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A queda do preço do petróleo e a estratégia da Arábia Saudita

Decisões econômicas são feitas na margem.  Esta foi a fundamental constatação feita pela escola marginalista de economia.  Já por volta de 1875, esse enfoque já estava solidificado.  Essa é a visão da Escola Austríaca de Economia.

No mundo atual, não ha commodity que seja mais fundamental do que o petróleo.  Não há como armazenar petróleo (exceto para os produtores, que podem deixá-lo no subsolo).  Não há como um país importador de petróleo construir tanques para armazenar um bilhão de barris de petróleo, que é o volume que o mundo consome a cada 11 dias.

Sendo assim, a menos que os atuais produtores de petróleo decidam reduzir sua produção, a atual tendência de aumento da produção irá seguir pressionando para baixo os preços na margem. 

A crescente produção de gás e óleo de xisto — por meio do processo de fratura hidráulica, popularmente chamada de fracking — nos EUA terá de ser vendida.  E esse aumento da produção está ocorrendo exatamente em um momento em que a Europa, Japão e China estão vivenciando ou recessões ou uma desaceleração econômica.  A menos que os países da OPEP decidam reduzir sua produção com o intuito de contrabalançar o aumento da produção observado no Canadá e nos EUA, o preço do petróleo irá continuar caindo.

Eis a estimativa da Administração de Informação sobre Energia (EIA — Energy Information Administration) do governo americano publicada no dia 9 de dezembro:

A produção de petróleo nos EUA irá aumentar da atual média de 7,4 milhões de barris por dia em 2013, para 8,6 milhões de barris por dia em 2014 e para 9,3 milhões de barris por dia em 2015. 

A recente produção de petróleo em terra dos 48 estados (exceto Alasca) tem sido mais alta do que o esperado, o que gerou uma revisão para cima, aumentando mais 155.000 barris por dia, desde a última previsão feita já no quarto trimestre de 2014.  No entanto, dada a previsão de queda no preço do barril de petróleo para 2015, com os preços do petróleo WTI (West Texas Intermediate) apresentando uma média de US$58 por barril no segundo trimestre de 2015, a EIA prevê que as atividades de extração em 2015 irão declinar em decorrência dos menos atraentes retornos econômicos em algumas áreas, tanto das regiões produtoras já antigas quanto das emergentes.

Várias empresas irão redirecionar seus investimentos, retirando-os das explorações marginais e das pesquisas de prospecção e direcionando-os para as principais áreas de exploração.  Os preços atuais do petróleo ainda estão altos o bastante para manter rentáveis explorações nas Bacias de Bakken, Eagle Ford, Niobrara e Permian, as quais contribuem para a maior parte do crescimento da produção de petróleo nos EUA.

Ontem, o petróleo WTI estava sendo vendido a US$58 o barril.  Este era exatamente o preço estimado pelo governo americano para o ano que vem.  Essa estimativa do governo foi publicada no dia 9 de dezembro.  Em seis dias, o preço estimado foi alcançado.  Ou seja, os preços do petróleo estão caindo muito rapidamente.

Já ficou claro que a Arábia Saudita não irá reduzir sua produção.  Isso significa que os países da OPEP terão de seguir aquilo que a Arábia Saudita fizer — caso contrário, eles perderão sua fatia de mercado.  Trata-se de um exemplo de um cartel que puxa os preços para baixo, o que deve confundir bastante a cabeça daqueles que dizem que cartéis sempre conspiram contra o consumidor e sempre elevam os preços. 

Essa notícia saiu ontem:

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo não irá reduzir sua produção mesmo se os preços caírem para US$40 o barril, disse o Ministro da Energia dos Emirados Árabes, Suhail Al-Mazrouei.  Desde que a OPEP decidiu, em seu encontro no dia 27 de novembro, que não iria reduzir a produção para contrabalançar a oferta excessiva, os preços já caíram 20%.  Nos últimos seis meses, o grupo vem produzindo mais do que sua meta de 30 milhões de barris por dia.

A notícia estava se referindo ao preço do barril do tipo Brent, que caiu para US$63 ontem.

A Arábia Saudita é quem dita as regras na OPEP.  Ela está acertando as contas com vários desafetos.  Está acertando as contas com o Irã xiita.  Está destruindo os planos financeiros do governo iraniano.  Está fazendo o mesmo com o governo russo, que é aliado do Irã e é um grande concorrente da Arábia Saudita. 

Ao se recusar a reduzir sua produção, a Arábia Saudita está simplesmente aniquilando as finanças do governo russo — que ontem teve de disparar sua taxa básica de juros de 10,5% para 17% apenas para conter a forte desvalorização do rublo, consequência direta da queda do preço do petróleo, a principal mercadoria exportada pela Rússia.

Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita está tornando mais caro e menos rentável a exploração de óleo de xisto nos EUA.  No entanto, a menos que o preço do barril WTI caia para menos de US$40 e fique por ali, a atual postura da Arábia Saudita não terá muito efeito sobre a produção de óleo de xisto nos EUA.  Já se o preço do WTI cair para US$40 o barril e se mantiver nesse valor, então os sauditas terão as empresas americanas que exploram óleo de xisto sob seu controle.  Isso não irá reduzir a produção de óleo de xisto, mas irá gerar algumas falências.  Os atuais investidores perderão dinheiro, mas outros irão comprar suas propriedades.  Se há petróleo para ser extraído, petróleo será extraído.

