O crescimento econômico é fácil e natural - basta o governo permitir
Desde o início de março deste ano, quando aumentaram substantivamente as chances de impeachment e de destituição do atual governo, todos os indicadores futuros apresentaram uma melhora expressiva.

O real passou a se apreciar acentuadamente no mercado mundial.  Em 29 de fevereiro, 1 dólar custava R$ 4,02.  Hoje, 10 de março, 1 dólar custa R$ 3,65.  Uma apreciação de 10%.

Ainda mais expressivas foram as quedas nas taxas de juros dos títulos públicos.  Um título pré-fixado com vencimento em 2027 pagava, em 29 de fevereiro, juros de 16,09% ao ano.  Hoje, esse mesmo título paga juros de 14,72%.  Os juros de todos os outros títulos, de qualquer duração, também despencaram.

E tudo isso simplesmente porque aumentaram as chances de o atual governo sair de cena. 

A maior ironia é que, se a esquerda realmente levar a sério sua ojeriza contra os juros altos, então não lhe resta alternativa senão apoiar a derrubada do atual governo.  A própria empiria está deixando claro que, quanto menos poder tem o governo, menores serão os juros.  Se o objetivo da esquerda é derrubar os juros, então ela tem de ajudar a derrubar o atual governo.

O artigo a seguir, originalmente publicado em abril de 2015, apresenta uma explicação minuciosa para aquilo que os brasileiros vivenciaram na prática ao longo de todo o ano passado: como o governo pode afetar o crescimento econômico. 

Existem quatro barreiras cruciais que um governo pode erigir para afetar o crescimento econômico.  E todas essas quatro barreiras foram gostosamente implantadas pelo atual governo do PT.

_________________________________

Talvez o principal erro teórico daqueles que se põem a imaginar formas de crescimento econômico é ignorar o fato de que seu país, seu estado e sua cidade não são uma ilha isolada, mas sim uma simples delimitação geográfica em meio a todo o globo terrestre.

Quando você imagina a economia de um país como sendo uma entidade completamente isolada do mundo, seu crescimento econômico realmente se torna algo difícil.  Afinal, nesse cenário, você teria de fabricar tudo localmente, você só poderia vender para seus vizinhos, e toda a sua capacidade de investimento estaria limitada ao (escasso) capital disponível em sua vizinhança.

Por outro lado, quando você entende perfeitamente que seu país é um mero pedaço de terra envolto por vários outros no globo terrestre,  a perspectiva muda completamente.

A partir do momento em que você entende que o seu mercado é global — em vez de apenas local —, que você pode transacionar com qualquer indivíduo do planeta, que você pode vender para, e comprar de, qualquer pessoa de qualquer ponto do mundo, e que, principalmente, qualquer indivíduo do mundo pode investir em sua área, toda a análise econômica muda.

Pense, por exemplo, em uma determinada região do seu país que seja extremamente pobre.  Muito provavelmente, os habitantes locais não terão capital físico nem recursos financeiros para fazer grandes investimentos.  Consequentemente, será impossível que essa região enriqueça.  Entretanto, se você considerar que tal região está inserida em um grande contexto global, o cenário muda totalmente.  Os habitantes locais podem não ter capital nem recursos próprios para investir, mas certamente há outros habitantes do resto do globo que possuem esse capital e que, com os devidos incentivos, terão sim interesse de investir ali.

E isso muda tudo.

Implicações

Quando você passa a pensar em termos globais em vez de meramente nacionais, estaduais ou locais, vários desafios econômicos desaparecem.

Um exemplo trivial bastante interessante é o do setor aéreo de um determinado país.  Vários economistas temem um oligopólio neste setor simplesmente porque eles próprios cometeram o erro de criar um arranjo no qual empresas aéreas estrangeiras são proibidas de fazer vôos nacionais dentro deste país.  Sendo assim, com o mercado nacional fechado ao mercado global, e com as empresas aéreas nacionais usufruindo uma reserva de mercado (por obra e graça das regulamentações estatais, que proibiram empresas aéreas estrangeiras de fazerem voos nacionais), a possibilidade de fusões e aquisições neste setor realmente irá levar a um oligopólio. 

Ato contínuo, os próprios criadores deste cenário de reserva de mercado passam a aplicar políticas que visam a impedir o surgimento deste oligopólio — como leis anti-truste — ou que, em última instância, visam a tentar regular esse oligopólio. 

Perceba, no entanto, que o erro foi cometido lá no início — quando o governo proibiu empresas aéreas estrangeiras de fazer voos nacionais —, e o que se está fazendo agora é um mero paliativo.  A partir do momento em que o governo fecha um mercado à concorrência externa, tentar regulá-lo é um esforço inútil.  É impossível tornar mais eficiente, por meio de imposições burocráticas, um mercado fechado que foi fechado à concorrência.

Por outro lado, se o mercado aéreo de um país é aberto ao mundo, de modo que empresas estrangeiras não são proibidas de — ao contrário, são bem-vindas para — fazer vôos nacionais, não há a mais mínima possibilidade de fusões que levem a um oligopólio.  Para isso acontecer, todas as empresas aéreas do mundo teriam de se fundir em uma só.

O mesmo raciocínio acima se aplica ao setor de telefonia, ao setor de internet, ao setor de TV a cabo, ao setor bancário, ao setor elétrico, ao setor petrolífero, ao setor rodoviário e até mesmo ao setor de saneamento.  Aliás, se aplica até mesmo a empresas de ônibus, de seguro-saúde, hospitais, escolas, açougues, restaurantes, churrascarias, padarias, borracharias, oficinas mecânicas, shoppings, cinemas, sorveterias, hotéis, motéis, pousadas etc.

Se você pensa nestes mercados apenas em termos locais ou nacionais, partindo da premissa de que apenas pessoas que nasceram dentro dos mesmos limites geográficos que o seu podem investir nestes setores, aí realmente o desenvolvimento de vários destes setores será um grande desafio.  Se você proíbe o capital externo de investir nestes setores, a melhoria deles se torna bem mais difícil. 

Por outro lado, se você pensa nestes mercados em termos globais, de modo que qualquer pessoa ou empresa do mundo tenha a liberdade de investir nele e de auferir lucros, a realidade muda.

Como bem disse Lee Kwan Yew, o homem responsável por implantar as reformas econômicas que fizeram com que Cingapura deixasse de ser um país de terceiro mundo — praticamente uma favela a céu aberto — e se transformasse em um país de primeiro mundo,

Enquanto a maioria dos países do Terceiro Mundo denunciava a exploração das multinacionais ocidentais, nós as convidamos todas para ir a Cingapura.  Desse modo conseguimos crescimento, tecnologia e conhecimento científico, os quais dispararam nossa produtividade de uma maneira mais intensa e acelerada do que qualquer outra política econômica alternativa poderia ter feito.

Quando se entende que o mercado é global, e não meramente local, vários obstáculos deixam de existir.  Problemas como falta de recursos físicos ou de capital financeiro são imediatamente mitigados.  Se os empreendedores de uma determinada região não possuem recursos para fazer um investimento vultoso e altamente demandado pelos habitantes locais, certamente há empreendedores no resto do mundo que possuem.  E, se estes tiverem a garantia de que poderão manter seus lucros, eles virão.

Se um determinado país está sem recursos para construir portos, aeroportos, estradas, sistemas de saneamento etc., certamente há investidores e empreendedores em algum ponto do globo interessados em ganhar dinheiro com este mercado.  Basta apenas deixá-los livres para tal.

Se um país cria um ambiente de respeito à propriedade privada, permite a liberdade de comércio, incentiva o investimento estrangeiro, fornece plena liberdade às transações comerciais, e permite a acumulação de capital, metade da estrada para o progresso já foi percorrida.

Falta agora a outra metade.

As quatro barreiras ao crescimento econômico

Sim, o crescimento econômico e o enriquecimento são possíveis em qualquer ponto do planeta.  Sim, fazer uma economia crescer é fácil.  Com efeito, o crescimento econômico é algo que ocorre de maneira natural.  Como indivíduos inseridos em um mercado global, nossa predisposição à produção e às trocas comerciais é inata, pois nossa sobrevivência depende delas. 

Um brasileiro transacionar comercialmente com outro brasileiro é tão efetivo quanto esse mesmo brasileiro transacionar com um vietnamita.  Em ambos os casos, ele está buscando melhorar seu padrão de vida.

Não havendo barreiras ao exercício dessas trocas comerciais, o crescimento econômico ocorre como que por gravidade.  Por isso, é essencial entender quais são as barreiras que podem impedir o crescimento econômico.

Moeda

A primeira e mais crucial barreira ao crescimento é a saúde da moeda.  Dado que o dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica, a saúde da moeda irá determinar a saúde de toda a economia.  Se a moeda é instável, a economia também se torna instável. 

Além de ser o meio de troca, a moeda é a unidade de conta que permite o cálculo de custos de todos os empreendimentos e investimentos.  Se essa unidade de conta é instável — isto é, se seu poder de compra cai contínua e rapidamente, principalmente em termos das outras moedas estrangeiras —, não há incentivos para se fazer investimentos.

Daí os economistas clássicos, à sua época, já defenderem a ideia de que a moeda, para ser eficaz, deveria ser a mais estável possível.  Tais economistas corretamente compreenderam que ter uma moeda cujo valor flutuasse constantemente seria o equivalente a utilizar unidades de medida que flutuassem diariamente. 

Hoje, infelizmente, a teoria econômica que se tornou dominante — e que é adotada por quase todos os governos — inverteu completamente essa lógica.  Os economistas de hoje não mais veem o dinheiro como uma unidade de conta que deve ser a mais estável possível.  Ao contrário: eles acreditam que uma unidade de conta totalmente volúvel e flutuante, principalmente em relação às demais moedas estrangeiras, turbina a atividade econômica. 

Eis o principal problema com esse raciocínio: quando investidores investem — principalmente os estrangeiros —, eles estão, na prática, comprando um fluxo de renda futura.  Para que investidores (nacionais ou estrangeiros) invistam capital em atividades produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que terão um retorno que valha alguma coisa.

Mas se a unidade de conta é diariamente distorcida e desvalorizada, se sua definição é flutuante, há apenas caos e incerteza.  Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em um curto espaço de tempo.

Veja o caso do Brasil em 2015.

Em dezembro de 2014, um dólar custava aproximadamente R$ 2,60.  Naquela época, um investidor estrangeiro que houvesse trazido US$ 100 para cá, converteria para R$ 260.

Já ao final de 2015, com o dólar a R$ 4, se esses R$ 260 fossem reconvertidos em dólares, o investidor estrangeiro teria apenas US$ 65.

Isso significa que, para que ele obtivesse algum ganho real com seu investimento — por exemplo, para que ele pudesse voltar pra casa com pelo menos US$ 101 —, sua taxa de retorno teria de ser de aproximadamente 56% (os R$ 260 teriam que se transformar em R$ 404) em um ano.

Há algum investimento que gera um retorno de 56% em um ano?  

Para países em desenvolvimento, que precisam de investimentos estrangeiros, essa questão da estabilidade da moeda é crucial também por outro motivo: uma moeda estável cria as condições necessárias para a transferência de conhecimento.  O conhecimento acompanha o investimento: o capital estrangeiro vem acompanhado de conhecimento estrangeiro.

Um país de moeda forte e estável envia um sinal claro ao mundo: "tragam seu dinheiro; mandem para cá seus especialistas; construam suas fábricas aqui; ensinem a nós tudo o que vocês sabem; e riqueza que vocês criarem aqui voltará para vocês multiplicada e em uma moeda que mantém seu valor".

Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe.  O investimento em tecnologia é maior.  O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior.  O investimento em infraestrutura é maior.  O investimento em ideias para o bem-estar de todos é maior. 

Já se um país desvaloriza continuamente sua moeda, ele está mandando um sinal claro aos investidores estrangeiros: "mantenham sua riqueza financeira e intelectual longe daqui; caso contrário, você irá perdê-la sempre que for remeter seus lucros".

O máximo a que um país de moeda fraca pode aspirar é utilizar para fins de curto prazo o capital puramente especulativo (o chamado "hot money") que entra no país à procura de ganhos rápidos com arbitragem.  Os melhores cérebros do país abandonarão as profissões voltadas para o setor tecnológico e irão se concentrar no mercado financeiro, especialmente no setor de hedge. 

Os investidores preferirão se refugiar em investimentos tradicionais e mais seguros, como imóveis e títulos do governo (que terão de pagar juros altos para conseguir atrair esse capital).  Não há segurança para investimentos de longo prazo, que são os que mais criam riqueza.

Uma moeda instável desestimula investimentos produtivos.  E, consequentemente, age contra o crescimento econômico

Uma moeda forte e estável é indispensável para atrair o capital estrangeiro e, com isso, gerar crescimento econômico.

Estando a questão da moeda resolvida, restam três barreiras.

Impostos

Uma característica humana que todos nós temos, e que torna o crescimento econômico algo fácil e natural, é o fato de que nossos desejos são ilimitados.  Estamos sempre desejando coisas a mais. 

Só que, para poder consumir esses bens que desejamos, temos antes de ter produzido algo.  Como indivíduos, nós trocamos "produtos por outros produtos".  Trabalhamos em troca de dinheiro, é verdade, mas só aceitamos esse dinheiro porque sabemos que, com ele, poderemos adquirir outros produtos. 

Ou seja, o que permite o nosso consumo é a nossa produção, que necessariamente tem de vir antes do consumo.  No nível mais simples, um indivíduo tem primeiro de oferecer algo de valor para só então poder comprar algo que deseja.  E o fato de termos de produzir para consumir — ou seja, o fato de que temos de trocar nossa mão-de-obra por alimentos, roupas, abrigos, veículos e amenidades várias que ainda não possuímos — é o que gera o crescimento econômico.

