Como o Banco Central poderia operar de acordo com os ensinamentos da Escola Austríaca
por , sexta-feira, 7 de novembro de 2014

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Banco_central_exposto.jpgSempre que nós do IMB criticamos a existência do Banco Central e dizemos que tal instituição não teria espaço em uma economia de mercado genuinamente livre somos rotulados de utópicos e somos prontamente desafiados a explicitar como ocorreria uma eventual transição — sem choques — do atual modelo para um modelo sem Banco Central.

temos um artigo detalhando como poderia ser esse processo, mas esse não será esse o ponto do presente texto.  Sabemos que a abolição simples e direta do Banco Central não é uma realidade factível e palatável. 

Mas isso não quer dizer que não podemos batalhar para tornar o sistema menos pernicioso.  Um desafio bem mais interessante que me foi feito recentemente foi o de explicar como um economista seguidor dos ensinamentos da Escola Austríaca poderia gerir o Banco Central sem 'utopias', de forma a viabilizar — e de maneira indolor — uma redução do papel dessa instituição na economia.

Aceitei o desafio.

Porém, antes de apresentar a resposta, é necessário entender o que realmente faz o Banco Central.

O problema com o Banco Central

A teoria econômica ensina que monopólios legalmente protegidos e que não precisam prestar contas a ninguém serão sempre ineficientes.  Sem estarem sujeitas à concorrência, ao monitoramento e ao escrutínio do mercado, tais organizações sempre tenderão a tomar decisões economicamente insensatas.  Pior ainda: serão capturadas por interesses especiais. 

Para o Banco Central, esse raciocínio não é nada diferente.  

Toda a perniciosidade de um Banco Central advém do fato de ele deter o monopólio da criação de dinheiro.  Mais ainda: advém do fato de todo este dinheiro que ele pode criar irrestrita e monopolisticamente ser de curso forçado, o que significa que todas as empresas e todos os indivíduos são obrigados a aceitá-lo em toda e qualquer transação comercial. 

Ainda pior: é considerado um crime os agentes econômicos se recusarem a aceitar o dinheiro do Banco Central como meio de pagamento, preferindo transacionar em outra moeda. 

Tudo isso significa que, por maior que seja a manipulação da moeda, por maior que seja sua inflação, por maior que seja a perda de seu poder de comprar, você, como empreendedor ou como consumidor, simplesmente não pode legalmente utilizar outra moeda para a consecução de suas atividades econômicas.  Você é obrigado a utilizar exclusivamente a moeda criada pelo Banco Central. 

No caso do Brasil, você pode utilizar apenas o real em todas as suas transações econômicas.  Você não tem a liberdade de firmar contratos em dólar, em euro, em francos suíços, em ienes, em ouro ou em qualquer outra moeda de sua preferência, pois o estado — que detém o monopólio da justiça — não garante o cumprimento de contratos firmados em qualquer outra moeda que não seja o real.

Deste monopólio monetário desfrutado pelo Banco Central surgem três consequências nefastas: ciclos econômicos, endividamento e carestia, e agigantamento do estado.

1) Ciclos econômicos

Ao mesmo tempo em que afirma estar fomentando a concorrência bancária, o Banco Central protege o sistema bancário formando um cartel bancário que impede que os bancos concorram entre si e que permite que os bancos operem reservas fracionárias sem riscos de insolvência. Para piorar o arranjo, o Banco Central garante socorrer os bancos em épocas de turbulência.

Esse arranjo contraditório é fácil de entender. 

Os bancos operam com reservas fracionárias, o que significa que eles emprestam mais dinheiro do que o total que foi depositado neles. Falando mais popularmente, os bancos têm o poder de criar dinheiro. Esse dinheiro que os bancos criam do nada é um dinheiro eletrônico para o qual não há correspondente em papel-moeda físico. Trata-se do dinheiro que você utiliza como pagamento através de cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos.

Na ausência de um Banco Central, esse cenário de reservas fracionárias seria arriscado: poderia ocorrer uma expansão descoordenada do crédito. Os bancos mais expansionistas — aqueles que criam e emprestam mais dinheiro — correriam o risco de perder reservas para os bancos menos expansionistas. Se o Itaú criar mais dinheiro eletrônico que o Bradesco, esses dígitos eletrônicos do Itaú inevitavelmente cairão na conta de um correntista do Bradesco. Ato contínuo, o Bradesco exigirá, no fim do dia, que o Itaú faça a compensação desse crédito, enviando-lhe a correspondente quantia em dinheiro físico (nesse caso, cédulas e moedas metálicas), fazendo com que o Itaú perca reservas. 

No extremo, caso o Itaú houvesse expandido o crédito e o Bradesco tivesse adotado uma postura conservadora, o Itaú poderia ficar sem reservas, indo à falência.

É nesse ponto que entra o Banco Central.  Por meio de suas injeções de dinheiro no mercado interbancário (explicadas em detalhes neste artigo), ele pode "supervisionar e controlar" a expansão do crédito — ou, falando mais diretamente, ele irá harmonizar essa expansão, estimulando os bancos a criarem dinheiro concomitantemente e no mesmo ritmo. 

Se todos os bancos expandirem o crédito na mesma velocidade, então não haverá o risco de um banco ir à falência porque criou mais dinheiro que outro banco. Quando os bancos expandem o crédito simultaneamente, a quantidade de dígitos eletrônicos do banco A que vai parar na conta do banco B é praticamente a mesma que vai de B para A, de modo que, no momento da compensação, se cancelam. 

Tal arranjo permite que os bancos mantenham em suas reservas menos dinheiro do que manteriam caso não houvesse um banco central. Em outras palavras, tal arranjo aumenta a capacidade dos bancos de criar dinheiro do nada, aumentando consequentemente seus lucros. E o melhor de tudo: lucros altos e sem risco de insolvência.

É por isso que os bancos defendem a existência do Banco Central. É o Banco Central quem forma e coordena esse cartel. Sem um Banco Central, não haveria essa expansão coordenada do crédito, pois sempre haveria o risco de um banco furar o acordo, sair do cartel, exigir a compensação dos dígitos eletrônicos e, com isso, levar os concorrentes à falência. Para que haja coordenação, os bancos precisam de um cartel. E para coordenar esse cartel, para disciplinar os bancos "rebeldes", é preciso um Banco Central. 

Um Banco Central, portanto, permite que os bancos expandam o crédito sem o risco de se tornarem insolventes, aumentando sobremaneira os lucros deste setor. E com um benefício adicional: caso haja alguma corrida bancária, ou caso algum banco se torne insolvente porque fez maus empréstimos, o Banco Central sempre poderá criar dinheiro para socorrer este banco.

Essa garantia de proteção estimula os bancos a expandirem ainda mais o crédito, medida essa que gera os ciclos econômicos, os quais destroem capital e riqueza da economia e fazem com que, no longo prazo, a sociedade esteja menos rica do que poderia ser. 

2) Endividamento e carestia (e expansão do setor financeiro)

Como consequência tanto desta cartelização do setor bancário quanto da própria criação de moeda feita pelo Banco Central, os bancos expandem o crédito de maneira mais volumosa, menos criteriosa e mais insustentável do que fariam em um cenário em que houvesse livre concorrência e genuínos riscos de insolvência bancária. 

Tal expansão do crédito não apenas estimula um perigoso endividamento de empresas e indivíduos, como também gera inflação de preços

Segundo as estatísticas do IBGE (INPC), desde a implementação do real em julho de 1994, a moeda já perdeu 79% do seu poder de compra.  Se utilizarmos as estatísticas da Fundação Getulio Vargas (IGP-M), a moeda já se desvalorizou 83%.  Aquilo que custava R$ 100 em julho de 1994 hoje custa R$ 477 (INPC) ou R$ 593 (IGP-M).  A redistribuição e a subsequente concentração de renda que tal fenômeno produziu é incalculável.

Esse fenômeno da desvalorização contínua da moeda gerou um agigantamento do setor financeiro — pois as pessoas, afinal, têm de adotar alguma medida para proteger o poder de compra da sua poupança —, criando justamente aquilo que os críticos do capitalismo chamam de "financeirização" da economia, arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano. 

3) Agigantamento do estado

Como consequência de seu monopólio da moeda, o Banco Central se torna, de uma maneira engenhosamente indireta, o principal financiador do estado, o que garante sua contínua e irrefreável expansão. 

Funciona assim:

À medida que os bancos — protegidos pelo Banco Central — expandem o crédito, a quantidade de dinheiro na economia aumenta.  Consequentemente, as receitas tributárias do governo aumentam.  O aumento das receitas tributárias permite que os gastos do governo também aumentem.  À medida que os gastos do governo aumentam, o tamanho do governo aumenta.  À medida que o tamanho do governo aumenta, o número de leis, regras e regulamentações que ele cria também aumenta.  À medida que o número de leis, regras e regulamentações aumenta, o número de transgressões e violações involuntárias também aumenta. 

À medida que o número de violações e transgressões aumenta, o número de cidadãos "criminosos" também aumenta, o que gera a necessidade de mais agentes estatais para regulamentar, fiscalizar, repreender e, em última instância, encarcerar os "transgressores".  À medida que aumenta o número de funcionários do governo, aumenta também o controle e a influência do governo sobre todo o mercado. 

