O que nos aguarda e o que deve ser feito
por , quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

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Joaquim Levy: ele sabe cortar gastos, mas também sabe elevar impostos
Dilma Rousseff passou toda a sua campanha à reeleição demonizando banqueiros, dizendo que eles literalmente iriam roubar a comida do prato dos pobres caso estivessem no comando da economia. 

Inicialmente, o alvo favorito de Dilma foi Marina Silva, cuja coordenadora da campanha, Maria Alice Setubal — mais conhecida como Neca Setubal —, era herdeira do Itaú. 

Depois, já no segundo turno, o alvo passou a ser Aécio Neves e seu eventual Ministro da Fazenda, Armínio Fraga, que foi tratado como um moleque de recados do mercado financeiro e acusado de gostar juros altos com o único objetivo de fazer a alegria dos banqueiros.

Porém, tão logo as urnas sacramentaram sua vitória apertada, Dilma deixou a retórica de lado e foi se ajoelhar perante o todo-poderoso presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro Brandão — a quem carinhosamente chama de "Seu Brandão" —, pedindo que ele liberasse um de seus melhores funcionários, ninguém menos que o atual presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para ser seu futuro Ministro da Fazenda.

Após a recusa de Trabuco, Dilma seguiu ajoelhada e implorou por outro manda-chuva do Bradesco: Joaquim Levy, diretor superintendente do Bradesco Asset Management, braço dos fundos de investimento do banco.  Levy aceitou.

O curioso é que Neca Setúbal nem sequer é banqueira; é apenas uma herdeira.  Ela não trabalha com bancos; é educadora.  Já Lázaro Brandão, Trabuco e Joaquim Levy são banqueiros no sentido mais clássico do termo.

Uma conclusão: para Dilma, banqueiros maus só os do Itaú.  Os do Bradesco aparentemente são dotados de alguma sensibilidade social.

Uma ironia: economista com doutorado pela Universidade de Chicago e detentor de inquestionáveis credenciais ortodoxas — é conhecido como Joaquim Mãos de Tesoura, pois por onde passou cortou gastos e trancou os cofres —, Joaquim Levy não apenas é um grande amigo de Armínio Fraga, como também foi seu aluno e deu conselhos econômicos para a campanha de Aécio.

Ou seja, após dizer que se Marina Silva ganhasse as eleições os banqueiros do Itaú comandariam a economia, e que se Aécio ganhasse as eleições Armínio Fraga comandaria a economia ajoelhado perante o mercado financeiro, Dilma ganhou as eleições e quem vai comandar a economia é um Chicago boy do Bradesco, que foi aluno de Armínio e que deu conselhos para a equipe econômica de Aécio.

Quem é Joaquim Levy

Ainda no final de 2002, quando Antonio Palocci estava à procura de quadros qualificados — leia-se: não ligados ao PT — para compor sua futura equipe econômica, Joaquim Levy foi recomendado a Palocci por Armínio Fraga. Além de Levy, Armínio também indicou Marcos Lisboa e Murilo Portugal, os quais também foram prontamente efetivados.

Levy tornou-se Secretário do Tesouro no primeiro mandato de Lula, função essa que hoje é exercida pelo pavoroso Arno Augustin.

Nessa função, Levy foi odiado pelos radicais do PT, que viam nele um tecnocrata imune às demandas por mais gastança.  Se, de um lado, ele se mostrou inflexível a todas as propostas de aumentar os gastos, de outro, ele não teve nenhum problema em aumentar impostos.  A alíquota da COFINS subiu de 3% para 7,6% ao passo que a base de cálculo da CSLL foi alargada, o que aumentou a arrecadação.

Vista por esse prisma, a indicação de Levy por Dilma realmente não é de todo incoerente.

Mas há pontos positivos.  No início de sua gestão no Tesouro, a TJLP, que é a taxa de juros dos empréstimos do BNDES, foi elevada para 12%.  Atualmente está em 5%.  Ironicamente, também durante sua gestão, houve uma proposta de capitalização do BNDES, que receberia uma injeção de dinheiro público.  Tal medida sofreu resistência implacável de Levy, e não foi efetivada enquanto ele ocupou a função.  Já o atual Secretário do Tesouro, Arno Augustin, não apenas abriu completamente os cofres e liberou verbas bilionárias, como também utilizou o BNDES em operações "contabilmente criativas" para maquiar as contas públicas.

Com mestrado em economia pela FGV e com doutorado pela Universidade de Chicago, Levy já trabalhou no FMI e no Banco Central Europeu. Quando foi o secretário do Tesouro de Lula, de 2003 a março de 2006, teve conflitos duros com a própria Dilma Roussef, que era ministra de Minas e Energia.  Quando a então equipe econômica quis implantar um programa que limitaria o crescimento dos gastos com custeio, pessoal e até mesmo com políticas sociais, Dilma veio a público irritada e classificou o programa como "rudimentar". 

Disse ela: "despesa corrente é vida".

A mandatária, pelo visto, não pode ser acusada de incoerente.  Seu primeiro mandato presidencial foi pautado exatamente por essa visão de mundo.

Levy saiu do Tesouro em março de 2006 após a demissão de Palocci e foi para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).  Mas voltou ao Brasil já em janeiro de 2007 para ser o Secretário da Fazenda do estado do Rio de Janeiro no primeiro mandato de Sérgio Cabral.  Após dois governos desastrosos do casal Garotinho, as finanças do estado estavam em frangalhos.  Levy conseguiu fazer um ajuste fiscal e, ao equilibrar as finanças, fez com que o estado do Rio fosse o primeiro estado brasileiro a receber o "grau de investimento" da Standard & Poor's.

Saiu do cargo em março de 2010 e foi para o Bradesco, onde atua na direção de gestão de fundos de investimentos e ganha algo em torno de R$250 mil por mês.  Como ministro, ganhará R$26 mil.  Não há motivos para crer que ele aceitaria trocar esse belo emprego no Bradesco para virar um mero capacho de Dilma e ganhar bem menos.

O lado positivo é que Levy já mostrou que sabe equilibrar orçamentos e não tem muito problema em segurar gastos.  O lado negativo é que ele costuma equilibrar orçamentos aumentando impostos. 

E já circulam pelos bastidores promessas de retorno da CIDE, elevação da alíquota do PIS e da COFINS sobre produtos importados, e aumento da tributação sobre cosméticos

Já se fala também na volta da CPMF (que está sendo articulada por governadores do PT), na tributação de dividendos e na extinção dos juros sobre capital próprio (também projetos de deputados do PT).

Ou seja, se o governo realmente decidir fazer um "ajuste fiscal", pode preparar seu bolso.

O resumo da encrenca

Aparentemente, o ano de 2015 já está perdido. O estrago feito nos últimos anos foi enorme e o conserto não será nem rápido e nem indolor. 

O trio Guido Mantega (Fazenda), Arno Augustin (Tesouro) e Márcio Holland (Secretária de Política Econômica) deixou um legado desastroso, de modo que o simples anúncio da saída destes senhores já é motivo de comemoração.

As últimas notícias econômicas são desalentadoras. 

Em primeiro lugar, a economia está, na melhor das hipóteses, estagnada há 15 meses.  Dos últimos 5 trimestres, a economia encolheu em três deles e ficou parada em um.

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Mesmo esse crescimento de 0,1% divulgado para o terceiro trimestre deste ano não é nada alentador, uma vez que, em relação ao terceiro trimestre de 2013, o PIB do terceiro trimestre de 2014 encolheu 0,2%.

O endividamento das famílias (que segue em níveis recordes) em conjunto com a carestia (que não dá sinais de arrefecimento) derrubou o consumo das famílias.

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Os investimentos, que vinham encolhendo há 4 trimestres seguidos, apresentaram uma ligeira retomada.  Mas crescer 1,3% após terem encolhido 12% em quatro trimestres seguidos não é nada alvissareiro.

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O problema é que os números são piores do que parecem: na comparação com o terceiro trimestre de 2013, houve uma queda de 8,5% nos investimentos do terceiro trimestre de 2014, o que indica que a confiança dos empresários segue definhando.

E, de fato, a confiança do empresariado atingiu o menor valor da série histórica.

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Isso se reflete na indústria, onde a carnificina se intensificou.  Nos últimos 10 trimestres, a produção industrial encolheu em 9 deles (em relação ao mesmo mês do ano anterior).

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Já a confiança do consumidor despencou para o menor nível desde 2008.

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A taxa de câmbio se desvalorizou continuamente desde meados de 2011, com o real se enfraquecendo quase 40% em relação ao dólar.

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A inflação de preços acumulada em 12 meses passa longe da meta, de 4,5%, desde 2011, e se mantém teimosamente acima do teto da meta, de 6,5%:

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E quando analisada mais pontualmente, a carestia se revela ainda mais descontrolada.  A inflação de preços acumulada em 12 meses no setor de serviços está em 8,50%, e a de bens não-duráveis, como alimentação e bebidas, está em 6,74%.

Já a situação real das contas públicas do Brasil está entre as piores do mundo.  Para começar, o superávit primário (receitas menos despesas, sem incluir o pagamento de juros da dívida) deixou de existir, e agora os déficits primários, que não ocorriam desde 1997, passaram a ser a norma. 

E, no acumulado no ano, o déficit nominal (receitas totais menos despesas totais, incluindo o pagamento de juros da dívida) já alcançou R$224,4 bilhões, sendo que no ano passado, nesse mesmo período, ele havia sido de R$132,2 bilhões.

Nos últimos doze meses, o déficit nominal foi de R$249,7 bilhões, o que equivale a 4,92% do PIB, a maior taxa em 11 anos.

Este patamar só é igualado ou superado por EUA, Reino Unido, Japão, Índia e África do Sul.

O gráfico abaixo mostra uma projeção, otimista, do FMI para todo o ano de 2014.

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Este artigo explica em mais detalhes as atuais manobras do governo para, na prática, acabar com o superávit primário.  O que importa, no entanto, é que déficits no orçamento do governo (sejam eles primário ou nominal) são financiados pela emissão de títulos do Tesouro.  E esses títulos do Tesouro são majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de dinheiro

Portanto, os déficits do governo são uma medida inerentemente inflacionária.  Será difícil reduzir a atual inflação de preços se o governo não equilibrar seu orçamento.

Como consequência desses crescentes déficits nominais, a dívida bruta do governo já alcançou R$3,05 trilhões em outubro, equivalente a 61,7% do PIB.  Para que se tenha uma ideia, no final de 2013, a dívida bruta do Brasil estava em 56,7% do PIB.

Caso essa rota não seja alterada, o Brasil pode perder o grau de investimento (investment grade) da Standard & Poor's.  Como consequência, fundos estrangeiros que investem no Brasil terão, por questões legais, de retirar seus dólares daqui.  Isso geraria uma saída maciça de capitais do Brasil, com consequências desastrosas para a taxa de câmbio e, consequentemente, para a inflação de preços.

E o que tudo isso gerou? Essa série de notícias fala por si:

Emprego tem o pior abril em 15 anos, mostra Caged

Brasil tem menor abertura de vagas formais para julho em 15 anos, mostra Caged

Criação de vagas até agosto é a pior da série histórica

Criação de empregos formais tem pior mês de setembro em 13 anos

País fechou 30 mil vagas formais em outubro, informa governo

A taxa de desemprego só não sobe porque, como explicado em detalhes neste artigo, o número de pessoas economicamente ativa e à procura de emprego está caindo.  Se as pessoas param de procurar emprego, elas não entram na estatística de desemprego.

Só que a riqueza de um país não é determinada pela taxa de desemprego, mas sim pela quantidade de pessoas que trabalham.  E, como mostra a linha vermelha abaixo, o número de pessoas empregadas não avançou nada desde meados de 2012.

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Com todos esses feitos, o resultado não poderia ser outro: pesquisa recentemente divulgada pelo IPEA — a qual foi convenientemente deixada para ser publicada somente após as eleições — mostra que, após 10 anos, o número de miseráveis voltou a subir no Brasil.  O aumento foi de 3,7%.

O que terá de ser feito

Os resultados acima mostram o fracasso de mais um experimento heterodoxo no Brasil. 

Após 4 anos de intensa aplicação, a Nova Matriz Econômica — que se baseia em política fiscal expansionista, juros baixos, crédito subsidiado, câmbio desvalorizado e aumento das tarifas de importação para "estimular" a indústria nacional — logrou apenas recessão, queda nos investimentos, queda na produção industrial, aumento nas falências, aumento na inadimplência, desânimo no setor de serviços e, como mostra o gráfico acima, estagnação na criação de empregos.

A troca da equipe econômica, com a demissão de Guido Mantega, Arno Augustin e Márcio Holland, e a nomeação de Joaquim Levy, representa um reconhecimento tácito desse fracasso por parte de Dilma.

Já é um bom começo.

Mas e aí?  O que deve ser feito?

Atacar a carestia

A primeira e mais crucial medida a ser tomada é atacar a carestia.  Além de estrangular o orçamento das famílias e de gerar incertezas no empresariado (estudantes de contabilidade sabem como isso funciona), a inflação de preços é uma das responsáveis diretas pelo definhamento do setor industrial, como foi explicado em detalhes neste artigo.

E para atacar a carestia, duas medidas terão de ser tomadas simultaneamente: controlar o orçamento do governo — ou seja, reduzir os déficits nominais — e controlar a voracidade dos bancos estatais.

Ao contrário dos países desenvolvidos — nos quais o Ministro da Fazenda é uma figura quase que meramente decorativa, de modo que quem tem o real poder é o presidente do Banco Central (você sabe quem é a presidente do Fed, mas não sabe quem é o ministro das finanças dos EUA) —, no Brasil, o Ministro da Fazenda tem uma importância quase tão grande quanto a do presidente do BACEN. 

E o motivo é simples: é ele quem comanda a política de crédito dos bancos estatais.  E é exatamente aí que Joaquim Levy terá de agir com mais determinação.

Portanto, a tarefa imediata de Levy, sem a qual qualquer outra será ineficaz, é controlar os bancos estatais.  Na condição de Ministro da Fazenda, ele tem totais poderes sobre o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES.

No gráfico abaixo, a linha azul mostra o total de crédito concedido pelos bancos privados (Itaú, Bradesco, Santander, HSBC, Citibank e outros pequenos).  A linha vermelha mostra o total de crédito concedido pelos bancos estatais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia e demais bancos públicos estaduais, como Banrisul, BRB, Banestes etc.)

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Vale repetir: no nosso atual sistema monetário e bancário, quando uma pessoa ou empresa pega empréstimo, os bancos criam dinheiro do nada — na verdade, meros dígitos eletrônicos — e simplesmente acrescentam esses dígitos na conta do tomador do empréstimo.  Ou seja, todo esse processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia. 

(Mesmo o BNDES, que antigamente utilizava apenas recursos do FAT, teve sua operação alterada, e agora também se tornou uma máquina de criar dinheiro, ainda que de maneira indireta.  Funciona assim: como o BNDES não tem todo o dinheiro que o governo quer destinar a seus empresários favoritos, o Tesouro emite títulos da dívida com o intuito de arrecadar esse dinheiro para repassar a esses empresários.  Trata-se de uma operação que, além de inflacionária, aumenta a dívida bruta do governo.  Sobre os títulos emitidos, o Tesouro paga juros de 11,25% (SELIC atual).  Já o BNDES cobra apenas 5% nesses empréstimos que repassa a empresários.)

O gráfico acima, portanto, mostra quanto dinheiro foi criado pelos bancos privados (linha azul) e pelos bancos estatais (linha vermelha) em operações de concessão de empréstimo.

Olhando o gráfico, algumas coisas se tornam imediatamente evidentes: 1) o crédito no Brasil já se encontra efetivamente estatizado; 2) o crédito dos bancos estatais, majoritariamente do tipo 'crédito direcionado', é indiferente a alterações na SELIC; 3) os bancos estatais estão completamente fora de controle, criando dinheiro e jogando esse dinheiro na economia de forma exponencial; 4) são os bancos estatais os principais causadores da carestia que estamos vivenciando no Brasil.  Quanto mais dinheiro eles jogam na economia, maior é a pressão sobre os preços.

Joaquim Levy, portanto, terá duas opções: ou ele faz com que os bancos públicos reduzam suas concessões de empréstimos, ou ele faz com que os bancos públicos elevem os juros desses empréstimos (muito abaixo da SELIC e apenas pouco acima da inflação de preços).

Caso nenhuma dessas duas alternativas seja implantada, não restará outra opção senão o Banco Central intensificar a alta da SELIC, a qual afeta apenas os bancos privados.  Dado que os bancos estatais são imunes à SELIC e dado que eles são responsáveis por metade dos empréstimos feitos no Brasil, a conclusão óbvia é que a SELIC terá de ser elevada de maneira ainda mais intensa apenas para encarecer os empréstimos feitos pelos bancos privados e, com isso, reduzir um pouco o processo de criação de dinheiro.

Caso o BC faça isso, o crédito dos bancos privados ficará ainda mais restrito, e a economia ficará ainda mais dependente do crédito estatal.  É praticamente uma "sovietização" da economia brasileira.

Além de atacar os bancos estatais, o orçamento do governo também terá de ser equilibrado.  Os déficits nominais (esqueça o superávit primário, um mero truque ilusório que não é utilizado por nenhum país desenvolvido) terão de ser reduzidos.  Melhor ainda se forem zerados.  Quanto mais Joaquim Levy utilizar suas "mãos de tesoura", mais efetivo será o ataque à carestia.

E Levy já deu mostras de que sabe fazer cortes; mas também já deu mostras de que sabe elevar impostos.  Oremos.

Caso o governo não faça o ajuste fiscal e opte pelos juros, o setor produtivo — que já está definhando — irá sofrer ainda mais.  Com o crédito mais caro, os investimentos produtivos não ocorrerão.  Consequentemente, as exportações serão afetadas.  O rombo nas contas externas (em níveis recordes) terá de ser coberto pelo aumento do influxo de investimento estrangeiro direto e de capital especulativo.  Por enquanto, esse influxo vem ocorrendo.

