preço da balança do que da qualidade; isso reflete nos salários pagos para os funcionários das empresas. Dica: uma causa disso é porque MUITO do nosso capital é drenado para o estado, justamente para pagar aos servidores salários acima do mercado;
    - O funcionário não agregou valor suficiente na sua função para justificar o salário. Você estudou pra caramba, mas não tem experiencia o suficiente para arcar com uma responsabilidade de, por exemplo, tocar uma obra grande que pague o que você almeja.
    As pessoas estudam e acham que isso implica em um direito de ganhar mais. Eu sou engenheiro também, e era revoltadinho por ganhar pouco. Aí abri minha própria empresa e vi que o buraco é muito mais embaixo.
    E respondendo o outro rapaz, eu prefiro que não tenha essa função que o funcionário público esteja fazendo e eu escolha uma empresa que faça e me satisfaça. Se eu não gostar, troco de fornecedor. Agora infelizmente não é possível trocar de governo.
  • Thiago Teixeira   12/10/2015 23:20
    O que o Pedro está dizendo pode-se resumir em apenas uma expressão: Teoria da Escolha Pública.
    Um engenheiro formado que recebe salário mínimo de engenheiro (8,5 sm, né?) no mercado privado e encontra a oportunidade de fazer um concurso para a petrobrás para ganhar mais e ter praticamente estabilidade de funcionario público está apenas reagindo aos incentivos que encontra ao seu redor.

    Sobre as causas do nosso mercado pouco estimulante para os engenheiros, colocaria: a baixa produtividade da nossa indústria (quando a producao é organizada e eficaz, com bom maquinário, o funcionário rende muito para a empresa e consegue receber mais); a alta teibutacao na cadeia de producao; a barreira alfandegária (protecionismo fiscal); nossa moeda bagunçada, tanto pelo estimulo governamental ao consumo (a producao vai se adequando à quantidade de produtos consumidos, e quando essa producao estabiliza ou regride mais dinheiro pode ser direcionado para as oredens superiores da cadeia produtiva) quanto pela instabilidade cambial (um cambio forte facilita a modernizacao do maquinário e a sua manutencao)... Há pontos já citados, como segurança jurídica, estabilidade e força institucional...

    Quanto ao Sr Shmuel, entendo que "engenha" há 50 anos, mas permita-me discordar em alguns pontos. O cidadão "engenhar" sozinho, sem um capital próprio para isso, sem estar ligado a uma universidade nem a jma estrutura de producao me parece um tanto complicaco. Os caras que o fazem contam com minha total admiração; acho massa os que fazem naquele estilo de oficina de garagem como vemos em seriados americanos, e me remetem muito à 2a metade do século XIX americano, minando patentes a todo instante, época áurea...
    Enfim, isso não é para poucos, é para muito poucos.
    Sobre a tentativa de aventurar fora do país, onde as ordens superiores da producao estao bem estabelecidas, há moeda forte, estabilidade institucional, etc..., considero um dica interessantíssima. Faz um toefl e se manda!

    Enfim, voltando ao Pedro, considero vantagem não estar defendendo políticas keynesianas, como vejo muito engenheiro fazendo por aí (burramente, porque pode ver como muitas problemas que apontei sao oriundos do estado).

    PS.: abandonei um curso de engenharia no início para não ficar na mesma situacao do Pedro... Sendo que eu já era médico formado quando iniciei a engenharia; direcionei minha dedicacao integral à minha profissao que já está garantida...
  • Marcos  20/03/2016 20:39
    Infelizmente, muitos libertários confundem teoria liberal com puro ódio em relação aos servidores públicos. Se me perguntam se prefiro funcionários mais eficientes ou não, eu respondo: claro que prefiro policiais, juizes, promotores, médicos e professores mais eficientes. "Ah, mas esses serviços não deveriam estar nas mãos do estado." Acontece que boa parte deles estão nas mãos do estado em todo mundo atualmente. Exigir de uma pessoa que ela se abstenha de trabalhar no que deseja para endossar uma teoria que está bem longe de ser adotada hoje em dia é tão fora da realidade que só posso lamentar o futuro do libertarianismo brasileiro com gente tão pouco pragmática. O indivíduo tem que ganhar a vida no Brasil real de hoje em dia, e não no país das maravilhas.

    O bom é que nem todos são assim, provavelmente a grande maioria. Mas esses libertários "true" que querem fazer com que seus conceitos éticos particulares sejam adotados universalmente fazem um barulho imenso.
  • Mais Mises...  21/03/2016 15:02
    Marcos, entendo a sua angústia. Posso dizer que já partilhei dela. Contudo, uma teoria não deve se dobrar porque a realidade lhe é distante. O que você fez foi emitir uma afetação emotiva barata. Ninguém vai sair por aí abdicando dos seus espaços 'honestamente' conquistados não. É óbvio. Mas nem por isso a teoria da Escola Austríaca e dos demais pensadores libertários deveria ser adaptada, ou dobrada 'só um pouquinho', a fim de permitir meios termos. O famoso gradualismo que tanto falamos por aqui. Como eu disse, teoria é teoria. É o ipsis literis. A prática, se mostrará fruto de experimentações gradualísticas (o que é o mais provável!), aí veremos.
    No mais, eu sou funcionário público e da iniciativa privada e estou totalmente convencido de que: 1) Boa parte dos meus ganhos vêm da retirada coercitiva da produção de outros; 2) Não meu trabalho público, não crio valor para a sociedade, ao passo que no privado, sim; 3) O estado pode até dizer que oferece os serviços, mas sempre será consumindo recursos (riqueza) gerada pelos seres produtivos, dado que sua renda é obtida na forma de cobranças obrigatórias e, em muitas das vezes, por uso da força/aparato estatal de coerção. Abraço.
  • paulo  18/04/2016 19:03
    Concordo com você, meu caro brasileiro...
    Mas isso tem origem do Brasil Colônia, infelizmente, pois, já começamos devendo à Inglaterra para termos a nossa "independência"...
    A África é um exemplo bem claro do que é ser colonizado o tempo inteiro; a grande maioria dos povos africanos foi empobrecida pelos europeus.
    O nosso país é cheio de riquezas, mas é interessante para os países ricos que o Brasil continue sendo uma "colônia", que o povo não ganhe muito, para não ter mais conhecimento e mais cultura, para que a mão-de-obra continue sendo mais barata para as grandes empresas...
  • Charles Nankin  29/04/2016 04:03
    Como estrangeiro sempre fiquei de boca aberta - horrorizado - para esta sistema dos concursados! Só agora vi um beneficio importante - na forma desses tais Moros e Dallagnois :)
    Tambem vejo assim: depois de 10 anos de Orlando e condominios horizontais os caras querem que a fantasia torna realidade aqui ne!

    Sobre os brasileiros achando que o que Vargas prometeu do estado mamae e os "direitos" é o lei de deus: vejo esta caracteristica toda hora - uma intolerancia e impaciencia e falta de ver o big picture. Especialmente na hora de contratar algum serviço. Implica com alguma coisinha do contratado e logo tiram as facas. :)

    Valores e raciocinio. Vai demorar.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  21/09/2015 12:11
    A combinação mágica de câmbio se apreciando (política monetária mais ortodoxa) com aumento exponencial de saldo de balança comercial (China, basicamente).
  • Dean  21/09/2015 12:19

    Ler um artigo de Leandro Roque, é sinônimo de LÓGICA, organização dos FATOS, DADOS, INFORMAÇÕES... um elixir para quem desfruta de racionalidade, análise, entendimento, compreensão etc. Aliás, caraterísticas tão carentes na idiossincrasia brasileira (impulsividade, irracionalidade, emocionalidade, subjetividade, improvisação, seletividade, analfabetismo, ignorância etc).

    Apenas complemento Leandro, agregando que em 2014, o Departamento de Economia da PUC-RIO (Vinícius Carrasco, João M. P. de Mello e Isabela Duarte), desenvolveu uma pesquisa, para avaliar o governo de 2003 a 2012. Uma das tantas conclusões é que nessa década, Brasil quando comparado com "peer countries" (países semelhantes), perdeu a oportunidade ano a ano de crescer em média mínimo 20% acima do PIB (comparado com o que cresceu).

    Conclusão, Lula não apenas foi um demagogo e populista irresponsável, como ademais, quando comparado com "peer countries", Lula foi um incompetente. Ademais de fazer festa a custa dos anos seguintes, Lula tampouco nunca teve visão, nunca foi um estadista, nem interessou-se pelo desenvolvimento do Brasil.

    O único foco do Lula sempre foi o PODER, a qualquer preço e fim. Prova isso o Mensalão, Petrolão etc.
    Seu único projeto de vida, sempre consistiu em seguir as diretrizes do Foro de São Paulo (Antonio Gramsci). O que implicava cooptar o Estado e a Máquina Pública.
    Essa é a raiz do pragmatismo do Lula, e por isso botou uma equipe econômica pró mercado, com bilhões em bolsas esmolas para comprar o empresariado brasileiro (cúmplice do Lula).

    Lula não acertou na equipe econômica nem na matriz. Lula queria escravizar o Poder Judicial e o Legislativo, queria dominar o Estado e a Máquina Pública... e para tal, precisava a elite empresarial anestesiada. Daí repito, essa é a origem da sua equipe econômica e matriz supostamente pró mercado. Foi uma consequência lógica dos seus reais objetivos (poder).

    Quando Dilma assumiu, foi Lula quem mandou sua criatura continuar com a mesma receita dele (poder, cooptação do Estado e Máquina Pública, escravizar Poder Judicial e Legislativo etc). Porém, como muito bem exposto pelo Leandro, o plano Lula só funcionou graças ao cenário externo internacional favorável à maioria das economias emergentes. Dilma então pisou ainda mais no acelerador da receita Lula, e só afundou mais o Brasil.

    Como brilhantemente relatado pelo Leandro, a grande furada do Lula / Dilma, foi acreditar nas próprias ilusões e miragens ideológicas deles (Foro de São Paulo, Antonio Gramsci etc), confundindo cenário externo favorável, moeda estrangeira fraca... com prosperidade nacional eterna. Eles acharam que a tão sonhada fórmula intervencionista, com Estado gigante e poderoso, funcionava graças a eles... e nunca, nem até hoje, caiu a ficha de que eles apenas ganharam a loteria na década deles, onde quase todos os países, com sistemas econômicos bons o ruins, beneficiaram-se do contexto externo.

    Mais do que um erro de diagnóstico, diria que é uma patologia do Lula / Dilma / Base governista, que persiste até hoje.
    Na década Lula, ainda fazendo porcarias, o cenário externo benéfico ajudava a minimizar consequências. Porém, o grave hoje é que:

    1) O cenário favorável acabou

    2) Lula / Dilma / Base governista, teimam no mesmo diagnóstico patológico, achando que a solução é mais Estado, com mais poder, mais recursos etc (vejam que cortam investimento, aumentam imposto, porém, jamais cortam governo, estado etc)

    3) Não há nenhum plano de ação para o futuro, não existe nenhum plano para o país... e a falta de expetativa, falta de luz no fim do túnel, afeta a economia, ainda muito mais do que os problemas políticos / institucionais

    4) O empresariado brasileiro é cúmplice das mamatas do Estado / Máquina Pública. Portanto temos pela primeira vez, as grandes massas populares junto com os empresários, ambos viciados nos bolsas esmolas, benesses e afins. Isso dificulta ainda mais qualquer mudança na Constituição (raiz dos problemas econômicos do Brasil). Em outras palavras, Brasil ficou condenado a insustentáveis políticas de esquerda.

    Alguns dirão que a atual armadilha, só acaba quando Brasil virar uma Grécia.
    Mas vejo Argentina, Venezuela, a própria Grécia, e infelizmente quebrar um país as vezes só leva a mais extremismo. Na Grécia, Syriza voltou a ganhar. Na Argentina, o peronismo continua sendo o favorito. Na Espanha idem com o Podemos. Na Venezuela, mais de 50% apoiam o governo. Etc.

    Quero dizer, que quando o populismo e a demagogia entra no DNA de um povo, as consequências são nefastas, e perduram no tempo por cima dos próprios líderes e partidos. Traduzindo, pode que Brasil fique doente por muitas décadas. Tomara me equivoque!
  • Andreia  21/09/2015 16:05
    muito bom parabens
  • Pedro  30/09/2015 16:16
    Foi um dos melhores comentários que já tive o prazer de ler nesse site...

    Parabéns!
  • Angela  06/01/2016 12:37
    Comentário à altura do didático artigo do Leandro. Obrigada.
  • Stella  22/03/2016 16:39
    A verdade é que o Brasil tem chance de dá certo, o que acontecendo atualmente é de da esperança.
  • Investidor  21/09/2015 12:22
    Caramba, a foto do Lula com a linguinha pra fora está muito engraçada. haha Vc olha e pensa: "que cara de 171, que malandro e marginal, que pilantra, que cara de trombadinha e mentiroso safado populista!"
  • anônimo  21/09/2015 14:44
    Parece que o Bush tá hesitando em colocar a mão nele. Pq será? Huahuhuahuahaua
  • Laercius  21/09/2015 18:50
    hehehe.Notei também; e principalmente, o que alguém falou abaixo,o GBush parece estar fazendo o gesto típico de esquivar-se de um bêbado..."afetuoso".
  • Ricardo Defferrari  23/09/2015 12:28

    Em vez de realizar uma análise sobre os fatos, se preocupam com foto, ou xingamentos.
    Artigo muito bom, bem explicado.
    Vimos que a postergação das reformas necessárias por todos os presidentes e que poderia ser feito durante o dólar baixo com muita tranquilidade precisa do apoio dos deputados e da pressão popular. Reforma Fiscal, Ministerial, Política, redução de salários e mordomias em todas as esferas, aumentar a transparencia criada em 2004 (portaldatransparencia.gov.br).

    Os investimentos em Infraestrutura sao importantissimos para o crescimento.
    Assim como meio de transporte de massas, para reduzir este consumo de veículos particulares.
    E a educação importante para mudar comportamentos e melhorar a ética e moral das pessoas não para votar melhor mas porque os nossos representantes sao apenas o reflexo da nossa sociedade.

  • Carla  26/09/2015 01:39
    Poxa, li o artigo e esperava um comentário sensato. Efim chegou... Ninguém nos gastos absurdos com os ministérios e deputados, sem falar no judiciário. Nada vai mudar enquanto não melhorar a educação, mas existe uma resistência nisso, pois pobre deste país não pode ter uma boa educação. Também gostei do artigo, só não entendi por que outros países próximos não sofreram o mesmo efeito com a queda do dolar. Mas tudo bem. Bom comentário.
  • Perez  26/09/2015 02:16
    Há um artigo inteiro dedicado ao corte de gastos, o qual havia sido publicado apenas dias antes deste artigo. Ei-lo:

    Por que é crucial o governo cortar seus gastos - e por que não fazê-lo é um desastre

    Não faria sentido repetir todo o assunto neste atual artigo.

    "só não entendi por que outros países próximos não sofreram o mesmo efeito com a queda do dolar. Mas tudo bem."

    Ué, como assim? Todos os países da América Latina vivenciaram um grande boom na década de 2000. Todos. Da Colômbia à Argentina, do Peru ao Paraguai, da Bolívia ao Uruguai, da Venezuela ao Equador.

