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O futuro da indústria - por que a participação da indústria no PIB sempre será declinante

O gráfico abaixo mostra a participação da indústria no PIB dos países mais ricos do mundo.  A linha azul mostra a participação da indústria japonesa no PIB japonês; a laranja, a dos EUA; a verde, a da Finlândia; a vermelha, a da Alemanha; a preta, a da Holanda; e a vermelha grossa, a média mundial.  E aqui a do Brasil.

Como se pode ver, o percentual de contribuição da indústria à produção econômica total vem declinando continuamente ao longo dos últimos 40 anos.  Se o gráfico mostrasse mais 40 anos anteriores, o mesmo tipo de declínio seria perceptível.

Trata-se de um fenômeno mundial.  Trata-se de um fenômeno irreversível. 

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http://www.uschamberfoundation.org/blog/post/manufacturing-s-declining-share-gdp-global-phenomenon-and-it-s-something-celebrate/34261

Há pessoas, majoritariamente economistas de cunho intervencionista e desenvolvimentista, que reclamam desta tendência em seus respectivos países.  Seja nos EUA, seja na Europa, seja num país latino-americano, eles acreditam que uma economia robusta e rica só é possível se houver uma indústria cada vez maior.  Ato contínuo, eles exigem que seus governos adotem políticas de protecionismo e de incentivo à indústria (as quais simplesmente não têm como funcionar).

Isso apenas mostra o quão ignorante eles são em relação a essa tendência mundial.  Eles não entendem que o crescimento econômico sempre gera um declínio na porcentagem da participação da indústria na economia nacional.

O cerne da riqueza moderna

O cerne da riqueza não é o setor industrial; o cerne da riqueza é o conhecimento.  Mais especificamente, o conhecimento que é aplicado com o intuito de reduzir o percentual total da indústria na economia e de aumentar a riqueza das massas por meio dos serviços.  Esses serviços podem ser digitais ou podem ser pessoais.  Mas não são baseados na manufatura.

Um amigo meu sempre utilizava essa frase: "Venda elétrons, e não átomos".  É uma excelente frase.  Não venda pedaços de coisas; venda ideias, venda eficiência, venda entretenimento e, acima de tudo, venda qualquer coisa que permita reduzir os custos das matérias-primas, o custo do capital, e o custo da produção.  Corte custos, corte preços, enriqueça.

É por isso que a indústria será, cada vez mais, equipada por máquinas totalmente controladas por programas computacionais.  Utilizar mão-de-obra humana para fazer esforços repetitivos e puramente mecânicos é um completo desperdício de recurso e de dinheiro.  O uso de máquinas e de inteligência artificial permite que a humanidade seja libertada do fardo do trabalho maçante e exaustivo.  É incrível que economistas, em pleno século XXI, ainda condenem as máquinas e desejem que seres humanos façam um serviço totalmente mecânico, tedioso e, em relação às máquinas, bem menos produtivo.

Ao longo de séculos — aliás, ao longo de milênios —, os pais sempre se esforçaram para colocar seus filhos dentro de alguma guilda ou para arranjar para eles alguma sinecura, de modo que eles nunca mais teriam de fazer trabalho físico extenuante.  Ironicamente, o que praticamente todos os pais querem para seus filhos é exatamente aquilo que o livre mercado já vem propiciando ao redor do mundo.  Ainda assim, há pessoas que reclamam do declínio percentual da participação da indústria na economia.  Esse declínio tem sido uma das maiores bênçãos do mundo moderno, mas ainda há pessoas que honestamente acreditam que a economia de seu país está ruim simplesmente porque a porcentagem da economia que é ocupada pela indústria está em constante declínio.

Por algum motivo insondável, aquilo que indivíduos querem para seus filhos é exatamente aquilo que eles lamentam estar acontecendo na economia.  Uma pessoa que quer que seu filho nunca tenha de fazer um trabalho manual pesado, mas que em seguida reclama do declínio no número de empregos que exigem trabalho manual pesado, é alguém que sofre de dissonância cognitiva.

Ao redor do mundo, as nações industrializadas terceirizaram sua base manufatureira de duas maneiras: ou transferiram suas indústrias pesadas para países estrangeiros extremamente pobres ou adotaram programas computacionais que não reclamam de fazer trabalho pesado (e o fazem com extrema eficiência).  Os trabalhos passaram a ser efetuados com uma qualidade ímpar tanto por pessoas pobres em países estrangeiros quanto por robôs que estão se tornando cada vez mais eficientes em decorrência da adoção de melhores técnicas de produção e de melhores programações computacionais.

Em absolutamente todas as etapas desse processo sempre surgiram luditas reclamando da substituição de mão-de-obra humana por máquinas.  O termo "sabotagem" vem de "sabot", que é sapato em francês.  Operários que estavam perdendo seus empregos para as máquinas lhes atiravam sapatos com o intuito de danificá-las.  Uma perfeita ilustração do uso da coerção contra empreendedores e contra os proprietários dos meios de produção.

Ao longo dos últimos 200 anos, em todos os estágios em que as máquinas substituíram a mão-de-obra humana, houve um extraordinário aumento na produção e na produtividade, bem como um igualmente extraordinário aumento na riqueza per capita.  Nosso mundo é completamente diferente do mundo de 1800, e o motivo para isso está no fato de que, antes, os trabalhadores eram munidos de poucos e ineficazes bens de capital, ao passo que hoje eles estão munidos de uma quantidade crescente de bens de capital de qualidade.  Os trabalhadores de hoje têm a sua disposição uma maquinário de muito melhor qualidade.  Os maquinários estão cada vez mais eficazes e eficientes, o que faz com sejam necessários cada vez menos pessoa para executar uma determinada função com a mesma qualidade.  Esses trabalhadores substituídos por máquinas de maior qualidade vão buscar emprego em novas áreas do setor de serviços.

Essa tem sido a história da transformação do mundo em um lugar melhor ao longo dos últimos 200 anos.  Por que, após tudo isso, as pessoas repentinamente passaram a ficar preocupadas com o fato de que máquinas e programas computacionais irão continuar substituindo trabalhadores em várias áreas?  Isso é exatamente o que já vem acontecendo há dois séculos.  Por que repentinamente querem parar com tudo isso?

A curva econômica exponencial

O que é diferente hoje é isso: o processo de crescimento está se tornando exponencial.  Logo, a questão agora é essa: os arranjos sociais que prevaleceram pelos últimos 200 anos podem continuar prevalecendo pelos próximos 200 anos?  Em outras palavras, podem as instituições sociais que foram forçadas a mudar e a se adaptar ao longo dos últimos dois séculos sobreviver à transição a um mundo completamente distinto durante os próximos dois séculos?

A velocidade das mudanças econômicas está se acelerando, algo que sempre ocorre quando você lida com os últimos estágios de uma curva exponencial.  A lei de Moore e a lei de Metcalfe se combinaram para transformar o mundo nesses últimos 40 anos.  E não há nenhum sinal de reversão.  Ao contrário, as mudanças estão se acelerando.  Estamos vivenciando na prática a teoria das mudanças aceleradas.  A lei de Moore nos diz que o número de circuitos em um chip duplica a cada ano, ou — na pior das hipóteses — a cada 18 meses.  A principal consequência é o declínio nos custos da informação digital.  Já a lei de Metcalfe explica como o valor da informação é crescente à medida que aumenta o número de participantes em um sistema de comunicações.  Pense em "máquina de Fax".  Agora pense em "Facebook".

Não é que esse processo de crescimento acelerado seja novo.  Ele já vem ocorrendo ao longo de dois séculos.  O que é novo é que já entramos na fase do crescimento exponencial.  Isso irá gerar profundas alterações em todas as relações sócio-econômicas.  Como as tradições não se alteram facilmente, haverá várias vítimas.  Empresas que não se mantiverem atualizadas com as inovações tecnológicas desaparecerão rapidamente.  O mesmo pode ser dito sobre a monstruosa burocracia que impera nos governos dos países ocidentais.  A questão é o que irá substituí-la.