Portanto, para se estimular o crescimento econômico, é crucial estimular a produção.  O caminho para o crescimento econômico passa pelo estímulo da oferta.

E, para estimular a oferta, além de uma moeda forte e estável, é necessário remover as barreiras tributárias, burocráticas e comerciais que emperram a produção. 

Vale repetir: para que os indivíduos possam consumir, eles têm antes de produzir.  Sendo assim, é crucial remover obstáculos à produção.

E o primeiro obstáculo a ser removido são os impostos.  Impostos nada mais são do que um preço que o governo coloca sobre a produtividade; uma penalidade impingida ao trabalho.

Empreendedores são, por definição, indivíduos que gostam de se arriscar.  Quando empreendedores talentosos de todos os cantos do globo decidem investir em um país, eles estão correndo risco e esperam enriquecer em decorrência disso.  No entanto, se o preço a ser pago são impostos altos, vários serão desestimulados. 

Para o criador de software cujas inovações irão aprimorar a eficiência das empresas, ou para o cientista cujo trabalho irá demandar várias horas para encontrar a cura do câncer, passando pelo simples dono de restaurante que alimenta as pessoas, tributar sua renda equivale a cobrar um preço pelos seus esforços.  Equivale a cobrar deles um preço pelo seu trabalho, algo totalmente sem sentido.

Por isso, o objetivo deve ser o de diminuir esse preço do trabalho a fim de estimular ao máximo os esforços econômicos.  Em virtude de seu sucesso, empreendedores melhoram substantivamente as nossas vidas, e o fato de que eles devem ser punidos por isso, tendo uma fatia de sua renda confiscada, deveria ser visto como algo grotesco.

Não há empregos sem investimentos.  E não há empregos que paguem bem sem investimentos vultosos. Se a renda dos investimentos será tributada, o incentivo para empreendê-los é drasticamente reduzido.

Por tudo isso, é crucial que o governo seja o menor possível.  Quanto maior for o governo, maiores serão seus gastos.  Quanto maiores forem seus gastos, maiores terão de ser os impostos.  E quanto maiores forem os impostos, menores serão os incentivos ao investimento e à produção.  (Se o governo financiar seu aumento de gastos por meio do endividamento, o resultado será inflação, o que nos remete ao item 'moeda').

Quando políticos falam que irão aumentar os gastos, o que eles realmente estão dizendo é que irão aumentar os custos sobre os indivíduos produtivos, que são aqueles que arcam com o ônus dos impostos.  Aumentar os gastos do governo equivale a aumentar os custos sobre aqueles que levantam cedo e vão trabalhar.

Burocracia

Empreendimentos são feitos em busca do lucro.  E a burocracia inibe o processo.  A burocracia exige que uma grande quantidade de tempo, energia, esforço e dinheiro seja gasta apenas para se certificar de que o empreendimento está cumprindo todas as ordens inventadas pelos funcionários do governo

A burocracia nada mais é do que um custo artificial imposto ao empreendimento.

Embora raramente atinja seus supostos objetivos, a burocracia é extremamente bem-sucedida em sufocar a economia e impedir o surgimento de novos empreendimentos.  A burocracia rouba dos trabalhadores e dos empreendedores o tempo e os recursos que poderiam ser direcionados à produção de bens e serviços desejados pelo mercado.

O mais irônico de tudo é que toda a burocracia estatal — suas leis e regulamentações — está majoritariamente sob o comando de pessoas que jamais empreenderam em toda a sua vida, mas que se sentem perfeitamente aptas a ditar ordens aos reais empreendedores.

Comércio

O comércio é o mais simples desses quatro elementos relacionados ao crescimento econômico.  Cada um de nós, na condição de indivíduo, pratica diariamente o livre comércio.  Todos nós somos adeptos do livre comércio porque o livre comércio é justamente o propósito de trabalharmos.

Todos nós trabalhamos diariamente porque há muita coisa que queremos mas que ainda não temos.  Trocamos os frutos do nosso trabalho pela comida, pelas roupas, pelos carros, e pelos aparelhos eletroeletrônicos que não produzimos, mas que são produzidos por terceiros ao redor do globo. 

Sendo assim, tarifas de importação nada mais são do que uma punição sobre o nosso trabalho e nossa produção.  Tarifas de importação são tautologicamente um imposto sobre o nosso trabalho e nossa produção.

Pior ainda, tarifas de importação sempre são implantadas pelo governo com o intuito de proteger a reserva de mercado de empresas ineficientes (se fossem eficientes, não teriam medo da concorrência estrangeira), o que acentua a nossa privação.  Trabalhamos e produzimos, mas o governo só nos permite trocar os frutos da nossa produção por bens nacionais mais caros e de baixa qualidade.

No que mais, barreiras comerciais sempre são retaliadas pelos outros países, o que significa que as empresas nacionais mais eficientes arcarão com o maior dos ônus: mercados estrangeiros fechados.  Isso reduz o estímulo a novos investimentos em empresas eficientes, e privilegia o investimento em empresas protegidas da concorrência.  No geral, a ineficiência econômica é premiada e aumentada.

Conclusão

Atualmente, a economia passou a ser vista como algo intimidante, uma ciência sombria e impenetrável, compreendida apenas por acadêmicos especializados.  Não deveria ser.  Todos nós somos microeconomistas em nossa rotina diária.  As principais noções de economia estão ao alcance da compreensão de qualquer pessoa que pratique trocas comerciais em sua rotina.  A economia está em todos os cantos para onde você olhe. Nada é mais fácil de entender do que as noções básicas de economia. 

As medidas que geram crescimento econômico são lógicas, sensatas e facilmente compreendidas por qualquer um, pois vivemos suas consequências diariamente.

É necessário ter um Ph.D. em economia para complicar o assunto.

_______________________________________

Autores:

John Tamny é o editor do site Real Clear Markets e contribui para a revista Forbes.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


1 voto

SOBRE O AUTOR

Diversos Autores


"a precificação inicial do Brexit previa reação imediata da UE"

Ok, vamos analisar os fatos. Desde o início do ano, ninguém apostava no Brexit. Até as vésperas da votação, todas as pesquisas davam que o "permanecer" ganharia. Ou seja, não havia nenhuma precificação para a "saída". Todos apostaram no "permanecer". E, ainda assim, o FTSE só andava de lado, mês após mês. Pode conferir aqui:

cdn.tradingeconomics.com/charts/united-kingdom-stock-market.png?s=ukx&v=201609281355o&d1=20160101&d2=20160928&area

Imediatamente após a votação, que surpreendeu a todos, houve a turbulência inicial (posições sendo desfeitas). Hoje, no entanto, o FTSE está no nível máximo do ano, muito maior do que onde estava em qualquer outro período do ano, quando todos davam como certo que o "permanecer" ganharia. De novo, pode conferir no gráfico acima.

E confira também os da indústria:

cdn.tradingeconomics.com/charts/united-kingdom-manufacturing-pmi.png?s=unitedkinmanpmi&lbl=0&v=201609072315o&d1=20160101&d2=20160928&type=line

Pergunta inevitável: se, como você diz, a saída será uma tragédia, e se os números só melhoraram porque a efetiva saída foi postergada, então por que diabos os números de hoje são muito melhores que os dos meses anteriores, quanto todos davam como certa a permanência?

Seu raciocínio não faz sentido nenhum. Ele faria sentido se os números tivessem apenas "parado de piorar". Aí sim seu argumento estaria certo. Afinal, há um evento ruim se aproximando, mas com data ainda incerta. Nesse cenário, haveria uma interrupção da piora.

Agora, não foi isso o que aconteceu. Não é nem que os números pararam de piorar; eles simplesmente melhoraram, e muito. Estão muito melhores do que estavam durante todos os outros meses do ano, quando todos davam como certa a permanência.

Como você explica?

"a reformulação do cálculo após o início das tratativas responde em parte por melhora na expectativa."

De novo: "reformulação do cálculo após o início das tratativas" explicaria uma interrupção da piora. Agora, qual a explicação para os números terem disparado, ficando muito melhores do que estavam durante todos os outros meses do ano, quando todos davam como certa a permanência?

"Depois eu que sou ignorante"

De fato.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Ricardo G  29/04/2015 14:18
    Excelente!!!

    O que os governantes (prefeitos e vereadores) de cidades do Brasil, poderiam fazer para serem mais liberais e, com isso, desenvolverem seus municípios sendo que estes pertencem a este grande Estado brasileiro, com grandes impostos e burocracias.

    Moro em uma cidade de 10 mil habitantes e gostaria que me explicassem como essas cidades possam ter um crescimento econômico sem estar tão presente na economia, porém fazendo parte de Estado gigante.

    Não sei se fui claro, mas agradeço a ajuda!
  • Guilherme  29/04/2015 14:31
    Se a sua cidade está em um país cujo governo federal não dá boas vindas ao capital estrangeiro, um abraço. Simplesmente não terá como haver investimentos mais vultosos na sua cidade.

    Para piorar, se o seu governo estadual e/ou municipal também não forem adeptos do empreendedorismo, um duplo abraço. Você ficará até mesmo sem o capital nacional.

    Por outro lado, se estes três governos fossem entusiastas do capital (nacional ou estrangeiro), eles dariam isenção total a qualquer investimento vultoso em sua cidade. Duvido muito que isso não atrairia capitalistas de alguma parte do Brasil ou do mundo.
  • Ricardo G  29/04/2015 14:39
    Obrigado pelo retorno Guilherme!

    Entendi sua explicação. Mas, assim, caso o prefeito seja entusiasta do capital, como o sr. mencionou, e ofereça algumas medidas como isenção de impostos municipais ou outras que não tenho em mente (rsrs), ele não estaria atraindo empreendedores para que investissem em sua cidade?

    Ainda no caso da minha cidade, o prefeito oferece descontos nos terrenos para atrair esses empreendedores e tem funcionado.

  • Roberto  29/04/2015 14:53
    Então ele já está fazendo a parte dele (e, pelo visto, vem dando certo). Falta agora combinar com os governos estadual e, principalmente, federal, pois estes continuam coletando impostos, regulando e, no caso do federal, destruindo a moeda.
  • Fernando  29/04/2015 14:31
    Um dos melhores artigos que publicaram aqui, especialmente a última frase.

    Aparentemente todos esquerdistas são tão Ph.D. no assunto, estão tão acima da compreensão geral, que se recusam a falar sobre isso.
  • Sandoval  29/04/2015 15:34
    Esse de fato foi top.

    E devo confessar que não tinha tido tal insight: realmente, se o mundo é global e se permitirmos que todos os de fora possam investir livremente aqui dentro (não foi isso o que fizeram os países desenvolvidos, principalmente as ex-favelas Hong Kong e Cingapura?), não há limites para o crescimento econômico.

    Agora, se enxovalhamos os estrangeiros, aí de fato estaremos condenados à miséria eterna. É simplesmente impossível investir e crescer usando apenas capital e poupança internos.
  • Renato  29/04/2015 15:52
    E o curioso é que esse povo de esquerda que quer proibir que estrangeiros venham para cá investir, adora encher a boca para falar de ''xenofobia'' quando o assunto é imigração nos países europeus e nos EUA. Lá eles querem combater a xenofobia porque é '''''preconceito'''', já aqui eles a incentivam.
  • heraldo  30/04/2015 05:41
    E verdade amigo, eles nao entendem de gerar riqueza, apenas de suga-la.
  • mauricio barbosa  19/03/2016 17:24
    A poupança interna seria suficiente para fomentar nosso crescimento e desenvolvimento se fossemos uma ilha isolada do mundo,mas na realidade realizamos comércio com o resto do mundo e a moeda de reserva é o dólar e também precisamos da tecnologia avançada do primeiro mundo,então uma das melhores formas de termos acesso a produtos e tecnologias avançadas do resto do mundo é atraindo capital estrangeiro(Investimento direto,capital especulativo,acordos de cooperação técnica,parcerias comerciais...etc)e relembrando mesmo se imperasse o ouro como moeda de reserva e\ou de circulação ainda assim seria necessário investimentos estrangeiros devido a carência de tecnologias e acesso a produtos mais baratos e de melhor qualidade e na academia quando estudei economia(O lixo keynesiano e algumas idéias boçais socialistas e sindicalismo pedante dos professores)existia a piada nos livros textos de economia internacional mostrando a incoerência de alguns empresários corporativistas(Lobistas)que pregam o fechamento de seus respectivos mercados e clamam ao governo para abrir a concorrência externa no mercado de seus fornecedores,exemplo o sujeito fabrica eletrodomésticos ele pede ao governo que somente ele possa importar sem tarifas alfandegarias peças de fabricação ao passo que as importações de eletrodomésticos seja onerada com tarifas alfandegarias monopolizando o mercado interno ao afasta a concorrência externa,ou seja "pimenta nos olhos dos outros(Clientela e fornecedores internos)é refresco".
  • mauricio barbosa  19/03/2016 21:09
    ao"afasta"digo afastar a concorrência externa.
  • Ronaldo  10/03/2016 16:19
    É aquela coisa, ele sao PHD na especialização deles...

