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Não basta privatizar - tem de desregulamentar e liberalizar

A privatização voltou à pauta. Quem diria! E não foi por causa do PSDB, que se envergonha do passado e quer ser mais estatizante do que o PT. Foram os candidatos menores, menos conhecidos, trazendo ideias novas para o debate.

Pastor Everaldo prometeu, em pleno Jornal Nacional, privatizar a Petrobrás. No debate da BAND, Levy Fidelix, embora se defina como "keynesiano", defendeu a privatização das prisões. E não posso deixar de mencionar o Paulo Batista, candidato a deputado cujo "raio privatizador" tomou a mídia de assalto.

Acho ótimo. Peguei ainda criança a telefonia estatal. Por mais falhas que a atual tenha, a coisa melhorou muito. Outros bons exemplos estão por aí, como empresas de tratamento e distribuição de água cujas inovações apontam o caminho para o setor no Brasil. Deixar nas mãos do estado é matar inovação e eficiência; apostar no preço determinado politicamente é apostar no saldo negativo, no atraso e na fila. O exemplo máximo é a Venezuela, que com reservas abundantes de petróleo sofre de falta de gasolina, queda na produção e já está até pensando em começar a importar o produto.

O que poucos do meu lado gostam de apontar, no entanto, é que a privatização sozinha também tem seus riscos. Ela é uma bandeira incompleta. Não basta privatizar uma empresa; é preciso desregulamentar (ou liberalizar) o setor.

Liberalizar é retirar entraves à concorrência; é permitir que quem tenha uma ideia possa entrar no mercado para prover o serviço da forma que julgar melhor, arcando com as consequências — lucros ou prejuízos — de sua tentativa. Liberalizar é deixar nas mãos das interações voluntárias o papel de avaliar e certificar empresas e serviços, sem proibir que alguém opere fora da certificação. É essa concorrência que fornece o incentivo para que empresas ofereçam serviços melhores e/ou mais baratos, inovando e encontrando soluções.

Se uma empresa é privatizada, mas o monopólio (ou oligopólio) é mantido — que é exatamente o que ocorre quando o setor é controlado por uma agência reguladora, que existe apenas para proteger os interesses dessa empresa privada —, cria-se um incentivo dúbio: por um lado, a empresa agora buscará ser lucrativa, e portanto eficiente na geração de valor. Por outro, a restrição à concorrência permite que ela cobre preços mais altos e ofereça serviços inferiores ao que faria se tivesse que se virar no livre mercado.

Os consumidores continuam reféns de um mesmo provedor. Do preço artificialmente baixo que as estatais gostam de praticar (nem sempre), passa-se a preços artificialmente altos. Que o dono deixou de ser o estado e agora é um grupo privado importa pouco, dado que em ambos os casos a relação fundamental é a mesma: uso do aparato coercitivo para garantir que o negócio opere fora do processo de trocas voluntárias.

Quatro combinações são possíveis. A péssima: empresa estatal, setor restrito. A ótima: empresas privadas, setor livre. E duas intermediárias: empresa privada com setor restrito, e empresa estatal com setor livre.  Se for para escolher uma dessas intermediárias, prefiro a última.

Desregulamentação sem privatização raramente é tentada ou proposta. De fato, desregulamentação é das bandeiras mais difíceis de emplacar, uma vez que tira poder de órgãos e engrenagens sem gerar dinheiro ao estado. Mas exemplos involuntários, não planejados, ocorrem a todo o momento.

Os Correios, por exemplo, são monopolistas. Novas tecnologias, contudo, têm tornado sua função — entrega física de cartas — obsoleta. A estatal resiste: falida, ineficiente, um verdadeiro pesadelo para quem tem que usá-la. Conforme a inutilidade cresça, e a sangria de recursos aumente, ela terá que ser sacrificada. (Ou então os Correios podem entrar no jogo da concorrência e sair vitorioso. Lembram do email dos Correios?)

Pensemos agora na saúde. O setor é altamente regulamentado, sem dúvida, mas ainda assim permite alguma liberdade. Mesmo nesse mundo restrito, muita gente prefere sair do sistema estatal — gratuito — para pagar por serviços melhores e mais rápidos no mercado. É o caso da minha empregada; para vários exames, ela prefere fazer pago em laboratórios privados a ter de esperar meses no sistema estatal.

Agora, imagine um mundo com saúde desregulamentada (podemos começar pequeno: dar mais autonomia a enfermeiros, farmacêuticos etc.). Os serviços privados seriam ainda mais acessíveis, sem por isso extinguir a alternativa estatal "gratuita".

Quem quiser terá total acesso a serviços gratuitos com o selo de qualidade do estado brasileiro (boa sorte). Ao mesmo tempo, se puder pagar, pode comprar serviços em um mercado de livre concorrência, com regulamentações privadas, criatividade e inovação. Um sistema assim culminaria provavelmente no fim da saúde estatal por puro desuso. Mas esse fim gradual, ao contrário da privatização, não tira o serviço "gratuito" de quem depende dele.

Talvez melhor do que propor privatizar o serviço estatal — que sempre contará com o trunfo de, de fato, ser necessário à população mais pobre — devamos propor a liberalização dos diversos setores. O gratuito continuará existindo; mas será que ele é páreo para o livre?

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Leia também:

Sobre as privatizações (Parte 1) 

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autor

Joel Pinheiro da Fonseca
é mestre em filosofia e escreve no site spotniks.com." Siga-o no Twitter: @JoelPinheiro85

  • Fabio,o privatista  01/09/2014 13:18
    Gostei muito da opinião do autor,apessar de discordar do final. Uma empresa estatal só serve para: gerar mais gastos,mais burocracia,greves,baderna e incentivar a ineficiencia. Pois as estatais são os principais responsaveis pelos altos impostos no Brasil,afinal de contas,a estatal alem de ruim,sai muito mais caro e para manter a estatal funcionando o governo tem que gastar muito mais dinheiro do que uma empresa privatizada. Eu ainda sou da opinião que mesmo vc pagando mais caro,o governo saindo de cena e privatizando com todas as regulamentações,ainda sim fica muito melhor que uma estatal bancada via impostos....
  • Jeferson  01/09/2014 15:06
    Concordo contigo, Fábio, mas acho que o discurso do Joel convence quem não está familiarizado com o livre mercado MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUITO (desculpe) mais do que o seu. Inclusive, esse artigo é um daqueles que merece ir pro Facebook, pra quem nunca leu sobre os benefícios da liberdade ter acesso a esse tipo de conhecimento.
  • Pedro Ivo  02/09/2014 13:54
    Até que enfim alguém que ao falar de privatização faz distinções indispensáveis ao bem do debate: [a] privatizar, [b] liberalizar/desregular e [c] o público tem de concorrer com o privado tanto no serviço/produto quanto na regulação.