Conclusão

Para mim, não há dúvidas de que o setor industrial, como o conhecemos, será radicalmente transformado pela popularização das impressoras 3-D.  Simplesmente não há como mudar essa realidade; não há como reverter essa tendência.  Ela irá se acelerar e gerar uma maciça descentralização.  Haverá uma era de enorme criatividade no campo da manufatura, a qual ocorrerá em uma velocidade jamais vista.  Isso será resultado da descentralização, da informatização, e da popularização das impressoras 3-D.

Existe apenas um arranjo social que saberá como lidar com isso: o livre mercado.  Ele se baseia nos sinais emitidos pelo sistema de preços livres, o qual é o único capaz de coordenar esforços produtivos.  O mecanismo de lucros e prejuízos, por sua vez, é o único que sabe como compilar e direcionar eficientemente as melhores informações disponíveis.  Nenhum comitê governamental e nenhum aparato de planejamento central poderão competir com as perspectivas de lucros possibilitadas pela disseminação da informação descentralizada.

Sempre estamos à procura de alguém que faça algo por nós.  Se uma máquina é capaz de substituir o trabalho humano, então ela deve substituir o trabalho humano.  O trabalho humano não deve ser desperdiçado em tarefas repetitivas que podem ser feitas por uma máquina de maneira igualmente eficaz e menos dispendiosa.  Se algo pode ser feito por uma máquina, por que imobilizar algo tão versátil quanto o trabalho humano?  O trabalho humano é o mais versátil de todos.  Há inúmeras coisas que as pessoas podem aprender a fazer.  Já uma máquina pode fazer bem apenas uma coisa; ela não pode fazer outra coisa fora daquilo para a qual projetada.  Seres humanos não são como máquinas.  Eles podem fazer muitas coisas.

Se você trabalha no setor industrial, então você deve aspirar a uma posição que esteja entre uma máquina especializada e a resolução de um problema imediato.  Existem todos os tipos de problemas imagináveis e inimagináveis nos processos de produção, o que significa que uma máquina não irá solucioná-los.  Qualquer tipo de problema tem de ser resolvido pela mente humana, e por um ser humano equipado com uma ferramenta capaz de resolver o problema.  É a criatividade humana, em conjunto com o uso de ferramentas, que é essencial para garantir a produção de uma máquina.  Aspire a uma posição em que você tenha constantemente de utilizar sua mente.

O segredo para se ter uma alta renda não é possuir uma capacidade de efetuar tarefas repetitivas.  O segredo é ter uma mente criativa.  O segredo está na mente criativa que é capaz de aplicar princípios gerais a casos específicos, e então encontrar ferramentas especializadas com as quais implantar seu plano.

Se a sua ocupação requer que você apenas efetue coisas repetitivas, coisas que não requerem muito raciocínio, então seria bom você ficar esperto e começar a procurar algum setor que possua algum conjunto de problemas que alguém com suas habilidades possa resolver.  É a capacidade de saber resolver problemas, e não a implantação de soluções mecânicas, que gera uma renda alta.  É assim que trabalhadores se tornam líderes e patrões.

Se você tem uma profissão manual que se resume a fazer processos repetitivos, é bom ir adquirindo outras habilidades. Se você pensa que poderá concorrer com uma máquina para fazer processos repetitivos, é bom repensar seu futuro.  Em processos repetitivos, a máquina sempre irá vencer.  Em algum momento surgirá uma máquina que fará o trabalho melhor do que você.  E isso é ótimo para toda a humanidade.  Adam Smith já havia observado que as habilidades mecânicas e repetitivas que são necessárias em uma divisão do trabalho não são boas para os homens.

Qualquer indivíduo que queira trabalhar no setor industrial estará entrando em um setor cujos trabalhadores que possuírem grandes habilidades serão cada vez mais bem pagos, porém estarão constantemente pressionados a se manterem atualizados com as inovações tecnológicas.  Quem não conseguir manter esse ritmo será eliminado pela concorrência.


1 voto

autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

  • Felipe  15/09/2014 14:38
    Com certeza é a tendência da nossa evolução, trabalhos mais inteligentes e menos manuais.

    Chega se triste ler economistas e jornalistas criticando a desindustrialização, sem entender o quanto isso é natural no desenvolvimento de um país

    Agora um problema, se boa parte do povo não acompanhar essa mudança, é provável que uma parte dessa massa ficará desempregada, e a outra parte insegura quanto ao seu emprego. Desse jeito aumentando ainda mais a interferência do sindicato e do governo, e assim atraplhando essa evolução.
  • anônimo  15/09/2014 15:01
    Uma dúvida: a participação da indústria no PIB diminuiu, mas quais setores aumentaram?
  • Leandro  15/09/2014 15:08
    Serviços.
  • anônimo  15/09/2014 15:25
    Grato, Leandro.
    E a agricultura, como ficou?
  • Leandro  15/09/2014 16:00
    Não chega nem a 5% do PIB.
  • Mohamed Attcka Todomundo  16/09/2014 16:13
    interessante como o campo ñ chega a 5% do PIB (quanto eh do PNB, vc sabe leandro?) mas é o setor + dinamico, integrado globalmente e cientifica-tecnologicamente antenado de nossa economia.
  • Edmilson Fernandes  18/09/2014 12:21
    Esse dado do PIB do Agronegócio ta furado...aliás é dos poucos setores que esta havendo crescimento.
    www.agrolink.com.br/noticias/ClippingDetalhe.aspx?CodNoticia=201839
  • Leandro  18/09/2014 12:57
    Qual é a "furada"? Nos países desenvolvidos, o setor agrário realmente não chega a 5% do PIB. Não é nem uma questão de opinião, é fato mesmo. Pode conferir:

    en.m.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_sector_composition#Nominal_GDP_sector_composition

    Aqui no Brasil, o setor agrário corresponde a 5,4% do PIB.
  • Henrique  15/09/2014 15:03
    Amigos, desculpem-me pela pergunta off-topic.
    Estou lendo um artigo na Carta Capital (ok, bela fonte..) em que eles criticam o governo do Tony Blair no Reino Unido como neoliberal. O que houve de liberal no governo de Tony Blair?

    Valeu
  • Mino  15/09/2014 16:01
    Para essa gente, qualquer modelo que não seja o venezuelano, o argentino, o cubano e o boliviano é "neoliberal".

    Para você ter uma ideia do nosso atraso intelectual, até mesmo os políticos social-democratas europeus dizem que Blair foi um ardoroso seguidor da terceira-via, um arranjo que mescla capitalismo com socialismo.

    Só mesmo no Brasil é possível haver "intelectuais" que julgam ser o supra-sumo da profundidade rotular os outros de "neoliberal".

    O que fez Tony Blair? Deu independência ao Banco Central da Inglaterra. Foi o que bastou.
  • Lopes  15/09/2014 17:09
    A luta pela bandeira da esquerda é árdua no Brasil: 9/10 de todos os partidos adotam o título de esquerda ou centro esquerda, incluindo a 'direita' brasileira; quase todos são nomes nas internacionais comunistas (incluindo o PSDB) e todos possuem marxistas, social-democratas e congêneres em suas fileiras partidárias. Por tal motivo, é mister que quaisquer ações de um partido que pise distante da zona de conforto da esquerda imediatamente dê argumentos para que outros os chamem de neoliberais ou fascistas; por exemplo, o PSOL considera o PT direitista - ao mesmo tempo que o PCO considera o PSOL e o PSTU de direita, usufruindo de quaisquer ações dos dois para rotulá-los o mais rapidamente possível. Basta ir ao site do PCO para conferir, cujo link prefiro não divulgar aqui.

    Como isto se encaixa à medida de Tony Blair? Dado o contexto eleitoral, a revista chapa branca (quase todo seu patrocínio é estatal) quer utilizar a medida da independência do Banco Central em seu arcabouço de evidências ao neoliberalismo, tomando Blair como referência; algo que utilizará, por exemplo, contra o PSB nas eleições (apesar de que, convenhamos, não haverá nenhuma independência do banco central e ela é até contraditória ao programa do PSB na presidência; afirmar que haverão juros baixos e inflação baixa - nem discutirei o que há de equívoco nisto, não é exatamente a promessa de alguém que diz querer liberar o BACEN).

