Por que todos deveriam ser a favor de se diminuir impostos para os "ricos"
por , segunda-feira, 28 de junho de 2010

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silvio santos 2010.jpgN. do T.: Com a aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, do Imposto sobre Grandes Fortunas, vale a pena entender por que esse "imposto da inveja" é detrimental para o enriquecimento de uma economia. 


A redistribuição de renda é um tema constantemente propagado por políticos e intelectuais de praticamente todos os países do mundo. Essas figuras crêem ardorosamente que tal política é o caminho certeiro para a prosperidade e igualdade — como se ambas pudessem coexistir naturalmente.

As várias propostas feitas por redistribucionistas de todas as estirpes devem ser respondidas em termos de análises econômicas fundamentadas, análises que sejam claras e poderosas o suficiente para mostrar, como o título desse artigo declara, "Por que todos deveriam ser a favor de se diminuir impostos para os 'ricos'". O entendimento da seguinte argumentação deverá servir como resposta completa e suficiente para quaisquer propostas que envolvam o aumento de impostos para fins de redistribuição de renda.

I

O imposto de renda de pessoa física e suas alíquotas progressivas, o imposto de renda de pessoa jurídica, o imposto sobre heranças e o imposto sobre ganhos de capital são todos pagos com fundos que de outra forma teriam sido poupados e investidos. Todos esses impostos reduzem a demanda das empresas por mão-de-obra - em relação à demanda que haveria sem os impostos — e, consequentemente, reduzem ou os salários ou o volume de emprego que essas empresas podem oferecer, uma vez que os impostos destituem as empresas dos fundos com os quais pagariam esses salários.

Similarmente, os impostos destituem as empresas dos fundos com os quais comprariam bens de capital. Esse fato, juntamente com a grande despesa governamental com bens de consumo — despesa essa financiada pelo dinheiro dos impostos arrecadados —, faz com que a produção de bens de capital caia em relação à produção de bens de consumo. E isso implica a redução do grau de intensividade de capital do sistema econômico, o que faz diminuir a capacidade de se obter avanços tecnológicos. O imposto de renda de pessoa física e jurídica, bem como o de ganhos de capital, também reduz poderosamente o incentivo para se introduzir novos produtos e aprimorar os métodos de produção. De todas as formas, esses impostos solapam a acumulação de capital e o aumento na produtividade do trabalho, o que trava aumentos salariais e consequentemente o padrão de vida de todos — e não apenas daqueles sobre quem os impostos recaem.

Dois grandes obstáculos dificultam às pessoas reconhecerem o fato de que todos se beneficiariam com uma redução, ou, melhor ainda, com a completa abolição de todos esses impostos sobre as pessoas consideradas ricas — abolições essas que, obviamente, só seriam possíveis se houvessem reduções equivalentes nos gastos do governo. O primeiro obstáculo é simplesmente o enorme desconhecimento sobre economia, especialmente sobre o beneficio geral advindo da propriedade privada dos meios de produção. As pessoas não absorveram a profunda constatação feita por Mises de que, em uma economia de mercado, para que uma pessoa se beneficie dos meios privados de produção ela não precisa ser a dona desses meios de produção. Isso ocorre porque uma pessoa se beneficia dos meios de produção de outras pessoas — toda vez que ela comprar os produtos oriundos daqueles meios de produção.

E uma pessoa se beneficia dos meios de produção de outras pessoas não apenas na condição de compradora dos produtos, mas também na de vendedora de mão-de-obra. Os meios de produção de terceiros — isto é, o capital deles — representam a fonte tanto da oferta de bens que essa pessoa compra quanto da demanda por mão-de-obra que essa pessoa vende. Quanto maior for a acumulação de capital de terceiros, mais abundantes e mais baratos serão os produtos disponíveis para essa pessoa comprar no mercado e maior será a demanda pela mão-de-obra que essa pessoa poderá vender no mercado — consequentemente, maiores serão os salários aos quais essa pessoa poderá vender sua mão-de-obra. Um capital abundante e crescente nas mãos dos ofertantes de bens e potenciais empregadores é a base de uma economia com preços baixos e descendentes e com salários altos e ascendentes.

Em contraste, a visão dos redistribucionistas, fundada na mais completa e abissal ignorância, defende que a única riqueza da qual um indivíduo pode se beneficiar é a dele própria. Na verdade, essa visão não era desarrazoada na época anterior à ascensão do capitalismo e sua economia de mercado. Até então, as únicas pessoas que poderiam de fato se beneficiar de um pedaço de terra, de um celeiro ou de um arado eram as famílias que os possuíssem e que, com isso, os utilizariam unicamente para produzir o próprio consumo. É essa a visão que os redistribucionistas continuam seguindo até hoje, séculos após ela ter perdido sua aplicabilidade. Eles ainda não acordaram para o mundo moderno. E é sobre esses pressupostos que eles defendem a redistribuição de riqueza. Segundo eles, a redistribuição de riqueza é supostamente necessária para permitir que um indivíduo que não seja dono da riqueza atualmente pertencente a outras pessoas possa se beneficiar dessa riqueza. Somente quando essa riqueza for transferida para ele é que ele poderá se beneficiar dela, garantem os redistribucionistas. É esse o tipo de "benesse" que eles defendem: tirar fundos daqueles que foram mais prodigiosos em acumular capital — um capital que iria beneficiar a todos — e distribuir esses fundos para que outros o consumam. Satisfazer os desejos dos pobres através do consumo de capital é a fórmula redistribucionista para a prosperidade.

O segundo obstáculo que impede as pessoas de reconhecerem que todos se beneficiam de cortes de impostos para os ricos é algo que está intimamente relacionado ao redistribucionismo: os hábitos coletivistas inspirados pelo marxismo e por sua doutrina da classe social. O que quero dizer com isso é que, quando se trata de assuntos econômicos, a maioria das pessoas tende a pensar nelas próprias como membros da classe assalariada, e não como assalariados individualmente distintos. Mais ainda: elas pensam que seus interesses são indistinguíveis dos interesses dos outros assalariados.

Assim, um indivíduo assalariado sabe que, se os seus impostos fossem reduzidos em uma determinada quantia, ele certamente estaria melhor assim do que se fossem os impostos de um milionário ou de alguma grande corporação a serem reduzidos na mesma quantia. No que tange a apenas ele próprio, sua convicção está absolutamente correta. Eu, por exemplo, ficaria em uma situação muito melhor se os meus impostos fossem reduzidos em, digamos, mil dólares por ano do que se os impostos de algum John D. Rockefeller contemporâneo ou os impostos da General Motors fossem reduzidos nos mesmos mil dólares por ano. Mas o erro de raciocínio ocorre quando essas situações individuais são generalizadas. O que é verdadeiro para o cenário em que se compara o efeito de uma redução em meu imposto com uma redução de igual valor nos impostos de empresários e capitalistas — os "ricos" — passa a não valer quando comparo os efeitos trazidos por uma redução nos impostos dos outros assalariados com uma redução de igual valor nos impostos de empresários e capitalistas.

Por exemplo, ao ponderarmos se são os impostos de empresários e capitalistas que deveriam ser reduzidos por uma larga soma, como por exemplo $100 bilhões, ou se são os impostos dos assalariados que deveriam ser reduzidos nessa mesma quantia, quase todo mundo erroneamente irá supor que seria melhor para o indivíduo assalariado que a redução de impostos se desse para a sua classe, e não para os empresários e capitalistas. É como se todos os assalariados compartilhassem da mesma luta de classe contra todos os capitalistas. Isso, entretanto, é uma falácia que se torna aparente logo que se analisa objetivamente a situação a partir da perspectiva do assalariado individual. E é aí que se torna claro que há muito mais em jogo do que o simples dilema sobre quem deveria ser agraciado com a redução de impostos. Por exemplo, embora certamente seja verdade que eu iria ganhar mais se os meus impostos, e não os de um Henry Ford ou de um Bill Gates, fossem cortados em $1.000, é totalmente falso crer que eu ganharia mais se esse mesmo corte ocorresse nos impostos de cada um dos meus colegas assalariados, e não com os impostos de Ford e Gates.

