Uma radiografia da destruição do real - ou: não há economia forte com uma moeda doente
por , sexta-feira, 20 de março de 2015

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tumblr_inline_n6chksRKHq1qf5q5x.jpgOs americanos estão rindo à toa.  E às nossas custas.  Tanto o café da manhã quanto o churrasco deles ficaram bem mais baratos.  Do pão ao café, passando pelo bacon e pela carne de boi, tudo barateou para eles

Quem foi o responsável por isso?  Nós brasileiros.  E, como consequência dessa nossa "gentileza", esses mesmos alimentos ficaram bem mais caros para nós.

Com o esfacelamento do real perante todas as moedas do mundo — e ainda mais intensamente perante o dólar —, a aquisição de milho, café, soja, açúcar, laranja e carne do Brasil ficou muito mais barata para os americanos e estrangeiros em geral. 

Consequentemente, os produtores brasileiros dessas commodities passaram a vendê-las em maior quantidade para o mercado externo, gerando uma diminuição da sua oferta no mercado interno e um aumento dos seus preços. 

Fartura para os estrangeiros, carestia para nós.

Os preços da carne bovina, por exemplo, que foram até motivo de debate na campanha eleitoral, seguem crescendo.  E, nesse caso, a desvalorização do câmbio tem um efeito duplo: de um lado, ela aumenta as exportações e reduz a oferta interna; de outro, ela encarece o preço da soja (a soja é uma commodity precificada em dólar.  Se o real se desvaloriza perante o dólar, o preço da soja em reais aumenta).  E, dado que o farelo de soja é utilizado como ração para bovinos, o encarecimento da soja encarece todo o processo de produção.  (Apenas neste mês de março, a tonelada do farelo de soja subiu de R$ 1.070 para R$ 1.250)

Consequentemente, os preços da carne são pressionados tanto pela diminuição da oferta quanto pelo encarecimento da produção.  Por trás de tudo, está o câmbio.

E o problema é que a desvalorização cambial não se restringe apenas ao setor alimentício ou às commodities.  Tampouco a desvalorização cambial, ao contrário do que muitos pensam, afeta apenas os preços de bens importados. 

A desvalorização cambial é um fenômeno que gera carestia generalizada em praticamente todos os bens e serviços do mercado interno, pois ela gera um efeito em cascata. 

Além de encarecer alimentos (em decorrência dos fenômenos acima descritos), remédios (85% da química fina é importada), e todos os importados (de eletroeletrônicos e utensílios domésticos a roupas e mobiliários), a desvalorização cambial também encarece os preços das passagens aéreas (querosene é petróleo, e petróleo é cotado em dólar), das passagens de ônibus (diesel também é petróleo), e até mesmos os preços dos alugueis e das tarifas de energia elétrica (ambos são reajustados pelo IGP-M, índice esse que mensura commodities e matérias-primas, ambas sensíveis ao dólar). 

E o aumento do aluguel e o encarecimento da eletricidade, por sua vez, afetam os custos de todos os estabelecimentos comerciais, os quais terão de elevar os preços de seus produtos e serviços (o cabeleireiro e a manicure cobrarão mais caro, assim como o dentista e a oficina mecânica). 

E todos esses aumentos generalizados farão com que os autônomos que atuam no setor de serviços — o eletricista e o encanador comem pão e carne, cortam cabelo, pagam conta de luz e levam seus carros para consertar — também tenham de aumentar seus preços.

Ou seja, não há escapatória: uma desvalorização cambial mexe com toda a estrutura de preços da economia.

Por que uma moeda fraca afeta negativamente toda a economia

A saúde de uma economia é totalmente dependente da saúde de sua moeda.  Dado que o dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica, a robustez da moeda irá determinar a saúde de toda a economia.  Se a moeda enfraquece, a economia vai junto.  Se a moeda fica doente, a economia também adoece. 

Não há como uma economia se fortalecer se a sua moeda está enfraquecendo.

Classicamente, o dinheiro tem a função de ser um meio de troca.  Mas, além de facilitar as transações econômicas, o dinheiro também tem a função de mensurar o valor dos bens e serviços.  Ao vender ou comprar qualquer bem ou serviço — seja um carro, um apartamento ou uma mão-de-obra —, você o precifica em unidades monetárias.  O dinheiro é a régua com a qual você faz essa mensuração.  Toda a riqueza material que possuímos é mensurada pela nossa moeda. 

Daí os economistas clássicos, à sua época, defenderem a ideia de que a moeda, para ser eficaz, deveria ser a mais estável possível.  Tais economistas corretamente compreenderam que ter uma moeda fiduciária, não lastreada por nada, e cujo valor flutuasse constantemente seria o equivalente a utilizar unidades de medida que flutuassem diariamente. 

Imagine o que ocorreria se a definição de metro, grama e minuto fosse alterada diariamente?  Num dia, o metro tem 100 centímetros; no dia seguinte, o metro se desvaloriza e passa a valer 95 centímetros.  Depois, se valoriza e passa a ter 107 centímetros.  Como seria possível fazer qualquer obra dessa maneira?

Assim como um metro flutuante e um minuto flutuante gerariam vários erros de construção, de cálculo e de planejamento, um dinheiro flutuante gera uma enorme quantidade de investimentos insensatos, uma grande desarmonia nas transações e um profundo caos no cálculo econômico.

Por isso, ao longo da história humana, o ouro sempre foi a mercadoria naturalmente escolhida para servir como meio de troca e unidade de conta.  Sua tradicional estabilidade como unidade de conta fez dele uma escolha natural para definir aquilo que hoje conhecemos como dinheiro.

(Em dezembro de 2008, um arqueólogo britânico descobriu, nos arredores de Jerusalém, aproximadamente 300 moedas de ouro datadas de 600 d.C., todas elas emitidas pelo imperador bizantino Heráclio, e todas elas valendo o mesmo tanto que valiam há 1.400 anos, se não mais.)

Hoje, infelizmente, a teoria econômica que se tornou dominante — e que é adotada por quase todos os governos — inverteu completamente essa lógica.  Os economistas de hoje não mais veem o dinheiro como uma unidade de conta que deve ser a mais estável possível.  Não.  Eles querem flutuar o metro, o minuto e o grama.  Eles querem ter uma régua, um relógio e uma balança que sejam diariamente alterados.  E eles genuinamente acreditam que isso gera desenvolvimento econômico.

Os economistas de hoje acreditam que uma unidade de conta sem qualquer âncora, totalmente volúvel e flutuante, turbina a atividade econômica.  Pior ainda: dentre esses economistas, há aqueles que vão ainda mais além e dizem abertamente que, quanto mais distorcida for nossa unidade de conta, maior será a nossa criação de riqueza e maior será nosso desenvolvimento.  "Destrua a moeda, e surgirão uma Apple, uma Microsoft e uma Google", parece ser o lema. 

A crença, sem nenhuma lógica, é a de que uma moeda desvalorizada, sem poder de compra, irá estimular as pessoas a produzir mais e melhor, e a investir com mais sapiência.  "Altere fortemente a definição de metro, minuto e grama, e amanhã viramos uma Suíça".

Eis o principal problema com esse raciocínio: quando investidores investem, eles estão, na prática, comprando um fluxo de renda futura.  Para que investidores invistam capital em atividades produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que terão um retorno que valha alguma coisa.

Mas se a unidade de conta é diariamente distorcida e desvalorizada, se sua definição é flutuante, há apenas caos e incerteza.  Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em um curto espaço de tempo.

É exatamente por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, (alta inflação de preços), são raros os investimentos vultosos de longo prazo.  É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, os juros são altos.  É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, os bens produzidos são de baixa qualidade.  É por isso que, em países cuja moeda tem histórico de alta desvalorização, as pessoas são mais pobres. 

E é exatamente por isso que uma moeda forte e estável é indispensável para o crescimento econômico.  Quando a moeda é estável, investidores têm mais incentivos para se arriscar e financiar ideias novas e ousadas; eles têm mais disponibilidade para financiar a criação de uma riqueza que ainda não existe.  O investimento em tecnologia é maior.  O investimento em soluções ousadas para a saúde é maior.  O investimento em infraestrutura é maior.  O investimento em ideias para o bem-estar de todos é maior. 

Já quando a moeda é instável — ou passa por períodos de forte desvalorização —, os investidores preferem se refugiar em investimentos tradicionais e mais seguros, como imóveis e títulos do governo.  Não há segurança para investimentos de longo prazo, que são os que mais criam riqueza.

Uma moeda instável desestimula investimentos produtivos.  E, consequentemente, age contra o crescimento econômico. 

É por isso que nenhum país que tem moeda instável e com baixo poder de compra produz bens de qualidade e que são altamente demandados pelo comércio mundial.  Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte.  Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

Uma moda fraca e instável, portanto, não apenas afeta todos os preços internos de um país (se a moeda está fraca, então será necessária uma maior quantidade dela para adquirir o mesmo bem), como também enfraquece toda a economia.

Não há escapatória: moeda fraca, investimentos baixos, economia fraca, carestia alta. Sem exceção.

A prática no Brasil

Toda essa longa digressão foi para explicar o que está ocorrendo no Brasil.  Nossa moeda está doente.  E essa doença da moeda é, sem dúvida, o grande catalisador da insatisfação generalizada com o governo Dilma. 

Este artigo exibe 20 gráficos que mostram que, durante o governo Dilma, o real se tornou uma moeda assustadoramente instável e fraca, tendo se desvalorizado até mesmo perante as moedas do Haiti, do Paraguai e da Bolívia. 

Mas mensurar o real perante outras moedas igualmente fiduciárias ainda não conta toda a história.  Para ver a verdadeira saúde da moeda é necessário compará-la ao ouro — mais especificamente, a evolução do preço do ouro nesta moeda.

O ouro sempre foi a constante historicamente usada para mensurar objetivamente a robustez de uma moeda.  Se o preço do ouro está subindo, a moeda está enfraquecendo; se o preço do ouro está caindo, a moeda está se fortalecendo. 

No que mais, dado que o ouro é uma commodity que é literalmente transacionada diariamente e a todo o momento, o preço do ouro representa um indicador instantâneo que expõe, antes de todas as outras estatísticas posteriormente coletadas, os erros (e os acertos) da política monetária.

E como se comportou o real, desde sua criação, perante o ouro?  O gráfico abaixo mostra o preço, em reais, de um grama de ouro desde 1º de julho de 1994 (ignore aquelas linhas verticais; é defeito do algoritmo do Banco Central):

ouro1.png

Gráfico 1: preço, em reais, de um grama de ouro.

O gráfico revela informações muito interessantes:

1) Quando nasceu, eram necessários R$ 10,50 para comprar 1 grama de ouro.  Hoje, são necessários R$ 120.  Isso significa que o real já se desvalorizou 91% desde sua criação.

2) Houve dois períodos em que o real foi relativamente estável perante o ouro: de julho de 1994 a dezembro de 1998, e de janeiro de 2004 a agosto de 2008. 

3) Esses dois períodos foram justamente aqueles em que o percentual de pobreza extrema mais caiu: 30% de 1993 a 1998, e 50% de 2003 a 2008.

4) Também foi durante estes dois períodos que a inflação de preços acumulada em 12 meses mais caiu: de 5.000% em junho de 1994 para 1,65% em dezembro de 1998, e de 17% em maio de 2003 para 3% em abril de 2007 (depois subindo para 6% em meados de 2008, em grande parte por causa da grande carestia mundial vivenciada pelos alimentos e pelo petróleo naquela época).

5) Já os dois períodos de maior descontrole foram os de 1999 a 2002, quando o preço do ouro quadruplicou e a pobreza extrema aumentou quase 10% (ver os dois links do item 2), e de meados de 2008 até hoje, em que o preço do ouro subiu 2,8 vezes.  E, embora a pobreza extrema ainda tenha sido reduzida de 2008 até 2012, seu ritmo de queda foi bem mais lento (ver links do item 2).  E, em 2013, a pobreza extrema voltou a subir.

6) Como era de se esperar, o investimento explodiu logo após a criação do real, chegando a 24% do PIB no segundo semestre de 1994, taxa até então insuperada.  E se manteve em torno dos 20% até 1998.  Depois, caiu 9% de 2000 a 2003.  Já de 2003 a 2008, nova disparada, com um aumento de 25% (de 15,3% para 19,1% do PIB).  A partir de 2008, no entanto, e como era de se esperar só de olhar o gráfico, o investimento estagnou.

7) Quando a moeda começa a se desvalorizar mais intensamente, ocorre aquilo que Mises chamou de "corrida para ativos reais": os investidores, em vez de aplicar seu capital em investimentos produtivos e criativos, passam a investir em ativos que oferecem proteção contra a desvalorização da moeda.  Investimento em imóveis é a forma mais tradicional no Brasil.  Não é de se surpreender, portanto, que a explosão nos preços dos imóveis no Brasil tenha ocorrido entre 2006 e 2012 (período em que o preço do ouro aumentou 3,5 vezes).

8) O atual momento de forte desvalorização do real, que gerou contração nos investimentos, sintetiza bem o descontentamento com o atual governo.  O grama do ouro nunca esteve tão caro na história do real, e o ritmo da desvalorização só perde para o de janeiro de 1999.  A população está perdendo seu poder de compra aceleradamente.

Não é à toa que a confiança do empresariado despencou forte e está no menor nível da série histórica:

brazil-business-confidence.png

9) No entanto, caso a atual desvalorização do real (veja a extremidade direita do gráfico 1) se mantenha, não descarte uma ressurreição na atividade imobiliária para fins puramente especulativos e de proteção de riqueza.

Vale repetir: quando a moeda se torna instável e se desvaloriza fortemente, o investimento deixa de ter fins produtivos e passa a se concentrar em atividades puramente especulativas, com o intuito de proteger a riqueza.

Nos Estados Unidos

Agora vejamos os Estados Unidos.

Lá, é possível perceber fenômenos idênticos.  O gráfico a seguir mostra a evolução do preço de uma onça (31,1 gramas) de ouro em dólares:

fredgraph.png

Gráfico 2: preço, em dólares, de uma onça (31,1 gramas) de ouro

Algumas breves constatações:

1) Até 1971, o dólar era ancorado ao ouro.  Em agosto de 1971, o presidente Nixon aboliu essa âncora, e o dólar passou a flutuar.

2) Como mostra o gráfico, a década de 1970 foi a década perdida dos EUA, principalmente o período 1976-1980, com a famosa estagflação do governo de Jimmy Carter.

3) Imediatamente após a flutuação do dólar, ocorreram nada menos do que 3 recessões em apenas 8 anos (áreas cinzas).

4) No entanto, de 1983 a 2000, o preço do dólar se manteve relativamente estável em relação ao ouro.  Naturalmente, esses foram os anos da pujança americana.  Alto crescimento, fartos investimentos, baixa inflação de preços, padrão de vida inigualável, pujança tecnológica, domínio econômico global.  A quantidade de pessoas empregadas em relação à população total alcançou um nível que não mais foi superado. Vale observar que grandes empresas tecnológicas como Microsoft, Intel e Apple, embora tivessem sido criadas em décadas anteriores, só realmente se expandiram forte na década de 1980, quando abriram seu capital.  Adicionalmente, a Cisco foi criada na década de 1980, e a Google, em 1998.  E não nos esqueçamos da incrível Amazon, fundada em 1994.

5) A partir de 2002, o dólar começa a se desvalorizar fortemente.  A Guerra do Iraque, iniciada em março de 2003, acelerou ainda mais a desvalorização.  Entre 2002 e 2008, o preço da onça de ouro pula de US$ 300 para quase US$ 1.000.  E, como explicou Mises, isso gerou uma corrida para ativos reais, que culminou na bolha imobiliária.  As pessoas pegavam empréstimos, compravam imóveis e revendiam a preços ainda maiores.  É por isso que há quem diga que a bolha imobiliária americana nada mais foi do que uma inevitável reação das pessoas à desvalorização do dólar.

6) Embora o gráfico possa enganar, vale ressaltar que a desvalorização do dólar no período 2008 a 2012 foi percentualmente bem menor que a do período 2002—2008.

7) Caso a atual tendência de estabilidade do dólar se mantenha, a economia americana tem tudo para se recuperar em definitivo.

8) Observe que, de 2003 a meados de 2008, nossa moeda foi muito mais bem gerida que o dólar.  Daí a grande popularidade de Lula (leia-se: Henrique Meirelles).

Um breve comentário sobre o salário mínimo no Brasil

Recentemente, a imprensa anunciou com estardalhaço que o poder de compra do salário mínimo em janeiro deste ano foi o maior desde 1965.  Só que a fonte desse "estudo" é o próprio Banco Central, o mais interessado em propagandear notícias a seu favor. 

Utilizando uma metodologia completamente convoluta, a mesma instituição que está nos agraciando com um IPCA de quase 8% se autopromoveu desavergonhadamente e a mídia docilmente reportou sem contestar.  Desnecessário dizer que, se tal notícia fosse realmente verídica, a aprovação do governo Dilma entre a população que ganha salário mínimo não seria a pior desde o final do governo Collor.

Portanto, façamos o que é certo: comparemos o salário mínimo à commodity que historicamente sempre foi utilizada para mensurar a robustez de uma moeda.

O gráfico a seguir mostra, em termos diários, quantos gramas de ouro o salário mínimo (veja aqui os valores) comprava.

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Gráfico 3: quantos gramas de ouro um salário mínimo compra

Veja como a história fica bem diferente.

1) O maior valor do salário mínimo foi alcançado em agosto de 1998.  Naquela época, um salário mínimo comprava 12,38 gramas de ouro.  Não é de se estranhar, portanto, que Fernando Henrique tenha sido o único presidente a se reeleger no primeiro turno.

2) O crescente valor do salário mínimo (estipulado pelo governo) de 1994 a 1998 explica por que o desemprego naquela época foi alto.  Nada mais do que a velha teoria econômica em ação.

3) A abrupta queda no poder de compra do salário mínimo de 1999 a 2002 (terminou 2002 comprando apenas 5 gramas de ouro) destruiu a reputação de FHC entre os mais pobres.

4) De 2003 a meados de 2008, o poder de compra do salário mínimo dobrou.  Mas, ainda assim, era equivalente ao valor do primeiro semestre de 1997, e bem abaixo do poder de compra alcançado em meados de 1998.  No entanto, tamanha recuperação foi o suficiente para garantir a elevada popularidade de Lula.

5) Durante todo o governo Dilma, o poder de compra do salário mínimo tem sido um dos mais baixos da história do real.  Isso ajuda a explicar o baixo desemprego (que, estatisticamente, é o mais baixo da história do real).  De novo, nada mais do que a velha teoria econômica em ação.

Conclusão

O artigo foi iniciado falando sobre como nós estamos garantindo a boa, farta e barata mesa dos americanos, e à custa de nosso próprio estômago.  A extremidade direita dos gráficos 1 e 2 explica a história.  Não é que o dólar esteja se valorizando (ele está, é fato); o real é que está sendo impiedosamente destruído.

A desvalorização do real é um fenômeno que gera uma bonança para os consumidores estrangeiros e carestia para todos os consumidores nacionais.  Nossa renda efetiva cai, nosso poder de compra cai, a confiança despenca, os investimentos desabam, a economia degringola, a pobreza aumenta.  E nossos produtos, inclusive alimentos, são mandados para fora a um volume maior.  

É justamente por isso que é irônico ver economistas de esquerda defendendo desvalorização da moeda como forma de estimular o crescimento econômico.  Além de não fazer nenhum sentido econômico (adulterar a unidade de conta da economia não gera crescimento; ao contrário, gera desinvestimento), é difícil imaginar uma medida mais anti-povo do que essa. 

A população foi às ruas protestar não só por causa da corrupção.  Ela foi às ruas porque a moeda está sendo destruída a um ritmo que mais parece a aceleração de um Fórmula 1, e isso afeta diretamente a qualidade de vida, o bem-estar e robustez da economia. 

A conta de luz subiu 50%. O dólar está em R$ 3,25.  O país está em recessão.  O desemprego chegou.  A tabela do imposto de renda não foi corrigida para compensar a perda do poder de compra da moeda.  Encher o tanque ficou bem mais caro.  A Petrobras não consegue publicar seu balanço há seis meses por conta de um esquema de corrupção que desviou, por baixo, R$ 88 bilhões de seus cofres.  O BNDES empresta bilhões de reais para ditaduras e se nega a prestar contas desses empréstimos.  O ex-presidente ameaçou colocar um exército paralelo nas ruas para coibir quem pensa diferente.  O governo paga pessoas para se manifestarem a seu favor.

E, no entanto, se você reclama de algo, você só o faz porque é da "elite branca" que odeia pobres.

Chegamos a um ponto em que nem sequer podemos mais reclamar da destruição da nossa moeda e da perda do nosso poder de compra.  Não mais podemos reclamar que o governo está, mais uma vez, desarranjando a economia e nossa qualidade de vida.  Se você faz isso, você é rotulado de "elite branca".  E por pessoas que juram que isso é um argumento.

Voltamos ao jardim de infância.

Aqui vai uma dica para Michel Temer: quer se tornar popular quando assumir o governo?  Estabilize a moeda em relação ao ouro.  As consequências são incríveis.  Não é teoria.  É empiria.


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


304 comentários
304 comentários
Fernando 19/03/2015 10:54:03

Quanto tempo até aparecer algum esquerdinha falando que "só reclama da alta do dólar burguês que tem compras pra fazer em Miami"?
Jênios!

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O MESMO de SEMPRE 20/10/2015 20:26:30

Elevação generalizada de CUSTOS gera elevação generalizada de preços!!!!!!!!!!!!!!

Ocorre que as vezes em que aqui produzi explicações a este respeito, tentando ser o mais didático possível, veio a negativa de que "somente a expansão monetária" gera elevação generalizada de preços. Ainda por aqui no IMB repetem insistentemente que "bancos privados fabricam dinheiro do nada" por conta das reservas fracionárias. Assim afirmam mesmo que um fatop os conteste: paises com percentual de reserva menor tem menor elevação de preços. Até porque quanto maior o COMPULSÓRIO melhor para o governo emitir "moeda falsa".

O fato dos bancos emprestarem ao governos atraves da compra de títulos não faz deles emissores de moeda, mas sim O BC emite mopeda para remunera-los no resgate dos títulos.

O IMB empulha e acaba se contradizendo. COMO neste texto!!!

É ÓBVIO que a ELEVAÇÃO de CUSTOS GENERALIZADA produz aumento generalizado de preços a fim de tornar possível a manutenção dos negócios.

OCORRE, porém, que a elevação de preços generalizada EXIGE UMA CONCOMITANTE REDUÇÃO da PRODUÇÃO a fim de poder sustentar preços mais altos MESMO SEM QUE TENHA HAVIDO EMISSÃO de MOEDA!!!

OU SEJA: se os impostos sobem turbinando custos isso se refletirá em elevação generalizada de preços com consequente redução da produção.


Só assim as empresas conseguem sobreviver através da tentativa de conseguir recursos para se manrterem ativas. Isso, essa elevação DE preços, VISA REDUZIR A TRANSFERÊNCIA DE RENDA DO SETOR PRODUTIVO PARA O ESTADO (governos ou hierarquia estatal).

Não fosse assim, mantidos os preços, as empresas trabalhariam no vermelho e iriam a falência, pois que vendendo a produção a preços inferiores aos custos. Nem mesmo poderia haver investimento dada a baixa remuneração (lucro) ou mesmo prejuizos. Isso é que leva a redução da produção qdo os custos se elevam, mesmo que deixando a uma grande parcela apenas uma remuneração infima e incapaz de cobrir investimentos. ...É o sucateamento e a recessão as consequencias da elevação generalizada de CUSTOS.

Responder
Andre 10/11/2015 16:50:33

"Elevação generalizada de CUSTOS gera elevação generalizada de preços!!!!!!!!!!!!!!.

Ocorre que as vezes em que aqui produzi explicações a este respeito, tentando ser o mais didático possível, veio a negativa de que "somente a expansão monetária" gera elevação generalizada de preços.".

Vejamos:
""""""""""""""""""""""""""""""""""""
Elevação generalizada de CUSTOS
gera
elevação generalizada de preços
""""""""""""""""""""""""""""""""""""

Agora explique o que é que causa a "Elevação generalizada de CUSTOS".
Estou curioso.

Dica: os impostos NÃO aumentaram tanto quanto a inflação.

Responder
myself 19/03/2015 11:08:07

Artigo muito bom, como sempre. Os artigos que eu mais gosto de ler são os dos autores brasileiros, notadamente o Leandro, escrevendo sobre o nosso contexto.

Mas, infelizmente, ao contrário do otimismo do autor, eu acho quase impossível a Dilma ser impedida. Mesmo que se abra um processo de impeachment não conseguirão juntar dois terços da câmara e do senado.

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Hudson 19/03/2015 14:20:23

Mais dois ou três megaprotestos como o de domingo e congresso nacional vai aderir à pauta da elite branca e vai derrubar o governo.

Responder
Aaron 19/03/2015 11:08:17

Leandro, parabéns. Voce MITOU nesse artigo.

Os esquerdistas e inflacionistas nunca sairão do jardim de infancia intelectual e moral. Enquanto isso, perdemos poder de compra e viveremos na República das Bananas AKA Brasil.

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Marcus Lemos 21/03/2015 15:37:19

O único fator que o autor do texto não considerou é o fato de que o YUN, moeda do país mais rico do mundo (China) tem pouco valor perante o dólar, e a Inglaterra (sexta economia do mundo) tem uma moeda muito mais forte do que o mesmo. Qual das duas economias é mais "saudável" e apresenta maior índice de crescimento? Desculpe, mas afirmar que o câmbio é o fator central para determinar o rumo econômico do país é extremamente simplório, vindo de um economista.

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Leandro 21/03/2015 20:05:37

A China é o país mais rico do mundo?! A renda per capita do chinês é 30% menor que a do brasileiro!

E você está dizendo que um chinês vive melhor que um inglês? Que a moeda da China -- que não se chama "yun" mas sim renminbi -- é melhor do que a libra?

Acorda pra vida, cidadão. Ainda mais simplório do que dizer que o câmbio -- preço formado instantaneamente pela interação voluntária de bilhões de agentes econômicos ao redor do mundo, e cuja evolução sintetiza a saúde de uma moeda -- não significa nada, é dizer que a China é um exemplo de economia. E que americanos e britânicos têm pior qualidade de vida do que um chinês.

A ideologia cega.

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Daniel 23/03/2015 12:24:41

Algumas pessoas ainda enxergam que o valor total de riqueza de uma economia é fator determinante para a qualidade de vida de um povo.

Comparam o valor de quase 2 bilhões de chineses a um pouco de britânicos.

E ainda acha que um chinês vive melhor que um britânico.

Meldels...

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ROBERTO NATALINO FERREIRA DA SILVA 19/03/2015 11:09:30

Parabéns, Leandro Roque pela excelente matéria...conclusão maravilhosa concordo com tudo isso o que talvez você não saiba, que essa organização criminosa chamada de Partido dos Trabalhadores
e constituído de ideologia comunista, o sonho dessa gente e tem a aprovação de governo igual a do Vladimir Putin da Russia. Lá esse camarada só beneficia seus chegados, o povo lá já esta domesticado. Aqui no Brasil graças a site como esse do Mises que mostra a realidade econômica não vamos virar gado.

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Leandro 19/03/2015 13:24:20

Aron, myself, Roberto, muito obrigado pelas palavras.

