O trágico legado da "Nova Matriz Econômica" - um resumo cronológico

"O Brasil está conseguindo o raro feito de extrair opiniões quase unânimes mundo afora. São poucos, pouquíssimos, os economistas que ousam discordar de que o país entrou em um ciclo de desenvolvimento sustentado. E mais: são ainda mais raros aqueles que duvidam da capacidade de o Brasil se tornar uma das maiores potências econômicas do planeta em um par de dezenas de anos."

O trecho acima foi extraído de uma reportagem da edição de 29 de dezembro de 2010 da revista IstoÉ, a mesma que, em outra edição daquele mesmo ano, afirmou que já éramos uma potência.

Dentre os "poucos, pouquíssimos, economistas que ousam discordar de que o país entrou em um ciclo de desenvolvimento sustentado" certamente estavam os economistas deste site, que ainda em 2010 alertavam que tudo era infundado.

E onde estamos hoje?

Com os recém-divulgados números do PIB para o segundo semestre de 2015, há uma constatação perturbadora: dos últimos sete trimestres, a economia encolheu em quatro deles, e ficou estagnada em outros dois (veja na segunda tabela, primeira linha).

Apenas os investimentos — que são a variável mais importante do PIB, pois são eles que indicam a saúde da economia e são eles que permitem que a situação futura seja melhor — apresentaram uma contração trimestral de 12%, a pior desde 1996.

Eis uma amostra de notícias colhidas apenas nos últimos meses:

Inflação oficial acumula alta de 9,56% em 12 meses, a maior desde 2003

Rendimento real dos trabalhadores tem maior queda mensal em 12 anos

Vendas no varejo têm maior queda no trimestre desde 2003

Vendas de veículos novos caem 22,4% em julho; no ano, queda chega a 21%

Comércio tem pior semestre de vendas em 12 anos

Venda de alimentos cai pela primeira vez em 12 anos

Crise na mesa: consumo de carne cai 30% em seis meses

Classe C recorre a bicos para equilibrar o orçamento

Pessimismo na construção civil é o maior em quase 16 anos

IBGE: Construção civil fechou 700 mil vagas no país em um ano

Produção da indústria cai em 13 de 14 locais em abril; pior resultado desde dezembro de 2008

Produção da indústria cai em junho e tem pior primeiro semestre em 6 anos

Endividamento das famílias é o maior da série histórica, diz Banco Central

Executivos brasileiros são os mais pessimistas

Lucro de empresas aéreas mundiais deve ser o maior desde os anos 60, mas Brasil vai na contramão

Taxa de desemprego medida pela Pnad chega a 8,3%

Como viemos parar nesta situação?

O pano de fundo

No primeiro semestre de 2008, a economia brasileira estava relativamente arrumada.  As prudentes políticas fiscal e monetária adotadas no primeiro mandato do governo Lula pela dupla Palocci-Meirelles haviam gerado um nível de confiança e uma estabilidade econômica poucas vezes vivenciados no país pós-democratização. 

A renda da população crescia.  O poder de compra do salário mínimo chegaria ao segundo maior valor da história do real (o maior havia sido alcançado em agosto de 1998).  A pobreza e a miséria haviam caído 50% entre 2003 e 2008, e os investimentos aumentaram 25% (de 15,3% para 19,1% do PIB) também nesse período. 

A inflação de preços, embora jamais invejável para um suíço, manteve-se relativamente comportada (pelo menos em termos de Brasil): após o IPCA acumulado em 12 meses ter chegado a 17% em maio de 2003, o índice despencou para saudosos 2,9% em março de 2007.

Tudo isso foi possibilitado por uma política monetária previsível e austera (para os padrões brasileiros), conduzida por uma equipe que jamais havia se deixado seduzir pelo conto de que "um pouco mais de inflação gera mais crescimento". 

Em decorrência dessa política monetária decente — atestada pelo comportamento do real em relação ao ouro —, o real se apreciou continuamente perante o dólar e perante todas as principais moedas do mundo, o que garantiu um crescente padrão de vida para os brasileiros.

Para coroar, em abril de 2008, o país viria a ganhar o grau de investimento (investment grade) conferido pela agência de classificação de risco pela Standard & Poor's.

Essa foi uma época em que era difícil para a oposição atacar o governo em termos econômicos, pois a condução pragmática da economia — principalmente em termos de política monetária — não oferecia grandes brechas para um ataque.

E então veio a crise financeira mundial, em setembro de 2008.  E, com ela, veio uma guinada na condução da política econômica.

Eis, a seguir, um breve resumo cronológico de tudo o que o governo fez com a economia brasileira desde o segundo semestre de 2008.

O roteiro da lambança

1) A economia brasileira chega ao primeiro trimestre de 2008 relativamente arrumada, com uma política monetária prudente, com o real se valorizando em relação às principais moedas do mundo, e com a renda e os investimentos crescendo.

2) No segundo semestre de 2008, ocorre a crise financeira mundial.

3) Para combater os efeitos da crise, o governo brasileiro dá uma guinada na política econômica e passa a utilizar os bancos estatais — principalmente o BNDES — como a principal ferramenta de expansão do crédito.

4) Como a economia até então estava arrumada, essa política de expansão do crédito estatal aparenta funcionar no curto prazo.  A economia cresce e a inflação de preços permanece sob controle (para os níveis brasileiros, é claro).  O Brasil chama a atenção do resto do mundo.

5) Dilma Rousseff toma posse em janeiro de 2011 e sua equipe econômica não apenas decide manter a vigente política de crédito dos bancos estatais, como ainda decide intensificá-la, adicionando outros elementos heterodoxos.

6) A Nova Matriz Econômica é oficializada.  Essa "nova matriz" — na realidade, incrivelmente velha — se baseia em cinco pilares: política fiscal expansionista, juros baixos, crédito barato fornecido por bancos estatais, câmbio desvalorizado e aumento das tarifas de importação para "estimular" a indústria nacional.  A crença do governo passa a ser a de que "um pouco mais de inflação gera mais crescimento econômico".

7) No início de 2012, o governo declara guerra aos bancos privados que não baixarem os juros, e utiliza os bancos estatais para fornecer empréstimos a juros baixos, ampliando dessa forma a expansão do crédito. O consumismo e o endividamento passam a ser explicitamente estimulados pelo governo, com a crença de que ambos é que são os motores do crescimento econômico.  A expansão do crédito em conjunto com o aumento das tarifas de importação faz com que a inflação de preços comece a incomodar.

8) Também em 2012, o governo unilateralmente decide revogar os contratos de concessão das empresas de geração e transmissão de energia (os quais terminariam entre 2014 e 2018) com o intuito de fazer novos contratos e impor tarifas menores.

9) Com o ataque às geradoras e transmissoras, as distribuidoras ficam sem alternativa e têm de recorrer ao mercado de energia de curto prazo, no qual os preços negociados são muito superiores em relação aos ofertados pelas geradoras que ficaram sob intervenção.  As distribuidoras ficam desabastecidas e endividadas.

10) O Tesouro — ou seja, nós, os pagadores de impostos — começa a repassar dinheiro para as distribuidoras, garantindo artificialmente a política de tarifas baratas.  O endividamento do governo aumenta.

11) O governo faz concessões de aeroportos e poços de petróleo, mas tabela o lucro permitido e impõe regulamentações esdrúxulas.  Os grandes investidores não se interessam.

12) Em paralelo a tudo isso, um mastodôntico esquema de corrupção já operava na Petrobras, que destroça o capital da empresa.  Ao mesmo tempo, o governo obriga a Petrobras a vender às distribuidoras gasolina abaixo do preço pelo qual ela foi importada.  E a obriga também a produzir utilizando uma determinada porcentagem de insumos fabricados no Brasil. O capital da Petrobras, portanto, sofre um triplo ataque.  A Petrobras se torna a empresa mais endividada do mundo.

13) O uso do BNDES para a escolha de campeãs nacionais é intensificado.  O Tesouro se endivida emitindo títulos que pagam o valor da SELIC e repassa esse dinheiro para o BNDES, o qual irá então emprestá-lo a grandes empresas a juros abaixo de 5%, e em prazos que chegam a 30 anos.  Tal política não apenas é inflacionária como ainda afeta substantivamente a situação das contas públicas.  A dívida bruta do governo começa a subir acentuadamente.

14) Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal intensificam o uso do crédito direcionado, que consiste em empréstimos para pessoas físicas e jurídicas a juros muito abaixo da SELIC.  O intuito é estimular tanto o consumismo quanto os investimentos.  Essa medida, além de pressionar a inflação de preços, levou o endividamento das famílias a níveis recordes.

15) Em decorrência dos repasses do Tesouro ao BNDES e às distribuidoras de energia, as contas públicas entram em desordem.  Para mantê-las artificialmente equilibradas, o governo recorre a truques contábeis que consistem em atrasar repasses tanto para bancos estatais quanto para autarquias, como o INSS.  Esses truques contábeis se tornam popularmente conhecidos como "pedaladas fiscais", as quais constituem um crime de responsabilidade fiscal.

16) A inflação de preços em nenhum momento fica perto da meta de 4,50% estabelecida pelo próprio Banco Central.  Em vários momentos ela ultrapassa o teto da meta, de 6,50%.  No setor de serviços, a inflação de preços fica continuamente entre 8 e 9%.

17) O descontrole das contas públicas, a inflação de preços persistentemente alta, o tabelamento dos lucros nos serviços de concessão e as seguidas demonstrações de desrespeito aos contratos do governo (como a Medida Provisória 579, a qual alterou totalmente o sistema elétrico) afetam o humor dos empresários, que reduzem os investimentos (os quais estão em queda há nada menos que sete trimestres seguidos).

18) O número de miseráveis volta a crescer.

19) Os investidores estrangeiros finalmente percebem os truques contábeis do governo e entendem que a dívida bruta está alcançando padrões perigosos.  A agência de classificação de risco Standard & Poor's ameaça acabar com o grau de investimento do país.

20) Como consequência, a taxa de câmbio dispara.  O dólar, que estava em R$ 1,65 no início do governo Dilma, chega a R$ 3,60 em meados de agosto de 2015.  A moeda brasileira derrete.

21) Em simultâneo à disparada do dólar, os repasses do Tesouro às distribuidoras de energia são abolidos.  As tarifas encarecem, em média, 58%. (Em Porto Alegre e São Paulo, os reajustes ficam acima de 70%; em Vitória e Curitiba, passam dos 80%).  Paralelamente, a Petrobras decide que é hora de recompor seu caixa (dizimado tanto pela corrupção quanto pela política de vender gasolina a preços menores que os custos de importação), e o preço da gasolina dispara nas bombas.

22) Em decorrência de tudo isso, a taxa de inflação de preços passa a subir a um ritmo não vivenciado desde 2003.  O IPCA acumulado em 12 meses chega a 9,56% em julho de 2015.

23) O aumento dos combustíveis e da conta de luz obriga empresas, estabelecimentos comerciais e ofertantes de serviços a repassar esses custos aos seus preços.  Como consequência, vendem menos e a receita cai.

24) O Banco Central, que havia se mantido totalmente submisso ao governo no primeiro mandato de Dilma, tenta recuperar a credibilidade perdida e volta a tentar controlar a carestia aumentando seguidas vezes a taxa básica de juros, as quais praticamente dobram em dois anos.  Isso restringe uma parte do crédito e, consequentemente, afeta o crescimento da renda nominal

25) No entanto, dado que a carestia é majoritariamente decorrente da desvalorização cambial e do reajuste de preços administrados pelo governo, os aumentos da SELIC são inócuos nesse combate. Logo, cria-se uma situação de renda estagnada e preços em ascensão, o que gera uma queda da renda real da população.

26) Os seguidos aumentos dos juros, em vez de combaterem a carestia, afetam severamente os investimentos e o consumo.

27) Com a carestia em alta, a renda real em queda e o endividamento recorde da população, as vendas no varejo despencam, as vendas de automóveis desabam, a indústria encolhe (e já vem encolhendo há 4 anos, não obstante todo o protecionismo) e o desemprego aumenta.  As famílias endividadas — consequência inevitável de uma política de estímulo ao consumo — têm dificuldade para quitar as parcelas de suas dívidas.  A inadimplência bate recorde.

28) Com renda em queda e custo de vida em alta, a classe média vai atrás de bicos para tentar fechar as contas.  E pode encolher este ano.

29) Empresários se dizem pessimistas e sem intenção de investir.  Os investimentos apresentam a pior contração trimestral desde 1996.  Já a confiança do consumidor é a pior em 13 anos

30) Com previsões de que a economia encolherá mais de 2% em 2015 e 0,3% em 2016, e de que a inflação de preços fechará o ano perto de 9,3%, o cenário econômico é pior do que uma estagflação: temos desemprego em alta, preços em alta, e renda em queda. E tudo isso aditivado pela desvalorização cambial.  As perspectivas futuras não são nada alvissareiras.

Conclusão

A obra acima descrita não é resultante de uma única política ruim.  Ela é o resultado de meticulosas e desastrosas intervenções governamentais na economia.  Não se chega à situação atual de um mês para o outro ou mesmo de um ano para o outro; é necessária toda uma soma de erros.  É necessária toda uma série de intervenções que, ao darem errado, exigem novas intervenções apenas para "corrigir" os efeitos inesperados das intervenções anteriores.

E esta sequência de intervenções adquiriu um ritmo espantoso no Brasil dos últimos 4 anos.

Ainda em 2012, quando já havia sinais claros de deterioração, o grande mentor da Nova Matriz Econômica, Guido Mantega, escreveu este artigo tecendo autoelogios às suas políticas. Hoje, tal texto é um convite ao escárnio.

O fato é que poucos países minimamente sérios vivenciam, de forma tão explícita e tão rotineira quanto o Brasil, as consequências das intervenções estatais em suas economias.

Exatamente por isso não deixa de ser curioso que, justamente o país em que os resultados nefastos das intervenções do governo na economia são os mais visíveis, é também aquele que possui uma das populações que mais adoram o estado.

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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


Sempre tive uma dúvida com relação ao desenvolvimento econômico da Alemanha durante o século XIX, visto que existem teorias que citam o denominado "método de industrialização prussiano", que era baseado no protecionismo econômico, subsídios para as indústrias e formação de grandes cartéis empresariais. Conforme leituras anteriores, a Alemanha anterior à unificação enfrentou um período de liberdade econômica entre 1820-1870, sendo que no ano da reunificação (1871) o tamanho de sua economia ultrapassava a França e perdia apenas para o Reino Unido e os Estados Unidos da América. Contudo, a partir da ascensão do II Reich e do intervencionismo estatal promovido por Otto von Bismarck, a economia alemã foi perdendo as características liberais e a centralização indústrias em oligopólios e protecionismo passou a comandar a política econômica do Império Alemão. Além disso, muitos economistas "requentam" as teorias de Friedrich List para defender o suposto método de industrialização prussiano, que fora herdeiro do período de grande liberdade econômica anterior à centralização de Bismarck e Guilherme I. Eu estaria certo em afirmar que o crescimento econômico da Alemanha no século XIX se deve mais ao período liberal (1820-1870) do que ao período intervencionista (1871-1919) do II Reich e que a Alemanha teria crescido muito mais economicamente se não entrasse na aventura imperialista na África a partir de 1883, preservando as características liberais de outrora?
Em primeiro lugar, em qualquer empresa que tenha como seu maior acionista o Tesouro nacional, a rede de incentivos funciona de maneiras um tanto distintas. Eventuais maus negócios e seus subsequentes prejuízos ou descapitalizações serão prontamente cobertos pela viúva — ou seja, por nós, pagadores de impostos, ainda que de modos rocambolescos e indiretos.

Mais: uma empresa ser gerida pelo governo significa que ela opera sem precisar se sujeitar ao mecanismo de lucros e prejuízos.

Todos os déficits operacionais serão cobertos pelo Tesouro, que vai utilizar o dinheiro confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Uma estatal não precisa de incentivos, pois não sofre concorrência financeira — seus fundos, oriundos do Tesouro, em tese são infinitos.

Por que se esforçar para ser eficiente se você sabe que, se algo der errado, o Tesouro irá fazer aportes?

Uma empresa que não é gerida privadamente, que não está sujeita a uma concorrência direta, nunca terá de enfrentar riscos genuínos e nunca terá de lidar com a possibilidade de prejuízos reais. Logo, é como se ela operasse fora do mercado, em uma dimensão paralela.

O interesse do consumidor — e até mesmo de seus acionistas, caso a estatal tenha capital aberto — é a última variável a ser considerada.

Como mostram os esquemas de propinas em licitações, estatais não operam de acordo com os sinais de preços emitidos pelo mercado. Elas não operam segundo a lógica do sistema de lucros e prejuízos. Se uma empresa genuinamente privada se dispusesse a pagar um preço mais alto que o de mercado para contratar empreiteiras para fazer obras, seu capital (patrimônio líquido) seria destruído, seus acionistas se desfariam de suas ações, o valor de mercado da empresa despencaria e, na melhor das hipóteses, ela teria de ser vendida para outros controladores "a preço de banana".

Assim como o governo não é capaz de saber se deve construir a estrada A ou a estrada B, ou se deve "investir" em uma estrada ou em uma escola, ele também não sabe se deve produzir mais eletricidade, ou se deve prospectar mais petróleo, ou se deve alterar seu serviço de entrega de cartas. (Por isso, os Correios estão pedindo um aporte de R$ 6 bilhões ao Tesouro Nacional).

Com efeito, não há como o governo saber o quanto deve gastar em todas as suas atividades em que está envolvido. Simplesmente não há maneira racional de o governo alocar fundos ou mesmo decidir o quanto ele deve ter.

O sistema de lucros e prejuízos serve como guia crítico para direcionar o fluxo de recursos produtivos. Tal guia não existe para o governo, que não possui uma maneira racional de decidir o quanto de dinheiro ele deve gastar, seja no total ou em algum setor em específico.

Por não ter uma racionalidade, uma preocupação com lucros e prejuízos, as estatais sempre acabam seguindo os caprichos do governo do momento, cujos políticos do partido estão em seu comando. Consequentemente, estatais sempre estarão sob os auspícios de uma gente cujo horizonte temporal é de no máximo quatro anos, e inevitavelmente se transformarão em fábricas de desperdício, ineficiência, confusão e ressentimento.
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ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Fernando  17/06/2015 05:26
    Como sempre Leandro seus artigos são imperdíveis, Parabéns!
  • Leandro  17/06/2015 13:54
    Obrigado pelo prestígio, caro Fernando. Grande abraço!
  • anônimo  10/09/2015 00:44
    Muito bom
    Faltou falar da china, commodities, projetos populistas, ...
  • Leandro  10/09/2015 01:16
    O que faltou falar sobre estes?

    1) A China nem de longe explica toda a nossa economia. A China explica, e muito, o setor da mineração e as cadeias produtivas associadas a tal setor. Mas nem de longe a China resume toda a economia brasileira.

    Há outros fundamentos que independem da China e que foram corroídos pelo governo.

    2) Os movimentos do dólar, por exemplo, explicam muito mais que a China. O preço das commodities é ditado pela robustez do dólar. O boom das commodities está intimamente ligado ao dólar fraco. Como as commodities são precificadas em dólar, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa.

    O boom das commodities na década de 2000 foi majoritariamente causado pelo enfraquecimento do dólar. E o atual "arrefecimento" das commodities também está majoritariamente ligado ao fortalecimento do dólar. O gráfico do dólar em relação ao ouro ilustra perfeitamente esse fenômeno.

    E como as receitas e as dívidas das mineradoras e das petrolíferas mundiais são cotadas em dólar, elas sofrem diretamente esse ciclo econômico gerado pela flutuação do valor do dólar: elas confundem enfraquecimento do dólar com boom de commodities e fazem investimentos expansivos; aí o dólar se fortalece, as commodities caem de preço e todos os investimentos expansivos se revelam errôneos. E então cortes de custos -- demissões -- são feitos.

    A Vale está passando por isso.

    Um artigo completo sobre a última década da economia brasileira pode ser encontrado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1943

    3) Quanto aos projetos populistas, eles foram contemplados em todos os itens de 7 a 14.

    Obrigado pelo elogio e grande abraço!
  • Mohamed Attcka Todomundo  17/06/2015 14:05
    leandro, uma pergunta q vai ate parecer gozaçao, pq agente sabe a resposta (provavel; ao menos), mas q ñ posso deixar de fazer.

    ja li quase tudo q o IMB publicou nos topicos "economia brasileira". No meu trabalho de topógrafo (georeferenciamento como tamos chamando) economia ñ eh bem chave, mas tem algo a ver, pq sempre tem um tanto de geografia econômica envolvido; e tenho ouvido o pessoal da área citar as idéias q vejo nos artigos de "economia brasileira" [eles raramente dizem, diretamente, q lêem ou tão citando o IMB, mas pelas beiradas agente vê q sim].

    daí minha duvida? Qual tem sido a repercuçao dos artigos de vcs em publicassoes academicas e operadores de mercado. Na mídia nunca vi repercussao, mas e no restante dos lugares onde o trab. de vcs pode repercutir?
  • Gustavo  17/06/2015 05:44
    Mas há um lado positivo nisso tudo. Como o FED perdeu grande parte do seu poder de administração dos juros interbancários e o BCE está incorrendo num programa de QE, talvez, na próxima crise financeira mundial, que não deve demorar para chegar, os investidores sejam atraídos para países que ainda são capazes de oferecer uma política monetária restritiva e juros altos. Felizmente, o atual arranjo no Brasil, não permite que incorramos em uma política de QE nem de juros absurdamente baixos.
  • Leandro  17/06/2015 13:57
    "Felizmente, o atual arranjo no Brasil, não permite que incorramos em uma política de QE nem de juros absurdamente baixos."

    Concordo quanto aos juros, mas nada impede um QE no Brasil. Apenas o bom senso.

    De resto, vale considerar o seguinte: embora os juros sejam quase nulos na Europa e nos EUA, a inflação de preços lá também é quase nula (e, em alguns setores, como o energético, há deflação de preços). E a moeda deles é mundialmente forte (libra e franco suíço, então, só se valorizam), o que significa que eles têm acesso fácil aos principais produtos produzidos globalmente.

