O que houve com a economia brasileira?

O artigo a seguir é uma adaptação da apresentação feita pelo autor na ocasião da Conferência de Escola Austríaca, ocorrida nos dias 6 e 7 de setembro, em São Paulo. Daí seu tom mais coloquial.

 

O que aconteceu?  Por que a coisa desandou?  Por que aquela economia que parecia tão pujante em 2010, cujo PIB havia crescido 7,5%, entrou em recessão?  Qual foi a lambança?

Mais ainda: quem é realmente o responsável por tudo?

Panorama

Como o IBGE divulgou no final de agosto, a economia brasileira está oficialmente em recessão.  Já são dois trimestres seguidos de encolhimento da economia, e é isso o que configura aquilo que os tecnocratas chamam eufemisticamente de "recessão técnica".

Só que a real situação é ainda pior do que esses números sugerem. 

Comparando o segundo trimestre de 2014 com o segundo trimestre de 2013 — ou seja, comparando dois períodos iguais de anos consecutivos —, o encolhimento da economia foi de quase 1%

Para uma economia do tamanho da brasileira, um encolhimento de 1% não é pouca coisa; são quase R$50 bilhões a menos sendo produzidos em termos de bens e serviços.

Só que, ao se esmiuçar as variáveis contidas no PIB, as coisas pioram.  

Analisando o que houve com os investimentos em máquinas, equipamentos, instalações e infraestrutura — e os investimentos são a variável mais importante do PIB porque são eles que indicam a saúde da economia e são eles que permitem que a situação futura seja melhor —, o quadro é desolador.

Comparando o segundo trimestre de 2014 com o segundo trimestre de 2013, os investimentos encolheram incríveis 11,2%

Vale enfatizar: onze por cento!

Isso não é um fenômeno corriqueiro; isso não é um mero soluço.

Mas tudo ainda piora. 

Em termos trimestrais — ou seja, comparando um trimestre com o trimestre imediatamente anterior —, os investimentos vêm caindo por quatro trimestres seguidos

Veja o gráfico e observe como a queda está se intensificando.  No terceiro trimestre de 2013, os investimentos caíram 1,7%.  No quarto trimestre de 2013, caíram 1,9%.  No primeiro trimestre de 2014, caíram 2,8%.  E no segundo trimestre de 2014, caíram 5,3%. 

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Ou seja, os investimentos embicaram para baixo e estão caindo de forma acelerada.

De novo, isso não é uma coisa passageira; isso não é algo circunstancial.  Investimentos se contraírem, e de forma cada vez mais acentuada, significa que — parodiando o Marcellus de Hamlet — há algo de podre nos fundamentos da economia.

E esse algo de podre pode ser confirmado pelo ambiente geral do empreendedorismo: o número de empresas sendo abertas está diminuindo drasticamente

A abertura de novas empresas no Brasil fechou o primeiro semestre de 2014 com queda de 13,1% no confronto com o mesmo período do ano anterior. 

Foi a terceira queda consecutiva nesse tipo de comparação: segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, no ano de 2012, a queda na abertura de empresas foi de 9,3% em relação a 2011; e em 2013, a queda foi de 7,9% em relação a 2012. 

Já a queda de 13,1% observada no primeiro semestre de 2014 foi o pior resultado da série.  Mais ainda: a geração de novos negócios do primeiro semestre de 2014 foi 24,15% inferior ao registrado no mesmo período de 2010. 

E a indústria?

Não obstante todo o protecionismo do governo, e todos os pacotes de estímulo, a indústria encolheu 3,4% no segundo trimestre de 2014 em relação ao segundo trimestre de 2013

Pior: comparando a evolução anual, ou seja, mês de 2014 em relação ao mesmo mês de 2013, essa é a evolução da produção industrial. 

bip.pngVale lembrar que o governo Dilma, justamente com a justificativa de estar "estimulando" a indústria, foi o governo que praticamente fechou os portos e aumentou as alíquotas de importação de praticamente todos os produtos estrangeiros: automóveis, pneus, produtos têxteis, calçados, brinquedos, lâmpadas, sapatos chineses, tijolos, vidros, vários tipos de máquinas e até mesmo de produtos lácteos.

Além disso, este foi o governo que obrigou as grandes empresas do país a produzir utilizando uma determinada porcentagem de insumos fabricados no Brasil.

Mesmo assim, a indústria vem encolhendo há quatro trimestres consecutivos, e de forma acelerada.

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(Incidentalmente, vale notar que até mesmo o setor de serviços, que é o que vinha absorvendo a esmagadora maioria da mão-de-obra, estagnou e conseguiu encolher 0,5% no segundo trimestre em relação ao 1º trimestre.)

Resultado dessa contração da indústria: o emprego industrial cai há 6 trimestres seguidos

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Aqui uma pequena coletânea de notícias que dão um panorama geral da situação.

Pedidos de falência cresceram 28,8% em julho

Inadimplência das empresas tem maior alta para julho desde 2000

Bate recorde o número de empresas inadimplentes, diz Serasa

Número de inadimplentes chega a 57 milhões e bate recorde, diz Serasa

Produção e vendas de veículos no Brasil têm o pior julho desde 2006, diz Anfavea

Retração no varejo e na indústria faz com que a receita do setor de serviços tenha o menor crescimento da história

Produção de embalagens cai 0,73% no 1º semestre e mostra piora dos indicadores antecedentes

Persiste o desaquecimento do setor de construções

Futebol brasileiro entra em recessão, segundo estudo de consultoria

Baixo desemprego

No entanto, a taxa oficial de desemprego segue baixa, em 5%.  E essa baixa taxa de desemprego é o último bastião de resistência do governo.  É ao baixo desemprego que o governo recorre sempre que quer se defender e mostrar o lado positivo de suas políticas.

Qual é a explicação para um baixo desemprego em uma economia que apresenta tantos indicadores ruins?

Antes de tudo, vale lembrar que o desemprego sempre será baixo em uma economia fechada e protegida.  Se a concorrência externa é pequena ou nula, e se não se pode importar quase nada, a produção passa a ser toda feita nacionalmente.  Passa-se a viver em uma situação de autarquia.  E isso gera vários postos de trabalho artificiais.

Obviamente, os empregos não serão produtivos, não se produzirá nada que preste, e a qualidade de vida será lastimável.  Mas o desemprego será baixo. 

Reza a lenda que a URSS tinha pleno emprego.  Não duvido.  Dizem o mesmo de Cuba e da Coréia do Norte.  Também não duvido.  Mas de que adianta pleno emprego se não se produz nada de qualidade e, consequentemente, não se tem qualidade de vida?  De que adianta pleno emprego se você não pode consumir nada de bom com o seu salário?  

A extremamente fechada economia brasileira ajudou a manter alguns postos de trabalho.  Só que até mesmo o emprego começou a sofrer.

As últimas notícias são bem ruins:

Emprego tem o pior abril em 15 anos, mostra Caged

Brasil tem menor abertura de vagas formais para julho em 15 anos, mostra Caged

Criação de vagas até agosto é a pior da série histórica

Criação de empregos formais tem pior mês de setembro em 13 anos

No entanto, ainda assim a taxa de desemprego no Brasil continua em seus menores níveis históricos.

Por quê?

Porque o Brasil está hoje vivenciando um fenômeno lamentável: a geração nem-nem.

Segundo o IBGE, um quinto dos jovens no Brasil é "nem-nem", aquele que não estuda nem trabalha

Ou seja, nada menos que 20% da população em idade de trabalho não estuda, não trabalha e nem procura emprego. 

Veja o gráfico:

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Observe a coluna em azul claro, especialmente os dois últimos gráficos da direita.  Entre a população que tem de 18 a 24 anos, 23% não quer saber nem de estudar nem de trabalhar. 

E entre a população que tem de 25 a 29 anos, 21% não quer saber nem de estudar e nem de trabalhar.

Ou seja, essa turma toda não está procurando emprego.  E ao não estarem procurando emprego, eles não pressionam as estatísticas de desemprego.

Como o próprio IBGE explicou, ainda em novembro do ano passado (negrito meu):

A redução na taxa de desemprego foi causada pela migração de indivíduos para a inatividade, e não pela geração de postos de trabalho, apontou a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.

"O que a gente vê aqui é a redução da desocupação em função do aumento da inatividade. Então não houve aumento do número de postos de trabalho. O que houve foi aumento das pessoas que passaram para a inatividade", ressaltou o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Em novembro, houve aumento significativo na população não economicamente ativa. Na comparação com outubro, o aumento foi de 0,8%, o equivalente a 148 mil indivíduos. Em relação a novembro de 2012, a alta foi de 4,5%, mais 801 mil pessoas na inatividade.

O aumento da população inativa tem contribuído para manter a taxa de desemprego em mínimas históricas

E o que leva as pessoas a deixarem de ser economicamente ativas?  Há várias hipóteses.  Há aquelas que estão no Bolsa-Famíla, há aquelas que desistiram da vida porque não sabem fazer nada, há aquelas que aprenderam a dar golpe no seguro-desemprego (notícias como essa comprovam isso), e há aquelas que simplesmente são indolentes e arrumaram alguém que lhes sustente (alguns jovens de classe média alta, inclusive).

O fato é que o governo segue surfando na mentira do pleno emprego.

Isso é um fenômeno lastimável porque o baixo crescimento da mão-de-obra só pode ser compensado se houver um aumento na produtividade.  Se houver um grande aumento na produtividade, então esse fenômeno não é necessariamente ruim.

O problema é que o Brasil é conhecido justamente por ter uma mão-de-obra pouco produtiva.  Para produzir o mesmo que um trabalhador americano produz em uma hora, são necessários 5 trabalhadores brasileiros.

Sendo assim, esse baixo crescimento da mão-de-obra que nós estamos vivenciando tende a reduzir o aumento da oferta de bens e serviços. 

E, consequentemente, o crescimento da economia e o enriquecimento da população.

No final, esse lamentável fenômeno serve apenas para gerar uma redução artificial na taxa de desemprego, algo que o atual governo está usando a seu favor como ilustração do "sucesso" de suas políticas.

(Para ler mais detalhes sobre esse assunto, veja este artigo)

Dois fenômenos

Economia em recessão, investimentos em queda, indústria em queda, falências em alta, inadimplência em alta, serviços estagnados, produtividade em baixa, criação de empregos estagnada.

O que é que está acontecendo com a economia brasileira?

Tudo indica que estamos claramente completando um ciclo econômico que começou lá em 2003.

Pra entender os ciclos de uma economia, é necessário levar em consideração dois fenômenos.

Confiança

O primeiro fenômeno a ser considerado ao analisar o ciclo de uma economia é o nível de confiança dos empreendedores e dos consumidores, ou seja, o nível de confiança de empreendedores e de consumidores no presente e no futuro da economia

Se o governo sinaliza claramente qual é e qual será a política econômica adotada, se o governo é previsível, se o governo adota regras claras, se o governo mantém a inflação de preços sob controle e no centro da meta, e se o governo é comprometido com um orçamento equilibrado, então ele consegue gerar o mínimo de confiança necessário para manter a economia nos trilhos.

Por exemplo, o governo Obama não teve essa clareza e essa previsibilidade.  Ninguém sabia ao certo o que ele iria fazer: se ele iria aumentar impostos, se ele iria saber controlar os gastos, se ele iria saber reduzir o déficit, se ele iria subsidiar indústrias mais "verdes", se ele iria aprovar a reforma do sistema de saúde (o que representaria um enorme fardo para a folha de pagamento das empresas) etc. 

Consequência: a incerteza gerada por essa falta de previsibilidade contribuiu para que a estagnação na economia americana se arrastasse por vários anos. 

Vários governos europeus também não forneceram uma indicação clara do que fariam, inclusive o governo da Grã-Bretanha. 

Já o governo alemão soube fornecer uma indicação clara de quais seriam suas medidas.  O governo da Suíça sempre foi claro e previsível.  O governo do Canadá também.  O mesmo pode ser dito dos governos da Austrália, da Nova Zelândia, de Hong Kong e de Cingapura. 

Todos estes governos, em suma, conseguiram fornecer previsibilidade para empreendedores e consumidores.  E esses países são justamente os que têm as economias mais robustas hoje no mundo.

Essa questão das expectativas, da confiança, da previsibilidade é tão essencial, que os economistas seguidores da Escola Austríaca cunharam o termo "Incerteza Gerada pelo Regime" para explicar como o governo pode atrapalhar ao simplesmente não ser claro quanto às suas políticas.

Esse é o primeiro fenômeno a ser considerado ao estudar um ciclo econômico. 

Expansão do crédito

O outro fenômeno é a expansão do crédito.

Expansão do crédito, como o próprio nome diz, são os empréstimos concedidos pelos bancos.  No nosso atual sistema monetário e bancário, quando uma pessoa ou uma empresa vai a um banco e consegue um empréstimo, o banco cria dinheiro do nada.

Na verdade, o banco simplesmente cria dígitos eletrônicos no computador, e acrescenta esses dígitos na conta do tomador do empréstimo.  Ou seja, o banco empresta esse dinheiro — dígitos eletrônicos que ele criou do nada —, e cobra juros sobre ele.

Explicar o funcionamento do sistema bancário está fora do escopo desse artigo (você pode entender todos os detalhes do sistema bancário neste artigo).  Aqui será suficiente dizer que os bancos, quando emprestam dinheiro, criam dígitos eletrônicos do nada, e esses dígitos eletrônicos representam dinheiro. 

São esses dígitos que estão nas nossas contas bancárias, seja na conta-corrente, seja na conta-poupança, seja nos depósitos a prazo ou nos fundos de investimento.

Todo o processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.

E é esse processo de aumento da quantidade de dinheiro na economia o que de fato governa os principais números da economia, como PIB, emprego, renda e inflação de preços. 

Dado que o dinheiro é a variável que está presente em todas as transações econômicas em uma economia de mercado, qualquer alteração nessa variável irá afetar toda a economia.

Um aumento da quantidade de dinheiro na economia, gerado pela criação de crédito bancário, faz com que, no primeiro momento, haja uma grande sensação de prosperidade.  Aumenta o consumo, aumenta a demanda por mão-de-obra em todos os setores da economia, aumenta o emprego (na indústria, na construção civil, nos setores de serviço, varejista e comércio em geral), aumentam os salários, aumenta a renda nominal, aumentam os investimentos.

No primeiro momento, há uma grande sensação de prosperidade.  A renda nominal aumenta, os investimentos aumentam, o consumo aumenta e o desemprego cai.

E isso, de início, estimula os números do PIB, do emprego e da renda. 

A sensação vivenciada pelas pessoas durante essa fase de prosperidade artificial é maravilhosa: a renda nominal cresce anualmente (eis uma notícia de 2010, exatamente no auge do boom da economia brasileira), investidores se animam ao ver que o valor de suas ações cresce diariamente (outra notícia de 2010, sendo que o recorde anterior da Bovespa havia sido alcançado em 2008); carros zero são vendidos em quantidades crescentes (notícia do início de 2011); apartamentos são vendidos ainda na planta; os estoques das empresas são prontamente vendidos; novos empreendimentos são iniciados diariamente; novos restaurantes e novas lojas são inaugurados diariamente; trabalhadores encontram empregos a salários nominais cada vez maiores; restaurantes estão sempre cheios e com longas listas de espera; trabalhadores e sindicatos ficam mais exigentes porque, com o desemprego em queda, eles veem que os empresários estão dispostos a pagar caro por seus serviços; políticos se beneficiam dos números dessa economia que parece estar vivendo um grande momento, e começam a fazer proselitismo ideológico (e aí começam a propagar esquisitices como essa notícia de 2010, auge do boom); burocratas responsáveis pelo orçamento do governo ficam impressionados ao descobrir que, a cada ano, a receita aumenta em cifras de dois dígitos.

Enfim, a expansão do crédito gera distorções, mas gera uma prosperidade artificial que faz a alegria de muitos. 

Isso aconteceu de 2004 a 2010 no Brasil, como veremos mais adiante.

Só que, mais tarde, as duas principais consequências de toda essa expansão do crédito serão o endividamento e a inflação de preços. 

E é aí que a coisa vai começar a degringolar.

A teoria aplicada ao Brasil

129_1950-alt-lula e serra 2002.jpgFinalmente, vamos à prática.

Para entender o que houve com o Brasil, é necessário fazer um pequeno apanhado histórico.  Vamos começar em 2002.

Naquele ano, todas as pesquisas apontavam que o vencedor das eleições seria Lula.  O problema era o histórico dele e de seu partido.  Até aquele ano, a principal bandeira do PT sempre havia sido a do rompimento de "tudo que aí está". 

O histórico do PT era o de defender abertamente a adoção de uma economia socialista, o rompimento de contratos, a estatização dos meios de produção, a reforma agrária na marra, o calote das dívidas interna e externa, o poder ilimitado dos sindicatos, as greves etc.

Ou seja, perante aquele cenário de vitória eleitoral de Lula, começou a surgir uma desconfiança muito grande e um enorme sentimento de inquietação nos empreendedores, nos consumidores e principalmente nos investidores estrangeiros e no mercado financeiro.

Para piorar, houve um fenômeno inusitado: o candidato do PSDB era o Serra, e ele também era oposição ao governo Fernando Henrique. 

Serra era abertamente contra a política econômica adotada, era contra qualquer tipo de ajuste fiscal, e era o maior opositor às políticas da dupla Pedro Malan e Armínio Fraga.

Ou seja, a situação era delicada.  De um lado, o PT e o Lula, que sempre defenderam plataformas de extrema-esquerda; de outro, o Serra, que era do partido do governo, mas que também era contra o modelo atual.

Consequentemente, gerou-se aquele clima de total incerteza e o resultado não poderia deixar de ser outro: a economia vivenciou uma crise gravíssima no final de 2002. 

Houve fuga de capitais, o câmbio disparou e o dólar foi pra R$4:

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O IPCA, por causa da disparada do câmbio, fechou o ano em 12,5%:

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Ninguém tinha confiança em nada, porque o futuro governo não apenas era uma incógnita, como também iria assumir em meio a uma situação econômica muito delicada.

Pois bem.

Lula assumiu em janeiro de 2003 e surpreendeu a maior parte do mercado nomeando uma equipe econômica tida como ortodoxa e conservadora. 

Na presidência do Banco Central ele colocou um banqueiro de carreira internacional consagrada, que era o Henrique Meirelles.  Para a Fazenda ele nomeou Antonio Palocci, que era visto como um entusiasta da ortodoxia econômica. 

O próprio Palocci nomeou uma equipe econômica formada exclusivamente por tecnocratas, sem nenhum quadro do PT ocupando os grandes cargos. Nomes renomados como Joaquim Levy, Marcos Lisboa e Murilo Portugal foram pra Fazenda.

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Murilo Portugal, Afonso Beviláqua e Antônio Palocci
No Banco Central, além do Meirelles, havia também nomes como Alexandre Schwartsman, Ilan Goldfajn, e, o mais durão deles, um cidadão chamado Afonso Beviláqua (que era o terror dos heterodoxos, pois queria um IPCA próximo de 3%.)

A simples nomeação dessa equipe econômica gerou uma surpresa positiva.

E quando essa equipe econômica sinalizou claramente qual seria a política econômica adotada — cumprimento de contratos, liberdade de preços, política fiscal austera, elevação do superávit primário para 4,25% do PIB (hoje é necessária muita maquiagem contábil pra se chegar a 1,5%), e uma política monetária dura e restritiva, que seria garantida por um Banco Central que teria total autonomia operacional —, a confiança começou a voltar ao mercado. 

Mas o processo não foi indolor.

Em 2003, essa equipe econômica fez um ajuste brutal.  Para conter a disparada do IPCA, a taxa SELIC foi pra 26,50%:

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O superávit primário foi de 4,3% do PIB (acima da meta já alta de 4,25%). 

Nos primeiros 6 meses de 2003, que foi o período em que a SELIC ficou em seu valor mais alto, o consumo doméstico chegou a cair 11% . 

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O desemprego foi pra 13%. 

 

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Isso foi austeridade pra espanhol, grego, português, irlandês nenhum botar defeito.

Essa austeridade grega só foi possível — e isso é uma especulação — porque o presidente era Lula: ele havia acabado de ser eleito, estava em início de mandato, e nenhum sindicato iria querer fazer greve contra o maior líder sindical da história do Brasil e que havia acabado de virar presidente.

Mas esse ajuste foi tão forte e tão surpreendente — ninguém esperava isso de um governo de esquerda —, que o mercado reagiu muito positivamente, inclusive os investidores e especuladores estrangeiros. 

O Bill Gross, presidente da PIMCO, que é a maior compradora mundial de títulos de governos, fez a sua fama comprando títulos do governo brasileiro.  Todo o mercado começou a apostar no Brasil, e com uma rapidez enorme.

E não só o mercado financeiro.  Os empresários e os consumidores também.  De modo que, em julho de 2003, o Brasil começou a crescer. 

E, nesse ponto, é necessário fazer uma justiça: muitas pessoas dizem hoje que o Brasil "surfou na onda de um mundo favorável, o que lhe permitiu praticar políticas de incentivo ao consumo".  Isso é verdade só a partir de 2009.  Em 2003, o cenário era outro. 

As políticas de austeridade adotadas fizeram com que o país voltasse a crescer liderado não pelo consumismo, mas sim por exportações.

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E isso é fácil de ser entendido.  

O ajuste havia sido baseado na contração do consumo.  E essa contração do consumo foi tão forte, que gerou um excedente de mercadorias que pôde então ser exportado.  Como o consumo interno estava muito baixo, havia excedente para ser exportado.

Ou seja, primeira lição: a recuperação da economia em 2003 não se baseou em nenhum modelo de estímulo ao consumo.  Muito pelo contrário: o modelo foi de restrição e desestímulo ao consumo, o que gerou um excedente a ser exportado. 

Se o governo da época houvesse adotado um modelo de estímulo ao consumo, a inflação de preços teria disparado e toda a economia teria se esfacelado.

Portanto, todo o modelo foi baseado em ajuste, austeridade monetária e fiscal, contração do consumo e, portanto, geração de excedente exportável. 

A partir do momento em que houve um ajuste tão forte, e esse ajuste começou a dar resultado, algumas coisas começaram a acontecer. 

Primeiro, o crédito começou a crescer.  Por quê?  Porque o nível de confiança aumentou. 

Consumidores começaram a consumir e empresários voltaram a investir.

Eis o gráfico da expansão do crédito, que começa em 1994, logo na criação do real, e vai até o final de 2008. 

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Observe que é justamente em 2004 que a expansão adquire um crescimento exponencial

Relembrando: esse gráfico mostra a quantidade de dinheiro que os bancos (privados e públicos) estão jogando na economia.

A partir de 2004, com a confiança recuperada e com boas expectativas para o futuro da economia, os bancos abriram as torneiras do crédito. 

A SELIC começou a ser diminuída gradualmente, de maneira muito previsível (caiu de 26,50% em junho de 2003 para 11,25% em meados de 2007) e sem nenhuma surpresa.  A expansão do crédito foi se acelerando, e consequentemente os números do PIB, do emprego e da renda começaram a subir.

E aí começou o período de ouro da economia brasileira. 

Se alguém quiser entender a popularidade de Lula, basta olhar para a linha vermelha do gráfico acima.

Agora, e isso é importante, o governo daquela época usufruía duas vantagens, que o próximo governo não usufruirá.

Primeira vantagem: o desemprego era alto.  Em 2003 e início de 2004, ele foi de 13%.  Isso era bom.  Por quê? 

Porque com a economia crescendo, um desemprego alto fornecia muita mão-de-obra disponível.  Mão-de-obra barata e de qualidade.  Havia muita gente qualificada desempregada.  Os salários eram baixos.

Salários baixos e desemprego ainda alto permitiram um robusto crescimento sem grandes pressões inflacionárias, como mostra a evolução do IPCA abaixo:

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Em 2006, por exemplo, o IPCA foi de saudosos 3%.  Mesmo em 2007, com todo aquele galope do crédito (vide o gráfico do crédito acima), o IPCA ficou em 4,50%, exatamente o centro da meta.

Foi só em 2008 que a coisa começou a ficar fora de controle.  O IPCA fechou o ano em 5,9%, chegando a ficar acima de 6,5% no meio do ano.

Mas o fato é que os números do PIB de 2004 a 2008 foram impressionantes.

Uma observação importante, e que irá desagradar aos desenvolvimentistas e intervencionistas: as exportações cresceram ao mesmo tempo em que o real se valorizava em relação ao dólar.  Veja os gráficos.

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O dólar caiu de R$3,50 no início de 2003 pra R$1,54 em meados de 2008.  Nesse mesmo período, as exportações subiram de US$5 bilhões ao mês para US$20 bilhões ao mês. 

Isso mostra quão insensatas são as atuais lamúrias dos intervencionistas que dizem que o problema atual da economia é que o real não está desvalorizado o bastante.

Portanto, a primeira vantagem para o governo da época foi o alto desemprego.

Segunda vantagem: o endividamento geral das pessoas e das empresas era baixo. 

Endividamento ainda baixo significa que havia muito espaço para a expansão do crédito turbinar os números do PIB, do emprego e da renda.

Impulsionada pelo crédito, a economia foi crescendo, o mercado de consumo foi aumentando, o desemprego foi caindo, a renda foi subindo.

Os resultados foram esses:

Classe C cresce e já engloba maioria dos brasileiros, indica estudo

IBGE: renda média do trabalhador cresce 20% em 5 anos e reduz desigualdade

Aprovação do governo Lula bate recorde

Esse cenário bom persistiu até 2008, quando, em setembro daquele ano, houve a eclosão da crise financeira mundial.

