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A impiedosa destruição do real (números atualizados para agosto)
Observação: este artigo foi originalmente publicado no dia 26 de janeiro de 2015. Por causa da veloz depreciação do real ocorrida desde então, estou sendo obrigado a atualizar os gráficos hoje, dia 11 de agosto.


A melhor maneira de aferir a saúde de uma moeda é analisando a evolução de sua taxa de câmbio em relação às outras moedas do mundo.

A taxa de câmbio é um preço formado instantaneamente pela interação voluntária de bilhões de agentes econômicos ao redor do mundo.  Se esses bilhões de agentes econômicos acreditam que a inflação de preços no seu país será baixa, sua moeda irá se valorizar.  Se eles acreditam que a inflação está alta ou que ela será alta, sua moeda irá se desvalorizar. 

Grosso modo, a taxa de câmbio representa, em tempo real, a razão entre o nível geral de preços vigente em dois países distintos.  A taxa de câmbio entre dois países é igual à razão de seus níveis de preços relativos.

Sendo assim, a evolução da taxa de câmbio é uma narrativa da evolução do poder de compra atual de sua moeda em relação a todas as outras. 

A conclusão, portanto, é que com a taxa de câmbio não há segredo: se ela está se desvalorizando por muito tempo, então é porque o país está em rota inflacionária.  Se ela está se valorizando com o tempo, então é porque o país está em rota sadia.

Não há mensurador mais confiável e mais acurado do que esse. 

E qual foi o histórico do real durante os quatro anos do governo Dilma?  De maneira simples e educada, pavoroso.

O real não só apanhou de todas as moedas tradicionais (dólar americano, euro, franco suíço, libra esterlina, dólar australiano, dólar canadense, dólar neozelandês, dólar de Cingapura e renminbi chinês), como também conseguiu apanhar de portentos como o guarani paraguaio, o novo sol peruano, o peso uruguaio, o boliviano, o baht tailandês e o gourde haitiano (sério).

Naturalmente, o real também apanhou do peso mexicano, do peso colombiano e do peso chileno.

Como consolo, fomos melhores que o peso argentino e que o rublo russo (mas só na prorrogação).

Veja a carnificina. 

(Obs: quando uma unidade de moeda estrangeira é maior que 1 real, a cotação se dá em termos de moeda estrangeira por real; quando 1 real é maior que uma unidade da moeda estrangeira, a cotação se dá em termos de real por moeda estrangeira).

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Gráfico 1: evolução da taxa de câmbio do dólar americano em relação ao real.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o dólar se apreciou 102% em relação ao real.


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Gráfico 2: evolução da taxa de câmbio do franco suíço em relação ao real.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o franco se apreciou 98% em relação ao real.

 

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Gráfico 3: evolução da taxa de câmbio do euro em relação ao real.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o euro se apreciou 70% em relação ao real.

 

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Gráfico 4: evolução da taxa de câmbio da libra esterlina em relação ao real.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, a libra se apreciou 105% em relação ao real.

 

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Gráfico 5: evolução da taxa de câmbio do dólar canadense em relação ao real.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o dólar canadense se apreciou 57% em relação ao real.


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Gráfico 6: evolução da taxa de câmbio do dólar australiano em relação ao real.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o dólar australiano se apreciou 50% em relação ao real.


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Gráfico 7: evolução da taxa de câmbio do dólar neozelandês em relação ao real.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o dólar neozelandês se apreciou 79% em relação ao real.

 

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Gráfico 8: evolução da taxa de câmbio do dólar de Cingapura em relação ao real.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o dólar de Cingapura se apreciou 90% em relação ao real.

 

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Gráfico 9: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao renminbi chinês.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se desvalorizou 54% em relação ao renminbi.

 

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Gráfico 10: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao peso mexicano.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se desvalorizou 35% em relação ao peso mexicano.

 

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Gráfico 11: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao peso colombiano.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se desvalorizou 26% em relação ao peso colombiano.

 

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Gráfico 12: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao peso chileno.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se desvalorizou 29% em relação ao peso chileno.

 

Agora o massacre se torna mais humilhante:

 

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Gráfico 13: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao boliviano.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se desvalorizou 51% em relação ao boliviano.

 

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Gráfico 14: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao sol peruano.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se desvalorizou 43% em relação ao sol peruano.

 

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Gráfico 15: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao gourde haitiano.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se desvalorizou 35% em relação ao gourde haitiano.

 

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Gráfico 16: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao guarani paraguaio.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se desvalorizou 45% em relação ao guarani paraguaio.

 

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Gráfico 17: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao peso uruguaio.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se desvalorizou 29% em relação ao peso uruguaio.

 

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Gráfico 18: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao baht tailandês.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se desvalorizou 43% em relação ao baht.

 

A consolação

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Gráfico 19: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao peso argentino.  De 31 de dezembro de 2010 a 11 de agosto de 2015, o real se valorizou 14% em relação ao peso argentino. E, mesmo assim, toda a valorização do real ocorreu em 2014, quando a Argentina decretou moratória.

 

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Gráfico 20: evolução da taxa de câmbio do real em relação ao rublo russo.  De 31 de dezembro de 2010 a 13 de março de 2015, o real se valorizou 1,5% em relação ao rublo. E, mesmo assim, toda a valorização do real ocorreu apenas em dezembro de 2014, quando o rublo se esfacelou no mercado mundial. De 2011 a meados de 2014, o real se desvalorizou em relação ao rublo.

 

Conclusão

Nossa moeda está sendo impiedosamente esfacelada em decorrência das políticas monetária e fiscal do governo, perdendo poder de compra em relação até mesmo à moeda do Haiti. 

Em julho de 2011, o dólar custava R$1,54.  Quem ganhava R$ 3.000 naquela época tinha um salário equivalente a US$ 1.948.  Hoje, com o dólar a aproximadamente R$ 3,50, essa mesma pessoa teria de estar ganhando R$ 6.818 (aumento de 127%) apenas para voltar ao valor nominal em dólares de 2011.

Da mesma forma, um salário mínimo em meados de 2011 valia US$ 353. Hoje vale apenas US$ 225.

O povo está sendo enganado direitinho.

Enquanto isso, economistas desenvolvimentistas continuam batendo bumbo para a destruição do poder de compra da moeda e seguem dizendo que o país precisa é de um câmbio ainda mais desvalorizado, pois, segundo eles, o câmbio está "apreciado demais" e isso está "prejudicando a indústria".

Segundo esses magos, a desvalorização do câmbio é o segredo para impulsionar a indústria e o setor exportador brasileiro. 

Tudo indica que eles habitam outra dimensão.  Senão, como explicar o fato de que a desindustrialização no Brasil chegou ao auge, e as exportações caíram, justamente no período em que a moeda mais se desvalorizou?  Eles parecem não perceber — ou fingem ignorar — que a desindustrialização está ocorrendo é justamente agora, quando temos uma moeda fraca, inflação alta, e as maiores tarifas protecionistas da história do real

Eles também ignoram que o que acaba com a indústria, como explicado em detalhes aqui, é a inflação de preços e de custos, gerada justamente pela desvalorização da moeda.  É a inflação de preços e de custos o que desorganiza todo o planejamento de uma indústria e falsifica toda a sua contabilidade de custos, e não uma (fictícia) taxa de câmbio valorizada.

Uma taxa de câmbio valorizada, aliás, ajuda as indústrias mais competentes.  Qualquer indústria exportadora tem também de importar máquinas e bens de capital de qualidade, além de peças de reposição, para produzir seus bens exportáveis (pergunte isso a qualquer mineradora ou siderúrgica).  Se isso puder ser feito a um custo baixo (permitido por uma moeda forte), tanto melhor.

Uma moeda forte permite que as indústrias comprem bens de capital, máquinas e equipamentos de qualidade a preços baixos.  Isso as deixaria mais produtivas, aumentaria a qualidade dos seus produtos, e faria com que eles fossem mais demandados lá fora.

(Nos primeiros anos do Plano Real, a moeda era muito mais forte do que é hoje, e não houve nenhuma desindustrialização; ao contrário, houve modernização do parque industrial).

Nenhum país que tem moeda fraca e inflação alta produz bens de qualidade que sejam altamente demandados pelo comércio mundial.  Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte.  Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

Se moeda forte fosse empecilho para a indústria, todos esses países seriam hoje terra arrasada.  No entanto, são nações fortemente exportadoras.  Moeda forte e muita exportação.

Essa destruição do poder de compra da nossa moeda tem de acabar.  A carestia que estamos vivenciando hoje não será resolvida enquanto o real não voltar a se fortalecer.  É impossível ter uma carestia minimamente tolerável se a sua moeda é gerenciada por incompetentes e perde poder de compra até mesmo em relação à moeda do Haiti.


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


Ué, se a Vale era essa barbada toda, então por que esse cara não está rico? As ações foram vendidas livremente na bolsa, o que significa que ele poderia comprá-las livremente. No mínimo, poderia formar uma sociedade com vários amigos, comprar as ações, e então ficar rico com sua valorização.

Por que não fez isso?

Dizer que a empresa se valorizou após a privatização e daí afirmar que ela foi vendida a preço de banana é impostura intelectual. Quem afirma isso não sabe como funciona mercado e nem conhece a diferença entre gerência estatal e privada. E tem também de explicar por que não enriqueceu, já que sabia perfeitamente que a empresa estava subvalorizada.

Aliás, o grupo liderado pelo Votorantim perdeu o leilão de privatização da Vale. Antônio Ermírio de Moraes perdeu a oportunidade do século de ficar podre de rico. Se era tão óbvio que a mineradora estava desvalorizada, por que cargas d'água o então homem mais rico do país não ofereceu mais pelas bananas?

Detalhes:

1) O governo detinha apenas 42% do capital votante. Ou seja, o que foi a leilão não foi a empresa inteira, mas apenas 42% do capital votante. A empresa inteira estava avaliada em aproximadamente US$ 8 bilhões, sendo que a fatia vendida valia US$3,34 bilhões.

2) O leilão se deu na bolsa de valores, a preço de mercado. Qualquer um poderia ter participado. Logo, o Armando está correto. Quem hoje esperneia que a venda foi barata tem a obrigação de explicar por que não participou da venda. Se a empresa estava "a preço de banana", então o sujeito tinha a certeza de que a empresa iria se valorizar enormemente no futuro. Por que não montaram um consórcio e compraram ações? Era dinheiro certo. Não fizeram isso por quê? Odeiam dinheiro?

3) À época, ninguém imaginava que haveria um súbito e intenso boom no preço global das commodities, o que elevou o preço do minério de ferro para a estratosfera e impulsionou fortemente o valor da Vale.

Portanto, quem diz que a Vale foi vendida a "preço de banana" revela, com toda a sinceridade, profunda ignorância econômica.
Economista da UNICAMP(com letras garrafais, por favor),

Se a Petrobrás, a IMBEL, Eletrobrás(Furnas), Copel... são empresas eficientes, por que o governo usa o protecionismo para coibir concorrentes(até mesmo internacionais)? E mais, por que subsidiam essas empresas se elas são tão eficientes?

Em uma economia liberal, nunca vamos saber se aquela empresa é realmente de fato eficiente como você afirma. Para sabermos se ela realmente é eficaz deveríamos defender o mercado livre. Você está se baseando apenas em lucros que a empresa teve ao longo dos anos, mas lucros as custas do povo que paga impostos, porque o BNDES injetou dinheiro ao longo da era petista, e lucro em cima do entrave de novos concorrentes que o nosso governo pratica ao longo desses anos.

"Dê uma passeada pelos nossos corredores e veja se tu não vais te arrepiar. Conceição Tavares, Belluzzo, Aloísio Mercadante, Márcio Pochmann, duvido achar uma outra faculdade que ostente colossos tão imponentes no mundo acadêmico. Isso sem falar dos nossos ''filhos adotados'' como o Bresser, Celso Furtado, João Sayad, entre outros. Ah, aqui foi a casa do Plano Real, só para lembrar."

Sem comentários. Parece uma piada.

"Paliativo é ficar brincando de elevar as taxas de juros ou de sobrevalorizar o câmbio."

Nós nunca brincamos de elevar as taxas de juros, pelo contrário, acreditamos que os juros é redigido pelo mercado, e não em uma canetada como os economistas da UNICAMP(letras garrafais, por favor) defendem.
Sobrevaloriza o câmbio? De novo. Parece uma piada.
Pesquisa sobre Currency Board e depois conversamos.

"No setor agrícola para amenizar a inflação de alimentos, no setor energético(que é o principal culpado por essa inflação tão alta), isso sim são medidas concretas."

Inflação de alimentos é aumento de preço localizado, como foi o caso do feijão e do tomate. A melhor medida para combater a carestia gerada essencialmente pelo governo, é reduzir os impostos e LIBERAR O MERCADO PARA A ENTRADA DE CONCORRENTES. Com a burocracia estatal que é formada para obter uma reserva de mercado, garante que os empresários que estão sob proteção do governo, possa praticar qualquer preço sem qualquer tipo de concorrência que faria com que ele perdesse fatia do mercado por uma outra empresa que com medidas eficientes pudesse reduzir o preço dos alimentos.
Por mais que abaixasse o imposto, ele poderia praticar qualquer tipo de preço sem ser incomodado. E essa redução do imposto, esse mesmo empresário teria lucros maiores que poderia ter sob a reserva de mercado.

Setor energético culpado pela inflação? É isso que estão ensinando na UNICAMP(com letras garrafais, por favor)?

Bem que o Roberto Campos avisou: "O Brasil acaba com os economistas da Unicamp, ou eles acabam com o Brasil.
Bastaram cinco anos de assessoria direta de economistas da Unicamp à Presidente Dilma Rousseff, para a previsão de Roberto Campos se tornar realidade: expansão monetária, corporocracia, expansão das obras públicas, expansão dos cargos e salários públicos, intervenção estatal em toda a economia, corrupção e protecionismo comercial.
Provavelmente nenhuma economista fez tão mal ao Brasil quanto Maria da Conceição Tavares, mas além dela podemos destacar, em tempos recentes, o mais nocivo professor do país: Luiz Gonzaga Belluzzo.
Belluzzo nunca acerta qualquer previsão econômica, e é obcecado por gastos públicos. Como principal conselheiro econômico de Dilma Rousseff, convenceu-a a enterrar a bem sucedida matriz econômica "meta de inflação/câmbio flutuante/responsabilidade fiscal" por uma matriz heterodoxa "juros baixos, câmbio desvalorizado e aumento de gastos públicos". Foi, sem dúvida, um responsável direto pelo caos econômico que vivemos.
Agora, repetindo o que Lula falou há dois meses, Belluzzo tem a desfaçatez de dizer que a crise econômica é culpa de um suposto ajuste fiscal que Joaquim Levy estaria fazendo. Segundo Belluzzo, precisamos gastar mais ainda para sair da crise."
https://www.institutoliberal.org.br/blog/previsao-de-roberto-campos-e-o-ajuste-que-nunca-aconteceu/

"Quer dizer que a empresa desde 1953 é referência nacional, mas por causa de um governo ruim ela vira ''um grande cabide de empregos''? Aliás, esse tipo de problema acontece na esfera privada também."

Cabide de emprego na esfera privada? Você desconhece qualquer atividade empresarial para falar tal bobagem, nunca um empresário faria da sua empresa um cabide de emprego, ele opera com sistema de lucro e prejuízo, ele não pode se dar ao luxo de encher a empresa de empregados ineficientes.
Palavras de um empresário.

"Não, apenas defendo que as nossas empresas não fiquem vulneráveis à imperialistas que jogam sujo contra nós. "

Eles jogam tão sujo, que em países no ranking de abertura comercial, a população paga pelo melhores produtos pelo menor preço. Parece que a UNICAMP(com letras garrafais, por favor), está doutrinando os seus alunos a ter sentimentos nacionalistas que acaba prejudicando justamente quem eles querem proteger: a população.

Obrigado por vir até aqui e comprovar que Roberto Campos sempre esteve certo tanto da UNICAMP(com letras garrafais, por favor) quanto na petrossauro.

Abraço Economista da UNICAMP(com letras garrafais, por favor)
Olá amigos, sou um estudante do ensino fundamental e eu tenho interesse em economia, tenho um irmão mais velho que acompanha o site e sempre me disse que esse era o melhor site para aprender sobre meu interesse. Portanto, gostaria de aprender mais sobre as questões abaixo:
Obs: Gostaria de respostas curtas para maximizar meu aprendizado de forma que eu não acumule muito conteúdo de primeira. Eu tenho um conhecimento prático e limitado sobre a economia, justamente pelos ensinamentos do meu irmão.
Vamos começar.

Questão 1) O que é inflação de demanda?

Questão 2) O que é demanda agregada?

Questão 3) Inflação é sempre decorrente de expansão de crédito?

Questão 4) O que é base monetária?

Questão 5) O que define a taxa de juros em um livre mercado?

Questão 6) Como é definido a taxa de juros atualmente no Brasil?

Questão 7) Aumento na taxa de juros é pelo "risco país"?

Questão 8) Como é determinado o câmbio?

Questão 9) Qual o melhor sistema de câmbio?

Questão 10) Li recentemente em um site que temos 19 montadoras no Brasil, não seria livre mercado(pelo menos no setor automotivo)? (Sei que temos monopólio de fabricante de peças)
Cade acusa Fiat, Ford e VW de monopólio em fabricação de peças

Questão 11) Temos candidatos a presidente que tem como um slogan sob a sua campanha "Abaixar os juros" por um decreto? Isso seria uma decisão ruim ou boa? Não há uma contradição pela questão 7? Dilma dizia que abaixaria os juros e acabou não ocorrendo, pelo contrário, ela aumentou? Por que seria diferente com esse candidato?

Questão 12) Por que abolir o CVM? Qualquer empresa poderia entrar na bolsa sem burocracia estatal, de modo que impulsionaremos nossa economia com as empresas estrangeiras que abririam capital na nossa bolsa? Seria uma medida que o micro-empresário poderia rivalizar com os mega-empresários?

Questão 13) Por que abolir a infraero?

Questão 14) Por que abolir ANVISA?

Questão 15) Qual o potencial do Brasil?

Questão 16) Nióbio ajudaria no nosso desenvolvimento?

Questão 17) Exportação x Importação? Qual o melhor? Por que balança comercial é importante para economistas?
Importação é produtos do estrangeiro que vieram ao Brasil para serem vendidos, mas até onde sei até chegar a loja esses produtos ainda não foram vendidos? Por que os ataques histéricos com essa balança se nem ao menos sabem se o produto foi vendido(até mesmo pelo preço pela taxa de importação)?

Questão 18) Na China existe o trabalho escravo? Encontrei essa matéria de chineses apanhando por mau desempenho no trabalho

Questão 19) Por que a China vai explodir economicamente? Todos dizem que vai ser a maior economia do mundo até 2050, vocês acreditam?

Questão 20) Pelo que obtive do meu irmão, a Índia está fazendo algumas reformas liberais, apesar de tímidas estão ajudando a economia a crescer? Índia não poderia passar a China com essas reformas?

Questão 21) Acumulação de capital x consumismo(explique seus conceitos e qual o mais importante em uma economia)?

Questão 22) O que gera recessão?

Questão 23) O que torna um país rico?

Questão 24) Existe algum limite de crescimento que um país possa se ter? Exemplo do Japão que é do território do MS(Mato Grosso do Sul) pudesse dobrar a sua economia?

Questão 25) Por que a Irlanda cresceu 26% em um ano? Milagre econômico ou livre mercado?

Questão 26) Por que os países de livre mercado são taxados de paraísos fiscais? Hong Kong, Cingapura, Panamá, Ilhas Cayman, Suíça, Luxemburgo e outros? Austrália e Nova Zelândia entrariam nesse conceito?

Questão 27) Por que o Brasil cresceu apenas 4% na média na década passada?

Questão 28) O renminbi poderá passar o dólar como a moeda de troca internacional?

Questão 29) Existe zona de livre comércio em Xangai?

Questão 30) Por que a China tem esse "poderoso" PIB? Como ela conseguiu o tal "milagre"?

Questão 31) Por que o estado mínimo não é necessário?

Questão 32) Forças Armadas estatal x Forças Armadas privada(Qual o melhor e por que)?

Questão 33) Por que a Africa é pobre?

Questão 34) Somália é anarcocapitalista?

Questão 35) Milton Friedman é importante nas matérias econômicas(o que podemos aprender com ele?)?

Questão 36) Mises foi o mais importante economista do século 20?

Questão 37) Keynes x Mises e Keynes x Milton Friedman(maiores diferenças entre eles)?

Questão 38) Keynes é comunista, socialista ou capitalista interventor?

Questão 39) O que causou a Grande Depressão?

Questão 40) Explique o conceito de ciclos econômicos?

Questão 41) Qual a contribuição da Escola Austríaca(EA) nas ciências econômicas?

Questão 42) Qual a posição da EA na colonização de planetas? Ouvi dizer que podemos praticar atividades econômicas nesses planetas com agricultura e mineração(depois da terraformação)?

Questão 43) Meio ambiente x livre mercado(Qual o papel do livre mercado na conservação do meio ambiente)?

Questão 44) Amazônia poderia se internacionalizada por não protegemos nosso patrimônio? Não é agressão internacional para com o nosso país? Estão atrás da preservação ou das riquezas que nós temos no território?

Questão 45) Zona franca de Manaus funciona(qual o papel dela na economia brasileira)?

Questão 46) Empregos se tornam obsoletos enquanto outros surgem, qual a visão dos leitores e dos autores sobre a mineração espacial, internet das coisas e viagem espacial?

Questão 47) Pobreza diminuindo com a expansão do capitalismo, até quando a pobreza absoluta poderá ser erradicada?

Questão 48) De acordo com a revista Veja, se toda a água do planeta fosse representada por 200 litros, 195 litros seria de água salgada. 5 litros seria de água doce, mas a maior parte da água doce está nas geleiras ou em depósitos subterrâneos de difícil acesso, a humanidade tem a sua disposição para consumo apenas o equivalente a 20 mililitros de água. Qual o papel da iniciativa privada nessa questão abordada? Existe o processo de dessalinização em alguns países, mas em mãos do estado. Pelo que eu pude estudar tem inventores que poderiam mudar radicalmente a forma dessa dessalinização tornando a água abundante. Por que o estado não deixa os empresários disponibilizarem essa água para a população?

Questão 49) Os que defendem o controle populacional tem como uma das formas de culparem o capitalismo por tal descontrole. Ma em um país capitalista essa questão é exatamente ao contrário. Por que esses mesmo defensores não defendem o capitalismo, já que se provou um "controle" populacional?

Questão 50) Culpam o capitalismo pela fome do mundo, mas em países capitalistas uma das doenças que mais matam é a obesidade. Não é uma contradição? São hipócritas ou aparentemente sem limites de burrice para denegrir o sistema capitalista?

Questão 51) Já leram o Livro Negro do Capitalismo? É realmente culpa do capitalismo ou ações governamentais que são os verdadeiros culpados? Se é culpa do capitalismo, como um dono de um restaurante em Ohio possa ser culpado pelas mortes no Iraque?

Abraços e em breve farei mais algumas perguntas.
"Concordo que a desigualdade econômica possa ser benéfica socialmente. Porém ainda há pessoas que nem 0,50 centavos tem para sobreviver"

Então a sua preocupação é com a pobreza absoluta e não com a pobreza relativa.

"e mesmo com as políticas assistencialistas do governo não os permitem colocar em condições de consumidores para que possam consumir os serviços ofertados e muitas vezes trabalha não da forma que gosta e sim porque precisa sobreviver."

Essa frase contradiz a primeira. Primeiro você disse que a pessoa não tem nem 1 centavo (0,50 centavo é menos que 1 centavo), e agora diz que ela trabalha naquilo que não gosta.

