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Por quem os juros dobram - e o que pode ser feito pela economia brasileira

Sejamos sinceros: com nossas universidades loteadas por professores keynesianos, e com um empresariado de mentalidade protecionista e afeita a subsídios, era inevitável que, cedo ou tarde, esse experimento conhecido como "Nova Matriz Econômica" fosse implantado no país.

A demanda por esse conjunto de políticas keynesianas é antiga.  Mesmo quando, no período 2005-2008, o crescimento da economia brasileira era elevado, a inflação de preços era declinante, o desemprego diminuía e a classe média aumentava rapidamente, os clamores por uma guinada mais radical à heterodoxia ainda eram uma constante. 

E o argumento — o mesmo de sempre — era o de que o país iria crescer muito mais caso o governo adotasse uma política fiscal mais expansionista e uma política monetária mais frouxa, utilizasse os bancos estatais para expandir o crédito, desvalorizasse o câmbio e aumentasse as tarifas de importação para "estimular" a indústria nacional. 

Durante o auge desse experimento, em que o "capitalismo de estado" foi elevado ao paroxismo, não foram poucos aqueles que vaticinaram que tal arranjo "havia vencido e havia melhorado a vida do pobre".

Tais pessoas se deixaram levar pelos resultados de curto prazo — quando medidas heterodoxas são adotadas após medidas ortodoxas terem arrumado a casa, os números econômicos apresentaram um desempenho atraente —, e ignoraram completamente as consequências de longo prazo.

Mas o longo prazo chegou. E os resultados deste experimento ultrakeynesiano estão se revelando trágicos.

Não é o objetivo do presente artigo listar todos os erros da Nova Matriz Econômica.  Isso já foi feito em detalhes neste outro artigo, na forma de uma narração cronológica. 

Aqui, por uma questão de brevidade, vale apenas dizer que este experimento ultrakeynesiano culminou em um grave desarranjo nas contas públicas, em uma forte elevação da dívida bruta, em uma acentuada desvalorização cambial, na mais alta taxa de inflação de preços desde 2003, e, como não poderia deixar de ser, em uma sensível queda na renda real dos trabalhadores.

Esses cinco fatores, conjuntamente, derrubaram a confiança dos consumidores, dos empresários e dos investidores nacionais e estrangeiros.  Pelos dados mais recentes, a confiança dos consumidores caiu 23% em apenas um ano, a confiança do empresariado desabou ao pior nível da série histórica, e os investimentos acumulam sete trimestres seguidos de queda.

Em paralelo, as agências de classificação de risco ameaçam rebaixar os títulos da dívida do governo brasileiro à qualidade de "especulativo" — o que gera ainda mais desvalorização cambial, realimentando a inflação de preços —, o desemprego segue em ascensão, algo atípico para esta época do ano, e espera-se que a economia encolha quase 2% este ano.

Para piorar a situação

Por si sós, tanto o diagnóstico da situação quanto a cura são simples.  Vivêssemos em um país estável, não haveria maiores percalços na correção dos problemas acima.  Seria um processo doloroso, sim, mas totalmente solucionável.  Com efeito, não seria muito diferente do que foi feito no próprio Brasil em 2003, ou nos EUA no início da década de 1980.

No entanto, o Brasil está passando por um período de forte turbulência no cenário político.  Embora turbulências políticas não sejam atípicas no Brasil — passamos por algo semelhante em 1992, com o impeachment de Fernando Collor, e em 2005, com o estouro do "mensalão" —, a atual crise política possui componentes realmente únicos.  E bastante desestabilizadores.

De um lado, segundo os delatores Ricardo Pessoa, Fernando Baiano, Pedro Barusco e Alberto Youssef, o dinheiro roubado da Petrobras bancou as campanhas eleitorais de Dilma, o que seria motivo para impeachment.  Adicionalmente, as pedaladas fiscais ocorridas no primeiro mandato de Dilma configurariam crime de responsabilidade fiscal, também motivo para impeachment.

E, por se tratar de fatos que envolvem a campanha eleitoral, o então candidato à vice-presidência e atual ocupante do cargo, Michel Temer, também pode ser engolfado pelas denúncias.

Mas não pára por aí: os sucessores diretos da presidente da República — que são o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o do Senado Federal, Renan Calheiros — também estão envolvidos em inquéritos no STF, e podem ser igualmente derrubados.

Ou seja, simplesmente não se sabe quem sobrará inteiro. 

Com o perdão do clichê, o estado brasileiro se transformou em uma ilha cercada por corrupção por todos os lados. As denúncias envolvendo os principais líderes da política se generalizam e se banalizam.

Por si só, este cenário de total incerteza política já seria o suficiente para travar os investimentos.  Quem faria um investimento de longo prazo em um país cujo cenário político pode mudar radicalmente já no próximo mês?  No entanto — e novamente com o perdão do clichê —, como desgraça pouca é bobagem, essa crise política ocorre em um cenário de economia já deteriorada, em que há uma inflação de preços teimosamente alta, uma moeda que está se esfacelando no cenário internacional, e um crescente desemprego, o que intensifica ainda mais os problemas.

Não haverá crescimento enquanto os investimentos não voltarem

Para a economia voltar a crescer é necessário haver investimentos.  Por definição, não há crescimento econômico sem investimentos.  Não há empregos sem investimentos.  Não há consumo sem investimentos.

Para algo ser consumido, antes ele tem de ser produzido.  E para ele ser produzido é necessário haver bens de capital operando em uma instalação industrial para fabricá-lo.  E nada disso existe sem investimentos.

Igualmente, não há geração de empregos com bons salários sem investimentos.

Só que os investimentos só ocorrem quando, além de um mínimo de estabilidade político, a inflação de preços é baixa e as contas do governo estão arrumadas.

O que esse governo parece não ter entendido é que uma inflação de preços permanentemente alta tem o poder de desorganizar toda a economia, pois ela gera grandes incertezas entre os empreendedores e também entre os consumidores.

Quando um empreendedor faz um investimento voltado para o longo prazo — ou seja, quando ele decide construir novas instalações, ou quando ele decide ampliar as instalações de sua empresa, ou quando ele decide investir em infraestrutura, ou até mesmo quando ele pensa em contratar mão-de-obra —, o mais essencial de que ele necessita é ter um mínimo de certeza a respeito do poder de compra da moeda no futuro, que é quando investimento dele estará pronto e ele começará a auferir as receitas dele. 

Se houver a perspectiva de que o poder de compra da moeda será muito menor do que o poder de compra atual, então esse investimento de longo prazo se torna muito arriscado e incerto.

Se você não tem como prever minimamente quais serão os preços e os custos daqui a alguns anos, qualquer investimento de longo prazo se torna um tiro no escuro.

E então, como consequência, os empreendedores passam a se concentrar em projetos de curto prazo; projetos que visam ao futuro mais imediato.  Consequentemente, a fabricação de máquinas e equipamentos, bem como a ampliação de instalações industriais serão interrompidas, e investimentos de mais curto prazo, como a fabricação de pirulitos e biscoitos, serão os mais prioritários.  Adicionalmente, empreendedores e investidores passarão muito mais tempo especulando no mercado financeiro apenas para se protegerem da perda do poder de compra da moeda.

Vale repetir: em um cenário de inflação de preços permanentemente alta, a maior preocupação de investidores e empreendedores passa a ser a de se proteger da perda do poder de compra da moda.  Tanto é assim que na época da hiperinflação no Brasil ninguém planejava a longo prazo.

E os consumidores, por sua vez, ao verem que seu orçamento está apertado e seu poder de compra está caindo, acabam sendo obrigados a apertar os cintos e a consumir apenas o essencial.

Ou seja, uma inflação de preços permanentemente alta tem o poder de fazer com que coisas essenciais — como investimentos de longo prazo, que são os reais geradores de riqueza de uma economia — sejam sensivelmente afetadas, e que outras coisas igualmente importantes deixem de ser consumidas.

De janeiro de 2010 (primeiro mês após um ano de recessão, que foi 2009) até junho de 2015, a inflação de preços mensurada pelo IPCA é de 43%.  Um bem que custava R$ 50.000 no início de 2010 hoje custa R$ 71.421.  Isso não é coisa de país sério e desenvolvido.

(A título de comparação, um país que tenha uma inflação de 2% ao ano — que já é considerada alta lá nos países desenvolvidos — irá demorar 18 anos para acumular essa mesma inflação de 43% que acumulamos em apenas 5 anos e meio.)

Pior ainda: o último ano em que tivemos um IPCA que ficou no centro da meta estabelecida pelo Banco Central foi em 2009, quando o IPCA ficou 4,47%.  E aquele foi um ano de recessão.  Desde 2011, a inflação de preços em nenhum momento fica perto da meta de 4,50% estabelecida pelo próprio Banco Central.  Em vários momentos ela ultrapassa o teto da meta, de 6,50%. 

Além da inflação, como dito, outro fator que afeta os investimentos é o orçamento do governo.  Se as contas do governo estiverem em descalabro, os investimentos inevitavelmente serão afetados.  E o motivo é simples: contas desarranjadas não duram por muito tempo.  Sempre chega o momento do rearranjo.  E quando essa necessidade de ajuste fiscal se impõe, as medidas adotadas — alta de impostos e abolição de isenções — geram custos adicionais às empresas e mudam totalmente o cenário no qual elas basearam seus planos de investimentos.

Empresas, vale repetir, planejam a longo prazo.  Elementos como previsibilidade, facilidade de empreender e custo tributário são cruciais.  Mudanças abruptas que afetam a previsibilidade, que elevam a complexidade, que geram mais incertezas, e que aumentam o custo da tributação alteram todo o planejamento das empresas e causam danos duradouros.

A conjunção desses três fatores — instabilidade política, inflação de preços continuamente alta, e política fiscal frouxa (o que gera incertezas em decorrência de um orçamento governamental instável) — levaram a uma retração dos investimentos que já perdura há sete trimestres.

Os seis fatores que geram a inflação de preços

1) Descasamento entre oferta e demanda

A primeira coisa a se ter em mente é que as leis básicas da economia são imutáveis.  Se a inflação de preços se mantém, durante anos, continuamente alta, isso significa que está havendo um descasamento entre oferta e demanda. 

Um dos pilares da Nova Matriz Econômica foi o incentivo ao consumo.  Só que o incentivo ao consumo não foi acompanhado por aumento dos investimentos visando ao aumento da oferta de bens.  Ao contrário: ao elevar as tarifas de importação, e fazer do Brasil a economia mais fechada do mundo, o governo restringiu ainda mais a oferta interna de bens, levando a um encarecimento ainda mais intenso dos produtos.

O problema do Brasil nunca foi de demanda, mas sim de oferta de bens e serviços.  Ao estimular a demanda, mas não fazer nada para incentivar a oferta, o governo criou o primeiro estímulo a uma inflação de preços permanentemente alta.

2) Expansão do crédito dos bancos estatais

Esse segundo fator decorre diretamente do primeiro.  Com a eclosão da crise financeira ao final de 2008, que começou com a quebra do Lehman Brothers, houve um congelamento no mercado de crédito global.  Ato contínuo, os bancos privados brasileiros, por causa desse cenário de grande incerteza, se tornaram mais cautelosos. 

Consequentemente, com o intuito de manter o consumo a todo custo, o governo fez com que os bancos estatais — que estão sob o comando da Fazenda — assumissem uma postura acentuadamente contracíclica.  O Banco do Brasil, a Caixa e o BNDES abriram as torneiras e mantiveram o crédito.  Resultado: o crédito no Brasil passou a ser concedido majoritariamente via bancos estatais, e quase sempre a juros abaixo da própria taxa SELIC.

O gráfico abaixo mostra a expansão do crédito ocorrida no Brasil desde a criação do real. A linha azul mostra o total de crédito concedido pelos bancos privados (Itaú, Bradesco, Santander, HSBC, Citibank e outros pequenos).  A linha vermelha mostra o total de crédito concedido pelos bancos estatais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste e outros bancos públicos estaduais, como Banrisul, BRB, Banco da Amazônia, Banestes).

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É nítida a forte inclinação adquirida pela linha vermelha a partir de meados de 2008, assumindo um formato de crescimento exponencial.  Entre 2009 e 2015, o crédito concedido pelos bancos estatais praticamente quadruplicou.

Vale enfatizar que, no nosso atual sistema monetário e bancário, o processo de expansão do crédito gera um aumento da quantidade de dinheiro na economia.  Quando uma pessoa ou empresa pega empréstimo, os bancos criam dinheiro do nada — na verdade, meros dígitos eletrônicos — e simplesmente acrescentam esses dígitos na conta do tomador do empréstimo.  

Ou seja, todo esse processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.  (Mesmo o BNDES, que antigamente utilizava apenas recursos do FAT, teve sua operação alterada, e agora também se tornou uma máquina de criar dinheiro, ainda que de maneira indireta). 

Explicar o funcionamento do sistema bancário está fora do escopo desse artigo (você pode entender todos os detalhes do sistema bancário neste artigo), de modo que basta dizer que os bancos, quando emprestam dinheiro, criam dígitos eletrônicos do nada, e esses dígitos eletrônicos representam dinheiro. 

Consequentemente, o gráfico acima mostra a quantidade de dinheiro que os bancos (privados e estatais) jogaram na economia.

Além de comprovar que o crédito no Brasil já se encontra efetivamente estatizado — pois o volume de crédito fornecido pelos bancos estatais ultrapassou em muito o volume de crédito fornecido pelos bancos privados —, o gráfico acima mostra que são os bancos estatais os principais causadores da carestia que estamos vivenciando no Brasil.  De 2009 até hoje, eles sozinhos já jogaram mais de R$ 1,25 trilhão na economia brasileira.  Nesse mesmo período, os bancos privados jogaram "apenas" R$ 600 bilhões.

Quanto mais dinheiro eles jogam na economia, maior é a pressão sobre os preços.

E há um detalhe maléfico: os bancos estatais trabalham majoritariamente com uma modalidade de crédito chamada "crédito direcionado".  Isso significa que os bancos estatais são obrigados, pelo governo, a fornecer empréstimos subsidiados pelo Tesouro — a juros bem abaixo da SELIC — para alguns setores escolhidos pelo governo, sendo os principais o setor imobiliário (para aquisição de imóveis), o setor rural, o setor exportador e os barões do setor industrial.

