Lee Kuan Yew, o homem responsável pelo que Cingapura tem de melhor e de pior

Morreu ontem, aos 91 anos de idade, Lee Kuan Yew, o homem responsável por implantar as reformas econômicas que fizeram com que Cingapura deixasse de ser um país de terceiro mundo — praticamente uma favela a céu aberto — e se transformasse em um país de primeiro mundo, com uma renda per capita muito superior à americana.

Yew desenvolveu o modelo de Cingapura por pura necessidade.  Além de não possuir recursos naturais, Cingapura não possuía nenhuma terra fértil na qual desenvolver atividades agrícolas.  Ou seja, não havia nem como plantar comida nem como extrair petróleo no país.  Logo, ele teve de recorrer ao comércio global.

A estratégia de Cingapura

Cingapura se tornou independente da Malásia em 1965.  Na verdade, o país foi praticamente expulso da Malásia.  À época, Cingapura era um país pobre e atrasado — uma mancha estéril, improdutiva e sombria em uma das mais perigosas regiões do mundo.  Com efeito, a renda per capita de Cingapura em 1965 seria equivalente à de um país como Angola ou Kosovo hoje, ajustada pela inflação.

No entanto, Cingapura contava com um líder, um fundador visionário: Lee Kuan Yew.  E ele tinha ideias claras sobre como modernizar o país. 

Sua estratégia continha os seguintes elementos:

Moeda forte e estável

O primeiro e mais crucial — sem o qual nada mais funciona — era uma moeda forte e estável.  Cingapura implantou um sistema de Currency Board, um regime monetário no qual não há política monetária e nem interferência política. 

Currency Board é o sistema que se utiliza quando se quer adotar uma genuína "âncora cambial", o que faz com que a moeda de um país se torne um mero substituto de uma moeda estrangeira.  Neste sistema, a moeda nacional é totalmente atrelada a uma moeda estrangeira (no caso de Cingapura, o dólar de Cingapura nasceu ancorado à libra esterlina, depois passou para o dólar, e depois para uma cesta de moedas), e a variação da base monetária nacional se dá de acordo com o saldo do balanço de pagamentos (saldo da quantidade de moeda estrangeira que entra e sai da economia nacional).

A única função de um Currency Board é trocar moeda nacional (que ele próprio emite) por moeda estrangeira, e vice versa, a uma taxa fixa

Neste sistema, não há nenhuma política monetária.  Todo o arranjo funciona como se estivesse no piloto automático.  A base monetária do país é igual à quantidade de reservas internacionais (no caso, a moeda adotada como âncora), e varia de acordo com a quantidade de moeda estrangeira que entra e sai da economia em decorrência das transações internacionais do país.  Quando há um superávit nas transações internacionais, a base monetária doméstica aumenta; quando há um déficit, diminui.

Quando a quantidade de moeda nacional é idêntica à quantidade de reservas internacionais, é impossível haver um ataque especulativo, pois seria impossível exaurir as reservas internacionais (a moeda nacional teria de ser toda mandada pra fora, algo por definição impossível).

O país que adota o Currency Board passa a funcionar como se fosse um estado do país emissor da moeda utilizada como âncora pelo Currency Board.  Para que tal sistema funcione plenamente, uma Caixa de Conversão (o Currency Board) é criada com a única missão de trocar moeda nacional (que ela própria emite) por moeda estrangeira, e vice versa, a uma taxa de câmbio estritamente fixa.  (Veja mais detalhes sobre Currency Boards aqui.) 

Um arranjo de câmbio fixo, para um país em desenvolvimento, é bastante superior a um arranjo de câmbio flutuante, pois gera estabilidade de longo prazo para os investimentos (os investidores sabem exatamente qual será a definição da moeda nos anos vindouros), acaba com as especulações e retira completamente das autoridades políticas do país a capacidade de fazer política monetária — e, consequentemente, de desvalorizar a moeda, o que afeta sensivelmente a taxa de retorno dos investidores estrangeiros.

Além de estabilizar a moeda, um Currency Board impõe forçosamente uma disciplina ao sistema bancário e às políticas fiscais do governo.  Para Cingapura, um Currency Board forneceu preços estáveis (uma das menores inflações de preço do mundo) e uma moeda plenamente segura e conversível, o que atraiu investimentos estrangeiros maciços.

Hoje, a autoridade monetária de Cingapura, embora não mais funcione como um Currency Board ortodoxo, tem como única função controlar o valor do dólar de Cingapura em relação a uma cesta de moedas das principais economias do mundo.  A autoridade monetária de Cingapura não controla juros; ela atua para garantir que o dólar de Cingapura mantenha um valor relativamente estável perante as principais moedas do mundo.

E o resultado é que de 1982 a 2005, o dólar de Cingapura foi a moeda que menos perdeu poder de compra no mundo, superando inclusive o franco suíço e o marco alemão.  (A partir de 2005 ela perde para o iene japonês, dado que o Japão entrou em uma longa estagnação e seus preços ficaram em zero durante quase uma década).

Nada de ajuda internacional

O segundo elemento foi a total ausência de ajuda estrangeira.  Lee Kuan Yew proibiu que o país mendigasse auxílio internacional.  Cingapura se recusou a aceitar ajuda estrangeira de todo e qualquer tipo. 

Essa é uma postura francamente oposta à de vários outros países em desenvolvimento, nos quais o que mais há são esquemas de corrupção em que políticos e burocratas tentando abiscoitar algum tipo de ajuda estrangeira, seja de alguma ONG internacional, de algum organismo internacional (como o FMI e o Banco Mundial), ou de algum governo.

Em contraste, placas em que se lê "Nada de ajuda estrangeira" ainda estão penduradas, figurativamente, em cada gabinete governamental de Cingapura.

Setor privado forte

O terceiro elemento foi o notável esforço de Cingapura em criar empresas privadas de excelência, com características de primeiro mundo e genuinamente competitivas no mercado global. 

Isso foi alcançado majoritariamente por meio de baixa tributação, burocracia quase inexistente e mínima regulação.  Tudo isso em conjunto com tarifas de importação nulas e livre comércio pleno (sistema idêntico ao adotado em Hong Kong). 

Baixa tributação, baixa regulação, burocracia quase inexistente, moeda forte e livre comércio pleno atraíram para Cingapura empresas de todas as regiões do globo — e fez com que as empresas privadas de Cingapura se tornassem tigres asiáticos.

Respeito à propriedade

O quarto elemento na estratégia de Cingapura foi uma ênfase na proteção à propriedade privada, na segurança pública, e na ordem pública. 

Neste quesito, no entanto, as coisas são mais nebulosas, como será mostrado mais abaixo.

Do terceiro ao primeiro mundo

Estes foram os quatro objetivos da estratégia de Lee Kuan Yew: moeda forte e estável, nada de ajudas estrangeiras, empresas privadas de primeiro mundo, plenamente competitivas, operando em um arranjo de livre comércio pleno e sem sofrer regulações onerosas, e um arranjo de lei e ordem.

E, para cumprir esses objetivos, o segredo da estratégia era ter um governo "pequeno" e transparente; um governo minimalista em termos econômicos, que não impunha complexidades e nem burocracia — daí a contínua presença de Cingapura no topo do ranking da Doing Business, entidade que mensura a facilidade de se empreender ao redor do mundo.

O gráfico abaixo mostra bem a evolução de um país que saiu do Terceiro Mundo e se converteu plenamente em uma das regiões mais ricas do planeta.  Ele mostra o impressionante êxito econômico de Cingapura, cuja renda per capita em dólares supera a dos EUA e a da Suécia, é o dobro da da Espanha e cinco vezes maior que a da vizinha Malásia, de quem Cingapura se separou (ou melhor, foi expulsa):

rentaSingapur.jpg

Além de todas as características já citadas acima, vale ressaltar que o gasto público de Cingapura é a metade do americano, e um terço do sueco.

estadoSingapur.jpg

A mente de Lee Kuan Yew

No entanto, nada mais justo e pertinente do que deixarmos que o próprio Lee Kuan Yew nos ofereça sua própria visão sobre como as sociedades prosperam e enriquecem.

O pai fundador de Cingapura se sentiu atraído, até os anos 1960, pelo socialismo inglês.  No entanto, felizmente, acabou descobrindo que a hipertrofia do estado não é o caminho adequado para o progresso:

Assim como Jawaharlal Nehru [o primeiro primeiro-ministro da Índia, de 1947 a 1964], no começo me senti influenciado pelas ideias do socialismo fabiano inglês.  No entanto, rapidamente me dei conta de que, para distribuir o bolo, é necessário antes fabricá-lo.  Por isso me distanciei da mentalidade do estado de bem-estar: ela minava o espírito empreendedor e impedia que uma pessoa se esforçasse para prosperar e seguir adiante.

Também abandonei o modelo de industrialização baseado na substituição de importações.  Enquanto a maioria dos países do Terceiro Mundo denunciava a exploração das multinacionais ocidentais, nós as convidamos todas para ir a Cingapura.  Desse modo conseguimos crescimento, tecnologia e conhecimento científico, os quais dispararam nossa produtividade de uma maneira mais intensa e acelerada do que qualquer outra política econômica alternativa poderia ter feito.

Lee Kuan Yew percebeu com clareza que a única maneira de um país sem recursos naturais como Cingapura ter alguma vantagem competitiva era se convertendo em uma região livre e segura no mercado global, uma região em que investidores pudessem investir e poupar sem medo de expropriações:

Somos o país com menos recursos naturais em toda a nossa região; portanto, só nos resta sermos honestos, eficientes e capazes.  [...] Cingapura tem as qualidades para ser a Chicago ou a Zurique da Ásia Oriental.

Para lograr tal feito, abraçou sem titubear a globalização:

Não nos esqueçamos de que o protecionismo e um menor comércio equivalem a um menor crescimento econômico para os países ainda em desenvolvimento.  [...]

Aproveitamos todas as vantagens que nos legaram os ingleses: o idioma, o sistema jurídico, a democracia parlamentarista e a administração imparcial.  Mas conseguimos evitar ceder ao charme do estado de bem-estar social.  Já vimos como um povo inteiro pode competir entre si para se afundar na miséria e na mediocridade.  As pessoas menos empreendedoras e trabalhadoras não podem ser igualadas ao resto à custa de piorar a situação das mais empreendedoras e esforçadas.  E também já vimos quão difícil é desmantelar um sistema de subsídios tão logo as pessoas se acostumam às benesses que o estado lhes proporciona.

A oposição de Lee Kwan Yew à desvairada expansão do estado de bem-estar social do Ocidente foi uma constante ao longo de toda a sua vida.  Seus princípios eram claros: uma coisa é ajudar quem realmente está necessitado; outra, bem diferente, é subsidiar o parasitismo:

O estado de bem-estar e os subsídios destroem a motivação para as pessoas se esforçarem e crescerem.  Se for para ajudar alguém, é preferível que seja dando-lhes algum ativo ou dinheiro e permitido que tenham total liberdade para decidir como gastá-lo.  Quando as pessoas se tornam dependentes dos subsídios e o estado não pode mais continuar lhes pagando, elas protestam.  Tornaram-se mal acostumadas.

É a sociedade civil, e não o estado, quem essencialmente tem de ajudar os mais desfavorecidos.  A missão do governo não é administrar monopolisticamente a filantropia de uma sociedade, mas sim não impedir seu florescimento:

O estado não pode substituir o calor pessoal e o contato direto das ajudas voluntárias.  Os sentimentos altruístas e filantrópicos motivam as pessoas a se ajudarem entre si.  Muitos estados ocidentais se converteram em burocracias esbanjadoras nas quais os funcionários públicos bem pagos não possuem esse indispensável sentimento de altruísmo e idealismo visto nos trabalhadores voluntários.

Cingapura, por conseguinte, não se especializou em redistribuir a renda, mas sim em atrair capital humano, capital físico e capital financeiro para impulsionar a prosperidade de todos:

Cingapura tem uma maioria chinesa; porém, não importa qual seja a sua raça, se você se unir a nós como cidadão, desfrutará dos mesmos direitos e oportunidades.  Em Cingapura, somos uma sociedade cosmopolita e aberta, que recebe de braços abertos o talento, pois é ele que nos permite continuar crescendo e prosperando.

Em vez de denegrir a figura do empreendedor, este é exaltado como o motor do crescimento e da inovação:

O sonho da riqueza atrai todos.  No entanto, somente aqueles que inovam e que sabem criar bens e serviços se tornam ricos.  São poucos os que nascem com uma aguçada mentalidade empresarial, e são ainda menos aqueles que triunfarão.  O êxito empresarial necessita de qualidades extraordinárias, como elevados níveis de energia, perspicácia para enxergar as oportunidades onde outros só veem problemas, e intuição para antecipar quais produtos ou serviços serão rentáveis.

À luz de tão excepcionais reflexões, estaríamos tentados a pensar que Lee Kuan Yew era o paradigma do político liberal no qual todos deveriam se inspirar.  Mas, infelizmente, não.  Lee Kuan Yew era um conservador pragmático que, em matéria econômica, havia entendido boa parte das regras do jogo, mas que, em matéria social, permaneceu ancorado a um intenso intervencionismo estatal.

Ele próprio se vangloriava de interferir na vida privada das pessoas para orientá-las a seguir o bom caminho.  Em termos sociais, suas ideias eram mais comunitárias do que liberais, e ele tinha uma noção particular de bem comum:

Na cultura americana, o interesse do indivíduo vem em primeiro lugar.  Isso transforma os EUA em uma sociedade agressivamente competitiva.  Em Cingapura, o interesse da sociedade vem antes do indivíduo.  Mas, ainda assim, Cingapura tem de ser competitiva no mercado de trabalho, e no de bens e serviços.

