clube   |   doar   |   idiomas
A OMC e os acordos de “livre” comércio

Dentre as várias notícias oriundas de todas as partes do mundo sobre recessão, novos bombardeios aéreos, tentativas de secessão e mudanças climáticas, a questão do comércio internacional — o qual, em 2008, passou pela maior crise da sua história — tem estado majoritariamente fora do radar. 

No entanto, essa ausência de debate não deve gerar nenhuma preocupação, pois, segundo nos dizem, a Organização Mundial do Comércio — o mais proeminente órgão global na promoção do comércio multilateral, dirigida pelo brasileiro Roberto Azevêdo — permanece atenta e vigilante, e está otimista de que os esforços para a liberalização do comércio gerarão frutos no futuro próximo.

Lamentavelmente, o otimismo da OMC não se justifica: a Rodada de Doha, que começou em 2001 e que tinha o intuito de discutir a ampliação do livre comércio mundial, não se concretizou após longos 13 anos, e não há êxito nenhum a ser mostrado.

Procurando atender às preocupações e exigências dos países menos desenvolvidos em relação à liberalização do comércio, a Rodada de Doha deveria culminar em 2005 com um novo acordo comercial.  O acordo deveria envolver uma redução nas tarifas de importação sobre commodities e sobre serviços, bem como um novo arcabouço internacional para os direitos de propriedade intelectual. 

Porém, tão logo as negociações começaram, tanto os governos dos principais países em desenvolvimento — Índia, Brasil, China e África do Sul — quanto organizações não-governamentais (ONGs) reclamaram que tais acordos internacionais impediriam que seus respectivos governos adotassem políticas protecionistas para blindar seus setores e suas indústrias (supostamente ainda em desenvolvimento), bem como dificultariam a regulação de serviços financeiros.

Após o fracasso da Conferência Ministerial de Cancun em 2004, os defensores dos acordos internacionais começaram a se preocupar com a hipótese de que Doha não fosse completada dentro do seu prazo original.  Ainda assim, mantiveram as esperanças de que as negociações continuariam.  No entanto, as negociações chegaram a um impasse em 2006, 2009 e 2011, majoritariamente por causa de discordâncias sobre as políticas agrícolas.  Os EUA e a União Europeia chegaram até mesmo a revogar acordos firmados anteriormente sobre uma redução aos seus subsídios agrícolas e às suas exportações, argumentando que não queriam enfraquecer suas posições de barganha na Rodada.

Desde então, tentativas de reconciliar divergências entre os países foram em vão. 

No entanto, em dezembro de 2013, novos ventos pareciam empurrar a Rodada de Doha para direções mais favoráveis.  A Conferência Ministerial de Bali, a qual foi concluída com a assinatura de um pacote de acordos sobre o recolhimento de tarifas alfandegárias e com a divulgação de uma agenda de desenvolvimento, foi proclamada como tendo "alcançado aquilo que muitos acreditavam ser impossível": fez com que todos os 160 membros da OMC concordassem pela primeira vez em doze anos. 

Porém, ainda que o pacote de Bali não tivesse muito a ver com livre comércio — o acordo facilitava o recolhimento, mas não a redução, de tarifas alfandegárias —, o acordo, até de julho de 2014, ainda não foi assinado por todos os membros.  A Índia vetou a ratificação do acordo para ganhar mais poder de barganha para seu programa de subsídios aos seus alimentos domésticos.  A Reuters anunciou que "os diplomatas em Genebra se disseram 'estupefatos', 'atônitos', 'decepcionados', e descreveram a posição da Índia como 'suicida' e típica de quem quer 'fazer reféns'."

O fato é que ninguém, muito menos articulistas econômicos, deveria se surpreender com esse impasse.  Ele é da própria essência da Organização Mundial do Comércio. 

O que é a OMC

Entender a OMC requer uma percepção um tanto contra-intuitiva: embora a entidade se diga uma proponente do livre comércio, ela na realidade representa a maior ameaça ao livre comércio. 

Como todas as burocracias, a OMC está majoritariamente preocupada em expandir seus poderes e sua jurisdição, o que significa que ela não tem nenhuma objeção em fazer do comércio internacional um veículo para a imposição de "direitos trabalhistas" universais e de regulamentações ambientalistas paralisantes.  A simples ideia do livre comércio clássico, o qual não requer nenhum controle centralizado, é a verdadeira vítima da OMC.

A OMC não passa de uma assembléia de governos que, por meio de seus burocratas representantes, brigam entre si para ver quem irá efetivamente controlar os formidáveis poderes da entidade e, com isso, intermediar contendas comerciais e impor sanções.  Todos os países membros — tanto os desenvolvidos quanto os em desenvolvimento — querem o poder de nomear juízes que irão burlar as regras em benefício de suas próprias indústrias e contra os concorrentes externos.

Neste cenário, quaisquer promessas sobre "abrir as fronteiras para o comércio internacional" são meras palavras ao vento.  Um genuíno livre comércio e uma genuína concorrência externa iriam solapar o poder dos grandes empresários que fazem lobby para que os burocratas da OMC defendam seus interesses.  Um genuíno livre comércio e uma genuína concorrência externa iriam driblar e abolir toda essa estrutura de intervenção governamental.

Um genuíno livre comércio

O livre comércio não requer tratados. Tudo o que ele necessita é que se removam (unilateral ou multilateralmente) todas as barreiras artificiais ao comércio: a Inglaterra fez isso em meados do século XIX, Hong Kong o fez em meados do século XX.  Para se ter uma ideia, em 1879, a Constituição dos Estados Unidos usou apenas 54 palavras para estabelecer o livre comércio entre os estados. Já o NAFTA, o acordo de "livre" comércio entre o Canadá, o México e os EUA tem duas mil páginas, novecentas das quais se referem unicamente a tarifas.

O tamanho mastodôntico desses acordos de comércio, com suas miríades de estipulações e controles — tais como regras sobre a origem e a correspondente inspeção de produtos, exigências de verificação, e a interferência em assuntos soberanos, como leis trabalhistas — desvirtuam completamente seu nome.

Acordos de comércio vêm sempre cheios da palavra "exceção".  Aqueles que sabem manusear suas influências políticas por meio de grupos de interesses sempre recorrem a "favores" para se protegerem da concorrência externa.  Em vez de livre comércio, o que esses acordos criam é um sistema de comércio dirigido e manipulado, além de — como era de se esperar — muitos, caros e inúteis empregos para burocratas, empregos estes que só servem para destruir a riqueza dos países envolvidos.

Supervisionar e controlar o comércio entre dois países faz tanto sentido econômico quanto supervisionar e controlar o comércio entre os estados de um mesmo país.

Acordos comerciais têm também outras implicações prejudiciais.  Eles discriminam importações de baixo custo de países que não fazem parte do tratado.  O comércio com estes países é ignorado em prol de fornecedores que, apesar de serem mais caros, gozam de isenções fiscais, pois pertencem a países signatários do acordo.  E parte da receita tributária de que o governo abriu mão por causa do uso de isenções tarifárias acaba se transformando em renda para o bolso do fornecedor privilegiado.

Políticos que falam em livre comércio estão iludindo o eleitorado.  Várias indústrias de seus respectivos países entrariam em colapso caso as importações estrangeiras fossem totalmente liberadas. 