Ou seja, aquela linha vermelha representa um crédito que é alocado de acordo com critérios políticos (Minha Casa Minha Vida, Crédito Rural Empresarial, Pronaf, PRONAMP, FINAME PSI, FIES etc.), ao passo que a linha azul representa um crédito que é alocado mais de acordo com as reais condições de mercado.

Consequentemente, a política de juros do Banco Central não afeta aquela linha vermelha.  Ela afeta apenas a linha azul.  Ou seja, a política de juros do Banco Central atua apenas sobre o crédito livre, que é quase todo fornecido pelos bancos privados.  Quanto mais a SELIC sobe, mais o crédito dos bancos privados é asfixiado, e consequentemente maior é o grau de estatização do crédito.  Isso significa que o combate à carestia via simples aumento da SELIC não funcionará enquanto os bancos estatais estiverem sob comando da Fazenda. 

Em última instância, são os bancos estatais os responsáveis pelos juros serem altos no Brasil.  Dado que o "crédito direcionado" é imune à SELIC e dado que tal modalidade de crédito representa quase metade dos empréstimos feitos no Brasil (veja aqui os juros e o volume total do crédito direcionado, e aqui os juros e o volume total do crédito livre), a conclusão óbvia é que a SELIC tem de estar em um nível duplamente mais alto apenas para encarecer os empréstimos feitos pelos bancos privados e, com isso, reduzir um pouco o processo de criação de dinheiro.

Caso os bancos estatais operassem sob as mesmas leis que valem para os bancos privados, a SELIC seria menor e, consequentemente, os juros cobrados pelos bancos privados também seriam menores do que são hoje; por outro lado, os juros cobrados pelos bancos estatais seriam maiores do que são hoje.  No geral, teríamos taxas de juros (do crédito livre) e de inflação de preços um pouco mais civilizadas.

3) Déficits orçamentários do governo

Quando o governo incorre em um déficit orçamentário — ou seja, quando ele gasta mais do que arrecada com impostos —, o Tesouro emite títulos.  Esses títulos são majoritariamente comprados pelos bancos por meio do processo de criação de dinheiro descrito acima. 

Portanto, os déficits do governo são uma medida inerentemente inflacionária

O gráfico abaixo mostra o total de títulos que o Tesouro emitiu e que ainda estão em circulação.  Ou seja, grosso modo, o gráfico abaixo mostra a quantidade de dinheiro que os bancos criaram para comprar esses títulos.

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Observe que, de 1998 a 2008, o crescimento é linear.  Em 2009, há uma aceleração, decorrente da introdução da política de emitir títulos para financiar o BNDES.  Já em meados de 2014, a emissão de títulos acelera ainda mais, agora em decorrência de o governo estar operando em déficit primário.

Ou seja, essa recente aceleração da emissão de títulos do Tesouro, decorrente da devassidão dos gastos do governo, aumentou ainda mais a quantidade de dinheiro jogado na economia. (Vale ressaltar que esse dinheiro utilizado para comprar títulos do governo não está incluído no gráfico do item 2).

Adicionalmente, vale ressaltar que, na prática, o gráfico representa a evolução da dívida total do Tesouro. 

4) Desvalorização cambial

A taxa de câmbio, que já vinha em contínua desvalorização desde julho de 2011 (desvalorização essa decorrente da contínua inflação de preços), intensificou as perdas a partir de 2015 devido ao risco cada vez mais concreto de o governo brasileiro perder o selo de bom pagador (o investment grade concedido pela agência de classificação de risco Standard & Poor's).

Com a recente notícia de que o governo não conseguirá nem sequer cumprir o já baixo valor do superávit primário prometido para este ano — o superávit seria de 1,1% do PIB, mas será de apenas 0,15% —, a coisa degringolou de vez.

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Com tudo isso, em apenas quatro anos, o dólar saltou de R$ 1,60 para R$ 3,40.

A desvalorização cambial é um fenômeno que gera carestia generalizada em praticamente todos os bens e serviços do mercado interno, pois ela gera um efeito em cascata.  Até mesmo os preços de coisas básicas como remédio, pão e carne encarecem em decorrência de uma alta do dólar.

(A química fina dos remédios é toda importada. O trigo do pão, que também é majoritariamente importado, é uma commodity precificada em dólar. E a carne, que é altamente exportável, encarece pelo fato de que, se o dólar encarece, mais carne é exportada, o que leva uma redução da oferta de carne no mercado interno.  Adicionalmente, o dólar caro também encarece o preço da soja (a soja é uma commodity precificada em dólar e é exportável); e dado que o farelo de soja é utilizado como ração para bovinos, o encarecimento da soja encarece todo o processo de produção.  (Apenas no mês de março, a tonelada do farelo de soja subiu de R$ 1.070 para R$ 1.250).

Quando a carestia é gerada pela expansão do crédito, a renda nominal das pessoas — por causa do aumento da quantidade de dinheiro na economia — tende a aumentar de maneira relativamente simultânea ao aumento de preços.  Já quando a carestia é impulsionada por uma desvalorização cambial, a renda nominal não acompanha os preços, o que gera uma sensação mais imediata de empobrecimento.  Parodiando Mario Henrique Simonsen, a inflação (monetária) aleija; o câmbio mata.

No que mais, ao contrário do que defendem os desenvolvimentistas, uma desvalorização cambial prejudica a indústria nacional.  Qualquer indústria que se preze tem de importar máquinas e bens de capital de qualidade, além de peças de reposição, para produzir seus bens de qualidade.  Se isso puder ser feito a um custo baixo (permitido por uma moeda forte), tanto melhor.  Uma moeda forte permite que as indústrias comprem bens de capital, máquinas e equipamentos de qualidade a preços baixos.  Isso as deixaria mais produtivas, aumentaria a qualidade dos seus produtos, e faria com que eles fossem mais demandados lá fora, ajudando as exportações.

Já uma moeda desvalorizada encarece toda essa operação, fazendo com que as indústrias tenham de pagar mais caro por maquinários de qualidade.  O processo de produção das indústrias é sensivelmente encarecido por uma desvalorização cambial.

Para entender em mais detalhes por que um câmbio desvalorizado prejudica a indústria nacional e gera desindustrialização, ver aqui, aqui e aqui.

5) Preços administrados

Esse é o mais óbvio.

De um lado, um mastodôntico esquema de corrupção funcionou durante anos na Petrobras, o que destroçou o capital da empresa.  Ao mesmo tempo em que esse esquema operava, o governo obrigou a Petrobras a vender às distribuidoras gasolina abaixo do preço pelo qual ela foi importada.  E a obrigou também a produzir utilizando uma determinada porcentagem de insumos fabricados no Brasil. O capital da Petrobras, portanto, sofreu um triplo ataque.  Consequentemente, a Petrobras se torna a empresa mais endividada do mundo.

De outro, o governo, em 2012, unilateralmente decidiu revogar os contratos de concessão das empresas de geração e transmissão de energia (os quais terminariam entre 2014 e 2018) com o intuito de fazer novos contratos e impor tarifas menores. 

Com esse ataque às geradoras e transmissoras, as distribuidoras ficaram sem alternativa e tiveram de recorrer ao mercado de energia de curto prazo, no qual os preços negociados são muito superiores em relação aos ofertados pelas geradoras que ficaram sob intervenção. 

As distribuidoras ficaram desabastecidas e endividadas e o Tesouro — ou seja, nós, os pagadores de impostos — começou a repassar dinheiro para as distribuidoras, garantindo artificialmente a política de tarifas baratas.  Isso estimulou o endividamento do governo, mostrado no gráfico do item 3.

Com a insustentabilidade das contas públicas, os repasses do Tesouro às distribuidoras de energia foram abolidos.  As tarifas encareceram, em média, 58%. (Em Porto Alegre e São Paulo, os reajustes ficam acima de 70%; em Vitória e Curitiba, passam dos 80%). 

Ao mesmo tempo, a Petrobras decidiu que já era hora de recompor seu caixa (dizimado tanto pela corrupção quanto pela política de vender gasolina a preços menores que os custos de importação), e o preço da gasolina disparou nas bombas.

Esse impacto da correção dos preços administrados, que ficaram represados por anos, é um dos principais vilões da carestia neste ano de 2015.  E seus efeitos são semelhantes aos de uma desvalorização cambial.

6) Expectativas de inflação

Esse é um fator crucial.

Os cinco itens acima, conjuntamente, fazem com que o cidadão comum — que já passou os últimos 5 anos convivendo com uma inflação constantemente acima da meta — simplesmente imagine que a inflação de preços continuará alta no futuro. 

Ao sentir de maneira cada vez mais evidente a contínua corrosão do seu poder de compra, o indivíduo naturalmente passa a imaginar que a inflação de preços continuará alta e não irá ceder rapidamente.  Trata-se de uma reação automática.  Por que ele iria pensar o contrário?

Essa deterioração das expectativas inflacionárias faz com que os formadores de preço — dentistas, encanadores, advogados, mecânicos, indústrias e comércio — incorporem essa expectativa de que a inflação continuará alta e, consequentemente, reajustem seus preços baseando-se nessas expectativas.

A percepção de que está havendo uma perda real de renda leva a um processo defensivo por parte desses agentes econômicos, que tentam preservar sua renda real por meio de reajustes de preços, salários e contratos.

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E isso realimenta um contínuo aumento de preços.

Vale ressaltar que o grande culpado por esse descalabro é o próprio Banco Central, que, desde 2011, não apenas não cumpriu sua função autoproclamada de manter a inflação de preços na meta por nenhum ano, como ainda permitiu que a inflação de preços se mantivesse por vários meses acima do teto da meta.  O Banco Central condicionou os brasileiros a criar uma alta expectativa inflacionária.

Por isso os juros dobraram

Os seis itens acima explicam por que a taxa SELIC foi de 7,25% para 14,25% em dois anos e meio.

Ao que tudo indica, o Banco Central atentou-se para o último item, e percebeu que é crucial retornar as expectativas inflacionárias para níveis mais baixos.  Daí a subida mais intensa dos juros observada neste ano, mesmo com uma economia em recessão.

E o fato de o Banco Central estar subindo os juros durante um momento em que a economia já se encontra em recessão vem espantando várias pessoas, inclusive analistas econômicos.  O motivo dessa subida dos juros, ao menos do ponto de vista da teoria econômica convencional, é simples: a inflação está alta e, ainda mais grave, as expectativas inflacionárias para o futuro também estão altas.  A subida dos juros seria a única maneira de o Banco Central — utilizando um jargão econômico favorito da imprensa — "ancorar" as expectativas inflacionárias futuras.

Ou seja, segundo a teoria convencional, mesmo em um ambiente de recessão, e apesar do fato de os preços administrados pelo governo (imunes a juros) terem contribuído enormemente para o forte aumento da carestia, subir os juros é necessário pelo simples fato de a inflação de preços estar alta. 

Adicionalmente, ainda segundo a teoria convencional, há o fato de que um aumento dos juros tende a arrefecer a demanda (inclusive os investimentos, que geram grande demanda) e o emprego.  Esse conjunto de fatores recessivos tende a pressionar os preços para baixo.  Consequentemente, o fato de as expectativas inflacionárias futuras estarem altas piora a situação, pois, para trazer a inflação à meta, a queda da demanda e da atividade econômica, bem como o aumento do desemprego, têm de ser maior do que seriam caso a expectativa estivesse na meta.

Logo, e sempre de acordo com a teoria convencional, a maneira mais rápida de reverter um cenário de deterioração das expectativas de inflação é, de um lado, gerar uma forte recessão, com queda dos salários e aumento do desemprego; e de outro, estimular as pessoas, por meio de um aumento do rendimento das aplicações financeiras, a não se desfazerem da moeda por medo de uma perda do poder de compra,

Esse é o atual plano do Banco Central.

Mas há também outros motivos para a alta dos juros. 

Segundo o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, por causa da deterioração do atual panorama fiscal do governo federal, uma parte dos títulos que o Tesouro põe a leilão já não está conseguindo ser vendida, pois os juros ofertados não são atrativos o bastante.  Isso é outro fator crucial que está forçando os juros para cima.

No final, o nível dos juros praticados por um país depende de uma combinação de uma variedade de riscos: inflação de preços vigente (atualmente em quase 9%), expectativas de inflação futura (ainda altas), situação fiscal do governo (lastimável), solvência do Tesouro (ainda existe), riscos políticos (enormes) e risco de súbita desvalorização cambial (o dólar subiu 51% nos últimos 12 meses; somente em julho, subiu 10%). 

No momento, todos esses itens, como explicado no artigo, estão se manifestando acentuadamente no Brasil.

Quanto piores esses itens, maiores tenderão a ser os juros demandados por quem pretende emprestar para o governo.

O grande problema é que esse aumento de juros tende a gerar um ciclo vicioso: a subida dos juros encarece o serviço da dívida; consequentemente, o Tesouro tem de se endividar (lançar mais títulos) apenas para pagar o serviço da dívida; consequentemente, a dívida do governo aumenta; consequentemente, a relação dívida/PIB, já alta, se deteriora ainda mais; consequentemente, o investment grade do país fica ainda mais em risco.  E tudo isso gera ainda mais desvalorização cambial, o que pressiona ainda mais inflação de preços.

Conclusão: elevar juros tendo uma política fiscal frouxa e trabalhando com câmbio flutuante é quase um suicídio.  Por outro lado, dada a escolha de um arranjo com câmbio flutuante, não há alternativa.

O que poderia ser feito

O atual problema do Brasil está na moeda — a inflação de preços está alta e, consequentemente, os juros estão altos — e na política fiscal do governo.  Isso está, pelos motivos descritos acima, afetando severamente os investimentos.

Estamos em uma sinuca de bico: os juros altos e a confiança em baixa diminuem os investimentos e o consumo.  Isso gera recessão.  A recessão reduz as atividades das empresas e aumenta o desemprego. Isso inibe ainda mais os investimentos e acentua a queda da confiança.  Cria-se então um ciclo vicioso.

A reversão desse cenário passa pelo aumento nos investimentos.  E, dado que é justamente de investimentos que o Brasil precisa, a solução passa por criar um arranjo que estimule os investimentos ao mesmo tempo em que o governo faz seu ajuste fiscal e o Banco Central mantém sua política de (tentar) recuperar a confiança no real.