Uma das consequências dessa mentalidade é que Cingapura é hoje um estado que pratica a tortura de presos, que limita a liberdade de expressão e de imprensa, que mantém um serviço militar obrigatório e que proíbe as relações homossexuais.  A ordem pública é mantida rigidamente.  Há punições severas para pichações.  É proibido até mesmo mascar chicletes (só são permitidos chicletes terapêuticos com receita médica).  O governo pode encarcerar criminosos por tempo indefinido e sem julgamento.

Conclusão

Cingapura é, em muitos aspectos, um exemplo para o Ocidente.  Em outros, longe disso. 

O mesmo, no entanto, pode ser dito sobre o Ocidente para Cingapura: é um exemplo em muitas coisas, mas não em outras.

Felizmente, liberdade é algo que não tem de ser adquirida em um pacote conjunto.  A liberdade não é um combo que necessariamente tem de vir com concessões governamentais. 

Não é necessário optarmos entre a liberdade civil e a liberdade econômica quando podemos ter ambas: o Ocidente provou que a liberdade civil permite que as pessoas desenvolvam seus planos de vida sem se sentirem oprimidas por estados repressores ou pela intolerância de grupos organizados; já Cingapura provou que a liberdade econômica gerava um aumento formidável na prosperidade e na riqueza.

Por que, então, não podemos optar por ambas as manifestações de liberdade individual?  Esse é o programa ideológico dos libertários.

_________________________________

Autores:

Steve Hanke, professor de Economia Aplicada e co-diretor do Institute for Applied Economics, Global Health, and the Study of Business Enterprise da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, EUA.  O Professor Hanke também é membro sênior do Cato Institute em Washington, D.C.; professor eminente da Universitas Pelita Harapan em Jacarta, Indonésia; conselheiro sênior do Instituto Internacional de Pesquisa Monetária da Universidade da China, em Pequim; conselheiro especial do Center for Financial Stability, de Nova York; membro do Comitê Consultivo Internacional do Banco Central do Kuwait; membro do Conselho Consultivo Financeiro dos Emirados Árabes Unidos; e articulista da Revista Globe Asia.

Juan Ramón Rallo, diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.

Leandro Roque, editor e tradutor do site do  Instituto Ludwig von Mises Brasil.


2 votos

SOBRE O AUTOR

Diversos Autores


O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Ed  24/03/2015 14:42
    Excelente texto! Eu assinaria embaixo. Principalmente da conclusão.
  • Lucas  24/03/2015 22:45
    Concordo totalmente. Simplesmente brilhante!

    Focado em fatos e incrivelmente imparcial. Apenas a verdade, nua e crua.

    Parabéns ao autor.
  • eu  11/04/2016 03:46
    Compreendo a falta de compreensão sobre a palavra liberdade. Bem, se você que fazer parte de um clube você precisa ´pagar as taxas e respeitas as normas de conduta, ou seja, para pertencer tem que obedecer. Caso não queira obedecer os regras e convidado a sair e caso resista é expulso. Ora isso não pode ser aplicado ao estado. Nos confundimos liberdade com querer fazer qualquer coisa, mas isso é libertinagem. Só é livre quem obedece, pois o coração é livre para bater, mas no dia em que não quiser mais pode, no entanto irá morrer. A escolha é de cada um
  • LEONARDO DIAS  24/03/2015 14:55
    CINGAPURA, LIBERALISMO CONSERVADOR, na prática, não libertarianismo.
    Poderia ser ainda melhor? Poderia! Mas, por enquanto, é o que temos como exemplo.
    PS: Libertários e comunas, Cingapura não é um país permeado pela cultura Judaico Cristã, pelo contrário, mas é CONSERVADOR E LIBERAL.

    APRENDAM que "não existe conservadorismo, mas conservadorismos, no plural", como diria Coutinho.
    A LIBERDADE precisa ser limitada para que, paradoxalmente, ela continue a existir e, inclusive, seja ampliada.
  • Marcelo Chang  24/03/2015 16:42
    "Poderia ser ainda melhor? Poderia! Mas, por enquanto, é o que temos como exemplo."

    Não. Há também Hong Kong, que tem a mesma política econômica, e sem o autoritarismo social.

    "PS: Libertários e comunas, Cingapura não é um país permeado pela cultura Judaico Cristã, pelo contrário, mas é CONSERVADOR E LIBERAL.

    Hong Kong é mais religioso que Cingapura (anglicanismo e catolicismo), e ainda mais livre.

    "A LIBERDADE precisa ser limitada para que, paradoxalmente, ela continue a existir e, inclusive, seja ampliada."

    Os suíços discordam. E radicalmente.
  • samiro  14/09/2016 16:00
    Por isso,Hong Kong tem muitas libertinagens! muitas drogas nas ruas...bandidagem! É assim q vc defende,né?
  • Leo  05/03/2017 17:11
    E quem disse que a Suíça é exemplo? Com sua população cada vez mais se degradando nas drogas? A liberdade é um presente divino que tem que ser dado depois de se adquirir muita responsabilidade! E isso deveria ser ensinado em casa! Viver em sociedade significa obedecer os limites! Assim se construiu a civilização desde o Código de Hamurábi.
  • zanforlin  24/03/2015 15:20
    A propósito do Sr. Lee Kuan Yew veja-se artigo publicado hoje no Russia & India Report (in.rbth.com/blogs/2015/03/24/how_lee_kuan_yew_and_putin_exposed_the_democracy_bogey_42167.html), de onde se pode extrair que as metas atingidas não seriam alcançadas mediante um sistema "democrático" de inúmeros partidos, em que o estado serve apenas para garantir interesses de grupos próximos do poder.

    Eis um trecho do artigo:

    Is democracy a dead cat the West wants to sell for good money? According to one of the greatest strategists of the 20th century, that would be more or less correct. In the words of Lee Kuan Yew, the late Singapore strongman, "The exuberance of democracy leads to undisciplined and disorderly conditions which are inimical to development."

    O resto deixo para os interessados.

  • Pobre Paulista  24/03/2015 15:48
    Nada como um "Ditador do bem", não é mesmo?
  • Julio De Marchi  22/01/2017 22:53
    Ficou claro que a 'Teoria X/Y' de Douglas McGregor vai além de um conceito aplicável somente em administração de empresas. Lee Kuan Yew entendeu isso muito bem e sabia que não estava lidando com nórdicos ou suíços.
  • Lopes  24/03/2015 15:21
    Ótimo texto. Embora eu raramente utilize o argumento de Cingapura ou Hong Kong como exemplos da importância do livre-mercado em geral porque o establishment não entende que a economia é uma ciência apriorística e que a escassez junto ao princípio fundamental da ação humana são dados universais (gente como Paul Krugman parece sinceramente acreditar que o imposto e recursos estatais advém da metafísica e não significa que a população terá menos para gastar consigo própria e assim, a sociedade perderá oportunidades de empreendimento e renda em prol do sustento da demanda estatal). Além de o establishment ser pernicioso: responsabilizam o protecionismo de uma sociedade majoritariamente livre por seu sucesso e jamais o contrário - ignoram os casos em que o protecionismo majoritário e de regra geral foi um fracasso colossal, como o Brasil.

    Entretanto, em matéria de discussão, talvez a maior utilidade do argumento de Cingapura seja justamente a política do Currency Board. É absurdo este paradigma falido e encomendado por grandes conglomerados no mundo todo de que o câmbio tem de ser flutuante e toda a sociedade precisa perder poder de compra e chances de investimento internacional pelo lucro de curto prazo dos exportadores.
  • Marcelo Corghi  24/03/2015 15:32
    Perfeito!
    Nosso ideal é a conclusão: liberdade em todos os planos, no civil e no econômico!
  • Ren Silva  24/03/2015 15:45
    Há sete anos atrás, tive a oportunidade de morar neste país por alguns meses. É algo fantástico perceber que a ausência de um governo provedor faz mais pelo povo do que o contrário. As pessoas trabalham, simplesmente. Não há qualquer tipo de vitimização. Lembro de encontrar pessoas muito idosas ainda trabalhando.
    Tirando a parte negativa que o texto muito bem ressaltou, todo o resto é a demonstração empírica de que liberdade de empreendimento funciona.
  • Trader Carioca  24/03/2015 16:24
    Ren Silva.
    Me permita a ousadia. Eu tenho interesse em morar em Cingapura. Você se importaria em me passar algum canal de contato para conversarmos sobre essa sua experiência?

    Se achar que estou sendo invasivo, eu compreenderei, sem problema algum.

    Grande abraço!
  • Andre  24/03/2015 16:06
    "Ou seja, não havia nem como plantar comida nem como extrair petróleo no país. Logo, ele teve de recorrer ao comércio global.".

    Esse é um dos motivos pelos quais eu acredito que o Brasil sempre será subdesenvolvido:
    Falta terremoto, falta furação, falta vulcão, fata nevasca, sobra terra fértil, sobra petróleo, sobra minérios, dá pra plantar o ano inteiro... etc.

    Com tanta facilidade não há estímulos para o país buscar o desenvolvimento que o livre mercado pode proporcionar.

    É como esperar que uma criança mimada se esforce, pode até acontecer em alguns casos, mas é muito raro, é a exceção que confirma a regra.
  • Pobre Paulista  24/03/2015 16:36
    "Deitado eternamente em berço esplêndido..."
  • Andre  24/03/2015 17:04
    "Deitado eternamente em berço esplêndido..."

    Boa! Nunca havia reparado essa profecia.
  • Matias  24/03/2015 17:13
    É a mais pura realidade... vide as "obras de engenharia" dos Incas, a agricultura dos Egípcios... Compare com a vida "mansa" que tinham nossos índios e o que desenvolveram.
  • Estevam  24/03/2015 21:28
    Cuidado ao citar furacões e terremotos, alguém pode querer "quebrar a janela" para estimular a economia.
  • anônimo  25/03/2015 22:06

    "Falta terremoto, falta furação, falta vulcão, fata nevasca, sobra terra fértil, sobra petróleo, sobra minérios, dá pra plantar o ano inteiro... etc."

    O mesmo pode ser dito sobre a Nova Zelândia, não?
  • Andre  25/03/2015 23:39
    "O mesmo pode ser dito sobre a Nova Zelândia, não?"

    Como eu havia dito:

    ...é a exceção que confirma a regra.
  • David  26/03/2015 00:43
    Na Nova Zelândia existem terremotos.
  • Marcelo  29/09/2015 17:51
    existem terremotos e vulcões por lá =)
  • Andre  24/03/2015 16:10
    "Na verdade, o país foi praticamente expulso da Malásia.".

    E depois dizem que secessão traz resultados ruins para o território secessionado.

    Na verdade eu não diria que Cingapura foi expulsa, eu diria que ela foi deixada LIVRE, livre da obrigação de pagar impostos à Malásia e para não ter mais que obedecer as leis da Malásia.
  • anônimo  24/03/2015 16:31
    Só uma pergunta.

    Sempre me dizem que há problemas relativos à propriedade privada em Cingapura. Alguém poderia me ajudar com fontes para entender melhor esses problemas?

    Um deles é que me disseram que o governo só permite que o indivíduo detenha a propriedade por 100 anos. Está correto isso?
  • Sergio  24/03/2015 17:02
    Nunca ouvi falar disso.
  • Vinicius  24/03/2015 22:44
    Singapura é tão livre que a Heritage Foundation não tem muito o que dizer:
    www.heritage.org/index/country/singapore
  • Diego Lopes  24/03/2015 16:37
    São nessas leituras que você para, passa a olhar triste e profundamente para o cenário vigente do Brasil, e conclui, incontestavelmente, em um suspiro: Que lixo!

    Trabalho em ambiente em que a massa de jovens é de mentalidade estadista. Muito antes de entender um vírgula de economia, multiplica-se no Brasil uma geração, dos anos oitenta e noventa, que não tem vergonha nenhuma de gritar aos quatro cantos que "tem ódio ao capitalismo".

    A geração pós-constituição de 1988 parece ter nascido com uma propensão maior de aceitar a utopia de "todos a viver de impostos do outro; mas ninguém a pagar por eles".
  • Pobre Paulista  24/03/2015 16:38
    O texto diz que a autoridade monetária de lá não funciona mais como um Currency Board ortodoxo... O que isto significa? O governo de lá agora pode inflacionar a moeda?
  • Marcos  24/03/2015 16:59
    Explicado no artigo:

    Hoje, a autoridade monetária de Cingapura, embora não mais funcione como um Currency Board ortodoxo, tem como única função controlar o valor do dólar de Cingapura em relação a uma cesta de moedas das principais economias do mundo.  A autoridade monetária de Cingapura não controla juros; ela atua para garantir que o dólar de Cingapura mantenha um valor relativamente estável perante as principais moedas do mundo.

    Além disso, ele faz operações para "ajustar a liquidez" do sistema bancário, mas opera com títulos que a própria autoridade emite.

    Pode ler tudo aqui:

    www.mas.gov.sg/Monetary-Policy-and-Economics/Central-Bank-Operations-and-Liquidity-Management.aspx

    Caso seja proficiente no inglês, vale conferir as publicações do próprio BC de Cingapura:

    www.mas.gov.sg/Monetary-Policy-and-Economics/Monetary-Policy/Monetary-Policy-Framework.aspx
  • Pobre Paulista  24/03/2015 17:20
    Mas foi exatamente isto o que eu não entendi.

    "ela atua para garantir que o dólar de Cingapura mantenha um valor relativamente estável"

    Com um Currency Board ortodoxo não seria necessário "atuar para manter seu valor estável", como ele sempre foi...
  • Rico Goiano  24/03/2015 18:13
    Por isso ele não é mais um Currency Board ortodoxo. Não é difícil de entender...
  • Pobre Paulista  24/03/2015 23:38
    Obrigado pela tautologia.