    Parabéns! Num mundo em que tantos falam, você se preocupa em saber sobre o que diz.
  • Marcos  04/09/2014 11:33
    Já eu tendo a concordar com o Joel. Creio que o custo da burocracia gerada pelas agências seja ainda mais pesado para o empresário do que os impostos, que sustentarão as estatais. Além disso, o próprio consumidor terá chance de escolher a empresa que quiser, tornando a estatal inútil, caso esta não se apresente como uma opção competitiva. A concorrência é o que há de mais benéfico para o consumidor.

    O único problema disso tudo é a possibilidade da estatal praticar preços artificialmente baixos por causa de subsídios. Neste cenário é provável que as empresas privadas acabem sendo expulsas por causa dessa vantagem injusta. Mas muitas vezes a estatal vai tão mal que nem com subsídio consegue competir. Os Correios estão quase chegando nesse nível na entrega de encomendas.
  • Arão  27/08/2015 12:34
    Este é exatamente o ponto complicado.

    Concordo que desregulamentação é mais importante que não haver a empresa estatal.

    Mas a empresa estatal, dependendo da magnitude de sua abrangência, pode sim inviabilizar um setor.

    Saiu recentemente no Estadão uma tradução de um artigo da The Economist mostrando um caso na África onde o estado oferece um serviço tão ruim de ensino fundamental que o mercado de escolas privadas de baixíssimo custo proliferou. Os relatos são de prédios bonitos porém os professores nem vão para dar aula em um caso, e escolas de latão, cadeiras ruins mas professores presentes e aulas dadas no outro. Alguém arrisca chutar qual é qual?

    O preço de venda artificialmente baixo da empresa pública é apenas um dos fatores complicados. Outro, tão devastador quanto, é o preço artificialmente caro dos fatores de produção, principalmente quando especializados. Nos mantendo no caso do ensino, o salário pago aos professores é artificialmente elevado em um espectro do contínuo da qualidade. Como a abrangência de ação do ensino público é tão ampla no Brasil, ela deforma, de fato, o mercado de trabalho.

    Só queria fazer o ponto de que há um efeito devastador quando o estado decide que deve salvar a população em um determinado tipo de produto ou serviço. Tanto regulamentando quanto mantendo uma empresa estatal.

    Dito isso, se, ao menos, fosse feita a desregulamentação completa dos setores da economia, veríamos uma mudança de paradigma na nossa capacidade de aumento de produtividade, criatividade, inovação e crescimento geral.
  • Victória  01/09/2014 14:41
    Concordo plenamente. Muitas pessoas propõem que terminemos com vários excessos do Estado, mas o propõem imediatamente, e, pelo caráter radical das propostas, acabam assustando os que veem esses serviços estatais como necessários à população carente. Assim, o ideal seria que houvesse um período de transição e liberalização, como diz o artigo, antes que se eliminassem de vez as estatais.
  • Silvio  02/09/2014 12:21
    Fazer o que é certo não é ser radical. E compactuar com o erro não é ser prudente, é simplesmente ser idiota.

    Ainda sobre sua observação, no livro "A desestatização do dinheiro" www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=57, Hayek o abre com a seguinte citação de Hamlet:

    "Os males desesperados são aliviados
    com remédios desesperados
    ou, então, não têm alívio."


    Ainda sobre essa postura que julga adequada, não sei se é uma pessoa religiosa, mas, independentemente disso, veja essas duas citações bem interessantes da Bíblia:

    "Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna" (Mateus 5:37)

    "Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
    Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca" (Apocalipse 3:15-16)


    Já que estou nas citações, finalizo com uma de meu pai:

    "Se não é para fazer direito, então nem comece a fazer"
  • Victoria  02/09/2014 15:55
    Não compactuo com o erro, Silvio, apenas proponho que façamos certas mudanças com calma. Afinal de contas, vivemos em um regime democrático e, caso certas medidas sejam implantadas rapidamente demais e sem um planejamento cuidadoso, sempre há o risco de que o povo escolha implantar as ideias do outro lado, ao invés das nossas. Nações não se constroem em cinco ou dez anos - se constroem ao longo de décadas e séculos. Se queremos transformar nosso país em uma nação libertária, antes teremos que convencer as pessoas de que a liberdade é melhor, e para que possamos fazer isso, elas teriam que ter um gostinho por vez até que percebessem que o melhor é mesmo a liberalização total.
    Afinal de contas, o estatismo perdura por milênios já na sociedade humana, como uma tradição perversa; precisamos destruí-lo com calma, através da divulgação de ideias, da atuação de bons líderes, e da demonstração prática do que o empreendedorismo, a criatividade e a inovação podem fazer pelas pessoas. Que é, aliás, o que o pessoal faz aqui no Mises.
    Não sou "morna", nem concordo com o sistema atual; mas também não acredito em revoluções, especialmente porque estas quase sempre resultam em violência contra inocentes, mas sim em reformas bem feitas, com toda a prudência que isso demanda.
  • Silvio  03/09/2014 17:31
    Ok, vamos lá. Pelo que vejo, o pessoal do Mises (com muitíssima razão, a meu ver) é extremamente cético com relação ao regime democrático em que vivemos, bem como com a qualquer regime democrático. Afinal, só porque a maioria acha legítima a atividade de espoliação de um grupo armado isso não torna essa atividade legítima em si.

    Sobre a velocidade das mudanças, até posso vir a aceitar a idéia de que não dá para corrigir tudo numa tacada só. Privatizar todas as estatais numa única canetada pode não ser a coisa mais simples de se pôr em prática, então um pouco de parcimônia poderia ser bem vinda (não concordo com isso, estou apenas concedendo a seu argumento para poder contra-argumentar). No entanto, mesmo se o processo se der aos bocadinhos, ele tem que ser feito da forma certa. Por exemplo, se o governo se livrasse da Petrobras, no mesmo ato teria que liqüidar a ANP. Deixar um ou outro monstro vivo seria muito errado e colocaria em risco novas privatizações. Isso porque se um ou outro continuasse existindo, o povo continuaria a pagar um preço muito caro pelo combustível e fatalmente iria chegar à conclusão (acertada) de que esse negócio de privatização não está com nada, porque mesmo depois de todo o rebuliço a gasolina continua uma bela porcaria e seu preço continua exorbitante. E isso não é loucura minha. É só olhar e ver que a privatização nas coxas do setor telefônico (aliada à incessante buzinação da oposição) fez com que o povo passasse a encarar a privatização como um todo com profunda desconfiança.