Assim como a inflação, o crescimento estatal alimentado pela inflação se torna um ciclo perpétuo.

E tudo isso é estimulado pelo Banco Central.

O que fazer

Com a difusão da internet há a esperança de que, cedo ou tarde, as pessoas finalmente entenderão que é a inflação monetária — sob o exclusivo comando do Banco Central — a genuína fonte que alimenta este ininterrupto crescimento do estado que estamos vivenciando não apenas no Brasil, mas em todo o globo.

Entenderão também que a atual carestia é consequência direta desse arranjo bancário coordenado e protegido pelo Banco Central. 

Portanto, colocando de maneira bem direta, um banco central nada mais é do que uma agência de planejamento central; e, como tal, possui um desempenho tão bom quanto qualquer outra agência de planejamento central já criada em vários países ao longo da história.

O que é possível de ser feito?

Atualmente, o Banco Central executa — em regime monopolista — as seguintes tarefas:

a) É ele quem gerencia e coordena a transferência de fundos entre bancos — as TEDs, os DOCs e todas as demais transferências interbancárias (explicadas no início do artigo, no item "ciclos econômicos"):

b) É ele quem faz a supervisão dos bancos;

c) É ele quem desempenha o papel de emprestador de última instância, o que significa, na prática, a garantia de que ele irá imprimir dinheiro para socorrer as grandes instituições financeiras em dificuldades;

d) É ele quem estipula a meta para a taxa SELIC e, com isso, conduz a política monetária;

e) É ele quem emite o papel-moeda (na prática quem faz isso é a Casa da Moeda, mas apenas sob encomenda do Banco Central). Adicionalmente, ele proíbe depósitos em moeda estrangeira;

f) É ele quem estipula quais bancos podem atuar no mercado, e quais bancos estrangeiros podem ou não vir para o Brasil.

Dado que o objetivo é fazer com que o setor bancário — tanto os bancos comerciais quanto o Banco Central — seja mais transparente e responsável, e opere sob vigorosa concorrência, um eventual austríaco comandando o Banco Central poderá efetuar, com  distúrbios mínimos, as seguintes alterações em cada uma destas atividades: 

a) As transferências de fundos entre os bancos passam a ser feitas por Câmaras de Compensação, as quais inclusive já existem, como a CETIP e outras. O Banco Central já pode hoje se retirar dessa atividade sem nenhum prejuízo ao sistema.

b) Não há motivos para que a supervisão dos bancos seja monopólio do Banco Central.  Entidades privadas, por meio da emissão de certificações privadas, podem fazer isso.  Desnecessário dizer que tais empresas terão todo o interesse em fazer um serviço bem feito, pois competem no mercado e dependem de sua reputação para sobreviver.  É bem provável que as câmaras de compensação citadas em a) estejam envolvidas.

Além dos selos privados, os bancos podem também optar por receber o "selo" do Federal Reserve ou do Banco Central Europeu, por exemplo.

Quando o mercado estiver praticando a contento selos mais rígidos que os atualmente "emitidos" pelo Banco Central — extremamente deficientes, basta ver o capital muito baixo dos bancos estatais e as seguidas fraudes ocorridas (Panamericano e BVA, para ficar nos mais recentes) —, o BC se retirará desta função. 

Os bancos estatais, que hoje estão descontrolados e que são os principais responsáveis pelo atual surto de carestia que nos acomete, seriam os primeiros a ser enquadrados por esta medida. Com uma exigência mais rigorosa para o capital dessas instituições, seus atuais empréstimos insensatos seriam interrompidos.

c) Quanto à função de emprestador de última instância, a abolição desta é a que tende a gerar mais incertezas.  No entanto, uma eventual turbulência deverá ser mitigada pelas próprias Câmaras de Compensação, através de esquemas de seguro cruzado e mútuo, que é do interesse de seus membros 

Isso já ocorre hoje — mas em escala muito menor — com Fundo Garantidor de Crédito (FGC).  O FGC é um fundo privado formado pelas contribuições dos bancos.  Cada banco deposita mensalmente no FGC 0,025% sobre todos os seus depósitos que são garantidos por esse fundo.  Atualmente, o FGC garante perdas de até R$ 250 mil, por pessoa, quando um banco quebra. 

O Banco Central pode anunciar antecipadamente uma data de saída, de modo que, previamente, o mercado financeiro e as Câmaras de Compensação se preparem e coloquem em prática o esquema.

d) Quanto à política monetária, enquanto não for implantada a solução mais liberal do item e) abaixo, o objetivo deve ser o de reduzir as intervenções do Banco Central no mercado interbancário através da determinação de metas menos rígidas para a SELIC.

A taxa SELIC nada mais é do que a taxa de juros que os bancos cobram entre si no mercado interbancário para emprestar (ou tomar emprestado) dinheiro que possuem em suas reservas.  Os bancos recorrem a essas operações interbancárias diariamente porque, ao final de cada dia, precisam manter um determinado volume de dinheiro em suas reservas.  (Esse volume de reservas é o equivalente a uma determinada porcentagem do total de seus depósitos, e é determinado pelo Banco Central; chama-se compulsório).

Quando a chamada mesa de open market do Banco Central utiliza dinheiro eletrônico criado do nada para comprar títulos públicos que estão em posse do sistema bancário, as reservas bancárias aumentam.  Este aumento nas reservas bancárias tende a gerar uma diminuição na taxa de juros que os bancos cobram entre si no mercado interbancário.  Ou seja, tende a gerar uma diminuição na SELIC.  Afinal, com mais dinheiro nas reservas, menos bancos se veem na necessidade de pedir dinheiro emprestado no interbancário, e mais bancos se veem com reservas acima do nível estipulado pelo Banco Central.  Ato contínuo, os bancos podem agora criar mais empréstimos para indivíduos e empresas.  O inverso, menos usual, ocorre quando a mesa de open market do Banco Central vende títulos aos bancos, recebendo reservas bancárias.

Ao estipular uma banda rígida para a meta da SELIC, o Banco Central se vê obrigado a continuamente interferir no mercado interbancário — injetando e retirando dinheiro nele — de modo a fazer com que a taxa de juros média neste mercado, a SELIC, se mantenha muito próxima do valor estipulado pelo COPOM para a meta da SELIC.

O objetivo será então o de flexibilizar esse spread da SELIC (o valor em torno do qual está permitido que a SELIC flutue em torno da meta estabelecida pelo COPOM).  Hoje este spread é de cerca de 0,1 ponto percentual, ou 10 pontos-base, para cima ou para baixo (a atual meta da SELIC é de 11,25%, e a SELIC efetiva está em 11,15%).  A ideia é que, gradualmente ao longo de vários trimestres, se aumente este spread até uns 3 ou 4 pontos percentuais (300 ou 400 pontos-base).  O resultado desta nova política é de que as intervenções da mesa de open market do BC no mercado interbancário se reduzirão substancialmente.

No sistema atual, há mudanças contínuas na quantidade de reservas bancárias no sistema de forma a estabilizar (artificialmente) a SELIC.  Com a flexibilização do spread da meta da SELIC, ocorrerá o contrário: a SELIC variará continuamente, porém a quantidade de moeda estará estabilizada enquanto a SELIC flutuar dentro da banda estabelecida.  No entanto, caso haja uma grande falta ou sobra de liquidez no sistema bancário que leve a SELIC a atingir uma das bandas de sua meta, haverá intervenção pelo BC.

e) Os bancos privados passam a poder emitir moeda própria e também se tornam livres para aceitar moeda estrangeira como depósito de clientes.  O Banco Central continuará emitindo reais em competição com os bancos, mas o público poderá escolher qual moeda irá utilizar.

Tanto a circulação de moedas estrangeiras quanto a circulação de moedas privadas — como ouro, prata, bitcoin, e demais moedas criadas pelos bancos — estão liberadas.  Os brasileiros podem transacionar na moeda que quiserem, fugindo daquelas que estejam se desvalorizando. 

Os bancos, por sua vez, também estarão livres para utilizar como reservas aqueles ativos ou commodities que acharem melhor.  A ameaça de falta de liquidez ou de uma corrida aos bancos tenderá a fazer com que mantenham um nível de reservas mais alto do que hoje para os depósitos em conta-corrente, e um nível prudente de reservas para outros tipos de depósitos.  Bancos à beira da falência não mais serão salvos pelo governo, à custa do contribuinte. 

A tal "política monetária", que por definição vale somente para o que o Banco Central faz, começa a perder importância gradualmente. Ao final do processo, a política monetária como a conhecemos hoje deixa de existir.

f) Com o fim da restrição à vinda de bancos estrangeiros e à criação de novos bancos, o sistema bancário, até então totalmente concentrado, passa a sofrer a concorrência de outros bancos — novos e estrangeiros.  Qualquer empresa deve ser autorizada a incorrer em atividades bancárias.

Conclusão

Com essas seis medidas relativamente simples e perfeitamente viáveis, o Banco Central perderia a importância no cenário econômico brasileiro, em benefício da saúde do sistema e da economia

A expansão dos poderes do estado e sua a máquina de criar dinheiro — isto é, o Banco Central — sempre estiveram intimamente relacionadas.  É em vão denunciar o agigantamento do estado e suas distorções morais sem ao mesmo tempo atacar o indispensável mecanismo que possibilita toda essa expansão. 