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José Roberto Baschiera Junior 19/03/2015 11:21:26

Preciso ser mais rápido no gatilho(e estudar mais). Essa semana mesmo peguei os dados no site do Bacen e montei esse gráfico comparando o salário mínimo com o ouro.

Leandro, você sugere que essa valorização do Dolar poderá fazer a economia americana firmar a recuperação. Mas isso não pode ser afetado pelo balanço inchado do FED, além de um estouro de uma possível bolha no mercado de capitais americano?
O FED não está mais expandindo? Os preços dos ativos estariam agora em um valor correspondente a nova realidade monetária? Em outras palavras: O FED teria expandido a oferta monetária, inflado os preços dos ativos(mas não tanto dos produtos, a inflação da mídia) e esses apenas representam uma nova realidade monetária, sem risco de bolha?

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Leandro 19/03/2015 13:27:13

O Fed expandiu a base monetária, mas o grosso desse dinheiro nunca entrou na economia. Sua medida serviu para enfraquecer o dólar por um período, que era justamente a intenção de Bernanke. O governo americano sempre consegue o dólar que quer. Se há autoridades em prol de uma moeda minimamente mais forte -- como é o caso de Stanley Fischer, vice-presidente do Fed --, o dólar fica forte.

De resto, eu não trabalho com previsões sobre eventos inesperados no mercado acionário americano. Se eu mexesse com isso, estaria rico (ou quebrado). O fato é que eventos atípicos sempre são desencadeados por fatores políticos, como uma declaração fora de hora ou a aprovação de uma nova lei. Por exemplo, em outubro de 1987, o Secretário do Tesouro foi, num domingo, a um Talk Show e falou pelos cotovelos. Revelou que havia intenção de aplicar tarifas nos produtos japoneses e que o governo estava pensando em adotar uma política de dólar mais fraco. No dia seguinte, puf!, a bolsa despencou 13%.

Em outubro de 1929, coincidência ou não, a bolsa despencou exatamente no dia em que foi revelado que o governo Hoover implantaria, já no ano seguinte, a tarifa Smoot-Hawley, que praticamente aniquilaria o livre comércio mundial.

Ou seja, são eventos assim, inesperados, que desencadeiam as correções.

Isso pode acontecer agora? Obviamente que sim. Mas eu não tenho a menor condição de prever isso.

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 19/03/2015 13:51:24

A minha preocupação com os EUA são os balanços inchados do FED que impossibilitam a alta dos juros e como vão solucionar esse problema, por mais que eu ache interessante a recuperação americana, eu queria que você falasse sobre isso. Nós sabemos que juros artificialmente baixos geram má alocação de ativos e tudo o mais que a TACE explica. Você concorda comigo que os balanços inchados podem estar criando bolha(como eu acredito que exista no mercado de capitais) em algum setor ou que possa prejudicar essa recuperação?
Você vê alguma maneira de o FED corrigir parte do problema que ele criou e subir os juros para que a recuperação possa se transformar em crescimento de longo prazo?

Responder
Leandro 19/03/2015 14:18:11

"Você concorda comigo que os balanços inchados podem estar criando bolha(como eu acredito que exista no mercado de capitais) em algum setor ou que possa prejudicar essa recuperação?"

Podem perfeitamente. Mas eu não tenho nenhuma capacidade de prever quando haverá uma correção, como ela será, e quais setores serão afetados. Mais ainda: não posso prever o que desencadeará essa correção (se pudesse, teria de explicar por que não estou rico).

Mercados nunca precificam o presente; eles sempre precificam o valor presente descontado do futuro. E, por enquanto, não há grandes temores com a expectativa de uma eventual subida de juros. (E também não sei como o Fed fará isso).

Mas, a julgar exclusivamente pela evolução do ouro, a correção já ocorreu em 2012 e 2013. Não se esqueça de que o país ficou em recessão por 5 anos. Deu pra corrigir vários investimentos errôneos nesse período, por mais que o governo americano tenha atrapalhado.

Responder
Lucas Amaro 25/03/2015 11:11:20

Leandro, uma dúvida:

A correção que você aponta da economia americana para 2012 e 2013 se diz respeito apenas à apreciação do dólar em relação ao ouro nesse período (conforme seu penúltimo gráfico) ou você usou alguma outra variável para chegar em tal conclusão?

Obrigado

Responder
Leandro 25/03/2015 17:02:22

A apreciação do dólar em relação ao ouro nesse período sintetiza várias coisas:

1) Ele passou a ser mais confiável como reserva de valor (não há nenhuma expectativa de grandes reduções em seu poder de compra);

2) Ele passou a ser mais demandado, o que significa que está havendo mais transações econômicas em dólar, um indicativo de maior atividade econômica.

3) Investidores estrangeiros estão aportando mais capital nos EUA, também um indicador de maior saúde econômica.

A questão da moeda está, ao menos temporariamente, resolvida nos EUA. Falta agora o Fed sair da frente e desamarrar a questão da concessão de crédito.

Ao contrário do senso comum, uma taxa de juros extremamente baixa imposta por um Banco Central não gera expansão do crédito; ao contrário, gera estagnação do crédito. O juro é um preço, e, como ensina a lógica do controle de preços, se o preço do crédito for estipulado a um valor artificialmente baixo, haverá escassez de oferta de crédito e não fartura.

A lógica é a mesma para qualquer controle de preços: se o governo determinar que todos os aluguéis não devem custar mais do que R$ 100 por mês, você acha que haverá um aumento ou uma diminuição na oferta de imóveis para serem alugados? Certamente haverá uma explosão na demanda por imóveis, mas não na oferta.

Com o crédito é a mesma coisa. Se o Banco Central estipula um preço extremamente baixo para o crédito, sua oferta diminui. É o que está acontecendo tanto na Europa quanto nos EUA. Seus respectivos bancos centrais, ao recorrerem ao juro zero, estão escasseando a oferta de crédito.

Com juros ínfimos, os bancos só emprestam para tomadores com histórico impecável e com real capacidade de quitar o empréstimo, majoritariamente as grandes empresas. As pequenas e médias empresas não têm acesso ao crédito, principalmente na Europa. Com juros ínfimos, todos os bancos preferem emprestar para o governo.

É a mesma lógica do agiota: quanto mais altos são os juros, mais você pode emprestar para qualquer pessoa. Se os juros são ínfimos, você só empresta para quem realmente tem histórico impecável.

Por conseguinte, se o Fed elevar os juros é bem provável que a oferta de crédito aumente e a economia decole.

Conclusão: para os EUA, a questão da robustez da moeda já está resolvida. Falta agora o Fed sair da frente e permitir que as pequenas e médias empresas tenham acesso ao crédito bancário. E, para que isso aconteça, os juros terão de subir.

Responder
Lucas Amaro 26/03/2015 10:54:10

Havia ficado na dúvida quanto ao item 2 e ao 3, pois acredito que ambos podem ocorrer e ocorrem em períodos de bolha, mas se você tem a premissa 1 como verdadeira isso afasta a possibilidade de bolha.

Responder
Pobre Paulista 19/03/2015 16:47:18

Emendando sobre a questão do FED, ele não conseguirá subir os juros por conta dos QE's.

Responder
Henrique 19/03/2015 11:34:35

Já está contando com o impeachment da Dilma, Leandro?

Abraços

Responder
Rômulo Lages 19/03/2015 12:04:35

Leandro,
Por que eu investiria em imóveis no momento atual para proteção se em artigos anteriores já mencionaste que este ativo está supervalorizado com uma provável bolha? Não seria melhor proteção via tesouro direto que têm juros positivos enquanto a maioria dos BC do mundo estão com juros quase zerados?

Responder
Leandro 19/03/2015 13:27:48

Como já disse em várias outras ocasiões, a bolha acabou em 2012. Foi naquele ano que os preços começaram a cair. Só que poucos comentam isso porque as estatísticas divulgam apenas o preço anunciado, e ignoram qual foi o preço efetivamente cobrado.

No prédio em que moro em Belo Horizonte, a cobertura foi anunciada por R$950 mil. Ficou meses encalhada. Aí, um belo dia, vendeu. Fiquei curioso e fui procurar informações com o zelador (que atua informalmente de corretor). Segundo ele, o apartamento foi vendido por "setecentos e poucos reais". Calcule aí o desconto e você verá a forte desinflação.

Só que nas estatísticas entrou apenas o preço anunciado (R$ 950), e não o preço efetivo de venda ("setecentos e poucos reais"). Isso está gerando várias distorções. As pessoas estão com a impressão de que os preços dos imóveis continuam subindo, mas na realidade eles estão caindo.

Atualmente estou morando no interior de MG. Meu sogro começou a querer a investir em imóveis. Segundo ele, o "mercado está travado". Quem quer vender está vendendo por X e quem quer comprar não aceita pagar mais do que 3/4 de X. Quem quer vender ainda está se recusando a aceitar a nova realidade.

Resultado: não há compra nem venda.

No entanto, estatisticamente, os preços de anúncio continuam sendo os únicos computados.

Em São Paulo, há várias incorporadoras anunciando "mega-saldões" e descontos de até 50%. Não existe desconto em um mercado aquecido. Existe apenas queda de preço, Isso é bolha estourada. E essas "promoções" não são devidamente relatadas nas estatísticas dos institutos de pesquisa de preços, que relatam apenas o preço original, ignorando os descontos.

Dito isso, uma rápida desvalorização da moeda pode sim fazer com que ativos que até ontem estavam sobrevalorizados se tornem hoje desvalorizados. Teria de ser uma desvalorização bem extrema, é verdade, mas pode sim acontecer. Por isso tive o cuidado de mencionar no artigo que isso pode acontecer caso a atual tendência de rápida desvalorização da moeda se prolongue.

Quem viveu a década de 1980 deve se lembrar de que, naquela época, era extremamente comum famílias construírem prédios apenas para proteger o valor do seu patrimônio, que era rapidamente dizimado pela hiperinflação.

Sobre investir em títulos do Tesouro, essa foi justamente a outra alternativa mencionada no artigo. E ela será a preferida caso o mercado imobiliário realmente não se recupere.

Grande abraço!

Responder
Fernando 19/03/2015 15:32:43

Leandro, esta foi uma das melhores respostas suas que eu li.

Eu tento explicar isso para diversos amigos/parentes que compraram apartamentos, por exemplo, por R$500mil, e cerca de um mês depois de fecharem o negócio aparecem todos felizes pq "já tem gente que comprou no mesmo prédio e está vendendo por 600, 700mil"... Sempre pergunto pq eles não vendem também, já que o retorno é tão grande. Fato é: dificilmente alguém está pagando os 500 que eles pagaram, muito menos um valor maior que este.

Responder
anônimo 19/03/2015 20:36:50

Fernando, vejo isso por aqui direto! Moro em São Bernardo do Campo e como tem gente que se ilude com essas coisas...

Responder
Gunnar 15/05/2015 16:14:41

Imóveis são o grande fetiche do brasileiro. É cultural, quase religioso.

Responder
Fepa 15/05/2015 17:12:23

Não é para menos, brasileiro convive com inflação há mais de 100 anos, aprendeu que o melhor investimento é fugir do dinheiro.

Responder
Andre 19/03/2015 12:52:02

Excelente artigo, Leandro!

Eu não tinha pensado antes em relacionar o valor da moeda em ouro em relação ao desemprego.
Faz sentido.

Responder
Leandro 19/03/2015 13:35:31

É a maneira historicamente sensata, Andre. Ficar utilizando índices de metodologia duvidosa não faz nenhum sentido.

Obrigada pelas palavras e grande abraço!

Responder
Fel 19/03/2015 13:07:31

Parabéns pelo artigo Leandro.

Incrível que exista "economistas" que achem que desvalorização melhora o bem-estar do povo, sinto no bolso esta desvalorização, por exemplo o leite do meu filho que é importado já aumentou 10 reais (de 45 para 55 reais). Parece pouco, mas soma com outros itens e chego a bela constatação que estou empobrecendo.


Agora uma coisa Leandro, você realmente acredita que Temer vai assumir? foi a impressão que me deixou no último paragrafo.

Responder
Leandro 19/03/2015 13:25:15

Uma mistura de chiste com provocação e previsão...

Responder
Pobre Paulista 19/03/2015 13:11:57

Leandro, tire essas referências à "esquerda", "elite branca" e etc, que este texto circulará facilmente nos meios esquerdistas. Caso contrário será só mais um "mimimi reaça" aos olhos deles.

Um texto desses faz alguém intelectualmente honesto mudar de lado tranquilamente.

Responder
Leandro 19/03/2015 13:26:10

Não há por que não circular. A abordagem foi totalmente imparcial, como sempre são meus artigos (vide o que foi dito sobre FHC 1 e 2, Lula 1). De resto, nenhum desses termos foi utilizado em tom acusativo ou pejorativo. Apenas transcrevi o que eles dizem.

Grande abraço!

Responder
Felipe Chierighini 19/03/2015 13:16:40

Leandro roque, um verdadeiro Wirtschaftswissenschaftler como diria Mises.

Responder
Leandro 19/03/2015 13:26:45

Que grande exagero, Felipe. Grande abraço e obrigado!

Responder
Anomalus 19/03/2015 13:44:50

Lindo esse artigo. Gostei mais da dica para Michel Temer.

Responder
Daniel 19/03/2015 13:54:28

Leandro, gostaria muito de ouvir uma explicação, seguindo a mesma lógica e didática usada por Mises em "As Seis Lições", de quais são as consequências em controlar os "preços" taxa de câmbio e taxa de juros. No caso do controle de preços de bens e serviços, assim como custo da mão de obra, sei que o resultado é a escassez dos próprios bens e serviços e da quantidade de trabalho disponível. Gostaria de ouvir como vc explicaria essas consequências nos casos do câmbio e juros. Obrigado.

Responder
Leandro 19/03/2015 14:16:57

Controlar juros gera exatamente as consequências que estamos vivenciando: expansões erráticas do crédito que geram ciclos de crescimento e recessão. Sugiro este artigo.

Quanto a controlar câmbio, há muita desinformação nesse termo. Se há um Banco Central fazendo política monetária e, ao mesmo tempo, tentando controlar o câmbio, então o arranjo é totalmente instável e propenso a ataques especulativos e a fugas de capitais.

Já se houver um Currency Board operando ortodoxamente, sem fazer qualquer política monetária, então não há nem sequer um "controle de câmbio": nesse arranjo, a moeda nacional passa a funcionar como um mero substituto da moeda que serve como âncora (Hong Kong faz isso). Esse arranjo não apenas é estável e duradouro, como ainda gera resultado muito mais eficazes do que câmbio flutuante.

Esse artigo fala exatamente sobre isso.

Responder
Leandro 19/03/2015 14:25:27

De novo: Currency Board ancorado em moeda estrangeira não é controle de câmbio. É uma mera substituição de uma moeda por outra.

Só há controle de câmbio quando há um Banco Central mexendo no câmbio. Aí, sim, é instável.

Responder
Ali Baba 19/03/2015 14:22:00

@Daniel 19/03/2015 13:54:28

Leandro, gostaria muito de ouvir uma explicação, seguindo a mesma lógica e didática usada por Mises em "As Seis Lições", de quais são as consequências em controlar os "preços" taxa de câmbio e taxa de juros. No caso do controle de preços de bens e serviços, assim como custo da mão de obra, sei que o resultado é a escassez dos próprios bens e serviços e da quantidade de trabalho disponível. Gostaria de ouvir como vc explicaria essas consequências nos casos do câmbio e juros. Obrigado.

Não sou o Leandro, mas a resposta você mesmo já deu. "Juros" é o nome dado ao preço do dinheiro e "Câmbio" é o nome dado ao preço de uma moeda em especial. Logo, segurar os Juros significa escassez de seu produto (o dinheiro) e segurar o Câmbio significa escassez da moeda em particular a que ele se refere (por exemplo, o dólar).

Já vimos isso. Lembra quando comprar dólares (oficialmente) era difícil na década de 80? O "preço" do dólar no mercado negro era astronomicamente maior que o preço oficial, simplesmente pq em nenhum banco oficial a moeda estava disponível (o pouco que era disponibilizado era rapidamente consumido ou só estava disponível para um segmento do mercado, como os importadores com dívida em dólar e amigos do regime)...

Responder
Tannhauser 19/03/2015 13:54:56

Concordo com o Pobre Paulista. Retirar a crítica direta ao governo atual daria liquidez ao texto. Mesmo sabendo que a crítica é correta.

Responder
Fabrício 19/03/2015 14:20:23

Mas vocês, hein? Nesse artigo da segunda-feira, o autor faz uma abordagem bem suave sobre o impeachmente, e todo mundo reclamou. "Não tem conversa! Tem de impichar já! Que artigo covarde!"

Aí agora nesse artigo o autor faz uma mera citação a favor, bem de leve e de maneira jocosa, e vocês vêm dizer que não pode, que é pesado?

Decidam-se.

Responder
Tannhauser 19/03/2015 15:32:14

Eu não reclamei no outro artigo. Só queria que este artigo, que é muito bom, circulasse mais. A analogia com o metro foi muito boa mesmo.





Responder
Pobre Paulista 19/03/2015 16:21:19

Isso foi pra mim?

Bem, se foi... Eu pessoalmente sou um cara bastante decidido. Antes de ser de esquerda ou direita, pró ou contra o governo, sou alguém que valoriza o conhecimento acadêmico. E também alguém que compreende como funciona a cabeça das pessoas, especialmente dos esquerdistas xiitas: São contra tudo aquilo que eles não sabem o que é.

Apenas sugeri que, dada a resistência dos esquerdistas em ler qualquer coisa que eles discordem preemptivamente, seria interessante retirar potenciais pontos de crítica, mesmo sabendo que tais críticas não fazem o menor sentido, no sentido de facilitar a propagação do conhecimento naquele meio. Só isso. Assim os mais moderados poderiam repassar este texto a outros, mas acredito que certamente irão parar de ler no termo "esquerda" e rotular este excelente artigo como sendo "mais uma estupidez dos reaças golpistas opressores austeros".

Quanto ao artigo de segunda feira, foi sem dúvida um artigo político e tendencioso, ao contrário deste aqui, que é 100% técnico. Ainda assim, minha crítica colocada lá não foi ao artigo em si, e sim na postura que as pessoas tem de acreditar que "protestar funciona", ou que a "justiça" pode resolver algum eventual "problema" pontuado por um determinado grupo de pessoas que se uniu para tomar decisões em nome de outras.


Aquele Abraço.

Responder
Pablo Dias 19/03/2015 14:07:44

É preciso tomar cuidado pois o raciocínio do texto pode levar alguns a crer que o câmbio fixo é a melhor solução, o que também já ficou provado que não é.
É um assunto complicado e não existe saída fácil.
O controle do preço de moedas é algo muito complexo pois reflete situações objetivas como nível de produção, riqueza acumulada, quantidade de moeda em circulação, expectativa futura de crescimento e coisas subjetivas como confiança do investidor, imagem do país, entre outras. É até pueril imaginar que qualquer governo ou banco central consiga de fato controlar o preço de uma moeda, pois a única coisa que o governo pode fazer nesse sentido é emitir mais ou menos moeda ou, no caso do câmbio, comprar ou vender divisas. Todas as outras variáveis não dependem do governo.
Muitos economistas modernos passaram a ver o dinheiro não como uma régua, e sim como um produto como qualquer outro. Sendo um produto, é natural que seu preço varie.
Existem até mesmo os que pregam a adoção de várias moedas para que elas possam concorrer entre si.

Responder
Leandro 19/03/2015 14:16:13

É óbvio que o câmbio fixo é o melhor arranjo. Só que não existe câmbio fixo com Banco Central -- aí, de fato, haverá crises.

Um Banco Central pode ou adotar uma política de câmbio fixo ou praticar uma política monetária independente. Mas ele não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Se ele decide manter uma determinada paridade cambial, então ele abre mão de controlar a expansão da base monetária, pois ele tem de criar moeda nacional para comprar as divisas estrangeiras, e tem de recolher moeda nacional ao vender divisas estrangeiras. Ele não controla a evolução da base monetária.

Já se ele opta por manter o controle sobre a evolução da base monetária, então ele não tem como manter a taxa de câmbio estacionada em um determinado valor. Não por muito tempo.

Se o Banco Central tentar fazer as duas coisas, ele estará incorrendo em uma contradição insustentável. Todos os ataques especulativos que varreram os países em desenvolvimento na segunda metade da década de 1990 aconteceram porque os especuladores perceberam essa contradição e agiram de acordo.

Só há câmbio fixo, e de maneira duradoura, sem crises, com Currency Board. Esse artigo fala exatamente sobre isso.

Responder
Pablo Dias 19/03/2015 14:45:22

Vá me perdoar mas não acho nada óbvio, pelo contrário, é bastante improvável que, em qualquer situação, você consiga controlar o preço de uma moeda. Mesmo que você acabe com os bancos centrais ou se adote Currency Boards rígidos.
Isso vai ocorrer sempre porque não é possível ignorar o fato de que dinheiro não é uma mera régua para avaliar coisas. Dinheiro é um produto. Tem gente que compra dinheiro e tem gente que vende dinheiro. Existe oferta e existe demanda. Existe especulação.
E a regra natural da economia é que o preço de qualquer produto varia de acordo com oferta e demanda, as vezes de formas imprevisíveis.
Mesmo que abolíssemos todas as moedas e bancos centrais do mundo e utilizássemos só metais preciosos, o valor subjetivo desses metais para as trocas também flutuaria constantemente (novamente, seja por fatores objetivos, ex: capacidade de mineração, uso do metal bruto na indústria, gente guardando para fazer poupança, ou por fatores subjetivos).
É por esse motivo simples que acho sempre um gasto de tempo e dinheiro desnecessário e fadado ao fracasso tentar controlar preço de moeda no longo prazo.
É um ponto de vista apenas. Essa é uma discussão que muita gente tem tido a muito tempo sem conseguir chegar a uma conclusão.

Responder
Leandro 19/03/2015 15:01:39

Posso apenas concluir que você não sabe como funciona um Currency Board (mesmo porque nem deu tempo de você ler o artigo sugerido). Currency Board nada tem a ver com "controlar o preço da moeda". Currency Board é uma simples agência de conversão que troca uma cédula de 1 real por duas moedas de 50 centavos.

Se você trocar um real por duas moedas de 50 centavos isso seria controle de preços? Você acabou de dizer que é.

Responder
Pablo Dias 19/03/2015 19:29:05

Não importa o nome que você dê para a estrutura burocrática que vai criar com o intuito de padronizar o valor do dinheiro (é isso que propõe na prática ao tentar fixar câmbio) não vai funcionar porque o diagnóstico está errado. Novamente se ignora o fato de que dinheiro é um produto como qualquer outro. Sem falar no fato fato de que que um currency board, como qualquer estrutura burocrática estatal, vai precisar de dinheiro para ser criado e mantido. Nesse sentido, não me interessa banco central nem currency boar. Creio que se começassemos a tratar o dinheiro como o que ele é, um ativo, perderíamos muito menos tempo e gastaríamos muito menos dinheiro.
Mas você pode acreditar no que quiser, assim como eu acredito. Se algum dia eu conseguir vislumbrar qualquer produto que consiga ter seu preço controlado no longo prazo sem gerar uma crise no respectivo mercado eu mudo de opinião.

Responder
Leandro 20/03/2015 15:49:15

"Sem falar no fato de que que um currency board, como qualquer estrutura burocrática estatal, vai precisar de dinheiro para ser criado e mantido"

Dois erros crassos em uma só frase.

Em primeiro lugar, um Currecny Board não é uma "estrutura burocrática estatal". Ele é privado.

Em segundo lugar, ele não "vai precisar de dinheiro para ser criado e mantido" (refiro-me a dinheiro de impostos). Um CB se sustenta totalmente com as receitas que aufere de seus ativos, os quais estão, por lei, 100% aplicados no exterior. As receitas de um CB vêm 100% do exterior. A população do país não gasta 1 centavo para manter o Currency Board.

Não entendo essa ânsia que as pessoas têm em falar daquilo que claramente desconhecem.

Responder
Enrico 20/03/2015 16:38:09

Pablo, não é nada difícil visualizar um sistema de currency board.

Imagine que você comprou um terreno no qual você constrói um estabelecimento comercial. Dentro dele, há um cofre, uma impressora e um balcão de atendimento ao consumidor.

Eu vou até o balcão e lhe entrego uma nota de um dólar. Então, você guarda no cofre a nota, imprime uma nota de um "pablo-dólar" e me dá a nota recém-impressa. Nesta nota, há escrito que é possível trocar na hora uma nota de "pablo-dólar" por uma nota de um dólar.

Uma nota de "pablo-dólar" nada mais é do que uma nota de um dólar, só que com uma roupagem e nome diferentes. É a mesma coisa de você guardar um relógio num armazém e ganhar um tíquete de retirada.

Num sistema onde a base monetária cresce à medida que as pessoas trocam dólares por "pablo-dólares" e diminui à medida que as pessoas resgatam seus dólares, a moeda é o dólar - e, logo o câmbio é fixo da mesma forma que o é entre dois lugares que usam a mesma moeda - mas ele não é utilizado diretamente. Apenas isso.

Não é garantido que os preços nos locais onde a moeda "pablo-dólar" seja utilizada sejam iguais aos preços dos EUA, por exemplo, onde se utiliza o dólar. Mas basta pensar que os preços em Curitiba e em São Paulo, ainda que sejam diferentes, têm uma tendência de serem parecidos: en.wikipedia.org/wiki/Law_of_one_price.

Além disso, os investidores paulistanos e curitibanos, por exemplo, não trocam seus investimentos internos produtivos por especulação cambial nem os comerciantes precisam se preocupar em fazer câmbio para comercializar seus produtos entre os dois estados.

Responder
Leandro 20/03/2015 17:09:48

Perfeita síntese, Enrico. Penso até em utilizá-la em um futuro artigo.

De resto, as pessoas ainda não entenderam que um sistema de câmbio flexível é, por definição, um sistema de "quase-escambo". Taxas de câmbio flutuantes introduzem incertezas indesejadas nos mercados internacionais, obstruindo o livre comércio, principalmente os investimentos. O investidor torna-se muito mais um especulador do que propriamente um investidor.

Taxas de câmbio flutuantes são aceitas por economistas simplesmente porque estes têm em mente apenas o conceito de 'nação'. Entretanto, embora 'nação' seja uma importante unidade política, ela não é uma unidade econômica. Assim, imagine se houvesse uma taxa de câmbio flexível entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro? Ou entre Bahia e Santa Catarina? Isso seria um incentivo ao livre comércio entre os estados ou uma barreira?

Se os estados adotassem câmbios flexíveis entre si, os efeitos seriam desastrosos para o comércio, com cada estado fazendo guerra cambial e impondo várias tarifas protecionistas. Ainda bem que não é assim.

Não faz sentido -- a menos para protecionistas inveterados, é claro -- defender câmbio flutuante entre países, mas "câmbio fixo" entre estados, cidades e bairros.

