Para impedir a destruição do real e do setor industrial, o Banco Central tem de ter concorrência
por , domingo, 24 de maio de 2015

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size_810_16_9_Nota_de_real_e_dólar-e1422535035345.jpgSe a moeda se desvaloriza, isso significa que ela perdeu poder de compra.  Consequentemente, será necessária uma maior quantidade de dinheiro para comprar a mesma quantidade de bens e serviços. 

Ou seja, os preços dos bens e serviços, bem como todo o custo de vida, subiram.

E, se os preços dos bens e serviços subirem mais do que a renda, o consumo tende a estagnar.

O que isso significa?

Se as vendas das Casas Bahia diminuem e os estoques se acumulam, a primeira medida dos donos das Casas Bahia não será a de demitir empregados — tanto os custos de demissão quanto os de admissão (o que envolve treinamentos dos recém-contratados) são altos, de modo que a demissão da mão-de-obra do setor de comércio tende a ser um recurso de última instância.

A primeira medida das Casas Bahia será diminuir a encomenda de novos estoques.  Se há geladeiras, fogões, televisões e móveis se acumulando nos armazéns das lojas, então a encomenda de novos estoques será suspensa.

Ato contínuo, os fornecedores das Casas Bahia — o setor atacadista — reduzirão suas encomendas para as indústrias.  E as indústrias, por sua vez, reduzirão sua produção.  Consequentemente, seu faturamento irá diminuir.

E aí, o primeiro recurso das indústrias será dar férias coletivas.  Se as coisas não melhorarem, demissões serão inevitáveis.

Por outro lado, se a renda da população estiver em alta, mas os preços se mantiverem estáveis (um arranjo que ocorre quando o câmbio está se valorizando), ocorrerá o cenário inverso: as vendas das Casas Bahia aumentam mensalmente, e a empresa tem continuamente de encomendar novos estoques para repor os seus armazéns.  Tanto os atacadistas que vendem para as Casas Bahia quanto as indústrias que vendem para os atacadistas terão de investir mais e contratar mais.

Nesse cenário, além de mais operários trabalhando nas indústrias para fabricar fogões, geladeiras, televisões e móveis para vender para os atacadistas, as próprias Casas Bahia terão de contratar mais comerciantes para vender os produtos.

Esse simples exemplo — mas que pode ser perfeitamente expandido para todos os setores da economia — mostra por que, nos ciclos econômicos, os setores da economia que mais se expandem e que mais se contraem são aqueles que estão no início da cadeia produtiva

É por isso que, quando uma economia entra em processo de crescimento, o setor industrial é o que mais contrata e o que mais recebe investimentos; e quando a economia entra em recessão, o setor industrial é aquele que mais corta empregos e que mais reduz seus investimentos, seguidos do setor atacadista.

O ciclo no Brasil

Os três gráficos a seguir, do IBGE, mostram a evolução do emprego na indústria brasileira em três momentos recentes da economia.

Nesse primeiro gráfico, de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, época de forte crescimento da economia, o emprego no setor industrial cresce continuamente (até a crise mundial do final de 2008).

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Nesse segundo gráfico, que vai de janeiro de 2009 a dezembro de 2011, há uma contração no ano de 2009, prontamente superada pelo forte crescimento de 2010.  Em 2011, o emprego na indústria se mantém estável.

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Finalmente, neste terceiro gráfico, de janeiro de 2011 a março de 2015, o emprego na indústria encolhe continuamente (a contração chega a quase 15% em relação agosto de 2011).

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Vale a pena comparar estes três gráficos com a evolução do câmbio neste mesmo período:

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Observe que, exatamente ao contrário do que defendem os economistas desenvolvimentistas, é justamente quando o câmbio está se apreciando (2005 a 2008, 2010 a 2011), que a indústria fica mais forte.  E é justamente quando o câmbio se desvaloriza (2009, e 2012 em diante), que a indústria encolhe.

E o motivo é óbvio: câmbio desvalorizado significa moeda com menos poder de compra.  Moeda com menos poder de compra significa renda menor para a população e preços em contínua ascensão.  E renda menor em conjunto com preços em contínua ascensão significa que a demanda por bens de consumo diminui. 

E isso afeta todo o setor industrial e atacadista, como explicado no exemplo hipotético das Casas Bahia.

O gráfico a seguir mostra a evolução mensal dos preços no setor atacadista, ou seja, a evolução dos preços nas transações inter-empresariais que ocorrem nos estágios anteriores ao consumo final.  Na prática, é o preço que os atacadistas, depois de terem comprado das indústrias, cobram pelos estoques fornecidos para as Casas Bahia.

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Se os preços do setor atacadista ficam meses seguidos no terreno positivo — como aconteceu em 2007, primeiro semestre de 2008 e todo o 2010 —, isso significa que a demanda dos empresários para repor seus estoques está crescente, o que indica que a renda da população está em alta.  Nesse cenário, a economia está aquecida e o setor produtivo está em alta.

Já se os preços do setor atacadista ficam meses seguidos no terreno negativo — como 2009 e 2014 —, isso significa que a demanda dos empresários para repor seus estoques está em retração, o que indica que a renda real da população está em queda.  Nesse cenário, a economia está fria e o setor produtivo está em baixa.  Não existe queda contínua de preços no setor atacadista se a economia está aquecida.

Se o setor atacadista está vivendo deflação de preços, então a indústria — de quem o setor atacadista compra para revender — está em forte contração.

É exatamente nesse ponto que estamos.

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Variação da produção industrial no Brasil em relação ao mesmo mês do ano anterior.

O arranjo a ser almejado

Os motivos da atual retração da demanda dos consumidores brasileiros são vários (como alto endividamento e inadimplência crescente), mas o principal é a queda da renda real, intensificada pela desvalorização cambial, a qual está elevando fortemente a inflação de preços no Brasil e desorganizando toda a economia.

Toda a constatação acima mostra que, se você conseguir criar um arranjo em que a renda aumenta continuamente, mas os preços dos bens de consumo se mantêm estáveis — ou a renda aumenta mais do que o aumento dos preços dos bens de consumo —, a economia irá se expandir robustamente por um bom tempo.  Se a renda aumenta, mas os preços dos bens de consumo se mantêm estáveis (ou aumentam menos que a renda), a demanda por eles irá aumentar.  E isso ativará todo o setor industrial e atacadista, além é claro do próprio comércio e do setor de serviços.

Daí a importância de se ter uma moeda forte.  E isso passa pelo câmbio.  É por isso que, como mostram os gráficos acima, quando o câmbio está se apreciando, a indústria está em crescimento.  Quando o câmbio está se apreciando, a renda das pessoas está em alta.  Consequentemente, a demanda por bens de consumo sobe, o que ativa o setor industrial.

Essa relação entre câmbio apreciado e indústria forte é tão óbvia e direta, que é espantoso que ainda haja pessoas que acreditam que uma desvalorização cambial "ajuda a indústria".  Mesmo porque o argumento de que o câmbio desvalorizado estimula as exportações também não se sustenta. 

E o motivo é simples: no mundo globalizado em que vivemos, vários exportadores são também grandes importadores. Para fabricar, com qualidade, seus bens exportáveis, eles têm de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo.  Qualquer indústria que se preze tem de utilizar maquinário de ponta para fazer seus serviços. Adicionalmente, elas também têm de comprar, continuamente, peças de reposição.

Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos de produção aumentem — e irão aumentar —, então o exportador não mais terá nenhuma vantagem competitiva no mercado internacional.

Adicionalmente, se os exportadores de um país têm de recorrer continuamente ao mercado internacional para comprar maquinários e peças de reposição, e se os maquinários e as peças de reposição são demandados globalmente pelos exportadores de todos os outros países, então aqueles que tiverem uma moeda forte estarão em grande vantagem, pois poderão comprar tudo mais barato. Seu custo de produção será menor. Isso ajuda a explicar por que os produtos suíços — cuja moeda se valoriza continuamente desde 1971 — são de alta qualidade.

Por isso, o arranjo a ser almejado é aquele em que a moeda é forte e estável, e os preços dos bens de consumo crescem o mínimo possível.  Vale ressaltar que uma moeda forte e estável não é o mesmo que 'preços estáveis'.  Preços nunca podem ser estáveis.  Uma moeda estável é simplesmente aquela que permite às pessoas tomarem decisões de investimento sabendo que todas as alterações observadas nos preços são alterações nos preços relativos (como no caso dos preços dos bens de consumo e nos preços dos atacados), e não um aumento generalizado em todos os preços da economia.

É possível alcançar esse arranjo sem nenhuma pirotecnia?

O exemplo do Peru

Uma moeda forte e estável é uma condição necessária para a prosperidade econômica.

E a lógica é direta: não há empresas e não há empregos sem que antes tenha havido investimentos.  Essa é uma tautologia da qual é impossível escapar.  Para haver empregos bem remunerados é necessário haver empresas bem capitalizadas.  E para haver empresas é necessário haver investimentos.

E para que haja um investimento, alguém (seja um brasileiro ou um estrangeiro) tem de adiar seu consumo e investir dinheiro em uma ideia, com a esperança de que esse investimento irá se transformar, no futuro, em um fluxo de renda.  Ou seja, quando investidores investem, eles estão, na prática, comprando um fluxo de renda monetária no futuro.

Quando um indivíduo, em vez de consumir, decide investir R$ 1.000.000 em um projeto, ele o faz porque espera, lá no futuro, conseguir um retorno de, digamos, R$ 10.000.000.

É exatamente por isso que uma moeda estável — ou seja, uma unidade monetária que mantenha, ao máximo possível, seu poder de compra ao longo do tempo — é tão importante. Quando a moeda é estável, investidores (nacionais e estrangeiros) sabem que o retorno de seus investimentos, se houver, virá em uma moeda cujo poder de compra se mantém.

Por outro lado, se um investidor (nacional ou estrangeiro) não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem menor), ele não irá investir em ideias ousadas, e se concentrará majoritariamente na especulação financeira, que permite ganhos expressivos em prazos ínfimos.

Lamentavelmente, no caso do Brasil, uma moeda forte e estável sempre foi exceção, e não a regra.  No entanto, é sim possível forçar o Banco Central a fornecer aos brasileiros uma moeda forte e estável.  E sem nenhuma grande pirotecnia: com efeito, é algo que pode ser feito da noite para o dia.  Basta legalizar a circulação de moeda estrangeira.

E há um exemplo prático — e bem-sucedido — a ser seguido na América Latina: o Peru.

Desde o ano 2000, todos os peruanos são livres para utilizar duas moedas que concorrem entre si: o nuevo sol peruano e o dólar americano.  Essas duas moedas são de livre circulação no país, o que significa que, na prática, o país está sob um sistema de moedas paralelas e concorrenciais. 

Os peruanos são livres para comprar e vender, depositar e emprestar, poupar e investir, no país e no exterior, em qualquer uma dessas duas moedas.  Ambas são livremente aceitas e todos os contratos feitos em qualquer uma dessas duas moedas são juridicamente válidos. 

A taxa de câmbio entre ambas as moedas é totalmente flexível.  Isso significa que, caso os cidadãos e as empresas do Peru percam a confiança no sol, a demanda pela moeda nacional cairá e todos correrão para o dólar, tornando o sol uma moeda totalmente sem valor.  Esse contínuo risco de abandono total da moeda nacional — o que geraria uma hiperinflação em termos de sois — impõe uma severa disciplina ao Banco Central do Peru, que é obrigado a manter uma política monetária decente.

E esse é o segredo do bom desempenho da economia peruana, principalmente na esfera monetária, na última década e meia.  Como o Banco Central peruano está sujeito à disciplina da concorrência monetária por meio de uma taxa de câmbio livre e flexível, ele não tem alternativa senão gerenciar o sol de maneira extremamente prudente.