E isso é possível adotando-se duas políticas relativamente simples de serem implantadas.

De um lado, todo e qualquer investimento estrangeiro deve ser imediatamente liberado.  A nossa salvação está no capital estrangeiro.  Dado que os juros nos países desenvolvidos estão próximos de zero, e dado que esses estrangeiros muito provavelmente fariam qualquer investimento que retorne acima de 5%, é com eles que teremos de contar.  O governo brasileiro, portanto, deveria liberar totalmente a vinda de capital estrangeiro para cá, dando plena liberdade para os estrangeiros investirem onde quiserem, sem tabelar lucros, sem tabelar a taxa de retorno, e acabando com todas as restrições vigentes que impõem um limite para a participação de estrangeiros em vários setores da economia.  (Essas políticas foram explicadas em mais detalhes neste artigo).

De outro lado — e, sem isso, é impossível o sucesso do item anterior —, o governo deve imediatamente liberar o uso de moedas estrangeiras no Brasil.  De nada adianta os estrangeiros estarem liberados para investir aqui se eles forem obrigados a operar exclusivamente com o real.  O simples fato de o câmbio ser flutuante, e de estar em tendência de forte desvalorização, já faz com que qualquer investimento produtivo seja proibitivo. 

Eis um exemplo: em janeiro, quando um dólar custava R$ 2,60, um investidor que tivesse trazido US$ 100 para Brasil converteria para R$ 260.  Hoje, com o câmbio a 3,40, se esses R$ 260 fossem reconvertidos em dólares, o investidor estrangeiro teria apenas US$ 76.  Consequentemente, seus investimentos no Brasil teriam de ter um retorno de 30% em seis meses apenas para ele ficar no zero a zero

Essa é a encrenca do câmbio flutuante.  País de moeda instável é prejuízo certo para o investidor estrangeiro.  A taxa de retorno teria de ser altíssima para que ele se arriscasse a vir para cá.

Se um investidor estrangeiro não faz a menor ideia de qual será o valor do real no futuro, ele não fará investimentos de longo prazo, e se concentrará majoritariamente na especulação financeira, que permite ganhos expressivos em prazos ínfimos.

Por isso, é crucial que o governo libere o uso de moedas estrangeiras no Brasil. Tal arranjo foi adotado com grande sucesso no Peru, que liberou o dólar como moeda corrente.  Ao contrário do que muitos temiam, a moeda nacional peruana se fortaleceu com a medida, e os juros nacionais caíram acentuadamente.  Além de a concorrência estimular tanto o Banco Central quanto o governo a serem mais prudentes e responsáveis, o próprio aumento da oferta de moeda estrangeira tende a apreciar a moeda nacional.

Mais detalhes sobre esse processo estão descritos neste artigo.

Sem essas duas medidas tomadas conjuntamente, resta-nos apenas torcer para que impere o bom senso em Brasília (não prenda a respiração) e que esse ajuste não seja tão demorado quanto se estima (já há um consenso de que haverá estagnação até 2018).

Conclusão

Uma recessão econômica, por si só, já é um fenômeno delicado, que exige racionalidade política.  Um governo excepcionalmente bom (se é que isso é possível) pode apenas não atrapalhar a economia.  Já um governo incrivelmente ruim pode exacerbar completamente uma situação econômica já complicada.

Estamos em um cenário de muita incerteza, pouco investimento, baixa produtividade, recessão, desemprego, crise energética e crise hídrica.  Para ficar mais gostoso, há uma crise política que já virou crise policial, o que aumenta ainda mais a paralisia da economia.

Mas há ao menos uma boa notícia em meio a tudo isso: esse experimento ultrakeyensiano da Nova Matriz Econômica — o qual, como dito lá no início, era inevitável — fracassou não apenas de forma fragorosa e brutal, como também de maneira rápida. 

A ideia de recorrer a uma maior intervenção governamental para aditivar o crescimento econômico sob a direção de Brasília não apenas gerou todos os descalabros citados, como ainda fez com que, no final, a taxa básica de juros voltasse a patamares que vigoravam há nove anos.

Com alguma sorte, novas aventuras heterodoxas desse tipo não serão novamente tentadas nas próximas duas décadas.

__________________________________________

Leia também:

O trágico legado da "Nova Matriz Econômica" - um resumo cronológico 

Uma radiografia da destruição do real - ou: não há economia forte com uma moeda doente 

Os 10 pecados capitais da política econômica do governo Dilma 

O que houve com a economia brasileira? 

Para impedir a destruição do real e do setor industrial, o Banco Central tem de ter concorrência

O crescimento econômico é fácil e natural - basta o governo permitir


2 votos

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Fernando  03/08/2015 11:01
    Prezado Leandro,

    Novamente um artigo bastante elucidativo. Muito obrigado.

    Sobre esse trecho:

    Consequentemente, a fabricação de máquinas e equipamentos, bem como a ampliação de instalações industriais serão interrompidas, e investimentos de mais curto prazo, como a fabricação de pirulitos e biscoitos, serão os mais prioritários.

    Considera esse o fator responsável por aquela enxurrada de notícias que começam com "apesar da crise", e que serviram de combustível pra esquerda afirmar que não existe crise nenhuma?

    Aliás, é possível afirmar que estamos às portas de mais um caso de inflação inercial - "fuga para os bens" - no Brasil?
  • Leandro  03/08/2015 13:53
    Desculpe-me, mas não acompanho essa gente. Não ganho lendo o que ideólogos e panfletários pensam.

    Sobre uma possível "fuga para ativos reais", eu tenho observado isso. Na pequena cidade do interior em que estou morando, as famílias ricas estão construindo imóveis (com a crença de que são ativos que sempre se valorizam no longo prazo) justamente para protegerem seu patrimônio. Tal prática era bastante comum na década de 1980.
  • Fernando  03/08/2015 15:56
    Devo dizer que eu também não acompanho - isso apenas espocou na minha cara via Facebook.

    Mas a minha pergunta, sem a menção ao ilusionismo de esquerda, é: as notícias que dizem que, apesar da crise, a empresa X tem lucro recorde ou o setor Y apresenta expansão, não estão na verdade divulgando uma outra faceta da crise - qual seja, o sobredimensionamento das etapas mais próximas ao produto final ocasionado pelo aumento do consumo?

    Sabemos que a indústria brasileira tá no bico do corvo, então não seriam essas notícias a divulgação de um mero soluço, plenamente esperado em épocas críticas como essa?
  • Eduardo  03/08/2015 19:51
    Em qualquer crise você sempre irá encontrar setores que aguentaram ou mesmo expandiram, até na Grande Depressão. Dê uma busca aí.

    Dentre vários setores, um em particular é a bilheteria dos cinemas, que bateu recordes ao longo da Grande Depressão, na crise americana de 2008 e hoje cresce no Brasil, por exemplo.

    No entanto, só uma lesma alegaria que não houve crise econômica na Grande Depressão (aliás, por este critério, talvez nunca tenha havido crise econômica em qualquer lugar do mundo). Ninguém sério afirma que "crise é quando TUDO vai pro buraco".

    Acredito que existem duas opções em relação a este tipo de raciocínio
    1) O sujeito não entende os fundamentos da economia, o que são ciclos econômicos, o que é uma recessão, etc, e acredita que "crise econômica é quando tudo vai pro buraco". Assim, ao mostrar que alguns setores cresceram, ele conclui que "não há crise econômica".

    2) O sujeito já profundamente demente e militante, ou deliberadamente demagogo, que tenta mostrar (mesmo com argumentos muito ruins) que não há crise econômica para escusar o governo ao qual ele é servil.

  • Daniel Freitas  03/08/2015 22:50
    Hoje, no Jornal Hoje, passou uma reportagem sobre um setor que não está vivenciando crise e que está contratando: o setor de remédios.

    Segundo a reportagem, "o consumo de remédios cresceu 10% apenas nesse primeiro semestre."

    E o jornalista disse isso como se fosse algo positivo!
  • Alexandre  06/08/2015 15:43
    O primeiro efeito que causa esse tipo de manchete é a substituição de bens de consumo. A carne encarece, logo a procura pelo frango aumenta. Afinal, as pessoas não param de comer. Produtos de menor valor em geral também sofrem em menor velocidade, na crise.
  • Matias  03/08/2015 11:47
    Palmas!! Esse artigo merece ser compartilhado, impresso e emoldurado.
  • ANDRE LUIS  03/08/2015 12:06
    Leandro.

    Suas duas sugestões são muito boas e bem fundamentadas, porém elas estão baseadas apenas em esperar que um ente absolutamente hostil a todas elas aja de acordo com elas.

    Se me permite, tenho também duas sugestões para ajudar o crescimento da economia sem precisar botar fé no capeta.

    1- Estimular o uso do bitcoin como moeda corrente,

    2- Criação de um parlamento virtual, com candidatos e votos 100% auditáveis, por meio da tecnologia já mundialmente consagrada das redes P2P. Este parlamento funcionaria exatamente igual ao oficial, criando e revogando leis e decretos. No início é claro, sem nenhum poder decisório, mas estaria lá no caso de quaisquer aventura ditatorial, ou mesmo na hipótese mais provável do povo na rua cansar de esperar. Dai bastaria chamar os milicos para legitimá-lo.

    Entenda Leandro, que se os institutos liberais não abraçarem causas assim, vão acabar com uma mancha na sua biografia no caso de um golpe de estado, ou pior ainda se o povo fizer sem vocês. O povo está cansado de esperar pela boa vontade de um governo revolucionário. Entendo que é uma mudança de foco radical, mas nos dias de hoje é absolutamente essencial mostrar para o povo que a tecnologia pode devolver-lhes o poder, sem necessidade de revoluções sangrentas.





  • Leandro  03/08/2015 13:53
    1 - Este item está incluído na liberação de moedas.

    2 - Tipo assim, não seria essa sua ideia de abolir o Congresso um tantinho mais extrema no sentido de esperara que um "ente absolutamente hostil a ela aja de acordo com ela"?
  • ANDRE LUIS  03/08/2015 14:41
    A questão não é abolir o congresso, mas dar ao povo a chance de escolher um novo congresso de forma mais fiel a sua vontade. É a destruição criativa aplicada ao processo eleitoral: Se algo está ruim, que seja substituído por um melhor! Vocês são os portadores da luz da destruição criativa, e na hora de aplicá-la dizem ser golpe?
    Entender a coisa assim é parte da ajuda que um instituto liberal deveria dar a um movimento desses. Entender que isso seria um golpe (quando é justamente o contrário) é justamente a parte que alego correr risco de ficar para trás na história.
  • Dani Santana  03/08/2015 16:08
    Se a coisa já não vai com 594 parlamentares que têm à disposição assessorias que devem entender de economia, imagina com 5.940.000 votantes, muitos dos quais diretamente beneficiados pelas políticas inflacionárias.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/08/2015 12:47
    Lúcido, como sempre.

    Faltou esmiuçar um pouquinho a problemática da dívida, do déficit público.

  • Lacerda  03/08/2015 13:50
    Qual aspecto dela?
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/08/2015 15:44
    - A altíssima taxa de juros implícita (muito acima da Selic) que pagamos (e continuaremos pagando) efetivamente sobre a Dívida Líquida;

    - o crescimento vigoroso da dívida de curto prazo e das operações compromissadas do bcb para fins de política monetária (que tem um altíssimo custo na conta de juros);

    - a bomba de se ter um déficit nominal de mais de 8% pib já neste ano!, com um país em recessão, sem perspectivas, e com despesas financeiras crescentes;

    - o fato de que a dívida bruta alcançará os 70% pib em breve, e de que perderemos o grau de investimento (precisamos de um superávit de 2,5-3,0% apenas pra estabilizar a relação dívida/pib).

    A nossa situação fiscal futura é absolutamente preocupante. O passivo que estamos acumulando sugará o que produzirmos de riqueza por muitos anos ainda.
  • Leandro  03/08/2015 18:22
    Bons pontos. Merecem um artigo à parte.

    Em todo caso, permita-me dizer que o primeiro item foi mencionado no artigo, o segundo foi citado na frase em que há um link para a palestra do Gustavo Franco (que fala sobre isso), há um link pá ao terceiro, e o quarto foi citado abertamente.

    Mas, de fato, cabe um artigo exclusivo sobre isso.

    Grande abraço!
  • Tannhauser  03/08/2015 13:21
    Mais um excelente resumão da nossa situação, Leandro.

    Sobre a estética do texto, sugiro formatar o parágrafo justificado.

    Sobre a conclusão final, em que pode não mais haver espaço para aventuras heterodoxas no futuro próximo, acho difícil. Já escuto pessoas culpando a "austeridade" pela inflação e crise. Inclusive, reclamações sobre os juros altos.

    Dúvidas:

    1. Pelos gráficos de crédito e títulos públicos, posso entender que não existe nem sequer uma desaceleração da expansão da base monetária?

    2. Uma liberação no uso de moedas estrangeiras não iria acabar de destruir o Real por queda de demanda? Como o governo continuaria a se financiar, uma vez que os Bancos não poderão criar moeda estrangeira para comprar títulos e o Real estaria com ainda menos valor.

    3. Sobre o custo de rolagem da dívida aumentar com o aumento dos juros, tenho dúvida de qual seria realmente o vilão da história. De acordo com o Relatório Mensal de Junho do Tesouro, 77% da dívida a vencer em 12 meses é pré-fixada e só 10% é SELIC. Ou seja, pouco importa o valor da SELIC, mas sim a inflação projetada para o período. Então, mesmo se a SELIC estivesse em 0%, os investidores somente iriam comprar títulos que pagassem mais que a inflação (câmbio, no caso dos estrangeiros). Está correto meu raciocínio?

    4. Outra dúvida sobre a Dívida Pública, fora do escopo deste artigo: ainda segundo o Relatório Mensal de Junho do Tesouro, 26% da dívida é de Instituições Financeiras, 20% Fundos de Investimentos, 20% não residentes, 19% Previdência, 5% Governo e 4% seguradoras. A ideia convencional de que os Bancos são os grandes vencedores no aumento de juros da dívida não estaria incorreta?

    Mais uma vez, parabéns pelo artigo.
  • Leandro  03/08/2015 13:54
    1. Correto, não existe

    2. Ao contrário, a tendência seria seu fortalecimento. Foi exatamente isso o que aconteceu com o Novo Sol peruano, como explicado em detalhes no artigo linkado.

