As diferenças entre os serviços de saúde da Alemanha e do Canadá

Há pouco tempo, o think tank canadense Fraser Institute divulgou um estudo que compara os sistemas de saúde canadense e alemão.

Ambos são universais na sua cobertura, porém divergem em um aspecto fundamental: enquanto o canadense é totalmente financiado pelo governo, o alemão possui um financiamento misto, baseando-se em um sistema de seguro obrigatório.

O estudo é claro: o sistema alemão tem menos tempo de espera que o canadense apesar de ter um gasto com saúde em relação ao PIB menor do que o deste último (9,8% na Alemanha contra 12,5% no Canadá).

Em geral, ambos os países apresentaram números aproximadamente semelhantes de médicos (3 por 1.000 habitantes na Alemanha versus 2,6 no Canadá) e de enfermeiros (9,3 por 1.000 habitantes na Alemanha versus 10,3 no Canadá), de máquinas de tomografia (14,5 por 1 milhão de habitantes na Alemanha versus 15,2 no Canadá) e de ressonância magnética (8 por 1 milhão de habitantes na Alemanha versus 8,8 no Canadá).  Em termos de leitos hospitalares, a vantagem da Alemanha já começa a aparecer (4,8 versus 2).

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Esses números me estimularam a escrever esse artigo para apresentar um breve histórico sobre a saúde pública universal no Canadá e na Alemanha, com as particularidades de ambos os sistemas, salientando como cada um funciona — ou não funciona! — e por que isso ocorre.

História

O sistema de saúde alemão é apontado como o mais antigo do mundo com caráter universal. Desde o começo do século XIX, alguns estados que hoje compõem a Alemanha começaram a adotar sistemas públicos. No entanto, o grande salto foi dado a partir de 1883 por Otto von Bismarck, chanceler da Prússia e depois da Alemanha, de 1862 a 1890.

Entre 1883 e 1889, Bismarck fez passar no parlamento alemão um conjunto de legislações trabalhistas que incluíam, além do sistema público de saúde (então para trabalhadores de baixa renda), a aposentadoria para idosos, seguro para acidentes de trabalho e seguro-desemprego.

Já no Canadá, a província de Saskatchewan foi a primeira a implementar um sistema universal de saúde, em 1946.  Foi seguida pela província de Alberta, em 1950.  Em 1957, o governo federal aprovou um ato legislativo em que se responsabilizaria pelo financiamento de 50% de programas de saúde instituídos por estas e outras províncias.

Na ocasião, foram estabelecidas 5 exigências: administração pública, abrangência, universalidade, portabilidade e acessibilidade, que se constituíram como os pilares do Ato de Saúde Canadense, aprovado em 1984. Este ato proibiu que os pacientes fossem diretamente cobrados pelos serviços médicos fornecidos, levando, na prática, à socialização da medicina no país.

Seguro obrigatório versus modelo de pagador único

A maior parte dos sistemas europeus — e este é o caso da Alemanha —  é financiada por meio de um fundo misto, público e privado.

O modelo adotado pelos alemães, em especial, é denominado de seguro obrigatório. A legislação obriga os cidadãos a adquirirem um seguro-saúde; porém, em alguns pouquíssimos casos, é o próprio governo quem fornece esse seguro — por meio da redistribuição de renda, obviamente.

De qualquer maneira, 87,5% das pessoas são cobertas por um seguro-saúde público, enquanto 12,5% recorrem ao setor privado. Os assalariados devem ter, no mínimo, o seguro público. Para adquirem direito ao privado, os alemães assalariados devem ser funcionários públicos (!), autônomos ou ganhar acima de 50 mil euros por ano.

Depois de passarem para o sistema privado, não é mais possível retornar ao sistema público. Nesse modelo, os assalariados contribuem mensalmente com uma porcentagem do seu salário.  É dito que uma parte é paga pelo empregador e outra pelo empregado, mas isso é um mero eufemismo para descrever essa situação.

No caso do Canadá, país em que o financiamento para a saúde advém em geral dos impostos, há o modelo de pagador único. No Canadá, os hospitais são particulares — ou seja, não são instituições públicas —, porém seus profissionais são pagos indiretamente, em sua maioria pelo governo.  A população é coberta pelo Medicare, que é o maior programa de saúde do governo, embora existam outros. Menos de 30% dos serviços de saúde são financiados particularmente, por não serem cobertos pelo Medicare. Em geral são serviços odontológicos, cirurgias cosméticas, medicações e serviços de optometria.

Por volta de 75% da população é duplamente segurada: além do Medicare governamental, há também os seguros particulares oferecidos principalmente por suas empresas — no entanto, não há um sistema próprio de fornecimento de saúde; trata-se apenas de outra maneira de os médicos receberem. Estes cobrem alguns dos serviços não cobertos pelo Medicare.

E, apenas para citar algumas inconsistências da suposta "universalidade", há também instituições particulares que podem comprar acesso prioritário aos serviços de saúde

Políticas de saúde pública

Ao analisarmos as políticas públicas de saúde na Alemanha e no Canadá, é possível notar que ambas seguem óticas distintas.

A primeira é orientada na concepção de von Bismarck, denominada bismarckiana, enquanto a segunda é conhecida como modelo beveridgiano. A diferença entre essas duas concepções pode ser observada no caráter, na forma de contribuição e no financiamento desses sistemas.

No primeiro modelo, temos uma contribuição individual.  Neste modelo, aqueles que não podem contribuir acabam sem o benefício (e a estes resta o apoio da família, da igreja e outros tipos de caridade) ou recorrem a alguns programas governamentais paliativos.

