Para realmente gerarem valor para a população, empresas têm de ter lucro
por , quarta-feira, 11 de novembro de 2015

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B_VOzaKUwAIXrg3.jpgA frase a seguir é atribuída ao sindicalista Samuel Gompers, o fundador da Federação Americana do Trabalho:

O pior crime contra o povo trabalhador é uma empresa que não consegue operar lucrativamente.

Talvez nem o próprio Gompers tivesse ideia da poderosa verdade encapsulada nessa sua frase.  O sindicalista, já naquela época, foi capaz de perceber algo que vários progressistas de hoje ainda não entenderam: uma economia em que não há lucros é uma economia em um profundo estado de depressão.

Ainda pior, há quem genuinamente acredite que lucros denotam um comportamento suspeito, o qual deveria ser coibido pelo governo.  Para muitos, "ter lucro" é uma expressão politicamente incorreta e imoral — o que aplica apenas para terceiros, é claro; aqueles que condenam o lucro não se opõem quando são eles os ganhadores.

Eis outro comentário relacionado ao assunto:

A situação econômica das empresas terá de depender diretamente dos lucros, e os lucros não poderão cumprir sua função enquanto os preços não foram libertados das amarras dos subsídios.  Ao longo dos séculos, a humanidade não encontrou nenhuma mensuração mais eficaz do trabalho do que o lucro.  Somente o lucro pode mensurar a quantidade e a qualidade da atividade econômica; somente o lucro nos permite relacionar os custos de produção aos resultados de maneira efetiva e inequívoca. . . . Nossa atitude de desconfiança em relação ao lucro revela uma ignorância histórica, resultado do analfabetismo econômico das pessoas...

Essas palavras foram escritas pelo economista Nikolay Shmelyov na edição de junho de 1987 do Novy Mir, o principal jornal político e literário da então União Soviética.  Os soviéticos, após anos de propaganda anti-lucros e de políticas que geraram uma economia em frangalhos, estavam dando sinais de querer reverter um pouco daquele analfabetismo econômico até então vigente.

Nos EUA, quando os Peregrinos [primeiros colonos ingleses, calvinistas, que fundaram em 1620 a colônia de Plymouth, no Nordeste dos EUA] chegaram à América, eles quase morreram de fome, pois adotaram um sistema de agricultura comunal.  Cada indivíduo tinha de produzir para todos e, em troca, cada um recebia uma igual fatia da produção total.  Nessa total ausência de incentivos para se buscar o lucro, vários morreram de fome. 

Ao perceber esse erro, William Bradford, líder da expedição Mayflower, reorganizou os peregrinos de Massachusetts em um regime de propriedade privada sobre a terra e de liberdade na busca pelo lucro.  Os incentivos criados pela propriedade privada prontamente criaram uma impressionante reviravolta econômica.  Homens e mulheres passaram a produzir visando ao lucro, e o resultado foram colheitas abundantes, com as mesas sempre repletas de alimentos.

Aqueles que condenam o lucro preferem exaltar as virtudes da abnegação e do altruísmo; eles supostamente preferem exaltar a busca pela caridade.  Uma preocupação afetuosa para com seus semelhantes pode ser algo belo, especialmente quando vem genuinamente do coração.  Mas a realidade econômica permanece inalterada: a busca pelo lucro gerou muito mais coisas — muito mais! — do que toda a caridade do mundo.

Apenas olhe ao seu redor, neste local em que você está agora.  Se você está dentro de um imóvel, observe o mobiliário à sua volta, o próprio edifício em que você está, o computador (ou o tablet ou o smartphone) que você está utilizando, a internet que está lhe permitindo acesso ao mundo, as roupas que você está utilizando.  Você realmente acredita que todos esses itens surgiram e estão à sua disposição porque alguém queria perder dinheiro (ou aceitou trabalhar em troca de nada) apenas para tornar a sua vida mais confortável?  Perdoe-me a sinceridade, mas você não é tão importante assim para o resto do mundo.

Tudo isso só existe e está à sua disposição porque alguém imaginou que poderia lucrar ao inventar todas essas coisas.

Pense nisso da próxima vez em que você estiver em algum almoço de domingo com a sua família.  As pessoas que cultivaram o frango, a carne bovina ou a carne suína ali presentes não fizeram isso porque amavam sua família e queriam ajudar vocês.  O mesmo é válido para todas as outras pessoas que produziram todos os outros alimentos do almoço: elas não acordaram cedo, trabalharam diuturnamente e se sacrificaram apenas por algum impulso caritativo.  Elas fizeram isso porque queriam melhorar a vida delas próprias.  E, para melhorar a vida delas próprias, elas buscaram o lucro.  E, ao buscarem o lucro, elas melhoraram a sua vida e a vida da sua família.

Eis aqui uma maneira simples e leiga de entender o lucro.  Imagine que você adquiriu um material que, em seu estado bruto e inalterado, vale $100.  Ato contínuo, você altera essa matéria-prima, adiciona sua criatividade e sua mão-de-obra, e gera um produto final que as pessoas irão voluntariamente querer adquirir por $150.  Você gerou valor para a sociedade.  Você acrescentou valor para a sociedade e auferiu um lucro por causa disso.  Agora, imagine que você adquire esse mesmo material, que em seu estado bruto e inalterado vale $100, altera-o à sua maneira e gera um produto final valorado em apenas $50 pelas pessoas.  Você não apenas não auferiu lucro nenhum, como na realidade subtraiu riqueza da sociedade.  A sociedade ficou mais pobre por sua causa. 

Como isso pode ser considerado algo virtuoso?  É exatamente por isso que empresas que geram prejuízos são deletérias para uma sociedade.  Elas consomem recursos e não entregam valor.  Elas, na prática, subtraem valor da sociedade.  Uma empresa que opera com prejuízo é uma máquina de destruição de riqueza.  (O mecanismo sinalizador que orienta todas as decisões e fornece os resultados é o sistema de preços). 