    Além de a concorrência estimular tanto o governo quanto o Banco Central a serem mais prudentes, o próprio aumento da oferta de moeda estrangeira tenderia a apreciar o real.

    3. Só que essa aparentemente pequena porcentagem já faz um bom estrago. Apenas no primeiro semestre deste ano, houve um crescimento de R$ 106 bilhões com a despesa de juros em relação a igual período do ano passado.

    No que mais, vale lembrar que há títulos de curto prazo que estão sendo emitidos hoje -- aliás, são emitidos diariamente -- e estes já carregam a nova taxa.

    4. Eu nunca engoli essa ideia. Aliás, se você for observar, o período em que os lucros dos bancos mais cresceram foi justamente quando a SELIC estava em queda. Óbvio: quando a economia está estabilizada e os juros estão em queda, há mais pessoas pedindo empréstimos, e consequentemente há um volume maior de juros sendo coletados. Quem diz que aumento de juros é melhor para os bancos está, na prática, dizendo que estas instituições ganham mais em uma economia desarranjada do que em uma estável. E isso atenta contra a lógica econômica.
  • Tannhauser  03/08/2015 16:51
    Agradeço as respostas, Leandro. Duas ponderações:

    1. Sobre a liberação de outras moedas, entendo que, para funcionar, não só o Governo tem que ser sério, adotando responsabilidade fiscal, como tem que parecer sério, do contrário as pessoas abandonariam o Real. Dado que o Governo atual já não tem nenhuma credibilidade, a liberação enterraria o Real de vez. Por isso, a única saída é aguardar a entrada de um novo Governo realmente responsável. No momento não há o que fazer.

    2. Sobre o crescimento dos custos da dívida em R$ 106 Bilhões, volto ao relatório mensal de junho do Tesouro, Gráfico 4.1: ao final de 2014, o custo médio acumulado em 12 meses explodiu, principalmente devido ao aumento do custo da dívida externa, apesar do aumento gradual da SELIC neste período. Por sua vez, em 2012/2013, embora a queda vertiginosa da SELIC, os custos permaneceram praticamente estáveis, mantendo-se assim até o fim de 2014. Então, com base nestes dados, concluo que, ao menos nesse período, o enfraquecimento da moeda (inflação alta e câmbio desvalorizado) é que levou ao aumento nos encargos da dívida, não a alta da SELIC.
  • Leandro  03/08/2015 23:05
    1 - Não há por quê. E para entender por que tal pensamento está errado, pense primeiro em "taxas de juros". Depois, em "custo de oportunidades". A agora junte uma expressão à outra.

    Vou ser mais claro.

    Se o sujeito está empregado, mas mora com os pais, então os custos dele são praticamente nulos. Ele não tem de pagar aluguel, condomínio, conta de luz, água, internet, nada. Ele é capaz de poupar praticamente todo o salário que ele recebe.

    Nesse cenário, receber em reais e aplicar uma taxa de juros de 14,25% ao ano pode ser mais negócio do que receber em dólares e aplicar a 0,25% ao ano (se muito). Basta haver qualquer indício de estabilidade da taxa de câmbio, e a aplicação em reais será muito mais vantajosa.

    O mesmo raciocínio pode ser expandido para várias outras situações em que portar a moeda nacional traz mais ganhos. No extremo, basta o BC nacional elevar a taxa de juros para o que o custo de oportunidade de carregar moedas estrangeiras aumente.

    No que mais, o Peru é um exemplo prático que refuta essa sua tese. Lá, o sol peruano concorre livremente com o dólar. O que aconteceu? Pela sua teoria, era para o sol ter desaparecido. No entanto, ocorreu o contrário: o sol se fortaleceu. Óbvio: o governo sabe que, se a população abandonar o sol e ir para o dólar, as finanças (do governo) ficariam arruinadas (por causa da súbita perda do poder de compra do sol). Ato contínuo, por causa dessa concorrência, tanto governo quanto Banco Central são obrigados a manter, respectivamente, uma política fiscal e monetária austera.

    A consequência desse arranjo foi exatamente a pretendida: fortaleceu a moeda nacional e a economia deslanchou.

    Veja todos os detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089
  • Tannhauser  04/08/2015 12:22
    Obrigado pela resposta, Leandro. Concordo que seria uma ótima mudança, mas de qualquer forma seria para o futuro. Talvez com um governo um pouco mais responsável.

    Mas, sobre o segundo item, você concorda que a subida da SELIC não foi o principal fator do aumento dos custos da dívida? Pelo gráfico do tesouro, não seria a queda na demanda por Reais?


  • Leandro  04/08/2015 13:20
    Você disse que "em 2012/2013, embora a queda vertiginosa da SELIC, os custos permaneceram praticamente estáveis, mantendo-se assim até o fim de 2014. Então, com base nestes dados, concluo que, ao menos nesse período, o enfraquecimento da moeda (inflação alta e câmbio desvalorizado) é que levou ao aumento nos encargos da dívida, não a alta da SELIC."

    De um lado, a redução da SELIC reduz os encargos das LFTs, que são títulos atrelados à SELIC.

    De outro, se as expectativas inflacionárias e a própria inflação de preços aumentarem, os encargos com os títulos atrelados ao IPCA (NTNB) e ao IGP-M (NTNC) aumentarão.

    E foi isso o que aconteceu em 2012/2013. No cômputo final, uma coisa compensou a outra.

    No que mais, vale enfatizar que, dado que o Tesouro emite títulos quase que diariamente, a dívida pública cresce continuamente. E como a dívida cresce diariamente, os encargos sobre essa dívida crescente tendem a aumentar. É questão de matemática pura: quanto maior o volume da dívida, maior os encargos sobre ela, tudo o mais constante.

    Dificilmente os encargos irão diminuir enquanto a dívida estiver crescendo.
  • Marconi  03/08/2015 17:06
    4 - Quando a economia "está desarranjada", os banqueiros se dão bem sim subindo os juros. Não é uma situação melhor que a taxa de juros em queda com a economia indo bem, mas é "ótimo" no sentido de "menos pior" do que não subir os juros.

    Gente perdendo emprego e banqueiros lucrando. Menos, mais ainda sim altos pra cacilds.
  • Marconi  03/08/2015 17:15
    Leandro, muito bom o artigo! É tudo q vc já vem dizendo, mas num artigo só.

    Duas dúvidas:
    1) O gráfico da expansão de crédito, no período mais recente - último ano, sei lá - continua com aquela inclinação ali? Cadê o ajuste do Levy nos bancos públicos?

    2) Segundo aquele cálculo de real 94 + inflação / dólar + inflação.. quanto era pra estar o dólar hoje?

    Gosto muito da idéia de dolarizacão. Tb tenho a convicção q seria uma ótima idéia, pois construiria um cenário onde a valorização do real seria o cenário "menos pior" para os poderosos/banqueiros/políticos. A desvalorização do real seria o caos. Assim, a prudência nos gastos públicos iria finalmente aparecer, pois iriam querer manter um real forte ou, no mínimo, parelho com o dólar.

    Abs!
  • Leandro  03/08/2015 18:09
    1 - Esse primeiro gráfico do artigo é o mais recente, já com os dados de junho. Observe que a linha vermelha está ensaiando um ligeiro arrefecimento.

    2 - Entre 2,92 e 3,10.
  • Charles Miller  03/08/2015 18:04
    Leandro, uma dúvida meio off topic. É possível que um país adote ao mesmo tempo um Currency board e ao mesmo tempo permita a utilização de outras moedas?
  • Leandro  03/08/2015 18:13
    Perfeitamente.
  • Dudu  03/08/2015 23:30
    Leandro

    Você sabe qual o percentual de divida pública que compõe o ativo de um banco como o itau, por exemplo?
    Quando a divida bruta sobe de 52% para 68% do PIB, aliado a elevação dos juros, isso nao turbina os lucros dos bancos?
    Pode nao ser tão bom quanto em momentos estáveis, pelo risco mais alto. Esta errado o raciocínio?

    Parabéns ao IMB por mais um texto brilhante.
  • Leandro  04/08/2015 00:15
    Na verdade, quando os juros sobem, o valor dos títulos públicos cai. A relação juros/preços é inversa.

    Sendo assim, quando os juros sobem, o valor dos títulos públicos em posse dos bancos cai. Consequentemente, o valor dos ativos dos bancos cai.

    Inversamente, quando os juros caem, o valor dos títulos aumenta, o que turbina os ativos e, consequentemente, o patrimônio líquido dos bancos.

    Essa é uma relação sobre a qual poucas pessoas gostam de falar, pois vai contra o senso comum estabelecido de que "juros altos são bons para banqueiros".

    Obrigado pelas palavras, e grande abraço!
  • Matias  04/08/2015 01:08
    Leandro, essa lógica só vale para os pré-fixados certo? Imagino que para os pós-fixados a lógica seja inversa
  • Leandro  04/08/2015 01:31
    Claro. Aí no caso você se refere às LFTs, que pagam o valor da SELIC.
  • Dudu  04/08/2015 01:28
    Ok, Leandro. Grato. Mas agora me confundi.
    Tudo bem que o ativo seja reduzindo e portanto o patrimônio líquido.
    Mas onde foram parar os R$ 106 bilhões de crescimento da despesa de juros no primeiro semestre?


    Abraços e obrigado pela gentil paciência.
  • Leandro  04/08/2015 01:32
    Os R$ 106 bilhões foram parar no bolso de quem quer que estava portando os títulos (pessoas, empresas, corretoras, fundos de investimento, bancos etc.)
  • Dudu  04/08/2015 01:57
    Ok.
    Tinha na cabeça que o ativos dos bancos seriam fortemente compostos por divida mobiliária federal, a ponto de possuirem a maior parte dela. Porém nao soube interpretar a planilha disposta pelo Bacen, com a composição descrita.
    Abraço.
  • Victor Antunes  03/08/2015 13:44
    Leandro,

    Duas pequenas correções:

    "6) Expectativas de inflação

    Esse é um fator crucial.
    Os quatro itens acima..."

    Na verdade, são 5 itens acima.

    "Por isso os juros dobraram

    Os cinco itens acima explicam por que a taxa SELIC foi de 7,25% para 14,25% em dois anos e meio."

    Na verdade são 6.

    Gostaria de aproveitar para pedir orientações para entender melhor sobre "solvência do Tesouro". Ainda vale a pena comprar títulos do tesouro? Vi o vídeo e confesso não ter compreendido decentemente. E sempre fico um pouco receoso sobre qualquer "aula" dada por alguém do partido concorrente. Pior ainda quando há dúvidas levantadas publicamente sobre a idoneidade do cara (Banestado), mesmo vindo de uma CPI (caráter mais político e tão pouco idônea quanto).

    Infelizmente a minha crença na capacidade política para não atrapalhar mais a economia é zero. Ao contrário, um colega lembrou uma coisa importante: o PT precisará ajeitar a crise até antes das próximas eleições presidenciais para poder se reeleger, e, visto que não conseguirá resolvê-la, buscará uma maneira de interferir ainda mais para mascarar os problemas e ludibriar o povo e surgirem como salvadores. O que você acha?

    Enfim, mais um excelente artigo. Pena que os keynesianos não vão buscar entendê-lo e vão dizer algo do tipo: "As medidas só não funcionaram porque não foram implementadas algumas outras medidas importantes apontadas por Keynes!".

    Parabéns e obrigado!

  • Leandro  03/08/2015 14:10
    Sempre haverá uma "solvência" do Tesouro, pois, no extremo, o governo pode mudar o estatuto do Banco Central e obrigá-lo a monetizar a dívida.

    Você recebe seu dinheiro de volta, mas valendo muito menos.

    Fora isso, as contas públicas ainda são perfeitamente gerenciáveis, mas a degringolada ocorrida foi substantiva.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Andre  03/08/2015 14:53
    nesse caso o risco da hiperinflação voltar não é considerável? O que é pior, hiperinflação ou calote?
  • Leandro  03/08/2015 15:06
    Depende de que lado se está.

    Quem é da turma que depende do governo perderá mais com um calote.

    Já quem é da iniciativa privada perderá mais com uma hiperinflação.

    Apenas ressalto que, por ora, não vejo sinais de hiperinflação (a menos, é claro, que mudem a Lei de Responsabilidade Fiscal e obriguem o BACEN a monetizar a dívida).

    No que mais, qualquer eventual calote sempre será a conta-gotas. Existem várias formas de postergar o dia do acerto final.

    O governo pode, por exemplo, começar a restringir vários benefícios previdenciários daqueles grupos que são menos influentes politicamente. Ele irá começar dando pequenos calotes naqueles grupos que têm menos poder político e pouco poder eleitoral. E daí vai começar a aprofundar.

    Aqui no Brasil, as vítimas serão alguns pensionistas, que irão se aposentar recebendo proporcionalmente menos do que contribuíram. Depois, os cortes provavelmente irão para alguns setores da saúde pública. A faca começará sempre sobre os menos influentes. Haverá gritaria, mas será feito.
  • Anderson  03/08/2015 13:44
    Excelente artigo, Leandro.

    Texto bem fundamentado, informativo, escrita clara e, como sempre, com a lógica apresentada pela Escola Austríaca.

    É preocupante pensar nesse assunto, cada vez mais fico com receio do que me pode acontecer (perder emprego), é necessário gerar mais e mais valor para meus patrões e consumidores.

    Confesso que esse tipo de artigo me afeta de duas maneiras distintas, uma me traz um sorriso no rosto (por ver que ainda existe economistas sérios, embora em pequeno número) e a outra me deixa tenso (por motivos já explicado).

    É impressionante a forma que essa turma (estado, principalmente governo) faz tudo ao contrário.

  • Leandro  03/08/2015 14:11
    Obrigado pelos termos, prezado Anderson. Abraços!
  • Leonardo  03/08/2015 14:35
    Leandro por favor explique isso: ''as famílias ricas estão construindo imóveis (com a crença de que são ativos que sempre se valorizam no longo prazo) justamente para protegerem seu patrimônio''

    Então quer dizer que imoveis não são investimento como a maioria pensa?
  • Leandro  03/08/2015 14:58
    São investimentos em períodos de forte boom imobiliário (sede que você saiba perfeitamente quando entrar e, mais importante, quando sair). 