No entanto, caso haja um revertério no cenário internacional e o influxo diminua, o ajuste será feito "pelo mercado", isto é, pela desvalorização da taxa de câmbio, o que irá intensificar ainda mais a inflação de preços.

Portanto, é recomendável que o senhor Levy ajuste as contas do governo imediatamente.  E que faça isso apenas cortando gastos, sem elevar impostos.

Por fim, vale enfatizar algo que este instituto sempre pregou: o gradualismo não funciona.  Seja no corte de gastos, seja na elevação de juros.  No período 2002-2003, a SELIC foi elevada de 18% para 26,50% em um período de apenas 5 meses.  Esse ajuste súbito ajudou a derrubar a inflação de preços de 17% para 5%, pois deu um choque de confiança e alterou de maneira efetiva as expectativas de empresários e consumidores.   Atualmente, o Banco Central elevou a SELIC de 7,25% para 11,25% em um período de longos 19 meses.  Isso não afetou expectativas e nem gerou confiança.  Serviu apenas para encarecer o crédito dos bancos privados e aumentar o espaço dos bancos públicos. Não fez nem cócegas na inflação de preços.

Reduzir o endividamento

Outra prioridade é reduzir a dívida bruta, que alcançou R$3,13 trilhões em setembro, equivalente a 61,7% do PIB.  Dado que, no final de 2013, a dívida bruta do Brasil estava em 56,7% do PIB, houve um aumento de 5 pontos percentuais em apenas 9 meses.  E o que é pior: esse aumento nem sequer gerou algum crescimento econômico. 

Os investidores estrangeiros já estão totalmente a par das mágicas contábeis feitas pelo senhor Arno Augustin — demorou bastante, mas a ficha deles caiu —, de modo que ninguém mais presta atenção na dívida líquida. 

Caso a dívida bruta do Brasil (que, entre os países em desenvolvimento, é menor apenas que a da Hungria) não seja reduzida, as agências de classificação de risco poderão reduzir a nota dos títulos da dívida brasileira.  Se a Standard & Poor's retirar o "grau de investimento" do Brasil, fundos estrangeiros serão proibidos, por questões legais, de investir aqui.  Consequentemente, terão de retirar seus dólares do Brasil.  Essa fuga de capitais derrubaria ainda mais a taxa de câmbio, afetando a carestia.

Portanto, e de novo, é recomendável que o senhor Levy ajuste as contas do governo imediatamente.  E que faça isso apenas cortando gastos, sem elevar impostos.

Corrigir o setor elétrico

Outro pavor é a questão elétrica. O baixo nível dos reservatórios e a crescente dependência das termelétricas indicam que o sistema elétrico terá custos crescentes e dependerá cada vez mais das chuvas.

Toda a bagunça atual começou em 2012, quando Dilma resolveu intervir e 'microgerenciar' o setor.

No início de 2012, a presidente cismou que a conta de luz no país tinha de ser reduzida em 20%.  E, bem ao seu estilo, decidiu que faria isso com uma simples canetada. 

Ela tinha duas opções: a mais inteligente e mais prática era reduzir as alíquotas do PIS e da COFINS que incidem no faturamento das empresas do setor elétrico, de modo que essas empresas pudessem repassar ao menos uma parte desse desconto tributário para as tarifas de energia.  A menos inteligente e menos prática — e, obviamente, a que foi escolhida — era antecipar para 2012 o fim dos contratos de concessão das empresas de geração e transmissão (os quais terminariam entre 2014 e 2018) com o intuito de fazer novos contratos e impor tarifas menores.

Aí, deu no que deu.  As ações das empresas, principalmente da Eletrobras, despencaram, o governo teve de indenizar (com o nosso dinheiro) as empresas cujos investimentos foram perdidos, a oferta de energia acabou encarecendo e o setor elétrico está à beira do colapso. 

Com o ataque às geradoras e transmissoras, as distribuidoras ficaram sem alternativa e tiveram de recorrer ao mercado de energia de curto prazo, no qual os preços negociados são muito superiores em relação aos ofertados pelas geradoras que ficaram sob intervenção. Para piorar, o país vive uma de suas secas mais severas, o que afetou os reservatórios das hidrelétricas. Para aliviar, foram acionadas as usinas térmicas, que produzem uma energia muito mais cara.

As distribuidoras estão hoje desabastecidas e endividadas.  Por isso, estão investindo o mínimo necessário. Para socorrê-las, o governo repassou bilhões de reais do nosso dinheiro. Essa conta, obviamente, terá que ser paga pelos consumidores. E isso muito provavelmente ocorrerá por meio da elevação das tarifas.

A sorte do governo é que, como o país está em recessão e a indústria está encolhendo, a demanda por energia não está crescendo, e o risco de apagão segue baixo.  Porém, caso a demanda cresça, e caso a atual situação se mantenha no setor elétrico se mantenha, o preço das tarifas terá de subir.

Isso, inclusive, gera uma situação paradoxal: o governo não deve querer que a economia volte a crescer, pois isso poderia levar a um apagão.

Cesp (SP), Cemig (MG) e Copel (PR) não aceitaram a chantagem do governo e suas concessões começam a vencer em 2015.  O governo terá de resolver como fará as próximas licitações.

O mau humor dos empresários e do mercado com Dilma efetivamente começou em 2012, com a Medida Provisória 579, a qual alterou totalmente o sistema elétrico brasileiro e deixou claro que o atual governo não tem nenhum respeito por contratos.

Conclusão

Dilma terá de limpar a bagunça que ela própria criou.  E terá de fazer isso tomando medidas impopulares.  Mais ainda: terá de tomar medidas impopulares ao mesmo tempo em que 1) passa por uma crescente insatisfação popular, 2) vê o acirramento de ânimos e a difusão de movimentos secessionistas, e 3) está sob a iminência de um processo de impeachment.

Caso ela seja bem sucedida em todos os desafios listados neste artigo, o máximo que ela irá conseguir é retornar o país ao ponto em que ele se encontrava no início de 2011.

Que avanço.


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


189 comentários
189 comentários
Felix 03/12/2014 10:55:28

eu sou acionista de empresas eletricas,
de repente virei um burgues que merce ser espoliado,
me planejei para receber dividendos ao aposentar,
agora estao tentando mudar a lei novamente para tributar os dividendos,
Nao da pra confiar no Brasil,

Responder
sandro lima 03/12/2014 13:47:49

Pois é poupador é sinônimo de burguês.
E do jeito que andam as coisas, poupar alguma coisa será para burguês mesmo, a inflação vai comer tudo.
Não pra confiar mesmo, mudam a regra com o jogo em andamento, daí fica difícil confiar..
E não é de hoje que esse governo faz isso através de MPs.



Responder
Angelo T. 03/12/2014 11:21:47

Além dos aumentos de impostos citados no artigo, ainda temos aqui no PR aumento de IPTU acima da inflação e aumento da alíquota do IPVA.
Só alegria!

Responder
Alexandre 03/12/2014 11:45:39

Caro Leandro, ótimo artigo. A possível aprovação da mudança da LDO teria quais efeitos a curto e longo prazo considerando esse contexto econômico?

Grande abraço!

Responder
Leandro 03/12/2014 12:03:11

A oficialização de déficits primários como se fossem superávits primários.

Consequentemente, a abolição do pouco que restava de austeridade fiscal. Consequentemente, um aumento dos déficits nominais. Consequentemente, mais pressão sobre a carestia (pois, como explicado no artigo, no atual sistema bancário e monetário, os déficits do governo são inerentemente inflacionários).

Consequentemente, para manter o IPCA dentro do intervalo da meta, juros mais elevados serão o novo normal.

Mas eu quero acreditar que o Levy não irá compactuar com a esbórnia orçamentária. Histórico ao menos ele tem.

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
Nilo BP 05/12/2014 01:21:47

Mas e quando Levy sair? No começo, o Lula também tinha uma equipe econômica "sensata" (abusando do sentido da palavra). E no final do jogo, tínhamos um Mantega da vida e seus comparsas.

Eu temo que nossa relativa boa sorte já durou demais. Pelo pouco que sei (posso estar errado), o Brasil sempre teve um problema inflacionário, e apesar de muitos e crescentes esforços, as raízes intelectuais desse problema não foram arrancadas.

Mesmo que alguém seja bem-sucedido na tarefa Hercúlea de cortar significativamente os gastos públicos e a farra do crédito estatal... as coisas vão ficar piores antes de melhorarem (do ponto de vista do Zé-Sem-Poupança-Gasta-Tudo-Que-Recebe-E-Mais-Um-Pouco). Daí para Dilma soltar a demagoga e dar uma guinada no sentido Argentina é, como se diz, "dois palito".

P.S.: incrível artigo, obrigado.

Responder
Andre 03/12/2014 12:04:30

"A taxa de desemprego só não sobe porque, como explicado em detalhes neste artigo, o número de pessoas economicamente ativa e à procura de emprego está caindo. Se as pessoas param de procurar emprego, elas não entram na estatística de desemprego.".

Acredito que conforme o desemprego aumentar, isso irá disparar um gatilho.
Então os novos desempregados que atualmente estão sustentando as pessoas que não querem trabalhar (nem nem) dirão aos seus sustentados que eles agora tem que trabalhar.

Daí a taxa de desemprega deverá sofrer um incremento maior do que o total de novos desempregados.

Responder
Leandro 04/12/2014 15:28:12

Eu não visualizo taxas de desemprego altas, em dois dígitos.

E o motivo é simples: demografia.

Com a queda nas taxas de fecundidade, a quantidade de pessoas entrando no mercado de trabalho anualmente será cada vez menor. Consequentemente, a quantidade de pessoas procurando emprego será cada vez menor. E isso fará com que as estatísticas de desemprego não sejam pressionadas.

Isso vem ocorrendo há décadas no Japão e também em vários países europeus, notadamente a Alemanha. A taxa de desemprego da Alemanha despencou justamente a partir da crise de 2008, o que a princípio não faria sentido. Mas aí, quando se observa o que aconteceu com a demografia, tudo passa a se encaixar perfeitamente.

Aquelas taxas de desemprego de dois dígitos no Brasil (14% no início de 2004) ficaram pra trás. No futuro, desemprego alto será de 8 a 9%, no máximo. (A menos que haja uma grande calamidade). Ótima notícia para Dilma, assim como tem sido ótima notícia para Angela Merkel.

Responder
Pedro 06/12/2014 20:19:48

A demografia atual é boa noticia para as taxas de desemprego, mas péssima noticia para a previdência.

Responder
Vicente 03/02/2015 17:37:49

Racionamento de água em São Paulo e de energia não podem ser caracterizados como calamidade?

Responder
Andre 03/12/2014 12:07:39

"Caso ela seja bem sucedida em todos os desafios listados neste artigo, o máximo que ela irá conseguir é retornar o país ao ponto em que ele se encontrava no início de 2011.".

Nesse caso chuto que, na melhor das hipóteses, voltaremos ao ponto que estávamos em 2009.

Responder
Felipe 03/12/2014 12:18:34

"Caso ela seja bem sucedida em todos os desafios listados neste artigo, o máximo que ela irá conseguir é retornar o país ao ponto em que ele se encontrava no início de 2011"

Ou seja, 8 anos jogados no lixo.

E viva o PT!

Responder
Juliano 03/12/2014 12:24:17

Mantendo a tradição, um ótimo texto do Leandro no fim do ano.

Responder
Leandro 03/12/2014 13:27:42

Obrigado pelo reconhecimento, Juliano. Sempre bom saber de sua assiduidade aqui.

Grande abraço!

Responder
Felipe 03/12/2014 12:56:08

Leandro,

Parabéns pelo artigo e mantenha o trabalho vivo, pois o que mais nos falta no país são análises coerentes como estas.

Responder
Leandro 03/12/2014 13:28:39

Obrigado, Felipe. Pode sempre contar conosco para isso.

Abraço!

Responder
Gabriel 03/12/2014 18:57:18

Agora só o que falta é convencermos as pessoas a lerem esses excelentes artigos sem se fazerem de cegos. Essa é a parte difícil.

No mais, parabéns pelo genial artigo, Leandro!

Responder
Henrique 03/12/2014 12:58:48

Alguns motivos para a continuação do modelo desenvolvimentista e para o impedimento do retrocesso neoliberal:

1. Produto Interno Bruto:

2002 – R$ 1,48 trilhões

2013 – R$ 4,84 trilhões



2. PIB per capita:

2002 – R$ 7,6 mil

2013 – R$ 24,1 mil


10. Reservas Internacionais:

2002 – 37 bilhões de dólares

2013 – 375,8 bilhões de dólares


13. Taxa de Desemprego:

2002 – 12,2%

2013 – 5,4%


17. Salário Mínimo:

2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)

2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)


Fiz uma pequena seleção de 50 motivos para a continuação da política econômica. Os interessados podem ver outros motivos no seguinte site: https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/10/18/50-motivos-para-a-continuidade-do-governo-social-desenvolvimentista/

Responder
Leandro 03/12/2014 13:20:17

Uma pessoa mostra sua colossal ignorância econômica quando compara valores monetários nominais em duas datas separadas 11 anos. É tão inacreditável que beira a caricatura.

É óbvio que o PIB nominal de 2013 foi muito maior que o de 2002. O PIB nominal simplesmente mensura o valor monetário de todos os bens e serviços finais que foram comprados e vendidos dentro das fronteiras do Brasil. Ou seja, o PIB nominal está diretamente ligado à quantidade de dinheiro na economia. Quanto mais dinheiro na economia, maior o valor do PIB nominal.

Havia muito mais dinheiro na economia em 2013 do que havia em 2002. Logo, o valor monetário (preço) dos bens e serviços em 2013 foi muito maior do que os de 2002.

Para que o PIB nominal de 2013 fosse menor que o de 2002, teria de ter havido uma forte deflação monetária; a quantidade de dinheiro na economia teria de ser reduzida anualmente, algo completamente não-factível. Nenhum país faz isso.

Aliás, quanto maior for a inflação durante um período de tempo, maior será a diferença entre dois PIBs nominais.

E, já que o debate é esse, tenha a gentileza de mostrar um país -- um só! -- que tenha hoje um PIB nominal menor do que teve há onze anos. Nem Cuba.

O mesmíssimo raciocínio acima é válido para o PIB nominal per capita, para o valor do salário mínimo, e até mesmo para as reservas internacionais (dado que a quantidade de dólar no mundo também aumenta anualmente).

Desses dados que você postou, o único que faria algum sentido é a taxa de desemprego. Mas nem isso mais é possível, dado o atual fenômeno que o país está vivenciando: nunca antes na história desse país tantas pessoas pararam de procurar emprego.

Gentileza ir sacar em outros sites. Aqui você só vai passar vergonha.

Responder
Henrique 04/12/2014 12:31:19

Leandro, tudo bem que houve erro na comparação do período, mas não deixe de negar os inquestionáveis ganhos no período, por conta do nacional-desenvolvimentismo

Responder
Leandro 04/12/2014 13:38:18

Acho que você se embananou com o calendário.

O nacional-desenvolvimentismo começou a ser aplicado em 2011, justamente quando as coisas começaram a degringolar.

Já o modelo vigente de 2003 a 2008, que prezou mais pela ortodoxia do que pelas aventuras heterodoxas, teve sucessos inquestionáveis.

Eu juro que não entendo vocês petistas. Em vez de se concentrarem em elogiar o modelo aplicado de 2003 a 2008, que deu certo (retirou várias pessoas da miséria e manteve a carestia em níveis aceitáveis), vocês preferem defender o modelo aplicado de 2011 a 2014, que foi um desastre fragoroso (e fez com que o numero de miseráveis voltasse a subir).

Dica: coloquem Meirelles no Banco Central, mantenham Levy (ou Palloci) na Fazenda, e vocês nunca mais passarão aperto em nenhuma eleição.

Vide 2006: mensalão na pauta e mesmo assim Lula ganha com mais de 20 pontos percentuais de vantagem. Por quê? Economia sob o comando de Meirelles.

Responder
Ezekyel Reyes 16/01/2015 15:42:30

O nacional-desenvolvimentismo tem entre suas ideias fortalecimento do Estado e proteção as indústrias nacionais e tem como um dos defensores Bresser-Pereira, aquele mesmo que fez parte daqueles planos do governo Sarney.

Responder
Magno 03/12/2014 13:20:59

Eu juro que eu tento, mas eu não consigo não me espantar com a burrice de petistas. Esse Henrique, até o momento, é o recordista. Puta nêgo burro. Eu já falei várias vezes: quem fica fazendo proselitismo político-partidário vê seu QI despencar a uma média de 15 pontos por dia. Esse Henrique, se continuar nesse ritmo, rapidamente estará andando com os quatro membros no chão.

Responder
Ricardo 03/12/2014 13:21:34

Militante petista se cair de quatro só levanta com guindaste.

Responder
Felipe 03/12/2014 13:37:58

Sua postagem é uma piada, não sabe diferenciar valor nominal de real.

Mas eu te dou apenas 1 motivo para não continuar o modelo "desenvolvimentista"

1) A indicação de levy para ministro, reconhecendo o fracasso do modelo atual.

Modelo esse que acabou com as finaças públicas, ressucitou a inflação, estatizou o crédito, acabou com a confiança empresarial, acabou com o crescimento brasileiro, fechou mais a economia ao mundo.

Se você considera aceitável esses acontecimentos, é por que o senhor não tem nenhum respeito ao brasileiro que trabalha.

Responder
Thiago 03/12/2014 13:58:59

Aliás, por essa impecável lógica do Henrique, qualquer governo presente sempre será melhor do que qualquer governo anterior. Sarney foi infinitamente melhor que Juscelino, Castelo Branco e Médici. (Aliás, na época do Sarney, meu salário era de milhões). E Collor foi melhor que todos esses.

Jênio.

