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Individualismo e interesse próprio não são egoísmo

As relações que ocorrem no mercado são constantemente criticadas como sendo a epítome do egoísmo ou da ganância, recompensando o interesse próprio acima da ética.

Como Friedrich Hayek expôs, "a crença de que o individualismo aprova e estimula o egoísmo humano é uma das razões principais pelas quais tantas pessoas o desaprovam."

Entretanto, essa crença está errada.

Mercados realmente são formados por pessoas com interesses próprios atuando conjuntamente para alcançar seus objetivos, e quase sempre sem conhecer umas as outras.  Porém, buscar o interesse próprio não é o mesmo que ser egoísta.

As pessoas têm interesses diversos

Economistas pressupõem que indivíduos possuem interesses próprios.  Isso significa simplesmente que cada indivíduo se importa com um determinado objetivo; e alguns fins importam mais do que outros. A consequência disso é que cada pessoa prefere ter o controle (o poder para decidir o uso) de mais recursos do que de menos, pois isso a permite alcançar aqueles objetivos que ela mais valora de uma maneira mais eficaz do que se ela possuísse menos recursos à sua disposição. 

Só que desejar o controle sobre mais recursos para alcançar nossos objetivos não é um pensamento monomaníaco.

Hayek entendeu essa confusão e escreveu que:

Se dissermos que as pessoas devem ter suas ações guiadas por seus próprios interesses e desejos, esta sentença será rapidamente mal-entendida ou distorcida pela crença de que as pessoas devem ser exclusivamente guiadas por suas próprias necessidades ou interesses egoístas, sendo que, na verdade, significa somente que elas devem ser permitidas a se esforçar para alcançar qualquer objetivo que julguem desejável.

Se tudo com que um indivíduos se importasse fossem com ele próprio, então aí sim o interesse dessa pessoa poderia ser igualado ao egoísmo.  Mas se alguém se importa com qualquer coisa ou com qualquer outra pessoa além de si própria, então há várias diferenças fundamentais entre isso e o egoísmo

Quando Madre Teresa, por exemplo, utilizou seu Prêmio Nobel para construir um hospital para leprosos, ela estava agindo de acordo com seu interesse próprio, pois tais recursos foram utilizados para efetuar algo com o qual ela se importava. Mas ela não agiu de maneira egoísta.

O livre-mercado força os egoístas a trabalharem pelos outros

Outra maneira de caracterizar essa distinção entre interesse próprio e egoísmo é que, ao passo que pessoas egoístas têm um interesse próprio (elas só se importam consigo próprias), ter um interesse próprio não implica ser egoísta.  E o interesse próprio, seja ele egoísta ou não, é o que faz com que a cooperação social seja estimulada e, por conseguinte, terceiros sejam beneficiados pelas interações voluntárias no mercado.

É por isso que mesmo que uma pessoa que esteja no mercado seja egoísta, isso não significa que o mercado a tornou mais egoísta, e nem que o mercado expandiu o âmbito do egoísmo nas relações humanas.

Para ilustrar isso, suponha que João seja um indivíduo completamente egoísta.  Ele só pensa em si próprio e quer enriquecer rapidamente.  Considerando-se que os direitos de propriedade de terceiros são respeitados, João só pode alcançar esse objetivo se ele induzir todos os outros indivíduos a voluntariamente cooperarem com ele.  Ou seja, João terá de oferecer algo que seja do interesse desses outros indivíduos. 

Mais ainda: João só conseguirá isso se o que ele oferecer for melhor do que todas as alternativas existentes.  João não pode coagir ninguém a consumir seus bens e serviços.

Sendo assim, embora seja egoísta e não se importa em nada com os outros, João tem de agir de maneira a atender os interesses daqueles que estão ao seu redor.  Só assim João poderá alcançar seus próprios interesses

Esse é o milagre descrito na metáfora da mão invisível de Adam Smith. Mesmo que alguém seja egoísta, essa pessoa — para alcançar seus objetivos — terá inevitavelmente de beneficiar terceiros no mercado, fornecendo-lhes bens e serviços de qualidade, e esperando que elas, voluntariamente, consumam estes bens e serviços.  E para que elas consumam estes bens e serviços fornecidos pelo egoísta João, estes têm de ser de qualidade.

