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Os 4 colapsos que destruíram o comunismo

Que o comunismo europeu estava fadado ao fracasso ninguém deste lado do Kremlin parece discordar.

Mas, há 25 anos, a velocidade com que as revoluções começaram a redefinir o leste europeu pegou especialistas ocidentais de surpresa. Eles não enxergavam que, por trás da cortina de ferro, os colapsos comunistas já duravam décadas.

1. O colapso moral da ideologia

Vaclav Havel descreveu a experiência atrás da cortina de ferro como uma vida dentro da mentira. Muitas vezes repetida, talvez a mentira vire verdade, mas na repetição infinita o eco se esvazia de qualquer significado.

Quando um comerciante, dizia Havel, pendurava na vitrine da sua loja uma placa dizendo "trabalhadores do mundo, uni-vos!", seu ato não era movido por convicção e proselitismo. Era um ato de costume, de obediência, de coerção.

urss.jpgPara Havel, seria mais honesto que a placa dissesse, "eu tenho medo e portanto sou inquestionavelmente obediente".

Os hinos e peças socialistas pregavam uma sociedade fraterna, mas vizinhos se enxergavam como competidores por alimentos e roupas num regime de escassez material. A desconfiança torna-se generalizada quando toda pessoa com quem você interage é um potencial agente secreto.

Sob a promessa de prosperidade igualitária, os poloneses moradores das montanhas Bieszczady foram desapropriados para que 60 mil hectares pudessem ser usados como terreno de caça da elite partidária.

Enquanto o cidadão romeno não tinha acesso a bens básicos, o cachorro de Nicolae Ceaucescu comia biscoitos importados da Inglaterra e sua família desfrutava de 15 palácios espalhados pelo país.

Até para o trabalhador de Berlim Oriental, no país com as melhores condições de vida dentro do bloco comunista, ficava difícil acreditar na ideologia da igualdade quando ao norte se via a elite governante vivendo em Waldsiedlung, com direito a restaurantes, cinema, academia e complexo esportivo dentro de seu condomínio fechado. E a oeste se via seus primos com salários 5 vezes maiores.

Na Checoslováquia de Havel e nos países vizinhos, a história da revolução se repetia nos ouvidos como farsa.

2. O colapso tecnológico da censura

videocassete.jpgEm 1948, o governo soviético permitiu que os cinemas exibissem As Vinhas da Ira. Baseado no romance homônimo de John Steinbeck, o filme retratava o sofrimento da classe trabalhadora americana durante a Grande Depressão. Não passou muito tempo e o partido decidiu suspender o filme. Os soviéticos saíam do filme impressionados com o fato de que, nos Estados Unidos, até os pobres trabalhadores possuíam automóveis.

Quarenta anos mais tarde, quando os filmes passaram das salas de projeção para fitas VHS, o controle social se tornou mais difícil. Com a personalização tecnológica dos anos 1970 e 1980, videocassetes e walkmen permitiam que a abundância ocidental fosse testemunhada por um número maior de pessoas. Imagine assistir às lamentações dos personagens de Cheers quando se tem que acordar de madrugada para ficar na fila do leite.

Como escreveu o cientista político Tom Palmer, que nos anos 1980 contrabandeou eletrônicos para dentro da União Soviética, "talvez os heróis silenciosos das revoluções de 1989 tenham sido Sony e Mitsubishi".

3. O colapso econômico do império

Economistas ocidentais passaram décadas sob a ilusão de que a economia soviética crescia em alta velocidade comparada às economias ocidentais. O manual de economia mais lido do século XX, de Paul Samuelson, projetava a possibilidade de a economia soviética ultrapassar a americana pela virada do século:

 us-ussr.jpg

Mas em vez de criar riqueza, os soviéticos gastavam em produção conspícua: produziam por produzir, para mover indicadores econômicos em vez de para satisfazer demandas dos consumidores.

O colapso econômico soviético serviu para legitimar o trabalho dos economistas Ludwig von Mises e Friedrich Hayek. Sem um sistema de preços, alertavam, uma economia centralmente planejada não possuía o conhecimento e os incentivos para a organização econômica racional.