Responder
Forever 03/12/2014 14:08:45

impedimento do retrocesso neoliberal

Você é contra o neoliberalismo? Os libertários também são:
Mises contra os neoliberais - as origens desse termo e seus defensores
.

Não caia de paraquedas,só vai fazer você passar vergonha.

Responder
sandro lima 03/12/2014 14:13:05

Bizarro comparar números de 2002 aos de 2013 dessa maneira.

Pra mim, a única coisa que pode fazer sentido, se for real mesmo, é a cesta básica.
E olhe lá, porque produtos perdem qualidade em prol de um valor mais baixo, ou margem de lucro devido a competitividade que mudou desde 2002, então...

Agora o restante? absurdo...
A taxa de desemprego, foi até fácil baixar, nessa legalização das empregadas domésticas, acredito que foi uma pancada. ou seja não se criou empregos, foi legalizado.

Os outros dados, são números que a inflação por si já diz muita coisa!

Pela sua lógica, você prefere ganhar R$ 1.000/mês e gastar R$ 100,00/mês só com pão francês do que ganhar R$ 500/mês e gastar R$ 10,00/mês.

Responder
Renan 03/12/2014 14:32:57

Toda vez que leio "neoliberal", eu paro de ler nesse ponto e nem perco tempo.

Responder
amauri 03/12/2014 13:23:43

leandro, qual a logica de cortar gastos e aumentar arredacao via aumento de impostos

Responder
Leandro 03/12/2014 13:30:22

Na cabeça dos formuladores de política econômica, reduzir o déficit.

Responder
Lucas 03/12/2014 13:27:44

Ótimo artigo!

Responder
J. Estigarríbia 03/12/2014 13:40:32

Creio que um pouco de desemprego, com o aumento da taxa de desocupados seria algo saudável. Haveria uma ligeira queda no consumo e a consequente diminuição de preços e da inflação. A diminuição dos salários pelo aumento da oferta de mão de obra seria boa para o empresariado, principalmente para a industria que a cada dia que passa está menos competitiva.

A verdade é que, no meu caso, o que mais atingiu o pequeno empresário foi o dedo podre de Lula mexendo no rendimento da poupança. O aumento da inflação agora já come a poupança. Se a poupança não rende o pequeno empresário recorre ao crédito, o que dificulta o empreendedorismo.

Se Lula fosse menos burro, teria conseguido o que queria (atacar os desocupados que vivem de renda) tributando mais a herança e as poupanças de altos burocratas que são proibidos por lei de empreender. Mas Lula é burro que nem socialista ele serve para ser.

Responder
Leandro 03/12/2014 13:53:36

Você não gosta de Lula mas defende que se tribute a herança (que pais de família deixam para seus filhos após toda uma vida de trabalho) para dar ainda mais dinheiro para Lula e sua trupe? Que lógica é essa? Dissonância cognitiva.

Responder
J. Estigarribia 03/12/2014 14:25:46

Vou desenhar o que eu disse e você não entendeu. Disse que, se fosse para forçar o empreendedorismo mexendo no dinheiro parado (esse foi o argumento de Lula), que fossem mais tributadas as heranças e não o estrangulamento das poupanças que eram a melhor fonte de investimento dos pequenos empresários.

Veja bem, sou contra qualquer tipo de tributação dos bens alheios. Não defendo que se tribute a herança, disse que para causar um mal que fosse um mal menor, que afetasse menos quem produz.

Falando em filhos, eu preferiria que meus filhos fossem tributados na partilha da minha herança do que tivessem de recorrer à máfia dos bancos para obter crédito porque a poupança não rende o bastante para investir no próprio negócio deles.

Espero que tenha entendido agora.

Responder
Leandro 03/12/2014 15:20:20

Piorou. E muito.

Você confundiu duas coisas que não têm nada a ver, a acabou advogando a pior solução possível (sendo que há uma solução mais fácil e bem mais de acordo com sua posição anti-bancos.)

Em primeiro lugar, a alteração do rendimento da poupança foi feita pelo governo não com intuitos arrecadatórios, mas sim com o intuito de permitir uma maior redução da SELIC. Só isso. Nem tinha nada a ver com isso de "estimular o empreendedorismo". O governo alterou o cálculo da poupança apenas para facilitar uma queda da SELIC (o assunto é longo e não entrarei em detalhes aqui).

Ou seja, só por aí já dá pra ver que esse papo de "ah, o governo deveria tributar a herança em vez de reduzir o rendimento da poupança" é completamente nonsense. Não tem nada a ver uma coisa com a outra.

Depois, atente para isso: quem remunera a poupança são os bancos e não o governo. O governo simplesmente estabelece a regra da remuneração (0,5% mais TR ao mês). Quem paga tudo são os bancos. O governo não tem gasto nenhum com isso.

Vou repetir: a remuneração da poupança não é paga pelo governo; ela é integralmente arcada pelos bancos. O governo simplesmente determina a fórmula da remuneração.

Portanto, se você acha que a poupança rende pouco, você tem de defender a alteração da fórmula da remuneração (por exemplo, elevá-la para 0,6% mais TR já faria uma boa diferença). Basta defender um projeto de lei (entre em contato com seu deputado) que obrigue os bancos a pagar mais pela poupança.

Entendido isso, dá pra perceber que não faz nenhum sentido essa sua postura de "Ah, já que a poupança paga pouco, então que se tribute a herança!"

Como assim?! Não tem nada a ver uma coisa com a outra.

Para piorar, você atingiu o ápice da incoerência ao dizer que prefere que sua herança seja tributada a ver seus filhos recorrendo a bancos para pedir empréstimos. Ora, se você não gosta de bancos, então aí sim é que você tem de defender que eles paguem mais pela poupança. Por que eximir os bancos e defender imposto sobre sua herança?

Não faz nenhum sentido pedir tributação de herança só porque o rendimento da poupança é baixo.

Não consigo ser mais claro do que isso.

Responder
Andre L 09/12/2014 13:38:11

Leandro,
Meus parabéns pela primorosa análise exposta no artigo e, também, por sua fantástica paciência.

Responder
Eloy Seabra Jr. 06/01/2015 23:45:24

Uma dúvida: "Em primeiro lugar, a alteração do rendimento da poupança foi feita pelo governo não com intuitos arrecadatórios, mas sim com o intuito de permitir uma maior redução da SELIC. Só isso."

Eu achava que o cálculo da poupança tinha sido alterado para o governo poder baixar a SELIC sem tornar o TD menos atraente que a poupança e se manter recebendo dinheiro dos bancos, tem algo a ver ou surtei? Em fim, se não é isso pq alterar o cálculo da poupança era necessário para baixar a SELIC?

Responder
Leandro 07/01/2015 00:29:31

A SELIC estava a 8,50%, e o rendimento da poupança (que é isento de IR) estava se tornando maior que o rendimento dos títulos do governo (não-isentos de IR). Com isso, se a SELIC continuasse caindo, haveria uma maciça migração das aplicações lastreadas em títulos do governo para a poupança. Pessoas, empresas e bancos venderiam títulos do governo e correriam para a caderneta de poupança. Essa maciça saída dos títulos do governo faria com que seus preços despencassem e, consequentemente, os juros subissem.

Ou seja, seria impossível a SELIC ser reduzida. O simples ato de todos estarem se desfazendo em massa dos títulos do governo levaria automaticamente a uma subida da SELIC.

Responder
Eloy Seabra Jr 07/01/2015 13:22:37

Entendido, muito obrigado.

Responder
Deilton 03/12/2014 14:08:44

Excelente análise.

A minha dúvida é a seguinte, a economia já está debilitada. A indústria automobilística está demitindo por que as vendas despencaram. O setor imobiliário realizando feirões pelo país e não consegue desovar seus estoques.

Uma redução nos gastos públicos não agravaria a situação que já está ruim?

Eu não tenho dúvida de que a redução dos gastos públicos é necessária. A redução do tamanho do estado e não intervenção na economia seriam o ideal, mas sabemos que estamos longe disso.

O que eu questiono é se uma redução dos déficis nominais, não resultaria numa atividade econômica mais fraca, que pode reduzir a arrecadação, fazendo com que tenha que reduzir ainda mais gastos e assim gerar um ciclo que leve a uma longa recessão.

Responder
Leandro 03/12/2014 14:30:07

Depende de como é de onde os gastos serão cortados (mas não se preocupe, não irão). É possível cortar gastos com burocracia, ministérios, mordomias e luxos de políticos. É possível cortar gastos reduzindo suplentes e cargos comissionados. É possível reduzir gastos com corrupção. É possível cortar muitos gastos abolindo agências reguladoras e secretarias.

De resto, é claro que cortar gastos em investimentos ou subsídios irá sim afetar pessoas e empresas que dependem diretamente desta muleta. Isso, inclusive, foi detalhado neste artigo.

Por fim, redução no déficit nominal não irá reduzir a concessão de crédito. Ao contrário, tende a aumentar (por causa do quesito confiança). E aumento do crédito gera aumento da arrecadação (o dinheiro é criado do nada pelos bancos, é gasto e, ao ser gasto, é arrecadado tanto como IR de quem o recebeu por último quanto como imposto indireto sobre cada bem e serviço que este dinheiro irá comprar).

Logo, esse seu temor não necessariamente irá se concretizar.

Responder
Trader Carioca 03/12/2014 14:43:54

Deilton,

É exatamente assim que acontecem os ciclos econômicos quando o governo intervem na economia e depois precisa voltar atrás.

E no caso do BR é proibido demitir funcionário público (salvo por justa causa e algumas exceções), não há como fazer o ajuste cortando despesas com pessoal. Sobra então cortar com investimentos.

Não que os investimentos do governo sejam bons, mas entre cortar 1.000 funcionários públicos com salários astronômicos ou cortar a construção de uma ferrovia ou hidrelétrica, na atual situação, eram melhor que cortasse os funcionários. Infelizmente o governo não pode escolher, e o corte vai afetar o já baixo investimento.

E o investimento de hoje é a produção de amanhã

Responder
Yuri 04/12/2014 04:50:04

O governo pode escolher sim. É só parar de contratar que o numero de funcionários cai naturalmente, principalmente os da União. Aqui no meu Estado, o governo tem diminuído paulatinamente o numero de servidores.

Responder
Gagarin 04/12/2014 11:36:24

E que estado seria esse?

Responder
Yuri 04/12/2014 15:06:36

Santa Catarina

Responder
Gagarin 07/01/2015 11:54:21

Santa Catarina, né?

Então veja esse relatório: www.portaldoservidor.sc.gov.br/ckfinder/userfiles/arquivos/Estatisticas_1_2014.pdf

Dê muita atenção a dois quadros, a saber:

-Demonstrativo da folha de pagamento e
-Total de servidores

Conselho: nunca confie em discurso de político. Essa raça de pilantras mente pra caralho.

Responder
Giovani Facchini 03/12/2014 14:12:04

Estava mesmo esperando a genialidade do Leandro para fechar o ano com um artigo desse porte.

Excelente!

Responder
Leandro 03/12/2014 14:31:44

Obrigado pela gentileza, Giovani. Grande abraço!

Responder

Sensacional!!!

Por causa desses e outros artigos que eu sou associado.

O lado bom do IMB é que eu fico turbinado, excitado para vencer e sair da corda bamba.

O lado negativo: não vejo oportunidades, o empresariado está com as mão atadas, sem poder estruturar as suas companhias, consequentemente, dar trabalho.

Resumo: Sou funcionário público municipal, ganho 900,00 bruto, minha esposa 1700,00 bruto, e eu não consigo sair da área pública, vi meus rendimentos cairem abruptamente nos últimos 8 anos. Eu era sócio de uma empresa que quebrou no governo Lula, e sinto na carne , a robalheira e má-intenção do crédito estatal:

A minha empresa tinha crédito com todos os bancos da época; Bradesco, Real, HSBC, Santander, Itaú e Unibanco - pois, estávamos escravos do cheque especial, capital de giro e outros emprestimos. Sabe qual foi o único banco que saímos devedores???

Pois é; o bandido do BANCO DO BRASIL. (0,00 Itau, 0,00 Unibanco, 0,00 Hsbc , 9.000mil Banco Santander, 0,00 Bradesco) Agora... BANCO DO BRASIL: 300.000 MIL
Nessa época eu tinha 25 anos e morava num pensionato, não tinha nada para dar de garantia.

Pergunta; será que os outros bancos sairam sem rombo porque éram privados??

Na época o Estelionatário do banco do Brasil só parou de mamar na teta porque a Anvisa fechou nossa fábrica.


É isso.

Desculpe o excesso

Responder
Leandro 03/12/2014 15:49:29

Obrigado pelo relato, Cristian. Mas como está sua situação hoje?

Há aquele ditado que diz: "Se você deve R$10 mil para o banco, você tem um problema. Se você deve R$10 milhões para o banco, o banco tem um problema."

Dever R$300 mil para o Banco do Brasil não deve ser algo fácil de ser quitado. Deu tudo certo?

Responder
Al 03/12/2014 15:20:33

Belo artigo. Podemos supor que essa capitalização do BNDES foi a saideira do Mantega:

g1.globo.com/economia/noticia/2014/12/contrariando-novo-ministro-da-fazenda-bndes-recebe-novo-aporte.html

Agora tendo em vista as metas que o Levy anunciou:

g1.globo.com/economia/noticia/2014/11/novo-ministro-da-fazenda-fixa-meta-fiscal-de-12-do-pib-para-2015.html

Parece que teremos um ajuste bem lento e gradual. Parecem apostar que o crescimento voltará sozinho.

Responder
Rene 03/12/2014 15:20:39

Obviamente, os ajustes que serão feitos estão muito longe do ideal. Com certeza não haverão cortes em funcionalismo público, diminuição de burocracia, desregulamentação, ou outras coisas necessárias. Sei que seria um tiro no escuro tentar prever isso, mas politicamente falando, estes ajustes não poderão ser feitos durante muito tempo. Em dois anos haverão as eleições municipais, e acredito que o PT vai querer melhorar a imagem negativa que o povo está tendo deles agora. Da mesma forma, é previsível que eles tentem fazer estímulos artificiais quando estiver próxima a eleição da presidência da república, mesmo que sejam necessários ajustes ainda mais severos passando o pleito. Não vejo a menor perspectiva de melhoria. Os impostos vão aumentar, a uma taxa acima da inflação, que já estará bem alta, comendo o que sobrar de nossos rendimentos. A conta da farra chegou. Apertem os cintos.

Responder
Guilherme Ribeiro 03/12/2014 15:24:13

Parabéns por esta síntese perfeita sobre o nosso momento econômico atual, Leandro. Sinceramente eu te considero de longe o melhor analista econômico do país. Sempre uso seus artigos como parâmetro para estabelecer políticas para minha empresa sobreviver nesta guerra de trincheiras que é o ato de empreender no Brasil.
E a propósito, os EUA devem aumentar os juros no próximo ano, o que potencializa o problema de perdermos o investment grade. Coitado do Levy.

Responder
Leandro 03/12/2014 15:46:55

Muito obrigado pela confiança, Guilherme. Grande abraço!

Responder
anônimo 03/12/2014 15:41:22

Aumento do crédito dos Bancos Públicos em detrimento dos privados é uma boa coisa, não ?

Já que é impossível pagar (usura), quanto mais for para os públicos menos choro quando quebrar.

O que o Ron Paul propõe é justamente isso, não ?
Acabar com o FED, seria sovietizar a economia ?

Eu concordo que é muito poder pra deixar na mão dos palhaços mas, queria saber o porque do padrão duplo.

Responder
Leandro 03/12/2014 15:55:03

"Aumento do crédito dos Bancos Públicos em detrimento dos privados é uma boa coisa, não ? Já que é impossível pagar (usura), quanto mais for para os públicos menos choro quando quebrar."

Se quebrar, o governo vai usar o dinheiro de impostos para socorrer. É ingenuidade achar que o governo vai deixar os bancos estatais quebrarem. E nem os privados.

"O que o Ron Paul propõe é justamente isso, não ?"

Nunca vi. Mesmo porque não há bancos estatais nos EUA (não em nível federal).

"Acabar com o FED, seria sovietizar a economia ?"

Por quê?! De onde foi tirada essa lógica? Abolir um Banco Central é totalmente diferente de bancos (estatais ou privados) quebrarem. Nada a ver uma coisa com a outra.

"Eu concordo que é muito poder pra deixar na mão dos palhaços mas, queria saber o porque do padrão duplo."

Qual padrão duplo? Não entendi.

Responder
anônimo 03/12/2014 16:48:23

FED tem alguns Bancos Públicos como acionistas.

A questão não é se vai quebrar. É quebrado desde o começo. Não existe dinheiro pra pagar mesmo que tivessem essa intenção.

"Cass ficará ainda mais restrito, e a economia ficará ainda mais dependente do crédito esto o BC faça isso, o crédito dos bancos privadoatal. É praticamente uma "sovietização" da economia brasileira."

Ué, quando o Ron Paul propõe acabar com o FED e imprimir o dinheiro diretamente seria por todo o crédito na mão estatal. Por que não é considerado "sovietização" da economia ?

O Brasil sempre foi mais sovietizado que muitos países da URSS.

Outra questão: Vocês realmente acreditam que a Dilma manda em alguma coisa ?

Responder
Ronaldo 03/12/2014 18:59:40

Anônomimo,

Sovietização da economia seria acabar com todos os bancos privados, sistema financeiro totalmente estatizado, e um Banco central mais regulador que o normal.

Responder
Leandro 03/12/2014 17:09:45

Ron Paul nunca propôs "imprimir dinheiro diretamente". Ron Paul defende padrão-ouro. E o ouro é escavado do solo por qualquer pessoa. Não tem participação estatal nenhuma, e nem muito menos "crédito na mão estatal".

Por que isso seria "sovietização" da economia?

Mesmo que ele defendesse um "free banking", onde cada banco tem sua própria moeda, isso também não implicaria "crédito na mão estatal" e nem "sovietização" da economia.

Mais calma em suas ponderações.