    É apenas uma especulação, porém. Esta luta quase que obsessiva pela psicótica e suja bandeira da esquerda pode também estar, como supramencionado pelo Mino, apenas influenciada pelo contexto latino.
  • Arthur Gomes  15/09/2014 19:21
    Henrique,
    Para você entender bem o que é o termo "neoliberal", assista os vídeos do professor José Monir Nasser.
    A diferença entre liberalismo e o neoliberalismo.
    www.youtube.com/watch?v=572M-MarDss

    Ao assistir o vídeo e outros desse mesmo professor, você entenderá claramente que este termo neoliberal é uma armadilha gramatical, criada para confundir as pessoas. É a na verdade um socialismo disfarçado.
    Veja o vídeo e depois comente, aqui no site.
  • Daniel  15/09/2014 15:26
    Ouve-se muito na imprensa o dito "O Brasil está se desindustrializando antes mesmo de se industrializar". Isso faz sentido? Nós nunca tivemos uma indústria muito forte, essa etapa é necessária para que o domínio posterior dos serviços se dê de forma sustentável?
  • Leandro  15/09/2014 15:55
    A indústria já representou mais de 25% do PIB brasileiro na década de 1980, quando a economia era totalmente fechada. E a qualidade das coisas produzidas era uma porcaria.

    Ou seja, já tivemos 25% e isso ainda não foi o suficiente. Qual cifra será então pode ser considerada satisfatória? Aliás, o que seria "uma indústria muito forte"? Um quarto do PIB não foi o suficiente?

    A fatia da indústria no PIB, por si só, não é indicador nenhum de robustez econômica.

    Vale lembrar que os países comunistas e de economia centralizada sempre puseram ênfase na indústria, e isso nem de longe se traduziu em enriquecimento, em qualidade de vida, e em produtos de qualidade.

    Essa tara com participação da indústria no total do PIB é coisa de desenvolvimentista protecionista que não entende muito bem como uma economia produz riqueza, e que ainda acha que ficar produzindo panelas, pentes, chuveiros e sapatos é o segredo para a prosperidade.
  • Giovani  11/11/2016 19:48
    Leandro, aqui no RS o PT mandou a Ford embora e os bahianos são gratos até hoje por isso. Agora vejo que eles tiveram uma visão muito a frente do nosso tempo expulsando essa indústria daqui, afinal o que gera riqueza é o conhecimento, e por isso eles em seguida criaram a UERGS. :D

    Agora estamos desfrutando de muita prosperidade aqui no RS.

    Brincadeiras a parte, gostaria de entender melhor essa questão da industrialização:

    Uma das propostas do Trump é trazer de volta as indústrias para os EUA. De uma forma ótima para os industriais: reduzindo impostos e colocando barreiras protetoras (impostos de importação - mesmo provisoriamente). Você acha que essas duas variáveis juntas atrairão de volta as indústrias para os EUA? Particularmente acho que sim, ainda que outras variáveis tão importantes quanto essas poderiam ser atacadas, exemplo: desregulamentação de setores, flexibilização trabalhista.

    A maioria das fábricas do RS migrou para o NE, pois lá os governos reduziram impostos, a mão-de-obra era mais barata, e não haviam sindicatos para infernizar. Muitas cidades do NE cresceram com a industrialização, o PIB do município cresceu, e a população se desenvolveram. Isso não está em desacordo com o artigo?

  • Giovani  16/11/2016 19:41
    Nenhum comentariozinho? Magoei :(
  • Leandro  16/11/2016 23:22
    "De uma forma ótima para os industriais: reduzindo impostos e colocando barreiras protetoras (impostos de importação - mesmo provisoriamente)."

    Reduzir impostos de fato estimula. Barreiras protecionistas, não. Com barreiras protecionistas, os preços de tudo aumentam. Consequentemente, no longo prazo, a população fica sem renda inclusive para comprar os produtos dessas indústrias.

    E é isso que os planejadores centrais não entendem.

    Se barreiras protecionistas fossem esse elixir para as indústrias, o Brasil seria uma potência industrial.

    "Você acha que essas duas variáveis juntas atrairão de volta as indústrias para os EUA?"

    Não. Enquanto os sindicatos forem poderosos e mandarem no show -- como ocorre, por exemplo, em Detroit --, ninguém irá se arriscar ali. Não compensa.
  • Murdoch  17/11/2016 01:09
    Leandro,

    com a redução dos impostos, excluir as barreiras protecionistas e acabar com os sindicatos, há uma possibilidade de várias empresas do mundo ir para os EUA?
    Você mencionou Detroit, no contexto desta cidade, as empresas japonesas, sul-coreanas e alemãs irão investir em produção com as reformas mencionadas anteriormente?
    Igualmente pode acontecer aqui no Brasil, já que produzimos carros dessas empresas e ainda exportamos como exemplo para o México mais barato.
    Com uma possível liberação geral da economia, a indústria não aumentaria em vez de declinar?

    Uma dúvida em OFF.
    Renda per Capita:

    Países com populações gigantescas como Índia e China sempre estarão com os indicadores abaixo de países com menor população. Exemplo seria a China com 1,3 bilhão de pessoas, para fins de conclusão um PIB como agora de US$10 trilhões daria uma renda per capita de US$7,692, enquanto que no Brasil o mesmo indicador seria de US$50,000.

    A China para ter uma renda per capita de US$24,000, o PIB chinês teria que ser US$31,2 trilhões.

    Para termos mais uma análise comparativa do assunto, vamos pegar o exemplo da Guatemala e a privatização(e a desregulamentação) do setor de telecomunicações.
    De acordo com este artigo: A Guatemala e seu exemplo de privatização, a população tem acesso a internet e telefones a preços medíocres, mas a renda per capita do país é de apenas US$3.477. Ou seja, não seria errado apenas olhar para a renda per capita e analisar outros tipos de indicadores como liberdade econômica ou qualquer outro que possa determinar a riqueza e o desenvolvimento de um país?

    Sendo um indicador de um país de desenvolvimento e riqueza, mas será que só isso basta para termos uma análise conclusiva?

    Abraço
  • Leandro  17/11/2016 03:26
    "com a redução dos impostos, excluir as barreiras protecionistas e acabar com os sindicatos, há uma possibilidade de várias empresas do mundo ir para os EUA?"

    Possibilidade? Sim. E muita.

    "Você mencionou Detroit, no contexto desta cidade, as empresas japonesas, sul-coreanas e alemãs irão investir em produção com as reformas mencionadas anteriormente?"

    Há mais chances do que sob as atuais condições. Mas seria muito mais negócio investir nos estados do sul dos EUA. A BMW já faz isso com sua fábrica em Spartanburg, Carolina do Sul, onde não é importunada pela UAW. Mercedes e Toyota estão no Alabama

    "Igualmente pode acontecer aqui no Brasil, já que produzimos carros dessas empresas e ainda exportamos como exemplo para o México mais barato. Com uma possível liberação geral da economia, a indústria não aumentaria em vez de declinar?"

    É exatamente isso o que este site sempre defendeu.

    Sobre suas ponderações quanto ao PIB per capita, concordo com os pontos básicos. Mas exatamente para corrigir essas aparentes distorções há o PIB per capita corrigido pela paridade do poder de compra. Por essa mensuração, as discrepâncias são muito menores.

    pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_PIB_(Paridade_do_Poder_de_Compra)_per_capita

    "Países com populações gigantescas como Índia e China sempre estarão com os indicadores abaixo de países com menor população."

    Populações gigantescas como Índia e China são aberrações típicas de país pobre. Por outro lado, a população dos EUA é maior que a brasileira e seu PIB per capita é muito maior. O mesmo é válido para o EUA em relação aos países da Europa (exceto Suíça).

    "não seria errado apenas olhar para a renda per capita e analisar outros tipos de indicadores como liberdade econômica ou qualquer outro que possa determinar a riqueza e o desenvolvimento de um país?"

    Concordo. O padrão de vida de um país é determinado pela abundância de bens e serviços. Quanto maior a quantidade de bens e serviços ofertados, e quanto maior a diversidade dessa oferta, maior será o padrão de vida da população. Por exemplo, quanto maior a oferta de alimentos, quanto maior a variedade de restaurantes e de supermercados, de serviços de saúde e de educação, de bens como vestuário, materiais de construção, eletroeletrônicos e livros, de pontos comerciais, de shoppings, de cinemas etc., maior tende a ser a qualidade de vida da população.

