O que realmente permitiu o grande crescimento econômico brasileiro da última década
por , domingo, 20 de março de 2016

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bushlULA.jpgNão, não foi a China.  A China ajudou, é claro, mas a China nem de longe explica toda a nossa economia. 

O forte crescimento econômico da China durante toda a década de 2000 de fato fez com que aquele país se tornasse um voraz e insaciável consumidor do minério de ferro e da soja produzidos no Brasil.  Tal fenômeno explica, e muito, os bons resultados obtidos no Brasil pelo setor da mineração e da soja, bem como os bons resultados de todas as cadeias produtivas associadas aos setores da mineração e da soja, como o de maquinário agrícola e de caminhões. 

Mas nem de longe a China explica toda a economia brasileira.  Para se ter uma ideia, de tudo o que o Brasil exporta para a China, os produtos manufaturados não chegam nem a 5%.  Isso significa, por exemplo, que a indústria brasileira — que cresceu forte no período 2004 a 2011, e entrou em retração em 2012 — nem de longe tem a China como principal cliente. 

Os setores de maquinário agrícola (para a colheita da soja), de maquinário pesado (para as mineradoras) e de caminhões (para fazer o transporte da soja e do minério) de fato se beneficiam da expansão chinesa, mas estes setores não explicam toda a economia brasileira.

A renda das pessoas crescendo anualmente, shoppings lotados e restaurantes com filas de espera, aeroportos abarrotados, pobres podendo pagar passagens de avião, pobres se tornando classe média, empregadas domésticas tendo aumentos salariais e podendo mandar filhos para a escola, carros zero sendo vendidos em quantidades crescentes, boom imobiliário e apartamentos sendo vendidos ainda na planta, empresas tendo seus estoques prontamente vendidos, novos empreendimentos sendo iniciados diariamente, trabalhadores encontrando empregos a salários nominais cada vez maiores — todos esses fenômenos ocorreram por todo o país e se tornaram corriqueiros no período 2004-2011, mas eles não são explicados pela China.

Ademais, a participação das exportações na economia brasileira é ínfima, não chegando nem a 12% do PIB.  Tal valor só é maior que Afeganistão, Burundi, Sudão, República Centro-Africana e Kiribati.  A média global é de 29,8% do PIB.

Ou seja, não foi a China.

Houve um ajuste, mas ele também não explica tudo

Tão logo o governo Lula assumiu o poder em janeiro de 2003, houve um ortodoxo e surpreendente ajuste da economia para corrigir todos os desequilíbrios causados por sua eleição em 2002.  

Vale lembrar que a eleição de Lula e do PT — um partido que até então pregava abertamente o rompimento de "tudo que aí está", que defendia abertamente a adoção de uma economia socialista, o rompimento de contratos, a estatização dos meios de produção, a reforma agrária na marra, o calote das dívidas interna e externa, o poder ilimitado dos sindicatos, as greves etc. — gerou um clima de total incerteza entre empresários e investidores estrangeiros, de modo que o resultado não poderia deixar de ser outro: a economia vivenciou uma crise gravíssima no final de 2002.

Houve fuga de capitais, o câmbio disparou e o dólar foi a quase R$ 4.  Consequentemente, o IPCA, por causa da disparada do câmbio, fechou o ano em 12,5%.

Ninguém tinha confiança em nada, pois o futuro governo não apenas era uma incógnita, como também iria assumir em meio a uma situação econômica muito delicada.

Mas então o governo Lula surpreendeu a maior parte do mercado e nomeou uma equipe econômica tida como ortodoxa e conservadora, liderada por um banqueiro de carreira internacional consagrada, Henrique Meirelles, e por um médico que era visto como um entusiasta da ortodoxia econômica, Antonio Palocci.

O resto da equipe econômica era formada exclusivamente por técnicos, sem nenhum quadro do PT ocupando os grandes cargos. Nomes renomados como Joaquim Levy (sim, o próprio), Marcos Lisboa e Murilo Portugal foram pra Fazenda, ao passo que Alexandre Schwartsman, Ilan Goldfajn e o durão Afonso Beviláqua (que era o terror dos heterodoxos, pois queria um IPCA próximo de 3%) foram para o Banco Central.

A simples nomeação dessa equipe econômica gerou uma surpresa positiva.

E quando essa equipe econômica sinalizou claramente que a política econômica adotada seria baseada no cumprimento de contratos, na liberdade de preços, em uma política fiscal austera, na elevação do superávit primário para 4,25% do PIB (hoje é necessária muita maquiagem contábil pra se chegar a 0,7%), e em uma política monetária dura e restritiva, que seria garantida por um Banco Central que teria total autonomia operacional, a confiança começou a voltar ao mercado. 

O processo, no entanto, não foi indolor.

Em 2003, essa equipe econômica fez um ajuste brutal.  Para conter a disparada do IPCA, a taxa SELIC foi elevada pra 26,50%.

O superávit primário foi de 4,3% do PIB (acima da meta já alta de 4,25%). 

Nos primeiros 6 meses de 2003, que foi o período em que a SELIC ficou em seu valor mais alto, o consumo doméstico chegou a cair 11% .  E o desemprego foi para 13%. 

Isso, sim, foi austeridade para espanhol, grego, português, irlandês nenhum botar defeito.

Mas esse ajuste foi tão forte e tão surpreendente — ninguém esperava isso de um governo de esquerda —, que o mercado reagiu muito positivamente, tanto investidores e especuladores estrangeiros quanto empresários e consumidores.

A partir do momento em que houve um ajuste tão forte, e esse ajuste começou a dar resultado, algumas coisas começaram a acontecer.

Primeiro, a inflação de preços acumulada em 12 meses começou a cair rapidamente, indo de 17% para 5,2% em um ano, sendo este o menor valor desde 1999.  A rápida queda na inflação de preços e o cenário de estabilidade política e econômica geraram a confiança necessária para o retorno dos investimentos e, por conseguinte, do crescimento econômico. 

Aquela equipe econômica entendia que investimentos só ocorrem quando, além de um mínimo de estabilidade política, a inflação de preços é baixa e as contas do governo estão arrumadas, o que gera previsibilidade e confiança.

Afinal, quando um empreendedor faz um investimento voltado para o longo prazo — quando ele decide construir novas instalações ou ampliar as instalações de sua empresa, ou mesmo quando ele pensa em contratar mão-de-obra —, é crucial que ele tenha um mínimo de certeza a respeito do poder de compra da moeda no futuro, que é quando investimento dele estará pronto e ele começará a auferir as receitas dele. 

O mesmo vale para os consumidores.  Ao verem que seu orçamento está apertado, que seu poder de compra está caindo e que não há perspectiva de melhora, eles acabam sendo obrigados a apertar os cintos e a consumir apenas o essencial.

Quanto ao orçamento do governo, se as contas estiverem em descalabro, os investimentos inevitavelmente serão afetados, pois os empresários e investidores sabem que inevitavelmente haverá aumento de impostos e abolição de isenções para equilibrar o orçamento, o que gerará custos adicionais para as empresas e mudará totalmente o cenário no qual elas inicialmente basearam seus planos de investimentos.

Com o ajuste feito em 2003 e a subsequente estabilização da economia, houve um substancial aumento do investimento, do crédito e da quantidade de pessoas empregadas, as quais não apenas expandiram o mercado de consumo interno, como também aumentaram a plataforma produtora de exportação.

Mesmo no agronegócio, a expansão na maior parte do período 2003-2011 foi baseada em aumento de volumes, produtividade e área plantada.  Isso também foi fruto da estabilidade, da confiança e do aumento dos investimentos.

Mas apenas esse ajuste ainda não explica o crescimento da década.

O primeiro mistério: o crédito disparou, mas os preços se mantiveram relativamente comportados

O fenômeno mais notável dessa estabilização econômica foi o aumento acentuado do crédito, algo até então inédito na história do real.  O crédito disparou porque o nível de confiança aumentou, fazendo com que consumidores passassem a consumir mais e empresários voltassem a investir mais.

Eis o gráfico da expansão do crédito, que começa em 1994, logo na criação do real, e vai até o final de 2011.

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Gráfico 1: expansão do crédito no até o final de 2011

Observe que é justamente em 2004 que a expansão adquire um crescimento exponencial

Vale ressaltar, como já inúmeras vezes explicado por este site, que esse gráfico mostra a quantidade de dinheiro que os bancos (privados e públicos) estão jogando na economia.

No nosso atual sistema monetário e bancário, o processo de expansão do crédito gera um aumento da quantidade de dinheiro na economia.  Quando uma pessoa ou empresa pega empréstimo, os bancos criam dinheiro do nada — na verdade, meros dígitos eletrônicos — e simplesmente acrescentam esses dígitos na conta do tomador do empréstimo.  

Ou seja, todo esse processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.  Explicar o funcionamento do sistema bancário está fora do escopo desse artigo (você pode entender todos os detalhes do sistema bancário neste artigo), de modo que basta dizer que os bancos, quando emprestam dinheiro, criam dígitos eletrônicos do nada, e esses dígitos eletrônicos representam dinheiro. 

Esse processo de expansão do crédito afeta os principais números da economia, como PIB, emprego, renda e inflação de preços.  Um aumento da quantidade de dinheiro na economia, gerado pela criação de crédito bancário, faz com que, no primeiro momento, enquanto os preços ainda não foram afetados, aumente o consumo, aumente a demanda por mão-de-obra em todos os setores da economia, aumente o emprego (na indústria, na construção civil, nos setores de serviço, varejista e comércio em geral), aumentem os salários, aumente a renda nominal, e aumente os investimentos.

Mas todo esse processo contínuo só dura enquanto os preços — tanto dos bens e serviços quanto dos salários — se mantiverem relativamente comportados.  Caso eles comecem a subir forte, e as injeções de crédito continuem, haverá um aumento ainda mais forte dos preços e dos salários, podendo levar a um grande descontrole inflacionário.

Normalmente, antes de se chegar a esse ponto, o Banco Central — que trabalha com metas de inflação — atua para conter a escalada dos preços.  E ele faz isso subindo os juros para desacelerar essa expansão do crédito e, tão importante quanto, para alterar as expectativas inflacionárias das pessoas, fazendo com que os formadores de preço — dentistas, encanadores, advogados, mecânicos, indústrias e comércio — incorporem essa expectativa de que a inflação será controlada e, consequentemente, parem de reajustar seus preços baseando-se nessas expectativas.

Mas o que realmente chama a atenção no período 2004-2011 é que o crédito disparou, a taxa básica de juros (SELIC) controlada pelo Banco Central desabou (de um máximo de 26,50% para um mínimo de 8,75%), e os preços se mantiveram relativamente comportados, com o IPCA acumulado em 12 meses chegando a bater em 2,97% no início de 2007, mesmo com a exponencial expansão do crédito mostrada no gráfico acima.

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Gráfico 2: evolução do IPCA acumulado em 12 meses, de 2003 a 2010

Foi a primeira vez na história do real que isso aconteceu — crédito se expandindo exponencialmente e preços se desacelerando também fortemente. 

Aliás, foi a primeira vez desde 1914 que isso aconteceu.

Embora seja verdade que a estabilidade da economia à época — para ficar numa expressão muito cara aos economistas ortodoxos — tenha ajudado o Banco Central a "ancorar as expectativas inflacionárias dos agentes econômicos", apenas isso não explica esse descompasso entre, de um lado, expansão exponencial do crédito, salários crescentes e produtividade baixa e, de outro, inflação de preços decrescentes.

Qual o elemento que fecha essa equação aparentemente desequilibrada?

A guerra no Iraque

Foi em março de 2003 que o governo americano iniciou a invasão do Iraque para derrubar Saddam Hussein.  Uma incursão militar que aparentemente seria rápida — a última operação militar americana realizada no Iraque, a Tempestade no Deserto, iniciada em janeiro de 1991, durou menos de 2 meses — acabou se estendendo por quase uma década e custando, tanto financeiramente quanto humanamente, muito mais do que o inicialmente estimado.

E daí?

E daí que, se há algo que a história comprova, é que guerras são péssimas para a moeda dos países envolvidos.  Guerras geram enormes custos militares e extra-orçamentários, os quais são cobertos majoritariamente via endividamento do governo e inflação monetária.  O próprio Império Romano teve sua derradeira queda precipitada pela adulteração de moeda.  Rússia e Ucrânia estão vivenciando isso neste exato momento.

Os EUA também não escapam dessa lei econômica.  Sua moeda pode não se desintegrar por completo, é claro; porém, enquanto durar o conflito e enquanto este for intenso, a moeda sofre.

As consequências sobre o dólar

Até 2002, o dólar vinha de duas décadas de inabalável robustez.  Em 2002, porém, ele começa a perder força, muito provavelmente por causa do início do confronto no Afeganistão (causado, por sua vez, pelos atentados de 11 de setembro).  A partir de 2003, com a invasão do Iraque, o dólar entra em queda livre perante todas as outras moedas do mundo. 

O gráfico abaixo — que mostra a evolução do dólar em relação a uma cesta formada pelas principais moedas mundiais — mostra o que aconteceu.

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Gráfico 3: evolução do valor do dólar perante uma cesta contendo as principais moedas do mundo

Repare que é justamente no período 2003-2011 que o dólar segue em contínuo declínio, chegando à sua mínima em meados de 2011, recuperando-se a partir de 2012, e fortemente a partir de meados de 2014.

A evolução do preço do ouro em relação ao dólar conta a mesma história.  Foi em 2003 que a coisa começou a degringolar.  O gráfico a seguir mostra a evolução do preço de uma onça (31,1 gramas) de ouro em dólares:

Ouro.jpg

Gráfico 4: preço, em dólares, de uma onça de ouro

Nesse mesmo período, 2003 a 2011, o dólar se desvalorizou acentuadamente em relação a todas as moedas do mundo.

Veja nesses links a desvalorização do dólar em relação ao franco suíço, à libra esterlina (vale ressaltar que o Reino Unido também entrou na guerra no Iraque), ao euro, ao dólar canadense, ao dólar australiano, ao peso chileno, ao peso colombiano, ao sol peruano.

E veja aqui a desvalorização do dólar em relação ao real.

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Gráfico 5: evolução da taxa de câmbio real/dólar

Agora compare a evolução do câmbio acima com a evolução do IPCA abaixo, no mesmo período.

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Gráfico 6: IPCA acumulado em 12 meses, de 2000 a 2015

Nota-se que, de 2003 até 2010, a contínua valorização do real em relação ao dólar — ou, dito de outra forma, a contínua desvalorização do dólar perante o real — ajudou, e muito, a conter a pressão nos preços exercida pela expansão do crédito, pelo aumento da renda e pela baixa produtividade.

Ou seja, de um lado, o crédito se expandia e isso fazia com que a renda, o emprego e o consumo crescessem; de outro, como o preço do dólar caía continuamente, isso fazia com que todos os produtos importados, bem como todos os produtos nacionais cuja produção utilizasse insumos com componentes importados, não subissem de preço.

E esse impacto do dólar é muito maior do que muitos imaginam.  Os preços dos remédios (85% da química fina é importada), do pão (o trigo é uma commodity precificada em dólar e é majoritariamente importada), das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é petróleo), de todos os importados básicos (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários) e até mesmos os preços dos aluguéis e das tarifas de energia elétrica (ambos são reajustados pelo IGP-M, índice esse que mensura commodities e matérias-primas, ambas sensíveis ao dólar) são afetados pelo dólar.

Também os preços dos alimentos, especialmente as carnes bovina e suína, sofrem impacto direto do dólar.  O farelo de soja, por exemplo, é utilizado como ração para bovinos e suínos, e a soja é uma commodity cotada em dólar.  Se o dólar fica mais barato, os custos dos pecuaristas para alimentar seus animais ficam mais contidos, o que diminuiu a pressão por repasses de preços.

Ou seja, se o dólar fica continuamente mais barato, não há pressão altista sobre todos esses itens supracitados.  Consequentemente, a expansão do crédito pode durar mais tempo sem gerar carestia generalizada.  A renda real das pessoas cresce em decorrência do fato de a expansão do crédito estar gerando um aumento da renda nominal sem um proporcional aumento dos preços.

Nesse cenário, apenas o setor de serviços — que não sofre concorrência externa e que sofrerá um forte aumento de demanda justamente por causa da elevação da renda real das pessoas — tem mais liberdade para aumentar preços.  E foi exatamente isso o que aconteceu.

O dólar em contínuo enfraquecimento ajudou enormemente a economia brasileira — e também o governo

Podemos especular sobre as reais causas do enfraquecimento do dólar. 

Teria sido apenas a guerra no Iraque? 

Teria sido a guerra no Iraque em conjunto com a forte expansão do crédito ocorrida nos EUA nesse mesmo período, a qual aditivou a bolha imobiliária no país

Teria a bolha imobiliária sido causada justamente pela desvalorização do dólar em decorrência da guerra no Iraque?  Isso é bem possível.  Como explicou Mises, uma desvalorização da moeda tende a gerar uma corrida para ativos reais, que e isso pode ter levado à bolha imobiliária americana.  As pessoas pegavam empréstimos, compravam imóveis e revendiam a preços ainda maiores.  Há quem sustente essa tese de que a bolha imobiliária americana nada mais foi do que uma inevitável reação das pessoas à desvalorização do dólar causada pela guerra no Iraque.

O fato inconteste, no entanto, é que, quaisquer que tenham sido suas causas, a desvalorização do dólar está por trás de todo o boom econômico vivenciado não só pelo Brasil, mas por toda a América Latina na década de 2000.

Em períodos normais — isto é, quando o dólar está forte e estável —, expansões do crédito nos países periféricos tendem a rapidamente gerar carestia, pois tais expansões, além de aumentarem a quantidade de dinheiro na economia, também geram desvalorizações na taxa de câmbio, o que rapidamente obriga os bancos centrais a subirem os juros e abortarem essa expansão do crédito.

Porém, se uma expansão do crédito for acompanhada de uma apreciação da taxa de câmbio — isto é, de uma desvalorização do dólar —, a carestia fica bem mais contida, permitindo assim que a expansão do crédito dure mais tempo e eleve continuamente a renda, o emprego e o consumo, e sem gerar grandes pressões nos preços.

Esse, aliás, é o melhor dos cenários: renda, emprego e consumo aumentam continuamente, mas os preços ficam contidos, o que permite que tal ciclo dure muito mais tempo do que duraria em "épocas normais".

Mais ainda: com uma contínua expansão do crédito, as receitas do governo também aumentam.  Como há mais dinheiro sendo criado, e os preços estão bem comportados por causa do dólar, as pessoas consomem mais, os empresários investem mais e empregam mais, e a renda de todos aumenta.  Consequentemente, o governo arrecada mais impostos (tanto sobre a renda quanto os indiretos) e pode se dar ao luxo de aumentar seus gastos, inclusive o salário do funcionalismo público.

Lula surfou, e muito, nesse cenário. 

Um rápido comentário sobre o boom das commodities

Quem também se deu muito bem com a desvalorização do dólar foram as mineradoras.

Há muita confusão a respeito do boom das commodities ocorrido na década passada.  Sim, a China influenciou bastante, mas o papel do dólar foi decisivo. O boom das commodities está intimamente ligado ao dólar fraco.  

Todas as commodities (de minério de ferro a petróleo) são precificadas em dólar.  Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa.  Sempre.

O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar.  E o atual "arrefecimento" das commodities também está ligado ao fortalecimento do dólar.  O gráfico do dólar em relação ao ouro, mostrado acima, ilustra perfeitamente esse fenômeno.

E como as receitas e as dívidas das mineradoras são cotadas em dólar, elas sofrem diretamente esse ciclo econômico gerado pela flutuação do valor do dólar: o enfraquecimento do dólar gera um aumento nos preços do minério, e isso leva as mineradoras a expandirem seus investimentos.  Tão logo o dólar se fortalece, as commodities caem de preço e todos esses investimentos expansivos se revelam errôneos.  E então cortes de custos — demissões — são feitos.

A Vale está passando por isso.  As petrolíferas americanas também.

O melancólico fim

Tudo o que se baseia em fundamentos flácidos irá eventualmente desabar.  No caso brasileiro, tão logo o dólar começou a se fortalecer em 2012 (vide gráficos 3 e 4), todo o arranjo se esfacelou.

Aquela aparentemente mágica capacidade do governo Lula de fazer com que renda e emprego aumentassem contínua e duradouramente sem gerar carestia foi desmascarada.  Tal cenário não mais existe.  E nada indica que ele voltará tão cedo.

Por si só, um aumento do dólar já seria o suficiente para desarranjar toda a economia.  Porém, os efeitos desse aumento do dólar foram intensificados pelas políticas implantadas pela pavorosa "Nova Matriz Econômica", a qual surgiu ainda no final de 2008, mas que foi acentuada no governo Dilma Rousseff.

Sem a Nova Matriz Econômica, a grande expansão do crédito teria gerado "apenas" endividamento das pessoas (por causa do crédito farto e barato) e investimentos errados (os quais se revelariam sobredimensionados tão logo a carestia se manifestasse, a renda real estagnasse e ficasse comprovado que não havia demanda para tais investimentos).

Com a Nova Matriz Econômica, porém, os desarranjos foram amplificados.  Além do endividamento recorde e dos investimentos errôneos das indústrias, tivemos também disparada nos preços da gasolina e da energia elétrica, grande queda na renda real das pessoas, pedaladas fiscais e desarranjo nas contas do governo, perda do grau de investimento, e uma disparada ainda mais intensa do dólar, o que está causando uma carestia generalizada. (Veja tudo isso, em detalhes, aqui).

Os contínuos aumentos dos gastos do governo durante a era Lula — os quais foram possibilitados justamente pela expansão do crédito e do dólar fraco — e que foram amplificados pelas pedaladas fiscais do governo Dilma, estão agora cobrando seu preço. Com as subidas dos juros efetuadas pelo Banco Central, a expansão do crédito desacelerou, levando consigo a renda, o emprego e os salários.  Consequentemente, a arrecadação do governo também caiu

Dilma partiu do princípio de que poderia continuar aumentando os gastos no mesmo ritmo de Lula.  Mas as receitas do governo secaram.  Agora, ela convocou toda a população para pagar a conta de suas pedaladas fiscais e da esbórnia fiscal herdada do governo Lula.

Em simultâneo a tudo isso, há um grande caos no cenário político: Dilma está ameaçada de impeachment por ter se elegido com o dinheiro desviado da Petrobras (segundo os delatores Ricardo Pessoa, Fernando Baiano, Pedro Barusco e Alberto Youssef) e também por ter feito as já famosas pedaladas fiscais no primeiro mandato, o que configuraria crime de responsabilidade fiscal.

E, por se tratar de fatos que envolvem a campanha eleitoral, o então candidato à vice-presidência e atual ocupante do cargo, Michel Temer, também pode ser engolfado pelas denúncias.

Mas não pára por aí: os sucessores diretos da presidente da República — que são o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o do Senado Federal, Renan Calheiros — também estão envolvidos em inquéritos no STF, e podem ser igualmente derrubados.

Ou seja, simplesmente não se sabe quem sobrará inteiro. 

Tudo isso fez o dólar disparar, ironicamente levando o país a viver um cenário exatamente oposto ao da década passada. 

Conclusão

Foi o dólar quem nos entregou uma quimera que durou quase 10 anos, e é ele quem está agora nos trazendo — e sem delicadezas — de volta à realidade.

Nesse atual arranjo de dólar em disparada e de governo totalmente incapaz de cortar seus gastos, a única maneira de o Banco Central entregar uma inflação de preços relativamente tolerável é gerando uma brutal recessão (por meio de juros crescentes) que eleve acentuadamente o desemprego, reduza salários e acabe com a demanda.

Em um cenário de dólar em disparada e de esbórnia fiscal, não há como conter uma carestia sem ser por meio de recessão, desemprego e queda na renda.  Apenas essa conjunção de fatores pode impedir um grande repasse cambial aos preços.

Obviamente, nesse cenário, as empresas e os empreendedores ficam asfixiados.  Eles pagam cada vez mais caro pelas importações, mas não podem repassar esses custos para os preços.  Consequentemente, eles vão se tornando cada vez mais descapitalizados, o que afeta sua capacidade de investimento e de contratação de mão-de-obra.

Desnecessário dizer que tal cenário também não ajuda em nada quem está endividado e desempregado. 

No final, toda a economia foi destruída pelo governo.  É o preço do descalabro, o qual foi possibilitado por uma conjuntura externa atípica e que foi erroneamente interpretada à época.  Confundiu-se moeda estrangeira fraca com prosperidade nacional eterna, e concluiu-se que os bons resultados obtidos dispensavam o governo de obedecer às irrevogáveis leis da economia.  Gastos foram elevados e nenhuma reforma estrutural foi feita.

O mesmo é válido para a América Latina.  Não fosse o dólar, não teria como tais países apresentarem bons números apenas na base do populismo.

Tal cenário de bonança pode se repetir?  Poder, pode.  Caso o próximo presidente dos EUA seja um belicista que enfie o país em novas aventuras militares, ou seja um trapalhão econômico que invente novas heterodoxias, é bem possível.  Mas é bom não contar com isso.

Impeachment ajuda?  Ajuda muito.  Mas se chegamos ao ponto em que a única solução viável é o impeachment, então o estrago foi profundo e não será corrigido com uma simples mudança no líder do executivo.

Quanto a Lula, embora tenha o mérito de ter montado uma boa equipe econômica no seu primeiro mandato, ele deve boa parte de sua popularidade à dupla Bush-Hussein.

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Leia também:

O trágico legado da "Nova Matriz Econômica" - um resumo cronológico (com dados atualizados)

O desastre da economia brasileira e o gigantesco buraco fiscal do governo


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


334 comentários
334 comentários
Pedro 21/09/2015 11:18:38

Isso porque ainda não fomos rebaixados pela Fitch/Moody's. Quando isso ocorrer, e vai ocorrer a qualquer momento, aí esperem por dólar passando de R$5,00 fácil.

Responder
Paulo 21/09/2015 11:19:15

Que bom começar uma segunda feira com um artigo tão bem escrito! obrigado Leandro!

Responder
Pedro Ivo 21/09/2015 20:11:06

Mais um capítulo para aquele livro de economia brasileira que a gente te encomenda a 7 anos, hein Leandro?

Responder
Pedro Ivo 21/03/2016 19:41:38

As atualizações nos dados econômicos e políticos valeram a releitura. Grato e congratulações Leandro.

Responder
Rafael 07/04/2016 17:09:11

Achei o artigo muito interessante. Tenho apenas uma observação e uma pergunta:

pergunta: Como separar ou quantificar esse efeito da guerra desvalorizando o dólar do boom de commodities? Sei que o Leandro usou a a parcela baixa de exportações para colocar o efeito da guerra acima do boom nos termos de troca brasileiros e crescimento "artificial" da China. Mas no mercado financeiro é muito difícil usar apenas esse argumento para convencer os neoclássicos que atribuem quase tudo a China e choque de expectativa (parece que eles adoram usar a expectativa para tudo que não conseguem explicar racionalmente/matematicamente). Minha impressão é que ambos os efeitos foram relevantes, mas não saberia quantifica-los e com isso não consigo convencer alguém que considera esse efeito da Guerra no Iraque irrelevante (muitos economistas respeitados se enquadram nisso). Ai me sobra como analista de ações ficar ouvindo calado as afirmações "neoclássicas" que tanto me incomodam.



observação: Uma pena que a maioria dos comentários abaixo fique se perdendo no discurso de mais ou menos governo, que claramente não nos leva muito adiante, a posição da escola austríaca é clara e aparentemente quase tão extrema quanto a visão comunista. Temos que ficar atentos ao estrago que um governo pode fazer na economia, mas temos que ter em mente que o "anarco-capitalismo" é uma utopia tão questionável como o comunismo ideal, eu critico os dois, acredito que existem bons estudos (Hyman Minsky por exemplo) que mostra a instabilidade inerente do mercado livre (se bem que mercado livre sem reservas fracionárias ai não vi muita coisa, mas abolir as reservas me parece algo muito distante e disruptivo para alguém saber qual seria o resultado). Agradeço muito ao Leandro e a escola austríaca por apresentar alternativas, mas acho que poderíamos aprender bem mais discutindo dados e argumentos do que crenças. Queria ter visto pessoas com argumentos para questionar, colaborar ou discordar do artigo, mas com tanto comentário sobre funcionalismo na página, não tenho tempo de procurar algum comentário que de fato agregue valor à leitura do artigo. seria mais produtivo para todos os leitores se os comentários fossem mais focados em dúvidas, criticas e adendos.

Responder
Leandro 07/04/2016 17:37:22

Essa é fácil.

Em primeiro lugar, se tudo depende da China e nada depende do dólar, então estamos nos deparando com o primeiro caso econômico da história em que a saúde da moeda utilizada para precificar um bem em nada afeta o valor nominal desse bem.

No mais, como foi possível a tonelada do minério ter desabado de US$ 191 para US$ 37 (queda de 80%)?

Por acaso a demanda da China por minério encolheu 80%? Ou não teria sido justamente a recente disparada do dólar (fortalecimento da moeda) a causa principal dessa queda no preço?

E vou adianta, agora para o argumento empírico mais forte: por que o principal índice de commodity (o CRB) varia estritamente de acordo com a força do dólar?

Pode conferir neste gráfico.

Veja que, no final da década de 1970, com o dólar mundialmente fraco e todo o mundo em recessão, o índice CRB dispara.

Nas décadas de 1980 e 1990, com o dólar mundialmente forte (e a China em disparada!), o índice CRB se mantém estável.

A partir da década de 2000, com o dólar fraco (e sem nenhuma alteração no ritmo do crescimento chinês), o CRB volta a disparar.

E, desde 2012, com o dólar se fortalecendo, o CRB volta a cair.

Quem utiliza a China como explicação para tudo tem de explicar por que a China não fez diferença nas décadas de 1980 e 1990, quando seu crescimento era ainda maior. Sem uma teoria crível e sólida (que nunca foi apresentada), o fator China deve ser visto como totalmente é secundário. Influi no preço, sim, mas em muito menor escala que a força do dólar.

Esse, aliás, é um fenômeno tão básico da economia, que me espanta que ele seja controverso. Sabidamente, a saúde de uma moeda afeta os preços de todos os bens. Moeda em enfraquecimento gera preços em alta. Porém, para os defensores do "fator China", aparentemente as leis econômicas se tornam nulas quando o assunto é commodities, de modo que a saúde da moeda utilizada para precificar essas commodities em nada influencia o preço delas. Faz sentido?

Por essa lógica, se o minério fosse cotado em cruzeiros (dos anos 1990-1993), o preço estaria hoje desabando?

Querem olhar o preço de um produto, mas querem ignorar qual moeda está sendo utilizada para precificar esse produto. Nenhuma dona de casa cometeria esse erro.

Responder
Rafael 08/04/2016 20:20:04

Leandro, mais uma vez muito obrigado. Até o momento a única explicação que eu encontro para a certeza obtusa dos neoclássicos com suas premissas surreais é o Lobby de banqueiros, só pode.

Obrigado por dar mais embasamento e dados para fazer o contra-ponto. Mesmo sendo apenas um analista de equities formado em ciências moleculares, sinto que já nem vale mais a pena discutir com os religiosos neoclássicos, temos que dar tempo ao tempo e torcer para que essa teoria nefasta desapareça do planeta. O contra-ponto entre escola austríaca, MMT e pós-keynesianos me parece muito mais rico para a análise do mundo real. Ainda não vi muito dos "econo-físicos".

Estou lendo o livro "Debunking Economics" do Steve Keen, recomendo a todos aqui que buscam visões alternativas para nos ajudar a entender esse complexo sistema biológico que é a economia.

Abs e parabéns pelo trabalho, tenho aprendido bastante com seus artigos.

Responder
Leandro 08/04/2016 20:30:52

Steve Keen é muito bom para criticar a teoria neoclássica. Mas como ele não domina o conceito de teoria do capital, ele não tem a mínima ideia de como proceder em recessões.

Para ele, recessões são causadas por um excesso de endividamento, o que derruba a demanda agregada. Sendo assim, para sair de recessões (e dado que os bancos não estão emprestando para empresas e consumidores), os governos devem incorrer em déficits orçamentários (pois eles criariam a inflação monetária necessária para manter os gastos das pessoas).

Simultaneamente, ele também defende uma desvalorização da moeda para estimular as exportações.

Alguém tem de avisá-lo que essa receita dele (déficits orçamentários e desvalorização da moeda) foi implantada ao pé da letra no Brasil, e o resultado foi um pouquinho diferente daquilo que prevê o modelo dele...

Eu gostaria muito de entender a lógica por trás dessa ideia de que destruir o poder de compra da moeda e aumentar o endividamento do governo são medidas saudáveis para a economia...

Obrigado por suas palavras e grande abraço!

Responder
Gabriel Medeiros 14/05/2016 01:52:19

Leandro, então essa queda do preço das commodities não tem a ver com oferta e demanda?
Eu li o artigo do Fernando Ulrich e lá ele diz que o preço das commodities aumentou por conta da larga expansão do crédito pelos banco centrais e isso levou a uma bolha e, naturalmente, a maus investimentos. Por fim a bolha estourou e o excesso de oferta fez o preço cair. Sua tese do dólar forte se complementa com a dele ou não? Abraço.

Responder
Leandro 15/05/2016 16:25:09

"o preço das commodities aumentou por conta da larga expansão do crédito pelos banco centrais e isso levou a uma bolha e, naturalmente, a maus investimentos."

Correto.

E vale ressaltar que, em última instância, é o Fed quem governa a expansão do crédito em todos os países do resto do mundo. Se o Fed expande e o dólar se desvaloriza, os outros países do mundo -- que são mercantilistas -- têm de expandir conjuntamente, caso contrário suas respectivas moedas se apreciam em relação ao dólar e, consequentemente, o setor exportador irá reclamar.

Se, ao contrário, o Fed restringe e o dólar se valoriza, os outros bancos centrais ao redor do mundo também terão de restringir, caso contrário suas moedas irão se desvalorizar fortemente, gerando carestia.

