A secessão é a melhor solução para nos livrarmos da tirania (e da incompetência) de um governo

A ideia da secessão sempre foi sistematicamente demonizada pelos seus oponentes. As acusações feitas aos defensores da secessão vão desde racismo e preconceito a antipatriotismo.  Para tais pessoas, é inaceitável que um indivíduo tenha o direito de não mais pertencer a um arranjo cujo governo ele julga ser um violador sistemático de seus mais básicos direitos.
 

O conceito de secessão é simples: se um governo não mais protege os direitos de um indivíduo, então esse indivíduo deve ter o direito de abolir sua subserviência a esse governo.  Ato contínuo, um grupo de indivíduos pode renunciar à sua subserviência ao governo vigente e formar um novo governo, por exemplo.

No entanto, essa simples noção de descentralização é vista como reacionária e atrasada, ao passo que o nacionalismo e a centralização são arranjos retratados como progressistas e inevitáveis.  Sempre que uma unidade política pequena mostra seu desejo de se separar de uma unidade política grande — como a Catalunha da Espanha, Veneza da Itália, e Escócia do Reino Unido —, suas motivações são rotuladas como vergonhosas e perversas, ao passo que as motivações do governo central que quer impedir essa secessão sempre são patrióticas e abnegadas.

Como sempre, campanhas de desinformação têm o intuito de fazer com que ideias potencialmente libertadoras sejam vistas como tóxicas e perigosas, e transmitem a mensagem de que uma pessoa que queira aceitação e popularidade deve se manter longe de qualquer ideia — nesse caso, a secessão — que o regime tenha condenado.

Mas quando deixamos as calúnias e as desinformações de lado, percebemos que o apoio à secessão significa simplesmente o seguinte: é moralmente ilegítimo utilizar a violência do estado contra indivíduos que optaram por se agrupar de maneira distinta daquela que o atual regime decidiu agrupá-los.  Eles apenas preferem viver sob uma jurisdição distinta.  Libertários consideram inaceitável agredi-los por isso.

Hoje já está bem documentado o fato de que foi a ordem política descentralizada da Europa que tornou possível o surgimento da liberdade.  A ausência de uma autoridade política unificada na Europa e a vasta multiplicidade de pequenas jurisdições colocaram um limite estrito sobre as ambições de qualquer monarca.  A capacidade dos indivíduos se locomoverem de um lugar para o outro significava que um monarca perderia sua base tributária caso sua opressão se tornasse intolerável.

O pensador Frank Chodorov fez a mesma observação:

Quando o indivíduo é livre para se locomover de uma jurisdição a outra, surge um limite ao grau com que um governo pode utilizar seus poderes monopolísticos.  O governo se torna refém do medo de perder cidadãos pagadores de impostos, e isso restringe suas ações totalitárias da mesma maneira que o temor de uma perda de clientes impede que alguns monopólios se tornem muito arrogantes.

Nenhum tirano jamais defendeu um poder descentralizado ou dividido, o que explica por que todos os totalitários do século XX eram oponentes inflexíveis do federalismo. 

Ou, como escreveu Mises em 1927:

A circunstância de se ver obrigado a pertencer a um estado, contra a própria vontade, por meio de uma votação, não é menos penosa do que a circunstância de se ver obrigado a pertencer a esse estado em razão de uma conquista militar (Liberalismo — Segundo a tradição clássica, p.137).

Mises já havia compreendido que a democracia não apenas não era um substituto para uma sociedade liberal, como na realidade era sua inimiga.  Mais uma vez, ele foi provado correto: quase 100 anos depois, fomos conquistados, ocupados e subjugados pelo estado e pelo seu falso verniz das eleições democráticas.  O governo federal se tornou hoje o suposto gerente de praticamente todos os aspectos de nossa vida econômica e social.

E é exatamente por isso que devemos levar a sério a ideia da secessão, tanto em termos conceituais — pois é consistente com o libertarianismo — quanto como uma real alternativa para o futuro.

Alguém realmente acredita que um estado social-democrata, multicultural e fisicamente vasto, com mais de 200 milhões de pessoas, com interesses econômicos, sociais e culturais bastante diversos, pode realmente ser gerenciado para sempre por burocratas localizados em uma cidade isolada, sem que isso gere conflitos sociais e disputas econômicas?

Alguém realmente acredita que podemos nos unir sob um estado que faz de tudo para nos dividir?  A retórica é sempre a de ricos contra pobres, brancos contra negros, homens contra mulheres, conservadores contra progressistas, cristãos contra agnósticos, gays contra tradicionalistas, pagadores de impostos contra beneficiados por impostos, sul e sudeste contra nordeste, e políticos corruptos contra todos?

Francamente, parece estar claro que o governo federal está propenso a fazer uma balcanização do país.  Sendo assim, por que não buscar maneiras de fazer essa separação de maneira racional e não-violenta?  Por que rejeitar e desprezar a secessão, que é justamente a alternativa mais pragmática e óbvia?

Movimentos secessionistas representam a derradeira esperança para recuperarmos a grande tradição liberal-clássica e toda a civilização que ela possibilitou.  Em um mundo que se tornou esclerosado pelo poderio estatal, a secessão oferece a esperança de que sociedades genuinamente livres, organizadas em torno de mercados e de interações voluntárias em vez de coerção e governos centralizados, ainda podem existir.

A secessão tem de ser "de baixo para cima"

"Mas como tudo isso poderia realmente acontecer?", é o que você deve estar pensando.  Para criar um movimento secessionista viável não seria necessário convencer a maioria da população — ou pelo menos uma maioria do eleitorado — a se juntar a uma campanha política maciça, tipo as eleições presidenciais?

Não, de jeito nenhum.  Construir um movimento libertário secessionista não necessita de uma organização política massificada: com efeito, fazer movimentos políticos nacionais que tentem agradar a esquerda e a direita será, além de ingênuo, um enorme desperdício de tempo e de recursos escassos.

Em vez disso, o foco deve ser uma resistência local ao governo federal na forma de uma "revolução de baixo para cima", como Hans-Hermann Hoppe explica em detalhes aqui.

Temos de utilizar, de maneira defensiva, todos os espaços que o governo ainda nos permite e que ele ainda não ocupou: assim como o uso da força só é justificável em caso de autodefesa, o uso de meios democráticos só é justificável quando utilizado para se alcançar fins libertários, não-democráticos e a favor da propriedade privada.

Em outras palavras, uma insurreição de baixo para cima utiliza tanto a persuasão quanto mecanismos democráticos para se alcançar a secessão em nível individual, familiar, comunitário e, finalmente, local — de inúmeras maneiras, isso envolve simplesmente ignorar o governo central em vez de tentar inutilmente conformá-lo aos nossos desejos.

A secessão, corretamente entendida, significa retirar o consenso em relação ao governo e simplesmente se retirar desse arranjo — e não tentar capturar o governo politicamente para "converter o rei".

A secessão não é um movimento político

Por que o caminho para a secessão não é político, pelo menos em nível nacional?  Francamente, qualquer ilusão sobre "uma tomada libertária do aparato político" é pura fantasia; e mesmo se realmente houvesse uma mudança radical na mentalidade da população, o exército de milhões de funcionários públicos federais simplesmente não irá desaparecer.

Convencer a população a adotar um sistema político libertário — mesmo que tal paradoxo fosse possível — é um esforço inútil em nossa atual cultura estatizante.

A política é um indicador retardatário.  A política segue a cultura.  A cultura comanda, a política segue.  Não haverá nenhuma mudança política enquanto não houver uma mudança filosófica, educacional e cultural.  Ao longo dos últimos 100 anos, a mentalidade estatizante assumiu o controle da educação, da mídia, das artes, da literatura e da cultura popular — e assim, em consequência disso, eles tomaram o controle da política.  Não ocorreu ao contrário.  Primeiro houve a mudança cultural, depois a veio a política.

É por isso que o nosso movimento, o movimento libertário, tem de ser uma batalha pelos corações e mentes.  Tem de ser uma revolução intelectual de ideias, pois, neste exato momento, as ideias ruins estão dominando o mundo.  Não é possível esperar que ocorra um milagre político libertário em uma sociedade não-libertária.

Sim, é verdade que a filosofia da liberdade está crescendo ao redor do mundo, e há indícios de que ela está ganhando corações e mentes.  Esse é o momento de sermos ousados, e não de sermos pessimistas.  Porém, o libertarianismo jamais será um movimento político de massa, isto é, defendido pela maioria da população.

Várias pessoas sempre irão defender o estado, e não devemos nos iludir quanto a isso.  Pode ser por causa de traços genéticos, de fatores ambientais, de influências familiares, de uma escolaridade tendenciosa, ou simplesmente por causa de um inato desejo humano de querer a ilusão da segurança.

No entanto, será um erro fatal querer diluir a nossa mensagem apenas para buscar aprovação de pessoas que automaticamente serão sempre contra nós.  Será uma perda de tempo e energia preciosos. 

O que é importante não é tentar convencer aqueles que fundamentalmente discordam de nós, mas sim tentar sair do controle político deles.

É por isso que a secessão é uma abordagem taticamente superior: é muito menos hercúleo convencer pessoas de mentalidade pró-liberdade a sair de um arranjo estatal do que convencer aqueles de mentalidade estatista a ignorar o estado.

O que tanto os progressistas quanto os conservadores não entendem — ou, ainda pior, talvez entendam perfeitamente — é que a secessão fornece um ambiente que genuinamente tolera a diversidade, pois ale cria um arranjo em que pessoas de cultura, religião e comportamento distintos não estão todas sob a mesma canga estatal e não mais são obrigadas a conviver sob as mesmas regras.  A secessão fornece um arranjo que permite que pessoas com visões e interesses completamente divergentes vivam pacificamente como vizinhos, em vez de serem obrigadas a sofrer sob um mesmo governo central que as joga umas contra as outras.

Por fim, vale fazer uma ressalva importante: a secessão é um direito individual.  Isso significa que ela não é uma obrigação coletiva, e não pode imposta a quem não a quer.  Sendo assim, ainda que a maioria da população que vive em um determinado território queira se separar do governo central, ela não pode obrigar os outros moradores que não queiram se separar a participar da secessão.  A secessão não é uma questão de maiorias ou minorias, mas sim de indivíduos.

A questão foi abordada com insuperável clareza pelo maior liberal clássico de todos, Ludwig von Mises:

O direito à autodeterminação, no que tange à questão da filiação a um estado, significa o seguinte, portanto: quando os habitantes de um determinado território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes) fizerem saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertencem, mas desejam formar um estado independente ou tornar-se parte de algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos.  Este é o único meio possível e efetivo de evitar revoluções e guerras civis e internacionais. (Liberalismo — Segundo a tradição clássica, p. 128)

E ele conclui enfatizando que esse direito se estende:

aos habitantes de todo o território que tenha tamanho suficiente para formar uma unidade administrativa independente.  Se, de algum modo, fosse possível conceder esse direito de autodeterminação a toda pessoa individualmente, isso teria de ser feito. (Liberalismo — Segundo a tradição clássica, p.129)

A tarefa de convencimento será árdua, mas terá de ser feita.  As ideias mais comuns atuais são centralização, redistribuição, inflação, protecionismo e privilégios.  A ideia mais incomum é a liberdade.  Se não fizermos, ninguém fará por nós. 

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Autores:

Lew Rockwell, chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.

Jeff Deist é o atual presidente do Ludwig von Mises Mises Institute.

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SOBRE O AUTOR

Diversos Autores


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Tannhauser  10/03/2015 15:20
    Se não podemos obrigar ninguém a se separar de um Estado, então todas as pessoas de determinada região teriam que concordar em se separar.

    A probabilidade disso ocorrer em uma cidade tende a zero.

    Então não vejo como uma secessão ocorrer em uma cidade sem o uso da força ou da coação de alguns habitantes.

    Alguém tem solução para uma secessão, em uma cidade que já existe, por meios pacíficos?

  • House of Tanning  10/03/2015 16:12
    Ué, como assim? Se eu quiser morar com minha família na minha fazenda, sem ser molestado pelo governo, por seu IRPF, e por suas regulações comportamentais, mas transacionando voluntariamente com meus vizinhos da cidade, usando uma moeda que eu e ele escolhermos (aceito até de bom grado pagar os impostos indiretos embutidos em suas mercadorias, caso meu vizinho não seja secessionista), por que não posso?

