Quando a moeda morreu na Alemanha

A história da destruição do marco alemão durante a hiperinflação da República de Weimar, de 1919 até o seu auge em novembro de 1923, é normalmente descartada como sendo apenas uma bizarra anomalia ocorrida em toda a história econômica do século XX.

Mas nenhum episódio ilustra de maneira mais completa as sinistras consequências do que pode ocorrer quando o dinheiro se torna um mero papel sem nenhum lastro e passa a ser utilizado livremente pelo governo.  Mais ainda: nenhum episódio apresenta um argumento mais devastador e real contra o papel-moeda fiduciário: quando não há restrição à maneira como o governo gerencia moeda, ela morrerá.

"O fato de que as causas da inflação ocorrida na República de Weimar, bem como toda a conjuntura da época, dificilmente irão se repetir é o de menos", escreveu o historiador britânico Adam Fergusson em seu clássico de 1975, Quando o Dinheiro Morre. "A pergunta a ser feita — ou perigo a ser reconhecido — é como a inflação, qualquer que seja a sua causa, afeta uma nação."

Antes da Primeira Guerra Mundial, o marco alemão, o xelim britânico, o franco francês e a lira italiana tinham aproximadamente os mesmos valores — quatro para um dólar.  Ao fim de 1923, a taxa de câmbio do marco já era de um trilhão de marcos para um dólar — o que significa que a moeda havia perdido 99,9999999996% do seu poder de compra nesse período; ou, em outras palavras, ela valia um milionésimo de milhão do que valia há apenas dez anos.

Em meados de 1922, uma fatia de pão custava 428 milhões de marcos, e todas as ações da Daimler Corporation compravam o equivalente a 327 de seus carros.  Já em novembro de 1923, uma quantidade de marcos que, dez anos atrás compraria 500 bilhões de ovos, agora mal conseguia comprar um ovo.

O ex-primeiro ministro britânico Henry Lloyd George, escrevendo em 1932, comentou que palavras como "catástrofe", "ruína" e "devastação" não eram suficientes para descrever a situação alemã, dado que seus significados já haviam se tornado banais. Saques, vandalismo, roubos, ascensão da prostituição, inanição, doenças, e até mesmo consumo de cães se tornaram banais.  Pessoas tinham suas roupas roubadas nas ruas.  Tudo isso eram eventos do cotidiano de sociedade "burguesa" da época.

A constante iminência de uma guerra civil pairava sobre a Alemanha, como já estava acontecendo com o bolchevismo na Rússia. A Bavaria teve de declarar lei marcial.

A ascensão da moeda de papel após 1910

A inflação de preços na Alemanha começou lentamente.  

Em 1914, houve um pequeno aumento no índice de preços.  Esse mesmo índice, que tinha como valor-base 1 em 1913, já era de 2,45 ao fim de 1918 (aumento de 145% em 4 anos).  

Começando em 1919, a velocidade da inflação aumentou, e o índice pulou para 12,6 em janeiro de 1920; 14,4 em janeiro de 1921 e 36,7 em janeiro de 1922.  Na segunda metade de 1922, o índice já estava em 101 em julho; e foi para 74.787 em julho de 1923 e 750 bilhões em 15 de novembro de 1923.

A nota de 100 trilhões de marcos foi então emitida e as impressoras do Reichsbank estavam imprimindo dinheiro ao ritmo recorde de 74 trilhões de cédulas de marcos por semana.  Em vez de parar com essa loucura, o Reichsbank continuou a imprimir cada vez mais dinheiro, com a justificativa de que, agindo assim, estava mantendo o emprego estável, e que o momento de voltar à normalidade "estava próximo".  Enquanto isso, uma atmosfera de caos civil reinava.

O tratado de Versalhes não foi o culpado principal; ele apenas piorou a política monetária que já estava em curso antes da guerra. Antes de 1914, a política do Reichsbank impunha que pelo menos 1/3 do papel-moeda emitido tinha de estar lastreado em ouro.  Porém, tão logo o dinheiro de papel sem lastrou passou a ser de curso forçado na Alemanha, em 1910, tudo se tornou um experimento imprudente.