    No próprio artigo há um link sobre esse assunto:

    https://www.imf.org/external/lang/portuguese/np/vc/2013/050613p.pdf
  • Anomalous  21/09/2015 12:28
    Excelente análise. Quando se trata de Economia ninguém bate o IMB.
  • Investidor  21/09/2015 12:44
    Dilma está ameaçada de impeachment por ter se elegido com o dinheiro desviado da Petrobras (segundo os delatores Ricardo Pessoa, Marcelo Odebrecht e Pedro Barusco) e também por ter feito as já famosas pedaladas fiscais no primeiro mandato

    Ela pode ser cassada por coisas que fez no primeiro mandato? Não tem de ser neste? Se eu estiver certo, então o congresso não pode cassa la. Resta apenas o TSE invalidar a chapa Dilma-Temer e vir novas eleições, o que provavelmente poria o Molusco de volta no palácio do planalto, a não ser que o TSE tenha a ousadia de declarar o segundo colocado (Aécio) novo presidente.
  • Thiago Teixeira  21/09/2015 16:10
    O caminho mais provável é o da cassação de Dilma, após a reprovação das contas do ano passado pelo TCU. Ela poderia até ser presa (!). E ficar inelegível. Aí que eu também não tenho certeza, se Temer cairia junto; teses acoxambrísticas levam pelo caminho de cair só ela. Dessa forma, pode contar com o apoio do PMDB. Então, não entendo até agora por que o PMDB ainda não aproveitou a oportunidade. Seria o caminho com a menor instabilidade de transição.
    Resolveria? Não... Temer e seu PMDB são bem fisiológicos, não têm essa prestatividade de entender que tem que cortar da própria carne... Não tem peito para reduzir funcionalismo público...
    Inclusive, tenho uma enorme curiosidade de saber quem seriam o ministro da fazenda e o presidente do Bacen sob Temer.

    O caminho do Petrolão, invalidação da chapa eleitoral parece-me improbabilíssimo. Porque puxaria junto Temer e muita gente do PMDB, além do PP. Cunha assumiria como presidente interino e novas eleições seriam convocadas. Mas ele também está envolvido. Em seguida seria Calheiros, também está... Esse ínterim até a nova eleição e posse seria turbulento. Aécio ganharia.
  • Investidor  21/09/2015 16:42
    A questão é que o TCU rejeitará, se rejeitar e deve fazê-lo muito provavelmente, as contas de Dilma de 2014, portanto mandato passado. Isso pode dar problema. Acho que se houver mesmo o impedimento pelo congresso, vai parar no STF e este vai decidir se um governante pode ser cassado por crime de responsabilidade cometido em mandato anterior. Isso ainda vai dar muita confusão. O melhor mesmo seria a renuncia da doida varrida. Mas ela não fará isso. A Dilma é o tipo de pessoa mais cretina que existe na face da terra. Essa mulher é capaz de ver o país pegar fogo e não renunciar. É o tipo de pessoa capaz até de deixar o país cair em guerra civil, mas não renuncia. Essa gente não tem espírito público. Eles só pensam em poder e neles mesmos.
  • Thiago Teixeira  21/09/2015 20:50
    Concordo. O pior é que não há jurisprudencia nesse caso. Não sei como tem sido decidido em municipios e estados.
    Concordo tambem na parte da falta de altruísmo. Não renuncia. Tem um boato de que até dia 27 desse mes ela pode renunciar, pero jo no creo...
  • Lucas Amaro  21/09/2015 23:22
    Lei 1079/50:

    Art. 15. A denúncia só poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo, deixado definitivamente o cargo.

    A lei não distingue mandato, apenas diz sobre permanência no cargo.

    Teoricamente o impeachment é válido, mesmo se forem acusações de outro mandato.
  • Alguem  22/09/2015 03:06
    Haha, que irônico, no caso o que a mandaria pro xilindró seria sua fome por poder e não o crime em si.
  • SPSPJULIANO  21/09/2015 12:55
    Òtimo artigo.

    Parabéns mais uma vez Leandro.

    Dá vontade de chorar (de tristeza) ao ler a conclusão.

    Dois comentários:

    1)Quanto a desvalorização do dólar, nem precisa de "um trapalhão econômico que invente novas heterodoxias". Basta continuar na toada que está, sem o FED aumentar o juros e eventualmente com um novo QE (QE4).

    2)Acho que já viramos Argentina.... não tem mais volta, nenhum governo (seja PT, seja de direita) terá condições de adotar a agenda correta (diminuição de gastos, limitação da renda e imposição de um padrão de vida compatível com a capacidade produtiva do país). Ou ainda, voltamos a década de 80/90, chorará menos quem tiver mais condições de fazer o Estado lhe proteger (empresários amigos do rei, deputados, senadores, magistrados, promotores....); o resto perderá poder aquisitivo, seja pela desvalorização do dólar, seja pela inflação galopante.

  • Osmar Neves  21/09/2015 13:04
    Rapaz, que aula! Parabéns e muito obrigado Leandro!
    Que Deus continue te usando para nos instrtuir e nos abençoar! Um abraço!
  • Critico  21/09/2015 13:27
    Fantástico artigo.

    Uma excelente explicação embasada em fatos, lógica, teoria econômica verdadeira e bom senso.
    Fiquei feliz em reconhecer diversos trechos e argumentos de outros artigos igualmente brilhantes deste portal.

    Parabéns pelo trabalho excepcional Leandro.
    Abraços.
  • Renato Arcon Gaio  21/09/2015 13:30
    Bom artigo, ou seja trocando o técnico por uma analogia superficial seria dizer que depois de uma noite de farra com muita bebedeira, na manhã a ressaca brutal será sentida e sofrida.

    Abraços
  • Cezar  21/09/2015 14:13
    Leandro qual seria a melhor saída para a economia (caso politicamente tivesse clima), usar o currency board ou dolarizar a economia?
  • Leandro  21/09/2015 15:41
    Currency Board é extremamente mais simples e fácil de ser implantado. Pode ser feito, literalmente, da noite para o dia. E é extremamente efetivo.

    Já a dolarização exigiria uma logística muito mais complexa e custosa. Como não há dólares circulando entre a população para possibilitar isso, teria de haver uma operação conjunta com o Fed para fazer remessas de cédulas de dólares para cá.

    De resto, dado que a vida útil de uma cédula é de uns 10 meses, teria de haver uma contínua reposição das cédulas no Brasil, o que exigiria outra estratégia junto ao Fed e ao Tesouro americano. Seriam mais de 200 milhões de brasileiros utilizando cédulas de dólar, e isso exigiria alguma logística do Fed.

    Já com um CB, não há esse problema. A emissão de cédulas é responsabilidade do CB, e estas ocorrem de acordo com a entrada de dígitos eletrônicos (em dólar) em seus computadores. Não é necessário se preocupar com uma remessa contínua de estoques de dólares.
  • felipe  21/09/2015 18:21
    Mas leandro, e qual seria o impacto de um Currency Board no nosso sistema bancário? Não tenho certeza, mas acredito que sem outras reformas poderíamos cair na mesma armadilha que a Argentina.
  • Leandro  21/09/2015 18:47
    Qual armadilha?

    Tão logo o Banco Central argentino passou a operar como um Currency Board -- momento esse em que ele ainda possuía características ortodoxas --, os gastos do governo argentino caíram sim (em termos relativos), e muito: eram de 35,6% do PIB em 1989 e caíram para 27% do PIB em 1995.

    Aí, de fato, com o passar do tempo, o governo foi adulterando o funcionamento do Currency Board -- que nada mais era do que seu próprio Banco Central atuando como Currency Board --, e isso realmente foi fatal em termos de confiança dos investidores estrangeiros.

    Por exemplo, o governo determinou, contrariamente a como seria um Currency Board tradicional, que o BC poderia comprar títulos do governo e poderia fazer injeções no mercado interbancário. Isso vai totalmente contra ao funcionamento de um Currency Board, que não apenas não cria dinheiro para intervir no mercado interbancário, como também só pode ter como ativos títulos denominados na moeda-âncora, e nunca na moeda nacional.

    De resto, é preciso ter muito cuidado com algumas conclusões: não foi o regime de conversibilidade o culpado pelo colapso econômico argentino; foi o governo que destruiu o regime de conversibilidade e, consequentemente, levou o país para o buraco.

    O regime cambial argentino funcionou perfeitamente -- até que o governo argentino resolveu destruí-lo, o que, aí sim, gerou os problemas.

    O governo destruiu a lei de conversibilidade justamente porque ela o amarrava, disciplinando seus gastos e sua expansão. Aí, imediatamente após a destruição da conversibilidade, a Argentina mergulhou no caos, na miséria e na depressão.

    Ou seja, um sistema foi implantado, funcionou como o esperado, o governo não gostou (porque o sistema lhe amarrava), destruiu o sistema, o país mergulhou no caos como consequência disso, e aí as pessoas dizem que a culpa de tudo é do sistema que foi destruído. Beira o surreal.

    Qual a garantia de que um Currency Board seria imume aos governos? Como recomenda Steve Hanke, que é o papa do assunto, o Currency Board teria sede na Suíça, e estaria sujeito às leis suíças. O governo brasileiro nada poderia fazer contra ele. Caso fizesse algo, seria uma agressão internacional, pois estaria atacando uma instituição suíça.

    Quanto aos bancos brasileiros, estes já foram saneados pelo PROER e pelo PROES logo após o fim da hiperinflação.. Aliás, o que realmente pode colocá-los em risco é a volatilidade do dólar, pois muito se financiam em dólar no mercado interbancário mundial.
  • Lucas Senger Jacobus  21/09/2015 19:52
    Leandro,

    Muito das minhas dúvidas foram sanadas neste comentário.

    Entretanto, te pergunto HOJE qual seria o valor ideal para realizar a introdução do Currency Board e da necessária livre Conversibilidade? R$4,00? Como se chega a este valor? Ou ele é irrelevante?

    Um abraço
  • Leandro  21/09/2015 20:38
    Pela literatura, você tem de adotar o seguinte procedimento:

    1) Anuncie para o mundo todo que na data X -- por exemplo, dia 23 de novembro, pra dar dois meses -- você adotará um Currency Board estritamente ortodoxo, com suas leis estabelecidas na Suíça, e à taxa de câmbio vigente no dia último dia útil anterior. (Foi exatamente assim que foi feito com o Plano Real).

    2) Após o anúncio, libera absolutamente todo o mercado de câmbio. Não de ter nenhuma restrição à entrada e à saída de capitais. Nenhum imposto, nenhum IOF, nada. O objetivo é ter um mercado cambial plenamente livre, justamente para que ele informe o real valor da sua moeda.

    3) Dois meses é tempo mais do que suficiente (na verdade, não precisa de mais do que um) para se estabelecer uma "verdade cambial".

    4) Caso seu plano seja crível, e os investidores e especuladores estrangeiros realmente acreditem na seriedade da proposta, a tendência é que o câmbio se aprecie até a data da adoção do câmbio fixo. Vale ressaltar que investidores e especuladores estrangeiros -- como explicado detalhadamente neste artigo -- ganham com uma moeda que está se apreciando, de modo que eles próprio irão se encarregar de fazer essa apreciação.

    5) Ou seja, paradoxalmente, para se adotar um câmbio fixo, é necessário deixá-lo flutuar livremente por algum tempo.

    6) Grosso modo, se o Brasil seguisse essa cartilha impecavelmente, e tivesse um governo mais sério, não seria desarrazoado dizer que o câmbio na data da fixação estaria mais próximo dos R$ 3 do que dos R$ 4. Câmbio é muito influenciado pela confiança no governo e nas políticas futuras, e o simples anúncio da implantação de Currency Board sério e ortodoxo já faria o câmbio se valorizar fortemente. Veja esse relato de Steve Hanke relatando como a rúpia indonésia se valorizou 16% em um único dia tão logo surgiram boatos de que o país adotaria um Currency Board.

  • corsario90  23/09/2015 15:11
    Leandro,
    se eu entendi bem, deveria ter um cambio livre para definição real da taxa de cambio, logico livre de qq cabresto, como preparatório do dia 23.11.
    Agora sendo o cambio uma arranjo voluntário de milhoes de agente atuando no mercado, não vai chegar uma hora que teremos que da uma atualizada nesse valor do cambio fixo da implantação do CB?
    Fiquei com essa ponta de dúvida, tem instrumento de correção ou isso não é viável?
    ABs
  • Leandro  23/09/2015 15:21
    Não faz sentido. Tão logo a moeda é fixada pelo Currency Board, ela simplesmente se torna uma mera substituta da moeda-âncora.

    Dizer que ela teria de ser continuamente atualizada é o equivalente a dizer que a definição de minuto em termos de segundos ou que a paridade entre 100 centavos e 1 real têm de ser continuamente revistas.

    Repito: no Currency Board, a moeda nacional simplesmente se torna uma representante da moeda estrangeira. E só. Na prática, é como se houvesse uma dolarização.

    Assim como a Bahia não precisa redefinir sua moeda em termos da mesma moeda que é utilizada em Santa Catarina, o Brasil não teria de redefinir sua moeda em termos da mesma moeda que é utilizada nos EUA.
  • corsario90  23/09/2015 19:32
    Show Leandro. Entendi que seria a taxa de cambio fixa de R$3,00 para sempre então. É dúvida mesmo, porque defendo também o CB. Logo se a moeda âncora perdesse o valor, perderíamos valor também. Dae seu raciocínio com um CB misto?
    Fico em dúvida qual seria a melhor opção: uma cesta de moedas ou um CB fixo? Uma coisa que aprendi: se deixar o governo fazer livremente uma politica monetária, da cracra no final. A estabilidade se da pelo controle da política monetária ferrenha.
    Pequenas medidas do seu artigo sobre o Peru e a livre conversabilidade já ajudaria bastante tb, eu acho é claro.
  • Leandro  23/09/2015 19:55
    Só pra esclarecer, eu não disse que o Currency Board tem de ter uma cesta de moedas. Aliás, nem consigo visualizar como isso seria possível, pois, se você tem um cesta de moedas, é impossível manter uma taxa de câmbio fixa em relação a todas elas. Você pode manter uma taxa de câmbio fixa apenas em relação a uma moeda, mas não a todas. Por exemplo, você pode fixar em relação ao dólar, mas não pode fixar em relação ao dólar e ao euro enquanto estas duas últimas forem flutuantes entre si.

    O que eu disse é que seria positivo você ter um CB e, ao mesmo tempo, liberasse a circulação de várias outras moedas estrangeiras no país. Mas moeda-âncora mesmo seria só uma.
  • corsario90  23/09/2015 20:42
    Entendi Leandro. Ficou claro. Vou rever o artigo de Cingapura feito no IMB, mas só realmente para fazer um cruzamento em finalizar minha dúvida: Cingapura não seria uma cesta de moedas em que o BC de lá dosa o "cambio", tendo começado por um CB?
    Grato
  • Leandro  23/09/2015 21:16
    Sim. O arranjo de Cingapura começou como Currency Board, mas hoje não é mais. Se você tem um cesta de moedas, é impossível manter uma taxa de câmbio fixa em relação a todas elas. Você pode manter uma taxa de câmbio fixa apenas em relação a uma moeda, mas não a todas. Por exemplo, você pode fixar em relação ao dólar, mas não pode fixar em relação ao dólar e ao euro enquanto estas duas últimas forem flutuantes entre si.

    O Banco Central de Cingapura, além de não estipular juros nenhum, apenas controla a taxa de câmbio do dólar cingapuriano em relação a uma cesta formada pelas moedas dos principais parceiros comerciais do país. E ele faz isso vendendo (e comprando) título e moedas. Em vez de se preocupar com o valor dos juros, ele se preocupa com a taxa de câmbio. O princípio de operação é idêntico; muda apenas a variável alvo.

    Mas não há, em momento algum, câmbio fixo em relação a esta cesta de moedas.
  • Thiago Teixeira  21/09/2015 21:10
    O caso da Argentina queimou o filme do "cambio fixo", Leandro. Daria muito trabalho para convencer as pessoas de que o cambio fixo é bom, e que eles passaram a ter problemas quando descumpriram as regras, e nós não tivemos cambio fixo, mas sim atrelado.
    Creio que isso deva ser repetido exaustivamente. Talvez até mereça artigo exclusivamente para desfazer a confusão. Logo no título: " O falso cambio fixo Argentino, e o cambio atrelado brasileiro", ou algo assim (melhora isso, porque ficou uma porcaria...)

    Leandro, voce acha que no momento haveria clima para uma mudança de atuação do BACEN, ou seja, daria para passar para o redesconto, em vez do mercado de títulos?

    Ah, a transição de um banco central que atua no redesconto para um sistema de currency board é mais tranquila que a transicao do BC como o nosso?
  • Leandro  22/09/2015 16:56
    "no momento haveria clima para uma mudança de atuação do BACEN, ou seja, daria para passar para o redesconto, em vez do mercado de títulos?"