A manutenção de um império também tem um alto custo. Durante o expansionismo britânico, por exemplo, o dinheiro que saía do tesouro para a manutenção das colônias era maior do que o retorno em tributos. Também para os soviéticos, o custo de manutenção de um leste europeu ocupado incluía uma crescente despesa com a repressão de dissidentes, incluindo gastos militares com armas, soldados e espiões. A Perestroika, lançada como um salva-vidas para o afogamento da economia soviética, acabou como sua lápide.

4. O colapso ambiental da indústria

Em 1990, os ambientalistas ocidentais começaram a noticiar o tamanho da tragédia dos comuns sobre a população russa:

d50ab4b6.jpg 

Cerca de 40% dos cidadãos vivem em áreas onde a poluição do ar excede de três a quatro vezes o limite máximo permitido. O saneamento é primitivo. E onde existe, por exemplo em Moscou, não funciona adequadamente. Metade de todo o lixo sanitário da capital não é tratado.

Em Leningrado, quase metade de todas as crianças têm doenças intestinais em decorrência de beberem água contaminada daquilo que um dia já havia sido o abastecimento mais puro da Europa.

A candidatura ao prêmio de local mais poluído do mundo é um dos trágicos legados da União Soviética. Hoje banhado de concreto, o lago Karachai nos montes Urais tornou-se o lixão radioativo de uma das maiores fábricas soviéticas de armamento nuclear. De 1951 a 1968, o despejo de resíduos nucleares enxugou o lago para um terço do seu tamanho original. Ao ser dispersada pelo vento, a poeira radioativa do Lago Karachai contaminou os arredores envenenando cerca de meio milhão de pessoas. Por isso decidiu-se cobrir o lago com 10 mil blocos de concreto oco.

Quando Boris Yeltsin permitiu a presença de cientistas ocidentais no local, no início da década de 1990, noticiou-se que o nível radioativo nas margens do lago ainda era de 600 röntgens por hora, o suficiente para matar um turista desavisado em trinta minutos.

Seu professor de geografia deve ter lhe ensinado que o capitalismo moderno deixa um rastro de poluição e devastação ambiental por onde passa. Talvez ele tenha deixado de mencionar que a existência de propriedade privada é o melhor mecanismo para responsabilizar a degradação ambiental. Como o industrialismo soviético operava fora de um regime de propriedade privada, não havia mecanismos de responsabilização ambiental.

Os custos de poluir e desmatar não eram internalizados. Para alcançar as metas anuais de produção, por exemplo, os coletivos usavam de qualquer meio disponível. A União Soviética foi a maior responsável pelo abatimento de baleias no século passado, superando Japão e Noruega, mesmo que seu aproveitamento fosse menor que o dos outros países. Enquanto no Japão se aproveitava 90% do corpo de uma baleia, na URSS, se aproveitava apenas 30%. Mas o importante é que as metas eram atingidas.

Conclusão

ab0b309c-6388-11e4-_797157b.jpgNinguém, de nenhum dos lados de Berlim, acordou no dia 9 de novembro de 1989 planejando a abertura do muro, lembra Mary Elise Sarotte em The Collapse: The Accidental Opening of the Berlin Wall.

Dez dias antes da queda do muro de Berlim, ainda havia gente morrendo tentando alcançar o outro lado da cidade. Foi um mal entendido da fala na TV de Günter Schabowski, membro do Politburo, que levou os alemães a acreditarem na abertura do muro.

Durante décadas, no entanto, os graduais colapsos do socialismo já vinham minando o que seria o súbito colapso de tijolos e regimes.


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autor

Diogo Costa
é presidente do Instituto Ordem Livre e professor do curso de Relações Internacionais do Ibmec-MG. Trabalhou com pesquisa em políticas públicas para o Cato Institute e para a Atlas Economic Research Foundation em Washington DC. Seus artigos já apareceram em publicações diversas, como O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Diogo é Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Petrópolis e Mestre em Ciência Política pela Columbia University de Nova York.  Seu blog: http://www.capitalismoparaospobres.com

  • Tiago Irineu  16/11/2014 13:29
    Vocês têm dados sobre a produção das indústrias soviéticas?
    Já vi muitas referências à linhas de produção em que o produto final tinha um valor inferior ao dos custos dos bens intermediários utilizados na produção desses bens, ou seja, o processo destruía riqueza. Caso tenham alguma referência a isso, eu ficaria agradecido
  • Ricardo  16/11/2014 13:51
    Não tenho, mas a própria lógica do socialismo ensina que é exatamente isso o que tem de ter acontecido.