    Não estou agredindo ninguém, não estou roubando ninguém, não estou ameaçando ninguém. Por que querem me proibir de fazer isso?
  • Tannhauser  10/03/2015 16:39
    A minha pergunta é prática: existe alguma forma pacífica de ocorrer secessão em uma cidade inteira?

    Pelo sua resposta, tanto você, quanto o comerciante da cidade permanecem sob jurisdição estatal, mesmo que digam o contrário. Ou seja, sua ideia não funcionaria no mundo real, pois você continuaria pagando impostos ao Estado daquela região.
  • Bath house  10/03/2015 16:48
    Por quê? Estou livre do IRPF, uso a moeda que quero, e as regulações do governo não se aplicam a mim. Pago os impostos indiretos simplesmente porque o vendedor os embutiu na mercadoria, e não tem como ele sonegá-los.
  • Tannhauser  10/03/2015 17:02
    Paga ITR?

    Está sujeito às leis do Estado?

    Pode importar mercadorias e serviços de qualquer lugar?

    Sinto muito. Isso não tem nada de secessão.

    No seu caso particular, o que você pode fazer é se isolar de todos e morar na selva. Viver igual índio. Mas não é disso que trata o artigo.
  • House of the Rising Sun  10/03/2015 17:08
    Ai, ai...

    Acabei de falar que é isso o que eu quero que seja feito (morar longe, poder usar a moeda que eu quero, e ficar isento de impostos diretos, como IRPF e ITR).

    Agora, se o estado me dará essa liberdade, é outra história. Estou apenas dizendo que seria perfeitamente possível caso ele ma concedesse. E ainda dou de bandeja (aceito pagar) impostos indiretos e imposto de importação, só pra lhe agradar.

    E aí, você deixa? Me ajuda nessa? Ou vai se alinhar ao estado?
  • theyfuckusall  10/03/2015 20:20
    Não, não! Aí é que está. Vc não pode sair da jurisdição, por mais que queira. De maneira pacífica, isto é.

    Pois, por mais que vc queira ignorar o governo, a receita federal, a polícia federal, etc, ELES NÃO IRÃO IGNORAR VC!

    Vc continuará sendo taxado, multado, espoliado e aprisionado se insistir de maneira não-violenta em segregar-se do governo em sua humilde fazenda. Eles, ao contrário de vc pacifista, irão invadir sua fazenda com mandatos e o escambau. Isso depois de obviamente terem "sequestrado em juízo" qq saldo e investimento que tenhas em algum banco, para prover os impostos e multas atrasados que vc não quis pagar.
  • Siegfried  10/03/2015 17:07
    Acho que ele estava se referindo a um possível plebiscito para se ter a secessão de uma cidade ou estado. Pensemos, exemplo, na unidade federativa mais explorada (no mal sentido) do país, o estado de São Paulo. Se os paulistas fizerem um plebiscito para conseguirem sua independência, certamente tal votação não será unânime, tendo idi... discordantes que preferirão manter o vínculo com a República Federativa do Brasil. Se um eventual plebiscito fosse ganho, mesmo a contragosto, os discordantes teriam que se subordinar à opinião da maioria, ou seja, eles teriam sim que ser coagidos.
  • Tannhauser  10/03/2015 17:25
    Obrigado, Sigfried. Era essa a minha pergunta.

    Prezado House of Cards, não seja tão agressivo, aqui é um local para discussão de ideias. Longe de mim querer impedir que você e sua família mudem pra roça. No entanto, isso não é secessão. Tá mais para um ermitão.



  • maycon rogers ribeiro alves  10/03/2015 19:13
    Algumas maneiras:
    1.Os que não quiserem ficar na nova unidade vendem suas propriedades e vão embora;
    2.Pelos ideais liberais a maioria não pode obrigar a minoria,então se essa minoria estiver concentrada em um local pode formar um enclave que faça parte da unidade original. Isso é possível pois a vários enclaves na Europa como o Campione d'Italia que fica na Suiça, mas faz parte da Itália e possui apenas 2Km2 ;
    3.Caso estiverem muito dispersados e não aceitarem vender ou não acharem compradores suas propriedades ainda resta um acordo entre todos os envolvidos para chegar em uma solução agradável a todos. Sempre a uma solução nunca testada antes;


    Aproveitando, excelente artigo, adoro quando aparecem textos como este, sobre o problema da forte centralização do poder no mundo atual. Fica aqui meu agradecimento
  • Tannhauser  11/03/2015 12:24
    Considerações interessantes, Maycon! Obrigado.
  • Wolmar  11/03/2015 15:01
    Uma pergunta aos comentaristas acima:
    Uma comunidade muçulmana pode por conta própria decidir se secionar e aplicar suas próprias leis (a sharia por exemplo) dentro de um território definido?
  • Womack  11/03/2015 15:08
    Claro.

    Agora é a minha vez: se isso acontecesse, você defenderia o "bombardeio cirúrgico" da região?
  • Wolmar  11/03/2015 15:23
    Não. Eu defenderia a invasão pela polícia assim que começassem os estupros e apedrejamento de mulheres
  • Womack  11/03/2015 15:46
    Será difícil mandar a polícia de um país invadir outro país. Parece que você e mais um grupo de mercenários terão de fazer o trabalho sozinhos.

    Porém, dado que tais atos de apedrejamento já ocorrem hoje, e você ainda não tirou a bunda do sofá para ir lutar contra os muçulmanos, só me resta a conclusão de que você é apenas mais um covardão que tem muita pose (ou melhor, muito papo) e nenhuma atitude. Macheza zero.
  • anônimo  13/03/2015 09:33
    'Eu defenderia a invasão pela polícia assim que começassem os estupros e apedrejamento de mulheres'

    Parabéns, mais um ignorante que acredita nas mentiras islamofóbicas da mídia neocon.
    Alguns muçulmanos são as pessoas mais sérias e éticas que existe, agora quem se informa lendo Rodrigo Cosntantino, Olavo de Carvalho, Caio Blinder ou afins acha que todos são uns idiotas terroristas querendo explodir tudo que vêem pela frente.
  • anêmico  16/03/2015 11:42
    Então nos diga, ó Iluminado, quais as fontes de informação confiáveis pelas quais devemos nos valer para nos mantermos atualizados?

    PS: Concordo que o Caio Blinder não passa de um vomitador de chorume.
  • Denis Augusto  15/03/2015 13:45
    Gandhi tem.
  • Marcus  10/04/2015 12:48
    Primeiro: esse artigo é O MELHOR ARTIGO QUE EU JÁ LI NO SITE (e olha que eu já li muuuiiitos).

    Segundo: eu sempre pensei nessa possibilidade: IGNORAR O ESTADO.

    Terceiro: como fazer isso no Brasil? (foi a pergunta do nosso amigo)

    MINHA SUGESTÃO: (eu sempre quis compartilhar isso aqui no site, mas não encontrava um artigo adequado para fazê-lo):

    1º Seria necessário juntar os libertários em uma cidade estratégica no Brasil.
    Sim, isso mesmo. Quem, dentre os libertários do Brasil, aceita se mudar para uma determinada cidade para que, juntos, unidos nessa pequena cidade, com os mesmos ideais comece a transformar a realidade desse município?

    2º Criar uma cultura libertária FORTE nessa cidade. Trazendo mais libertários para morarem nela e mudando a cabeça dos moradores atuais.


    3º Fazer com que essa cidade seja governada pelos libertários durante muito tempo e, com isso e com o passar do tempo, bem devagar, começarmos de algum modo a ignorar o Governo Estadual e Federal.

    4º Multiplicar esse movimento nos municípios vizinhos, até conseguirmos trazer tudo quanto é libertários para essa região e assim, um dia, conquistarmos a secessão.
  • anônimo  10/04/2015 13:58
    Gostei desses passos, vi esses tempos estao fazendo isso nos EUA, se mudando pra um estado e se juntando com outros que tem a mesma ideia.

    Pratico e realista, o ideal seria uma cidade que não tenha uma cultura muito autoritária. Até porque acredito que quem defende o estado deveria ter o direito de se sujeitar a ele se voluntariamente, mas principalmente porque esses que podem denunciar a liberdade e ameaçar essa proposta. Juntando uma quantidade suficiente que ignore o estado e que se defenda como uma comunidade quando os fiscais aparecerem é meu sonho
  • Henrique Zucatelli  14/04/2015 19:40
    Bem, pela minha experiência as cidades da Serra Gaúcha e do interior de Santa Catarina tem uma cultura que poderia muito bem estar afinada com uma migração maciça de libertários.

    Por tradição eles já tentam se livrar das garras do império há pelo menos 200 anos... Algum município próximo da Argentina, bem distante e "esquecido" pelos governos, com uma população mentalmente sadia, solo relativamente fértil e espaço para industrializar...

    Se me chamar, to dentro. Já estava mesmo resoluto em deixar minha fábrica funcionando no Paraná antes de ir para os EUA.
  • Ragnister  18/04/2015 15:52
    Ideia muito boa, de longe a mais viável.

    Sugiro criar um grupo para chamar as pessoas interessadas, acredito que muitos libertários vão se interessar.
  • Anomalus  10/03/2015 15:20
    Secessão Já! Brasil do Norte e Brasil do Sul Já!
  • anônimo  10/03/2015 16:03
    Havia pensado nessa ideia de secessao. Mas será mesmo que entendi o texto?
    Me parece que a sugestão seria reunir uma comunidade em algum local um pouco mais isolado dos estatistas pra que esses não tenham motivo pra denunciar a comunidade, e esta aplicar o PNA na 'regiao' e rejeitar qualquer controle governamental na mesma. Seria isso se levado a pratica?
  • Antônio  10/03/2015 16:13
    Já existe essa ideia nos EUA. Os adeptos se mudariam para New Hampshire, e morariam lá. Falta agora apenas convencer o governo federal e o governo estadual a liberarem essa região (ou seja, pararem de agredir essas pessoas).
  • anônimo  10/03/2015 16:27
    Bom parar de vez o estado nao vai por si mesmo, mas agora se uma cidade inteira decide nao acreditar mais no estado fica um pouco mais dificil o mesmo agir. Chega um representante do estado e 20 em volta desacreditando, ele não vai coneseguir mta coisa. É questao de todos defenderem o pna, e certamente é preciso ter poder de fogo para defender a regiao contra agressores, e o estado nao deixara de ser o agressor ao infringir o pna nessa regiao hipotetica. Facil e indolor não é, teriam pessoas dispostas a isso? Nao tenho ideia
  • Marcos  10/03/2015 18:54
    O estado nem precisaria usar violência. Basta "aceitar" a independência do pequeno território e fechar todas as fronteiras, estrangulando a economia local.

    É por isso que fazer esse experimento sem uma certa tolerância do estado é inviável.
  • anônimo  10/03/2015 19:16
    Isso não vai rolar nunca.Na hora que o estado se enfezar, prende uns líderes, mata outros e pronto, 'problema' resolvido.
    A única solução é o seasteading.
  • Marcus  29/05/2015 15:05
    Alguém já leu esse artigo aqui?

    pt.wikipedia.org/wiki/Free_State_Project

    Procede mesmo?

    Será que dá pra gente implantar isso aqui no Brasil? (A longo prazo, é lógico)
  • Felipe  10/03/2015 16:06
    Eu sei que foge um pouco do assunto, mas acho que parte da culpa pelo caminho que estamos trilhando é devido a falta de engajamento político por parte dos liberais e da direita.

    Ficam cheio de "mimimi" do por que não votar, mas enquanto isso os doutrinados e esquerdistas votam e tornam a vida de todos cada vez pior.

    E aquele discurso que voto não muda nada deveria ser repensado, basta olhar para a Venezuela e vê o estrago que fez a falta de uma organização política de direita ou liberal. Agora que tentam criar uma oposição já é tarde, as instituições já foram tomadas pela esquerda.

    Pensem, o buraco pode ser ainda mais fundo.

    E talvez, se fossemos bem organizados, poderíamos tomar frente pela secessão de São Paulo, já que muitos paulistas são simpatizantes da ideia, mas falta pessoas para tomar frente.
  • Carlos  10/03/2015 16:36
    Não vai acontecer. São Paulo é o feudo que fornece mais recursos à psicopatia unionista. Não só com São Paulo, mas com nenhum outro ente federativo, pois, já nos diz a famosa Carta de Ilusões que a "União é [...] indissolúvel".