Responder
anônimo 03/12/2014 19:14:20

Padrão ouro é continuar deixar na mão de banqueiros e funças o dinheiro.

Quem me garante que o ouro estará lá ?
Eu não acredito em banqueiro anjo e muito menos que a Dilma mande em alguma coisa.

Funça então não precisamos nem falar.

"Mesmo que ele defendesse um "free banking", onde cada banco tem sua própria moeda, isso também não implicaria "crédito na mão estatal" e nem "sovietização" da economia."

Ele não defende isso. E não sei com que autoridade um banco iria imprimir papel e me fazer usar. Só o governo consegue isso (na marra).
Sovietização da economia não precisa, porque já é sovietizada. Tanto lá, como cá.

A minha questão é que diferença faz ser privado ou estatal se a divida não pode ser paga (é impossível) ?
Sendo que considero estatal melhor porque não haverá choro ou socorro depois.

Ele ser meio a meio é o plano deles.
Porque se quebra o público pedem para privatizar (BC independente) se quebra o privado pede pra socorrer. E como eu disse já estão quebrados desde o inicio (usura).

X+Y% = X, se e somente se Y = O. Ponto.

X = Moeda. Se trocar por kg de ouro continua na mesma.
Y = juros

Padrão ou é ouro ou é papel.
Ou vamos carregar moedas ou é fiduciário, não tem essa.
Conto do bom selvagem (bom banqueiro).

Banco ou é cooperativa de credito local, ou é governo federal com padrão ouro (ou prata ou outra coisa) para importação e exportação (a.k.a mercantilismo).

Secessão também não existe nenhum movimento, nem intenção real, vocês é que tão tentando essa porcaria.

E não se esqueçam que quem sovietizou de vez o Brasil foram os militares.

Então quem foi apoiar golpe por aí peçam uma definição de metas claras, quanto tempo e principalmente liberalização do porte de armas (rifles automático a preços decentes). Escrito no papel e anunciado na TV.

Responder
Enrico 03/12/2014 20:17:29

Devolver ao Congresso americano o poder de cunhar moeda não seria um arranjo superior, visto que o Fed é uma caixa-preta controlada no mais alto sigilo?

Por acaso, o Ron Paul defende um free banking. Ele inclusive propôs um projeto de lei para tal: https://www.congress.gov/bill/113th-congress/house-bill/77

Responder
At84 03/12/2014 15:53:05

Meu amigo disse:
- O PSDB dobrou a dívida em termos de PIB de 30 para 60% e nominal de R$150 para R$890 bilhões, mesmo vendendo estatais.
eu respondi:
- Que o governo do PSDB não podia se financiar via inflação, e que para pagar as despesas obrigatórias teve que pegar emprestado. Qual a melhor resposta para essa pergunta?

Responder
Leandro 03/12/2014 16:11:14

Com o fim da hiperinflação, o governo federal teve de assumir o passivo de vários governos estaduais, bem como teve de fazer o saneamento de vários bancos estatais também estaduais.

De lá pra cá, os governos estaduais estão quitando essa dívida.

No que mais, acreditar que um país pode sair de 15 anos de hiperinflação, adotar um modelo de bem-estar (opção da esmagadora maioria do eleitorado) com gastos crescentes, assumir a dívida dos estados da federação, sanear os bancos estatais desses estados e fazer tudo isso sem se endividar está vivendo em uma dimensão paralela.

Quem defende um modelo de bem-estar social, no qual o governo cuida de tudo, não tem nenhuma moral pra reclamar de endividamento. Defender assistencialismo crescente e redução da dívida bruta é paradoxal.

Por outro lado, é óbvio que a dívida durante o governo FHC aumentou sobremaneira, e isso não teria ocorrido caso o governo controlasse melhor seu orçamento e soubesse dizer "não" a várias demandas de movimentos sociais e sindicais.

Responder
Trader Carioca 03/12/2014 16:45:38

Essa é fácil:

1) Não defenda o PSDB. É um partido político como qualquer outro. Leia com ênfase em "como qualquer outro".

2) Durante o gov FHC, o governo se recusou a fazer superávit. Lembre-se que a lei de responsabilidade fiscal é de 2000 e o governo FHV foi de jan/95 até dez/2002.

3) Antes das crises da Ásia e Rússia, o governo estava trocando dívidas curtas por outras de prazo mais alongado tentando melhorar o perfil do passivo.

4) As dívidas novas citadas no item "3" eram atreladas ao SELIC e ao dólar, ao contrário das dívidas mais antigas, que tinham maior peso pré-fixado. Quando ocorreram as crises da Ásia e da Rússia (fim dos anos 1990), as taxas de juros explodiram e arrastaram a dívida nova, pós-fixada, para cima.

5) Outro ponto que pesou para a manutenção das taxas de juros elevadas foi a política cambial. Dado que o câmbio na época era de regime fixo ou de regime de bandas, havia necessidade de se trazer capital externo para equilibrar o fluxo de dólares e manter a cotação. Com isso, os juros precisavam se manter altos para segurar o câmbio baixo. Esse era outro vetor que ajudava a manter as taxas de juros altas pressionando a dívida pública.

6) 2004 foi o primeiro ano desde 94 que teve redução da dívida/pib. Isso já foi no governo Lula. Aconteceu por dois fatores principais:redução da taxa de juros e crescimento do pib.

Responder
Cristian William 03/12/2014 16:16:51

Leandro


Hoje eu ainda devo, mas, tenho muito conhecimento, como sou concurseiro, aprendi muito sobre as leis.


Pretendo aumentar a minha renda, poupar, investir e posteriormente pagar 30mil (6 a 7 funsionários e o Santander 8 mil)

Agora... O banco do Brasil eu pretendo entrar na justiça e provar a indecência do B.B
Quero pagar uma boa empresa de advocacia.

Davámos cerca de 15 % porcento do nosso faturamento bruto ao banco todos os dias, mês a mês, durante anos, quando viram que estavamos perdendo fôlego... eles fizeram um cotrato de garantia (detalhe; não tinhamos garantin) e me coagiram a assinar a dívida na época era d e140 mil (hoje uns 200mil já executado) agora... Choque-se:

Capital social da empresa áquela época: 10 mil reais. Isso mesmo 10.00 mil

Eu era social minoritário com 500 reis de cota (5%) quinhentos reais.

Pergunto::???? NÃO É UMA INSTUITUIÇÃO BANDIDA?

Responder
anônimo 03/12/2014 20:41:37

Não, isso se chama juros composto.

É contra a lei, só processar que você ganhará.

Responder
Maurício Redaelli 03/12/2014 16:20:07

Como sempre, excelente artigo! Muito didático, muito claro e balisado por dados e suas fontes. Essa portunidade de montar os próprios gráficos e seguir o seu raciocínio é fantástica!

Eu gostaria de ver essa mudança nos juros dos empréstimos estatais e um leve aumento na selic, mas questiono se os privados não reagiriam aumentando ainda mais as suas taxas, jogando fora alguma vantagem competitiva por não acreditar que o volume de empréstimos cresceria por outras razões. Aumentando as suas taxas eles continuariam com as mesmas desvantagens atuais, mas então com lucros maiores. De certa forma isso não resolveria o problema.
Outra dúvida é relativa a PIS e COFINS, que são "sociais". Se arrecadar menos, haverá menos verba para os produtos sociais a que se destinam, e nós infelizmente ainda precisamos deles, concorda? Estas reduções não seriam melhor aproveitadas se fossem graduais? outra redução que precisa ser como uma martelada, do meu ponto de vista, é sobre os encargos do empregador. Qual seria o impacto real na economia se um funcionário passasse a custar a metade, sem redução de salário?

Obrigado pelo conhecimento transmitido!

Responder
Leandro 03/12/2014 16:28:54

"Eu gostaria de ver essa mudança nos juros dos empréstimos estatais e um leve aumento na selic, mas questiono se os privados não reagiriam aumentando ainda mais as suas taxas,"

Um aumento da SELIC tem justamente essa intenção: encarecer os juros dos empréstimos bancários.

Ao aumentar os juros dos empréstimos, diminui-se a demanda por empréstimos e, consequentemente, o processo de criação de dinheiro.

Mas se os bancos estatais são imunes à SELIC, então a carga recai toda sobre os privados, de modo que a dosagem da SELIC tem de ser dobrada.

"jogando fora alguma vantagem competitiva por não acreditar que o volume de empréstimos cresceria por outras razões. Aumentando as suas taxas eles continuariam com as mesmas desvantagens atuais, mas então com lucros maiores. De certa forma isso não resolveria o problema."

Não entendi muito bem. Mas digo apenas que, se o desequilíbrio orçamentário não for corrigido, a carestia terá de ser atacada pela SELIC, e esta terá de ser bem alta justamente para coibir novos empréstimos e a consequente criação de dinheiro.

"Outra dúvida é relativa a PIS e COFINS, que são "sociais". Se arrecadar menos, haverá menos verba para os produtos sociais a que se destinam, e nós infelizmente ainda precisamos deles, concorda?"

O plano do governo, muito pelo contrário, é elevar esses dois tributos, para que ambos arrecadem mais.

"Qual seria o impacto real na economia se um funcionário passasse a custar a metade, sem redução de salário?"

Haveria mais dinheiro para os empreendedores reinvestirem, se expandirem, contratarem mais gente e aumentar salários.


Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
Mauricio Redaelli 03/12/2014 16:45:40

As últimas questões eram um pouco mais profundas:
1- Se o governo reduzisse PIS e COFINS, o setor industrial seria amplamente beneficiado, mas o setor social perderia verbas importantes. Qual seria o tamanho do rombo? Em quanto tempo ele seria sentido pelo pobre e pelo miserável? Quanto tempo demoraria para que eles fossem incorporados pelo renovado setor industrial? A idéia é entender um pouco melhor a relação destes impostos com a qualidade de vida de quem realmente ganha pouco.
2- Haveria mais dinheiro para os empreendedores reinvestirem, se expandirem, contratarem mais gente e aumentarem salários, como já foi explicado em outros artigos, mas existe o risco do empresário apenas lucrar mais, e então o efeito seria negativo. Eu queria entender os fatores coadjuvantes para que essa redução de encargos seja um sucesso total.

Ademais, obrigado pela pronta resposta!

Responder
Leandro 03/12/2014 17:15:05

"Se o governo reduzisse PIS e COFINS, o setor industrial seria amplamente beneficiado, mas o setor social perderia verbas importantes. Qual seria o tamanho do rombo? Em quanto tempo ele seria sentido pelo pobre e pelo miserável? Quanto tempo demoraria para que eles fossem incorporados pelo renovado setor industrial?"

Não sei os números.

Quanto a dizer que "o setor social perderia verbas importantes", isso é um mero juízo de valor. Uma percepção puramente subjetiva. O que para uns é uma perda, para outros pode ser um ganho.

É igual impor um salário mínimo de R$2.500. Os que ganharem irão se dar bem; os que perderem o emprego ou não mais encontrarem emprego a esse valor, irão se dar mal.

"existe o risco do empresário apenas lucrar mais, e então o efeito seria negativo."

Por que o efeito do maior lucro seria negativo?!

Prezado, é justamente o lucro que permite reinvestimentos, expansão, contratação e aumentos salariais. Quanto maior o lucro, maior a possibilidade de essas coisas acontecerem. Quanto menor o lucro, menores as chances.

Responder
Renan Leal 07/01/2015 00:13:00

Meu caro,

A redução do PIS e COFINS, sendo por si só uma redução dos impostos que são subtraídos da renda das famílias, já geraria uma série de benefícios que, indiretamente, beneficiariam a vida da população como um todo, inclusive a mais carente: 1) Com uma renda diaponível maior, as famílias poderão consumir mais 2) Consumindo mais, haverá maior demanda e as empresas hoje existentes irão lucrar mais 3) Uma maior demanda gera uma expansão nos serviços e produtos ofertados na economia, visto que oferecer esses se tornou algo lucrativo. Dessa forma, haverá uma maior quantidade de empreendedores investindo, o que gerará aumento de empregos e do nível de renda da família. Perceba que o aumento do nível de renda é o gatilho para esse ciclo virtuoso.

Veja bem: nesse caso, a sua segunda pergunta se responde da mesma forma. As empresas, com a redução da tributação, terão mais renda para investir ou poupar. Qualquer que seja a escolha, gerará benefícios para a economia. Entenda que, sempre que alguém compra algo (seja uma empresa contratando gente, uma criança comprando um sorvete ou um milionário comprando um iate) a demanda por determinado produto/serviço será gerada. Essa demanda financia todos os custos da empresa que oferta o serviço, incluindo mão de obra (pessoas), que terá renda para consumir outro produtos e assim, novamente, temos um ciclo virtuoso.

Espero que tenha entendido.

Abs

Responder
Marconi 03/12/2014 16:33:48

Parabéns pelo artigo Leandro, muito bom!

Mas, cortar gastos, reduzir o crédito público subsidiado e reduzir impostos... É a receita de sempre e que nunca é tentada, infelizmente.

O que a Dilma quer é só usar a credibilidade do Levy pra acalmar o mercado e seguir na linha desenvolvimentista. Vamos ver. Se o FED subir os juros.. Aí que o treco aqui vai feder.

Se bem que, considerando só o que virou o BNDES, talvez o ajuste não seja assim tão difícil de fazer. Fecha o BNDES e problema resolvido! :-D

Responder
Marcos 03/12/2014 16:35:27

Leandro,

Muito bacana a análise, gostaria de aproveitar a oportunidade, neste que é meu primeiro comentário por aqui, para parabenizá-los pelo trabalho no site.

Tenho lido os artigos no site há algumas semanas, o qual me deparei por acaso, em uma busca por artigos sobre a realidade sobre o desemprego no Brasil. (não me conformava com uma estatística tão díspar das demais, e foi aqui no site que encontrei a explicação satisfatória e lógica para esta questão).
Desde então tornou-se um hábito diário ler alguns artigos por aqui.

O que mais tenho a elogiar é a forma como vocês procuram ser sempre claros, objetivos e acima de tudo lógicos nas análises.
Continuem o bom trabalho, com honestidade intelectual e acima de tudo com o uso do intelecto.

Aos que fazem críticas e aparecem aqui para tumultuar, apenas gostaria de manifestar minha tristeza pela preguiça de pensar.

Um abraço,
Marcos

Responder
Leandro 03/12/2014 17:19:21

Muito obrigado pelas estimulantes palavras, prezado Marcos. Seja muito bem-vindo e participe sempre.

Grande abraço!

Responder
Medrado 03/12/2014 18:33:37

Faço minhas as palavras do Marcos. Comecei a acompanhar o site há pouco tempo, tendo o encontrado após pesquisar um pouco mais sobre a forma como a taxa de desemprego é calculada no Brasil. Desde então venho sempre me surpreendendo com o conteúdo disponibilizado aqui. Parabéns a todos os envolvidos nesta iniciativa!


Responder
Rodrigo 03/12/2014 16:51:11

Olá Leandro,

Isso ainda se verifica no brasil: www.reuters.com/article/2013/07/27/us-brazil-imf-debt-idUSBRE96Q0CA20130727

O Governo não computa as dividas do tesouro em poder do BC como dívidas (" Nós devemos para nós mesmos").

O FMI, discordando dessa medida, calculou a Dívida/Pib brasileira considerando essa parcela da dívida e o resultado foi um indicador com 10 pontos percentuais maior.

Isso ainda ocorre? Você sabe onde conseguir números atualizados da divida/pib calculado pelo FMI?

Abraços e parabéns pelo excelente artigo!

Responder
Leandro 03/12/2014 17:17:53

Aqui:

en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_public_debt#List

Ver a coluna "Gross government debt as % of GDP (IMF)"

Responder
Rodrigo 04/12/2014 12:20:21

Também faço minhas as palavras do Marcos.

Acesso o site a pouco tempo, cerca de 2 meses.
Leandro sempre muito esclarecedor.

Abraço,
Rodrigo

Responder
Trader Carioca 03/12/2014 16:53:41

Ahh eu comentei e esqueci de dar meus parabéns pelo artigo.

Ótimo trabalho, continue!

Responder
Leandro 03/12/2014 17:19:58

Obrigado, Trader.

Grande abraço!

Responder
Pedro Mundim 03/12/2014 17:11:46

Penso que vai acontecer aquilo que eu previ: Dilma será oferecida em holocausto para a volta de Lula em 2018. Ela vai tomar todas as medidas amargas que dizia que Aécio tomaria, e arcará com o inevitável ônus de impopularidade. Quando o nível de rejeição de Dilma atingir um nível crítico, o PT encenará uma ruptura com ela e se concentrará na campanha pela volta de Lula em 2018 como salvador da pátria. Lula assumirá com as contas no azul, tudo pronto para nova gastança, e Dilma sumirá pela porta dos fundos.

Responder
Ronaldo 03/12/2014 19:01:13

Desista, vai ser Haddad. Lula ta velho caquético

Responder
Felipe 03/12/2014 19:20:40

Haddad? Difícil. Petistas estão até ameaçando tira-lo da disputa de reeleição. Mas provavelmente será apenas uma ameaça.

As sondagens apontam que se não for Lula, vai ser Jaques Wagner ou Mercadante. Mas são só sondagens, quem apostaria em Dilma no final de 2006.

Responder
Julio 03/12/2014 21:25:00

Entre esses dois últimos, provavelmente Jaques Wagner. Segundo consta, Mercadante é muito arrojado, muito metido a intelectualizado (para os padrões do PT). Dizem que Lula não o suporta.

Responder
Vinicius 03/12/2014 22:21:26

Há boa chance de todo o descrito acontecer, exceto de as contas estarem no azul no período até 2018, para tocar uma recessão é necessário um navio de competência, veja como Delfim Netto tocou a de 1981-83 (2 maxidesvalorizações da moeda, tabelamento de salários e uso de estatais para entrar com os tão necessários dólares, o resto da década todos conhecem).
Zélia em 1990, essa é histórica, 3 anos de recessão para nada.
Um ajuste fiscal de Dilma e cia vai se parecer mais com esse 2 trapalhões da década de 80 do que Malan/Armínio em 1999 ou Palocci/Meirelles 2003.

