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Dilma promete mais “direitos” e governador petista privatiza supermercado estatal

Em seu discurso de posse, Dilma falou que não pode dar passos atrás, e nem tirar direitos.  Que os direitos devem ser sempre mais.

Ao dizer isso, a presidente ecoa as convicções de muita gente bem-intencionada.  Já eu, que suspeito das boas intenções como que por instinto, penso que a criação de direitos — isto é, coisas boas que a lei determina que sejam estendidas a todos — é um obstáculo para a qualidade de vida geral.

Entendo que esse é o modo petista de medir o sucesso: pelo esforço gasto; pelo papel gasto.  Se está lá no papel que o salário mínimo subiu, ou que domésticas agora têm direitos trabalhistas, isso é bom em si, posto que é o justo; e tudo que está fora disso é inaceitável, mesmo se o salário mínimo maior não fizer os trabalhadores mais ricos, e mesmo se as novas leis de domésticas tiverem dificultado muito encontrar postos de trabalho nessa função.

O efeito que o discurso de direitos tem na mentalidade é também deletério.  Se algo é um direito, ele deveria estar vigorando para todos os casos.  Se não está, então uma injustiça foi feita.  E se uma injustiça foi feita, temos que encontrar o culpado: alguma classe que não contribui como deveria, alguma instância do governo que é corrupta ou lenta, o egoísmo da cultura em geral, "todos nós que jogamos papel de bala no chão" etc.

Isso serve para gerar raiva e indignação, sentimentos que levam à impotência, posto que nada podemos fazer contra as gritantes injustiças de todo um sistema.  Em nada ajudam a encontrar soluções criativas que melhorem efetivamente aquilo que consideramos ainda insatisfatório.  Encontrar culpados e bater o pé no chão para que "algo seja feito" roubam os esforços que deveríamos dedicar a fazer algo.

O direito também fossiliza nossa concepção sobre como o mundo deve ser.  Direitos trabalhistas eternizaram relações de trabalho que estão cada vez mais datadas.  Mas como o estado não é capaz de aceitar seus próprios limites, ele precisa exigir que todas as outras relações se pautem pelos critérios que ele estabeleceu.  O resultado cultural disso é gente jovem em pleno século XXI sonhando com carteira assinada ou — o que é a lógica dos direitos levada a seu extremo — o funcionalismo público.  Trabalho assegurado, bem remunerado, fácil, de baixa intensidade e com amplo tempo livre.

O mesmo vale para outros campos: o direito à educação nos internalizou a ideia de que todos necessitam de 11 a 15 anos de estudo formal em salas de aula, com conteúdos pré-determinados pelo estado e sendo submetidos a constantes avaliações, seguindo um modelo muito particular de educação que se universalizou como sendo o único possível.

O direito à saúde nos fez todos adotar a ideia de que serviços de tratamento devem estar prontamente disponíveis e gratuitos a todas as pessoas.  O que, com o aumento da tecnologia e da longevidade, revela-se uma impossibilidade técnica.

E, mais do que isso, associou-se "direito à saúde" a tratamento, e não à prevenção ou à busca de uma vida saudável.  Se esses crescerem em importância na cultura, a velha ideia do direito à saúde irá se enfraquecer — principalmente agora que até o próprio governo federal encara os planos de saúde privados como o melhor jeito de diminuir seus próprios custos com os cuidados à população.

O direito legal tenta materializar uma instância fictícia da nossa imaginação: o dever ser.  As pessoas "devem" ter saúde, educação, lazer, cultura etc.  Mas ele não faz nada para criar e manter esses bens desejados socialmente.  Nada além de instilar um vago sentimento de obrigação, justamente o pior tipo de motivador da conduta.

Pensando nisso, minha dica para 2015 a todos que querem um mundo melhor é que gastem menos tempo lutando para colocar direitos no papel, menos tempo exigindo que direitos que já existam sejam concretizados, e mais tempo pensando, criando, produzindo e espalhando as coisas boas que queremos ver sendo difundidas.