    Creio que isso envolve mudança estatutária. E não, não vejo clima para isso. E, francamente, no atual ponto em que estamos, isso não faria muita diferença.

    "a transição de um banco central que atua no redesconto para um sistema de currency board é mais tranquila que a transicao do BC como o nosso?"

    Não vejo diferença.
  • Juliana  23/09/2015 15:02
    Você não deveria colocar o Currency Board nestes termos — de simples e fácil— caso queira ter algum sucesso, Leandro*. Porque políticos e burocratas gostam de serem persuadidos, conquistados e seduzidos com soluções complexas, sofisticadas, trabalhosas, garbosas, etc., que os façam se sentir senhores soberanos, que têm que tomar decisões importantes, que vão interferir no futuro de milhões de pessoas...

    O que você precisa fazer uma hora é mostrar, com uma maior riqueza de detalhes, como seria todo esse processo de transição para um sistema de currency board — nesses moldes mais ortodoxos — e, da mesma forma, o "como ficaria o mundo" pós o estabelecimento do CB.

    Bem, mas caso isso nunca ocorra, você poderia pelo menos explicitar alguns pontos. Por exemplo: uma coisa que pouco se fala é sobre o que iria acontecer com o Banco Central. Pois além de ser o emissor da moeda, executor das políticas monetárias e o responsável por garantir a estabilidade de preços, ele também é banqueiro do governo, assim como o depositário dos outros bancos.

    Então, surge a questão: como todas as contas do governo estão no BCB, nessa transição, seriam eliminadas todas as atividades da autarquia, ou apenas nas questões em que o CB assume as responsabilidades? E daí outra: no caso de eliminação, a transferência desses depósitos (do governo) para os bancos comerciais iria melhorar os balancetes destes últimos, fazendo com que os juros pudessem até diminuir?

    Em outras palavras, de todo o jeito os bancos vão continuar operando com reservas fracionárias, e vão continuar tendo uma porcentagem de dinheiro que eles consideram ser adequada para manter como reservas que os permitam se alavancar com segurança, e às vezes também vão querer pegar dinheiro emprestado com outros bancos, e talvez ficasse difícil para o governo distribuir suas contas por vários bancos, etc. Então, já não sei mais onde o BCB pode ser útil, ou não. E são questões que precisam ser respondidas.

    Abraços!

    *(21/09/2015 15:41:05)
  • Diego  21/09/2015 14:25
    O que se teve foi apenas mais do mesmo do socialismo. No começo tudo são flores, eles fazem uma política pra enganar o mercado, a economia cresce, até porque geralmente eles assumem num cenário ruim, quando se tem uma margem muito baixa de parâmetro, com pessimismo elevado dos investidores mas logo depois tiram a máscara. O final é sempre igual, quebradeira e crise generalizada. E o país não chegou nessa situação porque eles erraram, tudo isso foi feito de forma proposital, afinal só assim eles podem implantar o bolivarianismo aqui e depois entregar de graça pra China e Rússia. Sem contar a destruição sob o aspecto cultural, baseado em Gramsci. Investir em educação, saúde, infraestrutura pra que? O negócio é morar no morro mas ter uma tv de led na sala. O Brasil não teve um aumento de renda, mas sim uma bolha de crédito fácil financiada por $ público e muitas pedaladas pra esconder o rombo ao longo desses anos. A conta chegou. Mas esse povinho ignorante não aprende. Querem mais e mais Estado, acham que $ se cria do nada, se acham cheios de DIREITOS, são vagabundos, no fundo não se importam com corrupção, o que incomoda é que não são eles que estão lá roubando e adorariam se tivessem uma chance de arrumar uma teta pra mamar. Em 2018, eu não duvido se aquele câncer voltar, ainda mais com essas urnas da Smartmatic e o TSE aparelhado. Pelo menos a burrice não é exclusividade daqui, vide a Grécia. O pior é ver a omissão da Europa que aceita continuar financiando esses vermes. O mais ridículo é que um dos principais argumentos pra manter a Grécia era pra evitar a invasão dos refugiados kkkkk. Um continente inteiro vai ser afundado por terroristas por causa da banana da Merkel e de um bando de políticos vagabundos de esquerda. Que falta faz um Netanyahu na Europa.
  • Pedro Tavares  21/09/2015 14:29
    Excelente artigo, é importante ter uma visão bem ampla dos acontecimentos quando se for pensar em políticas governamentais, no caso do nosso país nunca se pensa né.


    Leandro você deve estar sabendo sobre o Partido Novo, você tem alguma expectativa positiva ali? Já tem gente falando que a Dilma é uma heroína simplesmente por nos colocar em maus lençóis e fazer nascer um partido liberal. Bom, supostamente liberal né.
  • Alexandre M. R. Filho  22/09/2015 17:15
    O dono do novo é um banqueiro que já se manifestou expressamente contrário à eliminação do Banco Central, à adoção de um Currency Board e às moedas concorrentes.
  • Andre Fernandes  21/09/2015 14:43
    Leandro,

    Mais uma vez um excelente artigo!

    Uma dúvida. Se não me engano, em um comentário de outra matéria você (acho que foi você, mas me desculpe se confundi) mencionou que nos últimos 12 meses a nossa base monetária teria crescido algo em torno de 2,4%, certo? Desta forma entendo então que, ao menos neste período, a expansão foi reduzida e alcançamos um nível razoável.

    A consequência seria uma desaceleração da inflação, não? Em quanto tempo se pode sentir este efeito? Ou temos algum outro impedimento para essa redução?

    Muito se fala em uma inflação em torno de 5,5% para o ano que vem. É claro que já é quase metade dos assustadores 9,5% dos últimos 12 meses, mas ainda é um número alto e acima da meta dos 4,5%. E o pior, é que pelo que tenho lido essas projeções tem sofrido constantes correções sempre para cima. A subida constante na taxa de juros aliada a desaceleração da expansão monetária não são capazes de, ao menos, conter os aumentos destas projeções?

    Abraços
  • Andre Fernandes  22/09/2015 13:01
    Se alguém puder ajudar com a dúvida!

    Aproveitando queria fazer mais 2 questionamentos...um mais conceitual e um mais histórico:

    1) Em todos os artigos que tenho lido a respeito de crises/recessões, um ponto que o IMB sempre faz questão de ressaltar é que todas foram precedidas por uma expansão monetária acima do que a economia suportava, certo? A minha dúvida é se temos registro de períodos onde houve uma expansão dessas e a economia não entrou em recessão? Existem alguns fatores que podem anular um efeito da expansão?

    2) Algo que também sempre é reforçado aqui é a questão da moeda forte ser pré requisito pra uma economia forte, saudável e sustentável. Acredito que seja uma interpretação incompleta/errada da minha parte, mas quando falamos no conceito de moeda forte falamos em poder de compra, certo? Como analisar isso senão comparativamente a outras moedas fortes (dólar, euro)? Como exemplo podemos pegar o Japão que possui uma economia robusta e se olharmos somente para a cotação do iene frente a outras moedas fortes, vemos que o valor do iene não é comparável e elas. O Chile, que talvez seja o país que vem obtendo melhores resultados na America do Sul em função de um cenário mais liberal, possui uma moeda que se olharmos apenas para a cotação também não nos mostra isso.

    Tenho certeza que a falha está do meu lado, só gostaria de entender como fazer um comparativo melhor do poder de compra da moeda e entender melhor esse conceito de moeda forte.

    Agradeço a quem puder ajudar a esclarecer um pouco.
    Abraços
  • Leandro  22/09/2015 17:07
    1) Desconheço.


    2) Essa é uma confusão bastante comum: o alto valor nominal das cédulas de uma moeda diz muito sobre o seu passado, mas não sobre seu presente.

    O alto valor nominal das cédulas do iene se deve a uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.

    Vale lembrar que, ao passo que o real é de 1994, o iene é de 1871.

    No que mais, em 1972, imediatamente após a dissolução de Bretton Woods e a adoção dos câmbios flutuantes, um dólar comprava 305 ienes. Então o iene começou a se valorizar continuamente até que, em outubro de 2011, um dólar comprava apenas 75 ienes. Isso dá uma apreciação total de 306%.

    Uma das definições de moeda forte é que sua unidade monetária valha cada vez mais em termos das principais moedas do mundo (a outra definição é que, obviamente, seu poder de compra em território nacional seja relativamente constante).

    Dito isso, vale ressaltar que, de fato, a moeda chilena, embora um pouco mais estável que a brasileira, está longe de ser invejável.
  • Leandro  22/09/2015 17:09
    1) A atual carestia que estamos vivenciando não mais decorre da expansão do crédito para o setor privado, mas sim da desvalorização cambial e dos déficits do governo, que são inflacionários.

    2) Os juros ainda não subiram o bastante. Prova disso é que os juros reais ainda estão abaixo do que estavam na era Meirelles.
  • LEG  21/09/2015 14:43
    O dólar em baixa, o governo metendo crédito sem dó e todo mundo achando que o gigante tinha acordado. O artigo tirou um grande ponto de interrogação da minha cabeça. Não fazia sentido que todo esse período de vacas gordas teria sido apenas em função da China e da política econômica meia boca do PT voltada apenas para o consumismo.

    Muito bom!
  • Tiago silva  21/09/2015 14:48
    Mais um excelente artigo,o mito continua,Leandro qual seria o nível de juros ideal para o Brasil neste momento?

    os juros podem ser fixados arbitrariamente ou mercado pode descobrir com mais eficácia com qual o nível de juros ideal.
  • Thiago Teixeira  21/09/2015 21:12
    Atualmente o ideal seria uma "pancada", uns 18%, ou ate mesmo mais.
  • Anderson  21/09/2015 14:48
    Excelente, Leandro!


    Um artigo com tudo bem organizado, com dados, fatos, cronologia e lógica (muita lógica!).

    O pior de tudo isso é o analfabetismo funcional da maioria dos brasileiros, que vai impedir o aprendizado sobre esse período de farra. Vão achar que o problema só foi o mandato de Dilma, e que se o Lula (ou outro populista) ascender ao poder tudo voltará ao normal. Triste escravidão mental!
  • alexandre  21/09/2015 14:48
    E o ritmo alucinante da emissão de dívida pelo governo Lula? 1 trilhão, adicionais em dívida não influenciou esse boom ?!
  • Leandro  21/09/2015 15:40
    Endividamento do governo gera inflação monetária, mas não necessariamente gera crescimento da renda e, muito menos, crescimento econômico.

    Dinheiro criado via empréstimos para o setor privado é um dinheiro que será necessariamente utilizado ou para investimentos ou para consumo. Já o dinheiro criado via empréstimos para o setor público é um dinheiro que será majoritariamente utilizado para custear a burocracia.

    Ou seja, os efeitos sobre o crescimento econômico são distintos.

    O que é garantido é que o endividamento do governo pressiona a inflação de preços, mas não se pode inferir nada mais além disso.

    No que mais, como mostra o gráfico deste artigo, não houve nenhuma alteração no ritmo de crescimento da dívida pública no período 1998-2008. A alteração ocorreu apenas a partir de 2009.

  • alexandre  21/09/2015 17:36
    Muito obrigado pelo esclarecimento, Leandro!

    Depende , no entanto,como o dinheiro é gasto, não? Um aumento de dívida para investimento , não poderia, gerar um efeito positivo na relação divida/ pib de longo prazo ?
    E uma emissão eterna , ainda que constante , de dívida pública não seria insustentável ao longo prazo ? Visto que não pagamos o principal apenas os juros do montante de dívida


    Nesse período Lula parece que a inflação ficou comportada, não? Esta se acelerou mais nos últimos 2 anos não ? Isto se deve manipulação do índice via controle dos preços administrados ou essa relação aumento divida publica se dá mais no longo prazo? Ou nenhum dos dois , rs


    Hoje gastamos próximo a 50% do orçamento da União para financiar nossa dívida. Isto não limita a capacidade de poupança e investimento do governo ? ( pode indicar algum artigo sobre o tema) Hoje por exemplo , falamos em criar a CPMF para arrecadar 30 Bi enquanto gastamos 500 bi para custear nosso estoque de dívida.

    Grato pela atenção na resposta

    Abraços
  • Leandro  21/09/2015 18:24
    "Depende , no entanto,como o dinheiro é gasto, não? Um aumento de dívida para investimento , não poderia, gerar um efeito positivo na relação divida/ pib de longo prazo ?"

    Aumento da dívida pelo governo gerar efeito positivo? Como? Cite um único caso de como o governo pode aumentar sua dívida por meio de investimentos de modo que isso gere um efeito positivo na relação divida/PIB de longo prazo.

    Impossível, e pelos motivos aqui explicados.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1378
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1391
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1025

    "E uma emissão eterna , ainda que constante , de dívida pública não seria insustentável ao longo prazo ? Visto que não pagamos o principal apenas os juros do montante de dívida."

    Correto.

    "Nesse período Lula parece que a inflação ficou comportada, não? Esta se acelerou mais nos últimos 2 anos não ? Isto se deve manipulação do índice via controle dos preços administrados ou essa relação aumento divida publica se dá mais no longo prazo?"

    O presente artigo foi inteiramente sobre isso. Nos últimos dois anos o dólar voltou a subir, o que acabou rapidamente com todo e qualquer efeito benéfico da expansão do crédito, alem de ter intensificado os efeitos inflacionários dos gastos do governo.

    Aliás, o dólar parou de baratear em 2008. Por isso, a partir dali, o efeito inflacionário se torna mais intenso, com um breve hiato em 2009, que foi ano de recessão.

    "Hoje gastamos próximo a 50% do orçamento da União para financiar nossa dívida. Isto não limita a capacidade de poupança e investimento do governo ? ( pode indicar algum artigo sobre o tema) Hoje por exemplo , falamos em criar a CPMF para arrecadar 30 Bi enquanto gastamos 500 bi para custear nosso estoque de dívida."

    Você provavelmente está se referindo a esse gráfico.

    Lamento, mas ele é mentiroso. E não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte:

    www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/465603/CPU_DespesaUni%C3%A3oGrupoNatureza_1980a2015.xls/c804a093-9091-4dfd-a447-063d8490db5a

    Em 2014, os gastos com "Juros e Encargos da Dívida" foram de R$ 170,36 bilhões. Os gastos com "Amortização da Dívida" foram de R$ 190,75 bilhões. Ou seja, o total foi de R$ 361,11 bilhões.

    Já os gastos totais do governo foram de R$ 1,543 trilhão.

    Ou seja, os gastos com a dívida foram de 23,4% do orçamento. Um valor alto, sem dúvida nenhum, mas nem de longe tão astronômico quanto 50%.

    Quem utiliza essa cifra está cometendo uma impostura, pois está incluindo o "refinanciamento da dívida" na rubrica "juros e amortização" e também na rubrica "gastos totais do governo". Isso é trapaça. Refinanciamento da dívida não representa gasto nem com juros e nem com amortização, e também não pode ser contabilizada como um gasto do governo.

    Abraços.
  • alexandre  23/09/2015 13:34
    Aumento da dívida pelo governo gerar efeito positivo? Como? Cite um único caso de como o governo pode aumentar sua dívida por meio de investimentos de modo que isso gere um efeito positivo na relação divida/PIB de longo prazo.


    Uma hidrelétrica , um aeroporto , faculdades , por exemplo. Ou deveríamos esperar do mercado a coordenação dos investimentos em setores estratégicos ? Duvido que qualquer país do mundo deixe para a iniciativa privada o orquestramento de gastos militares.


    Bem sendo ela insustentável a longo prazo ,deveria decrescer , ao invés de evoluir a nível constante. 1 trilhão a mais de dívida para o país é insustentável a longo prazo. Esse dinheiro oriundo de emissão de dívida não acabaria no sistema bancário?. Se sim, isto não aumentaria a oferta de moeda e com isso o consumo. De outra forma, de onde vêm o dinheiro que inundou o mercado de crédito ? ( não é apenas multiplicador bancário ,verdade?)


    Não consigo compreender como somente o dólar fraco explicaria um baixo IPCA. Claramente este pressiona menos o custo dos insumos importados, mas se a demanda interna é crescente e não há capacidade ociosa na economia ( ou aumento da capacidade produtiva) o repasse para os preços não seria inevitável em moeda nacional,mesmo com o dólar constante? De outra forma , qual o impacto do dólar no índice de preços. Há algum estudo estimando este impacto ?