Responder
Halsted 03/12/2014 17:17:00

Há 2 cenários possíveis.
Primeiro cenário, o otimista, brilhantemente escrito por este artigo: A Digníssima Presidente finalmente deu-se conta do monstro gigantesco que sua gestão produziu. Portanto, teve que chamar alguém para limpar a sujeira e tentar arrumar a casa. Vai doer e vai levar tempo, mas não há outra saída.

Segundo, mais assustador, e, na minha opinião, o mais provável: O Sr. Levy é somente a famosa "figura do espantalho".
Isto é: como estamos passando por um monte de escândalos, muita gente está fazendo barulho, os gastos estão fora de controle, a inflação está subindo, estão "atacando o governo" (veja só que "desrespeito": ficar "atacando o governo")...
Solução da Sapiente Presidenta - vamos botar um cara "neoliberal" ali.
Nós, que somos do governo, portanto sempre estamos corretos, vamos continuar gastando mais ainda, afinal "despesa corrente é vida", precisamos manter o "estímulo para a economia", precisamos "manter o emprego a qualquer custo", precisamos "incentivar as indústrias".E se a despesa vier às custas do contribuinte direto para os bolsos da Máquina Governista, melhor ainda!
Depois, quando o caos definitivo chegar, basta debitar a culpa inteiramente na conta do Sr. Levy. Afinal, ele é "Mr. Chicago Boy, ortodoxo, aluno do Armínio Fraga, neoliberal, banqueiro, financiado pelo capital internacional".
Basta o governo dizer: "Viram como foi ELE que produziu toda essa desgraça? Portanto, precisamos avançar de vez para o 'novo modelo social'. Precisamos acabar de vez com o liberalismo!"
Após esse passo, o caminho da servidão estará pavimentado para a Ditadura do Proletariado.

Responder
Yuri 04/12/2014 05:09:20

Você só esquece de que o Levy largou um emprego de 240k/mes por um de 26k. Portanto, ele não é um coitado qualquer que depende do governo para viver. Ele tem espaço no mercado e nome a zelar.

Se o plano dela for esse, não vai dar certo. O provável é que ele renuncie alegando ingerência e falta de espaço para trabalhar e isso afunde de vez o governo Dilma. O setor econômico perderá 100% da confiança e o corte virá através de queda na arrecadação e recessão + inflação incontrolável.

Esse cara não é o costas-largas do governo, é a última esperança. Ao menos é o que acredito.

A única coisa que não entendi ainda foi essa manobra do Mantega em fim de mandato ter sido aprovada. Eu, sendo o Levy, chamaria a presidenta e diria que se for mexido em mais 1 fio de cabelo na economia, ela vai ter que procurar outro.

OUU então os manda-chuvas do Bradesco ordenaram a disponibilização do funcionário. Não sei... dúvidas dúvidas...

Responder
PESCADOR 03/12/2014 17:18:56

Em 2015,além de tudo, teremos a bolha imobiliária estourando de vez.

Responder
José Roberto Baschiera Junior 03/12/2014 18:27:19

Leandro,

Voltando a postar, já que você me cobrou no seminário!

Fiquei com uma dúvida sobre o seguinte trecho:

"Além de atacar os bancos estatais, o orçamento do governo também terá de ser equilibrado. Os déficits nominais (esqueça o superávit primário, um mero truque ilusório que não é utilizado por nenhum país desenvolvido) terão de ser reduzidos. Melhor ainda se forem zerados."

Como é esse truque ilusório que não é utilizado por nenhum país desenvolvido? Você poderia explicar e falar dos superávits dos últimos anos em relação a isso?

Responder
Leandro 03/12/2014 19:09:07

O que eu quis dizer é que nenhum país desenvolvido trabalha com o conceito de primário. Todos eles trabalham apenas com o conceito de nominal (receitas totais menos despesas totais, incluindo o pagamento de juros da dívida). Eles não excluem o pagamento de juros das contas do governo. Ou o governo tem um déficit ou ele tem um superávit. Não há esse meio termo de superávit primário e déficit nominal.

Grande abraço e bom vê-lo aqui novamente!

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 04/12/2014 17:56:41

Obrigado pela resposta, Leandro, achei que tinha mais alguma informação que eu havia perdido aqui.
Onde encontro apenas o histórico de receitas nominais? Nas séries históricas do Bacen só encontrei as primárias.

Obs: Leio o site todo dia, sempre esperando seus artigos, esse inclusive está brilhante.

Abraço

Responder
Leandro 04/12/2014 18:51:06

Tem de ir às séries temporais e procurar pela "Necessidade de Financiamento do Setor Público".

Para ir direto, clique no link acima. Aí clique em "Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS)". Aí, no canto esquerdo, onde está escrito "Por código", digite 5012.

Grande abraço e obrigado pelas palavras!

Responder
Neto 03/12/2014 18:41:33

Parabéns, Leandro! Belo artigo, como sempre.
Posso citá-lo em meu site? Alguma restrição?
Obrigado!

Responder
Eduardo Leonhardt 03/12/2014 18:45:54

Fala Leandro!

Como de costume, mais uma de suas análises brilhantes e sensatas! Só posso agradecê-lo.

Bom, faz tempo que vemos a Selic mostrando-se um instrumento insuficiente para controle da inflação. Ela, sozinha, não significa muita coisa. Só o governo não enxerga isso. A única conseqüência que vemos é a intensificação da estatização do crédito no Brasil, enquanto os preços seguem sendo pressionados pelo despejo de dinheiro na economia.

Algo me diz que esse estímulo ao crédito subsidiado só vai diminuir quando a inadimplência disparar. Tu tens informações a respeito da adimplência em instituições públicas vs. privadas? Tenho curiosidade de saber se ela vem aumentando e em que ritmo.

Por fim, confesso que recebi a notícia da nomeação do Sr. Levy com muita cautela. Como tu pontuaste muito bem, ele tem um perfil de cortar gastos mas, com esse governo gastador, acho difícil ele conseguir "fechar essa torneira" da qual jorra dinheiro para programas sociais e empresas lobistas do governo. Há de se ponderar que, se suas ações forem muito ortodoxas, facilmente ele se tornará impopular junto a base governista. Em resumo: na minha opinião, se ele fizer o certo, perde apoio político e se ferra; se fizer o errado, afunda o país ainda mais e se ferra. Ele terá um caminho com muitos espinhos, sem dúvida. De qualquer forma, o simples fato de o lunático do Mantega ter saído de cena, não deixa de ser um alento.

Novamente, obrigado pelo artigo. Há anos que não perco um artigo sequer aqui no IMB :-)
Abraço,

Responder
Leandro 03/12/2014 19:25:40

Vem aumentando nos públicos e caindo nos privados (link abaixo). Mas o nível ainda é baixo, pois, além de não ser um bom negócio ficar devendo bancos (pois eles podem tomar sua propriedade com o auxílio do governo), os juros são muito baixos para gerar grande inadimplência. (Pelo Pronaf, você consegue empréstimos a 1,5% ao ano).

www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/ie2-23.xls

Muito obrigado pela assiduidade e pelas palavras. Grande abraço!

Responder
Daniel 03/12/2014 19:12:52

Li em algum site que o plano macabro do PT seria 2 anos de "ortodoxia light" com Levy para depois mudar a chave e voltar para o "desenvolvimentismo", gastar até o talo e reeleger Lula em 2018!

Pelo amor de Deus: será que 2 anos se fazendo de bonzinho esse governo conseguirá recuperar aquela euforia internacional com o Brasil e melhorar o crescimento e assim se perpetuar no poder? Digam que não por favor!

Responder
Enrico 03/12/2014 19:48:15

Qual o sentido do governo nomear um ministro para restaurar o mínimo de "austeridade" e ao mesmo tempo querer reduzir o superávit primário?

[off] "O que nos aguarda" é o título e o id é 1984. Coincidência macabra.

Responder
Zeca 03/12/2014 20:23:35

Prof Leandro,

Brilhante artigo.
Apenas, duas observações: O BNB e o BASA são bancos federais controlados pela União (não vejo razão para a União ter tantos bancos comerciais) e;

Nesse montante da dívida pública bruta de 3,13 trilhões você já incluiu as tais operações compromissadas do Banco Central? Elas já passam de R$ 900 bilhões.

Salvo algum equívoco, até onde pude pesquisar, são operações que ocorrem quando os bancos preferem títulos de curtíssimo prazo (o nosso caso atual) que o Tesouro não emite, pois este prefere trabalhar com títulos pré e com prazo mais elástico.

Então o BACEN aparece e resolve o problema. Vende um título federal de sua carteira para o mercado com cláusula de recompra no curto prazo e com rendimento atraente, mediante um contrato "derivativo" firmado com um banco comercial qualquer. Essas operações mascaram a realidade de que a dívida está alargando a sua maturidade. Na realidade, se somarmos as operações compromissadas, a dívida de curto prazo que alimenta o nosso "over night" já atinge uns 40% do total. O economista Nakano comentou a respeito no mês passado.

Fico por aqui,

Um grande abraço,

Zeca

Responder
Leandro 03/12/2014 22:25:24

Correto quanto ao Banco da Amazônia. Já o BNB realmente é estadual; seu maior acionista é o governo do Distrito Federal.


A dívida total contabiliza todos os títulos emitidos pelo Tesouro, inclusive os que estão em carteira e em custódia do Banco Central, pois estes também coletam juros normalmente.

Os títulos em carteira do BC -- os que são utilizados em operações compromissadas de curto prazo, e que entram e saem do BC diariamente -- equivaleram a R$1,002 trilhão em outubro. Já os que estão em custódia do BC equivaleram a R$101 bilhões também em outubro.

Títulos totalmente fora do BC totalizaram R$2,050 trilhões em outubro.

A dívida total de outubro foi de R$3,053 (atualizei o valor para outubro; o anterior era de setembro).

Grande abraço e obrigado pelas palavras!

Responder
Zeca 05/12/2014 13:41:55

Prof Leandro,

O BNB é federal - Banco do Nordeste do Brasil SA. O BRB (Banco de Brasília SA) é que é do DF. Mas isso é indiferente para a discussão, já que ambos são estatais e turbinados com dinheiro do contribuinte.

Grande Abraço.

Zeca

Responder
Leandro 05/12/2014 13:51:32

Fato. Você escreveu BNB e eu, atabalhoadamente, interpretei BRB. My bad.

Grande abraço!

Responder
Vinicius 03/12/2014 22:02:06

Excelente artigo, era o que eu escreveria mais cedo, porém saiu esta notícia a pouco:
veja.abril.com.br/noticia/economia/bndes-pode-elevar-juros-a-partir-de-2015-diz-luciano-coutinho
Parabéns Sr. Leandro seu artigo discorreu precisamente os passos do governo, e já estão se cumprindo.
Agora a minha pergunta, até onde haverá gotas de sanidade de Dilma em seu deserto de ignorância? Até onde ela pretende levar Levy?

Responder
Ricardo 03/12/2014 22:06:28

Leandro, obrigado pelo excelente texto e também pela sua atenção na resposta às dúvidas dos leitores.

Vamos supor que o cenário mais provável ocorra, que é a diminuição na oferta do crédito pelos bancos públicos e o aumento na taxa Selic.

Qual o efeito disto em uma economia debilitada como a Brasileira atualmente? Não iria prejudicar demais um setor produtivo já em crise?
Eu imagino que esta atitude só daria resultados positivos se acompanhasse uma mudança na política de gastos do governo e uma melhoria no ambiente de negócios como forma de compensação, o que é uma hipótese praticamente impossível tendo em vista a própria característica do partido.

Outra dúvida é em relação a taxa selic. Até que ponto um aumento súbito impactaria o custo com pagamento de juros da dívida? Isto aumenta o déficit nominal de forma relevante?

Diante de todas estas atitudes prováveis por parte do governo, quais os resultados no mercado imobiliário, tendo em vista que estas medidas prejudicariam ainda mais o setor e poderia ser o estopim para uma correção brusca de preços? Acredita que o governo vai manter a torneira de crédito aberta para este setor específico?




Responder
Leandro 03/12/2014 22:54:04

"Qual o efeito disto em uma economia debilitada como a Brasileira atualmente? Não iria prejudicar demais um setor produtivo já em crise?"

No curto prazo, sim. Como dito no texto, com o crédito mais caro, os investimentos produtivos não ocorrerão.

No entanto, um arrefecimento da carestia, um eventual restabelecimento da confiança, e o fato de que juros mais altos permitem que as aplicações financeiras das empresas rendam mais (dando-lhes mais caixa para mais investimento), podem gerar benefícios num prazo mais longo.

Essa questão dos juros altos capitalizarem as empresas é muito pouco considerada nas análises econômicas. Em minha opinião, os juros zero são o principal fator impedindo a recuperação das economias avançadas, Todos os países que reduziram suas taxas básicas de juros a zero não saíram da estagnação. Juros zero por 6 anos não capitalizaram as empresas.

Agora, veja o que fizeram Canadá, Austrália e Nova Zelândia. O Canadá não zerou seus juros. Reduziu para 0,25%, mas logo em seguida já elevou pra 1%. A Austrália reduziu pra 3%, mas logo em seguida subiu pra 4,75%. A Nova Zelândia reduziu pra 2,50% e já subiu pra 3,50%.

Já os países que zeraram os juros estão na mesma até hoje.

"Eu imagino que esta atitude só daria resultados positivos se acompanhasse uma mudança na política de gastos do governo e uma melhoria no ambiente de negócios como forma de compensação, o que é uma hipótese praticamente impossível tendo em vista a própria característica do partido."

Se isso fosse feito melhoraria bastante. Mas repetir a austeridade severa de 2003 já estaria de bom tamanho.

"Outra dúvida é em relação a taxa selic. Até que ponto um aumento súbito impactaria o custo com pagamento de juros da dívida? Isto aumenta o déficit nominal de forma relevante?"

Impactaria bastante. Mas para um país que já teve SELIC a 26,50%, uma eventual taxa de 15% é tolerável.

"Diante de todas estas atitudes prováveis por parte do governo, quais os resultados no mercado imobiliário, tendo em vista que estas medidas prejudicariam ainda mais o setor e poderia ser o estopim para uma correção brusca de preços? Acredita que o governo vai manter a torneira de crédito aberta para este setor específico?"

A correção no setor já começou em 2012. E a tendência é se intensificar. Hoje, apartamentos vendidos com descontos de 30% e vários chamegos (como IPTU pago, 6 meses de condomínio pago, garagem extra etc.) são a norma. Sinal de que o mercado já se arrefeceu. Não há descontos em mercados aquecidos. Há apenas queda de preços.

Grande abraço e obrigado pelas palavras!

Responder
Ricardo 03/12/2014 23:29:51

Muito obrigado pela aula!

Excelente ponto levantado sobre a relação juros x capitalização das empresas.
Realmente isto é totalmente deixado de lado em todas as análises sobre juros, o que se fala é apenas sobre o consumo e crédito.
Se for analisar de forma mais profunda isto traria benefícios extras também como aumento da eficiência no setor produtivo e de um maior cuidado na hora de investir e de menor alavancagem que poderiam também gerar resultados positivos. E por que não forçar a pressão sobre mudanças para melhorias no ambiente de negócios como tributação mais simples e menos regulamentação.

Agora que você deu o caminho vou estudar mais sobre este tópico.

Abraços!

Responder
Ricardo 04/12/2014 00:08:00

Olhem o recado que o governo está mandando:

Aumento da taxa de juros:
www.correiodoestado.com.br/economia/banco-central-eleva-taxa-de-juros-para-1175-ao/233910/

A torneira dos bancos públicos vai continuar aberta:
granos.agr.br/noticias/economia/03-12-14-governo-autoriza-liberacao-de-r30-bi-ao-bndes-por-meio-de-medida-provisoria

Responder
Babooska 04/12/2014 00:14:40

Leandro, obrigado por esta excelente explicação.

Estou engatinhando no conhecimento sobre economia. São várias duvidas, mas como sei que existem inúmeras outras dos leitores pra responder, destaco apenas duas.

1- ''O gráfico acima, portanto, mostra quanto dinheiro foi criado pelos bancos privados (linha azul) e pelos bancos estatais (linha vermelha) em operações de concessão de empréstimo.''

Quanto citou ''foi criado'', não é literalmente a criação de dinheiro pelos bancos privados?


2- ''Saiu do cargo em março de 2010 e foi para o Bradesco, onde atua na direção de gestão de fundos de investimentos e ganha algo em torno de R$250 mil por mês. Como ministro, ganhará R$26 mil. Não há motivos para crer que ele aceitaria trocar esse belo emprego no Bradesco para virar um mero capacho de Dilma e ganhar bem menos.''


Você teria uma opinião mais detalhada sobre a renúncia de um executivo com salario de 250 por um de 26 mil? Foi ironia? Sua resposta com simples ''sim''é suficiente, entenderei...

Desculpe minha ignorância. Aliás, a escuridão da mesma vendo sendo iluminada a cada artigo seu sobre economia. Obrigado.

Abraços,
Feliz 2015, e nos brinde com mais artigos seus.

Responder
Leandro 04/12/2014 00:53:46

1- É literalmente criação de dinheiro pelos bancos privados e públicos. Bancos criam dinheiro do nada quando concedem empréstimos.

Esse artigo explica em detalhes todo esse funcionamento:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

2- Confesso que não entendi muito bem a sua pergunta. Os valores salariais são esses mesmos e podem ser encontrados na internet. Já sobre por que ele fez essa troca de emprego, aí eu realmente não faço a mais mínima ideia.

Muito obrigado pelas palavras e pelo estímulo, e continue vindo sempre, por gentileza.

Grande abraço!