    Caso alguém queira separar-se da besta estatal brasileira escravocrata (BEBE) vai ter que fazê-lo pela força bruta. Ou seja: não vai acontecer. (de novo, só pra ficar bem claro).
    Quanto à sua crítica com relação às eleições, sugiro que faça exatamente o mesmo que os libertários fazem com relação aos impostos: sabemos que é roubo, mas pagamos, pois prezamos a nossa integridade física e liberdade individual (o pouco que sobra) muito mais do que o produto do nosso trabalho.

    Coeteris paribus, o mesmo procede com relação às eleições. Sabemos que é um flagelo d'alma ter que participar desses rituais coletivos a cada dois anos, essa tentativa pífia de legitimação do estupro contínuo e prolongado que é ser Brasileiro. Faça como a maioria dos libertários: não vote. Caso precise tirar passaporte, simplesmente vá lá, pague a multa e pronto. Desse modo o Estado é, ao menos, minimamente honesto: ele não esconde de modo algum que a única motivação que ele possui é a de roubar as pessoas que tiveram o azar de nascer aqui.
    Afinal, ser de direita, esquerda, cima ou baixo, longitudinal, tangencial ou o raio que o parta não faz a menor diferença: nenhum deles presta.
  • Sandro lima  10/03/2015 16:17
    Para mim, questões de secessão e unificação, é questão política, sobre a ótica de não ter obrigações, e ao mesmo tempo ter vantagens.

    Eu tenho minhas duvidas sobre a eficácia de uma secessão brasileira por exemplo.
    Ainda mais hoje, quando o mundo está de olho nos recursos naturais da Amazônia, na Água brasileira.
    Uma secessão só iria enfraquecer nossas defesas, não digo militarmente, porque nesse campo, não temos lá muitas chances, mas como um povo.

    Infelizmente, secessão enfraquece os dois lados, além de gerar brigas desnecessárias para ver quem fica com o que.

    E realmente, não sabemos as reais intenções do mundo perante a Amazônia e nossos recursos que a cada ano que passa estão mais escassos no mundo.

    E tem a máxima: "Dividir para conquistar".

    África só irá para frente, quando for unificada.

    A Catalunha poderia ser um lugar melhor se ganhasse sua independência, o que enfraqueceria ainda mais a Espanha.






  • Marcos Boers  10/03/2015 16:27
    Amazônia?! O que tem a Amazônia? Hoje ela é do governo federal, e sua destruição (para quem se importa) só cresce. Por que mantê-la assim?

    "África só irá para frente, quando for unificada."

    Quer dizer então que África do Sul e Botsuana estarão melhores quando estiverem também sob o comando de políticos do Sudão, do Chade, da Libéria e da Zâmbia?
  • Tio Patinhas  10/03/2015 17:19
    Mas se alguém não se considera membro de determinado país é correto obrigá-lo a fazer parte?

    Quando vc diz que a secessão vai enfraquecer o país, vc está se esquecendo que talvez não exista um país. Talvez as pessoas queiram se separar, talvez os amazonenses não se considerem brasileiros, mas amazonenses.

    "África só irá para frente, quando for unificada."

    Isso não corresponde ao que aconteceu ali, pois a unificação gerou discórdias e muita guerra civil e eventualmente secessões. São várias etnias diferentes, línguas diferentes, religiões, etc...

    Eles são diferentes e países africanos que estão melhorando sua liberdade econômica, estão enriquecendo. Outros preferem fazer outras coisas, a unificação seria desastrosa.

    "A Catalunha poderia ser um lugar melhor se ganhasse sua independência, o que enfraqueceria ainda mais a Espanha."

    Então os catalões que não se consideram espanhóis devem continuar fazendo parte da Espanha? isso não equivale a obrigar o vizinho a pagar minha conta?

    Obrigado.
  • Sérgio Limão  10/03/2015 17:35
    E realmente, não sabemos as reais intenções do mundo perante a Amazônia e nossos recursos que a cada ano que passa estão mais escassos no mundo

    Mas é claro que sabemos. A intenção do mundo perante a Amazônia é fazer com que ela fique do jeitinho que está desde que o mundo é mundo, afinal, esse pessoal "do mundo" odeia concorrência e adora escassez artificial. Sobre os recursos escassos, quais recursos estão ficando mais escassos exatamente?
  • Amazonense  11/03/2015 01:34
    A única coisa efetivamente escassa na Amazônia são cabeças pensantes...
  • Henrique  10/03/2015 16:28
    O pessoal aqui está mais animado agora que o Levy disse que o motor do crescimento é a poupança e que o crescimento baseado em crédito é limitado?

    abraços
  • Meirelles  10/03/2015 16:44
    Tão animado quanto quando alguém me diz que o sol é amarelo.

    Abraços!
  • Vinicius  10/03/2015 17:57
    Situação está tão preta, que temos que elogiar o óbvio.
  • Felipe  10/03/2015 18:02
    Muito animado, pois tudo que ele fez até agora foi me tributar ainda mais e assim reduzir minha capacidade de poupar.
  • Macedoniano  10/03/2015 20:07
    Bem, pelo menos ele tem a consciência de que suas ações como ministro são erradas.
  • André Luiz  10/03/2015 19:35
    Depois de 14 anos de lulopetismo, a secessão até é uma ideia apreciável. Seção dos estados do sul e sudeste. Mas precisaria de uma mobilização social intensa, e a sociedade está longe disso, atualmente.
  • Anomalus  10/03/2015 19:56
    Legal, mas aqui no Brasil não funciona.
    Primeiro que a lei proíbe qualquer tentativa de secessão;
    Segundo que se você não pagar os impostos da sua terra, mais cedo ou mais tarde vão te tomar ela;
    Terceiro, só seria possível por meio da guerra, e das grandes. Por que? Porque mesmo que você tivesse um exército pequeno, você não conseguiria enfrentar o exército brasileiro e a menos que um outro grande país o ajudasse, tipo EUA, você não conseguiria. Seria mais uma guerra dos Farrapos.
    Talvez se conseguirem sensibilizar instituições internacionais se consiga alguma coisa.
    O Hoppe mora nos EUA, nem na Alemanha, seu país de origem isto daria certo.
  • Queiroz  12/03/2015 19:29
    A questão do exército massacrar, expõem a principal condição para conseguirmos uma secessão:
    Os comandos do exército precisariam se desagregar do estado maior das forças armadas.
    Ocorrendo isso a secessão de cada estado atual seria pacífica.
    Uma questão menos pacífica seria um entrave entre a polícia militar (superior em contingente) e o exército.

    Uma solução mais lenta seria a mudança de mentalidade da população (inclusive dos praças do exército) o que impediria qualquer conflito - mas acho, infelizmente,utópica.

    Mas os comandos do exército agirem de forma independente já foi visto no Brasil (ex 1930, 1964). infelizmente nestes casos a união deles voltou a ocorrer - mas lembremos que não eram com o objetivo de secessão - muito menos com o objetivo de secessão geral dos estados e não de apenas um estado.
  • Goncalves Pereira  10/03/2015 20:25
    A secessão simplesmente gera MAIS GOVERNOS e MAIS ESTADOS num território.
    Quer multiplicar o número de governos e de Estados? SECESSÃO.

    Solução sempre foi: LIBERALISMO, DEMOCRACIA, REPÚBLICA.
  • Joao  10/03/2015 20:46
    Este texto é inacreditável.
    Não faz tanto tempo que achava extremamente preconceituoso uma pessoa defender a secessão. É proibido fundar um estado independente dentro daqui, e é crime fazer apologia a algum crime. Então apoiar a secessão é... um crime!
    Olha só que pensamento. Veja como uma pessoa consegue ser cega.
    Eu não acredito que já pensei isso!
  • Carlos  10/03/2015 21:40
    Uai... Pensar é crime desde quando?
  • Vinicius  10/03/2015 22:09
    Você está preocupado com seu direito a secessão quando você não tem nem direito a propriedade privada?

  • anônimo  28/07/2015 14:58
    Poise com esse comentário eu consigo ver o quanto uma pessoa é cega.
    Pensar é crime agora... tá bom!
  • anônimo  28/07/2015 17:55
    'e é crime fazer apologia a algum crime. '
    Houve um tempo em que escravidão era coisa perfeitamente legal, se dependesse de gente como você o comércio de negros escravos existiria até hoje, já que seria um crime falar que algo que está na lei é errado, seria um crime fazer apologia da libertação deles.
  • Vinícius  10/03/2015 21:45
    O que o House of ... quis dizer que ele não conseguiu passar com o argumento de se mudar pra fazenda.

    Ele quis dizer que ele se mudaria para sua propriedade particular e, caso houvesse mecanismos para isso, faria a sua secessão pessoal e de sua família.

    Deixaria de pagar os impostos diretos, tributos, taxas, etc. Pagaria somente os impostos embutidos nos produtos e serviços que "importasse" do país vizinho a sua propriedade privada.

    Ele, por si mesmo, não pagaria nenhum imposto e também não teria direito a nenhum benefício estatal, até porque para todos os efeitos ele pertence a um outro país/nação/estado.

    Também ali em sua propriedade o estado nada mandaria, crimes ocorridos ali seriam responsabilidade única do proprietário e de possíveis empresas de serviço privado de segurança.
    A educação da família dessa pessoa seria responsabilidade dela mesma, e não havia nenhum tipo de regulação quanto ao conteúdo ministrado ou a necessidade de diplomas.
    Caso ele queia construir uma nova sede em sua fazenda, ele não precisaria de um profissional ligado ao CREA, apenas construiria e arcaria com os ônus de suas escolhas. Por exemplo, se escolhesse um profissional ruim, a casa poderia desabar matando os seus filhos.
    Ele não teria a quem culpar senão a si mesmo, devido a ter querido contratar um serviço de má qualidade, e possíveis ações judiciárias teriam que ser levadas a termo por arranjos privados.

    Em suma, a pessoa, sua família e sua propriedade privada deixariam de ser parte do estado original e passariam a ser uma entidade independente, com todos os benefícios e malefícios que isso traria.
  • Vinícius  10/03/2015 22:02
    Gostaria de saber qual seria a opinião das pessoas (principalmente brasileiras) se fosse feita a seguinte proposta a elas:


    - Secessão individual total do estado:

    1 - A pessoa não pagará NENHUM tipo de imposto ou taxa sobre seu trabalho ou renda, nem sua propriedade;

    1.1 - A pessoa poderia "exportar" a sua mão de obra para empresas associadas a este estado. Porém, como não faria parte do estado, seu salário viria limpo, sem nenhum tipo de extorsão de valores.

    1.2 - Sua propriedade, casa, carros, bens, não estarão sujeitos a fiscalização, regulamentação ou taxação estatal. Não pagaria IPTU nem IPVA, poderia adquirir aparelhos não homologados pelo INMETRO, ANATEL, ANAC, ANEEL, etc.

    1.3 - Ao transacionar com o estado original ele estaria importando/exportando produtos e serviços, sendo taxado somente no estado original.

    1.4 - Dentro de sua propriedade as leis do estado não valem, o jogo de azar poderia ser liberado, assim como a venda de órgãos ou a prostituição. E todos os benefícios e malefícios advindos destas escolhas seriam do proprietário.

    2 - A pessoa passa a não ter direito de utilizar nenhum serviço, bem ou propriedade estatal. Tendo que pagar a utilização cada vez que fizesse o uso destes;

    2.1 - Para que seu veículo trafegasse nas vias públicas do estado original, este teria que pagar pedágios aos 'donos' destas propriedades, o estado.

    2.2 - A polícia, fiscais de renda, juízes, oficiais de governo e militares não teriam jurisdição sobre a propriedade do indivíduo. Caso ele necessite destes serviços ele teria que contratar e pagar pelo serviço junto ao estado original ou à empresas privadas que ofereçam esses serviços.

    2.3 - Títulos, diplomas, distintivos e outras formas de outorga de poder pelo estado não estariam válidos neste território privado. Somente se cada indivíduo aceitar este documento ele terá valor. Não seria obrigatório e nem seriam expedidos diplomas de formação nenhuma, exceto por instituições particulares, que teria que conquistar sua própria credibilidade com seu trabalho e esforço.