Responder
Gunnar 20/03/2015 20:43:54

Agora fiquei encucado. Sempre entendi a moeda como apenas mais um produto entre tantos outros - ou seja, sim, é escambo mesmo. E por quê não poderia ser assim? Sem o monopólio estatal na oferta de moeda, haveria tantas moedas dentro de um país, estado ou cidade quantas quiséssemos inventar. Aquelas que se mostrassem mais sólidas e confiáveis teriam a preferência dos consumidores, e seriam assim mais valorizadas e aceitas, como com qualquer outro produto ou serviço no mercado. Outra coisa. Na analogia do pablo-dólar, o que acontece se essa moeda é acometida de uma crise de confiança (a falência de uma empresa que usava primordialmente essa moeda e sozinha detinha mais da metade dos pablo-dolares disponíveis)? Quem quer que tenha pablo-dólares vai querer se livrar deles, mas o CB não vai mais querer lhe dar um dólar para cada pablo-dólar, pois ninguém mais quer essa moeda. Nesse caso, você é obrigado a gastar o mais rápido possível esses pablo-dólares (já que todos os preços em pablo-dólares vão inflacionar rapidamente) sob pena de morrer com esse papel inútil no seu bolso. Estou viajando? Por favor corrija-me se estiver esquecendo alguma coisa nessa análise.

Responder
Leandro 20/03/2015 22:16:00

"Agora fiquei encucado."

Então vamos desencucar.

"Sempre entendi a moeda como apenas mais um produto entre tantos outros - ou seja, sim, é escambo mesmo. E por quê não poderia ser assim? Sem o monopólio estatal na oferta de moeda, haveria tantas moedas dentro de um país, estado ou cidade quantas quiséssemos inventar."

Perfeito. E somos totalmente a favor desta liberdade.

"Aquelas que se mostrassem mais sólidas e confiáveis teriam a preferência dos consumidores, e seriam assim mais valorizadas e aceitas, como com qualquer outro produto ou serviço no mercado."

Perfeito de novo.

"Outra coisa. Na analogia do pablo-dólar, o que acontece se essa moeda é acometida de uma crise de confiança (a falência de uma empresa que usava primordialmente essa moeda e sozinha detinha mais da metade dos pablo-dolares disponíveis)?"

Não entendi. Em primeiro lugar, não há crise de confiança em uma moeda que é totalmente e livremente conversível em outra moeda tradicional

O pablo-dólar é emitido por um Currency Board e está 100% lastreado em dólar (poderia também ser ouro, franco suíço, euro ou qualquer outra moeda). Isso significa que você pode trocar seu Pablo-dólar por dólar a todo e qualquer momento a uma taxa fixa (assim como você pode trocar duas cédulas de R$ 10 por uma de R$ 20). Não há como haver crise de confiança em uma moeda assim.

Essa é a mágica do Currency Board. Do dia para a noite ele transforma uma moeda estraçalhada em uma moeda confiável, conversível e, por isso mesmo, altamente demandada. Por isso que os países da ex-URSS que adotaram esse sistema (Estônia, Letônia e Lituânia) prosperaram.

Sendo assim, por que uma eventual falência da Magazine Luiza afetaria o pablo-dólar?

"Quem quer que tenha pablo-dólares vai querer se livrar deles, mas o CB não vai mais querer lhe dar um dólar para cada pablo-dólar, pois ninguém mais quer essa moeda."

Isso é um erro conceitual grave.

Em primeiro lugar, como explicado acima, moedas conversíveis e lastreadas não sofrem crise de confiança -- a menos, é claro, que o governo faça ameaças e diga que acabará com o Currency Board, como ocorreu na Argentina (mas aí não é por falha do sistema, mas sim por uma brutal intervenção do governo).

Em segundo lugar, e isso é crucial, não existe isso de "o CB não vai mais querer lhe dar um dólar para cada pablo-dólar". O pablo-dólar é emitido pelo CB e representa um passivo do CB (os ativos são as cédulas de dólar e as aplicações em dólares no exterior, de onde ele aufere receitas).

O CB, portanto, é obrigado -- por estatuto e por lei -- a trocar cada cédula de pablo-dólar que ele emitiu por dólar (e vice-versa), sob demanda, sem custos e sem atraso. Não existe isso de o CB se recusar a aceitar seu próprio passivo.

"Nesse caso, você é obrigado a gastar o mais rápido possível esses pablo-dólares (já que todos os preços em pablo-dólares vão inflacionar rapidamente) sob pena de morrer com esse papel inútil no seu bolso. Estou viajando? Por favor corrija-me se estiver esquecendo alguma coisa nessa análise."

Viajou bonito e para longe. Mas agora deve ter ficado mais claro.

Grande abraço!

Responder
Isaias Lobao 19/03/2015 14:08:39

Prezado Leandro. Você detonou em seu artigo. Acredito que você irá se cansar de agradecer aqui na parte dos comentários, mas ainda sim, vai mais um elogio. Queria imprimir este artigo e distribuir nas ruas.

Responder
Souza 19/03/2015 14:22:34

Nada o impede disso. Só sua consciência ecológica. ;)

Responder
Vagner 19/03/2015 14:22:14

Será que o Temer vai asssumir? Eu acredito que a dilma vai pedir pra sair antes de validar o impeachment.

Responder
Diego 19/03/2015 14:30:43

Que texto excelente. Não sei se já tem texto sobre, mas como explicar o alto crescimento da China com uma moeda fraca nas últimas décadas?

Responder
Leandro 19/03/2015 14:41:32

Não há moeda fraca na China. O iuane ora se valoriza perante o dólar; ora fica estável. Foi só nos últimos 6 meses que, pela primeira vez em 2 décadas, o iuane se desvalorizou um pouco em relação ao dólar. Mas da década de 1990 até meados de 2014, o iuane só se valorizou perante o dólar. Sempre.

Pode conferir aqui:

www.tradingeconomics.com/charts/china-currency.png?s=usdcny&d1=19960101&d2=20151231&type=line

Grande abraço e obrigado pelas palavras!

Responder
Henrique 20/03/2015 15:12:20

Mas Leandro, eu tenha a impressão que qualquer matéria que já li de economia (não neste site) diz que a China sempre desvalorizou sua moeda para subsidiar sua indústria exportadora. Onde está o erro?

abraços

Responder
Leandro 20/03/2015 15:36:27

O erro está no simples fato de que isso nunca aconteceu. E não é opinião minha. É a realidade -- como mostra o gráfico logo acima.

Dica: deixe de ler sites mercantilistas. Eles estão ali apenas para lhe enganar. É óbvio que eles sabem que falam mentiras; mas falam mesmo assim, pois sabem que enganam vários trouxas e idiotas úteis à causa deles.

Responder
Lucas Amaro 26/03/2015 16:20:04

Leandro, olhando entre a década de 1980 e 1990 isso que ele disse é verdade sim.

www.tradingeconomics.com/charts/china-currency.png?s=usdcny&d1=19810101&d2=20151231&type=line

Não que isso tenha logrado resultados, claro, mas enfim.

www.tradingeconomics.com/charts/china-gdp-growth-annual.png?s=cngdpyoy&d1=19890101&d2=20151231&mean=true

Responder
Leandro 26/03/2015 17:10:27

Não entendi. A indústria chinesa tornou-se pujante somente a partir da década de 2000, quando se transformou no bicho papão das exportações. A década de 1980 foi do Japão e a década de 1990, dos tristes asiáticos. E foi nessas duas décadas que a China "desvalorizou" (na verdade, tinha um câmbio flutuante; depois, ficaram espertos).

Sendo assim, qual é a verdade na afirmação de que "a China sempre desvalorizou sua moeda para subsidiar sua indústria exportadora"? Desde a década de 2000, justamente quando a indústria prosperou, só há valorizações.

Responder
Lucas Amaro 26/03/2015 19:47:33

E eu concordo plenamente contigo.

Apenas digo que no período específico entre as décadas de 1980 e 1990 houve sim desvalorização, o que explica o fato de principalmente aqueles manuais de economia da época afirmarem que havia desvalorização, e que isso não necessariamente trouxe melhores resultados se analisarmos o período de 1990 para cá, invalidando o argumento mercantilista.

De fato, um livro atual afirmar que a China continua desvalorizando o câmbio é um engodo, mas se ele leu livros mais antigos é compreensível. Não tinha como o autor na década de 1980 saber que a China reverteria a política.

Responder
Andre Bernardes 19/03/2015 14:30:54

A comparação da moeda com a unidade de medida (metro, grama) foi fantástica! Nunca tinha pensado dessa forma. Vai facilitar muito na hora de tentar explicar os fundamentos da escola austríaca a outras pessoas.

Responder
Henrique 19/03/2015 14:49:44

"Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte. Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc."

Mas e a China?

abraços

Responder
Vicente 19/03/2015 15:06:58

O que tem a China? Você acha que os produtos de lá são de qualidade ou você acha que a moeda deles é robusta? Ou você acha as duas coisas? Ou não acha nenhuma delas? Seja mais específico.

Responder
Leandro 19/03/2015 15:08:25

A moeda da China, embora não possa ser considerada fraca, é uma moeda inconversível (por enquanto). Ela não é demandada por ninguém fora da China (e por alguns residentes de Hong Kong). Está longe, muito longe, de ser um franco suíço ou um dólar de Cingapura

Responder
Henrique 19/03/2015 15:35:22

A china seria, portanto, exceção à regra da moeda forte? Embora fabrique porcarias, faz muitas coisas de qualidade. Claro que podem ter 'n' fatores envolvidos no sucesso industrial da China.

Abraços

Responder
Vicente 19/03/2015 15:51:22

Ué, eu fiz a pergunta pra você e você responde com outra pergunta? Vou tentar de novo:

Você acha que os produtos de lá são de qualidade ou você acha que a moeda deles é robusta? Ou você acha as duas coisas? Ou não acha nenhuma delas? Seja mais específico.

Responder
Henrique 19/03/2015 16:17:09

Acho que a moeda não é robusta e que produzem produtos de qualidade. Claro que não todos.

Responder
Giovani Facchini 19/03/2015 14:54:12

Leandro: mito.

Responder
Vegas 19/03/2015 17:30:35

Nos comentários acima quando o Leandro disse que mora no interior de MG bateu até um orgulho.
De fato os conhecimentos e didática andam juntos nos textos dele.

Responder
Leandro 19/03/2015 17:43:27

Quanta ficção, meu caro. Grande abraço!

Responder
Marcelo Boz 19/03/2015 15:04:23

Leandro,

Quais as medidas que o governo deveria tomar nesse momento para que a nossa moeda pare de desvalorizar?



Att
Marcelo Boz

Responder
Leandro 19/03/2015 15:11:56

Explicado em detalhes aqui:

www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=364

Abraços!

Responder
luis 19/03/2015 15:29:05

Desculpe a minha ignorância, não entendi essa parte, se alguém me pudesse me explicar:

"5) Durante todo o governo Dilma, o poder de compra do salário mínimo tem sido um dos mais baixos da história do real. Isso ajuda a explicar o baixo desemprego (que, estatisticamente, é o mais baixo da história do real). De novo, nada mais do que a velha teoria econômica em ação."

Por que o baixo poder de compra do salário mínimo explica o baixo desemprego?

Responder
Lucas 19/03/2015 17:03:56

Basicamente, se você é um empresário e tem condições de pagar 500 reais em salário porém o salário mínimo é 500 reais, só é possível contratar uma pessoa. Se o salário mínimo fosse 250, poderia contratar duas pessoas. O valor em Reais do salário mínimo pode ter aumentado, porém o valor real do salário mínimo está baixo.

Responder
Geografia no Cursinho 19/03/2015 15:40:24

"Aqui vai uma dica para Michel Temer: quer se tornar popular quando assumir o governo? Estabilize a moeda em relação ao ouro. As consequências são incríveis. Não é teoria. É empiria."

Eu finalizaria com "É teoria, não empiria" hehe.

Fora isso, está extraordinário o artigo.

Abraços

Responder
anônimo 19/03/2015 17:27:49

Como não é empiria? A realidade já confirmou isso várias vezes

Responder
Malthus 19/03/2015 15:56:44

Nesse momento: dólar a R$ 3,30 e ouro a R$ 121,50.

Responder
Anarcoliberal 19/03/2015 16:50:32

Caramba, o dólar está subindo quase 10 centavos por dia. Deve ter gente com informação privilegiada fazendo muita grana por aí.

Responder
Igor 19/03/2015 16:20:44

Leandro, ótima explicação, por favor, nesse trecho:

"Quando nasceu, eram necessários R$ 10,50 para comprar 1 grama de ouro. Hoje, são necessários R$ 120. Isso significa que o real já se desvalorizou 91% desde sua criação."

O real como moeda nova, não foi apenas inventado um valor "irreal" pra ele em relação ao dólar, no caso a época era 1 real vale 1 dólar. Simples assim? Isso não seria mais para corrigir a infinidade de zeros nos preços das mercadorias? Uma televisão, como exemplo,custava 1 milhão de cruzados. A mesma ancoragem com o dólar fez antes a Argentina, e não obteve sucesso.

Nesse caso basta apenas se apegar a um valor em dólar para começar a melhorar a economia? Não teve outros ajustes para que o Brasil tivesse, aliás, infelizmente, apenas um voo de galinha?

Desculpe se não fui claro, abraço, mais uma vez parabéns.

Responder
Leandro 19/03/2015 17:46:56

Não é assim que se estabiliza uma economia, Igor. É um pouquinho mais complexo do que isso.

Sobre o processo de implantação do real, eis o artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294


Sobre a Argentina, o processe de estabilização da economia deles foi um tremendo sucesso. O único problema é que, sendo a Argentina o que é, o governo logo em seguida resolveu destruir o próprio arranjo que o salvou. Eis aqui o artigo fazendo a cronologia dos eventos.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562

Responder
Vitor Santos 19/03/2015 16:27:31

Leandro,

Antes de tudo, parabéns pelo artigo.

Só fiquei com uma dúvida: você observou bem, nos momentos em que o Real se valorizou, houve desemprego por causa do efeito do salário mínimo (ficou mais caro contratar).
Mas e o cenário que temos hoje? O Real está se desvalorizando continuamente e tudo indica que o desemprego aumenta cada vez mais, mesmo com as estatísticas maquiadas do IBGE.
Estamos chegando a um ponto que a desvalorização do Real foi tanta que isso destruiu a capacidade de empreender, e consequentemente gerar empregos?

Responder
Leandro 19/03/2015 17:52:20

Exato. A coisa ficou tão feia, que a própria desvalorização da moeda aparentemente não mais está conseguindo gerar essa ilusão. Mas observe que o salário mínimo já foi menor (2011 e 2012).

Mas eu não visualizo taxas de desemprego altas, em dois dígitos.

E o motivo é simples: demografia.

Com a queda nas taxas de fecundidade, a quantidade de pessoas entrando no mercado de trabalho anualmente será cada vez menor. Consequentemente, a quantidade de pessoas procurando emprego será cada vez menor. E isso fará com que as estatísticas de desemprego não sejam pressionadas.

Isso vem ocorrendo há décadas no Japão e também em vários países europeus, notadamente a Alemanha. A taxa de desemprego da Alemanha despencou justamente a partir da crise de 2008, o que a princípio não faria sentido. Mas aí, quando se observa o que aconteceu com a demografia, tudo passa a se encaixar perfeitamente.

Aquelas taxas de desemprego de dois dígitos no Brasil (14% no início de 2004) ficaram pra trás. No futuro, desemprego alto será de 8 a 9%, no máximo. (A menos que haja uma grande calamidade). Ótima notícia para Dilma, assim como tem sido ótima notícia para Angela Merkel.

Agora, se a taxa de desemprego realmente chegar a dois dígitos, então é porque a coisa ficou feia mesmo.

Responder
Vitor Santos 19/03/2015 19:00:43

Leandro,
Obrigado pela resposta.


Achei interessante essa observação:

"No futuro, desemprego alto será de 8 a 9%, no máximo. (A menos que haja uma grande calamidade)."

O nome dessa calamidade poderia ser Petrobras?

Responder
Douglas 19/03/2015 16:30:13

Leandro

Trabalho com um economista que diz que a desvalorização do real não e culpa do governo por que o euro teve praticamente a mesma desvalorização perante o dolar nos ultimos tempos. Pelo que entendi, ele culpa a "crise mundial".

Ele esta correto?

Responder
Leandro 19/03/2015 17:54:29

Desconhecimento dele. E grave. Se fosse verdade, então o real não deveria ter se desvalorizado perante o euro. No entanto, como mostram os gráficos deste artigo, o real se desvalorizou até mesmo perante a moeda do Haiti.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2018

Responder
Douglas 23/03/2015 12:19:47

E esta materia?

www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/03/150312_cambio_real_euro_ru

Responder
Leandro 23/03/2015 14:50:12

Pior ainda, pois simplesmente ignorou a realidade de maneira tosca e enganou os leitores. E não é necessário confiar em mim, não. Apenas veja o terceiro gráfico deste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2018

O euro se apreciou 53% em relação ao real nos últimos 4 anos. No entanto, segundo a reportagem, o real "se manteve com o mesmo poder de compra em relação ao euro"...

Responder
Gunnar 23/03/2015 18:14:28

Essa BBC é terrível.

"Um dos maiores perigos que o bloco enfrenta é a deflação, quando a população para de consumir à espera de preços mais baixos, levando à quebra de empresas e ao desemprego. A zona do euro está praticando a menor taxa de juros de sua história (0,2%) e começou lentamente um processo de flexibilização da política monetária, por meio do qual imprime dinheiro diariamente para prover liquidez ao mercado e estimular o consumo. No entanto, nada parece funcionar."

www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150102_perspectiva_economia_mundial_2015_lgb

Responder
Douglas 24/03/2015 18:22:01

Me lembro dessa materia, engraçado que ela saiu 1 dia depois de eu ler sobre deflação aqui...

Responder
Diego 19/03/2015 16:38:37

Em tese, uma moeda fraca não deveria servir pra atrair investimento? Em um cenário de estagnação na Europa e de uma situação delicada nos Eua, ainda longe de ter superado a crise, com muita gente fora do mercado, com um estado cada vez mais inchado e endividado com juro baixo e agora com dólar forte, sem contar as possíveis bolhas, pq o Brasil não continuaria sendo atraente pro investidor estrangeiro, já que aqui há um amplo mercado consumidor em expansão e alta dos juros com uma moeda desvalorizada?
Hoje é melhor investir aqui ou nos EUA? E porque?

Responder
Leandro 19/03/2015 17:59:36

É só raciocinar.

Em janeiro, quando o câmbio era de 2,60, um investidor que tivesse trazido US$ 100 para cá, converteria para R$ 260.

Hoje, com o câmbio a 3,30, se esses R$ 260 fossem reconvertidos em dólares, o investidor estrangeiro teria apenas US$ 79.

Ou seja, ele levou ferro. E quente. Veio com US$100 e, três meses depois, tinha apenas US$ 79.

Entendeu a encrenca? País de moeda instável é prejuízo certo para o investidor estrangeiro. A taxa de retorno teria de ser altíssima para que ele se arriscasse a vir para cá.

Responder
Rafael Ristow 19/03/2015 16:57:24

Na condição de não-economista, entendi perfeitamente os conceitos, e confirmei ainda mais a minha orientação ideológica libertária!

Parabéns, Leandro!!

Responder
Marcos 19/03/2015 17:04:09

E o padrão-ouro, pararam de defender o padrão-ouro?

Responder
Lima 19/03/2015 18:08:01

Jurava que o presente artigo fosse sobre isso...

Responder
Manoel de Arruda 19/03/2015 17:23:13

Parabéns Leandro!!! Quando é que sai seu livro sobre economia brasileira??? Austríacos necessitam deste material com urgência!

Um forte abraço!!

Responder
Felipe 19/03/2015 17:50:22

Isto é verdade, falta uma livro da economia brasileira com o uso dos fundamentos austríacos.

Se fizerem já tem um comprador!

Responder
Deilton 19/03/2015 17:46:52

1° Excelente artigo!

2° Leandro, o que você acha do que diz o analista da empircus neste artigo: www.istoedinheiro.com.br/noticias/economia/20150317/depois-fim-brasil-empiricus-preve-dez-anos-recessao/242610.shtml.

Responder
Anderson 19/03/2015 17:55:26

Sensacional o comentário! Parabéns pela lucidez.

Responder
Luiz 19/03/2015 18:15:54

Boa tarde Leandro.

Primeiramente, parabéns por mais essa aula de economia.

Estou com algumas dúvidas:1) A desvalorização do real se deu por quais motivos? Imagino que a principal causa (espero que não esteja falando merda) seja pela grande quantidade de dinheiro despejada na economia pelo BC.

2) Tem algum texto que trata dessa recuperação da economia americana? Pq até aonde eu tinha lido, o governo americano estava só inflando mais uma vez a bolha americana, quando não parou de despejar dinheiro na economia, QE 1,2,3 (é isso), em vez de deixar o mercado corrigir os maus investimentos. E outra, não lembro direito, mas naquela palestra do Schiff no seminario da EA, ele foi bem pessimista, falou que a verdadeira crise estava por vir, que seria o colapso do dollar. (perdoe-me se estou falando alguma inverdade)

Forte Abraço

Responder
Leandro 19/03/2015 19:31:37

1) Por vários motivos.

Em primeiro lugar, porque o próprio governo quis. Até 2011, os investidores estrangeiros tinham interesse no Brasil. Só que aí o digníssimo que ocupava a Fazenda veio a público falar que o mundo estava fazendo uma guerra cambial, que o Brasil era "vítima", que os dólares não eram bem-vindos, e que queríamos uma moeda mais fraca. Ato contínuo, o cidadão tascou um IOF altíssimo nas transações cambiais.

O mercado então disse: "Beleza". E foi embora. Desde então, o real segue indo inexoravelmente para a privada.

Aí entra esse novo Ministro da Fazenda, tão ruim quanto o anterior (e eu jurava que isso era impossível), e diz que o objetivo realmente é um dólar mais alto. Aí pronto. Eu imaginava que nosso ranço terceiro-mundista -- que trata investidores estrangeiros que trazem moeda estrangeira pra cá como se fossem usurpadores da soberania nacional -- iria acabar. Mas não.

De resto, acabou a confiança dos estrangeiros. Eles estão indo embora. Viram que isso aqui virou uma bagunça (olha só o naipe dos políticos que nós temos; olhas as briguinhas entre eles; quem é que vai confiar nisso aqui?) e viram que não há solução para a questão fiscal.

E, quem ficou, está se desfazendo do real e indo para ativos mais seguros, pois preveem que a moeda continuará perdendo poder de compra.

Nada ajuda.

2) Ela ainda poda acertar. Porém, por ora, a previsão dele -- pelo menos no que tange ao colapso do dólar -- ficou um pouquinho mais longe.

Obrigado pelas palavras. Grande abraço!

Responder
Reginaldo 19/03/2015 18:47:53

Excelente artigo! Escrito de forma clara e objetiva. Até um leigo em economia, assim como eu, pode entender perfeitamente.

Muito obrigado Leandro Roque.

Responder
Gustavo S. 19/03/2015 19:02:48

Eu refutarei todos os dados desse artigo com duas palavras: "elite branca". (estou ficando bom nesse negócio de filosofia!)

Responder
Pedro Mundim 19/03/2015 19:27:53

O problema é que existe no Brasil uma antiga e sólida cultura inflacionária, que vem dos tempos do Cepal. Celso Furtado afirmava que "um pouquinho de inflação" é necessário para incrementar o crescimento econômico, vendendo a ideia de que produzir inflação era um meio eficiente para transferir à massa dos usuários da moeda os custos pela industrialização do país. O pior é que muitas pessoas até inteligentes e bem intencionadas compraram esse peixe. Roberto Campos comentou certa vez que Juscelino Kubitchek lhe confidenciara que não achava válido emitir moeda para aumentar a folha de pagamento, mas para investimentos produtivos, ele considerava válido. "Como se a nota que sai da prensa da Casa da Moeda estivesse ciente de servir ou não a um investimento produtivo", comentou Campos. Pois é, atualmente existem cartões inteligentes que pode controlar seu saldo, mas um dinheiro inteligente que sabe se serve ou não a um investimento produtivo, isso por enquanto ainda está além dos limites da ciência... Outra falácia cepalina repetida até hoje é que desvalorizar a moeda torna as nossas exportações competitivas, esquecidos de que também os produtos nacionais, em alguma fase de sua produção, dependem de moeda estangeira.

A verdade é que os governos adoram inflação porque ela é o fim de seus problemas - e o começo dos problemas da população. De fato, a inflação não é problema nenhum para quem emite o dinheiro, é problema para quem usa o dinheiro. Para quem emite, ao contrário, é sopa no mel: basta emitir mais moeda que todos os rombos das contas do governo estão magicamente cobertos, e a fatura vai para o infeliz usuário do papel-moeda, que a paga mediante a desvalorização de seu dinheiro - mas segundo Celso Furtado, ele deve se sentir feliz, pois está contribuindo para o progresso do país. Outra mágica que a inflação permite é diminuir salários, o que é proibido por lei: basta dar reajustes inferiores à inflação. Do mesmo modo pode-se abater o valor de dívidas e indenizações pagas pelo governo. Enfim, com tantos poderes nesta varinha mágica, não admira que o governo deseje ardentemente usa-la. O que ainda impede o PT de abrir de vez a porteira é a ira popular. Ao contrário da Venezuela, o PT depende de votos, e votos só são dados com o povo podendo comprar uma geladeira nas Casas Bahia pagando em 15 vezes. Isso obviamente só é possível em um cenário de inflação baixa. O grande aumento no consumo registrado nos 8 anos iniciais do governo petista foi conseguido basicamente com a expansão das vendas a crédito, resultado da estabilização da moeda. Se a inflação voltar, aí a mágica acaba: a carruagem volta a ser abóbora, e os milhões que passaram á classe C voltam à classe D. Governar com o povo contente é fácil, mas com o povo batendo panela nas ruas, aí só na paulada, como na Venezuela.

Responder
Max Evangelista 19/03/2015 19:44:34

"Durante todo o governo Dilma, o poder de compra do salário mínimo tem sido um dos mais baixos da história do real. Isso ajuda a explicar o baixo desemprego (que, estatisticamente, é o mais baixo da história do real). De novo, nada mais do que a velha teoria econômica em ação"
Gostarai de saber como o baixo pode de compra mantém o desemprego baixo.

Responder
Robespierre 19/03/2015 21:46:16

Se a moeda não vale nada, o salário mínimo que você paga pra sua faxineira não vale nada para você. É troco sem valor. Logo, você pode pagar esse valor sem problemas. Quanto mais destruída é a moeda, maior é o valor nominal que você pode pagar sem sentir.

Responder
Rennan Alves 19/03/2015 19:45:32

Leandro, a recente valorização do Iene trouxe alguns benefícios (além do forex no meu caso) para o poder de compra dos japoneses?

Alguns conhecidos me afirmaram que os preços dos produtos eletrônicos japoneses cairam, apesar do aumento de impostos (infelizmente, não encontrei nada que comprovasse tais fatos).

Além disso, como está o Real no forex? Nunca o utilizei em minhas trades, estou pensando em me beneficiar das flutuações.

Responder
Leandro 19/03/2015 21:45:28

Não acompanho a situação japonesa. Desculpe-me.

Responder
Henrique Trecenti 19/03/2015 19:59:04

Prezado Leandro, parabéns mais uma vez pelo brilhante trabalho!
Espero que tudo esteja bem por aí!
A dica foi boa ao Temer, mas, infelizmente, trata-se de mais um estatólatra.
Peço uma pequena ajuda:
Tenho curiosidade quanto a moeda japonesa, ela não é fraca? Apenas nominalmente fraca? Como os japoneses conseguem ser tão competitivos?
Forte abraço!

Responder
Leandro 19/03/2015 21:49:39

Caríssimo Henrique, essa é uma confusão bastante comum: o alto valor nominal das cédulas de uma moeda diz muito sobre o seu passado, mas não sobre seu presente.

O alto valor nominal das cédulas do iene se deve a uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.