    Em períodos de inflação alta, servem majoritariamente como forma de proteger o patrimônio contra a depreciação da moeda (pelo menos é isso o que eles pensam).  Se houver ganhos, tanto melhor.

    E estou apenas repetindo o que tais pessoas me disseram.
  • Marcelo  04/08/2015 11:55
    Imóvel só é investimento quando você compra ou constrói visando aluga-lo. E mesmo assim, nos dias de hoje, é um investimento que está rendendo metade da poupança, quando alugado, ou tendo até mesmo rendimento negativo, visto o tempo que alguns ficam parados a espera de inquilinos, e o proprietário precisa continuar pagando as contas (água, luz, impostos, condomínio), ou bancar reformas.
  • Gunnar  18/09/2015 18:55
    Um colega meu que sabe da minha inclinação anti-imobiliarista (uso o mesmo argumento do rendimento inferior à poupança) costuma rebater dizendo que o rendimento da poupança ou mesmo de um CDB, hoje, não é suficiente para compensar a inflação. Ao passo que o "principal" de um imóvel estaria imune à inflação, visto que o valor do bem sempre flutuará no mínimo de acordo com os demais preços na economia e na melhor das hipóteses se valorizando. Assim, qualquer renda advinda de aluguel seria a garantia de retorno acima da inflação. Palavras dele.
  • Leandro  18/09/2015 19:27
    Tal raciocínio está correto se:

    1) ele comprou na baixa e vendeu na alta (cenário este que não mais ocorre no Brasil desde meados de 2012);

    2) ele comprou para fins meramente especulativos (ou seja, comprou na baixa já de olho em revender na alta), coletando alugueis nesse meio tempo.

    Quem tem um imóvel e o coloca para alugar, mas não pensa em vender, está sim perdendo dinheiro. Muito dificilmente o retorno mensal será acima da poupança.

    O que pode fazer sentido, e eu conheço um cara que faz isso, é: você próprio constrói um prédio utilizando uma mão-de-obra relativamente barata (algo comum em cidades do interior), e então coloca todos os apartamentos para alugar. Aí sim é bem racional. O rendimento (valor total dos alugueis em relação ao custo total da construção) costuma ser maior que o da poupança.
  • Fernando  03/08/2015 14:41
    Leandro, uma dúvida: você realmente acha que alguma das sugestões serão minimamente seguidas? Com todo o histórico já conhecido, existe alguma chance dos nossos gênios econômicos "aceitarem o erro" e partirem para coisas diferentes?

    Minha impressão é exatamente a contrária: vão cair atirando, mas sem mudar uma vírgula do que estão fazendo.

    Isso dito, excelente artigo!

    Abraço
  • Leandro  03/08/2015 14:56
    Esse governo, não. Mesmo que ele desse uma guinada e realmente quisesse fazer o certo, já não há confiança para isso.

    Agora, se esse governo cair e entrar outro melhorzinho (até mesmo Michel Temer serve), aí seria um pouco mais plausível.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Dede  03/08/2015 17:19
    O PT é maior partido da câmara e o 2° maior do senado, vc acha que há alguma chance do PT cair?
  • Romullo Freitas  03/08/2015 14:58
    Grande Leandro! Belíssimo artigo.
  • Leandro  03/08/2015 15:50
    Obrigado, Romullo. Forte abraço!
  • IRCR  03/08/2015 15:43
    Leandro,

    Vc não acha que uma nova guinada ao desenvolvimentismo é tão provável quanto ?

    A mídia, políticos, "movimentos sociais", marxistas, keynesianos... estão jogando a culpa no """ajuste""" e no "neoliberalismo" do Levy.

    Os "especialistas" estão pedindo mais intervenção, mais cambio desvalorizado, mais protecionismo, mais gastos públicos, mais credito ao consumo, mais controle de preços....

    Unica coisa coisa que pode servir de força contraria a essa guinada estão nas agencias de classificação de risco, tanto que políticos e economistas desenvolvimentistas estão super incomodados com elas.
  • Leandro  03/08/2015 15:52
    Ironia das ironias, é justamente nessas agências estrangeiros que está nossa única esperança de que a sanidade será minimamente mantida. Essa turma pode ser economicamente ignorante, mas não são tolos. Eles sabem que perder este selo seria trágico inclusive para as perspectivas futuras do partido (se é que ainda há alguma, e se é que ainda haverá alguém fora da cadeia).
  • Henrique  03/08/2015 15:45
    A respeito da desvalorização do câmbio e de tarifas protecionistas, será que o autor do texto não mudaria de opinião se fosse possível contratar um escravo chines pagando-se R$50,00 por mês para comentar economia em português?


    Abraços.
  • Meirelles  03/08/2015 16:47
    Ele certamente teria muito mais serventia do que você jamais terá em toda a sua vida, haja vista sua total incapacidade de concatenar uma idéia.

    De que diabos você está falando?
  • Henrique  03/08/2015 16:54
    O autor do texto é contra a desvalorização do câmbio e de tarifas protecionistas porque seu cargo não está ameaçado pela concorrência chinesa.

    E quanto a uma costureira com pouca instrução em uma indústria têxtil? Tem que aceitar receber uma miséria para trabalhar 12 horas por dia para seu setor ser competitivo como o chinês?


    Abraços.
  • Leandro  03/08/2015 17:15
    O autor do texto é contra a desvalorização do câmbio porque sabe que uma moeda cujo poder de compra se esfacela é péssimo para a economia; porque sabe que não há economia forte com uma moeda fraca; porque sabe que uma moeda fraca gera uma carestia que desestabiliza toda a economia, como estamos vivenciando agora; porque sabe que uma moeda fraca é péssimo para todos, principalmente para aqueles que não têm acesso ao mercado financeiro para especular e, com isso, se defender da destruição de sua poupança.

    O autor do texto é contra a desvalorização cambial porque sabe que desvalorização cambial é, na realidade, uma mera política de transferência de renda dos trabalhadores — classe média e pobres — para os ricos empresários do setor exportador. O cidadão comum não ganha absolutamente nada com a desvalorização de sua moeda — só perde — ao passo que os grandes industriais podem ganhar, e muito, se seus empregados não exigirem reajustes salariais.

    E o autor do texto é contra tarifas de importação porque é contra privilégios para os grandes industriais da FIESP em detrimento do resto da população; porque é contra uma economia cartorial; porque é contra privilégios a ineficientes.

    Por fim, se você acha que toda a economia deve ser fechada, que a moeda deve ser destruída e que o comércio dever ser proibido apenas para que uma costureira mantenha seu emprego, então você consegue ser mais provinciano que a ditadura cubana e a norte-coreana. No que dependesse de você, automóveis seriam proibidos por acabar com o setor de carretes; computadores seriam proibidos por acabar com o setor de máquinas de escrever; e lâmpadas elétrica seriam proibidas para dizimar o setor de velas.

    Você realmente se leva a sério?
  • Felipe  03/08/2015 18:33
    https://www.youtube.com/watch?v=7T1kdjPk5fk
  • anônimo  03/08/2015 18:47
    Tentar rebater uma linha sequer do que foi dito nada né? É mais fácil tentar desqualificar o articulista como se este necessariamente tivesse algo a ganhar por divergir de suas crenças.

    Fica a dica de leitura:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=283
  • corsario90  04/08/2015 02:29
    HENRIQUE, cite um país com moeda fraca e com elevada qualidade de vida em sentido amplo? (pode escolher qq indicador, fica a sua disposição).
    Ainda não descobri......mesmo não sendo chinês.......
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/08/2015 15:51
    A nova guinada ao desenvolvimentismo, mantido este governo, é absolutamente certa e uma questão de tempo e oportunidade. Essa sempre foi a estratégia do partido no poder, colocando o ônus sobre o bode expiatório do ortodoxismo.

    Já temos até o nome do futuro ministro desenvolvimentista da fazenda: Nelson Barbosa.
  • Lopes  03/08/2015 15:57
    "MST ocupa Ministério da Fazenda com placas de 'Fora, Levy!'"

    Ainda não pude ler o artigo, mas a notícia acima já é um mau augúrio do que virá. Não há lugar no teatro brasileiro para um ajuste fiscal, aparentemente.

    Mas já muito obrigado pelo artigo, Leandro.
  • Marcelio  03/08/2015 16:14
    Oi Leandro, tudo bem? Espero que esteja.

    Quero só deixar uma sugestão de artigo, se não for pedir demais. Um dia você poderia escrever como foi a economia no período da Ditadura Militar. Vejo muitas pessoas pró-ditadura afirmando que aquela época foi muito boa devido ao milagre econômico e defendem veemente os militares, porém quando eu pesquiso sobre esse período, os poucos materiais que encontro na internet me mostram que a economia foi parecida com o nosso momento atual. Não seria contraditório defender isso?
  • Leandro  03/08/2015 16:57
    Totalmente. Os militares foram os maiores estatizadores que este país já teve a infelicidade de conhecer. À exceção de um breve período no governo Castelo Branco, nada se salva no regime militar. Geisel, então, foi o pior de todos. Pior até do que Dilma. Já no início da década de 1980, a economia brasileira estava sovieticamente fechada. Importar algo era praticamente proibido.

    Basta dizer que todas essas empreiteiras atuais cresceram justamente no período militar -- daí a afinidade com o atual governo petista, igualmente estatizante.

    Quem elogia regime militar é gente que ou foi beneficiada no período ou não entende nada de economia.
  • Pobre Paulista  03/08/2015 22:04
    "Quem elogia regime militar é gente que ou foi beneficiada no período ou não entende nada de economia."

    Diga-se de passagem, o mesmo vale para quem defende a política econômica atual...
  • corsario90  04/08/2015 02:44
    Convivo no meio militar e posso afirmar que a esmagadora maioria é ultrakenesyana e voltaria com a hiperinflação num piscar de olhos.
    Pode esquecer!!! Tiro no pé!!!

  • Marcelio  04/08/2015 01:56
    Obrigado pela resposta!
  • IRCR  03/08/2015 16:23
    Leandro,

    Sobre inflação para 2016.

    Muito "especialistas" estão dizendo que em 2016 vai despencar. Sob a ótica de uma maior recessão e desemprego e arrefecimento da subida dos preços administrados do governo.

    Mas ela não poderia ficar ainda sob um patamar tão elevado quanto o atual, considerando crédito, emissão de títulos públicos, expectativas tudo constante. Com exceção do cambio que pode se deteriorar ainda mais.

    O que quero dizer é. Mesmo com arrefecimento dos preços administrados, porém com mais desvalorização cambial. Isso tudo não poderia manter a inflação em patamar elevado ?
    Pois, com os preços administrados perdendo força, outros preços diversos podem subir no seu lugar, fora um maior derretimento cambial do real seja por questões internas e externas.

    Como vc analisa essa questão ?
  • Leandro  03/08/2015 16:50
    As expectativas para 2016 estão em 5,4%. Se isso é "despencar", então eu quero viver em outra galáxia. Países asiáticos crescem a 7% com inflação de 2%. Aqui a gente encolhe 2% com inflação de 9%, e no ano seguinte cresce zero com inflação de 5,4%. Uma maravilha.

    No que mais, se o real continuar se esfacelando no atual ritmo no mercado de câmbio, a recessão e o desemprego terão de ser muito maiores apenas para manter o IPCA em 5,4%.
  • IRCR  03/08/2015 18:43
    Leandro,

    Muitos dizem abaixo de 4,5%. Mas de qualquer forma mesmo os 5,5%, onde até uns tempos atras 6,5% era a meta real, está até bom nível.

    Ademais, já vi certo pessoal do naipe de Belluzo e Delfim (rsss) aclamando por uma inflação de 5,5% como ideal. E que as nações mais desenvolvidas deveriam abandonar a meta de 2% deles e pular para 5,5% para estimular a "demanda agregada" (rsss).
  • Leandro  03/08/2015 19:14
    Desconheço essa previsão. Saiu hoje a nova expectativa e ela continua firme em 5,40%.

    www.valor.com.br/brasil/4161158/projecao-de-inflacao-recua-para-proximos-12-meses-mas-piora-em-2015

    Quanto ao resto, dispenso-me de comentar, por uma questão de higiene. Vamos agora dar lições de controle de inflação à Suíça. Eles não sabem nada e deveriam aprender com a gente a ter uma inflação civilizada.

    Pior do que o complexo de vira-lata é o complexo de jumento: acha que todo mundo tem de se curvar aos nossos relinchos.
  • IRCR  03/08/2015 21:11
    Leandro,

    De acordo com esse pessoal não era para Suíça estar numa espiral destrutiva por causa da sua deflação de preços ? (rsss)

    Switzerland Inflation Rate

    Deflação de -1%.

    Switzerland GDP Annual Growth Rate

    PIB crescimento médio de 1,8% (bom para países ultra desenvolvidos)

    Switzerland Unemployment Rate

    ~~3% de desemprego


    Que tal se mandarmos Belluzzo, Delfim, Conceição, Bresser-Pereira .... para lá ? (rsss)
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/08/2015 17:18
    " O que quero dizer é. Mesmo com arrefecimento dos preços administrados, porém com mais desvalorização cambial. Isso tudo não poderia manter a inflação em patamar elevado ?
    Pois, com os preços administrados perdendo força, outros preços diversos podem subir no seu lugar, fora um maior derretimento cambial do real seja por questões internas e externas. "

    eu estava pensando sobre isso.

    acho que uma maior depreciação do câmbio vai-se traduzir menos em inflação de preços e mais em quebradeira e aprofundamento da recessão, pois as empresas estão sem margem, e os consumidores sem renda e crédito. Simplesmente não dá pra repassar custos, a não ser em itens imprescindíveis e em doses moderadas. A solução será fechar as portas por inviabilidade econômica. catástrofe pura.
  • Pedro  03/08/2015 16:53
    Parabéns pelo texto Leandro...

    Claro e preciso como sempre...
  • Leandro  03/08/2015 18:15
    Obrigado pela manifestação, Pedro. Grande abraço!
  • Tiago silva  03/08/2015 18:24
    Parece-me que o pior para o Brasil ainda não passou até por que existem várias situações convergindo que podem formar uma tempestade perfeita: a elevação dos juros por parte do fed, a desaceleração da China o fim do ciclo das commodities, o crescimento lento da Europa, que na verdade é quase inexistente.

    Parabéns Leandro por mais um excelente artigo, abraço.
  • Andre Cavalcante  03/08/2015 18:54
    Parabens, Leandro.