Que o eterno "dever ser" ceda espaço para um "é" cada vez melhor.

Na Bahia, ainda existia um supermercado estatal

Cesta_do_Povo_4464700401-636x395.jpg"Não há sentido em tirar dinheiro da saúde e da educação para sustentar um supermercado". É com essas palavras, racionais, simples, límpidas, que o governador eleito da Bahia, Rui Costa, anuncia a privatização (se parcial ou total, ainda não se sabe) da rede de supermercados Cesta do Povo, única rede de supermercados estatal do Brasil.

A estatal foi criada, vejam só, por Antônio Carlos Magalhães nos anos 1970.  A esquerda privatizando a estatal da direita.

Esquerda e direita não descrevem a realidade, apenas nomeiam grupos rivais em luta pelo poder.  E em face de um supermercado estatal que só no ano passado custou 15 milhões de reais aos cofres públicos, não há partidarismo que discorde: é preciso vender.

Quando o governador diz que a rede não tem como competir com a agilidade e liberdade de negociação das empresas privadas, ele está dizendo a mais pura verdade. O Cesta do Povo tem um sistema pra lá de antiquado para encontrar e admitir novos fornecedores, e adota uma política de preços que segue conveniências políticas, mas que, ao mesmo tempo, não oferece preços muito mais baixos que a concorrência. Por que a diferença?

O Cesta do Povo, como a maioria das empresas estatais, vê-se numa encruzilhada: por um lado não pode ser apenas mais uma empresa maximizadora de lucro (pois pra isso o estado não é necessário); por outro, precisa de mecanismos que impeçam que os recursos públicos que o sustentam sejam desviados em esquemas de corrupção.

A empresa não tem um dono, não tem acionistas e não tem doadores voluntários que se sentiriam lesados caso gastasse mal seu dinheiro, e que portanto têm todo o incentivo para torná-la mais eficiente.  Em vez disso, ela conta apenas com os procedimentos burocráticos de qualquer atividade estatal, que por um lado são engessantes e não permitem mudanças bruscas ou inovações sem longas diligências e licitações, e por outro são facilmente burláveis.

Ao mesmo tempo, ninguém ali dentro tem incentivos para melhorar a empresa, torná-la mais eficiente, inovar.  Se ela der lucro ou prejuízo, a vida de seus gestores não muda em nada.  E já que é bem mais fácil ser ineficiente…

"O Cesta do Povo não é capaz de concorrer com as redes privadas de supermercado. As grandes do setor têm agilidade na hora de negociar e definir preços, muito diferente de uma empresa pública", justificou Costa.

A rede chegou a fechar em meados da década passada, e foi reaberta pelo governador Jaques Wagner, também do PT, em 2007, que encontrou aquela massa falida e apostou que ela era viável se gerida com mais eficiência e menos corrupção. Agora o sonho acabou. Para o contribuinte baiano, o pesadelo.  

O lampejo de lucidez de Rui Costa foi além do mero reconhecimento de que a rede não tem condições de se viabilizar no mercado; ele toca, talvez sem que o próprio perceba, em um ponto mais importante: o da prioridade do gasto estatal.

Vamos aceitar por um segundo a premissa utópica de que o estado serve, ou visa a servir, o bem comum.  As pessoas dizem isso e se contentam com um estado que promove — e gasta recursos com — uma série de causas e atividades boas.  Em um mundo de recursos escassos (dica: como o nosso), só isso não é o suficiente.  Que algo seja bom, desejável, não é critério suficiente para concluir que o estado deva investir naquilo.  Precisamos ir uma pergunta além: aquele gasto traz o melhor retorno possível em termos de bem comum? O real ali investido produz o máximo bem para o maior número de pessoas? Se não, que seja cortado.

O estado da Bahia, que já sofre com uma segurança pública em frangalhos e com desempenhos muito ruins na educação (mesmo para a média brasileira), não pode se dar ao luxo de esbanjar recursos para subsidiar um supermercado.