Eis o histórico da taxa de câmbio do sol em relação ao dólar.  Observe como ela se estabiliza tão logo é introduzida a concorrência monetária, no ano 2000:

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Taxa de câmbio do novo sol peruano em relação ao dólar

O fato de que, no início de 2013, o sol valia mais — em relação ao dólar — do que valia em 1997 é um feito notável.

Não obstante a forte valorização mundial do dólar ocorrida a partir de 2014, vale notar que o sol peruano foi, em toda a América Latina, a moeda que menos se desvalorizou perante o dólar.

E os resultados para o Peru têm sido espetaculares: ao longo dos últimos 10 anos, a taxa média anual de inflação de preços, em termos de sois, foi de apenas 2,5%. (A do Brasil, neste mesmo período, foi de 6,5%.)

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Evolução da taxa de inflação de preços no Peru

A taxa média anual de crescimento real da economia, também nesse período, foi de aproximadamente 6,5%.  Apenas no período 2007-2013, a economia do Peru cresceu 46%.  A taxa de pobreza caiu de 60% para 25%.

Para evitar que as pessoas fujam da moeda nacional e passem a utilizar apenas o dólar — o que geraria uma hiperinflação em sois —, o governo peruano é obrigado a manter as finanças em ordem.  Pedaladas fiscais, como as que foram inventadas no Brasil, não teriam vez no Peru.  Não é de se estranhar, portanto, que a dívida pública do país esteja em contínua queda, e seja hoje de invejáveis 20,7% do PIB (era de 42,4% do PIB em 2000).  Adicionalmente, e também para evitar uma fuga para o dólar, preços e salários são reajustáveis para baixo nos (raros) períodos de estagnação econômica.

A boa gestão monetária, gerada pela concorrência do dólar, fez com que o Banco Central do Peru fosse bem sucedido em ancorar as expectativas inflacionárias da população.  A consequência é que a taxa básica de juros passou a se movimentar praticamente em consonância com a do Fed, e está hoje em 3,25%.

A prova derradeira de que os peruanos estão cada vez mais confiantes em sua moeda é o fato de que os empréstimos em dólar caíram 45% em 10 anos.  Em 2005, 70% dos empréstimos eram feitos em dólar; hoje, são apenas 38,5%.  Isso mostra que diminuiu sobremaneira o temor de que o sol será subitamente desvalorizado, temor esse que é a principal causa das altas taxas de juros nas economias latino-americanas.

Outra grande vantagem desse sistema de moedas paralelas é que os altos e baixos dos ciclos econômicos, ou mesmo um súbito revés nos termos de troca, podem ser temporariamente acomodados.

Por exemplo, o ano de 2014 foi relativamente difícil para o Peru, quase tão ruim quanto o ano de 2001, o último ano de recessão.  A queda nos preços do petróleo e do gás natural afetou as receitas de várias empresas.  Outros bens primários, como ouro, cobre e zinco, também sofreram.  O El Niño levou a uma suspensão das atividades de pesca.  Tudo isso repercutiu negativamente na atividade interna do país.  Por isso, o PIB cresceu "apenas" 2,35%.

Como a moeda peruana é bem mais estável que a brasileira, os ciclos econômicos por lá são bem mais esparsos.  Aquele problema — descrito no início desse artigo — enfrentado pelas indústrias brasileiras não acomete as peruanas com a mesmo intensidade, pois o poder de compra da população é mais estável. 

O gráfico a seguir mostra a evolução do sol peruano em relação ao real nos últimos 5 anos.

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No início de 2011, um sol peruano comprava aproximadamente R$ 0,60.  Atualmente, um sol peruano compra R$ 0,98.  O sol peruano, portanto, se valorizou 63% em relação ao real neste período.

Tudo isso não significa, obviamente, que a economia peruana seja uma maravilha.  Os direitos de propriedade, principalmente no meio rural, são mal definidos.  O sistema tributário é confuso e incoerente.  O mercado de trabalho é muito regulado, o que faz com que praticamente metade da força de trabalho esteja na economia informal.  Mas isso tudo é da alçada do governo.  A concorrência monetária, no entanto, contribuiu enormemente para o fabuloso progresso do país.

O que o Brasil pode fazer

O Brasil precisa desesperadamente de uma moeda forte e estável.  E precisa também de investimentos estrangeiros.  E investimentos estrangeiros só vão para economias de moeda estável. 

Se um país tem uma moeda instável, ele está mandando um sinal claro aos investidores estrangeiros: "mantenham sua riqueza financeira e intelectual longe daqui; caso contrário, você irá perdê-la sempre que for remeter seus lucros".

O máximo a que um país de moeda instável pode aspirar é utilizar para fins de curto prazo o capital puramente especulativo (o chamado "hot money") que entra no país à procura de ganhos rápidos com arbitragem.  Os melhores cérebros do país abandonarão as profissões voltadas para o setor tecnológico e irão se concentrar no mercado financeiro, especialmente no setor de hedge. 

Já um país de moeda forte e estável envia um sinal bem diferente ao mundo: "tragam seu dinheiro; mandem para cá seus especialistas; construam suas fábricas aqui; ensinem a nós tudo o que vocês sabem; e a riqueza que vocês criarem aqui voltará para vocês multiplicada e em uma moeda que mantém seu valor".

Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe.  O investimento em tecnologia é maior.  O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior.  O investimento em infraestrutura é maior.  O investimento em ideias para o bem-estar de todos é maior.

Acima de tudo, quando a moeda é forte e estável, notícias como essa (pessoas no Bolsa-Família voltam a passar fome em decorrência da destruição da moeda) não ocorrem.

Por isso, o Brasil deveria, sem nenhuma vergonha, imitar o Peru.  A circulação de dólares no Brasil deveria ser liberada pelo governo, e os bancos deveriam ser livres para aceitar dólares como depósitos de clientes.  O Banco Central continuaria emitindo reais, mas o público poderá escolher qual moeda irá utilizar.  Talvez isso impeça a derrocada do real.  Talvez isso obrigue o Banco Central a finalmente atentar para a sua única função, que é entregar uma moeda com poder de compra.

E o processo de transição seria simples.  Neste exato momento, os bancos brasileiros têm mais de US$ 90 bilhões em ativos estrangeiros (essa informação está no site do Banco Central, mas não há um link direto para ele; você terá de confiar em nós), na forma de depósitos e aplicações em títulos no exterior.  Basta o governo autorizar, e os correntistas brasileiros desses bancos passariam a poder trocar seus depósitos em reais por esses depósitos em dólar, e então internalizá-los.  Adicionalmente, o Banco Central tem mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais, as quais podem ser prontamente vendidas aos bancos em troca de reais.

E não há por que se limitar apenas ao dólar: todas as moedas estrangeiras deveriam ser liberadas, do euro à libra, do franco suíço ao iene, do dólar canadense ao dólar neozelandês.

Tanto a circulação de moedas estrangeiras quanto a circulação de moedas privadas — como ouro, prata, bitcoin — também deveriam ser liberadas.  Os brasileiros deveriam ser livres para transacionar na moeda que quiserem, fugindo daquelas que estejam se desvalorizando.

Adicionalmente, a plena conversibilidade do real deveria ser promulgada.  Isso significa que reais poderão ser trocados por moeda estrangeira sem qualquer restrição.  O brasileiro deve ser livre para trocar reais por francos suíços assim como troca uma cédula de R$10 por duas de R$5.  Uma moeda plenamente conversível é aquela que pode ser usada para adquirir quaisquer tipos de bens ou serviços estrangeiros, incluindo imóveis, títulos, ações e contas bancárias em outros países. 

A promulgação da conversibilidade seria o passo decisivo na conquista da confiança dos investidores estrangeiros.

Para que tudo isso ocorra, basta um projeto de lei que autorize a livre circulação de moedas estrangeiras, a plena conversibilidade do real, e que garanta que todos os contratos em moeda estrangeira terão validade jurídica. 

Há algum político com a testosterona necessária para criar esse projeto de lei?


Obs: as informações sobre o Peru foram obtidas na palestra que Pedro Schwartz conferiu no Fórum da Liberdade de 2015. De resto, todas as demais informações contidas nesse artigo são de responsabilidade de Leandro Roque.

______________________________________

Autores:

Pedro Schwartz, economista, cientista político, conferencista, professor da Universidad San Pablo CEU, em Madri, e presidente da Mont Pelerin Society.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.




138 comentários
138 comentários
José R.C.Monteiro 06/05/2015 10:18:40

Putz!
Arrebentaram , faltou desenhar, mais fácil que isso, só.......sei lá!
Muito bom, parabéns.

Responder
Yonatan Mozzini 06/05/2015 12:46:06

Leandro e Equipe IMB, parabéns pelo texto!

Conforme a recomendação do professor Steve Hanke em um artigo linkado por vocês em outro artigo aqui do IMB, e também a sugestão do Leandro em alguns comentários, seria muito interessante ancorar o real ao ouro e, ao mesmo tempo, liberar a circulação aqui no Brasil de todas as outras moedas. Aí sim haveria motivo para nossa moeda se chamar "Real", porque, de fato, nossa moeda seria um mero substituto do ativo mais real de todos os tempos. :)

Responder
Leandro 06/05/2015 13:19:37

Boa. Eu defendo a ancoragem ao ouro por meio de um Currency Board, mas isso exige várias alterações no estatuto do Banco Central (mesmo porque, na prática, ele estaria abolido).

Já a proposta do artigo é boa porque ela pode ser feita de imediato. Ela pode entrar em vigor daqui a 5 minutos, e já alteraria todas as expectativas econômicas -- para melhor.

Responder
Caio 06/05/2015 13:27:30

Leandro,

Primeiramente, gostaria de parabenizar o IMB! Se teve algo de bom nas eleições passadas for ter descoberto este site! Deste então leio quase diariamente e sou um grande!

Minha dúvida é em relação ao prejuízo recém publicado da Vale. Quando vi a reportagem, achei estranho, já que boa parte da produção dela é exportada para a China e teoricamente a alta do dólar favoreceria ela. Isto pode ter ocorrido em função de um possível aumento nos custos de produção em função da desvalorização cambial?

Segue a reportagem abaixo! Mais uma vez, parabéns pelos excelente artigos!
www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/04/1623036-vale-tem-prejuizo-de-r-9691-bilhoes-no-primeiro-trimestre-de-2015.shtml

Responder
Leandro 06/05/2015 13:54:49

A Vale é um excelente exemplo de ciclo econômico gerado por instabilidade da moeda.

Quando o dólar estava fraco e a China estava forte, o minério de ferro (que é cotado em dólar) encareceu acentuadamente, chegando a custar US$ 190 a tonelada.

Nesse cenário, a Vale compreensivelmente se entusiasmou e fez vários investimentos para se expandir -- afinal, a demanda por minério era forte e o preço estava nos píncaros.

Aí, o cenário se reverteu: o dólar se fortaleceu e a China desacelerou. Resultado: o preço da tonelada do minério de ferro desabou de US$ 190 para US$ 46.

E então a Vale percebeu que todos os investimentos que fez estavam sobredimensionados. E agora ela está tendo de cortar custos. E isso está acontecendo com todas as mineradoras do mundo.

Aliás, o mesmo fenômeno acometeu também várias pequenas petrolíferas na Dakota do Norte e em alguns outros estados americanos. Quando o petróleo custava acima de US$ 100, todas elas fizeram investimentos expansionistas. Aí veio a queda de 50% no preço do petróleo, e todas elas se descobriram insolventes.

Obrigado pelas palavras, e grande abraço!

Responder
Caio 06/05/2015 19:03:29

Muito obrigado pela explicação!

Grande abraço!

Responder
Pedro Ivo 07/05/2015 16:27:52

"E então a Vale percebeu que todos os investimentos que fez estavam sobredimensionados." - Isto que você afirma, Leandro, tem a ver com os temas destes 2 artigos?

-Como o Fed gera ciclos econômicos também nas economias emergentes

-Como a inflação cria miniciclos para as commodities

Responder
Leandro 07/05/2015 16:41:31

Exato. E obrigado por relembrar estes dois artigos.