    Porém, a quantidade e a diversidade não bastam. A facilidade de acesso a estes bens e serviços — no caso, quão caros eles são — também é essencial. Por isso, é de suprema importância haver uma moeda forte.

    Como se mensura tudo isso? Não sei. Ninguém ainda conseguiu criar tal mensuração.
  • Giovani  17/11/2016 14:46
    "Com barreiras protecionistas, os preços de tudo aumentam. Consequentemente, no longo prazo, a população fica sem renda inclusive para comprar os produtos dessas indústrias. "

    Concordo. Mas no curto prazo essa barreira protecionista é estimulante para a instalação de indústrias, não?

    Não foi isso que ocorreu com o "boom" de indústrias automobilísticas no Brasil? Em período curto, várias se instalaram aqui, pois haviam (há) várias barreiras protecionistas: imposto de importação astronômico, proibição de importação de carros semi-novos, etc.

    Saliento que concordo contigo quanto às consequencias a longo prazo.

    Eu gostaria de entender levando a situação ao extremo:
    Se o país "A" estimulasse a instalação de indústrias reduzindo impostos e colocando barreiras protecionistas (saliento: provisoriamente) de tal forma que todas as indústrias do país "B" partissem para o país "A". O país "A" não estaria em vantagem agora industrializado? As pessoas teriam mais possibilidade de emprego no país "A", enquanto que no país "B" teriam que migrar para outros setores, que talvez nem existam, ou não exista demanda.

    Exemplo: Fábricas de calçados do RS receberam incentivos e migraram para cidades do interior do NE. Essas cidades do NE prosperaram, enquanto as cidades do RS minguaram. Restou para eles mudar de setor ou sair da cidade.

    Dúvidas sinceras.
  • Malthus  17/11/2016 18:35
    "Mas no curto prazo essa barreira protecionista é estimulante para a instalação de indústrias, não?"

    Sim, é extremamente estimulante para os negócios dessas empresas protegidas. Eu mesmo adoraria trabalhar em um mercado fechado só para mim, sem ter de me preocupar com concorrência ou com agradar consumidores (uns chatos).

    Não há arranjo mais gostoso do que esse.

    "Não foi isso que ocorreu com o "boom" de indústrias automobilísticas no Brasil? Em período curto, várias se instalaram aqui, pois haviam (há) várias barreiras protecionistas: imposto de importação astronômico, proibição de importação de carros semi-novos, etc."

    Sim, e foi um ótimo negócio para a Anfavea, que assim pode vender os carros mais caros e mais defasados do mundo para um povo que tem de se endividar aos tubos para conseguir comprar essas carroças.

    Enquanto americanos e europeus têm acesso a carros extremamente avançados e inacreditavelmente baratos de todo o mundo (inclusive seus próprios nacionais, que operam sob concorrência de todo o resto do mundo), nos brasileiros somos tratados como gado por esse cartel protegido pelo estado, que nos oferta carros de m... pelos olhos da cara (Gol 1.0 por $ 30 mil).

    Para e favor, eu imploro, de joelhos: me explique exatamente como o povo está em melhor situação tendo de bancar os lucros deste cartel ridículo?

    Procure saber o que ocorreu na Austrália e na Nova Zelândia: eles descobriram que é muito mais barato importar carros do que ferrar toda a população para beneficiar meia dúzia de empresários magnatas e suas reservas de mercado garantidas pelo estado.

    "Saliento que concordo contigo quanto às consequencias a longo prazo."

    Ué, então fechou. O sábio econômico é aquele que sabe as consequências de longo prazo, e que jamais as sacrifica em prol de delícias de curtíssimo prazo.

    "Se o país "A" estimulasse a instalação de indústrias reduzindo impostos e colocando barreiras protecionistas (saliento: provisoriamente) de tal forma que todas as indústrias do país "B" partissem para o país "A"."

    Não existe isso. E é incrível como as pessoas têm facilidade para recorrer a simplismos e dificuldade para entender o básico.

    Se um país eleva tarifas de importação, ele está prejudicando todas as indústrias que dependem de insumos importados, como maquinário de qualidade, matérias primas, e bens de capital que irão aumentar sua eficiência e produtividade. Há centenas de artigo sobre isso aqui neste site (e eu achava que eles estavam exagerando ao falar repetidas vezes sobre o mesmo assunto, mas parece que ainda foi pouco; a coisa simplesmente não clica).

    Se você não impõe tarifas protecionistas, você está garantindo que todo o seu parque industrial será permanentemente ineficiente. Mesmo aquela indústria que eventualmente queira ser eficiente (sem nenhum motivo para isso, pois opera sob reserva de mercado) não conseguirá, pois não terá acesso a maquinários, matérias primas e insumos bons e baratos.

    "O país "A" não estaria em vantagem agora industrializado?"

    O país A estará agora com indústrias de merda: operando sob uma reserva de mercado, blindadas da concorrência e sem acesso a insumos, matérias primas e maquinários de qualidade. Será uma indústria de quinta categoria.

    Eu pensava que que após o governo Dilma, com seu alto protecionismo e com a falência do setor industrial, isso já seria de uma obviedade ululante.

    "Exemplo: Fábricas de calçados do RS receberam incentivos e migraram para cidades do interior do NE. Essas cidades do NE prosperaram, enquanto as cidades do RS minguaram."

    Misturou completamente os assuntos. Isenção tributária nada tem a ver com protecionismo e tarifas de importação. Libertários são totalmente a favor de isenções tributárias, pois estas representam a abolição de obstáculos que sequer deveriam existir. Ja tarifas protecionistas representam uma criação de obstáculos. São duas coisas opostas.

    Para seu exemplo fazer algum sentido, o nordeste teria de ter tarifas de importação diferenciadas em relação ao sul, algo que não ocorre. Você deu um exemplo de como a redução de barreiras estimulam uma economia, o exato oposto do que fazem barreiras protecionistas.
  • Giovani  18/11/2016 15:31
    Caro Malthus ,
    Primeiramente, #PAZ

    Segundo: tudo o que você falou eu entendo e concordo: barreiras protecionistas são péssimas no longo prazo, por todos os motivos que listaste.

    PORÉM é uma dúvida sincera realmente. Eu gostaria de entender (se tiver dados reais, melhor), até que ponto essas barreiras protecionistas prejudicam ou estimulam no curto prazo. Como bem disseste, essas barreiras são ótimas para o industrial (num primeiro momento), pois cria uma reserva de mercado, evita concorrência, etc etc., PORTANTO, ESTIMULA que o industrial instale sua fábrica na região.

    A minha questão é: afinal, vale a pena um país pobre utilizar medidas protecionistas (provisoriamente) para ESTIMULAR essa industrialização e gerar empregos? Ou esse estímulo para a industrialização através do protecionismo PROVISÓRIO não vale a pena?

    (Sim, sim, eu também entendo que o melhor seria reduzir impostos, simplificar, desburocratizar, desregulamentar, etc etc. A questão que levanto é na hipótese de nada disso acontecer, ou seja, com tudo o mais constante, somente considerando a variável "com protecionismo provisório" ou "sem protecionismo")

    Ps: o protecionismo não precisa ser para TUDO, todo o tipo de matéria-prima, etc. Pode ser só sobre o produto em si. Por exemplo: o imposto sobre importação de carros.