A pessoa trabalha e não tem nem 1 centavo? Caramba....

Qualquer catador de papel e malabarista de semáforo consegue tranquilamente uns 10 reais por dia.

"Levando em conta que as máquinas tomaram boa parte do trabalho humano"

Desde o século XVIII isso acontece. E novas e mais agradáveis formas de trabalho foram descobertas. E é isso o que continuará acontecendo.

Ou você tem a arrogância da achar que não há mais empregos a serem descobertos e que tudo o que poderia ser inventado já o foi?

"um meio de adaptação seria o "trabalho intelectual""

Não necessariamente. Há hoje vários trabalhos que não podem ser substituídos por máquinas e nem dependem de "trabalho intelectual". Esportes, por exemplo. Professor de ioga. Chef de cozinha. Operador de máquina.

"No entanto contamos com um governo que não oferece ensino público gratuito e outras estratégias para que possam lançar os menos favorecidos ao mercado de trabalho."

Ué, não sei de onde você está teclando, mas, aqui no Brasil, o que não falta é ensino público "gratuito". Do maternal à pós-graduação. E toda a grade curricular é controlada pelo governo. É uma bosta? É. Assim como tudo que o governo faz.

E as pessoas ainda querem mais governo?

"Como então poderia ser resolvida essa questão, preservando a desigualdade econômica mas que possam colocar todos em condições de consumo?"

Explicado no próprio artigo. Quanto maior a oferta de bens e serviços, menores serão os preços deles. Isso está acontecendo desde a década de 1970 nos países ricos. Os preços das coisas só caem. No Brasil isso também poderia acontecer,
mas o nosso governo não deixa.

Se a sua preocupação é com a pobreza absoluta, então você tem de defender medidas que aumentem a quantidade de bens e serviços oferecidos, de modo que os preços deles caiam a ponto de permitir que qualquer um tenha acesso a eles.
"será que o verdadeiro motivo de se combater a acumulação de riqueza (tirando a mera inveja) não seria pelo fato de conhecermos a velha cobiça e ganância que degenera o homem com excesso de poder?"

Deixe-me ver se entendi. Você está dizendo que para combater "a velha cobiça e ganância" temos de dar poderes a políticos e burocratas (que são os seres mais gananciosos e cobiçosos do planeta), os quais irão tomar o dinheiro dos outros e redistribuir este dinheiro entre si? É isso mesmo?

Faz muito sentido.

"O Estado Democrático não mínimo, para fazer frente ao poderio econômico, não seria o mal mínimo preventivo desta desconfiança da "singularidade" da acumulação dos recursos financeiro-econômicos?"

A empiria lhe refuta.

Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Artigos para você sair desse auto-engano:

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

E você ainda diz que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Marcelo Cambraia  26/01/2015 19:48
    Apanhar pro Haiti foi "sacastragem". Uma maravilha nossa equipe econômica.
  • thiago  26/01/2015 21:56
    De cair o queixo!

    Haiti, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Peru, Colômbia. Perder 36% pra moeda da Bolívia até ajuda a entender Dilma ter ido a posse do cocalero: ela foi lá pra se ajoelhar a alguém mais competente.
  • PESCADOR  27/01/2015 13:42
    Incrível mesmo é que a maioria dos brasileiros não tem a menor ideia do que está acontecendo.
    Vou compartilhar esse artigo do Leandro imediatamente no facebook. Quero que pelo menos minha família e meus parentes leiam isso.
  • Edson Vergilio  27/01/2015 18:29
    Bem Vindos à época do Mercantilismo.
  • Thiago André  27/01/2015 18:30
    Leandro, como foi o desempenho do ouro?
  • Leandro  27/01/2015 18:36
    Começou o ano de 2011 valendo R$ 75 o grama. Hoje, o grama está custando R$ 106.

    Uma desvalorização implícita de 41% do real.
  • Bruno Salles  27/01/2015 18:32
    Leandro, qual seria o melhor indicador para aferir a verdadeira inflação, ou seja, a destruição do poder de compra da moeda? Seria a própria taxa de câmbio?
  • Leandro  27/01/2015 18:37
    Atualmente seria a cotação do ouro e do franco suíço (que é hoje a moeda mais sólida do mundo).

    Sugiro manter o gráfico da evolução dessas duas cotações, desde julho de 1994, em sua tela.
  • Juliana  27/01/2015 21:30
    "(Nos primeiros anos do Plano Real, a moeda era muito mais forte do que é hoje, e não houve nenhuma desindustrialização; ao contrário, houve modernização do parque industrial)."

    Bem, mas aí também depende (dos interesses) de quem está percebendo isso. Recentemente até reencontrei uma entrevista feita com o Fernando Henrique Cardoso - do ano de 2002 sobre os seus 8 anos de governo -, cujas respostas para as três perguntas sobre o câmbio são muito interessantes. E ele falava mais ou menos isso: que o câmbio valorizado teria tido efeitos negativos sobre o desenvolvimento e o emprego, o que foi um prato cheio para trobetearem que estavam sucateando a indústria.

    Mas "curiosamente", o que não é nenhuma novidade por aqui, os anos do Plano Real - em que o câmbio se manteve mais apreciado - foram que permitiram a modernização do parque industrial, e que foram essenciais para preparar a indústria para a competitividade. Além de o próprio reconhecer que sua popularidade e que a renda média da população foram mais elevadas em seu primeiro mandado, devido ao fato de o real estar mais valorizado.

    Ou seja, todos os argumentos, se a intenção for o bem estar da nação, são a favor de o real ser uma moeda forte. Só falta agora alguém com pulso firme para assumir esse propósito, e aguentar o falatório. Só isso.

    E é por essas e outras, que o título não poderia ser mais exato. Desvalorizar a moeda já deveria até ser considerado um crime.

    Abraços!

  • Leandro  27/01/2015 22:16
    Ótimo achado, Juliana.

    Beira o inacreditável a ignorância econômica da imprensa. Pelas perguntas sobre câmbio, o jornalista claramente desconhece que não há absolutamente nenhum plano de estabilização econômica -- ou seja, para se acabar com a hiperinflação em um país -- que não passe por uma política de câmbio fixou ou semi-fixo (como foi o caso do real).

    O jornalista desconhece a necessidade de se acumular reservas estrangeiras para então lastrear sua nova moeda nessas reservas. Ele acha que é possível um país com um histórico de 20 anos de hiperinflação simplesmente criar uma moeda nova do nada, sem lastro nenhum, e fazer tal moeda será totalmente aceita no mercado internacional. Ele realmente acha que é possível você, após 20 anos de hiperinflação, simplesmente inventar uma moeda nova e deixá-la flutuar livremente (até ela desabar).

    De resto, FHC parece que só entendeu o básico da teoria econômica (moeda forte é popular) após ter sido apeado do poder com popularidade baixíssima. Foi dar ouvidos a economistas desenvolvimentistas (que assumiram o controle no seu segundo mandato) e se estrepou. Por causa disso, sua popularidade até hoje não se recuperou. E tudo pode ser resumido nessa sua constatação:

    "Agora, curiosamente, a população gostava mais daquele câmbio [o semi-fixo]. Minha popularidade foi altíssima no primeiro mandato, e caiu muito no segundo. Tudo o que os economistas acham bom, que foi feito no segundo mandato, a população não acha. A população viveu melhor quando o real estava mais apreciado. O nível de renda média familiar da população subiu [...] no primeiro mandato, 30%. E, no segundo, caiu 10%. É curiosa a diferença entre a percepção que se tem das coisas e o que acontece de fato."
  • Lopes  28/01/2015 01:39
    Fantástica entrevista. À exceção de um ou outro comentário que está aparentemente anacrônico com os ocorridos na mesma década:

    FHC – Outro dia vi na televisão uma discussão totalmente desfocada sobre imperialismo. O imperialismo pertence a uma época da história em que o mercado precisava do Estado para se impor. O interesse econômico dependia do Estado. Hoje o que está posto não é mais isso.

    Ele de fato abre uma concessão à primeira guerra do golfo, à bem da verdade, mas poderia haver trocado um breve olhar contra a folha de crédito do BNDES para entender quão equivocado sua afirmação está em relação à uma grande porção de empresas aqui e nos EUA. Entretanto, alguns comentários, apesar de extremamente estatistas e distorcidos moralmente (Veja – O senhor, quando senador, foi autor de um projeto de taxação de grandes fortunas. O que o fez mudar: razões doutrinárias ou práticas? FHC – Práticas. Está demonstrado que no mundo de hoje não há como taxar a grande fortuna. Ela muda de país. Vai para Cayman, sob a forma de propriedade acionária.), falam bem em linguagem de confiscadores sobre o problema do importo de grandes fortunas, recorrente por conta do Piketty.
  • Rafael  28/01/2015 12:07
    Essa frase realmente deveria ser o epitáfio de FHC:

    "Agora, curiosamente, a população gostava mais daquele câmbio [o semi-fixo]. Minha popularidade foi altíssima no primeiro mandato, e caiu muito no segundo. Tudo o que os economistas acham bom, que foi feito no segundo mandato, a população não acha. A população viveu melhor quando o real estava mais apreciado. O nível de renda média familiar da população subiu [...] no primeiro mandato, 30%. E, no segundo, caiu 10%. É curiosa a diferença entre a percepção que se tem das coisas e o que acontece de fato."

    Esse é o destino de políticos que ignoram a teoria econômica e dão ouvidos aos magos desenvolvimentistas. Alguém soprou no ouvido de FHC que ele deveria deixar flutuar o câmbio, pois isso de alguma forma seria bom. Só que o câmbio não flutuou; ele desabou. E levou junto a popularidade de FH.

    Dilma está indo pelo mesmo caminho, ao passo que Lula -- leia-se: Henrique Meirelles -- soube fazer exatamente o contrário.
  • Luis  14/02/2015 21:47
    O mais engraçado é que há correlação positiva entre a valorização do câmbio e a popularidade do Lula!

    O câmbio valorizado é tema de nagação entre os desenvolvimentistas porque não entendem o que é câmbio, índice de preços e inflação.

    Especificamente na época do FHC, o lobby industrial mercantilista que desejava o câmbio desvalorizado nunca reclamou da saraivada de tributos que aumentaram e encareciam seus produtos.
    Fico pasmo ainda ouvir defensores da manipulação cambial, sempre na direção da desvalorização, alegar que ainda é um instrumento fundamental para "política industrial". Falar em Direito de propriedade, desburocratização e baixos/nulos impostos, nem em pensamento.
  • Leandro  15/02/2015 13:45
    Não só de Lula, mas também de FHC e Dilma.

    Aliás, Lula pegou uma conjuntura que dificilmente vai se repetir: enquanto o crédito se expandia aceleradamente de 2004 a 2010, o real simultaneamente se valorizava perante o dólar (porque o real estava excessivamente subvalorizado ao final de 2002 e também porque o dólar começou a ir para a latrina em 2004), o que impedia a disparada da carestia.

    Esse enfraquecimento do dólar -- inicialmente gerado pelos gastos trilionários com a guerra do Iraque, e posteriormente pelos 3 QEs -- está por trás da popularidade de Lula, que conseguiu o feito de expandir o crédito sem gerar grande carestia.

    O repeteco de tal cenário não é visível no curto prazo.
  • Diego M  05/03/2015 18:33
    Leandro,

    Muito tenho escutado e lido sobre o modernização ou desindustrialização ocorrido na época do primeiro mandato de FHC. Entretanto, são apenas comentários. Um diz isso aqui, e outro diz aquilo ali...

    Nunca consegui achar ou ver algum link de notícia ou matéria com índices ou dados comprobatórios sobre os reais efeitos da industria naquela época. Nem prum lado nem pro outro.

    Você teria links, sites, matérias ou algo parecido que pudesse evidenciar os efeitos de forma mais plausível? A entrevista da Veja citada por Juliana é interessante, mas não deixa de ser apenas uma entrevista. Você teria ?

    Abraços.
  • Leandro  05/03/2015 21:13
    Não creio que exista algo assim (ao menos, imparcial e desideologizado).

    Mesmo porque se trata de um assunto muito mais subjetivo do que técnico. O que configura modernização? Como mensurá-la? O que configura desindustrialização? Como mensurá-la?

    Se desindustrialização for medida unicamente (como quase sempre é) pela participação da indústria no PIB, então todos os países do mundo estão se desindustrializando, e estão se desindustrializando há décadas.

    Em todos os países minimamente avançados, o setor de serviços e de comércio cresce, e toma lugar do setor industrial. Mas isso não configura uma má desindustrialização.

    Há um artigo inteiro sobre isso:

    O futuro da indústria - por que a participação da indústria no PIB sempre será declinante

    Sobre modernização, isso é algo que você entende muito melhor vivenciando e sentindo do que apenas lendo relatos.

    Na primeira fase do Plano Real, o que houve com grandes empresas como Embraer e Vale? Elas se modernizaram ou se defasaram? As siderúrgicas se tornaram mais ou menos competitivas? Os próprios automóveis brasileiros, melhoraram ou pioraram? Um carro de 1998 era sensivelmente melhor que um carro de 1994?

    Engana-se quem afirma que Vale, Embraer e siderúrgicas melhoraram apenas por causa das privatizações. Se não fosse uma moeda forte, não teria a menor chance de elas se modernizarem e se tornarem competitivas no mercado mundial. E o mesmo vale para as fabricantes de automóveis (muito embora o grande protecionismo conferido a estas tenha lhes tirado todos os incentivos para melhorarem ainda mais).
  • Tio Patinhas  27/01/2015 22:13
    De certa forma sinto-me na Somália:

    horseedmedia.net/2013/03/13/somalia-strong-currency-hurting-somalias-economy/

    Na parte onde existe governo, a moeda valoriza e eles acham isso ruim...
  • Hugo  28/01/2015 00:15
    Olá Leandro!

    O déficit de conta corrente do BR está chegando a 100 bi de dólares,porém o acréscimo desse déficit desde 2010 aconteceu sob uma desvalorização cambial maciça do Real desde então (o que contraria o "consenso" de que moeda valorizando provoca déficit externo e vice versa). Sabendo disso é correto afirmar que a disparada do déficit da conta corrente do BP nos últimos anos também é uma mera consequência do massacre inflacionário contra o Real?
  • Leandro  28/01/2015 01:58
    Exato. Sobre o déficit na conta-corrente (balança comercial e de serviços), vale lembrar que a conta de serviços sempre foi negativa, de modo que o que realmente se alterou foi a balança comercial. Tanto as exportações quanto as importações caíram, mas as exportações caíram mais do que as importações.

    E um dos motivos da queda das exportações é o esfacelamento do setor industrial gerado pela inflação de preços. Simplesmente não temos mais capacidade de fazer produtos de qualidade desejados pelos gringos.

    Outro motivo é simplesmente o encarecimento dos produtos nacionais, o que os torna menos atraentes para os importadores estrangeiros. Os iluminados que defendem a desvalorização cambial como ferramenta para impulsionar as exportações se esquecem do pequeno detalhe de que a desvalorização cambial também encarece a produção desses produtos exportados. Afinal, os insumos importados utilizados no processo de produção dos produtos exportados ficam mais caros.

    Se os bens que você exporta são produzidos com vários insumos (bens de capital como máquinas e ferramentas) importados, o efeito será um aumento nos seus custos de produção. Sendo assim, os exportadores terão de pagar mais caro pelos insumos que importam e que utilizam para fabricar os produtos que pretendem vender aos estrangeiros.

    Consequentemente, os próprios produtos exportados também encarecem.

    Sem uma política sólida de redução da carestia, que passe justamente pela valorização da moeda, tudo só vai piorar.
  • Hugo  28/01/2015 15:06
    Isso é mesmo,porém vejo que todas as contas da conta corrente pioraram muito depois de 2009,e junto disso ainda uma disparada do câmbio...
  • Yonatan Mozzini  28/01/2015 12:24
    O subtítulo "Consolação", é bem verídico, principalmente para quem mora na fronteira com a Argentina, como é meu caso. Com essa desvalorização recente do peso, a cotação aqui no comércio chegou a R$ 0,16 / $1, isto é, um peso chegou a custar dezesseis centavos de real! Eu ia a um supermercado argentino a 800 metros aqui de casa com 20 reais e vinha com duas sacolas cheias. Quando o dólar chegou a 2,70 esses dias atrás, o peso estava em 23 centavos de real. Agora já está em 21. As enormes filas de carros para comprar na Argentina já estão bem menores que as do ano passado.

    Quanto ao link do José Oreiro... O cara é engraçado mesmo. É doutor em economia, mas acho que deve viver apenas fechado na universidade, criando modelos mirabolantes, estando completamente fora da realidade mundial. Eu já tive uns atritos com ele quando ele veio dar uma palestra na universidade onde eu estudo. O tema era a desindustrialização do Brasil. Ele, como um típico keynesiano, culpava o câmbio valorizado. A solução? Desvalorizar a moeda.... É perda de tempo querer que keynesianos velhos mudem de ideia... É melhor esperar que morram logo mesmo.
  • Rafael Hotz  28/01/2015 13:13
    Pois é, Leandro, outro dia eu estava fazendo a mesma pesquisa para planejar países baratos para as minhas férias... Perdemos de quase todas as moedas do mundo relativamente civilizado (porcarias como Belarus, Argentina e Venezuela não contam)...

    No câmbio nominal ganhamos apenas do ZAR (África do Sul), TRY (Turquia) e UAH (Ucrânia) e RUB (Rússia)...

    Acho que o negócio é ver as musas russas e ucranianas nas próximas férias...

    No mais, até o seu aclamado dólar de Singapura vem sendo vilipendiado:

    www.zerohedge.com/news/2015-01-27/singapore-enters-currency-wars-weakens-sgd-most-3-years

    Abraços
  • Leandro  28/01/2015 14:09
    Quero uma moeda "vilipendiada" assim pra mim. O dólar de Cingapura segue batendo todas, exceto o dólar americano (para o qual ele só começou a perder no segundo semestre de 2014) e o franco suíço (que é imbatível).

    O dólar neozelandês, verdade seja dita, é um concorrente à altura.

    Aliás, no ranking da Heritage recém-publicado, a Nova Zelândia se tornou o terceiro país mais economicamente livre do mundo. E, ano que vem, Cingapura passa Hong Kong.

    www.heritage.org/index/
  • Bernardo  28/01/2015 13:13
    Leandro,

    Poderia me explicar o argumento por trás desse trecho:

    "Joe Bormann of Fitch, the credit rating agency, puts it this way. Cumulative compound inflation in Brazil in the 10 years between the end of 2004 and late last year was 70 per cent. This compares with 25 per cent in the US, or a difference of 45 percentage points.

    But during the same 10-year period, Brazil's exchange rate hardly depreciated. Indeed, at end-2004, the currency was trading at R$2.65 to the dollar, close to where it is now.

    The rise in domestic prices without a corresponding depreciation of the currency in relation to overseas markets has hurt the competitiveness of Brazilian exports and created demand for imports, hitting Brazil's steel and automotive industries, in particular."

    Parece dar a entender que o Brasil, no fim das contas, não depreciou o suficiente.

    blogs.ft.com/beyond-brics/2015/01/06/brazils-guido-mantega-currency-warrior-par-excellence-or-maybe-not/

  • Leandro  28/01/2015 13:45
    Esse cidadão fez uma análise apressada e desinformada.

    De 1999 a 2002, o real se depreciou violentamente e muito mais do que a própria inflação de preços internos no Brasil. O dólar foi de R$ 1,20 em 1999 para R$ 4 no final de 2002 (uma das causas foi o "efeito Lula").

    Aí, de 2003 até 2006, o real se valorizou perante o dólar. Só que não foi exatamente uma valorizada; o real estava simplesmente readquirindo sua cotação normal, pois estava extremamente depreciado.

    A cotação do dólar em 2004 que esse cidadão utiliza -- de R$2,65 -- era uma cotação claramente subvalorizada. Se você olhar a inflação de preços acumulada no Brasil e nos EUA desde julho de 1994 (mês da criação do real) até 2004, era para o dólar estar a R$1,87 no final de 2004. (Como explicado no artigo, a taxa de câmbio, grosso modo, é divisão entre os preços internos dos dois países).

    Ou seja, era natural que o dólar continuasse caindo naquela época, pois o real estava subvalorizado. E ele só não voltou rapidamente à sua cotação normal porque o BC insistia em mantê-lo desvalorizado comprando dólares (a mentalidade mercantilista sempre foi dominante).

    O ano de 2005 foi o ano em que o dólar mais caiu, de modo que, em 2007 o real de fato voltou à sua cotação verdadeira (R$1,70 por dólar). De novo, como explicado no artigo, a taxa de câmbio, grosso modo, é divisão entre os preços internos dos dois países.

    De 2007 até hoje, a evolução do real perante o dólar foi normal, e é esse o histórico que deve ser analisado.

    Utilizando esse método de dividir o IPCA pelo CPI, a cotação "certa" do dólar hoje é de aproximadamente R$ 2,55.
  • Marconi  28/01/2015 14:14
    Leandro, CPI é o IPCA deles?

    E de onde você tirou essa base comum? Em algum índice tipo big-mac? Gostaria de entender melhor como você calculou essa cotação de 2,55

  • Leandro  28/01/2015 15:44
    No dia 4 de agosto de 1994, exatamente 1 mês após a introdução do real, e um mês de câmbio flutuante (tempo esse que a literatura diz ser suficiente para que uma cotação de câmbio verdadeira seja atingida), o dólar valia R$ 0,91.

    De agosto de 1994 até dezembro de 2014, o IPCA acumulado foi de 343,25%.

    Logo, algo que custava R$0,85 em janeiro de 1995 custou R$ 4,03 em dezembro de 2014.

    Nesse mesmo período, o CPI (o IPCA americano) acumulado foi de 55%. Logo, algo que custava US$ 1 em agosto de 1994 custou R$ 1,55 em dezembro de 2014.

    Dividindo-se 4,03 ("nível dos preços" no Brasil) por 1,55 ("nível dos preços" nos EUA) temos o câmbio de R$ 2,60 por US$ 1.


    Agora, é o óbvio ululante que tal método não tem a intenção de ter uma "acurácia científica". Mas é sim um método que permite uma valoração relativamente próxima da real taxa de câmbio.

    Um cidadão que diz que o real hoje está valorizado, e que a cotação certa do câmbio seria de R$5 por dólar, obviamente não tem a mais mínima ideia do que está falando.
  • Carlos  01/02/2015 14:19
    Leandro, tentei fazer esse cálculo da razão dos níveis de preço com o Euro, mas algo deve ter saído errado.

    Pegando a cotação de um dos meses em 2004, 1 euro valia 3.63 reais. Com a inflação acumulada pelo IPCA (em 83%), 3.63 reais de 2004 equivale a 6.65 reais em 2015
    Já 1 euro no mesmo mês em 2004 com a inflação acumulada pelo índice de preços europeu (em 24,4%) equivale a 1.24 euros em 2015.

    No entanto, dividindo os níveis de preço obtive uma taxa de câmbio de 5.36, quando o esperado era algo em torno de 3.

    Testei com períodos mais curtos e com os últimos 4 anos a taxa de câmbio por esses níveis de preço ficaram um pouco acima de 2.
  • Leandro  01/02/2015 16:58
    Fez errado.

    Em primeiro lugar, como expliquei para o Marconi, você tem de pegar como data de partida o segundo mês após a criação da moeda. No caso do euro, o ponto de partida seria fevereiro de 1999.

    Em segundo lugar, você não apenas não partiu de fevereiro de 1999, como ainda tomou como base justamente um ano em que o real estava claramente subvalorizado (consequência do efeito-Lula do final de 2002, como também ja expliquei para o Marconi).

    Utilize como ponto de partida fevereiro de 1999.
  • Carlos  02/02/2015 01:34
    Olá, Leandro, agradeço pela observação em relação aos cálculos!