Responder
Gustavo 10/12/2014 18:52:20

Esses ministros todos participam dos Conselhos de Administração das estatais e de outras empresas privada coligadas com o governo. Então ele deve tirar essa quase toda essa remuneração que ele ganhava no Bradesco.

Responder
Eduardo 04/12/2014 00:53:53

Muito bom o artigo, Leandro.

Feliz por ler este primoroso artigo de sua autoria.

Abraço.

Responder
Leandro 04/12/2014 13:50:55

Obrigado pela manifestação, caro Eduardo. Forte abraço!

Responder
Luca 04/12/2014 01:03:51

Li o artigo do Leandro e minutos depois vêm a seguinte notícia:

BC subiu a taxa Selic pela 2ª vez seguida

Obrigado Leandro:

''Caso nenhuma dessas duas alternativas seja implantada, não restará outra opção senão o Banco Central intensificar a alta da SELIC, a qual afeta apenas os bancos privados. Dado que os bancos estatais são imunes à SELIC e dado que eles são responsáveis por metade dos empréstimos feitos no Brasil, a conclusão óbvia é que a SELIC terá de ser elevada de maneira ainda mais intensa apenas para encarecer os empréstimos feitos pelos bancos privados e, com isso, reduzir um pouco o processo de criação de dinheiro.
Caso o BC faça isso, o crédito dos bancos privados ficará ainda mais restrito, e a economia ficará ainda mais dependente do crédito estatal. É praticamente uma "sovietização" da economia brasileira.''

E agora Leandro, como nos defender?
Chaves morreu, me refiro ao mexicano e com s no final.

Responder
brainspark 04/12/2014 02:04:18

Até 2010 eu vivia na ilusão que seria sim possível que o Brasil alcançasse padrões desenvolvidos.
A partir de 2010, após muita leitura e experiência "do lado de dentro" do governo, minha ilusão desapareceu, hoje enxergo bem.

Vejo um território com imensas riquezas naturais, metais preciosos, solo agriculturável, muita água e clima favorável. Vejo um território com grande potencial de produção de alimentos para todo o mundo.

Vejo um território com o maior potencial de produção de riquezas no mundo.

Não vejo um país (abstração do território) preparado para produzir estas riquezas.

Não vejo uma nação (nível ainda mais abstrato) preparado para produzir riquezas.

Vejo como J.O.M. Pena estava certo, o brasileiro é um povo com origens nos morenos, o brasileiro é paixão não é razão, pouco se interessa pelo aprimoramento contínuo de sua própria pessoa. "Sobreviver" para os morenos sempre foi mais "tranquilo" que para "sobreviver"os nórdicos.

Vejo que o mundo é dividido com blocos supranacionais com poder de intervenção em vários países.

Vejo que seria um risco para os interesses destes blocos que um território tão rico viesse a se organizar e constituir uma nação consolidada ciente de sua importância no contexto mundial.

Vejo como o coletivismo se adequou bem ao brasileiro ao longo dos últimos 60 anos, mondando sua personalidade.

Soma-se a isto a isso a necessidade do cultivo da idolatria por um povo sem referencial histórico. O resultado é o desenvolvimento planejado de um moderno sistema colonial de exploração.
Este sistema (democracia socialista) é gerido por grupos de gestores (partidos políticos) onde os gerentes são bem remunerados para que mantenham a alienação de todo um povo.
A alienação é necessária para que este povo forneça a mão de obra para extrair deste território toda riqueza possível, sem que beneficie o próprio povo.

Gestores normalmente têm ideologias, os adeptos de Stalin e Lenin são os "melhores".

O Cultivo destas ideologias é incentivada para manter o controle, afinal pouco interessa se na década de 2020 for criada um bloco socialista na América Latina sob o comando do Foro de SP, desde que seja mantida ativa a colônia.

Vejo que tudo faz sentido, ambientalismo, feminismo, gayzismo, socialismo, Marx, Gramsci, Lula, Obama, etc... são ferramentas de alienação popular efetivas.

Vejo que mais uma vez admiro o individualismo e a práxis que me fazem enxergar oportunidades em toda e qualquer situação.

Vejo nos Austríacos o que mais se aproxima da verdade.

Parabéns ao Instituto!!!

Responder
Cíntia 04/12/2014 11:51:52

Em primeiro lugar, muito obrigada, Leandro. Seu trabalho e a capacidade que você demonstra são realmente admiráveis, sem contar sua incansável determinação de clarear nossa visão, delinear os fatos e explicá-los.

E brainspark, concordo com você. Também vivo dentro do serviço público, e tenho as mesmas impressões. Porém não posso negar que desde que conheci todas estas pessoas incríveis que vemos por aqui, minha esperança aumentou. Continuo sofrendo diariamente com o massacre da ineficiência, da arbitrariedade, da ignorância quase absoluta, da maldade. Mas senti uma pequena brisa, suficiente para não morrer sufocada.

Abraços

Responder
anônimo 04/12/2014 12:12:09

Vocês estão falando dos nórdicos mesmo?

Sério ?

O "paraíso" socialista ? O modelo que os esquerdistas usam para falar na escola que o socialismo "funciona" ?

Ainda é funça ?

Faz-me rir !

Responder
Cíntia 04/12/2014 16:10:34

Tem filhos, anônimo?

Responder
Andre 04/12/2014 12:21:00

"Vejo um território com imensas riquezas naturais, metais preciosos, solo agriculturável, muita água e clima favorável. Vejo um território com grande potencial de produção de alimentos para todo o mundo.".

Acredito que isso contribui obstinadamente para que o país seja ruim.
Com tanta facilidade ninguém se esforça para evoluir.
Por isso os índios viveram aqui durante SÉCULOS sem evoluírem absolutamente NADA!

Já nos países onde neva por vários meses do ano, criando grandes dificuldades
para quem quer só curtir a vida, como os índios, essas dificuldades naturais forçam as
pessoas a pararem de pensar que podem apenas viver a vida comendo o que a natureza provê
e faz elas pensarem que além de curtirem a vida elas devem empreender na criação de coisas
que lhes permitam superar as dificuldades impostas pela natureza.

Baseado nisso eu já conclui que o Brasil SEMPRE será o Bostil. SEMPRE!
Digo sempre pois considero praticamente impossível o Brasil se tornar um país frio.
Se os brasileiros quiserem contrariar essa minha crença saibam que lhes desejo boa sorte,
pois vão precisar disso em doses continentais.

Responder
anônimo 04/12/2014 16:13:13

Você tem certeza que está falando dos índios saqueadores conhecidos como Vikings ?

Responder
Andre 05/12/2014 12:25:24

"Você tem certeza que está falando dos índios saqueadores conhecidos como Vikings ?"

Eu tenho certeza que NÃO estou falando dos índios saqueadores conhecidos como Vikings.
Afinal de contas Vikings não são índios.

E Vikings eram MUITO mais avançados tecnologicamente do que índios.
Eles até tinham espadas.

Responder
IRCR 04/12/2014 02:29:52

Leandro,

Vc acredita mesmo que cortes profundos serão feitos ? mesmo que concorde que deveria ser cortado gastos com cargos comissionados, secretarias, ministérios, agencias reguladoras, burocracia, corrupção, caixa 2, financiamento de artistas engajados, bolsa BNDES, salários e benesses de políticos etc.. o grande grosso da despesa do governo advêm de gastos com previdência e juros da divida. Não creio que o governo realizará tão cedo uma reforma na previdência e sobre a divida que o governo tem junto ao sistema bancário e investidores ? o que fazer ? renegociar ? dar calote (rsss) ?

Obrigado pelo grande artigo.

Responder
Leandro 04/12/2014 13:53:44

Eu não. Creio que, no máximo, o ritmo de crescimento dos gastos será diminuído. Pode até haver alguns cortes pontuais (as despesas com publicidade na Veja, na Época e na IstoÉ talvez sejam reduzidas), mas nada duradouro.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Dirajos 04/12/2014 02:37:46

Leandro, parabéns! Mais um texto de grande valia para os leitores.

Gostaria de saber qual o cenário mais provável para a economia brasileira nos próximos dois anos. Será que a moeda brasileira desvalorizara ainda mais em relação ao dólar e euro?



Responder
Carlos Samanez 04/12/2014 03:14:38

Como sempre, as análises do Leandro Roque são claras e bem sustentadas.

Responder
Leandro 04/12/2014 13:50:00

Obrigado pelo reconhecimento, Carlos. Grande abraço!

Responder
Juliana 04/12/2014 11:30:31

Diante de uma análise dessas, eu gostei muito de saber que o Joaquim Levy será o novo ministro da Fazenda. E dá para ser bastante otimista com relação ao que deve ser feito.

Pra começar: com relação à necessidade de se reduzir o endividamento, já sabemos da fama de durão que ele tem com relação à política fiscal. Então podemos esperar que ele vá no mínimo estancar quaisquer avanços nos gastos públicos, além de tomar outras medidas que visem a tão sonhada redução dos déficits nominais do governo. E por conseguinte, sendo ele o responsável pela política de crédito dos bancos estatais, será uma grande surpresa se ele não conter firmemente os avanços da emissão de dinheiro dessas instituições. E daí, de uma maneira indireta, vai acabar também atacando a carestia. Já a correção do setor elétrico, que não deve ser muito da alçada dele, é que deve ficar mais a cargo da Dilma, então, sabe-se lá o que vai acontecer.

É certo que o ajuste fiscal é pensado apenas em termos de se alcançar algum superávit primário; e as medidas tomadas não devem necessariamente causar um grande choque. Ainda assim, ter um Joaquim Levy na Fazenda já é por si só um grande avanço, e digno de cumprimentos.

Agora (e por último sempre o mais importante), digno de elogios imensamente mais calorosos, é este ótimo e presciente artigo. Prezado Leandro, meus parabéns e meu muito obrigada por mais este - e como sempre - edificante e excelente artigo.

Grande abraço!

Responder
Leandro 04/12/2014 13:54:30

Prezada Juliana, gostaria de compartilhar do seu otimismo, mas temo que Levy acabará sendo utilizado como bucha de canhão: fará o "serviço sujo" por dois anos, e aí irão correr com ele. Mas espero estar errado.

De resto, muito agradecido pela calorosa manifestação. Grande abraço!

Responder
Rodrigo Lopes Lourenço 04/12/2014 12:11:15

Leandro,
Embora seja fã ardoroso de seus percucientes artigos, sou obrigado a discordar de seu comentário "injustamente" irônico no seguinte trecho de sua sempre brilhante análise: "Uma conclusão: para Dilma, banqueiros maus só os do Itaú. Os do Bradesco aparentemente são dotados de alguma sensibilidade social."
Não! Há colossal diferença entre os banqueiros do Itaú e os banqueiros do Bradesco: o símbolo do Itaú é azul e amarelo (= PSDB) e o símbolo do Bradesco é vermelho e branco (= PT).
Visto por este prisma - o qual, por ser tão relevante, é o que pauta as decisões presidenciais... - está explicada a preferência pelos banqueiros do Bradesco.
No mais, quero aproveitar a oportunidade para agradecer-lhe pelas aulas de economia e pelo prazer da leitura.

Responder
Leandro 04/12/2014 13:41:49

Rá, boa! De fato, tal detalhe havia me escapado.

E obrigado pelas palavras. Grande abraço!

Responder
Andre 04/12/2014 14:52:45

"Não! Há colossal diferença entre os banqueiros do Itaú e os banqueiros do Bradesco: o símbolo do Itaú é azul e amarelo (= PSDB) e o símbolo do Bradesco é vermelho e branco (= PT).".

Hahahaha, eu nunca tinha atentado para isso!
Perfeita a sua observação!!!

Pode parecer que é só piada, mas com certeza as cores possuem um efeito psicológico sobre as pessoas...

Responder
Ronaldo Quinto 04/12/2014 13:54:00

Leandro,

Parabéns pelo texto, como sempre, muito elucidativo.

Abraço,

Responder
Malthus 04/12/2014 15:27:03

Muito obrigado pelas palavras, caro Quinto. Forte abraço!

Responder
Guilherme 04/12/2014 15:49:49

Saiu anteontem, bem escondidinho na imprensa (com um negrito meu):

Aneel fixa repasse de R$ 1,18 bi a distribuidoras de energia

Recursos são destinados à cobertura de gastos que as empresas estão tendo no curto prazo relacionados à compra de energia elétrica mais cara

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fixou em R$ 1,18 bilhão os recursos a serem repassados às concessionárias de distribuição de energia elétrica até 8 de dezembro referentes à competência de outubro, segundo despacho publicado nesta terça-feira no Diário Oficial da União.

Os recursos são destinados à cobertura de gastos que as empresas estão tendo no curto prazo relacionados à compra de energia elétrica mais cara, em momento de estiagem e forte geração termelétrica.


Ou seja, só pra outubro, o governo está repassando mais de R$1 bilhão. Imagina o tamanho total dessa fatura.

Responder
Leandro 04/12/2014 16:11:59

O plano inicial era repassar "apenas" R$ 17 bilhões. Esse montante já foi alcançado e agora "descobriram" que será necessário mais.

Socorro de R$ 17 bi não cobre gastos extras de distribuidoras de energia

Responder
Luiz 04/12/2014 17:16:18

Prezado Leandro,
Parabens pelo artigo.
Refleti sobre este teu paragrafo:
Saiu do cargo em março de 2010 e foi para o Bradesco, onde atua na direção de gestão de fundos de investimentos e ganha algo em torno de R$250 mil por mês. Como ministro, ganhará R$26 mil. Não há motivos para crer que ele aceitaria trocar esse belo emprego no Bradesco para virar um mero capacho de Dilma e ganhar bem menos.

Uma humilde hipotese que me ocorreu sobre o motivo dele aceitar o cargo é uma certa pressão do comando do Bradesco para que tente pelo menos salvar, fazer o que for possivel nestas condicoes....afinal nao é crível imaginar que BBDC4 e BBDC3 irao bem no longo prazo em um país economicamente destruído.
Esta talvez seja a unica vantagem de um cidadao comum em comparacao a uma grande empresa: ele pode ir embora, já um bancão não!

Responder
Leandro 04/12/2014 17:52:22

É um ponto interessante. Embora, pelo seu histórico, eu não veja o Levy como alguém que mudaria de emprego em decorrência desse tipo de pressão, há algum sentido nesse seu raciocínio -- principalmente pela perspectiva de um dono de banco.

E nem seria para evitar uma "destruição econômica", mas sim para retornar àquele período da era Lula.

Responder
soulsurfer 04/12/2014 19:12:16

Olá, Leandro. O texto é ótimo mesmo. Na verdade são os textos que mais gosto de ler por aqui. Achei o seu texto tão bom como os do Ricardo Galo que também são muito bons. Não comungo com algumas idéias colocadas por aqui, mas isso faz parte. Permita-me fazer algumas reflexões e uma pergunta final (pedindo vênia já pelo tamanho do texto).
a) Uma das pessoas que mais conhece de finanças públicas é o Mansueto. Nos textos produzidos por ele, fica claro que a estrutura de gastos do Brasil é complexa e estanque. Numa resposta nesse mesmo artigo, você diz que se poderia atacar os gastos com cortes de ministérios, agências reguladoras, etc. Tirando eventuais questões de princípio (mais ou menos Estado), o fato objetivo é que a rubrica para esse tipo de gasto não é expressiva, como mencionado diversas vezes pelo Mansueto. Não adianta, mesmo diminuindo pela metade os ministérios, não seria nem 0,2% do PIB (não estou certo do número, mas é bem baixo), isso se fosse, pois os funcionários não podem ser mandados embora e teriam que ser realocados em outros órgãos. Isso me leva ao item "b";
b) O Brasil, quando da Constituinte, escolheu uma estrutura de Estado e de nação. Isso foi uma escolha política. Talvez por sofremos uma ditadura, por sermos um país extremamente injusto e desigual, resolveu-se criar um modelo de Estado. Esse modelo de Estado está na nossa Constituição, e ele obviamente produz uma estrutura de gastos. Desde a década de 80, a nossa carga quase dobrou em proporção do PIB e não há nada que impeça que esse ritmo continue. Em qualquer governo, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, a carga aumentou. Há pessoas extremamente inteligentes como o Samuel Pessoa que dizem que isso é fruto da nossa escolha política em 1988. Há até mesmo um livro chamado "Por que o Brasil cresce pouco?" que defende que se fez uma escolha por um país com possibilidade de crescimento menor, porém mais inclusivo (pode-se concordar ou não se isso é verdadeiro ou não, mas parece essa ter sido a escolha). Assim, o Brasil nunca poderia ter taxas de poupança ou investimento como países asiáticos que possuem modelos de Estado e de estruturação da sociedade diferentes. Apenas para se ter uma ideia 75% do orçamento da União é para pagamento de pessoas (aposentadorias, benefícios sociais, servidores, etc), e nesse gasto não tem como mexer;
c) Podemos conjecturar sobre Estado Mínimo, o que deveria ser feito, porém o fato objetivo é que temos uma constituição. Se o governo não paga benefícios previdenciários, o Judiciário manda restabelecer. Assim, ou cumpre-se a ordem, ou comete-se crime de desobediência ou retira-se a independência do Judiciário. Se quiser mudar a Constituição por EC (além de correr o risco de ver essas Emendas declaradas Inconstitucionais, e aí voltamos ao primeiro problema) e o Congresso por pressão popular, ou não, não aceitar, ou se aceita ou se fecha o congresso;
d) Além do mais, os gastos tendem a crescer mais (como os 10% do PIB para educação – hoje em dia estamos em 6%) o projeto de 10% para saúde, aumento sensível dos gastos previdenciários com o envelhecimento, etc. Pode-se argumentar, tem-se a solução, Estado Mínimo, mas isso com as regras atuais seria inconstitucional. Portanto, no meu entendimento, se quisermos ser objetivos e realistas, em algum momento a Constituição, o nosso pacto social, terá que ser rediscutido. Assim, acho que ficaria mais claro se as pessoas defendessem abertamente a rediscussão do nosso Pacto Social. Conscientes dos riscos de se rediscutir uma Constituição, pois nunca se sabe o que pode sair numa constituinte, já que num ambiente desses diversas forças políticas, sociais organizadas, etc, tentam prevalecer os seus interesses.