Em fevereiro de 2009, o petróleo WTI chegou a US$37,51.  Isso ocorreu no ápice de uma grande recessão.  Mas em dezembro daquele ano, o WTI já havia subido para US$80.  Não prevejo nenhuma grande recessão ocorrendo no ano que vem.  A economia mundial não está robusta, mas também não estamos em 2008.  Se o WTI chegar a US$45, isso será uma grande oportunidade para comprar ações de empresas de energia.  Meu palpite é que os preços estarão entre US$75 e US$80 daqui a um ano.  O pânico que vemos hoje não seria um prenúncio de uma repetição de 2009 no ano que vem.

A velocidade e a magnitude do declínio que estamos observando nesse mês de dezembro pegaram praticamente todos de surpresa.  Os preços se mantiveram estáveis até junho, mas com os sauditas anunciando abertamente que não têm a intenção de reduzir sua produção, os preços despencaram.

Os sauditas podem jogar esse jogo por vários anos.  Já os iranianos não.  Eles não estão em uma situação similar domesticamente.  E nem os russos.  Ambos estão operando sob sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia.

Por outro lado, os sauditas também estão em posição de tumultuar o mercado de debêntures que está financiando a exploração de petróleo nos EUA.  Ainda não está claro por quanto tempo os sauditas continuarão jogando esse jogo, mas está claro que se trata de uma conveniência política, e não financeira.  Tudo vai depender de quanto tempo o governo saudita está disposto a abrir mão de receitas com o intuito de impor sanções contra o Irã.  Se o governo saudita cortar sua produção, ele poderá obter preços maiores, mas o resultado líquido pode não ser grande, pois haverá menos vendas.  De novo, a decisão será feita na margem. 

O governo saudita está fazendo questão de deixar claro para todos quem é que manda na OPEP.

Tudo isso é benéfico para os consumidores ao redor do mundo [Nota do IMB: menos para os brasileiros, que continuam refém de uma estatal monopolista gerenciada por políticos corruptos e que, para recuperar suas finanças destruídas pela corrupção, aumentou o preço da gasolina justamente em um momento em que os preços da gasolina estão despencando em todo o planeta].  Do ponto de vista político, a atual situação certamente é benéfica para o estado de Israel.  Não é benéfica para os produtores de óleo de xisto nos EUA, mas ninguém irá derramar lágrimas por seus eventuais prejuízos. 

Haverá repercussões devastadoras para aquelas empresas exploradoras de óleo de xisto que expandiram sua produção em estados como Dakota do Norte, Colorado e Texas.  Essas empresas estão extremamente endividadas.  Elas venderam títulos para financiar seu custoso fracking.  Caso o preço do petróleo continue caindo, não será rentável para elas continuar suas atividades.  Elas terão de se desfazer de seus ativos.

Isso é resultado da política de juros zero do Federal Reserve.  Ela financiou esse boom na extração de óleo de xisto.  É por isso que óleo de xisto é uma bolha.  É apenas mais um exemplo do que acontece quando você entrega a política monetária para um punhado de Ph.D.s em um Banco Central.  Mas isso é boa notícia para os seguidores da Escola Austríaca que sempre disseram que a política monetária jamais deve ficar a cargo de um Banco Central.

Conclusão

Os sauditas estão determinados a infligir dor ao Irã.  A produção nos EUA não irá cair, não obstante os preços baixos.  As petrolíferas americanas sofrerão bastante, mas se há campos de petróleo produzindo, há um incentivo para o proprietário daquele campo continuar produzindo.  Se o proprietário está endividado até a alma, ele tem de continuar produzindo.  Ele terá apenas de esperar que o futuro seja melhor.  Isso vale tanto para as petrolíferas tradicionais quanto para as empresas que lidam com xisto.  "Isso é temporário.  Isso não durou muito em 2009.  Não durará muito agora.  Não quero interromper minhas operações e ter de vender meus ativos.  Será muito custoso ter de recomeçar tudo de novo mais tarde".

O mais importante motivo para qualquer país ou empresa fora dos EUA comprar dólares é para comprar petróleo.  Os países da OPEP vendem seu petróleo em troca de dólares.  Sendo assim, embora o dólar tenha encarecido bastante em relação às outras moedas, a queda no preço do petróleo mais do que compensou esse encarecimento do dólar para os estrangeiros.  Eles agora têm de pagar mais pelo dólar, é verdade, mas o declínio no preço do petróleo passou a ser lucrativo para quem está comprando petróleo para revender.  Para os meros consumidores de petróleo, isso é maná vindo dos céus.

[Nota do IMB: exceto para os desafortunados brasileiros].


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autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

  • Pedro Morais  16/12/2014 14:08
    Leandro, é proibido, para qualquer cidadão brasileiro, importar petróleo?
  • Leandro  16/12/2014 17:06
    Que eu saiba, não há proibição de importação. Mas há restrição de venda aqui dentro.

    O setor energético é certamente um dos mais regulados da economia brasileira. Além de a Petrobras deter um monopólio prático da extração de petróleo contra o qual é impossível concorrer -- após mais de 40 anos de monopólio jurídico (quebrado apenas em 1997), a Petrobras já se apossou das melhores jazidas do país --, há ainda a ANP, que regula tudo que diz respeito ao setor, e há toda uma cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos — ou a pessoas que possuem contatos junto ao governo.