    Agora, qual é a situação do Brasil? Aqui, a inflação de preços é muito maior do que o rendimento da mais popular aplicação financeira, que é a caderneta de poupança (ou seja, os juros altos ainda nem sequer conseguem ser maiores do que a inflação de preços). Para piorar, nossa moeda é fraca e segue perdendo poder de compra perante as principais, o que significa que só os muito ricos têm acesso aos principais produtos produzidos globalmente.

    Desconsiderando coisas como políticas assistencialistas, pobres e classe média estão em muito melhor situação lá do que aqui.
  • Deilton  09/07/2015 20:37
    O que não consigo entender é por que a Libra se valoriza tanto estando o Reino Unido com uma dívida pública estratosférica.
  • Alexei Dimitri Diniz Campos  02/09/2015 21:26
    Simples. Questões que não são explicadas pela economia podem ser explicadas pela política.

    Nesse caso, a política que deve ser levada em conta é a história. Alguns dizem que passado é passado, mas esquecem que é a questão política que manda sobre questões econômicas. Quando não, o político é burro [é burrice nadar contra a corrente].

    O Reino Unido sempre foi um dominador de povos, e como tal, tem que estimular as mentes férteis, sejam elas da Inglaterra, sejam elas de outras colônias indiretas, como o Brasil.

    Então, eles possuem o conhecimento e a cultura necessários para que possuam estabilidade.

    Outra coisa, eles são nacionalistas. Então, qualquer coisa que o governo faça que venha a aumentar o seu gasto, é bem vista, aceita e não há barreiras como de povos não patrióticos, porque sabem que quem está lá [no governo ou no topo das grandes organizações] goza dos mesmos valores culturais da pessoa [que o escolheu ou para o qual trabalha] e faria o mesmo que ela. Quando há escândalos, como ocorreu na Câmara dos Lordes, são rapidamente punidos ou renunciam, de forma a retomar a perenidade.

    Outra coisa, ouço mais sobre Rússia fez isso, China fez aquilo, do que sobre o Reino Unido, com exceção da Família Real :)

    É necessário lembrar da dicotomia entre "fazer o que digo, não fazer o que faço", que o brasileiro segue. Muitos dizem que o brasileiro é nacionalista/patriota. Mas não falamos mal do próprio país? Isso não é ser nacionalista, muito menos patriota.

    Vejam o que está ocorrendo nos países latinos, os governantes são todos de esquerda. Mas a mente do povo vem de uma cultura de direita. Então, há choque na certa, e crise no caminho.

    Ontem, estava vendo o Roda Viva de 27/8, "Caminhos para se sair da crise", e qual não foi a minha surpresa de ver coisas que eu havia escrito e lido do próprio IMB! Parece que o Ministro Capez era um seguidor costumaz do IMB, de pensamento neoliberal. Mas quando o presidente da OAB questionou-o sobre o aumento da taxa de apelação de segunda instância no judiciário por causa do aumento de despesas... Pera, o cara aparenta ter ideias liberais, mas com medidas esquerdistas??? Hum....

    Os mais velhos foram contundentes e enfatizaram: "crises sempre ocorreram". "O Brasil sempre saiu por 'cima' (será? Acho que não)". "Essa não é a maior crise (só quem está perto da situação é que sabe que isso não é verdade)". Sim senhores, é e será pior do que as anteriores porque as pessoas estão muito mais antenadas, então, qualquer medida tem um efeito manada muito grande, e como as pessoas já entenderam que estamos no buraco, não vai haver força para sair de lá, porque existirá uma força maior puxando para baixo.

    Voltando ao caso Britânico. O que governa a taxa de câmbio? O mercado [financeiro]. O que o mercado faz? Segue fluxos especulativos. Uma parte do capital fica em mercados estáveis. a outra, fica oscilando nos mercados frágeis. Qual tipo de mercado é o brasileiro? Qual tipo de mercado é o Britânico?

    Outra coisa, países que passam por uma evolução própria, que usam seu próprio povo para mudar as coisas, resolvendo seus próprios problemas, sempre convergem para uma situação de perenidade. Uma coisa é alinhar o futuro da nação, com a política mundial e regional, e outra, é tentar mudar as coisas seguindo estritamente alguma ideologia, sem qualquer consciência do que funciona ou não.

    Outra coisa que ajuda é que os britânicos são conservadores e não-consumistas. A produção no país é suficiente para que comprem o que necessitam de outros povos, e aquilo que falta, eles conseguem governando os mercados especulativos das nações fracas, ou através de seu maior ativo cultural, os EUA.

  • Edujatahy  17/06/2015 12:43
    É simplesmente inexplicável a sensação de ler um artigo explicando a situação econômica do país totalmente livre de ideologismo partidário. Parabéns Leandro pelo ótimo artigo e pela equipe do IMB por nos proporcionar um dos melhores canais de conhecimento na internet brasileira hoje.
  • Leandro  17/06/2015 14:01
    Edujatahy, nossa função aqui é explicar pura e simplesmente como funciona a economia.

    Ao contrário de outros sites, que primeiro olham qual partido adotou determinada política para só então fazerem comentários (a favor ou contra, dependendo da preferência partidária), nossa missão aqui é explicar as consequências de políticas econômicas, sem discriminar qual político ou partido as adotou.

    Obrigado pelas palavras. Grande abraço!
  • Felipe Lange S. B. S.  17/06/2015 15:59
    Mais um ótimo artigo, Leandro!

    A sua forma de explicar a tranqueirada que o governo fez todos esses anos, é de fácil entendimento.

    Sobre o brasileiro em geral ter uma fé enorme no estado, vou ler aquele livro do Bruno Garschagen, estou interessado.

    Agora, eu acho que com essa crise, vai criar mais ódio da população no estado - a raiz de todos os problemas - , ou pelo menos, em políticas econômicas desastradas e keynesianas. Eu mesmo tinha uma certa fé no estatismo, e foi coisa de dois anos no máximo, e já me tornei um convicto defensor da liberdade econômica.

    Uma das coisas mais fantásticas, é que os economistas explicam a economia sem precisar usar de quaisquer tipos de vieses ideológicos.

    Por fim, a cada dia eu tenho mais ódio do estado, dos políticos e do governo.

    Obrigado!
  • Corsário90   17/06/2015 13:48
    Caro Leandro, excelente novamente!! Dúvida; como vc disse no podcast 152 IMB, melhor seria controlar o câmbio e o controle da Selic não é o melhor caminho. Entretanto, se o governo quiser usar essa ferramenta, teria q usar doses mais cavalares do que esse aumento gradual. Como os bancos estatais foram os responsáveis pela maior expansão Monetária e não estão sujeitas à Selic, desconsiderando Currency board, a pancada na Selic teria algum efeito positivo para diminuir a inflação, tendo em vista que os bancos estatais já despejaram grande quantidade de dinheiro e não estão sujeiras diretamente a Selic??
    Como enxugaríamos essa grana toda e teríamos como retirar as dívidas das familias brasileiras em curto o médio prazo? A cada dia fico convencido que o Currency Board é talvez uma saída mais coerente e única atualmente!!
    Valeu pela aula!!!
    Abs
  • Leandro  17/06/2015 14:14
    "a pancada na Selic teria algum efeito positivo para diminuir a inflação, tendo em vista que os bancos estatais já despejaram grande quantidade de dinheiro e não estão sujeiras diretamente a Selic??"

    Teria algum efeito positivo se o aumento fosse grande o bastante a ponto de fazer com que especuladores e investidores estrangeiros venham em massa para cá, sem medo de perder dinheiro. Isso geraria uma apreciação cambial e uma valorização da moeda, o que ajudaria bastante a arrefecer a carestia.

    Isso ocorreu em 2003. A SELIC foi para 26,50%, ao passo que a taxa básica de juros nos EUA era de apenas 1%.

    Na atual situação brasileira, com o dólar tendo ido de R$ 2,20 para R$ 3,10 em um ano (o que significa que o real se desvalorizou 30% em um ano) e com expectativas crescentes de inflação de preços (de quase 9% este ano), uma SELIC de 13,75% ainda é totalmente inócua para atrair estrangeiros a ponto de gerar qualquer valorização cambial.

    "Como enxugaríamos essa grana toda e teríamos como retirar as dívidas das familias brasileiras em curto o médio prazo?"

    Não há como enxugar essa grana, a menos que as famílias e as empresas paguem suas dívidas. No atual sistema monetário e bancário, o dinheiro entra na economia via endividamento (público e privado). Portanto, para "enxugar" dinheiro da economia, apenas quitando dívidas com o sistema bancário.

    "A cada dia fico convencido que o Currency Board é talvez uma saída mais coerente e única atualmente!!"

    Não é a única, mas é a mais simples e prática.


    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Henrique  17/06/2015 18:52
    Um simples artigo, lido em 15 minutos, que te ensia mais sobre economia do que 4 anos de Unicamp (não que isso seja muito difícil).

    (1) Descartando-se um currency board (sonho meu, sonho meu) e uma marretada na SELIC lá pros 25%+, quais as outras alternativas para combater a carestia? abrir os portos? Acabar com a ridícula taxação de bens de capital? Ajuste fiscal DE VERDADE?

    (2) Existe alguma maneira de fazer o real retomar força sem recorrer a juros absurdos?

    (2a) Caso os juros nos EUA subam mesmo a partir de setembro, como tem sinalizado mrs. Yellen, poderá o governo tupininquim segurar o real, ou seremos obrigados a voltar a pagar 4 BRL por 1 USD?
  • Mohamed Attcka Todomundo  17/06/2015 14:42
    leandro, o governo rompeu contratos c/ o setor eletrico p/ "baixar" as contas do consumidor;
    e se endividou com titulos q pagam SELIC e pos a grana no BNDES a 5% ao ano p/ seus conparsas.

    e se o governo aumentar unilateralmente os juros do BNDES? isso enxugaria parte dessa liquidez do mercado? reduziria a exposiçao da divida publica gerando um fluxo de caixa maior para garanti-la?
  • Leandro  17/06/2015 14:50
    Aumento de juros do BNDES afeta empréstimos futuros, e não os atuais (os quais, aliás, têm prazos de 30 anos ou mais). Logo, não há esse efeito de "enxugamento" monetário.
  • Michael  10/07/2015 00:46
    Gostei muito do artigo Leandro!
    Tambem gostei das perguntas do Henrique. Adoraria saber suas respostas para estas perguntas Leandro.

    (1) Descartando-se um currency board (sonho meu, sonho meu) e uma marretada na SELIC lá pros 25%+, quais as outras alternativas para combater a carestia? abrir os portos? Acabar com a ridícula taxação de bens de capital? Ajuste fiscal DE VERDADE?

    (2) Existe alguma maneira de fazer o real retomar força sem recorrer a juros absurdos?

    (2a) Caso os juros nos EUA subam mesmo a partir de setembro, como tem sinalizado mrs. Yellen, poderá o governo tupininquim segurar o real, ou seremos obrigados a voltar a pagar 4 BRL por 1 USD?
  • Leandro  10/07/2015 02:26
    "Descartando-se um currency board (sonho meu, sonho meu) e uma marretada na SELIC lá pros 25%+, quais as outras alternativas para combater a carestia? abrir os portos? Acabar com a ridícula taxação de bens de capital? Ajuste fiscal DE VERDADE?"

    Liberar a concorrência de moedas. Em todos os países em que isso foi feito, os resultados foram formidáveis:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2128

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2083


    "Existe alguma maneira de fazer o real retomar força sem recorrer a juros absurdos?"

    Bom, dado que você descartou o Currency Board, então realmente só sobra a opção explicitada nos artigos acima.

    "Caso os juros nos EUA subam mesmo a partir de setembro, como tem sinalizado mrs. Yellen, poderá o governo tupininquim segurar o real, ou seremos obrigados a voltar a pagar 4 BRL por 1 USD?"

    Não acredito muito que haverá esse aumento dos juros. E, caso eles aconteçam, isso já está precificado pelo mercado.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Lucas  08/11/2015 23:08
    [off] Leandro, você poderia escrever um texto completo sobre a revolução do gás de xisto p/ economia americana e mundial? Um resumo de como funciona o a extração; desmentir o que os ambientalistas falam contra o gás de xisto, etc. Um exemplo é que gás natural é absurdamente menos poluente do que queimar carvão.
  • myself  17/06/2015 13:58
    Leandro,

    ótimo artigo, novamente.

    Depois de ler outros artigos seus onde você analisa o comportamento do agregado M2, dando grande importância a ele, passei a anotar os dados mensais.

    Pelas minhas anotações, a taxa de crescimento do M2 tem caído fortemente, de +11,35%a.a. em setembro/14 para +7.54%a.a. em abril/15. Entre setembro e abril a queda foi consistente; não houve nenhum mês onde a taxa aumentasse.

    Como você vê essa queda? Podemos esperar um arrefecimento do IPCA em breve? Claro que o aumento do dolar atrapalha, mas talvez não vá subir muito mais do que já subiu.
  • Leandro  17/06/2015 14:22
    Há um pequeno defeito no M2 brasileiro: ele engloba títulos como LCI e LCA (invenções relativamente recentes), que não possuem liquidez (não podem ser resgatados a qualquer momento). Por outro lado, o M3, que em tese é menos líquido que o M2, engloba fundos de investimento que possuem liquidez diária.

    Mais uma jabuticaba: no Brasil, um agregado monetário maior possui itens que são mais líquidos do que os itens constantes em um agregado monetário menor.

    Em todo caso, se você analisar justamente os itens de maior liquidez, está sim havendo uma forte desaceleração. E ela é consequência da menor expansão do crédito.

    Isso irá reduzir a carestia? Pode ajudar a diminuir a pressão, mas o câmbio e os preços administrados continuam sendo o fator primordial.
  • Marcelo  17/06/2015 15:40
    Um comentário sobre LCI e LCA: as de grandes bancos, como o Banco do Brasil, tem liquidez diária após a carência de 90 dias.
  • Marcelo  17/06/2015 17:49
    Guilherme, foi exatamente o que eu disse: Letras de Bancos Grandes (BB, Itaú, CEF, Bradesco, Santander).
  • Eduardo  17/06/2015 14:18
    Leandro, gostaria que você comentasse apenas um fato, por favor.
    Quando voce diz que a politica de Lula estava correta até 2008, humildemente discordo, pelo motivo que esses anos de governo foram coincidentemente a época em que as commodities no mundo mais se valorizaram na história e como o Brasil vive de commodities a arrecadação do governo bateu recordes. Visto isso acho que Lula perdeu a grande chance de guinar o investimento no Brasil, coisa que na minha visão não foi nada feito, basta você andar pelo país que não verá portos, rodovias, ferrovias, aeroportos, entre outras coisas. Em síntese, julgo que a política do ex-presidente foi mais para incentivar a demanda do que a oferta, que a longo prazo é o que nos leva a um crescimento sustentável, penso que perdemos a grande chance da história de mudar o rumo desse país e que tão cedo não aparecerá outra. Sinceramente acho que Lula fez um mal governo levando em consideração o contexto.

    Grande abraço.

    Obrigado.
  • Leandro  17/06/2015 14:29
    Eu realmente não disse que a política dele "estava correta até 2008". O que eu disse, e repito, é que as políticas monetária (de responsabilidade do Banco Central) e fiscal (de responsabilidade do Tesouro) foram prudentes. Só isso.

    Políticas de investimentos e reformas trabalhistas não são da alçada de nenhuma dessas duas instituições.

    Sobre incentivar a demanda em detrimento da oferta, tal política foi adotada justamente a partir de 2008. Isso foi explicado em mais detalhes neste artigo.

    Grande abraço!
  • Juliana  19/06/2015 18:12
    Eduardo (Eduardo 17/06/2015 14:18:18), ia comentar a mesmíssima coisa: perdemos a maior chance para investir em infra estrutura durante o governo Lula. Economia aquecida interna e externamente, famílias consumindo como nunca (graças aos empréstimos bancários), enfim, momento oportuno para investir em portos, rodovias, ferrovias, q já estavam sucateadas. Não tem como um pais crescer sem investimento. E não houve nenhum. Apenas surfamos na crista da onda. Desde então só se pensava em dar umas migalhas para a população ficar feliz... e não precisa de muito. O resto a gente embolsa... Uma década perdida??? Diria que para nos refazer de todo o estrago dessa política monetária e fiscal prudente, serão necessárias umas 5 décadas... Como se diz na minha cidade: chamando meu Deus de compadre!!!
  • Guilherme  19/06/2015 18:28
    "Diria que para nos refazer de todo o estrago dessa política monetária e fiscal prudente"

    Essa frase não faz nenhum sentido, Juliana. A atual situação do Brasil foi gerada justamente por políticas fiscais e monetárias temerárias, e não prudentes.

    Agora, se por acaso você quis dizer que as prudentes políticas monetárias e fiscais adotadas até 2008 geraram um arranjo de bonança que permitiu que as reformas fossem postergadas, sendo isso ruim para o país, aí você está injustamente culpando quem não tem nada a ver com a história.

    BC e Tesouro não apitam em investimentos em infra-estrutura. Na prática, você está dizendo que ambas as instituições teriam feito melhor caso destruíssem a moeda e o orçamento. Isso não faz sentido.
  • Anonimo  19/06/2015 22:22
    Ela foi irônica sobre a prudencia
  • Juliana  20/06/2015 23:43
    Guilherme, talvez vc nao tenha entendido a ironia da frase.
    Abraco....
  • Thiago Teixeira  31/08/2015 01:33
    Ainda há essa oportunidade: é só abrir para o mercado.
    Portos, aeroportos...
    Estradas e estadas de ferro podem ser um pouco mais complicado, mas é possível também.
    Não precisa estar numa fase de bonança economica. Aliás, ia dar até um grande impulso na economia.

    Agora, se voce se refere a investimento público em infraestrutura, sugiro ler mais alguns artigos daqui do site.

  • IRCR  17/06/2015 14:19
    Leandro,

    Os seguidos aumentos dos juros, em vez de combaterem a carestia, afetam severamente os investimentos e o consumo.

    Os investimentos não seriam por linhas de crédito subsidiadas pelo governo ? essas não são quase imunes a elevações da SELIC ? Então pq elevar a SELIC afetaria severamente os investimentos ?

    O consumo até faz algum sentido, pois na maioria dos casos são sustentados por crédito livre, tanto que subiram de 35% em 2012 para lá de 55% em 2015.

    www.tradingeconomics.com/charts/brazil-bank-lending-rate.png?s=brazilbanlenrat&d1=20120101&d2=20151231

    Mas vamos supor que a SELIC não fosse elevada e continuasse em 7,5%. Vc acha que as pessoas continuariam conseguindo se endividar para sempre ? não chega uma hora que chega no topo do limite ? pq ninguém vai ficar comprando carro, fogão, geladeira, TV etc.. todo santo ano né.

    Seria sustentável manter a SELIC em 7,5% até hj ? isso não levaria a mais desvalorização do real, visto que nenhum investidor teria interesse de financiar o governo em um pais em crise politica e econômica pagando míseros 7,5% ? isso sem levar em consideração que vários emergentes tb subiram suas taxas de juros o que poderia deixar o Brasil em desvantagem.

  • Leandro  17/06/2015 14:44
    "Os investimentos não seriam por linhas de crédito subsidiadas pelo governo ? essas não são quase imunes a elevações da SELIC ? Então pq elevar a SELIC afetaria severamente os investimentos ?"

    Não é só banco estatal que empresta para empresas. E mesmo os bancos estatais não são um saco sem fundo. Eles não podem sair emprestando infinitamente para todos e a juros baixos: o capital deles, bem como o índice de Basiléia, seria destruído. Os bancos privados suprem aquelas empresas que não são atendidas pelos bancos estatais.

    Coisas como capital de giro, conta garantida, desconto de duplicata, vendor, compror, adiantamento sobre contratos de câmbio etc são majoritariamente feitos por bancos privados.

    No que mais, os próprios bancos estatais -- agora sob nova direção -- também começaram a restringir o crédito, como mostram os links do artigo.

    Mas vamos supor que a SELIC não fosse elevada e continuasse em 7,5%. Vc acha que as pessoas continuariam conseguindo se endividar para sempre ?

    Não. Haveria uma hora que o endividamento chegaria a tal ponto que elas seriam forçadas a parar.

    Só que essa nem a questão. A questão é: se a SELIC estivesse hoje a 7,5%, em que valor estaria o dólar? Como estaria a economia? Esse é o ponto.

    "Seria sustentável manter a SELIC em 7,5% até hj ? isso não levaria a mais desvalorização do real, visto que nenhum investidor teria interesse de financiar o governo em um pais em crise politica e econômica pagando míseros 7,5% ? isso sem levar em consideração que vários emergentes tb subiram suas taxas de juros o que poderia deixar o Brasil em desvantagem."

    Exato.
  • tOBIAS  17/06/2015 14:25
    Parabéns! Ótimo artigo, acessível, coerente e correto. Muito legal a forma cronológica como foi colocada a matéria, evidenciando que cada ação do governo tem o efeito crontário ao pretendido e a longo prazo torna-se mais deletéria ainda.
    Dificil é entender como o pessoal ainda acha que o governo é a salvação para os males que o próprio (des)governo faz.
  • Ricardo  17/06/2015 14:48
    Também acho que o método de exposição cronológica tem muito mais apelo e ajuda os leigos a entenderem perfeitamente tudo que aconteceu.
  • Emerson Luís  17/06/2015 14:27

    Hybris => Harmatia => Nêmesis

    Atitude Disracional (arrogância, superconfiança, etc.) => Comportamento Disracional => Consequências Ruins

    * * *
  • Alfonso   17/06/2015 14:28
    To aqui só pra elogiar o Leandro Mito Roque.

    Aguardando sua indicação para ministro da fazenda.
  • Leandro  17/06/2015 14:45
    Isso seria uma punição para qual pecado meu?
  • CORSARIO90  17/06/2015 17:07
    KKKKKKKKKKKKKKKK, desculpa-me, mas foi engraçado!
  • Lopes  17/06/2015 14:28
    Excelente análise novamente, Leandro.

    Tão concisa e direta quanto a economia brasileira permite que seja. Infelizmente, há mais 3 ou 4 anos de políticas bizarras para a próxima cronologia; prepare-se para escrever páginas e páginas até chegarmos lá.