"Por fim a bolha estourou e o excesso de oferta fez o preço cair. Sua tese do dólar forte se complementa com a dele ou não?"

Totalmente.

O "estouro da bolha" nada mais foi do que o processo de restrição do crédito, o qual apreciou o dólar e, consequentemente, levou os outros bancos centrais a também adotarem medidas para conter a desvalorização de suas moedas perante o dólar.

Commodities, como o minério de ferro, são globalmente precificadas em dólar. Se o dólar se fortalece, o preço do minério cai. Se o dólar enfraquece, o preço do minério sobe.

Quando o dólar estava se enfraquecendo continuamente (período 2004-2011), o preço do minério estava subindo continuamente. Esta subida contínua do preço do minério induziu as mineradoras a fazerem vários investimentos voltados para expandir sua capacidade de produção, pois elas acreditaram -- enganadas pela fraqueza do dólar -- que havia uma demanda contínua e infinita por minério.

Porém, tão logo o dólar voltou a se fortalecer, o preço do minério desabou, e todo aquele investimento na capacidade de produção acabou se revelando errôneo. Tais investimentos levaram a um aumento da oferta em um momento em que os preços do minério já estavam desabando.

Consequência: as mineradoras estão tendo de cortar custos, demitir e rever vários de seus projetos expansivos.

O mesmo dólar que, quando se enfraqueceu, foi o responsável pelo boom vivenciado pelo setor, é hoje o responsável por sua depressão, pois se fortaleceu.

Responder
Thiago Teixeira 21/09/2015 11:27:32

Comentário off-toppic:
veja.abril.com.br/noticia/economia/concurseiros-trabalham-com-plano-b-para-2016
kkkkkkkk...

Responder
cmr 21/09/2015 17:14:06

Pois é, como tem gente querendo "mamar" no estado, depois reclamam da alta carga tributária, do baixo retorno dos impostos, do país que não passa de um fornecedor de matéria prima para o mundo, etc...

Não tem como ser diferente, no Brasil os melhores cientistas estão preocupados em passar em concurso público tipo receita federal, os melhores engenheiros sonham em "mamar" na PTbrás, etc...

Eu vejo os brasileiros, no geral, como um povo infantil, criança pirracenta que vive agarrado no papai estado, chama o papai para tudo, para regulamentar a sua profissão, para criar leis desnecessárias, para lhes conceder "almoço grátis", para lhe dar cota, etc...

Se o nosso povo fosse gente grande de verdade, teríamos uma desobediência civil massiva.

Responder
Felipe 21/09/2015 20:18:20

Somente uma pergunta: Você prefere servidores capazes ocupando cargos públicos ou os velhos e bons "mamadores" de plantão?

Responder
Andre Cavalcante 21/09/2015 20:26:28

E qual é mesmos a diferença?

Responder
Thiago Teixeira 21/09/2015 20:46:11

Tem o princípio de Rothbard que diz que quanto mais eficiente for um funcionario publico, mais perigoso ele é.

Ah, quem abriu o link deve ter visto, muito concurseiro zangadinho... Brincadeira...

Responder
Felipe 22/09/2015 01:06:15

Eficiência e Probidade são qualidades completamente diferentes meu caro!

Responder
cmr 21/09/2015 21:11:10

Servidores capazes ?????

Quando um cientista, engenheiro, médico, professor, ou coisa que o valha, desde que seja uma pessoa da mais alta competência, entra para o estado, o país fica mais pobre.

Pessoas da mais alta competência, em qualquer ramo do conhecimento humano, são bens extremamente escassos. A admissão destes na máquina estatal é a sentença de morte para qualquer sociedade, nação, país, etc...

Responder
Felipe 22/09/2015 01:03:00

Creio que você não respondeu a pergunta!

Responder
Fabio 23/03/2016 20:17:07

nenhum dos dois...

Responder
Dissidente Brasileiro 21/09/2015 22:45:09

Eu vejo o brazilêro em geral como um povo corrupto, mesquinho, covarde, estúpido, depravado e assassino. Um povo que nunca reage e é conivente com tudo que não presta. Mas talvez eu esteja exagerando, vendo as coisas com maus olhos. Vamos dar tempo ao tempo, pois o mundo dá voltas...

Certamente veremos depois de A Fazenda, BBB e o Carnaval como a vingança será maligna, e eu vou "quebrar a cara" em relação à tudo que disse aqui. Não ficará pedra sobre pedra deste estado de coisas depois da fúria desembestada dos tupiniquins revoltados e feitos de bobos desde sempre pelo estado brazilêro. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Responder
Pedro 22/09/2015 03:06:38

Nao estou querendo defender ninguém, mas só colocando algumas informações a mais...
Mas não dá para julgar os engenheiros e "cientistas" que procuram cargos públicos, visto que o mercado remunera muito mal estes. A grande maioria das empresas contrata engenheiros como "analistas" e pagam-lhe bem menos do que seria o piso da categoria. Ou seja, tu ficou 5 anos no mínimo (quase ninguém termina em 5 anos kkk) estudando que nem um condenado, numa faculdade que é 5 vezes mais difícil de que qualquer outra (tirando medicina, porque eu vejo aquela turma o tempo todo no hospital) para ganhar 2 ou 3 mil reais... Trabalhar 45 horas por semana, entupido de projetos, com uma baita responsabilidade no lombo.
Se lembra daquela história que saía na mídia anos atrás, que dizia que faltava engenheiros no mercado? Muita gente no meio acha que é balela, que foi mais para fazer todo mundo querer entrar na engenharia e aí encher o mercado de engenheiros novos, aumentar a oferta e assim poder diminuir salários. Bom, agora com a crise nem se fala, a indústria está destruída. Eu sou recém formado em engenharia e estou há mais de 6 meses atrás de emprego e nada. Muitaa gente na mesma situação. Mas claro, agora é a crise, são outros 500.
Outra coisa que eu sempre disse, nossa indústria é muito atrasada! É protegida. Não contrata engenheiros para fazer pesquisa. Aqui no Brasil em geral só se aperta parafuso, se monta kits do exterior. Tirando Embraer e algumas outras empresas. Parece que muitas querem engenheiros para assinar documentos e ler inglês (exagerando kk).

Responder
cmr 22/09/2015 13:27:57

"A grande maioria das empresas contrata engenheiros como "analistas" e pagam-lhe bem menos do que seria o piso da categoria."

OOOPS !!!!!!! Conclui-se que você é a favor do CREA, da reserva de mercado, da CLT, e de todas as outras regulamentações estatais.



Responder
Pedro 22/09/2015 16:30:51

"conclui-se que..."

Não, não se conclui nada. Se você quer fazer deduções malucas de que sou sindicalista, de esquerda ou algo assim, está muito enganado. Sou de direita e concordo com a maioria das idéias desde blog, se quiser saber minha opinião, trabalho na área de informática e não ganho nenhum direito da CLT, ganho por tarefa, nem férias tenho... Me viro do jeito que dá nessa crise. Então cuidado com suas conclusões...

Mas voltando ao tema principal. Você mesmo falou no post acima que um cientista entrar para a máquina estatal é um desperdício... Pois bem, estou dando algumas razões pelas quais muitos tomam este caminho.

Um deles é de que a indústria nacional NÃO INVESTE EM PESQUISA, É ATRASADA, EM GERAL. É protegida. Por exemplo, um conhecido visitou uma fábrica de caminhões, não lembro se era da Volvo ou outra, e disse que não tinha engenheiros lá. Ou seja, lá só se aperta parafusos. Logo tem pouco espaço para engenheiro no mercado.

Outra empresa de engenharia na qual trabalhei, da área aeronáutica, e os engenheiros do setor estavam lá há anos

Agora, você dizer que todo cientista que entra para o estado é desperdício também... não sei. E os professores de universidades são o que então? Você sabe que a maioria das empresas quando precisa resolver um problema técnico apela para as universidades por soluções? Vão lá falar com os professores. Como se diz então, nem tanto ao céu nem tanto à terra.

Ah, eu acho que para concluir, são regras do mercado não é? Se alguém te oferece mais para você ir trabalhar por ele, você vai não é? E se esse alguém é o governo? Faz diferença? Se na tua área não tem oportunidades no governo para você sair do seu emprego, azar o seu. Se o governo paga mais que a iniciativa privada, então os que têm a oportunidade vão para lá. A iniciativa privada, a indústria quer manter engenheiros bons em seus quadros? Pois bem, regras do mercado baby, livre concorrência. Pague mais, invista em pesquisa, ofereça mais do que o governo está oferecendo... Não é o que é defendido aqui neste espaço? Acho que você se está se contradizendo. Está julgando quem vai ser funcionário, sendo que estes estão buscando vantagens para si. Mas o sistema funciona nos dois sentidos. Também tem muitos oficiais das FFAA que estão saindo das forças e indo para a iniciativa privada porque vão ganhar mais.

Responder
Shmuel 22/09/2015 15:38:36

Você é engenheiro? Então comece a "engenhar".
Porque você precisa de um emprego?
Porque você não inventa algo novo com seus conhecimentos adquiridos com "tanto esforço" (segundo você mesmo).
Ou você é apenas mais um dos que estão esperando um "salvador"?
Outra alternativa: vá para o exterior. Na Alemanha, Inglaterra e nos E.U.A. engenheiros "bons", são muito bem remunerados.
Os "bons", claro.
Agora, quem frequentou um curso de Engenharia só para ter um diploma e poder "trabalhar na área" tem mais é que aceitar qualquer salário oferecido.

Responder
cmr 22/09/2015 17:33:48

Shmuel; falou e disse, endosso o seu comentário, kkkkk

O cara se diz libertário, de direita, defensor do mercado, etc... Mas não perderia uma oportunidade de entrar para o estado, e "mamar" o dinheiro dos produtivos que foram legalmente roubados através dos impostos.

Depois eu é que estou me contradizendo...

Responder
Pedro 22/09/2015 18:33:18

haha, voce só vê preto ou branco mesmo. Eu não sou funcionario publico nem tenho planos de ser. Mas como voce só ve preto ou branco acha que sou. Ataque o comentário e não o comentarista rapaz. Comecei meu comentário dizendo que estou adicionando informações, um modo de ver só. Muitos funcionários públicos estão lá só para mamar sim, mas outros contribuem, não acho que deva-se tachar todos. A PF precisa de peritos, e peritos podem ser engenheiros, ou você acha que não precisa mais de Policia Federal também? Os peritos são todos mamadores. Pode botar qualquer zé lá.

Meu comentário foi bem explicativo. Se a indústria não paga remunera tão bem os profissionais quanto o governo, (porque, como disse, é atrasada, é protegida, não investe) eles vão migrar para lá.

Assim como se o Uber é melhor que táxi, as pessoas vão usar o Uber. Estou mostrando uma outra perspectiva, que talvez você não saiba, não sei o que você faz, se conhece o meio ou não. Aí já quer criticar dizendo que todo mundo quer "mamar"... Então se tiver um salário de 8 mil lá para você, você não vai, vai preferir ganhar 2 mil para dizer que é a favor do mercado? haha

Agora você acha que tudo que é estatal é ruim. Por exemplo, você sabe o que é o DARPA? A NASA? Eu acho que eles contribuiram tanto para o progresso tecnológico que não sei nem por onde começar.

A minha crítica é para que a indústria brasileira evolua, e estou dizendo o que passa na cabeça das pessoas que cansaram de ganhar pouco e foram trabalhar em alguma estatal porque paga mais. Assim como uns largaram o exército para ganhar mais fora. OU você vai chamar estes de desertores também? Mas se tudo que você tira é dizer que são mamadores, bom... Se os empresários querem segurar engenheiros, então que façam a sua parte.

Responder
Anarquista 23/09/2015 00:37:15

Não fui convidado pra essa conversa, mas como sou entrometido vou deixar minha opinião

Como anarquista não acho que o estado preste algum serviço eficiente além de 'quebrar as pernas' da possível iniciativa privada, e oferecer um serviço meia boca em troca. Concordo que seja um desperdício que pessoas inteligentes prestem concursos para trabalhar ao leviatã.
Porém não vejo que o desperdício nesse caso seja da pessoa que resolve prestar o concurso, quem perde é a humanidade como um todo, que perdeu uma mente que poderia estar tentando resolver problemas reais, pois ela está ocupada demais decorando inutilidades específicas para uma prova. Só que ela apenas está reagindo aos incentivos e essa é uma escolha racional(e normalmente vantajosa a nível pessoal), não vejo tanta diferença essa escolha quanto um empresario surfar em empréstimos subsidiados por exemplo.

Portanto em certo nível concordo com o Pedro, embora tenha convicção que a indústria não remunere tão bem não por ser atrasada e não investir, mas simplesmente por responder a incentivos da mesma forma que o empregado. Se o cenário brasileiro não oferece incentivos para investimentos (segurança jurídica, transparência e simplicidade nos impostos, garantias de propriedade privada), não seria normal é esperar que a industria oferecesse essas coisas.

O caso do UBER é interessante, o mesmo prosperou justamente por não ser ainda regulado pelo estado, muitos governos de outros países por exemplo já o proíbem. Concorrer com o estado é uma briga desproporcional, pois o mesmo pode em última instância usar a força no momento que lhe for conveniente.

Responder
Rodrigo 23/09/2015 05:20:23

Cmr; partindo desse seu raciocinio eu creio que voce deve pensar que todo mundo que estuda em uma universidade federal é mais um que "mama" na teta do estado e deveria se envergonhar.
A realidade é essa, agora voce acha que o cara nao vai tentar entrar numa universidade federal, ou entao tentar um concurso para exercer sua profissao em uma Petrobras ou similar porque ele é libertario? Faz favor, as pessoas tem financiamento de casa, carro, familia para sustentar e, por mais que acabe sendo uma perda intelectual para o mercado de trabalho, ser um funcionario publico continua sendo uma profissao digna e completamente legal.

Eu mesmo me graduei em uma universidade federal e quando fiz mestrado ganhei bolsa da petrobras que, para os desavisados, gera grandes avanços na pesquisa brasileira por meio de seu investimento em desenvolvimento tecnologico nas universidades. Nem por isso tenho vergonha ou me sinto alguem que "mamou" nas tetas do estado.

Sou engenheiro e concordo em varios pontos com o Pedro. Conheco inumeros engenheiros desempregados ou contratados com outro cargo, como analista. O cargo pra mim é detalhe, pois ele deriva do fato de haver salarios minimos, se o salario minimo do engenheiro fosse o mesmo do analista, com certeza existiriam muito mais pessoas contratadas como engenheiro. O meu antigo chefe mesmo dizia que gostaria de contratar mais pessoas e com cargos de engenheiro, mas que nao era possivel devido as implicacoes de salario e impostos. O problema é que a industria vem apresentando pouca oportunidade e baixos salarios. O motivo dessa oferta deficiente foge ao escopo do nosso debate aqui, mas é muita ingenuidade voce pensar que o cara nao vai aproveitar algum cargo publico ou oportunidade similar para nao "mamar" no estado.

E voce Shmuel, quantos anos voce tem, 15?
"Você é engenheiro? Então comece a "engenhar".
Porque você precisa de um emprego?
Porque você não inventa algo novo com seus conhecimentos adquiridos com "tanto esforço" (segundo você mesmo)."

Um salve para o Anarquista. Comentario ponderado e consciente.

Otimo artigo.

Obs: Desculpe pelos problemas de acentuacao, estou usando teclado italiano.

Responder
Shmuel 23/09/2015 12:46:59

Senhor Rodrigo,
Tenho 63 anos. Comecei a "engenhar" informalmente com 15 anos e continuo engenhando até hoje.
Aqui no Brasil e atualmente, muito pouco, mas já engenhei muito tanto aqui, como no exterior.
Que perguntar algo mais, senhor Rodrigo?
Quanto ao seu teclado Italiano... instale Português no seu computador, e aí você terá um teclado bilíngue.
Mais uma observação: quem presume, é apenas presunçoso.

Responder
Patrick Wiens 23/09/2015 11:24:25

Pedro, o mercado só paga menos por:
- A economia é fraca, não gira, logo as pessoas são descapitalizadas e os critérios para negócios pesam mais para o lado do preço da balança do que da qualidade; isso reflete nos salários pagos para os funcionários das empresas. Dica: uma causa disso é porque MUITO do nosso capital é drenado para o estado, justamente para pagar aos servidores salários acima do mercado;
- O funcionário não agregou valor suficiente na sua função para justificar o salário. Você estudou pra caramba, mas não tem experiencia o suficiente para arcar com uma responsabilidade de, por exemplo, tocar uma obra grande que pague o que você almeja.
As pessoas estudam e acham que isso implica em um direito de ganhar mais. Eu sou engenheiro também, e era revoltadinho por ganhar pouco. Aí abri minha própria empresa e vi que o buraco é muito mais embaixo.
E respondendo o outro rapaz, eu prefiro que não tenha essa função que o funcionário público esteja fazendo e eu escolha uma empresa que faça e me satisfaça. Se eu não gostar, troco de fornecedor. Agora infelizmente não é possível trocar de governo.

Responder
Thiago Teixeira 12/10/2015 23:20:06

O que o Pedro está dizendo pode-se resumir em apenas uma expressão: Teoria da Escolha Pública.
Um engenheiro formado que recebe salário mínimo de engenheiro (8,5 sm, né?) no mercado privado e encontra a oportunidade de fazer um concurso para a petrobrás para ganhar mais e ter praticamente estabilidade de funcionario público está apenas reagindo aos incentivos que encontra ao seu redor.

Sobre as causas do nosso mercado pouco estimulante para os engenheiros, colocaria: a baixa produtividade da nossa indústria (quando a producao é organizada e eficaz, com bom maquinário, o funcionário rende muito para a empresa e consegue receber mais); a alta teibutacao na cadeia de producao; a barreira alfandegária (protecionismo fiscal); nossa moeda bagunçada, tanto pelo estimulo governamental ao consumo (a producao vai se adequando à quantidade de produtos consumidos, e quando essa producao estabiliza ou regride mais dinheiro pode ser direcionado para as oredens superiores da cadeia produtiva) quanto pela instabilidade cambial (um cambio forte facilita a modernizacao do maquinário e a sua manutencao)... Há pontos já citados, como segurança jurídica, estabilidade e força institucional...

Quanto ao Sr Shmuel, entendo que "engenha" há 50 anos, mas permita-me discordar em alguns pontos. O cidadão "engenhar" sozinho, sem um capital próprio para isso, sem estar ligado a uma universidade nem a jma estrutura de producao me parece um tanto complicaco. Os caras que o fazem contam com minha total admiração; acho massa os que fazem naquele estilo de oficina de garagem como vemos em seriados americanos, e me remetem muito à 2a metade do século XIX americano, minando patentes a todo instante, época áurea...
Enfim, isso não é para poucos, é para muito poucos.
Sobre a tentativa de aventurar fora do país, onde as ordens superiores da producao estao bem estabelecidas, há moeda forte, estabilidade institucional, etc..., considero um dica interessantíssima. Faz um toefl e se manda!

Enfim, voltando ao Pedro, considero vantagem não estar defendendo políticas keynesianas, como vejo muito engenheiro fazendo por aí (burramente, porque pode ver como muitas problemas que apontei sao oriundos do estado).

PS.: abandonei um curso de engenharia no início para não ficar na mesma situacao do Pedro... Sendo que eu já era médico formado quando iniciei a engenharia; direcionei minha dedicacao integral à minha profissao que já está garantida...

Responder
Marcos 20/03/2016 20:39:49

Infelizmente, muitos libertários confundem teoria liberal com puro ódio em relação aos servidores públicos. Se me perguntam se prefiro funcionários mais eficientes ou não, eu respondo: claro que prefiro policiais, juizes, promotores, médicos e professores mais eficientes. "Ah, mas esses serviços não deveriam estar nas mãos do estado." Acontece que boa parte deles estão nas mãos do estado em todo mundo atualmente. Exigir de uma pessoa que ela se abstenha de trabalhar no que deseja para endossar uma teoria que está bem longe de ser adotada hoje em dia é tão fora da realidade que só posso lamentar o futuro do libertarianismo brasileiro com gente tão pouco pragmática. O indivíduo tem que ganhar a vida no Brasil real de hoje em dia, e não no país das maravilhas.

O bom é que nem todos são assim, provavelmente a grande maioria. Mas esses libertários "true" que querem fazer com que seus conceitos éticos particulares sejam adotados universalmente fazem um barulho imenso.

Responder
Mais Mises... 21/03/2016 15:02:29

Marcos, entendo a sua angústia. Posso dizer que já partilhei dela. Contudo, uma teoria não deve se dobrar porque a realidade lhe é distante. O que você fez foi emitir uma afetação emotiva barata. Ninguém vai sair por aí abdicando dos seus espaços 'honestamente' conquistados não. É óbvio. Mas nem por isso a teoria da Escola Austríaca e dos demais pensadores libertários deveria ser adaptada, ou dobrada 'só um pouquinho', a fim de permitir meios termos. O famoso gradualismo que tanto falamos por aqui. Como eu disse, teoria é teoria. É o ipsis literis. A prática, se mostrará fruto de experimentações gradualísticas (o que é o mais provável!), aí veremos.
No mais, eu sou funcionário público e da iniciativa privada e estou totalmente convencido de que: 1) Boa parte dos meus ganhos vêm da retirada coercitiva da produção de outros; 2) Não meu trabalho público, não crio valor para a sociedade, ao passo que no privado, sim; 3) O estado pode até dizer que oferece os serviços, mas sempre será consumindo recursos (riqueza) gerada pelos seres produtivos, dado que sua renda é obtida na forma de cobranças obrigatórias e, em muitas das vezes, por uso da força/aparato estatal de coerção. Abraço.

Responder
paulo 18/04/2016 19:03:12

Concordo com você, meu caro brasileiro...
Mas isso tem origem do Brasil Colônia, infelizmente, pois, já começamos devendo à Inglaterra para termos a nossa "independência"...
A África é um exemplo bem claro do que é ser colonizado o tempo inteiro; a grande maioria dos povos africanos foi empobrecida pelos europeus.
O nosso país é cheio de riquezas, mas é interessante para os países ricos que o Brasil continue sendo uma "colônia", que o povo não ganhe muito, para não ter mais conhecimento e mais cultura, para que a mão-de-obra continue sendo mais barata para as grandes empresas...

Responder
Charles Nankin 29/04/2016 04:03:58

Como estrangeiro sempre fiquei de boca aberta - horrorizado - para esta sistema dos concursados! Só agora vi um beneficio importante - na forma desses tais Moros e Dallagnois :)
Tambem vejo assim: depois de 10 anos de Orlando e condominios horizontais os caras querem que a fantasia torna realidade aqui ne!

Sobre os brasileiros achando que o que Vargas prometeu do estado mamae e os "direitos" é o lei de deus: vejo esta caracteristica toda hora - uma intolerancia e impaciencia e falta de ver o big picture. Especialmente na hora de contratar algum serviço. Implica com alguma coisinha do contratado e logo tiram as facas. :)

Valores e raciocinio. Vai demorar.

Responder
Rodrigo Pereira Herrmann 21/09/2015 12:11:54

A combinação mágica de câmbio se apreciando (política monetária mais ortodoxa) com aumento exponencial de saldo de balança comercial (China, basicamente).

Responder
Dean 21/09/2015 12:19:39


Ler um artigo de Leandro Roque, é sinônimo de LÓGICA, organização dos FATOS, DADOS, INFORMAÇÕES... um elixir para quem desfruta de racionalidade, análise, entendimento, compreensão etc. Aliás, caraterísticas tão carentes na idiossincrasia brasileira (impulsividade, irracionalidade, emocionalidade, subjetividade, improvisação, seletividade, analfabetismo, ignorância etc).

Apenas complemento Leandro, agregando que em 2014, o Departamento de Economia da PUC-RIO (Vinícius Carrasco, João M. P. de Mello e Isabela Duarte), desenvolveu uma pesquisa, para avaliar o governo de 2003 a 2012. Uma das tantas conclusões é que nessa década, Brasil quando comparado com "peer countries" (países semelhantes), perdeu a oportunidade ano a ano de crescer em média mínimo 20% acima do PIB (comparado com o que cresceu).

Conclusão, Lula não apenas foi um demagogo e populista irresponsável, como ademais, quando comparado com "peer countries", Lula foi um incompetente. Ademais de fazer festa a custa dos anos seguintes, Lula tampouco nunca teve visão, nunca foi um estadista, nem interessou-se pelo desenvolvimento do Brasil.

O único foco do Lula sempre foi o PODER, a qualquer preço e fim. Prova isso o Mensalão, Petrolão etc.
Seu único projeto de vida, sempre consistiu em seguir as diretrizes do Foro de São Paulo (Antonio Gramsci). O que implicava cooptar o Estado e a Máquina Pública.
Essa é a raiz do pragmatismo do Lula, e por isso botou uma equipe econômica pró mercado, com bilhões em bolsas esmolas para comprar o empresariado brasileiro (cúmplice do Lula).

Lula não acertou na equipe econômica nem na matriz. Lula queria escravizar o Poder Judicial e o Legislativo, queria dominar o Estado e a Máquina Pública... e para tal, precisava a elite empresarial anestesiada. Daí repito, essa é a origem da sua equipe econômica e matriz supostamente pró mercado. Foi uma consequência lógica dos seus reais objetivos (poder).

Quando Dilma assumiu, foi Lula quem mandou sua criatura continuar com a mesma receita dele (poder, cooptação do Estado e Máquina Pública, escravizar Poder Judicial e Legislativo etc). Porém, como muito bem exposto pelo Leandro, o plano Lula só funcionou graças ao cenário externo internacional favorável à maioria das economias emergentes. Dilma então pisou ainda mais no acelerador da receita Lula, e só afundou mais o Brasil.

Como brilhantemente relatado pelo Leandro, a grande furada do Lula / Dilma, foi acreditar nas próprias ilusões e miragens ideológicas deles (Foro de São Paulo, Antonio Gramsci etc), confundindo cenário externo favorável, moeda estrangeira fraca... com prosperidade nacional eterna. Eles acharam que a tão sonhada fórmula intervencionista, com Estado gigante e poderoso, funcionava graças a eles... e nunca, nem até hoje, caiu a ficha de que eles apenas ganharam a loteria na década deles, onde quase todos os países, com sistemas econômicos bons o ruins, beneficiaram-se do contexto externo.

Mais do que um erro de diagnóstico, diria que é uma patologia do Lula / Dilma / Base governista, que persiste até hoje.
Na década Lula, ainda fazendo porcarias, o cenário externo benéfico ajudava a minimizar consequências. Porém, o grave hoje é que:

1) O cenário favorável acabou

2) Lula / Dilma / Base governista, teimam no mesmo diagnóstico patológico, achando que a solução é mais Estado, com mais poder, mais recursos etc (vejam que cortam investimento, aumentam imposto, porém, jamais cortam governo, estado etc)

3) Não há nenhum plano de ação para o futuro, não existe nenhum plano para o país... e a falta de expetativa, falta de luz no fim do túnel, afeta a economia, ainda muito mais do que os problemas políticos / institucionais

4) O empresariado brasileiro é cúmplice das mamatas do Estado / Máquina Pública. Portanto temos pela primeira vez, as grandes massas populares junto com os empresários, ambos viciados nos bolsas esmolas, benesses e afins. Isso dificulta ainda mais qualquer mudança na Constituição (raiz dos problemas econômicos do Brasil). Em outras palavras, Brasil ficou condenado a insustentáveis políticas de esquerda.

Alguns dirão que a atual armadilha, só acaba quando Brasil virar uma Grécia.
Mas vejo Argentina, Venezuela, a própria Grécia, e infelizmente quebrar um país as vezes só leva a mais extremismo. Na Grécia, Syriza voltou a ganhar. Na Argentina, o peronismo continua sendo o favorito. Na Espanha idem com o Podemos. Na Venezuela, mais de 50% apoiam o governo. Etc.

Quero dizer, que quando o populismo e a demagogia entra no DNA de um povo, as consequências são nefastas, e perduram no tempo por cima dos próprios líderes e partidos. Traduzindo, pode que Brasil fique doente por muitas décadas. Tomara me equivoque!

Responder
Andreia 21/09/2015 16:05:53

muito bom parabens

Responder
Pedro 30/09/2015 16:16:27

Foi um dos melhores comentários que já tive o prazer de ler nesse site...

Parabéns!

Responder
Angela 06/01/2016 12:37:51

Comentário à altura do didático artigo do Leandro. Obrigada.

Responder
Stella 22/03/2016 16:39:18

A verdade é que o Brasil tem chance de dá certo, o que acontecendo atualmente é de da esperança.

Responder
Investidor 21/09/2015 12:22:28

Caramba, a foto do Lula com a linguinha pra fora está muito engraçada. haha Vc olha e pensa: "que cara de 171, que malandro e marginal, que pilantra, que cara de trombadinha e mentiroso safado populista!"

Responder
anônimo 21/09/2015 14:44:46

Parece que o Bush tá hesitando em colocar a mão nele. Pq será? Huahuhuahuahaua

Responder
Laercius 21/09/2015 18:50:59

hehehe.Notei também; e principalmente, o que alguém falou abaixo,o GBush parece estar fazendo o gesto típico de esquivar-se de um bêbado..."afetuoso".

Responder
Ricardo Defferrari 23/09/2015 12:28:43


Em vez de realizar uma análise sobre os fatos, se preocupam com foto, ou xingamentos.
Artigo muito bom, bem explicado.
Vimos que a postergação das reformas necessárias por todos os presidentes e que poderia ser feito durante o dólar baixo com muita tranquilidade precisa do apoio dos deputados e da pressão popular. Reforma Fiscal, Ministerial, Política, redução de salários e mordomias em todas as esferas, aumentar a transparencia criada em 2004 (portaldatransparencia.gov.br).

Os investimentos em Infraestrutura sao importantissimos para o crescimento.
Assim como meio de transporte de massas, para reduzir este consumo de veículos particulares.
E a educação importante para mudar comportamentos e melhorar a ética e moral das pessoas não para votar melhor mas porque os nossos representantes sao apenas o reflexo da nossa sociedade.

Responder
Carla 26/09/2015 01:39:33

Poxa, li o artigo e esperava um comentário sensato. Efim chegou... Ninguém nos gastos absurdos com os ministérios e deputados, sem falar no judiciário. Nada vai mudar enquanto não melhorar a educação, mas existe uma resistência nisso, pois pobre deste país não pode ter uma boa educação. Também gostei do artigo, só não entendi por que outros países próximos não sofreram o mesmo efeito com a queda do dolar. Mas tudo bem. Bom comentário.

Responder
Perez 26/09/2015 02:16:04

Há um artigo inteiro dedicado ao corte de gastos, o qual havia sido publicado apenas dias antes deste artigo. Ei-lo:

Por que é crucial o governo cortar seus gastos - e por que não fazê-lo é um desastre

Não faria sentido repetir todo o assunto neste atual artigo.

"só não entendi por que outros países próximos não sofreram o mesmo efeito com a queda do dolar. Mas tudo bem."

Ué, como assim? Todos os países da América Latina vivenciaram um grande boom na década de 2000. Todos. Da Colômbia à Argentina, do Peru ao Paraguai, da Bolívia ao Uruguai, da Venezuela ao Equador.

No próprio artigo há um link sobre esse assunto:

https://www.imf.org/external/lang/portuguese/np/vc/2013/050613p.pdf

Responder
Anomalous 21/09/2015 12:28:54

Excelente análise. Quando se trata de Economia ninguém bate o IMB.

Responder
Investidor 21/09/2015 12:44:49

Dilma está ameaçada de impeachment por ter se elegido com o dinheiro desviado da Petrobras (segundo os delatores Ricardo Pessoa, Marcelo Odebrecht e Pedro Barusco) e também por ter feito as já famosas pedaladas fiscais no primeiro mandato

Ela pode ser cassada por coisas que fez no primeiro mandato? Não tem de ser neste? Se eu estiver certo, então o congresso não pode cassa la. Resta apenas o TSE invalidar a chapa Dilma-Temer e vir novas eleições, o que provavelmente poria o Molusco de volta no palácio do planalto, a não ser que o TSE tenha a ousadia de declarar o segundo colocado (Aécio) novo presidente.

Responder
Thiago Teixeira 21/09/2015 16:10:36

O caminho mais provável é o da cassação de Dilma, após a reprovação das contas do ano passado pelo TCU. Ela poderia até ser presa (!). E ficar inelegível. Aí que eu também não tenho certeza, se Temer cairia junto; teses acoxambrísticas levam pelo caminho de cair só ela. Dessa forma, pode contar com o apoio do PMDB. Então, não entendo até agora por que o PMDB ainda não aproveitou a oportunidade. Seria o caminho com a menor instabilidade de transição.
Resolveria? Não... Temer e seu PMDB são bem fisiológicos, não têm essa prestatividade de entender que tem que cortar da própria carne... Não tem peito para reduzir funcionalismo público...
Inclusive, tenho uma enorme curiosidade de saber quem seriam o ministro da fazenda e o presidente do Bacen sob Temer.

O caminho do Petrolão, invalidação da chapa eleitoral parece-me improbabilíssimo. Porque puxaria junto Temer e muita gente do PMDB, além do PP. Cunha assumiria como presidente interino e novas eleições seriam convocadas. Mas ele também está envolvido. Em seguida seria Calheiros, também está... Esse ínterim até a nova eleição e posse seria turbulento. Aécio ganharia.

Responder
Investidor 21/09/2015 16:42:06

A questão é que o TCU rejeitará, se rejeitar e deve fazê-lo muito provavelmente, as contas de Dilma de 2014, portanto mandato passado. Isso pode dar problema. Acho que se houver mesmo o impedimento pelo congresso, vai parar no STF e este vai decidir se um governante pode ser cassado por crime de responsabilidade cometido em mandato anterior. Isso ainda vai dar muita confusão. O melhor mesmo seria a renuncia da doida varrida. Mas ela não fará isso. A Dilma é o tipo de pessoa mais cretina que existe na face da terra. Essa mulher é capaz de ver o país pegar fogo e não renunciar. É o tipo de pessoa capaz até de deixar o país cair em guerra civil, mas não renuncia. Essa gente não tem espírito público. Eles só pensam em poder e neles mesmos.