Já o modelo beveridgiano, por outro lado, não exige contribuição individual anterior para a obtenção do benefício básico, bastando que a pessoa seja um cidadão do país que adote este modelo. Seu financiamento se dá por tributos gerais e incorpora, portanto, mecanismos redistributivos.

Recentemente, um artigo analisou 34 países do ponto de vista de seu desempenho no ranking de consumo de saúde (dados de 2010) e observou que os países que apresentam o sistema "bismarckiano" se saem muito melhor do que os que são organizados pelo modelo de Beveridge.

E por que isso ocorre?

O sistema bismarckiano ao menos permite concorrência entre os fornecedores de seguros.  Consequentemente, os países que adotam esse modelo tendem a ter um desempenho ainda melhor quando o fornecimento de saúde está organizado de forma independente do fornecimento do seguro para o seu financiamento — ou seja, quando serviços médicos e serviços de planos de saúde não estão arranjados sob a mesma regulamentação.

Isso explica também por que os planos de saúde brasileiros funcionam bem pior do que os sistemas de seguro para outras eventualidades — como sinistro de automóveis, por exemplo.  Na segunda situação, o paciente procura o profissional de sua escolha e é reembolsado após o acionamento do serviço.

A livre escolha do serviço de saúde permite um funcionamento mais próximo do nosso modelo ideal de livre mercado, arranjo no qual a competitividade é fundamental para garantir a qualidade da prestação do serviço e a redução dos custos.

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Já o modelo beveridgiano, cujo exemplo é o Canadá, além do nosso SUS, não permite que haja escolha entre os seguradores e tende a criar ineficiência, burocracia sem limites e um serviço que geralmente não atende às necessidades do usuário.

No caso do SUS, a situação é ainda pior que a do Canadá, pois o fornecimento da saúde é também estatal, com hospitais do governo e médicos contratados como funcionários públicos.

O país com a melhor avaliação de sistema de saúde, por vários anos seguidos, é a Holanda.  De um lado, o governo holandês obriga todas as pessoas a comprar um pacote mínimo de saúde de seguradoras particulares.  O fato de o serviço ser de aquisição compulsória é um arranjo corporativista que faz a alegria dessas empresas privadas.  No entanto, tal arranjo ao menos é melhor do que a estatização completa do serviço.  No caso holandês, as seguradoras privadas competem entre si por consumidores por meio da oferta de preços e serviços.

Do lado negativo, as seguradoras não podem discriminar entre usuários, ou seja, elas são proibidas de taxar usuários de forma diferenciada, de acordo com seus critérios, ou mesmo de rejeitá-los.  Além disso, aqueles que não podem pagar o valor do prêmio recebem subsídios.

Do lado positivo, os políticos e burocratas ficam longe das decisões operacionais de saúde no país, o que sem dúvida é uma importante razão para a Holanda despontar no ranking.

Conclusão

Quanto mais próximo do livre mercado está um serviço qualquer, melhor será o seu funcionamento e seu desempenho.  

O sistema alemão, que combina competição entre seguradoras privadas, contribuição individual e livre escolha do consumidor — e que, como mostra o ranking, está atrás apenas do holandês — tem realmente um melhor desempenho em relação ao canadense, que é bem mais estatizado.

Isso é refletido nas porcentagens de espera no pronto-socorro e de espera por atendimento: 4% dos pacientes alemães esperam mais de 4 horas por atendimento contra 31% dos canadenses.

Na Alemanha, a espera por cirurgia eletiva raramente ultrapassa 4 meses; no Canadá, esse mesmo tempo de espera afeta 25% dos pacientes.  Além disso, 7% dos alemães esperam mais de 2 meses para agendar uma consulta com um especialista.  No Canadá, essa porcentagem salta para 41%.

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SOBRE O AUTOR

Tatiana Villas Boas Gabbi
é médica, dermatologista, libertária e defensora radical do livre mercado.



"Por exemplo, o relativo à questão estrutural, que devido ao orçamento praticamente ser engessado pelos gastos com servidores, aposentados e pensionistas, tem-se muita dificuldade em fazer qualquer redução ou enxugamento da máquina estatal."

Na verdade, isso foi abordado no artigo.

O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

Agora que o crédito secou, a oferta monetária estancou e a economia degringolou (com o fechamento de várias empresas), o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.

"a partir de 2009, os estados puderam voltar a se endividar. [...] Aí os estados passaram a se financiar, ou a financiar seus investimentos, através de endividamento e não de a partir de suas receitas. E mais com o dado de que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou (uma a uma) autorizações de crédito pra estados e municípios que tinham classificação de crédito C e D."

Como você corretamente colocou, os estados eram avalizados pelo governo federal. Eles só podiam pedir emprestado se o governo federal fosse o fiador do empréstimo.

Vale ressaltar que esses empréstimos aos estados são efetuados pelos bancos estatais (com a garantia do governo federal). E esse foi exatamente o tema do artigo.

Esses empréstimos dos bancos estatais direcionados aos governos estaduais também permitiram que eles inchassem suas folhas de pagamento, mas sem qualquer garantia de que as receitas futuras continuariam cobrindo esse aumento de gastos.

Como a realidade se encarregou de mostrar, isso não ocorreu.

No final, tudo passa pelos bancos estatais e sua expansão do crédito de acordo com critérios políticos.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!
Posso me meter nessa contenda.

Roberto, analisei o nexo temporal de necessidade x invenção dos medicamentos e diria que sim, Thiago está correto.

E pensando sobre isso, a necessidade antes da criação engloba tudo aquilo que escapa a ação humana e interfere em nossas vidas, como doenças, mudanças climáticas e a gênese química e biológica. Porém o cerne da Lei de Say não é o apriorismo da criação como antecedente da necessidade, mas sim de como o mercado valora a criação, e se por essa valoração intrínseca ela se perpetua ou não através do tempo. Mas vamos voltar ao exemplo do Thiago.