    Sobre sua idéia de que governo deve planejar bem sua saída da economia, não sei se você já percebeu, mas pessoal do governo não sabe absolutamente o que está fazendo quando se trata de economia (e quando se trata de outras coisas também, mas isso não vem ao caso). Por isso, qualquer atividade governamental voltada à economia sempre causa grandes problemas, de modo que para a saída do governo da economia ser bem sucedida não é necessário planejamento, é necessário que ela se dê de forma completa e imediata.

    No meu caso, confesso que não sei se acredito ou não em revoluções. Creio que depende muito de quem a faz e dos motivos pelos quais se resolve partir para a porrada. Sei que da Revolução Francesa até hoje não me vem uma única revolução que preste, portanto, assim como você, fico com os dois pés atrás com essa idéia de revolução. A única revolução que me lembro agora que se pode dizer que serviu para algo foi a Revolução Americana. Mas até seus méritos são discutíveis, pois, como disse o Stefan Molyneux, "o resultado da tentativa de criar e manter o menor governo da história mundial foi a criação do maior e mais poderoso governo que o mundo jamais viu". E, de fato, após uma revolução os resultados que se apresentam são praticamente nulos ou mesmo opostos aos pretendidos, mas confesso que, a despeito disso, sou extremamente simpático à idéia de partir para a ignorância e escorraçar essa corja que detém o poder (escorraçar para Cuba, China, Rússia, Coréia do Norte ou para qualquer outro inferno, tanto faz) na base da bala.

    Só para finalizar, sobre essa sua idéia de que o estado já está há um tempão por aí e deve ser extinto aos poucos, o Fernando Chiocca disse algo muito interessante certa vez em reposta a alguém que veio com esse mesmo argumento bisonho seu. Não lembro das palavras exatas, mas ele levou esse raciocínio para a escravidão a fim de demonstrar seu óbvio absurdo. Seria algo assim: a escravidão é algo ruim, sem dúvida, mas existe há milênios e não pode ser destruída assim de uma hora para outra. A escravidão precisa ser extinta com calma, por meio da conscientização das pessoas, através de leis graduais como a do ventre livre, a do sexagenário... Bem, hoje somos capazes de ver a monstruosidade disso, mas na época era considerado até um argumento respeitável.

    PS1: Uma nação pode demorar séculos para ser construída, mas infelizmente não tenho séculos para esperar que o Brasil se torne um país que preste.
    PS2: E, sim, você é morna. Portanto, esquente-se. Ou se esfrie, mas se decida.
  • Eddie  01/09/2014 14:43
    Joel, quanto a essa transiçao, nao seria melhor via voucher? Suficientarismo? Na minha opiniao seria muito dificil para uma empresa privada concorrer com uma estatal em qualquer setor, visto que a ultima tem o financionamento do tesouro, leia-se, de todos nós. Como transiçao,acredito que o modelo de voucher em um mercado de livre concorrência seria superior ao modelo que voce mencionou. Claro que nao da pra perder de vista que o estado deveria, a medio prazo, ser varrido do setor. Quanto ao candidato Everaldo, uma vergonha. Fascista se fingindo de liberal, defendendo agencias reguladoras fortes, confundindo livre mercado com iniciativa privada...é a última coisa que precisamos.
  • Enrico  01/09/2014 18:22
    Vouchers são, na maioria dos casos, economicamente e fiscalmente inviáveis. 3/4, por exemplo, da população brasileira depende do SUS para atendimento médico. Isso significa que 1/4 da população, além de pagar por seu plano de saúde, teria de pagar por outros três. Ademais, qual seria o valor do voucher? Quem poderia recebê-lo? Qual o impacto disso na oferta e procura destes serviços e, se o Estado elevar o valor do voucher quando os preços aumentarem, como ficaria a qualidade dos serviços? Provavelmente voucher pioraria (muito) os serviços públicos e os privados que aceitarem vouchers. O que de pior posso ver acontecer são os hospitais privados e recém-privatizados recusarem os vouchers e 3/4 da população ficarem sem saída.

    Penso que a solução de educação, saúde, habitação, alimentação, saneamento e demais problemas sociais está em liberar o mercado privado (preços, contratos, regulamentações) e municipalizar ou estadualizar, conforme as possibilidades e o princípio da subsidiariedade, tanto a legislação, quanto a prestação de todos esses serviços públicos que atualmente são regulados majoritariamente pelos nobres deputados e senadores, além dos excelentíssimos senhores ministros e presidentes de agências do governo federal.
  • Bernardo F  01/09/2014 14:53
    Joel, é sempre um prazer ler teus artigos aqui no Mises Brasil. Parabéns por mais um ótimo trabalho.
  • Fabio o privatista  01/09/2014 16:04
    Edis, temos que ver o seguinte também. Estatais incentivam a incompetência e amarra a concorrência, como por exemplo os correios. Os correios por exemplo,através de leis e monopólios consegue fazer as empresas privadas terem muito mais dificuldade de concorrer no ramo de pequeno volumes. Um exemplo disso seria da praticamente a obrigatoriedade da emissão da nota fiscal para envio de o netos de um estado a outro, coisa que a transportadora e obrigada a somente transportar com nota e os correios nao tem essa obrigatoriedade, com isso aumentando significamente o número de produtos transportado e gerando prejuízo a iniciativa privada e ao povo com incoerências,greves e atrasos.. Os bancos estatais tem carta branca para financiar imóveis e tomar o mesmo muito mais facilmente que o banco privado. O banco publico tem carta branca para receber praticamente todas as taxas do governo. O transporte publico tem carta branca para transportar pessoas em pé, em ônibus velho e sem cinto. Por isso eu divo, estatal sobreleve para uma coisa, atrapalhar a vida das pessoas.
  • Enrico  01/09/2014 17:32
    Em suma: desestatizar o Estado, retirando-lhe o monopólio da força e impondo a todos isonomicamente o PNA. Assim, o Estado passa a ser um concorrente e não mais um ente com poderes supremos de obrigar indivíduos a votar, a pagar impostos, a não poder abrir empresas em determinados setores, a não poder escolher sua moeda, etc.
  • Paulo Henrique  01/09/2014 17:35
    "Talvez melhor do que propor privatizar o serviço estatal — que sempre contará com o trunfo de, de fato, ser necessário à população mais pobre — devamos propor a liberalização dos diversos setores. O gratuito continuará existindo; mas será que ele é páreo para o livre?"