    Aliás, o próprio Mises, ainda em 1920, com inacreditável presciência explicou que era exatamente assim que iria ocorrer.

    A propriedade comunal dos meios de produção (por exemplo, das fábricas) impede a existência de mercados para bens de capital (por exemplo, máquinas). Se não há propriedade privada sobre os meios de produção, não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços. E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica — o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

    Sem preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de bens da capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível.


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1141
  • Silvio  16/11/2014 14:30
    É praticamente impossível ter tais dados. Os próprios burocratas soviéticos divulgavam dados que sabiam ser falsos. Sendo assim, mesmo que se consiga os dados, eles não servem para nada, pois forjados ou simplesmente inventados.

    E isso não deixa de ser engraçado, pois o país que pretendia ter a economia mais planejada do mundo acabou sendo o país com a economia mais caótica.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  16/11/2014 16:34
    Comunismo = lixo.
  • Estevam  17/11/2014 16:47
    radioativo
  • Andre  16/11/2014 22:12
    "Mas em vez de criar riqueza, os soviéticos gastavam em produção conspícua: produziam por produzir, para mover indicadores econômicos em vez de para satisfazer demandas dos consumidores.".

    Assim como a China constrói cidade por construir. As quais se tornam cidades fantasmas.


  • Alexandre  17/11/2014 04:50
    O jeito é fazer slogan bonitinho e bancar o politicamente correto, né? Em termos político-econômicos, nem a mais intensa indústria de propaganda da história da humanidade conseguiu esconder o fracasso estrondoso do comunismo. Mas sabe de uma coisa? Aqui no nosso país vai ser tudo diferente! Aham, sei.
  • Pedro Ivo  17/11/2014 11:55
    Dia 16-11-13 e 16-11-14 o artigo publicado foi do Diogo Costa. Coicidência ou há alguma razão?
  • Isaura  17/11/2014 13:02
    São artigos e mais artigos que mostram com clareza irrefutável o desastre do comunismo/socialismo. Nós entendemos isto e ficamos sempre mais convictos.

    O que me choca é a incapacidade de os eleitores dos partidos esquerdistas fazerem esta continha tão simples. Eles não identificam os males causados pelo comunismo em toda parte do mundo como sendo próprios do comunismo! "O nosso comunismo será melhor; não seremos corruPTos!".

    É estarrecedor. Li aqui mesmo no Mises um artigo, acho que de autoria do Rothbard, fazendo um paralelo entre o comunismo e a religião (se eu estiver errada, alguém por favor me corrija). Acho que faz todo o sentido; negam a existência de Deus por acreditarem que deus são eles mesmos, e reinventarão a humanidade, a natureza humana, a sociedade.

    Parece um feitiço.

    Creio que o grande desafio seja conseguir mostrar para estes esquerdistas recalcitrantes o tão evidente e repetidamente comprovado mal que o regime comunista/socialista inevitavelmente traz consigo.
  • Estevam  17/11/2014 16:46
    Esse texto aglutinou a maior parte dos temas que desmontam o comunismo histórico.
    Mas para fanáticos parece nunca ser suficiente para mudar de ideia.
  • Juliana  17/11/2014 18:30
    Excelente artigo. É interessante como a queda do Muro de Berlim permite inúmeras abordagens; virou a musa das reflexões e observações sobre o socialismo, suas arbitrariedades e sua impraticabilidade. E sem dúvida não há sinal que melhor represente uma estado de prisão ou isolamento (alienação), como inevitavelmente é um regime socialista, do que um muro. Mas independente do que vai ser do socialismo no século XXI, e justamente por isso - apesar de todos esses colapsos e de dificilmente se criarem condições para surgir novamente uma barreira tão visível e tão táctil -, as ideias sobre liberdade deveriam sempre ser alicerçadas naquele muro e no que ele representou. É bom ter uma referência mais emblemática.

    Grande abraço
  • Emerson Luis, um Psicologo  20/11/2014 16:51


    "Que o comunismo europeu estava fadado ao fracasso ninguém deste lado do Kremlin parece discordar."