Grande abraço!

Responder
Daniel 06/05/2015 14:18:09

Muito bom o texto.

Triste saber que temos paises próximos realizando políticas que tem dado certo como Chile(liberalismo), Guatemala(privatização da telefonia) e o Peru, mas nosso governo prefere inspirar-se nas que são fadadas ao fracasso.

Responder
anônimo 06/05/2015 14:21:25

"Os melhores cérebros do país abandonarão as profissões voltadas para o setor tecnológico e irão se concentrar no mercado financeiro, especialmente no setor de hedge. "

Perfeito. Sou graduado em engenharia num curso que ficou no top 50 do mundo (1º da América Latina) num ranking recente (QS World University Rankings) e os quatro melhores alunos estão no mercado financeiro. Os que estão no setor tecnológico reclamam constantemente do subaproveitamento de suas capacidades. Alguns apenas vão de cliente em cliente apresentar slides, rodam macros no Excel e etc. A situação de veteranos, portanto com mais experiência, não é muito diferente.

Sem contar os que foram para o setor público e que também não exercem a profissão em seu pleno potencial.

Apesar de termos salários bem acima da média nacional, é triste ver recursos intelectuais tão mal alocados.

Responder
Ochoa 06/05/2015 14:22:41

O Peru, que não é bobo nem nada, tem acordos de livre comércio com EUA e com todo o sudeste asiático. Suas exportações bombam. Já nós, além de não termos moeda, temos acordo com Argentina e Venezuela. Somos mais espertos.

Responder
Chaves 06/05/2015 14:27:32

Encaminho uma opinião contrária só para causar um pequeno debate, rs:

www.cartacapital.com.br/revista/848/a-china-o-brasil-e-a-industria-5537.html

Responder
Leandro 06/05/2015 14:49:36

Li. E não sei por que ainda cometo esses erros bobos...

Não há um só fato ou uma só teoria nesse artigo no Belluzzo. Há apenas achismos, bravatas, e bateção de bumbo.

Ele fala que a China cresceu porque tinha "câmbio competitivo". O interessante é que, desde 1994, a China só faz valorizar o câmbio. Aliás, em meados de 2014, foi a primeira vez que o câmbio chinês se desvalorizou desde 1994. E sabe o que aconteceu? A economia desacelerou.

Ou seja, tudo ocorreu exatamente ao contrário do que diz Belluzzo.

E aí ele manda bala: "Não há exemplo nos países periféricos, aí incluídos os "Tigres Asiáticos" e a China, de renúncia a políticas deliberadas de reestruturação produtiva ou de estímulo à modernização e à conquista de mercados. "

Não?

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1803

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1804

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2059


Para coroar, o cidadão fala em "valorização cambial" no Brasil, algo que não ocorre desde agosto de 2011.

Gostaria que ele respondesse ao fato empírico demonstrado nos gráficos deste artigo: valorização cambial fortaleceu a indústria e desvalorização cambial aniquilou a indústria.

Responder
Victor Pinheiro 06/05/2015 23:30:51

Roberto Campos já dizia: ou acabamos com os economistas da Unicamp, ou eles acabam com o Brasil.

Responder
Pedro Ivo 07/05/2015 16:31:16

Cometi o erro de ler logo após o almoço, e passei mal.

Responder
Antônio Costa 06/05/2015 14:33:57

Após mais essa constatação empírica sobre câmbio e indústrias, por que ainda existem pessoas trombeteando a mentira de que câmbio desvalorizado é bom para a indústria e câmbio valorizado é ruim? Nem os fatos sustentam essa tese.

Responder
Matheus 06/05/2015 14:49:00

A desindustrialização é considerado algo ruim em qualquer caso? Em Hong Kong e Cingapura praticamente não há indústrias, certo?

Responder
Leandro 06/05/2015 14:59:52

Alto lá! Há sim várias indústrias nesses dois países, e são indústrias de ponta. Por causa da vasta quantidade de investimentos estrangeiros, essas indústrias tecnológicas se tornaram referência mundial.

Sobre desindustrialização, você tem de considerar o seguinte aspecto: ela está ocorrendo porque surgiram novos concorrentes mais capazes ou porque o governo está destruindo a moeda, tributando, regulando e protegendo sindicatos até o ponto da asfixia?

Se for a primeira situação, então ótimo. A economia está bem. Se for a segunda situação, então essas distorções têm de ser imediatamente corrigidas.

Responder
Henrique 06/05/2015 14:54:25

Leandro, alguns analistas estão dizendo que o crescimento americano está muito fraco e que a economia deles pode voltar à recessão. Pode nos dar uma palhinha sobre o que acontece na economia americana no momento?

Abraços.

Responder
Leandro 06/05/2015 15:09:48

Ignore-os. Estão apenas olhando números de PIB trimestral sem saber o que estão lendo.

O PIB "cresceu menos do que o esperado" no primeiro trimestre por dois motivos: o governo cortou gastos (excelente) e vários investimentos feitos no setor petrolífero estão sendo desfeitos por causa da continuidade do baixo preço do petróleo.

Isso é excelente notícia para o mundo. Quando um país como os EUA, com uma população extremamente capaz e empreendedora, passou a concentrar recursos escassos em uma coisa tão primitiva quanto extração de petróleo (algo que até mesmo Nigéria, Venezuela e Cazaquistão já fazem), o mundo ficou mais pobre.

Agora, com o desinvestimento nesse setor, mais recursos escassos serão liberados para ser investidos em outras áreas, como a de tecnologia de ponta. Os EUA, felizmente, voltarão a se concentrar naquilo que eles fazem tão bem, que é ofertar ao mundo tecnologia e novas invenções.

Responder
Roberto 11/05/2015 16:56:38

Leandro,
primeiramente parabéns por mais um excelente artigo.
Minha pergunta é mais sobre sua resposta sobre a economia americana e europeia. Você disse acreditar que ambas economias estão bem. Você discorda neste ponto com o Peter Schiff, que acredita que os eua vão mal e que o dólar está a beira do precipício? Fernando Ulrich também acredita que estamos presenciando a maior bolha de todos os tempos. Você discorda deles? Ou acredita que esse estouro da bolha dos títulos públicos não vai ter um impacto muito grande na economia?

Responder
Leandro 11/05/2015 18:04:11

Discordo do primeiro ponto e sou agnóstico quanto ao segundo ponto. Ainda não tenho uma opinião formada sobre essa bolha de títulos públicos.

Afinal, o que é a Europa? Qual é a Europa que está bem e qual é a Europa que está mal?

Na pior das hipóteses, caso haja uma dissolução do euro (não acredito nisso, e nem o mercado), a Europa que está bem é perfeitamente socorrível: a Alemanha volta para o marco alemão e os demais países adotam Currecy Boards ancorados ao marco alemão. Tal arranjo seria extremamente superior ao atual, pois, ao contrário do atual, não geraria nenhum risco moral.

Atualmente, por causa da União Europeia e da Comissão Europeia, os governos irresponsáveis sabem que serão socorridos caso façam lambança; o objetivo supremo é preservar o euro. Já com um Currency Board, cada país sabe que está por conta própria, e que se fizer lambança, pagará sozinho preço por isso.

É por isso que Grécia, Espanha, Portugal e Itália foram irresponsáveis, ao passo que Estônia, Lituânia, Letônia e Bulgária, que não estão na zona do euro, mas cujas moedas têm taxas de câmbio fixas em relação ao euro (seus respectivos bancos centrais funcionam com características de Currency Board), foram bem mais responsáveis, e não enfrentam nenhuma crise da dívida soberana.

Responder
Sergio 25/05/2015 18:18:55

Apenas para minha compreensão: se os EUA estão bem, por que o juro zero?

Responder
Leandro 25/05/2015 18:41:52

O juro zero é justamente o que está impedindo a plena recuperação da economia americana. O juro zero foi exatamente o que fez com que a economia americana vivenciasse sua mais lenta recuperação pós-recessão da história.

A economia se recupera apesar do juro zero, e não por causa dele.

Para entender por quê, leia esse comentário sobre os efeitos não-premeditados de juros baixos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2010&comments=true#ac135682

Recomendo também este artigo, sobre a importância de falências:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1333

Responder
Marcelo 25/05/2015 21:14:17

Mas, Leandro, com o aumento dos juros, não haverá o risco das bolhas infladas durante a bonança de crédito estourarem e a economia voltar à recessão? Podendo-se citar a bolha dos títulos soberanos.

Eu compreendo que as falências são necessárias para que os recursos desperdiçados nos investimentos errôneos sejam utilizados em investimentos produtivos. Só estou dizendo que, no curto prazo, sair do status quo pode ser doloroso. Nenhum político e nenhuma outra escola econômica senão a Austríaca, enxerga a recessão com bons olhos.

Ademais, uma indagação: seguindo esta lógica, para fazer uma recessão se findar rapidamente, deve-se elevar os juros para valores acima dos de mercado, e, após, permitir que desçam naturalmente para os níveis de mercado? Aliás, quais seriam os efeitos na economia, de uma subida abrupta dos juros para um valor acima do que teriam naturalmente no livre mercado?

Responder
Leandro 26/05/2015 01:14:34

"com o aumento dos juros, não haverá o risco das bolhas infladas durante a bonança de crédito estourarem e a economia voltar à recessão? Podendo-se citar a bolha dos títulos soberanos."

Como explicado no primeiro link acima, apenas se o aumento for grande ao ponto de desestimular a demanda por novos empréstimos.

"Eu compreendo que as falências são necessárias para que os recursos desperdiçados nos investimentos errôneos sejam utilizados em investimentos produtivos. Só estou dizendo que,no curto prazo, sair do status quo pode ser doloroso. Nenhum político e nenhuma outra escola econômica senão a Austríaca, enxerga a recessão com bons olhos."

Corretíssimo.

"Ademais, uma indagação: seguindo esta lógica, para fazer uma recessão se findar rapidamente, deve-se elevar os juros para valores acima dos de mercado, e, após, permitir que desçam naturalmente para os níveis de mercado?"

Não. E essa é justamente a encrenca. Juros nada mais são do que um preço, e, como tal, devem ser deixados livres. Colocar uma agência governamental para estipular juros é o mesmo que colocar uma agência para congelar preços. Não tem como dar certo.

Por isso o correto é ter uma moeda estável -- ou ancorada ao ouro ou, ao menos, ancorada em outra mais forte --, e deixar que os juros sejam estipulados automaticamente pelas forças de mercado. Essa é a maneira mais rápida e completa de se curar recessões.

"Aliás, quais seriam os efeitos na economia, de uma subida abrupta dos juros para um valor acima do que teriam naturalmente no livre mercado?"

Queda na demanda por empréstimos e nos investimentos. Redução na produção. Efeito quase nulo nos preços, pois a oferta foi contraída. Os preços só irão parar de subir se o câmbio se apreciar ou se a recessão for forte o bastante a ponto de afetar o nível de emprego e, consequentemente, a renda de uma grande fatia da população.

Responder
Henrique 12/06/2015 19:07:00

Leandro, nesse contexto, porque é dito que a marretada na SELIC a surreais 26,5% em 2003 foi o que controlou a inflação galopante de 12% no ano anterior?

Responder
Leandro 12/06/2015 20:00:04

A marretada na SELIC ajudou a frear a expansão do crédito dos bancos privados, que chegou a registrar contração no acumulado de 12 meses, algo até então inédito (e que não se repetiu até hoje). Os bancos estatais, no entanto, continuaram impávidos.

Mas o principal efeito foi valorizar o real perante o dólar: o dólar caiu de R$ 3,60 para R$ 2,85.

Não fosse esse movimento do câmbio, não haveria como conter a carestia.

Responder
Henrique 15/06/2015 16:50:54

Certo, mas essa alternativa não existe hoje, correto?

Os bancos privados já frearam o ritmo da expansão do crédito, restando apenas os bancos públicos, que, como você bem apontou em outros artigos, são imunes a variações na SELIC.