Desta forma, o egoísmo de João é domado e direcionado para a cooperação com terceiros, fornecendo-lhes mais opções de consumo e beneficiando-lhes como resultado desta interação.   

Em termos práticos, a maioria dos empreendedores no mercado é motivada pelo desejo de auferir lucros monetários.  No entanto, em uma economia de mercado, a única maneira de um empreendedor auferir lucros é servindo bem seus clientes (e mantendo seus custos baixos). 

Como explicado pelo dr. Robert Murphy:

Um dos mais belos aspectos de uma economia de mercado é que ela é capaz de domar as pessoas mais egoístas, ambiciosas e talentosas da sociedade, fazendo com que seja do interesse financeiro delas se preocuparem dia e noite com novas maneiras de agradar terceiros. Empreendedores conduzem a economia de mercado, mas a concorrência entre empreendedores é o que os mantém honestos.

Conclusão

Em A Teoria dos Sentimentos Morais, Adam Smith argumentou que:

Por mais que um indivíduo seja tido como egoísta, há evidentemente alguns princípios em sua natureza que o tornam interessado no bem-estar de terceiros, e que fazem com que a felicidade deles sejam necessárias a ele — embora ele nada ganhe com isso além do prazer de ver a felicidade deles.

E longe de apoiar o simples egoísmo, ele conclui que "restringir nossas emoções egoístas e satisfazer as emoções benevolentes é o que constitui a perfeição da natureza humana." Em outras palavras, nosso interesse individual inclui o aprofundamento da nossa natureza benevolente.  

Está claro que os participantes do mercado não podem ser caracterizados como motivados pela ganância.  Sendo assim, o que explica esses falsos ataques?

Os ataques vêm de pessoas que pensam que suas preferências subjetivas deveriam se sobrepor às preferências dos proprietários e da maneira como estes controlam suas propriedades.   Para essas pessoas, os proprietários e suas respectivas propriedades devem ser, por meio da coerção do estado, domados, subjugados e forçados a se adaptar a essa visão redistributivista do mundo.  A intenção desses pretensos reformadores é simplesmente impor, à força, suas preferências sobre terceiros. 

Ao agirem assim, eles paradoxalmente não parecem perceber que tal comportamento é a exata definição da ganância que eles tanto criticam.


3 votos

autor

Gary Galles
é professor de economia na Universidade de Pepperdine, na Califórnia.


  • Gredson  22/04/2015 14:43
    Achei muito interessante este artigo, porque recentemente eu tive uma aula de filosofia, o qual a professora socialista, afirmou que 90% dos CEOs das grandes empresas, são psicopatas.

    Partindo do pressuposto que seja verdade a afirmação dela(duvido). O mercado de alguma forma, iria conseguir fazer este psicopata, trabalhar para o bem dos outros? Funcionaria mais ou menos como o exemplo do joão?
  • Marcos  22/04/2015 15:16
    Sim, desde que seu mercado não fosse protegido pelo governo.

    Se o mercado é protegido da concorrência pelo governo -- seja via tarifas de importação, seja via agências reguladoras que impedem a entrada de concorrentes --, aí o cidadão tem espaço para agir mal.

    Mas aí observe que a culpa não é do mercado, mas sim do governo, que deu livre espaço para o psicopata agir dentro de uma reserva de mercado.
  • Boaventura  22/04/2015 17:36
    super.abril.com.br/cotidiano/psicopatas-s-629048.shtml

    Longe de ser socialista como o seu Professor, mas acredito que uma boa quantidade dos que chegam lá, o são. Conseguem justamente por não temerem a nada e por não seguirem as regras e claro, quanto maior o cargo, maior é a atratividade para os Psicos em dominar e manipular. Isso independe de estado ou empresa privada, são relações interpessoais. Vide caso Enron
  • Andre Cavalcante  22/04/2015 19:31
    Fui atrás do caso Enron e veja só o verbete da Wikipedia sobre o tema:

    "A Enron Corporation era uma companhia de energia estadunidense, localizada em Houston, Texas. A Enron empregava cerca de 21.000 pessoas, tendo sido uma das companhias líderes no mundo em distribuição de energia (electricidade, gás natural) e comunicações. Seu faturamento atingia $101 bilhões de dólares em 2000, pouco antes do escândalo financeiro que ocasionou sua falência.1

    Alvo de diversas denúncias de fraudes contabilistas e fiscais e com uma dívida de US$ 13 bilhões, o grupo pediu concordata em dezembro de 2001 e arrastou consigo a Arthur Andersen, que fazia a sua auditoria. Na época, as investigações revelaram que a Enron havia manipulado seus balanços financeiros, com a ajuda de empresas e bancos, e escondeu dívidas de US$ 25 bilhões por dois anos consecutivos, tendo seus lucros inflados artificialmente.