E é por isso que empresas que operam continuamente com prejuízo — por mais importantes que elas sejam para o "orgulho nacional" — devem falir e ser vendidas para novos administradores mais competentes. Falências são algo extremamente positivo para uma economia, pois permitem que aqueles concorrentes mais produtivos e mais capazes tenham a oportunidade de comprar os ativos das empresas falidas a preços de barganha, permitindo-os fortalecer suas operações e voltar a criar valor para a sociedade.  Um governo proteger empresas falidas ou que operam com seguidos prejuízos é a maneira mais garantida de empobrecer uma economia.

No que mais, qual dessas façanhas é mais difícil de ser alcançada seguidamente: lucros ou prejuízos?  Não creio ser exagero dizer que não é necessário nenhum talento especial para se alcançar prejuízos contínuos.  Agora, lucrar continuamente em uma economia livre — uma economia na qual nenhuma empresa usufrui privilégios e proteções do governo —, isso sim exige talento.  Com efeito, é muito difícil até mesmo ficar no zero a zero.

Economistas veem o lucro de uma maneira mais profunda.  Para eles, o lucro não é um montante amorfo que sobrou após todos os custos terem sido pagos.  Segundo Ludwig Von Mises:

O que possibilita o surgimento do lucro é a ação empreendedorial em um ambiente de incerteza.  Um empreendedor, por natureza, tem de estar sempre estimando quais serão os preços futuros dos bens e serviços por ele produzidos.  Ao estimar os preços futuros, ele irá analisar os preços atuais dos fatores de produção necessários para produzir estes bens e serviços futuros.  Caso ele avalie que os preços dos fatores de produção estão baixos em relação aos possíveis preços futuros de seus bens e serviços produzidos, ele irá adquirir estes fatores de produção.  Caso sua estimação se revele correta, ele auferirá lucros.

Portanto, o que permite o surgimento do lucro é o fato de que aquele empreendedor que estima quais serão os preços futuros de alguns bens e serviços de maneira mais acurada que seus concorrentes irá comprar fatores de produção a preços que, do ponto de vista do estado futuro do mercado, estão hoje muito baixos.  Consequentemente, os custos totais de produção — incluindo os juros pagos sobre o capital investido — serão menores que a receita total que o empreendedor irá receber pelo seu produto final.  Esta diferença é o lucro empreendedorial.

Por outro lado, o empreendedor que estimar erroneamente os preços futuros dos bens e serviços irá comprar fatores de produção a preços que, do ponto de vista do estado futuro do mercado, estão hoje muito altos.  Seu custo total de produção excederá a receita total que ele irá receber pelo seu produto final.  Esta diferença é o prejuízo empreendedorial.

Assim, lucros e prejuízos são gerados pelo sucesso ou pelo fracasso de se ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores. [...]

Lucros e prejuízos são fenômenos que só existem constantemente porque a economia está sempre em contínua mudança, o que faz com que recorrentemente surjam novas discrepâncias entre os preços dos fatores de produção e os preços dos bens e produtos por eles produzidos, e consequentemente haja a necessidade de novos ajustes. [...]

O que cria lucros e prejuízos não é o capital empregado.  Ao contrário do que pensava Marx, o capital não "gera lucro".  Bens de capital são objetos sem vida que, por si sós, não realizam nada.  Se eles forem utilizados de acordo com uma boa ideia, haverá lucros.  Se eles forem utilizados de acordo com uma ideia equivocada, haverá prejuízos ou, na melhor das hipóteses, não haverá lucros.  É a decisão empreendedorial o que cria tanto lucros quanto prejuízos.  É dos atos mentais, da mente do empreendedor, que os lucros se originam, essencialmente.  O lucro é um produto da mente, do sucesso de se saber antecipar o estado futuro do mercado.  É um fenômeno espiritual e intelectual.

Condenar qualquer lucro como sendo 'excessivo' pode levar a situações tão absurdas quanto aplaudir uma empresa que, outrora muito lucrativa, passou a desperdiçar capital e a produzir ineficientemente a custos mais altos.  Esta redução na eficiência e, consequentemente, nos lucros logrou apenas fazer com que os cidadãos fossem privados de todas as vantagens que poderiam usufruir caso os bens de capital desperdiçados por esta empresa fossem disponibilizados para a produção de outros produtos.

Ao repreender alguns lucros como sendo 'excessivos' e consequentemente penalizar empreendedores eficientes com uma elevação de impostos para "compensar" os altos lucros, a sociedade está prejudicando a si própria.  Tributar lucros é o equivalente a tributar quem se mostrou bem-sucedido em servir ao público.

Quando uma determinada empresa surge no mercado com um produto novo ou altamente aprimorado, satisfazendo desejos e demandas dos consumidores, os lucros que ela passa a auferir com esse produto podem, à primeira vista, parecer enormes.  Só que, quanto maiores forem esses lucros, mais eles atrairão novos concorrentes [N. do T.: a menos que o governo proíba ou dificulte ao máximo, como fazem, por exemplo, as agências reguladoras no Brasil], os quais aumentarão a oferta desse produto.  Ato contínuo, a maior oferta fará com que os altos lucros da empresa se evaporem.  Olhando em retrospecto, torna-se evidente que os altos lucros funcionaram como um sinal enviado aos outros produtores: "Ei, olhem para cá!  As pessoas realmente querem esse produto; querem mais desse produto!".

Conclusão

A hostilidade direcionada ao lucro, seja ela motivada ou pela inveja ou pela ignorância ou pela demagogia, é irracional.  Ela só é aceitável quando uma determinada empresa aufere seus lucros em decorrência de suas conexões políticas com o governo (que garante a ela subsídios, ou que a protege da concorrência externa via tarifas protecionistas, ou que impede o surgimento de concorrentes via agências reguladoras).

Fora isso, em um mercado livre, lucros representam muito mais do que a saúde financeira de uma empresa: eles indicam que a empresa está utilizando recursos escassos de maneira sensata e está satisfazendo os desejos dos consumidores; indicam que a empresa está genuinamente criando valor para a sociedade e está aprimorando a qualidade de vida e o progresso.