    E a maquiagem do IPCA com o congelamento de preços administrados não teria um efeito em cascata maior ? O aumento de gasolina e eletricidade este ano ,por exemplo, não foi grande responsável pela explosão do IPCA?
    https://fernandonogueiracosta.files.wordpress.com/2014/04/prec3a7os-administrados-x-livres.jpg


    Não consegui abrir seu link :(
    Mas , nesta tabela no porta de transparência do governo ,mostra números diferentes:

    www.portaltransparencia.gov.br/PortalComprasDiretasOEFavorecidoED.asp?Ano=2014&CodigoOS=25000&CodigoOrgao=25101&CodigoUG=170600&CodigoGD=2&CodigoED=76&Ordem=0


    Ali diz que o ministério da fazenda foi responsável pelo gasto de mais de 1 trilhão de reais! Dos quais 614 bi para " Amortização e Juros da Dívida - Principal Corrigido da Dívida Mobiliária Refinanciado " não especificando o quanto para Juros ou amortização.
    De qualquer forma são números bastante distintos dos apresentados pelo Tesouro.
    Essa dinheirama não saiu de fato dos cofres públicos , de fato não foram os contribuintes que pagaram essa fatura ? Por que não podemos inclui-los como gasto do governo com a manutenção da dívida pública ?



  • Leandro  23/09/2015 15:07
    "Uma hidrelétrica , um aeroporto , faculdades , por exemplo. Ou deveríamos esperar do mercado a coordenação dos investimentos em setores estratégicos ? Duvido que qualquer país do mundo deixe para a iniciativa privada o orquestramento de gastos militares."

    Exatamente este assunto foi abordado nos três artigos linkados como resposta. Não irei repetir tudo o que está escrito neles.

    "Esse dinheiro oriundo de emissão de dívida não acabaria no sistema bancário?"

    Foi criado pelo sistema bancário.

    "Se sim, isto não aumentaria a oferta de moeda e com isso o consumo."

    A oferta de moeda, sim. O consumo, não necessariamente.

    Se esse aumento da dívida gerar desconfiança nos investidores, o real se desvaloriza. Se essa desvalorização for forte, o aumento nos preços será proporcionalmente maior do que o aumento da oferta monetária, gerando queda da renda real.

    "De outra forma, de onde vêm o dinheiro que inundou o mercado de crédito ? ( não é apenas multiplicador bancário ,verdade?)"

    A relação entre causa e efeito está invertida: o dinheiro não inundou o mercado de crédito; foi o mercado de crédito quem inundou a economia de dinheiro.

    "Não consigo compreender como somente o dólar fraco explicaria um baixo IPCA."

    O IPCA não foi "baixo". O IPCA se desacelerou à medida que o dólar ia se desvalorizando (e ao mesmo tempo em que o crédito se expandia). São coisas distintas.

    "Claramente este pressiona menos o custo dos insumos importados, mas se a demanda interna é crescente e não há capacidade ociosa na economia ( ou aumento da capacidade produtiva) o repasse para os preços não seria inevitável em moeda nacional,mesmo com o dólar constante?"

    Abordado no artigo. Todo esse repasse ocorreu no setor de serviços, que vivenciou um aumento de 100% nos preços em 10 anos.

    "De outra forma , qual o impacto do dólar no índice de preços. Há algum estudo estimando este impacto ?"

    Sim. "De cada 10% de alta da moeda norte-americana, a influência na inflação iria de 0,3 ponto porcentual no curto prazo a 0,8 ponto no longo prazo."

    www.gazetadopovo.com.br/economia/alta-recente-do-dolar-tera-impacto-no-ipca-ca19dqrja8028ltnqi46fuslq

    www.dci.com.br/economia/repasse-cambial-deve-acelerar-precos-nos-proximos-meses-id267023.html

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/12/1561615-dolar-em-alta-vai-trazer-mais-dificuldade-para-bc-domar-a-inflacao.shtml

    É exatamente por isso que o artigo é cuidadoso em ressaltar que, mesmo com toda a valorização cambial (o dólar foi de R$ 3,90 para R$ 1,60), isso não se traduziu em queda de preços, mas sim em aumentos menores.

    Caso a economia fosse mais aberta, tamanha valorização cambial geraria a bênção de termos preços realmente em queda.

    "E a maquiagem do IPCA com o congelamento de preços administrados não teria um efeito em cascata maior ?"

    Sim, a partir de 2012.

    "O aumento de gasolina e eletricidade este ano ,por exemplo, não foi grande responsável pela explosão do IPCA?"

    Também, mas não só. Explicado em todos os seus detalhes aqui.

    "Não consegui abrir seu link :("

    www.auditoriacidada.org.br/e-por-direitos-auditoria-da-divida-ja-confira-o-grafico-do-orcamento-de-2012/

    "Ali diz que o ministério da fazenda foi responsável pelo gasto de mais de 1 trilhão de reais! Dos quais 614 bi para " Amortização e Juros da Dívida - Principal Corrigido da Dívida Mobiliária Refinanciado " não especificando o quanto para Juros ou amortização."

    Vou repetir:

    www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/465603/CPU_DespesaUni%C3%A3oGrupoNatureza_1980a2015.xls/c804a093-9091-4dfd-a447-063d8490db5a

    Em 2014, os gastos com "Juros e Encargos da Dívida" foram de R$ 170,36 bilhões. Os gastos com "Amortização da Dívida" foram de R$ 190,75 bilhões. Ou seja, o total foi de R$ 361,11 bilhões.

    Já os gastos totais do governo foram de R$ 1,543 trilhão.

    Ou seja, os gastos com a dívida foram de 23,4% do orçamento. Um valor alto, sem dúvida nenhum, mas nem de longe tão astronômico quanto 50%.

    Quem utiliza essa cifra de R$ 614 bilhões está cometendo uma impostura, pois está incluindo o "refinanciamento da dívida" na rubrica "juros e amortização" e também na rubrica "gastos totais do governo". Isso é trapaça. Refinanciamento da dívida não representa gasto nem com juros e nem com amortização, e também não pode ser contabilizada como um gasto do governo.
  • alexandre  23/09/2015 15:50
    Obrigado , pelo esclarecimento Leandro!! Excelente seus artigos e palestras


    Abraços
  • Juan Domingues  21/09/2015 15:03
    Artigo excepcional.
    É uma explicação cirúrgica da diferença fundamental entre o que alguns chamam de crescimento do tipo saudável x crescimento do tipo cancer.
    O desavisado observa o crescimento rápido e se impressiona, sem analisar que os alicerces desse crescimento podem ser altamente destrutivos no longo prazo. O Brasil viveu durante grande parte da década de 2000 um crescimento muito mais do tipo cancer do que do tipo saudável.
    Agora uma pergunta: considerando que o dólar é a moeda mais universalmente aceita e responsável por grande parte do ocorrido, e considerando ainda que a taxa de juros dos EUA continua artificialmente baixa (governos parecem insistir no erro e ter um fetiche pela criação de bolhas), o que podemos esperar, tanto lá quanto cá?
  • Diego  21/09/2015 15:06
    "Tal cenário de bonança pode se repetir? Poder, pode. Caso o próximo presidente dos EUA seja um belicista que enfie o país em novas aventuras militares"

    Acho que é inevitável que os EUA e a UE combatam o EI e derrubem o Assad na Síria. Mesmo porque esse fluxo migratório em massa é insustentável pra Europa, fora os terroristas infiltrados.
    O Oriente Médio só chegou a esse ponto justamente por causa do babaca do Obama que abandonou tudo e deixou pra lá. Querendo ou não, eles vão ter que consertar a cagada do Obama, ainda mais com a vitória dos republicanos e principalmente se for o Bush. A Hillary tá queimada e a outra opção é um velho comuna sem chance alguma. Os EUA vão ter que ser de novo o xerife do mundo.
  • Adelson Paulo  21/09/2015 15:48
    Concordo plenamente. Diante da Europa vacilante, os EUA têm que assumir sua função de xerife do mundo. Cabe a nós apoiá-los nesta ingrata e custosa tarefa.
  • Marcos  21/09/2015 15:59
    Xerife?! Todos os descalabros geopolíticos da região foram causados justamente pela intervenção do governo americano, que foi quem indiretamente financiou e criou o ISIS.

    www.wnd.com/2014/06/officials-u-s-trained-isis-at-secret-base-in-jordan/

    Ainda em 2013, a CIA entregou armamento para os muçulmanos? Essas armas entraram ilegalmente na Síria com a ajuda direta do serviço secreto do governo dos EUA. O Departamento de Estado dos EUA enviou veículos e outros materiais militares, inclusive equipamento sofisticado de comunicações.

    Sabia que o neocon John McCain também tem sua parte nessa bagunça toda?

    shoebat.com/2014/08/02/isis-praises-john-mccain-helping-invade-iraq/

    E não podemos esquecer que a guerra no Iraque iniciada por Bush deu poderes para o ISIS cometer os massacres e violência que está fazendo hoje.
  • Thiago Teixeira  21/09/2015 21:25
    Penso que ninguém tem obrigação de intervir nos assuntos de outros países. Questiono o contrário, se tem esse direito.

    Mas vamos partir do pressuposto de que nas regiões da Síria em anarquia uma intervenção ocidental seja desejada pelas pessoas. Quem "deveria" intervir? Creio que os principais interessados na resolução da crise de refugiados, que são o Reino Unido e a Alemanha. Até porque ficar tudo nas costas do contribuite americano é muita sacanagem. E os europaus não estão ávidos por "um pouquinho mais de inflação"?

    O caso das forças armadas alemãs merecem uma atenção especial. Ainda vigoram algumas restricoes desde a segunda guerra (!!), na verdade, desde o pós-primeira guerra (!!!). Os alemaes agradecem, a relacao gastos militares versus PIB deles é uma das menores dos países da OTAN.
  • Dissidente Brasileiro  23/09/2015 03:57
    Marcos, gostei do seu comentário, muito bom mesmo. Mas você poderia ao menos dar os devidos créditos a quem merece:

    mises.org.br/Article.aspx?id=94#ac151130

    Impressionante, plágio de comentários! O cara copia as palavras dos outros na cara dura mesmo, é cada uma... até comentários os brazilêros conseguem afanar, kkkkkkkkkkkkkk. Que povinho gente, que povinho de m****.

    Quando eu digo que este país não tem jeito, é exatamente isso o que eu quero dizer. Alguém ainda duvida?
  • Henrique  21/09/2015 15:06
    Olá, gostaria de dizer que o artigo acabou por não mencionar medidas positivas do governo Lula como o crescimento econômico gerado por:

    1) aumento do poder de compra da população por meio de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família;

    2) geração de empregos e de atividade econômica no setor imobiliário com o Programa Minha Casa Minha Vida;

    3) qualificação da mão-de-obra proporcionada pelo PROUNI e FIES; dentre outros.


    Abraços.
  • Leandro  21/09/2015 15:42
    "medidas positivas do governo Lula como o crescimento econômico gerado por:"

    Já começou errado, invertendo causa e efeito. As medidas abaixo não geraram crescimento econômico; o crescimento econômico é que permitiu que tais medidas fossem implantadas.

    Prova disso é que todas elas continuam existindo até hoje, mas não apenas não geram crescimento econômico, como, ao contrário, subtraem do crescimento econômico, pois dependem da transferência de recursos escassos.

    " aumento do poder de compra da população por meio de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família;"

    O aumento do poder de compra se deu por causa da expansão do crédito em um cenário de dólar fraco. Não fosse o dólar fraco não haveria aumento do poder de compra da população.

    Prova disso é que o Bolsa Família continua existindo até hoje, mas, como mostrado nos links do artigo, a renda real está em queda e o número de miseráveis voltou a subir. Pela sua lógica não era para isso ter acontecido.
    Não há mágica: se o câmbio não ajuda, nenhuma medida de transferência de renda dura.

    "geração de empregos e de atividade econômica no setor imobiliário com o Programa Minha Casa Minha Vida;"

    Esse programa é sem dúvida nenhuma ótimo para as construtoras beneficiadas por ele, as quais utilizam dinheiro público para lucros privados. Eu mesmo conheço duas pessoas do setor da construção civil que encheram os bolsos de dinheiro por causa dele.

    Porém, como todos os outros programas de redistribuição de renda, seus efeitos só duram em cenários de baixa inflação. Aliás, para este programa a coisa é ainda pior: ele dura apenas enquanto o endividamento estiver baixo e as pessoas tiverem emprego e renda.

    "qualificação da mão-de-obra proporcionada pelo PROUNI e FIES; dentre outros"

    Isso é piada, né? Não há absolutamente nenhum índice que comprove que tais programas melhoraram a inteligência e a produtividade da mão-de-obra brasileira. Foi um belo desperdício de dinheiro público em benefício de universidades privadas, cujos proprietários certamente adoraram.

    É espantoso ver a esquerda defendendo esse tipo de bolsa empresário.
  • M.S. Batista  21/09/2015 15:47
    Henrique,

    Gostaria de dizer que seu comentário acabou por não mencionar medidas negativas do governo Lula como o crescimento econômico gerado por:

    1) aumento do poder de compra da população por meio de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família; - LÊ-SE: Aumento da dependencia estatal por parte de quase metade das familias brasileiras, pagos por quem TRABALHA E PRODUZ.

    2) geração de empregos e de atividade econômica no setor imobiliário com o Programa Minha Casa Minha Vida; - LÊ-SE: geração de empregos TEMPORÁRIOS e dívidas PERMANENTES à sociedade.

    3) qualificação da mão-de-obra proporcionada pelo PROUNI e FIES; dentre outros. - LÊ-SE: Distribuição de bolsa-donos-de-faculdades, distribuição de "dipromas", investimentos em cursos que não trazem aumento de produtividade ao país (a maioria, cursos da áreas de Humanas).
  • Ronaldo  21/09/2015 15:51
    Henrique, todas as medidas que você citou foram possíveis por causa do que o artigo fala. It's the economy, stupid
  • felipe  21/09/2015 15:11
    O governo Bush foi um dos piores presidentes que já existiu para os americanos. Tão ruim que levou os americanos ao desespero de escolher um Obama com o discurssinho barato de "yes, we can".

    Só mesmo essas Olavates para louvarem o Bush.
  • Moura  21/09/2015 15:36
    Concordo 200%. Jamais entendi por que os conservadores tupiniquins agradam do sujeito. Não é à toa que o irmão dele amarga um dígito nas primárias americanas.

    Que gostem do Reagan é perfeitamente compreensível. A moeda e a economia foram sólidas durante seu mandato. O mesmo, aliás, pode ser dito do Clinton. Já Bush, um desastre completo.
  • Juan Pinto  21/09/2015 15:24
    Boa tarde,

    Fico impressionado com suas análises. Os fatos e os fundamentos se encaixam perfeitamente e não é uma mera falácia "filosófica" com viés ideológico.

    É simples, mas não simplificado, como diria Einstein.

    Acho interessante a visão macro de que como vários elementos que influenciaram a situação econômica que vivemos no passado e que, por falta de conhecimento ou cretinisse mesmo, não são abordados pelos "especialistas".

    Vocês tem me ajudado bastante a entender economia de uma forma que nunca pensei que entenderia.

    Muito bom, parabéns!
  • Leandro  22/09/2015 17:12
    Obrigado pelas palavras, Juan. Grande abraço!
  • Marco Raposo  21/09/2015 15:32
    Ponto para o Dolar?

    A cotação do dólar é um reflexo de uma conjuntura da economia internacional.

    A análise do que levou a flutuação do dólar é mais importante que a própria flutuação.

    O entendimento e atuação dos agentes econômicos, pautado em parte no artigo, são mais importantes que a mera flutuação do dólar.

    Dolar desvalorizado em uma região leva aplicações para outras partes do mundo, esse fluxo de moeda internacional e onde elas são aplicadas explicam o crescimento, inflação, crises, etc.

    Não posso deixar de parabenizar o artigo. Nos põe a pensar... Nem todas as explicações estão aqui, mas é uma importante análise econômica!