Qualquer indivíduo que realmente tenha a paciência de ler, na íntegra, os acordos comerciais atuais não se surpreenderia em descobrir que eles se concentram cada vez menos na redução das tarifas de importação e cada vez mais no "desenvolvimento da indústria nacional", na promoção de exportações, e na afirmação de uma política doméstica.  Seu verdadeiro propósito — um protecionismo discreto — é ocultado por termos vagos como "comércio mais livre e mais justo", "liberalização gradual", "concessões recíprocas" e "pacotes de desenvolvimento".

No entanto, os benefícios do comércio internacional não estão na moderação e no grau de reciprocidade.  Uma genuína política de livre comércio seria a abolição de toda e qualquer barreira comercial, e esse deve ser o objetivo unilateral de todo e qualquer país.  Se os mercados fossem libertos da mão pesada dos governos, o livre comércio internacional seria o resultado automático e inevitável.

Até o início do século XX, o comércio entre as nações funcionava sem a intervenção de um organismo legalmente nomeado para ser o arbitrador dos termos do comércio.  É verdade que, em algumas ocasiões, os governos impunham pesadas restrições às importações e às exportações, mas as contendas eram majoritariamente solucionadas pelos próprios agentes envolvidos na transação.  A Lex mercatoria regulava os contratos, ao passo que confiança, reputação e soberania do consumidor eram as forças autônomas que mantinham todos honestos.

A grande constatação dos liberais clássicos britânicos foi justamente a de que o comércio não precisava ser controlado nem domesticamente e nem internacionalmente.  Consumidores e produtores, independentemente de em que país viviam, eram capazes de negociar seus próprios acordos, ao passo que tarifas e outras barreiras comerciais não apenas prejudicavam os produtivos e eficientes, como beneficiavam apenas os incompetentes.  Por isso, os liberais clássicos defendiam a eliminação de todas as restrições sobre o comércio, e se opunham a todo e qualquer tipo de gerenciamento governamental do comércio.

Mas os governos não gostam desse sistema justamente porque ele os deixa de fora do esquema.  É por isso que, desde o início do século XX, os governos se organizaram para criar uma estrutura internacional para gerenciar o comércio global.

Conclusão

A economia mundial está hoje mais integrada do que jamais esteve, e a isso devemos uma grande parte de nossa atual prosperidade.  Ao mesmo tempo, o comércio mundial nunca esteve tão politizado. 

Nunca antes na história do mundo os sindicatos, os ambientalistas e os reformistas sociais tiveram o poder que têm hoje para impor sua agenda sobre o comércio internacional.  Nunca antes os governos protecionistas — e os EUA são um dos principais — tiveram tamanho acesso ao litígio e à intervenção.  Nunca antes uma economia em desenvolvimento como a China teve de se rastejar perante um cartel de governos apenas para ser admitida no arranjo do comércio mundial.

A OMC, assim como qualquer organismo burocrático global, não é nenhuma aliada de uma ordem econômica internacional genuinamente liberal.  Há uma inerente incompatibilidade entre livre comércio e um crescente controle governamental sobre o comércio.  Quanto mais um país se envolve com organismos internacionais voltados para a "promoção" do livre comércio, mais ele se fecha ao comércio estrangeiro.

Apenas duas coisas são necessárias para que haja um genuíno livre comércio: um sistema monetário sólido e total liberdade de empreendedorismo.

Por isso, uma genuína política de livre comércio deve começar pela abolição da OMC.

______________________________

Leia também:

A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro 

_________________________________

Participaram deste artigo:

Lew Rockwell, chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State

Carmen Dorobat, pós-doutoranda em economia na Universidade de Angers e professora na Bucharest Academy of Economic Studies.

Manuel Ayau, (1925 — 2010), foi acadêmico, intelectual e empresário da Guatemala.  Era engenheiro mecânico e foi o fundador do Centro de Estudios Económico-Sociales (CEES), da Universidad Francisco Marroquín e de outras instituições dedicadas à difusão do liberalismo clássico.


0 votos

autor

Diversos Autores

  • Lopes  08/10/2014 14:50
    Excelente timing. Há poucas semanas, discutia exatamente sobre a OMC na sessão de comentários.
  • anonimo  08/10/2014 15:43
    E se um país simplesmente sai da OMC? O que acontece?
  • Silvio  08/10/2014 15:49
    Ele se desenvolve.
  • Rafael (mais um)  08/10/2014 16:53
    Rs, ótima resposta.
  • Daniel costa  08/10/2014 17:19
    ótimo artigo sobre a OMC. Alguém conhece algum artigo similar e esclarecedor sobre a ONU?
  • Pedro Ivo  09/10/2014 20:30
    Leia qualquer texto panfletário sobre sobre a ONU, inverta o sentido dos elogios; se houver críticas veja quais as reformas que estas propõe e inverta o sentido de tais aperfeiçoamentos; e pronto, você leu um texto esclarecedor sobre a ONU
  • Daniel costa  13/10/2014 14:49
    Ok Pedro, vou tentar.
  • Henrique  08/10/2014 17:21
    Gostaria que perguntassem a uma mãe que passa fome junto com seus filhos em baixo de uma ponte o que ela acha do capitalismo e do livre mercado...
  • Leandro  08/10/2014 18:17
    Ela certamente nem saberia do que se trata, pois, se ela é pobre a ponto de passar fome e morar embaixo da ponte, então é certeza absoluta de que ela mora em um país de economia estatizada, como o Brasil. Nesse cenário, coisas como livre mercado e capitalismo são mais fictícios do que um petista decente.

    Por outro lado, se ela morasse em um país de economia liberal, você iria, na pior das hipóteses, encontrá-la em algum abrigo para pobres, tomando sopa. E só se ela quisesse. Se ela morasse na Suíça, ela já teria encontrado algum emprego como doméstica ou lavadeira.

    Portanto, quando você vir uma pessoa nessas condições aqui no Brasil, faça a ela a seguinte abordagem:

    1) A senhora sabe quem é que, ao estimular o setor bancário a expandir o crédito -- e, com isso, fazer com que a inflação de preços se mantenha continuamente alta --, aniquila o seu poder de compra?

    2) A senhora sabe quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga a senhora para debaixo da ponte?

    3) A senhora sabe quem é que, ao desvalorizar a moeda e a taxa de câmbio, impede que a senhora possa utilizar o seu já escasso poder de compra para adquirir produtos essenciais baratos e importados?

    4) A senhora sabe quem é que, além de desvalorizar a moeda, a taxa de câmbio e gerar inflação de preços, ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial -- e, com isso, impede duplamente que a senhora possa adquirir produtos essenciais baratos do exterior?

    5) A senhora sabe quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da sua escassa renda?

    6) A senhora sabe quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente a senhora?
    7) A senhora sabe quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente a mão-de-obra e, com isso, impede que a senhora encontre algum emprego a um salário razoável?

    8) A senhora sabe quem é que, por meio destes encargos sociais e trabalhistas, empurra a senhora para a informalidade, e dali para a cadeia?


    Aí, após você fornecer a ela as respostas para as perguntas acima (dica: a resposta é a mesma para todas elas), pergunte a si próprio por que a solução que você advoga é dar ainda mais poderes legiferantes à entidade que criou essa calamidade.
  • Enrico  08/10/2014 19:47
    O único argumento pior do que esse é o do supremo e exclusivo conhecimento governamental para construir estradas.