    2.4 - O individuo seccionado perde o direito a todos os serviços oferecidos pelo estado original. Não poderá usar postos de saúde sem pagar pelo serviço, não poderia buscar a polícia ou judiciário sem pagar. Muito menos teria benefícios trabalhistas ou aposentadoria sem que pagasse por esses serviços.




    Tudo isso poderia acontecer sem a mudança geográfica do indivíduo, seria uma espécie de secessão individual e talvez fosse possível, caso convencêssemos o estado a não utilizar sua força armada para agredir o indivíduo a voltar para o estado, independente de sua vontade.

    A impossibilidade deste arranjo nos prova que no fundo somos todos escravos do estado, não tendo nenhum tipo de liberdade individual. Se nem uma das mais básicas liberdades tempos: a de possuir propriedade privada - como podemos nos dizer homens livres? Somos, no fim, propriedade privada do estado público.
  • Anomalus  11/03/2015 15:36
    Vc teria que viver na rua hehehe
    Porque sua casa seria tomada por falta de pagar os impostos, se você sonegar o IRPF poderia até ser preso.
    Hoje os moradores de rua são provavelmente os que optaram pela secessão individual.
  • Denise  10/03/2015 22:19
    Desde muito criança sempre sonhei com a separação do sul do resto do Brasil. Engraçado que ninguém nunca me incentivou a pensar assim. O argumento do texto é corretíssimo quando diz que nada adianta o convencimento das massas.
    Não sinto nenhuma emoção ao ouvir o hino nacional brasileiro. Tenho preconceito contra quem não progride e depende da ajuda do governo. Sinto vergonha do país que pertenço. Penso que é possível sim procurar outra solução sem precisar sair de onde moro. Aqui meu pai me ensinou o valor e recompensa de trabalhar de sol a sol. Acordar cedo e pensar no futuro. Quando tivemos dificuldade no passado a instituição que nos ajudou foi a igreja, e não governo socialista corrupto.
  • Dom Comerciante  10/03/2015 23:51
    Eu vivo repetindo para as pessoas que o Brasil é o país da secessão, é o lugar perfeito para que ela seja aplicada, exatamente pelo nosso histórico incontestável de tentativas frustradas de diferentes grupos de se separar do governo central e da união. Nós realmente podemos secessionar pequenas regiões como cidades e municípios, sendo que isso na verdade seria a única estratégia plausível para se promover secessão, ainda mais num país doutrinado em tantos dogmas socialistas e tradicionalistas como o nosso. Portanto, não adianta pensarmos em separar São Paulo ou a região sul mas sim apenas uma região com o mínimo de tamanho possível onde ainda possa existir uma grande e próspera população, talvez uma região comoo o município do Rio de Janeiro por exemplo, ou a capital paulista. Por isso minha defesa a partir de agora é somente da secessão municipal pra baixo!
    Outras considerações que eu tenho que fazer sobre o Brasil, é que, eu não acredito nesse país, não me levem a mau aqueles aqui que sejam mais nacionalistas e amantes da pátria, mas eu não acredito nesse país e não porque ele nunca será o país do futuro, é simplesmente porque ele sendo ou não um país economicamente promissor no futuro ou não, não faz a mínima diferença para mim, eu não pactuo com um país de constituição progressista e com a crença na democracia direta universalista, não me interesso por outro sistema econômico que não seja o de Laissez-faire e nem desejo que um Estado babá me trate como um incapaz, eu quero somente ter o direito de me separar seja regionalmente ou individualmente deste país!
    Quero que meus netos vivam num mundo onde as pessoas tenham o direito de se separarem de uma maneira ou de outra de um governo injusto e de uma democracia injusta que oprime as minorias em detrimento da maioria a todo momento. Quero me separar pois é da natureza humana ser livre, pois ninguém nasceu para ser escravo de ninguém!
    Meu único desejo é liberdade, liberdade para mim, liberdade para o povo de uma cidade ou para que uma microrregião se separe totalmente do poder centralizador. Não sou Anarcocapitalista, mas desejo um mundo onde as pessoas possam exercer suas teorias se assim o quiserem, pois os princípios apontam para mais liberdade e não para menos, quando estamos falando de secessão em todos os seus níveis, inclusive no nível individual.
  • Luy  12/11/2016 17:41
    O Brasil é realmente um país fadado a extinção. Nunca existiu e nunca existirá um povo brasileiro. Aqui há vários povos de culturas totalmente diferentes, que no fundo nunca se identificaram como compatriotas.

    O Brasil só será a pátria de um povo orgulhoso de a ela pertencer, quando for uma lembrança distante de um sonho impossível.
  • Carlos Eduardo  11/03/2015 00:28
    Mais uma vez volto a dizer: as idéias libertárias levam em consideração aspectos com um enorme grau de impossibilidade prática, e acaba não diferindo muito do seu antagonista, o comunismo. O extremo oposto do óbvio também é sempre óbvio.

    As teorias liberais, enquanto restritas à ciencia econômica, a vão muito bem. Mas quando extrapolam este escopo, são sempre um balde de água fria.
  • Charles Edward  11/03/2015 09:51
    Que interessante, Carlos Eduardo. Você acaba de me ensinar que a separação da Tchecoslováquia em República Tcheca e Eslováquia foi algo com "um enorme grau de impossibilidade prática".

    E que a dissolução da URSS em várias pequenas repúblicas -- principalmente nas bem-sucedidas Estônia e Lituânia -- foi uma ideia tão utópica e impraticável, que a sua simples menção representa um "balde de água fria".

    E o que dizer então da dissolução da Iugoslávia em vários outros países? O que dizer do Kosovo, recentemente separado?

    Segundo você, todas essas nações seguiram fizeram algo "com um enorme grau de impossibilidade prática, e acaba não diferindo muito do seu antagonista, o comunismo."

    Em qual galáxia você vive?
  • Carlos Eduardo  11/03/2015 14:28
    Em primeiro lugar, sou totalmente a favor da secessão do Brasil, mas na forma utópica que o texto descreve.

    "O direito à autodeterminação, no que tange à questão da filiação a um estado, significa o seguinte, portanto: quando os habitantes de um determinado território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes) fizerem saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertencem, mas desejam formar um estado independente ou tornar-se parte de algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos."


    Eu gostaria muito de saber como ficaria se o pessoal de Foz do Iguaçu, de Paranaguá, de Santos, Angra, ou a própria cidade de São Paulo e região, ABC, etc... resolvesse que eles sozinhos querem ser autodeterminados.

    Aí no texto vem a seguinte ingênua pergunta...
    "Sendo assim, por que não buscar maneiras de fazer essa separação de maneira racional e não-violenta?"

    De novo: sou totalmente a favor de separar o Brasil, por vários motivos. Idealmente, seria somente RS, SC, PR e SP. Mas se fosse só RS, SC e PR também estaria excelente pra mim.

    Agora, não vale nem a pena discutir a proposta final deste texto. Trata-se de impossibilidades. Os libertários perderiam menos tempo se escolhessem discutir coisas possíveis, ao invés de mundos ideais.



  • Malcolm  11/03/2015 14:57
    "Eu gostaria muito de saber como ficaria se o pessoal de Foz do Iguaçu, de Paranaguá, de Santos, Angra, ou a própria cidade de São Paulo e região, ABC, etc... resolvesse que eles sozinhos querem ser autodeterminados."

    Nossa, mas você escolheu justamente o cenário mais fácil possível.

    Conhece Mônaco? É uma cidade-estado dentro da França. Tem suas próprias leis e seu próprio sistema tributário. O mesmo vale para Andorra. O mesmo vale para Hong Kong e Cingapura. Idêntico.

    Por que esses locais não podem fazer igual? É sério que você não visualiza isso? (Achar que "não vai dar certo" é outro debate. Agora, falar que é impossível? Pára, vai).

    "Agora, não vale nem a pena discutir a proposta final deste texto. Trata-se de impossibilidades. Os libertários perderiam menos tempo se escolhessem discutir coisas possíveis, ao invés de mundos ideais."

    Entendi. Hong Kong, Cingapura, Mônaco, Andorra, Bermuda e Liechtenstein são "impossibilidades", não são "coisas possíveis" e existem apenas em "mundos ideais". Beleza.
  • Carlos Eduardo  11/03/2015 15:19
    Não amigo, estou falando justamente porque por se tratarem de regiões economicamente estratégicas, é óbvio que o restante, os "estrangeiros", não deixariam isto acontecer. Ou você acha que São Paulo tem um poderio bélico suficiente para se manter sozinha? Ou pior ainda, você acha que os que ficaram de fora iam abaixar a cabeça, por o rabo entre as pernas e aceitar uma perda dessas sem falar nada?

    E outra... plebiscito??? Por favor, vocês acham que é o povo que decide alguma coisa? Antes de tudo deveria haver um consenso entre os grandes players econômicos. Sem isto, nada aconteceria. A proposta de deixar que cada região possa se autodeterminar a partir de plebiscitos é absurda. E em questões de 51% a 49%, como fica? Manda os 49% embora? Como? Pedindo licença?

    Parece que vocês não imaginam o tamanho do impacto econômico que existiria se uma proposta como essa (fosse possível e) fosse posta em prática. Seria o caos.

    Nenhum destes exemplos citados eram regiões economicamente estratégicas, no princípio da secessão, para seus vizinhos mais próximos. E mesmo assim, teve muito conflito, muita morte.

    Acordem... Parem de viajar na maionese.

  • Guilherme  11/03/2015 15:44
    Onde no texto fala de plebiscito?! Acorde, pare de viajar na maionese. E de caluniar.
  • Carlos Eduardo  11/03/2015 18:29
    Você leu o texto? Parece que não né?

    "A questão foi abordada com insuperável clareza pelo maior liberal clássico de todos, Ludwig von Mises:

    O direito à autodeterminação, no que tange à questão da filiação a um estado, significa o seguinte, portanto: quando os habitantes de um determinado território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes) fizerem saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertencem, mas desejam formar um estado independente ou tornar-se parte de algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos. Este é o único meio possível e efetivo de evitar revoluções e guerras civis e internacionais."


  • Thiago Valente  16/03/2015 01:06
    Detalhe, quando o texto se refere a "plebiscito livremente conduzido" ele faz referência a uma votação indepentende do Estado do qual aquele território se separa, como ocorrido em algumas partes do mundo recentemente.
  • Amazonense  13/03/2015 20:16
    Olá,

    Foz do Iguaçu é um exemplo fácil.
    Como é fronteira, poderia se emancipar e continuar a sua função de intermediário comercial entre o Brasil, Paraguai e Argentina, e, de quebra, poderia abir-se para outros parceiros tanto na América Latina quanto em outros lugares. Novamente, acordos comerciais e políticos para o uso do Iguaçu e do Prata permitem que tenha acesso ao mar.

    São Paulo é outro exemplo fácil.
    Sim, o estado possui o maior contingente militar do Brasil, o maior número de aeronaves, o maior número de veículos.
    Tem a sede da principais companhias que fornecem ao exército brasileiro.
    Logo, em caso de secessão, seria muito mais fácil fornecer para Sampa que fornecer para Brasília.
    Se pegássemos somente a cidade de São Paulo + ABCD, já teríamos um senhor país (ou melhor: cidade-estado) e sim, o governo brasileiro não invadiria, porque teria que destruir uma infraestrutura que não teria recursos, depois, para repor, o que significaria a pá de cal na economia brasileira.


    Mas não é isso que faz a secessão! As pessoas querem? Essa é a pergunta-chave. Se sim, ela acontece; e não, esquece!


    Abraços
  • Dom Comerciante  11/03/2015 12:38
    Secessão = direito a liberdade intrínseco ao ser humano.
    Portanto, ela é uma forma de exercer o nosso direito natural a liberdade. Sendo assim, não tem como a secessão ser uma impossibilidade nunca!
  • Thiago  11/03/2015 02:16
    Deve ter algo que eu perdi nesta explicação, não é possível. Vamos com calma...

    1) Você e seu "grupo de humanos livres afins" secessionam, okay. Vão pra uma fazenda. Vamos supor, para o propósito deste exercício mental, que sua fazenda seja rica em recursos minerais (afinal se secessionar para a Antártida fosse uma opção, alguém já teria feito isso...)