Nesse dilema — se é melhor haver uma redução de $100 bilhões nos impostos dos capitalistas e empresários ou nos impostos dos assalariados — há dois quesitos que representam elementos distintos dessa questão. Primeiro há a questão do benefício para um assalariado individual: será melhor para ele se os seus impostos forem cortados em $1.000 ou se os impostos de qualquer capitalista ou empresário for cortado em $1.000? Já sabemos a resposta para essa questão: é do interesse maior do indivíduo assalariado que os seus impostos sejam cortados. Mas então vem a segunda questão. Após o corte de $1.000 em seus impostos — e dado que o corte total deve ser de $100 bilhões — qual dessas seguintes opções seria a melhor para o indivíduo assalariado: uma redução nos impostos dos empresários e capitalistas no valor sobrante de $99.999.999.000, ou uma redução nos impostos dos outros assalariados que não ele no mesmo valor sobrante — isto é, 99.999.999 outros indivíduos como ele, mas não ele, sendo agraciados com uma redução tributária de $1.000?

Em outras palavras, deixe de lado essa questão sobre cortes de $1.000 nos impostos do indivíduo assalariado versus cortes de $1.000 nos impostos de empresários e capitalistas. Considere apenas os efeitos, para esse assalariado, de um corte de impostos para todos os outros assalariados do país, menos ele, na quantia total de $99.999.999.000 versus um corte equivalente nos impostos dos empresários e capitalistas — todos os Henry Fords e Bill Gates do país. Um corte de mais de $99 bilhões nos impostos de todos os outros assalariados certamente melhorará a situação de cada um deles. Mas qual será o efeito disso sobre o nosso assalariado em questão? Até que ponto seus companheiros assalariados irão poupar e investir essa quantia liberada dos impostos de forma a aumentar a demanda pela mão-de-obra do nosso assalariado? Até que ponto seus companheiros assalariados irão aumentar a demanda por bens de capital e aperfeiçoar a taxa de inovação empresarial de forma a aumentar a quantidade e a qualidade dos produtos que ele compra, aumentando assim o poder de compra do seu salário?

É óbvio que um assalariado se beneficia muito mais de reduções nos impostos dos empresários e capitalistas — os "ricos" — do que de reduções equivalentes nos impostos de seus colegas assalariados. E isso é válido para todo e qualquer assalariado. Uma redução nos impostos dos empresários e capitalistas irá promover a acumulação de capital em um grau muito maior do que faria uma redução de impostos para a massa de assalariados colegas do nosso assalariado em questão. O empresário e capitalista típico irá poupar e investir os impostos que ele não mais tem de pagar, e ele fará isso em uma proporção muito maior do que fariam os assalariados comuns. Ele será levado a introduzir mais melhorias nos produtos e nos métodos de produção, o que também leva a uma grande acumulação de capital. E esse é um processo em que os assalariados — na estrita condição de assalariados — têm um papel pequeno ou nulo. (Isso não quer dizer que os assalariados nunca são responsáveis por inovações. Eles frequentemente são. Mas logo que eles passam a ser, eles se tornam empreendedores. Basicamente, é sempre a perspectiva de altos lucros o que estimula as inovações — e não o simples ganho de altos salários. É a perspectiva de lucros altos que faz com que os empregadores ofereçam incentivos aos assalariados para que estes criem inovações). E é a maior poupança dos empresários e capitalistas que irá promover a inovação, uma vez que ela torna o sistema econômico mais intensivo em capital. Desta forma, o assalariado individual tem muito mais a ganhar com uma redução de impostos para empresários e capitalistas do que para seus companheiros.

Os ganhos advindos desse arranjo são tão substanciais que eles certamente sobrepujam o fato de que, para se tê-los, você perde o benefício de ter os próprios impostos reduzidos em uma soma de $1.000 por ano. Isso significa que os ganhos para um assalariado individual que tenha seus impostos cortados em $1.000 por ano são muito menores do que os ganhos que ele terá se os impostos dos empresários e capitalistas forem cortados em uma quantia imensamente maior, tipo $100 bilhões por ano — isto é, uma quantia que iguala os potenciais $1.000 de cortes de impostos de todos os milhões de outros assalariados do sistema econômico; cortes esses que, nas mãos dos companheiros assalariados, seriam de pouca ou nenhuma valia para ele.

Como mostrei, o assalariado individual ganha com o corte de impostos para empresários e capitalistas em parte porque o efeito desse corte é o de aumentar intensamente a poupança, o que consequentemente gera um aumento na demanda por mão-de-obra, o que por sua vez pode aumentar significantemente os salários. (Mesmo que o efeito não seja o de aumentar os salários, mas, sim, o de aumentar a demanda por mão-de-obra — reduzindo ou eliminando o desemprego —, isso também levaria a um aumento dos fundos disponíveis para o assalariado comum, uma vez que ele teria menos gastos com o pagamento de auxílios aos desempregados). Mas ainda mais importante, o efeito de um corte de impostos para empresários e capitalistas, ao invés de para assalariados, será o de aumentar substancialmente a demanda por bens de capital em relação a bens de consumo, além de aumentar substancialmente a taxa de inovação, incluindo a possibilidade de permitir que empresas recém-criadas cresçam rapidamente, desafiando as mais antigas e consagradas.

O efeito dessa combinação seria o de gerar uma contínua acumulação de capital e consequentemente um contínuo aumento da produtividade da mão-de-obra. E, por sua vez, o efeito disso seria um crescimento contínuo na oferta de bens de consumo em relação à oferta de mão-de-obra. Os preços dos bens de consumo seriam progressivamente menor em relação aos salários, o que significa salários reais progressivamente maiores. Desta forma, em poucos anos o assalariado individual estará muito acima de onde estaria caso o corte de impostos se desse apenas para ele.

Uma medida que comece com cortes de impostos para os "ricos" — e com reduções equivalentes nos gastos governamentais — é a única esperança para se reiniciar efetivamente um progresso econômico significante, evitando-se o retrocesso e o crescente empobrecimento. Por causa disso, essa medida é o mais rápido e garantido caminho para qualquer grande redução da carga tributária incidente sobre o assalariado médio. Ela dá a esperança de que o assalariado médio possa dobrar seu padrão de vida em até menos de uma geração. O padrão médio de vida poderia dobrar em uma única geração se o progresso econômico a uma taxa de apenas 3% ao ano pudesse ser mantido. Tal progresso econômico também significaria uma redução à metade da carga tributária incidente sobre o assalariado médio nesse mesmo período de tempo — isso ocorreria apenas se os gastos governamentais per capita em termos reais fossem congelados, pois assim o assalariado dobraria sua renda real, e a utilizaria para pagar um nível de impostos igual ao atual. E então, é claro, uma vez que todos os impostos que impedem a acumulação de capital e o progresso econômico tenham sido eliminados, reduções adicionais nos gastos governamentais e na carga tributária poderiam e deveriam ser adotadas. Isso corresponderia a um benefício direto para os assalariados, pois seriam reduções diretas dos impostos pagos por eles.