Hoje, diferentemente do que havia em 2002/03, não existe um "excesso de demanda", mas sim uma "inflação de custos" no jargão do mainstream.

Responder
Galileu 06/05/2015 15:09:33

Mais um ótimo texto do IMB, que pra mim, leigo, ajuda no entendimento de como funciona e como poderia funcionar nossa economia.
Certa vez vi um comentário de que FHC em seu governo deveria ter dolarizado a economia. Em linhas gerais quais seriam as vantagens e desvantagens desse arranjo?

Responder
Leandro 06/05/2015 15:45:01

Não vejo desvantagens. Só vantagens. Não haveria a crise cambial de 1999, não haveria a outra crise cambial em 2002, não haveria a alta inflação do período 1999-2004, e não haveria os desarranjos de agora.

Aliás, o cenário político hoje poderia ser totalmente diferente. Não haveria muito espaço para populistas.

De resto, só não sei se haveria cédulas o suficiente para uma economia tão grande quanto a do Brasil. Por isso, o melhor arranjo seria um Currency Board, no qual não há esse problema.

Responder
Critico 06/05/2015 17:41:07

Leandro, o Currency Board precisa ter uma quantidade de dólares exatamente igual a quantidade de Reais na economia para funcionar correto? Estes dólares estariam depositados em forma de títulos americanos? Por isso acabaria o problema de cédulas?

Não entendi muito bem o problema das cédulas na dolarização da economia. Se puder me explicar com mais detalhes (e me permitir ceder a um impulso preguiçoso de não procurar a resposta em outros posts/comentários do site) eu agradeço.

Grande abraço e meus parabéns pelo teu excelente trabalho e seus textos esclarecedores.

Responder
Leandro 06/05/2015 18:12:56

Os ativos do CB têm de ser iguais ou maiores do que a base monetária do país. Essa é a exigência.

Agora, se esses ativos estarão 100% aplicados em títulos estrangeiros, ou se estarão 50% em títulos e 50% em espécie, trancada no cofre, isso é decisão voluntária de cada CB.

Quanto às cédulas de dólar, é só especulação minha, mas, dado que a vida útil de uma cédula é de uns 10 meses, teria de haver uma contínua reposição das cédulas no Brasil, o que exigiria uma estratégia junto ao Fed e ao Tesouro americano. Seriam mais de 200 milhões de brasileiros utilizando cédulas de dólar, e isso exigiria alguma logística do Fed.

Já com um CB, não há esse problema. A emissão de cédulas é responsabilidade do CB, e estas ocorrem de acordo com os dígitos eletrônicos em seus computadores. Não é necessário se preocupar com uma remessa contínua de estoques de dólares.

Obrigado pelas palavras, e forte abraço!

Responder
Trader Carioca 06/05/2015 17:49:25

Leandro,

Sobre sua resposta ao comentário do "Galileu", sobre FHc mencionar que deveria ter dolarizado a economia brasileira, a dolarização não poderia nos colocar em uma situação arriscada de importar a (possível) inflação americana decorrente dos QE's?

Nesse caso, um Currency Board (CB) não seria um arranjo melhor, se operado usando uma cesta de moedas ao invés de apenas o USD? Ou então a indexação direta ao ouro, não seriam arranjos melhores?

claro que a dolarização seria melhor do que o Real como está hoje. Mas precisamos nos lembrar que há um enorme estoque de USD represado nos bancos na forma de depósitos voluntários e uma fatura gigantesca a ser paga.

Responder
Leandro 06/05/2015 18:16:13

Confesso que nunca vi FHC defendendo dolarização. Acho que isso nunca ocorreu.

Sobre importar a inflação americana, duvido muito que tal inflação seria maior do que a atual que nos fustiga desde 2011. E isso é muito sério. De janeiro de 2011 até março de 2015, pelo IPCA, a inflação de preços já acumula 32% (e olha que tal metodologia é bem branda). O que a Suíça demora 20 anos para acumular, nós fazemos em 4.

Sobre um Currency Board ancorado ao ouro, concordo plenamente. E sempre o defendi aqui nesta seção de comentários (ao ponto até de ganhar apelidos depreciativos, devido à minha repetitividade).

Só que também sou realista, e sei que tal arranjo (ainda) não teria apelo nenhum. Já essa proposta da simples concorrência de moedas não só teria mais apelo, como também seria de implantação mais rápida e fácil. E já há um exemplo prático a ser seguido.

Responder
Marconi 07/05/2015 17:52:12

Leandro Currency Board é elogio. Não sei se tá falando de mim, mas fica a explicação. rsrs


Responder
Giovani 06/05/2015 16:01:04

Pergunta de leigo (peço desculpas de antemão):

Gostaria de saber se os financiamentos de imóveis pela CEF ou BB tem alguma correção de valores pela inflação?

Pergunto, pois, se pago hoje um financiamento de 3 mil reais/mês, e daqui a 10 anos pagarei 2.500 reais/mês (devido as amortizações), vale mais a pena pagar o financiamento parcelado do que tentar quitar antecipadamente, pois esses 2.500 reais/mês, pelo andar da carruagem da inflação, não valerá mais nada daqui a 10 anos.

Portanto, concluo que se consigo manter meus rendimentos acima da inflação, e se a parcela do financiamento não tem correção pela inflação, então é mais vantajoso pagar a parcela do financiamento do que antecipar o pagamento, correto?

Responder
Maurício 06/05/2015 16:20:27

Eu sinceramente duvido que essas taxas decrescentes irão se manter. A Caixa não está acostumada a fazer financiamentos de longuíssimo prazo, e quando ela inventou esse programa, era uma época de total euforia, e com inflação sob controle.

Se ela mantiver esse programa, os juros incidentes sobre os novos programas terão de ser muito maiores, apenas para compensar as perdas com esse programa.

Em todo caso, se você está nessa, aproveite.

Responder
Trader Carioca 06/05/2015 17:53:31

Giovani.

Não tem milagre na conta da CEF. As parcelas decrescem pois estão calculadas em método SAC (sistema de amortização constante). Dê uma procurara em qualquer material básico de matemática financeira que encontrará mais informações sobre esse método.

E financiamentos imobiliários, para imóveis na planta, são em geral corrigidos pelo IPCA até a entrega das chaves, e pelo IGP-M após entrega das chaves. Ou então diretamente pelo IGP-M se o imóvel já estiver concluído ou for usado.

Responder
Giovani 06/05/2015 16:37:31

Pois é, Maurício, concordo.

Como um banco pode financiar milhares de imóveis a perder de vista (30-35 anos), sem corrigir os valores pela inflação?

Se a inflação aumentar mais e se mantiver alta, daqui a 10-15 anos o valor que o banco tem a receber não vai valer mais nada! Bom para quem conseguiu o financiamento.

Ou meu raciocínio está equivocado?

Responder
Leandro 06/05/2015 17:07:30

Está correto. Quando um banco faz um empréstimo, aquele empréstimo é um ativo em sua carteira. No entanto, se esse empréstimo for quitado com um dinheiro que não vale mais nada, o valor real desse ativo desabou. No extremo, se isso estiver acontecendo em grande escala, o banco pode ficar totalmente descapitalizado.

Responder
Daniel Pacheco 06/05/2015 16:57:01

Olá Leandro

Ontem li no Exame que um economista do goldman sachs opinava que o governo deveria desvalorizar mais o real e aumentar o juros.

""O BC tem de deixar o dólar andar", diz Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs em Nova York.

Para Ramos, o dólar deveria subir ainda mais, para entre R$ 3,40 e R$ 3,60, para ajudar a ajustar a economia, mesmo que para isso o BC tenha de elevar mais os juros para segurar o repasse do dólar para a inflação."

exame.abril.com.br/economia/noticias/bc-solta-o-cambio-prepare-se-para-dolar-e-juro-mais-altos

Quais seriam as consequências desse ato caso o BC colocasse em prática?

Grato desde Já
att

Responder
Leandro 06/05/2015 17:09:48

Quais seriam as consequências de se destruir ainda mais a moeda? Bom, se derem ouvidos ao cidadão, isso será péssimo para Dilma e ótimo para a oposição (se é que ela existe) e para especuladores.

Além de a moeda ficar sem nenhum poder de compra, os pobres não mais conseguirão empréstimos acessíveis. Sofrerão um golpe duplo: não terão poder de compra, não terão acesso a financiamento para comprar. O padrão de vida deles vai desabar.

Aliás, como mostrado no artigo, isso já está acontecendo: pessoas no Bolsa-Família voltam a passar fome em decorrência da destruição da moeda.

E a indústria, obviamente, continuará definhando.

Só isso.

Responder
Douglas 07/05/2015 12:08:20

A total falta de conhecimento e tamanha que vi em um comentario na minha timeline um amigo dizer que quem paga primeiro pela inflação e a classe media pois consomem mais...

Engraçado que eles não pensam que o pobre que consome menos, ira consumir menos ainda.

Responder
Chaves 06/05/2015 17:05:03

Olá! Sou eu de novo.

Concordo que a desvalorização do câmbio irá gerar muitos problemas para diversos setores da economia, mas o que o governo pode fazer para impedir isso?

Vender suas reservas em dólar? Como a economia americana está se recuperando, como o próprio Leandro concordou, como se pode evitar a saída de remessas de dinheiro e de até dos investimentos para este país?
Corrija-me se eu estiver errado, por favor, mas se o governo não procurar incentivar as exportações o estado não pode entrar em colapso por falta de recursos por causa disso?

Outra dúvida minha, desvalorizar o câmbio é melhor forma de reduzir o custo Brasil para que possamos competir com China? Qual seria a melhor opção?
A economia do Brasil tem condições de manter o câmbio valorizado para atrair empresas de ponta, manter o consumo interno e os investimentos e com isso crescer?
Sem dúvida que aumentar a taxa de juros me parece que foi a pior escolha.

Obrigado e excelente texto, eu gosto dos textos do MISES por sempre terem um posicionamento claro, direto e muitas vezes diferente do que se vê na grande mídia.

Responder
Leandro 06/05/2015 17:27:56

"Vender suas reservas em dólar? Como a economia americana está se recuperando, como o próprio Leandro concordou, como se pode evitar a saída de remessas de dinheiro e de até dos investimentos para este país?"

Você não pode evitar, mas você pode criar um ambiente que torne o país totalmente receptivo ao investimento estrangeiro. Se você estender um tapete vermelho para investidores estrangeiros, eles virão. O atual governo está fazendo exatamente o oposto.

Falei exatamente sobre isso neste podcast.

"Corrija-me se eu estiver errado, por favor, mas se o governo não procurar incentivar as exportações o estado não pode entrar em colapso por falta de recursos por causa disso?"

O governo está "procurando incentivar as exportações" por meio da desvalorização do câmbio. E sabe o que aconteceu? As exportações desabaram. Segundo a teoria desenvolvimentista, era para ter ocorrido justamente o contrário.

As exportações caem há 3 anos seguidos. Exatamente como previsto pela teoria. Estamos sendo governados por uma gente que não domina nem sequer o básico sobre teoria econômica.

"Outra dúvida minha, desvalorizar o câmbio é melhor forma de reduzir o custo Brasil para que possamos competir com China? Qual seria a melhor opção?"

O dólar foi de R$1,54 para R$3,10, e o custo Brasil só piorou. Sigo no aguardo de uma argumentação minimamente lógica que explique por que destruir a moeda "reduz o custo Brasil". Por essa lógica, investir na Venezuela e na Argentina deve ser um piquenique.

Qual a melhor opção? Reformas e abrir o país aos investimentos estrangeiros. Só eles podem nos salvar.

"A economia do Brasil tem condições de manter o câmbio valorizado para atrair empresas de ponta, manter o consumo interno e os investimentos e com isso crescer?
Sem dúvida que aumentar a taxa de juros me parece que foi a pior escolha."


Também este assunto é abordado em detalhes neste podcast.

Obrigado pelos elogios, e grande abraço!