    50 comentários em algumas horas apenas. Já és influente no Brasil!

    Abraços
  • Osilavio  03/08/2015 19:31
    Parabéns Leandro por mais um excelente artigo!Pena que a grande mídia não divulga!EA é pensar fora da caixa!Não entendi a composição da divida que Tnanauser expôs:26% I.Financeira;20% F.Investimentos;20% Não-Residentes;19% previdência;5% Governo;e 4% Seguradoras.Então a divida interna não é só do governo?Por favor de-me uma luz!
  • Felipe Lange S. B. S.  03/08/2015 19:36
    Mais um excelente artigo, hein Leandro!

    O que está me decepcionando é o fato de que Joaquim Levy, deveria copiar o mesmo modelo usado na Inglaterra no século passado, cortando gastos e impostos, não o que está fazendo agora, que é em sua maior parte é aumentar impostos e cortar poucos gastos.

    Esperava mais da atuação dele. Será que é porque ele é submisso à Dilma e aos parasitas do Congresso (que não querem perder a mamata), não podendo sair cortando vários gastos e desinchando a máquina estatal?

    De fato, permitir o livre comércio de moedas e os investimentos estrangeiros é importante, mas é difícil esperar disso de um governo como esse que está aqui, que inclusive liberou mais crédito ainda, como está nessa notícia: g1.globo.com/educacao/noticia/2015/07/fies-recebe-r-51-bilhoes-de-credito-extraordinario-liberado-por-mp.html
  • Matias  04/08/2015 10:59
    -Felipe, a estratégia de Dilma com Levy, pode ser muito bem a seguinte: "Bem, tentamos o ajuste 'neo-liberal' e foi um fracasso. Agora faremos uma ajuste à esquerda". Nunce duvide do baixo nível que esse pessoal pode chegar.

    -Quanto ao FIES, minha opinião é de que as faculdades que entrarem nessa, dependendo quase que exclusivamente destes repasses para sua saúde financeira vão se dar muito mal. Cito o exemplo de uma universidade aqui da região (UPF), que tem a receber mais de R$ 45 milhões deste programa, e que já está reduzindo seu quadro de funcionários. Esta notícia não se encontra em lugar nenhum, imagino que existam inúmeros casos pelo país.
  • Vinicius  03/08/2015 19:57
    Se o desemprego ficar muito ruim, o governo do PT vai tomar atitudes como esta:
    9gag.com/gag/a3LRYrv
  • Lucas Senger Jacobus  03/08/2015 20:34
    Prezado Leandro.

    É impressionante o quanto eu passei a entender de economia após conhecer o IMB. Parabéns pelo texto.

    Fiquei com dúvidas sobre a proposta de permitir a livre circulação e conversibilidade de moedas ("Modelo Peruano").

    Primeiro, gostaria de tentar hipotetizar sobre qual seria o efeito caso tal medida fosse aplicada no Brasil. Imagino que teríamos uma corrida para o dólar que aumentaria, num primeiro momento, ainda mais a desvalorização do Real, correto? Não seria inclusive inviável fisicamente suprir toda a quantidade de dólar, euro, ou a moeda a ser demandada, justamente pela impressionante velocidade com que o Real se desvalorizou? Quais outros países utilizam este regime?

    E segundo... como se portou o "Bolivariano" Equador após a dolarização da década passada? Nem mesmo o mais populista dos líderes de lá pensa em revogá-la...

    Grande abraço.
  • Leandro  03/08/2015 23:09
    1 - Não há por quê imaginar que isso irá ocorrer. E para entender por que tal pensamento não está necessariamente correto, pense primeiro em "taxas de juros". Depois, em "custo de oportunidades". A agora junte uma expressão à outra.

    Vou ser mais claro.

    Se o sujeito está empregado, mas mora com os pais, então os custos dele são praticamente nulos. Ele não tem de pagar aluguel, condomínio, conta de luz, água, internet, nada. Ele é capaz de poupar praticamente todo o salário que ele recebe.

    Nesse cenário, receber em reais e aplicar uma taxa de juros de 14,25% ao ano pode ser mais negócio do que receber em dólares e aplicar a 0,25% ao ano (se muito). Basta haver qualquer indício de estabilidade da taxa de câmbio, e a aplicação em reais será muito mais vantajosa.

    O mesmo raciocínio pode ser expandido para várias outras situações em que portar a moeda nacional traz mais ganhos. No extremo, basta o BC nacional elevar a taxa de juros para o que o custo de oportunidade de carregar moedas estrangeiras aumente.

    No que mais, o Peru é um exemplo prático que refuta essa tese. Lá, o sol peruano concorre livremente com o dólar. O que aconteceu? Pela sua teoria, era para o sol ter desaparecido. No entanto, ocorreu o contrário: o sol se fortaleceu. Óbvio: o governo sabe que, se a população abandonar o sol e ir para o dólar, as finanças (do governo) ficariam arruinadas (por causa da súbita perda do poder de compra do sol). Ato contínuo, por causa dessa concorrência, tanto governo quanto Banco Central são obrigados a manter, respectivamente, uma política fiscal e monetária austera.

    A consequência desse arranjo foi exatamente a pretendida: fortaleceu a moeda nacional e a economia deslanchou.

    Veja todos os detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

    2 - No Equador, a moeda nacional (sucre) foi abolida por decreto e o dólar passou a ser a moeda corrente. E foi exatamente isso o que impediu que o país virasse uma Venezuela ou uma Argentina.
  • Luciano  03/08/2015 20:39
    A solução? Tirar seus investimentos do Real.

    Eu já invisto em trade com Bitcoin, vendendo para comprar dólares e outras moedas, investindo fora do Brasil (comecei agora, mas espero ter algum retorno em 12 a 15 meses).

    Tirando o que já tenho, não deixo mais nada na mão de um governo tão instável quanto esse.
  • Guilherme  04/08/2015 02:45
    Luciano

    Poderia fornecer mais detalhes sobre estas operações? como poderia iniciar nisso? há foruns sobre o assunto?

    []s
  • anônimo  04/08/2015 19:26
    Guilherme, há várias informações sobre isso em toda a internet, em fóruns e blogs.

    Lhe indico esse aqui: https://coinbr.net/a-coinbr/minere-com-a-coinbr/

    Abraço!
  • Marcus Farias  04/08/2015 02:33
    Leandro,

    Parabéns pelo artigo e por difundir as ideias da escola austríaca.

    Mas tenho alguns questionamentos:

    1) No caso da livre concorrência entre o Real e o Dollar, o Bacen não teria que manter a taxa de juros excessivamente alta face a desvalorização do Real, para poder manter a atratividade do Real internamente?

    2) Como nosso arranjo econômico é esquizofrênico e desajustado (refletindo o estado da arte de nossa sociedade como bem apontou o Bruno Garschagen), a economia nacional não ficaria muito exposta à especulação cambial externa?

    Abraço
  • Leandro  04/08/2015 03:28
    1) Talvez -- talvez! -- no curto prazo. No longo prazo, com a instauração da confiança, a tendência é de queda dos juros. Exatamente como ocorreu no Peru (veja aqui o gráfico).

    Adicionalmente, reformas estruturais no BACEN -- como as sugeridas neste artigo -- ajudariam sobremaneira a alcançar este nível de confiança

    No que mais -- e esse é o grande lance --, para os investimentos produtivos, pouco importa qual será a taxa de juros do BACEN. Os investimentos serão feitos de acordo com a taxa e juros vigente no país da moeda em questão.

    Veja só a oportunidade que estamos perdendo: neste momento, há juros negativos na Suíça, juros quase zero na zona do euro, e juros pouco acima de zero nos EUA. Investidores de lá estão doidinhos para financiar qualquer investimento que traga um retorno minimamente positivo.

    Tivessem eles a liberdade de vir para cá com seu próprio dinheiro e investir onde quisessem, não haveria pasmaceira econômica para nós. No entanto, não apenas o governo regula investimentos estrangeiros, como ainda proíbe que eles venham para cá com sua própria moeda, obrigando-os a trocar de moeda pelo real, trazendo enorme incerteza (risco de forte desvalorização) para esses investimentos.

    Em um cenário assim, é claro que só vem pra cá quem quer fazer especulação de curtíssimo prazo (hot money).

    2) Não visualizei. Especulação cambial é algo que costuma trazer frutos quando o câmbio é controlado pelo Banco Central, o que não seria o caso aqui.

    Obrigado pelas palavras, e grande abraço!
  • Rodrigo Vaz  04/08/2015 04:26
    Leandro, você por acaso faz consultoria sobre como sair do Brasil e ir morar no exterior. No meu caso, eu estudei Direito em uma faculdade top do país, estou quase passando em um concurso público (com bom salário e estabilidade), mas não quero ficar por aqui. Ou seja, minhas habilidades não servem para trabalhar la fora hahaha. Tem solução? Eu posso te pagar para fazer essa consultoria?
  • Matias  04/08/2015 14:22
    Rodrigo, acesse aqui: katedra.com.br/?p=911
    Curso do Flávio Quintela sobre isso, ele morou nos EUA (ou mora, não sei)
    Autor dos livros, mentiram pra mim...
  • Thiago Augusto  04/08/2015 05:51
    Ótimo artigo, Leandro!

    Sobre os imóveis, vejo 3 pensamentos em quem os adquire:
    1) Ganhar com a valorização
    2) Ter a renda dos aluguéis
    3) Só um tio se mostrou desconfiado a esse ponto: proteger patrimônio
    Antes de começar a ler o Mises, tentei convencê-lo a me seguir, investindo em LCA; num extremo, talvez valesse a pena vender um dos seus apartamentos para auferir rendimentos com a LCA maiores que os do aluguel (uma vez que a valorização dos seus imóveis já está praticamente estagnada). Ele me disse que não tem coragem de fazer isso, pois já viu confisco de poupança, e também teme quebra de banco.

    Nesse nosso mundo monetarista, de inflação contínua, que nos obriga a procurar alguma coisa para investir, não é uma estratégia tão maluca assim...

    Me perguntei uma coisa, acredito que você seja a pessoa adequada para responder: como evoluiram os preços dos imóveis no Brasil, cotados em ouro? (Nos últimos 30 anos)

    Não quero dica de investimento, para isso eu teria que estar falando de perspectiva futura, que na verdade está uma bela de uma bagunça...

    .

    Sobre nossa moeda, penso se uma mudança de atuação do Banco Central não seria uma boa alternativa, passando a atuar no redesconto e emulando o "contracionismo" do Bundesbank.
  • Leandro  04/08/2015 13:24
    Nunca entendi direito essa mentalidade em relação a imóveis.

    Conheço pessoas que possuem apartamentos que valem tranquilamente uns R$ 800 mil (com tendência de queda) e que, em vez de vendê-los e aplicar o dinheiro, preferem alugá-los por R$ 2.500 (antes de impostos), o que dá um rendimento mensal de 0,3%, menos da metade da poupança (isenta de impostos). E juram que estão fazendo grande vantagem.

    Além de ter inquilinos depredando seu patrimônio, tais pessoas ainda têm de incorrer em grandes gastos com reformas, pinturas, condomínio e IPTU quando o apartamento fica vago. Não entendo.

    Tais pessoas ou acreditam que os imóveis irão se valorizar muito ao ponto de compensar o investimento inicial (algo um tanto difícil nesta fase de pós-boom) ou têm medo de um "corralito" bancário.

    Sobre o primeiro item, isso não tem a mais mínima chance de acontecer nos próximos quatro anos. Sobre corralito bancário, se isso acontecer, o imóvel não valerá nada, pois ninguém terá dinheiro para comprá-lo (dado que o dinheiro está preso no banco).


  • Thiago Teixeira  04/08/2015 13:44
    Valeu pela resposta.

    Devo admitir que ter um pensamento semelhante ao seu me deixa orgulhoso, hehehe.

    Imóveis só compensam devido à valorização, quando há.
    E tem tanta taxa, tanta burocracia... Quando você recebe, tem que reformar para poder instalar inquilino; comprar alguns móveis; se quiser diminuir seu stress, tem que alugar por imobiliária, que fica com o aluguel de um mês por ano; quando você vende, paga imposto de renda sobre o lucro... só tem até 6 meses para se livrar disso, caso compre outro imóvel; além da taxa de corretagem sobre a venda.
    As construtoras adotaram o conceito de inflação contínua e não baixam preço, o preço só sobe...
    Nesse momento aqui em Teresina está havendo muitos distratos, por casa do INCC, mas as construtoras são incapazes de rever o contrato e dividir o "prejuízo" com os clientes. (na verdade, seria apenas diminuir um pouco o lucro, já que o custo de construção do metro quadrado é, muito "por alto" 2.000, e o preço na venda passa de 5.000)
    .

    E sobre a outra questão que coloquei?
    BACEN passando a atuar no redesconto e adotando uma postura "pouco inflacionista", como a do Bundesbank na época do Deutschesmark?
  • Leandro  04/08/2015 14:47
    Ah, sim. Inclusive, já defendi exatamente isso neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1672

    Trecho:

    Uma segunda opção seria copiar descaradamente o estatuto do Bundesbank, adotando todos os seus métodos operacionais (cancelando as operações de mercado aberto e utilizando apenas a janela de redesconto, justamente o inverso de como opera hoje o BACEN). Seria necessária a aprovação de uma lei que de fato impingisse a obediência desse estatuto.

    Funcionou com a Lei de Responsabilidade Fiscal — pelo menos até agora —, então também pode funcionar para o BACEN.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  04/08/2015 15:25
    esse artigo indicado está excelente.

    Para um fã do grande Konrad Adenauer que nem sou, é muito gratificante identificá-lo a uma política monetária-econômica de responsabilidade para com a moeda. Não sabia dessa preocupação durante seu governo.

    Vamos estudar o estatuto do Bundesbank!

    Leandro no Bacen, JÁ!
  • anônimo  04/08/2015 14:29
    E, acrescentando à sua resposta Leandro, a melhor maneira de se proteger de um "corralito" seria deter patrimônio (financeiro ou imobiliário) em outras jurisdições onde a chance de isso acontecer seria menor. Se o patrimônio for alto o suficiente, em mais do que uma jurisdição. É o conceito de "internacionalização".
  • Thiago Nonato  04/08/2015 10:25
    Excelente idéia. Percebi que essa pratica é comum em outros países com o Chile, onde estive recentemente, e na antiga Argentina do peso lastreado em dólar. Alem dessa medida, não seria importante a diminuição dos gastos estatais como forma de conter a inflação?