Ao explodir a guerra, a maioria do mundo já havia desistido do padrão-ouro e abraçado com entusiasmo o dinheiro de papel sem lastro e de curso forçado.  O ouro foi retirado de circulação e majoritariamente estocado nos cofres de alguns poucos bancos centrais, principalmente o dos EUA: de agosto de 1913 a agosto de 1919 o estoque de ouro monetário em posse do Banco Central americano — o Federal Reserve — aumentou 65%.

Enquanto isso, na Alemanha, o governo vendia maciçamente títulos do tesouro, apelando ao patriotismo de massa para pagar pela guerra. Fortunas privadas foram transferidas para meros títulos de papel emitidos pelo estado, enquanto o Reichsbank suspendia a restituição de cédulas de dinheiro em ouro.  Foram criados vários bancos com o objetivo único de imprimir dinheiro para emprestar, de modo que o crédito se tornou irrestrito para estimular as compras dos títulos emitidos pelo Tesouro alemão para financiar a guerra.  

Em contraste, a Grã-Bretanha financiou a guerra com uma medida bem mais prudente do ponto de vista inflacionário: Londres aumentou os impostos sobre os grupos e indústrias que lucrariam com a guerra.

Após a guerra, o ouro da Alemanha foi exaurido com o pagamento das reparações de guerra e também como resultado da invasão francesa do Ruhr.  Ainda assim, o pouco que restou do ouro era o que fornecia algum alívio ocasional aos cidadãos alemães, quando algumas indústrias conseguiam pagar seus funcionários com pequenas quantias do metal dourado.  A Höchst Dye Works, por exemplo, pagava seus funcionários com os 400.000 francos suíços que ela havia armazenado em bancos suíços.

O colapso de tudo

Tendo gerado escassez no mercado com suas políticas inflacionárias, as autoridades alemãs criaram novas regulações para tentar corrigir a irracionalidade que eles próprios haviam criado. O roteiro é sempre o mesmo, em todos os países: o governo cria intervenções que geram consequências inesperadas, e decide então recorrer a intervenções ainda mais violentas para "sanar" as consequências não previstas das intervenções anteriores.

Em seu livro The Downfall of Money:Germany's Hyperinflation and the Destruction of the Middle ClassFrederick Taylor escreve que "pessoas com renda média e sem nenhum acesso a produtos agrícolas ou a moeda estrangeira foram forçadas a aprender a caçar e a ficar em filas por comida — tanto porque sua renda frequentemente não era o suficiente para comprar o que queriam em um determinado dia, como também porque havia, à medida que a hiperinflação se intensificava, uma genuína escassez de comida."

Já os agricultores simplesmente não queriam trocar seus alimentos por inúteis pedaços de papel que não tinham nenhum valor. "Naquilo que rapidamente estava regredindo para voltar a ser uma economia baseada no escambo, os mais espertos, para não dizer desonestos, chegavam rapidamente ao topo da cadeia darwiniana", escreveu Taylor.  "Nas áreas rurais, os médicos exigiam pagamento em comida dos fazendeiros que os procuravam".

Os trabalhadores começaram a ser pagos diariamente, e os homens, tão logo recebessem seus salários, iam correndo com suas mulheres comprar qualquer coisa que conseguissem.  Após comprar os itens essenciais, eles corriam até um banco para comprar qualquer moeda forte que ainda restasse.  O número de bancos aumentou substantivamente para lidar com esse novo negócio.  Em 1921, 67 novos bancos foram abertos. Em 1922, mais 92. E mais 401 surgiram em 1923-24.  O número de funcionários de banco quadruplicou nesse período. O Deutsche Bank tinha 15 filiais em 1923. De anos depois, já eram 242.

Não foi a pujança da atividade econômica que criou a necessidade desses novos bancos. "Os bancos estavam sobrecarregados de ordens para comprar e vender ações e moedas estrangeiras.  E os cidadãos comuns, em número cada vez maior, se tornavam especuladores da bolsa".