Se aceitarmos essa lógica — e parece impossível não aceitá-la —, nossa forma de encarar o governo muda.  Não é porque algo é desejável que ele deve ser subsidiado com dinheiro público.  Não basta ser bom; tem que saber utilizar da melhor maneira possível os recursos escassos.  E isso o estado já demonstrou que não sabe fazer.

Pensando assim, pode ter certeza de que há muitos "Cestas do Povo" por esse Brasil aguardando nosso corte.


Texto originalmente publicado no site do Spotniks


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autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com." Siga-o no Twitter: @JoelPinheiro85

  • Andre Bernardes  09/01/2015 13:35
    Muito bom! Apesar desse lampejo de lucidez do governador petista baiano, pode esperar que nos próximos 04 anos de governo Dilma, infelizmente teremos retrocessos na liberdade econômica do Brasil. Chegaremos a 2018 com mais direitos estabelecidos que temos hoje, com mais ações na justiça reclamando esses direitos, enfim, um país mais engessado.
  • Diego Lopes  09/01/2015 13:44
    Excelente artigo!

    Nada mais hipócrita, na história atual brasileira, do que a militância petista: Passam todo o tempo a criticar as parcas concessões privadas realizadas pelo PSDB, mas, por outro lado, nesses treze anos de seu governo, nenhuma atividade de outrora reestatizou-se, ao revés, a saber, hoje são empresas privadas, por meio da concessão, que administram boa parte dos aeroportos... concessão esta realizada no primeiro mandato da Dilma. Hoje em dia, por exemplo, a Dilma fala oficialmente da abertura do capital da afamada empresa pública - personalidade jurídica esta que está com os meses contados - Caixa Econômica Federal. Isso sem falar do ministrou que escolheu para a pasta do Ministério da Fazenda... quanto desgosto e confunsão devem sentir muitos progressistas por aí afora...
    A verdade é que tais atitudes só demonstram a crise de identidade ideológica do partido para com os seus militantes progressistas - militantes esses que são, principalmente, os sindicalistas e líderes de movimentos sociais como o do MST, porquanto as medidas econômicas adotadas pela presidente não atingem, de modo nenhum, a carne gorda do governo, mas os restos de ossadas daquele povo que o PT diz tanto amar e multiplicar: os pobres.
  • Emerson Luis  09/01/2015 14:26

    Esses "direitos" que vão sendo criados são "positivos" no sentido que acarretam obrigações para terceiros, em vez de serem "negativos".

    Se dizem que temos o "direito de ir e vir", quer dizer que ninguém pode tolher nossa liberdade de locomoção arbitrariamente, mas o como faremos esse ir e vir é responsabilidade nossa. Mas se dizem que temos o "direito ao transporte", quer dizer que alguém TEM que nos transportar.

    As pessoas estão cada vez mais exigentes quantos aos seus "direitos" e cada vez mais irresponsáveis quanto às suas obrigações, em especial a reciprocidade.

    Nestes dias pesquisei cursos online e em dois sites as empresas reservaram um espaço para responder a indivíduos indignados (sem citar nomes, deixando em aberto para novos visitantes verem) o porque eles cobravam pelos cursos. Esses indivíduos acreditavam que a prestação de serviços deveria ser gratuita para todos terem acesso!

    __________

    Os esquerdistas são "progressistas" porque querem gerar o progresso e a igualdade na sociedade através da engenharia social, do assistencialismo, do planejamento central, querem mudanças imediatas e totais. São necessariamente intervencionistas.

    Os direitistas são "conservadores" porque querem preservar valores e práticas consagradas pelo tempo, querem mudanças graduais e parciais porque discordam que seja possível criar um "novo ser humano" através da engenharia social. NÃO são necessariamente intervencionistas.

    A diferença entre um direitista moderado e um extremista é de espécie: o moderado respeita a liberdade alheia; a diferença entre um esquerdista moderado e um extremista é de grau: ambos querem intervir na liberdade dos outros.

    O liberalismo produz progresso sem intervencionismo.