    Exemplo: Esse "boom" de indústrias automobilisticas no Brasil ocorreu também porque havia essa proteção para eles instalarem suas fábricas aqui (sim, os carros são péssimos, caros, virou um cartel, concordo com TUDO). Mas não foi importante esse protecionismo para atrair esses investimentos? Ou melhor: essas industrias que se instalaram aqui não são importantes para a economia? (Novamente, vou ressaltar: esse protecionismo NÃO FOI E NÃO É PROVISÓRIO, o que eu pergunto é sobre um protecionismo PROVISÓRIO. O protecionismo que existe hoje só gera problemas mesmo)



  • Silvio  15/09/2014 17:17
    Ao contrário do que comumente se acredita, a verdade é que se no Brasil não se consegue produzir mais vantajosamente o que quer que seja, então não há sentido em se ter indústrias por aqui.
  • Lucas  15/09/2014 16:45
    Sempre estamos à procura de alguém que faça algo por nós. Se uma máquina é capaz de substituir o trabalho humano, então ela deve substituir o trabalho humano. O trabalho humano não deve ser desperdiçado em tarefas repetitivas que podem ser feitas por uma máquina de maneira igualmente eficaz e menos dispendiosa. Se algo pode ser feito por uma máquina, por que imobilizar algo tão versátil quanto o trabalho humano? O trabalho humano é o mais versátil de todos. Há inúmeras coisas que as pessoas podem aprender a fazer. Já uma máquina pode fazer bem apenas uma coisa; ela não pode fazer outra coisa fora daquilo para a qual projetada. Seres humanos não são como máquinas. Eles podem fazer muitas coisas.

    A Constituição Besteirol de 88 já se adiantou quanto á isso mostrando como somos um país avançado na proteção dos direitos dos trabalhadores :

    Artigo 7º paragrafo XVII - Proteção em face da automação, na forma da lei;
  • Marconi  15/09/2014 16:50
    Kd o gráfico da China?

    A indústria, ou seja, fazer algo de maneira eficiente, é a grande causa da riqueza das nações.

    A importância dos produtos é muito maior do que a dos serviços, no aumento do bem estar de uma nação pobre.
  • Marcão  19/09/2014 14:53
    Talvez você não saiba, mas a China não é desenvolvida (e seu PIB per capita ainda é menor que o do Brasil). Daí a sua ausência daquele seleto gráfico.
  • Andre Bernardes  15/09/2014 17:01
    Artigo curioso e que trás um ponto de vista plenamente defensável pelas quedas na estatística de pessoal empregado na indústria de qualquer país. Por outro lado, a redução na participação do PIB, ou seja, a redução do valor econômico agregado aos produtos industriais, é algo realmente que eu nunca havia pensado. De fato, se olharmos em qualquer escala de tempo, os bens manufaturados tem se tornado cada vez mais baratos e acessíveis, seja pela busca da eficiência com automação de processos, seja pela migração maciça para os países de mão de obra barata, e só não o são mais, pelo menos no Brasil, pelo histórico aumento da carga tributária incidente sobre toda a cadeia produtiva (ICMS, ISS IPI e encargos trabalhistas) e a insistência na inflação de preços via crédito. Ou seja, imagina se não houvesse esse salto contínuo de produtividade, estaríamos enrascados!

    Ainda sobre o Brasil, creio que o problema é que o encolhimento da indústria não esteja ocorrendo devido a aumento de produtividade, concorrência ou qualificação da mão de obra, mas pelo contrário: a mão de obra e as importações caras se traduzem em inexpressivo incremento da produtividade, e aliada à proteção direcionada a alguns grandes players da indústria nacional, majora sobremaneira o risco de se empreender de forma inovadora no setor manufatureiro. Trocando em miúdos, se produzir panelas, pentes, chuveiros e sapatos de fato não é o segredo para a prosperidade, prestar serviços de manicure, atendente de call center, entregador de pizza e guarda de carros também não pode ser visto como algo positivo para o enriquecimento do país.

    Precisaríamos de ganhos de produtividade em todos os setores setores para poder justificar com louvor a derrocada em participação do PIB da indústria nacional, mas à exceção da agropecuária (5% do PIB), não vejo o mesmo acontecendo.

    Saudações libertárias!
  • Leandro  15/09/2014 17:12
    Não. As causas do encolhimento da indústria brasileira são outras.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1918
  • Andre Bernardes  15/09/2014 18:46
    Já havia lido este interessante e pertinente artigo, Leandro. No meu comentário, onde você lê "mão de obra cara", leia-se "aumento de custos"; onde vê a importação de bens de capital cara, leia-se "aumento de custos", enfim, produtividade deslocada da quantidade de dinheiro posta em circulação tem completa relação com inflação monetária. A produtividade do capital investido (fazer mais com menos) é uma obsessão para o empresário por ser potencial causa, consequência e sinônimo de aumento de custos. De qualquer forma, creio que seu artigo de fato corrobora o risco de se inovar no setor manufatureiro na conjuntura atual:

    "Quanto maior o histórico inflacionário de um país, mais obsoleta, atrasada e pouco produtiva é a sua indústria. [...] Com o nosso histórico inflacionário, realmente não tinha como a indústria nacional não estar envelhecida. E não tem como ela ser produtiva."

    Saudações!
  • Dom Comerciante  15/09/2014 17:15
    Depois de ler o artigo, um progressistas pode alegar que se deixarmos a indústria nas mãos das máquinas um dia elas irão nos dominar...
  • Tannhauser  15/09/2014 17:18
    Como é dividida a participação no PIB?

    Serviços/industria/agricultura?

    Tem mais alguma coisa?

    Onde entra os gastos do governo?
  • Giovani  11/11/2016 14:21
    Obviamente a participação da indústria no PIB de países ricos está caindo, pois as indústrias foram para China e India!
    Além do mais, o PIB é composto também pelos gastos do governo. Como os gastos dos governos tem aumentado nesses países, obviamente que em proporção o PIB da indústria tende a diminuir.
  • Estevam  15/09/2014 17:42
    Excelente artigo.

    Mas só uma observação:

    A Lei de Moore não tem muita validade no momento, a tecnologia de micro(ou nano)transistores já está perto do seu limite. Não há mais como diminuir o espaço pois os contatos possuem o tamanho de alguns átomos.
    Para prosseguir com o avanço dos processadores terá que se pensar em um novo paradigma de sua estrutura, ou utilizar a prometida computação quântica (que não aumenta a velocidade do processamento, mas só a quantidade de processos simultâneos), ou o futurista processador baseado em luz, ou aumentar o tamanho dos processadores (o que não é um avanço afinal).

    Aos interessados pesquisar no Youtube no canal Veritasium um vídeo "The End of Moore's Law", sem legenda.

    Outra referência:
    pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Moore#Fim_da_lei_de_Moore
  • Andre Cavalcante  15/09/2014 19:21
    Não é bem assim...

    A Lei de Moore foi inicialmente baseada na quantidade de transistores dentro de um CI, mas modernamente ela tem a seguinte conotação: "a capacidade de processamento das informações dobra a cada 18 ou 24 meses".

    É esperada uma desaceleração, isto é, o tempo em que a capacidade de processamento das informações dobra em mais meses. Mas isso ainda não aconteceu. Na verdade tem acontecido exatamente o contrário, i.e, tem aumentado essa capacidade, porque ela não depende somente do hardware, mas também do software e, agora, da capacidade agregada de diversos computadores interconectados. Em particular, a IoT (em suas vertendes CPS e Industry 4.0) está chegando com força nos países desenvolvidos e deve chegar com algum atraso no Brasil. Neste novo paradigma, sem modificar um nada no hardware, você consegue multiplicar em vários fatores a tua capacidade de recolher e tratar informações de forma descentralizada e baseada em dispositivos extremamente baratos.

    Agora, se quiser ter uma ideia de como será o futuro, podes começar por aqui: www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/assuntos.php?assunto=informatica. Me amarro neste site.