    O governo dos Estados Unidos abriu dezenas de investigações criminais contra executivos da Enron e da Arthur Andersen. A Enron foi também processada pelas pessoas lesadas. De acordo com os investigadores, os executivos e contadores, assim como instituições financeiras e escritórios de advocacia, que à época trabalhavam para a companhia, foram, de alguma forma e em diferentes graus, responsáveis pelo colapso da empresa.

    Em razão de uma série de escândalos financeiros corporativos, como o da Enron, foi redigida a lei Sarbanes-Oxley, em 2002."


    Ou seja, a companhia tinha uns caras prá lá de egoístas que operavam em um mercado fechado pelo governo (energia, mesmo nos EUA é cheio de regulamentações de forma que somente "big players" podem sobreviver, e somente 65% dos consumidores podem escolher de quem compram energia), foram desmascarados pelo mercado, a companhia acabou, levou consigo a outra que estava em conluio, os seus donos sofreram dezenas de investigações criminais.

    Depois disso todo mundo saiu a se adequar a uma lei maluca que tenta forçar a boa "governança corporativa".

    Beleza! O que não entendi é: isso é exemplo de que o mercado não funciona para punir eventuais egoístas? Se for: a lógica é de espantar! Ou, se o caso é que eventuais psico/sociopatas serão atraídos para postos de comando (seja privado, seja estatal)... uau!, descobriu a pólvora!

    Abraços


  • Felipe  22/04/2015 18:54
    "a professora socialista, afirmou que 90% dos CEOs das grandes empresas, são psicopatas."

    E qual foi a dedução lógica para ela construir este argumento? E por que 90%?

    A priori, diria que ela transparece ser alguém frustrada com a vida o que leva a ela desmerecer aqueles que são os exemplos de sucesso.

    "Partindo do pressuposto que seja verdade a afirmação dela(duvido). O mercado de alguma forma, iria conseguir fazer este psicopata, trabalhar para o bem dos outros? "

    Não entendi sua dúvida, um CEO trabalha para o bem da empresa, e uma empresa visa vender, o que por consequência, o leva a trabalhar para o "bem" dos consumidores.
  • Lopes  22/04/2015 19:20
    Não imagino CEOs das maiores empresas do mundo sentando para um teste de empatia, dado que possuem horários apertados e muito mais o que fazer - mais em que importa o que eu acho adiante de fatos? Gostaria de vê-los e discutir sua validade. Impressiona-me, porém, como tua professora, que nunca gerou se quer um emprego na vida ou vai gerar (é improvável que ela cobice algo acima da mamata estatal), dotou-se de tal convicção (receio que não fundada em bases empíricas por razão supramencionada); caso ela própria não saiba a base da sua afirmação, assume-se que ou ela deliberadamente MENTIU a estudantes que confiam nela para desenvolver sua visão de mundo ou ensinou algo de tamanha magnitude (uma acusação seríssima contra gente por trás das maiores forças produtivas do mundo - que geram produtos não para limitados grupos de interesse, mas para todos os consumidores independentemente de nacionalidade ou poder aquisitivo sem ao menos verificar a veracidade; o que é relativamente pior dado que a função do filósofo é descobrir a verdade a partir de princípios básicos de discernimento.

    Sobre o psicopata incapaz de enxergar o longo prazo (o golpista de praça)

    Mas é [b]absolutamente
    improvável que um indivíduo que não é capaz de compreender o feedback de outras pessoas (empatia) - consumidores ou investidores - ascenda em empresas que requerem resposta do consumidor imediata. Lidamos com muitos psicopatas menos inteligentes (pois só visam o curto prazo), por exemplo, no mercado de carros usados; há menos capital envolvido e muitas pessoas ganham dinheiro a enganar incautos (não, a regulamentação estatal de compra e venda não funciona) - o malandro paga as contas, mas não enriquece; ele jamais seria contratado sem indicações por uma empresa que precisasse de um corretor para uma grande quantia de veículos, por exemplo - e nem ao menos seria indicado pelo incauto se ele possuir 1/10 de perspicácia.