    2) Você precisa montar uma infraestrutura básica. No mínimo, você precisa de:
    a) Água limpa
    b) Um sistema de tratamento de esgoto
    c) Um sistema de plantação / criação de animais
    d) Um sistema de construção e manutenção dos abrigos / casas

    Isso só pra cobrir as necessidades básicas (água, comida, abrigo).

    3) Mas talvez nós queiramos as comodidades da vida moderna! Então, adicionemos:
    a) Uma escola, uma biblioteca
    b) Uma maternidade, um hospital e um cemitério/
    c) Um sistema pra gerar eletricidade
    d) Um sistema pra construção e manutenção das ruas que ligam as diferentes partes da comunidade

    Perceba que já está ficando meio grande... mas vamos em frente. Perceba que essencialmente estamos construindo uma "Polis", o termo grego para cidade.

    4) Uma comunidade minimamente funcional precisa de ALGUM TIPO de organização na execução das tarefas. Nem que seja alguém que diga "voc? vai plantar o milho, você vai cavar a fossa!". Então, já começa a ser necessário um "sistema pra tomar decisões". Claro que se você conseguir encontrar um grupo de pessoas TOTALMENTE racionais, isso não deve ser um problema. Perceba que com esse grupo de pessoas, qualquer "ismo" funciona... Mas de qualquer maneira, um sistema de organização VAI aparecer, pra manter a cidade funcionando em bom estado... pera, em bom o que? :)

    5) Enquanto a gente não encontra esse grupo de pessoas, vamos trabalhar com humanos comuns mesmo. Nesse caso, desavenças VÃO acontecer. Alguém vai usar sua liberdade individual de falar que "não vai deixar a fulaninha plantar milho porque ele sempre estraga tudo" ou "não concorda com o formato da fossa que ciclaninha cavou", e vai se recusar a executar sua tarefa. Supondo que a pessoa não ceda (uma ocorrência altamente incomum no Homo Sapiens...), vejo as seguintes opções:

    a) Ceder às vontades da pessoa
    b) Exilar a pessoa da comunidade
    c) Obrigar a pessoa a executar as tarefas.

    As opções b e c exigem nossa velha conhecida, a Força. Então, precisamos de mais um item no conjunto de facilidades mínimas:

    e) Um sistema de aplicação de Força

    Espera, eu acho que o sistema que faz com que as coisas funcionem bem na Polis, mesmo quando há desavenças, tem um nome... como era mesmo? :)

    6) Mas tudo bem, vamos dizer que a Polis funcione bem! ;) Infelizmente, certos projetos de escala maior precisam de mais gente trabalhando. E em todo caso, precisamos realizar comercio com as outras cidades ao redor, certo? É óbvio que o escambo não funciona direito - os fenícios inventaram a moeda por algum motivo, certo? Além de tudo, as outras cidades ao seu redor podem não concordar com a sua cidade sobre, digamos, o preço do milho... humanos racionais, que respeitam o PNA 100%, encontrariam soluções pacíficas. Enquanto isso, parece claro que vamos ter que adicionar mais um item...

    f) Um sistema para lidar com a aplicação da Força alheia.

    7) Eventualmente as cidades formam alianças para resolver suas diferenças com as outras cidades... etc... etc...


    Moral da história: tenho a impressão de que sua proposta de secessão leva simplesmente a criação de entidades análogas a Estados, só que menores. No limite, culminando com as historicamente famosas "cidades-estados". Mesmo estas entidades apresentam as características indesejadas pela sua proposta, como uma estrutura burocrática para organização, e uma força de polícia. Além disso, num sistema em que você tem várias dessas cidades-estados interagindo, eventualmente vão surgir alianças, o que acaba levando à construção de "Federações" que eventualmente decidem anotar o nome de "Países".


    Eu posso realmente estar enganado, mas pra mim essa proposta é absolutamente ingênua. Supor que humanos conseguem se organizar sem burocracia e sem aplicação coletiva de Força para punir "faltas" parece ir de encontro a todos os exemplos de organização humana que eu conheço. MESMO que tal comunidade fosse possível, ela sucumbiria às outras comunidades ao redor.

    Espero argumentos em contrário!

    Forte abraço,
    Thiago
  • Charles Edward  11/03/2015 10:18
    Aí tem as seguintes passagens no artigo:

    "Quando os habitantes de um determinado território [...] não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertencem, mas desejam formar um estado independente ou tornar-se parte de algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos."

    E depois:

    "O direito [à secessão] se estende aos habitantes de todo o território que tenha tamanho suficiente para formar uma unidade administrativa independente".

    Aí vem o Thiago e escreve esse testamento apenas para concluir o seguinte:

    "tenho a impressão de que sua proposta de secessão leva simplesmente a criação de entidades análogas a Estados, só que menores. No limite, culminando com as historicamente famosas "cidades-estados".

    Ou seja, ele gasta 15 parágrafos para concluir o mesmo que o artigo faz em duas frases. Boa, Thiago.

    "Mesmo estas entidades apresentam as características indesejadas pela sua proposta, como uma estrutura burocrática para organização, e uma força de polícia."

    Hein? Por que uma força de polícia seria indesejável?! De onde você tirou isso?

    Acho que agora estou começando a entender por que tantos ataques. Os críticos simplesmente inventam um espantalho e então malham esse espantalho que eles inventaram, mas juram estar atacando o real sistema defendido oponente.

    "Além disso, num sistema em que você tem várias dessas cidades-estados interagindo, eventualmente vão surgir alianças, o que acaba levando à construção de "Federações" que eventualmente decidem anotar o nome de "Países"."

    Hong Kong, Cingapura, Mônaco, Andorra, Bermuda etc. viraram federações? Não sabia. Aliás, até mesmo Liechtenstein, país minúsculo encravado entre dois países grandes, não virou uma federação da Suíça e da Áustria. Acho que você precisa conhecer o mundo.

    "Eu posso realmente estar enganado, mas pra mim essa proposta é absolutamente ingênua. Supor que humanos conseguem se organizar sem burocracia e sem aplicação coletiva de Força para punir "faltas" parece ir de encontro a todos os exemplos de organização humana que eu conheço."

    Ou seja, o sujeito inventa um modelo próprio, que só ele entende (embora se pareça com uma comunidade amish), e em seguida diz que a proposta é absolutamente ingênua.

    Enquanto Hong Kong, Cingapura, Mônaco, Andorra, Bermuda e Liechtenstein existem no mundo real, e prosperam, o cidadão diz que a proposta de se criar mais desses países é "absolutamente ingênua". Tá serto.

    "MESMO que tal comunidade fosse possível, ela sucumbiria às outras comunidades ao redor."

    De novo, e pela terceira vez: Hong Kong, Cingapura, Mônaco, Andorra, Bermuda e Liechtenstein sucumbiram às outras "comunidades" ao redor? Não sabia.

    "Espero argumentos em contrário!"

    Nem deu pra ser "em contrário". Foi mais uma explicação básica, mesmo. Inclusive sobre leitura.
  • Thiago  11/03/2015 12:38
    Sim, meu conhecimento é limitado, justamente por isso que escrevo comentários em sites ao invés de ter meu próprio site. :) E peço desculpas antecipadamente pela verborragia - prometo tomar umas aulinhas de escrita! Mas é o que tem pra hoje, então vamos lá:

    1) Hong Kong é uma região administrativa da China, e antes disso era uma colônia britânica, não? A autonomia de Hong Kong vai até a página dois só. Experimente "não pagar impostos" ou "escolher seus próprios líderes" em Hong Kong pra ver o que te acontece...

    2) Mônaco, Andorra, Bermuda e Liechtenstein são micropaíses que não conseguem nem se defender e nem se sustentar, e você sabe disso. Não adianta usar eles como exemplo - todos eles se sustentam apenas e tão somente a partir do seus status como paraísos fiscais e destino turístico. Tire o fluxo de dinheiro que entra lá pra não pagar impostos nos países de origem, e esses países serão quase tão relevantes quanto, digamos, a Costa do Sauípe!

    E particularmente: Mônaco é explicitamente defendido pela França. San Marino pela Itália. Liechtenstein é de facto defendido pela Suíça. Assim é fácil secessionar, não? :)

    3) Eu não acho que ter uma força de polícia seja indesejável, muito pelo contrário! Mas, se tem uma força de polícia, que tem FORÇA pra agir contra quem vá contra "a ordem estabelecida"... e a comunidade tem que BANCAR essa polícia de alguma maneira (viatura custa caro!)... qual a diferença entre isso e um "Estado"? Idem pra um exército. Idem pra infraestrutura. TEM que ter, mas quem banca???

    Vou colocar minha pergunta de maneira simples: que diferença faz pra MIM pagar os "impostos do Estado Brasileiro", ou a "Taxa pra bancar a Escola da Sereníssima Comunidade do Charles"?

    Um adendo: é ABSOLUTAMENTE óbvio que a relação (impostos que a gente paga no Brasil)/(qualidade dos serviços) é horrível - mas eu entendo que a questão é contra o pagamento de impostos em princípio!

    Forte abraço,
    Thiago
  • Vinicius Zucareli  11/03/2015 21:20
    Thiago, vou tentar responder às suas dúvidas mesmo não sendo o autor do comentário original.


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    1) Hong Kong é uma região administrativa da China, e antes disso era uma colônia britânica, não? A autonomia de Hong Kong vai até a página dois só. Experimente "não pagar impostos" ou "escolher seus próprios líderes" em Hong Kong pra ver o que te acontece...

    ------------------------------------------------------

    Mas em Hong Kong, por exemplo, nem se faz Censos ou Estatísticas de várias coisas justamente pro governo central não aporrinhar. Isso é feito em acordo com a sociedade e líderes locais justamente pra aumentar a liberdade de todos.

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    2) Mônaco, Andorra, Bermuda e Liechtenstein são micropaíses que não conseguem nem se defender e nem se sustentar, e você sabe disso. Não adianta usar eles como exemplo - todos eles se sustentam apenas e tão somente a partir do seus status como paraísos fiscais e destino turístico. Tire o fluxo de dinheiro que entra lá pra não pagar impostos nos países de origem, e esses países serão quase tão relevantes quanto, digamos, a Costa do Sauípe!

    E particularmente: Mônaco é explicitamente defendido pela França. San Marino pela Itália. Liechtenstein é de facto defendido pela Suíça. Assim é fácil secessionar, não? :)

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    Você deixa implícito que para ser independente precisa-se de um poderio militar ou alguém com poderia militar te defendendo, e no mesmo item indica que se um país necessita importar/exportar qualquer coisa, então ele não é "revelante".

    Vamos lá, sobre o poderio militar, então o Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Guianas e todos os países da América do Sul (com a possível exceção da Argentina, se tanto) são completamente irrelevantes pois, apesar do poderia militar pífio brasileiro, se o Brasil quisesse poderia invadir e conquistar facilmente todos eles.

    E pelo seu segundo ponto, o de dependência exterior, temos que o Brasil na verdade também é irrelevante, pois precisamos exportar soja, minério de ferro, carne, açúcar, etc. E importar todos os bens de capitais, a maioria dos eletrônicos e coisas completamente sem importância quanto Arroz, Feijão, Trigo.... NENHUM país funciona isoladamente do resto do mundo hoje em dia... A não ser, é claro, Cuba e a Koréia do Norte que, segundo a sua definição seriam os dois únicos países relevantes no mundo inteiro.

    Ah! E detalhe. Para um país ser considerado um país ele precisa ser reconhecido pelos órgãos internacionais e por outros países. E, de certa forma, ele irá ser protegido por esses países e órgãos. Isso acontece com todos esses micro-países aí de cima. Se o seu nome não for Ucrânia, e você for invadido, provavelmente uma força de segurança da ONU/OTAN/outro irá em seu socorro.

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    3) Eu não acho que ter uma força de polícia seja indesejável, muito pelo contrário! Mas, se tem uma força de polícia, que tem FORÇA pra agir contra quem vá contra "a ordem estabelecida"... e a comunidade tem que BANCAR essa polícia de alguma maneira (viatura custa caro!)... qual a diferença entre isso e um "Estado"? Idem pra um exército. Idem pra infraestrutura. TEM que ter, mas quem banca???

    -------------------------------------------------------

    Num estado realmente livre a força de polícia, como órgão de estado, não existe. Existirão forças de segurança privada que agirão somente onde forem contratadas. E quem banca são as pessoas que fizerem uso deste serviço.