    O estado sempre pode subsidiar um serviço e tornar difícil o setor privado concorrer com os preços estatais. O cenário pode se inverter, o estado acabaria sendo uma concorrência injusta dado que ele vive de impostos e não da preferência voluntária. Como ele deixaria de existir dessa forma?
  • Marx contra o Golias capitalista  01/09/2014 17:52
    tss, tss...
    Precisamos, isso sim, retomar as diretrizes implementadas ainda no governo Vargas, que criou nossas principais estatais, patrimônios irrestritos do povo. Chega de entreguismo! A população anseia por mais frentes de trabalho, algo obtido somente por um governo forte, que segura o touro capitalista à unha e faz a correta distribuição de renda por uma sociedade mais justa.
  • Ezekyel Reyes  16/01/2015 15:54
    Chega de entreguismo mesmo. Chega de vermos empresas estatais sendo apropriadas por políticos e sanguessugas que enriqueceram às custas do dinheiro público. Chega de estatais ineficientes no qual utilizam dinheiro público para cobrir os rombos gerados pela péssima administração e pela total ineficiência do Estado em relação a essas empresas. Manter uma empresa estatal é o mais puro entreguismo.Vocês da esquerda adoram criticar a livre concorrência e o livre mercado mas adora apropriar-se do Estado, por isso que defendem a estatização.
  • Mr. M  01/09/2014 19:47
    Também não concordo com exclusivamente liberalizar, sem privatizar, mesmo que fosse só para que tivéssemos um período "de transição" entre o estatizado e o livre mercado, apesar de concordar que é um discurso que pode ser engolido beeeem mais facilmente pelos desentendidos. Vou tentar explicar o porquê.

    Vamos supor que, sei lá, correios fossem totalmente desregulados, mas fosse mantido o estatal. O correio estatal pode oferecer seus serviços de 3 maneiras, e tô partindo do pressuposto que seria só por incompetência, sem o tanto de conchavo que poderia ter:

    1) Preço menor que o de mercado. Nesse caso, os correios estariam tomando prejuízo e nós estaríamos sustentando subsídios. Além disso, seria impossível a iniciativa privada competir com um preço muito menor que o de mercado, o que na realidade só manteria o monopólio, mais subsídios.

    2) Preço maior que o de mercado. Nesse caso, ninguém iria usar o serviço e ele iria ficar lá mofando enquanto as empresas particulares dominam o mercado. Nós estaríamos sustentando infraestrutura, custos fixos, pessoal e etc pra nada.

    3) Preço "certo" de mercado. Nesse caso, o governo teria um preço competitivo com o de mercado... e se é pro governo oferecer o preço certo de mercado, ele não precisa estar lá oferecendo o serviço. Além do que, obviamente achar que o governo consegue competir de igual pra igual com a iniciativa privada é hilariante.

    Lógico que tô levando em conta um fator unidimensional (só preço), enquanto existem outros milhões de fatores que influenciam a escolha dos consumidores por um ou outro fornecedor... mas sei lá, acho que esse é um caso em que não tem essa de pôr só a cabecinha...
  • Marcelo  01/09/2014 20:21
    Agora, imagine um mundo com saúde desregulamentada (podemos começar pequeno: dar mais autonomia a enfermeiros, farmacêuticos etc.). Os serviços privados seriam ainda mais acessíveis, sem por isso extinguir a alternativa estatal "gratuita". (...) Um sistema assim culminaria provavelmente no fim da saúde estatal por puro desuso.

    Claro, essa é o efeito imediato. Mas e aquilo que não se vê?

    A desregulamentação da saúde causaria uma debandada dos melhores profissionais, máquinas e tratamentos para o setor privado - causando um total desfacelamento do sistema de saúde público. Obviamente, os usuários do sistema (que não seriam poucos, já que o preço fixado em zero causa uma demanda tendente ao infinito com o tempo) iriam se revoltar e exigir mudanças. Além disso, considerando que o sistema privado, por melhor que fosse, não seria perfeito, e que as pessoas raciocinam com base na falácia do Nirvana, também é de esperar uma demanda por correções nas "injustiças" dos sistema de preços e atendimento da saúde por parte dos demais usuários.

    Por que os burocratas do governo -- que, além de serem escroques, ainda são os escroques selecionados para dizer aquilo que o povo quer ouvir -- perderiam uma chance como essa?

    Dica: medidas paliativas só causam mais do problema que elas tentam resolver. A esperança que pequenas desregulamentações graduais vão causar o fim do sistema de saúde público é ingênua.
  • Marcos  01/09/2014 20:33
    De fato, isso foi abordado nesse artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=923
  • Fernando Chiocca  01/09/2014 21:26
    "Mas esse fim gradual, ao contrário da privatização, não tira o serviço "gratuito" de quem depende dele."

    Assim como o fim gradual do assalto não tira a renda de quem depende dele, como o ladrão e sua família. Que lindo!
  • Luciano A.  01/09/2014 21:46
    Acho que essa será a primeira eleição que não vou anular todos os meus votos.
    Pelo menos para deputado, terei o prazer de votar no cara do raio privatizador!!

    Magoe um socialista, vote no Batista!! kkkkk
  • Silvio  01/09/2014 21:49
    Duas frases interessantes de Milton Friedman a respeito do assunto:

    "Se uma atividade governamental for privatizada ou eliminada, que seja por completo. Não faça concessões como a privatização ou a redução parciais. Isso simplesmente deixa um foco de oponentes determinados, que trabalharão com diligência, e às vezes com sucesso, para reverter a mudança".

    "Nada é tão permanente quanto um programa governamental temporário".
  • Henrique  01/09/2014 21:49
    off-topic)

    Leandro, tem algo a nos dizer sobre o alardado crescimento da economia americana? A recessão acabou?

    Valeu!
  • Leandro  01/09/2014 22:21
    Não posso afirmar, pois não moro lá e não tenho como "sentir" as genuínas condições econômicas. Agora, o que se sabe é que a taxa de participação da população no mercado de trabalho despencou a níveis da década de 1970, e não dá sinais de qualquer reação.

    research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=GQX


    Para mim, isso está longe de ser uma recuperação.
  • Andrade  02/09/2014 13:18
    Deixem tudo por conta da iniciativa privada. Como acontece com os maravilhosos e baratos serviços das operadoras de telefonia....
  • Gutierrez  02/09/2014 13:38
    Informe-se melhor.

    O setor telefônico não foi desestatizado, não foi desregulamentado (já ouviu falar em uma agência reguladora chamada ANATEL?), e o estado não saiu do controle.

    As telefônicas são caras e ineficientes simplesmente porque o estado, via ANATEL, fechou o mercado para beneficiar estas empresas, proibindo completamente a entrada de empresas estrangeiras. As empresas telefônicas não estão submetidas a uma genuína livre concorrência.

    A ANATEL existe para proteger as empresas favoritas do governo e para impedir que surja qualquer concorrência que possa acabar com o sossego destas empresas. Seu intuito é cartelizar o mercado e proteger grandes empresas da concorrência externa. Não houvesse a ANATEL, qualquer empresa estrangeira poderia se estabelecer no Brasil da noite para o dia, ofertando os serviços que quisesse.