    Sobre o psicopata inteligente, porém indolente ou malicioso

    Ou seja, o psicopata que é fanático por golpes de praça tende a não sair da praça pois não é capaz de enxergar o longo prazo. Já um psicopata mais inteligente, que queira ascender em uma empresa, por mais antissocial que seja aos seus colegas, terá em muito de adaptar seus planos a um plano distante e em pouco se discernirá de seus colegas; afinal, se a incompetência dele for gritante, a tendência é que não chegará longe - se ele roubar em contratos e fizer caixa-dois, um contratador privado, que tem a existência de sua firma completamente dependente de margens de lucro inconstantes, possui muito mais incentivo do que um desinteressado chefe de repartição pública cuja produtividade da sua atividade é mera uma externalidade entre ele e sua mamata - por que o estresse se nada acontecerá, produzindo ou não, à repartição?

    [b]Sobre o psicopata que acaba gerando bons resultados ao psicopata

    A psicopatia rende grandes resultados na defesa contra outros psicopatas, surpreendentemente. Um funcionário que utiliza suas emoções para manipular e obter vantagem na firma tenderá a levar a pior perto de um chefe que sente pouca empatia ele próprio. Esse tipo de psicopata tenderá a prosperar em posições de chefia pequena, pois devido aos salários baixos (consequentes de baixos rendimentos, como no varejo, por exemplo) e à pouca capacitação ou interesse da mão-de-obra, o roubo e o caixa-dois são opções extremamente atraentes e fáceis de justificação por parte do celerado. Como as margens de lucro por peça tendem a ser ínfimas no varejo, o roubo é algo perigosíssimo.

    Ou seja, quanto maior seja a fertilidade para a corrupção, mais prosperará o "empresário psicopata". A Enron, como mencionado acima, é um perfeito exemplo disso.

    [b]Da existência do psicopata


    O psicopata existe e nada por ser feito sobre isso no curto prazo e em escala social. Fortalecer a família pacífica (ou seja, evitar agressão física ou uso de força ou ameaças contra as crianças - são comportamentos que não apenas reforçam a violência como regra social sobre a negociação voluntária como detêm consequências negativas cientificamente discutidas ao desenvolvimento de empatia e cognição das crianças), evitar a exposição das crianças a outras que detenham comportamento violento (pois foram vítimas de abusos dos pais) antes dos 6 ou 7 anos (mantê-las longe de creches, especialmente as estatais - você não quer que seu filho seja cuidado por uma pessoa que possui tão pouco a perder ao simplesmente omitir-se de trabalhar); afinal, você não quer que seu filho esteja com pessoas que você não conhece ou possui pouco controle sobre.

    O que você deve fazer para proteger-se do psicopata é ter autoconhecimento. Questionar a imoralidade no comportamento dos amigos (se você sente empatia e eles não enquanto aliciam pessoas na rua, por exemplo, você não deveria estar com eles - já se dizia: diga-me com quem andas, então direi quem és), manter a discrição com gente que não conhece (especialmente se eles tiverem algo a ganhar ao prejudicar-te) e procurar ter padrões altos para trazer alguém para sua vida (sugiro que pense: eu gostaria que esta pessoa fosse mãe, pai ou tivesse contato constante com um filho meu? - É um pequeno exercício de lógica que pode levá-lo a ter mais cuidado ao amigar-se com alguém.)

    Sob um arranjo mercadológico, como explicou o artigo, mesmo o psicopata deve agradar aos interesses de outros para prosperar; e isso (embora não sempre) requer empatia para o feedback de várias outras pessoas. Sob um arranjo estatal, onde a violência e a dissimulação ao invés da produtividade é o motor para a ascensão social, não prosperarão as pessoas que sentem empatia e que são moderadas; serão os mais cruéis e dispostos a ir mais longe por seu fanatismo ou interesse próprio que subirão ao poder (vide o famoso texto do Hayek em "O Caminho para a Servidão", Por que os Piores sempre chegam ao poder?); imagine um exército de assírios: não será a tropa que se recusará a arrancar os olhos das vítimas e traidores, estuprar suas mulheres e saquear seus templos aquela que terá maior sucesso na guerra, incitará mais temor e respeito dos soldados e mais desistência dos inimigos.