Responder
Thiago Teixeira 21/09/2015 20:50:35

Concordo. O pior é que não há jurisprudencia nesse caso. Não sei como tem sido decidido em municipios e estados.
Concordo tambem na parte da falta de altruísmo. Não renuncia. Tem um boato de que até dia 27 desse mes ela pode renunciar, pero jo no creo...

Responder
Lucas Amaro 21/09/2015 23:22:30

Lei 1079/50:

Art. 15. A denúncia só poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo, deixado definitivamente o cargo.

A lei não distingue mandato, apenas diz sobre permanência no cargo.

Teoricamente o impeachment é válido, mesmo se forem acusações de outro mandato.

Responder
Alguem 22/09/2015 03:06:19

Haha, que irônico, no caso o que a mandaria pro xilindró seria sua fome por poder e não o crime em si.

Responder
SPSPJULIANO 21/09/2015 12:55:38

Òtimo artigo.

Parabéns mais uma vez Leandro.

Dá vontade de chorar (de tristeza) ao ler a conclusão.

Dois comentários:

1)Quanto a desvalorização do dólar, nem precisa de "um trapalhão econômico que invente novas heterodoxias". Basta continuar na toada que está, sem o FED aumentar o juros e eventualmente com um novo QE (QE4).

2)Acho que já viramos Argentina.... não tem mais volta, nenhum governo (seja PT, seja de direita) terá condições de adotar a agenda correta (diminuição de gastos, limitação da renda e imposição de um padrão de vida compatível com a capacidade produtiva do país). Ou ainda, voltamos a década de 80/90, chorará menos quem tiver mais condições de fazer o Estado lhe proteger (empresários amigos do rei, deputados, senadores, magistrados, promotores....); o resto perderá poder aquisitivo, seja pela desvalorização do dólar, seja pela inflação galopante.

Responder
Osmar Neves 21/09/2015 13:04:36

Rapaz, que aula! Parabéns e muito obrigado Leandro!
Que Deus continue te usando para nos instrtuir e nos abençoar! Um abraço!

Responder
Critico 21/09/2015 13:27:25

Fantástico artigo.

Uma excelente explicação embasada em fatos, lógica, teoria econômica verdadeira e bom senso.
Fiquei feliz em reconhecer diversos trechos e argumentos de outros artigos igualmente brilhantes deste portal.

Parabéns pelo trabalho excepcional Leandro.
Abraços.

Responder
Renato Arcon Gaio 21/09/2015 13:30:27

Bom artigo, ou seja trocando o técnico por uma analogia superficial seria dizer que depois de uma noite de farra com muita bebedeira, na manhã a ressaca brutal será sentida e sofrida.

Abraços

Responder
Cezar 21/09/2015 14:13:37

Leandro qual seria a melhor saída para a economia (caso politicamente tivesse clima), usar o currency board ou dolarizar a economia?

Responder
Leandro 21/09/2015 15:41:05

Currency Board é extremamente mais simples e fácil de ser implantado. Pode ser feito, literalmente, da noite para o dia. E é extremamente efetivo.

Já a dolarização exigiria uma logística muito mais complexa e custosa. Como não há dólares circulando entre a população para possibilitar isso, teria de haver uma operação conjunta com o Fed para fazer remessas de cédulas de dólares para cá.

De resto, dado que a vida útil de uma cédula é de uns 10 meses, teria de haver uma contínua reposição das cédulas no Brasil, o que exigiria outra estratégia junto ao Fed e ao Tesouro americano. Seriam mais de 200 milhões de brasileiros utilizando cédulas de dólar, e isso exigiria alguma logística do Fed.

Já com um CB, não há esse problema. A emissão de cédulas é responsabilidade do CB, e estas ocorrem de acordo com a entrada de dígitos eletrônicos (em dólar) em seus computadores. Não é necessário se preocupar com uma remessa contínua de estoques de dólares.

Responder
felipe 21/09/2015 18:21:23

Mas leandro, e qual seria o impacto de um Currency Board no nosso sistema bancário? Não tenho certeza, mas acredito que sem outras reformas poderíamos cair na mesma armadilha que a Argentina.

Responder
Leandro 21/09/2015 18:47:32

Qual armadilha?

Tão logo o Banco Central argentino passou a operar como um Currency Board -- momento esse em que ele ainda possuía características ortodoxas --, os gastos do governo argentino caíram sim (em termos relativos), e muito: eram de 35,6% do PIB em 1989 e caíram para 27% do PIB em 1995.

Aí, de fato, com o passar do tempo, o governo foi adulterando o funcionamento do Currency Board -- que nada mais era do que seu próprio Banco Central atuando como Currency Board --, e isso realmente foi fatal em termos de confiança dos investidores estrangeiros.

Por exemplo, o governo determinou, contrariamente a como seria um Currency Board tradicional, que o BC poderia comprar títulos do governo e poderia fazer injeções no mercado interbancário. Isso vai totalmente contra ao funcionamento de um Currency Board, que não apenas não cria dinheiro para intervir no mercado interbancário, como também só pode ter como ativos títulos denominados na moeda-âncora, e nunca na moeda nacional.

De resto, é preciso ter muito cuidado com algumas conclusões: não foi o regime de conversibilidade o culpado pelo colapso econômico argentino; foi o governo que destruiu o regime de conversibilidade e, consequentemente, levou o país para o buraco.

O regime cambial argentino funcionou perfeitamente -- até que o governo argentino resolveu destruí-lo, o que, aí sim, gerou os problemas.

O governo destruiu a lei de conversibilidade justamente porque ela o amarrava, disciplinando seus gastos e sua expansão. Aí, imediatamente após a destruição da conversibilidade, a Argentina mergulhou no caos, na miséria e na depressão.

Ou seja, um sistema foi implantado, funcionou como o esperado, o governo não gostou (porque o sistema lhe amarrava), destruiu o sistema, o país mergulhou no caos como consequência disso, e aí as pessoas dizem que a culpa de tudo é do sistema que foi destruído. Beira o surreal.

Qual a garantia de que um Currency Board seria imume aos governos? Como recomenda Steve Hanke, que é o papa do assunto, o Currency Board teria sede na Suíça, e estaria sujeito às leis suíças. O governo brasileiro nada poderia fazer contra ele. Caso fizesse algo, seria uma agressão internacional, pois estaria atacando uma instituição suíça.

Quanto aos bancos brasileiros, estes já foram saneados pelo PROER e pelo PROES logo após o fim da hiperinflação.. Aliás, o que realmente pode colocá-los em risco é a volatilidade do dólar, pois muito se financiam em dólar no mercado interbancário mundial.

Responder
Lucas Senger Jacobus 21/09/2015 19:52:56

Leandro,

Muito das minhas dúvidas foram sanadas neste comentário.

Entretanto, te pergunto HOJE qual seria o valor ideal para realizar a introdução do Currency Board e da necessária livre Conversibilidade? R$4,00? Como se chega a este valor? Ou ele é irrelevante?

Um abraço

Responder
Leandro 21/09/2015 20:38:45

Pela literatura, você tem de adotar o seguinte procedimento:

1) Anuncie para o mundo todo que na data X -- por exemplo, dia 23 de novembro, pra dar dois meses -- você adotará um Currency Board estritamente ortodoxo, com suas leis estabelecidas na Suíça, e à taxa de câmbio vigente no dia último dia útil anterior. (Foi exatamente assim que foi feito com o Plano Real).

2) Após o anúncio, libera absolutamente todo o mercado de câmbio. Não de ter nenhuma restrição à entrada e à saída de capitais. Nenhum imposto, nenhum IOF, nada. O objetivo é ter um mercado cambial plenamente livre, justamente para que ele informe o real valor da sua moeda.

3) Dois meses é tempo mais do que suficiente (na verdade, não precisa de mais do que um) para se estabelecer uma "verdade cambial".

4) Caso seu plano seja crível, e os investidores e especuladores estrangeiros realmente acreditem na seriedade da proposta, a tendência é que o câmbio se aprecie até a data da adoção do câmbio fixo. Vale ressaltar que investidores e especuladores estrangeiros -- como explicado detalhadamente neste artigo -- ganham com uma moeda que está se apreciando, de modo que eles próprio irão se encarregar de fazer essa apreciação.

5) Ou seja, paradoxalmente, para se adotar um câmbio fixo, é necessário deixá-lo flutuar livremente por algum tempo.

6) Grosso modo, se o Brasil seguisse essa cartilha impecavelmente, e tivesse um governo mais sério, não seria desarrazoado dizer que o câmbio na data da fixação estaria mais próximo dos R$ 3 do que dos R$ 4. Câmbio é muito influenciado pela confiança no governo e nas políticas futuras, e o simples anúncio da implantação de Currency Board sério e ortodoxo já faria o câmbio se valorizar fortemente. Veja esse relato de Steve Hanke relatando como a rúpia indonésia se valorizou 16% em um único dia tão logo surgiram boatos de que o país adotaria um Currency Board.

Responder
corsario90 23/09/2015 15:11:21

Leandro,
se eu entendi bem, deveria ter um cambio livre para definição real da taxa de cambio, logico livre de qq cabresto, como preparatório do dia 23.11.
Agora sendo o cambio uma arranjo voluntário de milhoes de agente atuando no mercado, não vai chegar uma hora que teremos que da uma atualizada nesse valor do cambio fixo da implantação do CB?
Fiquei com essa ponta de dúvida, tem instrumento de correção ou isso não é viável?
ABs

Responder
Leandro 23/09/2015 15:21:49

Não faz sentido. Tão logo a moeda é fixada pelo Currency Board, ela simplesmente se torna uma mera substituta da moeda-âncora.

Dizer que ela teria de ser continuamente atualizada é o equivalente a dizer que a definição de minuto em termos de segundos ou que a paridade entre 100 centavos e 1 real têm de ser continuamente revistas.

Repito: no Currency Board, a moeda nacional simplesmente se torna uma representante da moeda estrangeira. E só. Na prática, é como se houvesse uma dolarização.

Assim como a Bahia não precisa redefinir sua moeda em termos da mesma moeda que é utilizada em Santa Catarina, o Brasil não teria de redefinir sua moeda em termos da mesma moeda que é utilizada nos EUA.

Responder
corsario90 23/09/2015 19:32:06

Show Leandro. Entendi que seria a taxa de cambio fixa de R$3,00 para sempre então. É dúvida mesmo, porque defendo também o CB. Logo se a moeda âncora perdesse o valor, perderíamos valor também. Dae seu raciocínio com um CB misto?
Fico em dúvida qual seria a melhor opção: uma cesta de moedas ou um CB fixo? Uma coisa que aprendi: se deixar o governo fazer livremente uma politica monetária, da cracra no final. A estabilidade se da pelo controle da política monetária ferrenha.
Pequenas medidas do seu artigo sobre o Peru e a livre conversabilidade já ajudaria bastante tb, eu acho é claro.

Responder
Leandro 23/09/2015 19:55:35

Só pra esclarecer, eu não disse que o Currency Board tem de ter uma cesta de moedas. Aliás, nem consigo visualizar como isso seria possível, pois, se você tem um cesta de moedas, é impossível manter uma taxa de câmbio fixa em relação a todas elas. Você pode manter uma taxa de câmbio fixa apenas em relação a uma moeda, mas não a todas. Por exemplo, você pode fixar em relação ao dólar, mas não pode fixar em relação ao dólar e ao euro enquanto estas duas últimas forem flutuantes entre si.

O que eu disse é que seria positivo você ter um CB e, ao mesmo tempo, liberasse a circulação de várias outras moedas estrangeiras no país. Mas moeda-âncora mesmo seria só uma.

Responder
corsario90 23/09/2015 20:42:54

Entendi Leandro. Ficou claro. Vou rever o artigo de Cingapura feito no IMB, mas só realmente para fazer um cruzamento em finalizar minha dúvida: Cingapura não seria uma cesta de moedas em que o BC de lá dosa o "cambio", tendo começado por um CB?
Grato

Responder
Leandro 23/09/2015 21:16:15

Sim. O arranjo de Cingapura começou como Currency Board, mas hoje não é mais. Se você tem um cesta de moedas, é impossível manter uma taxa de câmbio fixa em relação a todas elas. Você pode manter uma taxa de câmbio fixa apenas em relação a uma moeda, mas não a todas. Por exemplo, você pode fixar em relação ao dólar, mas não pode fixar em relação ao dólar e ao euro enquanto estas duas últimas forem flutuantes entre si.

O Banco Central de Cingapura, além de não estipular juros nenhum, apenas controla a taxa de câmbio do dólar cingapuriano em relação a uma cesta formada pelas moedas dos principais parceiros comerciais do país. E ele faz isso vendendo (e comprando) título e moedas. Em vez de se preocupar com o valor dos juros, ele se preocupa com a taxa de câmbio. O princípio de operação é idêntico; muda apenas a variável alvo.

Mas não há, em momento algum, câmbio fixo em relação a esta cesta de moedas.

Responder
Thiago Teixeira 21/09/2015 21:10:07

O caso da Argentina queimou o filme do "cambio fixo", Leandro. Daria muito trabalho para convencer as pessoas de que o cambio fixo é bom, e que eles passaram a ter problemas quando descumpriram as regras, e nós não tivemos cambio fixo, mas sim atrelado.
Creio que isso deva ser repetido exaustivamente. Talvez até mereça artigo exclusivamente para desfazer a confusão. Logo no título: " O falso cambio fixo Argentino, e o cambio atrelado brasileiro", ou algo assim (melhora isso, porque ficou uma porcaria...)

Leandro, voce acha que no momento haveria clima para uma mudança de atuação do BACEN, ou seja, daria para passar para o redesconto, em vez do mercado de títulos?

Ah, a transição de um banco central que atua no redesconto para um sistema de currency board é mais tranquila que a transicao do BC como o nosso?

Responder
Leandro 22/09/2015 16:56:39

"no momento haveria clima para uma mudança de atuação do BACEN, ou seja, daria para passar para o redesconto, em vez do mercado de títulos?"

Creio que isso envolve mudança estatutária. E não, não vejo clima para isso. E, francamente, no atual ponto em que estamos, isso não faria muita diferença.

"a transição de um banco central que atua no redesconto para um sistema de currency board é mais tranquila que a transicao do BC como o nosso?"

Não vejo diferença.

Responder
Juliana 23/09/2015 15:02:03

Você não deveria colocar o Currency Board nestes termos — de simples e fácil— caso queira ter algum sucesso, Leandro*. Porque políticos e burocratas gostam de serem persuadidos, conquistados e seduzidos com soluções complexas, sofisticadas, trabalhosas, garbosas, etc., que os façam se sentir senhores soberanos, que têm que tomar decisões importantes, que vão interferir no futuro de milhões de pessoas...

O que você precisa fazer uma hora é mostrar, com uma maior riqueza de detalhes, como seria todo esse processo de transição para um sistema de currency board — nesses moldes mais ortodoxos — e, da mesma forma, o "como ficaria o mundo" pós o estabelecimento do CB.

Bem, mas caso isso nunca ocorra, você poderia pelo menos explicitar alguns pontos. Por exemplo: uma coisa que pouco se fala é sobre o que iria acontecer com o Banco Central. Pois além de ser o emissor da moeda, executor das políticas monetárias e o responsável por garantir a estabilidade de preços, ele também é banqueiro do governo, assim como o depositário dos outros bancos.

Então, surge a questão: como todas as contas do governo estão no BCB, nessa transição, seriam eliminadas todas as atividades da autarquia, ou apenas nas questões em que o CB assume as responsabilidades? E daí outra: no caso de eliminação, a transferência desses depósitos (do governo) para os bancos comerciais iria melhorar os balancetes destes últimos, fazendo com que os juros pudessem até diminuir?

Em outras palavras, de todo o jeito os bancos vão continuar operando com reservas fracionárias, e vão continuar tendo uma porcentagem de dinheiro que eles consideram ser adequada para manter como reservas que os permitam se alavancar com segurança, e às vezes também vão querer pegar dinheiro emprestado com outros bancos, e talvez ficasse difícil para o governo distribuir suas contas por vários bancos, etc. Então, já não sei mais onde o BCB pode ser útil, ou não. E são questões que precisam ser respondidas.

Abraços!

*(21/09/2015 15:41:05)

Responder
Diego 21/09/2015 14:25:05

O que se teve foi apenas mais do mesmo do socialismo. No começo tudo são flores, eles fazem uma política pra enganar o mercado, a economia cresce, até porque geralmente eles assumem num cenário ruim, quando se tem uma margem muito baixa de parâmetro, com pessimismo elevado dos investidores mas logo depois tiram a máscara. O final é sempre igual, quebradeira e crise generalizada. E o país não chegou nessa situação porque eles erraram, tudo isso foi feito de forma proposital, afinal só assim eles podem implantar o bolivarianismo aqui e depois entregar de graça pra China e Rússia. Sem contar a destruição sob o aspecto cultural, baseado em Gramsci. Investir em educação, saúde, infraestrutura pra que? O negócio é morar no morro mas ter uma tv de led na sala. O Brasil não teve um aumento de renda, mas sim uma bolha de crédito fácil financiada por $ público e muitas pedaladas pra esconder o rombo ao longo desses anos. A conta chegou. Mas esse povinho ignorante não aprende. Querem mais e mais Estado, acham que $ se cria do nada, se acham cheios de DIREITOS, são vagabundos, no fundo não se importam com corrupção, o que incomoda é que não são eles que estão lá roubando e adorariam se tivessem uma chance de arrumar uma teta pra mamar. Em 2018, eu não duvido se aquele câncer voltar, ainda mais com essas urnas da Smartmatic e o TSE aparelhado. Pelo menos a burrice não é exclusividade daqui, vide a Grécia. O pior é ver a omissão da Europa que aceita continuar financiando esses vermes. O mais ridículo é que um dos principais argumentos pra manter a Grécia era pra evitar a invasão dos refugiados kkkkk. Um continente inteiro vai ser afundado por terroristas por causa da banana da Merkel e de um bando de políticos vagabundos de esquerda. Que falta faz um Netanyahu na Europa.

Responder
Pedro Tavares 21/09/2015 14:29:55

Excelente artigo, é importante ter uma visão bem ampla dos acontecimentos quando se for pensar em políticas governamentais, no caso do nosso país nunca se pensa né.


Leandro você deve estar sabendo sobre o Partido Novo, você tem alguma expectativa positiva ali? Já tem gente falando que a Dilma é uma heroína simplesmente por nos colocar em maus lençóis e fazer nascer um partido liberal. Bom, supostamente liberal né.

Responder
Alexandre M. R. Filho 22/09/2015 17:15:53

O dono do novo é um banqueiro que já se manifestou expressamente contrário à eliminação do Banco Central, à adoção de um Currency Board e às moedas concorrentes.

Responder
Andre Fernandes 21/09/2015 14:43:41

Leandro,

Mais uma vez um excelente artigo!

Uma dúvida. Se não me engano, em um comentário de outra matéria você (acho que foi você, mas me desculpe se confundi) mencionou que nos últimos 12 meses a nossa base monetária teria crescido algo em torno de 2,4%, certo? Desta forma entendo então que, ao menos neste período, a expansão foi reduzida e alcançamos um nível razoável.

A consequência seria uma desaceleração da inflação, não? Em quanto tempo se pode sentir este efeito? Ou temos algum outro impedimento para essa redução?

Muito se fala em uma inflação em torno de 5,5% para o ano que vem. É claro que já é quase metade dos assustadores 9,5% dos últimos 12 meses, mas ainda é um número alto e acima da meta dos 4,5%. E o pior, é que pelo que tenho lido essas projeções tem sofrido constantes correções sempre para cima. A subida constante na taxa de juros aliada a desaceleração da expansão monetária não são capazes de, ao menos, conter os aumentos destas projeções?

Abraços

Responder
Andre Fernandes 22/09/2015 13:01:02

Se alguém puder ajudar com a dúvida!

Aproveitando queria fazer mais 2 questionamentos...um mais conceitual e um mais histórico:

1) Em todos os artigos que tenho lido a respeito de crises/recessões, um ponto que o IMB sempre faz questão de ressaltar é que todas foram precedidas por uma expansão monetária acima do que a economia suportava, certo? A minha dúvida é se temos registro de períodos onde houve uma expansão dessas e a economia não entrou em recessão? Existem alguns fatores que podem anular um efeito da expansão?

2) Algo que também sempre é reforçado aqui é a questão da moeda forte ser pré requisito pra uma economia forte, saudável e sustentável. Acredito que seja uma interpretação incompleta/errada da minha parte, mas quando falamos no conceito de moeda forte falamos em poder de compra, certo? Como analisar isso senão comparativamente a outras moedas fortes (dólar, euro)? Como exemplo podemos pegar o Japão que possui uma economia robusta e se olharmos somente para a cotação do iene frente a outras moedas fortes, vemos que o valor do iene não é comparável e elas. O Chile, que talvez seja o país que vem obtendo melhores resultados na America do Sul em função de um cenário mais liberal, possui uma moeda que se olharmos apenas para a cotação também não nos mostra isso.

Tenho certeza que a falha está do meu lado, só gostaria de entender como fazer um comparativo melhor do poder de compra da moeda e entender melhor esse conceito de moeda forte.

Agradeço a quem puder ajudar a esclarecer um pouco.
Abraços

Responder
Leandro 22/09/2015 17:07:25

1) Desconheço.


2) Essa é uma confusão bastante comum: o alto valor nominal das cédulas de uma moeda diz muito sobre o seu passado, mas não sobre seu presente.

O alto valor nominal das cédulas do iene se deve a uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.

Vale lembrar que, ao passo que o real é de 1994, o iene é de 1871.

No que mais, em 1972, imediatamente após a dissolução de Bretton Woods e a adoção dos câmbios flutuantes, um dólar comprava 305 ienes. Então o iene começou a se valorizar continuamente até que, em outubro de 2011, um dólar comprava apenas 75 ienes. Isso dá uma apreciação total de 306%.

Uma das definições de moeda forte é que sua unidade monetária valha cada vez mais em termos das principais moedas do mundo (a outra definição é que, obviamente, seu poder de compra em território nacional seja relativamente constante).

Dito isso, vale ressaltar que, de fato, a moeda chilena, embora um pouco mais estável que a brasileira, está longe de ser invejável.

Responder
Leandro 22/09/2015 17:09:03

1) A atual carestia que estamos vivenciando não mais decorre da expansão do crédito para o setor privado, mas sim da desvalorização cambial e dos déficits do governo, que são inflacionários.

2) Os juros ainda não subiram o bastante. Prova disso é que os juros reais ainda estão abaixo do que estavam na era Meirelles.

Responder
LEG 21/09/2015 14:43:42

O dólar em baixa, o governo metendo crédito sem dó e todo mundo achando que o gigante tinha acordado. O artigo tirou um grande ponto de interrogação da minha cabeça. Não fazia sentido que todo esse período de vacas gordas teria sido apenas em função da China e da política econômica meia boca do PT voltada apenas para o consumismo.

Muito bom!

Responder
Tiago silva 21/09/2015 14:48:13

Mais um excelente artigo,o mito continua,Leandro qual seria o nível de juros ideal para o Brasil neste momento?

os juros podem ser fixados arbitrariamente ou mercado pode descobrir com mais eficácia com qual o nível de juros ideal.

Responder
Thiago Teixeira 21/09/2015 21:12:20

Atualmente o ideal seria uma "pancada", uns 18%, ou ate mesmo mais.

Responder
Anderson 21/09/2015 14:48:49

Excelente, Leandro!


Um artigo com tudo bem organizado, com dados, fatos, cronologia e lógica (muita lógica!).

O pior de tudo isso é o analfabetismo funcional da maioria dos brasileiros, que vai impedir o aprendizado sobre esse período de farra. Vão achar que o problema só foi o mandato de Dilma, e que se o Lula (ou outro populista) ascender ao poder tudo voltará ao normal. Triste escravidão mental!

Responder
alexandre 21/09/2015 14:48:58

E o ritmo alucinante da emissão de dívida pelo governo Lula? 1 trilhão, adicionais em dívida não influenciou esse boom ?!

Responder
Leandro 21/09/2015 15:40:23

Endividamento do governo gera inflação monetária, mas não necessariamente gera crescimento da renda e, muito menos, crescimento econômico.

Dinheiro criado via empréstimos para o setor privado é um dinheiro que será necessariamente utilizado ou para investimentos ou para consumo. Já o dinheiro criado via empréstimos para o setor público é um dinheiro que será majoritariamente utilizado para custear a burocracia.

Ou seja, os efeitos sobre o crescimento econômico são distintos.

O que é garantido é que o endividamento do governo pressiona a inflação de preços, mas não se pode inferir nada mais além disso.

No que mais, como mostra o gráfico deste artigo, não houve nenhuma alteração no ritmo de crescimento da dívida pública no período 1998-2008. A alteração ocorreu apenas a partir de 2009.

Responder
alexandre 21/09/2015 17:36:57

Muito obrigado pelo esclarecimento, Leandro!

Depende , no entanto,como o dinheiro é gasto, não? Um aumento de dívida para investimento , não poderia, gerar um efeito positivo na relação divida/ pib de longo prazo ?
E uma emissão eterna , ainda que constante , de dívida pública não seria insustentável ao longo prazo ? Visto que não pagamos o principal apenas os juros do montante de dívida


Nesse período Lula parece que a inflação ficou comportada, não? Esta se acelerou mais nos últimos 2 anos não ? Isto se deve manipulação do índice via controle dos preços administrados ou essa relação aumento divida publica se dá mais no longo prazo? Ou nenhum dos dois , rs


Hoje gastamos próximo a 50% do orçamento da União para financiar nossa dívida. Isto não limita a capacidade de poupança e investimento do governo ? ( pode indicar algum artigo sobre o tema) Hoje por exemplo , falamos em criar a CPMF para arrecadar 30 Bi enquanto gastamos 500 bi para custear nosso estoque de dívida.

Grato pela atenção na resposta

Abraços

Responder
Leandro 21/09/2015 18:24:53

"Depende , no entanto,como o dinheiro é gasto, não? Um aumento de dívida para investimento , não poderia, gerar um efeito positivo na relação divida/ pib de longo prazo ?"

Aumento da dívida pelo governo gerar efeito positivo? Como? Cite um único caso de como o governo pode aumentar sua dívida por meio de investimentos de modo que isso gere um efeito positivo na relação divida/PIB de longo prazo.

Impossível, e pelos motivos aqui explicados.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1378
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1391
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1025

"E uma emissão eterna , ainda que constante , de dívida pública não seria insustentável ao longo prazo ? Visto que não pagamos o principal apenas os juros do montante de dívida."

Correto.

"Nesse período Lula parece que a inflação ficou comportada, não? Esta se acelerou mais nos últimos 2 anos não ? Isto se deve manipulação do índice via controle dos preços administrados ou essa relação aumento divida publica se dá mais no longo prazo?"

O presente artigo foi inteiramente sobre isso. Nos últimos dois anos o dólar voltou a subir, o que acabou rapidamente com todo e qualquer efeito benéfico da expansão do crédito, alem de ter intensificado os efeitos inflacionários dos gastos do governo.

Aliás, o dólar parou de baratear em 2008. Por isso, a partir dali, o efeito inflacionário se torna mais intenso, com um breve hiato em 2009, que foi ano de recessão.

"Hoje gastamos próximo a 50% do orçamento da União para financiar nossa dívida. Isto não limita a capacidade de poupança e investimento do governo ? ( pode indicar algum artigo sobre o tema) Hoje por exemplo , falamos em criar a CPMF para arrecadar 30 Bi enquanto gastamos 500 bi para custear nosso estoque de dívida."

Você provavelmente está se referindo a esse gráfico.

Lamento, mas ele é mentiroso. E não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte:

www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/465603/CPU_DespesaUni%C3%A3oGrupoNatureza_1980a2015.xls/c804a093-9091-4dfd-a447-063d8490db5a

Em 2014, os gastos com "Juros e Encargos da Dívida" foram de R$ 170,36 bilhões. Os gastos com "Amortização da Dívida" foram de R$ 190,75 bilhões. Ou seja, o total foi de R$ 361,11 bilhões.

Já os gastos totais do governo foram de R$ 1,543 trilhão.

Ou seja, os gastos com a dívida foram de 23,4% do orçamento. Um valor alto, sem dúvida nenhum, mas nem de longe tão astronômico quanto 50%.

Quem utiliza essa cifra está cometendo uma impostura, pois está incluindo o "refinanciamento da dívida" na rubrica "juros e amortização" e também na rubrica "gastos totais do governo". Isso é trapaça. Refinanciamento da dívida não representa gasto nem com juros e nem com amortização, e também não pode ser contabilizada como um gasto do governo.

Abraços.

Responder
alexandre 23/09/2015 13:34:47

Aumento da dívida pelo governo gerar efeito positivo? Como? Cite um único caso de como o governo pode aumentar sua dívida por meio de investimentos de modo que isso gere um efeito positivo na relação divida/PIB de longo prazo.


Uma hidrelétrica , um aeroporto , faculdades , por exemplo. Ou deveríamos esperar do mercado a coordenação dos investimentos em setores estratégicos ? Duvido que qualquer país do mundo deixe para a iniciativa privada o orquestramento de gastos militares.


Bem sendo ela insustentável a longo prazo ,deveria decrescer , ao invés de evoluir a nível constante. 1 trilhão a mais de dívida para o país é insustentável a longo prazo. Esse dinheiro oriundo de emissão de dívida não acabaria no sistema bancário?. Se sim, isto não aumentaria a oferta de moeda e com isso o consumo. De outra forma, de onde vêm o dinheiro que inundou o mercado de crédito ? ( não é apenas multiplicador bancário ,verdade?)


Não consigo compreender como somente o dólar fraco explicaria um baixo IPCA. Claramente este pressiona menos o custo dos insumos importados, mas se a demanda interna é crescente e não há capacidade ociosa na economia ( ou aumento da capacidade produtiva) o repasse para os preços não seria inevitável em moeda nacional,mesmo com o dólar constante? De outra forma , qual o impacto do dólar no índice de preços. Há algum estudo estimando este impacto ?

E a maquiagem do IPCA com o congelamento de preços administrados não teria um efeito em cascata maior ? O aumento de gasolina e eletricidade este ano ,por exemplo, não foi grande responsável pela explosão do IPCA?
https://fernandonogueiracosta.files.wordpress.com/2014/04/prec3a7os-administrados-x-livres.jpg


Não consegui abrir seu link :(
Mas , nesta tabela no porta de transparência do governo ,mostra números diferentes:

www.portaltransparencia.gov.br/PortalComprasDiretasOEFavorecidoED.asp?Ano=2014&CodigoOS=25000&CodigoOrgao=25101&CodigoUG=170600&CodigoGD=2&CodigoED=76&Ordem=0


Ali diz que o ministério da fazenda foi responsável pelo gasto de mais de 1 trilhão de reais! Dos quais 614 bi para " Amortização e Juros da Dívida - Principal Corrigido da Dívida Mobiliária Refinanciado " não especificando o quanto para Juros ou amortização.
De qualquer forma são números bastante distintos dos apresentados pelo Tesouro.
Essa dinheirama não saiu de fato dos cofres públicos , de fato não foram os contribuintes que pagaram essa fatura ? Por que não podemos inclui-los como gasto do governo com a manutenção da dívida pública ?



Responder
Leandro 23/09/2015 15:07:30

"Uma hidrelétrica , um aeroporto , faculdades , por exemplo. Ou deveríamos esperar do mercado a coordenação dos investimentos em setores estratégicos ? Duvido que qualquer país do mundo deixe para a iniciativa privada o orquestramento de gastos militares."

Exatamente este assunto foi abordado nos três artigos linkados como resposta. Não irei repetir tudo o que está escrito neles.

"Esse dinheiro oriundo de emissão de dívida não acabaria no sistema bancário?"

Foi criado pelo sistema bancário.

"Se sim, isto não aumentaria a oferta de moeda e com isso o consumo."

A oferta de moeda, sim. O consumo, não necessariamente.

Se esse aumento da dívida gerar desconfiança nos investidores, o real se desvaloriza. Se essa desvalorização for forte, o aumento nos preços será proporcionalmente maior do que o aumento da oferta monetária, gerando queda da renda real.

"De outra forma, de onde vêm o dinheiro que inundou o mercado de crédito ? ( não é apenas multiplicador bancário ,verdade?)"

A relação entre causa e efeito está invertida: o dinheiro não inundou o mercado de crédito; foi o mercado de crédito quem inundou a economia de dinheiro.

"Não consigo compreender como somente o dólar fraco explicaria um baixo IPCA."

O IPCA não foi "baixo". O IPCA se desacelerou à medida que o dólar ia se desvalorizando (e ao mesmo tempo em que o crédito se expandia). São coisas distintas.

"Claramente este pressiona menos o custo dos insumos importados, mas se a demanda interna é crescente e não há capacidade ociosa na economia ( ou aumento da capacidade produtiva) o repasse para os preços não seria inevitável em moeda nacional,mesmo com o dólar constante?"

Abordado no artigo. Todo esse repasse ocorreu no setor de serviços, que vivenciou um aumento de 100% nos preços em 10 anos.

"De outra forma , qual o impacto do dólar no índice de preços. Há algum estudo estimando este impacto ?"

Sim. "De cada 10% de alta da moeda norte-americana, a influência na inflação iria de 0,3 ponto porcentual no curto prazo a 0,8 ponto no longo prazo."

www.gazetadopovo.com.br/economia/alta-recente-do-dolar-tera-impacto-no-ipca-ca19dqrja8028ltnqi46fuslq

www.dci.com.br/economia/repasse-cambial-deve-acelerar-precos-nos-proximos-meses-id267023.html

www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/12/1561615-dolar-em-alta-vai-trazer-mais-dificuldade-para-bc-domar-a-inflacao.shtml

É exatamente por isso que o artigo é cuidadoso em ressaltar que, mesmo com toda a valorização cambial (o dólar foi de R$ 3,90 para R$ 1,60), isso não se traduziu em queda de preços, mas sim em aumentos menores.