Responder
Leon Palma 06/05/2015 17:07:29

Quem é o gordo na foto?

Responder
Lopes 06/05/2015 17:14:08

Aí já é Ab Dominem, Leon Palma. Mas é o Tombini, o presidente do BACEN.

Responder
Felipe 06/05/2015 19:26:37

"Aí já é Ab Dominem"

Humor filosófico :)

Responder
Guilherme 06/05/2015 17:27:16

O homem que destruiu a moeda.

Responder
Pedro Ivo 07/05/2015 17:24:29

O "homem" (entre muitas aspas) que deixou uma "mulher" (e dá-lhe aspas!) destruir a moeda.

Responder
Pobre Paulista 06/05/2015 17:12:34

Como o governo do peru cobra os impostos dos contratos firmados em dólar? Cobra em dólar mesmo ou existe algum "câmbio de referência" ou coisa parecida?

Responder
Pedro 06/05/2015 17:39:14

A taxa de câmbio vigente no dia.

Responder
Tiago RC 06/05/2015 17:24:02

Gostei bastante do texto. Não sabia desse arranjo peruano.

A parte da conversibilidade no final ficou um pouco confusa. Dá a impressão que vocês estão defendendo que o real seja como que lastreado em alguma moeda estrangeira, e sempre possa ser convertido pelo exato montante ao qual é lastreado. Mas isso seria transformar o real num simples substituto à moeda estrangeira, ele não mais seria uma moeda independente, o que é meio contraditório à idéia de competição defendida pelo texto. O BC não seria mais um BC, e sim um currency board.
Ou por conversibilidade vocês querem apenas dizer poder comprar e vender livremente moeda estrangeira? Eu sempre pensei que esse já fosse o caso...

Responder
Leandro 06/05/2015 17:40:07

A segunda alternativa. E não, infelizmente esse não é o caso.

Aqui no Brasil, você não pode chegar a um banco ou a uma casa de câmbio e trocar reais por moeda estrangeira na quantia que quiser. No máximo, você consegue trocar uns R$ 3.000 por alguns dólares em uma casa de câmbio, mas pagando o valor do dólar turismo, IOF e outras taxas. Acima de determinado valor, o governo exige que você se justifique, mostrando uma passagem aérea. Isso não é conversibilidade.

Comprar libra esterlina ou franco suíço em um banco pelo câmbio comercial e sair andando com ela? Nem pensar. (A menos, é claro, que você seja alguém poderosa e tenha amigos no alto escalão).

Conversibilidade é quando um pipoqueiro tem liberdade para trocar reais por dólares (ou outra moeda estrangeira) em qualquer banco. Conversibilidade é quando você tem liberdade para converter reais em libras e aplicar no mercado interbancário de Londres. Atualmente, apenas fundos de investimento que operam volumosas quantias têm essa autorização.

Quando você tiver liberdade para trocar uma moeda por outra, sem taxas ou outras imposições governamentais, ou até mesmo sacar moeda estrangeira em uma ATM, aí sim haverá conversibilidade.

Responder
Corsário 90 06/05/2015 22:20:41

excelente texto! Para um CB teríamos que fixar uma relação de taxa fixa de câmbio ? Teria uma ideal ? Ou uma cesta de moeda tipo Singapura?
Indicaria literatura sobre CB?
Realmente do mostra seus gráficos os desenvolvimentistas piram rsrs

Responder
jorge 06/05/2015 18:05:54

Fiquei curioso com o assunto Peru e fui ver a evolução do pib, pib per capita, e pib per capita ppp.
Este gráfico é verdadeiramente impressionante :www.tradingeconomics.com/peru/gdp-per-capita

Leandro a taxa de juro nos países periféricos Europeus parece começar a subir de forma constante. Tendo em conta a situação da Grécia, mas também as políticas laborais e fiscais e o excesso de regulamentações em Portugal, Itália, Espanha e França, achas que é possível a Europa encaminhar-se para uma situação identica á que se passou em 2011?

Já agora, quero aproveitar para referir que em Portugal, a taxa de desemprego vinha a recuar de forma constante desde 2013 de um máximo de 17% para cerca de 13% até ao final de 2014, altura em que começou a subir novamente. O que é que aconteceu no fim de 2014?
Aumento do salário minimo.

Responder
Leandro 06/05/2015 19:10:02

Tudo vai depender do que a Espanha irá aprontar. Se elegerem o Podemos, a coisa se complica.

Fora isso, os mercados não estão prevendo tempos ruins para a Europa, não. Além de o euro ter se fortalecido perante o dólar (muito já falavam em paridade, e agora está o euro está acima de 1,14 dólar), o fato de os juros de 10 anos terem começado a subir indica um maior entusiasmo com a atividade econômica futura.

Responder
???? 06/05/2015 18:27:43

Nesse artigo ( www.mises.org.br/Article.aspx?id=946 ) tem um comentário que você diz que moedas concorrenciais são ruins:

"Quanto às moedas concorrenciais, existem argumentos convincentes contra esse sistema de várias moedas concorrendo entre si. Vários economistas consideram que esse sistema seria equivalente a um retorno a uma economia de quase-escambo. Afinal, a função da moeda é exatamente a de facilitar as trocas. A partir do momento em que há várias moedas concorrendo entre si, com várias taxas de câmbio vigentes no mercado, você volta a um estado de escambo parcial; você nunca saberá se a moeda que você está portando será aceita por um determinado estabelecimento, por exemplo.

Ou seja, para um simples ato de compra, você passará a depender da existência de uma "dupla coincidência de desejos" entre você e o vendedor: você terá de torcer para que o vendedor aceite a moeda que você tem.

E depois ainda tem o problema do troco: suponha que você pague em uma moeda, receba o troco em outra e imediatamente depois essa se desvalorize. E aí? É por isso que tais economistas dizem que esse arranjo não duraria muito tempo. O mercado sempre tende a harmonizar e facilitar as coisas. Com a moeda não seria diferente.

Essa situação de moedas paralelas é a exata negação da mais precípua função do dinheiro, que é exatamente o de facilitar as trocas. A tendência é que tal sistema não dure muito. Inevitavelmente uma moeda universalmente aceita acabará surgindo e dominando o mercado (o que nos remete de volta à discussão sobre o ouro).

Grande abraço!"

Engraçado isso...

Responder
Leandro 06/05/2015 19:03:07

Esse meu comentário se referia exclusivamente a uma situação de moedas privadas recém-criadas e sem nenhum lastro, e não a moedas já consagradas.

Uma coisa várias pessoas criarem moedas, todas elas ganharem aceitação, e, num belo dia, metade delas perder toda a sua demanda e ninguém mais querê-las. (Algo análogo ocorre com o Bitcoin, não em termos de aceitação, mas sim de volatilidade, o que o torna, pelo menos por ora, pouco propício para ser usado como dinheiro).

Outra coisa, completamente distinta, é considerarmos franco suíço, libra esterlina e dólar, moedas já consagradas. Essas moedas perderão aceitação rapidamente? Haverá estabelecimentos que não irão aceitá-las? Se você for a uma churrascaria rodízio e se oferecer para pagar em libras, o estabelecimento vai recusar e dizer "só aceito reais"?

O risco, aliás, é que quem perca aceitação seja o real, e que este passe a ser usado apenas para como troco.

No que mais, com moedas plenamente conversíveis (o que não é o caso das moedas privadas citadas no exemplo), não haveria motivos para nenhum estabelecimento recusar nenhuma moeda, pois trocá-las seria fácil e imediato. Um comerciante que hoje tem de pagar uma taxa de 6% sobre um valor pago em cartão de crédito perde muito mais.

Viu só, não há nada de muito engraçado, desde que a situação seja devidamente contextualizada.

P.S.: caso eu realmente estivesse criticando esse arranjo defendido no presente artigo (o que não é o caso), e tivesse mudado de ideia, não teria problema nenhum em admitir isso. Em um espaço de 4 anos, não vejo problema nenhum em mudar de ideia em alguns quesitos pontuais. Desde que a mudança seja para melhor, é caro.

Responder
tOBIAS 06/05/2015 19:04:21

Acho que no Brasil ainda não temos algum politico com bolas ou cerebro suficientes para apoiar essa ideia. Com certeza seria um passo no rumo certo e uma medida simples de ser aplicada e que facilmente seria aceita pela população.

Responder
Felipe 06/05/2015 19:39:27

Sei...já tem mó choradeira para legalizar a terceirização e a redução da maioridade, imagina só permitir contratos e depósitos em dólar.

Já até escuto vozes;
"entreguista!"
"Um plano para dolarizar o país"
"E a nossa soberania?"
"Querem vender o país"
"É coisa da CIA"
"E como fica os pobres?"

Responder
Curioso 06/05/2015 19:17:16

Enquanto isso, justamente no trimestre da maior desvalorização cambial recente:

Produção industrial cai 5,9% no primeiro trimestre -- produção industrial tem a maior queda para março em 9 anos

Ué, mas logo em março, quando o dólar foi a R$ 3,30? Não era para ter bombado, segundo os economistas desenvolvimentistas?

Responder
Leandro 06/05/2015 19:22:48

"É porque não desvalorizou o suficiente. Se o dólar tivesse ido a R$ 10, aí sim estaríamos falando mais grosso. Teríamos virado uma Suíça."

Essa é a lógica. Destrua a moeda, e surgirão uma Apple, uma Microsoft e uma Google. Destrua a moeda, e amanhã nos tornamos Cingapura.

Responder
Diego M 06/05/2015 19:47:22

Kkkkkkkkkkk

Boa Leandro !!!!

Responder
Emerson Luis 06/05/2015 19:47:18


Evite a ressaca: mantenha-se bêbado.

* * *

Responder
Pedro Ivo 07/05/2015 17:43:36

Faltou citar a fonte. J. M. Keynes

Responder
IRCR 06/05/2015 20:07:57

Leandro,

No Uruguai circula livremente pesos uruguaios, argentinos (não sei agora), dólares, euros e até reais. Logico que de todas essas estrangeiras o dólar é o que tem mais liquidez pq TODOS aceitam, já o real depende do lugar.

No entanto, o peso uruguaio nem é uma moeda muito lá essas coisas. Até consideraria bem fraca, para ser franco.

Como que fica no caso uruguaio ? tem algum conhecimento das politicas monetárias/fiscais/cambias de lá ?

Responder
Leandro 06/05/2015 20:49:05

Posso estar enganado, mas, no Uruguai, não há essa liberdade como há no Peru. Lá, os dólares são aceitos na informalidade. Taxistas, por exemplo, alegremente receberão dólares de turistas. Alguns estabelecimentos voltados para turistas também irão alegremente receber dólares. Li também que grandes transações imobiliárias são cotadas em dólar (certamente para agradar aos estrangeiros que vivem em Punta del Este). Mas desconheço que o cidadão comum usufrua esse sistema de moedas paralelas.

Em todo caso, conferi a evolução da taxa de câmbio do peso uruguaio. Apreciou-se de 2004 a 2013. O histórico não é nada mau.

https://www.google.com/finance?q=usduyu&ei=jXtKVdqYCuuJsgfoi4Bg

Responder
Matias 07/05/2015 11:37:07

Vou praticamente todos os anos para lá e nossa moeda vale menos a cada ano. O litro da gasolina já deve estar perto dos R$ 5, se não passou. Nas fronteiras e cidades turisticas (Punta, Colonia e Montevideu) o real e o dólar são bem aceitos. A conta do restaurante inclusive, costuma vir com o preço em dólar também. Já no interior não é assim, o pessoal parece que acha errado e só aceita pesos. O peso argentino só serve pra limpar a b*** heheheh.

Responder
Mr Citan 06/05/2015 20:26:03

"Lamentavelmente, no caso do Brasil, uma moeda forte e estável sempre foi exceção, e não a regra."

Mas a moeda no Império (Réis) não era atrelada ao padrão-ouro, dando estabilidade?