    O estranho seria se as telefônicas realmente se preocupassem com qualidade. Por que iriam? Elas sabem que não há nenhum risco de livre concorrência, pois a ANATEL está ali justamente para protegê-las e impedir a vinda de empresas coreanas e japonesas.

    A postura correta -- que é a do autor do artigo -- é a de pedir o fim da mamata dessas empresas e exigir a completa liberalização do mercado, com a total abertura do setor para a vinda de toda e qualquer empresa estrangeira de todas as partes do mundo, o que aniquilaria as atuais empresas ineficientes e protegidas. É isso, e só isso, o que irá melhorar os serviços.

    Agora, se você acha que a solução é criar ainda mais regulação e dar mais poder a políticos, por favor mande o meu abraço para o Homem de Lata aí em Oz.

    Há vários artigos falando especificamente sobre o setor de telefonia:

    Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui

    A Guatemala e seu exemplo de privatização

    Sobre as privatizações (Parte 1)

    Sobre as privatizações (final)

    Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

    Os reais beneficiados por um capitalismo regulado

    Seria o liberalismo uma ideologia a serviço de empresários?

    Sobre as reformas "neoliberais" na América Latina e por que elas fracassaram


    Por fim, veja aqui esta notícia recente (cuidado para não cair da cadeira):

    Anatel é acusada de favorecer cartel formado por Vivo, TIM, Claro e Oi
  • Dom Comerciante  02/09/2014 13:45
    Ha-ha! As operadoras são protegidas pelo Estado, então, não adianta choramingar aqui. Aqui se defende a liberdade economica, no dia em que voce entender o que isso significa, volte aqui que debateremos com todo o prazer.
  • Dom Comerciante  02/09/2014 13:39
    Nossa, será que foi algum político que escreveu esse artigo? Propor desregulamentação e deixar a privatização de fora pra mim é o mesmo que se considerar estatista, quase a nível keyenesiano!
    Sou completamente contra tudo que o Estado de bem-estar social representa e desregulamentar tudo mas preservar as instituições públicas é o mesmo que "entregar o ouro na mão do ladrão". Por favor gente, sejamos liberais/libertários estritos e façamos somente o que é necessário a liberdade econômica - regulamentação zero ou mínima e o fim de todo tipo de assistencialismo(o estado não é feito para se fazer caridade).
    Até o pastor Everaldo anda levando as privatizações mais a sério... A pior forma possível de se tentar resolver os problemas da atualidade seria desregulamentar e não privatizar tudo, é simplesmente jogar o jogo dos estatistas.
  • Leandro  02/09/2014 13:55
    "Propor desregulamentação e deixar a privatização de fora pra mim é o mesmo que se considerar estatista, quase a nível keyenesiano!"

    Acho que você fez uma leitura bastante apressada. Em nenhum momento o autor "deixa a privatização de fora". Isso beira a calúnia.

    O autor simplesmente -- e muito corretamente -- afirma que privatizar sem desestatizar e sem desregulamentar não é o ideal, vai gerar serviços caros e pouco eficientes, e vai acabar desagradando a população geral, que por sua vez tenderá a defender a reestatização dos serviços. Gostaria que você me apontasse o erro desse raciocínio.

    "desregulamentar tudo mas preservar as instituições públicas é o mesmo que "entregar o ouro na mão do ladrão"."

    Concordo. Mas, de novo, o artigo não diz que tem de ser assim. Ele apenas fez uma abordagem realista dizendo que, havendo duas opções incompletas, ele escolhe aquela que é mais propícia a preços baixos e melhores serviços. A opção de Correios estatais concorrendo com Correios privados existe na Nova Zelândia, e os Correios estatais, obviamente, estão à beira do esquecimento.

    Quer arranjo melhor do que colocar uma estatal para definhar sozinha em um mercado concorrencial? Quem terá coragem de defender tamanha ineficiência?

    Menos emoção e mais razão.

    "Por favor gente, sejamos liberais/libertários estritos e façamos somente o que é necessário a liberdade economica - regulamentação zero ou mínima e o fim de todo tipo de assistencialismo(o estado não é feito para se fazer caridade)."

    Exatamente o que o artigo defende: regulamentação zero ou mínima. Não entendi o motivo de sua irritação.

    "A pior forma possível de se tentar resolver os problemas da atualidade seria desregulamentar e não privatizar tudo, é simplesmente jogar o jogo dos estatistas."

    Essa frase carece de sustentação. Por que "desregulamentar tudo" seria "a pior forma possível de tentar resolver os problemas"? Apresente argumentos, por favor. Fazer afirmações soltas de cunho generalista está longe de representar um genuíno argumento intelectual. Essa sua frase, aliás, caberia muito bem numa cartilha do PCO.
  • Renato  02/09/2014 14:37
    Leandro, no caso dos bancos, quem é o responsável por cartelizar o setor? E de que forma isso ocorre?
  • Leandro  02/09/2014 14:54
    O Banco Central.

    É ele quem protege o sistema bancário formando um cartel bancário que impede que os bancos concorram entre si e que permite que os bancos operem reservas fracionárias sem riscos de insolvência. Mais ainda: é o Banco Central quem garante socorrer os bancos em épocas de turbulência.

    Isso é fácil de entender.

    Os bancos operam com reservas fracionárias, o que significa que eles emprestam mais dinheiro do que o total que foi depositado neles. Falando mais popularmente, os bancos têm o poder de criar dinheiro. Esse dinheiro que os bancos criam do nada é um dinheiro meramente eletrônico, para o qual não há correspondente em papel-moeda físico. Trata-se do dinheiro que você utiliza como pagamento através de cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos.

    Nesse cenário de reservas fracionárias, na ausência de um banco central, haveria o risco de ocorrer uma expansão descoordenada do crédito. Os bancos mais expansionistas — aqueles que criam mais dinheiro — correriam o risco de perder reservas para os bancos menos expansionistas. Se o Itaú criar mais dinheiro eletrônico que o Bradesco, esses dígitos eletrônicos do Itaú inevitavelmente cairão na conta de um correntista do Bradesco. Ato contínuo, o Bradesco exigirá, no fim do dia, que o Itaú faça a compensação desse crédito, enviando-lhe a correspondente quantia em dinheiro físico (nesse caso, cédulas e moedas metálicas), fazendo com que o Itaú perca reservas.

    No extremo, caso o Itaú houvesse expandido enormemente o crédito e o Bradesco tivesse adotado uma postura conservadora, o Itaú poderia ficar completamente sem reservas, indo à falência.