Vale lembrar que, ao passo que o real é de 1994, o iene é de 1871.

No que mais, em 1972, imediatamente após a dissolução de Bretton Woods e a adoção dos câmbios flutuantes, um dólar comprava 305 ienes. Então o iene começou a se valorizar continuamente até que, em outubro de 2011, um dólar comprava apenas 75 ienes. Isso dá uma apreciação total de 306%.

Uma das definições de moeda forte é que sua unidade monetária valha cada vez mais em termos das principais moedas do mundo (a outra definição é que, obviamente, seu poder de compra em território nacional seja relativamente constante).

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
Fausto 19/03/2015 20:17:37

Leandro,artigo fantastico!

Voce acha o modelo de currency board o ideal? Caso o Brasil o tivesse adotado em 1994 a historia seria outra? Estaríamos melhor no seu ponto de vista?

Responder
Leandro 19/03/2015 21:47:30

Bem mais. Teríamos muito mais poder de compra e estaríamos obrigatoriamente mais integrados ao mercado mundial. Falei disso aqui.

Obrigado pelas palavras. Grande abraço!

Responder
Marconi 19/03/2015 20:50:31

Leandro, qual seria o valor do dólar hoje segundo aquele raciocínio do IPCA nosso X o deles desde 94?

Creio que uns 30 centavos aí são só da crise política.





Responder
Leandro 19/03/2015 21:52:50

Correto. São as "maravilhas" do câmbio flutuante, arranjo defendido cegamente pelos chicaguistas, os quais se esquecem de que, em países ainda em desenvolvimento e com governos avacalhados, o câmbio não flutua; ele afunda.

Responder
Marconi 20/03/2015 12:48:19

Essa alfinetada doeu! Se os chiaguistas defendem câmbio flutuante, preciso rever meus conceitos rsrsrs

Responder
Renato 19/03/2015 20:56:28

"Se eles acreditam que a inflação está alta ou que ela será alta, sua moeda irá se desvalorizar."

Leandro, poderia explicar melhor esse processo?


Obrigado!

Responder
Leandro 19/03/2015 21:49:12

Quando uma economia ainda em desenvolvimento -- como a brasileira -- adota uma taxa de câmbio flutuante, sua moeda estará diariamente sujeita aos humores dos especuladores, dos investidores internacionais e de todos os traders que atuam no mercado financeiro. Se eles perderem a confiança no governo, ou se eles consideraram que a atual política é inflacionária, eles sairão daqui (ou farão especulação baixista com a moeda) e a taxa de câmbio poderá se desvalorizar acentuadamente, e permanecer assim por um bom tempo.

Responder
Renato 20/03/2015 11:46:30

E para termos um câmbio menos volátil, qual seria o melhor caminho? Seria através de investimentos estrangeiros (IED)? Se tivéssemos uma inflação controlada e menos barreiras protecionistas, menos regulação, esse seria o caminho para aumentar o IED e ter um real mais valorizado?


Abraço!

Responder
corsario90 19/03/2015 21:05:36

Excelente artigo! Fiquei apenas com uma duvida. No artigo do FED do Fernando Chiocca, a liquidez do mercado poderia causar uma inflação a longo prazo pelo efeito cantilon. Existem duas economias: a do petróleo (aquecida) e a restante ainda cambaleante.
No item 07 qdo VC comenta q o dólar tende a se estabilizar e a recuperação pode ser definitivo não seria um aparente conflito em inundar com dinheiro e o dólar ficar estável ?
Posso ter entendido tufo errado, geralmente isso ocorre, mas poderia me corrigir?
Obs: hj falei pelo estado minimo e contra esta ideia de estado nação e fui taxado como liberal!! Fiquei feliz e orgulhoso!!
ABS.

Responder
Leandro 19/03/2015 21:56:12

Eu confio mais na informação transmitida pelo mercado do ouro, cujo preço é resultado da interação formada por bilhões de agentes econômicos ao redor. Se esse mercado está precificando um dólar forte, então, por ora, não há nenhum risco desse surto inflacionário.

Se, por acaso, o ouro começar a se encarecer rapidamente em dólares, aí sim essa hipótese pode ocorrer. Sempre fique de olho no preço do ouro.

Responder
corsario90 19/03/2015 22:50:55

Show! Depois que conheci a EA aqui no meio militar nego choca. Fico muito contente de me livrar das noticias jornalísticas e poder educar-me e a minha familia. Leandro, parabéns pelo trabalho. Excelente podcast com o Bruno!! Rápido,simples e espetacular. Pode substituir a voz do Brasil?/RS ABS

Responder
Bernardo 19/03/2015 21:13:13

Pessoal,
Tenho certeza que esse assunto já foi abordado por aqui, mas não tenho ideia de por onde começar. Como ficaria um país com padrão ouro num mundo sem padrão ouro?
Haveria algum empecilho para isso? Ou bastaria que o governo comprasse ouro e emitisse moeda sempre que divisas entrassem no país?
E não é possível conciliar padrão ouro com reservas fracionárias, né?
Abs.

Responder
Leandro 19/03/2015 21:57:05

Aguarde artigo sobre isso.

Responder
IRCR 19/03/2015 21:52:24

Leandro,

Estás morando onde agora ?

Vc disse que em uma CB ortodoxa ela não controla a base monetária, mas de certa forma nem em BCs a base monetária é diretamente controlada, pois a maioria do dinheiro criado é no sistema bancário. Assim, em uma expansão de crédito pelo setor bancário a CB teria que aumentar as reservas internacionais para dar estabilidade ao arranjo ?

Creio que se algum pessoal da esquerda ler esse artigo, vão dizer que "eu não bebo e nem como ouro" kkkk

Responder
Leandro 19/03/2015 22:04:38

Só para relembrar que base monetária é todo o papel-moeda existente mais as reservas bancárias. Os bancos criam dinheiro eletrônico (que viram M1, M2, M3 e M4). Bancos não criam base monetária. A base monetária está sob inteiro controle do Banco Central.

"Assim, em uma expansão de crédito pelo setor bancário a CB teria que aumentar as reservas internacionais para dar estabilidade ao arranjo ?"

Não. Isso é problema dos bancos. Se um banco emprestar muito, ficar muito alavancado e precisar de mais reservas, ele tem três opções:

1) Pede emprestado para outro banco;

2) Eleva os juros que ele paga para seus correntistas (como forma de atrair novos depósitos, e também de dissuadir que seus correntistas saquem dinheiro).

3) Atrai dólares de investidores estrangeiros (os quais, estes sim, podem ser levados ao Currency Board e convertidos em moeda nacional).

Agora, caso todos os bancos estejam alavancados -- o que seria raro em um cenário no qual não há um emprestador de última instância, mas que pode acontecer --, aí sobram apenas as opções 2 e 3.

Essa sua pergunta foi boa porque ela mostra como que, em um cenário de Currency Board, os bancos têm necessariamente de ser mais prudentes, e podem inclusive remunerar melhor seus correntistas, pois não há tabelamento de juros (como há em um cenário com Banco Central).

Responder
Juliana 25/03/2015 20:30:46

Uma coisa que eu fiquei pensando, a partir do artigo e desse seu comentário, é que talvez para os bancos seria indiferente a distinção entre um cenário de câmbio flutuante e uma moeda desvalorizada - em que eles têm um banco central para socorrê-los sempre que for necessário - e, em um outro extremo, um de câmbio fixo e moeda valorizada - e sem o prestamista de última instância -, como por exemplo um com Currency Board ancorado ao ouro.

Dando um passo atrás, e deixando a questão do câmbio fixo de lado, só o fato de se operar com uma moeda forte, como o dólar, já deveria ser suficiente para serem obtidos lucros maiores do que comparados aos obtidos em uma moeda desvalorizada. E, sendo uma moeda forte muito mais propícia para manter ou captar recursos, não é difícil imaginar que essa rentabilidade ainda continuaria na frente, mesmo com os juros praticados estando mais baixos (nos Estados Unidos, por exemplo, certamente os juros no cartão de crédito são mais baixos que aqui). Mas parece que uma pesquisa recente mostra que não é exatamente isso que acontece, e os bancos brasileiros estão com uma rentabilidade considerável, mesmo com a moeda fraca. (Pode ser que eu não esteja interpretando as coisas direito. E não sei se o parâmetro utilizado na pesquisa é o melhor para este tipo de avaliação, além de a mesma ter sido encomendada pela BBC, o que é de se esperar alguma tendência. de qualquer forma, continuo não sabendo o que pensar sobre se os banqueiros seriam "aliados" nesse projeto.)

Mas independente disto, Leandro, esse seu artigo muda muita coisa. Não é da minha alçada afirmar essas coisas, e eu faço o que posso para me controlar. Mas depois de quase uma semana tentando conter uma mesma coisa, eu desisto. E digo que agora está muito fácil ver o Brasil adotando um Currency Board, lastreado em ouro. Não sei por que ninguém disse isso ainda, mas aposto que é isto que todo mundo está vendo agora. Deve ser porque isso é algo inefável. Parabéns!

Grande abraço!

Responder
Malcolm 25/03/2015 23:03:00

Prezada Juliana, bancos ganham dinheiro de qualquer jeito, sob qualquer situação (muito embora nunca tenham lucrado tanto quanto no governo Lula, quando a moeda era mais forte).

Eles são a única instituição que pode criar dinheiro do nada, emprestar esse dinheiro, e cobrar juros sobre ele. Ninguém mais pode fazer isso (e, se alguém fizer, vai em cana).

Sendo assim, e por se tratar de um oligopólio estritamente protegido pelo Banco Central (com a bênção e o total apoio dos progressistas), sem qualquer concorrência, é impossível não ter altos lucros. Um banqueiro no Brasil tem de ser de uma incompetência atroz para não conseguir lucros astronômicos.

Responder
IRCR 19/03/2015 22:33:52

Leandro,

Obrigado pela resposta.
Se olharmos no caso HK que desde de 2010 vivenciou uma forte expansão de crédito pelo bancos. As reservas internacionais explodiram quase na mesma proporção. Seria o caso da opção 3 ?

Outra coisa, já vi pessoas dizendo que se acabasse com a CB em HK, o dólar de HK poderia se valorizar bastante o que seria ótimo para a população, concorda com essa afirmação ?

Ademais, não me respondeu a pergunta de onde está morando agora no interior de Minas ? hehe

Responder
Leandro 19/03/2015 23:59:33

1) Pode ser. Não tenho informações.

2) Se ele de fato se valorizasse, seria ótimo. O difícil é garantir de que isso irá acontecer. Eu particularmente não acredito.

3) Não falo dessas coisas na internet.

Abração!

Responder
Macell 19/03/2015 22:49:51

Leandro,

Parabéns pelo texto! Algumas dúvidas de quem está começando a estudar economia:

1. O que dizer dos argumento de desenvolvimentistas (e. g., Bresser Pereira) que defendem a importância da desvalorização do real para a indústria nacional? O incentivo para compra de bens de capital seria suficiente para garantir a competitividade da indústria? Os textos do site defendem a abolição de qualquer protecionismo, mas como ficaria a balança comercial do país nessa situação?

2. Diante da solução Temer acima: o que seria necessário para uma estabilização da moeda em relação ao ouro? Quais os custos dessa medida?


Responder
Leandro 20/03/2015 00:01:03

"O que dizer dos argumento de desenvolvimentistas (e. g., Bresser Pereira) que defendem a importância da desvalorização do real para a indústria nacional?"

Abaixo da crítica. O dia em que ele fornecer um mísero exemplo prático de onde isso ocorreu, vou dar mais atenção.

Por enquanto, todos os exemplos práticos que eu conheço são justamente opostos: só tem indústria forte, e produzindo produtos de qualidade, países de moeda forte. Sem exceção.

"O incentivo para compra de bens de capital seria suficiente para garantir a competitividade da indústria?"

Com moeda forte? Sim. A indústria se moderniza, e a custos bem menores. A menos, é claro, que o industrial seja di tipo preguiçoso, acostumado com mamatas protecionistas. Nesse caso, não há solução.

"Os textos do site defendem a abolição de qualquer protecionismo, mas como ficaria a balança comercial do país nessa situação?"

O que tem a balança comercial? A minha balança comercial com o setor gastronômico é negativa há mais de 30 anos. E eu estou bem.

Esqueça essa bobagem de balança comercial. Não passa de terrorismo feito por mercantilistas.

"Diante da solução Temer acima: o que seria necessário para uma estabilização da moeda em relação ao ouro? Quais os custos dessa medida?"

Aguarde artigo sobre isso. Mas não haveria problema nenhuma em fazer o que foi feito de 2004 a 2008. Já foi feito. Pode ser feito de novo.

Responder
Marcelo 20/03/2015 01:26:24

Leandro, caso esteja com paciência, tenha a bondade:

*Quais são os efeitos práticos de um saldo positivo ou negativo no Balanço de Pagamentos? A variação das Reservas Internacionais depende disso ou não?

*No caso da adoção de um câmbio fixo, toda essa preocupação com a Balança Comercial/Balanço de Pagamentos, perderia completamente o sentido até mesmo para o meio mainstream? No caso afirmativo da segunda questão do parágrafo anterior: Assim (com o câmbio fixo), não seria necessário ter Reservas Internacionais consideráveis, para poder-se "estabilizar" o câmbio?

*O que define a taxa de câmbio entre duas moedas é a paridade do poder de compra entre elas. A única forma de deturpar isso, seria se o Banco Central começasse a comprar dólar por um preço acima do de mercado, o que não está sendo feito. A atual desvalorização do real não pode ser apenas um ajuste natural da taxa de câmbio, visto que a inflação do Brasil é historicamente maior que a dos EUA? Como saber se ela(a atual desvalorização) é decorrente do ajuste da taxa de paridade do poder de compra entre as moedas, ou não?

Um abraço!

Responder
Macell 20/03/2015 12:11:50

Leandro,

O exemplo prático que Bresser fala é o que chama em suas comunicações de "doença holandesa" (www.bresserpereira.org.br/papers-cursos/cap.5-dutchdisease.pdf):
...
"A doença holandesa é um problema antigo, essencial para a compreensão do desenvolvimento e do subdesenvolvimento, mas só foi identificada nos anos 1960, nos Países Baixos, onde a descoberta e exportação de gás natural apreciou a taxa de câmbio e ameaçou destruir toda a indústria manufatureira do país"
...

Talvez você ache esse argumento tolo a tal ponto que não mereça ser respondido. Entretanto, ele está presente em parcela significativa das análises econômicas da grande mídia e, inclusive, faz parte da visão econômica da oposição tucana. No seu primeiro discurso no senado, José Serra defendeu que a sobrevalorização do real no governo Lula foi um dos responsáveis pelo processo de desindustrialização que o Brasil está vivendo e ainda descredenciou todos aqueles que acreditam que um país possa se desenvolver sem um setor industrial forte.

Responder
Leandro 20/03/2015 13:51:58

Eu sei o que é doença holandesa, caro Macell. Só que doença holandesa, e você parece não ter percebido isso, ocorre justamente em um cenário de câmbio flutuante, que é justamente o arranjo condenado por esse artigo. Com câmbio fixo não há doença holandesa.

"A doença holandesa [...] só foi identificada nos anos 1960, nos Países Baixos, onde a descoberta e exportação de gás natural apreciou a taxa de câmbio e ameaçou destruir toda a indústria manufatureira do país"

E aí? Destruiu? A Holanda empobreceu? Virou uma África? Pois é. Essa teoria faz sucesso apenas em países subdesenvolvidos, principalmente no Brasil, cuja economia são controladas protecionistas e mercantilistas a serviço da FIESP (tanto é que seu centro de difusão está nas universidades paulistas).

"Talvez você ache esse argumento tolo a tal ponto que não mereça ser respondido. Entretanto, ele está presente em parcela significativa das análises econômicas da grande mídia e, inclusive, faz parte da visão econômica da oposição tucana."

O que mostra o tamanho do nosso abismo.

"No seu primeiro discurso no senado, José Serra defendeu que a sobrevalorização do real no governo Lula foi um dos responsáveis pelo processo de desindustrialização que o Brasil está vivendo"

O apenas mostra que ele é um ignorante completo (e eu sempre agradeço ao povo brasileiro por jamais ter elegido esse incompetente).

Em primeiro lugar, se moeda forte causasse desindustrialização, a indústria teria sido dizimada no período 1994-1998, que foi quando realmente tivemos moeda forte. No entanto, ocorreu justamente o contrário: foi nesse período que a indústria mais se modernizou.

Óbvio: uma taxa de câmbio valorizada ajuda as indústrias mais competentes. Qualquer indústria exportadora tem também de importar máquinas e bens de capital de qualidade, além de peças de reposição, para produzir seus bens exportáveis (pergunte isso a qualquer mineradora ou siderúrgica). Se isso puder ser feito a um custo baixo (permitido por uma moeda forte), tanto melhor.

Uma moeda forte permite que as indústrias comprem bens de capital, máquinas e equipamentos de qualidade a preços baixos. Isso as deixaria mais produtivas, aumentaria a qualidade dos seus produtos, e faria com que eles fossem mais demandados lá fora.

Outra coisa: a desindustrialização no Brasil chegou ao auge, e as exportações caíram, justamente no período em que a moeda mais se desvalorizou. A desindustrialização está ocorrendo é justamente agora, quando temos uma moeda fraca, inflação alta, e as maiores tarifas protecionistas da história do real.

O problema desses "teóricos" é que eles ignoram que o que acaba com a indústria, como explicado em detalhes aqui, é a inflação de preços e de custos, gerada justamente pela desvalorização da moeda. É a inflação de preços e de custos o que desorganiza todo o planejamento de uma indústria e falsifica toda a sua contabilidade de custos, e não uma (fictícia) taxa de câmbio valorizada.

Responder
Macell 20/03/2015 15:31:16

Valeu, Leandro! Abraços!

Responder
Marcelo Simoes Nunes 20/03/2015 00:11:38

Leandro, poderia explicar o seguinte: no ajuste anunciado pelo governo, fala-se de corte de direitos trabalhistas e aumento de impostos. Não se fala nada sobre corte de despesas do governo. Fico com a impressão de que tal ajuste não dará bom resultado, porque a sociedade já está sobrecarregada de impostos, numa combinação que poderia gerar mais recessão e mais inflação. Gostaria muito que comentasse essa questão. A Propósito, sua matéria é muito esclarecedora. Obrigado.

Responder
Leandro 20/03/2015 13:57:22

No Brasil, a continuidade dos déficits orçamentários (em termos nominais) é uma obrigação sagrada, assim como o contínuo aumento das receitas do governo. Nossa obrigação é apenas continuar financiando tudo, sem reclamar.

Você disse perfeitamente. Isso é totalmente recessivo. Sugiro apertar os cintos.

Responder
denise 20/03/2015 00:27:36

Leandro, agora pouco ouvi a explicação de um professor de economia. Ele disse que é normal essa valorização do dólar perante o real, e mais, que o dólar está se valorizando perante todas as moedas do mundo, e que um valor mais perto da realidade pra nós seria o dólar valer perto de 3 reais quando a tempestade passar.
Tem alguma coerência nesta explicação do professor?

Responder
Leandro 20/03/2015 14:01:35

Depende de qual foi o argumento.

De fato, essa desvalorização do real é "normal" quando se considera a qualidade do nosso governo, a confiança que ele desperta nos investidores estrangeiros e a maneira como ele intervém na economia.

Em 2015, o real é a segunda moeda que mais se desvalorizou no mundo. Só está melhor que a moeda da Ucrânia, país que foi invadido.

De resto, nossa moeda está apanhando até mesmo da moeda do Haiti (confira os gráficos aqui). Se isso é "normal", quero viver em um país mais anormal.

Responder
IRCR 20/03/2015 00:33:18

Leandro,

Obrigado de novo.
Outra coisa, um arranjo em que vários países do mundo adotassem uma mesma moeda em comum, algo similar ao Euro, mesmo que não fosse lastreada em commoditie alguma e ainda tivesse um BC por trás, não seria um arranjo menos pior ? por exemplo se vários países adotassem o dólar americano como moeda principal e mesmo que ficassem sob tutela do FED. Desse modo, os países não ficariam preocupados com a flutuação das cotações ao menos entre os membros desse arranjo. Além disso poderia funcionar como um "pseudo padrão ouro", pois os países teriam que ser mais austeros nas politicas fiscais.



Okay. Mas poderia dizer ao menos qual região de minas ? zona da mata ? sul ? triangulo ? centro ou norte ? só de curiosidade mesmo hehe

Responder
Leandro 20/03/2015 14:03:05

Primeira opção.

Responder
Angelo 20/03/2015 02:53:58

Leandro,

"Num dia, o metro tem 100 centímetros; no dia seguinte, o metro se desvaloriza e passa a valer 95 centímetros. Depois, se valoriza e passa a ter 107 centímetros".

A analogia foi um pouco infeliz, pois um centímetro é, por definição, a centésima parte de um metro, como o próprio nome diz.

O metro é uma medida de comprimento baseada em um padrão precisamente definido, sendo portanto uma convenção. A definição completa pode ser vista, por exemplo, em pt.wikipedia.org/wiki/Metro.

Não seria melhor dizer que essa dimensão padrão, imutável por definição, começaria a variar, aumentando e diminuindo, sem fazer referências ao centímetro?

Fora esse ponto, o seu texto está excelente, como sempre.

Abraços do leitor assíduo!

Responder
Leandro 20/03/2015 14:06:21

Acho que você não entendeu. Vou tentar ser mais claro, utilizando outro exemplo: uma polegada tem, por definição, 2,54 centímetros. Já um pé tem 0,3048 centímetro. São definições. E se essas definições flutuassem?

O mesmo vale para o minuto e para o grama. Se não gostou do exemplo do metro, sem problema.

O ponto é: as moedas tinham uma definição específica. Por exemplo, um dólar valia 1/35 onça-troy de ouro. Você sabia o que significava um dólar Hoje, um dólar não tem definição nenhuma. Assim como o real. O que é 1 real? Nada. Não tem definição. Ninguém sabe o que representa 1 real (quando foi criado, as pessoas ao menos sabiam que "1 real significava mais ou menos 1 dólar"; hoje, nada). E é isso que, ao meu ver, tem de mudar.

Não é à toa que todos -- absolutamente todos -- os planos de estabilização econômica adotam um câmbio fixo. E funciona. Por quê? Porque ao fazerem isso estão dando uma definição clara para a moeda: um peso vale um dólar; uma coroa estoniana vale um marco alemão. Ao fazerem isso, a carestia despenca, os investimentos aparecem, e a economia cresce. Do dia pra noite. Como que por mágica.

Grande abraço e obrigado pelas palavras!

Responder
Wolmar 20/03/2015 15:07:38

Bom dia Leandro,
Aproveitando o embalo dos coments, gostaria de pedir algumas considerações suas:
1) Gostei do exemplo das medidas anatômicas, ele foi perfeito. Quando falamos em pé ou polegada, de alguma forma isto se referencia a uma parte do corpo humano. E essas medidas podem variar, ao contrário do que acontece com as medidas decimais. Claro que as medidas inglesas não possuem variação, se não virava loucura, mas vc entendeu o que eu quis dizer, não?
2) No seu comentário, você referencia uma moeda mais fraca como a coroa estoniana ao marco (que nem existe mais, mas não importa). Mas o valor dessas moedas também flutua.
3) Da mesma maneira, atrelar o valor do dólar a uma comodity como o ouro também pode não fazer muito sentido, pois o seu "valor" também será sempre variável
4) Fixar um valor para o câmbio não é a mesma coisa que tabelar o preço de uma moeda? Não podemos esquecer da desastrosa tentativa de paridade do dólar com o peso argentino cerca de 15 anos atrás
5) Me corrija se eu estiver enganado. Li no livro do Alexandre Versignassi que a depressão de 29 foi uma crise de liquidez causada justamente pelo atrelamento do valor do dólar ao ouro, que por causa da sua crescente escassez tornou praticamente impossível a emissão de mais moeda.
Acho que chega e agradeço pela paciencia

Responder
Leandro 20/03/2015 15:29:58

1) Não muito...

2) A coroa estoniana nasceu ancorada ao marco alemão em um regime de Currency Board. Ou seja, a coroa estoniana era um mero substituto nacional do marco alemão. Logo, não tem nada disso de a coroa estoniana ser mais fraca que o marco alemão (60 segundos não são "mais fracos" do que um minuto). E não flutuava em relação ao marco alemão. Esse foi meu ponto.

3) Fez total sentido desde o surgimento dos EUA até 1971...

4) Se for feito por um Banco Central, sim. Se for feito por um regime de Currency Board funcionando ortodoxamente, não.

Sobre a Argentina, beira o inacreditável como as pessoas simplesmente repetem clichês sem se dar ao mais mínimo esforço de realmente entender o que houve. O regime cambial argentino funcionou perfeitamente -- até que o governo argentino resolveu destruí-lo, o que, aí sim, gerou os problemas.

O governo destruiu a lei de conversibilidade justamente porque ela o amarrava, disciplinando seus gastos e sua expansão. Aí, imediatamente após a destruição da conversibilidade, a Argentina mergulhou no caos, na miséria e na depressão.

Aliás, é gozado isso: um sistema é implantado, funciona como o esperado, o governo não gosta, destrói o sistema, e aí as pessoas dizem que a culpa de tudo é do sistema que foi destruído. Inacreditável.

Artigo detalhando tudo o que ocorreu na Argentina:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562

5) Quanta besteira. Temos um livro inteiro (e gratuito) sobre a depressão. Leia ao menos o resumo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1467

E caso queira artigos:

www.mises.org.br/Subject.aspx?id=37

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

Porém, o governo fez exatamente o contrário: ele implementou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento de impostos (o imposto de renda foi de 25% para 82%, bem leve...), aumento de gastos, aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Eis a lógica: o governo fez de tudo para impedir a recuperação da economia. Mas a culpa, no entanto, era justamente daquilo pouco que ainda funcionava: a moeda. E o governo foi o salvador...

Responder
Angelo 22/03/2015 14:40:16

Caro Leandro,

Acho que foi você quem não entendeu meu comentário. Vou tentar de novo: dizer que 1 centímetro pode valer mais ou menos que 1/100 do metro tem tanto sentido semântico ou lógico quanto dizer que meia laranja pode valer mais ou menos que...meia laranja.

Abs

Responder
Rhyan 20/03/2015 08:40:33

Show!

Leandro, suas previsões sobre a recuperação dos EUA batem com as opiniões do Peter Schiff?

Senti falta dos gráficos de M0 e M1.

Abraço!

Responder
CORSARIO90 20/03/2015 11:30:10

Ae Leandro e amigos,
como tentam nos ludibriar: g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2015/03/fmi-diz-que-fraqueza-do-real-e-positiva-para-economia-brasileira20.html
Triste e maléfico!

Responder
Douglas 23/03/2015 12:47:40

Varias pessoas a minha volta usando essa materia como argumento.
E va tentar discordar...
"Quem e vc contra o FMI?"

Responder
Henrique 20/03/2015 11:47:56

Gostaria de linkar um artigo que discorda da posição do autor:

"o professor Fernando Nogueira da Costa, da Unicamp, afirmou que a maioria da população brasileira deveria é ficar tranquila, numa boa."

"Num universo de 100 milhões de brasileiros, somente 3 milhões têm renda suficiente para investir no mercado financeiro e a maioria deles não faz isso"

"Entre quem deveria se preocupar com a alta do dólar, dizia o professor, estão aqueles que pretendiam viajar para o exterior e precisariam comprar dólares – e só."

economia.estadao.com.br/blogs/de-olho-nos-precos/dolar-em-alta-o-que-voce-tem-a-ver-com-isso/


Abraços

Responder
Leandro 20/03/2015 13:39:35

Isso mostra como a ignorância econômica nesse país é avassaladora.