Caso a economia fosse mais aberta, tamanha valorização cambial geraria a bênção de termos preços realmente em queda.

"E a maquiagem do IPCA com o congelamento de preços administrados não teria um efeito em cascata maior ?"

Sim, a partir de 2012.

"O aumento de gasolina e eletricidade este ano ,por exemplo, não foi grande responsável pela explosão do IPCA?"

Também, mas não só. Explicado em todos os seus detalhes aqui.

"Não consegui abrir seu link :("

www.auditoriacidada.org.br/e-por-direitos-auditoria-da-divida-ja-confira-o-grafico-do-orcamento-de-2012/

"Ali diz que o ministério da fazenda foi responsável pelo gasto de mais de 1 trilhão de reais! Dos quais 614 bi para " Amortização e Juros da Dívida - Principal Corrigido da Dívida Mobiliária Refinanciado " não especificando o quanto para Juros ou amortização."

Vou repetir:

www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/465603/CPU_DespesaUni%C3%A3oGrupoNatureza_1980a2015.xls/c804a093-9091-4dfd-a447-063d8490db5a

Em 2014, os gastos com "Juros e Encargos da Dívida" foram de R$ 170,36 bilhões. Os gastos com "Amortização da Dívida" foram de R$ 190,75 bilhões. Ou seja, o total foi de R$ 361,11 bilhões.

Já os gastos totais do governo foram de R$ 1,543 trilhão.

Ou seja, os gastos com a dívida foram de 23,4% do orçamento. Um valor alto, sem dúvida nenhum, mas nem de longe tão astronômico quanto 50%.

Quem utiliza essa cifra de R$ 614 bilhões está cometendo uma impostura, pois está incluindo o "refinanciamento da dívida" na rubrica "juros e amortização" e também na rubrica "gastos totais do governo". Isso é trapaça. Refinanciamento da dívida não representa gasto nem com juros e nem com amortização, e também não pode ser contabilizada como um gasto do governo.

Responder
alexandre 23/09/2015 15:50:58

Obrigado , pelo esclarecimento Leandro!! Excelente seus artigos e palestras


Abraços

Responder
Juan Domingues 21/09/2015 15:03:22

Artigo excepcional.
É uma explicação cirúrgica da diferença fundamental entre o que alguns chamam de crescimento do tipo saudável x crescimento do tipo cancer.
O desavisado observa o crescimento rápido e se impressiona, sem analisar que os alicerces desse crescimento podem ser altamente destrutivos no longo prazo. O Brasil viveu durante grande parte da década de 2000 um crescimento muito mais do tipo cancer do que do tipo saudável.
Agora uma pergunta: considerando que o dólar é a moeda mais universalmente aceita e responsável por grande parte do ocorrido, e considerando ainda que a taxa de juros dos EUA continua artificialmente baixa (governos parecem insistir no erro e ter um fetiche pela criação de bolhas), o que podemos esperar, tanto lá quanto cá?

Responder
Diego 21/09/2015 15:06:12

"Tal cenário de bonança pode se repetir? Poder, pode. Caso o próximo presidente dos EUA seja um belicista que enfie o país em novas aventuras militares"

Acho que é inevitável que os EUA e a UE combatam o EI e derrubem o Assad na Síria. Mesmo porque esse fluxo migratório em massa é insustentável pra Europa, fora os terroristas infiltrados.
O Oriente Médio só chegou a esse ponto justamente por causa do babaca do Obama que abandonou tudo e deixou pra lá. Querendo ou não, eles vão ter que consertar a cagada do Obama, ainda mais com a vitória dos republicanos e principalmente se for o Bush. A Hillary tá queimada e a outra opção é um velho comuna sem chance alguma. Os EUA vão ter que ser de novo o xerife do mundo.

Responder
Adelson Paulo 21/09/2015 15:48:16

Concordo plenamente. Diante da Europa vacilante, os EUA têm que assumir sua função de xerife do mundo. Cabe a nós apoiá-los nesta ingrata e custosa tarefa.

Responder
Marcos 21/09/2015 15:59:29

Xerife?! Todos os descalabros geopolíticos da região foram causados justamente pela intervenção do governo americano, que foi quem indiretamente financiou e criou o ISIS.

www.wnd.com/2014/06/officials-u-s-trained-isis-at-secret-base-in-jordan/

Ainda em 2013, a CIA entregou armamento para os muçulmanos? Essas armas entraram ilegalmente na Síria com a ajuda direta do serviço secreto do governo dos EUA. O Departamento de Estado dos EUA enviou veículos e outros materiais militares, inclusive equipamento sofisticado de comunicações.

Sabia que o neocon John McCain também tem sua parte nessa bagunça toda?

shoebat.com/2014/08/02/isis-praises-john-mccain-helping-invade-iraq/

E não podemos esquecer que a guerra no Iraque iniciada por Bush deu poderes para o ISIS cometer os massacres e violência que está fazendo hoje.

Responder
Thiago Teixeira 21/09/2015 21:25:03

Penso que ninguém tem obrigação de intervir nos assuntos de outros países. Questiono o contrário, se tem esse direito.

Mas vamos partir do pressuposto de que nas regiões da Síria em anarquia uma intervenção ocidental seja desejada pelas pessoas. Quem "deveria" intervir? Creio que os principais interessados na resolução da crise de refugiados, que são o Reino Unido e a Alemanha. Até porque ficar tudo nas costas do contribuite americano é muita sacanagem. E os europaus não estão ávidos por "um pouquinho mais de inflação"?

O caso das forças armadas alemãs merecem uma atenção especial. Ainda vigoram algumas restricoes desde a segunda guerra (!!), na verdade, desde o pós-primeira guerra (!!!). Os alemaes agradecem, a relacao gastos militares versus PIB deles é uma das menores dos países da OTAN.

Responder
Dissidente Brasileiro 23/09/2015 03:57:19

Marcos, gostei do seu comentário, muito bom mesmo. Mas você poderia ao menos dar os devidos créditos a quem merece:

mises.org.br/Article.aspx?id=94#ac151130

Impressionante, plágio de comentários! O cara copia as palavras dos outros na cara dura mesmo, é cada uma... até comentários os brazilêros conseguem afanar, kkkkkkkkkkkkkk. Que povinho gente, que povinho de m****.

Quando eu digo que este país não tem jeito, é exatamente isso o que eu quero dizer. Alguém ainda duvida?

Responder
Henrique 21/09/2015 15:06:26

Olá, gostaria de dizer que o artigo acabou por não mencionar medidas positivas do governo Lula como o crescimento econômico gerado por:

1) aumento do poder de compra da população por meio de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família;

2) geração de empregos e de atividade econômica no setor imobiliário com o Programa Minha Casa Minha Vida;

3) qualificação da mão-de-obra proporcionada pelo PROUNI e FIES; dentre outros.


Abraços.

Responder
Leandro 21/09/2015 15:42:20

"medidas positivas do governo Lula como o crescimento econômico gerado por:"

Já começou errado, invertendo causa e efeito. As medidas abaixo não geraram crescimento econômico; o crescimento econômico é que permitiu que tais medidas fossem implantadas.

Prova disso é que todas elas continuam existindo até hoje, mas não apenas não geram crescimento econômico, como, ao contrário, subtraem do crescimento econômico, pois dependem da transferência de recursos escassos.

" aumento do poder de compra da população por meio de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família;"

O aumento do poder de compra se deu por causa da expansão do crédito em um cenário de dólar fraco. Não fosse o dólar fraco não haveria aumento do poder de compra da população.

Prova disso é que o Bolsa Família continua existindo até hoje, mas, como mostrado nos links do artigo, a renda real está em queda e o número de miseráveis voltou a subir. Pela sua lógica não era para isso ter acontecido.
Não há mágica: se o câmbio não ajuda, nenhuma medida de transferência de renda dura.

"geração de empregos e de atividade econômica no setor imobiliário com o Programa Minha Casa Minha Vida;"

Esse programa é sem dúvida nenhuma ótimo para as construtoras beneficiadas por ele, as quais utilizam dinheiro público para lucros privados. Eu mesmo conheço duas pessoas do setor da construção civil que encheram os bolsos de dinheiro por causa dele.

Porém, como todos os outros programas de redistribuição de renda, seus efeitos só duram em cenários de baixa inflação. Aliás, para este programa a coisa é ainda pior: ele dura apenas enquanto o endividamento estiver baixo e as pessoas tiverem emprego e renda.

"qualificação da mão-de-obra proporcionada pelo PROUNI e FIES; dentre outros"

Isso é piada, né? Não há absolutamente nenhum índice que comprove que tais programas melhoraram a inteligência e a produtividade da mão-de-obra brasileira. Foi um belo desperdício de dinheiro público em benefício de universidades privadas, cujos proprietários certamente adoraram.

É espantoso ver a esquerda defendendo esse tipo de bolsa empresário.

Responder
M.S. Batista 21/09/2015 15:47:34

Henrique,

Gostaria de dizer que seu comentário acabou por não mencionar medidas negativas do governo Lula como o crescimento econômico gerado por:

1) aumento do poder de compra da população por meio de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família; - LÊ-SE: Aumento da dependencia estatal por parte de quase metade das familias brasileiras, pagos por quem TRABALHA E PRODUZ.

2) geração de empregos e de atividade econômica no setor imobiliário com o Programa Minha Casa Minha Vida; - LÊ-SE: geração de empregos TEMPORÁRIOS e dívidas PERMANENTES à sociedade.

3) qualificação da mão-de-obra proporcionada pelo PROUNI e FIES; dentre outros. - LÊ-SE: Distribuição de bolsa-donos-de-faculdades, distribuição de "dipromas", investimentos em cursos que não trazem aumento de produtividade ao país (a maioria, cursos da áreas de Humanas).

Responder
Ronaldo 21/09/2015 15:51:07

Henrique, todas as medidas que você citou foram possíveis por causa do que o artigo fala. It's the economy, stupid

Responder
felipe 21/09/2015 15:11:57

O governo Bush foi um dos piores presidentes que já existiu para os americanos. Tão ruim que levou os americanos ao desespero de escolher um Obama com o discurssinho barato de "yes, we can".

Só mesmo essas Olavates para louvarem o Bush.

Responder
Moura 21/09/2015 15:36:53

Concordo 200%. Jamais entendi por que os conservadores tupiniquins agradam do sujeito. Não é à toa que o irmão dele amarga um dígito nas primárias americanas.

Que gostem do Reagan é perfeitamente compreensível. A moeda e a economia foram sólidas durante seu mandato. O mesmo, aliás, pode ser dito do Clinton. Já Bush, um desastre completo.

Responder
Juan Pinto 21/09/2015 15:24:06

Boa tarde,

Fico impressionado com suas análises. Os fatos e os fundamentos se encaixam perfeitamente e não é uma mera falácia "filosófica" com viés ideológico.

É simples, mas não simplificado, como diria Einstein.

Acho interessante a visão macro de que como vários elementos que influenciaram a situação econômica que vivemos no passado e que, por falta de conhecimento ou cretinisse mesmo, não são abordados pelos "especialistas".

Vocês tem me ajudado bastante a entender economia de uma forma que nunca pensei que entenderia.

Muito bom, parabéns!

Responder
Leandro 22/09/2015 17:12:49

Obrigado pelas palavras, Juan. Grande abraço!

Responder
Marco Raposo 21/09/2015 15:32:36

Ponto para o Dolar?

A cotação do dólar é um reflexo de uma conjuntura da economia internacional.

A análise do que levou a flutuação do dólar é mais importante que a própria flutuação.

O entendimento e atuação dos agentes econômicos, pautado em parte no artigo, são mais importantes que a mera flutuação do dólar.

Dolar desvalorizado em uma região leva aplicações para outras partes do mundo, esse fluxo de moeda internacional e onde elas são aplicadas explicam o crescimento, inflação, crises, etc.

Não posso deixar de parabenizar o artigo. Nos põe a pensar... Nem todas as explicações estão aqui, mas é uma importante análise econômica!

Gostaria de ter mais respostas a dar que perguntas a fazer, mas nesse ponto ainda me faltam dados em especial sobre o crescimento dessas economias.

Abraço. E mais uma vez parabéns.

Marco Túlio Raposo

Responder
Adelson Paulo 21/09/2015 15:45:47

Inicialmente, agradeço ao Leandro por mais esta aula de economia brasileira, mais uma luz no meio de tanta falácia e escuridão.
Agora, gostaria de contrapor parcialmente alguns comentários aqui mais pessimistas sobre nosso futuro. Temos algumas grandes vantagens em relação a nossos vizinhos latino-americanos. Nossa herança caudilhesca não é tão arraigada, fruto de nosso processo político de independência e da Monarquia, única nas Américas. Recomendo a leitura da biografia de Pedro II, de José Murilo de Carvalho, que ilustra bem estas diferenças.
A Argentina tem um poder político extremamente centralizado, e os peronistas construíram uma máquina de reprodução de poder apenas superada pelo Partido Revolucionário Institucional do México (que também teve que ceder e se modernizar). Temos fortes núcleos alternativos de poder, nos Estados e na oposição, além do contra-peso histórico do PMDB que impede vôos mais ousados das forças de esquerda.
Nosso dinamismo econômico ainda é muito grande, e possuímos uma classe empresarial que pode, diante de uma alternativa política consistente, aglutinar-se em torno de ideais mais liberais e de livre mercado. É muito difícil, mas talvez este seja o momento mais propício na história recente para isto. Além do mais, nossa elite empresarial, que deixou-se seduzir pelo canto da sereia de Lula e do PT, amarga agora as consequências deste seu imobilismo ideológico: percebe-se agora o real perigo do projeto de poder lulo-petista.
O povo sempre foi presa fácil dos discursos populistas, mas também pode ser adequadamente levado a apoiar uma alternativa de centro, com o apoio da grande mídia, para tentar melhorar sua crítica situação econômica. A população brasileira é ainda, em sua grande maioria, conservadora.
Resumindo, restam esperanças. Mas vamos pagar um preço muito alto por toda esta irresponsabilidade, política e econômica, dos governos do PT.

Responder
Pedro 21/09/2015 15:46:23

Estou a falar de Portugal, e por acaso é triste ver o Brasil nesta situação, mas a culpa inicialmente foi dos Brasileiros em terem votado no PT de Lula em 2002 (quando as votações ainda não eram adulteradas pelas famosas máquinas electronicas), uma vez no poder os comunistas fazem tudo o que for necessário para não sairem mais, é só ver a Venezuela.
Felizmente nem toda a América Latina está perdida, Colombia, Peru, Chile (vamos a ver se não descarila para o Socialismo), e México estão a crescer e tem governos que defendem o investimento privado.
É só comparar os resultados da aliança do pacifico (Chile, Peru, Colombia e Mexico) com os resultados do Mercosul (Argentina, Paraguai, Brasil, Venezuela)...

Responder
Investidor 21/09/2015 16:46:32

Sim, o México tem a sorte de ter o vizinho do norte, uma influência muito positiva que não deixa o Méx descarrilar. ahxr2

Responder
vinicius 21/09/2015 16:02:12

achei excelente o artigo, mas não valeria a pena incluir o boom demográfico no processo?

Responder
Leandro 21/09/2015 16:24:08

Na década de 2000, o crescimento demográfico foi o menor da história do Brasil (só perdendo, é claro, para a atual década).

cdn.tradingeconomics.com/charts/brazil-population.png?s=bra+sp.pop.totl&v=201508042139h&lang=all&d1=19150101&d2=20151231

A demografia, aliás, ajuda a explicar a atual "baixa" taxa de desemprego. Com menos crescimento demográfico, há menos gente entrando no mercado de trabalho e, consequentemente, há menos gente procurando emprego.

Logo, as estatísticas de desemprego ficam menos pressionadas.
Tal fenômeno vem ocorrendo há décadas no Japão e também em vários países europeus, notadamente a Alemanha. A taxa de desemprego da Alemanha despencou justamente a partir da crise de 2008, o que a princípio não faria sentido. Mas aí, quando se observa o que aconteceu com a demografia, tudo passa a se encaixar perfeitamente.

Aquelas taxas de desemprego de dois dígitos no Brasil (13% em 2003) ficaram pra trás.

Agora, caso o desemprego medido pelo IBGE nas seis regiões metropolitanas do Brasil (ou seja, o mensurador mais estreito e menos acurado) volte aos dois dígitos, então pode saber que a situação é realmente calamitosa.

Responder
vinicius 21/09/2015 16:31:02

justamente isso que estou dizendo o dólar não explica tudo sozinho, o bonus demográfico que tivemos ajuda a explicar uma parte do crescimento e aumento de salários.

e minha sugestão é que este bonus estivesse inserido no artigo

Responder
Rodrigo Pereira Herrmann 21/09/2015 17:01:39

pior é que o tal boom demográfico passou e o déficit da previdência continua crescendo e já ultrapassa os R$ 100 bilhões.

Responder
anônimo 21/09/2015 16:12:41

A construção do Socialismo passa necessariamente por uma "época de Capitalismo" (abertura de mercados e atração de investimentos) em que o partidão se preocupa em tempo integral em centralizar todo o poder político nas mãos. Lênin com a Nova Política Econômica que o diga.

Responder
Leonardo 21/09/2015 16:24:21

Marcelo Odebrecht não é delator. Ainda.

Responder
IRCR 21/09/2015 16:47:53

Leandro,

Lula e PT querem uma guinada na política econômica do governo
www.cnf.org.br/noticia/-/blogs/lula-e-pt-querem-uma-guinada-na-politica-economica-do-governo

O que vc acha dessa possível guinada heterodoxa do governo ?

Responder
Marconi Soldate 21/09/2015 18:02:35

Ahmmmm saiu a tal tese aí do Leandro, muito bom!

Mas eu não sei se o efeito da China pode ser localizado assim nos setores de mineração e soja.. o efeito se espalha não só pelos setores ligados a esses, mas sim a toda economia de forma um pouco mais importante do que foi colocado.

Um cara desempregado no Brasil, por exemplo, que consegue um emprego devido a demanda de minério da China, ganhará renda e irá consumir centenas de produtos e impulsionar vários setores (como a indústria nacional) que nada tem a ver com minério.

O argumento de que as poucas exportações mostram um efeito limitado da China na nossa economia não considera o aumento da demanda dos produtos manufaturados produzidos aqui.

Mas gostei bastante do texto, no geral me convenceu. Muito bom!



Responder
Leandro 21/09/2015 18:45:46

"Um cara desempregado no Brasil, por exemplo, que consegue um emprego devido a demanda de minério da China, ganhará renda e irá consumir centenas de produtos e impulsionar vários setores (como a indústria nacional) que nada tem a ver com minério."

Essa é a falácia do "efeito multiplicador" keynesiano, já amplamente refutado aqui. Troque "demanda de minério da China" por "setor público brasileiro" e o raciocínio permanece semelhante.

De resto, os efeitos do boom do setor de minério e de soja foram abordados pelo artigo, com cifras e dados. Este seu cenário de "cara desempregado arruma emprego por causa da demanda de minério na China e com isso movimenta toda a economia brasileira" é, sinceramente, muito forçado.

Tal cenário até teria algum sentido se "esse cara desempregado" fossem dezenas de milhões de pessoas. Mas quantas são as pessoas ligadas ao setor de minério? Elas explicam o PIB ir de 7,5% em 2010 para -3% em 2015?

Não tenho problema nenhum com essa teoria, mas ela tem de ter substância.

"O argumento de que as poucas exportações mostram um efeito limitado da China na nossa economia não considera o aumento da demanda dos produtos manufaturados produzidos aqui."

Tal demanda foi contemplada explicitamente no artigo. Copio o trecho:

"Com o ajuste feito em 2003 e a subsequente estabilização da economia, houve um substancial aumento do investimento, do crédito e da quantidade de pessoas empregadas, as quais não apenas expandiram o mercado de consumo interno, como também aumentaram a plataforma produtora de exportação.

Mesmo no agronegócio, a expansão na maior parte do período 2003-2011 foi baseada em aumento de volumes, produtividade e área plantada. Isso também foi fruto da estabilidade, da confiança e do aumento dos investimentos.

Mas apenas esse ajusta ainda não explica o crescimento da década."

"Mas gostei bastante do texto, no geral me convenceu. Muito bom!"

Obrigado. Abraços!

Responder
Sérgio 22/09/2015 16:02:03

Marconi, se a China explicasse nosso crescimento, então era para estarmos bombando neste exato momento:

Importação de soja do Brasil pela China sobe 27,5% em agosto

Responder
Corsario90 21/09/2015 18:10:30

Mas um excelente artigo! Tenho uma dúvida: eu sendo empresário, conhecedor dos ciclos EA, vendo Q meus pares estão realizando investimentos e colhendo fruto momentaneo, eu sozinho teria condições de escapar desse crédito barato, não fazer tanto investimento? Resumo, teria fôlego suficiente para esperar a crise chegar e colher frutos ou morreria na praia face aos colegas que aproveitaram o falso boom??
Não fale em investimentos em ouro ou outra comiddities, mas na
Minha própria empresa? Tem como fugir disso se a maioria investe é segrega sua clientela, me considerando um
Médio empresário?
Obrigado

Responder
Leandro 21/09/2015 18:49:11

"eu sendo empresário, conhecedor dos ciclos EA, vendo que meus pares estão realizando investimentos e colhendo fruto momentâneo, eu sozinho teria condições de escapar desse crédito barato, não fazer tanto investimento? Resumo, teria fôlego suficiente para esperar a crise chegar e colher frutos ou morreria na praia face aos colegas que aproveitaram o falso boom? [...] Tem como fugir disso se a maioria investe é segrega sua clientela, me considerando um médio empresário?"

Não, não tem.

E essa é a tragédia dos ciclos econômicos gerados pela expansão do crédito. Eles obrigam mesmo os empresários prudentes e cônscios a embarcarem no desvario. Afinal, se você não o fizer, você simplesmente perderá fatia de mercado para os seus concorrentes. E como não é possível saber exatamente qual será a duração do boom (pode durar apenas alguns meses, como também pode durar vários anos), você não pode se dar ao luxo de ficar de braços cruzados, vendo seus concorrentes abocanharem seu mercado.

A única coisa que você pode fazer é ir se protegendo ao mesmo tempo em que embarca na loucura e tenta fazer frente aos seus concorrentes.

Responder
Thiago Teixeira 21/09/2015 21:41:51

O Hélio Brandão Filho comentou no seu primeiro Podcast, aqui mesmo no IMB, que aprendeu com a EA a ler os sinais de redução de liquidez na bolsa para sair antes do estouro da bolha.

Para o empresário, creio que isso se traduza de outra forma, quitar dívidas e frear expansão das atividades aos sinais de que está chegando a fase de recessão.
Quais são esses sinais? Não faço a menor ideia... Kkkk...

Falando em proteção, como pessoa física, estou com um remorso grande por não termcomprado ouro quando estava 119,50 reais por grama, em julho. Ontem vi que está 144. Se eu fosse americano, remaria contra a maré e adquiriria ouro agora. Mas tendo reais para converter em ouro, questiono-me seriamente se o momento de migrar para o ouro já passou.
O Fernando Ulrich já tinha dado a dica: devemos ter um pouco de ouro, jm poquinho de bitcoin e o restante em dólares.

Responder
Charles Miller 21/09/2015 23:16:42

Leandro, tenho bastante interesse neste assunto. Tu teria como indicar artigos/livros sobre este tema?

Responder
CORSARIO90 22/09/2015 02:25:33

Pois é Leandro, triste, pq tendo consciência disso, acaba sendo forçado a embarcar nessa canoa furada.....pena q conheci a EA um pouco tarde, mas vejo no comércio que vc acaba ficando realmente refém dessa armadilha ciclica, pois não se pode dar o luxo de contar com o tempo....e acaba indo na correnteza...
Na vida aqui, percebo que cortar gastos públicos é a única solução que amenizará essa recessão.
Em cidade pequena, onde prefeituras são os motores que move o comércio local, o quadro será sangue, suor e lágrimas...
Próxima rodada de boom depois do burst, espero está mais preparado, embora hj acho q vc consegue investir, só que tem que investir naquilo que o governo dá a mão no final das contas....triste realidade para aqueles que gostariam de viver num país melhor......sob menos intervencionismo.......

Acho que daqui a pouco vao mandar um PND de grandes proporções....pois tem muita gente que acha que será a salvação da lavoura.....



Muito grato pelo IMB ser uma luz no fim do túnel!!

Responder
Fabio Fabro 21/09/2015 18:21:18

Leandro,

Qual seria a explicação para essa revalorização do dólar a partir de 2011? Crescimento americano, certo? Esse crescimento não está intimamente ligado ao excesso de oferta de Petróleo e queda nos preços, com Shale gás no EUA e OPEP/RÚSSIA ampliando a oferta? Com esse excesso de oferta, fruto da desvalorização do dólar em 2003 como mencionado, o maior beneficiado neste momento é o próprio EUA - maior consumidor - reduzindo custos no EUA.

Difícil é distinguir quando a variação do dólar é causa e quando é consequência!

Responder
Leandro 21/09/2015 18:46:50

Houve uma importante alteração no funcionamento do governo americano.

O primeiro mandato de Obama foi pavoroso. Foi tão ruim quanto o segundo mandato de Bush. E publicamos vários artigos sobre isso. Em agosto de 2011, o dólar chegou ao seu menor valor no mercado mundial. Tão ruim era o governo Obama, que até mesmo o real sob Dilma conseguiu a façanha de se fortalecer perante o dólar.

Não é à toa que, mesmo sendo venerado pela mídia americana e pela mídia mundial, e mesmo tendo disputado a reeleição com um republicano que não contava com nenhuma simpatia da sua base, Obama passou aperto para se reeleger, tão ruim estava a economia.

Mas aí aconteceu algo que este Instituto sempre defendeu como solução: o governo federal americano, a partir de 2013, ficou totalmente paralisado. Obama perdeu toda a sua base de apoio na Câmara e no Senado. O governo federal entrou em gridlock.

Desde então, o que Obama fez? Nada. Absolutamente nada. Ele nunca mais conseguiu aprovar nenhuma lei. Sua almejada reforma do sistema de saúde paralisou-se por completo, e nenhuma outra medida intervencionista foi aprovada. O máximo que Obama hoje consegue fazer é mudar nome de montanha, conceder entrevistas a talk shows de comediantes, e dizer se sentir frustrado por não conseguir impor leis mais rigorosas sobre a venda de armas.

Só.

Em suma: desde que o governo americano ficou travado, começando em 2013, a economia automaticamente começou a melhorar. Sem o governo para atrapalhar, o dólar se fortaleceu e a bolsa de valores americana (que sempre se dá bem quando o dólar está forte) se valorizou.

O próprio Fed hoje possui em seu alto escalão pessoas mais sensatas que na época de Bernanke, como é o caso de Stanley Fischer, vice-presidente do Fed, que abertamente faz declarações em prol de um dólar forte. O atual secretário do Tesouro, Jack Lew, também fala abertamente sobre as vantagens de se ter uma moeda forte.

E, como este site nunca se cansa de repetir, moeda forte e governo em retração é o segredo para qualquer recuperação econômica. A economia americana é apenas mais um exemplo prático disso.

Sendo assim, posso dizer apenas -- jocosamente, é claro -- que Obama nos leu. Faz 6 anos (desde nossa criação) que insistimos aqui que uma moeda forte é o segredo. Sem moeda forte não há economia forte. A moeda forte pode não ser tudo, mas sem moeda forte, tudo vira um nada.

E o que aconteceu com os EUA? Bastou o governo ficar travado, sem nenhuma chance de inventar novas intervenções, que o dólar ficar forte. Consequentemente, a economia americana se recuperou. Praticamente como mágica.

(Ah, sim: o fato de o mercado de trabalho nos EUA ser bem mais flexível, também ajuda bastante, principalmente nos índices de desemprego.)

Enquanto isso, aqui no Brasil, o real segue sua inexorável viagem rumo ao esgoto.

Responder
Fabio Fabro 21/09/2015 19:19:09

Ok, tem muito sentido. Vejo a economia como uma grande modelo caótico - as vezes uma pequena alteração em alguma variável relevante pode trazer grandes consequências à frente. Dado que não podemos prever essa caoticidade, diferentemente de modelos climáticos por exemplo - por conta da imprevisibilidade da ações humanas, o melhor a fazer é quase sempre não fazer nada mesmo, desde que os automatismos do capitalismo liberal estejam funcionando. Ainda assim podemos tentar buscar alguma consequência de uma dada ação, como aprendizado. Acredito que o preço internacional do petróleo tem muito a ver com isso também passando de consequência à causa.

Essa fortaleza do dólar me parece um tanto passageira ou não? Pensando no grande endividamento do governo americano, sendo que agora passa a não poder contar tanto com o forte crescimento das economias emergentes para se refinanciar. Estou errado? Será que não estamos caminhando para um colapso do dólar mais à frente?

Responder
Magno 21/09/2015 19:31:28

Não é só o dólar não. O real foi pra privada em relação a todas as moedas do mundo. Veja a evolução da libra esterlina, do franco suíço e do próprio euro.

mises.org.br/Article.aspx?id=2018

Responder
Dede 21/09/2015 19:49:29

O endividamento da governo americano é alto em relação ao PIB, mas não tão alto quando se leva em consideração a riqueza total da sociedade americana.
Uma coisa é um país como o Brasil dever, com baixa produtividade, infraestrutura precária e com população com pensamento estatista.
Outra é os EUA: População empreendedora, destino de imigração milhares de povos, incluindo ricos do mundo todo, país com infraestrutura, mão de obra qualificada e com relativa liberdade econômica.
Não há o menor risco do dólar entrar em colapso. No momento que o endividamento se tornar um problema há muito espaço para aumento de impostos, inclusive impostos sobre renda e patrimônio (Que eu sou contra). O patrimônio das famílias ricas americanas é estratosférico. Não vejo a menor possibilidade do dólar entrar em colapso.

Endividamento por endividamento, o Japão possui um alto endividamento em relação ao PIB. Mas se comparar com a riqueza acumulada dos japoneses, o endividamento não é tão alto.


Responder
Fábio Fabro 23/09/2015 03:14:14

Eu já acho que é precisamente esse o ponto onde a economia americana vai enveredar para um enfraquecimento. Quando o endividamento alto chegar ao ponto de justificar o aumento de impostos...

Responder
Dede 21/09/2015 19:22:52

E na hipótese do PT cair e entrar um governo mais sensato, com uma equipe ortodoxa, uma Armínio Fraga na Fazenda e o um Meirelles no Bacen, que cortassem gastos, reduzissem a máquina e implementassem um programa de desestatização, seria essa a solução de curto prazo para a economia brasileira?

Responder
Fabio Fabro 21/09/2015 19:58:46

Penso ser essa solução sim. Acho que o impeachment pode ser o começo de uma retomada. Quanto mais a Dilma ficar pior pois ela já não governa e as incertezas só aumentam.

De qualquer forma se a nova equipe que assumir, digamos com PMDB à frente do governo e recebendo apoio do PSDB e outras legendas, não demonstrar que está disposto a fazer os cortes e empreender as reformas necessárias, a situação vai permanecer ou até piorar. Mas acho que não há outra saída. Aumento de impostos já não tem qualquer apoio e se a "oposição" tentar fazer o mesmo quando estiver assumindo o governo, vai sofrer ataque de todos os lados.

Porém no médio prazo as reformas são absolutamente necessária: tributárias, previdenciárias e trabalhistas. Talvez tenhamos as melhores condições para empreender tais reformas em todos os tempos até aqui, mesmo com a choradeira dos movimentos esquerdistas que já terão pouco crédito depois de 13 anos de baderna.

Responder
Andre Cavalcante 21/09/2015 20:01:37

Olá,

Não sou o Leandro, mas posso dizer o seguinte. Curto prazo é: mantidas as condições atuais. Longo prazo é: as condições são diferentes das atuais.

Isso que cê colocou já é longo prazo, portanto. Então não seria uma "solução de curto prazo", mas "uma solução de longo prazo".

Sim, esse seria um caminho adequado.
Do ponto de vista puramente temporal, levaria um bom par de anos para sairmos do buraco que estamos, mesmo com mudanças assim. Então, como temos Dilma ainda por 3 anos e mais 2 para começar a dar resultado qualquer política de "austeridade", já somamos 5 anos. Como já temos 2 anos de trapalhadas, então já teríamos 7. Ou seja, quase uma década perdida. E, se não tomar cuidado, podemos ter mais uma.

Mas, o certo mesmo, seria uma dolarização total da economia ou um currency board. Mas isso mataria qualquer tentativa do governo aumentar ainda mais. Logo, praticamente impossível de acontecer...

Responder
Thiago Teixeira 21/09/2015 21:54:13

Mas Leandro, apesar de Obama estar amarrado, Janet Yellen continua com a política de juro zero no Fed; e o FED já praticamente esterilizou o mercado de títulos do tesouro americano... Creio que isso seja um fator importante para desestabilizar o dólar a qualquer momento.

Aqueles dois artigos do Ulrich a esse respeito deveriam ser republicados...

Ah, e temos um fator deflacionário sobre o dólar não é? Os juros que o FED está pagando sobre o total de reservas dos bancos privados. Eles estão sendo estimulados a controlar a derrama de dinheiro na economia. Até quando?
Ah, e isso me remete ao caso brasileiro: estamos dependentes do juízo dos banqueiros privados...
É muita insanidade...

Responder
Leandro 21/09/2015 22:39:45

Pois é, mas essa política inesperada do Fed foi crucial.

Como já dito em outros comentários, o Fed, em uma medida totalmente sem precedentes (uma medida que nunca foi abordada em nenhum manual de macroeconomia), passou a pagar juros sobre todo o dinheiro que os bancos voluntariamente mantêm depositados no Fed.

Antes, o Fed pagava juros apenas sobre os depósitos compulsórios dos bancos. Agora, ele paga juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente depositam no Fed.

É por isso que a base monetária -- mais especificamente, o componente "reservas em excesso" -- explodiu, mas esse dinheiro não entrou na economia.