Lucro é aquilo que todos nós buscamos quando, ao tentar melhorar nosso bem-estar, acabamos por melhorar o bem-estar de terceiros por meio de transações comerciais pacíficas e voluntárias.

Lucro não é evidência de comportamento suspeito.  Comportamento suspeito, isso sim, é fazer acusações infundadas contra o lucro.

Atualmente, há no mundo um regime voltado exclusivamente para se certificar de que nenhum indivíduo esteja auferindo qualquer tipo de lucro: a Coreia do Norte marxista.  Como consequência, não há nem sequer luz elétrica para a sua população.




67 comentários
67 comentários
Ricardo 09/06/2015 14:59:42

Para comprovar como tudo no Brasil é zoado:

Lucro de aéreas deve ser o maior desde os anos 60, mas Brasil vai na contramão

Impulsionado por queda do preço do petróleo e recuperação dos EUA, ganho do setor aéreo em todo mundo deve atingir US$ 29,3 bilhões neste ano, alta de quase 80% em relação a 2014

O presidente da Iata citou entre os exemplos negativos de intervenção estatal o "preço artificial" do querosene de aviação no Brasil, definido pela Petrobrás. Segundo ele, o Brasil tem o segundo combustível mais caro do mundo para a aviação, atrás de Malawi, o que faz com que o custo para abastecer um avião responda por 40% dos custos das empresas brasileiras, contra uma média global de 30%.

A mesma crítica foi feita no domingo à noite pelo vice-presidente da Iata para a América Latina, Peter Cerdá. "Isso se deve ao cálculo da Petrobrás. Mesmo com 75% do óleo produzido no Brasil, o preço é determinado como se fosse importado."

economia.estadao.com.br/noticias/geral,lucro-de-aereas-deve-ser-o-maior-desde-os-anos-60-mas-brasil-vai-na-contramao-imp-,1702558

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Evandro Posser 09/06/2015 15:03:34

O importante é que a PTbras é nossa e recebemos diariamente 20 litros de gasolina gratuita.

Responder
Raposa 09/06/2015 20:29:04


Custos com combustíveis 33% maiores;

Taxas e impostos 50% maiores;

2º combustível mais caro do mundo;

Aeroportos sucateados;

Oligopólio produzido pelo governo: DUAS companhias aéreas controlam 80% do mercado;

Mercado completamente regulado: empresas aéreas estrangeiras são proibidas de operar voos domésticos.

Esse país é uma piada.





Responder
Tigrão 09/06/2015 20:37:45

Exato.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2083

Responder
Angelo 15/06/2015 20:13:29

E depois diz que o pobre está viajando mais de avião e os ricos estariam incomodados, ao contrário.

Responder
Vitor Cassel 09/06/2015 15:01:42

Isto é o óbvio! Mas não para os bolivarianos de nossa pobre latino américa!

Responder
Morete 09/06/2015 16:11:18

Em um país onde a taxa de juros é estratosférica e num setor onde o número de concorrentes é muito baixo, faz sentido o HSBC deixar de operar no Brasil?

Isto é "culpa" do fator Brasil ou incompetência para lucrar?

Responder
Pobre Paulista 09/06/2015 18:07:22

Não adianta ter juros altos e câmbio desfavorável. O resultado final é negativo.

Para eles é muito mais negócio vender tudo aqui e aplicar lá fora, onde realmente tem retorno.

Responder
Morete 09/06/2015 18:42:04

Se fosse assim o Santander também iria embora...

Apesar do banco Santander ter sofrido uma queda quando se olha os números em Euros neste primeiro trimestre do ano, o resultado ainda foi fantástico... Apenas o Santander UK teve melhor resultado que o Santander Brasil...

veja.abril.com.br/noticia/economia/brasil-deixa-de-representar-maior-fatia-no-lucro-do-santander/

Responder
Edujatahy 09/06/2015 18:52:15

Morete...

Os juros podem ser estratosféricos... Mas a inadimplência também... ;-)

Responder
Morete 09/06/2015 19:53:26

Mas pq a inadimplência só seria aplicado ao HSBC?
Se fosse assim, os demais bancos também deveriam estar indo de mal a pior, coisa que não acontece com Santander, Bradesco, Itau e cia...

Responder
Edujatahy 09/06/2015 21:05:19

O risco de inadimplência gerar prejuízo operacional aumenta a cada dia, a insegurança jurídica no Brasil é altíssima. Alguns estão dispostos a arriscar, outros não.
Você arriscaria?

Responder
Ricardinho 10/06/2015 00:16:57

O Brasil é a colonia de banqueiros. Se o HSBC está saindo eu interpretou isso como um mal preságio.

Responder
anônimo 10/06/2015 10:07:37

O mundo inteiro é.

Responder
Leandro 10/06/2015 02:11:30

Isso confunde muita gente.

Juros altos, ao contrário do que dizem os "especialistas", não são necessariamente bons para bancos. Vou tentar explicar.

Quando um Banco Central estipula a taxa básica de juros de economia, ele está, na prática, decretando um controle de preços.

Banco Central estipular juros nada mais é do que uma agência governamental controlando o preço do crédito.

Como ensina a teoria econômica, se o preço de algo for decretado a um valor acima do de mercado, haverá muita oferta e pouca demanda. Inversamente, se o preço de algo for estipulado a um valor abaixo do de mercado, haverá um excesso de demanda, mas pouca oferta.

Se a prefeitura da sua cidade estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100 por mês, o que acontecerá com a demanda por imóveis? Garanto que vai explodir. Mas o que acontecerá com a oferta? Garanto que vai encolher.

E se a prefeitura fizer o contrário, e estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100.000 por mês? Garanto que a oferta vai explodir, mas a demanda vai desaparecer.

Com o preço do crédito ocorre a mesmíssima coisa (só que apenas para bancos privados; os bancos estatais operam sob ordens políticas, e não de acordo com as reais condições de mercado).