    Concisão terá sido um privilégio saudoso.
  • Leandro  17/06/2015 14:46
    Caríssimo Lopes, perfeito insight. Receio que agora você esteja filosoficamente correto.
  • Pedro  17/06/2015 14:32
    A mim faz-me confusão ver como um pais como o Brasil (com o PT) se deixou atrelar aos interesses de pseudo-paises como a Argentina atual, e Venezuela (do Mercosul), e está infelizmente isolado do comercio internacional, e deixou de defender os seus próprios interesses.
    Tornou-se um completo anão politico e económico atrelado a um espaço económico de paises também populistas mas ainda mais atrasados económicamente (como a Venezuela e Argentina).
    Basta ver como a Aliança do Pacifico sem matriz ideologica de esquerda vem crescendo todos os anos (Chile, Peru, Colombia e México), enquanto os regimes populistas esquerdistas da Mercosul estão todos em recessão e regresso civilizacional.
  • Antonio  17/06/2015 22:06
    A Bachelet não é de esquerda?
  • Pedro  18/06/2015 09:42
    Sim mas o pais ainda não tem mentalidade de esquerda e está inserido na Aliança do Atlântico não no Mercosul. Não vale a pena sequer tentar comparar a economia Chilena com as restantes da América Latina...
  • cmr  17/06/2015 14:39
    Sun Tzu na arte da guerra, disse para nunca lançar um ataque para tentar se recuperar do fiasco do ataque anterior.

    No contexto governista poderíamos dizer: "nunca lance uma medida para tentar se recuperar do fiasco da medida anterior"
  • Felipe  17/06/2015 14:40
    Excelente artigo Leandro.

    O que eu conheço de ricos que estão planejando ou já foram morar nos EUA depois na eleição não é brincadeira.

    A esquerda se lixa para isso, mas sem os ricos a população apenas ficará mais pobre.
  • Thiago André  17/06/2015 14:48
    Conheço três.
  • Fernando Marinho Do Nascimento  17/06/2015 18:00
    Mas vc acha que isso incomoda a esquerda? Quanto mais pobres, pra ela melhor. Veja como comemoram o fato de 25% da população precisar de ajuda do Estado para sobreviver! Eles se orgulham disso.
  • Pobre Paulista  17/06/2015 18:16
    Tax the rich,
    Feed the poor,
    Till there are no
    Rich no more...

    (Alvin Lee)
  • Carlos Eduardo  17/06/2015 18:44
    Também conheço muita gente que já se mandou do Brasil, e mais alguns já fazendo os preparativos.

    Mas discordo de você, acho que isso incomoda a esquerda, sim.

    Ao menos no que vejo no facebook, a esquerdaiada de lá fica louquinha de raiva com notícias de ricos (ou mesmo sua tão odiada "classe média") fugindo da reeleição da Dilma.

    Eles dificilmente perdem uma chance de comentar algo, doídos de raiva porque as pessoas estão fugindo do plano que eles tinham para a sociedade pelo governo autoritário que elegeram.

  • Rafael Gangana  17/06/2015 14:54
    Simples assim! O pior é assistir ao advento da nova matriz já sabendo dia e hora do seu fracasso... E paguem meus juros!
  • RAGNAR  17/06/2015 17:09
    Bolhista detected!
  • Louro José  18/06/2015 15:30
    YEAH!!!!! by GB
  • Matheus Pricevicius  17/06/2015 14:56
    Por que será que as pessoas não entendem isso? A Nova Matriz Econômica foi um erro que já havíamos vivido no passado, não só no Brasil (década de 80, por exemplo) mas em outros países que tentaram controlar preços e aumentaram a intervenção do Estado na economia. Todos se deram muito mal.

    Soluções populistas como baixar o custo da energia "na marra", baixar juros "na marra", utilizar bancos públicos para financiar empresas queridinhas dos "amigos do Rei (Lula) nunca deram certo e já foi provado.

    Já está mais que na hora dos economistas da base do Governo tomarem uma atitude de HOMEM, enfrentar os problemas com soluções transparentes e eficientes que beneficiem a Oferta (indústria, producao, serviços...) e não somente a demanda (Consumo)!

    Excelente texto como sempre! Debates sobre economia neste nível são saudáveis e extremamente necessários nos dias de hoje no Brasil!
  • Marconi  17/06/2015 14:59
    Bom resumão! Mas senti falta dos tradicionais gráficos.. rsrsrs

    Valeu pelo texto!
  • Adalberto  17/06/2015 15:04
    Leandro Roque,

    Faltou na lista o elevado saque das poupanças que colocam em risco outro motivo de "orgulho" deste governo, o financiamento imobiliário.
  • Leandro  17/06/2015 15:37
    É uma boa lembrança, mas como tal política ainda não se consumou (redução dos empréstimos imobiliários exclusivamente por causa de saques na poupança), ela por enquanto ainda está apenas no terreno da especulação. E, no artigo, preferi falar apenas do que já ocorreu.
  • Adalberto  17/06/2015 20:31
    Tens razão, ainda estamos no campo da especulação, mas a tendência é perigosa
  • Saraiva  17/06/2015 20:55
    Leandro, apenas a título de informação...

    Sou funcionário do banco que detém a maior market share no financiamento habitacional e o que venho constatando de abril pra cá é a diminuição sensível na contratação de financiamentos com lastro no crédito da poupança (SBPE). A linha com recursos do FGTS não respondeu da mesma forma.
    O que vejo na agência são campanhas absurdas para captação de recursos em poupança, salvo engano, já houve mudança na porcentagem de crédito em poupança necessário pra financiamento SBPE.
  • Antony  17/06/2015 15:13
    Perfeito!!
    Cenário economômico colocado de forma resumida, porém rico em "detalhes".
    Parabéns Leandro, cada dia que passa vejo como a Escola Austriaca é eficaz.
    Abraços!
  • Marcelo  17/06/2015 15:37
    Leandro, parabéns por mais um excelente artigo. Já foi devidamente compartilhado.
    Aproveitando, como anda a audiência do blog?
    tenho a impressão de ver mais amigos compartilhando os artigos do IMB.
    Seria interessante se houvesse um contador, ou um gráfico, relacionado ao números de acessos, na lateral da página.
    Continuem com o excelente trabalho!
  • Rafael (mais um)  17/06/2015 16:48
    Tenho essa mesma curiosidade.
  • Luiz Novi  17/06/2015 16:00
    Caro Leandro, novamente dando show em aula de economia com exemplos claramente práticos e didáticos. Quero aprender cada vez mais com os artigos publicados diariamente no site bem como o vasto material do instituto Mises. Mais uma vez PARABÉNS!!!

    Luiz Novi
  • joao  17/06/2015 16:19
    Faltou avaliar o papel do 11 de setembro em tudo isso. Os atentados fizeram o dólar cair frente ao resto e foi a reação a isso que gerou a crise de 2008. A substituição do dolar como a ancira por uma moeda mundial será a saída para a disparada do dolar e a depreciação das de.ais moedas.
  • Leandro  17/06/2015 16:48
    O dólar começou realmente a se enfraquecer no início de 2003, com a guerra do Iraque. Antes disso, ele seguia robusto, não obstante os baixos juros vigentes nos EUA.

    Eu inclusive tenho a teoria de que o sucesso econômico de Lula está ligado à guerra do Iraque: por causa da guerra, o dólar se enfraqueceu; o dólar fraco tornou a apreciação cambial do real mais fácil; com o câmbio mais apreciado, as políticas de expansão de crédito puderam durar por muito mais tempo sem gerar grandes pressões inflacionárias.

    Aliás, o próprio boom das commodities está intimamente ligado ao dólar fraco. Como as commodities são precificadas em dólar, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa.

    Lula deve à guerra do Iraque uma boa parte de sua popularidade. Estivesse o dólar forte como estava nos governos Reagan e Clinton, não haveria a menor chance de as políticas de expansão do crédito terem durado o tempo que duraram.
  • Aaron  17/06/2015 16:23
    [OFF TOPIC]

    Leiam:

    carlosupozzobon.blogspot.com.br/2011/12/o-pais-dos-coitadinhos.html

    Me deprime saber que o brasileiro sempre foi assim, e pelo visto sempre será.

    Farhat (Dom Quixote contra os moinhos) grita o grito entalado na garganta de qualquer um que valorize o trabalho honesto sobre a vagabundagem , tao apreciada por nosso povo. Somos irremediavelmente estatistas e acomodados pelo jeito, porque nada mudou desde que ele escreveu o livro (se não é que piorou).

    Complicado.




  • André  17/06/2015 16:33
    "O trecho acima foi extraído de uma reportagem da edição de 29 de dezembro de 2010 da revista IstoÉ, a mesma que, em outra edição daquele mesmo ano, afirmou que já éramos uma potência.".

    Uma pena que eu não conhecia o Instituto Mises e por conseguinte a Escola Austríaca em 2010.
    Pois daí eu já saberia que toda aquela euforia era falsa, com mais antecedência e poderia ter planejado melhor.

    Não que eu fosse um estatista naquela época, muito longe disso, eu era apenas alguém tentando entender
    como o mundo funciona, sem nunca encontrar uma explicação consistente, até achar o site do Mises.
  • Torresmo  17/06/2015 17:26
    "1) A economia brasileira chega ao primeiro trimestre de 2008 relativamente arrumada, com uma política monetária prudente, com o real se valorizando em relação às principais moedas do mundo, e com a renda e os investimentos crescendo."

    Leandro, parabens pela conclusao. Se tudo continuasse igual ao primeiro item mencionado, nao seria apenas um voo de galinha ? Sendo nescessario diminuir muito mais o tamanho do estado. Ou era realmente o decolar econômico "nunca antes na historia do Brasil"? Lula foi o presidente mais liberal que tivemos?
  • Leandro  17/06/2015 17:43
    Calma. Presidentes, por si sós, mandam muito pouco em uma economia. Quem realmente detém poderes sobre uma economia são o presidente do Banco Central e o Ministro da Fazenda. Se ambos forem submissos ao presidente, então o presidente de fato manda (foi o caso de Dilma no primeiro mandato). Mas se estes forem autônomos, então o presidente manda pouco (foi o caso de Lula no primeiro).

    Não há indícios de que Lula mandava em Meirelles; não há indícios de que Afonso Beviláqua seguia ordens de Lula. Não há nem sequer indícios de que Palocci e Joaquim Levy (à época, Secretário do Tesouro) obedeciam a ditames de Lula.

    Esse é o contexto que tem de ser olhado.

    Agora, naquelas coisas sobre as quais Lula de fato tinha poder -- negociar reformas trabalhista, tributária e burocrática; abrir mais à economia para o comércio exterior; acabar com as agências reguladoras e permitir um livre mercado --, ele nada fez. E creia-me: nenhum outro presidente faria; não naquele cenário.

    No final, ele foi apenas um sujeito que teve muita sorte (vide o que escrevi sobre a Guerra do Iraque em resposta ao leitor João, mais acima), mas que também teve a sabedoria de nomear pessoas competentes para áreas cruciais. Isso, aliás, seus próprios detratores reconhecem.
  • IRCR  17/06/2015 17:42
    Leandro,

    É uma boa lembrança, mas como tal política ainda não se consumou (redução dos empréstimos imobiliários exclusivamente por causa de saques na poupança), ela por enquanto ainda está apenas no terreno da especulação. E, no artigo, preferi falar apenas do que já ocorreu

    Considerando que 100% da caderneta fosse exaurida, pq isso afetaria os empréstimos imobiliários ?
    Afinal de contas, os bancos não apertam um botão no computador e criam o crédito ? sem antes precisar de um deposito prévio ? ou vai me dizer que os financiamentos imobiliários são lastreados em "poupança" (austríacos? rsss) ?
  • Leandro  17/06/2015 17:58
    Isso é regulação do Banco Central, meu caro. Não é nem questão de teoria. É o Banco Central quem estipula que, para cada X volume emprestado para o crédito imobiliário, tem de haver Y em depósito na caderneta de poupança. E é o CMN quem estipula que os bancos devem aplicar 65% dos recursos da poupança para o financiamento imobiliário.

    Pode ler aqui:

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,governo-libera-r-22-5-bi-da-poupanca-para-credito-imobiliario,1696353

    E aqui:

    www.valor.com.br/financas/4072320/cmn-muda-regulamentacao-de-compulsorio-de-poupanca-imobiliaria-e-rural
  • Sergio Souza  17/06/2015 17:46
    Bom artigo Leandro,como sempre!!

    Já estão dizendo que a nossa serasa Moody's irá rebaixar a nota do Brasil.

    Quem viu o pronunciamento dos auditores do TCU,logo ver que o país esta sem rumo,onde nem as irregularidades apontadas no relatório,são consideradas para tirar um governo incompetente.
    Imagina,se qualquer empresa fizesse o que o governo faz,rapidamente iriam fazer de tudo para fechar a empresa,empresa que sustenta esse estado.
    Se fizeram tais maquiagens e estão dando aval,imagina o que virá depois,sendo que o senhor Levy já disse que o país não irá atingir o superávit.

    Olha é muito triste,já estamos no 3 estágio apontado pelo artigo "As quatro etapas do populismo econômico".

    Eu me pergunto,haverá mais estágios?


  • Gustavo Nunes  17/06/2015 18:06
    Cada dia que passa, me convenço de que este site é o melhor para demonstrar o que realmente é a economia. Parabéns a todos do IMB. Continuem a trabalhar para transformarem a ciência econômica vigente (keynesianismo e assistencialismo).
  • J Gabriel C Lopes   17/06/2015 18:14
    Nesse governo que aí está nunca houve um projeto de desenvolvimento; a sorte do partido foi ter conseguido ascender ao poder quando o Plano Real estava "no auge" dos seus ganhos, e o presidente eleito manteve o "esqueleto" em pé, daí sua aceitação.

    Conjugada com a unificação dos benefícios sociais anteriormente concedidos, foi considerado, e, pior, acreditou ser, um Deus.

    Mas se o partido conseguiu manter os benefícios do Plano Real e não fez nada para alavancá-los, isso, com certeza, um dia iria estourar. E, dada a irresponsabilidade e prepotência da nova presidente eleita, da visão curta de apenas reagir aos fatos e de fazer planos mirabolantes sem que os anteriores tivessem sido sequer concluídos, só podia dar no que deu.

    No Brasil, o que se precisa é um planejamento de médio e longo prazos, uma visão de futuro sólido e responsável, não de aventuras e de aventureiros que não possuem um projeto de país, mas de poder.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  17/06/2015 18:52
    Excelente resumão do meu Ministro da Fazenda!
  • anônimo  17/06/2015 19:06
    Vocês viram o Donald Trump candidato a presidente dos EUA?
    Chega a ser irônico, o único empresário no meio de um monte de políticos profissionais é um dos mais protecionista e mais anti livre mercado.
  • anônimo  17/06/2015 20:09
    Nada de irônico, empresário odeia livre-mercado.
  • anônimo  17/06/2015 23:05
    É irônico sim já que teoricamente o empresário ganha dinheiro por causa do livre mercado.E aí vem cuspir no prato que comeu.
  • anônimo  18/06/2015 14:14
    Empresario ganha muito mais com protecionismo que com livre mercado (se estiver do lado 'certo' do protecionismo claro).
  • anônimo  19/06/2015 13:01
    Não ganha não, com protecionismo todo mundo perde, inclusive ele.Com protecionismo todo mundo fica com menos opções, fica com produtos de quinta e mais caros.
  • anônimo  19/06/2015 14:33
    "Não ganha não, com protecionismo todo mundo perde"

    Lógico que não, explica isso para o dono da GM aqui do Brasil.
  • anônimo  19/06/2015 15:38
    Tudo fica mais caro, ok.
    Mas quem é protegido ganha muito mais do q se nao estivesse sendo protegido.
    Exemplo: se o preço de algo subir 50%, mas a medida protecionista gerar 100% a mais de renda ao beneficiario, apesar de ter aumentado 50% pra todos inclusive o bebeneficiario, a renda do mesmo subiu muito mais (as custas da medida protecionista) então obviamente houve um ganho para o beneficiario da medida.
  • anônimo  19/06/2015 18:00
    Quando falo empresário é empresário mesmo, e não amigos do rei.Esses pra mim são tão parasitas quanto qualquer funça.
    O dono da GM vai ganhar mais dinheiro, mas não vai poder comprar o remédio que ele precisa com todo o rico dinheirinho dele, nem o remédio nem um milhão de outras coisas, por causa desse mesmo protecionismo.
    Então, no final todo mundo se ferra.
    E é irônico também que gente nos EUA, suposta terra da liberdade, pra tentar sobreviver e gerar uns empreguinhos quer recorrer a uma medida que no final das contas vai ferrar ainda mais com o país.Sinal de decadência e do fim do grande império.
  • Nardi  17/06/2015 21:42
    Natural. Como todo megaempresário, ele adora protecionismo, adora estado e é contra a concorrência.

    É por isso que o liberalismo é a doutrina que favorece o pequeno e o médio empreendedor, além dos pobres e da classe média.
  • Pedro  17/06/2015 22:05
    Trump é uma piada, espero que tome um sarrafo nessas pré-eleições, embora as outras opções (com exceção do Rand Paul) também não sejam muito promissoras...
  • anônimo  19/06/2015 13:02
    Rand Paul também não é grande coisa, parece que não aprendeu muita coisa com o pai dele.
  • IRCR  17/06/2015 19:14
    Leandro,

    Em suma, o Brasil entrou numa verdadeira sinuca de bico. Como conciliar cambio, juros e crédito + crise politica, cenário internacional, endividamento, o tal "ajuste fiscal" do governo etc... ???
    São N variáveis, mexeu numa desajusta outra.
  • Eder  17/06/2015 21:51
    Velha meretriz comunista querer tocar uma Nova matriz econômica? - Nunca dará certo.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  17/06/2015 21:52
    Quem planta morte colhe morte. Não se preocupem, amigos: a recessão brasileira está apenas começando! O pt e o estado pagarão muito caro por terem ousado pensar que podiam governar esse país.
  • Caio  17/06/2015 22:01
    Tão bom que merece ser traduzido para inglês/espanhol, principalmente a segunda língua.
  • Gabriel  18/06/2015 00:04
    E em relação ao atual ajuste fiscal que o governo está fazendo? O que podemos esperar?
  • Tobias  18/06/2015 23:46
    Só mexeu com aumento de impostos; nada de reduzir gastos. Ou seja, irão sufocar ainda mais o setor privado e manter os privilégios nababescos do setor público.
  • Diego Cardoso  18/06/2015 04:31
    Brilhante, Leandro!
    Um trabalho cirúrgico com apenas o vital e necessário para se entender o panorama. E incrivelmente embasado pelas fontes. Parabéns!
  • Leandro  18/06/2015 10:16
    Sempre faço questão de embasar afirmações, mesmo as mais triviais e rotineiras, com fontes (ao ponto de um leitor recentemente me mandar um email dizendo que gostava dos artigos mas os achava "esteticamente desagradáveis por causa do excesso de hyperlinks em azul"). Fazer o quê...

    Obrigado pelo elogio e grande abraço!
  • Thiago Teixeira  30/08/2015 15:06
    Que nada, Leandro, o embasamento com referencias dá um embasamento robusto.
    Dá um quê de academico (não academicista!), é algo que nossos professores universitários sempre pediram que fizéssemos em relatórios (ai, fisiologia, farmaco...), é algo que sempre fazemos em artigos científicos, que sempre lemos nos melhores papers...


    Dúvida: quem seriam o presidente do Bacen e o Ministro da Fazenda de Michel Temer?
  • maria  18/06/2015 06:30
    No item 9, energia, não basta dizer que houve um ataque às geradoras e distribuidoras porque não havia obrigatoriedade em prorrogar os contratos. Como o preço oferecido pelo governo não correspondia à realidade, não valia a pena prorrogar. Porém, somente as concessionárias estaduais puderam optar, as federais foram forçadas. Aproximadamente 60%, se não me engano, de energia amortizada não foi transformada em cota.
    Ato contínuo, veio o fenômeno climático, as térmicas foram ligadas fora da ordem do mérito (mais baratas primeiro e por último as mais caras). E assim estamos até hoje. Se as concessionárias estaduais tivessem aderido, o preço da energia estaria menor, mas seria uma diminuição artificial, com as consequência de praxe. O governo queria favorecer o setor industrial às custas das concessionárias, ou seja, escolher quem ganha e quem perde. Ao fim e ao cabo, todos perderam.
    epoca.globo.com/tempo/noticia/2014/02/bedvaldo-santanab-baixamos-o-preco-da-conta-na-hora-errada.html

  • Leandro  18/06/2015 10:11
    "não basta dizer que houve um ataque às geradoras e distribuidoras porque não havia obrigatoriedade em prorrogar os contratos."

    Houve uma apavorante quebra de contrato. Os contratos terminariam entre 2014 e 2018, e o governo unilateralmente antecipou o fim para 2012, e ainda utilizou o expediente da chantagem: "ou vocês colocam o preço que eu quero, ou está tudo acabado para vocês".

    A insegurança jurídica e empreendedorial que esse tipo de atitude gera é incomensurável. Investidores estrangeiros tomaram nota e se afastaram daqui. E os nacionais -- que poderiam estar investindo em infraestrutura -- se tornaram muito mais arredios desde então.

    "Como o preço oferecido pelo governo não correspondia à realidade, não valia a pena prorrogar."

    Repito: os contratos eram válidos até, no mínimo, 2014; em vários casos, até 2018. O preço a ser praticado era aquele inicialmente acordado em contrato. O governo decidiu unilateralmente revogar tudo.

    Insisto: esse tipo de postura não é trivial e seus efeitos não podem ser negligenciados. Tal postura intervencionista e desrespeitosa aos contratos gera consequências em futuras decisões de investimento, principalmente nas áreas de infraestrutura.

    Se o governo manda um sinal claro de que pode, ao seu bel prazer, revogar todos os contratos que ele assinou, então não há mais nenhuma segurança jurídica e institucional. Consequentemente, investimentos importantes não saem do papel.

    Estamos sentindo isso agora.
  • Pobre Paulista  18/06/2015 12:55
    Exato. Quem proclama aos quatro ventos que o governo deve dar calote na dívida pública deve achar perfeitamente normal este tipo de atitude.

    Contratos devem ser honrados até o término, e ponto final.
  • Erick  18/06/2015 14:27
    Artigo fantástico mesmo, incrível a sua análise (apesar de ser tudo tão simples...)