    Negligenciei a parte de pegar a partir do segundo mês da criação da moeda por ter achado que este seria apenas o tempo mínimo suficiente (e então ser possível comparar a partir de meses posteriores a este mínimo, mas não anteriores).

    Irei refazer e analisar melhor, obrigado!
  • Diego  28/01/2015 15:00
    Oi Leandro,

    Existe algum lugar onde posso encontrar um gráfico dessa cotação "certa", dividindo IPCA pelo CPI? Gostaria muito de ver esse gráfico sobreposto no gráfico da cotação real.

    Obrigado e um abraço.
  • Leandro  28/01/2015 15:47
    Não existe tal gráfico. Você tem de fazer os cálculos na munheca mesmo. Veja minha resposta acima para o Marconi.
  • Marconi  28/01/2015 16:04
    Entendi, valeu pela explicação!

    Hoje li a coluna do Alexandre Schwartsman

    www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandreschwartsman/2015/01/1581496-sai-da-frente.shtml

    E ele acha, aparentemente, que o dólar deveria estar bem mais caro. O que acha?

    "Já passou da hora de [o BC] sair da frente do dólar."

  • Leandro  28/01/2015 21:43
    Dizer o quê?

    O "argumento" dele é o buraco na balança comercial. Só que tanto exportações quanto importações caíram. O simples fato de as importações terem caído já mostra que não se sustenta esse papo ignaro de "real sobrevalorizado".

    E as exportações caíram majoritariamente por dois motivos:

    1) Esfacelamento do setor industrial gerado pela própria inflação de preços que estamos vivenciando. Simplesmente não temos mais capacidade de fazer produtos de qualidade desejados pelos gringos.

    2) O encarecimento dos produtos nacionais os deixou menos atraentes para os importadores estrangeiros. Os iluminados que defendem a desvalorização cambial como ferramenta para impulsionar as exportações se esquecem do pequeno detalhe de que a desvalorização cambial também encarece a produção desses produtos exportados. Afinal, os insumos importados utilizados no processo de produção dos produtos exportados ficam mais caros.

    Se os bens que você exporta são produzidos com vários insumos (bens de capital como máquinas e ferramentas) importados, o efeito será um aumento nos seus custos de produção. Sendo assim, os exportadores terão de pagar mais caro pelos insumos que importam e que utilizam para fabricar os produtos que pretendem vender aos estrangeiros.

    Consequentemente, os próprios produtos exportados também encarecem.

    Sem uma política sólida de redução da carestia, que passe justamente pela valorização da moeda -- o que, além de reduzir a carestia, também permitiria a modernização do parque industrial -- tudo só vai piorar. Até o esquerdista e governista Ciro Gomes já concluiu isso (ver a partir de 1:15)

    Por fim, quero entender como esses gênios querem reduzir a carestia e modernizar a indústrias desvalorizando o câmbio. Nenhum deles jamais explicou como se faz essa mágica.
  • Marcos  30/01/2015 11:01
    Quando eu li o site linkado no artigo jurava que o "analista" que bradava contra o câmbio valorizado estava em 2011. Para meu espanto, ele estava mesmo em 2015. E ainda fala em taxar o investimento estrangeiro, justo na hora em que o Ministro da Fazenda tenta desesperadamente resgatar a confiança do investidor estrangeiro. É impressionante.

    O artigo do Leandro traz a verdade nua e crua. Câmbio valorizado está longe de ser algo ruim. Na verdade, estávamos muito bem na época em que o real estava valorizando.

    Se cruzarmos esses gráficos do artigo com dados sobre a desindustrialização, provavelmente a desvalorização do real ia encaixar certinho com a queda da indústria.

    Se alguém ainda continua achando que a desvalorização da moeda é a salvação da indústria nacional, mesmo com todas as evidências em contrário, o caso deixa de ser de discussão acadêmica e passa a ser de internação em hospício.

    Bom, de um partido que até hoje acha que o desarmamento é uma ótima política de segurança pública podemos esperar mesmo qualquer coisa.
  • Guilherme  30/01/2015 15:28
    "Se alguém ainda continua achando que a desvalorização da moeda é a salvação da indústria nacional, mesmo com todas as evidências em contrário, o caso deixa de ser de discussão acadêmica e passa a ser de internação em hospício."

    Marcos, não é questão de hospício, não. Hospício é para pessoas que não mais fazem uso lógico de suas faculdades mentais. Isso é caso de cadeia, mesmo. São pessoas sem escrúpulos que querem roubar nosso poder de compra apenas para atender aos escusos interesses de uma máfia cartorialista que quer manter a população brasileiro em um regime de porteira fechada.
  • Matheus  30/01/2015 13:21
    Leandro, que diferença faz esses déficits na conta corrente/balança comercial, se as reservas internacionais não dependem disso? As nossas estão cotadas em aproximadamente 375 bilhões de dólares.

    Aliás, nunca entendi muito bem o mercado de câmbio. Onde está esse mercado? Onde se compra dólar(ou qualquer outra moeda) pelo valor de sua cotação no momento? Quem são os compradores/vendedores? Pessoa física pode participar?
  • Leandro  30/01/2015 13:33
    "que diferença faz esses déficits na conta corrente/balança comercial, se as reservas internacionais não dependem disso? As nossas estão cotadas em aproximadamente 375 bilhões de dólares."

    Nada.

    Em um regime de câmbio flutuante, ou mesmo de flutuação suja, déficits na conta-corrente não significam absolutamente nada. Há vários artigos aqui explicando isso.

    E se o país tem US$375 bilhões nas reservas internacionais, então os déficits significam ainda menos que nada.

    Normalmente, a gritaria sobre déficits na conta-corrente é feita ou por gente que é contra o governo do momento, ou por economistas que querem avançar uma agenda ainda mais desenvolvimentista (leia-se: desvalorizar ainda mais o real).

    Pior ainda é ver gente que nem sequer sabe explicar as reais causas do déficit em conta-corrente -- por exemplo, gente dizendo que a culpa é do "real valorizado", mas que não sabe explicar por que as importações também caíram com um real supostamente valorizado -- sugerindo soluções fáceis, simples e erradas.

    "Aliás, nunca entendi muito bem o mercado de câmbio. Onde está esse mercado? Onde se compra dólar(ou qualquer outra moeda) pelo valor de sua cotação no momento? Quem são os compradores/vendedores? Pessoa física pode participar?"

    Forex.

    pt.wikipedia.org/wiki/Forex

  • Antonio Marcos  16/03/2015 22:14
    Leandro, você opera no Forex?
    É seguro enviar dinheiro para corretoras no exterior?
    Sempre tive uma dúvida. Como é feita o cálculo do valor de uma moeda em relação a outra?


    Milhares de pessoas (ou milhões a depender da liquidez da moeda), corretoras e bancos centrais operam comprando e vendendo uma determinada moeda. Como o sistema do forex calcula o valor da cotação do par de moedas? Os computadores do forex ficam onde?
    Quem controla este sistema e seus computadores? Os governos?


    Desde já, muito obrigado.
  • Márcio  30/01/2015 15:54
    Aproveitando o tema, o real neste momento está se esfacelando perante as outras moedas. Dólar a 2,67 e euro a 3,02. E o idiota do novo ministro da fazenda dizendo que a intenção será realmente desvalorizar o real. Lá se vai o pouco que restava do nosso padrão de vida.

  • Pobre Paulista  31/01/2015 16:03
    Acho que vc não entendeu a história completa. O poder do banco central para manipular o câmbio é limitado, temporário. O real vai se desvalorizar não porquê o Levyatan quer, mas porquê o mundo já percebeu que este país não vale nada. Ele está só antecipando a tendência para no final dizer que "tudo está sob controle".
  • Hugo  31/01/2015 01:33
    Agora dá pra ver o pq 2014 foi tão pavoroso, déficit nominal de 6,7% do PIB...
  • Felipe  31/01/2015 21:43
    O ouro se valorizou quase 350% ante o real, de 2006 a 2015. Em relação ao dólar, o ouro se valorizou "apenas" pouco mais que 150%. Acho que isso explica bastante, principalmente se levarmos que boa parte desse período o real estava mais ou menos estável; o grosso da desvalorização ocorreu a partir de 2010.
  • Thiago Ribeiro  01/02/2015 12:49
    Engana-se quem pensa que isso não é premeditado. O Brasil é um estado corporativista. Os grandes industriais ditam os rumos da economia ao exigirem do governo uma moeda depreciada que os proteja da concorrência dos importados. Em troca, eles financiam as campanhas eleitorais desses políticos.

    O resultado é que não apenas os preços dos bens importados são interestelares, como também isso permite que as indústrias nacionais reduzam seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento, diminuam sua produtividade e aumentem seus preços.

    Conclusão: o dinheiro gordo fica entre políticos e industriais, e a população fica com produtos vagabundos e preços estratosféricos. E toda a esquerda aplaude.
  • Lucas Belkys  01/02/2015 15:12
    Amigo, como você chegou a essa conclusão?
  • Thiago Ribeiro  01/02/2015 22:47
    Além de saber observar toda a realidade à minha volta (isso se chama experimento empírico), utilizei também uma sólida teoria econômica.
  • davizao  02/02/2015 01:37
    Queria saber que dinheiro gordo eh esse que fica com os industriais no cenario atual, pois a industria brasileira esta com margens historicamente baixissimas.
  • Thiago Ribeiro  02/02/2015 12:16
    A indústria está hoje em derrocada por causa da inflação que destruiu totalmente seu parque produtivo (como explica o autor do texto). No entanto, até uns dois anos atrás, a indústria automotiva, por exemplo, estava com lucros históricos (óbvio, pois os brasileiros são praticamente proibidos de importar carros aos seus preços reais.)

    www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/45248-dilma-quer-abrir-caixa-preta-de-montadoras-e-cortar-lucros.shtml
  • Caipira  02/02/2015 02:05
    Considerando tudo que foi dito, o que ocorreria se o Brasil não tivesse passado pela mega desvalorização de 1999 ?
  • Leandro  02/02/2015 11:28
    A mega-desvalorização era inevitável dado o regime cambial adotado. Câmbio semi-fixo gerido por um Banco Central que quer fazer, ao mesmo tempo, política monetária e política cambial, é totalmente insustentável. Política cambial e política monetária são mutuamente excludentes; quem faz uma não pode fazer a outra. Esse foi o erro fatal do BC.

    Apenas se o BC funcionasse como Currency Board ortodoxo é que haveria uma total estabilidade cambial.

    Para entender tudo isso, sugiro estes artigos, nessa ordem:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1294
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601
  • Caipira  03/02/2015 01:08
    Obrigado Leandro !

    Li os artigos recomendados e muitos outros... Sou leitor assíduo desde que descobri o site ha uns quatro meses...

    1...A desvalorização do Real em 1999 precipitou a queda da Argentina como se costuma dizer ?
    Me recordo que em 1999, diversas empresas transferiram produção de la para cá, estas mesmas empresas acusavam o governo argentino de estar quebrando a economia. Ex. Fiat transferiu produção do Siena da Argentina para o Brasil quase que imediatamente apos 13.1.1999 Mercosul.

    Entendi perfeitamente as vantagens de uma moeda forte para o bem da população... Basta lembrar que o próprio FHC afirmou em entrevistas que a renda media das famílias brasileiras aumentou trinta p.p em seu primeiro mandato e caiu dez p.p no seu segundo mandato... Trabalho no setor agrícola, sou agrônomo.
    Durante os anos de real valorizado, os produtores agrícolas viviam em situação muito difícil... quebradeira geral e varias securitizações da divida agrícola, dado os baixos preços em Reais da soja milho e algodão... definidos NYSE e CBOT dólar.
    O que realmente foi positivo era comprar tratores americanos da Case e colheitadeiras alemãs da Class e incrementar nossa produtividade apos anos de mercado fechado.
    No entanto, foi apenas depois de 1999 que o setor agrícola ganhou duas turbinas, preços agrícolas elevados em dólar, e Real desvalorizado... Foi um boom enorme...
    Recentemente, apesar do real valorizado, os preços das commodities estava tao elevado devido as politicas de afrouxamento do FED, que ainda assim os lucros tem sido recordes.

    2... Setor agrícola exportador comemora Real desvalorizado, dada a importância dele para o PIB do Brasil, cerca de 23 p.p, fico entre a cruz e a espada... sou funcionário não fazendeiro.... e ainda temos distorções de preços causadas pelos subsídios europeus e americanos a este setor... o que fazer ?

    3... Guerra cambial existe ? Se sim que não entra nela fica desfavorecido ?

  • Leandro  03/02/2015 02:36
    Sobre a Argentina, não.. A lambança ali foi causada pelo alto endividamento do governo.

    Os detalhes foram explicados aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562

    Sobre a relação do setor agroexportador com a valorização da moeda, é claro que para vocês um câmbio desvalorizado e altos preços das commodities representam uma bonança invejável. Mas é bom só para vocês. O resto da população fica à mingua, pois o golpe é duplo: o real fraco não apenas encarece a importação de alimentos, como ainda estimula que vocês aumentem ainda mais suas exportações, o que significa que a oferta interna de alimentos diminui.

    Ou seja, há um duplo efeito encarecedor para os cidadãos brasileiros. Isso está acontecendo agora com os preços da carne de boi e de porco, bem como do trigo, o que encarece o pão.

    De resto, o setor agroexportador pode perfeitamente se proteger de eventuais valorizações do real fazendo hedge no mercado de futuros. Em meados da decada de 1990, tal ferramenta ainda não estava popularizada no Brasil, pois o mercado de capitais ainda era muito incipiente. Hoje, não há mais essa desculpa.

    Só que é muito mais fácil simplesmente fazer lobby em Brasília e pedir desvalorização do câmbio.

    Sobre não participar da guerra cambial, um suíço -- cujo Banco Central se retirou dessa guerra -- viu sua moeda ganhar 30% a mais de poder de compra em apenas um dia. Uma pessoa que tem um aumento salarial real de 30% ficou em melhor ou em pior situação? Eu só posso dizer que tenho inveja. E muita.
  • Rafael Cambraia  03/02/2015 17:31
    Produção industrial cai 3,2% em 2014, pior queda desde 2009

    Em 2014, a produção industrial diminuiu em 20 dos 26 ramos pesquisados ante 2013, alcançando 63,9% dos 805 produtos pesquisados.


    Faturamento da indústria fecha ano com pior desempenho em cinco anos

    "O que nós observamos em dezembro é a continuidade da contração da indústria ao longo de 2014... O quadro da indústria que encerrou o ano de 2014 é bastante negativo e preocupante", disse o gerente-executivo de Políticas Econômicas da CNI, Flávio Castelo Branco.

    Atividade fraca e inflação elevada, que acaba gerando juros maiores, têm afetado a indústria nos últimos anos. No ano passado, a produção industrial registrou queda de 3,2 por cento sobre 2013, com debilidade em todas as categorias, no pior resultado em cinco anos, informou pela manhã o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE).


    Ué, mas os desenvolvimentistas não falavam que era só desvalorizar o real e a indústria iria bombar?
  • Thiago Elias  03/02/2015 18:19
    Touchè!
  • Renan Faria  04/02/2015 17:20
    Qual foi o site utilizado para tomar essas quotações? Eu mesmo gostaria de acompanhá-las periodicamente.
  • Leandro  04/02/2015 18:33
  • Renan Faria  04/02/2015 18:44
    Muito Obrigado Leandro!

    Continuarei acompanhando e alertando aos amigos mais afortunados que eu a abrirem os olhos para a realidade e se protegerem dos males que o governo nos causou.

    Excelente trabalho!

    P.S.: Compartilhei este artigo muitas vezes e confesso que foi o mais aterrador dentre todos os que li neste site.
  • Leandro  04/02/2015 19:13
    Relaxe. Já piorou bastante desde a data da publicação.

    Quando publiquei, o dólar custava R$2,57. Hoje está em R$2,74.
  • Matias  11/02/2015 10:38
    R$ 2,83 que delícia
  • Silvio  11/02/2015 11:23
    R$ 2,86 (e subindo). Ai, ai, ai, ai.

    O Brasil se encontra à beira do precipício, ainda bem que, graças ao nosso querido governo, o país está dando um passo à frente.
  • Ricardo Bahia  08/03/2015 16:53
    R$ 3,00
    (...) o seu é o limite
  • Tannhauser  19/03/2015 16:56
    R$ 3,29
  • Sono..  28/04/2015 10:14
    2,90
  • Solto  28/04/2015 11:53
    2,90 é exatamente o valor de... 2 de março! Se cair mais 30 centavos e chegar a 2,60, teremos voltado ao mesmo valor de ... 29 de janeiro!

    Lembrando que na primeira vez que este artigo foi publicado o dólar estava a R$ 2,57.
  • Enquanto Você Dormia  04/05/2015 12:56
    E aí, Sono? Ainda adormecido? R$ 3,08 agora. Subiu 18 centavos em seis dias, e tudo isso enquanto você dormia.
  • Acordado  04/05/2015 20:15
    Agora é assim: vai de 2,90 pra 3,30 em um mês; no mês seguinte cai de novo pra 2,90. Agora já voltou pra 3,10.

    E há quem acredite quem câmbio flutuante é condizente com desenvolvimento. Qual investidor (principalmente estrangeiro) vai se arriscar a fazer investimentos produtivos nesse cenário? É muito mais viável fazer especulação.
  • Insônia   26/05/2015 20:19
    3,15...

    Ah, e o ridículo rublo russo já superou o real. Se esse artigo for atualizado, o real só terá um desempenho melhor que o peso argentino. Vergonha.

    É o Sono, pelo visto, sumiu...
  • Sonâmbulo  21/07/2015 02:15
    Hoje o dólar chegou a R$ 3,20.

    Ninguém mais segura a nossa moeda, até porque ninguém quer ficar com essa batata quente na mão.
  • IRCR  04/02/2015 22:54
    Leandro,

    Vc disse que a cotação real do real hj seria algo de 2,55, mas então pq o BC está fazendo swaps cambias para segurar uma desvalorização maior ? Pq o Tombini assumiu em entrevista ano passado que estão segurando o cambio como politica de controle de inflação ?

    Se o BC parasse de intervir o real não bateria lá perto de 3,00 ?

    Ademais, utilizar IPCA e CPI americano não ficaria algo sem acurácia ? pois os dois possuem metodologias totalmente diferentes ?
  • Leandro  05/02/2015 01:30
    "Vc disse que a cotação real do real hj seria algo de 2,55"

    Isso seria para o final de dezembro de 2014. Já estamos em fevereiro de 2015. O IPCA-15 de janeiro foi de 1,62. O CPI dos EUA está em zero. Ou seja, o câmbio já é pra estar em 2,65.

    "mas então pq o BC está fazendo swaps cambias para segurar uma desvalorização maior?"

    Porque já é para o câmbio estar em 2,65, e eles sabem que, com essa valor, o IPCA desanda de vez.

    Outra coisa: esses swaps cambiais do BC não servem para nada. Swap cambial é uma operação cuja liquidação se dá toda ela em reais. O BC paga aos investidores (em reais) a variação do câmbio no período de vigência dos contratos. E os investidores pagam ao BC a oscilação dos DI. Tudo em reais.

    Ou seja, na prática, o BC cria reais. Por isso que não adiantou nada. Serviu apenas para garantir a renda de quem perdeu com o câmbio.

    "Pq o Tombini assumiu em entrevista ano passado que estão segurando o cambio como politica de controle de inflação?"

    Nem segurar estão conseguindo. O dólar chegou hoje ao maior valor em 10 anos. Um baita de um incompetente.

    "Se o BC parasse de intervir o real não bateria lá perto de 3,00 ?"

    Olhando estritamente em termos de inflação de preços, ainda não, mas já está bem perto.

    Outra coisa, são três os fatores que determinam as oscilações da taxa de câmbio de uma moeda:

    1) Inflação de preços;

    2) crescimento da economia (quanto maior o crescimento da economia, maior a demanda por moeda nacional. Isso explica a valorização cambial que inevitavelmente ocorre quando o PIB está crescendo.)

    3) Confiança de investidores estrangeiros e especuladores.

    Se o item 3 falar mais alto, então podemos sim ver o dólar a R$ 3 num futuro bem próximo.

    "utilizar IPCA e CPI americano não ficaria algo sem acurácia ? pois os dois possuem metodologias totalmente diferentes ?"

    A metodologia dos dois não é "totalmente diferente". Elas são, isso sim, falhas. Mas, em si, elas são semelhantes.
  • IRCR  05/02/2015 18:33
    Leandro,

    Essas swaps não serviriam apenas para suavizar a desvalorização, pois evita que investidores fujam para dólares de uma unica vez ? já que justamente a falta de confiança de investidores está baixa em relação ao pais.

    Assim, se levarmos em consideração o fator confiança, já era para estar perto de 3 então. Até mesmo pq um cambio de 3 já pressionaria a inflação de preços tb, gerando um ciclo vicioso certo ?
    Creio que o problema do Brasil seja o item 1,2 e 3 (esse ultimo talvez amenizado com as swaps).

    Sobre índices de inflação, se fizermos um sobre real contra o peso argentino, qual índice usaríamos ? o oficial do governo argentino (que é fajuto de 10%) ou o verdadeiro de 20%-50% ou até mesmo o implícito (aquele que Steve Hanke usa) ?

    Agora, sobre a Bolívia, qual é o segredo deles ? como eles conseguem manter um cambio praticamente fixo desde 2008 ? ou vai me dizer que o BC deles operam como uma currency board ortodoxa ? pois a inflação de preços deles nem é tão baixa alem que eles devem imprimir quantias enormes de bolivianos e fora que o pais está longe de ser "um porto seguro" para investidores estrangeiros.
  • Leandro  05/02/2015 19:49
    Sobre a Argentina, o próprio câmbio no mercado paralelo já conta a história. Havia uma página no Facebook (não sei se ainda existe) em que argentinos combinavam com brasileiros preços entre real e peso.

    Sobre a Bolívia, o BC boliviano estabeleceu uma taxa de câmbio fixa desde o final de 2011. Como consequência, a inflação de preços caiu de 11,50% para 4%, e fechou o ano passado em 5,19% (bem menor que a nossa).

    E, segundo o site Trading Economics, "Banco Central de Bolivia doesn't use interest rates as a policy tool. Bolivia's monetary policy has been based on an exchange rate mechanism."

    Não é à toa que Evo Morales foi reeleito com altos índices. Ele apenas fala contra imperialismo; na hora que realmente interessa, ele (que não é bobo) atrela sua moeda ao dólar. Se não fizesse isso, sua moeda iria despencar.

    E não apenas a inflação deles é bem menor que a nossa, como a SELIC deles (que não é controlada pelo Banco Central) também é: está em 5,33%.

    Não sei se o BC está operando como um Currency Board, pois acredito que o BC ainda retém seus poderes discricionários. Mas o fato é que a quantidade de reservas internacionais é maior até mesmo que o M1. Se ele quiser, ele pode amanhã transformar o BC em um Currency Board.

    Dilma não vai seguir o meu conselho; já o índio -- que de bobo não tem nada -- não só seguiu, como faturou em cima disso.
  • IRCR  06/02/2015 08:53
    Leandro,

    * Real blue na argentina está valendo 4,85 contra 3,15 na oficial

    Opa pera ai, então o índio lá é um "neoliberal" enrustido ? (rs.)

    Sobre a metodologias de calculo de inflação, sempre questiono pq tem países que não contabilizam alimentos, energia elétrica e até mesmo aluguel. De acordo com o shadowstats a inflação nos USA seria de mais de 6% se usada a metodologia antiga.