    Livre concorrência nesta área nunca existiu.
  • Pedro  16/12/2014 18:30
    Abrir um posto de gasolina hoje não sai por menos de R$ 2 milhões. Já vi casos que somente com a regulamentação foram gastos mais de R$ 300 mil reais entre licenças, adequações e advogado. Isso fora os ridículos custos operacionais, vira e mexe mudam as regras ambientais e a partir daí você tem que começar do zero de novo, trocar tanques, bombas, etc.

    Quanto a cartelização do setor, o povo exagera, não é tão simples formar um cartel de postos de combustíveis, em minha experiência nunca vi um que durou. O preço é alto mesmo por causa dos custos operacionais e de capital. Ninguém vai investir R$ 2 milhões de reais em um negócio sem esperar um retorno de pelo menos R$ 30 mil mensais, sendo que só a poupança já dá mais de R$ 10 mil.
  • fox  16/12/2014 21:35
    Você já foi dono de posto?
  • Pedro  17/12/2014 14:38
    Minha família é desse ramo.
  • Henrique  16/12/2014 14:37
    O artigo falou das consequências para Irã e Rússia, mas e a pobre Venezuela, como fica? Cai o regime do Maduro?

    Abraços
  • Ricardo  16/12/2014 16:35
  • anonimo  16/12/2014 17:37
    O estado de bem estar social norueguês pode ser afetado?
  • Benko  16/12/2014 18:30
    Certamente não é boa notícia para eles.
  • Pedro  16/12/2014 18:33
    Todos os estados que sustentam suas politicas de bem-estar social e redistribuição de renda com receitas vindas da venda de petróleo estão correndo risco de não poderem mais arcar com isso.
  • anônimo  16/12/2014 14:41
    [Nota do IMB: menos para os brasileiros, que continuam refém de uma estatal monopolista gerenciada por políticos corruptos e que, para recuperar suas finanças destruídas pela corrupção, aumentou o preço da gasolina justamente em um momento em que os preços da gasolina estão despencando em todo o planeta]

    Brasil sil sil
  • Pobre Paulista  16/12/2014 14:56
    Em tese isso não aumentaria as margens de lucro da Petrobras?
  • ronaldo  16/12/2014 16:00
    Na área de vendas para o mercado interno, comprando mais barato e vendendo mais caro sim. Mas n podemos esquecer do petróleo extraído que eh vendido para o mercado externo...rombo ta ai
  • Felipe  16/12/2014 15:08
    O petróleo caindo e eu pagando mais caro para abastecer meu carro.

    Esse lixo estatal não tem que ser privatizado, tem quem ser destruido, seus parasitas demitidos ou presos.

    Depois tem quer deixar livre seus poços para quem quiser extrair petróleo.
  • Estagiario de Direito  16/12/2014 15:45
    Alguém aqui já reparou no valor do dólar?

    economia.uol.com.br/cotacoes/
  • André  16/12/2014 16:03
    O preço do petróleo cai no mundo todo e no Brasil a gasolina aumenta.

    E a Petrobrás deve estar aproveitando essa queda no preço do petróleo
    para aumentar seus lucros, ou reduzir seus prejuízos, sei lá.

    Mas ao mesmo tempo o dólar está disparando e as divididas da Petrobrás também.
    Espero que essa empresa monopolista vá logo à falência e seja privatizada.

    Abram o mercado que eu quero combustível barato!!!
  • André  16/12/2014 16:05
    "Se o WTI chegar a US$45, isso será uma grande oportunidade para comprar ações de empresas de energia.".

    Menos da Petrobrás. A empresa monopolista que consegue ter prejuízo mesmo tendo um monopólio.
  • Italiano  16/12/2014 16:31
    O Brasil estacionou na maré alta. Agora seus administradores serão submergidos pela própria incompetência.

    A Arabia Saudita faz isso apenas para prejudicar o regime xiita iraniano. Quem pode, pode.
  • Nêmesis  16/12/2014 17:48
    e Israel que aproveite: perdeu a chance de atacar ao Irã em 2007, foi estancado pela Rússia a partir de 2008 e pelo governo Obama a partir de 2009, e está numa posição mais segura mesmo assim. Vai entender como sempre se safam.

    E descobriu reservas de petróleo e gás e sua costa.
  • Ricardo  17/12/2014 02:39
    Não sei se vem ao caso o comentário, mas muitos conhecem que os Rothschild, a família mais rica e poderosa do planeta controlam a maioria dos bancos centrais do mundo, e estão de olho no banco central Iraniano. Penso que eles estão querendo provocar um enfraquecimento no Irã, para depois induzir uma guerra contra este país. A última vez que o preço do petróleo caiu em aproximadamente $45 em poucos meses houve uma grande crise financeira no mundo. Isso ocorreu em 2008. Estas oscilações elevadas na cotação do petróleo provocam fortes crises, induzindo com isso até mesmo guerras, como já ocorreram outras vezes.
    Outra família muito poderosa que possivelmente esteja envolvida nestas manobras da cotação do petróleo são os rockfellers. Donos do JP Morgan, Standard Oil, dentre outros negócios.
    Existe um bom livro que trata de assuntos estreitamente relacionados com o que estamos vivendo hoje escrito em 1936 chamado A Guerra Secreta Pelo Petróleo. A leitura vale a pena.
  • Felipe R  16/12/2014 16:34
    Boa Tarde,