  • JonatasMand  16/09/2014 16:30
    Esse site é demais mesmo. Coisa fina para os padrões nacionais.
  • oafin  15/09/2014 19:02
    O grande ponto é: se você quiser ganhar dinheiro resolva um problema.
    Se você quiser ganhar MUITO dinheiro, resolva um problema que as pessoas nem desconfiavam que tinham.

    os grandes resolvedores de problemas como ford, edison, ou mesmo o zuckerberg, resolveram problemas de pessoas que nem desconfiavam que precisariam de carros, energia elétrica ou mesmo Facebook.

    hoje as pessoas fecham negócios e ganham dinheiro no facebook.
  • Henrique  15/09/2014 20:15
    Amigos, qual é a posição dos austríacos sobre o a ideia recorrente de que o investimento em educação é a chave para o crescimento e a ideia de que o sucesso de, por exemplo, Coréia do Sul se deve ao investimento que fizeram em educação
  • Rodolfo  15/09/2014 20:48
    Gostaria de fazer uma pergunta: lendo o livro O Liberalismo Contemporâneo, de Antonio Paim, o autor afirma que "O keynesianismo, de que o New Deal é uma legítima
    expressão, eliminou as crise cíclicas do capitalismo. Entre 1951 e 1973, os países
    desenvolvidos cresceram de modo ininterrupto, alcançando taxas médias anuais da ordem
    de cinco por cento. Nos 150 anos precedentes, historiadores econômicos assinalam pelo menos vinte crises cíclicas, uma para cada sete/oito anos, e número maior de recessões de menor intensidade, processo esse que culminaria com a catástrofe de 1929. As crises foram gestadas pelo fato de que se mantiveram intocadas as regras espontâneas do mercado. O keynesianismo deu certo porque encontrou a maneira de orientá-las sem fazer com que perdessem o dinamismo" (p. 88). O que aconteceu entre os anos de 1951 e 1973 onde o keynesianismo era a doutrina dominante e mesmo assim não houve crises significativas? Os intervencionistas costumam dizer que o receituário "neoliberal" provocou um aumento no número de crises a partir de 1973, o que aconteceu neste período? O keynesianismo se intensificou ou as reformas não foram suficientes?
  • Leandro  15/09/2014 22:53
    O espertalhão convenientemente (e inacreditavelmente) parou a narrativa em 1972 e deixou de fora todo o período de 1973-1980, que foi justamente o da estagflação gerada pelo keynesianismo ortodoxo. Chega a ser inacreditável esse tipo de vigarice intelectual.

    É a mesma coisa de um defensor do neoliberalismo dizer que este modelo foi um estrondoso sucesso, pois de 1981 a 2007 (um período de tempo, aliás, maior que o do keynesianismo ortodoxo) as economias americana e inglesa bombaram e não houve nenhuma grande crise.

    De resto, o governo Dilma (2011-2014) foi keynesiano ortodoxo em estado quase puro. Não apenas era para a economia ter bombado, como jamais deveria ter havido recessão.

    Só tem vigarista na academia brasileira, impressionante.
  • Pobre Paulista  15/09/2014 23:23
    Não é tão impressionante quando se sabe que esses vigaristas são pagos com dinheiro público, né?
  • mauricio barbosa  18/09/2014 15:11
    Leandro Roque,os defensores do modelo econômico de Keynes argumentam que o sistema financeiro compartimentado adotado logo após a crise de 29 estabilizou as finanças e por tabela a economia dos países,mas eis que a União Soviética ao transferir suas reservas de dólares para Londres provocou a criação do eurodólar e com isso a desregulamentação financeira e especulativa,o que está gerou a volta de crises ciclícas nas economias dos países,me parece um argumento plausível e as vezes por força de meus compromissos profissionais acabo me desatualizando com a teoria austríaca pois a lavagem cerebral da imprensa é impressionante pois se eu ficar uma semana ou mais sem ler este site acontece o inesperado,eu admirando o monstro burocrático e por ai vai e nossos críticos nos chamam de igrejinha,mas é duro remar contra a maré e no mais parabéns ao IMB,farol da justiça e verdade em meio ao obscurantismo econômico-estatista de nossos tempos.
  • Rhyan  15/09/2014 20:57
    Ótimo artigo!

    Leandro, o que acha disso aqui? Pura loucura?

    Sociedade do custo zero trará fim do capitalismo, diz livro
    exame.abril.com.br/economia/noticias/sociedade-do-custo-zero-trara-fim-do-capitalismo-diz-livro
  • Leandro  15/09/2014 23:08
    Ora, redução de custos e de preços é exatamente a característica inerente a um capitalismo livre e desregulamentado. É por isso que grandes empresas vivem correndo para o governo para pedir mais regulação, mais protecionismo e mais restrição à livre iniciativa. Elas sabem que, quanto maior a livre concorrência, menores os preços e menores suas margens de lucro.

    Logo, esse tipo de reportagem é na realidade uma ode ao mercado. Parece que o autor não se deu conta de sua incoerência.
  • Rhyan  16/09/2014 00:32
    Aproveitando o assunto, não seria possível que a tecnologia chegasse num nível onde as teorias econômicas liberais não fizessem sentido, algo não teria como os economistas da época preverem?

    Por ex. o que diz nesse vídeo:



    Resumindo o vídeo: a tecnologia chega num ponto em que realmente não haveria empregos e funções feitas por humanos, o desemprego tecnológico seria quase completo mas não como algo necessariamente negativo.
  • anônimo  16/09/2014 10:54
    Basta ver os últimos dez segundos pra notar como esse vídeo é um prelúdio pras coisas do projeto zeitgeist, ou vênus, whateva.
    E o ponto onde TUDO realmente vai poder ser automatizado, ninguém sabe se esse dia vai chegar.eu acho que não pq máquinas não podem fazer trabalhos criativos
    E btw, wsse vídeo tem um erro quando diz que esses programas fazem trabalho criativo, o que eles fazem é um trabalho lógico, regido por um algoritmo, cujo resultado final PARECE criativo.
    A criatividade não é lógica.
  • Homem Azul  15/09/2014 22:03
    Parabéns às Polícias de todo o mundo!
  • Observadora  16/09/2014 12:31
    Muito bom o artigo. Só não dá pra tomá-lo muito como uma previsão dos rumos do mundo da produtividade e da geração de riqueza, em nível global, porque não leva em consideração as lutas de classe.

    Por um lado a tendência de, cada vez mais, máquinas substituindo homens pode até ser inevitável. Mas apresentar para a classe operária essa nova forma de libertação do trabalhador para se tornar patrão, lançando-o à sua própria criatividade, não é bem o que deixará seus sonhos realizados. E como atualmente na maioria dos arranjos, tem mais poder quem tem maioria de votos, há que se esperar ´por uma longa "queda de braço".

    Duzentos anos é pouco. Vai ser preciso viver uma eternidade, só pra ver o que acontece.

    E sem mais, muito obrigada e até a próxima.
  • Andre Cavalcante  16/09/2014 15:22
    "Muito bom o artigo. Só..."

    Por que o pessoal sempre coloca um mas..., um só que..., etc.?

    "não dá pra tomá-lo muito como uma previsão dos rumos do mundo da produtividade e da geração de riqueza, em nível global, porque não leva em consideração as lutas de classe."

    Para que houvesse uma "luta de classes" era preciso que Marx estivesse certo, mas ele nunca esteve e não está! Logo a conclusão é falsa porque a premissa é falsa.


    "Por um lado a tendência de, cada vez mais, máquinas substituindo homens pode até ser inevitável."

    E é. O processo começou com o primeiro cara que resolve lascar umas pedras a mais de 1 milhão de anos atrás. E não parou até agora. Porque pararia?


    "Mas apresentar para a classe operária essa nova forma de libertação do trabalhador para se tornar patrão, lançando-o à sua própria criatividade, não é bem o que deixará seus sonhos realizados."

    What? Esse não é exatamente o sonho dos pais para com seus filhos, como disse o artigo? Que eles possam usufruir uma vida em abundância e com pouco trabalho? O há de melhor do que estimular aquilo que nos faz efetivamente humanos (e não mera máquinas biológicas) se não a criatividade, os sentimentos, as emoções, a interação...?


    "E como atualmente na maioria dos arranjos, tem mais poder quem tem maioria de votos, há que se esperar ´por uma longa "queda de braço"."

    Lá isso é verdade. O futuro ainda não chegou porque há muitos que não querem o progresso!

    "Duzentos anos é pouco. Vai ser preciso viver uma eternidade, só pra ver o que acontece."

    Concordo, 200 anos é pouco no fator histórico (meras 8 gerações). E olha só o que conseguimos construir com base na criatividade e na divisão livre do trabalho!!!
    E o processo está se acelerando. Então não acho que devamos esperar "uma eternidade". Imagina os próximos 200 anos...