Por exemplo, se analisarmos técnicas de irrigação em uma biosfera árida, e existem centenas delas. A partir daqui conseguimos estabelecer o cenário de solo árido (criado por... enfim eu acredito em Deus, mas quem quiser acredite no ocaso), a necessidade subjetiva de irrigação para agricultura, e a ação humana, que irá mover recursos escassos para ali produzir, calculando custos e impondo preços, e em contrapartida novamente a ação humana, que irá verificar se esses custos são viáveis, comprando ou não os frutos daquela terra.

Com isso conseguimos estabelecer um nexo causal entre a necessidade primeira e a criação posterior, onde o agente primário criador daquele cenário árido não está entre nós. Não sabemos o por quê de ser árido. O criador desse quadro não o vendeu para nós, logo esse agente não busca o mesmo resultado que nós - o lucro. Só nós, o solo e a oportunidade subjetiva de aproveita-lo para produzir e prosperar.

O mesmo paralelo podemos estabelecer entre a doença e a medicina, onde nós somos o terreno criado pelo agente oculto, e neste terreno habitam doenças causadoras de distúrbios (também criadas pelo mesmo agente).

Apriorísticamente desde quando nascemos existe a necessidade primária de solução, ou o resultado é muitas vezes a morte. A partir dessas quase infinitas necessidades, profissionais de todas as partes do mundo criam desde os primórdios da nossa espécie técnicas e substâncias para, se não possível resolver, mitigar a necessidade trazendo conforto ao doente.

Nesse emaranhado de técnicas foram se perpetuando as mais eficientes E mais econômicas, tanto ao doente quanto ao profissional. Novamente conseguimos enxergar o nexo causal, onde a ação humana só existe após a doença, e com ela cessada, a ação humana também cessa. Sendo mais lúdico, remonto as palavras do Mestre: "Os sãos não precisam de médico".

Para concluir, os homens que estão a frente de seu tempo são aqueles que não somente criam antes da necessidade, basicamente inventando-a (afinal, quem diria como um Iphone é útil sem saber que ele existe?), mas aqueles que conseguem lidar com a necessidade criada pelo agente oculto de forma mais efetiva que seus pares, em menos tempo, e de forma mais econômica.

Obrigado por quem leu até aqui.
Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

E mais, eu disse:

''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
Essa a questão sobre ''a situação atual''.

Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
Obvio que não, independente de qualquer coisa....

Foi isso que eu quis passar....

tudo de bom e Grande Abraço!
Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

Eu quero.
Opa, eu também tenho correlações irrefutáveis!

tylervigen.com/images/spurious-correlations-share.png

i.imgur.com/OfQYQW8.png

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www.tylervigen.com/chart-pngs/10.png

i.imgur.com/xqOt9mP.png

Caso queira mais é só pedir!


P.S.: ah, só para você não mais ser flagrado como desinformado, os irmãos Koch financiam o Cato Institute, que é inimigo figadal do Mises Institute. Os Koch desprezam o Mises Institute e seus integrantes. E o Mises brasileiro sobrevive das doações de voluntários, como você. Faça a sua parte!

www.mises.org.br/Donate.aspx
Sim e não.

De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Dorival Hartung  25/01/2015 13:28
    Estou tentando encontrar os dados do Brasil mas até agora não obtive sucesso. Algum leitor tem conhecimento dos números à título de curiosidade mesmo.

    Obrigado
  • Felipe  25/01/2015 22:09
    www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php
  • Dorival Hartung  26/01/2015 11:58
    Obrigado Felipe.
  • Igor  30/01/2015 05:52
    Muito estranho um artigo publicado em jan 2015 com dados errados. World health organization > statistics 2014, pags 130 e132:Médicos por 1000 habitantes=> Brasil 1.9, Canadá 2.0, Alemnaha 3.8. Na pratica o Brasil tem a mesma proporção de médicos que o canadá e a alemanha tem o dobro. POr outro lado a qualidade de vida e de trabalho do profissionalm no brasil esta beirando zero, enquanto que no canadá e alemanha a nota seria bem alta. Conclusão imediata, reserva de mercado não é a solução. O problema é outro. Nota: nao esta no texto.... as medidas de abertura do setor saude privado para a imposição de serviços públicos - Iniciadas por Otto Bismark e seus posteriores, foram duramente criticadas pela ordem profissional. Os fatos ao redor do inicio da sapude publica da alemanha são bem descritos nesse livro www.amazon.com/R%C3%A9forme-syst%C3%A…/…/ref=sr_1_19… e o s dados estatísticos da World Health Organization se encontram aqui apps.who.int/…/bitstream/10665/112738/1/978924069267… ......
  • Igor  30/01/2015 06:10
    pags 130 e 132 apps.who.int/iris/bitstream/10665/112738/1/9789240692671_eng.pdf?ua=1
  • Cavalera  30/01/2015 11:01
    Em primeiro lugar, o estudo original é de maio de 2014 (e não de janeiro de 2015, como você disse), e a fonte contém dados de 2009.

    Ver página V do Exceutive Summary.

    No entanto, como você muito gentilmente mostrou, os números mais recentes são ainda mais desfavoráveis para o Canadá. Piorou tudo.

    Obrigado pela colaboração.
  • Matheus  17/05/2016 00:59
    aqui, qual e a fonte dessa imagem com a relaçao da qualidade da saude publica dos paises europeus?
  • Hume  25/01/2015 14:52
    Gostaria que o pessoal do Mises me explicasse como o sistema educacional alemão é tão bom sendo totalmente estatal.
  • Say  25/01/2015 15:12
    Totalmente estatal?! Ah, vá sacar pra cima de outros sites. Eu conheço as Ersatzschulen, e elas não têm nada de estatal.