    Voltando à minha pergunta original, alguma causa em específico fez com que eles abandonassem um modelo de 30 anos de sucesso para abraçar um modelo com um risco político enorme?
  • Henrique  24/03/2015 16:40
    Pena o artigo não ter citado o peso das estatais na economia de Cingapura...

    abraços
  • Meirelles  24/03/2015 16:47
    Sinta-se à vontade para complementar as informações e explicar como as estatais (são mais de 300 como no Brasil?) ajudaram milagrosamente a enriquecer a economia de Cingapura, mas não funcionaram no Brasil e nem em nenhum outro país do mundo.
  • Henrique  24/03/2015 17:41
    Não ajudam no Brasil por causa do uso político e pessoal das estatais. As estatais são úteis pois podem investir em projetos importantes não interessantes à iniciativa privada, que só investe onde dá lucro.

    Podemos citar: Temasek Holdings, que controle mais de US$200 bilhões em ativos. As maiores empresas da bolsa de valores de Cingapura têm ligação com o governo. Companhia aérea, telefônica, de engenharia etc.

    Abraços.
  • Leandro  24/03/2015 18:40
    "Não ajudam no Brasil por causa do uso político e pessoal das estatais."

    Posso então concluir que, a partir dessa sua constatação, você irá defender o fim das estatais no Brasil? Se não fizer isso, você estará sendo contraditório. E não queremos isso, certo?

    "As estatais são úteis pois podem investir em projetos importantes não interessantes à iniciativa privada, que só investe onde dá lucro."

    Fiquei curioso. Quais são os projetos úteis, mas que não dão lucro? Se algo é útil, então ele é demandado. Se ele é demandado, então há oportunidades de lucro. E se há oportunidades de lucro, então são interessantes à iniciativa privada -- a menos, é claro, que você acredite que capitalistas odeiam dinheiro.

    Como pode algo ser útil para toda a população e ainda assim não ser lucrativo para quem o forneça?

    É impressionante como as pessoas se limitam a repetir chavões sem se dar ao mais minimo trabalho de verificar a lógica desse raciocínio.

    "Podemos citar: Temasek Holdings, que controle mais de US$200 bilhões em ativos. As maiores empresas da bolsa de valores de Cingapura têm ligação com o governo. Companhia aérea, telefônica, de engenharia etc."

    Acabou de se contradizer. Em primeiro lugar, Temasek Holdings é um fundo de investimentos do governo cingapuriano. Só que toda a diretoria é formada por quadros puramente técnicos, e a única ordem dada à empresa é justamente ter lucros. A Temasek tem ações de uma empresa telefônica (existem 3 em Cingapura, que é uma cidade, além de 7 provedoras de internet) e da Singapore Airlines (55%).

    Nenhuma dessas duas empresas tem qualquer monopólio sobre nada. Também desconheço a existência de privilégios. E sua gerência é privada. E, até onde sei, têm fins lucrativos (como a própria Temasek Holdings). Para quem disse que estatal é algo bom para operar em áreas que não dão lucro, Cingapura não é exatamente um modelo que comprova essa sua teoria.

    Se o governo brasileiro fizesse isso -- ou seja, em vez de gerenciar estatais, criasse um fundo de investimentos que aplicasse dinheiro em empresas e cobrasse retorno -- já seria um grande avanço.
  • Anarca da floresta  24/03/2015 18:44
    ... que só investe onde dá lucro.

    Posso concluir, pelo comentário, que o caminho da riqueza é investir onde dá prejuízo?

    Deverias escrever um livro sobre isso.
  • Birolho  03/04/2016 18:41
    KKKKKK, que chinelada! Se meteu de pato a ganso, se ferrou!!! Toma.
  • Tiago Nascimento  30/05/2016 12:47
    Assisti na semana passada um documentário sobre os 200 anos de Singapura e pelo que entendi o diferencial das empresas estatais deles foi o foco na eficiência e lucro.
    Foi citado que quando da criação da empresa aérea estatal foi dito aos gestores (todos técnicos) que eles teriam um prazo estipulado para começar a dar lucro. Findo esse prazo a empresa seria sumariamente encerrada, nada de ajuda governamental ou coisa parecida. Isso levou os caras a fazer uma gestão estritamente profissional. Nada de virar cabide de emprego de políticos ou coisa assim.

    Creio que no caso brasileiro algo que infelizmente prejudica, além do uso político das estatais, é a própria cultura brasileira: desde o "jeitinho brasileiro" até essa visão de que o público não é de ninguém.

  • Igor  24/03/2015 16:49
    Quando Deus aparecerá em terras tupiniquins um cidadão com ideias semelhantes?
    Viverei para ser testemunha ocular e desfrutar dessas maravilhas do capitalismo pleno?
    O ser que poderá arrumar essa bagunça chamada Brasil já nasceu?
    Por favor repassem esse texto nas redes sociais, precisamos urgente abrir os olhos dos nossos jovens empreendedores.
  • Cavalera  24/03/2015 17:06
    Pois então leia os artigos sobre Hong Kong, igualmente interessantes:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1803

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1804
  • Emerson Luís  08/04/2015 14:13

    "Quando Deus aparecerá em terras tupiniquins um cidadão com ideias semelhantes?"

    SE você clama por um Salvador da Pátria, o Lula pretende se candidatar em 2018.

    Não precisamos de um grande "messias político", mas de muitos indivíduos comuns com estes valores.

    * * *
  • Ademir Ramos da Silva  15/09/2016 20:09
    Olá Igor.
    Há exatamente quase um ano e seis meses da sua pergunta, ainda tem pessoas que pensam como voce, e esperam por mudanças radicais para um país esfacelado.
    Apesar de ter passado tanto tempo sua pergunta é hoje ainda mais que uma necessidade.
    Acredito que está chegando o momento de novamente os militares abraçar a causa Brasil e colocar ordem na casa. Muitos podem não concordar e, respeito a opinião de todos, mas não vejo outra forma. Abraços.
  • Igor  24/03/2015 17:17
    Obrigado Cavalera, vou ler, abraços
  • Marconi  24/03/2015 17:27
    Leandro, é verdade que seu nome completo é Leandro Currency Board?
  • Vagner  24/03/2015 17:54
    Qual a fonte dessas citações do Kuan?
  • Moura  24/03/2015 18:09
    Linkado no artigo, imediatamente antes das frases, trecho em azul (é assim que funcionam os hyperlinks na internet):

    www.amazon.com/The-Singapore-Story-Memoirs-Kuan/dp/0130208035
  • Vagner  24/03/2015 18:15
    Obrigado pela pitada de sarcasmo e desculpe pela minha ignorância. :D
  • Aaron  24/03/2015 18:01
    Conservadores 1x0 Libertários

    Qualquer um que estudou história (um mínimo) vai descobrir que o capitalismo moderno e ocidental é obra dos conservadores.

    O problema do libertarianismo é que enquanto todos nós somos conscientes e sãos, está tudo OK. Porém, como não há restrição nem crítica à cultura de vadiagem, progressivamente a cultura dominante será de esquerda. Lógico: o que naturalmente puxa mais o ser humano: uma ideologia que prega que você é responsável por seus atos e pelos outros ou um amontoado de imbecilidades (AKA progressismo) que diz que a culpa é sempre dos outros e que o Estado (= outros) pagarão suas contas para sempre?

    Por isso prefiro o Conservadorismo. Mas obviamente cada um tem sua opinião.
  • Felipe  24/03/2015 18:47
    Como exatamente o conservadorismo criou o capitalismo moderno? Como o fim das guildas é obra dos conservadores? Como a criação da máquina a vapor é obra dos conservadores? Exatamente como os conservadores "criaram" o capitalismo? Por que para mim, capitalismo se quer é criado, surge naturalmente através das relações sociais. E se o ocidente teve sucesso foi por que aqui havia mais liberdade econômica ao individuo do que nos países orientais.

    Quanto a degradação social, esta último é fruto de um estado grande, que é o principal alvo dos libertários. E vocês conservadores pouco fizeram para conter este avanço, na verdade muitos acabaram aceitando e defendendo o estado de bem-estar social (principal culpado pelo aumento da "vadiagem")
  • Aaron  24/03/2015 20:17
    Felipe,

    O arcabouço moral, institucional e social do capitalismo MODERNO e OCIDENTAL foi de responsabilidade dos que hoje seriam chamados de "conservadores" - eu diria que tudo começou com a reforma protestante. Só foi possível através dos princípios protestantes- conservadores, por definição. Ou você acha que os EUA foram fundados em princípios libertários?

    Os princípios do capitalismo, como você bem disse, são inerentes ao ser humano. Assim, você vai ler nos livros de história como Kublai Khan já favorecia o comércio e globalização no século 12; como os fenícios já se valiam do livre comércio internacional e como isso desenvolveu sua nação, e por aí vai. Não discuto isso. Isto é próprio do ser humano.

    Mas o capitalismo aplicado à realidade atual só foi possível através do conservadorismo, ao valorizar a propriedade privada e o direito a empreender acima de quaisquer outras considerações. Sem a defesa da propriedade privada e o fortalecimento das instituições que deveriam garantir isso (p ex judiciário), é impossível haver desenvolvimento. Digo "deveriam" porque hoje em dia nossas instituições só servem para proteger "coitadinhos"( os escolhidos da vez - podem ser negros, gays, malabaristas de circo ou travestis) e espoliar os súditos para que paguem, à força, as mamatas de tais grupos. Algo que está muito longe de garantir a propriedade privada, e que tampouco ajuda os mais pobres. Afinal, se o alvo fossem os pobres, porque então deve-se garantir "direitos" [mamatas]" a todo aquele que for "oprimido" seja ele pobre ou rico? Um travesti rico ou uma mulher com condições financeiras de estudar ganham "cotas" no atual sistema. Resultado: inibe-se aqueles que querem estudar com garra e vencer por mérito. Basta fazer lobby para ser enquadrado em algum grupo "oprimido" e viver as custas do espólio coletivo.

    Concordo que os conservadores devem mudar o foco. E também concordo que na hora do chumbo, como estamos sofrendo agora (no Brasil e no mundo), esses debates teóricos tem que ficar em segundo plano e temos que defender o que é comum: que o Estado pare de tentar controlar nossas vidas, pare de bancar as farras e mamatas aos esquerdistas,pare de tentar enfiar goela abaixo os valores progressistas e nos deixe viver e empreender em paz.


    Sobre conservadores e welfare state, são duas contradições. Um conservador acredita que a conservar a família - instituição odiada pelos estatistas - e ajudar os mais pobres são suas obrigações morais. Logo, depender dos ladrões aparelhados no Estado para ajudar os mais pobres é pura e simplesmente deixá-los à própria sorte.
  • anônimo  25/03/2015 21:01
    "...tudo começou com a reforma protestante. Só foi possível através dos princípios protestantes- conservadores"


    Vc já leu os artigos aqui do instituo mises brasil sobre capitlismo e catolicismo? leia os artigos do prof jesus huerta de soto, tom woods, murray rothbard, ubiratan iorio e depois diga o que achou
  • Eduardo  25/03/2015 13:50
    Entendo o ponto de "capitalismo" (da forma que entendemos e que provavelmente é similar) não é algo a ser criado, mas algo que "acontece" quando pessoas respeitam determinadas regras e se relacionam de determinadas maneiras.
    No entanto, por quê isso não simplesmente aconteceu em todo lugar? Porque a cultura de alguns países torna mais propício o florescimento de tal arranjo. O que creio eu foi o que o colega quis dizer com "valores conservadores".

    É evidente que existem países com determinados valores culturais que produziram considerável liberdade econômica, empreendedorismo, riqueza e liberdades civis. E existem outros países que produziram vasto dirigismo econômico, burocracia, miséria, violência e guerras civis.
    Não é por acaso que praticamente todo o fluxo imigratório sai de determinados conjuntos de países disfuncionais e sempre vai para outro determinado conjunto de países funcionais.

    São relações voluntárias que criam a nossa linguagem, mas foram determinados valores culturais que criaram a literatura de Shakespeare, Dante e Virgílio.

    A degradação social como fruto de um estado grande também não faz sentido. Também nisso vejo quase o contrário: a degradação social causa o estado grande, que promove ainda mais degradação social.

    Veja no Brasil o poder das palavras autoritárias e totalitárias de políticos sobre a população para ver como seus valores disfuncionais permitem e exigem o crescimento do estado.

    Basta também observar que há décadas ou séculos o estado era vastamente menor e menos intrusivo em quase todo lugar. A taxação era uma porcentagem ínfima, geralmente abaixo de 10% em qualquer coisa, e muito menos intrusiva. O estado não estava empreendido em fazer engenharia social, controlar nossa dieta, prestar todo tipo de serviço, nem nada que temos no grau de hoje.

    E estados antigos relativamente "pequenos" não permitiram que todo país prosperasse ou simplesmente adotasse liberdade econômica. Alguns países conseguiram desenvolver as ciências, a literatura, a música e garantir liberdade econômica e produção de riqueza. Outros não.



  • Eduardo  25/03/2015 14:03
    Não acho justo considerar que "conservadores acabaram aceitando e defendendo o estado de bem-estar social".
    Claro, falando do conservadorismo, e não do que é chamado de "conservador" por aí, coisa que qualquer pastor maluco consegue.

    Quem acaba aceitando e defendendo welfare state são liberais.

    Basta você apresentar uma economia desregulamentada, e determinados resultados positivos (algumas pessoas saindo da pobreza a um custo relativamente baixo de "programas sociais"), e o liberal utilitarista já está empolgado.

    Se tais pessoas saindo da pobreza escutam funk, usam drogas pesadas, são promíscuas, são mães solteiras, pais ausentes, etc, isto pouco importa para o liberal em princípio. Afinal, injetar heroína e fazer um filho numa orgia não agride a propriedade de ninguém.