    Ótimo artigo. Mas os esquerdistas discordam sim, ainda acreditam que o comunismo só não deu certo naquele tempo e lugar porque não foi implementado corretamente e/ou foi sabotado pelos capitalistas. Prova disso é que querem instituir agora o socialismo do século XXI, muitos através da "terceira via".

    * * *
  • Ian Lacerda  24/11/2014 19:32
    ''O socialismo é um laboratório de morte!'', ''defender a medicina socializada é desumano!'', ''só o capitalismo produz cura para doenças!'', ''só a medicina privatizada traz bons resultados!''
    https://www.facebook.com/sociedaderacionalista/photos/pb.262089597134891.-2207520000.1416857342./900059750004536/?type=3&theater
  • Carlos Lacerda  24/11/2014 19:50
    Ai ai.... A fonte da "notícia" é o site estatal opera mundi. Mas qual é a fonte do opera mundi? Ninguém! O site apenas escreveu essa "notícia" lá. Não tem nem sequer um mísero hyperlink.

    De resto, quando a tal "vacina contra o câncer" estiver operando e funcionando, conte-nos.
  • Felipe  24/11/2014 20:23
    E?

    Essa notícia é de 2011, e esse fato não representa nenhum grande avanço na medicina.

    Essa vacina não cura o cancer, ela apenas aumenta a esperança de vida dos pacientes.

    Coisa que um monte de remedios já fazem.

    E de tão boa desconheço algum país que esteja importando essa tal vacina.

    Além da mais, não muda nada se cuba conseguissem desenvolver alguns remedios, dado o disperdicio de recursos na mão do estado, a custo do empobrecimento da população, alguma coisa deveria sair.
  • Andre  24/11/2014 22:47
    Ir pra Cuba que é bom, nada.
  • Ian Lacerda  24/11/2014 20:04
    sites que ja publicaram essa notícia: Drauzio Varella, info.abril, noticias.uol e até mesmo o jornal da record. E se ate mesmo um site pretencente a editora abril publicou, é pq não tem mesmo como esconder, pq linha editorial da abril tende a omitir noticias boas q vem de países socialistas. E mais, aquele tal de Leandro q responde todo mundo agora ficou caladinho, deve ser pq nao tem argumentos para rebater a invenção cubana q ele e esse site tanto criticam...
  • Leandro  24/11/2014 20:51
    Eu, caladinho? Acho que você está tendo sonhos molhados comigo....

    Em primeiro lugar, sempre que dirigem uma pergunta específica a mim, respondo. Não tenho culpa nenhuma se outros leitores -- os quais este site tem aos montes -- se adiantam e respondem às perguntas -- e as provocações -- feitas. Não fique nervoso com isso.

    Ao contrário de vocês, que adoram uma sociedade planejada, neste site leitores também estão à altura de responder aos questionamentos de outros leitores, e não há nenhum decreto especificando que apenas membros do IMB estão credenciados para dar respostas.

    Sobre essa tal vacina contra o câncer, pesquisei no Google e achei essa notícia na Folha. O problema é a data: janeiro de 2011.

    Pelo visto, quase quatro anos depois, não há comprovação nenhuma de eficácia desta vacina.

    Aí pesquisei de novo e encontrei essa notícia, da info.abril, de janeiro de 2013, de quase dois anos atrás.

    Segundo a própria agência cubana, a vacina não elimina nenhum câncer de pulmão, e também não impede o surgimento de nenhum câncer de pulmão. Apenas faz com que um eventual câncer de pulmão, após ser detectado, não progrida. Ora, mas já existem vários remédios hoje em dia que fazem exatamente isso.

    Ou seja, um tantinho diferente do que foi noticiado. Mas ok.

    Mas ainda não há nada sobre a real eficácia dessa vacina.

    Em seguida, uma informação curiosa: "o câncer de pulmão é o segundo de maior incidência em Cuba e o primeiro em mortalidade, e cerca de cinco mil pessoas sofrem dessa doença em estado avançado."

    Achei interessante que o câncer de pulmão seja a principal doença de Cuba, especialmente quando se sabe que o principal produto fabricado na ilha são os charutos. Fosse eu um tantinho mais irônico, faria uma correlação maldosa. Mas estou ciente de os cubanos não têm dinheiro para comprar nenhum charuto.