    "As perspectivas futuras não são nada alvissareiras."
    Fiquei curioso nessa parte: dizem que a economia brasileira se recuperará em 2016. Acho isso uma incrível besteira, não há nenhum sinal disso. O que vocês têm a dizer?
  • Adonai Alves  18/06/2015 14:38
    Leandro, como você levanta na sua conclusão o ideal do pensamento Liberal, considero que o país no estagio de desenvolvimento do nosso, necessita sim de intervenções. Dada nossa fragilidades em alguns setores ou a nossa baixa competitividade e outros gargalos. Vale lembrar que os países hoje desenvolvidos como: Japão e Alemanha e até o EUA, em algum momento de sua historia se apoiaram fortemente em politicas intervencionista e protecionista."A velha estória do faz o que eu digo ma não faz o que eu faço".
    Se não fosse certas intervenções de politica fiscal, certamente estaríamos hoje com uma taxa bem maior de desemprego que a observada. Concordo que o Mercado se ajusta sim! Mas a que preços Sociais? Acho que a presidenta prefira uma taxa de inflação no patamar de 8% do que o desemprego na casa dos 10%, ou ate maior como certos países ditos desenvolvidos vivenciam hoje. E que o Dollar pode não ser bom para viajar, mas protege de certa forma nossa industria que é fraca na produtividade ao longo de toda historia, e também melhora a competitividade do nosso Agronegócio.
    OBS.: 1- O Dollar não serve para medir a nossa confiança, e nem nosso status. para isso existe as metas de inflação. 2- O Dollar vem se valorizando não só em relação ao Real, mais também frente a moedas internacionais mais forte que a nossa, devido uma politica intervencionista do BACEN americano, o FED. Engraçado que eles levantam a bandeira Liberal, mas será que agem como?
    Concordo que intervenção o tempo todo não é o Ideal, mas temos que esperar "a vaca ir pro brejo antes de puxar a corda"???

    Viva o Desenvolvimentismo da nossa Presidenta!!!

  • Leandro  18/06/2015 15:50
    "como você levanta na sua conclusão o ideal do pensamento Liberal, considero que o país no estagio de desenvolvimento do nosso, necessita sim de intervenções."

    Não entendi nada desse non sequitur. Sobre precisarmos de intervenções, então você já está no paraíso: não há um único setor da economia em que não haja intervenção do estado.

    "Dada nossa fragilidades em alguns setores ou a nossa baixa competitividade e outros gargalos."

    Entendi. Temos fragilidades, gargalos e baixa competitividade gerados por intervencionismos (como carga tributária, burocracia, protecionismo e restrição ao capital estrangeiro em várias áreas de infraestrutura). Aí, em vez de corrigir essas fragilidades, gargalos e baixa competitividade gerados por intervencionismos, você defende novos intervencionismo na crença de que estes irão anular os efeitos dos intervencionismos anteriores.

    Faz sentido.

    "Vale lembrar que os países hoje desenvolvidos como: Japão e Alemanha e até o EUA, em algum momento de sua historia se apoiaram fortemente em politicas intervencionista e protecionista."

    Cite fatos e fontes que comprovem essas fortes "políticas intervencionista e protecionista", e mostre que estamos fazendo igual a eles (não podemos estar fazendo pior, pois, se queremos enriquecer igual a eles, temos de fazer igual).

    Faça isso e aí sim haverá algum material para debater.

    "A velha estória do faz o que eu digo ma não faz o que eu faço".

    Não entendi.

    "Se não fosse certas intervenções de politica fiscal, certamente estaríamos hoje com uma taxa bem maior de desemprego que a observada."

    Em primeiro lugar, taxa de desemprego, por si só, não é parâmetro para estimar a saúde de uma economia. Empregos podem ser artificialmente criados sem que gerem qualquer benefício para a economia. Leia mais sobre isso aqui.

    Se o seu argumento é o de que a taxa de desemprego diminuiu por causa dessas intervenções, então o seu argumento é fraco. O objetivo é ter uma economia robusta e produzindo riqueza, e não uma economia repleta de empregos artificiais.

    "Concordo que o Mercado se ajusta sim! Mas a que preços Sociais?"

    Qual o "preço social" de uma recessão econômica com alta inflação e com uma moeda sem poder de compra? Se isso para você é um "baixo preço social", então nem quero pensar o que seria para você um "alto preço social".

    Comparado a esse seu conceito de "baixo preço social", um reacionário é muito mais compassivo do que você.

    "Acho que a presidenta prefira uma taxa de inflação no patamar de 8% do que o desemprego na casa dos 10%, ou ate maior como certos países ditos desenvolvidos vivenciam hoje."

    Os países ditos desenvolvidos que vivenciam essas taxas são justamente as social-democracias que estão na periferia da Europa (Espanha, França e Grécia) e que possuem rígidos mercados de trabalho. Isso, para você, deve ser um "baixo preço social".

    De resto, desde quando a preferência da "presidenta" é critério para alguma coisa? Isso por acaso faz parte do debate?

    "E que o Dollar pode não ser bom para viajar, mas protege de certa forma nossa industria que é fraca na produtividade ao longo de toda historia, e também melhora a competitividade do nosso Agronegócio."

    Além de não dominar a teoria, você também não domina a empiria. Veja os dados do IBGE sobre a evolução da indústria. Compare-os à evolução do câmbio. Quanto mais o real se desvaloriza (como você defende), mais a indústria encolhe. Pode conferir. Não é teoria; é empiria.

    Logo, se você realmente quer indústria pujante, você tem de ter moeda forte, e não moeda fraca. Não há um único exemplo de país de moeda fraca que tenha uma indústria pujante.

    Nenhum país que tem moeda fraca e inflação alta produz bens de qualidade que sejam altamente demandados pelo comércio mundial. Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte. Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

    Se moeda forte fosse empecilho para a indústria, todos esses países seriam hoje terra arrasada. No entanto, são nações fortemente exportadoras. Moeda forte e muita exportação.

    "OBS.: 1- O Dollar não serve para medir a nossa confiança, e nem nosso status. para isso existe as metas de inflação."

    Errado. Para isso existe o preço do ouro. Pode conferir aqui a evolução dele.

    Sobre metas de inflação, é curioso você tê-las evocado. O governo Dilma não acertou a meta em absolutamente nenhum ano. E no presente ano conseguirá a façanha de ficar acima do teto. E isso em um ano de recessão.

    Tem certeza de que quer evocar esse quesito?

    "O Dollar vem se valorizando não só em relação ao Real, mais também frente a moedas internacionais mais forte que a nossa, devido uma politica intervencionista do BACEN americano, o FED. Engraçado que eles levantam a bandeira Liberal, mas será que agem como?"

    Errou de novo. Você tem problemas com a empiria. O Fed está intervindo, sim, mas está intervindo para enfraquecer o dólar, e não para fortalecê-lo (os programas de afrouxamento quantitativo são para isso). E, mesmo assim, o dólar se fortalece. Imagine a desgraça em que estaríamos caso ele estivesse intervindo para realmente fortalecer o dólar? O câmbio provavelmente estaria acima de R$ 5 e o IPCA já estaria beirando os 15%.

    "Concordo que intervenção o tempo todo não é o Ideal, mas temos que esperar "a vaca ir pro brejo antes de puxar a corda"???"

    A vaca foi pro brejo exatamente em decorrência das intervenções. Como dito, você não apenas tem dificuldades com teoria e empiria, como também não sabe ligar causa e consequência.

    "Viva o Desenvolvimentismo da nossa Presidenta!!!"

    Viva!
  • Francisco Seixas  30/08/2015 00:18
    Prezado Leandro.

    Essa sua resposta ao tal Adenis vale por um artigo. É analítica, profunda e com requintes de um sonoro "cala a boca rapá".

    Muito bom.

    Tipos como esse Adenis continuam pipocando por aqui ainda. Não desistem.

    Mas do mesmo jeito que vêm, eles vão.


    Abraço.
  • Marcos Bovo Lima  18/06/2015 15:56
    Sabem qual é o principal problema com os artigos econômicos deste site? Eles não deixam margem para críticas. De tão bem fundamentados e embasados em fatos, não há como apontar erros.

    E por que isso é um problema? Porque eles impossibilitam que haja algum debate. Como não há nenhuma margem que possibilite a algum esquerdista sensato (sim, eles existem) tentar refutar algum ponto do artigo, o contraditório já nasce morto.

    No máximo, temos espetáculos grotescos como esse tal Adonai (cujo português me envergonharia caso eu fosse um militante petista), que mal sabe do que fala, que explicitamente é um MAV petista (pago com o meu dinheiro), e que serve apenas para poluir a área.
  • Thiago Valente  29/08/2015 22:46
    Você tocou em um ponto que eu não tinha reparado muito bem ainda. Esse é um dos motivos, ainda que eu não soubesse, de dar tanta credibilidade para o site e as teorias aqui apresentadas. E não se resume aos comentários da página. Eu não consigo pensar de forma diferente mais. Não consigo aceitar os argumentos furados de outrora mais. E não encontro quem, mesmo fora da área de comentários do site, que realmente refute as teorias aqui expostas. Lembrei-me, inclusive, de um debate na time line do tal Tico Santa Cruz. Ele levou uma pregada de uma economista de viés mais ortodoxo e, só mais tarde, conseguiu outra economista para escrever um texto hetorodoxo no qual ele se agarrou com unhas e dentes (embora fosse pouquíssimo convincente e cheio de clichês que já cansamos de ver aqui).
  • Sergio Souza  18/06/2015 15:23
    Eu não sou economista,não tenho graduação em economia mas, eu gosto de estudar economia,fato!

    Mas,vendo uma notícia como essa:Plano de Proteção ao Emprego (PPE) pretende reduzir 30% na jornada de trabalho para os trabalhadores e assim ajudando as empresas,diminuindo seus custos e o salário seria cortado em 15% dos trabalhadores.

    "O governo parece aquele cara que esta dentro de um saco de milho e tem a função de ficar separando os milhos,será que consegue?"

    Me corrijam se eu estiver errado,eu já li algum pensamento sobre isso!

    Hayek avisou em Desemprego e política monetária:

    "Não podemos alimentar a ilusão de que é possível fugir às
    consequências dos erros cometidos. Qualquer esforço de preservar
    os empregos que a inflação tornou lucrativos redundaria numa
    completa destruição da ordem do mercado." E mais,"O perigo mais sério, agora, é o
    de que ainda ocorram tentativas – tão atraentes para os políticos –
    de postergar o malfadado dia, tornando, com isso, a longo prazo, a
    situação ainda pior."
  • Pedro  18/06/2015 18:54
    Esse plano é uma piada, pois na prática haverá um aumento salarial, não uma redução. Se você cortar a jornada de trabalho em 30% e os salários em apenas 15% (30% de redução mais 15% do FAT), o custo da mão de obra aumenta em termos de reais/hora trabalhada e o fato do FAT arcar com parte desse corte não muda nada, a mão de obra vai continuar mais cara, só muda quem vai estar pagando.

    O que é preciso é de uma flexibilização da legislação trabalhista, de preferência a abolição da CLT e da Justiça do Trabalho, reduzindo encargos, impostos e permitindo a livre negociação entre empregadores e funcionários.
  • David  18/06/2015 16:36
    Leandro.

    Na sua opinião, a economia vai ficar assim por muito tempo ou existe a possibilidade dela melhorar em breve ?

    Digo isto porque uma vez que o cenário externo melhora, os preços das matérias primas melhoram e consequentemente o governo tem mais dinheiro para investir no social e aumentar ainda mais os gastos públicos.
  • Copperfield  18/06/2015 19:59
    Caro David,
    Desculpa por intrometer na pergunta dirigida ao Leandro, e espero que ele nos brinde respondendo-o com seu costumeiro conhecimento.

    Só gostaria de colocar algumas observações na parte final de seu comentário, pois me pareceu ser uma situação que você entende como positiva favorável ao aumento de gastos por parte do governo:

    1- Cenário externo está ruim pra Dilma que usa isso para colocar a culpa nas trapalhadas do próprio governo, no mais a economia externa está se saindo relativamente bem, obrigado.

    2- Preço de matéria prima melhorar = governo ter mais dinheiro, enxerga alguma vantagem nisso? Ou só comprova o quanto o governo sufoca a iniciativa privada?

    3- Governo não investe, desperdiça.

    4- "investimento social" eu levaria a sério se fosse feito por alguma instituição privada, ou que no mínimo não se utilizasse de dinheiro espoliado. Historicamente temos diversas situações em que o governo nacional promete a realizar "investimento social" - seja lá o que isso signifique - e na prática não temos visto nenhuma melhora na qualidade de vida da população, ao custo de aumentar a máquina pública e nos empurrar mais impostos.

    5- Governo aumentar mais os gastos públicos, não tem cabimento isso, já deu uma olhada na dívida pública do Brasil? E mesmo que a dívida pública fosse zero, volte ao item 3, o governo/políticos somente destrói recursos (nas diversas formas que ele conseguir fazer isso).

    6- Você acha positivo um aumento de gasto público? Faça uma regressão para chegar à raiz... Gasto público -> Governo -> Políticos. Esta raiz está podre faz tempo.
  • David  18/06/2015 22:29
    Copperfield.
    Eu não defendo a ideia de que uma economia marxista ou estatista (não sei se é assim que se fala) seja boa para a população.

    O que eu quis dizer com o meu comentário é que talvez com uma política externa favorável, o governo brasileiro pode surfar na onda e fazer suas ainda mais suas gastanças prejudicando a economia futuramente.



  • anônimo  18/06/2015 22:53
    E fazer sus gastanças.
  • Copperfield  19/06/2015 01:17
    O governo não se aguenta de tanta vontade de gastar e tentar se fazer importante.
    Não fosse isso a Dilma nem precisaria se dar ao trabalho de vir a público defender sigilo com uso de cartão de crédito presidencial, coisa besta, um executivo honesto deixaria às claras para quem paga a conta saber como está sendo gasto um recurso que não é para uso pessoal.
    Isso falando de conta pequena, sem comparação com o montante que eles "administram" irresponsavelmente.

    Então, sim, o governo vai gastar tanto quanto puder (e mais ainda, via dívida pública).
    A diferença que eu vejo é que em tempo de vacas magras (como hoje) a pressão popular só os faz diminuir a quantidade de dinheiro despendido com prestação de serviços estatais. Para isto basta ver que os planos anunciados visam diminuir o gasto com previdência, saúde, educação, segurança.
    Porém não falaram, ou o fizeram timidamente, em reduzir a máquina pública, ministérios... pelo contrário, aprovou-se recentemente um aumento nos repasses de dinheiro para partidos políticos.
    Isso não é só um desperdício, é uma afronta. E isso em plena situação financeira ruim. Imagine em tempos de vacas gordas...

    Quanto à sua pergunta pela previsão de melhoria em breve, permita-me fazer uma observação simplista, sem dados, somente com base na percepção do dia a dia da região em que vivo.
    A tendência é pessimista para, pelo menos, até o carnaval do ano que vem. Até aqui muitas empresas estão concedendo férias a funcionários e algumas demissões, portanto temos ainda algum dinheiro em circulação de rescisão, seguro desemprego e as próprias férias, mas isso se sustenta, imagino eu, por mais 6 a 8 meses nesse ritmo "devagar e sempre".
    Como disse, uma visão simplista do cenário que estou vislumbrando para impacto que o comércio ainda está por sentir.

    Outro detalhe é o custo da energia elétrica, que tem um fator ambiental importante, pois os próximos 4, 5 meses são (historicamente) de pouca chuva, devendo se fazer necessário o abastecimento via termelétricas. Fora o dedo do governo nessa tarifa absurda...

    Quanto aos demais fatores que interferem na economia, que podem (ou não) mudar este cenário atual, deixo com a turma que contribui com frequência neste site, eles de longe possuem mais conhecimento para agregar.
  • Leandro  19/06/2015 00:14
    Há muita confusão com esse negócio de aumento dos preços das matérias-primas.

    O boom das commodities está intimamente ligado ao dólar fraco. Como as commodities são precificadas em dólar, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa.

    O boom das commodities na década de 2000 foi majoritariamente causado pelo enfraquecimento do dólar. E o atual "arrefecimento" das commodities também está majoritariamente ligado ao fortalecimento do dólar. O gráfico do dólar em relação ao ouro ilustra perfeitamente esse fenômeno.

    E como as receitas e as dívidas das mineradoras e das petrolíferas mundiais são cotadas em dólar, elas sofrem diretamente esse ciclo econômico gerado pela flutuação do valor do dólar: elas confundem enfraquecimento do dólar com boom de commodities e fazem investimentos expansivos; aí o dólar se fortalece, as commodities caem de preço e todos os investimentos expansivos se revelam errôneos. E então cortes de custos -- demissões -- são feitos.

    A Vale está passando por isso.

    Portanto, em relação à sua pergunta, tudo vai depender do comportamento do dólar.
  • Enrico  19/06/2015 00:54
    Leandro, então agora seria um bom momento para algum país adotar o ouro, já que haverá um possível ciclo de enfraquecimento do dólar, aumentando o poder de compra daqueles que portarem ouro?
  • Leandro  19/06/2015 01:08
    Exato.

    A julgar pelo atual preço do ouro em dólar e pelo histórico desta evolução, penso que realmente é o momento ideal. Não tem como o preço do ouro em dólar cair muito mais, e a tendência é só subir. Na pior das hipóteses, fica como está, o que já garante uma moeda forte.
  • Caipira  19/06/2015 15:11
    ou seja, poderíamos ter adotado o padrão ouro lá em 94, pois era um bom momento, visto que o dólar estava forte nos anos 90 ?
  • Paul  19/06/2015 19:37
    Ola Leandro.
    Vc estima quanto ouro deveríamos ter para estabilizar a moeda?
    Tenho outra dúvida, não seria melhor privatizar tudo e estancar a expansão do M3 antes da conversão?
    Vc sabe quanto ouro o Brasil tem depositado nos EUA?

    O debate já começou na democracia americana:

    https://mises.org/blog/new-york-lawyer-goes-nuts-over-texas-gold-plan
    Abraço
  • Leandro  19/06/2015 21:41
    "Vc estima quanto ouro deveríamos ter para estabilizar a moeda?"

    Irrelevante.

    Em tese, para operar como um genuíno Currency Board lastreado em ouro, deveria haver um volume de ouro tal que seu valor em reais fosse igual (ou ligeiramente maior) que a base monetária. Só que tal volume pode perfeitamente ser operado no mercado de Londres e Zurique. Basta o Currency Board ter uma conta lá e fazer as conversões de ouro em real e de real em ouro a uma taxa de câmbio fixa e imutável.

    "não seria melhor privatizar tudo e estancar a expansão do M3 antes da conversão?"

    Nenhum plano de estabilização precisou disso. Ademais, é impossível congelar o M3, pois este é majoritariamente criado pelo sistema bancário. Para congelar o M3 seria necessária uma completa reforma bancária, abolindo totalmente o sistema de reservas fracionárias (e meu ponto aqui é falar de soluções factíveis)

    "Vc sabe quanto ouro o Brasil tem depositado nos EUA?"

    Nos EUA não.

    "O debate já começou na democracia americana:

    https://mises.org/blog/new-york-lawyer-goes-nuts-over-texas-gold-plan"


    Bom debate. Mas não passará disso.
  • Gustavo  19/06/2015 21:43
    "Só que tal volume pode perfeitamente ser operado no mercado de Londres e Zurique. Basta o Currency Board ter uma conta lá e fazer as conversões de ouro em real e de real em ouro a uma taxa de câmbio fixa e imutável."

    Primeiro passo: Usar todas as reservas internacionais para comprar ouro no mercado de Londres e Zurique, e deixar o ouro lá. (Uma compra tão grande assim, no valor de 350 bilhões de dólares, não abalaria fortemente o preço do ouro e do dólar no mercado internacional?)

    Segundo passo: Sempre que alguém desejar converter real em ouro, solicitar o débito deste ouro na conta do Currency Board e efetuar o resgate, por uma taxa fixa e imutável.

    É isso?
  • Leandro  19/06/2015 21:48
    "Usar todas as reservas internacionais para comprar ouro no mercado de Londres e Zurique, e deixar o ouro lá. (Uma compra tão grande assim, no valor de 350 bilhões de dólares, não abalaria fortemente o preço do ouro e do dólar no mercado internacional?)"

    Não é necessário usar todas as reservas (as quais ultrapassam, em muito, a base monetária); tampouco isso deve ser feito de uma só vez.

    Sobre abalar o preço, acho difícil. Rússia, China e Índia vêm comprando ouro continuamente, e o preço não foi abalado.

    "Sempre que alguém desejar converter real em ouro, solicitar o débito deste ouro na conta do Currency Board e efetuar o resgate, por uma taxa fixa e imutável."

    Nesse arranjo, o forte não é pessoa ter ouro físico. Se ele converter real em ouro, ela irá se tornar titular da conta bancária denominada em ouro nos mercados de Londres e Zurique (e, obviamente, poderá fazer o que quiser com esse valor).

    Funciona assim:

    1) Um exportador vende soja e recebe US$ 1.000 (na prática, ele se torna proprietário de uma conta no exterior no valor de US$ 1.000);

    2) Ele agora tem três opções: a) ele pode manter os US$ 1.000 nessa conta durante o período de tempo que ele quiser; b) ele pode vendê-los para qualquer banco no Brasil em troca de reais à cotação do dia; c) ele pode vendê-los por ouro e então trocar por reais no Currency Board.

    3) Caso opte pela opção b), o banco ficará com os US$ 1.000, e criará reais na conta do exportador à taxa de câmbio do dia. Ato contínuo, o banco pode optar por ficar com os US$ 1.000 ou trocá-los por ouro, revender o ouro ao CB e ganhar reservas em reais (a taxa de câmbio entre ouro e reais é fixa).

    4) Caso opte pela opção c), o CB simplesmente deposita reais em sua conta bancária no Brasil.


    Mas é no processo de importação que o Currency Board se revela essencial.

    No processo de importação tradicional, o importador tem de conseguir alguém disposto a trocar a moeda nacional pela moeda estrangeira. Caso ninguém esteja disposto a isso (como está acontecendo na Venezuela neste momento; e em menor grau na Argentina), e caso o Banco Central não tenha reservas, simplesmente não há importação.