Ironicamente, um aspecto dessa abordagem existe — dentre todos os lugares — justamente na Suécia! O que permite que a Suécia tenha uma das mais altas cargas tributárias do mundo e, ao mesmo tempo, se mantenha como um país moderno, com avanços moderados, é o fato de que a carga tributária na Suécia recai mais pesadamente no assalariado sueco médio, e não nas empresas suecas, cuja carga tributária é na realidade menor do que a das empresas de muitos outros países ocidentais. (Por exemplo, quando consideramos o fato de que as empresas suecas podem deduzir 50 por cento de seus lucros para reinvesti-los no futuro, o que os torna uma reserva isenta de impostos, o imposto de renda de pessoa jurídica efetivo se torna menor na Suécia do que nos EUA: 26 por cento versus 35 por cento). Se as empresas suecas tivessem de arcar com a mesma carga tributária que incide nos assalariados suecos, a economia sueca há muito já estaria em ruínas.

Isso certamente não significa que estou argumentando a favor de uma tributação dos assalariados em um nível comparável à tributação dos assalariados suecos, ou por qualquer aumento de impostos em geral. Estou apenas argumentando em favor de reduções nos gastos governamentais o suficiente tanto para eliminar o déficit orçamentário quanto para tornar possível cortes substanciais nos impostos incidentes sobre empresários e capitalistas, os "ricos". Estou argumentando que, assim que o progresso econômico resultante começar a aumentar as receitas reais do governo, cortes adicionais de impostos poderiam ocorrer, a fim de acelerar ainda mais o progresso econômico. Estou argumentando em favor de, primeiramente, conseguirmos a eliminação total do imposto sobre heranças, do imposto sobre ganhos de capital, do imposto de renda de pessoa jurídica, e da parte progressiva do imposto de renda de pessoa física, todos juntos. E então, uma vez que isso tenha sido atingido, deve haver uma redução contínua no que restou do imposto de renda de pessoa física, até que este seja totalmente eliminado. O mecanismo essencial para se obter esses resultados seria através de uma combinação entre progresso econômico e redução contínua nos gastos governamentais. Essa é a maneira de se reduzir radicalmente os impostos de todo mundo. É a única maneira.

II

Deve-se deixar claro que reduzir impostos sem uma equivalente redução nos gastos governamentais impossibilita a formação de capital e de poupança. (Aliás, não só impossibilita, como de fato as enfraquece ainda mais, mesmo que os fundos não tributados já tenham sido majoritariamente poupados). Pois, nesse caso, o governo terá de substituir o dinheiro que não foi obtido via impostos por dinheiro emprestado. E cada unidade monetária que o governo pega emprestado é uma unidade a menos da poupança disponível para o resto do sistema econômico. Assim, mesmo que um corte de impostos de $1 resulte em uma poupança adicional de $0,90, ainda houve uma significativa redução líquida da oferta de poupança disponível para o resto do sistema econômico. Nesse exemplo, embora uma redução de impostos tenha gerado $0,90 de poupança adicional, o empréstimo obtido pelo governo faz com que haja $1 a menos de poupança disponível para negócios e consumidores. Assim, por causa do aumento do déficit orçamentário do governo, que por isso teve de obter empréstimos, houve uma redução líquida de $0,10 na poupança disponível para cada $1 de corte de impostos.

Por isso, cortes de impostos com o intuito de estimular a poupança e a formação de capital, mas que são financiados por meio de empréstimos (aumento do déficit), são simplesmente contrários ao seu intuito. E esse fato permanece se, ao invés de serem financiados via empréstimos, os déficits resultantes sejam financiados pela simples criação de dinheiro. Nesse caso, todos os efeitos destruidores que a inflação tem sobre a formação de capital entram em cena.

De maneira similar, equilibrar o orçamento através de aumentos de impostos será algo destrutivo à poupança e à formação de capital caso esses impostos adicionais recaiam sobre a poupança e sobre os gastos produtivos das empresas — no caso, gastos com mão-de-obra e com bens de capital. Ironicamente, são justamente os impostos que recaem pesadamente sobre a poupança e sobre os gastos produtivos que os defensores do equilíbrio orçamentário via aumento de impostos favorecem. Isso porque os impostos que eles desejam aumentar são exatamente aqueles que recaem sobre as corporações e sobre os "ricos".

A única maneira de esses defensores do equilíbrio orçamentário via aumento de impostos agirem consistentemente com a meta de aumentar a formação de capital seria através de um aumento de impostos exatamente sobre as mesmas pessoas que eles alegam estarem protegendo: os pobres e a massa de assalariados, que poupam relativamente pouco. Com efeito, a única maneira de se possibilitar uma maior poupança e uma maior formação de capital, na ausência de cortes nos gastos do governo, seria não só através de aumentos de impostos sobre os assalariados até o ponto em que o orçamento esteja equilibrado, mas também através de aumentos adicionais desses impostos, de modo a compensar a diminuição dos impostos que incidem especificamente sobre a poupança e sobre os gastos produtivos. Na essência, se uma pessoa defende maiores poupança e formação de capital, e no entanto se recusa a defender reduções nos gastos governamentais, então essa pessoa está logicamente obrigada a defender aumentos de impostos sobre assalariados e sobre os "pobres" a fim de equilibrar o orçamento e de compensar as necessárias reduções havidas nos impostos sobre os lucros, sobre os juros e sobre os "ricos".

Mas não há absolutamente razão alguma para propugnar essa política evidentemente fascista. (Como já mostrei, tal política foi aplicada na Suécia, o país-modelo dos nossos "social-democratas"). Ao invés de colocarmos um grupo se sacrificando pelo o benefício de outro, a solução óbvia e simples seria reduzir acentuadamente todo o sacrifício atual — a saber, reduzir acentuadamente e ao final eliminar completamente as pilhagens feitas pelos grupos de interesse e os gastos governamentais que as financiam através do sacrifício de todos. (A suprema e genuinamente progressista meta de longo prazo seria a eliminação de virtualmente todos os gastos governamentais exceto aqueles direcionados para a defesa contra criminosos comuns e contra governos estrangeiros agressores. A primeira é a função da polícia controlada pelos governos estaduais [veja um contraponto a esta idéia aqui] e locais; a segunda é a função de defesa nacional exercida pelo governo federal).

Essa análise deixa claro que a falha essencial da chamada 'economia do lado da oferta' (supply-side economics) — a política das administrações Reagan e George W. Bush — foi a incapacidade de aceitar a necessidade de se reduzir os gastos governamentais. Embora a política de redução de impostos de ambas as administrações tenha sido perfeitamente correta, a maior parte dos potenciais benefícios dos cortes de impostos foi perdida por causa do correspondente alargamento dos déficits orçamentários do governo federal. Lamentavelmente, ambas as administrações e seus defensores não tiveram a coragem requerida para abolir programas de gastos governamentais de forma a fazer com que os cortes de impostos não gerassem déficits.

Essa inapetência explica por que a grande massa de americanos não se beneficiou como deveria com os cortes de impostos. A explicação é que, não tendo havido reduções equivalentes nos gastos governamentais, os cortes de impostos não se transformaram em aumentos na formação de capital, mas sim em seu oposto. Ao invés de haver mais demanda das empresas por mão-de-obra e por bens de capital, houve menos; ao invés de um progresso econômico mais rápido e de salários reais crescentes, houve estagnação econômica — quando não um declínio aberto —, assim como salários reais estagnados ou em queda.

Outras intervenções governamentais que estão em constante crescimento, principalmente na forma de legislações ambientais, também atuam contra a acumulação de capital ao requererem o uso cada vez maior dele para se obter os mesmos resultados de antes — como, por exemplo, ao exigirem que postos de gasolina, lavanderias e numerosos outros negócios incorram em custosos gastos de capital em prol da proteção ambiental e em detrimento da produção de bens e serviços.