E é aí que entramos no cenário atual.

A Nova Matriz Econômica

Com a eclosão da crise financeira, que começou com a quebra do Lehman Brothers, houve um congelamento no mercado de crédito global.

Os bancos privados brasileiros, por causa desse cenário de grande incerteza, se tornaram mais cautelosos. 

Vale lembrar que o cenário mundial era de quebradeira geral de bancos.  A Inglaterra tinha acabado de vivenciar uma corrida bancária a um grande banco, o Northern Rock, algo que não ocorria desde a década de 1930.  A França estava com o BNP Paribas em frangalhos.  Nos Estados Unidos, vários bancos de médio porte quebraram, como o Washington Mutual, e outros grandes bancos foram socorridos pelo governo.

Enfim, o cenário era de grande incerteza, e os bancos privados brasileiros compreensivelmente se tornaram mais comedidos.

Por outro lado, os bancos públicos assumiram uma postura acentuadamente contracíclica.  O Banco do Brasil, a Caixa e o BNDES abriram as torneiras e mantiveram o crédito. 

Resultado: o crédito no Brasil passou a ser concedido majoritariamente via bancos estatais, e quase sempre a juros abaixo da própria taxa SELIC.

Esse gráfico mostra a expansão do crédito ocorrida no Brasil desde a criação do real. A linha azul mostra o total de crédito concedido pelos bancos privados (Itaú, Bradesco, Santander, HSBC, Citibank e outros pequenos).  A linha vermelha mostra o total de crédito concedido pelos bancos estatais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste e outros bancos públicos estaduais, como Banrisul, BRB, Banco da Amazônia, Banestes).

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Observe que, de 2004 até meados de 2008, justamente por causa da melhora da confiança e da melhora das expectativas, o crédito privado, linha azul, decola.  Ele passa a crescer aceleradamente.  Já ao final de 2008, há uma engasgada e ele chega a ficar totalmente estagnado nos primeiros meses de 2009, o suficiente para causar uma recessão naquele período.

Já os bancos estatais, linha vermelha, que vinham crescendo de maneira constante até 2007, assumem um crescimento exponencial a partir de 2008.  Essa política de usar os bancos públicos como instrumento de política contracíclica representou a guinada desenvolvimentista do governo. 

O uso dos bancos públicos como indutores do crescimento é o principal pilar da "Nova Matriz Econômica".

Essa guinada desenvolvimentista trouxe consigo um detalhe maléfico: os bancos estatais trabalham majoritariamente com uma modalidade de crédito chamada "crédito direcionado".  Isso significa que os bancos estatais são obrigados, pelo governo, a fornecer empréstimos subsidiados — a juros bem abaixo da SELIC — para alguns setores escolhidos pelo governo, sendo os principais o setor imobiliário (para aquisição de imóveis), o setor rural, o setor exportador e os barões do setor industrial.

Ou seja, aquela linha vermelha representa um crédito que é alocado de acordo com critérios políticos (Minha Casa Minha Vida, Crédito Rural Empresarial, Pronaf, PRONAMP, FINAME PSI, FIES etc.), ao passo que a linha azul representa um crédito que é alocado mais de acordo com as reais condições de mercado.

É exatamente por isso que é a linha azul quem governa o crescimento real da economia.  É o crédito fornecido pelos bancos privados o melhor indicador dos fundamentos da economia brasileira.

Pode observar: quando a linha azul cresce forte, como ocorreu de 2004 até meados de 2008, e depois em 2010 e 2011, o PIB vai junto.  Quando ela enfraquece, como em 2009, 2012, 2013 e agora em 2014, o PIB pára.

Em 2010 e em 2011, os bancos privados — linha azul — ensaiaram uma reação, e isso estimulou o PIB.  O PIB de 7,5% de 2010 foi por causa dessa combinação do crédito dos bancos privados e dos bancos estatais.

Mas a partir de 2012, o crédito dos bancos privados começa a perder o fôlego. 

Já os bancos estatais, linha vermelha, mantêm um ritmo forte o tempo todo desde 2008. 

Essa atuação dos bancos estatais, por um lado, ajudou o país a passar relativamente incólume pela crise financeira.  A retração do crédito pelos bancos privados foi mais do que compensada pela expansão do crédito praticada pelos bancos estatais.  Essa postura dos bancos estatais ajudou a aditivar os números do emprego, da renda, do PIB e garantiu que Lula fizesse seu sucessor (ou sua sucessora) e ainda saísse com altos índices de aprovação. 

Aquele crescimento exponencial da linha vermelha garantiu bons números macroeconômicos em 2009 e 2010, e levou o Brasil pra capa da The Economist.

Agora, como a teoria austríaca dos ciclos econômicos explica, esse tipo de incentivo via expansão artificial do crédito gera efeitos aparentemente benéficos no curto prazo, mas cobra seu preço no longo prazo. 

Os efeitos nefastos começam a se manifestar só depois, com aumento dos preços, aumento do endividamento, e acúmulo de investimentos insensatos, com setores se expandindo sem que haja uma verdadeira demanda de mercado.  A indústria é um exemplo clássico.  Ela utilizou esse crédito estatal subsidiado para se expandir, calculou errado, e agora está em contração e com muita capacidade ociosa.

A partir de 2012, os bancos privados, linha azul, jogaram a toalha, pois viram que a situação estava ficando perigosa: inadimplência em alta, pessoas extremamente endividadas, e pessoas com histórico de crédito ruim.

Resultado: passaram a ser mais seletivos na concessão do crédito.  

E isso gerou uma forte redução no ritmo da expansão do crédito privado.

Observe novamente a linha azul: em 2014, praticamente não há nenhum avanço nos empréstimos feitos pelos bancos privados.  O crédito privado está praticamente estagnado.

cewolf.png

O setor automotivo, por exemplo, foi um dos mais atingidos.

E essa estagnação do crédito privado derrubou a economia e levou o Brasil novamente para a capa da The Economist.

Ao mesmo tempo, os bancos estatais mantiveram sua política temerária, sem nenhuma preocupação com calotes, sem nenhuma preocupação com a qualidade do empréstimo ou com o histórico de crédito dos tomadores de empréstimo.

No que mais, esse gráfico por si só já nos permite algumas constatações:

1ª) O crédito no Brasil já se encontra efetivamente estatizado. O volume de crédito dos bancos estatais ultrapassou o volume de crédito dos bancos privados.

2ª) O crédito dos bancos estatais é totalmente indiferente a alterações na SELIC.  Isso porque o crédito fornecido pelos bancos estatais é majoritariamente do tipo 'crédito direcionado'.  Tanto faz se a SELIC é de 7,25% ou de 11%.  Isso praticamente não altera o comportamento dos bancos estatais.  A SELIC altera apenas o comportamento dos bancos privados.

3ª) Os bancos estatais estão completamente fora de controle, criando dinheiro e jogando esse dinheiro na economia de forma exponencial. De 2008 até hoje, eles jogaram mais de R$1 trilhão na economia brasileira.  Estão claramente seguindo ordens políticas.

4ª) São os bancos estatais os principais causadores da carestia que estamos vivenciando no Brasil.  Quanto mais dinheiro eles jogam na economia, maior é a pressão sobre os preços. 

5ª) O efeito do crédito dos bancos estatais sobre a expansão da economia está sendo nulo. Como explica a teoria austríaca dos ciclos econômicos, essa expansão artificial do crédito só gera efeitos no curto prazo.  E o curto prazo durou de 2009 a 2011.

Quem quiser resolver o problema da carestia no Brasil vai ter de atacar os bancos estatais. Não há outra alternativa.

Fechando o ciclo

Por último, a pergunta que importa: por que os bancos privados adotaram um ritmo mais brando na concessão de crédito, e com isso afetaram a economia?

Os motivos são vários, mas há dois principais.

O primeiro motivo, como já dito, é o alto endividamento da população e a alta inadimplência, o que reduz a demanda por crédito e piora o histórico de crédito dos tomadores. 

Eis o gráfico do endividamento das pessoas.

cewolf2.png

No início de 2007, as pessoas físicas tinham uma dívida de R$350 bilhões junto ao sistema bancário.  Apenas sete anos depois, essa dívida aumentou nada menos que R$1 trilhão e já está em quase um R$1,350 trilhão.

Quanto mais endividadas as pessoas, menor a demanda por novos empréstimos e maior a cautela dos bancos em conceder empréstimos. 

Não é possível saber se já chegamos a um nível insustentável de dívida, mas claramente o aumento do endividamento das pessoas foi muito intenso e muito rápido.  Enquanto esse endividamento das pessoas não for equacionado, a economia não se levanta.

Já o segundo motivo da parcimônia dos bancos privados é porque tanto eles, os bancos, quanto os empreendedores, que em condições normais estariam tomando empréstimos, estão inseguros por causa justamente da deterioração da confiança e das expectativas quanto ao futuro da economia.

Como resultado da "Nova Matriz Econômica", temos hoje um governo totalmente imprevisível, que não passa nenhuma segurança institucional.

Temos um governo que tem uma política fiscal totalmente frouxa e nada transparente.

Um governo que gasta mais do que arrecada, e que tenta maquiar seus déficits por meio de truques contábeis.

Um governo explicitamente leniente com a inflação, um governo que acredita que um pouquinho de inflação ajuda a estimular a economia

Um governo cujo Banco Central é totalmente submisso à presidente da república e ao Ministério da Fazenda.

Um governo que intervém em contratos no setor de energia, que altera o marco do setor petrolífero, que segura os preços dos combustíveis e gera incertezas (quando é que os preços vão voltar a subir? Como investir e expandir sem ter essa previsibilidade?)

Um governo que aparelhou as estatais e loteou cargos para seus apaniguados; um governo que conseguiu destruir uma estatal que detém o monopólio das principais jazidas de petróleo do país.

Um governo que adota políticas de impostos e de tarifas de importação com o intuito de incentivar alguns setores escolhidos segundo critérios políticos e eleitoreiros.

Um governo que deixa claro que questões básicas como inflação e responsabilidade fiscal não são importantes.

dilma118.jpgUm governo que faz microgerenciamentos e que decide as taxas de retorno dos investimentos em infraestrutura.

Em suma, um governo que destruiu os fundamentos mais básicos da economia ao criar insegurança, e que se transformou no maior inibidor de investimentos.

Em um cenário assim, empreendedores não investem e nem tomam crédito para investir.  E os bancos prudentes também não emprestam.

Aquela linha azul fica parada.

Foi o próprio governo que gerou essa onda de pessimismo e desconfiança que estagnou a economia.  Os culpados estão em Brasília.  Resta agora ver se iremos tirá-los de lá.


3 votos

SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


Quem inventou essa tese de que não existe déficit foi uma pesquisadora chamada Denise Gentil. Segundo ela, o déficit da previdência é forjado.

www.adunicentro.org.br/noticias/ler/1676/em-tese-de-doutorado-pesquisadora-denuncia-a-farsa-da-crise-da-previdencia-social-no-brasil-forjada-pelo-governo-com-apoio-da-imprensa

Só que essa mulher nem sabe separar rubricas. Ela mistura a receita da Previdência com a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde, Assistência Social e Previdência) e então conclui que está tudo certo.

Nesta outra entrevista dela, ela diz isso:

"O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit."

Certo. Esse é o cálculo da previdência. Receitas da Previdência menos gastos com a Previdência dão déficit, como ela própria admite. Ponto final.

Mas aí ela complementa:

"Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração."

Ou seja, o argumento dela é o de que as receitas para saúde e assistência social devem ser destinadas para a Previdência, pois aí haverá superávit.

Ora, isso é um estratagema e tanto. Por esse recurso, absolutamente nenhuma rubrica do governo apresenta déficit, pois basta retirar o dinheiro de outras áreas para cobri-la. Sensacional.

A quantidade de gênios que o Brasil produz é assustadora.

Não deixa de ser curioso que nem o próprio governo petista -- em tese, o mais interessado no assunto -- encampou a tese dessa desmiolada.

De resto, o problema da previdência é totalmente demográfico. E contra a demografia e a matemática ninguém pode fazer nada.

Quando a Previdência foi criada, havia 15 trabalhadores trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. O problema é demográfico e matemático. Não é econômico. E não há ideologia ou manobra econômica que corrija isso.
Não existe déficit da previdência! Para justificar uma reforma que visa somente a tungar e sugar o trabalhador, o governo usa o seguinte estratagema: De um lado, pega uma das receitas, que é a contribuição ao INSS; do outro, o total do gasto com benefícios (pensão, aposentadoria e auxílios). Aí dá déficit! Só que a Constituição Federal estabelece, no artigo 194, que, junto com a saúde e a assistência social, a previdência é parte de um sistema de seguridade social, que conta com um orçamento próprio. Na receita, devem ser incluídas não apenas as contribuições previdenciárias mas também os recursos provenientes da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep. Aí temos a real situação: Superávit! Talvez você esteja supondo que o dinheiro que sobrou no orçamento da seguridade social mas faltou no da previdência tenha sido usado nas outras duas áreas a que, constitucionalmente, ele se destina. Mas, mesmo com os gastos com saúde e assistência, ainda assim temos saldo positivo. E como esse saldo se transforma em déficit? É que antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia 20% do total arrecadado com as contribuições sociais, por meio da DRU, para pagar dívidas, segurar o câmbio etc. Fora as renúncias e sonegações fiscais. Portanto, essa conversa de déficit é uma falácia pra empurrar goela abaixo do trabalhador uma "reforma" que tire ainda mais o seu dinheiro e o force a trabalhar por mais tempo.
As causas da Grande Depressão? Intervencionismo na veia.

Herbert Hoover
aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Com todo esse cenário de incertezas criadas pelo governo, não havia nenhum clima para investimentos. E o fato é que um simples crash da bolsa de valores -- algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987 -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu, exatamente o contrário do que Keynes manda.

As políticas keynesianas simplesmente amplificaram a recessão, transformando uma queda de bolsa em uma prolongada Depressão.



Crise financeira de 2008? Keynesianismo na veia. Todos os detalhes neste artigo específico:

Como ocorreu a crise financeira de 2008


Seu amigo é apenas um típico keynesiano: repete os mesmos chavões que eu ouvia da minha professora da oitava série.


Sobre o governo estimular a economia, tenho apenas duas palavras: governo Dilma.

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade
Prezados,
Boa noite.
Por gentileza, ajudem-me a argumentar com um amigo estatista. Desejos novos pontos de vista, pois estou cansado de ser repetitivo com ele. Por favor, sejam educados para que eu possa enviar os comentários. Sem que às vezes é difícil. Desde já agradeço. Segue o comentário:
------------------------------------
" Quanto ao texto, o importante é perceber que sem as medidas formuladas por keynes a alternativa seria o mercado livre, o capitalismo sem a intervenção estatal. Nesse caso, o que os defensores desse modelo não mencionam é que o capitalismo dessa forma tende à concentração esmagadora de capital, o que se levado às ultimas consequências irá destruir a própria sociedade. "O capitalismo tem o germe da própria destruição ", já disse Marx. Os capitalistas do livre mercado focam no discurso que eles geram a riqueza, mas a riqueza é sempre gerada socialmente. Como ja falei uma vez, um grande empresário não coloca sozinho suas empresas para funcionar, precisa de outras pessoas, que também, portanto, geram riqueza. Para evitar que a concentração da riqueza gerada fique nas mãos apenas dos proprietários, o Estado deve existir assegurando direitos que tentem minimizar essa distorção e distribua as riquezas socialmente geradas para todos. Isso não é comunismo, apenas capitalismo regulado, que tenha vies social. Estado Social de Direito que surgiu na segunda metade do século passado como resultado do fracasso do Estado Liberal em gerar bem estar para todos. Para que o Estado consiga isso tem que tributar. O Estado não gera riqueza, concordo. Mas o capitalismo liberal, por outro lado, gera a distorção de concentrar a riqueza gerada socialmente nas mãos de poucos. Essa concentração do capitalismo liberal gera as crises (a recessão é uma delas). O capitalismo ao longo do século 20 produziu muitas crises, a grande depressão da decada de 30 foi a principal delas. A ultima grande foi a de 2007/2008. O Estado, portanto, intervém para corrigir a distorção, injetando dinheiro. Esse dinheiro, obviamente, ele nao produziu, retirou dos tributos e do seu endividamento sim. Quando a economia melhorar o Estado pode ser mais austero com suas contas para a divida nao decolar em excesso e poder se endividir novamente numa nova crise, injetando dinheiro na economia pra superar a recessao e assim o ciclo segue. A divida do estado é hoje um instrumento de gestão da macroeconomia. Um instrumento sem o qual nao se conseque corrigir as distorções geradas da economia liberal. Basta perceber que todos os países mais ricos hoje tem as maiores dividas. Respondendo a pergunta do texto: o dinheiro vem mesmo dos agentes econômicos que produzem a riqueza, da qual o Estado tira uma parcela pelos tributos, com toda a legitimidade. E utiliza tal riqueza para assegurar direitos sociais e reverter crises. E o faz tambem para salvar a propria economia, que entraria em colapso sem a injeção de dinheiro do Estado (que o Estado tributou). Veja o que os EUA fizeram na crise de 2008. Procure ler sobre o "relaxamento quantitativo", que foi a injeção de 80bilhoes de dolares mensalmente pelo governo americano para salvar a economia mundial do colapso, numa crise gerada pelo mercado sem regulação financeira.

Veja esse texto do FMI, onde o proprio FMI reconhece que medidas d austeridade nao geram desenvolvimento e, portanto, reconhece a necessidade do gasto publico. (
www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm )

Esse artigo do Paul krugman sobre a austeridade, defendendo também o gasto publico:
https://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/apr/29/the-austerity-delusion .
"
---------------------------------------------


E aí pessoal, já viram isso? (off-topic, mas ainda assim interessante):


Ancine lança edital de R$ 10 milhões para games


Agora vai... por quê os "jênios" do Bananão não tiveram esta ideia antes? E o BNDES vai participar também! Era tudo o que faltava para o braziul se tornar uma "potênfia" mundial no desenvolvimento de games.

Em breve estaremos competindo par-a-par com os grandes players deste mercado. Aliás, seremos muito MAIORES do que eles próprios ousaram imaginar para si mesmos. Que "horgulio" enorme de ser brazilêro...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • César  26/09/2014 11:05

    Felicitações pela matéria discorrida sem rodeios, em cada tópico e sub-tópico o que se diz está embasado em dados oficiais e quem vive o mercado, ao ler com detida atenção, consegue entender com clareza o que está intrínseco nos desdobramentos da economia nacional. Com efeito, muita coisa segue mascarada, porém caindo pelas tabelas e descambará logo após as eleições.
  • Barroso  26/09/2014 11:17

    Leandro,

    Inicialmente, parabéns pelo brilhante artigo.

    Pelo que entendi, indiretamente ele deixa transparecer que inicialmente a expansão de crédito em um determinado ciclo econômico é benéfica. A partir de um determinado momento deixa de ser benéfica a causa distorções.

    Se o meu entendimento estiver correto gostaria que você me explicasse, se possível, como saber quando ela trará benefícios e quando poderá gerar distorções?

    Obrigado.

    Barroso
  • Leandro  26/09/2014 13:48
    Benefícios e distorções ocorrem em nível individual, e não em nível agregado. Quem se beneficia são determinados indivíduos, e quem sofre as distorções são outros indivíduos.

    Por exemplo, veja o setor imobiliário. Aquele indivíduo que comprou um imóvel em 2004 e o revendeu em 2012, foi beneficiado. Aquele que comprou em 2012 e o revendeu em 2014 se estrepou.

    Em uma expansão do crédito, ganham aqueles que são os primeiros a receber este dinheiro recém-criado. Quando eles recebem esse dinheiro, seu poder de compra aumenta imediatamente sem que os preços tenham se alterado.

    Perdem aqueles que recebem este dinheiro por último, que o recebem apenas depois de todos os preços já terem subido -- de modo que, durante o período de expansão do crédito, eles vivenciaram uma queda na renda real.

    É dessa discrepância que vem boa parte de nossas desigualdades de renda, a qual foi exacerbada justamente pela hiperinflação.

    Esse artigo responde à sua pergunta de forma mais completa:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1769
  • moises  02/03/2015 14:01
    Parabéns pelo trabalho, mas fiquei com uma dúvida você diz que um trabalhador americano produz 5 vezes mais do que um brasileiro, eles são humanos?
  • Leandro  02/03/2015 14:43
    Não sou eu quem diz; são as estatísticas:

    exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1025/noticias/agora-vem-a-parte-mais-dificil

    Eu apenas transmiti a notícia.
  • Decopi  26/09/2014 11:50

    Absolutamente impecável o texto, sem desperdício... parabéns ao Leandro Roque!

    Se me permitem, apenas acrescentaria que os fatores externos de 2002 a 2008, me parecem mais as causas do período de bonança da economia brasileira, do que o ajuste fiscal descrito neste texto.

    De 2002 a 2008 o mundo inteiro surfou na exuberância irracional, sendo que o mundo inteiro cresceu, a maioria dos países mais do que o Brasil. Não rejeito que o PT no início deu continuidade ao modelo FHC. Rejeito a premissa de que essa continuidade causou o período de bonança no Brasil.

    Por exemplo, o aumento de exportações e superavit fiscal no Brasil se deu simplesmente porque o mundo todo bombava no consumo de commodities, e os preços subiam +50%. Isso trouxe uma enxurrada de dólares ao país, que derrubou cotação, aumentou superavits, aumentou crédito etc.

    Assim que o boom lá fora caiu em 2009, aos poucos a verdade aqui no Brasil voltou. É claro que a continuidade do modelo FHC ajudou, e é claro que a descontinuidade do modelo hoje agravou. Porém, minha discordância com o texto é que o fato real, a causa das oscilações foi mesmo o boom externo, seu auge e caída.

    Por exemplo, se a China tivesse hoje um crescimento de 11%, mantendo o preço das commodities em alta, Brasil ainda com macacos pilotando o avião, gozaria de uma relativa bonança. É minha opinião.

    Se eu estiver certo, Brasil não tem motor próprio, não adianta a política econômica, seja de direita ou de esquerda, Brasil é um mero produtor de bananas, portanto sempre será escravo e refém do preço das commodities externo.

    O quê poderia mudar essa realidade? Uma política econômica olhando de 20 a 40 anos na frente (e não apenas 4 anos até a reeleição, como acontece hoje). Hoje temos um governo cuja política econômica visa a continuidade no poder, independente do futuro do Brasil. E isso condena o Brasil a ser um refém do preço das commodities lá fora.

    Se houvesse uma política econômica olhando de 20 a 40 anos na frente, haveria hoje foco em:
    1) Investimento
    2) Educação (quantidade, mas com QUALIDADE)

    Esses não são os únicos, mas são os 2 principais fatores no mundo inteiro que garantem produtividade. E é o aumento de produtividade que dá início a um ciclo de bonança sem tanta dependência de fatores externos.

    É claro que a verdadeira tarefa de casa no Brasil deveria incluir uma centena de outras medidas, mas ao não haver política econômica olhando de 20 a 40 anos, e ao não haver foco no investimento e educação (quantidade com qualidade)... a partir daí tudo o resto sempre será mais complicado.

    Abraços
  • Leandro  26/09/2014 13:40
    Aí valem trêss colocações:

    1) Países fortemente dependentes de exportação -- como Chile, Peru, Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong e Cingapura -- não estão vivenciando, nem remotamente, os mesmos problemas do Brasil. Isso, por si só, mostra que essa história de que a culpa toda é do cenário externo e dos preços das commodities é conversa de gente que quer se eximir da culpa.

    2) Preço de commodities beneficia majoritariamente o setor exportador voltado para elas. Dizer que o preço do minério puxa toda a economia, da cabeleireira ao flanelinha, é insensato.

    3) O cenário externo -- que foi abordado no artigo -- ficou realmente benéfico a partir de 2007 e chegou ao seu ápice em 2008. Em 2010, por exemplo, ele já era bem menos favorável. Foram dois anos muito bons, e só. Dizer que tudo de bom se deveu ao cenário externo é nonsense. Os arranjos e ajustes internos, bem como a confiança de empreendedores, investidores e consumidores, são imprescindíveis.

    A expansão do crédito tem muito mais efeito direto sobre todos os habitantes do que os preços das commodities. Nossa pauta exportadora, pouquíssimo diversificada, não tem esse poder mágico de se transmutar em bem estar para todos os habitantes. Isso seria quase que uma transubstanciação.

    Setor externo ajuda e atrapalha, mas ele sozinho não tem o poder de ditar a saúde de uma economia. Isso é trabalho interno.
  • Decopi  26/09/2014 17:34

    Caro Leandro, obrigado pela sua resposta. Seguindo a ordem dos seus comentários:

    1) Eu não coloco a culpa nas commodities e no cenário externo. Ao contrário! É o oposto. Eu afirmo que no início os petralhas deram continuidade ao modelo FHC, porém, que não foi isso que gerou o período de bonança, e sim, foi o cenário externo + as commodities (ambas coisas). E justamente o maior erro dos petralhas foi não aproveitar essa bonança gerada pelo benéfico cenário externo + commodities. O ERRO FOI DOS PETRALHAS, lá desde o início, que olhando na reeleição, apostaram num governo com foco no poder, quando lá trás nas épocas das vacas gordas, deveriam ter focado em INVESTIMENTO + EDUCAÇÃO = PRODUTIVIDADE.

    O cenário externo + a commodities apenas ampliaram o ocultaram o erro dos petralhas.