    Gostaria de ter mais respostas a dar que perguntas a fazer, mas nesse ponto ainda me faltam dados em especial sobre o crescimento dessas economias.

    Abraço. E mais uma vez parabéns.

    Marco Túlio Raposo
  • Adelson Paulo  21/09/2015 15:45
    Inicialmente, agradeço ao Leandro por mais esta aula de economia brasileira, mais uma luz no meio de tanta falácia e escuridão.
    Agora, gostaria de contrapor parcialmente alguns comentários aqui mais pessimistas sobre nosso futuro. Temos algumas grandes vantagens em relação a nossos vizinhos latino-americanos. Nossa herança caudilhesca não é tão arraigada, fruto de nosso processo político de independência e da Monarquia, única nas Américas. Recomendo a leitura da biografia de Pedro II, de José Murilo de Carvalho, que ilustra bem estas diferenças.
    A Argentina tem um poder político extremamente centralizado, e os peronistas construíram uma máquina de reprodução de poder apenas superada pelo Partido Revolucionário Institucional do México (que também teve que ceder e se modernizar). Temos fortes núcleos alternativos de poder, nos Estados e na oposição, além do contra-peso histórico do PMDB que impede vôos mais ousados das forças de esquerda.
    Nosso dinamismo econômico ainda é muito grande, e possuímos uma classe empresarial que pode, diante de uma alternativa política consistente, aglutinar-se em torno de ideais mais liberais e de livre mercado. É muito difícil, mas talvez este seja o momento mais propício na história recente para isto. Além do mais, nossa elite empresarial, que deixou-se seduzir pelo canto da sereia de Lula e do PT, amarga agora as consequências deste seu imobilismo ideológico: percebe-se agora o real perigo do projeto de poder lulo-petista.
    O povo sempre foi presa fácil dos discursos populistas, mas também pode ser adequadamente levado a apoiar uma alternativa de centro, com o apoio da grande mídia, para tentar melhorar sua crítica situação econômica. A população brasileira é ainda, em sua grande maioria, conservadora.
    Resumindo, restam esperanças. Mas vamos pagar um preço muito alto por toda esta irresponsabilidade, política e econômica, dos governos do PT.
  • Pedro  21/09/2015 15:46
    Estou a falar de Portugal, e por acaso é triste ver o Brasil nesta situação, mas a culpa inicialmente foi dos Brasileiros em terem votado no PT de Lula em 2002 (quando as votações ainda não eram adulteradas pelas famosas máquinas electronicas), uma vez no poder os comunistas fazem tudo o que for necessário para não sairem mais, é só ver a Venezuela.
    Felizmente nem toda a América Latina está perdida, Colombia, Peru, Chile (vamos a ver se não descarila para o Socialismo), e México estão a crescer e tem governos que defendem o investimento privado.
    É só comparar os resultados da aliança do pacifico (Chile, Peru, Colombia e Mexico) com os resultados do Mercosul (Argentina, Paraguai, Brasil, Venezuela)...
  • Investidor  21/09/2015 16:46
    Sim, o México tem a sorte de ter o vizinho do norte, uma influência muito positiva que não deixa o Méx descarrilar. ahxr2
  • vinicius  21/09/2015 16:02
    achei excelente o artigo, mas não valeria a pena incluir o boom demográfico no processo?
  • Leandro  21/09/2015 16:24
    Na década de 2000, o crescimento demográfico foi o menor da história do Brasil (só perdendo, é claro, para a atual década).

    cdn.tradingeconomics.com/charts/brazil-population.png?s=bra+sp.pop.totl&v=201508042139h&lang=all&d1=19150101&d2=20151231

    A demografia, aliás, ajuda a explicar a atual "baixa" taxa de desemprego. Com menos crescimento demográfico, há menos gente entrando no mercado de trabalho e, consequentemente, há menos gente procurando emprego.

    Logo, as estatísticas de desemprego ficam menos pressionadas.
    Tal fenômeno vem ocorrendo há décadas no Japão e também em vários países europeus, notadamente a Alemanha. A taxa de desemprego da Alemanha despencou justamente a partir da crise de 2008, o que a princípio não faria sentido. Mas aí, quando se observa o que aconteceu com a demografia, tudo passa a se encaixar perfeitamente.

    Aquelas taxas de desemprego de dois dígitos no Brasil (13% em 2003) ficaram pra trás.

    Agora, caso o desemprego medido pelo IBGE nas seis regiões metropolitanas do Brasil (ou seja, o mensurador mais estreito e menos acurado) volte aos dois dígitos, então pode saber que a situação é realmente calamitosa.

  • vinicius  21/09/2015 16:31
    justamente isso que estou dizendo o dólar não explica tudo sozinho, o bonus demográfico que tivemos ajuda a explicar uma parte do crescimento e aumento de salários.

    e minha sugestão é que este bonus estivesse inserido no artigo
  • Rodrigo Pereira Herrmann  21/09/2015 17:01
    pior é que o tal boom demográfico passou e o déficit da previdência continua crescendo e já ultrapassa os R$ 100 bilhões.
  • anônimo  21/09/2015 16:12
    A construção do Socialismo passa necessariamente por uma "época de Capitalismo" (abertura de mercados e atração de investimentos) em que o partidão se preocupa em tempo integral em centralizar todo o poder político nas mãos. Lênin com a Nova Política Econômica que o diga.
  • Leonardo  21/09/2015 16:24
    Marcelo Odebrecht não é delator. Ainda.
  • IRCR  21/09/2015 16:47
    Leandro,

    Lula e PT querem uma guinada na política econômica do governo
    www.cnf.org.br/noticia/-/blogs/lula-e-pt-querem-uma-guinada-na-politica-economica-do-governo

    O que vc acha dessa possível guinada heterodoxa do governo ?
  • Marconi Soldate  21/09/2015 18:02
    Ahmmmm saiu a tal tese aí do Leandro, muito bom!

    Mas eu não sei se o efeito da China pode ser localizado assim nos setores de mineração e soja.. o efeito se espalha não só pelos setores ligados a esses, mas sim a toda economia de forma um pouco mais importante do que foi colocado.

    Um cara desempregado no Brasil, por exemplo, que consegue um emprego devido a demanda de minério da China, ganhará renda e irá consumir centenas de produtos e impulsionar vários setores (como a indústria nacional) que nada tem a ver com minério.

    O argumento de que as poucas exportações mostram um efeito limitado da China na nossa economia não considera o aumento da demanda dos produtos manufaturados produzidos aqui.

    Mas gostei bastante do texto, no geral me convenceu. Muito bom!



  • Leandro  21/09/2015 18:45
    "Um cara desempregado no Brasil, por exemplo, que consegue um emprego devido a demanda de minério da China, ganhará renda e irá consumir centenas de produtos e impulsionar vários setores (como a indústria nacional) que nada tem a ver com minério."

    Essa é a falácia do "efeito multiplicador" keynesiano, já amplamente refutado aqui. Troque "demanda de minério da China" por "setor público brasileiro" e o raciocínio permanece semelhante.

    De resto, os efeitos do boom do setor de minério e de soja foram abordados pelo artigo, com cifras e dados. Este seu cenário de "cara desempregado arruma emprego por causa da demanda de minério na China e com isso movimenta toda a economia brasileira" é, sinceramente, muito forçado.

    Tal cenário até teria algum sentido se "esse cara desempregado" fossem dezenas de milhões de pessoas. Mas quantas são as pessoas ligadas ao setor de minério? Elas explicam o PIB ir de 7,5% em 2010 para -3% em 2015?

    Não tenho problema nenhum com essa teoria, mas ela tem de ter substância.

    "O argumento de que as poucas exportações mostram um efeito limitado da China na nossa economia não considera o aumento da demanda dos produtos manufaturados produzidos aqui."

    Tal demanda foi contemplada explicitamente no artigo. Copio o trecho:

    "Com o ajuste feito em 2003 e a subsequente estabilização da economia, houve um substancial aumento do investimento, do crédito e da quantidade de pessoas empregadas, as quais não apenas expandiram o mercado de consumo interno, como também aumentaram a plataforma produtora de exportação.

    Mesmo no agronegócio, a expansão na maior parte do período 2003-2011 foi baseada em aumento de volumes, produtividade e área plantada. Isso também foi fruto da estabilidade, da confiança e do aumento dos investimentos.

    Mas apenas esse ajusta ainda não explica o crescimento da década."

    "Mas gostei bastante do texto, no geral me convenceu. Muito bom!"

    Obrigado. Abraços!
  • Sérgio  22/09/2015 16:02
    Marconi, se a China explicasse nosso crescimento, então era para estarmos bombando neste exato momento:

    Importação de soja do Brasil pela China sobe 27,5% em agosto
  • Corsario90  21/09/2015 18:10
    Mas um excelente artigo! Tenho uma dúvida: eu sendo empresário, conhecedor dos ciclos EA, vendo Q meus pares estão realizando investimentos e colhendo fruto momentaneo, eu sozinho teria condições de escapar desse crédito barato, não fazer tanto investimento? Resumo, teria fôlego suficiente para esperar a crise chegar e colher frutos ou morreria na praia face aos colegas que aproveitaram o falso boom??
    Não fale em investimentos em ouro ou outra comiddities, mas na
    Minha própria empresa? Tem como fugir disso se a maioria investe é segrega sua clientela, me considerando um
    Médio empresário?
    Obrigado
  • Leandro  21/09/2015 18:49
    "eu sendo empresário, conhecedor dos ciclos EA, vendo que meus pares estão realizando investimentos e colhendo fruto momentâneo, eu sozinho teria condições de escapar desse crédito barato, não fazer tanto investimento? Resumo, teria fôlego suficiente para esperar a crise chegar e colher frutos ou morreria na praia face aos colegas que aproveitaram o falso boom? [...] Tem como fugir disso se a maioria investe é segrega sua clientela, me considerando um médio empresário?"

    Não, não tem.

    E essa é a tragédia dos ciclos econômicos gerados pela expansão do crédito. Eles obrigam mesmo os empresários prudentes e cônscios a embarcarem no desvario. Afinal, se você não o fizer, você simplesmente perderá fatia de mercado para os seus concorrentes. E como não é possível saber exatamente qual será a duração do boom (pode durar apenas alguns meses, como também pode durar vários anos), você não pode se dar ao luxo de ficar de braços cruzados, vendo seus concorrentes abocanharem seu mercado.

    A única coisa que você pode fazer é ir se protegendo ao mesmo tempo em que embarca na loucura e tenta fazer frente aos seus concorrentes.
  • Thiago Teixeira  21/09/2015 21:41
    O Hélio Brandão Filho comentou no seu primeiro Podcast, aqui mesmo no IMB, que aprendeu com a EA a ler os sinais de redução de liquidez na bolsa para sair antes do estouro da bolha.

    Para o empresário, creio que isso se traduza de outra forma, quitar dívidas e frear expansão das atividades aos sinais de que está chegando a fase de recessão.
    Quais são esses sinais? Não faço a menor ideia... Kkkk...

    Falando em proteção, como pessoa física, estou com um remorso grande por não termcomprado ouro quando estava 119,50 reais por grama, em julho. Ontem vi que está 144. Se eu fosse americano, remaria contra a maré e adquiriria ouro agora. Mas tendo reais para converter em ouro, questiono-me seriamente se o momento de migrar para o ouro já passou.
    O Fernando Ulrich já tinha dado a dica: devemos ter um pouco de ouro, jm poquinho de bitcoin e o restante em dólares.
  • Charles Miller  21/09/2015 23:16
    Leandro, tenho bastante interesse neste assunto. Tu teria como indicar artigos/livros sobre este tema?
  • CORSARIO90  22/09/2015 02:25
    Pois é Leandro, triste, pq tendo consciência disso, acaba sendo forçado a embarcar nessa canoa furada.....pena q conheci a EA um pouco tarde, mas vejo no comércio que vc acaba ficando realmente refém dessa armadilha ciclica, pois não se pode dar o luxo de contar com o tempo....e acaba indo na correnteza...
    Na vida aqui, percebo que cortar gastos públicos é a única solução que amenizará essa recessão.
    Em cidade pequena, onde prefeituras são os motores que move o comércio local, o quadro será sangue, suor e lágrimas...
    Próxima rodada de boom depois do burst, espero está mais preparado, embora hj acho q vc consegue investir, só que tem que investir naquilo que o governo dá a mão no final das contas....triste realidade para aqueles que gostariam de viver num país melhor......sob menos intervencionismo.......

    Acho que daqui a pouco vao mandar um PND de grandes proporções....pois tem muita gente que acha que será a salvação da lavoura.....



    Muito grato pelo IMB ser uma luz no fim do túnel!!
  • Fabio Fabro  21/09/2015 18:21
    Leandro,

    Qual seria a explicação para essa revalorização do dólar a partir de 2011? Crescimento americano, certo? Esse crescimento não está intimamente ligado ao excesso de oferta de Petróleo e queda nos preços, com Shale gás no EUA e OPEP/RÚSSIA ampliando a oferta? Com esse excesso de oferta, fruto da desvalorização do dólar em 2003 como mencionado, o maior beneficiado neste momento é o próprio EUA - maior consumidor - reduzindo custos no EUA.

    Difícil é distinguir quando a variação do dólar é causa e quando é consequência!
  • Leandro  21/09/2015 18:46
    Houve uma importante alteração no funcionamento do governo americano.

    O primeiro mandato de Obama foi pavoroso. Foi tão ruim quanto o segundo mandato de Bush. E publicamos vários artigos sobre isso. Em agosto de 2011, o dólar chegou ao seu menor valor no mercado mundial. Tão ruim era o governo Obama, que até mesmo o real sob Dilma conseguiu a façanha de se fortalecer perante o dólar.

    Não é à toa que, mesmo sendo venerado pela mídia americana e pela mídia mundial, e mesmo tendo disputado a reeleição com um republicano que não contava com nenhuma simpatia da sua base, Obama passou aperto para se reeleger, tão ruim estava a economia.

    Mas aí aconteceu algo que este Instituto sempre defendeu como solução: o governo federal americano, a partir de 2013, ficou totalmente paralisado. Obama perdeu toda a sua base de apoio na Câmara e no Senado. O governo federal entrou em gridlock.

    Desde então, o que Obama fez? Nada. Absolutamente nada. Ele nunca mais conseguiu aprovar nenhuma lei. Sua almejada reforma do sistema de saúde paralisou-se por completo, e nenhuma outra medida intervencionista foi aprovada. O máximo que Obama hoje consegue fazer é mudar nome de montanha, conceder entrevistas a talk shows de comediantes, e dizer se sentir frustrado por não conseguir impor leis mais rigorosas sobre a venda de armas.

    Só.

    Em suma: desde que o governo americano ficou travado, começando em 2013, a economia automaticamente começou a melhorar. Sem o governo para atrapalhar, o dólar se fortaleceu e a bolsa de valores americana (que sempre se dá bem quando o dólar está forte) se valorizou.

    O próprio Fed hoje possui em seu alto escalão pessoas mais sensatas que na época de Bernanke, como é o caso de Stanley Fischer, vice-presidente do Fed, que abertamente faz declarações em prol de um dólar forte. O atual secretário do Tesouro, Jack Lew, também fala abertamente sobre as vantagens de se ter uma moeda forte.

    E, como este site nunca se cansa de repetir, moeda forte e governo em retração é o segredo para qualquer recuperação econômica. A economia americana é apenas mais um exemplo prático disso.

    Sendo assim, posso dizer apenas -- jocosamente, é claro -- que Obama nos leu. Faz 6 anos (desde nossa criação) que insistimos aqui que uma moeda forte é o segredo. Sem moeda forte não há economia forte. A moeda forte pode não ser tudo, mas sem moeda forte, tudo vira um nada.

    E o que aconteceu com os EUA? Bastou o governo ficar travado, sem nenhuma chance de inventar novas intervenções, que o dólar ficar forte. Consequentemente, a economia americana se recuperou. Praticamente como mágica.

    (Ah, sim: o fato de o mercado de trabalho nos EUA ser bem mais flexível, também ajuda bastante, principalmente nos índices de desemprego.)