"Tudo isso não significa, obviamente, que a economia peruana seja uma maravilha. Os direitos de propriedade, principalmente no meio rural, são mal definidos. O sistema tributário é confuso e incoerente. O mercado de trabalho é muito regulado..."

É verdade. Tenho casos de conhecidos peruanos, que vieram ao Brasil recentemente para ganhar uns trocos no litoral paulista, aproveitando a (ainda) alta temporada do verão.

Os peruanos que conheci são oriundos da província de Piura, e lá a maioria dos empregos é pela informalidade, aproveitando a veia turística da cidade.
Um deles queria trabalhar como Assistente Contábil no seu próprio país, mas para isto precisava do diploma do curso técnico, que é confeccionado pelo preço de quase 2.000 soles novos.
O certificado de conclusão do curso não valia como prova para o empregador, segundo este peruano, que veio ao Brasil.

Uma das queixas deles com o Brasil, é a depreciação do real, para enviar dólares ao país de origem.

Responder
Leandro 06/05/2015 20:51:27

"Mas a moeda no Império (Réis) não era atrelada ao padrão-ouro, dando estabilidade?"

Ok, ok. Ignore a época pré-1914, que foi quando realmente tivemos, por algum tempo, uma moeda sólida. Quando disse que moeda forte e estável era exceção e não regra, referia-me ao período de tempo que vai do século XX em diante.

Responder
Vinicius 06/05/2015 22:39:46

Nem este período serve, tivemos o encilhamento nesta mesma época, nossa primeira crise financeira estatizada.

Responder
Leandro 06/05/2015 22:57:52

Domado o encilhamento, o período 1902 a 1915 foi de grande estabilidade monetária. Foi justamente durante esse período que o país vivenciou um [link = pt.scribd.com/doc/123155553/nocoes-de-economia-ii-pdf#scribd]grande período de prosperidade[/link], e isso segundo fontes de esquerda (as únicas existentes no Brasil):

"No terreno econômico pode-se observar a eclosão de um espírito que se não era novo, se mantivera na sombra ou em plano secundário no Império: a ânsia de enriquecimento, de prosperidade material que na Monarquia não era tido como um ideal legítimo e plenamente reconhecido.

O novo regime fez despontar o homem de negócios, isto é, o indivíduo inteiramente voltado para o objetivo de enriquecer. A transformação foi tão brusca que classes e indivíduos dos mais representativos da Monarquia, antes ocupados unicamente com política e funções similares, que no máximo se preocupavam com suas propriedades rurais, se tornaram ativos especuladores e negocistas, com o total consentimento de todos.

As atividades brasileiras foram estimuladas por finanças internacionais mais multiformes e ativas que as inversões esporádicas de capital que antes se fazia, mas que passaram a ter participação efetiva, constante e crescente em diversos setores que ofereciam oportunidades de bons negócios. A produção cafeeira, a grande atividade econômica do país, foi naturalmente atingida e em torno dela se travou uma luta internacional, boa parte dos fundos necessários ao estabelecimento das plantações e custeio da produção foi proveniente dos bancos ingleses e franceses, ou então de casas exportadoras estrangeiras ou financiadas com capitais estrangeiros.

O Brasil tornou-se neste momento um dos grandes produtores mundiais de matérias-primas e gêneros tropicais e ao café foi acrescentada na lista dos grandes produtos exportáveis, a borracha, que chegou quase a emparelhar-se a ele, o cacau, o mate, o fumo. A produção de gêneros de consumo interno, no entanto, diminuiu e se tornou cada vez mais insuficiente para as necessidades do país obrigando a importar do estrangeiro a maior parte até dos mais vulgares artigos de alimentação. As exportações maciças compensavam estas grandes e indispensáveis importações levando os saldos comerciais a patamares apreciáveis."

Aí, a partir de 1915, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, houve vários desarranjos, e a inflação de preços, até então imperceptível, passou a crescer 8% ao ano. Aí a coisa degringolou.

Responder
Mr Citan 07/05/2015 13:36:11

"Nem este período serve, tivemos o encilhamento nesta mesma época, nossa primeira crise financeira estatizada."

Vinícius,
Você não deve saber, mas o "encilhamento" que foi criado na Monarquia, eram bilhetes conversíveis em Ouro.
O Visconde de Ouro Preto tinha decidido pela criação de um grande banco que atuasse como agente regulador do mercado, um Banco Central privado, nos moldes europeus, emprestador de última instância, agente do Tesouro e regulador da liquidez.
Tudo isto seria implantado no Império.

Aí veio a república bananense, algum tempo depois, Rui Barbosa que era o Ministro da Fazenda na época, assinou o Decreto de 17.01.1890 que definia uma nova lei bancária, criando um sistema emissor que se baseava em lastreamento por Apólices da Dívida Pública.
E pra piorar, também foram criados bancos emissores regionais para esta apólices.
Uma lei que foi assinada na calada da noite, sem a consulta da presidência, e serviu para agradar setores específicos, que queriam somente a especulação.

Esta nova lei foi a responsável por gerar a primeira bolha no Brasil.

Responder
Rhyan 06/05/2015 22:18:40

Me falaram que o Encilhamento no início da república foi justamente essa concorrência bancária, isso não me parece verdade. Que eu saiba o Encilhamento foi um programa estatal de inflação para estimular a indústria nacional.

Qual a relação?

Responder
Leandro 06/05/2015 22:52:03

Concorrência bancária é diferente de concorrência monetária.

Mas o encilhamento, na verdade, foi uma consequência de uma política de governo.

Logo após a Proclamação da República, o déficit público explodiu. Segundo Mario Henrique Simonsen, o governo simplesmente imprimiu dinheiro para pagar esse déficit. Em 1890, o dinheiro em circulação aumentou 51,6%; em 1891, mais 71,8%.

Essa avalanche inflacionária, causada pela monetização dos déficits, levou a uma especulação financeira, que foi o encilhamento propriamente dito. Sem essa criação de dinheiro para financiar os déficits do governo, não havia como os bancos da época saírem emprestando a rodo para bancar a especulação.

Veja que, em economia, mudam-se os métodos, mas as causas e consequências são basicamente as mesmas. Se você joga dinheiro na economia, esse dinheiro será utilizado em algum investimento voltado ou para se proteger da inflação ou para lucrar.

Responder
Adriano 07/05/2015 01:50:01

Leandro, meus parabéns por mais um excelente artigo, e obrigado a você e ao IMB por nos presentear com essas doses diárias de lucidez e racionalidade.

Estive no Peru em três ocasiões (2009, 2013 e 2015). Quando fui em 2009, um real valia 1,50 nuevos soles. Já agora em janeiro de 2015, a relação era de 1 para 1.

O esfacelamento do real é um crime que Dilma está perpetrando impunemente.

Responder
Gustavo 07/05/2015 02:57:42

No caso da extinção de um banco central, e a nova moeda de troca se tornar apenas o ouro e outros metais preciosos (que não é o caso de uma competição de bancos centrais), como que ficara a questão da circulação da moeda?

Com pouca moeda no mercado e grande demanda para a circulação da mesma, como que a economia gira nesse cenário?

Aliás, com pouca moeda para em circulação e o crescimento/desenvolvimento da economia, como que as trocas irão acontecer quando não existir ouro suficiente para efetuar as trocas? A economia irá parar? Estagnar?

Estou pedindo respostas para refutar amigos keynisianos.

Responder
Leandro 07/05/2015 12:34:19

Não visualizo esse cenário de moedas de ouro sendo utilizadas em transações correntes. Ele é inexequível hoje, em que um mero grama de ouro vale R$ 117. Se a opção for por uma moeda lastreada em ouro, então o cenário simples e pragmático é fazer com que a moeda de papel seja apenas ancorada ao ouro por meio de um Currency Board (o que pode ser feito da noite para o dia utilizando os mais de US$ 375 bilhões das reservas internacionais).

Só isso. Sem pirotecnia nenhuma.

Nesse arranjo, a base monetária cresce normalmente, pois o arranjo é propício a investimentos estrangeiros, a oferta de crédito é abundante e a juros baixos (e, como a moeda é estável e bem definida, não há temores de desvalorização -- o que garante juros civilizados) e não há como haver carestia alta

Sobre o funcionamento de Currency Boards:

Em português:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2059 (Explicação sintetizada)

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601 (Explicação mais longa)


Em inglês:

thf_media.s3.amazonaws.com/1991/pdf/hl355.pdf
www.cato.org/publications/commentary/goldbased-currency-board-please
(explicação completa)

Responder
Gustavo 08/05/2015 02:30:59

Obrigado Leandro! Ajudou bastante

Responder
Amarílio Adolfo da Silva de Souza 07/05/2015 10:19:59

O maldito "governo dilma" não entende de economia nem se desenharem. Temos que esperar o fim desse pesadelo. FORA PT!

Responder
Guilherme Ce 07/05/2015 11:59:21

Pra quem tiver interesse, blog que estou desenvolvendo sobre o pensamento de Roberto Campos e de outros liberais.

alanternanapopa.blogspot.com.br/

https://facebook.com/alanternanapopa

Responder
Tao Han Hsui 07/05/2015 12:39:10

Leandro o site do IMB representa, para mim, uma verdadeira academia aberta de economia.
Para quem atingiu a idade de 53 anos, checar as explicações aqui apresentadas com o histórico de bobagens, falácias e bravatas que o governo brasileiro tem sido farto em apresentar e implementar me dá uma certeza de que nem tudo neste país desandou; ainda há neste país um reduto de lucidez e excelência que precisa ser descoberto (no caso o IMB). Por isso tenho procurado divulgar o site às pessoas de meu entorno, enviando o link ou mesmo o pdf de artigos, como também customizando camisetas com frases retiradas de artigos com o link encurtado do mesmo, como neste exemplo:

Aumentar os gastos do governo:
significa aumentar os custos
sobre aqueles que levantam cedo
e vão trabalhar!!

migre.me/pLrMp

(Frase extraída do artigo: "O crescimento econômico é fácil e natural - basta o governo permitir" ).

Um abraço a todos!

Responder
Leandro 07/05/2015 13:32:50

Obrigado pelo gentil depoimento, prezado Tao. Grande abraço!

Responder
Diego M 07/05/2015 17:11:38

Leandro,
Também compartilho do mesmo sentimento de Tao.
Desde que tomei conhecimento do IMB, tenho lido quase que diariamente seus artigos e difundido o mesmo na medida do possível.

Já consegui fazer de uma amiga minha, uma mais nova leitora do site. \o/.

Abraços.

Responder
José Roberto Baschiera Junior 07/05/2015 12:41:20

Leandro, vou repetir a pergunta que fiz pra você certa vez:

1 - Se o Bacen resolvesse imprimir moeda a taxa de 2% ao ano o real se valorizaria em relação ao dólar, ao euro e provavelmente a todas as moedas do mundo. Essa valorização constante da moeda faria o Real ficar conhecido mundialmente e ganhar respeito. Isso não estimularia os investidores e especuladores internacionais comprarem reais continuamente, retirando eles do mercado e fazendo a moeda ficar cada vez mais forte, porém muito escassa em nosso mercado? Como a economia reagiria com essa "fuga" de moeda nacional? O que a teoria diz que aconteceria em nossa economia interna nesse cenário?

2 - E sobre o artigo especificamente: Se qualquer moeda do mundo fosse permitida como meio de troca no país, o Real não deixaria de existir? Duas moedas conjuntamente, como Real e Dolar poderiam co-existir, mas colocando dezenas de moedas juntas não perderia totalmente o sentido utilizar reais? Não que o desaparecimento do Real e utilização de moedas fortes estrangeiras sejam ruim, eu acho excelente, mas isso tenderia a acontecer?

Responder
Leandro 07/05/2015 13:26:37

"Se o Bacen resolvesse imprimir moeda a taxa de 2% ao ano o real se valorizaria em relação ao dólar, ao euro e provavelmente a todas as moedas do mundo."