    Por fim, o fato do Somali Shilling ter sido a melhor moeda do mundo em 2014, tendo o real se desvalorizado incríveis 57% em um ano para ele, se deve ao fato da Somália possuir um BC que praticamente não tem poder nenhum e por consequência não usa ferramentas de politicas monetárias ?
    Quando os esquerdistas dizem que a Somália é o único lugar anarcocapitalista do mundo, o que não é bem verdade, mas nesse ponto os somalianos estão se saindo muito bem (Rsss.)
  • Nathan  09/02/2015 20:20
    Sobre valorização da moeda, se alguém pudesse comentar essa notícia..

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,inundada-de-dinheiro-suica-vai-entrar-em-recessao-imp-,1631303
  • Brant  10/02/2015 15:59
    Dólar a R$2,83 já


    Parece que eu estou lendo um artigo do ano passado tamanha a velocidade da destruição da moeda
  • Guilherme  10/02/2015 16:15
    Moeda, economia e moral do país na privada.
  • Leandro  10/02/2015 16:30
    Desde a publicação deste artigo (há meros 15 dias), o real já perdeu quase 10% tanto em relação ao dólar quanto em relação ao euro. Desvalorizar 10% em apenas 15 dias é típico de uma moeda que está sendo abandonada pelos grandes investidores, traders e especuladores.

    Em maio de 2013, quando a cotação do dólar ainda estava em R$2,00, defendi a implantação de um Currency Board. Em agosto de 2013, quando o dólar pulou de R$2,25 para $2,40, voltei a defender um Currency Board.

    No primeiro semestre 2014, com a expectativa -- estimulada pelas pesquisas -- de que Dilma não seria reeleita, o dólar chegou a cair para R$ 2,25.

    De lá pra cá, o real está em queda livre. A nós brasileiros restarão apenas carestia e queda substancial em nosso padrão de vida.
  • Silvio  10/02/2015 19:01
    Ok, o governo nunca vai fazer o que é preciso, por isso não adianta muito dar sugestões de políticas monetárias. Posto isso, já que os nossos nossos governantes são loucos incuráveis, pergunto: o que um brasileiro deve fazer nas atuais circunstâncias? O que cabe a um indivíduo fazer nesse cenário? Trocar seus bens por dólares e dar o fora daqui antes que seja obrigado a se degradar como um animal?
  • Leandro  10/02/2015 20:01
    Tentar comprar moeda forte no mercado paralelo é uma opção (embora tardia). Comprar ouro -- cujo preço já subiu 48% desde o início do primeiro mandato de Dilma -- também é outra opção (também tardia).

    Fora isso -- e caso não haja a possibilidade de se mudar do país --, resta-lhe apenas especular com as aplicações financeiras fornecidas pelo seu banco e torcer para que o retorno delas seja bem acima da inflação de preços.
  • Andre  19/03/2015 21:20
    "Tentar comprar moeda forte no mercado paralelo é uma opção (embora tardia).".

    Leandro, e investir em fundos cambiais, seria mais arriscado por causa do risco de confisco e/ou taxamento?
  • Leandro  19/03/2015 21:48
    Traz altos retornos, mas não é pra quem tem coração fraco. Não vejo muito risco de confisco, mas de taxação sim.
  • Mr Citan  10/02/2015 20:06
    Não quero ser alarmista, mas sem querer, eu acho que você já respondeu ao questionamento. :-)
  • Hugo  11/02/2015 02:21
    Olá Leandro!

    É permitido comprar moeda estrangeira com a finalidade de reserva de valor?

    E também pesquisei o histórico da cotação do franco suíço em relação ao dólar desde 2005,reparei que houve uma forte apreciação do franco até meados de julho de 2011,com o franco custando US$ 1,30 (vindo de US$ 0,80 em 2005),e em mais ou menos 6 meses a cotação caiu pra US$ 1,02. Desde então o franco manteve uma cotação relativamente errática,chegando a valer no mínimo US$ 0,97 e no máximo US$ 1,18 no mês passado com a súbita valorização do franco. Num horizonte de 12 meses qual dessas moedas tem mais chances de se apreciar?
  • Leandro  11/02/2015 03:06
    "É permitido comprar moeda estrangeira com a finalidade de reserva de valor?"

    Não para o cidadão comum. Por isso especifiquei que tem de ser no mercado paralelo.

    "E também pesquisei o histórico da cotação do franco suíço em relação ao dólar desde 2005,reparei que houve uma forte apreciação do franco até meados de julho de 2011,com o franco custando US$ 1,30 (vindo de US$ 0,80 em 2005),e em mais ou menos 6 meses a cotação caiu pra US$ 1,02."

    Que foi quando o BC suíço decidiu atrelar o franco ao euro.

    "Desde então o franco manteve uma cotação relativamente errática,chegando a valer no mínimo US$ 0,97 e no máximo US$ 1,18 no mês passado com a súbita valorização do franco."

    Que foi quando o BC suíço decidiu desatrelar o franco do euro.

    "Num horizonte de 12 meses qual dessas moedas tem mais chances de se apreciar?"

    Em condições normais, eu diria que é o franco suíço. Mas o problema é que já surgiram rumores de que o BC suíço adotou informalmente uma nova banda cambial para o franco em relação ao euro (entre 1,05 e 1,10 francos por euro). Se isso se efetivar, pode ser que o dólar seja mais atraente. Mas isso não é sugestão de investimento, que fique bem claro.
  • Yonatan Mozzini  12/02/2015 13:45
    Equador, após dolarização, e Hong Kong, após currency board lastreado no dólar americano:
    Inflação média de 4% ao ano e nenhum aumento do poder de compra em relação do dólar americano (por definição).

    Cingapura, com câmbio flutuante e após metodologia de contínua valorização cambial:
    Inflação média de 2% ao ano e valorização de cerca de 40% em relação ao dólar americano.

    Nos tigres asiáticos, temos um vencedor!
    ________________________________

    Leandro e equipe IMB, uma pergunta:

    Vocês consideram que, para o Brasil que é um país em desenvolvimento e sem histórico de austeridade monetária, teríamos um resultado muito semelhante a Cingapura caso a imitássemos, alterando o estatuto do Bacen, ou seria melhor simplesmente adotar um currency board ortodoxo lastreado no dólar americano?
  • Leandro  12/02/2015 14:11
    Na atual e desesperadora situação nossa, um Currency Board lastreado em dólar já seria um paraíso.

    Minha opção, obviamente, é por um Currency Board lastreado em ouro (ainda tenho de escrever um artigo sobre isso), o qual permitiria uma contínua apreciação em relação às outras moedas.

    No entanto, enfatizo, na nossa atual e desesperadora situação, um CB lastreado em dólares já seria um bálsamo.

    O que realmente não dá é câmbio flutuante. Chicaguistas que defendem dogmaticamente câmbio flutuante parecem não entender que, em economias em desenvolvimento e com péssimos governos (como é o caso do Brasil, da Rússia e de vários outros países), o câmbio não flutua; ele afunda.
  • gabriel  12/02/2015 14:35
    Leandro, em alguns comentarios seus do ano passado você parecia receoso em aceitar o ouro como lastro de moeda devido a possiveis ataques especulativos ao ouro.
    Sua posição mudou ou eu havia interpretado errado esse comentario?
  • Leandro  12/02/2015 14:56
    Mantenho o que eu disse, mas é necessário contextualizar.

    Eu havia dito que se a Rússia, por exemplo, ancorasse o rublo ao ouro, os EUA e a União Europeia poderiam facilmente desestabilizar o novo rublo ao simplesmente fazer uma liquidação de ouro, vendendo a preços abaixo dos de mercado. Esse é um risco.

    Outro risco é que é necessário escolher o momento certo da ancoragem. Por exemplo, em agosto de 2011, o ouro chegou a valer US$ 1.900. Depois, com a reversão das políticas expansionistas do Fed, o preço do ouro caiu para US$1.200. (Está atualmente em US$ 1.225)

    Se um país houvesse ancorado sua moeda ao ouro em agosto de 2011, ele teria vivenciado uma boa carestia em 2012 e 2013. Por outro lado, se ele houvesse ancorado sua moeda ao ouro em qualquer ano anterior a 2009, hoje sua moeda seria robusta.

    Portanto, você tem de saber escolher o momento certo. Aliás, isso também vale para a ancoragem em qualquer commodity ou qualquer moeda de papel.
  • gabriel  12/02/2015 20:36
    Acho que entendi, mas nesse caso se o brasil fizesse hoje um cb em ouro não estaria sujeito aos mesmos ataques especulativos que os russos?

    Pelo que entendi depende basicamente de 2 fatores, poder econômico do país que fizer a escolha e momento na economia atual da commodity escolhida
  • Rogério   12/02/2015 18:59
    Yonatan, vale ressaltar que um país avacalhado como o Equador, com um governo chavista, ter uma inflação de 3,5% é um feito e tanto da dolarização, e não é algo que deve ser subestimado.
  • Marcos  12/02/2015 15:44
  • Ze  12/02/2015 16:43
    "Minha bola de cristal pode ter tido alguns defeitos passageiros, mas ela costuma funcionar"
    (disse em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, em março de 2013)


    Por temos um ministro desse, merecemos o que estamos passando.
  • Mion  12/02/2015 17:07
    Considerando o histórico do cidadão, isso significa que devo pegar toda a minha a poupança e transformar em dólar?
  • Lopes  16/02/2015 13:34
    (OFF-TOPIC)
    Preparem-se, os impudicos pela gastança erguem as lanças:
    news.google.com.br/news/url?sr=1&ct2=pt-BR_br%2F3_0_s_1_1_a&sa=t&usg=AFQjCNF6SbPQikzZKiIdLf0NO07buNtgDA&cid=52779164675425&url=http%3A%2F%2Fexame.abril.com.br%2Festilo-de-vida%2Fnoticias%2Fpib-do-japao-registra-crescimento-de-0-6-no-ultimo-tri&ei=4_DhVKiWEI3V3AGXv4C4BA&rt=HOMEPAGE&vm=STANDARD&bvm=section&did=-70964824710780744&sid=pt-BR_br-b&ssid=b&at=dt0

    PIB do Japão registra crescimento de 0,6%.
  • Auxiliar  16/02/2015 14:53
  • Leandro  23/02/2015 21:41
    A quem interessar possa, os números acabaram de ser atualizados. A aceleração da destruição do real é, com diriam os americanos, de quebrar o pescoço.
  • Matias  23/02/2015 22:45
    nesse período de um mês, o peso argentino já baixou de 3,35 para 3,04... logo ele vai ter que sair da categoria "consolação".
  • Agnus  23/02/2015 23:46
    "Caiu" significa encareceu, né? Há um mês, 1 real comprava 3,35 pesos. Hoje, compra apenas 3,03 pesos. Uma moeda apanhar para a moeda da Argentina, cuja presidente está sendo acusada de homicídio e cuja economia é uma piada, é triste.
  • Matias  24/02/2015 00:07
    sim, me expressei mal, obrigado!
  • Senhor A  24/02/2015 00:13
    Rapaz... A coisa está feia.
  • vinicius  24/02/2015 01:54
    Caros amigos,


    fugindo um pouco do assunto, gostaria de pedir um favor,é que tenho um amigo que vive reclamando do governo, mas não conhece nada sobre escola austríaca e o libertarianismo. Alguém, por favor, pode me indicar artigos para iniciantes, para apresentar as ideias com foco, principalmente, no mal que o governo causa a economia e a sociedade como um todo.

    Obrigado!
  • Tio Patinhas  24/02/2015 13:05
    Creio que esses sites podem ajudar:

    spotniks.com/

    liberzone.com.br/

    E essa parte tem um pouco de economia para iniciantes:

    mises.org.br/Search.aspx?text=iniciantes
  • Magno  24/02/2015 14:49
    Acrescentaria também este artigo, que é extremamente simples e absurdamente crucial.

    Por que os serviços do setor privado parecem ser mais caros
  • Mattos  27/02/2015 13:49
    Opa Leandro, muito bom o seu artigo, você poderia me esclarecer alguns pontos.

    se está iminente o risco de confisco sobre a caderneta de poupança para esse ou para os próximos 4 anos ?

    seria mais prudente liquidarmos de 70% a 80% da conta poupança e alertar a todos sobre adquirir dólares "para ontem" antes que a corrida bancária se inicie ?


    meu palpite é que esse titanic já está afundando...
  • Leandro  28/02/2015 13:31
    1) Não creio. Isso é factóide. No entanto, há outro tipo de confisco que já está acontecendo há vários meses: o confisco do poder de compra da moeda depositada na poupança. Esse sim é um confisco preocupante.

    2) Dólar e ouro. Sobre corrida bancária, não vejo esse risco. E com um Banco Central podendo monetizar os bancos para cobrir eventuais demandas por saque, não há risco de insolvência bancária.
  • Felipe R  02/03/2015 08:01
    Bom dia.

    Artigo interessante, com bastante fatos. Eu também gostaria de uma moeda valorizada, porém temos que deixar o mercado definir... Parear o real com um GBP, por exemplo, seria artificial (e provavelmente danoso). Argentina travando peso com USD que o diga. E se nossa moeda for podre mesmo, que tenhamos a liberdade de utilizar outras.
  • Leandro  02/03/2015 12:10
    "Eu também gostaria de uma moeda valorizada, porém temos que deixar o mercado definir..."

    Sob um governo ruim e que não passa a mais mínima confiança para investidores estrangeiros e especuladores, a moeda não vai flutuar. Ela vai desabar. E junto com ela vai o nosso padrão de vida.

    "Parear o real com um GBP, por exemplo, seria artificial (e provavelmente danoso)."

    Parear é fazer com que, hoje, 1 real seja igual a 1 libra. Aí, é claro que seria artificial. Mas ninguém defende isso.

    "Argentina travando peso com USD que o diga."

    Não entendi. O governo destruiu a lei de conversibilidade justamente porque ela o amarrava, disciplinando seus gastos e sua expansão. Aí, imediatamente após a destruição da conversibilidade, a Argentina mergulhou no caos, na miséria e na depressão.

    Aliás, é gozado isso: um sistema é implantado, funciona como o esperado, o governo não gosta, o governo destrói o sistema, e aí as pessoas dizem que a culpa de tudo é do sistema que foi destruído.

    Leia sobre o que realmente se passou na Argentina aqui.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562

    "E se nossa moeda for podre mesmo, que tenhamos a liberdade de utilizar outras."

    Concordo, mas isso está fora do nosso escopo.
  • Felipe R  02/03/2015 12:53
    Olá Leandro,

    Meus comentários foram, em parte, reflexivas. Eu não disse que foi defendida uma valorização forçada do real, por exemplo. E quando falei sobre o mercado definir o preço da moeda, concordo, é uma situação hipotética em nosso país (exceto pelo Bitcoin).

    Quando citei o exemplo da Argentina pareando o peso com o dólar, foi para relembrar um caso factual em que a valorização artificial mostrou seu lado negro toda vez que havia crise internacional, principalmente as especulativas, em que a fuga de recursos internacionais aumentava o desemprego, e, consequentemente, fazia com que os gastos governamentais com seguro desemprego aumentassem. O centro dos problemas era o governo argentino, obviamente, tanto em assumir o controle do preço da moeda quanto investir em programas sociais a partir de recursos retirados à força da população.

    Resumindo, a minha crítica mesmo é para qualquer medida centralizada que determine o valor da moeda, seja para valorizar, seja para desvalorizar.
  • anônimo  03/03/2015 14:09
    ''Quem decide o preço não é a presidente Dilma, nem a Petrobrás, muito menos algum partido politico.''
    tá certo isso ?
    www.portalmetropole.com/2015/02/voce-sabe-quem-decide-o-preco-do.html
  • Antônimo  03/03/2015 14:48
    Não. Isso é coisa de jornalista espertalhão (ou ignorante) que quis inventar uma matéria para agradar o governo.

    O argumento dele é que a Petrobras decide o preço apenas na refinaria; dali pra frente o resto é imposto, custos e margem de lucro.

    Duh! Impostos, custos e margens de lucro são coisas presentes em absolutamente todos os bens e serviços vendidos no mercado. Absolutamente todos. Logo, não há nada de especial em dizer isso.

    Só que, no caso do petróleo -- ao contrário dos outros bens criados e ofertados no mercado privado --, o preço do produto na origem (refinaria) é definido pelo governo/Petrobras. E isso faz toda a diferença.

    Vide os EUA. Lá o preço na refinaria é definido pelo mercado. E lá o preço despencou. Aqui o preço na refinaria é definido pelo governo. E aqui o preço aumentou. E o produto é exatamente o mesmo (petróleo).

    Não entendo por que, no Brasil, há essa obsessão em se espalhar a desinformação.
  • anônimo  03/03/2015 20:19
    Leandro, a solução pro dólar parar de encarecer é proibir o banco central de comprar dólares ?
  • Leandro  03/03/2015 22:54
    Isso seria inócuo (mesmo porque ele jão está comprando). A solução é outra, e foi delineada aqui:

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=364
  • José Ramos  04/03/2015 14:31
    Dólar já encostando em 3 reais.

    economia.estadao.com.br/noticias/mercados,em-novo-dia-de-alta-dolar-chega-a-r-2-97,1644117

    Daqui a uma semana esse artigo vai precisar de uma nova atualização. A moeda brasileira, indo para o lixo a uma aceleração espantosa, faz com que qualquer descrição atual do cenário se torne rapidamente defasada.
  • Senhor A  04/03/2015 23:51
    Situação está complicada.


    Espero sair logo desse país.
  • IRCR  04/03/2015 16:41
    Leandro,

    Que tal atualizar os gráficos para os valores de hj que bateu em 3 ?
  • Queiroz  05/03/2015 17:49
    Vergonha nacional!!!
    O governo tem que dar um jeito nisso.
    Como estamos atras da Argentina e da Russia em destruição de nossa moeda???
    Terceiro lugar é vergonhoso...
    Ainda mais com a argentina na nossa frente!!
    Mas tenho fé, conseguiremos a paridade com a argentina a a superaremos, alcançando a paridade Com o rubro e o superaremos, pois enquanto eles deixam de ser comunistas, nós nos tornamos...
    com Dilma e Lula como nossos pastores,
    continuaremos a pastar!!!

  • Eça de  09/03/2015 19:29
    Vergonha nacional!!!
    O governo tem que dar um jeito nisso.


    É justamente por causa dessa mentalidade que estamos nesse buraco sem fundo.
  • Lucas Silva  17/03/2015 04:16
    O Governo não vai dar um jeito nisso por um único motivo, ele próprio É a causa disso!
  • caipira  06/03/2015 00:30
    Amigos, vejam !


    automotivebusiness.com.br/noticia/21527/mesmo-com-dolar-alto-exportacoes-de-veiculos-acumulam-queda-de-72

    ''O executivo acredita que o dólar está agora em patamar mais favorável às vendas internacionais, mas, ainda assim, ele lembra que a relação cambial sozinha não poderá salvar as exportações brasileiras. "Não conseguimos exportar por falta de competitividade", admite. Para ele, essa defasagem é, em parte, consequência do câmbio flutuante, já que os concorrentes do Brasil no mercado internacional de veículos mantêm o câmbio desvalorizado como política de incentivo à exportação. "Em 2004 exportávamos quase 1 milhão de veículos por ano. Muita coisa mudou desde então, mas queremos retornar a essa condição" ''
  • Suburbano   06/03/2015 00:37
    Pois é. O bacana se esqueceu de que, pra conseguir exportar, é necessário fabricar um produto bom. E fabricar um produto bom é impossível quando se tem moeda fraca (pelos motivos explicados no artigo) e se está acostumado a um mercado fechado e protegido. Finalmente estão começando a perceber que moeda desvalorizada não mais é aquela panacéia prometida pelos desenvolvimentistas.
  • PESCADOR  06/03/2015 14:38
    Infelizmente, os gráficos terão que ser atualizados a caba bimestre ou trimestre se as coisas continuarem como estão. O real tá indo para o buraco.
  • Yonatan Mozzini  06/03/2015 17:18
    O governo está sendo explícito em querer o real depreciado. A reação do mercado em não demandar reais está parecendo um deleite para eles:

    g1.globo.com/economia/noticia/2015/03/depreciacao-do-real-nao-mostra-descontrole-cambial-diz-barbosa.html

    A solução é sequestrar esses caras e enviar para a Indonésia com drogas na mochila ou mandar eles vestidos de mulher para o Estado Islâmico na Síria. Porque essa equipe econômica não irá mudar de mentalidade nesses quatro anos.
  • Lucas  09/03/2015 00:04
    A mentecapta em exercício nos brindou hoje, 08/03/2015, com um pronunciamento que me deixou enojado! A equipe do IMB pensa em publicar artigo a respeito?
  • Guilherme Sandoval  09/03/2015 18:03
    E segue a destruição: dólar a R$ 3,11.

    E pensar que quando esse artigo foi originalmente publicado, em 26 de janeiro (pouco mais de um mês atrás), o dólar estava em R$ 2,57.
  • anônimo  09/03/2015 20:52
    O real que se desvalorizou ou o dólar que está se valorizando sem parar? Como saber quando o que acontece?
  • Leandro  09/03/2015 21:07
    Ver o preço do ouro. O ouro é a constante que sempre foi historicamente utilizada para mensurar a saúde de uma moeda.

    No caso do real, o grama do ouro saltou de R$ 90 para R$ 117 (30%) em 6 meses.

    No que mais, observar também o comportamento das outras moedas. Em 2015, o real só se desvalorizou menos que a moeda ucraniana em todo o mundo
  • Iva  10/03/2015 14:22
    Olá Sr. Leandro,

    Gostaria de sua opinião sobre o confisco da poupança, isso poderá voltar a acontecer? ou é apenas mais um spam?

    Obrigada,
  • Leandro  10/03/2015 15:05
    Spam.

    Muito embora, em se tratando do atual governo, olha....
  • anônimo  11/03/2015 19:12
    estamos vivendo um período muito ruim, um governo pessimo, sem dúvidas.
    agora, a pergunta é: esse governo é pior que o governo collor ?
  • Milton  11/03/2015 19:43
    Tá bem pau a pau. O governo Collor ao menos fez quatro coisas boas: a (tímida) abertura do mercado (o que melhorou bastante os carros), a fim da reserva de mercado da informática, o fechamento da ancine (ressuscitada por FHC), e a privatização do setor siderúrgico sem criar nenhuma agência reguladora.

    Já o governo atual, tendo muito boa vontade, inventou um salseiro nas concessões de aeroportos que fez com que eles deixassem de ser péssimos e se tornassem apenas ruins. E só.

    O governo Dilma é tão ruim, que ela conseguiu a façanha de nos brindar com o pior Banco Central da história do real. A equipe anterior (chefiada por Henrique Meirelles) era competente. Por que ela inventou de trocar tudo?
  • Felipe  11/03/2015 20:12
    Acho que ninguém foi pior que a Dilma. Seu governo foi um desastre, uma imbecil que não consegue falar uma frase com coerência, e cercada de gente ainda mais imbecil que ela. Foi tão ruim que passará os próximos 4 anos arrumando a merda que fez.

    Agora o Collor, apesar dos desastrosos planos collor, trouxe algumas coisas de positivas para o país, como o fim da lei da informática.


  • Matias  13/03/2015 15:58
    3,27 segue a destruição
  • Barbosa  13/03/2015 16:31
    O país foi pro saco.
  • anônimo  13/03/2015 16:36
    lembro de vários petistas falando: ''no governo FHC, o dólar era 3,99!!!''
    estamos caminhando pra lá...
  • Magno  13/03/2015 16:57
    Nunca foi esse valor. Ficou em torno de R$ 3,90 durante o mês da eleição. Mas depois voltou a cair. Até o final de maio de 2002, por exemplo, o dólar tava em R$ 2,50. Aí, com a consolidação da liderança de Lula nas pesquisas, ele disparou.