"O colapso da moeda e o colapso da moralidade se tornaram idênticos", escreve Taylor.  Não eram apenas as prostitutas que vendiam seus corpos.  "As recém-desprovidas filhas da classe média educada (em alguns casos, filhos também), que agora estavam no mercado do sexo pago, estavam inteiramente disponíveis a qualquer preço — preferivelmente em troca de cigarros, metais preciosos ou moeda forte em vez de marcos de papel."

Com a inflação tendo destruído toda a poupança da classe média, as moças jovens simplesmente não tinham nenhum dote a ser oferecido a pretensos futuros maridos.  "Quando a moeda perde totalmente seu valor", escreveu uma mulher, "ela destrói todo o sistema burguês baseado no matrimônio, de modo que destrói também toda a ideia de se manter casta até o casamento".

Taylor cita uma história relatada pelo escritor russo Ilya Ehrenburg sobre uma noite que ele passou com alguns amigos em Berlim.  Segundo Ilya, eles terminaram a noite visitando uma família alemã em um "apartamento burguês perfeitamente respeitável".  Foi-lhes oferecido limonada com um pouco de álcool e

Então as duas filhas que estavam na casa entraram na sala, totalmente nuas, e começaram a dançar.  A mãe olhava esperançosa para as visitas estrangeiras: talvez suas filhas fossem do agrado das visitas, e talvez as visitas pagassem bem — em dólares, obviamente.  "E é isso o que chamamos de vida", suspirou a mãe.  "Na verdade, é pura e simplesmente o fim do mundo".

[Nota do IMB: a hiperinflação vivenciada pelo Brasil no período 1980-1994 foi atenuada pelo fato de que, além do mecanismo da correção monetária (uma invenção brasileira), a classe média e a classe alta tinham acesso ao sistema bancário e utilizavam suas aplicações (como as aplicações no overnight) para se proteger da hiperinflação.  Essas duas coisas não existiam na Alemanha da década de 1920.  Houve muita escassez e racionamento no Brasil, mas não houve uma completa chacina da classe média, como houve na Alemanha].

A Alemanha se vira para o Rentenmark

No momento de maior crise, a política monetária foi retirada das mãos do Reichsbank naquilo que foi efetivamente um coup d'etat pelo chanceler Gustav Stresemann. Todos os empréstimos ao governo foram cancelados.  A política monetária foi descentralizada. O estado foi rigorosamente separado da economia.

Uma estrutura bancária paralela foi organizada por um proeminente economista rebelde não-ligado ao governo.  Ele criou um novo esquema em que a moeda era lastreada por pão de centeio — a commodity mais cobiçada na época —, e mais tarde por ouro, quando a commodity passou ser usada novamente.

As moedas "lastreadas por ouro", os Rentenmarks, tinham como garantia financiamentos imobiliários em propriedades fundiárias e títulos de dívida da indústria alemã na quantia de 3 bilhões de marcos de ouro.

Na realidade, praticamente não havia reservas de ouro.  Apesar disso, o incalculável efeito social e psicológico sobre a população gerado pelo simples anúncio de que a moeda havia retornado a uma paridade com o ouro, na relação de um para um. Acalmou as tensões sociais e deu início à estabilização econômica.

"A genialidade do Rentenmark é que ele livrou o Reichsbank de ter de financiar o governo," escreveu Adam Fergusson.  Uma disciplina rigorosa sobre os gastos públicos foi imposta, assim como a proibição de o Reichsbank emprestar para o governo. Por muitos anos após, era comum que obrigações de longo prazo contivessem cláusulas de ouro para que os credores pudessem se garantir contra uma nova e repentina desvalorização da moeda.

Conclusão

"Em poucos anos, a maioria do mundo estará cansada de moedas de papel, principalmente da maneira como elas foram gerenciadas há 12 anos.  O problema principal será o fato de que a ignorância popular e a letargia, associada às demandas dos grupos de interesse, forçará os políticos a gerenciarem a economia.  Politicamente falando, o mundo ainda está longe de estar pronto para moedas de papel gerenciadas."