    Outra coisa: por esse seu critério, "totalmente estatal" é também a educação no Brasil. Aqui, não apenas o estado fornece educação do maternal ao pós-doutorado, como ele também controla totalmente os currículos das escolas e universidades privadas. É o Ministério da Educação quem determina o que uma escola ou uma universidade privada podem ensinar. Nenhuma escola ou universidade privada pode ignorar o currículo do MEC, o que significa que o estado está no controle absoluto da educação do brasileiro.

    Sendo assim, inverto a pergunta: por que fracassamos se é o estado paizão quem cuida da nossa educação? Por que tiramos regularmente os últimos lugares nos rankings internacionais? Como você explica esse fracasso do estado brasileiro? Aliás, dado que já fazemos exatamente o que faz a Alemanha (dar escolas públicas), por que fracassamos?
  • Leandro  25/01/2015 15:33
    Vale lembrar que, dentre todos os serviços ofertados pelo estado, educação é o único que pode manter uma certa qualidade por um tempo mais prolongado (o que não significa que não haverá desperdícios, é claro, pois isso é inerente à atividade estatal).

    Por que a educação estatal é a única que pode manter sua qualidade por mais tempo? Porque "dar ensino", ao contrário de "dar saúde", é algo perfeitamente possível de ser feito no âmbito estatal -- afinal, basta colocar um sujeito pra falar.

    Já a saúde, por outro lado, é um setor que consome capital -- e, logo, precisa receber maciços investimentos em capital para constantemente repor o estoque que foi consumido. (Sobre a impossibilidade de o estado fornecer saúde de qualidade por muito tempo, veja este artigo.)

    Tal necessidade de reposição constante de capital não ocorre na educação -- a menos que consideremos a necessidade de repor quadro-negro e giz, coisas de custo ínfimo.

    Logo, dizer que é possível o estado ofertar educação de qualidade não é nenhuma afronta à lógica econômica; basta o estado contratar um sujeito inteligente e com boa didática para sair falando para seus alunos.

    Agora, se o estado realmente terá essa competência, aí já são outros quinhentos,
  • Recruta Zero  26/01/2015 17:04
    É importante lembrar que nesse modelo é o estado que também diz ao professor o que este deve ensinar aos alunos.

    Como não há incentivo para que o estado faça as escolhas certas de curriculo (aquelas que melhor maximizarão as oportunidades futuras pro aluno), entramos no mesmo problema da falta de qualidade da prestação de serviço estatal.

    Mesmo que (por pura sorte) contratem um sujeito eficiente na didática, o assunto ministrado dificilmente refletirá a realidade que o aluno enfrentará.

    É por isso que é frequente no Brasil essa sensação dos alunos de que perdem tempo nas escolas primaria e secundária, com assuntos inuteis. Apenas no nivel superior encontram um pouco mais de sentido no que estão estudando, pois são assuntos derivados do curso escolhido pelo aluno (dentre muitos outros cursos disponíveis). É no nível superior que sentem, mesmo que de leve, os frutos da liberdade de ao menos escolher o ramo geral que irão estudar.
  • Jeferson  27/01/2015 13:54
    Esse problema seria facilmente resolvido se o estado desse ao professor autonomia curricular, mas nenhum governante quer abrir mão de controlar o que as crianças e jovens podem ou não podem saber. Em especial os de esquerda, que sofrem de uma compulsão dominadora sem limites, e preferem advogar a educação totalmente "pública" simplesmente porque essa lhes serve perfeitamente de instrumento de doutrinação ideológica e imbecilização das gerações futuras, facilitando o domínio e controle dos governantes sobre seus povos. Isso não pode JAMAIS ser desprezado quando você pensa em educação estatizada. Não é à toa que a população da Europa, que sempre foi mais conservadora (à exceção da França), está cada vez mais esquerdista.
  • Eloy Seabra Jr  30/01/2015 12:04
    "Vale lembrar que, dentre todos os serviços ofertados pelo estado, educação é o único que pode manter uma certa qualidade por um tempo mais prolongado (o que não significa que não haverá desperdícios, é claro, pois isso é inerente à atividade estatal)."

    Eu discordo profundamente, a única coisa que nos faz pensar que o Estado não atrapalha tanto a educação é o fato de ser o Estado quem avalia a educação. O Estado desvia os propósitos da educação, vide o exemplo da Finlândia, "um dos melhores sistemas de educação do mundo", porém a Finlândia é IRRELEVANTE para a conhecimento mundial, para não dizer que nunca li um artigo científico escrito por um finlandês eu li 7 (de 815), todos os 7 revisões, 2 delas demostrando um pobre conhecimento do autor sobre o assunto.
    Porém não posso dizer que a educação dos países nórdicos é ruim, ela é bem sucedida em alcançar seu objetivo, manter os estrangeiros bem longe.

    Do mesmo modo posso dizer que nosso sistema de educação aqui no Brasil é excelente, afinal de contas, ninguém nasce tão burro quanto um brasileiro é necessário anos de negação da realidade e lavagem cerebral para se chegar ao nosso nível de estupidez.