Se queremos nos opor a certos malefícios gerados pelo estado — sua gastança, seu endividamento, sua crescente tirania, sua burocracia, suas regulamentações, sua rede de proteção aos poderosos com boas conexões políticas, seus subsídios que distorcem o livre mercado etc. —, é nosso dever conter os estragos gerados por esta importante fonte que possibilita sua existência: o Banco Central.

Uma vez entendida a perniciosidade do arranjo e a urgência de se alterá-lo, o poder e a coerção estatal tendem a diminuir substancialmente.

Este é um plano que um libertário apoiaria?

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Leandro Roque participou deste artigo.


Helio Beltrão é o presidente do Instituto Mises Brasil.


83 comentários
82 comentários
Andre Bernardes 07/11/2014 12:35:29

Excelente artigo! A respeito do trecho que menciona o "agigantamento do setor financeiro, que deixa o setor produtivo em segundo plano", é algo que tenho percebido de forma intuitiva crescer cada vez mais nos tempos recentes, e realmente me incomoda, enquanto defensor da liberdade e facilidade de se empreender. Temos algum artigo no site que trate especificamente deste fenômeno e as implicações disso para a sociedade e a economia?

Novamente, parabéns pelo artigo!

Responder
Pedro Ivo 10/11/2014 11:36:27

Andre Bernardes, um artigo específico não me lembro, mas você pode consultar os bancos de artigos Artigos para se entender a crise e Ciclos econômicos e achar algo. Mas talvez A mecânica de um ciclo econômico — abreviadamente, Como ocorrem os Ciclos Econômicos e A Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos: Uma Breve Explanação sejam sobre o que você quer.

Responder
Hudson 07/11/2014 12:39:59

Perguntinhas:

1 - Levando em conta que o mundo inteiro da economia é doutrinado no Keynesianismo, estas medidas não poderiam gerar uma enorme confusão e colapso no sistema financeiro nacional?

2 - Além de um presidente do BC austríaco, esta implementação não exigiria também um ministro da Fazenda austríaco, bem como diretores do BC?

3 - Não seria necessário um amplo trabalho educacional acerca dos fundamentos da escola austríaca antes desta implantação?

Responder
Leandro 07/11/2014 13:26:59

1 - Não haveria por que gerar confusão e colapso. Resistência e contrariedade de grupos de interesse, sem dúvida; mas colapso e confusão, não.

2 - Ajudaria enormemente, principalmente no que tange aos déficits orçamentários. Havendo um orçamento genuinamente equilibrado (déficit nominal zero), não haveria criação de dinheiro pelo sistema bancário para comprar títulos do Tesouro.

3 - Seria bem-vindo, mas não seria crucial para o funcionamento.

Responder
Alan 07/11/2014 14:36:44

Boas perguntas Hudson.
Acho que antes de fazer estas pequenas grandes mudanças seria necessário que a sociedade entendesse o que estaria sendo feito, porque não faltaria oposição acusando de estar beneficiando os "capitalistas" e de estar tirando a soberania da nação sobre estes assuntos. Uma grande parte do povo seria manipulado pela imprensa e movimentos socialistas e iria se manifestar contra o que na verdade seria bom para elas.
Mas de qualquer jeito gostei do artigo.

Responder
Charles Miller 07/11/2014 12:51:42

Parabéns pelo artigo.
Uma dúvida que sempre tive, se eu tenho 300 mil na conta no banco A, 300 mil no banco B e 300 mil no banco C e os três bancos quebrarem mais ou menos juntos, o FGC me pagaria 750 mil ou 250 mil?

Responder
Leandro 07/11/2014 13:23:27

R$750 mil.

O critério é CPF/CNPJ por instituição financeira.

Responder
Abdelmane 07/11/2014 13:19:50

Prezado Hélio,

Compreendi sua posição com relação a permitir uma banda maior para a flutuação da Selic com vias a evitar que a mesa do Departamento de Mercados Abertos (DEMAB) do Bacen precise atuar constantemente. Todavia, acredito que essa intervenção diuturna não seja tão problemática, haja vista que ao realizar operações compromissadas o volume total de liquidez no sistema financeiro permanece virtualmente constante, em especial se usarmos médias móveis.
Acredito que o problema maior seja a monetização da dívida pública que precisa ser esterilizada pelo Bacen cada vez que ocorre uma política fiscal expansionista. Nesse caso, haverá uma nova injeção de dinheiro na economia, com possível efeito de aumento dos preços caso as instituições financeiras monetárias expandam seus empréstimos (o que pode ocorrer ou não, como já vimos em vários países, inclusive o Brasil, onde a liberação dos compulsórios não tem conseguido recentemente alavancar as carteiras privadas de crédito da forma como o Governo pretendia).
Assim, ao recomprar os títulos em poder dos bancos, previamente leiloados para sustentar os gastos públicos, ocorre inchaço do balanço do Banco Central e perda de poder de fogo da política monetária por conta de um fenômeno de dominância fiscal.
Esse raciocínio leva à conclusão de que, na melhor das hipóteses, mesmo um Banco Central bem intencionado e autônomo se vê privado de seus instrumentos clássicos de atuação caso os cavalos monetário e fiscal da biga governamental não caminhem juntos. Se puxarem cada um para lados diferentes, não há como domar a inflação.

Responder
Leandro 07/11/2014 13:54:23

"Todavia, acredito que essa intervenção diuturna não seja tão problemática, haja vista que ao realizar operações compromissadas o volume total de liquidez no sistema financeiro permanece virtualmente constante, em especial se usarmos médias móveis."

Esse é o ponto.

O volume total de liquidez permanece virtualmente constante justamente por causa da intervenção diária do BC, o que gera conforto para os bancos operarem mais despreocupadamente. Não houvesse essas intervenções diárias, os bancos -- principalmente os estatais -- seriam bem mais comedidos e criteriosos em seus empréstimos.

"Acredito que o problema maior seja a monetização da dívida pública que precisa ser esterilizada pelo Bacen cada vez que ocorre uma política fiscal expansionista. Nesse caso, haverá uma nova injeção de dinheiro na economia, com possível efeito de aumento dos preços caso as instituições financeiras monetárias expandam seus empréstimos."

As instituições financeiras emprestam a rodo para o governo justamente porque sabem que podem contar com um mercado cativo fornecido pelo BC.

Funciona assim: imagine que você é um banqueiro. Você, por causa das reservas fracionárias, pode criar dinheiro do nada e utilizar esse dinheiro em algum investimento. Você também sabe que a maneira como o Banco Central cria dinheiro é comprando títulos públicos que estão em sua posse. Logo, não é preciso ser nenhum gênio das finanças para entender que o investimento mais óbvio e seguro que você pode fazer é justamente comprar os títulos públicos que o Tesouro põe à venda.

Em outras palavras, você alegremente vai financiar o déficit do governo, pois sabe que esses títulos que você vai comprar do Tesouro serão mais tarde comprados pelo Banco Central, pois é assim que ele faz política monetária.

É justamente por saberem que os títulos do Tesouro serão comprados pelo Banco Central — o que significa que eles possuem um mercado de revenda garantido e de alta liquidez—, que os bancos animadamente financiam o déficit do governo.

"Assim, ao recomprar os títulos em poder dos bancos, previamente leiloados para sustentar os gastos públicos, ocorre inchaço do balanço do Banco Central e perda de poder de fogo da política monetária por conta de um fenômeno de dominância fiscal."

Como explicado acima, é o próprio BC quem cria liquidez para esse mercado de títulos do governo.

"Esse raciocínio leva à conclusão de que, na melhor das hipóteses, mesmo um Banco Central bem intencionado e autônomo se vê privado de seus instrumentos clássicos de atuação caso os cavalos monetário e fiscal da biga governamental não caminhem juntos. Se puxarem cada um para lados diferentes, não há como domar a inflação."

Certo. Mas, se o BC quisesse, ele poderia parar de fornecer esse mercado garantido para os títulos do Tesouro. Esse é um dos objetivos defendidos pelo artigo no item d.

Responder
Abdelmane 07/11/2014 16:10:02


Prezado Leandro,

O cerne da questão repousa justamente no "moral hazard" que nasce da relação promíscua entre os grandes bancos, que financiam a dívida pública, e os Bancos Centrais, emprestadores de última instância para estas instituições. Mais importante do que flexibilizar a meta Selic é remover esta prerrogativa de agir como rede de proteção em caso da tomada de riscos excessivos. Isto seria mais eficiente do que usar Patrimônio de Referência Exigido ou qualquer Dodd-Frank ou regra Volcker.

Por outro lado, bancos são empresas, logo buscam lucro - o maior possível. Se fosse desejável apenas possuir títulos públicos, não haveria necessidade de eles buscarem soluções de retorno ajustado ao risco que ultrapassem o referencial brasileiro de uma NTN-B, o que fazem sistematicamente. Da mesma forma, os banqueiros privados sabem (como o empresários em geral) que um ambiente econômico doméstico desajustado capitaneado por uma expansão de gastos não se sustenta em longo prazo, por isso não se interessam em alinhar seus interesses com o do Governo em todas as ocasiões, fato visto ano passado com a retração de crédito ao mercado, por causas várias, inclusive aumento da inadimplência.