    Enquanto isso, aqui no Brasil, o real segue sua inexorável viagem rumo ao esgoto.

  • Fabio Fabro  21/09/2015 19:19
    Ok, tem muito sentido. Vejo a economia como uma grande modelo caótico - as vezes uma pequena alteração em alguma variável relevante pode trazer grandes consequências à frente. Dado que não podemos prever essa caoticidade, diferentemente de modelos climáticos por exemplo - por conta da imprevisibilidade da ações humanas, o melhor a fazer é quase sempre não fazer nada mesmo, desde que os automatismos do capitalismo liberal estejam funcionando. Ainda assim podemos tentar buscar alguma consequência de uma dada ação, como aprendizado. Acredito que o preço internacional do petróleo tem muito a ver com isso também passando de consequência à causa.

    Essa fortaleza do dólar me parece um tanto passageira ou não? Pensando no grande endividamento do governo americano, sendo que agora passa a não poder contar tanto com o forte crescimento das economias emergentes para se refinanciar. Estou errado? Será que não estamos caminhando para um colapso do dólar mais à frente?

  • Magno  21/09/2015 19:31
    Não é só o dólar não. O real foi pra privada em relação a todas as moedas do mundo. Veja a evolução da libra esterlina, do franco suíço e do próprio euro.

    mises.org.br/Article.aspx?id=2018
  • Dede  21/09/2015 19:49
    O endividamento da governo americano é alto em relação ao PIB, mas não tão alto quando se leva em consideração a riqueza total da sociedade americana.
    Uma coisa é um país como o Brasil dever, com baixa produtividade, infraestrutura precária e com população com pensamento estatista.
    Outra é os EUA: População empreendedora, destino de imigração milhares de povos, incluindo ricos do mundo todo, país com infraestrutura, mão de obra qualificada e com relativa liberdade econômica.
    Não há o menor risco do dólar entrar em colapso. No momento que o endividamento se tornar um problema há muito espaço para aumento de impostos, inclusive impostos sobre renda e patrimônio (Que eu sou contra). O patrimônio das famílias ricas americanas é estratosférico. Não vejo a menor possibilidade do dólar entrar em colapso.

    Endividamento por endividamento, o Japão possui um alto endividamento em relação ao PIB. Mas se comparar com a riqueza acumulada dos japoneses, o endividamento não é tão alto.


  • Fábio Fabro  23/09/2015 03:14
    Eu já acho que é precisamente esse o ponto onde a economia americana vai enveredar para um enfraquecimento. Quando o endividamento alto chegar ao ponto de justificar o aumento de impostos...
  • Dede  21/09/2015 19:22
    E na hipótese do PT cair e entrar um governo mais sensato, com uma equipe ortodoxa, uma Armínio Fraga na Fazenda e o um Meirelles no Bacen, que cortassem gastos, reduzissem a máquina e implementassem um programa de desestatização, seria essa a solução de curto prazo para a economia brasileira?
  • Fabio Fabro  21/09/2015 19:58
    Penso ser essa solução sim. Acho que o impeachment pode ser o começo de uma retomada. Quanto mais a Dilma ficar pior pois ela já não governa e as incertezas só aumentam.

    De qualquer forma se a nova equipe que assumir, digamos com PMDB à frente do governo e recebendo apoio do PSDB e outras legendas, não demonstrar que está disposto a fazer os cortes e empreender as reformas necessárias, a situação vai permanecer ou até piorar. Mas acho que não há outra saída. Aumento de impostos já não tem qualquer apoio e se a "oposição" tentar fazer o mesmo quando estiver assumindo o governo, vai sofrer ataque de todos os lados.

    Porém no médio prazo as reformas são absolutamente necessária: tributárias, previdenciárias e trabalhistas. Talvez tenhamos as melhores condições para empreender tais reformas em todos os tempos até aqui, mesmo com a choradeira dos movimentos esquerdistas que já terão pouco crédito depois de 13 anos de baderna.
  • Andre Cavalcante  21/09/2015 20:01
    Olá,

    Não sou o Leandro, mas posso dizer o seguinte. Curto prazo é: mantidas as condições atuais. Longo prazo é: as condições são diferentes das atuais.

    Isso que cê colocou já é longo prazo, portanto. Então não seria uma "solução de curto prazo", mas "uma solução de longo prazo".

    Sim, esse seria um caminho adequado.
    Do ponto de vista puramente temporal, levaria um bom par de anos para sairmos do buraco que estamos, mesmo com mudanças assim. Então, como temos Dilma ainda por 3 anos e mais 2 para começar a dar resultado qualquer política de "austeridade", já somamos 5 anos. Como já temos 2 anos de trapalhadas, então já teríamos 7. Ou seja, quase uma década perdida. E, se não tomar cuidado, podemos ter mais uma.

    Mas, o certo mesmo, seria uma dolarização total da economia ou um currency board. Mas isso mataria qualquer tentativa do governo aumentar ainda mais. Logo, praticamente impossível de acontecer...
  • Thiago Teixeira  21/09/2015 21:54
    Mas Leandro, apesar de Obama estar amarrado, Janet Yellen continua com a política de juro zero no Fed; e o FED já praticamente esterilizou o mercado de títulos do tesouro americano... Creio que isso seja um fator importante para desestabilizar o dólar a qualquer momento.

    Aqueles dois artigos do Ulrich a esse respeito deveriam ser republicados...

    Ah, e temos um fator deflacionário sobre o dólar não é? Os juros que o FED está pagando sobre o total de reservas dos bancos privados. Eles estão sendo estimulados a controlar a derrama de dinheiro na economia. Até quando?
    Ah, e isso me remete ao caso brasileiro: estamos dependentes do juízo dos banqueiros privados...
    É muita insanidade...
  • Leandro  21/09/2015 22:39
    Pois é, mas essa política inesperada do Fed foi crucial.

    Como já dito em outros comentários, o Fed, em uma medida totalmente sem precedentes (uma medida que nunca foi abordada em nenhum manual de macroeconomia), passou a pagar juros sobre todo o dinheiro que os bancos voluntariamente mantêm depositados no Fed.

    Antes, o Fed pagava juros apenas sobre os depósitos compulsórios dos bancos. Agora, ele paga juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente depositam no Fed.

    É por isso que a base monetária -- mais especificamente, o componente "reservas em excesso" -- explodiu, mas esse dinheiro não entrou na economia.

    Com essa medida de pagar juros sobre todo e qualquer depósito voluntário que os bancos fizerem no Fed, não há nenhum risco de inflação alta, e muito menos de hiperinflação. E é bem mais fácil manter um dólar forte.
  • Laercius  21/09/2015 18:38
    Excelente artigo.Desculpe perguntar Leandro, mas é um artigo seu "de punho" ou uma compilação (ou ainda)uma tradução de texto?De qualquer forma,parabéns pela publicação.Não costumo imprimir os textos,mas fiz isso para lê-lo mais algumas vezes.
  • Rubens  21/09/2015 19:02
    Artigo, muito bem elaborado, Parabéns
  • Paranaense  21/09/2015 19:08
    Excelente artigo, muito elucidativo. Nuvens negras pairam sobre o Brasil.
  • Thiago Diniz  21/09/2015 19:20
    Formidável artigo. Leandro sempre trazendo coisa boa.

    Tenho uma pergunta: O que fazer para se ter uma moeda forte perante ao dólar sem depender de mal momento dos EUA(vide a expansão de crédito lá, guerra do Iraque, etc). Teríamos que ser mais produtivos e isso já bastaria para se ter um real forte perante ao dólar?


    Abraços!
  • Andre Cavalcante  21/09/2015 20:07
    Olá Thiago Diniz 21/09/2015 19:20:00

    "O que fazer para se ter uma moeda forte perante ao dólar"?

    R. Uma moeda ancorada em uma commoditie como o ouro. Ou então uma criptomoeda.

    Junte a isso leis que respeitem o direito de propriedade, liberalização das idas e vindas de capitais, liberalização das idas e vindas de mão-de-obra, leis ordeiras (não esse emaranhado espaguete de leis que não servem pra nada e o povo já nem pensa se está ou não cumprindo) e uma flexibilização geral do trabalho.


    "Teríamos que ser mais produtivos e isso já bastaria para se ter um real forte perante ao dólar?"

    R. Com tudo isso que citei acima, a produtividade vem naturalmente com o acumulo de capital e o desenvolvimento da criatividade humana que tal arranjo proporciona.

    Abraços
  • Thiago Diniz  23/09/2015 02:37
    Obrigado grande André!
  • Hugo  22/09/2015 03:12
    Isso só vai ser possível se o BR adotar uma reforma drástica da economia,com o governo desinchando imensamente a ponto de eliminar as surreais bur(r)ocracias que sufocam a economia brasileira,como as intervenções no mercado de trabalho e no comércio exterior que prejudicam a inovação e investimento. Com isso a economia se tornaria sólida,pujante e confiável,pois o governo deixaria de massacrar a economia com suas políticas totalmente sem sentido e imprevisíveis,melhorando assim a confiança no cumprimento dos contratos da economia (o governo brasileiro é perito em afugentar desenvolvimento econômico com medidas mirabolantes e confiscatórias que deixa uma pulga atrás da orelha dos investidores quanto ao futuro da economia),e com a redução do estado a pressão inflacionária cairia muito pois o estado não pressionaria a oferta de crédito com a rolagem de seus déficits,e com a pouca pressão inflacionária sobre a moeda brasileira ela tenderia a se valorizar com o tempo (e a juros mais baixos) atraindo investimentos do mundo todo que gerariam um estrondoso aumento de bem estar pela estabilidade efetiva da moeda.
  • Thiago Diniz  23/09/2015 02:40
    Obrigado Hugo
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  21/09/2015 20:32
    Lamentável: o brasil só consegue ir para a frente graças à desgraça dos outros. O brasil é ridículo.
  • Pp  21/09/2015 21:11
    Você comentou que, no período 2002-2008, o dólar estava enfraquecido.
    Porém sabemos que a economia americana estava pujante.

    Pode isso?

    Agora a economia americana está fraca, mas o dólar valorizado.

    Talvez devemos isso ao EURO estar muito enfraquecido?
    O que não acontecia no passado...
  • Leandro  21/09/2015 22:34
    Pujante? Não havia nada de pujante.

    Havia duas bolhas, uma imobiliária e uma no mercado de ações. Ambas geraram o efeito da "riqueza ilusória": as pessoas acreditavam que eram mais ricas do que realmente eram. Tanto é que, tão logo as duas bolhas estouraram, as pessoas imediatamente descobriram a real situação em que estavam.

    Havia pujança, isso sim, nos períodos Reagan e Clinton, quando a moeda era forte e o padrão de vida das pessoas realmente se elevou. Na era Bush, não houve melhoria nenhuma. Houve apenas destruição. As pessoas apenas achavam que estavam ricas por causa de valores fictícios dos imóveis e das ações (bolha essa gerada pela moeda fraca). Tão logo ambas as bolhas estouraram, lá se foi a "pujança".
  • Dede  23/09/2015 13:51
    Leandro, sei que política não é sua especialidade, mas o que você acha dessa guinada à esquerda do Partido Democrata? Seria isso um risco à economia americana?
  • Rodrigo Pereira Herrmann  23/09/2015 15:13
    Isso é uma verdade mesmo. A New Left americana é mais radical do que a esquerda moderada histórica dos EUA. O esquerdismo lá vem crescendo, assim como a implantação da agenda progressista. A eleição e reeleição do Bobama é o paroxismo dessa tragédia. Só que lá existe um movimento conservador muito forte e ativo (não estou falando do idiota do trump), e a luta será renhida.
  • Felipe Lange S. B. S.  21/09/2015 21:43
    Mais um excelente artigo do Leandro!

    Olha, acredito que o impeachment seria uma solução instantânea para pelo menos acabar com esse governo desastroso que, por sinal, nada tem feito para melhorar a economia, e já não tem mais confiança nem dos investidores estrangeiros e nem dos eleitores. Agora sem o Presidente da Câmara, do Senado e o vice como possíveis substitutos, não sei no que poderia dar.

    Agora, Leandro, como você explicaria a política monetária dos Estados Unidos? O que o faz ter um IPCA infinitamente menor que o brasileiro? O funcionamento do FED é equivalente aos bancos brasileiros em questão de expansão monetária?

    Grato pela atenção,
    Felipe
  • Rodrigo Pereira Herrmann  22/09/2015 00:06
    a única chance é a cassação do mandato por constatação de crime eleitoral pelo TSE, a partir dessas delações todas.

    impeachment - impugnação pelo congresso - é impossível. essa oposição de bosta não tem força/quórum pra isso. o povo também não tem. e as forças armadas nem se sabe onde estão. além disso, o governo sempre tem alguma barganha pra persuadir a mesquinharia da planície política.
  • Leandro  22/09/2015 17:18
    "O que o faz ter um IPCA infinitamente menor que o brasileiro?"

    A economia é mais aberta, a moeda mais forte (pois ela é mundialmente demandada) e as expectativas inflacionárias -- explicadas no artigo -- são mais ancoradas.

    "O funcionamento do FED é equivalente aos bancos brasileiros em questão de expansão monetária?"

    O funcionamento do Fed é idêntico ao do BACEN.
  • Julio  21/09/2015 23:37
    Excelente artigo, como sempre, Leandro.

    Uma dúvida, já que o mesmo foi citado: qual seria a análise da postura, até aqui, de Joaquim Levy como Ministro da Fazenda?
  • Ali Baba  22/09/2015 10:55
    Postura? De quatro...
  • Frederico  22/09/2015 00:18
    Leandro, ao ler seu otimo texto, pergunto:
    se fossemos uma populaçao com forte educaçao financeira, soubessemos de economia igual a futebol, enxergariamos naquele bom periodo, que o governo precisaria ser mais do que nunca ortodoxo, e cobrado pela sociedade tal postura, sobraria agora esta amargura do voo de galinha?
  • Geógrafo   22/09/2015 01:18
    Lula fez um bom governo, principalmente nas políticas sociais, só que o tempo de bonança passou e não fez as reformas estruturais, na previdência e funcionalismo. Aliás nenhum presidente o faria, porque é mexer num ninho de vespeiro. Fora os investimentos em infraestrutura com os PACs.
  • Felipe  22/09/2015 02:05
    Ótimo texto, Leandro. Parabéns!
    Uma dúvida de leigo que sou. Para controlar a inflação, o governo não poderia aumentar o depósito compulsório em vez dos juros? Além disso, aprovar alguma medida que fizesse com que os juros sobre o depósito compulsório fosse menor que o atual. Ao meu ver, isso limitaria o crédito e consequentemente a inflação sem aumentar os gastos públicos.


  • Leandro  22/09/2015 17:28
    "Para controlar a inflação, o governo não poderia aumentar o depósito compulsório em vez dos juros?"

    Poder, poderia. Mas o efeito seria inócuo, dado que a atual carestia não advém majoritariamente do crédito para o setor privado, mas sim da desvalorização cambial e dos déficits do governo, que são inflacionários.

    "Além disso, aprovar alguma medida que fizesse com que os juros sobre o depósito compulsório fosse menor que o atual. Ao meu ver, isso limitaria o crédito e consequentemente a inflação sem aumentar os gastos públicos."

    Creio que você quis dizer "juros sobre o depósito compulsório fossem maior que o atual". De novo, isso é imaterial.

    Aliás, há bons argumentos que mostram que o compulsório é um instrumento que, na prática, já se revelou pra lá de inócuo. Tanto é que as principais economias do mundo ou já o aboliram ou o reduziram a valores ínfimos. Na Austrália, na Nova Zelândia, no Canadá, no Reino Unido e na Suécia, ele foi abolido. Na zona do euro, ele é de 1%. Na Suíça, ele é de 2,50%. Veja a lista aqui.

    Explicar por que o compulsório tornou-se inócuo exigiria um artigo à parte, mas é suficiente dizer que eles foram anulados pela própria existência dos Bancos Centrais. A partir do momento em que existe um Banco Central fixando uma taxa de juros e estando disposto a oferecer aos bancos a quantia necessária de reservas para evitar que estes juros subam, a quantidade de reservas compulsórias perde a importância. Afinal, a função do compulsório é justamente restringir os bancos. Porém, tal restrição levaria ou a um aumento dos juros ou a um congelamento geral do crédito. E nenhum BC quer isso. Na prática, portanto, os próprios BCs anulavam a efetividade do compulsório.