Com essa medida de pagar juros sobre todo e qualquer depósito voluntário que os bancos fizerem no Fed, não há nenhum risco de inflação alta, e muito menos de hiperinflação. E é bem mais fácil manter um dólar forte.

Responder
Laercius 21/09/2015 18:38:10

Excelente artigo.Desculpe perguntar Leandro, mas é um artigo seu "de punho" ou uma compilação (ou ainda)uma tradução de texto?De qualquer forma,parabéns pela publicação.Não costumo imprimir os textos,mas fiz isso para lê-lo mais algumas vezes.

Responder
Rubens 21/09/2015 19:02:49

Artigo, muito bem elaborado, Parabéns

Responder
Paranaense 21/09/2015 19:08:03

Excelente artigo, muito elucidativo. Nuvens negras pairam sobre o Brasil.

Responder
Thiago Diniz 21/09/2015 19:20:00

Formidável artigo. Leandro sempre trazendo coisa boa.

Tenho uma pergunta: O que fazer para se ter uma moeda forte perante ao dólar sem depender de mal momento dos EUA(vide a expansão de crédito lá, guerra do Iraque, etc). Teríamos que ser mais produtivos e isso já bastaria para se ter um real forte perante ao dólar?


Abraços!

Responder
Andre Cavalcante 21/09/2015 20:07:19

Olá Thiago Diniz 21/09/2015 19:20:00

"O que fazer para se ter uma moeda forte perante ao dólar"?

R. Uma moeda ancorada em uma commoditie como o ouro. Ou então uma criptomoeda.

Junte a isso leis que respeitem o direito de propriedade, liberalização das idas e vindas de capitais, liberalização das idas e vindas de mão-de-obra, leis ordeiras (não esse emaranhado espaguete de leis que não servem pra nada e o povo já nem pensa se está ou não cumprindo) e uma flexibilização geral do trabalho.


"Teríamos que ser mais produtivos e isso já bastaria para se ter um real forte perante ao dólar?"

R. Com tudo isso que citei acima, a produtividade vem naturalmente com o acumulo de capital e o desenvolvimento da criatividade humana que tal arranjo proporciona.

Abraços

Responder
Thiago Diniz 23/09/2015 02:37:15

Obrigado grande André!

Responder
Hugo 22/09/2015 03:12:10

Isso só vai ser possível se o BR adotar uma reforma drástica da economia,com o governo desinchando imensamente a ponto de eliminar as surreais bur(r)ocracias que sufocam a economia brasileira,como as intervenções no mercado de trabalho e no comércio exterior que prejudicam a inovação e investimento. Com isso a economia se tornaria sólida,pujante e confiável,pois o governo deixaria de massacrar a economia com suas políticas totalmente sem sentido e imprevisíveis,melhorando assim a confiança no cumprimento dos contratos da economia (o governo brasileiro é perito em afugentar desenvolvimento econômico com medidas mirabolantes e confiscatórias que deixa uma pulga atrás da orelha dos investidores quanto ao futuro da economia),e com a redução do estado a pressão inflacionária cairia muito pois o estado não pressionaria a oferta de crédito com a rolagem de seus déficits,e com a pouca pressão inflacionária sobre a moeda brasileira ela tenderia a se valorizar com o tempo (e a juros mais baixos) atraindo investimentos do mundo todo que gerariam um estrondoso aumento de bem estar pela estabilidade efetiva da moeda.

Responder
Thiago Diniz 23/09/2015 02:40:18

Obrigado Hugo

Responder
Amarílio Adolfo da Silva de Souza 21/09/2015 20:32:16

Lamentável: o brasil só consegue ir para a frente graças à desgraça dos outros. O brasil é ridículo.

Responder
Pp 21/09/2015 21:11:27

Você comentou que, no período 2002-2008, o dólar estava enfraquecido.
Porém sabemos que a economia americana estava pujante.

Pode isso?

Agora a economia americana está fraca, mas o dólar valorizado.

Talvez devemos isso ao EURO estar muito enfraquecido?
O que não acontecia no passado...

Responder
Leandro 21/09/2015 22:34:55

Pujante? Não havia nada de pujante.

Havia duas bolhas, uma imobiliária e uma no mercado de ações. Ambas geraram o efeito da "riqueza ilusória": as pessoas acreditavam que eram mais ricas do que realmente eram. Tanto é que, tão logo as duas bolhas estouraram, as pessoas imediatamente descobriram a real situação em que estavam.

Havia pujança, isso sim, nos períodos Reagan e Clinton, quando a moeda era forte e o padrão de vida das pessoas realmente se elevou. Na era Bush, não houve melhoria nenhuma. Houve apenas destruição. As pessoas apenas achavam que estavam ricas por causa de valores fictícios dos imóveis e das ações (bolha essa gerada pela moeda fraca). Tão logo ambas as bolhas estouraram, lá se foi a "pujança".

Responder
Dede 23/09/2015 13:51:05

Leandro, sei que política não é sua especialidade, mas o que você acha dessa guinada à esquerda do Partido Democrata? Seria isso um risco à economia americana?

Responder
Rodrigo Pereira Herrmann 23/09/2015 15:13:42

Isso é uma verdade mesmo. A New Left americana é mais radical do que a esquerda moderada histórica dos EUA. O esquerdismo lá vem crescendo, assim como a implantação da agenda progressista. A eleição e reeleição do Bobama é o paroxismo dessa tragédia. Só que lá existe um movimento conservador muito forte e ativo (não estou falando do idiota do trump), e a luta será renhida.

Responder
Felipe Lange S. B. S. 21/09/2015 21:43:51

Mais um excelente artigo do Leandro!

Olha, acredito que o impeachment seria uma solução instantânea para pelo menos acabar com esse governo desastroso que, por sinal, nada tem feito para melhorar a economia, e já não tem mais confiança nem dos investidores estrangeiros e nem dos eleitores. Agora sem o Presidente da Câmara, do Senado e o vice como possíveis substitutos, não sei no que poderia dar.

Agora, Leandro, como você explicaria a política monetária dos Estados Unidos? O que o faz ter um IPCA infinitamente menor que o brasileiro? O funcionamento do FED é equivalente aos bancos brasileiros em questão de expansão monetária?

Grato pela atenção,
Felipe

Responder
Rodrigo Pereira Herrmann 22/09/2015 00:06:18

a única chance é a cassação do mandato por constatação de crime eleitoral pelo TSE, a partir dessas delações todas.

impeachment - impugnação pelo congresso - é impossível. essa oposição de bosta não tem força/quórum pra isso. o povo também não tem. e as forças armadas nem se sabe onde estão. além disso, o governo sempre tem alguma barganha pra persuadir a mesquinharia da planície política.

Responder
Leandro 22/09/2015 17:18:57

"O que o faz ter um IPCA infinitamente menor que o brasileiro?"

A economia é mais aberta, a moeda mais forte (pois ela é mundialmente demandada) e as expectativas inflacionárias -- explicadas no artigo -- são mais ancoradas.

"O funcionamento do FED é equivalente aos bancos brasileiros em questão de expansão monetária?"

O funcionamento do Fed é idêntico ao do BACEN.

Responder
Julio 21/09/2015 23:37:12

Excelente artigo, como sempre, Leandro.

Uma dúvida, já que o mesmo foi citado: qual seria a análise da postura, até aqui, de Joaquim Levy como Ministro da Fazenda?

Responder
Ali Baba 22/09/2015 10:55:32

Postura? De quatro...

Responder
Frederico 22/09/2015 00:18:48

Leandro, ao ler seu otimo texto, pergunto:
se fossemos uma populaçao com forte educaçao financeira, soubessemos de economia igual a futebol, enxergariamos naquele bom periodo, que o governo precisaria ser mais do que nunca ortodoxo, e cobrado pela sociedade tal postura, sobraria agora esta amargura do voo de galinha?

Responder
Geógrafo 22/09/2015 01:18:11

Lula fez um bom governo, principalmente nas políticas sociais, só que o tempo de bonança passou e não fez as reformas estruturais, na previdência e funcionalismo. Aliás nenhum presidente o faria, porque é mexer num ninho de vespeiro. Fora os investimentos em infraestrutura com os PACs.

Responder
Felipe 22/09/2015 02:05:30

Ótimo texto, Leandro. Parabéns!
Uma dúvida de leigo que sou. Para controlar a inflação, o governo não poderia aumentar o depósito compulsório em vez dos juros? Além disso, aprovar alguma medida que fizesse com que os juros sobre o depósito compulsório fosse menor que o atual. Ao meu ver, isso limitaria o crédito e consequentemente a inflação sem aumentar os gastos públicos.


Responder
Leandro 22/09/2015 17:28:35

"Para controlar a inflação, o governo não poderia aumentar o depósito compulsório em vez dos juros?"

Poder, poderia. Mas o efeito seria inócuo, dado que a atual carestia não advém majoritariamente do crédito para o setor privado, mas sim da desvalorização cambial e dos déficits do governo, que são inflacionários.

"Além disso, aprovar alguma medida que fizesse com que os juros sobre o depósito compulsório fosse menor que o atual. Ao meu ver, isso limitaria o crédito e consequentemente a inflação sem aumentar os gastos públicos."

Creio que você quis dizer "juros sobre o depósito compulsório fossem maior que o atual". De novo, isso é imaterial.

Aliás, há bons argumentos que mostram que o compulsório é um instrumento que, na prática, já se revelou pra lá de inócuo. Tanto é que as principais economias do mundo ou já o aboliram ou o reduziram a valores ínfimos. Na Austrália, na Nova Zelândia, no Canadá, no Reino Unido e na Suécia, ele foi abolido. Na zona do euro, ele é de 1%. Na Suíça, ele é de 2,50%. Veja a lista aqui.

Explicar por que o compulsório tornou-se inócuo exigiria um artigo à parte, mas é suficiente dizer que eles foram anulados pela própria existência dos Bancos Centrais. A partir do momento em que existe um Banco Central fixando uma taxa de juros e estando disposto a oferecer aos bancos a quantia necessária de reservas para evitar que estes juros subam, a quantidade de reservas compulsórias perde a importância. Afinal, a função do compulsório é justamente restringir os bancos. Porém, tal restrição levaria ou a um aumento dos juros ou a um congelamento geral do crédito. E nenhum BC quer isso. Na prática, portanto, os próprios BCs anulavam a efetividade do compulsório.

Se você for fluente em inglês, essa monografia do Banco da Inglaterra explica bem por que o compulsório se tornou inócuo.
Grande abraço!

Responder
Felipe 23/09/2015 01:05:01

Obrigado pela resposta, Leandro. Entendi, faz sentido! Lerei o artigo.
Abraços!

Responder
Ragnister 22/09/2015 04:46:33

Fiquei com duas dúvidas:

1) O melhor caminho pro Brasil a longo prazo é diminuir a dependência do dólar ou dolarizar a economia? (Ou nenhuma das opções)

2) Se a China ou qualquer outro país fique mais rico que o EUA, o mundo trocará de moeda principal? Em outras palavras, enquanto existirem países, quem dita a economia global é o país mais rico?

Responder
Juan Domingues 22/09/2015 13:24:33


1. Não é possível se desvencilhar da economia internacional em um mundo globalizado. Logo, se não pode com eles, junte-se a eles - adote o dólar. O currency board com o dólar relativamente fixo é a melhor opção.

2. Não é tão simples assim. Não há uma relação que obrigue o maior PIB a ser moeda mundial automaticamente. Há diversos fatores que contam para isso, alguns objetivamente mensuráveis, outros não. A tradição do país no comércio, a responsabilidade do seu banco central, o grau de confiança das suas instituições, o poder militar, entre outros. A China pode se tornar o PIB número 1 eventualmente, mas carece de muitas qualidades que os EUA possuem.

Responder
anônimo 22/09/2015 05:36:48

Leandro, qual o motivo da valorização, também no período 2003-2011, do Real perante o Euro?

Responder
Leandro 22/09/2015 12:28:00

Vivemos em um mundo gerido por Bancos Centrais mercantilistas. Quando o dólar começou a se desvalorizar, os outros Bancos Centrais mundiais também entraram no clima. Se não fizessem nada, suas moedas iriam se valorizar fortemente perante o dólar, e seus respectivos setores exportadores -- que são um dos lobbies mais poderosos do mundo, em todo e qualquer país -- iria reclamar.

Ato contínuo, tão logo o dólar começou a se desvalorizar, o Banco Central Europeu também começou a desvalorizar o euro -- com menos intensidade, mas ainda assim desvalorizou.

A consequência disso? A bolha imobiliária européia -- com trágicas consequências na Espanha e na Irlanda -- e um boom econômico na Grécia e em Portugal, também com trágicas consequências. (Leia todos os detalhes aqui).

O Banco Central brasileiro, à época gerenciado por Meirelles, simplesmente teve o bom senso de desvalorizar menos o real, medida essa muito elogiada por mim neste artigo.

Responder
M.S. Batista 22/09/2015 11:48:11

Agora vai explicar isso para quem não entende de economia... ao moleque que usa celular e deve isso ao Lula, à senhora que mora com mais 1200 famílias em um condomínio do MCMV, ao tiozinho que nunca teve um carro na vida (nem CNH) e financiou "em suaves prestações" a perder de vista, à menina que usa perfumes "importados", ao pobre usuário do site Aliexpress que aproveitou o dolar "barato".

A maioria das pessoas só analisam o hoje, o momento atual. Não conseguem entender que o presente é consequencia de ações do passado (planejadas ou desastrosas). Constantemente, vemos pessoas criticando o governo atual, mas enchendo de elogios o anterior, como se fosse "salvador da pátria". Mas esse analfabetos não conseguem entender que o governo anterior só conseguiu essa "fama", devido a diversos fatores, internacionais e nacionais, dos quais ele não teve sequer uma participação efetiva no sentido de colaborar. Muito pelo contrário. E para "ajudar", ainda falou aos quatro cantos.

Assim como o Barba surfou numa estabilidade monetária planejada por governos anteriores, a partir de 93/94, a "chefa" herdou um país endividado, viciado no populismo, gastando dinheiro com festas (Copa e Olimpíadas), com mordomias difíceis de serem suprimidas. E agora resta saber como ela deixará o país ao seu sucessor.....

Responder
Dede 22/09/2015 12:33:10

Lendo esse excelente artigo do Leandro eu lembrei de um artigo que havia lido por esses dias e que passou a fazer mais sentido:

"Seria a Bolha Imobiliária uma Bolha do Brasil?"
www.drmoney.com.br/investimentos/seria-a-bolha-imobiliaria-uma-bolha-do-brasil/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+BlogDoDrMoney+%28Blog+do+Dr.+Money%29

"Muito se tem discutido nos últimos anos se existe ou não uma Bolha Imobiliária no Brasil. Você pode ver em vários posts aqui no blog (Bolha Imobiliária no Brasil?, Ainda a Bolha Imobiliária no Brasil, a Bolha Imobiliária e a relação preços/aluguel dos imóveis) que, apesar da elevação bastante significativa dos preços dos imóveis no Brasil desde 2008, não poderíamos falar de uma bolha no sentido clássico, em que os preços sobem sem base em nenhum fundamento, e o "estouro" da bolha é disruptivo para toda a atividade econômica. Agora que os preços dos imóveis começam a se estabilizar ou cair, a questão que se coloca é se a tal "bolha imobiliária" está finalmente estourando, ou se os preços dos imóveis simplesmente continuam seguindo os fundamentos da economia. Em outras palavras: será que o "estouro" da bolha imobiliária está causando a recessão brasileira, ou é a recessão que está causando a queda dos preços dos imóveis? Se for o primeiro caso, estaria confirmada a existência da "bolha imobiliária". Se for o segundo, nunca existiu uma bolha imobiliária."
...

Responder
Henrique Zucatelli 22/09/2015 12:46:52

Gigante Leandro, mais um obrigado pelo elucidador artigo! Já repassei a teoria aos meus consortes.

Agora quanto a prudência de um empresário, e a armadilha compulsória dos ciclos econômicos, há sim como escapar, e eu sou prova viva disso.

Desde o ano de 2010 eu enxerguei algo muito errado nesse crescimento forçado da economia, justamente após o estouro de 2008. Foi justamente nesse ano que conheci o IMB, as ideias libertárias e tudo o que a Escola Austríaca embasa sobre economia, direito etc.

Mas falando sobre como escapei dessa armadilha:

"...Afinal, se você não o fizer, você simplesmente perderá fatia de mercado para os seus concorrentes".

Quando em 2010 vi meus concorrentes crescerem exponencialmente através de alavancagem brutal via BNDES, eu fui motivo de piada por muitos por não fazer o mesmo. Amigos com fábricas enormes, comprando todos os tipos de propriedades, dizendo que lucravam absurdos e eu levava nome de mesquinho, míope etc.

Mas nessa época eu fiz uma conta de padaria: se o endividamento tem um ciclo de no mínimo 36 a 60 meses, e todo esse crescimento está sendo promovido a força através de dinheiro Estatal (na época nem sonhava com reservas fracionárias), uma hora isso vai para o espaço.

Me amedrontava também uma questão externa: a Grécia. Com toda aquela bagunça de GRexit na época, eu coloquei isso na conta também e segurei o impulso.

No final das contas, somente investi parte do meu lucro. Endividamento ZERO. Cresci beeeem menos que meus concorrente aos longo desses cinco anos, porém em 2015 metade deles já quebraram, e a outra metade está quebrando.

A demanda pelos meus produtos aumentou. A concorrência praticamente acabou. Aqueles que por ventura queriam entrar para concorrer nos mercados em que atuam já não tem mais dinheiro para isso, e aqueles que têm preferem não arriscar pois não sabem até onde vai essa crise.

Mesmo que a demanda no geral tenha diminuído, para quem é sólido e desalavancado como eu, o que vier é lucro. Agora sim chegou o momento de investir, para mim claro, pois os preços de maquinário desabaram. Mesmo que essa crise só acabe em 10 anos, o que eu compro, compro com o fruto de poupança, portanto mais hora menos hora o valor se agrega.

Responder
Alexandre M. R. Filho 22/09/2015 14:58:08

Henrique, qual o setor que vc atua?

Responder
Leandro 22/09/2015 17:35:56

Caríssimo Henrique, muitos parabéns pela sua sobriedade e correta leitura do momento. Essa, aliás, é a nossa humilde função aqui: mostrar às pessoas como o mercado funciona, para que elas possam evitar sobressaltos futuros.

Esse seu depoimento foi extremamente motivador para nós. Se mais pessoas tivessem essa sua mesma percepção, o sofrimento delas seria hoje bem menor.

Grande abraço!

Responder
corsario90 23/09/2015 19:44:42

Henrique, acho que a chave é realmente o endividamento ZERO sob uma ilusão de falsa demanda futura, somada a parcimônia nos investimentos. Só acho que você terá que ter folego para isso, vai depender do mercado onde atua, e outras conjecturas.
Aqui sobrevivemos, mas acho que no ramo que tiver poucos concorrentes e o bomm demore muito até a chegada do burst numa cidade pequena onde o comércio é aquecido por prefeituras ae o bicho vai pegar.
Sou a favor integralmente da EA, acho q é o caminho da saída da servidão, mas enquanto isso não chega, temos que nos alimentar enquanto isso.
Sou a favor do CB ou cesta de moedas ou livre conversabilidade, qq coisa que tire das maos do governo a politica monetária discricionária que nunca deu certo porque poder sem controle externo gera os piores resultados.
Não sou Anarco, sou minarquista de carteirinha.
Boa sorte na empreitada!
abs

Responder
Leonardo F. 22/09/2015 13:13:08

Artigo muito bem escrito. Continue o bom trabalho!

Responder
Fernando 22/09/2015 14:34:42

Esse câmbio flutuante não está funcionando direito. Isso está gerando crises e instabilidade.

Concordo com a mudança proposta na política cambial. Dolarização já ! Essa guerra cambial é nefasta. Os bancos centrais viraram malandros desvalorizadores de moeda. Não há FairPlay na economia global. São malandros dando um jeito para se proteger, causando bloqueios e travamentos na economia global.

Responder
Lopes 22/09/2015 15:50:36

Excelente artigo, Leandro. É uma boa aula aos que congratulam o estado pelos "sucessos" da última década.

Responder
PedroF 22/09/2015 15:51:33

Esclareco que doravante estou assinando PedroF porque ha um outro Pedro e isso pode causar confusao. Mas quero colocar um grano salis na discussao. Com a forte valorizacao do real em relacao ao dolar, ocorrida de 2003 a 2012, o Brasil, prestigiosamente, ascendeu da oitava para a sexta posicao no ranking dos PIB. Chegou a parecer que ia para a quinta posicao. Agora corre o risco de ir para a decima posicao. Nao resta duvida que eh um efeito que, embora colataral, causara um grande desprestigio internacional ao Pais.

Responder
Rodrigo 22/09/2015 16:13:17

Leandro,

O que é melhor para os nossos grandes bancos: inflação de preços sob controle ou fora de controle?

Abraço!

Responder
Leandro 22/09/2015 17:47:35

Nunca entendi essa teoria de que hiperinflação seria bom para os bancos.

Imagine que você é um banqueiro. Você sabe que, em uma hiperinflação, os empréstimos que você conceder serão quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, e isso destruiria o real valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido.

Sendo assim, você tem de "chutar" um valor exorbitante para os juros cobrados em seus empréstimos e torcer para que tal valor compense a hiperinflação do período.

Desnecessário dizer que, neste cenário, você só pode fazer empréstimos de curto prazo, pois é impossível prever a inflação de longo prazo.

Pergunto: por que tal cenário seria melhor que um cenário de total estabilidade econômica, muito mais previsível?

Os lucros dos bancos brasileiros são hoje muito maiores do que na época da hiperinflação. Tanto é que, tão logo a economia se estabilizou, vários bancos foram à bancarrota, pois a "riqueza" deles era falsa, totalmente mascarada pela hiperinflação.

Responder
Cedric 22/09/2015 16:52:22

Fantástico artigo Leandro. Uma verdadeira aula, tornou muito mais claro o entendimento sobre as conjunturas econômicas recentes do país. Muito obrigado.

Responder
Leandro 22/09/2015 17:10:26

Eu é que agradeço pelas palavras, Cedric. Grande abraço!

Responder
Matheus 22/09/2015 17:59:03

E a surpresa do dia
www.brasil247.com/pt/colunistas/leandroroque/197877/O-que-realmente-permitiu-o-grande-crescimento-econ%C3%B4mico-brasileiro-da-%C3%BAltima-d%C3%A9cada.htm

Responder
Lel 20/03/2016 15:46:38

Não acredito no que estou vendo kkkkkkkkkkkkkk

Responder
philip haag 22/09/2015 18:10:23

não entendi a aparente contradição entre esse trecho:

E esse impacto do dólar é muito maior do que muitos imaginam. Os preços dos remédios (85% da química fina é importada), do pão (o trigo é uma commodity precificada em dólar e é majoritariamente importada), das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é petróleo), de todos os importados básicos (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários)

e o fato das importações em relação ao nosso PIB serem tão baixas quanto as exportações, respectivamente, 14,3% e 11,5% (dados de 2014: www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/pib/pib-vol-val_201502_8.shtm).

alguma alma pode explicar?

Responder
Leandro 22/09/2015 18:30:46

Não entendi onde está a contradição.

"De cada 10% de alta da moeda norte-americana, a influência na inflação iria de 0,3 ponto porcentual no curto prazo a 0,8 ponto no longo prazo."

www.gazetadopovo.com.br/economia/alta-recente-do-dolar-tera-impacto-no-ipca-ca19dqrja8028ltnqi46fuslq

www.dci.com.br/economia/repasse-cambial-deve-acelerar-precos-nos-proximos-meses-id267023.html

www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/12/1561615-dolar-em-alta-vai-trazer-mais-dificuldade-para-bc-domar-a-inflacao.shtml

É exatamente por isso que o artigo é cuidadoso em ressaltar que, mesmo com toda a valorização cambial (o dólar foi de R$ 3,90 para R$ 1,60), isso não se traduziu em queda de preços, mas sim em aumentos menores.

Caso a economia fosse mais aberta, tamanha valorização cambial geraria a bênção de termos preços realmente em queda.

Responder
Fabio 22/09/2015 18:35:13

Leandro,

E todos aqueles QE's? Se nao desvalorizaram o dólar por estarem depositados junto ao FED, ao menos não realimentaram novas e gigantescas bolhas nos EUA?

É possível dar crédito à teoria de que o dólar irá colapsar? Qual, afinal, a consequência de medidas como os QE's e a política de juros zero para a economia americana e o dólar?

Grato pelo esclarecimento!

Responder
Leandro 22/09/2015 19:03:54

"E todos aqueles QE's? Se nao desvalorizaram o dólar por estarem depositados junto ao FED, ao menos não realimentaram novas e gigantescas bolhas nos EUA?"

O gráfico da expansão do crédito nos EUA não mostra crescimentos exponenciais. Pode até estar havendo bolhas localizadas, mas não há nada que possa estar afetando toda a economia.

"É possível dar crédito à teoria de que o dólar irá colapsar?"

No momento, de jeito nenhum.

"Qual, afinal, a consequência de medidas como os QE's e a política de juros zero para a economia americana e o dólar?"

Como dito acima, a partir do momento em que o Fed surpreendeu a todos a adotou uma política totalmente inédita de pagar juros sobre todo e qualquer depósito feito voluntariamente pelos bancos, a política monetária chegou a um novo patamar.

O QE foi adotado, na prática, para socorrer os balancetes de bancos; e na teoria, para impedir uma deflação de preços.

Responder
Thiago Teixeira 13/10/2015 00:28:13

Adquiri o The Real Crash, do Peter Schiff, só vai dar para ler mes que vem.
Não há perigo do dólar derreter?

Responder
Luís Henrique 22/09/2015 19:11:56

Só fiquei com uma dúvida e não sei se poderiam me explicar, o porquê da commodity da soja estar aumentando seu preço, mesmo com o dólar subindo cada vez mais, sendo essa, também, precificada em dólar?

Agradeço.

Responder
Leandro 22/09/2015 19:16:14

Não está. Pelo contrário, está caindo:

www.nasdaq.com/markets/soybean.aspx?timeframe=3y

www.indexmundi.com/commodities/?commodity=soybeans&months=60

Responder
Luis Henrique 22/09/2015 19:30:29

Sim sim. O preço do buschel está caindo na CBOT, que faz referencia para o preço nacional. Porém o preço no mercado interno está subindo. Alguma referência? Me expressei mal.

Obrigado!

Responder
Leandro 22/09/2015 20:16:33

No mercado interno de onde?

O que é afetado pelo dólar é justamente o mercado mundial de commodities, e nesse mercado o preço da soja está caindo, em total sincronia com a força do dólar.

Agora, quanto está custando a soja em uma cidade qualquer dos EUA, isso aí vai depender de inúmeros fatores, como demanda local, concorrência, regulamentações ambientais (o que encarece os custos de produção) etc.

Responder
Luis Henrique 23/09/2015 00:51:58

Digo que está subindo no mercado interno (brasileiro), em cooperativas, cerealistas. Preço esse que é pago aos produtores conforme o preço pago nos portos brasileiros. Acompanho alguns sites de notícias agrícolas e os especialistas fazem referência a sustentação e aumento dos preços do Soja pela alta do Dólar.

Responder
Leandro 23/09/2015 01:00:27

Pô, aí não, né? É claro que, em reais, a soja está encarecendo. Isso é básico.

É o óbvio ululante que a soja está subindo no mercado interno brasileiro. O estranho seria se estivesse caindo.

1) Com a alta do dólar, os produtores estão exportando muito mais. Consequentemente, a oferta interna fica reduzida. Menor a oferta, maior o preço.

2) Com o real se desvalorizando, os preços de todas as coisas sobem. São necessários mais reais para se comprar o mesmo produto. A soja não é exceção.

3) Soja é cotada em dólar. Se o dólar encarece, os preços em reais da soja também subirão.

Pensei que você estava falando que a soja estava encarecendo em dólar nos EUA. Isso não fazia sentido.

Já no Brasil, o que não faria sentido era se a soja não estivesse encarecendo em reais.

E se você ainda não entendeu o raciocínio, favor ler este artigo, que explica exatamente por que uma desvalorização cambial encarece os produtos alimentícios no Brasil.

Responder
Luis Henrique 23/09/2015 20:34:36

Claro, claro. Li o artigo que me indicou, esclarecedor, explicativo. Compartilharei.

Baita texto.

Obrigado!

Responder
T. Mércia 22/09/2015 20:10:01

Excepcional artigo.
Rico. Pomposo. Coeso.
Um nácar!

FLAP FLAP FLAP!!!!
Parabéns!

Responder
Bastiat 23/09/2015 00:03:12

Leandro, no modelo de currency board, ele seria definitivo ou temporário, se temporário qual deveria ser o tempo? Seria o primeiro passo se acaso opte pela dolarização?

Responder
Leandro 23/09/2015 00:53:35

De jeito nenhum. Currency Board tem de ser definitivo desde a sua criação. Se você cria um Currency Board dizendo que ele é temporário, todo mundo sabe que, quando ele for abolido, a moeda nacional imediatamente se desvalorizará. Sendo assim, hoje mesmo sua moeda já não terá aceitação nenhuma. Por que teria?

Criar um CB dizendo que ele será temporário é fazer um aborto antes do trabalho de parto.

A única maneira de se sair de um Currency Board é justamente adotando a moeda-âncora como sendo a moeda nacional corrente. E só.

Outra coisa que você pode fazer é liberar moedas estrangeiras para circular paralelamente à moeda nacional. Aí não tem problema nenhum.

Responder
Ricardo 23/09/2015 02:40:13

Ou você pode fazer como a Argentina, arrebentar o Currency Board do seu país e levar uma economia saudável para a lama.

Mas já que estamos falando de Currency Board, uma dúvida. Pelo que eu entendi, você adota um câmbio fixo entre a moeda nacional e uma âncora. Logo, o desempenho da sua economia no mercado internacional dependeria do valor desta âncora, imaginemos que o Brasil tivesse adotado um corrency board atrelado ao dólar. Durante o período em que o dólar se desvalorizou, a economia brasileira também passaria por dificuldades naquele momento?

Se sim, qual seria a melhor forma de evitar isso? Adotar o padrão ouro como âncora?

Responder
Enrico 23/09/2015 02:56:25

Um Currency Board atrelado ao dólar que depois muda a âncora para o ouro seria tomado como inconfiável pelos investidores?

Responder
Yonatan Mozzini 23/09/2015 12:09:40

Ricardo

"Durante o período em que o dólar se desvalorizou, a economia brasileira também passaria por dificuldades naquele momento?"

Sim, países atrelados ao dólar recebem a depreciação e a inflação americana. É só ver o caso do Equador, país dolarizado. Em 2008, a inflação lá chegou a dois dígitos, um valor atualmente impensável para países desenvolvidos. Só que logo em seguida a inflação de preços por lá caiu significativamente e a média tem estado a níveis civilizados, bem melhores que o Brasil. Ou seja, por mais que houvesse dificuldades, elas seriam ainda bem inferiores às nossas dificuldades com o real do jeito que está.

"Se sim, qual seria a melhor forma de evitar isso? Adotar o padrão ouro como âncora?"

Uma das formas que eu acho bastante plausível (e que é a proposta da monografia que eu estou fazendo) seria a adoção de um currency board misto, em que tanto o dólar quanto o ouro compõe a cotação do real. Por exemplo: uma nota de cem reais é lastreada por meio grama de ouro e vinte dólares, por exemplo. Por definição de conversibilidade imediata, você já teria duas moedas circulando: o dólar e o ouro.

Como âncora, o dólar, embora preserve a unidade de conta internacional no curto prazo (sendo muitíssimo favorável à economia internacional), se desvaloriza acentuadamente no longo prazo. O ouro, embora seja altamente volátil no curto prazo (mas sempre acompanhando o movimento das moedas mais fortes), preserva seu valor no longo prazo. Em minha opinião, é o arranjo mais eficiente para um currency board.

Enrico

"Um Currency Board atrelado ao dólar que depois muda a âncora para o ouro seria tomado como inconfiável pelos investidores?"

Teria que haver uma lei já prevendo que, depois de tal data, a âncora seria alterada. Mas não vejo o porquê disso. O ideal é que seja feita uma lei com um comportamento inalterável para o board. Com um currency board misto você já pode ter, na prática, as duas moedas em circulação e em total harmonia desde o curto prazo.

Responder
Ricardo 23/09/2015 03:42:16

Leandro,

Como um grande admirador do sistema de Currency Board e da liberação das moedas estrangeiras, como você refutaria este artigo do Gustavo Franco? (www.econ.puc-rio.br/gfranco/a12.htm)

Responder
Leandro 23/09/2015 16:08:59

Esse foi um dos primeiros -- e únicos -- artigos que havia lido em português sobre o assunto quando comecei a me interessar por ele.

Francamente, não há muito o que ser refutado, mesmo porque não há uma crítica direta. O que ele fala, aliás, é correto: não se destrói ou abole impunemente um Currency Board. E a teoria sempre enfatizou isso.

De resto, não faria sentido o Gustavo Franco (de quem gosto) criticar esse arranjo sendo que ele próprio adotou um regime cambial que a própria teoria sempre anunciou como instável: câmbio atrelado ao dólar, controlado diariamente por um Banco Central que realiza minidesvalorizações diárias, e que, pior ainda, tenta fazer política monetária e cambial ao mesmo tempo.

Um Banco Central pode ou adotar uma política de câmbio fixo ou praticar uma política monetária independente. Mas ele não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Se ele decide manter uma determinada paridade cambial, então ele abre mão de controlar a expansão da base monetária, pois ele tem de criar moeda nacional para comprar as divisas estrangeiras, e tem de recolher moeda nacional ao vender divisas estrangeiras. Ele não controla a evolução da base monetária.

Já se ele opta por manter o controle sobre a evolução da base monetária, então ele não tem como manter a taxa de câmbio estacionada em um determinado valor. Não por muito tempo.
Se o Banco Central tentar fazer as duas coisas, ele estará incorrendo em uma contradição insustentável. Todos os ataques especulativos que varreram os países em desenvolvimento na segunda metade da década de 1990 aconteceram porque os especuladores perceberam essa contradição e agiram de acordo.