Ademais, a acumulação de capital tem sido enormemente solapada pelas políticas de expansão de crédito e de inflação da base monetária adotadas pelo Banco Central. Na última década, essas políticas foram responsáveis primeiro pela bolha do mercado de ações e depois pela bolha imobiliária. Em ambos os casos, vastas somas de capital foram desperdiçadas em investimentos errôneos e destruídas em consumos excessivos que se baseavam em falsas ilusões de prosperidade. Assim, durante a bolha imobiliária, por exemplo, não somente a indústria da construção civil e a indústria de materiais de construção se sobre-expandiram enormemente, bem como um grande número de casas que não deveriam ter sido construídas acabaram sendo, como também milhões de proprietários de imóveis aumentaram enormemente seu consumo levados unicamente pela crença de que haveria um aumento eterno nos preços de seus imóveis, o que lhes permitiria refinanciar eternamente suas hipotecas. A questão é que esse aumento de preços era induzido unicamente pela inflação monetária e pela expansão do crédito. No final da década de 1990, esse mesmo tipo de sobreconsumo foi a base de uma inflação dos preços das ações da NASDAQ; e maus investimentos similares ocorreram em outras indústrias, tais como as de telecomunicações.

Finalmente, deve ser mencionado que a inflação e a expansão creditícia feitas pelo Banco Central foram responsáveis também pelo crescimento enorme e artificial da desigualdade de renda desde meados de 1990, assim como foram durante a década de 1920. Essa desigualdade não se deu como conseqüência de uma desigualdade da produção econômica, como normalmente seria o caso, mas meramente por conta da criação desenfreada de dinheiro. Esse novo dinheiro, que é criado pelo Banco Central e por todo o sistema bancário, foi injetado primeiro no mercado de ações, e depois no mercado imobiliário. Durante esse processo, esse "falso" dinheiro criou uma gama de ganhos fictícios de capital em termos de preços de ações e de imóveis — os mesmos ganhos fictícios que ocasionaram o sobreconsumo. No caso do mercado de ações, os ganhos fictícios foram predominantemente para os ricos; eram eles que tinham os maiores investimentos em ações e eram eles que mais provavelmente tinham condições de saber como tirar vantagens do mercado em ascensão. Ao mesmo tempo, as taxas de juros artificialmente baixas — obtidas pelas infusões de dinheiro criado do nada — encorajaram um alongamento artificial do que os economistas austríacos chamam de estrutura da produção. (Para a explicação definitiva sobre isso, assista a essa magnífica explicação de PowerPoint). Esse alongamento artificial criou um correspondente aumento artificial na magnitude dos lucros no sistema econômico.

Esse último ponto pode ser entendido ao se reconhecer que, quando se considera o agregado, os fundos que as empresas gastam pagando salários e comprando bens de capital (por exemplo, materiais, componentes, provisões, propaganda, luz e calefação, maquinarias e instalações) são os mesmos fundos que geram o grosso do volume de receitas de venda no sistema econômico. A cada ano, todos os gastos com bens de capital constituem receitas de venda para os vendedores desses bens de capital. A cada ano, o pagamento de salários permite aos assalariados gastar um montante aproximadamente equivalente comprando bens de consumo das empresas. Assim, em um determinado ano, é o total de gastos produtivos das empresas com salários e bens de capital que gera no sistema econômico — direta ou indiretamente — as receitas das vendas comerciais daquele mesmo ano. (O grau em que, a cada ano, os assalariados desejarem adiar para janeiro os gastos dos salários pagos a eles em dezembro, por exemplo, será contrabalançado por essas mesmas escolhas feitas no ano anterior).

Entretanto, cedo ou tarde, esses mesmos gastos produtivos que sustentam a maioria das receitas de venda das empresas também irão aparecer como custos de produção das empresas, custos esses que precisam ser deduzidos das receitas de vendas para que os lucros reais possam ser computados.

A pergunta-chave é: quando é que esses custos irão de fato aparecer como custos de produção? A mesma quantia monetária utilizada para gastos produtivos será computada futuramente como custos a serem deduzidos de receitas de vendas. A questão é o período de tempo para tal. Pode demorar dias ou semanas. Mas também pode demorar meses ou anos. Por exemplo, se um supermercado gastar $1 milhão na compra de mercadorias no atacado, em uma questão de dias esse $1 milhão será computado como custo. Entretanto, se uma construtora gastar $1 milhão na construção de um novo edifício cuja vida depreciável seja de 40 anos, esse $1 milhão irá ser computado como um custo de produção a ser deduzido das receitas de venda somente após o edifício estar totalmente pronto. E daí então, o custo será computado a uma taxa de $25.000 por ano, por causa de sua vida depreciável de 40 anos. Para que esse gasto de $1 milhão na construção do edifício resulte em um custo anual de depreciação de $1 milhão, o processo teria de ser repetido durante 40 anos, após o qual 40 edifícios desse tipo já teriam sido construídos, cada um se depreciando $25.000 por ano.

A implicação dessa discussão é que alterações no padrão de gastos produtivos — com relação ao período de tempo que levará para que os gastos apareçam como custos a serem deduzidos das receitas de venda — são capazes de gerar um enorme efeito nos lucros das empresas por um considerável período de tempo. Isso ocorre porque, embora as receitas de venda em um dado ano permaneçam as mesmas, os custos a serem deduzidos dessas respectivas receitas podem ser adiados em graus variados. Desta forma, por exemplo, direcionar aquele $1 milhão que seria gasto na compra de alimentos no atacado para a construção de um novo edifício implica uma redução de $1 milhão nos custos a serem deduzidos das receitas, durante o ano corrente. (A redução será integralmente de $1 milhão porque, embora o prédio ainda esteja sendo construído, ele ainda não gerou sequer os custos de $25.000 de depreciação anual, custos esses que só serão computados quando a construção estiver finalizada). Assim, uma vez que a estrutura é alongada e mais e maiores custos são adiados — em termos de seu cômputo para dedução das receitas —, os lucros no sistema econômico são correspondentemente aumentados. Esses são os lucros da fase da expansão (boom) da economia.

A política de dinheiro fácil e de baixas taxas de juros adotada pelo Banco Central provoca duas distorções: esse dinheiro novo injetado no mercado eleva os gastos produtivos e as receitas das empresas, e, simultaneamente, estimula um redirecionamento dos gastos produtivos (investimentos) para pontos mais distantes do momento em que eles serão computados como custos de produção. Gastos produtivos visando resultados mais demorados são um efeito secundário inevitável de taxas de juros baixas. Dessa forma, uma política de expansão de crédito produz um adiamento sistemático do cômputo dos custos empresariais em relação a qualquer volume de receitas, bem como um correspondente alargamento dos lucros empresariais — lucros para os quais não há qualquer base econômica sólida e que não existiriam na ausência de uma expansão creditícia.

Portanto, se de fato não se trata de ignorância econômica e/ou de pura inveja maliciosa, a indignação da esquerda contra a desigualdade econômica poderia muito bem ser coerentemente redirecionada contra a sua adorada política de expansão de crédito.

III

Todo o descontentamento e indignação da esquerda deveriam ser direcionados contra suas próprias políticas e também contra ela própria, por conta de sua volitiva e arbitrária ignorância econômica. A esquerda nada sabe sobre o papel do capital na produção e nem o que realmente faz aumentar os salários reais e o padrão de vida. Na verdade, ela desconhece praticamente qualquer aspecto da economia.