    Conclusão, a educação estatal até pode funcionar, mas será que é esse tipo de educação que as pessoas querem?
  • Igor  30/01/2015 14:22
    Muito boa análise. Finalmente encontrei na net alguem que não está contaminado por essas "estatísticas" encomendadas. Digo o mesmo para a educação Canadense. Tenho 2 filhos estudando em escolas "teoricamente" boas pois são particulares, e mesmo assim a qualidade do conteúdo educacional é uma catástrofe... eu repito UMA CATÁSTROFE. Comparada com boas escolas brasileiras (que não necessariamente são particulares) o nível aqui é muito muito baixo. Mas, como vc disse, atende a interesses do Estado. No caso aqui do canadá o interesse do estado é EVITAR O ABANDONO ESCOLAR. Os páises nórdicos são modelo para o Canadá pois possuem baixo nível de conhecimento. Ou seja, puxa muito pouco do aluno. O resultado é que quando se analisa quem faz pesquisa no canadá, mais de 70% dos cientistas são estrangeiros.....bahhhh!! Pq será isso? Esse video pode fazer um resumo do que estou dizendo. https://www.youtube.com/watch?v=NK0Y9j_CGgM

    Este vídeo trata dos EUA, mas o que ninguem sabe, é que o nível educacional do Canadá é criticado até mesmo pelos estadusnidenses.
  • anônimo  02/09/2016 12:23
    é misto nao ttalmete estatal o setor privado paraticipa conforme texto
  • Hume  25/01/2015 17:06
    Sim, a educação no Brasil é totalmente regulada pelo estado. Só não é como na Alemanha, onde o sistema de ensino é estatal, porque não temos o mesmo capital humano. Lá o estado emprega o melhor sujeito pra falar. Por isso é uma educação pública e de qualidade.
  • Tiago Moraes  27/01/2015 00:30
    O sistema público de educação na Alemanha é eficiente, primeiro, porque a organização de sua matriz curricular é descentralizada, cada um dos 16 estado é livre para gerir seu sistema educacional, eles apenas tem de seguir o organograma federal, que é uma rede única de ensino fundamental e três tipos diferentes de ensino secundário (Haupschule, Realschule e Gymnasium). Então, lá, os estudantes só estudam juntos no ensino fundamental, a partir do ensino secundário eles são divididos por nível de rendimento, diferente do Brasil, em que bons alunos e delinquentes juvenis ficam nas mesmas salas, onde os primeiros são espancados pelos últimos.

    Além disso, não se trata dos estados contratarem os melhores profissionais, mas é que, em países civilizados, os servidores públicos não possuem estabilidade no emprego garantida por lei. Eles são periodicamente reavaliados, na Alemanha essa avaliação ocorre a cada dois anos. Se o servidor não cumprir as metas de rendimento da sua função e for reprovado na reavaliação, ele será dispensado do funcionalismo público. No Brasil, passou no concurso, foi nomeado e passou um ano do probatório e já era, o funça tem o emprego dele garantido pelo resto da vida, nem Deus irá tirá-lo de lá.
  • Felipe  27/01/2015 02:18
    Isso sem contar na eficiência do povo germanico. Que produziu os maiores gênios em quase todos os ramos das ciências.
  • anônimo  02/02/2017 04:53
    Mas esse modelo não poderia ser utilizado por estatistas em favor de uma educação "pública, gratuita e de qualidade"? Poderiam dizer que basta emular o modelo alemão para o sistema educacional brasileiro bombar.
  • Hans  02/02/2017 11:09
    Ué, então mãos à obra. O sistema estatal já temos. Já tá prontinho. É "público e gratuito". Falta agora apenas emular a disciplina dos alemães para ele se tornar "de qualidade".

    Que comecem.
  • James  25/01/2015 21:31
    Sinceramente, a saúde requer cuidados especiais, em todos os sentidos, em todos os cantos do mundo, por esta razao, os comentários se distorcem e acabamos todos falando da educacao, será porque a educação também tem suas falhas? E é a base de tudo? Será que a culpa de termos uma saude tão fragilidada é mesmo do povo ou será da falta de caráter da maioria dos governantes?
  • Felipe  25/01/2015 22:12
    Sem esquecer da arbitrariedade de um sistema de saúde público. Na hora do tratamento, não importa o que você quer, mas o que o governo delimitou como satisfatório para cada enfermidade.

    Conheço um caso de um homem que rompeu os ligamentos do joelho no Canadá e, pelo sistema público, o máximo que ele obteve foi uma imobilização do joelho durante um tempo, pois, segundo o médico, para um homem de 45 anos não era "necessário" uma cirurgia, já que para trabalhar e fazer as atividades diárias estava de bom tamanho. Como era a intenção dele continuar praticando esportes, teve que ir atrás de um atendimento privado.
  • Alice  25/01/2015 22:52
    O livre mercado "radical" na saúde levará inevitavelmente ao abuso de exames e procedimentos desnecessários, piorando os resultados de saúde e custos, mesmo que os usuários estejam satisfeitos. A sociedade sem estado é tão utópica quanto o socialismo.
  • Braga  26/01/2015 01:38
    Como é que é?!