    Leandro, nem é necessário tanta pergunta. Apenas pense, Henrique, que as coisas não surgem do nada. O homem é pobre por natureza. Nem a própria ponte é algo que existe naturalmente. Quando a humanidade surgiu, não havia farta alimentação, residências, trajes, escolas, hospitais, entre outros.

    O livre mercado (lembre-se de que ele não é uma instituição, mas apenas um processo descentralizado envolvendo pessoas e seus conhecimentos e desejos) não está impedindo essa senhora de alimentar-se ou alojar-se em um local adequado.

    Simplesmente ninguém está trabalhando para produzir alimentos e residências sem nada em troca, afinal ninguém é escravo. Preços não existem por crueldade para impedir que as pessoas adquiram bens, como muitos de vocês vermelhos pensam, mas apenas para constatar um fato da natureza: recursos são escassos e a distribuição deles não será eficientemente feita de modo centralizado (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1915, www.mises.org.br/Article.aspx?id=1386 e www.mises.org.br/Article.aspx?id=1141).

    Se você quiser realmente ajudar os pobres, abra este site na data de hoje e acesse o artigo de ontem, além de recomendar a leitura básica de "As Seis Lições".
  • Henrique  08/10/2014 18:38
    1) e quanto aos milhões de miseráveis estadunidenses, o que acham de viver no império neoliberal?

    2) o governo está lutando para valorizar o real, coisa que o candidato neoliberal tucano quer que flutue

    3) se perguntássemos a essa mulher se ela gostaria de viver em um país com impostos baixos como a Bolívia ou o Paraguai, ou em um país como a Noruega, o que acha que ela iria dizer?
  • Leandro  08/10/2014 19:33
    Não respondeu ao meu desafio e já partiu pra outras perguntas. Beleza, é assim mesmo. Não dava pra esperar outra coisa de uma MAV.

    Mas vamos lá; prossigamos nesta tarefa hercúlea da educação gratuita.

    "1) e quanto aos milhões de miseráveis estadunidenses, o que acham de viver no império neoliberal?"

    Ué, pergunta pra um miserável "estadunidense", que normalmente tem um carro, recebe polpudos food stamps, e tem um seguro-desemprego generoso. Não me consta que esse pessoal esteja fugindo para Havana...

    "2) o governo está lutando para valorizar o real, coisa que o candidato neoliberal tucano quer que flutue"

    Não faço a mínima ideia do que seja um "candidato neoliberal tucano" (é uma ave ou indígena?). Muito menos sei o que tal espécie.

    Mas sei que o dólar foi de R$1,54 para R$2,50. Parece que a "luta" do governo para valorizar um real está sendo um retumbante fracasso.

    "3) se perguntássemos a essa mulher se ela gostaria de viver em um país com impostos baixos como a Bolívia ou o Paraguai, ou em um país como a Noruega, o que acha que ela iria dizer?"

    Certamente que na Noruega, que é um país rico e de economia desregulamentada e desburocratizada, ao passo que Bolívia e Paraguai são pobres e de economias regulamentadas e burocratizadas.

    Mais sobre o assunto:

    Tributação X Regulamentação - O que é pior?

    O milagre norueguês
  • Henrique  08/10/2014 19:34
    Aliás, se o governo não proteger a indústria nacional, como que milhões de desempregados vão importar produtos baratos?
  • Leandro  08/10/2014 19:43
    Trabalhando em outros setores -- serviços e comércios -- e utilizando uma moeda forte, a qual pode ser perfeitamente fornecida por um Banco Central minimamente competente (o que não é o caso deste atual).

    Tudo isso foi explicado em detalhes no link ao final do artigo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1131

    E também aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1933

    E também aqui:

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=284
  • Ricardo  09/10/2014 03:16
    Leandro parabéns pelas brilhantes respostas.
  • J. Rodrigues  09/10/2014 01:31
    E por que a indústria nacional tem que ser protegida? Ela é vulnerável? É um bebê incompetente? E se a indústria nacional for protegida quem ficarão desprotegidos serão os consumidores. E assim sendo os consumidores terão de se conformar com o que a indústria nacional incompetente, que por sinal continuará incompetente, produzir e me oferecer pelo preço que estipular? E que direito tem alguém igual a mim de me proibir de comprar o que eu quiser desde que seja com os meus recursos? Ou você esta querendo dizer que toda a produção de bens deve ser decidida e feita pelo estado que é manejado por um governo que é composto por pessoas que eu não considero melhores do que eu para decidirem por mim? Se for isso você está querendo uma república de Platão e se acha o filósofo.
  • Guilherme  08/10/2014 19:35
    Putz! Esqueceram a tampa do esgoto aberta e esses MAVs petistas já vieram aqui encher o saco! Olhos neles, moderação!
  • Moderador  08/10/2014 19:43
    Não mais passarão.
  • Pierre  08/10/2014 20:30
    Ah, estava tão divertido assistir a surra intelectual que o Henrique esquerdopata estava levando...
  • Henrique  08/10/2014 21:19
    Leandro, continuando o debate em alto nível, gostaria de linkar este artigo:
    professormoroni.blogspot.com.br/2014/06/10-fatos-sobre-o-modelo-nordico.html

    Ele fala sobre o modelo nórdico e diz que não é verdade que tem uma economia liberal.

    A respeito da liberdade econômica na Noruega:
    "4) Mas e o Índice de Liberdade Econômica? Bem, primeiro temos que entender que o conceito de Liberdade Econômica é muito mais amplo do que simplesmente o liberou geral que muitos pensam. Curiosamente não é esse índice que diz se o país é mais socialdemocrata ou se o mercado reina absoluto em seu país, por exemplo o Canadá com seu Welfare State bem consolidado é tido pelo índice como tendo maior liberdade econômica do que os Estados Unidos da América com sua tradicional repulsa a tudo que lembre socialismo e com forte paixão dos liberais pelo mundo. Pasme até a questão de corrupção entra na Liberdade Econômica, ou seja existem várias formas de um país não tão liberal assim ter mais pontos neste índice do que um país com políticas mais liberais."

    O que acha?
  • Leandro  09/10/2014 20:22
    Não tem nada aí, nem sequer um esboço de refutação. O autor simplesmente deu sua opinião sobre um ranking que mensura liberdade econômica. Só. Isso não constitui refutação nenhuma de nada. É o equivalente a eu querer criticar o governo do PT dizendo que o atual modelo do Brasileirão é chato. Qual a lógica?

    De resto, ao menos leu algum artigo que foi sugerido? Pela rapidez de suas respostas, não deu tempo, o que significa que estou perdendo tempo aqui.
  • Henrique  10/10/2014 12:29
    Vamos então continuar o debate para esclarecimento e sem ofensas pessoais.

    Respondendo às suas perguntas na primeira resposta

    1) O governo estimulando o setor bancário estimula o consumo e geração de empregos, o que beneficia o trabalhador. A respeito da inflação, a ganância dos empresários não é responsável, também?

    2) Pode encarecer o preço das moradias, mas de outro modo os mais pobres seriam condenados ao aluguel eternamente. Agora são os proprietários dos imóveis quando o financiamento termina.