    Esse erro do início com Lula, depois agravou-se com Dilma, porque o padrão do erro era e é o mesmo: Ambos focaram no poder, e nunca no desenvolvimento do país. Por isso Brasil hoje está pior do que Chile, Peru, Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong e Cingapura (países citados por você), porque enquanto esses países na última década sempre focaram forte em INVESTIMENTO + EDUCAÇÃO = PRODUTIVIDADE... Brasil ficou no populismo e demagogia, necessários para garantir votos, o que garante poder.

    2) No caso Brasil, preços das commodities impacta muito além do que apenas ao setor exportador. Impacta 80% de toda a nossa economia. Para começar, o setor mais produtivo do Brasil é a agricultura, que tudo bem, pode não ser sempre exportador, mais seus preços e custos DEPENDEM DO EXTERIOR. A partir daí, fica fácil entender que grande parte do resto, direta ou indiretamente, depende dos cenários externos + commodities.

    Veja bem Leandro, eu não digo que essa é uma regra genérica para todos os países. Digo que é o caso do Brasil, que fora agricultura, o resto é incipiente. O setor de serviços no Brasil é uma farsa, uma bolha que vai estourar por causa do endividamento das famílias. E o setor industrial, morto, já era, sobrevive apenas pelo protecionismo e subsídios. O grosso mesmo é agricultura, portanto, Brasil é refém dos cenários externos + commodities. Poderia ter sido evitado, se quando na época das vacas gordas, os petralhas tivessem investido em INVESTIMENTO + EDUCAÇÃO = PRODUTIVIDADE. Isso teria criado OUTROS setores produtivos (serviços, indústria etc), Brasil não seria tão dependente do exterior, e teríamos crescimentos mais estáveis como Chile, Peru, Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong e Cingapura etc.

    3) O cenário externo ficou benéfico a partir de 11 de setembro de 2001, quando o FED começou a criar a bolha imobiliária. A farta liquidez mundial e crédito fácil começaram em 2002. Foi isso que permitiu aos petralhas o ajuste no início. A partir daí China já começou a bombar forte em 2003 (veja que minério de ferro começou a pular forte a partir de 2004), e com China bombando, o resto foi o trem da alegria... que levou à exuberância irracional... que os petralhas não souberam aproveitar, porque nunca focaram em INVESTIMENTO + EDUCAÇÃO = PRODUTIVIDADE. Se a farra no Brasil continuou até 2010, foi apenas pela inércia da farra que começou em 2002. Quando USA parou em 2008 e 2009, repercutiu na Europa em 2010, e finalmente na China em 2011. Foi um efeito cascata que levou uns meses de país em país. Por isso no Brasil só começamos a sentir em 2011.

    Não é nonsense dizer que o trem da alegria no Brasil se deveu ao cenário externo + commodities. Nos primeiros 8 anos do lulopetismo, o carro chefe foi a agricultura, portanto se lá fora bombava, aqui bombava. Nos 4 anos seguintes de Dilma, idem, foi a agricultura o carro chefe, só que lá fora os preços caíram 50%. Como Lula nem Dilma nunca focaram em INVESTIMENTO + EDUCAÇÃO, não houve produtividade, e a economia afundou. Repito, a culpa não é do cenário externo + commodities. A culpa é os petralhas focarem no poder, e não no desenvolvimento do Brasil. Se o tivessem feito, os setores produtivos do Brasil, primeiro estariam mais diversificados, e segundo seriam mais produtivos graças a INVESTIMENTO + EDUCAÇÃO.

    A culpa e a causa de tudo se deveu aos petralhas e seu plano de poder. Em 12 anos sem investir nem educar, transformaram o Brasil num país não produtivo (Em USA, 1 trabalhador produz 5x mais do que no Brasil. Nem falar na China e outros países).

    E como o foco dos petralhas sempre foi o poder e não o desenvolvimento, os investidores e empreendedores foram vistos e tratados como sujos, repulsivos, exploradores etc, o que afastou o capital. Mais uma vez fica evidente que dar continuidade ao modelo de FHC, não era suficiente. Na época das vacas gordas era hora de uma reforma política, uma reforma tributária, aumentar investimentos, privatizar, melhorar educação etc. Mas como os petralhas focavam no poder e não no desenvolvimento, se dedicaram AO MENSALÃO, o que acabou com as chances de reformas deles.

    Nesse contexto, sem poder avançar nas reformas, só ficava bombar a economia através do sistema Dilma: Consumo + Crédito subsidiado + Controle inflação (controle de preços) + Controle do dólar etc. E por que isso? Repito, porque se buscava poder e não desenvolvimento. Dilma focou em EMPREGO + AJUSTE SALARIAL, porque como todo bom populista e demagogo sabe, isso gera voto = poder. Nesse contexto, investidor e empreendedor foi desdenhado, e isso somado às intervenções do governo na economia, e nas improvisações... afastou o capital privado de investimento.

    Mas, se a China tivesse continuado com crescimento de 11%, as commodities bombariam, agricultura no Brasil continuaria bombando (apesar dos petralhas), e a rentabilidade do país teria sido interessante para os investidores, apesar dos petralhas. Ao meu ver, tudo gira sim, com cenário externo + commodities, e pela falta de projeto país dos petralhas nos últimos 12 anos.

    Sou da teoria que Brasil, com esquerda ou com direita, sem um projeto país, focado em investimento, educação e produtividade... sempre vai ficar refém do cenário externo + commodities.

    4) Em relação ao crédito, seu comentário é verdadeiro, se o crédito fosse privado. O problema é que os 4 anos de Dilma foram sustentados por créditos públicos... direcionados... que são subsidiados. O crédito privado cresceu só quando a situação lá fora melhorou a partir de 2002, o que acabou gerando um cenário benigno no Brasil. Assim que a coisa ficou feia lá fora, o crédito público artificial subsidiado apareceu no Brasil, com os Bancos Públicos. Esses créditos artificiais não seguem a racionalidade da economia, e sim, apenas a irracionalidade de políticas ou ideologias. Veja Leandro que hoje chegamos ao ponto de praticamente não existir financiamento privado para infraestrutura, nem sequer para compra de imóveis. A grande maioria é crédito público, tudo artificial, tudo subsidiado.

    Para ter crédito privado e abundante, você precisa emprego + salário + produtividade. O crédito privado sobreviveu, enquanto a coisa lá fora estava bem. Na hora que apertou, e aqui não tinha produtividade, acabou o crédito privado.

    O custo do crédito privado no Brasil é alto, principalmente pela falta de produtividade, o que aumenta desemprego + queda salarial = risco inadimplência.

    Alguns falam que o problema é falta de oferta de crédito. Negativo. O modelo de consumo esgotou a capacidade das pessoas tomarem mais crédito, já que o emprego pleno é uma farsa produto da manipulação de dados, o ajuste salarial é outra farsa corroída pela inflação + juros + impostos asfixiantes, e fundamentalmente pela falta de produtividade, o que impede a competitividade, o que impede tomada de crédito. Se os petralhas forçarem a barra nisto, terão a explosão de uma bolha no Brasil, como aconteceu em USA com os subprimes.

    5) A pauta exportadora pouquíssimo diversificada é justamente grande parte do problema, porque como mencionei, o carro chefe no Brasil é agricultura, que exportando ou não, depende de preços e custos externos. E por efeito dominó, isso impacta nos outros setores. Sobre o resto dos setores, já falei, são inócuos, por improdutivos. Setor automotor é um excelente exemplo: Como os petralhas perseguiam emprego, favoreceram o setor automotor, por ser um grande empregador. Porém, a improdutividade do setor é tal, que aqui no Brasil um carro custa mínimo 50% mais do que lá fora. Num contexto assim, é inevitável a falência. Foi o que aconteceu na hora em que o consumo aqui e na Argentina apertou... as vendas de carros despencaram 30%. Conclusão: Desemprego. E é o que você verá na indústria, no setor de serviços etc: Desemprego... porque são improdutivos. Por uns anos o consumo artificial maquiou isso. Assim que o consumo apertou, a verdade apareceu.

    Repito, eis aqui o grande erro dos petralhas: Falta de um projeto de país... investir pesado a partir de 2002 em infraestrutura, educação em quantidade e qualidade. Isso teria levado produtividade aos diferentes setores... o que pela sua vez teria deixado o Brasil menos dependente de cenários externos, commodities etc.

    Finalizando, obrigado pela oportunidade de trocar umas ideias e opiniões com você. Pode que você esteja certo em tudo Leandro, mas acho que estou um pouco certo no protagonismo do cenário externo + commodities, frente ausência de investimentos, educação e produtividade no Brasil. Não se trata de isolar esses 2 contextos. São juntos esses os 2 contextos externos + internos que causaram a situação atual, na minha opinião.

    Volto a parabenizá-lo pelo artigo, porque independente das nossas interpretações, repito que seu texto me pareceu excelente.

    Abraço
  • anônimo  29/09/2014 20:45
    rt.com/news/191608-hong-kong-protest-umbrella/
  • Leo  09/10/2014 02:29
    Entendo que o saldo comercial crescente, decorrente dos ganhos nas relações de troca (commodities em alta), foi o "avalista": os bancos privados não teriam crescido tanto suas carteiras sem funding externo, que por sua vez não existiria se o investidor estrangeiro não tivesse confiança na recuperação do seu investimento.
  • Pedro Bolson  26/09/2014 12:11
    Não é que não goste de artigos de cunho filosófico/teórico do IMB, mas sinto muito falta destes artigos analíticos (principalmente os voltados à realidade brasileira) e logo que os vejo paro o que estou fazendo para lê-los. Parabéns Leandro, organizar esta enormidade de links, gráficos e informações não deve ser fácil.

    Pontos chave foram abordados: Estatização do crédito; não acurácia de dados macroeconômicos; incerteza gerada pelo regime; inflação; comprometimento (endividamento) da renda da população; submissão do banco central aos interesses de pessoas atrás de voto e por aí vai.

    Certamente os ajustes serão necessários e dolorosos nos próximos períodos. Possivelmente serão feitos sob a égide de um novo partido/equipe econômica (e torço para que de fato sejam, não há mais espaço para outros 4 anos desse tipo de gestão). E assim como o Lula gozou de grande aprovação pelos motivos citados acima, me preocupa o fato de que estes próximos que virão tenham que carregar o pesado fardo do ajustamento, fazendo com aqueles leigos do ponto vista econômico (grande parte da população brasileira) tenham saudades do tempo em que "as coisas iam bem".



  • Andre  26/09/2014 12:32
    Tá chegando a hora da geração nem nem sair pra arrumar trabalho.
  • Sagran Carvalho  26/09/2014 13:07
    Excelente artigo Leandro. Mais claro e esclarecedor impossível. Pelo que se denota é que seja qual for o eleito, as coisas não serão nada fáceis e teremos que passar por um choque duro, que no fim cairá nas costas da população. É inevitável, ou o caminho para o retorno do desastre hiper inflacionário e o caos econômico estará aberto.
  • Marcelo  26/09/2014 13:17
    Excelente análise, Leandro.
    Será devidamente compartilhado e recomendado!
  • Gênesis   26/09/2014 13:24
    Apertem os cintos, muito provavelmente teremos uma séria crise econômica em 2015, pois ao que parece a "presidenta" levará a vitória nessas eleições e continuará com as práticas econômicas heterodoxas. O jeito é se preparar para o pior.
  • Pobre Paulista  26/09/2014 13:25
    "Os culpados estão em Brasília. Resta agora ver se iremos tirá-los de lá."

    Desde que não se coloque ninguém no lugar deles eu apoio. Senão é trocar 6 por meia dúzia.
  • Felipe  26/09/2014 14:50
    Pobre,

    Você acredita numa solução gradual, vamos reduzir primeiro o número de burocratas de 10 para 8, depois para 5 e assim por diante.

    Ou numa solução brusca, corte os 10 de uma vez?
  • Rodnei Cardozo Moreira  26/09/2014 19:06
    Cortes bruscos geram revoluções.
    Cortes graduais geram mimimi, e quem maneja a tesoura vai perdendo apoio, até sair.
    Não vejo solução fácil.
  • Silvio  29/09/2014 15:13
    A solução é muito simples. Não se trata de ser radical ou gradualista. Trata-se de simplesmente fazer o que é certo.

    Se alguém habitualmente te dá 100 tapas na cara todos os dias, não é certo que ela vá reduzindo um tapa por semana até chegar ao ponto em que você não seja mais esbofeteado.

    Se alguém te dá 100 tapas na cara todo santo dia e você não fez nada para merecer isso, só há uma única coisa que deva ser feita: aquela pessoa deve parar imediatamente de te dar tapas.

    Mas aquela pessoa pode se julgar injustiçada, pois essa atividade era muito importante na vida dela. Ela já tinha até parado de freqüentar a academia, pois ela já se exercitava o suficiente em suas sessões diárias de estapeamento na sua fuça. Imagina o impacto econômico na vida da pessoa que, de uma hora para outra, terá de passar a pagar academia para poder se exercitar.

    Mais ainda, aquela pessoa realmente se divertia dando bolachas na sua cara. Ela não precisava freqüentar teatros e cinemas para se divertir. A sua cara era praticamente a fonte de toda a diversão que aquela pessoa precisava. Se formos parar com a agressão de uma hora para outra, ela vai sofrer e ter de repensar toda a sua vida, sem contar que vai ter de procurar novas formas de diversão.

    E não é só a pessoa que te dava tapas que vai sofrer com a imediata extinção dessa atividade lúdica. O farmacêutico ganhava uma boa grana te vendendo analgésicos. O dentista também tinha um bom rendimento ao tratar de seus dentes que volta e meia ficavam afrouxados. O psicológo tinha em você um cliente regular e também faturava bem ao ouvir suas lamentações pelo sofrimento decorrente das coças diárias. A economia será afetada e fatalmente haverá uma retração se a sua cara não for mais objeto de porrada.

    Mas então, qual seria a melhor solução? Simplesmente impedir que te impeçam de dar tapas ou buscar uma redução na quantidade de tapas dados na sua cara até chegar a um patamar mais razoável ou mesmo tendente a zero?

    Quando se põe sua cara à tapa a solução fica evidentemente óbvia. Mas o certo é que ninguém pode tolerar a iniciação de agressão. Como o estado é financiado na base de roubo/agressão, ele simplesmente não pode ser tolerado. Não se deve reduzir o roubo aos poucos para que o ladrão tenha a oportunidade de tranqüilamente arranjar outra atividade para se sustentar.

    Voltando ao hipotético caso do tapa, mas então como é que ficam o cara que te estapeia diariamente, o farmacêutico, o dentista e o psicológo? A resposta é muito simples: FODAM-SE ELES! Ninguém tem o direito de levar a sua vida na base da coerção de outras pessoas.
  • Andre  02/10/2014 20:36
    O problema é que a maioria das pessoas simplesmente quer continuar levando tapas na cara e quer forças as que não querem levar tapas na cara a levarem tapas na cara também.

    Basta parar uma pessoa aleatória na rua e perguntar o que ela acha de acabar com o governo e migrarmos para um sistema anarcocapitalista.
  • anônimo  03/10/2014 19:53
    hauehaueuaeha
    mto boa essa analogia do tapa e a resposta acima! kkkkk

    Realmente, enqto ficamos no campo teórico a verdade é q as pessoas tentam desesperadamente não virarem alvo dos tapas pq se assim forem, apenas aprenderão a viver com isso. Momento exato no qual passarão a ser pró-tapas nos outros! De forma a melhorar a sua própria vida estapeada em relação aos outros que a cercam.

    obs.: não lembro onde que vi um documentário uma vez em que foi feito um experimento social com ênfase nisso: no relativismo interpessoal. Era bem do tipo "a grama do vizinho" e dava sempre na kbça: se na volta estão ligeiramente piores q vc, vc está mais feliz!
  • anônimo  30/10/2014 22:03
    tou levando soco depois dos tapas tomara que não vire facadas
  • Nathan  26/09/2014 13:45
    Excelente. Linguagem simples, e ainda assim muito bem explicado.
  • Felipe  26/09/2014 13:48
    Leandro,

    Pode-se dizer que bolhas na economia são causadas por expansão artificial do crédito?

    E que o Brasil cresceu nos ultimos anos basicamente por essa expansão artificial?
  • Leandro  26/09/2014 13:56
    Correto.

    No atual sistema monetário e bancário em que o mundo vive, tudo no final é determinado pela expansão do crédito. Dão-se bem aqueles países que o fazem com mais parcimônia e com mais sensatez.

    Sugiro esses dois artigos, que têm abordagens práticas sobre o tema:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1696
  • Felipe  26/09/2014 14:57
    Obrigado!
  • Lucas  26/09/2014 14:03
    Excelente artigo!
    A melhor análise sobre a atual situação econômica da economia brasileira que já li.
    Me chamou muita atenção a parte sobre o "baixo desemprego" em nosso país. O governo usa esses dados como grande trunfo eleitoral... mas na realidade esconde a falta de produtividade, qualidade dos empregos e consequente baixos nível salarial.
  • Marcelo  26/09/2014 14:09
    Esse é específico sobre o desemprego no Brasil:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1832
  • Lopes  26/09/2014 14:29
    Fantástico artigo e um verdadeiro panorama da economia brasileira, tocando em virtualmente todas as suas feridas. É um tanto complexo dizer isto, mas creio que você finalmente logrou superar seus próprios trabalhos anteriores, Leandro.
  • Pobre Paulista  26/09/2014 23:01
    Será que o Típico Filósofo não fará nenhuma consideração a este artigo?
  • Típico Filósofo  07/11/2014 00:27
    Caro sr. Paulista nascido em população carente de recursos materiais. Não discordo da análise do senhor Leandro de forma alguma: suas relações de causa e consequência são impecáveis à medida do possível em um artigo burguês.

    Nossas discordâncias são fundamentalmente filosóficas e não econômicas: seus artigos soam críticos pois ele parte da inocente e reacionária premissa (ao menos em um artigo de economia e o julgamento das consequências frente ao resultado desejado de uma política qualquer) de que o objetivo da matriz econômica brasileira é alguma forma de criação de riqueza. A meta real é a instauração de um regime de socialismo-moreno no longo prazo através do agigantamento do aparato governamental e a perpetuação democrática do partido atual sobre a política brasileira.

    Nossa meta suprema é a eliminação de toda forma de mais-valia através do cerco gradualmente acelerado ao capitalismo e assim, o povo estará liberto: este fenômeno está em ocorrência na Argentina e devido ao nosso atraso reacionário, já está em alto progresso na Venezuela - já logrando libertar os trabalhadores de inúmeras linhas de produção, como importadores, fabricantes de papel higiênico, vendedores de eletrônicos e mais.

    Veja a libertação dos trabalhadores em primeira mão e sem cortes reacionários:


    Anseio pelas próximas contribuições do sr. Leandro, pois seus artigos econômicos fazem meu dia: subitamente, todas as militâncias em que já lutei parecem triunfar contra o capital em inúmeros aspectos com uma só leitura, seja partidária (insegurança gerada pelo regime), fundiária (direitos de propriedade violados no interior) e muitas mais.
  • Dioner  07/11/2014 13:46
    Sempre que leio os comentários do Tipico Filosofo, fico pensando se não é um personagem (uma caricatura, talvez) criado pelo próprio Leandro. Hehehehe
  • Barroso  26/09/2014 14:45
    Leandro,

    Obrigado pela resposta supra.

    Se for possível você poderia me responder às perguntas abaixo enumeradas.

    1- O que deveria ser feito para que a discrepância acima citada por você não gerasse boa parte de nossas desigualdades de renda?

    2- Em uma expansão do crédito, quem são os primeiros a receber o dinheiro recém-criado e quem são aqueles que recebem este dinheiro por último?

    3- Na economia austríaca, a expansão via crédito ocorre de que maneira?

    Obrigado.

    Barroso
  • Ronaldo  26/09/2014 16:29
    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=252

  • Leandro  26/09/2014 17:17
    1- Alterar o sistema bancário e monetário. Um primeiro passo dessa reforma foi delineado aqui.

    2- Os primeiros a receber são aqueles que pegam os empréstimos e aqueles em quem o dinheiro desse empréstimo é gasto.

    Se uma incorporadora pega um empréstimo para construir um prédio, os primeiros beneficiados serão todos os indivíduos envolvidos na construção civil: engenheiros, arquitetos, mestres-de-obras, corretores, vendedores, relações públicas etc.

    Já os últimos normalmente são aqueles que recebem algum tipo de renda fixa e que não possuem poderes políticos e econômico: sacerdotes, aposentados, pensionistas, pessoas dependentes de algum seguro de vida, senhorios com contratos de aluguel de longo prazo, portadores de títulos e credores em geral, e pessoas que têm apenas dinheiro na carteira.

    3- Não entendi o que você quis dizer com "na economia austríaca". O mecanismo de expansão do crédito independe de teorias. É uma coisa real.
  • Felipe  26/09/2014 14:46
    Leandro,

    2 Dúvidas:

    Com que dinheiro os bancos públicos expandem o crédito?


    como o governo expande a base monetária e como essa expansão vai para o crédito?

  • Ronaldo  26/09/2014 16:24
    "fenômeno" do Multiplicador bancário, compra de títulos públicos do mercado (abaixando SELIC), diminuindo deposito compulsório...entre outros meios


    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=913

    "Com isso, temos definido os componentes do dinheiro padrão: a soma das cédulas e moedas metálicas de fato criadas pelo Banco Central (que estão em posse tanto das pessoas e empresas quanto nos cofres dos bancos) mais os depósitos compulsórios eletrônicos que os bancos mantêm depositados junto ao Banco Central. No jargão economicista, isso chama-se base monetária, e está totalmente sob controle direto do Banco Central. É sobre a base monetária que todo o sistema bancário, coordenado e protegido pelo Banco Central, irá criar mais dinheiro eletrônico (via criação de contas-correntes), expandindo a quantidade total de dinheiro na economia."
  • Felipe  26/09/2014 16:42
    Obrigado.
  • Guilherme  26/09/2014 17:19
  • Felipe  26/09/2014 14:56
    Leandro,

    Vocês poderiam ter artigos mais sobre a historica econômica brasileira.

    Na literatura atual só encontro pessoas que defendem o período de grandes estadistas como Vargas e JK, afirmando que eles industrializaram e modernizaram o país.
  • Carlos Eduardo  26/09/2014 14:58
    Ótimo e lúcido apanhado da nossa economia!

    Não duvido que em muito breve, com a farra do crescimento artificial se esgotando, sigamos o caminho parecido com o seguido pelas vizinhas Argentina e Venezuela. Inflação disparando, controles de preços, escassez de produtos, racionamentos, proibição de transferência de nossas propriedades para o exterior, confiscos, e o que mais for.
  • sandro lima  26/09/2014 20:05
    Eu acho que não, pois pra chegar ao nível de venezuela e argentina, temos que cair muito!
    um cenário desses aconteceria lá para 2020, se mantivermos as políticas atuais ininterruptamente.
    Mas aqui, acredito que o empresariado e os bancos não deixariam ir tão longe.

    só conseguiram congelar o preço do petróleo porque é uma estatal.
    A energia, algumas empresas pularam fora, outras subsídios e mesmo assim, já teve aumento esse ano.

    Só sei de uma coisa: Se o PT ganhar, tamos Fod%##.

    E, se algum outro partido ganhar, que aproveite que é "novo", para arrumar a casa e jogar a culpa no partido anterior, pois não irá conseguir limpar a bagunça sem deixar a população insatisfeita.

    E quem tiver poupança gorda em real, que troque por ouro.
    Nunca se sabe.
  • Rômullo Freitas  26/09/2014 15:09
    Magistral.

    Excelente artigo, Leandro. Parabéns!
  • Dalton C. Rocha  26/09/2014 15:10
    "A história mostra, enfim, que o comunismo é imbatível quando se trata de gerar escassez, miséria e aviltamento da dignidade humana. Nossa Ibero-América, onde as prescrições políticas e econômicas do Foro de São Paulo ditam regras para muitos países, parece nada aprender das constatações acima. Consequentemente, as coisas andam mal e é preciso botar a culpa em qualquer um que não nos vendedores de ilusões, nas utopias que se requebram como odaliscas, nos delírios do neocomunismo, nos corruptos e nos corruptores. Decreta-se, então, para todos os males, a responsabilidade da economia de empresa, do capitalismo e, sim, claro, dos Estados Unidos." > www.puggina.org/artigo/puggina/o-comunismo-esse-insepulto/1779
  • Charles Miller  26/09/2014 15:48
    Este artigo foi tão bom que chegou a correr uma lágrima do meu olho. Parabéns, Leandro.
  • Trader carioca  26/09/2014 15:58
    Parabéns pelo ótimo trabalho Leandro e todos os que o ajudaram direta ou indiretamente.

    Essas análises da realidade são excelentes, principalmente as focadas no Brasil.

  • Caio-SP  26/09/2014 16:50
    Caro Leandro, to aqui lendo esse artigo. Vendo os dados dos investimentos. Matutando sobre a TACE, reservas fracionarias, criação de dinheiro "out of (f)thin air"(como diz Hoppe), distribuição desse dinheiro aos amigos mais chegados....

    Aiiiii, vejo que dos 10 times de futebol de maior torcida no Brasil, 7 tem bancos como o patrocinador "master". 3 da Caixa (Fla, Corint. e Vasco), 2 BMG (Cruzeiro e AtleticoMG) e 2 do Banrisul ( Internacional e Grêmio). Dos 3 restantes, Sao Paulo,Santos e Palmeiras os dois primeiros já foram patrocinados pelo BMG.