    Basta fazer a associação entre o welfare state e a destruição de famílias, e observar as estatísticas gritantes de delinquência social associadas a pessoas criadas por mães solteiras nessas condições (busque: fatherless homes statistics). Dificilmente você faz um argumento liberal contra isso, mas o argumento conservador acerta em cheio.
    Tendo em mente que tal argumento conservador não necessariamente propõe políticas públicas contra promiscuidade, drogas, filhos fora do casamento, etc apenas porque o ataca.

    Vide também o entusiasmo com que alguns liberais falam que "o Bolsa-Família é uma idéia liberal" por aí na internet.
    Não sei se só pra ganhar a simpatia dos amiguinhos esquerdistas e derrubar o mito de que "liberais não se importam com os pobres" levantando uma placa "olha, eu me importo com os pobres", ou se eles genuinamente acreditam nas *premissas* e, em algumas circunstâncias, no *método* do welfare state.

    Conservadores são contra tais programas em princípios. Até porque não pensam em termos de custos financeiros (de fato, assistência a pobres é "barato" para o tamanho do orçamento de governos, ao menos diretamente, e não impede consideravelmente alto grau de liberdade econômica) ou de indicadores utilitários (quantas pessoas em um censo estão abaixo de uma linha de pobreza, por exemplo).
    É uma série de valores conservadores que os tornam contra algo como o welfare state e os faz pensar em termos de subsidiariedade, caridade, família, tradição, etc.
  • Emerson Luis  08/04/2015 14:32

    "Se tais pessoas saindo da pobreza escutam funk, usam drogas pesadas, são promíscuas, são mães solteiras, pais ausentes, etc, isto pouco importa para o liberal em princípio. Afinal, injetar heroína e fazer um filho numa orgia não agride a propriedade de ninguém."

    O problema é que os "progressistas" estimulam esses comportamentos autodestrutivos e depois querem socializar os prejuízos. Defendem uma liberdade irresponsável.

    Na hora de tomar decisões, "Eu faço o que quero, não é da sua conta, ninguém tem nada a ver com isso"; na hora de arcar com as consequências, "Você tem que ajudar, eu sou vítima da sociedade".

    Os liberais defendem uma liberdade responsável e os conservadores defendem a responsabilidade pessoal. Existe uma forte convergência entre ambos (e divergência com o esquerdismo) neste ponto.

    * * *
  • anônimo  08/04/2015 19:45
    'Vide também o entusiasmo com que alguns liberais falam que "o Bolsa-Família é uma idéia liberal" por aí na internet. '
    Isso não é liberal, é um sem noção que se diz liberal sem saber do que ta falando.
  • Anderson  14/06/2015 23:18
    Eu me considero um conservador em incentivar valores conservadores para crianças e adolescentes (até uns 18 anos) nas escolas (algo completamente oposto ao que existe atualmente), mas também me considero um libertário/liberal (sei que não são a mesmo coisa), pois acho que depois de adultos as pessoas devem ser completamente independentes de um Estado conservador ou um Estado welfare.

    Sei que parece uma contradição, mas não é pois crianças e adultos são diferentes. Se dependesse apenas da educação de valores dos pais (e não também das escolas) o welfare state não teria crescido de tal maneira pelo mundo.
  • brokeBack  28/03/2016 21:29
    "a culpa é sempre dos outros e que o Estado (= outros) pagarão suas contas para sempre"

    Concordo com essa frase, mas é irônico isso ter vindo de um conservador já que esses estão sempre culpando o governo por tudo.
  • Vagner  24/03/2015 18:08
    Cingapura - 1 peso estatal para 300 pesos privados - Milagre estatista.


    Brasil - 300 pesos estatais para 1 peso privado - Desgraça privada.



    Esse é o pensamento orwelliano que invade a cabeça dos brasileiros.






  • Felipe  24/03/2015 18:52
    Excelente exemplo de como se constrói um país, obviamente a mentalidade esquerdista nunca vai aceitar.

    Lembro que meu professor, na faculdade, disse que Cingapura era rico por que servia de porto para toda a Ásia, portanto seu modelo não se aplicava ao Brasil.

    Por fim, acho positivo a forte repressão aos pequenos delitos, como pichação. Aqui no Brasil aceitamos de mãos atadas esses pequenos delitos, e se pedimos mais repressão a esses delinquentes somos taxado de facistas.
  • anônimo  24/03/2015 23:04
    "Por fim, acho positivo a forte repressão aos pequenos delitos, como pichação. Aqui no Brasil aceitamos de mãos atadas esses pequenos delitos, e se pedimos mais repressão a esses delinquentes somos taxado de facistas."

    Também concordo.

    Acho lamentável como os pichadores e grafiteiros estragaram o visual das cidades. Teve até diretor de cinema (David Lynch, se não me engano) que afirmou que essa gente arruinou o visual do mundo. Eu concordo com ele.
  • Rennan Alves  25/03/2015 04:57
    Eu espero, sinceramente, que você esteja se referindo às pichações não requisitadas.
  • Diogo  24/03/2015 18:59
    Ótimo artigo, porém fiquei um pouco confuso quanto à manutenção do cambio por taxas fixas e um certo controle dele em relação às moedas internacionais.

    Isso nao seria uma forma de intervenção do governo na economia?

    Nao sei se é uma dúvida simples ou não, ficaria grato se me esclarecessem.
  • Ricardo  24/03/2015 19:10
    Explicado em detalhes aqui:

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=364
  • Marcelo  24/03/2015 19:29
    Ótimo texto.
  • Henrique  24/03/2015 21:42
    Aliás, o artigo infelizmente não mencionou como a desigualdade de renda é uma das maiores do mundo, como crítica às políticas adotadas.

    Abraços
  • Meirelles  25/03/2015 00:47
    Vamos pegar esse Henrique como cobaia.

    Sempre que você vir ou ouvir uma pessoa parolando sobre desigualdade, faça a si mesmo a seguinte pergunta: será que ela está genuinamente preocupada com os pobres ou está apenas indignada com os ricos?

    Eis uma maneira de descobrir a diferença: sempre que alguém reclamar sobre a desigualdade de renda, pergunte a ela se aceitaria que os ricos ficassem ainda mais ricos se isso, no entanto, significasse condições de vida melhores para os mais pobres.

    Se a resposta for "não", então ela está admitindo que está importunada apenas com o que os ricos têm, e não com o que os pobres não têm. Já se a resposta for "sim", então a tal desigualdade de renda é irrelevante. Em outras palavras, a preocupação deveria ser com a pobreza absoluta, e não com a pobreza relativa.

    Em quase todas as discussões sobre desigualdade de renda, há uma básica dinâmica emocional atuando. Uma pessoa descobre que possui menos do que a outra, e passa ter a inveja. Já outra descobre que tem mais do que o resto, e passa se sentir culpada. Inveja, culpa e indignação. São realmente essas emoções primitivas que deveriam conduzir as políticas públicas?

    Toda essa ideia de igualdade econômica não representa nenhuma genuína forma de compaixão. Quando é somente uma ideia, é fraca. Quando se torna política pública, torna-se um desastre em larga escala.

    Pessoas obcecadas com igualdade econômica -- ou, para empregar um termo mais clínico, com o igualitarismo -- tendem a fazer coisas estranhas. Elas se tornam invejosas. Elas passam a cobiçar o que é dos outros. Elas dividem a sociedade em dois grupos: vilões e vítimas. Elas gastam mais tempo e energia tentando derrubar e destruir uma pessoa bem sucedida do que se esforçando para se aprimorar, para se tornar uma pessoa melhor e, com isso, subir na vida.

    São pessoas ressentidas e rancorosas, e não é nada divertido estar perto delas. Quando tais pessoas eventualmente conseguem chegar ao poder, os estragos que elas fazem podem ser irreversíveis. Elas não mais apenas chamam a polícia; elas passam a ser a polícia.

    É no mínimo um ignorante aquele que acredita que diferenças na propriedade de ativos significam uma igual diferença no padrão de vida. Por exemplo, a riqueza de Bill Gates de ser 100.000 vezes maior do que a minha. Mas será que ele ingere 100.000 vezes mais calorias, proteínas, carboidratos e gordura saturada do que eu? Será que as refeições dele são 100.000 vezes mais saborosas que as minhas? Será que seus filhos são 100.000 vezes mais cultos que os meus? Será que ele pode viajar para a Europa ou para a Ásia 100.000 vezes mais rápido ou mais seguro? Será que ele pode viver 100.000 vezes mais do que eu?

    Isso aí, Henrique. É o único gemido que lhe resta. Mostre bem sua perfídia. Você é do tipo que prefere os pobres mais pobres desde que os ricos também empobreçam. Certo?

    Em vez de culpar a desigualdade, pense em criar mais riqueza
  • Leandro90  25/03/2015 09:22
    Ainda tem gente que achaque imposto sobre grandes fortunas é essencial para erradicar a pobreza.......PQP!!!
  • Jarzembowski  25/03/2015 11:11
    Excelente, Meirelles!
  • Adelson Paulo  25/03/2015 11:50
    Infelizmente esta questão da desigualdade não é racional. Alguns anos atrás li uma reportagem na grande imprensa (não procurei a fonte original) sobre um estudo científico com primatas. Quando se colocava um grupo de macacos em uma sala com uvas, adoradas pelos animais, eles comiam sem problemas, dividiam a comida entre eles. Quando se colocava pepinos como alimento, menos preferido, também não havia problemas. Mas quando se dividia o grupo em dois, fornecendo uvas para uma metade e pepino para a outra metade, eles brigavam ferozmente entre si pelas uvas.

  • Felipe  25/03/2015 12:33
    Muito bom.
  • Ed  25/03/2015 14:26
    Outra coisa que o pessoal que gosta de igualdade se esquece é que riqueza não é algo permanente. É preciso trabalho duro para mantê-la e fazê-la crescer. Prova disso são as famílias que, quando perdem seu principal negócio, empobrecem, e aquelas onde os filhos ou netos assumem e destróem o negócio que o patriarca fundou, tornando pobres a todos. Exemplos existem aos milhares no mundo.

    Acho que esse pessoal está provando dessa amarga realidade em certas estatais e fundos de pensão que não vou nem citar os nomes aqui. Coloca-se uns pelegos que mal sabem administrar suas próprias finanças pessoais no comando e vê-se o resultado.
  • bruno  25/03/2015 14:32
    Sensacional Meirelles.
  • Tio Patinhas  25/03/2015 13:25
    Muitos países da África possuem baixa desigualdade de renda, vc preferiria morar nesses países ou em Singapura?
  • bruno  25/03/2015 14:40
    Realmente, Tio Patinhas... Faltou falar da nossa famosa Latina, Cuba.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  24/03/2015 21:53
    Já está demonstrado que conservadorismo anda de mãos dadas com o socialismo. Os socialistas pensaram que seu sistema era o último e mais aperfeiçoado da humanidade, depois desta ter passado pelo feudalismo e capitalismo. Nada mais longe da verdade! O socialismo só gerou desgraça e atraso onde foi implantado e mostrou-se inferior até mesmo quando comparado com o sistema feudal.
  • Marcos  25/03/2015 01:54
    Demonstrado por quem? Você não leu nada do texto?

    Conservadores sempre foram inimigos dos socialistas, algumas vezes até mais do que os liberais.

    Afinal, nunca vi um conservador indo a marcha da maconha de mãos dadas com um cara que quer distribuir seringas e tratamentos pagos pelos cidadãos que não usam drogas.
  • IRCR  24/03/2015 23:37
    A diferença das para-estatais de Singapura para as para-estatais do Brasil, está na ideologia por trás.
    Lembro-me que um tempo atras uma mulher lá do governo ou da Petrobras, disse que a empresa não focava no lucro dos acionistas mas sim no SOCIAL, já em Singapura as empresas mesmo que parcialmente estatais elas focam no pecaminoso LUCRO.
    Assim, quem diz que uma empresa deve focar no social está dizendo que a conta do prejuízo deve ser jogada nos pagadores de impostos.
    Quero saber se em Singapura tem alguma para-estatal que opera no vermelho e recebe capital do governo proveniente dos pagadores de impostos.
  • brunod  25/03/2015 12:21
    "Enquanto a maioria dos países do Terceiro Mundo denunciava a exploração das multinacionais ocidentais, nós as convidamos todas para ir a Cingapura."

    melhor parte

    toda pessoa brilhante é brilhante nos quotes,

  • anônimo  25/03/2015 12:31
    'Currency Board é o sistema que se utiliza quando se quer adotar uma genuína "âncora cambial", o que faz com que a moeda de um país se torne um mero substituto de uma moeda estrangeira. Neste sistema, a moeda nacional é totalmente atrelada a uma moeda estrangeira '

    E se o país que emite a moeda estrangeira ferrar com o dinheiro dele? É fácil pular pra outra?
  • Lopes  25/03/2015 14:57
    Daí a importância de uma boa âncora cambial e da precaução. Daí também a utilidade de adotar uma cesta de moedas em detrimento de uma só moeda sofrendo risco de instabilidade. Para mudar para outra, seria imprescindível ter o suficiente dela em reserva para converter a base monetária (correto?).
  • Leandro  25/03/2015 16:42
    Uma moeda até então sólida, que foi adotada como âncora, não é destruída instantaneamente. Sendo assim, sempre é possível utilizar todas as reservas existentes para comprar outra moeda mais forte, trocando-se assim a âncora. A operação não leva mais do que uma hora.

    O próprio dólar de Cingapura nasceu atrelado à libra esterlina, e depois migrou para o dólar americano, e hoje se baseia em uma cesta de moedas.
  • Jarzembowski  25/03/2015 17:02
    Leandro, aproveitando o assunto mais ou menos relacionado,
    eu não consigo entender porque vender reservas internacionais ajuda a valorizar o câmbio.
    Você pode me dar uma breve indicação de como compreender esse mecanismo?