    Mas se o mesmíssimo assírio, em uma sociedade sã, decidisse fazer as mesmíssimas coisas (todas inerentemente anti-éticas, apáticas e violação ao auto-domínio das gentes); no mínimo seria executado pela monstruosidade do seu caráter.

    Quanto maior for o grau de civilização (negociação ao invés de violência), mais a empatia compensa e menos a violência vigora.
  • Lopes  22/04/2015 21:37
    mas*

    Está errado: "mais em que importa..."

    Trata-se do mais infeliz erro de português que existe, haha.
  • anônimo  23/04/2015 12:32
    Se são 9% ou 90% eu não tenho ideia. O que eu sei, e é o que você deveria ter respondido, é que 100% dos líderes socialistas são psicopatas. Assim como boa parte dos que os seguem também são.
  • glauder  04/05/2015 04:03
    Gredson um psicopata pode ser a pessoa mais "maravilhosa" do mundo, tudo isso porque suas atitudes são todas calculadas de acordo com a situação, poderia ser até um padre franciscano recatado...

    da próxima vez que a tua professora abrir a boca pra falar esse tipo de bosta, pergunte a ela se ela tem diploma de psicanálise ou autoridade pra soltar esse tipo de pérola caluniosa.
  • Kaluaná Alves  22/04/2015 15:56
    O Homem não merece censura por desejar o seu bem-estar. É natural esse desejo.

    Ele não é condenável, desde que não seja conseguido com o prejuízo do outro e não prejudique as forças físicas ou morais.

    Todo ser humano tem direito ao bem-estar.
  • RG Ferreira  22/04/2015 16:03
    Bem-estar é uma conquista, não um direito. O direito à propriedade proporciona a possibilidade de tal conquista.
  • Eduardo  23/04/2015 01:53
    A propriedade não seria uma conquista?
  • Lopes  22/04/2015 19:29
    O bem-estar é gratificado pela natureza pela própria existência do homem? A comida que o homem come advém da metafísica? A água que ele bebe é um presente da Mãe-Terra? A casa sobre sua cabeça é um presente eterno da Terra para celebrar o fato de ele existir?

    Não.

    O homem tem de trabalhar para ter seu bem-estar. Se um homem diz que ele simplesmente tem direito ao bem-estar, ele iminentemente insinua que outros são forçados a garantir a satisfação de todas as suas necessidades e ele nada precisa fazer por outros.

    O homem não está quando outro arrisca a própria saúde para limpar a terra, plantar e colher (sempre uma incerteza) em um processo que pode levar anos dependendo do capital empregado e requer sacrifício de recursos e tempo que poderiam ter sido usados para mais bem-estar do fazendeiro; por que o fazendeiro deve ser forçado a prover ao homem? Ou por que deve ser persuadido a fazê-lo de graça - especialmente quando a produção é tão pouca que mal dá para o fazendeiro viver por ele próprio? Não pode o homem prover algo que seja, com suas duas pernas e dois braços (como a esmagadora maioria da população) e algum intelecto, que seja da valia do fazendeiro para que ambos realizem uma troca mutuamente benéfica? Tem ele de viver da medíocre criação da misericórdia do fazendeiro - ou pior, do que ele saqueia do pobre homem?

    "Direito a algo", quando algo não é igual a "próprio corpo e atitudes"; é o mais glorioso eufemismo justificativo para a violência.
  • Waldir F. Reccanello   22/04/2015 15:59
    "O meu egoismo, é tão egoísta, que o auge do meu egoismo é querer ajudar".

    Raul Seixas sabia o que estava dizendo.
  • João Bernal  22/04/2015 16:15
    "Não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu 'auto-interesse' ".