    E isso foi um ótimo negócio para Lula. Quando ele assumiu em 2003, o dólar só tinha um caminho: cair. Isso permitiu uma política de maior expansão do crédito sem grandes pressões inflacionárias (pois o dólar estava caindo).
  • Marconi  13/03/2015 20:13
    Para irritar o Leandro.. rsrsrs

    Economistas defendem maior desvalorização do real

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,economistas-defendem-maior-desvalorizacao-do-real-imp-,1649941
  • Leandro  13/03/2015 20:23
    Até que faz sentido -- de um ponto de vista puramente estratégico, é claro.

    Todos esses economistas entrevistados são historicamente ligados aos tucanos. Sendo assim, nada mais natural que eles recomendem uma política que destroce de vez o pouco que resta de popularidade do PT. É uma boa estratégia.
  • Leandro  16/03/2015 18:08
    A quem interessar possa, os números acabaram de ser atualizados. A aceleração da destruição do real é mais forte que a de um F-15 decolando de um porta-aviões.
  • Rene  16/03/2015 18:36
    Uma vez, vc escreveu um comentário, dizendo que uma hiperinflação seria impossível no Brasil, por conta da lei de responsabilidade fiscal. Será que podemos mesmo subestimar a capacidade do governo de destruir a moeda?
  • Leandro  16/03/2015 19:01
    Há três maneiras de haver hiperinflação:

    1) Banco Central imprimindo dinheiro livremente para financiar diretamente o Tesouro. Esse arranjo foi proibido em 2000 pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

    2) Bancos concedendo crédito para pessoas e empresas em volumes exponenciais. Nesse cenário, o dinheiro só entra na economia via endividamento (pessoas, empresas e governo). Portanto, para haver hiperinflação neste cenário, pessoas e empresas teriam de, repentinamente, estar dispostas a se endividar a um volume de trilhões de reais por mês. Elas teriam de pegar empréstimos como se não houvesse amanhã (e os bancos, é claro, têm de ser loucos a ponto de abrir as torneiras assim). É possível mas improvável.

    3) Todas as pessoas decidem abandonar a moeda. Nesse cenário, a demanda pela moeda cai a zero, todos os agentes passa a utilizar outra moeda ou alguma commodity, e aí ocorre uma hiperinflação. É o único cenário factível.


    Pode acontecer? Olha, até que pode...
  • Vitor Santos  16/03/2015 20:15
    Leandro,

    Sobre essas possibilidades de hiperinflação que você elencou:

    1 - A polêmica mudança na LDO no final de 2014, que na prática permite mais gastos do governo minou de certa maneira essa proteção, correto?

    2 - Já li artigos daqui mesmo, que os bancos públicos concederam crédito nos últimos anos como se não houvesse amanhã. Talvez a única coisa que os freie seja justamente a incapacidade dos cidadãos de contraírem ainda mais dívidas.

    3 - Cada vez mais escuto pessoas querendo investir em dólar, euro ou até mesmo fazer investimentos em empresas estrangeiras.

    Corram para as montanhas, e protejam seu cofre porquinho...

  • Leandro  16/03/2015 20:49
    1 - Não realmente. O BC continua proibido de financiar diretamente o Tesouro.

    A mudança da LDO permite déficits governamentais maiores, que são inflacionários. Mas eles são financiados pelo sistema bancário, e não pelo BC. Ou seja, continua havendo uma barreira, que é a capacidade de endividamento do governo (barreira é tênue, é verdade) e a prudência dos bancos. Não é do interesse dos bancos gerar hiperinflação. Por quê?

    Imagine que você é um banqueiro. Você sabe que, se você gerar uma hiperinflação, os empréstimos que você conceder serão quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, e isso destruiria o real valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido.

    2 - Correto. Mas vale o mesmo raciocínio acima.

    3 - Se isso ocorrer de maneira maciça e crescente, aí pode realmente haver uma hiperinflação. E não há aumento de juros ou congelamento da expansão monetária que impeça isso. A única coisa que pode impedir esse cenário é um Currency Board.
  • Putin  16/03/2015 21:43
    A manter esse ritmo, em menos de um mês a Rússia vira e sai da seção "consolação".
  • Fabio  18/03/2015 15:07
    Céus, dólar a R$ 3,24!
    P/ quem ainda não comprou dólar, qual a saída?
    Leandro, lembro que defendeu que o valor deveria estar em torno de R$ 2,65 e que agora já seria tarde para fazer a compra.. É isso mesmo?
    Ou, como propalam por aí (vide Empiricus), o rally continua e o dólar tem espaço para subir, p/ R$3,50, quiçá R$4.. Já deveríamos decretar a falência do real?
    Acho que, a essa altura, o governo já não defende mais a desvalorização do real. Deve estar desesperado para frear a queda, já que a popularidade vai junto..




  • Alexandre (SEP)  18/03/2015 16:01
    Gostaria de saber como adquirir ouro e poder tê-lo em casa.

    att.
  • Bruno Pampolini  18/03/2015 18:53
    E quais seriam as perspectivas cambiárias em relação ao euro? Há probabilidade de o Euro se valorizar frente ao real mesmo com as medidas econômicas adotadas pelo BCE?

    Acredito que o mercado estava esperando uma gradual porém perceptível queda do Euro frente ao Real durante este ano...

  • Caipira  19/03/2015 16:59
    www.newyorker.com/news/john-cassidy/a-strong-dollar-forces-the-fed-to-rethink-its-next-move


    Leandro e colega, boa tarde!

    Corremos o risco de uma "corrida de desvalorização" entre Japão, EUA e Euro Zona ?
  • Rafael Lucena  20/03/2015 19:09
    Bom artigo, só noto que, sem demérito para o conteúdo, segundo Mises, não se deve falar em nível de preços, pois isso não existe. Preços, diferentemente da água numa piscina, não são homogêneos a ponto de formar um nível. Seja à grosso modo ou fino modo, é uma abstração errada. E ponto.
  • Leandro  27/03/2015 21:29
    Aproveitando o embalo da divulgação dos resultados da economia brasileira, o mais interessante de tudo foi constatar justamente o que aconteceu com as exportações após a desvalorização cambial.

    Segundo os desenvolvimentistas, com a desvalorização do real, era para as exportações terem bombado. No entanto. no quarto trimestre, justamente no período da mais intensa desvalorização, elas desabaram nada menos que 12,3%!

    E, em relação ao quarto trimestre de 2013, a queda foi de 10%.

    saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=2857

    Segundo a teoria desenvolvimentista, era para ter ocorrido justamente o contrário.
  • Renato  27/03/2015 22:14
    Ou seja, muito provável que os safados da fiesp venham dizer que ''a desvalorização ainda não foi suficiente''...
    Enquanto isso, vão continuar cobrando a desvalorização do real, ou melhor dizendo, vão seguir defendendo a contínua diminuição do poder de compra da população pra gente ser obrigado a comprar as porcarias que eles vendem.
    Tá cada vez mais difícil...
  • Brant  27/03/2015 22:41
    Que coisa estranha. Uma teoria que diz que moeda fraca é boa para exportações e a prática mostrando um resultado diametralmente oposto. Se isso não é suficiente para enterrar de vez o desenvolvimentismo então estamos diante de uma nova religião mística cujos fiéis abandonaram totalmente a conexão com o mundo real.
  • Marcos  30/03/2015 15:43
    E eu ainda vejo gente dizendo que agora as exportações vão bombar. Só se for mesmo no sentido mais explosivo do termo...
  • Renato  02/04/2015 14:46
    Leandro, e a libra ? Ainda é a moeda mais forte do mundo? Segundo a teoria dos economistas desenvolvimentistas e das nossas gloriosas universidades públicas, era pra Inglaterra ser uma favela a céu aberto, não?
  • Leandro  02/04/2015 15:12
    Exato.

    E vale lembrar que a libra esterlina não apenas foi a moeda que serviu de reserva internacional desde o início do capitalismo até após a Segunda Guerra Mundial, como também foi a moeda mais cara e mais desejada do mundo durante todo esse período.

    Até 1944, uma libra comprava 5 dólares (foi exatamente até esse período que a Inglaterra se industrializou fortemente). Depois, a libra foi desvalorizada para US$ 2,80, e ficou assim até 1971. Depois de 1971, ele se desvalorizou ainda mais, e hoje, uma libra compra "apenas" US$ 1,50.

    E foi exatamente durante esse período de desvalorização que a Inglaterra mais se desindustrializou.
  • Renato  02/04/2015 16:22
    Taí uma informação que eu não sabia....impressionante.
    Agora, é incrível como uma moeda forte prova por a+b que é sinônimo de qualidade de vida. Pegando o exemplo da Inglaterra, com 42 mil libras, um cidadão inglês pode comprar uma BMW 535i, um carro com mais de 300 cavalos e conforto no melhor estilo alemão. Já aqui no Brasilzão, com a mesma quantidade nominal de dinheiro em reais, um cidadão compra um Nissan March 1.6.
    Ou seja, se pegarmos 1 trabalhador brasileiro e um inglês ganhando a mesma quantidade nominal de salário (exemplo: 2000 reais e 2000 libras), a distância percorrida por um brasileiro para comprar um Nissan March é a mesma pra um inglês comprar uma 535i.
    São nesses casos que a gente vê o tamanho da disparidade.
  • Ali Baba  09/04/2015 11:48
    @Leandro,

    Você conhece a série 11753 do Bacen? Me parece próximo da metodologia que você propôs de descontar o dolar pelo CPI e o real pelo IPCA e calcular o cambio estimado pela desvalorização de ambas as moedas.

    Aquela série te parece confiável?
  • Marconi  13/04/2015 14:48
    Leandro Currency Board, me tira um dúvida...

    Câmbio flutuante + swap cambial não seria uma forma de currency board light?

    Isso é, não seria uma forma de garantir para o investidor estrangeiro que ele não perderia muito em caso de desvalorização da moeda nacional?

    Enfim, seria como o governo criar tipo um currency board para estrangeiros sem perder a chance de detonar os próprios brasileiros inflacionando a moeda. Correto?
  • Leandro  13/04/2015 15:40
    Isso não seria Currency Board nem na mais heterodoxa das hipóteses. Há duas características inegociáveis em um arranjo de Currency Board, por mais "light" que ele seja:

    1) O câmbio é fixo (o que não ocorre nesse seu arranjo);

    2) A base monetária varia estritamente de acordo com o balanço de pagamentos (o que também não ocorre nesse arranjo). Com um CB, não tem conversa: se a base monetária aumenta, as reservas internacionais têm de ter aumentado na mesma quantidade, e vice-versa.

    Já nesse arranjo heterodoxo de swap cambial inventado pelo BC, não apenas as reservas internacionais ficam na mesma, como a base monetária é aumentada a cada operação. Swap cambial é uma operação cuja liquidação se dá toda ela em reais. O BC paga aos investidores (em reais) a variação do câmbio no período de vigência dos contratos. E os investidores pagam ao BC a oscilação dos DI. Tudo em reais.

    Ou seja, na prática, o BC cria reais e, com isso, tenta garantir (em reais) a renda de quem perdeu com o câmbio.

    Portanto, não apenas se trata de um mecanismo inflacionário, como também opera em total desacordo com o princípio mais básico de Currency Board.

    Se o intuito é apenas "proteger os estrangeiros", um câmbio semi-fixo (aos moldes do que vigorou de junho de 1995 a dezembro de 1998) já faria um trabalho muito melhor -- e ainda entregaria baixa inflação de preços.
  • Enrico  13/04/2015 16:26
    Leandro, no caso de um retorno ao câmbio nos moldes do início do real (atrelação ao dólar com leves flutuações), um ataque especulativo não seria capaz de destruir novamente o sistema cambial, como ocorreu no final de 1998/início de 1999?
  • Leandro  13/04/2015 16:45
    Correto.

    A verdade é que um Banco Central pode ou adotar uma política de câmbio fixo ou praticar uma política monetária independente. Mas ele não pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

    Se ele decide manter uma determinada paridade cambial, então ele abre mão de controlar a expansão da base monetária, pois ele tem de criar moeda nacional para comprar as divisas estrangeiras, e tem de recolher moeda nacional ao vender divisas estrangeiras. Ele não controla a evolução da base monetária.

    Já se ele opta por manter o controle sobre a evolução da base monetária, então ele não tem como manter a taxa de câmbio estacionada em um determinado valor. Não por muito tempo.

    Se o Banco Central tentar fazer as duas coisas, ele estará incorrendo em uma contradição insustentável. Todos os ataques especulativos que varreram os países em desenvolvimento na segunda metade da década de 1990 aconteceram porque os especuladores perceberam essa contradição e agiram de acordo.

    Esse artigo fala sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601


    Na resposta acima eu disse que, se a intenção era adotar aquele regime sugerido pelo Marconi, então esse arranjo caberia, pois 1) entregaria resultados melhores, e 2) há reservas abundantes que permitem essa brincadeira por um longo tempo (as reservas, quando convertidas em real, são quase o triplo da base monetária). Em 1999, as reservas já estavam bem abaixo da base monetária.

    A questão é: por que adotar um arranjo inerentemente instável e não-duradouro se a opção pelo Currency Board é efetiva e segura?
  • Marconi  13/04/2015 19:12
    Leandro, obrigado pela resposta!

    Outra dúvida.. seria possível lastrear o real em algo perecível, tipo arroz por exemplo?

    Tipo 1 real seria equivalente a um saco de arroz. 5 reais 5 sacos. Seria uma boa forma de lastreara moeda, não?

    Abs
  • Leandro  13/04/2015 19:57
    Que é possível, é. E, assim como o ouro, nem seria necessário ter sacos de arroz em estoque; eles podem estar aplicado no mercado de futuros.

    Só não estou muito certo quanto à desejabilidade de tal âncora...
  • Silvia  14/04/2015 12:34
    Ótima análise!! Eu estou acompanhando o peso argentino quase que diariamente desde dezembro/14 pois comprei minha passagem para passar as férias na Argentina (05/15), então, o governo querer explicar a queda do real por causa de crise externa é uma falácia, visto que um país em crise como a Argentina, conseguiu se desvalorizar menos frente ao dólar...
  • Marconi  14/04/2015 21:30
    Leandro, o que acha dessa análise da relação entre a desvalorização da moeda X inflação?

    Tenho dito aqui que a desvalorização cambial é um componente fundamental no processo de ajuste de nossa economia...

    ...Em outras palavras, uma depreciação de 10% do câmbio efetivo elevaria a inflação em 0,60 ponto percentual (p.p.). Já quando o nível de atividade está deprimido – quando o hiato do produto é negativo, como no momento atual -, nossos modelos indicam que o repasse cai para 4%.

    ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/04/14/efeito-da-desvalorizacao-do-r-na-inflacao/



  • Leandro  14/04/2015 22:06
    As bobagens convencionais de sempre.

    Em primeiro lugar, ele confunde causa com consequência. A desvalorização cambial é uma consequência da perda do poder de compra da moeda. Não é a causa dela.

    A carestia resultante não é efeito da desvalorização da taxa de câmbio, mas sim da perda do poder de compra da moeda. A taxa de câmbio se desvalorizou porque a moeda perdeu de poder de compra. Os preços subiram porque a moeda perdeu poder de compra. A desvalorização cambial e a subida dos preços são apenas consequências do fato de a moeda ter perdido poder de compra.

    A perda do poder de compra vem antes. Desvalorização cambial vem em seguida.

    Nenhuma moeda se deprecia perante outras sem que antes seu poder de compra tenha caído. Isso não existe. A depreciação cambial é consequência da perda do poder de compra da moeda.

    E isso vale até mesmo para economias fechadas, com quase nenhuma importação, como era a do Brasil na década de 1980. Uma moda fraca afeta todos os preços internos, inclusive os produzidos nacionalmente. Isso é óbvio: se a moeda está fraca, então é necessária uma maior quantidade delas para adquirir o mesmo bem. Aí, como consequência, o câmbio sobe.

    Não tem escapatória: moeda fraca, carestia alta. A taxa de câmbio é a só a consequência.

    De resto, não entendi a lógica de ele dizer que "a desvalorização cambial é um componente fundamental no processo de ajuste de nossa economia..."

    Já que não basta a teoria dizer que nenhum país cresce desvalorizando moeda, então vamos para a empiria. Em todas as vezes que o Brasil cresceu robustamente -- ou quando saiu de uma recessão --, o câmbio estava se apreciando (sinal de que a moeda estava recuperando poder de compra). Foi assim em 2003 (quando o dólar caiu de R$ 3,50 para R$ 2,80), de 2004 a 2008 (quando o dólar caiu para R$ 1,54) e em 2009-2010 (quando caiu de R$2,50 para R$ 1,70).

    Sentido zero isso que ele disse.
  • Hugo  15/04/2015 03:19
    Leandro sobre o regime cambial da primeira fase do Real muita gente,principalmente Bresser,Serra e CIA heterodoxa-desenvolvimentista sempre falava e ainda continua falando que o câmbio estava irrealisticamente valorizado na época,mas estive pesquisando o histórico cambial da primeira fase do Real,e reparei que em momentos de muita pressão cambial como nos ataques especulativos do segundo semestre de 1997 da crise da Ásia (o câmbio oficial estava por volta de 1,11 na época e o paralelo chegou a passar de 1,20 em dezembro daquele ano) e da crise da Rússia entre setembro e outubro de 1998 (com o câmbio oficial por volta de 1,18 e o paralelo em picos de 1,34 no começo de outubro,e depois ficou em média uns 7 centavos de distância entre um e outro até a desvalorização de 99),porém fora esses momentos os câmbios oficial e paralelo ficavam bem pouco distantes,com o câmbio black no máximo uns 3 ou 4 centavos acima do oficial,e ainda chegando a igualar o câmbio "não-paralelo" em vários momentos. Isso não seria indicativo de que o câmbio não estava tão fora da realidade como propagam os heterodoxos,apesar de o câmbio atrelado ter exigido uma SELIC muito alta para se manter?
  • Leandro  16/04/2015 00:51
    O problema era o arranjo em que isso estava inserido.

    No que tange ao câmbio, há apenas dois arranjos que se sustentam no longo prazo: câmbio flutuante (que funciona apenas para economias desenvolvidas e com governos que geram alguma confiança nos investidores estrangeiros) ou câmbio fixo em um arranjo que seja ao menos semelhante a um Currency Board (a base monetária tem de variar estritamente de acordo com as reservas internacionais).

    Qualquer outro arranjo que adote um meio termo -- especialmente um que tente controlar o câmbio dentro de uma banda muito estreita -- está fadado ao fracasso.

    O câmbio foi forçado a flutuar em janeiro de 1999 justamente porque o Banco Central não seguiu as regras de um Currency Board, a saber: a base monetária não variava de acordo com o balanço de pagamento. Quando havia saída de capitais, o BC vendia dólares para tentar segurar a cotação, mas não contraía a base monetária. Ou seja, chegou-se a um ponto em que a base monetária se tornou maior do que as reservas internacionais.

    Foi aí que os especuladores, ao perceberem essa política insustentável, fizeram a festa.

    Tendo dito tudo isso, a conclusão é que simplesmente não há como saber se o valor daquele câmbio atrelado era verdadeiro ou não. No entanto, como você bem observou, o fato de o câmbio no mercado negro estar a apenas 7 centavos de diferença de fato mostra que o valor não era tão irreal assim.
  • Lucas  25/04/2015 01:08
    Leandro, o que você diria sobre a leve queda do dólar nas últimas semanas? O câmbio a R$3,20 era fruto de más expectativas exageradas ou o atual câmbio a R$2,95 mostra um otimismo exagerado?

    Ou mais: a valorização do real reflete alguma melhora nos fundamentos da economia? Se reflete, que melhora é essa?
  • Leandro  25/04/2015 05:17
    Há vários motivos.

    1) Dilma não é mais a presidente. Michel Temer é. O PT não manda mais no governo. Não controla nem sua base no Congresso.

    2) Joaquim Levy é quem está mandando na economia (para o bem e para o mal). O PT também está fora dessa área.

    3) Os investidores estrangeiros e especuladores parecem ter aprovado esses dois itens acima.

    4) Dados recém-publicados pelo Banco Central (não dá para colocar link porque não há um link direto) mostram que a expansão do crédito está crescendo ao menor ritmo desde 2003. Essa baixa expansão monetária também ajuda no câmbio.

    5) Há rumores de que blocos do pré-sal podem ser vendidos para reduzir o endividamento da Petrobras, bem como ativos da empresa no exterior;

    6) O projeto de lei das tercerizações, o qual reduziria bastante alguns custos trabalhistas, agradou;

    7) Já se fala em SELIC acima de 13%. Essa apreciação do real é uma movimentação já se antecipando a um novo aumento da SELIC.

    Ainda sim, vale lembrar que, apesar da queda, o atual valor é o mesmo do início de março. E que, ainda em janeiro, o dólar custava R$ 2,50. Ou seja, ainda tem muito chão para voltarmos aonde estávamos há apenas 4 meses.
  • Empreendedor Libertario  25/04/2015 12:20
    Onde se acompanha os dados sobre expansao do credito? Obg
  • Auxílio  25/04/2015 15:17
    Item "Indicadores de crédito":

    https://www3.bcb.gov.br/sgspub/
  • Diego  25/04/2015 13:41
    Oi Leandro,

    Considerando que a bolsa chinesa parece estar em níveis que cheiram a bolha, com um eventual estouro dessa bolha não seria de se esperar que isso causaria um susto nos países emergentes, fazendo com que haja uma fuga para o dólar?

    Obrigado!
  • Leo  26/04/2015 21:31
    Como é na prática a valorização do câmbio (digo: debaixo da intervenção estatal - política monetária)? É simplesmente como por um decreto ou existe a necessidade de manobras de compra e venda das moedas? Alguém poderia me ajudar a compreender? Agradeceria. Parabéns pelo artigo! Muito esclarecedor!
  • Ricardo  26/04/2015 21:36
  • Leo  27/04/2015 02:24
    Excelente este 152º Podcast com Leandro Roque! Quanto de Economia e de Finanças se pode aprender ouvindo este Podcast! Esclareceu bem as dúvidas que eu tinha sobre câmbio. Recomendo a todos. E muito obrigado Ricardo pela indicação! Valeu mesmo!
  • Leandro  27/04/2015 13:42
    Obrigado pelo exagerado elogio, caro Leo. Uma satisfação saber que foi grande o seu agrado. Grande abraço!
  • Mauro  28/04/2015 16:16
    "Indústria demitiu 232 mil pessoas em março, diz IBGE"

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,industria-demitiu-232-mil-pessoas-em-marco-diz-ibge,1677405

    Ué, mas não era só desvalorizar o real que a indústria iria bombar?! Cadê os desenvolvimentistas? Março foi o mês dos sonhos deles: o dólar foi de R$ 2,90 pra R$ 3,30. Segundo eles, era para termos virado uma Suíça.

    No entanto, a indústria se esfacelou em um ritmo até então inédito.
  • Wellington Kaiser  22/05/2015 11:28
    Leandro, oq vc tem a me dizer dessa matéria?

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,cotacao-do-real-sofreu-manipulacao-em-esquema-global,1691803
  • Leandro  22/05/2015 12:01
    Inconsistente, inconclusa e, acima de tudo, sem fundamento.

    Em primeiro lugar, como diz a reportagem, tal "esquema" teria ocorrido em um mês de 2009. Estamos em 2015.

    Em segundo lugar, em julho de 2011, o dólar caiu para R$ 1,54. Mas a reportagem dá a entender que esse esquema ocorrido em outubro de 2009, quando o dólar estava a R$ 1,75, fez com que o real nunca mais de apreciasse em relação ao dólar. Uma fragorosa mentira, portanto. Os jornalistas se esqueceram de checar os dados.

    Em terceiro lugar, e mais importante: como este site já se exauriu de se explicar, o que determina taxa de câmbio no longo prazo é o poder de compra da moeda.  E só.

    Traders fazendo esqueminha podem influenciar a taxa apenas no curtíssimo prazo (se muito), mas nunca no longo. 