  • Leandro  25/03/2015 17:35
    Mas não ajuda mesmo, não. Ajuda a estabilizar, e mesmo assim só temporariamente.

    A venda de reservas só poderia apreciar continuamente o câmbio se for feita em simultâneo a outras políticas, como a atração contínua de investimentos estrangeiros (os investidores estrangeiros têm de ter a segurança jurídica para investir no país) e um comprometimento explícito do governo de que seu objetivo é ter uma moeda forte.

    Pode parecer um exagero, mas ter uma moeda forte é muito simples: basta o governo dizer que, de agora em diante, seu objetivo é ter uma moeda forte (e realmente agir de acordo). Se o governo disser que quer uma moeda forte (e realmente agir de acordo), o mercado aquiescerá. Se disser que quer uma moeda fraca (e realmente agir de acordo), idem.

    Foi assim com o dólar durante os anos Reagan e Clinton (ambos os governos sempre foram explícitos em sua intenção de ter uma moeda forte). Foi assim durante o governo Bush (que deixou claro que o objetivo era um dólar fraco para diminuir as importações da China). Está sendo assim durante o segundo mandato de Obama, que felizmente parou com essa retórica anti-China e cujo Secretário do Tesouro disse que ter um dólar forte é bom para a economia.

    Foi assim com a Alemanha pós-1948, com a Suíça de sempre, e com Cingapura pós-1981. Foi assim com o Japão da década de 1980 e 90, cujo governo foi explícito em seu acordo com os EUA de que preferiria uma valorização do iene à imposição de tarifas de importação por parte dos EUA (cujo mercado estava sendo inundado de produtos japoneses).

    Foi assim também com o Brasil de julho de 1994 a março de 1995, único período em que todos os membros do governo diziam, em uníssono, que queriam uma moeda forte. Vale dizer que, nesse período, o câmbio era flutuante (ver terceiro gráfico), e o real se apreciou em relação ao dólar. Aí, em março de 1995, com o aumento das importações de automóveis e o subsequente lobby da ANFAVEA, o governo elevou as tarifas de importação de 20 para 70%, e passou a dizer que o real estava "sobrevalorizado" -- uma impossibilidade em um regime de câmbio flutuante. No dia seguinte o real começou a se desvalorizar, e o governo adotou o regime de câmbio controlado, que consistia em microdesvalorizações diárias e controladas.

    Da mesma maneira, no segundo semestre de 2011, o senhor Mantega veio a público falar que o mundo estava fazendo uma "guerra cambial" e que o Brasil era "vítima". Ato contínuo, ele tascou um IOF altíssimo nas transações cambiais. O que o mercado fez? Aquiesceu. "Esse governo quer moeda fraca? Moeda fraca é o que ele terá". O resto é história: o dólar foi de R$ 1,54 para os R$ 3,15 atuais. E, para piorar (para nós), a atual equipe econômica segue sendo explícita em seu desejo de um "dólar mais caro".

    O mercado está apenas atendendo aos desejos.

    Em suma, cada governo tem a moeda que ele realmente quer.

    "Ah, mas se é tão simples assim, por que os governos não fazem isso?", pergunta você.

    Simples. Porque o lobby do setor exportador e os sindicatos das indústrias que seriam afetadas pelas maiores importações -- como automotiva, siderúrgica, mineradora etc -- fariam barulho, acabariam com as contribuições de campanha, e vários políticos perderiam o apoio deles.

    É assim que funciona aqui.

    A moeda forte tem poderosos inimigos nos grupos de interesse e nos lobbistas.
  • Marcos  26/03/2015 12:59
    Sempre o lobby da indústria automobilística...
  • anônimo  25/03/2015 13:53
    Hong Kong, Cingapura, Nova Zelândia, aonde fica a teoria de que o Estado mínimo sempre leva ao Estado máximo?
  • anônimo  25/03/2015 19:01
    Vamos ter que esperar uns cem anos pra ver
  • brunod  25/03/2015 18:19
    Senhores,

    Virei Kuan Lee desde criancinha,

    Pelos motivos "negativos":

    "das consequências dessa mentalidade é que Cingapura é hoje um estado que pratica a tortura de presos, que limita a liberdade de expressão e de imprensa, que mantém um serviço militar obrigatório e que proíbe as relações homossexuais. "

    Passaria por isso numa boa, melhor ter todos esses "problemas" do que morar num país que desde criancinha só escuto dizer que é o país de futuro e a melhor saída do brasil é sempre o aeroporto.

    Eu não sou muito fã de chicletes mesmo...

    Valeu mestre Lee, ganhou minha homenagem e meu respeito,

    Gostaria de ler mais sobre o assunto.

    Att

  • Vicko  26/03/2015 16:23
    Para mim, modelo ideal. dar liberdade para os socialistas fazerem a cabeça do povo, e toda essa liberdade economica e qualidade de vida serem jogadas no lixo?
  • joao  27/03/2015 11:53
    Opa Leandro, poderia me explicar algo?

    E quanto a deflação que pode ocorrer no CB, o que fazer a respeito? Se não me engano, ao longo da década de 90, Hong Kong vivenciou um período ruim deflacionário por conta de sua estabilidade cambial
  • Leandro  27/03/2015 14:00
    "E quanto a deflação que pode ocorrer no CB, o que fazer a respeito?"

    Nada. O CB opera no piloto automático. Havendo deflação da base monetária -- evento raro --, os juros do interbancário subirão, o que atrairá capital externo atrás dessa rentabilidade. Consequentemente, a base monetária voltará a subir.

    "Se não me engano, ao longo da década de 90, Hong Kong vivenciou um período ruim deflacionário por conta de sua estabilidade cambial"

    A autoridade monetária de Hong Kong (que não é um CB ortodoxo) cometeu um erro crasso: em vez de deixarem os juros subir, eles intervieram no mercado interbancário para tentar fornecer liquidez. Obviamente, isso acelerou ainda mais os ataques especulativos, pois os especuladores perceberam que tais intervenções lhes dariam um belo dinheiro fácil.

    Não há ataques especulativos em um CB ortodoxo, pois os especuladores não ganhariam absolutamente nada (o que você ganha ao trocar duas cédulas de R$ 10 por uma de R$ 20?). Por outro lado, quando especuladores percebem que um CB não é ortodoxo e que a autoridade monetária irá intervir, impedindo alterações na base monetária, injetando dinheiro no interbancário e consequentemente desvirtuando os juros do interbancário, aí sim eles fazem a festa.

    Nenhum CB ortodoxo jamais sofreu contração (prolongada) da base monetária. Só há distorções quando o governo, insatisfeito com uma determinada situação, resolve intervir.

    Recomendo esta monografia:

    krieger.jhu.edu/iae/economics/The%20Hong%20Kong%20Working%20Paper%20Final.pdf
  • Diego M  27/03/2015 17:29
    Leandro,

    Gosto muito quando há artigos como esse que mostra o que foi feito em países que conseguiram crescer utilizando da liberdade econômica, como os dois artigos sobre Hong Kong. Acho que Singapura poderia ser mais explorada.

    Outro país que acho que o site está devendo é sobre a trajetória da Suécia.

    É uma dica.

    Abraços.
  • Carlos garcia  19/07/2015 01:32
    Singapura é o exemplo que uma ditadura de direita funciona.

    Faltou colocar no texto que em Singapura não existem sindicatos e que o "Lulinha" deles ficou mais de 30 anos preso e agora vende bala nos sinaleiros!

  • Stênio Garcia  21/07/2015 04:22
    Ditaduras, tanto de esquerda quanto de direita, não funcionam, justamente porque são... ditaduras. Ou seja, ditaduras são regimes em que o estado restringe enormemente as relações voluntárias entre os indivíduos, sendo que são dessas mesmas relações que a riqueza se origina. Por isso mesmo, quanto mais autoritário o estado, mais miserável ele é. E isso é um fato muito simples de ser observado, basta comparar a Alemanha Oriental com a Alemanha Ocidental, Coréia do Norte com Coréia do Sul, Cuba com Estados Unidos etc.

    O que ocorre com Singapura (e Chile até certa época) é que, por mais autoritário que esse país possa parecer a nossos olhos, fato é que nele se goza de considerável liberdade comparativa. O problema é que nossas democracias também são uma grande porcaria e são incrementalmente autoritárias, tão autoritárias a ponto de serem menos livres do que uma ditadura (em termos) como Singapura.

    Em suma, a resposta não é uma ditadura aristocrática ou militar e nem uma ditadura da maioria (guiada por uma minoria). A resposta é a liberdade. Sempre foi e sempre será. O resto é conversa pra boi dormir.
  • anônimo  22/07/2015 13:35
    'Singapura é o exemplo que uma ditadura de direita funciona. '
    Não, não é.Temos que esperar algumas décadas pra ver no que isso vai dar.Um governo mínimo 'de direita' num país rico tem os incentivos e os meios pra se tornar máximo com o tempo.
  • corsario90  21/07/2015 18:14
    Leandro, impressionante como as pessoas ao meu redor acreditam que o aumento de preço é que provoca a inflação. Não acreditam que a a expansão monetária e uma moeda fraca são grandes causadores desse tumilto brasileiro.
    Como as pessoas ainda não conhece o instrumento de Currency Board. Aproveito e venho agradecer o CB da Jamaica que vc me enviou.
    Valeu pela ajuda e pela paciência pelas perguntas que as vezes são óbvias.
  • Homer  27/10/2015 01:29
    Eu tive a oportunidade de conhecer Singapura, e de fato é um exemplo de país que em poucos anos saiu da miséria. Se por um lado é bastante liberal alguns ideias mais conservadoras pra mim fazem sentido como foi dito:
    "Na cultura americana, o interesse do indivíduo vem em primeiro lugar. Isso transforma os EUA em uma sociedade agressivamente competitiva. Em Cingapura, o interesse da sociedade vem antes do indivíduo. Mas, ainda assim, Cingapura tem de ser competitiva no mercado de trabalho, e no de bens e serviços."
    Apesar das baixas taxas e impostos e pouca intervenção do governo na economia ainda existe um planejamento básico do país, que funciona. Os sistemas de transportes conhecido como MRT é muito eficiente, ter uma um carro em Singapura é apenas para mais afortunados(para evitar trânsito caótico), eles custam até 3x 4x mais que aqui no Brasil pela carga tributária(algo como 80% do valor do carro), o que provavelmente assusta os liberais de plantão. Existe um certo controle sobre a especulação imobiliária pelo fato do país ser muito pequeno, algo como tamanho da cidade do Rio de Janeiro. Ainda assim na prática ter carro e casa própria é muito difícil para maioria(o que engana sobre a qeustão do PIB per capita). O país funciona como um grande porto e centro financeiro, o único porto que é muito eficiente movimenta algo como 4x mais que todos os portos Brasileiros. Eu acredito que apesar de alguns exageros e absurdos existe sim liberdade, desde que você respeite as leis. Apesar de muito pequeno o governo garante sua autonomia como foi explicado, desde setores como água e luz, até questões militares, afinal já foi muita vezes ameaçado pela Malásia e antes de ser independente.
  • Gustavo  09/11/2015 15:37
    "Cingapura provou que a liberdade econômica gerava um aumento formidável na prosperidade e na riqueza. Por que, então, não podemos optar por ambas as manifestações de liberdade individual? Esse é o programa ideológico dos libertários."

    Bem, podemos optar por ambas mas é muito difícil, afinal se temos liberdades individuais e uma democracia funcionando é preciso que o povo escolha esse projeto liberal. É muito difícil que um projeto como esse de Singapura viesse a ser desenvolvido em um ambiente democrático. Mudanças de governo e de rumos teriam sido feitas no meio do caminho, o que levaria à um retardo nesse objetivo. E se esse viesse a ser alcançado seria por uma visão da população e não de um líder ou grupo limitado.

    Isso está ligado a cultura do país. Por exemplo, é inimaginável pensar a França como um país de economia liberal. Isto é tudo o que os franceses não querem. Da mesma forma, também é difícil de imaginar que os americanos queiram um estado que se intromete em seus assuntos.

    E o Brasil? Qual modelo que o povo brasileiro vai abraçar? Pelo que vejo até agora preferimos o modelo do estado provedor, intervencionista.
  • Anonimo  04/02/2016 04:25
    Leandro, por favor, se puder comentar e dar sua opinião à respeito do texto à seguir, agradeceria.