Responder
Marcos Vinícius Rocha 23/09/2015 01:40:39

Leandro,

Primeiro gostaria de parabenizá-lo pelo belíssimo, preciso e claro artigo. Não seu sua disponibilidade, mas seria de muita valia disponibilizar o conteúdo deste artigo em um vídeo. A verdade é que muita gente tem preguiça de ler um artigo deste tamanho e um vídeo é muito mais fácil de conseguir penetração junto ao grande público que, creio eu, tenha sido sua intenção ao escrevê-lo. Então se puder fazê-lo ou deixar alguém fazer, referenciando você claro, seria de grande valia pra verdadeira divulgação de sua análise e modo de pensar. Pensemos mais nessa plataforma. Vídeos são a tendência da internet se queremos alcance para a nossa mensagem.

Valeu!

Responder
LAKOROLL 23/09/2015 12:49:52

Já ouviu a expressão "a salvação da lavoura está na própria lavoura", significa que se uma safra foi frustrada, a solução é trabalhar para que a próxima tenha sucesso. O mesmo acontece com o Brasi. O modelo econômico adotado pelos governos PTistas estava baseado no consumo das famílias fomentado pela abundante oferta de crédito, este modelo chegou ao seu limite, sendo necessário para mantê-lo , melhorar a distribuição de renda , incluir na demanda as classes mais reprimidas, fomentar o mercado interno e investir em melhorias da infraestrutura para um próximo estágio de desenvolvimento.

É contraditório aumentar taxas de juros e impostos , estas medidas aprofundam a recessão, por um lado aumentam os gastos do governo para pagamento de juros ao sistema financeiro e por outro reduzem a arrecadação devido a diminuição da atividade econômica.

Por certo que o dólar tem peso no equilíbrio macroeconômico, mas o mercado interno brasileiro é muito forte, é só direcionar e gastar melhor, agregar valor à produção primária, industrializar aqui.

O que não pode: é pregar ou se deixar levar pelo terrorismo da crise, que gera um círculo vicioso que realimenta e aprofunda ainda mais a tal crise, fazendo cidadãos adiarem desejos de consumo, por medo da tal crise, reduzindo as vendas do comércio e indústria, obrigando os gestores desta empresas a reduzir custos e postos de trabalho, que então , sem renda , deixam de ser consumidores , diminuindo a demanda e forçando ainda mais a redução de recursos.

Seja correto: independente de partido, evite a crise, incentive o consumo e a circulação da moeda, o efeito multiplicador desta ação é a salvação da "lavoura".
Boa sore , sucesso!

Responder
Adelson Paulo 23/09/2015 17:25:40

No momento estou fazendo exatamente o contrário, consumindo o mínimo possível, para reduzir ao mínimo minha contribuição fiscal ao governo do PT.

Responder
Rene 23/09/2015 21:05:17

Incentivar o consumo? Me explica como eu posso fazer isso. Com uma inflação bem mais alta que meu salário, preciso reduzir o consumo. É questão de matemática. Não sou o governo, que pode simplesmente continuar gastando o mesmo que gastava antes da crise e passando a conta para a população pagar.

Responder
Edujatahy 23/09/2015 21:17:53

Isso apenas me lembra, no início do ano quando a crise estava despontando a presidente vinha a público e dizia para as pessoas continuarem consumido.

Imagine só. O pobre coitado ignorante que seguiu os conselhos da presidente e das pessoas que ele "admira" agora está endividado até a alma no cheque especial e cartão de crédito.

É uma pena.
Quantas pessoas não estariam em situação financeira melhor se tivessem diminuído seu consumo, e pasmem, poupado!
Quanto sofrimento poderia ser evitado se os lideres tivessem apenas UM POUCO de preocupação com a saúde financeira das pessoas que votam neles.

Agora vem outro desenvolvimentista querer estimular o consumo desenfreado.
Só espero que ele não consiga levar pessoas inocentes para esta loucura.

Responder
Lucas 23/09/2015 12:58:31

Leandro você mudou de ideia de 3 anos atrás com relação a medida menos custosa para o Brasil: CB ou dolarização? Vão aí as passagens, numa no seu artigo de 2012 noutra respondendo um leitor em 2015:

Uma breve história do Plano Real, aos seus 18 anos:

por Leandro Roque, sábado, 30 de junho de 2012
'' Como iremos ver mais abaixo, fazer uma dolarização da economia — isto é, simplesmente passar a utilizar o dólar como a moeda oficial do país (exatamente como fez o Panamá) — teria sido algo mais eficaz, muito pouco custoso e, principalmente, mais propício à liberdade do fatigado e espoliado povo brasileiro.''


'' Leandro 21/09/2015 15:41:05
Currency Board é extremamente mais simples e fácil de ser implantado. Pode ser feito, literalmente, da noite para o dia. E é extremamente efetivo.

Já a dolarização exigiria uma logística muito mais complexa e custosa. Como não há dólares circulando entre a população para possibilitar isso, teria de haver uma operação conjunta com o Fed para fazer remessas de cédulas de dólares para cá. ''

Responder
Leandro 23/09/2015 15:15:57

Sim e não.

No dia em que o real foi criado, a quantidade de cédulas e moedas metálicas existentes era de apenas R$ 3,63 bilhões.

Hoje, é de R$ 195,6 bilhões. (Veja na série temporal de número 1780 no site BACEN).

Ou seja, na época, tal logística seria relativamente fácil. Hoje, sem chance.

Responder
Vander 23/09/2015 14:27:40

Depois que o 'levyano' ministro da Fazenda, Joaquim Levy, proclamou com a maior seriedade, que "aumento de imposto deve ser encarado como um investimento", eu joguei a toalha.

Vou procurar um diretório petista e me filiar, hoje mesmo.

Responder
Marcelo Boz 23/09/2015 19:16:20

Leandro,

Eu acho que a China nos ajudou mais por tabela.
Não tanto por nossas exportações diretas para eles, que como você mostrou não foram tão altas assim, mas muito mais por sua forte expansão, onde se tornaram grandes consumidores de commodities, fazendo o preço de todas subirem incrivelmente nos últimos 10 anos.
Assim, quase todas as commodities que exportamos mundo afora - não só para a China -, estavam com preços bem elevados.
Foi uma ajuda e tanto!


Att
Marcelo Boz

Responder
Henrique Matos 23/09/2015 19:20:31

Leandro,

Desnecessário dizer que mais uma vez você acertou e muito!! Parabéns sou seu fa sem nenhuma demagogia ou hipocrizia. Vemos muita bobagem na mídia sobre o que deveria ser feito ou os erros que foram cometidos, inclusive as vezes vejo alguns artigos nos jornais e vejo o Delfim Neto falando cada bobagem que me irrita. Ao seu ver, de medidas realizáveis, o que deveria ser feito mais urgentemente? e no médio prazo em dois ou três se mantendo essa bagunca, como estará o Brasil economicamente falando?

Abraco

PS. Desculpa a falta de acentuacao estou fora e o teclado nao está configurado para portugues

Responder
Leandro 24/09/2015 02:10:21

Como dito, basear-se em 2003 já seria um grande avanço. Mas não há clima político para repetir aquelas medidas.

Se as pessoas já se estressam com uma SELIC a 14,25%, imagina com uma de 26,50%?

Se as pessoas já se descabelam com um almejado superavir primário de 0,8% do PIB, imagina um de 4,5%?

Criar um Currency Board para estancar a desvalorização da moeda também é crucial. Mas, também, não há clima político para isso.

Liberar geral para os investidores estrangeiros virem para cá com seu tão necessitado capital também é crucial, mas o governo não fará isso para não desagradar suas bases.

Adotar as medidas sugeridas neste artigo também seriam de enorme valia, mas elas também não serão adotadas.

Ou seja, não há solução.

Obrigado pelas exageradas palavras. Grande abraço!

Responder
Álvaro 23/09/2015 22:59:01

Leandro, vc citou que a partir de 2012 o dólar começou a ter uma valorização, o que pôs por água abaixo o boom sem a inflação e carestia consequentes. No entanto, a dívida americana cresceu no mesmo período, já foram feitos 3 QEs e há o crash chinês hj em andamento. Portanto,o que especificamente levou a essa valorização? Eu penso que a exploração de xisto, levando o preço do barril pra baixo pressionou um pouco dessa valorização, mas não creio que isso seja suficiente. Tbm coloco como segundo fator as baixas taxas de juros na Europa e no Japão somado a fragilidade econômica desses países, tornando o parco crescimento puxado pelo xisto e, em menor escala, pelas startups americanas como um fator atrativo para o capital desses países migrarem para os EUAs. Mas não sei se isso ainda é o suficiente ou o real motivo. O que vc vê como real motivo de valorização? Algumas dessas hipótesés tem embasamento?

Responder
Leandro 24/09/2015 01:55:58

Houve uma importante alteração no funcionamento do governo americano.

O primeiro mandato de Obama foi pavoroso. Foi tão ruim quanto o segundo mandato de Bush. E publicamos vários artigos sobre isso. Em agosto de 2011, o dólar chegou ao seu menor valor no mercado mundial. Tão ruim era o governo Obama, que até mesmo o real sob Dilma conseguiu a façanha de se fortalecer perante o dólar.

Não é à toa que, mesmo sendo venerado pela mídia americana e pela mídia mundial, e mesmo tendo disputado a reeleição com um republicano que não contava com nenhuma simpatia da sua base, Obama passou aperto para se reeleger, tão ruim estava a economia.

Mas aí aconteceu algo que este Instituto sempre defendeu como solução: o governo federal americano, a partir de 2013, ficou totalmente paralisado. Obama perdeu toda a sua base de apoio na Câmara e no Senado. O governo federal entrou em gridlock.

Desde então, o que Obama fez? Nada. Absolutamente nada. Ele nunca mais conseguiu aprovar nenhuma lei. Sua almejada reforma do sistema de saúde paralisou-se por completo, e nenhuma outra medida intervencionista foi aprovada. O máximo que Obama hoje consegue fazer é mudar nome de montanha, conceder entrevistas a talk shows de comediantes, e dizer se sentir frustrado por não conseguir impor leis mais rigorosas sobre a venda de armas.

Só.

Em suma: desde que o governo americano ficou travado, começando em 2013, a economia automaticamente começou a melhorar. Sem o governo para atrapalhar, o dólar se fortaleceu e a bolsa de valores americana (que sempre se dá bem quando o dólar está forte) se valorizou.

O próprio Fed hoje possui em seu alto escalão pessoas mais sensatas que na época de Bernanke, como é o caso de Stanley Fischer, vice-presidente do Fed, que abertamente faz declarações em prol de um dólar forte. O atual secretário do Tesouro, Jack Lew, também fala abertamente sobre as vantagens de se ter uma moeda forte.

E, como este site nunca se cansa de repetir, moeda forte e governo em retração é o segredo para qualquer recuperação econômica. A economia americana é apenas mais um exemplo prático disso.

Sendo assim, posso dizer apenas -- jocosamente, é claro -- que Obama nos leu. Faz 6 anos (desde nossa criação) que insistimos aqui que uma moeda forte é o segredo. Sem moeda forte não há economia forte. A moeda forte pode não ser tudo, mas sem moeda forte, tudo vira um nada.

E o que aconteceu com os EUA? Bastou o governo ficar travado, sem nenhuma chance de inventar novas intervenções, que o dólar ficar forte. Consequentemente, a economia americana se recuperou. Praticamente como mágica.

(Ah, sim: o fato de o mercado de trabalho nos EUA ser bem mais flexível, também ajuda bastante, principalmente nos índices de desemprego.)

Enquanto isso, aqui no Brasil, o real segue sua inexorável viagem rumo ao esgoto.

Responder
Sven 24/09/2015 01:54:36

Leandro,

Parabéns pelo artigo, por ser MUITO esclarecedor. Combinar história e fatos econômicos sempre foi uma forma de esclarecer o que se passou (mesmo porque eu acreditava que a demanda de commodities pela China era o que realmente tinha impulsionado o boom no Brasil, mas na realidade foi o dólar mais fraco, que fez boa parte do negócio fluir)...

> desde que o governo americano ficou travado, começando em 2013, a economia automaticamente começou a melhorar. Sem o governo para atrapalhar, o dólar se fortaleceu e a bolsa de valores americana (que sempre se dá bem quando o dólar está forte) se valorizou.

Bem, estamos quase lá, em termos de (des)governo Dillma. Temos chance de algo do gênero acontecer desta forma, por aqui (Brasil) ?

> como este site nunca se cansa de repetir, moeda forte e governo em retração é o segredo para qualquer recuperação econômica.

Tendo sido explicado que se um governo (americano, por exemplo) se meter em outra guerra, o dólar poderia desvalorizar novamente, em relação à outras moedas. Considerando a crise dos refugiados que ocorre na Europa é um fato anormal e poderia 'embutir' jihadistas no meio de tanta gente, seria forçar muito a imaginação para que algum conflito poderia estar se formando na Europa, em futuro próximo ?

Outra pergunta, talvez provocante demais: Há alguém do Banco Central, BNDES e/ou alguma intituição financeira pública e/ou privada que lê (e, compreende) estes artigos ?

Abs

Responder
Leandro 24/09/2015 02:02:38

"Temos chance de algo do gênero acontecer desta forma, por aqui (Brasil) ?"

Não. Aqui o governo travou no "modo ruim" (não consegue aprovar um corte de gastos), o que está fazendo a dívida explodir.

Lá o governo travou no "modo bom": o presidente não consegue aprovar nenhuma medida intervencionista, sem falar que lá o governo chegou a ficar literalmente paralisado, com funças sem receber e tudo.

"Considerando a crise dos refugiados que ocorre na Europa é um fato anormal e poderia 'embutir' jihadistas no meio de tanta gente, seria forçar muito a imaginação para que algum conflito poderia estar se formando na Europa, em futuro próximo ?"

Não faço a mais mínima ideia. Geopolítica não é minha área, e eu só palpito sobre aquilo que entendo.

"Há alguém do Banco Central, BNDES e/ou alguma intituição financeira pública e/ou privada que lê (e, compreende) estes artigos ?"

Nem ideia. Se algum "infiltrado" souber de algo, tenha a bondade de relatar. Pode ser anonimamente.

Grande abraço!

Responder
Marta 24/09/2015 13:14:24

Espero que esse cenário atual mude me assusta pensar no desemprego e tudo que está ocorrendo no mercado interno, tomará que consigamos dar a voltar por cima pois não está fácil essa situação atual.

Responder
M.S. Batista 24/09/2015 15:09:39

Marta,

Pode ficar tranquila, não é preciso assustar.

A previsão é que piore ainda mais.

Responder
Felipe Figueiredo 25/09/2015 02:55:05

Leandro, o que acha disso?

www.dcomercio.com.br/categoria/opiniao/a_crenca_dos_keynesianos

Responder
Diego M 25/09/2015 12:41:18

Leandro,

Primeiro de tudo parabéns pelo artigo. Talvez um dos melhores, pois trata resumidamente do trajeto econômico do país pós 2002, e ainda trás algo novo, que é essa relação das invasões militares com a valorização do Real.

Mas faço umas perguntas !!!!!

O Tombine afirmou que poderá usar as reservas para controlar a moeda !!!

-Quais os impactos disso? Será que isso não pode ser um tiro no pé, uma vez que o mercado internacional vendo que o país está disposto a se desfazer de suas reservas para controlar a moeda, isso pode mostrar que a situação está muito ruim, gerando mais desconfiança?

-E se caso isso aconteça de fato, se as reservas baixarem, até que ponto poderia cair para não ficar a baixo da base monetária?

-Isso poderia acarretar uma situação de instabilidade semelhante ao que ocorreu no início do Real pós 99, com ataques especulativos e as reservas se esvaindo ??

Abraços e obrigado !

Responder
Leandro 25/09/2015 15:48:13

"Quais os impactos disso? Será que isso não pode ser um tiro no pé, uma vez que o mercado internacional vendo que o país está disposto a se desfazer de suas reservas para controlar a moeda, isso pode mostrar que a situação está muito ruim, gerando mais desconfiança?"

Sim. Utilizar reservas internacionais em um arranjo de Banco Central -- ou seja, com um Banco Central disposto a fazer política monetária e cambial ao mesmo tempo -- é um prato cheio para especuladores.

Nenhum Banco Central consegue manter essas duas políticas ao mesmo tempo: ou ele faz política monetária e esquece o câmbio ou ele faz política cambial e abre mão da monetária.

Para este segundo arranjo, não se tem mais um Banco Central, mas sim um Currency Board.

"E se caso isso aconteça de fato, se as reservas baixarem, até que ponto poderia cair para não ficar a baixo da base monetária?"

Nesse quesito ainda há muito espaço. As reservas são de US$ 370 bilhões, e a base monetária restrita é de R$ 230 bilhões.

"Isso poderia acarretar uma situação de instabilidade semelhante ao que ocorreu no início do Real pós 99, com ataques especulativos e as reservas se esvaindo?"

Poder, pode. Mas ainda tá longe disso. Literalmente, há muita reserva para se queimar até se chegar a esse ponto.

No entanto, é imbecilidade optar por um arranjo inerente instável. Muito melhor seria ir direto para um Currency Board.

Responder
M.S. Batista 25/09/2015 16:01:06

Leandro,

Resumindo, o BC está "tentando segurar a água do rio"?

Assim, uma hora ela vai explodir o dique e descer com toda força...

Responder
Romulo Lages 26/09/2015 01:08:36

Parabéns por mais um belíssimo artigo! Admirável sua capacidade de transformar um assunto tão complexo em algo tão fácil de entender. Vou perguntar algo que não sei se tem resposta hoje: O que fazer para blindar nosso patrimônio hoje? Tesouro direto? Ações? imóveis?

Responder
RR 27/09/2015 15:02:20

O Brasil é um país tão grande, tão rico em recursos, que ele é capaz de crescer sozinho, pois o que não falta aqui é demanda. Esse país era para estar gerando emprego a toda hora. Apesar de sermos dependentes do capital estrangeiro - que leva dinheiro, mas traz toda uma infraestrutura - para fomentar a economia, medidas para fortalecer o mercado interno deveriam ser tomadas, mas não são. Agora eu pergunto, porque? A começar pela redução de impostos. Isso é uma das coisas que eu também não compreendo! Seria para sustentar a verdadeira "elite brasileira"?

Responder
Rodrigo 04/10/2015 14:54:27

Leandro,

Você acredita na possibilidade da inflação chegar tão longe?

economia.estadao.com.br/noticias/geral,a-gente-pode-ir-rapido-para-inflacao-de-20,1774000

Abraço!

Responder
Leandro 04/10/2015 23:42:45

Com um câmbio flutuante pode sim. Mas, ao menos por ora, não visualizo essa hipótese, pois a recessão, o desemprego e a própria queda na renda podem ajudar a conter a escalada da carestia.

Responder
Adriano 11/10/2015 15:47:53

Leandro,

Sou fã do seu trabalho e gostaria de lhe fazer uma pergunta que não é necessariamente sobre o texto e por desconhecer um canal mais apropriado, vou fazer por aqui mesmo:

"Quando discuto sobre as vantagens da abordagem da economia austríaca sobre as demais, principalmente no contexto brasileiro e sempre me vêm com a resposta que o livre comércio seria excelente se todos os países do mundo o praticassem. Mas como competir com nações protecionistas e pior, com nações que tem custo infinitamente menor como a China, que a mão de obra é ridiculamente barata e tem moeda desvalorizada? Se o Brasil se abrisse para o mercado externo, viraríamos uma grande fazenda, sem produção industrial"

Eai, o que posso dizer para ele?

Responder
Auxiliar 11/10/2015 17:34:12

Pra começar, a afirmação sobre a moeda da China não procede.

Não há moeda fraca na China. O iuane ora se valoriza perante ante o dólar; ora ficava estável. Foi só nos últimos 6 meses que, pela primeira vez em 2 décadas, o iuane se desvalorizou um pouco em relação ao dólar. Mas da década de 1990 até meados de 2014, o iuane só se valorizou perante o dólar. Sempre.

Pode conferir aqui:

www.tradingeconomics.com/charts/china-currency.png?s=usdcny&d1=19960101&d2=20151231&type=line

De resto, ora, se os consumidores brasileiros voluntariamente demonstram preferir produtos chineses aos lixos produzidos pela FIESP, por que você quer acabar com essa preferência voluntariamente demonstrada? Se eu prefiro comprar sapatos da China a sapatos de Franca ou Jaú, por que você quer me impedir disso? Que mal estou fazendo?

O que essas pessoas estão defendendo, embora não tenham a coragem de vocalizar abertamente, é que indústrias ineficientes e custosas devem ser protegidas dos consumidores (que já demonstraram preferir outros produtos) pelo governo. Por que isso seria ético e moral?

Outra coisa: se tais indústrias nacionais são de fato eficientes, mas estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, então isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores. Se os custos de produção no Brasil estão altos, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido nenhum dizer que os consumidores devem ser tolhidos ou que deve haver tarifas de importação para se compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina

O certo seria abolir a burocracia, as regulamentações e os impostos, e não defender a adoção de tarifas protecionistas e proibir consumidores de comprar os bens que quiserem.

Responder
Leonardo Augusto 12/10/2015 21:26:57

Leandro, artigo excepcional, como sempre.
Tenho uma dúvida; não entendo como a inflação monetária porque passou os EUA com seus QE's não levou a inflação de preços ao consumidor ou desvalorização cambial.

Responder
Leandro 12/10/2015 22:28:40

Porque esse dinheiro nunca entrou na economia.

O Fed criou dinheiro e o repassou aos bancos, mas esse dinheiro nunca entrou na economia. Ele ficou parado nas "reservas em excesso" que os bancos voluntariamente mantêm depositados junto ao Fed.

E por que os bancos agiram assim?

Porque o Fed, em uma medida totalmente sem precedentes (uma medida que nunca foi abordada em nenhum manual de macroeconomia), passou a pagar juros sobre todo o dinheiro que os bancos voluntariamente mantêm depositados no Fed.

Antes, o Fed pagava juros apenas sobre os depósitos compulsórios dos bancos. Agora, ele paga juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente depositam no Fed.

É por isso que a base monetária -- mais especificamente, o componente "reservas em excesso" -- explodiu, mas esse dinheiro não entrou na economia.

Pode conferir neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1661

Vale ressaltar que, no atual arranjo financeiro, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito. Se os bancos não quiserem despejar este dinheiro na economia americana, não haverá nenhum risco de inflação de preços.

A taxa de crescimento do M2, por exemplo, está em suas médias históricas:

research.stlouisfed.org/fred2/graph/?g=1Gu1

Já a taxa de expansão do crédito está abaixo das médias históricas:

research.stlouisfed.org/fred2/graph/?g=1KPc

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Luis Marta 15/10/2015 15:43:50

''Todas as commodities (de minério de ferro a petróleo) são precificadas em dólar. Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. Sempre.'' Então por que houve uma ''...disparada nos preços da gasolina...'' com a Nova Matriz Económica?

Responder
Leandro 15/10/2015 16:10:30

Por causa de uma coisinha básica chamada "taxa de câmbio", da qual esse artigo trata em profusão.

O dólar forte derruba a cotação do barril de petróleo em dólares. E, de fato, o barril caiu de US$ 100 para US$ 45 em um ano, e o preço da gasolina dos EUA desabou.

Agora, ao mesmo tempo em que o dólar se fortaleceu, o real foi para as calendas. O preço do dólar, em reais, foi de R$ 1,60 para quase R$ 4. Ou seja, o custo de importarmos petróleo mais do que dobrou.

Como é que você queria que nos beneficiássemos se não temos moeda?

Outra coisa: no Brasil, o setor petrolífero é dominado por uma estatal que ama os pobres. Consequentemente, o preço da gasolina e do óleo diesel -- totalmente sob o controle dessa estatal -- só faz subir.

Nos EUA, o setor petrolífero é dominado por empresas privadas malvadas e gananciosas. Consequentemente, o preço da gasolina caiu e voltou ao mesmo valor nominal de 2004 (dez anos atrás!).

Responder
Thiago Teixeira 15/10/2015 18:38:00

O petróleo estava custando mais de 100 dólares o barril até julho de 2014. Não estava contemplando a valorizacao do dólar que já existia até então (mais fortemente sentida pelo cambio com outras moedas e especialmente pelo ouro), também não contemplando a alta oferta de petroleo. Em agosto, salvo engano, o rei saudita surpreendeu o mundo ao se recusar a diminuir sua producao, entrando em desacordo com a OPEP, mirando no Irã e no xale gas americano; o mercado respondeu: queda avassaladora do preço do barril, para 60 dólares, com viés baixista.

Enquanto isso, numa nação tropical isolada do mecado mundial, com petróleo extraido e entregue às pessoas por uma estatal operando sob preços controlados, o preço mantinha-se fixo, "para proteger as pessoas das flutuacoes dos preços dos combustiveis". Até então, a Petrobrás vinha comprando cerca de 10% da gasolina do exterior para suprir a demanda brasileira, e tomando prejuizo nessa operação, pois o petroleo estava caro no mundo e aqui dentro o preço era controlado, falando serio, porque era ano eleitoral. Mas a petrobras ainda tinha lucro em 90% da venda de gasolina, e continuava tendo um saldo líquido positivo. Ocorria algo semelhante no diesel, só que com um rombo maior (não tenho os numeros exatos.) Lucros expremidos, queda do valor de mercado das acoes da empresa. (Mas ela nao teve prejuízo!)
O cambio brasileiro ainda se mantinha forte; então o preço da gasolina no brasil chegou a ser o DOBRO do preço da gasolina nos EUA, sendo que os carros lá ainda podem ser mais economicos, afinal aqui há uma coerção pela adoção dos motores flex (o honda civic americano a gasolina tem um rendimento cerca de 50% maior que o honda civic flex no brasil).
O preço do petróleo caiu no mundo, mas caiu no brasil? Não... era hora de refazer o caixa da Petrobras. Mas a Petrobras nao passou a ter lucro na importacao de gasolina? Sim. Ah, então ela teve valorizacao das suas acoes? Não, porque sua operacao princiapal de extracao de petroleo em águas profundas é relativamente cara, e ela é uma estatal improdutiva (pleonasmo...). Caro tivéssemos um livre mercado no brasil, abaixo de determinado valor para o barril do petroleo ($45 ?) compensa importar o petroleo, nao produzi-lo aqui.

E agora, por que o petroleo está subindo? A desvalorizacao cambial está tão forte que a petrobras está tomando prejuizo novamente na importacao da gasolina e do diesel. E a eleicao já passou.

Caro Leandro, dessa vez a moeda é apenas parte da explicacao do problema.

Responder
Leandro 15/10/2015 20:04:39

Prezado Thiago, não procede.

Veja o gráfico da valorização do dólar perante as principais moedas do mundo (linha verde eixo da direita) e o preço do barril de petróleo (linha vermelha, eixo da esquerda):

https://research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=29C0

A correlação é plena e direta, inclusive nas mais mínimas oscilações.

Se meras palavras sauditas fossem o suficiente para alterar em definitivo o preço do barril do petróleo, então por que esses caras passaram duas décadas (1980 e 1990) vendendo petróleo baratinho sem nenhuma necessidade?

A moeda, ao contrário do que você disse, continua sendo toda a explicação.

Responder
Thiago Teixeira 15/10/2015 20:38:28

Mestre Leandro,
link quebrado.
O cartel da OPEP passou décadas controlando a producão de petróleo, de modo a manter seus níveis altos. Aliás, em qualquer ramo de mineracao se faz isso, ajusta-se a producao para um nivel ótimo de lucro naquela mina, e reajusta-se se a profucao estiver tao grande a ponto de afetar o preço no mercado. (meu pai é engenheiro de minas)
A entrada de produtores alheios ao cartel foi naturalmentente aumentando a producao e baixando os preços. O próprio mercado esperava que a OPEP cortasse a producao, mas Abdullah Saud optou por não intervir no mercado, o que foi uma surpresa.
O mercado de futuros passou a precificar essa novo arranjo estrutural, mais livre, e os parametros se modificaram.

O cartel da OPEP tinha sim participacao suficiente para mandar e desmandar no preço do petroleo, e o rei saudita tinha (e tem) força suficiente para influenciar a OPEP.

Mas, como em várias passagens do Mises Brasil podemos ver, carteis não são duradouros. O preço artificialmente alto do petroleo tornaram o xale gas americano economicamente viável. Abdullah mudou a estrategia para nao perder sua proporcao no mercado e tentar inviabilizar o xale gas, alem de fazer o Irã sangrar um pouquinho, o que sempre lhe apraz, hehehe

www.defesanet.com.br/crise/noticia/17795/Arabia-Saudita--Por-que--decidiu-nao-cortar-a-producao-de-petroleo/

Responder
Leandro 15/10/2015 21:12:42

Eis o link correto:

research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=29C0

(Era só você ter um pouquinho de boa vontade e retirar o "https").

Exorto-o a realmente analisá-lo;

"O cartel da OPEP passou décadas controlando a producão de petróleo, de modo a manter seus níveis altos."

Um cartel que controla a produção para manter seus níveis altos?! Esse é o cartel mais caridoso do mundo, então. Normalmente, um cartel faz de tudo para manter sua produção baixa e, consequentemente, seus preços altos.

"A entrada de produtores alheios ao cartel foi naturalmentente aumentando a producao e baixando os preços."

Quem entrou no mercado de petróleo no início da década de 1980 para derrubar acentuadamente os preços em relação aos do final da década de 1970? Que eu saiba, ninguém. E, no entanto, os preços do petróleo desabaram. E continuaram desabando na década da 1990. Mas, "incompreensivelmente", voltaram a disparar na década de 2000. E voltaram a cair agora.

Pela sua lógica, deve ter havido entradas maciças no setor nas décadas de 1980 e 1990, e saídas maciças na década de 2000. Gostaria de fontes sobre isso.

"O próprio mercado esperava que a OPEP cortasse a producao, mas Abdullah Saud optou por não intervir no mercado, o que foi uma surpresa. [i]"O mercado de futuros passou a precificar essa novo arranjo estrutural, mais livre, e os parametros se modificaram."

Não sei do que você está falando, mas faço a pergunta: o barril chegou a custar US$ 140 em julho de 2008, auge da fraqueza do dólar. Você está me dizendo que um saudita, com um único gesto caritativo, derrubou o barril de US$ 140 para U$S 45? Este homem, então, merece o prêmio de cidadão mais abnegado do mundo.

"O cartel da OPEP tinha sim participacao suficiente para mandar e desmandar no preço do petroleo, e o rei saudita tinha (e tem) força suficiente para influenciar a OPEP."

E, por essa sua lógica, esse cartel foi incrivelmente ganancioso na década de 1970 (quando o barril de petróleo disparou), incrivelmente benevolente nas décadas de 1980 e 1990 (quando o barril do petróleo despencou), voltou a ser ganancioso na década de 2000 (quando o barril voltou a disparar) e, agora, voltou a ser caritativo (quando o barril voltou a despencar).

É isso mesmo?

Responder
Yonatan Mozzini 16/10/2015 14:17:21

Leandro, eu concordo contigo que o dólar está intimamente ligado ao preço das commodities, mas entendo que é mais de forma indireta. Ou seja, não é pelo simples fato das commodities serem precificadas em dólar que seus preços caíram acentuadamente com a recente valorização do dólar.

Veja bem, de meados de 2014 até hoje, o dólar se valorizou em cerca de 20% com relação a uma cesta de moedas fortes (conforme o site TradingEconomics), enquanto que o petróleo brent caiu mais de 50%, cotado em dólares. Para que a relação fosse direta entre o preço do petróleo e oscilação cambial do dólar, o dólar teria que ter-se valorizado cerca de 100%, que é algo totalmente fora dos acontecimentos recentes. Ou seja, a simples precificação não explica essa intensidade.

O que acontece é que, além do simples fato da precificação, quando o dólar se torna forte, este se torna explicitamente menos acessível aos agentes econômicos do resto do mundo: eles precisam ofertar mais bens e serviços para obter a mesma quantia de dólares. Com isso, a demanda deles por bens importados se reduz intensamente. As commodities, obviamente, como são comercializadas em dólar, sofrem essa queda de demanda e se seus preços obrigatoriamente se reduzem.

Responder
Leandro 16/10/2015 14:33:34

"de meados de 2014 até hoje, o dólar se valorizou em cerca de 20% com relação a uma cesta de moedas fortes, enquanto que o petróleo brent caiu mais de 50%, cotado em dólares. Para que a relação fosse direta entre o preço do petróleo e oscilação cambial do dólar, o dólar teria que ter-se valorizado cerca de 100%"

Por quê?! Que lógica é essa?

O que tem a ver o preço do dólar em relação a outras moedas fiduciárias e o preço do barril de petróleo? Por que ambos têm de andar pari-passu? Você está comparando laranjas com uvas. Preço relativo entre moedas não tem de andar pari-passu com o preço de uma commodity em relação a uma destas moedas.

Se o real se apreciar 10% em relação às principais moedas do mundo, os preços do chuchu terão de cair 10%?

É isso o que você está dizendo.

"quando o dólar se torna forte, este se torna explicitamente menos acessível aos agentes econômicos do resto do mundo: eles precisam ofertar mais bens e serviços para obter a mesma quantia de dólares. Com isso, a demanda deles por bens importados se reduz intensamente. As commodities, obviamente, como são comercializadas em dólar, sofrem essa queda de demanda e se seus preços obrigatoriamente se reduzem."

Corretíssimo, e essa sua correta constatação contradiz a sua colocação acima, que diz que o encarecimento de uma moeda fiduciária em relação a outras moedas fiduciárias implica um direto e proporcional barateamento de commodities precificadas nesta moeda. Ora, por que seria proporcional? No seu próprio exemplo acima, não há nada que aluda a essa proporcionalidade.

Responder
Yonatan Mozzini 16/10/2015 18:35:31

Caro Leandro,

A lógica é bastante simples, não há nenhuma contradição minha -- na verdade, sem ofensa, até me admiro que você tenha se impressionado com o que eu disse.