O que acontece se o preço do crédito for decretado em um valor acima do de mercado? A oferta será ampla, mas haverá pouca demanda por empréstimos. Ou seja, os bancos acabam emprestando pouco. E se o preço do crédito for decretado em um valor abaixo do de mercado? A demanda por empréstimos será alta, mas a oferta será escassa. Ou sejam os bancos acabam emprestando pouco.

No caso brasileiro, se os juros são estipulados pelo BC a um valor alto, a demanda pro crédito cairá, e o lucro do banco irá junto. Se há menos pessoas pedindo empréstimos (por causa dos juros altos), há menos lucros para os bancos.

No caso europeu e americano, se os juros forem estipulados pelo BC a um valor muito baixo, os próprios bancos não terão interesse em conceder empréstimos. Eles serão muito mais restritivos, emprestando apenas para quem realmente pode pagar.

E isso confunde muita gente que pensa que juro zero significa necessariamente crédito farto. Não.

É perfeitamente possível haver farra creditícia em um cenário de juros crescentes (toda a bolha imobiliária americana ocorreu em um cenário de juros crescentes, com a Selic deles indo de 1% para 5,25%; quanto mais os juros subiam, mais o crédito se expandia), bem como é perfeitamente viável não haver nenhuma expansão do crédito em um cenário de juros nulos (como o atual cenário europeu e até mesmo o atual cenário americano, em que a expansão do crédito está ocorrendo a taxas mínimas históricas; daí a total ausência de inflação de preços).

Portanto, eis as conclusões:

1) Se as taxa de juros sobem, mas os empréstimos se expandem, então está claro que o preço do crédito ainda não encareceu o bastante para desestimular a demanda, mas já está alto o bastante para estimular sua oferta.

2) Se as taxa de juros sobem, e os empréstimos se contraem, então está claro que o preço do crédito já encareceu o bastante desestimular a demanda (nada se sabe sobre a oferta).

3) Se as taxas de juros caem, e os empréstimos se expandem, então está claro que o preço do crédito ainda está alto o bastante para estimular a oferta, mas já está baixo o bastante para também estimular a demanda.

4) Se as taxas de juros caem, mas os empréstimos não se expandem, então está claro que o preço do crédito já está baixo o bastante para desestimular sua oferta (nada se sabe sobre a demanda).

Só por aí já dá para você entender por que é absolutamente impossível colocar uma agência governamental para decretar o preço do crédito e imaginar que ela irá acertar exatamente qual é o valor que equilibrará todas essas variáveis e levará a economia a um perfeito ponto de equilíbrio.

Responder
Rodrigo Pereira Herrmann 10/06/2015 03:44:22

Só que não, Leandro.

O cartel dos grandes bancos brasileiros cobra juros totalmente absurdos em boa parte das modalidades de crédito (a selic elevada é um fator que explica apenas uma porção dessa tragédia). E nada justifica um spread tão elevado (nem inadimplência, nem custo-brasil, nem custos administrativos, nem compulsório, etc), ou tantas tarifas de serviços (muito ruins ainda por cima).

Observe a evolução do lucro líquido dos maiores a partir do início dos 2000.
É uma farra patrocinada pela população sob o beneplácito do bacen (e do governo central de modo geral, que precisa se refinanciar constantemente).


(Essa história do HSBC precisa ser melhor contada)

Responder
Leandro 10/06/2015 13:44:39

"O cartel dos grandes bancos brasileiros cobra juros totalmente absurdos em boa parte das modalidades de crédito"

E, para outras modalidades, ele cobra juros muito abaixo da inflação, algo que não ocorre em nenhum outro lugar do mundo.

Isso foi explicado em detalhes neste artigo. Por determinação do governo federal, praticamente metade dos empréstimos feitos pelos bancos cobra juros menores do que a SELIC. E vários empréstimos cobram também juros abaixo da inflação.

Produtores rurais, por exemplo, podem comprar uma Strada de R$40.000 por meio do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). A taxa de juros cobrada? Meros 3% ao ano. É sério, pode conferir aqui, no item 9. Eu mesmo tenho um conhecido -- que não é nada pobre -- que se beneficiou disso. Essa taxa de juros é simplesmente menos da metade da taxa de inflação anual. O IPCA está em 8%, e tem gente pagando juros de 3% ao ano para comprar carro. Aliás, como mostra o link, dependendo do preço do maquinário adquirido, a taxa de juros pode ser de mísero 1,5% ao ano.

E, se você for empresário do setor de transportes, você consegue comprar caminhões a juros que, nos anos de 2010 a 2013, variavam entre módicos 2,5% a até no máximo 7%. (O IPCA médio ficou em 6,5%).

Tudo isso foi explicado aqui.

Mais outro exemplo: o Banco do Brasil está oferecendo empréstimos para a aquisição de imóveis a juros de 6,15% ao ano, uma taxa que também é menor do que a inflação de preços. Um banquete para os especuladores imobiliários. E há também o inefável BNDES, cujos empréstimos para o grande baronato industrial cobram juros de ínfimos 6% ao ano.

E então, você sabia que, para a metade do seu crédito, o Brasil tem um dos menores juros reais do mundo?

Todo mundo inveja as baixas taxas de juros dos países desenvolvidos, mas duvido que lá alguém consiga comprar carros e caminhões financiados com juros muito abaixo da inflação de preços. No Brasil, isso é corriqueiro.

"[...]. E nada justifica um spread tão elevado. [...]"

O spread elevado existe apenas na modalidade "crédito livre", e existe justamente para contrabalançar as distorções das modalidades acima, que formam a modalidade do "crédito direcionado". E o crédito direcionado que já é (quase) tão grande quanto o "crédito livre".


"Observe a evolução do lucro líquido dos maiores a partir do início dos 2000.
É uma farra patrocinada pela população sob o beneplácito do bacen (e do governo central de modo geral, que precisa se refinanciar constantemente)."