    Frase que resume muito bem isso.
  • anônimo  22/04/2015 16:35
    qual a opinião dos membros deste site sobre o investimento no tesouro direto? Vale a pena? É ''errado'' um liberal incorrer neste tipo de investimento?
    www.infomoney.com.br/onde-investir/renda-fixa/noticia/3993381/investimento-mais-seguro-brasil-remunera-quase-dobro-poupanca-entenda
  • Guilherme  22/04/2015 18:14
    É moralmente errado, pois os juros auferidos são pagos com o dinheiro extraído coercivamente de terceiros via impostos.
  • Andre Cavalcante  22/04/2015 19:37
    Melhor investimento do mercado no momento.

    Só tem uma coisa, não compre nada com para além de 2020, é muito arriscado o governo dar calote. Isso de fato vai acontecer cedo ou tarde. Só lembrando também que o tesouro direto é o meio que governo tem de se endividar.

    Então, se investires lá e depois o governo der o calote, não diga não foi avisado.
  • Juliano Roberto  22/04/2015 17:25
    O socialistas são os maiores exemplos de egoísmo já conhecidos. Criticam o capitalismo "opressor", abordam efusivamente a luta classista descrita por Marx e se opõem a tudo o que se refere à inovação e criatividade. São egoístas, no entanto, na medida em que defendem a coerção estatal em benefício próprio. Esquecem-se de que a principal luta classista se dá entre Estado (esse sim, opressor) e cidadãos produtivos que sustentam todo o aparato burocrático por meio de seus impostos. Esquecem-se, outrossim, que a defesa da espoliação é a principal responsável pelo desemprego contra o qual lutam sindicatos e outros representantes do (nas palavras de Marx) proletário.
  • Leandro Koller  22/04/2015 17:49
    Gostei muito deste artigo. Considero este tema um dos mais delicados e mais fundamentais para a defesa do livre-mercado, e acho que foi muito bem explorado. No entanto, o termo "egoísmo" sozinho já pode gerar um debate a parte, ainda mais fundamental. Uma definição clara do que seria um comportamento egoísta é sempre complicada, pois é notável que todas as ações de um indivíduo vise, indiretamente ou diretamente, seu próprio bem-estar. Sem dúvida, a única forma de evitar a máxima "todo ser humano é egoísta", é definir o egoísmo como uma característica que leva o indivíduo ao comportamento que busca única e exclusivamente um benefício a si próprio. É nesta definição que o artigo acima parece se desenvolver, em toda sua validade. Mas o curioso desta definição é faz com que o egoísmo seja algo muito mais raro do que as pessoas costumam aferir. Outra conclusão válida é de que qualquer ataque contra esta concepção de egoísmo é, necessariamente, uma afronta à liberdade. Instituir a obrigação da benevolência, matando, assim, a liberdade, equivale também a matar a benevolência, e dificulta que se faça bem sem haver benevolência. Isto não seria tão ruim, se não fosse evidente que a benevolência compulsória gera dois resultados terríveis: ingratidão e mais obrigações. Embora seja natural que vejamos estes dois resultantes como sendo algo ruim, sabemos que há quem discorde. Há quem deteste a gratidão e goste de sentir a pressão violenta de uma obrigação formal; e o irônico disso é que, se questionarmos o por quê, descobriremos que a razão pelo qual alguns detestam sentir-se gratos é, justamente, porque a gratidão fere-lhes os seus "egos".
  • Lopes  22/04/2015 18:33
    Ótimo artigo. Bastante didático e explana sobre um tópico recorrente mas fácil de utilizar como argumento em quaisquer discussões, especialmente às situações que requerem maior velocidade do libertário e menos margem temporal para a elaboração de perguntas e respostas.
  • Dam Herzog  22/04/2015 22:43
    Egoismo é, as pessoas num sistema de mercado desimpedido, ao praticar ações para atingir seus objetivos pessoais, sem saber promovem o bem estar geral de pessoas conhecidas e desconhecidas. Ex: Steve Jobs.Este egoismo é a alma do empreendedor, o gerador de riquezas, se não for asfixiado, pelas regulamentações e intervenções do governo.
  • Veron  23/04/2015 07:01
    Excelente artigo.
  • João  23/04/2015 14:34
    Interessante a visão que o artigo propõe...
    Não sou marxista, mas acredito que minhas convicções giram em torno da "esquerda". E partindo disso, acho que o artigo gira muito em torno de uma mercado de concorrência perfeita, essa é a maior falha do artigo.
    Um empreendedor de uma transnacional pode através do seu individualismo investir em infra-estrutura de um país miserável (melhorando a vida das pessoas) para inserir um produto mais sofisticado no mercado, da mesma forma que pode explorar essas pessoas com carga horárias absurdas. Isso retrata por exemplo, o tamanho do poder político que o empreendedor tem.
    O que a esquerda problematiza não são os fins do mercado de concorrência perfeita, porque eles podem sim melhorar a vida das pessoas (é um dos 10 princípios de economia), o problema está justamente nos tipos de concorrências e os meios que o empreendedor arruma para que seja bem sucedido no mercado que deseja...
    Sobre concorrência perfeita: Monopólios e oligopólios são pilares frágeis de um mercado, por que são eles que ditarão as regras do preço. Além disso, um monopólio/oligopólio mantido por muito tempo, faz com que o empreendedor busque no poder político em leis, etc; que de alguma forma perpetue os lucros de tal empresa... Por isso existem empresas que financiam políticos, para que eles atendem seus interesses se eleitos.
    Uma coisa é inegável: A propriedade é um mecanismo de poder, mesmo que seja uma caneta voce tem poder legítimo sobre ela, da mesma maneira uma empresa, uma indústria inteira...
    Resumindo tudo, o problema não são os fins do empresário (que é o lucro e sabemos disso), o problema são os meios que ele se dispõe pra atingir suas metas. Por isso o individualismo é taxado de egoísmo, por exemplo: um empreendedor que detém uma grande indústria (logo tem um impacto na vida de um número grande de pessoas), ele irá se dispor de ferramentas para aumentar seus lucros, mas essas ferramentas podem prejudicar essas pessoas a qual ele emprega, se não fosse num monopólio, essas pessoas teriam pelo menos a chance de procurar um outro emprego.
    Numa concorrência perfeita, com vários compradores e vários vendedores que respeitem as regras do mercado esse artigo faria sentido... Mas não é realidade, existem muitos outros podres como carteis, trabalho escravo (menos consumidor, considerado desumano), "atalhos" políticos, sonegação de impostos (desequilibra economia como um todo), etc...
  • Kléber  23/04/2015 14:51
    Mercado de concorrência perfeita? Se ao menos você se desse ao mínimo trabalho de pesquisar este site -- algo que não lhe tomaria mais do que um minuto utilizando a ferramenta de busca --, veria qual a opinião deste sobre "concorrência perfeita". Vou dar aqui dois exemplos:

    As definições corretas de monopólio e concorrência - e por que a concorrência perfeita é ilógica

    "Os fundamentos contra o antitruste" - novo lançamento apoiado pelo IMB

    Fusões, aquisições, concorrência perfeita e soberania do consumidor

    Portanto, não. O que foi exposto no presente artigo não tem absolutamente nada a ver com concorrência perfeita. Muito menos depende desta teoria para se sustentar.

    Seja menos afobado na próxima.
  • anônimo  23/04/2015 15:38
    Vou ter que concordar em partes com ambos, hoje temos varios oligopolios pelo planeta. O setor de telefonia no brasil é um ótimo exemplo, vai tentar entrar no mercado pra competir, o oligopolio com a ajuda da anatel te poe pra correr rapidinho.

    conseguem manter lucros com meios que não necessariamente aumentam qualidade ao consumidor e esse por não ter pra onde correr participa do jogo.

    Existem diversos artigos aqui denunciando esses esquemas de fascismo, mas é complicado normalmente pq se tem uma visão binaria empreendedor/estado quando na verdade a simbiose já está em algumas áreas tão avançada que fica um pouco nebuloso separar um do outro.
    Dai muitos paraquedistas cairem aqui com essa visão binaria, leva um tempo até esclarecer a névoa que paira nessas relaçoes fascistas, então escolhe atacar apenas um dos lados, isentando o outro da culpa.