    PHD em Como gerar inflação, como destruir contas públicas, ah vamo deixar o negócio chique :

    Dr. Ronaldo Gonzaga Belluzzo - PhD Economics - UNICAMP - "The Growth puzzle: Using inflation to destroy the currency and generate economics growth"

  • Nicholas Mendonça Cerino  29/04/2015 14:40
    É desse tipo de artigo que precisamos para que as pessoas possam entender que a economia nada mais é do que o que fazem todos os dias, trabalhar, comprar, vender, prestar serviços. Concordo com o autor quando diz que a economia foi mistificada, tornando-se uma ciência de "especialistas", os bons economistas foram ignorados por décadas. Mas vivemos em um bom momento da história, nunca houve tantas formas de transmitir e absorver conhecimento, espero que com isso a figura do empreendedor criativo possa ser identificada em cada indivíduo agindo para atingir seus próprios fins, para sair de um estado menos satisfatório para um mais satisfatório ou parafraseando aristóteles: buscar a própria felicidade, que se perceba que cada ser humano é um fim em si mesmo.
  • Matheus   29/04/2015 15:15
    Quanto estabilidade da moeda,a Escola Áustrica defende o câmbio flutuante?
  • Leandro  29/04/2015 15:35
    Não. Um sistema de câmbio flutuante é, por definição, um sistema de "quase-escambo". Taxas de câmbio flutuantes introduzem incertezas indesejadas nos mercados internacionais, obstruindo o livre comércio, principalmente os investimentos. O investidor torna-se muito mais um especulador do que propriamente um investidor.

    Taxas de câmbio flutuantes são aceitas por economistas simplesmente porque estes têm em mente apenas o conceito de 'nação'. Entretanto, embora 'nação' seja uma importante unidade política, ela não é uma unidade econômica. Imagine se houvesse uma taxa de câmbio flexível entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro? Ou entre Bahia e Santa Catarina? Isso seria um incentivo ao livre comércio entre os estados ou uma barreira?

    Se os estados adotassem câmbios flexíveis entre si, os efeitos seriam desastrosos para o comércio, com cada estado fazendo guerra cambial e impondo várias tarifas protecionistas. Ainda bem que não é assim.

    Não faz sentido -- a menos para protecionistas inveterados, é claro -- defender câmbio flutuante entre países, mas "câmbio fixo" entre estados, cidades e bairros.

    O ideal supremo é que todas as moedas fossem atreladas ao ouro (o que faria com que a taxa de câmbio entre elas fosse fixa). Não sendo isso possível, a segunda melhor hipótese seria o seu país atrelar sua moeda ao ouro. Nesse caso, haveria câmbio flutuante em relação a todas as outras moedas, mas ao menos a sua seria estável; ela teria uma definição exata e bem-definida. A terceira melhor hipótese é ancorar sua moeda a outra moeda por meio de um Currency Board ortodoxo.

    Artigos a respeito:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1330

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601
  • Matheus  29/04/2015 21:27
    Muito obrigado, Leandro. Aprendi e concordo plenamente com isso.
  • Oliver  29/04/2015 15:42
    1,2 ou 3 empresas tão faz...consumidores não mandam em nada no mercado mesmo, são a parte desinformada do negócio, facilmente iludidos por propagandas baratas e maquiavélicas e facilmente influenciados pelo seu meio.

    Sem as instituições governamentais o consumidor será engolido pelas empresas. Seremos enganados, teremos serviços porcos em abundância, contratos serão abusivos, minorias serão excluídas, os lucros serão extorsivos e a desgraça reinará na sociedade.



  • Twist  29/04/2015 17:07
    Corretíssimo, Oliver. 

    E é exatamente por isso que naqueles países com baixas regulamentações estatais -- como Hong Kong, Cingapura, Suíça, Nova Zelândia, Austrália, EUA etc --, as pessoas são engolidas pelas empresas, são enganadas, os serviços são porcos, os contratos são abusivos, as minorias são excluídas, os lucros são extorsivos e a desgraça reina na sociedade.

    Já aqui no Brasil, que é um dos países mais burocráticos e regulamentados do mundo, as empresas são submissas aos consumidores, ninguém é enganado, os serviços são primorosos e invejados pelo resto do mundo, os contratos são racionais e pró-consumidor, as minorias são incluídas, os lucros são módicos e a benevolência reina na sociedade. 

    E todo mundo é doido para copiar nosso modelo econômico.

    Né?
  • Kleber   29/04/2015 17:20
    O Oliver está sendo claramente sarcástico, utilizando os chavões favoritos da esquerda e fazendo chacota com eles.

    Ainda assim, vale listar aqui, a quem interessar possa, três artigos cruciais sobre o tema regulamentação:

    Estes dois sobre a regulamentação estatal:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1200

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2049


    E estes dois sobre a regulamentação privada:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2024

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=748
  • Pedro  30/04/2015 02:05
    Esclarecimento a Oliver. Comprei na Best Buy (rede de eletroeletronicos), na Florida, um aparelho chamado AppleTV por US$100.00. Quase um mes depois, cheguei 'a conclusao que nao estava ok. Fui a loja troca-lo. Deram-me um novo e, como o preco estava em US$69.00, ainda me devolveram $31.00 (fiquei com um cartao da empresa nesse valor para uso em futura compra). Ai no Brasil, Oliver, sob a boa protecao do Estado burocratico, um fato desse nem pensar...
  • Observador  30/04/2015 02:11
    Uma coisa que me fascina nos países desenvolvidos -- principalmente nos EUA -- é justamente esse respeito pelo consumidor.

    Se você demonstra alguma insatisfação com uma mercadoria, você é prontamente ressarcido. Sem burocracia, sem conversa fiada, sem "vou chamar o gerente". Eles simplesmente acreditam em você.

    Uma vez comprei um produto da Garmin pela internet (um mapa digital para GPS). Não era nenhum produto físico; era apenas um download. No entanto, como meu computador é antigo e ruim, não consegui baixar o programa diretamente para meu GPS (a entrada USB do meu GPS é incompatível com a do meu computador). Perceba que não havia nada de defeituoso com o programa comprado; o problema era todo do meu computador.

    Mandei um email para a Garmin apenas dizendo que não havia tido sucesso no download e pedi para estornarem meu cartão de crédito. Sem problema nenhum. E vale ressaltar que a Garmin simplesmente confiou na minha palavra. Eu poderia perfeitamente estar mentindo; poderia estar usando o programa e ter mentido para conseguir o dinheiro de volta.

    Eles simplesmente confiaram em mim e me devolveram o dinheiro na hora.

    Quando morei nos EUA, todas as (poucas) vezes que fiz uma queixa, fui prontamente atendido e ressarcido. Sem enrolação, sem papo furado. E, principalmente, sem agência de proteção ao consumidor.

    Não é de se estranhar, portanto, que é nos EUA que estão os principais movimentos pró-liberdade e anti-estado do mundo. O pessoal lá sabe muito bem como funciona o livre mercado e como as pessoas são tratadas respeitosamente por vendedores que querem sobreviver em um ambiente competitivo. Eles vivem isso diariamente. Não tem como não se admirar.
  • Aline  12/03/2016 23:45
    Na posição atual da sociedade brasileira, os ideais libertários ainda não podem ser implantados. Infelizmente. Não por nenhuma falha nos aspectos econômicos. Muito menos por causar qualquer tipo de injustiça. Os ideais libertários são os mais justos, são a "coisa certa". Contudo, ainda vamos acabar esbarrando naqueles sujeitos, como aquele da cientologia. Desses que arrastam gente, que influenciam os outros. Aqueles que vão atrás de poderes, quaisquer tipos de poderes. Falta ainda o avanço intelectual, cultural, e sim, moral. A moral de simplesmente deixar o outro fazer o que bem entende. A moral de transcender. O Deus que mora em mim respeita o Deus que mora em você.
  • Thiago Ramos  29/04/2015 15:44
    "Várias obras no país vão parar por falta de recursos, diz ministro"

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/04/1622550-varias-obras-no-pais-vao-parar-por-falta-de-recursos-diz-ministro.shtml

    O ministro deveria ler este artigo. Será que se ele convidar americanos, asiáticos e europeus para investir aqui, dando-lhes plena liberdade e garantindo várias isenções tributárias, ainda haverá falta de recursos?
  • Chin  29/04/2015 16:09
    Excelente artigo!

    De fato tudo que o governo tem que fazer é sair de cena.

    De uma maneira simplista: o estado é apenas uma barreira ao desenvolvimento natural da sociedade.
  • Gredson  29/04/2015 16:28
    Eu gostaria de entender porque necessariamente o conhecimento é tão importante quanto o investimento? Por acaso os brasileiros não sabem fazer o que os estrangeiros fazem?
  • Cintra  29/04/2015 16:47
    De nada adianta ter conhecimento se não houver recursos para investir e transformar esse conhecimento em prática.

    Adicionalmente, ainda que o brasileiro fosse o povo mais inteligente e culto do mundo, todos os povos do mundo são, conjuntamente, mais inteligentes e cultos que o brasileiro. É a lei dos grandes números.

    De resto, não entendi muito bem seu ponto: você está dizendo que somos inteligentes e ricos o bastante para sermos autossuficientes? Nem os americanos pensam isso de si próprios, tanto é que não abrem mão da imigração e dos investimentos estrangeiros.
  • Gredson  29/04/2015 17:02
    Eu havia entendido em um sentido que o Brasileiro não é capaz intelectualmente falando, de fazer os trabalhos técnicos e somente o estrangeiro teria esse conhecimento. (como se fosse algo fechado ao pais). mas agora faz mais sentido depois que você falou da lei dos grandes números. Obrigado.
  • Juliano  29/04/2015 17:03
    Trecho de "A Lanterna na Popa", livro de memórias de Roberto Campos:

    Cabe-me registrar um fato extremamente pitoresco. Numa das minhas visitas ao Brasil, como embaixador em Washington, em meados de 1963, à procura de bons projetos para a retomada dos de financiamentos do Banco Mundial, procurei no Rio o então ministro de Viação e Obras Públicas do governo parlamentarista de Goulart, Expedito Machado. Quando comecei a lhe expor o problema, a sala foi literalmente invadida por líderes sindicais do Lloyd Brasileiro, que tinha um fato grave a denunciar ao ministro. Fiz menção de sair da sala, para não privar das confidências, quando Expedito me acenou para ficar. Com tonitruante vozeirão, o líder, com forte sotaque nordestino, começou sua arenga: Ministro, quero denunciar ao senhor e à nação um crime da maior gravidade. Querem impelir o Lloyd Brasileiro para o caminho infame do lucro!

    Aparentemente, algumas reivindicações salariais não haviam sido atendidas, e isso denotava obscena preocupação capitalista do Lloyd com a lucratividade.

    - Como é que o ministro vai sair dessa? - murmurei.

    A resposta de Expedito veio pronta:
    - Não se preocupem, meus senhores. O déficit será logo restabelecido. O Lloyd não se afastará de sua tradição.
  • anônimo  29/04/2015 17:56
    Olá, gostaria de solicitar uma ajuda se alguém souber e se dispor a me auxiliar. Me parece relevante com o assunto do artigo de abertura do comércio.
    Numa seção de comentários de um artigo se estava discutindo sobre telecommuting e me interessei pela possibilidade, Indo atras descobri alguns sites que facilitavam essa negociaçao com empresas estrangeiras, e fiquei bem animado.

    Mas sou um completo ignaro e incapaz de compreender a legislaçao e sistema burocrático brasileiro, no que fui atras encontrei que para prestar serviço a alguma empresa fora do brasil precisaria de um tal cadastro no sistema siscomex o qual não compreendi de maneira alguma como realizar.

    Alguém faz esse tipo de serviço? Ou poderia me indicar um caminho a seguir pra conseguir fazer esse tipo de trabalho e poder receber?

    Obrigado!
  • mauricio barbosa  11/11/2015 14:41
    Procure um despachante especialista neste tipo de burocracia,creio eu ele lhe prestará um bom serviço visto ser um ramo concorrido(Despachantes).Interessante a burocracia estatal fez surgir essa figura(Despachante)sui generis,realmente onde a burocracia atrapalha,o mercado cria atalhos para minimizar o prejuizo com a perda de tempo e recursos, mas a um alto custo trocando em miúdos a burocracia fez surgir o despachante que diminue o tempo perdido e organiza a papelada exigida mas o ônus fica com o mercado duplamente penalizado com as taxas da burocracia mais a comissão deste(Despachante)intermediário,enfim sem mais delongas é isso procure um profissional especialista nestas questiúnculas burocráticas é o que eu te recomendaria.
  • Emerson Luís  29/04/2015 18:30

    Se o governo nada fazer pelo crescimento econômico, como ele vai justificar o seu tamanho?

    Aliás, nem vai chegar ao poder: imaginem um candidato brasileiro dizer que sua única ação em prol do crescimento econômico será a não-ação, que deixará todos os players se entenderem sozinhos e atuarem sem sua intervenção?

    * * *
  • Felipe  29/04/2015 19:58
    Uma boa constatação, mas que me deixa ainda mais pessimista diante do futuro.
  • Emerson Luis  11/03/2016 10:40

    "Se o governo nada fazer pelo crescimento econômico, como ele vai justificar o seu tamanho? Aliás, nem vai chegar ao poder: imaginem um candidato brasileiro dizer que sua única ação em prol do crescimento econômico será a não-ação, que deixará todos os players se entenderem sozinhos e atuarem sem sua intervenção?"

    Pensando melhor, um governo de viés liberal vai trabalhar justamente para minimizar o tamanho do Estado visando deixar a economia fluir e crescer naturalmente, o que vai ajudar principalmente aos mais pobres.

    Um candidato brasileiro pode (1) se propor a fazer com que o governo cada vez mais deixe de atrapalhar, (2) defender o respeito à vida, à liberdade e à propriedade privada e (3) combater comportamentos que transijam esses princípios, ou seja, comportamentos criminosos que não são "livre mercado" como dizem os socialistas, mas sua perversão.