Assustadoramente, essas palavras foram escritas em 1932 pelo economista americano Edward Kemmerer, um dos argumentos mais claros contra o papel-moeda fiduciário e de curso forçado já escritos.

"Se não houver ouro, não pode haver impressão de dinheiro" é o que nos ensina a história: eis a lição monetária mais importante que os bancos centrais, desde sua criação até a época atual, sempre se recusam a aprender.

_________________________________

Douglas French é o diretor do Ludwig von Mises Institute do Canadá. Já foi o presidente do Mises Institute americano, editor sênior do Laissez Faire Club, e autor do livro Early Speculative Bubbles & Increases in the Money Supply.  Doutorou-se em economia na Universidade de Las Vegas sob a orientação de Murray Rothbard e tendo Hans-Hermann Hoppe em sua banca de avaliação.

Marcia Christoff-Kurapovna mora em Viena, Áustria, e já escreveu artigos para o The Wall Street Journal Europe, o The International Herald Tribune, a The Economist e o The Christian Science Monitor, entre outras publicações.  Publicou seu primeiro livro em 2009, Shadows on the Mountain, uma história real sobre operações de inteligência na Iugoslávia da Segunda Guerra Mundial.


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SOBRE O AUTOR

Diversos Autores


Quem inventou essa tese de que não existe déficit foi uma pesquisadora chamada Denise Gentil. Segundo ela, o déficit da previdência é forjado.

www.adunicentro.org.br/noticias/ler/1676/em-tese-de-doutorado-pesquisadora-denuncia-a-farsa-da-crise-da-previdencia-social-no-brasil-forjada-pelo-governo-com-apoio-da-imprensa

Só que essa mulher nem sabe separar rubricas. Ela mistura a receita da Previdência com a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde, Assistência Social e Previdência) e então conclui que está tudo certo.

Nesta outra entrevista dela, ela diz isso:

"O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit."

Certo. Esse é o cálculo da previdência. Receitas da Previdência menos gastos com a Previdência dão déficit, como ela própria admite. Ponto final.

Mas aí ela complementa:

"Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração."

Ou seja, o argumento dela é o de que as receitas para saúde e assistência social devem ser destinadas para a Previdência, pois aí haverá superávit.

Ora, isso é um estratagema e tanto. Por esse recurso, absolutamente nenhuma rubrica do governo apresenta déficit, pois basta retirar o dinheiro de outras áreas para cobri-la. Sensacional.

A quantidade de gênios que o Brasil produz é assustadora.

Não deixa de ser curioso que nem o próprio governo petista -- em tese, o mais interessado no assunto -- encampou a tese dessa desmiolada.

De resto, o problema da previdência é totalmente demográfico. E contra a demografia e a matemática ninguém pode fazer nada.

Quando a Previdência foi criada, havia 15 trabalhadores trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. O problema é demográfico e matemático. Não é econômico. E não há ideologia ou manobra econômica que corrija isso.
Não existe déficit da previdência! Para justificar uma reforma que visa somente a tungar e sugar o trabalhador, o governo usa o seguinte estratagema: De um lado, pega uma das receitas, que é a contribuição ao INSS; do outro, o total do gasto com benefícios (pensão, aposentadoria e auxílios). Aí dá déficit! Só que a Constituição Federal estabelece, no artigo 194, que, junto com a saúde e a assistência social, a previdência é parte de um sistema de seguridade social, que conta com um orçamento próprio. Na receita, devem ser incluídas não apenas as contribuições previdenciárias mas também os recursos provenientes da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep. Aí temos a real situação: Superávit! Talvez você esteja supondo que o dinheiro que sobrou no orçamento da seguridade social mas faltou no da previdência tenha sido usado nas outras duas áreas a que, constitucionalmente, ele se destina. Mas, mesmo com os gastos com saúde e assistência, ainda assim temos saldo positivo. E como esse saldo se transforma em déficit? É que antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia 20% do total arrecadado com as contribuições sociais, por meio da DRU, para pagar dívidas, segurar o câmbio etc. Fora as renúncias e sonegações fiscais. Portanto, essa conversa de déficit é uma falácia pra empurrar goela abaixo do trabalhador uma "reforma" que tire ainda mais o seu dinheiro e o force a trabalhar por mais tempo.
As causas da Grande Depressão? Intervencionismo na veia.