Sabe quando eles mais cresceram? Entre 2005 e 2010, justamente quando a Selic estava caindo, o que confirma o que disse no comentário anterior.


Concordo perfeitamente com a sua análise de que falta concorrência no setor bancário, o qual é cartelizado e protegido pelo Banco Central (mesmo porque artigos sobre isso neste site não faltam; veja este, por exemplo). Mas ignorar essa distorção criada pelo governo no mercado de crédito não pode.

Responder
Henrique 11/06/2015 12:33:08

Mas Leandro, esta regra do crédito direcionado não se aplica majoritariamente aos bancos públicos? Logo, não deveria afetar tanto as taxas de juros dos bancos privados

Responder
Leandro 11/06/2015 14:28:16

"não deveria afetar tanto as taxas de juros dos bancos privados"

Só pensa assim quem realmente não conhece os efeitos do intervencionismo e suas consequências não-premeditadas.

Vou tentar explicar.

Bancos estatais, por mais que sejam estatais, são acima de tudo bancos. E bancos têm de ganhar dinheiro.

Sendo assim, se os bancos estatais não ganham dinheiro (ou ganham pouco dinheiro) com uma fatia do crédito direcionado, então eles terão de ganhar muito dinheiro com o crédito livre, justamente para compensar o crédito direcionado.

Consequentemente, eles terão de cobrar juros exorbitantes no crédito livre apenas para compensar os efeitos do crédito direcionado.

E isso não é apenas teoria, não. Pode confirmar na prática, nos links abaixo. Tanto a Caixa quanto o BB aparecem entre os maiores juros cobrados nas principais modalidades de crédito livre.

Taxa de juros para capital de giro

Taxa de juros para o crédito consignado

Taxa de juros para a conta garantida

Taxa de juros para desconto de duplicatas

Taxa de juros para aquisição de veículos

Se no mercado livre os bancos estatais jogam os juros lá para cima (e eles têm de fazer isso para compensar o desempenho do crédito direcionado), então não há grandes motivos para os bancos privados -- que, não se esqueça, também pertencem ao cartel comando pelo Banco Central, e ganham com isso -- cobrarem juros baixos.

Vários deles, como mostram os links acima, de fato cobram juros menores que Caixa e BB, mas não há motivo nenhum para eles cobrarem juros baixos neste cenário. Só se fossem instituições de caridade.

Eis aí mais um exemplo das consequências não-premeditadas do intervencionismo: o governo, ao estipular juros baixos para determinadas modalidades de crédito, faz com que os juros de outras modalidades de crédito sejam astronômicos.

Responder
Morete 16/06/2015 18:41:56


O spread elevado existe apenas na modalidade "crédito livre"

Leandro, poderia indicar artigos que expliquem melhor isto?

Se créditos direcionados não se aplicam ao spread, como eles são criados? De onde são captados recursos para tais créditos?

Um determinado valor que eu venha depositar em minha conta corrente, não poderia ser usado para criar dinheiro do nada e consequentemente crédito para ser emprestado de forma direcionada?

Existe alguma lei/restrição quanto a isto?

Agradeço se puder me esclarecer isto melhor.

Responder
Leandro 16/06/2015 20:10:41

"poderia indicar artigos que expliquem melhor isto?"

Pode ir direto à fonte:

www.bcb.gov.br/pec/wps/port/TD258.pdf

Ou pode ler esse aqui:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854

"Se créditos direcionados não se aplicam ao spread, como eles são criados? De onde são captados recursos para tais créditos?"

Dos depósitos, como todos os outros créditos. A diferença para os empréstimos comuns é que o crédito direcionado é implantado por meio de lei ou normativo. A rentabilidade da operação bancária fica em segundo lugar, se tanto.

"Um determinado valor que eu venha depositar em minha conta corrente, não poderia ser usado para criar dinheiro do nada e consequentemente crédito para ser emprestado de forma direcionada?"

Naturalmente. Aliás, tem de ser assim. Vide o recente noticiário relatando que os saques na poupança estavam afetando a capacidade da Caixa de continuar fornecendo empréstimos imobiliários, um dos mais baratos do mercado.

"Existe alguma lei/restrição quanto a isto?"

Não existe nenhuma lei impedindo que qualquer banco -- privado ou estatal -- empreste a juros que quiserem, inclusive a juros zero. Falta apenas explicar por que um banco normal agiria como instituição de caridade.

Responder
Morete 17/06/2015 12:51:57

Muito obrigado Leandro.
Como sempre dando uma aula...
Abaços,

Responder
anônimo 01/09/2015 17:28:20

De fato, e em panorama de crise, conseguem lucrar mais ainda com tanta gente se endividando. Bancos, cartões de crédito, empresas credoras de Consulta CPF e tantas outras. Resta saber o que será de nós...

Responder
Dom Pedro 12/11/2015 10:43:00

Lucrarão se os débitos forem pagos. E se houver calote?

Responder
Douglas Silva Rodrigues 09/06/2015 16:52:42

Sou novo por aqui, não entendo muito de economia. Uma dúvida As concessões feitas agora há pouco pelo governo, são boas ou ruins para a economia ?

Responder
Ricardo 09/06/2015 17:09:08

Já respondido aqui:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2112&comments=true#ac139012

Responder
Taxidermista 12/11/2015 11:54:00

Consultar aqui:


www.mises.org.br/Article.aspx?id=1219

www.mises.org.br/Article.aspx?id=265

www.mises.org.br/Article.aspx?id=581

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1614

Responder
Henrique 09/06/2015 18:41:16

Gostaria de de saber o que os amigos do site, que defendem o enxugamento do estado para diminuir a corrupção, têm a dizer sobre a corrupção na FIFA, entidade privada...

abraços

Responder
Meirelles 09/06/2015 19:02:41

A FIFA é tão "privada" quanto o COI. Há um artigo inteiro sobre isso:

mises.org.br/Article.aspx?id=1964

De resto, corrupção é, por definição, suborno (só olhar no dicionário), ou seja, recepção de dinheiro ilícito em troca de favor ou negócio lucrativo. Então, somente há recepção de dinheiro de forma ilícita se o dinheiro não é de quem está na transação, ou seja, somente na presença de dinheiro público há corrupção.