    É isso mesmo? O futebol estatizado?



  • Leandro  26/09/2014 17:20
    Correto. O futebol brasileiro já se encontra quase estatizado. A Caixa Econômica Federal e outros bancos estaduais (como o Banrisul) patrocinam quase todos os principais times do país. Tenho engulhos quando vejo Flamengo, Corinthians, Vasco, Atlético-PR, Coritiba, Vitória etc. com aquele "CAIXA" escrito no peito.

    Mais um motivo para libertários não perderem seu tempo prestigiando essa bobagem. O negócio é automobilismo.
  • Rene  29/09/2014 16:24
    Futebol estatizado? Agora entendi a razão para o vexame que foi a copa do mundo.
  • PESCADOR  26/09/2014 16:57
    Parece que vem uma tempestade por aí, 2015 não será para amadores no Brasil. Dilma destruiu a economia brazuca, que já era meio frágil. Estamos fritos!
  • anônimo  26/09/2014 17:15
    Parabéns Leandro! Dá até pra lançar um livro com o conteúdo exposto no artigo ;)
  • Douglas Nonato  26/09/2014 17:16
    Não vejo nenhuma novidade dessa mudança brusca dos rumos da economia brasileira, afinal o Presidencialismo provoca isso mesmo. Esse sistema de governo não tem compromisso com o projeto de um país, mas sim com os interesses de grupos políticos. Deviamos ter votado no Parlamentarismo Presidencialista lá em 1993, era nossa chance de mudarmos o rumo do Brasil, mas o povão foi enganado a deixar as coisas como estavam e aqui estamos nós sempre rodando sem nunca acharmos a saída. Nunca iremos a lugar nenhum enquanto não mudarmos esse sistema de governo! Pelo que sei, não existe nenhum país do 1º mundo com um sistema de governo como o nosso.
  • Cássio  26/09/2014 17:26
    Excelente artigo-palestra. Excelente mesmo!

    Só fiquei com uma dúvida. Não houve menção à influência da expansão monetária do Fed depois do estouro da bolha pontocom.

    Qual a importância dela no processo de recuperação econômica do Lula I ?
  • Leandro  26/09/2014 17:52
    A desvalorização do dólar perante o real (o que ajudou no combate à carestia), e o encarecimento de várias commodities, que alegrou o setor exportador. De resto, houve encarecimento do petróleo (que atingiu o ápice em 2008).
  • fox  25/09/2015 22:29
    Eu também achei isso muito estranho. Em outro artigo aqui (mises.org.br/Article.aspx?id=2190) o dólar é mencionado como o principal fator por trás do crescimento (e da queda) da economia brasileira.
  • Leandro  26/09/2015 02:25
    Na verdade, esse outro artigo que você mencionou apenas explicita e aprofunda essa frase:

    "A desvalorização do dólar perante o real (o que ajudou no combate à carestia)"

    Ela é a chave.

    Enquanto o presente artigo procurou se concentrar no relato dos eventos que nos trouxeram ao atual momento, o artigo por você mencionado procurou se concentrar unicamente no período 2004-2011

    Mas eu entendo sua observação e faço um mea culpa: de fato, a questão do dólar poderia ter sido explorada mais neste artigo. Mas aí o artigo ficaria do tamanho de um catálogo.
  • Dw  26/09/2014 18:06
    Acredito que são nos bancos estatais que se encontram o subprime brasileiro. Caixa econômica alavancada em 28 x em relação ao seu patrimônio líquido, e mesmo assim, não aparenta frear o "crédito direcionado". Eu quero só ver quem vai cobrir o rombo quando a inadimplência neste banco aumentar e o castelo de cartas desmoronar. Imagino que nos outros bancos estatais não seja diferente.
    O medo em relação ao futuro me assola.
  • Bernardo  02/10/2014 03:39
    E ela passa nos índices de Basileia???
  • Opinador  26/09/2014 18:10
    Muito interessante o artigo.

    Porém aparentemente um dos fatores que foram colocados como responsáveis pelo crescimento não sugere dependência de capital externo?

    E o que apesar de ter sido feito da forma errada, não foi o consumo de salvou o Brasil da crise de 2009 ?

    O texto parte de um principio que eu não gosto (desculpe mas não sou especialista), que é o crescimento via arrocho e não por desoneração , produtividade e concorrência.

    Não vejo nenhum país rico que tenha desprivilegiado o consumo, desde que tenha o feito sem uso abusivo de crédito.

    A crescimento por arrocho mostra por si só no texto a sua fragilidade que extrema dependência de exportação e mercado externo.

    E no primeiro espirro pegamos um enorme resfriado.


  • Leandro  26/09/2014 18:45
    "Porém aparentemente um dos fatores que foram colocados como responsáveis pelo crescimento não sugere dependência de capital externo?"

    O quê, exportações? Não. O setor exportador foi apenas o primeiro setor a se recuperar. Com a restituição da confiança e da previsibilidade, bem como com o controle da inflação e com a adoção de um orçamento equilibrado, as expectativas se restabeleceram e a economia voltou aos trilhos.

    "E o que apesar de ter sido feito da forma errada, não foi o consumo de salvou o Brasil da crise de 2009?"

    A expansão do crédito via bancos estatais ajudou a mitigar a crise de 2009, mas o custo da fatura está sendo cobrado agora. Como escrito no artigo: "Como a teoria austríaca dos ciclos econômicos explica, esse tipo de incentivo via expansão artificial do crédito gera efeitos aparentemente benéficos no curto prazo, mas cobra seu preço no longo prazo. Os efeitos nefastos começam a se manifestar só depois, com aumento dos preços, aumento do endividamento, e acúmulo de investimentos insensatos, com setores se expandindo sem que haja uma verdadeira demanda de mercado. A indústria é um exemplo clássico."

    "O texto parte de um principio que eu não gosto (desculpe mas não sou especialista), que é o crescimento via arrocho e não por desoneração , produtividade e concorrência."

    Em primeiro lugar, vale lembrar que a função de um economista é explicar como as coisas funcionam ou funcionaram; a função de um economista não é ficar fazendo perorações subjetivas sobre se tal coisa foi gostosa ou não.

    Um economista tem de explicar as coisas de maneira fria, e não ficar introjetando ideologias ou preferências político-partidárias em suas análises. Sugiro fugir de economistas que façam isso. Não são economistas, mas sim panfleteiros.

    Dito isso, é claro que, se eu pudesse escolher, também escolheria o ajuste via "desoneração, produtividade e concorrência", mas infelizmente eu não fazia parte daquela equipe econômica.

    Minha função aqui, como economista, é apenas apontar o modelo que foi adotado, e explicar quais foram as consequências desse modelo.

    "Não vejo nenhum país rico que tenha desprivilegiado o consumo, desde que tenha o feito sem uso abusivo de crédito."

    Consumo não é algo que tem de ser "privilegiado". Consumo é um impulso totalmente natural do ser humano. O ser humano trabalha justamente para poder consumir. Não faz sentido nenhum dizer que o "consumo tem de ser estimulado". O consumo é natural.

    O segredo do enriquecimento não está no consumo (que é algo fácil e gostoso). O segredo do enriquecimento está na poupança (abstenção do consumo), no investimento e na acumulação de capital. São essas três coisas que fazem um país enriquecer, e não o consumo. O consumo tem de vir depois da poupança, da acumulação de capital e do investimento, e não antes. (Ver mais detalhes sobre isso aqui)

    "A crescimento por arrocho mostra por si só no texto a sua fragilidade que extrema dependência de exportação e mercado externo. E no primeiro espirro pegamos um enorme resfriado."

    Nada a ver com exportação. O que realmente se fortaleceu no Brasil no período 2003-2012 foi o mercado interno (só que lastreado majoritariamente na expansão do crédito). E isso só foi possível por causa do ajuste de 2003. Sem ele, nada disso teria sido possível.

    De novo: você está querendo fazer juízo de valor, e isso não cabe em análise econômica.

    Grande abraço!
  • Opinador  26/09/2014 18:58
    Gostei muito das suas respostas.

    Gostei muito do artigo, apenas tinha ficado esse ponto de dúvida.

    Quando disse que não gosto muito, não foi pela emoção, apenar me referia a uma interpretação pessoal.

    Mas realmente o que torna um país rico é sua poupança interna, porém a China tem enorme poupança interna, mas ainda baixíssimo IDH.

    Quando disse privilegiar consumo, foi no sentido que todos terem acesso a bens de consumo, ou pelo menos o maior número de pessoas.

    Mas entendo que não se faz um omelete sem quebrar ovos, e com certeza medidas de austeridade são necessárias , principalmente no início do processo.

    O meu medo é os esquerdistas lerem um artigo desses e criarem munição para atacar o liberalismo e o MISES. Acreditem tem muitos deles que são bem expertos e ficam de olho para acusar os ideais.

    Mas o artigo está de parabéns !

    Estou sempre aprendendo cada vez mais aqui no MISES.

    Abraços !
  • Renato  26/09/2014 19:01
    Leandro, estou no youtube tentando ver a sua palestra na conferência da escola austríaca, mas o vídeo que o Mises Brasil postou está com um áudio terrivelmente ruim, não tá dando pra acompanhar os seus raciocínios. Não existe nenhuma outra filmagem melhor ?
  • Leandro  26/09/2014 19:21
    A filmagem oficial ainda não está pronta, mas sairá em breve. Essa filmagem a que você se refere foi feita por um espectador.

    Grande abraço!
  • Marcos  27/10/2014 18:53
    Já tá no YouTube:

  • gabriel  27/10/2014 22:35
    Procurei neste canal e não encontrei, desculpem se foi falta de atenção, mas a palestra do ron paul está disponível também?
  • Ricardo  27/10/2014 23:45
    Ainda não foi carregado. Mas essa prévia do evento tá show de bola:

    www.youtube.com/watch?v=RCqKHxGYbVo
  • anônimo  28/10/2014 12:25
    offtopic:
    Leandro, então vc segue a paleolítica? O tio Lew também, né? Ela parece estar ficando popular entre os libertários e entre a manosphere, mas e aí, vale a pena?
  • Leandro  28/10/2014 22:09
    Vale a pena, mas é necessário ter disciplina. Nada de trigo, amido e açúcar refinado. Apenas chocolate com mais de 90% de cacau.
  • Neto  26/09/2014 19:40
    Leandro Roque para presidente.
  • Pedro  26/09/2014 19:52
    Uma dúvida:

    Os bancos de fatos criam dinheiro do nada?
    em outras palavras para iniciar o processo de crédito o Banco não precisar ter algum depósito em suas contas?
    Logo emprestando sem ter o dinheiro fisíco não pode acarretar problemas, caso o tomador saque esse dinheiro?

  • Leandro  26/09/2014 20:28
    Em parte por causa dessa distorção gerada pelo governo ao impor o crédito direcionado aos bancos estatais. Em última instância, são os bancos estatais os responsáveis pelos juros e pela inflação de preços serem altos no Brasil.  Dado que eles são imunes à SELIC e dado que eles são responsáveis pela metade dos empréstimos feitos no Brasil, a conclusão óbvia é que a SELIC tem de estar em um nível duplamente mais alto apenas para encarecer os empréstimos feitos pelos bancos privados e, com isso, reduzir um pouco o processo de criação de dinheiro.

    Caso os bancos estatais operassem sob as mesmas leis que valem para os bancos privados, a SELIC seria menor e, consequentemente, os juros cobrados pelos bancos privados também seriam menores do que são hoje; por outro lado, os juros cobrados pelos bancos estatais seriam maiores do que são hoje.  No geral, teríamos taxas de juros (do crédito livre) e de inflação de preços um pouco mais civilizadas.

    Pra mais detalhes, leia este artigo

    Depois, só depois, leia este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1094
  • Leandro  26/09/2014 20:32
    É aí que entra o Banco Central.

    É ele quem protege o sistema bancário formando um cartel bancário que impede que os bancos concorram entre si e que permite que os bancos operem reservas fracionárias sem riscos de insolvência. Mais ainda: é o Banco Central quem garante socorrer os bancos em épocas de turbulência.

    Isso é fácil de entender.

    Os bancos operam com reservas fracionárias, o que significa que eles emprestam mais dinheiro do que o total que foi depositado neles. Falando mais popularmente, os bancos têm o poder de criar dinheiro. Esse dinheiro que os bancos criam do nada é um dinheiro meramente eletrônico, para o qual não há correspondente em papel-moeda físico. Trata-se do dinheiro que você utiliza como pagamento através de cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos.

    Nesse cenário de reservas fracionárias, na ausência de um banco central, haveria o risco de ocorrer uma expansão descoordenada do crédito. Os bancos mais expansionistas — aqueles que criam mais dinheiro — correriam o risco de perder reservas para os bancos menos expansionistas. Se o Itaú criar mais dinheiro eletrônico que o Bradesco, esses dígitos eletrônicos do Itaú inevitavelmente cairão na conta de um correntista do Bradesco. Ato contínuo, o Bradesco exigirá, no fim do dia, que o Itaú faça a compensação desse crédito, enviando-lhe a correspondente quantia em dinheiro físico (nesse caso, cédulas e moedas metálicas), fazendo com que o Itaú perca reservas.

    No extremo, caso o Itaú houvesse expandido enormemente o crédito e o Bradesco tivesse adotado uma postura conservadora, o Itaú poderia ficar completamente sem reservas, indo à falência.

    É nesse ponto que entra o Banco Central. Ele pode "supervisionar e controlar" a expansão do crédito -- ou, falando mais diretamente, ele irá harmonizar essa expansão, estimulando todos os bancos a criarem dinheiro no mesmo ritmo.

    Se todos os bancos expandirem o crédito na mesma velocidade, então não haverá o risco de um banco ir à falência porque criou mais dinheiro que outro banco. Quando todos os bancos expandem o crédito simultaneamente, a quantidade de dígitos eletrônicos do banco A que vai parar na conta do banco B é praticamente a mesma que vai de B para A, de modo que, no momento da compensação, eles se cancelam.

    Tal arranjo permite que os bancos mantenham em suas reservas menos dinheiro do que manteriam caso não houvesse um banco central. Em outras palavras, tal arranjo aumenta a capacidade dos bancos de criar dinheiro do nada, aumentando consequentemente seus lucros. E o melhor de tudo: lucros altos e sem risco de insolvência.

    É por isso que os bancos defendem ferrenhamente a existência do Banco Central. É o Banco Central quem forma e coordena esse cartel, impedindo que surjam bancos concorrentes que possam afetar esse delicado equilíbrio. Sem um Banco Central, não haveria essa expansão coordenada do crédito, pois sempre haveria o risco de um banco furar o acordo, sair do cartel, exigir a compensação dos dígitos eletrônicos e, com isso, levar os concorrentes à falência. Para que haja coordenação, os bancos precisam formar um cartel. E para coordenar esse cartel, para disciplinar os bancos "rebeldes", é preciso um Banco Central.

    Um Banco Central, portanto, permite que os bancos expandam o crédito sem o risco de se tornarem insolventes, aumentando sobremaneira os lucros deste setor. E com um benefício adicional: caso haja alguma corrida bancária, ou caso algum banco se torne insolvente porque fez maus empréstimos, o Banco Central sempre poderá criar dinheiro para socorrer este banco. Essa garantia de proteção estimula os bancos a expandirem ainda mais o crédito, medida essa que gera os ciclos econômicos.
  • Felipe  26/09/2014 20:12
    Alguém poderia me dar uma explicação sensata do por que os juros são altos no Brasil?
  • Barroso  26/09/2014 20:36
    Leandro,

    Na pergunta de número 1 acima não apareceu o link relacionado à resposta, você poderia repeti-lo, por gentileza.

    Na pergunta de número 3 acima eu gostaria de saber como deveria se dar a expansão do crédito, tendo em vista a escola de economia baseada no pensamento Austríaco, de forma a evitar a ocorrência dos desequilíbrios por você citados?

    Salvo engano, desde 2008 assistimos a uma compra maciça pelos EUA de títulos em poder do mercado. Isso, salvo melhor juízo, significa aumento da quantidade de dinheiro na economia.

    No entanto, a inflação deles continua baixa.

    Como isso pode ser explicado tendo em vista o pensamento econômico da escola Austríaca?

    Obrigado.

    Barroso
  • Leandro  26/09/2014 21:15
    O link era esse:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1553

    E ele também explica sua pergunta sobre como seria a expansão do crédito.

    Sobre o Fed e não-inflação de preços, a coisa é bem simples (e já foi explicada neste site 247 vezes): o Fed deu dinheiro para os bancos, mas os bancos não emprestaram esse dinheiro.

    Ou seja, o dinheiro está represado nos bancos.

    No atual arranjo financeiro, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito).

    Se não houver demanda por empréstimos, ou se os bancos estiverem mais rigorosos na concessão de empréstimos (que é o caso nos EUA, dado que os bancos ficaram assustados após os calotes que levaram à crise de 2008), este dinheiro não entra na economia americana, e consequentemente os preços não são pressionados.
  • Dioner Segala  27/09/2014 01:27
    Leandro, uma dúvida: essa inflação de preços baixa nos EUA também não tem relação com 1) aumento da produtividade, e consequente crescimento da oferta de produtos; e 2) esse dinheiro "emprestado" pelo FED ao bancos, parte dele ter ido parar em outros países, através de individuos que pegaram emprestado lá (com baixas taxas de juros) e investiram em países que tem uma taxa de juros maior?
  • Leandro  27/09/2014 01:47
    Que a produtividade americana é alta e ajuda a mitigar pressões inflacionárias, ninguém duvida. Mas o fato é que o crédito nos EUA realmente está contido, e o dinheiro não está entrando na economia.

    Nem precisa confiar em mim, não; pode ir direto ao Fed e ver o gráfico da expansão do crédito:

    research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=LzD
  • Dioner Segala  27/09/2014 19:37
    Obrigado pela resposta, Leandro. Acho que a ideia (de que o dinheiro não ficando dentro dos EUA, acabaria não aumentando inflação de preços) está correta, mas não é o que está acontecendo; apenas os bancos não estão emprestando dinheiro.

    E novamente, parabéns pelo excelente artigo; é uma aula de economia.

    Abraço.
  • Neto  27/09/2014 23:59
    Não se esqueça que os EUA tem grandes déficits externos, que são pagos com dólar. E esse dinheiro não têm voltado para o país, pelo contrário, os EUA têm pago dívida com mais dívida. No dia em que os países asiáticos, como a China, resolveram usar esses dólares nos EUA, aí sim existe um risco de hiper inflação, uma vez que os EUA produzem pouco e importam muito.
  • Neto  27/09/2014 16:57
    Não se esqueça que o FED proibiu a divulgação da estatística do M3 desde 2006. Ou seja, não é mais possível saber a inflação real nos EUA.
    Os índices de inflação oficiais não consideram itens "voláteis" como alimentos e energia. Então não servem para nada.
  • Rhyan  26/09/2014 21:24
    "Resta agora ver se iremos tirá-los de lá."

    Leandro, na sua opinião, vale a pena votar no Aécio ou na Marina?
  • Leandro  26/09/2014 21:52
    Estou entre Luciana Genro ("é preciso acabar com o capital financeiro especulativo neoliberal") e Zé Maria ("vamos acabar com a homofobia, a transfobia e a lesbofobia").

    Mas acho que o melhor mesmo é Eduardo Jorge. Ele passaria o mandato inteiro chapado e cheirado -- exatamente o tipo de coisa que um presidente tem de fazer em tempo integral em vez de ficar regulando a economia, controlando nossas vidas e tentando salvar o mundo.
  • anônimo  26/09/2014 22:41

    Esse é o cara!
  • Rhyan  27/09/2014 09:39
    Hahahaha... pelo jeitão lesado do Dudu Jorge, ele não deve gostar de cheirar nada não, só fumar um verde:

  • Gabriel  26/09/2014 22:48
    Meus parabéns Leandro. Os artigos escritos por você são bem esclarecedores e interessantes.
  • Adair egidio da Silva  26/09/2014 22:58
    Muio bom o seu artigo, analisando a situação da economia brasileira que preocupa.
  • andré  26/09/2014 23:08
    Leandro, artigo de arrebentar, parabéns
  • IRCR  27/09/2014 00:19
    Leandro,

    Primeiramente foi bom ter conhecido vc lá na conferencia.
    Sobre a inflação de preços ela existe sim nos USA, basta ver os preços dos ativos e da bolsa. Já que boa parte do dinheiro criado pelo FED fluiu para esses mercados financeiros, lembrando que o FED paga 0,25% para os bancos de todo o dinheiro que caiu nas reservas e 0,25% de alguns trilhões não é pouca coisa. Mas mesmo assim na economia real tb tem bastante inflação de preços, basta ver o shadow stats com a metodologia de 1980 que hj ficaria em torno de 8%aa, ou ver os videos do Peter Schiff. Acreditar no bureau of labor stats é quase a mesma coisa que acreditar no IBGE. hehe
  • Eduardo  27/09/2014 02:06
    Parabéns, Leandro.

    Excelente artigo.
  • Ulisses Saffar  27/09/2014 03:32
    Um dos melhores textos que eu já li no Mises. Parabéns.
  • Gabriel  27/09/2014 03:48
    É pessoal, se preparem porque a conta está chegando... com juros e correção monetária.
  • ex_FP  27/09/2014 04:07
    Leandro, seus textos são muito bons, de verdade. Você tem boa oratória, poder de síntese impecável e uma objetividade salutar.

    Acho que você deveria escrever mais. Não sei se você quer esse tipo de exposição, mas às vezes seria interessante a criação de um blog pessoal onde você pudesse expor mais pontos de vista, com mais posts analíticos como esse (pois imagino que no site do Mises você não teria essa liberdade).

    Se já tiver um... faz um jabá aí pra gente nos comentários! :)
  • Dinei A. Rockenbach  27/09/2014 04:20
    Leandro,

    Meus parabéns. Não conhecia o site nem você, e cheguei aqui direto neste artigo.

    Simplesmente sensacional, precisamos de mais pessoas como você, que ao invés de ficarem gritando opiniões prontas absorvidas dos pseudo-intelectuais, busquem dados e pautem suas afirmações em informações concretas, como é o caso deste artigo.

    Já salvei o site e pretendo lê-lo novamente com mais calma uma outra hora. Continue gerando conteúdo interessante e baseado em dados, é disso que precisamos.

    No mais, eu estou achando que a Luciana Genro é a nossa melhor opção mesmo, mas para ela ter qualquer chance real de eleição teríamos que abolir esta manipulação desgraçada gerada pelas pesquisas eleitorais.
  • anônimo  27/09/2014 12:17
    'No mais, eu estou achando que a Luciana Genro é a nossa melhor opção mesmo, mas para ela ter qualquer chance real de eleição teríamos que abolir esta manipulação desgraçada gerada pelas pesquisas eleitorais.'

    vc ainda tem muito que aprender
  • Porta-Voz  27/09/2014 12:48
    Prezado Dinei, espero que você se dê conta de que a recomendação do voto em Luciana Genro foi uma mera (e tremenda) ironia. No entanto, se a sua opção original era a Dilma, então eu lhe dou todo o apoio nessa sua mudança de voto para a Genro.
  • Dinei A. Rockenbach  27/09/2014 13:35
    Não havia percebido a ironia, Porta-Voz, mas obrigado pelo aviso. Realmente estou considerando entregar meu voto à Genro.
    Mas ainda pretendo reavaliar todos os planos de governo dos candidatos e fazer minha decisão final.
  • Marcelo  28/09/2014 02:59
    Avaliar para quê? Qual é a chance de seu voto fazer alguma diferença?
  • Dinei André Rockenbach  29/09/2014 11:58
    Pequena, confesso. Mas nem por isso vou deixar de votar no candidato que acredito que trará mais evolução ao país e fará as escolhas certas.
  • Malthus  29/09/2014 12:15
    Todo o nosso apoio a dilmistas e marinistas que querem lucianar.
  • anonimo  29/09/2014 13:30
    Aqui tem uma análise interessante sobre as propostas dos candidatos em relação à economia:

    spotniks.com/saiba-o-que-pensam-os-11-candidatos-presidencia-sobre-economia/
  • Dede  27/09/2014 10:52
    Qual é a solução do governo para estimular a economia?

    Fecha o cerco nos aeroporto contra as pessoas que cometem a atrocidade de comprar produtos mais baratos e de melhor qualidade no exterior: www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/09/1521922-receita-vai-apertar-o-cerco-nos-aeroportos-a-partir-de-2015.shtml

    O país está se desintegrando, a violência é crescente e a degradação moral é visível. Mas o governo está preocupado com quem trabalha e usa o próprio dinheiro para comprar no exterior.

    Leandro, faltou no artigo tocar no assunto da bolha imobiliária.

    E caso os juros subam no EUA ano que vem, quais seriam as consequências para o Brasil.

    Um das coisas que me intriga é o governo ignorar o que está ocorrendo nos EUA com o petróleo extraído do xisto. Isso pode comprometer a viabilidade do pré-sal. Mas o governo ignora isso e já faz contas com o dinheiro do pré-sal. www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/04/140403_energia_eua_rb.shtml
  • Ali Baba  28/09/2014 20:15
    @Dede 27/09/2014 10:52:20

    Um das coisas que me intriga é o governo ignorar o que está ocorrendo nos EUA com o petróleo extraído do xisto. Isso pode comprometer a viabilidade do pré-sal. Mas o governo ignora isso e já faz contas com o dinheiro do pré-sal. www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/04/140403_energia_eua_rb.shtml

    Primeiro, não é petróleo se é extraído do xisto. É gás de xisto. Mas tudo bem, o argumento é o mesmo. Só que o xisto ainda não é economicamente viável. Quando for, o pré-sal naufraga.