É claro que, em uma demonstração adicional de sua ignorância, os membros da esquerda irão indubitavelmente classificar o argumento apresentado nesse artigo com sendo "elitista". Não há nada de elitista nele. Há apenas o fato óbvio de que a acumulação de capital e o progresso econômico dependem da poupança e da inovação. E estas, por sua vez, dependem da liberdade de se obter altos lucros e de se acumular grande riqueza.

A única alternativa apresentada a esse modelo de progresso para todos — progresso esse que é atingido por vias do desenvolvimento econômico — é o sistema em que alguns homens ganham à custa de outros por meio da pilhagem e da espoliação. É essa a alternativa defendida pelos redistribucionistas.

 

George Reisman é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.


31 comentários
31 comentários
Diogo Siqueira 18/06/2010 11:04:37

Valeu Leandro!

Responder
oneide345 18/06/2010 11:38:02

Antes de tudo empresas não pagam impostos,quem paga eos consumidores ,o que as empresas não querem e que seu concorrente ou por sonegação ou por incentivo fiscal do não seja "desleal"no mercado, se o imposto e 1,10 ou 100% não importa somente repassa o custo ao consumidor que sem opção ira comprar de qualquer forma o seu produto,contanto que não exista uma empresa que obteve incentivo fiscal ou inlegal e indiferente a aliquota de imposto.
Se e pra acabar com os conflitos de classe que não se mensione os termos ricos e pobres,ja que para mim o pobre e um rico sem dinheiro somente isso.
Tem que dinminuir os impostos pra todos não penalizar ou beneficiar classes,e abrindo mão da progressividade.

Responder
Leandro 18/06/2010 11:49:07

Errado, Oneide. Empresas não repassam impostos diretos. É impossível uma empresa repassar seu IRPJ para os consumidores.

Responder
Helio 18/06/2010 12:12:27

Não estou certo que as empresas não repassam impostos diretos como o imposto de renda. Vou tentar elaborar um início de argumentação e vamos ver no que dá.\r
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O empresário coloca seu capital em risco para obter um retorno ajustado a risco maior que o que obteria deixando o dinheiro aplicado em uma aplicação sem risco. O retorno do empresário é o lucro líquido de impostos, inclusive imposto de renda. Se o imposto de renda aumentar, o empresário tentará repassar o imposto para tentar obter o mesmo retorno anterior (ajustado a risco).\r
\r
Há duas hipóteses: a) o repasse aumenta o lucro, b) o repasse não aumenta o lucro. Me parece que se o aumento de impostos se aplicar a todas as empresas, há uma isonomia na economia inteira, e me parece que o ponto ótimo de preço deve ser mover para cima, na mesma proporção dos impostos - ou seja, me parece que o lucro ótimo se dará em um preço maior, que seria como no cenário a), onde o repasse é bem-sucedido.\r
\r
Leandro, o que acha?

Responder
Leandro 18/06/2010 12:35:43

Murray Rothbard tinha um argumento contra isso: se é verdade que aumento de impostos podem ser repassados para os preços, por que então as empresas não praticaram esse aumento de preços antes do aumento dos impostos?

Afinal, o negócio das empresas é ter o maior lucro possível e vender ao preço mais alto possível. Se o aumento de impostos as obriga a vender mais caro para manter suas receitas, então por que elas simplesmente não fizeram isso antes? Precisou do governo para iluminá-las nesse aspecto?

Rothbard ia além. Segundo ele, nem mesmo os impostos indiretos podem ser repassados. Ele escreveu longamente sobre isso em seu Power & Market.

Sobre o IRPJ, eis um trecho:

Taxation of corporate net income imposes a "double" tax on the owners of corporations: once on the official "corporate" income and once on the remaining distributed net income of the owners themselves. The extra tax cannot be shifted forward onto the consumer. Since it is levied on net income itself, it can hardly be shifted backward. It has the effect of penalizing corporate income as opposed to income from other market forms (single ownership, partnerships, etc.), thereby penalizing efficient forms of enterprise and encouraging the inefficient. Resources shift from the former to the latter until the expected rate of net return is equalized throughout the economy - at a lower level than originally.

mises.org/rothbard/mes/chap16a.asp#3._Incidence_and_Effects

Responder
Zéh 18/06/2010 13:13:39

IRPJ é repassado sim, mesmo que seja inconcientemente, é repassado. Nenhum empresário vai abrir mão de parte do lucro para pagar um imposto... mais simples é repassar esse valor nos produtos... não da pra calcular exatamente(eu acho), mas sem dúvidas é feito.

Responder
Rodrigo Meira 18/06/2010 13:36:53

Murray Rothbard tinha um argumento contra isso: se é verdade que aumento de impostos podem ser repassados para os preços, por que então as empresas não praticaram esse aumento de preços antes do aumento dos impostos?

Concorrência já seria uma boa resposta para esse argumento do Murray Rothbard, porém é melhor considerar que as empresas antes do aumento do imposto tinham um relação preço/lucro otimizada frente aos seus concorrentes no mercado que foi distorcida para todas as empresas presentes nesse mercado pelo aumento do imposto, logo que essa distorção aconteceu para todas ao mesmo tempo é natural que todas passem este imposto via aumento de preço ao consumidor tendo em vista que eleas ja operavam igualando os custos marginais à receita marginal.

Outro fato que acontece muito em grandes centros é a formação de quarteis, principalmente entre postos de combustiveis e etes quando querem aumentam o preço independentemente de um aumento nos impostos sobre combustiveis.

eu pessoalmente sou favor de se diminuir impostos para os empresarios, a maquina precisa girar e quanto mais combustivel melhor.

Responder
Leandro 18/06/2010 13:53:39

Rodrigo, mas um aumento do IRPJ não atinge todas as empresas da mesma forma. Empresas com maior receita vão pagar mais. Logo, dizer que um aumento do IRPJ faria com que todas aumentassem o preço da mesma forma não faz sentido.

Uma empresa sempre poderá aumentar menos que as outras, o que imediatamente impediria que as outras se arriscassem a aumentar seus preços. Tal medida poderia fazer com que elas perdessem clientes para a concorrência mais barata, e eles poderiam não mais voltar.

Eu não queria fazer apelos de ordem prática, mas vou ceder à tentação: na minha família há três pequenos empresários. Nenhum deles precifica de acordo com o que paga de IRPJ. Não há base para isso.

Volto a enfatizar: se as empresas estavam trabalhando com uma relação preço/lucro otimizada, um aumento do IRPJ vai afetar apenas seu lucro. Afinal, se elas pudessem subir o preço, como vocês estão sugerindo, elas já teriam feito isso antes do aumento do IRPJ. Já que o argumento é que um preço mais alto restabeleceria a relação preço/lucro, então por que simplesmente não aumentaram os preços antes? Teriam um lucro ainda maior, já que o IRPJ ainda não havia sido aumentado.

O IRPJ destroi é a poupança das empresas.

Responder
Rodrigo Meira 18/06/2010 14:46:30

Leandro

veja bem, eu não falei em momento nenhum que o lucro não seria afetado com o aumento dos imposto, é óbvio que tanto o lucro como posteriomente poupança e investimento são afetados pelo aumento dos impostos, no meu exemplo faltou eu dizer que tanto a oferta de bens quanto a demanda seriam alteradas pelos preços mais altos em decorrência do aumento de impostos, com impostos mais altos os consumidores demandariam menos e por seguinte as empresas ofertariam menos tambem, atigindo assim uma nova relação preço/lucro otimizada.

sobre o que você escreveu:

"Eu não queria fazer apelos de ordem prática, mas vou ceder à tentação: na minha família há três pequenos empresários. Nenhum deles precifica de acordo com o que paga de IRPJ. Não há base para isso."