    Se você for fluente em inglês, essa monografia do Banco da Inglaterra explica bem por que o compulsório se tornou inócuo.
    Grande abraço!
  • Felipe  23/09/2015 01:05
    Obrigado pela resposta, Leandro. Entendi, faz sentido! Lerei o artigo.
    Abraços!
  • Ragnister  22/09/2015 04:46
    Fiquei com duas dúvidas:

    1) O melhor caminho pro Brasil a longo prazo é diminuir a dependência do dólar ou dolarizar a economia? (Ou nenhuma das opções)

    2) Se a China ou qualquer outro país fique mais rico que o EUA, o mundo trocará de moeda principal? Em outras palavras, enquanto existirem países, quem dita a economia global é o país mais rico?
  • Juan Domingues  22/09/2015 13:24

    1. Não é possível se desvencilhar da economia internacional em um mundo globalizado. Logo, se não pode com eles, junte-se a eles - adote o dólar. O currency board com o dólar relativamente fixo é a melhor opção.

    2. Não é tão simples assim. Não há uma relação que obrigue o maior PIB a ser moeda mundial automaticamente. Há diversos fatores que contam para isso, alguns objetivamente mensuráveis, outros não. A tradição do país no comércio, a responsabilidade do seu banco central, o grau de confiança das suas instituições, o poder militar, entre outros. A China pode se tornar o PIB número 1 eventualmente, mas carece de muitas qualidades que os EUA possuem.
  • anônimo  22/09/2015 05:36
    Leandro, qual o motivo da valorização, também no período 2003-2011, do Real perante o Euro?
  • Leandro  22/09/2015 12:28
    Vivemos em um mundo gerido por Bancos Centrais mercantilistas. Quando o dólar começou a se desvalorizar, os outros Bancos Centrais mundiais também entraram no clima. Se não fizessem nada, suas moedas iriam se valorizar fortemente perante o dólar, e seus respectivos setores exportadores -- que são um dos lobbies mais poderosos do mundo, em todo e qualquer país -- iria reclamar.

    Ato contínuo, tão logo o dólar começou a se desvalorizar, o Banco Central Europeu também começou a desvalorizar o euro -- com menos intensidade, mas ainda assim desvalorizou.

    A consequência disso? A bolha imobiliária européia -- com trágicas consequências na Espanha e na Irlanda -- e um boom econômico na Grécia e em Portugal, também com trágicas consequências. (Leia todos os detalhes aqui).

    O Banco Central brasileiro, à época gerenciado por Meirelles, simplesmente teve o bom senso de desvalorizar menos o real, medida essa muito elogiada por mim neste artigo.
  • M.S. Batista  22/09/2015 11:48
    Agora vai explicar isso para quem não entende de economia... ao moleque que usa celular e deve isso ao Lula, à senhora que mora com mais 1200 famílias em um condomínio do MCMV, ao tiozinho que nunca teve um carro na vida (nem CNH) e financiou "em suaves prestações" a perder de vista, à menina que usa perfumes "importados", ao pobre usuário do site Aliexpress que aproveitou o dolar "barato".

    A maioria das pessoas só analisam o hoje, o momento atual. Não conseguem entender que o presente é consequencia de ações do passado (planejadas ou desastrosas). Constantemente, vemos pessoas criticando o governo atual, mas enchendo de elogios o anterior, como se fosse "salvador da pátria". Mas esse analfabetos não conseguem entender que o governo anterior só conseguiu essa "fama", devido a diversos fatores, internacionais e nacionais, dos quais ele não teve sequer uma participação efetiva no sentido de colaborar. Muito pelo contrário. E para "ajudar", ainda falou aos quatro cantos.

    Assim como o Barba surfou numa estabilidade monetária planejada por governos anteriores, a partir de 93/94, a "chefa" herdou um país endividado, viciado no populismo, gastando dinheiro com festas (Copa e Olimpíadas), com mordomias difíceis de serem suprimidas. E agora resta saber como ela deixará o país ao seu sucessor.....
  • Dede  22/09/2015 12:33
    Lendo esse excelente artigo do Leandro eu lembrei de um artigo que havia lido por esses dias e que passou a fazer mais sentido:

    "Seria a Bolha Imobiliária uma Bolha do Brasil?"
    www.drmoney.com.br/investimentos/seria-a-bolha-imobiliaria-uma-bolha-do-brasil/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+BlogDoDrMoney+%28Blog+do+Dr.+Money%29

    "Muito se tem discutido nos últimos anos se existe ou não uma Bolha Imobiliária no Brasil. Você pode ver em vários posts aqui no blog (Bolha Imobiliária no Brasil?, Ainda a Bolha Imobiliária no Brasil, a Bolha Imobiliária e a relação preços/aluguel dos imóveis) que, apesar da elevação bastante significativa dos preços dos imóveis no Brasil desde 2008, não poderíamos falar de uma bolha no sentido clássico, em que os preços sobem sem base em nenhum fundamento, e o "estouro" da bolha é disruptivo para toda a atividade econômica. Agora que os preços dos imóveis começam a se estabilizar ou cair, a questão que se coloca é se a tal "bolha imobiliária" está finalmente estourando, ou se os preços dos imóveis simplesmente continuam seguindo os fundamentos da economia. Em outras palavras: será que o "estouro" da bolha imobiliária está causando a recessão brasileira, ou é a recessão que está causando a queda dos preços dos imóveis? Se for o primeiro caso, estaria confirmada a existência da "bolha imobiliária". Se for o segundo, nunca existiu uma bolha imobiliária."
    ...
  • Henrique Zucatelli  22/09/2015 12:46
    Gigante Leandro, mais um obrigado pelo elucidador artigo! Já repassei a teoria aos meus consortes.

    Agora quanto a prudência de um empresário, e a armadilha compulsória dos ciclos econômicos, há sim como escapar, e eu sou prova viva disso.

    Desde o ano de 2010 eu enxerguei algo muito errado nesse crescimento forçado da economia, justamente após o estouro de 2008. Foi justamente nesse ano que conheci o IMB, as ideias libertárias e tudo o que a Escola Austríaca embasa sobre economia, direito etc.

    Mas falando sobre como escapei dessa armadilha:

    "...Afinal, se você não o fizer, você simplesmente perderá fatia de mercado para os seus concorrentes".

    Quando em 2010 vi meus concorrentes crescerem exponencialmente através de alavancagem brutal via BNDES, eu fui motivo de piada por muitos por não fazer o mesmo. Amigos com fábricas enormes, comprando todos os tipos de propriedades, dizendo que lucravam absurdos e eu levava nome de mesquinho, míope etc.

    Mas nessa época eu fiz uma conta de padaria: se o endividamento tem um ciclo de no mínimo 36 a 60 meses, e todo esse crescimento está sendo promovido a força através de dinheiro Estatal (na época nem sonhava com reservas fracionárias), uma hora isso vai para o espaço.

    Me amedrontava também uma questão externa: a Grécia. Com toda aquela bagunça de GRexit na época, eu coloquei isso na conta também e segurei o impulso.

    No final das contas, somente investi parte do meu lucro. Endividamento ZERO. Cresci beeeem menos que meus concorrente aos longo desses cinco anos, porém em 2015 metade deles já quebraram, e a outra metade está quebrando.

    A demanda pelos meus produtos aumentou. A concorrência praticamente acabou. Aqueles que por ventura queriam entrar para concorrer nos mercados em que atuam já não tem mais dinheiro para isso, e aqueles que têm preferem não arriscar pois não sabem até onde vai essa crise.

    Mesmo que a demanda no geral tenha diminuído, para quem é sólido e desalavancado como eu, o que vier é lucro. Agora sim chegou o momento de investir, para mim claro, pois os preços de maquinário desabaram. Mesmo que essa crise só acabe em 10 anos, o que eu compro, compro com o fruto de poupança, portanto mais hora menos hora o valor se agrega.
  • Alexandre M. R. Filho  22/09/2015 14:58
    Henrique, qual o setor que vc atua?
  • Leandro  22/09/2015 17:35
    Caríssimo Henrique, muitos parabéns pela sua sobriedade e correta leitura do momento. Essa, aliás, é a nossa humilde função aqui: mostrar às pessoas como o mercado funciona, para que elas possam evitar sobressaltos futuros.

    Esse seu depoimento foi extremamente motivador para nós. Se mais pessoas tivessem essa sua mesma percepção, o sofrimento delas seria hoje bem menor.

    Grande abraço!
  • corsario90  23/09/2015 19:44
    Henrique, acho que a chave é realmente o endividamento ZERO sob uma ilusão de falsa demanda futura, somada a parcimônia nos investimentos. Só acho que você terá que ter folego para isso, vai depender do mercado onde atua, e outras conjecturas.
    Aqui sobrevivemos, mas acho que no ramo que tiver poucos concorrentes e o bomm demore muito até a chegada do burst numa cidade pequena onde o comércio é aquecido por prefeituras ae o bicho vai pegar.
    Sou a favor integralmente da EA, acho q é o caminho da saída da servidão, mas enquanto isso não chega, temos que nos alimentar enquanto isso.
    Sou a favor do CB ou cesta de moedas ou livre conversabilidade, qq coisa que tire das maos do governo a politica monetária discricionária que nunca deu certo porque poder sem controle externo gera os piores resultados.
    Não sou Anarco, sou minarquista de carteirinha.
    Boa sorte na empreitada!
    abs
  • Leonardo F.  22/09/2015 13:13
    Artigo muito bem escrito. Continue o bom trabalho!
  • Fernando  22/09/2015 14:34
    Esse câmbio flutuante não está funcionando direito. Isso está gerando crises e instabilidade.

    Concordo com a mudança proposta na política cambial. Dolarização já ! Essa guerra cambial é nefasta. Os bancos centrais viraram malandros desvalorizadores de moeda. Não há FairPlay na economia global. São malandros dando um jeito para se proteger, causando bloqueios e travamentos na economia global.
  • Lopes  22/09/2015 15:50
    Excelente artigo, Leandro. É uma boa aula aos que congratulam o estado pelos "sucessos" da última década.
  • PedroF  22/09/2015 15:51
    Esclareco que doravante estou assinando PedroF porque ha um outro Pedro e isso pode causar confusao. Mas quero colocar um grano salis na discussao. Com a forte valorizacao do real em relacao ao dolar, ocorrida de 2003 a 2012, o Brasil, prestigiosamente, ascendeu da oitava para a sexta posicao no ranking dos PIB. Chegou a parecer que ia para a quinta posicao. Agora corre o risco de ir para a decima posicao. Nao resta duvida que eh um efeito que, embora colataral, causara um grande desprestigio internacional ao Pais.
  • Rodrigo  22/09/2015 16:13
    Leandro,

    O que é melhor para os nossos grandes bancos: inflação de preços sob controle ou fora de controle?

    Abraço!
  • Leandro  22/09/2015 17:47
    Nunca entendi essa teoria de que hiperinflação seria bom para os bancos.

    Imagine que você é um banqueiro. Você sabe que, em uma hiperinflação, os empréstimos que você conceder serão quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, e isso destruiria o real valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido.

    Sendo assim, você tem de "chutar" um valor exorbitante para os juros cobrados em seus empréstimos e torcer para que tal valor compense a hiperinflação do período.

    Desnecessário dizer que, neste cenário, você só pode fazer empréstimos de curto prazo, pois é impossível prever a inflação de longo prazo.

    Pergunto: por que tal cenário seria melhor que um cenário de total estabilidade econômica, muito mais previsível?

    Os lucros dos bancos brasileiros são hoje muito maiores do que na época da hiperinflação. Tanto é que, tão logo a economia se estabilizou, vários bancos foram à bancarrota, pois a "riqueza" deles era falsa, totalmente mascarada pela hiperinflação.

  • Cedric  22/09/2015 16:52
    Fantástico artigo Leandro. Uma verdadeira aula, tornou muito mais claro o entendimento sobre as conjunturas econômicas recentes do país. Muito obrigado.
  • Leandro  22/09/2015 17:10
    Eu é que agradeço pelas palavras, Cedric. Grande abraço!
  • Matheus  22/09/2015 17:59
    E a surpresa do dia
    www.brasil247.com/pt/colunistas/leandroroque/197877/O-que-realmente-permitiu-o-grande-crescimento-econ%C3%B4mico-brasileiro-da-%C3%BAltima-d%C3%A9cada.htm
  • Lel  20/03/2016 15:46
    Não acredito no que estou vendo kkkkkkkkkkkkkk
  • philip haag  22/09/2015 18:10
    não entendi a aparente contradição entre esse trecho:

    E esse impacto do dólar é muito maior do que muitos imaginam. Os preços dos remédios (85% da química fina é importada), do pão (o trigo é uma commodity precificada em dólar e é majoritariamente importada), das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é petróleo), de todos os importados básicos (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários)

    e o fato das importações em relação ao nosso PIB serem tão baixas quanto as exportações, respectivamente, 14,3% e 11,5% (dados de 2014: www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/pib/pib-vol-val_201502_8.shtm).

    alguma alma pode explicar?
  • Leandro  22/09/2015 18:30
    Não entendi onde está a contradição.

    "De cada 10% de alta da moeda norte-americana, a influência na inflação iria de 0,3 ponto porcentual no curto prazo a 0,8 ponto no longo prazo."

    www.gazetadopovo.com.br/economia/alta-recente-do-dolar-tera-impacto-no-ipca-ca19dqrja8028ltnqi46fuslq

    www.dci.com.br/economia/repasse-cambial-deve-acelerar-precos-nos-proximos-meses-id267023.html

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/12/1561615-dolar-em-alta-vai-trazer-mais-dificuldade-para-bc-domar-a-inflacao.shtml

    É exatamente por isso que o artigo é cuidadoso em ressaltar que, mesmo com toda a valorização cambial (o dólar foi de R$ 3,90 para R$ 1,60), isso não se traduziu em queda de preços, mas sim em aumentos menores.

    Caso a economia fosse mais aberta, tamanha valorização cambial geraria a bênção de termos preços realmente em queda.
  • Fabio  22/09/2015 18:35
    Leandro,

    E todos aqueles QE's? Se nao desvalorizaram o dólar por estarem depositados junto ao FED, ao menos não realimentaram novas e gigantescas bolhas nos EUA?

    É possível dar crédito à teoria de que o dólar irá colapsar? Qual, afinal, a consequência de medidas como os QE's e a política de juros zero para a economia americana e o dólar?

    Grato pelo esclarecimento!
  • Leandro  22/09/2015 19:03
    "E todos aqueles QE's? Se nao desvalorizaram o dólar por estarem depositados junto ao FED, ao menos não realimentaram novas e gigantescas bolhas nos EUA?"

    O gráfico da expansão do crédito nos EUA não mostra crescimentos exponenciais. Pode até estar havendo bolhas localizadas, mas não há nada que possa estar afetando toda a economia.

    "É possível dar crédito à teoria de que o dólar irá colapsar?"

    No momento, de jeito nenhum.

    "Qual, afinal, a consequência de medidas como os QE's e a política de juros zero para a economia americana e o dólar?"

    Como dito acima, a partir do momento em que o Fed surpreendeu a todos a adotou uma política totalmente inédita de pagar juros sobre todo e qualquer depósito feito voluntariamente pelos bancos, a política monetária chegou a um novo patamar.

    O QE foi adotado, na prática, para socorrer os balancetes de bancos; e na teoria, para impedir uma deflação de preços.
  • Thiago Teixeira  13/10/2015 00:28
    Adquiri o The Real Crash, do Peter Schiff, só vai dar para ler mes que vem.
    Não há perigo do dólar derreter?
  • Luís Henrique  22/09/2015 19:11
    Só fiquei com uma dúvida e não sei se poderiam me explicar, o porquê da commodity da soja estar aumentando seu preço, mesmo com o dólar subindo cada vez mais, sendo essa, também, precificada em dólar?