Este cidadão, professor da Unicamp (óbvio), ignora o fato de que uma moeda desvalorizada é a definição própria de aumento de preços. Uma moeda desvalorizada significa que serão necessárias mais moedas em troca de um mesmo bem.

Pior ainda é ele genuinamente acreditar que é possível isolar os efeitos de uma desvalorização cambial, fazendo com que ela só seja ruim para quem vai pra Miami.

Com economistas desse naipe, nosso futuro é africano.

Responder
Sandoval 20/03/2015 13:51:08

A inflação em 8% ao ano e esse imbecil dizendo que só está sendo afetado quem vai pra Miami! PQP!

E é professor pago com o dinheiro dos meus impostos!

Responder
Pobre Paulista 20/03/2015 12:34:13

Parece que a ~mídia golpista (tm)~ está de olho no Mises hein:

FMI diz que fraqueza do real é positiva para economia brasileira

Responder
amauri 20/03/2015 13:47:19

Bom dia! O governo espera que a crise e o desemprego acabem reduzindo os preços. Eh este o método que eles combatem os efeitos da inflação monetária? O governo nao tem o exercito na mão. A populacao contra. Quem sustenta este governo?

Responder
TOBIAS 20/03/2015 14:11:58

Todos os artigos do IMB são excelentes, mas como já foi dito, neste você mitou Leandro. Parabéns pela excelente analise, pela coerencia e pela coragem. Conheci o IMB ano passado na época da eleições e não consigo para de ler, sempre que leio um artigo vou abrindo links em novas abas e salvando para ler depois.

Responder
Leandro 20/03/2015 14:59:42

Obrigado pela manifestação, prezado Tobias.

É sempre estimulante ouvir essas mensagens. Grande abraço!

Responder
Rud 20/03/2015 14:42:09

Do ponto de vista macro um otimo texto.....mas discordo em alguns pontos no tocante a investimentos pessoais ....por exemplo : "caso a atual desvalorização do real (veja a extremidade direita do gráfico 1) se mantenha, não descarte uma ressurreição na atividade imobiliária para fins puramente especulativos e de proteção de riqueza."......Ora, na década de 80 quando a moeda derretia todo dia, imóvel era um péssimo investimento ( trocava-se um chevette. linha tefefonica por lotes e voce tinha que devolver uns $$, quem dependia de aluguel como minha mae passou por perregues danados ).... na segunda metade da década de 90 com moeda já forte imovel não era lá grandes coisas para investir também...o "breu" nos imoveis pegou mesmo de 2008 /2011, onde a moeda e o real tinha um valor razoavel e aceitavel......ou seja, mostrei situações que, com moeda forte ou fracas, o mercado de imoveis não seguiu uma regra fixa.

Responder
Gullit 20/03/2015 14:58:29

"Ora, na década de 80 quando a moeda derretia todo dia, imóvel era um péssimo investimento"

Não sei onde você morava mas sei que minha família se deu muito bem especulando no mercado imobiliário na década de 80. Um parente meu, comerciante, aproveitou-se da bagunça (por causa da zona que era a moeda, havia momentos em que os custos reais de uma obra eram ínfimos), construiu vários apartamentos e hoje vive do aluguel de todos eles.

Outro parente, bem mais pobre, também se aproveitou da zona que eram as precificações, e comprou um casarão que estava uma pechincha. Hoje esse mesmo imóvel está orçado em pelo menos R$ 3 milhões (já chegou a valer R$ 4 milhões).

"trocava-se um chevette. linha tefefonica por lotes e voce tinha que devolver uns $$, quem dependia de aluguel como minha mae passou por perregues danados"

Perdoe-me a sinceridade, mas vocês não são bons negociantes. Se trocaram um Chevette por um lote e ainda assim se deram mal, lamento, mas o comércio não está no sangue de vocês. Qualquer prediozinho que você tivesse construído nesse lote -- e a mão-de-obra da época era barata -- estaria hoje lhe rendendo uma boa receita de aluguel.

"na segunda metade da década de 90 com moeda já forte imovel não era lá grandes coisas para investir também"

Óbvio, e o artigo fala exatamente sobre isso. Com moeda forte, não há incentivo a atividades especulativas. Elas se tornam desnecessárias, pois a moeda não está se deteriorando.

"...o "breu" nos imoveis pegou mesmo de 2008 /2011, onde a moeda e o real tinha um valor razoavel e aceitavel......"

Como mostra o gráfico desse artigo, de 2008 a 2012, a moeda teve uma rápida depreciação. Justamente daí a febre imobiliária.

"ou seja, mostrei situações que, com moeda forte ou fracas, o mercado de imoveis não seguiu uma regra fixa."

Errado. Você deu 3 exemplos. O primeiro simplesmente comprovou que vocês não eram do ramo dos negócios. Já os dois últimos comprovam exatamente o que diz o artigo.

Responder
Marconi 20/03/2015 14:52:07

[Off-Topic]

Atenção libertários! Reinaldo Azevedo dá uma opinada sobre os libertários. rsrsrs

A partir do minuto 28. Enjoy

veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/clube-do-livro-so-o-conservadorismo-muda-o-mundo/

Responder
Marcos 20/03/2015 17:05:08


"É por isso que nenhum país que tem moeda instável e com baixo poder de compra produz bens de qualidade e que são altamente demandados pelo comércio mundial. Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte. Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc."

Sem dúvida, essa relação existe. Mas como ter certeza que sua causalidade não é inversa, ou seja, que esses países têm moeda forte e inflação baixa PORQUE produzem bens de qualidade?

Responder
Leandro 20/03/2015 17:27:14

É simples. Basta utilizar a lógica.

Para produzir coisas boas, a sua estrutura de produção tem de ser complexa, avançada e muito bem planejada. E a montagem dessa estrutura implica um investimento de longo prazo.

Donde vem a pergunta: como seria possível criar tal estrutura de produção e fazer esse vultoso investimento de longo prazo se você tem uma moeda fraca? A moeda é a unidade de conta que permitirá a você planejar a sua estrutura de produção. Mas se a sua unidade de conta é aviltada e distorcida, então o seu cálculo econômico ficará distorcido. Inevitavelmente. Logo, torna-se absolutamente impossível você investir visando o longo prazo; torna-se impossível montar uma estrutura de qualidade.

Caso queira se aprofundar neste assunto, sugiro este artigo.

Responder
Analista de Bagé 20/03/2015 17:12:41

Alguém aí do Instituto Mises plagiou meu estudo sobre salário mínimo em gramas de ouro (brincadeira!).
Estudo muito interessante e que revela o verdadeiro poder de compra do salário mínimo ao longo do tempo. Eu inclusive fiz uma análise com histórico ainda maior desde os anos 80 e não foge muito da relação entre 6 e 9 gramas de ouro. Ou seja, políticos demagogos que batem no peito e dizem que estão defendendo os trabalhadores, sindicatos que assumem pra si as vitórias em dissídios coletivos estão apenas enrolando o povo. Na realidade, o poder de compra do salário mínimo sempre foi parecido, existindo algumas pequenas variações ao longo das décadas, talvez até em decorrência de ciclos econômicos mundiais.
Mais interessante ainda é saber que mesmo sendo abolido qualquer lastro da moeda com o ouro desde os anos 70, é o nosso querido metal amarelo que ainda continua sendo uma referência confiável de valor. Isto é, de nada adiantou abolir o lastro com o ouro. O valor por trás das coisas sempre permanecerá referenciado em ouro (apesar dos loucos que praticam política monetária).
Parabéns pelo excelente artigo com dados e gráficos claros! Algo para salvar em PDF e consultar no futuro.

Responder
Leandro 20/03/2015 17:42:58

Recentemente, fiz um gráfico do preço do barril de petróleo em ouro, desde 1971. Incrivelmente estável.

Toda aquela conversa sobre crise do petróleo na década de 1970 foi pura enganação de políticos: não era o petróleo que estava ficando escasso; eram as moedas, recém-desacopladas do ouro, que perdiam poder de compra aceleradamente.

Tanto é que, nas décadas de 1980 e 90, o barril do petróleo despencou (dólar forte). E, na década de 2000, disparou (dólar fraco). E agora voltou a cair (dólar forte). A cotação do barril em ouro, no entanto, flutuou linearmente.

Nunca houve crise na oferta de petróleo; a crise sempre esteve na moeda.

Abraços e obrigado pelas palavras!

Responder
IRCR 20/03/2015 21:17:55

Leandro,

Que tal nos agraciar com esse gráfico do preço do barril de petróleo em ouro desde 1971.
Ficaríamos grato.

Responder
Leandro 20/03/2015 22:40:52

Aqui, o preço do barril de petróleo em dólar: de 1946 a 2013 (quando a série foi descontinuada pelo Fed; não me pergunte por quê):

research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=14SN


Aqui, a mesma série acima, só que começando em 1986 e vindo até hoje:

research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=14SP


Ou seja, abra os dois gráficos para ter a visão inteira de 1946 até hoje.



Agora, o preço do barril em onça de ouro (de 1946 a 2013):

research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=14SL


Aqui, a mesma série acima, só que começando em 1986 até hoje:

research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=14SM


Conclusão: em ouro, o barril de petróleo custa hoje o mesmo que custava na segunda metade da década de 1980; e está mais barato do que foi em quase toda a década de 1970.

Responder
Rud 20/03/2015 18:57:42

Vixe me desculpe Gullit...falou bullshits e contradições ás nauseas ...senão vejamos :

"Não sei onde você morava mas sei que minha família se deu muito bem especulando no mercado imobiliário na década de 80. Um parente meu, comerciante, aproveitou-se da bagunça ..."

"Outro parente, bem mais pobre, também se aproveitou da zona que eram as precificações, e comprou um casarão que estava uma pechincha. Hoje esse mesmo imóvel está orçado em pelo menos R$ 3 milhões (já chegou a valer R$ 4 milhões)......."


Ora, vc me mesmo atesta aí que os imóveis não valiam grande coisa ( inclusive usou o termo pechincha ). ....Outro ponto, agora é fácil falar que comprou por uma merreca e que o mesmo vale milhões hoje . Falar que comprou na baixa e vendeu na alta é fácil..... depois do acontecido é claro.....rssss....vocês deve ser daqueles que também compraram OGX 2,6 em 2008 vendeu a R$ 27 em 2010....realmente vocês têm uma bola de cristal e acertam sempre o timing, são bons em negocio... hehhhe....

"Perdoe-me a sinceridade, mas vocês não são bons negociantes. Se trocaram um Chevette por um lote e ainda assim se deram mal, lamento, mas o comércio não está no sangue de vocês. Qualquer prediozinho que você tivesse construído nesse lote -- e a mão-de-obra da época era barata -- estaria hoje lhe rendendo uma boa receita de aluguel."

Além de não ler direito é mau educado. Alquem leu no meu comentario que eu troquei um chevvete por imóvel, por linha telefônica ?....me referi justamente ao que as pessoas faziam na época .....e outra , construir para conseguir um bom preço de aluguel daqui a 30 anos é insano ....vc fala como se bastasse construir em qualquer lugar e em qualquer lote e pronto....pufff.....não viveu aquela década de 80 e 90 ( ou devia ser criança ) ....inflação de 30 % , moeda não valia nada,viver de aluguel era osso, pais era muito atrasado....ninguem construía pois, quem tinha $$ era melhor deixar no overnight...quem não tinha muito $$ necessitava gastar logo no supermercado para não ver dinheiro derreter

"Óbvio, e o artigo fala exatamente sobre isso. Com moeda forte, não há incentivo a atividades especulativas. Elas se tornam desnecessárias, pois a moeda não está se deteriorando."

O exemplo que eu dei foi justamente para mostrar que não existiu aqui no Brasil correlação entre a variação da moeda e preços de imóveis , pois conforme mostrado os preços dos imóveis não sofreram variações significativas entre um período de moeda lixo ( anos 80 ) e moeda forte ( anos 90 ).....vc não leu o que escrevi ou não entendeu.


"Como mostra o gráfico desse artigo, de 2008 a 2012, a moeda teve uma rápida depreciação. Justamente daí a febre imobiliária."


Tenha dó rapaz....olhe as medias históricas de 2008 /2012 antes de falar besteira ...em 2008 o dólar lambeu o piso de R$ 1,6...em 2009 teve a 1,5..osclilando muito entre 1,7..1,8 o que para o padrão Brazilis foi excelente....o boom dos preço imobiliários foi justamente desse período até 2012, ou seja, periodo de moeda relativamente forte ....depois da metade de 2012 com a ajuda lambanças dessa equipe econômica que o dólar rompeu a barreira dos R$ 2 e não voltou mais atrás....cadê o boom de preços imobiliarios entre 2012 até agora ?...muito pelo contrario notamos imóveis encalhados e preço estagnados com viés de queda.


"Errado. Você deu 3 exemplos. O primeiro simplesmente comprovou que vocês não eram do ramo dos negócios. Já os dois últimos comprovam exatamente o que diz o artigo."


Hilário....depois do festival de bullshit eu que sou o errado....no comments....hahaahah

Responder
Rafael 20/03/2015 20:27:57

Perdoe-me a intromissão, caro Rudd, mas realmente a besteira foi toda por sua conta. E estou me referindo à sua má interpretação dos fenômenos. (E você ainda postou sua resposta num lugar totalmente errado)

Não irei comentar suas duas primeiras respostas porque elas me foram ilegíveis.

Vou direto para as outras duas.

Você diz que:

"não existiu aqui no Brasil correlação entre a variação da moeda e preços de imóveis , pois conforme mostrado os preços dos imóveis não sofreram variações significativas entre um período de moeda lixo ( anos 80 ) e moeda forte ( anos 90 ).....vc não leu o que escrevi ou não entendeu."

Perdoe-me, mas "conforme mostrado" onde? Eu vivenciei as duas épocas. Na década de 80, construir e comprar imóveis para se proteger da inflação era febre (repito: vivenciei isso e sei do que estou falando). Na década de 1990, isso acabou.

Tanto é que ficou famoso, na década de 90, o grande desemprego entre engenheiros civis. Óbvio. Na década de 80, eles estavam à toda (construído prédios). Na década de 90, com o fim da especulação imobiliária, eles ficaram desempregados.

Em seguida, você fala que:

"olhe as medias históricas de 2008 /2012 antes de falar besteira ...em 2008 o dólar lambeu o piso de R$ 1,6...em 2009 teve a 1,5..osclilando muito entre 1,7..1,8 o que para o padrão Brazilis foi excelente....o boom dos preço imobiliários foi justamente desse período até 2012, ou seja, periodo de moeda relativamente forte ....depois da metade de 2012 com a ajuda lambanças dessa equipe econômica que o dólar rompeu a barreira dos R$ 2 e não voltou mais atrás....cadê o boom de preços imobiliarios entre 2012 até agora ?...muito pelo contrario notamos imóveis encalhados e preço estagnados com viés de queda."

Foi nesse trecho que você se entregou, Rudd. Você não entendeu o artigo (se é que o leu). O indicador que realmente mostra a perda do poder de compra de uma moeda é o ouro, e não a sua taxa de câmbio em relação ao dólar. E muito menos sua taxa de câmbio em relação ao dólar em um período em que o dólar estava reconhecidamente fraco.

Como também mostrado no artigo, de 2002 a 2008 o dólar foi insanamente depreciado (veja a evolução do dólar em relação ao ouro no gráfico 2). Consequentemente, a taxa de taxa de câmbio em relação ao dólar deixou de ser parâmetro naquela época. Comparar a taxa de câmbio do real com a taxa de câmbio de uma moeda que está sendo rapidamente depreciada (como foi o dólar de 2002 a 2008) não é um indicador sensato para aferir a saúde do real.

Você tem de comparar uma moeda ao ouro. Sempre.

Aliás, você disse que, naquela época (2008 a 2012), o real era "relativamente forte". Se ele realmente fosse relativamente forte, o IPCA de 2008 e 2010 não teria sido de 5,91%. E o de 2011 não teria sido de 6,50%. Seria um total paradoxo: uma moeda forte com inflação de preços alta. Isso não existe.

Não, Rudd. "Moeda forte" é um conceito que só pode ser definido em relação ao ouro.

Por que os preços do imóveis no Brasil dispararam de 2006 a 2012: veja o gráfico 1. A explicação está ali. E por que pararam de subir em 2013? Veja o gráfico 1. A explicação está ali.

"Hilário....depois do festival de bullshit eu que sou o errado....no comments....hahaahah"

Esse comportamento infantil é típico dos inseguros. Tenha mais maturidade. O nível aqui é outro. Não é Orkut nem Facebook. E, para ter moral, aprenda pela menos colocar a resposta no lugar certo.

Abraços.

Responder
Rud 22/03/2015 16:02:46

Rafael...primeiro : vc pegou o bonde andando. Se analisar bem a resposta do Gullit notará que ele ao comentar um post meu foi grosseiro e um tanto mal educado. Apenas respondi no mesmo tom.....quem começou com a deselegância foi ele e nao eu.....outra : se eu postei no lugar errado , peço desculpas ao moderador.Devo ter me confundido mesmo...... Agora, vc querer me dar moral só por isso e insinuar que escrevo somente no Orkut e facebook mostra a sua grosseria também.....Já postei varias vezes aqui e vocês foram as primeiras pessoas que me cometeram essas molecagens comigo.....quanto aos seus comentarios : dizer que na decada de 80 houve especulação imobiliaria, que imovel era febre, etc...ufaaa, no comments, vc deve estar se referindo ao japão e nao vivia aqui ....so pode ser isso....Quanto a questão da valorização do real na época citada , se você nega isso , realmente eu não posso fazer nada.....se vc acha assim mesmo , como diria meu avô : " então tá "...falou , dou por encerradas essa discussão.

Responder
Emerson Luis 20/03/2015 19:28:32


Eu me lembro da primeira vez que vi e tive uma nota de real.

É triste lembrar que o país já esteve em um bom caminho e pensar no que ele poderia ser hoje.

* * *

Responder
Amarilio Adolfo d Silva de Souza 21/03/2015 11:06:46

O que podemos esperar de analfabetos, marginais, quadrilheiros, assaltantes de bancos, entre outros termos, comandando a política econômica do país? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Esse país caiu num buraco por que quis e parece que está gostando: dado que o primeiro marginal, Lula, foi duas vezes presidente e a segunda marginal, também. Enquanto isso, cresce o número de intervenções desnecessárias, bolsas-esmolas, etc. Crescimento econômico de verdade que é bom, NADA. FORA PT!

Responder
Henrique 21/03/2015 13:47:20

Leandro, há comentários de que teremos dois anos de recessão (não apenas em 2015). O que acha?

abraços

Responder
Vinicius 23/03/2015 03:13:12

50% do crescimento de 2016 depende da taxa de investimento em formação bruta de capital fixo e infraestrutura realizados nos 2 primeiros trimestres de 2015, assim que tais números saírem saberemos com certeza o tamanho do buraco vindouro.

Responder
Rodrigo 21/03/2015 17:14:11

Caro Leandro,

1) Ficaríamos bem na hipótese teórica de ter uma moeda fraca, porem estável? Exemplo: caso o dolar mantiver o preço de 3,30 por anos a fio?

2) Há alguém que se beneficia da inflação além do próprio governo da vez?

Abraço!

Responder
Leandro 22/03/2015 14:15:42

1) Só no longo prazo e se -- apenas e se -- o dólar se valorizar muito nesse período. Aí chegará um momento em que a moeda nacional ficará forte. Mas, até lá, haverá vários e desnecessários desarranjos em toda a estrutura de produção e investimentos da economia.

Por outro lado, se o dólar repentinamente se tornar fraco após a adoção de uma taxa de câmbio já desvalorizada, aí a economia se desarruma de vez.

2) Devedores que estão com dívidas a uma taxa de juros fixa.

Responder
Paulo roberto 21/03/2015 22:05:36

Leandro, como ficaria o real se fosse lastredo ao nióbio, metal que o Brasil possui em grandes quantidades e as maiores reservas?

Responder
Leandro 22/03/2015 14:18:20

Nunca vi um gráfico que mostrasse o histórico da evolução do preço do nióbio. Sendo assim, não estou capacitado para dizer se o nióbio seria uma boa âncora.

Responder
anônimo 22/03/2015 22:20:42

Leandro, você teria como me explicar este gráfico no final do artigo que segue? Sinceramente, para mim, ele parece não significar, nem servir para p**** nenhuma.

oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2015/03/21/turbulencia-do-dolar-563339.asp

Responder
Leandro 23/03/2015 00:11:44

Não faço a mais mínima idéia. A Míriam Leitão opera em uma realidade paralela. Mas achei interessante saber que, em 1991, em plena hiperinflação, o dólar estava baratinho -- mais barato que no período 1999-2006!

Responder
Anônimo 23/03/2015 00:42:39

Como? O preço era artificial e o mercado era restrito? Com o dólar baratinho, todo mundo ia comprar dólares e o preço subiria. Quem iria querer comprar a moeda brasileira sabendo que ela não valeria o próprio papel um dia depois?

Responder
Henrique 24/03/2015 12:50:11

Míriam Leitão é keynesiana?

Responder
Magno 24/03/2015 14:53:02

Ela é miriamleitoniana. Segue uma escola de pensamento desconexa que ela própria criou.

Responder
Yonatan Mozzini 30/03/2015 17:57:52

Ao 'anônimo 22/03/2015 22:20:42'

Utilizando os índices de preços IPCA brasileiro e o CPI americano e tendo como base o mês de julho de 1994 (mês da implantação do real), em relação ao último mês hiperinflacionado (e hiperdepreciado) de junho de 1994, eu calculei o câmbio real de quatro datas "estratégicas" e cheguei às seguintes conclusões:

Dezembro/1998 (último mês da primeira fase do Plano Real): apreciação de 381%.
Outubro/2002 (mês de maior depreciação do Plano Real): apreciação de 45,9%.
Julho/2011 (mês de maior apreciação após a segunda fase do Plano Real): apreciação do de 257,8%.
Fevereiro/2015 (último mês de IPCA e CPI disponíveis): apreciação de 113,5%.

Conclusão:
A maior apreciação real da nossa moeda em relação ao dólar ocorreu em dezembro de 1998, tendo a moeda quase quintuplicado seu poder de compra em relação ao fim do antigo Cruzeiro Real. Ou seja, em julho de 2011, onde o dólar valia R$ 1,54, sequer chegamos perto do câmbio real de final de 1998. Além disso, nem em outubro de 2002, mês cuja fuga de capitais devido ao "Efeito Lula" atingiu seu ápice, não houve depreciação em relação à hiperinflação, como mostra esse gráfico, mas o contrário: mesmo com a intensa depreciação nominal, ainda houve apreciação real de mais de 45% em relação ao mês de junho de 1994.

Sempre é bom estarmos preparados para refutar argumentações enganosas de incompetentes e vigaristas que espalham besteiras por aí, como esse gráfico, cuja intenção é enganar as pessoas a fim de favorecer certos grupos em detrimento de todo o bem-estar do restante da sociedade brasileira.

Responder
Rodrigo Garcia Wettstein 23/03/2015 11:04:42

Parabéns Leandro Roque! A volta ao Jardim de Infância também inclui a manutenção da falta de argumentos sóbrios da esquerda (PSDB e PT). Ao invés disto, inventam uma direita radical e golpista, fruto de paranóia antiga, possível objeto a ser culpado pelas desgraças vindouras, no melhor estilo Era Sarney.

Quanto ao artigo, só faltaria um complemento no artigo em relação ao comportamento do Executivo, Legislativo, Banco Central e Joaquim Levy frente ao atual momento da economia, removendo o fator político. Todos chutando a lata para a frente mas no fim será aquela velha corrida para apagar o fogo.

Falando de proteção pelo ouro, comprar ouro em barras pequenas, pelo menos no Rio de Janeiro, é algo difícil, de baixíssima liquidez. Numa loja muito conhecida, não haviam barrinhas e só queriam vender aqueles cartões superfaturados pelo plástico e pelos desenhos bonitinhos. Comprar dólares é mais fácil, porém o limite é pequeno. Então ficamos com o overnight ou com ativos do próprio governo, o que é o mesmo que comprar frutas podres na hora da Xepa.

Mais uma vez, parabéns e obrigado pelo seu artigo Leandro.

Responder
Leandro 23/03/2015 14:52:34

Exato, Rodrigo. Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
daniel 23/03/2015 12:38:58

No caso em tela a melhor hipótese é:

1 - Lastrear o real ao ouro?
2 - Criar uma nova moeda?
3 - Deixar como está e transformar o Banco Central num Currency Board?

Responder
Leandro 23/03/2015 14:56:10

A 3 seria a mais factível -- supondo que o CB teria o dólar como âncora -- e poderia ser feita literalmente em um minuto, pois há reservas de sobra para isso.

A 2 é totalmente desnecessária, pois ainda dá para salvar o real.

A 1 é a minha favorita e, no que dependesse de mim, a solução seria a 3 utilizando a 1. (CB com lastro em ouro).

Mas apenas a 3 já seria uma grande avanço.

Responder
Wolmar 23/03/2015 14:34:19

Bom dia, Leandro

Você poderia passar algumas referências que versem sobre o funcionamento do padrão-ouro e dos Currency Boards?

Obrigado

Responder
Wolmar 24/03/2015 13:01:39

Olá Leandro, bom dia e obrigado pelas indicações.

Mas sem querer abusar da sua paciência, você poderia dar uma visão sua de como funcionariam os empréstimos e os juros em um cenário de troca de metais? Ou seja, se quem empresta ouro, e vai querer receber ouro de volta, é plausível pensar em cobrança de juros, principalmente se nos remetermos aos primeiros banqueiros da idade média. Mas em um cenário atual -de crescimento, se tivermos uma base monetária que não varie, ou varie muito pouco, e a moeda tenda a ter uma valorização constante, qualquer juro que se cobre, não se tornará escorchante, se pensarmos que a ele ainda se somará a própria valorização da moeda?

Viajando um pouco e pensando a long(uíssim)o prazo, seria plausível pensar em juros negativos e salários declinantes?

Obrigado mais uma vez

Responder
Leandro 24/03/2015 15:05:35

Não trabalho com esse cenário (o qual é francamente inexequível hoje, em que um mero grama de ouro vale R$ 120). Trabalho com um cenário simples e pragmático em que a moeda de papel é apenas ancorada ao ouro por meio de um Currency Board (o que pode ser feito da noite para o dia utilizando os mais de US$ 375 bilhões das reservas internacionais).

Só isso. Sem pirotecnia nenhuma.

Nesse arranjo, a base monetária cresce normalmente, pois o arranjo é propício a investimentos estrangeiros, a oferta de crédito é abundante e a juros baixos (e, como a moeda é estável e bem definida, não há temores de desvalorização -- o que garante juros civilizados -- e não há como haver carestia alta), e não há essa "temível" tendência de valorização constante (vide que o ouro se desvalorizou de 2011 até hoje em dólares, pois o dólar se fortaleceu).