    Não sei onde você mora, mas onde eu moro é extremamente comum nos bairros as pessoas pagarem empresas de segurança para fazer rondas, da mesma força que a polícia que pagamos os impostos deveria fazer. Esse arranjo continuaria e seria estendido para todas as áreas e quem bancaria? As pessoas que moram e trabalham nesses locais, de forma completamente voluntária, podendo escolher qual empresa faz essa segurança e podendo cobrar eficiência e preço justo.

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    Vou colocar minha pergunta de maneira simples: que diferença faz pra MIM pagar os "impostos do Estado Brasileiro", ou a "Taxa pra bancar a Escola da Sereníssima Comunidade do Charles"?

    Um adendo: é ABSOLUTAMENTE óbvio que a relação (impostos que a gente paga no Brasil)/(qualidade dos serviços) é horrível - mas eu entendo que a questão é contra o pagamento de impostos em princípio!

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    Você não vai bancar, num estado libertário, NUNCA a Escola da Sereníssima Comunidade do Charles. Você vai pagar a Escola quando você, ou seus filhos, utilizarem a escola. Fará isso através de um contrato como em qualquer escola particular. Porque raios a porcaria do estado seria obrigada a custear a sua educação? Se você quiser, você estuda, se não, não estuda. E se decidir por estudar, que procure instituições de ensino e celebre com elas os contratos que convierem a ambas as partes.
  • Tio Patinhas  11/03/2015 13:32
    Não sou o autor mas vou tentar responder algumas:

    "1)"

    O autor disse que tem que tem um tamanho suficiente, pode até ser uma fazenda. Não precisa ser rica em recursos minerais ( o Japão não é). E em relação a Antártica, não pode pois alguns países resolveram lotear esse continente e se vc quiser fazer qq coisa ali precisa de autorização deles.

    "2)"

    Já pensou que pode importar essas coisas? É o que os países do Oriente Médio fazem.

    "3)"
    Mônaco tem td isso, aliás até o Vaticano tem quase td isso (exceto maternidade e hospital).

    "4)"

    E se não há a necessidade de plantar milho? Uma cidade comercial não precisa de pessoas dizendo umas as outras o que cada um deve vender.

    "5)"

    Acho que vc está pensando nos Maias, em vez de pensar em algo como Mônaco.

    "6)"

    Vc não precisa criar e usar dinheiro próprio, Liechenstein não tem. No Panamá vc pode usar qq dinheiro que a outra parte aceite.

    "7)"

    Na idade média o comércio se resolvia sem exércitos, imagino que a situação tenha melhorado atualmente.

    Acho que fiz um apanhado geral.
  • Leandro90  11/03/2015 03:11
    Já morei no norte, nordeste , Sudeste e já andei muito no sul e no centro-oeste. Nestes locais vi várias culturas diferentes e bem definidas. Uma língua comum não significa um mesmo pais. Nem a continuidade territorial.
    Talvez as pessoas que moram numa coisa chamada Brasil sempre tiveram a vontade de viver em separado. Constitucionalista de 1932, farrapos, cabanagem, fora aqueles que foram vencidos pelo poder da coerção estatal central representaram o desejo de se separarem, muito antes desta zona que esta hj instalada.
    Seria um bom debate esta idéia de secessão.
    Como o colega disse: pensar e crime?
    Que tal um plebiscito :
    A) poder central,( já falido)
    B) pacto federativo,
    C) secessão.

    Talvez a população não esteja preparada para o debate. Mas quando vc anda pelo Brasil vc vê vários países num só.
    Pode ser viagem minha, mas como há várias culturas, o brasileiro não se identifica com os políticos que em tese deveriam representa-lo pois não existe vínculo. Talvez isso contribua com a falta de cobrança da maioria da população e a coisa fica virando mais uma torcida de futebol do que um debate mais apurado e profundo.

    Abs a todos
  • Dom Comerciante  11/03/2015 13:03
    Acredito que um Plebiscito só seria viável e justo se somente a população que deseja-se se seccionar pudesse votar por essa secessão, qualquer outra proposta de plebiscito seria antiliberal pois estaria violando o direito intrínseco a liberdade que essa população possui.
  • Pobre Paulista  11/03/2015 16:23
    O plebiscito ainda parte da premissa espúria que a decisão da maioria prevalece sobre todos.

    A única maneira de uma secessão ser legítima é sendo declarada unilateralmente.
  • leandro90  12/03/2015 01:04
    PLEBISCITO deu secessão. Separa a maioria.
    PLEBICISTO deu poder central. Separa a minoria. Se não não concordarem, pode partir paras armas....
    Agora talvez haja necessidade de realmente passar pelo pacto federativo antes...uma pessoa pesando 300 kg para chegar aos 80kg precisa passar pelo 150kgs. Acho que vai ser assim.
  • Eduardo  11/03/2015 10:16
    Troque reais por bitcoins e estará fazendo a "secessão" econômica, sem precisar ir morar em um local ermo.
  • Charles Hertz  11/03/2015 12:17
    Como um cara disse aí mais pra cima: desde criança eu sonhava com a separação do Sul do resto do país. hoje, como vivo aqui em Campo Grande-MS, e após conhecer o libertarianismo e ter me aprofundado nos temas, incluindo o da secessão, meu desejo é ainda maior.

    Primeiro, porquê Campo Grande, mesmo não tendo uma grande população (está por volta dos 800 mil) é uma cidade cercada de fazenda e mato em sua volta, nem região metropolitana tem. aqui é um dos poucos lugares em que a crise afetou menos a população, pois o agronegócio é bastante forte.

    em nível estadual, o governo daqui tem um viés bem ''menos estatista'' do que muitos outros que já vivi (SC e RS).

    O problema é conseguir influenciar as pessoas nessa ideia. outro grande problema é que ao contrário de Sul e Sudeste, o governo daqui recebe exatamente o que paga de impostos ao governo federal. ou seja: não é explorado como o sul e sudeste e nem privilegiado como o nordeste.então esse sentimento de revolta contra Brasília que se tem nos paulistas e sulistas já não ocorre.

    Penso em criar um grupo, nem que seja pra disseminar essa ideia da secessão. mas infelizmente, a ideia é excelente, porém praticamente utópica no curto prazo. acho que a única maneira é realmente a informação.

    Só quando todos os cidadãos souberem do que se trata a tal ''união''. quando souberem que somo uma colônia gigantesca de Brasília, é que poderá haver secessão. mas enquanto isso não ocorre, acho que um novo pacto federativo seria uma boa. mas é claro que isso não é dos intere$$E$ dos políticos. continuo fazendo meu trabalho aos poucos e alertando sobre o quanto o governo federal nos rouba, como os municípios (principalmente) e os Estados são escravos deste esquema, e o quanto rico esse lugar não seria se houvesse liberdade econômica. infelizmente esse me parece ser o único caminho. Ainda bem que estamos entrando em uma era de cada vez mais acesso a política e economia através da internet. quem sabe daqui uns 30 anos, a mentalidade do brasileiro seja outra...

  • Vinicius Zucareli  11/03/2015 21:25
    Interessante encontrar mais um Campo Grandense aqui no Mises. Achei que estava sozinho.

    Concordo com tudo o que disse, mas aqui, como em todo o Brasil, o que impede o desenvolvimento é o pagamento dobrado por tudo. Temos que pagar os impostos e depois pagar de novo tudo o que o estado deveria nos prover. Aí não sobra dinheiro para as livres transações.
  • Edmilson Gomes Barreto Junior  11/03/2015 12:27
    O artigo é realmente muito interessante, principalmente por abordar a questão fundamental que envolve os processos de mudança no mundo, que é a alteração do pensamento e posterior mudança de atitude.

    Apesar de não conseguir visualizar a aplicação desse conceito na prática, acredito muito e muito mesmo que o caminho é uma discussão ideológica dos conceitos. E tentar através da razão demonstrar como podemos transformar sistemas políticos falidos e opressores em uma sociedade mais livre e fraterna.

    Att,.
  • Ricardo Bahia  11/03/2015 15:10
    Alguém conhece alguma cidade no mundo que já teve a iniciativa de se libertar e viver livre do estado? Penso que já existem milhões de pessoas no mundo que já compartilham esta ideia. Falta apenas reuni-las.
  • Ricardo  11/03/2015 15:48
    Da última vez que eu chequei, Mônaco havia feito isso em relação à França, Hong Kong em relação à China, Cingapura em relação à Malásia, Andorra em relação à Espanha, San Marino em relação à Itália, e vários outros dos quais me esqueci.
  • Daniel Morenmo  11/03/2015 15:24
    Como sempre, mais um artigo estimulante do Mises Brasil.
    Remetendo à obra do Hermann Hoppe sugerida pelo texto, me surgiu uma dúvida que gostaria de compartilhar com os demais leitores (muitos dos quais certamente já se depararam com questões semelhantes e talvez tenham chegado a alguma resposta satisfatória).
    Entre outras ações, Hoppe propõe como se sabe que a transformação comece de baixo para cima (de localidades menores para maiores) e que o direito a voto (em uma comarca, município, bairro, o que seja) em uma espécie de período de transição passe a ser determinado em relação à propriedade, o que faz todo sentido na medida em que mais sustenta o Estado quem paga mais tributos.
    Pensando em termos de Brasil e, embora consiga compreender e concordar com o princípio do argumento, fico na dúvida se tal espécie de medida contribuiria para a justiça ou prolongaria a injustiça do arranjo democrático e estatista atual.
    Vejamos: uma parte significativa da riqueza acumulada no Brasil, especialmente se pensarmos de duas décadas para cá, está intimamente relacionada à rede de conexões de "capitalistas" com o poder público. Ou seja: tem enriquecido mais quem está mais próximo da máquina estatal, dos políticos, e pode beneficiar-se de políticas setoriais vantajosas, manobras no câmbio, regulamentações que inibem a livre concorrência, empréstimos quase a fundo perdido, isso sem contar as negociatas corriqueiras às quais acabamos quase nos acostumando (a grosso modo, parece que empresas envolvidas em corrupção crescem mais facilmente que outras distanciadas da perversidade criminosa dos políticos e burocratas).
    Assim sendo, condicionando o direito a voto ao dinheiro (propriedade) de cada eleitor potencial nesse período de transição, no específico caso brasileiro (mas nem só aqui) não acabaria por beneficiar novamente os mais ricos que mais se beneficiaram do arranjo com o poder público interventor, concessor de monopólios e regulamentador, ou seja, tudo que vai contra aos objetivos e à própria ideologia de uma revolução libertária? Fica aqui este meu questionamento a respeito do tema, suscitado repito por mais um artigo de altíssimo nível publicado neste site. Abraço a todos.

  • Carlos Eduardo  11/03/2015 15:29
    Na verdade esse texto começou errado. Tinha que ter começado assim.

    "Vamos supor que no mundo não existissem guerras. Não que isto seja impossível, é possível sim, [cita-se aqui diversas regiões do planeta que nunca participaram de uma guerra]. Então, supondo que isto exista, suponha também que seria possível convencer todas as pessoas, de determinadas regiões, que aceitassem ter seus padrões de vida reduzidos sem reclamar e sem entrar em conflitos violentos com aqueles que foram responsáveis por tal redução [inclui mais umas citações totalmente peculiares]."

    Aí continua o texto.

    Pronto, aí não tinha mais o que discutir aqui nos comentários. ;-)
  • Charles Edward  11/03/2015 15:44
    Guerras?! Oi?! Quer dizer então que Hong Kong, Cingapura, Mônaco, Andorra, Bermuda e Liechtenstein são miragens? Não existem porque há guerras?

    É cada coitado que despenca de pára-quedas aqui....
  • Matuto  11/03/2015 16:04
    Sem pegar em armas, nada feito. Vcs me lembram Family guy, em que o Peter declarou independencia de sua propiedade e criou um pais. Acabou quando o exército apontou um canhão em sua fuça.
  • Caipira  11/03/2015 16:09
    E quem -- a não ser o governo central -- está proibindo os separatistas de ter armas?
  • Pobre Paulista  11/03/2015 16:19
    Acho que foi isso que ele quis dizer com "Sem pegar em armas, nada feito"
  • Jeca  11/03/2015 17:13
    Pelo menos o Peter ganhou imunidade diplomática:

  • Daniel  11/03/2015 17:44
    O artigo é interessante mas é ineficaz para o Brasil, pois ainda somos um país centralizado que falsamente denomina-se "federal", somente após implantarmos genuinamente o federalismo e colhermos os seus resultados é que podemos debater se é válido ou não a continuação da forma federativa ou de eventual secessão. Após, ainda surgirão N questões do tipo: Qual estado? Qual cidade? Qual região? Presidencialismo ou Parlamentarismo? Monarquia ou República?