    É possível ser liberal e conservador, desde que primeiro se seja liberal.

    * * *
  • breno  10/01/2015 02:02
    Conservadores discordam que é possível criar um novo ser humano, através de engenharia social?

    Quando claramente, um novo ser humano a cada dia toma mais forma? Um ser humano sem responsabilidades com a consequência suas ações, que regala aos outros estas consequências, quando negativas?
    Um ser humano mesquinho, hipócrita, covarde, sem moral e honra, sem mérito, sem valor e cultura?

    Não amigo. Conservadores querem a manutenção do ser humano, honrado, ético, conquistador do mérito, solidário e culto. O ser humano digno que foi construido através de séculos de trabalho e sangue.

    Conservadores condenam o atraso, representados pelas praticas erradas e desonestas. Adotamos novas ideias comprovadamente eficientes com orgulho!

    Nunca meu caro, confunda conservadores com os retrógrados e intervencionistas que assolam a nação.
  • Emerson Luis  10/01/2015 16:38

    Breno, você sabe o que é "engenharia social" e "novo ser humano" (ou "novo homem")? É tentar modificar as pessoas através do planejamento central e da coerção, aquilo que Stalin, Mao Tsé e Pol Pot tentaram fazer pelas armas e hoje os esquerdistas querem realizar pela legislação.

    Os "progressistas" acreditam que o ser humano é 100% determinado socioculturalmente e que pode ser modificado totalmente por programas governamentais, pois acreditam que não existe uma "natureza humana", ou seja, uma infraestrutura biológica do homo sapiens humanamente imutável. E quando esses programas dão errado (sempre dão), procuram bodes expiatórios e repetem o erro.

    E conforme disse na frase anterior: "Os direitistas são "conservadores" porque querem preservar valores e práticas consagradas pelo tempo, querem mudanças graduais e parciais", pois acreditam que existe sim uma natureza humana que não pode ser modificada por planejadores centrais.

    Ironicamente, é justamente por reconhecerem que existem limites humanos nas melhorias que podemos produzir que os conservadores produzem resultados muito melhores.

    Ou seja, eu não apenas sei diferenciar conservadores de progressistas como demonstrei a diferença entre eles. Você apenas repetiu o que eu disse com outras palavras. Antes de tentar corrigir alguém, primeiro entenda o que ele quer dizer. Conhece Kirk Russell? Veja esse artigo e livro:

    veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/cultura/dez-principios-conservadores-por-russell-kirk/

    * * *
  • Estevam  10/01/2015 12:14
    Concordo com o Emerson,

    eu não hesito em me considerar de direita devido aos meus valores se alinharem com os do conservadorismo.

    A direita no Brasil foi definida pela esquerda, ouvi chamarem até o PT de direita nas manifestações de 2013, já que esta é a estratégia para salvar a reputação da esquerda todas as vezes em que o governo está com problemas. Se é virtude chamam de esquerda, se é defeito chamam de direita. Vejo as pessoas, em sua ignorância, criticarem o capitalismo mesmo quando se queixam da Anvisa ou de políticos, pois foram doutrinadas por seus professores que o culpado é sempre o grande capital.
    Os socialistas defendem todos os intervencionismos que infernizam nossa vida, quando estes se revelam a favor dos apadrinhados pelo Estado os chamam de capitalistas. Desta forma podemos entender que capitalista é o socialista desvirtuado.