A cesta de moedas eu usei apenas como um proxy das outras moedas do mundo. Na verdade, é bem provável que, com relação a todas as outras moedas do mundo (incluindo moedas mais fracas, como a rúpia, o peso, e o próprio real) o dólar tenha se valorizado mais de 20%. Mas, como a importância dos países detentores dessas moedas no comércio internacional é bastante pequena, é plausível supor que, numa média ponderada, não tenha ficado tão longe acima desse aumento de 20%.

Quando ao dólar forte, obviamente, me refiro em relação às outras moedas do mundo, em relação ao câmbio real, que é fundamental no comércio internacional. Não se trata se a inflação americana está em zero (não sei se é isso que você quis dizer).
[Por exemplo, se a inflação americana estivesse em 10%, mas o dólar obtivesse valorização frente a essa cesta de moedas nos mesmos 20% que ocorreu, assim mesmo a moeda americana estaria forte. Pelo menos, comercialmente forte].
Isso responde essa sua pergunta: "O que tem a ver o preço do dólar em relação a outras moedas fiduciárias e o preço do barril de petróleo?"

Como eu disse anteriormente, caso o preço do petróleo oscilasse exatamente como o dólar (talvez você não tenha dito isso, mas é o que deu a entender), uma valorização de 20% do dólar teria o efeito de reduzir o preço do barril em cerca de 20%, cotado em dólar. Por exemplo, em meados do ano passado, o preço do petróleo era cotado por volta de US$ 110. Ou seja, com uma valorização de 20% da moeda, US$ 110 agora comprariam 1,2 barris. Ou, em outras palavras, cada barril agora deveria custar cerca de US$ 90, uma queda de cerca de 20% (isso é uma regra de três básica, coisa de ensino fundamental: 110 x 1 / 1,2 = 91,6).

No entanto, ao invés de cair para 90 dólares o barril -- que seria caso a precificação do barril em dólar fosse o principal (ou único) fator de sua cotação -- ele caiu para cerca de 50 dólares, uma queda de 55%. Para que o preço do barril fosse acompanhado, o dólar teria de ter se valorizado mais de 100%. [Com uma valorização do dólar de exatos 120%, US$ 110 agora comprariam 2,2 barris. Ou, em outras palavras, cada barril agora custa cerca de US$ 50, uma queda de cerca de 55% (110 x 1 / 2,2 = 50].

Assim, observou-se que a oscilação da cotação do dólar não é um mero precificador do petróleo (e de outras commodities), mas é um potencializador do preço do barril: uma pequena valorização/desvalorização do dólar em relação às outras moedas do mundo faz com que haja uma grande redução/aumento do preço do barril do petróleo, respectivamente.

E eu acredito que o motivo dessa potencialização -- essa queda acentuada do preço do barril de petróleo mesmo sem ter havido um respectivo aumento da cotação do dólar -- é, devido à valorização cambial, a redução do fluxo de dólares para o restante do mundo, o que faz com que acabem importando menor quantidade de bens (inclusive de petróleo) dos outros países, o que faz os preços em dólares das commodities caírem ainda mais do que a própria precificação em dólar.

Então, será que há contradição da minha parte?

Responder
Leandro 16/10/2015 19:04:39

Continua errado.

Você está pegando a oscilação do dólar perante outras moedas (muitas delas igualmente fortes, como libra e franco) e está querendo afirmar que esta oscilação tem de ser idêntica à oscilação do preço do barril de petróleo para que a teoria seja válida.

Ora, por quê? Realmente, por quê?

Se o dólar se fortaleceu "apenas" 20% perante os robustos franco e libra (que também se fortaleceram sobremaneira em relação às outras moedas do mundo), por que a cotação do petróleo teria de cair apenas 20%? Por que não poderia cair mais? Qual é essa lógica? Que comparação é essa?

Vou enfatizar, agora de maneira mais coloquial: o dólar se fortaleceu 20% em relação a outras moedas que, por sua vez, também ser fortaleceram em relação a todas as outras restantes. Ou seja, o dólar se fortaleceu ainda mais que o fortalecimento das outras.

Simultaneamente, enquanto o dólar ser fortalecia 20% sobre franco e libra (os quais, por sua vez, se fortaleciam tremendamente sobre todas as outras moedas), o barril de petróleo caía 50% em dólares.

Esses são os fatos. O que há de errado com eles?

Enquanto você não explicar por que, para a teoria ser válida, o barril de petróleo só pode cair rigorosamente o mesmo percentual que o desempenho do dólar perante outras moedas robustas, não precisa ficar parolando sobre "regra de três básica, coisa de ensino fundamental".

Responder
Yonatan Mozzini 16/10/2015 20:04:55

"Você está pegando a oscilação do dólar perante outras moedas (muitas delas igualmente fortes, como libra e franco) e está querendo afirmar que esta oscilação tem de ser idêntica à oscilação do preço do barril de petróleo para que a teoria seja válida."

Eu quis dizer apenas que a simples precificação (o fato do petróleo estar custando o que está unicamente pela cotação do dólar) é suficiente para explicar as tendências contrárias de preços do dólar e petróleo, mas parece não ser suficiente para explicar a intensidade das oscilações. Ora, se a simples cotação do dólar com relação ao resto do mundo explicasse completamente o preço do petróleo, ela teria que ir à mesma intensidade, obviamente.

Eu entendo -- e concordo contigo -- que a precificação é a base do processo dos movimentos contrários entre o preço do dólar e do petróleo, mas acho que a precificação é impulsionada pelo mecanismo que eu lhe falei – como você mesmo concordou com o que eu disse no final do meu primeiro comentário.

Responder
Thiago Teixeira 17/10/2015 04:22:49

O dólar é um bem que enfrenta seus próprios problemas de oderta e demanda: aumento da oferta por produtores americanos, diminuicao da demanda chinesa. Supondo que o principal componente da precificaco do petroleo seja a força do dólar, esses outros parametros de oferta e demanda geram deslocamentos em relacao à linha "esperada" levando em conta apenas o dólar.

O gráfico que você mostrou evidencia isso, a correlacao é impressionante, mas não é perfeita.

E o que me intriga é justamente que em alguns momentos parece que a variação do preço do petróleo ANTECEDE as variações contrárias da taxa de cambio real do dólar.

Responder
Leandro 17/10/2015 14:25:55

Não procede. Todos os grandes movimentos no preço do petróleo (linha vermelha) ocorrem depois que a linha verde já começou a se movimentar.

research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=2arw

Responder
Luis Marta 16/10/2015 00:55:46

obrigado pelo esclarecimento, Leandro, eu estava a pensar na relação dólar fraco/commodity alta em termos de reais, e você percebeu meu engano ao sublinhar ''dólares'' na resposta.

Responder
Thiago Teixeira 15/10/2015 23:30:06

Sobre o gráfico: é impressionante! (Não foi má-vontade, com smartphone é mais enrolado)
Atenção, em nenhum momento contestei a proporcionalidade inversa entre dólar e commodities. Apenas quis por na discussão os outros elementos envolvidos.

1o excerto: admito que escrevi errado, falta de uma revisão antes de publicar. Leia-se "manter seus níveis de producao baixos e precos altos". Conforme escreci direito mais à frente.

2o excerto: refiro-me especificamente ao período mais recente (5anos), à entrada do xale gas.

3o excerto: sobre a abstenção de saud de intervir, o preço já estava nos 110, 100 dólares, com viés baixista, e só não já havia caído mais ainda, para o preço "certo" (não me odeie por esse termo, hehehe) porque se esperava a intervenção da OPEP. Sua extracão é a mais barata, sua qualidade é a melhor, dua flexibilidade de producao é a maior. A queda foi súbita para uns 60 dólares. Aí permaneceu até a casa dos 40, depois subiu.

4o ecxerto: de 2000 adiante a OPEP sempre domina de 40 a 50% da producao mundial total (fonte:petrobras), antes do xale gas com viés de aumento, agora está em torno de 40%. Vejo o conchavo da OPEP como uma máfia tentando controlar o preço do petróleo à revelia do mercado, do cambio com o dólar... Aquela incerteza estrutural que o estado sempre adiciona à formacao de precos.

A gente sempre leu por aí que a crise do petróleo de 73 foi sim ação deliberada do oriente médio contra o apoio ocidental a israel (posso soltar aqui umas 50 fontes). Da década de 80 para 2010, não dou pitaco. De um ano e pouco para cá, a mudança de postura da OPEP foi um fator de composicao do preco sim.

Responder
Thiago Teixeira 16/10/2015 00:26:14

Ok, I surrender.

mobile.reuters.com/article/idUSKCN0JA0O320141128

O preço do petróleo já estava caindo, foi só em novembro que Saud anunciou que não interviria, isso for responsável por uma queda brusca bem menos significativa do que eu acreditava; já estava abaixo de $80, caiu imediatamente para uns $71, e manteve e retornou à trajetória de queda que já seguia.

Uma pergunta: não pode ter sido o contrário, a queda do petróleo contribuindo para a valorizacao do dólar?

Responder
Leandro 16/10/2015 00:51:19

Isso seria uma espetacular inversão da mais básica lógica econômica: em vez de dizer que um produto ficou mais barato porque a moeda se fortaleceu, você está dizendo que a moeda se fortaleceu porque um único produto ficou mais barato.

Faz sentido?

Seria o equivalente a dizer que o real se fortaleceu porque o tomate (e apenas o tomate) barateou em decorrência de uma maior safra...

Responder
Thiago Teixeira 16/10/2015 04:21:21

Não faz?

Quando o petróleo valoriza fora do Brasil, e o governo deixa a petrobrás subir o preço, não há um aumento do gasto das famílias com gasolina, um aumento do diesel não puxa os preços dos tranportes pessoais para cima, do transporte de alimentos e consequentemente dos alimentos?

Em relacao ao dólar/petróleo não tenho convicção sobre o mecanismo. Pensei nisso porque há uma antecedencia temporal das variacoes do indice do dólar em relacao às variacoes do preço do petróleo.

Inclusive, fiquei curioso para entender como é composto matematicamente o indice citado.

Responder
Leandro 16/10/2015 12:00:31

"Quando o petróleo valoriza fora do Brasil, e o governo deixa a petrobrás subir o preço, não há um aumento do gasto das famílias com gasolina, um aumento do diesel não puxa os preços dos tranportes pessoais para cima, do transporte de alimentos e consequentemente dos alimentos?"

Esse tipo de mecanismo de transmissão de preços só pode ser mantido se houver expansão monetária, a qual, aí sim, levará a um enfraquecimento da moeda.

Em um cenário hipotético de não-expansão monetária, simplesmente não tem como um repassa de custos de um setor levar a uma elevação geral de preços por toda a economia.

Se houvesse essa elevação geral de preços, mas sem um concomitante aumento da quantidade de dinheiro na economia, as vendas de todos os setores simplesmente desabariam, o desemprego explodiria e a recessão seria profunda.

Se um terremoto faz com que os preços dos alimentos, dos transportes e dos materiais de construção aumentem, os preços de outros bens e serviços, como lazer, boates, roupas elegantes, DVDs, livros, bonés, óculos escuros, TV a cabo, jantares em restaurantes chiques, teatro etc. terão de cair. Caso contrário, simplesmente não venderão nada.

Para que todos os preços subam "impunemente", é necessário estar havendo expansão monetária. Sem expansão monetária, é impossível todos os preços subirem. Não no longo prazo. Alguém sempre terá de ceder.


P.S.: ao inverter causa e consequência, e dizer que o dólar se fortaleceu porque o petróleo barateou, você teria de mostrar que o barateamento do barril do petróleo não apenas foi imediatamente repassado para as bombas de gasolina, como também gerou uma queda geral e imediata de preços em toda a economia americana. Se você conseguir mostrar que isso aconteceu, aí sim terá algum crédito essa sua teoria inversa de que foi a queda do preço de petróleo (em dólar) o que levou ao fortalecimento do dólar.

Responder
Thiago Teixeira 17/10/2015 04:06:39

Entendi.

Mas Leandro, no cenario hipotetico com base monetaria constante, o preco do petroelo subindo, elevando custos, esses custos sendo repassados aos outros preços, o poder de compra da moeda dininui nesses setores; diminui a demanda em outros setores, os preços tem que cair, aumenta-se o poder de compra nesse lado da economia, mesmo assim alguns negocios fecham; ok, até entendi; mas não pode a queda de um lado ser pior que o aumento do outro lado? Vejo como o cenário oposto ao da deflação benigna, aquela queda de preços que vai ocorrendo pelo aumento de produtividade em toda a economia (que podemos perceber quando analisamos o histórico do poder de compra do ouro).

Sobre a passagem do preço do petroleo para o poder de compra do dólar, o mercado financeiro não já precifica cada item de acordo com a tendencia futura? Independente disso já trazer repercussoes reais, a histeria dos corretores não já faz os preços e cotacoes oscilarem?
Receio que este fenomeno fuja ao tratamento rigoroso do modelo austriaco de formacão da moeda. Olha só, a própria queda do petróleo já é tomada como muitos agentes como indicador de recessão e há fuga para o dólar.
Essa flutuação do cambio é uma coisa tão louca que não duvido nada que cause esse tipo de inversão que, a teu ver, é absurdo.

Gostaria que você me indicasse mais fontes, pode ser em ingles mesmo, para eu elevar o nível das minhas contestações e evitar teorias absurdas.

Grato pela atenção, e grande abraço.

Responder
Leandro 17/10/2015 14:12:53

"no cenario hipotetico com base monetaria constante, o preco do petroelo subindo, elevando custos, esses custos sendo repassados aos outros preços, o poder de compra da moeda dininui nesses setores; diminui a demanda em outros setores, os preços tem que cair, aumenta-se o poder de compra nesse lado da economia, mesmo assim alguns negocios fecham; ok, até entendi; mas não pode a queda de um lado ser pior que o aumento do outro lado?"

Não sei, não é possível fazer esse juízo quantitativo.

O ponto essencial você próprio já o destrinchou: é impossível haver repasse de custos nesse cenário.

"Sobre a passagem do preço do petroleo para o poder de compra do dólar, o mercado financeiro não já precifica cada item de acordo com a tendencia futura?"

Sim. E toda e qualquer precificação leva em conta, acima de tudo, a robustez da moeda. Se uma moeda está se deteriorando, é um impossível precificar futuramente uma queda de 50% nos preços.

"Independente disso já trazer repercussoes reais, a histeria dos corretores não já faz os preços e cotacoes oscilarem?"

Depende da força da moeda.

"Receio que este fenomeno fuja ao tratamento rigoroso do modelo austriaco de formacão da moeda."

De maneira nenhuma.

"Olha só, a própria queda do petróleo já é tomada como muitos agentes como indicador de recessão e há fuga para o dólar."

Falaram isso em meados de 2014. Um ano e meio depois, a recessão (nos EUA e na Europa) ainda não veio.

"Essa flutuação do cambio é uma coisa tão louca que não duvido nada que cause esse tipo de inversão que, a teu ver, é absurdo."

Seria o caso do preço do chuchu determinar a força do real...

"Gostaria que você me indicasse mais fontes, pode ser em ingles mesmo, para eu elevar o nível das minhas contestações e evitar teorias absurdas."

Pode ficar com o mestre Steve Hanke, ainda em nível introdutório:

The Weak Dollar Problem

The Volatile Dollar

Responder
Thiago Teixeira 17/10/2015 15:25:16

Li o primeiro artigo.

O Hanke usou a correlacao dolar/euro versus preço do barril (como o Mozzini), e encontrou uma correlacao inversa, meio fraca; o mecanismo que voce usou, comparando o dolar com a cesta de outras moedas (taxa de cambio real ponderada) gerou uma correlacao mais forte.
A análise dele foi em 2011, anterior ao fall de 2014; a correlacao que ele encontrou em 2011 não se aplica a 2014, em 2014 a queda foi muito mais intensa do que a variacao de 2011.

Outro ponto interessante, alheio à nossa atual discussão, é que ele defende os regimes cambiais puros, tando o cambio fixo, quanto o cambio variável; detona o cambio atrelado, como inerentemente instável. Bem, voce, Leandro, já explicou extensamente porque o cambio fixo é bom, e porque o atrelado é uma porcaria; ainda careço entender como o cambio variável puro "opera num regime de livre mercado" (como diz Hanke). Nele, o país tenta controlar apenas a base monetária, não é? Podemos dizer que é esse o regime do Japão? Da Eurozona? Ou todos eles tem algum grau misto, algum componente de intervenção cambial?

Indo ler agora o segundo link.

Responder
Thiago Teixeira 17/10/2015 16:03:13

Leandro, notei outra questão.
O gráfico do Fred evidencia uma estranha ascencao conjunta das duas curvas entre 2011 e 2014, interrompida em 2014; quando as duas curvas mais evidentemente voltam a se relacionar em "espelho".

Sobre o segundo artigo, interessante o conceito do SDR. O artigo é antigo, 2008; como evoluiu desde então? Russia e China ainda o utilizam? É a partir dessa cesta que se baseia a taxa de cambio real do dolar? (O indice usado no grafico do Fred)

Ah, dei uma explorada por aqui: www.indexmundi.com/commodities/?commodity=crude-oil-brent&months=60¤cy=eur
Vi que o preço do petroleo permaneceu relativamente estavel entre 2011 e 2014 em relacao ao euro e a libra, mais ou menos em relacao ao Yen; em 2014 houve queda do barril em relacao a todas as moedas.

Responder
Jorge Gaspar 18/10/2015 02:03:22

Leandro, estive a ler alguns dos últimos artigos e posts do Steve Hanke, e percebi que em relação á europa culpa em parte a crise desta com falta de intervenção monetária por parte do bce. Indica que o m3 tem estado estável ou em declínio em alguns países, e que emboram sejam precisas reformas estruturais também é necessário que o banco central intervenha.
Este argumento deixa na minha opinião muito a desejar. Por um lado, diversos países dentro do euro têm tido taxas de crescimento aproximadas ás anteriores á crise económica, por outro lado, os estados unidos que seguiram uma política monetária mais próxima do que ele defende não têm tido um crescimento extraordinário estando a melhorar no segundo mandato do Obama pelas razões que já tiveste oportunidade de referir. Mas acima de tudo, o principal motivo que me faz discordar desta visão, prende-se com o crescimento da Irlanda. A irlanda saiu da crise e não é só um dos países que mais cresce dentro da zona euro, como é dos países que mais cresce em todo o mundo, senão for mesmo o n°1.
Ora, tal como aprendi com Mises, uma boa ideia é susceptível de ser implementada em qualquer país. O que funciona na Irlanda ou em Singapura funciona no Brasil, em Portugal ou na Grécia. Sendo assim, se a política monetária do BCE não afecta a Irlanda, devemos partir do principio que o que afecta outros países do euro é aquilo que esses países têm de particular.
Além do mais, não existem evidências que o Q.E. Europeu tenha alterado o que quer que seja, da mesma forma que não existem evidências que a deflação de preços prejudique de alguma forma o crescimento. Os países do sul da Europa começaram a crescer ao mesmo tempo em que entraram em deflação.
Não tenho dúvidas contudo da importancia de se ter uma moeda estável e de confiança.

Responder
Thiago Teixeira 19/10/2015 07:10:49

Por isso questionei o Leandro se não seria melhor o Brasil ter um Currency Board ancorado no Euro, em vez de no Dólar.

Responder
Jorge Gaspar 20/10/2015 00:38:24

Thiago não quero fazer o papel do Leandro, mas perante a situação actual do Brasil um currency board ancorado ao dólar, euro ou libra seria practicamente a mesma coisa. Seria como perguntares a um pobre se pretende um Ferrari, Mercedes ou Porsche?
O Euro é uma moeda com alguma instabilidade política inerente. Se eu vivesse fora da Europa escolheria o Dolar ao euro se me fosse dada essa opção.
Não tenho dúvida nenhuma que a estabilidade da moeda é muito importante mas a teoria monetarista dá muita importância ao crédito e não me parece que a evidência esteja do lado deles.

www.tradingeconomics.com/ireland/loans-to-private-sector

A Irlanda parece-me um daqueles casos que contraria todas as teorias económicas menos a liberal/libertária. Seria interessante se o Leandro pudesse dar o ponto de vista dele

Responder
Thiago Teixeira 20/10/2015 01:39:19

Quis me referir mais à questão de o M3 estar congelado na Europa, e os EUA estarem sob o QE4. Creio que seria melhor termos uma ancora menos inflacionaria.
Mas sua consideração sobre estabilidade política tem todo o cabimento. É o que mais importa no médio e longo prazo.

Sobre o seu comentário anterior, tomei a liberdade de utilizá-lo para responder a outro leitor em outro artigo.

Há aqui no Mises Brasil um artigo que compara Irlanda e Islandia pós-2008. A Irlanda permanece com o machado sobre a cabeça, já que não caloteou a dívida, mas está tendo várias vantagens na comparação. Vantagens que, como você disse, só os austriacos explicam.

É o que eu bato cabeça com colegas chicaguistas, a teoria deles é furada, muitas vezes sequer tentam se embasar... Tem um colega de cursinho que fez IME, depois entrou pra petrobrás, agora está na PUC -SP fazendo mestrado em economia. Ele me disse que não tem teoria nenhuma, é só ferramentas matemáticas... Como diabos vou fazer uma modelagem, se não paro para analisar primeiro quais são os itens que compoem a estrutura daquela parametrizacao, e até que limites essa estrutura se mantém?
A escola austríaca merece virar mainstream. Isso ainda vai acontecer.

Responder
Jorge Gaspar 20/10/2015 03:11:33

A teoria monetarista é aquela que menos domino. A ideia que tenho é que o pai dessa escola de pensamento é Milton Friedman, e a ideia que tenho de Friedman é que era um crânio do krl. Tenho também ideia que os monetaristas são essencialmente liberais/libertários, mas falta-me ler muita coisa para poder compreender o seu pensamento.

No entanto existem exemplos prácticos que colocam em causa certas teorias. Não me parece que se possa atribuir a culpa do baixo crescimento europeu a outra coisa que não seja o excesso de estado na vida dos Europeus. Eu dei o exemplo da Irlanda mas podia ter dado também o exemplo dos países de leste.

Quanto ao facto de virar mainstream. A evolução dá-se sempre através da procura pelo lucro ou pelo sucesso ou pela vitória. Da mesma forma que as melhores teorias sobre futebol sobrevivem porque permite a quem as adopta ganhar, a melhor teoria sobre economia irá sobreviver e tornar-se predominante porque permitirá aos investidores que a usarem sobreviver e enriquecer.
Vou te dar um exemplo: Um investidor que tivesse seguido este site durante os últimos anos não teria investido no Brasil e sobreviveria procurando um porto seguro, uma Irlanda, uma Singapura. Em Portugal houve muita empresa cheia de génios douturados em tudo o que é curso do bom e do melhor, que decidiu investir em Angola, Brasil e até Venezuela. Pelo contrário uma outra empresa decidiu avançar para o mercado Polaco e Colombiano. Não foi por acaso.
As empresas e os investidores que forem sobrevivendo vão fazer com que no futuro seja impossível existirem políticas de esquerda. Vai acontecer como na Grécia que perante aquelas varoufakices todas, ninguém queria ter dinheiro em bancos Gregos. É o chamado votar com os pés ou com a carteira. A Europa já está a passar em parte por esse problema na minha opinião. Países como a França, Itália, Grécia ou Portugal não são apetecíveis nem para investir nem para trabalhar devido ao excesso de carga tributária e regulamentações. A estatização da economia sempre foi uma péssima ideia, mas cada vez mais é uma ideia impraticável, porque grande parte da riqueza desaparece antes dos socialistas lhes porem as patas em cima.

Responder
Thiago Teixeira 20/10/2015 15:46:06

Nesse sentido, um bom lugar para jogar as fichas é a Suécia, que está se liberalizando.

Aqui na América do Sul, boto fé no Peru e na Colombia; o Chile já foi melhor, a Bachelet tá estragando o país...

Como reserva, o velho ouro pode voltar a ser uma boa pedida (Leandro acha que sim, Ulrich acha que não); e o Bitcoin também é interessante.
Tudo para fugir dessas moedas fiduciárias do capeta...

Responder
anônimo 29/10/2015 16:37:05

Aí Leandro, tá sabendo disso? Ou é puro besteirol deste site esquerdista ?

www.brasildefato.com.br/node/33303

Responder
anônimo 09/11/2015 07:14:55

O que acham do curso de ciências econômicas e dos economistas da Unicamp? É possível sair um economista sensato de lá?

Responder
Viking 21/01/2016 13:00:35

acho que deveria ser extinto.

Responder
Diogo Velho Barreto 12/11/2015 14:51:37

Desculpe-me a minha ignorância, mas o dólar fraco não destrói a economia local por você ter produtos importados entrando a preços de banana e a indústria local sofrendo para competir porque não tem estrutura para deixar os preços competitivos? Ou seria apenas o dólar artificialmente fraco (como na era FHC que o câmbio não era flutuante) que faz isso?

De certa forma, há inúmeras variáveis em jogo para meu conhecimento limitado, mas de forma simplória, para proteger a economia deveria-se desvalorizar a moeda. Tudo bem que isso gera inflação, mas se o dólar está forte e o preço das commodities despencam, os preços naturalmente de matéria prima produzida aqui mas com cotação de dólar, se acomoda. Mesmo as produzidas lá fora, você teria a queda do valor compensado pelo aumento do câmbio. Exemplo: Petróleo, caiu 50% e o dólar subiu 50%. O preço que você para é o mesmo por ele.

Agora subir juros para controlar uma inflação que não é de demanda e sim de "soltura" de preços administrados pelo governo e artificialmente represados no passado não faz muito sentido na minha limitação.

Acreditava que a balança comercial favorável (exportação forte pelo preço das commodities e fácil crédito no exterior), superávit primário (aumentando confiança para entrada de recursos) e a utilização de boa parte de nossa capacidade ociosa foram os fatores que contribuíram para esse tempo de bonança na era Lula.

Concordo que o dinheiro dessa época foi utilizado erroneamente ao não investir em obras estruturais ou trazer reformas que tanto precisamos como tributária, previdenciária e trabalhista.

Enfim, são muitas dúvidas pelas variáveis. Se pudesse me esclarecer esses pontos, eu agradeceria.

Muito obrigado,

Responder
Leandro 12/11/2015 14:55:35

"Desculpe-me a minha ignorância, mas o dólar fraco não destrói a economia local por você ter produtos importados entrando a preços de banana e a indústria local sofrendo para competir porque não tem estrutura para deixar os preços competitivos?"

Ao contrário: fortalece a indústria. E tanto a teoria quanto a empiria comprovam isso:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175

Responder
Thales 26/11/2015 15:54:01

Pessoal, na atual conjuntura, como faço para saber se compensa eu comprar libras esterlinas valor de turismo? Leandro, compensa entesourar em casa libras esterlinas, visto que é uma moeda forte?
Desculpem a ignorância. Obrigado!

Responder
Hugo 26/11/2015 23:15:07

Leandro eu estava olhando esses gráficos de desempenho do ouro (tanto em reais quanto em dólares) e gostaria de saber a sua opinião sobre o desempenho do metal nas 2 moedas. Será que essa tendência de queda do ouro em dólares vai se manter,assim como a tendência de alta em reais,ou há algum sinal de reversão dessas tendências?

Responder
Leandro 27/11/2015 02:16:10

Se eu soubesse já estaria posicionado de acordo e, consequentemente, ficaria rico.

No que tange ao dólar, tudo o mais constante, a tendência é de estabilidade. No entanto, se os EUA inventarem uma nova guerra, ou se o próximo presidente for um maluco belicista, a coisa pode degringolar.

Já o Brasil está uma zona. Aqui, uma simples notícia d prisão de político faz o real perder quase 2% em relação ao dólar, e faz todas as taxas de juros futuras darem um salto exorbitante. Para completar, há um Banco Central que não sabe o que quer e nem consegue se comunicar com um mínimo de clareza.

Tudo completamente indefinido.

Responder
Marco Antônio Mourão 16/12/2015 00:13:08

Leandro Roque, se você substituir as datas do texto para o período entre 01/01/1995 e 31/12/2000 os acontecimentos econômicos foram bastante semelhantes.

Responder
Fabio Reis 15/01/2016 14:40:40

Lula nao administrou nada , so teve a felicidade de ser eleito em 1 periodo q dificilmente voltara.

Com Dilma , a realidade mostrou-se sombria e a mesma dobrou a aposta no q estava errado.

Deu no q deu : Inflacao , Desemprego e Dominancia Fiscal.

é bom Administrar qdo se tem dinheiro , qdo nao se tem , a culpa é dos outros.

Comunista é sempre igual : qdo as coisas saem errado , a culpa é dos outros.

Responder
Raphael Paiva 27/02/2016 13:24:14

o que teria acontecido se no período 2003-2011, da desvalorização do dólar, o Brasil não tivesse feito uma expansão do credito? Haveria uma recessão?

Responder
Leandro 29/02/2016 18:37:20

Expansão do crédito sempre haverá. Se houver demanda por crédito, haverá expansão.

A questão é que, por causa da fraqueza do dólar, a expansão perdurou por muito mais tempo do que perduraria em outras circunstâncias.

Responder
Raphael Paiva 03/03/2016 02:48:07

Leandro,
Mas expansão de crédito sem lastro não é ruim para a economia?

Responder
Leandro 03/03/2016 03:40:20

Sim. Estamos vivenciando hoje as consequências (o "longo prazo") desta política. O curto prazo acabou em 2012.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1943

Responder
Emerson Luis 02/03/2016 11:31:53


É impossível haver crescimento sustentável por meio de endividamento constante.

* * *

Responder
Gustavo 20/03/2016 13:50:52

Leandro,

Nesses dias se discussão acirrada por causa dos acontecimentos, tenho enfrentado tudo quanto é tipo de argumento anti-liberal. Um dos que me enviaram foi esse artigo referente ao Chile:

odeiocaviar.blogspot.com.br/2014/12/chile-o-inconveniente-ponto-fora-da.html

Gostaria de saber sua opinião.

Responder
Leandro 20/03/2016 14:52:09

Ué, não entendi. Ele quis criticar o liberalismo, mas utilizou como exemplos práticos justamente aqueles setores da economia que são amplamente regulados pelo governo. Isso é o exato oposto do liberalismo. Quer criticar o liberalismo? Então ao menos tenha honestidade intelectual.

Veja o que ele escreveu (com comentários meus):

"Seis companhias dirigem as AFP [INSS do Chile] que controlam mais de cem bilhões de dólares em fundos de seus afiliados."

A previdência chilena é totalmente regulada pelo governo.

O governo obriga o trabalhador chileno a contribuir para um plano. O governo não dá a opção de o trabalhador manter seu salário integral e direcionar uma parte dele para onde ele quiser. O governo obriga o trabalhador a contribuir mensalmente para qualquer uma das empresas.

Esse é o principal problema. A partir do momento em que o estado garante uma clientela cativa para as empresas que administram os fundos de pensão, as taxas de administração serão altas.

Há um artigo inteiro sobre o Chile e sua previdência:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1924

"Três cadeias controlam praticamente todo o negócio farmacêutico e impõem preços desumanos às medicações."

Ora, então por que a população não recorre às importações para driblar os altos preços desse cartel?

Pois é, porque o governo não deixa. Assim como no Brasil, a importação de remédios é estritamente regulada e controlada pelo governo. Isso é liberalismo?

Aliás, se há três empresas cobrando altos preços por remédios, então a lógica econômica sugere que esses altos preços atrairiam uma concorrência ávida por tomar uma fatia desse mercado, o que reduziria sobremaneira os preços.

Isso aconteceu? Pelo visto não. Por que não aconteceu? Certamente porque a entrada neste mercado específico não é livre. O governo -- por se tratar de um setor relacionado à saúde -- certamente deve fazer inúmeras exigências para os novos entrantes, o que garante a permanência do cartel já estabelecido.

Como já explicado inúmeras vezes neste site, cartéis só duram se a entrada da concorrência foi restringida pelo governo.

Não deixa de ser curioso ver pessoas culpando o liberalismo pelos problemas criados exclusivamente pela intervenção estatal.

"Duas cadeias de jornais controlam a imprensa escrita."

Esse é um argumento típico da Carta Capital. Pelo visto, até o número de jornais gera desigualdade social. E a internet e seu jornalismo, não existem no Chile?

"Dezesseis grupos econômicos produzem 80% do PIB. As redes de supermercados Cencosud e Wal Mart (D&S) controlam 70% das vendas dos supermercados."

Ué, mas a crítica da esquerda ao Wal Mart sempre foi a de que a rede cobra preços baixos demais (o que é uma bênção para os mais pobres)! Para o Chile isso não se aplica? A política barateira do Wal Mart agora virou um problema para os pobres?

No mais, essa informação sobre supermercados, por si só, não diz nada.

"Uma só empresa telefônica – CTC – controla 75% da telefonia. Duas empresas, Endesa e Colbún controlam 79% da geração de energia elétrica e estão impulsionando a construção de mega-represas em Aysén, que põem em perigo o meio ambiente e aumentaram o poder das elétricas sobre o conjunto da economia"

Mesmíssima questão das regulamentações, já explicado acima. No Chile, assim como no Brasil, há uma ANATEL e uma ANEEL que impedem a livre entrada da concorrência neste setor.

De novo, mais uma vez, critica-se um inexistente liberalismo pelos problemas gerados pela intervenção estatal no mercado.

Este site, por exemplo, diz que as agências reguladoras do Chile nem sequer ainda são independentes.

E recomendo este artigo, que explica exatamente -- e com exemplos práticos -- como as agências reguladoras cartelizam os mercados, criam reservas de mercado e garantem privilégios para as empresas já estabelecidas.

"A magnitude dos lucros das transnacionais mineiras é quase inimaginável. Entre 2006 e 2007 se aproximaram de 40 bilhões de dólares!"

Nossa! Mineradoras estão tendo lucros! Isso, sim, é a causa de toda a pobreza que ainda existe no país.