    * * *
  • Henrique  29/04/2015 18:40
    "(...) tarifas de importação sempre são implantadas pelo governo com o intuito de proteger a reserva de mercado de empresas ineficientes (se fossem eficientes, não teriam medo da concorrência estrangeira) (...)"

    Como concorrer, então, com as indústrias chinesas, que vendem seus produtos no mercado internacional abaixo do custo de produção?

    Abraços.
  • Meirelles  29/04/2015 18:58
    Em que mundo você vive, Henrique? Certamente não é no mundo real. No mundo real, empresas que "vendem abaixo do custo de produção" estão, por definição, tendo prejuízos eternos. E empresas que têm prejuízos eternos, em qualquer arranjo minimamente capitalista, não sobrevivem.

    Gostaria de saber quais são suas fontes para tal afirmação.
  • Leandro  29/04/2015 19:08
    Eu juro que não entendo essa histeria com a China. Quem dá chilique com a China não tem a mais mínima noção do conceito de vantagens comparativas.

    Se os chineses se especializaram em vender produtos baratos, e se as pessoas voluntariamente compram estes produtos, qual o problema desse arranjo? Alguém poderia me responder?

    Se os chineses são caridosos o bastante para nos vender produtos baratos, então nós deveríamos aceitar de muito bom grado. Se há um xing-ling disposto a me vender chuveiros, panos e sapatos a preços baixos, por que eu deveria recusar? Aguardo resposta.

    Indo ainda mais além: por que insistir nessa ideia de que o Brasil deve produzir de tudo? É economicamente sensato tentar produzir todas as linhas de industrializados no Brasil, de panelas e pentes a navios e satélites? Por acaso cortar, entortar e rebitar ferro -- tarefas que um xing-ling é capaz de executar a custos irrisórios -- são coisas economicamente prementes para o país?

    A teoria das vantagens comparativas -- que é outra teoria que vivenciamos diariamente -- é clara: você deve se concentrar naquilo em que você é bom. Tentar fazer coisas em que você não é bom (sendo que já existem pessoas excelentes em outras partes do globo se dedicando a essas coisas) não levará a um resultado desejado. Tentar concorrer com os chineses em algo em que eles já são bons é perda de tempo, de recursos escassos e de dinheiro.

    Quem pensa que devemos restringir importações da China está, na prática, dizendo que mão-de-obra e recursos físicos que deveriam estar sendo direcionados para o campo científico e tecnológico devem ser desperdiçados fabricando pentes e rebitando ferro.

    Isso faz sentido?
  • anônimo  29/04/2015 19:18
    Ué, das 2 uma, ou eles produzem eficientemente demais e tem lucro, nesse caso ser abaixo do SEU custo de produção só mostra que eles estão agindo com mais eficiencia que voce, nesse caso pq vc vai querer concorrer numa área que é ineficiente? Ou eles estão incorrendo de prejuízos e queimando seu capital, compre e aproveite o capital chines não durará pra sempre.

    É impossivel voce querer ser competitivo em todas a areas, no que não tiver know how e eficiencia não precisa atuar, se focar no que sabe é a grande vantagem da divisão de trabalho.
    Por exemplo o brasil notadamente não tem como forte esportes de inverno, claro não temos neve, vale a pena ficar treinando snowboard no meio de 40 graus no rio? Pelo menos nesse ponto ainda não vejo ninguém reclamar da falta de competitividade, ainda bem!
  • Felipe  29/04/2015 19:46
    A bela lógica dos nacionalistas, porque vivemos na mesma linha imaginária não podemos consumir nada de fora dela ou ficaremos mais pobres. Seguindo esta lógica, se os cearenses consumissem apenas produtos do Ceará ficariam mais ricos, e assim levado ao extremo eu ficaria mais rico se só consumisse o que eu mesmo produzir.
  • Camargo  29/04/2015 20:16
    Perfeita definição, Felipe.

    Nesta mesma linha, recomendo estes três artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1332

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1131

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1517
  • Henrique  29/04/2015 20:00
    Existem vários casos em que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, após investigação, aplicou tarifas para coibir essa prática dos chineses no mercado nacional. Vejam os casos de pneus, canetas, calçados, objetos de cerâmica etc.

    Para quem se interessar:
    pt.wikipedia.org/wiki/Dumping

    Abraços.
  • Marcos  29/04/2015 20:14
    Genial, Henrique! Burocratas agindo para proteger o interesse de grandes empresários (que sao grandes doadores de campanhas políticas) decidem proibir o consumidor brasileiro de comprar produtos baratos da China e passam a obrigá-los a comprar produtos caros e ruins nacionais, para satisfazer o grande empresariado nacional (majoritariamente a FIESP).

    E o que ganhamos com isso? Carestia e péssimos produtos (por que se esforçar para fazer produtos bons se a concorrência foi suprimida). Nao há política mais anti-pobre do que tarifas de importação. Não se pode nem comprar uma caneta da China! Que merda de país.

    E há otários defendendo isso. Né?

    P.S.: sigo no aguardo de quando você irá responder às perguntas do Leandro ali em cima.
  • Henrique  29/04/2015 21:25
    Respondendo ao Leandro, que justificou as importações da China por meio da teoria das vantagens comparativas:

    Vemos que os países subdesenvolvidos estão amarrados em um ciclo em que vendem commodities, de valor agregado relativamente baixo, em troca de produtos industrializados e de tecnologia de ponta. Percebemos, então, que para o Brasil se tornar um país desenvolvido, precisa deixar de ser apenas um exportador de matéria-prima.
    Mas como concorrer com os países desenvolvidos nesse quesito? É impossível! Eles já possuem capital, mão-de-obra qualificada, patentes etc., coisa que nós não temos. Faz-se necessária a proteção à indústria nacional até que se torne competitiva na produção destes produtos, a exemplo do que fizeram Japão e Coréia do Sul.

    Devemos focar no que somos competitivos? Ora, e no que o Brasil é competitivo? Soja, algodão, café, minério de ferro... Todos commodities! Se nos concentrarmos apenas em nossos pontos fortes não vamos romper o círculo vicioso de exportador de matéria-prima e importador de produtos industrializados.

    Abraços.

  • Leandro  29/04/2015 22:29
    Ai, que preguiça. Se há uma coisa que realmente desanima é ter de lidar com pessoas incapazes de um pensamento minimamente original, e que só sabem repetir -- feito robôs -- aqueles clichês e lugares-comuns requentados de um manual do DCE.

    "Vemos que os países subdesenvolvidos estão amarrados em um ciclo em que vendem commodities, de valor agregado relativamente baixo, em troca de produtos industrializados e de tecnologia de ponta."

    Gozado. Nova Zelândia e Austrália eram subdesenvolvidos (a Nova Zelândia era terceiro mundo até a década de 1980), viraram desenvolvidos, são hoje extremamente ricos, e seguem tendo como pauta de exportação commodities de baixo valor agregado.

    Para você ter uma ideia, na Austrália, não há nenhuma grande montadora de automóveis. E, na Nova Zelândia, nem sequer há montadora de automóveis. Eles já perceberam que é muito mais negócio importar carros barato do que direcionar recursos escassos para fazer algo em que não são bons. Eles sabem que isso seria burrice.

    Adicionalmente, há vários países do sudeste asiático que, até a década de 1960, não podiam nem sequer exportar commodities, simplesmente porque elas nunca existiram em seu território. Eles tinham de importar tudo, desde panelas e telefones até água e gasolina. E hoje eles são extremamente competitivos em termos de produtos altamente tecnológicos. E sem protecionismo nenhum. Vide os casos de Hong Kong, Cingapura e Taiwan. Para você, isso deve ser um mistério.

    Mas eu lhe conto o segredo: abertura total ao investimento estrangeiro, e respeito aos quatro itens citados neste artigo.

    "Percebemos, então, que para o Brasil se tornar um país desenvolvido, precisa deixar de ser apenas um exportador de matéria-prima."

    Explique melhor este salto lógico, pois eu não entendi. Por que o Brasil só pode se tornar desenvolvido se ele começar a exportar foguetes e satélites (aviões nós já exportamos)? Austrália, Nova Zelândia e principalmente Chile só exportam matéria-prima, não exportam nada de alto valor agregado, e se tornaram países desenvolvidos.

    Como ocorreu esse milagre? A resposta, de novo, está no respeito aos quatro itens citados neste artigo.

    "Mas como concorrer com os países desenvolvidos nesse quesito? É impossível!"

    Como você vai concorrer com o Cristiano Ronaldo e com o Messi? Por que você quereria concorrer com eles? Sigo no aguardo da sua refutação da teoria das vantagens comparativas. Você tem de explicar por que seria vantajoso querer concorrer com quem já domina a área. E explique também aos neozelandeses que eles devem urgentemente direcionar recursos escassos para construir uma fábrica de automóveis, ainda que seja muito mais vantajoso para eles comprar de outros países.

    Já imaginou se o governo do Japão cismasse que o país tem de virar uma potência na extração de petróleo? É exatamente isso o que você quer.

    "Eles já possuem capital, mão-de-obra qualificada, patentes etc., coisa que nós não temos."

    E o que nos impede de termos mão-de-obra qualificada e capital? Por que eles não podem vir pra cá? O artigo fala exatamente sobre. Parodiando o filme "O Campo dos Sonhos", se você permitir, eles virão.

    "Faz-se necessária a proteção à indústria nacional até que se torne competitiva na produção destes produtos, a exemplo do que fizeram Japão e Coréia do Sul."

    Essa é demais. No Brasil, o protecionismo vigora desde o ano 1500, e você ainda quer mais? Em termos de protecionismo, as empresas brasileiras já não tiveram o bastante? O mercado brasileiro está praticamente fechado há mais de um século e ainda é necessário dar mais tempo?

    Mas responda aí: Vamos proteger quais setores? Por quê? A tarifa de quanto? Por que tal valor? Por que não um valor maior ou menor? Por quanto tempo deve durar tal tarifa? Por que não um tempo maior ou menor? Qual setor deve ser o mais protegido? Por que tal setor e não outro? E, finalmente, por que o segredo para a eficiência é a blindagem da concorrência?

    Enquanto você não responder a essas perguntas -- assim como fiz às suas --, o debate fica emperrado.

    "Devemos focar no que somos competitivos? Ora, e no que o Brasil é competitivo?"

    Ora, e no que a Austrália e Nova Zelândia são competitivas? No que o Chile é competitivo senão em vinhos e cobre? No que Hong Kong e Cingapura eram competitivos?

    No Brasil, há um vasto setor de serviços a ser explorado. Há todo um setor de turismo, totalmente subutilizado (há vários locais bonitos sem a mais mínima infraestrutura para turistas). Há setores tecnológicos de ponta (a Embraer, por exemplo). Nossas mineradoras são eficientes e pagam bem (para quem é bom).

    Em todos os países ricos, o setor de serviços ocupa quase 70% da economia.

    No entanto, você insiste em dizer que eu mesmo é que tenho de fabricar meu notebook.

    "Soja, algodão, café, minério de ferro... Todos commodities!"

    Laticínios, carne, lã, madeira, peixe, alumínio, e produtos de papel. Todos eles commodities. E sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Nova Zelândia.

    Carvão, minério de ferro, lã, alumínio, trigo, carne e algum maquinário. Sabe o que eles representam? Toda a pauta de exportação da Austrália.

    Caiu de costas?

    "Se nos concentrarmos apenas em nossos pontos fortes não vamos romper o círculo vicioso de exportador de matéria-prima e importador de produtos industrializados."

    Pela enésima vez: explique para as populações de Austrália, Nova Zelândia e Chile que elas estão vivendo uma ilusão. E diga às populações de Hong Kong, Cingapura e Taiwan que eles fizeram o impossível, em sua opinião. Eles vão gostar de saber.
  • Juliano  30/04/2015 17:00
    Bastiát continua atual como nunca. Quem pode concorrer com o sol????? É uma concorrência desleal, totalmente predatória!

    Acho interessante como os exemplos mudam para se ajustar ao discurso.

    Primeiro o problema é a China, país subdesenvolvido, que fornece tudo muito barato porque a mão de obra é barata. Depois, o problema são os países desenvolvidos, porque têm mão de obra especializada e capital abundante.

    Outro ponto mágico é que o protecionismo só vale nos limites nacionais. Nunca vi ninguém dizer que Ponta Grossa, no interior do Paraná, deveria deixar de receber produtos e mão de obra das outras regiões do país, pois isso a tornaria bem mais rica. Como é que Ponta Grossa vai concorrer com os grandes centros, como São Paulo? O ideal seria acabar com todas as estradas e fazer com que a cidade fosse totalmente independente.

    E, claro, segundo esse argumento, Cuba deveria agradecer aos americanos, já que o boicote os força a produzir internamente muito mais do que seria necessário. Definitivamente, um exemplo de sucesso!
  • Emerson Luís  04/05/2015 12:55

    "Se nos concentrarmos apenas em nossos pontos fortes não vamos romper o círculo vicioso de exportador de matéria-prima e importador de produtos industrializados."

    O que acontece quando um indivíduo aplica essa ideia em sua vida profissional e pessoal? O sujeito tem um talento acima da média para X e talento abaixo da média para Y, então resolve deixar de lado o desenvolvimento de X e concentrar-se em desenvolver Y. O resultado só poderá ser a mediocridade e a estagnação profissional.

    O mesmo ocorre com as empresas e outras organizações. Se quer exemplos, leia os livros de Jim Collins, em especial "Feitas para Vencer" e "Feitas para Durar".

    Por que princípios que se aplicam a indivíduos e organizações não se aplicariam a países?