  • Fraga  11/03/2015 19:06
    Ué, e por que você acha que o federalismo seria menos "ineficaz"? Secessão é irreal, ok, mas um "genuíno federalismo" é totalmente factível? E o próprio governo federal comandaria essa mudança?
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  12/03/2015 21:15
    A idéia de secessão é legal e moral. Mas, como fugir das garras imundas dos governos municipal, estadual e federal?
  • Valadao  13/03/2015 19:05
    Sinceramente não tem como (mas talvez no futuro sim).

    A lei não reconhece este direito, portanto qualquer proposta a favor da secessão é ilegal.

    Mas o pior problema nem é esse, mas sim a falta de apoio da população e da mídia a esta ideia.

    Tente propor a secessão de seu estado, municipio ou até da sua casa e verá te chamarem de anti patriota, racista, burguês, elitista, neonazista, terrorista, maluco e etc.
  • André  13/03/2015 17:28
    Qual é o sistema menos ruim?
  • Valadão  13/03/2015 18:51
    Pelo o que eu leio, para o pessoal do site o melhor sistema seria não ter mais a instituição que monopoliza os serviços de segurança e jurisdição, ou seja, não haver estado.

    Seria um sistema baseado na propriedade privada e na concorrência de empresas de segurança privada.

    Agora pessoalmente, eu preferia algo como uma republica federativa (tipo EUA) mas que reconheça o direito de autodeterminação dos povos (Seria o direito de um municipio ou estado se separar da federação quando quiser).

  • Denis  13/03/2015 22:02
    Não existe dissolução em um estado ou município de uma federação,( nesse caso deveria ser uma confederação e não federação).Nos EUA o que acontece é uma alta autonomia dos estados, ou seja,em uma federação os estados são autônomos, já na confederação os estados são soberanos.
  • Andre  13/03/2015 22:13
    Legal,

    O exemplo de SP + ABC é interessante, mas como faremos com Estados, como Acre, Roraima e Amapá, que não são estados autossustentado economicamente?
  • Leandro90  14/03/2015 12:08
    Por que eles se acostumaram a viver na dependência de outros estados até hoje. Tipo herdeiro que não quer trabalhar, pensar e estudar..... E de repente perde tudo e te que colocar a mão na massa?
    Com no mínimo o pasto federativo isso da uma boa melhorada....
    No meio militar nego acha que eu como algo estragado quando defendo essas idéias....ae eu respondo que comia até conhecer a escola austríaca e o Mises. Hj tou devorando ação, tempo e conhecimento do professor Ubiratan Iorio. A próxima missão e ação humana de Mises. Tem tudo em PDF na biblioteca do site.
    Manda ver!!!
  • Andre  14/03/2015 13:15
    Não entendi, esse comentário se refere aos Estado não autosustentado, isso?
  • Andre  14/03/2015 14:44
    Não encontrei as referidas citações, poderia me ajudar localizar.
  • Vinicius  14/03/2015 14:20
    Estes estados a que se refere estão quase em equilíbrio orçamentário, os do NE que estão em péssimo equilíbrio.
    Vão ter que aplicar o mais feroz capitalismo para criar riqueza e diminuir seus próprio estatismo, sob risco de morrerem de inanição.
  • Andre  14/03/2015 14:40
    Caro Vinicius, só para antedermos. Esses estados foram foram formados por pessoas sem condições econômicas que viviam nos Estados do Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, que nos anos de 1960 e 1980 principalmente foram residir nesses estados em busca de melhores condições de vida.Em algums regiões como Acre, Pará e Amazonas, as pessoas iriam para defender o Brasil na segunda guerra mundial ou iria para Amazônia trabalhar na extração da borracha. Então, a situação da pobreza é fato socioeconômica e politica, não como você se refere ''Tipo herdeiro que não quer trabalhar, pensar e estudar.....'' você foi infeliz em dizer isso.
  • leandro90  14/03/2015 21:31
    Caro André o que eu quis dizer era que o arranjo de ontem e de hoje impediram que esses estados se devolvessem livremente. HJ o assistencialismo entre os estados através de redistribuição de renda faz com que exista uma certa acomodação estadual e enganosa para as pessoas que habitam nesses estados.
    Entretanto, acho que não adianta ficar olhando para o passado e ficar lamentando ou cobrando de SP e demais estados a conta da fatura. Temos que olhar para frente!
    A secessão iria trazer a luz uma zona de insatisfação e automaticamente fazer com que, através de um choque de capitalismo e de livre iniciativa, as pessoas empreendesse através da ação humana.
    Iria melhorar muito a situação econômica desses estados.
    HJ os políticos desses estados sabem que a grana será redistribuída então ficam na zona do conforto e achando que estão nos seus feudos.
    Por isso que a secessão ou estado mínimo dos mínimos é a única solução viável.
    Como vc mesmo disse: 'Então, a situação da pobreza é fato socioeconômica e politica...' ou seja, foi um poder central que criou este arranjo de dependência e que impede a liberdade do Acre, Roraima e Amapá. Só pesquisar quem governa desde sempre lá?
    Segue o link para estudo na biblioteca :www.mises.org.br/Ebooks.aspx?type=99
    ABS
    OBS: não falei das pessoas, mas sim de estados governados por pessoas
  • Andre  14/03/2015 22:59
    Caro Leandro,

    Estou a pouco tempo estudando a teoria de escola austríaca, por isso os questionamentos, pois vivemos em país ''democrático'' e ''socialista'', aprendemos assim, disseram para nós que o assistencialismo é a melhor forma,mas vejo que estamos andando na contra mão da história, pois busco estudar os sistemas políticos e socioeconômico para melhor entender a situação do Brasil.
  • antonio vinicius  17/03/2015 00:52
    eu até curto o site, mas acho eles utópicos pra caramba. veja bem, curto os livros, muitos artigos mas não acho muito pé no chão não....
  • Andre Cavalcante  18/03/2015 13:29
    Ao antonio vinicius,

    O que você chama de utópico? Algo irreal, ou algo com pouca probabilidade de acontecer?

    A escravidão já foi algo considerado extremamente utópico e hoje é considerado uma excrescência.

    Uma sociedade livre assassinos é de baixíssima possibilidade de acontecer, entretanto, não há sistema legal neste nosso mundo que não condene assassinatos.

    A própria noção de estado-nação, que temos hoje, era considerada uma utopia, pois a realidade era que o governante só era lícito se fosse o representante de Deus (ou dos deuses) na Terra.

    No entanto, poucas coisas são tão menos utópicas e tão corriqueiras que as pessoas não se tocam que elas estão lá a todo instante e que, na verdade, regem a vida social.

    Por exemplo, a ideia de propriedade privada é tão corriqueira que ninguém nem se dá o trabalho de questionar o porque tu não podes fazer a festa de aniversário da tua filha na garagem do teu vizinho sem que este autorize primeiro.

    Também é considerado um absurdo o roubo.

    A ideia de liberdade, igualmente, é tão arraigada que ninguém, em sã consciência, vai amarrar o outro aos pés de uma vitrine de uma loja até que ele compre alguma coisa daquela loja. Cada qual faz as compras que lhe aprouver quando tiver necessidade (ou quiser).

    O respeito ao outros, às suas individualidades, passa principalmente pela aceitação que tais princípios são universais e são (devem ser) respeitados por todos.

    O que as pessoas ainda não se deram conta é de levar até ao governo estes mesmos princípios. Assim: imposto é roubo, forçar alguém a pagar por um plano de saúde ou um seguro do carro é coerção (é o mesmo que prender o cara até ele comprar algo de uma loja), etc. etc. etc.

    E aí, o que você considera mesmo uma utopia e que está escrito neste site?

  • leandro90  17/03/2015 13:38
    Então curta ser escravo do governo o resto de sua vida!!!
  • Emerson Luís  25/03/2015 16:50

    Se o Brasil fosse realmente uma federação e assim praticasse o princípio da subsidiariedade, as eleições para prefeito seriam mais importantes do que as para presidente. As pessoas seriam mais responsáveis, produtivas e "antenadas".

    * * *
  • Andre Cavalcante  25/03/2015 18:41
    É por isso que, apesar de me considerar um libertário (crer e tentar viver o princípio da não agressão), pragmaticamente já ficaria muito feliz com o seguinte cenário para o Brasil:

    . Novo pacto federativo: para dar verdadeira autonomia administrativa para estados e, principalmente, municípios (a justificativa para isso é histórica e cultural: há muitos brasis dentro do Brasil!).

    . Reforma tributária: os impostos passariam a ser coletados pelas prefeituras e só então enviados para o governo estadual e, por fim, para Brasília (aqui a ideia é para que o prefeito faça de um tudo para manter o dinheiro perto).

    . Alteração na constituição: para permitir a existência de cidades com exclusão de regras, tais como as cidades privadas de Honduras. Seria uma espécie de Zona Fanca, mas, mais franca e menos zona. Mesmo que o congresso tenha que aprovar cidade a cidade, mesmo que apenas uma fosse criada, o seu sucesso seria o exemplo para as demais cidades que vão querer imitar)

    . Alteração na constituição: para por um teto no défice nominal do governo, bem como limitasse a carga tributária a meros 20% do PIB (o quinto dos infernos, mas melhor que os 2/5 que vivemos hoje).

    E tais pautas não são assim tão longe de serem conseguidas...

  • Rogério Ferreira Nunes  13/04/2015 16:09
    Excelente artigo. Vê-se pelo menos o debate interessantes de ideias contrárias a corrente atual deste país. Como estou me iniciando no assunto, gostaria que os senhores que já estão mais avançados no tema me ajudassem a compreender algumas dúvidas que surgiram (talvez por falta de compreensão do texto mesmo):

    1º Como seria tratada na secessão as diferenças existentes entre seus cidadãos? Existiria um mediador no processo?
    2º Os abusos cometidos seriam tratados entre os próprios indivíduos ou existiria um guardião dessa liberdade?

    Enfim dúvidas vão surgindo a medida que a leitura avança. Gostaria realmente de ajuda dos senhores, pois a ver o que se passa no Brasil isso não tardará a acontecer, com o nível de autoritarismo estatal que vimos assistindo nos últimos anos.

    Abraços!!
    Rogério
  • Henrique Zucatelli  14/04/2015 21:09
    Partilho do pragmatismo daqueles que não acreditam em uma transposição da teoria para a prática sem conflitos armados, ou no mínimo, conflitos civis.

    Partilho também do racionalismo daqueles que acreditam que a liberdade começa individualmente ao ignorar o estado com atitudes diversas como: independencia energética (energia solar, etc), de alimentos (agricultura familiar), hidríca (poço artesiano, cisterna, etc), educacional (domiciliar), assim como a sonegação proposital através do comércio eletronico (vender pela internet e comprar no mesmo canal, isso inibe até 100% dos impostos diretos). Outras técnicas mais avançadas também são altamente pertinentes, baseando-se obviamente no seu conhecimento e no mercado que atua.

    Partilho também do idealismo daqueles que acreditam que a longo prazo, conquistando corações e mentes, a secessão não será uma ideia absurda, mas uma opção daqueles que quiserem trilhar esse caminho. Como? Muito estudo, trabalho, dando exemplos práticos de que é mais fácil prosperar sem estado do que simplesmente sobreviver as custas dos outros.

    Ao ponto que partilho de tudo isso, não obstante partilho da ideia realista de que os libertários podem ser (e muitos já o são) cidadãos prósperos e ricos, e podem sim em um futuro possível comprar terras e começar de fato o projeto de uma nova nação, começando pela fundação de uma cooperativa privada de produção e/ ou comércio baseada nos princípios libertários.

    Porém, o que não partilho de forma alguma é a desconstrução, seja por qual motivo for, da vontade de viver livremente. Ideias contrastam; Projetos divergem; Opções nem sempre são viáveis sem aprimoramento. Forçar os libertários a desacreditar é o primeiro passo, aí sim para uma guerra. Utilizar argumentos bélicos ou econômicos para aprisionar o que o libertário tem de mais precioso, que é sua própria liberdade, é um convite as armas.