    É nesse ponto que entra o Banco Central. Ele pode "supervisionar e controlar" a expansão do crédito -- ou, falando mais diretamente, ele irá harmonizar essa expansão, estimulando todos os bancos a criarem dinheiro no mesmo ritmo.

    Se todos os bancos expandirem o crédito na mesma velocidade, então não haverá o risco de um banco ir à falência porque criou mais dinheiro que outro banco. Quando todos os bancos expandem o crédito simultaneamente, a quantidade de dígitos eletrônicos do banco A que vai parar na conta do banco B é praticamente a mesma que vai de B para A, de modo que, no momento da compensação, eles se cancelam.

    Tal arranjo permite que os bancos mantenham em suas reservas menos dinheiro do que manteriam caso não houvesse um banco central. Em outras palavras, tal arranjo aumenta a capacidade dos bancos de criar dinheiro do nada, aumentando consequentemente seus lucros. E o melhor de tudo: lucros altos e sem risco de insolvência.

    É por isso que os bancos defendem ferrenhamente a existência do Banco Central. É o Banco Central quem forma e coordena esse cartel, impedindo que surjam bancos concorrentes que possam afetar esse delicado equilíbrio. Sem um Banco Central, não haveria essa expansão coordenada do crédito, pois sempre haveria o risco de um banco furar o acordo, sair do cartel, exigir a compensação dos dígitos eletrônicos e, com isso, levar os concorrentes à falência. Para que haja coordenação, os bancos precisam formar um cartel. E para coordenar esse cartel, para disciplinar os bancos "rebeldes", é preciso um Banco Central.

    Um Banco Central, portanto, permite que os bancos expandam o crédito sem o risco de se tornarem insolventes, aumentando sobremaneira os lucros deste setor. E com um benefício adicional: caso haja alguma corrida bancária, ou caso algum banco se torne insolvente porque fez maus empréstimos, o Banco Central sempre poderá criar dinheiro para socorrer este banco. Essa garantia de proteção estimula os bancos a expandirem ainda mais o crédito, medida essa que gera os ciclos econômicos.
  • Dioner Segala  20/09/2014 15:14
    Para variar, Leandro dando uma aula de economia.

    O pior de tudo é ouvir meu professor de Macroeconomia 3 falando exatamente o oposto disso tudo, e dizendo que é disso (moeda e crédito) que uma economia precisa, não importando de onde surge essa moeda.

    Estes artigos (e comentários) sobre expansão de crédito, criação de crédito, etc.. me inspiraram a elaborar meu TCC.

    Quando é que vai sair um livro teu, Leandro?
  • Pobre Paulista  20/09/2014 17:11
    Cuidado com esse seu TCC, vc pode acabar sem diploma.

    Eles te dão o carimbo por dizer o que eles querem que vc diga, não por vc dizer o que é correto.
  • Dioner Segala  22/09/2014 01:23
    Pobre Paulista.

    Já discuti tanto com tantos professores, que o TCC vai ser o de menos.. hehehe.

    Ao menos, escolhi para orientador um professor que não tem nada de austríaco, mas tem a cabeça aberta; inclusive já sugeri pra ele ler os autores austríacos, visto que ele nunca leu, de forma aprofundada, a respeito (só conhece por nome e coisas básicas...)

    Mas valeu pela dica.

    Abraços
  • anônimo  22/09/2014 11:52
    Discutir com professor nunca vale a pena.Não se esqueça que eles podem te prejudicar do jeito que quiserem
  • Renato  02/09/2014 15:29
    Grato pela explicação, Leandro. Agora, não sei se você concorda comigo, mas essa postura do Banco Central de proteger os bancos só reforça aquele discurso da extrema esquerda de dizer que o PT é um partido de direita, que está aí para ''defender os interesses do capital'' (obviamente a extrema esquerda não iria perder a oportunidade de classificar esse arranjo de proteção a grandes empresas como ''capitalista''), e que a solução seria a total estatização dos bancos. Estou certo no meu raciocínio, caro Leandro?
  • Leandro  02/09/2014 15:53
    Isso sim seria incoerência. A total estatização do sistema financeiro representaria a blindagem suprema dessa elite, a qual agora não apenas estaria imune a qualquer falência, como ainda utilizaria dinheiro do povo para se proteger. Defender isso é atestado de ignorância (bem típico da esquerda)..

    Quer acabar com o poder dos bancos? Feche o Banco Central, legalize a livre concorrência de moedas, e coloque os bancos para concorrer entre si em um mercado livre e desregulamentado, no qual qualquer um (nativos e estrangeiros) pode entrar e ofertar seus serviços. Mais ainda: qualquer empresa de qualquer ramo tem de poder incorrer em atividades bancárias.

    Qualquer outro arranjo que não seja esse configura defesa dos interesses financeiros.
  • Gunnar  02/09/2014 16:39
    A última frase resume tudo. Desregulamentar, desburocratizar, desonerar é muito mais importante do que privatizar. Libera o mercado que em pouco tempo as estatais somem como consequência.
  • Erick  02/09/2014 21:25
    Pois é, não basta privatizar.

    Eu mesmo SONHO com o dia que esse metrô seja desestatizado, livre de qualquer parasitismo, e que uma estação de metrô seja tão comum e na mesma quantidade que um posto de gasolina.
    Essa ideia é tão fantástica que até os pseudo-marxistas concordam comigo quando falo. Pena que nunca vão entender o que é necessário para se obter este resultado.
  • Renato  04/09/2014 15:22
    Leandro, a que você atribui o fato dos aparelhos celulares serem hoje produtos amplamente acessíveis até mesmo para as classes mais baixas da sociedade? Às privatizações das telecomunicações ou ao arranjo econômico que vigora nos países produtores de celulares (Samsung/LG - Coréia, Sony - Japão, Apple - EUA), que por tributarem menos as empresas (em relação ao Brasil), possibilitaram que menos capital fosse confiscado, e consequentemente, as mesmas produzissem mais e com inovação constante?
  • Leandro  04/09/2014 15:35
    Ambos.

    Tecnologia, inovação e ganhos de escala se combinaram a um mercado um pouco mais livre (muito mais livre quando se leva em conta que vivíamos sob um monopólio estatal), e o resultado foi esse.

    Mas há vários outros exemplos. Nos EUA, na Europa e nos países capitalistas da Ásia, qualquer pé-rapado tem laptop, smartphone, tablet e... carro.