    * * *
  • Luis  30/04/2015 02:02
    Deterioração dos termos de troca a essa altura do campeonato? o próprio autor, Raul Presbich, já falecido, enterrou esse fenômeno.
  • Tio Patinhas  30/04/2015 14:06
    " Faz-se necessária a proteção à indústria nacional até que se torne competitiva na produção destes produtos, a exemplo do que fizeram Japão "

    Na verdade no pós guerra eles tinham tarifas protecionistas, mas depois mudaram isso. Assista o filme "de volta para o futuro", o cientista fala: "é claro que essa máquina (do tempo) falhou, o computador utilizado é feito no Japão..."

    Os produtos japoneses, assim como os carros eram ruins. E o que o Japão fez? Diminuiu os impostos de importação (chegou a 2,5 % e se mantém assim até hoje) e quotas de importação, os produtos melhoraram de tal forma que na década de 80 os EUA tentaram impor altas taxas de importação aos produtos japoneses (em especial televisões).

    Mas nada disso serviu, o fato dos produtos japoneses serem melhores foi um diferencial.

    A verdade é que os produtos japoneses só ficaram melhores, quando as tarifas protecionistas foram praticamente extintas (ainda tem 2,5 % e é praticamente impossível exportar arroz para o Japão, mas fora isso creio que está melhor do que o Brasil).

    Obrigado.
  • Patrick  11/03/2016 16:10
    Sabe qual a vantagem da China? 15% de tributação do PIB e ausência de leis trabalhistas. Garanto que se o Brasil atuasse da mesma maneira, estaríamos exportando manufaturados pra China.
  • Mohamed Attcka Todomundo  04/05/2015 17:43
    "Existem vários casos em que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, após investigação, aplicou tarifas para coibir essa prática dos chineses no mercado nacional. Vejam os casos de pneus, canetas, calçados, objetos de cerâmica etc. Para quem se interessar:
    pt.wikipedia.org/wiki/Dumping"


    Henrique, vc acha q a wikipedia é argumento? pois fike sabendo q eu escrevo lá.
  • Renato  29/04/2015 20:13
    Henrique, se você realmente se preocupa com a indústria brasileira, passe a defender então a valorização do real, para que os empresários competentes (e não aqueles que recebem privilégios) possam importar bens de capital por preços cada vez menores, o que fará com que a produtividade das indústrias aumentem, e eles possam então vender seus produtos a preços mais baixos e finalmente enfrentar a concorrência chinesa, que é o seu grande temor. Caso você não defenda isso, não tem moral alguma pra vir reclamar dos produtos chineses.
  • Lucas S.  29/04/2015 19:43
    Olá,

    Gostaria de saber dos misesianos se a propriedade privada é (ou deveria ser) absoluta a este ponto:
    obutecodanet.ig.com.br/index.php/2015/04/23/diversos-moradores-se-recusam-a-deixar-casas-e-criam-cenarios-bizarros-na-china/

    Graças a teimosia de alguns indivíduos, por motivo A ou B não saíram de suas propriedades causando as bizarrices vistas no link.
    Eu entendo a importância do respeito ao direito de propriedade, porém quero saber dos daqui, mais a respeito da questão da 'desapropriação' de propriedades.
  • Ricardo  29/04/2015 20:18
    Esses chineses estão corretíssimos, o que mostra que a propriedade privada lá é muito mais respeitada do que aqui no Brasil.

    Perdoe-me, Lucas, mas bizarro, isso sim, é defender a desapropriação. Bizarro, isso sim, é dizer que pessoas devem ser forçadas a sair de suas casas apenas para atender a interesses comerciais de poderosos. Bizarro, isso sim, é chamar de bizarro pessoas que se recusam a ser desapropriadas.

    Essa notícia que você postou mostra perfeitamente como o respeito à propriedade privada é pró-pobre e anti-totalitarismo.

    Ainda sobre esse assunto, há um artigo específico a respeito:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1757
  • anônimo  29/04/2015 20:26
    A bizarrice aí é começar o empreendimento sem verificar a factibilidade do mesmo. É como se você estivesse no Rio Grande do Sul e marcasse uma reunião presencial no Amapá para daqui 5 minutos (dado que teletransporte ainda não foi inventado).

    No mais, é por começar a respeitar a propriedade privada e a livre iniciativa que a China está saindo da miséria extrema. Quando só existia propriedade comunal até alimentar o povo era um desafio, essas construções aí sequer sairiam do papel. Esses 'teimosos' talvez estivessem mortos de inanição assim como boa parte dos que trabalharam nesses projetos.

    Não falo em nome de todos 'misesianos' mas eu considero a propriedade privada como absoluta sim.
  • Felipe  29/04/2015 20:40
    Essas fotos só mostram que na china há mais respeito ao individuo do que na republica das bananas.

    E o sujeito ainda quer culpa o proprietário, sendo que foi a empresa que se apropriou de todo em torno da propriedade e criou essa bizarrice.
  • Renato  29/04/2015 19:50
    Eu sempre acompanho os artigos e comentários do mises, estou me tornando fã a cada dia.

    Este artigo para mim é um dos mais esclarecedores e persuasivos que eu já li, impressionante como algo que é óbvio não é posto em prática. Melhor artigo feito(pelo menos os quais tenho ciência).

    Bom esse cenário somente pode ficar em nossos sonhos, quem sabe um dia vire realidade, só lamento que provavelmente não estarei vivo para compartilhar.

    Abraços a todos.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  29/04/2015 21:37
    O governo na economia é como um vírus em um computador ou em um organismo vivo. Para que serve o vírus? Apenas atrapalhar o correto funcionamento da máquina ou do organismo. Vírus tem que ser ELIMINADO.
  • Pedro Morais  29/04/2015 21:55
    Leandro,não entendo o porque do baixo crescimento(durante um período alto crescimento mundial) da economia brasileira durante a República Velha,pois,pelo que sei, o governo brasileiro cumpria a maioria das medidas citadas no texto.
  • Leandro  29/04/2015 23:06
    Como não? Foi justamente durante o período 1902-1915 que o país vivenciou um grande período de prosperidade, e isso segundo fontes de esquerda (as únicas existentes no Brasil):

    "No terreno econômico pode-se observar a eclosão de um espírito que se não era novo, se mantivera na sombra ou em plano secundário no Império: a ânsia de enriquecimento, de prosperidade material que na Monarquia não era tido como um ideal legítimo e plenamente reconhecido.

    O novo regime fez despontar o homem de negócios, isto é, o indivíduo inteiramente voltado para o objetivo de enriquecer. A transformação foi tão brusca que classes e indivíduos dos mais representativos da Monarquia, antes ocupados unicamente com política e funções similares, que no máximo se preocupavam com suas propriedades rurais, se tornaram ativos especuladores e negocistas, com o total consentimento de todos.

    As atividades brasileiras foram estimuladas por finanças internacionais mais multiformes e ativas que as inversões esporádicas de capital que antes se fazia, mas que passaram a ter participação efetiva, constante e crescente em diversos setores que ofereciam oportunidades de bons negócios. A produção cafeeira, a grande atividade econômica do país, foi naturalmente atingida e em torno dela se travou uma luta internacional, boa parte dos fundos necessários ao estabelecimento das plantações e custeio da produção foi proveniente dos bancos ingleses e franceses, ou então de casas exportadoras estrangeiras ou financiadas com capitais estrangeiros.

    O Brasil tornou-se neste momento um dos grandes produtores mundiais de matérias-primas e gêneros tropicais e ao café foi acrescentada na lista dos grandes produtos exportáveis, a borracha, que chegou quase a emparelhar-se a ele, o cacau, o mate, o fumo. A produção de gêneros de consumo interno, no entanto, diminuiu e se tornou cada vez mais insuficiente para as necessidades do país obrigando a importar do estrangeiro a maior parte até dos mais vulgares artigos de alimentação. As exportações maciças compensavam estas grandes e indispensáveis importações levando os saldos comerciais a patamares apreciáveis."

    Aí, a partir de 1915, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, houve vários desarranjos, e a inflação de preços, até então imperceptível, passou a crescer 8% ao ano. Aí a coisa degringolou.
  • Lopes  30/04/2015 00:02
    Como seria nossa Terra se não fosse a Primeira Guerra? Será que algo como o IMB existiria (precisaria existir tanto quanto precisa hoje)? Será que, apesar de improvável, algum grupo revolucionário teria tomado conta de algum país se não fosse a fraqueza advinda da guerra? Será que, ao menos, algum de nós (ou alguém semelhante em virtudes e personalidade), toda a improbidade advinda da genética de lado, viria a nascer?

    As pessoas costumam reduzir em muito o impacto do estado em suas vidas - afinal, a vitória do mal é convencer as pessoas de que ele não existe - mas a verdade é que toda nossa cultura, desde as mortes até os divórcios, os postos de trabalho que assumimos, a ascensão do crime e do comportamento antissocial, crescimento do bem-estar social e mais; é tão consequência de medidas dos estatistas em uma nação quanto poderoso é (ou foi) o próprio estado em um país durante a vida de uma pessoa. Lendo a história de imigrantes europeus da primeira metade do século XX, especialmente daqueles de ascendência nobre, parece um massacre de famílias que leva um a questionar que tipo de indivíduo nasceu após a catástrofe - idem à leitura da vida das pessoas em quaisquer países socialistas, pautada sempre pela paranoia, desigualdade e impotência adiante das figuras de autoridade - é uma narrativa de terror.

    Ao ler textos como este acima que foi apontado pelo Leandro ou quaisquer textos sobre o mundo que antecedeu a última guerra feudal, ponho-me contérrito: quem é aquele mundo alienígena? Como é o futuro de tal mundo? Será que todos - desde os banqueiros centrais aos consumidores - já se esqueceram dele ou somente fingem não lembrar?

    Há algo de melancólico sobre a bela época.
  • rafael isaacs  30/04/2015 00:39
    Pergunta: como é possível que todo o mundo tenha um elevado padrão de consumo, tipo nos EUA?
  • Leandro  30/04/2015 01:20
    Atualmente, uma parte do mundo poupa -- majoritariamente China, Japão e demais países da Ásia -- e outra parte consome (majoritariamente as Américas, EUA e Brasil principalmente; a Europa fica no meio termo).

    A cada vez que um chinês sai da cama e vai trabalhar, nós temos um aumento no nosso padrão de vida.

    Os chineses produzem vestuários, aparelhos eletroeletrônicos (o iPad e o iPhone são inteiramente montados na China) e vários outros produtos, e nos vendem tudo a preços baixos, desta forma aumentando enormemente nossa renda disponível (no Brasil, não conseguimos aproveitar isso ao máximo porque o governo tributa pesadamente as importações; já nos EUA, essa benevolência chinesa é aproveitada ao máximo pelos americanos).

    Se os chineses pararem de poupar e produzir e passarem a consumir, a coisa vai degringolar e nosso padrão de vida vai cair. Por isso, deveríamos aproveitar ao máximo esse atual arranjo, pois ele não vai durar para sempre. Chegará um momento em que os chineses ficarão de saco cheio de apenas trabalhar e vão querer começar a se divertir também. Aí os recursos disponíveis para o resto do mundo vão escassear.
  • rafael isaacs  30/04/2015 01:41
    É impossível o mundo todo consumir em altos níveis? Alguem sempre terá que poupar?
  • Leandro  30/04/2015 02:01
    Claro. Se todo mundo só consome e ninguém poupa, não há produção. É impossível haver produção sem poupança prévia. Se você consome todos os recursos existentes, então é fisicamente impossível utilizar esses mesmos recursos no processo produtivo. Já se você poupa, então esses recursos que não foram consumidos podem ser direcionados para processos produtivos.

    (Os chineses poupam e, com isso, sustentam o consumo dos americanos. E os americanos, que não são nada bobos, se aproveitam desse arranjo.)

    Em termos globais, se não há poupança, não há produção; se não há produção, não há o que consumir.

    Mais sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=487
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=401
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=180
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1457
  • Marcelo  30/04/2015 02:19
    Leandro, essa teoria de que para produzir é preciso poupar, me parece falha. Só são necessários meios para se extrair os recursos da natureza, para que haja produção.

    Por exemplo, para fabricar um automóvel, não é necessário que alguém deixe de comprar uma panela de aço inox no supermercado, para que este aço seja usado na carroceria do automóvel. Basta que se extraia mais ferro da natureza, para que a quantidade de ferro extraída passe a atender a demanda de quem quer a panela e de quem quer o automóvel.

    Outro exemplo: para se produzir energia elétrica numa usina termoelétrica, não é necessário que as pessoas reduzam seu consumo de combustíveis. Só é necessário que se extraia mais combustível da natureza.
  • Leandro  30/04/2015 03:26
    "Só são necessários meios para se extrair os recursos da natureza, para que haja produção."

    Aí já começa a primeira falha. Você ignora a alteração dos custos desses meios, como será mostrado mais abaixo. E o aumento dos custos desses meios afeta toda a cadeia de investimentos.

    "Por exemplo, para fabricar um automóvel, não é necessário que alguém deixe de comprar uma panela de aço inox no supermercado, para que este aço seja usado na carroceria do automóvel."

    Errado. Se todo mundo estiver comprando panela de aço inox, uma grande quantidade de aço será redirecionada para a fabricação de panela inox. Ato contínuo, haverá uma relativa escassez de aço para fabricar automóveis. Consequentemente, tanto o preço do aço quanto os preços dos automóveis irão disparar.

    Esse aumento da demanda por aço (que agora tem de fazer mais carros e mais panelas) estimulará mais investimentos nesse setor (no caso, extração de minério de ferro). Já o aumento dos preços dos automóveis reduzirá a demanda por esse bem. Consequentemente, haverá mais investimentos nos setores de bens de capital (mineração) e menos no setor de bens de consumo (automóveis). Toda a estrutura de produção da economia foi alterada. Mão-de-obra e recursos físicos foram retirados de várias cadeias de produção e foram redirecionados para a extração de minério de ferro.