    Já com um Currency Board, a moeda nacional se torna automaticamente conversível. Não há risco de ela não ser aceita e de ela não conseguir comprar bens estrangeiros.

    Com um CB, basta o importador vender seus reais para o CB. Em troca dos reais, ele conseguirá ouro e então poderá trocar esse ouro por qualquer moeda estrangeira que quiser, podendo então fazer sua importação.
  • Enrico  19/06/2015 23:18
    Se o Brasil mantivesse a maioria de suas reservas em títulos do tesouro americano e demais ativos que não o ouro, comprando ouro somente quando for necessário para converter, não haveria o risco do preço do ouro aumentar e as reservas não serem suficientes para adquirir o ouro necessário?

    Um Currency Board real necessita ter ativos na moeda âncora suficientes para cobrir no mínimo 100% da base monetária e dos depósitos à vista, certo? Como isso pode ser compatível com reservas fracionárias?
  • Leandro  20/06/2015 01:05
    "não haveria o risco do preço do ouro aumentar e as reservas não serem suficientes para adquirir o ouro necessário?"

    As reservas hoje estão em US$ 373 bilhões (R$ 1,156 trilhão), e a base monetária -- mesmo considerando os compulsórios dos depósitos em poupança e a prazo -- é de R$ 522,2 bilhões.

    Ou seja, as reservas são o dobro da base monetária (e isso considerando a versão mais ampliada da base monetária). Seria necessário haver uma desvalorização súbita e extrema, algo muito improvável.

    "Um Currency Board real necessita ter ativos na moeda âncora suficientes para cobrir no mínimo 100% da base monetária e dos depósitos à vista, certo?"

    Não. Só a base monetária.

    "Como isso pode ser compatível com reservas fracionárias?"

    Se um banco emprestar muito, ficar muito alavancado e precisar de mais reservas, ele tem três opções:

    1) Pede emprestado para outro banco;

    2) Eleva os juros que ele paga para seus correntistas (como forma de atrair novos depósitos, e também de dissuadir que seus correntistas saquem dinheiro).

    3) Atrai dólares de investidores estrangeiros (os quais, estes sim, podem ser levados ao Currency Board e convertidos em moeda nacional).

    Agora, caso todos os bancos estejam alavancados -- o que seria raro em um cenário no qual não há um emprestador de última instância, mas que pode acontecer --, aí sobram apenas as opções 2 e 3.

    Essa sua pergunta foi boa porque ela mostra como que, em um cenário de Currency Board, os bancos têm necessariamente de ser mais prudentes, e podem inclusive remunerar melhor seus correntistas, pois não há tabelamento de juros (como há em um cenário com Banco Central).
  • Enrico  20/06/2015 01:48
    Certo. Então há o risco, ainda que seja pequeno.

    Mas quanto ao "só a base monetária", os depósitos à vista não seriam lastreados? Eles têm liquidez imediata e não rendem juros.
  • Leandro  20/06/2015 02:29
    Depósitos à vista são apenas um pouco maiores do que a base monetária.

    De resto, isso é problema dos bancos; eles têm de ter reservas para poder satisfazer esses eventuais saques de correntistas. Eles terão de descobrir o nível adequado de reservas.

    O Currency Board restitui a moeda-âncora (por exemplo, dólar ou ouro) em troca de cédulas de real, e vice-versa. Sendo assim, os bancos, se quiserem ouro ou dólar, terão de providenciar cédulas de real para o CB. Eles têm de saber, portanto, quanto dinheiro manter para satisfazer essas operações. O que nos remete, novamente, aos 3 itens acima.

    No que mais, conversões da moeda nacional na moeda-âncora (como ocorre quando há transações internacionais) são todas efetuadas com reservas bancárias (que fazem parte da base monetária).
  • Pobre Paulista  20/06/2015 01:57
    O que nos leva a concluir que se simplesmente implementássemos um CB de um dia para o outro, ou todos os bancos quebrariam, ou os juros iam a infinitos porcentos, certo?

    O que já parecia bom ficou melhor ainda :)
  • Leandro  20/06/2015 02:15
    Não entendi seu raciocínio. Por que os juros disparariam? Por que os bancos quebrariam? Tanto a teoria quanto a empiria mostram que aconteceria justamente o contrário: não só a inflação despenca como os juros -- por causa da solidez da moeda e da ausência de perspectiva da inflação -- vão para os dígitos únicos.

    Vejam o que aconteceu com a Bulgária em 1997: era um país completamente avacalhado, com hiperinflação e com um sistema bancário à beira da insolvência. Aí, literalmente da noite para o dia, estabeleceram um Currency Board lastreado no marco alemão. A economia decolou. E a âncora se mantém intacta até hoje.
  • Pobre Paulista  20/06/2015 13:08
    Se todos os bancos estão alavancados, e fosse implantado o CB, eles estariam automaticamente insolventes, não? Afinal não teriam como honrar com todos os depósitos feitos. Ou quebram, ou sobem os juros pagos aos correntistas para que estes mantenham seu dinheiro depositado (pelo menos até que o banco se desalavanque).
  • Leandro  20/06/2015 16:28
    Não. Esse cenário já está acontecendo exatamente neste momento. Aliás, sempre foi assim. Bancos sempre operam alavancados, pois é exatamente assim que eles ganham dinheiro. E como os correntistas não fazem fila para sacar seu dinheiro -- e, se fizessem, os bancos simplesmente não teriam esse dinheiro --, a vida segue normal.

    Com um Currency Board, isso continuaria estritamente do mesmo jeito -- como aliás continuou em todos os países do Leste Europeu que o adotaram.
  • Marcelo  20/06/2015 02:13
    Um sistema de câmbio atrelado ao ouro poderia ser mais fácil de ser implantado e eficiente. E nem precisaria haver transações em ouro, apenas em dólar. Bastaria que o Banco Central do Brasil intervisse diariamente no câmbio do real em relação ao dólar, para neutralizar as variações do real em relação ao ouro. Exemplificando: se o ouro valorizou 1% em relação ao dólar num dia, o BC do Brasil deve buscar que o real valorize 1% em relação ao dólar neste dia.

  • Paul  20/06/2015 17:02
    Valeu pelos esclarecimentos.
  • anônimo  18/06/2015 20:11
    E quanto ao INSS, gostaria de ouvir algumas opiniões sobre aposentadoria, visto que ultimamente o governo tem até admitido que esse esquema não vai durar muito e é insustentável.
    O que acham que será feito, uma total revogação da aposentadoria do INSS, ou ajustes pontuais, diminuição do valor recebido pelo 'maleficio' da aposentadoria compulsoria?
    Se estão começando a cogitar que é insustentavel a longo prazo (algo claro desde sua criação pra qualquer criança de 7 anos) acredito que o rombo ja chegou a niveis altos demais e um ajuste deve ser feito ainda nos proximos anos. Gostava de ouvir diferentes opinioes, embora não passem de especulaçoes,de como o governo ira acabar tratando o caso.
  • Pobre Paulista  19/06/2015 01:02
    Vão empurrar com a barriga.
  • Antônimo  19/06/2015 01:06
  • Aaron  19/06/2015 17:46
    Nunca achei que veria o Sakamala defendendo o (um pouco mais) livre-mercado.

    Na postagem de hoje, o pentelho defendeu o Uber contra os táxis.

    Há esperança de cura para esquerdistas.

    blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/

    Divirtam-se.
  • anônimo  19/06/2015 20:55
    Esperança? você leu corretamente o que ele escreveu?

    "Que se regulamente as regras para o serviço e a arrecadação de impostos, desenvolva-se cursos especiais para os motoristas, garanta-se normas para a segurança de passageiros, enfim, traga a novidade para dentro do sistema. Proibir é que não faz sentido algum – além da lógica da reserva de mercado, é claro."


    Ele deixou bem claro a solução dele para o conflito: "traga a novidade para dentro do sistema"

    Não preciso falar nada né.
  • Thiago Gonçalves Ledo  19/06/2015 18:45
    Prezado Leandro,
    Primeiramente, Parabéns pelo artigo.
    Muito bom.

    Gostaria apenas de acrescentar três pontos que considero erros graves do governo nesse período e que, no meu entendimento, tiveram grande impacto para chegarmos à situação a qual chegamos.

    Se você quiser corrigir qualquer ponto ou adicionar esses pontos de vista ao artigo, por favor, sinta-se a vontade!

    1 - Quebra de perspectiva para a cadeia da cana/etanol/geração por biomassa.

    O setor, estratégico ambiental e energéticamente, vinha se expandindo bem, trazendo investimento e aumentando participação na geração de energia.

    Com subsídio a gasolina, a mesma passou ser mais vantajosa nas bombas que o etanol, e assim permaneceu por anos.

    A cadeia entrou em crise (demissões e queda no investimento), passamos a ter que importar cada vez mais gasolina (aumenta rombo da Petrobras) e perdemos oportunidade de minimizar crise hidro energética através da geração por biomassa.

    2 - Subsidio não explícito (sem reembolso do Tesouro, destrói capital da companhia e diminui confiança) e focado na gasolina, não no diesel.

    Se era pra usar subsidio para controlar inflação (já é questionável), que o subsídio ao menos fosse focado no diesel, que é Insumo e tem efeito em cascata sobre a inflação.

    Ao invés disso, o foco foi na gasolina. Básicamente, essa política liberava renda extra para estimular o consumo e a inflação, na contra mão de como o BACEN estava atuando.

    3 - Políticas fiscal e monetária caminando em direções opostas.

    Quando a inflação começou a incomodar, o BACEN apertou a política monetaria. Porém, enquanto este apertava o poder de compra, a política fiscal ia no caminho contrário, botando mais recursos na economia. Assim, taxa de juros da economia e gastos do governo com dívida passaram a subir cada vez mais, sem que o objetivo de queda da inflação fosse atingido. Como juros altos e risco afastam investimento, o cenário se completou.
  • Leandro  19/06/2015 20:10
    Prezado Thiago, os seus itens 2 e 3 foram abordados.

    O seu item 2 se refere ao fato de a Petrobras vender gasolina abaixo do preço de importação. Isso está no item 12 do artigo.

    Já o seu item 3 está presente nos itens 6 (inclusive acompanhado deste link), 13, 14, 15, 17.

    Sobre essa questão da taxa SELIC, vale ressaltar que aumentos da SELIC tendem a ser inócuos porque a SELIC não se aplica a bancos estatais que trabalham com crédito direcionado. Isso é um fator muito mais inflacionário do que a política fiscal do governo (vide o gráfico neste artigo).

    Sobre o item 1, sinceramente, não veja nada de especial nele. Em primeiro lugar, o Brasil, ao contrário de todos os países desenvolvidos, oferece um mercado cativo para usineiros. Deve ser o único país do mundo (desconheço que haja outro país sério que faça isso) que obriga os cidadãos a utilizar uma gasolina com 27% de etanol. Ou seja, todo o cidadão que abastece seu carro com gasolina, esta levando a contragosto 27% de etanol.

    Trata-se, portanto, de um setor que usufrui uma invejável reserva de mercado.

    Se, apesar de todo esse mercado cativo (e de usar BNDES!), tal indústria ainda entra em dificuldades, então é porque é ineficiente mesmo, e tem de quebrar.

    As pessoas se recusam a aceitar isso, mas o fato é que o petróleo, contrariamente às expectativas mais pessimistas, ainda é abundante no mundo. E não deixará de sê-lo tão cedo. O etanol, por enquanto, só tem lugar na mente dos ambientalistas e nas reservas de mercado garantidas pelo governo.

    Sobre a geração de biomassa minimizar a crise hidro-energética, gostaria de ver mais informações sobre isso. Principalmente, gostaria de saber se tal medida é viável. Pois se ela fosse realmente viável, já estaria sendo adotada independentemente do preço da gasolina. Se ela é viável, ela é rentável. Se é rentável, quem gosta de dinheiro vai entrar nessa área (a menos que o governo proíba, é claro).

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • zanforlin  19/06/2015 19:20
    Leandro, vc voltou ao teclado em grande estilo:artigo simples, direto e...letal aos que advogam a expansão do crédito como móvel de desenvolvimento.
    Leitura leve e acessível.
    Enviei mais de 25 mensagens com endereço do seu artigo para difundi-lo.
    Grande abraço.
    jcz
  • Leandro  19/06/2015 20:09
    Caríssimo Zanforlin, muito obrigado pelas palavras e pelo reconhecimento. Grande abraço!
  • Fernando  20/06/2015 10:12
    O dólar acima de 3 reais e o governo não vende os dólares. Coisa pra inglês ver !

    Segundo o último relatório, são 373 bilhões de dólares em reservas internacional.

    https://www.bcb.gov.br/?RP20150618

    Esse ajuste fiscal é uma piada ! Essa inflação é bizarra ! Tá na cara que isso é coisa pra manter o dólar alto.

    O governo economiza e faz dívida ao mesmo tempo. Isso não tem a menor coerência.

    Coisa de comunista da Unicamp !
  • Leandro  20/06/2015 12:34
    O franco suíço atingiu a maior cotação da história do real. A libra está no maior valor desde a crise de 2002. O euro também.

    Impossível falar em controlar a carestia com uma moeda tão desvalorizada assim. Carestia é a própria consequência de uma moeda sem poder de compra. Se a moeda perde poder de compra então são necessárias quantidades cada vez maiores de moeda para se comprar o mesmo bem. Portanto, controlar a carestia exige valorização da moeda, por definição.

    Subir juros e manter a moeda desvalorizada não terá efeito nenhum sobre a carestia. Aliás, será a primeira vez na história que se tenta controlar uma carestia desvalorizando a moeda. Querem fazer um círculo utilizando um quadrado.
  • Fernando  20/06/2015 16:46
    O Aço é importado. Os principais equipamentos de telecomunicações são importados. Um boa parte da gasolina é importada. A maior parte dos aviões são importados. Boa parte do trigo é importado. Todos os componentes eletrônicos são importados.

    Enfim, aumentar juros não vai resolver o problema da inflação. O resultado vai ser mais dívidas e menos investimentos.

    O pão francês já está custando 1 real. O real está esfarelando.

    Nosso churrasco vai ficar mais caro, pois nossa carne será exportada.
  • Leandro  20/06/2015 17:00
    Não se esqueça também do efeito sobre os remédios (85% da química fina é importada), sobre os preços das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar) e sobre os preços das passagens de ônibus (diesel também é petróleo).

    Duas notícias:

    1) Sobe o preço do pão francês, com reajuste que pode chegar a 12%

    Reajuste é justificado pela cotação do dólar, que está acima dos R$ 3,00. Moeda serve de base para a compra do trigo importado.

    2) Remédios ficam até 7,7% mais caros em abril

    Aumento do dólar afeta todos os preços internos: do pãozinho da padaria (o trigo é cotado em dólar) aos remédios (a química fina é importada).

    Mas desenvolvimentistas juram que o aumento do dólar não apenas não gera efeitos negativos, como também só traz efeitos benéficos para a indústria.
  • Cesar Massimo  20/06/2015 13:37
    Parabéns ao Leandro e ao IMB, mais uma vez.
    Esclarecimentos lógicos, que fazem sentido.

    Outras publicações vêm com explicações complexas, usando termos raros para mostrar que os autores são catedráticos e devem ser respeitados. Quando termino de ler o artigo me pergunto. Qual a conexão entre os fatos e esses argumentos?

    Ao contrário, esses artigos são claros, apresentam relação de causa e efeito que mesmo um leigo com alguma boa vontade consegue compreender.
    O grande desafio é fazer mais brasileiros entenderem esse mecanismo e não deixarem seduzir-se pelas soluções miraculosas que melhoram o curto prazo mas são nefastas ao longo do tempo.

    Parabéns Leandro Roque!
    Parabéns Mises Brasil!
  • Leandro  20/06/2015 16:27
    Essa é a nossa função, prezado Cesar. Esclarecer sem complicar.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço"
  • Jean  21/06/2015 00:25
    Conhecer este site é uma das coisas boas que aprendi lendo Sakamoto ( alguém postou o link lá ).
    Não sou economista, pensei em fazer economia, mas devido ao curso de tempo integral acabei tendo que fazer analise de sistema ( haha eu sei ).
    Estou postando a primeira vez para agradecer ao Leandro. Sério, este site, e principalmente seus artigos abriram minha mente. Escreve de forma que até mesmo um leigo como eu consegue entender.
    Obrigado!
  • Gustavo  21/06/2015 05:11
    Como assim um esquema montado na Petrobras por esse governo ? Assim, você brinca com a maioria dos seus leitores mais desatentos. Esquemas envolvendo empreiteiras que vigoravam e se consolidaram na Petrobras desde o regime militar, passando a viver incólumes, impunes e em lua-de-mel durante os governos do PSDB, só estão sendo desmontados no governo atual. Isso não seria benéfico para a Petrobras ? Ela não sairá mais fortalecida ? Você mente descaradamente ao afirmar que a Petrobras é a empresa mais endividada do mundo, omite a desvalorização artificial do barril de petróleo por uma questão geopolítica entre os países árabes, EUA e União Europeia, a fim de perseguir países produtores de petróleo como Brasil, Rússia, China e Venezuela. Omite que a Petrobras foi a empresa mais reconhecida do mundo, ganhando o "oscar" da área de petróleo e gás, omite que a Petrobras é a maior produtora de petróleo do mundo entre as petroleiras de capital misto e aberto, desbancando a Exxon Mobil, ao atingir a marca de mais de 2,8 milhões de boed (barris de petróleo dia), com mais de 800 mil boed só com os poços do pré-sal que já entraram em operação. A Petrobras possui as maiores reservas de petróleo do mundial, só as reservas já descobertas do pré-sal estão avaliadas em mais de $10 trilhões. Isso justifica toda a espionagem comercial, cercos, ataques e perseguições a essa gigante que é a Petrobras, que atravessa a fase mais próspera e o maior programa de investimentos em toda a sua história.
  • Leandro  21/06/2015 15:49
    "Como assim um esquema montado na Petrobras por esse governo ?"

    Por gentileza, aponte onde no artigo está escrito que um esquema foi montado por este governo. Faça isso, por obséquio.

    E, caso não o faça, tenha a hombridade de se retratar da calúnia.

    "Esquemas envolvendo empreiteiras que vigoravam e se consolidaram na Petrobras desde o regime militar, passando a viver incólumes, impunes e em lua-de-mel durante os governos do PSDB, só estão sendo desmontados no governo atual. Isso não seria benéfico para a Petrobras ? Ela não sairá mais fortalecida ?"

    Sua lógica é genial. Monta-se um esquema de corrupção, desvia-se dinheiro da empresa, destrói-se o capital da empresa, e por causa disso tudo a empresa sai fortalecida!

    Você acabou de criar o plano sensacional para reerguer qualquer grande empresa que esteja em dificuldades: basta desviar o dinheiro dela, destruir todo o seu capital, e vir a público dizer que a empresa foi destruída por um esquema de corrupção. Ato contínuo, a empresa sairá fortalecida disso tudo. Com um pouquinho de sorte, ela se transforma em uma poderosa multinacional.

    Essa sua teoria asinina seria perfeita como roteiro de um episódio dos Três Patetas.

    "Você mente descaradamente ao afirmar que a Petrobras é a empresa mais endividada do mundo"

    Minto?! Ao contrário de você, eu forneço no artigo fontes para todas as afirmações. Pode ver aqui:

    Petrobrás é a empresa com mais dívidas no mundo

    E aí, quem é que está mentindo descaradamente?

    "omite a desvalorização artificial do barril de petróleo por uma questão geopolítica[...]"

    Aprenda o básico sobre economia. A queda do preço do petróleo é decorrente da valorização do dólar. Preço do petróleo anda pari passu com o preço do dólar.

    Todas as commodities são precificadas em dólar; sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa.

    O boom das commodities (minério de ferro e petróleo) na década de 2000 foi majoritariamente causado pelo enfraquecimento do dólar. E o atual "arrefecimento" das commodities também está majoritariamente ligado ao fortalecimento do dólar. O gráfico do dólar em relação ao ouro ilustra perfeitamente esse fenômeno.

    E como as receitas e as dívidas das mineradoras e das petrolíferas mundiais são cotadas em dólar, elas sofrem diretamente esse ciclo econômico gerado pela flutuação do valor do dólar: elas confundem enfraquecimento do dólar com boom de commodities e fazem investimentos expansivos; aí o dólar se fortalece, as commodities caem de preço e todos os investimentos expansivos se revelam errôneos. E então cortes de custos -- demissões -- são feitos.

    "Omite que a Petrobras foi a empresa mais reconhecida do mundo, ganhando o "oscar" da área de petróleo e gás,"

    Oscar de petróleo e gás? Concedido por quem? Qual a fonte e a data dessa informação? Coloca aqui.

    "omite que a Petrobras é a maior produtora de petróleo do mundo entre as petroleiras de capital misto e aberto, desbancando a Exxon Mobil, ao atingir a marca de mais de 2,8 milhões de boed (barris de petróleo dia), com mais de 800 mil boed só com os poços do pré-sal que já entraram em operação."

    Mentira grotesca (e por isso mesmo você não coloca fontes).

    Eis a lista das 10 petrolíferas que produzem mais barris por dia:

    www.forbes.com/pictures/mef45glfe/1-saudi-aramco-12-5-million-barrels-per-day-3/

    A Petrobras nem está nas 10 primeiras. Vá sacar em outro lugar.

    "A Petrobras possui as maiores reservas de petróleo do mundial, só as reservas já descobertas do pré-sal estão avaliadas em mais de $10 trilhões."

    Fontes?

    "Isso justifica toda a espionagem comercial, cercos, ataques e perseguições a essa gigante que é a Petrobras, que atravessa a fase mais próspera e o maior programa de investimentos em toda a sua história."

    Se essa é a fase mais próspera, não quero estar vivo para ver uma eventual fase de dificuldades...

    Só uma pergunta para vocês MAVs petistas: ainda há alguém que caia nesses papinhos seus? Vocês próprios acreditam em tudo isso que o Franklin Martins e o Edinho Silva obrigam vocês a escrever (e vocês obedecem bovinamente)?