    E sem mais, muito obrigada e até a próxima.
  • Mohamed Attcka Todomundo  16/09/2014 16:42
    Mas apresentar para a classe operária essa nova forma de libertação do trabalhador para se tornar patrão, lançando-o à sua própria criatividade, não é bem o que deixará seus sonhos realizados.

    o autor ñ falou de o trabalhador se libertar virando patrao (se ñ me engano), mas q lançando mão de criatividade seu trabalho se torna + gratificante e menos passivel de obsolescencia.
  • Silvio  16/09/2014 18:22
    Luta de classes?!? Poxa, aparece cada humorista involuntário por aqui que chego a acreditar que realmente o governo fica pagando um pessoal desocupado para viver de escrever besteira marxista e chapa branca na internet.
  • Anarcofóbico  16/09/2014 16:54
    Bem, tenho que discordar. Nas palavras do Delfin Neto sobre "A Tragicomédia da Propaganda Eleitoral", publicada no Valor, o capitalismo traz "dois graves problemas: por um lado, produziu uma exagerada desigualdade de renda e, por outro, aumentou as incertezas do trabalhador com a aleatoriedade do seu emprego. É por isso que o capitalismo só funciona quando protegido por um Estado forte (...)".

    Por isso, que capitalistas deveriam defender o aumento do Estado para que este propicie o que querem! Portanto, a participação das indústrias vem caindo por causa de políticas neoliberais!
  • Observadora  16/09/2014 19:30
    Caros André, Mohamed e Silvio, concordo plenamente com vocês, e agradeço demais por me darem a oportunidade de desfazer esse mal entendido. A obsessão em mostrar minha ênfase em querer a eternidade era tanta, que acabei ocultando minha própria visão e inventando um conflito que só existe em uma mentalidade muito pessimista, o que não é o meu caso.

    Ninguém precisa nem ser bom observador para ver que as coisas já estão mudando. Eu mesma vejo com entusiasmo o fortalecimento da economia mais voltada para a criatividade, para o que é personalizado, específico, menor, local, etc., exponencialmente maior à que é produzida em larga escala, à que cresce horizontalmente... E com isso todos ganham, porque pensar em termos de comércio local e pequenas concorrências propicia muito tanto a inciativa quanto o querer oferecer diferencial ou inovação ao cliente. Então o trabalhador que sair da indústria sem dúvida terá um ambiente melhor e mais fácil para empreender, abrir um negócio ou mesmo oferecer algum serviço autônomo. Vai demorar bastante, mas assim nem é tão difícil imaginá-los a favor do livre mercado. Achar que todo mundo vai virar patrão (essa palavra nem é comum no meu vocabulário), empresário ou empreendedor -e isso nem é possível- é um grande exagero, mas eu gosto de ver as coisas assim mesmo.

    Poderia simplesmente ter escrito isso e não causaria confusão, não é mesmo? Mas prometo daqui pra frente cuidar muito bem de não escrever coisas impensadas por aqui.

    Grande abraço e até a próxima.
  • Silvio  17/09/2014 21:11
    Prezada Observadora,

    Primeiramente, peço perdão pelo tom do meu comentário anterior. Bem, sobre o assunto em si, fato é que essa história de luta de classes é um critério artificioso e muito ruim para se analisar a realidade. Ver o mundo sob a ótica coletivista só nos cega. Os seres humanos não formam um rebanho de bestas que precisa ser guiado por um pastor, muito embora essa seja a crença (mesmo inconfessa) de todos os socialistas/comunistas. A humanidade não é uma horda, a humanidade é uma abstração que simboliza a totalidade dos indíviduos, os quais possuem interesses muitas vezes comuns, mas também muitas vezes conflitantes entre si. Não existem classes, povos, nações, sociedades. Existem pessoas. E cada vez que se esquece disso há sempre uma pilha de corpos para demonstrar o erro dessas idéias coletivistas.

    Posto isso, admiro seu otimismo para com o futuro. A longuíssimo prazo (bota uns 500 anos daqui pra frente), compartilho desse seu otimismo e também acredito que o mundo será um lugar muito melhor para as pessoas que querem viver suas vidas em paz. No entanto, quando se trata de pensar nesse mundo a médio e longo prazo (especialmente no meu período de vida, que é o que me interessa), tenho até medo. Para entender o porquê de não consiguir ser otimista com relação ao futuro próximo, indico dois vídeos muito interessantes:

    1) Jeffrey Tucker - Como o governo está destruindo a nossa civilização: www.youtube.com/watch?v=cw9-hcjGGW0
    2) Anticapitalistas - Os bárbaros chegam aos portões: www.youtube.com/watch?v=mD8nwwKp0ZI

    Stephen Hawking disse que a ciência vencerá porque funciona. Faço a mesma previsão para o capitalismo. Ele vencerá porque funciona - e muito bem, diga-se de passagem. Mas, graça aos estados-nacionais e a ânsia por controle total que está na mente de muitos milhões de malucos ao redor do mundo atualmente, essa previsão otimista demorará ainda alguns séculos (talvez milênios) para se concretizar. Num futuro bem distante (que infelizmente não terei o privilégio de testemunhar), vai ser consenso que o capitalismo, isto é, a adoção de trocas voluntárias entre indivíduos, é a melhor (e única moralmente válida) forma de interação entre pessoas. Até lá, só nos cabe a tarefa de pavimentar a estrada da liberdade, mesmo sabendo que jamais iremos ter a chance de andar por ela.

    Ósculos e amplexos.
  • Silvio  17/09/2014 23:41
    *conseguir (damn it!)
  • Luciano Pimentel  17/09/2014 15:48
    Uma interessante análise do economista liberal Gary North, sobre o constante declinio global da produção industrial em relação ao PIB na economia mundial.
    Meus Pontos:
    obs-1 : A análise é boa, mas acredito que se aplica mais nas economias maduras, o que costumo dizer , nos paises da "new economy ", ou das " economias de conhecimento ". Nações essas que já passaram pelos ciclos históricos , além de possuirem arcabouços institucionais, ou seja , instituições políticas e de micro-economia mais adequadas para a cultura da inovação e do exercício da destruição criadora shumpteriana capitalista.

    Obs-2 : No caso de paises como o Brasil e similares , a análise acredito não é adequada, pq não responde justamente a seguinte contradição : Um pais que não possui uma economia de conhecimento ou de informação ( salvo as nossas ilhas de exceção ) , e que no entanto , vem se desindustrializando , com a migração da massa trabalhadora para o setor de serviços, de remuneração mais baixa , gerando empregos de pior qualidade , acarretando uma imensa perda de potencial humano criativo . Abaixo, algumas possíveis causas , como por exemplo, os frágeis pilares institucionais , que resumiria nos seguintes ítens:

    AA - Instituições de micro-economia não adequadas para o desenvolvimento de uma cultura de livre-iniciativa , empreendedora , que se desenvolva em um ambiente econômico de liberdade da formação de preços , com melhor uso do potencial humano .

    BB - Instituições políticas não adequadas , com uma falha grande na representatividade , onde a representação política é baseada em interesses coletivos difusos, para dizer o mínimo, acarretando mais demandas para o Estado atuar como ator principal , onipresente e onisciente.

    CC - Formação de grandes grupos de poder e interesse que orbitam o universo do estado, atraidos pelo imã do poder estatal, criando uma verdadeira maquina de reprodução do "Status Quo ".

    Boa noite !

  • Emerson Luis, um Psicologo  21/09/2014 00:27

    O essencial é a criação de riqueza, o que eleva a vida de todos.

    Que porcentagem dela é produzida pela indústria, comércio, serviços, etc. é secundário.

    * * *
  • Andre Cavalcante  22/09/2014 15:08

    "O essencial é a criação de riqueza, o que eleva a vida de todos."

    Não é bem assim...

    Hoje, por causa do governo e seus inúmeros programas e pela inflação que gera, há uma distorção na distribuição da riqueza gerada (neste aspecto os socialistas até estão com alguma razão, a riqueza atual não é bem distribuída, eles só erram no culpado da história). Assim, sistema bancário e grandes empresas subsidiadas pelo BNDES, bem como os assessores e parlamentares recebem uma parte grande da riqueza gerada em detrimento de quem gerou a riqueza e em detrimento das demais pessoas que poderiam ser alvo desta riqueza e que é desviada para aqueles. O montante de riqueza redistribuída pelo governo para os "mais ricos" hoje é bem maior que o montante que ele redistribui para os "mais pobres", ampliando a diferença entre ricos e pobres e, pior, evitando-se que os pobres consigam acumular capital, devido aos confiscos inerentes ao governo.