    "Basta que se extraia mais ferro da natureza, para que a quantidade de ferro extraída passe a atender a demanda de quem quer a panela e de quem quer o automóvel."

    Num piscar de olhos? Por favor, né? O processe de extração do ferro, sua transformação em aço, e a subsequente confecção de um automóvel é longa e demorada. Não é coisa que ocorre do dia para noite. Nesse ínterim, os preços já subiram, todos os preços relativos da economia foram alterados, e todos os investimentos foram distorcidos ou alterados. É justamente disso que se trata a teoria dos ciclos econômicos.

    Agora, é o óbvio ululante que não se está dizendo que o aço acabará para sempre. Estamos falando de escassez relativa, que se traduz em aumento de preços e que altera toda a cadeia de investimentos.

    Adicionalmente, vale ressaltar que, como explicado no artigo, esse fenômeno tem de estar ocorrendo em nível global para ser sentido. Se estiver ocorrendo em apenas um país, e se este for aberto a importações de aço, esse efeito será bastante mitigado.

    "Outro exemplo: para se produzir energia elétrica numa usina termoelétrica, não é necessário que as pessoas reduzam seu consumo de combustíveis. Só é necessário que se extraia mais combustível da natureza."

    Mesmíssimo raciocínio acima. Daí a importância de se estudar a estrutura temporal da cadeia de produção.
  • Ali Baba  01/05/2015 12:31
    @Marcelo 30/04/2015 02:19:40

    Leandro, essa teoria de que para produzir é preciso poupar, me parece falha. Só são necessários meios para se extrair os recursos da natureza, para que haja produção.

    Você está olhando para um lado da questão (se o aço for para panelas, faltará para carros), que foi respondido pelo Leandro com a maestria costumeira. No entanto se esquece que existe o outro lado da questão em que o axioma "poupar para produzir" é ainda mais verdadeiro:

    A única maneira de você ter dinheiro para comprar algo (consumir) que foi produzido por outrem é se você previamente empreendeu seus esforços a alguma atividade demandada e guardou o que ganhou com ela (poupou). Ou seja, a poupança vem, sim, antes do consumo, consequentemente antes da produção.

    É claro que com os diversos produtos creditícios disponíveis no mundo moderno, você pode inverter essa lógica e consumir ou produzir a crédito antes de poupar. Mas isso não faz com que você não tenha de poupar, você só está adiando essa poupança.

    Além disso, em geral, você é penalizado por consumir antes de poupar e a teoria da preferência temporal estabelece isso como uma Lei do mercado: dinheiro agora vale mais do que dinheiro no futuro (isso seria verdade mesmo com inflação zero - mas é ainda mais verdade dado que a inflação é maior que zero). Empiricamente é fácil constatar esse fato: pagando a vista em geral você obtém desconto. Esse desconto de quem poupa antes de consumir é diretamente proporcional à penalidade de quem consome antes de poupar.

    No caso de um país consumindo antes de poupar, o que está sendo comprometido é a poupança futura (ou a poupança dos seus habitantes futuros, das futuras gerações); com esse consumo a crédito, o país aumentou o endividamento; a inflação nada mais é do que o "desconto" da poupança futura: as gerações futuras terão de trabalhar mais e por mais tempo para ganhar o mesmo ou menos e terão menos excedentes para poupar, consequentemente terão menos recursos para produzir. Por isso, países como o Brasil têm produtividade cada vez menor.

    E tudo isso decorre de tentar subverter uma Lei espontânea da economia: "poupar antes de produzir". A economia vai sempre se corrigir em direção a essa Lei. E quanto mais tempo demora para corrigir, maior a dor da correção.
  • rafael isaacs  30/04/2015 15:48
    E se todos no mundo resolvessem poupar, todos aumentariam sua riqueza?
  • João  30/04/2015 16:20
    Correto. O que é bom para o indivíduo, é bom para o conjunto de indivíduos. Se todos passam a poupar mais, mais recursos são liberados para serem direcionados para projetos de mais longo prazo, os quais aumentam a qualidade de vida da população.

    Já se todos passam a consumir mais, os recursos têm de ser direcionados para projetos de curto prazo (afinal, a necessidade consumista que bens presentes e não bens futuros). Os projetos de longo prazo se tornam bem mais caros e, consequentemente, inviáveis.

    Isso não significa, no entanto, que a transição de uma sociedade consumista para uma poupadora, será rápida e indolor. Esse processo de reajuste da economia, no qual vários recursos serão realocados de linhas de produção mais voltadas para o curto prazo para outras mais voltadas para o longo prazo, afetará muitas pessoas.
  • Josuel  22/05/2015 19:41
    Leandro, é possível poupar e ser desenvolvido? A China poupa e produz e os americanos consomem. Podemos dizer que a China é desenvolvida?
  • Leandro  22/05/2015 19:52
    A China tinha tudo parsetor um bom padrão de vida. Não por causa de seu governo mercantilista. 

    Todo o sacrifício (poupança e produção) dos chineses se transforma em consumo para o resto do mundo.

    Se o governo chinês parasse sua política mercantilista de estímulo às exportações, e permitisse que os chineses, em vez de exportar, pudessem consumir seus próprios produtos, o padrão de vida da população já seria muito melhor do que é hoje.

    Atualmente, os chineses poupam e produzem, mas o benefício vai para o resto do mundo. Eles próprios não usufruem os frutos de sua poupança e produção. É quase tudo exportado.  Muito sacrifício e quase nenhum benefício.  Seu padrão de vida está bem abaixo do potencial.
  • Marconi  22/05/2015 20:55
    Exato. Esses últimos 30 anos, a China aprendeu com o Ocidente a fabricar tudo tudo. Estradas, celulares, aviões, geladeiras, etc e etc. Tudo. Em troca, os produtos iam todos embora. Agora a China não precisa mais do Ocidente. Se eles resolverem inverter um pouco a situação, os preços vão subir no resto do mundo e cair na China. Os chineses vão dar um salto na qualidade de vida.



  • Pobre Paulista  30/04/2015 02:04
    Sim. Consumir como se não houvesse amanhã fará com que os estoques sumam, e sem produção ele não será reposto.

    Daí a extrema importância das taxas de juros serem livres. Quando todos estão consumindo, as taxas devem disparar, alertando as pessoas que é hora de parar de consumir e começar poupar um pouco. No entanto, no mundo atual, todas as autoridades financeiras forçam taxas de juros artificialmente baixas, e assim a informação que precisa chegar às pessoas (que é: parem de consumir e poupem, os juros estão altos!) não chega.

    Daí vem crise e a culpa é do preço do petróleo e do alinhamento de Júpiter com Saturno.
  • IRCR  30/04/2015 04:57
    Boa ideia essa de cada estado brasileiro ter uma moeda flutuante e que cada um tivesse sua própria politica de exportação\importação.

    Pegamos o estado do Maranhão, um dos mais pobres do Brasil, poderíamos criar uma politica industrial, com um cambio "competitivo" em relação aos demais estados, as importações vinda de outros estados seriam taxadas em 80% + ICMS. Muita heresia os maranhenses consumirem produtos dos outros estados mais ricos de sul-sudeste. Já que os maranhenses não tem capital, mão-de-obra qualificada, patentes etc...

    Poderia tb ser criado um banco de desenvolvimento próprio o BNM (banco nacional do Maranhão) para fomentar a industria local com juros bem "camaradas".
    E como o estado teria sua própria moeda, o governo do Maranhão poderia ter sua própria politica fiscal e monetária, ambas bem frouxas para gerar crescimento de renda e emprego.

    Dessa forma, o estado maranhense em pouco tempo se tornaria muito autossuficiente e prospero. Esse "livre mercado" entre os estados brasileiros deve acabar já, que só cria miséria, desigualdade de renda e violência.

  • Eduardo Mendes  30/04/2015 10:47
    "Um brasileiro transacionar comercialmente com outro brasileiro é tão efetivo quanto esse mesmo brasileiro transacionar com um vietnamita. Em ambos os casos, ele está buscando melhorar seu padrão de vida."

    O investidor, o empreendedor...todos procuram melhorar o padrão de vida.

    O que significa "melhorar o padrão de vida" ? Para o empreendedor é uma coisa. Para um rico é outra. Para um pobre é outra. Existe algum equilíbrio nisso ? É necessário um equilíbrio ? Ou é fundamental o desiquilíbrio ?

    Para um pobre poderia ser passar a ter uma residência, a ter o que comer, a propiciar uma boa educação para seus filhos...

    Para um rico, poderia ser comprar o helicóptero mais moderno, o perfume mais caro, frequentar restaurantes da moda...

    Sinceramente, como equilibrar o sistema, garantindo dignidade (que também é algo extremamente subjetivo) para cada ser humano ?
  • Felipe  30/04/2015 17:50
    Falou muito, mas não disse nada.

    Padrão de vida é algo subjetivo, como você salientou.

    Agora esse papo de "como equilibrar o sistema" é para fazer boi dormir. Principalmente quando inclui um conceito totalmente arbitrário como dignidade.

    Para mim é dignidade ter uma vida sem precisar roubar ou agredir alguém.

    Sobre o sistema, não precisa de interferência, é apenas uma rede em que as pessoas trocam bens e serviços. Qualquer interferência neste sistema será arbitrária e coerciva, Levando ao surgimento de perdedores e ganhadores.
  • Eduardo  01/05/2015 03:56
    O que significa "melhorar o padrão de vida"?
    Questão subjetiva e pessoal.

    Existe algum equilíbrio nisso?
    Não.
    É necessário um equilíbrio?
    Não. Alias, é impossível existir tal equilíbrio.
    Ou é fundamental o desiquilíbrio?
    Não diria fundamental, apenas natural.

    Sinceramente, como equilibrar o sistema, garantindo dignidade (que também é algo extremamente subjetivo) para cada ser humano?
    E porque você acha que é necessário equilibrar? Qual seu raciocínio lógico por trás?
    Ou mais ainda, se estamos falando de questões puramente subjetivas, como pode ser humanamente possível equilibrar?
  • Emerson Luis  11/03/2016 11:27

    "como equilibrar o sistema, garantindo dignidade (que também é algo extremamente subjetivo) para cada ser humano ?"

    Equilíbrio: Estado ou condição de um sistema sob ação de duas ou mais forças que se anulam entre si, o que resulta em sua estabilidade, se não houver ação de novas forças

    O primeiríssimo passo, conforme o texto explica, é parar de desequilibrar o sistema natural das interações humanas. Ou seja, o governo parar de intervir.

    Então a própria sociedade vai gradualmente atingir um equilíbrio dinâmico (não estático) através do intercâmbio dos agentes indivíduais, que buscam seus próprios objetivos oferecendo serviços e produtos em troca do que recebem e que ajustam seus comportamentos conforme os cenários se alteram.

    É o que Smith chamou de "mão invisível" e Hayek, de "ordem espontânea"

    * * *
  • anônimo  30/04/2015 12:33
    g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/04/embraer-tem-prejuizo-de-r-196-milhoes-no-primeiro-trimestre.html

    g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/04/vale-tem-prejuizo-de-r-95-bilhoes-no-1-trimestre-de-2015.html

    Olha as "previsões" se tornando reais.
    Uma boa resposta a que vive bradando que real desvalorizado e bom para a exportadoras.

    Mas o que me deixa triste são os comentarios de noticias assim. Varias pessoas dizendo que a a culpa e da privatização, que venderam a preço de banana e dizendo que e mentira que a culpa e do cambio, baseados em? bla bla bla.
    Sei que muitos la so estão fazendo campanha, mas tem uns que realmente estão apenas mal informados...
  • Mauro  30/04/2015 12:40
    Seguindo essa linha de notícias, tem mais:

    "Indústria demitiu 232 mil pessoas em março, diz IBGE"

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,industria-demitiu-232-mil-pessoas-em-marco-diz-ibge,1677405

    Ué, mas não era só desvalorizar o real que a indústria iria bombar?! Cadê os desenvolvimentistas? Março foi o mês dos sonhos deles: o dólar foi de R$ 2,90 pra R$ 3,30. Segundo eles, era para termos virado uma potência industrial.

    No entanto, a indústria se esfacelou em um ritmo até então inédito.
  • geremias  30/04/2015 13:01
    Acho que faltou citar um dos pontos mais importantes neste texto, a questão da educação (financeira, econômica, política e social) e principalmente a necessidade de mudança do fator cultural de uma nação.
    O povo de um país precisa ter consciência de como funcionam as leis de um mercado mais liberal e menos protecionista, para que consiga se adaptar de forma mais consciente aos processos dele, do contrário veremos revoltosos gritando aos sete ventos. O Brasil ainda mantém uma política de muito protecionismo de classes, é muito difícil até mesmo mexer em benefícios irracionais, ou seja, existem classes que perpetuam benefícios imerecidos.
    O setor privado e o liberalismo, em excesso, também tem um viés negativo, justamente o risco de estarmos em uma terra sem lei, sem ordem, onde prevalece a lei do mais forte. Acho que o ponto crucial é questão cultural e educação da população para uma sociedade mais progressista e menos protecionista. Porém, os agentes ou fatores produtivos, que são a própria população precisam estar conscientes do seu papel neste contexto.
    O modelo econômico a ser adotado se torna mais fácil quando as pessoas compreendem que às vezes para ganhar, é preciso antes "perder".
  • Fernando  30/04/2015 23:43
    Esses políticos só pensam em roubar o trabalhador.

    Não tem nada de ajuda aos pobres.

    Isso já passou de todos os limites.