    Livre concorrência gerará "um abuso de exames desnecessários" e "aumentos de custos"?! Ué, mas os maldosos capitalistas gananciosos não fazem de tudo para cortar custos e assim ter mais lucros? Quee dizer então que eles vão aumentar os custos aumentando o desperdício com exames desnecessários? Confesso que essa é nova pra mim. Não sabia que capitalistas passaram a rasgar dinheiro.
  • Rafael  26/01/2015 08:44
    Aparentemente ela acredita que serão feitos procedimentos a mais para fraudar os planos de saúde aumentando o lucro dos médicos/hospitais. Ignorando que é justamente o que ocorre atualmente no SUS por conta de que quem paga a conta ser o governo e não o paciente.
  • Lucas  26/01/2015 02:35
    quer dizer que no livre mercado o cidadão é obrigado a usar todos os serviços disponíveis? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
  • JHCFREITAS  27/01/2015 06:33
    Alice,
    É justamento o contrário que ocorre! No SUS não há quem "tome conta", exstem auditorias de fachada, nada é realmente contestado. Sem contar que existe grande desperdício de materiais e, no SUS sim, pedidos absurdos de exames sem necessidade. Geralmente no SUS, principalmente em pronto-socorro, trabalha o médico recém-formado, ou aquele que não quis ou não conseguiu se especializar. Dessa forma, pedem exames para qualquer coisa sem ter quem questione esses pedidos.
    No nosso sistema "privado", isso não ocorre de forma tão intensa. Quando um paciente é internado ou atendido em um hospital particular e esse hospital envia a fatura ao plano de saúde do paciente, a primeira coisa que o plano faz é uma auditoria nesse atendimento. É verificado o que foi gasto e se esses gastos foram compatíveis com o problema que o paciente apresentou. Um exemplo: se foi prescrito ao paciente com uma dor de cabeça 01 ampola de dipirona, o correto é o hospital enviar uma fatura com esta 01 ampola de dipirona + 01 seringa + 01 agulha. Qualquer coisa além disso é vetada pelo auditor contratado pelo plano de saúde. Isso leva a uma maior eficiência do hospital particular, pois seus funcionários são treinados e cobrados!
    Já no SUS isso não existe, mesmo quando o paciente do SUS é atendido em um hospital particular. Veja bem, quando não há mais vagas disponíveis na rede estatal, o SUS compra essas vagas na rede privada e aí sim faz a felicidade dos hospitais particulares, pois o SUS não realiza as auditorias e quando as realiza, não o faz com a mesma competência e retidão que um auditor privado faz. Nesse caso, quando um hospital privado vende serviço ao SUS, ao enviar a fatura desse serviço ao SUS você encontrará, seguindo o exemplo anterior para o atendimento de uma dor de cabeça a seguinte cobrança: 01 tomografia computadorizada, 01 ressônancia magnética, 01 dipirona, 10 seringas, 10 agulhas, 5 frascos de soro, 5 pares de luvas, etc...sendo que provavelmente os exames de imagens estão sendo cobrados sem serem realizados. Sabe por que? Porque o SUS paga tudo sem reclamar. Porque não existe como auditar todos os cidadãos que são atendidos no SUS. E advinha quem paga esta conta? A mesma pessoa que paga por um plano de saúde privada e não utiliza o SUS.
    Entendeu a Diferença Alice?
  • Fernanda  26/01/2015 02:26
    Muito interessante o artigo. Gostaria de sugerir uma comparação com o sistema inglês, uma vez que se ouve dizer que é um sistema de saúde exemplar e o orgulho dos ingleses (vide abertura das Olimpíadas de 2012) e o SUS ser inspirado nele. Pelo gráfico o Reino Unido não está tão bem, mas está melhor que o Canadá. Seria interessante uma comparação com os sistemas de saúde citados na matéria, e ainda, uma comparação com o brasileiro (o que não deu certo).
  • Guilherme  26/01/2015 10:40
    O sistema inglês é o mais pavorosos de todos.

    Comece por aqui:

    British Clinic Is Allowed to Deny Medicine

    Depois vá aqui:

    Now sick babies go on death pathway: Doctor's haunting testimony reveals how children are put on end-of-life plan

    No Reino Unido, a medicina estatal já chegou à sua perfeição: bebês doentes estão sofrendo eutanásia compulsória.

    Sem recursos (que inesperado!), os hospitais do NHS (National Health Service) estão simplesmente cortando a alimentação deles, que são deixados à míngua até morrerem.

    Estatistas -- que são obcecados com controle populacional -- até salivam quando lêem coisas assim.

    E termine aqui:

    Nearly 1,200 people have starved to death in NHS hospitals because 'nurses are too busy to feed patients'

    1.200 pessoas morreram de fome nos hospitais estatais do Reino Unido (o National Health Service - NHS) porque as "enfermeiras estavam ocupadas demais para alimentá-las".

    Como bônus, fique com isso (a foto é forte):

    www.dailymail.co.uk/news/article-1218927/Plumber-shattered-arm-left-horrifically-bent-shape-operation-cancelled-times.html

  • Dâniel Fraga  26/01/2015 02:42
    Qualquer serviço público está fadado ao fracasso e racionamento. Veja um vídeo analisando o desastre da saúde "pública" do Canadá:

  • Pedro Ivo  26/01/2015 12:15
    Dra. Gabbi, é tão raro ver leitoras comentando neste sítio, e + raro ainda autoras, que não posso deixar de manifestar meu reconforto em ver uma mulher escrevendo aqui. E não por demagogia de gênero, mas porque sendo as mulheres + de 50% da população, é fundamental vê-las manifestando-se acerca de assuntos públicos a partir de uma perspectiva conceitual liberalista/libertária. E sendo as mulheres maioria em profissões relativas a cuidado e relações pessoais, sem uma postura liberalista/libertária nestas áreas - saúde entre elas - fica impossível agir estruturalmente sobre o estatismo/progresismo/esquerdismo/socialismo pernicioso de nossa cultura.

    Por isto, minhas congratulações à Sra..
  • anônimo  26/01/2015 13:00
    Pegando um gancho neste artigo sobre saúde publica. Quando alguém afirmar que o governo deve prover saúde "grátis" apenas porque a saúde privada é cara:

    mises.org/library/why-private-sector-services-seem-be-more-expensive

    Artigo perfeito que desmistifica tudo. Valeria até a pena o Leandro traduzir e colocar aqui no site.