é evidente que seus familiares não levaram somente em conta o IRPJ para precificar os seus produtos, mas o IRPJ com certeza entra na decisão deles em continuar com a empresa aberta ou não, então de uma forma indireto o IRPJ acaba interfirindo na formação dos preços dos produtos oferecidos pelos seus familiares

Responder
claro que é repassado 18/06/2010 15:26:04

Imposto sobre a produção, sobre o consumo e sobre a empresa, o empresário repassa sim, aos consumidores. Como foi demonstrado no "Dia da Liberdade de Impostos", se hoje nós pagamos R$ 2,50 o litro de gasolina, sem impostos, pagaríamos R$ 1,50. Se isso não se chama repassar...
O que o empresário não pode repassar, são os impostos sobre o patrimônio, como o Imposto de Renda, imposto sobre a herança, imposto sobre as remessas de lucro.

Responder
Leandro 18/06/2010 15:39:33

Não é tão direto assim, Rodrigo. Permita-me um exemplo simples, mas que ajuda a entender a questão.

Imagine que você seja um vendedor de maçãs e que tenha um lucro $100 por mês. O IRPJ é de 35%. Logo, você paga $35 de impostos e usa os $65 restantes para fazer novos investimentos.

Aí o governo vem e muda o IRPJ para 45%. Agora você terá apenas $55 para fazer novos investimentos.

De imediato, você não poderia aumentar os preços de suas maçãs, pois isso faria com que você perdesse mercado para a concorrência. Inclusive para a concorrência de outros produtos, como laranjas, por exemplo. Maçã mais cara pode fazer com que o consumo de laranjas ou bananas aumente.

Porém, com o tempo, em decorrência do seu menor investimento (por causa dos maiores impostos), a sua produção de maçãs será menor. Logo, sua receita cairá. Só que, se você aumentar os preços, tem o problema da concorrência. Ou seja, você nada pode fazer. Vai ter de se contentar com lucros menores. Até que você quebra.

"Ah, mas a concorrência também vai aumentar seus preços, pois o IRPJ também aumentou pra ela!". Pode ser, mas nunca na mesma proporção. Você pode até aumentar o preço de suas maçãs porque a concorrência também aumentou, mas não será de acordo com o aumento do IRPJ. Ou seja, você não pode simplesmente repassar esse aumento de 10 pontos percentuais à sua maçã.

Você já deve ter lido que a expectativa de vida das pequenas empresas no Brasil é de 3 anos em média. O sujeito simplesmente não aguente esse confisco, aliado a um aparato burocrático-regulatório enlouquecedor.

Por favor, leia o texto todo e leia também o link que passei no meu segundo comentário. Lá explica isso tudo.


P.S.: em um assunto semelhante, o pessoal hoje comenta assustado que o fim da CPMF não gerou redução de preços. Ora, mas claro que não! Nem faria sentido. A CPMF não é repassada aos preços. Sua abolição gerou um aumento no lucro líquido, mas não queda de preços. Os preços já estavam otimizados.

Responder
oneide345 18/06/2010 18:28:41

Quem determina o preço de um produto eo consumidor como dito varias vezes neste site,o que as empresas fazem e tentar achar o maximo que ele esta disposto a pagar, e dai verificam os custo (incluido os impostos)e se vale a pena produzir ou vender o produto x.
Quando a cpmf foi extinta os preços não baixaram pq os consumidores estavam dispostos a pagar x pelos produtos e como não temos concorencia realmente no pais nemnhuma empresa se dispos a reduzir os preços, eos consumidores estão ainda dispostos a pagar o mesmo pelo produto com ou sem aumento de imposto.
No caso da maçã eles seriam vendidas com o aumento de preço se o consumidor achar que e mais vantajoso comprar banana as empresas migraram pra venda de bananas,as que ainda ficarem na venda de maçã venderam com preço majorado pq havera falta delas.
Como disse antes quem paga os imposto eo consumidor final,mais ai que esta a questão ele NÂO SABE quanto paga, e consequentemente não tem como determinar o quanto esta disposto a pagar em impostos.
As empresas de certa forma se tornaram cobradores de impostos entregam tudo pronto ao consumidor e ainda financia impostos a longo prazo o estado tem apenas o trabalho de "arrecadar".
Concordo com o Rodrigo Meira empresas não deviam pagar impostos e vou adinte não deveriam NEM COBRAR impostos tb,devia apenas se preocupar com custos e qualidade produtividade etc deixar o consumidor se virar com isso se o imposto e 10% ou 50% ele que se entenda com o estado e o estado que se vire em justificar o impostos A ou B.
Gostaria de ver a seguinte cena um dia,dona maria comprando uma geladeira x que esta a venda por 1.500r$ a vista.
-dona maria a senhora pode passar no caixa pra a loja e a senhora presiza pagar 600 r$ para a loja.
-aqui o cupon fiscal de 900r$ que vc pode pagar em qualquer loterica.
Se a dona maria vai pagar ou não, não e problema da empresa,se o imposto e alto ou não ela que tem que se entender com o governo e ele que crie mecanismos de cobrança ou que justifiquem os impostos.Neste arranjo não ouve aumento ou diminuição dos impostos nem aumento dos preços e custos.

Responder
Ulisses 19/06/2010 13:16:23

Esperar que um indivíduo pobre recuse um desconto imediato de impostos para beneficiar os mais ricos, contando que no futuro a maior acumulaçao de capital vá compensá-lo (e nao é garantido que vá) é um tanto quanto utópico... ainda mais considerando a natural inveja social. É uma ingenuidade parecida com aquele pessoal do "um novo mundo é possível e necessário".

Responder
Felipe Insunza 19/06/2010 19:42:07

Impostos maiores, sejam sobre o faturamento sejam sobre o lucro, sempre implicarão em taxas de lucros menores do que a situação inicial pois - repassando integralmente a tributação ou não - o mercado vê-se diminuído por um efeito elasticidade: maiores preços menor quantidade.

Não sei julgar como o "equilíbrio" seria afetado nos outros mercados de bens concorrentes, complementares ou outro mercado qualquer (já que haverá distorções para tudo que é lado). Também fica difícil quantificar o "resultado agregado para a sociedade", até porque teríamos que saber como serão gastos os impostos (embora eu creia que impostos nunca serão melhores gastos pelo governo do que pelas pessoas que pagaram).

Mas, certamente, o setor que sofreu com o aumento de tributação incorrerá num situação pior que a inicial, caso contrário a empresa poderia já estar na situação de preços mais elevados e lucrando mais (como lembrou o Leandro).

Responder
Andre Poffo 19/09/2011 23:47:42

Leandro,
Um imposto direto maior, com certeza faria novos investidores "repensarem" no mínimo, seus investimentos, muitas vezes desistindo do mercado.
Não estou dizendo que vai ser repassado aos preços de mercado, até por que como explicado a concorrência mataria essa prática. Mas com você falou, diminuiriam os lucros líquidos, e portanto afastaria investimentos.

Responder
Ciro 05/12/2011 12:47:00

É complicado, mas, hoje em dia esta se tornando cada vez mais broxante se esforçar e trabalhar para ter um melhor padrão de vida, pois, tendo este melhor padrão os impostos lhe comerão o valor que você consegue a mais com uma promoção por ex. ouvi muita gente dizer que mais vale trabalhar com salario de 1500 do que com um de 2500... por conta do imposto.