    É uma relação perfeita, as empresas podem ficar com a 'fama'de ruim, e o estado com a fama de bondoso ajuda a manter os oligopolios que ficam com boa parte dos lucros sem tantos riscos de concorrencia. Os dois ganham o que precisam e o otário comum acha que está defendendo uma melhora quando na melhor das hipoteses apoia o status quo corrente sem nem perceber
  • PedroF  23/04/2015 20:19
    Vivi no meio. É quase impossível uma empresa média ou grande manter um administrador psicopata. Aliás, para entrar em grandes empresas sempre há entrevistas com pessoas especializadas em comportamento. Todos os CEOs que conheci (e não foram poucos), foram bem sucedidos, constituíram patrimônios sólidos e, hoje, vivem tranquilos, são polidos, vivem bem, viajam bastante, não são monoglotas, são ótimos anfitriões, muito equilibrados, não vivem na rua fazendo passeatas ou protestos. Enfim, pessoas felizes e para lá de normais. Agora, psicopatas edeológicos conheço muitos. O resto e blablalba.
  • Emerson Luís  24/04/2015 14:55

    "Um dos mais belos aspectos de uma economia de mercado é que ela é capaz de domar as pessoas mais egoístas, ambiciosas e talentosas da sociedade, fazendo com que seja do interesse financeiro delas se preocuparem dia e noite com novas maneiras de agradar terceiros."

    E um dos mais aterradores aspectos de uma economia socialista (ou "mista") é que ela é capaz de induzir até as pessoas mais altruístas a prejudicarem os outros de forma direta ou indireta, mesmo sem perceber.

    Na primeiríssima vez que li essas palavras de Adam Smith, também pensei que ele estivesse defendendo o egoísmo

    O que talvez contribua para a confusão é que em inglês os termos "interesse próprio"/"auto-interesse" (self-interest) e "interesse egoísta" (selfish interest) são muito parecidos, diferenciando-se apenas por um sufixo de três letras. Não apenas muitos autores anglófonos se confundem, mas também muitos tradutores lusófonos.

    Também existe a crença comum de que uma ação que beneficia outra pessoa só pode ser considerada "altruísta" se o agente não extrair absolutamente nenhum benefício do ato, nem sequer se sentir bem com o que fez, o que é absurdo. Como espécie, somos biologicamente programados para sentir prazer em ajudar outros, uma forma da Natureza maximizar a cooperação.

    * * *


  • Anônimo  24/04/2015 19:41
    Todo mundo age instintivamente de forma egoísta. A Madre Teresa pode ter patrocinado a construção de hospitais, mas porque essa ação daria prazer a ela por causa dos paradigmas consolidados, do contrário não faria.
  • ALEXANDRE  02/08/2015 23:52
    Não sei se entendi bem, mas a discussão aqui parece-me estar em torno do interesse individual como fonte de benefício para o coletivo.

    Um Estado regulador, investidor na infraestrutura, assim como, na formação das pessoas, submetido a um sistema de leis equilibrado e justo, um sistema judiciário e uma imprensa eficiente, investigadores e coibidores das mazelas que insistem em existir na história da humanidade: eis aí algo que poderia funcionar?!

    Um Estado interventor, submetido a lobbys de toda sorte, gastador perdulário em projetos que geram lucros para os administradores dos recursos, que historicamente, sofrem míseras punições, sistema judiciário refém da vontade política de se levar adiante as punições dos crimes de colarinho branco, a falta de investimento em formação das pessoas, contribuindo para perpetuação no poder de fisiologistas trocadores de tijolos ou cimento por votos que os mantém no poder por décadas: eis aí algo que você tem vistos no mundo afora?!

    Acho que o problema NÃO seja então entender que o interesse próprio aciona uma atitude muito mais eficaz no ser humano - trazendo benefício a todos - , e sim, como fazer que TODOS possam ter essa atitude.

    O funcionário de uma agência reguladora do governo que tem seu emprego estável, só terá interesse em resolver eficazmente seu trabalho se houver algum tipo de fiscalização de seus atos que venha expô-lo.Na defesa de seu interesse - emprego, ele terá que fazer bem seu trabalho.

    Na iniciativa privada, o interesse daqueles das agências reguladoras, inibirão atitudes que implicariam numa formação ou falta de regulamentação para cartel, trustes ou formação de monopólios.

    Penso que o interesse próprio aciona as pessoas a agirem de forma a buscar o melhor para si, mas ainda dependemos de um sistema entre nós que transforme isso em beneficio para todos.

    No jargão lá dos meus avós a coisa toda funciona assim: CARRO APERTADO É QUE CANTA !!




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