Por fim, o fato de os bancos brasileiros serem provedores de liquidez para nosso Governo não significa que o mercado internacional não continuará a fazer o mesmo, em especial (e paradoxalmente)se houvesse uma melhoria macroeconômica substancial advinda da implantação de reformas alinhadas com as ideias austríacas no país. Uma eventual evolução em nosso rating de crédito seria um grande estímulo para continuar emitindo dívida, só que em mercados externos.
Logo, mesmo que tivéssemos um banco central austríaco (ou nenhum banco central) o problema persistiria. Especialmente em um cenário com bancos públicos mastodônticos, que deveriam ser todos abolidos para evitar o financiamento circular do Governo, como ocorria quando havia a Conta Única do Tesouro e ocorre agora com o BNDES.

Responder
Abdelmane 07/11/2014 13:22:33

Prezado Charles Miller,

O FGC garante R$250 mil por CPF por instituição financeira.
Logo, você receberia R$ 250 mil de cada banco, R$ 750 mil no total.

Abraços.

Responder
Felipe 07/11/2014 13:49:23

"desvalorização contínua da moeda gerou um agigantamento do setor financeiro ... arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano"

Não entendi.

Um grande setor financeiro ao meu vê é bom, pois permitirá mais recursos para investir.

Um setor financeiro grande tem sempre como contrapartida um grande setor produtivo, o primeiro não sobrevive sem o segundo.

Para mim não tem como, a longo prazo, as pessoas resolverem investir apenas no setor financeiro e deixa de lado o setor produtivo, um está ligado ao outro.

Responder
Leandro 07/11/2014 14:04:41

Setor financeiro voltado para financiar atividades produtivas é essencial, gerando benefícios para todos.

Setor financeiro que se concentra em especulação -- atividade esse que passa a ser necessária inclusive para se proteger contra a perda de poder de compra da moeda -- está apenas girando em círculos. Pode ser bom para quem participa, mas não gera nada para quem está de fora.

A bolha imobiliária americana, como explicado aqui, foi em grande parte aditivada por esse tipo de especulação: gente tomando empréstimo para comprar imóveis apenas para revendê-los a um preço maior em seguida.

Responder
Felipe 07/11/2014 14:23:34

Hmm, apenas mais 3 perguntas Leandro:

1) Quais os impactos desses desvios de recursos na economia produtiva; menos investimentos e maior desemprego?

2) Quem mais estimula a especulação é o governo certo, com inflação e incertezas?

3) Numa economia livre o processo de especulação seria um problema?

Muito obrigado.

Responder
Leandro 07/11/2014 15:13:15

1) Menos dinheiro para investimentos produtivos, mais dinheiro para a compra e venda de ações. Sobre desemprego, não é algo de mensuração simples e direta. Os empregos que deixaram de ser criados em investimentos produtivos podem ser compensados numericamente pela criação de novos empregos no mercado financeiro.

2) Correto.

3) Não. Especulação é uma atividade inerente ao ser humano. Aliás, é essencial. Um sujeito que decide abrir uma padaria está especulando. A especulação só vira um problema quando passa a ser feita com dinheiro criado do nada para esse fim.

O comportamento especulativo no mercado financeiro só é possível se houver expansão monetária acelerada.

Por exemplo, caso vivêssemos em uma economia de moeda sólida -- por exemplo, um padrão-ouro genuíno --, não haveria como haver esse tipo atual de especulação financeira. Especulador entra em hibernação quando não há expansão monetária.

Responder
anônimo 07/11/2014 15:40:22

Obrigado.

Responder
Renato 07/11/2014 14:26:41

''Sempre que alguém te disser que o Banco Central é o guardião da moeda, CUSPA na cara dessa pessoa'' - ROQUE, Leandro
Foi a primeira frase que lembrei após ler este artigo e ficar claro o estrago que o BC produz no poder de compra das pessoas, e consequentemente no nosso padrão de vida.
Agora Leandro, a BMW e a Mercedes possuem um banco operando no Brasil. Pelo que eu li no artigo acerca do marco regulatório do BC, esses bancos atuam única e exclusivamente em operações dos clientes que estão comprando seus carros, né? É proibido que esses bancos concorram com Itaú, Bradesco, etc, porque o BC não permite?

Responder
Leandro 07/11/2014 15:03:12

São apenas financiadoras. Não trabalham com conta-corrente e nem criam dinheiro. Apenas emprestam a poupança alheia que neles foi investida. De certa forma, são como bancos de investimento, e não têm o poder de criar moeda.

Responder
José Ricardo das Chagas Monteiro 07/11/2014 14:37:31

Saudações, algo melhor do que escrever esse artigo, seria desenhá-lo.

Responder
Henrique 07/11/2014 14:44:52

Hahahaha, agora praticamente desenhando entendi completamente seus pontos Mr. President. Quando colocaste isso no Facebook de forma mais superficial, fiquei um tanto confuso.
Perfeito!

Responder
Tio Patinhas 07/11/2014 15:24:25

Ainda prefiro um currency board lastreado em ouro. Mas o sistema apresentado é interessante e praticamente impossível, em especial o item "e". Os "movimentos sociais" impedem/impediriam qq coisa nesse sentido.

Obrigado.

Responder
Marcos 07/11/2014 15:29:31

O fim do curso forçado não geraria uma confusão a curto prazo? As pessoas poderiam ter que carregar várias moedas, ter que fazer mentalmente a correlação entre cada uma delas, se preocupar com fraudes de várias moedas, etc... Eu sei que no longo prazo apenas as melhores moedas serão selecionadas e haverá uma estabilidade, além da criação de mecanismos para facilitar as transações. Mas será que as consequências negativas do curto prazo não poderão gerar insatisfação popular e levar a uma perda no campo político, que impedirá a conclusão da medida? É uma mudança cultural muito grande.

Responder
Guilherme 07/11/2014 15:50:33

A Suíça trabalha com duas moedas: euro e franco. Um indivíduo munido de um cartão de crédito ou débito, ao inserir seu cartão na máquina de uma loja suíça, será perguntado pelo lojista se ele quer pagar em euros ou francos. A própria máquina faz a conversão pela taxa de câmbio vigente no dia.

Simples.

Aliás, se você for um turista brasileiro na Suíça, munido de um cartão de crédito internacional, ao inserir seu cartão de crédito na máquina da loja, você será perguntado pelo lojista se quer pagar em euros, francos ou dólares (dependendo da máquina e do estabelecimento). Ou seja, tal sistema "tão temido" já existe. E não é nada tumultuado.

Responder
Marcos 07/11/2014 19:35:05

E não apenas na Suíça. Na Ciudad Del Este eles aceitam real, dólar e guarani. Mas até aí são apenas duas ou três moedas que já são oficiais de países, o que ainda é algo relativamente confortável. Meu temor é que liberando para qualquer um imprimir moeda, levando a inúmeros meios de troca diferentes em um primeiro momento. Há alguma experiência de liberdade total que já tenha sido tentada? Creio que só com ela possamos ter certeza dos efeitos de curto prazo da medida.

Se o Brasil adotasse o modelo suíço concordo que seria um avanço, mas ao meu ver a proposta do artigo é outra.

Responder
Pedro Ivo 10/11/2014 12:01:02

Meu temor é que liberando para qualquer um imprimir moeda, levando a inúmeros meios de troca diferentes em um primeiro momento. - Ninguém foi liberado para imprimir moedas. Se você opera com florim húngaro, não os imprime, apenas negocia com os que recebeu.

Há alguma experiência de liberdade total que já tenha sido tentada? - No Panamá você pode manter conta em banco na moeda que quiser. Isto cria diversas facilidades. Por ex., se você negocia regularmente com empresas indianas, e seu banco mantem sucursais no Panamá e na Índia, você pode fazer os recebimentos em rúpias em sua conta na Índia e operar com elas no Panamá (se ninguém + aceitar rúpias, verta-as noutra moeda pelo câmbio do dia).

A consolidação não seria no longo prazo, mas no curto. O fato de que agora se pode negociar com dólares canadenses, bahamenhos, neozelandeses, australianos e jamaicanos não significa que estes farão frente ao dólar estadunidense. Serão apenas uma opção, relevante apenas para uns poucos. Li num informe publicitário do HSBC que em 2013 44% das transações internacionais foram em euros e 42% em dólares estadunidenses. Só 1,5% em dólares australianos e uns 2% em renmimbi. Ou seja, a consolidação já existe, e nem se faz em torno da solidez das moedas, mas do volume de transações internacionais nas mesmas.

Responder
Ian Lacerda 07/11/2014 16:14:05

Mais uma prova de que o PT é um partido de direita. Usam o banco central para socorrer os bancos privados em caso de falencia! Que lindo! Isso é a essência do capitalismo e do livre mercado (que tantos aqui defendem): um banco central beneficiando e salvando grandes banqueiros em vez de ser usado para beneficiar o povo, que seria o certo.

Responder
Carlos Lacerda 07/11/2014 16:41:36

Ah, sim. Uma agência estatal (Banco Central) que protege e carteliza um determinado setor (sistema bancário) realmente é a encarnação da livre iniciativa e do livre mercado, né, cidadão?