Responder
Lopes 24/03/2015 15:34:01

Meu grande temor, Leandro, é o governo destruir suas reservas internacionais como faz a Argentina de Kirchner. Inflacionou a base monetária, fixou o preço das suas reservas internacionais para baixo (para mascarar o câmbio) - que por sua vez foram compradas tão rápido quão possível pela população querendo salvar o próprio dinheiro até que o governo passou a restringir a compra destes dólares apenas aos seletos seus e deixando o resto à miséria de uma moeda que perde valor diariamente enquanto os poucos eleitos do estado ganham valor em seus dólares. (Alguns bravos encontraram o BitCoin e estão sendo salvos)

Está correta a narrativa dos fatos? Faz tempo que não consulto a tragédia argentina.

Responder
IRCR 23/03/2015 22:16:17

Leandro,

Uma hora vc disse que nos próximos anos a taxa de desemprego não ficará muito pressionada. Mas terei que descordar de vc. Por mais que a taxa de natalidade esteja caindo o que é normal, o Brasil ainda pelos próximos anos continua tendo a base da piramide mais larga. E principalmente se levarmos em consideração a geração nem nem e todos aqueles que HOJE não estão procurando emprego, não significa que vão ficar para sempre sem procurar emprego.
Se levarmos em consideração a própria carestia (perda do poder de compra das famílias), além dos novos entrantes, mais a rígida legislação trabalhista com uma economia patinando. É bem possível que a taxa de desemprego OFICIAL com a atual metodologia do IBGE (bem questionável) chegue aos 2 dígitos, e nem se fala a taxa REAL de desemprego, uns 40% ?

Responder
Leandro 23/03/2015 22:36:02

Continuo crendo que a taxa oficial, aquela da metodologia bem branda (e que não é a da PNAD), não chega aos dois dígitos. Porém, se chegar, aí pode saber que a coisa degringolou geral, e a situação ficou ainda pior do que se previa.

Responder
IRCR 24/03/2015 00:39:46

Tenho minhas duvidas se o governo vai querer ficar publicando abertamente o da PNAD.
O que pode acontecer tb é uma explosão de empregos e trabalhos no mercado informal, o que quase sempre já teve aq no Brasil, pode ficar ainda mais intenso, pois com uma CLT + uma economia fraca = desemprego e/ou trabalho informal.

Responder
Alfredo 25/03/2015 16:37:44

Enquanto os progressistas defendem a desvalorização do câmbio com o bizarro argumento de que isso é bom para a população, os barões se aproveitam da desvalorização para encher as burras de dinheiro, e ainda mandar comida para fora.

Real entre as piores moedas transforma JBS em máquina de fazer dinheiro

www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/3941155/real-entre-piores-moedas-transforma-jbs-maquina-fazer-dinheiro

A queda do real impulsiona as exportações de carne, reduzindo a oferta interna e gerando dinheiro recorde para a empresa do filho de Lula.

Responder
Pedro Morais 26/03/2015 21:31:15

Leandro,o que realmente foi o tratado de Methuen,o que os professores de história dizem que era o"ladrão" do ouro brasileiro?

Por que a libra esterlina é tão valorizada e o peso tem tantos zeros?

Responder
Leandro 26/03/2015 21:58:08

1) Tratado de panos e vinhos. Na prática, serviu apenas para fazer com que Portugal se especializasse na produção de vinhos (ganhando uma vantagem comparativa nesse quesito) e abandonasse tentativas de se especializar em outras áreas. Se foi bom ou não, fica a juízo de cada um.

2) A libra esterlina foi a moeda que serviu de reserva internacional desde o início do capitalismo até após a Segunda Guerra Mundial. Já foi a moeda mais desejada do mundo. É um histórico que mantém sua força até hoje. Até 1971, uma libra comprava 5 dólares (hoje, compra US$ 1,48). No que mais, a moeda forma a Libor, que é a taxa de juros mais importante do mundo. Continua sendo extremamente demandada.

3) Você se refere ao peso chileno? Por causa da hiperinflação da década de 1970. Vale lembrar que a moeda não foi trocada; sua denominação nominal foi mantida.

Responder
Leandro 27/03/2015 04:44:51

Termine a análise, pois você parou na metade. Permita-me.

No mundo globalizado em que vivemos, vários exportadores são também grandes importadores. Para fabricar, com qualidade, seus bens exportáveis, eles necessitam de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo. Uma mineradora e uma siderúrgica têm de utilizar maquinário de ponta para fazer seus serviços. E elas também têm de comprar, continuamente, peças de reposição. O mesmo vale para a indústria automotiva, que adicionalmente será prejudicada pele redução da oferta de aço no mercado interno (dado que agora mais aço está sendo exportado).

Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos de produção aumentem -- e irão aumentar --, então o exportador não mais terá nenhuma vantagem competitiva no mercado internacional.

É claro que nem todos os custos de produção são afetados pela desvalorização da moeda, pois nem todos componentes utilizados no processo produtivo são importados. No entanto, esse exemplo mostra como a desvalorização da moeda não irá necessariamente ajudar os exportadores no longo prazo.

Adicionalmente, se os exportadores de um país têm de recorrer continuamente ao mercado internacional para comprar maquinários e peças de reposição, e se os maquinários e as peças de reposição são demandados globalmente pelos exportadores de todos os outros países, então aqueles que tiverem uma moeda forte estarão em grande vantagem, pois poderão comprar tudo mais barato. Seu custo de produção será menor. Isso ajuda a explicar por que os produtos suíços — cuja moeda se valoriza continuamente desde 1971 — são de alta qualidade.

Outra coisa: a desvalorização cambial gera carestia em praticamente todos os bens do mercado interno (como explicado no artigo).

Se esse aumento do custo de vida doméstico não fizer com que os trabalhadores das indústrias exijam reajuste salarial, então os exportadores — aqueles que não possuem muitos maquinários importados em sua linha de produção — realmente irão se beneficiar com uma desvalorização cambial. Mas, vale ressaltar, o ganho dos exportadores ocorreu em detrimento da redução salarial, em termos reais, dos trabalhadores.

Por outro lado, se os trabalhadores exigirem um reajuste salarial de modo a restaurar seu poder de compra, então os ganhos dos exportadores serão anulados. A depreciação cambial terá criado um ganho apenas temporário para os exportadores, mas terá gerado uma carestia permanente para todo o restante da população.

Uma política de desvalorização cambial é, na realidade, uma mera política de transferência de renda dos trabalhadores — classe média e pobres — para os ricos empresários do setor exportador. O cidadão comum não ganha absolutamente nada com a desvalorização de sua moeda — só perde — ao passo que os grandes industriais podem ganhar, e muito, se seus empregados não exigirem reajustes salariais.

Por fim, diga-me: por que as exportações caem há 3 anos seguidos não obstante toda a desvalorização da moeda? Por que elas foram maior em 2011, justamente quando o real estava mais desvalorizado?

Faça uma pausa para repensar todos os seus conceitos.

Responder
Pablo 30/03/2015 06:47:43

Leandro, mais uma vez parabéns pelo artigo, sempre acompanho embora tenha conhecimentos básicos de economia.

Queria fazer uma pergunta. Já que a desvalorização cambial gera todo esse estrago na cadeia econômica, na sua opinião se tivesse o poder para mudar o que faria? Tornaria a moeda mais forte, como faria isso? Como rebater o argumento de que a desvalorização aumenta as exportações e traz mais investimento estrangeiro já que o dólar está mais valorizado?

Desculpe a simplicidade da pergunta, visto que muitos aqui entendem bem do assunto, queria entender como faz para que o nosso poder de compra seja forte, o padrão ouro seria viável para o Brasil, como implantá-lo ou como implantar um sistema que vá no sentido oposto ao que está sendo feito?

Desde já obrigado pela atenção e mais uma vez parabéns pelo artigo!

Responder
Leandro 30/03/2015 11:51:35

"Tornaria a moeda mais forte, como faria isso?"

A moeda de papel seria ancorada ao ouro por meio de um Currency Board (o que pode ser feito da noite para o dia utilizando os mais de US$ 375 bilhões das reservas internacionais).

Só isso. Sem pirotecnia nenhuma.


"Como rebater o argumento de que a desvalorização aumenta as exportações"

Olhando para a realidade.

Segundo as estatísticas do próprio IBGE, após a desvalorização cambial as exportações desabaram.

Segundo os desenvolvimentistas, com a desvalorização do real, era para as exportações terem bombado. No entanto, no quarto trimestre de 2014 justamente no período da mais intensa desvalorização, elas desabaram nada menos que 12,3%!

E, em relação ao quarto trimestre de 2013, a queda foi de nada menos que 10%.

Tá tudo aqui:

saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=2857

Segundo a teoria desenvolvimentista, era para ter ocorrido justamente o contrário.

E por que a tendência é de as exportações não aumentarem? Explicado para o Caipira logo ali em cima.


"e traz mais investimento estrangeiro já que o dólar está mais valorizado?"

Essa é ainda mais fácil, pois não faz absolutamente nenhum sentido a priori.

É só raciocinar.

Em janeiro, quando o câmbio ainda era de 2,60, um investidor que tivesse trazido US$ 100 para cá, converteria para R$ 260.

Hoje, com o câmbio a 3,30, se esses R$ 260 fossem reconvertidos em dólares, o investidor estrangeiro teria apenas US$ 79.

Ou seja, ele levou ferro. E quente. Veio com US$100 e, três meses depois, tinha apenas US$ 79. Para que ele obtivesse algum ganho real -- por exemplo, para que ele pudesse voltar pra casa com pelo menos US$ 101 --, sua taxa de retorno teria de ser de aproximadamente 30% (os R$ 260 teria que se transformar em R$ 333) em dois meses.

Entendeu a encrenca? País de moeda instável é prejuízo certo para o investidor estrangeiro. A taxa de retorno teria de ser altíssima para que ele se arriscasse a vir para cá.

E outra coisa: moeda se desvalorizando implica que a população está perdendo poder de compra. Por que seria racional investir em um país cuja população está perdendo poder de compra?

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Pobre Paulista 30/03/2015 13:06:44

Leandro,

"o que pode ser feito da noite para o dia utilizando os mais de US$ 375 bilhões das reservas internacionais"

Isso não faria o preço do ouro disparar, fazendo com que na prática a moeda perca valor logo de cara? Digo, isso não seria similar a uma maxi-desvalorização?

Responder
Leandro 30/03/2015 15:00:30

Não é assim que funciona. Não haverá nenhuma aquisição de ouro. (Lembre-se: trata-se de uma proposta modesta e efetiva, e não uma reviravolta geral no sistema.)

Seria necessário escrever um artigo detalhando o processo, mas, em termos bem grosseiramente resumidos, você pode utilizar as reservas em dólar para manter o valor do ouro fixo em termos de real.

Exemplo:

Suponha que o CB determine que, doravante, R$100 equivalem a 1 grama de ouro. A partir daí, as reservas em dólar fazem o resto de serviço.

Se você exportou 10 mil dólares em soja, e o preço do grama de ouro em dólar é de, suponhamos, 38 dólares (preço de hoje, 30 de março), então você ganhou o equivalente a 263,16 gramas de ouro.

Como 1 grama de ouro vale R$ 100, então você ganhou R$ 26.315,79.

Pronto. Só isso. O valor do real em relação ao ouro está fixado (esse é o objetivo). Já o valor do real em relação a todas as outras moedas continua flutuando, só que agora flutua exatamente como o ouro. Ou seja, agora há uma âncora sólida e bem definida.

Responder
Antonio 30/03/2015 20:10:21

Leandro, observando as cotações do ouro dos últimos cinco anos percebi que em 2011 ele estava quase 2000,00 dólares a onça. Agora em abril está quase 1200,00 dólares. Ou seja, uma desvalorização de 40%. Se o Real estivesse ancorado ao ouro, neste caso a moeda do estado brasileiro também não perderia força em relação ao Dólar e não sofreríamos das mesmas consequências econômicas da desvalorização do Real? Segue o gráfico abaixo:

br.advfn.com/bolsa-de-valores/comex/GC%5CM15/grafico


Aproveito para encaminhar uma dúvida que enviei de outro post em relação ao forex, no qual foi mencionado por você. Sei que tem muitos comentários e nem sempre é possível retirar todas as dúvidas. Lanço novamente na esperança que possa responder. Obrigado.

Você opera no Forex?
É seguro enviar dinheiro para corretoras no exterior?
Sempre tive uma dúvida. Como é feita o cálculo do valor de uma moeda em relação a outra por este sistema?


Milhares de pessoas (ou milhões a depender da liquidez da moeda), corretoras e bancos centrais operam comprando e vendendo uma determinada moeda. Como o sistema do forex calcula o valor da cotação do par de moedas? Os computadores do forex ficam onde?
Quem controla este sistema e seus computadores? Os governos?


Desde já, muito obrigado.

Responder
Leandro 30/03/2015 20:40:10

Se o real tivesse sido ancorado ao ouro em setembro de 2011, mês da máxima desvalorização do dólar, teria havido, desde então, uma desvalorização de 36% em relação ao dólar. Ruim, é claro, mas ainda menor do que os 48% efetivamente perdidos pelo real.

Por outro lado, se ele tivesse sido ancorado ao ouro em qualquer data anterior a 2010, ele teria se valorizado em relação ao dólar (daí a importância de você olhar o gráfico completo da evolução do dólar em relação ao ouro, que é justamente o gráfico fornecido neste artigo).

Por isso é crucial que, ao ancorar a moeda, você saiba exatamente o histórico do ouro e do dólar para ao menos ter uma noção sobre qual vai se valorizar e qual vai se desvalorizar dali pra frente,. Por exemplo, quem ancorou sua moeda ao dólar em setembro de 2011, viu sua moeda se valorizar continuamente desde então.

Sobre o mercado Forex, não opero nele. Esse verbete da Wikipédia está bem completo sobre os detalhes técnicos:

pt.wikipedia.org/wiki/Forex

(O verbete em inglês, caso domine o idioma, é ainda melhor).

E não, não é o governo que é o dono dos computadores. Trata-se de um mercado privado, assim como a Bovespa e a BM&F.

Responder
Pobre Paulista 30/03/2015 22:08:00

Ainda tem o risco do dólar cair em relação ao ouro, não? Neste cenário, Os reais em circulação não compram a totalidade de ouro que os dólares em reserva comprariam, causando também uma desvalorização...

Responder
Werner Rydl 30/03/2015 15:07:27

Querem uma notícia estereotípica?

Bilionário austríaco passa 2 dias preso em MT após viajar com barra de ouro

Dono de uma fortuna que beira a R$ 20 bilhões, o austríaco Werner Rydl foi detido pela Polícia Federal, no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, ao transportar uma barra de ouro, que, segundo a defesa dele, é usada como espécie de 'amuleto da sorte'.

A barra tem 644 gramas de ouro. Ele foi detido por suposta usurpação de patrimônio da União, pois não portava nenhum documento que comprovasse que era dono do ouro.

"Ele já viajou o mundo com essa barra de ouro e até então não tinha acontecido nada. Ele é excêntrico", argumentou o advogado do austríaco, André Prieto. A defesa estuda entrar com uma medida para garantir que o cliente transporte a barra de ouro sem nenhum problema.

Responder
Leandro 30/03/2015 15:12:37

Esse cidadão é louco. Se ele perder essa barra ou for assaltado -- algo bem corriqueiro no Brasil --, ele perderá mais de 80 mil reais. (644 gramas de ouro equivalem a mais de 80 mil reais.)

Responder
Andre 30/03/2015 16:47:09

Pelo visto o amuleto está trazendo azar:
Primeiro por ter sido preso.
Segundo por estarem notificando que ele anda com tal amuleto, aumentando os riscos dele ser roubado.

"...pois não portava nenhum documento que comprovasse que era dono do ouro.", ou seja, ele é considerado culpado até que prove o contrário.

Responder
Enrico 31/03/2015 00:36:12

g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/03/pt-divulga-manifesto-com-dez-propostas-para-enfrentar-crise-politica.html

Transformar poupança em gasto público e criar mais impostos para financiar a doença pública. Depois eles quebram a cabeça querendo saber o porquê da economia estar em frangalhos.

Ainda bem que ultimamente tal turma anda sem apoio de qualquer natureza não-paramilitar.

Responder
Analista de Bage 31/03/2015 02:26:27

Leandro, podíamos fazer um estudo sobre alguns preços de produtos consumidos pela população em gramas de ouro ao longo dos últimos 20 ou 30 anos o que acha? Será que encontramos dados para fazer tal estudo? Por exemplo, qual era o valor do litro da gasolina em gramas de ouro ao longo das décadas de 80 e 90? Fiz alguns cálculos preliminares e achei um valor médio atual para a gasolina de R$ 7,00/litro. Será que faz sentido? Usei como base o valor da gasolina em 2003 em média R$ 2,05/litro e o grama do ouro na BM&F em R$ 35,00/grama. Abraço!

Responder
Leandro 31/03/2015 14:56:44

Não muito. Para que fizesse sentido, você teria de provar que o preço da gasolina em 2003 -- totalmente controlado pelo governo -- era o preço certo. E que o preço atual é o errado. Se você conseguir provar isso, aí sim você pode tomar por base aquele valor e então estimar qual seria o valor "certo" atual.

Você pode, isso sim, fazer esses cálculo para o valor do barril do petróleo no mercado mundial e o valor do grama do ouro. E também com qualquer outro preço livremente determinado pelo mercado -- o que não é o caso da gasolina brasileira, cujo preço é totalmente determinado pelo governo.

Responder
Paulo Nunes 31/03/2015 15:39:30

Olá Leandro!

Lendo seu artigo e também os comentários me surgiu uma dúvida. Se a solução é ancorar a moeda ao ouro, por que os economistas brasileiros pelo menos ao que vejo não defendem tal ideia? Ninguém no governo pensou nisso? São burros demais? Qual a intenção deles em manter a economia do jeito que está sabendo que é prejudicial a nação? Realmente não entendo o que o país tem a ganhar com isso? A não ser que queiram ver todo mundo na merda ou são burros demais pra pensar numa solução!

Abraço!

Responder
Leandro 31/03/2015 16:57:54

Simples.

Porque o lobby do setor exportador e os sindicatos das indústrias que seriam afetadas pelas maiores importações -- como automotiva, siderúrgica, mineradora etc -- fariam barulho, acabariam com as contribuições de campanha, e vários políticos perderiam o apoio deles.

É assim que funciona aqui.

A moeda forte tem poderosos inimigos nos grupos de interesse e nos lobbistas.

No que mais, moeda forte é incompatível com gastança estatal e com estado inchado (pois seu financiamento passa a ser majoritariamente via impostos; se ele se financiar via endividamento, os juros disparam, pois não haveria Banco Central para acomodar os juros).

Responder
Renan Andreolle 31/03/2015 23:05:04

Leandro, utilizar o valor do salário mínimo em ouro foi pertinente para rebater a matéria, mas não diz muito sobre o poder de compra dos trabalhadores. Não seria mais interessante um gráfico do salário médio em gramas de ouro? Ele teria a mesma forma do salário mínimo?

Responder
Leandro 01/04/2015 00:56:33

"Não seria mais interessante um gráfico do salário médio em gramas de ouro?"

Posso fazer isso em um artigo futuro, mas não seria de grande serventia. Afinal, o que seria o "salário médio"? O salário mínimo é um valor nominal bem definido (e o fato de o Banco Central ter feito propaganda enganosa mereceu uma refutação). Já o salário médio do IBGE é um conceito bastante turvo, o qual sofre influência direta da metodologia escolhida, e só capta os salários de 6 capitais do país. Não é um dado muito científico.

"Ele teria a mesma forma do salário mínimo?"

Não muito, pois os aumentos dos salários médios são bem mais suaves do que os do salário mínimo.

Responder
Renato 01/04/2015 01:29:23

Leandro,

Poderia explicar melhor a questão do aumento do salário mínimo perdendo poder de compra por conta da taxa de câmbio atual? Entendo o fato do valor em dólar ter diminuído, mas isso seria realmente prejudicial se o gasto fosse em dólar, certo?

Obrigado!

Responder
Leandro 01/04/2015 11:18:22

Errado. Essa é uma visão míope das coisas.

O fato de o real ter se desvalorizado perante o dólar (e perante quase todas as moedas do mundo, inclusive a do Haiti) não é um mero capricho do mercado financeiro; significa, isso sim, que a moeda está perdendo poder de compra. Nenhuma moeda se desvaloriza perante outras ganhando poder de compra. Se ela se desvaloriza é porque perdeu poder de compra.

E uma moeda que perde poder de compra faz com que, por definição, todos os preços cotados nela subam, inclusive os de bens produzidos nacionalmente. Se a moeda perdeu poder de compra, então é necessária uma maior quantidade delas para adquirir o mesmo bem.

Não tem escapatória: moeda enfraquecendo, preços subindo. Sem exceção. E isso ocorreria mesmo que vivêssemos em uma perfeita autarquia, produzindo tudo nacionalmente.

Não dá para ser mais claro do que isso.

No que mais, em julho de 2011, o dólar custava R$ 1,54. Quem ganhava R$ 3.000 naquela época tinha um salário equivalente a US$ 1.948. Hoje, com o dólar a aproximadamente R$ 3,20, essa mesma pessoa teria de estar ganhando R$ 6.235 (aumento de 108%) apenas para voltar ao valor nominal em dólares de 2011.

Da mesma forma, um salário mínimo em meados de 2011 valia US$ 353. Hoje vale apenas US$ 246.

Hoje, o salário mínimo aumentou nominalmente em reais, mas compra muito menos coisas no mercado global. E, como explicado no artigo, o aumento do dólar afeta todos os preços internos: do pãozinho da padaria (o trigo é cotado em dólar) ao aluguel, passando pelos remédios e pela carne.

Veja essa notícia:

Sobe o preço do pão francês, com reajuste que pode chegar a 12%

Reajuste é justificado pela cotação do dólar, que está acima dos R$ 3,00. Moeda serve de base para a compra do trigo importado.

Responder
Diego M 01/04/2015 17:06:14

O senhor Joaquim Levy já está caindo no conceito.

Afirmou ontem que o Real desvalorizado ajudará o Brasil a crescer no exterior.

www.valor.com.br/brasil/3985856/real-desvalorizado-ajudara-brasil-crescer-no-exterior-diz-levy

Responder
Rodrigo 01/04/2015 17:12:38

Ela ainda está "caindo" para você? Para mim, ele já chegou ao pré-sal.

E o idiota nem sabe interpretar as estatísticas. Como bem apontou o Leandro ali em cima, no quarto trimestre de 2014, justamente no período da mais intensa desvalorização do real, as exportações desabaram nada menos que 12,3%.

E, em relação ao quarto trimestre de 2013, a queda foi de nada menos que 10%.

Tá tudo aqui:

saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=2857

Responder
Diego M 01/04/2015 17:23:08

Não sou muito conhecedor de todos os economistas brasileiros que poderiam contribuir para a atual situação, mas dos que conheci, desde junho passado, Joaquim Levy pareceu ser o mais capacitado e adequado para a situação dentre aqueles que figuraram no cenário, a despeito dessas escorregadas dele.

Vocês hão de convir que Levy é uma opção bem melhor que Berzoini e Mercadante (como foi ventilado), Mantega (meu Deus), ou até mesmo Barbosa e Tombini (paus mandados de Dilma). Com relação a Trabuco, não tenho parâmetro pra criticar.

O que quis dizer, é que, dos que estão aí.. Ele parece (ou parecia) ser o melhor.

Responder
Ricardo 01/04/2015 17:34:55

Economista que tenta corrigir déficit fiscal elevando impostos em vez de cortando gastos não é digno do nome.

E ele é ainda pior do que Mantega por um motivo muito simples: ambos fazem a mesmíssima merda, mas Levy faz sob o rótulo de "liberal", ao passo que Mantega ao menos era honesto e se assumia desenvolvimentista.

Responder
Diego M 01/04/2015 17:39:36

Concordo com sua primeira frase:
"Economista que tenta corrigir déficit fiscal elevando impostos em vez de cortando gastos não é digno do nome."

Responder
Paulo Nunes 01/04/2015 21:14:09

Boa Tarde Leandro!

Os comentários aqui estão a altura do artigo muito bom!

Jovem gostaria que comentasse essas palavras que peguei num artigo da internet.Esse tem sido o discurso da maioria quando se fala em desvalorização do câmbio rsrs

" Para que a competitividade das exportações brasileiras aumente, e o déficit comercial seja revertido, não basta desvalorizar o câmbio nominal. É preciso que os preços dos bens não comercializáveis parem de subir a taxas superiores às dos comercializáveis."


www.brasil-economia-governo.org.br/2014/03/10/as-exportacoes-brasileiras-ficaram-mais-competitivas-com-a-desvalorizacao-do-real/

Responder
Leandro 01/04/2015 22:35:27

"Para que a competitividade das exportações brasileiras aumente, e o déficit comercial seja revertido, não basta desvalorizar o câmbio nominal. É preciso que os preços dos bens não comercializáveis parem de subir a taxas superiores às dos comercializáveis."

Juro que tentei e me esforcei ao máximo para ser complacente, mas a frase não faz o mais mínimo sentido.

Ele está dizendo que, para que o déficit comercial seja revertido (e há déficit comercial simplesmente porque, ao contrário do que prevê a teoria desenvolvimentista, as exportações desabaram após a desvalorização do real), é necessário que, além de haver uma profunda desvalorização cambial (que já houve), o preço do corte de cabelo, da manicure, do eletricista, do encanador e do estacionamento não pode subir mais do que o preço da soja...

Qual o sentido desse raciocínio?

Responder
Isaac 01/04/2015 23:23:03

Pelo o que eu pude entender o câmbio se desvalorizou mas os custos de produção aumentaram a uma taxa maior do que a valorização do dólar, isso teria anulado os possíveis ganhos que os exportadores teriam caso houvesse apenas uma depreciação do real sem aumento geral nos custos.

Até que faz algum sentido, mas eu me pergunto se a desvalorização do real não está diretamente ligada a um aumento de custos na produção. Caso positivo então o professor Paulo Springer espera um cenário impossível onde a moeda deprecia e os custos caem.

Responder
Yonatan Mozzini 03/04/2015 13:47:39

Leandro, por favor, acompanhe meu exemplo numa economia hipotética e corrija-o caso não esteja correto quanto ao funcionamento do sistema Currency Board lastreado em ouro:

Base monetária de $ 300 mil.
Há títulos do Tesouro americano em posse do BC no valor de US$ 100 mil, sendo equivalentes a 2,5 kg de ouro, pois cada grama do ouro está cotado a US$ 40.
O Conselho Monetário é criado substituindo o BC e fixa-se a paridade, naturalmente, em $ 120 o grama de ouro.

Então, uma semana depois, o dólar se aprecia em relação ao ouro e este passa a custar US$ 30 o grama. As reservas em peso de ouro estão custando menos: ainda estão em US$ 100 mil, mas em ouro aumentaram (virtualmente) de 2,5 kg para 3 kg e 333,33 gramas (US$ 100 dividido por $30). A base monetária está ainda em $ 300 mil, mas agora cotado a 4:1 (quatro unidades monetárias por um dólar), ou seja, agora são necessários apenas US$ 75 mil para "lastrear" toda a base monetária. Há um excesso de dólares nas reservas em US$ 25 mil, algo além do necessário para cobrir as reservas na cotação atual.
Essa depreciação do ouro e, consequentemente, da unidade monetária, dificulta as importações e favorece as exportações, o que faz com que haja uma maior entrada de dólares aqui dentro, o que faz com que o Conselho crie automaticamente mais unidades monetárias no sistema financeiro do que antes, que faz surgir uma tendência baixista nos juros, que por sua vez gera uma elevação nos preços, que acabam inibindo o excesso de exportações e facilitando as exportações, voltando ao equilíbrio.