    O pré-sal, na realidade, já nasceu morto. Ninguém sabe como extraí-lo de lá... Ele está há mais de 8 mil metros abaixo da superfície da água. A PTbras está tateando. Quando for viável, será muito caro. Qualquer nova descoberta de petróleo mais fácil de ser extraída inviabiliza o pré-sal.

    Hey! Acabam de descobrir algo que inviabiliza o pré-sal (há apenas 2 mil metros de profundidade!!!): www.bloomberg.com/news/2014-09-27/rosneft-says-exxon-arctic-well-strikes-oil.html

    Ou seja, a PTbras, se insistir nisso de extrair do pré-sal, vai estar condenada a pagar mais do que qualquer importação de petróleo. Pobres dos acionistas...
  • Dede  01/10/2014 14:44
    Interessante esse livro publicado pela Câmara dos Deputados: Os desafios do Pré-Sal (www2.camara.leg.br/a-camara/altosestudos/pdf/Livro-pre-sal.pdf).

    Na página 46: "De 1970 a 2007, o preço médio do petróleo, ajustado pela inflação, foi de US$ 40,85.Como existe uma tendência de aumento da demanda maior que o aumento da
    oferta, é provável que o preço médio nas próximas décadas seja superior a US$ 40
    por barril. Dessa forma, a exploração de petróleo e gás natural do Pré-Sal tem
    grande probabilidade de ser exitosa."

    Num horizonte de tempo de 40 anos o preço médio do barril ajustado pela inflação foi de US$ 40,85. Nesse período a demanda por petróleo cresceu enormemente. Mesmo assim o preço médio do barril não foi tão alto.
    Não há como prever se nos próximos 40 anos o aumento da demanda será maior que a oferta. A demanda por petróleo continuará crescendo. Mas as descobertas recentes mostram que há oferta deverá aumentar também nos próximos. Se levarmos em consideração o surgimento de novas fontes de energia, bem como a adoção de modelos de produção mais eficientes, como as novas fábricas que gastam bem menos energia (exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1068/noticias/a-fabrica-do-futuro), o preço no longo prazo não deverá se afastar da média.

    A cada dia me convenço mais de que o pré-sal não é um bom negócio. Com a queda nas ações da Petrobrás estava pensando comprar algumas ações, mas se o pré-sal for realmente inviável, a empresa poderar quebrar nos próximos anos.
  • Malthus  01/10/2014 14:57
    Mas por enquanto é inviável mesmo, como explicado aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1717
  • Juliana  27/09/2014 15:31
    Se os bancos estatais fossem bancos privados e continuassem concedendo crédito como estão, os efeitos negativos dessa recessão -que ainda está longe de seu esplendor- poderiam ser maiores? Outra coisa que eu queria saber é se há algum fator específico que permitiu que ali em meados de 2006 o real se valorizasse em relação ao dólar?

    Não menos importante que isso, agradeço ao Leandro por proporcionar esse sobrevoo sobre esse passado recente da economia brasileira e seu ciclo econômico. Um trabalho excelente.
  • Green  29/09/2014 13:47
    Se os bancos estatais fossem privados, e o governo não se metesse no assunto, eles iriam falir e pronto.
    Como os bancos são estatais adivinha de onde vai vir o dinheiro para cobrir os rombos e manter os bancos em pé? Exatamente, do seu bolso.

    O fato dos bancos serem estatais só piora a situação.
  • Juliana  30/09/2014 12:30
    Não tinha pensado nas coisas por este ângulo. Muito obrigada por esse lembrete, Green. Por mais que imaginar que um banco como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal ou o BNDES indo à falência pareça algo desastroso para o país, essa é uma possibilidade mil vezes preferível do que essa onde essas instituições tem liberdade e cobertura para inflacionar o mercado de maneira leviana, e deixar todo o prejuízo por conta do pagador de impostos. Seria é muito bom ver pelo menos uma parte dos responsáveis pagando por suas irresponsabilidades.

    Em tempo, por favor esqueçam essa segunda pergunta. Reconheço que foi total falta de atenção da minha parte, ou alguma fadiga mental ou sei lá o quê.

    Muito obrigada e até a próxima.
  • Mauricio   27/09/2014 22:32
    Escelente, Leandro! Sempre te considerei meu professor aqui no Mises. Já devo ter lido todos teus artigos e geralmente busco por eles por conta da tua objetividade e didática. Ótimo artigo para compartilhar nesse momento de eleições.
  • Rennan Alves  27/09/2014 23:49
    [OFF Topic]

    Senhores, contemplem o primor da tecnologia para a cobrança de impostos.

    Argentina está usando drones para caçar mansões que sonegam impostos

    Os comentários são assustadores.
  • Marconi  28/09/2014 03:23
    O primeiro fenômeno a ser considerado ao analisar o ciclo de uma economia é o nível de confiança dos empreendedores e dos consumidores

    Essa questão das expectativas, da confiança, da previsibilidade é tão essencial...

    O Leandro tem uma certa simpatia pelos neo-keynesianos.. tô errado?? rsrsrs

    Muito bom texto!
  • Urlan Salgado de Barros  28/09/2014 05:16
    Artigo excelente, realmente, linguagem bastante compreensível. Eu, que estava estudando Macroeconomia há 1 ano para o concurso de agente da Polícia Federal, consegui entender perfeitamente.

    Inclusive, citando concurso público, lembrei-me de uma coisa: o número de concursos realizados em 2013 e 2014 não afeta diretamente na taxa de desemprego e no tal pleno emprego mencionado pelo governo nos quatro cantos do Brasil? Não seria interessante um gráfico diferenciando os empregos criados pelo governo - em decorrência dos concursos - e os empregos que de fato foram criados pelo setor privado?

    Muito obrigado e parabéns pelo artigo.
  • Leandro  28/09/2014 15:18
    Sem dúvida que afeta. Há inclusive a rubrica "Empregados - funcionários públicos" nos números do IBGE, e ela entra diretamente nos cálculos do desemprego.
  • Justiceiro  28/09/2014 23:38
    Venho elogiar a um dos mais brilhantes artigos desenvolvidos no site.
    Parabéns, Leandro.
    Artigo de um nível extraordinário.
  • Leandro  29/09/2014 02:22
    Prezados, venho humildemente agradecer a todos pelos generosos elogios. Se eu fosse responder um por um, esta seção de comentários ficaria desnecessariamente longa. Sendo assim, mando aqui meu muito obrigado geral para todos. Muito agradecido pelo reconhecimento. E um grande abraço!
  • Leonardo Faccioni  29/09/2014 13:58
    Embora atrasado para o baile, aproveito o ensejo e acrescento minha voz ao coro: Leandro caro, brilhante como sempre, necessário como nunca -- parabéns, e obrigado pelo trabalho ímpar com que brinda a todos nós!

    Um verdadeiro chacoalhão geral, a fim de que os co-nacionais despertem para a realidade. Caso, Deo volente, dentro de um ou dois anos a presidência encontre-se ocupada por quem quer que não a senhora que o ilustra, este artigo será de ainda maior relevância para que se desmistifique a propaganda daqueles que, tentando regressar ao poder, jogarão contra o novo governo os resultados da safra amarga plantada durante os anos petistas.

    Não que haja relevante perspectiva de melhora no ambiente institucional com quaisquer dos projetos concorrentes, mas devemos reconhecer que, se não afastado em definitivo o petismo, pior do que já está, fica. E muito. Um combate que prosseguirá para muito além do período e dos espaços eleitorais.
  • Raphael AZ  29/09/2014 21:01
    Excelente, parabéns pelo conteúdo e obrigado por publicar.
  • salmaochan  29/09/2014 22:44
    Textos de minha autoria sobre o capitalismo verdadeiro!

    salmaochan.org/pol/res/554. salmaochan.org/pol/res/546.html

    pastebin.com/BVe26Wvr pastebin.com/JRTVicUd
  • Silvio  30/09/2014 14:36
    Os links estão quebrados.
  • Mauricio.  30/09/2014 02:29
    Para quem quer saber mais sobre o tem, segue um excelente artigo do Gustavo Franco n'O Globo de ontem:

    A economia de Dilma, sem rodeios
    oglobo.globo.com/economia/a-economia-de-dilma-sem-rodeios-14070574

    O governo petista, iniciado em 2003, contou com quatro maravilhosas turbinas, todas alheias à sua vontade.

    A primeira teve a ver com bancos. Com o sistema (privado e público) totalmente saneado, depois de um conserto caro e trabalhoso, o crédito mais que dobrou, de 2003 até nossos dias, ultrapassando 55% do PIB, sem deterioração da qualidade dos ativos (mercê de boa regulação). A expansão foi principalmente no crédito pessoal, e graças ao consignado, o endividamento familiar dobrou, como proporção da renda, sem aumentos substanciais no comprometimento dos salários.

    A segunda foi fiscal. Com as contas em ordem, ficou mais fácil reduzir a taxa de juros, independentemente das oscilações próprias do ciclo econômico, até 7,25% anuais para a Selic. Nesse caminho, o efeito sobre o valor dos ativos, ao menos até 2008, foi espetacular: o conjunto das empresas que compõem o Ibovespa valia R$ 2 trilhões às vésperas da crise, partindo de R$ 294 bilhões em dezembro de 2002.

    A terceira foi externa, e na verdade foi a combinação de dois ventos, um que vinha da China e outro dos bancos centrais dos países desenvolvidos. Não houve crise bancária na periferia, exceto de forma efêmera, por maior "aversão a risco", no começo de 2009, nada mais. Não foi uma "marolinha", deu trabalho ao BC, mas durou menos que um ano e depois disso choveu capital para dentro do Brics, cujas reservas aumentaram para US$ 5,2 trilhões em 2014 contra US$ 1,7 trilhão em 2006.

    O fato novo, tratando de assuntos cambiais, é que o nível de reservas do país é tão gigantesco que um déficit em conta corrente elevado, como o de agora, parece perder importância. O poderio do BC em sua intervenção na taxa de câmbio resulta em que esta parece ter se tornado, finalmente, conforme o desejo de muitos, um preço público fixado conforme a folga que a inflação oferece, que, infelizmente, não é muita.

    A quarta e mais importante de todas as turbinas é a da demografia, com amplos efeitos na desigualdade e no mercado de trabalho. A maior criação do bônus demográfico é a "nova classe média", em torno da qual se criou certa mitologia. O enredo é simples: nos anos 1960, o país era uma pirâmide e apenas 15% da população total trabalhava, uma época em que o grosso da população estava abaixo dos 14 anos. Verificou-se, desde então, uma enorme redução na taxa de fertilidade e assim, para resumir, a passagem do tempo foi fazendo a "base da pirâmide" se tornar a "copa da árvore".

    Os efeitos sobre a desigualdade podem ser vistos da seguinte forma: nos anos 1990, um domicílio com um casal, cada qual ganhando dois salários mínimos, e cinco filhos em idade escolar pertencia à classe D ou pior. Na segunda metade dos anos 2000 essa mesma família tinha sete pessoas trabalhando, e uma renda combinada que a colocava firmemente na classe C. Bastou as crianças crescerem. Se o avô viesse morar com a família, traria sua renda de aposentado e a opção de fazer um crédito consignado, elevando as possibilidades de consumo da família para níveis impensáveis dez anos antes. Eis a mágica da classe média: demografia e crédito, com alguma ajuda do salário mínimo. Nada disso tem a ver com o Bolsa Família, que tem sua utilidade para o que se passa dois extratos mais para baixo, na região da pobreza.

    Diante dessas poderosas turbinas, a pergunta que não quer calar é como foi que a administração Dilma Rousseff conseguiu desarrumar a economia. Certamente, não foi um único erro, os desastres aéreos sempre compreendem diversos desacertos combinados com infelicidades e surpresas. No caso em tela, só é possível inocentar as surpresas.

    O maior dos equívocos é o de sempre, a desordem nas contas públicas. Diretamente, descontada a maquiagem, ou via bancos públicos ou obrigações não reconhecidas, a situação fiscal se tornou crítica, por simples opção ideológica.

    Se alguma surpresa houve foi descobrir petróleo, o sonho extrativista de todos os caudilhos, que, todavia, se mal administrado, pode se tornar uma maldição. Na verdade, a opção por um modelo fortemente nacionalista, impondo grandes obrigações de investimento à Petrobras, combinado ao represamento de preços, enfraqueceu brutalmente a empresa.

    De forma análoga, a mesma filosofia de favorecer o Estado e apertar o setor privado prevaleceu nas áreas de energia e infraestrutura, com resultados igualmente ruins. O governo se empenhou em indispor-se com o capital. Como querer que haja investimento?

    As perdas de valor nas empresas públicas listadas são impressionantes, e apenas se cogita sobre as perdas ocultas que são as que ocorrem em empresas públicas não listadas, ou decorrentes de obrigações pelo Tesouro assumidas e não ainda reconhecidas.

    Adicione-se à mistura um retorno aos anos 1960 em matéria de protecionismo e exigências de conteúdo nacional, e lá se vai, para baixo, a produtividade. O valor adicionado gerado em média pelo trabalhador brasileiro era 19% do que produzia um americano em 2000. Caiu para 18% em 2012. A China passou de 6% a 17% no mesmo período.

    A inflação acordou, a política monetária teve de ser revertida, e se instaurou um clima de forte desconfiança, sobre a qual tudo o que se pode dizer é que há merecimento. Parecendo confirmar o diagnóstico, mas apenas depois de se sentir ameaçada na eleição, a presidente demitiu o Ministro da Fazenda, mas ainda não disse coisa alguma sobre o que fará para reverter esse quadro.

    É difícil de explicar, exceto pela demografia, como o desemprego se mantém baixo e os salários continuam a crescer com recessão e estagnação da produtividade. A oferta de trabalho tem crescido menos que a demanda, coisa inédita entre nós: entra menos gente no mercado de trabalho a cada dia, e sai mais gente do que no passado. Há certa perplexidade sobre isso, mas as empresas registram continuadas dificuldades de contratar, daí o medo em demitir, mesmo com a economia fraca, e assim vão se apertando.

    A ideia de que há uma crise externa culpada de tudo é uma fraude grosseira. O Brasil não carrega as feridas de 2008 que o mundo desenvolvido ainda está curando, e estamos nos beneficiando da política monetária deles. O investimento direto estrangeiro está acima de US$ 60 bilhões anuais desde 2009, por que será? Será este o impacto da crise sobre o país?

    Diante das turbinas acima descritas, e dos erros cometidos, deve ser claro que o governo Dilma Rousseff meteu os pés pelas mãos na economia de forma inteiramente soberana e voluntária.
  • Pedro C  30/09/2014 14:16
    Um comentário, não totalmente relacionado ao artigo.

    De onde vem esses gráficos:
    mises.org.br/images/articles/2014/setembro/Brasil/cambio.png

    []s

    -- Pedro
  • Leandro  30/09/2014 14:43
    No site do Banco Central:

    www.bcb.gov.br/?SERIESTEMP
  • Pedro C  30/09/2014 16:08
    Obrigado!

    Que excelente ferramenta! Eu não conhecia!
  • Andre Cavalcante  30/09/2014 14:43
    Uma questão sem muita importância...

    O que impediria o novo presidente de fazer algo como "Em 2003, essa equipe econômica fez um ajuste brutal. Para conter a disparada do IPCA, a taxa SELIC foi pra 26,50%", o que, logicamente, traria uma brutal recessão ao Brasil por uns dois anos e depois o mesmo presidente abrisse a burra do crédito fácil novamente e um novo ciclo começasse? Será que algum dos candidatos atuais tem alguma ideia de que isso é possível?

    abraços

  • Leandro  30/09/2014 15:02
    Esse é exatamente o grande truque.

    No atual sistema monetário e bancário, no qual os bancos criam dinheiro do nada e o Banco Central os estimula e os protege nessa empreitada, a economia gira em ciclos. Um ajuste hoje, se bem feito, pode fazer com que a economia vivencie um boom por um período de tempo suficiente para que daqui a 4 anos o atual mandatário seja reeleito.

    Lula soube fazer isso em 2003. Reagan fez isso em 1981. Thatcher fez isso em 1982. Clinton, que assumiu em 1993, foi beneficiado pelo ajuste ocorrido em 1991 e 1992. O próprio W. Bush foi beneficiado pela expansão de 2003 a 2007, que ocorreu após a recessão de 2001 e a estagnação de 2002.

    Após o ajuste de 2003, o cenário externo ajudou o Brasil a partir de 2007. Mas era para ter ocorrido uma correção em 2009, e o governo não deixou. Boa parte dos desarranjos do governo Dilma foi gestada no segundo mandato de Lula, e ela os herdou. Só que ela conseguiu piorar tudo.

    No entanto, qualquer eventual ajuste pode não ser o bastante, pois, como explicado no artigo, há hoje o agravante do alto endividamento das pessoas, o que pode afetar uma futura expansão do crédito. Não sei se esse endividamento já alcançou níveis insustentáveis, mas se ele não for equacionado, a capacidade futura de expansão de crédito será afetada -- e, com ela, os números do PIB.
  • Gabriel  30/09/2014 16:38
    É pessoal nós estamos ferrados. Quem tem acompanhado essa última semana está vendo que para a presidente Dilma toda essa dinherama jorrada pelos bancos públicos é que encabeça o desenvolvimento do Brasil.

    Ou seja, quando a crise economia piorar ela vai cada vez mais usar esses bancos para tentar fomentar a economia. O pior é que ela diz isso exatamente nesses termos e não tem a minima vergonha, e a população também acha isso completamente normal.

    Enfim, estamos ferrados....
  • Felipe  30/09/2014 19:26
    O melhor artigo sobre economia brasileira que já li.
  • Zara  01/10/2014 12:48
    Leandro, você esta de parabéns pela explicação. Muito obrigado pela aula.
    Duas dúvida: Quando mencionou as marcas do governo Lula, você acredita que com a volta dele a economia brasileira melhoraria? E todo aquele ambiente que lhe foi favorável dificilmente se repetiria?


    Um abraço, e mais uma vez; nossos parabéns.
  • Leandro  01/10/2014 14:00
    1) Não depende de quem é o presidente, mas sim da equipe econômica.

    A própria Marina Silva, que tem um histórico ainda mais esquerdista que Dilma, usufruiu dias de extrema simpatia do mercado financeiro simplesmente porque havia dois caras (André Lara Resende e Eduardo Giannetti) mais sensatos em sua equipe econômica.

    Voltar com Meirelles ao BC e colocar um ser humano minimamente preparado e decente na Fazenda e outro no Tesouro já seriam medidas suficientes.

    2) Aquele ambiente favorável de 2007 e primeiro semestre de 2008 não vai se repetir tão cedo. Mas sua ausência também não é desculpa para uma estagflação permanente.

    Abraços e obrigado pelos elogios.
  • rawk meltdown  01/10/2014 13:22
    Você disse " Antes de tudo, vale lembrar que o desemprego sempre será baixo em uma economia fechada e protegida. Se a concorrência externa é pequena ou nula, e se não se pode importar quase nada, a produção passa a ser toda feita nacionalmente. Passa-se a viver em uma situação de autarquia. E isso gera vários postos de trabalho artificiais. "

    A declaração " ... o desemprego sempre será baixo em uma economia fechada e protegida" é uma alegação muito forte e restritiva. O que você considera por "baixo"? O que existe na teoria austríaca que proíbe o desemprego ser "alto" em uma economia fechada e protegida? Você poderia elaborar?
  • Leandro  01/10/2014 13:53
    Se você vive em situação de autarquia, você tem de produzir absolutamente tudo o que irá consumir. Como você não pode se dar ao luxo de importar suas coisas, você mesmo tem de produzir absolutamente tudo o que irá consumir.

    E como você não pode importar nada, você tem de fabricar inclusive seus bens de capital (o maquinário que irá produzir os bens de consumo) e seus bens de produção (os equipamentos que irão produzir os bens de capital).

    Nesse cenário, devido à absoluta incapacidade de se integrar à estrutura de produção internacional -- e, consequentemente, de usufruir da superior qualidade dos produtos fabricados no exterior --, seus bens produzidos nacionalmente serão de baixíssima qualidade. E isso decorre do simples fato de ser impossível você fabricar com qualidade absolutamente tudo o que produz (teoria das vantagens comparativas, de David Ricardo).

    Logo, neste cenário, você não apenas precisa de mão-de-obra para produzir tudo (de alfinetes a satélites, de panos a aparelhos GPS, de skates a aviões), como também precisa de mão-de-obra para fazer os constantes reparos e manutenções de todas as porcarias produzidas nacionalmente (de máquinas a bens de consumo).

    Ou seja, você tem um cenário em que há uma demanda "infinita" por mão-de-obra (e uma qualidade latrinária dos produtos e do padrão de vida).

    Se não acredita nisso que eu falei, vou lhe dar um exemplo prático de um local que a esquerda mundial passou a venerar: a cidade espanhola de Marinaleda.

    Primeiro, assista ao vídeo. É rapidinho.

    Assistiu? Então vamos lá.

    Em primeiro lugar, você deve ter visto que se trata de um arranjo que não tem nada de novo ou original. É como se fosse uma comunidade amish (com 2.700 pessoas não pode ser uma cidade), na qual as pessoas subsistem e trabalham apenas para se alimentar.

    Ali, como relatou a reportagem, há pleno emprego. Qualquer pessoa que quer trabalhar encontra trabalho.

    Só que o padrão de vida ali é extremamente precário. Note o semblante das pessoas e veja se há algum conforto ali. Tem gente ali que nem tem dente (certamente não deve ter dentista na comunidade). O local é parecido com o interior do Piauí. O trabalho agrícola mostrado é totalmente precário e pouco produtivo (não há nenhuma máquina no campo). Tudo o que eles conseguem fazer na cooperativa é transformar a colheita (pimenta, azeitona e alcachofra) em azeite. Isso é vida do século XIX. Isso é algo que pode ser classificado como "imune à crise"?

    A veneração a este arranjo é a prova suprema de como as pessoas perderam completamente o senso de proporção. Não discuto que há quem goste de viver assim, e defendo totalmente a liberdade destas pessoas de fazerem isso. Mas dizer que aquela pobreza maranhense é um oásis invejável é de uma imbecilidade econômica grotesca.

    Ademais, qualquer pessoa que goste de trabalhar muito sem poder usufruir os frutos do trabalho -- isso é, trabalhar duro de sol a sol mas viver sem conforto nenhum e sem usufruir da tecnologia moderna -- é adepto da escravidão voluntária. Nada contra; só uma constatação.

    Mas dizer que quem vive ali sob aquelas condições de trabalho precárias está "bem" e que tal arranjo é um "oásis a ser imitado", bom, aí já é forçar bastante. Isso aí é desejo de retornar às condições de vida do século XIX. Bom proveito pra quem quer. Eu preferiria ser desempregado em Madri. A qualidade de vida é muito mais alta.
  • rawk meltdown  01/10/2014 18:23
    Eu consigo ver como uma economia em autarquia perde em termos de uma curva de possibilidades de produção mais baixa vis a vis à mesma economia com comércio internacional. Também consigo ver como nessa economia talvez as pessoas precisem trabalhar 'mais' para não ver seu padrão de vida cair muito - a neurocirurgiã talvez precisará praticar sua medicina e também atender seus telefonemas e marcações de consultas - i.e. uma queda do produto.

    Entretanto não consigo ver a relação entre grau de abertura e pleno emprego que sua primeira alegação colocou.

    Grau de abertura, como você bem expôs, influencia muito no padrão de vida e na produção da economia. Comércio internacional é como tecnologia - carregamos um navio de soja, enviamos para o oriente, e ele retorna com artigos eletrônicos. É claro que privar a economia desse mágico navio que converte soja em iphones prejudica a economia e torna a economia pobre (talvez não os produtores de soja, mas deixemos isso para lá). Mas tornar-se pobre não tem em princípio relação com pleno emprego.

    Pleno emprego, como seu próprio exemplo da comunidade espanhola mostra, não tem necessária relação com o grau de abertura. Você consegue imaginar economias abertas com desemprego alto e economias fechadas com desemprego baixo, e vice-versa. Cuidado com a palavra "sempre" em economics.

    Autarquia significa uma queda da curva de possibilidades de produção -> que por sua vez gera queda no bem-estar -> Porque as pessoas estão mais pobres agora, eu imagino que elas trabalharão mais -> Como as pessoas agora precisam trabalhar mais, a economia sempre vai estar em pleno emprego i.e. "full capacity".
    Isso é um non sequitur.

    O que está errado com essa linha de raciocínio? Porque concluir que a economia vai atingir full capacity não segue das premissas - não tem relação com o grau de abertura. Esse argumento assume que a economia não estava em full capacity ANTES da autarquia. Isso é falso. Por quê? Porque isso presume que havia recursos ociosos ex ante, isto é, que as pessoas não estavam maximizando utilidade nem as firmas maximizando lucro, que havia oportunidades de trocas benéficas não exploradas (um ponto abaixo da CPP).

    Em outras palavras, pra isso fazer sentido - se autarquia => pleno emprego-, você precisa de uma teoria pra explicar por que se ~pleno emprego => ~não autarquia.