    Chegamos a um ponto comprável à escravidão, a ditadura cubana ou qualquer genocídio que a esquerda cometeu na história.

    Ninguém tem o direito de roubar o dinheiro do nosso trabalho.
  • amauri  03/05/2015 10:43
    Bom dia Leandro!
    Li uma noticia dizendo que a Suecia nao sedia a olimpiada porque prefere gastar o dinheiro publico em moradias. Existe sem tetos na Suecia ou o que ele quis dizer.
    grato
  • Tio Patinhas  03/05/2015 14:20
    Não sei qual a notícia, mas a Suécia é candidata às Olimpíadas de inverno de 2022.
  • Antônio   21/05/2015 02:32
    Enquanto isso, o excelentíssimo senhor Ministro da Fazenda pensa em tributar mais ainda os investimentos.

    www.infomoney.com.br/mercados/noticia/4055650/governo-vai-tratar-tributacao-investimentos-breve-afirma-levy-confira-discurso

    Este sujeito é um desequilibrado. Ele acorda e vai dormir pensando em quais novos impostos ele vai criar para fungar ainda mais dinheiro do setor privado.
  • Edujatahy  25/05/2015 11:45
    O melhor é escutar dos leigos que as medidas dele são "liberais"
  • Alegra Festa  18/07/2015 19:51
    Excelente ! Mas o titulo ficaria melhor ainda se fosse: O crescimento econômico é fácil e natural - basta o governo "não interferir" eis o fator chave para crescimento econômico
  • Wesley  30/07/2015 02:45
    Aí entra o maior problema: a mentalidade das pessoas. O brasileiro não quer ser livre das amarras do governo, mas quer ser um beneficiário do governo. Hoje as pessoas não querem investir, mas querem ser funcionários públicos. Além do mais o brasileiro precisa se livrar do nacionalismo vira lata. Se falar que esse país é um lixo muitos ficam ofendidos, porque você ofendeu um território criado por burocratas que não beneficia em nada os brasileiros. É necessário se livrar das amarras estatistas que contamina também a direita. Como ter tudo isso implementado se as pessoas querem mais direitos. Mais direitos implica em mais estado e mais gastos estatais.
  • anônimo  30/07/2015 11:10
    O brasil não é um lixo, o lixo ainda pode ser reciclado, reaproveitado...
  • Anderson  01/08/2015 02:42
    Enquanto isso, na Rússia, o Putin(ho) segue fazendo sua guerra:


    www.jb.com.br/internacional/noticias/2015/07/29/putin-manda-destruir-produtos-alimentares-ocidentais/
  • anônimo  01/08/2015 10:05
    Ué, essa á a resposta às sanções econômicas iniciadas pelos EUA.
    Ah esqueci, olavetes e neocons acham que os EUA ainda são a terra da liberdade, eles ainda estão vivendo no séc XIX.
  • Dissidente Brasileiro  01/08/2015 18:14
    Ele faz exatamente o que se espera de um governo, que é prejudicar a população. Esse traste faz isso porque no raciocínio capenga e doentio dele, ele acredita que alguma forma isso prejudica os EUA; só não entende (ou finge não entender) que isso na verdade prejudica apenas o próprio povo a quem ele afirma proteger.

    Mas ele mesmo continuará a comer do bom e do melhor às custas da população, disso você pode ter certeza.
  • Anderson  01/08/2015 14:06
    ????

    Opa, opa. Você está criando espantalhos, esse site é libertário, apesar de ter leitores de diversas correntes liberais e de direita.

    Eu não sou "olavete" ou coisa do tipo. Você está agindo de maneira ridícula, rapaz.

    O objetivo da notícia acompanhada de meu comentário é mostrar o que guerrinhas políticas fazem com a economia de um povo. Agora, Rússia não poderá comprar produtos alimentícios ocidentais(pelo menos até os próximos seis meses), vai ter que recorrer aos seus parceiros (China principalmente), que mesmo assim não produzem todo tipo de alimento. E pelo fato de empresas russas importarem produtos alimentícios do Ocidente indica que os alimentos possuíam uma maior qualidade, variedade e preço. Com as novas compras os russos vão ter de se contentar com produtos de menor qualidade(não todos, claro), menor variedade (um país só não produz tudo) e possivelmente com preços maiores (se compravam mercadorias do ocidente é porque enxergavam um melhor custo-benefício).

    Quem sai perdendo nessa é o povo russo.
  • Renan Merlin  10/03/2016 17:15
    Enquanto os MISSEtes defendem o mini estado da somalia e das favelas cariocas eu defendo noruega, suecia e dinamarca. PODEM ME CHAMAR DE PETISTA E BLABLA.

    Eu nunca vi nenhum sueco querer morar na somalia só o contrario
  • Morgana  10/03/2016 17:53
    Chamar de petista? Não, não, não lhe chamar de ladrão safado, não. Vou só chamar de burro e ignorante (coisas para as quais há cura).

    A Somália, pra começar, é um quintal de mísseis e explosivos enviados pelos EUA.

    Já nas favelas cariocas o problema é exatamente um excesso de estado. O quê?! Sim, excesso de estado. E eu lhe provo.

    Uma área pobre de uma grande cidade, infestada de quadrilhas de traficantes e de milicianos que circulam por ali sem qualquer restrição, vendendo abertamente drogas nas ruas e becos e descarregando rajadas de metralhadora em qualquer um que apresente um comportamento suspeito está nessa situação terrível justamente porque a polícia opera ali rotineiramente e com truculência.

    Se a polícia realmente nunca se preocupasse em impor qualquer lei naquela área, então ninguém teria de se preocupar com o risco de ir pra cadeia por estar vendendo drogas.

    Consequentemente, empresas de fora poderiam ir se instalar naquele bairro, abrir lojas com janelas à prova de balas e vigiadas por seguranças muito bem armados, e vender cocaína e outras drogas para os moradores (ou, principalmente, para os clientes que vêm de outros bairros) por uma fração do preço vigente nas ruas.

    Essas empresas iriam rapidamente quebrar todas as quadrilhas de traficantes que operam na região, uma vez que os clientes iriam correr em manada para aqueles empreendimentos profissionalmente geridos, principalmente por causa de seus preços baixos e pela qualidade de seus produtos.

    Porém, por que isso não ocorre? Porque se alguns empreendedores tentassem de fato implementar o plano acima, eles seriam rapidamente impedidos pela polícia, que interromperia suas atividades (com o indisfarçável apoio dos traficantes locais).

    Mais ainda: essas empresas teriam suas contas bancárias confiscados por ordem do judiciário, inviabilizando qualquer operação. Líderes comunitários e religiosos iriam reclamar que uma farmácia não pode vender cocaína para adolescentes em plena luz do dia (embora os traficantes o façam imperturbáveis) e o chefe da delegacia encarregada da região iria concordar.

    Com efeito, nem ocorre a qualquer empreendedor tentar fazer o que foi dito acima porque - duh! - seria algo totalmente ilegal.

    Portanto, não é difícil entender que não é inoperância do governo o que permite que determinadas favelas permaneçam em um equilíbrio violento; ao contrário: é justamente o ataque do governo aos direitos de propriedade que faz com que bandidos detenham um poder permanente sobre determinadas regiões.

    Quanto aos países escandinavos, também sou fã: segundo o site "Doing Business", nas economias escandinavas,

    1) você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);

    2) as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (no Brasil chegam a 60% se a importação for via internet);

    3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (34% no Brasil);

    4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);

    5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para negociar);

    6) e o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. Não há uma CLT nos países nórdicos.

    7) Não existe salário mínimo.

    Ah, e a na Dinamarca, então, não há nem sequer indenização por demissão (mesmo sem justa causa) e nem leis trabalhistas que restrinjam horas extras (empregado e patrão acordam voluntariamente as horas de trabalho), o que permite que as empresas dinamarqueses operem 24 horas por dia, 365 dias por ano.

    Caso tenha mais dúvidas e queira continuar aprendendo, pode perguntar (mas educadamente).
  • Renan Merlin  11/03/2016 04:58
    Quer dizer que o problema das favelas cariocas é a policia ir lá? Advinha porque a criminalidade aumentou tanto no rio entre os anos 70 ate hoje? Nos anos 80 o brizola praticamente proibia incursões policiais e a bandidagem se encheu de ganhar dinheiro e se armou
  • O Cavalheiro  11/03/2016 12:46
    A presença do estado nas favelas é massiva, continua tendo inflação e imposto, continua tendo regulamentação considerável, as pessoas continuam desarmadas. Inflação, imposto e regulamentação, a tríplice desgraça.

    O estado está presente no país inteiro.
  • Antônimo  11/03/2016 13:54
    Por favor, rapaz, pare de dizer asneiras...

    Dizer que as favelas são decorrência da proibição do Brizola de a polícia "ir nas favelas"? Então significa que favelas já existiam, né?




  • anônimo  11/03/2016 06:01
    Essa é a verdadeira face dos estatistas, parasitas até o país acabar com seus recursos.
  • Andre  10/03/2016 18:00
    Mas como gostam de distorcer os fatos, aqui não é o G1 não.

    O mini estado da Somália, é resultado de intervenção absurda de outros mega estados, isso segundo fontes da própria esquerda:
    guerras.brasilescola.uol.com.br/seculo-xx/guerra-civil-na-somalia.htm

    O mega estado sueco é tão bom, que o estão diminuindo:

    spotniks.com/7-fatos-que-contradizem-tudo-que-voce-acreditava-sobre-a-suecia/

  • Torben  10/03/2016 18:04
    O sujeito que escreve "mini-estado das favelas cariocas" é alguém definitivamente lesado.
  • anônimo  11/03/2016 03:19
    Ah é? Quantos suecos vc viu na vida? E quantos caras da Somália vc viu na vida?
  • anônimo  11/03/2016 11:06
    "mini estado da somalia"?

    A somália viveu 20 anos de um regime socialista que só acabou em 1991, e depois ainda viveu uma guerra civil e até hoje não há uma estabilidade institucional no país (o básico para que o sistema de propriedade privada se desenvolva).


    Já favela não vale nem comentar muito, favelas não são regiões isoladas do Brasil, estão inseridos na economia e são os que mais sofrem por viver em um país fechado e burocrático. Além de tudo, sofrem ainda mais por conta da política de combate as drogas. Tem muito estado na favela.

  • Leandro  11/03/2016 12:31
    Vale lembrar também o que gerou o fenômeno das favelas. Mario Henrique Simonsen, em seu livro 30 Anos de Indexação, fez um excelente compêndio. Tudo começa com a destruição do poder de compra da moeda.

    Com a inflação monetária e a consequente carestia se tornando galopantes ainda no fim da década de 1950, a contabilidade das empresas e dos bancos tornou-se extremamente distorcida (fenômeno detalhado neste artigo). Por causa do rápido aumento dos preços, as receitas se tornavam nominalmente maiores em um curto período de tempo e, consequentemente, prejuízos operacionais se transformavam em lucros ilusórios, os quais eram pesadamente tributados. Simultaneamente, o próprio custo de reposição de ativos aumentava acentuadamente. Isso foi aniquilando o capital de empresas e bancos.

    Como consequência, os bancos reduziram a oferta de crédito, principalmente para a aquisição de moradias, chegando ao ponto de, em 1963, a concessão de um financiamento para a compra de um pequeno apartamento pela Caixa Econômica Federal depender da expressa autorização do presidente da República.

    Com isso, os edifícios residenciais passaram a ser construídos por meio do autofinanciamento dos condôminos, fenômeno que se manteve até meados da década de 1990. Nesse arranjo, os prazos de término das obras eram continuamente esticados, o que encarecia seus custos.

    Para completar, o incentivo ao investimento em imóveis residenciais para aluguel foi destruído pelas sucessivas leis do inquilinato, que prorrogavam por prazo indeterminado os contratos de locação residencial, determinando o congelamento ou o semicongelamento dos alugueis.

    O resultado foi a atrofia da indústria da construção civil e a proliferação das favelas, como manifestação ostensiva da crise habitacional gerada pelo estado.
  • Coeficiente 100%  11/03/2016 12:40
    Excelente.
  • Rui Alberto  10/03/2016 20:09
    Falando em intervenção governamental, estou lendo o programa do PT, proposta para discussão do diretório nacional. O título a cartilha do PT é: "O futuro está na retomada das mudanças"
    Eles apontam 22 medidas, todas aumentando a presença do estado na vida das pessoas. No item 2 o relatório diz: " Utilizar parte das reservas internacionais para um Fundo Nacional de Desenvolvimento e emprega, destinando a obras de infraestrutura, saneamento, habitação, renovação energética e mobilidade urbana.
    Eu gostaria que alguém comentasse essa utilização das reservas. Quais as implicações na economia?
  • Leandro  10/03/2016 21:03
    É tecnicamente complicado (pois afeta a SELIC) e legalmente proibido.

    Acompanhe o raciocínio.

    Comecemos com como o BC adquiriu os dólares que estão hoje nas reservas internacionais.

    1) O BC cria reais e compra dólares.

    2) Os reais comprados vão parar nas reservas bancárias dos bancos.

    3) Esse maior volume de reais nas reservas bancárias pressiona para baixo a taxa de juros do mercado interbancário (a SELIC).

    4) Para evitar a queda da SELIC, o BC imediatamente vende títulos do Tesouro que estão em sua posse para enxugar esses reais do mercado interbancário -- operação essa conhecida como "esterilização".

    5) Portanto, para efeitos práticos, o BC criou reais, comprou dólares, e em seguida enxugou os reais que criou vendendo títulos do Tesouro que estavam em sua posse. Isso aumenta a fatia da dívida pública que está em posse do mercado.

    Pois bem. E para utilizar essas reservas?