    " Cingapura: uma aula de keynesianismo -
    Todos conhecemos um embuste chamado "Index of Economic Freedom", também chamado "Índice de Liberdade Econômica", mantido por uma organização conservadora de nome Heritage Foundation.
    Esse ranking é utilizado pelos seguidores do liberalismo econômico (em especial sua vertente conhecida como escola austríaca) como se fosse um "índice de adoção ao liberalismo", mas provaremos nesse texto que o 2º colocado (Cingapura) segue as políticas defendidas pela escola keynesiana (principal rival da liberal, a qual eu e o Ciro seguimos), ignorando todo o ideário liberal, o que mostra a inutilidade do índice para sustentar argumentações liberalóides.
    Nesse texto, ignoraremos a questão da organização conservadora desprezar completamente as liberdades individuais e, portanto, não dever ser utilizada como parâmetro para quem se diz liberal (termo que também deveria estar atrelado às liberades individuais, mas no Brasil é utilizado por conservadores extremistas).
    Em primeiro lugar, vamos explicar de forma simples e resumida o que as duas escolas defendem.
    Liberais: Defendem que o Estado não deve interferir na economia do país, deixando a iniciativa privada atuar livremente. A maioria acredita que função do Estado deve se limitar à regulação e sistema judiciário para garantir a obediência dessa regulação e o cumprimento dos contratos. Os mais extremistas defendem que o Estado sequer devia existir (anarcocapitalistas, seguidores de Rothbard), enquanto os mais suaves toleram que o Estado tenha alguma política social (limitada a distribuir uma pequena quantia de dinheiro para a população, algo do tipo bolsa-família, caso dos seguidores de Friedman). Defendem que todas as empresas e serviços devem estar na mão da iniciativa privada, inclusive defendendo que o governo não deve interferir no comportamento do Banco Central e deixar o controle da emissão de moeda na mão da iniciativa privada (mesmo Friedman defendia o fim do FED americano).
    Keynesianos: Defendem que o Estado é um agente indispensável no controle da economia e deve ter como objetivo regulá-la, alcançar o pleno emprego (taxa de desemprego suficientemente pequena de tal forma que aqueles que desejam trabalhar tenham como conseguir trabalho), atuar em setores que não são interesse da iniciativa privada mas que são importantes para o desenvolvimento econômico, estimular investimentos em determinadas áreas da economia enquanto desestimula outras (seja com participação estatal em empreendimentos ou não) e conceder benefícios sociais que garantam um padrão mínimo de vida (como por exemplo seguro-desemprego, jornada de trabalho limitada, assistência médica e educação gratuita). Considera o controle de emissão de moeda via Banco Central uma ferramenta essencial para que o Estado consiga administrar os ciclos de alta e baixa da atividade econômica.
    Cingapura é uma Cidade Estado asiática, que se tornou independente em 1965. Até 1971, porém, sua política monetária estve atrelada à Malásia, tendo seu BC completamente independente só a partir de 1971.
    A atuação de seu Banco Central (MAS - Money Authority of Singapore) desde sua criação é bastante intensa. Até 1981, seu câmbio utilizou âncora cambial. Inicialmente, atrelou seu câmbio à libra esterlina (fixou o valor relativo a ela), alterando essa referência para o dólar americano em 1972. Em 1973, deixou seu dólar valorizar controladamente para combater a inflação. Em 1974 impôs tetos de crédito para bancos e companhias financeiras, além de mais rigor na concessão de crédito para combater a inflação que veio como consequência do choque do petróleo. Depois de controlá-la no mesmo ano, retirou as restrições dos bancos e apreciou moderadamente a moeda (novamente de forma controlada). Na segunda metade da década de 70 controlou a liquidez do sistema bancário monitorando a base monetária, taxas de juros, expansão do crédito e taxa de conversão para uma cesta de moedas do interesse da autoridade monetária, atuando principalmente no câmbio em relação à cesta de moedas até 1981.
    A partir de 1981, passou a focar no controle do câmbio, utilizando uma política de bandas cambiais, deixando o dólar de Cingapura flutuar dentro de faixas predeterminadas pelo MAS em relação à cesta de moedas, com revisões periódicas tanto do valor central quanto das bandas, abrindo mão do controle da taxa de juros. Essa política permanece até os dias de hoje.
    Fontes sobre o MAS, BC de Cingapura:
    www.mas.gov.sg/…/Singapores%20Exchange%20Ratebased%2…
    www.mas.gov.sg/…/Economic%20St…/2000/MASOP018_ed.ashx
    www.mas.gov.sg/…/Monetary-Policy-Statement-14Oct15.a…
    Nas grandes empresas do país, o governo de Cingapura intervém sistematicamente. E ao intervir, não digo apenas na regulação, ele força determinados empreendimentos a ter participação estatal e é acionista de praticamente todas as grandes empresas do país.
    Cingapura possuía um PIB de 307 bilhões de dólares em 2014 e, nesse mesmo ano, seus dois fundos soberanos (Temasek Holdings e GIC - Government of Singapore Investment Corporation Private Limited) foram avaliados em 530 bilhões de dólares. Isso significa que o Estado de Cingapura possui 1,7x mais riquezas que toda a riqueza produzida em um ano de sua cidade-estado somada. Se isso não é um Estado gigante, nenhum Estado do mundo é gigante.
    Não satisfeito com isso, o governo de Singapura possui participação relevante NA MAIORIA as 10 maiores empresas do país, que pode ser conferida na lista da Forbes:
    1 - DBS, Temasek é o 4º maior acionsta.
    2 - Singtel, Temasek é o maior acionista.
    3 - Oversea-Chinese Banking, Singapore Investments Pte Ltd (GIC) é o 7º maior acionista.
    4 - Wilmar International, não possui participação relevante do Estado
    5 - Keppel Corp, Temasek é a maior acionista.
    6 - CapitaLand, Singapore Technologies é o maior acionista, sendo que o maior acionista do Sigapore Technologies é o Temasek
    7 - Singapore Airlines, Temasek é o maior acionista
    8 - SembCorp Industries, Temasek é o maior acionista
    9 - Flextronics International, não possui participação relevante do Estado
    10 - Global Logistic Properties, não possui participação relevante do Estado
    Não satisfeito de incentivar ou desincentivar os investimentos da iniciativa privada como prega o keynesianismo, o governo singapurense participa EFETIVAMENTE da administração de quase todos os grandes empreendimentos do país, por meio de seus fundos soberanos e suas empresas controladas.
    Fontes sobre o tamanho do Estado de Cingapura e a participação estatal nas empresas:
    www.singstat.gov.sg/…/b…/economy/time_series/gdp2.xls
    https://www.kpmg.com/…/Documen…/sovereign-weath-funds-v2.pdf
    www.economywatch.com/comp…/forbes-list/singapore.html
    www.temasek.com.sg/…/portfol…/majorportfoliocompanies
    www.gic.com.sg/about-gic/our-history
    Quanto aos serviços públicos a questão é ainda mais séria.
    Todas as crianças e adolescentes em Cingapura tem educação estatal gratuita e todas as escolas do país recebem investimento estatal. Isso mesmo, TODAS. Não há nenhuma que não recebe. O ministério da educação determina o currículo e os objetivos de todo sistema educacional do país.
    O Estado possui 4 universidades. QUATRO, em uma pequena cidade-estado: National University of Singapore, Nanyang Technological University, Singapore University of Technology and Design e Singapore Institute of Technology.
    E o sistema de saúde de Cingapura? Disponibiliza um sistema universal para toda a população, sendo que o sistema público é 80% do sistema de saúde. Ele não é completamente gratuito, mas as pessoas pagam DE ACORDO COM SUA RENDA e há um fundo para cobrir os gastos dos pobres.
    E as residências? Uma ilha tão pequena e rica deve rolar uma especulação imobiliária violenta, certo? ERRADO! 80% das residências são ESTATAIS, feitas pelo HDB - Housing and Development Board. Essas residências são ocupadas de acordo com critérios definidos pelo governo, sobrando apenas 20% para o livre-mercado.
    E o transporte? É dada grande ênfase ao transporte público e são colocadas taxações exorbitantes para encarecer e desestimular o uso de carros privados, além do governo disponibilizar um número limitado de permissões por mês para novos carros. Nada de livre-mercado no transporte também.
    Fontes sobre serviço público:
    www.ncee.org/…/singapore-system-and-school-organiza…/
    https://www.moh.gov.sg/…/moh_…/home/costs_and_financing.html
    www.hdb.gov.sg/cs/infoweb/homepage
    www.singstat.gov.sg/statistics/latest-data#20
    www.hdb.gov.sg/cs/infoweb/homepage
    www.livinginsingapore.org/how-to-buy-a-car-in-singa…/
    Sobre os impostos, em geral são baixos pois o Estado se financia de outras maneiras (principalmente pelas suas empresas) mas é utilizado imposto progressivo como manda o figurino keynesiano.
    Fontes de sobre impostos:
    https://www.iras.gov.sg/…/Working-Out-You…/Income-Tax-Rates/
    https://www.iras.gov.sg/…/Corporate-Tax-Rates--Corporate-I…/
    https://www.iras.gov.sg/…/Statistics-and-P…/Tax-Statistics/…
    Em Cingapura os direitos trabalhistas existem! A carga horária de trabalho é limitada a 44 horas semanais, com uma hora de almoço. Deve haver um dia de descanso remunerado no mínimo por semana. Existem 11 feriados nacionais pagos em que, caso haja trabalho, devem ser compensados pelo empregador. Você tem direito a até 14 dias de pagamento sem trabalho em caso de doença e até 60 em caso de hospitalização dependendo do tempo de casa. Você tem direito a férias remuneradas, que variam de 7 a 14 dias úteis por ano dependendo do tempo de casa. Seu empregador é obrigado a pagar a previdência pública obrigatória, chamada CPF. Você tem direito a 6 dias para cuidar de suas crianças, mas sem ser pago. 18 semanas de licença-maternidade... Faltam apenas 2 itens que alguns sentem falta para ser completo: Seguro-desemprego e salário mínimo.
    Fontes sobre direitos trabalhistas:
    www.mom.gov.sg/…/workright-brochure-for-employees.pdf
    www.mom.gov.sg/…/workr…/faqs-on-employment-rights.pdf
    www.mom.gov.sg/employment…/…/unpaid-infant-care-leave
    www.mom.gov.sg/…/materni…/eligibility-and-entitlement
    Em suma, quando um liberal vier com essa historinha de índice de liberdade econômica, apresente esse texto.
    O 2º colocado nesse índice tosco seguiu totalmente a escola keynesiana, pisou em tudo o que eles acreditam e mostra que se trata de uma clara tentativa de se apropriar do mérito alheio usando um ranking que não mede o que os liberais dizem medir: A diferença entre nós e eles. "


    link original: https://www.facebook.com/1627427697501995/photos/a.1628299554081476.1073741829.1627427697501995/1634731713438260/?type=3&theater
  • Rodrigo Amado  04/02/2016 18:48
    Sei que a pergunta é para o Leandro mas vou deixar meu pitaco:

    O autor desse texto IGNOROU SUMARIAMENTE todos os parâmetros de liberdade econômica existentes no site da heritage foundation, assim sendo não argumentou em NADA contra a metodologia deles.

    Em seguida ele fez Cherry Picking de alguns dados que indicam falta de liberdade econômica e só por isso chegou à fantasiosa conclusão de que lá há pouca liberdade econômica.

    O que ele deveria fazer:

    Argumentar contra CADA MÉTRICA usada pela heritage foundation.
    Propor suas próprias métricas.
    Criar um ranking global com as métricas que eles usaria para auferir liberdade econômica.
  • Leandro  04/02/2016 19:02
    Em primeiro lugar, a Temasek Holdings é um fundo de investimentos do governo cingapuriano. Só que toda a diretoria é formada por quadros puramente técnicos, e a única ordem dada à empresa é justamente ter lucros. A Temasek tem ações de uma empresa telefônica (existem 3 em Cingapura, que é uma cidade, além de 7 provedoras de internet) e da Singapore Airlines (55%).

    Nenhuma dessas duas empresas tem qualquer monopólio sobre nada. Também desconheço a existência de privilégios. E sua gerência é privada. E, até onde sei, têm fins lucrativos (como a própria Temasek Holdings).

    Se o governo brasileiro fizesse isso -- ou seja, em vez de gerenciar estatais, criasse um fundo de investimentos que aplicasse dinheiro em empresas e cobrasse retorno -- já seria um grande avanço.

    Quanto à educação, a educação em Cingapura não é estatal. Há escolas e universidades privadas e há escolas e universidades subsidiadas com impostos cobrados sobre cidadãos estrangeiros.

    É condenável? É. Mas é bem diferente de dizer que "a educação é estatal".

    Outra coisa: em Cingapura, o homeschooling é liberado. No Brasil, você vai pra cadeia se fizer isso.

    Mais ainda: em Cingapura, há um sistema meritocrático de seleção de professores, ao passo que, no Brasil, quem manda é o corporativismo dos sindicatos.


    Por fim, há o indispensável fator cultural: valores como responsabilidade individual, dedicação e valorização do crescimento intelectual são coisas muito presentes nas sociedades asiáticas - o que explica não apenas o sucesso dos sistemas educacionais desses países, mas também o fato de que asiáticos se saem melhor nos estudos mesmo após várias gerações vivendo nos EUA.

    www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/wp/2014/05/05/hard-work-really-is-the-reason-asian-kids-get-better-grades-study-finds/

    Quando o brasileiro começar a ter essas características, aí voltamos a conversar.

    Por último, surpreendi-me enormemente ao ver keynesianos defendendo -- igual eu sempre defendi -- o regime monetário de Cingapura, que tem simplesmente [link= www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=364]uma das moedas mais fortes do mundo. Lá em Cingapura, tolices keynesianas como "desvalorizar para exportar mais" simplesmente nunca tiveram vez.

    Querem realmente enveredar o debate por esse caminho?
  • anônimo  04/02/2016 19:29
    Cingapura exemplo de keynesianismo?

    -Moeda forte (inflação em -0,8%)
    -deficit fiscal em menos de 1%
    -Carga tributária em 15%
    -Considerado o país mais aberto do mundo, segundo o fórum econômico mundial
    -Não há salario mínimo
    -Considerado o país mais fácil para fazer negocio, segundo o doing bussiness


    Agora compare esses indicadores acima com o Brasil e diga quem é o país liberal e quem é o país keynesiano.


  • Gold Currency  17/08/2016 21:17
    E sobre as interferências no comércio de veículos visando encarece-los com a desculpa de controlar a poluição e o congestionamento? E também as restrições quanto a compra de imóveis como "a regra que proíbe a maioria dos cidadãos solteiros de Singapura de comprar um apartamento residencial público -- a menos que tenham pelo menos 35 anos de idade" ? Isso faz o governo cingapuriano bastante intrusivo nos direitos de propriedade e livre comércio dos cidadãos residentes no país, pelo menos nesse aspecto (no geral com certeza é bem menos do que o daqui).

    www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/4201984/esse-estilo-vida-singapura-ser-muito-rico-ainda-assim-morar
  • Marcos  17/08/2016 21:49
    Concordo plenamente. Por isso que o estado bom é o estado zero.