    Essa técnica de extração de hidrocarbonetos a partir de folhelho (e não xisto) já está presente nos EUA desde meados 2009 (baseado nos artigos que tenho lido há algum tempo). Graças ao ambiente relativamente livre e à propriedade privada (o petróleo, nos EUA, pertence ao dono da terra), os empreendedores calcularam que seria mais rentável investir no "fracking" (a crise no mercado financeiro também ajudou). Não por acaso, o preço médio dos combustíveis caiu nas bombas americanas. Ainda que várias das extratoras sofram por terem apostado no crédito barato, a curva de desenvolvimento tecnológico dessa técnica está num momento de maturação rápida, ainda com espaço para redução, ou seja, os custos de produção estão diminuindo a uma velocidade e quantidade que podem reduzir ou anular o impacto negativo, se houver um "estouro de bolha". Sem contar os benefícios da redução de custo que toda a cadeia logística verificou neste ano. Certamente muitos lucraram mais com isso e irão poupar parte dos ganhos, para transformar em investimentos mais à frente.


    Abraço.

  • Guilherme  16/12/2014 17:47
    O xisto é um folhelho.
  • Felipe R  16/12/2014 19:34
    Olá Guilherme,

    Na verdade, não.

    [url=www.cprm.gov.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2618&sid=129]Definições CPRM[/url]

    [url=en.wikipedia.org/wiki/Schist]Xisto[/url]

    [url=en.wikipedia.org/wiki/Shale]Folhelho[/url]

    De qualquer forma, sabendo o contexto, como é o caso deste texto, é possível diferenciar xisto de "xisto".


    Abraço.
  • IRCR  16/12/2014 16:58
    O petroleo cai mas o real derrete.

    Para saber melhor tem que olhar a cotação do petroleo em REAIS ao longo do ano.
  • Felipe  16/12/2014 18:07
    Mesmo assim o preço em reais do barril WTI caiu 33% de agosto até ontem (15/12).

    E enquanto isso a gasolina só subiu aqui perto de casa.
  • Gustavo  16/12/2014 17:12
    Surgiu uma duvida agora? Será que essa manobra da Arabia Saudita também não é uma forma de combater o Estado Islamico, que se financia com os poços de petróleo tomados no Iraque e vende por um valor abaixo da OPEP no mercado negro? Pois se você forçar a diminuição do preço do barril, o Estado Islamico também vai ter que baixar o preço do petróleo contrabandeado e arrecadar menos dinheiro, dificultando sua expansão.
  • Nemesis  16/12/2014 17:53
    "Será?" só "será"? Por que? Não ta obvio?
  • Henrique  16/12/2014 17:13
    Um problema para a causa liberal seria se essa queda de preço afetar negativamente o México, que depende do petróleo para boa parte de suas receitas. Mesmo que as reformas liberais já colocadas em práticas ou ainda a ser implantadas minimizem os danos, os socialistas vão dizer que as reformas no México fracassaram. Uma pena!

    Abraços
  • Leandro  16/12/2014 17:51
    Reformas liberais no México?! Onde? Olha o que está acontecendo com o orçamento do governo!

    E o que dizer dos substanciais aumentos de impostos aprovados pelo governo mexicano, bem como do endividamento recorde e das incertezas que isso vem gerando? Está tudo aqui:

    www.economist.com/blogs/americasview/2013/10/mexico-s-government-v-business
  • Henrique  16/12/2014 18:08
    Ué, mas a imprensa toda (nacional e estrangeira) estava dizendo isto. Diziam até que o México se tornou o novo queridinho dos investidores internacionais. Ou essas reformas são muito tímidas para os padrões que este Instituto defende?
  • Leandro  16/12/2014 18:25
    Reformas? Que reformas? Estourar o orçamento e elevar impostos seriam "reformas tímidas"? Isso não é nem ser "tímida", mas sim exatamente o contrário do que este Instituto defende.
  • Lucas alves  17/12/2014 14:50
    O maior problema dos Liberais é como as pessoas veem os Liberais e as informações equivocadas que são divulgadas.
  • anonimo  16/12/2014 17:31
    Gostaria de dedicar a todos os russófilos:
    www.youtube.com/watch?v=blTgUXdCIhs
  • anônimo  17/12/2014 12:25
    De onde vc tirou que um site anarco capitalista vai ter russófilos?
    Mais uma olavete que acha que o Ron Paul é agente russo...
  • ricardson  16/12/2014 17:41
    Leandro,

    Dada essa atual alteração na taxa de juros da Rússia para 17%, isso afeta - em caso afirmativo, como afetará - a taxa de câmbio do real frente ao dólar? Isso significa que outros países emergentes tomarão essa mesma medida, ou seja, aumento da taxa de juros?
  • Leandro  16/12/2014 18:26
    Já está afetando. E muito. E sim, terão de tomar a mesma medida -- o que não adiantará muito, mas ainda assim tomarão.
  • Italiano  17/12/2014 02:20
    A Russia é resguardada pela China. A Russia fechou um contrato unilateral com a China para construção de um gasoduto que rendeu aos russos 400 bilhões dólares só este ano.
  • Rafael  16/12/2014 18:03
    Ah e os EUA não tem nada a ver, só a Arabia saudita ne?
  • Michelangelo  16/12/2014 18:27
    Do que exatamente você está falando?
  • Lucas alves  16/12/2014 23:09
    Bom pros EUA, comprar petroleo barato.


    mimimimimi "EUA conspirando contra venezuela, russia, irã".
  • Rafael  17/12/2014 00:46
    e pq nao seria justamente isso? consegue dizer o pq nao?
  • Lucas alves  17/12/2014 14:48
    O que eu quero dizer, e daí se ele estiver fazendo neste intuito?