Caso o dólar, assim como demais moedas estrangeiras, comece a depreciar em relação ao ouro, as reservas em dólares não conseguirão lastrear toda a base monetária – que é virtualmente lastreada em ouro –, e esta irá ultrapassar as reservas em dólares na paridade fixada. Com a apreciação do ouro haverá menor criação de unidades monetárias do que antes a cada quantidade de dólares que entrar via balanço de pagamentos, o que causa elevação dos juros e recessão, somando o temor dos investidores quanto à capacidade de repatriar seus capitais, visto que a base monetária está parcialmente "descoberta" em dólares.
Essa recessão causará deflação de preços, tornando as mercadorias mais atraentes externamente, aumentando as exportações e inibindo as importações, além do fato de que a elevação dos juros irá atrair mais dólares ao sistema financeiro, que, ao chegarem ao país, serão adquiridos pelo Currency, que irá repor as reservas e também irá lançar na paridade equivalente valores em unidades monetárias no sistema bancário, aumentando também a confiança quanto à capacidade de repatriar capitais, havendo redução dos juros, voltando ao equilíbrio anterior.

Responder
Leandro 03/04/2015 16:11:06

"Caso o dólar, assim como demais moedas estrangeiras, comece a depreciar em relação ao ouro, as reservas em dólares não conseguirão lastrear toda a base monetária – que é virtualmente lastreada em ouro –, e esta irá ultrapassar as reservas em dólares na paridade fixada."

Esse é um cenário extremo. As reservas hoje estão em US$ 372 bilhões (R$ 1,17 trilhão), e a base monetária -- mesmo considerando os compulsórios dos depósitos em poupança e a prazo -- é de R$ 523,6 bilhões.

Ou seja, as reservas são o dobro da base monetária, e mesmo considerando a versão mais ampliada da base monetária.

"Com a apreciação do ouro haverá menor criação de unidades monetárias do que antes a cada quantidade de dólares que entrar via balanço de pagamentos, o que causa elevação dos juros e recessão,"

Não visualizei esse cenário. Em primeiro lugar -- e isso que vou falar agora é o menos importante de tudo --, por que haveria menor criação de unidades monetárias? Os bancos continuariam livres para criar meios de pagamento via expansão do crédito.

Em segundo lugar, se houver aumento dos juros, então haverá mais capital estrangeiro vindo pra cá, o que aumentará a base monetária.

Por último, e o mais importante de tudo, se a moeda está se valorizando, então aí sim é que virão ainda mais capitais estrangeiros para cá.

Afinal, o simples fato de a moeda nacional estar se valorizando perante as outras significa que os investidores estrangeiros ganharão fácil ao simplesmente trazerem sua moeda para cá. Se os investidores estrangeiros tiverem a confiança de que o real irá se valorizar ao longo do tempo, então aí mesmo é que eles vêm pra cá.

Imagina só: o cara vem hoje e converte mil dólares em 3.150 reais, que é a taxa de câmbio hoje.

Ele investe aqui e, após um ano, ganha um retorno de, por exemplo, 5% (bem conservador). Ou seja, os 3.150 reais, a 5%, viraram 3.307 reais. Só que nesse meio tempo o dólar caiu, vamos supor, de 3,15 pra 2,90 reais.

Quando ele converter os 3.307 reais em dólares, ao câmbio agora de 2,90, ele terá 1.140 dólares. Ou seja, os 1.000 dólares iniciais viraram 1.140, quase 14% de retorno. É um ótimo negócio.

"somando o temor dos investidores quanto à capacidade de repatriar seus capitais, visto que a base monetária está parcialmente "descoberta" em dólares."

Não há temor nenhum, pois, no cenário acima, as reservas estariam aumentando.

"Essa recessão causará deflação de preços,"

Não há recessão. Há uma fartura de investimentos estrangeiros.

No que mais, é raro haver recessão em um cenário de moeda se fortalecendo. Nesse cenário, só há recessão se o governo criar empecilhos ao empreendedorismo.

Responder
Yonatan Mozzini 03/04/2015 22:51:10

Entendi suas colocações, Leandro.

Eu disse isso anteriormente porque eu acreditava que alta dos juros e deflação de preços seria um resultado de um choque de uma abrupta supervalorização do ouro no mercado internacional, pegando os agentes econômicos desprevenidamente. Mas, agora entendo que – como eu disse antes, corrija-me, caso eu esteja errado – alta dos juros, recessão e deflação é mais uma correção a um choque externo relativo a outras coisas (temor dos investidores e, consequentemente, fuga de capitais, como ocorreu na Argentina durante o regime de conversibilidade em 1995, por exemplo) do que à supervalorização de uma moeda.

Já que o ouro tem tendências históricas de apreciação em relação às moedas fiduciárias, o país que o utilizasse obteria no longo prazo uma fortíssima valorização de seu câmbio, tanto nominal quanto real, mas seria gradual e não provocaria surpresas nos agentes econômicos, nem mesmo aos exportadores: os setores ineficientes seriam gradualmente destruídos e substituídos por outros eficientes.

- - - -
Leandro, tenho ainda duas questões:
Caso o Brasil adotasse a ancoragem monetária no ouro, também seria interessante ele adquirir, digamos, pelo menos 50% de todo o seu lastro em ouro genuíno no mercado internacional, deixando-o, por determinadas razões, estocado na Suíça? Porque, por exemplo, os títulos americanos têm rendimentos reais negativos: eles pagam 0,25% ao ano, mas a inflação deles geralmente é maior que esse valor, enquanto que o ouro estocado, apesar de não render juros nominais, ao longo do tempo ele ganha poder de compra, o que na prática origina juros reais ao seu detentor.

Além disso, caso uma economia relativamente grande como a brasileira tenha a moeda ancorada no ouro e passe a adquiri-lo fisicamente no mercado internacional, pela própria demanda brasileira por ouro já não haveria uma apreciação do metal, e consequentemente, não seria uma boa estratégia para apreciar ainda mais nossa moeda? Além disso também, poderia haver no longo prazo uma tendência de que a própria economia brasileira influenciasse o preço do ouro, deixando-o ainda mais caro, caso se fortaleça muito? Digo isso porque economias pujantes e crescentes demandam mais moeda, e como a moeda, na prática, seria o ouro, ele se torna mais demandado e seu preço sobe mais ainda no mercado internacional, apreciando-o ainda mais, que poderia atrair ainda mais investimentos para cá, quase como um processo que se retroalimenta.

Responder
Enrico 04/04/2015 01:45:47

Hoje uma tonelada de ouro está valendo $38.961.412,00. Segundo o World Gold Council (www.gold.org/supply-and-demand/supply), no final do ano de 2013 existiam 177.200 toneladas de ouro disponíveis. Ou seja, todo o ouro existente no mundo até agora há pouco valia $6.903.962.206.400,00.

Seis trilhões de dólares seriam suficientes para lastrear toda a base monetária mundial? Três trilhões seriam necessários somente para lastrear o M1 americano. E nem todo o ouro seria utilizado como moeda, já que existem outros empregos para o ouro, o que lhe dá valor produtivo, algo que nem moedas estatais nem moedas exóticas como bitcoin têm.

Se um país comprasse ouro a menos de $40/g (preço atual), tornasse o ouro sua moeda legal e persuadisse demais países a fazer o mesmo, o preço do ouro teria de subir e os cidadãos de tal país teriam um aumento em seu poder de compra.

Responder
walter azevedo 06/04/2015 14:33:41

Excelente artigo, Leandro! Mostra muito bem como o governo nos engana dizendo que foi o assistencialismo que tirou milhões de brasileiros da pobreza. Afinal, se o assistencialismo aumentou no governo da Dilma, por que a pobleza também aumentou nos ultimos anos? É a estabilidade econômica que atrai investimentos e aumentam o poder de compra das pessoas. Mas é bem difícil explicar isso para um esquerdolóide kkkkkkkk.

Só fiquei com uma dúvida, e gostaria que você me explicasse: Como que se ancora uma moeda ao ouro? Quais seriam os passos para ancorar o real ao ouro, por exemplo?

Obrigado.

Responder
Leandro 06/04/2015 14:44:12

Prezado Walter, aguarde um artigo específico sobre isso, por gentileza. No entanto, e como um paliativo eficaz, não haveria problema nenhuma em fazer o que foi feito de 2004 a 2008. Já foi feito. Pode ser feito de novo.

Obrigado pelas palavras, e grande abraço!

Responder
Leandro 07/04/2015 21:11:45

Mais duas pra ir pra conta dos desenvolvimentistas que defendem desvalorização cambial:

1) Sobe o preço do pão francês, com reajuste que pode chegar a 12%

Reajuste é justificado pela cotação do dólar, que está acima dos R$ 3,00. Moeda serve de base para a compra do trigo importado.

2) Remédios ficam até 7,7% mais caros em abril.

Como explicado no artigo, o aumento do dólar afeta todos os preços internos: do pãozinho da padaria (o trigo é cotado em dólar) aos remédios (a química fina é importada).

Responder
Mauro 28/04/2015 16:21:57

Acrescenta mais essa na conta deles:

"Indústria demitiu 232 mil pessoas em março, diz IBGE"

economia.estadao.com.br/noticias/geral,industria-demitiu-232-mil-pessoas-em-marco-diz-ibge,1677405

Ué, mas não era só desvalorizar o real que a indústria iria bombar?! Cadê os desenvolvimentistas? Março foi o mês dos sonhos deles: o dólar foi de R$ 2,90 pra R$ 3,30. Segundo eles, era para termos virado uma Suíça.

No entanto, a indústria se esfacelou em um ritmo até então inédito.

Responder
Douglas 30/04/2015 12:35:41

g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/04/embraer-tem-prejuizo-de-r-196-milhoes-no-primeiro-trimestre.html

g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/04/vale-tem-prejuizo-de-r-95-bilhoes-no-1-trimestre-de-2015.html

Olha as "previsões" se tornando reais.
Uma boa resposta a que vive bradando que real desvalorizado e bom para a exportadoras.

Mas o que me deixa triste são os comentarios de noticias assim. Varias pessoas dizendo que a a culpa e da privatização, que venderam a preço de banana e bla bla bla.
Sei que muitos la so estão fazendo campanha, mas tem uns que realmente estão apenas mal informados...

Responder
anônimo 07/04/2015 22:47:35

e qual o motivo pro brasil não produzir trigo aqui?

Responder
Leandro 07/04/2015 23:51:19

Mas produz.

Segundo a Embrapa: "No Brasil, a produção anual oscila próximo a 6 milhões de toneladas, com o cultivo do trigo nas regiões Sul (RS, SC e PR), Sudeste (MG e SP) e Centro-Oeste (MS, GO e DF). O consumo se mantém inalterado nos últimos anos, com a demanda brasileira em 10 milhões de toneladas."

Responder
Ewald Filho 03/05/2015 20:34:13

Pessoas no Bolsa-Família voltam a passar fome em decorrência da destruição da moeda.

www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/05/03/interna_politica,643417/dragao-corroi-beneficio-e-acorda-fantasma-da-fome.shtml

Muito triste.

Responder
Ali Baba 03/05/2015 21:55:27

@Ewald Filho 03/05/2015 20:34:13

Subtítulo da reportagem:

Elevação do custo de vida já obriga moradores do Jequitinhonha dependentes do programa do governo a recorrer à ajuda de conhecidos para complementar renda e comprar comida

Será que essa gente nunca pensou em algo original... tipo... trabalhar?

Eu sei... eu sei. Essa gente passa todo o tipo de necessidade... mas se estivessem dispostos a trabalhar (e muitos com certeza estão), tenho certeza que diversos investidores poderiam contratá-las. Fico pensando em coisas que podem fazer com algum valor agregado, tipo artesanato, compotas de frutas nativas, turismo (dá certo na favela, não?), etc.

As bolsas e auxílios do governo, além de serem mais custosas do que benéficas, simplesmente atrofiam essa gente. Existe um boato que corre que se a pessoa tiver um emprego, perde o bolsa-família. É completo nonsense, mas essa gente acredita (assim como acreditou que se não votasse na Dilma o Aécio cortaria a maldita bolsa)...

É muita manipulação das massas... Aí vai um prefeitinho de merda, promete meia dúzia de cestas básicas, é eleito e fica mamando nas tetas desse povo até secá-las.

Quando é que o povo vai ver que se não tomar para si a responsabilidade de produzir não vai melhorar de vida? É de dar dó.

Responder
Jakob Lew 04/05/2015 01:20:02

EUA começam a colher os frutos de sua moeda forte: o número de empresas voltando a produzir nos EUA é recorde.

Record number of manufacturing jobs returning to America

www.marketwatch.com/story/us-flips-the-script-on-jobs-reshoring-finally-outpaced-offshoring-in-2014-2015-05-01

O dólar forte derrubou custos básicos, como energia, gasolina, infra-estrutura e outros, ao passo que o enfraquecimento da moeda na China aumentou todos estes custos.

Enquanto isso, em Pindorama, a discussão é se o câmbio deve ser desvalorizado para R$3, R$3,50 ou R$4.

Responder
Renato 05/05/2015 19:20:31

Leandro, uma pergunta off-topic.
Como eu sei que você curte automobilismo, talvez você possa responder.
O que você acha, em uma categoria (até onde sei) majoritariamente privada como a F1, existir o patrocínio de estatais para pilotos e equipes? Estou perguntando isso pois li recentemente o caso do piloto Felipe Nasr. Ele é patrocinado pelo Banco do Brasil. E li também que isso estaria causando problemas, já que segundo as reportagens, ele só está correndo pela Sauber justamente por causa do patrocínio, de 40 milhões de reais, e que justamente por isso, teria tomado o lugar de um outro piloto que já tinha vaga na esquipe. Dito isso, eu pergunto: Isso sempre ocorreu na F1? Isso poderia ser configurado como ''corrupção'' dentro da F1? Esses 40 milhões, são pagos com dinheiro de impostos? E a PDVSA, dado o nível ideológico do governo venezuelano, por que está dentro da F1?

Responder
Leandro 05/05/2015 20:15:20

Acho lamentável que as coisas tenham chegado a esse ponto (e por isso torço desesperadamente contra Nasr e Massa; basta eu ver aquele logo do Banco do Brasil ou da Petrobras, que imediatamente já torço por uma quebra de motor).

Não, nem sempre foi assim. Patrocínio estatal, aliás, era a exceção na Fórmula 1. A coisa começou a desandar quando, no final de 2003, o politicamente correto impôs a proibição do patrocínio das empresas de cigarro (que seria completamente efetivada até 2010). Até então, elas eram as principais patrocinadoras do evento.

Senna, por exemplo, foi patrocinado majoritariamente pela Marlboro, Camel e John Player Special. Benson & Hedges e Lucky Strike eram outras grandes que patrocinavam as equipes.

Com o fim dos cigarros, a estatais -- que têm fundos ilimitados, pois utilizam dinheiro de impostos -- tomaram conta. (Igual ao futebol brasileiro, diga-se de passagem).

Hoje quem patrocina a F1 são majoritariamente bancos e empresas estatais petrolíferas (como Petrobras, Petronas e PDVSA, que patrocina Pastor Maldonado, que é piloto venezuelano).

Responder
anônimo 05/05/2015 21:22:47

Há muito tempo a F1 é corrupta.Senna foi campeão quatro vezes, aquele francês cretino, Jean Barry Balestre, tirou o título dele pra dar pro Prost.
Já essa de hoje é uma palhaçada total, não sei como tem gente que assite.

Responder
Renato 07/05/2015 20:43:49

Ué cara, a gente assiste porque a gente gosta de carro. A gente gosta de motor, de aceleração, do barulho do motor, das trocas de marchas, de ver a velocidade subindo no velocímetro, do conta giro indo até a faixa de vermelha, da beleza dos carros, e, obviamente, de ver o que cada piloto é capaz de fazer dentro da pista. Os patrocínios estatais não invalidam essa paixão.

Responder
Felipe 05/05/2015 23:10:26

Coxão duro já tá R$22,00/kg aqui. Daqui a pouco vou ficar enjoado de comer peito de frango e bisteca de porco...

Responder
Vinicius 20/05/2015 13:10:01

Pode crer, não aguento mais comer carne de porco, e virá outra rodada de aumento de impostos, tarifas e juros.

Responder
Renato 13/05/2015 15:44:37

Leandro, um amigo meu acabou de me marcar no facebook sobre a reportagem a seguir:
www.estadao.com.br/jornal-do-carro/noticias/servicos,carros-tem-pecas-iguais-e-precos-diferentes,24373,0.htm

e a legenda diz:''As peças são iguais, foram produzidas pelo mesmo fornecedor e desempenham função idêntica. Só que uma trabalha sob o capô do Audi A4 e, e a outra, no Volkswagen Passat. Para o Audi, ela sai 41,3% mais cara; veja outros exemplos (via Jornal do Carro)''

o que explica isso?

Responder
Leandro 13/05/2015 16:20:40

O estranho seria se o preço fosse absolutamente idêntico. Aí sim haveria algo de errado.

A reportagem é amadora: compara preços cobrados por montadoras distintas (Porsche com Volkswagen, Audi com Volkswagen, Peugeot com Citroen) e daí sai fazendo conclusões, ignorando várias outras variáveis.

Por exemplo, restaurantes a quilo que servem a mesmíssima comida, mas localizados em endereços distintos, cobrarão preços diferentes. A mesma lata de cerveja tem preços distintos nos supermercados de uma mesma cidade. Por que seria diferente com o serviço cobrado por concessionárias de carro?

Pra começar, qual o valor do aluguel que cada concessionária tem de pagar? Em que bairro cada uma está localizada? Qual o poder aquisitivo média da clientela de cada um? Se isso for ignorado, não há análise.

Outra, essas peças citadas normalmente são importadas. O preço de cada uma vai depender do câmbio vigente quando elas foram compradas. Levaram isso em conta?

Por fim, e disso ninguém gosta de falar, há algo chamado "valoração subjetiva dos consumidores". Quem tem um C3 está disposto a pagar mais caro do que o dono de um 207. Quem tem um A4 está mais disposto a pagar mais do que quem tem um Passat. Quem almoça no Fasano está disposto a pagar mais, pela mesma comida, do que quem come no Emiliano.

Responder
Thiago Santos 13/05/2015 16:22:51

Olha o nível da nossa imprensa. Em vez de fazerem coro contra as tarifas de importação e contra a proibição da importação de carros usados, preferem subverter a lógica econômica e fazer matérias sensacionalistas sobre diferenças de preços entre serviços cobrados.

Como disse o Leandro, daqui a pouco veremos a imprensa fazer a espantosa descoberta de que uma lata de Skol custa menos em um boteco do Capão Redondo do que em uma padaria do Itaim-Bibi.

Responder
H. Romeu Pinto 20/05/2015 12:18:12

aproveitando aí a discussão sobre carro
só no brasil as vendas caem, mas os preços sobem. os pátios estão cheios, mas a montadora em vez de baixar o preço pra se desfazer do estoque, vai lá e aumenta. vai entender.
e não adianta dizer que é culpa do cambio, pois os carros da renault são todos feitos no brasil

carplace.uol.com.br/renault-eleva-precos-para-maio-e-sandero-e-logan-ganham-nova-versao/

Responder
Leandro 20/05/2015 12:31:46

Em primeiro lugar, acabou o desconto do IPI. Isso é um fator importantíssimo que não pode ser ignorado.

Em seguindo, é claro que o câmbio influência: a Renault tem montadora no Brasil, mas vários de seus componentes são importados. Como esse site nunca se cansa de explicar, em um mundo globalizado, desvalorização cambial afeta também os custos das indústrias nacionais, pois vários de seus insumos e peças de reposição são importados.

Adicionalmente, a desvalorização do real significa, por definição, que a moeda perdeu poder de compra. Consequentemente, todos os preços internos subiram. Você agora precisa de mais dinheiro para comprar a mesma quantidade de antes. Esse aumento de custos obriga produtores a reajustar seus preços.

No que mais, dólar e euro mais caro diminuem a importação, o que estimula os nacionais a aumentarem seus preços, pois a concorrência ficou ainda menor.

Por fim, não se esqueça do aumento da energia elétrica, que afeta enormemente os custos das indústrias.

Responder
Cuca Beludo 20/05/2015 16:49:32

Como o senhor já deixou bem claro, são uma série de vetores a serem considerados para se saber se o preço de um produto vai subir ou descer. No entanto, apesar das diversas variáveis, o acúmulo de carros nos pátios das montadoras já não seria sinal inequívoco de que finalmente está na hora dos preços dos automóveis irem para baixo?

Responder
John Holmes 20/05/2015 17:07:46

Fale isso pra elas. Se a Renault aumentou o preço, então de duas uma:

1) Um menor volume de vendas a preços maiores será o suficiente para manter seu fluxo de caixa.

2) Ainda está havendo demanda por Renaults.

Responder
Lopes 20/05/2015 17:12:36

"Esconder" o produto do consumidor é uma lógica que somente pode ser sustentada sob crédito, margens de lucro voláteis (como na extração de minérios, em que há uma preferência natural para mantê-los no solo quando não são muito demandados - além de margens de lucro voláteis e facilmente proibitivas) e cartelização / quase nenhum ofertador alternativo (imagine ocultar o remédio de um consumidor no varejo, em que há uma farmácia logo ao lado enquanto o dengoso empreendedor se nega veementemente a fazer uma venda [?]) - em especial, crédito barato e subsidiado - como está ocorrendo atualmente no mercado imobiliário americano, em que as baixíssimas taxas de juro do FED permitem que os bancos mantenham milhares de moradias fora do mercado e pagando IPTU na espera de os preços retornarem a um patamar mais semelhante a 2008.

Responder
Rodrigo Amado 20/05/2015 17:18:17

"No entanto, apesar das diversas variáveis, o acúmulo de carros nos pátios das montadoras já não seria sinal inequívoco de que finalmente está na hora dos preços dos automóveis irem para baixo?".

Se todo o resto estivesse constante, sim.
Mas como o Leandro citou várias variáveis importantes mudaram.
Você não pode simplesmente ignorar essas variáveis.

Só porque eles não estão conseguindo vender não significa que a única saída seja baixar os preços. Reduzir a produção também é uma solução, por exemplo.

Responder
Tomás Turbano 20/05/2015 17:54:22

Concordo que nem sempre a saída é diminuir a produção. Todavia, apesar de termos um mercado fechado, temos aí diversas marcas concorrentes vendendo veículos. Se uma marca decide simplesmente diminuir sua produção, ela corre o risco de perder parte de sua fatia do mercado. Ou, visto de outra forma, se uma marca decide simplesmente diminuir as margens de lucro e abaixar os preços de seus produtos, ela tem uma chance de aumentar sua fatia de mercado e até (quem sabe?) aumentar seu lucro total em razão da economia de escala.

Assim sendo, pergunto: apesar de todos os pesares, por que os preços dos carros não caem? Por que não aparece ao menos um fabricante para tirar vantagem dessa situação?

Responder
Guilherme 20/05/2015 18:29:01

"Assim sendo, pergunto: apesar de todos os pesares, por que os preços dos carros não caem? Por que não aparece ao menos um fabricante para tirar vantagem dessa situação?"

Já explicado pelo Leandro: IPI, câmbio, custos crescente, preços dos insumos. Não vale a pena repetir tudo de novo.

A única coisa que pode alterar esse arranjo é a facilitação das importações. Mas isso o governo não deixa.

Responder
Rodrigo Amado 20/05/2015 18:55:19

"Assim sendo, pergunto: apesar de todos os pesares, por que os preços dos carros não caem? Por que não aparece ao menos um fabricante para tirar vantagem dessa situação?".

Porque estamos em um oligopólio.

Se o governo liberasse a importação de carros, com impostos bem baixos ou nulos (sonho utópico), aí sim os preços cairiam de forma rápida e fulminante.

Os preços dos produtos de informática vêm caindo ano após ano após a abertura comercial ocorrida no fima da década de 80.
Antes só era possível comprar porcarias por preços altíssimos.

Exatamente como ocorre no mercado de carros até hoje.

Responder
Paula Tejano 21/05/2015 18:22:05

Antes de mais nada, uma pequena errata. No comentário acima, em vez de "concordo que nem sempre a saída é diminuir a produção", leia-se "concordo que nem sempre a saída é baixar os preços".

Voltando ao assunto, não sei se atualmente é o caso de dizer que estamos numa situação de oligopólio. De acordo com essa matéria, o Brasil já tem uma considerável quantidade de marcas de veículos, por isso mesmo me parece um exagero usar a palavra oligopólio no caso. A meu ver, oligopólio há, p. ex., na telefonia, mas não mais no setor de veículos.

Como o Leandro tinha dito em outro artigo, a causa do preço inflado dos veículos novos no Brasil é, mais do que a sanha arrecadatória do estado ou a cupidez das montadoras, o próprio brasileiro, que pira na batatinha e aceita pagar alegremente preços absurdos por carros 0km.

Daí ter feito aquela pergunta inicialmente, pois já há algum tempo se verifica um persistente acúmulo de veículos nos pátios das montadoras, o que me levou a indagar se isso seria um sinal de que finalmente o brasileiro está ficando de cheio saco de pagar os olhos da cara por veículos novos.

Responder
Isadora Pinto 31/05/2015 02:05:31

Se a situação está tão ruim para o setor de veículos, como explicar essa matéria: Honda tem fila de espera por carros e paga hora extra para produzir mais?

Responder
Romualdo 31/05/2015 13:21:41

O modelo em questão é top de linha e só é comprado por ricaços (e não pelo povão). E ninguém disse que os ricaços estão passando por dificuldades financeiras. Aliás, com o aumento dos juros, a renda das aplicações financeiras deles tendem a ser ainda maiores, o que estimula justamente esse tipo de consumo.

No que mais, comprar carros japoneses é sempre a certeza de um ótimo negócio. As criaturas simplesmente não dão defeito.

Normalíssima a notícia. Estranho seria se pobres e classe média estivessem fazendo filas para comprar carros. Aí sim haveria algo de estranho.

P.S.: a própria notícia reafirma, e com exemplos práticos, que o setor está ruim. 

Responder
Vinicius 20/05/2015 18:54:18

Deus é pai, os governos até entendo expandirem desmedidamente seus gastos, afinal o objetivo de tudo são as próximas eleições, mas por que a mídia faz isso?:

"Como ficam os salários?
Em épocas de preços em ascensão, como a vivida pelo Brasil, é mais fácil para as empresas bancarem salários. Mas também é mais fácil para elas dar aumentos abaixo da inflação. Se a inflação for 3% e o trabalhador receber um aumento de 2,5% ele ainda sente que está ganhando um pouquinho mais do que ganhava antes.
Mas num cenário em que a inflação é zero ou negativa, a tendência é que as empresas queiram ou necessitem cortar salários, embora seja uma medida bastante impopular ou difícil de ser implementada."

www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/05/150518_deflacao_uk_pai

Responder
Haroldo 27/05/2015 16:26:29

excelente artigo!!
Extremamente bem explicado e realista, com lucidez consegue interpretar o mais grave problema econômico atual!

Responder
João Vitor Ribeiro Alves 02/06/2015 20:06:08

Como faço uma comparação entre o ouro e o real?

Responder
Christina 24/06/2015 23:08:55

Este site faz algumas afirmações estranhas e contraditórias. Em alguns artigos diz que há um poderoso lobby exportador em ação em praticamente todos os países do mundo. E em outros artigos diz que a desvalorização do câmbio, empiricamente, não produz o resultado esperado de favorecer as exportações, produzindo o efeito contrário de reduzi-las.