Herbert Hoover
aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Com todo esse cenário de incertezas criadas pelo governo, não havia nenhum clima para investimentos. E o fato é que um simples crash da bolsa de valores -- algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987 -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu, exatamente o contrário do que Keynes manda.

As políticas keynesianas simplesmente amplificaram a recessão, transformando uma queda de bolsa em uma prolongada Depressão.



Crise financeira de 2008? Keynesianismo na veia. Todos os detalhes neste artigo específico:

Como ocorreu a crise financeira de 2008


Seu amigo é apenas um típico keynesiano: repete os mesmos chavões que eu ouvia da minha professora da oitava série.


Sobre o governo estimular a economia, tenho apenas duas palavras: governo Dilma.

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade
Prezados,
Boa noite.
Por gentileza, ajudem-me a argumentar com um amigo estatista. Desejos novos pontos de vista, pois estou cansado de ser repetitivo com ele. Por favor, sejam educados para que eu possa enviar os comentários. Sem que às vezes é difícil. Desde já agradeço. Segue o comentário:
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" Quanto ao texto, o importante é perceber que sem as medidas formuladas por keynes a alternativa seria o mercado livre, o capitalismo sem a intervenção estatal. Nesse caso, o que os defensores desse modelo não mencionam é que o capitalismo dessa forma tende à concentração esmagadora de capital, o que se levado às ultimas consequências irá destruir a própria sociedade. "O capitalismo tem o germe da própria destruição ", já disse Marx. Os capitalistas do livre mercado focam no discurso que eles geram a riqueza, mas a riqueza é sempre gerada socialmente. Como ja falei uma vez, um grande empresário não coloca sozinho suas empresas para funcionar, precisa de outras pessoas, que também, portanto, geram riqueza. Para evitar que a concentração da riqueza gerada fique nas mãos apenas dos proprietários, o Estado deve existir assegurando direitos que tentem minimizar essa distorção e distribua as riquezas socialmente geradas para todos. Isso não é comunismo, apenas capitalismo regulado, que tenha vies social. Estado Social de Direito que surgiu na segunda metade do século passado como resultado do fracasso do Estado Liberal em gerar bem estar para todos. Para que o Estado consiga isso tem que tributar. O Estado não gera riqueza, concordo. Mas o capitalismo liberal, por outro lado, gera a distorção de concentrar a riqueza gerada socialmente nas mãos de poucos. Essa concentração do capitalismo liberal gera as crises (a recessão é uma delas). O capitalismo ao longo do século 20 produziu muitas crises, a grande depressão da decada de 30 foi a principal delas. A ultima grande foi a de 2007/2008. O Estado, portanto, intervém para corrigir a distorção, injetando dinheiro. Esse dinheiro, obviamente, ele nao produziu, retirou dos tributos e do seu endividamento sim. Quando a economia melhorar o Estado pode ser mais austero com suas contas para a divida nao decolar em excesso e poder se endividir novamente numa nova crise, injetando dinheiro na economia pra superar a recessao e assim o ciclo segue. A divida do estado é hoje um instrumento de gestão da macroeconomia. Um instrumento sem o qual nao se conseque corrigir as distorções geradas da economia liberal. Basta perceber que todos os países mais ricos hoje tem as maiores dividas. Respondendo a pergunta do texto: o dinheiro vem mesmo dos agentes econômicos que produzem a riqueza, da qual o Estado tira uma parcela pelos tributos, com toda a legitimidade. E utiliza tal riqueza para assegurar direitos sociais e reverter crises. E o faz tambem para salvar a propria economia, que entraria em colapso sem a injeção de dinheiro do Estado (que o Estado tributou). Veja o que os EUA fizeram na crise de 2008. Procure ler sobre o "relaxamento quantitativo", que foi a injeção de 80bilhoes de dolares mensalmente pelo governo americano para salvar a economia mundial do colapso, numa crise gerada pelo mercado sem regulação financeira.