    Sim, é "antiético", "imoral"(dependendo da sua visão) etc...não vou dizer "Ah eu concordo eles tem que fazer", mas é a história do "é assim que a banda toca e sempre tocou", sim, um conformismo da minha parte, mas não sei oq poderíamos fazer, just watching.

    Mas se você perceber, a Arabia Saudita que está armando com maestria essa situação, ela já tem ódio histórico contra regime iraniano e a Russia, e é de interesse dela quebrar a produção do Xisto agora, acaba por unir o útil ao agradável para os EUA esta "oportunidade".

    Já leu Arte da Guerra de Sun Tzu?
  • Andre  17/12/2014 17:08
    "...e é de interesse dela quebrar a produção do Xisto agora..."

    Fazer dumping pode ser classificado como extrema burrice.

    Se eles estão operando no prejuízo então uma hora eles vão ter que aumentar os preços e o Xisto volta à ser lucrativo.

    Se eles estão operando SEM prejuízo e planejam manter esse nível de preços por um longuíssimo prazo então a simples existência da tecnologia de Xisto já cumpriu o seu papel de fazer os preços baixarem, e todos os consumidores estão muito gratos por isso, menos os do Brasil, é claro, pra
    eles é indiferente.

    Fazer os atuais investidores da tecnologia de Xisto irem à falência não irá de modo algum impedir que outras pessoas invistam nessa tecnologia quando os preços aumentarem de novo.

    Quanto aos objetivos políticos de baixar o preço para prejudicar a economia de determinados países inimigos... aí sim me parece plausível.

    Claro que eu considero também a hipótese de que os caras da OPEP possam todos ser muito burros e acharem que impedindo a tecnologia de Xisto de se desenvolver agora isso automaticamente faria com que essa tecnologia fosse abandonada para todo o sempre, mesmo quando os preços voltarem ao normal.
    Mesmo assim acho improvável que os cara da OPEP possam ser assim tão burros.
  • Lucas alves  17/12/2014 19:04
    Andre, duvido muito que esteja em prejuízo. Sim, eles podem ser burro sim, na hora do desespero nunca se sabe o que se passa na cabeça deles, mas não sei se estão desesperados.

    O "quebrar o xisto" seria apenas retardar, lógico que a longo prazo não há quem o pare.
  • Pedro  20/12/2014 14:58
    Essa história de que o objetivo é "quebrar o xisto" não condiz com a realidade. Tudo que a Arábia Saudita fez foi ter dito que não iria reduzir a produção, apenas isso e ela o faz por motivos políticos, não econômicos. A queda no preço do petróleo se dá principalmente por dois fatores: desaquecimento de gigantes como a China e expectativa de aumento na oferta da commodity, especialmente nos EUA que já se aproximam de sua auto-suficiência. O preço reflete acima de tudo a expectativa dos agentes econômicos, se há uma expectativa de desaceleração na demanda e expansão da oferta o preço naturalmente cai.

    Com tudo o mais constante uma queda de preços artificial que não condize-se com a realidade econômica iria rapidamente fazer a demanda por petróleo subir e poderia até mesmo provocar uma escassez desse recurso, pois é esse o resultado prático de reduções artificiais nos preços, elas naturalmente não se sustentariam por muito tempo.
  • Quid  16/12/2014 21:36
    Essa recusa da Arábia Saudita em reduzir a produção de petróleo me lembra do governo Reagan e seu acordo com o sheik saudita da época. A Arábia Saudita aumentaria sua produção, o preço do petróleo despencaria e, consequentemente, causaria um rombo no orçamento da URSS - se não me engano, aproximadamente 80 por cento das receitas soviéticas em moeda forte vinham do petróleo.

    A semelhança daquela situação com a atual, senão cômica, gives me chuckles.

    www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/energy/oilandgas/11220027/Cheap-oil-will-win-new-Cold-War-with-Putin-just-ask-Reagan.html
  • Lucas  16/12/2014 23:15
    Não acredito que o preço do barril de petróleo irá subir novamente em uma velocidade similar a de 2008, uma vez que em 2008 a queda do preço foi função de uma redução brusca da demanda, dessa vez o que ocorre é um aumento da oferta.
  • Ricardo Bahia  17/12/2014 14:59
    Nao esta havendo uma reducao na demanda agora tambem?
  • Roberto Maranhão  17/12/2014 15:20
  • Angelo Viacava  18/12/2014 11:00
    O acordo EUA-Cuba para mais negócios entre as duas nações, sem a contrapartida em mais liberdade interna para cubanos, faz parte de uma estratégia da ilha em busca de novas fontes de financiamento do comunismo, já que a Venezuela pode deixar de ter tanto dinheiro disponível após a queda do petróleo?
  • Sergio Falco  18/12/2014 11:03
    Acreditar que a Arabia Saudita é a mentora de tudo isso me parece inocente
    Aliada historica dos EUA na região ela, a meu ver, está sendo usada como arma para quebrar a Russia e colocar o Putin de joelhos, obrogando-o desde já a recuar em seus arroubos de avanço territorial que causaram embaraço aos EUA
    Ao mesmo tempo a Arabia Saudita recebe a promessa de redução ou desaceleração na produção de xisto (que tambem agrada os ambientalistas dos proprios EUA) e machuca o Ira
    Por tabela ainda esmagam o grilo falante bigodudo da Venezuela..
    e tambem a Petrobras e seu pre-sal, assim eles não terão de ouvir aqueles "discursos aula" daquela Sra que parece o kim jong il...
  • Felipe  18/12/2014 15:06
    Ninguém mandou a Rússia, o Irã e a Venezuela ficarem tão dependentes do petróleo.