    Enquanto houver governo haverá políticos e burocratas. E enquanto existir essa escumalha a liberdade de ninguém estará a salvo.
  • anônimo  28/09/2016 01:28
    Como é o sistema de saúde de Cingapura? E a educação? São privados, estatais ou os dois? Transportes são públicos (gratuitos e de qualidade rsrs)? Foi realmente o governo (por meio da HDB - Housing and Development Board) quem construiu 80% dos imóveis? E programa de construção de casas para pessoas de baixa renda?
  • Eduardo R., Rio  05/03/2016 18:05
    "Como Cingapura venceu a corrupção", por Marcos Sawaya Jank.
  • Gold Currency  15/08/2016 16:56
    O que explica a dívida pública de Singapura estar em 104% do PIB, se o Estado é enxuto e tem uma política fiscal disciplinada?
  • Lee  15/08/2016 17:07
    Porque o país tem uma característica única no mundo: ele emite títulos para investir (é como se fossem debêntures), e não para manter sua folha de pagamento.

    Todos gastos correntes do governo são inteiramente financiados por impostos. A dívida líquida do governo é zero, e o país sempre teve um orçamento equilibrado.

    A dívida bruta do país é formada exclusivamente por essas debêntures que o governo emite.

    Pode conferir direto na fonte:

    https://www.gov.sg/factually/content/is-it-fiscally-sustainable-for-singapore-to-have-such-a-high-level-of-debt

    Ou então ver aqui:

    https://www.quora.com/Why-does-Singapore-have-such-high-public-debt
  • Fernando  06/12/2016 10:30
    Eu acabei de voltar de Cingapura. Passei 12 dias muito bons.

    O calor é extremante alto e úmido. Parece o clima de Manaus. A temperatura não ficou abaixo de 28 graus, mas sempre nublado.

    As ruas estão lotadas de Mercedez, Porsches, Jaguars, BMWs, Mazerattis, Ferraris, etc.

    A quantidade de shoppings e lojas é absurda. Parece que se todo mundo gastar todo o dinheiro do país, ainda vai sobrar coisas pra comprar. O país é um "mar" de lojas.

    Os prédios são inacreditáveis. Parece uma competição de quem faz o prédio mais alto e mais bonito.

    Também tem centenas de prédios construidos pelo governo. Não existe favelas em Cingapura, porque não tem como calcular o número de prédios que o governo construiu. Quase 80% da população aluga ou compra os imóveis do governo. O governo levantou um "mar" de prédios públicos.

    As ruas e calçadas são extremamente arborizadas. O país parece uma floresta cheia de prédios.

    As ruas são extremamente limpas e não faltam lixeiras do governo.

    Os pobres de Cingapura tem uma vida extremanente digna. Todos tem apartamento, transporte coletivo com ar-condicionado, escolas públicas muito boas, ruas limpas e arborizadas até nas periferias, segurança, comida muito barata, empregos, etc.

    Os supermercados são excelentes. Tem coisas do mundo inteiro com preços extremamente acessíveis.

    O choque de capitalismo é impressionante. O ar condicionado das lojas chegam a jorrar vento frio nas ruas.
  • Romulo Silva  06/12/2016 14:13
    Você é doido amigo? voltou de Singapure para este ocidente caótico? kkkk, abraço!
  • anônimo  03/01/2017 16:58
    Qual a opinião dos senhores sobre o texto abaixo? Foi divulgado na seguinte página: https://www.facebook.com/CPLBrasil/photos/a.111019786038479.1073741828.110806902726434/186763638464093/?type=3&theater

    "Singapura é uma cidade-estado asiática, que se tornou independente em 1965. Até 1971, porém, sua política monetária esteve fortemente atrelada à Malásia, tendo seu BC completamente independente só a partir de 1971.

    O governo de Singapura ocupa assentos nos Conselhos Estatutários que gerem os principais serviços e bens, quase todas as terras são propriedade do Estado e 85% das casas são fornecidas pelo Conselho da Habitação e Desenvolvimento Econômico.

    O Economic Development Board é o responsável por desenvolver parques industriais, incubar novas empresas e fornecer serviços de consultoria em negócios. E Singapura produz 35% mais produto manufaturado per capita do que a Coreia do Sul e 18% a mais que os EUA.

    Nos dados do Singapore Government's Department of Statistics, a participação das empresas públicas no PNB do país é 45% maior do que as não públicas, que ainda assim têm ligações com o governo. O setor público de Singapura é duas vezes maior que o da Coreia do Sul, e que também repleta de empresas estatais. Para fins de comparação, o setor público da Coreia do Sul é duas vezes maior do que o setor público da Argentina e quatro vezes maior que o das Filipinas em função de sua parcela na renda nacional- em termos de contribuição à produção nacional e três vezes em termos de contribuição ao investimento nacional.

    Nas grandes empresas do país, o governo de Singapura intervém sistematicamente. Ele regula e literalmente força vários empreendimentos a terem participação estatal e é acionista de praticamente todas as grandes empresas do país.

    Singapura possuía um PIB de 307 bilhões de dólares em 2014 e, nesse mesmo ano, seus dois fundos soberanos (Temasek Holdings e GIC - Government of Singapore Investment Corporation Private Limited) foram avaliados em 530 bilhões de dólares. Isso significa que o Estado de Singapura possui 1,7x mais riquezas que toda a riqueza produzida em um ano de sua cidade-estado somada. Ainda há liberais que ousam falar em "Estado Minímo".

    O governo de Singapura possui participação relevante em grande parte das 10 maiores empresas do país, que pode ser conferida na própria lista da Forbes. Exemplos desses são como DBS, que a Temasek é o 4º maior acionista; a Singtel, da qual a Temasek é o maior acionista; Oversea-Chinese Banking, Singapore Investments Pte Ltd (GIC) é o 7º maior acionista; a Keppel Corp, onde a Temasek é a maior acionista; CapitaLand, Singapore Technologies é o maior acionista, sendo que o maior acionista do Sigapore Technologies é o Temasek; Singapore Airlines, Temasek é o maior acionista; SembCorp Industries, Temasek é o maior acionista

    A economia de Singapura, é baseada totalmente no keynesianismo, ao incentivar ou desincentivar os investimentos da iniciativa privada, o que é visto também na participação quase total e efetiva da administração de quase todos os grandes empreendimentos do país, por meio de seus fundos soberanos e suas empresas controladas.

    A Temasek Holdings também detém o direito de controle em outros conjuntos de empreendimentos vitais para a economia do país, como citado anteriormente, chamados de Goverment-Linked Companies. Como citei anteriormente alguns, e agora falarei em números\porcentagens, possuem controle de ações na Singapore Power – área de eletricidade e combustíveis-, PSA International 67% da Netpune Orient Lines – indústria naval-, 60% da Chartered Smiconductor Manufacturing – semicondutores -, 56% da SingTel – telecomunicações -, 55% da SMRT serviços em ferrovias, ônibus e táxi-, 55% da Singapore Technologies Engineering e 51% da SembCorp Industries; 30% da SembCorp Marines e 30% do maior banco de Cingapura, o DBS. A Singapura Airlines é um gigante empreendimento estatal, 57% controlados pela Temasek, holding cujo único acionista é o ministro das finanças.

    Possuem também as gigantes estatais Agência de Ciência, Tecnologia e Pesquisa (A*STAR) do setor agroindustrial e agroalimentar; a Jurong Consultants que atua com projetos de planejamento urbano em todo o mundo, com gigantescos empreendimentos na China, Mongólia, Arábia Saudita, projetos no Brasil na grande São Paulo e BH, e em BSB, mais mil e setecentos projetos em 47 países e 150 cidades mundo afora.
    O governo de lá é EXTREMAMENTE totalitário, literalmente é crime para fazer coisas como ouvir música na rua, cuspir em espaço público, roubar wi fi, cantar, ser homossexual, alimentar pombos, andar por volta de sua casa pelado, e vender chiclete. O próprio líder dela por muito tempo, Lee Kuan Yew, diz:

    "Eu sou frequentemente acusado de interferir na vida privada dos cidadãos. Sim, se eu não tivesse feito isso, nós não estaríamos aqui hoje. E eu digo, sem o menor remorso, que não estaríamos aqui e nem teríamos feito progresso econômico se não tivéssemos intervido em todas as questões pessoais: quem é seu vizinho, como você vive, o barulho que você faz, como você cospe, ou que língua você usa. Nós decidimos o que está certo. Não importa o que os outros pensem" - Lee Kuan Yew (Straits Times, 1987)

    A própria plataforma de exportação de Singapura só foi montada por meio de ditaduras. Teve um controle enorme do Estado, onde eles tomavam cuidado para que os investimentos gigantes não voltassem para acionistas ou credores, mas para a cidade-estado em si.

    Singapura também tem previdência obrigatória, política industrial forte e intervencionista e governo sempre-presente. Classificar ela até como de liberdade econômica é delírio. Tanto é que o próprio Instituto Mises questiona esse tipo de coisa (vejam os links nas referências).

    A atuação de seu Banco Central (MAS - Money Authority of Singapore) desde sua criação é bastante intensa. Até 1981, seu câmbio utilizou âncora cambial. Inicialmente, atrelou seu câmbio à libra esterlina (fixou o valor relativo a ela), alterando essa referência para o dólar americano em 1972.

    Em 1973, ela deixou seu dólar valorizar controladamente para combater a inflação. Em 1974 impôs tetos de crédito para bancos e companhias financeiras, além de mais rigor na concessão de crédito para combater a inflação que veio como consequência do choque do petróleo.

    Depois de controlá-la no mesmo ano, retirou as restrições dos bancos e apreciou moderadamente a moeda (novamente de forma controlada). Na segunda metade da década de 70 controlou a liquidez do sistema bancário monitorando a base monetária, taxas de juros, expansão do crédito e taxa de conversão para uma cesta de moedas do interesse da autoridade monetária, atuando principalmente no câmbio em relação à cesta de moedas até 1981.

    A partir de 1981, passou a focar no controle do câmbio, utilizando uma política de bandas cambiais, deixando o dólar de Singapura flutuar dentro de faixas predeterminadas pelo MAS em relação à cesta de moedas, com revisões periódicas tanto do valor central quanto das bandas, abrindo mão do controle da taxa de juros. Essa política permanece até os dias de hoje.

    Na questão ser serviços públicos, as coisas também são grandes e radicais, ainda mais para um território pequeno. >Todas< as crianças e adolescentes em Singapura tem educação estatal gratuita e todas as escolas do país recebem investimento estatal. Não há nenhuma que não recebe. O ministério da educação determina o currículo e os objetivos de todo sistema educacional do país.

    O Estado possui 4 universidades: National University of Singapore, Nanyang Technological University, Singapore University of Technology and Design e Singapore Institute of Technology.

    Singapura tem um sistema universal para toda a população, e o sistema público é 80% do sistema de saúde. Ele não é gratuito, mas as pessoas pagam de acordo com a renda, e há um fundo para cobrir os gastos dos pobres.

    Além disso, 80% das residências são ESTATAIS, feitas pelo HDB - Housing and Development Board. Essas residências são ocupadas de acordo com critérios definidos pelo governo, sobrando apenas 20% para o livre-mercado.

    Também é dada grande ênfase ao transporte público e são colocadas taxações gigantes para encarecer e desestimular o uso de carros privados, além do governo disponibilizar um número limitado de permissões por mês para novos carros. Além disso, o imposto lá é progressivo - e altíssimo.
    Em questão de direitos trabalhistas, a carga horária de trabalho é limitada a 44 horas semanais, com uma hora de almoço. Deve haver um dia de descanso remunerado no mínimo por semana. Existem 11 feriados nacionais pagos em que, caso haja trabalho, devem ser compensados pelo empregador. Você tem direito a até 14 dias de pagamento sem trabalho em caso de doença e até 60 em caso de hospitalização dependendo do tempo de casa. Você tem direito a férias remuneradas, que variam de 7 a 14 dias úteis por ano dependendo do tempo de casa. Seu empregador é obrigado a pagar a previdência pública obrigatória, chamada CPF. Você tem direito a 6 dias para cuidar de suas crianças, mas sem ser pago. Há também 18 semanas de licença-maternidade. Há discussões para implantar seguro desemprego e salário mínimo.

    Fontes:

    blogs.wsj.com/briefly/2015/03/23/5-quotes-from-lee-kuan-yew/
    https://mises.org/library/failings-economic-freedom-index
    www.mas.gov.sg/~/media/MAS/Monetary%20Policy%20and%20Economics/Monetary%20Policy/MP%20Framework/Singapores%20Exchange%20Ratebased%20Monetary%20Policy.pdf
    www.mas.gov.sg/~/media/MAS/Monetary%20Policy%20and%20Economics/Education%20and%20Research/Research/Economic%20Staff%20Papers/2000/MASOP018_ed.ashx
    www.mas.gov.sg/News-and-Publications/Speeches-and-Monetary-Policy-Statements/Monetary-Policy-Statements/2015/Monetary-Policy-Statement-14Oct15.aspx
    adventurousmiriam.com/10-weird-laws-singapore-get-trouble/
    www.singapore-the-fine-city.com/2009/04/spits-anywhere-in-public.html
    www.singstat.gov.sg/…/b…/economy/time_series/gdp2.xls
    www.temasek.com.sg/portfolio/portfolio_highlights/majorportfoliocompanies
    https://home.kpmg.com/es/es/home/tendencias.html
    https://www.kpmg.com/…/Documen…/sovereign-weath-funds-v2.pdf
    www.economywatch.com/companies/forbes-list/singapore.html
    www.temasek.com.sg/portfolio/portfolio_highlights/majorportfoliocompanies
    www.gic.com.sg/about-gic/our-history
    ncee.org/what-we-do/center-on-international-education-benchmarking/top-performing-countries/singapore-overview/singapore-system-and-school-organization/
    https://www.moh.gov.sg/content/moh_web/home/costs_and_financing.html
    www.hdb.gov.sg/cs/infoweb/homepage
    www.singstat.gov.sg/statistics/latest-data#20
    www.livinginsingapore.org/how-to-buy-a-car-in-singapore/
    https://www.iras.gov.sg/irashome/Individuals/Locals/Working-Out-Your-Taxes/Income-Tax-Rates/
    https://www.iras.gov.sg/irashome/Businesses/Companies/Learning-the-basics-of-Corporate-Income-Tax/Corporate-Tax-Rates--Corporate-Income-Tax-Rebates--Tax-Exemption-Schemes-and-SME-Cash-Grant/
    https://www.iras.gov.sg/irashome/Publications/Statistics-and-Papers/Tax-Statistics/#NewBookmark
    www.mom.gov.sg/~/media/mom/documents/employment-practices/workright/workright-brochure-for-employees.pdf
    www.mom.gov.sg/~/media/mom/documents/employment-practices/workright/faqs-on-employment-rights.pdf
    www.mom.gov.sg/employment-practices/leave/unpaid-infant-care-leave
    www.mom.gov.sg/employment-practices/leave/maternity-leave/eligibility-and-entitlement"

  • Marcos  03/01/2017 17:57
    Já respondida 247 vezes nas seções de comentários deste site.