    Só no Brasil as pessoas vêem partidos social democratas e gestões social democratas como direita.
    Basta alguém se chamar ou ser chamado de direita que basta, ninguém questiona quais valores um direitista defende, não sabe citar um autor de direita.
    Esquerda é herói e direita é vilão na mentalidade simplista.
    Portanto, se alguém cria uma estatal ainda é considerado de direita. Desta forma a luta política prática no Brasil é somente partidária e estão sempre tentando provar quem fez mais pelos pobres ao mesmo tempo em que tentam provar quem fez o PIB crescer mais (como se o Estado tivesse algum mérito).
    Como disse Olavo de Carvalho, a vitória ideológica já foi dada aos socialistas já que a "direita" quer competir socialismo com a esquerda.
    O PT também vem se portando de forma fascista com seus discursos nacionalistas, e poucos sabem que o fascismo é um tipo de socialismo nacionalista. Se fascismo e nazismo são direita para as pessoas, isto demonstra o quão pobre é restringir a política em apenas um eixo bipolar (até o Diagrama de Nolan não é complexo o bastante). Prefiro me chamar de liberal conservador que não tem erro. O fascismo e o nazismo possuem muito mais em comum com o comunismo - por serem todos socialistas - do que com o liberalismo clássico. Neste eixo bipolar onde fica o liberal?
    Porém, como a esquerda já está com sua imagem manchada (revelada), pois culpar a direita pelos seus pecados é uma estratégia que já se desgastou, agora todos resolveram dizer que ambas são o mesmo lixo. Ora, socialismo A e socialismo B realmente são tons diferentes da mesma coisa.
    No entanto muitos se manifestam insatisfeitos com o caminho político, ninguém gosta de política nem de políticos. Então por que insistem em soluções estatais?
    Muitos estão cansados, desapontados, querem relações livres e longe da política. Lamento informá-los, mas estão se portando como direitistas, é isto o que a direita se tornou, liberal (esquerda liberal sempre pede mais Estado, não é liberal). Ninguém é maluco de defender abertamente o fascismo, mas a esquerda não hesita em se chamar de socialista ou comunista. Logo é fácil considerar que o autoritarismo e o agigantamento do Estado está à esquerda nos dias de hoje.

    Na origem, esquerda e direita se referia a jacobinos (revolucionários) e girondinos (beligerantes), mas a discussão, por ser espontânea, sempre mudou de forma. Costumo dizer que, posterior a isto, as internacionais comunistas eram sempre ejeções à esquerda (Trótsky).

    Outra nota é que neoliberalismo, ao meu entender, é a fase de retração da social democracia. Economia estabilizada, é hora de mais gastos públicos e mais demagogia.

    O autoritarismo da direita seria usar o Estado Mínimo para garantir o Estado Mínimo.
    Se o Estado é mínimo, apesar de sua opressão, existiria muito menos com que se preocupar. O parasitismo é sempre menor.

    Há muitos na direita a favor de saúde e educação públicas, de um Banco Central, de empresas de energia estatais e até dos Correios e a Petrobrás. Neste ponto eles são absolutamente socialistas, mas não sabem.

    Se há um problema com os conservadores é não reconhecer de vez que imposto é roubo e que relações voluntárias são as únicas capazes de produzir uma ordem social justa e saudável.
    Não há compromisso de um agressor para com o bem-estar da vítima, ninguém ameaça alguém para que aceite sua tutela. Seria como um amante que não aceita uma rejeição, um crime passional.
    Não acredito que reconhecer isto os faria anarquistas. A definição libertária para Estado considera uma coerção a priori. Mas eu não estou de acordo, acredito que o Estado pode funcionar somente com a coerção a posteriori, como todos defendemos o direito à legítima defesa ao mesmo tempo que o Princípio da Não Agressão (não iniciar a agressão).
    Enquanto o anarco-capitalista considera que a segurança é um serviço a ser contratado, eu considero que, além de poder ser contratado, é completamente possível que a coesão social produza uma república espontânea (senão não é república, não é do povo).
    Observe o poder que há nas igrejas neopentecostais, seu poder de coesão e engano, enquanto há outras instituições que podem causar coesão mais saudável. O que importa é que ninguém está sendo obrigado a nada. O Estado deixou de ser teocrático, mas a religião não acabou, nem a espiritualidade, nem a coesão social e a estrutura e hierarquias destas instituições.
    O que quero dizer é que os indivíduos podem muito bem se unir em um propósito tendo valores em comum, desde que ninguém seja obrigado a concordar ou contribuir. Se não fosse assim tantos não defenderiam o Estado, isto ocorre justamente porque acreditam que devem se unir. Mas este já é um problema conceitual, léxico.
  • Eduardo  11/01/2015 12:12
    Na minha visão política, o Estado é o centro, a direita apoia o Estado, e a esquerda é contra o Estado. Sendo assim, o governo é o centro, comunistas, socialistas e nacionalistas são direita e liberais são esquerda. A situação política brasileira hoje é: PT é centro, PMDB e demais partidos à direita e absolutamente nenhum partido à esquerda. Pra mim o liberalismo acabou aqui no Brasil. Collor foi o último presidente liberal, mas se traiu na primeira medida quando resolveu confiscar a poupança dos brasileiros. FHC, Lula e Dilma são comunistas de carteirinha.
  • Al  09/01/2015 17:21
    Muito bom!