    Agradeço.
  • Leandro  22/09/2015 19:16
    Não está. Pelo contrário, está caindo:

    www.nasdaq.com/markets/soybean.aspx?timeframe=3y

    www.indexmundi.com/commodities/?commodity=soybeans&months=60
  • Luis Henrique  22/09/2015 19:30
    Sim sim. O preço do buschel está caindo na CBOT, que faz referencia para o preço nacional. Porém o preço no mercado interno está subindo. Alguma referência? Me expressei mal.

    Obrigado!
  • Leandro  22/09/2015 20:16
    No mercado interno de onde?

    O que é afetado pelo dólar é justamente o mercado mundial de commodities, e nesse mercado o preço da soja está caindo, em total sincronia com a força do dólar.

    Agora, quanto está custando a soja em uma cidade qualquer dos EUA, isso aí vai depender de inúmeros fatores, como demanda local, concorrência, regulamentações ambientais (o que encarece os custos de produção) etc.
  • Luis Henrique  23/09/2015 00:51
    Digo que está subindo no mercado interno (brasileiro), em cooperativas, cerealistas. Preço esse que é pago aos produtores conforme o preço pago nos portos brasileiros. Acompanho alguns sites de notícias agrícolas e os especialistas fazem referência a sustentação e aumento dos preços do Soja pela alta do Dólar.
  • Leandro  23/09/2015 01:00
    Pô, aí não, né? É claro que, em reais, a soja está encarecendo. Isso é básico.

    É o óbvio ululante que a soja está subindo no mercado interno brasileiro. O estranho seria se estivesse caindo.

    1) Com a alta do dólar, os produtores estão exportando muito mais. Consequentemente, a oferta interna fica reduzida. Menor a oferta, maior o preço.

    2) Com o real se desvalorizando, os preços de todas as coisas sobem. São necessários mais reais para se comprar o mesmo produto. A soja não é exceção.

    3) Soja é cotada em dólar. Se o dólar encarece, os preços em reais da soja também subirão.

    Pensei que você estava falando que a soja estava encarecendo em dólar nos EUA. Isso não fazia sentido.

    Já no Brasil, o que não faria sentido era se a soja não estivesse encarecendo em reais.

    E se você ainda não entendeu o raciocínio, favor ler este artigo, que explica exatamente por que uma desvalorização cambial encarece os produtos alimentícios no Brasil.
  • Luis Henrique  23/09/2015 20:34
    Claro, claro. Li o artigo que me indicou, esclarecedor, explicativo. Compartilharei.

    Baita texto.

    Obrigado!
  • T. Mércia  22/09/2015 20:10
    Excepcional artigo.
    Rico. Pomposo. Coeso.
    Um nácar!

    FLAP FLAP FLAP!!!!
    Parabéns!
  • Bastiat  23/09/2015 00:03
    Leandro, no modelo de currency board, ele seria definitivo ou temporário, se temporário qual deveria ser o tempo? Seria o primeiro passo se acaso opte pela dolarização?
  • Leandro  23/09/2015 00:53
    De jeito nenhum. Currency Board tem de ser definitivo desde a sua criação. Se você cria um Currency Board dizendo que ele é temporário, todo mundo sabe que, quando ele for abolido, a moeda nacional imediatamente se desvalorizará. Sendo assim, hoje mesmo sua moeda já não terá aceitação nenhuma. Por que teria?

    Criar um CB dizendo que ele será temporário é fazer um aborto antes do trabalho de parto.

    A única maneira de se sair de um Currency Board é justamente adotando a moeda-âncora como sendo a moeda nacional corrente. E só.

    Outra coisa que você pode fazer é liberar moedas estrangeiras para circular paralelamente à moeda nacional. Aí não tem problema nenhum.
  • Ricardo  23/09/2015 02:40
    Ou você pode fazer como a Argentina, arrebentar o Currency Board do seu país e levar uma economia saudável para a lama.

    Mas já que estamos falando de Currency Board, uma dúvida. Pelo que eu entendi, você adota um câmbio fixo entre a moeda nacional e uma âncora. Logo, o desempenho da sua economia no mercado internacional dependeria do valor desta âncora, imaginemos que o Brasil tivesse adotado um corrency board atrelado ao dólar. Durante o período em que o dólar se desvalorizou, a economia brasileira também passaria por dificuldades naquele momento?

    Se sim, qual seria a melhor forma de evitar isso? Adotar o padrão ouro como âncora?
  • Enrico  23/09/2015 02:56
    Um Currency Board atrelado ao dólar que depois muda a âncora para o ouro seria tomado como inconfiável pelos investidores?
  • Yonatan Mozzini  23/09/2015 12:09
    Ricardo

    "Durante o período em que o dólar se desvalorizou, a economia brasileira também passaria por dificuldades naquele momento?"

    Sim, países atrelados ao dólar recebem a depreciação e a inflação americana. É só ver o caso do Equador, país dolarizado. Em 2008, a inflação lá chegou a dois dígitos, um valor atualmente impensável para países desenvolvidos. Só que logo em seguida a inflação de preços por lá caiu significativamente e a média tem estado a níveis civilizados, bem melhores que o Brasil. Ou seja, por mais que houvesse dificuldades, elas seriam ainda bem inferiores às nossas dificuldades com o real do jeito que está.

    "Se sim, qual seria a melhor forma de evitar isso? Adotar o padrão ouro como âncora?"

    Uma das formas que eu acho bastante plausível (e que é a proposta da monografia que eu estou fazendo) seria a adoção de um currency board misto, em que tanto o dólar quanto o ouro compõe a cotação do real. Por exemplo: uma nota de cem reais é lastreada por meio grama de ouro e vinte dólares, por exemplo. Por definição de conversibilidade imediata, você já teria duas moedas circulando: o dólar e o ouro.

    Como âncora, o dólar, embora preserve a unidade de conta internacional no curto prazo (sendo muitíssimo favorável à economia internacional), se desvaloriza acentuadamente no longo prazo. O ouro, embora seja altamente volátil no curto prazo (mas sempre acompanhando o movimento das moedas mais fortes), preserva seu valor no longo prazo. Em minha opinião, é o arranjo mais eficiente para um currency board.

    Enrico

    "Um Currency Board atrelado ao dólar que depois muda a âncora para o ouro seria tomado como inconfiável pelos investidores?"

    Teria que haver uma lei já prevendo que, depois de tal data, a âncora seria alterada. Mas não vejo o porquê disso. O ideal é que seja feita uma lei com um comportamento inalterável para o board. Com um currency board misto você já pode ter, na prática, as duas moedas em circulação e em total harmonia desde o curto prazo.
  • Ricardo  23/09/2015 03:42
    Leandro,

    Como um grande admirador do sistema de Currency Board e da liberação das moedas estrangeiras, como você refutaria este artigo do Gustavo Franco? (www.econ.puc-rio.br/gfranco/a12.htm)
  • Leandro  23/09/2015 16:08
    Esse foi um dos primeiros -- e únicos -- artigos que havia lido em português sobre o assunto quando comecei a me interessar por ele.

    Francamente, não há muito o que ser refutado, mesmo porque não há uma crítica direta. O que ele fala, aliás, é correto: não se destrói ou abole impunemente um Currency Board. E a teoria sempre enfatizou isso.

    De resto, não faria sentido o Gustavo Franco (de quem gosto) criticar esse arranjo sendo que ele próprio adotou um regime cambial que a própria teoria sempre anunciou como instável: câmbio atrelado ao dólar, controlado diariamente por um Banco Central que realiza minidesvalorizações diárias, e que, pior ainda, tenta fazer política monetária e cambial ao mesmo tempo.

    Um Banco Central pode ou adotar uma política de câmbio fixo ou praticar uma política monetária independente. Mas ele não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

    Se ele decide manter uma determinada paridade cambial, então ele abre mão de controlar a expansão da base monetária, pois ele tem de criar moeda nacional para comprar as divisas estrangeiras, e tem de recolher moeda nacional ao vender divisas estrangeiras. Ele não controla a evolução da base monetária.

    Já se ele opta por manter o controle sobre a evolução da base monetária, então ele não tem como manter a taxa de câmbio estacionada em um determinado valor. Não por muito tempo.
    Se o Banco Central tentar fazer as duas coisas, ele estará incorrendo em uma contradição insustentável. Todos os ataques especulativos que varreram os países em desenvolvimento na segunda metade da década de 1990 aconteceram porque os especuladores perceberam essa contradição e agiram de acordo.
  • Marcos Vinícius Rocha  23/09/2015 01:40
    Leandro,

    Primeiro gostaria de parabenizá-lo pelo belíssimo, preciso e claro artigo. Não seu sua disponibilidade, mas seria de muita valia disponibilizar o conteúdo deste artigo em um vídeo. A verdade é que muita gente tem preguiça de ler um artigo deste tamanho e um vídeo é muito mais fácil de conseguir penetração junto ao grande público que, creio eu, tenha sido sua intenção ao escrevê-lo. Então se puder fazê-lo ou deixar alguém fazer, referenciando você claro, seria de grande valia pra verdadeira divulgação de sua análise e modo de pensar. Pensemos mais nessa plataforma. Vídeos são a tendência da internet se queremos alcance para a nossa mensagem.

    Valeu!
  • LAKOROLL  23/09/2015 12:49
    Já ouviu a expressão "a salvação da lavoura está na própria lavoura", significa que se uma safra foi frustrada, a solução é trabalhar para que a próxima tenha sucesso. O mesmo acontece com o Brasi. O modelo econômico adotado pelos governos PTistas estava baseado no consumo das famílias fomentado pela abundante oferta de crédito, este modelo chegou ao seu limite, sendo necessário para mantê-lo , melhorar a distribuição de renda , incluir na demanda as classes mais reprimidas, fomentar o mercado interno e investir em melhorias da infraestrutura para um próximo estágio de desenvolvimento.

    É contraditório aumentar taxas de juros e impostos , estas medidas aprofundam a recessão, por um lado aumentam os gastos do governo para pagamento de juros ao sistema financeiro e por outro reduzem a arrecadação devido a diminuição da atividade econômica.

    Por certo que o dólar tem peso no equilíbrio macroeconômico, mas o mercado interno brasileiro é muito forte, é só direcionar e gastar melhor, agregar valor à produção primária, industrializar aqui.

    O que não pode: é pregar ou se deixar levar pelo terrorismo da crise, que gera um círculo vicioso que realimenta e aprofunda ainda mais a tal crise, fazendo cidadãos adiarem desejos de consumo, por medo da tal crise, reduzindo as vendas do comércio e indústria, obrigando os gestores desta empresas a reduzir custos e postos de trabalho, que então , sem renda , deixam de ser consumidores , diminuindo a demanda e forçando ainda mais a redução de recursos.

    Seja correto: independente de partido, evite a crise, incentive o consumo e a circulação da moeda, o efeito multiplicador desta ação é a salvação da "lavoura".
    Boa sore , sucesso!
  • Adelson Paulo  23/09/2015 17:25
    No momento estou fazendo exatamente o contrário, consumindo o mínimo possível, para reduzir ao mínimo minha contribuição fiscal ao governo do PT.
  • Rene  23/09/2015 21:05
    Incentivar o consumo? Me explica como eu posso fazer isso. Com uma inflação bem mais alta que meu salário, preciso reduzir o consumo. É questão de matemática. Não sou o governo, que pode simplesmente continuar gastando o mesmo que gastava antes da crise e passando a conta para a população pagar.
  • Edujatahy  23/09/2015 21:17
    Isso apenas me lembra, no início do ano quando a crise estava despontando a presidente vinha a público e dizia para as pessoas continuarem consumido.

    Imagine só. O pobre coitado ignorante que seguiu os conselhos da presidente e das pessoas que ele "admira" agora está endividado até a alma no cheque especial e cartão de crédito.

    É uma pena.
    Quantas pessoas não estariam em situação financeira melhor se tivessem diminuído seu consumo, e pasmem, poupado!
    Quanto sofrimento poderia ser evitado se os lideres tivessem apenas UM POUCO de preocupação com a saúde financeira das pessoas que votam neles.

    Agora vem outro desenvolvimentista querer estimular o consumo desenfreado.
    Só espero que ele não consiga levar pessoas inocentes para esta loucura.

  • Lucas  23/09/2015 12:58
    Leandro você mudou de ideia de 3 anos atrás com relação a medida menos custosa para o Brasil: CB ou dolarização? Vão aí as passagens, numa no seu artigo de 2012 noutra respondendo um leitor em 2015:

    Uma breve história do Plano Real, aos seus 18 anos:

    por Leandro Roque, sábado, 30 de junho de 2012
    '' Como iremos ver mais abaixo, fazer uma dolarização da economia — isto é, simplesmente passar a utilizar o dólar como a moeda oficial do país (exatamente como fez o Panamá) — teria sido algo mais eficaz, muito pouco custoso e, principalmente, mais propício à liberdade do fatigado e espoliado povo brasileiro.''


    '' Leandro 21/09/2015 15:41:05
    Currency Board é extremamente mais simples e fácil de ser implantado. Pode ser feito, literalmente, da noite para o dia. E é extremamente efetivo.

    Já a dolarização exigiria uma logística muito mais complexa e custosa. Como não há dólares circulando entre a população para possibilitar isso, teria de haver uma operação conjunta com o Fed para fazer remessas de cédulas de dólares para cá. ''
  • Leandro  23/09/2015 15:15
    Sim e não.

    No dia em que o real foi criado, a quantidade de cédulas e moedas metálicas existentes era de apenas R$ 3,63 bilhões.

    Hoje, é de R$ 195,6 bilhões. (Veja na série temporal de número 1780 no site BACEN).

    Ou seja, na época, tal logística seria relativamente fácil. Hoje, sem chance.

  • Vander  23/09/2015 14:27
    Depois que o 'levyano' ministro da Fazenda, Joaquim Levy, proclamou com a maior seriedade, que "aumento de imposto deve ser encarado como um investimento", eu joguei a toalha.

    Vou procurar um diretório petista e me filiar, hoje mesmo.
  • Marcelo Boz  23/09/2015 19:16
    Leandro,

    Eu acho que a China nos ajudou mais por tabela.
    Não tanto por nossas exportações diretas para eles, que como você mostrou não foram tão altas assim, mas muito mais por sua forte expansão, onde se tornaram grandes consumidores de commodities, fazendo o preço de todas subirem incrivelmente nos últimos 10 anos.
    Assim, quase todas as commodities que exportamos mundo afora - não só para a China -, estavam com preços bem elevados.
    Foi uma ajuda e tanto!


    Att
    Marcelo Boz
  • Henrique Matos  23/09/2015 19:20
    Leandro,

    Desnecessário dizer que mais uma vez você acertou e muito!! Parabéns sou seu fa sem nenhuma demagogia ou hipocrizia. Vemos muita bobagem na mídia sobre o que deveria ser feito ou os erros que foram cometidos, inclusive as vezes vejo alguns artigos nos jornais e vejo o Delfim Neto falando cada bobagem que me irrita. Ao seu ver, de medidas realizáveis, o que deveria ser feito mais urgentemente? e no médio prazo em dois ou três se mantendo essa bagunca, como estará o Brasil economicamente falando?

    Abraco

    PS. Desculpa a falta de acentuacao estou fora e o teclado nao está configurado para portugues
  • Leandro  24/09/2015 02:10
    Como dito, basear-se em 2003 já seria um grande avanço. Mas não há clima político para repetir aquelas medidas.

    Se as pessoas já se estressam com uma SELIC a 14,25%, imagina com uma de 26,50%?

    Se as pessoas já se descabelam com um almejado superavir primário de 0,8% do PIB, imagina um de 4,5%?

    Criar um Currency Board para estancar a desvalorização da moeda também é crucial. Mas, também, não há clima político para isso.

    Liberar geral para os investidores estrangeiros virem para cá com seu tão necessitado capital também é crucial, mas o governo não fará isso para não desagradar suas bases.

    Adotar as medidas sugeridas neste artigo também seriam de enorme valia, mas elas também não serão adotadas.

    Ou seja, não há solução.

    Obrigado pelas exageradas palavras. Grande abraço!