O Bacen pode imprimir à taxa que quiser; isso, por si só, não garante que a moeda entre na economia. A moeda só irá entrar na economia se pessoas e empresas demandarem empréstimos junto ao sistema bancário.

Portanto, no atual arranjo monetário e bancário, é impossível o Bacen controlar com exatidão a taxa de crescimento da oferta monetária. Ele pode, no máximo, tentar controlar a base monetária. E só.

Para que o Bacen realmente pudesse controlar a taxa de crescimento da oferta monetária seria necessária uma ampla reforma do sistema bancário. As reservas fracionárias teriam de ser proibidas e o Bacen teria de ter seu estatuto mudado, permitindo-lhe financiar diretamente o Tesouro.

"Isso não estimularia os investidores e especuladores internacionais comprarem reais continuamente, retirando eles do mercado e fazendo a moeda ficar cada vez mais forte, porém muito escassa em nosso mercado? Como a economia reagiria com essa "fuga" de moeda nacional?"

Há dois erros conceituais nesse seu cenário.

Em primeiro lugar, investidores e especuladores internacionais não "retiram reais do mercado". Isso não existe. A esmagadora parta da oferta monetária nacional é formada por dígitos eletrônicos, e esses dígitos eletrônicos não podem ser "retirados do mercado" por investidores e especuladores. A única coisa que pessoas e empresas podem fazer com dígitos eletrônicos denominados em reais é transferi-los de uma conta para a outra dentro do Brasil.

Repito: pessoas e empresas não podem fazer com que dígitos eletrônicos denominados em reais sejam "retirados" do mercado. No atual sistema monetário e bancário, a única maneira de fazer com que dígitos eletrônicos sumam é quitando um empréstimo junto a um banco.

Igualmente, não existe isso de "fuga da moeda nacional". Dígitos denominados em reais não saem do Brasil. Os dígitos sempre ficam em algum banco brasileiro. O que ocorre é uma transferência da propriedade desses dígitos.

Se um suíço quer investir no Brasil, ele tem de trocar francos por reais. Ato contínuo, ele tem de encontrar alguém que tenha uma conta bancária em reais e esteja disposto a fazer essa troca. Quando ele encontrar, essa pessoa se tornará proprietária de um depósito na Suíça denominado em fracos suíços, e esse suíço se tornará o proprietário de um depósito no Brasil denominado em reais. E vice-versa para o movimento inverso.

Em momento algum houve qualquer "fuga de moeda nacional".

Quando a imprensa fala em "fuga de capitais", ela está na verdade se referindo a essa simples transação acima descrita. Em momento algum dígitos eletrônicos saem das fronteiras do Brasil. Como nunca houve uma conta denominada em dólares em um banco brasileiro, não há como esses dólares terem "fugido" do país. "Fuga de capitais", na verdade, é uma mera troca de propriedade sobre depósitos bancários. Indivíduos que tinham contas bancárias em reais no Brasil decidiram se desfazer delas em troca de contas bancárias em moeda estrangeira em outro país. Só isso.

"Se qualquer moeda do mundo fosse permitida como meio de troca no país, o Real não deixaria de existir? Duas moedas conjuntamente, como Real e Dolar poderiam co-existir, mas colocando dezenas de moedas juntas não perderia totalmente o sentido utilizar reais?"

Haveria esse risco, e é justamente esse risco o que obrigaria o Bacen a uma gestão mais prudente da moeda e o governo a uma gestão mais prudente do seu orçamento.

Em todo caso, na pior das hipóteses, o real continuaria sendo utilizado como troco.

Responder
Andre 07/05/2015 21:22:32

Nesse sentido, então na teoria desenvolvimentista fuga de capitais seria uma coisa boa certo?

Quando alguém quer desesperadamente se desfazer de reais, aceitará valores cada vez menores, baixando o câmbio para baixo. O mesmo acontece para empresas estrangeiras no Brasil com suas remessas de lucro, certo? Então não é paradoxal alguém ser contra remessas de lucros para o exterior e ao mesmo tempo defender desvalorização da moeda?

Responder
Leandro 07/05/2015 21:37:45

Bingo.

E, só uma clarificação, em vez de "baixando o câmbio", é melhor dizer "aumentando o câmbio".

"Baixando o câmbio" passa a impressão de apreciação cambial -- tipo, o dólar caiu de R$ 3 para R$ 2 --, quando o que ocorreria neste seu exemplo é uma depreciação cambial, com o dólar indo de R$ 3 para, sei lá, R$ 3,20.

Responder
Pobre Paulista 07/05/2015 13:18:22

Mais uma dúvida:

Ao simplesmente abrir o mercado de moedas, haverá uma tendência óbvia de aumentar a quantidade de moedas em circulação. Este processo não causaria um choque inflacionário?

Responder
Leandro 07/05/2015 14:36:03

De um lado, os brasileiros teriam de trocar seus reais por essas moedas estrangeiras. E, para fazerem isso, outras pessoas -- estrangeiros -- teriam de aceitar essa troca.

Ou seja, do ponto de vista da população brasileira, a quantidade de moeda em sua posse não alterou.

Já os estrangeiros -- caso suas respectivas moedas se tornassem correntes no Brasil -- de fato poderiam vir aqui e utilizar seu dinheiro sem necessariamente ter de trocá-lo por reais.

Isso, de fato, representaria um aumento na oferta monetária. Observe que, no final, o arranjo funciona identicamente a um Currency Board. A oferta monetária aumenta de acordo com o fluxo de capitais estrangeiros.

Só que é necessário enfatizar o seguinte: com livre mobilidade de capitais e podendo utilizar sua própria moeda -- o que significa que não haverá medo de desvalorizações súbitas --, haveria uma explosão dos investimentos estrangeiros (os estrangeiros estão ávidos por novos mercados, prova disso é que estão até aceitando taxas de juros negativas na Europa), o que elevaria a oferta de bens e serviços e a demanda por mão-de-obra. Simultaneamente, haveria um aumento das importações.

Desnecessário dizer, é claro, que o país teria de estender tapete vermelho aos investidores estrangeiros, e deveria seguir as quatro regras básicos prescritas nesse artigo.

Responder
Pobre Paulista 07/05/2015 13:24:35

A e-gold falhou, será que essa aqui vai?

Vem aí a "Hayek", a nova moeda virtual com lastro em ouro

Responder
amauri 07/05/2015 13:47:45

Bom dia Leandro!
O Banco Central acaba de anunciar que "os avanços alcançados no combate à inflação ainda não se mostram suficientes".
Eu confundo as vezes. Li que pode haver inflacao de preços sem inflacao monetaria e vice e versa. Qual a inflacao do anuncio

Responder
Vinicius 07/05/2015 13:54:35

exame.abril.com.br/economia/noticias/vem-ai-a-hayek-a-nova-moeda-virtual-com-lastro-em-ouro

Responder
Vinicius 07/05/2015 13:58:39

Segue teste de insanidade:

exame.abril.com.br/economia/noticias/solucao-para-a-crise-eliminar-dinheiro-vivo

Responder
Felipe 07/05/2015 15:44:48

Ainda quero saber qual é a pior revista sobre economia: Exame, carta capital ou Folha?

Responder
Fernando 07/05/2015 14:42:50

Essas pessoas do Instituto Mises são impressionantes ! Parabéns !

Por que nós somos obrigados a usar uma moeda inflacionada ? Por que somos obrigados a usar uma moeda definida por um banco central incompetente ? Por que somos obrigados a usar uma moeda que é desvalorizada artificialmente sobre outras moedas ?

Democracia não tem nada a ver com liberdade, exceto na liberdade de expressão.

Quando o governo é o condutor da economia, cabe ao povo ser um mero escravo ou funcionário do governo.

Responder
Magno 07/05/2015 15:01:35

Exato. Essa é uma liberdade civil das mais básicas imagináveis. Por que eu não posso transacionar com a moeda que eu quiser? Por que sou obrigado a aceitar uma moeda que virou lixo?

E, já que existe estado e já que eu sou obrigado a financiar essa porcaria, então sua função básica é simplesmente garantir judicialmente contratos firmados em qualquer meio de troca mutuamente aceito.

Mas nem isso essa porcaria faz. O estado se exime disso.

Responder
Leticia Saldo 07/05/2015 19:04:45

É de assustar. Fico me perguntando qual será nosso destino e se temos em quem acreditar... Nosso governo é pífio e a oposição nula. Se a oposição assume, os papéis só se invertem e não enxergaremos nada de novo. Para mim, descrédito total em mudanças tão logo...

Responder
Joana Mariana 08/05/2015 01:50:25

Mas aí de todo jeito teria que incutir primeiro na cabeça das autoridades monetárias brasileiras que tem que valorizar o real, se o objetivo for uma moeda forte e estável. Lógico que libertar o indivíduo desse jugo da moeda é o mais desejável. Mas não vejo como simplesmente permitindo a livre circulação de moedas no país iria, por si só, ter um impacto positivo mais eficaz sobre a inflação - por exemplo. Ela serviria mais como uma forma de impor e garantir alguma disciplina ao Banco Central.

De qualquer forma, excelente o artigo. Uma proposta que parte de um raciocínio simples, de fácil execução - até eu já tinha pensado nisso, embora agora eu pense que alcançar o resultado é tão simples assim. Parabéns!

Abraços!

Responder
mário luiz 08/05/2015 12:06:33

O que o Peru fez foi "americanizar" o seu Banco central, ideia bem parecida feita na Europa quando o Banco Central Alemão passou a ditar a política monetária quando da criação do Euro. A ideia é mais do que boa, é SENSACIONAL, pois impõem que o Peru (bem que poderia ser o Brasil)que trabalhe dentro dos parâmetros monetários americanos, que convenhamos, são bem mais sérios do que qualquer país da América Latina.

Responder
corsario90 08/05/2015 13:08:04

Alguém indicaria material didático sobre currency Board?

Responder
Leandro 08/05/2015 13:32:45

Em português:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2059 (Explicação sintetizada)

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601 (Explicação mais longa)


Em inglês:

[link]thf_media.s3.amazonaws.com/1991/pdf/hl355.pdf[/linl] (explicação completa)

old.psoj.org/archives/hanke.pdf (explicação completa)

Responder
CORSARIO90 10/05/2015 20:51:11

Valeu Leandro!! Assino embaixo que o Tao e o Diego M comentaram sobre o excelente site. Eu ex social democrata. Realmente o conhecimento é libertador!
Alguém conhece alguma instituição de ensino capaz de transmitir ideias empreendedoras aqui no RJ? Tou aprendendo a gostar de economia graças ao IMB!!
Não quero ficar perdendo tempo com baboseiras Kenesyanas...
Abs a todos!!

Responder
Tio Patinhas 15/05/2015 13:19:00

Talvez o IBMEC? Não conheço muito, mas ouço falar boas coisas, pelo menos no que se refere a incentivo a empreendedorismo. Quanto a se livrar de Keynes no Brasil acho difícil.

Obrigado.

Responder
Renato 12/05/2015 16:41:54

Um esquema politicamente marketável seria a competição monetária dentro do Mercosul: com um acordo de livre utilização e câmbio das moedas dos países-membro. Hayek, em "The Denationalisation of Money", propôs um sistema parecido como alternativa ao que se tornaria o Euro.

Cada BC, para impedir a desmonetização espontânea de sua moeda, seria fortemente incentivado a estabilizar o câmbio em relação aos outros países-membros. No caso ideal, isto se comportaria como uma moeda única descentralizada.

Responder
Russo 12/05/2015 16:50:05

Tá doido? Em vez de competir com dólar, euro, libra e franco suíço, você quer fechar o mercado e permitir a concorrência apenas com peso argentino, bolívar venezuelano e guarani paraguaio?

Isso sim é nivelar por baixo. Seria uma corrida para o fundo do poço.

Responder
Tiago RC 25/05/2015 15:12:51

Ele não falou em fechar mais do que está, apenas que seria mais fácil vender a idéia de competição dentro do mercosul do que a idéia de competição mundial. Embora isso seja um exemplo de "negociar consigo mesmo", ele provavelmente tem razão.