    Achar que o câmbio foi, ao longo de quase 6 anos, influenciado por alguns traders é afirmação de quem não entende nem sequer o básico de economia.

    Por fim, fosse eu mais oportunista, poderia utilizar essa matéria apenas para mais uma vez criticar o câmbio flutuante (como sempre faço) e reafirmar a importância de se ancorar a moeda ao ouro, o que aboliria qualquer chance de especulações desse tipo. Mas como sou intelectualmente honesto, tenho de desmascarar a falsa teoria da reportagem.
  • Wellington Kaiser  22/05/2015 17:23
    "Traders fazendo esqueminha podem influenciar a taxa apenas no curtíssimo prazo (se muito), mas nunca no longo. "

    Foi isso que imaginei ao ler a matéria. Obrigado por sua análise.
  • Site  23/05/2015 21:45
    Caramba, isso é um absurdo...
  • Matlhus  20/07/2015 17:25
    Neste momento, a libra está cotada a R$ 5,01.

    Franco suíço, a R$ 3,33

    Euro, a R$ 3,48
  • Tobias  23/07/2015 16:55
    Neste momento, dólar a R$ 3,30.

    Libra esterlina a R$ 5,10.

    Franco suíço a R$ 3,43.

    Euro a R$ 3,61.

    A moeda do país foi pro saco.
  • Tobias  24/07/2015 14:46
    Neste momento, dólar a R$ 3,33.

    Libra esterlina a R$ 5,16.

    Franco suíço a R$ 3,47.

    Euro a R$ 3,65.

    A moeda do país estava na privada. Agora, deram a descarga.
  • Crítico  30/07/2015 16:45
    Este artigo nunca foi mais atual.

    Dólar: R$ 3,37 (depois de um pico de R$ 3,42)

    Seria muito interessante a atualização dos dados deste artigo e uma nova postagem do mesmo no Mises. Gostaria muito de compartilhar este artigo nas redes sociais com os novos (e catastróficos) dados.

    Abrs

    PS: Parabéns pelo excelente trabalho Leandro
  • Assis  10/08/2015 21:57
    Choque e espanto: indústria automotiva descobre o óbvio: dólar alto encarece a produção; câmbio flutuante gera incertezas para a produção.

  • IRCR  11/08/2015 18:04
    Leandro,

    Tem alguma declaração sobre a desvalorização feita pelo BC chines hj ?
  • Leandro  11/08/2015 21:20
    Eu? E por que eu teria? Eu lá por acaso sou o presidente do BC chinês? Sou membro do PC chinês?

    Eu, hein?

    Em todo caso, essa pergunta já foi feita:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=883&comments=true#ac148620
  • Leandro  12/08/2015 00:16
    A quem interessar possa, números atualizados para agosto.
  • Michael  12/08/2015 01:23
    Obrigado pela atualização dos dados Leandro!

    Uma reportagem da revista EXAME no dia 18 de marco 2015 disse o seguinte:

    Nas contas de Nelson Marconi, professor de economia da Fundação Getulio Vargas, a preços de 2015, o dólar se manteve acima de 4 reais entre 1999 e 2004 — o pico foi de 5,86 em 2002. O patamar atual está, portanto, bem abaixo do que atingiu naquele período. "A desvalorização do real poderia ser maior se a inflação fosse menor", diz Marconi.

    Eu adoraria ler sua opinião sobre esta afirmação do professor Marconi!

    Voce acredita que dolar pode realmente chegar a 4,00 ou alem?
    Qual voce acha que eh o objetivo do Levy em relação ao cambio? Desvalorizar ate as agencias de rating ficarem felizes?

    Abraco!
  • Leandro  12/08/2015 03:47
    A lógica dele é idêntica à lógica daquele jornalista que disse que "em valores corrigidos pelo IGPM no site do Banco Central, o dólar teria de ser vendido hoje a R$ 7,33 para ter o mesmo valor de 1º de março de 2003".

    Ambos pegam um valor do câmbio, corrigem por um índice de inflação acumulado durante o período (normalmente o IGP-M), e daí saem dizendo que o atual valor está baixo.

    Esse raciocínio é economicamente ignaro.

    Em primeiro lugar, com câmbio flutuante não tem disso de "corrigir pelo IGP-M" ou por qualquer outro índice de inflação; a correção já ocorre automaticamente. A taxa de câmbio de longo prazo é a razão entre os preços internos de cada país. Ela já considera tanto a inflação de preços no Brasil quanto a inflação de preços nos EUA. Não é necessário "corrigir pelo IGP-M" ou por qualquer outro índice.

    Em segundo lugar, tal raciocínio ignora completamente toda a inflação de preços ocorrida nos EUA. Ambos partiram do princípio de que ela foi zero. Só que ela não foi pequena: de 2006 a 2008, por exemplo, o IGP-M americano (PPI) chegou a ser maior que o brasileiro em alguns momentos. Os próprios preços dos imóveis nos EUA cresceram absurdamente neste período, bem como o preço do ouro, denotando uma forte inflação ocorrida naquele país (e não captada pela branda metodologia do índice oficial americano, que ignora os preços de alimentos e energia). Isso foi ignorado pelo jornalista.

    Em terceiro lugar, esse próprio raciocínio do jornalista entrega a alta inflação de preços ocorrida neste período no Brasil. Se era para o câmbio estar a R$ 7,33 em vez de em R$ 3,40, então isso significa que a inflação de preços no Brasil durante este período foi brutal (o que faz com que seja incompreensível que os governistas tenham compartilhado esta idéia).

    Em suma, nada a se aproveitar.
  • Andre  12/08/2015 11:47
    daqui a pouco vai ser necessário tirar a seção de consoloção e aumentar a de humilhação...
  • PQP!  24/08/2015 14:30
    Carai!!!

    O euro já tá custando R$ 4,15!
  • anônimo  11/09/2015 23:05
    Até onde vamos? Por favor, novo artigo!!!
  • MM  13/09/2015 04:33
    "Nossa moeda está sendo impiedosamente esfacelada em decorrência das políticas monetária e fiscal do governo"

    Discordo em partes. Quando quem manda não quer deixar quem está crescendo crescer, por um motivo bastante óbvio. O papel do Brasil é ser um país consumidor, bastante populoso e onde as pessoas pagam caro por tudo. Qual interesse dos bancos e países desenvolvidos em ter um "concorrente" à altura na américa latina?

    Algumas manchetes do primeiro semestre de 2015 sobre isso:

    "Bancos recebem multas bilionárias por manipulação do mercado cambial"

    "Grandes bancos multados em US$ 6 bilhões por manipulação de taxas de câmbio"

    "Cotação do real sofreu manipulação em esquema global" (Estadão)

    "Cade confirma manipulação de câmbio envolvendo real, mas descarta bancos brasileiros"
  • Leandro  13/09/2015 13:49
    Prezado MM, pelo que entendi da sua ilação, você está dizendo que quem manda são os bancos, e, sendo assim, são eles que estão desvalorizando o real (a política econômica do governo, é claro, é ótima e brilhante, e não tem nada a ver com o desastre).

    Beleza. Mas, se é assim, por que então esses mesmos bancos malvadões seguiram uma política totalmente oposta no período 2004-2011, fazendo com que o real se valorizasse bastante perante todas as outras moedas do mundo?

    Veja a valorização do real perante o dólar, o euro, o franco suíço e a libra esterlina durante este período.

    postimg.org/image/w9xpi8sfn/

    Por favor, apresente uma teoria coerente e sensata que explique por que os bancos malvadões decidiram ajudar o Brasil naquela época e agora deram uma guinada de 180º e decidiram prejudicar o país (atente que, durante todo este período, o partido no governo federal e as pessoas nos altos escalões são as mesmas)?

    "O papel do Brasil é ser um país consumidor"

    E como é que se faz um "país consumidor" destruindo sua moeda? Por definição, quem tem moeda fraca não consome nada. No máximo, produz para exportar. Pelo visto, essa estratégia dos bancos malvadões é bem burra, não?
  • MM  19/09/2015 04:59
    -Eu não falei hora nenhuma que a política econômica do país é brilhante. Acho bem difícil inclusive ter alguma coisa brilhante em qualquer governo aqui! E se vc está pensando que sou mais um defensor do governo, sinto desapontá-lo, mas não sou!

    "Por favor, apresente uma teoria coerente e sensata que explique por que os bancos malvadões decidiram ajudar o Brasil naquela época e agora deram uma guinada de 180º e decidiram prejudicar o país (atente que, durante todo este período, o partido no governo federal e as pessoas nos altos escalões são as mesmas)?"

    - Se as pessoas e o partido é o mesmo, tem alguma coisa errada lá fora, não?

    O Real forte foi uma percepção de risco macroeconômico mais baixo para o país (quem calcula o risco? Pra quem interessa o risco baixo?), junto com a queda do dollar perante todas as moedas, e da melhora nos termos de troca do País, destacando aqui a essencial alta das commodities, e também da baixa poupança nacional. Quer dizer que a situação internacional não é culpada por isso? Tem uma pessoa que pensa diferente...

    "O economista João Sicsú, da UFRJ, afirma que as moedas dos países emergentes já valorizaram 3%, em média. Diz: Houve valorização das moedas nacionais porque as economias estão crescendo puxadas, em grande parte, pelas exportações, já que a economia mundial também cresce."

    O Brasil exporta o que mesmo? Quem foi que subiu de preço em até 7x?

    - Deixar crescer um pouquinho faz parte, ter um povo sem dinheiro em um dos maiores países consumidores do mundo não interessa...Mas chega uma hora que tem que "puxar o tapete", para que a colônia não domine o império. Na verdade, isso é um pensamento que eu tenho, o porquê mesmo, o verdadeiro porquê, eu duvido que muita gente saiba.

    -Coloque um gráfico de linha da alta do CRB (Indice que mede o comportamento das commodities) e veja os anos de crescimento e declínio do Brasil, e compare com o ciclo de alta ou baixa das commodities.

    -E pelo "tom" do seu comentário, você não está acreditando muito nas práticas de manipulação de câmbio dos bancos "bonzinhos" né...coloque no google "Manipulação bancos, multa bilionaria, cade confirma manipulacao de moeda por bancos estrangeiros", você vai achar 1 milhão de fontes diferentes tratando desse tema, recente, agora em 2015, no atual cenário.

    Não vim aqui defender governo, só quis dizer, que o problema não se resolve de uma hora pra outra, e não tem mágica nem economista que vá resolver, caso contrário já teriam resolvido...Nós dependemos 70% lá de fora.
  • M.S. Batista  23/09/2015 18:38
    Leandro,

    Segundo a teoria do nobre "MM", a culpa de tudo que está acontecendo na economia, bem como de tudo que irá acontecer, é, única e exclusivamente, dos BANCOS? kkk

    Ele não explicita, mas seguramente, seguindo o ponto de vista do "MM", o MÉRITO do ocorrido dos anos 2003 a 2011 é do Barba e da sua patota.

    Isso mostra como a maioria do povo odeia os bancos, o capitalismo, mas não odeia o dinheiro e o que ele pode comprar. O mal logrado mora na favela, diz que não vota em rico, que detesta o capitalismo, os bancos, mas se inspira no "funk ostentação" e sonha em portar um Iphone, Nike, Rolex... Mais ainda: odeia pensar; logo, prefere pôr a culpa nos bancos, Globo, Veja, EUA, no vizinho que tem carro, e por aí vai...

    Isso é para mostrar como o povo está ideologizado. Esse invidíduo é o retrato fiel disso.
  • Leandro  23/09/2015 18:56
    Nada, ele é apenas um daqueles que acreditam que só crescemos quando "os outros" permitem, e entramos em recessão tão logo "os outros" mudam de ideia e decidem que é hora de nos ferrar.

    Olha o nível do cidadão:

    "Deixar crescer um pouquinho faz parte, ter um povo sem dinheiro em um dos maiores países consumidores do mundo não interessa...Mas chega uma hora que tem que "puxar o tapete", para que a colônia não domine o império. Na verdade, isso é um pensamento que eu tenho, o porquê mesmo, o verdadeiro porquê, eu duvido que muita gente saiba."

    Trata-se daquele comportamento lamentavelmente comum em alguns brasileiros: a culpa nunca é nossa, é sempre dos outros.

    É como se os nossos governantes, totalmente escolhidos por nós, fossem seres alienígenas completamente alheios a tudo, sem nenhum poder de fazer escolhas ruins (e, logo, isentos de qualquer culpa). Até hoje há várias pessoas cultas que juram que todos os nossos problemas decorrem dos portugueses que aqui habitaram séculos atrás. Que Guido Mantega que nada; a culpa do atual descalabro é de Pero Vaz de Caminha.

    E continua:

    "Coloque um gráfico de linha da alta do CRB (Indice que mede o comportamento das commodities) e veja os anos de crescimento e declínio do Brasil, e compare com o ciclo de alta ou baixa das commodities."

    Ou seja, o cidadão confunde os fenômenos. Ele desconsidera totalmente a influência do dólar na precificação das commodities (assunto esse recentemente destrinchado neste site), e acha que as commodities encareceram porque "o império" decidiu que era hora de dar uma ajudinha ao Brasil.

    Eu não tenho paciência para com esse tipo de gajo.
  • Hugo  18/09/2015 23:33
    Leandro qual destas medidas seria a melhor medida para conter o desabamento do poder de compra do real: currency board ou adoção do dólar como moeda concorrente do real como o que ocorre no Peru?
  • Leandro  19/09/2015 00:57
    O Currency Board é, disparado, o mais eficaz. É 100% garantido. Na nossa atual situação de urgência, ele é a melhor (talvez a única) alternativa.
  • IRCR  23/09/2015 17:56
    Porém uma CB não tem apelo algum no meio politico e principalmente no meio acadêmico/econômico.
    Se questionados por uma possível criação de uma CB vão citar o caso argentino da década de 90.
    Infelizmente, a academia é muito ignorante. Isso sem contar a visão desenvolvimentista que é predominante no Brasil, onde moeda que se desvaloriza impulsiona o crescimento via exportações.
  • Leandro  23/09/2015 18:43
    Correto, não tem chances de ser aceito.

    O que é lamentável, pois um CB consegue produzir inúmeros benefícios quase que de imediato:

    1) Inflação de preços vai a zero;

    2) Os juros desabam (pois não há mais riscos de desvalorização da moeda e não há expectativas inflacionárias altas);

    3) A confiança dos investidores estrangeiros volta quase que instantaneamente.

    4) A economia volta a crescer rapidamente.

    E se você acha que estou exagerando, é só ver o que aconteceu com a Bulgária em 1997: um país completamente avacalhado, à beira de uma revolução social e com uma hiperinflação de mais de 2.000%, tão logo instalou um Currency Board ancorado ao marco alemão, se estabilizou e virou outro.

    Embora a corrupção seja um problema crasso na Bulgária, o poder de compra da moeda dos búlgaros está totalmente blindado do governo. (A inflação de preços está hoje em zero).

    Hoje, é para a Bulgária que os gregos estão correndo para proteger seus euros.

    Os mesmos eventos, só que com ainda mais sucesso, ocorreram na Estônia, na Letônia e na Lituânia. E nem vou falar de Hong Kong.

    Aqui no Brasil, por causa desse nacionalismo toco que nos atrasa, preferimos continuar utilizando uma moeda autônoma, controlada por um governo incompetente e corrupto, sofrendo uma perda insana do poder de compra, pagando juros exorbitantes em decorrência disso e vivenciando uma recessão que só se aprofunda.

    E tudo isso em nome do orgulho pátrio.

    Estamos de quatro, mas com a cabeça erguida.
  • cmr  23/09/2015 19:03
    Nesse caso; as moedas mais estáveis seriam melhores, como por exemplo o Franco Suiço ou até o Yene japonês; ou o pessoal iria para o Dólar, pois é a moeda da moda ?.
  • Marcio Henrique Seixas  09/10/2015 21:13
    Interessante a discussão.


    1- A relação entra exportações e desvalorização do câmbio já foi em muito discutido pelos desenvolvimentistas, mas suas críticas não condizem com o posicionamento deles.

    Celso Furtado, entre outros autores, sempre enfatizaram que nos primórdios, nossa industriliação brasile ocorria em dois momentos distintos.

    Em momentos de apreciação cambial, devido a valorização das exportações de café , aumenta-se a capacidade instalada, através da compra de maquinas e equipamentos importados principalmente.

    Em momentos de dificuldades, com o câmbio desvalorizado, substituiam-se as importações de produtos importados, por similares nacionais.

    Esse posicionamento existe até hoje. Para empresas com dívidas em dólares ou que importam grande parte dos insumos, há aumento de custos com a desvalorização cambial.

    Não existe esse absolutismo de cambio sobrevalorizado ou desvalorizado para exportação. O próprio presidente da Vale do Rio Doce afirmou a pouco tempo atrás que a desvalorização do câmbio é benéfico para a empresa, pois a maior parte dos custos está em real, e o faturamento está em dólares, apesar das depesas financeiras decorrente das dívidas em dólares.

    A grande maioria das empresas exportadoras dispararam no Bovespa, pois a maior parte dos custos estão em reais e os faturamentos em dólar, mesmo com altas dívidas em dólares.

    A Vale caiu na bolsa, mas devido a queda do preço do minério, não a desvalorização do cambio.

    Não ouvi a posição da Embraer, que importa turbina e outras partes do avião, mas tiveram uma rezoavel melhora nas cotações em bolsa, mostrando que espera-se que melhore o resultado.

    Inflação, desgoverno, crise de confiança, podem afetar os investimentos das empresas exportadoras, mas o câmbio desvalorizado é um incentivo.

    O maior problema de um câmbio desvalorizado seria pressões sobre os preços, o que levou FHC primeiramente, a manter uma taxa de câmbio artificialmente valorizado, através de uma política de altas taxas de juros, até o estouro em 1999. Que prosseguiu em menor escala nos governos seguintes, e seguem com essa política através swaps cambiais.

    Para os exportações, desconheço algum empresário que reclame do câmbio desvalorizado.
  • Leandro  10/10/2015 10:32
    "Em momentos de apreciação cambial, devido a valorização das exportações de café , aumenta-se a capacidade instalada, através da compra de maquinas e equipamentos importados principalmente."

    Nada de errado. Aliás, essa é a teoria correta, a qual foi explicada e mais detalhes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175


    "Em momentos de dificuldades, com o câmbio desvalorizado, substituiam-se as importações de produtos importados, por similares nacionais."

    Num piscar de olhos? As indústrias produtoras iriam surgir da noite para o dia?

    Aliás, essa teoria é, por definição, impraticável: para que surjam indústrias nacionais capacitadas para fazer essa substituição de importações, elas têm de, no mínimo, importar os bens de capital com os quais irão produzir.

    Só que, para importar esses bens de capital, elas têm de ter um câmbio favorável -- caso contrário, os próprios custos de importação não compensarão. E ainda há outro agravante: dado que depreciação cambial sempre gera carestia generalizada, os próprios sindicatos fazem pressão para aumentos salariais.

    Consequentemente, essa indústria nacional que faria a "substituição de importações" fica pressionada de dois lados: custos trabalhistas e bens de capital mais caros.

    Não é à toa que não se conhece exemplo prático bem sucedido de substituição de importação que não tenha sido feita com um câmbio relativamente valorizado mas com altas tarifas de importação sobre bens de consumo. Aí sim a coisa fica factível: as indústrias conseguem importar maquinários a preços viáveis (nos governos Vargas e JK havia várias taxas de câmbio, sendo que as dos produtores industriais eram as mais em conta), e os consumidores nacionais, tratados como gado num curral, ficam proibidos de comprar produtos estrangeiros e são obrigados a comprar apenas os produtos nacionais desses empresários privilegiados (adorados pelos desenvolvimentistas).

    Em suma, substituição de importação é uma política que só pode ser consumada sob um ambiente de semi-totalitarismo; e os consumidores nacionais só perdem; ficam proibidos de comprar produtos bons e baratos do exterior, sofrem com carestia, e são obrigados a consumir apenas o lixo produzido por grandes empresários protegidos pelo governo.

    E tudo com o apoio irrestrito da esquerda.


    "Para empresas com dívidas em dólares ou que importam grande parte dos insumos, há aumento de custos com a desvalorização cambial."

    Toda e qualquer indústria que queira produzir bens de qualidade, demandados mundialmente, têm necessariamente de importar maquinários e bens de capital estrangeiros.


    "Não existe esse absolutismo de cambio sobrevalorizado ou desvalorizado para exportação. O próprio presidente da Vale do Rio Doce afirmou a pouco tempo atrás que a desvalorização do câmbio é benéfico para a empresa, pois a maior parte dos custos está em real, e o faturamento está em dólares, apesar das depesas financeiras decorrente das dívidas em dólares."

    É, tô vendo...

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/06/1640058-queda-no-preco-do-minerio-leva-a-demissoes-a-afeta-cidades-de-minas.shtml


    "A grande maioria das empresas exportadoras dispararam no Bovespa, pois a maior parte dos custos estão em reais e os faturamentos em dólar, mesmo com altas dívidas em dólares."

    Quem realmente pode se beneficiar da alta do dólar são exportadores que utilizam mão-de-obra barata e poucos insumos de alta tecnologia. O setor de suco de laranja e de milho, por exemplo, de fato está rindo à toa.


    "A Vale caiu na bolsa, mas devido a queda do preço do minério, não a desvalorização do cambio."

    Aí não, né? Você estava indo tão bem...

    É impossível haver um dólar forte e um minério caro. É impossível haver um dólar fraco e um minério a preços baixos.

    A relação entre valor do dólar e valor das commodities é direta. O boom das commodities está intimamente ligado ao dólar fraco. E o arrefecimento das commodities está intimamente ligado ao dólar forte.

    Todas as commodities (de minério de ferro a petróleo, passando pelo ouro) são precificadas em dólar. Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. Sempre.

    O boom das commodities (principalmente minério, petróleo e ouro) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar. E o atual "arrefecimento" das commodities também está ligado ao fortalecimento do dólar. O gráfico do dólar em relação ao ouro, mostrado neste artigo, ilustra perfeitamente esse fenômeno.

    E como as receitas e as dívidas das mineradoras são cotadas em dólar, elas sofrem diretamente esse ciclo econômico gerado pela flutuação do valor do dólar: o enfraquecimento do dólar gera um aumento nos preços do minério, e isso leva as mineradoras a expandirem seus investimentos. Tão logo o dólar se fortalece, as commodities caem de preço e todos esses investimentos expansivos se revelam errôneos. E então cortes de custos — demissões — são feitos.

    Ou seja, ao dizer que "A Vale caiu na bolsa, mas devido a queda do preço do minério, não a desvalorização do cambio", você está tratando como se fossem completamente distintos dois fenômenos que, na prática, são o mesmo.

    Aliás, o famoso "choque do petróleo" na década de 1970 estava diretamente ligado à inflação do dólar naquela época. Você deve se lembrar que a década de 1970, que foi quando o Nixon aboliu os últimos resquícios do padrão-ouro, foi uma década de alta inflação nos EUA. O dólar foi desacoplado do ouro e, como consequência, se desvalorizou abruptamente. Como era de se esperar, o preço do petróleo em dólar disparou. E tão logo Paul Volcker assumiu o Fed e deu uma pancada nos juros, o dólar se fortaleceu e o petróleo barateou.


    "Não ouvi a posição da Embraer, que importa turbina e outras partes do avião, mas tiveram uma rezoavel melhora nas cotações em bolsa, mostrando que espera-se que melhore o resultado."

    Permita-me:

    Embraer tem prejuízo no 1º tri por impacto de câmbio em despesa

    Embraer reduz projeção para receita em 2015 e estende cronograma do KC-390

    Segundo a empresa, "a desvalorização do real frente o dólar e a diminuição no ritmo de desenvolvimento de determinados contratos de defesa e segurança motivaram a queda na previsão."