Na iniciativa privada, se dois entes privados trocam favores entre si com o seu próprio dinheiro os únicos lesados nesses casos são os donos da empresa. A população nada sofre com esse tipo de corrupção. E, se a corrupção for muito intensa, pode levar a empresa à falência. Novamente, isso é problema apenas dos donos da empresa.

De novo: a "corrupção" no ramo privado não pode ser comparada à corrupção estatal, pois, no ramo privado, a riqueza que foi transferida (roubada) da empresa para um indivíduo ou para um determinado grupo foi gerada pela própria empresa, cabendo à sua administração encontrar formas de estancar os desvios sob pena de falência. Já na burocracia estatal o prejuízo é socializado, por isso não existe interesse em combatê-lo.

No que mais, a tal "corrupção da FIFA" envolve governos, de modo que ela não pode ser comparada a uma corrupção privada. Corrupção privada seria o dono da padaria da esquina subornando um funcionário de um fornecedor.

Responder
anônimo 12/11/2015 09:58:24

Eu tenho a dizer que a corrupção da FIFA não me afeta em NADA.
Não gosto de futebol, não dou um centavo pra ver isso e acho que quem é idiota suficiente de morrer de preocupação com essas coisas e se estressar com isso, tem mais que se lascar.
Diferente da corrupção estatal onde eu sou 'convidado' a pagar a conta de uma coisa que já era errada e ficou pior ainda.

Responder
Pedro Mundim 09/06/2015 18:44:04

A origem do equívoco que leva à condenação do lucro é uma concepção simplória do que é a riqueza, que é imaginada como algo finito, pré-existente, que não é criado nem destruído, apenas apropriado. Assim sendo, só é possível ter lucro se outro alguém tiver um prejuízo de igual valor, e portanto, ter lucro é moralmente condenável.

No mundo real, a riqueza não é pré-criada, e embora finita no espaço, não é finita no tempo: ela pode ser criada indefinidamente, assim como pode ser destruída. O lucro nada mais é do que a criação de riqueza. Os católicos do século 14 também condenavam o lucro, a que denominavam usura, porque acreditavam que a riqueza só podia ser criada por Deus e não pelas pessoas; entretanto, a riqueza dos nobres e dos próprios eclesiásticos não era pecaminosa porque supostamente era a vontade divina. Judeus e protestantes não compartilhavam desta crença, por isso eles ficaram ricos e nós ficamos pobres. A garotada esquerdista do século 21 tem muito mais em comum com os frades do século 14 do que eles supõem!

Responder
João 09/06/2015 19:03:28

Concordo com o artigo. Os lucros não podem ser demonizados se são absolutamente necessários para a organização investir e se manter ativa no mercado.

Responder
João Tronkos 09/06/2015 20:27:38

Um complicador é que o nosso ambiente de negócios é doente, destorcido. Empresas que parecem ter lucro na verdade destroem valor, enquanto outras, lucrativas, são sufocadas pela carga fiscal ou outras práticas não competitivas.

Responder
Magnus Galhus 09/06/2015 20:33:19

"Empresas que parecem ter lucro na verdade destroem valor,"

Isso é praxeologicamente impossível. O que é "parecem ter lucro"?

"enquanto outras, lucrativas, são sufocadas pela carga fiscal ou outras práticas não competitivas."

Concordo totalmente.

Responder
anônimo 09/06/2015 21:09:42

Ele se expressou errado. Ele quis dizer que, dentro do nosso ambiente intervencionista, existe muitas empresas lucrativas que não agregam valor as pessoas, tipo Camargo Corrêa e TV globo.

Responder
Vitor Cássio 09/06/2015 20:28:25

Belo texto. Um tanto quanto óbvio, mas ainda assim serve como um ótimo tapa na cara dos estatólatras corporocratas e seus asseclas alienados e, em geral, desprovidos da mesma riqueza que esses auferiram por 'conquistas'.

Responder
Alberto 09/06/2015 20:42:39

Olá, alguém poderia me tirar uma dúvida?
Em uma economia onde existam apenas 2 indivíduos (a fim de possibilitar o cálculo).
Digamos que cada cidadão possua 500 mangos, somando o total de riqueza nesta economia em 1000 mangos.
Se o cidadão A achar uma pepita de ouro, ao acaso, e vendê-la por 100 mangos para B, ele criou riqueza ou simplesmente convenceu B a transferir 100 mangos para ele? No final podemos entender que A passou a possuir 600 e B 400, totalizando os mesmos 1000.
Claro que a pepita ainda existe, e B a valora em 100, porém, se A não estiver interessado em compra-la de volta no futuro, ela simplesmente deixa de ter valor econômico, já que não existem outros interessados.
Entendo que esta visão está errada, não estou contestando nada, só quero compreender melhor como se deu, matematicamente, a criação de riqueza.

A quem dispor de atenção e paciência, muito obrigado.

Responder
Fraga 09/06/2015 21:19:12

"Em uma economia onde existam apenas 2 indivíduos (a fim de possibilitar o cálculo). Digamos que cada cidadão possua 500 mangos, somando o total de riqueza nesta economia em 1000 mangos."

Já começou errado. A riqueza de uma economia não tem nada a ver com o valor nominal das cédulas de dinheiro existentes. A riqueza é mensurada pelos ativos físicos existentes, pelo capital humano, pelas instalações, pelos bens de capital, pelas ferramentas, pelos maquinários etc.

Cédulas de dinheiro não representam, por si sós, riqueza nenhuma. Elas são utilizadas como meio de troca. Elas facilitam a troca de riquezas, mas elas não são riquezas.