    De resto, falta uma informação extremamente importante, e cuja resposta não achei: como foi financiada essa pesquisa? De onde veio a matéria-prima e os equipamentos de laboratório?

    Por exemplo, a Coréia do Norte não tem a mínima capacidade de fabricar armas nucleares. Não há capital humano e nem matérias-primas para tal. Porém, se o capital humano e a matéria-prima forem dados pela China, aí passa a ser perfeitamente viável a construção de armas nucleares em solo coreano.

    Em Cuba, a teoria ensina que ocorre a mesma coisa. Se o capital humano, matéria-prima e os equipamentos de laboratórios tiverem sido enviados por outros países -- ou se tiverem sido financiados externamente --, aí se torna perfeitamente possível montar pesquisas bem sucedidas em solo cubano, sem nenhum espanto.

    Por isso, minha pergunta: como foi financiado esse experimento?
  • Forever  24/11/2014 22:16
    Uma pessoa que endeusa Cuba pra mim já é motivo de chacota. Na sua primeira postagem você me manda um link do Opera Mundi (um site que é praticamente sustentado pelo governo federal, que tem uma leve admiração por Cuba..), que vem e mostra como incrível descoberta da medicina cubana uma vacina que NÃO cura o câncer e que apenas aumenta a esperança de vida dos pacientes (coisa que remédios já faziam antes da ''milagrosa'' medicina da ilha Castro descobrir esse feito)

    Realmente, se até a editora ''golpista'' da Abril publicou, então é verdade; e deve ser mentira aquelas imagens dos cubanos fugindo do paraíso Castro, coisa da mídia golpista.

    Deixando a ironia de lado, mesmo que Cuba tivesse uma Medicina maravilhosa (coisa que NÃO tem), isso não camuflaria e nem jogaria pra debaixo do tapete a opressão, a fome, a censura, enfim a falta de liberdades que existem naquele país que foi golpeado há 55 anos por um grupo de facínoras.
  • Silvio  24/11/2014 23:31
    Gostaria de dar mais um chute no cachorro morto. Vejam esse trecho de um artigo do professor Olavo de Carvalho publicado no Jornal da Tarde em 20/7/2000 (isso mesmo, há 14 anos atrás):

    "Há apenas três semanas o dr. Isaías Raw, do Instituto Butantã, denunciou que as famosas vacinas cubanas contra a meningite B, que já custaram ao Brasil nada menos de US$ 300 milhões, são perfeitamente ineficazes para o principal grupo de risco dessa doença, as crianças de 4 anos ou menos.

    A denúncia não ecoou no Brasil. Saiu no Diário Las Américas, dos exilados cubanos em Miami, no dia 28 de junho, e circula pela Internet, o "samizdat" eletrônico a que têm de recorrer os portadores de notícias proibidas.

    A compra desses medicamentos foi praticamente imposta ao Brasil pelo lobby fidelista no Congresso norte-americano, quando um grupo de 110 parlamentares persuadiu a secretária Madeleine Albright de que as vacinas, até então jamais testadas fora de Cuba, eram o máximo em matéria de prevenção da meningite B.

    Confiando na palavra desses sujeitos e na de um ministro cubano "doublé" de garoto-propaganda, o governo brasileiro encomendou logo 15 milhões de doses.

    É previsível que venha a encomendar mais ainda, porque a prestigiosa indústria farmacêutica Smith-Kline-Beecham anunciou que pretende entrar na produção das vacinas, de parceria com o Instituto Finlay, de Cuba.

    Agora, quando o Centro de Vigilância Epidemiológica comprova que as vacinas simplesmente não funcionam, o que sucede? Indignação geral? Manchetes, discursos inflamados, comissões de inquérito, pedidos de cabeças? Nada.

    Nada, absolutamente. Apenas uma solícita aliança de silêncios para varrer para baixo do tapete os riscos de escândalo. Afinal, os US$ 300 milhões não foram para os bolsos de execráveis capitalistas, mas para o fundo de auxílio ao paraíso falido do Caribe".


    fonte: www.olavodecarvalho.org/semana/vacinas.htm (o nome do artigo é "Dólares e vacinas")

    E também chamo a atenção para esse trecho do programa de televisão "Mídia sem Máscara na TV" veiculado no ano de 2005 (https://www.youtube.com/watch?v=qMKul92GqjI - o trecho citado começa a partir dos 4:45), no qual o professor disse:

    "... e outras coisas. As famosas glórias da medicina cubana, o negócio da barbatana de tubarão... Tudo isso é uma palhaçada. A medicina cubana é uma das piores do mundo. Quer dizer... e o pessoal estão enganando vocês, pô. Isso aí é tudo marketing de Cuba. E por que tem de fazer esse marketing? Por quê? Porque Cuba está falida, então tem que recolher dinheiro para Cuba".