    3) Ao desvalorizar a moeda o governo impede que empregos brasileiros sejam exportados para a China além de aumentar nossas exportações, gerando renda e emprego.

    4) Ao impor tarifas, o governo protege a indústria brasileira contra o dumping e outras práticas desleais de concorrência.

    5) Graças aos tributos do governo essa senhora pode ter acesso ao SUS. Antes que me diga que o serviço tem algumas deficiências, como essa senhora iria pagar tratamento de qualidade no Albert Einstein?

    6) Com as agências reguladoras o governo impede que as empresas formem cartel e pratiquem preços abusivos

    7) Ao cobrar encargos trabalhistas, o governo assegura aposentadoria, fundo de garantia por tempo de serviço, caso o trabalhador precise etc.

    8) Sem essa legislação trabalhista, que vocês, por desconhecimento, tanto odeiam, o trabalhador enfrentaria uma jornada de trabalho de 12 horas diárias para ganhar uma merreca. Veja como era as condições dos trabalhadores durante a revolução industrial.

    Por fim, será que é melhor para o trabalhador esta ideologia neoliberal estadunidense, materializada no consenso de Washington, ou é melhor para a burguesia não ter que arcar com impostos revertidos a tratamento de saúde dos pobres, não poder impor condições abusivas de trabalho etc?
  • Leandro  10/10/2014 16:32
    "1) O governo estimulando o setor bancário estimula o consumo e geração de empregos, o que beneficia o trabalhador.

    Devo começar chamando a atenção para esse delicioso comportamento binário da esquerda. Bancos são o demônio e jamais devem ser ajudados -- exceto se quem estiver no comando for um governo de esquerda. Aí os bancos repentinamente se tornam lindos e maravilhosos.

    Quando fizeram o PROER e o PROES, os petistas foram os primeiros a vociferar contra. No entanto, tão logo receberam os bancos saneados -- e sem tal saneamento simplesmente seria impossível a atual expansão do crédito --, passaram a defender com total desassombro esses mesmos bancos que antes criticavam. E hoje são seus entusiastas inflexíveis. É legal isso.

    De resto, bancos estimulam sim o consumo e a geração de empregos (como explicado em detalhes neste artigo), mas fazem isso por meio da criação de dívidas (expansão do crédito).

    Mais ainda: essa expansão do crédito -- que nada mais é do que a criação de dinheiro -- estimula a carestia, que é o que mais aniquila o poder de compra dos trabalhadores.

    É curioso ver um cara de esquerda ignorando o papel dos bancos na criação da carestia.

    "A respeito da inflação, a ganância dos empresários não é responsável, também?"

    Aí você já se contradiz. Em primeiro lugar, é legal notar que apenas empresários são gananciosos, né? Ninguém mais é ganancioso. Sindicalista não é ganancioso. Políticos não são gananciosos. Funcionários públicos não são gananciosos. Nenhum trabalhador é ganancioso. Você não é ganancioso (deve trabalhar em troca de um salário de subsistência, suponho). Só empresários é que são gananciosos.

    De resto, há dois fatores que permitem que empresários aumentem os preços continuamente: a expansão do crédito que você defende (o que aumenta a quantidade de dinheiro na economia, permitindo assim uma contínua elevação de preços), e a inexistência de concorrência em mercados que foram cartelizados pelo governo e por suas agências reguladoras, como vermos mais abaixo.

    "2) Pode encarecer o preço das moradias, mas de outro modo os mais pobres seriam condenados ao aluguel eternamente. Agora são os proprietários dos imóveis quando o financiamento termina."

    Ué, e a dívida bancária que os pobres contraem? Eles agora ficarão devendo para os bancos por pelo menos 30 anos. E se atrasarem o pagamento da dívida, terão seu imóvel arrestado.

    Quer dizer então que, em vez de um aluguel a preços estáveis, você prefere imóveis cada vez mais caros e dívidas impagáveis? Onde está a sua consciência social?

    É curioso ver a esquerda defendendo agora a escravidão da dívida perante os bancos. Mas é claro que tal postura mudará tão logo entre outro partido na presidência.

    "3) Ao desvalorizar a moeda o governo impede que empregos brasileiros sejam exportados para a China além de aumentar nossas exportações, gerando renda e emprego."

    Nova contradição. Em primeiro lugar, aqui você faz uma defesa explícita de uma política que privilegia a FIESP e a renda do baronato industrial. Legal.

    De resto, dizer uma moeda desvalorizada "gera renda" é tão contraditório quanto dizer que a força da gravidade faz um avião subir.

    Noto também que você nada disse sobre o fato de o encarecimento das importações privar os mais pobres da capacidade de comprar bens mais baratos e de maior qualidade do exterior. Você preferiu defender apenas a FIESP e os sindicatos.

    E de novo: todo esse assunto foi abordado em detalhes nos três links abaixo, os quais você ignorou. Impossível debater se um dos lados que ignorar totalmente os argumentos do outro.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1131

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1933

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=284

    "4) Ao impor tarifas, o governo protege a indústria brasileira contra o dumping e outras práticas desleais de concorrência."

    De novo: defesa desbragada dos interesses exclusivos do grande baronato industrial. Os pobres -- que você jurava ser sua preocupação -- foram pro espaço.

    "5) Graças aos tributos do governo essa senhora pode ter acesso ao SUS. Antes que me diga que o serviço tem algumas deficiências, como essa senhora iria pagar tratamento de qualidade no Albert Einstein?"

    Você está vivendo em uma realidade paralela. A própria esquerda é a primeira a dizer que é justamente sobre os pobres que recaem a maior fatia da carga tributária, e isso é verdade.

    Portanto, é justamente essa senhora quem está pagando pelos péssimos serviços do SUS. Ela não está recebendo nada de graça. Ela está pagando por isso. Já o rico paga o Albert Einstein (e também o SUS via impostos).

    Portanto, ambos pagam, mas você estranhamente diz que quem está se beneficiando é a senhora.

    Quer soluções para a saúde pública. Leia os dois artigos abaixo (o que sei que você não vai fazer):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=105

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=923

    E leia também esta compilação sobre saúde.


    "6) Com as agências reguladoras o governo impede que as empresas formem cartel e pratiquem preços abusivos"

    Nova realidade paralela.

    São justamente as agências reguladoras que cartelizam o mercado e possibilitam que grandes empresas possam cobras preços acima dos de mercado e oferecer serviços de baixa qualidade.

    Em teoria, agências reguladoras existem para proteger o consumidor. Na prática, elas protegem as empresas dos consumidores. Por um lado, as agências reguladoras estipulam preços e especificam os serviços que as empresas reguladas devem ofertar. Por outro, elas protegem as empresas reguladas ao restringir a entrada de novas empresas neste mercado.

    No final, agências reguladoras nada mais são do que um aparato burocrático que tem a missão de cartelizar os setores regulados — formados pelas empresas favoritas do governo —, determinando quem pode e quem não pode entrar no mercado, e especificando quais serviços as empresas escolhidas podem ou não ofertar, impedindo desta maneira que haja qualquer "perigo" de livre concorrência.

    Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Pedir que o estado atue para acabar com cartéis é o mesmo que pedir para o gato tomar conta do pires de leite.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    E quando não era assim, o que ocorria? Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    Outros artigos obrigatórios para você sair deste perigoso autoengano:

    Sobre as privatizações (Parte 1)

    Sobre as privatizações (final)

    Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui

    Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

    Os reais beneficiados por um capitalismo regulado

    Tributação X Regulamentação - O que é pior?