    "Inflação, desgoverno, crise de confiança, podem afetar os investimentos das empresas exportadoras, mas o câmbio desvalorizado é um incentivo."

    Só no mundo desenvolvimentista. Até as montadoras passaram a reclamar.

    www.youtube.com/watch?v=3FtLGHOJKN4

    E os gráficos do setor industrial (mostrados neste artigo) confirmam que, quanto mais o câmbio se desvaloriza, mais a indústria se contrai.


    "Para os exportações, desconheço algum empresário que reclame do câmbio desvalorizado."

    Pra quem exporta produtos de baixo valor agregado e que utiliza mão-de-obra barata, sem sindicatos fortes, e pouco maquinário de ponta, realmente é bom negócio. Mas será que toda a nossa economia deve ser prejudicada apenas para agradar essa gente?
  • Marcio Henrique Seixas  10/10/2015 15:52
    1- " Num piscar de olhos? As indústrias produtoras iriam surgir da noite para o dia? "

    É lógico que não. Como tentei colocar, no curto prazo aumenta ou diminui a produção pelo aumento ou diminuição da capacidade ociosa. O que ocorre hoje é diminuição da produção e aumento da capacidade ociosa da industria. Não estou falando em aumento da capacidade instalada.

    2- " Consequentemente, essa indústria nacional que faria a "substituição de importações" fica pressionada de dois lados: custos trabalhistas e bens de capital mais caros."

    Novamente vc está falando em aumento da capacidade instalada. Para isso o câmbio valorizado ajuda na compra de máquinas e bens importados. Mas os custos trabalhistas não condizem com o que vc está dizendo. De 2012 pra cá o dólar praticamente dobrou, mas os salários nas indústrias não dobraram. A correção dos salários ocorre pela inflação, não pelo câmbio. Por isso disse que as Receitas são em dólar, mas a maior parte dos custos são em reais para os exportadores.

    3- " Em suma, substituição de importação é uma política que só pode ser consumada sob um ambiente de semi-totalitarismo; e os consumidores nacionais só perdem; ficam proibidos de comprar produtos bons e baratos do exterior, sofrem com carestia, e são obrigados a consumir apenas o lixo produzido por grandes empresários protegidos pelo governo."


    Em parte correto. Opinião sua que a industriliação com substituição de importações ocorrida no governo militar foi um fracasso, pois os consumidores nacionais só perdem. A Embraer, por exemplo, foi criada nesse período e depois privatizada. Vale, CSN , Petrobrás pelo governo Vargas idem. Não podemos confundir câmbio desvalorizado com protecionismo ou desenvolvimenismo para não mudar o foco, apesar da relação.

    4- Sobre a questão das exportações de automóveis que vc diz que diminuiu.

    O próprio vídeo que vc postou fala no curto prazo o aumento dos insumos importados pode prejudicar as exportações, mas no médio e longo prazo ajudam. Vc considera o curto prazo mais importante?

    Realemente o vídeo te induziu ao erro. Aumentou o volume de carros exportados, mas como o real se desvalorizou, em dólares as exportações diminuiram. Segue os links que mostram que as exportações em volumes aumentaram, mas diminuiram em valor em USD. Posso postar outros links se a discordância persistir.

    www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2015/09/exportacao-de-veiculos-cresceu-10-5-ate-agosto-diz-anfavea

    jornalggn.com.br/noticia/exportacoes-de-veiculos-aumentam-17-na-comparacao-com-maio

    A própria ANFAVEA diz que devido ao câmbio desvalorizado e o acordo comercial com o Mexico que permitiram o aumento das exportações de veículos em 10% no primeiro texto.

    4- " É, tô vendo..."

    Vc postou um link do fechamento de minas em cidades de Minas Gerais.

    NO caso do minério que vc postou trata-se do fechamento das Minas menos produtivas, para concentrar a produção nas minas de mais baixo custo. Diversas vezes o presidente da Vale disse isso. VC quer dizer que diminuiram as exportações em volume de minério de ferro, é isso? Ou vc acha que as minas menos produtivas não devem ser fechadas em momentos de baixa no preço do minério?

    noticiasmineracao.mining.com/2015/10/02/exportacoes-de-minerio-de-ferro-do-brasil-em-setembro-sao-as-maiores-do-ano/

    5- " Ou seja, ao dizer que "A Vale caiu na bolsa, mas devido a queda do preço do minério, não a desvalorização do cambio", você está tratando como se fossem completamente distintos dois fenômenos que, na prática, são o mesmo."

    Discorda de você. Eles são diferentes.

    A valorização do dólar explica em parte a desvalorização do minério de ferro. Mas não é a única variável. Vc desconsiderar o excesso de oferta, com as grandes mineradoras de minerio de ferro, aumentando a produção e tentando tirar do mercado as mineradoras menos produtivas, é não considerar todos os fatores relevantes. Além da possível desaceleração da China, que influencia nas expectativas.

    6- O que vc colocou da Embraer colaboram com meu entendimento. No curto prazo as dívidas em dólar impactam, causam deficit nno lado financeiro financeiro. Com a Vale sempre ocorre isso. Agora falar que a desvalorização do dólar prejudica as exportações da Embraer precisa mostrar.

    As açoes da empresa subiram na bolsa. Se a empresa estivesse em pior situação isso seria um paradoxo.

    O texto fala

    A queda da Receita em dólar de 300 milhões de dólares. E a própria empresa fala que isso devido "diminuição no ritmo de desenvolvimento de determinados contratos de defesa e segurança". A queda das Receitas em USD não foi devido a desvalorização cambial como vc está inferindo.

    No início do paragráfo fala que a desvalorização do dólar afeta a empresa. Mas a queda de receita não foi por esse motivo.
  • Leandro  10/10/2015 15:55
    "Como tentei colocar, no curto prazo aumenta ou diminui a produção pelo aumento ou diminuição da capacidade ociosa. O que ocorre hoje é diminuição da produção e aumento da capacidade ociosa da industria. Não estou falando em aumento da capacidade instalada."

    Variações na capacidade ociosa estão fora do escopo do debate, pois são pontuais e podem ser influenciadas por inúmeros fatores externos (como reonerações, novos tributos, e pressoes sindicais).

    A discussão era se desvalorização cambial impulsionava as indústrias e aumentava sua capacidade produtiva. Que bom então que concordamos que desvalorização cambial não traz esse efeito produtivo.


    "o câmbio valorizado ajuda na compra de máquinas e bens importados. Mas os custos trabalhistas não condizem com o que vc está dizendo. De 2012 pra cá o dólar praticamente dobrou, mas os salários nas indústrias não dobraram."

    Exato, os salários não dobraram. As demissões é que explodiram (como mostrado no gráfico indicado).

    E demissões são a direta consequência de salários incompatíveis com a produtividade. E a produtividade não foi em nada aumentada pela desvalorização cambial, justamente pelo fato de que, como você próprio reconhece, desvalorização cambial não é bom para a capacidade instalada.

    Tá começando a perceber agora as correlações e as causalidades? Os custos das indústrias aumentaram por causa do câmbio, mas as receitas caíram também por causa do câmbio (pois desvalorização cambial gera carestia de preços e queda geral na renda da população, o que afeta a demanda pelos produtos industriais).

    Ou seja, não há desvalorização cambial que seja impune.


    "A correção dos salários ocorre pela inflação, não pelo câmbio."

    Espera aí, você está dizendo que desvalorização cambial não afeta em nada a inflação de preços? Se sim, então podemos parar por aqui.


    "Opinião sua que a industriliação com substituição de importações ocorrida no governo militar foi um fracasso, pois os consumidores nacionais só perdem."

    Qual foi a indústria robusta que surgiu nesse período e que se manteve competitiva em um ambiente de livre concorrência, inclusive com produtos estrangeiros? Não conheço uma única sequer.


    "A Embraer, por exemplo, foi criada nesse período e depois privatizada."

    E o que era a Embraer antes de ser privatizada?


    "Vale, CSN , Petrobrás pelo governo Vargas idem."


    A CSN era uma máquina de déficits cobertos pelo Tesouro. Tanto é que o ultra-nacionalista Itamar Franco não criou nenhum empecilho para a sua venda. A Vale só decolou após sua privatização. A Petrobras manteve monopólio até 1997, e o mal que causou para a população brasileira ainda está para ser devidamente contabilizado.

    Quero que me apresentem uma teoria que mostre que, se destruirmos a moeda, surgirão uma Google, uma Amazon e uma Dell. Só uma teoria.


    "Não podemos confundir câmbio desvalorizado com protecionismo ou desenvolvimenismo para não mudar o foco, apesar da relação."

    Com protecionismo até concordo, agora desvalorização cambial é sim bandeira desenvolvimentista. Veja os escritos do senhor José Luis Oreiro, Delfim Netto e de toda a turma da AKB.


    "O próprio vídeo que vc postou fala no curto prazo o aumento dos insumos importados pode prejudicar as exportações, mas no médio e longo prazo ajudam. Vc considera o curto prazo mais importante?"

    Acho que você ainda não entendeu o básico.

    Uma coisa é haver uma desvalorização cambial agora, mas logo em seguida o câmbio se estabilizar em definitivo. Nesse caso, então não apenas não mais há um cenário de desvalorização cambial, como também todo o resto do mercado pode perfeitamente se reajustar (e eu nunca neguei isso).

    Agora, se o câmbio se mantiver continuamente se desvalorizando (que é o que, na prática, vem ocorrendo desde julho de 2011 até o presente momento), então estaremos vivendo eternamente num curto prazo.

    Não consigo ser mais claro do que isso.


    "Realemente o vídeo te induziu ao erro. Aumentou o volume de carros exportados, mas como o real se desvalorizou, em dólares as exportações diminuiram. Segue os links que mostram que as exportações em volumes aumentaram, mas diminuiram em valor em USD."

    Acho que quem foi induzido ao erro -- no caso, culpa de uma teria esdrúxula -- foi você. Como estão as vendas gerais de automóveis? Segundo as mais recentes notícias, a queda nas vendas totais é uma das maiores da história.

    exame.abril.com.br/economia/noticias/producao-de-veiculos-no-pais-deve-recuar-para-nivel-de-2006

    E por quê? Porque a desvalorização cambial contribuiu para uma carestia interna não forte, que a população perdeu boa parte do seu poder de compra, e a demanda por tudo, inclusive por automóveis, desabou.

    Ou seja, no geral, indústrias que também são voltadas para a exportação, mas que vendem para o mercado interno, se estreparam por causa da desvalorização cambial.

    As fabricantes de automóveis estavam melhores em 2011, com o cambio a R$ 1,70, ou agora, com o câmbio a R$ 3,80? Segundo os desenvolvimentistas, era para ser agora. A prática, no entanto, e em conjunto com a boa teoria econômica, mostram que tal raciocínio está errado.

    O erro crasso de economistas como você é acreditar que uma desvalorização cambial é algo que pode ser perfeitamente isolada de toda a economia. Vocês partem do princípio de que uma desvalorização cambial pode perfeitamente trazer apenas efeitos positivos para os exportadores e efeitos neutros para o resto da economia.

    No entanto, como mostra a prática, trata-se de uma faca de dois gumes: quem mexe exclusivamente com exportação de produtos primários pode até se dar bem (e nem isso tá sendo o caso da Vale); mas todas as outras indústrias se estrepam.


    "VC quer dizer que diminuiram as exportações em volume de minério de ferro, é isso? Ou vc acha que as minas menos produtivas não devem ser fechadas em momentos de baixa no preço do minério?"

    Segundo você, a desvalorização cambial ajudaria empresas voltadas para a mineração. E, segundo você próprio, não é isso o que está acontecendo. A Vale está melhor hoje, com o câmbio a R$3,80, ou em 2008 e 2011 (com o câmbio a R$ 1,70)?

    Apenas veja a evolução das ações da empresa. Em agosto de 2014, as ações dela (Vale3.SA) chegaram a quase R$ 29. E chegaram a R$ 43 em 2012. Hoje valem R$ 16,26.


    "A valorização do dólar explica em parte a desvalorização do minério de ferro. Mas não é a única variável."

    Tudo isso foi abordado em detalhes no artigo linkado. Não irei repetir tudo aqui de novo.


    "O que vc colocou da Embraer colaboram com meu entendimento. No curto prazo as dívidas em dólar impactam, causam deficit nno lado financeiro financeiro. Com a Vale sempre ocorre isso. Agora falar que a desvalorização do dólar prejudica as exportações da Embraer precisa mostrar."

    Mostrei com notícias e relatos da própria empresa. Alem, obviamente, de ter utilizado toda a teoria. Não posso fazer mais do que isso.

    E, se você quer continuar aferrado em sua crença, não é por mim.


    "As açoes da empresa subiram na bolsa. Se a empresa estivesse em pior situação isso seria um paradoxo."

    Isso tem de ser piada. Em agosto de 2014, as ações da Vale (Vale3.SA) chegaram a quase R$ 29. E chegaram a R$ 43 em 2012. Hoje valem R$ 16,26.

    Isso representa "ações subindo"?

    Deixe de ser cegado pela ideologia, rapaz. Se destruição da moeda trouxesse benefícios, o Zimbábue e o Brasil da década de 1980 teriam sido potências.

    E termino aqui repetindo meu desafio: gostaria que me apresentassem uma teoria que mostre que, se destruirmos a moeda, surgirão uma Google, uma Amazon e uma Dell. Só uma teoria.

    Abraços.
  • anônimo  10/10/2015 17:40
    1- A discussão era se desvalorização cambial impulsionava as indústrias e aumentava sua capacidade produtiva. Que bom então que concordamos que desvalorização cambial não traz esse efeito produtivo.

    Aqui concordamos no curto prazo e discordamos no longo prazo. O próprio link que vc mandou das exportações de automóveis, apesar de o representante do setro afirmar que as exportações aumentariam no médio e longo prazo, ele errou pois estão aumentando no curto prazo, conforme os outros links que colocoquei. Que bom que vc concorda que as exportações de automóveis estão aumentando e não diminuindo.

    OUtros fatores também são importantes, mas as outras empresas exportadoras cresceram coma Fibria, Suzano, BRFOODS, JBS.


    2- Vc ignorou a adequação da produção da Vale. Ela está produzindo e exportando mais minério, se está realizando isso com menos funcionários, haveria ganho de produtividade.

    A Vale demitiu trabalhadores em outros locais, como no Canada. Segue link abaixo. Issol não tem relação com a desvalorização do dólar no Brasil, mas com a queda mundial dos preços dos minérios em dólar.

    E as demissões em MIinas Gerais com o fechamento das minas menos produtivas, não é devido a desvalorização do dólar, como já coloquei.

    www.diap.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=7909:vale-demite-900-trabalhadores-em-varias-unidades-no-mundo

    3- Bem , se voce acredita que não foi importante criar essas empresas eu respeito. Já eu acredito que foi importante criar e depois privatizar. Um passo de cada vez.

    4- Eu queria que vc me mostrasse um exmplo de país que utilizou a âncora cambial, do cambio desvalorizado para controlar a inflação e criou companhias como Google, Mercedes, Aple, Dell. Não conheço uma industria sequer que foi criada no Brasil e se tornou medio player mundial com essa política de cambio valorizado. Acredito que isso não tenha relação com o câmbio tanto valorizado ou desvalorizado artificialmente.

    5- A reportagem que vc mostrou não fala que a Embraer foi prejudicada. Isso foi conclusão sua. Leia o texto de novo. Queda de 300 milhões do faturamento em dólares, devido a atrasos nos projetos militares....


    6- Isso representa "ações subindo"?


    Eu coloquei exatamente isso. Que a Vale caiu devido a queda do preço do minério e não das desvalorizações. E que as outras exportações subiram, agora vc fala que eu falei que as ações da VALE SUBIRAM? Releia o que escrevi. Falei da Embraer, JBS, Fibria, Suzano, etc...

    Valeu!


    Abraço


  • Leandro  15/10/2015 01:05
    1) g1.globo.com/carros/noticia/2015/07/producao-de-veiculos-no-brasil-cai-185-no-1-semestre-de-2015.html

    exame.abril.com.br/economia/noticias/producao-de-veiculos-no-pais-deve-recuar-para-nivel-de-2006

    Se você acha que isso é um efeito positivo da desvalorização cambial, então de fato estamos em mundos diferentes.

    2) Entendi. A desvalorização cambial foi tão positiva, que os fechamentos e as demissões da Vale não indicam crise e queda nas receitas. Não, indicam "adequação da produção". Beleza.

    3) Ok.

    4) Âncora cambial de câmbio desvalorizado? Nunca defendi isso. Pedi exemplo de país com moeda fraca -- isto é, moeda em contínua desvalorização perante as principais do mundo -- e que tenha criado indústrias pujantes e produtos de qualidade. Só isso. E sigo no aguardo.

    Já você disse que não conhece uma indústria sequer que foi criada no Brasil com "essa política de câmbio valorizado". E eu pergunto: que política de câmbio valorizado? Tivemos câmbio valorizado apenas no período 1995 - 1998. Foi durante esse período, coincidência ou não, que Vale e Embraer se modernizaram e decolaram.

    5) Ok.

    6) "a Vale caiu devido a queda do preço do minério e não das desvalorizações."

    De novo: se você realmente acha que "queda do preço do minério" e "valorização do dólar" são fenômenos completamente não-relacionados, e que as simultâneas queda no preço do minério e alta do dólar são fenômenos meramente coincidentes, então realmente não há diálogo. Como já disse, minério é uma commodity precificada em dólar e, por definição, se o dólar fica forte, o preço das commodities em dólar tem de cair. Isso é economia básica. Não tem como uma moeda ficar forte e, ao mesmo tempo, os preços cotados nesta moeda subirem. Se você se recusa a aceitar essa conexão entre força do dólar e preço das commodities, então o diálogo é de surdos.

    Abraços.
  • Observador do Mercado  22/10/2015 11:19
    Marcio Henrique Seixas disse:

    "O próprio presidente da Vale do Rio Doce afirmou a pouco tempo atrás que a desvalorização do câmbio é benéfico para a empresa, pois a maior parte dos custos está em real, e o faturamento está em dólares, apesar das despesas financeiras decorrente das dívidas em dólares."

    Leandro disse:

    "Desvalorizações cambiais podem até ajudar temporariamente nas exportações de produtos primários, mas afeta severamente os custos operacionais de todas as empresas".

    A realidade disse:

    Vale tem prejuízo de R$ 6,66 bi no 3º trimestre com impacto cambial

    A redução de R$ 11,807 bilhões no lucro líquido deveu-se, principalmente,
    ao efeito imediato nos resultados financeiros da depreciação de 28% do real contra o dólar no terceiro trimestre

  • Pobre Paulista  22/10/2015 12:01
  • Marcio Seixas  22/10/2015 12:53
    Eu??? Não. Não tenho nenhum Blog não. Esse resultado já era esperado por todo mercado, da mesma maneira que o custo de produção em dólares diminuiu, pela redução de custos da empresa, como desativação de Minas menos produtivas e desvalorização do dólar, pois a maior parte dos custos estão em reais, apesar da dívida em dólar.

    O próprio presidente um tempo atrás falou que a empresa não fazia hedge, pois tanto as receitas como despesas eram em dólar.

    O que impacta realmente no resultado de longo prazo é o preço do minério, onde minha opinião diverge dos autores do site. São várias variáveis que impactam, e não apenas a variação do dólar frente a uma cesta de moedas para determinação dos preços das commodities. Sempre achei que as grandes mineradoras não deveriam ter seguido com o plano de dobrar a procução, pois isso afetaria os preços. A diminuição do crescimento chines em parte era previsível.

    Comparar apenas o ouro com o dólar não mostra uma relação de causa e efeito entre dólar e preço de commodities. Os choques do Petróleo, queda na produção agrícola, são indícios do contrário.

    Ou seja, outros fatores de oferta ou demanda afetam os preços também.

  • Marcio Seixas  22/10/2015 14:55
    A queda do preço das comodities no mercado internacional leva a desvalorização da moeda nos países exportadores dessas comodities. Isso é verdade em economias como o Brasil, Rússia, Canadá, Chile. Não deve -se inverter causa e efeito.
  • Leandro  22/10/2015 15:29
    Exato, não se deve inverter causa e efeito, como você está fazendo.

    O que gera a queda dos preços (em dólares) das commodities no mercado internacional? Por que é que, sempre que as commodities barateiam (em dólares), o preço do dólar (na outras moedas) está em alta?

    Por acaso, uma menor demanda por minério de ferro pela China faria o dólar disparar perante todas as outras moedas do mundo? Por quê?

    Na prática, você está dizendo que uma queda do preço do tomate (seja devido a uma maior safra ou devido a uma queda na demanda) gera uma apreciação generalizada do real.

    Commodities são precificadas em dólar. Sendo assim, o que determina os preços das commodities é a robustez do dólar. Se o dólar está fraco, as commodities encarecem (em dólar). Vide os preços recordes (em dólar) do petróleo, do minério e do ouro em 2008 e 2011. Se o dólar está forte, as commodities barateiam (em dólar). Vide os preços baixos atuais (em dólar) do petróleo, do minério e do ouro.

    Isso é economia básica: se a moeda se fortalece, os preços dos bens cotados nesta moeda têm de cair (caso contrário, e por definição, a moeda não teria se fortalecido).

    Agora, por mim, você é livre para pensar como quiser. Nada tenho a ver com isso. Apenas sugeriria não fazer investimentos vultosos tendo isso como base. Na próxima vez, ao ver uma eventual disparada dos preços do minério e do petróleo, cheque como está se comportando o dólar perante as outras moedas. Caso ele esteja fraco (e vai estar), fazer investimentos em expansão da produção imaginando que este encarecimento é causado por um aumento da demanda (e não pelo dólar fraco) é a receita certa para prejuízos futuros.
  • Thiago Teixeira  22/10/2015 19:24
    Leandro, essa discussão vai na linha do que a gente estava conversando outro dia.

    Você poderia passar aqui uma lista de links que voce recomenda?
    Será que merece um novo artigo?

    Ah, voce dá a mão, e eu puxo o pé, hehehe, reitero o pedido de artigos sobre:
    1) Weighted Trade Dolar Index
    2) SDR-FMI
    3) Novo Dinar (e mercado de ouro em geral no Oriente Médio)
    4) Movimentos geopolítico-monetários da China (especialmente relacionados ao 2 e ao ouro).
  • Marcio Seixas  22/10/2015 16:58
    Blz. Cada um tem uma opnião só não mude meu argumentos.
    1-
    " O que gera a queda dos preços (em dólares) das commodities no mercado internacional?"

    Excesso de demanda de minerio de ferro pela China nos ultimos anos.


    Excesso de oferta dos produtores de minerio de ferro atualmente. No proprio post seu mostra que a Vale aumentou a produção, mesmo com a queda nos preços em dólares.

    2- Por acaso, uma menor demanda por minério de ferro pela China faria o dólar disparar perante todas as outras moedas do mundo? Por quê?

    Na verdade cada país reage de maneira diferente. A queda do minerio afeta mais diretamente o Brasil e a Austrália. A do Cobre o Chile. A queda do preço do Petróleo o Canadá e Russia.

    3- Na prática, você está dizendo que uma queda do preço do tomate (seja devido a uma maior safra ou devido a uma queda na demanda) gera uma apreciação generalizada do real.

    O tomate não é uma comodittie exportada pelo Brasil. Ela não influencia a Balança de Pagamento Brasileira. Em nenhum momento falei isso. Se fosse a soja influenciaria.

    4- Isso é economia básica: se a moeda se fortalece, os preços dos bens cotados nesta moeda têm de cair (caso contrário, e por definição, a moeda não teria se fortalecido).