    Note que, em um mundo livre, ainda haverá pobres (e bem pobres) e ricos, e haverá, talvez, mais diferença entre ricos e pobres que hoje, mas não haverá nenhuma restrição quanto ao uso dessa riqueza gerada (que pode, em parte, chegar mais diretamente a quem precisa) e, mais do que isso, não haverá nenhuma barreira para acumulação de capital, (não haveria o confisco estatal) o que vai gerar ainda mais riqueza e melhorar, aí sim, a situação de todos.

    Em outras palavras, pobres, classe media e ricos, sempre haverão (pense em uma curva do sino, ou curva normal), entretanto será muito melhor ser pobre (terá mais acesso a bens e serviço de qualidade, pagando menos que paga-se hoje) e se vai ter acesso a possibilidade de acumulação de capital, resultando em maior riqueza e crescimento que temos hoje. O que não vai ter é gente mamando a custa dos outros, e daí a dificuldade em se criar tal esquema.

    "Que porcentagem dela é produzida pela indústria, comércio, serviços, etc. é secundário."

    Exatamente! O objetivo do texto é exatamente mostrar isso.


    Abraços


  • anônimo  18/10/2014 16:06
    'Assim, sistema bancário e grandes empresas subsidiadas pelo BNDES, bem como os assessores e parlamentares recebem uma parte grande da riqueza gerada'

    O que os bancos recebem é o dinheiro criado do nada pelo governo.É vantagem pra eles serem os primeiros a pegar nesse dinheiro, mas isso não é riqueza.Riqueza são os bens reais produzidos pelas empresas e que as pessoas precisam.
  • Caio César  18/10/2014 01:14
    O trabalho na indústria não acabará, mas vem sendo modificado radicalmente. O processo produtivo tende a ser mecanizado e automatizado com a evolução tecnológica, eliminado trabalhos simples e repetitivos, mas isso não elimina a a necessidade de pessoas nas fábricas. Cada vez mais as indústrias vêm demandando técnicos, engenheiros e profissionais de tecnologia da informação. As indústrias querem profissionais que saibam gerenciar o processo produtivo, que ofereçam soluções e tenham criatividade para desenvolver novos projetos, ou seja, enquanto a máquina faz o trabalho chato, o homem pensa, desenvolve projetos e soluciona os problemas.

    Leiam esta reportagem da exame que ilustra bem a mudança no perfil do profissional da indústria:
    exame.abril.com.br/revista-exame/noticias/a-nova-face-do-operario-m0122358
  • Dúvida Sincera  18/11/2016 19:34
    Sinceramente, não encontrei no texto a resposta para a pergunta do título: "por que a participação da indústria no PIB sempre será declinante" (deduzo que seja uma pergunta, tendo em vista que a expressão "por que" está escrita separadamente).

    A participação da indústria no PIB diminui porquê?
    - Será que é porque os gastos dos governos aumentaram e com isso a proporcionalidade da participação da indústria no PIB diminuiu?
    - Será que as indústrias migraram dos países ricos para os países pobres e com isso, obviamente, diminuiu a participação da indústria no PIB dos países ricos?
    - O PIB nos países pobres que se industrializaram recentemente não aumentou?

    Não entendi a questão do PIB:
    - Se uma indústria que não é informatizada e se utiliza de mão-de-obra puramente humana fatura 1 bilhão , e outra que é 99% informatizada e praticamente eliminou a mão-de-obra humana e também fatura 1 bilhão, qual a diferença de contribuição para o PIB entre as duas? Não entendi essa questão no texto!
  • Pasquale  19/11/2016 00:07
    "deduzo que seja uma pergunta, tendo em vista que a expressão "por que" está escrita separadamente".

    Recomendo voltar aos livros básicos de gramática (e ortografia). A expressão "por que", separada, não é utilizada apenas para perguntas. Por exemplo, a frase "Eu não sei por que ela não veio" escreve-se com "por que" separado, e não tem nada de pergunta nela.

    O "por que" separado é utilizado sempre que cabe a expressão "por que motivo", "pela qual", "por qual" etc.

    Logo, a frase "por que a participação da indústria no PIB sempre será declinante" pode perfeitamente ser utilizada como uma afirmativa, e não como uma interrogativa.

    brasilescola.uol.com.br/gramatica/por-que.htm

    "A participação da indústria no PIB diminui porquê?"

    Agora o certo é "por quê", separado e com acento.

    "Será que é porque os gastos dos governos aumentaram e com isso a proporcionalidade da participação da indústria no PIB diminuiu?"

    Não necessariamente. (Agora você utilizou o "porque" certo).

    "Será que as indústrias migraram dos países ricos para os países pobres e com isso, obviamente, diminuiu a participação da indústria no PIB dos países ricos?"

    Não.

    "O PIB nos países pobres que se industrializaram recentemente não aumentou?"

    Sim. Assim como o PIB dos países ricos, que se industrializaram.

    "Não entendi a questão do PIB"

    Vou explicar: em economias ricas, o setor de serviços é crescente. Mais ainda: ele cresce a taxas mais acentuadas que o resto da economia.

    Logo, como ele é crescente e como ele cresce a taxas mais acentuadas que o resto da economia, ele se torna predominante. Temos Agricultura, Indústria e Serviços. Se Serviços são os que mais crescem, e os que crescem mais aceleradamente, então ele se torna o predominante. E, se ele se torna predominante, então, em termos percentuais, os outros diminuem.

    Isso é questão de matemática pura. Se você tem três itens, cada um com 33,3%, e um começa a crescer mais rapidamente, então os outros dois, em termos percentuais, irão encolher. Não significa que eles estão encolhendo em termos absolutos, mas sim em termos relativos (percentuais).

    E por que é assim? Explicado claramente no artigo. Como as pessoas já estão ricas, elas podem se dar ao luxo de gastar com coisas mais efêmeras, mas que ao mesmo tempo também melhoram seu bem-estar (como lazer, cultura, serviços de beleza, ginástica, almoços e jantares mais chiques) etc. Diminui a demanda por panelas, máquinas de lavar, fogões, microondas, carros etc. (porque todos já têm isso), e aumenta a demanda por lavanderias, salões de beleza, manicures, restaurantes variados, turismo, hotelaria, cabeleireiros, cinemas, teatros, livrarias etc.

    Em suma, luxo de gente rica.

    E, se você não acredita que é assim, peguemos aqueles dois países cujas indústrias se mantêm: a Alemanha e a Suíça. Ninguém jamais falou que a Alemanha e a Suíça se desindustrializaram.

    Eis a evolução da participação da indústria na economia alemã:
    data.worldbank.org/indicator/NV.IND.TOTL.ZS?locations=DE

    E eis a participação do setor de serviços na economia alemã:
    data.worldbank.org/indicator/NV.SRV.TETC.ZS?locations=DE

    Eis a evolução da participação da indústria na economia suíça:
    data.worldbank.org/indicator/NV.IND.TOTL.ZS?locations=CH

    E eis a participação do setor de serviços na economia alemã:
    data.worldbank.org/indicator/NV.SRV.TETC.ZS?locations=CH
  • Dúvida Sincera  19/11/2016 02:56
    Sua explicação foi uma aula! Bem melhor que o texto!

    Me corrija se entendi errado:

    O PIB da indústria tende a decrescer pois o avanço da tecnologia "expurga" a mão-de-obra da indústria (pelo menos das funções mais mecânicas/básicas), migrando essas pessoas para outros setores. Daí o PIB desses outros setores cresce ou tende a crescer mais que o PIB da indústria em termos relativos.

    e respondendo a minha própria pergunta com base na tua explicação: ambas indústrias (informatizada e a não-informatizada) contribuem com o mesmo PIB, porém como a informatizada "liberou" mão-de-obra pra outros setores, esses setores tiveram crescimento no PIB e proporcionalmente o PIB da indústria diminuiu. Me corrija (corrija-me).



    Só tenho a agradecer.

    Ah, quanto aos porquês, realmente foram 2 lapsos meus. ?? (o segundo "porquê" foi um erro de digitação, esqueci do espaço!)


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