    Vou até copiar as perguntas e respostas sobre isso que vi ainda na semana passada.

    "1/4 das empresas negociadas na bolsa"

    O governo possui dois fundos de investimento: a Temasek Holdings (com míseros 380 funcionários), que compra ações de várias empresas asiáticas, e a Government Investment Corporation, que investe as reservas internacionais do país.

    Na Temasek Holdings -- que, como dito, é um fundo de investimentos do governo cingapuriano -- toda a diretoria é formada por quadros puramente técnicos, e a única ordem dada à empresa pelo governo é justamente ter lucros. A Temasek tem ações de uma empresa telefônica (existem 3 em Cingapura, que é uma cidade, além de 7 provedoras de internet) e da Singapore Airlines (55%).

    Nenhuma dessas duas empresas tem qualquer monopólio sobre nada. Também desconheço a existência de privilégios. E sua gerência é privada. E, até onde sei, têm fins lucrativos (como a própria Temasek Holdings).

    Isso, meu caro, está longe de ser planejamento central estatal.

    Aliás, se o governo brasileiro fizesse isso -- ou seja, em vez de gerenciar estatais, criasse um fundo de investimentos que aplicasse dinheiro em empresas e cobrasse retorno -- já seria um grande avanço.

    "o mercado imobiliario eh muito regulado e restrito"

    O que serve apenas para encarecer imóveis em um terreno exíguo. O cúmulo da insensatez é dizer que o país é rico e desenvolvido exatamente por causa disso e não apesar disso.

    "e grande parte dos imoveis e terrenos sao estatais"

    Na prática, em qualquer país do mundo (inclusive Brasil), imóveis e terrenos são estatais. Se você acha que não, experimente não pagar o IPTU do "seu" imóvel. O governo irá tomá-lo.

    Ou seja, na prática, seu apartamento pertence ao estado. Mas mediante o pagamento de um arrego (IPTU), o estado permite que você more nele.

    "Cingapura possui diversos programas sociais estatais."

    Programa social também é algo que todos os países possuem. Varia apenas a intensidade. Venezuela tem uma infinidade de programas sociais.

    "A educação é toda estatal"

    A educação em Cingapura não é toda estatal. Há escolas e universidades privadas e há escolas e universidades subsidiadas com impostos cobrados sobre cidadãos estrangeiros.

    É condenável? É. Mas é bem diferente de dizer que "a educação é estatal".

    Outra coisa: em Cingapura, o homeschooling é liberado.

    Mais ainda: há um sistema meritocrático de seleção de professores, ao passo que, no Brasil, quem manda é o corporativismo dos sindicatos.

    Por fim, há o indispensável fator cultural: valores como responsabilidade individual, dedicação d valorização do crescimento intelectual são coisas muito presentes nas sociedades asiáticas - o que explica não apenas o sucesso dos sistemas educacionais desses países, mas também o fato de que asiáticos se saem melhor nos estudos mesmo após várias gerações vivendo nos EUA

    www.washingtonpost.com/blogs/wonkblog/wp/2014/05/05/hard-work-really-is-the-reason-asian-kids-get-better-grades-study-finds/

    No mais, no Brasil a educação também é estatal do maternal ao pós-doutoramento. Por que não somos uma potência?


    Por último, devo confessar enorme surpresa com a defesa que eles fizeram do sistema cambial. A autoridade monetária de Cingapura persegue abertamente um câmbio valorizado, exatamente o contrário do que defende a esquerda intervencionista.

    Lá não há isso de desvalorizar a moeda para estimular as exportações. Ao contrário: adota-se um câmbio extremamente valorizado exatamente para baratear as importações.

    O Leandro Roque até fez um podcast exclusivamente sobre esse assunto, defendendo este arranjo para o Brasil.

    mises.org.br/FileUp.aspx?id=364


    A esquerda nunca esteve tão perdida quanto agora. Nem sequer um discurso minimamente coerente ela consegue apresentar.
  • Jango  03/01/2017 18:17
    Para a Esquerda, o sucesso de Singapura se deve em relação à tudo MENOS as reformas de Livre Mercado implementadas no século passado. Esquerdistas não conseguem olhar o mundo sem suas lentes ideológicas.

    Com exceção da economia desregulamentada e desburocratizada (e a carga tributária ser menos da metade), tudo o que foi descrito também existe no Brasil em uma intensidade muito maior, mas por razões "misteriosas" não funciona aqui.

    A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas
  • anônimo  03/01/2017 18:32
    E quanto a essas outras afirmações?

    "De nenhuma forma os marxistas se excitam com a economia de Singapura, que é na melhor das hipóteses uma mistura bizarra de keynesianismo com fascismo corporativista (aliás, o fascismo teve muita influência keynesiana na economia). Não, eu não tô exagerando ou usando "fascismo" de uma forma pejorativa igual a nova esquerda, literalmente é fascismo - o Lee Kuan Yew se dizia admirador do Oswald Mosley e do Mussolini, era fortemente nacionalista e adepto desse estilo de economia corporativista, e o partido dele tinha até exatamente o mesmo símbolo da Liga dos Fascistas Britânicos. Sem exagero nenhum. Então, a economia de Singapura está mais para a Alemanha Nazista e a Itália Fascista do que qualquer monarquia que você possa imaginar. Note que a descrição que você usou se encaixa perfeitamente nisso."

    "Nem todos os preços em Singapura são livres. Na verdade, há relativamente pouco tempo eles liberavam apenas os preços dos bens de consumo e de primeira necessidade. "

    "Sim, ele tratou bem o capital estrangeiro. O problema é que, tal como mostra um dos links, eles foram favorecidos á dedo. Ele literalmente escolheu quais eram os conglomerados externos que iriam explorar e deu essa mega vantagem pra eles. Isso é corporativismo. Inclusive, Mussolini chegou a fazer o mesmo."

  • Antônimo  03/01/2017 22:54
    O primeiro trecho é completamente inócuo.

    Não há fontes específicas para o segundo trecho. Cite-a, por favor. (Não quero aquela enxurrada de links; quero um link específico para tal trecho).

    O terceiro também carece de fontes, mas até que nem precisa. Os desesperados dizem que o "capital estrangeiro foi escolhido a dedo", o que, na prática, significa que o Lee Kuan Yew abriu as fronteiras para os estrangeiros ricos investirem ali, algo politicamente incorreto demais (onde já se viu isso, querer que os mais ricos invistam no país?).

    Eles ao menos foram espertos e não chegaram ao ponto de mentir dizendo que houve subsídios, empréstimos subsidiados ou qualquer coisa do gênero. Apenas disseram que foram "favorecidos a dedo", e deixou para você a tarefa de interpretar tudo errado.

    Fraquinhos demais.
  • anônimo  04/01/2017 02:44
    Quanto ao segundo trecho, acho que eles podem ter se baseado nisso:

    statutes.agc.gov.sg/aol/download/0/0/pdf/binaryFile/pdfFile.pdf?CompId:5d958289-8c17-4db6-b7f5-c66c9dcacb33
  • Felipe  04/01/2017 11:43
    Duh! Uma lei (asinina) de 1950, exatamente o que manteve o país na miséria, com um aspecto de favela. Hoje, é letra morta.

    Pesquisei no Google sobre controle de preços em Cingapura ("Singapore" "Price Controls"). Não encontrei absolutamente nada. Aliás, encontrei sim: em uma notícia de 2008, época em que os preços mundiais dos alimentos estavam disparando, o governo estava sendo criticado por se recusar a implantar um teto nos preços dos alimentos.

    Estava escrito lá, na declaração oficial dada à imprensa:

    "The Singapore government does not believe in subsidies or price controls, and that's the official stance"

    Que a esquerda minta não é novidade nenhuma. Novidade realmente é ver leitor deste site caindo na armadilha.

  • anônimo  04/01/2017 16:38
    Pesquisando um pouco mais, tomei conhecimento do Competition Act, medida promulgada em 2004 que visa "proteger os consumidores e as empresas de práticas anticompetitivas de entidades privadas". Basicamente se resume em três pontos principais:

    "Artigo 34.º - Acordos anticoncorrenciais"

    "Artigo 47.º - Proibição de abuso de posição dominante"

    "Artigo 54 - Fusões que diminuem substancialmente a concorrência"

    Não seriam medidas autoritárias e anti-mercado?

    https://www.ccs.gov.sg/legislation/key-prohibitions
  • anônimo  27/01/2017 04:56
    As "escolas e universidades subsidiadas com impostos cobrados sobre cidadãos estrangeiros" pertencem ao Estado? Ou são instituições privadas?
  • anônimo  27/01/2017 05:41
    Sobre as seguintes afirmações:

    "O Economic Development Board é o responsável por desenvolver parques industriais, incubar novas empresas e fornecer serviços de consultoria em negócios."

    Uma instituição estatal servindo como incubadora de empresas (apesar de comum em vários países), não seria avesso a um modelo econômico liberal?

    "Nos dados do Singapore Government's Department of Statistics, a participação das empresas públicas no PNB do país é 45% maior do que as não públicas, que ainda assim têm ligações com o governo. "

    Isso procede?

    "O setor público de Singapura é duas vezes maior que o da Coreia do Sul, e que também repleta de empresas estatais. Para fins de comparação, o setor público da Coreia do Sul é duas vezes maior do que o setor público da Argentina e quatro vezes maior que o das Filipinas em função de sua parcela na renda nacional- em termos de contribuição à produção nacional e três vezes em termos de contribuição ao investimento nacional."

    Considerando as empresas controladas pelos fundos soberanos?

    "Singapura possuía um PIB de 307 bilhões de dólares em 2014 e, nesse mesmo ano, seus dois fundos soberanos (Temasek Holdings e GIC - Government of Singapore Investment Corporation Private Limited) foram avaliados em 530 bilhões de dólares. Isso significa que o Estado de Singapura possui 1,7x mais riquezas que toda a riqueza produzida em um ano de sua cidade-estado somada."

    Qual a relevância desses fundos para a economia de Cingapura? Como se comparam aos demais fundos existentes no país e com os valores das empresas não controladas pelo governo?

    "O governo de Singapura possui participação relevante em grande parte das 10 maiores empresas do país, que pode ser conferida na própria lista da Forbes. Exemplos desses são como DBS, que a Temasek é o 4º maior acionista; a Singtel, da qual a Temasek é o maior acionista; Oversea-Chinese Banking, Singapore Investments Pte Ltd (GIC) é o 7º maior acionista; a Keppel Corp, onde a Temasek é a maior acionista; CapitaLand, Singapore Technologies é o maior acionista, sendo que o maior acionista do Sigapore Technologies é o Temasek; Singapore Airlines, Temasek é o maior acionista; SembCorp Industries, Temasek é o maior acionista "

    Isso significa que o governo controla boa parte das principais empresas do país. Não seria um modelo mais estatista?

    "A Temasek Holdings também detém o direito de controle em outros conjuntos de empreendimentos vitais para a economia do país, como citado anteriormente, chamados de Goverment-Linked Companies. Como citei anteriormente alguns, e agora falarei em números\porcentagens, possuem controle de ações na Singapore Power – área de eletricidade e combustíveis-, PSA International 67% da Netpune Orient Lines – indústria naval-, 60% da Chartered Smiconductor Manufacturing – semicondutores -, 56% da SingTel – telecomunicações -, 55% da SMRT serviços em ferrovias, ônibus e táxi-, 55% da Singapore Technologies Engineering e 51% da SembCorp Industries; 30% da SembCorp Marines e 30% do maior banco de Cingapura, o DBS. A Singapura Airlines é um gigante empreendimento estatal, 57% controlados pela Temasek, holding cujo único acionista é o ministro das finanças."

    Controlar setores-chave não seria uma característica de um modelo desenvolvimentista e interventor?

    "Possuem também as gigantes estatais Agência de Ciência, Tecnologia e Pesquisa (A*STAR) do setor agroindustrial e agroalimentar; a Jurong Consultants que atua com projetos de planejamento urbano em todo o mundo, com gigantescos empreendimentos na China, Mongólia, Arábia Saudita, projetos no Brasil na grande São Paulo e BH, e em BSB, mais mil e setecentos projetos em 47 países e 150 cidades mundo afora. "

    Não é surpresa, já que o governo cingapuriano controla o fornecimento de infra-estrutura do país.

    Aqui também afirma que a maior parte dos leitos hospitalares são públicos:

    https://www.singstat.gov.sg/docs/default-source/default-document-library/publications/publications_and_papers/reference/sif2016.pdf



Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.