Responder
Mano 12/05/2015 18:06:38

É impressionante como tá cheio de imbecil por aí com fórmulas mágicas para o estado salvar nossa economia.

Responder
CORSARIO90 15/05/2015 09:22:51

BOM DIA!!
Alguém poderia me indicar uma instituição de ensino que mais se aproxima dos ensinamentos do IMB para aprofundamento dessas idéias e voltado para o empreendedorismo?
ABS

Responder
Marcelo Boz 15/05/2015 19:24:19

Eu por certa vez pensei em algo parecido, e acho que seria melhor que o caso Peruano.
Que tal se fosse permitido a circulação de uma simples moeda de ouro de uma onça?
E inclusive, livre permissão para cunhá-la?
Sim qualquer pessoa tendo um punhado de ouro, poder na sua garagem, com o equipamento necessário, cunhar suas moedas?!
Tudo isso permitido em lei, inclusive previsto o deposito em banco: contas correntes e demais aplicações.
Simples, e eficiente.
Nos dias de hoje seria o maior meio de defesa dos assalariados em relação ao apodrecimento do real.


Responder
Didi 24/05/2015 14:20:31

Felicitações pelo artigo, deveras esclarecedor. A suposta boa performance brasileira em meio a crise "sub-prime" se deu pelo excesso de mandrakaria. As doses cavalares de esteróides anabolizantes para se manterem no trono já começam a revelar a falsa musculatura alardeada até o pleito. Em que pese a relatividade do PIB veiculada pelo IMB é oportuno apreciar alguns dados. O fato é que o engessamento da economia brasileira se dá pela parafernália burocrática e elevadíssimo acúmulo de impostos na cadeia produtiva, sob um estado corrupto e perdulário.

Eis abaixo alguns números do Peru em relação ao Brasil.

Peru

GDP - composition, by sector of origin:
agriculture: 7.1%
industry: 36.7%
services: 56.2% (2014 est.)
Labor force - by occupation:
agriculture: 25.8%
industry: 17.4%
services: 56.8% (2011)
Dívida pública:
15,9% do PIB (2014 est.)
16,3% do PIB (2013 est.)
Impostos e outras receitas:
30,9% do PIB (2014 est.)
Taxa de inflação (preços ao consumidor):
3,3% (2014 est.)
2,8% (2013 est.)

Brasil

PIB - composição por setor de origem:
agricultura: 5,8%
indústria: 23,8%
serviços: 70,4%
(2014 est.)
Força de trabalho - por ocupação:
agricultura: 15,7%
indústria: 13,3%
serviços: 71%
Dívida pública:
59,3% do PIB (2014 est.)
56,7% do PIB (2013 est.)
Impostos e outras receitas:
38,4% do PIB (2014 est.)
Taxa de inflação (preços ao consumidor):
6,3% (2014 est.)
5,9% (2013 est.)

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/br.html

Responder
anônimo 25/05/2015 13:58:47

só tem 3 "machos" para desancorar a moeda.
USA , UE e a China (que está tentando fazer o contrário)

Usam o periférico Peru como exemplo, mas ele não resistiria a meia hora de ataque especulativo.

Responder
Leandro 25/05/2015 14:17:08

Desancorar? O dólar não é ancorado a nada. O euro também não. Já o renminbi tem uma taxa semi-fixa em relação ao dólar, que por sua vez não é ancorado a nada.

Logo, não entendi essa sua afirmação de que só EUA e UE são machos para tentar uma desancoração. Suas moedas já são desancoradas desde 1971, quando acabou o que restava do padrão-ouro.

Desancorar não exige macheza nenhuma. Ancorar ao ouro, isso sim, exige coragem.

Sobre ataques especulativos ao Peru, queria entender como funcionaria um ataque especulativo a uma moeda de câmbio flutuante. Ataque especulativo só acontece quando um banco central sem reservas internacionais suficientes tenta adotar uma taxa de câmbio fixa e, ao mesmo tempo, tenta fazer política monetária.

Responder
Marcondes 25/05/2015 14:21:40

É impressionante a capacidade do atual governo de fazer lambança. Acho que nunca na história desse país houve um governo tão desconexo (e olha que, em termos de Brasil, a concorrência é forte).

Após o anúncio do contingenciamento de gastos -- uma notícia que normalmente agradaria o mercado financeiro --, o Ministro da Fazenda se desentendeu com o governo e saiu dizendo que suas propostas foram ignoradas. Conseqüência: já se especula sua saída do governo e dólar disparou para R$ 3,13.

Insano.

Responder
Marcelo 27/05/2015 21:00:21

Tenho um pequeno comercio no Rio de Janeiro capital, comercio de bairro para atender os moradores do mesmo, percebi uma queda de 60% no faturamento, pois inclusive o meu produto ficou mais caro para mim, e os clientes cada vez veem menos aqui na loja, e triste essa fase em que nosso pais passa, mas espero que nao dure muito mais.

Abraços, e parabéns pelo belo artigo!

Responder
Douglas Silva 29/05/2015 15:14:51

Cara, que artigo fantástico. Sou leigo, e queria pedir uma ajuda pra vocês. Não entendo nada de Economia, e também de Finanças Pessoais, porém tenho consciência que poupança é um passo importante. Atualmente trabalho de office-boy num escritório de advocacia. Tenho 19 anos, ganho R$ 800 e meu cursinho é 370, mesmo que eu poupe, sobra quase nada, e muito triste, sei lá, quero prosperar, tenho muito vontade de sair do país, mesmo que seja aqui na America do Sul. Sei que a Economia do Paraguai é melhor que a brasileira. Pode parecer estranho, mas, vocês tem alguma dica de como agir na crise?

Responder
Rodrigo 02/06/2015 16:44:07

Leandro,

Os ricos são favorecidos pela situação de juros altos e inflação alta, como a atual?

Ou dá na mesma já que a taxa de juros real pode não aumentar no mesmo ritmo?

Responder
RENATO BARBOSA DA SILVA RAMOS 13/06/2015 22:04:34

PREZADOS SENHORES,



PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM MERCADO COMPETITIVO DE MOEDAS LIVRES PRIVADAS E ESTRANGEIRAS PARA QUE O REAL POSSA ESTABELECER O SEU REAL VALOR .
O FREE BANKING É O CAMINHO !!!! A TENDÊNCIA SERÁ UM MERCADO DE MOEDAS QUE PASSARÁ A TER O OURO COMO PADRÃO ,MAS QUE SEJA PRIVADO E NÃO ESTATAL.OS BANCOS TERÃO EM SUAS RESERVAS OURO O SUFICIENTE PARA GARANTIR A EMISSÃO E SENDO PRIVADO O CUSTO E O RISCO CORREM PELO EMITENTE.

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Richard 01/07/2015 20:37:03

Leandro,

Excelente artigo.
Poderia indicar qual artigo sobre o padrão-ouro?
Sds

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Funcionario publico 06/08/2015 20:22:16

Olha, isso só realizar o dia em que tivermos gestores técnicos na administração pública, não essa patota analfabeta no planalto central fazendo malabares e fingindo governar, enganando pobres e tentando passar a perna nos ricos.

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Outro funcionário público 07/08/2015 01:06:38

Tecnocracia não funciona. Pare com essa loucura. Pare agora. Você pode colocar as pessoas mais inteligentes do mundo para gerir o governo federal e a coisa vai desandar, justamente pelo problema do cálculo econômico.

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Edujatahy 07/08/2015 12:24:53

E parafraseando Ruthbard: Nós queremos pessoas competentes na iniciativa privada, no governo o melhor é que tenhamos os mais idiotas possíveis.

Vide por exemplo o problema para os brasileiros quando a Receita Federal passou a ter técnicos do ITA. Menos dinheiro na mão da iniciativa privada, mais dinheiro jogado fora (dinheiro na mão do estado é riqueza destruída)

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Anderson 07/08/2015 03:43:45

"Gestores técnicos" vão tornar o estado mais eficiente, eficiente em como se expandir mais ainda.

Não se iluda com esses "administradores públicos", eles não podem coletar todas as informações objetivas e subjetivas dia a dia. Eles não podem saber quais são os meus e os seus planos de consumo e de vida.

Sinceramente, não entendo esse desejo de querer subir nos braços do (babá) estado. Caminhe com seus próprios pés!

Responder
Servidor 07/08/2015 13:12:28

O estado brasileiro segue firme em sua marcha rumo à expansão até o infinito. Só mesmo estando dentro do estado para perceber a mentalidade das pessoas, totalmente indiferentes à realidade brasileira. Não importa o quanto ganhem, sempre querem mais. Se a carga de trabalho fica um pouquinho mais pesada (nada comparado à iniciativa privada), fazem um estardalhaço tremendo, reclamando das péssimas condições de trabalho (se está tão ruim assim, porque eles continuam no emprego?) e exigindo a contratação de mais pessoas (pra que eles voltem a ficar à toa durante a maior parte do dia).

O estado não funciona para servir à sociedade. Ele é um fim em si mesmo.

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Outro funcionário público 07/08/2015 14:14:50

Só mesmo estando dentro do estado para perceber a mentalidade das pessoas, totalmente indiferentes à realidade brasileira. Não importa o quanto ganhem, sempre querem mais.

Pode até parecer brincadeira ou um exagero, mas a realidade é exatamente essa mesmo. O pessoal (eu incluso, confesso) ganha um salário fora da realidade e, ainda assim, se você não soubesse o quanto ganham, a julgar pelo discurso deles, parece que trabalham em troca de pão e água. Mais ainda, ainda a julgar pelo discurso deles, se você não tivesse a plena certeza de que a função que executam é absolutamente inútil (quanto não nociva, que é geralmente o caso), parece até que a rotação e a translação da Terra dependem de seu nobre trabalho.

É muita loucura para minha cabeça.

Responder
Thiago Teixeira 15/08/2015 21:07:16

O Brasil precisa de "benign deflation".

Responder
anônimo 15/08/2015 21:08:05

pages.stern.nyu.edu/~ekerschn/courses/c150042/lectures/09_flations.pdf

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Sérgio Guimarães 19/08/2015 18:27:31

Emprego industrial acumula quase quatro anos de queda

Vagas na indústria recuaram 6,3% em junho ante o mesmo mês de 2014, a queda mais intensa desde 2009 e o 45º resultado negativo

economia.estadao.com.br/noticias/geral,emprego-industrial-acumula-quase-quatro-anos-de-queda-,1746829


Ué, mas segundo os desenvolvimentistas não era só desvalorizar o câmbio que tudo se resolvia e a indústria iria bombar?

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João Lucas 04/09/2015 19:24:32

Muito bom o texto! Excelente!

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Maria Eliza 09/10/2015 17:07:38

Mandou muito bem! Curti muito um artigo e comentário lá em cima, sobre as duas moedas, pena que o autor não se identificou.

Responder
Raphael Santana 01/12/2015 11:00:45

Gostei muito do artigo, o qual me quebrou um paradigma, pois pensava que um País que deixava outra moeda concorrer com a sua era sinal de economia fraca.

O que me entristece é que vejo quase que impossível isso acontecer no Brasil, pois o "orgulho nacional" dos nossos políticos não os deixariam defender essa ideia, sob pena de serem taxados de vendidos para o País dono da moeda.

Responder
Roberto 09/12/2015 11:24:05

Inflação elevada sufoca a produção industrial

Alta da energia elétrica e dos insumos importados coloca pressão extra sobre o setor

infograficos.estadao.com.br/public/economia/inflacao-de-dois-digitos-e-agora/industria.php

Até quando os progressistas continuarão dizendo que o câmbio desvalorizado é bom pra indústria?

Responder
mateus 08/02/2016 19:22:36

Leandro, como o governo moedas estrangeiras, já que elas não são moedas oficiais do país?

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Andrei 22/07/2016 01:18:11

É uma pena saber que isto nunca ira acontecer no Brasil.

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