    Agora que a aprovação do governo despencou para ínfimos 10% (com um pouquinho mais de esforço, vocês pegam o Collor pré-impeachment), vocês devem estar tendo um trabalhão nas redes sociais, né?
  • Pobre Paulista  21/06/2015 16:06
    Acabou a mortadela. Agora só sobrou quem trabalha por amor à camisa.
  • Lopes  21/06/2015 17:29
    Não pode ser somente tolice ou inocência do novo "Gustavo". Tamanha esquizofrenia e exacerbo para proclamar a própria loucura e humilhar-se desta forma é assustadora ironia ou um sinal evidente da histeria coletiva que afugenta os petistas.
  • Leonardo Matheus  21/06/2015 20:03
    Não sejam hipócritas, estou vendo muitos condenam o Estado nos comentários, Mises NÃO era anarquista.
  • Guilherme Ce  22/06/2015 18:51
    Uma leitura diferente da "crise mundial"

    O CURANDEIRO GUIDO E AS SOLUÇÕES MÁGICAS

    Imagine que uma escola com 200 alunos sofra um surto de gripe. Gripe forte, é verdade. A direção recomenda que se faça o óbvio: se procure um médico para o tratamento "clássico".

    É o que grande maioria dos pais dos alunos faz. O médico recomenda medicação clássica e 3 dias de repouso. Infelizmente, não há o que se fazer a não ser sacrificar alguns dias de aula para se curar completamente.

    Porém, meia dúzia de pais dizem que a gripe foi justamente culpa da medicina tradicional. Optam por procurar um curandeiro. Os pais do menino Brasil procuram o curandeiro mais famoso das redondezas: seu Guido.

    Pois o seu Guido, do alto do seu conhecimento, diz que é um absurdo medicação tradicional e os 3 dias de repouso. "Onde já se viu, fazer com que uma criança perca 3 dias de aula e ainda se submeta a remédios", afirma ele. Sugere, então, tratamento com chás alternativos e apenas 1 dia de repouso. E, mais do que isto, prevê que o tratamento tornará o menino Brasil imune a estas doenças clássicas…

    E lá se vai o menino Brasil pra aula no segundo dia. Encontra mais dois ou três colegas que optaram pelo mesmo caminho. Com curandeiros diferentes, é verdade, pois poucos têm dinheiro para bancar o seu Guido. Lá se gabam da sabedoria dos seus pais, os quais dizem que a gripe neles foi apenas uma "resfriadinho".

    No quarto dia o restante dos alunos volta, ainda com alguns resquícios da doença. Mas em alguns dias já estão todos bem, dando o melhor de si e sem grandes sinais da doença que tiveram.

    O tempo passa e os que optaram pela cura "dolorosa" (convencional) esbanjam saúde e melhorias nas notas, mesmo que tenham que tomar alguns cuidados básicos. Já a criançada "alternativa", que segue com o tratamento a base de chás (caros, por sinal!), parece não estar 100%. E as notas, além de não melhorarem, seguem sempre abaixo da média do resto.

    Alguns meses depois, enquanto a grande maioria segue cada dia melhorando, as crianças que optaram pela "cura mágica" só pioram… Os pais do Brasil voltam ao mestre. Seu Guido, cheio da razão, culpa o resto das crianças pelo problema, afinal a crise é "global" e não há muito o que se fazer. Sugere mais e mais chás, sem saber que o orçamento dos pais é limitado e estava próximo do fim.

    Já descrentes, afinal a realidade que enxergam é outra, e desesperados (financeiramente, inclusive), os pais do Brasil fazem óbvio: procuram um especialista da área médica. O médico, ao detectar pneumonia, recomenda internação hospitalar. Dez dias, no mínimo. E mais 20 com sérias restrições.

    Com a criança curada e passado o choque do momento, os pais parecem, novamente, esquecer o passado e o quão dolorosa foi a cura após os erros iniciais. Afinal, passado o já passou… Começam, então, a espalhar ao restante da cidade que o "curandeiro" fez o possível e é o menor dos culpados. A culpa foi das outras crianças, claro. Todo mundo vê que a crise é "global".

    O futuro é difícil de prever. Porém, ao que tudo indica, lá na frente (ou logo ali?), quando o menino Brasil estiver novamente forte e saudável, se culpará o médico tradicional pelo período de sacrifício e tratamento. Na primeira crise, voltarão ao curandeiro. Seu Guido ou algum discípulo estará sentando esperando. O resto do mundo – ou qualquer bode expiatório que surgir – que se prepare para levar a culpa.

    Ah! E o médico que já deixe um horário reservado para o menino Brasil logo ali adiante…



    alanternanapopa.blogspot.com.br/2015/06/o-curandeiro-guido-e-as-solucoes-magicas.html
  • Marcelo Boz  23/06/2015 13:30
    Caro Leandro,

    Você nos presenteou com propriedade dos erros cometidos.
    Não seria necessário agora um artigo bem acurado nos apresentando as medidas que o governo deve tomar para tirar os país da crise.
    Ou seja, se você fosse empossado presidente, quais as medidas que você tomaria de imediato para debelar tudo o que assola a economia brasileira.


    Att
    Marcelo Boz

  • Leandro  23/06/2015 14:35
    É uma boa sugestão. O problema é que não sairia nada de muito diferente do que já foi dito nos dois artigos abaixo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1984

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055

    E, principalmente, neste podcast:

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=364
  • Leandro  23/06/2015 14:48
    Ah, e principalmente neste artigo, que talvez seja o mais importante:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

    Uma das causas da nossa doença está na moeda, que está enferma. Sem uma cura para a moeda, não há como ter economia robusta.
  • alerj  23/06/2015 15:10
    Leandro

    Na trecho Pano de Fundo vc afirma que "..., a economia brasileira estava relativamente arrumada. As prudentes políticas fiscal e monetária adotadas no primeiro mandato do governo Lula pela dupla Palocci-Meirelles haviam gerado um nível de confiança e uma estabilidade econômica poucas vezes vivenciados no país pós-democratização"

    Por outro lado, hj o Reinaldo Azevedo publicou um post afirmando "...mas os desastres que estão dados não são obra exclusiva da companheira. Eles começaram a ser gestados nos oito anos de mandato do Poderoso Chefão. Foi ele que aproveitou uma janela de fantástico crescimento da China e elevação formidável das commodities brasileiras para erigir um modelo ancorado puramente no consumo, que tinha como substrato a explosão de gastos públicos, uma política de elevação de salários acima da produtividade e de contínua desindustrialização. "

    Enfim, isso e uma duvida impte. O Reinaldo teria razão no que afirma ? Isso contraria o q vc defendeu em pano do fundo?

    att, alerj
  • Leandro  23/06/2015 15:24
    Por isso a importância de você te cuidado com ideólogos que fazem comentários sobre economia: o sujeito se deixa levar pela emoção, e seu partidarismo (ou, mais especificamente, sua aversão a um determinado partido) faz com que ele diga incorreções.

    Essa questão do boom de commodities (que só começou realmente no final de 2007, e foi majoritariamente causada pela desvalorização do dólar) ter sido todo o responsável pelos eventuais sucessos do governo Lula é uma falácia e foi demostrada em detalhes excruciantes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1943
  • Henrique  01/09/2015 20:20
    Leandro, mesmo que não seja correto afirmar que o governo Lula I surfou no boom das commodities, ainda é possível responsabilizá-lo pela derrocada econômica que estamos vivendo agora sob a perspectiva do aumento desenfreado do crédito e incentivo ao consumo?
  • Leandro  01/09/2015 20:25
    A partir do segundo semestre de 2008.
  • Guilherme  23/06/2015 16:15
    Leandro,

    Primeiramente parabéns por mais um artigo sensato sobre o atual cenário econômico brazileiro.

    Gostaria de saber sua opinião sobre o que esta por vir. (sei que existem milhões de variáveis) mas considerando a atual administração e uma possível volta do Mulusco em 2018, podemos quebrar o REAL nos próximos 4 a 8 anos? ou você acha que não teremos mais aqueles erros no passado que condenaram varias moedas?

    Abraço!!!
  • Robson  25/06/2015 14:56
    Só lembrando que a economia começou a desandar no segundo mandato do Lula. Ele não é isento de culpa. Apesar da Dilma ter tomada decisões muito erradas, ela já recebeu a economia com o tripé macroeconômico abandonado, com os gastos do governo nas alturas, as campeãs nacionais já recebiam dinheiro público com taxas e prazos inacreditáveis, a contabilidade criativa já estava sendo usada e a corrupção já estava institucionalizada (mensalão).
  • Leandro  25/06/2015 15:09
    Exato. Começou a desandar no fim de 2008, como explicado no artigo.
  • Antônio  25/06/2015 17:40
    O Leandro mitou absolutamente nesse texto.
    Eu sou economista e não conseguiria elencar 5 dos 30 itens que ele colocou tão completa e coerentemente.

    Um pequeníssimo acréscimo seria a explicitação da esquizofrenia do governo, que o leandro fez apenas implicitamente (e inteligentemente, por sinal, para enfatizar a engenharia de destruição posta em prática após a crise de 2008). Ao usar o BNDES na escolha dos campeões nacionais (da petralhação nacional), o governo sabota o efeito do aumento do juros da SELIC. Essas medidas contraditórias são reveladoras de um governo completamente inepto.
  • Leandro  25/06/2015 20:11
    O efeito da SELIC é sabotado não só pelo BNDES, mas também pela Caixa e pelo Banco do Brasil, que concedem crédito direcionado a juros muito abaixo da SELIC e praticamente imunes às suas variações.

    Detalhes sobre isso, bem como os valores dos juros praticados, podem ser vistos neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854

    Grande abraço e muito obrigado pelas palavras!
  • Marcelo Boz  26/06/2015 00:56
    Caro Leandro,

    Muito bem, se ancorássemos o real ao ouro pela cotação atual (algo em torno de R$117,00 o grama) seria uma saída menos dura e mais rápida, dado a conjuntura que se apresenta?


    Att
    Marcelo Boz
  • Leandro  26/06/2015 01:38
    Sem dúvida. E com o benefício de que as taxas de juros cairiam na hora, pois essa nova política monetária transmitiria confiança, certeza, e todos os agentes saberiam que, dali em diante, não mais haveria riscos nem de inflação e nem de desvalorizações súbitas.

    Juros altos são consequências de vários fatores, como expectativa de inflação, solvência do governo, riscos políticos e cambiais. Um dos fatores fundamentais é a confiança do investidor de que a inflação estará controlada. Quanto menor essa confiança, maiores tenderão a ser os juros.

    Se a unidade de conta é diariamente distorcida e desvalorizada, se sua definição é flutuante, há apenas caos e incerteza. Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em um curto espaço de tempo.

    É exatamente por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, (alta inflação de preços), os juros são altos.
    Por isso, é crucial ter uma política monetária de qualidade. A atual, que não transmite certeza nenhuma, e que nem sequer consegue ficar perto da meta estabelecida pelo próprio Banco Central, é a pior possível.
  • Marcelo Boz  29/06/2015 15:01
    Caro Leandro,

    Bem, se com a implantação do Currency Board os juros e a inflação iriam para níveis civilizados, o que aconteceria com os gastos do governo?
    Mas como se equacionaria o déficit público e dívida interna, pois esses não seriam afetados por essa nova medida de imediato?
    Então além do currency board, quais as outras medidas necessárias para conter o posso sem fundo que o governo está fazendo do nosso dinheiro?
    Acho que isso seria um assunto para um novo artigo, não acha?

    Att
    Marcelo Boz
  • Leandro  29/06/2015 16:02
    "se com a implantação do Currency Board os juros e a inflação iriam para níveis civilizados, o que aconteceria com os gastos do governo?"

    Teriam de ser forçosamente contidos, de modo a ficar com um orçamento equilibrado. Caso contrário, o governo teria de se endividar para fechar o orçamento. E, sob um Currency Board -- em que não há um Banco Central para acomodar a política fiscal do governo imprimindo reservas bancárias para segurar os juros --, os juros subiriam, anulando todo o efeito benéfico do Currency Board.

    A diferença, no entanto, é que tal arranjo de déficits contínuos não pode durar. Chegará um momento em que o governo, queira ou não, terá de controlar seu orçamento. Foi exatamente isso o que aconteceu na Estônia e na Bulgária.

    Ambos esses países possuem uma relação dívida/PIB baixa.

    A da Bulgária, que era um país completamente avacalhado na década de 1990 (e que hoje tem um governo corrupto), [link]está em 27,6% do PIB[link]. Era de quase 80%.

    A da Estônia é de míseros 10,6% do PIB. E o detalhe é que este é o maior nível desde então.

    Havendo um Banco Central, não há simplesmente incentivo nenhum para o governo controlar seus gastos. Já um Currency Board o obriga a seguir essa política.

    "Mas como se equacionaria o déficit público e dívida interna, pois esses não seriam afetados por essa nova medida de imediato?"

    O déficit já foi respondido acima. Já a dívida pública cairia, pois os títulos pós-fixados teriam uma queda em decorrência da queda dos juros.

    "Então além do currency board, quais as outras medidas necessárias para conter o posso sem fundo que o governo está fazendo do nosso dinheiro?"

    Liberar a concorrência de moedas estrangeiras, como explicado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

    "Acho que isso seria um assunto para um novo artigo, não acha?"

    Boa ideia. Vou fazer.
  • Marcelo Boz  26/06/2015 14:37
    Leandro,

    O caso argentino de currency board foi fracassado porquê?
    Onde o próprio governo sabotou esse sistema que estava dando certo no decorrer da década de 1990?
  • Leandro  26/06/2015 15:26
    Explicado em excruciantes detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562


    O regime cambial argentino funcionou perfeitamente -- até que o governo argentino resolveu destruí-lo, o que, aí sim, gerou os problemas.

    O governo destruiu a lei de conversibilidade justamente porque ela o amarrava, disciplinando seus gastos e sua expansão. Aí, imediatamente após a destruição da conversibilidade, a Argentina mergulhou no caos, na miséria e na depressão.

    Aliás, é gozado ver como as pessoas invertem as coisas: um sistema é implantado, funciona como o esperado, o governo não gosta, destrói o sistema, o país mergulha no caos e aí as pessoas dizem que a culpa de tudo é do sistema que foi destruído. Inacreditável
  • Thiago Teixeira  31/08/2015 01:23
    Leandro, muita gente boa torce o nariz para o Currency Board, Cambio Fixo, porque acha que a Argentina e o Brasil (fase 1 do real) o adotaram.

    Depois de ler teus artigos, explico que a Argentina o abandonou e o Brasil usou cambio ATRELADO ao dólar.
  • anônimo  30/06/2015 15:22
    deixa eu perguntar uma coisa que nao tem a ver diretamente com o artigo, mas eu acho interessante
    volta e meia esse site se manifesta contra algumas regulamentações do estado, por alegarem que a intenção da mesma é beneficiar a empresa que no caso fabrica tal produto
    aí eu pergunto...lá no passado, quando o estado determinou ser obrigatório o cinto de segurança (pq os carros da época vinham sem), os liberais da época acharam um absurdo, por se tratar de uma lei feita pra beneficiar a empresa que fabricava o cinto?
  • Antoine de la Mothe Cadillac  30/06/2015 15:48
    Nada sei sobre a evolução do cinto. O que você sabe?

    Sei apenas que os carros de antigamente não possuíam o apetrecho simplesmente porque eles não alcançavam altas velocidades, e o próprio trânsito das cidades era lento e vazio.

    Mas a pergunta que realmente tem de ser feita é: será que o próprio mercado -- ou seja, a demanda dos consumidores -- não exigiria das montadoras a disponibilidade de cintos de segurança com o passar do tempo? Como você prova que não? E se os consumidores passassem a privilegiar apenas carros com cinto de segurança, será que não haveria automaticamente essa pressão pelos cintos?

    Por meio de suas decisões de comprar e não comprar, consumidores são mais eficazes que qualquer decreto estatal, o qual, aliás, serve de perfeita justificativa para a elevação dos preços dos carros.

    E isso é de suma importância: quando a mudança é introduzida pelo próprio mercado, não há uma tendência de aumento de preços, simplesmente porque a mudança é introduzida justamente para se diferenciar da concorrência. Já quando a mudança é imposta pelo governo, todas as montadoras têm de fazer igual; e esse aumento de custos -- por acometerem todas ao mesmo tempo -- é integralmente repassado para os preços.
  • Edujatahy   30/06/2015 15:58
    Vale lembrar que caso as estradas e rodovias fossem privadas algumas regulamentações privadas poderiam existir.

    Por exemplo, alguma rodovia de muito tráfego exigiria o uso do cinto para circular nela visto que são maiores os custos associados para a própria rodovia com acidentes sem cinto de segurança.
  • anônimo  30/06/2015 16:09
    É verdade que os consumidores, ao preferirem carros com cintos, fariam pressão nas empresas para que todos elas equipassem seus carros com o dispositivo. A pergunta é: quanto tempo isso levaria? Situação 1: consumidores passam a preferir carros com cintos, as montadoras percebem, e com o tempo, passam a equipar todos os carros com cinto. Situação 2: O estado determina uma data para que TODOS os carros sejam equipados com cintos.

    Por que achar que a situação 1 levaria menos tempo para ser implementada?
  • Cadillac  30/06/2015 16:52
    "A pergunta é: quanto tempo isso levaria?"

    O tempo que os consumidores quisessem. Eles estão no comando. E lembre-se: aquilo que você acha ser um tempo longo, para outras pessoas pode não ser. Portanto, o fato de você achar que a implantação de algo demorou não quer dizer nada.

    "Situação 1: consumidores passam a preferir carros com cintos, as montadoras percebem, e com o tempo, passam a equipar todos os carros com cinto."

    Nesse cenário, não tende a haver aumento de preços, pois a implantação dos cintos é um diferencial concorrencial.

    "Situação 2: O estado determina uma data para que TODOS os carros sejam equipados com cintos."

    Nesse caso haverá um enorme aumento de preços, pois não só foi abolido o fator concorrencial, como a própria imposição de uma data limite faz com que as empresas tenham de gastar bastante em pesquisas inesperadas e tenham de correr contra o tempo.

    "Por que achar que a situação 1 levaria menos tempo para ser implementada?"

    Como disse acima, se você quer menos tempo que o mercado, então preço será muito mais alto para todos.

    Note que toda essa minha análise foi sem nenhum juízo de valor.
  • Alexandre  01/07/2015 16:46
    Prezado Leandro Roque, este tipo de oscilação que vc mencionou no artigo, este alta e baixa, e normal em economia... não há alta sem baixa e isso acontece em tudo lugar de mundo e não e só em Brasil! E função do governo estimular crescimento da economia e tentar diminuir efeitos de desaceleração quando acontece. Tem que sincronizar estes altas e baixos com ciclos de eleições para que não houver baixa antes de eleição! E assim, e sempre foi...Só que desta vez governo e fragilizado (lava jatos) e os oposição e outros abutres da Brasília estão cheirando sangue. E mídia esta fazendo o que sempre fiz....criar noticias ruim para vender seu jornal..e só.
  • Leandro  01/07/2015 17:04
    Entendi. Os ciclos econômicos são fenômenos naturais e, ao mesmo tempo, são perfeitamente fabricados pela mídia para que ela possa vendar mais jornais.

    E a inflação de preços varia de acordo com as manchetes da Folha. É isso aí...

    No aguardo das refutações dos fatos apresentados no artigo.
  • anônimo  01/07/2015 17:12
    O cara não sabe nem escrever e quer palpitar sobre economia.
  • Buda  02/07/2015 13:36
    Leandro, eu sei que vc não gosta de fazer previsões sobre nada. Mas gostaria de uma opinião sua a respeito do Brasil.

    Em termos de liberdade, no sentido amplo, vc acha que o Brasil está se tornando um país mais livre ou menos livre a cada ano que passa? Vc acha que daqui 10, 20 anos o Brasil vai estar mais próximo de uma Argentina ou de um Chile?

    E quanto a vc pessoalmente, tem planos de mudar de país? Se não, o que te motiva a continuar morando no Brasil?

    Gostaria muito de saber sua opinião sobre essas perguntas.

    E parabéns pelos seus ótimos artigos! Me ajudaram muito a entender como a economia funciona.

    Abraço
  • Leandro  02/07/2015 15:05
    "Em termos de liberdade, no sentido amplo, vc acha que o Brasil está se tornando um país mais livre ou menos livre a cada ano que passa?"

    Até hoje, a cada ano que passou, só piorou.

    No entanto, vivemos tempos raros: nunca a popularidade de um governo foi tão baixa. Isso é positivo para a liberdade. Governo com popularidade baixa tende a ser inoperante. Governo com popularidade baixa não tem como implantar medidas autoritárias. Governo com popularidade baixa tem um pouquinho mais de receio de fazer qualquer coisa.

    O perigo está em governantes com popularidade alta. Esses, sim, fazem o que querem. Quanto mais alta a popularidade, mais encorajado fica o governo para implantar medidas autoritárias (pois ele sabe que conta com a anuência do povo).

    Pode olhar: todas as medidas autoritárias -- tanto em países desenvolvidos quanto em subdesenvolvidos -- são impostas por governos de alta popularidade. Bush, por exemplo, fez o diabo após o 11 de setembro, justamente porque contava com grande popularidade à época.

    "Vc acha que daqui 10, 20 anos o Brasil vai estar mais próximo de uma Argentina ou de um Chile?"

    Não faço ideia, sinceramente.

    "E quanto a vc pessoalmente, tem planos de mudar de país?"

    Não. O custo de oportunidade é muito alto. No que mais, se você souber se posicionar financeiramente, o Brasil pode ser ótimo.

    É importante entender isso: governos são intervencionistas em todos os países do mundo (o grau de intervenção, é claro, varia absurdamente; mas sempre há alguma intervenção). E intervenções sempre geram beneficiados e prejudicados. O segredo, em qualquer país, é saber se posicionar no lado dos beneficiados.

    Ou, você tem apenas de saber se posicionar no lado ganhador das intervenções.

    Vou dar apenas dois exemplos bem básicos: no Brasil, as intervenções governamentais sempre levarão a juros altos. Procure ganhar com isso. O ouro sempre irá se valorizar perante o real (foi o melhor investimento do primeiro semestre). Procure ganhar com isso.

    Fora isso, cerque-se apenas de pessoas cuja companhia valha a pena; pessoas que não sejam invejosas, que não sejam portadoras de ideias destrutivas e que sejam intelectualmente estimulantes. Isso melhorará bastante sua qualidade de vida.

    "Se não, o que te motiva a continuar morando no Brasil?"