    2. Caso essa medida fosse aprovada, não haveria forte desequilíbrio na balança comercial? questiono pois sei que muitos economistas" afirmarão que isso seria algo grave para o País, apesar de, cada vez mais, eu acreditar o contrário e que no longo prazo essa balança se estabilizará.

    Obrigado
  • Matias  04/08/2015 14:35
    Embora proibido, os argentinos já usam o dólar a bastante tempo. Quando viajo pra lá (via terrestre), sempre levo dólares e troco com o pessoal nos postos, comércios e principalmente outros viajantes ao longo da estrada. O peso argentino é uma batata quente (embora já não possamos falar muito alto)
  • João Henrique  04/08/2015 11:38
    Excelente texto Leandro.

    Boa abordagem e desenvolver. Gostei também das dúvidas ou afirmações dos demais leitores, que ajudou a enriquecer e complementar o conhecimento do texto
  • ,  04/08/2015 12:37
    redução do estado brasileiro já.
  • Fábio  04/08/2015 14:24
    Cirúrgico como sempre Leandro!
  • Leandro  04/08/2015 22:40
    Tentei, Fábio, mas sem bisturi ou laser. Obrigado e grande abraço!
  • ,  04/08/2015 14:31
    "Tal como o liberal a vê, a tarefa do estado consiste, única e exclusivamente, em garantir a proteção da vida, a saúde, a liberdade e a propriedade privada contra ataques violentos. Tudo que vá além disso é mau. Um governo que, ao invés de cumprir suas tarefas, buscasse ir além e, de fato, violasse a segurança pessoal de vida e saúde, liberdade e propriedade, sem dúvida, seria completamente mau." Mises
  • Paulo  04/08/2015 20:14
    Leandro, o que você acha deste comentário do Jornalista Rodolpho Gamberini, apresentador do Jornal da Gazeta.

    "a imprensa comete um "erro grosseiro" ou usa de "má-fé" ao noticiar que o dólar alcança seu valor mais alto dos últimos 12 anos; isso porque, em valores corrigidos pelo IGPM no site do Banco Central, a moeda teria que ser vendida hoje a R$ 7,33 para ter o mesmo valor de 1º de março de 2003; "O dólar não está, portanto, alto como dizem os jornalistas, por ingenuidade, por desinformação ou até mesmo por má-fé"
  • Leandro  04/08/2015 22:37
    Economicamente ignaro.

    Em primeiro lugar, com câmbio flutuante, não tem disso de "corrigir pelo IGP-M"; a correção já ocorre automaticamente. A taxa de câmbio de longo prazo é a razão entre os preços internos de cada país. Ela já considera tanto a inflação de preços no Brasil quanto a inflação de preços nos EUA. Não é necessário "corrigir pelo IGP-M".

    Em segundo lugar, o cidadão ignorou completamente toda a inflação de preços ocorrida nos EUA.  Ele partiu do princípio de que ela foi zero. Só que ela não foi pequena: de 2006 a 2008, por exemplo, o IGP-M americano (PPI) chegou a ser maior que o brasileiro em alguns momentos.  Os próprios preços dos imóveis nos EUA cresceram absurdamente neste período, bem como o preço do ouro, denotando uma forte inflação ocorrida naquele país (e não captada pela branda metodologia do índice oficial americano, que ignora os preços de alimentos e energia). Isso foi ignorado pelo jornalista.

    Em terceiro lugar, o próprio raciocínio dele entrega a alta inflação de preços ocorrida neste período no Brasil.  Se era para o câmbio estar a R$ 7,33 em vez de em R$ 3,40, então isso significa que a inflação de preços no Brasil durante este período foi brutal (o que faz com que seja incompreensível que os governistas tenham compartilhado esta idéia).

    Em suma, nada a se aproveitar.
  • Thiago Augusto  04/08/2015 23:54
    Regra dos 95%: "noventa e cinco por cento de tudo que é dito sobre economia ou está errado ou é irrelevante."
    Steve Hanke
  • anônimo  05/08/2015 19:34
    Valer acrescentar que esse jornalista foi favorável a libertação do Genuíno e se declarou contra as manifestações anti-governo, ou seja, é um jornalista comprometido com a "causa".

    Outra coisa, ele confundiu as coisas. Confundiu poder de compra do real em comparação com o dólar com taxa de câmbio. Que a taxa de câmbio é a maior dos últimos 12 anos isso não há dúvidas, agora se o poder do real em relação ao dólar é maior do que antes, ai é outra história. Mas vale ressalta que a análise simplista dele está incorreta, pois tinha que considerar a inflação americana.
  • Daniel  04/08/2015 20:28
    Ótima análise, Leandro!
    heterodoxia + incompetência do governo = Brasil hoje
  • Leandro  04/08/2015 22:39
    Obrigado pelas palavras, Daniel. Grande abraço!
  • Double  05/08/2015 01:42
    Excelente artigo. Conciso e preciso. Parabéns.
  • corsario90  05/08/2015 01:52
    Boa Noite Leandro,
    no 7 parágrafo do item do que poderia ser feito, vc dar em irrepreensível exemplo da insegurança que o investidor passa com a nossa economia.
    Dúvida: Caso o investidor estrangeiro faça um hedge cambial para repatriação não mitigaria os efeitos qdo da inflação e do cambio desvalorizado atual ?
    Seria uma forma de proteção adequada ou os custo da operação nao valeria apena justamente pela incerteza?
    Se travar o cambio for uma boa medida, por que não fazemos "um travamento " via Currency Board dando segurança para todos?
    ABS
  • Leandro  05/08/2015 02:31
    Não só é caro, como não se aplica para investimentos estrangeiros diretos, que são recursos de longo prazo.

    Fazer essa trava de câmbio (que é o fechamento antecipado do câmbio) não apenas tem um alto custo (o custo varia com as taxas de juros), como a liquidez para hedge de prazos mais longos é extremamente baixa. A maior parte das operações envolve, quando muito, períodos de até cinco anos -- ou seja, o investimento de longo prazo nem sequer começou a maturar.

    Lembro-me de ter lido que, em dezembro de 2014, o custo de uma operação de hedge cambial para 360 dias (ou seja, um prazo muito pequeno) era de 10,5% ao ano, e isso para multinacionais de ponta.

    Hedge é mais utilizado para exportação e, em alguns casos, para importação. Na prática, hedge cambial só é realmente atrativo para exportador.

    Quanto ao Currency Board, já até enjoei de falar disso. Pedi um quando o dólar chegou a R$ 2,20. Depois pedi de novo quando chegou a R$ 2,40. Depois supliquei quando ele chegou a R$ 2,60.

    Aí cansei. Agora já era.

    Abraços!
  • Victor Mesquita  05/08/2015 07:27
    Leandro, onde posso acompanhar o gráfico sobre a expansão do crédito?
  • Leandro  05/08/2015 12:25
    Não há como colocar um link direto para o gráfico aqui, mas se você for à seção de séries temporais do Banco Central e digitar as séries 2007 e 2043, terá acesso ao gráfico do artigo.
  • Diego M  05/08/2015 17:55
    Leandro,

    Bastante interessante o artigo. Via de regra gosto muito dos seus.

    Favor, me tire uma dúvida que é mais um esclarecimento.
    No ponto 3 do artigo você cita:
    "Quando o governo incorre em um déficit orçamentário, o Tesouro emite títulos. Esses títulos são majoritariamente comprados pelos bancos por meio do processo de criação de dinheiro descrito acima"

    Esse processo me deixou em dúvida, pois de acordo com outras leituras do site (já leio a mais de um ano), eu tinha entendido que quando o Tesouro emite títulos, isso implicaria numa retirada de dinheiro de circulação, pois quem compra os títulos emitidos tem de pagar por eles. Ou seja, o comprador se desfaz de seus dinheiro e fica com um papel. O dinheiro agora está nas mãos do Tesouro. E essa frase citada mostra justamente o contrário, que a emissão de título gera a criação de dinheiro através dos Bancos.

    Poderia elucidar isso pra mim ???

    Abraços.
  • Leandro  05/08/2015 18:15
    "eu tinha entendido que quando o Tesouro emite títulos, isso implicaria numa retirada de dinheiro de circulação,"

    Desconheço qualquer artigo deste site que afirme isso.

    Talvez você esteja confundindo operações do "mercado primário" (emissão de títulos pelo Tesouro) com operações do "mercado secundário" (venda de títulos pelo Banco Central para enxugar a base monetária).

    São duas coisas totalmente distintas.

    Quando o Tesouro emite títulos, ele arrecada dinheiro. Tão logo ele arrecada esse dinheiro, ele o gasta (afinal, ele arrecadou dinheiro para gastar). Sendo assim, não há nenhuma "retirada de dinheiro de circulação".

    Se o título emitido pelo Tesouro foi comprado por uma pessoa física ou jurídica (via Tesouro Direto, por exemplo), então o dinheiro saiu da conta-corrente destas, foi para o Tesouro, que gasta esse dinheiro, que então vai parar na conta-corrente de alguém.

    Não houve nenhuma retirada de dinheiro de circulação.

    Já quando o título emitido é adquirido diretamente pelo sistema bancário, há uma criação de dinheiro. Sendo assim, há um aumento da quantidade de dinheiro na economia. (No exemplo acima, não houve aumento da quantidade de dinheiro; houve apenas uma redistribuição).

    Grande abraço e obrigado pelas palavras!
  • Diego M  05/08/2015 19:08
    Ok Leandro !!!

    Acho que devo ter confundido mesmo.
    Então, resumindo, quando o comprador de um título emitido pelo Tesouro é o sistema bancário, há a criação de dinheiro. Quando o comprador é uma PJ ou PF, fica na mesma.

    Outro ponto:
    A venda de título pelo Banco Central é o que chamam de "esterilização" ??

    Abraços Leandro.
  • Hugo  06/08/2015 03:18
    Leandro estou fazendo um relatório de conjuntura de política monetária e gostaria de saber como exatamente funcionam as operações compromissadas para complementar minha explicação do por quê a SELIC ter de subir mesmo neste cenário econômico e onde posso encontrar estes dados expostos pelo Gustavo Franco no vídeo.
  • Leandro  06/08/2015 15:40
    Não tem muito segredo.

    Operação compromissada é quando o BC compra (vende) um título dos (para os) bancos com o compromisso de revendê-los (recomprá-los) em uma data futura.

    Ele faz isso com o objetivo de administrar a liquidez do mercado de reservas bancárias para manter a SELIC próxima da meta estabelecida pelo Copom.

    Normalmente, as operações compromissadas têm prazos que variam de 1 a 180 dias.

    Quanto às informações do Gustavo Franco, aí é com ele. Isso é informação de insider.
  • Hugo  27/08/2015 01:18
    Leandro o BACEN acumulando muitas operações compromissadas com títulos públicos como agora seria sinal de que o sistema financeiro já está precificando uma SELIC maior?
  • Leandro  27/08/2015 02:23
    Não vejo essa ligação. Com efeito, o mercado de compra e venda de títulos do Tesouro ainda não precificou esse aumento.

    www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-precos-e-taxas-dos-titulos

    Pode até ser que o BACEN surpreenda e eleve novamente a SELIC semana que vem. Mas os mercados, até o momento, não estão precificando este aumento.
  • Hugo  27/08/2015 03:07
    Eu pergunto isso mais por causa dos dados do Gustavo Franco que mostram que as operações compromissadas estão subindo com força desde 2012,o ano em que o governo decidiu se suicidar baixando a SELIC artificialmente,e ter diminuído o ritmo desde quando o BACEN passou a aumentar a SELIC com um pouco mais de rapidez desde o ano passado.
  • Juliana  06/08/2015 14:50
    Esta é só a primeira parte do que pode ser feito, não é? Porque, Leandro, ficou faltando uma proposta de reforma fiscal "sexy e divertida", bem diferente e muito melhor da que o ministro Levy é capaz de fazer. (Ah sim, e pode chamar o professor Ubiratan Iorio também que será de grande valia.)

    Mas uma coisa que eu gostaria de saber é como é que um banco central — se fosse este independente — conseguiria manter o poder de compra da moeda e a inflação dentro da meta, nesse cenário de "Nova Matriz Econômica", pedaladas fiscais, etc., em que o governo fez tudo de errado (e o que é sempre um risco)? Realmente, eu não sei como isso seria possível.

    E claro, parabéns pelo artigo que é muito útil. Muito bom mesmo. Mas, vamos aguardar uma proposta de reforma fiscal.

    Abraços!
  • Leandro  06/08/2015 17:18
    Prezada Juliana, não haverá nenhuma reforma fiscal. Nunca houve. Não há de ser agora que haverá.

    Essa proposta da concorrência de moeda é a melhor possível, pois ela, além de não depender do executivo para ser implantada, obriga o executivo a manter um mínimo de disciplina fiscal e monetária. Caso não o faça, todo o governo vai para as calendas.

    A proposta pode ser aprovada pelo Congresso, o qual pode também derrubar um eventual veto do Executivo.

    Lamento, mas é tudo o que temos.

    "Mas uma coisa que eu gostaria de saber é como é que um banco central — se fosse este independente — conseguiria manter o poder de compra da moeda e a inflação dentro da meta, nesse cenário de "Nova Matriz Econômica", pedaladas fiscais, etc., em que o governo fez tudo de errado (e o que é sempre um risco)? Realmente, eu não sei como isso seria possível."

    Neste cenário é realmente impossível. Houvesse um Currency Board, a situação ainda perduraria um bom tempo sem gerar inflação de preços. Já com câmbio flutuante, o resultado é miséria instantânea para todos. E juros crescentes.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras.
  • Juliana  07/08/2015 14:41
    Em primeiro lugar deixem-me esclarecer aqui, caso alguém não saiba, que a citação e a solicitação da proposta "sexy e divertida" era para ser em resposta às declarações do ministro que, segundo ele, estas não são características das atuais medidas econômicas adotadas. É que ficou bastante embaraçosa a citação assim, sem nenhuma referência, mas acho que ainda está em tempo de desfazer qualquer mal entendido. E, por outro lado, sei também nunca houve e que não estamos nem perto de uma reforma fiscal. Mas não custa nada querer ter pelo menos um esboço de uma em mente, só pra visualizar e sonhar.