    Aqui no Brasil, a importação de todos esses itens é rigidamente tributada. Vivemos dentro de um curral, e o governo nos obriga a comprar apenas o lixo produzido pela indústria nacional.
  • Lucas P  05/09/2014 14:16
    esse discursinho de que ''busca por lucro'' gera eficiência é balela.
    A vale foi privatizada, mas foi eleita a pior empresa do mundo. Como explicar?
    economia.ig.com.br/empresas/vale-e-eleita-pior-empresa-do-mundo-em-eleicao-promovida-por-ong/n1597601973869.html
  • Flávio  05/09/2014 16:23
    Essa valeu o dia. Uma enquete feita por ambientalistas, respondida apenas por ambientalistas e que, além de se basear exclusivamente em critérios subjetivos inventados pelos melancias, utiliza como exemplo de "atitudes condenáveis" a participação da Vale na construção da Usina de Belo Monte (!!!).

    Sensacional. Mais criterioso que isso só a opinião de petista sobre políticos rivais.
  • Lopes  05/09/2014 17:47
    Participação esta, que fora pressionada pelo governo federal e abandonada o máximo possível, o quanto antes - já quando o investimento estatal demonstrou ser menos sustentável, lucrativo e vantajoso.

    www.oestadonet.com.br/index.php/2013-12-02-17-02-11/lucio-flavio-pinto/item/3806-vale-saira-de-belo-monte

    É um caso que nos serve de perfeita comparação entre o gasto sob uma conjuntura estatal e o gasto sob uma conjuntura privada. O primeiro receberá dinheiro independentemente do uso eficiente de seu capital, o que para piorar o torna perfeitamente suscetível às tentações políticas, corruptas e populistas dos realizadores (afinal, não há motivo para simplesmente não fazê-las: o dinheiro não é deles mesmo).

    Já a segunda tem de necessariamente produzir eficientemente e calibrar seu capital em direção aos investimentos que gerarão a maior quantia de utilidade possível. Caso fracasse, a falência, a perda de consumidores e a decorrente perda de confiança dos acionistas sempre estará na esquina.

    Mesmo neste pequeno caso que é condição para que um investimento seja feito, já fica evidente a diferença na eficiência do uso de recursos por ambas as partes.
  • Emerson Luis, um Psicologo  06/09/2014 14:20

    Privatizar sem desestatizar o setor é apenas terceirizar as estatais.

    * * *
  • Lucas P  11/09/2014 18:21
    Caro Leandro, fugindo um pouco do tema desse artigo, mas se você puder elucidar um pouco a minha seguinte curiosidade, eu agradeço:
    Estava vendo uns vídeos sobre a Coréia do Norte, em especial as ruas e o trânsito. Deu para notar (pelo menos na capital), que em infraestrutura, como ruas, calçadas, túneis, pontes, prédios modernos, etc, a situação é bem mais animadora do que em cuba por exemplo. Em relação aos carros, além de serem bem mais novos do que os dos anos 50 de cuba, vi modelos da Volvo e alguns de luxo da VW, como o Passat. A pergunta é: você tem alguma informação sobre como funciona a política de importações por lá? Além disso, dado essa melhoria considerável na infraestrutura (repito: ao menos na capital), podemos afirmar que na Coréia do Norte existe bem mais bens de capital do que em Cuba?
  • Leandro  12/09/2014 12:44
    Desconheço tais dados. Mas sugeriria muita cautela quanto à veracidade deste vídeo. Conhecendo regimes ditatoriais, é bem provável que o vídeo seja artificial. Por exemplo, estando a par de que haveria tal filmagem, o governo pode ter colocado toda a frota de veículos a serviço do regime na rua para passar essa impressão de modernidade. Ou trata-se de alguma peça de propaganda do regime. Isso é bem comum.

    No que mais, até onde se sabe, não é permitido fazer filmagens nas ruas de Pyongyang (como já foi relatado por jornalistas que entraram lá infiltrados) e não há nem eletricidade no país (fato comprovado por uma imagem noturna de satélite das duas Coreias).

    Difícil crer que um país assim teria condições sequer de importar carros. Quanto à infraestrutura, se ela for antiga mas não for muito usada, é até plausível que ela se mantenha em condições razoáveis
  • G. Santargila  15/09/2014 14:25
    Temos que privatizar, também, a vida. O ESTADO E A ANVISA pensam que criaram o homem e, também, deram-lhe bolsas. Viram que isso era bom, mas, imperfeito. Por isso, de tempos em tempos, para manter sua dependência emitem manuais de instrução sobre sua manutenção - Como alimentar-se, como vestir-se, como divertir-se, como medicar-se etc.(GS)
  • Renato  19/09/2014 15:44
    Leandro, como lidar com a questão da concorrência onde o próprio espaço físico é um fator de entrave? Por exemplo, como imaginar que pode haver uma ''estrada concorrente'' a Dutra (Rio x SP) para que haja redução dos pedágios, por exemplo? Ou então no caso do Rio, que tem uma linha de trem administrada pela empresa Supervia, cujos trens são motivos de reclamações diárias por oferecer um serviço péssimo, como imaginar que uma empresa concorrente construa uma linha de trem sendo que o entorno é rodeado de prédios?
  • Renato  22/09/2014 13:51
    Leandro, uma boa notícia:
    carplace.virgula.uol.com.br/hibridos-tem-imposto-de-importacao-reduzido-para-valores-entre-zero-e-7/
  • Pobre Paulista  22/09/2014 14:20
    O que tem de bom nesta notícia? Vejo apenas que o governo continua tendo o poder de arbitrar o que deve e o que não deve ser comprado pelas pessoas honestas. E isso não é bom. Pelo menos para quem é honesto.
  • Renato  22/09/2014 16:46
    De maneira nenhuma estou dizendo que isso é um mérito do governo brasileiro. Carga tributária alta e tarifas de importação são um câncer, um atraso, que só contribuem para a frota brasileira ser esse lixo que é. Ninguém deve achar que ''graças ao governo, teremos melhorias no setor automotivo!''. O que houve foi apenas uma diminuição do estrago das medidas criadas pelo próprio governo. Isso foi semelhante ao que aconteceu nos anos 90, quando a tarifa de importação foi reduzida, mas não zerada. Como bem disse o Leandro no podcast do IMB, isso foi o SUFICIENTE para que a frota brasileira desse um salto de qualidade. Em nenhum momento ele disse que aquilo era o IDEAL. É verdade que a medida ainda contém várias restrições, como prazo de validade, exclusão de carros com motores acima de 3 litros, etc. E quando essa pequena redução da tarifa foi anunciada, é isso que acontece:carplace.virgula.uol.com.br/mitsubishi-outlander-phev-e-lancado-brasil/
  • Ian Lacerda  23/09/2014 14:22
    Mais um golaço do liberalismo. O mais absurdo é ainda vermos pessoas defendendo a privatização, com o autor desse texto. A notícia a seguir deixa claro como as privatizações encarecem as coisas. Os cursos passarão de 650 reais para 1500.
    https://fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-xpf1/v/t1.0-9/10610759_10201694231956531_4580401611520310362_n.jpg?oh=59de5e215c82630c0c2f2be987fcecf9&oe=54C4ED8B&__gda__=1422174452_a6cf2d59a0884b0b6f29012ab02cf11d
  • Leandro  23/09/2014 14:44
    Deixe-me ver se entendi bem:

    Havia uma escola de música que era subsidiada pelos desdentados do Estado do Rio (pois é sobre os pobres que recai a maior parte da carga tributária).