    Aeroportos + governo = caos

    A bem-sucedida regulação privada

    Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas

    Legislações antitruste e agências reguladoras não podem existir em uma sociedade livre

    A Guatemala e seu exemplo de privatização

    As parcerias público-privadas - a porta de entrada para o socialismo

    Seria o liberalismo uma ideologia a serviço de empresários?

    Sobre as reformas "neoliberais" na América Latina e por que elas fracassaram

    Grandes empresas odeiam o livre mercado

    "7) Ao cobrar encargos trabalhistas, o governo assegura aposentadoria, fundo de garantia por tempo de serviço, caso o trabalhador precise etc."

    Correção: ao cobrar encargos trabalhistas o governo impede que os salários possam ser maiores, desta forma fazendo com que os proventos dos pobres esteja sempre abaixo do que seria em um livre mercado.

    Aqui um artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1945

    "8) Sem essa legislação trabalhista, que vocês, por desconhecimento, tanto odeiam, o trabalhador enfrentaria uma jornada de trabalho de 12 horas diárias para ganhar uma merreca. Veja como era as condições dos trabalhadores durante a revolução industrial."

    Em primeiro lugar, o cúmulo ignorância é querer comparar as condições de hoje com as condições de 350 anos atrás. É o óbvio ululante que, sob esse prisma, a época atual é um paraíso comparado àquela época.

    Esquerdista tem esse grave problema de lógica. Ele acha que a economia é uma coisa estática, e que o mundo hoje só não é igual ao de 350 anos atrás por causa das legislações do governo.

    Realmente, para quem está acostumado com todas as comodidades e confortos do século XXI, é claro que as condições de vida do século XIX pareciam "sub-humanas".

    Mas a questão é: a qualidade de vida dos trabalhadores no XIX era melhor ou pior do que era no século XVIII? As coisas evoluíram ou pioraram? No século XVIII, as pessoas viviam melhor do que no século XIX? A comparação tem de ser esta.

    Falar que a qualidade de vida era ruim no século XIX tendo por base o século XXI, e daí tirar conclusões, é coisa de vigarista intelectual. O sujeito está ignorando toda a acumulação de capital que ocorreu ao logo desses dois séculos. Era simplesmente impossível ter no século XIX a qualidade de vida que usufruímos hoje no século XXI. Naquela época, não havia a mesma acumulação de capital que temos hoje. A produtividade era menor, os investimentos eram menores, a quantidade e a variedade de bens e serviços eram menores. Era impossível ter naquela época a mesma quantidade de comodidades que temos hoje.

    De resto, sobre quem realmente melhorou a vida das pessoas, sugiro os artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1421

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1153

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1139

    Por outro lado, se você quer acreditar as legislações trabalhistas foram as únicas responsáveis por todos esses benefícios, beleza. Mas lembre-se que não há almoço grátis. Se elas geraram todos esses bônus, então, por definição, elas também geraram ônus. E os ônus são exatamente aqueles descritos no link do item 7.

    "Por fim, será que é melhor para o trabalhador esta ideologia neoliberal estadunidense, materializada no consenso de Washington,[...]"

    Oh, boy... Vou parar por aqui. Sinto-me em um museu.
  • Pierre  10/10/2014 18:09
    Caramba. O Leandro simplesmente desmontou o tal do Henrique.

    Mas o que é triste disso tudo é que, mesmo assim, duvido que o sujeito vá aprender alguma coisa. A ideologia e os velhos chavões de sempre parecem ter tornado o rapaz impermeável à razão.
  • Ricardo  10/10/2014 19:57
  • Jeferson  08/10/2014 20:45
    Deixa eles. São uma ótima fonte de oportunidade de resposta a perguntas de cidadãos comuns que vêm ler a seção de comentários. O tiro deles acaba saindo pela culatra.
  • Fernando R Sousa  09/10/2014 13:29
    Seria bom deixar alguns comentarios, de forma didatica os proximos paraquedistas talvez aprenderiam algo...
  • Pedro Ivo  09/10/2014 20:46
    Pele paciência e abnegação, Leandro para canonização. Santo Padroeiro dos Ignorantes Bem Intencionados. (hehe! Não me entenda mal Leandro. Foi um elogio por vias oblíquas)
  • J. Rodrigues  10/10/2014 12:13
    Bem, agora a coisa fedeu mesmo. Se com essa argumentação fui comparado a um MAV petista saído do esgoto então a coisa está feia mesmo. Não há necessidade de apelar ao moderador, eu me retiro solenemente devido ao meu baixo nível. Continuarei só lendo e pagando mina contribuição ao IMB. Grato.
  • Moderador  10/10/2014 12:47
    Prezado J. Rodrigues, creio que o Guilherme se referia ao Henrique, e não a você.

    Grande abraço!
  • Ali Baba  10/10/2014 13:34
    @Moderador 10/10/2014 12:47:51

    Pois é, mas tem algo errado com a construção de threads dos comentários. O post do Guilherme (Guilherme 08/10/2014 19:35:53) é anterior ao post do J. Rodrigues (J. Rodrigues 09/10/2014 01:31:56), no entanto aparece como se fosse resposta ao mesmo.

    Não dá para estranhar a confusão.
  • Moderador  10/10/2014 13:37
    Defeito de formatação. Vamos resolver isso.
  • J. Rodrigues  10/10/2014 22:20
    OK, Moderador. Entendido e assunto zerado.
  • Ed  08/10/2014 19:04
    Entendo que o livre comércio seja o caminho para o desenvolvimento da humanidade.

    Dito isto, penso que embora ideal, não conseguiríamos adotar o livre comércio como estilo de vida do dia para noite.

    Primeiramente, precisamos nos livrar do controle pernicioso do estado sobre nossa economia (impostos, taxas, regulamentações), permitindo assim que o empresário brasileiro, seja ele do setor agrícola, industrial ou de serviços, possa recuperar o tempo perdido e se organizar para trabalhar em um ambiente global (lembrando que devido aos subsídios governamentais em alguns setores nos países "desenvolvidos" há injustiça na competição).

    Penso não ser viável simplesmente "zerar" impostos de importação, antes de nos livrarmos da raiz de nosso atraso, nossas políticas governamentais e através disto concedermos a oportunidade ao empresariado brasileiro sério (não os amamentados pelo governo) de lutar por seu lugar ao sol.