Esse tema me interessa bastante, e gostaria de saber a sua visão.

Abraço!

blog pensamentos financeiros

Responder
Leandro 04/12/2014 21:07:58

a) Não discordo do fato, mas discordo do argumento. Falar que "ah, é muito pouco, então nem compensa cortar" é exatamente o tipo de coisa que todo burocrata adora ouvir.

A despesa equivale a apenas 0,2% do PIB? Sem problema, vamos cortar. E depois continuar cortando.

Há aumentos para o funcionalismo na pauta? Cancela.

Há concursos sendo preparados? Cancela.

Há gente esperando para ser efetivada? Adia.

E por que não cortar toda a pletora de indenizações a terroristas aposentados?

E cadê o pregão eletrônico que o governo federal ainda não adotou?

Sempre tem onde cortar; sempre há servidores fantasmas, sempre há gente ganhando acima do teto constitucional (salário de um ministro do STF), e sempre há o dinheiro da corrupção.

b) Também não discordo do que foi dito. O grande problema -- e esse problema sempre atrapalha nossas utopias -- se chama realidade.

Não é porque algo está escrito numa constituição criada, votada e aprovada por políticos, que esse algo se torna uma cláusula pétrea. Por que não dá pra mexer em gastos com servidores? A Constituição também já afirmou que os juros não podem passar de 12% e que a saúde é um direito de todos.

Se a realidade econômica não permite tais devaneios, então, creia-me, um dia a realidade irá se impor. E não será gostoso. Vide a Grécia.

c) O Judiciário vai ficar mandando restabelecer apenas enquanto isso for viável. Quando não mais for, ele vai parar. De novo, vá ver o que houve com os proventos dos funcionários públicos da Grécia. Eram nababescos e eles eram intocáveis; hoje, não são nada invejáveis (reduzidos em 30%).

Insisto: dizer que "sempre será assim" é um delírio que, um dia, será fatalmente destituído pela realidade econômica. É igual aposentadoria do INSS. No futuro, não haverá dinheiro (e isso não é nem ideologia e nem economia; é demografia e matemática) É bom estar preparado.

d) De novo: você fala em aumento de gastos como se fosse uma inevitabilidade, assim como a lei da gravidade ou a passagem do tempo. Mas não. Se a arrecadação encolher, não há aumento de gastos, por mais que os movimentos organizados gemam. Esses 10% do PIB para a educação contavam com o pré-sal. Agora que o pré-sal foi pro saco (com o barril do petróleo a US$65 é inviável extrair óleo do pré-sal), esses 10% foram para o éter.

E isso nada tem a ver com estado mínimo. Absolutamente nada.

Sobre Pacto Social, cadê o papel e a minha assinatura?

Grande abraço!

Responder
soulsurfer 04/12/2014 23:57:36

Olá, Leandro.
Claro, como grande apreciador de física, com certeza não acho que o crescimento dos gastos são inevitáveis, longe disso, a realidade sempre aparece e se impõe, e nisso estou de total acordo contigo. Apenas acho que estamos caminhando para isso.
O meu ponto é que sim podemos ganhar com mais eficiência Estatal e corte em alguns gastos com a máquina, mas isso não será suficiente, nem de longe, de parar a tendência de crescimento da carga em relação ao PIB, hoje já padrão fifa, mas com retornos padrão África subsaariana.
Por isso, toquei na Constituição. Claro que podemos fazer outra Constituição, porém não é algo tão dito e difundido, pois geralmente se foca que com ganho de eficiência e algumas remodelagem da máquina seria possível fazer muitas coisas e eu creio que não, assim como alguns economistas. Por isso, perguntei a sua opinião sobre esse ponto específico.
E fazer uma nova Constituição é sempre algo que tem os seus riscos políticos e sociais, e a economia, por mais que a realidade apareça, é constantemente influenciada por essas esferas.
Sobre a assinatura, daria uma discussão interessante sobre se há algumas obrigações sem consentimento (algo que em alguns casos eu acho que existe) ou se só existe obrigação com o prévio consentimento explícito (posição talvez defendida por você e o pessoal aqui do site), mas por hora me abstenho de interessante discussão e uso o termo pacto social como é comumente definido.

Abraço e grato pela resposta.

Responder
Deilton 11/12/2014 20:57:52

"Agora que o pré-sal foi pro saco (com o barril do petróleo a US$65 é inviável extrair óleo do pré-sal)"

Leandro, onde encontro essa informação: "barril do petróleo a US$65 é inviável extrair óleo do pré-sal"? Qual a fonte?

Responder
Leandro 11/12/2014 21:38:10

O mercado.

Em termos de pareceres técnicos, você não encontrará em lugar nenhum. Como a única empresa que opera o pré-sal é a Petrobras, apenas ela pode dizer qual é o preço mínimo. Para a imprensa, ela começou a dizer que ninguém deve se preocupar com a atual queda de preço, pois, segundo a estatal, o pré-sal seria viável com o barril a até US$40.

Só que, além de não haver comprovação técnica nenhuma dessa afirmação, a realidade e o mercado já demonstraram que isso é uma clara mentira. Se o pré-sal realmente fosse viável a até US$40 o barril, então as petrolíferas do mundo inteiro deveriam ter saído no tapa quando houve o leilão do campo de Libra no ano passado. Afinal, naquele momento, o barril estava em US$110. Uma margem de lucro fabulosa.

O governo brasileiro esperava atrair pelo menos 40 empresas para o leilão de Libra. Quantas realmente se candidataram? Apenas quatro: sendo que duas eram estatais chinesas.

Esse desinteresse do mercado, quando o barril estava a US$110, diz muito.

Por outro lado, como hoje já está mais do que comprovado que a Petrobras não opera sob critérios de mercado (afinal, seu prejuízo é todo repassado para nós; vide o recente aumento da gasolina em um momento em que o petróleo está nas mínimas), é até provável que a empresa explore o pré-sal mesmo se o barril cair para US$30.

A fatura, obviamente, será repassada para nós. E o povo vai aplaudir.

Responder
Daniel Marchi 04/12/2014 19:23:21

Leandro, excelente análise, parabéns!

Pelo histórico de "desempenho" da Búlgara, o melhor é torcer para não retornarmos aos anos 1980.

abç!

Responder
Leandro 04/12/2014 21:16:38

Marchi, pior ainda seria um retorno à Bulgária dos anos 1980. Vai que ela está com nostalgia...

Grande abraço e obrigado pelas palavras!

Responder
anônimo 13/12/2014 08:55:55

Anos 80 eram um paraíso comparado com hoje em dia
Tempo bom em que a escumalha ficava atrás das grades

Responder
Felipe 04/12/2014 20:04:10

Se já não bastassem as maquiagens contábeis, o congresso acabou de flexibilizar mais ainda a meta de superavit primário.

www.valor.com.br/politica/3804386/congresso-aprova-mudanca-na-meta-fiscal-de-2014-apos-18-horas

Responder
anônimo 04/12/2014 21:54:57

Leandro, primeiramente agradeço mais uma ótima análise. Logo que vejo que saiu um texto seu é inevitável parar o que estou fazendo para lê-lo.

Agora essa mudança na meta fiscal será algo preocupante? Preocupante claro que sim, mas digo exageradamente ou o mercado de alguma maneira já antevia essa aprovação?
Não consigo imaginar algum investidor com mais de dois neurônios que veria no Brasil algum tipo de potencial para investir. O governo deixa cada vez mais claro que aqui não se pode confiar em nada.

Responder
amauri 05/12/2014 13:38:29

Bom dia Leandro!
Muitos países desvalorizaram suas moedas,afim de melhorar sua economia. Qual ou quais os mecanismos que eles usam para a desvalorização
grato
Amauri

Responder
Leandro 05/12/2014 13:53:58

Há várias maneiras.

Mas as mais utilizadas são duas:

1) O Banco Central começa a comprar ininterruptamente moeda estrangeira, desta forma reduzindo sua oferta no mercado de câmbio (tal medida tem efeito apenas temporário, mesmo porque os reais utilizados na compra não necessariamente vão para a economia; eles podem ficar nas reservas bancárias);

2) O Banco Central determina arbitrariamente um preço elevado para a moeda estrangeira, e então passa a comprá-la por esse preço.

Por exemplo, atualmente o dólar está custando R$2,58. Se o BC estipular que irá comprar dólares a, por exemplo, R$3,30, então todas as pessoas que possuem dólares irão prontamente vender para o BC pelo valor de R$3,30 por dólar. Ninguém irá vender dólares por menos de R$3,30 (pois podem vender a R$3,30 para o BC) e ninguém conseguirá comprar dólares por menos de R$3,30 (pois quem tem dólares irá vender para o BC por R$3,30).

E como o BC pode imprimir a quantidade de reais que quiser para comprar esses dólares, a taxa de câmbio passa a estar fixada em R$3,30 enquanto o BC mantiver esse programa.

As tradicionais maxidesvalorizações são feitas dessa maneira.

Responder
Leandro 05/12/2014 16:37:00

E a zona continua...

Com baixo interesse de geradoras, leilão de energia decepciona

O leilão A-1 de energia existente, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na manhã desta sexta-feira, 5, durou menos de 20 minutos e confirmou a expectativa de que os preços de referência estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME) não eram atrativos para os geradores. Apenas duas empresas estatais, Furnas e Petrobrás, ofereceram energia.

Foram negociados 622 MW médios para 2015, mas a demanda das distribuidoras, de acordo com estimativas de especialistas, era bem maior: entre 2.500 MW e 3.000 MW médios.

Os representantes do governo confessaram que o resultado do certame ficou aquém do desejado. Para atender à demanda excedente, o governo federal pretende promover um leilão de ajuste na primeira quinzena de janeiro do próximo ano.

[...]

O principal desafio dos leilões de energia de curto prazo desde o ano passado é exatamente obter geradoras interessadas em participar com venda de energia nessas competições.

Os preços máximos definidos pelo governo federal para serem praticados nesses leilões têm ficado muito aquém das previsões de mercado para preços de energia de curto prazo. Assim, as geradoras têm optado por obter mais ganhos com as negociações no mercado de curto prazo num momento em que a escassez de chuva para abastecer reservatórios das hidrelétricas e forte geração térmica acionada elevam as possibilidades de ganhos no curtíssimo prazo.

Responder
Felipe R 06/12/2014 11:40:38

Gosto dos textos do Leandro, pois são cheios de dados e referências. Só acho que ele economizou demais na caneta ao comentar sobre como o Governo deve equilibrar as contas. Cortar gastos, tudo bem, mas aumento de receita do Estado é um atentado à economia e à sociedade.

As vezes eu acho que esse vai-e-volta no keynesianismo x escola de Chicago é o plano perfeito. O primeiro vem, gasta loucamente, e o segundo aparece como salvador da pátria para arrecadar loucamente. Com as contas "arrumadas", o primeiro cresce o olho e vem gastar mais. E assim vamos, sangrando aos poucos, praticamente de forma "indolor".

Daqui a pouco, a gente esbarra numa carga tributária equivalente a 50% do PIB, num endividamento público insustentável, e um monte de maluco vai se perguntar: "nossa, como isso foi acontecer?"

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 07/12/2014 11:28:06


Depois desse artigo no final de 2014, desejo a todos que em 2019 tenham um Feliz 2010!

Claro que estou falando em termos econômicos. Nossa felicidade não depende exclusivamente de fatores econômicos, fatores não-econômicos contam tanto ou mais.

Passar por uma estagflação é uma ótima oportunidade para treinarmos nossa autodisciplina, revermos nossos valores e objetivos na vida, alicerçar nossa autoestima e satisfação naquilo que é permanente e não no que é transitório, valorizar mais nossos relacionamentos e a vida em si mesma, etc. Tudo isso minimizará nosso sofrimento e nos tornará pessoas melhores e mais felizes!

Para finalizar, um vídeo:



* * *

Responder
Colono 08/12/2014 17:09:41

www.institutoliberal.org.br/blog/de-chicago-para-joaquim-levy/ isso ai é verdade, li em outro lugar e citaram como fonte.

Responder
Renato 10/12/2014 13:53:31

Leandro, depois que eu li o seu artigo (que é um raio-x da atual situação do país), eu percebo como nós liberais estamos sozinhos no que diz respeito a sermos os únicos a fazer o diagnóstico correto da coisa. Ontem em uma discussão em um grupo de amigos no facebook, um colega meu postou a notícia da Dilma ter oferecido a vice-presidência do Banco do Brasil ao garotinho. Eu comentei: ''mas as coisas são assim mesmo. O objetivo de qualquer estatal nunca foi o de prestar serviços decentes e atender as demandas dos consumidores, muito menos prestar qualquer tipo de transparência à sociedade (ou alguém acha que os políticos que comandam essas instituições tem algum interesse em deixar claro o que se passa lá dentro?) O objetivo principal das estatais é servir aos apadrinhados políticos, com ofertas de cargos em trocas de favores, fora a espoliação de dinheiro dos trouxas (leia-se: nós) para sustentar toda essa farra, sem qualquer tipo de benefício real pro povo. só não enxerga isso quem não quer''. Em seguida, um outro colega meu me respondeu: ''quem pensa no povo são os empresários, ta serto''.
Conclusão? ganhou várias ''curtidas'', foi reverenciado, e eu, que fiz a coisa certa, fui criticado e apedrejado. É difícil continuar assim...

Responder
Leandro 10/12/2014 14:01:36

Ou seja: para essa gente, colocar Garotinho no comando do Banco do Brasil para destruir ainda mais o poder de compra da população é uma medida que implica "sensibilidade social" e preocupação com o povo.

Já um empreendedor que gerencia toda a logística que traz a comida do campo para a mesa dos brasileiros é um pilantra que está moralmente abaixo de um político de carreira.

Tá animado com o país?

Responder
Renato 10/12/2014 14:37:06

Perfeito, Leandro. E não sei se você percebeu, mas nesse comentário irônico dele está implícito uma coisa: ele acredita que uma sociedade depende da benevolência e altruísmo dos empresários para melhorar de vida, quando na verdade a própria regulação do mercado obriga o empresário a ofertar produtos bons, a preços baixos, tratar bem os clientes, etc (isso num mercado livre, óbvio). O bom do mercado é justamente isso: é um arranjo impessoal.

Responder
Enrico 10/12/2014 14:07:30

Luta de classes e ocupação dos espaços. Nada além disso. Marx e Gramsci estão rindo a toa no inferno.

Responder
Rodrigo Amado 10/12/2014 16:24:59

"'quem pensa no povo são os empresários, ta serto''", típico brasileiro padrão.

Após receber lavagem cerebral de que os empresários são malvados e ter sua capacidade de raciocínio lógico destruída por professores estúpidos e/ou mídia ele seguirá acreditando
nisso para todo o sempre. Mesmo que seja instaurada uma ditadura e ele vá parar em um campo de concentração e seja torturado cruelmente PELO ESTADO ele não mudará sua crença de que os empresários é que são responsáveis por TODO O MAL.

Conheço um monte assim.
Vivem falando que o Brasil é uma porcaria, que os capitalistas ferram com tudo no Brasil AO MESMO TEMPO em que dizem que queriam morar nos EUA porque lá é tudo mais barato e melhor.

Eu não discuto pois não vislumbro nenhuma possibilidade de convencê-los do contrário.
São como as moscas que ficam batendo com a cara no vidro tentando voar.

Então eu apenas rio por dentro e dedico meu tempo à atividades mais úteis.

Responder
Blah 29/12/2014 10:43:29

''quem pensa no povo são os empresários, ta serto''.

Eu responderia algo como:

Lenin "pensou no povo". Stalin "pensou no povo". Pol Pot "pensou no novo". Mao Tsé-Tung" pensou no povo". Até meu cachorro pode "pensar no povo". "Pensar no povo" não quer dizer nada. Eu posso "pensar no povo" e matá-lo de fome por ser uma pessoa inútil em economia.

Os empresários não precisam "pensar no povo". A geladeira que você utiliza todos os dias achando que ela veio de duendes mágicos só está acessível aos pobres porque, bem lá no começo, geladeira era um item de luxo, custava o mesmo que um carro. O dinheiro gasto na geladeira foi investido em melhorias na tecnologia e no processo de produção. O preço da geladeira foi caindo, até que tornou-se acessível a pessoas menos abastadas. A queda no preço um dia permitiu que um pobre tivesse chances de comprar uma geladeira. E, acredite, uma geladeira muda a vida de uma pessoa pobre mais do que centenas de merdinhas de demagogos que você idolatra.

O mesmo processo popularizou máquinas de lavar, televisores, computadores, celulares, sabonete, papel higiênico. Os empresários não precisaram ser um bando de demagogos de merda para isso. Então, se você prefere demagogos de merda com discursos pomposos a empresários, bem, eu fico com os empresários.

Responder
Rodrigo Amado 29/12/2014 16:03:16

"""
Lenin "pensou no povo". Stalin "pensou no povo". Pol Pot "pensou no novo". Mao Tsé-Tung" pensou no povo".
"""

Fidel Castro pensa no povo.

Ele pensa em como conseguir o maior lucro possível do povo que ele escravizou: mais de 11 milhões de cubanos.

Responder
Tiago 12/12/2014 21:08:37

Excelente artigo de excelente leitura, mais simples impossível !

Era o artigo que estava aguardando para fechar o ano, ficando por dentro do que está acontecendo com a economia bananense.

Mais uma vez, e, espero que não seja a última rs;


Parabéns, você é o cara ! Que vocês continuem com esse trabalho maravilhoso, de informar o cidadão comum, com simplicidade nos textos, tudo que, de fato, acontece com nossa economia.