    Tem que se ferrar mesmo.

    Se optassem pelo capitalismo não seriam tão vulneráveis assim. (Engraçado que os esquerdistas dizem o oposto)

    A economia americana é a 3° maior produtora de petróleo, e pergunta se isso vai abalar a economia deles.
  • Andre Cavalcante  18/12/2014 21:14
    Essa queda no preço do petróleo não pode quebrar a Arábia Saudita? Não sei se será possível para quem quer que seja, sustentar-se neste patamar de preço (USD40.00) por muito tempo.

    Um professor amigo meu me disse que a exploração do óleo só é viável a partir de USD50.00.

    Agora isso tudo é uma peia na "energia renovável": exceto água que ainda é a fonte mais barata, vento somente é viável com o petróleo na casa dos USD100.00 e sol somente é viável na casa dos USD150.00 (li isso em um relatório da Petrobrás a um par de anos atrás, pode não estar acurado e devemos levar em conta que Petrobrás é, antes de tudo, petróleo).

    PS: todos os valores se referem ao barril, obviamente.
  • Max  20/12/2014 00:46
    A Petrobras não é estatal, o monopólio foi quebrado pelo FHC em 1997!
    Qualquer um pode abrir sua empresa de petróleo, basta seguir as regras da ANP
  • Steel  20/12/2014 02:02
    Informe-se, cidadão.

    O governo detém 64% do capital votante da Petrobras, o que significa que é ele quem de fato manda na empresa. E se o governo manda na empresa, ela é estatal. Ou você desconhece que o alto escalão da Petrobas é formado por indicados políticos?

    Sobre o monopólio, sim, ele foi quebrado em 1997, após mais de 40 anos. Só que 40 anos de monopólio deram à Petrobras a propriedade das melhores jazidas do país. Não tem como alguém concorrer. É como você chegar atrasado ao cinema: os melhores assentos já foram tomados, e você terá de se contentar com os piores.
  • Thiago Ferreira Sampaio  20/12/2014 02:04
    Esse é o nível do brasileirinho médio. O coitadinho confunde o conceito de estatal com o conceito de monopólio. Diz ele que se o monopólio de uma estatal foi abolido, então a empresa não mais é estatal.

    E é esse pessoal que vota, viu?
  • anonimo  21/12/2014 03:13
    A Arábia está na contramão, porque cientistas alertam para redução (40% a 70%)das emissões até 2015
  • Carlos  21/12/2014 20:28
    Cientistas de onde? East Anglia? IPCC?

    Esses aí não conseguem nem ser apontadores do bicho, que dirá cientistas.
  • Rud  21/12/2014 16:05
    Dizer que os USA e a Arábia Saudita estão tramando isso contra a Rússia é no mínimo uma falta de bom senso....as pessoas que dizem isso foram as mesmas que disseram antes que a Arábia queria quebrar os produtores americanos .....ou seja, eles próprios ainda não decidiram o que querem realmente os USA ou a Arábia.....rsssss.....o que esta acontecendo é simplesmente um ajuste de mercado como é de praxe....enquanto ainda os analistas ainda analisavam o shale gás, os americanos já estavam dando pau na maquina de produção, isto é, produzindo e jogando oil no mercado.....o mercado aos poucos foi se dando conta disso.....para os curiosos vejam só o desempenho da XLE na na bolsa de NY, NYSE de 2008 para cá......por outro lado , temos a recessão da Europa, Japão , baixo crescimento americano, redução do ritmo chinês, ainda como dolorosos reflexos da crise de 2008......temos ainda a volta a uma "normalidade relativa" dos países árabes que vivenciaram a sua primavera ( revolução ?) como a Líbia por exemplo que voltou a despejar mais petróleo no mercado.....em suma, temos mais oferta agora que demanda..... Se a Rússia esta em crise agora, o problema é dela, que fincou as bases de sua economia no gás e petróleo e se gabava disso como um bom exemplo para o mundo.....portanto, pessoal da teoria da conspiração...menossss por favor !
  • marcelo  22/12/2014 00:22
    Seria hora de comprar ações da Petrobras? Estou pensando seriamente em tirar 50 mil aplicados para isso...
  • Rud  22/12/2014 13:58
    Marcelo.....a primeira pergunta que vc deve fazer a si mesmo : 1) eu vou precisar desse dinheiro a curto a prazo ?.....segunda pergunta : eu tenho a intenção de ser sócio ou apenas quero fazer trade ?.....tudo vai depender das suas resposta....ok ?
  • Emerson Luis, um Psicologo  22/12/2014 20:29

    Quantas décadas fazem que alertam que o petróleo não duraria mais dez ou vinte anos?