  • Mr. M  08/10/2014 20:27
    Ed,
    Realmente do dia para a noite parece um tanto quanto complicado...
    que tal 4 anos?
  • mauricio barbosa  08/10/2014 21:36
    Não Ed!Tem de liberar tudo e quem for competente e competitivo ficará em pé pois é assim no mercado de trabalho,você já foi em uma entrevista de emprego,já viu a lista de requisitos exigidas,ufa!Tudo isso para ganhar (na maioria dos anúncios) até três salários minímos e ai temos de aguentar esses pelegos nojentos defender política econômica(e seu quinhão de puxa-saco)de um governo ultrapassado,ai é duro.
  • Rodrigofx2  09/10/2014 07:28
    Mas ai é inconstitucional...
    Infelizmente nossa constituição permite e endossa um estado gigantesco!
  • Silvio  09/10/2014 12:17
    Acho que por aqui ninguém se preocupa muito com esse argumento. Afinal, essa constituição é um grande absurdo e já devia ter sido jogada na lata do lixo há muito tempo. Ou, pelo menos, deveria passar a ser usada para fins mais úteis, tais como: www.youtube.com/watch?v=ijqDwdn_kGo
  • anônimo  08/10/2014 23:56
    OFF:

    Putz, acabei de ler os comentários na página do Mises Brasil no facebook, é desolador...
  • anônimo  09/10/2014 12:30
    A resposta do Silvio pode ser muito boa, mas creio que não seja muito precisa. Na minha humilde opinião, a OMC é só mais um dos diplomáticos e 'engenhosos' meios que a natureza politico-burocrática do ser humano criou para resolver os problemas de ordem mundial. E que, se pensarmos bem, gosta mesmo de fazer essas coisas: reunir autoridades e representantes de várias nacionalidades; realizar fóruns, conferências; discursar, discutir e decidir visando garantir (regular) o que é melhor para o futuro da humanidade. Um ofício nobre e muito importante.

    O artigo sintetiza quase que primorosamente bem o que representa a OMC. Eu só não iria tão longe ao supor que a organização serviria apenas como mais uma forma de difundir e encobrir um "protecionismo discreto". Sim, certamente tem dessas coisas também. Mas o que me vem à mente ao pensar na OMC é mais aquela metáfora para criar empregos, que é muito utilizada por aqui: a de se cavar um buraco em um dia para tapá-lo no outro.

    Então, por um lado podemos com certeza dizer é que a OMC está anos luz de contribuir em alguma coisa para o livre comércio. Mas por outro lado não podemos dizer que seja ela quem o atrapalha. E se há algum benefício ao país que retirar-se dela, é o de que ele vai acabar com o próprio embuste de que tem alguma intenção em promover o livre comércio. Se assim o querer, ele simplesmente acaba com protecionismo em seu próprio território, reduzindo subsídios a determinados setores e parando de tributar outros, sendo rígido com sindicalistas e ambientalistas, e parando de impor impostos aos importados e tarifas alfandegárias... Daí ele mostrará seu legítimo interesse no livre comércio e isso sim vai fazê-lo se desenvolver. Tomando essas medidas, ele pode até continuar participando e mandando representantes para as reuniões da OMC, da ONU, do comitê da Basileia, da Liga da Justiça, dos Vingadores, etc., que vai ser irrelevante. Não é a OMC que impõe as posturas protecionistas.

    Volto a dizer que essa é só uma humilde opinião minha, portanto sintam-se à vontade para mostrar os equívocos em minha objeção.

    Grande abraço e até a próxima.
  • anônimo  09/10/2014 15:30
    Ah, por favor, perdoem o total deslocamento do meu comentário. Eu quis me referir à resposta dada pelo @ Silvio (08/10/2014 15:49:26) à pergunta "E se um país simplesmente sai da OMC? O que acontece?", feita pelo @ anonimo (08/10/2014 15:43:54).
  • Yonatan Mozzini  10/10/2014 14:24
    Bom artigo.

    Há um tempo atrás tivemos uma simulação de debates da OMC na faculdade, se referindo ao caso do embargo russo à carne bovina brasileira.
    Pelo que eu pude perceber, o objetivo geral da organização até que é razoável, mas notei que há possibilidade de que por trás dela se escondam grupos poderosos, que irão usar a força centralizadora e monopolista da organização para benefício próprio.

    Além disso, a OMC é outra contradição – assim como o Banco Central, cuja 'missão' é manter o poder de compra da moeda, sendo que quem reduz a cada dia o poder da compra da moeda é justamente o Banco Central ao criar dinheiro artificial –, pois quer ampliar o livre comércio mundial, mas se evidencia contra a liberdade econômica (ao defender os direitos de 'propriedade intelectual', por exemplo), sendo um juiz supremo dos governos do que deve ou não deve ser comercializado.
  • Marcos  12/10/2014 16:24
    Texto decepcionante. Foi muito raso, mais repetindo chavões do que aprofundando a análise sobre a OMC. Pior, ignora completamente a realidade política atual. Parece até que os autores acham que num passe de mágica todos os países vão virar libertários. Não se pensa um minuto em como melhorar a situação do comércio internacional na perspectiva atual, fazendo o que for possível, ainda que não seja o ideal. Esse julgamento utilitário nunca é feito, enfraquecendo bastante o texto.

    A criação da OMC representou sim um aumento quantitativo no comércio mundial, nos anos 90. É só ver os números para perceber isso. O grande problema da organização é a ausência de resultados concretos após o surto inicial de liberalização. Faz mais de uma década que os resultados são pífios. O protecionismo é muito forte no mundo, e há interesses demais a serem conciliados. Daí podemos questionar a relevância da OMC nos dias de hoje, discutindo até mesmo se esse órgão é viável. Pessoalmente, não a vejo com bons olhos, pois tendo a achar que dificilmente continuará a avançar e só servirá para retirar o foco de acordos bilaterais. Serve ainda como um conjunto mínimo de regras, para evitar retrocessos no comércio internacional. Acreditem: se não fosse a OMC, o Brasil seria muito mais protecionista do que é hoje.

    No entanto, dizer que a OMC é a maior ameaça ao comércio mundial sem dar nenhum exemplo concreto para embasar essa afirmativa é risível. Não foi apresentado no texto nenhuma medida protecionista que não fosse adotada com ou sem OMC. Não se apresentou nenhuma estatística ou conjunto de dados. A única justificativa é que se trata de uma burocracia, e por isso é ruim.

    Na legislação brasileira, por exemplo, vemos vários casos de reformas benéficas ao comércio internacional a partir das regras e princípios da OMC. Nada do que se possa esperar da "maior ameaça ao comércio internacional".

    Enfim, estou longe de ser um defensor ardoroso da OMC, mas acredito que a questão deveria ser tratada de forma mais científica. É perfeitamente possível fazer uma análise da organização embasada nos conhecimentos da Escola Austríaca de forma séria e objetiva. Infelizmente, o texto perdeu uma ótima oportunidade de fazer isso.
  • Lisboa  13/10/2014 02:00
    Prezado Marcos, não apenas raso e decepcionante, como também contraditório, foi o seu comentário. Pra começar, seu segundo parágrafo contradita o primeiro e o terceiro. Depois você diz que o artigo não apresenta evidências. Isso é ou má fé de sua parte ou desatenção, pois você -- convenientemente ou displicentemente -- ignorou todos os links contidos no artigo, links esses que comprovam como um único país pode emperrar toda a burocracia e paralisar todas as negociações, mantendo as tarifas protecionistas intactas.

    De resto, se a OMC é tão boa, onde estava ela quando o governo brasileiro elevou para absurdos 35% as tarifas de importação de automóveis, fechando o mercado para as montadoras nacionais e tratando o povo brasileiro igual a gado no curral?

    Mais atenção na próxima.
  • Marcos  19/10/2014 18:19
    Só você viu alguma contradição no meu texto. Sua obrigação seria não só fazer acusações, mas apontar claramente onde está a contradição. Isso sim só pode ser má-fé ou desatenção. Ignora completamente as regras de um debate honesto.