Há ou não há um lobby exportador no Brasil e no mundo? O que este lobby exportador pede? Desvalorização da moeda? Se sim, por que pede isto já que na prática a desvalorização cambial não estimula verdadeiramente as exportações e as reduz?

Responder
Leandro 25/06/2015 00:12:19

"Este site faz algumas afirmações estranhas e contraditórias."

Vejamos.

"Em alguns artigos diz que há um poderoso lobby exportador em ação em praticamente todos os países do mundo."

Parcialmente correto. Permita-me reformular:

Há um poderoso lobby industrial que produz tanto para o mercado interno quanto para o externo. Esse lobby quer impedir que a população nacional compre produtos importados e, ao mesmo tempo, quer vender o máximo possível para fora. Dessa maneira, eles ganham dos dois lados.

Para atingir esse intento, eles pedem tarifas de importação, desvalorização cambial, subsídios e juros baixos.

Pronto. Agora ficou mais completo.

"E em outros artigos diz que a desvalorização do câmbio, empiricamente, não produz o resultado esperado de favorecer as exportações, produzindo o efeito contrário de reduzi-las."

Errado. Não há nenhum artigo dizendo especificamente que a "desvalorização do câmbio reduz exportações". Há vários artigos, isso sim, dizendo que a desvalorização cambial não apenas não irá necessariamente ajudar as indústrias, como também pode prejudicá-las. E muito.

E a empiria está no gráfico desse artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

Desvalorização da moeda eleva os custos das empresas e isso afeta sobremaneira sua capacidade produtiva. Simultaneamente, a desvalorização da moeda reduz o poder de compra da população, o que diminui a demanda interna pelos produtos das indústrias.

Pode até haver um aumento marginal das exportações (muito embora nem isso tenha acontecido na desvalorização deste ano), mas as vendas internas serão definitivamente prejudicadas. Se a queda nas vendas internas for maior que o eventual aumento das exportações, a indústria ficou em pior situação.

No extremo, por causa do aumento dos custos, pode haver uma diminuição da qualidade dos produtos fabricados, levando, aí sim, a uma redução nas exportações. Mas tal extremo não necessariamente irá ocorrer sempre.

Artigo sobre isso:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1918

"Há ou não há um lobby exportador no Brasil e no mundo?"

Há.

"O que este lobby exportador pede?"

Como já dito, tarifas de importação (pois também produzem para o mercado interno e não querem a concorrência de importados), subsídios, juros baixos e desvalorização cambial (que é muito efetiva em reduzir as importações).

"Desvalorização da moeda? Se sim, por que pede isto já que na prática a desvalorização cambial não estimula verdadeiramente as exportações e as reduz?"

De novo, nada é dito sobre desvalorização da moeda "reduzir exportações", mas sim sobre aumentar custos, com consequências inesperadas. (Vide os dois links acima)

Por que industriais pedem desvalorização da moeda se isso aumenta seus custos? Sei lá. Pergunta pra FIESP. Talvez eles acreditem que a desvalorização da moeda, ao desestimular as importações -- e isso realmente ocorre --, mais do que compensará o aumento de custos.

Você está querendo nos culpar pelo fato de que políticas econômicas intervencionistas têm consequências inesperadas e acabam prejudicando até mesmo aqueles a quem elas supostamente deveriam ajudar? Estamos apenas explicando -- com teoria, fatos e dados -- como as coisas funcionam. Se a realidade não é do agrado, nada podemos fazer quanto a isso.

Somos apenas o meteorologista que fala sobre o tempo. Não nos culpe se o tempo não é do seu agrado.

E, caso não acredite nisso, pode olhar os dados: hoje, mesmo com toda a desvalorização cambial (dólar a R$ 3,10), estamos exportando menos do que no mesmo período do ano passado (quando do dólar estava em R$ 2,25).

www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/ie5-03.xls


P.S.: para ser bem honesto, industriais preferem pedir tarifas de importação e redução de juros. Eles só pedem desvalorização cambial quando a moeda está forte, os estoques estão altos e as próprias tarifas de importação não estão reduzindo as importações. Neste cenário, uma desvalorização da moeda não os prejudica no curto prazo (pois há estoques encalhados), e sempre há a possibilidade de, após a desvalorização, a moeda voltar a se desvalorizar.

Responder
Rodrigo Pereira Herrmann 01/08/2015 23:48:22

Pior que isso é a pura verdade.

O volume (em ton/un) da maior parte dos produtos da pauta de exportações (os manufaturados, principalmente) está igual ou menor quando comparado ao mesmo período de 2014. Pior, muitas commodities tiveram seu preço (em dólar) reduzido no mercado internacional. Ou seja, essa súbita depreciação do câmbio (e querem que vá a R$ 3,80-4,00, e irá) é um paliativo que nos custa caríssimo (à economia interna), e certamente inútil no médio-longo prazo. Realmente, isso é uma falácia que insiste em se perpetuar.

www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=1161

Responder
Roberto 16/07/2015 20:21:03

Oi Leandro! Tudo bem? Sou um iniciante em escola austríaca, recém-despertado da "Matrix"! hehe! Não consigo mais parar de estudar os artigos e livros do site! Parabéns pelo trabalho! Desculpe ser tão direto mas, neste momento, o ouro pode ser uma boa opção? O governo e bancos, aparentemente pararam de inflacionar o sistema monetário? Se os juros dos EUA aumentarem, não haverá grande fuga de dólar do Brasil e consequentemente, maior desvalorização do real? Você acha que o governo pode desistir da política contracionista para atender as possíveis futuras manifestações populares e passar a inflar mais ainda a moeda? Abraços.

Responder
Sven Bleckwedel 01/08/2015 21:00:31

Para conhecimento:

www.dgabc.com.br/%28X%281%29S%2820ifl4hl0euptt42ewjtdcgo%29%29/Noticia/1538359/real-foi-a-moeda-que-mais-perdeu-valor-em-2015

...

Responder
Daniel Stonebuilt 04/08/2015 18:48:01

Hoje tendo uma visão bem mais clara de economia e mercado, graças as informações deste Instituto, não é difícil entender como os especuladores ganham dinheiro em países como Brasil.
Eles veem oportunidade nas custas de uma população sofrida e um economia em frangalhos. Enquanto os Investidores de capital, os que realmente ajudam o país, querem distancia, pois não encontram parâmetros de retorno, conforme publicado no ótimo artigo escrito acima.

Responder
Edujatahy 04/08/2015 20:16:14

Não pense mal dos especuladores meu caro. O problema é o estado e não eles...

Vide este link:
mises.org.br/Article.aspx?id=707

Responder
Pedro Lopes 24/08/2015 16:52:02

Neste exato momento, o grama do ouro está custando R$ 131,55, o maior valor da história do real.

Quem apostou na "relíquia bárbara" segue se dando bem.

Responder
Pedro Lopes 19/09/2015 01:20:44

Atualização: ouro a R$ 144,41.

Quem apostou na "relíquia bárbara" segue gargalhando.

Responder
anônimo 07/09/2015 15:33:10

ora somos todos americanos, porque não adotar o dolar?

Responder
Felipe Brasil 07/09/2015 16:54:19

Leandro, um jornalista da TVGazeta comentou que é errado afirmar que o dólar está na cotação mais alta dos últimos 12 anos, pois é necessário levar em consideração o IGPM.

O argumento dele é que o valor do dólar naquela época não tem o mesmo poder de compra que hoje e para isso teria que custar R$7,33 para ter a cotação mais alta.

Até onde isso está certo? A correção monetária não é feita apenas em câmbio fixo?

Abraço

Responder
Leandro 07/09/2015 17:14:54

Já explicado aqui mesmo nesta seção de comentários.

Esse raciocínio é economicamente ignaro.

Em primeiro lugar, com câmbio flutuante, não tem disso de "corrigir pelo IGP-M"; a correção já ocorre automaticamente. A taxa de câmbio de longo prazo é a razão entre os preços internos de cada país. Ela já considera tanto a inflação de preços no Brasil quanto a inflação de preços nos EUA. Não é necessário "corrigir pelo IGP-M".

Em segundo lugar, o cidadão ignorou completamente toda a inflação de preços ocorrida nos EUA. Ele partiu do princípio de que ela foi zero. Só que ela não foi pequena: de 2006 a 2008, por exemplo, o IGP-M americano (PPI) chegou a ser maior que o brasileiro em alguns momentos. Os próprios preços dos imóveis nos EUA cresceram absurdamente neste período, bem como o preço do ouro, denotando uma forte inflação ocorrida naquele país (e não captada pela branda metodologia do índice oficial americano, que ignora os preços de alimentos e energia). Isso foi ignorado pelo jornalista.

Em terceiro lugar, o próprio raciocínio dele entrega a alta inflação de preços ocorrida neste período no Brasil. Se era para o câmbio estar a R$ 7,33 em vez de em R$ 3,40, então isso significa que a inflação de preços no Brasil durante este período foi brutal (o que faz com que seja incompreensível que os governistas tenham compartilhado esta idéia).

Em suma, nada a se aproveitar.

Responder
Lucas Amaro 03/12/2015 00:20:56

Leandro e pessoal, boa noite.

Qual o melhor site que compila séries históricas de inflação mensal ocorrida nos outros países? Gratuito, preferencialmente. Pelo que vi o Trading Economics não disponibiliza tal serviço gratuitamente.

Responder
Leandro 03/12/2015 02:30:59

Ué, disponibiliza gratuitamente sim. Vá em "Prices" e então em "Inflation Rate MoM".

Veja a da Brasil:

www.tradingeconomics.com/brazil/inflation-rate-mom

Responder
Lucas Amaro 03/12/2015 23:59:46

Leandro,

Não me expressei bem, faltou um importante detalhe: gostaria não de dados prontos apresentados nos gráficos, e sim os dados em si em tabelas, não necessariamente em .xls.

Responder
Joaquim Saad 15/12/2015 19:22:19

Olá, Leandro.

Algum comentário sobre o artigo do Gianetti no Estadão de hoje ?

Abraços.

"O cartel de câmbio no Brasil

Roberto Gianetti da Fonseca*
15 Dezembro 2015 | 07h 39

Em julho de 2015, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um processo administrativo para investigar um cartel de 15 bancos estrangeiros acusados de manipulação de taxas de câmbio, envolvendo o real e moedas estrangeiras, e muito especialmente se houve alguma influência direta deste cartel na fixação da denominada taxa Ptax. Essa taxa é divulgada diariamente pelo Banco Central (BC) e corresponde a uma média das taxas de compra e venda de dólar. Sua relevância deriva do fato de que é a principal referência tanto para o mercado financeiro quanto para o comércio exterior. Com base num acordo de leniência já assinado com uma instituição estrangeira, o Cade afirmou que, até agora, a investigação identificou práticas irregulares em operações no mercado offshore, mas que continua investigando a prática direta ou indireta destes bancos no mercado cambial brasileiro. Não se trata mais de verificar a existência ou não do cartel, pois isso já resultou do acordo de leniência, mas, sim, de entender a extensão do dano causado pelos seus atos ilícitos à economia brasileira e aos seus agentes econômicos privados, tais como os exportadores brasileiros, que por muitos anos receberam menos reais para cada dólar exportado, especialmente no período investigado, de 2009 a 2013.
A inexistência da conversibilidade da moeda para os residentes no Brasil está por detrás da assimetria regulatória entre os segmentos à vista e o de derivativos do mercado de câmbio brasileiro. Enquanto no mercado à vista atuam apenas os bancos autorizados pelo BC, cumprindo ordens de compra ou venda à vista de moeda estrangeira em nome próprio ou de terceiros clientes, no mercado futuro de câmbio seu caráter non-deliverable permite a todos os agentes participantes a movimentação livre de posições em moeda estrangeira.
Essa assimetria determinou ao longo do tempo uma hipertrofia do mercado futuro de câmbio no Brasil, o qual passou a ter papel preponderante na formação da taxa de câmbio do real, reforçado ainda por outras duas condicionantes combinadas, quais sejam: o elevado diferencial entre as taxas de juros interna e externa e o acesso ilimitado dos investidores estrangeiros às operações com derivativos cambiais. A esta operação especulativa de arbitragem do diferencial de taxas de juros e de câmbio dá-se o nome de carry trade, e, por causa de sua lucratividade relativa no Brasil, assumiu proporções gigantescas de dezenas de bilhões de dólares por dia!
Em resumo, sem que a grande maioria dos brasileiros se desse conta, o palco estava montado para a prática de um dos maiores crimes contra a economia brasileira, que foi a aguda e prolongada sobrevalorização cambial no Brasil, que aniquilou milhares de indústrias, milhões de empregos e fragilizou nossa economia. Sabemos, agora, que a valorização do real ocorreu não exclusivamente pela flutuação do mercado, mas, sim, de forma induzida pelo cartel de câmbio.
A especulação em qualquer mercado do mundo é benigna quando ela é bidirecional, na compra e na venda, e quando confere liquidez e anula a arbitragem de preços pela própria dinâmica do mercado. Neste caso do carry trade, o que observamos foi uma especulação maligna, pois era unidirecional, na qual quase todos os agentes privados estavam sempre na posição vendida de dólares e comprada de reais para prazos de 60 a 90 dias, e, na outra ponta, invariavelmente o Banco Central. Enquanto isso, a arbitragem de juros internos e externos permanecia fixa, tendo como base a taxa Selic, sempre nas alturas. Desta forma, o "suposto cartel" agiu impunemente por anos a fio valorizando o real a cada rolagem nos finais de mês, influenciando a fixação da taxa Ptax e, assim, ganhando um bônus cambial extra. Impressionante que as autoridades monetárias à época não tenham visto o elefante na sala. Por meio dos acordos de leniência assinados com o Cade, e assim como ocorreu nos Estados Unidos recentemente, em julgamento semelhante, aqui também deverão ser impostas bilionárias multas indenizatórias aos agentes envolvidos, 15 instituições financeiras e 30 pessoas físicas.
O cartel de câmbio está sendo finalmente desmascarado.

*Roberto Gianetti da Fonseca é empresário e economista, presidente da Kaduna Consultoria, ex-secretário executivo da Camex (2000-2002), é autor do livro 'Memórias de um trader' (Iob Thomson, 2002)
"

Responder
Leandro 15/12/2015 19:43:19

Sim, o mesmo que já fiz nas outras 7 vezes em que já me perguntaram sobre este mesmo assunto.

Em primeiro lugar, tal "esquema" teria ocorrido apenas durante um mês de 2009 (estamos no final de 2015). Mais ainda: ocorreu fazendo com que o real se desvalorizasse perante o dólar.

O articulista -- talvez por desinformação, talvez por malícia -- esconde estes dois fatos e dá a entender que tal prática perdurou durante anos (e não somente durante um mês) e foi responsável pela valorização do real, quando na verdade gerou desvalorização.

O articulista deixa clara sua confusão ao dizer que "[temos de] entender a extensão do dano causado pelos seus atos ilícitos à economia brasileira e aos seus agentes econômicos privados, tais como os exportadores brasileiros, que por muitos anos receberam menos reais para cada dólar exportado, especialmente no período investigado, de 2009 a 2013."

Ele claramente não sabe do que fala. A tramóia gerou desvalorização do real por um mês (algo benéfico a exportadores) e não valorização.

Em segundo lugar e mais importante: como este site já se exauriu de se explicar, o que determina taxa de câmbio no longo prazo é o poder de compra da moeda. E só.

Traders fazendo esqueminha podem influenciar a taxa apenas no curtíssimo prazo (se muito), mas nunca no longo.

Achar que o câmbio foi, ao longo de quase 6 anos, influenciado por alguns traders é afirmação de quem não entende nem sequer o básico de economia.

Por fim, fosse eu mais oportunista, poderia utilizar essa matéria apenas para mais uma vez criticar o câmbio flutuante (como sempre faço) e reafirmar a importância de se ancorar a moeda ao ouro ou ao dólar por meio de um Currency Board (algo que já virou meu mantra), o que aboliria qualquer chance de especulações desse tipo. Mas como sou intelectualmente honesto, tenho de desmascarar a falsa teoria do cidadão.

Responder
Pedro 19/12/2015 00:05:58

Texto muito bem escrito , super didático. Parabéns

Responder
Erisvaldo Santos 01/03/2016 01:53:12

Concordo plenamente com a sugestão da estabilidade da moeda em relação ao ouro, também estimular a produção com tecnologia nacional em detrimento da especulação financeira. Mas é preciso delinear os caminhos.

Responder
Engenheiro Anti-Cartel 01/03/2016 02:31:02

"também estimular a produção com tecnologia nacional em detrimento da especulação financeira"

Por que tem de ser com tecnologia nacional? Por que você defende essa reserva de mercado?

Se a minha fábrica está mais bem servida com equipamentos e bens de capital de alta qualidade importados da Alemanha e da Suíça, por que você quer me obrigar a comprar as porcarias nacionais? E se eu não quiser?

Sempre lembrando que essa idiotice de conteúdo nacional está em pleno vigor desde o primeiro mandato de Dilma, e serviu apenas pra gerar inflação (óbvio: reserva de mercado e proibição da concorrência externa só fazem aumentar preços),
sucatear a indústria e derrubar a produção industrial para níveis da década de 1980.

A paixão do brasileiro por ordens de burocratas é uma coisa patológica...

Responder
Eduardo 03/05/2016 23:35:15

Tenho uma duvida sobre o cambio. se o Brasil adotasse o padrão ouro, o real iria ter uma valorização maciça sobre as outras moedas, isso não iria estimular as importações de mercadorias tornando as exportações mais caras ?Vamos dizer,se o real passa-se a valer varias vezes mais do que o dolar.



Responder
Leandro 04/05/2016 00:00:26

Esse cenário que você descreveu -- valorização do real perante as outras moedas -- foi exatamente o que ocorreu durante o período 2003-2011, quando o dólar caiu de R$ 3,90 para R$ 1,56.

E o que houve com as exportações? Bombaram, exatamente como explica a teoria econômica.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2394

Responder
Fernando 04/05/2016 03:59:39

Leandro, adotar um CB com uma taxa de conversão sobrevalorizada é algo recessivo? Por exemplo, caso adotassem um CB no Brasil com a paridade de 1 para 1 com o dólar, além da deflação ocorreria também uma recessão? Pergunto isso porque os juros do interbancário obviamente disparariam.

Responder
Leonardo 03/07/2016 11:22:29

Pelo jeito que as coisas andam no Brasil, penso que além de todo tipo de inseguranças de que sofremos neste país (jurídica, econômica, política, etc.), me parece interessante buscar algum tipo de "porto seguro" para as nossas suadas economias. Leandro Roque, sempre que fala em Câmbio, dá um show, ele também defende o Ouro como parâmetro para o Câmbio. Há vários artigos dele a respeito. Pena que o Leandro não costuma dar dicas sobre como nos protegermos da Inflação. Sendo que os artigos do Leandro sobre o tema são sempre insuperáveis!

Estou pensando em comprar Ouro físico mesmo como forma de Hedge contra a inflação. Tenho estudado sobre o tema, neste site: ouroedinheiro.com/

Mas ainda não sei se é melhor comprar ouro ou moedas estrangeiras, tipo Dólar ou Franco Suíço.

Mas, penso que alguma coisa temos que fazer para protegermos nosso poder de compra (do Real).

Leandro: Por favor, escreva um livro sobre investimentos. Garanto que serei o primeiro na fila de autógrafos!

Gostei muito do artigo!

Responder
Leandro 03/07/2016 14:28:56

Prezado Leonardo, se o objetivo é meramente se proteger da inflação, então basta você aplicar em títulos do Tesouro (nas NTN-B Principal, também chamadas de Tesouro IPCA). Você não apenas se protege da inflação como ainda ganha uma taxa de juros adicional (atualmente, variando de 6,02% a 6,21%, dependendo do prazo).

Ou seja, você ganha um juro real superior a 6%.

Há vários bancos pequenos e médios que também fornecem títulos semelhantes.

No longo prazo, o ouro é sempre uma boa, mas é bom ressaltar que o real está com tendência de valorização. Se o impeachment for aprovado, se Temer vetar os obscenos reajustes, e o Banco Central não "tombinar", há sim algum motivo para ser um pouco otimista com o real (mesmo porque o real se desvalorizou excessivamente em 2015). Pode ser que ele ainda caia um pouco mais.

(No entanto, independentemente da data em que você o compre, é garantida a sua valorização no longo prazo.)

Agora, se você quer grandes valorizações no curto prazo, então compre Bitcoin.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Rodrigo Fernandes 04/07/2016 18:16:49

Oi Leandro,

Por qual motivo você recomenda o bitcoin, mas não ouro para o curto prazo? A lógica deles não é muito parecida? O bitcoin também não estaria "atrelado" ao dólar, assim como o ouro?

Abraço!

Responder
Leandro 04/07/2016 18:33:50

O ouro subiu muito em 2015 (em reais), com o grama tendo ido de R$ 115 para R$ 160. Aí, com a troca de governo e equipe econômica, começou a cair. Recentemente, ele chegou a flertar com os R$ 135, mas aí teve o Brexit, e ele voltou a subir.

Tendo em mente o que ocorreu de 2003 a 2005, pode ser que ele ainda caia um pouco (em termos de reais).

Já com o Bitcoin não visualizo tal queda.

Em todo caso, reforço: mesmo que você compre ouro hoje (a R$ 141 o grama), no longo prazo você certamente irá ganhar.

Responder
Joaquim Saad 04/07/2016 19:06:11

Boa tarde, Leandro.

Que acha daqueles contratos ("OZ1D";"OZ2D") de ouro "disponível" negociados na BMF (teoricamente c/ retirada das barras nas corretoras quando o cliente quisesse), p/ manutenção de posições de longo prazo (i.e. sem requisitar a entrega física da mercadoria) ?
Já questionei a própria bolsa acerca de auditorias p/ conferência da equivalência entre a qtd de papeis nas contas de custódia dos investidores e do volume (e qualidade) do metal guardado nos cofres (pelo jeito, operados somente pelo BB), mas a resposta foi bem evasiva (tipo, "...fazemos a conciliação das barras x contratos...").

Obrigado.

Responder
Leandro 04/07/2016 19:57:58

Há vários depoimentos na seção de comentários desta postagem de blog:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1075

Responder
Leandro 14/07/2016 18:41:46

Prezado Rodrigo, veja que hoje, dia 14 de julho, o ouro chegou a cair para R$ 137 (estando agora em R$ 138,60).

Responder
Rodrigo Fernandes 14/07/2016 19:41:24

É verdade! Acabei de olhar e já está em 137,00 de novo! Hoje está acontecendo uma combinação de dólar e cotação do ouro em dólar caindo!

Responder
Leandro 06/08/2016 15:10:06

Prezado Rodrigo, caso ainda seja do interesse, fechou ontem, 5 de agosto, em R$ 135,87 o grama.

Responder
Rodrigo Fernandes 04/07/2016 18:44:01

Ok! Mas se fizermos a análise em US$, você vê o mesmo potencial para ambos ou ainda assim vê diferenças?

Responder
Leandro 04/07/2016 19:57:32

No longo prazo, tanto ouro quanto Bitcoin serão mais caros em dólar (principalmente se o próximo presidente americano fizer besteiras nas áreas de livre comércio e intervenções estrangeiras), mas a volubilidade do Bitcoin sempre será muito maior.

O BTC é pra quem gosta de emoções (altos retornos seguidos de altas perdas). Já o ouro é para quem gosta de estabilidade (ganhos pequenos).

Responder
vrk 19/07/2016 04:20:09

Leandro , o que aconteceria se o Banco Central ancorasse o Real ao Dólar em uma proporção de 1 para 1 e adotasse uma politica monetária restritiva ? Seria similar ao Currency Board ou pra cambio fixo funcionar tem que reduzir as ferramentas monetarias do Banco Central ?

E outra pergunta, já que o Dólar e o Real são moedas fiduciárias , mero papel emitido pelo Banco Central , o que faz o Dólar ser mais " forte " que o Real é a mera quantidade de papel circulando na economia ? Então , se o BC brasileiro diminui a oferta de moeda e ao mesmo tempo o Fed aumenta a oferta do Dólar , isso por si só já é o suficiente para a taxa de cambio mudar ?

Moeda fiduciária é tão difícil entender.Não é mais fácil lastrear em um recurso escasso , como ouro ou prata ?

Keynesiano é igual Marxista. Complica o que já é complexo.

Abraços !

Responder
Leandro 19/07/2016 13:04:51

"o que aconteceria se o Banco Central ancorasse o Real ao Dólar em uma proporção de 1 para 1 e adotasse uma politica monetária restritiva?"

Seria uma política totalmente volúvel, pois é impossível haver câmbio fixo sob um Banco Central.

"Seria similar ao Currency Board ou pra cambio fixo funcionar tem que reduzir as ferramentas monetarias do Banco Central ?"

Não seria nada similar a -- e nem muito menos tão estável quanto -- um Currency Board. Vide link acima.

"E outra pergunta, já que o Dólar e o Real são moedas fiduciárias , mero papel emitido pelo Banco Central , o que faz o Dólar ser mais " forte " que o Real é a mera quantidade de papel circulando na economia ?"

Não. Quantidade de dinheiro circulando, por si só, não quer dizer nada. Você tem também de levar em conta a demanda mundial por esse dinheiro.

E qual é a demanda mundial por dólares? Quantas e quais transações globais são feitas com dólares?

Pois é.

Se você for olhar apenas a quantidade de dinheiro, sem qualquer consideração por coisas como demanda e uso global, chegará à conclusão de que o guarani paraguaio tem de ser uma das moedas mais fortes do mundo. Afinal, a oferta de guarani paraguaio no mercado mundial é ínfima em relação ao dólar. Isso levaria a crer que o preço do guarani paraguaio deveria ser alto.

No entanto, a demanda mundial por essa moeda é praticamente nula (o dólar tem demanda mundial; o guarani paraguaio não), as transações que ela efetua ocorrem apenas no Paraguai (o dólar é utilizado mundialmente; o guarani paraguaio não), e, acima de tudo, a percepção dos especuladores e investidores estrangeiros quanto à estabilidade do guarani paraguaio é inferior à do dólar.

A demanda por uma moeda é um componente imprescindível, pois é justamente ela quem determina o poder de compra de uma moeda.

O que interessa não é apenas a oferta da moeda, mas também a demanda por ela no mercado global. E isso o dólar tem de sobra, inclusive para ser usado como moeda corrente em outros países (um privilégio).

No mercado global, a demanda por dólares é muito maior que a demanda por real -- o que, por si só, significa que os EUA podem fazer uma expansão de crédito com muito menos inflação de preços do que o Brasil.

Acrescente a isso o fato de que a economia americana é muito mais aberta, e você já tem aí dois fatores baixistas sobre os preços -- fatores estes que não existem para o Brasil.

Ou seja: ao passo que, no Brasil, um crescimento de, digamos, 20% nos agregados monetários têm um potencial de gerar uma grande carestia, nos EUA os efeitos sobre os preços de um idêntico crescimento de 20% são muito menores.

"Então , se o BC brasileiro diminui a oferta de moeda e ao mesmo tempo o Fed aumenta a oferta do Dólar , isso por si só já é o suficiente para a taxa de cambio mudar ?"

Não necessariamente. Vide resposta acima.

"Moeda fiduciária é tão difícil entender.Não é mais fácil lastrear em um recurso escasso , como ouro ou prata ?"

Concordo.

"Keynesiano é igual Marxista. Complica o que já é complexo."

Concordo.

Abraços !

Responder

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