Veja esse texto do FMI, onde o proprio FMI reconhece que medidas d austeridade nao geram desenvolvimento e, portanto, reconhece a necessidade do gasto publico. (
www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm )

Esse artigo do Paul krugman sobre a austeridade, defendendo também o gasto publico:
https://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/apr/29/the-austerity-delusion .
"
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E aí pessoal, já viram isso? (off-topic, mas ainda assim interessante):


Ancine lança edital de R$ 10 milhões para games


Agora vai... por quê os "jênios" do Bananão não tiveram esta ideia antes? E o BNDES vai participar também! Era tudo o que faltava para o braziul se tornar uma "potênfia" mundial no desenvolvimento de games.

Em breve estaremos competindo par-a-par com os grandes players deste mercado. Aliás, seremos muito MAIORES do que eles próprios ousaram imaginar para si mesmos. Que "horgulio" enorme de ser brazilêro...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Israel Nunes  17/04/2015 14:48
    Incrível artigo. Tema já abordado algumas vezes aqui no Mises...
  • Lopes  17/04/2015 16:12
    Aos que gostaram do texto, recomendo todos os outros artigos da Kurapovna:

    https://mises.org/profile/marcia-christoff-kurapovna

    Em especial, seu deprimente (e fantástico) retrato do clássico padrão-ouro:

    https://mises.org/library/portrait-classical-gold-standard

    Para mais teoria sobre a impressão de dinheiro, há um belíssimo e simples artigo do Douglas French:

    www.24hgold.com/english/news-gold-silver-you-can-t-print-production-and-prosperity.aspx?contributor=Douglas+French&article=2221225098G10020&redirect=False (Você não pode imprimir produção e prosperidade)

    Ótimo trabalho de junção textual, Leandro; quaisquer lacunas ilustrativas deixadas pelo já ilustrativo artigo foram sanadas.
  • Red Silas  17/04/2015 16:13
    Sensacional esse artigo!
  • Diogo Pandolfo  17/04/2015 16:15
    Bom texto para o dia da publicação da prévia da inflação de abril, depois dos 1,32% de março (já 3,83 em 2015 e 8,13 em 12 meses).
  • Diego  17/04/2015 17:07
    Não seria melhor pra Alemanha abandonar o euro e fazer como o UK e a Suíça? Qual o sentido de um país racional e equilibrado como Alemanha ter a mesma moeda que falidos gastadores igual Portugal, Espanha, Itália e ficar puxando corrente, como no calote que em breve a Grécia vai dar?
    Me corrijam se estiver errado.
    Seria interessante se pudessem avaliar a situação atual da quebradeira na Áustria. Pelo visto até lá jogaram Mises no lixo.
  • Enrico  17/04/2015 19:42
    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=500

    O euro é um projeto político antes de tudo. Esse livro é, na minha opinião, o mais sincero e objetivo em relação à união monetária.
  • Roberto  17/04/2015 17:42
    E o que vocês acham da Dilma?

    A inflação é ou não culpa dela? Tenho um amigo que estuda economia e disse que a inflação não é culpa do governo, mas devido a um problema de conjuntura externa com dólar alto.
  • Ali Baba  17/04/2015 20:41
    @Roberto 17/04/2015 17:42:02

    E o que vocês acham da Dilma?

    A inflação é ou não culpa dela? Tenho um amigo que estuda economia e disse que a inflação não é culpa do governo, mas devido a um problema de conjuntura externa com dólar alto.


    Claro... São entes externos que imprimem o real. Também são entes externos que estimulam o crédito bancário. Também são entes externos que comandam a Caixa e o BB.