    Aliás, se você tivesse prestado atenção no meu texto, veria que eu de forma alguma considero a OMC "tão boa assim", muito pelo contrário. Critiquei apenas a falta de dados e a conclusão obviamente exagerada de que ela é a "maior ameaça ao comércio internacional". O que você faz aqui é apenas defender algumas premissas do texto, com as quais concordo inteiramente. Isso não anula a minha crítica de que delas não se pode chegar a conclusão indicada.

    E só para constar, os subsídios brasileiros ao setor automotivo ferem as regras da OMC e podem ser objeto de questionamento judicial. Claro que essa já é uma grande falha da OMC, já que é necessário que o governo de algum país entre com o processo.

    Além disso, o governo aumentou para "só" 35% exatamente porque está limitado pelas regras da OMC. Ou alguém aqui acha que eles não gostariam de aumentar ainda mais?

    Só para colocar as cartas na mesa: defendo que o conjunto inicial de regras limitadoras aos países imposto pela OMC é um avanço, mesmo a organização em si hoje em dia possa até mesmo ser considerada maléfica. Quero ver alguém me provar o contrário.
  • Lisboa  19/10/2014 20:30
    "E só para constar, os subsídios brasileiros ao setor automotivo ferem as regras da OMC e podem ser objeto de questionamento judicial. Claro que essa já é uma grande falha da OMC, já que é necessário que o governo de algum país entre com o processo."

    Um fracasso fragoroso e, ainda assim, visto como normal e rotineiro. Cadê a funcionalidade dessa instituição? Até o momento, sua pretensa postura pró-livre comércio é só pra enganar trouxa.

    "Além disso, o governo aumentou para "só" 35% exatamente porque está limitado pelas regras da OMC. Ou alguém aqui acha que eles não gostariam de aumentar ainda mais?"

    Aqui você comprova seu desconhecimento. Na prática, os automóveis estrangeiros estão sendo tributados em inacreditáveis 340%. Pode conferir:

    www.infomoney.com.br/minhas-financas/carros/noticia/2597209/montadoras-alertam-sobre-alto-imposto-importacao-brasileiro-diz

    E o que a OMC faz contra isso? Nada!

    "Só para colocar as cartas na mesa: defendo que o conjunto inicial de regras limitadoras aos países imposto pela OMC é um avanço, mesmo a organização em si hoje em dia possa até mesmo ser considerada maléfica. Quero ver alguém me provar o contrário."

    A própria notícia acima prova o contrário. O governo brasileiro está dando um belo by-pass nas "regras limitadoras" da OMC (encarecendo em 340%, quando o limite é 35%), e ninguém toca no assunto. E você bate palmas achando que está tudo sob controle.

    Viu só? Como você pediu, provei o contrário. Vamos ver suas próximas desculpas agora.
  • Marcos  23/10/2014 00:51
    Para começar, você esqueceu completamente a minha suposta contradição. Repito: aponte-a.


    Sim, eu concordo que o fato do Brasil praticar subsídios sem ser prontamente punido é um fracasso fragoroso. Só quem não entendeu nada do que eu escrevi pode pensar o contrário. Agora, disso não se pode concluir que a inexistência de OMC melhoraria a situação. Subsídios são muito mais antigos do que a organização. Isso não prova que a OMC é a pior inimiga do comércio internacional.

    Quando citei os 35%, estava falando de imposto de importação, e não dos outros impostos que, aliás, deveriam ser cobrados igualmente de produtos brasileiros. Se não o são há uma clara violação ao princípio do Tratamento Nacional. Quanto a declaração de que "a OMC não faz nada contra isso", sugiro que se informe:

    noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2013/12/19/uniao-europeia-pede-consultas-a-omc-por-protecionismo-fiscal-do-brasil.htm


    O procedimento judicial da OMC é lento. Demora alguns anos para que uma decisão final aconteça. Agora, não dá para negar que é melhor ter um procedimento lento do que não ter nenhum. Não fossem as "terríveis" regras da OMC, o Brasil aumentaria os impostos em 1000% e os outros países não poderiam fazer absolutamente nada.

    E não, você não provou nada. Tem uma diferença muito grande entre demonstrar fragilidades do sistema (coisa que eu mesmo fiz) e provar que esse sistema de regras é pior do que nada.
  • Emerson Luis, um Psicologo  19/10/2014 15:45

    Se eles realmente querem livre comércio, então simplesmente parem de obstruí-lo!

    * * *
  • AGUINALDO  06/02/2015 13:57
    Chutando a Escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica
    Ha-Joon Chang
    São Paulo: Editora UNESP, 2004.

    A versão original desse livro foi publicada em inglês, em 2002, e foi traduzida para uma série de idiomas. Seu autor, Ha-Joon Chang, é um coreano, professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, desde 1990, e diretor-adjunto do Departamento de Estudos sobre Desenvolvimento. Ha-Joon vem sendo considerado um líder da nova geração de economistas heterodoxos que tentam revitalizar os trabalhos e debates na área de desenvolvimento econômico

    Em 2003, o livro, cujo título original em inglês é Kicking away the ladder: development strategy in historical perspective, foi o vencedor do Prêmio Gunnar Myrdal, dado pela EAEPE (European Association for Evolutionary Political Economy) para a melhor publicação.

    Seu autor, Ha-Joon Chang, dividiu o Prêmio Leontief (Wassily Leontief Prize for Advancing the Frontiers of Economic Thought) de 2005, dado pela Universidade de Tufts, com Richard R. Nelson, professor da Universidade de Columbia. O Prêmio Leontief foi recebido pela sua contribuição para o estudo do desenvolvimento econômico de países pobres e pelos seus trabalhos tentando desvendar a problemática relação existente entre metas de desenvolvimento e uma economia globalizada.

    O título do livro, Chutando a escada, faz referência a parte de uma frase de Friedrich List, economista alemão do século XIX (1789-1846), defensor do protecionismo à indústria nascente. Em seu trabalho, Ha-Joon afirma que os países em desenvolvimento estão sendo pressionados pelos países desenvolvidos a adotar o que chamam de "boas políticas e boas instituições", capazes de promover o desenvolvimento econômico. As "boas políticas" seriam as recomendadas pelo Consenso de Washington, dentre elas podemos citar políticas macroeconômicas restritivas, liberalização comercial e financeira, privatização, e desregulamentação. As "boas instituições" seriam as existentes nos países desenvolvidos, principalmente nos anglo-saxões, por exemplo, a democracia, um poder judiciário e banco central independentes e uma forte proteção aos direitos de propriedade. Os argumentos utilizados são que "políticas e instituições boas" foram adotadas pelos países desenvolvidos quando estavam em processo de desenvolvimento. Chang mostra que não faltam evidências históricas sugerindo o contrário.

    O principal questionamento de seu trabalho é: "Como os países ricos enriqueceram de fato?" Esta pergunta é o título do primeiro capítulo do livro.

    A obra é dividida em quatro capítulos. O primeiro é introdutório, discutindo o método de análise utilizado e os questionamentos do autor, antecipando também algumas conclusões finais do trabalho. O capítulo 2 aborda as chamadas políticas de ICT (políticas industrial, comercial e tecnológica). Segundo Chang, são as diferenças nestas políticas que, para ele, separam os países bem-sucedidos, em termos de desenvolvimento econômico, dos outros países, deixando claro que não nega a importância de outras políticas. O terceiro capítulo analisa um grande número de instituições. Ha-Joon afirma que (p. 25), "[...]Tanto quanto me é dado saber, este livro é o único que oferece informações em um espectro tão amplo de instituições, passando por um grande número de países". No último capítulo, intitulado "Lições para o presente", o autor tenta responder os seus questionamentos iniciais, dando algumas sugestões para os países em desenvolvimento.