Uma agência estatal que protege o sistema bancário formando um cartel bancário que impede que os bancos concorram entre si, que permite que os bancos operem sem riscos de insolvência (sendo que as falências são a essência do capitalismo), e que garante socorrer os bancos em épocas de turbulência tipifica um perfeito arranjo de livre mercado, né, jacuzinho?

Sua inteligência e seu lógica são um portento.

Responder
Ronaldo 07/11/2014 17:15:26

Ian, por favor me diga que você esta sendo irônico.

Responder
Lellis 09/11/2014 03:36:30

Não acredito que esse cara escreveu uma bobagem desta aqui. Realmente este site não é pra qualquer idiota...Antigamente comentários torpes eram no site do G1 que qualquer sem noção escrevia, mas eles cortaram.

Responder
Pedro 07/11/2014 16:37:44

Pelo que entendi o Banco Central é o agente indireto (ou seria direto?) da desvalorização da moeda ("a moeda já se desvalorizou 83%").

Pelo pouco conhecimento que tenho a moeda sempre perdeu valor, mesmo antes de existirem os BCs.

Não entendi esse teu argumento.

Responder
Álvares 07/11/2014 16:48:05

Errado. Antes da massificação dos bancos centrais, as moedas ganhavam poder de compra ao longo dos anos. Havia deflação de preços.

Pode brincar aqui com os dados:

www.measuringworth.com/inflation/

Digite o ano inicial como 1865 até 1913 (ano de criação do Fed). A inflação de preços média anual era de - 1,03%.

Responder
Abdelmane 10/11/2014 11:04:17


Prezado Álvares,

A correlação entre a moderna ação de bancos centrais e inflação não é tão óbvia, e considerar que estaríamos melhor com ou sem eles é um argumento contrafactual que não pode ser provado, pois a História não pode ser repetida.

Vejamos alguns dados obtidos do site sugerido:

- Período de 1775 a 1811, do início da série histórica à criação do First National Bank, primeiro banco central privado dos EUA, defendido por Alexander Hamilton: inflação anualizada de 0,28.

- Período de 1775 a 1913, do início da série histórica à criação do FED: inflação anualizada de 0,19.

- Período de 1811 a 1913, do fim do First National Bank à criação do FED: deflação anualizada de 0,28.

- Período de 1944 a 1976, vigência do padrão-ouro de Breton-Woods: inflação anualizada de 3,74.

Portanto, não devemos abraçar sem maiores questionamentos a ideia de que o mero fim de um banco central ou a adoção de um padrão-ouro será a panaceia para o problema da destruição do valor da moeda, em especial em governos que não têm pudores em se endividar.

Abraços.

Responder
Leandro 10/11/2014 11:15:52

"- Período de 1775 a 1811, do início da série histórica à criação do First National Bank, primeiro banco central privado dos EUA, defendido por Alexander Hamilton: inflação anualizada de 0,28."

Totalmente dentro do esperado: BC gerou inflação.

"- Período de 1775 a 1913, do início da série histórica à criação do FED: inflação anualizada de 0,19."

Neste período de tempo -- longo demais -- houve dois bancos centrais operantes nos EUA. E houve também momentos sem nenhum Banco Central. Período de tempo longo demais -- e conturbado demais -- para que se possa fazer qualquer consideração.

"- Período de 1811 a 1913, do fim do First National Bank à criação do FED: deflação anualizada de 0,28.

Repito o mesmo ponto acima.

O certo é considerar de 1865 (fim da guerra civil) a 1913 (criação do Fed). Esse foi um período de tempo sem nenhum Banco Central.

"- Período de 1944 a 1976, vigência do padrão-ouro de Breton-Woods: inflação anualizada de 3,74."

"Padrão-ouro" completamente fajuto, o qual valia apenas para fixar taxas de câmbio. A moeda era fiduciária e não havia nenhuma restrição à criação de moeda nacionalmente.

Detalhes completos aqui.

Responder
Abdelmane 10/11/2014 11:31:36


Prezado Leandro,

Sua análise do período 1775 a 1811 foi apressada. O First National só foi criado em 1811, logo não foi o causador da inflação.

Quanto ao fato de determinado período de tempo ser longo demais ou curto demais, é proposição subjetiva. Se a teoria da EA só serve para o curto prazo, então não há diferença da ideia keynesiana de expandir-se emprego permitindo maior aumento da inflação pela Curva de Philips, mas com o sinal trocado.

Se o modelo austríaco é o correto, deve ser aplicável em qualquer circunstância e horizonte temporal, caso contrário será somente uma aproximação de primeira ordem. Todavia, tendo em vista a natureza apriorística praxeológica, a suspeição sobre o uso da modelagem na economia e a pouca ênfase no empirismo, periga que se culpem os dados pela não aderência ao modelo e não que se revise e melhore, humildemente, o corpo de ideias em que a EA baseia-se, como ocorre neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1707

Abraços.

Responder
Leandro 10/11/2014 12:28:06

Acho que deveria ter sido mais claro e detalhado (mea culpa): em 1775, o Congresso começou a imprimir dinheiro livremente -- o Continental -- para financiar a guerra de independência. A hiperinflação que se seguiu foi avassaladora.

mises.org/daily/2340/The-Revolutionary-War-and-the-Destruction-of-the-Continental

mises.org/daily/1273

Tanto é que se você ignorar esse período e começar a contar a partir do ano 1781 (quando o Congresso deixou de ser inflacionista) até o ano 1794 -- quando o presidente Washington enviou um exército de 13 mil homens para suprimir uma insurreição anti-impostos na Pensilvânia -- a deflação é de quase 1% ao ano (-0,92%).

Depois, de 1795 a 1810, nova deflação de 0,14% ao ano. E se você começar de 1796 (pois o ano de 1795 ainda sofria as consequências da insurreição na Pensilvana), a deflação é de 0,51% ao ano.

Ignorar fatos históricos pontuais e apenas fazer um apanhado descuidado -- sem considerar eventos pontuais ocorridos em alguns anos, como guerras -- não é a maneira correta de se fazer uma pesquisa histórica.

Responder
Leandro 10/11/2014 14:06:37

"A EA advoga que a expansão da base monetária deveria levar à inflação,"

Isso é pura calúnia sua, o que mostra um certo desespero (ou despreparo).

A EA advoga que a expansão do crédito gera uma carestia, e não uma expansão da base monetária.

Expansão do crédito leva diretamente a um aumento da quantidade de dinheiro na economia; expansão da base monetária gera apenas aumento das reservas bancárias, as quais permanecem depositadas no Banco Central, sem adentrar a economia.

Por favor, não tente sacar para cima de mim sobre assunto. Vá fazer isso pra cima de amadores.

Sobre a questão da inflação nos EUA, meu desafio é bem simples: coloque aí um período de tempo de pelo menos 4 anos (ciclo presidencial) pós-criação do Fed em que tenha havido uma deflação de preços que não tenha sido causada por uma recessão.

Ou seja, cite aqui um período de tempo, a partir de 1914 e de no mínimo quatro anos, em que tenha havido deflação de preços simultaneamente a um crescimento econômico.

Responder
Felipe 07/11/2014 17:32:26

Pedro,

Você não entende o conceito de moeda para ter esse questionamento.

Primeiro o que determina o poder da moeda:

O poder da moeda é influenciado pela sua demanda e oferta e a demanda e oferta dos bens que ela pode adquirir.

Vamos ignorar a demanda para facilitar:

Pensa no enorme aumento de bens que ocorreu na economia desde a revolução industrial.

Esse aumento da oferta de bens aumentou o poder da moeda sobre esse bens.

Agora veja outro fator: A oferta da moeda

Numa economia livre baseada no padrão ouro, a oferta dela seria restringida pela oferta de ouro.
Mesmo o crédito bancário seria restrito para garantir a solvência dos bancos.

Agora no mundo real antes do BC:

O governo sempre interferiu na oferta de moeda, desde antes do bc, seja ajudando a expandir o crédito bancário ou a diminuir a quantidade de ouro na moeda.

No mundo real depois BC:

Com o BC a coisa só piorou, foi possível criar a moeda sem lastro, e assim expandir a sua oferta sem limites e mais ainda o crédito bancário.

Espero que tenha entendido.

Responder
Pedro 12/11/2014 15:33:45

Sim, ajudou!

Valeu. Abraço!

Responder
Fernando Ulrich 07/11/2014 16:53:53

Caro Helio,

Quando podemos encaminhar este Projeto de Lei ao Congresso?

Eu assino embaixo.

Abs,

Fernando Ulrich

Responder
Enrico 07/11/2014 21:16:02

Fernando, eu acho que precisaria de uma PEC no sentido para isso. Veja bem:

"Art. 21 - Compete à União:
[...]
VII - emitir moeda;"

"Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
[...]
V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários;
[...]
§ 5º - O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do imposto de que trata o inciso V do "caput" deste artigo, devido na operação de origem; a alíquota mínima será de um por cento, assegurada a transferência do montante da arrecadação nos seguintes termos."

"Art. 164 - A competência da União para emitir moeda será exercida exclusivamente pelo Banco Central."

Ou seja, só a União emite moeda através de um banco central e pode haver tributos sobre ouro. Somente quebrando o curso forçado da moeda e retirando impostos sobre ouro, prata, platina e paládio poderíamos então ter um sistema de moedas competitivas. Ainda sim, o Estado poderia se recusar a aceitar impostos em outras moedas ou simplesmente convertê-las-ia em reais na hora de gastá-las, impulsionando a má moeda para circulação (Lei de Gresham).

"Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
[...]
§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros."

Ou seja, você pode tentar convencer somente para pôr em pauta um terço dos nobres senadores e deputados ou a Vilma e depois terá de convencer três quintos dos senadores e dos deputados. Se conseguir isso, em algo que não é requisitado pelas massas, será uma causa vencida que fará história. Lembre-se também de que esse e o próximo congresso continuam infestados de socialistas que abominam "o capital financeiro representando os bancos" e nacionalistas que abominam a entrega de patrimônio de nossos pedaços de papel pintado com animais.

Responder
Enrico 07/11/2014 17:02:18

Leandro, Hélio ou alguma boa alma que conheça padrão-ouro em maiores detalhes: como se lida com o ouro e com a prata ao mesmo tempo em transações comerciais?

Eu entendo que pode ser uma moeda única cujo lastro está divido em ouro e prata ao mesmo tempo ou haveria duas moedas separadas, funcionando analogamente ao free banking.

No último caso, não haveria uma relação direta entre o preço do ouro e da prata, sendo assim, um variaria livremente em relação ao outro. Com isso, a moeda não se tornaria algo puramente especulativo ao invés de uma real reserva de valor? Ainda que houve crise em determinados tempos, a razão entre o valor da prata nas últimas quatro décadas variaram, entre a cotação mínima e máxima, 619% (goldprice.org/charts/history/gold_all_data_silver.png).

Bom artigo!

Responder
Henrique 09/11/2014 16:50:44

A questão é que a prata possui praticamente as mesmas propriedades do ouro: estoque finito, difícil extração, o que acaba limitando sua demanda. De certa forma, no longo prazo, quando os estoques de ouro e prata tenderem a se estabilizar, é provável que se estabeleça uma taxa de conversibilidade (espontânea) para ambos e que esse valor passe a não variar muito. Até lá você pode até tentar especular, mas isso não é necessariamente ruim, pois independe da vontade política, depende apenas da natureza. Se alguém apostar que o estoque de prata na verdade é muito menor (ou maior) do que se imagina, pode ganhar com isso, mas é difícil saber.

Então, Enrico, funcionaria exatamente como funciona o câmbio de moedas fiduciárias hoje em dia, nenhum conceito novo. A única diferença é acabar com o poder inflacionário infinito das moedas estatais...

Responder
Enrico 10/11/2014 00:57:26

O que eu estava perguntando era como costumava acontecer durante o padrão-ouro clássico e antes, quando ouro e prata eram as moedas utilizadas oficialmente. Hoje, a questão do câmbio não é tão difícil devido à facilidade que a internet nos trouxe, mas e no passado?

Com duas moedas de preços diferenciados e ambas sendo demonstradas aos mais leigos como moeda "oficial", como a sociedade se comportava? Dividia seus ganhos entre a prata e o ouro? Os vendedores aceitavam ambas ou o ouro para as maiores e a prata para as menores transações?

Não é uma pergunta técnica, é algo relacionado com a história do padrão-ouro que não encontrei em nenhum livro ou enciclopédia.

Responder
Pedro Ivo 10/11/2014 13:10:57

Enrico, há 2 autores dos quais desconfio um bocado, pois escrevem sobre história e a usam para ilustrar e justificar suas teses socialistas, mas como narram eventos históricos, acabam exemplificando os pontos que você quer sobre história do padrão ouro e de outros padrões commodities. Leo Huberman, "Nós, o povo e a epopeia norte-americana" e "História da Riqueza do Homem"; e John Kenneth Galbraith, "Moeda: de onde veio, para onde foi". Os 3 livros tem narrações sobre commodities como moeda, mas não é o assunto primário de nenhum dos livros, então são quase anedóticas estas narrações, mas foram interessantes e úteis quando as li, no início de minhas leituras sobre economia. Não conheço nada na internet que satisfaça sua curiosidade.

Você certamente encontrará livros melhores e mais focados no assunto que perguntou em inglês e francês, mas não sei recomendar nenhum porque nunca li sobre, especificamente, história do relacionamento entre diferentes padrões commodities numa mesma localidade e época.

Responder
Henrique 10/11/2014 17:22:02

Eu acho que é alguma coisa muito difícil de precisar como ocorria, pois deveria variar de local para local.

No geral não havia uma autoridade monetária central responsável pela moeda.

O pouco que sei dessa história remete à Roma antiga, quando o Imperador Dioclesiano tentou inflacionar a moeda adicionando metais mais baratos na cunhagem de moedas de prata. O resultado foi uma inflação alta (para os padrões da época) que durou ao menos 50 anos, pois as pessoas passavam a exigir cada vez mais moedas romanas para aceitar uma troca.

Responder
Roberto 07/11/2014 17:30:50

Excelente artigo.
Só não concordo com a criação de moedas.
Acho que permitir o uso de Real, Dollar, Euro e mais uma ou outra moeda tradicional já seria suficiente.
Acho, particularmente, que criar moeda traria mais confusão e dificuldade para a população.

Responder
Felipe 07/11/2014 18:53:17

Por que limitar?

Quanto mais diversificada a oferta de um bem melhor não é?

É a mesma coisa com a moeda.

Quanto a confusão seria só no começo.

Com o tempo a população se adaptaria, afinal ela já adpatou a todo tipo de política econômica e a uma inflação absurda que durou 15 anos.

Responder
Roberto 08/11/2014 23:49:35

Me ajude, como seria um cenário com uma moeda para casa um dos dez grandes bancos?

Responder
Felipe 09/11/2014 15:31:45

Provavelmente não teria uma moeda para dez bancos.

Mas qualquer um seria livre para aceitar a moeda que bem entendesse, ouro , dólar, real, bitcoin, moedas privadas etc...

Banco poderiam emitir moedas próprias lastreada em alguma mercadoria.

Ex. O bradesco poderia emitir uma nota que equivalesse a 100g de ouro, ou qualquer outra mercadoria que fosse aceita pela maioria e banco achasse mais conveniente.

Então ao receber essa nota você teria a certeza que poderia trocar por 100g de ouro, dando aceitação por essa nota.

Como receberia essa nota? 3 maneiras:

- você deveria depositar ouro e receber essas notas como contrapartida, e assim facilitando a troca para você. Poderia lhe custar um pequena taxa, como forma de pagar o banco pelo serviço (A taxa seria determinada pela concorrência)

- Sua empresa, por achar mais conveniente, pode pagar seu salário com notas do bradesco

- Numa venda alguém poderia te pagar com notas do bradesco.

Repare que nos três casos a aceitação da nota seria da sua parte, logo por algum motivo qualquer, você poderia não aceitar essa nota.

Assim a longo prazo, apenas aqueles que garantissem a estabilidade da moeda seriam aceitos.


Leia este livro, vai te ajudar > www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=57

Responder
Andre Cavalcante 13/11/2014 15:19:00

Como hoje é quase tudo eletrônico e o sistema financeiro é 100% eletrônico - até mesmo o dinheiro e as moedas metálicas nascem depois dos dígitos eletrônicos, a ideia de cada banco ter sua moeda é simplesmente uma nomenclatura no teu extrato bancário. E essa moeda pode muito bem ter uma paridade com uma cesta de moedas internacionais (por exemplo, dólar e euro).

Mas, como tudo são dígitos no computador, é muito provável que você tivesse carteiras em dólares, euros, reais, a moeda do banco e até bitcoins. Os encaixes seriam livres para os clientes - talvez os bancos preferissem ter uma quantidade de reservas em determinada moeda, como por exemplo real (para pagar os impostos) e até poderiam estipular um mínimo na conta em reais.

Na padaria da esquina, podes pagar por débito e o banco faz o gerenciamento das contas - se faltar em uma, retira automaticamente da outra (claro, vai te cobrar uma taxa por isso...). Ou poderias usar a moeda que o estabelecimento usa ou ainda, o mais provável, usarias real, como é hoje, assumindo que o governo cobraria os impostos em reais.

Abraços


Responder
IRCR 07/11/2014 17:32:57

Leandro,

Execelente artigo, no entanto esqueceu de falar que o BC aqui no Brasil é apenas um fantoche da CMN, então a primeira medida não seria abolir a CMN e transformar o BC de fato com independencia do governo e de interesses politicos ?

Outra pergunta, no caso de HK que não tem BC, quem que está dirigindo a vultosa expansão de crédito por lá desde 2010 ? seria indiretamente o FED ?

Responder
Leandro 10/11/2014 11:14:25

O CMN é formado pelo presidente do BACEN, pelo Ministro da Fazenda e pelo Ministro do Planejamento. É claro que abolir isso seria ótimo, mas tal abolição não é da competência do presidente do BACEN -- e o objetivo do artigo é mostrar apenas o que o presidente do BACEN pode fazer.

Sobre independência do BC, há muita espuma nesse assunto. Por exemplo, os libertários americanos são rigorosamente contra a independência do Fed, pois a Constituição estipula que é o Congresso quem deve ser o responsável pela política monetária.

Isso pode até fazer algum sentido lá nos EUA; aqui no Brasil, no entanto, seria um desastre. Imagine os deputados do PT e do PSOL apitando as taxas de juros e determinando a impressão de dinheiro? Eu passo.