  • Bernardo  02/10/2014 04:09
    Leandro,
    Parabéns como sempre.
    O Brasil é o único lugar com bancos públicos atuando desse jeito?
    Sei que nossa inflação é elevada, mas porque nossos juros reais são tão elevados num contexto de liquidez enorme no mercado, em que o BC basicamente não tem precisado emprestar, apenas enxugar liquidez diariamente?
    Os bancos aceitariam deixar o dinheiro no BC por bem menos. Isso não seria bom para nosso resultado nominal (ainda mais importante do que o primário)?
    A inflação dispararia ainda mais por causa dos bancos públicos? Mas eles já estão emprestando com força e os privados desistiram.
    E retorno pra minha primeira pergunta: nenhum outro país tem usados suas CEFs e BNDESs e mesmo assim conseguiram manter juros reais baixinhos?
    Grande abraço.
  • Bernardo  08/10/2014 18:37
    Leandro, apenas reiterando minha dúvida:
    - já aprendi com você como funciona a Selic, o mercado de crédito e como eles influenciam a inflação;
    - já aprendi que os atuais vilões são os bancos públicos.
    Minha dúvida no momento é por que não abaixar a Selic, dado que:
    - Tá sobrando liquidez. Independentemente da Selic, os bancos não precisarão recorrer ao BC para recompor reservas. Ninguém mais tem precisado recorrer ao BC;
    - Os bancos privados não estão sendo demandados e não estão fazendo questão de emprestar pelas incertezas, e os públicos já estão emprestando como se não houvesse amanhã, ou seja, uma redução da Selic, imagino, não afetaria nenhum dos grupos;
    - Quase todos os países estão com juros reais próximos a zero;
    - Nossa economia com juros nesse momento não poderia compensar um pouco nosso resultado primário cada vez pior?
    Grande abç.
  • Leandro  08/10/2014 19:49
    Demanda por empréstimos existe, e os bancos ganham dinheiro emprestando. Portanto, eles querem, sim, emprestar, mas com os juros vigentes o empréstimo é arriscado.

    Sendo assim, uma eventual redução da SELIC poderia levar os bancos a emprestar para pessoas com um histórico mais aceitável (algo que, com as taxas atuais, ainda é proibitivo). E isso alimentaria ainda mais a carestia.

    Essa é uma das prováveis causas.

    Mas, de resto, insisto: enquanto os bancos estatais não forem enquadrados, continuaremos vivendo sob essa distorção usurária.

    Dado que eles são imunes à SELIC e dado que eles são responsáveis pela metade dos empréstimos feitos no Brasil, a conclusão óbvia é que a SELIC tem de estar em um nível duplamente mais alto apenas para encarecer os empréstimos feitos pelos bancos privados e, com isso, reduzir um pouco o processo de criação de dinheiro.

    Caso os bancos estatais operassem sob as mesmas leis que valem para os bancos privados, a SELIC seria menor e, consequentemente, os juros cobrados pelos bancos privados também seriam menores do que são hoje; por outro lado, os juros cobrados pelos bancos estatais seriam maiores do que são hoje. No geral, teríamos taxas de juros (do crédito livre) e de inflação de preços um pouco mais civilizadas.
  • Bernardo  08/10/2014 21:00
    Obrigado, Leandro!
    Mas Leandro, se os bancos estão mega líquidos (BC tá tirando uns 800 bi no mercado aberto), como a redução da Selic iria aumentar os empréstimos, se os bancos têm larga gordura para queimar antes de precisar de reservas emprestadas?
    A Selic diminuiria, aumentaria, mas, ainda assim, os bancos não precisariam recorrer ao BC. Ou seja, a Selic, hoje, não parece estar servindo pra muita coisa.
    Onde errei?
    Abs.
  • Leandro  08/10/2014 21:24
    Custo de oportunidade.

    SELIC alta torna mais vantajoso para os bancos comprar títulos do governo e/ou deixar suas reservas paradas no compulsório remunerado do Banco Central. Por tabela, torna menos vantajoso se arriscar e emprestar para entes privados a juros altos.

    Já uma redução na SELIC opera em sentido contrário: diminui os benefícios de se emprestar para o governo, de se deixar as reservas paradas no compulsório remunerado, e, por tabela, aumenta o custo de oportunidade em [i]não[\i] emprestar para entes privados.
  • Augusto  02/10/2014 12:57
    Caro Leandro,

    Excelente análise! Pra matar a pau, tem que fazer a conexão disso tudo com o impacto que haverá nos benefícios sociais que o governo proporciona e hoje usa de muleta para dizer como o Brasil está lindo e maravilhoso.

    Abraços
  • Roberto  02/10/2014 14:09
    Parabéns pelo artigo.
    Texto claro e simples.

    Uma pena que textos assim nos deixam mais angustiados, ao ver que não é só a economia que está inerte, mas como na vontade de mudar.

    Devolve-se 65 milhões desviados de estatais e ainda ficam em casa.

    Critérios esdrúxulos como o de quem recebe bolsa família não entra na conta dos desempregados.

    Onde vamos parar!!!

    em tempo:
    Notícia de hoje 02.10.2014
    Gasolina vai subir ainda neste ano, diz ministro da Fazenda
  • bruno  02/10/2014 15:05
    Eu tenho minhas dúvidas apenas com relação ao motivo do aumento das exportações...os dados apresentados não estão em quantidade, estão em valor, sabemos que houve um boom de commodities nesse período quando elas alcançaram valores históricos, acho que isso explica muito mais o crescimento baseado na exportação do que uma diminuição no consumo que levou a uma sobra de bens aqui dentro que acabaram sendo exportados...
  • Leandro  02/10/2014 15:58
    Essa é uma dúvida bastante comum.

    Antes de tudo, vale lembrar que o texto fala de crescimento liderado por exportações apenas para o ano de 2003. A parti de 2004, foi o crescimento do crédito o que explicou o crescimento.

    Dito isso, quando se fala que a poupança interna gerou uma excedente exportável, as pessoas tendem a pensar que esse excedente exportável é formado por bens de consumo (como panelas, carros, roupas, fogões e máquinas de lavar). Mas não. É formado também, e principalmente, por commodities.

    Por exemplo, se o consumo de carros diminui, há uma subsequente redução na produção de veículos. Com menos veículos sendo produzidos, há menos demanda por aços, plásticos e borracha. Consequente, haverá um excedente exportável de minério de ferro, carvão e cal (ingredientes do aço), plástico e borracha. Logo, há um aumento na exportação de commodities.

    O mesmo raciocínio se aplica quando há redução na compra de fogões, geladeiras, bicicletas etc.

    Igualmente, se há menos apartamentos sendo demandados, haverá menos edifícios sendo construídos. Consequentemente, haverá uma sobre de cimentos, argamassa, vergalhões etc., os quais poderão ser exportados.

    De resto, no que tange aos preços das commodities, esses não se alteraram substancialmente no ano de 2003, quando as exportações aumentaram 57% (de janeiro a outubro; vide gráfico no artigo) ao mesmo tempo em que o real se valorizava em relação ao dólar (o dólar caiu de R$3,50 pra R$2,90; vide gráfico no artigo).

    Por fim, uma simples análise da evolução da balança comercial (exportações menos importações) comprova o que foi dito: mesmo com a valorização do real em relação ao dólar (o que estimula as importações), a balança comercial foi crescente, o que significa que, a cada mês, as exportações cresciam mais do que as importações.

    Isso, repito, não se deveu a um aumento dos preços das commodities (algo que ainda não havia ocorrido em 2003), mas sim à existência de um excedente exportável.
  • bruno  02/10/2014 19:33
    se não me engano, vi aqui mesmo no mises um artigo falando sobre esse boom das commodities e correlacionando isso com o nosso "milagre econômico lulesco", foi em que ano que isso começou a acontecer? foi mais no segundo mandato dele?

    obrigado pela atenção.
  • Leandro  03/10/2014 15:00
    Desconheço. Boom nas commodities, como já dito, beneficia alguns setores, mas não é capaz de gerar pujança para absolutamente todos os setores de uma economia.

    De novo: o que comanda os números macroeconômicos de uma economia é a expansão do crédito. Exportação de commodities gera pujança para o setor exportador, mas não para toda uma economia. Dizer que o preço do minério puxa toda a economia, da cabeleireira ao flanelinha, é insensato
  • Edgar  04/10/2014 18:30
    Por que o risco país ainda está baixo se a economia está tão mal?
  • Leandro  04/10/2014 19:24
    Porque o risco-país envolve coisas como risco de calote, de desapropriação ou nacionalização de ativos, de desordem pública, de golpe de estado, de terrorismo ou de guerra civil.

    Envolve também o risco de que uma eventual e súbita fuga de capitais não possa ser contrabalançada pelo uso das reservas internacionais -- algo que não preocupa, pois o Brasil tem reservas em abundância, as quais foram acumuladas durante a gestão Henrique Meirelles.
  • Viggo  04/10/2014 19:17
    Olá Leandro, antes de tudo, parabéns pelo artigo. Gostaria de fazer também uma sugestão e um pedido, se possível: um artigo fazendo um paralelo entre as políticas econômicas do Brasil, Venezuela e Argentina. Vendo o quão próxima são as políticas econômicas destes três e vendo a situação atual dos dois hermanos, fica mais evidente a fria para qual estamos caminhando. Abraços.
  • luiz  06/10/2014 17:10
    "Enquanto esse endividamento das pessoas não for equacionado, a economia não se levanta." o que exatamente vc quiz dizer com isso? como se "equaciona" o endividamento?
    Muito Bacana o artigo!
    abs
  • Leandro  06/10/2014 17:43
    Reduzir o endividamento. Quitar as dívidas ao máximo possível. Reduzir o fardo da dívida (juros e principal) sobre o orçamento das famílias. Como isso pode ser feito de maneira legal? Complicado. Seria necessário um artigo inteiro sobre isso.
  • Eduardo  07/10/2014 13:19
    Leandro, oq vc espera do proximo governo? Armínio Fraga é chicaguista ou keynesiano? No caso da dilma se reeleger, vc acredita que a politica do credito subsidiado seria revista? E no psdb?
    Obrigado e parabens pelo excelente artigo. Espero ansioso pelo teu livro sobre historia economica brasileira, abraço!
  • Robinson Klein  08/10/2014 14:46
    É a primeira vez que comento aqui,apesar de ler os artigos a mais de um ano,e nesse não pude m passar por omisso,sensacional,melhor artigo que já li no site,detalhado,muito bem especificado,com fontes,com números reais fornecidos por fontes estatais inclusive,sem maquiagem,perfeito,parabéns!
  • Christian  09/10/2014 20:43
    Caro Leandro, parabéns, o melhor resumo sobre nossa história econômica recente disponível! Você tem uma versão em inglês desse artigo? Abraços
  • Leandro  09/10/2014 21:44
    Mas qual gringo teria interesse nisso? O Brasil já não evoca mais nenhuma simpatia lá fora. Nossas políticas econômicas ignaras e nossa desastrosa política externa, de condescendência a grupos terroristas, nos transformaram em, como dizem os israelenses, anões diplomáticos. Não despertamos o interesse de ninguém. Só a piedade.

    A imprensa econômica estrangeira, que antes nos tratava com simpatia, hoje só dirige a nós o escárnio. Nosso atual Ministro da Fazenda já está com aviso prévio. Desconheço um país sério que tenha vivido algo semelhante. Na América Latina, apenas Chile, Colômbia e Peru ainda são levados a sério e impõem algum respeito.

    É nisso que dá colocar no governo celerados que deveriam estar na cadeia.

    De resto, muito agradecido pelas palavras.

    Grande abraço!
  • Lopes  10/10/2014 00:03
    Leandro, perdoe-me, porém e o México? Minhas informações não são atuais, porém ao menos quanto à fabricação de veículos e politica alfandegária, não teria respectivamente se tornado um competidor opressor aos olhos da indústria brasileira (suficiente para ser afastado por cotas de importação) e estar em processo gradual de abertura às importações chinesas?
  • Leandro  10/10/2014 00:52
    Verdade. Escrevi América Latina quando na verdade quis dizer América do Sul. Mesmo porque na América Latina há outros países bem vistos, como, além do próprio México, o Panamá e a Costa Rica. Até mesmo El Salvador pode entrar na lista.

    Grande abraço!
  • Ronaldo Heredia  10/10/2014 01:35
    Excelente análise. Com relação ao desemprego em economias fechadas, por acaso, estava olhando números sobre quantidade de médicos por habitante em vários países para entender como Cuba podia dispor de quase 12.000 médicos para o programa mais médicos. Cuba, acho, tinha a maior proporção: entre 5 e 6 médicos para mil habitantes. Países desenvolvidos e em desenvolvimento entre 1 e 3 na maioria. Os dados de Cuba eram de 2007, talvez tenha aumentado esta proporção. Em princípio parece ser um número bom mas se você considerar que o médico trabalhe 8 horas dia, 22 dias mês com 0,5 hora de consulta para cada paciente, tudo na média e se você tiver 5 médicos para cada mil habitantes você terá mais de 20 mil consultas por ano ou seja cada indivíduo terá disponível mais de 20 consultas por ano, quase duas por mês. Ou a população está muito doente para precisar de tanto cuidado ou está sobrando médico. Acho que a segunda alternativa é a mais provável. Foi criada uma situação desnecessária e inviável para se "ocupar" a população. No caso de Cuba formar médicos, bem qualificados ou não, é uma tarefa viável, depois se tenta ocupar este contingente.
  • Lopes  10/10/2014 15:47
    Armínio Fraga desaponta os que guardavam expectativas por ele.

    exame.abril.com.br/economia/noticias/arminio-fraga-acredita-em-meta-de-inflacao-cambio-flutuante

    Respostas vagas com a política de gastos, câmbio flutuante mantido junto à metas de inflação; podemos ao menos esperar que apareça um superávit primário para reequilibrar o tripé depois da manobra contábil do governo federal. Mas em si, nada de novo; a estrutura simplesmente não pode aceitar algo como câmbio fixo enquanto o governo federal seguir com sua época de engorda.
  • Gustavo Borges  11/10/2014 01:01
    Leandro, felicitações pela precisão cirúrgica no assunto tratado. Gostaria entretanto, de interpelá-lo sobre o significado de "Quem quiser resolver o problema da carestia no Brasil vai ter de atacar os bancos estatais. Não há outra alternativa." Como seria esse ataque? Sob quais premissas e objetivos?
  • Leandro  11/10/2014 14:39
    Significa que esse atual modus operandi dos bancos estatais, de emprestar dinheiro a juros ínfimos e sem seguir critérios mais rigorosos, terá de ser alterado caso se queira realmente combater a carestia.

    São os bancos estatais os principais causadores da carestia que estamos vivenciando no Brasil. Quanto mais dinheiro eles jogam na economia, maior é a pressão sobre os preços.

    Atualmente, a política de juros do Banco Central não afeta aquela linha vermelha. Ela afeta apenas a linha azul. Ou seja, a política monetária atua apenas sobre o crédito livre, que é quase todo fornecido pelos bancos privados. Na prática, os bancos estatais estão fora do âmbito da política monetária do BC. Isso significa que o combate à carestia via simples aumento da SELIC exigirá um esforço dobrado.

    E isso gerou uma sinuca do bico: se o próximo governo quiser realmente atacar a carestia, a SELIC terá de ser elevada a níveis mais fabulosos (em 2003, ela teve de ir a 26,5%). Só que isso irá asfixiar o crédito dos bancos privados, e consequentemente elevar ainda mais o grau de estatização do crédito.

    Portanto, a solução mais óbvia e prática é acabar com esse descontrole dos bancos estatais e enquadrá-los nas mesmas regras vigentes para os bancos privados. Como disse Edmar Bacha, "Em Brasília, os presidentes dessas instituições dão tchauzinho para o pessoal do BC".

    Em última instância, são os bancos estatais os responsáveis pelos juros e pela inflação de preços serem altos no Brasil. Dado que eles são imunes à SELIC e dado que eles são responsáveis pela metade dos empréstimos feitos no Brasil, a conclusão óbvia é que a SELIC tem de estar em um nível duplamente mais alto apenas para encarecer os empréstimos feitos pelos bancos privados e, com isso, reduzir um pouco o processo de criação de dinheiro.

    Caso os bancos estatais operassem sob as mesmas leis que valem para os bancos privados, a SELIC seria menor e, consequentemente, os juros cobrados pelos bancos privados também seriam menores do que são hoje; por outro lado, os juros cobrados pelos bancos estatais seriam maiores do que são hoje. No geral, teríamos taxas de juros (do crédito livre) e de inflação de preços um pouco mais civilizadas.

    Essa situação anômala que estamos vivenciando é apenas mais um exemplo prático das nefastas consequências do intervencionismo estatal, dessa vez no crucial setor bancário. Da próxima vez que você vir algo cujo preço aumentou substancialmente nos últimos meses, pense nos logotipos da CEF, do BB e do BNDES. E lembre-se dos políticos que dão ordens a essas instituições.
  • Gustavo Borges  13/10/2014 23:51
    Prezado Leandro, essa mudança de pespectiva, em relação aos bancos públicso, suscitaria uma privatização, eis que surge comentários a esse respeito neste período eleitoral?
  • Leandro  14/10/2014 04:32
    Desconheço qualquer proposta de algum dos dois candidatos a esse respeito. Seria um debate extremamente necessário.
  • anônimo  11/10/2014 15:30
    Caro Leandro, você não teria dados mais detalhados sobre a movimentações na composição do PIB em um período de mais austeridade como em 2003 (ou mesmo 2004) e em outro mais frouxo como 2009? É que seria interessante ver mais de perto (na perspectiva de como se estrutura o capital), e de um exemplo real, uma comparação de como consumidores e investidores reagiram a diferentes taxas da Selic - e principalmente se é possível perceber se de alguma forma ela os orienta para o presente ou o futuro.

    Grande abraço
  • Leandro  11/10/2014 21:33
  • anônimo  12/10/2014 13:57
    Muito obrigado, valeu mesmo. Sucesso a todos.
  • Maurício Redaelli   14/10/2014 21:18
    Leandro, eu peço desculpas por não fazer a minha pergunta no local adequado, mas este e outros dos seus fantásticos artigos me ensinaram um pouquinho sobre economia e agora eu tenho dúvidas.
    1. O plano de governo do Aécio sugere uma autonomia do Banco Central. Qual é o impacto dessa mudança?
    2. Ele promete suavizar as flutuações da economia e reduzir taxas de juros, mas um BC autônomo precisa respeitar essas diretrizes?
    3. Ele quer fortalecer as agências reguladoras, mas eu não sei quais são e não entendo como isso pode ser um benefício.
    4. Ele busca uma apreciação do câmbio e promete manter a inflação na meta. Isso não confronta a redução na taxa de juros?
    5. Por fim, ele promete aumentar a taxa de investimento da economia, de 18% atuais para 24% no final do mandato. Que taxa é essa? O que esse aumento representa?

    De antemão eu agradeço. O meu interesse por economia é crescente e as tuas matérias foram um incentivo inestimável. Já estou procurando um curso noturno ou à distância, como segunda faculdade ou apenas por hobby.

    Abraços
  • Leandro  14/10/2014 21:38
    "1. O plano de governo do Aécio sugere uma autonomia do Banco Central. Qual é o impacto dessa mudança?"

    Voltar a ser como era durante a gestão Henrique Meirelles. Longe de ser o ideal, mas ainda assim bem melhor do que o atual modelo, em que há um bando de panacas e capachos na instituição.

    "2. Ele promete suavizar as flutuações da economia e reduzir taxas de juros, mas um BC autônomo precisa respeitar essas diretrizes?"

    Não. Aliás, quem gera os ciclos econômicos é o próprio BC, por meio de sua política de juros. Não há como o Ministério da Fazenda (e nem muito menos o presidente) alterar essa realidade.

    "3. Ele quer fortalecer as agências reguladoras, mas eu não sei quais são e não entendo como isso pode ser um benefício."

    Nem eu. A única política certa para agências reguladoras é abolir todas elas e liberar geral o mercado para a vinda de empresas estrangeiras.

    Sua internet é ruim? Sua operadora de celular é ineficiente? Deixe as coreanas e as japonesas virem para cá. Em menos de um dia, você vai descobrir o que é qualidade e eficiência.

    Hoje, quem não deixa isso acontecer é a ANATEL.

    "4. Ele busca uma apreciação do câmbio e promete manter a inflação na meta. Isso não confronta a redução na taxa de juros?"

    Essas duas metas são muito boas e até são possíveis de serem feitas com juros menores. Mas aí será extremamente necessário o governo transmitir segurança e previsibilidade para os investidores estrangeiros desovarem aqui seus dólares.

    "5. Por fim, ele promete aumentar a taxa de investimento da economia, de 18% atuais para 24% no final do mandato. Que taxa é essa? O que esse aumento representa?"

    Investimentos em relação ao PIB. Investimentos são essenciais porque são eles que indicam a saúde da economia e são eles que permitem que a situação futura seja melhor.

    O que o governo pode fazer para estimular investimentos é garantir segurança jurídica e fornecer previsibilidade.

    "Já estou procurando um curso noturno ou à distância, como segunda faculdade ou apenas por hobby."

    Sugiro não gastar dinheiro com esses escroques. Você pode aprender tudo de graça aqui.

    Grande abraço!
  • Diego  15/10/2014 02:43
    Prezado Leandro, parabéns pelo excelente artigo!
    Vivo discutindo essas questões com colegas de várias vertentes, inclusive keynesianas.
    Nas discussões, surgem sempre as seguintes perguntas:
    1) Por que os bancos lucram tanto no Brasil? Isso parece refletir algum problema grave da economia brasileira. É uma questão de estrutura de mercado (mercado oligopolizado e proteção do governo)? Tributação excessiva?
    2) Por que o governo brasileiro não financia sua dívida no mercado internacional? Não poderia "driblar" os bancos brasileiros e pagar taxas de juros menores do que a atual SELIC? (pois sabemos que 11% ou 12% de juros sobre o estoque da dívida resulta em uma despesa financeira gigante, o principal nunca será pago mesmo com os superávits...) O mercado internacional não aceitaria pagar uma taxa mais baixa, já que o risco-Brasil está apenas 2% acima do retorno do T-BOND de 10 anos? E os bancos brasileiros não seriam assim "forçados" a emprestar mais para o setor privado em vez de ficar financiando o setor público?

    Ouço muito falarem que o que quebra as empresas brasileiras é mais a elevada despesa financeira (decorrente de empréstimos de giro com juros astronômicos, que "matam" todo o resultado operacional das empresas), do que os tributos. Vejo gente preocupada principalmente com os juros elevados como se estes fossem os causadores da inflação, com empresas quebrando e reduzindo a oferta de produtos.

    Essas perguntas parecem meio "bobas", mas realmente gostaria de achar uma explicação para a situação atual... Juros bancários elevados e bancos altamente lucrativos são mais o resultado de uma espécie de "conluio" com o governo (que nenhum político se atreve a quebrar) ou existe uma explicação "de mercado" para isso?
  • Leandro  15/10/2014 17:24
    "1) Por que os bancos lucram tanto no Brasil? Isso parece refletir algum problema grave da economia brasileira. É uma questão de estrutura de mercado (mercado oligopolizado e proteção do governo)? Tributação excessiva?"

    Concentração extrema de mercado (BB, Itaú, Bradesco, CEF e Santander detêm 74% dos ativos de todo o sistema bancário) e ganhos fáceis com juros (tanto sobre títulos do governo quanto sobre empréstimos para entes privados).

    "2) Por que o governo brasileiro não financia sua dívida no mercado internacional?"

    Ele já faz isso há muito tempo. Ele emite títulos especiais em dólar. Só que o grave risco de que uma eventual desvalorização do real perante o dólar dificulte sobremaneira o pagamento dos juros.

    Veja essa notícia de 2007:

    g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL55081-9356,00-TESOURO+EMITE+TITULOS+A+JUROS+DE.html

    "Não poderia "driblar" os bancos brasileiros e pagar taxas de juros menores do que a atual SELIC?"

    É o próprio governo -- afinal, o BACEN não é independente do governo -- quem estipula a SELIC. E os juros que ele paga sobre os títulos emitidos em dólar -- quando se considera a conversão do câmbio e o risco cambial -- não ficam muito aquém da SELIC.

    "O mercado internacional não aceitaria pagar uma taxa mais baixa, já que o risco-Brasil está apenas 2% acima do retorno do T-BOND de 10 anos?"

    De novo, agora uma notícia de 2012:

    oglobo.globo.com/economia/tesouro-emite-titulo-em-reais-no-exterior-capta-3-bilhoes-4673491

    "E os bancos brasileiros não seriam assim "forçados" a emprestar mais para o setor privado em vez de ficar financiando o setor público?"

    Em teoria, sim. Mas o governo prefere se endividar perante bancos brasileiros -- os quais, em última instância, podem ser caloteados e socorridos com moeda nacional -- a se endividar com bancos estrangeiros, cujo eventual calote não pode ser remediado com a simples impressão de dinheiro.

    Veja a atual situação da Argentina.

    "Ouço muito falarem que o que quebra as empresas brasileiras é mais a elevada despesa financeira (decorrente de empréstimos de giro com juros astronômicos, que "matam" todo o resultado operacional das empresas), do que os tributos. Vejo gente preocupada principalmente com os juros elevados como se estes fossem os causadores da inflação, com empresas quebrando e reduzindo a oferta de produtos."

    Gostaria de fontes isentas sobre isso. Micro e pequenas empresas tendem a trabalhar com capital próprio, e sofrem mais com a carga tributária e com a burocracia. Já grandes empresas têm acesso ao BNDES e seus juros de 5% e enorme prazo de carência. Logo, apenas as médias realmente sofrem com os juros.