    Após a análise do desenvolvimento econômico sob um prisma histórico, Ha-Joon conclui que se os países desenvolvidos tivessem mesmo adotado as políticas que recomendam aos países em desenvolvimento, não seriam o que são hoje. Muitos deles, ao longo de sua trajetória de desenvolvimento, recorreram a políticas comerciais e industriais protecionistas, atualmente consideradas políticas "ruins". Além disso, no século XIX e início do século XX, antes de se tornarem países desenvolvidos, possuíam poucas das instituições que agora recomendam aos países em desenvolvimento. Em outras palavras, os países desenvolvidos, pregando políticas ortodoxas, estariam hoje "chutando a escada" para que os países em desenvolvimento não consigam seguir os mesmos caminhos trilhados por eles para se desenvolver.

    O ponto alto do livro são os dados históricos que questionam determinados mitos em relação aos países desenvolvidos. Por exemplo, na tabela 2.1 (pág. 36), fica claro que, de 1820 até 1931, os EUA e alguns outros países hoje desenvolvidos adotaram políticas altamente protecionistas para defender a sua indústria nascente, mas eles alegam que fizeram o contrário: que liberalizaram seus mercados. Em um trecho do livro (pág. 66), que analisa as políticas de ICT adotadas pela Alemanha, menciona-se a utilização de espionagem industrial patrocinada pelo Estado e a cooptação de trabalhadores da Inglaterra, práticas que seriam consideradas "ruins" nos dias de hoje. Em uma outra parte do livro (págs. 127-36), Ha-Joon demonstra que, nos países desenvolvidos, a democracia, durante muito tempo, não foi muito democrática, porque excluía pessoas por renda, sexo, cor... Existia também compra de votos, fraude eleitoral e corrupção. Segundo o autor, os países em desenvolvimento, nas fases iniciais da democracia, não tiveram tantos problemas como os países desenvolvidos.

    O livro é de leitura fácil, com abundância de dados históricos não só de países tradicionalmente analisados como EUA, Alemanha, França, Grã-Bretanha e Japão, mas também de países menores, como a Bélgica, Suíça, Holanda, etc. Apresenta, assim como em outros livros do mesmo autor, uma visão crítica em relação ao papel do Estado no desenvolvimento econômico e em relação às políticas recomendadas aos países em desenvolvimento pelos órgãos de fomento internacional como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.

    É um trabalho original, recomendado para leitura a economistas e pessoas com diversas áreas de formação, inclusive a formuladores de políticas públicas. Contém inúmeras referências bibliográficas e estimula a repensar as estratégias de desenvolvimento econômico que vêm sendo adotadas pelos países pobres e em desenvolvimento.



    Carmen Augusta Varela
    Professora da Escola de Administração
    de Empresas de São Paulo
    da Fundação Getúlio Vargas


    minhateca.com.br/rosangela.leite1/HA-JOON+CHANG---CHUTANDO+A+ESCADA,178795938.pdf
  • Leandro  06/02/2015 15:09
    Esse livro é apenas propaganda protecionista em prol dos grandes conglomerados coreanos.

    Não há nenhuma dúvida de que protecionismo é bom para as grandes indústrias e seus empregados, mas resta ainda alguém explicar como é que restringir as opções de consumo, diminuir a oferta e encarecer os produtos disponíveis pode ser algo bom para o enriquecimento da população.

    O grande problema do livro é que ele confunde abertamente correlação com causalidade, algo imperdoável em economista. O argumento é que, "dado que a Coréia do Sul implementou tarifas protecionistas e suas empresas cresceram, então obviamente todos os países deveriam se fechar para enriquecer". Não há um só debate no livro sobre a possibilidade de a Coréia ter se desenvolvido ainda mais caso não houvesse implementado tais tarifas (daí a confusão entre correlação e causalidade).

    Aliás, esse é exatamente o histórico de Hong Kong e Singapura (que o autor do livro parece ignorar). Ambos os países eram grandes favelas a céu aberto na década de 1970 e hoje têm as maiores rendas per capita do mundo. E jamais aplicaram políticas protecionistas (ver aqui e aqui). Ambos são mais ricos que a Coréia do Sul em termos per capita. E olha que ambos são asiáticos -- logo, possuem relativamente a mesma cultura.

    Outro erro grave do livro é dizer que "o livre comércio funciona bem somente na fantasia do mundo teórico da concorrência perfeita". Ora, quem primeiro fez o argumento em prol do livre comércio foi David Ricardo, ainda no século XIX, e seu argumento jamais se baseou em tal teoria, que nem sequer havia sido inventada à época.

    Aliás, com dados pra lá dúbios. Por exemplo, Chang se limita a analisar apenas os países que se desenvolveram no século XIX, e afirma que eles se desenvolveram porque adotaram políticas protecionistas em determinados setores; mas ele não analisa todas as políticas adotadas. E em momento algum ele analisa os países que não se desenvolveram, pois isso mostraria que tais países adotaram com ainda mais intensidade exatamente as políticas que ele defende.

    A teoria indica que tais países protecionistas teriam se desenvolvido ainda mais (com empresas mais competitivas e população mais educada) caso o comércio fosse mais livre. O livro não faz essa contraposição de ideias, pois trabalha exclusivamente com dados empíricos.

    Mais especificamente sobre a Coréia do Sul, não é verdade dizer que ela "era pobre e aí foram adotadas políticas intervencionistas e aí ela enriqueceu". Mesmo porque isso é econômica e logicamente impossível. O que o general Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

    Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

    Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).
  • NATALIA  03/06/2016 23:47
    É verdade que os EUA detém 90% do setor de cinema num acordo com esse OMC? Ou é puramente economia de mercado?
  • do Valle  04/06/2016 00:23
    Desconheço tal informação. Envie um link de alguma fonte, por gentileza.
  • NATALIA  04/06/2016 01:06
    Na realidade, não pesquisei em fontes. Simplesmente ouvi de uma professora em uma aula sobre cultura. Aí procurei sobre esse OMC e vi que os EUA estavam na lista de países membros. É só porque estranhei mesmo, nunca tinha ouvido falar disso. Se souber me explicar como funciona essa questão da indústria cinematográfica e como estão essas coisas de tarifas, regulamentação ou mesmo como é o processo que determina quais filmes de determinado país passarão aqui. Digo isso por causa da predominância de filmes norte-americanos. Se é um mercado livre lá ou há subsídios do governo envolvidos. Sobre os nacionais não é necessário.

    Desde já, obrigada pela resposta.


  • Scorsese  09/06/2016 01:59
    Indústria cinematográfica nada tem a ver com a Organização Mundial do Comércio. A OMC não regula e nem tem jurisdição sobre a distribuição de filmes.

    Quanto aos filmes americanos, não há subsídios do governo e não há reservas de mercado. É um setor de livre concorrência.
  • anônimo  04/06/2016 20:00
    Ótimo artigo.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.