Em termos práticos, a independência do Bundesbank provou funcionar muito bem, ao passo que a independência do BC da Inglaterra não impediu que o país vivenciasse uma bolha imobiliária.

O problema todo, como já foi exaustivamente repetido por este site, está na capacidade dos bancos em criar crédito do nada e em fazer isso protegidos (e até mesmo estimulados) pelo Banco Central.

O BC ser independente ou não em nada altera a mecânica acima. O debate, portanto, está totalmente desvirtuado.

Sobre Hong Kong, sim; o que determina a expansão do crédito lá é o influxo de dólares americanos.

Grande abraço!

Responder
Pedro Ivo 10/11/2014 13:30:17

Sobre Hong Kong, sim; o que determina a expansão do crédito lá é o influxo de dólares americanos.

O dólar hong-kongolês é gerido por um corrency board em dólares estadunidenses, correto? Então, claro, o que determina a expansão do crédito lá é o influxo de dólares americanos. Mas o renmimbi também deve ter alguma participação nesta dinâmica, suponho.

Leandro, linka algo sobre isto para lermos?

Responder
zanforlin 07/11/2014 17:56:21

Meus caros:

Artigos como esses só fazem aumentar os adeptos dessa Escola.
Ontem, em conversa com um colega, ouvi dele que tem lido os artigos do IMB que lhe envio; que concorda com quase tudo, discorda de um e outro ponto, mas não via sugestões nem estratégias, apenas explicações. Bem, em cerca de 12 minutos (o tempo que durou a carona que lhe dei até sua casa) tentei expor-lhe alguma coisa, a partir da noção de que economia não é ciência exata (praxeologia). Porém, o percurso acabara (como provavelmente acabariam meus argumentos...).
Hoje me deparo com essa pérola! Já enviei o link para 9 pessoas (inclusive para minha mulher, Leandro, que dessa vez receberá endereço para leitura e rosas -amanhã).

Assim se fazem adptos.
Parabéns!
jcz

Responder
Trader Carioca 07/11/2014 18:47:04

Gostaria de dar meus parabéns a toda a equipe que participou da elaboração desse texto.

Como o amigo Zanforlin comentou aqui hoje, artigos que mostram o passo-a-passo, o processo, a estratégia para mudarmos são jóias raras. Ajudam a explicar a leigos os motivos pelos quais precisamos das mudanças e quais ela são.

Continuem o bom trabalho.

Responder
Rafael 07/11/2014 19:54:24

Leandro, li o texto, é basicamente aquilo que o Helio levantou discussão há algum tempo...

Vocês estão propondo um semi-free banking (400 bp de flexibilidade na SELIC e bancos emitindo reais sujeitos à drenagem de reservas)...

Por que não expressamente congelar a base monetária (impedir o BACEN de criar reservas), eliminar totalmente a mesa de open market do BACEN, eliminar a meta SELIC, e trabalhar em prol de um sistema no qual ou o contrato é de depósito com 100% de reservas (subindo o compulsório dos depósitos à vista para 100%) ou é um contrato de empréstimo (zerando o compulsório dos demais depósitos e instituindo um mínimo de um dia para solicitação de resgates)?

Responder
Leandro 07/11/2014 21:08:05

"Por que não expressamente congelar a base monetária (impedir o BACEN de criar reservas), eliminar totalmente a mesa de open market do BACEN, eliminar a meta SELIC, e trabalhar em prol de um sistema no qual ou o contrato é de depósito com 100% de reservas (subindo o compulsório dos depósitos à vista para 100%) ou é um contrato de empréstimo (zerando o compulsório dos demais depósitos e instituindo um mínimo de um dia para solicitação de resgates)?"

Isso está muito além do escopo do desafio que foi feito (releia os 3 primeiros parágrafos), que era o de uma "reforma factível, viável, indolor e sem utopias."

Congelar base monetária e elevar o compulsório para 100% não seria algo simples e indolor. Mais ainda, seria quase utópico.

Por outro lado, essa reforma mais radical que você deseja já foi contemplada exatamente no artigo linkado na primeira frase do segundo parágrafo. Tal artigo contém essa reforma mais radical; o presente artigo contém apenas a reforma factível. Aqui no IMB temos opções para todos os gostos.

Grande abraço!

Responder
Rafael Hotz 08/11/2014 02:39:29

17633 - Recolhimentos obrigatórios de instituições financeiras - Saldo total - u.m.c. (mil) - 371 bi em setembro

1849 - Recolhimentos obrigatórios de instituições financeiras - Recursos à vista em espécie (não remunerados) - 73 bi em setembro

1823 - Meios de pagamento - Depósitos à vista (média nos dias úteis do mês) - u.m.c. (mil) - 156 bi em setembro

Estou falando besteira ou se instituirmos 100% de reservas para os depósitos à vista e 0% de compulsório nos demais, estamos liberando (371 - 73 - 156) bi de liquidez para ser emprestada e multiplicada no sistema?

Não me parece um arrocho monetário, pois liquidez hoje parada no BACEN (com ou sem remuneração) seria emprestada... Mas me corrija se não fizer sentido ou as séries forem erradas.

Responder
Leandro 09/11/2014 13:04:00

Impor compulsório de 100% para depósitos em conta-corrente, e zero para os demais depósitos é inócuo.

Atualmente, os depósitos em poupança já funcionam exatamente como depósitos em conta-corrente (você pode usar cheque ou cartão de débito sobre eles); e há vários depósitos a prazo com liquidez diária (você pode sacar esse dinheiro diretamente em caixas de atendimento automático).

Isso significa que, tão logo seja estabelecido um compulsório de 100% para as contas-corrente, os bancos iriam transferir automaticamente o dinheiro dessas contas para outras contas de compulsório zero (as quais também funcionam como conta-corrente). Sei disso porque já aconteceu comigo: tiraram, sem minha autorização, um dinheiro que eu tinha na conta-poupança (quem tem compulsório) e transferiram para um fundo de investimento de liquidez zero (e compulsório zero).

De resto, vale dizer que o compulsório é um instrumento que, na prática, já se revelou pra lá de inócuo. Tanto é que as principais economias do mundo ou já o aboliram ou o reduziram a valores ínfimos. Na Austrália, na Nova Zelândia, no Canadá, no Reino Unido e na Suécia, ele foi abolido. Na zona do euro, ele é de 1%. Na Suíça, ele é de 2,50%. Veja a lista

aqui.

Explicar por que o compulsório tornou-se inócuo exigiria um artigo à parte, mas é suficiente dizer que eles foram anulados pela própria existência dos Bancos Centrais. A partir do momento em que existe um Banco Central fixando uma taxa de juros e estando disposto a oferecer aos bancos a quantia necessária de reservas para evitar que estes juros subam, a quantidade de reservas compulsórias perde a importância. Afinal, a função do compulsório é justamente restringir os bancos. Porém, tal restrição levaria ou a um aumento dos juros ou a um congelamento geral do crédito. E nenhum BC quer isso. Na prática, portanto, os próprios BCs anulavam a efetividade do compulsório.

Essa monografia do Banco da Inglaterra explica bem por que o compulsório se tornou inócuo.
Grande abraço!

Responder
Ney Candido Fonseca 07/11/2014 20:31:22

só uma duvida: por que usar indices de inflação de preços pra calcular a desvalorização da moeda, e não a quantidade do aumento da oferta monetária no periodo?

a meu ver, a inflação medida desconsidera o aumento da produção como efeito deflacionário, desconsiderando assim, parte da real desvalorização da moeda.

já que não existiu aumento do lastro em contrapartida ao aumento da expansão da moeda (pelo obvio motivo desta não ter lastro), não seria mais correto usar a quantidade de aumento da oferta como base para o calculo, e não apenas os indices de inflação?

[]'s
Ney

Responder
Leandro 07/11/2014 21:08:55

Qualquer um é livre para fazer esse cálculo. Mas aí vai ter de explicar:

1) Qual o agregado monetário que ele vai utilizar (BM, M1, M2, M3, M4)?

2) Por que escolheu esse e não outro?

3) Caso tenha escolhido M2, M3 ou M4, sabe-se que boa parte do aumento desse dinheiro é decorrente dos juros que os bancos pagam sobre várias contas bancárias (depósitos a prazo, letras imobiliárias, letras agrícolas e vários fundos de investimento). Ademais, sabe-se que esse dinheiro não está sendo usado pelo poupador (o dinheiro em minhas aplicações não é por mim gasto, mas seu valor nominal aumenta porque o banco me paga juros). Logo, por que incluir na conta da inflação um aumento nesse dinheiro que não está sendo gasto?

4) Por que usar agregados monetários em vez do crédito? Crédito é um dinheiro que realmente entrou na economia e foi utilizado (ninguém pega empréstimo e deixa o dinheiro parado na conta), ao passo que boa parte dos agregados monetários, como explicado no item 3, representa dinheiro que não necessariamente está sendo gasto. Logo, por que a preferência por um agregado e não pelo aumento no crédito?