Se você fosse um náufrago em uma ilha deserta, sem recursos físicos nenhum, mas tivesse uma valise lotada de dólares, você se consideraria rico? O que você poderia fazer com essas cédulas de dólares na ilha? No máximo, poderia utilizá-las para acender uma figueira.

"Se o cidadão A achar uma pepita de ouro, ao acaso, e vendê-la por 100 mangos para B, ele criou riqueza ou simplesmente convenceu B a transferir 100 mangos para ele? No final podemos entender que A passou a possuir 600 e B 400, totalizando os mesmos 1000."

B voluntariamente valorou a pepita em $100. E, se a pepita encontrada vale $100, então a riqueza disponível na economia aumentou $100.

Isso é tudo o que podemos deduzir deste cenário. Nada mais.

"Claro que a pepita ainda existe, e B a valora em 100, porém, se A não estiver interessado em compra-la de volta no futuro, ela simplesmente deixa de ter valor econômico, já que não existem outros interessados."

Se a pepita perdeu todo o seu valor (que é totalmente subjetivo), então a riqueza da economia voltou ao ponto em que estava antes da descoberta: ela decresceu $100.

Responder
Joana Mariana 10/06/2015 02:41:01

Excelente artigo, mas isso também precisa ser analisado à luz das 'picuinhas' do dia a dia das pessoas. Se pensarmos bem, não é tão difícil para um indivíduo de bom coração - e analfabeto econômico - pensar que tem sim que tributar o lucro.

Ontem mesmo eu estava vendo um artigo com fotos de uma campanha de 2007, que contrasta o luxo de alguns e a miséria de outros, e me lembrei da época em que eu era bastante simpática às ideias socialistas, marxistas, etc*. A coisa mais fácil de se pensar era que tributar esses insensíveis capitalistas (não necessariamente com essas palavras) era a coisa mais correta e mais justa a se fazer. "Como pode esse tipo de gente gastar tanto dinheiro com coisas supérfluas, enquanto esse dinheiro poderia estar satisfazendo tantas pessoas?", certamente era uma ideia bem comum.

Não sei se é inveja, mas provavelmente as pessoas condenam muito mais o luxo do que o próprio lucro. Se você é um capitalista mas leva uma vida simples, certamente não seria nenhum incômodo o quanto que você aufere de lucros. É só reparar que sonho de esquerdista é principalmente filho de rico estudando com filho de pobre (obviamente não em uma escola particular).


*As escolas fazem um bom trabalho nisso: meu coração quixotesco não resistiu a enxergar no socialismo um sistema que se preocupa com todos; a ver Marx e Engels dois intelectuais extremamente conscientes das injustiças sociais e Lênin e Trotsky como heróis; e a achar a Revolução Russa o acontecimento mais excitante de todos os tempos. Que romântico!

Responder
Didi 10/06/2015 06:48:46

Artigo providencial diante a iminência do tiro de misericórdia que a mão pesada do estado dará nos segmentos produtivos remanescentes.

A nota diz: Governo prevê arrecadar até R$ 18 bi com nova tributação.

Confira:

economia.estadao.com.br/noticias/geral,governo-preve-arrecadar-ate-r-18-bi-com-nova-tributacao,1702472

O cinismo é descarado e até o palavreado é coisa de malandro, vulgo "andar de cima", aliás tudo está arquitetado para estrangular a galinha dos ovos de ouro, a sanha em andamento será para tributar o lucro das empresas e afins.

Destarte e conforme reitera o tema, não há investimento sem lucro!

De modo que alvoroçar sobre o lucro é sinônimo de sucateamento da produção.

Desafortunadamente a massa popular desconhece ou se recusa a saber que o País tributa vorazmente a cadeia produtiva, cuja parafernália de impostos já obliterou e segue dizimando especialmente muitos segmentos de transformação.

Ademais, se aos olhos dos comunas R$ 1 milhão é riqueza, então qualquer "micho-empresa" não passará incólume e salvo melhor interpretação incrementará o êxodo de diversos setores para países mais atrativos e afeiçoados à produção.

Vislumbra-se nessa irracional tungada federal acelerada argentinización en Brasil y por lo tanto cumplenos solo aguardar la "extrema-unção, vela e caixão".

E segue o féretro...

Responder
Amarílio Adolfo da Silva de Souza 10/06/2015 08:54:03

O lucro verdadeiro só será possível se não houver impostos.

Responder
Eduardo 10/06/2015 14:39:50

Concordo plenamente com o artigo, 100%, porém o problema grande enfrentado hoje em dia é que há uma intervenção estatal muito forte, principalmente América Latina, o que gera muitas distorções nesses cenários. Um exemplo claro é a intervenção no Brasil referente ao preço da gasolina, com certeza muitos estão e estavam auferindo altos lucros, porém conseguiram quebrar várias usinas de açucar e alcool ao redor do Brasil, gente que investiu pelo fato do incentivos dado no governo Lula (www.paginarural.com.br/noticia/77508/brasilia-uniao-incentiva-plantio-de-cana-em-areas-degradadas-da-amazonia), financiavam plantios até na Amazônia, e depois de quatro anos alteram completamente o rumo da política referente a esse segmento. A pergunta que fica é a seguinte, quem no Brasil tem algum incentivo de fazer investimentos com essas alterações completamente opostas de políticas para setores da economia? O grande problema é que a maioria das empresas no Brasil que geram grandes lucros tem algum tipo de "benefício divino" e infelizmente não respeitam a lógica desse artigo. Outra coisa que quase ninguém fala é que a inflação está nesse patamar sim pelo fato dos ajustes dos preços controlados pelo governo, mas também pelo fato de estarem imprimindo dinheiro loucamente, essa segunda afirmação é pouco ou nada comentada nas mídias.

Responder
Emerson Luis 10/06/2015 18:01:25


Qual é o mal de se gerar valor para terceiros e ser recompensado por isso?

Quem condena o lucro em si mesmo não compreende (ou finge não compreender) o que ele é; confunde "interesse próprio" com "interesse egoísta".