    * * *
  • ricardson  23/12/2014 12:18

    Saiu no Estadão: Megainvestidor George Soros compra mais ações da Petrobras.

    Segue o link:

    economia.estadao.com.br/noticias/negocios,megainvestidor-george-soros-compra-mais-acoes-da-petrobras,1609845
  • Rud  25/12/2014 04:56
    mmmmm..... ingenuidade as pessoas acharem que sabem o que os megainvestidores estão pensando ....quando se torna publico um " modus operandi " desses caras,eu aprendi como pequeno investidor, a colocar minhas barbas de molho e ficar fora desse mimimi e me concentrar mais em minhas proprias estratégias....esses caras operam milhões ou mesmo bilhões de dolares, estão numa posição singular,,,,,,,é aquela velha estória , camundongo que tenta acompanhar mamute na floresta, vai acabar sendo esmagado.....temos que aprender com o Buffet , o Soros , etc e não seguir e imitar o que eles fazem ou deixam de fazer no mercado....são duas cosas totalmente diferentes e que confundem muita gente .
  • Thiago  25/12/2014 17:03
    Leandro, me desculpe a ignorância, sou novo no site e não tenho formação em economia, mas fiquei com uma dúvida a respeito do tema. Se é tão fácil para a Arábia por decisão própria baixar o preço mundial do petróleo, então não seria esse o preço próximo do "real"? A margem de lucro não estava muito alta quando ele estava acima de 100? No livre mercado não seria interessante para a Arábia vender para o mundo e "quebrar a concorrência"já que só ele consegue produzir a um valor tão baixo? Esse preço anterior não poderia ser considerado fruto do cartel? E uma vez que isso estivesse acontecendo não seria passível de uma intervenção para baixar o preço do petróleo há muito tempo? O livre mercado falhou com o petróleo?
  • Leandro  26/12/2014 10:48
    Não entendi muito bem.

    Em primeiro lugar, sim, a OPEP é um cartel, mas só é um cartel porque conta com a anuência do governo americano.

    Explico: já foram descobertas grandes reservas de petróleo nos estados do meio-oeste americano, bem como em ANWR (Arctic National Wildlife Refuge), no Alasca. Só que o governo americano proíbe, por motivos ambientais, a exploração em tais lugares.

    Ou seja, existe uma vasta oferta esperando para ser explorada, mas há um governo proibindo que tal oferta seja explorada. Tal restrição de oferta por meio de um decreto governamental é a configuração precípua de cartel, ainda que um tanto enviesado (os EUA estão sustentando o cartel dos árabes).

    De resto, os recentes acontecimentos comprovam que, mesmo em um cartel, os preços altos não se sustentam por muito tempo, pois qualquer alteração na oferta fará com que os próprios membros do cartel se traiam e lutem para manter suas fatias de mercado. E eles farão isso reduzindo preços.
  • Carlos Alberto  06/12/2015 04:30
    Para quem crê que a mão de Deus atua sobre o mercado (e sobre a cabeça de nossos líderes) vou citar algumas coisas muito boas desse processo (de queda dos preços):
    1.Reparem que os países 'prejudicados' (Venezuela, Irã, Brasil, Rússia, etc) criaram uma política 'socialista' baseada nos altos lucros de um produto só - e estagnaram seu progresso (julgue você mesmo se esse tipo de socialismo tem lado bom) Ocorre que agora a NECESSIDADE mudou (e até a Rússia está tendo que se readaptar);
    2. Todos os países do mundo dependem do petróleo para girarem suas economias e - principalmente os importadores estão tendo valiosíssima redução de custos
    3. Xisto é mais poluidor ainda que petróleo - e os EUA podem esperar para aproveitar essas reservas (se estão adiando até exploração de petróleo);
    4. Quanto ao Irã [top secret]
  • mauricio barbosa  26/01/2016 20:12
    Leandro Roque li alguns dias atrás blogs pró-governo se vangloriando da estratégia de Putim,o mesmo está querendo comercializar o petróleo russo somente em rublo e se isso for verdade qual o impacto econômico dessa medida pois creio eu você está mais a par desse mercado e te peço para explicar essa medida em detalhes.
  • Gold Currency  19/08/2016 20:23
    Qual fenômeno foi o principal responsável por derrubar o preço do petróleo:

    O aumento da oferta do óleo ou o fortalecimento do dólar?
  • Leandro  19/08/2016 22:03
    Em minha opinião, embora a questão da oferta (principalmente por causa do fracking dos EUA) tenha sim gerado uma pressão baixia nos preços do petróleo, a queda se deu majoritariamente pelo fortalecimento do dólar.

    Vale lembrar que o barril despencou de US$ 140 para US$ 35. Tamanha queda não se deve apenas a aumento de oferta. O aumento teria de ter sido explosivo para gerar tamanha queda.

    O fato é que, como já explicado várias vezes por este site, todas as commodities (de minério de ferro a petróleo, passando pelo ouro) são precificadas em dólar. Se o dólar está fraco, as commodities encarecem (em dólar). Vide os preços recordes (em dólar) do petróleo, do minério e do ouro em 2008 e 2011. Se o dólar está forte, as commodities barateiam (em dólar). Vide os preços baixos atuais (em dólar) do petróleo, do minério e do ouro.