    Abraços!
  • Marcelo Boz  26/01/2015 16:43
    Li em algum lugar na internet, que os três níveis de poder em conjunto, gastam com tudo referente a saúde, algo em torno de R$500,00 por pessoa todo mês (me corrijam se estiver errado).
    Considero que se houvesse um sistema de vouchers no valor mensal de R$200,00, onde assim cada cidadão buscasse o plano da seguradora que desejasse seria muito melhor que o sistema estatal falido em nosso país.
    A legislação para isso seria simples, onde as seguradoras que aceitassem aderir a esse plano de vouchers se comprometeriam a um conjunto claro de serviços junto aos clientes.
    A acredito que a concorrência entre as seguradoras, para conquistar a preferência dos usuários dos vouchers, seria imensa e muito proveitosa.
    E por calculo simples, como vocês podem perceber, haveria uma economia e tanto para os cofres públicos.

    Att
    Marcelo Boz
  • Andre Cavalcante  26/01/2015 17:35
    Olha só: R$200,00 por pessoa no Brasil por mês = 200 milhões * R$200,00 = 40.000 milhões = 40 bi por mês * 12 meses = 480 bi ~ 1/4 do orçamento anual do governo.

    O ideal seria simplesmente o governo sair da jogada e privatizar tudo no SUS.

    Se quiser um sistema universal (nunca dá certo, mas se sustenta por mais tempo...) que escolha o tipo alemão, onde cada um é "obrigado" a ter um seguro saúde (pagar por seu plano de saúde) com uma cobertura bem mínima (para que os custos ficassem realmente baixos) - provavelmente o seguro seria pago pelo empregador (incluindo aí o próprio governos em relação aos seus funcionários), e a segurança social cuida somente daqueles muito pobres, por exemplo, quem ganha até 1 salário. Aí sim, os gastos sociais cairiam para uns 20 milhões de pessoas que receberiam R$2400,00 anuais, o que dá a bagatela de 48bi/ano, dando margem a uma diminuição de impostos, isso sim benéfico para a sociedade, sem falar que é menos sujeito a corrupção - principalmente se os volchers puderem ser usados livremente por quem recebe, inclusive como moeda.



  • Marcelo Boz  26/01/2015 18:49
    Ok André, muito bem!
    Concordo com você, uma privatização plena seria o ideal.


    Att
    Marcelo Boz
  • ocarinha  10/03/2015 18:21
    Você acha que todo o dinheiro repassado é utilizado totalmente pra saúde? A corrupção fica onde?
  • Enrico  26/01/2015 19:53
    O jeito viável é estadualizar/municipalizar toda a saúde estatal e deixar que cada estado/município tenha seu próprio sistema, desestatizando a saúde privada.

    No Brasil, 3/4 da população depende do SUS, ou seja, seria necessário que o governo pagasse aproximadamente 150 milhões de planos de saúde.

    Dando a estimativa de R$200/mês, que ainda é muito baixa para um plano de saúde, isso custaria à União R$30bi/mês ou R$360bi/ano. Considerando que o orçamento de saúde em 2014 da União foi de R$106bi e de São Paulo, o maior arrecadador do país, foi de R$19bi, haveria um aumento aproximado de 188% nos custos, contando apenas com São Paulo, lembrando que há estados que arrecadam muito menos e, com o sistema proposto, teriam de arrecadar absurdamente mais, tornando-o economicamente inviável.

    A outra maneira improvável é seguir a ideia do Milton Friedman: desestatizar todos os serviços estatais, abolir todas as assistências (Bolsa Família e afins), abolir todos os impostos e criar um Imposto de Renda Negativo. Um governo pequeno (mais liberdade e crescimento), mas com uma forte assistência indireta. É uma forma de aglomerar os mais pobres, os funcionários da iniciativa privada e os empresários não-governistas a abraçar a ideia de uma economia livre. Longe de ser ideal, mas é possível no curto prazo.
  • Marcelo Boz  27/01/2015 11:44
    Considero que um sistema parecido com o americano seria o ideal para nós, um país com um população muito grande como o nosso.
    Acho que os sistemas europeus funcionam razoavelmente para eles pois têm população pequena e crescimento vegetativo quase nulo.
    Mas consideremos o óbvio, nenhum candidato a presidência seria eleito com uma proposta de privatização do sistema de saúde.
    O que nos resta (lamentavelmente) é uma melhor gestão do sistema de saúde publica.
    O que o Enrico falou é verdade: estadualizar o sistema pelo menos!
    Mas notem que para isso um novo pacto federativo seria mais que necessário.
    Vejam o caso da ultima corrida eleitoral: certa vez os dois candidatos a presidência discutiram a construção de creches no debate televisivo.
    Se fosse uma debate para prefeitura de qualquer município podia-se estar discutindo sobre o mesmo tema; e ainda o mesmo assunto numa disputa para governador!
    Não se tem uma ideia clara quais as atribuições de cada nível do poder executivo!
    Por exemplo no tocante a saúde, os municípios ficariam com a responsabilidade de gerir postos de saúde e talvez um programa como os médicos de família. Já o Estado ficaria com a gestão dos prontos socorros e hospitais. O governo federal gerindo alguns hospitais de excelência como o Instituto do Coração além do controle nacional de endemias. Aí sim seria até justo (um pouco só) cobrar uma taxa obrigatória parecida como no sistema alemão. Os vouchers seriam para os mais pobres que não podem pagar a dita taxa.
    Como falei em creches; é claro que são de atribuição municipal! Escolas do primário até o nível médio deveriam ser de gestão estadual. E as universidades todas urgem que sejam privatizadas!
    Em suma, um dos fatores do porquê nosso sistema de saúde é esse caos, é justamente a pulverização de recursos em entre os três níveis de poder, causando imenso desperdício.