    Seu amigo não estuda economia... Seu amigo faz faculdade de economia. Uma coisa é completamente diferente da outra...
  • André  18/04/2015 19:49
    Desculpe-me, pretendo me direcionar para a área de economia por pós-graduação. Pode me dizer onde seu amigo estuda? Estou fazendo um blacklist de instituições que não merecem nem meu tempo, nem meu dinheiro e gostaria de incluir essa instituição na posição #1.
    Numa economia regulada e que sofre constantes interferências estatais, não há argumento fantasioso o suficiente para inocentar o Estado.

    Inflacionar é consequência natural da escassez. A única coisa que o Estado sabe fazer e faz é acelerar esse processo a níveis catastróficos.
  • Henrique  17/04/2015 18:13
    É óbvio que a inflação tem que estar sob controle. Mas uma pequena inflação anual estimula a economia ao evitar o entesouramento do dinheiro fazendo com que ele gire entre as pessoas.

    Abraços.
  • Guido  17/04/2015 19:30
    Henrique, você se esqueceu de dar os créditos. A frase acima deveria estar entre aspas, e ao final você deveria ter citado os dois autores dela: Guido Mantega e Dilma Rousseff.

    Não faça mais isso. É feio e depõe contra você.
  • Enrico  17/04/2015 19:45
    Por que vocês keynesianos e desenvolvimentistas fazem questão de odiar explicitamente as moedas de um centavo, a ponto de matá-las no longo prazo?
  • Erick V.  17/04/2015 20:30
    O comentário do Henrique merecia uma resposta direta, mas dá para perceber que ele é novo no site e a Convenção de Genebra proíbe atirar em paraquedistas. Deixemos Hoppe fazer o trabalho:

    A questão do dinheiro entesourado - é prejudicial para a economia?
  • Ali Baba  17/04/2015 20:43
    Olá Escola de Chicago... Pronta para tomar algumas chicotadas da realidade?
  • IRCR  17/04/2015 21:58
    Suiça deve estar entrando em colapso, pois a população está entesourando muito lá hehe
  • Felix  18/04/2015 23:12
    Henrique,
    não se deve decidir pela população o que fazer com o dinheiro,
    guardar ou gastar é uma decisão individual e não deve ser estimulada nenhuma nem outra mas sim deixar que o mercado haja e cada um decida
  • Pedro Ivo  17/04/2015 18:14
    Eu já lera um artigo quase idêntico a este cá no IMB. Tenho certeza por conta da referência ao escritor russo Ilya Ehrenburg e o jantar em que as moças despidas dançavam. Alguém sabe qual foi?
  • Bruno Soares  21/04/2015 16:48
    Não encontrei outro, mas deve ter mais um...
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2026
  • Maurício Redaelli  17/04/2015 20:43
    Alguns textos, como este, são essenciais.

    Qual é a relação da guerra com o tamanho e a influência do estado nos países europeus? Qual foi o papel do nacional-socialismo na recuperação da economia alemã?