    Família.

    "E parabéns pelos seus ótimos artigos! Me ajudaram muito a entender como a economia funciona."

    Muito obrigado pelas palavras. Grande abraço!
  • Marcelo  02/07/2015 22:56
    "O ouro sempre irá se valorizar perante o real (foi o melhor investimento do primeiro semestre). Procure ganhar com isso."

    Leandro, por favor, poderia me explicar esta lógica? Embora a tendência do ouro, desde a criação do real, seja de valorização, isso não representa garantia de valorização futura. Ainda mais pelo fato do ouro ser cotado em dólar, o que inclui a incerteza do câmbio nos cálculos. Se o real se valorizar mais em relação ao dólar que o dólar em relação ao ouro, haverá perdas.



  • Leandro  02/07/2015 23:25
    "poderia me explicar esta lógica?"

    A oferta mundial de ouro cresce a uma taxa de 2% ao ano. A oferta de reais cresce a uma taxa de aproximadamente 20% ao ano (às vezes, cresce a 15%). Para o ouro, a demanda é mundial. Para reais, a demanda é nacional -- e, mesmo assim, essa demanda tende a cair à medida que a inflação vai aumentando. Ou seja, a oferta de reais aumenta sem que necessariamente haja demanda por eles.

    No que mais, não precisa confiar em mim, não. Pode ver o gráfico da evolução:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055

    "Embora a tendência do ouro, desde a criação do real, seja de valorização, isso não representa garantia de valorização futura."

    A menos que o BC brasileiro dê um cavalo-de-pau e passe a adotar uma política monetária duríssima; a menos que o governo federal dê um cavalo-de-pau e passe a ter déficit nominal zero; sim, a tendência é de valorização contínua do ouro.

    Isso não significa, obviamente, que o ouro irá se valorizar diariamente ou mensalmente. Ele, inclusive, pode se desvalorizar de um ano para o outro. Mas a tendência de valorização se mantém.

    "Ainda mais pelo fato do ouro ser cotado em dólar, o que inclui a incerteza do câmbio nos cálculos."

    Nada a ver. O ouro é cotado em qualquer moeda. Desde 2012, o ouro caiu brutalmente em termos de dólar (vide link acima), mas subiu brutalmente em termos de reais (vide link acima).

    "Se o real se valorizar mais em relação ao dólar que o dólar em relação ao ouro, haverá perdas."

    O raciocínio procede, mas as chances de isso acontecer de maneira duradoura (que é o que o seu raciocínio infere) são as mesmas que o sol tremer de frio.

    Na prática, você está dizendo que o Fed irá adotar uma política restritiva (o dólar irá se valorizar em relação ao ouro), e o BC brasileiro irá adotar uma política ainda mais restritiva que o Fed, de modo que o real irá se valorizar continuamente em relação ao ouro e ao dólar.

    Ou seja, você está dizendo que isso irá acontecer perenemente, de modo que o real para sempre irá se valorizar perante ouro e dólar -- caso contrário, seria uma política meramente pontual (e não perene), a qual não refuta a teoria.

    Nem a Suíça conseguiu essa façanha. Em sua melhor época, ela conseguiu manter o franco estável em relação ao ouro por 10 anos.

    Grande abraço!
  • Buda  03/07/2015 02:27
    Muito obrigado pelas respostas Leandro! Como sempre, palavras muito sábias e sensatas.
  • Renato  02/07/2015 14:23
    Exemplo prático daquilo que o Leandro sempre fala: expansão do crédito fomenta investimentos que no futuro se mostram insustentáveis.

    www.noticiasautomotivas.com.br/crise-mil-concessionarias-devem-ser-fechadas-em-2015/

    Mas pro Alexandre, ''é normal isso''.
  • anônimo  02/07/2015 18:06
    Leandro, qual a sua opinião sobre a reação da esquerda de fazer de tudo pra barrar a redução da maioridade? (nada a ver com o tema, mas queria ouvir sua opinião)
  • Thiago Augusto  03/07/2015 12:15
    Bom dia!

    Leandro, ouvi seu podcast com o Garschagen, em algum ponto você disse que vai pegar seu dinheiro e poupar, em alguma aplicação que renda acima da inflação.

    Estou matutando também alguma forma de poupar sem facilitar a vida dos banqueiros nem alimentar os mecanismos inflacionários. Atualmente estou com LCA em banco público, indiretamente atrelado à SELIC, né? Estou pensando se migro para:
    1) ouro
    2) investimento em empresas sólidas na bolsa (tipo a Grendene, ou grupo Lehman-Teles-Sicupira)
    3) LCA ou semelhante em banco privado
    *) título do tesouro não...

    Sei que investimento depende principalmente do prazo. Vou por meio a meio, metade pretendo manter no curto prazo, como está, e metade posso ter muita paciencia...

    Ah, contribuo também individualmente com o INSS, estou ponderando se isso não é bobagem grande... Mas aí são outros 500...

    Enfim, não quero te alugar com consultoria de investimentos de graça e por internet. Só gostaria de ter uma noção do que é moralmente "correto" por um ponto de vista austríaco.
  • Leandro  03/07/2015 13:26
    Todos esses três investimentos que você citou são "belos e morais". Só não entendi muito bem o que você está fazendo no INSS. Deve ser alguma caridade...
  • Diego M  03/07/2015 18:31
    Leandro,

    Artigos da Empiricus já fala que em setembro deste ano haverá uma crise econômica mais severa que a de 2008, e que teria já data marcada para 16 de setembro de 2015. E já teria o apelido: BRexit.

    Você tem ciência disso?
    E o que falam tem sentido?

    www.empiricus.com.br/posts/brexit-160915/

    Abraços.
  • Leandro  03/07/2015 20:31
    Muito palavroso e bastante sensacionalista. O estilo não me agrada. Quando um sujeito fica, por meio de terrorismo, exortando as pessoas a se tornarem clientes dele, isso passa a impressão de desespero.

    Análises econômicas racionais, sensatas, apartidárias e sem juízo de valor são a antítese de análises feitas visando a propaganda e a arregimentação de clientes.

    Que haverá uma correção nas bolsas mundiais, isso é óbvio (sempre houve e sempre haverá). A questão é saber o timing. Se esse cara sabe (ele deu até a data específica: 16 de setembro), então a lógica diz que ele deve ter feito todas as especulações baixistas de acordo para lucrar muito dinheiro com isso. Ele tem de estar vendido até a alma (caso não esteja, significa que nem ele próprio acredita no que diz).

    No que mais, o rebaixamento do rating do Brasil já está precificado, bem como uma eventual alta de juros do Fed.

    O mercado -- e isso é muito importante -- sempre trabalha com eventos já precificados. O que gera crash nas bolsas é exatamente o surgimento de algum evento que não estava precificado, como uma declaração fora de hora ou a aprovação de uma nova lei

    Por exemplo, em outubro de 1929, coincidência ou não, a bolsa despencou exatamente no dia em que foi revelado que o governo Hoover implantaria, já no ano seguinte, a tarifa Smoot-Hawley, que praticamente aniquilaria o livre comércio mundial. A bolsa desabou assim que essa notícia -- totalmente súbita -- vazou.

    Em outubro de 1987, o Secretário do Tesouro foi, num domingo, a um Talk Show e falou pelos cotovelos. Revelou que havia intenção de aplicar tarifas nos produtos japoneses e que o governo estava pensando em adotar uma política de dólar mais fraco. No dia seguinte, puf!, a bolsa despencou 13%.

    Em meados de 2008, vários bancos de investimento já haviam quebrado, mas a bolsa continuava robusta. O governo havia socorrido todos. Consequentemente, o mercado dava como certo que o governo continuaria socorrendo todos os outros bancos que eventualmente viessem a quebrar, principalmente os grandes.

    Eis que o Lehman Brothers -- o maior de todos -- quebrou e o governo -- contrariando todas as expectativas do mercado -- não socorreu.

    Pronto. Todas as bolsas mundiais passaram a derreter instantaneamente. Esse era um fato novo e totalmente não-antecipado.

    As bolsas mundiais vão voltar a cair? Acredito que sim. Quando? Não faço a mínima ideia, mas muito provavelmente isso acontecerá quando ocorrer algum fato inusitado -- a criação de um nova lei, um comentário político ou uma quebra bancária que ninguém previu. Tudo o que aconteceu até hoje e tudo o que se imagina que irá acontecer no futuro (saída da Grécia, aumento de juros nos EUA, rebaixamento do rating do Brasil) já está precificado pelo mercado.
  • Diego M  07/07/2015 14:52
    Leandro,

    Muitíssimo obrigado pela atenção.
    Foi bom ver seu ponto de vista sobre a questão, e até por essa breve aula de história econômica tbm.

    De fato desde o início o cara para que está falando com uma bomba na mão. kkk.

    É um prazer sempre poder trocar idéias com vocês de forma tão acessível.

    Parabéns e Abraços.
  • Andre  09/07/2015 13:26
    "As bolsas mundiais vão voltar a cair? Acredito que sim. Quando? Não faço a mínima ideia, mas muito provavelmente isso acontecerá quando ocorrer algum fato inusitado -- a criação de um nova lei, um comentário político ou uma quebra bancária que ninguém previu.".

    Leandro, não sei se esse fato inusitado irá causar o início do derretimento das bolsas...
    Mas eu achei esse fato MUITO inusitado:

    China proíbe grandes acionistas de venderem ações nos próximos 6 meses

    Por essa eu não esperava mesmo.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  13/07/2015 20:24
    Mestre Leandro,

    Nessa eu terei de discordar. Tanto o mercado americano (S&P500 e o DJI) quanto o Bozovespa estão alavancados. O primeiro vem batendo sucessivos recordes históricos a muitos meses seguidos, não obstante o período recessivo por que passou a economia americana (ou seja, sem sustentação em fundamentos reais). Já o Cassino vem sendo mantido pelos elevados níveis de investimento estrangeiro (o fluxo de estrangeiros no Bozovespa só começou a cair recentemente. e são eles que movimentam o grosso do nosso mercado). Eles compram, vendem, fazem oscilar, mas estão por aqui, ainda.

    Esses movimentos foram resultado do excesso de liquidez internacional, não há nenhuma sombra de dúvida. E quando o apetite ao risco diminuir, com o aumento da taxa básica da economia americana, esses especuladores irão vender, haverá um refluxo do capital especulativo e os índices desses mercados cairão.

    Se eles ainda se mantêm, é por que o mercado está adiando essa precificação.
  • Leandro  13/07/2015 21:17
    Sem problemas quanto a essa teoria, mas aí tem de ser coerente.

    Quem acredita que o Ibovespa -- que já chegou a 73 mil em maio de 2008, e que hoje mal consegue se manter acima de 52 mil -- ainda está sobrevalorizado tem de investir toda a sua poupança em opções, ir para o mercado de futuros e ficar vendido ao máximo. Se a teoria estiver certa, seu lucro será brutal.

    O mesmo raciocínio se aplica à bolsa americana. Aliás, o ápice do DJIA alcançado antes da crise foi de 14 mil pontos no semestre semestre de 2007. Hoje, 8 anos depois, ele está em 18 mil. Faça as contas e verá que isso dá um crescimento de 3% ao ano. Isso não configura bolha.

    Haverá alguma "correção"? Como eu disse acima, sempre haverá. Mas isso será o resultado de algum fato inesperado e não-precificado.

    Eu, como não tenho essa sua certeza quanto ao futuro, fico quietinho.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  13/07/2015 21:48
    Quanto aos investimentos, é verdade.

    Só que é preciso aguardar um sinal mais claro de inversão de tendência pra se posicionar na venda. antecipar-se a isso pode custar caro. como a maioria de nós não movimenta grandes fundos, podemos montar nossas posições com mais agilidade.

    Por isso não precisei uma data, mas também não joguei pra um futuro insondável.

    Os QE´s já se encerraram. O Fed sinaliza cada vez mais o aumento, consonante a recuperação da economia. Os índices americanos começam a perder fôlego pra novas subidas (o S&P500 foi de 735 pts em jan/2009 pra um recorde de 2.100pts em jan/2015. o DJI foi de 6.600 a 18.300pts no mesmo período). As taxas das dívidas soberanas devem aumentar.

    Um crash não predigo, mas uma correção forte, sim. Veremos os próximos meses. Será, no mínimo, didático (ao menos pra mim, claro).

    Valeu
  • Felipe  03/07/2015 20:45
    É o famoso falso vidente.

    Você arrisca uma previsão polêmica e ganha uma atenção momentânea.
    Se a previsão der errado, tudo bem, ninguém vai lembrar dela mesmo, mas se der certo você ficará bem famoso.
  • anônimo  07/07/2015 20:20
    Para quem tem estômago (Com patrocínio da Caixa):

    Muito obrigado guido mantega
  • Matias  28/07/2015 12:34
    Apesar de ser comparável a um ritual sadomasoquista, é interessante ler esse tipo de artigo. De alguma forma, reflete o pensamento da Doida Varrida. Não acho impossível, caso Ela resista ao Impeachment, que convença que o "ajuste" "neoliberal" do Levy é um fracasso e dê uma guinada mais ainda à esquerda. Bom... aí é hora de fazer as malas...
  • Michael  10/07/2015 13:42
    Leandro, so mais uma pergunta que eu gostaria de saber a sua opinião.
    Um relatório da Fitch Rating no começo do ano apontou que para o Brasil se tornar competitivo novamente, o real teria que chegar a 3.75 por dolar.
    Eu nao concordo muito com esta avaliacao (como voce e outros aqui do site ja explicaram previamente).
    Voce acredita que va chegar a esse nivel eventualmente?


    exame.abril.com.br/mercados/noticias/competitividade-requer-dolar-a-r-3-75-diz-fitch
  • Leandro  10/07/2015 15:10
    Tradução: para o país produzir produtos de boa qualidade e que sejam amplamente demandados no mercado mundial, a solução é destruir o poder de compra da sua moeda.

    Faz muito sentido, não? Há muita empiria para comprovar essa tese, certo?

    Destrua a moeda do país, acabe com o poder de compra da população, e surgirão uma Apple, uma Microsoft e uma Google. Como pode alguém ser contra essa lógica cristalina?

    Nenhum país que tem moeda instável e com baixo poder de compra produz bens de qualidade e que são altamente demandados pelo comércio mundial. Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte. Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

    Uma moda fraca e instável não apenas afeta todos os preços internos de um país (se a moeda está fraca, então será necessária uma maior quantidade dela para adquirir o mesmo bem), como também enfraquece toda a economia. O país não sairá da recessão enquanto poder de compra da moeda não for recuperado. E isso definitivamente não ocorrerá se o câmbio for para R$ 3,75.

    Agora, pode o câmbio ir a R$ 3,75? Bom, a julgar pelo brilhantismo do atual governo....
  • anônimo  10/07/2015 15:39
    E quando chegarmos a R$ 3,75 vão dizer que ainda não foi o bastante.
  • Michael  10/07/2015 16:18
    Obrigado pela resposta Leandro! Concordo 100%.

    Ao meu ver, o Levy parece ser um "hawk" que tenta fazer de tudo para agradar o "mercado". Em outras palavras, adotar todos os passos do neoliberalismo economico, mesmo que gere desvalorização cambial e alto desemprego e recessão profunda, para agradar as agencias de rating.




  • Curtidas no facebook  24/07/2015 00:10
    Dollar a quase R$ 3,50 e a economia do país indo de mal a pior... Realmente está na hora de mudar alguma coisa na realidade desse país... e isso tem que vir do povo... não adianta reclamar do presidente depois de elege-lo.
  • Dalton C. Rocha  29/08/2015 19:10
    Dólar a R$3,50? Em que casa de câmbio? Informe pois, aqui não falta gente que vai viajar para o exterior.
  • Michael  24/07/2015 00:19
    Eu ainda acho que vai subir mais ainda quando:
    - Levy sair do governo ou ser demitido (ou morrer de um ataque cardiaco)
    - o FED aumentar os juros nos EUA em Setembro ou Dezembro
    - Uma ou todas as grandes agencias tirarem o grau de investimento do Brasil

    Ate o final do ano eh bem capaz que o dolar feche a 3,60 - 3,80.
    Se houver panico, quem sabe ate 4,00.
  • Dissidente Brasileiro  24/07/2015 04:02
    Eu ainda acho que vai subir mais ainda quando:
    - Levy sair do governo ou ser demitido (ou morrer de um ataque cardiaco)


    Isso pode ficar pior: Há rumores de que a pessoa que assumirá o cargo, caso o Levy saia (ou morra) é a tal da Maria da Conceição Tavares. Se isso for verdade estamos literalmente fodidos!
  • Renato  28/07/2015 20:33
    Aí Leandro, em uma página no facebook pró monarquia, tem uma imagem dizendo que a inflação média anual nos 67 anos do império foi de 1,58 %, enquanto que a partir da proclamção da república, a infação foi de 10% nos primeiros 45 dias. Diz ainda que em 1890, foi de 41%, e em 1891, de 50 % (anual).

    Essas informações procedem? Se sim, qual o arranjo monetário que vigorou durante esse período?
  • Rafael Dias da Silva  19/08/2015 19:33
    Leandro, tem tradução desse artigo?
  • Leandro  19/08/2015 22:51
    Não entendi. Tradução de qual artigo?
  • Rafael Dias da Silva  19/08/2015 20:49
    Leandro, seria legal atualizar o roteiro com os acontecimentos dos últimos dois ou três meses, onde tivemos o tal "ajude fiscal" e, agora, novamente bancos públicos usados pra estimular alguns setores escolhidos (em troca de apoio à "governabilidade" e posicionamento contra o impeachment das confederações de indústria e comércio).
  • Leandro  19/08/2015 22:52
    Ajuste fiscal não houve nenhum (pelo menos até agora). Prova disso é que estamos em déficit primário.

    Sobre esse pacote de ajuda via bancos públicos, não creio que fará muita diferença. Não há demanda por parte do consumidor que estimule essas empresas a se endividarem (mesmo que a juros baixos) para aumentar sua produção. Se houver algum efeito, será marginal. E fará com que a SELIC tenha de ficar alta por mais tempo.
  • Henrique Zucatelli  28/08/2015 14:26
    Só há uma coisa boa nessa crise: a explosão do empreendedorismo (mesmo que forçado).

    Obviamente não vou querer dourar a pílula, MUITO MENOS defender as manobras patéticas estatais, mas se todos esses micro empreendedores conseguirem se manter e se especializar de alguma maneira, daqui 10 anos veremos um outro país, muito melhor, mais consciente e com um Estado menor.

    Note que quando o sujeito muda de lado no balcão, ele começa a ver as coisas de forma diferente. Isso se reflete nas ruas, nas urnas e principalmente nas famílias, que não se permitem mais aceitar o quadro atual.
  • Paul Krugman  28/08/2015 15:05
    A demanda agregada foi estimulada!
  • amauri  28/08/2015 16:14
    Bom dia Leandro. Em períodos de recessão o discurso normalmente é direcionado ao corte de custos e ao corte de despesas? Por que isto acontece? No caso do Brasil qual a diferença entre cortar gastos e cortar custos?
    Grato
  • Bruno  28/08/2015 16:35
    Pegando um gancho aqui sobre o progresso de nossa economia e a industria.Mais uma vez há um projeto que tenta liberar a vende carros diesel no país.
    O senador alagoano Benedito de Lira (PP-AL) propôs o projeto de lei 84/2015. Ele ataca a proibição direta à venda deste tipo de carro, expressa pela portaria 23/1994 do DNC (Departamento Nacional de Combustíveis).
    Eu sempre fui totalmente a favor da liberação da vende de carros a diesel aqui,pois nos somos o UNICO país no mundo que é proibido vender carro de passeio a diesel.Deixo aqui dois links falando sobre esse projeto de rei que regulamenta a venda de carros diesel no Brasil e outro link com argumentos contra utilizados pelo governo que justifica a proibição de tais veiculos movido a diesel.

    www.flatout.com.br/projeto-quer-liberar-carros-a-diesel-no-brasil-metade-das-infracoes-em-sp-sao-cometidas-por-5-dos-motoristas-o-visual-do-novo-hyundai-elantra-e-mais/


    www.flatout.com.br/por-que-nao-temos-carros-de-passeio-movidos-a-diesel-no-brasil/

    Qual seria o argumento de vocês para tal refutação sobre esse assunto?Algum de vocês é contra?Oque acham dos argumentos do Senador e do autor do artigo deste site?Gostaria de saber como vocês veem isso,ate porque,estamos em recessão e acredito eu que a liberalização da venda de carros de passeio diesel no país poderia ter impacto positivo na economia.

    Abraço!


  • Joaquim Saad  28/08/2015 16:37
    Leandro,

    As tais "Disponibilidades do governo federal no Bacen" (www.bcb.gov.br/?DIVIDADLSP08) representam o saldo de reservas em dinheiro do Tesouro em sua conta única na autoridade monetária ?

    Por quê o governo as mantém historicamente em nível tão elevado (R$774 bilhões ao final do último semestre, e sempre em torno de uns 20% da dívida bruta) ?
    Serviriam tanto p/ eventuais resgates líquidos dos papeis federais, como também poderiam ser utilizadas em qualquer tipo de gasto que o governo não consiga financiar de outra forma (como agora, por exemplo) ?

    Valeu !
  • Leandro   28/08/2015 19:38
    Correto. É o saldo da Conta Única do Tesouro no Bacen. O valor cresce porque o orçamento do governo só faz aumentar.. Você pode acompanhar a evolução desse agregado na série de número 20243 na seção de "Séries Temporais" no site do Bacen.
  • Diego Vasconcelos  28/08/2015 18:15
    Parabéns Leandro!! Sempre muito claro e sucinto..

    Leandro mito Roque ministro da fazenda e Bolsonaro Presidente!!

    haha..
  • Leandro  28/08/2015 19:42
    Obrigado pelas palavras, mas acho que passo...
  • Felipe R  28/08/2015 18:27
    O nosso erro é achar que eles erraram!