Responder
Pirozelli 15/12/2014 11:33:43

Parabéns pelo artigo Leandro, você está fazendo um ótimo trabalho. Gostaria de perguntar duas coisas a você:

1. Estou vendo no site do Banco Central que o IPCA dos preços monitorados estão evoluindo, o que sugere que os preços represados estão aos poucos sendo flexibilizados. O que eu gostaria de saber é: Ainda há muito a ser corrigido nos preços monitorados pelo governo?

2. Você sempre analisa variáveis relevantes de conjuntura e elabora artigos muito bons... Gostaria de saber se você tem um livro, ou um curso em São Paulo, para me indicar sobre elaboração de conjuntura econômica.

Obrigado.

Responder
Leandro 15/12/2014 14:00:22

Prezado Pirozelli,

1) Difícil saber. Por sua própria natureza, preços controlados pelo governo não seguem as leis de mercado, mas sim a caneta dos burocratas. Logo, não dá pra saber se os aumentos liberados foram suficientes ou se ainda estão defasados. No final, tudo dependerá da sorte.

No entanto, o simples fato de ver que o aumento ainda está abaixo do IPCA acumulado nos últimos 2 anos já é um indicativo de que ainda há espaço para continuar aumentando.

2) Desconheço. Minha formação foi toda feita observando analistas estrangeiros, de modo que não sei como está esse mercado aqui no Brasil. Não serei útil nessa. Desculpe-me.

Muito obrigado pelas palavras, e grande abraço!

Responder
Pirozelli 15/12/2014 17:06:44

Obrigado a você Leandro, acho incrível o tempo que você dedica as causas da liberdade.

Responder
Eduardo R., Rio 28/12/2014 18:52:36

"Como reduzir os gastos públicos no Brasil?", por Mansueto Almeida.

Responder
Eduardo R., Rio 13/01/2015 02:46:13

"Mudanças possíveis", por Fabio Giambiagi.

Responder
Juliana 07/01/2015 11:58:12

Leandro,

Primeiramente deixa eu me esclarecer aqui, e dizer que eu penso assim como você também. Meu otimismo é apenas pensando no curto prazo (talvez pensando em um futuro bem distante), e dentro de expectativas limitadas. Atualmente não dá para se ter muita ilusão por aqui, nem com muito esforço.

E, como eu gosto muito de nomes, eu gostaria de te perguntar: o quê você acha dos escolhidos pelo Levy? Se você conhece algum, se a equipe é boa, se alguém é melhor que o antigo, se você teria outros nomes melhores... Imagine aí que você é o novo ministro da Fazenda, e em quem faria parte da sua equipe. Como "ônus", se preferir, pode até indicar alguém para o banco central. Mas não precisa responder, se eu estiver sendo muito impertinente.

Abraços!

Responder
Leandro 07/01/2015 13:30:32

O simples fato de não haver nomes ligados ao PT já foi uma boa notícia. A que mais me surpreendeu foi a nomeação de Afonso Arinos de Melo Franco Neto para Secretário de Política Econômica. Além de doutorado em Chicago, ele é primo de Gustavo Franco. Tarcísio Godoy, que esteve à frente do Tesouro entre 2006 e junho de 2007, também é decente.

Já o Banco Central continua fraquíssimo. Um nome como Afonso Beviláqua seria ótimo.

No entanto, a principal medida a ser tomada no curto prazo, como já venho dizendo em quase todos os últimos artigo (ao ponto da saturação), é controlar os bancos estatais. Se isso não for feito, um abraço.

Outra medida crucial é fortalecer o real perante o dólar. Não há como controlar a carestia se o real continuar se enfraquecendo no mercado de câmbio. Em todos os (poucos) momentos em que a inflação de preços no Brasil ficou decente no Brasil, isso ocorreu em épocas de apreciação do real. Querer reduzir a carestia com o real se desvalorizando no mercado de câmbio é querer a quadratura do círculo.

Portanto, eis aí: controlar os bancos públicos, apreciar o real, e colocar alguém decente no Banco Central. Sem isso, nada feito.

Grande abraço!

Responder
Juliana 07/01/2015 18:51:11

Olhando por esse prisma (principalmente o da necessidade de se controlar os bancos públicos), e já que o artigo de hoje ilustra brilhantemente bem a mentalidade de quem está hoje no poder, as perspectivas talvez realmente não sejam muito alentadoras. Pensando bem, os bancos estatais são baluarte do governo para garantir aos pobres o acesso à casa própria, à universidade, ao crédito agrário... E querer diminuir a atividade dos bancos estatais é (para eles) ser "contra os pobres". Mas uma hora a carestia, e a própria depreciação da moeda, faz esse pessoal acordar e se dar conta do que é ser "contra os pobres".

De qualquer forma, agradeço demais pela resposta.

Grande abraço!

Responder
Giulliano praxeologista 10/01/2015 04:15:50

Leandro Roque gênio! 5 anos engolindo vômito macroeconômico em sala de sala preparam a "nova fornada" de economistas concurseiros estatólatras para continuar as insanidades apresentadas... Ainda bem que temos a Escola Austríaca para proporcionar análises sensatas pelos que ainda tem um pingo de bom senso e discernimento. Abraços e parabéns pelo excelente texto.

Responder
Fellipe 14/01/2015 13:14:32

Levy já começou bem....

Governo vai anunciar aumento de tributos nos próximos dias

Responder
Renato 22/01/2015 17:56:15

Leandro, olha só essa notícia:
economia.estadao.com.br/noticias/mercados,apos-medidas-de-levy-dolar-fecha-no-menor-nivel-desde-dezembro,1622476

A reportagem está dando a entender que o aumento dos impostos foi o responsável pela valorização do real? Quer dizer que se quisermos ter o real num nível mais civilizado de valorização, o governo deve elevar a carga tributária lá pra casa dos 50, 60% do PIB? É isso que diz a reportagem ou eu entendi errado?

Responder
Leandro 22/01/2015 18:30:40

O real está se valorizando desde ontem porque os investidores e especuladores já estavam, desde ontem, precificando o aumento da SELIC e a notícia, confirmada hoje, de que o Banco Central Europeu vai fazer mais uma rodada trilionária de QE.

Mas o fato de haver uma probabilidade de um orçamento equilibrado -- o que reduz a inflação monetária gerada pelos empréstimos tomados pelo governo -- também ajuda um pouco nas perspectivas do real.

Responder
Mauro Mendes 25/01/2015 01:16:22

Leandro,
O artigo está excelente, e seus comentários ainda são praticamente uma aula. Obrigado!

Responder
Leandro 25/01/2015 09:05:40

Obrigado, Mauro. Aproveito a oportunidade para recomendar isso também:

www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=364

Grande abraço!

Responder
Vinicius 27/01/2015 15:06:04


Leandro

Não sou nenhum expert em economia, por isso me perco fácil nessas discussões. Um colega me mandou esse artigo do Fernando Nogueira, tido por ele como refutação de toda a teoria liberal, você poderia por favor abordar o que o camarada diz aqui e traduzir pra língua de meros mortais? Apontando os eventuais problemas? Desculpe se estou pedindo muito, mas é uma curiosidade profunda de entender esse troço.

https://fernandonogueiracosta.files.wordpress.com/2012/01/fernando-nogueira-da-costa-economia-monetc3a1ria-e-financeira-capc3adtulo-12.pdf

Responder
Leandro 27/01/2015 15:33:46

No dia em que eu estiver completamente desocupado, sem nenhuma perspectiva na vida, e sem absolutamente nada de mais importante para ler (até mesmo livros de Dan Brown) ou fazer (até mesmo caminhada em esteira), aí sim, talvez, irei perder meu tempo lendo opiniões de economistas brasileiros adeptos de panfletagens político-partidárias. Mas só quando toda essa conjuntura se consumar.

Até lá, meu interesse é ciência econômica, e não em proselitismo político.

Responder
Renato 03/02/2015 16:59:19

E a obscenidade continua.....
carplace.uol.com.br/gasolina-teor-de-etanol-deve-subir-para-27/

obs: eu desconhecia que a gasolina premium também continha esse teor de álcool, pra mim era a única realmente pura. Ou seja, paga-se mais de 4 reais o litro para levar uma gasolina com 25% de álcool.

Um amigo meu disse que quem votou no Eduardo Paes aqui no Rio, tem mais é que pagar a passagem que aumentou pra 3,40, e quem votou no PSDB em SP tem mais é que ficar sem água. Eu a partir desse mês vou passar na casa dele pra recolher o dinheiro para bancar o aumento da gasolina e de todas as peças danificadas do meu carro por causa dessa gasolina com álcool, já que ele votou na Dilma...

Responder
Leandro 03/02/2015 17:21:50

Todas as leis e regulamentações no Brasil -- todas, sem exceção -- são feitas sob ordens de grupos de interesse, e são implantadas para aumentar os lucros desses grupos de interesses.

Da simples exigência de que botecos devem oferecer canudinho plastificado (lobby das empresas produtoras de canudinhos), passando pela obrigatoriedade de novos modelos de extintores nos carros (lobby das fabricantes de extintores), e terminando na porcentagem de álcool na gasolina (lobby dos usineiros), tudo é resultado da pressão de grupos de interesse.

(Aliás, quem se dispuser a investigar vai descobrir que a lei seca foi imposição de empresas que vendem bafômetros).

Sobre essa questão do álcool na gasolina, há um efeito bem malandro, sobre o qual ninguém está falando: quanto maior a porcentagem de álcool na gasolina, maior é o consumo (por causa das propriedades específicas do etanol). Quanto maior for consumo, maior será o dinheiro que você dará para a Petrobras, e maior será a arrecadação do governo via CIDE.

Isso sem falar no fato de que o álcool gera maior corrosão do motor e dos dutos nos carros que não são flex.

Aí, quando a gente tenta alertar sobre os problemas de um capitalismo regulado em nossos artigos (como esse e esse), somos xingados de radicais e socialmente insensíveis.

Responder
Renato 03/02/2015 18:26:18

Agora Leandro, uma pergunta simples: como combater o lobby? Porque nós sabemos que várias das aberrações existentes vêm das agências reguladoras, mas outras do congresso. A reposta óbvia é "abolir as agências reguladoras". Apesar de ser óbvio que o atual governo não fará isso, abolir agências reguladoras é uma idéia mais factível do que pensar em abolir o congresso nacional. Sendo assim, a pergunta: como combater as aberrações e lobbys produzidos no congresso?

Responder
Leandro 03/02/2015 18:28:50

Diminuindo o tamanho e o escopo do estado. Por que o estado tem de ter o poder de determinar canudinho em boteco, extintor em carro, e porcentagem de álcool na gasolina?

Como reduzir o tamanho e o escopo do estado? Reduzindo seus gastos, sua arrecadação e sua capacidade de se endividar. E nem seria necessário criar uma emenda constitucional. Uma simples alteração no funcionamento do Banco Central já seria um grande caminho andado nessa direção.

Sem isso, nada feito.

Agora, a partir do momento em que o povo pede por um estado gigantesco, com o poder de se intrometer em tudo e de regular tudo, então é claro que esse estado fará de tudo. E aí é o próprio povo quem vai se estrepar.

Acreditar que é possível ter um estado gigante mas sensato é tão ilusório quanto acreditar que é possível um maníaco sexual ser comedido em um bordel.

Recomendo este artigo:

¿Qué pasaría con los lobbies en un mercado libre?

Responder
Andre 03/02/2015 17:23:35

"Um amigo meu disse que quem votou no Eduardo Paes aqui no Rio, tem mais é que pagar a passagem que aumentou pra 3,40, e quem votou no PSDB em SP tem mais é que ficar sem água. Eu a partir desse mês vou passar na casa dele pra recolher o dinheiro para bancar o aumento da gasolina e de todas as peças danificadas do meu carro por causa dessa gasolina com álcool, já que ele votou na Dilma...".

Seu amigo votou na Dilma, então não adianta argumentar com ele pois ele é de esquerda.
Ele vive em um mundo encantado onde os candidatos que ele gosta possuem o poder de fazer chover.

Discutir com ele é equivalente à discutir com um louco que diz ser Napoleão para convencê-lo de que ele não é.

Mas se você ainda assim for discutir com ele, conte-nos sobre qual candidato ele acredita que possui o poder da chuva mais poderoso e qual a explicação dele para que a Dilma não esteja usando o poder de fazer chuva dela para encher os reservatórios das hidrelétricas.
Estou realmente curioso!

Responder
Fernando 03/02/2015 20:21:45

Leandro, costumo ler os artigos mas nunca comentei por aqui.

Tenho um colega de trabalho, formado em economia e petista convicto. Já mandei alguns artigos do IMB para ele ler, e a resposta é sempre a mesma: "a vida das pessoas melhorou com o PT". Aí eu desisto de discutir.

Minha dúvida em relação à este artigo: o Levy e a sua equipe realmente não conseguem entender o que pode acontecer com as ações que estão sendo tomadas? Passo longe de ser um especialista, mas a minha impressão é que estão fazendo exatamente o contrário do que a lógica manda. Qual seria o motivo disso? Birra?

Grande abraço, continue com estes excelentes artigos.

Responder
Leandro 04/02/2015 02:14:09

Eu realmente não sei qual é a intenção dessa gente, nem o que eles pensam. Tenho dificuldade em seguir a lógica deles. Creio que a libido dominandi da qual falava Santo Agostinho -- a lascívia para dominar e controlar cada aspecto da vida alheia -- fala mais alto. Tudo é sede e ânsia de poder.

Esse Joaquim Levy, por exemplo. Trocou um salário de R$ 250 mil por um de R$ 26 mil apenas pelo prazer de estar no poder. É algo que gente besta que nem eu não consegue entender.

Responder
Pobre Paulista 04/02/2015 11:59:11

Cuidado, se você algum dia entendê-los, pode ser que tenha se tornado um deles.

Da minha parte, quanto menos eu entender, melhor.

Responder
Guilherme 08/02/2015 15:19:07

Ouch!

Percepção de piora na economia é recorde, diz pesquisa

De acordo com pesquisa Datafolha, divulgada neste domingo, mais da metade (55%) dos brasileiros acha que a situação econômica do país vai piorar nos próximos meses. O patamar é o maior desde que a pergunta começou a ser feita pelo instituto em 1997. Em dezembro, apenas 28% acreditavam que o cenário econômico iria piorar.

O medo em relação à alta dos preços contribuiu para o pessimismo dos brasileiros. Segundo o levantamento, oito em cada dez brasileiros acreditam que haverá um aumento da inflação - 81% contra 54% em dezembro. Esse porcentual também é recorde para o período.

O receio de que o desemprego vai aumentar também cresceu. De acordo com o Datafolha, 62% dos brasileiros acreditam que o desemprego subirá, o maior porcentual desde julho de 2002. O porcentual supera os 39% apurados em dezembro de 2014.

A alta da inflação e a aposta em um maior desemprego devem ainda comprometer o poder aquisitivo da população, destaca a pesquisa. Para 57% dos entrevistados, os brasileiros devem ter uma redução de poder de compra nos próximos meses.


Mais de 70% dos brasileiros acreditam que País está em recessão, diz consultoria

A confiança do consumidor caiu fortemente e 73% dos brasileiros acreditam que o País está em recessão. Esses são alguns dos dados de uma pesquisa global divulgada esta semana pela consultoria norte-americana Nielsen, referente ao quarto trimestre do ano passado. No fim de 2013, 51% dos brasileiros consideravam que a economia estava encolhendo.

A América Latina foi a única região do mundo onde os sentimentos sobre recessão pioraram, ao subir 12 pontos porcentuais de um ano para o outro, atingindo a média de 73%.


Confiança dos empresários na economia é a menor para janeiro em 16 anos

O empresariado de 32 setores da indústria de transformação, extrativista e da construção civil começa 2015 com uma baixa confiança na economia brasileira. A expectativa verificada em janeiro é a menor para o mês desde 1999, conforme o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado nesta terça-feira, 20, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Responder
Sergio Souza 13/02/2015 00:20:42

Leandro sempre leio seus artigos,são bem didáticos e bem facil de entendimento,minha pergunta é,para ser um bom economista,além de ler bastante e conhecer as ferramentas que hoje é usado para medir e calcular,para que "os economistas atuais" não venha com metódos matemáticos que não tem nem como debater,como eu consigo juntar esses dois lados para se tornar um bom economista?
Tentei fazer economia...porém meu ex-professor veio com um livro de mais de 700 páginas,não gosto muito de teoria mas,vendo o professor Alex Catharino dando aula e explicando o que é a EA,achei muito interessante e sem muito rodeo,direto ao ponto.
Como posso aprender a Teoria vivenciando a prática,em seus artigos vejo muito isso.
Quais principais cálculos são importantes aprender,a teoria eu creio que eu estou no caminho certo,baixei o Ação Humana do Mises,sempre que tenho dúvidas em algo,busco algum capitulo relacionado a minha dúvida.
Obrigado e continue compartilhando seus conhecimentos conosco.

Responder
Gustavo 27/02/2015 03:18:46

Leandro Roque, descobri pelo facebook o site e adorei. Os produtos, só pelos títulos, já deveriam estar à disposição na Feira do Livro de Porto Alegre, seja para esquerdistas, seja para direitistas, pois só conversa de igual para igual quem têm cabedal educacional para sopesar prós e contras em qualquer área.

Escrevo-lhe perguntando: o aumento dos juros nos EUA pelo FED já em 2015 não poderá fazer o dólar chegar ao patamar de R$ 4 reais ou mais (cotação de um dólar americano = x reais?) se somarmos que alguma das 3 agências de ratings rebaixem ainda mais a nota do Brasil? Dessa feita: a teoria de dólar alto da Consultoria Empiricus não seria de ser só uma teoria? Pessoas físicas podem aplicar livremente em dólar? (Há IR sobre tal aplicação?) Seria uma forma de pessoa física se proteger neste momento tal qual padrão ouro?

Parabéns pelo trabalho, muito interessante e respeitando todas as vertentes de pensamento.

Que a tua dedicação, zelo e empenho seja sempre reconhecida, moral e financeiramente.

Responder

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