    Convite esse que já foi muitas vezes posto a prova na história, onde homens como William Wallace (meu maior ídolo libertário) deram suas vidas em troca de um futuro digno e próspero para seus filhos.

    Termino esse comentário com uma frase dita por esse herói da causa, que se dirige àqueles que tentam com palavras e atitudes nos paralisar:

    "Lute e você poderá morrer. Fuja e você vai viver por mais algum tempo. E no seu leito de morte, irá desejar trocar todos esses anos por uma chance, apenas uma chance, de voltar a ser um jovem homem e bradar para seus inimigos: eles podem tomar nossas vidas, mas jamais tomarão nossa liberdade!"
  • Vladimir  13/10/2015 02:38
    Não sou minarquista, muito menos anarcocapitalista,
    portanto discordo da maioria das idéias defendidas aqui no IMB.

    Não tenho a menor desejo de participar de uma secessão
    ou de diminuir muito os impostos, o tamanho e/ou poder/força do estado.
    E também concordo que:
    "...o libertarianismo jamais será um movimento político de massa, isto é, defendido pela maioria da população. Várias pessoas sempre irão defender o estado, e não devemos nos iludir quanto a isso."
    E igualmente é um direito da maioria continuar sob jurisdição do estado como o conhecemos
    se ela assim quiser.

    No entanto, não vejo como posso discordar disto:
    "é moralmente ilegítimo utilizar a violência do estado contra indivíduos que optaram por se agrupar de maneira distinta daquela que o atual regime decidiu agrupá-los. Eles apenas preferem viver sob uma jurisdição distinta."
    Mesmo que esses indivíduos queiram conviver entre eles de maneiras que me causariam nojo
    e/ou medo só de pensar. Se eles quiserem realizar sacrifícios humanos entre eles, por
    exemplo, e todos do grupo aceitaram, ninguém de fora tem nada a ver com isso.
  • Slaine  13/10/2015 03:05
    Você não é ancap apenas pq não consegue ver nada além do óbvio, se as pessoas tem direito à secessão é claro que a consequencia direta vai ser um estado mínimo.
    Ninguém quer trabalhar pra sustentar vagabundo.
  • Vladimir  13/10/2015 14:47
    "... se as pessoas tem direito à secessão é claro que a consequencia direta vai ser um estado mínimo."
    Essa é a SUA OPINIÃO e uma questão de pura fé.
    Não há menor a evidência experimental disso.

    "Ninguém quer trabalhar pra sustentar vagabundo."
    Isso sim é óbvio. Só não consigo ver o que isso tem a ver com o que você disse antes.
  • Andre Cavalcante  13/10/2015 20:30
    Vladmir,

    Você tá fazendo confusão e o Slane não ajudou muito :).

    Quando você diz: "Não sou minarquista, muito menos anarcocapitalista", mas, ao mesmo tempo diz: "No entanto, não vejo como posso discordar disto:
    "é moralmente ilegítimo utilizar a violência do estado contra indivíduos que optaram por se agrupar de maneira distinta daquela que o atual regime decidiu agrupá-los. Eles apenas preferem viver sob uma jurisdição distinta.""

    Então você está concordando com a secessão individual (ou de grupos). Isso é o que define claramente a ideia anarcocapitalista do ponto de vista político, isto é, vários grupos ou mesmo indivíduos, vivendo sob as lei de agências distintas em territórios contíguos. Chame isso de minarquismo levado ao extremo (ao indivíduo) ou concorrência de estados e tamo junto.

  • Vladimir  14/10/2015 00:54
    Andre Cavalcante,

    Então um anarcocapitalista não necessariamente se importa em viver sob a jurisdição do
    estado como o conhecemos, desde que isso seja opcional para todos?



  • Andre Cavalcante  14/10/2015 13:13
    Olá Vladimir 14/10/2015 00:54:30,

    "Então um anarcocapitalista não necessariamente se importa em viver sob a jurisdição do
    estado como o conhecemos, desde que isso seja opcional para todos?"


    Agora você tá percebendo que o problema não é a coerção propriamente dita, porque quem tem o poder de coerção vai usar tal poder, mas a possibilidade de eu escolher a qual me filiar e, eventualmente criar uma entidade própria. O problema não é ter agências que fazem leis e imponham "segurança" (a proposta do Hoppe é exatamente esta), mas que elas concorram entre si.

    O estado precisa de concorrência!

    Imagina as maravilhas em termos da "verdadeira justiça social" (respeito pela propriedade alheia, respeito pelas leis, valores morais verdadeiramente dirigindo os seres humanos etc.) que seria se o estado evoluísse como a informática evolui?

  • Slaine  14/10/2015 10:17
    'Essa é a SUA OPINIÃO e uma questão de pura fé.
    Não há menor a evidência experimental disso.'


    Existem VÁRIAS. Não viu o êxodo de milionários da França quando ela inventou de taxar os mais ricos? Não está vendo o aumento absurdo de pedidos de visto de brasileiros querendo fugir pra Miami agora? Minarquia + secessão iriam necessariamente gerar uma competição de estados mínimos, já que na hora que um estado começasse a crescer e se tornar tirânico com a desculpa, é claro, de promover a 'justiça social' ou coisas do tipo, seria bem fácil quem não quer trabalhar pra sustentar vagabundo se mudar pra o micro estado vizinho, onde ele pode viver em paz.
    Logo esse estado inchado iria implodir ou ter que diminuir de tamanho.
    Tem um artigo aqui do Hoppe que explica bem isso, só não lembro qual é.

    Então, não é opinião coisa nenhuma, é apenas uma questão de lógica, se o raciocínio de vcs não vai muito longe a culpa não é minha.
  • Vladimir  14/10/2015 16:27
    Slaine,

    O fluxo migratório no mundo todo corrobora a sua tese?
    As pessoas estão mesmo fugindo dos grandes estados?
    Os brasileiros que estão "querendo fugir pra Miami agora"
    estão mesmo tentando fazer isso?

    Quais são os países do mundo que mais tem gente querendo entrar?
    São os paraísos fiscais? São os menores países? São os países
    onde o estado tem menos poder de polícia e onde não há
    assistencialismo? São os países onde é mais fácil sonegar impunemente?
    São os países que possuem as penas mais brandas para a sonegação de
    impostos?

  • Slaine  14/10/2015 17:38
    'O fluxo migratório no mundo todo corrobora a sua tese?'
    A tese não é minha, é do Hoppe. E essa pergunta é sem sentido porque não existe competição de micropaíses, é como perguntar se as ações de uns presos dentro da prisão corroboram alguma coisa do mundo livre lá de fora.Mas enfim, o que a economia mostra é que as pessoas respondem à incentivos e que podendo escolher as pessoas PRODUTIVAS preferem viver em estados que não ferrem a vida delas.Já os parasitas são outros quinhentos.

    'As pessoas estão mesmo fugindo dos grandes estados?'
    Alguns estão sim
    dailyreckoning.com/why-americans-are-leaving-america-and-how-to-reverse-the-trend/

    'Os brasileiros que estão "querendo fugir pra Miami agora" estão mesmo tentando fazer isso?'
    Aparentemente sim
    veja.abril.com.br/noticia/economia/emissao-de-vistos-para-os-eua-cresce-4-no-primeiro-semestre/

    'Quais são os países do mundo que mais tem gente querendo entrar?'
    Provavelmente algum com estado inchado, mas isso não invalida em nada a tese de que o ideal é a competição de micropaíses, basta usar a lógica.Estados Unidos com todos os problemas ainda é muito melhor que um lixo como o brasil, mas podia ser melhor ainda se o seu filho não fosse obrigado a morrer nas guerras do Obama pro lucro de algum banqueiro.

    @mises@mises.org.br
    Sou eu mesmo.Pois é, o cara que defende tanto a democracia vive levando uma lapada após a outra dessa mesma democracia. A última agora é o STF barrando o impeachment, um judiciário que é tão vermelho quanto o PT, e aí? Como é que ele conserta isso com a democraciazinha dele? como é que a democracia e a 'guerra política' dele vai tirar aqueles caras de lá? Nonsense.

  • Vladimir  14/10/2015 20:31
    Slaine,

    "E essa pergunta é sem sentido porque não existe competição de micropaíses..."
    Foi o que eu disse. Não há a menor evidência experimental de que, se as pessoas
    têm direito à secessão, a conseqüência direta vai ser um estado mínimo.

    "'As pessoas estão mesmo fugindo dos grandes estados?'"
    Como você mesmo disse somente ALGUNS (ou seja, uma minoria) estão.

    "'Os brasileiros que estão "querendo fugir pra Miami agora" estão mesmo tentando fazer isso?'
    Aparentemente sim
    veja.abril.com.br/noticia/economia/emissao-de-vistos-para-os-eua-cresce-4-no-primeiro-semestre/"
    Obrigado pela resposta esclarecedora. Mas o que importa é que só uma minoria está fazendo
    isso, pelo menos por enquanto. NO FUTURO pode ser que eu veja que você estava certo.

    "'Quais são os países do mundo que mais tem gente querendo entrar?'
    Provavelmente algum com estado inchado, mas isso não invalida em nada a tese de que o ideal é a competição de micropaíses..."
    Concordo. Mas nunca emiti opinião sobre se o ideal é a competição de micropaíses ou não,
    eu só disse apenas que não há a menor evidência experimental de que, se as pessoas
    têm direito à secessão, a conseqüência direta vai ser um estado mínimo.
    Na verdade, você chamou a atenção para uma evidência experimental de que a maioria das
    pessoas preferem um estado inchado e belicista do que um estado menor e mais fraco.

    Para evitar confusão, quero deixar claro que acho que os Estados Unidos são um bom exemplo
    para o Brasil em muitos aspectos, não em todos, é claro. Não concordo com o belicismo, por
    exemplo. E sim, o belicismo não é o único defeito dos Estados Unidos.
  • mises@mises.org.br  14/10/2015 03:26
    Por acaso você é o mesmo Slaine que eventualmente comenta no site do Luciano Ayan? Se for, já viu como ele está desesperado com a situação política atual? Nota-se isso pelo tom dos artigos que ele escreve atualmente. Ele, que critica tanto os libertários, agora é vítima da própria retórica non-sense de "ceticismo político" que ele tanto acredita... o coitado agora defende até o Eduardo Cunha! Tadinho, hehehe.
  • Slaine  14/10/2015 17:46
    Esse é o artigo
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1788

    'Para a causa da liberdade, o melhor seria se a Europa se desintegrasse no maior número possível de micro-estados. Isso também vale para a Alemanha. Quanto menor a extensão espacial de um estado, mais fácil seria emigrar e, consequentemente, menos intrusivo e coercivo teria de ser o estado. Afinal, seria de seu total interesse fazer de tudo para que as pessoas produtivas se sentissem estimuladas a permanecer dentro de seu território.

    Estados pequenos possuem vários concorrentes geograficamente próximos. Se um governo passar a tributar e a regulamentar mais do que seus concorrentes, a população emigrará, e o país sofrerá uma fuga de capital e mão-de-obra. O governo ficará sem recursos e será forçado a revogar suas políticas confiscatórias. '
  • Dissidente Brasileiro  14/10/2015 18:43
    Mais uma canalhice do governo federal do braziul; protejam seus bolsos:

    Sem plano para refugiados, Brasil coloca sírios no Bolsa Família
  • Libertário Convicto  30/05/2016 02:30
    Achei maravilhoso o artigo!!!!!

    Fui um crítico veemente das ideias de Secessão trazidas por ventos paulistas e sulistas, contudo, mudei de opinião ante a esse vasto mar de lama que assola o país e que gera sofrimento e desgaste a todos os "povos" que o habitam.

    O artigo é muito inteligível e inteligente, não vislumbrei, em princípio, qualquer posição preconceituosa em seu teor, portanto, parabéns ao seu autor.

    Quanto aos comentários acima, corroboro com todo e qualquer projeto de secessão, cujo escopo não seja qualquer tipo e/ou forma de preconceito....

    "Liberdade, liberdade abre as asas sobre nós e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz!!!"

    Aos Secessionistas-Libertários reticentes sobre esta nobre causa, deixo o seguinte pensamento:

    "É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota."
    Theodore Roosevelt


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