    A relação entre valor do dólar e valor das commodities é direta. Sendo assim, o boom das commodities está intimamente ligado ao dólar fraco. E o arrefecimento das commodities está intimamente ligado ao dólar forte.

    O boom das commodities (principalmente minério, petróleo e ouro) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar. E o atual "arrefecimento" das commodities iniciado em meados de 2014 também está ligado ao fortalecimento do dólar. O gráfico do dólar em relação ao ouro, mostrado neste artigo, ilustra perfeitamente esse fenômeno.

    Aliás, o famoso "choque do petróleo" na década de 1970 estava diretamente ligado à inflação do dólar naquela época. Você deve se lembrar que a década de 1970, que foi quando o Nixon aboliu os últimos resquícios do padrão-ouro, foi uma década de alta inflação nos EUA. O dólar foi desacoplado do ouro e, como consequência, se desvalorizou abruptamente. Como era de se esperar, o preço do petróleo em dólar disparou. E tão logo Paul Volcker assumiu o Fed e deu uma pancada nos juros, o dólar se fortaleceu e o petróleo barateou. E continuou barateando na década de 1990, quando o dólar seguiu forte.

    Aí, vieram os anos 2000, a guerra no Iraque e a bolha imobiliária americana, e o dólar foi pro saco (O que beneficiou enormemente Lula). Em 2008 e 2011, o barril encostou em US$ 150. E então, do nada, o dólar voltou a se fortalecer a partir de 2012. O preço do barril foi desabando. E do minério de ferro também. E de todas as commodities (quando precificadas em dólar).
  • Crítico  10/09/2016 19:38
    Leandro, favor conferir o seguinte link: portaldejornalismo-rj.espm.br/entenda-as-principais-crises-economicas-mundiais/

    Em particular esse parágrafo: "Diferentemente da crise citada anteriormente, as de 1973 e de 1979 não têm origem em fatores estritamente econômicos, mas sim na política. Segundo Simonard, foram externalidades as responsáveis por provocar efeitos econômicos em escala global. No primeiro choque do petróleo, em 1973, o elemento detonador foi a Guerra do Yom Kippur, entre árabes e judeus, em disputa pelos territórios palestinos. Assim, os países árabes e produtores de petróleo fizeram um boicote a todos aqueles que estivessem ao lado dos israelenses. Em menos de um ano, o preço do barril de petróleo aumentou de US$2,50 para US$11,50, impactando mais diretamente os países industrializados a partir de 1974, gerando inflação e instabilidade.
    Em 1979, ano da Revolução Iraniana, ocorreu o segundo choque do petróleo. Com a deposição do ditador Xá Mohammad Reza Pahlevi, foi instaurada a República Islâmica no país, controlada pelos xiitas. Até meados de 1980, o preço do barril de petróleo foi parar nas alturas, chegando a US$80,00."

    Em nenhum momento o autor cita o fim do padrão-ouro em 1971 como causa desse aumento nos preços.

    É correto afirmar que essas questões geopolíticas influenciaram mais na crise do petróleo do que a desvalorização do dólar americano?

    Abs.
  • Leandro  10/09/2016 20:53
    Não. Isso é explicação preguiçosa e clichê.

    Qualquer um que queira falar sobre alterações abruptas nos preços de uma commodity mundialmente precificada em dólar, mas que ignore o que está acontecendo com o dólar -- que exatamente a unidade de conta utilizada para "mensurar" o preço dessa commodity --, não está fazendo uma análise completa, crível e não-ideológica.
  • Crítico  10/09/2016 21:35
    Concordo. Porém, me parece que se ouve de fato esse "boicote" por parte dos produtores, existe um fator bastante forte que indica que o aumento do barril teria ocorrido mesmo que o padrão-ouro tivesse permanecido em vigor durante aquela década.

    Pra ser sincero, já ouvi algumas teorias dizendo que ficar zoando com preços das commodities é algo rotineiro entre os governos dos países produtores, o que cria uma espécie de "guerra comercial". Se isso for verdade, fica difícil fazer análises estritamente econômicas em relação ao preço desses materiais.
  • Leandro  10/09/2016 22:08
    Que os caras, às vezes, tentam manipular os preços para cima isso é indiscutível. Mas a questão é: conseguiriam eles fazer o preço do barril pular de US$ 3 para US$ 34 (aumento de mais de 1.000%) em uma década só com esses joguinhos?

    O preço do petróleo aumentou mais de 1.000% em uma década só porque "zoar com preços das commodities é algo rotineiro entre os governos dos países produtores"?

    Isso, sim, é uma teoria furada.

    Aliás, se é tão fácil assim "zoar com preço de commodity", por que então não fazem isso agora, que os preços estão lá embaixo? Mais ainda: por que não fizeram isso durante a década de 1980, quando o mundo vivia um boom econômico? E por que também não fizeram na década da 1990, quando o mundo já estava ainda mais rico? Ô gente que gosta de perder dinheiro, hein? Ou seriam esse árabes excessivamente caridosos para com o resto do mundo?

    De resto, por que é simplesmente impossível ver o petróleo disparando quando o dólar está forte? E por que também é simplesmente impossível ver o petróleo barato quando o dólar está fraco?

    Eu gostaria muito da saber uma teoria que explique como seria possível elevar em 1.000% o preço de uma commodity mundial ao mesmo tempo em que a moeda na qual ela é precificada esteja forte. Só isso.


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