    Isso não é caso de incompetência, mas sim de banditismo!
  • anônimo  28/08/2015 18:45
    Eu que sou leigo em economia, percebi que desde esse período de final de 2008, as movimentações do governo não trariam bons resultados. E nos últimos anos falei para algumas pessoas que o Brasil iria entrar num período de dificuldades, e que seria bom não estarem endividados. Também quando estava apresentado trabalho sobre governança, falei sobre a Petrobras, que na época nem se ouvia se quer suspeita do que está sendo noticiado, quase fui engolido por um professor 'dinossauro', que só sabia falar bobagens (e agora na pós também, outro professor de m... Será que tenho sorte?!), só faltou me engolir, que a Petrobras jamais passaria por dificuldades (principalmente de imagem) etc...

    Esse site foi um achado, só artigos bem estruturados e didáticos, diferentes desses outros sites de jornais e notícias que mais confundem do explicam, parece que querem é que ninguém entenda de economia. Foi me "formar" em economia só lendo esse site.
  • Andre  28/08/2015 19:40
    Leandro, tudo bem?

    Desculpa desvirtuar o tema do artigo, mas queria uma opinião sua e, se possível, de outros membros do IMB e do pessoal que comenta.

    1) O que acham do Partido Novo? Enxergam uma alternativa de qualidade pro nosso cenário político?

    2) Vocês tem alguma opinião sobre Liberland? Alguma chance de o projeto ir pra frente e ser reconhecido?

    Abraços e parabéns por mais um artigo de qualidade!
  • Leandro  28/08/2015 19:57
    1) Há quem se entusiasme, mas eu não estou prendendo a respiração. No que mais, não vejo nenhuma elegibilidade: tão logo o partido fique pronto, a esquerda irá martelar na cabeça dos eleitores que ele é um partido criado por um banqueiro.

    2) Não me cativou. Os idealizadores já estão falando em criar embaixadas ao redor do mundo, um dos líderes já se declarou presidente da nação, e já há planos para criar um Banco Central.  De resto, o fato de esse pedaço de terra estar ao lado da Sérvia é um prato cheio para atrair os criminosos e degenerados daquele sofrido país.

    Não obstante, quero aqui deixar claro que isso -- ciência política -- não é minha especialidade, de modo que eu realmente não sou a pessoa mais indicada a quem você deve pedir opinião.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Dissidente Brasileiro  28/08/2015 22:54
    Ele não apenas se declarou presidente de Liberland - como também espertamente abocanhou a melhor parte do território (uma ilha na verdade) para si - além do fato dele ser um político profissional, o que já levanta muitas suspeitas.
  • Thiago Teixeira   28/08/2015 22:21
    O Brasil simplesmente "entrou na crise de 2008" por solidariedade.

    Ah, e "menos mal" que vem QE4 do FED...
  • curioso  28/08/2015 23:07
    Tenho uma pergunta, a resposta talvez seja simples... porque a inflacao de precos nao se reproduz na bolsa de valores?

    Por que todos os precos estao subindo enquanto apenas o preco das acoes esta caindo? A logica inflacionaria nao deveria se aplicar igualmente a todos os precos de uma economia?
  • Leandro  29/08/2015 00:05
    A questão é o que gera a alta dos preços.

    Se a alta dos preços for gerada por expansão do crédito, então de fato os preços da bolsa também tenderão a subir, pois tanto a renda das pessoas quanto as receitas (e lucros) das empresas tendem a crescer em decorrência de uma expansão do crédito.

    Mas se a alta decorrer majoritariamente da desvalorização cambial e do reajuste dos preços administrados pelo governo, então não há aumento nem da renda das pessoas nem das receitas (e lucros) das empresas.

    Nesse segundo caso, não há por que os preços das ações subirem. Aliás, a tendência é que realmente caiam, pois a renda das pessoas e empresas está em queda e os custos estão em alta.
  • Andrea  29/08/2015 00:19
    Altamente didático, adorei o artigo, EXCETO o trecho em que diz que o país em que os resultados nefastos das intervenções do governo na economia são os mais visíveis, é também aquele que possui a população que mais adora o estado. Afinal de contas, praticamente 50% dos eleitores do país NÃO votaram na reeleição da Dilma. E isso pra mim não é pouca coisa, ainda mais considerando-se o seu altíssimo índice de rejeição atualmente.
  • Gil  29/08/2015 00:34
    Andrea, você acabou de descobrir exatamente o maior paradoxo do brasileiro: ele odeia políticos mas adora o estado.

    Adorar o estado nada tem a ver com popularidade de presidente. É importante não confundir essas duas coisas.

    Adorar o estado significa isso aqui:

    Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o estado?
  • ORFAO BATALHADOR  29/08/2015 01:07
    Duvido que brasileiro seja catolico ou entenda de Biblia.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2067

    https://www.bibliaonline.com.br/acf/is/1

    Isaías 1:21-23
    21 Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas agora homicidas.
    22 A tua prata tornou-se em escórias, o teu vinho se misturou com água.
    23 Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva.
  • Henrique Zucatelli  29/08/2015 14:46
    E com CPMF, mais aumento de inflação a vista!

  • Renato Souza  29/08/2015 19:22
    Interessante é que as ações do governo petista são perfeitamente racionais... se você considerar as asserções keynesianas como verdadeiras.

    Krugman não teria feito "melhor".

    A esperança de Keynes era que as pessoas morressem antes que as medidas propostas dessem m... Keynes estava errado, são poucos anos até a vaca ir para o brejo. A imensa maioria daqueles que aplaudiram a "nova matriz econômica" está viva, e vai ter de se virar nos trinta para inventar desculpas esfarrapadas para a desgraça de uma política tão "promissora". Provavelmente vão dizer que deu errado porque a gastança não foi grande o suficiente!
  • .  29/08/2015 22:31
    O governo brasileiro penetrou o brasileiro e este parece que gostou, já que o elegeu de novo.
  • Sergio Souza  30/08/2015 00:06
    Boa noite Leandro!

    Uma coisa eu tenho me dado conta,a palavra recessão é muito pesada,mas para amenizar eles inventaram uma outra conotação,eles dizem que o país esta numa "recessão técnica",não sei,mas isso parece que é uma maneira de dizer para o público algo como:"estamos com um problema técnico".Existe diferença entre recessão e recessão técnica?Ou é uma invenção dos professores pardais?

    Abraços e parabéns,sempre com ótimos artigos!!
  • Silvio  30/08/2015 11:11
    Até onde eu saiba não existe diferença, e Olivier Blanchard em seu livro Macroeconomia destaca que para um país estar em recessão aceita-se comumente dados de PIB negativos por dois trimestres consecutivos, mas o governo sempre tenta amenizar e tranquilizar a população... Até hoje lembro do Mantega dizendo "Quem apostar na alta do dólar..."
  • Fabio  30/08/2015 00:18
    Ótimo artigo. Bela narrativa. Instrutivo.
    É um bom site quando não há o ar de "nós somos os melhores".

  • Silvio  30/08/2015 01:51
    Um fato interessante é que nesta mesma época do governo Dilma, foi quando estado do RS saiu de endividado para estado caloteiro, vide que o Governador na época, Tarso Genro seguiu o embalo da Presidente Dilma. Lembro-me que a Governadora Yeda (anterior ao Tarso Genro) deixou o estado com superávit nas contas públicas estaduais, mas isto era uma medida neoliberal para o governo Tarso.
  • victor  30/08/2015 15:39
    Boa tarde,
    pelo o que li, o melhor investimento a se fazer é comprando ouro.
    Desculpe minha ignorância, tem alguma forma de aplicação que se cota em ouro (feito uma poupança), ou tem que se comprar o ouro guardá-lo.
    grato pela atenção!
  • Investidor  30/08/2015 16:14
    Por culpa desses petralhas malditos essa joça está indo a pique. E o pior é que provavelmente o pudim de cana bravateiro mor 9dedos 171 vai voltar em 2019.
  • Laercius  30/08/2015 18:06
    Sr.Leandro,muito bom esse "roteiro da lambança" ou... histórico da destruição do país, eu acrescento.Vou imprimi-lo e lê-lo eventualmente para não perder a sequencia e o detalhamento de alguns fatos.
    Entre tantas medidas do governo no seu esforço diário de destruir a economia dia após dia,comento uma em particular (entre as citadas no ótimo texto):A MP 579,que nada mais foi que uma cama-de-gato sobre estacas, aplicado sobre as empresas de energia,onde a imprensa brasileira limitou-se a festejar e "entrevistar consumidores" contentes que na sua santa ignorância não tinham o mínimo conhecimento do que iria acontecer e ai de quem dissesse algo de bom senso contra o canetaço dilmiano,embora os resultados logo a seguir fossem visíveis.Quem tinha ações desse segmento (meu caso) viu o desabamento das ações na faixa de mais de 30% em poucas horas.REGIME DE TERRA ARRASADA para eleger mais alguns prefeitos do partido do governo,como o da cidade de São Paulo por exemplo.
  • RR  31/08/2015 01:11
    So eu que acho que está crise é de certo modo premeditada (através de erros e mais erros), para destruição do sistema político e econômico vigente, que de certo modo é democrático e de alguma liberdade, para outro mais autoritário e com a presença ainda maior do Estado?
  • Adilson  31/08/2015 14:12
    Muito bom e didático o artigo. Tenho gostado muito de aprender sobre economia lendo este site e em especial nos artigos do Leandro.
    Gostaria de ler alguma postagem como esta explicando os problemas e a recente "quebra" do estado do Rio Grande do Sul. Acredito ser um tema com muito assunto para discutir. Um case que valha a pena ser explorado.
  • Lucas Jacobus  02/09/2015 13:57
    Esse artigo, somado com o noticiário, me deixa cada vez mais deprimido e desesperançoso com o Brasil.

    Mas, como precisamos encarar os problemas, sigamos em frente :)

    Faço eco sobre o "pedido" de um artigo sobre a destruição causada no estado do RS.

    Um abraço
  • Bruno Pacheco  03/09/2015 00:29
    Gostaria de tirar uma dúvida, é verdade que o mundo passa uma crise, isto é, que essa suposta "crise econômica" está afetando o Brasil? E que essa crise é a responsável por grande parcela de nossos problemas econômicos (eu sei que a administração Dilma é responsável por ele, só gostaria de saber sobre a veracidade da tal crise mundial)?
  • Guido  03/09/2015 00:43
    Falso como uma cédula de R$ 51.

    Todas as principais economias do mundo estão crescendo (e muito). Apenas Brasil, Rússia e Ucrânia estão em recessão.

    Não precisa confiar em mim, não. Pode conferir os números na segunda coluna -- PIB YoY (Year over Year) -- deste site:

    pt.tradingeconomics.com/

    Aliás, se você clicar no PIB YoY, os países serão ordenados em ordem crescente e decrescente de PIB. O Brasil é o segundo pior do mundo.

    Essa conversa de que todo o mundo está em crise é típica de petista desesperado para jogar as responsabilidades das cagadas do governo sobre terceiros. Como sempre fazem, aliás. (Por outro lado, quando o país estava crescendo, era tudo mérito do governo, e não do resto do mundo).
  • Bruno Pacheco Heringer  03/09/2015 22:09
    Verdade Guido, obrigado por responder e pelo útil link!
  • Joaquim  09/09/2015 22:19
  • Preparem seus Passaportes  09/09/2015 22:28
    Não podem dizer que o IMB não avisou. Tem certeza que o ministro é de Chicago?

    Chicago fica na Unicamp?
  • Leandro  09/09/2015 22:38
    E não apenas cortaram o rating, como ainda puseram a perspectiva em 'negativo' -- ou seja, virão novos rebaixamentos no futuro.
  • Lopes  09/09/2015 22:56
    Também é importante lembrar: a perspectiva já era negativa em julho e continua negativa. O fracasso do governo em entregar um orçamento para 2016 é mais que evidente.

    g1.globo.com/globo-news/contacorrente/noticia/2015/07/sp-muda-perspectiva-da-nota-de-credito-do-brasil-para-negativa.html (notícia do fim de julho)
  • Anderson  09/09/2015 23:20
    Meu Deus!


    Sabe aquela sensação de medo que o indivíduo sente momentos antes de pular de paraquedas? Bom, é o que está começando a acontecer com minha pessoa.

    E essa gente quer tapar o sol com mais peneiras furadas, não cortam os gastos, só sugam da população (que não é tão produtiva e está mais que endividada) para tentar equilibrar o orçamento. Já estão querendo aumentar Imposto de Renda. Eles vão querer sugar o máximo possível os rendimentos das pessoas, até a última gota.
  • Lucas  09/09/2015 23:26
    E agora, Leandro? Vi em vários portais de análise econômica que a perda do grau já estava precificada, mas... será que estava precificada em sua totalidade?

    O que esperar para os próximos meses?
  • Leandro  09/09/2015 23:31
    Também acredito que já estava precificado. Veja só a evolução do grama do ouro em reais:

    postimg.org/image/m4r0wbjr9/
  • M.S. Batista  17/09/2015 19:50
    Já está precificando desde a Eleição/2014. Quem anteviu, mudou os rumos dos investimentos.

    A perda do grau de investimento é só o "corte da fita na inauguração da obra". A construção em si já está pronta há tempos...

    Leandro,

    Dá para ter uma noção do estrago na economia brasileira quando do aumento dos juros dos EUA? O que isso poderia representar em números, saída de dolares, queda nos investimentos...
  • Caquinhos  09/09/2015 23:42

    "Tem gente dizendo que já está precificado. Não está precificado", afirmou o ministro (Joaquim Levy), ainda esperançoso de que as agências não iriam tirar o selo de bom pagador do País. "Se acontecer, tudo bem, vamos pegar os caquinhos e tentar recompor, mas vai ser muito mais difícil."

    www.istoedinheiro.com.br/noticias/economia/20150909/para-levy-rebaixamento-nao-esta-precificado/297304
  • Caquinhas  10/09/2015 00:08
    Esse governo só vive fazendo caquinhas, as quais, em sua totalidade, formam um Everest de merda.
  • Diogo Mainardi  10/09/2015 01:30
    Se você fosse americano, investiria o seu dinheiro num país:

    a) cuja maior empresa foi quebrada por um esquema de corrupção comandado de dentro do governo?

    b) cuja partido da presidente já foi chamado por agentes da Justiça de organização criminosa?

    c) cuja presidente cometeu crime de improbidade administrativa e ainda assim hesitam em condená-la?

    d) cuja economia é comandada por patetas "desenvolvimentistas"?

    e) cujo Estado confisca quase 50% da riqueza nacional?

    f) cujo orçamento para 2016 já prevê um rombo de 30 bilhões de reais e contando?

    g) cujo parque industrial está sucateado?

    h) cuja inflação está chegando aos dois dígitos?

    i) cujo governo considera de classe média uma família de quatro pessoas com renda mensal de 1 500 reais?

    j) cuja infraestrutura é comparável à de um país africano miserável?

    k) cuja população tem um dos índices de educação mais baixos do planeta?

    l) cujas ruas são cenários de crimes espantosos?

    m) cuja saúde pública não consegue eliminar nem mesmo a lepra, uma doença da Antiguidade?

    Respondeu "sim"? Você jamais seria um americano.
  • Dissidente Brasileiro  10/09/2015 03:00
    Verdade, kkkkkkkkkkkk :-D
  • anônimo  10/09/2015 12:04
    Leandro, estou olhando o BC, qual seria a série correta para demonstrar a ORIGEM da desvalorização do real. Papel moeda emitido , meios de pagamento, operações com títulos públicos, ... ? obrigado.
  • Leandro  10/09/2015 13:04
    Crédito concedido pelos bancos públicos (série 2007) e títulos emitidos pelo Tesouro (série 2213).

    Dá um vislumbre no primeiro gráfico deste artigo (linha vermelha) e no segundo.
  • Diego M  10/09/2015 19:23
    Leandro,

    Desculpa pela pergunta, sei que não tem muito a ver, mas você poderia me indicar uma taxa americana para atualizar o valor do dólar?

    Tenho uma tabela de valores com dólar de 1996, mas precisaria trazer esse valor nos dias atuais. Com que taxa de atualização eu poderia fazer essa atualização/cálculo?

    Valeu meu querido.

    Abraços.
  • Preocupado  17/09/2015 12:55
  • Paulo Antônio  08/11/2015 23:11
    Eis uma notícia desenterrada de setembro de 2010, antes da eleição de Dilma:

    A Dilma pouco conhecida

    A candidata governista à Presidência tem uma visão sobre a gestão do dinheiro público que deveria preocupar os eleitores-contribuintes.

    "O papo de ajuste fiscal é a coisa mais atrasada que tem. Não se faz ajuste fiscal porque se acha bonito. Faz porque precisa. E eu quero saber: com a inflação sob controle, com a dívida pública caindo e com a economia crescendo, vou fazer ajuste para contentar a quem? Quem ganha com isso? O povo não ganha", afirmou Dilma, de acordo com reportagem do jornal O Globo.

    [...]

    Não é de hoje que Dilma Rousseff se irrita quando ouve falar em necessidade de ajuste de longo prazo da estrutura de despesas do governo, para evitar o crescimento do déficit público, sem que, para isso, seja necessário aumentar a carga tributária, como ela tem aumentado ao longo da gestão do PT.

    Há cinco anos, quando os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo (que continua no cargo), apresentaram um plano de longo prazo que garantiria a redução progressiva do déficit nominal, até sua eliminação, e da dívida pública, por meio do controle mais rigoroso das despesas - pois isso era necessário para assegurar a credibilidade da política fiscal do governo Lula -, Dilma, então ocupando a chefia da Casa Civil, tratou de desmontar com truculência a iniciativa de seus companheiros de governo. Em entrevista ao Estado, considerou o plano "rudimentar" e disse que "o debate é absolutamente desqualificado".
  • Gabriel  25/11/2015 16:40
    Leandro, assistindo uma palestra, eis que ouço de uma economista que o crescimento do Brasil, de 2004-2014, não foi baseado no consumo e que isso seria um mito, pois, segunda ela, a taxa de investimento cresceu mais que a taxa de consumo em termos reais. Faz algum sentido isso?
    Min 14:14 - 14:45
    https://www.youtube.com/watch?v=LrI4x3HprTM
  • Leandro  25/11/2015 20:27
    "o crescimento do Brasil, de 2004-2014, não foi baseado no consumo"

    Isso é verdade para o período de 2003 a 2008, e foi abordado em detalhes neste artigo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190

    Já de 2009 a 2014, tudo ficou só no consumo, e o investimento estagnou.

    s2.glbimg.com/gc1QlRgO0LXVariHCCVsFaQ6pEndZkswx1OezL1o-NxIoz-HdGixxa_8qOZvMp3w/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2013/03/01/pib_marco2013-evolucao-mate.jpg

    "a taxa de investimento cresceu mais que a taxa de consumo em termos reais"

    De 2010 em diante, como mostra o link acima, o investimento só se contraiu. De 2013, em diante, então, entrou em retração.

    Sendo assim, gostaria de ver as fontes dela.
  • Hugo  12/12/2015 02:19
    Leandro,sobre os 40 bilhões de pedaladas fiscais que foram financiados pela CEF,elas tiveram efeito inflacionário,já que foi na prática um crédito de um banco para o tesouro?
  • Leandro  12/12/2015 02:50
  • Emerson Luis  12/12/2015 11:20

    Uma ótima revisão e uma poderosa análise!

    * * *
  • MARCOS  26/01/2016 18:09
    Hora da Atualização? Não?
    Dívida pública federal; 21,7%; R$ 2,79 trilhões...
  • Celio  29/02/2016 18:09
    Leandro, quais medidas o governo deveria adotar para sair logo da crise?
  • Leandro  29/02/2016 18:39
    Primeiro entender este básico:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2083

    Depois (ou, melhor ainda, simultaneamente), adotar qualquer uma destas três medidas no que tange à moeda:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2304 (esta é a mais simples, fácil e factível)

    E, por fim, fazer isto:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2184
  • Tulio  22/03/2016 19:52
    Leandro, Excelente artigo!

    Fiquei com uma dúvida nesses itens

    8) Também em 2012, o governo unilateralmente decide revogar os contratos de concessão das empresas de geração e transmissão de energia (os quais terminariam entre 2014 e 2018) com o intuito de fazer novos contratos e impor tarifas menores.

    9) Com o ataque às geradoras e transmissoras, as distribuidoras ficam sem alternativa e têm de recorrer ao mercado de energia de curto prazo, no qual os preços negociados são muito superiores em relação aos ofertados pelas geradoras que ficaram sob intervenção. As distribuidoras ficam desabastecidas e endividadas.


    No 1° hyperlink diz que o governo vai pagar as indenizações PARA renovar os contratos, não fala nada em revogação

    E no 2° hyperlink diz que a culpa é a falta de chuva o que faz com que as distribuidoras recorram a energia térmicas
  • Leandro  22/03/2016 22:59
    Leia de novo a notícia do primeiro hyperlink. O governo teve de pagar indenizações porque ele rompeu contratos, antecipando renovações -- e impondo unilateralmente preços muito menores do que os já estabelecidos -- que só deveriam ocorrer daqui a vários anos. Isso, além de ser uma clara quebra de contrato, foi uma intervenção que afetou totalmente os planos de investimento das empresas. Caso não tenha ficado claro no primeiro hyperlink, pode utilizar estes:

    veja.abril.com.br/noticia/economia/governo-federal-perdeu-r-105-bi-com-crise-do-setor-eletrico

    economia.estadao.com.br/blogs/joao-villaverde/dilma-promete-indenizacoes-ao-setor-eletrico-mas-nao-paga/

    Quanto à sua segunda pergunta, o primeiro link acima também a responde.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço.
  • Beth Prado  22/04/2016 22:09
    Nova matriz econômica foi um engodo. Quebrou o Brasil.
    No momento em que o País crescia, momento que o governo deveria realizar as reformas vitais para avançarmos, ficou passivo, bovinamente contemplando o sucesso aparente.
    Infelizmente o Lulo-petismo quebrou o Brasil. Hoje vivemos em terra arrasada. Este é o legado deste governo.
  • Igor  03/08/2016 16:25
    É possível mensurar uma expansão de crédito utilizando apenas o agregado monetário M1 e Base Monetária?
  • Leandro  03/08/2016 16:43
    Não.

    O dinheiro criado via empréstimos pode ir para um CDB (M2), para a poupança (M2), para um fundo de investimento (M3), ou para títulos públicos (M4).

    Ademais, não é necessário tentar "estimar" o crédito. O Banco Central divulga mensalmente como está a evolução do crédito.

    https://s32.postimg.org/ig9rr8fdh/cewolf.png


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