    Ou seja, a medicina cubana e seus incríveis progressos não passam de fraude. Eles inventam lá uma palhaçada qualquer e bradam aos quatro ventos essa novidade. Os governos amigos do regime (incluindo o Brasil, como não poderia deixar de ser) logo se apressam e gastam milhões de dólares para comprar esse medicamento revolucionário (não porque seja inovador, mas sim porque é um medicamento produzido com o propósito de financiar a revolução), só para depois se descobrir que essa panacéia é apenas uma charlatanice. Passado algum tempo, apenas aquele o suficiente para que o público se esqueça de tudo, e o governo cubano surge com um novo snake oil, que será prontamente adquirido pelos governos amigos ao custo de centenas de milhões de dólares.

    Essa merda é um truque já velho e que se repete ATÉ HOJE. E que infelizmente se repete com o pronto e entusiasmado auxílio de verdadeiros idiotas (in)úteis, tal como o companheiro que vem aqui alardear a mais 'nova' vacina que não serve para droga nenhuma, a não ser para financiar um regime que já deveria estar na lata de lixo da História há muito tempo.

    Para concluir, vejam o efeito real da barbatana de tubarão sobre as pessoas: oglobo.globo.com/sociedade/saude/cartilagem-de-tubarao-aumentaria-risco-de-doencas-degenerativas-4295432
  • Marcos  25/11/2014 07:22
    É sério que ainda tem idiota que acredita nessa carochinha das vacinas cubanas? Como o Sílvio mostrou acima, faz mais de 14 anos que eles tentam empurrar a mesmíssima história.

    "Curiosamente", nenhum país sério parece ter caído no golpe. Só os tupiniquins.
  • Russo  06/03/2017 13:11
    E a perestroika, uma reforma liberal que não deu certo? Por que não colocaram?
  • Renato  06/03/2017 15:16
    Perestroika, reforma liberal?

    Em primeiro lugar, não reformaram a moeda, a qual vivenciou uma nociva hiperinflação entre 1992 e 1994, culminando em uma severa crise financeira em 1998, a qual abriu caminho para a volta de figuras políticas autoritárias em 1999, ano em que Vladimir Putin chegou ao poder. Não existe reforma econômica sem reforma monetária.

    Segundo, em vez de desestatizar da maneira correta, embarcaram em um programa de "privatização" contraditório, mal organizado e inerentemente corrupto, o qual consistia apenas em transferir empresas estatais para as mãos de magnatas russos que haviam enriquecido durante o comunismo exatamente em decorrência de suas conexões com o governo e o KGB (veja os relatos aqui).

    Terceiro, o país se envolveu em duas sangrentas e destrutivas guerras ao tentar evitar a separação da Chechênia.

    Quarto, a corrupção em todos os níveis do governo é endêmica, difusa e mundialmente conhecida.

    Quinto, os mercados são controlados pelo estado e manipulados por políticos, assim como as decisões de investimento, o comércio e a mídia.

    Sexto, assassinatos e aprisionamento de oponentes políticos do regime são corriqueiros, além de seguidas aventuras militares, como na Criméia, na Ucrânia e na Síria. Tudo isso gera enormes incertezas. Quem fará investimentos produtivos num lugar assim?

    Cadê a Perestroika?

  • AGB  18/08/2017 02:23
    Há uns 10 anos a televisão mostrou documentário sobre uma cidade russa formada ao redor de um gulag, campo de concentração bolchevique. Os moradores eram antigos prisioneiros e guardas daquele presídio. Mas o que causava espanto era que os torturados não procuravam vingar-se de seus algozes. Pelo contrário, pareciam respeitar aqueles monstros e mostravam-se agradecidos por terem sido poupados da morte, como ocorrera com tantos outros. É assim que um regime totalitário aniquila qualquer sentimento de humanidade numa população.


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