    gostei desse ponto: direitos garantidos por lei, que não são cumpridos, logo despertam ressentimento contra o sistema injusto e corrupto, que impede o céu na terra.

    E tome intelectuais culpando a falta de serviços públicos e de oportunidades pelas ações dos bandidos.
  • Amanda Silveira  09/01/2015 17:59
    E por falar em "boa intenções", sugiro a leitura do artigo de autoria do americano Adam Kostakis: "Como Quebrar uma Dialética", traduzido e publicado em: migre.me/o2FNF. Neste artigo, veremos a (suposta) dicotomia que há entre Feministas "Bem Intencionadas" e Feministas Radicais.
  • Mr. M  09/01/2015 22:07
    Muito bom o texto!
    Surpreendente (e louvável) a opção por privatizar o supermercado, e não criar mais um imposto que o sustente.
    Joel, vc escreve tão bem que é um leftlib respeitável, hehe.
    (Vai, um ad hominem de leve pra começar o ano.)
    Um abraço.
  • breno  10/01/2015 00:00
    O problema é que BB, CAIXA, Petrobrás, Eletrobrás, Metro, CPTM, etc. Trazem receitas, ou apelo político ao governo, então dificilmente seguirão o mesmo caminho.

    O mercado como mesmo o artigo diz, nem oferecer menores preços oferecia. Se não trazia beneficio direto ao governo, com certeza trazia beneficio particular aos administradores anteriores do estado.

  • Tiago Moraes  10/01/2015 02:51
    A privatização da EBAL (Empresa Baiana de Alimentos) não foi uma ideia, muito menos iniciativa, do Rui Costa, mas de um professor nosso aqui da Uefs, o Sr. Edelvino Góes (só estou mencionando o nome dele em público porque ele foi nomeado Secretário da Administração do atual governo e saiu de licença da Universidade).

    Nós aqui na Uefs, já sabíamos que o Rui anunciaria a privatização da Ebal, porque era a conversa que os professores soltavam para nós que a equipe dele (principalmente o professor Edelvino) tinham conseguido convencê-lo da inutilidade de sua existência. Essa é a diferença do Rui para o Wagner, ele está sendo melhor assessorado. O Wagner era influenciado por uns doidos sem credibilidade no meio acadêmico baiano (palavras do mais respeitado professor que temos aqui na Uefs). Enfim, o Rui Costa cercou-se de uma turma Novo-Keynesiana, com prestígio fora do estado e até no exterior. Não são liberais, mas ao menos não são doentes pela estatolatria.

    Segundo nossos professores, o Edelvino vai tentar convencer o Rui, e a base aliada na Assembleia, a privatizarem a Embasa. O projeto de lei para tal já existia e tinha sido aprovado pelo Paulo Souto, mas a anta do Jaques Wagner solicitou a Assembleia Legislativa que sustassem a lei e o fizeram.
  • Kleber Verraes  10/01/2015 17:57
    Desde o início da sua história, o Brasil sempre adotou uma cultura "macunaímica"; que venera a malandragem, a ignorância, a vulgaridade e a indolência.


    Graças a esta anti-cultura primitiva, o Brasil se transformou em um celeiro de ignorância. Assim, como uma besta autofágica, o Brasil adotou como seu "Deus Supremo" um Verme de 9 Dedos.