    Para usar as reservas, o BC teria de vender dólares e coletar reais. Até aí, tudo bem -- ressalvando, no entanto, que a dívida em posse do mercado aumentou.

    (Desconsideremos que toda essa operação é de uma monumental burrice: a quantidade de dólares em posse do BC voltou a ser a mesma de antes da esterilização, bem como a quantidade de reais em posse dos bancos; no entanto, a dívida em poder do mercado aumentou. Voltou-se à estaca zero em termos de real e dólar, só que com um endividamento em posse do mercado maior. Burrice.)

    Feito isso, logo em seguida, o BC teria de repassar os reais (que ele coletou com a venda dos dólares) ao Tesouro para fazer essas obras públicas. Aí entra a encrenca: tal operação pode ser considerada um financiamento direto ao Tesouro pelo Banco Central.

    Se for, viola a lei. Se não for, no mínimo irá pressionar a inflação de preços.
  • Enrico  10/03/2016 23:52
    Leandro, quando o Banco Central vende um ativo (no caso os dólares), o dinheiro da venda não é "destruído", causando contração monetária?
  • Leandro  11/03/2016 02:25
    As reservas bancárias são reduzidas.

    Se o Bradesco compra R$ 1.000 em dólares, então R$ 1.000 que estão nas reservas bancárias -- que são o dinheiro que os bancos têm depositado junto ao Banco Central -- do Bradesco são "deletados", o que gera uma momentânea redução na base monetária (mas não necessariamente no M1, M2, M3).

    Vide itens 2 e 4 da descrição acima.
  • O Brasil tem jeito?  10/03/2016 22:20
    Off-topic. Hoje o Nelson Barbosa afirmou o seguinte:

    "Temos de evitar o otimismo excessivo, pois isso leva à complacência, mas também evitar o pessimismo excessivo", disse. "O Brasil vem sofrendo grandes volatilidades em preços de ativos e neste momento o governo não deve ser um agente de maior volatilidade, deve ser um agente de estabilização."

    veja.abril.com.br/noticia/economia/nao-e-hora-de-extremismos-na-politica-economica-diz-barbosa

    É discurso pó-de-arroz. Eu sei que é só teste de microfone e nada extraordinário. Nem diz nada.

    Mas se o Ministro da Fazenda quer que o governo seja de fato um agente de estabilização (ele vem sido justamente o contrário. Na verdade todos os países que fazem política monetária vêm), não dava para fazer logo um Currency Board?
  • Prado  11/03/2016 11:21
    Existe algum país em que o setor aéreo não tenha nenhuma regulamentação?
  • Prado  11/03/2016 13:06
    Obrigado! Mas o texto dá exemplo de países em que houve, digamos, privatização parcial, mas não necessariamente privatização total e menos ainda desregulamentação do setor. O Reino Unido, por exemplo, segundo o texto, tem o tráfego aéreo administrado por parceria público-privada, enquanto o Canadá privatizou o controle do tráfego, porém ainda estipula normas que devem ser seguidas pela controladora privada; outro exemplo citado no texto é a Suíça, que conta com a skyguide, que em seu próprio site (www.skyguide.ch/en/company/vision-mission/public-service/) diz ser gerida por corpo civil e militar (ou seja, Estado), seguindo normas rígidas ditadas pelo Estado.

    O texto é bem interessante e mostra as claras vantagens de uma oxigenação do setor aéreo, mas minha pergunta permanece - e agora com mais força: não existe nenhum país com setor aéreo desregulamentado e/ou totalmente privatizado?
  • Roberto  11/03/2016 14:42
    "não existe nenhum país com setor aéreo desregulamentado e/ou totalmente privatizado?"

    Eu cairia de costas se houvesse. Se há estado, como é possível haver desregulamentação total, algo inerente a qualquer estado? Se há estado, e estado sempre considera setor aéreo questão de segurança nacional, como tal setor poderia ser totalmente privatizado?

    Isso, sim, seria mind-boggling.

    No entanto, como mostra a empiria, qualquer passo rumo a um genuína desregulamentação já traz melhorias.
  • Diego  11/03/2016 12:42
    Excelente artigo e explicação! Sou novo neste mundo do liberalismo e estou lendo muitos materiais inclusive da biblioteca do site, mas demora um pouco para absorver tanta informação.

    Pode ser uma pergunta boba, mas como um país que abre suas portas para o capital estrangeiro pode evitar que a mão de obra seja explorada e que sejam pagos baixos salários e/ou que empresas maiores e melhores acabassem com as empresas nacionais, mais fracas ou tecnologicamente atrasadas?

    Não sou socialista ou ultranacionalista, só queria saber a opinião dos colegas a respeito.

    Abraço.
  • Auxiliar  11/03/2016 15:07
    "Pode ser uma pergunta boba, mas como um país que abre suas portas para o capital estrangeiro pode evitar que a mão de obra seja explorada e que sejam pagos baixos salários"

    Não entendi. Se uma cidade do interior da Bahia tem um alto nível de desemprego e renda zero, e então uma multinacional resolve se instalar lá, levando capital, conhecimento, tecnologia e, acima de tudo, fornecendo empregos para quem nada tinha, isso é exploração?

    Aliás, o que é exploração?

    Pelo bem da argumentação, suponha que, sem a presença de uma empresa multinacional, o melhor emprego que um baiano pobre e sem instrução fosse capaz de conseguir lhe pagasse R$ 5 por dia. E então vem uma multinacional americana, constrói uma fábrica em Xique-Xique e contrata esse baiano por R$ 10 por dia, um salário muito abaixo daquele que ela paga aos seus empregados nos EUA. Uma simples questão de bom senso diria que esse baiano ficou em melhor situação em decorrência da presença de uma empresa multinacional. E esse mesmo bom senso diria que ele estaria em pior situação caso essa multinacional fosse politicamente pressionada para sair do país.

    Faz algum sentido dizer que uma ação que melhora a situação do baiano é uma "exploração"?

    "e/ou que empresas maiores e melhores acabassem com as empresas nacionais, mais fracas ou tecnologicamente atrasadas?"

    Mas isso seria uma bênção.

    As pessoas têm essa noção simplória de que empresas atrasadas e ineficientes devem ser protegidas. Pior ainda: elas juram que essas empresas são boas para a economia, quando a realidade é que são totalmente deletérias.

    Empresas ineficientes e atrasadas não apenas não criam riqueza, como, na realidade, destroem riqueza.

    Imagine que você adquiriu um material que, em seu estado bruto e inalterado, vale $100. Ato contínuo, você altera essa matéria-prima, adiciona sua criatividade e sua mão-de-obra, e gera um produto final que as pessoas irão voluntariamente querer adquirir por $150. Você gerou valor para a sociedade. Você acrescentou valor para a sociedade e auferiu um lucro por causa disso.

    Agora, imagine que você adquire esse mesmo material, que em seu estado bruto e inalterado vale $100, altera-o à sua maneira e gera um produto final valorado em apenas $50 pelas pessoas. Você não apenas não auferiu lucro nenhum, como na realidade subtraiu riqueza da sociedade. A sociedade ficou mais pobre por sua causa.

    Como isso pode ser considerado algo virtuoso? É exatamente por isso que empresas ineficientes são deletérias para uma sociedade. Elas consomem recursos escassos e não entregam valor. Elas, na prática, subtraem valor da sociedade. E só continuam existindo porque são protegidas pelo governo. Uma empresa ineficiente é uma máquina de destruição de riqueza. Como isso pode ser algo defensável?

    É por isso que essas empresas devem falir e ser vendidas para novos administradores mais competentes. Falências são algo extremamente positivo para uma economia, pois permitem que aqueles concorrentes mais produtivos e mais capazes tenham a oportunidade de comprar os ativos das empresas falidas a preços de barganha, permitindo-os fortalecer suas operações e voltar a criar valor para a sociedade. Um governo proteger empresas ineficientes é a maneira mais garantida de empobrecer uma economia.

    De novo: empreendimentos ineficientes consomem recursos escassos e não entregam valor. Na prática, eles subtraem valor da sociedade. Não faz sentido econômico manter uma fábrica de pentes em um país se sua população está mais bem servida comprando pentes melhores e mais baratos de outros produtores.

    Deixar indústrias obsoletas quebrarem é mais economicamente sensato do que tentar salvá-las com os paliativos de sempre, com mais subsídios, mais reservas de mercado, mais proteção cambial e mais tarifas de importação.

    Acaso é economicamente sensato tentar produzir todas as linhas de industrializados no Brasil, de panelas e pentes a navios e satélites? Por acaso cortar, entortar e rebitar ferro — tarefas que um xing-ling é capaz de executar a custos irrisórios — são coisas economicamente prementes para o país ou será que o governo quer que isso seja feito apenas para exibir estatísticas de produção industrial?

    Tentar manipular o câmbio e proibir brasileiros de comprar produtos estrangeiros e de maior qualidade com o intuito de exibir estatísticas positivas para a balança comercial servirá apenas para inflar as contas bancárias dos barões da FIESP. Não podemos ser obrigados a comprar porcarias fabricadas em solo nacional em detrimento de produtos de maior qualidade fabricados no exterior.

    Artigos a respeito:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2320

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2325
  • Dam Herzog  12/03/2016 01:18
    Gostei e aprendi tanto com este artigo que supostamente poderia chama-lo do fim da historia, esta é a maneira de didática de ensinar aos estatista e socialistas de nosso pais como eles impedem o progresso, a criação de riqueza e impedem o bem estar das pessoas em função de seu erro intelectual de beneficiar o resto da humanidade, promovendo isto sim a pobreza.
  • Exatas  01/09/2016 03:04
    Muito bom, parabéns pelo conteúdo. Total coerência com relação a moeda forte e economia forte, realmente uma moeda valorizada iria alavancar um desenvolvimento próspero da indústria interna como foi explicitado, mas creio que há incoerência com a seguinte frase:

    "Pior ainda, tarifas de importação sempre são implantadas pelo governo com o intuito de proteger a reserva de mercado de empresas ineficientes (se fossem eficientes, não teriam medo da concorrência estrangeira), o que acentua a nossa privação."

    Nesse contexto, caso como seria concorrer com os produtos asiáticos importados que utilizam mão-de-obra de crianças 12-14 horas por dia a 6 centavos a hora, produtos nocivos a saúde humana devido inexistência de leis regulamentadoras de qualidade nesses países, etc, etc e etc?

    Não aumentaria o consumo de imediato elevando virtualmente o padrão de vida, no entanto os bens de capital desapareciam juntamente com os empregos em montadoras e outros setores se isso tudo entrasse pronto de navios?
  • Lógicas  01/09/2016 12:09
    "Nesse contexto, caso como seria concorrer com os produtos asiáticos importados que utilizam mão-de-obra de crianças 12-14 horas por dia a 6 centavos a hora, produtos nocivos a saúde humana devido inexistência de leis regulamentadoras de qualidade nesses países, etc, etc e etc?"

    Essa afirmação, em si mesma, é destituída de qualquer sentido econômico. Afinal, desde quando "trabalhadores semi-escravos" conseguem produzir bens de qualidade ao ponto de quebrarem todas as indústrias de todos os países livres do mundo?

    Esses chineses são realmente espetaculares. Trabalhando sob um chicote, conseguem produzir com mais competência e capricho do que trabalhadores que ganham altos salários no ABC.

    Se isso realmente ocorre, então, francamente, essa turma do ABC deveria sumir do mundo, nem que fosse de vergonha. Se um semi-escravo fizesse constantemente um serviço melhor que o meu, eu morreria de vergonha, ficaria quietinho no meu canto (com medo de alguém me ver), e jamais teria a cara de fazer qualquer exigência.

    Extrapolando, se toda a indústria do país conseguiu a façanha de ser quebrada por "semi-escravos", então ela realmente não tinha nada que existir. Era uma vergonha perante o mundo, e um constrangimento para nós.

    Artigos sobre livre comércio e como isso é bom para todos, inclusive para a indústria:

    Protecionismo é violência - cria uma reserva de mercado para os poderosos e empobrece os mais pobres

    O livre comércio nos enriquece e o protecionismo nos empobrece - como reconhece Paul Krugman

    Nove perguntas frequentes sobre importação, livre comércio e tarifas protecionistas

    Países pobres tributam pesadamente importados; países ricos têm suas fronteiras abertas

    Não há argumentos econômicos contra o livre comércio - o protecionismo é a defesa de privilégios
  • Andre  01/09/2016 13:14
    O Exatas deve estar se referindo às fábricas chinesas de eletrodomésticos simples, como liquidificadores, forninhos e etc que empregam pessoas em condições que no ocidente consideramos escravidão.
    Na China ao contrário do que o governo propaga o desemprego é enorme, empregos em fábricas são disputados a tapas, pois não exigem estudos avançados, coisa difícil de se conquistar por lá, dão alojamentos, alimentação e permitem muitas horas extras para agradecer pelo emprego, essa provavelmente é a maior diferença entre a China e o Bostil, emprego lá é algo de tamanho valor social que se dispõem a trabalhar pelo menos 1 hora de graça por dia para demonstrar gratidão ao empregador, e a qualificação dos operários é boa e a disciplina beira o fantástico.
    Ninguém na China é obrigado a trabalhar, as margens de lucro na indústria são apertadas, a atual mina de ouro por lá é o setor de serviços.

    Numa discussão média brasileira, onde é incrível a quantidade de senso comum, quando apresentarem o falacioso argumento de que a China tem mão de obra escrava, devolva em forma de troça, afinal os "escravos" chineses estão conseguindo construir trens bala e os nossos escravos nem telhas sabiam fazer, alguém se lembra do feito nas coxas?


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.