    "Juros bancários elevados e bancos altamente lucrativos são mais o resultado de uma espécie de "conluio" com o governo (que nenhum político se atreve a quebrar) ou existe uma explicação "de mercado" para isso?"

    Sobre os juros serem altos há duas causas simultâneas:

    Uma foi explicada no presente artigo, que é a distorção gerada pelos bancos estatais.

    Esse atual modus operandi dos bancos estatais, de emprestar dinheiro a juros ínfimos e sem seguir critérios mais rigorosos, terá de ser alterado. Atualmente, a política de juros do Banco Central não afeta aquela linha vermelha. Ela afeta apenas a linha azul.

    Ou seja, a política monetária atua apenas sobre o crédito livre, que é quase todo fornecido pelos bancos privados. Na prática, os bancos estatais estão fora do âmbito da política monetária do BC. Isso significa que o combate à carestia via simples aumento da SELIC exige um esforço dobrado.

    Como disse Edmar Bacha, "Em Brasília, os presidentes dessas instituições dão tchauzinho para o pessoal do BC".

    Em última instância, são os bancos estatais os responsáveis pelos juros e pela inflação de preços serem altos no Brasil. Dado que eles são imunes à SELIC e dado que eles são responsáveis pela metade dos empréstimos feitos no Brasil, a conclusão óbvia é que a SELIC tem de estar em um nível duplamente mais alto apenas para encarecer os empréstimos feitos pelos bancos privados e, com isso, reduzir um pouco o processo de criação de dinheiro.

    Caso os bancos estatais operassem sob as mesmas leis que valem para os bancos privados, a SELIC seria menor e, consequentemente, os juros cobrados pelos bancos privados também seriam menores do que são hoje; por outro lado, os juros cobrados pelos bancos estatais seriam maiores do que são hoje. No geral, teríamos taxas de juros (do crédito livre) e de inflação de preços um pouco mais civilizadas.

    A outra causa, essa mais geral, foi explicada neste artigo:

    Por que os juros são altos no Brasil

    De resto, recomendo este artigo:

    O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados

    Abraços!
  • Diego  17/10/2014 11:57
    Prezado Leandro, muito obrigado pelas respostas! Continue este excelente trabalho. Abraço.
  • Rodrigo  24/10/2014 13:57
    Leandro,

    O que você acha do modelo das cooperativas de crédito?
  • Leandro  24/10/2014 14:14
    Defendo. Elas trabalham com poupança genuína, e não com criação de dinheiro, como fazem os bancos.
  • mauricio barbosa  27/10/2014 01:37
    Leandro esclareço-nos por favor como funciona uma cooperativa de crédito,pois na faculdade de economia não vi nada disso.
  • Lachmann  16/10/2014 00:07
    Leandro, aproveitando os debates das eleições... Por que a SELIC chegou a 40% na época do FHC?
  • Leandro  16/10/2014 01:10
    Isso ocorreu no segundo semestre de 1998 e depois novamente no início de 1999. Foi para tentar conter a fuga de capital estrangeiro. Explicado em detalhes nesse artigo.
  • Emerson Luis, um Psicologo  19/10/2014 15:17

    Texto muito esclarecedor. A situação é ainda mais grave do que eu pensava.

    * * *
  • PESCADOR  24/10/2014 13:41
    Apesar de eu ser libertário, estou fortemente tendendo a votar no Aécio nesse domingo. Eu nem iria votar, prefiro ficar em casa. Mas acredito que tirar o PT é fundamental, caso contrário a economia vai afundar rápido. Não que Aécio seja algo bom, mas é menos pior que a Dilma. Com o PT, talvez cheguemos menos livres na próxima década.
  • João Pedro  26/10/2014 06:05
    Sensacional este artigo!
    Não podemos continuar nessa situação. O Brasil está se encaminhando pra uma séria recessão. Eu tenho sabido de muita gente sendo demitida, empresários que não pegam serviço há mais de um mês, gente qualificada e desempregada. Este artigo clareou demais para mim a situação que estamos vivendo no Brasil, acerca da economia.
    Parabéns.
    João Pedro
  • Mais um ausente  27/10/2014 11:21
    Vou gostar de verdade é quando o governo começar a pagar funcionario publico e contas com notas promissorias igual na argentina.
  • Marcus Daniel  26/10/2014 12:00
    Parabéns pelo blog!

    Comecei a ler agora os artigos e estou aprendendo muito. Continuem o bom trabalho!!!
  • Bruno  27/10/2014 00:10
    Brilhante artigo.
    Muito esclarecedor.
    Pena que não conseguimos tirar os PTralhas do poder.
    Vida que segue!
  • Renato  27/10/2014 17:14
    Leandro, uma pergunta pessoal: qual foi o seu sentimento ao ser confirmado que Wilma Rocefe foi reeleita para comandar nossas vidas por mais 4 anos? Eu, particularmente, estava voltando de carro para casa, num inicio de noite chuvoso e melancólico, ouvindo pelo rádio do carro que a confirmação da vitória de dilma era inevitável, só sentia um profundo sentimento de decepção, de que tudo que poderia existir de melhor que não mais existirá, no nosso padrão de vida que continuará a ser medíocre, etc. Foi realmente horrível..
  • anônimo  27/10/2014 17:36
    Ele já esperava por isso. Tem um comentário dele que ele fala que a vilma iria ganhar, e isso quando o Aécio estava na frente nas pesquisas.
  • Leandro  27/10/2014 18:03
    O anônimo está correto. Eu já esperava por isso, e comentei aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514&comments=true#ac110028
  • anônimo  27/10/2014 17:44
    opções:
    1 Secessão (mas vai precisar de guerra civil)
    2 mudar de país
    3 seasteading (que ta demorando demais pra sair do papel)
    4 anarco capitalismo (precisa convencer muita gente então vai demorar décadas)

    Eu fico com o 2
  • Eduardo  27/10/2014 22:19
    Belíssimo texto! Até eu, um leigo, pude entender.
  • Ozziecoin  28/10/2014 01:21
    Ola amigos,

    Sou brasileiro e moro na australia ha alguns anos.

    Criamos aqui uma moeda digital chamada ozziecoin, baseada no codigo do bitcoin.

    A diferenca e que estamos tentando fazer com que haja uma distribuicao justa sem a necessidade das pessoas terem que minar a moeda. Somente os australianos tem o direito de receber a moeda sem precisar minar. A ideia e fazer com que o Ozziecoin seja uma moeda forte na Australia. Acreditamos q no futuro cada pais tera uma ou mais moedas digitais e o bitcoin sera usado como uma moeda internacional substituindo o papel do dolar.

    Tenho pensado muito sobre a situacao economica e politica do Brasil. E acho que a introducao de uma moeda digital poderia
    retirar um pouco do poder do governo e dos bancos.

    Gostaria de saber a opniao de voces e saber se alguem topa em participar do projeto e ajudar.

    Abcs,

    Ozziecoin
  • anônimo  28/10/2014 12:08
    Muito bom isso, dinheiro nenhum precisa de inflação. Na prática, a mineração do bitcoin só serve pra atrair gente pro papel de propagandista desse troço.
  • Pobre Paulista  28/10/2014 12:27
    "uma distribuicao justa sem a necessidade das pessoas terem que minar a moeda"

    Nem terminei de ler. Isso é coisa de socialista patriota que acredita em almoço grátis.

    Boa sorte com sua moeda sem lastro. O mundo já tem bastante dessas, mas quem sabe o mercado aceita a sua, né?
  • Fernando  28/10/2014 13:26
  • anônimo  28/10/2014 13:41
    Mas pobre paulista, é como os bitcoinzistas vivem falando 'tudo só tem valor porque as pessoas querem que tenha valor!' Então se o bitcoin deu certo (pelo menos como pump and dump) porque não essa daí?
  • André  28/10/2014 13:33
    "A diferenca e que estamos tentando fazer com que haja uma distribuicao justa sem a necessidade das pessoas terem que minar a moeda.".

    No início isso pode até estimular as pessoas a conhecerem a moeda.
    Mas com o passar do tempo ocorrerá o processo natural de acumulo de capital.
    Assumindo que essa moeda se torne popular.

    Daí chegará o momento em que poucos terão muito, como ocorre naturalmente.

    E só estou dizendo isso pois você parece achar a desigualdade algo "ruim".
    Mas a desigualdade é algo natural. E não é ruim.

    Se houvesse mais capitalismo no mundo os pobres viveriam MUITO melhor, mesmo sendo pobres.
    Eu diria que se houvesse mais capitalismo os pobres poderiam ter dois carros e trocá-los por carros novos TODOS OS ANOS.

    Já os ricos poderiam ter dois aviões, e trocá-los por aviões novos todos os anos.
  • anônimo  28/10/2014 13:51
    Não sei onde vcs viram ele falando que a desigualdade é ruim. Pra mim a única coisa que ele disse é que não há a necessidade de minerar a tal criptomoeda lá, o que é uma coisa boa, um problema a menos.
  • Carlos Prado  28/10/2014 14:13
    Ele diz que uma distribuição igualitária seria justa.
    No mais se dá uma moeda a cada um, em troca de que? Cada um ganhou a mais um poder de consumo, mas consumir o que se nada mais foi produzido? Isto leva a uma inflação e desvalorização da moeda. Cada qual terá igualmente nada.
  • anônimo  28/10/2014 14:34
    'Ele diz que uma distribuição igualitária seria justa.'
    O que ele disse foi:
    'estamos tentando fazer com que haja uma distribuicao justa sem a necessidade das pessoas terem que minar a moeda.'

    Se não existe a necessidade de minerar uma distribuição igual seria justa sim.Já que pra minerar vc gasta computador, energia, etc, então vc tem que ter alguma compensação.
    E se as pessoas querem dar valor a mais essa criptomoeda e trocar dinheiro do nada por bens do mundo real, é problema delas. Contanto que não obriguem ninguém a nada, elas são livres pra isso.
  • Ozziecoin  28/10/2014 16:22
    Ola pessoal,

    Nao queria ter causado tanta polemica com relacao ao Ozziecoin. Talvez esse nao seja o lugar apropriado para discutirmos o assunto. Quem achou a ideia interessante e gostaria de discutir mais sobre isso por favor entrem em contato pelo email admin@ozziecoin.com. Mais informacoes sobre a moeda pode ser adquirido em www.ozziecoin.com.

    Em suma, nao ha nada de socialismo patriota conforme dito pelo "Pobre Paulista". Uma das maiores dificuldades que estamos enfrentando aqui e justamente a ignorancia das pessoas. Quando falamos da ideia por ai 99% das pessoas riem, debocham, criticam, condenam e so faltam nos bater como se estivessemos as dando um golpe. Mas o que essas mesmas pessoas nao percebem e que o sistema financeiro em que vivemos (reservas fracionarias e o poder dos bancos em criar dinheiro do nada) e que e o verdadeiro "scam". A pergunta mais frequente que recebemos e de onde vem o lastro da moeda. Dai pergunto, e o lastro do Real, do dolar americano, australiano, etc? E para meu espanto as pessoas ainda acham que o dinheiro que usamos e lastreado em ouro.

    Enfim, na minha opiniao a ideia do Bitcoin e muito boa. Para mim o blockchain pode ser considerada a maior invencao de todos os tempos. Mas o Bitcoin falhou justamente na distribuicao. Muito pouca gente possui quase todos os Bitcoins. Isso porque a mineracao e algo muito complicado para 99% da populacao. Dai seu preco estratosferico.

    O que estamos tentando fazer com o Ozziecoin e que seja uma coisa mais popular e tenha uma adocao maior e mais rapida. Nosso calculo e de termos um total de 23 bilhoes de ozziecoins em 44 anos. 625 ozziecoins sao gerados a cada 2.5 minutos para os mineradores. E 11.5 bilhoes de ozziecoins foram pre-minados para serem distribuidos para a populacao. Cada um tem direito a pegar 500 ozziecoins. A distribuicao e feita por numero de celular. Tambem foi criado uma maneira de as pessoas controlarem os ozziecoins em uma carteira online bem simples onde transferencias por email e facebook podem ser feitas para outras pessoas.

    E lembrem-se. O que da valor a uma moeda e adocao. E nao lastro.
  • Carlos Loureiro  28/10/2014 02:29
    Caro Leandro
    Brilhante o seu artigo. Consegui entender as razões fundamentadas de muitas das minhas impressões sobre a economia brasileira, inclusive as razões pelas quais o Lulismo não parecia tão ruim para o país como o antes suposto. Neste quadro o Fernando Henrrique fez o papel do avô que preparou para enriquecer o Brasil. A tal herança maldita do Lula foi na verdade a vida do filho rico esbanjador e a Dilma é o neto pobre e arrogante que está nos conduzindo a miséria. A reação da Dilma aos protestos mostrou que a fala confusa, desarticulada, muitas vezes sem nexo, também norteia a direção aleatória que ela imprime à economia. O pior de tudo é que quem vai pagar no futuro o maior preço para tanta incompetência é essa imensa população pobre e pouco informada que hoje ingenuamente alimenta o monstro.
  • Thiago Feitosa  28/10/2014 14:32
    Leandro,

    Agora que se concretizou a vitória da Dilma, o que esperar da economia nacional ? Iremos quebrar ?

    Devemos ter esperança ?

    Meros mortais como nós, o que devemos fazer para proteger nosso mísero capital ?

    O investimento na bolsa de valores, mesmo que pensando a longo prazo, ainda é válido ?

  • anônimo  28/10/2014 18:30
    Prezado Thiago, vou dar meu palpite de que ele esteja preparando as respostas - e se não para todas, pelo menos para algumas das suas perguntas - para nos entregar como "travessura" na sexta-feira, dia 31 de outubro, para celebrarmos o "dia das bruxas". Se bem que nesse caso será muito mais um conto real de terror e maldição do que uma inofensiva travessura. Mas conforme o conteúdo do texto, e se ele tiver um humor mórbido, pode até ser que ele entregue o artigo só no domingo, dia 1 de novembro, fazendo referência ao dia de finados.

    Um abraço
  • anônimo  28/10/2014 18:39
    Corrigindo meu comentário, finados é dia 2 de novembro.
  • Ronaldo  29/10/2014 02:13
    Lula indicou Henrique Meirelles. e o decreto de coisas la populares foi derrubado, CALMA
  • Rodrigo  28/10/2014 14:53
    Essa teoria austríaca dos ciclos econômicos não faz sentido nenhum. Se fosse verdadeira, o Hawaii e a Grécia não entrariam em recessões nunca. Como estão desligados do continente, o dinheiro só chega lá por navio ou avião, então nesses lugares o dinheiro é injetado diretamente na economia. Não existe uma rede bancária interligada com o continente nesses lugares pois não existe teletransporte de dinheiro para dentro das reservas bancárias (dãaa, preciso falar o óbvio??? como o dinheiro sairia do continente e iria parar no cofre desses bancos milagrosamente???). Nem existe banco central nessas ilhas, logo os bancos do Hawaii e Grécia trabalham com reservas próprias que são o papel moeda que os turistas e importadores levam de navio ou avião. Recessões são um problema de demanda agregada e não problema de jurisdição como vocês afirmam. Recessões são causadas pela queda da demanda agregada.
  • Garcia  16/11/2014 13:56
    Pô, vocês publicaram esse comentário do Rodrigo apenas para humilhá-lo, né? Que feio...
  • Andre Cavalcante  17/11/2014 14:20
    Esse seu comentário mostrou que você não entende nada sobre a Economia Austríaca e os ciclos econômicos e também que não entende nada sobre o sistema bancário europeu, ou o americano e sobre o mundial. Ah! E também não entende nada nem da economia tradicional.

    Não tem nem como refutar. É completamente sem sentido.

  • Felipe  17/11/2014 15:51
    Acho que você deveria estudar um pouco de geografia.
  • Eduardo  28/10/2014 15:46
    Meus 2 cents. O parasita que suga em demasia o hospedeiro, o mata. Acredito em maior solidez economica no segundo mandato, temos q lembrar q o pt vinha ganhando c boas margens ha um bom tempo e agora quase perdeu. Imagino q havera uma guinada rumo ao minimo de racionalidade economica. Desde a queda do muro de berlim, os bolcheviques aprenderam q da mt mais dinheiro tributar, regular e controlar do que planificar e empreeender, como detentores do estado. Me preocupa a postura de muitos ditos que resumem a analise de um governo a economia, defendendo o FHC ou Lula. Nao podemos perder nossos principios a respeito da etica e da vida em sociedade. Nanny state e incapaz de produzir uma sociedade forte, responsavel e aristocratica.
  • Mauricio Redaelli  29/10/2014 12:13
    Foi uma boa atualização do panorama, mas eu gostaria de ter visto também alguns aspectos mais marginais, como um comparativo de investimento e de endividamento de empresas em todas as escalas, de micro a grande. Outro ponto marginal é o bolsa-família e seu suposto incremento no PIB. Dizem por aí que para cada real gasto com o programa, retornam imediatamente R$1,78 para e economia. Tem cara de mito ou de crescimento artificial, mas até certo ponto é interessante que a expansão da moeda ao menos seja compensada. Caso contrário, seria apenas caridade, coisa que deve ser feita pelo cidadão, por ONGs e por fundações, mas só em último caso pelo Estado. Existe uma diferença de fase entre a expansão monetária, o consumo feito pelo cidadão assistido pelo programa e a inflação dos preços, certo? É essa diferença fase que faz o rico ficar mais rico e o pobre ficar mais pobre, mas ela também consegue aquecer a economia porque se torna necessário gerar e entregar mais produtos e serviços. Será que o impacto desses projetos sociais na economia não merece um pouco de atenção, é um ponto marginal demais?
  • Danilo  30/10/2014 22:19
    Muito bom o artigo e melhor ainda o www.mises.org.br/Article.aspx?id=1769

    Leandro, gostaria que você me responde-se o seguinte
    A copa do mundo era para trazer beneficios para o país, so que aumentou o numero de desempregos e o país nao cresceu, poderia se dizer que todo o dinheiro publico gasto para fazer a copa mais cara da histotio e 4 vezes mais que a da Africa, não trouxe nenhum beneficio para o povo brasileiro?
  • André C.  02/11/2014 09:21
    Olá, Leandro.
    Sou um visitante recente do site, e seus artigos me chamaram muito a atenção. Você tem muita eloquência, consegue sanar as dúvidas dos leitores... E eu fico numa dúvida cruel. O que é melhor? O artigo em si, ou suas respostas sensacionais nos comentários? Você presta um grande serviço ao intelecto alheio! Um abraço e continue espalhando conhecimento.
  • Leandro  02/11/2014 16:33
    Muito obrigado pelos efusivos (e imerecidos) elogios, prezado André. É sempre valioso receber o reconhecimento das pessoas.

    Grande abraço!
  • Marcos Henrique  03/11/2014 04:18
    Uma verdadeira aula de economia e de Brasil! Parabéns Leandro Roque!
  • Leandro  03/11/2014 13:45
    Obrigado pelo reconhecimento, Marcos. Grande abraço!
  • Henrique  03/11/2014 13:42
    Leandro, li algumas reportagens que diziam que as reformas de Peña Nieto no México não provocaram bons resultados no país. Está sabendo de algo, já que as reformas deles foram bem liberais?

    Valeu!
  • Leandro  03/11/2014 13:47
    Não apenas não estou sabendo nada sobre "reformas bem liberais", como, na realidade, estou sabendo que está ocorrendo justamente o contrário: houve substanciais aumentos de impostos e está havendo endividamento recorde, o que vem gerando crescente incerteza. Está tudo aqui:
    www.economist.com/blogs/americasview/2013/10/mexico-s-government-v-business

    E a sua fonte, qual é?
  • Rodrigo  03/11/2014 16:00
    Leandro,

    A inflação interessa para alguém do setor privado? Ex.: grandes empresas que pegam empréstimo no BNDES com juros nominais de 4/5% ao ano?

    Abraço!
  • Leandro  16/11/2014 14:03
    Para essas, a inflação é boa no início, pois ajuda na quitação de suas dívidas. No entanto, no longo prazo, a inflação destroça o capital (e os balancetes) de todas elas, como foi explicado em detalhes nesse artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1918
  • Deilton  03/11/2014 20:34
    ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/10/27/problemagoverno/

    O que o pessoal aqui acha dessa análise?
  • Lopes  07/11/2014 14:19
    Seria engano meu ou a Dilma tentara novamente enganar o mercado com declarações vagas (olhar gastos com lupa, por exemplo; referente ao déficit fiscal constante detido pelo governo federal) e à moda Shinzo Abe, o feitiço escapou e a a apunhalou por trás em outra alta do dólar?

    Consequência:
    www.dinheironaconta.com/2014/11/07/dolar-em-alta-com-a-indefinicao-da-nova-politica-economica/

    Causas:
    br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN0IQ2DJ20141106
    noticias.r7.com/brasil/para-acalmar-mercado-dilma-promete-fazer-dever-no-combate-a-inflacao-07112014

    O que acha, Leandro? A insegurança gerada pelo regime amadureceu ao ponto de incrível ceticismo sobre quaisquer ciganas palavras da presidenta e de sua equipe econômica? Acredita que bastando alterar a equipe do fidalgo ministro da fazenda atual, seria possível colocar uma perspectiva diferenciada do dólar (ao invés de seguir subindo, descer?).
  • Leandro  16/11/2014 14:11
    A insegurança gerada pelo regime chegou a tal ponto que só a indicação de dois nomes extremamente ortodoxos para Fazenda e Banco Central, bem como a total garantia de que Dilma não irá mandar neles, pode restaurar alguma previsibilidade à economia brasileira.

    Em menos de 3 meses, o dólar foi de R$2,24 para R$2,60 e o Ibovespa caiu 10 mil pontos, a produção manufatureira encolhe há seis meses seguidos e a confiança dos empresários despencou ao menor nível da série histórica.
  • Lopes  27/11/2014 14:54
    Inconvenientemente à sua réplica, torçamos para que Gilberto Carvalho esteja errado:

    Gilberto Carvalho diz que Levy vai aderir à filosofia econômica do governo:
    br.reuters.com/article/topNews/idBRKCN0JB1KV20141127

    "E é evidente que, ao aceitar ser ministro desse projeto, ele está aderindo a esse projeto e à filosofia econômica desse projeto. O nome dele é importante porque pela trajetória dele, ele traz uma credibilidade, ele contribui com o nosso projeto", acrescentou o ministro." (Grifo meu)

    Perturbador.
  • Leandro  27/11/2014 15:26
    Isso seria até certo ponto surpreendente.

    Levy ganha atualmente R$100 mil por mês (fora os bônus!) no Bradesco. Dependendo dos resultados, não é desarrazoado crer que seus ganhos cheguem a R$250 mil por mês. Será que ele aceitaria trocar esse empregaço para virar um mero capacho de Dilma, ganhando R$26 mil por mês?

    Ainda mais ele que tem fama de durão, inflexível e intransigente?

    Sei não. Acho que o Carvalho fez essa afirmação apenas para pacificar suas bases, que estão muito zangadas com a nomeação de Levy (o qual, sinceramente, considero ser melhor que Armínio).
  • amauri  09/11/2014 14:37
    Boa tarde Leandro
    Abaixo uma pergunta e resposta no UOL:
    Para que é usado o IPCA?
    É utilizado pelo Banco Central como medidor oficial da inflação do país. O governo usa o IPCA como referência para verificar se a meta estabelecida para a inflação está sendo cumprida.
    O IPCA nao tem o mesmo valor da inflcao monetaria do BC, eh isto ou nao.
    Pode haver entao uma alta da inflacao monetaria sem afetar a inflacao de precos ou nao
  • Berta Rodrigues  09/11/2014 17:24
    Boa Tarde,
    estou a fazer um trabalho de pesquisa, para uma cadeira de Economia numa faculdade em Portugal,sobre o Crescimento Económico do Brasil de 1999 a 2013 que se vai dividir em três grandes temas (Recessão, crescimento e Estagnação).

    Tenho aprendido imenso com os seus artigos, e queria questionar se se tem alguns tópicos de literatura Obrigatória, para não falhar nada.

    Obrigada Pela ajuda
  • Pobre Paulista  09/11/2014 21:08
    Não conheço, neste site, nenhum texto especificamente estruturado desta maneira, no entanto os artigos do Leandro Roque costumam abordar bem a economia Brasileira, com uma qualidade impecável, diga-se de passagem. Dê uma pesquisada nos textos dele que certamente encontrará algo de teu interesse.

  • Alexandre Herrmann  10/11/2014 21:43
    Tenho lido que a dívida pública bruta tem crescido muito por conta dos enormes gastos do governo federal.

    Porém os jornais noticiam que a dívida mobiliária federal continua constante ou aumenta muito pouco.

    g1.globo.com/economia/noticia/2014/09/divida-publica-recua-pelo-segundo-mes-seguido-em-agosto.html

    Como é possível que a dívida mobiliária permaneça a mesma se a dívida bruta do governo aumenta?????

    Att, Alexandre
  • Leandro  10/11/2014 21:48
    Porque a dívida líquida é maquiada por um truque contábil bem safado.

    Todo o truque envolve uma maracutaia envolvendo superávit primário e os dividendos do BNDES.

    Tudo começa com o Tesouro emitindo títulos e vendendo esses títulos para os bancos (ou seja, se endividando). Em seguida, ele repassa esse dinheiro para o BNDES. Aí começa a safadeza.

    Veja o que acontece com números simples:

    O Tesouro vende títulos públicos para o sistema bancário e arrecada, digamos, R$ 100, com a promessa de pagar aos bancos R$ 11,25 daqui a um ano (juros de 11,25% ao ano, atual valor da SELIC).