* * *

Responder
Brant 11/11/2015 13:58:37

Lucros só são suspeitos e imorais em economias fechadas como a nossa. Não tem nada de bonito em uma empresa que lucra unicamente por ser beneficiária de medidas protecionistas, câmbio desvalorizado, agências reguladoras, boas conexões com políticos e burocratas etc.

Responder
Geraldo 11/11/2015 15:10:17

Tiraste as palavras da minha boca!

Responder
Antes aluno da grandiosa Escola de Campinas, e agora discípulo da Luciana Genro 11/11/2015 16:47:56

O lucro nada mais é do que o capital que a burguesia extrai do proletariado sob forma da Mais-Valia. O resto é falácia da mídia golpista ou delírios da ideologia neoliberal.

Responder
mauricio barbosa 11/11/2015 21:09:17

Antes aluno da grandiosa Escola de Campinas, e agora discípulo da Luciana Genro,você é uma piada sem graça por aqui,argumente seu piadista sem graça...

Responder
jackson 12/11/2015 13:24:28

o cara é um Tipico Filosofo, porem com argumentos fracos.

Responder
Daniel 11/11/2015 17:07:14

Gostaria de ler um artigo na visão libertaria sobre o rompimento da barragem de Bento Rodrigues.
Sei que existem vários artigos aqui que abordam os assuntos(concessões, licenças, justiça, etc) separadamente, mas uma análise baseada em um evento atual seria interessante.

Obrigado.

Responder
Daniel 11/11/2015 17:39:38

Quem destrói propriedade privada deve ressarcir e indenizar, nem que para isso tenham de penhorar todos os ativos de cada diretor e acionista da empresa. Ponto.

Essa é a abordagem libertária.

Responder
Viking 13/11/2015 10:14:07

Este aqui pode te ajudar:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=89

Responder
Alexandre 11/11/2015 17:38:01

Tenho uma dúvida que sai um pouco do foco do artigo, mas qual a solução do ponto de vista libertário para impactos ambientais causados por empresas privadas, como a tragédia de Mariana? 65 milhões de metros cúbicos de lama tóxica (com alta concentração de arsênio, ferro e mercúrio), que está afetando o abastecimento de água de várias cidades.

Responder
Daniel 11/11/2015 17:44:31

Quem destrói propriedade privada deve ressarcir e indenizar, nem que para isso tenham de penhorar todos os ativos de cada diretor e acionista da empresa. Ponto.

Essa é a abordagem libertária.

Responder
Alexandre 11/11/2015 18:05:38

Mas como obrigar os responsáveis a ressarcirem os prejudicados?

Responder
Nunes 11/11/2015 18:17:03

Ué, o sistema judiciário -- seja ele privado ou estatal -- existe justamente para isso: para impingir as leis e punir quem destrói vida e propriedade.

Sistema este, aliás, que não funciona hoje (em que é totalmente estatal e opera sob regime de monopólio), pois é moroso e só funciona em prol dos poderosos.

Responder
anônimo 12/11/2015 14:31:39

E ainda digo mais, com certeza essa empresa deve ter subornado algum fiscal da prefeitura pra deixar passar uma vistoria ou alguma coisa que estava errada.
Isso num mundo 100% privado sería praticamente impossível, uma empresa que aceitasse um suborno desses estaria se matando aos olhos do livre mercado.

Responder
Viking 13/11/2015 10:16:18

A Samarco é uma joint venture da Vale com uma mineradora estrangeira.

sabe quem controla a Vale? a Valepar
sabe o que é a Valepar? um fundo de investimento que tem como investidores os fundos de pensão estatais, geridos por gente do governo.
além disso, ano passado o PT cortou verba da fiscalização dessas barragens.

agora junte os pontos...

Responder
Nórdico 13/11/2015 11:19:57

Isso é o de menos. Acho engraçado como as pessoas se esqueceram completamente de como o PT interferiu na Vale em 2011 e trocou o seu presidente e aparelhou a empresa.

Felizmente, isso foi documentado pelo IMB, que não dorme no ponto e acertou em mais essa previsão:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=942

Responder
Marcos Silva 12/11/2015 12:43:49

Infelizmente temos que passar por isso, o que aconteceu como a principal empresa do Brasil que não preciso aqui citar nomes, o escândalo envolvendo essa empresa e o governo e uma mancha que irá ficar em nossa história, enquanto os que fizeram parte disso, grande parte passam impunes, nós temos que pagar as contas disso tudo com os aumentos e reajustes diários em nossas contas.

Responder
Amarílio Adolfo da Silva de Souza 12/11/2015 20:33:04

brasil morreu.

Responder
Maria 09/12/2015 19:52:08

Excelente artigo. Especialmente na época triste que vivemos. Empreender em nossa economia é tarefa árdua, exige perseverança, e lucrar é o esperado pela pessoa que empreende, é o fruto de nosso trabalho. Infelizmente os pequenos empreendedores sentem mais os custos, e continuar é uma verdadeira luta.

Responder
bruna 23/02/2016 05:03:08

Muito bom o artigo.








vivabemsempre.com

Responder
thamiris 21/03/2016 22:57:12

Mesmo com tanta conrrupção, o importante é que a PTbras é nossa!! Belo Artigo!!!

Responder
Emerson Luis 23/03/2016 10:53:21


A suposta contradição entre a busca de lucros e a caridade é falsa.

Primeiro, a busca de lucros beneficia a todos os envolvidos e mais.

Segundo, a existência de lucros permite o financiamento da caridade.

* * *

Responder
Suco Verde 29/03/2016 23:45:45

Uma grande verdade que os lucros são necessários para a organização existir e rodar a economia...

Responder
José Kingo 27/04/2016 20:31:29

Concordo plenamente!

Com lucro as empresas podem produzir mais e também investir em inovação e tecnologia, ou seja, gerar mais valor para a população.

Ótimo post!

Responder
ROSIFELICIANO 12/05/2016 20:35:43

Concordo.

Responder

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