    Att
    Marcelo Boz
  • Emerson Luis  26/01/2015 18:52

    Para esquerdistas não interessam os resultados, apenas as intenções.

    A saúde pública brasileira (assim como a assistência social e a previdência) já foi instituída em uma ótica socialista de lutas de classes e de direitos positivos. Foi colocado na constituição, é muito difícil mudarem algo e caso mudem será para ser ainda mais socialista. Gostaria de ser mais otimista, mas no médio prazo não há como.

    * * *
  • Giggo  26/01/2015 23:49
    Interessante a comparacao, pois moro na Belgica onde o sistema é muito parecido com Alemanha e Holanda e vejo varios problemas na pratica. Por exemplo, o seguro obrigatorio nao inclui internacao hospitalar, lacuna geralmente preenchida pelos empregadores, mas a maioria dos trabalhadores nao tem isso. Esse seguro adicional custa bem caro. E uma noite no hospital pra quem nao tem seguro custa mais de 300 euros. Além disso, as contribuicoes sociais (semelhantes ao INSS) sao bem altas, muito mais do que o Brasil, e os seguros nao cobrem consultas e tratamentos a 100%.
    Achei muito simplista a analise, faltou dois aspectos muito importantes: a demanda por servicos medicos e o peso real da saude sobre a renda. Será que a demanda é a mesma no Canadá e na Alemanha? Eu entendo muito bem porque belgas evitam medicos, pelo custo. E tambem ha o aspecto cultural, aqui ninguem vai ao medico por qualquer resfriado, como no Brasil. Como será no Canadá?
  • Pedro  27/01/2015 02:45
    Estudei em uma escolar, nos USA, onde passavam alunos de toda parte do mundo. Umas das professoras sempre pedia depoimentos sobre o atendimento dos serviços de saúde a respeito dos países em que o Estado provia a saúde. Todos os depoimentos eram muito negativos, uns mais, outros menos. Nos USA a saúde é muito cara e cada um que tenha seu plano. Quase todos têm. Segundo Obama, somente 40 milhões, dentre 310 milhões, não têm. Ai vem a pergunta? E os pobres, que não podem comprar um seguro de saúde? Resposta: para esses há o Medicaid, pago pelo poder público. Os hospitais, que são obrigados a attender a todos, tenham ou não plano de saúde. Aos que não têm mandam a conta para o sujeito. Se ele realmente não pode pagar, o fundo público paga. Além disso há o Medicare, que contempla todos que tenham completando 65 anos de idade, exigindo-se dos não nacionais uma outra condição: que sejam residentes legais a pelo menos 5 anos. A coisa funciona bem: quem pode tem um plano (cerca de 90% da população), quem não pode é assistido pelo Medicaid.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  29/03/2015 23:19
    Quem precisar de saúde fornecida pelo estado está morto.
  • Joao  04/05/2016 11:49
    O certo então é dizer que o sistema de saúde mundial é um fracasso, de um lado a saúde socializada que não funciona como deveria, demoras em atendimentos, filas etc, do outro lado o sistema americano que muitas vezes negam tratamentos ou omitem informações para reduzir gastos das seguradoras... ou não, estes salvam seus segurados e os deixam vivos para serem escravos de dívidas de centenas de milhares de dólares. Fim do mundo.
  • Barack  04/05/2016 12:37
    Parcialmente correto. Falta agora entender que, nos EUA, as seguradoras são integralmente protegidas pelo governo, que proíbe até mesmo a concorrência entre estados (uma seguradora da Califórnia é proibida de ofertar seus serviços em Nova York, por exemplo), o que garante uma bela reserva de mercado para cada seguradora.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1851
  • Rodrigo Lima  26/06/2016 23:02
    A comparação é interessante, mas o índice utilizado para a comparação mede basicamente indicadores de acesso ao sistema (tempo de espera por consulta, acesso a medicamentos, etc.) e não os resultados finais dos sistema (impacto sobre a morbidade e mortalidade). Assim, o sistema alemão pode ser mais eficiente (o que de fato é característica da gestão privada, via de regra) porém ser menos efetivo.
  • Helon  26/06/2016 23:11
    Sua observação está tecnicamente correta, mas aí cabem dois pontos:

    1) Já que foi você quem propôs, você tem de mostrar que há mais mortes por erros médicos na Alemanha do que no Canadá. Como essa não é minha área, nada posso palpitar. Mas posso apenas dizer que já li e ouvi (na internet) histórias escabrosas sobre a medicina canadense. Nunca ouvi nada sobre a alemã. É claro que isso, por si só, não define a questão em prol dos alemães, mas de fato nada traz de positivo para a situação canadense. (Aqui um relato de algumas ocorrências espantosas da medicina canadense).

    2) Falando puramente em termos de políticas públicas, o que realmente pode ser feito é facilitar o acesso ao sistema. Os resultados finais sempre dependerão muito mais da qualidade individual de cada médico, cada enfermeiro, cada cirurgião. E a qualidade destes é influenciada por vários fatores, a maioria deles totalmente fora da alçada das políticas públicas. (Como é que políticos podem forçar médicos a serem bons e guiados por uma forte ética do trabalho).

    Portanto, pode-se dizer que, em termos do que pode ser feito fora da área exclusivamente médica, a Alemanha entrega.
  • Pobre Paulista  28/08/2016 15:30
    Vamos dar os parabéns à saúde estatal do Canadá:

    Casal de idosos canadense é obrigado a viver separado após 62 anos

    "...Wolfram Gottschalk, 83, e sua esposa Anita, de 81, foram mandados pelo governo para casas de repouso separadas"
  • anônimo  08/10/2016 18:12
    Qual o melhor sistema de saúde da atualidade? É privado?


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