    Correções peuqenas:
    "...Ao explodir a guerra, a maioria do mundo já havia tinha desistido do padrão-ouro ...";
    "...Uma estrutura bancária paralela foi organizada por um proeminente economista rebelde não-ligado ao governo. Ele iniciou criou um novo esquema em que..."
    "...relação de um para um. acalmou as tensões sociais...";
  • Dalton C. Rocha  18/04/2015 17:43
    Se a hiperinflação alemã dos anos 1920 foi a cloaca do nacional-socialismo, vulgarmente chamada de nazismo, a superinflação brasileira do fim dos anos 1970 até o Plano Real de 1994, foi a cloaca que gerou o petismo.
    Meu pai comprou financiada uma casa enorme em 1974. Era uma casa de dois andares, com seis quartos, 6 banheiros, etc. Para virar uma mansão, bastava ter uma piscina. Numa rua de centenas de metros, ela era uma das três melhores e maiores casas. Bem no Centro da cidade de Fortaleza. Localização perfeita. Preço de uma casa enorme em 1974?
    Cem mil cruzeiros.
    Quando sob Sarney, em 1986, o Plano Cruzado fez os cem mil cruzeiros virarem cem cruzados. Um corte de três zeros da moeda.
    Só que em 1989, veio o Plano Cruzado Novo. Cem cruzados viraram 10 CENTAVOS de cruzado novo. Em janeiro de 1989, após apenas 15 anos, o dinheiro que em 1974 comprava financiado uma casa de dois andares, com seis quartos, 6 banheiros, etc. valia então só 10 CENTS de dólar.
    Em 1990, o bichado cruzado novo virou o igualmente bichado cruzeiro.
    Só que em 1993, o bichado cruzeiro virou cruzeiro real e perdeu três zeros.
    E dez centavos de cruzeiro real comprariam mil casas, em 1993.
    E em 1994, o Plano Real tornou aqueles cem mil cruzeiros que apenas vinte anos antes valerem tão pouco que para se ter o valor de uma moedinha de dez centavos, seriam possíveis se comprar só vinte anos antes, mais de dois milhões e setecentas mil de minhas casas. Hoje com uma moeda de dez centavos de real, que não compra nem um bombom, você podia comprar a maioria de todas as casa e apartamentos do Brasil, apenas 40 anos atrás.
    Segundo o livro presente no site www.amazon.com/Autobiografia-o-mundo-ontem-Portuguese-ebook/dp/B00Q78O384/ref=sr_1_2?s=books&ie=UTF8&qid=1429377803&sr=1-2&keywords=stefan+zweig+O+mundo , quem mandou os alemães para o nazismo foi a inflação. O mesmo pode ser dito sobre a inflação no Brasil. Foi a absoluta incompetência dos governos militares de 1974 em diante, que primeiro destruiu o Regime Militar. Depois foi tornando o Brasil cada vez mais esquerdista.
    Quem destruiu o Regime Militar foi o marxista enrustido Delfim Neto. Ver site https://www.youtube.com/watch?v=6SPs0_F6YuA e tantos outros.
  • Leonardo  20/04/2015 13:04
    Esse fetiche que parcela dos simpatizantes com a teoria austríaca tem com o ouro é um bucado ultrapassado. Faz algum sentido se for isso ou nada (pelo menos é uma amarra pra política monetária), mas deveriam defender soluções de mercado para os meios de troca, pode sair muita que mal conseguimos imaginar porque há 400 anos a iniciativa privada não tem liberdade para fazer isso. Possíveis caminhos: moedas baseadas em cestas de commodities, moedas virtuais ou moedas emitidas por bancos e sem lastro nenhum, a não ser o desejo em manter uma moeda estável (supondo moedas estáveis seriam mais lucrativas que moedas em desvalorização ou valorização constante)
  • Leandro  20/04/2015 13:19
    Não se trata fetiche. É simplesmente porque o ouro -- por motivos amplamente discutidos neste artigo -- é a melhor baliza disponível para mensurar a robustez de uma moeda.

    Uma política monetária que segue regras específicas e estritas -- como um Currency Board privado que emite cédulas lastreadas em ouro -- não apenas seria um grande avanço em relação ao sistema atual, como ainda seria um arranjo totalmente propício ao crescimento econômico.
  • Leonardo  24/04/2015 22:31
    Leandro, entendo as vantagens do lastro em ouro em relação a moeda fiduciária estatal. Mas não sei se se trataria da melhor baliza possível, acredito que estamos a tanto tempo tendo nossos meios de pagamento controlados pelo estado que não é possível prever com precisão as soluções de mercado que poderiam surgir. Como as múltiplas moedas sugeridas por Hayek, lastreadas em comodities e que as empresas e indivíduos poderiam escolher, conforme por exemplo o pefil de seus passivos.
  • Emerson Luís  23/04/2015 14:09

    "A inflação de preços na Alemanha começou lentamente."

    E a inflação no Brasil está retornando lentamente, mas em aceleração. Se continuar assim, poderemos logo romper a barreira psicológica dos 10% ao ano e prosseguir. Bem que diziam que, se o PT vencesse as eleições, ele acabaria com o Real. Tem um ingrediente de inveja aí?

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