    Se a moeda de um país se valoriza, ceteribus paris, suas exportações em moeda local se tornam mais caras e as importações mais baratas. Essa valorização poderia ocorrer pela entrada de divisas pela conta capital do BP, para aproveitar altas taxas de juros, como ocorreu com o Brasil.

    Isso é economia básica: se a moeda se fortalece, os preços dos bens cotados nesta moeda têm de cair (caso contrário, e por definição, a moeda não teria se fortalecido).

    Não conheço essa afirmação dos livros básicos de economia. Gostaria de ler algo a respeito. Se vc puder indicar eu agradeço.






    6- Agora, por mim, você é livre para pensar como quiser. Nada tenho a ver com isso. Apenas sugeriria não fazer investimentos vultosos tendo isso como base. Na próxima vez, ao ver uma eventual disparada dos preços do minério e do petróleo, cheque como está se comportando o dólar perante as outras moedas. Caso ele esteja fraco (e vai estar), fazer investimentos em expansão da produção imaginando que este encarecimento é causado por um aumento da demanda (e não pelo dólar fraco) é a receita certa para prejuízos futuros.




    Quando os preços das comoditties dispararem, vc pode olhar para essas economias que dependem dos dolares dessas exportações para financiar o Balanço de Pagamentos e ver que suas moedas ceteribus paris valorizaram. E quando o preço das commoditties cair, ceteribus paris, que sua moeda desvalorizou.

    As exportadoras, como BRF, SUZANO, Fibria estão aumentando as exportações. Aumento de investimentos tem outras variaveis envolvidas.


    De todo jeito.

    Valeu! Um Abraço
  • Lamartine  22/10/2015 17:37
    "Excesso de oferta dos produtores de minerio de ferro atualmente."

    Tipo assim, o minério de ferro estava alto até meados de 2014. A partir de então, começou a cair. Você está me dizendo que, repentinamente, os produtores ficaram loucos e entupiram o mundo de minério? E continuam fazendo isso até hoje?

    Me desculpe mas não faz sentido. A teoria de que é o dólar que determina o preço (teoria que eu desconheci) faz bem mais sentido. Afinal, todas as commodities começaram a baratear em dólares ao mesmo tempo em 2014: ouro, minério, petróleo, soja, trigo, milho, café. Falar que toda essa coincidência foi causada pela China e por um repentino excesso de oferta? Desculpe, mas não faz sentido.

    Pra mim, as ameaças do Fed de elevar os juros e o renascimento da economia americana (ambos positivos para a força do dólar) fazem muito sentido.

    "O tomate não é uma comodittie exportada pelo Brasil. Ela não influencia a Balança de Pagamento Brasileira. Em nenhum momento falei isso. Se fosse a soja influenciaria. [...]Quando os preços das comoditties dispararem, vc pode olhar para essas economias que dependem dos dolares dessas exportações para financiar o Balanço de Pagamentos e ver que suas moedas ceteribus paris valorizaram. E quando o preço das commoditties cair, ceteribus paris, que sua moeda desvalorizou."

    Você está dizendo que o que determina o câmbio são as exportações? Não faz sentido. E o poder de compra das moedas?
  • Leandro  22/10/2015 17:42
    Sobre acreditar que a balança comercial ou o balanço de pagamentos determinam o câmbio, eu compreendo a posição dele. É isso que foi ensinado na faculdade de economia. Lá se aprende que o que determina a taxa de câmbio é o saldo da balança comercial. Quanto mais o país exporta e quanto menos ele importa, mais valorizado será o câmbio.

    Desnecessário dizer que essa teoria é completamente estapafúrdia: se ela fosse verdadeira, todos os países da África, que quase nada importam, teriam moedas absurdamente valorizadas. A Venezuela, então, que exporta muito petróleo e não importa quase nada (pois o governo restringe), teria uma moeda que seria um portento. Aliás, o próprio dólar (os EUA importam muito mais do exportam, e têm déficits comerciais seguidos desde a década de 1970) estaria hoje esfrangalhado.

    O que determina a taxa de câmbio é o poder de compra entre as moedas, e não saldos de balança comercial. Agora, se o Márcio quer acreditar na tese da balança comercial, não é por mim.
  • Marcio Seixas  22/10/2015 19:08
    O que determina a taxa de cambio é o Balanco de Pagamentos= balanca do conta corrente + balanco da conta capital. A gente aprende na faculdade, nos livros de economia básica. Eu concordo com os livros.

    Em nenhum momento eu defendi que era a balança comercial. Ela apenas influencia.

    Lamartine

    O preço do Minerio vem caindo desde 2012. Nao 2014 como vc colocou. Atingiu o pico em 2010. Segue o link.

    www.opequenoinvestidor.com.br/2015/01/vale-tem-sofrido-preo-minerio-ferro/

    O fato de o FEd aumente os juros afeta a conta capital do balanço de pagamentos. Isso afeta o cambio tambem.


    A falta de produtos na Venezuela pode ser explicado em parte pela queda dos precos do Petroleo. Se mantiveram os volumes e os preços cairam 50%, ceteribus paris, só terão dólares para importar metade do que importavam antes.

    Eu não tenho informações da Africa para discutir.

    Valeu!
  • Leandro  22/10/2015 19:12
    "O que determina a taxa de cambio é o Balanco de Pagamentos"

    Bom, eu tentei. Nada mais posso fazer. E nem quero. Cada um que acredite em seus duendes.

    "O preço do Minerio vem caindo desde 2012."

    Correto. Exatamente quando o dólar começou a se fortalecer (mais precisamente, a partir de agosto de 2011).

    [link]research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=2dCx[link]

    Abraços.
  • Marcio Seixas  29/10/2015 16:09
    " Isso é economia básica: se a moeda se fortalece, os preços dos bens cotados nesta moeda têm de cair (caso contrário, e por definição, a moeda não teria se fortalecido)."


    Você tá confundindo moeda forte com moeda valorizda. O real nunca foi uma moeda forte. O dólar é uma moeda forte, pois é utilizada como reserva de valor, por diversos países, como China, Japão....

    Ó dólar valorizava, desvaloriza, e continua sendo uma moeda forte. O real não. Por mais que ele valorize, ele nunca foi e nunca será uma moeda forte. É mais provável que o yuan se torne uma moeda forte do que qualquer outra moeda da América Latina.


    Se a moeda se valoriza, os bens importados cotados nessa moeda caem, e os bens exportados aumentam em dólar (moeda forte).


    Os EUA podem ter eternos deficits no conta corrente porque os déficits são em dólares. Isso faz toda a diferença. Se tivessemos deficit em reais, acredito que não teríamos problemas e não sofreríamos com as crises cíclicas na nossa balança de pagamento.


    Agora , se vc não concordo com um modelo do Balanço de Pagamento , internacionalmente aceito, vá em um congresso e defenda suas idéias. Pois senão vc que estará acreditando em duentes. Os modelos podem ser mudados, mas há necessidade de teorias consistentes para isso.

    Valeu!

    Abraço
  • Leandro  29/10/2015 19:25
    "Você tá confundindo moeda forte com moeda valorizda. O real nunca foi uma moeda forte. O dólar é uma moeda forte, pois é utilizada como reserva de valor, por diversos países, como China, Japão.... Ó dólar valorizava, desvaloriza, e continua sendo uma moeda forte. O real não. Por mais que ele valorize, ele nunca foi e nunca será uma moeda forte. É mais provável que o yuan se torne uma moeda forte do que qualquer outra moeda da América Latina."

    E você está confundindo moeda forte com moeda internacional de troca. O franco suíço é moeda forte. O marco alemão, quando existia, era ainda mais forte que as duas. E nenhum deles foi moeda internacional de troca.

    O dólar se tornou moeda internacional de troca por causa de um acordo estritamente político ocorrido em Bretton Woods. E se manteve assim em decorrência deste acordo, não obstante outras moedas -- como franco suíço, marco alemão e iene -- terem se valorizado, e muito, em relação ao dólar no período 1971-1999 (marco alemão) e 1971-2004 (franco suíço e iene).

    Moeda forte é aquela que se valoriza constantemente perante todas as outras, e cuja perda do poder de compra é baixa. Essa é a definição de moeda forte. Não tem nada a ver, a princípio, com ser reserva internacional.

    O real foi forte quando estava atrelado ao dólar. Neste período, sua perda de poder de compra foi muito baixa. Ele inclusive chegou a se manter estável em relação ao franco suíço por um bom período de tempo. Essa é a definição de moeda forte.

    Já o dólar está forte hoje, mas foi fraco na década de 2000 e também na década de 1970, não obstante fosse moeda internacional de reserva.

    "Os EUA podem ter eternos deficits no conta corrente porque os déficits são em dólares. Isso faz toda a diferença. Se tivessemos deficit em reais, acredito que não teríamos problemas e não sofreríamos com as crises cíclicas na nossa balança de pagamento."

    Entendi. Segundo você, déficits no setor externo são o que definem a força da moeda, mas os eternos déficits externos dos EUA em nada impactam a sua moeda, pois essa moeda é o dólar, e o dólar opera em um universo único, totalmente blindado das leis da economia.

    Nada entendi sobre sua colocação a respeito do real, e muito menos sobre nossas "crises cíclicas na nossa balança de pagamento". Qual foi a última? (Lembrando que nem mesmo em 1999 houve qualquer tipo de crise no balanço de pagamento).

    "Agora , se vc não concordo com um modelo do Balanço de Pagamento , internacionalmente aceito, vá em um congresso e defenda suas idéias. Pois senão vc que estará acreditando em duentes. Os modelos podem ser mudados, mas há necessidade de teorias consistentes para isso."

    Na verdade, é justamente quem defende que o que determina a força de uma moeda é o saldo das contas externas é que tem de apresentar suas teorias, pois a própria empiria está contra.

    Nem vou citar os EUA (que não sabem o que é um saldo nas contas externas desde 1971), pois isso já virou clichê. Vou citar apenas Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelandia. Estes países têm setores externos deficitários há 40 anos e suas moedas são fortes. Pela sua teoria, era para a moeda deles estar esfaceladas -- que moeda iria resistir a déficits externos por 40 anos?

    Quem, afinal, acredita em "duentes" (seja lá o que significa essa palavra)?
  • Marcio Seixas  30/10/2015 01:01
    1- Pela sua definição de moeda forte:" Moeda forte é aquela que se valoriza constantemente perante todas as outras, e cuja perda do poder de compra é baixa. Essa é a definição de moeda forte. Não tem nada a ver, a princípio, com ser reserva internacional."


    Por essa definição nem o dólar seria forte, pois ele tanto valoriza como desvaloriza. Desconheço uma moeda que se valoririsse constantemente. Se vc conhecer, pode informar. Acredito que a diferença de inflação entre os países influenciem bastante o cambio também.

    O Euro foi uma tentativa da união européia de criar uma moeda forte para se contrapor ao dólar. Essas moedas eram fortes, Marco Alemão e o Franco Suíco e não por coincidencia essas são as maiores economias exportadoras da região. Mas se vc acredita que a força dessas moedas era próximo ao do dólar, eu respeito, mas discordo. Elas eram fortes, mas não se comparavam ao dólar.


    2-" O dólar se tornou moeda internacional de troca por causa de um acordo estritamente político ocorrido em Bretton Woods."

    O dólar substitui a Libra Esterlina como moeda de troca muito antes de Bretton Woods.


    3- Realemente procurei uma definição de moeda forte e não encontrei. Mas essa definição de que sempre valoriza não parece minimamente correta. O Euro é uma moeda forte. Inicialmente valorizou frente ao dólar, e agora está desvalorizando. Na minha opinião não deixa de ser forte.

    Agora o Real, o Peso Argentino, essas nunca foram fortes. Não concordamos com isso. Estavam apenas valorizadas . No caso brasileiro, devido as altas taxas de juros internas até 1998, quando o Brasil enfrentou uma crise no seu balanço de pagamentos e o governo foi obrigado a desvalorizar a moeda. E o aumento do preço das comoditties, que por volta de 2000 começaram a subir e contribuiram para a valorização do real.

    4-" Entendi. Segundo você, déficits no setor externo são o que definem a força da moeda, mas os eternos déficits externos dos EUA em nada impactam a sua moeda, pois essa moeda é o dólar, e o dólar opera em um universo único, totalmente blindado das leis da economia."

    Em nenhum momento eu disse isso. Falei justamente o contrário. Que o dólar, por ser uma moeda forte, é exceção. As moedas fracas, como o peso argentino e real brasileiro para ter constantes deficits na conta corrente da balança de pagamentos, precisam de dólares que entram pela conta capital para fechar o balanço´de pagamentos. Caso parem de entrar dólares pela conta capital, a moeda se desvaloriza. Isso aconteceu várias vezes.

    Crises nos preços da comodities também provocam desvalorização da moeda. Veja no caso brasileiros as crises com os preços do Café. NO caso russo, a queda do rublo devido a desvalorização do Petróleo. A moeda do Canadá, que vc falou que é forte. Sofreu grande desvalorização devido a queda do preço do petróleo.


    5- Resumindo

    Eu acredito que a balança de pagamentos determina a valorização ou desvalorização da moeda. vc acredita que as moedas valorizam ou desvalorizam por serem fortes ou fracas. É isso? E eu acredito em duentes?

    Porque o dólar é uma moeda forte seria outra discussão. Isso se vc concordar que o dólar é uma moeda forte. Mas falar que o real era uma moeda forte, ou o peso argentino. Eu não concordo. O dólar canadense eu concorda, apesar da desvalorização que sofreu devido a queda do preço do petróleo.

    Valeu!

    Abraço



  • Marcio Seixas  30/10/2015 01:53
    Mesmo os EUA, o déficit do c/c do balanço de pagamentos é financiado em parte pelo compra de títulos públicos principalmente pelo governo chinês e japonês. Com certeza, sem essa entrada de recursos pela conta capital, provalvelmente e os norte-americanos teriam problemas no BP, mesmo que os deficits sejam em dólares. Mas muito menores que outros países, como o Brasil.
  • Marcio Seixas  31/10/2015 22:31
    " Nem vou citar os EUA (que não sabem o que é um saldo nas contas externas desde 1971), pois isso já virou clichê. Vou citar apenas Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelandia. Estes países têm setores externos deficitários há 40 anos e suas moedas são fortes. Pela sua teoria, era para a moeda deles estar esfaceladas -- que moeda iria resistir a déficits externos por 40 anos?"


    Em nenhum momento eu falei que não era possível ter deficit no conta corrente durante muitos anos sem ter desvalorização da moeda. Fazem décadas que o Brasil tem deficit no conta corrente e a moeda desvalorizou em apenas alguns momentos.


    O que afirmo, e que está nos livros, é o que o deficit em conta corrente precisa ser financiado pelo entrada de recursos pela conta capital, para zerar a balança. Isso é valido no Brasil, com investimentos diretos, "investimentos em títulos do governo ou no mercado de ações. Além das utilização das reservas do BC.

    Isso é valido nos EUA, com os investimentos gigantescos dos governos chineses e japoneses, além de outros investidores, que utilizam o dólar como reserva de valor, e aplicam nos títulos do governo americano, além das compras de ações, empréstimos ou outros recursos que transitam pela conta capital.

    A Inglaterra, apesar de não conhecer em detalhes, deve ter uma conta de capital superavitaria, que financia seus debitos do conta corrente, tendo em vista ser o principal centro financeiro da Europa.

    A Australia eu não conheço, mas deve ter superavit na conta capital.

    Se vc mostrar que esses países tem também deficit na conta capital, abandono minhas teorias. E passo a desconsiderar o modelo do balanço de pagamentos determinando a taxa de câmbio.

    Valeu!

    Abraço
  • Alfredo Marques  20/11/2015 21:37
    "O que afirmo, e que está nos livros, é o que o deficit em conta corrente precisa ser financiado pelo entrada de recursos pela conta capital, para zerar a balança. Isso é valido no Brasil, com investimentos diretos, "investimentos em títulos do governo ou no mercado de ações. Além das utilização das reservas do BC.

    [...]

    Se vc mostrar que esses países tem também deficit na conta capital, abandono minhas teorias. E passo a desconsiderar o modelo do balanço de pagamentos determinando a taxa de câmbio."


    Ué, aí lascou tudo.

    Todos os países do mundo (todos!) recorrem aos quesitos que você citou -- principalmente à "utilização das reservas do BC" e ao aumento dos juros para atrair investimentos em títulos do governo -- para fechar o balanco de pagamento.

    Consequentemente, todos eles apresentam um balanço de pagamentos zerado. Não há nem déficits e nem superávits no balanço de pagamentos.

    Apresente-me uma lista de países com déficits no balanço de pagamento. Pode procurar, você não vai encontrar.

    Logo, se a sua definição de moeda forte está ligada ao balanço de pagamentos, então as taxas de câmbio de todas as moedas deveriam se manter absolutamente inalteradas, pois o balanço de pagamento de todos os países é, por definição, zero. Sempre.
  • Observador  03/11/2015 22:24
    Marcio Seixas disse que a desvalorização cambial seria boa para as montadoras.

    Leandro disse que seriam ruins.

    O que mostra a realidade:

    Venda de veículos cai 37,4% ante outubro de 2014, diz Fenabrave

    Foram emplacados 192.165 unidades, contra 306.839 no ano passado.

    "Já no acumulado do ano, a retração do mercado foi de 24,25%. Nos dez primeiros meses deste ano, foram vendidos 2.146.069 carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, contra 2.833.168, no mesmo período de 2014.

    "Os emplacamentos retrocederam quase uma década em termos de volume, e a situação preocupa concessionários de todos os segmentos automotivos, que estão tendo dificuldade em manter os resultados de suas empresas, o que impacta, negativamente, nos empregos", declarou Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave."
  • Marcio Seixas  04/11/2015 14:06
    ....rs

    Vc t confundindo as coisas. A desvalorização cambial aumenta as exportações. Em nenhum momento eu disse que a desvalorização do real aumenta as vendas no mercado interno.

    Valeu!

  • Observador  04/11/2015 16:47
    Márcio Seixas disse que a desvalorização cambial seria positivo para as indústrias.

    Leandro disse que seria ruim.

    O que mostra a realidade?

    Produção industrial tem queda de 10,9%, a maior baixa desde 2009

    A produção industrial caiu 1,3% em setembro ante agosto, a maior baixa para o mês desde o início da série histporica, em 2002, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a setembro de 2014, a produção teve 19º recuo seguido, de 10,9%, o maior neste tipo de comparação desde abril de 2009 (-14,1%).
    O recuo de 1,3% em setembro foi o quarto resultado negativo consecutivo, período em que acumulou uma perda de 4,8%. No ano, a produção da indústria acumula queda de 7,4%. Em 12 meses, houve recuo de 6,5%.

    No fechamento do terceiro trimestre de 2015, a indústria registrou uma perda de 9,5%, em relação a igual período do ano anterior. Foi a sexta taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto e a queda mais acentuada desde o segundo trimestre de 2009 (-11,9%)
  • Observador  05/11/2015 11:41
    Marcio Seixas disse que o que determina o câmbio é o fluxo de dólares.

    Leandro disse que é o poder de compra entre as moedas.

    O que diz a realidade?

    Fluxo cambial fica negativo em US$ 3,5 bilhões em outubro.
    Mas o dólar se desvaloriza perante o real.

    Já de janeiro a outubro, saldo do fluxo cambial está positivo em US$ 7,665 bilhões.
    Mas o dólar se valoriza perante o real.

    www.ebc.com.br/noticias/economia/2015/11/saidas-de-dolares-do-pais-superam-entradas-em-us-35-bilhoes-em-outubro

    Ou seja, o mundo funciona ao contrário da teoria do Márcio.
  • Observador  07/01/2016 12:46
    Entrada de dólares no País em 2015 supera saída em US$ 9,4 bi

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,entrada-de-dolares-no-pais-em-2015-supera-saida-em-us-9-4-bi,10000006314

    Ao mesmo tempo, o câmbio foi de R$2,50 pra quase R$ 4.

    "Economistas", como esse Márcio Seixas, que dizem que o que determina a taxa de câmbio é o fluxo de dólares têm novas explicações a dar.
  • anônimo  05/11/2015 15:44
    Opa, bom dia/ boa tarde/boa noite(seja lá que horas estejam lendo isso hehe)

    Como explicar o crescimento indiano se a moeda deles vem se desvalorizando desde os anos 70?

    Concordo que a saúde da moeda é um dos fatores chaves para o crescimento, mas não entendo como um país que nunca teve uma moeda forte ou sequer mesmo estável pode crescer a taxas tão robustas(mesmo com a política expansionista e maquiagem de dados...)
    -------------------------------------------------------------------------------------------

    Outra coisa que eu não absorvi muito bem foi o conceito de moeda forte.

    Aqui se fala muito em Iene, Dólar de Hong Kong como moedas fortes. Ok, vemos que nesses países a inflação é baixíssima. Mas e o câmbio dessas moedas? É tão atraente assim uma moeda que não vale nem um centavo de dólar? (1 Iene +ou- 0,008 Dolar). Sinceramente, como brasileiros, deveríamos invejar o Iene?

    Por que o Dinar Kuwaitiano, por exemplo, não é citado aqui(nem em lugar algum pra falar a verdade) mesmo valendo US$ 3,29? Na minha visão, como leigo, isso sim seria uma moeda invejável.

    E o Dólar de Hong Kong que foi ''desvalorizado''(goo.gl/reOk6y) para US$ 7,75 com o Currency Board. Eu pensava que um bom Currency Board tinha que ser de paridade 1 pra 1(como a Argentina).
    ---------------------------------------------------------------------------------------------

    Vejam bem, não estou criticando os escritores aqui do Mises(os quais eu gosto muito de ler seus textos), só fiquei um pouco confuso em relação a alguns pontos. Abraços!
  • Leandro  05/11/2015 16:26
    "E o Dólar de Hong Kong que foi ''desvalorizado''(goo.gl/reOk6y) para US$ 7,75 com o Currency Board. Eu pensava que um bom Currency Board tinha que ser de paridade 1 pra 1(como a Argentina)."

    Outro erro amador. Não houve desvalorização nenhuma. Quando o Currency Board foi adotado, a taxa cambial no dia da adoção era justamente essa. A literatura do Currency Board é explícita: ao adotá-lo, deve-se fixar a taxa vigente no dia.

    Para se ter a paridade de 1 para 1 -- que serve apenas para a mera conveniência de se facilitar os cálculos -- é necessário trocar a moeda. Por exemplo, se Hong Kong quisesse ter uma paridade de 1 para 1 com o dólar americano, eles teriam de converter o dólar de Hong Kong para uma nova moeda criada para esse propósito a uma taxa de 7,75 para 1.

    Igualmente, se o Brasil for adotar hoje um Currency Board, ele não pode, do nada, estipular que 1 real vale 1 dólar (se você acha que é assim que funciona, você não sabe absolutamente nada de Currency Board). Ele tem duas opções:

    1) estipula que 1 dólar vale R$ 3,80; ou

    2) converte reais em uma nova moeda a uma taxa de 3,80. Aí, sim, esta nova moeda fica com a paridade de 1 para 1 com relação ao dólar.

    "Vejam bem, não estou criticando os escritores aqui do Mises(os quais eu gosto muito de ler seus textos), só fiquei um pouco confuso em relação a alguns pontos. Abraços!"

    Sugiro este artigo. Abraços!

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196
  • anônimo  06/11/2015 15:35
    Desconhecia esta regra da taxa cambial vigente antes de se implantar um CB. Pensava que a paridade poderia ser estabelecida na razão entre a base monetária e o ativo que servirá de lastro. (Ex: US$ 50 bilhões de reservas para lastrear R$ 100 bilhões, então a paridade seria R$ 1 = US$ 0,50). Viajei legal mesmo... (Plano cruzado está aí para explicar o porque isso não daria certo, hehe)

    Opa! Valeu pela sugestão. Abraços.


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