Desanima quem quer investir e crescer honestamente e arma que quer lavar dinheiro e fazer maracutaias, bem como, alegra que não tem nada e ganha dividendos sem fazer esforço, sem utilizar a mente para sair sozinho da situação onde se encontra.

Ridiculo,

isto é uma vergonha.

Responder
joao marcos 23/04/2013 04:26:38

Um cenário que não consigo entender é a premissa de que TODO lucro será investido.

Conheço vários empresários médios (de acordo com seu faturamento) que lucram bastante, mas não vejo mudanças em seus negócios que são sinais de investimento em produção (aumento de salários, melhoria do produto, do estabelecimento, etc). Então eu pensei muito na questão:

"Como um aumento dos LUCROS pode ser benéfico à todos mesmo quando quem lucra consome seu lucro (com bens de consumo, ou simplesmente guarda pra si)?"

Eu cheguei à conclusão que devido à concorrência natural, a falta de investimento fará, a longo prazo, o cara perder mercado. Mas esse é um argumento muito fraco ainda. Ainda não sei como os assalariados em geral se beneficiam nesse caso.

1) O capitalista não enxerga oportunidades de lucros.
2) Ele pode estar certo ou errado na sua visão.
3) Se estiver certo, então todo capital disponivel ja está investido, por isso não há mais oportunidades. Logo, esse é o cenário "bom pra todos".
4) Se ele está errado, e na verdade há oportunidades e dinheiro pra investir, mas ele por alguma razão guarda ou gasta.... o que acontece ao assalariado?

Espero que tenham me entendido.

Responder
Leandro 23/04/2013 13:20:39

De novo: não existe esse negócio de "dinheiro guardado". No atual sistema financeiro e monetário, dinheiro não fica "guardado". Dinheiro em conta bancária é emprestado. (Em termos mais técnicos, dinheiro em conta bancária serve de reservas para os bancos; reservas sobre as quais os bancos criarão mais dígitos eletrônicos na forma de empréstimos).

Um empresário que lucra e não reinveste, fará um das duas coisas a seguir:

1) Deixará seu dinheiro em alguma aplicação bancária (o que, como dito acima, permitirá que o banco conceda mais empréstimos);

2) Consumirá (o que estimulará os salários daquele setor cujos bens e serviços ele está consumindo).

Adicionalmente, vale lembrar que o lucro desse empresário não serve apenas para ser reinvestido. É esse lucro que permitirá o pagamento dos futuros salários de seus empregados, caso os meses vindouros sejam deficitários. Sem lucro, não haveria empregos nem salários.

Leituras recomendadas:

A natureza econômica dos lucros e dos prejuízos

Condenar o lucro é defender o retrocesso da humanidade

Responder
Blah 23/04/2013 14:11:33

Mesmo em um sistema financeiro diferente do atual, se houvesse uma grande quantidade de dinheiro simplesmente guardado "embaixo do colchão", a demanda por esse dinheiro aumentaria até um ponto em que a recompensa oferecida pelo dinheiro seria alta demais para ser ignorada.

Responder
Joao 23/04/2013 19:10:23

Obrigado Leandro, lerei os artigos recomendados.

Mas sobre minha dúvida: então o CONSUMO do lucro pelo seu proprietário (o empresário) elevaria salários dos setores onde ele gastou seu dinheiro, certo? Mas por que isso não pode ser feito pelo assalariado?

Do ponto de vista do lucro não reinvestido (na produção, em bens de capital), QUEM vai gastá-lo implica em alguma diferença no bem-estar material geral?

Por exemplo: suponha que você trabalha numa empresa que é sabido a existência de altos lucros, mais ou menos constantes. Entretanto, seu patrão "investe" o mínimo possível, e a maior parte do lucro ele gasta consigo mesmo, consumindo (seja comprando carros, casas, viagens, etc). Não há perspectiva de aumento dos salários para os empregados, nessa empresa. Há algum cenário onde esse lucro gasto pelo patrão beneficie seus empregados?

(Antes de tudo, não insinuei uma redistribuição do lucro consumido. É propriedade do patrão, então é problema dele o que ele faz com seu dinheiro. Apenas quero entender se e como haveria benefícios para o empregado de um patrão tolo como esse).

Responder
Leandro 23/04/2013 19:37:18

"Mas sobre minha dúvida: então o CONSUMO do lucro pelo seu proprietário (o empresário) elevaria salários dos setores onde ele gastou seu dinheiro, certo? Mas por que isso não pode ser feito pelo assalariado?"

Não entendi. Nada proíbe o assalariado de gastar seu salário.

"Do ponto de vista do lucro não reinvestido (na produção, em bens de capital), QUEM vai gastá-lo implica em alguma diferença no bem-estar material geral?"

Não existe esse negócio de lucro não reinvestido. Eu citei o exemplo acima como se fosse um extremo, algo que pode ocorrer no máximo um mês ou outro. De modo algum é algo que pode ocorrer rotineiramente.

Esse negócio de lucro não reinvestido é conversa de professor universitário que jamais gerenciou nem mesmo as contas da sua própria casa e que não faz a mínima ideia de como o mercado realmente funciona. Qualquer empreendimento -- seja um boteco de cidade do interior, seja uma sucursal da Zara -- irá utilizar mensalmente seus lucros para, no mínimo, repor seus estoques (empreendimento sem estoques nas prateleiras afugenta clientes).

Da mesma forma, não existe esse negócio de lucro revertido inteiramente para o consumo do patrão. O cara que fizer isso perderá todo o seu mercado (e sua mão-de-obra) para seu concorrente mais empreendedor. Esquece essa fantasia universitária de lucros integralmente revertidos para os luxos do patrão. Ela não faz parte do mundo real.

"Por exemplo: suponha que você trabalha numa empresa que é sabido a existência de altos lucros, mais ou menos constantes. Entretanto, seu patrão "investe" o mínimo possível, e a maior parte do lucro ele gasta consigo mesmo, consumindo (seja comprando carros, casas, viagens, etc). Não há perspectiva de aumento dos salários para os empregados, nessa empresa. Há algum cenário onde esse lucro gasto pelo patrão beneficie seus empregados?"

Neste caso, o empreendimento deste sujeito está condenado e ele não durará nada no livre mercado. Ele irá perder tanto sua mão-de-obra quanto sua fatia de mercado para seus concorrentes.

A única maneira de esse cara se manter no mercado é se o governo protegê-lo de alguma forma. Mas aí, obviamente, temos um mercado sob intervencionismo estatal, e suas falhas não podem de modo algum serem atribuídas ao livre mercado.

Responder
Jeferson Duda 16/12/2013 04:39:46

Ainda que o lucro pudesse ser "guardado", sua expropriação não deixaria de ser roubo. O fato é que tal roubo se torna menos defensável quando se mostra que o lucro é bom para todos, como o artigo revela magistralmente.

Contudo, ainda mais defensável me parece ficar a redução da expropriação estatal do lucro, se concomitante, ainda que em menor proporção, à redução da expropriação estatal do salário. Mesmo que se saiba que os efeitos sociais da diminuição da carga sobre os ganhos das empresas são maiores que os da diminuição da carga sobre os ganhos dos empregados e dos consumidores.

Minha premissa é moral. Não é moralmente legítimo ao Estado se apropriar da riqueza do empreendedor tanto quanto da renda dos demais indivíduos. Os políticos que diminuam os gastos públicos proporcionalmente à redução geral e concomitante da carga tributária. Que recuem no paternalismo corporativo-assistencialista e deixem o dinheiro alheio na economia, de onde foi tirado; deixem-no com seus legítimos proprietários, com as empresas, seus donos, funcionários e clientes.