Há várias coisas para se criticar no Chile -- começando pelo seu governo de esquerda que está no poder desde 1990 (com um hiato entre 2010 e 2013) --, mas deve-se ter a honestidade intelectual de saber o que se está criticando e, principalmente, quem são os reais culpados pelo arranjo criticado.

A turma da esquerda está tão desesperada com o descalabro que fizeram na economia brasileira, que agora estão tentando doutrinar dizendo que os vizinhos "não estão lá nenhuma maravilha"...

E eu, num domingo, perdendo tempo com essa gente.

Grande abraço!

Responder
Gustavo 20/03/2016 21:44:35

Valeu Leandro, excelente explicação, como sempre!

Abraços.

Responder
Emerson Luis 21/03/2016 10:31:04


"Quer criticar o liberalismo? Então ao menos tenha honestidade intelectual."

E primeiro compreenda o que é o liberalismo.

Liberalismo não é aquilo que os socialistas dizem que ele é.

Liberalismo não é um socialismo invertido.

Não existe país 100% liberal, então verifique se o exemplo se relaciona com a liberdade econômica ou com sua ausência.

* * *

Responder
Fernando 20/03/2016 14:37:09

Podemos adicionar ao texto a política de pleno emprego. Mesmo havendo muita mentira quanto aos índices de desemprego, Nada tinha relevância, a não ser a taxa de desemprego. Não importava a corrosão do poder de compra e o endividamento.

Eles aumentaram ainda mais a pilhagem no crédito, a desvalorização do real, as medidas protecionistas e de conteúdo nacional, para manter o emprego e a renda. Essa foi a paranóia que não podemos esquecer.

Nós estamos em depressão econômica, mas poderíamos estar em recessão, se não fosse a pilhagem feita pelos três porquinhos do governo.

Pelo menos existe a Lava Jato para expulsar esses psicopatas do governo.

Responder
Wagner 20/03/2016 16:06:23

Muito oportuna essa análise. Aliás perfeita.
Agora, viram o perfil dos manifestantes pró Lula/Dilma no dia 18/03?
Nada menos que 15% deles são FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS. Isso mesmo. Por isso, as esquerdas quando estão governo inflam mais e mais o tamanho do Estado. Além disso aparelham sindicatos, movimentos ditos sociais, blogs e entidades estudantis que pregam o socialismo.
É de suma importância que essa gente seja retirada do governo que que se comece, em caráter de urgência a diminuição do Estado.
Bom domingo à todos.

Responder
Fernando 20/03/2016 19:21:52

Parece que a pedra no sapato do governo é o uso das reservas internacionais.

Quem fez a lei das reservas, tratou de deixá-las longe dos políticos.

O governo não pode simplesmente vendê-las para pagar dívidas.

Pelo que eu entendi, alguém pensou em deixar essas reservas sob o controle do BC, para garantir a estabilidade da moeda nacional.

Mesmo tendo essas reservas, o governo deixou o real se desvalorizar mais do que deveria, e além da alta do dólar em vários países.

Ou seja, acho que foi mais uma piada do governo.

Responder
Auxiliar 20/03/2016 19:49:17

Utilizar as reservas geraria enorme desconfiança e incerteza, o que faria disparar o câmbio, piorando completamente o cenário da inflação de preços e, de quebra, levando os juros para cima -- exatamente o efeito oposto do pretendido.

Responder
Fernando 20/03/2016 21:18:40

Eu entendo que as reservas servem para evitar crises. Quando a economia quebra e a moeda desvaloriza, é o momento que as reservas multiplicam de valor.

As reservas poderiam ser usadas para reduzir as dívidas do governo e inundar o mercado de câmbio com dólares. Isso seria melhor do que deixar a dívida pública estourar.

Essa desconfiança só poderia piorar, se as reservas fossem usadas em gastos correntes e em mais dinheiro no mercado. Mas, também não sei se a hora é de conter qualquer tipo de gasto e reduzir o consumo.

A dívida pública precisa ser reduzida de qualquer forma. Esse é o maior problema. Por isso, seria melhor reduzir as dívidas e aproveitar a alta do dólar. Segurar essas reservas pode reduzir o valor que elas possuem.

Qualquer pessoa que investiu em dólares, já deve estar pensando em vender tudo nesse momento.

Responder
Henrique Zucatelli 21/03/2016 12:46:47

O governo brasileiro já demonstrou que sabe como desvalorizar o real sem mexer nas reservas, basta emitir dívida local.

Reservas monetárias são como agências reguladoras: soluções estatais para problemas estatais.

Caso nosso câmbio fosse fixo através de um Currency Board, não precisaríamos de reserva nenhuma na mão do Estado, pois o valor da moeda está atrelado a outra mais forte ou a alguma commoditie. Quem tem de guardar dinheiro são pessoas. Cabe ao governo no pior dos casos não tomar o que é nosso.

Aliás muita gente se gaba dessas reservas, mas ninguém atentou a como elas foram criadas: através de impostos. Logo, é o Estado nos escorchando mais uma vez e fazendo poupança para ele mesmo. Irônico né?

Responder
Felipe Lange 20/03/2016 22:44:14

Por que republicaram o artigo?

De toda forma, que tipo de governo teria coragem em peitar grupos sociais, sindicatos e corporações, a ponto de adotar um Currency Board e abertura econômica e comercial para o mundo inteiro?

Responder
Pobre Paulista 21/03/2016 13:05:43

O IMB republica artigos com alguma frequência. Em geral é quando o assunto volta a ser pertinente. Mas acho que ocasionalmente é por falta de material novo mesmo.

Responder
amauri 21/03/2016 10:39:53

Leandro, caso o governo não tivesse adotado as medidas abaixo, e colocado em pratica um Regime Econômico, hoje estaríamos bem diferente?
O volume de crédito cresceu em termos reais em relação ao PIB de 2003/2015 em 114,57%, para um crescimento do PIB corrente, no mesmo período, de apenas 37,80% (2,91% ao ano) e o PIB PER CAPITA de medíocres 23,80% (1,83% ao ano). Esse criminoso desequilíbrio gerou uma ilusão monetária de crescimento na economia (apenas ilusão, visto que na prática o crescimento de apenas 37,80% e PER CAPITA de 23,80% foi pífio para o volume de crédito injetado na economia), que ao atingir o esgotamento da capacidade de endividamento das famílias e das empresas, e consequentemente aumentando à inadimplência, o falso milagre brasileiro desmorona e a recessão e a inflação (estagflação) serão inevitáveis e durante longo período (em torno de 10 anos).

Quanto ao parágrafo acima devemos ressaltar que essa montanha de crédito da ordem de R$ 3,2 trilhões apurado pelo Banco Central do Brasil em dezembro de 2015 está custando aos devedores uma taxa de juros médio da ordem de 29,8% ao ano (média mundial 2,00% ao ano). Creio que não há necessidade de ser doutor ou mestre em economia para prever que a explosão será inevitável.

O mais grave é que nesse crescimento de crédito houve um aumento monstruoso da participação do sistema bancário público, saindo de 38,12% em 2002 para 55,95% em 2015, crescimento de 46,77%, ultrapassando o volume do setor privado. O que prova o avanço da estatização bancária no Brasil. Pavimentação para estatização total do Brasil.

Responder
Fernando 21/03/2016 12:09:02

O PAC vai virar PAPD (programa de aceleração de pagamento de dívidas).

Responder
Felipe R 21/03/2016 12:19:33

Para quem não sabe, o Governo aumentou a dívida interna para aumentar as reservas internacionais. Usar essas reservas para diminuir o saldo da dívida seria apenas um retorno à situação anterior.

Responder
Bernardo Neves Pantaleão 21/03/2016 15:12:02

Pessoal,
O dólar enfraqueceu-se em relação a todas as moedas. Os agregados monetários brasileiros dispararam e a inflação ficou controlada.
Ok, o dólar foi o responsável.
Mas e lá nos EUA? Os agregados deles também dispararam no período e a moeda enfraqueceu-se. Mas a inflação permaneceu controlada.
Bolhas aconteceram tanto lá quanto aqui, mas inflação mesmo ficou controlada.
O que explica isso?
Abraços.

Responder
Leandro 21/03/2016 16:25:56

"Mas e lá nos EUA? Os agregados deles também dispararam no período e a moeda enfraqueceu-se. Mas a inflação permaneceu controlada. [...] O que explica isso?"

"Controlada" é um eufemismo.

Ela chegou a esbarrar em 6%, valor que não se via desde a década de 1980 -- quando, aliás, a mensuração era muito mais rigorosa; se a mensuração utilizada hoje mantivesse o mesmo rigor da da década de 1990, a inflação medida em 2008 teria sido de 9%, ou seja, 50% maior.

E isso, vale enfatizar, num país de economia extremamente aberta.

Adicionalmente, vale apontar também que tanto a inflação de preços dos imóveis e dos materiais de construção quanto os salários de toda a mão-de-obra envolvida com o setor imobiliário (do arquiteto ao peão, do engenheiro ao mestre de obras) dispararam. Mas como tais itens não entram no cálculo do CPI (que é o IPCA deles), eles não aparecem nas estatísticas oficiais.

No mais, convém também olhar como se comportou a inflação de preços nos países que utilizam o dólar como moeda oficial, como Panamá e Equador, e também nos países que mantêm uma taxa de câmbio fixa em relação ao dólar, como Hong Kong, Kuwait e Arábia Saudita.

Eis os resultados:

Panamá: 10%

Equador:10% também. (E são dados do governo Rafael Correa, hein? Oficialmente, deve ter sido maior).

Hong Kong: 8%, e isso em um país de economia extremamente aberta.

Kuwait: 12% (e isso num país cuja inflação jamais havia ultrapassado os 4%).

Arábia Saudita: 11% (isso num país em que a inflação era tradicionalmente zero).

Isso não é exatamente uma "inflação controlada", mas sim uma carestia abrupta gerada pela desvalorização da moeda -- desvalorização essa, aí sim, gerada pelas políticas do governo americano, das quais a expansão dos agregados monetários representa apenas uma parte do todo.

Responder
Bernardo Neves Pantaleao 21/03/2016 17:30:55

Leandro, muito obrigado pela rápida resposta.
O que mais me impressionou foi os custos de construção não entrarem na conta. Mas existe um componente "housing" que é bem grande. Esse aumento dos custos não afeta o CPI, ao menos indiretamente?
Mas, sei lá, esse crescimento gigante dos agregados nesses últimos anos foi muito louco. Tenho grande dificuldade pra entender como o valor do dinheiro não despencou. E os EUA não têm a desculpa do enfraquecimento do dólar.
A inflação ter saído de 2,5% para 4% durante poucos anos enquanto os agregados multiplicaram-se por 3 parece uma consequência minúscula ante o potencial de desastre.
A dinâmica de preços é algo realmente complexo. Dependendo de quem receber o dinheiro, as consequências sobre os preços podem ser muito distintas. Acho.
Grande abraço e obrigado.

Responder
Leandro 21/03/2016 18:04:06

Crescimento de agregados, por si só, não quer dizer nada. Você tem também de levar em conta a demanda mundial por esses agregados.

E qual é a demanda mundial por dólares? Quantas e quais transações globais são feitas com dólares?

Pois é.

Se você for olhar apenas agregados, sem qualquer consideração por coisas como demanda e uso global, chegará à conclusão de que o guarani paraguaio tem de ser uma das moedas mais fortes do mundo. Afinal, a oferta de guarani paraguaio no mercado mundial é ínfima em relação ao dólar. Isso levaria a crer que o preço do guarani paraguaio deveria ser alto.

No entanto, a demanda mundial por essa moeda é praticamente nula (o dólar tem demanda mundial; o guarani paraguaio não), as transações que ela efetua ocorrem apenas no Paraguai (o dólar é utilizado mundialmente; o guarani paraguaio não), e, acima de tudo, a percepção dos especuladores e investidores estrangeiros quanto à estabilidade do guarani paraguaio é inferior à do dólar.

A demanda por uma moeda é um componente imprescindível, pois é justamente ela quem determina o poder de compra de uma moeda.

O que interessa não é apenas a oferta da moeda, mas também a demanda por ela no mercado global. E isso o dólar tem de sobra, inclusive para ser usado como moeda corrente em outros países (um privilégio).

No mercado global, a demanda por dólares é muito maior que a demanda por real -- o que, por si só, significa que os EUA podem fazer uma expansão de crédito com muito menos inflação de preços do que o Brasil.

Acrescente a isso o fato de que a economia americana é muito mais aberta, e você já tem aí dois fatores baixistas sobre os preços -- fatores estes que não existem para o Brasil.

Ou seja: ao passo que, no Brasil, um crescimento de, digamos, 20% nos agregados monetários têm um potencial de gerar uma grande carestia, nos EUA os efeitos sobre os preços de um idêntico crescimento de 20% são muito menores.

Responder
amauri 21/03/2016 19:18:59

Leandro, a explosão das comodites nao ajudou o dolar desvalorizar no Brasil?

Responder
Leandro 21/03/2016 19:40:25

Você inverteu causa e efeito.

A tal "explosão" das commodities nada mais foi do que o encarecimento delas em dólares. Como o dólar se enfraqueceu, e como as commodities são precificadas em dólar, o enfraquecimento do dólar gerou uma explosão nos preços das commodities.

De novo: o boom das commodities está intimamente ligado ao dólar fraco. Como as commodities são precificadas em dólar, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. O preço das commodities é ditado pela robustez do dólar. (Há uma seção inteira no presente artigo explicando essa relação).

Portanto, não foi a "explosão das commodities que ajudou o dólar a se desvalorizar"; antes, foi a desvalorização do dólar o que levou à explosão dos preços das commodities.

Responder
Wesley 21/03/2016 22:23:35

Leandro, esse não seria um lado negativo de adotar um Currency Board? Se a moeda for atrelada ao dólar e o governo americano destruir a moeda deles como fizeram na década passada, países que tem moeda atrelada ao dólar vai sofrer carestia também. É claro que é muito melhor do que deixar nas mãos dos vagabundos dos burocratas de países atrasados. Visto o efeito nefasto das políticas desses países, isso mostra que países atrasados não podem ter moeda própria. Na minha opinião ou devem adotar moedas estrangeiras ou Currency Board. Se o Brasil tivesse um CB, estaríamos imunes a essas crises políticas e nosso padrão de vida se manteria intacto ou seria levemente afetado? Lembro que você disse num artigo que a taxa de juros do Brasil seria parecida com a dos EUA no CB. Mas seria possível o governo gastar tanto num CB como faz atualmente e ter uma taxa de juros civilizada? Um abraço!

Responder
Leandro 21/03/2016 22:52:55

Correto, esse é o lado negativo. Para não correr esse (pequeno) risco, livre concorrência de moedas ou adotar um preço do ouro como meta.

Responder
Bernardo Neves Pantaleao 22/03/2016 13:38:02

Obrigado de novo, Leandro.
Mas então a demanda externa por dólares aumentou quase 3x nesse período também?
Boa parte desse excedente de dólares saiu dos EUA, evitando um aumento de preços ainda mais elevado por lá?
Mas se os dólares saíram, contribuíram para aumentar a demanda e investimentos no exterior, o que levaria a mais inflação por todo o mundo, não, apesar do enfraquecimento do dólar?
Os EUA não passaram a abastecer toda a economia mundial com bens e serviço, né?
A produção mundial cresceu enormemente no período também né? Dobrando a oferta de bens.
E boa parte dessa grana que entra rapidamente no sistema deve acabar num investimento, reduzindo taxas e aumentando preços de ativos, certo? Mas saem de circulação em pouco tempo.
O que foi diferente no ambiente financeiro nesse momento de ultra inflação monetária sem grande elevação de preços ao consumidor para as tradicionais hiperinflações latino-americanas da década de 80? Naquela época, não eram os EUA puxando a inflação de meios, nem havia uma China duplicando a produção de bens, é isso? Eram apenas governos irresponsáveis emitindo dinheiro para pagar suas contas do dia a dia?
Repito, a dinâmica de preços é realmente algo fantástico e complexo. Ao menos para mim.
Grande abraço.

Responder
Leandro 22/03/2016 15:13:35

"Mas então a demanda externa por dólares aumentou quase 3x nesse período também?"

Obviamente que não. Se a demanda houvesse aumentado na mesma proporção da oferta, não teria havido desvalorização do dólar.

Em quanto a demanda aumentou? Sei lá; não tem como saber. Mas sei que não aumentou 3 vezes. Se houvesse aumentado em 3 vezes, o preço do ouro em dólar teria se mantido constante e praticamente não haveria inflação de preços nos EUA e nos demais países citados.

Quanto ao resto, bem, sinceramente, já foi tudo respondido no artigo.

Grande abraço.

Responder
Tobias Aguiar 22/03/2016 15:14:26

Orra, tá doido... Nove perguntas de uma só vez...

Responder
Czar do Pesar 21/03/2016 15:57:46

Grande Pai Defensor da Patria Mãe Luis Inácio voltou para redimir os pobres, o Brasil sera a potência do século

Responder
Vinicius Paes 22/03/2016 07:37:38

Muito bom. Muito bom ver vocês libertários admitirem que basta alguém oferecer dinheiro que vocês apoiam. Foi assim com Lula, e será assim de novo se ele assumir como ministro e prometer estimular a economia.

https://putadaesquerdista.wordpress.com/2016/03/22/os-libertarios/

Responder
Professor 22/03/2016 11:12:42

"Veja nesse post do Mises (Principal instituto dos libertários) como eles até chegam a admitir, de leve, que se enganaram com o período de crescimento do Brasil, pois acharam que era um crescimento real proporcionado pelo governo Lula (afinal estavam enchendo o bolso de dinheiro, e portanto, tudo estava bem!"

O gozado é que o presente artigo fala exatamente o contrário: ele fala que todo o crescimento foi artificial e sustentado em pilares extremamente frágeis. Há inclusive um trecho que resume todo o artigo:

"No final, toda a economia foi destruída pelo governo. É o preço do descalabro, o qual foi possibilitado por uma conjuntura externa atípica e que foi erroneamente interpretada à época. Confundiu-se moeda estrangeira fraca com prosperidade nacional eterna, e concluiu-se que os bons resultados obtidos dispensavam o governo de obedecer às irrevogáveis leis da economia. Gastos foram elevados e nenhuma reforma estrutural foi feita."

Para utilizar o mesmo nível intelectual seu: parece que os anti-libertários são ou analfabetos ou caluniadores. Não há terceira hipótese. Qual desses é você? Responda sem tergiversar.

Responder
Andre Henrique 22/03/2016 09:53:54

Favor corrigir, no 1º parágrafo que trata da Guerra no Iraque, o seguinte trecho:

de
"...acabou se estendendo por décadas e custando..."

para
"...acabou se estendendo por quase uma década e custando..."


Abç e parabéns pelo artigo



Responder
alerj 22/03/2016 10:54:07

Uma duvida

(desculpe se já foi respondida , mas são 286 comentários para procurar!)

Com a crise de 2008, os EUA não começaram a imprimir dólar maciçamente ?

Não era para o dólar desvalorizar mais ainda em relação ao real, apesar da Nova Matriz econômica da dilma?

Att, Alexandre

Responder
Auxiliar 22/03/2016 11:13:37

Artigo inteiro sobre isso:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2213

Responder
Natanael 23/03/2016 03:27:54

Eu não entendia coisa alguma de economia, mas esse artigo foi fabuloso. Deu até vontade de estudar mais a respeito. Vou vasculhar o site.

Responder
Isis Monteiro 23/03/2016 11:11:14

O governo na última década surfou na alto crescimento da demanda por commodities e do alto preço desses insumos.
Infelizmente, não aproveitou esta janela de oportunidade para realizar as reformas estruturais.
É certo que conseguiu que grande montante da população tivesse acesso à bens e serviços. No entanto, hoje, observamos que todas estas conquistas estão sendo revertidas pela ausência das reformas que serão inevitáveis.
Obrigada
Isis Monteiro

Responder
alerj 23/03/2016 16:19:12

Então, mesmo se o dólar não tivesse influenciado, se o governo tivesse mantido uma política de superávits primários elevados, haveria crescimento econômico continuo ou com a expansão de credito (via emissão monetária pelos bancos comerciais)a economia iria implodir mais a frente como esta acontecendo agora ?

Responder
Leandro 23/03/2016 16:30:17

"Então, mesmo se o dólar não tivesse influenciado"

Isso muda absolutamente tudo, como o artigo explicou em detalhes (este, aliás, é o cerne do artigo).

"se o governo tivesse mantido uma política de superávits primários elevados"

Isso -- sob um cenário de dólar forte -- ajudaria a fazer com que o real se desvalorizasse menos, contrabalançando um pouco o efeito da expansão do crédito.

"ou com a expansão de credito (via emissão monetária pelos bancos comerciais)a economia iria implodir mais a frente como esta acontecendo agora ?"

Todo e qualquer processo de expansão do crédito irá necessariamente terminar em recessão. Inevitavelmente. É disso que se trata a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos.

O que irá variar é a intensidade da recessão: quanto mais tempo durar a expansão do crédito, maiores serão os investimentos errôneos (para os quais não há demanda genuína) e, consequentemente, mais intenso e doloroso será o processo de liquidação destes investimentos.

Responder
alerj 23/03/2016 18:39:35

Se houvesse respeito pelos economistas brasileiros à Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, como deveria se comportar o gráfico 11 (evolução do crédito) ?

Seria uma reta constante?

Responder
Auxiliar 23/03/2016 22:02:30

Pergunta semelhante feita (e respondida) aqui:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1065&comments=true#ac167712

Responder
Ricardson 28/03/2016 12:41:48

Leandro,

na atual conjuntura, caso haja redução da tributação, seria possível um aumento na arrecadação?

Responder
Leandro 28/03/2016 15:55:03

No curto prazo, não.

No longo prazo, caso a redução de impostos seja acompanhada de um corte de gastos, de um fortalecimento da moeda -- e, consequentemente, de um arrefecimento da carestia --, aí sim haverá bases para um crescimento econômico e, consequentemente, de um aumento da arrecadação.

Responder
Diego M. 28/03/2016 14:47:52

Leandro,

Muito se tem discutido por aqui sobre o mal que é para um país se fechar para o comércio exterior ou impor barreiras na tentativa de desenvolver um mercado interno. Concordo e gosto de ver os pontos de vista e explicações.

Mas semana passada o jornal O VALOR publicou a matéria do link abaixo onde mostra que Maurício Macri estaria voltando a trás de sua decisão de abrir mão das restrições para importações, impondo algumas restrições para determinados produtos.
www.valor.com.br/brasil/4494546/argentina-volta-restringir-importacoes-do-brasil

Essa decisão seria principalmente em decorrência do grande saldo de importações que chegou na Argentina, colocando em risco as empresas locais, como a automobilística, voltando ao protecionismo desta e de outras.

Pergunto:
Será que Macri deveria deixar as empresas nacionais quebrarem mesmo? Ou será que o movimento que ele fez foi certo, mas errou na dosagem? Será que essa abertura deveria ser gradual, ou após uma construção melhor do cenário interno?

Que reflexão podemos tirar disso tudo?

Abraços.

Responder
Leandro 28/03/2016 15:51:30

Esse tipo de pergunta é bastante frustrante porque todos os aspectos desse assunto -- sim, sem nenhum exagero: todos os aspectos desse assunto -- foram condensados nestes quatro artigos.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1131

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2320

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2321

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2325

Não há nada a acrescentar neles, e não há uma única pergunta que já não tenha sido respondida por eles. A única coisa que posso fazer é ficar repetindo, ipsis litteris, tudo o que já está escrito neles.

Especificamente no caso da Argentina, aí mesmo é que discurso protecionista não faz sentido nenhum: de dezembro até hoje, após o governo liberar o câmbio, o peso já se desvalorizou 17% em relação ao real. Repito: os importados, em reais, ficaram 17% mais caros.

Ora, não é justamente isso o que querem os protecionistas, câmbio mais caro? O que mais é necessário para proteger empresas que já estão protegidos pelo governo desde o início do século XX?

Quando é que você ouviu dizer que as empresas argentinas forem submetidas à livre concorrência internacional, com tarifas de importação zero e câmbio apreciado? Eu desconheço tal situação. Por que, então, após séculos de protecionismo e de subsídios -- e ainda mais agora com um câmbio desvalorizado -- elas precisam de ainda mais protecionismo? E por quanto tempo? Em quais setores? A que tarifas? Por quê?

www.ivancarrino.com/no-las-importaciones-no-generan-desempleo/

Responder
Diego M. 28/03/2016 16:44:05

Ok Leandro,

Desses artigos citados, só havia lido o primeiro. Vou ler os demais. Obrigado.

Outra coisa ... só não imaginei que o peso argentino tivesse se desvalorizado desde a entrada de Macri. Isso chamou minha atenção.

Abraços.

Responder
Leandro 28/03/2016 17:12:38

Sim, pois antes vigorava o "cepo cambial", arranjo no qual Banco Central proibia a compra de dólares por argentinos que queriam manter sua poupança em moeda estrangeira, mas permitia que alguns importadores comprassem dólares à taxa "oficial" de câmbio — mas sempre mantendo um controle estrito sobre a quantia transacionada.

Até então, havia duas taxas cambiais: a "taxa oficial" (que era controlada e à qual poucos tinham acesso) e a taxa do mercado paralelo, que era a taxa de livre mercado (chamada de "dollar blue"). Atualmente, com a abolição da taxa controlada, a taxa do paralelo se tornou a oficial. Daí a desvalorização.

Se Macri não ficar esperto, a atual taxa de câmbio pode encurtar seu governo.

Responder
Isis Monteiro 28/03/2016 16:20:32

O governo Lula surfou na alta demanda por commodities em um estado que tinha as contas públicas acertadas e inflação controlada.
Dentro deste cenário conseguiu investir em políticas públicas visando reduzir a desigualdade.
Caso o quadro mundial fosse outro, o governo Lula poderia ter sido interrompido em 2005 com o estouro do mensalão.

Responder
Alexandra Moraes 28/03/2016 16:33:23

Na segunda metade da última década vivíamos a euforia do governo Lula e do boom de commodities, que maravilhava o povo e encantava as elites internacionais. Ignorando que o Brasil não parava de se desindustrializar, a revista "The Economist" transformou, em uma capa de 2009, o Cristo Redentor em um foguete com o título "Brazil Takes Off", "O Brasil decola", enquanto nós, brasileiros, acreditávamos no conto de fadas dos Brics.

Responder
Beth Prado 29/03/2016 22:17:42

Realmente vivemos uma grande ilusão na última década. As conquistas sociais começão a se desfazer neste início de 2016.
Pensavámos que estavamos decolando,mas na realidade estavamos indo de cabeça ao encontro de um muro.
O Brasil cresceu não em função de aumento de produtividade. O Brasil cresceu carregado pela alta demanda da China.
Neste período poderíamos ter realizado as reformas estruturais, no entanto, ficamos passivos em berço esplêndido.
Perdemos uma grande oportunidade

Responder
Nine Fingers 30/03/2016 17:21:44

Um dia a história há de resgatar o real valor de uma administração competente, fluída, que se alinhou a países como o Irã para apoiar os projetos pacíficos nuncleares, esse povo que tomou da água boa agora se vira contra o grande timoneiro do ABC, a história é injusta, escrita principalmente pela mídia golpista.

Responder
Gustavo 04/04/2016 11:35:08

Leandro,

Perdoe-me minha ignorância, mas em relação aos manufaturados: neste grupo estão incluídos commodities como minério de ferro? Ou algum tipo de commoditie?

Dei uma pesquisada rápida e me parece que fazem essa separação entre manufaturados e o minério.

Gostaria de esclarecer esse pequeno detalhe, porque mesmo concordando totalmente com sua análise, algumas pessoas ainda batem na tecla do minério de ferro, que a forte queda da venda desta matéria prima causou um "efeito em cadeia" na economia brasileira.

Parabéns pelo texto!

Abraço.

Responder
Leandro 04/04/2016 12:54:27

Ué, como assim? Se eu compro uma parte do espaço aéreo, a última coisa que iria querer fazer seria permitir que apenas uma empresa aérea a utilizasse. Muito pelo contrário: como estou em busca de lucro, iria fazer de tudo para que o máximo de empresas aéreas utilizassem meu espaço. Quanto mais aviões sob o meu céu, mais dinheiro pro meu bolso.

Mesmíssimo raciocínio é válido para portos.

Apenas quem odeia lucro e dinheiro iria querer monopolizar esse espaço.


Não entendi muito bem a colocação. A queda no preço do minério de ferro, que afetou toda a cadeia de produção relacionada a ele, foi causada majoritariamente pelo fortalecimento do dólar.

Repetindo pela quarta vez: o minério de ferro é uma commodity global precificada em dólar. Se o dólar se fortalece, o preço do minério cai. Se o dólar enfraquece, o preço do minério sobe.

Quando o dólar estava se enfraquecendo continuamente (período 2004-2011), o preço do minério estava subindo continuamente. Esta subida contínua do preço do minério induziu as mineradoras a fazerem vários investimentos voltados para expandir sua capacidade de produção, pois elas acreditaram -- enganadas pela fraqueza do dólar -- que havia uma demanda contínua e infinita por minério.

Porém, tão logo o dólar voltou a se fortalecer, o preço do minério desabou, e todo aquele investimento na capacidade de produção acabou se revelando errôneo. Tais investimentos levaram a um aumento da oferta em um momento em que os preços do minério já estavam desabando.

Consequência: as mineradoras estão tendo de cortar custos, demitir e rever vários de seus projetos expansivos.

Portanto, se há quem queira dizer que "a forte queda da venda desta matéria prima causou um "efeito em cadeia" na economia brasileira", que o faça. Mas ao menos aponte o dedo para a real causa desta "forte queda": o fortalecimento do dólar.

O mesmo dólar que, quando se enfraqueceu, foi o responsável pelo boom vivenciado pelo setor.

Agora, se o cara quer reduzir toda a economia brasileira à venda de minério de ferro, então é bom ele apresentar argumentos sólidos. Ele tem de mostrar que boa parte da economia brasileira está centralizada em torno da produção de minério de ferro.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Gustavo 04/04/2016 13:29:10

Valeu pela resposta Leandro!

Não sei se você concorda, mas discutir economia ultimamente (ou desde sempre) requer uma paciência de Jó. As pessoas acreditam que qualquer tipo de argumento é válido, uma espécie de relativização das leis econômicas, ou algo do tipo.

Chegou ao ponto de, após apresentar seu texto a um colega, ele me respondeu assim: "Pouco me importa, o que vale é que a economia cresceu no governo do Lula."

Fica difícil...

Responder
Alexandra Moraes 26/04/2016 13:40:58

Gustavo, realmente está muito difícil discutir economia. Diria que mais complicado ainda é discutir política. Alguma pessoas parecem que perderam a lucidez e não conseguem ver o óbvio. Está muito difícil mesmo.

Responder
Isis Monteiro 04/04/2016 20:16:27

O governo Lula teve um grande crescimento porque o mundo cresceu. O Brasil surfou na onda de exportações de commodities com altos volumes e preços.
Este crescimento não foi devido à alguma ação ou reforma que o governo tenha feito. Simplesmente acompanhamos o crescimento mundial.

Responder
Isis Monteiro 04/04/2016 22:41:39

Meu Deus!
Em 2007 viviamos uma grande euforia. A economia bombando, teríamos copa do mundo em 2014 e olimpiadas em 2016. O Brasil parecia que deixaria para trás a promessa de "País do Futuro" para se tornar "O País do Presente".
Que desilusão. Hoje em 2016, encontramos em uma situação pré-falimentar. O estado está quebrado. Crescemos 0,1% em 2014, -3,7% em 2015 e a expectativa é repetir em 2016 os -3,7%.

Responder
Isis Monteiro 19/04/2016 14:49:38

O Brasil se perdeu em 2.009 com a nova matriz economica que aumentou as distorções, aumentou os problemas fiscais e foi a origem próxima da crise.
Aumentaram subsídios a certos setores, os preços da eletricidade e da gasolina foram congelados, o governo adotou uma nova forma de cálculo do salário mínimo, aumentou a proteção a certas indústrias.
A nova matriz economica passou a ignorar a disciplina fiscal.
Estes foram os pontos que nos levaram ao atual cenário de quebradeiras.

Responder
amauri 26/04/2016 19:38:03

Boa tarde Leandro!
Meirelles cogitado para fazenda. Os EUA não estão em guerra.
Pergunto:
O que pode ser feito para o Brasil avançar

Grato

Responder
Isis Monteiro 27/04/2016 16:36:09

O Brasil precisa de uma reforma profunda. Precisamos reagir. Enquanto ficarmos apenas observando o que nossos governantes fazem, estaremos perdidos. Reação é a palavra. Precisamos ir para a rua. Precisamos encher a caixa postal de nossos representantes, precisamos apoiar abaixo assinados. Reclamamos mais nos encontramos em uma passividade total. Somente agora parece que estamos despertando. Enquanto não participarmos, viveremos no eterno descalabro.

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Alexandra Moraes 27/04/2016 17:16:29

A nova matriz economica utilizada nos últimos anos fez com que nossa economia entrasse em uma estagnação profunda. Esta política economica forjada no governo Lula e Dilma foi bastante danosa ao crescimento do Brasil. Em 2014, crescemos 0,1%, ou seja, nada. Em 2015, decrescemos 3,7%. A previsão para 2016 vai de -3,8% a -6%. Em 2017, vários economistas apuram zero de crescimento.
Durante um bom tempo tivemos uma grande ilusão: renda, redução da desigualdade, melhora na educação, Bolsa família....
No final verificamos que a conta será bastante salgada e que durante muito tempo teremos que arcar com ela.

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Edson 19/05/2016 14:08:57

Parabéns pelo artigo, Leandro! Foi muito esclarecedor. Acabei de conhecer esse site e pretendo retornar mais vezes. O assunto é muito interessante e você conseguiu explicar de forma que até leigos pudessem entender. Obrigado.

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Fã do Leandro Roque 21/05/2016 15:59:16

Artigo lendário.

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Alef Adiglerdan 31/05/2016 19:17:08

Excelente artigo, tão bom que até inspirou o tema do meu TCC, hahaha.

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