    Ato contínuo, ele transfere esses R$ 100 para o BNDES, que irá emprestá-los para suas empresas favoritas cobrando módicos 5% ao ano (valor da TJLP). No final do ano, o BNDES repassará uma parte ao Tesouro como dividendo (por exemplo, R$ 3).

    No final, esses R$ 3 entram no cômputo do governo como uma receita primária, ao mesmo tempo em que os R$ 11,25, por serem pagamento de juros, não entram na conta do superávit primário!

    Percebeu a safadeza? No cômputo final, houve uma piora fiscal de R$ 8,25 (o Tesouro pagou R$11,25 aos bancos e recebeu R$3 do BNDES); porém, no balanço divulgado pelo governo, houve uma melhora de R$ 3 no saldo primário!

    O senhor Mantega descobriu o moto-perpétuo: quanto mais ele se endivida, melhor fica a sua situação fiscal. É por isso que a dívida líquida aparece estável (ou com tendência de queda), mas a dívida bruta já está em 62% do PIB, o que coloca o Brasil como o terceiro país com a maior dívida bruta entre os emergentes, atrás apenas da Índia e da Hungria.
  • Deilton  14/11/2014 13:55
    Olha essa análise:

    ricardogallo.ig.com.br/index.php/2014/11/13/a-insustentabilidade-fiscal-e-a-negacao-da-realidade/

    "Com isto tudo chegamos a uma despesa líquida de juros, em bege, de 320 bi, que representa uma taxa de juros efetiva de mais de 17% a.a. ( cinza) sobre o saldo da dívida líquida, ou seja, 5% a.a. acima dos juros de mercado, em virtude dos subsídios do BNDES e do custo de se manter um volume elevado de reservas. Ou seja, temos uma dívida líquida de 35,9% do PIB, mas que custa o mesmo que uma dívida de 51% do PIB!

    Assumindo as hipóteses de inflação e de crescimento econômico acima, chegamos a um PIB nominal daqui a 12 meses de 5415 bi em marrom.

    Agora entra o total do superavit primário (azul claro), que é o total de receitas do governo subtraído das despesas com custeio, investimentos, transferência ( tudo excluindo juros). Assumimos que nos próximos 12 meses este número fique onde está hoje, o,6% do PIB de superavit, ou seja 32.5bi (verde). Chegamos assim a um déficit total do governo de 287 bi ou 5.3% do PIB , em amarelo.

    SE somarmos este déficit ao saldo original da dívida (3132 bi) e ao aumento da carteira do BNDES previsto ( 70 bi), chegamos a um total de dívida bruta de 3488 bi revisto para daqui a um ano. Isto representa 64.5% do PIB. Portanto, o cenário atual leva a um crescimento anual da dívida pública de 2.7% do PIB. Isto é completamente insustentável, pois em 5 anos passaremos de 80% do PIB."
  • Almir  11/11/2014 01:49
    1) Faltou mensurar a queda dos preços das commodities e seus efeitos na queda do PIB;
    2) As influências da redução do crescimento Chinês nas nossas exportações;
    3) A moratória Argentina e suas influências também;
    4) A redução brusca da taxa de juros em 2011 e seus efeitos;
    5) A seca 2014.
  • Leandro  11/11/2014 12:46
    1) Por que essa queda não jogou na recessão outros países igualmente exportadores de commodities, como Chile, Peru, Austrália, Nova Zelândia e Canadá?

    2) Por que a redução do crescimento chinês não jogou na recessão países que exportam para China, como Canadá, Austrália, Chile, Peru e Colômbia?

    3) Hein? A moratória da Argentina foi decretada em 31 de julho. Já os dados do IBGE para o PIB do Brasil vão apenas até junho. Como é que um evento só ocorrido em julho, e na Argentina, afetou os indicadores de abril, maio e junho do Brasil?

    4) Abordado no artigo. É só ver o gráfico da expansão dos créditos estatal e privado.

    5) Como mostra o terceiro gráfico do artigo, o setor agropecuário foi o único que cresceu no primeiro e no segundo semestre de 2014 (no segundo semestre, aliás, cresceu muito). Logo, a seca não o afetou. Agora, talvez você tenha alguma teoria mirabolante sobre como a seca do mês passado (outubro) afetou retroativamente o setor de serviços em maio e junho. Estou interessado em ouvi-la.
  • André  19/11/2014 15:08
    Prezados, não seria interessante uma análise dos textos produzidos pelo nosso ministro da fazenda antes e durante a criação do plano real?: www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/7/12/dinheiro/5.html www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/8/16/dinheiro/3.html www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/12/05/painel/2.html www.teoriaedebate.org.br/materias/economia/plano-verao-e-neoliberalismo?page=full www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/3/26/dinheiro/3.html . Muitos das críticas ao plano real e "soluções" para o problema do Brasil abordadas nesses artigos foram colocadas em práticas nos últimos 8 anos (como o subsídio à setores específicos como montadoras que ele defende que combate a inflação) e todos vimos as nefastas consequências. Uma compilação histórica do que Guido Mantega e compania defendiam comparando com o que o artigo do Leando mostraria que "a nova matriz econômica" de nova não tem nada.
  • Felipe  19/11/2014 15:57
    Esse Guido Mantega é ridículo e burro.

    Esse trecho publicado na folha demonstra isso:

    "Entretanto, existem sim alternativas mais eficientes de combate a inflação, que além de não serem recessivas, ainda permitem o aumento da renda dos trabalhadores.
    Basta observar a câmara setorial da indústria automobilística, que celebrou um acordo onde empresários, governo e trabalhadores, lucraram com redução dos preços e aumento da produção.
    O princípio é mais ou menos o seguinte. Ao invés de cobrar muito de poucos, empresas e governo devem cobrar menos de muitos. As empresas concordaram em reduzir as margens de lucro em 10% e o governo baixou os impostos em 12%." (Guido Mantega)

    Ou seja, para ele a inflação é um problema de custo.
  • Fec  25/11/2014 21:51
    Leandro,

    Você poderia me indicar alguns livros de economias.

    Meu objetivo é ser capaz de tira minhas próprias conclusões sobre o assunto.

    Obrigado.
  • Sergio Mondragón Reyes  17/12/2014 00:51
    Prezado Dr. Leandro Roque, seu artigo e muito bom e muito explicativo sobre a actual situacao economica do Brasil, eu só profesor de uma universidade na cidade do México que imparte a formatura em Negocios Internacionais, e gustaria obter sua permisao para poder usar seu artigo como lectura de analisis dentro de minha aula (Inteligencia Comercial con Sudamerica),
    Uma vez mas, minhas felicitacoes por o artigo e e fico grato por sua atencao ao a esta solicitacao.

    Atenciosamente
    Sergio Mondragón Reyes
  • leandro90  10/02/2015 18:37
    Leandro, possivelmente veremos uma nova crise. Como empreender neste ambiente que tudo é falso? Fundo e poupança falsos. Como um jovem empreendedor deve agir? ele fica refém do governo, dos bancos?
    abs
  • Leandro  10/02/2015 18:47
    "Leandro, possivelmente veremos uma nova crise."

    Veremos, não. Já estamos vendo.

    "Como empreender neste ambiente que tudo é falso? Fundo e poupança falsos."

    Essa é a grande questão. Quem souber como será exatamente aquele que se dará bem.

    No arranjo monetário e bancário em que vivemos, você, como empreendedor, infelizmente tem de estar mais preocupado em prever qual será a próxima medida destrutiva tomada pelo governo do que em tentar se antecipar às demandas dos consumidores.

    É mais importante saber para onde vão os juros do que para onde vai a preferência do consumidor. É mais importante especular no mercado financeiro para se antecipar à destruição do poder de compra da moeda gerado pelo governo do que tentar ganhar dinheiro agradando ao consumidor.

    Em suma, o que realmente conta é saber quando está começando o boom e quando está começando a recessão. Você tem de saber quando entrar, quando investir, e quando liquidar.

    Conhecedores da teoria austríaca dos ciclos econômicos estão bem preparados para isso.

    E é assim que um jovem empreendedor terá de agir. Não resta outra opção.

    "ele fica refém do governo, dos bancos?"

    Sim. Se não contar com poupança própria ou com a ajuda de parentes e familiares, ele é refém. Se você pudesse ao menos utilizar outras moedas e outras fontes de crédito, seria bem mais fácil. Mas o governo proíbe.
  • Yonatan Mozzini  02/03/2015 19:38
    Olá Leandro e equipe IMB:

    Vejam o que encontrei:

    www.bresserpereira.org.br/papers/2015/332-Quase-estagna%C3%A7%C3%A3o-Nelson-Fevereiro-2015.pdf

    O que há de correto no ponto de vista da EA nesta explicação novo-desenvolvimentista para nossa situação? Por favor, comentem.
  • Intruso  02/03/2015 20:15
    Pô, que sacanagem, hein? Você está pedindo pra turma ler 20 páginas de ladainha desenvolvimentista escrita por Bresser-Pereira (que, até ontem, era fã número 1 do modelo que nos trouxe essa estagflação)?

    Mais ainda, você quer que a turma, além de ler, escreva comentários? Aí ficou sádico, né? O pessoal certamente tem (muito) mais o que fazer. Além disso, o custo de oportunidade é altíssimo: além de deixarem de ler outros materiais sumariamente mais importantes (e de produzirem também), é preciso considerar que cada página de Bresser-Pereira lida leva a uma redução de 15 pontos no QI. Isso pode ser fatal.
  • Dioner Segala  02/03/2015 20:28
    Tudo bem que ler autores contrários, que escrevem teorias diferentes as teorias austríacas, seja sempre elucidativo, para saber exatamente o que não falar... Mas Bresser Pereira, é dose.

    Pior é um professor marxista meu, de economia Politica, me dizer, certa feita, que Bresser Pereira é dos meus, um liberal. Pra ver a quantas anda o nível dos professores de Economia na UFSC... sequer conhecem Mises, Hoppe, Rothbard, Bastiat, etc... Não tem a minima ideia do que é ser um austríaco.
  • Donizete  10/03/2015 15:03
    Viram essa palhaçada:

    IBGE muda cálculo do PIB e números devem subir

    A mudança no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB, soma total da renda gerada num país em determinado período) brasileiro pode aumentar os resultados registrados pela economia brasileira nos últimos anos. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), conta dos investimentos no PIB, deve sofrer expansão com a soma dos aportes em pesquisa e desenvolvimento, exploração e avaliação de recursos minerais e softwares, explicou nesta segunda-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    "Isso aumenta o PIB", definiu o diretor de Pesquisas do IBGE, Roberto Olinto.

    A LCA Consultores estima que, após as revisões, o crescimento econômico médio do período de 2011 a 2014 passará dos atuais 1,6% ao ano (considerando os dados até o terceiro trimestre do ano passado) para em torno de 2,5% ao ano. Nas projeções da consultoria, o PIB de 2014 deveria ficar estagnado. Com as revisões, pode subir um pouco, mas nada além de 0,5%.

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,ibge-muda-calculo-do-pib-e-numeros-devem-subir,1647578


    Ou seja, bastou o povo bater panela, que o IBGE já vem pra ajudar o governo. Aliás, ele fez isso em 2007. Os números do período Lula de 2003 a 2006 estavam muito aquém do desejado, e iguais aos do primeiro mandato de FHC (em que houve a crise asiática em 1997 e a crise russa em 1998).

    Aí o IBGE veio e, da noite pro dia, puff!, praticamente duplicou os valores. Esse país não é sério. A Argentina é aqui.
  • Romero Jucá  15/03/2015 04:12
    Parabéns pelo artigo. Apenas uma dúvida: estes gráficos não são os mesmos do livro O Mito do Governo Grátis?
  • Leandro  15/03/2015 13:01
    Não li esse livro. Mas os gráficos são do Banco Central.
  • alerj  21/03/2015 12:09
    Leandro

    Se nao houvesse crise em 2008, o Brasil continuaria crescendo pela política econômica adotada à época? Por que?

    Att, Alexandre
  • RENATTA  24/04/2015 15:25
    ola leandro!
    Na sua opinião, conforme dados de 2014 por que o Brasil é a 7º economia do mundo em termo de PIB, Mas apenas a 79º no ranking mundial em relação ao IDH
  • Leandro  24/04/2015 15:38
    Porque o PIB, por si só, não significa nada (ver aqui). No entanto, se for para utilizar PIB, então o melhor a se fazer é ver o PIB per capita. Este sim é mais condizente com o IDH (o qual, por sua vez, também não significa muito).
  • Occam's Razor  25/04/2015 15:39
    PIB absoluto não quer dizer absolutamente nada. Óbvio que uma economia com 1,3 bilhão de pessoas vai produzir mais do que uma de 7 milhões de pessoas. A miséria do país mais populoso teria que ser algo impensável para que o contrário fosse verdadeiro. Entretanto a quantidade de bens disponíveis por indivíduo pode ser muito menor.
  • Matias  25/04/2015 00:17
    Leandro, algum artigo sobre a economia de Israel aqui no Mises? Me chamou atenção o fato de ter deflação em 2014. O BC faz um bom trabalho lá? Abraços
  • Leandro  25/04/2015 15:15
    Nada sei de específico sobre a economia de Israel. Sei apenas que a moeda deles se fortaleceu bastante este ano. Por exemplo, em dezembro, um euro custava 4,92 shekels; hoje, caiu para 4,26. O shekel também se fortaleceu em relação à libra e não se alterou muito perante o franco suíço.

    Um bom histórico recente.
  • Mauro  28/04/2015 16:30
    Parece que os inativos e demais "nem-nem" resolveram dar um jeito na vida e começaram a procurar emprego (não havia alternativa, dado que a renda da população está em queda).

    E o resultado é que, agora com essas pessoas sendo contabilizadas nas estatísticas, o desemprego subiu:

    "Há mais gente procurando trabalho e houve corte de vagas, admite IBGE"

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,ha-mais-gente-procurando-trabalho-e-houve-corte-de-vagas-admite-ibge,1677372

    O aumento da procura por trabalho e a ausência de geração de vagas determinaram a elevação da taxa de desemprego para 6,2% [...] Parte dessa população que agora engrossa as filas por um emprego estava antes entre os inativos, enquanto o contingente de ocupados teve, em março ante fevereiro, a quarta queda consecutiva.

    De acordo com o IBGE, o mês de março também foi marcado pela migração de pessoas antes inativas para o contingente de desocupados. "Pode ter havido uma migração de pessoas que antes não buscavam trabalho e agora estão procurando uma vaga. Não temos como afirmar exatamente que população é essa. Pode ser retorno (ao mercado de trabalho) ou nova inserção", explicou Maria Lucia.
  • Jarzembowski  28/04/2015 16:58
    Isso é claramente um mea culpa, uma confissão de que essas estatísticas de desemprego que desconsideram os "nem-nem", como você observou, só servem pro governo federal fazer propaganda.
  • Sergio Souza  11/06/2015 16:00
    Bom dia Leandro tudo bem?

    Leandro ontem eu vi uma entrevista do Joaquim Levy,falando sobre a inflação esta tão alta,palavras:"Se alguns preços administrados incorporarem de uma maneira muito intensa a variação do câmbio, dificulta porque ele repete ou realimenta a inflação",não sei se você chegou a ver mas,
    o seu resumo de como a situação estava em 2003 se compara com essa em que estamos vivendo,para mim o cenário é o mesmo,como bem descrito por você no artigo.
    Vendo a globo news uma jornalista disse"não sei o porque a inflação esta tão alta ainda pois, o desemprego subiu,o povo não esta comprando,a economia esta em recessão".

    É isso mesmo,tem alguma relação da inflação esta tão alta por causa do câmbio?

    Pela lógica que fiz aqui foi: "se eu estou comprando um produto fora do Brasil e com alta do PIS,Confins e do dólar,o meu preço tende sair um pouco mais caro,logo haverá aumento no preço.

    Se eu sou exportador e vendo minhas bugigangas para fora,logo tenho dinheiro porém,os meus produtos estão saindo então,no mercado interno haverá uma escassez e assim aumentando o meu preço.

    O raciocínio é esse?

    Estou enviando essa pergunta porque,como eu leio os seus artigos,achei que o cenário atual é o mesmo que você descreveu de 12 anos atrás.

    Abraços e felicidades.

  • Leandro  11/06/2015 19:40
  • Ricardo   07/07/2015 00:43
    Leandro, pelo que pude entender, o aumento de crédito em meados do segundo mandato do governo Lula foi reflexo da confiança dos credores diante de uma economia estável. No governo atual, acredito que o consumismo propiciado pela expansão do crédito é um dos principais fatores da crise em que estamos.
    Minha pergunta é: o aumento do crédito continuaria sendo benéfico se a economia continuasse sendo bem conduzida ou ele por si só já é um problema?
  • Leandro  07/07/2015 01:28
    "o aumento de crédito em meados do segundo mandato do governo Lula"

    Na verdade, como mostram os gráficos, o aumento começou já no primeiro mandato.

    "foi reflexo da confiança dos credores diante de uma economia estável"

    Troque a palavra "credores" por "investidores", "empreendedores" e "bancos" (estes sim credores).

    "No governo atual, acredito que o consumismo propiciado pela expansão do crédito é um dos principais fatores da crise em que estamos."

    Correto. Mas os outros fatores são igualmente importantes. Eles foram detalhados neste artigo:

    O trágico legado da "Nova Matriz Econômica" - um resumo cronológico

    "Minha pergunta é: o aumento do crédito continuaria sendo benéfico se a economia continuasse sendo bem conduzida ou ele por si só já é um problema?"

    Expansão do crédito sempre gera uma expansão econômica que inevitavelmente é seguida de uma recessão. O que varia é a duração da expansão econômica e a profundidade da recessão. Quanto mais intensa é a expansão, mais profunda será a recessão. Quanto maiores forem os investimentos errôneos feitos na expansão, mais doloroso será o reajuste durante a correção (recessão).
  • Igor  08/07/2015 04:07
    Excelente artigo, excelente trabalho !
  • Alexandre  05/08/2015 18:16
    Artigo excelente!
    Muita clareza e objetvidade na exposição dos fatos.

    Obrigado pela matéria.

    Att,
    Alexandre Cavalcanti
  • Critico  16/11/2015 12:26
    Em Novembro de 2015, mais de um ano depois da publicação deste que é uma das melhores e mais completas análises econômicas do Brasil, fica absolutamente clara a verdade contida no texto.

    A economia foi devastada pelos efeitos adversos já previstos pela Teoria dos Ciclos Econômicos da Escola Austríaca. O Dólar disparou para 4 reais, dizimando o pouco que restava da nossa combalida e frágil indústria. Inflação na casa dos 10%, desemprego em alta meteórica, menor índice de confiança da série histórica...

    Se isso não for suficiente para convecer os Keynesianos, não sei o que mais será.
  • Leandro  16/11/2015 14:12
    Olhando em retrospecto, esse artigo -- que, na época, foi acusado por petistas de ser extremamente pessimista e sensacionalista -- acabou se revelando demasiado otimista em suas previsões.

    Eu não imaginei que o desemprego subiria tanto (e em tão pouco tempo) e também não imaginei que o real iria se esfacelar tão estrepitosamente (e em tão pouco tempo) perante o dólar. E errei também o timing de quando a população deixaria de apoiar o governo: previ que seria no final de outubro de 2014, mas ocorreu só em março de 2015.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Helder Marques  22/11/2015 20:26
    Boa Tarde Leandro,

    Sou estudante de Administração e estou fazendo um trabalho sobre o PIB do Brasil.

    Gostaria que me tirasse uma duvida, por que motivo apenas o credito concedido por bancos privados interferem no crescimento do PIB?

    Abraços
  • Leandro  22/11/2015 22:55
    Os bancos estatais são obrigados, pelo governo, a fornecer empréstimos a alguns setores escolhidos pelo governo, sendo os principais o setor imobiliário (para aquisição de imóveis), o setor rural, o setor exportador e os barões do setor industrial.

    Ou seja, os bancos estatais operam majoritariamente sob ordens políticas. O crédito é alocado de acordo com critérios políticos (Minha Casa Minha Vida, Crédito Rural Empresarial, Pronaf, PRONAMP, FINAME PSI, FIES etc.).

    Isso pode gerar crescimento econômico? Em termos de números frios do PIB, sim. Mas é necessário saber enxergar o longo prazo das políticas.

    Se o governo manda os bancos estatais emprestarem dinheiro para reativar a indústria naval brasileira, tal crédito estará sendo alocado meramente por conveniências políticas. Não há uma genuína demanda de mercado para esse investimento. No que mais, suas consequências podem ser nefastas para a economia como um todo.

    No caso da indústria naval brasileira, por exemplo, quando eram construídos lá fora, os navios tinham um custo menor para a Petrobras. Quando passaram a ser construídos aqui dentro, o custo aumentou.

    Primeira conclusão: houve ganhadores e perdedores.

    Dica: em toda e qualquer decisão política -- em absolutamente todas, sem nenhuma exceção -- sempre haverá ganhadores e perdedores. Sempre. Não há exceção a essa regra.

    Logo, quem ganhou com essa política? As empreiteiras que construíram os estaleiros, os fornecedores das empreiteiras, os fornecedores dos materiais de construção e as pessoas ligadas a essa área naval.

    Quem perdeu? Todo o resto do país.

    Os cidadãos tiveram de arcar com preços maiores para todos os materiais de construção que, ao passarem a ser direcionados para a indústria naval, tiveram seus preços aumentados. Isso afetou o resto do setor da construção civil, que agora teve de arcar com insumos mais caros. Consequentemente, os preços dos imóveis subiram e afetaram várias famílias, principalmente as mais pobres (mas fizeram a alegria dos especuladores imobiliários).

    No que mais, os próprios serviços das empreiteiras não apenas encareceram artificialmente (por causa da contratação do governo), como elas próprias -- ao serem contratadas pelo governo para construir estaleiros -- deixaram de atuar em outras áreas, como construção de infraestrutura, estradas e aeroportos.


    Em toda intervenção sempre há aquilo que você vê e aquilo que você não vê. Você viu os empregos sendo criados na indústria naval. Você não viu as consequências que essa criação forçada de empregos gerou para todo o resto do país.

    Jamais procure uma explicação em que haja apenas perdedores, e jamais imagine situações em que haja apenas ganhadores. Isso não existe. Até mesmo no comunismo havia ganhadores. No próprio Plano Collor houve muita gente que se deu bem.

    Só que, a coisa está tão feia no Brasil, que até a indústria protegida se estrepou. Veja o que aconteceu com a Sete Brasil, a empresa que foi criada para construir e alugar 28 sondas de perfuração, em um projeto orçado em US$ 25 bilhões.

    Já com um crédito privado não há espaço para devaneios e megalomanias. Os bancos privados operam de acordo com genuínas demandas de mercado. Se há um setor promissor (como não era o caso da indústria naval brasileira) pedindo crédito, este será concedido, pois bancos querem ganhar dinheiro em cima disso. E eles só ganharão dinheiro se sentirem que o setor para o qual estão emprestando é promissor e tende a ser lucrativo. Ou seja, o crédito privado é alocado mais de acordo com as reais condições de mercado.
  • mauricio barbosa  23/11/2015 01:43
    Meu xarà Maurìcio Macri varrerà o bolivarianismo empobrecedor da Argentina se Deus quiser,oh maravilha! Admiro os hermanos nesta eleicao è isso ai xô bolivarianismo empobrecedor ridìculo...
  • Felipe  12/12/2015 20:00
    Caro Leandro

    Posso fazer o seguinte raciocínio?
    A expansão de crédito direcionado ao setor imobiliário parece ter um efeito colateral adicional bastante nocivo, além do aumento da quantidade de dinheiro na economia. Além de elevar preços dos imóveis novos, ele eleva o valor de todo o estoque imobiliário existente, fazendo subir o preço de locação e portanto de boa parte dos custos da economia. Isso parece elevar os preços finais ao consumidor.
    E naturalmente faz concentrar a renda, ao distanciar os menores assalariados da aquisição de propriedades e suas possibilidades de poupar.
    Faz sentido?
    Grato.
  • Leandro  12/12/2015 21:52
    Faz todo o sentido.

    Lembrando que os preços dos insumos -- aço, vergalhão, cimento, tijolos, argamassas etc. -- também encarecem, a acabam inviabilizando outros empreendimentos mais demandados.

    A coisa sempre é pior do que parece.
  • Fábio Alcântara   02/01/2016 18:30
    Obviamente que toda nossa economia foi afetada com a entrada no PT no poder, não ha como negar que nosso país afundou à partir do momento em que o excelentíssimo Lula entrou na república, tanto que, na época, o Dólar teve uma alta absurda.

    Leandro, parabéns pelo artigo, muito bom.
  • Joaquim Saad  20/01/2016 21:28
    Parabéns e obrigado pelo honroso trabalho de registrar minuciosamente os erros crassos e todos esses verdadeiros crimes cometidos de forma tão sistemática pela orcrim no poder !
  • Gabriel Galvão  09/03/2016 17:18
    Olá Leandro,

    primeiramente parabéns pelo artigo, é realmente muito claro e a análise é impecável. Ao longo da leitura, fiquei pensando nos gráficos que apresentou, e então me corrija se eu estiver errado. De 2008 a 2010, em meio a todo o cenário de incerteza criada em âmbito mundial, seria o momento certo para frear a economia brasileira e cortar gastos, a fim de protege-la a longo prazo?
  • Leandro  09/03/2016 18:58