    O "macunaimismo" é o mais extremo oposto do puritanismo protestante, que sempre norteou a cultura Americana; desde a chegada dos primeiros colonos nos Estados Unidos.


    Evidentemente, uma nação fundada nos "valores" do macunaimismo esta fadada a ser uma tenebrosa banana republic, forever...


    Dilma Rousseff (a.k.a. STELLA) é uma ex-terrorista Marxista, reciclada em cleptocrata. No entanto, STELLA nunca abandonou seus laços de afinidade com o terrorismo internacional. Inclusive, em seu discurso na ONU em 2014, criticou os Estados Unidos por terem bombardeado o grupo terrorista ISIS na Síria!


    Qual moral tem esta sórdida criatura, para vir agora (após o atentado em Paris) expressar sua "solidariedade ao povo da França"?


    Não podemos esquecer que o regime LuloPetista sempre cultivou laços de simpatia com os grupos terroristas Hezbollah, Hamas e FARC. Além disto, Lula e STELLA apoiam abertamente os ditadores sanguinários de Cuba, Venezuela, Zimbabwe e Irã.


    STELLA esta certamente esta muito feliz com a chegada dos 6 terroristas do Al Qaeda no Uruguai; talvez vá até lhes oferecer nacionalidade brasileira e Bolsa Família.


    Consequentemente, esta política vergonhosa representa uma séria ameaça à segurança nacional do Brasil; além de colocar o país em rota de colisão com os Estados Unidos e todas as outras nações civilizadas do Ocidente:


    archives.republicans.foreignaffairs.house.gov/news/story/?1364


    Ou o povo Brasileiro consegue a anulação da eleição fraudulenta de STELLA (e elege um presidente legítimo; que não seja um bolivarianista macunaímico), ou o regime LuloPetista vai destruir totalmente esta nação.
  • Armando  10/01/2015 18:33
    Se você considerar que os direitos são bens, e eles são dados de "graça" pelo Estado, então as pessoas sempre irão pedir mais "direitos", pois a demanda é infinita. Mas como os recursos são escassos, não há governo que consiga mantê-los. Mesmo os mais básicos, como a vida e propriedade.
    Eu vou mais longe, mesmo o direito à vida e propriedade não é um direito como pensado hoje em dia, pois não há garantia de que seja cumprido (O estado não é onipresente). O que há é que nós podemos garantir esse direito por nós mesmos, ou contratar terceiros para nos ajudar a garanti-lo (o que o estado proíbe e diz que nós devemos confiar somente nele).
  • anonimo  11/01/2015 16:31
    Existe um grave problema no comércio brasileiro, ele não agrega valor ao produto, simplesmente dobra o seu preço, compra da indústria por R$ 100 e vende ao consumidor por R$ 200. Não emprega, remunera muito mal, geralmente sustentado por aposentados que recebem da previdência e utilizam a boa vontade dos habitantes locais.
  • Rei do Camarote  11/01/2015 21:34
    Tem toda razão. E até sei o que fazer para resolver esse problema: vamos passar a produzir champagne aqui no Brasil. Nada agrega mais valor do que o champagne, embora eu prefira vodka...

    Falando sério agora, você está invertendo todo o problema aqui. Em vez de atribuir a culpa ao principal responsável (nem vou dizer quem é, pois creio que todos aqui já estão carecas de saber), você responsabiliza a iniciativa privada, que é, na verdade, a vítima da história.
  • saoPaulo  12/01/2015 00:22
    Hum, e por que então você não compra por R$ 100 e vende por R$ 150? Todos iriam querer comprar de você. Você ajudaria os consumidores e, de quebra, ficaria rico!
  • rodrigo d.  12/01/2015 03:37
    A se a vida fosse simples assim. Um comerciante apenas compra a 100 e vende a 200. Tao simples. Tao fácil. Me surpreende o fato de todo mundo não ser comerciante.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  30/03/2015 23:31
    Privatizações são necessárias urgente e perpetuamente.


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