    Mas o fato é que com ou sem um banco central, seja para controlar a inflação, seja pela falta de fluxos de investimentos estrangeiros, ou ainda, seja pela percepção dos riscos de insustentabilidade da dívida pública, os juros uma hora vão subir. Inclusive, para o caso atual, há que se dizer que eles deveriam estar no mínimo triplicados. E pensar que se as circunstâncias fossem outras, quem sabe poderíamos até estar com juros europeus. (Menos, Juliana! Não sonhe tão alto.)

    Mas obrigada, Leandro, pela gentil e solícita resposta.

    Grande abraço!
  • IRCR  06/08/2015 16:24
    Leandro,

    Surgem primeiros sinais de ajuste da economia ao câmbio, diz Delfim "Ainda bem que dólar está subindo" disse o ex-ministro

    www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/4197358/surgem-primeiros-sinais-ajuste-economia-cambio-diz-delfim

    o que tem a declarar sobre o pronunciamento do senhor Delfim ? (rsss)
  • Leandro  06/08/2015 17:12
    Um fantasma que se recusa a morrer. Um arauto do atraso que, por algum motivo insondável, ainda é ouvido por órgãos da imprensa.

    Delfim é o cara que conseguiu a façanha de conjugar inflação e desemprego ao mesmo tempo, gerando, pela primeira vez em nossa história, uma estagflação. É o cara que, como ministro, foi responsável direto pelo desastre econômico da primeira metade da década de 1980. É o cara que escreve para a Carta Capital. É o cara que foi o conselheiro do PT.

    É o cara que foi um desastre como ministro. Mas, pelo visto, ainda encanta ignorantes.

    De resto, ele, pelo visto, também torce pela queda do governo. Câmbio em contínua desvalorização é a receita certa para se destruir a popularidade de um governante. FHC 2 e Dilma 2 que o digam.

    De resto, devo confessar que não acho ruim: com o câmbio em contínua desvalorização -- destruindo o setor industrial e esfrangalhando a renda dos mais pobres --, a inflação de preços não tem chances de ceder tão cedo. Isso significa SELIC continuamente alta. Ótimo para as minhas aplicações financeiras.

    Como já disse em outras postagens, viver no Brasil tem suas vantagens: se você sabe se posicionar no mercado financeiro e sabe tirar proveito dos juros altos, você estará em ótima situação. Delfim, ao defender desvalorização cambial, está se revelando um grande amigo dos rentistas.
  • IRCR  06/08/2015 21:54
    Leandro,

    O que achei curioso foi ele comemorar a "parada da elevações da SELIC" que o BC anunciou.
    Mas se o real continuar se depreciar isso não tenderá a novas elevações da SELIC ?

    O que acho mais engraçado que esse pessoal (incluindo sindicalistas e industriais) querem cambio ultra desvalorizado acima de 4,5), juros mega reduzidos abaixo de 5%? e ainda com uma inflação de em torno 5,5% que para eles está de bom tamanho. Como se fosse possível manter um arranjo desse tipo. Fora elevação de tarifas de importação.

    OPA, mas esse arranjo não seria algo similar ou igual a "nova matriz" coloca em pratica uns anos atras ? (rsss)

    Esse pessoal só pode beirar a insanidade. Só pode.
  • Pedro  07/08/2015 15:08
    Quer dizer então que você investe no tesouro, Leandro?
  • Leandro  07/08/2015 15:13
    Não, não consigo (moralmente falando). Fico em papeis bancários, mesmo (lembrando que LCI e LCA são isentos). Satisfazem bem.
  • Felipe  06/08/2015 23:53
    Leandro

    Sobre o gráfico de expansão de crédito, nota-se um crescimento médio de 19% ao ano desde 2006, aproximadamente, somando-se privado e estatal.
    Como seria essa expansão em um padrão ouro?

    Obrigado
  • Leandro  07/08/2015 14:45
    Depende do qual seria esse arranjo denominado "padrão-ouro".

    Seria aquele que vigorou até 1913? Seria aquele que vigorou de 1913 a 1944? Seria aquele que vigorou de 1944 a 1971? (Leia sobre cada um deles aqui)

    Ou seria um padrão-ouro puro, sem reservas fracionárias?

    Há vários tipos de arranjos possíveis sob um padrão-ouro, cada um com características próprias.

  • Victor Antunes  08/08/2015 03:14
    Leandro,

    Aproveitando o item dólar citado neste artigo, andou rolando um vídeo (curto) interessante na internet:

    https://www.facebook.com/jornaldagazeta/videos/1031109883619433/

    Sobre o argumento do vídeo, vejo que faltou pelo menos uma coisa importantíssima pra ele considerar. Ele diz que na verdade o dólar vale 50% do que valia em 2003, considerando a inflação brasileira.

    No entanto, vendo a inflação americana, no mesmo período (2003/2015) em que o Brasil teve um IPC de 70%, os EUA tiveram de 25% (www.indexmundi.com/g/g.aspx?v=71&c=us&l=pt), ou seja, no Brasil a inflação no período foi 36% maior do que nos EUA, o que quase invalida os 50% argumentado. Entendo que o raciocínio tem que ser assim pra comparar uma compra de uma máquina nos EUA nos 2 períodos, por exemplo.

    Porém, considerando só isso que escrevi, na prática realmente o dólar não está tão alto quanto em 2003 (Fator Lula Presidente). Gostaria da sua ajuda com a visão austríaca sobre tudo isso, se for possível.
  • Auxiliar  08/08/2015 04:29
    Idêntica pergunta já foi feita e já foi respondida exatamente aqui nesta seção de comentários. Era só ter procurado.

    Vou facilitar pra você. Clique no link abaixo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2155&comments=true#ac147250
  • Victor Antunes  08/08/2015 13:32
    Parei de ler um pouco antes do comentário. Realmente não procurei e dei azar. Peço desculpas, ao grupo pois já fui moderador e sei como isso incomoda.

    Obrigado, de qualquer forma, Auxiliar.
  • Luiz Gustavo Vianna Almas  08/08/2015 14:59
    Olá Leandro,

    Apesar de não participar habitualmente das discussões do Mises sou um leitor ass=iduo do site e especialmente de seus artigos. Aqui vai uma pergunta atrasada. Desculpem-me se já foi feita antes. Não tive tempo de ler todos os comentários. Aqui vai a pergunta: Leandro, você acha que um Currency Board seria uma alternativa para o Brasil neste momento? E você acha que há ambiente político para uma solução como esta? Para encerrar parabéns à toda equipe do Mises Brasil pelo excelente trabalho. Um abraço desde Praga, Rep. Tcheca.
  • Leandro  08/08/2015 15:34
    "você acha que um Currency Board seria uma alternativa para o Brasil neste momento?"

    Neste momento e a qualquer momento. Ontem, hoje e sempre. Há reservas internacionais de sobra para isso e há instabilidade política demais para que nos demos ao luxo de continuarmos postergando essa alternativa.

    Defensores do câmbio flutuante têm teses bonitas de que tal arranjo é bom para "absorver impactos externos" (e demais besteiras afins), mas eles se esquecem do básico: em países ainda em desenvolvimento e com governos avacalhados, o câmbio não flutua; ele afunda.

    E com ele vai o nosso padrão de vida.

    O Currency Board já era para ter sido adotado há muito tempo, quando o dólar chegou a R$ 2,40. (Eu pessoalmente pedi um quando ele chegou a R$ 2,20).

    "E você acha que há ambiente político para uma solução como esta?"

    Não. Mas para a liberação de moedas estrangeiras ainda há. Tal arranjo é de mais simples aprovação e não exige alterações no estatuto do Banco Central, algo extremamente complicado.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras.
  • Jonas  09/08/2015 00:59
    Olá, alguém poderia me explicar se o processo de abertura da economia para investimentos externos, sem restrições em todos os setores, juntamente com a utilização do dólar, não ocasionaria no fim da industria nacional?
  • Bloch  09/08/2015 02:16
    Como é que investimentos externos, sem restrições, acabam com a indústria? Ao contrário, investimentos geram demandas por maquinários, matérias-primas e todos os tipos de insumo, e isso fortalece a indústria.

    O que destrói a indústria é moeda fraca e inflação de preços continuamente alta, como explicado em detalhes nestes dois artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1918

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089
  • Felipe  11/08/2015 01:36
    Leandro, parabéns pelo artigo, o site do Mises está fazendo um trabalho cada dia melhor!

    Gostaria de saber onde posso encontrar esses gráficos, como o de "saldo de operações de crédito" entre bancos estatais e bancos privados?

    Um Abraço!
  • Leandro  11/08/2015 01:59
    Não há como colocar um link direto para o gráfico aqui, mas se você for à seção de séries temporais do Banco Central e digitar as séries 2007 e 2043, terá acesso ao gráfico do artigo.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Marcelo Boz  11/08/2015 13:58
    Leandro,

    Em termos de abertura da economia e estabilidade da moeda está bem entendido.
    Mas para cortes de orçamento federal e gastos públicos como você faria?
    Por onde você começaria se fosse o Presidente?
    Quais órgãos federais você simplismente fecharia?
    Um começo seria fechar essa multidão de ministérios inúteis, certo?
    E após isso, quais impostos baixar ou extinguir?


    Att
    Marcelo Boz
  • Leandro  11/08/2015 15:06
    Delineei cronologicamente neste artigo.

    Cortar ministérios (por que ter mais do que um ministério?), agências reguladoras, secretarias, cargos em comissão, subsídios, mordomias, pensão pra "perseguido pela ditadura" (valor esse que já ultrapassa 1 bilhão), fechar aquele canal estatal criado por Lula e cujo nome nunca decorei, cortar salários de debutados, senadores e assistentes. Vender várias terras do governo. Vender prédios do governo. Vender estatais.

    Onde cortar é o que não falta. Está na hora de haver austeridade para o setor público, algo que nunca houve no Brasil

    Se pudesse, cortaria também os altos salários de alguns marajás, mas aí entra em cena aquela porcaria de Constituição de 1988, que proíbe acabar com esse "direito adquirido".
  • Dede  11/08/2015 17:22
    O pior é que estamos indo na direção contrária.

    Agora o que mais tem é carreiras de servidores públicos querendo vincular seus salários ao salário do Ministro do STF.
  • Marcelo Boz  11/08/2015 17:26
    Leandro,

    Sim já li aquele artigo do link que você citou.
    Mas ele é um artigo idealizado, uma vez que supõe pleno pode para o presidente.
    Na atual conjuntura sabendo que muitas medidas iriam ter que passar pelo crivo do congresso, creio que 90% não passaria.
    Então considerando isso, quais os cortes que o presidente pode fazer sem ter que beijar as mãos daquela politicália? O que o presidente pode fazer de imediato para cortar R$500bi no mínimo de gastos?

    Att
    Marcelo Boz
  • Leandro  11/08/2015 20:47
    Cortar ministérios, agências reguladoras, secretarias, cargos em comissão, subsídios, mordomias, pensão pra "perseguido pela ditadura" (valor esse que já ultrapassa 1 bilhão), fechar aquele canal estatal criado por Lula e cujo nome nunca decorei, vender várias terras do governo, vender prédios do governo, vender estatais.

    Tudo isso pode ser feito pelo presidente, nem que seja por meio de MP.
  • Virgínia Menezes  16/08/2015 01:07
    Leandro, conheci suas palestras e artigos a pouco tempo e achei a análise muito inteligência te e bem feita. Tenho 21 anos, estou concluindo a graduação de administração e pretendo escrever um artigo apresentando como a má gestão agravou nosso quadro econômico. Porém, não tenho um conhecimento sólido em economia. Por onde começar a estudar para um levantamento eficaz de dados para um artigo bem feito?
  • Anônimo  26/08/2015 20:08
    Difícil. Só lendo tudo que o Leandro e o Fernando Ulrich escreveram. Basta clicar no nome do autor embaixo do título do artigo e ler toda a série. Ou talvez ler todos os artigos da sessão de Economia Brasileira.
  • jackson  01/12/2015 13:26
    e nos textos do Leandro e Fernando, sempre tem as fontes das pesquisas.
    nisso, voce pode dar uma lida nelas e pegar ainda mais informaçoes, visto que um TCC é muito maior do que um artigo.
    vc clica em uma fonte, que puxa outra fonte.... é dado que nao acaba mais. da pra virar boas madrugadas hehehe....
  • Hugo  28/08/2015 23:17
    Vendo esse gráfico da dívida pública tenho calafrios, calculei hoje que se o governo tivesse entre 2009 e 2015 só seguido a tendência do crescimento da dívida entre 98 e 2008 a dívida pública seria 1 trilhão de reais menor.
  • samuel  31/08/2015 15:11
    "Por isso, é crucial que o governo libere o uso de moedas estrangeiras no Brasil."
    Para isso é preciso tirar o PT do poder. A ideologia deles impede qq solução racional
  • Hugo  03/09/2015 03:22
    Leandro eu estava vendo aqui aqueles dados de curva de juros do tradingeconomics e notei que só nesse mês os juros desses títulos pularam de 12,5% pra quase 15%. Será que é sinal de que estão precificando o rebaixamento da nota brasileira?
  • Leandro  03/09/2015 03:49
    Rebaixamento, inflação persistentemente alta, expectativas de inflação futura também alta, situação fiscal do governo calamitosa, incertezas políticas enormes, e uma já confirmada tendência de frequentes e súbitas desvalorizações cambiaiz (o dólar subiu 68% nos últimos 12 meses; somente em agosto, subiu 10%).

    Nada conspira a favor.
  • Empresário Triste  01/12/2015 13:27
    Sabe o que é pior? Nada mudou desde o comentário acima e estamos no fim do ano.

    Eu não aguento mais tudo que aí está.
  • Emerson Luis  01/12/2015 12:35

    Na campanha de 2014, um candidato afirmou que reduziria a inflação para 3% e a Dilma "advertiu" que isso aumentaria o desemprego. Neste momento percebi que a inflação de 2015 cresceria ainda mais...

    Bem que diziam que, se o PT chegasse ao poder, acabaria com o Plano Real.

    Outra medida que o substituto de Dilma poderá fazer é iniciar várias privatizações.

    * * *


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