Responder
Roberval 23/04/2013 18:03:24

A pergunta-chave é: quando é que esses custos irão de fato aparecer como custos de produção? A mesma quantia monetária utilizada para gastos produtivos será computada futuramente como custos a serem deduzidos de receitas de vendas...........(continua)
...............................................................................
custos esses que só serão computados quando a construção estiver finalizada). Assim, uma vez que a estrutura é alongada e mais e maiores custos são adiados — em termos de seu cômputo para dedução das receitas —, os lucros no sistema econômico são correspondentemente aumentados. Esses são os lucros da fase da expansão (boom) da economia.(fim)
Pelo que estou entendendo aqui nesse paragrafo,por exemplo,ao inves do dono de supermercado investir 1 milhao em seu estoque,ele investe esse dinheiro em imovel provocando assim uma distorção no preço do mesmo e na economia,é isso que vc quiz dizer? Outra,você alega que o imovel pode desvalorizar 25 mil,porem,o mesmo 1 milhão investido em alimento não correria o risco de desvalorizar devido a data de validade e etc? Tem como me explicar melhor esse paragrafo.

Responder
Leandro 23/04/2013 18:26:00

Não, você entendeu errado. Tudo se resume a uma regra de contabilidade, mais especificamente à maneira como a depreciação de ativos é contabilizada.

Gastos com bens de capital são considerados investimentos. E, em termos puramente contábeis, gastos com bens de capital não são integralmente deduzidos nos balancetes. Vou explicar melhor.

Se você compra um bem de capital por $100.000, e a vida depreciável desse ativo (durabilidade) é de 10 anos, então o custo de depreciação será de 10% ao ano. Sendo assim, no seu balancete, aparecerá imediatamente um ativo de $100.000 e um custo de apenas 10.000 (10% de 100.000) no ano seguinte. Isso é regra contábil.

(Somente após 10 anos é que o custo total desse ativo totalizará $100.000. Isso significa que somente após 10 anos o custo desse ativo será igual ao valor despendido em sua aquisição.)

Ou seja, o valor do bem de capital comprado não aparece integralmente como custo. Mas aparece integralmente como ativo. O custo anual ($10.000) será subtraído do valor integral do ativo ($100.000). Essa diferença representa o investimento líquido.

Portanto, observe que embora o seu gasto tenha sido de $100.000, você vai jogar no balancete somente a depreciação de $10.000 (e só no ano seguinte). Isso significa que seu lucro computado é maior do que seu gasto efetivo.

Responder
Joao 23/04/2013 19:15:53

E qual o problema dessa técnica num ambiente inflacionário?

Não poderia simplesmente somar à taxa de depreciação natural do ativo a inflação anual, por exemplo?

EX:
$100 mil, deprecia em 10 anos. 10%a.a.
No ano 1 após o produto estar pronto, temos 10% de "custos do ativo" (a depreciação natural) + x% (inflação anual).

Só entendi que num ambiente com dinheiro fácil, o capital é direcionado para projetos mais LONGOS, onde há uma demora na "conversão" do "investimento produtivo" em "custo" (depreciação), dando a impressão, enquanto o empreendimento não está pronto, de que ele será muito mais rentável do que realmente é.

Mas não estou certo disso, apenas especulando.

Responder
Leandro 23/04/2013 19:26:13

Para poder fazer isso, você tem de combinar com o governo. Pouca gente sabe, mas é o governo quem determina o valor máximo da taxa de depreciação que cada empresa pode utilizar em seus balanços. (Sempre lembrando que, quanto maior a taxa de depreciação utilizada, menor será o lucro contábil daquele ano e, consequentemente, menor o imposto de renda pago. Veja o exemplo mais recente desse autoritarismo.)

Ademais, em um ambiente inflacionário, a inflação aumenta artificialmente os lucros das empresas e faz com que o volume de impostos que elas têm de pagar aumente na mesma proporção, o que exaure seus recursos.

Simultaneamente, a inflação monetária também encarece os preços dos bens de capital (máquinas) e das peças de reposição do maquinário. Ao final, a empresa, além de ter menos recursos (os quais foram confiscados pelos impostos), tem de adquirir bens de capital e peças de reposição a preços maiores, o que significa que houve uma redução na sua capacidade de investimento. A inflação, portanto, gera um consumo de capital das empresas.

Responder
Joao 23/04/2013 19:48:23

Sim, mas como vc disse: a inflação aumenta artificialmente a receita, mas também aumenta o preço dos bens de capital. O tributo do governo aumento porque a receita aumentou.

Então, elas por elas, o empreendedor não ficou na mesma?

Num ambiente com zero inflação, o preço dos bens de capital e reposição é $900 e a receita é $1000. Ele lucra $100. Paga 10% de tributos. Logo, ele retem $90.

Com inflação de 5%, os preços dos bens de capital ficam em $945, e a receita $1050. Ele lucra $105. Aumento de 5% (conforme a inflação). Paga 10% sobre isso, retem $94.50. Em relação ao lucro líquido anterior, ele teve um aumento de 5%.

A menos que os preços dos bens de capital sejam reajustados ANTES do preço dos bens de consumo (que é o que gera a receita pra ele), ou em um valor maior que o dos bens de consumo.



Responder
Leandro 23/04/2013 20:06:25

"Sim, mas como vc disse: a inflação aumenta artificialmente a receita, mas também aumenta o preço dos bens de capital. O tributo do governo aumento porque a receita aumentou."

Não. O cara não pode reajustar o preço do bem de capital. Isso é regra contábil. Se você comprou um bem de capital que custa $100.000 e com durabilidade de 10 anos (taxa de depreciação de 10%), o custo que você que você colocará no seu balancete tem de ser obrigatoriamente 10.000. Você não pode alterá-lo. É regra.

"Então, elas por elas, o empreendedor não ficou na mesma?"

Não. Pelo motivo acima.

"Num ambiente com zero inflação, o preço dos bens de capital e reposição é $900 e a receita é $1000. Ele lucra $100. Paga 10% de tributos. Logo, ele retem $90."

Correto.

"Com inflação de 5%, os preços dos bens de capital ficam em $945, e a receita $1050. Ele lucra $105. Aumento de 5% (conforme a inflação). Paga 10% sobre isso, retem $94.50. Em relação ao lucro líquido anterior, ele teve um aumento de 5%."

Não. Com inflação de 5%, o a receita será de $1050, mas o custo permanece sendo $900 (regra contábil). Logo, o lucro será de $150. Com tributação de 10%, ele reterá $135. Aí ele terá de repor seu bem de capital, que agora custa $945.

Ou seja, no cenário sem inflação, ele lucrava $100 e gastava $900. No cenário com inflação, ele lucra $135 e gasta $945. Ele perdeu mais no cenário com inflação.

Responder
Joao 23/04/2013 19:29:33

E ainda sobre os lucros... quais seriam os efeitos econômicos da retirada de uma parcela mínima do lucro para transferir ao assalariado da dita empresa? Suponhamos que seja um valor deduzido daquela fatia dos lucros que seria consumida pelo patrão. Não estaríamos, econômicamente, apenas alterando o consumidor (claro, há a questão ética da coerção, mas vamos focar no aspecto econômico)?

Responder
anônimo 06/11/2013 18:03:34

Se se aumento os impostos para financiar o assistencialismo, essas pessoas beneficiados pelo assistencialismo estariam em melhor situação se não houvesse o assistencialismo e os impostos não tivessem sido aumentados?

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 16/06/2014 14:41:49


Devemos ser a favor da diminuição de impostos para TODOS ("ricos" e "pobres"), devidamente acompanhada da correspondente diminuição dos gastos governamentais.

* * *

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