Responder
Ed 07/11/2014 21:07:33

Prezados,

aproveitando da temática "Banco Central" algum colega mais esclarecido no tema poderia auxiliar o leigo que vos pergunta? Seguem as dúvidas:

- se nosso BC fosse submetido ao modelo de currency board (tal como o Hong Kong Monetary Authority), iríamos sair de um sistema de reservas fracionárias (ao menos diretamente), não? Isso inibiria as decisões erradas que o BC exerce em nossa economia, correto?

- se nossas reservas internacionais, hoje compostas de títulos da dívida americana fosse paulatinamente convertida em ouro, poderíamos dormir mais tranquilos, não?

Obrigado!

Ed

Responder
Leandro 07/11/2014 21:14:31

"se nosso BC fosse submetido ao modelo de currency board, iríamos sair de um sistema de reservas fracionárias, não? Isso inibiria as decisões erradas que o BC exerce em nossa economia, correto?"

Não. Um Currency Board ortodoxo, justamente por ter exclusivamente a função de trocar dólares por reais, não regulamenta o sistema bancário. Sendo assim, não há nenhuma proibição à prática de reservas fracionárias.

Mas, como já explicado nos artigos sobre Currency Board, esse sistema, por não ser um emprestador de última instância e por depender de reservas internacionais, restringiria automaticamente (e severamente) a expansão do crédito dos bancos.

"se nossas reservas internacionais, hoje compostas de títulos da dívida americana fosse paulatinamente convertida em ouro, poderíamos dormir mais tranquilos, não?"

Não entendi bem qual o ponto. Se a ideia é ancorar o real ao ouro, então sim. Caso contrário, não haveria muita utilidade.

Responder
Ed 08/11/2014 00:13:51

obrigado, Leandro.

Responder
IRCR 08/11/2014 23:52:55

Leandro,

Apenas discordo ao dizer que o debate foi desvirtuado, pois o que adiantaria ter um presidente do BC austriaco, com um BC sob dominio do governo com presidente da republica e ministros keynesianos e marxistas ?
So haveria duas opções, que toda a equipe fosse austriaca de presidente da republica a ministros ou que o BC fosse independente sem a CMN.
Até entendo os libertarios americanos mas o contexto não se encaixa aqui no Brasil, a não ser que vc queira que algum "movimento social" dê palpites na condução economica do pais. Como vc mesmo disse.

Sobre BC independente, não creio que o BOE seja tão ortodoxo como foi o DBB. Corrija-me se estiver errado.

Responder
Leandro 09/11/2014 12:56:15

Prezado IRCR, quando eu disse "desvirtuado", referia-me exclusivamente ao debate sobre independência x autonomia do Banco Central, e não sobre essa questão que você colocou, com a qual concordo totalmente.

Responder
ronaldo 09/11/2014 02:09:16

Fiquei com uma dúvida: é o próprio governo, via BC, que cria inflação?

Responder
Ali Baba 10/11/2014 12:45:20

Você ainda está com essa dúvida?

SIM. É o Governo que gera inflação. Especialmente pq a inflação é uma maneira de se apoderar de recursos da população sem criar ou aumentar impostos.

Então, se você ainda acredita que qualquer governo está lutando contra a inflação, é hora de rever seus conceitos. O governo é o maior interessado nos efeitos da inflação, especialmente pq é o primeiro que se apodera do dinheiro criado.

Bem-vindo ao site... muita coisa para estudar, pelo visto.

Responder
Didi 09/11/2014 19:44:38

Felicitações pelo teor do artigo!

Como sempre discorrem com maestria diversos temas, mas nessa seara econômica/financeira vocês são hors concours.

Trocando em miúdos o Banco Central é o poste que miguela as ações do Tesouro [transformador] que miguela os gatos praticados pelos bancos. Em meio a tanta gambiarra, uma hora dá sobrecarga, entra em curto e em seguida apagão.

Enfatizo: "tente achar um banqueiro supostamente mais bonzinho da categoria e verá que ainda assim presta consultoria pro capeta".

Responder
guilherme 10/11/2014 01:56:52

Olá a todos do Mises. Sou um frequentador assíduo do site e um entusiasta em economia austríaca. No momento estou em uma encruzilhada: decidir qual universidade cursar. Gostaria de saber se alguma faculdade, em especial federal, é menos intervencionista/desenvolvimentista no curso de economia. Já alguns artigos publicados aqui por um professor da UFRJ, o que me deu algumas esperanças quanto a essa universidade em particular.

Responder
Pedro Ivo 10/11/2014 17:19:33

Eu te recomendaria cursar estatística, programação ou engenharia (que são fortes metodologicamente na matemática que você usa para entender economia neoclássica e keynesiana, micro e macroeconomia, econometria e congêneres) e continuar estudando EA e economistas mainstream por fora. Todos os departamentos de economia são prevalentemente mainstream ou marxistas (não vão satisfazer suas inquietações conceituais), e com um curso de estatística, engenharia ou programação você pode disputar empregos com economistas(basta pesquisar um ramo da engenharia que trabalhe com algo análogo ao que você deseja profissionalmente, ou um curso de estatística voltado para as exigências do mercado financeiro, por ex., ou ciências da computação voltado para inteligência artificial - onde você aprenderá, por ex., a automatizar por algorítimos a análise de portfólios e dados de mercado).

Responder
Anarca da floresta 03/12/2014 15:51:24

Quer estar na frente da curva?

Selecione cursos de pensamento lógico básico como[1], pesquise sobre o trivium,
depois vá estudar tópicos matemáticos mais avançados como algebra abstrata, cálculo, topologia e teoria da informação. Procure por MOOCs (coursera, udacity, khan academy, pra citar os mais famosos) e livros no amazon sobre esses tópicos. Tudo isso você pode fazer junto com o estudo em EA.

Depois de uns 6 meses a 1 ano disso, você facilmente pode aprender diversas profissões como analista de mercado, programador, designer de produtos, etc.

Se você deseja uma profissão onde o estado não cartelizou com diplomas o acesso,
evite as universidades como o diabo foge da cruz. São instituições falidas técnica e espiritualmente. Existe acesso gratuito a material de qualidade superior por ordens de grandeza.

[1] https://class.coursera.org/maththink-004

Responder
Renato 11/11/2014 16:54:32

Em outubro de 2013, o Golf chegou ao Brasil importado da Alemanha, custando a partir de R$ 67.990. Hoje, 1 ano depois, o mesmo carro vem do México menos equipado e custa a partir de R$ 75.830,00, ou seja, aumento de 7,800 reais. Como foi possível um carro perder itens e mesmo assim ficar 8 mil reais mais caro em 1 ano mesmo não tendo mais que pagar os 35% de imposto de importação? Tem a impressão digital do BC na cena do crime?
Segue a notícia abaixo:
carros.ig.com.br/noticias/volkswagen+golf+mexicano+chega+mais+caro+e+sem+itens/8188.html

Responder
Leandro 02/12/2014 19:03:42

A desvalorização da moeda conta muito, sem dúvida. Mas há outros fatores.

Há todo um salseiro com o IPI que foi explicado com mais detalhes aqui:

Sobre os preços dos carros no Brasil

Responder
Renato 03/12/2014 14:35:04

Ai Leandro, o cenário realmente tá feio. Quando mandei o comentário, o carro custava a partir de 69.510 (comfortiline), e ontem ao abrir esse site....novo aumento! Já está custando 70.500.
Tá difícil...
www.noticiasautomotivas.com.br/novo-golf-agora-esta-custando-a-partir-de-r-70-500/

Responder
Leandro 03/12/2014 15:26:51

Só nesse período, o dólar foi de R$2,50 pra R$2,60. Pode se preparar, pois vai encarecer mais caso a desvalorização da moeda continue.

Responder
Luis 12/11/2014 01:38:35

Excelente artigo. Só faltou incluir no plano a proibição ou definição de um teto para dar liquidez aos títulos publicos.

Responder
Pedro Ivo 13/11/2014 16:09:36

"Tem a impressão digital do BC na cena do crime?" hehehe! 'Digital do BC' e 'cena do crime' na mesma frase é pleonasmo

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 15/11/2014 12:36:10


Tecnicamente é viável, o entrave são os grupos de interesse que não querem ter seu poder diminuído e a maioria acomodada com a situação e/ou que não conhece a alternativa.

* * *

Responder
Thiago Teixeira 04/08/2015 13:26:39

Bom Dia.
Leandro, gostaria da sua opinião sobre as seguintes sugestões:

1) Fazer o BACEN para de atuar na SELIC, e passar a atuar no redesconto

2) Proibir as reservas fracionárias, mas abolir também o compulsório (para qualquer tipo de depósito sacável à vista). O dinheiro fica no banco, o BACEN passa a apenas auditar.

Responder
Leandro 04/08/2015 15:13:00

1) www.mises.org.br/Article.aspx?id=2155&comments=true#ac147219

2) Não vejo muito sentido nisso.

Responder
JP 17/02/2016 17:26:05

Quando pesquiso sobre teorias conspiratórias sempre vejo relações com o FED criado em 1913. Agora, ao entrar em contato com a EA fico satisfeito por haver uma teoria muito mais racional e viável, até porque os documentários não entram no aspecto científico-econômico dos Bancos Centrais. Sugiro que o IMB realizem documentários sobre os aspectos mais importantes da EA como este relacionado aos Bancos Centrais e Ciclos Econômicos e não se limitem apenas aos artigos.

Responder

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