    Agora, no entanto, ela deixou de ser subsidiada pelos desdentados e será financiada única e exclusivamente por aquelas pessoas que voluntariamente utilizam seus serviços.

    E você vem dizer que este novo arranjo é incorreto e imoral? E que o certo seria continuar obrigando os desdentados a financiar o luxo de poucos?

    Por essa sua mesma lógica, se o governo federal privatizar o Campo de Marte (que hoje é subsidiado por todos os brasileiros), de modo que os ricos donos de jatinhos tenham de pagar tarifas aeroportuárias mais altas, você também irá reclamar?

    A sua moral é tão torta, que faz um círculo.
  • Green  23/09/2014 14:53
    Privatizar prisões com o estado ainda existindo é preocupante. Em uma sociedade ancap tudo bem mas na nossa situação seria terrível. O Lobby dos donos de prisões pra justiça jogar todo mundo em cana por qualquer coisa seria gigante...

    Hoje em dia se te pegam com um baseado o PM te da uma surra e pronto (vai da vontade dele, mas normalmente é assim que funciona)... com empresas fazendo lobby existiriam incentivos pra apreender pessoas, ia virar um inferno.
  • Ian Lacerda  23/09/2014 15:11
    Essa comparação foi totalmente descabida. Os ricos donos de jatinho, caso tenham que pagar tarifas mais caras, CONTINUARÃO a usar o campo de marte, pois podem pagar. E os pobres que estudavam lá, e que agora terão de pagar cursos de 1500 reais, irão para onde?
  • Carlos Lacerda  23/09/2014 17:19
    Pobres?! Quem pode se dar ao luxo de pagar R$650 por mês pra tocar música está longe de ser "pobre".

    Aliás, segundo as metodologias estatísticas do governo federal, isso é padrão de gasto das classes A e B.

    Mais ainda: qualquer curso de inglês é mais barato do que isso. Cacete, até mesmo mensalidades escolares de escolas privadas boas são mais baratas do que isso.

    Sendo assim, meu caro Ian Lacerda, deixe de ser covarde e responda à pergunta do Leandro: você é a favor de os desdentados continuarem subsidiando escolinha de música para pessoas mais abastadas?

    Não fuja da pergunta e nem tente mudar de assunto; aqui essa tática não vai colar.
  • Pobre Paulista  23/09/2014 18:08
    Ian,

    Vai lá e pague o curso para eles, porra.

    Quer solução mais óbvia que essa?
  • anônimo  24/09/2014 16:55
    A última coisa que pobre precisa é jogar dinheiro no lixo com frescura de cursinho de música.
    Isso é coisa de parasita estatal
  • Marcos  05/05/2015 21:11
    A pergunta é, o que o povo ganha com a Petrobras estatizada se o preço da gasolina do Brasil é um dos mais caros? O que o povo ganha com Bancos Estaduais e Escolas Estaduais que só uma minoria abastada tem condições de frequentar, já que os horários não batem com os horarios de quem precisa trabalhar pra se sustentar?
    Sei que a maioria dos Bancos privatizados quebraram, isto mostra que não eram lucrativos e se sustentavam com verbas do governo.
    Em minha opinião, devemos privatizar tudo mas os compradores devem ser brasileiros, mesmo sabendo que serão apenas laranjas, mas o nome que aparecerá será de um brasileiro.
    Att
  • Lord  29/05/2015 20:54
    Como os liberais explicam o porto de Roterdã (Holanda) que é público e é um dos melhores portos do mundo?
  • Ashcroft  29/05/2015 22:08
    Oi?!

    Qual é o grande desafio em gerir o Porto mais antigo e tradicional da Europa?!

    Aliás, informe-se um pouco mais: o porto de Roterdã perde para os de Cingapura e Xangai em termos de movimento; é apenas o 11o em termos de manuseio de contêiner, e o sexto em termos de tonelada anual de carga.

    en.m.wikipedia.org/wiki/Port_of_Rotterdam

    E, em 2014, as receitas subiram mas o lucro espantosamente caiu.

    https://www.vesselfinder.com/news/3023-Despite-increased-revenue-Port-of-Rotterdam-profits-go-down

    Parece que a gerência está longe de ser invejável.
  • Dagoberto  29/05/2015 22:13
    Juro que jamais em minha vida serei capaz de entender esse tesão do brasileiro em entregar para políticos a gerência de grandes empresas.

    Parece que o cidadão adora saber que tem político metendo a mão na grana do povo.

    Quer gerar um orgasmo num brasileiro? Entregue a gerência de uma grande empresa a políticos. O cara ejacula longe.

    Por isso esse livro do Bruno é extremamente urgente.
  • Ricardo  08/01/2016 16:32
    Sempre me soará estranho alguém classificar o serviço estatal como "gratuito"...
  • Tavares  11/01/2016 17:48
    Na minha opinião um país sem estado é um país desfigurado, desregulado e sem identidade cultural.

    O que acontece quando criamos um ser humano sem limites?

    O que os americanos aprenderam na crise de 2008? Que a falta de regulamentação do estado permitiu, em nome da ganância, a criação de mecanismos financeiros tão utópicos no mercado imobiliário, que quando se deram conta que a valorização era pura ilusão deu no que deu, bancos quebrando em cascata.
  • Waldir  11/01/2016 18:03
    De novo?! Vai continuar repetindo chavões e se mantendo na ignorância? O aprendizado não lhe interessa em nada?

    Você sabe o que é CRA?

    Como ocorreu a crise financeira americana
  • Bartolomeu Tiburcius  11/01/2016 18:20
    De novo isso? Você não está interessado em aprender?

    Ora, essa é A maior besteira que alguém pode dizer sobre a crise de 2008.


    A crise de 2008 não teve NADA A VER com economia de mercado, mas sim com a falta dela (a crise foi fruto do intervencionismo estatal):

    mises.org.br/Article.aspx?id=188
  • Madson Florêncio  14/01/2017 22:49
    Não garanto que será um comentário inteligente(sou novo nesse âmbito de debates econômicos e tudo mais), mas tentarei ao máximo que seja educado. Alguém pode me explicar o que seria essa regulamentação que o autor pretender extinguir com a abertura do mercado? Grato desde já.
  • Antônio   14/01/2017 23:24


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